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15 Aug 12:12

OS PRIMÓRDIOS DA ZONA OESTE DO RIO DE JANEIRO

by noreply@blogger.com (André Luis Mansur)
Por André Luis Mansur

                                Mapa-.O Sertão Carioca. Magalhães Corrêa (“O Sertão Carioca”, 1936)

A zona oeste do Rio de Janeiro, chamada de “sertão carioca” pelo escritor e pesquisador Magalhães Corrêa no livro de mesmo nome sobre Jacarepaguá, foi desde o início uma terra de latifúndios, de senhores e senhoras de engenhos e fazendas, cujos limites na maioria das vezes imprecisos davam origem a conflitos e processos judiciais que podiam se arrastar por anos. Com o tempo, essas grandes porções de terra trabalhadas por muita mão de obra escrava foram sendo fragmentadas, principalmente devido ao declínio da produção dos engenhos e das lavouras, dando origem a fazendas e propriedades menores e daí a bairros e localidades que muitas vezes mantiveram os nomes dos engenhos e fazendas que lhes deram origem. Para Adolfo Morales de los Rios Filho, sertão era “a terra que ficava ao longe”. E esclarece mais: “O sertão começava no limite suburbano das cidades e vilas, nos lugares por onde passavam afastados rios, nas florestas espessas, nos vales cercados por altaneiras montanhas; principiava no desconhecido que tanto se desejava conhecer”. (O Rio de Janeiro Imperial, de Adolfo Morales de los Rios Filho)

                                                   Armando Magalhães Corrêa (1885–1944), era pesquisador do Museu Nacional e, nos anos 1930, retratou a baixada de Jacarepaguá através de artigos e desenhos publicados aos domingos no jornal carioca "Correio da Manhã.


A região, na verdade, só passou a se integrar de fato à cidade do Rio de Janeiro com os limites de hoje a partir do Ato Adicional de 1834, que criava o Município Neutro ou da Corte, e que na prática separava a capital da província do Rio de Janeiro (antes, as freguesias mais distantes eram chamadas de freguesias “de fora”). Santa Cruz, por exemplo, freguesia desde o ano anterior, se desligava do Termo (correspondente aos limites do atuais municípios) de Itaguaí para receber o batismo de “terra carioca”. Com a proclamação da República, a região se tornou a zona rural do Distrito Federal, até que, em 1960, com a transferência da capital para Brasília, ela passou a ser a zona oeste do Estado da Guanabara e em 1975, com a fusão dos Estados da Guanabara e do Rio de Janeiro, passou a ser a zona oeste da cidade do Rio de Janeiro. As freguesias e paróquias tinham os mesmos limites e abrangiam respectivamente as jurisdições administrativas e religiosas das regiões (lembrando que até a chegada da República a Igreja Católica era ligada oficialmente ao Estado).

Mapa do município Neutro
Data- Anos de 1870
Fonte- BN

O surgimento da estrada de ferro, no final do século 19, fez com que a concentração populacional e comercial se verificasse próximo às estações de trem. Além disso, a construção de novas estradas, muitas delas atravessando montanhas que só eram percorridas por trilhas e caminhos complicados, integrou mais ainda a região ao restante da cidade. A história da zona oeste começa, assim, por Guaratiba, onde, em 1567, dois anos após a fundação da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, o capitão-mor Cristóvão Monteiro recebia suas primeiras sesmarias devido aos serviços prestados na luta contra tamoios e franceses pela conquista da cidade. Como se irá perceber, esta é uma história de poucas famílias, quase sempre com algum tipo de relacionamento entre si. Não poderia ser diferente. Naquela época, em que o próprio Brasil ainda era uma terra desconhecida na sua maior parte e ainda se lutava contra os índios e os mistérios da mata, não eram muitos os que se dispunham a vir da Europa para se aventurar pelos sertões.

Mapa do Estado da Guanabara
Data- 1960


Pesquisa de imagens- Guaraci Rosa, administrador da página Santa Paciência, no Facebook, de onde foram retirados o texto e as imagens.
12 Aug 09:47

Como é que é? - Não tem urso na América Latina?

by none
Alguns memes e postagens têm sugerido que ursos são animais restritos ao Hemisfério Norte, não representando a fauna sul-americana nem a latino-americana.

Mesmo descontando o fato de haver populações de ursos pretos no México, há populações de uma espécie exclusiva da América no Sul - o urso-de-óculos (Tremarctus ornatus) - na região norte dos Andes, da Bolívia à Venezuela, passando por Peru, Equador e Colômbia - e aparentemente presente também na Argentina. (Fig. 1 e 2.)

Figura 1. Distribuição mundial de espécie de ursos. Ursus maritimus: urso polar; U. artcos: urso pardo; U. americanus: urso negro; U. malayanus: urso-malaio; U. ursinus: urso-preguiça; U. thibetanus: urso negro asiático; Tremarctos ornatus: urso-de-óculos. Não mostrado na figura, Ailuropoda melanoleuca: panda gigante (restrito a florestas de bambu na China). Fonte: Kumar et al. 2017.

Figura 2. Urso-de-óculos (Tremarctos ornatus), única espécie atual de urso nativo da América do Sul. Fonte. Wikimedia Commons.

Embora as relações entre as espécies atuais de ursos seja mais ou menos bem resolvida: a linhagem dos pandas divergindo da que daria a origem às demais entre 18 e 22 milhões de anos atrás (Maa), e a linhagem dos ursos-de-óculos divergindo da dos outros ursos 12 a 16 Maa; a história da família dos ursos é um pouco mais nebulosa. Os ursídeos devem ter se separado da linhagem que levaria às focas entre 26 e 48 Maa. (Krause et al. 2008.)

A subfamília do urso-de-óculos: a Tremarctinae, pode ter aparecido na América do Norte num período em que a América do Sul era uma gigantesca ilha-continente separada do resto (ela começou a se separar da África por volta de 120 Maa). Quando a América do Sul se aproximou da América do Norte, a América Central começou a se soerguer - por volta de 4,5 a 15 Maa (Montes et al. 2015). A conexão levou a uma intensa troca de espécies entre as duas porções, num evento chamado de Grande Intercâmbio Biótico Americano. E os ursos não ficaram de fora.

Fósseis de ursos mais antigos na América do Sul são de cerca de 1,5 a 2 Maa; mas outra espécie do mesmo gênero do urso sul-americano era encontrada onde hoje é o sul dos EUA, da Flórida à Califórnia (e se estendendo a área até o Tennessse ao norte): T. floridanus - atualmente extinta, os fósseis mais antigos são de cerca de 3 Maa. Um outro gênero da subfamília, próximo ao gênero Tremarctos, é o Arctotherium e os fósseis destes são encontrados apenas na América do Sul. A separação entre os dois gêneros deve ter ocorrido por volta de 4 Maa (Fig 3.). Então a migração dos ursos da América do Norte para a América do Sul deve ter pelo menos essa idade. (Mitchell et al. 2016.)

Figura 3. Distribuição temporal e relações de parentescos entre ursos da subfamília Tremarctinae. Em azul, espécies da América do Norte; em vermelho, da América do Sul. Borophagus e Chapalmalania não são da família dos ursos - são respectivamente da família dos cães e dos guaxinins; Agriotherium é um urso de outra subfamília. Fonte: Mitchell et al. 2016.

Os ursos, assim, estão há pelo menos 4 milhões de anos na América do Sul - muito antes da nossa espécie aparecer na face da Terra. E, embora hoje reste apenas uma espécie, sua diversidade foi maior por aqui - pelo menos 6 espécies (praticamente a mesma diversidade de ursos atual em todo o mundo!) e estiveram distribuídos por todo o (sub)continente: no Nordeste e Sudeste brasileiros, no Uruguai e noroeste da Argentina e no sul da Patagônia (Soibelzon & Bond 2005).

Não é justo negar cidadania ao urso-de-óculos. É mais latino-americano e sul-americano do que nós.

Infelizmente sua situação ecológica inspira cuidados devido à perda de hábitat e às mudanças climáticas. A União Internacional para a Conservação da Natureza a considera uma espécie vulnerável.
10 Aug 22:21

LEMOS & BRENTAR

by Saudades do Rio


 
Duas destas fotos já apareceram por aqui. A primeira de hoje e o texto do Gustavo Lemos justificam o tema ser de novo trazido.

“Vemos a instalação no corredor de entrada da Lemos & Brentar de um Puma em 1968. Ele permaneceu aí até 1980, quando foi removido, mudou de cor, e transferido para a fachada do prédio à direita onde está o letreiro Formad. O carro era meia carroceria que a Puma enviara de presente para os novos concessionários no Rio e substituiu um Fusca que estava pendurado no mesmo lugar.

Na época eu tinha quinze anos e estava aí acompanhando a instalação. Meu pai está de costas sobre o muro, na altura do capô do táxi DKW. A foto provavelmente foi tirada pelo Albino Brentar.

Lemos & Brentar em três tempos. A primeira fase foi de 1957 a 1968, com o Fusca pendurado em 1959. A segunda com o Puma que foi de 1968 a 1980. A terceira de 1980 a 1986.

Em 57, Aluizio Lemos e seu sócio em uma locadora de automóveis, Edgard Torres, compraram uma oficina na Rua Jardim Botânico nº 705, telefone 26-4351, que se chamava Auto Super, para fazer manutenção dos carros da frota. Em 59 a sociedade foi desfeita e na partilha dos bens meu pai ficou com a oficina, que resolveu explorar com o sócio remanescente da Auto Super, Albino Brentar.

Foi criada a Lemos & Brentar, especializada em VW, principalmente em preparação e montagem de Kits Okraza no motor e lanternagem para companhias de seguro, com as quais Aluizio tinha ótimo relacionamento. A ideia de colocar o Fusca pendurado surgiu de um carro que deu entrada na oficina com o lado direito totalmente destruído e a seguradora deu perda total. Compraram o carro por uma ninharia no estado, cortaram ao meio e penduraram na entrada.

Não se sabe de qual dos dois surgiu a ideia, já que ambos discutiram a autoria até a morte. O fato é que foi um grande sucesso, que atraiu a atenção da VW, que tinha acabado de inaugurar sua fábrica de São Bernardo. Tornaram-se concessionários da marca.

A fase Puma começou em 1968, pouco depois do lançamento do modelo com chassis VW. A L&B tornou-se a segunda concessionária da marca no país, perdendo apenas para a Comercial MM de São Paulo, que pertencia a dois sócios da fábrica. Venderam mais de 6.000 Pumas até o fechamento da fábrica.

Em 1979, compraram o contrato de locação da Formad, loja ao lado do corredor de entrada, e resolveram trazer a concessionária de motos Honda que tinham na Gávea (Setemo) para o local. A nova loja foi inaugurada em 1980.

Em 1986 foi vendida para a Auto Modelo, que estava desesperada atrás de um local para a concessionária VW da Lagoa que foi desativada para construção de prédios.

Albino faleceu em 2001, faltando um mês para completar 70 anos. Aluizio, meu pai, em 2007, com 80 anos.”

Uma reportagem do JB dava conta que “Albino é o sócio técnico e Aluizio o financeiro. Os dois entendem de Volkswagen, pois inclusive Aluizio tem todos os cursos, mas como ele mesmo diz, “o Albino é mais profundo”. Albino também reconhece que Aluizio, em questão de contas e impostos, é melhor e assim vão vivendo, cada qual, porém, com direito de meter o bedelho na parte alheia.

Tanto um como outro, ou seja, o Lemos e o Brentar, são hoje sossegados chefes de família. Assistem corridas e confessam-se inquietos quando ouvem uma motocicleta passar roncando pela rua. Sublimam, porém, a paixão dos motores no trabalho da oficina. E concluem: um homem deve fazer aquilo de que gosta na vida. E nós gostamos de motores.”



10 Aug 22:19

COPACABANA

by Saudades do Rio

 
Após uma semana inteira de chuva, o que torna o Rio mais triste ainda, dois postais enviados pelo antigo comentarista Ruy Pfau, agora morador de Florianópolis.
 
 

06 Aug 13:27

Castelo Branco, as fundações da ditadura

O 17º episódio do Presidente da Semana, podcast da Folha sobre os presidentes do Brasil, é sobre o marechal Humberto Castelo Branco. Integrante da conspiração que provocou o golpe de 1964, o primeiro mandatário do regime militar investiu em reformas econômicas e nas bares jurídicas para a repressão contra os opositores do governo. A historiadora Heloísa Starling é a convidada do episódio.

31 Jul 18:05

Jânio Quadros, a renúncia, e João Goulart, o golpe

O episódio de número 16 do podcast Presidente da Semana conta a história do mandato presidencial iniciado com Jânio Quadros, em 1961, e interrompido com o golpe que depôs João Goulart, em 1964. A inesperada renúncia de Jânio com menos de sete meses de mandato dá início de uma sucessão de crises que tem como clímax a derrubada de Jango e o início da ditadura militar. O historiador Jorge Ferreira é o convidado do episódio.

31 Jul 17:27

Café Filho, golpe na transição, e Juscelino Kubitschek, Brasília e dívidas

A morte de Getúlio Vargas põe na Presidência o vice, Café Filho. Em 1955, o novo presidente só deveria concluir seu curto mandato e entregar a faixa ao sucessor, Juscelino Kubitschek, mas uma articulação contra a posse do eleito é posta em prática, levando a um "golpe preventivo" do Exército para garantir a posse de JK em 1956. No poder, o mineiro teve gestão marcada por construções vultosas, entre elas, Brasília. JK governou até 1960, entregando, além das obras, um legado de inflação e dívidas. Lilia Schwarcz é a convidada especial do episódio.

30 Jul 14:05

Só porque muita gente faz, não quer dizer que seja uma boa ideia

by Paula Abreu

Se tem uma coisa, ou um jeito de fazer uma coisa, que muita gente faz, isso não significa que é uma boa ideia. Significa que é popular, o que é muito diferente.

Popular não prova que seja genial, que tenha qualidade, ou mesmo que seja uma boa ideia. Só significa que muita gente pensa que sim.

E, normalmente, quando muita gente acredita numa mesma coisa, é porque

(i) existe alguma crença cultural forte enraizada (não necessariamente lógica); ou

(ii) existe algum esforço de marketing muito bem bolado por trás, que visa justamente fazer você se juntar à massa (independente de isso ter qualquer lógica ou ser bom pra você).

Ou seja, o que é “popular” pode ser só uma representação bem distorcida de uma “boa ideia”.

O típico emprego é mesmo uma boa ideia pra você?

A típica empresa é mesmo uma boa ideia pra você?

O típico casamento é mesmo uma boa ideia pra você, tão boa que valha a pena você muitas vezes entubar uma relação sem amor, ou cheia de abuso?

A típica família é uma boa ideia pra você, ter filhos é uma boa ideia pra você?

A típica forma de vender o seu trabalho é uma boa ideia, mesmo que faça você se sentir um idiota, manipulador, um incômodo?

O papel principal do sistema educacional deveria ser de educar (duh!) e incentivar a inteligência e criatividade. Mas, olhe em volta: as aulas de artes sendo cortadas cada vez mais cedo (quando tem!). Aula de música? Uma raridade. Não se ensina meditação nas escolas.

Por que será?

Será que existe mesmo o interesse em indivíduos criativos que conseguem pensar por si mesmos ou existe o interesse em criar sujeitos inseguros na sua própria capacidade de criar e de resolver problemas, e que por isso mesmo estão mais propensos a aceitar “boas ideias”?

Se todo mundo faz a mesma coisa e do mesmo jeito, tá na hora de você se perguntar se é mesmo uma boa ideia PRA VOCÊ.

30 Jul 12:18

Retrofit de baterias de Ni-Cd para Li-Ion na parafusadeira/furaderia sem fio

by Rodrigo Feliciano
Baterias de Li-Ion

Opa, vamos lá pra esse blog não morrer. 

Faz tempo que escrevi sobre minha furadeira Black & Decker (CD121K-BR), e já havia comentado que em algum momento teria que trocar o pack de baterias de Ni-Cd por um de Li-Ion. Pois esse dia chegou, a bateria morreu e, apesar de carregar, não durava nem uns minutinhos. Para o retrofit usei uma placa de controle de carga chinesa (Existem vários modelos - compre aqui) e quatro baterias 18650 retiradas de packs de notebook. Não é bom misturar as marcas e modelos, mas esse aqui foi só um teste "provisório". Segue o vídeo da montagem:



Agora as fotos. Começando pelo pack de baterias originais de Ni-Cd que parecem saídas de algum equipamento valvulado antigo:
Baterias de Ni-Cd

A plaquinha de carga chinesa:
Placa controladora de carga da bateria
A seta em vermelho indica o capacitor de 100nF que tive que colocar para poder pressionar o botão da furadeira até o final Sem ele a controladora desarma por proteção de sobrecorrente. Descobri isso após algumas buscas, num site russo. A ligação da placa CF-4S30A-A nas baterias fica assim:

Esquema de ligação da controladora de carga

E tudo montado na caixa original da bateria:
Bateria montada na caixa
O carregador original da furadeira/parafusadeira carrega normalmente o novo pack. O melhor desta modificação é o peso da bateria que ficou bem mais leva que a original.
27 Jul 14:52

ANIMAIS NA PISTA

by Saudades do Rio


 
Animais soltos pelas ruas do Rio de antigamente não eram privilégio de uma determinada região, conforme mostram as fotos do “Correio da Manhã”.

Em 1955, os cavalos que servem às crianças no Jardim de Alá pastam tranquilamente na Av. Vieira Souto, defronte aos belos palacetes existentes na vizinhança do Country Club.

Em pleno 1962 um cavalo passeou pelo Campo de Santana. A foto foi feita incluindo o relógio da Central para evitar desmentidos. Em contato feito pela reportagem junto ao Departamento de Parques e Jardins, um funcionário, muito atencioso, respondeu: "Não brinquem, senhores, onde já se viu cavalo no Campo de Santana?" O cavalo tinha as iniciais "P.S." marcadas na anca.

E em 1965 eram vacas que passeavam pelo Largo do Campinho.


27 Jul 13:28

Zeca The Basset Hound

by Dogs

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Zeca the one year old upside down Basset Hound from Maceio, Brazil. Picture submitted by Carlos.

27 Jul 10:39

Poesia Completa de Ricardo Reis. Fernando Pessoa (via...



Poesia Completa de Ricardo Reis. Fernando Pessoa (via @vicky___jacob) #grifeinumlivro #livros #fernandopessoa

20 Jul 13:22

Spartacus The Pug

by Dogs

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Spartacus the 3 year old upside down Pug from Saint Louis, Missouri. Submitted by Laura.

12 Jul 12:13

G-G on Facebook - G-G on Twitter

03 Jul 22:51

“Em Cuba só tem três coisas que funcionam, é a segurança, a educação e a saúde!”

by As Cartas do Pai

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Rio de janeiro, 03 de Julho de 2018

Pai,

Desde os anos 60 você escutava gente falando mal de Cuba, e nos últimos tempos foi a mesma coisa, inclusive com faixas idênticas,  falando que “O Brasil não será uma nova Cuba”. Acho incrível que com toda a possibilidade que temos hoje, as pessoas ainda tenham preguiça de pesquisar um pouquinho. O assunto andou meio esquecido, e mesmo sem querer essas pessoas foram recebendo informações e a maioria parou, apesar de ainda ouvirmos alguns “Vai pra Cuba!”.
Agora, aos poucos, eles começam a deixar escapar algumas informações, alguns fatos, e a gente vai pescando e mostrando até pra quem não quer ver.
A última partiu justamente de um jornalista de um daqueles programas que ajudaram a espalhar o ódio e a desinformação.
O tal jornalista disse que “Em Cuba só tem três coisas que funcionam, é a segurança, a educação e a saúde!”
“Putz Grila”, como você dizia, pai! Fico sem entender este pessoal. Eles mentem tanto que esquecem que a verdade as vezes escapole.
O ato falho desse pessoal é que juntando as duas frases, podemos concluir que se eles não querem que o “Brasil seja uma nova Cuba”, e que lá “tem segurança saúde e educação”. Podemos ver que o que eles estão fazendo é exatamente lutar para que nós não tenhamos nada disso! Será que os que acreditaram neles estão conseguindo entender agora?
Quero Segurança, Saúde e Educação!
Quero que o Brasil seja uma nova Cuba, pai!
Um beijo do seu filho,
Ivan

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30 Jun 20:47

Assistindo à Copa

by Clara Gomes

29 Jun 13:22

FORTE DE COPACABANA

by Saudades do Rio


 
Hoje o “Saudades do Rio” toma a liberdade de copiar um estupendo “post” de Maximiliano Zierer.

“A foto mostra as obras de construção do Forte de Copacabana em 1910, na Ponta da Igrejinha, no Posto 6. No alto da foto, à direita, a Igrejinha de Copacabana.

 As obras de construção do Forte foram iniciadas em 5 de janeiro de 1908, sob a coordenação do Major Arnaldo Pais de Andrade, na presença do então presidente da República, Afonso Pena, e do Ministro da Guerra, Marechal Hermes da Fonseca.

As peças vieram desmontadas da Alemanha, em cinco mil caixotes, transportadas por navios e desembarcadas num cais especialmente construído para esse fim no local, onde os seus restos podem ser vistos até hoje.

 A obra foi inaugurada como Forte de Copacabana em 28 de setembro de 1914 pelo então Presidente da República, Marechal Hermes da Fonseca. A fortaleza foi considerada, à época, a mais moderna praça de guerra da América do Sul e um marco para a engenharia militar de seu tempo.

 Ao contrário do que muitos acreditam, a Igrejinha de Copacabana só foi demolida após a construção do Forte. Ela foi desapropriada por um decreto do dia 20 de março de 1918 e demolida no mesmo ano. A imagem de Nossa Senhora de Copacabana foi recolhida pela família Tefé à sua residência em Corrêas, Petrópolis. O fundador e a data em que a Igrejinha foi edificada ficaram perdidos no tempo. Sabe-se apenas que era antiqüíssima. Já em 1732 o bispo frei Antônio de Guadalupe, estando a ermida em ruínas, ordenava consertos no seu telhado, paredes e alpendres.”

Acrescento ao “post” do Zierer algumas informações e outras duas fotos, a última dos anos 70:

- O primeiro comandante do Forte foi o Major Antonio Carlos Brasil, que, no entanto, faleceu em 1912.

- Em 1913 houve um escândalo, pois “foi recebido e aplicado em uma fortaleza, material que posteriormente se reconhece ser imprestável”. Referência à importação feita da Casa Krupp de canhões e fuzis.

- Em 1914 foi nomeado comandante o Major Marcos Pradel de Azambuja.

- Como no dia 1º de Setembro de 1914 haveria a experiência da artilharia do Forte foi emitido aviso para os vizinhos de Copacabana e Ipanema deixaram portas e janelas abertas devido ao estampido dos grandes canhões.

- Ocupando uma área total de 114.169 m2, o Forte de Copacabana foi construído em forma de casamata, com 40.000 m2 de área e 12m de espessura em suas paredes externas. O Forte contava com canhões alemães Krupp, alojados em cúpulas encouraçadas e móveis. Dotado de usina elétrica própria, depósitos de víveres e munição, refeitório, cozinha, alojamentos e enfermaria, serviu como unidade de Artilharia e foi palco de acontecimentos importantes de nossa história, como o "Dezoito do Forte". Atualmente abriga o Museu Histórico do Exército, aberto diariamente à visitação pública.


29 Jun 13:10

Wanda the Golden Retriever

by Dogs

This is Wanda, an 8-week-old female Golden Retriever. Our two year old daughter named her! We went through a baby book of names and listed about 23 different names until my husband said, "A pup named Wanda" and she looked at us and said- "Yep, Wanda!" Our adult Lab's name is Ponch. SO I guess we have a bad 60's sitcome called "Ponch and Wanda's"! Come and knock on our door? Well that's all I have since she's just a widdle girl! Photo sent by Holly Oswald.
 

23 Jun 18:33

Everest the Newfoundland

by Dogs

This is Everest, an 8-week-old male Newfoundland from Sterling Heights MI. Photo sent by Gregg.

23 Jun 00:36

RIO HOJE

by Saudades do Rio

Nos tempos áureos dos fotologs, o prezado e atualmente frequentador do Facebook, Rafael Neto, o Rafito, especializou-se em mostrar como estavam os locais das fotos publicadas nos fotologs do Rio Antigo.
 
Pois o Joel Almeida fez isto com a fotografia de hoje.
 
Vemos a Rua Barão do Bom Retiro, no Grajaú, em 1961 e em 2018.
 
Obrigado ao Joel.

23 Jun 00:36

CAMPUS DA UEG

by Saudades do Rio
João M

UERJ






 
As fotos de hoje mostram o campus Francisco Negrão de Lima, da Universidade do Estado da Guanabara, localizado no bairro do Maracanã, Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro.

Foi erguido no local da antiga Favela do Esqueleto, conhecida por esse nome pois lá existia a estrutura abandonada da construção de um hospital público.

Em destaque, em foto de 1970, o Pavilhão Reitor Haroldo Lisboa da Cunha. Foi este professor do Colégio Pedro II e do Instituto de Educação que, à frente da UEG, criou a Faculdade de Engenharia do Estado, dotou a Faculdade de Ciências Médicas de um Hospital das Clínicas (Hospital Pedro Ernesto), melhorou as condições das faculdades e escolas existentes e trabalhou para efetivar o campus da UEG em Vila Isabel.

Em julho de 1968, sob a reitoria de João Lira Filho, foi firmado o contrato para a construção do campus universitário da UEG, no Maracanã, em terreno situado entre as ruas São Francisco Xavier, Turf Club e Avenida Radial Oeste, onde se localizava a Favela do Esqueleto.

No antigo “esqueleto” ficarão o CPD, Colégio Universitário, Instituo de Física e o Instituto de Matemática e Estatística. No conjunto escolar fiarão os Institutos Básicos de Biologia, Química, Física, Matemática, Letras, Desenho, Artes Aplicadas, Ciências Sociais e Geo-Ciências. O campus terá um auditório para 1500 pessoas, uma concha acústica, um Centro Estudantil. A previsão de alunos, ano a ano, foi de: 1969 (6500), 1970 (7500), 1971 (8500), 1972 (9500), 1973 (12000).

As duas últimas fotos mostram o terreno onde ficava a favela e o início das obras.

A Favela do Esqueleto já apareceu por aqui em:

http://saudadesdoriodoluizd.blogspot.com.br/2018/04/favela-do-esqueleto.html


23 Jun 00:34

COPA DE 1962

by Saudades do Rio

A memória é curiosa.

Vendo este postal com os campeões do mundo em 1962 e a tabela do campeonato no Chile (o dístico tem no verso toda a tabela, aparecendo numa “janela” os jogos das diversas fases quando se gira o disco da frente sobre o disco de trás), volto com facilidade àqueles tempos.

Havia a certeza de ser campeão, um pouco abalada pela contusão do Pelé no segundo jogo, é claro. Mas Garrincha surpreendeu, fazendo de tudo.

Há muito menos entusiasmo agora. A idade, a situação do país, as características desta seleção de “estrangeiros”, fazem tudo ser diferente.

Como será o comportamento da torcida? As ruas parecem desanimadas, sem o colorido das Copas recentes, mas será que com vitórias isto mudará?


16 Jun 22:47

Rui? Nome de goleiro português é palavrão dos fortes na Rússia

by Fábio Aleixo

De todos os jogadores da Copa do Mundo, não existe um que tenha nome tão feio para os russos como o goleiro de Portugal, Rui Patrício.

Por isso mesmo, na TV, costumam a se referir a ele apenas como Patrício e até a grafia de seu primeiro nome é alterada para publicação em jornais, de Хуй (RRui – som de dois erres) para Руй (Rui, som de erre entre vogais).

É mais ou menos a situação no Brasil do técnico da seleção austríaca , que se chama Franco Foda.

Isso acontece pois a palavra Хуй é um dos termos mais chulos do vocabulário russo, um palavrão dos bravos.

É tão feio que em 2014 o presidente Vladimir Putin instituiu um lei que quem for pego falando esta palavra em público pode receber até 2.500 rublos de multa (aproximadamente R$ 150).

Foi também decretada uma proibição para que aparecesse em obras de cinema, teatro e literatura.

Mas você deve estar curioso. O que significa Хуй?

É o termo chulo para se referir ao pênis. Algo como “cara…” Dependendo do contexto pode ser também entendido como “vai se f…”.

Portanto, se você se chamar Rui e estiver ou for para a Rússia tome cuidado para pronunciar seu nome para não ofender alguém e criar um incidente.

Outras palavrões que não devem ser falados.

Пизда (Pizda é o jeito vulgar de referir à vagina)
Ебать (Ebat significa f…-se)
блядь (Bliad é o jeito vulgar de se referir a uma prostituta)

16 Jun 02:36

AV. LINEU DE PAULA MACHADO

by Saudades do Rio
 
Hoje são várias fotos e um texto longo, mas saboroso. Frequentei muito, desde os anos 50, a casa de meu amigo Fernando Luiz, na Av. Lineu de Paula Machado, no Jardim Botânico/Lagoa. É um local de inúmeras boas recordações, até mesmo das aulas de Matemática que recebíamos da mãe dele.

Assim o Fernando descrevia a casa: "Excelente propriedade na zona sul do Rio de Janeiro, bairro tranquilo espremido entre as montanhas e a Lagoa Rodrigo de Freitas. Residência com 2 andares, 6 amplos quartos, varandas em 4 quartos, salas de jantar e de visitas, hall de entrada, escritório em cima da garagem com entrada externa, dependências de empregados separada da casa (ótimas para namoros fortuitos), cozinha, copa, despensa, área de serviço enorme com 2 tanques e mesa de mármore, compartimento próprio para a guarda de lixo, terraço térreo com canteiro de cristal, garagem para 1 veículo, sótão para a guarda de materiais diversos. Ambiente extremamente familiar, tranquilidade, tratamento carinhoso, porém com disciplina rigorosa, aprendizado prático para a vida. Permitida a presença de cães (por vezes escondido do proprietário).

Vantagens: canal na frente repleto de rãs (podendo ser construída até uma passagem privativa), cinema na quadra ao lado, estacionamento para jipes na frente da casa, clubes nas imediações. Escritório com coleção completa da Playboy americana cujas melhores fotos estão afixadas nas portas dos armários para deleite dos moradores, entregas em domicílio de leite, pães fresquinhos, manteiga etc…

Escola abandonada ideal para brincadeiras na vizinhança. Aulas particulares de matemática, celebrações inesquecíveis de aniversários, Natais e muitas outras atrações e facilidades.

Avisos: - Necessário manutenção constante do telhado que, em dias de chuva, apresenta centenas de goteiras, o que acarreta a necessita de esvaziamento manual com baldes a qualquer hora do dia ou da noite.

- Pinturas internas são feitas pelos próprios moradores independente de idade ou sexo com supervisão e participação da proprietária.

- A manutenção dos automóveis e até pintura são realizados pelos inquilinos com gerenciamento do proprietário.

Regulamentos: - Proibida a permanência sem camisa na mesa de refeições.

- Bermudas são toleradas dependendo do evento.

- Horários das refeições deverão ser rigorosamente observados.

- Após as refeições é obrigatório descanso de 1 hora.

- Alvorada às 6.00 hs.

- Em dias de semana a entrada à noite será permitida até às 19.00 hs e, nos finais de semana até 22.00 hs.

- Não é permitido adormecer na sala da única televisão.

- O canal de TV será sempre aquele escolhido pelos proprietários.

- Quando subir a escada interna, de madeira, evitar ruídos desnecessários.

- Permitida a conversa por telefone no máximo durante 3 minutos por dia.

- Não é recomendável participar das frequentes brigas internas.

- Totalmente proibido receber ligações externas de namoradas/os.

- Não é permitido namoricos no portão.

- Proibido pular o muro para a casa dos vizinhos.

OBS: as regras poderão sofrer modificações frequentes (e costumam sofrer…) dependendo do humor dos proprietários.

A Av. Lineu de Paula Machado, lado par, era interrompida pelo canal, por conta disso era deserta e se podia fazer toda sorte de brincadeiras e jogos em frente da casa.


A Av. Lineu de Paula Machado, até a década de 60, era uma rua tranquila sem muito movimento, bem diferente de hoje em dia quando o tráfego Lagoa-Humaitá passa por ela.

O ônibus era o 18, que fazia linha circular entre a Rua Xavier da Silveira, em Copacabana, e a Ponte de Táboas, no Jardim Botânico.




No último quarteirão havia cocheiras dos Paula Machado (ou Peixoto de Castro?), no canal havia gigóias que serviam de moradias para inúmeras rãs, e estas árvores, que antes eram esqueléticas, estão agora frondosas.
O Fernando chegou a fazer, com os irmãos, uma passagem própria, em frente de casa, para atravessar o canal, por pura preguiça de caminhar até a “pinguela”. Claro que também era aventura! Esta “construção” foi publicada em jornal da época (o Correio da Manhã) e numa das fotos publicadas aparece esta passagem e o Fernando todo orgulhoso da obra de "engenharia..."


 


13 Jun 10:00

Copo meio cheio

by ricardo coimbra
Quadrinho publicado hoje na Ilustrada
(Clique na imagem para aumentar)
08 Jun 16:25

CENTRO

by Saudades do Rio

 
A foto 1 é de 1965, no Campo de Santana. Vemos um caminhão blindado da Casa da Moeda escoltado por caminhonete e jipe da PM repleto de policiais. Não sei para onde se dirigiam.

Pelo menos há até poucos anos, não sei se ainda continua, saía um comboio da Av. Rio Branco, perto da Rua dos Beneditinos, por volta do meio-dia, acompanhado por vários veículos policiais. A informação era que se dirigia para a Casa da Moeda em Santa Cruz.

Este comboio saía de um dos poucos prédios sobreviventes da Av. Rio Branco, situado na esquina da Visconde de Inhaúma (foto 2). É o prédio que serviu à Caixa de Amortização, depois foi sede provisória do Ministério da Fazenda (1934/1943), abrigando inclusive o gabinete do Ministro, e na década de 60 é finalmente absorvido pelo Banco Central. Hoje, no local, funciona o Departamento de Meio Circulante (Mecir) e o dístico “Caixa de Amortização” foi substituído por “Banco Central do Brasil”.


08 Jun 16:24

PRAÇA JOSÉ DE ALENCAR

by Saudades do Rio


Nesta foto de Erwin Scheu, de 1935, vemos a região da Praça José de Alencar, na confluência das ruas Conde de Baependi e Marquês de Abrantes.
 
Na foto em detalhe vemos o bonde "Ipanema", nº de ordem 112, cujo ponto final na Praça General Osório já teve foto publicada aqui.
 
Armazém Colombo, à direita,  tinha o telefone 5-2040 e ficava na Praça José de Alencar nº 12. Nos anos 30 funcionava nos dias úteis das 7 às 19 horas, nos feriados das 7 às 18 horas, fechando aos domingos.
 
 
 

08 Jun 16:23

COPACABANA

by Saudades do Rio
 
Vemos a Av. N.S. de Copacabana nos anos 60, ainda com a estrutura dos ônibus elétricos.
  
Muitos fuscas e as luminárias Thompson (?), as favoritas do Decourt.
 
O trecho é entre as ruas Xavier da Silveira e Miguel Lemos, confirmado pela presença, à direita, da Casa Gelli, cujo endereço era Av. N.S. de Copacabana nº 1032.
 

08 Jun 16:19

EDIFÍCIO HEYDENREICH, PARTE 2

by orioqueorionaove

EDIFÍCIO HEYDENREICH, PARTE 2

ANTIGA CASA ALLEMÃ
RUA ALVARO ALVIM, 24 (OU PRAÇA FLORIANO, 23)
CONSTRUÍDO EM 1926 PELA COMPANHIA CONSTRUTORA NACIONAL S.A.

Edifício Heydenreich

Olá, amigos! Já escrevemos sobre o Edificío Heydenreich aqui no blog, mas nunca é demais acrescentar informações sobre tão interessante construção do século XX.

A Casa Allemã foi uma importante loja de móveis, tapeçarias e tecidos fundada na cidade de São Paulo em 1883 pelo imigrante alemão Daniel Heydenreich – daí o nome do prédio carioca. A empresa teve filiais em Campinas, Jaú, Ribeirão Preto, Santos e Rio de Janeiro. Aqui no Rio, ela já estava estabelecida nos números 27 e 29 da Rua da Carioca, até a inauguração, no dia 22 de janeiro de 1927, do majestoso prédio no novíssimo Bairro Serrador – ou Quarteirão Serrador – hoje Cinelândia.

Em 1943, com as perseguições aos estabelecimentos alemães no Brasil, a Casa Alemã trocou seu nome para Galeria Paulista de Modas, com o qual funcionou até fechar as portas definitivamente, em 1959.

Até hoje não conseguimos chegar ao nome do arquiteto que projetou o Edifício Heydenreich, mas é quase certo que, estando a construção a cargo de uma companhia de origem alemã – a Companhia Construtora Nacional -, o projeto tenha sido executado por um alemão – Ricardo Wriedt, quem sabe, ou Lambert Riedlinger, um dos sócios da empresa, talvez. Vale comparar as linhas do Heydenreich com o prédio contemporâneo da Academia Brasileira de Ciências, na Rua da Alfândega, 42 – link aqui -, saído da prancheta de Riedlinger.

Mas voltemos à ornamentação, que é o que interessa…

Na fachada voltada para a Cinelândia, o Heydenreich recebeu um baixo-relevo que nós reputamos como o mais emblemático dos Mercúrios cariocas, também de 1926, como o comprova a assinatura – ANNO 1926. JW. Além da beleza plástica do monumento, o Padroeiro dos Comerciantes apresenta-se aqui intimamente associado à cidade do Rio de Janeiro e sua vocação turística. Note-se que a seu lado ele tem o Morro do Pão de Açúcar e um transatlântico sugerindo esta vocação.

Agora, algumas atribuições artísticas…

A autoria do baixo-relevo é desconhecida. É sabido, entretanto, que o escultor alemão Josef Wackerle (1880-1959) assinava algumas de suas obras com as iniciais JW e que era costume os artistas europeus enviarem de navio as encomendas recebidas do exterior. Além disso, não só o período se encaixa – ele teria 46 anos ao fazer o Mercúrio do Heydenreich – como a comparação feita na Internet com outros de seus baixos-relevos bate perfeitamente.

Apesar de não assinado, pode ser igualmente da autoria de Wackerle o baixo-relevo colocado no hall dos elevadores do prédio carioca, visto na Figura 1… Mais uma vez, cartas para a redação, por favor…

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Figura 1. Edifício Heydenreich. Baixo-relevo no hall dos elevadores.

 

Mas não é só. O coroamento do prédio foi decorado com uma enorme estrutura que mais parece uma grande ave de rapina futurista pronta para decolar – reparem na Figura 2, abaixo.

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Figura 2. Coroamento do Edifício Heydenreich.

 

E tem mais. Ainda de frente para a Cinelândia, ornamentos simétricos acima das janelas do décimo andar e sob a primeira moldura superior trazem figuras femininas que só a sensualidade déco soube exprimir. Confira na Figura 3.

Por hoje é só.

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Figura 3. Figura feminina entre ornamentação art déco.

05 Jun 15:24

A AMBIÇÃO

by noreply@blogger.com (tesco)

Um rato vivia debaixo de um celeiro em cujo chão 
havia um furinho por onde caía o trigo grão a grão. 
Era o suficiente para ele viver tranquilamente 
sem passar fome. 

Mas o rato quis fazer ostentação do seu bem-estar. 
Roeu a madeira do assoalho e alargou o furinho 
até deixá-lo da largura de um dedo polegar. 

Depois, foi visitar uns ratos conhecidos e mesmo
desconhecidos e disse-lhes, dando importância: 

— Por que vocês não vêm visitar-me? 
Tenho uma despensaabundantíssima, 
onde há trigo para todos. 

Aceitando o convite, muitos ratos foram visitá-lo 
e o dono da casa, quando ia levar as visitas para comer, 
notou que já não havia o buraco de passagem e, 
portanto, não havia trigo. 
O que havia ocorrido? 

Apenas o seguinte: o furinho do assoalho passava 
despercebido, mas o buraco feito pelo rato foi logo visto 
pelo dono do celeiro, que imediatamente o tapou.
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 (Lev Tolstói, “Contos e fábulas”)