HQ publicada no zine “tragical misery tour”
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Com o transcurso da Semana Internacional da Mulher, no ano do centenário da Revolução Russa de março e do golpe bolchevique de outubro, aqui vão breves lembranças da vida de duas mulheres que tiveram a vida mudada naqueles dias.
Com pernas de zagueiro e uma incrível capacidade de sedução, a bailarina Matilda Kchessinskaia tinha 20 anos quanto o futuro czar Nicolau deixou a virgindade na sua cama. O rapaz tinha 24 anos. Ela tornou-se amante de dois grão-duques, teve filho com um deles, mas nunca disse de qual.
Acumulou uma fortuna e vivia num palacete em São Petersburgo até que sua casa foi ocupada (e saqueada) pelos bolcheviques. Lênin foi para lá quando chegou à Rússia. A bailarina viu uma estrela do feminismo comunista desfilando no jardim com seu casaco de arminho.
Kchessinskaia fugiu com suas joias e acabou em Paris, onde montou uma escola de dança. Como aconteceu a quase toda a plutocracia russa, viveu no exílio vendendo joias e esperando o colapso do comunismo. Morreu em 1971, aos 99 anos, na pobreza, ajudada por uns poucos amigos, entre eles a bailarina Margot Fonteyn.
Matilda estava no lugar certo da escala social, porém ficou do lado errado da revolução. Lidia Pereprigina era uma órfã de 15 anos, de uma pobre família da Sibéria. Estava no lugar errado da escala social mas namorara Iossif, ou Koba, um bolchevique banido que passava semanas sozinho no no gelo do Ártico, acompanhado apenas pelo cão. Em 1917 Lidia estava grávida do comunista. Ele tinha 39 anos e boa pinta. Deixou o vilarejo em março e nunca mais deu notícias, nem para saber se a criança tinha nascido. Só em 1921 Lidia associou Koba ao Stálin que aparecia nos jornais, mas nunca tentou contatá-lo. Mais tarde, contou a verdade ao menino Alexander, advertindo de que ele não devia revelá-la a ninguém.
O filho de Stálin lutou na guerra, foi ferido três vezes, viu-se promovido a major e cuidou de uma cantina numa cidade de mineiros. Lidia morreu em silêncio, mas seu neto, Iuri Davidov, fez um exame de DNA com amostras de outro descendente de Stálin e encerrou décadas de rumores.
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Dreaming of golden showers.

It's coming in FIVE MINUTES

Many organizations have pursued Big Data as a panacea. For years, there has been an implicit strategy to capture as much data as possible and then figure out what to do with all of it later.
Big Data has swelled beyond the capacity of data-driven marketers to make sense of it all. IBM estimates that 90% of the world’s data today was created in the last two years. Many companies have built large “data lakes” to capture larger and larger data sets without clear use cases in mind.
Gartner officially declared Big Data mainstream by removing it from their Hype Cycle. Yet they predict that in 2017, “60% of big data projects will fail to go beyond piloting and experimentation, and will be abandoned.”
As Big Data matures beyond the hype, organizations are re-evaluating how they approach it. Jascha Kaykas-Wolff, CMO at Mozilla, describes an interesting strategic shift from “Big Data” to “Lean Data”:
“For growth-minded companies, collecting customer data for the sake of collecting data is more risk than the rewards can usually justify. Instead, we should be looking for ways to collect less data and go lean. Why? Because our collection tools create expensive overhead and risks that are impacting the trust of our customers in a negative way…
“For the most part, compiling bigger and more complex sets of customer data will not lead to the big profit and marketshare breakthroughs that Big Data promises. Instead, we marketers must learn to live and think lean. The twin false gods of Big Data and MarTech will continue to encourage thousands of marketers to gather all the data they can wielding an ever-expanding arsenal of tools to sift through it all, with little discussion about whether the mad scramble to vacuum up customer info is worth the trouble, expense, and risk…
“I challenge the assumption that more data is always better. Rather, I say you can have too much of a good thing. And I call that sort of scrape-first think-later behavior lazy marketing.”
Here are a few other cartoons I’ve drawn about Big Data over the years.
“Big Data”, January 2014
“Big Data Analytics”, April 2014
Adam Victor BrandizziTambién lo sirve si el conductor es de Recife.
RESUMO O indígena deixou seu povo ainda criança para estudar. Muito ligado à avó, que acabara de morrer, seguiu para a capital de Roraima, Boa Vista, tentar encontrar onde o corpo dela fora enterrado, o que não conseguiu até hoje, três décadas depois. Trabalhou como garçom, limpador de panelas e de casas, antes de desenvolver a primeira gramática de seu povo, Ingarikó. Atualmente é secretário estadual do Índio.
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| Dilson Ingarikó, 41, atual secretário do Índio do Estado de Roraima |
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Sou de um povo na região da tríplice fronteira do Brasil com Venezuela e Guiana. Saí de lá com nove anos, para uma comunidade do povo macuxi, 80 km longe, em busca de estudo.
A decisão foi motivada pelo sofrimento de meu pai. Ele era liderança e participava de reuniões fora da comunidade, sob a bandeira da luta pela delimitação das terras dos povos indígenas.
Chegavam relatórios, informações do que queriam fazendeiros, garimpeiros, políticos, povos indígenas, e ele ficava sem saber se poderia dizer sim ou não. Ele não tinha compreensão da escrita nem mesmo da fala. Percebi que, se houvesse alguém familiarizado com a língua portuguesa, tudo seria melhor.
Fiquei pensando no sofrimento dele e fui para a outra comunidade estudar. Achava que estudar era ficar um ano e voltar. Meu interesse era poder responder a quem pedia opinião a meu pai.
Tinha combinado com minha avó que iria estudar e voltaria após um ano, mas fiquei até a terceira série. Disse que estudaria para comprar uma rede para ela dormir, pois ela não tinha. Naquele ano, ela adoeceu e voltei para a comunidade. Ela foi removida para Boa Vista e morreu. Como queria ficar perto da minha avó, que me criou, vim para Boa Vista. Não inicialmente para estudar, mas para encontrar o local em que ela tinha sido enterrada. Vim de carona com garimpeiros num caminhão sem saber onde iria chegar.
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| Dilson mostra comparação da grafia em ingarikó e o português |
Cheguei à então delegacia da Funai e logo fui procurar como minha avó tinha sido enterrada, porque na época a responsabilidade de dar assistência básica aos indígenas era da Funai. Ninguém soube dizer e até hoje não encontrei o local. O não encontro motivou que eu permanecesse na cidade, porque assim pensava que estava perto dela. E viver na cidade é ter de estudar, diferente da comunidade, para me socializar, me formar.
Eu só tinha certidão de batizado do padre da comunidade em mãos. A Funai dizia que eu tinha de ir embora, voltar para a comunidade, mas eu queria estudar. Para a Funai, o meu sentimento não valia nada, até que resolveram fazer meu registro. Aí surgiu outro problema, que era o histórico escolar. Sem ele, como me matricular?
Nem sabia o que era isso, nunca me deram isso na aldeia. E eu falava poucas palavras em português na época. Achei o diretor da escola em que estudei e ele disse que não era praxe a escola dar o histórico, porque eu tinha de estudar e ficar na região em que estava, não deveria sair de lá para ir para a cidade. E não deu. Consegui fazer uma prova e me matricular na quarta série, isso já com 14, 15 anos.
PROFESSOR
Trabalhei como garçom, limpador de panelas e de casas, me virei e concluí o ensino fundamental. Aí, me convidaram para voltar à minha comunidade, mas agora como professor.
Depois, concluí o magistério em 1999 e quis ir para a universidade, pois ainda estava com dificuldade de entender português. Conheci a professora Maria Sousa Cruz, que queria fazer pós na Universidade Livre de Amsterdã, e ofereci o ingarikó em troca de ela me ensinar a gramática da língua portuguesa. Eu ensinava como eram faladas as palavras, pois não tinha noção da escrita da minha língua e, por meio da estrutura dela, fui conhecer o que é substantivo, oração, tempo, na língua portuguesa.
A partir disso começou a melhorar meu português. A estrutura da língua portuguesa é o oposto da minha. Ela teve projeto aprovado e me convidou para viajar, em 2000, para Amsterdã.
Ela me orientava e eu ia montando frases na língua ingarikó. Foi assim que desenvolvemos a gramática ingarikó. Fechamos consenso de voltar para capacitar outros ingarikós e formamos três, em 2005. E isso foi se multiplicando, hoje são 32 professores ingarikós capacitados para ensinar. E é importante, porque meu povo está crescendo de forma muito rápida. Em 1987, éramos 400 e, agora, já somos 1.460.
A gramática é, na verdade, uma defesa da língua, porque antropólogos diziam que o povo ingarikó fazia parte de outros, como os macuxis, mas não é verdade. Temos uma língua específica e, para provar isso, nada melhor que a gramática.
Não consegui nada sozinho, isso não existe. Foi fruto de um trabalho nosso de seis anos. E continuo estudando, fiz primeiro o curso de licenciatura intercultural indígena, na federal de Roraima, especializado em ciências da natureza. Sou professor do quadro efetivo do Estado e agora curso direito.
O direito surgiu dessa luta pelos direitos indígenas. Participei do bloqueio de uma estrada e um cidadão chegou e disse que eu atrapalhava o direito dele de ir e vir.
Fiquei pensando naquilo, peguei a Constituição e li artigo por artigo até descobrir onde estava isso. No dia seguinte, encontrei-o e disse a ele que havia dois direitos em conflito, que era o dele, de ir e vir, e o nosso, de reivindicar. Aí o direito me pegou.
Foi assim que entrei em conselhos indígenas e cheguei ao cargo de secretário, com muita luta. Até hoje não sei onde minha avó foi enterrada, mas não desisti.

Ao contrário do que tenta fazer crer, Marcelo Odebrecht nunca foi o bobo da corte, muito menos um otário qualquer.
Bem nascido, bem educado e bem relacionado, ele se deixou coroar como o Rei dos Malandros. Se tivesse vivido alguns meses na velha Lapa de Madame Satã, onde Ismael Silva jantava no Capela e o imenso Boi tomava conta da porta do cabaré Novo México, saberia que o Rei dos Malandros era um otário.
Doutor Marcelo nunca teve a competência do avô, faltou-lhe a discrição do pai e chutou o balde de velhos sócios, julgando-se senhor da Justiça baiana. Misturou caixa um com caixa dois e deu inédito formato empresarial a um departamento de propinas.
Como Rei dos Malandros, Marcelo Odebrecht nunca foi um bobo qualquer. Arruinou sua empresa, tisnou seu sobrenome, está na cadeia, mas continua acreditando que os otários são os outros.
Leia também: Transposição de águas está em curso, falta transpor a intolerância

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title:
"Truism" - originally published
2/24/2017
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