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03 May 21:05

Onde nasce a violência?

by negrobelchior

por André Cavalieri

Se você ainda não ficou sabendo, fique: o Congresso Nacional Brasileiro está na iminência de aprovar a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. As palavras a seguir procuram esclarecer o porquê da redução da maioridade penal ser um retrocesso, mas não só. Ao fim do texto, espero que você esteja convencido, assim como eu, de que toda prisão, de jovens ou adultos, faz parte de um sistema tão bárbaro, quanto contraproducente.

Observação: caso você não saiba ao certo de que se trata essa tal de Proposta de Emenda à Constituição (PEC), ao final desse texto, há uma explicação detalhada sobre ela e sobre como funciona todo o processo de análise, votação e possível aprovação da PEC pelo Congresso Nacional.

Por que as pessoas devem ir pra cadeia?

 

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Antes de discutirmos qualquer outra coisa, precisamos nos questionar o por quê de acharmos que as pessoas devem ser presas. O argumento mais comum para essa pergunta tem dois pontosprincipais: defendemos as prisões porque acreditamos que elas reduzem a criminalidade e defendemos as prisões porque acreditamos que elas tornam a sociedade mais segura.

O primeiro ponto defende que a experiência das pessoas na prisão, a experiência de privação da liberdade, corrigirá seu comportamento, de modo que, quando soltas, elas conseguirão se integrar à sociedade. Alguns dos que apoiam as prisões apontam que elas devem pacificar os criminosos, normalizá-los para que possam ser soltos. Outros, no entanto, defendem que certos criminosos “são tão ruins que deveríamos trancafiá-los e jogar a chave fora!” Essa visão encara o sistema prisional como uma medida permanente para perigosos permanentes, além de produziruma sensaçãode segurança e de proteção contra delinquentes, sensação esta responsável pela manutenção do sistema prisional.

Se você acredita em qualquer um desses dois argumentos, espero que as próximas informações ajudem arevelar que, na verdade, é o sistema prisional, sua estrutura, sua ideologia de punição, seus mecanismos legais e suas hierarquias criminais, administrativas e interpessoais que instigam, promovem, exigem, possibilitam e empregam a violência.1Para começar, precisamos tentar entender o que leva uma pessoa a cometer um crime.

O que gera a violência?

 

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Uma parcela da sociedade acredita que distúrbios de comportamento e qualidades psicológicas são fruto de uma predeterminação genética. Segundo essa visão, os genes são os responsáveis por determinar se um indivíduo é pacífico ou se é violento.

James Gilligan – psiquiatra e autor da série de livros “Violence”, que ilustra a história de seus 25 anos de trabalho no sistema prisional norte-americano – lembra de um estudo envolvendo alguns milhares de pessoas, do nascimento aos 20 anos de idade, realizado na Nova Zelândia. Segundo ele, nesse estudo, identificaram uma mutação genética, um gene anormal que tinha alguma relação com a predisposição à violência, mas somente se o indivíduo também tivesse sido severamente abusado na infância. Em outras palavras, crianças com este gene anormal não estão mais propensas que as outras a serem violentas e, de acordo com o psiquiatra, contanto que não fossem abusadas na infância, elas apresentavam um índice de violência menor que o de pessoas com genes normais.

Professor de biologia, neurociência e neurocirurgia da Universidade de Stanford, Robert Sapolsky aponta ainda outro exemplo de que os genes não são algodecisivo: “Existe uma técnica na qual você pode retirar um gene específico de um camundongo, de modo que ele e seus descendentes não tenham mais esse gene. Você ‘extingue’ um gene. Um grupo de cientistas descobriu a existência de um gene responsável pela codificação de uma proteína relacionada à aprendizagem e à memória e, com esta incrível demonstração, você ‘extingue’ o gene e o seu camundongo já não conseguirá mais aprender. A comunidade científica achou incrível: ‘Oh! Uma base genética para a inteligência!’ O que era ainda mais interessante, mas que foi desprezado neste memorável estudo, é que se criássemos os camundongos geneticamente deficientes num ambiente muito mais rico e estimulante que uma gaiola comum de laboratório, eles superavam completamente essa deficiência.”

Gilligan conclui: “Se você acredita mesmo em predeterminação genética, pode facilmente dizer: ‘bem, não há nada que possamos fazer para mudar a predisposição que as pessoas têm em se tornar violentas. Tudo o que podemos fazer é puni-las, prendê-las ou executá-las. Mas não precisamos nos preocupar em mudar o ambiente ou as condições sociais prévias que podem tornar as pessoas violentas porque isso é irrelevante’. Uma hipótese não apenas equivocada, mas perigosa.”

Se não é genético, o que é?

 

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De acordo com Gabor Maté, médico especializado no tratamento e prevenção de vícios, o desenvolvimento humano, particularmente o desenvolvimento do cérebro humano, ocorre na maior parte sob o impacto do ambiente: “Ao nos compararmos com um cavalo, que consegue correr no primeiro dia de vida, vemos que somos pouco desenvolvidos. Não conseguimos reunir tanta coordenação neurológica, equilíbrio, força muscular e acuidade visual até um ano e meio ou dois de idade. Isto porque o desenvolvimento do cérebro no cavalo, e de outros animais, acontece na segurança do útero. Já no homem, o desenvolvimento do cérebro ocorre em grande parte sob o impacto do ambiente. Nossos circuitos que recebem do meio a informação apropriada vão se desenvolver da melhor forma, e os que não recebem, ou se desenvolverão mal, ou nem mesmo se desenvolverão. Se você pegar um bebê com olhos perfeitamente funcionais e colocá-lo num quarto escuro por cinco anos, ele ficará cego pelo resto da vida, já que os circuitos da visão requerem luz para se desenvolver, e sem esta luz, até mesmo os circuitos básicos presentes e ativos no nascimento vão se atrofiar e morrer, e novos circuitos não se formarão.”

Por desenvolvermos nosso cérebro sob a influência do ambiente, temos um desenvolvimento emocional e cognitivo que varia de acordo com o que nos cerca. Uma criança que cresce num mundo onde precisa lutar para conseguir algo, ficar alerta, cuidar de si mesma, aprender a não confiar em ninguém terá um comportamento completamente diferente de outra que cresce numa sociedade onde depende de reciprocidade, mutualidade, cooperação e onde empatia é importante. Daniel Siegel, professor de Psiquiatria da Universidade da Califórnia (UCLA), diz que

“Não podemos separar o funcionamento neurológico de seres humanos do ambiente onde foram criados e continuam vivendo, especialmente durante o desenvolvimento de nossos cérebros, quando estamos vulneráveis, mas também durante a fase adulta.”

O psiquiatra infantil D. W. Winnicott aponta que, essencialmente, duas coisas podem dar errado na infância, as duas podendo resultar em doenças mentais e físicas. Uma delas é quando acontece o que não deveria acontecer e a outra, quando o que deveria acontecer, não acontece. Na primeira categoria, estão as experiências traumáticas, abusivas e de abandono. Isso é o que não deveria acontecer, mas aconteceu. Mas há também a atenção paterna e materna livre de estresse, sintonizada e sem distração de que toda criança precisa mas poucas recebem. Elas não são abusadas, não são negligenciadas, nem estão traumatizadas. Mas o que deveria acontecer – a presença estimulante de pais emocionalmente dispostos – simplesmente não está disponível para elas por causa do estresse em nossa sociedade e no ambiente familiar.

Tendo passado os últimos 40 anos trabalhando com as pessoas mais violentas produzidas pela nossa sociedade, como assassinos e estupradores, Maté conta que, na tentativa de compreender o que causa a violência, ele acabou descobrindo que os criminosos mais violentos nas prisões tinham eles mesmos sido vítimas de abuso infantil: “Eu não fazia ideia do grau de perversão com que as crianças em nossa sociedade são muitas vezes tratadas. Eu descobri um grau de abuso infantil que ultrapassou tudo que já pensei em chamar de ‘abuso infantil’. As pessoas mais violentas que vi são sobreviventes de tentativas de assassinato contra elas mesmas, ou que viram seus familiares mais próximos serem mortos por outras pessoas.”

E se a violência for reflexo da natureza humana?

 

A natureza humana – de acordo com oengenheiro social e idealizador do Projeto Vênus, Jacque Fresco – é um mito: “O comportamento humano e seus valores não são autogerados. Violência, intolerância, racismo, nacionalismo, inveja, superstição, ganância e egoísmo são todos padrões de comportamento que aprendemos e que são fortalecidos e reforçados pela nossa cultura. Esses padrões de comportamento não são traços humanos herdados ou da ‘natureza humana’, como a maioria das pessoas tem sido ensinadas a acreditar.”

Segundo Gilligan, uma prova disso são as enormes variações de violência em diferentes sociedades: “Há sociedades sem praticamente nenhuma violência. Há outras que destroem a si mesmas. Alguns grupos da religião anabatista são totalmente pacíficos, como os amish, os menonitas, os huteritas. Entre alguns desses grupos, como nos huteritas, não há registros de homicídio.”

A prisão é capaz de corrigir um comportamento violento?

 

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Para responder essa pergunta, precisamos ter em nossa mente a imagem de uma prisão. Pense numa penitenciária, o local onde presos são forçosamente confinados e negados a uma variedade de liberdades sob a autoridade do Estado como uma forma de punição. Pense nas celas, nas grades e nas cercas, pense nas paredes reforçadas, na vigilância constante e no isolamento do restante da sociedade. Pense na alimentação, na higiene e, por fim, pense na submissão e na humilhação estabelecidas no relacionamento entre presos e guardas.

Se entendemos e concordamos que o ambiente tem um impacto inegável na construção e no desenvolvimento das pessoas, é impossívelacreditar que as prisões sejam capazes de corrigir um comportamento violento. De fato, o ambiente oferecido pelas prisões tenta combater um problema com os mesmos elementos que levarama sociedade ao problema em primeiro lugar.

Os dados apontados pelo historiador e criador do blog Negro Belchior, Douglas Belchior, confirmam este fato: “Entre 1992 e 2013, o Brasil elevou sua taxa de encarceramento (número de presos por cada 100 mil pessoas) em 317,9%. Apesar disso, o País não está mais seguro. Ao contrário, junto com o aumento da taxa de encarceramento houve um crescimento dos índices de criminalidade. O índice de homicídios, por exemplo, subiu 24% em 8 anos, conforme aponta dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.”

Segundo o palestrante e ativista do Movimento Zeitgeist, Ben McLeish, precisamos entender que “o desejo de ver os outros presos corresponde a mesma violência que vemos no crime. A punição que infligimos a prisioneiros é a mesma violência que afirmamos condenar ao agir dessa forma. Acima de tudo, é preciso perceber que as prisões não resolvem problema nenhum. Elas são outra fonte de violência e de poder e controle sistematizados. Elas são baseadas em uma estrutura que perpetua a violência que origina o comportamento criminal.Destratar, privar, limitar e humilhar um ser humano é a certeza para comportamentos mais aberrantes e violentos. O maior efeito real da prisão é, em grande parte, a piora da integridade social humana.”

“A condição que criamos no mundo moderno está a favor da nossa saúde?Ou nossa sociedade está indo contra os requisitos necessários para criar e manter nosso bem-estar pessoal e social?” – James Gilligan

Gilligan nos conta que existe um mito que diz que as pessoas são competitivas por natureza, e que são individualistas e egoístas, mas – de acordo com o psiquiatra – na realidade, somos o oposto: “Temos certas necessidades humanas. Temos necessidade de companheirismo e contato íntimo, de sermos amados, conectados e aceitos, de sermos vistos e recebidos por quem somos. Se essas necessidades são atendidas, evoluímos para pessoas compassivas, cooperativas e empáticas para com os outros. O oposto, que muitas vezes vemos em nossa sociedade, é uma distorção da natureza humana precisamente porque tão poucos têm suas necessidades atendidas. Da mesma forma que nossos corpos precisam de nutrientes, o cérebro humano precisa de formas positivas de estímulo em todos os estágios do desenvolvimento, ao mesmo tempo que precisa ser protegido das formas negativas de estímulo. E se o que precisa acontecer, não acontece, ou o que não deveria acontecer, acontece, é evidente que a porta pode ser aberta não apenas para uma porção de doenças mentais e físicas, como também para muitos comportamentos humanos prejudiciais.”

Douglas Belchior diz que muitos de nossos direitos fundamentais,como educação, saúde e moradia, são negados à população: “O jovem marginalizado não surge ao acaso. Ele é fruto de um estado de injustiça social que gera e agrava a pobreza em que sobrevive grande parte da população. A violência não será solucionada com a culpabilização e punição severas, mas pela ação da sociedade e governos nas instâncias psíquicas, sociais, políticas e econômicas que as reproduzem. Agir punindo e sem se preocupar em discutir quais os reais motivos que reproduzem e mantém a violência, só gera mais violência.”

Ao contrário de melhorar a vida do povo, as leis penais são resultado da insuficiência da sociedade e do Estado de fornecer às pessoas o que elas precisam, ou pelo menos é isso o que pensa Jacque Fresco: “Pessoas criadas na escassez são mais propensas a roubar, não importa quantas leis e tratados sejam decretados. Os governos tentam controlar o comportamento humano sem fazer nenhuma mudança nas condições do ambiente que são responsáveis pelos comportamentos aberrantes. Não é de leis e tratados que as pessoas precisam – é de acesso às suas necessidades vitais.”

E a redução da maioridade penal?

 

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Ao trazer à tona a probabilidade da redução da maioridade penal, o Brasil vai na contramão do que é necessário para reduzirmos a violência. A medida, que está sendo avaliada pelo Congresso Nacional, é umacatástrofe. Ao contrário do que se passou a acreditar, o jovem não é o grande responsável pelos crimes cometidos no país. O número real, de acordo com a Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP), é de 0,9%, caindo para 0,5% no caso de crimes violentos. Essa mudança, portanto, não afetará 99,5% da criminalidade.

Apesar do jovem não ser o responsável pelos delitos no país, ele é o que mais sofre com a criminalidade. A jornalista Eliane Brum aponta que “O Brasil é o segundo país no mundo em número absoluto de homicídios de adolescentes, atrás apenas da Nigéria. Mais de 33 mil brasileiros de 12 a 18 anos foram assassinados entre 2006 e 2012. Se as condições atuais prevalecerem, afirma a Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), até 2019 outros 42 mil serão assassinados no Brasil.”

Crianças e jovens são pilares fundamentais na construção de uma sociedade melhor. Quanto mais informadas, quanto mais inteligentes as crianças forem, eventualmente, melhor será a vida de todos: “Se quisermos que crianças e jovens tenham uma relação positiva e construtiva entre si e se tornem membros contribuintes da sociedade, uma forma eficaz para realizar isso seria criando um ambiente que produz o comportamento desejado”, comenta Jacque Fresco. Se, pelo contrário, colocarmos esses jovens na cadeia, se condenarmos esses jovens por nossa incompetência de lhes garantir direitos essenciais, estaremos desperdiçando vidas pelas quais você e eu, no fim, pagaremos.

Conclusão e Próximos Passos

Estamos frente a uma situação na qual precisamos decidir se queremos efetivamente minimizar o crime ou perpetuá-lo. Nesse momento, as prisões são um reflexo inevitável das sociedades e Governos que negligenciam seu próprio povo. O resultado é um círculo vicioso hediondo, do qual o sofrimento e a violência são a causa e o reflexo. Se quisermos interromper esse processo, precisamos entender que – longe de ser algo natural aos seres humanos – a violência tem causa. E, para conter o que causa a violência, temos trabalho pela frente.

Precisamos garantir que as pessoas tenham acesso ao que necessitam, justamente porque sabemos que, se nossos direitos fundamentais forem respeitados e garantidos, nós reduziremos drasticamentea violência e o sofrimento.Precisamos concentrar esforços em buscaruma sociedade que previna a violência desde o início.Precisamos questionar se as punições previstas pelo atual sistema normativo contribuem para a diminuição dos comportamentos aberrantes ou se os perpetuam. Por fim, precisamos estudar a viabilidade de implementarmos alternativas que, quem sabe, de forma progressiva, possamsubstituir o nosso nocivo e atual sistema prisional.

As alternativas existem e podem ser incorporadas à sociedade. Te convido a se interessar, pesquisar e nos ajudar a botá-las em prática. Acima de tudo, se você concorda com os argumentos apresentados nesse texto, eu te convido a agir. Porque, como disse Paulo Freire, “É fundamental diminuir a distância entre o que se diz e o que se faz, de tal forma que, num dado momento, a tua fala seja a tua prática.”

O que é essa tal de PEC 171?

Os deputados membros da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovaram, na semana passada, a admissibilidade da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 171, de 1993, que tem por finalidade alterar a redação do Artigo 228 da Constituição Federal, que diz que: “São penalmente inimputáveis os menores de dezoito anos, sujeitos às normas da legislação especial.”

A alteração prevista desconsideraria a inimputabilidade penal de maiores de 16 anos e menores de 18 anos.Isso quer dizer que jovens entre 16 e 18 anos passarão a ser julgados nas Varas Criminais Comuns e, caso sejam condenados, irão para as prisões outrora destinadas apenas aos maiores de 18 anos.

No exame da admissibilidade, a CCJ analisou apenas a constitucionalidade, a legalidade e a técnica legislativa da PEC. A fim de examinar o conteúdo da proposta e suas emendas, a Câmara criará uma comissão especial. Depois, a PEC deverá ser votada pelo Plenário da Câmara em dois turnos. Se aprovada na Câmara, a PEC seguirá para o Senado, onde será analisada pela Comissão de Constituição e Justiça e depois pelo Plenário, onde precisa ser votada novamente em dois turnos.

Se o Senado aprovar o texto como o recebeu da Câmara, a emenda é promulgada pelas Mesas da Câmara e do Senado. Se o texto for alterado, volta para a Câmara, para ser votado novamente. (Fonte: Câmara Notícias)

Vale dizer que, por se tratar de uma emenda à Constituição, não cabe veto da Presidência da República, mas a redução, se aprovada, pode ser questionada no Supremo Tribunal Federal, responsável último pela análise da constitucionalidade das leis. (Fonte: Carta Capital)

 

1 as reflexões e conteúdo do trecho “Por que as pessoas devem ir pra cadeia?” são baseadas na palestra “Prisão, Punição E Lucro”, de Ben McLeish

Esse texto foi escrito com inspiração nas reflexões de Ben McLeish, Douglas Belchior, Eliane Brum, Fabio Brazza, Jacque Fresco, Paulo Freire e Peter Joseph.

As entrevistas dos doutores Gabor Maté, James Gilligan e Robert Sapolsky, citadas ao longo desse texto, podem ser encontrados, na íntegra, no filme “Zeigeist: Moving Forward”, de Peter Joseph.

 

 

30 Apr 22:51

Falta de educação

by Mari

Nós estamos todos chocados com o tratamento que foi dado aos professores em greve no Paraná. Mas nem todos lembramos que o massacre de ontem só foi possível por uma onda histórica de descaso e violência.

Quem esqueceu dos professores nas ruas do RJ, no ano passado? Onde a professora Lenita desafiou: “vai bater em professor? Posso ser professora do seu filho”

greve RJ

Ou dos professores de Goiânia que, exatamente uma semana atrás, foram agredidos por Guardas Municipais.

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Ironicamente suas fotos foram divulgadas como sendo dos professores do Paraná. Outra imagem divulgada ontem como sendo de ontem: esta de um professor do Ceará, em uma greve em 2011.

ceará

Sim, os professores estão sangrando faz muito tempo. Sangrando e sendo desrespeitados, como no caso desse processo do Estado de SP contra professores grevistas por, acredite, obstruir via pública.

Isso não quer dizer que o Paraná, ontem, não viu um massacre. Isso apenas quer dizer que para que coisas como isso e isso pudessem ocorrer, foi necessário um longo caminho de desrespeito do Estado e descaso nosso.

Quando deixamos de nos abalar? Quando se tornou normal o vídeo de um governador e seus assessores sentados em um mirante para aplaudir e rir diante do massacre de professores estaduais demandando uma causa nada menos que justa? Quando aceitamos a piadinha do Secretário de Segurança do Paraná como uma piada, no lugar de uma ofensa? Quando aceitamos comentários como o da PM do Paraná que disse que:

Desproporcional seria usar armas letais

Especialmente diante de cenas como esta:

CD2PbjwWMAA05yACD2PbrKWoAA9Z8r Se tu não entendeu a sequência é assim: um PM desacordou um professor lutando pela sua previdência

Eu acho que aceitamos que as coisas chegassem onde chegaram faz muito tempo.

E aceitamos quando escolhemos acreditar que existem entidades malignas ficcionais feito black bloc, culpados de todo caos e violência do país em todas as manifestações de professores. Mesmo tendo recebido apoio oficial do Sindicato Carioca na greve do ano passado (claro, quem apanha sabe quem bateu). Ou quando aceitamos que o PM que postou no Facebook seu cassetete quebrado com a legenda: “Foi mal, fessor” tenha sido promovido e PMs que se recusaram a participar do cerco no Paraná, ontem, tenham sido presos (segundo a PM ninguém foi preso).

Ou quando fazemos pouco dos professores brasileiros, que estão entre os que mais trabalham no mundo. E ignoramos que a causa dos professores também é uma causa das mulheres, como disse a Jarid, pois somos 71% dos profissionais (a média global é de 68%). Ou quando deixamos de nos abalar se um governador (Beto Richa, o mesmo responsável pelo que ocorreu ontem no Paraná) diz que policiais com curso superior são insubordinados (ele disse isso em 2012!).

Sim, pensar é insubordinar-se. E isso porque o conhecimento é um tipo de poder libertador. E, como todo poder, quem o tem quer mante-lo só para si. Por isso ninguém além de nós pode se posicionar em defesa do ensino e dos professores.

Então vamos novamente para a citação do Mia Couto favorita da Cintcha:

Não há outro caminho que não seja a insubordinação. Não digo insubordinação como se ela, por si mesmo, trouxesse as respostas automaticamente. Mas tem que haver uma insubordinação, primeiro, em termos do espírito, em termos daquilo que nós temos que não aceitar deste mundo e da explicação que se dá do mundo.

Sim: não há outro caminho para a educação que não seja a insubordinação.

01 May 17:39

Giz, lousa e sangue

by Lady Sybylla

Todo mundo, minimamente consciente, sabe que um país se faz, principalmente, com educação de qualidade. Os protestos por mais direitos, por menos corrupção, sempre envolvem educação de qualidade. É uma pena que na hora em que professores estão apanhando da polícia militar, o discurso de muita gente muda. “Eles estão atrapalhando o trânsito”, “todo grevista é vândalo e vagabundo”, “tem que descer o cacete mesmo”, “apanharam pouco”, foram algumas das expressões que li recentemente depois do que houve no dia 29 de abril de 2015, em Curitiba.

professores-de-curitibaProfessores de Curitiba

Professores em greve queriam participar da seção de votação do projeto de lei que altera a Paraná Previdência, e que acarretaria perda de benefícios. O pacote de austeridade do governador Beto Richa (PSDB) seria para cobrir o rombo nos cofres estaduais devido a vários casos de corrupção. O prédio da Assembleia Legislativa estava cercado de policiais militares, por ordem da justiça e do governador, para não atrapalhar a seção. Não vamos esquecer que a Assembleia é uma casa do povo, que não deveria ser impedido de assistir à votação. Pedindo por não violência, os professores se mantiveram firmes do lado de fora do prédio. Começaram então agressões com cassetetes, spray de pimenta, em seguida evoluindo para bombas de gás lacrimogênio, rasantes de helicóptero, cães da raça Pitbull e um blindado disparando jatos d’água.

Cerca de 200 professores ficaram feridos na investida, oito em estado grave. Fontes não oficiais dizem que cerca de 50 policiais militares se recusaram a participar da ação e foram presos, sob o risco de serem exonerados. As fontes oficiais dizem que nenhum PM foi preso. Os professores feridos foram atendidos no local, dentro dos prédios ao redor e deslocados até UPAs e hospitais. E enquanto os professores apanhavam do lado de fora da Assembleia, lá dentro eles se faziam de surdos para o que ocorria, e alguns até comemoram a ação da polícia militar sobre os professores.

O caos da educação não é novo. Greves e ações violentas da polícia massacram professores há anos. Em Goiânia, os professores da rede municipal em greve também foram repelidos com excessiva força da parte da Guarda Municipal, com diversos feridos. Em São Paulo, professores estão em greve há mais de 40 dias e o governador nega a existência de uma paralisação da categoria que luta, não apenas por equiparação de salários com outros funcionários públicos do estado, mas por melhores condições de trabalho, redução de alunos por sala, mais escolas e salas, o fim das escolas de lata, mais segurança…

As pautas não mudam porque o sistema não muda. Desde que entrei para a rede estadual de ensino, em 2008, que os problemas são os mesmos e agora em 2015 eles ficaram mais agudos. E pelo tanto de greves e manifestações que vemos pelo país, a situação em vários estados também piorou. Se não são direitos sendo retirados, é a precarização do ensino. O estado de São Paulo, por exemplo, impede que professores readaptados e de licença-saúde possam pegar a jornada completa de aulas para compôr o salário. Podemos pegar apenas a jornada básica de 24 aulas semanais, o que reduz severamente nossos vencimentos. Professores OFA (temporários) não-estáveis não têm direito ao Hospital do Servidor. Nosso vale-refeição, o conhecido “vale-coxinha” é de 8 reais ao dia e se o professor tiver a jornada máxima de aulas, não tem direito ao cartão. Temos salas super lotadas, sem carteiras para todo mundo. Experimente entrar numa sala de 6ª série, com 50 alunos lá dentro. É impraticável.

11182074_10153361584444672_3211142258207143313_nProfessor no chão, agredido pela PM de Curitiba.

Enquanto professores ainda tentam, em sala de aula, ensinar seus alunos na velha prática do GLS – giz, lousa e simpatia – nossos governantes estão rindo de professores apanhando nas ruas. E a população, que deveria fazer um panelaço, que deveria estar nas ruas, lotando as avenidas e cobrando por mais respeito aos professores e ao ensino e por investimentos em educação de qualidade, estão em um vergonhoso silêncio acomodado, enquanto arrotam os velhos clichês de sempre como ‘fora-PT’. Enquanto nossos professores sangrarem e apanharem da polícia, o sangue destes profissionais estarão nas mãos de todos nós e de cada um que saiu no domingo para pedir intervenção militar e pedir impeachment.

Somos todos professores. Todo apoio aos professores deste país.

04 May 18:20

Quando o assunto é racismo, os “Fofos” não são tão fofos assim

by Djamila Ribeiro

A companhia teatral “Os fofos encenam” apresentaria, no dia 12 de maio, no Itaú Cultural, a peça chamada “A mulher do trem”. Disse apresentaria porque uma personagem dessa peça, que não por acaso é a empregada doméstica, é caracterizada com Black face.

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Só o fato da personagem ser a empregada já demonstra a intenção e a não neutralidade: mulheres negras comumente são relegadas a esses lugares. Mas o problema maior é que é um homem pintado de preto que faz esse personagem. Basta abrir uma janela do navegador para pesquisar o quão ofensivo isso é.

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O black face surgiu por volta de 1830, durante a era dos shows dos menestréis, quando homens brancos se pintavam de preto de forma bem caricata e se apresentavam para grupos formados por aristocratas brancos com o intuito de ridicularizar pessoas negras.

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Essa, posteriormente, ganhou espaço nos cinemas e televisão. A prática serve tanto como estereótipo racista como forma de exclusão, porque se no primeiro caso ridiculariza, no segundo nega papéis a artistas negros.

Fora isso, como as pessoas não conseguem percebem que pessoas negras são diversas? Querer criar um “tipo ideal” de negro nega nossa diversidade e humanidade.

A peça ser cancelada foi uma vitória. Devemos mesmo nos indignar com práticas racistas.

Porém a resposta de algumas pessoas da companhia só evidencia o quão preconceituosos eles são. Um integrante chamou os militantes de “anta, sem estudos e que eles deveriam ter estudado em alguma Unianta da vida”. Essa frase é problemática por diversas questões. Primeiro, como ele pode afirmar que essas pessoas negras não estudaram? Segundo, percebam o elitismo dele ao desconsiderar universidades particulares, muitas vezes aquelas às quais a população negra consegue ter acesso (e isso por conta do racismo estrutural, 354 anos de escravidão, dá um Google aí menino) e terceiro, percebam a arrogância desse ser ao julgar que não pode ser criticado.

Essa pessoa também tentou justificar o black face dizendo que máscaras são tradições da arte circense.

Por mais que possam ser, o que essa pessoa não percebe é que em relação às pessoas negras isso tem outro significado, carrega um histórico de opressão e não pode ser validado sob a justificativa de que é arte. Ele julga que somente sua perspectiva do que é arte é valida. Então, eu sugiro a ele que leia a visão de Jean Paul Sartre e Walter Benjamim. Sartre, por exemplo, propunha uma arte engajada e dizia que a mesma não está descolada da política.

É necessário abdicar das desculpas fáceis e perceber que arte, humor, música não são invenções de uma galáxia distante, seus discursos não estão isentos dos valores da cultura, não há nada de neutro. E a obrigação de reconhecer a dignidade humana, a cidadania plena e o acesso a direitos negados em decorrência de uma estrutura social herdeira do escravismo e do patriarcalismo? O poder sempre se esforçou para esconder a origem social das desigualdades, como se as disparidades fossem naturais, meritocráticas ou providencialmente fixadas. Cômico, senão fosse trágico, é ver também pessoas brancas julgarem o que é racismo ou não e ainda fazer críticas ao movimento negro sem sequer conhecer suas práticas.

Lamentável ver o racismo e também a falta de humildade, esclarecimento e crítica e autocrítica destes artistas, que ao receberem estas críticas estão respondendo às pessoas de modo desrespeitoso e até racista. Esses artistas estão cometendo diversos equívocos em vez de repensar e debater. A reação dos militantes não é censura, mas contestação de um ato racista. No momento de se desconstruir e assumir seus erros, a gente percebe que os Fofos não são tão fofos assim.

05 May 13:00

GOG's Take On Steam Goes Live Today

by Jason Schreier

Last year, the folks behind GOG announced plans to launch their own PC gaming service, GOG Galaxy , to compete with Steam and Origin. Today, it’s finally going public.

Read more...








05 May 09:00

Developers finding out about PM’s plans for the next release

by sharhalakis

by @devillsroom

01 May 17:58

The Saddest Story [Comic]

by Geeks are Sexy
Renato Cerqueira

Caralho, num acredito que ri dessa porra ahahahahah

sad

A melon-dramatic and melon-choly tale of love.

[Source: Book of Adam on Facebook]

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29 Apr 11:16

Frodo Doesn’t Know Where He’s Going [Comic]

by Geeks are Sexy
26 Apr 18:15

Woman with Synesthesia Paints the Music She Sees [PICS]

by Lauren Berkley

We’ve written about it before, but synesthesia is a neural condition that leads to individuals “seeing” sounds or numbers (typically as colors) or “hearing” smells.

Melissa McCracken is one such synesthete, and her condition/ability/superpower often results in her “seeing” music as different colors and textures. She decided to paint what she hears as a way to not only express herself, but as a way to help explain to others what happens to her whenever she hears music.

The result is some of the most beautiful art I’ve ever seen — and you can own it.

Radiohead - "Lucky"

Radiohead – “Lucky”

David Bowie - "Life on Mars"

David Bowie – “Life on Mars”

John Lennon - "Imagine"

John Lennon – “Imagine”

Smashing Pumpkins - "Tonight Tonight"

Smashing Pumpkins – “Tonight Tonight”

[via Bored Panda]

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07 Apr 20:00

3D Super Mario Intro Screen Re-Created Using 14,000 Toothpicks [Pics + Video]

by Geeks are Sexy

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Using 14,000 painted toothpicks, Twitter user BitBlt_Korry created a 3D version of the Super Mario intro screen. The project cost him about $84, but considering how awesome the whole thing looks, I think it’s safe to say that this is money that was well spent!

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[Source: BitBlt_Korry | Via Neatorama]

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15 Apr 00:00

Horoscopes

If you live in the Northern hemisphere, anyway. In the southern hemisphere, due to the coriolis effect, babies are born nine months BEFORE they're conceived.
16 Apr 14:35

Saturday Morning Breakfast Cereal - Communion

by admin@smbc-comics.com

Hovertext: He can also absorb bullets by turning into wine.


New comic!
Today's News:

 Exlcusive comic over at The Nib!

07 Apr 02:43

An anonymous submission to deep dark fears. Thanks!



An anonymous submission to deep dark fears. Thanks!

22 Apr 09:00

Being asked to showcase something that you love

by sharhalakis

by uaiHebert

03 Apr 09:00

When one gets praised

by sharhalakis

by uaiHebert

dedicated to uaiHebert for the (countless) submissions

19 Mar 04:40

Comic: keystroke

New Comic: keystroke
26 Mar 14:50

Saturday Morning Breakfast Cereal - Relatively Terrible

by admin@smbc-comics.com

Hovertext: We're all doing relatively terrible. Thanks to the Information Age, we never forget!


New comic!
Today's News:
16 Mar 14:54

Ultron’s Ultimate Weakness [Comic]

by Geeks are Sexy
12 Mar 10:00

Entering the BIOS

by sharhalakis

by @just_hank_moody, andreibkn and necessaryaegis

08 Mar 14:20

The Story of Grace Hopper: Pioneering Computer Scientist [Comic]

by Geeks are Sexy

This is a fantastic comic by artist Pablo Stanley illustrating the story of pioneering computer scientist Grace Hopper (1906-1992,) also known as “Amazing Grace.”

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[Source: Stanley Color | Udemy]

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24 Feb 18:00

172. ISAAC ASIMOV: A lifetime of learning

by Gav

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Isaac Asimov (1920-1992) was a writer, known for his contribution to science fiction (including The Three Laws of Robotics, I, Robot and the Foundation series) and his staggering work in other genres and non-fiction.

Asimov had a formal education in chemistry, earning his PhD and working as a chemist for the Navy during WWII. He taught biochemistry and later became a professor at the Boston Univeristy of Medicine, all while writing stories for fantasy magazines in his spare time. He finally left the University in 1958 to focus on writing. Asimov’s output was truly mind-blowing, writing over 500 (!!!) books and 90,000 letters. He said: “Writing is my only interest. Even speaking is an interruption.”

Asimov’s non-fiction books were mostly on astronomy, but his other titles covered general science, history, mathematics, physics, Shakespeare, the Bible and mythology. He was completely self-taught in these areas and was successful for being able to take difficult scientific concepts and make them entertaining for the general public. He said he could “read a dozen dull books and make one interesting book out of them.” To get some idea of how vast Asimov’s knowledge was, his books appear in nine of the ten Dewey Decimal Classes.

The quotes used in this comic are taken from a fantastic interview Asimov did in 1988 (which you can watch on YouTube). In it, Asimov predicts how in the near-future, personal computers will help anyone learn anything ‘that strikes their fancy’ in the privacy of their own home and at their own leisure. Of course, that prediction came true with the internet, and even though the technology from The Matrix isn’t available yet, where we could upload information directly into our brain and shout “I know kung-fu!”, it has never been easier to learn whatever you want, no matter how niche. Thanks to reader Jenny for sending me the quote and the Brain Pickings article that featured the interview.

RELATED COMICS: Carl Sagan Pale Blue Dot. Richard Dawkins The Lucky Ones. Albert Einstein A Human Being is Part of the Whole. Jack London I Would Rather be Ashes Than Dust.

- I admit not having read any of Asimov’s books. Where should I start? The Foundation series? His story Nightfall was voted the best short science fiction story of all-time, so maybe that?
– Asimov said that one of only two men he knew who was smarter than himself was his good friend Carl Sagan.

05 Mar 10:00

When you think you have it under control

by sharhalakis

by uaiHebert

04 Mar 10:00

How to respond about on-going outages

by sharhalakis
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uaiHebert

24 Feb 10:00

Project handover

by sharhalakis
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by uaiHebert

19 Feb 17:00

New Tattoo Removal Cream Exploits Immune System

by JLister

falkenham

A university researcher says he’s developing a tattoo removal cream that could remove tattoos cheaply and without pain.

A tattoo doesn’t work simply by burying ink deep enough  (in the dermis) that it remains in place as the skin regenerates. Instead it’s that the needle doesn’t just deliver the pigment, but rather that its penetration causes the body’s immune system to send protective cells known as macrophages to the wound. These macrophages soak up the pigment to protect the rest of the skin and, while some macrophages are carried to the lymph nodes, others stay lodged in place, with the dye remaining visible through the skin.

At the moment, most tattoo removal involves using lasers to break down the ink particles so that they are small enough to be absorbed into the body. In effect it’s an attempt to speed up a natural process by which tattoos fade over time because of exposure to sunlight (just not quickly enough for the tattoo to disappear during an average lifespan.) That can mean painful inflammation and even scarring.

Alec Falkenham, a PhD student at Dalhouse University in Halifax, Nova Scotia, has developed what he calls Bisphosphonate Liposomal Tattoo Removal cream. Although it doesn’t require puncturing the skin, it simulates the introduction of a foreign body that comes with tattooing. The idea is that this stimulates the body to deliver fresh macrophages, with the existing ones (containing the pigment) carried to the lymph nodes.

At the moment Falkenham has only tested the cream on mice. He’s looking to move to pigs next before eventual human tests. The estimated price of the cream would be just four and a half cents per square centimetre, though Falkenham isn’t yet sure how many treatments would be needed in humans.

Falkenham has four tattoos and, although perfectly happy with them, says the experience of getting them started him thinking about the relationship between tattooing and the immune system.

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11 Feb 10:00

Forgot to push the commits

by sharhalakis

by uaiHebert

09 Feb 10:00

Lockess algorithm

by sharhalakis
image

by Lwahonen

(Correction: lockless)

04 Feb 08:01

Comic: Precautions

by tycho@penny-arcade.com (Tycho)
New Comic: Precautions
04 Feb 10:00

Before diving into the legacy code

by sharhalakis

by Ordon

03 Feb 15:00

The Ingredient for Life [Comic]

by Geeks are Sexy