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18 Aug 21:37

Aceitando o próprio tesão

by Mari

G0y, highsexual, bro job e boner test são todas expressões surgidas nos últimos meses para falar de práticas sexuais entre dois homens que não se consideram gays. A princípio isso pode causar estranhamento (e risos diante de nomes tão bobinhos), mas a ideia está longe de ser nova.

Nos anos 40 o maravilhoso Doutor Alfred Kinsey criou uma escala, conhecida como Escala Kinsey, para definir o comportamento sexual das pessoas ao longo da vida. A escala serviu de base (e se modificou ao longo dos anos) para um dos maiores estudos sobre sexualidade humana já realizados.

escala-kinsey

A grande descoberta da pesquisa coordenada pelo Kinsey foi que a maioria da população estava entre o nível 1 e o nível 5 da escala, ou seja, com uma preferência sexual predominante, mas não “restrita”. Isso quer dizer que, ainda que consideremos ser hetero o padrão sexual, o espectro bi estava estatísticamente mais presente.

Obviamente que as descobertas, publicadas nos livros Sexual Behavior in the Human Male (1948) e Sexual Behavior in the Human Female (1953), chocaram muito a sociedade conservadora da época, o que acabou destruindo a carreira e a vida pessoal do Kinsey (tem um filme de 2004 sobre ele, pra quem se interessou).

A galera que fez a pesquisa

E esse isolamento do Kinsey serve como um indicativo de que a maneira como lidamos com a nossa sexualidade aos olhos do outro está diretamente relacionada com as possibilidades geradas pelo momento e pela construção social que nos rodeia. Quando, como no caso dele, não é possível sequer questionar a heteronormatividade, a sexualidade humana é levada para a clandestinidade.

Ou seja, a informação pode ser libertadora mas não é contagiosa. Ninguém vai sair pegando pessoas do mesmo sexo, se não quiser, apenas porque o mundo tem menos ódio. Da mesma forma, a ideia de que o material chamado “Escola Sem Homofobia” (e apelidado toscamente de “kit gay”) transformaria alguém em gay é, obviamente, só muito babaca. Mas, sim, poderia criar abertura para que mais pessoas vivessem sua sexualidade diboinha.

Claro que só isso não basta. Especialmente para nós, mulheres, que não somos contempladas com o branding do tesão (note que g0y, highsexual, bro job e boner test são todos sobre homens). E não somos porque existe uma falsa ideia de que temos mais liberdade para experimentar quando, na realidade, nossa sexualidade é tida como um tipo de entretenimento, algo que está à serviço dos homens. O que é especialmente duro para mulheres bi, como diz a Jamile Nunes nesse texto foda da Jarid.

Como mulher, a sociedade constantemente põe dificuldades em nossas sexualidades. Mas especificamente com bissexuais, somos ainda mais objetificadas e vistas como isca para aventuras sexuais por homens héteros. Além disso, existem mais desculpas para invalidar minha sexualidade, como o fato de que supostamente me declaro bissexual só para ‘chamar a atenção’ de outros caras, ou porque está ‘na moda’ ou é ‘moderno

bi

Mas nem tudo está perdido. Uma pesquisa feita com habitantes do Reino Unido e recém lançada pelo YouGov mostra que, talvez, a pesquisa do Kinsey estivesse no rumo certo. Baseada na Escala ali de cima, ela traz números difíceis de imaginar em lugares onde a informação é controlada, como na Rússia, onde é proibida a “distribuição de informação direcionada para criar relações sexuais não tradicionais”.

bisexuality

*verde para completamente hetero ou gay *roxo para vários graus de bi

No gráfico é possível notar que, entre os mais jovens existe um quase equilíbrio entre quem se identifica como puramente hetero ou gay e quem se identifica como no espectro bi. Quanto maior a idade das pessoas, mais aumenta essa diferença. Ou seja, tanto lugares quanto momentos com mais acesso à informação possibilitam desenvolvimentos sexuais mais saudáveis, como o próprio YouGov esclarece:

Claro que essas figuras não medem bissexualidade ativa – no todo, 89% da população se define como hetero – mas te colocar no nível 1 da escala permite a possibilidade de experiências e sentimentos com pessoas do mesmo sexo. Mais que tudo, isso indica o aumento de uma abordagem mais mente aberta em relação a sexualidade.

E ser mais mente aberta está diretamente relacionado com a maneira como lidamos socialmente com a sexualidade (a nossa e a do outro). Com não condenar nem julgar comportamentos saudáveis baseados, somente, na nossa própria ignorância.

28 Aug 00:46

Conheça as beldades do esporte que são respeitadas

by Mari

Se tem evento esportivo, tem galeria de beldades. Pra dizer a verdade, não precisa nem ter evento pra ter site especializado em esporte diminuindo profissionais por serem, bom, mulheres.

Basicamente isso quer dizer que não importa o quanto uma mulher mande bem no que faz, esteja entre as melhores da sua categoria, ela vai ser objetificada em uma galeria de fotos criadas para e por babões que juram ser amantes do esporte.

Amigs, ser amante dos esportes é outra coisa. E envolve respeito.

E se tu acha que eu estou exagerando, vamos fazer uma ronda rápida pelo mundo das manchetes machistas:

Captura de tela de 2015-08-27 19:46:37Mas que grande honra passar a vida inteira se empenhando para estar entre as possíveis medalistas olímpicas e, bom, provocar calorão nos torcedores. Meu senhor, a dica é: busque tratamento pros calores, já que a babaquice parece crônica.

 

Captura de tela de 2015-08-27 19:45:50UFA! Que susto, achei que mulheres fora dos padrões de beleza podiam praticar esportes!

 

Captura de tela de 2015-08-27 19:46:08Essa é especial: além de serem beldades e brilharem, ainda recebem closes de bunda. Durante os jogos. “Amante do esporte” é o novo nome de guri babão, parece.

 

Captura de tela de 2015-08-27 19:46:26Pode ser beldade profissional, pode ser beldade amante dos esportes, só não pode é ser colocada como ser humano e não como adereço nas páginas esportivas.

Não deveria ser tão difícil de entender, a ideia é bem simples e envolve uma coisa muito básica: respeito. Respeito pela profissional que se empenhou tanto para ser uma atleta foda, pelas conquistas da atleta, pelo esporte, pelas pessoas. Colocar um ser humano como um objeto decorativo é desumanizar essa pessoa, ou seja, não é nada respeitoso.

Claro que nada disso tem relação nenhuma com sensualidade em si, mas com a obrigação de ser sensual. Se a atleta quiser tirar fotos sensuais, ok, mas só ser capaz de ver as mulheres como sensuais, o tempo todo, ignorando e diminuindo seu trabalho: é coisa de babaca.

Novamente, se tu acha que estou exagerando, acompanha comigo:

Captura de tela de 2015-08-27 21:03:43A Tatiana ganhou 4 medalhas de ouro, 3 de prata e 1 de bronze. A Tatiana não passa despercebida de ninguém que se interessa por patinação de velocidade e não faria sentido usar biquini no gelo. Marmanjos, amadureçam.

Mas o desrespeito não funciona só pela hipersexualização, ou seja, ele não fica só babando nas atletas, mas também cobra das mulheres que saíram desse padrão de beleza. O exemplo mais famoso é o da maior tenista do mundo, a Serena Williams. Vocês devem ter acompanhado a JK Rowling respondendo o tuiteiro babaca que disse que a Serena “tinha corpo de homem” mas, se não acompanharam, aqui está a resposta da escritora:

.@diegtristan8 “she is built like a man”. Yeah, my husband looks just like this in a dress. You’re an idiot. pic.twitter.com/BCvT10MYkI

— J.K. Rowling (@jk_rowling) July 11, 2015

(sim, meu marido fica igualzinho a ela num vestido. Tu é um idiota)

Eu, particularmente, acho a Serena Williams maravilhosa, inclusive fisicamente. Admiro o corpo definido dela, sempre achei lindo mulheres atletas. Mas, nem tão particularmente, eu sei que ela não tem obrigação de ser bonita.

Entendo que pra maioria dos caras isso seja uma novidade, então vou repetir, pra ver se fica claro:

AS MULHERES NÃO TEM OBRIGAÇÃO DE SER BONITAS PARA OS HOMENS

Mas, além disso, o que esse idiota falou atende pelo nome de: machismo. Ele, e todos os outros que repetem esse tipo de textinho bosta, acham um absurdo uma mulher (ainda mais, no caso da Serena, negra) não precisar da confirmação deles para ser reconhecida como alguém tão foda.

Pode chorar, amigo, elas não precisam mesmo ;~~~

O problema é que nem todas as mulheres que são maravilhosas no esporte tem a chance de viver do que fazem, como a Serena. Então que os idiotinhas de tuiter fiquem nesse chororô de achar que o corpo de todas as mulheres do mundo precisa do alvará deles para ser funcional e lindo, azar. Mas um jornalista esportivo que reforce esse tipo de escrotidão deve saber que, além de não gostar nem respeitar os esportes e as mulheres, ele está ajudando a manter a maior parte das atletas longe da verdadeira profissionalização, que é se sustentar e ser respeitada pelo que fazem.

Melhorem, caras.

27 Aug 23:51

Destiny Nightfalls Are Getting A Total Overhaul

by Jason Schreier

Destiny, a video game about crushing the hopes and dreams of Peter Dinklage, is changing in just about every possible way when the next expansion launches this September. Even Nightfall strikes will be totally different.

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27 Aug 02:58

O Cachorrinho Riu

by Clara

– Vamos lá pra casa?

Estava esperando esse convite fazia um tempo. Estávamos nos pegando há umas duas horas e eu já tinha dado a letra de que meus pais estavam ficando na minha casa, meus pais do interior, meus pais conservadores, meus pais.

– Mas eu quero te avisar de uma… Coisa. Um probleminha.

Ai, lá vem. É casado. Tem namorada. Tem alguma doença incurável. Mora com a avó. Mora numa pensão para rapazes. Tem só uma bola.

– É que eu… adotei um cachorrinho.

Oun, que fofo! Além de ser gato, cheiroso e ter pegada, ainda adotou um cachorrinho! Mas ué?

– Oun!

– Sim, ele é uma gracinha, mas… É que ele late.

– Bom, ele é um cachorro, folgo em saber que ele late.

– Ele late muito. Muito. Muito mesmo.

– Hum, que… chato?

– Ele acaba de se acostumar comigo, pra mim ele já não late mais, mas é que desde que adotei o Pantufa não levei ninguém em casa.

Oun! Pantufa!

– … E você está com medo da reação dele? Relaxa, eu gosto de cachorro. Gosto mais de gato, confesso, mas gosto de cachorro também.

– Que bom, que bom… Mas minha dúvida é se ele vai gostar de você. Quer dizer, não é bem isso, mas é que eu só tive cachorro quando era pequeno, sabe, e ele é novo lá em casa, eu não sei muito bem como ele pode reagir.

– Hm.

– Ele late muito. Muito mesmo. Sério.

– Bom, quer ir pra outro lugar?

– De repente era umas…

– Sério? Por causa do cachorro?

Confesso que já tinha dado uma esfriada no clima todo. Estávamos numa pegação pesada e esse negócio de ficar falando do Pantufa não era bem o que eu tinha em mente… Mas ele era gostoso, engraçado, inteligente e não me parecia ser do tipo que fica de papinho.

– É… Não, não. Não vou deixar de ir pra minha casa com você por causa do cachorro.

Aí sim.

Fomos. No carro começamos a nos pegar de novo e resolvemos manter a compostura depois que eu quase bati o carro meio que quase gozando. Melhor não fazer essas coisas em movimento, né? Melhor dar uma paradinha. Mas ele disse que paradinha ali melhor não, que era meio perigoso, que vamos logo pra casa que eu tô louco pra te chupar.

Uh, vamos.

Estacionei, entramos, subimos, as mãos dele por baixo do meu vestido, minha mão no pau dele por cima da calça, por dentro da calça, ele dizendo “mas e a câmera” “foda-se a câmera, o porteiro estava dormindo” e rimos e chegamos.

Chegamos no andar, no andar, e Pantufa começou a latir.

Pantufa começou a latir e nunca mais parou. Nunca mais. Nunca mais. Não é exagero: ele nunca mais parou. Entrei na sala. Sentei no sofá. Ele latia. Latia. Latia. Seu dono, constrangidíssimo, tentava falar alguma coisa, mas eu não conseguia prestar atenção, pois Pantufa latia, latia, latia. Ele (o dono) me pegou pela mão e me levou para o quarto, mas o Pantufa foi atrás, latindo, e se pôs a arranhar a porta fechada. Enquanto latia, é claro. Latia, latia, latia.

Até tentamos resgatar o clima do elevador, mas era impossível. Mal tirei o sutiã e já tinha desistido e já estava colocando de volta e dizendo que não ia dar, não. O apartamento era um quarto e sala bem bonitinho, porém apertadíssimo e sem qualquer lugar que pudesse manter Pantufa longe da porta por uma rapidinha.  Se eu soubesse o que me esperava tinha parado na rua mesmo. Sexo no carro teria sido melhor do que nenhum sexo por causa de cachorro. Ou teria ido pra minha casa com meus pais idosos, que nem iam acordar se eu fizesse escândalo.

E foi assim, queridas, que perdi a última foda do ano antes de ir viajar pra Fortaleza com meus pais.

Nunca mais nos vimos.

Mas às vezes eu sonho que o Pantufa está rindo da minha cara.

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Ilustra de DW Ribatski

***

* Esta é uma história de ficção. Precisa sempre frisar, né?  

É escritora? Tem uns continhos ou uns poemas guardados mas não sabe onde publicar? Manda pra nós com o título “Ficção” que uma vez por semana vamos publicar. Nem precisa lembrar que tem que ser mulher, né? :D

24 Aug 21:58

Por que o Prêmio Hugo deve te interessar

by Lady Sybylla

Uma das grandes polêmicas de 2015 dentro da comunidade de ficção científica e fantasia foi sobre o Prêmio Hugo. Cunhado em homenagem a Hugo Gernsback, inventor e editor, além de autor de ficção científica, a ele é atribuído o próprio termo ‘ficção científica’, além da popularização deste gênero literário através da revista Amazing Stories, a mais famosa revista de FC do mundo.

Mas por que o Prêmio Hugo deve te interessar, você se pergunta?

Como funciona e qual é a polêmica

Qualquer obra, de qualquer idioma, pode ser indicado ao Hugo Awards, ou Prêmio Hugo. Qualquer pessoa que se torne membro da WorldCon e que pague U$50 ganha o direito de votar e de indicar obras e autores. Como membro, você recebe uma cópia digital das obras para poder avaliar e dar seu voto. Como o sistema é aberto, é comum que autores façam campanha junto de seus fãs para que eles votem no Hugo. Este sistema aberto privilegia o gosto do público, ao contrário de ter uma banca fechada, com pessoas que escolhem os indicados. O prêmio é estampado em capas e utilizado como indicador de qualidade por várias editoras.

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Tudo seria bem bacana e funcionaria às mil maravilhas se algumas pessoas insatisfeitas não tivessem se utilizado dessa maleabilidade das indicações para se lançar numa campanha baseada no ódio e no preconceito. Autores homens, brancos, cisgêneros e heterossexuais de ficção científica lançaram dois painéis de indicados ao Hugo. A ala mais agressiva é a dos Rabid Puppies, liderava por Theodore Bale, conhecido como Vox Day e a ala menos agressiva é chamada de Sad Puppies, liderada pelos escritores Larry Correia e Brad R. Torgersen. Larry Correia tem também ligações com o Gamergate.

O ano de 2014 foi o que mais privilegiou mulheres, negros e comunidade LGBTQ no Prêmio Hugo. Foi quando Ancillary Justice, de Ann Leckie ganhou de melhor livro, onde ela aboliu os pronomes de gênero, por exemplo. Toda a comunidade de FC e Fantasia já vinha sinalizando nos últimos anos uma maior representatividade e diversidade, o que apenas beneficia o leitor. Infelizmente, boa parte dessa diversidade de obras e autores não chegam traduzidas por aqui.

Os Sad e Rabid Puppies ficaram incomodados com toda essa presença de pessoas diversas na premiação. Eles alegam que há uma conspiração de esquerda para colocar representantes de minorias nas indicações e que a velha ficção científica, aquela “de raiz”, com grandes aventuras espaciais, de narrativas épicas teria sido trocada por uma bancada política esquerdista. Por isso os Puppies escolheram autores que, segundo eles, trariam essa aventura perdida de volta.

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Em um primeiro momento alguém pode dizer que os Puppies têm alguma razão em reivindicar que os prêmios sejam dados para as melhores obras. Infelizmente não é isso o que eles querem. Vamos conhecer melhor Vox Day, o líder dos Rabid Puppies. Theodore Beale é escritor de FC, já foi indicado ao Hugo e nunca ganhou. Ele já fez textos alegando que os direitos das mulheres são prejudiciais à sociedade e que negros não têm capacidade de desenvolver uma sociedade avançada. Segundo ele, a FC foi dominada por algo chamado “Pink SF”, que é a FC escrita por mulheres. Segundo suas próprias palavras:

Pink SF é um câncer. É uma perversão parasitária. É aquela morte pequena que mata todo sub-gênero literário. (…) Pink SF são as meninas vindo brincar na caixa de areia dos meninos e cagando nelas como gatos.

O texto original está no blog dele, mas para não gerar link, usei o naofo.de.

O escritor de ficção científica John C. Wright foi amplamente apoiado pelos Puppies. Seu nome apareceu cinco vezes entre os indicados deste ano e ele perdeu em todas. Para Wright os homens devem abominar homossexuais em nível visceral e as mulheres precisam ser femininas e delicadas, aquelas que serão salvas pelo herói na narrativa.

A premiação em 23 de agosto de 2015

Foi com muita alegria que as pessoas que acompanham a treta do Hugo de perto assistiram à premiação na madrugada de sábado para domingo. Houve recorde de votações este ano, 65% mais participação do que no ano passado. Categorias onde havia Puppies em peso, como Melhor Novela, Melhor Noveleta, receberam No Award, que é quando os votantes não concordam com os indicados e preferem não conceder prêmio a ninguém. E o melhor livro foi para o chinês Cixin Liu, com o livro The Three-Body Problem.

Fábio Fernandes, escritor brasileiro de ficção científica e tradutor de vários clássicos como Fundação, Laranja Mecânica e Neuromancer leu as obras indicadas pelos Puppies, como parte do pacote que recebeu para poder votar e foi categórico: as obras são ruins. Não só ele, como John Scalzi também leu e disse não haver qualidade alguma no que os Puppies indicaram.

Vários escritores se colocaram imediatamente contra os Puppies, como George RR Martin, que disse que eles haviam partido a premiação ao meio com a manobra que fizeram. Outros chegaram a se pronunciar para que removessem seus nomes dentre os indicados, pois não compactuavam com os painéis e com as alegações.

A ganhadora do Hugo 2015, Laura J. Mixon, na categoria de Best Fan Writer, fez um dos melhores discursos na noite da premiação:

Há espaço para todos nós aqui. Mas não há meio-termo entre ‘nós pertencemos’ e ‘você não’. Acredito que devamos encontrar maneiras menos tóxicas para discutir nossos pontos de vista conflitantes. Estou com as pessoas dos grupos marginalizados que procuram, simplesmente, serem vistas como seres humanos. As vidas dos negros importam.

O que os Puppies não perceberam, assim como todo mundo que apoiou os painéis (incluindo aí alguns autores brasileiros), é que não existe uma conspiração de esquerda. O que existe nestes últimos anos e na geração de autores e leitores é uma mudança de mentalidade. O mundo avançou – apesar de precisar de mais avanços – nas questões sociais, garantindo igualdade de direitos e maior visibilidade para as minorias que antes eram relegadas à obscuridade. Se Prêmio Hugo teve entre seus indicados livros que representem essa literatura, não é por uma conspiração, foi pelo gosto do público.

prêmio-Hugo

O ataque à ficção científica feita por eles não passa de preconceito disfarçado de preocupação com a qualidade. Não passa de misoginia, racismo, homo, lesbo e transfobia, coisa que estamos cansadas de ver.
Assim como o ataque às mulheres que trabalham com games, o ataque a qualquer mulher que critique esses espaços, as pessoas que lutam por diversidade e representatividade, que os Puppies chamam de Social Justice Warriors – são constantemente bombardeadas por comportamento agressivos e ameaças. Não é de hoje que o chilique destas pessoas vem acontecendo. Vários fóruns tem discussões do tipo “por que as mulheres estão destruindo a ficção científica?”, sendo que FC surgiu com Mary Shelley e sua incrível obra Frankenstein.

Fico com o discurso de Laura. Há espaço para todos nós aqui. Essas manobras são desonestas e podem ter rachado o prêmio daqui por diante, mas não será suficiente para nos calar.

Sobre o assunto, vale ler, também:

O sequestro do Hugo Awards

Representatividade importa, mas incomoda

Ficção científica e as aventuras dos garotos brancos

Anticast 178 – A polêmica do Hugo Awards

11 Aug 13:06

E se ao invés de Uber tivesse uma alternativa aberta, tipo um OpenTaxi?

by Lond

Curto a idéia do Uber: pagamentos pelo aplicativo, motoristas avaliados e essas coisas que meio que permeam a internet hoje em dia. Mas não curto a empresa, suas técnicas estão longe de ser “legais”: [The latest Uber scandal, explained] [Uber Driver Deemed Employee By California Labor Commission] [I was an undercover Uber driver]

E tem mais um ponto: eu sou a favor dos taxis serem agenciados pelo estado. Acho que taxi, como um transporte público que integra a malha de transportes do estado, também tem que ter suas concessões como parte do planejamento do estado de alguma maneira.

E aí eu andei pensando, e se a gente tivesse a união entre as duas coisas? Senta que lá vem viagem.

Imagina uma mistura entre Uber e EasyTaxi de código aberto. Esse software, que teria seu código disponível pra ser auditado por qualquer um, faria esse papel de controlar a frota e também teria aplicativos para as plataformas de modo que fosse possível chamar taxis por dentro dele, além de efetuar pagamentos também por dentro do aplicativo.

O ideal seria o software ser gerenciado (em termos de custos de manutenção pra manter tudo funcionando) em um esquema de cooperativa entre os taxistas participantes (ou ainda, aproveitando o que já existe, seria coordenado pelo sindicato dos taxistas de cada lugar).

Os custos do sistema seriam um custo fixo para o taxista (que seria pelo custo da infraestrutura) e um custo que viria do gateway de pagamento sendo escolhido pelo sindicato que estivesse mantendo aquela “versão” do aplicativo. Todo o dinheiro da corrida, tirando o custo do pagamento, iria para o bolso do taxista.

Para melhorar, o ideal seria que tivesse alguma maneira (boletos, cartões pré-pagos?) para que quem não tivesse cartão de crédito também pudesse pagar pelo aplicativo.

Todos os dados do sistema estariam disponíveis para serem auditados publicamente, tanto pelo estado, quanto pelos usuários. O estado fica mais eficiente sabendo quanto os taxistas estão ficando ociosos e a duração das suas corridas, e o usuário pode ficar mais em cima de problemas acontecendo nos taxis.

Ao fim de cada corrida, o usuário avaliaria o taxista e no caso de uma nota abaixo da média, informaria os problemas que seriam acumulados no perfil do taxista para uma auditoria posterior.

Claro que tem alguns problemas a serem resolvidos nessa idéia: será que ser gerenciado por cada cooperativa é uma coisa eficiente? Ou será que era melhor fazer uma fundação (tipo a Free Software Foundation) que ficasse responsável pela implementação e manutenção do sistema?

Acho que seria um caminho melhor e mais próximo do que eu acho ideal, mais próximo da socialização do uber. [Socialize Uber]

11 Aug 09:00

The very first time you are handed access to production

by sharhalakis

by @uaiHebert

05 Aug 18:46

If coders were football players

by CommitStrip

01 Aug 13:02

Engineer Creates Endless Slinky Stairway [Video]

by Geeks are Sexy

From Matthias Wandle:

This project started with some idle chatter with some guys I used to work with. Eric had this idea for a “slinky machine”, which would essentially become an escalator on which a slinky continuously descends. Years passed and I occasionally teased Eric about it. Eventually, I figured he’d never build it and it was fair game for me to do it.

[Matthias Wandel | Via LS]

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03 Aug 17:32

A Very Common Coder’s Youthful Mistake

by CommitStrip

30 Jul 09:00

Trying the code multiple times, hoping it will eventually work

by sharhalakis

by @uaiHebert

28 Jul 09:00

Joining the live pool

by sharhalakis

by DsUllman

27 Jul 17:51

Totally overwhelmed

by CommitStrip
Renato Cerqueira

Queria eu ter estar fazendo umas coisas tão maneiras ahahahah

24 Jul 06:12

Mas eu não sou machista!

by Clara

A reação dos homens quando uma mina aponta machismo em alguma coisa que fizeram/disseram é quase sempre a mesma.

EEEEEUUU? EU NÃO SOU MACHISTA!

E exemplificam exaustivamente seus nobres atos de não-machismo, tipo “fui criado numa casa apenas com mulheres” (spoiler: isso não quer dizer nada), “acredito na liberdade sexual das mulheres” (como se isso não os beneficiasse, rs) ou qualquer outra coisa do tipo.

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Pois bem, tenho uma novidade: não é porque você deixou de ser machista em algum momento que está imune pra sempre. O machismo é a norma, é o filtro com que a sociedade (ai, a sociedade) percebe nossos comportamentos. Por isso é “normal” um cara pegar todas, mas uma mulher que é dona de sua vida sexual vira vagabunda, ou, nas palavras daqueles que “não são machistas, mas”, estão emulando o pior do homem, como se nossas vontades estivessem atreladas ao que eles são. Isso é machismo também, viu? E ter atitudes e pensamentos machistas não significa que você é uma pessoa horrível que merece apanhar na rua, mas que você está reproduzindo o que nossa sociedade tem como norma e que está na hora de prestar atenção nisso pra não repetir. É um longo processo de desconstrução. Vai ser chato. Mas tem que acontecer.

Eu sou branca. Vivo prestando muita atenção pra não ter nenhum comportamento racista contra pessoa alguma. Mas tenho a consciência de que já tive. Porque racismo também é a norma e, diferente de quando se trata de machismo, o sistema me beneficia e estou em uma posição privilegiada. Ou seja: eu não sofro racismo. Não, gente, não existe racismo contra brancos, não existe racismo reverso, parem de se constranger com essa ideia.

Morro de vergonha? Morro de vergonha. Quero desaparecer quando penso que, há tempos, tirei onda do cabelo de uma mulher porque estava com raiva dela. Eu podia ter falado QUALQUER outra coisa, mas fui falar do cabelo crespo. Fui o que? Isso mesmo, racista. E é pensando nisso que eu consigo me policiar pra NUNCA MAIS reproduzir esse horror.

Seria fantástico se os homens que querem apoiar o feminismo, em vez de ficarem negando o machismo, nos escutassem, revissem e morressem de vergonha de seus comportamentos para, quem sabe, conseguirem começar a mudar alguma coisa. A primeira coisa a fazer pra resolver um problema é admitir que ele existe. Sei que é difícil, pois isso envolve abrir mão do bom e velho privilégio, mas boto fé que não seja impossível. Já vi muito homem ecoando discurso feminista dizendo “mas isso não é feminismo, isso é bom senso” ou coisa parecida. É feminismo sim, lindo, e se você não só concorda como defende já é um passinho a mais na caminhada da sua desconstrução.

E antes que alguém chegue falando “afff estão falando de macho de novo”: eu acho sim importante falar com os homens.  Mulher alguma é obrigada nem a conviver, nem a conversar, nem a aceitar, nem a explicar nada, mas eu, particularmente, não vejo como uma sociedade pode mudar sem incluir os homens no processo de mudança. Se o cara aprende, muda e para de infernizar a vida da irmã, da namorada, da vizinha, são as mulheres que vão se beneficiar disso. Nós.

Digamos que fosse possível empoderar todas as mulheres. Todas. Faríamos o que com os homens, caso eles não fizessem parte do processo de mudança? Isolamento? Prisão? Morte?

Tem muitos homens que eu admiro e não por seus posicionamentos em relação ao feminismo, e fico bem feliz quando vejo que estão abertos a escutar. Não quero ter que isolar os caras. Não quero ter que parar de falar com eles, parar de ler seus livros, escutar suas músicas, ignorar sua arte. Não quero. Quero que eles escutem e percebam que dizer “EU?! EU NÃO SOU MACHISTA” não ajuda em processo de mudança e não engana ninguém.

É claro que um cara que, ao ser confrontado, em vez de pensar “existem mulheres que discordam de mim, vou escutar” sai correndo em círculos de cuecas dizendo “feminazis histéricas não entenderam nada!!!” não está querendo conversar, e com esses eu não quero diálogo mesmo. Não existe diálogo mediante ofensa, né? Pra haver diálogo tem que todo mundo estar aberto a ouvir e, neste caso, admitir cagadas.

Estou sonhando alto? Talvez. Mas quero pensar que o que fazemos realmente surte algum efeito e que as próximas gerações não sofram tanto com isso quanto nós.

27 Jul 12:52

The Last //TODO

by Oliver Widder
23 Jul 22:36

Freeheld - Official Trailer

by Trailers

This first trailer for Freeheld was just released today by Lionsgate. It will open in theaters on October 2nd, 2015. Freeheld stars Steve Carell, Ellen Page and 2015 Academy Award winner for best actress, Julianne Moore.

New Jersey police lieutenant, Laurel Hester, and her registered domestic partner, Stacie Andree, both battle to secure Hester's pension benefits when she is diagnosed with terminal cancer.

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Release: 2 October 2015
Genre: Biography | Drama | Romance
Cast: Julianne Moore, Ellen Page, Steve Carell
Director: Peter Sollett
Writer: Ron Nyswaner
Studio: Lionsgate
22 Jul 21:00

Marvel Superheroes and Villains as Dogs [Gallery]

by Geeks are Sexy

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In this fun series of illustrations, Twin Cities-based artist Josh Lynch re-imagined various Marvel superheroes and villains as dogs, and I have to admit, each race of dog totally fits with the character it represents.

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[Source: Josh Lynch on Behance]

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22 Jul 17:05

Spectre - Official Trailer

by Trailers
Renato Cerqueira

Christopher Waltz! :D

This trailer for Spectre was released today by Sony Pictures. Daniel Craig will be James Bond for the fourth time. Spectre also stars Christoph Waltz, Ralph Fiennes, Monica Bellucci and Léa Seydoux under the direction of Sam Mendes. Spectre promises to be another big success for the Bond franchise.

A cryptic message from Bond's past sends him on a trail to uncover a sinister organization. While M battles political forces to keep the secret service alive, Bond peels back the layers of deceit to reveal the terrible truth behind SPECTRE.

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Release: 6 November 2015
Genre: Action | Adventure | Thriller
Cast: Daniel Craig, Christoph Waltz, Ralph Fiennes, Monica Bellucci
Director: Sam Mendes
Writer: John Logan (screenplay), Neal Purvis, Robert Wade
Studio: Sony Pictures
22 Jul 00:52

deep-dark-fears: A submission from cryokineticwolfies to deep...



deep-dark-fears:

A submission from cryokineticwolfies to deep dark fears.

I’m re-blogging this one because it won an award from the Society of Illustrators. The medal just came in the mail today! You can see it in New York til the 25th!

20 Jul 09:00

When you miss the last deployment step

by sharhalakis

by @uaiHebert

15 Jul 17:24

A Brief History of Flash

by CommitStrip

14 Jul 09:00

When a bug you fixed gets re-introduced

by sharhalakis

by Jacob

10 Jul 01:00

Sweet N64 Table Has N64 Inside Table

by Luke Plunkett

Considering my only memories of playing the N64 were of playing in large groups and eating a ton of shitty food, this custom console build seems very practical.

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07 Jul 02:02

A fear submitted by Avalon to Deep Dark Fears. Thank you! The...



A fear submitted by Avalon to Deep Dark Fears. Thank you! The new Deep Dark Fears book is now available for pre-order at Amazon, B&N, IndieBound, iBooks, and Google Books. I’m getting a test-print of the book tomorrow in the mail! I can’t wait!

05 Jul 02:57

The Fist Bump [Comic]

by Geeks are Sexy
02 Jul 19:49

Awesome Mashup Cake: If Tim Burton Designed Mario [Pics]

by Geeks are Sexy

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Check out this amazing wedding cake by the Little Cherry Cake Company mashing up the world of Super Mario and The Nightmare Before Christmas.

So this amazing bride and groom loved both Nightmare Before Christmas and Mario and didnt know which to choose. Why choose when you can have both!?! I love it when a couple just gives me free reign with design and lets me run with crazy ideas haha.

Mario and Peach as Jack and Sally, Oogie Boogie as Yoshi, Lock, Shock and Barrel as Shy Guys and some spooky Mario characters – Boo Ghosts, Dry Bones and dark Piranha plants.

The mario landscape even features spiral hill around the back and the brides favourite – Zero.

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[Little Cherry Cake Company | Via TN]

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06 Jul 09:00

Using the right command on the wrong environment... as root

by sharhalakis

by @uaiHebert

01 Jul 15:00

What 15 Minutes Of Playing For Honor Felt Like

by Steve Bowling on Talk Amongst Yourselves, shared by Tina Amini to Kotaku

I join the fray, sword in hand. I rush into the thick of battle. Amid the chaos I spot a serious threat. I wade through the carnage to him and we began to duel. Moments later, he is dead. Two more come to avenge him. I’m nervous. I know I won’t win. That’s when I realized it—For Honor has its hooks in me.

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01 Jul 00:30

Emulator Within An Emulator Runs Almost Perfect Pokemon

by Luke Plunkett

We missed this earlier in the month, but the talented team behind the Dolphin emulator have done something very cool: they’ve got N64 games working on the GC/Wii emulator by running their virtual console versions.

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02 Jul 18:42

Don’t bother the coder

by CommitStrip