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27 Aug 03:02

naamahdarling: rockees: a ferocious beast i will reblog...

















naamahdarling:

rockees:

a ferocious beast

i will reblog these everytime i see them because she is just such a precious little ball of predatory fury

27 Aug 10:52

100 Cameras Given To The Homeless People In London And This Is The Result

by Martynas Klimas

The homeless of London have had the chance to show their artistic chops. The Cafe Art 2016 My London calendar is printed with the photographs they took with free cameras. Cafe Art handed out a hundred disposable Fujifilm cameras to the homeless, and the Royal Photographic society gave lessons. 80 cameras came back, with about 2500 photographs, 12 of which won their place in the calendar.

Cafe Art is a community interest company in London run by Paul Ryan. The aim is to promote the art of artists facinghomelessness, exhibiting it in cafes. The organization has attracted the attention of Christie’s, The Guardian, Fujifilm and others. The 2016 Calendar is currently funded through Kickstarter, and will print 5000 copies. All of the funds earned from sales will go back to funding more homeless art programs!

More info: cafeart.org.uk | facebook | twitter | kickstarter (h/t: petapixel)

“Everything I Own or Bags of Life, Strand” by David Tovey

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“Telephone Row, Lincoln’s Inn” by XO

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“Left Boot, East London” by Ellen Rostant

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“Colour Festival, Olympic Park” by Goska Calik

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Photo by ROL, Which Was Voted To Be The Cover

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“Past & Present, City of London” by Ioanna Zagkana

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“Nature’s Tunnel or Light and the End, Stratford” by Ellen Rostant

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“The Artist, Whitechapel” by Michael Crosswaite

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“Tyre Break, Hackney” by Desmond Henry

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“Tower Bridge PICNIC, Southwark” by Cecie

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“West End Bird, Westminster” by Zin

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“Shadow of Self, Hyde Park” by Goska Calik

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“Royal Geese Sunset, Kensington Gardens” by Maciek Walorski

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80 Cameras Returned With Over 2500 Pictures. Voting Determined The Winners

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The Kickstarter Pitch And The Importance Of Disposable Cameras:

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25 Aug 16:15

"There is no lack of female directors. Repeat after me: THERE IS NO LACK OF FEMALE DIRECTORS. But..."

“There is no lack of female directors. Repeat after me: THERE IS NO LACK OF FEMALE DIRECTORS. But there is a huge lack of people willing to give female directors opportunities. I swear, if anyone near me even so much as whispers the sentence “Women probably don’t want to direct,” my fist will fly as a reflex action. Gender discrimination in Hollywood goes far beyond women simply not getting the gig. It is reflected in movie budgets, P&A budgets, the size of distribution deals (if a female director’s movie is lucky enough to score one), official and unofficial internship or mentorship opportunities, union eligibility, etc. Women in Hollywood have no male allies. There are some who pretend to be on our side, but yeah, not really. They may say the right thing because, after all, they’re liberals and that’s a public image they’d like to keep up. Others may actually believe in gender equality, but are not willing to put up a fight for it that could sacrifice their own status or relationships … Ask yourself this: If diversity hiring were a sincere core value in Hollywood’s studios, do you honestly believe they’d fail?”

- Lexi Alexander, No More Excuses: Hollywood Needs to Hire More Female Directors. (via flickeringmuse)
24 Aug 21:58

Por que o Prêmio Hugo deve te interessar

by Lady Sybylla

Uma das grandes polêmicas de 2015 dentro da comunidade de ficção científica e fantasia foi sobre o Prêmio Hugo. Cunhado em homenagem a Hugo Gernsback, inventor e editor, além de autor de ficção científica, a ele é atribuído o próprio termo ‘ficção científica’, além da popularização deste gênero literário através da revista Amazing Stories, a mais famosa revista de FC do mundo.

Mas por que o Prêmio Hugo deve te interessar, você se pergunta?

Como funciona e qual é a polêmica

Qualquer obra, de qualquer idioma, pode ser indicado ao Hugo Awards, ou Prêmio Hugo. Qualquer pessoa que se torne membro da WorldCon e que pague U$50 ganha o direito de votar e de indicar obras e autores. Como membro, você recebe uma cópia digital das obras para poder avaliar e dar seu voto. Como o sistema é aberto, é comum que autores façam campanha junto de seus fãs para que eles votem no Hugo. Este sistema aberto privilegia o gosto do público, ao contrário de ter uma banca fechada, com pessoas que escolhem os indicados. O prêmio é estampado em capas e utilizado como indicador de qualidade por várias editoras.

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Tudo seria bem bacana e funcionaria às mil maravilhas se algumas pessoas insatisfeitas não tivessem se utilizado dessa maleabilidade das indicações para se lançar numa campanha baseada no ódio e no preconceito. Autores homens, brancos, cisgêneros e heterossexuais de ficção científica lançaram dois painéis de indicados ao Hugo. A ala mais agressiva é a dos Rabid Puppies, liderava por Theodore Bale, conhecido como Vox Day e a ala menos agressiva é chamada de Sad Puppies, liderada pelos escritores Larry Correia e Brad R. Torgersen. Larry Correia tem também ligações com o Gamergate.

O ano de 2014 foi o que mais privilegiou mulheres, negros e comunidade LGBTQ no Prêmio Hugo. Foi quando Ancillary Justice, de Ann Leckie ganhou de melhor livro, onde ela aboliu os pronomes de gênero, por exemplo. Toda a comunidade de FC e Fantasia já vinha sinalizando nos últimos anos uma maior representatividade e diversidade, o que apenas beneficia o leitor. Infelizmente, boa parte dessa diversidade de obras e autores não chegam traduzidas por aqui.

Os Sad e Rabid Puppies ficaram incomodados com toda essa presença de pessoas diversas na premiação. Eles alegam que há uma conspiração de esquerda para colocar representantes de minorias nas indicações e que a velha ficção científica, aquela “de raiz”, com grandes aventuras espaciais, de narrativas épicas teria sido trocada por uma bancada política esquerdista. Por isso os Puppies escolheram autores que, segundo eles, trariam essa aventura perdida de volta.

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Em um primeiro momento alguém pode dizer que os Puppies têm alguma razão em reivindicar que os prêmios sejam dados para as melhores obras. Infelizmente não é isso o que eles querem. Vamos conhecer melhor Vox Day, o líder dos Rabid Puppies. Theodore Beale é escritor de FC, já foi indicado ao Hugo e nunca ganhou. Ele já fez textos alegando que os direitos das mulheres são prejudiciais à sociedade e que negros não têm capacidade de desenvolver uma sociedade avançada. Segundo ele, a FC foi dominada por algo chamado “Pink SF”, que é a FC escrita por mulheres. Segundo suas próprias palavras:

Pink SF é um câncer. É uma perversão parasitária. É aquela morte pequena que mata todo sub-gênero literário. (…) Pink SF são as meninas vindo brincar na caixa de areia dos meninos e cagando nelas como gatos.

O texto original está no blog dele, mas para não gerar link, usei o naofo.de.

O escritor de ficção científica John C. Wright foi amplamente apoiado pelos Puppies. Seu nome apareceu cinco vezes entre os indicados deste ano e ele perdeu em todas. Para Wright os homens devem abominar homossexuais em nível visceral e as mulheres precisam ser femininas e delicadas, aquelas que serão salvas pelo herói na narrativa.

A premiação em 23 de agosto de 2015

Foi com muita alegria que as pessoas que acompanham a treta do Hugo de perto assistiram à premiação na madrugada de sábado para domingo. Houve recorde de votações este ano, 65% mais participação do que no ano passado. Categorias onde havia Puppies em peso, como Melhor Novela, Melhor Noveleta, receberam No Award, que é quando os votantes não concordam com os indicados e preferem não conceder prêmio a ninguém. E o melhor livro foi para o chinês Cixin Liu, com o livro The Three-Body Problem.

Fábio Fernandes, escritor brasileiro de ficção científica e tradutor de vários clássicos como Fundação, Laranja Mecânica e Neuromancer leu as obras indicadas pelos Puppies, como parte do pacote que recebeu para poder votar e foi categórico: as obras são ruins. Não só ele, como John Scalzi também leu e disse não haver qualidade alguma no que os Puppies indicaram.

Vários escritores se colocaram imediatamente contra os Puppies, como George RR Martin, que disse que eles haviam partido a premiação ao meio com a manobra que fizeram. Outros chegaram a se pronunciar para que removessem seus nomes dentre os indicados, pois não compactuavam com os painéis e com as alegações.

A ganhadora do Hugo 2015, Laura J. Mixon, na categoria de Best Fan Writer, fez um dos melhores discursos na noite da premiação:

Há espaço para todos nós aqui. Mas não há meio-termo entre ‘nós pertencemos’ e ‘você não’. Acredito que devamos encontrar maneiras menos tóxicas para discutir nossos pontos de vista conflitantes. Estou com as pessoas dos grupos marginalizados que procuram, simplesmente, serem vistas como seres humanos. As vidas dos negros importam.

O que os Puppies não perceberam, assim como todo mundo que apoiou os painéis (incluindo aí alguns autores brasileiros), é que não existe uma conspiração de esquerda. O que existe nestes últimos anos e na geração de autores e leitores é uma mudança de mentalidade. O mundo avançou – apesar de precisar de mais avanços – nas questões sociais, garantindo igualdade de direitos e maior visibilidade para as minorias que antes eram relegadas à obscuridade. Se Prêmio Hugo teve entre seus indicados livros que representem essa literatura, não é por uma conspiração, foi pelo gosto do público.

prêmio-Hugo

O ataque à ficção científica feita por eles não passa de preconceito disfarçado de preocupação com a qualidade. Não passa de misoginia, racismo, homo, lesbo e transfobia, coisa que estamos cansadas de ver.
Assim como o ataque às mulheres que trabalham com games, o ataque a qualquer mulher que critique esses espaços, as pessoas que lutam por diversidade e representatividade, que os Puppies chamam de Social Justice Warriors – são constantemente bombardeadas por comportamento agressivos e ameaças. Não é de hoje que o chilique destas pessoas vem acontecendo. Vários fóruns tem discussões do tipo “por que as mulheres estão destruindo a ficção científica?”, sendo que FC surgiu com Mary Shelley e sua incrível obra Frankenstein.

Fico com o discurso de Laura. Há espaço para todos nós aqui. Essas manobras são desonestas e podem ter rachado o prêmio daqui por diante, mas não será suficiente para nos calar.

Sobre o assunto, vale ler, também:

O sequestro do Hugo Awards

Representatividade importa, mas incomoda

Ficção científica e as aventuras dos garotos brancos

Anticast 178 – A polêmica do Hugo Awards

10 Jul 03:29

genius

Lori

Hahahahaha FOFO!! Qdo eu era pequena eu tbm amava essa música. É o único cd de trilha sonora q eu tive na vida (eu acho). Escutei até furar.



genius

12 Jul 22:48

Rat Empathy

spcsnaptags:

creamsiclesquid:

rjzimmerman:


Upworthy carried a story summarizing an experiment demonstrating that rats exhibit empathy. Why do I care about this? Because the graphics showing the experiment on Upworthy made me smile, and smiling is good. Here’s the link in case you want to watch the video embedded in the story.

Some scientists ran an experiment to demonstrate that. Here’s how it worked:

  1. The scientists put a rat in water (which rats hate). Not enough to hurt the rat, but enough to annoy it.
  2. Then they put another rat in a safer, dry area with a door it could open to save the first rat.
image

When the dry rat heard the damp, miserable rat get upset, she came to the rescue.

image

Still not satisfied with the result, the scientists ran a more complex test.

What if you bribe the dry rat with food? Will she ignore it to rescue the wet rat in the next chamber?

Scientists presumed it would be easier for the not-in-peril rat to take the obvious selfless route when it was given only one choice. But what if they gave her a delicious bribe (chocolate cereal) and then let her choose between saving her friend and a buffet?

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The rats, by a significant margin, still usually saved their friend before getting their delicious bribe. What does that mean?

Rats might care more about each other than things like food, and that prioritization might be encoded in their DNA.

Why should we care about super-thoughtful rats?

It is often argued that humans are inherently selfish — that without guidance, we would all default to killing and stealing and an “every person for themselves” mentality. That we only help others if it helps us. That evolution can’t make us selfless; it’s something we have to force ourselves to do.

But if rats show human-like qualities (they laugh like us, they dream like us, they like to have selfless lovers) like altruism, that means it isn’t a human-learned behavior. It could be encoded in our DNA. It means humans could be empathetic and kind by default.

It also means that rats and humans have more in common than we think.

image

An adorable rat not spreading the plague and hugging a tiny teddy bear. Much empathy.

mauther

TINY WONDERFUL BABBIES

06 Jul 13:29

Da importância de escrever

by Renata Corrêa

Eu ganhei na loteria.

Não na loteria dessas da caixa econômica federal, na aposta esperançosa da quarta feira de quitar o carro, comprar casa própria e parar de se preocupar com o pinga pinga das contas que chegam todo mês por debaixo da minha porta.

Eu ganhei em outra loteria – mais kármica, metafórica, existencial.

Explico:

Eu sou roteirista e escritora, meu ofício é a escrita. Isso dá um ar de profissionalismo como se o ato de escrever não fosse um processo, e como se a pessoa que escreve não fizesse um esforço diário para continuar sendo uma pessoa que escreve. Há luta, jornada e trajetória em cada dia. Então, há algum tempo, resolvi me unir a grupos de escrita criativa, como forma de exercício, de ampliar horizontes, de manter a minha mente alerta. De não me isolar nas minhas próprias subjetividades. E foi um tempo feliz.

Eu morava em São Paulo, e aparentemente eu tinha encontrado a minha turma – gente que me divertia e desafiava, que me indicava livros, que lia em áudios de whatsapp, pessoas com as quais eu tinha e tenho debates maravilhosos sobre a vida e sobre o ofício de escrever. São eles meus queridos Escritores Na Estrada, com os quais eu estou fazendo esse projeto no Catarse.

Mas a vida me trouxe de volta para o Rio de Janeiro, depois de oito anos de vida essencialmente paulistana. E aqui estava eu, perto do mar. Meus antigos amigos cariocas, espalhados pelo mundo. Uns poucos sobraram, com vidas tão corridas quanto a minha própria – freelancer e mãe de uma adorável garotinha de três anos – então eu senti pela primeira vez aquela espécie de isolamento difícil de definir. O isolamento do “está tudo bem, por que vai tudo tão mal?”

Bom, num último esforço de rompimento da bolha das minhas próprias aflições, lancei uma garrafa ao mar, montando um novo grupo de escrita criativa. Procurei um espaço no Rio de Janeiro (O Catete 92), agendei uma sala confortável com pufes, no chão, mandalas nas paredes e incenso no ar. O flyer com as datas foi postado e viajou pelo mundo do facebook, eu sem saber muito o que esperar.

Quando coloquei o nome “Livre” tinha pensado nas minhas últimas pesquisas sobre representação de minorias na dramaturgia audiovisual e na literatura. Mulheres, pretos, velhos, gays e trabalhadores praticamente não aparecem. A dramaturgia é feita por homens brancos, acadêmicos, de meia idade, sentados em seus apartamentos nos bairros nobres das grandes cidades. Coloquei “Livre” no nome do grupo por querer que os participantes pudessem enxergar essa limitação de representatividade e eventualmente questionarem essas limitações. Bom. essa foi minha aposta. Esse foi o meu bilhete premiado.

Surpreendentemente as vagas foram preenchidas em menos de vinte e quatro horas. E preenchidas por mulheres.

Que coisa curiosa.

Isso nunca tinha me acontecido antes.

Claro, já tinha participado de grupos de leitura e escrita exclusivos para mulheres, mas eles sempre deixaram claro que era um espaço exclusivo.

Já esse grupo apenas “aconteceu” como um grupo exclusivo de mulheres. O Grupo Livre de Criação Literária.

Enquanto a data do nosso primeiro encontro não chegava, refleti longamente a respeito. Talvez o meu feminismo militante em redes sociais tenha afastado os possíveis participantes do sexo masculino. Talvez o meu feminismo militante em redes sociais tenha atraído apenas outras feministas militantes. Talvez.

Mas o que percebi durante o encontro foi diferente. Elas foram chegando muito timidamente. As apresentações revelavam contenção. “Meu blog é anônimo” disse uma. Outra bateu na tecla de “escrever apenas para si mesma”. Mais de uma classificou os próprios textos como “apenas um desabafo”.

Então os textos foram sendo apresentados. Alguns impressos, vez por outra em telas de celulares e laptops, lidos atentamente e em voz alta revelaram a verdade – eram mulheres muito talentosas. Com estilo, profundidade, falando de temas relevantes. Então porque tanto cuidado e reticência para colocar esse material na roda?

Então eu me lembrei. Não muito tempo atrás eu já estive lá. Eu já estive nesse lugar, de sentir o forte impulso da escrita, de estar embebida na minha própria escrita, estudando muito e lutando com todas as forças para continuar escrevendo mas ainda duvidando que eu era uma escritora. Eu estava lutando para pertencer, e claro, o mundo me contava que não existia lugar para mim como escritora se eu não estivesse vinculada a uma tradição de literatura feminina, ou feita por mulheres e que se eu não estivesse naquele lugar não existiria espaço para mim.

Eu sei, eu senti, eu intuí, que estávamos conectadas por esse mesmo sentimento. E a partir daí foi muito fácil entender o porquê de apenas mulheres terem se inscrito no grupo. Existe uma demanda reprimida. Existe uma produção reprimida. De mulheres de talento e que infelizmente não vão ver seus contos, crônicas, romances, artigos,  ensaios e poesias publicados. Elas não se vêem como escritoras pois, adivinhem?, existem poucos pares com quem dialogar, poucas publicações e editoras que não vão enquadrá-las e vastas bancadas de livraririas, sites, blogs e artigos de jornais gastando espaço e caracteres refletindo sobre autores e alguns boxes, notinhas e prateleiras falando de uma autora eventual que aparece aqui ou ali.

E não sou eu que estou dizendo. A pesquisadora Regina Dalcastagnè, da Universidade de Brasília (UnB) gastou umas boas dácadas da sua vida mapeando quem é o autor brasileiro. E ele é branco, mora no Rio e em São Paulo e é (surpresa!) homem.

Uma vez conversando com um amigo, autor publicado e incensado pelo hype. Falávamos sobre como nos descobrimos autores. Ele disse que decidiu ser escritor com doze anos e a partir dali, sem uma linha escrita, já se sentia autor dos livros que um dia iria escrever. Então contei para ele que não me lembrava de quando tinha começado a escrever ficção, talvez por aí, com dez ou doze anos. E que demorei uns bons quinze anos para me declarar autora. Precisei de uma força validadora externa, enquanto ele precisava apenas de uma forte convicção a respeito de si mesmo.

Mas como diria Nina Simone, “Não entendo um artista que não reflete o seu tempo” e o tempo está mudando. As coisas estão mudando. Iniciativas independentes como editoras que publicam exclusivamente mulheres, autoras se unindo para publicações coletivas, grupos, encontros, projetos mostram que o caminho para dramaturgia deve ser plural e diverso ou não irá alcançar outros públicos e outras subjetividades.

E cada vez que encontro essas garotas e essas mulheres, e que elas me informam casualmente que estão escrevendo, que são autoras, que são escritoras e que têm um novo projeto, ou que estão pensando em quem sabe talvez, arriscar uma publicação eu ganho na loteria de novo e de novo. São elas que estão quebrando o ciclo vicioso da falta de representatividade e inspirando outras mulheres e garotas. Gritando ali do seu cantinho: isso é possível. Vamos lá!

É muito muito melhor que mega sena.

O Grupo Livre de Criação Literária acontece aos sábados no Rio de Janeiro. Para maiores informações: grupodecriacaoliteraria@gmail.com

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03 Jul 21:20

anotherfirebender: mamavalkyrie: shakerattleandcrescentrolls: ...



anotherfirebender:

mamavalkyrie:

shakerattleandcrescentrolls:

devious-devil:

omnimodus:

apparently the key to happiness is to have a long and shitty winter

and if you can’t have that, surround yourself with deadly wildlife

or maybe these countries have free or reasonably priced health care, good education and costs nothing or very little, marriage equality(not all do however on the list but they at least aren’t extremely homophobic either), decent minimum wages, stable economies, low crime rates and so forth and also deadly wildlife because we protect our environment

Shots fired

but not in those countries because they have low crime rates

23 Jun 15:34

scruffboots: This is how it shoud’ve gone down*Not my GIFs*











scruffboots:

This is how it shoud’ve gone down


*Not my GIFs*

03 Jul 21:19

Photo







27 Jun 14:17

loverofbeauty: Jaguars love water!



loverofbeauty:

Jaguars love water!

03 Jul 20:18

244

by clay

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01 Jul 19:06

redução não é solução

by Patricia C.
Cada vez que uma pessoa favorável à redução posta algo raivoso como "tomara que você seja estuprada por um menor" ou "tomara que um menor mate sua mãe pra você ver o que é bom", penso que isso reforça mais ainda o meu lado nessa discussão. Sem contar que eu jamais desejaria isso para um oponente num debate, a vibe aqui é outra. Nossos pontos de partida já são diferentes porque vejo a prisão como ressocialização não como punição. É pra isso que o estado de direito nasce. Se fosse para ser olho por olho era melhor inventar uma máquina do tempo e voltar pra idade da pedra. Um mundo sem lei. 

Em 2010 a minha mãe foi agredida por um parente, teve a coluna fraturada, quebrou um dedo e foi parar no hospital com hemorragia interna, quase morreu. Teve que usar colete ortopédico por 6 meses. O responsável? Só foi chamado para depor 2 anos depois. Os inquéritos demoram, os responsáveis por n crimes sequer são chamados pra depor porque fogem e a PM não tem quadro pra procurar ninguém. Não é mais urgente revermos essa falha no sistema com crimes que representam a grande maioria dos casos? Por que esse furor midiático para discutir crimes minoritários? 

Entra mais uma vez na discussão da punição. Ninguém quer solução para o problema da criminalidade.
Roubou um celular e saiu correndo? Pega ele, mata.
Estuprou e matou? Pega ele, coloca cada membro preso em um cavalo selvagem, de modo que ao correr, cada cavalo arranque um membro e fique exposto em praça pública apenas o tronco do bandido (relato que está em Vigiar e punir, do Michel Foucault).
E por aí vai. 

Já dizia Saramago, "olho por olho e acabaremos todos cegos".

 Frequentemente, nós apoiadores da não redução, somos chamados de inocentes. "Tá louco, o cara de 16 sabe muito bem o que tá fazendo, o cara estupra, mata, assalta e o estado vai proteger?". Então, eu sempre devolvo a acusação. Alguém pode realmente achar que o estado protege crianças e adolescentes de alguma coisa? Principalmente quando esse menor é negro? Talvez um inocente pense que sim. Quem compreende o sistema, quem enxerga as estatísticas, sabe bem que o estado e a sociedade empurram esses menores para o crime. Um assunto que vai muito além de uma redução na maioridade penal. É imprescindível uma reforma no sistema prisional, reestruturação da educação e a legalização do aborto. Inocente, pra mim, é quem pede a redução sem se ligar que esses 3 temas são a raiz da situação e devem ser tratados primeiro.
15 Jun 13:42

UMA BRANCA QUE SE PASSOU POR NEGRA

by lola aronovich
Lori

Osias, gostaria de saber sua opinião sobre trans-racial.

Olhem só que caso incrível. Só se fala nisso desde quinta ou sexta nos EUA.
Rachel Dolezal, uma professora universitária de estudos africanos e presidente da NAACP (National Association for the Advancement of Colored People, uma prestigiada e histórica associação americana que luta pelos negros) vive na cidade de Spokane, cidade de 200 mil habitantes no estado de Washington. Ela, que tem 37 anos, há quase uma década "se passa" por negra. 
Rachel fez mestrado com bolsa integral na Universidade de Howard, considerada a "Harvard negra". Apresentou um homem negro como sendo seu pai. Tinha uma coluna num jornal local sobre assuntos raciais. Deu uma entrevista afirmando que na sua infância caçava com arco e flecha (porque ela dizia também ter ascendência nativo-americana). Postava fotos em que mostrava seu cabelo "natural". E dizia que seu irmão de 21 anos, que é negro e vive com ela, era seu filho.
Foto da polícia da corda encontrada
em frente à casa de Rachel
Além disso, nos últimos anos, denunciou à polícia uma dúzia de ameaças contra ela, por ser "birracial". Nenhuma foi confirmada. A mais recente levantou suspeitas. Era um pacote com fotos de linchamentos de negros endereçado a NAACP, no nome de Rachel. Mas o pacote não tinha selo nem carimbos. Para ser deixado na caixa postal, só por alguém que tivesse a chave, ou por um funcionário (que não coloca encomendas sem selo).
Rachel virou a palavra da vez porque seus pais, que não falam com a filha há anos, vieram a público dizer que ela não é negra. Divulgaram fotos de Rachel jovem, em que ela era loira, com sardas. Quando Rachel era adolescente, eles adotaram quatro crianças negras. Segundo eles, foi aí que começou a fixação dela com a negritude. Rachel mais tarde se casou com um negro e teve um filho. 
Os pais biológicos de Rachel
Após a separação, segundo os pais, é que Rachel iniciou sua "passagem" como negra. 
Seus outros irmãos adotivos que moram com os pais afirmam que Rachel é branca. Um deles disse: “Posso entender o estilo afro no cabelo e tudo isso. Mas dizer que seu irmão é seu filho, isso eu não entendo”.
Até agora, a NAACP tem sido muito discreta, dizendo que apoia Rachel e que ela e sua família estão em batalha legal pela custódia de um dos irmãos (o que vive com ela), e por isso compreende que Rachel não queira falar sobre isso. Além disso, reiterou que pessoas de todas as raças podem fazer parte da associação, e inclusive presidi-la.
Este é o resumo que tenho pra oferecer por enquanto, mas há "descobertas" e desdobramentos ocorrendo a toda hora. Espera-se que Rachel se pronuncie (após uma entrevista-surpresa desastrosa) hoje à noite.
Vocês leram a história toda, né? Agora, acreditem: tem gente me comparando a Rachel.
Eu, que nunca enganei ninguém a respeito de coisa alguma; eu, que nunca me disse negra. Eu, que apesar de ser ativamente contra o racismo e outras opressões, não faço parte do movimento negro. Eu, que sou ameaçada cotidianamente por ter um blog feminista, mas que nunca sofri racismo.
Comentário de alguma radfem que vem trollar no blog
E essas comparações todas com Rachel são porque eu fui identificada como negra (por uma negra) num congresso recente, e fiquei feliz. 
E escrevi um tuíte descrevendo isso. Como não havia sido a primeira vez que eu era vista como parda, e como eu vinha tendo dificuldade para me dizer branca (sempre dizia "mais ou menos branca"), escrevi um texto falando dessas inquietações.
Idêntico ao que Rachel fez, hein?
Mas me comparar com Rachel é fichinha perto das outras comparações que vêm sendo feitas -- principalmente com Caitlyn Jenner. Faz pouco tempo, Caitlyn deixou para trás Bruce Jenner, ex-atleta olímpico americano, e se assumiu mulher. Uma das perguntas mais feitas por conta do caso de Rachel é "Por que uma mulher pode se declarar homem e ser aceita, e uma branca não pode se declarar negra?"
A atriz Mia Farrow foi uma das que perguntou no Twitter: “Aceitamos que uma pessoa pode se identificar como transgênera. 'Trans-étnica' poderia ser algo real?” O termo transracial virou uma hashtag popular no microblog nesses dias.
Uma das muitas piadas no Twitter:
Orange is the new black
Não preciso nem dizer que a direita is having a field day, né? Pois é, a direita está nas nuvens por causa do “escândalo”. Afinal, isso de identidade e ativismo social é coisa de esquerdista. Estudos afro-americanos? Se dependesse dos conservadores, essa perda de tempo nem existiria. É a chance dos reaças gritarem como toda a esquerda é uma farsa. Sem falar que a direita não estava engolindo bem o tratamento da mídia a Caitlyn Jenner (mesmo ela tendo dito ser republicana).
Acho essas comparações de Rachel com Caitlyn bastante absurdas, porque sugerem que uma mulher trans é uma fraude. Mas há tanto para se falar sobre isso, que prometo um outro post
Na realidade, Rachel está mais pro protagonista de Tootsie, em que um ator desempregado se passa por mulher para conseguir um papel feminino. Na "vida real", ele continua sendo homem. Mas pro público e pro elenco da novela em que participa, ele é mulher (e as confusões derivam disso nessa excelente comédia).
Aliás, a história de Rachel lembra Soul Man. Não sei se alguém se recorda desse filme besta de 1986 com o C. Thomas Howell. Ele faz um rapaz branco que não tem como pagar o alto preço de estudar em Harvard, então se disfarça de negro, com peruca e blackface (e todos os estereótipos raciais – e racistas – que vem junto) para conseguir uma bolsa. 
Li vários textos interessantes sobre o "caso Rachel", todos em inglês. Um artigo do Boston Globe explica o fascínio que brancos têm pela cultura negra (minha tradução): “Estudiosos e críticos culturais perceberam há muito tempo que, já que a cultura branca é vista como não-existente ou chata, os brancos consomem e adotam estilos e práticas não-brancas para construir identidades cool e exóticas. E como brancos podem 'vestir” a negritude sem a ameaça de serem assediados ou mortos sem motivo pela polícia, a emoção de performar negritude tem muito menos risco que a vida real como uma pessoa negra. Ademais, brancos podem parar a performance quando quiserem e voltar a serem racialmente sem marca”. 
Um artigo no Slate diz: “Pertencer à comunidade negra é herdar uma cultura rica e importante; ser racialmente negro é enfrentar discriminação e violência”. O autor Jamelle Bouie cita um homem, filho de escravos negros, que poderia ter se passado facilmente por branco (o que não era incomum em épocas passadas). Mas Walter Francis White não quis, e escreveu em sua biografia: “Eu sou negro. Minha pele é branca, meus olhos são azuis, meu cabelo é loiro. Os traços da minha raça não estão visíveis em mim”. Ele foi líder da NAACP durante 24 anos, de 1931 a 1955. Diz Bouie:
“Ambos os fenômenos, de negros que decidiram 'passar por brancos' e de negros que poderiam passar mas se abstiveram, ilustram a realidade porosa da raça, e mais crucialmente, de como é diferente de etnia. Por um lado, 'preto' é uma confirmação de identidade. Descreve uma certa cultura e uma certa história, ligada às vidas e experiências de africanos escravizados e seus descendentes. É uma cultura fluida, com espaço para uma grande variedade de pessoas, desde brancas a negras, a pessoas de ascendência latino-americana e caribenha.
“Por outro lado, descreve a parte mais baixa na hierarquia racial americana. É uma construção, mas foi construída por características físicas, quando americanos coloniais capturaram africanos, transformaram-nos em escravos, e os fizeram 'negros'. Designa as pessoas que podiam ser escravizadas; as pessoas que tinham que viver sob a lei discriminatória de Jim Crow; as pessoas a quem podiam ser recusados empréstimos para comprar casas e a quem se podia jogar nos guetos, as pessoas que podem ser roubadas por autoridades municipais mesquinhas”.
Este artigo também é muito bom. Ele diz que “Se você parece negro, você é negro na América, independentemente das suas raízes étnicas ou de como você se identifica; definir-se como birracial não impediu Tony Robinson de entrar na longa lista de jovens negros desarmados mortos pela polícia”. E conclui: “Sem sua história fabricada, [Rachel] Dolezal teria sido apenas uma pessoa branca dedicada a causas negras".
A dúvida é: por que isso seria um problema? Eu pessoalmente não concordo que uma pessoa branca receba bolsa para estudar na conceituada Universidade de Howard (há relatos que ela ainda era branca quando estudou lá), ou que uma pessoa branca presida uma NAAPC, porque considero que isso seria roubar protagonismo, e porque essas atitudes tirariam oportunidades de negros. 
Casamento de Rachel
Mas Howard e a NAAPC não se opõem à presença de brancos, e Rachel não seria a primeira branca. É essa dúvida que, a meu ver, patologiza a questão, e faz pensar sobre a sanidade de Rachel.
Por exemplo, aqui há um artigo instigante falando do fascínio que Rachel tem por sofrimento. Ela não se passava apenas por negra, mas também por uma pessoa chicoteada, torturada, abusada. O autor fala do caso de um judeu que fez sucesso na Europa, vinte anos atrás, publicando uma memória sobre sua sobrevivência no holocausto quando criança. Só que ele não era judeu. Nem vítima do holocausto. Mas parecia acreditar que era.
Bom, este texto já está gigante, e tem um montão de coisa pra discutir. Continuo aqui.
18 Jun 15:51

nice, ron



nice, ron

22 Jun 06:30

Last Week Tonight with John Oliver: Online Harassment (HBO)

by LastWeekTonight

Online harassment is a major problem, but it’s rarely prosecuted. If only we’d been warned about this in the early days of the internet.
19 Jun 14:37

20 essential job interview tips

19 Jun 21:46

242

by clay

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20 Jun 22:14

O fenômeno do cara legal e a balela da friendzone

by Mari

[SPOILEIR!] Sabe o que o personagem Joe Caputo, de Orange is the New Black, e os caras que acreditam em friendzone tem em comum? Eles são caras legais e isso é terrível.

No episódio 11 da terceira temporada de OITNB conhecemos melhor Joe Caputo, o atual diretor da prisão. Nele, vamos criando uma teia de histórias que nos ajudam a desvendar o personagem. Primeiro, ele surge como um jovem com um futuro promissor na luta greco-romana se lesiona em um evento extra competitivo. Na verdade, ele se oferece para lutar contra jovens com síndrome de down e é enaltecido pelo treinador pois “não precisava”, mas é tão bondoso que quis dar essa alegria aos jovens especiais. Um pouco adiante no tempo, ele se casa com sua namorada, que está grávida de outro e perde a oportunidade de fazer sucesso com sua banda. Em um debate sobre o tema ele não demora em tocar na cara da mulher que ela lhe deve isso, que ele se sacrificou por ela (mas ela deixa claro que nunca pediu nada).

O NY Times alerta:

Joe Caputo pode não ser um cara legal, mas ele persegue desesperadamente o sentimento que tem quando é percebido como bondoso.

joe-caputo

É essencial notar que esse empenho em ser percebido como alguém nobre vai, ao longo dos anos, fazendo com que Caputo perca todas as reais oportunidades de sucesso da sua vida e termine sendo o personagem solitário e decepcionado que conhecemos. Mas o martírio está longe de ser abnegado. O Salon explica:

A falha central de Caputo é que ele se vê como um “cara legal” quando, na verdade, tudo que ele faz é esperando que o mundo lhe dê algo em troca – a medalha de ouro do heroísmo, a faixa azul por presença (…) O problema não é só que ele acredita que deveria ser um herói: o problema é que ele acredita que merece algo especial por ser assim heróico.

Tudo isso pode parecer besteira, mas o discurso que costura essa ideia de que o homem merece um troféu por ser legal (coisa que deveria ser o mínimo, convenhamos) é o mesmo que costura campanhas como aquela dos esmaltes e ideias terrivelmente babacas e perigosas como friendzone.

E tendemos a levar friendzone como piada, mas ela está profundamente inserida na cultura do estupro, porque coloca a mulher como um commodity, um objeto, que deve ser recebido em troca de gentileza. E quando isso não acontece, ela está manipulando o homem ou ela é burra demais para perceber quem são os caras legais.

Mas, ei, nós não somos idiotas, e caras que acreditam nisso não são nada legais.

Porque friendzone nada mais é que um homem se sentindo lesado por não receber o que quer. E esse discurso carregado de ódio é uma maneira de enfraquecer o direito de escolha feminino.

friendzone2Te diz que tu é um ótimo ouvinte, talentoso e um partidão. Tu entrou para friendzone (onde aprendemos que não rola ser educada com moleque escroto)

Um homem que internalizou que um comportamento gentil ou bondoso é um escambo que deve resultar em algo que lhe favoreça é o oposto de um cara legal. A Amanda Marcotte ressalta, também, o que une conceitos como friendzone de coisas imbecis como PUA:

É a teoria de que as mulheres não curtem tanto sexo quanto curtem atrair atenção. Então caras que dão atenção para elas de livre e espontânea vontade são vistos como fontes de atenção infinita e mulheres só dão sexo para homens que as fazem trabalhar por isso. A noção de que friend zone é permanente deriva da ideia de que ela te vê como um babaca que dá atenção sem que ela precise se esforçar. A possibilidade que uma mulher, de fato, goste da tua companhia e ache que tu também gosta da dela é deixada de lado. A possibilidade de ela ter te rejeitado polidamente e que tu só fique orbitando em torno dela, abusando da boa vontade e da educação que a faz não te mandar sumir é totalmente ignorada. Se tu mergulhar nessa mentalidade por tempo suficiente, a ideia de pickup artists sendo uns trouxas e tentando manipular as mulheres para fazerem sexo com eles parece terrivelmente boa.

No final, o cara legal só se revela pela frustração. Ao se frustrar diante de não ter sido reconhecido como a pessoa maravilhosa que acredita ser, ele se torna quem realmente é. Mas, eis uma novidade, caras: o mundo não te deve nada, as mulheres não te devem nada.

Esse comportamento pode parecer ter muitas semelhanças com o de uma criança mimada e, talvez, seja o caso do personagem Caputo. Mas certamente não é o caso da friendzone, porque a misoginia sente o direito de se impor. E, como bons babacas, em nenhum momento ocorre para estes homens tentar ver as coisas pelo que são. Se fizessem isso seriam capazes de notar que o mundo não gira em torno deles e as coisas costumam ser bem mais simples que parecem.

Deixo aqui essa dica:

Nós mulheres somos apenas seres humanos mesmo. E a maioria dos homens não está pronta pra aceitar plenamente essa mínima verdade universal

— Catarina (@BinahIre) May 31, 2015

17 Jun 23:21

Relacionamentos solitários

by Mari

Esses dias fui conversar com uma amiga que está passando por uma ruptura (muito mais interna que externa, mas que acabou abalando todo o resto da vida dela).

No meio dessa ruptura pessoal ela foi se dando conta que, muitas vezes, era a única “responsável” pelo relacionamento que tinha. E se pegava olhando com inveja pro namorado quando ele conseguia ser profundamente egoísta sem culpa nenhuma.

sozinhaAh, é, eu tou sozinha

Porque, pra maioria de nós, ainda é muito difícil pensar em si sem sentir culpa por ter abandonado o outro. Como se essa fosse nossa vocação e tivéssemos deixado ela de lado, nossa Capela Sistina. E não é como se isso fosse só fruto da nossa cabeça, a maioria das pessoas ainda acredita que temos obrigaçãotalento para cuidar. Cuidar da casa, do homem, dos filhos. Sozinhas. Abnegadamente. Tudo que não é assim segue sendo visto como desleixo, descaso, ser uma mulher pior. Daí vem a nossa culpa ;)

Minha amiga é alguns anos mais jovem que eu e, ouvindo o que ela falava, lembrei da primeira vez que me dei conta disso: quando pensei em ser mãe. Durante muitos anos tive mais amigos homens que mulheres e, chegando em certa idade, a maioria se tornou pai. Nenhum deles precisou abrir mão da própria vida e virar um santo dedicado para ser considerado um bom pai. Muitos são, muitos não. Mas todos seguiram existindo individualmente. Só que a ideia de ser mãe, pra grande maioria das mulheres que eu conhecia, envolvia abdicar de si. Foi aí que dei um ou dez passos pra longe disso tudo.

Mil anos depois, muita coisa mudou e já conheço mães que confrontam abertamente essa ideia de deixar de existir pela maternidade. Apesar das cobranças da família, das escolas, da sociedade. Mas ainda conheço bem poucos homens que o fazem. Ou seja: ser mãe continua sendo um trabalho individual (mesmo quando em dupla).

melhor-odiadaMelhor ser odiada que amada por quem tu não é

O mesmo acontece com os relacionamentos. Não importa o quanto o cara diga ser diferentão e consciente, se ele é incapaz de sentar contigo e conversar para tentar mudar as coisas, rever seus privilégios gerais e se dedicar cotidianamente para equilibrar a balança, o teu relacionamento é um trabalho individual.

Ou seja, nós podemos romper apenas com o nosso lado, que é essa ideia de que mulher não deve confrontar o homem, que sempre temos que ceder e que nossa obrigação é cuidar, mas se o parceiro não acompanhar nem estiver disposto a romper com o que pesa do seu lado, muitas vezes essa tentativa de melhorar acaba nos deixando com a sensação de que trocamos o que tínhamos por algo pior.

Mas só porque raramente nos damos conta que a maioria dos relacionamentos que seguem esse padrão tradicional são profundamente solitários para as mulheres que, assim como a minha amiga, são as únicas responsáveis pela coisa toda.

Quantos relacionamentos solitários vocês já tiveram? Daqueles que o cara acha que DR é um saco, mas não propõe nenhuma outra forma de conciliar ou lidar com as coisas? Daqueles onde a tua vida fica em standby porque a vida dele está em primeiro plano? Daqueles que tu esquece como é receber carinho e incentivo quando as coisas vão mal/bem?

Isso quer dizer que nós, feministas, estragamos os relacionamentos ou que falta gente disposta a pensar na companheira com amor e cuidado e querer quebrar com esse modelo terrível com o qual nós cansamos de nos contentar?

amor-é-complicadoNo final das contas, amor é complicado pra caramba

Conviver é sempre uma dificuldade. Conviver comigo mesma já não é das coisas mais simples, que dirá com outra pessoa. Mas isso me fez pensar em todas as mulheres maravilhosas que conheço e que, tendo entendido que não precisam de um relacionamento para validar sua existência, também dizem que desistiram, que essas coisas não são pra elas. Quantas realmente não querem essa troca de afeto e quantas só cansaram de falar sozinhas e ser as únicas que cedem?

09 Jun 18:40

micdotcom: Watch: ‘The Daily Show’ brilliantly points out the...

07 Jun 05:22

quatrepourtoiglencoco: The sad truth is that none of us could ever be Tatiana Maslany.The happy...

quatrepourtoiglencoco:

The sad truth is that none of us could ever be Tatiana Maslany.

The happy truth is that Tatiana Maslany could be all of us.

11 Jun 20:15

The Street Store: quatro mulheres e uma iniciativa maravilhosa

by Bruna Holderbaum

Há um pouco mais de duas semanas um vídeo apareceu na minha timeline e me tocou demais. O vídeo em questão apresentava o projeto The Street Store, criado em 2014 na Cidade do Cabo. O projeto teve tanta repercussão que se tornou open source e se espalhou pelo mundo.

A ideia é simples: montar uma pop-up store ao ar livre para que pessoas em situação de rua possam ter uma experiência de compra tal como ela acontece em uma loja tradicional. Olhar, gostar, provar e levar para casa. Mas tudo sem dinheiro envolvido. A ação traz empoderamento, dignifica, humaniza e retoma autoestima de pessoas em situação vulnerável.

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Compartilhei o vídeo e marquei uma das minhas grandes amigas, a Luísa Fedrizzi, com a qual já tive diversas conversas sobre moda sustentável e ética e como realizar ações sociais nas quais acreditamos. Logo em seguida se juntou a gente a Paola Troian. Cineasta e chef, a Paola é um daqueles presentes que a rede social nos traz (apesar de tanta bizarrice por aí). Nos conhecíamos apenas virtualmente, mas sempre compartilhamos as mesmas ideias. Paralelamente a Mely Paredes, RP e estudante de Políticas Públicas, chamou a Luísa e disse que queria colocar o projeto em prática aqui em Porto Alegre. Nenhuma de nós possui vínculo com instituições. Sempre foi a nossa ideia fazer uma ação de pessoas para pessoas.

A partir desse momento nossas vidas viraram de cabeça pra baixo e por 2 semanas, acordávamos e dormíamos nos falando sem parar para combinar todos os detalhes do projeto.

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Não é fácil amarrar tantas frentes diferentes. Depois de receber a autorização dos responsáveis pelo projeto, junto com os materiais gráficos e as guidelines, botamos a mão na massa. Movimentamos as nossas redes a procura de parceiros que pudessem ser pontos de coleta na cidade para as doações. Foram 19 no total. A imprensa nos procurou e isso fez com que a nossa ação ganhasse mais divulgação e as doações se multiplicassem.

Entramos em contato com albergues, instituições, lares e fomos para a rua, onde estão as pessoas mais vulneráveis, para divulgar quando e onde seria a loja. Estar próximo e ouvir as histórias sofridas dessas pessoas, certamente mudou as nossas vidas.

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Depois de muito nervoso e frio na barriga o Street Store Porto Alegre aconteceu no sábado, dia 6/06. Foram 300 pessoas atendidas na loja. Um por um, os nossos clientes eram chamados por um dos atendentes (nós e os voluntários que abraçaram o projeto junto) a escolher o que queriam e precisavam. Casacos pesados e tênis foram os mais procurados. Dois profissionais de um salão local entraram como parceiros e passaram o dia cortando cabelo e fazendo barba do pessoal. Foram quase 200 atendidos em 7 horas.

Homens, mulheres e crianças foram até a nossa loja. Saíram de lá com roupas e mais dignidade. Para muitos, essa foi a primeira vez desde que estão na rua que puderam escolher o que querem.

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Essa é a palavra-chave: ESCOLHA.

Foram doados mais de 3 mil itens, entre roupas, acessórios, calçados e roupas íntimas. As lágrimas e sorrisos que recebemos no dia foram o melhor pagamento para todo o trabalho de organizar a ação.

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Foi um projeto organizado por 4 mulheres e atendeu quase que só homens (grande maioria da população em situação de rua). O respeito foi imposto por nós, mas também sentimos igualdade no tratamento com a gente. O que levanta a questão: por que a grande parte de projetos sociais são propostos por mulheres? Temos alguns exemplos de sharing economy no Amor no Cabide, Tem Açúcar e Roupa Livre. Mulheres também são a maioria ao realizar trabalhos voluntários, segundo o IBGE.

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Quatro mulheres, juntas e com muita vontade e trabalho, podem fazer diferença.

(as fotos são do Fábio Mattos)

10 Jun 18:20

Photo







05 Jun 18:37

Police Shootings, or, Oh The Tragedy!

by Barry

police-shootings-1200

Transcript of cartoon

Each panel of this cartoon shows the same white dude in an armchair, from the same angle, watching the news on TV. Small details change throughout the cartoon – his hairline recedes, his drink changes, he switches from watching an old-fashioned thick TV to watching on a laptop to watching on a flatscreen – but the essential scene never changes. The man doesn’t seem very interested in the news, and in one panel he even dozes off.

Panel 1
TV: In today’s news, Prince Jones, an unarmed Black man, was shot to death when police mistook him for another man.

Panel 2
TV: Alberta Sprull, an unarmed Black woman, was killed by a concussion grenade thrown during a police raid.

Panel 3
TV: …almost ten percent of young black men are in prison, most often for non-violent drug offenses.

Panel 4
TV: …police say that Stansbury, age 19, was shot “by accident.” The officer was suspended for 30 days.

Panel 5
TV: …judge acquitted three officers who fired fifty shots into the car of Sean Bell, the night before Bell’s wedding.

Panel 6
TV: …despite economic growth, Black unemployment remains nearly twice as high as unemployment for whites…

Panel 7
TV: Deaunta Farrow, age 12, was shot when… Tarika Wilson, age 26…

Panel 8
This panel is divided into 17 sub-panels, getting smaller and smaller as they go on, implying a potentially endless number of panels. In each panel, the TV is speaking.
TV: …Oscar Grant was handcuffed face-down when police… Shem Walker… Kiwane Carrington… Manuel Loggins Jr…. Rekia Boyd… Reynaldo Cuevas… Kimani Gray… Eric Garner… Freddie Gray….

Panel 9
Suddenly the white dude looks engaged and outraged, leaping up from the armchair and pointing furiously at the TV.
TV: Private Property was damaged today when a protest turned into a riot…
DUDE: OH THE TRAGEDY!

* * *

If you’d like to support these political cartoons, please share them on social media or become a Patron. Thanks!

01 Jun 13:50

Photo



03 Jun 15:47

robochai: I thought that this might be helpful to talk about....





robochai:

I thought that this might be helpful to talk about.

Keep reading

29 May 18:01

Photo



01 Jun 12:46

Last Week Tonight with John Oliver: FIFA II (HBO)

by LastWeekTonight

After the arrests of numerous top officials, John Oliver decided to give an update on the state of FIFA.

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02 Jun 00:08

Grace e Frankie contra o preconceito de idade

by Mari

ALERTA DE SPOILER: Grace e Frankie é uma série sobre duas mulheres de 70 anos obrigadas a reinventar suas vidas depois que seus maridos, que se conhecem tem 40 anos, revelam que tem um romance faz 20. Mas, pra mim, a grande pegada da série é como ela mostra o preconceito de idade.

Eis algumas coisas relacionadas com o tema que aparecem no seriado e me chamaram atenção:

1. Invisibilidade

invisibilidade

Quando falamos em invisibilidade, queremos dizer que algumas pessoas são ignoradas pela sociedade. Uma mulher mais velha é invisível porque, conforme falamos aqui, ela se torna menos aos olhos da sociedade.

E a forma que o seriado escolheu para mostrar essa invisibilidade não poderia ser mais direta (e maravilhosa): em um episódio (o do gif aí de cima), as duas são solenemente ignoradas por todos os atendentes de um mercado ao tentar comprar um maço de cigarros. Mesmo estando ao lado dos atendentes. Mesmo que um deles inclusive se dirija para atender uma mulher (que chegou depois delas) jovem e bonita (vocês são pouco previsíveis, ein, caras).

Depois, no carro, a Frankie fala para a Grace: “Eu descobri uma coisa hoje: nós temos um super poder” (e mostra o maço de cigarros). Então a Grace responde: “Tu roubou?!” e Frankie diz: “Eles não podem me ver, então não podem me parar”.

E, se pararmos pra pensar, na maior parte das vezes as minorias só deixam de ser invisíveis quando se insurgem contra isso. Então, eis uma bela lição: insurja-se (se, ainda assim, continuar invísivel, ao menos os cigarros foram de graça e- ha, quem está rindo agora?).

2. Sexualidade

é-hoje

Existem vários seriados onde personagens femininas divorciadas redescobrem sua sexualidade, mas todas mais jovens (como é o caso de Cougar Town, por exemplo). A diferença é que o desejo sexual de uma mulher de 40 anos não só é aceito, como é fetichizado, tanto que MILF é o segundo termo mais buscado por homens no Pornhub (depois de adolescente – vocês são pouco previsíveis, ein, caras), já uma mulher de 70 anos não tem esse direito.

A surpresa em Grace & Frankie é que, não só elas tem desejos sexuais normais como lidam com questões específicas da idade, como secura vaginal pós menopausa. E questões universais, também, como a ansiedade diante de um novo parceiro.

lubrificanteFrankie fazendo sua receita caseira de lubrificante íntimo (sem ingredientes carcinogênicos, aliás)

Por isso Grace & Frankie é uma aula sobre sexualidade saudável, já que as diversas formas de desejo abordadas pelo seriado são tratadas como deveriam: algo natural. E pronto.

3. Abandono emocional

grace-e-frankie

Tá certo que a trama parte de um tipo de divórcio diferente do usual (o mais comum seriam homens mais velhos se divorciando para ficar com mulheres mais jovens – vocês são pouco previsíveis, ein, caras), mas a sensação de abandono e a ansiedade diante da perspectiva de solidão são muito próximas do corriqueiro.

Ou seja, ideia de que, talvez, desta parte da vida em diante não exista mais a possibilidade deste tipo de amor porque tu não é mais o que se espera de uma mulher, isto está ali.

Apesar de ser uma série muito positiva, também neste sentido, já que ambas mostram que há vida para além dos relacionamentos afetivos, existem momentos onde esta questão é colocada de um jeito bem claro, como quando Grace hesita em terminar seu relacionamento porque “ninguém mais a amará”. Ou quando as duas debatem o fim de seus casamentos e o ódio e sofrimento gerado por essa separação.

solidãoEle te abandonou nos teus últimos anos! Tu não tá, pelo menos, braba com isso?

Também é impossível não traçar esse paralelo entre o que ocorre na vida do casal formado pelos ex-maridos delas e na vida delas. Sim, a situação é diferente, mas o resultado final é muito semelhante ao que já vimos (ou vivemos): homens divorciados vivenciando uma espécie de conforto emocional na velhice, enquanto para as mulheres resta um tipo de desassossego.

4. Representatividade

graceO choque de Frankie ao se notar percebida como uma mulher velha: “Eu sou jovem”

Eu sou filha de uma atriz de teatro (por sorte, na TV as coisas são muito piores) e, ao longo dos anos, fui notando que muitos dos papéis dela foram ficando mais restritos, menos desafiadores. E isso, claro, não tem relação nenhuma com o talento dela que, quando muito, teria aumentado ao longo dos anos, como se espera com profissionais dedicados ao que fazem. Isso tem relação com o fato de que mulheres mais velhas raramente são representadas como algo além de: mães, avós, senhoras estereotípicas.

E minha mãe, com seus 60 e poucos anos, é uma mulher super ativa e estilosa que está longe de ser representada pelos papéis que, tantas vezes, fez. O que isso quer dizer? Basicamente, isso quer dizer que o entretenimento e as artes estão apenas começando a ver e reconhecer mulheres mais velhas como seres humanos plenos.

Não é de se estranhar que não saibamos lidar com o envelhecimento: não queremos ser essas mulheres que vemos representadas por aí. Mas a verdade é que: não precisamos. E isso fica bem claro nos personagens complexos e mais próximos da realidade apresentados pelo seriado.

grace-articulaçõesMinhas articulações são flexíveis!

Uma situação onde esse conflito de imagem aparece é quando Frankie se candidata para uma vaga de professora de artes em um asilo para idosos e o gerente do local acredita que ela é uma das futuras hóspedes. É como se o mundo insistisse em reafirmar que, depois de certa idade, elas não pudessem esperar nada muito além disto.

frankieÁlcool tem suas próprias regras

Mas Frankie e Grace não se contentam com o que estamos acostumadas a consumir sobre as mulheres mais velhas. E, ao fazerem isso, elas permitem que muitas outras mulheres encontrem seu reflexo, finalmente, no entretenimento. E mesmo para nós, que somos mais jovens, isso causa um conforto: não precisamos ser a vovozinha estereotípica.

Grace e Frankie é um título criado e produzido pelo Netflix e pode ser assistido por lá (e, tudo indica, restou aos produtores de conteúdo online o papel de construir personagens complexos e interesantes).