Shared posts

03 Jul 21:20

anotherfirebender: mamavalkyrie: shakerattleandcrescentrolls: ...



anotherfirebender:

mamavalkyrie:

shakerattleandcrescentrolls:

devious-devil:

omnimodus:

apparently the key to happiness is to have a long and shitty winter

and if you can’t have that, surround yourself with deadly wildlife

or maybe these countries have free or reasonably priced health care, good education and costs nothing or very little, marriage equality(not all do however on the list but they at least aren’t extremely homophobic either), decent minimum wages, stable economies, low crime rates and so forth and also deadly wildlife because we protect our environment

Shots fired

but not in those countries because they have low crime rates

23 Jun 15:34

scruffboots: This is how it shoud’ve gone down*Not my GIFs*











scruffboots:

This is how it shoud’ve gone down


*Not my GIFs*

03 Jul 21:19

Photo







27 Jun 14:17

loverofbeauty: Jaguars love water!



loverofbeauty:

Jaguars love water!

03 Jul 20:18

244

by clay

depcom.244.col.400px

01 Jul 19:06

redução não é solução

by Patricia C.
Cada vez que uma pessoa favorável à redução posta algo raivoso como "tomara que você seja estuprada por um menor" ou "tomara que um menor mate sua mãe pra você ver o que é bom", penso que isso reforça mais ainda o meu lado nessa discussão. Sem contar que eu jamais desejaria isso para um oponente num debate, a vibe aqui é outra. Nossos pontos de partida já são diferentes porque vejo a prisão como ressocialização não como punição. É pra isso que o estado de direito nasce. Se fosse para ser olho por olho era melhor inventar uma máquina do tempo e voltar pra idade da pedra. Um mundo sem lei. 

Em 2010 a minha mãe foi agredida por um parente, teve a coluna fraturada, quebrou um dedo e foi parar no hospital com hemorragia interna, quase morreu. Teve que usar colete ortopédico por 6 meses. O responsável? Só foi chamado para depor 2 anos depois. Os inquéritos demoram, os responsáveis por n crimes sequer são chamados pra depor porque fogem e a PM não tem quadro pra procurar ninguém. Não é mais urgente revermos essa falha no sistema com crimes que representam a grande maioria dos casos? Por que esse furor midiático para discutir crimes minoritários? 

Entra mais uma vez na discussão da punição. Ninguém quer solução para o problema da criminalidade.
Roubou um celular e saiu correndo? Pega ele, mata.
Estuprou e matou? Pega ele, coloca cada membro preso em um cavalo selvagem, de modo que ao correr, cada cavalo arranque um membro e fique exposto em praça pública apenas o tronco do bandido (relato que está em Vigiar e punir, do Michel Foucault).
E por aí vai. 

Já dizia Saramago, "olho por olho e acabaremos todos cegos".

 Frequentemente, nós apoiadores da não redução, somos chamados de inocentes. "Tá louco, o cara de 16 sabe muito bem o que tá fazendo, o cara estupra, mata, assalta e o estado vai proteger?". Então, eu sempre devolvo a acusação. Alguém pode realmente achar que o estado protege crianças e adolescentes de alguma coisa? Principalmente quando esse menor é negro? Talvez um inocente pense que sim. Quem compreende o sistema, quem enxerga as estatísticas, sabe bem que o estado e a sociedade empurram esses menores para o crime. Um assunto que vai muito além de uma redução na maioridade penal. É imprescindível uma reforma no sistema prisional, reestruturação da educação e a legalização do aborto. Inocente, pra mim, é quem pede a redução sem se ligar que esses 3 temas são a raiz da situação e devem ser tratados primeiro.
15 Jun 13:42

UMA BRANCA QUE SE PASSOU POR NEGRA

by lola aronovich
Lori

Osias, gostaria de saber sua opinião sobre trans-racial.

Olhem só que caso incrível. Só se fala nisso desde quinta ou sexta nos EUA.
Rachel Dolezal, uma professora universitária de estudos africanos e presidente da NAACP (National Association for the Advancement of Colored People, uma prestigiada e histórica associação americana que luta pelos negros) vive na cidade de Spokane, cidade de 200 mil habitantes no estado de Washington. Ela, que tem 37 anos, há quase uma década "se passa" por negra. 
Rachel fez mestrado com bolsa integral na Universidade de Howard, considerada a "Harvard negra". Apresentou um homem negro como sendo seu pai. Tinha uma coluna num jornal local sobre assuntos raciais. Deu uma entrevista afirmando que na sua infância caçava com arco e flecha (porque ela dizia também ter ascendência nativo-americana). Postava fotos em que mostrava seu cabelo "natural". E dizia que seu irmão de 21 anos, que é negro e vive com ela, era seu filho.
Foto da polícia da corda encontrada
em frente à casa de Rachel
Além disso, nos últimos anos, denunciou à polícia uma dúzia de ameaças contra ela, por ser "birracial". Nenhuma foi confirmada. A mais recente levantou suspeitas. Era um pacote com fotos de linchamentos de negros endereçado a NAACP, no nome de Rachel. Mas o pacote não tinha selo nem carimbos. Para ser deixado na caixa postal, só por alguém que tivesse a chave, ou por um funcionário (que não coloca encomendas sem selo).
Rachel virou a palavra da vez porque seus pais, que não falam com a filha há anos, vieram a público dizer que ela não é negra. Divulgaram fotos de Rachel jovem, em que ela era loira, com sardas. Quando Rachel era adolescente, eles adotaram quatro crianças negras. Segundo eles, foi aí que começou a fixação dela com a negritude. Rachel mais tarde se casou com um negro e teve um filho. 
Os pais biológicos de Rachel
Após a separação, segundo os pais, é que Rachel iniciou sua "passagem" como negra. 
Seus outros irmãos adotivos que moram com os pais afirmam que Rachel é branca. Um deles disse: “Posso entender o estilo afro no cabelo e tudo isso. Mas dizer que seu irmão é seu filho, isso eu não entendo”.
Até agora, a NAACP tem sido muito discreta, dizendo que apoia Rachel e que ela e sua família estão em batalha legal pela custódia de um dos irmãos (o que vive com ela), e por isso compreende que Rachel não queira falar sobre isso. Além disso, reiterou que pessoas de todas as raças podem fazer parte da associação, e inclusive presidi-la.
Este é o resumo que tenho pra oferecer por enquanto, mas há "descobertas" e desdobramentos ocorrendo a toda hora. Espera-se que Rachel se pronuncie (após uma entrevista-surpresa desastrosa) hoje à noite.
Vocês leram a história toda, né? Agora, acreditem: tem gente me comparando a Rachel.
Eu, que nunca enganei ninguém a respeito de coisa alguma; eu, que nunca me disse negra. Eu, que apesar de ser ativamente contra o racismo e outras opressões, não faço parte do movimento negro. Eu, que sou ameaçada cotidianamente por ter um blog feminista, mas que nunca sofri racismo.
Comentário de alguma radfem que vem trollar no blog
E essas comparações todas com Rachel são porque eu fui identificada como negra (por uma negra) num congresso recente, e fiquei feliz. 
E escrevi um tuíte descrevendo isso. Como não havia sido a primeira vez que eu era vista como parda, e como eu vinha tendo dificuldade para me dizer branca (sempre dizia "mais ou menos branca"), escrevi um texto falando dessas inquietações.
Idêntico ao que Rachel fez, hein?
Mas me comparar com Rachel é fichinha perto das outras comparações que vêm sendo feitas -- principalmente com Caitlyn Jenner. Faz pouco tempo, Caitlyn deixou para trás Bruce Jenner, ex-atleta olímpico americano, e se assumiu mulher. Uma das perguntas mais feitas por conta do caso de Rachel é "Por que uma mulher pode se declarar homem e ser aceita, e uma branca não pode se declarar negra?"
A atriz Mia Farrow foi uma das que perguntou no Twitter: “Aceitamos que uma pessoa pode se identificar como transgênera. 'Trans-étnica' poderia ser algo real?” O termo transracial virou uma hashtag popular no microblog nesses dias.
Uma das muitas piadas no Twitter:
Orange is the new black
Não preciso nem dizer que a direita is having a field day, né? Pois é, a direita está nas nuvens por causa do “escândalo”. Afinal, isso de identidade e ativismo social é coisa de esquerdista. Estudos afro-americanos? Se dependesse dos conservadores, essa perda de tempo nem existiria. É a chance dos reaças gritarem como toda a esquerda é uma farsa. Sem falar que a direita não estava engolindo bem o tratamento da mídia a Caitlyn Jenner (mesmo ela tendo dito ser republicana).
Acho essas comparações de Rachel com Caitlyn bastante absurdas, porque sugerem que uma mulher trans é uma fraude. Mas há tanto para se falar sobre isso, que prometo um outro post
Na realidade, Rachel está mais pro protagonista de Tootsie, em que um ator desempregado se passa por mulher para conseguir um papel feminino. Na "vida real", ele continua sendo homem. Mas pro público e pro elenco da novela em que participa, ele é mulher (e as confusões derivam disso nessa excelente comédia).
Aliás, a história de Rachel lembra Soul Man. Não sei se alguém se recorda desse filme besta de 1986 com o C. Thomas Howell. Ele faz um rapaz branco que não tem como pagar o alto preço de estudar em Harvard, então se disfarça de negro, com peruca e blackface (e todos os estereótipos raciais – e racistas – que vem junto) para conseguir uma bolsa. 
Li vários textos interessantes sobre o "caso Rachel", todos em inglês. Um artigo do Boston Globe explica o fascínio que brancos têm pela cultura negra (minha tradução): “Estudiosos e críticos culturais perceberam há muito tempo que, já que a cultura branca é vista como não-existente ou chata, os brancos consomem e adotam estilos e práticas não-brancas para construir identidades cool e exóticas. E como brancos podem 'vestir” a negritude sem a ameaça de serem assediados ou mortos sem motivo pela polícia, a emoção de performar negritude tem muito menos risco que a vida real como uma pessoa negra. Ademais, brancos podem parar a performance quando quiserem e voltar a serem racialmente sem marca”. 
Um artigo no Slate diz: “Pertencer à comunidade negra é herdar uma cultura rica e importante; ser racialmente negro é enfrentar discriminação e violência”. O autor Jamelle Bouie cita um homem, filho de escravos negros, que poderia ter se passado facilmente por branco (o que não era incomum em épocas passadas). Mas Walter Francis White não quis, e escreveu em sua biografia: “Eu sou negro. Minha pele é branca, meus olhos são azuis, meu cabelo é loiro. Os traços da minha raça não estão visíveis em mim”. Ele foi líder da NAACP durante 24 anos, de 1931 a 1955. Diz Bouie:
“Ambos os fenômenos, de negros que decidiram 'passar por brancos' e de negros que poderiam passar mas se abstiveram, ilustram a realidade porosa da raça, e mais crucialmente, de como é diferente de etnia. Por um lado, 'preto' é uma confirmação de identidade. Descreve uma certa cultura e uma certa história, ligada às vidas e experiências de africanos escravizados e seus descendentes. É uma cultura fluida, com espaço para uma grande variedade de pessoas, desde brancas a negras, a pessoas de ascendência latino-americana e caribenha.
“Por outro lado, descreve a parte mais baixa na hierarquia racial americana. É uma construção, mas foi construída por características físicas, quando americanos coloniais capturaram africanos, transformaram-nos em escravos, e os fizeram 'negros'. Designa as pessoas que podiam ser escravizadas; as pessoas que tinham que viver sob a lei discriminatória de Jim Crow; as pessoas a quem podiam ser recusados empréstimos para comprar casas e a quem se podia jogar nos guetos, as pessoas que podem ser roubadas por autoridades municipais mesquinhas”.
Este artigo também é muito bom. Ele diz que “Se você parece negro, você é negro na América, independentemente das suas raízes étnicas ou de como você se identifica; definir-se como birracial não impediu Tony Robinson de entrar na longa lista de jovens negros desarmados mortos pela polícia”. E conclui: “Sem sua história fabricada, [Rachel] Dolezal teria sido apenas uma pessoa branca dedicada a causas negras".
A dúvida é: por que isso seria um problema? Eu pessoalmente não concordo que uma pessoa branca receba bolsa para estudar na conceituada Universidade de Howard (há relatos que ela ainda era branca quando estudou lá), ou que uma pessoa branca presida uma NAAPC, porque considero que isso seria roubar protagonismo, e porque essas atitudes tirariam oportunidades de negros. 
Casamento de Rachel
Mas Howard e a NAAPC não se opõem à presença de brancos, e Rachel não seria a primeira branca. É essa dúvida que, a meu ver, patologiza a questão, e faz pensar sobre a sanidade de Rachel.
Por exemplo, aqui há um artigo instigante falando do fascínio que Rachel tem por sofrimento. Ela não se passava apenas por negra, mas também por uma pessoa chicoteada, torturada, abusada. O autor fala do caso de um judeu que fez sucesso na Europa, vinte anos atrás, publicando uma memória sobre sua sobrevivência no holocausto quando criança. Só que ele não era judeu. Nem vítima do holocausto. Mas parecia acreditar que era.
Bom, este texto já está gigante, e tem um montão de coisa pra discutir. Continuo aqui.
18 Jun 15:51

nice, ron



nice, ron

22 Jun 06:30

Last Week Tonight with John Oliver: Online Harassment (HBO)

by LastWeekTonight

Online harassment is a major problem, but it’s rarely prosecuted. If only we’d been warned about this in the early days of the internet.
19 Jun 14:37

20 essential job interview tips

19 Jun 21:46

242

by clay

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20 Jun 22:14

O fenômeno do cara legal e a balela da friendzone

by Mari

[SPOILEIR!] Sabe o que o personagem Joe Caputo, de Orange is the New Black, e os caras que acreditam em friendzone tem em comum? Eles são caras legais e isso é terrível.

No episódio 11 da terceira temporada de OITNB conhecemos melhor Joe Caputo, o atual diretor da prisão. Nele, vamos criando uma teia de histórias que nos ajudam a desvendar o personagem. Primeiro, ele surge como um jovem com um futuro promissor na luta greco-romana se lesiona em um evento extra competitivo. Na verdade, ele se oferece para lutar contra jovens com síndrome de down e é enaltecido pelo treinador pois “não precisava”, mas é tão bondoso que quis dar essa alegria aos jovens especiais. Um pouco adiante no tempo, ele se casa com sua namorada, que está grávida de outro e perde a oportunidade de fazer sucesso com sua banda. Em um debate sobre o tema ele não demora em tocar na cara da mulher que ela lhe deve isso, que ele se sacrificou por ela (mas ela deixa claro que nunca pediu nada).

O NY Times alerta:

Joe Caputo pode não ser um cara legal, mas ele persegue desesperadamente o sentimento que tem quando é percebido como bondoso.

joe-caputo

É essencial notar que esse empenho em ser percebido como alguém nobre vai, ao longo dos anos, fazendo com que Caputo perca todas as reais oportunidades de sucesso da sua vida e termine sendo o personagem solitário e decepcionado que conhecemos. Mas o martírio está longe de ser abnegado. O Salon explica:

A falha central de Caputo é que ele se vê como um “cara legal” quando, na verdade, tudo que ele faz é esperando que o mundo lhe dê algo em troca – a medalha de ouro do heroísmo, a faixa azul por presença (…) O problema não é só que ele acredita que deveria ser um herói: o problema é que ele acredita que merece algo especial por ser assim heróico.

Tudo isso pode parecer besteira, mas o discurso que costura essa ideia de que o homem merece um troféu por ser legal (coisa que deveria ser o mínimo, convenhamos) é o mesmo que costura campanhas como aquela dos esmaltes e ideias terrivelmente babacas e perigosas como friendzone.

E tendemos a levar friendzone como piada, mas ela está profundamente inserida na cultura do estupro, porque coloca a mulher como um commodity, um objeto, que deve ser recebido em troca de gentileza. E quando isso não acontece, ela está manipulando o homem ou ela é burra demais para perceber quem são os caras legais.

Mas, ei, nós não somos idiotas, e caras que acreditam nisso não são nada legais.

Porque friendzone nada mais é que um homem se sentindo lesado por não receber o que quer. E esse discurso carregado de ódio é uma maneira de enfraquecer o direito de escolha feminino.

friendzone2Te diz que tu é um ótimo ouvinte, talentoso e um partidão. Tu entrou para friendzone (onde aprendemos que não rola ser educada com moleque escroto)

Um homem que internalizou que um comportamento gentil ou bondoso é um escambo que deve resultar em algo que lhe favoreça é o oposto de um cara legal. A Amanda Marcotte ressalta, também, o que une conceitos como friendzone de coisas imbecis como PUA:

É a teoria de que as mulheres não curtem tanto sexo quanto curtem atrair atenção. Então caras que dão atenção para elas de livre e espontânea vontade são vistos como fontes de atenção infinita e mulheres só dão sexo para homens que as fazem trabalhar por isso. A noção de que friend zone é permanente deriva da ideia de que ela te vê como um babaca que dá atenção sem que ela precise se esforçar. A possibilidade que uma mulher, de fato, goste da tua companhia e ache que tu também gosta da dela é deixada de lado. A possibilidade de ela ter te rejeitado polidamente e que tu só fique orbitando em torno dela, abusando da boa vontade e da educação que a faz não te mandar sumir é totalmente ignorada. Se tu mergulhar nessa mentalidade por tempo suficiente, a ideia de pickup artists sendo uns trouxas e tentando manipular as mulheres para fazerem sexo com eles parece terrivelmente boa.

No final, o cara legal só se revela pela frustração. Ao se frustrar diante de não ter sido reconhecido como a pessoa maravilhosa que acredita ser, ele se torna quem realmente é. Mas, eis uma novidade, caras: o mundo não te deve nada, as mulheres não te devem nada.

Esse comportamento pode parecer ter muitas semelhanças com o de uma criança mimada e, talvez, seja o caso do personagem Caputo. Mas certamente não é o caso da friendzone, porque a misoginia sente o direito de se impor. E, como bons babacas, em nenhum momento ocorre para estes homens tentar ver as coisas pelo que são. Se fizessem isso seriam capazes de notar que o mundo não gira em torno deles e as coisas costumam ser bem mais simples que parecem.

Deixo aqui essa dica:

Nós mulheres somos apenas seres humanos mesmo. E a maioria dos homens não está pronta pra aceitar plenamente essa mínima verdade universal

— Catarina (@BinahIre) May 31, 2015

17 Jun 23:21

Relacionamentos solitários

by Mari

Esses dias fui conversar com uma amiga que está passando por uma ruptura (muito mais interna que externa, mas que acabou abalando todo o resto da vida dela).

No meio dessa ruptura pessoal ela foi se dando conta que, muitas vezes, era a única “responsável” pelo relacionamento que tinha. E se pegava olhando com inveja pro namorado quando ele conseguia ser profundamente egoísta sem culpa nenhuma.

sozinhaAh, é, eu tou sozinha

Porque, pra maioria de nós, ainda é muito difícil pensar em si sem sentir culpa por ter abandonado o outro. Como se essa fosse nossa vocação e tivéssemos deixado ela de lado, nossa Capela Sistina. E não é como se isso fosse só fruto da nossa cabeça, a maioria das pessoas ainda acredita que temos obrigaçãotalento para cuidar. Cuidar da casa, do homem, dos filhos. Sozinhas. Abnegadamente. Tudo que não é assim segue sendo visto como desleixo, descaso, ser uma mulher pior. Daí vem a nossa culpa ;)

Minha amiga é alguns anos mais jovem que eu e, ouvindo o que ela falava, lembrei da primeira vez que me dei conta disso: quando pensei em ser mãe. Durante muitos anos tive mais amigos homens que mulheres e, chegando em certa idade, a maioria se tornou pai. Nenhum deles precisou abrir mão da própria vida e virar um santo dedicado para ser considerado um bom pai. Muitos são, muitos não. Mas todos seguiram existindo individualmente. Só que a ideia de ser mãe, pra grande maioria das mulheres que eu conhecia, envolvia abdicar de si. Foi aí que dei um ou dez passos pra longe disso tudo.

Mil anos depois, muita coisa mudou e já conheço mães que confrontam abertamente essa ideia de deixar de existir pela maternidade. Apesar das cobranças da família, das escolas, da sociedade. Mas ainda conheço bem poucos homens que o fazem. Ou seja: ser mãe continua sendo um trabalho individual (mesmo quando em dupla).

melhor-odiadaMelhor ser odiada que amada por quem tu não é

O mesmo acontece com os relacionamentos. Não importa o quanto o cara diga ser diferentão e consciente, se ele é incapaz de sentar contigo e conversar para tentar mudar as coisas, rever seus privilégios gerais e se dedicar cotidianamente para equilibrar a balança, o teu relacionamento é um trabalho individual.

Ou seja, nós podemos romper apenas com o nosso lado, que é essa ideia de que mulher não deve confrontar o homem, que sempre temos que ceder e que nossa obrigação é cuidar, mas se o parceiro não acompanhar nem estiver disposto a romper com o que pesa do seu lado, muitas vezes essa tentativa de melhorar acaba nos deixando com a sensação de que trocamos o que tínhamos por algo pior.

Mas só porque raramente nos damos conta que a maioria dos relacionamentos que seguem esse padrão tradicional são profundamente solitários para as mulheres que, assim como a minha amiga, são as únicas responsáveis pela coisa toda.

Quantos relacionamentos solitários vocês já tiveram? Daqueles que o cara acha que DR é um saco, mas não propõe nenhuma outra forma de conciliar ou lidar com as coisas? Daqueles onde a tua vida fica em standby porque a vida dele está em primeiro plano? Daqueles que tu esquece como é receber carinho e incentivo quando as coisas vão mal/bem?

Isso quer dizer que nós, feministas, estragamos os relacionamentos ou que falta gente disposta a pensar na companheira com amor e cuidado e querer quebrar com esse modelo terrível com o qual nós cansamos de nos contentar?

amor-é-complicadoNo final das contas, amor é complicado pra caramba

Conviver é sempre uma dificuldade. Conviver comigo mesma já não é das coisas mais simples, que dirá com outra pessoa. Mas isso me fez pensar em todas as mulheres maravilhosas que conheço e que, tendo entendido que não precisam de um relacionamento para validar sua existência, também dizem que desistiram, que essas coisas não são pra elas. Quantas realmente não querem essa troca de afeto e quantas só cansaram de falar sozinhas e ser as únicas que cedem?

09 Jun 18:40

micdotcom: Watch: ‘The Daily Show’ brilliantly points out the...

07 Jun 05:22

quatrepourtoiglencoco: The sad truth is that none of us could ever be Tatiana Maslany.The happy...

quatrepourtoiglencoco:

The sad truth is that none of us could ever be Tatiana Maslany.

The happy truth is that Tatiana Maslany could be all of us.

11 Jun 20:15

The Street Store: quatro mulheres e uma iniciativa maravilhosa

by Bruna Holderbaum

Há um pouco mais de duas semanas um vídeo apareceu na minha timeline e me tocou demais. O vídeo em questão apresentava o projeto The Street Store, criado em 2014 na Cidade do Cabo. O projeto teve tanta repercussão que se tornou open source e se espalhou pelo mundo.

A ideia é simples: montar uma pop-up store ao ar livre para que pessoas em situação de rua possam ter uma experiência de compra tal como ela acontece em uma loja tradicional. Olhar, gostar, provar e levar para casa. Mas tudo sem dinheiro envolvido. A ação traz empoderamento, dignifica, humaniza e retoma autoestima de pessoas em situação vulnerável.

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Compartilhei o vídeo e marquei uma das minhas grandes amigas, a Luísa Fedrizzi, com a qual já tive diversas conversas sobre moda sustentável e ética e como realizar ações sociais nas quais acreditamos. Logo em seguida se juntou a gente a Paola Troian. Cineasta e chef, a Paola é um daqueles presentes que a rede social nos traz (apesar de tanta bizarrice por aí). Nos conhecíamos apenas virtualmente, mas sempre compartilhamos as mesmas ideias. Paralelamente a Mely Paredes, RP e estudante de Políticas Públicas, chamou a Luísa e disse que queria colocar o projeto em prática aqui em Porto Alegre. Nenhuma de nós possui vínculo com instituições. Sempre foi a nossa ideia fazer uma ação de pessoas para pessoas.

A partir desse momento nossas vidas viraram de cabeça pra baixo e por 2 semanas, acordávamos e dormíamos nos falando sem parar para combinar todos os detalhes do projeto.

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Não é fácil amarrar tantas frentes diferentes. Depois de receber a autorização dos responsáveis pelo projeto, junto com os materiais gráficos e as guidelines, botamos a mão na massa. Movimentamos as nossas redes a procura de parceiros que pudessem ser pontos de coleta na cidade para as doações. Foram 19 no total. A imprensa nos procurou e isso fez com que a nossa ação ganhasse mais divulgação e as doações se multiplicassem.

Entramos em contato com albergues, instituições, lares e fomos para a rua, onde estão as pessoas mais vulneráveis, para divulgar quando e onde seria a loja. Estar próximo e ouvir as histórias sofridas dessas pessoas, certamente mudou as nossas vidas.

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Depois de muito nervoso e frio na barriga o Street Store Porto Alegre aconteceu no sábado, dia 6/06. Foram 300 pessoas atendidas na loja. Um por um, os nossos clientes eram chamados por um dos atendentes (nós e os voluntários que abraçaram o projeto junto) a escolher o que queriam e precisavam. Casacos pesados e tênis foram os mais procurados. Dois profissionais de um salão local entraram como parceiros e passaram o dia cortando cabelo e fazendo barba do pessoal. Foram quase 200 atendidos em 7 horas.

Homens, mulheres e crianças foram até a nossa loja. Saíram de lá com roupas e mais dignidade. Para muitos, essa foi a primeira vez desde que estão na rua que puderam escolher o que querem.

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Essa é a palavra-chave: ESCOLHA.

Foram doados mais de 3 mil itens, entre roupas, acessórios, calçados e roupas íntimas. As lágrimas e sorrisos que recebemos no dia foram o melhor pagamento para todo o trabalho de organizar a ação.

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Foi um projeto organizado por 4 mulheres e atendeu quase que só homens (grande maioria da população em situação de rua). O respeito foi imposto por nós, mas também sentimos igualdade no tratamento com a gente. O que levanta a questão: por que a grande parte de projetos sociais são propostos por mulheres? Temos alguns exemplos de sharing economy no Amor no Cabide, Tem Açúcar e Roupa Livre. Mulheres também são a maioria ao realizar trabalhos voluntários, segundo o IBGE.

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Quatro mulheres, juntas e com muita vontade e trabalho, podem fazer diferença.

(as fotos são do Fábio Mattos)

10 Jun 18:20

Photo







05 Jun 18:37

Police Shootings, or, Oh The Tragedy!

by Barry

police-shootings-1200

Transcript of cartoon

Each panel of this cartoon shows the same white dude in an armchair, from the same angle, watching the news on TV. Small details change throughout the cartoon – his hairline recedes, his drink changes, he switches from watching an old-fashioned thick TV to watching on a laptop to watching on a flatscreen – but the essential scene never changes. The man doesn’t seem very interested in the news, and in one panel he even dozes off.

Panel 1
TV: In today’s news, Prince Jones, an unarmed Black man, was shot to death when police mistook him for another man.

Panel 2
TV: Alberta Sprull, an unarmed Black woman, was killed by a concussion grenade thrown during a police raid.

Panel 3
TV: …almost ten percent of young black men are in prison, most often for non-violent drug offenses.

Panel 4
TV: …police say that Stansbury, age 19, was shot “by accident.” The officer was suspended for 30 days.

Panel 5
TV: …judge acquitted three officers who fired fifty shots into the car of Sean Bell, the night before Bell’s wedding.

Panel 6
TV: …despite economic growth, Black unemployment remains nearly twice as high as unemployment for whites…

Panel 7
TV: Deaunta Farrow, age 12, was shot when… Tarika Wilson, age 26…

Panel 8
This panel is divided into 17 sub-panels, getting smaller and smaller as they go on, implying a potentially endless number of panels. In each panel, the TV is speaking.
TV: …Oscar Grant was handcuffed face-down when police… Shem Walker… Kiwane Carrington… Manuel Loggins Jr…. Rekia Boyd… Reynaldo Cuevas… Kimani Gray… Eric Garner… Freddie Gray….

Panel 9
Suddenly the white dude looks engaged and outraged, leaping up from the armchair and pointing furiously at the TV.
TV: Private Property was damaged today when a protest turned into a riot…
DUDE: OH THE TRAGEDY!

* * *

If you’d like to support these political cartoons, please share them on social media or become a Patron. Thanks!

01 Jun 13:50

Photo



29 May 17:08

The Think Piece That Answered Itself

by Brad
99c
03 Jun 15:47

robochai: I thought that this might be helpful to talk about....





robochai:

I thought that this might be helpful to talk about.

Keep reading

29 May 18:01

Photo



01 Jun 12:46

Last Week Tonight with John Oliver: FIFA II (HBO)

by LastWeekTonight

After the arrests of numerous top officials, John Oliver decided to give an update on the state of FIFA.

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20 May 19:50

bettertalktomatty: Perfect casts - Parks and Rec





















bettertalktomatty:

Perfect casts - Parks and Rec

02 Jun 00:08

Grace e Frankie contra o preconceito de idade

by Mari

ALERTA DE SPOILER: Grace e Frankie é uma série sobre duas mulheres de 70 anos obrigadas a reinventar suas vidas depois que seus maridos, que se conhecem tem 40 anos, revelam que tem um romance faz 20. Mas, pra mim, a grande pegada da série é como ela mostra o preconceito de idade.

Eis algumas coisas relacionadas com o tema que aparecem no seriado e me chamaram atenção:

1. Invisibilidade

invisibilidade

Quando falamos em invisibilidade, queremos dizer que algumas pessoas são ignoradas pela sociedade. Uma mulher mais velha é invisível porque, conforme falamos aqui, ela se torna menos aos olhos da sociedade.

E a forma que o seriado escolheu para mostrar essa invisibilidade não poderia ser mais direta (e maravilhosa): em um episódio (o do gif aí de cima), as duas são solenemente ignoradas por todos os atendentes de um mercado ao tentar comprar um maço de cigarros. Mesmo estando ao lado dos atendentes. Mesmo que um deles inclusive se dirija para atender uma mulher (que chegou depois delas) jovem e bonita (vocês são pouco previsíveis, ein, caras).

Depois, no carro, a Frankie fala para a Grace: “Eu descobri uma coisa hoje: nós temos um super poder” (e mostra o maço de cigarros). Então a Grace responde: “Tu roubou?!” e Frankie diz: “Eles não podem me ver, então não podem me parar”.

E, se pararmos pra pensar, na maior parte das vezes as minorias só deixam de ser invisíveis quando se insurgem contra isso. Então, eis uma bela lição: insurja-se (se, ainda assim, continuar invísivel, ao menos os cigarros foram de graça e- ha, quem está rindo agora?).

2. Sexualidade

é-hoje

Existem vários seriados onde personagens femininas divorciadas redescobrem sua sexualidade, mas todas mais jovens (como é o caso de Cougar Town, por exemplo). A diferença é que o desejo sexual de uma mulher de 40 anos não só é aceito, como é fetichizado, tanto que MILF é o segundo termo mais buscado por homens no Pornhub (depois de adolescente – vocês são pouco previsíveis, ein, caras), já uma mulher de 70 anos não tem esse direito.

A surpresa em Grace & Frankie é que, não só elas tem desejos sexuais normais como lidam com questões específicas da idade, como secura vaginal pós menopausa. E questões universais, também, como a ansiedade diante de um novo parceiro.

lubrificanteFrankie fazendo sua receita caseira de lubrificante íntimo (sem ingredientes carcinogênicos, aliás)

Por isso Grace & Frankie é uma aula sobre sexualidade saudável, já que as diversas formas de desejo abordadas pelo seriado são tratadas como deveriam: algo natural. E pronto.

3. Abandono emocional

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Tá certo que a trama parte de um tipo de divórcio diferente do usual (o mais comum seriam homens mais velhos se divorciando para ficar com mulheres mais jovens – vocês são pouco previsíveis, ein, caras), mas a sensação de abandono e a ansiedade diante da perspectiva de solidão são muito próximas do corriqueiro.

Ou seja, ideia de que, talvez, desta parte da vida em diante não exista mais a possibilidade deste tipo de amor porque tu não é mais o que se espera de uma mulher, isto está ali.

Apesar de ser uma série muito positiva, também neste sentido, já que ambas mostram que há vida para além dos relacionamentos afetivos, existem momentos onde esta questão é colocada de um jeito bem claro, como quando Grace hesita em terminar seu relacionamento porque “ninguém mais a amará”. Ou quando as duas debatem o fim de seus casamentos e o ódio e sofrimento gerado por essa separação.

solidãoEle te abandonou nos teus últimos anos! Tu não tá, pelo menos, braba com isso?

Também é impossível não traçar esse paralelo entre o que ocorre na vida do casal formado pelos ex-maridos delas e na vida delas. Sim, a situação é diferente, mas o resultado final é muito semelhante ao que já vimos (ou vivemos): homens divorciados vivenciando uma espécie de conforto emocional na velhice, enquanto para as mulheres resta um tipo de desassossego.

4. Representatividade

graceO choque de Frankie ao se notar percebida como uma mulher velha: “Eu sou jovem”

Eu sou filha de uma atriz de teatro (por sorte, na TV as coisas são muito piores) e, ao longo dos anos, fui notando que muitos dos papéis dela foram ficando mais restritos, menos desafiadores. E isso, claro, não tem relação nenhuma com o talento dela que, quando muito, teria aumentado ao longo dos anos, como se espera com profissionais dedicados ao que fazem. Isso tem relação com o fato de que mulheres mais velhas raramente são representadas como algo além de: mães, avós, senhoras estereotípicas.

E minha mãe, com seus 60 e poucos anos, é uma mulher super ativa e estilosa que está longe de ser representada pelos papéis que, tantas vezes, fez. O que isso quer dizer? Basicamente, isso quer dizer que o entretenimento e as artes estão apenas começando a ver e reconhecer mulheres mais velhas como seres humanos plenos.

Não é de se estranhar que não saibamos lidar com o envelhecimento: não queremos ser essas mulheres que vemos representadas por aí. Mas a verdade é que: não precisamos. E isso fica bem claro nos personagens complexos e mais próximos da realidade apresentados pelo seriado.

grace-articulaçõesMinhas articulações são flexíveis!

Uma situação onde esse conflito de imagem aparece é quando Frankie se candidata para uma vaga de professora de artes em um asilo para idosos e o gerente do local acredita que ela é uma das futuras hóspedes. É como se o mundo insistisse em reafirmar que, depois de certa idade, elas não pudessem esperar nada muito além disto.

frankieÁlcool tem suas próprias regras

Mas Frankie e Grace não se contentam com o que estamos acostumadas a consumir sobre as mulheres mais velhas. E, ao fazerem isso, elas permitem que muitas outras mulheres encontrem seu reflexo, finalmente, no entretenimento. E mesmo para nós, que somos mais jovens, isso causa um conforto: não precisamos ser a vovozinha estereotípica.

Grace e Frankie é um título criado e produzido pelo Netflix e pode ser assistido por lá (e, tudo indica, restou aos produtores de conteúdo online o papel de construir personagens complexos e interesantes).

25 May 11:26

Собака-пифагориака



27 May 06:15

Warrior’s Good Fortune

by boulet
28 May 23:42

Homens: eis como ser mais feministas

by Mari

Todos os dias homens me perguntam qual seu espaço no feminismo, como devem agir para ser mais feministas. A cada 300 tem uns 6 que querem, mesmo, saber. E é com vocês que eu quero falar, hoje, caras.

Vou citar um exemplo ficcional (suavizado) do que eu sou obrigada a ler aproximadamente mil vezes por dia:

Essas feminazi. kkkk. Não pode fazer piada de estupro. kkkk. Não pode cantada. Não pode nada. kkk.

O que esses sujeitos não entendem é que ser mulher parte do pressuposto que todas as coisas que eu faço no meu dia passam por um filtro que eles sequer notam ou desconfiam que exista: o filtro do medo real, iminente e constante.

O medo é o filtro que guia a maior parte dos caminhos que percorremos (figurativa e literalmente) na vida. Porque é pelo medo que escolhemos qual rua pegaremos e qual meio de transporte usaremos. Mas o medo não fica só fora de casa. O medo quer ditar meu comportamento como um todo e quer ditar até meu modo de vestir e falar.

E, não, nada disso é infundado ou exagerado. Esse medo surge da vivência feminina, não de casos isolados. Ou seja, ser ou conhecer vítimas de diversas formas de violência não é privilégio, é universal.

Essa vivência é o que nós chamamos de cultura de estupro. E, talvez, seja difícil para um homem que ri “kkkk” entender, mas nós chamamos ela assim porque não começou com a NET ou o 99 Táxis. Nem vai acabar aí. Essa violência e invasão de privacidade são cotidianas e sistemáticas.

Vocês, homens, muitas vezes foram associados com coragem, mas nunca sentiram esse medo e, menos ainda, sabem o que é conviver com ele costurando todas as opções da vida de vocês.

E, talvez por isso, alguns naturalizem tanto algumas formas dessa violência, porque não entendem que fazer isso é deixar espaço para que ela, como conjunto, se torne mais forte e mais constante. Porque não são só os casos extremos (como estupro) que costuram essa cultura. E, mesmo, para que estupros ocorram é preciso que a sociedade, como um todo, feche os olhos para essas violências pelo que são. E prefira ignorar que são muito mais frequentes e inseridas na roda de amigos que gostaríamos de achar.

Porque, não, estupro não é coisa de doido, sociopata. A grande maioria dos estupros relatados no Brasil foi praticada por alguém que conhecia e convivia com a vítima. E foi praticada porque, assim como os prestadores de serviço da NET e do 99 táxis, eles achavam que a mulher estava a sua disposição, independente da vontade dela, ou seja, era menos que humana. Agravando essa ideia terrível, conforme falamos aqui mais de um zilhão de vezes, a grande maioria da sociedade acha que toda e qualquer violência que uma mulher sofra é culpa dela.

Reconhecer o padrão social que causa isso e confronta-lo, é o que nós esperamos de vocês, caras. Porque vocês pertencem ao grupo que mais mata e pratica violência contra o nosso grupo. Então, o debate é bonito e importante, mas a vivência real de feminismo para os homens se dá nas escolhas cotidianas. E em tentar tornar esse medo, que costura tanto da nossa vida, cada dia mais fraco.

Mas, até lá, respeitar as mulheres como tuas colegas de humanidade e reconhecer o que elas trazem como vivência é essencial.

homens-feminismoPadawans, vocês conseguem

Só que fazer isso optando por não contar piadinhas sobre estupro ou respeitando as mulheres no metrô não vai te tornar mais popular, diferente do que falar publicamente sobre isso te tornaria. E essa é a real revolução, porque romper com uma cultura cristalizada de opressão e violência não é algo criado para nos deixar mais populares, pelo contrário. Mas é algo que, invariavelmente, nos torna melhores como pessoas, sociedade e cultura.

E se vocês aceitarem o lado menos festivo e glamouroso que é repensar seus privilégios e combater o que eles representam no mundo: é nóis, caras.

27 May 15:13

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25 May 15:46

A Softer World: 1239


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