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13 Mar 14:10

DEZ COISAS QUE AS PESSOAS DEVERIAM ENTENDER SOBRE SUICÍDIO

by lola aronovich
Golden Gate, em San Francisco, endereço mais procurado por suicidas nos EUA

Luan Côrtes, baiano, tradutor amador, e estudante de medicina, descobriu este ótimo texto de Jennifer Michael Hecht para a Vox sobre suicídio, e decidiu traduzi-lo pra cá. Muito obrigada, Luan!

Como a maioria das pessoas seculares e muitas pessoas religiosas, eu acreditei, por grande parte da minha vida, na ideia culturalmente dominante sobre o suicídio: que era a escolha privada de cada um. Que era moralmente neutro. E que, como não podemos ousar compreender a dor que culmina em tal ato, devemos abandonar o assunto. Eu já não acho que estas ideias sejam verdade. 
O que me fez mudar de ideia? Eu perdi dois amigos para o suicídio, com um ano e meio de diferença entre as mortes. Por vezes, eu também não pude deixar de pensar em suicídio. Sou poetisa e historiadora e escrevi abundantemente sobre a história de ideias seculares, de modo que pensei muito no que eu estava enfrentando. Notei que era estranho que todos nos sentíssemos tão sós em nosso sofrimento suicida diante da conexão intensa que sentimos quando algum(a) conhecido(a) comete suicídio. 
Comecei a pensar no lado positivo do que essa dor significa para nós. Não estamos tão sozinhos quanto pensamos, e podemos dar grandes contribuições à sociedade só permanecendo vivos. Eu tinha lido muitas vezes que um suicídio pode levar a mais suicídios, o que significa que, ainda que você acredite que é um fardo terrível neste momento, seu suicídio seria um fardo muito maior. 
Cheguei a estas conclusões escrevendo primeiro um poema e depois um post sobre suicídio. As respostas foram comoventes e fizeram-me sentir que eu precisava aprender e escrever mais, por isso iniciei um período de pesquisa aprofundada sobre o suicídio ao longo da história e atualmente. 
O que aprendi foi que, em comparação com a nossa sociedade, a maioria das sociedades tem apresentado mensagens fortes de rejeição ao suicídio por causa do que significamos um para o outro e do que devemos ao nosso eu futuro. Sócrates é frequentemente lembrado como um suicida, mas, na cela de prisão onde ingeriu cicuta, ele disse a seus pupilos e amigos que eles não deviam matar-se, a menos que também fossem condenados à morte no tribunal. 
Aristóteles também considerava o suicídio errado porque “os justos e os injustos sempre envolvem mais de uma pessoa”. Nós modernos perdemos o contato com esta e outras ideias cruciais por causa de uma guerra travada entre religião e secularismo. Era hora de repensar a postura secular diante do suicídio em seus próprios termos. Esta pesquisa tornou-se o meu livro Stay: A History of Suicide and the Arguments Against It (em tradução livre, Fique: Uma História de Suicídio e os Argumentos Contrários). 
Permita-me esclarecer que não estou discutindo cuidados terminais, que eu acredito que deveriam incluir o direito de morrer, especialmente em uma época em que as pessoas são medicamente mantidas vivas por tanto tempo. Eu às vezes digo que estou abordando o “suicídio de desespero”. Grosso modo, refiro-me à pessoa cujos entes queridos ou cuidadores considerariam que precisa continuar vivendo. 
Após vários anos de reflexão e escrita, sintetizei dez ideias sobre como podemos pensar o suicídio de forma diferente. 
1) Não temos o direito de cometer suicídio. 
O suicídio afeta terrivelmente as outras pessoas. Para alguns é fatal: ao longo da história, as pessoas observaram que um suicídio pode levar a mais suicídios, em todos os grupos. Depois da publicação de Os Sofrimentos do Jovem Werther, de Goethe, alguns homens jovens na Europa cometeram suicídio vestidos de Werther ou segurando o livro, e houve muitos relatos de aumento no número de suicídios em países onde o livro estava disponível. 
Estudos estatísticos modernos agora demonstram repetidamente a existência de núcleos de suicídio, cada um representando um aumento real na taxa de suicídios em certos colégios, universidades, regimentos, cidades, grupos etários e profissões. Talvez você se lembre de manchetes nas últimas décadas sobre suicídios entre agricultores, policiais, entre adolescentes nos anos 1980, em certas universidades, ou em um alojamento universitário específico. Recentemente têm saído grandes manchetes sobre um aumento chocante nas taxas de suicídio entre pessoas da geração “baby boom”, militares, e nativos (índios) norte-americanos (especialmente os jovens). 
Há muitas indicações da relevância da influência. Nos anos 1970, o pesquisador David Philips, hoje professor de sociologia na Universidade da Califórnia, acompanhou o aumento de suicídios após a morte de Marilyn Monroe e outras celebridades, cunhando o termo “efeito Werther”. O aumento é mais forte para aqueles na mesma faixa etária e do mesmo gênero que a celebridade. 
Além de celebridades, estudos mostram uma correlação robusta entre a cobertura midiática do suicídio e um aumento real na área exposta às notícias, especialmente entre pessoas da mesma idade e gênero. A influência da mídia sobre o suicídio parece especialmente potente entre adolescentes e adultos jovens. Há até mesmo uma relação de dose e efeito, em que mais exposição a notícias deste tipo leva a mais comportamento suicida. 
Victor Hugo rejeitava o suicídio porque “assim que atinge seus vizinhos, suicídio é homicídio”. E Jean Jacques Rousseau fez uma personagem sábia dizer a um amigo suicida mais jovem que o suicídio deve ser rejeitado por muitas razões, incluindo o fato de que poderia causar mais suicídios. O suicídio é muito perigoso para ser um direito. 
2) Permanecer vivo é uma contribuição social que salva vidas. 
Devido ao poder da influência suicida, permanecer vivo apesar das agruras mantém vivas outras pessoas. Em um estudo grande e muito cuidadoso do Centro Johns Hopkins em 2010, pesquisadores descobriram que o suicídio de um dos pais de uma criança com menos de dezoito anos triplica o risco de suicídio, com diferentes padrões de hospitalização e morte, a depender da idade da criança no momento do suicídio. Um estudo de 2014 mostra que a tentativa de suicídio de um dos pais aumenta em cinco vezes a chance de a criança tentar o suicídio, “mesmo após ajustar para a transmissão familial de transtornos do humor”. 
Isto significa que se você não se matar, sua filha tem menos chances de cometer suicídio; e, se você permanecer vivo, talvez ela também consiga. Um ex-militar citou esta ideia de “Fique” em um artigo pessoal sobre suicídio para o Daily Beast e acrescentou: “se você quer que o seu parceiro de trabalho sobreviva, você precisa aceitar ajuda e lutar suas próprias batalhas”. 
Não sei por que nem sempre reconhecemos nosso próprio valor, mas, quando as pessoas percebem que buscar ajuda e sobreviver manterá outras pessoas vivas, elas sentem-se menos autoindulgentes quando tomam medidas para superar a crise. Nós salvamos a vida uns dos outros quando cuidamos de nós mesmos. A sociedade deveria expressar gratidão àqueles que se mantêm vivos por outras pessoas e fico feliz em começar: obrigada. Nós constantemente dizemos às pessoas que procurem ajuda, mas não lhes dizemos por quê. 
3) Precisamos considerar os direitos do eu futuro. 
Albert Camus, famoso por declarar que devemos todos confrontar a questão do suicídio, é menos famoso pela sua poderosa conclusão de que devemos rejeitar o suicídio. Ele argumentava que mais vida é sempre melhor, mesmo se não é feliz. Camus diz que o que você aprenderá com a experiência é incognoscível até que você chegue lá, e a espera e a luta realmente valerem. 
Assim como a nossa cultura minimiza a natureza interconectada do nosso ser, ela também vê o eu como um agente imutável. Esquecemos que iremos mudar e crescer de maneiras que não podemos agora imaginar. Quem nos tornaremos? Devemos fazer um esforço para respeitar aquela pessoa. 
Muitas figuras ao longo da história têm-nos lembrado que, mesmo quando tudo parece perdido, as circunstâncias às vezes mudam de forma abrupta. O filósofo renascentista Michel de Montaigne oferecia muitos contos de suicidas finalizados pouco antes de tudo mudar para melhor e outros contos de rejeição do suicídio levando a uma vida maravilhosa e celebrada. Para nós modernos, se formos capazes de esperar, é possível também que surja uma nova droga ou outra intervenção. 
Há certas pessoas que precisam considerar especialmente a ideia do “futuro eu”. Até os 25 anos de idade, o córtex pré-frontal do cérebro não concluiu o desenvolvimento. Até lá você não sabe como será sua experiência do mundo em alguns anos. O córtex pré-frontal é responsável pelo funcionamento executivo: planejamento do comportamento cognitivo complexo, expressão da personalidade, tomada de decisões e moderação de comportamento social. 
Você está prestes a ficar muito melhor em alcançar o que você deseja. Por ora, encontre uma forma de esperar. Para nós que somos mais velhos, se você está passando por um período muito espinhoso na vida, lembre que as coisas podem melhorar para você também, se você confiar que o seu eu futuro saberá de coisas que você ainda desconhece. 
4) O suicídio está entre os dez maiores responsáveis por mortes de americanos. 
Em 2000, o número de suicídios nos EUA era 30 000 e começou a subir. O último relato foi em 2012 e o número chegou a 40 600. O suicídio é a segunda causa de morte de pessoas entre 15 e 24 anos. Em um estudo recente envolvendo estudantes universitários, o suicídio superou o álcool como causa de morte. 
Enquanto isso, a maioria dos suicídios é de homens brancos mais velhos. Mulheres tentam mais o suicídio, mas homens morrem mais, o que é mais provável, já que homens têm mais acesso a armas de fogo. Em 2010, o suicídio foi responsável por 61% das mortes por armas de fogo nos EUA. O suicídio mata mais que o homicídio. [Veja aqui as estatísticas do Brasil]. 
Em relação à guerra, um estudo de 2012 mostrou que mais militares estadunidenses morreram de suicídio do que em combate ou em acidentes de percurso naquele ano (os números para 2013 foram liberados recentemente: enquanto suicídios entre militares na ativa estão reduzidos, houve um aumento de suicídios entre reservistas). Na população geral, o suicídio recentemente superou os acidentes de carro em número de mortes. 
A Organização Mundial da Saúde estimou que a taxa global de suicídios subiu em até 60% desde 1945. Em 2010, no mundo desenvolvido, o suicídio tornou-se a principal causa de morte de pessoas entre 15 e 49 anos. A não ser pelos três piores anos da doença, o suicídio tem matado mais pessoas anualmente que a aids. Globalmente temos um milhão de suicídios por ano. 
5) O suicídio é frequentemente impulsivo, assim, se o impulso é frustrado, a pessoa vive. 
Quando as pessoas tentam o suicídio e não morrem, na maioria esmagadora das vezes elas dizem-se felizes por terem sobrevivido, de acordo com estudos e observações de suicidologistas. Um seguimento de 25 anos envolvendo pessoas que tentaram pular da ponte Golden Gate mostrou que 96% delas estavam vivas ou morreram de outras causas. Costumamos pensar o suicídio como o ponto final de uma longa batalha com a depressão agonizante, mas frequentemente ele não se deve a isso ou não apenas a isso. Humilhação recente ou perda são determinantes comuns. 
Pensamos o suicídio de militares como o fruto do transtorno do estresse pós-traumático e outros resultados diretos das guerras, mas note que o estudo dos suicídios desta população em 2012 mostrou que um terço dos mortos nunca tinha estado em combate, enquanto mais da metade tinha sofrido a perda de um relacionamento importante ou uma humilhação no ambiente de trabalho. 
Um estudo recente de suicídios de policiais mostrou que 64% dos casos foram descritos como “uma surpresa”. Há notícias de estudantes universitários populares e bem-sucedidos que exibiam poucos indícios de depressão subitamente tirando suas vidas. Se parte do problema reside no fato de, em certos grupos, em certos períodos, o suicídio parecer uma opção popular, é útil expressar isso e estar preparado para resistir. Se você não deseja um dia morrer de suicídio, diga a si próprix que você está atento a tais inclinações e que você está preparado para rejeitá-las. 
6) Barreiras físicas contra o suicídio têm-se mostrado efetivas e barreiras conceituais também podem funcionar. 
Estudos mostram que, quando se ergue uma cerca de proteção em uma ponte famosa por suicídios, as pessoas que vão até ela para pular não procuram outra ponte. Barreiras em pontes diminuem a taxa geral de suicídios, motivo pelo qual estamos finalmente instalando uma barreira na ponte Golden Gate — como especialistas de várias áreas explicaram em uníssono, barreiras contra o suicídio salvam vidas. O ato é tão impulsivo, que, na maioria das vezes, as pessoas não parecem planejar-se o suficiente para encontrar uma ponte secundária e certificar-se de que ela é escalável e alta o bastante para cumprir a tarefa. 
Nos anos 1990, o Reino Unido observou muitos suicídios causados por overdose de paracetamol, o que levou a uma mudança na legislação para obrigar a droga a ser vendida em quantidades menores. As mortes por paracetamol então diminuíram significativamente. O número de overdoses manteve-se constante, mas houve redução expressiva no número de casos fatais. As pessoas sobreviveram, porque o ato é tão impulsivo, que elas só ingerem o que têm em casa; por isso, recipientes menores salvam vidas. 
Nos EUA, mais da metade das mortes por armas de fogo são suicídios e mais da metade dos suicídios envolvem armas de fogo. Dispor dos meios imediatos é ruim. Se o seu intuito é proteger-se, certifique-se de que levaria ao menos algumas horas, algum esforço e interação humana. Eu sei de vários homens e mulheres que guardam suas armas em casas alheias por esta razão. 
O filósofo austríaco Ludwig Wittgenstein afirmou que o suicídio é sempre a precipitação das defesas do indivíduo e acrescentou que não há nada pior que precipitar as próprias defesas. Wittgenstein sentiu-se suicida intermitentemente durante toda a vida, e três de seus quatro irmãos cometeram suicídio, mas ele estabelecera para si motivos pelos quais o suicídio era errado e não se matou. De forma geral, não somos capazes de reverter efetivamente os sentimentos depressivos por conta própria, mas parece que é possível evitar o suicídio, se dissermos não a nós mesmos. 
7) Não podemos sempre confiar em nossos estados de espírito, por isso devemos treinar para subjugar impulsos suicidas. 
Ralph Waldo Emerson disse: “nossos estados de espírito não acreditam uns nos outros”. Das quase 40 000 pessoas que cometem suicídio anualmente nos EUA, certamente algumas não teriam previsto tal causa de morte para si. Algumas foram pegas em um momento ruim, com meios letais e sem ideias sólidas de resistência. Há uma parte de muitos suicidas em potencial que ferozmente não deseja morrer; a parte de nós que liga para serviços de apoio, por exemplo. Esta parte de nós precisa de encorajamento. 
Há pessoas lendo isto que não se veem em risco de suicídio, mas que irão morrer assim, a menos que tomem alguma ação mental neste momento. "Vacine-se" o máximo que puder, repensando cuidadosamente essas questões neste novo contexto. Não se deixe matar pelo clássico e cego esquecimento da desgraça. Pratique lembrar-se que a depressão produz uma ilusão de constância sempre que se instala. 
Recebi uma carta de um advogado que me contou que minha apresentação dos números envolvendo o suicídio de pais de crianças menores de dezoito anos tinha decidido a questão para ele depois de décadas de dolorosa hesitação. Foi um alívio. Ele também me deu um grande insight: ele escreve uma nota para si quando está feliz, porque, quando ele se sente mal, somente a sua própria caligrafia é capaz de mostrar que ele já sentiu felicidade na vida ou que voltará a sentir. Decida agora não permitir que seu pior estado de espírito destrua todos os outros. 
8) Se as pessoas soubessem quão comuns são os pensamentos suicidas, elas teriam menos medo dos seus próprios. 
Muitas pessoas pensam em suicídio — meu palpite esclarecido é consideravelmente mais da metade da população. Um estudo de 2006 envolvendo 26 000 estudantes universitários (na graduação e na pós) mostrou que mais da metade tinha considerado suicidar-se em algum ponto. Dezoito por cento dos estudantes em graduação tinham pensado seriamente a respeito. Empiricamente, quando converso com adultos, a maioria confessa que às vezes deseja morrer. 
Pensar em suicídio não é uma indicação de que você deve ou vai se matar. Leve a sério os pensamentos como uma indicação de que não está tudo bem, e encontre alguém com quem conversar. Contudo, os pensamentos são muito comuns para serem atemorizantes. Se todos soubéssemos quantos de nós ocasionalmente pensam a respeito, estaríamos menos propensos à intimidação pela ideação suicida. 
9) Nossa crescente taxa de suicídio é uma tendência e tendências podem ser desaceleradas ou revertidas. 
A taxa de suicídio aumenta e diminui. O mecanismo que faz sentido para mim é que as pessoas copiam o comportamento umas das outras progressivamente, até atingirem um ponto de saturação e então começarem a ver aquele comportamento como antiquado. Quando este sentimento é esquecido, o ciclo recomeça. 
Sociedades humanas interromperam tendências no passado, mesmo com drogas com alto potencial de dependência. Existem tendências sociais que foram endêmicas por séculos, como a prática de atar os pés, os duelos e o comércio de escravos no Atlântico, que foram interrompidos por uma reavaliação do que é bom e uma rejeição de algo que está causando sofrimento e destruição. Talvez possamos mudar isto também. 
Estou certa de que as condições de vida são tremendamente importantes para a configuração dos estados de espírito das pessoas, mas a cogitação do suicídio como resposta a essa dor depende de tendências, como de quantos suicídios você teve notícia, cometidos por pessoas semelhantes a você. Podemos fazer esforços para não morrer por tendência. É claro que a parte de nossos pensamentos suicidas que é fruto de trauma, negligência e desequilíbrio neuroquímico precisa ser tratada, e a parte da nossa ideação suicida que resulta da economia, política, guerras e perda do mundo natural deve ser um incentivo à ação. Mas, às vezes, o que faz a diferença é se o suicídio parece uma resposta viável ao sofrimento para uma pessoa como você, e nós podemos nos prevenir contra isso. 
10) Se conseguirmos reduzir a taxa de suicídio e mantê-la baixa, as pessoas no futuro olharão para a nossa época e verão um massacre. 
O que você pensaria se eu lhe contasse sobre uma civilização em que 40 000 homens, mulheres e crianças tiravam suas vidas a cada ano? Como isso não é um sacrifício de sangue? Notas de suicídio estão repletas de pessoas explicando que são um fardo. Como elas tiveram essa ideia? Nossa cultura disse-lhes que cabe a elas decidir se a vida vale a pena. Disseram-lhes que elas é que devem pesar suas contribuições e desfalques, sua alegria e angústia. Que coisa cruel e equivocada de se dizer às pessoas. 
Eu acredito que a comunidade e a cultura produzem o sentido das coisas e não cabe a nenhum de nós sustentar o sentido o tempo todo. Imagine que amanhã de manhã você acorde sozinho no planeta. Você faria qualquer coisa da mesma forma? Nós criamos a vida e o sentido juntos, em meio aos outros. Você consegue imaginar tentar aprender sobre suricatos capturando um único espécime e observando-o no laboratório? 
Somos o que somos juntos e devemos dizê-lo. Ou não diga nada a respeito, mas pare de dizer que o suicídio é moralmente neutro e que é uma escolha de cada um. Se esta sociedade é de alguma forma cúmplice em fazer-nos odiar a nós mesmos, eu não acho que devemos ouvi-la convidar o infeliz a morrer e sair do caminho. Para muitos de nós que pensam sobre o suicídio, parte do apelo é jogar a vida de volta na cara da vida. Acho que ficar vivo é uma forma melhor de rebelião. 
10 Mar 14:39

A 12 year-old studies the weird cost of playing as a girl

by Leigh Alexander

shu

Maybe you remember your childhood Atari or that rec room NES, but today's kids are growing up with mobile games, and sixth-grader Madeline Messer has noticed something weird. Read the rest

10 Mar 02:47

did-you-kno:All of the teachers in this study were women, but...



did-you-kno:

All of the teachers in this study were women, but the leaders of the experiment feel the bias is likely unconscious and unintentional.They also expect the results are applicable in the U.S. This study was published by the National Bureau of Economic Research.
Source

12 Mar 22:52

Death Star ice cube mold

by Jason Weisberger

For $5 you can now serve drinks over a round ball of ice, in the guise of the Empire's ultimate weapon, the Death Star, a frozen ball of water with enough cooling power to chill an entire tumbler of whiskey.

Read the rest
12 Mar 22:03

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12 Mar 18:03

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by aishiterushit




12 Mar 16:45

Game of Thrones in 30 Seconds [x]

by aishiterushit








Game of Thrones in 30 Seconds [x]

12 Mar 18:27

Gorda não é um sentimento

by Polly

Recebo muitas mensagens assim: “Polly, queria te agradecer, também sou gorda, sempre pesei 50kg e agora estou com 54kg e seus textos me ajudam muito.” Olha, fico muito feliz de ajudar quem quer seja, mas é preciso acabar com essa ideia de que ser gorda é um estado de espírito.

 Após uma petição online, o Facebook removeu Gorda da opção de sentimentos

Se você pode entrar em qualquer shopping agora e achar uma roupa que caiba em você,  se você nunca precisou se preocupar em caber ou não em uma poltrona de avião ou cadeira de boteco, se você não passa o dia ouvindo pessoas ao seu redor falando sobre o que elas precisam fazer para não ter o corpo como o seu, se quando você liga a televisão as pessoas com o mesmo corpo que você não estão sendo motivo de piada, então, sinto informar,  mas você não é gorda.

Ai, mas eu estou fora do padrão e sofro com isso. Lógico que sofre. Todas nós sofremos pois existe um controle permanente sobre os corpos das mulheres e o mundo trabalha para que a gente sempre esteja insatisfeita. O fato de você não ser gorda não significa automaticamente que você vive uma vida abençoada sem nenhuma neura com o corpo, mas é preciso entender que entre os 60kg e os 160kg há uma infinidade de experiências diferentes. Achar que a sua experiência de um dia não ter achado uma calça 42 na loja que queria é a mesma coisa que ter apenas duas lojas na cidade que trabalham com a sua numeração é, no mínimo, ingenuidade.

paris

 Né não, Paris.

E por que isso importa? Porque tentando se inserir em um grupo marginalizado ao qual não pertence, você está abrandando as experiências desse grupo e marginalizando ainda mais as pessoas nele. Porque se você é gorda, a gorda real deixa de existir até no espaço reservado para ela.

Estamos todas juntas na luta, mas é preciso saber quando a batalha não é sua e deixar o espaço livre para quem precisa dele. 

29 Jan 16:55

A Softer World: 1198


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23 Feb 19:35

A Softer World: 1206


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02 Mar 16:59

A Softer World: 1209


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03 Mar 19:21

A Softer World: 1210


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11 Mar 15:44

"He waited until the train was in motion to make his move—a true sign of someone who knows how to..."

He waited until the train was in motion to make his move—a true sign of someone who knows how to make the environment work to their advantage. Then he leaned forward. “Hi.” “How you doing?” “What are you reading?” “What’s your name?” “I really like your hair.” “That’s a really nice skirt.” “You must work out.”

It was painful to watch. She clearly wanted nothing to do with him, and he clearly wasn’t going to take the hint. Her rebukes got firmer. “I’d like to read my book.” And he pulled out the social pressure. “Hey, I’m just asking you a question. You don’t have to be so rude.” She started to look around for outs. Her head swiveled from one exit to another.

The thing was, I had already heard this story, many many times. I knew how it would play out. I knew all the tropes. I probably could have quoted the lines before they said them. I wanted a new narrative. Time to mix it up.

So I moved seats until I was sitting behind him. I leaned forward with my head on the back of his seat.

"Hi," I said with a little smile.

He looked at me like I was a little crazy—which isn’t exactly untrue—and turned back to her.

"How are you doing?" I asked.

"I’m fine," he said flatly without ever looking back.

"I really like your hair," I said. “It looks soft."

That’s about when it got…..weird.

He sort of half turned and glared back me, and I could tell I was pissing him off. His eyes told me to back the hell away, and his lips were pressed together tightly enough to drain the color from them completely.

But no good story ever ends with the conflict just defusing. He started to turn back to her.

"Wait, don’t be like that," I said. “Lemmie just ask you one question…"

"What!" he said in that you-have-clearly-gone-too-far voice that is part of the freshmen year finals at the school of machismo.

And I’m not exactly a hundred percent sure why I didn’t call it a day at that point, but…..maybe I just love turning the screw to see what happens. I gave him the bedroomy-est eyes I could muster. “What’s your name?”

Right now I’m sitting here typing out this story, and I’m still not entirely sure why I’m not nursing a fat lip or a black eye. Because that obviously made him so mad that I still am not sure why it didn’t come to blows. There are cliches about eyes flaring and rage behind someones eyes and shit like that that are so overdone. But it really does look like that. When someone gets violent, their eyes just kind of “pop” with intention—pupils dilate, eyelids widen. And his did. Even sitting down he was clearly bigger than me and I was pretty sure he was kind of muscular too, so at that moment I was figuring I was probably going to need an ice pack and sympathy sex from my girlfriend by day’s end.

"DUDE," he shouted. “I’M NOT GAY."

That’s when I dropped the bedroom eyes and switched to a normal voice. “Oh well I could see not being interested didn’t matter to you when you were hitting on her, so I just thought that’s how you rolled.”



-

Writing About Writing (And Occasionally Some Writing): Changing The Creepy Guy Narrative (via veruca-assault)

instant reblog

(via koi-ms)

Holy shit.
I cant believe I almost scrolled past this.

(via wonderboygirlsadventures)

this post is gold

(via crimsdunonchalance)

Heroes are everywhere

(via mtombstone)

09 Mar 17:00

awkwardparker:These are facts! #cosplay #superheroes #beyourself...

by wagatwe


awkwardparker:

These are facts! #cosplay #superheroes #beyourself #geekculture #nerdlife

12 Dec 19:59

Not even a real gamer

05 Mar 13:56

"On Periods: Let’s put this shit to bed right now: Women don’t lose their minds when they have..."

“On Periods: Let’s put this shit to bed right now: Women don’t lose their minds when they have period-related irritability. It doesn’t lower their ability to reason; it lowers their patience and, hence, tolerance for bullshit. If an issue comes up a lot during “that time of the month,” that doesn’t mean she only cares about it once a month; it means she’s bothered by it all the time and lacks the capacity, once a month, to shove it down and bury it beneath six gulps of willful silence.”

- Shakesville: Feminism 101 (via andotherdoublemeanings)
10 Mar 00:15

asvprock:don’t use the bathroom in your dream its a setup

asvprock:

don’t use the bathroom in your dream its a setup

09 Mar 20:00

im-simply-me:I will never not reblog this. A história que só...















im-simply-me:

I will never not reblog this. 

A história que só continua quando é apagada

05 Mar 11:15

powers

by Lunarbaboon

Support the comic by getting a book! Lunarbaboon:Volume 1 - http://lunarbaboon.bigcartel.com/product/lunarbaboon-volume-1

08 Mar 19:35

huffingtonpost: These baby bats swaddled like little burritos...

07 Mar 02:25

227

by clay

depcom.227.col.400px

25 Feb 16:20

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24 Feb 23:36

...sou medroso(a) demais.

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25 Feb 17:33

yungchub: This is more dramatic than the endof lost in...

by aishiterushit




















yungchub:

This is more dramatic than the endof lost in translation

25 Feb 14:37

hablup: This looks like a fuckin pokemon battle.

by aishiterushit


hablup:

This looks like a fuckin pokemon battle.

19 Feb 16:15

neilnevins: nathanael-platier: We freed them…but at what...

by aishiterushit










neilnevins:

nathanael-platier:

We freed them…but at what cost?

that ball wasn’t there to trap them

it was to protect us

21 Feb 03:40

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19 Feb 14:03

saldo do carnaval:- três livros terminados. - muitos hematomas. em locais de difícil acesso ainda...

saldo do carnaval:

- três livros terminados.

- muitos hematomas. em locais de difícil acesso ainda por cima. uma coisa sem explicação. parece que um trio elétrico passou por cima de mim.

- a viagem de ônibus mais perdigotada da história. sério, não sei o que as pessoas tomaram que resolveram ficar todas enfáticas e falar cuspindo.

- uma tatuagem dourada fake que grudei no braço no calor do momento e agora se recusa a sair, estou cogitando passar creolina.

- todos os meus pertences aromatizados com aquela mistura de cerveja seca e mijo que paira no ar e gruda em você.

- uma treta na qual fui envolvida porque minha vida é esse interminável episódio de gossip girl baixa renda.


lembrando que só fui de casa para o trabalho e vice-versa nesses dias, é isso que eu chamo de otimização do tempo.



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aí que semana passada eu assisti whiplash.

esse tipo de filme sempre me deixa meio fuén porque sou incapaz de botar em prática essa coisa da persistência, do triunfo da disciplina. lindo conceito, porém inaplicável na minha mente. desculpa, sociedade. desculpa, pai da juno. desculpa, cisne preto (aliás, cisne preto é outro bode eterno em minha vida). volta e meia eu me torturo um pouco pela minha incapacidade de fazer planos a longo prazo, manter raciocínios lineares e gente, ontem comi metade de um bolo sozinha antes de perceber que era de figo e supostamente não como figo.

eu costumava pensar nesse traço da minha personalidade como uma falha de caráter. provavelmente fui doutrinada a pensar dessa forma. a verdade é que nunca entendi como é que num mundo tão cheio de gentes e lugares e possibilidades alguém pode escolher fazer UMA coisa. dentre tantas. dentre todas. apenas uma, e repeti-la durante todo o tempo que lhe foi destinado. fico pensando como seria viver uma existência em que todos os meus esforços convergissem para a realização de UM objetivo. não que eu tenha muita habilidade para botar objetivos em prática, cês podem ter percebido já, que rola uma dificuldade. mas UM? um é muito pouco, eu não sei lidar não.

tudo isso pra dizer que assisto esse tipo de filme e nunca sei como me sentir a respeito. por um lado que bonito você ficar aí com as mãos sangrando pra executar essa música perfeitamente, mas por outro TOCA UM MAMBO, meu filho. dá uma baquetada nesse velho demente.



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don’t point your fucking finger at crazy people, mano.


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mas antes de whiplash assisti factotum. porque antes disso tinha lido misto quente. e vinha pensando muito sobre obsessões. as minhas, as alheias, mas acima de tudo as ERRADAS. aqueles troços que você cisma de fazer e ainda por cima escolhe o pior caminho possível, enfim.

e o bukowski tem essa coisa paradoxal que eu gosto (contra minha própria vontade muitas vezes porque vamos combinar que ele não era nenhuma flor de pessoa): ele era muito mais obcecado, obstinado, do que propriamente disciplinado. os textos dele são aquele tumulto de idéias ruins com idéias ótimas e uns momentos simplesmente sensacionais, tudo numa página só, e me deixam com a impressão de que ele não estava tentando, estava fazendo. simples assim. e isso me reconforta de uma maneira estranha - porque quando eu tento colocar coisas em prática me perco num limbo desgraçado e sem rumo de listas das listas das listas que preciso fazer, noites viradas no planejamento de coisa nenhuma - e no final de factotum está lá o matt damon/chinaski no bar num bom momento porém depois de tomar muito no cu e recitando em off roll the dice:

if you’re going to try,
go all the way.
there is no other feeling like
that.
you will be alone with the gods
and the nights will flame with
fire.

do it, do it, do it.
do it.

all the way
all the way.

you will ride life straight to
perfect laughter, its
the only good fight
there is.


que é um dos meus poemas preferidos mas também um lembrete muito necessário nesse momento de que eu posso pegar mais leve comigo mesma e sair fazendo coisas em vez de pensar em querer tentar fazê-las e enfileirar o plano a, o plano b, o plano c, porque isso até hoje serviu apenas para provar que eu sei o alfabeto. agora vamos pegar uma das letras e fazer e se o resultado for uma bosta bem grande foda-se porque na real ninguém tá se importando? vamos. 



a nível de ~discurso motivacional~ é o melhor que tá tendo, gente.

18 Feb 15:12

Jessica Huang gives her son “the talk.”

Lori

Hahahahhahaha gargalhei com essa cena. O melhor é q o pai já tinha conversado com o guri e ela pergunta "vc conversou com ele sobre date rape?" e vem essa cena. Tô achando essa série ótima.









Jessica Huang gives her son “the talk.”
18 Feb 21:10

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