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27 Mar 14:01

O VALOR DA MULHER: O PREÇO DE SER UMA ARTISTA

by lola aronovich
Pedi a sempre querida e prestativa Elis para traduzir este relevante artigo de Anna Heyward que saiu na ArtNews:

Nunca houve um período em que resultados de leilões de obras de arte produzidas por mulheres tenham igualado as obras produzidas por homens. Ano passado, surgiu novamente a discussão sobre essa disparidade -– sobre o motivo e o tamanho da diferença nos preços das obras criadas por homens e mulheres. O catalisador foi o recorde atingido pela venda da obra Jimson Weed, White Flower No. 1, de Georgia O’Keeffe, da coleção do Museu Georgia O’Keeffe. 
O quadro foi vendido por US$ 44,4 milhões na Sotheby’s em novembro, o maior preço já alcançado por um quadro pintado por uma mulher em uma venda por leilão. Em segundo lugar, Sem Título (de 1990), de Joan Mitchell, fica bem atrás, tendo sido vendido por US$ 11,9 milhões em maio.
Georgia O'Keeffe
Ao ser questionada sobre por que a obra de O’Keeffe foi vendida por um valor tão alto (a estimativa estava entre US$ 10 e US$ 15 milhões), Elizabeth Goldberg, chefe do departamento de arte norte-americana da Sotheby’s, respondeu, “Era o momento certo de vender este quadro.” O quadro tem uma procedência impressionante, e viajou muito antes de subir no ranking. 
E havia os outros dois notórios pintores norte-americanos do período pré-guerra, Norman Rockwell e Edward Hopper, contemporâneos de O’Keeffe, cujos trabalhos bateram recordes em leilões pessoais em 2013, com Rockwell alcançando US$ 46 milhões por Saying Grace (1951) e Hopper US$ 40,5 milhões por East Wind Over Weehawken (1934). Mas, como Goldberg observou, a venda de O’Keeffe foi excepcional pois atingiu resultados correspondentes aos de seus colegas do sexo masculino, em vez de se apequenar diante deles.
Instalação de Cady Noland
Na lista das cem obras de arte mais caras já vendidas em leilão, não há uma única obra de uma artista. (Em abril, a Artnet divulgou uma lista geral dos artistas norte-americanos vivos mais caros, encabeçada por Jeff Koons, que trazia somente uma mulher, Cady Noland). Entre 2008 e 2012, os cem lotes que atingiram os preços mais elevados não continham nenhuma artista mulher. Novos recordes das maiores quantias pagas por obras de arte em leilões são batidos periodicamente, às vezes mais de uma vez por ano, por artistas que estão em voga. Mulheres quase nunca batem esses recordes.
Nos anos 80, as Guerilla Girls, com sua famosa odalisca com máscara de gorila, fizeram dessa disparidade entre os gêneros uma discussão central no mundo artístico pela primeira vez, ao mesmo tempo em que o boom da arte contemporânea criava os alicerces do atualmente inflacionado mercado da arte. 
O método principal das Guerilla Girls, no entanto, eram os “weenie counts” — pesquisas, a maioria delas em instituições públicas, avaliando o quanto os homens estão acima das mulheres nos rankings, cujas estatísticas eram vinculadas à subvalorização do trabalho das mulheres no mercado. A questão hoje ainda é a mesma. O que impede artistas mulheres de serem tão valorizadas quanto os homens?
Benjamin Godsill, especialista da casa de leilões Phillips, acredita que o mercado não é necessariamente eficiente na definição dos preços -– porque, historicamente, o colecionador médio é homem. Mas isso, embora reflita de maneira geral a distribuição de riqueza e poder no mundo, não explica completamente o desequilíbrio. Os mercados, afirma Godsill, seguem a tendência dos interesses dos curadores, e é por isso que os “weenie counts” são relevantes para os resultados dos leilões.
“É onde os valores são definidos”, diz ele. “E nos museus, artistas mulheres não são nem de perto tão proeminentes quanto artistas homens.”
Carta da Guerrilla Girls aos
colecionadores de arte: "Vcs
não têm artistas mulheres
suficientes. Sabemos que vcs
se sentem mal por isso e vão
resolver a situação
Menos mulheres no Met significa menos mulheres em todo lugar. Os colecionadores buscam importância, eminência e um diálogo com a história da arte (uma narrativa que não é necessariamente determinada pelo artista ou pelo consumidor), e as casas de leilão fazem seu marketing com base no valor histórico e cultural, não no valor artístico. Godsill, no entanto, “espera com certeza que os preços das obras de artistas mulheres aumentará”. Por quê? Porque “as pessoas estão buscando valor, buscando coisas que foram subestimadas e que não receberam a devida atenção”, diz ele.
Em 2013, Gemma Rolls-Bentley, curadora independente de Londres e diretora artística do grupo feminista East London Fawcett, decidiu fazer uma avaliação do mercado de arte do Reino Unido, não com o intuito de fechar lacunas, mas  de dar continuidade às discussões. “Eu percebi que não é possível nem começar essa discussão sobre igualdade no mundo da arte”, disse Rolls-Bentley ao The Guardian na época, “porque muitas pessoas acreditam que ela já foi conquistada. Porque pessoas como Tracey Emin desafiaram as estatísticas”.
My Bed, obra de Tracey Emin
A obra mais famosa de Emin, My Bed (1998), foi vendida por quase o dobro do preço estimado de £ 2,5 milhões (US$ 3,9 milhões), com a taxa de prestação de serviços, na Christie’s. “O raro sucesso dessas artistas leva as pessoas a pensarem, erroneamente, que as mulheres têm oportunidades iguais”, afirmou Rolls-Bentley. E provando o quanto essa percepção é incorreta, ela descobriu que somente 5% das galerias comerciais de Londres representam números semelhantes de artistas mulheres e homens, e que nas galerias não comerciais, quase um terço não apresentava nenhuma mulher artista em obras individuais.
Elizabeth Sackler, fundadora do Centro Elizabeth A. Sackler de Arte Feminista no Museu do Brooklyn, vem monitorando a desigualdade de gêneros no mundo da arte há anos. Ela acredita que o mercado da arte é apenas um dos problemas com que as artistas se deparam.
Leilão de Arte do Pós-Guerra da
Christie's, com obras de Andy
Warhol ao fundo
“As estatísticas de vendas das obras são um sintoma, lutar por mais dinheiro não é nada mais que um band-aid", afirmou ela por e-mail. “As doenças que enfrentamos são o desrespeito fundamental pelas mulheres e atitudes inaceitáveis que se baseiam na crença de que o pensamento, as observações e as soluções criativas das mulheres têm pouco valor. Basta observar que no leilão de 12 de novembro de 2014 de Arte Contemporânea do Pós-Guerra da Christie’s havia 82 lotes: 79 homens e 3 mulheres.”
Há, é claro, um pequeno grupo de vozes que alega que essas diferenças são facilmente explicadas pela inferioridade inerente da arte que é feita por mulheres. Em um artigo para o The New York Times no em dezembro, a escritora Siri Hustvedt citou o crítico Brian Sewell, que afirmou em 2008: “O mercado da arte não é sexista… Nunca houve uma artista de primeira linha. Somente homens são capazes da grandeza estética.” Assim como o pintor George Baselitz, que disse em 2013: “Mulheres não pintam muito bem. É um fato… Como sempre, o mercado está certo.” 
Dentre as inúmeras estatísticas devastadoras que poderiam ser usadas para ilustrar o tema, Hustvedt citou um boato que será familiar para os que acompanham publicações de arte. “Em abril de 2014, circulou um rumor na internet de que, em 2015, o MoMA iria expor somente mulheres. Havia até uma citação de Glenn Lowry, o diretor do museu, admitindo que o gesto ainda não compensaria os anos de representação desigual. Infelizmente, era uma brincadeira de primeiro de abril inventada pelo Art Slant, um portal especializado em belas artes.”
04 Mar 01:45

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26 Mar 04:00

by Pie Comic

27 Mar 22:25

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by clay

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24 Mar 19:34

Amanda está doente, e a causa pode ter sido sexo com Fernando

by Fhilipe Pelájjio
Lori

Pau grande dá isso. (compartilhando a título de curiosidade mesmo, pq um monte de gente não sabe q pau grande dá isso)

Depois de várias noites de sexo, Amanda e Fernando se estabeleceram como um casal. Toda essa animação parece ter rendido uma infecção para Amanda.

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Reprodução / Globo

Após ter várias noites quentes com Fernando, Amanda acabou ficando doente e anda sofrendo com uma infecção urinária. Uma médica foi até o programa para prestar atendimento a sister, e já ministrou os remédios que vão combater a infecção.

Nos últimos dias, Amanda reclamou bastante de dores na hora de urinar.

Segundo consulta do portal R7 a ginecologistas, 85% dos casos de infecção urinária se manifestam depois de atividades sexuais.

 

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27 Mar 00:42

A ineficiência da Delegacia da Mulher – parte I

by Clara
Lori

triste :(

Essa semana minha amiga virou estatística e foi agredida pelo companheiro.

Pensei: direto pra Delegacia da Mulher, lá ela vai ter o acolhimento necessário pra essa situação tão delicada.

E foi aí que comecei a descobrir que essa delegacia não é NADA do que a gente imagina. Relatarei, pois, o suplício que foi para conseguir fazer um simples boletim de ocorrência. Que dobrem a língua aqueles que dizem à mulher agredida que é “só ir à Delegacia da Mulher e fazer um B.O.”. Passamos pelo inferno, colegas, um inferno que eu não só não vou esquecer como vou fazer tudo que estiver em meu poder e além para que esse panorama mude. Este post é o primeiro de uma série em que tratarei do assunto.

Começa pelo fato de que a DDM não abre nos fins de semana. Manda avisar os agressores que só pode bater em dia de semana, viu? Mas a real é que não faz diferença.  Eu achava que faria, achava que não seria como uma delegacia comum, onde sabidamente muitos policiais fazem pouco caso com abuso, culpam as vítimas de estupro, enfim, toda aquela coisa da cultura machista que já sabemos como funciona.

Nada me tira da cabeça que aquele lugar foi feito para que as mulheres desistam de fazer denúncia.  Havia um homem na triagem, um investigador de meia idade que olhou bem na nossa cara e perguntou: mas o que aconteceu?,  ali mesmo na recepção, sem nenhum acolhimento, nenhum tato, bem alto, sem nenhuma privacidade. Só de ficar ali sentada fiquei sabendo das histórias das mulheres que chegavam lá e que encolhiam cada vez que ouviam essa pergunta. Sei que o procedimento padrão de uma delegacia é esse, mas em uma DDM deveria ser diferente, a mulher não vai lá relatar roubo de celular ou furto de carro; é uma delegacia voltada exclusivamente a tratar da violência contra a mulher, não é? 

Deveria ser. O que eu vi acontecer lá foi uma segunda violência contra as vítimas, policiais despreparados, um descaso imenso e um tom quase de deboche quando comentavam outros casos.

unnamed

aham

Havia lá um grupo de bolivianas esperando pra fazer B.O., pois uma delas estava sendo ameaçada pelo marido, que dizia que ia meter uma bala na cabeça dela e levar o filho pequeno, de um ano e meio, embora do país. O homem estava ameaçando também as tias e primas dela, todas presentes na delegacia. Ocorre que a escrivã não falava espanhol e não tinha NENHUMA paciência pra ouvir a mulher, apenas fazia “HEIN?” com cara de asco. Asco. Olhava pra o menininho, o filho, um bebê, com asco.  Minha amiga, que fala espanhol, tentou intermediar a conversa, e a boliviana ameaçada contou a ela que já tinha estado outra vez lá mas a escrivã tinha se recusado a fazer o B.O. pois não quis nem se esforçar pra entender.

Esperamos mais de uma hora nesse primeiro dia e tivemos que ir embora, pois precisávamos buscar o filho da minha amiga na creche.

Voltamos no dia seguinte e, ao chegar lá, senti um alívio: agora eram duas mulheres na recepção da DDM. Empatia, finalmente, pensei. Mal sabia eu que seria ainda pior do que ser atendida por um homem. A investigadora também não tinha um pingo de tato, assim como a escrivã.

Minha amiga estava nervosa e fragilizada, como estão todas as mulheres que procuram uma DDM. Era nossa terceira vez lá, ela estava ansiosa e a investigadora resolveu que o tom dela não era o correto para ser usado, já criando um atrito totalmente desnecessário em uma situação delicada.

Essa mesma investigadora e uma outra mulher lá de dentro resolveram que era ok falar mal de bolivianos, precisamente: “boliviano é uma raça desgraçada” e outros impropérios. Até onde sei, xenofobia é crime, né não? E lá estava uma investigadora da polícia cometendo este crime.

O pesadelo seguiu e minha amiga entrou para dar o depoimento. Acredito que jamais vi uma mulher ser tão maltratada por alguém que deveria ajudá-la. Eu não pude entrar com ela na sala, mas ouvi de fora; a escrivã chegou a dizer que a agressão que o sujeito cometeu não era crime. Mesmo com ela conhecendo a lei e batendo o pé, a escrivã se recusava a escrever exatamente o que minha amiga relatava, mudando os fatos e suavizando o ocorrido e ainda teve a manha de falar que as mulheres que “juntam os trapos” com um homem com histórico de agressor têm culpa pelas agressões que seguem. Ela teve que chamar a delegada na sala para conseguir que o B.O. fosse feito direito.

Eis que ocorreu uma coincidência que só me deixou mais bolada e mais puta: uma conhecida entrou na delegacia e, por sua vez, era conhecida da delegada. Ela disse: você conhece a Clara? Ela é uma das maiores blogueiras de direitos das mulheres do Brasil.

E aí tudo mudou, minha gente. Foi um tal de o que você precisa, está tudo bem, foram bem atendidas? Têm alguma dúvida, precisam de alguma coisa?

Quis dizer: preciso sim, Doutora Delegada: preciso que vocês parem de tratar as mulheres com descaso, que parem de fazê-las passar por uma segunda violência. Preciso que suas escrivãs conheçam a lei, que não culpem as mulheres pela violência que sofrem, que não constranjam essas mulheres fazendo-as relatar suas histórias sem nenhuma privacidade, na frente de todo mundo, e eventualmente para homens, que não deveriam sequer estar nessa delegacia pra começo de conversa.

Contei sobre esse tratamento no facebook e muitas das minhas amigas tinham histórias similares à nossa. Resolvi pedir depoimentos anônimos para escrever um texto e foi como abrir a caixa de pandora do horror da ineficiência policial: é uma história pior do que a outra.

Não foi uma, duas, três. Até agora tenho vinte e sete depoimentos de mulheres que foram tratadas com descaso na delegacia que deveria orientar, acolher e  ajudar punir quem comete um crime. Em praticamente todos os casos os policiais tentam dissuadir a vítima de fazer B.O., dizem que não vai dar em nada, a questionam como se a culpada fosse a vítima, redigem os boletins de ocorrência como bem entendem e chegam ao cúmulo, como foi o nosso caso, de distorcer a Lei Maria da Penha para que a mulher agredida ache que seu caso não se encaixa ali.

Screen Shot 2015-03-25 at 1.57.38 AM

em menos de meia hora minha caixa de emails ficou assim

Isso NÃO PODE ocorrer. Não pode. Não pode em lugar algum e menos ainda em um país onde a violência contra a mulher tem dados tão alarmantes que existe uma delegacia só para atender esses casos. Mas não adianta apenas existir, tem que funcionar, e o que presenciei foi apenas ineficiência e descaso para com as mulheres que deveriam estar sendo acolhidas.

Não “é assim mesmo”. Não pode ser e tem que mudar.

23 Mar 19:22

(photo via thatcrazycatbitch)



(photo via thatcrazycatbitch)

20 Mar 01:48

themarysue: Incoming Pokemon!

by laurabuu








themarysue:

Incoming Pokemon!

25 Mar 13:55

Jesse L. Martin releases beautiful gospel cover of the Firefly theme song

by Caroline Siede

How do you thank writer/director Joss Whedon for donating to your Kickstarter campaign? With a gospel cover of the theme song to his cult TV show, apparently. At least that’s what former Law & Order star and current Flash star Jesse L. Martin (who, more importantly, is also a Broadway musical veteran) did after Whedon donated “an outstanding amount” to the Kickstarter for his new musical short film, The Letter Carrier.

The Letter Carrier tells the story of a black family hiding from slavery in secluded mountains in 1860, and Martin is working on the project with his Flash co-stars Rick Cosnett and Carlos Valdes. The trio came together to lend some gorgeous harmonies to “The Ballad Of Serenity,” which Whedon wrote for Firefly. The director tweeted a link to the cover, exclaiming “OMG.”

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25 Mar 12:35

radicalbundy:Blood vessels of a real person who dedicated their...



radicalbundy:

Blood vessels of a real person who dedicated their body to science for display

21 Mar 18:33

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22 Mar 02:42

Manual do Minotauro: 10-12-2014 http://t.co/vEjYHK9QQu http://t.co/aJnG3jkFU1

by Osias Jota
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Author: Osias Jota
Source: Buffer
Manual do Minotauro: 10-12-2014 buff.ly/1FS8bUy http://t.co/aJnG3jkFU1
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18 Mar 15:06

aaronbsam:I’m just imagining the hardware store clerk (or...











aaronbsam:

I’m just imagining the hardware store clerk (or wherever these knives were purchased) ringing up all of these knives.  Like the artist just standing there acting nonchalant and the store clerk just keeps looking down at the PILE OF KNIVES and back up at this person, and then back to the knives…

"How was your day today?"

"I think I sold 1,000 knives to a serial killer and some people are going to die.”

10 Mar 02:12

daí que hoje eu estava de folga e achei que devia sair de casa mas tava chovendo e rolava uma...

daí que hoje eu estava de folga e achei que devia sair de casa mas tava chovendo e rolava uma fadiga. as alternativas eram:


1. academia
2. usar o ingresso que ganhei e assistir 50 tons


escolhi a segunda opção. porque assistir um filme baseado num livro baseado numa fanfic de crepúsculo me pareceu melhor do que sentar sobre o suor seco de mil bundas estranhas e pedalar sem sair do lugar.

o que eu posso dizer? todo mundo comete erros.



a boa notícia é que fui anotando considerações como forma de justificar para mim mesma minha presença ali, que agora compartilharei por pura falta de uma pauta mais edificante. <3


1. anastasia corta o cabelo com a tesoura de abrir caixa de leite. respeito muito isso.

2. anastasia já entra na sala do homem de quatro.

3. mr. grey mandou um SERIOUSLY? porque SERIOUSLY, é tudo muito embaraçoso.

4. grey acha que anastasia curte jane austen. com essa franjinha e essa cara de VENK partidão rico eu não faço idéia do motivo.

5. YEY STALKER. tava passando por aqui e resolvi entrar e comprar 5 metros de corda, quem nunca.

6. ahahahahahaha o homem manda um DESCULPA MAS NÃO VAI DAR sendo que: ninguém perguntou

7. falou que é melhor ficar longe. ninguém no mundo fala isso por modéstia, gente. se a pessoa diz que é melhor você sair de perto, sai de perto.

8. a fila do banheiro, esse lugar onde ficamos SINCERAS.

9. me batam, tô adorando anastasia zuera falando verdades.

10. o amigo é babaca, o cara que ela quer pegar é outro babaca, não é fácil viver.

11. eu não faço amor. eu fodo. com força. jesus conserve essa disposição, meu filho. porém tem quase uma hora de filme e você não começou a fazer nem uma coisa nem outra

12. ah sim. treparam.

estou um pouco confusa, não sei se sou burra ou se o roteiro é uma bosta.

13. foram passear no bosque, acho que é agora que ele conta que é vampiro.

14. PIOR. grey é virgem de espírito. e tem trauminhas.

15. gente, uns drama, né? que casal cansativo meu deus.

16. ah pera que sr. grey vai contar MAIS trauminhas

- mãe crackuda

- prostituta

migo, melhore, sabe.

17. a pessoa senta achando que vai assistir umas sacanagens e acaba presa numa sala escura vendo uma dr de duas horas, eu não sei se o procon está ciente disso.

18. TUDO o que sai da boca desse moço é clichê e anastasia continua insistindo para que ele fale. essa é a verdadeira essência do masoquismo.

19. 50 tons de floquinho de neve especial, né. eu não posso agir como as pessoas normais, é assim que eu sou, mau feito pica-pau.

20. “vou te dar 6 cintadas e você vai contar”

"mas eu sou de humanas"


juro que esperava que pelo menos ela perdesse a conta e ele recomeçasse porque é mauzão transtornadão implacável. tipo, o velho de whiplash TOTAL teria falado “cê contou fora do tom, pode começar de novo. OI? NÃO OUVI. VOLTA TUDO E AGORA CONTA EM JAPONÊS”. porém nem isso. cabô cintadas cabô o amor cabô filme.


achei válido reforçar 30 vezes que tudo era consensual, que ela tinha o poder de dizer até onde estava disposta a ir. pena que o problema não é esse, né. persegui-la em todos os lugares não é consensual. vender o carro da menina não é consensual. ela diz que vai viajar pra ver a mãe, ele conta uma história triste de seu passado traumático pra ver se ela desiste de ir. ter a delicadeza de perguntar antes se pode usar plugues anais não minimiza esse resto todo aí que seu grey saiu fazendo porque deu na veneta.

acho muito horrorosa a insistência em vender reabilitação de sociopatas como história de amorrrr, em que a mocinha atura muita humilhação, patada e falta de civilidade porque o cara ruim-porém-bom-lá-no-fundo um dia há de se emendar. o mais bizarro é que nesse caso especificamente a coisa está mais para o cara bundão inseguro com idade emocional de oito anos que precisa metralhar clichês e declarações constrangedoras para cima de uma virgem sem um pingo de traquejo, já que qualquer mulher adulta provavelmente teria mandado um “AH, VÁ” nos primeiros 10 minutos.

resumindo: todo um cansaço.

09 Feb 22:00

Black Person: I have been followed in stores, called a nigger, stopped and frisked...

by wagatwe
Black Person: I have been followed in stores, called a nigger, stopped and frisked...
Latino/a: I have been told to "go back to my own country", harassed for speaking Spanish, called a wetback...
Asian: I have been called "ching-chong", had people call me submissive, ask me to help them with their tests...
Native-American: Lots of rape against native women, cultural appropriation for days, told I am getting free stuff from the government

White person: One time, a black person called me a cracker. It hurt my feels a lot. Why can't we all just move forward and not see color?
17 Mar 20:59

A Visualization Depicts a Sunset With the Sun Replaced by Other Stars

by Glen Tickle

sun replaced with other stars

A visualization by Halcyon Maps (previously) shows a sunset scene with the Sun being replaced by other stars of various size and brightness. The visualization only takes size and brightness into account, since the reality is that liquid water and life on Earth would most likely not exist at the same distance from the other stars.

Prints can be ordered through the Halcyon Maps site.

image via Halcyon Maps

via Huffington Post, Visual News

20 Mar 21:59

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by clay

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21 Mar 09:40

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17 Mar 18:00

173. CHRIS HARDWICK: The gift of life

by Gav

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Chris Hardwick is a stand-up comedian, podcaster, television host, actor and geek icon. His Nerdist Podcast, in which he and his pals interview celebrities and creative people, is one of my favourites.

This quote is taken from Hardwick’s memoir/self-help book The Nerdist Way: How to Reach The Next Level (in Real Life). In the book, Hardwick shares how he levelled-up and seized control of his own mind. He landed a gig as an MTV host at 22 but admits he was not prepared for the world of show business. What followed were “several years of laziness, drinking and f**kups.” By the time he was 30, Hardwick was overweight, drank too much, had bad credit and little work prospects. He decided to do something about it, got sober, got in shape and devoted himself to improving his life (you can compare ‘Chubby Chris’ to ’New and Improved Chris’ in this blog post he wrote). He went on to start the incredibly successful Nerdist empire, and today is a stand-up comedian, TV host and pretty much the King of all pop-culture.

So what actually is a Nerdist? Taken from The Nerdist Way:

There are Nerds, and then there are Nerdists. A Nerdist is, more specifically, an artful Nerd. He or she doesn’t just consume, he or she creates and innovates. Freelancers, game designers, graphic designers, DMs (Dungeon Masters), musicians, artists, crafties, and writers are all examples of Nerdists. Yes, we obsess over things, but we are also driven to produce stuff. It may not be surprising, then, that I refer to Nerdists as “creative obsessives.” The technology explosion in the Information Age has allowed us to flourish, whereas even as recently as fifteen years ago we would have had to get jobs that devoured our souls and pooped them out into little cubes, with little recourse for pursuing our Nerdly passions in any professional capacity. OUR TIME IS NOW.

Can I get an ‘Amen’?

RELATED COMICS: Kevin Smith – It Costs Nothing to Encourage an Artist. Jim Henson – A Puppeteer’s Advice. Amy Poehler – Great People Do Things Before They’re Ready.

Thanks to Patty Marvel for submitting this quote.

19 Mar 18:24

Lighting theory for 3D games, part 2: a formal approach to light design, and light as depth

by noreply@blogger.com (Robert Yang)
Here's how I generally, theoretically, approach lighting in my games and game worlds. Part 2 is about light and function, mostly for level design.

In part 1, I talked about how different light sources have different connotations to the viewer, and these meanings are culturally constructed. In New York City today, an antique Edison bulb connotes trendy bourgeois expense, but 50 years ago it might've been merely eccentric, and 150 years ago it would've been a thrilling phenomenological novelty.

But people rarely intellectualize lighting this way, in, like, your own bedroom. In your daily middle class Western life you don't usually agonize over the existential quandaries of electricity, you just flip the light switch without looking. When in familiar places, we experience light as a resource or tool and take it for granted. So much of our everyday relationship with light concerns its functionality and what it enables us to do.


Lighting intended for a specific purpose is called task lighting, as opposed to merely cosmetic or decorative lighting. My thinking is that it's NOT about establishing a rigid binary of which lights are what, but rather it's to get you to imagine what particular tasks a particular light lets you do. Many lights can be both functional and decorative -- for instance, a candle flickering on a restaurant table is moodily dim and romantic, but it also helps you discern different tables and see your food.

In games, we are concerned with making the world readable (or selectively unreadable) for the player, to help them navigate and wayfind through a space, as well as discern different game objects. We also want to reassure the player that the world was competently constructed with some sort of intent, and that they aren't wasting their time and/or money.

For now, let's try thinking about light more formally. How does light let us read a game more easily, and what are some common patterns?

from Magnar Jenssen's excellent "Functional Lighting"
In 3D games, light gives us crucial depth cues and allows us to read the surface of an object. Without lighting, every square inch of an object will appear to have the same "value", which flattens the entire shape and emphasizes its silhouette instead of its surface.

Sometimes this flatness is a good thing that can simplify our scenes and make them easier to read, or sometimes we'll want to trick the player, but much of the time this is a distraction that prevents a player from understanding what they are seeing and interacting with your game -- and because we are trying to depict a 3D object on a flat 2D screen, we often need all the depth cues we can get.

Look at the round shapes below, and look at how relying only on silhouettes means they will LIE TO YOU:


(Again, lying to the player or viewer is great if you have a purpose in doing so... but purposeless lying is just some trolling bullshit.)

At "fullbright", or when a game engine renders models unlit at default 100% brightness, it is difficult to tell the difference between the cylinder and the sphere. To help read 3D depth into a 2D image, we need to use texture, fog, similar objects near us and far from us -- we need spatial context.

Light is the main tool for creating this context. With light, we can read the contour and a mesh's surface normals -- the direction(s) that a given 3D surface is pointing, whether it is concave / convex, round or flat, etc.

Reading this surface topology is often very important for playing 3D games. Is this hill too steep to climb, am I supposed to go here? If I throw a grenade, which way will it roll down, and how quickly? How far is it to the top or bottom of the room, can I jump up or fall down safely? A lot of this type of lighting is about signposting for the player to help them understand their surroundings.


The image above is a scene from Residue Processing in Half-Life 1. Note the hanging ceiling spotlights focus on the floor, leaving the wall relatively dim -- this helps emphasize the neon green splashes from the toxic sludge, which is an important hazard throughout this chapter. It also establishes visual hierarchy; the bottom of the room is much more important than the top of the room. (One criticism: the hidden light strips along the ceiling edges are lazy and thoughtless, and don't feel industrial to me. If they wanted to isolate the metal ceiling from the concrete shell, they should've used geometry to do that. And there's already a trim! As it stands, it's just a mostly flat plane separated for no reason.)

On the left, the exit out of this room is lit prominently, so we know where we're going and don't linger for too long. (The NPC also shoots the headcrab monsters and runs out that exit. Valve really wanted you to follow.) The simplest way to light a space is to light every crucial game object / affordance, and make sure the player can see where they want to go. If something isn't important, then don't bother lighting it.

The point of the Residue Processing chapter is low-combat platforming and weapon inventory build-up in an industrial setting that re-uses the silo art assets from Blast Pit -- the point is not to fumble in shadows or to stage elaborate story events where you're locked in a room as NPCs talk. Fittingly, the lighting is very functional and utilitarian, and you don't really stay still for too long.


In this scene from Half-Life 2 (d3_c17_03.bsp), most of the courtyard is in shadow except for a neon teal Combine spotlight, an orange fire giving off lots of smoke, and a friendly NPC shooting at nearby enemies. Gee, Batman, I wonder where we're supposed to go?

Traditional thinking about game lighting is that it is garnish on top of a strong floorplan, but I think lighting is so powerful that it can help compensate for an unclear floorplan too. This is technically just a long room that ends in a blind corner; this is the textbook wayfinding problem that Brendon Chung refers to in his wayfinding talk at GDC 2015. In cases of equal value and flat lighting, as in the fullbright frame above, you won't see anything. But if you put a light around the corner, then we can easily discern the corner. Valve's consistent use of Combine spotlights even lets players estimate how far the blind light source is, based on its intensity and falloff.

The keyword here is "contrast", between shadow and not-shadow, between static lighting and flickering lighting -- between complementary colors blue and orange which are opposite each other on a color wheel and help emphasize each other.

A master class in how NOT to light a game? Note the blorange, note lazy glowy bits everywhere, etc.
Note that these kinds of rules and guidelines can easily be abused, and so they often are. Blue-orange, or "blorange", is a mark of laziness in CG and video games. (Video games tend to avoid red-green contrast for weird Christmas connotations in the West / players with red-green color blindness.)

Similarly, "follow the flickering light" or "follow the perpetually burning trash fires" or "follow the red glowing thing" is barely a step up from "follow this giant glowing arrow" or "follow the word FOLLOW." These are not novel nor compelling ways to explore a world.

Don't get me wrong. I'm a big fan of tackiness and tastelessness.

... Except when I've seen that same kind of tastelessness over and over.

the evolution of video games; from Jack Monahan's "Visual Clarity in Character Design"
These same ideas about lighting spaces also apply to lighting characters and their gameplay affordances. Which way is the NPC looking? Where is its head, so I can headshot it? How can I headshoot it even when we're in the dark? The laziest solution is to make things glow and add lots of color contrast.

Sure, now we'll notice this thing, but at what cost?

When we focus too strongly on the functional aspects of lighting. and apply guidelines blindly, the result is often overly instrumental, emotionally hollow, and basically artless. This is the danger of any rule-making in art -- to assume what worked in what situation will work flawlessly in another situation and produce similar results.


For instance, players don't always flock toward light.

Thief 1, a first person stealth game about hiding in shadows, makes you afraid of light. Here, light makes you vulnerable to being spotted by hostile NPCs -- it doesn't just signify a hazard, it is also a hazard in itself. Every step toward a light source is a risk. Much of the gameplay in Thief consists of huddling in darkness, anxiously watching the well-lit doorway from a safe distance, wondering if there's a way for you to go around and avoid that lit area entirely. In this game, we gravitate toward shadows instead.

It makes sense that lighting in stealth games, or more broadly, games about avoiding direct conflict and confrontation, would operate very differently from games about fighting and gun battles. If you want to design light for function, you should be aware of what that function actually is.

from "Thief 1's Assassins and environmental storytelling."
Also, bad readability isn't always bad.

In the level "Assassins" from Thief 1, Looking Glass Studios used a raised blind corner on purpose to force you to hang back and rely more on the sound of NPC footsteps. The point of this setpiece was to be visually unreadable, and so make you panic about lingering too far behind the NPCs you're supposed to follow. Instead of following a breadcrumb trail of random trash fires, or red cage lights, or (ugh) bl-orange spotlights, we are instead following an invisible mental abstraction and all this fucking light is really unhelpful.

This is one of the most beautiful moments of that level, and it relies on purposeful, nearly transcendent confusion and uncertainty. If games like challenge so much, why not elevate perceptual challenges?

from "Dark Past, part 4: a valence theory of level design"
Before designer Donald Norman co-opted it, the concept of an "affordance" came from ecological psychology, where James Gibson defined it as "what [an environment] offers an animal, either for good or ill." Here, an affordance is a relationship that depends heavily on context, it is not a matter of internalizing supposed universal laws of good design, as several well-meaning but flawed design bibles might have you believe. For more on this ecological psychology approach to design and affordance, especially as it pertains to games, see Jonas Linderoth's 2011 DIGRA paper, "Beyond the digital divide: An ecological approach to gameplay"

Formal approaches to light help us think about the way we use light, but remember that form does NOT follow function. Rather, form follows worldview; much of the orthodoxy around game aesthetics presumes a certain function, certain player, and a certain type of game. That's why part 1 of this series started conceptually -- if you lose sight of what your thing is to different people, then even all the blorange exit spotlights in the world won't save you.

NEXT TIME: part 3, on three-point lighting and why it's kind of useless for 3D games.
12 Mar 09:14

Siberian Husky On A Frozen Lake

by Valentin

Fox Grom est un photographe russe né à Kirovsk. L’artiste détient deux magnifiques Husky qu’il s’amuse à photographier dans toutes sortes de situations. Dans cette série, l’homme s’est promené avec ses deux adorables bêtes sur un lac gelé. A découvrir en images dans la suite de l’article.

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17 Mar 19:16

Uma mulher cartunista? Explique-se sobre isso!

by Chiquinha

Minha relação com os quadrinhos começou ainda na infância. Quando minha irmã mais velha – musa idolatrante, como geralmente toda irmã mais velha é – deixava algumas Chicletes com Banana e revistas da Circo espalhadas pela casa. Ela foi meu primeiro exemplo próximo de transgressão feminina. Tinha o cabelo curto, se vestia sempre de preto e sofria todo tipo de pressão pra ser mais feminina aos olhos da família e da sociedade. Usava uns coturnos bem bizarros e lia QUADRINHOS. Uma arte que supostamente pertencia ao universo dos homens. Claro que eu queria ser como ela. Tentar copiar os personagens daquelas revistas para impressiona-la,  desenhar naquele formato meio tosco, maluco e underground – ainda que, claro, sob a ótica de uma criança  – foi, sem eu saber, minha porta de entrada no mundo da 9a arte.

Muitos anos se passaram, entre pausas e retornos segui desenhando despretensiosamente, até publicar  pela primeira vez.

O que minha puerilidade não concebia e que me foi um grande choque, é que pessoas estranharam o fato de uma garota desenhar quadrinhos. O motivo disso soar estranho, minha inexperiência ainda não alcançava. E as coisas seguiram-se assim.

Muitas vezes ouvi comentários de que eu seria um autor disfarçado, que adotara um codinome para testar e expor uma nova linguagem sem grandes traumas. Ou seja, com base em alguns temas que até então divergiam do que se esperava de uma singela mocinha – como sexo, que na mentalidade de alguns é obsessão exclusiva do sexo masculino – minha produção era frequentemente identificada como a de um autor se passando por mulher. Essa constatação estapafúrdia era mais crível que a de uma mulher estar produzindo quadrinhos de humor.

menstuarte

Acho que foi por aí que tive a certeza de que nada seria fácil. O mercado das HQs – principalmente dos quadrinhos humorísticos sempre foi um ambiente misógino. Assim como parte de seu leitor médio. Só a partir de meados dos anos 60, com autoras como  Claire Bretécher, Aline Kosminski, Linda Barry, e no Brasil com Mariza Dias Costa e a Ciça – apesar de que, ainda por volta da década de 30 Pagú produziu algumas tiras em sua coluna n’O Jornal do Povo – o leque de autoras passa a se abrir expressivamente.

docinhos

Insegura, como qualquer jovem artista saudável,  me sentia pressionada pelos sempre presentes parâmetros sociais que automaticamente desqualificam qualquer coisa que se relacione a ideia de feminilidade – ideia torta de feminilidade, convém dizer . Via no fato de ser autora uma espécie de empecilho, e por tal razão tentava disfarçar quaisquer trejeitos e temas femininos na minha produção, assim como nos meus autorretratos, até então meio andrógenos. Não queria ser direcionada ao nicho dos quadrinhos de “mulherzinha”. Termo escrotíssimo e usado exaustivamente à época  – em partes informacionalmente obscura em seus tempos pré web 2.0.

Até que em meu próprio tempo o fodasse encontrou forças, e, de propósito, passei a dar vazão ao que tanto me negava: ser, sem pânico, minha própria fonte em se  tratando de humor com referências ao taxativo e binário universo feminino, –  principalmente nas mentiras bobas que se apregoam em nome do mesmo –  no que de mais grotesco e ridículo eu conseguiria enxergar e transpor. Usar minha vivência como mulher pra justamente transgredir a clássica e vilipendiosa representação humorística do feminino – fortemente baseada em loiras e ou donas de casa traídas e revoltadas e ou motoristas ruins –  pra focar em questões reais. Reais na minha experiência de mulher comum.

Desenhei os maiores peitolões simbólicos que consegui e acabei seduzida pela minha nova regra: produzir o que quisesse sem me sentir acuada.

peida

Quem não conhece a máxima  “mulheres não tem senso de humor ‘’? Desde sempre somos  moldadas a não fugir da etiqueta social que coloca as mulheres de forma apática e complacente perante as situações corriqueiras da vida. Distorcer, criar e exagerar situações para torná-las motivo de riso, desconforto ou choque, sempre foi  algo comum aos homens. Mas ousasse uma mulher fazer o mesmo. Cansei de observar as mais emblemáticas expressões de desconforto pós-piadinhas quando proferidas por mim ou amigas.

O humorismo sempre foi, infelizmente, um território de machos. E eu pouco fazia ideia que ser uma mulher com algum senso de humor era uma espécie de tabu ou raridade. Vale frisar: para homens e principalmente para as próprias mulheres, pois ao que vejo, muitas ainda precisam conseguir rir de si mesmas sem sentirem-se pessoalmente agredidas.

tetris

E me encontrei como cartunista justamente por isso, pra quebrar expectativas de todos os lados que estas viessem. Pra bater no estereótipo, mostra-lo ridículo. Imprimir padrões que de tão arraigados e persecutórios, só vemos quando não estão diretamente refletidos no espelho. E não estamos falando aqui apenas da realidade das mulheres. E sim do humano de forma geral.

carnivoros

O humor é a minha forma de fazer uma leitura da opressão que sofremos, tanto da sociedade, como de nós mesmas, portanto, me é inadmissível a ideia de, como mulher que sou, não me identificar e me ter como parte da luta feminista, mesmo que não veja o feminismo como uma cartilha fechada que devemos seguir  de olhos vendados. A luta por igualdade é importante, mas a luta pelo respeito a diferença também é primordial. Não me interessa exatamente o embate. Me interessa o meio, as ambiguidades que habitam cada uma de nós. Rir do próprio discurso, colocar ele mesmo do avesso faz parte do que entendo como basal na reflexão sobre o que queremos e pelo que lutamos.

As mulheres que tento representar nos meus cartuns, são todas parte de mim. Fora do padrão corpóreo que espera-se delas, sim. Dentro dos tais padrões. De vez em quando. Se importado o tempo todo com isso. Não. Algumas seguras. Meio felizes, meio deprimidas. Contraditórias. Liberadas sexualmente. Algumas medrosas. Outras corajosas. Algumas fortes, outras menos. Submissas, nunca.

abortinho(esse é inédito e, admitimos, queremos tatuar no coccix)

14 Mar 18:34

make me choose:↳ gracillius asked: blonde gillian or redhead...













make me choose:
↳ gracillius asked: blonde gillian or redhead gillian?

15 Mar 05:00

Impeachment

No dia 25/8/1999, primeiro ano do segundo mandato do FHC, meu pai, Mario Prata, que tinha votado no Lula, publicou no "Estadão" a crônica "UNE ou desune". Cito abaixo alguns trechos.

"Eu, a princípio, achei que tinha lido errado. Mas li de novo. O erro não era meu. Era de um moleque de 22 anos. (...) Ele é o novo presidente da União Nacional dos Estudantes. Sabe qual é a meta dele? Derrubar o Fernando Henrique Cardoso. (...) Ir pra rua e derrubar o presidente. (...) Será que esse moleque (...) sabe o que a UNE fez durante anos contra a ditadura para agora, finalmente, a gente colocar lá o Fernando Henrique? (...) Eu posso até não concordar com o nosso presidente. Mas vivemos numa democracia. (...) Você não viveu a ditadura, menino. Dê graças a Deus por termos o Fernando Henrique como nosso presidente. É um homem digno, íntegro, honesto e não mata estudante. (...) Se está errando aqui ou ali não é de propósito. (...) Foram muitos mortos, moleque, para conseguirmos a democracia."

No mesmo dia 25, na coluna Joyce Pascowitch, na Folha: "Pode haver nos próximos dias uma revoada de políticos que apoiam o governo para partidos de oposição (...)." "A pedido do próprio Palácio do Planalto, o mago das pesquisas do PSDB [Antonio Lavareda] tem dado várias entrevistas. Tudo para explicar que existe um outro lado das pesquisas de opinião -a população não estaria assim tão insatisfeita com a performance do presidente."

No dia seguinte, 26 de agosto de 1999, a oposição faria em Brasília a Marcha dos 100 mil, gritando "Fora, FHC!". Brizola pregaria a renúncia do presidente e do vice e a convocação de novas eleições. MST e CUT exigiriam impeachment. "O líder do maior partido da oposição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), disse no Rio que o objetivo do movimento é pedir a abertura de uma CPI para apurar suposto crime de responsabilidade de FHC na privatização das teles. 'Pode-se até chegar ao impeachment, a partir do que for apurado pela CPI'", publicou a Folha.

Neste domingo, a mesma história será reencenada, mas com os atores invertendo-se nos personagens. Manifestantes do centro à direita (Dez mil? Cem mil? Dois milhões?) vão às ruas pedir a cabeça da petista. Eu venho ao jornal repetir as palavras do meu pai: "Posso até não concordar com o [a] nosso [a] presidente. Mas vivemos numa democracia".

É inegável que há muita coisa podre em Brasília -e em São Paulo, no Rio, em Birigui e em Santa Rita do Passa Quatro. Somos um país corrupto, da quitanda ao agrobusiness. O petrolão, contudo, está sendo investigado. O Ministério Público é independente. A imprensa é livre -livre, inclusive, para ter o rabo preso com quem bem entende.

Veja: após o mensalão, o presidente do PT, o tesoureiro e o ministro da Casa Civil foram julgados pelo STF (um colegiado cuja maioria foi indicada durante os anos petistas) e mandados pra cadeia. Se isso é a "venezuelização" do Brasil, não precisamos mais nos preocupar com a Venezuela.

Protestos contra o governo são justos e não só dor de cotovelo da "elite branca", mas enquanto não houver provas que envolvam a presidente com a corrupção, qualquer um que falar em impeachment não passará, como disse há 16 anos nosso grande cronista, de um "moleque".

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13 Mar 23:06

228

by clay

depcom.228.col.400px

14 Mar 03:12

[via]



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26 Feb 17:23

People Grow Old, Excuses Live Forever

by Barry

excuses-live-forever

This cartoon was created in collaboration with the wonderful Becky Hawkins.

Transcript:

Panel 1
A young man (20s or 30s) is talking with cheerful optimism to a woman who is about 60 years old. In the background a female secretary works on a laptop.
MAN: The reason most executives are male isn’t sexism. It just takes time for women to get promoted! In thirty years lots of top executives will be women!
WOMAN: Do you ever get deja vu?

Panel 2
A caption says TEN YEARS EARLIER. The same woman, who looks about 50, is listening to a different cheerful man talk. In the background, a different female secretary works on a computer with a flatscreen monitor.
MAN: The reason most executives are male isn’t sexism.

Panel 3
A caption says TWENTY YEARS EARLIER. The same woman, now about 40, is listening to a different cheerful man. In the background, a female secretary works on a computer with a huge boxy monitor.
MAN: It just takes time for women to get promoted!

Panel 4
A caption says THIRTY YEARS EARLIER. The same woman, now about 30, is being talked out by a cheerful man with a big mustache. But the woman has turned and is listening to the secretary in the background, an older woman working on an electric typewriter.
MAN: In thirty years, lots of top executives will be women.
SECRETARY: Do you ever get deja vu?

CAPTION FOR ENTIRE CARTOON: People grow old, excuses live forever.

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13 Mar 14:10

DEZ COISAS QUE AS PESSOAS DEVERIAM ENTENDER SOBRE SUICÍDIO

by lola aronovich
Golden Gate, em San Francisco, endereço mais procurado por suicidas nos EUA

Luan Côrtes, baiano, tradutor amador, e estudante de medicina, descobriu este ótimo texto de Jennifer Michael Hecht para a Vox sobre suicídio, e decidiu traduzi-lo pra cá. Muito obrigada, Luan!

Como a maioria das pessoas seculares e muitas pessoas religiosas, eu acreditei, por grande parte da minha vida, na ideia culturalmente dominante sobre o suicídio: que era a escolha privada de cada um. Que era moralmente neutro. E que, como não podemos ousar compreender a dor que culmina em tal ato, devemos abandonar o assunto. Eu já não acho que estas ideias sejam verdade. 
O que me fez mudar de ideia? Eu perdi dois amigos para o suicídio, com um ano e meio de diferença entre as mortes. Por vezes, eu também não pude deixar de pensar em suicídio. Sou poetisa e historiadora e escrevi abundantemente sobre a história de ideias seculares, de modo que pensei muito no que eu estava enfrentando. Notei que era estranho que todos nos sentíssemos tão sós em nosso sofrimento suicida diante da conexão intensa que sentimos quando algum(a) conhecido(a) comete suicídio. 
Comecei a pensar no lado positivo do que essa dor significa para nós. Não estamos tão sozinhos quanto pensamos, e podemos dar grandes contribuições à sociedade só permanecendo vivos. Eu tinha lido muitas vezes que um suicídio pode levar a mais suicídios, o que significa que, ainda que você acredite que é um fardo terrível neste momento, seu suicídio seria um fardo muito maior. 
Cheguei a estas conclusões escrevendo primeiro um poema e depois um post sobre suicídio. As respostas foram comoventes e fizeram-me sentir que eu precisava aprender e escrever mais, por isso iniciei um período de pesquisa aprofundada sobre o suicídio ao longo da história e atualmente. 
O que aprendi foi que, em comparação com a nossa sociedade, a maioria das sociedades tem apresentado mensagens fortes de rejeição ao suicídio por causa do que significamos um para o outro e do que devemos ao nosso eu futuro. Sócrates é frequentemente lembrado como um suicida, mas, na cela de prisão onde ingeriu cicuta, ele disse a seus pupilos e amigos que eles não deviam matar-se, a menos que também fossem condenados à morte no tribunal. 
Aristóteles também considerava o suicídio errado porque “os justos e os injustos sempre envolvem mais de uma pessoa”. Nós modernos perdemos o contato com esta e outras ideias cruciais por causa de uma guerra travada entre religião e secularismo. Era hora de repensar a postura secular diante do suicídio em seus próprios termos. Esta pesquisa tornou-se o meu livro Stay: A History of Suicide and the Arguments Against It (em tradução livre, Fique: Uma História de Suicídio e os Argumentos Contrários). 
Permita-me esclarecer que não estou discutindo cuidados terminais, que eu acredito que deveriam incluir o direito de morrer, especialmente em uma época em que as pessoas são medicamente mantidas vivas por tanto tempo. Eu às vezes digo que estou abordando o “suicídio de desespero”. Grosso modo, refiro-me à pessoa cujos entes queridos ou cuidadores considerariam que precisa continuar vivendo. 
Após vários anos de reflexão e escrita, sintetizei dez ideias sobre como podemos pensar o suicídio de forma diferente. 
1) Não temos o direito de cometer suicídio. 
O suicídio afeta terrivelmente as outras pessoas. Para alguns é fatal: ao longo da história, as pessoas observaram que um suicídio pode levar a mais suicídios, em todos os grupos. Depois da publicação de Os Sofrimentos do Jovem Werther, de Goethe, alguns homens jovens na Europa cometeram suicídio vestidos de Werther ou segurando o livro, e houve muitos relatos de aumento no número de suicídios em países onde o livro estava disponível. 
Estudos estatísticos modernos agora demonstram repetidamente a existência de núcleos de suicídio, cada um representando um aumento real na taxa de suicídios em certos colégios, universidades, regimentos, cidades, grupos etários e profissões. Talvez você se lembre de manchetes nas últimas décadas sobre suicídios entre agricultores, policiais, entre adolescentes nos anos 1980, em certas universidades, ou em um alojamento universitário específico. Recentemente têm saído grandes manchetes sobre um aumento chocante nas taxas de suicídio entre pessoas da geração “baby boom”, militares, e nativos (índios) norte-americanos (especialmente os jovens). 
Há muitas indicações da relevância da influência. Nos anos 1970, o pesquisador David Philips, hoje professor de sociologia na Universidade da Califórnia, acompanhou o aumento de suicídios após a morte de Marilyn Monroe e outras celebridades, cunhando o termo “efeito Werther”. O aumento é mais forte para aqueles na mesma faixa etária e do mesmo gênero que a celebridade. 
Além de celebridades, estudos mostram uma correlação robusta entre a cobertura midiática do suicídio e um aumento real na área exposta às notícias, especialmente entre pessoas da mesma idade e gênero. A influência da mídia sobre o suicídio parece especialmente potente entre adolescentes e adultos jovens. Há até mesmo uma relação de dose e efeito, em que mais exposição a notícias deste tipo leva a mais comportamento suicida. 
Victor Hugo rejeitava o suicídio porque “assim que atinge seus vizinhos, suicídio é homicídio”. E Jean Jacques Rousseau fez uma personagem sábia dizer a um amigo suicida mais jovem que o suicídio deve ser rejeitado por muitas razões, incluindo o fato de que poderia causar mais suicídios. O suicídio é muito perigoso para ser um direito. 
2) Permanecer vivo é uma contribuição social que salva vidas. 
Devido ao poder da influência suicida, permanecer vivo apesar das agruras mantém vivas outras pessoas. Em um estudo grande e muito cuidadoso do Centro Johns Hopkins em 2010, pesquisadores descobriram que o suicídio de um dos pais de uma criança com menos de dezoito anos triplica o risco de suicídio, com diferentes padrões de hospitalização e morte, a depender da idade da criança no momento do suicídio. Um estudo de 2014 mostra que a tentativa de suicídio de um dos pais aumenta em cinco vezes a chance de a criança tentar o suicídio, “mesmo após ajustar para a transmissão familial de transtornos do humor”. 
Isto significa que se você não se matar, sua filha tem menos chances de cometer suicídio; e, se você permanecer vivo, talvez ela também consiga. Um ex-militar citou esta ideia de “Fique” em um artigo pessoal sobre suicídio para o Daily Beast e acrescentou: “se você quer que o seu parceiro de trabalho sobreviva, você precisa aceitar ajuda e lutar suas próprias batalhas”. 
Não sei por que nem sempre reconhecemos nosso próprio valor, mas, quando as pessoas percebem que buscar ajuda e sobreviver manterá outras pessoas vivas, elas sentem-se menos autoindulgentes quando tomam medidas para superar a crise. Nós salvamos a vida uns dos outros quando cuidamos de nós mesmos. A sociedade deveria expressar gratidão àqueles que se mantêm vivos por outras pessoas e fico feliz em começar: obrigada. Nós constantemente dizemos às pessoas que procurem ajuda, mas não lhes dizemos por quê. 
3) Precisamos considerar os direitos do eu futuro. 
Albert Camus, famoso por declarar que devemos todos confrontar a questão do suicídio, é menos famoso pela sua poderosa conclusão de que devemos rejeitar o suicídio. Ele argumentava que mais vida é sempre melhor, mesmo se não é feliz. Camus diz que o que você aprenderá com a experiência é incognoscível até que você chegue lá, e a espera e a luta realmente valerem. 
Assim como a nossa cultura minimiza a natureza interconectada do nosso ser, ela também vê o eu como um agente imutável. Esquecemos que iremos mudar e crescer de maneiras que não podemos agora imaginar. Quem nos tornaremos? Devemos fazer um esforço para respeitar aquela pessoa. 
Muitas figuras ao longo da história têm-nos lembrado que, mesmo quando tudo parece perdido, as circunstâncias às vezes mudam de forma abrupta. O filósofo renascentista Michel de Montaigne oferecia muitos contos de suicidas finalizados pouco antes de tudo mudar para melhor e outros contos de rejeição do suicídio levando a uma vida maravilhosa e celebrada. Para nós modernos, se formos capazes de esperar, é possível também que surja uma nova droga ou outra intervenção. 
Há certas pessoas que precisam considerar especialmente a ideia do “futuro eu”. Até os 25 anos de idade, o córtex pré-frontal do cérebro não concluiu o desenvolvimento. Até lá você não sabe como será sua experiência do mundo em alguns anos. O córtex pré-frontal é responsável pelo funcionamento executivo: planejamento do comportamento cognitivo complexo, expressão da personalidade, tomada de decisões e moderação de comportamento social. 
Você está prestes a ficar muito melhor em alcançar o que você deseja. Por ora, encontre uma forma de esperar. Para nós que somos mais velhos, se você está passando por um período muito espinhoso na vida, lembre que as coisas podem melhorar para você também, se você confiar que o seu eu futuro saberá de coisas que você ainda desconhece. 
4) O suicídio está entre os dez maiores responsáveis por mortes de americanos. 
Em 2000, o número de suicídios nos EUA era 30 000 e começou a subir. O último relato foi em 2012 e o número chegou a 40 600. O suicídio é a segunda causa de morte de pessoas entre 15 e 24 anos. Em um estudo recente envolvendo estudantes universitários, o suicídio superou o álcool como causa de morte. 
Enquanto isso, a maioria dos suicídios é de homens brancos mais velhos. Mulheres tentam mais o suicídio, mas homens morrem mais, o que é mais provável, já que homens têm mais acesso a armas de fogo. Em 2010, o suicídio foi responsável por 61% das mortes por armas de fogo nos EUA. O suicídio mata mais que o homicídio. [Veja aqui as estatísticas do Brasil]. 
Em relação à guerra, um estudo de 2012 mostrou que mais militares estadunidenses morreram de suicídio do que em combate ou em acidentes de percurso naquele ano (os números para 2013 foram liberados recentemente: enquanto suicídios entre militares na ativa estão reduzidos, houve um aumento de suicídios entre reservistas). Na população geral, o suicídio recentemente superou os acidentes de carro em número de mortes. 
A Organização Mundial da Saúde estimou que a taxa global de suicídios subiu em até 60% desde 1945. Em 2010, no mundo desenvolvido, o suicídio tornou-se a principal causa de morte de pessoas entre 15 e 49 anos. A não ser pelos três piores anos da doença, o suicídio tem matado mais pessoas anualmente que a aids. Globalmente temos um milhão de suicídios por ano. 
5) O suicídio é frequentemente impulsivo, assim, se o impulso é frustrado, a pessoa vive. 
Quando as pessoas tentam o suicídio e não morrem, na maioria esmagadora das vezes elas dizem-se felizes por terem sobrevivido, de acordo com estudos e observações de suicidologistas. Um seguimento de 25 anos envolvendo pessoas que tentaram pular da ponte Golden Gate mostrou que 96% delas estavam vivas ou morreram de outras causas. Costumamos pensar o suicídio como o ponto final de uma longa batalha com a depressão agonizante, mas frequentemente ele não se deve a isso ou não apenas a isso. Humilhação recente ou perda são determinantes comuns. 
Pensamos o suicídio de militares como o fruto do transtorno do estresse pós-traumático e outros resultados diretos das guerras, mas note que o estudo dos suicídios desta população em 2012 mostrou que um terço dos mortos nunca tinha estado em combate, enquanto mais da metade tinha sofrido a perda de um relacionamento importante ou uma humilhação no ambiente de trabalho. 
Um estudo recente de suicídios de policiais mostrou que 64% dos casos foram descritos como “uma surpresa”. Há notícias de estudantes universitários populares e bem-sucedidos que exibiam poucos indícios de depressão subitamente tirando suas vidas. Se parte do problema reside no fato de, em certos grupos, em certos períodos, o suicídio parecer uma opção popular, é útil expressar isso e estar preparado para resistir. Se você não deseja um dia morrer de suicídio, diga a si próprix que você está atento a tais inclinações e que você está preparado para rejeitá-las. 
6) Barreiras físicas contra o suicídio têm-se mostrado efetivas e barreiras conceituais também podem funcionar. 
Estudos mostram que, quando se ergue uma cerca de proteção em uma ponte famosa por suicídios, as pessoas que vão até ela para pular não procuram outra ponte. Barreiras em pontes diminuem a taxa geral de suicídios, motivo pelo qual estamos finalmente instalando uma barreira na ponte Golden Gate — como especialistas de várias áreas explicaram em uníssono, barreiras contra o suicídio salvam vidas. O ato é tão impulsivo, que, na maioria das vezes, as pessoas não parecem planejar-se o suficiente para encontrar uma ponte secundária e certificar-se de que ela é escalável e alta o bastante para cumprir a tarefa. 
Nos anos 1990, o Reino Unido observou muitos suicídios causados por overdose de paracetamol, o que levou a uma mudança na legislação para obrigar a droga a ser vendida em quantidades menores. As mortes por paracetamol então diminuíram significativamente. O número de overdoses manteve-se constante, mas houve redução expressiva no número de casos fatais. As pessoas sobreviveram, porque o ato é tão impulsivo, que elas só ingerem o que têm em casa; por isso, recipientes menores salvam vidas. 
Nos EUA, mais da metade das mortes por armas de fogo são suicídios e mais da metade dos suicídios envolvem armas de fogo. Dispor dos meios imediatos é ruim. Se o seu intuito é proteger-se, certifique-se de que levaria ao menos algumas horas, algum esforço e interação humana. Eu sei de vários homens e mulheres que guardam suas armas em casas alheias por esta razão. 
O filósofo austríaco Ludwig Wittgenstein afirmou que o suicídio é sempre a precipitação das defesas do indivíduo e acrescentou que não há nada pior que precipitar as próprias defesas. Wittgenstein sentiu-se suicida intermitentemente durante toda a vida, e três de seus quatro irmãos cometeram suicídio, mas ele estabelecera para si motivos pelos quais o suicídio era errado e não se matou. De forma geral, não somos capazes de reverter efetivamente os sentimentos depressivos por conta própria, mas parece que é possível evitar o suicídio, se dissermos não a nós mesmos. 
7) Não podemos sempre confiar em nossos estados de espírito, por isso devemos treinar para subjugar impulsos suicidas. 
Ralph Waldo Emerson disse: “nossos estados de espírito não acreditam uns nos outros”. Das quase 40 000 pessoas que cometem suicídio anualmente nos EUA, certamente algumas não teriam previsto tal causa de morte para si. Algumas foram pegas em um momento ruim, com meios letais e sem ideias sólidas de resistência. Há uma parte de muitos suicidas em potencial que ferozmente não deseja morrer; a parte de nós que liga para serviços de apoio, por exemplo. Esta parte de nós precisa de encorajamento. 
Há pessoas lendo isto que não se veem em risco de suicídio, mas que irão morrer assim, a menos que tomem alguma ação mental neste momento. "Vacine-se" o máximo que puder, repensando cuidadosamente essas questões neste novo contexto. Não se deixe matar pelo clássico e cego esquecimento da desgraça. Pratique lembrar-se que a depressão produz uma ilusão de constância sempre que se instala. 
Recebi uma carta de um advogado que me contou que minha apresentação dos números envolvendo o suicídio de pais de crianças menores de dezoito anos tinha decidido a questão para ele depois de décadas de dolorosa hesitação. Foi um alívio. Ele também me deu um grande insight: ele escreve uma nota para si quando está feliz, porque, quando ele se sente mal, somente a sua própria caligrafia é capaz de mostrar que ele já sentiu felicidade na vida ou que voltará a sentir. Decida agora não permitir que seu pior estado de espírito destrua todos os outros. 
8) Se as pessoas soubessem quão comuns são os pensamentos suicidas, elas teriam menos medo dos seus próprios. 
Muitas pessoas pensam em suicídio — meu palpite esclarecido é consideravelmente mais da metade da população. Um estudo de 2006 envolvendo 26 000 estudantes universitários (na graduação e na pós) mostrou que mais da metade tinha considerado suicidar-se em algum ponto. Dezoito por cento dos estudantes em graduação tinham pensado seriamente a respeito. Empiricamente, quando converso com adultos, a maioria confessa que às vezes deseja morrer. 
Pensar em suicídio não é uma indicação de que você deve ou vai se matar. Leve a sério os pensamentos como uma indicação de que não está tudo bem, e encontre alguém com quem conversar. Contudo, os pensamentos são muito comuns para serem atemorizantes. Se todos soubéssemos quantos de nós ocasionalmente pensam a respeito, estaríamos menos propensos à intimidação pela ideação suicida. 
9) Nossa crescente taxa de suicídio é uma tendência e tendências podem ser desaceleradas ou revertidas. 
A taxa de suicídio aumenta e diminui. O mecanismo que faz sentido para mim é que as pessoas copiam o comportamento umas das outras progressivamente, até atingirem um ponto de saturação e então começarem a ver aquele comportamento como antiquado. Quando este sentimento é esquecido, o ciclo recomeça. 
Sociedades humanas interromperam tendências no passado, mesmo com drogas com alto potencial de dependência. Existem tendências sociais que foram endêmicas por séculos, como a prática de atar os pés, os duelos e o comércio de escravos no Atlântico, que foram interrompidos por uma reavaliação do que é bom e uma rejeição de algo que está causando sofrimento e destruição. Talvez possamos mudar isto também. 
Estou certa de que as condições de vida são tremendamente importantes para a configuração dos estados de espírito das pessoas, mas a cogitação do suicídio como resposta a essa dor depende de tendências, como de quantos suicídios você teve notícia, cometidos por pessoas semelhantes a você. Podemos fazer esforços para não morrer por tendência. É claro que a parte de nossos pensamentos suicidas que é fruto de trauma, negligência e desequilíbrio neuroquímico precisa ser tratada, e a parte da nossa ideação suicida que resulta da economia, política, guerras e perda do mundo natural deve ser um incentivo à ação. Mas, às vezes, o que faz a diferença é se o suicídio parece uma resposta viável ao sofrimento para uma pessoa como você, e nós podemos nos prevenir contra isso. 
10) Se conseguirmos reduzir a taxa de suicídio e mantê-la baixa, as pessoas no futuro olharão para a nossa época e verão um massacre. 
O que você pensaria se eu lhe contasse sobre uma civilização em que 40 000 homens, mulheres e crianças tiravam suas vidas a cada ano? Como isso não é um sacrifício de sangue? Notas de suicídio estão repletas de pessoas explicando que são um fardo. Como elas tiveram essa ideia? Nossa cultura disse-lhes que cabe a elas decidir se a vida vale a pena. Disseram-lhes que elas é que devem pesar suas contribuições e desfalques, sua alegria e angústia. Que coisa cruel e equivocada de se dizer às pessoas. 
Eu acredito que a comunidade e a cultura produzem o sentido das coisas e não cabe a nenhum de nós sustentar o sentido o tempo todo. Imagine que amanhã de manhã você acorde sozinho no planeta. Você faria qualquer coisa da mesma forma? Nós criamos a vida e o sentido juntos, em meio aos outros. Você consegue imaginar tentar aprender sobre suricatos capturando um único espécime e observando-o no laboratório? 
Somos o que somos juntos e devemos dizê-lo. Ou não diga nada a respeito, mas pare de dizer que o suicídio é moralmente neutro e que é uma escolha de cada um. Se esta sociedade é de alguma forma cúmplice em fazer-nos odiar a nós mesmos, eu não acho que devemos ouvi-la convidar o infeliz a morrer e sair do caminho. Para muitos de nós que pensam sobre o suicídio, parte do apelo é jogar a vida de volta na cara da vida. Acho que ficar vivo é uma forma melhor de rebelião. 
10 Mar 14:39

A 12 year-old studies the weird cost of playing as a girl

by Leigh Alexander

shu

Maybe you remember your childhood Atari or that rec room NES, but today's kids are growing up with mobile games, and sixth-grader Madeline Messer has noticed something weird. Read the rest

12 Mar 22:03

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