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23 Dec 16:05

Neliz Fatal

by Allan Robert P. J.

Neliz era uma espevitada de trincar os dentes. Não deixava passar uma, tinha opinião própria desde pequenina. Peitava o povo todo, se precisava. Quando o prefeito foi na casa dela pedir a Dona Jacira para coordenar a ceia de Natal, cozinheira de mão cheia e respeitadíssima que era Dona Jacira, Neliz se meteu na conversa.
▬ Cês não vão fazer o povo passar mal de novo, como no ano passado, né?

         Armaria, Dona Jacira nem tinha um buraco pra se enfiar, de tão acabrunhada que ficou. Pálida, ainda olhou pra filha, tentando dizer alguma coisa. Saiu foi nada. E olha que a Neliz era filha dela, Dona Jacira já devia era de tá acostumada. Mas quem é que se acostuma com uma tirada dessa de uma mocinha de dezessete anos? Dá não. E o prefeito? O homem ficou como se tivesse levado um chute nos... No estômago. Estômago empachado e pescoço curto. Careca lustrando de suor.
▬ Quê isso, Neliz? O povo passou mal por causa da gula, que a comida tava ótima...
▬ Na, não, seu prefeito. O povo passou mal porque com um calorão da porra se encheu de comida pesada e foi dormir.
▬ Me respeite, minina! Tá botano defeito na minha comida, é?
▬ Quê isso, mainha? Deus o livre! Os prato é que não combinava com o calor. E eu sei que a sinhora só fez o que pediram pra sinhora fazê. Então, quem pediu, pediu errado.
▬ É o cardápio de Natal, tem nada de errado não, Neliz.
▬ Tem sim, seu prefeito. Quem é que come peru, pernil, salada russa e aquele monte de nozes no Natal aqui?
▬ Ué, todo mundo! Eu sempre comi isso no Natal...
▬ O sinhô, né? Deve ser por isso que tem esse barrigão e sua feito um cavalo... Com todo respeito, seu prefeito. O povo comeu porque era de graça e porque nunca tinha visto tanta comida junta.
▬ Vocês não comem porco e peru no Natal? Que estranho...
▬ Estranho é comer isso com esse calor. Aqui a gente vai de manhã cedinho comprá peixe dos pescadô na véspera e bota pra mariná e assá na folha de bananêra de noite. Depois, é só fazê uma salada, arroz e fruta, muita fruta. Quando Jesus nasceu eles eram pobres. Tinha essa fartura não.

         Dona Jacinta tava muda e muda ficou. Só balangava a cabeça, que sabia que num carecia discutir com Neliz, não. Era cria sua, sabia como era feita. E Neliz era feita assim, falava o que pensava e capaz que pensava errado!

▬ Mas é parte da nossa tadição...
▬ Né não, seu prefeito. Isso é tradição lá das Oropa. E lá agora é inverno, faz frio e tem neve. Não esse sol escancarado cozinhando as carne da gente.
▬ Então você sugere adaptar a nossa festa para o nosso clima?
▬ Ué, e vamo ficá imitano estrangêro até quando? Todo ano a prefeitura gasta dinhêro pra comprar e trazer uma árvore gigante e enfeitá ela pra parecê neve. Uma árvore que nem existe por aqui. Que nem a neve. Que ôtro lugá tem uma praça bonita como a nossa? E tem as duas palmeira mais lindas do mundo na frente da igreja. Põe umas luz alumiando as palmeira e a igreja, umas fita, bandeirinha, luzinha e pronto. Nem tem que pagar pra levá a árvore de volta e a bichinha vai vivê feliz lá no lugá dela. E no dia vinte e cinco, faz um bolo pra gente cantá “Parabéns”, bota música pro povo dançá...
▬ Bolo? Parabéns? Que ideia maluca é essa, meu Deus?
▬ Maluco é o sinhô, que num sabe que dia vinte e cinco de dezembro é o aniversário de Jesus. ...Com todo respeito, seu prefeito.

         O prefeito prestava atenção e matutava. Matutava e fazia conta e pensava na economia e lembrava da eleição. Sabia que da boca de Neliz não saía besteira. Dona Jacira tava ali, sentada na cadeira dela seguindo as ideias da filha. Ficava besta de tanta sabedoria na cria sua.

▬ Então, vamos combinar o seguinte: Dona Jacira vai ficar livre para criar um cardápio com base nas tradições locais, com produtos da estação e peixe fresco dos pescadores. Tudo coisa daqui. A senhora me prepare uma lista do que vai precisar e para quando, que a prefeitura providencia tudo. Vamos usar a cozinha da escola, como no ano passado. E vamos contratar você também, Neliz. Você vai organizar todas essas ideias e vamos fazer um Natal como você sugeriu. Anote tudo e passe na prefeitura para conversarmos.
▬ Seu prefeito, bora colocá isso preto no branco?

         Já passaram quarenta e dois anos. Os filhos do prefeito se revezam na poltrona da prefeitura, que o velho bateu as botas com as veias entupidas. Dona Jacira ainda acompanha tudo da cadeira de balanço, que a parte dela já fez. Agora é a Laura, sobrinha da Dona Jacira, que cozinha a ceia da véspera e os quitutes do dia vinte e cinco. Aliás, Dona Laura. Criada na casa da Dona Jacira, aprendeu com a tia todos os truques da cozinha. Neliz organiza grandes eventos por toda a região e é a funcionária da prefeitura responsável pelas festas da cidade. Sim, cidade. Deixou de ser conhecida como vilarejo de pescadores para se tornar uma cidade turística, famosa pela preservação da cultura, da geografia local e pelas festas. Os moradores alugam quartos para turistas, que os dois hoteis construidos não comportam todo o movimento. Neliz criou uma cooperativa para produzir e divulgar a arte e o artesanato local, promover cursos que permitiram expandir o comércio e melhorar a qualidade de vida dos habitantes. São eles os novos pequenos empresários e funcionários dos estabelecimentos. Inclusive o mais famoso restaurante da região, que leva o nome da proprietária: Restaurante da Jacira.

         Aquele primeiro Natal – o segundo patrocinado pela prefeitura – popular, chegou a sair na televisão. A igreja e as duas palmeiras enfeitadas e iluminadas; o mastro na frente da prefeitura, onde Neliz mandou colocar uma imensa rede de pesca esticada em baixo e presa na areia que os caminhões levaram, imitando uma árvore de Natal tradicional, cheia de conchas, estrelas do mar, ouriços e luzes azuis, foi um espetáculo de se ver. Todo ano falta espaço para o povo que chega de longe, que vem participar e admirar a festa mais tradicional da região.

         E nunca mais passaram mal com a comida estangeira.

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17 Dec 08:10

Remember to upgrade your SSD firmware!

by neozeed

I kid you not. I had this older SSD that would just lock up after a few hours of usage, no matter what OS I’d be running.  Resetting the machine would just hang as the SSD would just disappear from the computer!

Even a fresh install of Windows 10 would hang after the install, and while it was initializing itself with the “It’s taking a bit longer than expected, but we’ll get there as fast as we can” message!

Its taking a bit longer because the SSD crashed!

Unacceptable!

Well it turns out that these things have their own processors, operating systems and well they are not just passive storage devices but machines in their own right.

crucial SSD firmware updater

And in my case it turns out that my SSD was running version 9.  The latest version is version 70!

Needless to say, not only does the new version have a noticeable difference in performance, but more importantly it’ll run for hours now without crashing the SSD (which is what I imagine was happening before).

I can only imagine how long it’ll be, until there are user mode programs to load into storage, and when we cross the line with internet connectivity requirements, anti-virus and firewalls needed for storage.

YUCK!

14 Dec 14:54

CASA BERNARDELLI

by Saudades do Rio
 
Como esta casa quase não tem fotos disponíveis em livros e na Internet, mostramos hoje uma pintura garimpada pelo Achilles Pagalidis, com a dedicatória “A la Sra. Dª Carmen Tadareo”, É um óleo sobre tela de José Pinelo Llull, 1910.

A casa Bernardelli, ficava na esquina da Rua Belford Roxo com a Av. Atlântica, no Lido.

A praça do Lido já foi chamada de Praça Bernardelli e Praça Vinte e Seis de Janeiro.

Conta o Decourt que a primeira urbanização da praça, realizada entre os anos de 1912/1913, constava apenas de jardins e um curioso terraço que a isolava da praia. Nos anos houve a demolição deste terraço e a praça ganhou a urbanização que chegou até o início dos anos 60.

A casa, uma das pioneiras no bairro, construída antes mesmo da Av. Atlântica ter suas obras iniciadas e da Av. N.S. de Copacabana, neste trecho, ainda ser um vasto areal, era notada de longe nas fotos até o final dos anos 20, quando com o aumento das construções na Av. Atlântica e o fim da pendenga judicial que bloqueva a ocupação de grande parte do Posto 2, começou a ser escondida e passar desapercebida.

Com a morte de Rodolpho Bernardelli em 1931 e a avançada idade de seu irmão Henrique, os boatos sobre a venda ou demolição da residência começaram, principalmente com as obras nos terrenos fronteiros para a construção de um grande cinema na Praça do Lido no final dos anos 20. Entretanto, este cinema nunca se concluiu e é praticamente desconhecido, só sendo visto em algumas fotos de Malta, que acompanhava a construção de suas fundações.

Com a morte de Henrique em 1936, era dada como certa a demolição da casa, que ficou fechada por muitos anos, gerando na comunidade de Copacabana um pouco comum, naquela época, desejo preservacionista da residência. O tema foi debatido pela Imprensa, inclusive na revista Beira-Mar. Os moradores queriam preservar a casa, não só em lembrança dos dois brilhantes artistas, como também pelo significado que a casa tinha em relação à ocupação do bairro. Muitos queriam que nela fosse instalada uma escola.

Mas os apelos foram em vão e, no final dos anos 40, a casa, em relativo mau estado, foi ao chão pelas mãos da Construtora Corcovado, a que mais destruiu o bairro no período.


12 Dec 22:27

A mãe de todas as batlhas (parte II)

by ricardo coimbra
Clique na imagem para aumentar 
(Outra tira da série)
05 Dec 23:55

Jornal Futuro do Pretérito | Epidemia de Ignorância

by Clara Gomes

05 Dec 23:54

Recados

by Clara Gomes

02 Dec 16:21

Júlia, Sabrina e Bianca — e Momentos Íntimos

by Rafael

Anteontem parei numa banquinha de livros e revistas usados no mercado, enquanto ia comprar camarão, e comprei também uma Sabrina e uma Momentos Íntimos.

Alhures nesta internet sem lei você vai encontrar resenhas e críticas bem fundamentadas e livros decentes, como os do Machado de Assis, Alex Castro e Luiz Biajoni. Aqui neste blog não há lugar para tantas sofisticações, e portanto seguem alguns comentários sobre essa categoria literária tão desprezada por aí.

Antes, no entanto, uma explicação.

Uns sete lustros atrás, quando eu ainda era criança, costumava acompanhar minha mãe ao trabalho. Nunca tinha muito o que fazer, mas uma colega dela, que trabalhava no turno anterior, era viciada nesses romances de banca: Júlia, Sabrina e Bianca. Na época eu lia compulsivamente o que quer que me caísse nas mãos, e além disso não tinha muito o que fazer. E assim, ao longo de alguns meses, li dezenas desses romances, a ponto de entender perfeitamente a estrutura comum a todos eles.

Lembre-se, era o começo dos anos 80. Aqueles livros editados então pela Abril tinham sido publicados nos EUA e na Inglaterra cinco, dez anos antes. Suas protagonistas eram sempre garotas belas, às vezes belíssimas, mas sempre despretensiosas. Sempre jovens, sempre querendo saber bem mais que seus vinte e poucos anos; trabalhavam, mas muitas vezes apenas como um esforço orgulhoso e sensato por independência, antes que a necessidade mesquinha e pouco romântica de garantir o pão com manteiga da manhã seguinte. Porque no fundo, como moças sérias e direitas que eram, o que elas queriam era casar. Como um plus a mais adicional, essas heroínas eram virgens, e embora já demonstrassem sentir alguma vergonha por serem moças à moda antiga (obviamente isso as qualificava mais diante de suas leitoras), estavam decididas a se guardar para quando o amor verdadeiro chegasse.

Para essas moças que toda leitora queria ser, o de cujus chegava na forma de um homem alto, másculo, forte, seguro de si, dominador, arrogante, com um je ne sais quoi de mistério e, quase por desígnio divino, rico. Tinha sempre um “olhar magnético” — até hoje, quando lembro desses livros, é essa expressão presente em nove de cada dez deles que me vem à cabeça: um “olhar magnético”, geralmente vindo de olhos cinzentos.

Ela se apaixonava perdidamente, loucamente, descontroladamente, e a paixão era obviamente recíproca. Eles começavam a namorar, mas em algum momento um mal-entendido os separava, normalmente resultado da grande paixão e da grande insegurança de ambos. Era a suprema vitória dessas moças: conquistar o sujeito confiante, fazê-lo inseguro diante delas. Claro que, no final, o mal-entendido se resolvia. E a moça a essa altura já não mais virgem, e o homem poderoso mas subjugado pelo amor, seriam felizes para sempre.

Aí pela metade dos anos 80 apareceu um novo título. Se chamava Momentos Íntimos e trazia uma diferença fundamental, ainda com com um atraso de dez ou vinte anos em relação à vida real: agora as moças abriam as pernas. Momentos Íntimos tinha esse nome porque aqui o véu sagrado do pudor não mais caía depois do beijo mais ardente; em vez disso, éramos brindados com descrições lúbricas da maneira como ele, amante insaciável e talentoso, a fazia descobrir um novo significado para a vida. É bom lembrar que até o meio do livro as moças, assim como suas colegas belas, recatadas e do lar em Júlia, Sabrina e Bianca, eram virgens. Mas agora himens rompiam a três por quatro, como barragens em Mariana.

Era isso que eu queria rever quando decidi comprar os livros.

Escolhi com algum cuidado. Os que eu queria precisavam ter sido publicados na primeira metade dos anos 80, no caso de Júlia, Sabrina e Bianca, e na segunda metade no caso de Momentos Íntimos. Escolhi a Sabrina pela logomarca, minha velha conhecida, e a Momentos Íntimos pelo preço original, marcado em Cz$.

A Sabrina trazia “Terra de Paixões”, de Janet Dailey, publicado originalmente em 1975 e, aqui, em 1983. Antes de me aventurar no livro tive um lembrete agradável de que às vezes o melhor de comprar livros usados são os brindes involuntários que você recebe. Nesse caso, ganhei dois vales-transporte de uns 30 anos atrás e uma xerox da carteira de identidade de dona Maria Luiza Teixeira dos Santos. As sucessivas donas desse livro também deixaram suas marcas.  Uma rubricou seu nome com a data: 16/01/84; outra, pioneira da economia colaborativa, preferiu deixar seu veredito: “Muito boa. Agradável de ler, curiosa, diferente. 18/05/12, Aju”´.

Eu não queria diferente, eu queria igual. De qualquer forma, o nome da autora não me era estranho. Fui catar e ela está na Wikipedia. Morreu dia desses, não sem antes vender a bagatela de 300 milhões de livros. Dizem que inovou o gênero ao criar o “romance de western”. E “Terra de Paixões”, aparentemente um dos seus primeiros livros e que ainda está no prelo, é exatamente isso: uma modelo linda e virgem conhece um cowboy de rodeio com metro e noventa, belo, arrogante, infelizmente sem o clássico “olhar magnético”. Se casa por impulso, porque percebeu imediatamente que esse era o homem de sua vida, e vai para a fazenda nele no Novo México. O choque cultural causa problemas, o pobre vaqueiro se sente inseguro porque acha que ela não vai se adaptar à vida no campo, e naturalmente o orgulho de ambos os afasta. Mas ai de você, pessoa pobre do século XXI já descrente da felicidade que só se pode encontrar num homem alto, másculo, forte, seguro de si, dominador, arrogante, com um je ne sais quoi de mistério e, quase por desígnio divino, rico, se aposta que eles continuaram distantes um do outro: no final vence o amor, sempre o amor.

A Momentos Íntimos traz “Insensato Amor”, de Catherine Coulter, publicado originalmente em 1985 e aqui um ano depois — pertenceu a dona Maria Juvanira Nunes, que o comprou em 24/01/1986 — não, 1987: ela tinha escrito 1986, antes de riscar e marcar o ano correto. Ainda não tinha se acostumado com o novo ano.

Dona Coulter também está na Wikipedia, mas sem o destaque de Mrs. Dailey, numa página que parece ter sido escrita por ela mesma. Aqui a digna senhora conta a história de uma modelo linda e virgem que conhece um médico de metro e noventa, de olhos verdes (diabo, aqui também falta o “magnético”), atlético, bem-sucedido, 15 anos mais velho, por quem se apaixona perdidamente. Se no livro anterior a história é contada exclusivamente do ponto de vista da mocinha, aqui Coulter, menos talentosa em seu ofício, é uma narradora onisciente, e sabemos que o pobre doutor também está loucamente apaixonado, mas inseguro por ser mais velho que ela e achando que a família dela não vai aceitá-lo; e então eles se afastam, apenas para se reconciliarem no final, que acaba lembrando o do filme Lover Come Back, sem a graça deste.

Mas isso é Momentos Íntimos, não é Júlia nem Sabrina nem Bianca; aqui a jurupoca pia e geme e grita. A primeira vez da mocinha deste livro é descrita em detalhes:

A língua ardente tocou-lhe o sexo, e foi como se seu corpo todo entrasse em comunhão. Nunca imaginara que pudesse existir um prazer tão intenso!

— Oh! Elliot… Não pare agora, por favor… — sussurrou, sentindo-se transportada para o paraíso.

Elliot afastou-se um pouco para admirá-la. Sentia-a reagir e beijou-a com sofreguidão, contornando-lhe a boca com a língua.

— Você é tão doce! — murmurou, segurando-lhe os seios.

Christine gemeu baixinho, contorcendo o corpo. Percebendo que ela estava pronta para recebê-lo, Elliot então penetrou-a lentamente, tentando não machucá-la.

Os dedos delicados cravaram-se nas costas largas. Christine sentia um misto de dor e desejo. Olhou atônita para o homem cujo sexo latejava dentro de seu corpo.

— Elliot! — chamou, num espasmo de prazer.

Sinceramente não sei o que é pior, se a penetração lenta com um sexo que latejava dentro do seu corpo ou os adjetivos ou os pontos de exclamação. Mas o fato é que milhares, muitos milhares de senhoras neste país afora compraram e leram esses romances, e eles, ainda que por uns breves instantes, tornaram suas vidas um pouco melhores, com mais fé e mais poesia.

Ler esses dois romances me fez perceber duas coisas curiosas. Uma, bem boba, é entender que pelo menos uma das minhas lembranças estava errada: eu achava que o rompimento entre protagonistas vinha antes, e não a apenas algumas páginas do final, como nesses dois romances; mas isso faz todo o sentido do mundo.

A outra é, antes de tudo, uma impressão: essas moças não faziam sexo oral. Em Momentos Íntimos a protagonista é servida magnificamente várias vezes, mas não retribui. Puxando pela memória, não lembrei de nenhum caso semelhante em alguns dos tantos livros que li. E acho que há uma razão para isso.

De uma forma estranha, esses livros eram feitos não apenas para que as mulheres sonhassem com um príncipe encantado, mas para aumentar sua autoestima. Não importa a mediocridade da escrita, as tramas sempre iguais; o fato é que elas davam voz às mulheres, ainda que dentro de um contexto histórico que dificilmente uma feminista, mesmo em sua época, iria admitir. Aqui as mulheres eram princesas modernas. E receber sexo oral pode implicar mais poder do que receber. Sem falar no que pode ser um certo pudor natural da época: tinha coisas que uma moça decente não devia falar com a boca cheia.

Agora eu fiquei curioso para saber como é que são esses romances hoje. Já não parece fazer sentido dividir as linhas em com e sem sacanagem. Mulheres virginais parecem alucinações do passado e a inocência parece pertencer a outros tempos. As moças de Júlia, Sabrina e Bianca ruborizavam; as de hoje ficam mandando nudes pelo WhatsApp? Essas dúvidas, neste instante, estão me intrigando. Acho que vou na banca e perguntar ao jornaleiro: “Por favor, o senhor tem uma daquelas Júlias, Sabrinas ou Bianca bem românticas?”

01 Dec 21:07

Você não tem ciúmes dela? Dela? Eu? Eu?...

by Miniconto

Você não tem ciúmes dela?



Dela? Eu? Eu??? Claro que não.


Mas você não tem nem um pouco de ciúmes dela?

Imagina. Ela me ama absurdamente. É a pessoa que mais me amou até hoje. Sou capaz de colocar as mãos no fogo por ela. Melhor: por ela, eu jogo até a minha alma no fogo.


Nem um pouquinho?

Nada. Ela é mulher mais confiável do mundo.


Nem quando ela recebe 100 mil curtidas naquela bundinha gostosa e redonda que todo mundo comenta?

O mundo virtual não interfere no meu ciúme real.


E quando ela passa uma semana no cruzeiro com os patrocinadores?

Não sou do tipo que fica a ver navios. Nem fantasmas. Confio no meu taco. Até porque o meu taco...


Você nunca pensou em pegar esse taco quando ela chega de madrugada toda descabelada?
Não. Ela tava trabalhando. Normal.


Normal?
É. Quer dizer... Acho que é.


Você não pensa em fazer algo a respeito?

Prefiro nem pensar.


Mas e se ela continuar a...

Ela? Quem é ela? Ela não existe mais. É só um corpo disforme agora. Desses que não geram ciúmes mais.


28 Nov 18:18

Recomeçar

by Clara Gomes

28 Nov 18:18

Porcaria de Realidade

by Clara Gomes

23 Nov 12:46

IGREJA DE SÃO DANIEL

by Saudades do Rio


 
Oscar Niemeyer fez o projeto da Igreja de São Daniel, tal como podemos ver na primeira foto. Foi inaugurada em 1960 e fica no Parque São José, em Manguinhos, com endereço de Av. dos Democráticos nº 30, com entrada pela Av. Brasil.

Conta com pinturas de Guignard para a Via Sacra, foi tombada por decreto municipal em 1998 e também é tombada pelo IPHAN.

O projeto descrevia que “Esta pequena e original Igreja foi concebida em forma circular, para umas 300 ou no máximo 400 pessoas, tendo 15m de diâmetro, sem colunas interiores, com número elevado de “brise-soleil”. É uma estrutura de cimento armado, reboco e caiação em branco. Piso de cimento aparente com estrias quadriculares em metal. Pequeno ajardinamento frontal com campanário (duas estruturas paralelas) de um lado, uma cruz do outro, e mastros laterais.

Foi inspirada no modelo canônico de uma hóstia. Como símbolo da capela, parte da paramentação interna observará este modelo - assim, por exemplo, a porta do sacrário.

Sua decoração, extremamente simples também, contará com uma obra de Guignard, a Via Sacra, e uma reprodução do Profeta Daniel, de autoria do Aleijadinho, em tamanho natural, oferecida pelos srs. Sylvio Vasconcellos e Rodrigo Octavio Mello Franco, que mandaram moldar em Belo Horizonte a estátua. Heitor Coutinho desenhou os bancos e o altar, e Paulo Athaíde projetou os jardins externos.

Toda a circunferência interior do templo será em vidro colorido belga (verde, azul e amarelo). Entre cada vidro haverá uma coluna de vinhático na qual será pregada a base do suporte de cada um dos quadros da Via Sacra.”

A inauguração da Igreja, uma obra de D. Elba Sette Câmara com doações particulares, estava prevista para 23/11/1960, há exatos 58 anos, mas, por conta de atraso nas obras, ficou para 01/12/1960, com a presença do Cardeal D. Jayme de Barros Câmara.

Durante o Governo Carlos Lacerda a igreja chegou a ser ameaçada de demolição por estar no caminho de obras de saneamento e urbanização da SURSAN naquela área, mas tal não se concretizou. Entretanto, não cuidada pelos órgãos competentes, a igreja se deteriorou e, no final dos anos 60, D. Elba Sette Câmara retirou a Via Sacra “antes que fosse destruída pelos cupins ou desaparecessem”.

Já nos anos 70 continuou o jogo de empurra entre as autoridades da Igreja Católica e a Divisão do Patrimônio Histórico e Artístico da Guanabara e a igreja foi, cada vez mais, se deteriorando. Nos anos 80, populares fizeram obras de restauração na igreja.

Não consegui informações sobre o estado atual da igreja, hoje cercada por favelas da região. Nem sobre o destino das pinturas de Guignard.

23 Nov 12:45

IGREJA SÃO JOSÉ DA LAGOA

by Saudades do Rio



 
Foto 1: Neste "slide", atacado por fungos e tirado por mim da década de 60, vemos a Igreja de São José do Jardim Botânico, que fica na Avenida Borges de Medeiros nº 2735, na Lagoa. É conhecida também como "Igreja de vidro da Lagoa" ou “Aquário da Lagoa. Ao fundo vemos o Hospital da Lagoa.

Inicialmente era uma capelinha anexa à Fábrica de Tecidos Corcovado, frequentada principalmente pelos operários desta e de outras fábricas das redondezas. Brasil Gerson também fala que "a Capela de São José, inaugurada em 1898, ficava defronte à fábrica, e não só os seus operários a frequentavam, como os da fábrica de chapéus Braga Costa.”

Foto 2: enviada por Paulo Soares, também um típico “slide” dos anos 60, veio com o seguinte texto: “A igrejinha da Lagoa em 1967. Na foto, meu saudoso paizão, meu irmão e um primo. Assistir missa aos domingos era um sacrifício demasiado para quem queria praia, chope e ver a banda passar...".

Foto 3: garimpada pelo Nickolas, vemos a igreja de outro ângulo. Notar que a pista da Borges de Medeiros estava com paralelepípedos aparecendo.

Foto 4: do acervo do Correio da Manhã, mostra a igreja ainda em obras.

Em princípio dos anos 60 a capela na Rua Jardim Botânico foi demolida. A construção do novo templo começou em 1961 e foi inaugurado em 1964. O arquiteto responsável foi Edgar de Oliveira da Fonseca, professor da PUC, que projetou um templo moderno, sendo o primeiro no mundo a possuir todas as fachadas executadas com vidro "ray-ban".

Durante algum tempo circulou uma lenda de que os que ali se casavam logo de separavam.

Por dentro a igreja é muito sóbria, não ostentando obras de arte. Grades colocadas no final dos anos 60 deram um mau aspecto ao local.


22 Nov 01:09

Estação de São Bento – Porto

by Na Boa Vida...

Durante o passeio pelo Centro histórico da Cidade do Porto pela manhã, passei pela Estação de São Bento, que atende a linha ferroviária do Minho, mas não dei importância.

Ao voltar para o hotel no fim do dia e já de noite… vi a estação literalmente com outros olhos e resolvi entrar.

A estação, construída entre 1913 e 1916, é erradamente referenciada como podendo ter sido desenhada por Gustavo Eiffel, já que é dos arquitectos portugueses Alfredo Augusto Lisboa de Lima, Mário Veiga e Ferreira da Costa

A beleza não era só exterior, como eu já havia comprovado, é lindaaaaaa por dentro… paredes de azulejos fantásticas!!!! Cito abaixo um trecho da história dos azulejos dessa estação.

‘O átrio principal da estação está revestido de azulejos de temática histórica.[2][6] Cobrindo uma superfície de cerca de 551 metros quadrados, representam, principalmente, cenas passadas no Norte do país, estando retratados, entre outros aspectos, o Torneio de Arcos de Valdevez(painel Batalha de Arcos de Valdevez), a apresentação de Egas Moniz com os filhos ao Rei Afonso VII de Leão e Castela, no Século XII, a entrada de D. João I e de D. Filipa de Lencastre no Porto (painel Entrada de João I no Porto), em 1387, a Conquista de Ceuta, em 1415, e a vida tradicional campestre (painéis Vistas e Cenas Rurais); um friso colorido (História dos Transportes) dedica-se à evolução dos transportes em Portugal, concluindo com a inauguração dos caminhos de ferro.[4][10] Foram produzidos na Fábrica de Sacavém[10] e instalados entre 1905 e 1906 pelo artista Jorge Colaço, que, nessa altura, se afirmava como o mais popular azulejador em Portugal.[2] Os azulejos apresentam um estilo típico da Arte Nova, utilizando cores muito claras, conhecidas como cores-pastel’

Aproveito para deixar algumas Fotos para que possam admirar também a beleza desse monumento histórico da Cidade do Porto.

Espero que gostem do post…se gostarem deixem seus Likes e seus comentários! Se precisar de dicas, estejam à vontade, no que puder ajudar, estou a disposição!!

Bjs e até o próximo post Na Boa Vida….

19 Nov 08:56

Nikola Tesla não foi tudo isso que dizem por aí...

by Rodrigo Feliciano
Bom, terminei faz pouco tempo de ler a autobiografia do Nikola Tesla. Ela está disponível na versão original em Inglês para quem quiser ler, grátis. São as palavras do próprio Tesla, contando um pouco de sua história (e talvez aumentando um pouco). Quem quiser ler em papel e em Português, a Unesp lançou uma tradução. Não li esta tradução então não posso falar se está boa ou não.
Capa do livro Minhas invenções de Nikola Tesla

Nos últimos anos surgiu uma grande idolatria a figura de Nikola Tesla na Internet. O problema desta idolatria é que o pessoal acabou aumentando "um pouco" sobre o que ele realmente foi. São textos, vídeos e até podcasts famosos propagando estas histórias. Aqui apresento algumas das afirmações do povo que não param em pé com uma pesquisada bem de leve. 


1. Nikola Tesla não inventou a corrente alternada.

Esta é a mais comum afirmação que você vai encontrar por aí. Até na Wikipedia em Português tem algo parecido, vejam:

Bom, vamos ao que todo estudante de engenharia elétrica já deveria saber: Michael Faraday, lá em 1830 (antes do Tesla nascer) já havia descrito a corrente alternada em seus experimentos sobre eletricidade. Leiam (se conseguirem, é chato pra arrebentar) os "Experimental Researches in Electricity" do Faraday que está tudo lá. Ali está o método cientifico sendo aplicado de forma certa e por alguém que queria respostas de verdade. 

Então, Tesla estudou sobre corrente alternada na escola de engenharia elétrica, não tinha como inventar. Na verdade acho que o correto seria dizer que a corrente alternada foi descoberta e não inventada (antes do Tesla e não por ele).

Sobre a comida de bola da Wikipedia nacional, a transmissão de energia em corrente alternada já estava em uso na Europa no inicio dos anos 1880, quando Tesla ainda estava lá. Nos EUA William Stanley Jr (financiado por Westinghouse) demonstrou a transmissão em AC em 1886. Tesla só foi trabalhar com Westinghouse em 1888. E foi para desenvolver o seu motor AC. A invenção mais importante para o sucesso da corrente alternada foi o transformador, que foi inventado por outras pessoas e não o seu motor AC.

Tesla não trabalhou com Thomas Edison

Mas Rodrigo essa é verdade! Não meu caro, não é. A frase está errada, o correto seria: "Tesla trabalhou numa das empresas em que Thomas Edison era sócio majoritário". Sim, ele trabalhou numa das empresas do Edison na França e de lá foi para Nova York para trabalhar na "Edison Machine Works", empresa que fabricava dínamos (geradores DC). Edison era dono da empresa e não ficava todo o tempo por lá. Lembre-se que Edison tinha o apelido de "Wizard of Menlo Park" em referência ao (famoso) laboratório onde ele trabalhava, que ficava em outro local.

Outro ponto, se fosse verdade que ele trabalhou COM o Edison ele contaria algo mais legal do que o que está no "My Inventions". O único encontro com o Edison enquanto trabalhava na Machine Works que ele narra é o episódio do conserto dos dínamos de um barco. Tesla virou a noite no barco no porto, consertando a parte elétrica. Depois foi direto pra empresa, de manhã, para trabalhar mais. Chegando lá ele encontra o gerente da fábrica e o Edison. O gerente ri e comenta sobre Tesla estar chegando atrasado. Tesla então conta sobre como virou a noite no barco, trabalhando. Os dois se afastam e Tesla ouve o Edison comentar que ele é um bom trabalhador. E é só isso. Se ele tivesse trabalhado pessoalmente com o Edison certamente teria uma história melhor pra contar.

Edison não roubou as idéias de Tesla

Eu não sei de onde tiraram essa, mas é só colocar uma foto do Thomas Edison em qualquer canto da Internet que vai aparecer um mané falando "o Edison roubou as idéias do Tesla" (com variações de que ele roubou as patentes também). Quais ideias e patentes ele teria roubado ninguém sabe...

Mas em que época Edison e Tesla estiveram próximos para que o malvadão (Edison) pudesse roubar as ideias do exemplo de virtude (Tesla)? 

Tesla chegou da Europa e foi trabalhar na Edison Machine Works em Junho de 1884 e pediu demissão entre Dezembro e Janeiro de 1884. Logo, e quase ninguém fala disso, ele trabalhou durante seis meses na empresa do Edison. SEIS MESES! Lamento, mas acho difícil nesse curto espaço de tempo alguém ter tantas ideias dignas de serem roubadas. Mesmo trabalhando como o Tesla trabalhava (Em sua autobiografia ele diz que se matava de trabalhar).

Mas para a Internet, de alguma forma, o Edison largava as coisas que estava fazendo lá no laboratório dele pra ir lá roubar as idéias de um dos engenheiros juniores. Sim, o cara (Tesla) era contratado da empresa que pertencia ao Edison, trabalhando como engenheiro, sendo pago para fazer o trabalho de engenheiro (desenvolver produtos), usando os recursos e materiais da empresa. Qualquer um que trabalha como engenheiro numa empresa privada sabe que tudo o que você desenvolve na empresa pertence a empresa.

Já tá bom? Só mais um adendo, em Agosto de 1884 a primeira esposa do Edison morreu. Pois é, o cara tava lá viúvo, com três filhos pra criar e umas empresas pra cuidar, mas o povo da Internet acredita que ele tava era roubando as idéias de um engenheiro junior, que era pago pra ter ideias.

Não faz o menor sentido...

Mas e a história dos 50.000 dólares que Edison ofereceu ao Tesla?

A história mais famosa da relação Edison x Tesla: Edison teria oferecido um bônus de 50.000 Dólares ao Tesla para que esse melhorasse as máquinas da empresa. Mas não é o que o próprio Tesla diz em sua biografia. Logo após comentar sobre o encontro com o Edison (quando consertou as máquinas no barco) ele diz que saiu da Edison Machine Works porque O GERENTE havia prometido o tal bônus. Quem é esse gerente? Na folha de pagamento da empresa aparece que o tal gerente (e tesoureiro) era Charles Batchelor e não Edison. E foi uma piada, que o Tesla não entendeu muito bem, mas que não foi essa coisa toda que dizem por aí. Tanto que em outra passagem de sua biografia Tesla conta sobre outra brincadeira do Batchelor num bar (com a presença do Edison), quando ele já havia saído da empresa.

A chamada "Guerra das Correntes" não foi bem um Tesla x Thomas Edison

O que mais se vê por aí são imagens como esta:
Tesla vs Edson

Mas a "Guerra das Correntes" foi uma briga de empresas, de uma lado as empresas que levavam o nome de Edison e do outro as empresas do Westinghouse. Relembrando que Tesla vendeu os direitos da patente de seu motor AC para o Westinghouse em Julho de 1888, o panfleto "A Warning from the Edison Electric Light Co." é de Fevereiro deste ano (publicado por Edward Johnson, presidente da empresa). A "guerra" já estava rolando há um ano e Tesla não foi um dos personagens principais. Segundo ele próprio seu trabalho consistia em adaptar o seu motor para a frequência de 133 Hz do sistema de Westinghouse (pra no final adotar os 60 Hz). Ele retornou para Nova York em 1889 para começar os experimentos do que viria a se tornar a bobina de Tesla.

Quanto a Edison, em 1889 ele perdeu o controle majoritário com a formação da Edison General Electric. A janela de tempo para os dois brigarem na tal guerrinha seria de um ano só. Mas um deles estava lá mexendo no projeto do seu motor e o outro tentando manter o controle de suas empresa. No caso do Edison (pessoa física) ele até "lutou" um pouquinho, mas contra Westinghouse. Isso daria um post separado, pois tem muita coisa que dizem por aí sobre o Edison que também não fazem sentido.

Tesla não inventou o século XX

Por mais que digam e forcem a amizade, Tesla não foi tudo isso que dizem por aí. O mesmo ocorre com todos os outros inventores. A invenção é um fenômeno social (o paper linkado é lindo, leiam) e acontece quando os meios para ela aparecer se tornam disponíveis. O motor de Tesla era uma necessidade e seria inventado de uma forma ou de outra com ou sem Tesla. Na verdade ele foi inventado quase ao mesmo tempo na Itália pelo professor Galileo Ferraris. A discussão se Ferraris ou Tesla inventou primeiro teve até disputa em tribunais.

Mas fora o motor, qual outra grande invenção de Tesla que mudou o mundo? Ah, ele inventou o rádio, dirão alguns. Bom, experimente ir a um encontro da LABRE ou outro encontro de radioamadores brasileiros dizer isso em voz alta se não vai tomar um Padre Landell de Moura na cara. E o Marconi? Tesla alfineta ele, sem citar o nome, em sua autobiografia. A invenção do rádio aconteceria com ou sem Tesla. Os meios para que ele aparecesse estavam todos disponíveis e alguém o "inventaria" (e inventaram, embora só tenha citado três, outras pessoas podem ser creditadas pela invenção). E, convenhamos, a demonstração do Marconi foi espetacular (intercontinental).

Ah, mas tem a transmissão de energia elétrica sem fio! Não tem não, Tesla estava errado! E isso causou grande problemas financeiros para ele. Pode acontecer com qualquer um, perseguir uma ideia que não vai dar certo. Ele acreditou na possibilidade de transmitir energia elétrica sem fio e até conseguiu alguns resultados. Mas como sabemos transmissão de energia sem fio tem pouca eficiência e não é economicamente viável. Tesla não tinha os meios para saber disso e enfiou muito dinheiro seu e de outros numa ideia que não iria pra frente. Toda a teoria da propagação e atenuação das ondas eletromagnéticas no espaço livre ainda não existia (a equação de Friis é de 1946).

Já as outras "invenções" (raio da morte, máquina de terremotos, etc) não passam de boatos ou coisas que o Tesla só falou que faria. Ele nunca colocou em prática e nessa época ele vivia em hotéis e não tinha laboratório. Aliás, já em 1898 reclamavam que ele falava demais e entregava de menos.

E não custa perguntar: A bobina de Tesla tem alguma grande aplicação além de testes em alta tensão e tocar música?

Tesla foi muito reconhecido

É comum ouvir que Tesla foi um gênio esquecido e não teve o reconhecimento merecido. Bom, ele era bem conhecido em sua época. Enquanto vivo ganhou a medalha do IEEE em 1916, maior prêmio da engenharia elétrica. Nem o Edison ganhou uma dessas (eu sei).

Ele foi capa da Time no seu aniversário de 75 anos e todo ano tinha a sua festa de aniversário onde ele falava sobre o que iria fazer (e nunca faria) a jornalistas.

E para coroar toda essa "falta de reconhecimento" a unidade do SI para densidade de fluxo magnético leva o seu nome. O que, na minha opinião, não foi merecido,  já que ele era mais marketing do que resultados. Não existe uma "lei de Tesla" ou uma "equação de Tesla", algo que os outros nomes de unidade possuem (tirando o Watt).

Sobre o prêmio Nobel para o Edison e para Tesla, não passou de boato publicado no New York Times em 1915.

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PS - Texto guardado como rascunho desde o inicio de 2018. Revisado várias vezes e ainda não ficou como eu queria. Muita coisa ficou de fora, mas aquela marca de "rascunho" estava me incomodando...
16 Nov 17:15

Jack The King Charles Cavalier Spaniel

by Dogs

jack-the-king-charles-cavalier-spaniel-dog
Jack, the 3 month old male King Charles Cavalier Spaniel dog from Canberra, Australia. Photo submitted by Richard.

11 Nov 14:49

Desmistificando 20 mitos médicos e científicos

by noreply@blogger.com (Ronald Sanson Stresser Junior)



*por David Robert Grimes

Assumindo que você não é um eremita sociopata com a capacidade social de um hamster lobotomizado, há uma boa chance de você ter tido alguma forma de envolvimento social em sua vida. 

Uma coisa ótima coisa sobre um bom encontro é uma boa conversa – às vezes, porém, você ouve algo que aciona um alarme distante. Isso é verdade? Eu preciso chegar isso. 

Claro que metade das vezes nós esquecemos e então talvez escutemos aquilo novamente, e de novo. Depois de um tempo nós assumimos tacitamente que aquilo é verdadeiro e o repetimos. Mas e se estiver errado, nós apenas perpetuamos as falsidades? 

O que se segue é uma lista sem nenhuma ordem particular de coisas que eu escutei em festas ou em algum estágio, de alguma forma, assumi implicitamente que tinha algum mérito. Cada uma delas é um suculento petisco de ciência, tecnologia ou medicina que se repete tanto que se integrou à nossa consciência coletiva. 

Eles tem uma coisa em comum – são todos, sem exceção, falsidades. Aqui está uma lista de 20 reivindicações que eu ouvi pelo menos uma vez no ano. Assim, em nenhuma ordem particular e sem rima ou razão real….

1. Você nunca deve acordar um sonâmbulo

Claro, acordar um sonâmbulo pode resultar em ele ficar desorientado e confuso. Mas acordar qualquer pessoa pode gerar um pouco de confusão tanto se estiver dormindo indolentemente em um final de semana ou andando por aí em um coma ambulante. 

Sonambulismo é uma desordem do sono REM e como uma parassonia é extremamente interessante. Há casos de sonâmbulos escrevendo e-mails semi-coerentes, tendo sexo com estranhos e até matando pessoas (não tudo ao mesmo tempo… ainda). 

Então, se pesarmos, a desorientação que ele talvez sinta é um pouco menos perigosa que outras façanhas sonolentas que eles possam cometer. Mesmo que observá-los possa ser muito mais hilariante como um esporte de espectador, acordá-los gentilmente é provavelmente mais humano.

2. Você só usa 10% do seu cérebro

Agora mesmo, em algum lugar, há um neurologista escutando isso e chorando. Este pequeno fragmento de conhecimento é repetido tão frequentemente que é quase aceito como um fato, mas faz um desserviço massivo ao nosso cérebro acusá-lo de ser tão preguiçoso. 

Nós usamos praticamente todo o nosso cérebro, mas geralmente não ao mesmo tempo. Isso pode ser observado em uma tomografia computadorizada ou uma ressonância magnética. Então por que esse mito é tolerado por tanto tempo? 

Uma das grandes razões é que é constantemente repetida por médiuns e aqueles com interesse manifesto em obscurecer o pensamento racional. “Os 90% de lixo escondido” servem como um conveniente Deus ex machina para aqueles que tentam vender tolices e eles conseguiram admiravelmente. Apesar disso, não se pode condenar quem suspeita que as pessoas que dão seu dinheiro suado a "médiuns" devem usar menos do que a totalidade da sua capacidade mental.

3. A água desce pelo ralo girando em sentidos diferentes em cada hemisfério

A alegação aqui é de que, devido ao efeito Coriolis, a água desce por ralos em direções diferentes de rotação dependendo do hemisfério da Terra em que a medida é feita. Esse é quase plausível: o efeito Coriolis descreve um desvio aparente de um objeto em rotação mas na realidade esse efeito é minúsculo, a não ser em enormes massas de água. 

A forma da cuba é essencialmente o que decide a direção em que a água vai escorrer. Você pode testar isso em hotéis muito sofisticados  usando a descarga repetidamente e observando os resultados. Eu tentei isso com um amigo. O resultado mais comum é pedirem para eu deixar o hotel no dia seguinte.

4. Açúcar deixa as crianças hiperativas

Esse é um exemplo clássico de estar errado. Em todos os testes duplo cego, o açúcar não teve qualquer efeito sobre a hiperatividade das crianças. 

Curiosamente, estudos demonstraram que pais e professores classificaram crianças as quais eles deram açúcar como mais ativas, apesar do fato de que as crianças de controle não terem recebido nenhum açúcar – uma linda demonstração tanto do efeito observado quanto do testemunho de porque os testes de duplo cego superam a observação anedótica: as pessoas tendem a ver apenas as evidências que confirmam suas hipóteses, o que é um manual de má ciência. 

Um bom cientista, pelo contrário, procura por dados que invalidem suas hipóteses. Um pai cansado, parece, procura por um bode expiatório conveniente ao invés de acolher a possibilidade de terem parido um diabinho.

5. Moedas de um centavo caindo de aranha-céus podem matar ou quebrar a calçada

À primeira vista, isso parece ser verdade. A aceleração da gravidade por uma longa distância pode produzir velocidades bastante assustadores no impacto. A energia cinética no impacto é metade da velocidade elevado à massa. A massa pode ser pequena, mas as velocidades são enormes, então o produto final é número assustadoramente grande, certo? 

Bom, não exatamente – isso pode acontecer no vácuo, mas os objetos caindo estão caindo através de um fluído (ar) e é limitado pela velocidade terminal, o que acontece quando a força da gravidade é exercida sobre o objeto é igualada pelo arrasto de ar que o objeto cria, o que significa que um centavo, por exemplo não pode atingir o chão mais rápido que 55-60 mph, que não é o suficiente para fazer estrago. O veredito? Um método de assassinato muito barato, mas absolutamente ineficaz.


6. Nadar depois de comer provocar cólicas e afogamento

Não, não é verdade. Em qualquer caso, mesmo com câimbra, um nadador não se afogaria. Por outro lado, os estudos demonstram um aumento de mortalidade na água quando grandes quantidades de álcool são ingeridas. Isso é o que você esperaria realmente, já que bêbados não fazem os movimentos mais graciosos na maioria das vezes.

7. As Torres Gêmeas caíram em uma explosão controlada

Não é exatamente uma conversa de festas de escola enquanto alguém não vomitar essa, mas provar que as torres do WTC não caíram em uma explosão controlada é bem simples. Para começar, demolições controladas começam em baixo, não em cima, de uma grande estrutura. Do contrário faria pouca economia ao espalhar detritos em todos os lugares. 

Além disso, vários grupos, desde organizações de engenharia estrutural até mecânicos populares, obtiveram, após rigorosa investigação, as mesmas conclusões de engenharia : as torres do WTC caíram por causa de um incêndio que induziu um colapso dirigido pela gravidade. 

Mas os teóricos da conspiração gritam, se explosivos controlados não derrubaram o WTC, o que poderia ter acontecido?! Oh, eu não sei… talvez alguém tenha voado com a porra de um avião dentro dele? Especule o quanto quiser sobre os motivos dos que voaram com os aviões, mas a engenharia é bastante sólida.

8. HIV não causa AIDS

Esta pequena joia é muitas vezes repetida por negacionistas da AIDS, alegando (geralmente) que o HIV é um vírus passageiro inofensivo e que a AIDS é causada pelo uso de drogas e, especificamente, o uso de drogas anti-retrovirais – o tipo de medicamento usado para tratar a AIDS. Essa visão já foi muito bem e verdadeiramente desacreditada, mas em certos lugares ela ainda tem impacto. 

Na África do Sul essa afirmação incorreta foi a responsável pela morte de mais de 330 mil pessoas quando o governo de Thabo Mbeki convidou vários negacionistas do HIV/AIDS para se juntarem ao Painel Consultivo Presidencial sobre AIDS, afirmando que o AZT causava AIDS. 

Médicos e cientistas responderam com a Declaração de Durban, que estabeleceu categoricamente que o HIV leva à AIDS. Finalmente, anos depois, essa parece estar morrendo, mas curiosamente…

9. AIDS foi criada pelo homem para ser uma arma biológica

Senhoras e senhores, apresentando a arma biológica mais sem sentido de todos os tempos. Leva muito tempo para matar, pode ou não matar ou ser desabilitado, é relativamente difícil de transmitir e impossível de controlas. Se a AIDS foi feita pelo homem,  essa seria uma tentativa de usar seus testículos como munição em um estilingue com a arma mais estúpida de todos os tempos. 

Há uma grande fartura de informações científicas sobre o nascimento do HIV/AIDS e ela está na população humana dede o começo da década de 1930, então a teoria iatrogênica estar correta está fora de questão. Nota para potenciais desenvolvedores de armas biológicas – Ebola é uma forma mais eficaz. Só dizendo.

10. Uma moeda na linha do trem vai descarrilhar o trem

Não é uma esperança. Objetos maiores pode causar sérios problemas. Um trem de passageiros da costa sul em Indiana pulou dos trilhos em 1999 depois que três jovens deixaram tijolos na linha. Felizmente, ninguém se feriu. Mas pequenas moedas não conseguem descarrilhar um trem, ainda que muita gente tenha morrido tentando fazer isso por calcular errado quando o trem realmente passaria. 

Moral da história: se você pretende amassar centavos usando um trem de carga, invista em um calendário. Embora isso possa ter um uso limitado na Irlanda. Outra palavra de aviso: trens em alta velocidade podem atirar as moedas para fora do trilho como projéteis de alta velocidade. Então investir em uma roupa blindada pode ser uma boa medida. Se isso pode não salvar sua vida, mas vai parecer maravilhoso.

11. Leva 7 anos pra digerir uma goma de mascar

Pobres gomas de mascar, tem má reputação em praticamente todo lugar. Mesmo as gomas de mascar sendo indigestas, elas passam pelo sistemas digestivo na mesma velocidade que todas as outras coisas e são expelidas da mesma forma. Se o resíduo expelido tem um resultado mais consistente é uma área de pesquisa que atualmente é deficiente. Obrigado.

12. Se eu manipular um bebê pássaro, sua mãe vai rejeitá-lo

Não é verdade. De fato, a maioria dos pássaros tem um péssimo olfato e não se importam, de qualquer forma. Quando se trata de vida selvagem, geralmente se aconselha retornar o passarinho aos pais ou ninho o mais rápido possível ou deixá-lo em um lugar que possa ser facilmente encontrado pelos pais. Isso é útil para determinar se o pássaro é filhote ou inexperiente – se for o primeiro caso, retornar ao ninho é vital. Se for o último, será bom deixá-lo. E se for uma gaivota, dar-lhe um tapinha é uma boa medida.

13. Homeopatia é um tratamento médico genuíno

A homeopatia falhou em todos os testes importantes a que foi submetida. Primeiramente, o mecanismo de ação é risível – dizer que concentrações altamente diluídas de um agente podem ser curativos não tem nenhum mérito quando as diluições são tão maciças que nenhuma substância original resta. Homeopatas argumentam - e é muito engraçado vê-los fazendo isso - que a água tem memória, argumento que eles não apresentam nenhuma evidência e que violaria a física conhecida de qualquer forma. 

Finalmente, há o pequeno fato de que em cada grande estudo, a homeopatia falhou por não fazer melhor do que o placebo. Miseravelmente. Crentes persistentes vão citar estudos individuais que poderiam mostrar algum fraco efeito para uma doença menor mas invariavelmente esses relatórios tem poucos participantes e alta desistência com relatórios subjetivos, o que dana as estatísticas – uma técnica chamada de “apanhar cerejas” nos dados. 

A ferramenta mais poderosa para meta-análise (que basicamente coloca todos os estudos e os pondera) conclusivamente demonstrou que a homeopatia não funciona. Isso não faz os homeopatas pararem de defendê-la e jogar a ciência no lixo, mas por que eles iriam querer fazê-lo se eles estão tentando proteger um estilo de vida que os permite vender frascos de água ou pílulas de açúcar a preços exorbitantes para compradores crédulos?

14. O uso de drogas de estupro é comum e está aumentando

Aparentemente não, a não ser que você conte o álcool como droga, o que tecnicamente ele é. Isso foi abordado no meu blog com alguma profundidade aqui (em inglês).


15. Você pode ver a Grande Muralha da China do espaço

Essa poderia potencialmente ser verdade se você levar alguma forma de telescópio para o espaço com você. Mas mesmo de uma órbita terrestre baixa (LEO) você precisaria de uma acuidade visual de 20/3, grosseiramente 7,7 vezes o normal. Então isso é um “não” retumbante. De órbita baixa, mesmo tão perto quanto a lua é impossível de ver. 

Na verdade, a muralha aparentaria ter a mesma largura de um cabelo humano visto de 3,2 km de distância. Alguns astronautas afirmaram ver a Grande Muralha quando na verdade eles estavam observando o Grande Canal da China, perto de Pequim. 

A gênese dessa lenda precede a exploração espacial por algum tempo, sendo registrado pela primeira vez em 1754. Estranhamente, certas câmeras em LEO podem apenas pegá-la, como as lentes das câmeras operam de uma forma muito diferente da ótica humana. 

Se você realmente precisar ver a Muralha do espaço, ao invés de entrar em órbita e montar uma câmera, nós recomendamos que você apenas use o Google Earth como todo mundo.

16. A Teoria da Evolução afirma que nós evoluímos de macacos

É verdadeiramente triste que em nossos dias e nossa era, ainda haja os que negam teorias científicas abundantemente observáveis como a Teoria da Evolução e, para piorar, tem um monte de mal-entendidos sobre a evolução.  

Grande parte desses mal-entendidos são deliberadamente fomentados por aqueles com uma agenda religiosa, pois ofende seu texto sagrado particular – me permita parar ali e rebater esse ponto pra casa – ciência, a qual se baseia em evidências observáveis e testáveis, discorda que algum texto arbitrário, auto-contraditório e não-verificável escrito a eras atrás, e de alguma forma isso significa que a ciência está errada. 

Bom, aí está um argumento forte, sem dúvida. De qualquer forma, antes de começar a digitar em uma fúria incoerente, vamos ao mito – de que a Teoria da Evolução afirma que nós evoluímos dos macacos. 

Na verdade, a Teoria da Evolução não afirma tal coisa nem nunca afirmou. Ao contrário, a evolução afirma que nós compartilhamos um ancestral comum com outros primatas que são nossos primos distantes, mas nunca que descendemos deles. Apesar que, olhando para certos proponentes do design inteligente, qualquer um seria perdoado por cometer esse erro…

17. A Vacina Tríplice causa autismo

É desse material que os pesadelos são feitos. Realmente vale a pena ler um pouco sobre como todo o desastre surgiu. É coberto muito bem no artigo da Wikipedia. Na verdade, eu mencionei isso de passagem em um artigo anterior. Mas em poucas palavras, um médico com ética zero chamado Andrew Wakefield (quem, afinal, recebeu dinheiro para fazer alegações falsas) decidiu, sem nenhuma evidência, alegar a existência de uma ligação entre a Vacina Tríplice e o autismo. 

Os meios de comunicação afinal descobriram isso e fizeram a festa, a taxa de vacinação despencou (60% em Londres de uma vez, abaixa do nível de imunidade do grupo) porque pais ansiosos não querem arriscar autismo — então seus filhos recebem sarampo, caxumba ou rubéola e morrem em vez disso. Boa jogada. Wakefield afinal teve seu registro cancelado, já que a pesquisa demonstrou ser fraudulenta, e as tachas de vacinação tem crescido de maneira constante, mas as vezes isso ainda é repetido. Isso é pura sordidez e deve sempre ser desafiado. 

Aperte educadamente, se alguém mencionar isso, corrija-o – não recue. Esse é precisamente o tipo de absurdo que resulta na morte de crianças. E falando em vacinas…

18. Vacina do HPV tem matado mulheres

Não, não tem. E nem poderia, de qualquer forma. Esse total disparate foi primeiro promovida  no grande bastião da pesquisa médica que é o show da Oprah Winfrey. Eu já dissertei sobre isso antes então vou poupar a você a repetição e a mim a hérnia. Mas eu fico com raiva – geralmente esses mitos são divertidos, inofensivos, mas esses tipos são malignos e prejudiciais a todos os envolvidos e realmente, eles devem ser contestados com mais frequência. 

Um pedaço de idiotice repetido o suficiente, eventualmente se torna aceito como fato e embora possa ser só engraçadinho em algumas coisas, é completamente perigoso em outras. Ainda assim, parafraseando um antigo ditado, você pode levar um defensor da medicina alternativa à razão mas não pode obrigá-lo a pensar.

19. Celulares podem causar câncer no cérebro

Não há qualquer evidências para isso e um monte de evidências contra. Quando você coloca o telefone na orelha, há um efeito térmico – observe que sua orelha fica quente, assim como o aparelho. Isso é inofensivo, então as investigações tendem a se concentrar em efeitos não térmicos. 

Especificamente, pode o uso de um telefone móvel/celular causar câncer e o Wi-Fi é prejudicial à saúde? 

A resposta é claramente não – as energias envolvidas (microonda/ondas de rádio) simplesmente não tem energia alta o suficiente para ionizar e, consequentemente, não causam câncer. Estudos aprofundados tem confirmado isso e fazem crer que, em níveis abaixo dos ionizantes, nós simplesmente não somos tão sensíveis às ondas eletromagnéticas – o que é uma coisa danada de boa, já que osso próprio Sol e a Terra emitem uma quantidade infernal delas.

Radiação eletromagnética visível (ou luz) tem muito mais energia do que ondas de rádio (coisa de milhões de vezes mais), para colocar as coisas em perspectiva. Então, se você se preocupa um pouco com seu Wi-Fie celular, se preocupe cerca de um bilhão de vezes mais sobre ligar as luzes da sua casa.

20. Células tronco provém de bebês não nascidos

Cruzes! Essa sempre gera controvérsia e antipatia pró-vida/pró-escolha. Não precisa. Há, em essência, dois tipos de células-tronco: embriônicas e adultas. Células-tronco embriônicas podem se transformar em todas as formas de células humanas enquanto células-tronco adultas agem mais como mecanismos de reparo, reabastecendo células especializadas existentes. 

Como você pode imaginar, o potencial dessas células para tratar doenças é praticamente ilimitado mas essa é a controvérsia, devida em grande parte à confusão entre as células-tronco adultas e embrionárias e como essas células são coletadas. 

Células-tronco adultas são pesquisadas mais amplamente e vem, como você deve adivinhar, de adultos. Em uma nota lateral, a maioria das células-tronco embrionárias são obtidas do excesso de embriões criados para tratamentos para fertilização in vitro, que seriam destruídos de qualquer forma, é por isso que a controvérsia parece mal colocada – ela parece mais pró-desperdício do que pró-vida. Mas eu divago como a brigada militante pró-vida pode se ofender, já que eles parecem valorizar a santidade da vida só quando está embrionária.

E assim termina minha lista. Tem um monte que eu esqueci e algumas são mais selvagens do que as outras, mas é interessante dar uma olhada nelas. Eu acho que, em caso de dúvida, o site de referência de lendas urbanas Snopes.com é meticulosamente pesquisado e sempre vale a pena uma lida.

Agora, senhoras e senhores: SUAS indicações para os factoides mais conhecidos mas totalmente errados?! Vamos ouvi-los!!!

*Dr. David Robert Grimes é um físico irlandês, pesquisador de câncer na Universidade de Oxford e escritor de ciências, que contribui para vários meios de comunicação sobre questões da ciência e da sociedade. Ele tem uma gama diversificada de interesses de pesquisa e é um defensor do aumento da compreensão pública da ciência. É um colunista regular no Irish Times e bloga no www.davidrobertgrimes.com e foi um dos ganhadores do Prêmio John Maddox para a Defesa da Ciência de 2014.
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Fonte: Three men make a tiger - Tradução: Maurício Moura/Livre Pensamento - Imagem: "?"/PEXELS

08 Nov 09:23

Castelo de Santa Maria da Feira em noite de Halloween

by Na Boa Vida...

A caminho do Porto resolvemos parar para visitar o Castelo da Feira, na terra do meu pai… Eis que temos uma agradável surpresa… em noite de Halloween o castelo estava sendo preparado para uma noite do dia das Bruxas… com direito a concurso de Caldeirão e espetáculos durante a noite…

Para quem é do Porto ou arredores, é um programa muito giro… quer visitar o castelo… quer uma noite do dia das bruxas no seu interior…

Apreciem as Fotos…

Giro o castelo.. e com a ornamentação do dia das Bruxas ficou mais giro ainda!!!

 

Se gostou do castelo deixe seu like….se quiser mais informações… solicite nos comentários!  se conhece…deixe seu parecer também! bjs e até o próximo post!!

 

 

 

07 Nov 11:29

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02 Nov 11:06

O que é entropia?

by noreply@blogger.com (Ronald Sanson Stresser Junior)



Crédito: Charge do caricaturista Pancho

A entropia é uma grandeza termodinâmica que mensura o grau de irreversibilidade de um sistema, encontrando-se geralmente associada ao que se denomina por "desordem" de um sistema termodinâmico. Resumindo a entropia é uma medida do grau de desordem de um sistema, ou bagunça, como dizem os físicos, por piada, afirmando, ainda que a bagunça só tende a aumentar. Agora vejamos o que o mestre Isaac Asimov* tem a nos dizer a respeito dela:

O que é entropia?

"A energia pode ser convertida em trabalho somente se houver um desnível de concentração de energia no particular sistema que está sendo usado. A energia, então, tende a fluir do ponto de maior concentração para o de menor, até ficar uniformemente distribuída. É através do aproveitamento deste fluxo que é possível obter trabalho a partir de energia.

A água no nascente de um rio está a uma altura maior, e portanto tem maior energia gravitacional, do que a água na foz do rio. É por isso que a água corre dos rios para o oceano (Não fosse a queda das chuvas, toda a água dos continentes correria encostas abaixo em direção ao oceano, cujo nível elevar-se-ia ligeiramente. A energia gravitacional total permaneceria a mesma mas estaria mais uniformemente distribuída).

A água pode efetuar trabalho ao fluir encosta abaixo, fazendo girar uma roda d’água. Num mesmo nível, a água não poderia realizar trabalho, ainda que estivesse num plano bastante elevado e possuindo uma energia gravitacional extraordinariamente alta. Os pontos cruciais são a diferença de concentração de energia e o fluxo em direção ao equilíbrio.

Isso é válido para qualquer forma de energia. Nas máquinas a vapor há um reservatório quente, onde a água é transformada em vapor, e um reservatório frio, onde o vapor se condensa em água novamente. É a diferença de temperatura que importa. Se tudo estivesse à mesma temperatura, por maior que esta fosse, nenhum trabalho poderia ser realizado.

O termo “entropia” foi introduzido em 1850 pelo físico alemão Rudolf J. E. Clausius, para caracterizar o grau de uniformidade com que a energia, sob qualquer, forma, está distribuída. Quanto mais uniformemente distribuída estiver, maior a entropia. Quando a energia estiver distribuída de maneira completamente uniforme, a entropia atinge o valor máximo para o sistema em questão.

No entender de Clausius, quando um sistema é entregue a si próprio, as diferenças de energia sempre tendem a desaparecer. Pondo-se um objeto quente em contato com outro frio, o calor flui de tal maneira que o objeto quente se esfria e o objeto frio fica mais quente, até que ambos atinjam a mesma temperatura. Se dois reservatórios de água forem conectados, um possuindo um nível de água mais elevado que o outro, a atração gravitacional fará com que um dos níveis baixe e o outro se eleve, até que os dois níveis se igualem e a energia gravitacional fique nivelada.

Dessa maneira, Clausius afirmou que havia uma regra geral na natureza, segundo a qual as diferenças de concentrações de energia tendem a nivelar-se. Em outras palavras, “a entropia aumenta com o decorrer do tempo”.

O estudo do fluxo de energia de pontos de concentração mais elevada para outros de concentração mais baixa foi realizado mais a fundo com relação à energia sob a forma de calor. Por isso o estudo do fluxo de energia e das interconversões entre energia e trabalho veio a ser conhecido como “termodinâmica”, do grego “movimento de calor”.

Já havia sido estabelecido que a energia não poderia ser nem criada nem destruída. Essa é uma regra tão fundamental que é chamada de “primeira lei da termodinâmica”.

A sugestão de Clausius de que a entropia aumenta com o tempo parecia enunciar algo igualmente fundamental, e por isso é chamada de “segunda lei da termodinâmica”."

*Isaac Asimov foi escritor e bioquímico nascido na Russia.  Foi um dos maiores autores de Ficção Científica da História e um dos grandes nomes da divulgação científica de todos os tempos.
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Fonte: ASIMOV, Isaac. Asimov Explica. Trad. Edna Feldman. 3ª Edição. Rio de Janeiro: Francisco Alves. 1986. - Imagem: Pancho/Oredr4u/Reprodução

30 Oct 18:08

O que é o Princípio da Incerteza de Heisenberg?

by noreply@blogger.com (Ronald Sanson Stresser Junior)




“Princípio da Incerteza”- o termo é utilizado para designar o estado de um elétron. 

O nome é adequado, uma vez que é impossível saber a posição exata que um elétron ocupa na eletrosfera de um átomo. Este princípio foi criado por Werner Heisenberg em 1927 e transformou-se num enunciado da mecânica quântica.

No texto abaixo, de autoria do Isaac Asimov, é explicado o Princípio da Incerteza de Heisenberg. O texto é curto e simples, escrito por um grande divulgador da ciência. 

O que é o Princípio da Incerteza de Heisenberg?
- por Isaac Asimov*

"Para explicar o conceito de incerteza, consideremos, inicialmente, o conceito de certeza. Quando se conhece alguma coisa a respeito de determinado objeto, com segurança e exatidão, tem-se certeza acerca de um conjunto de dados, seja lá quais forem.

Mas será que os táquions existem realmente? É possível admitirmos a existência de um universo de táquions que não viola a teoria de Einstein, mas possibilidade de existência não significa necessariamente existência.

E como se chega a conhecer algo? De uma maneira ou de outra, deve-se interagir com o objeto. Deve-se pesá-lo na determinação de seu peso, deve-se golpeá-lo para verificar sua dureza, ou talvez apenas olhar para ele, a fim de ver onde se encontra. Mas alguma interação deve haver, ainda que seja mínima.

Pode-se sustentar que esta interação sempre introduz alguma perturbação na propriedade que se deseja determinar. Em outra palavras, o próprio ato de aprender interfere no objeto em estudo, de forma que no final este não fica conhecido de maneira exata.

A título de exemplo, suponhamos que o leitor queira medir a temperatura da água de sua banheira. Para isso, introduz nela um termômetro. Mas o termômetro está frio e a sua presença na água torna-a um pouco mais fria. Pode-se obter uma boa aproximação da temperatura, mas não com a precisão de trilionésimo de grau. O termômetro alterou a temperatura que estava sendo medida, mas a perturbação por ele introduzida foi quase imensurável.

Como outro exemplo, suponhamos que agora você queira medir a pressão do ar num pneu. Para tanto, utiliza-se de um instrumento munido de pequeno êmbolo, o qual é empurrado por uma pequena quantidade de ar que escapa do pneu. Mas o fato de que o ar escapa significa que a pressão de ar baixou um pouquinho no ato de medi-la.

É possível construir construir instrumentos de medição tão pequenos e sensíveis, e que se utilizem de métodos indiretos, de forma a não introduzir a menor modificação na propriedade que se deseja medir?

Em 1927, o físico alemão Werner Heisenberg concluiu que não. Um instrumento de medição pode ser muito pequeno, de dimensões tão reduzidas quanto uma partícula subatômica mas não menor. Ele deve utilizar-se de, no mínimo, um quantum de energia, mas não menos. Uma única partícula e um único quantum de energia já são suficientes para introduzir algumas alterações. Se você simplesmente olhar para algo, a fim de vê-lo, isso é possível em virtude do fato de que fótons de luz ricocheteiam no objeto, o que introduz alguma mudança.

Essas mudanças são extremamente pequenas e, na vida quotidiana, podem ser ignoradas, e realmente o são – mas de qualquer maneira as mudanças ainda estão lá. E se estivermos lidando com objetos tão pequenos, para os quais mesmo as menores mudanças assumem grandes proporções?

Se você quisesse saber a posição de um elétron, por exemplo, teria de fazer incidir sobre ele um quantum de luz, ou, mais provavelmente, um fóton de raio gama, a fim de “vê-lo”. O fóton incidente empurraria o elétron, tirando-o de sua posição original.

Heisenberg conseguiu demonstrar, em particular, a impossibilidade de se elaborar qualquer método para se determinar exatamente e ao mesmo tempo a posição e o momento de qualquer objeto. Quanto mais acurada for a determinação da posição, mais imprecisa será a determinação do momento, e vice-versa. Calculou também qual seria o valor da falta de precisão ou “incerteza” em tais grandezas, sendo esse o seu “princípio da incerteza”.

O princípio da incerteza implica em uma certa “granulosidade” no universo. Ao se ampliar uma foto de jornal, chega-se, por fim, ao ponto em que apenas pequenos grãos ou pontos são percebidos, perdendo-se todos os detalhes. O mesmo acontece ao se olhar muito de perto para o universo.

Algumas pessoas ficaram desapontadas com esse princípio, pois julgavam-no uma confissão de eterna ignorância. Mas não é nada disso. Estamos interessados em aprender como o universo comporta-se, e o princípio da incerteza é um fator chave de se comportamento. A “granulosidade” está aí, e isso é tudo. Heisenberg mostrou-nos isso, e os físicos lhe são gratos."
____
Fonte: *Isaac Asimov foi escritor e bioquímico nascido na Russia. Foi um dos maiores autores de Ficção Científica da História e um dos grandes nomes da divulgação científica de todos os tempos.

30 Oct 10:08

Uma reflexão sobre felicidade profissional

Em algum momento da sua vida, você sentiu-se insatisfeito com seu trabalho? Fique tranquilo (ou não) mas você não é o único a sentir essa vontade de largar tudo e fugir para as colinas. Esse assunto é muito comum entre os brasileiros, principalmente depois que ganhamos outros meios para conversar e expor nossa insatisfação. Existem algumas formas que podemos ter mais momentos de felicidade em nossa vida pessoal, particularmente gosto muito do movimento sobre ser minimalista, basicamente viver apenas com o necessário.
24 Oct 23:02

Um País de Lesmas: Cores

by Clara Gomes

24 Oct 23:01

Um País de Lesmas: Lagartas & Borboletas

by Clara Gomes

24 Oct 23:01

Curiosidades de Jardim II

by Clara Gomes

24 Oct 23:00

Curiosidades de Jardim

by Clara Gomes

24 Oct 23:00

Conversas Estranhas

by Clara Gomes

18 Oct 17:42

G-G on Facebook - G-G on Twitter

16 Oct 10:08

Robin Hood dá um novo passo em sua jornada de conquistas

by Guilherme Horn
Vladimir Tenev e Baiju Bhatt trabalharam juntos, no início dos anos 2000, construindo sistemas de trading de alta frequência para bancos e corretoras norte-americanos. Ficavam inconformados em ver que os clientes que operavam em alta frequência (enviam centenas de ordens de compra e venda a cada segundo) não pagavam quase nada por cada operação, ao passo que os clientes de varejo, que operam poucas ordens por mês, pagavam taxas que às vezes podiam comer todo o ganho da operação.
Por outro lado, viam a evolução da tecnologia em várias outras áreas. Os servidores de emails, por exemplo, passaram de serviços relativamente caros para gratuitos em pouco mais de uma década. E então se perguntavam por que os investidores do varejo não poderiam ter acesso a uma plataforma gratuita para comprar e vender ações.
Foi com esta ideia fixa na cabeça que eles deixaram seus empregos e colocaram no ar em abril de 2013 a Robin Hood, a primeira corretora de valores gratuita do mundo.
Três anos depois de lançada, em 2016, a Robin Hood bateu a marca de 1 milhão de clientes. Menos de dois anos depois, no início de 2018, já eram mais 3 milhões. E, na semana passada, a plataforma anunciou que atingiu o impressionante número de 6 milhões de clientes, sendo já a corretora que atingiu a maior taxa de crescimento da base de clientes que se tem conhecimento na história, em termos globais.
A outra notícia, divulgada na semana passada, é que a empresa está lançando a sua própria Clearing (uma câmara de Custódia e Liquidação). Nos EUA, há diversas Clearing Houses, diferentemente do Brasil, que tem apenas uma, a CBLC (Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia), pertencente à B3. Lá nos EUA, as cinco principais Clearings atendem a cerca de 1.300 corretoras. E as grandes plataformas, como Fidelity e Vanguard, têm as suas próprias clearing houses.
Ter a sua própria clearing vai permitir à Robin Hood baixar ainda mais os custos para seus clientes, já que antes ela usava uma clearing externa, que cobrava as suas taxas, e estas tinham que ser repassadas aos seus clientes. Este movimento vai aumentar ainda mais a competitividade da Robin Hood no mercado, num momento em que os incumbente começam a reagir. O JP Morgan Chase acaba de lançar a plataforma You Invest e está dando 225 dólares para cada cliente que depositar 15 mil dólares na plataforma. O cliente também terá 100 operações gratuitas por ano e as demais custarão U$2,90, uma taxa bem baixa.
Segundo rumores do mercado, o próximo passo da Robin Hood será tornar-se um banco, para poder oferecer uma gama maior de produtos para seus clientes. Pela curva de crescimento da sua base, em muito breve eles baterão 10 milhões de clientes, o que já os colocará no mesmo patamar das principais plataformas do mercado, como a TD Ameritrade. Na última rodada de investimento, a Robin Hood captou cerca de 540 milhões de dólares a um valuation de $5,6 bilhões. Também se comenta no mercado que eles estariam se preparando para um IPO. Uma história de muito sucesso em tão pouco tempo (5 anos) e que promete capítulos ainda mais promissores pela frente.
14 Oct 19:58

O FENÔMENO BOLSONARO

by noreply@blogger.com (tesco)

Posso citá-lo aqui nominalmente pois este texto não faz 
sua apologia, muito menos pretende denegrí-lo  
(tá lôco, meu, cobrir o homem de negro?). 

Este não é um fenômeno apenas local e deste período, 
não é o cidadão Bolsonaro o fulcro da coisa, ele é apenas 
o catalisador de um processo, ou, em palavras mais 
“ajustadas” ao caso, o gatilho. 

Que magnetismo, que atração exercem sobre as pessoas, 
as palavras deste homem? 

Quando li a tradução do livro “Mein Kampf”, de autoria de 
Hitler, procurava entrever a maravilha que ele pregava e 
que induzia as pessoas a consideram-no uma boa opção. 
Nada encontrei ali de positivo. 

A explicação me surgiu agora, com a campanha eleitoral 
de Bolsonaro: 

Não é um orador eloquente, capaz de criar imagens 
fabulosas, ou de um raciocínio límpido, que conduza os 
ouvintes a visualizarem futuros melhores para todos. 
Não convoca ao raciocínio. 

Pelo contrário, terrivelmente emocional, incita à emoção. 
É tergiversante: muda de assunto e distorce o sentido das 
frases, irresponsável: tudo é a função de outrem. 
Mas tem características admiradas por muitos, 
principalmente brasileiros: 
Fala agressivamente, com tom autoritário e decisivo, 
como quem sabe tudo sobre o assunto que fala. 

E isso é o estilo de liderança ensinado nas Forças Armadas 
(pelo menos, no Exército): 
Você está no comando, tem que inspirar confiança, 
mesmo numa operação suicida!  

Por isso passa a impressão de que é um homem de ação, 
e que tudo decidido por ele é um empreendimento destinado 
a dar certo. 

Na situação atual do País, em que tudo desmorona (na 
verdade, está sendo destruído), grande parte da população 
o vê como alguém que vai consertar tudo. 

Isso não o torna apenas um atrativo para bobos, violentos, 
preguiçosos, gente estúpida e os que se recusa a pensar. 
Gente que deseja mudança no panorama do país também 
é atraída por esse tipo de personagem. 

Perguntarão: 
Mas, e os defeitos evidentes desse discurso? 
Não são notados? 

São notados sim, mas, como todos nós sabemos que 
a perfeição não anda conosco na Terra, as falhas são 
relegadas a segundo plano, como detalhes que não vão 
interferir no resultado final. Todos fazemos isto. 
Não existe programa político perfeito. 

“Mas as falhas no programa de Bolsonaro são gritantes!” 

Sim, são, principalmente para nós, que sofremos, no todo 
ou em parte, aquela nojenta ditadura 1964-1985. 
Porém, nem todos os pensantes imaginam que estarão 
contribuindo para um retorno de tempos negros. 
Imaginam um país de sonhos, como é incutido diariamente 
pela mídia inconsequente! 

É culpa deles? 
Sim, claro, todos temos um cérebro para absorver os dados 
e tirarmos deles as conclusões mais acertadas! 

Devemos, porém, levarmos em consideração esses fatores 
atenuantes, e não, simplesmente, eliminá-los (os eleitores 
de Bolsonaro) de nosso convívio ou de nossas relações. 
Existem exceções, certo. 
Aqueles extremistas que encaram uma escolha política 
apenas como um jogo de futebol, e sem nenhum “fair play”, 
em que “o importante é vencer!”, importunam e nada 
acrescentam a si ou ao nosso crescimento como seres 
humanos. 

Mas, afastá-los simplesmente por ser um opositor de ideias, 
não é aconselhável, afinal “São os doentes que precisam 
de médico”! Como esperar que se curem, se não lhes 
ministrarem nenhum medicamento? 

Abraço do tesco. 

14 Oct 19:53

FÉRIAS DO BARULHO (1985)

by Felipe M. Guerra

Com uma carreira de ator que já soma 30 anos, Johnny Depp deu vida a uma galeria invejável de personagens excêntricos, reais ou imaginários: Edward Mãos de Tesoura, o Chapeleiro Maluco, Donald Trump (!!!), Willy Wonka, Ed Wood, Don Juan DeMarco, John Dillinger, Sweeney Todd, Ichabod Crane, Hunter S. Thompson, Donnie Brasco, Cry-Baby e, claro, o excêntrico Capitão Jack Sparrow, da interminável saga “Piratas do Caribe”.

Pois duas décadas antes do primeiro “Piratas do Caribe” (que é de 2003), Depp interpretou outro Jack, este “só” Jack, em FÉRIAS DO BARULHO (1985), uma daquelas comédias eróticas que faziam a alegria da molecada na década de 1980 - principalmente de quem ainda não tinha a idade apropriada para assisti-las. Na época, o jovem Johhny estava com 21 anos de idade e não havia muito trabalho para atores nesta faixa etária: era mais comum que acabasse ou mostrando a bunda numa comédia erótica tipo “Porky's”, ou sendo eviscerado pelo vilão num filme de horror, ou interpretando um adolescente estereotipado em algum seriado de TV (lembra do Michael J. Fox em “Family Ties / Caras e Caretas”?).


E Depp teve a distinção de passar por todas as etapas do processo: em 1984, na sua estreia no cinema, ele foi eviscerado pelo Freddy Krueger no primeiro “A Hora do Pesadelo”, de Wes Craven; logo depois mostrou a bunda magricela em FÉRIAS DO BARULHO, e dois anos depois ganhou o papel de protagonista do seriado “21 Jump Street / Anjos da Lei”, onde interpretava um jovem policial investigando casos relacionados à sua faixa etária. Depp fez 82 episódios entre 1987 e 1991, quando enfim disparou para a fama com “Edward Mãos de Tesoura” (1990), de Tim Burton, que o dirigiria outras tantas vezes no futuro.

Em sua defesa, no que se refere a FÉRIAS DO BARULHO, o jovem ator pode pelo menos argumentar que não estava pagando mico sozinho. Aliás, ele sequer é o protagonista do filme, aparecendo em segundo lugar nos créditos iniciais. O verdadeiro “astro” da presepada é Rob Morrow, fazendo sua estreia no cinema - ele que depois seria indicado a prêmios como Emmy e Globo de Ouro por suas interpretações em seriados como “Northern Exposure” e “Numb3rs”, e ainda apareceu no elenco de um grande indicado ao Oscar, “Quiz Show - A Verdade dos Bastidores” (1994), de Robert Redford. Obviamente, hoje nenhum dos dois têm lá muito orgulho de seu trabalho conjunto em FÉRIAS DO BARULHO...


A gênese do filme remonta ao princípio dos anos 1980, quando este tipo de comédia sexista sobre a primeira vez (e às vezes também a segunda, a terceira, a quarta... mas enfim, sobre a iniciação sexual de adolescentes) estava na moda, e era dinheiro garantido nas bilheterias. O pai de FÉRIAS DO BARULHO é um produtor isralense de segunda categoria, e surpreendentemente não estamos falando nem de Yoram Globus, nem de Menahem Golan (os cabeças da mitológica Cannon Films), mas sim de um sujeito chamado R. Ben Efraim.

Provavelmente inspirado pelos compatriotas Golan & Globus, que lá em Israel tinham produzido uma bem-sucedida série de comédias juvenis com sacanagem chamada “Lemon Popsicle” (que depois deu origem a “O Último Americano Virgem” nos Estados Unidos, como você pode ler na nossa postagem sobre ambos os filmes), Efraim resolveu ir para os EUA fazer a mesmíssima coisa. E ele deu uma sorte danada ao produzir “Private Lessons” (1981, de Alan Myerson). Aqui no Brasil o filme se chamou “Uma Professora Muito Especial”, e traz a eterna “Emmanuelle” Sylvia Kristel como uma professora particular que seduz um moleque virjão.

“Private Lessons” foi um estouro e rendeu uma grana preta ao produtor, que resolveu tentar de novo para ver se o raio caía duas vezes no mesmo lugar. Seu filme seguinte, outra comédia erótica, se passa numa escola só para meninas e tem os jovens Phoebe Cates e Matthew Modine no elenco. Como em time que está ganhando não se mexe, Efraim trouxe de volta o mesmo roteirista de “Private Lessons” (Dan Greenburg), a mesma Sylvia Kristel (agora em participação especial e interpretando outra personagem), e ainda manteve a palavra private no título, justamente para tentar atrair o público da obra anterior (até a arte do cartaz dos filmes é bem parecida!).

Estamos falando de “Private School” - por aqui, “Uma Escola Muito Especial... Para Garotas” -, que foi dirigido por Noel Black. Enquanto “Private Lessons” tinha sido produzido e distribuído de maneira independente, “Private School” já teve um grande estúdio por trás (a Universal). Não faturou tanto quanto o anterior, mas teve melhor distribuição e fez relativo sucesso.

Foi quando R. Ben Efraim resolveu se especializar em filmes “Private... qualquer coisa”, para ver se o raio caía três, quatro, cinco vezes no mesmo lugar. Numa entrevista à Variety, em dezembro de 1983 (logo após “Private School” chegar aos cinemas), o produtor anunciou que ia investir 14 milhões de dólares nos próximos anos para financiar outras três pornochanchadas juvenis: a primeira seria “Yearbook”, a se passar numa faculdade; a segunda seria “I Love You, Miss Kristel”, cuja existência obviamente estava condicionada à hipótese de a atriz holandesa querer participar de mais uma comédia erótica, e finalmente PRIVATE RESORT - com o questionável Private no título para tentar criar uma conexão inexistente com “Private Lessons” e “Private School” -, o único dos três que acabou saindo do papel e acabaria se tornando FÉRIAS DO BARULHO no Brasil.

Porém, ao contrário dos seus dois “Privates” anteriores, PRIVATE RESORT foi um fracasso. O produtor tinha trocado a Universal por outro estúdio, a Tri-Star, em busca de um acordo melhor de distribuição dos lucros. Mas a Tri-Star, talvez consciente da ruindade deste novo filme, optou por lançá-lo em alguns poucos cinemas, numa única região dos Estados Unidos, ao invés de fazer uma estreia nacional, antes de desová-lo nas videolocadoras para o eterno esquecimento.


E provavelmente FÉRIAS DO BARULHO teria sido esquecido entre outras tantas comédias eróticas juvenis ruins daquela época, se não fosse por dois fatores: primeiro, a presença dos posteriormente famosões Depp e Morrow pagando mico e mostrando a bunda, que anos depois gerou um enorme reinteresse pela produção; segundo, e especialmente para nós, brasileiros, o fato de o filme ter caído nas graças do Homem do Baú Silvio Santos, que gostou tanto de FÉRIAS DO BARULHO que o reprisava com uma frequência completamente absurda na sua grade de programação - e em diferentes horários, da Sessão das Dez nos domingos ao Cinema em Casa no começo da tarde.

O SBT exibiu o filme pela primeira vez em 1988, e a chamada sequer mencionava o nome de Johnny Depp (à época fazendo “Anjos da Lei”, que era exibido no canal rival, a Globo). Deve ter sido um estouro de audiência, porque a partir de então a emissora colocou-o na grade de programação com bastante frequência. Eu não duvido que ele tenha sido exibido duas vezes NA MESMA SEMANA, de tanto que era reprisado pelo SBT. Por conta disso, FÉRIAS DO BARULHO virou uma espécie de “clássico” ou filme de culto para toda uma geração; eu mesmo perdi a conta de quantas vezes já revi.


Antes de mais nada, não quero defender que “Private Lessons” e “Private School” sejam grandes obras-primas do cinema ou algo assim. Mas, perto deste terceiro “Private...”, as duas produções anteriores do R. Ben Efraim parecem até ter sido escritas pelo Woody Allen...

O roteiro de FÉRIAS DO BARULHO foi assinado por Gordon Mitchell (não confundir com o ator de mesmo nome), veterano colaborador de séries de TV como “A Família Dó-Ré-Mi” e “Agente 86”. Em 1984, quando FÉRIAS DO BARULHO foi filmado (durante o mês de outubro), Mitchell estava com 52 anos de idade, e isso é perceptível - ele consegue “dialogar com a galerinha jovem”, que era o público-alvo do negócio, como se o roteirista de “A Praça é Nossa” resolvesse escrever um filme para a Kéfera.

Nossa história começa com os amigos Ben (Morrow) e Jack (Depp) chegando a um resort que devia ser o sonho molhado de todo homem hetero norte-americano dos anos 1980: a população feminina é cinco vezes maior que a masculina, e todas as mulheres são jovens gostosas com corpo perfeito, que ficam muito bem de biquíni ou fora dele. Gordinhas e idosas só aparecem em cena quando é para fazer piada de mau gosto com o contraste entre estas e as bonecas infláveis ambulantes que dançam e rebolam sensualmente ao redor da piscina.


O filme não identifica, claro, mas o “private resort” em questão é o Ocean Reef Club, um lugar super-exclusivo na Flórida que existe até hoje - e, pelas fotos, é brega pra cacete. Ou seja: você pode guardar uns trocos e se hospedar no mesmo resort em que Ben e Jack tiveram suas “férias do barulho”, mas não podemos garantir a mesma quantidade de gostosas de biquíni. Se interessar, pode conhecer mais sobre o local, e fazer sua reserva, clicando aqui.

Desde a primeira cena com os amigos chegando ao resort, fica claro que o roteiro não vai se preocupar em estabelecer qualquer coisa sobre estes dois jovens cujas aventuras acompanharemos pelos próximos oitenta-e-poucos-minutos. Quer dizer, nada além do fato de eles estarem no tal resort para pegar mulher sem compromisso. De maneira agressiva e inapropriada durante boa parte do tempo inclusive, mas lembre-se que estamos nos anos 1980 e ainda valia tudo para fazer rir.


Quem são Ben e Jack, afinal? Amigos curtindo as férias com as suadas economias de uma vida? Porque fica claro desde a primeira cena que a dupla não pertence àquele lugar, onde coroas ricaças desfilam com valiosos colares de diamante e os drinks no bar à beira da piscina custam caro - tanto que eles optam por econômica cervejinhas e passam por pobretões. Este é um dos motivos pelo qual ambos são perseguidos por Reeves, o chefe de segurança do local (interpretado por Tony Azito), que não acredita que aqueles dois pés-rapados possam ser hóspedes de um resort tão exclusivo.

Será que um dos amigos teve alguma grande decepção amorosa que o outro está tentando curar com a promessa de sexo fácil e sem compromisso num hotel cheio de gatas fogosas? Eles não parecem ser virgens - apesar de agirem como virjões, sem qualquer noção de como chegar nas mulheres ou de como tratá-las -, tampouco grandes pegadores...


Enfim, estou tergiversando aqui, mas o caso é que o roteiro não se preocupa em contar muito sobre os dois protagonistas ou como foram parar ali, e a única pista sobre a procedência de ambos é o fato de Jack vestir, na sua primeira cena no filme, uma jaqueta vermelha com o nome de uma agência funerária - seria ele um funcionário desta empresa, ou está usando o traje para fins humorísticos? (Uma das lendas não-confirmadas sobre a produção diz que havia uma cena pré-créditos que foi cortada, mostrando Ben e Jack ganhando a viagem para o resort como prêmio de um concurso.)

Obviamente, não demora para FÉRIAS DO BARULHO descambar para aquela cartilha moralistinha da maior parte dessas pornochanchadas juvenis do período: embora Ben e Jack estejam determinados a curtir o momento passando a vara no maior número possível de mulheres - desculpem pela expressão grosseira, mas basicamente é isso mesmo -, as poucas chances que eles têm com garotas “fáceis” acabam em confusão antes mesmo que se inicie qualquer tipo de relação sexual.


Aparentemente se trata de uma conspiração do destino, alertando os dois moços para o fato de sexo sem compromisso ser “errado”, pois não tarda para que a dupla encontre ali seus grandes amores: Jack mente que é médico para aproximar-se de uma herdeira rica chamada Dana (Karyn O'Bryan, péssima); já Ben se apaixona por Patti (Emily Longstreth), a garçonete gracinha que serve drinks na piscina, e terá que disputá-la com o chefe da moça, Scott (Michael Bowen, que anos depois interpretou o asqueroso enfermeiro cafetão de pacientes em coma de “Kill Bill Volume 1”).

Sem querer soltar spoiler sobre quem vai ficar com Patti, lá pelas tantas somos brindados com uma te-ne-bro-sa montagem de momentos românticos entre a moça e Ben ao pôr-do-sol, embalada por uma das mais preguiçosas baladinhas pop-rock já compostas para cenas assim (o vocalista nem se preocupou em cantar coisa alguma e foi de “Na-na-na-na, ô-ô-ô” o tempo inteiro, estilo Dinho Ouro Preto).


Também seguindo a cartilha das produções deste subgênero, a narrativa de FÉRIAS DO BARULHO é episódica, simplesmente saltando de uma confusão sexual para outra. Você pode inclusive começar a assistir o filme pela metade sem perder nada, já que o filme é movido a piadas do arco-da-velha e nudez gratuita.

Obviamente, esse tipo de produção nunca se sustentou apenas nas desventuras sexuais de jovens tapados: era preciso concluir a trama com algum grande confronto às regras sociais ou às instituições. Em “Porky's” os moleques enfrentavam um dono de puteiro e um xerife corrupto; em “O Último Americano Virgem”, um caso de gravidez indesejada e aborto, e por aí vai.


No caso de FÉRIAS DO BARULHO, o roteirista Gordon Mitchell, não contente em já ter o conflito com uma figura de autoridade adulta (o tal segurança do resort), resolveu incluir também uma patética trama policial: no mesmo hotel está um bandidão conhecido apenas como “The Maestro” (o grande Hector Elizondo, ainda jovem, mas já com cara de velho), contratado por alguém para roubar o supramencionado colar de diamantes da coroa ricaça (Dody Goodman).

Supostamente, o tal Maestro é um ladrão profissional que age com extremo planejamento e meticulosa precisão. Não dá para entender, portanto, sua insistência em “aparar um pouco o cabelo” na véspera de dar o bote na velha. Graças a uma daquelas confusões que justificam o título FÉRIAS DO BARULHO, o pobre Ben acaba sendo confundido com o barbeiro do resort e destrói o cabelo do bandido, que passará o resto do filme perseguindo o rapaz em busca de vingança.


Tal situação nos leva a um aspecto curioso de FÉRIAS DO BARULHO: sim, o filme tem peitos e bundas desnudas à vontade para poder ser vendido como comédia erótica, mas na maior parte do tempo não passa de uma bobagem inofensiva, infantil até. O humor é menos sobre sacanagem e mais em tom de farsa, de comédia-pastelão, com piadas envolvendo identidades trocadas, correrias, peladões se escondendo no armário, entra-e-sai de quartos por portas e janelas... Tem até homem disfarçado de mulher e guerra de comida no final, e se alguém usasse a tesourinha para limar a nudez ficaria parecendo um legítimo filme dos Trapalhões!

Para dar uma ideia da bobice do humor apresentado, pelo menos cinco piadas envolvem golpes no saco, outras duas têm cachorrinhos pequeninos que colocam sujeitos com o dobro do tamanho para correr de medo, e duas personagens femininas aparecem dando porrada em um homem como se isso fosse algo completamente impossível. Um punk doidão, lutadores de sumô e um sem-número de tombos e tropeções completam o excêntrico catálogo, confirmando que os realizadores tentaram de tudo um pouco para fazer o público rir, nem sempre com sucesso.


Em pelo menos dois momentos, o filme ainda apela para um injustificável humor nonsense, absurdo, que destoa completamente numa história que, mesmo caricatural e exagerada, parecia se passar num universo “real”.

O primeiro momento acontece logo no início, quando um garoto que está na piscina testemunha o início de um dos planos mirabolantes de Ben e Jack para pegar mulher. Ele então se vira intencionalmente para a câmera, lançando um olhar cúmplice para o próprio espectador e quebrando a quarta parede, para comentar conosco: “Rapaz, eu pagaria para ver isso!” (talvez para fazer o espectador acreditar que valeu a pena ter pagado ingresso para assistir o filme).

O segundo momento nonsense acontece no final, quando o Maestro está tentando matar Ben a tiros. No momento em que seu revólver fica sem munição, ele simplesmente puxa UMA METRALHADORA de trás das costas que simplesmente não existia antes!


Mas, apesar de o humor disparar para todos os lados em busca de risadas fáceis, nenhum dos atores demonstra muito timing para o humor, abusando das caretas e olhos arregalados sempre que o momento pede.

A exceção vai para Hector Elizondo, anos antes de sucessos como “Uma Linda Mulher”, interpretando o bandidão atrapalhado. Deve-se dizer que seu personagem fica ainda mais hilário na versão em português, graças ao tom de voz e a alguns improvisos do sujeito que lhe dublou.

Um deles é o impagável “Malhação por aqui também, é? Que que há, que que há, que que há, que é isso?”, quando no original Elizondo dizia apenas: “Bodybuilders aqui também? Que negócio é esse?”. Acho o improviso brasileiro tão estupidamente engraçado que fiz questão de colocar o diálogo no YouTube (clique aqui para relembrar).


Vale registrar que em 1985, quando FÉRIAS DO BARULHO enfim chegou aos cinemas, estas pornochanchadas adolescentes já não eram mais o sucesso estrondoso de alguns anos antes, principalmente por causa do excesso de repetição nas piadas e situações. Putarias no colégio ou na faculdade estavam mais do que batidas, então roteiristas de obras do gênero começaram a mudar a ambientação (e apenas a ambientação) para praias, acampamentos de férias ou, no caso em questão, resorts - uma grande desculpa para poder mostrar mulheres de biquíni, certamente.

Só que criatividade não era exatamente o forte dessa gente, e FÉRIAS DO BARULHO ainda deu o azar de ser lançado no mesmíssimo ano de outros TRÊS filmes que mostravam uma turminha do barulho aprontando altas confusões em resorts: “Hot Resort / Hotel dos Prazeres” (de John Robins), “Hot Chilli / Férias Ardentes” (de William Sachs) e “Fraternity Vacation / Quando a Turma Sai de Férias” (de James Frawley). Não é por nada que mal estreou e FÉRIAS DO BARULHO já parecia piada contada duas vezes - ou, neste caso, quatro vezes!


Embora eu até agora tenha tecido várias considerações sobre a bobice geral do filme, é preciso dar a mão à palmatória: ele tem pelo menos uma situação absolutamente genial, quando o pobre Ben é atraído pelo amigo-da-onça Jack para um programa duplo com a “Prima Shirley”.

Eis que a moça é seguidora do bizarro Baba Rama Nana, uma gozação com os gurus indianos que proliferavam no Ocidente do período (tipo o famigerado Osho). Inquestionavelmente um cara legal, Baba Rama Nana exige que seus seguidores “removam a casca exterior” - ou seja, fiquem peladões -, no mais próximo que Ben chega de traçar alguém durante o filme inteiro.

Infelizmente, Baba Rama Nana também é um puritano que não permite que “a carne seja maculada”, ainda que o impagável mantra entoado pela gostosíssima Shirley seja “Come to me... Come to me...”. Numa das mais antológicas dublagens brasileiras de todos os tempos, o cântico virou o clássico “Venhaaaa a miiiim”, que toda uma geração aprendeu a reconhecer imediatamente assim que escuta. É o ponto alto do filme e sua cena mais famosa, sem sombra de dúvida.


A cena toda fica ainda mais divertida quando a gente lembra onde terminou a atriz Hilary Shepard, que interpreta a Prima Shirley. Após alguns papéis de destaque em filmes B como “Caçada Alienígena” (1990) e “Scanner Cop - O Destruidor de Mentes” (1994), Hilary virou a vilã Divatox (ao lado) no seriado dos “Power Rangers” ao longo dos anos 1990, aparecendo inclusive em um dos filmes baseados na série! Quem diria: de seguidora peladona de Baba Rama Nana a pirata intergaláctica com roupa de baile de carnaval, e ainda ganhou sua própria action figure!

Num elenco repleto de beldades com pouca ou nenhuma roupa, o espectador interessado em nudez gratuita tem, como grande destaque, a presença da maravilhosa Leslie Easterbrook. Para quem não associou o nome à pessoa, ela é mais conhecida como a Sargento Callahan de “Loucademia de Polícia”, onde a piada era sempre com o tamanho dos seus peitos - que ela nunca chegou a exibir em qualquer dos sete filmes da série.

Pois FÉRIAS DO BARULHO registra a única cena de nudez que Leslie fez em toda sua carreira: como Bobbie Sue, a namorada do Maestro, ela se despe sem saber que o personagem de Johnny Depp a espia de dentro do armário, num daqueles momentos clássicos de voyeurismo desse tipo de produção. E depois veste uma camisolinha transparente que não deixa absolutamente nada para a imaginação.


FÉRIAS DO BARULHO foi dirigido por George Bowers, que tem mais créditos de editor do que de diretor. Entre seus trabalhos mais famosos na montagem estão o cult movie “As Aventuras de Buckaroo Banzai” (1984) e a adaptação de Alan Moore “Do Inferno” (2001), que acabou se tornando seu segundo e último trabalho com um agora astro Johnny Depp (duvido que eles tenham se reencontrado durante a produção, mas seria engraçado).

Como cineasta, este foi o último dos seus quatro créditos para a tela grande, e certamente o mais lembrado. Os anteriores são um filme de horror (“The Hearse / O Carro Sinistro”, de 1980), uma versão 'black' de “Rocky” (“Body and Soul”, de 1981, com Leon Isaac Kennedy), e outra comédia erótica rasteira, aparentemente derivada de “Private Lessons” (“Minha Professora de Francês”, de 1983). Ele faleceu em 2012, e foi lembrado no obituário da cerimônia do Oscar do ano seguinte.


Visivelmente produzido e finalizado “nas coxas”, sem maiores cuidados ou pretensões, FÉRIAS DO BARULHO traz um dos erros de continuidade mais grosseiros da história do cinema. Reeves, o segurança que fica perseguindo Ben e Jack ao longo do filme, tem um olho roxo que aparece e desaparece ao longo do filme. A cena que mostra como ele ganhou o olho roxo aparece somente aos 57 minutos de tempo corrido, quando o coitado leva um soco desferido por um brutamontes que queria atingir os “heróis” - o agressor é interpretado por Andrew Dice Clay, que posteriormente virou celebridade fazendo stand-up comedy e, consequentemente, um ator cultuado.

O problema é que toda esta cena originalmente devia ter acontecido NO INÍCIO DO FILME, e deveria ser a primeira enrascada sexual envolvendo os protagonistas na trama. Em algum momento do processo de montagem, alguém deve ter decidido que era uma cena muito longa para estar ali e quebrava o ritmo do filme; aí os gênios a passaram lá para perto do final, esquecendo que o olho roxo do chefe de segurança não teria qualquer justificativa antes que o soco fosse desferido! O editor deve ter imaginado que o espectador nem perceberia, sendo constantemente bombardeado por peitos e bundas...


Por fim, mesmo um filme bobo como FÉRIAS DO BARULHO ganha uma nota triste quando o espectador descobre o triste destino que teve a namoradinha de Rob Morrow na história, Emily Longstreth. Ela chegou a ter papéis de destaque em vários filmes conhecidos nos anos 1980, incluindo este aqui, “A Garota de Rosa-Shocking” e a ficção científica “Cilada Implacável” (ambos de 1986), onde foi protagonista. No começo dos anos 1990, contracenou com jovens e promissores talentos como Kevin Bacon, Brad Pitt e Juliette Lewis.

E foi quando Emily desapareceu totalmente do meio artístico e familiar. Muitos fãs tentaram encontrá-la nos últimos 20 anos, principalmente depois do advento da internet, mas as informações são muitas e desencontradas. Em 2007, por exemplo, acreditava-se que ela tinha morrido no anonimato após ter que recorrer à prostituição para pagar as contas; no ano passado, um blog publicou e-mail de uma fonte anônima dizendo que ela abandonou o cinema por causa de transtornos psicológicos e hoje vive (ou sobrevive) como mendiga, em abrigos para moradores de rua. Qualquer que seja a verdade, é um destino muito triste para alguém que irradia simpatia aqui, e cuja carreira parecia prestes a decolar.


Pornochanchadas adolescentes como FÉRIAS DO BARULHO tiveram seu apogeu na primeira metade dos anos 1980. O subgênero foi riscado do mapa logo depois, ficando restrito a produções vagabundas produzidas direto para o mercado de vídeo. Numa reviravolta inesperada, “American Pie” chegou aos cinemas em 1999, foi um estrondoso sucesso e reacendeu o interesse por esse tipo de filme, como “Pânico” fez com os slashers na mesma época. Mas aí é outra história.

Por causa das incontáveis reprises no SBT, FÉRIAS DO BARULHO é muito mais conhecido aqui no Brasil do que no seu país de origem. Pouca gente o viu lá nos Estados Unidos na época do lançamento, e tem muito gringo descobrindo só agora que o super-astro Johnny Depp mostrou a bundinha numa comédia tosca de 1985 (esta também é a sua única cena de nudez até o momento, mas não é como se estivéssemos acompanhando...).


Como eu já mencionei, nenhum dos envolvidos na produção tem muito orgulho do filme para ficar comentando em voz alta. O astro em questão recusa-se até a falar sobre ele em entrevistas, o que é uma pena. Uma das suas poucas manifestações a respeito foi reproduzida no livro “Depp”, de Christopher Heard: “O filme é muito ruim, mas foi apenas um trabalho. O que mais me atraiu no projeto foi estar sendo pago para ir à Flórida ficar de bobeira por algumas semanas. Eu certamente não estava me queixando naquela época”.

No conjunto, o que temos aqui é uma comédia extremamente tosca, que funciona pelos motivos errados (tipo rir da falta de graça das piadas, ou dos erros técnicos, ou do mico que muitos atores hoje conhecidos estão pagando por uma mixaria, provavelmente). E que, como tal, continua valendo como passatempo cretino.


Volta-e-meia me pego revendo FÉRIAS DO BARULHO, e isso me remete à minha infância e adolescência, quando eu, meus irmãos e meus amigos costumávamos assisti-lo às gargalhadas. Também foi uma “inspiração artística” (putz!), já que a cena em que uma senhora toma comprimidos de quaaludes (uma droga afrodisíaca) por acidente me inspirou a criar um momento parecido no meu próprio filme “Canibais & Solidão”, de 2006.

Quem sabe o mundo tenha ficado mais triste no momento em que esse tipo de bobice parou de passar na TV. Pois tudo parecia tão mais simples, mais inocente e menos dramático naqueles tempos em que o SBT reprisava FÉRIAS DO BARULHO semana sim, a outra também...


SBT anuncia FÉRIAS DO BARULHO em 1988!