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12 Sep 20:49

Unreachable State

ERROR: We've reached an unreachable state. Anything is possible. The limits were in our heads all along. Follow your dreams.
08 Jul 21:07

Trained a Neural Net

It also works for anything you teach someone else to do. "Oh yeah, I trained a pair of neural nets, Emily and Kevin, to respond to support tickets."
02 Jul 00:02

Coordinate Precision

40 digits: You are optimistic about our understanding of the nature of distance itself.
01 Jul 07:15

De um pai para seus amigos

by Tiago Koch

Fala, galera! Beleza? 

Como vocês já sabem, minha filha nasceu. O que posso afirmar é que esse é o momento mais louco da minha vida.

Escrevo essa carta justamente para contar para vocês o que está acontecendo ultimamente, visto que não tenho mais respondido no nosso grupo de WhatsApp e nem ido nas nossas peladas de quarta-feira à noite. Inclusive, podem liberar a minha vaga aí pois, pelo visto, vou ficar um tempo ausente.

Minha filha está super saudável, linda, maravilhosa. Acho que puxou a mãe, só pode. Realmente, uma benção em nossas vidas.

Mas esta carta não é para falar da minha filha e, sim, de mim.

Ser pai é realmente uma coisa incrível. O parto mesmo, só quem vive sabe o quanto transforma, pelo menos foi isso que senti.

Porém, as coisas não são só flores como imaginava. Claro que já sabia das dificuldades para dormir e das fraldas para trocar, mas nunca imaginei que seria assim, tão maravilhoso mas tão difícil ao mesmo tempo.

Ando exausto, sem vitalidade. Tive que voltar para o trabalho 5 dias após o nascimento da minha filha e logo que cheguei recebi um aperto mão do meu gerente, um parabéns, uma lista da tarefas imensas e a seguinte frase: "A empresa está crescendo e esse mês precisamos bater todas as metas, conto com você para isso."

Ou seja, estou trabalhando tanto ou mais que antes.

Em paralelo, tenho tentado me dedicar ao máximo para fazer minha parte nas coisas de casa e com a bebê, mas tá foda.

Minha esposa também está exausta e fico com o coração partido todos os dias que tenho que sair para trabalhar. Tem dias que parecemos dois zumbis.

Tenho me sentido triste de vez em quando. Muito louco isso, não é? Como assim, posso estar triste se minha filha acabou de nascer? Justo a coisa mais importante da minha vida aconteceu. Mas estou! Triste, cansado, me sentido só, sem ninguém para falar, para chorar. Sério, eu ando com vontade de chorar. 

Minha parceira está assim como eu também.  Na verdade, pelo que tenho visto e ouvido, acredito que está ainda mais difícil para ela, por isso, não quero sobrecarregá-la mais ainda com os meus problemas.

Vocês sabem que não sou muito de pedir ajuda, mas estou precisando de vocês, de verdade, mais do que nunca. Tô ficando maluco.

Preciso desabafar, preciso de apoio, preciso de mais braços para realizar tudo que tenho que fazer.

Já fazem quase dois meses que não nos encontramos. Eu sumi, mas vocês também sumiram. Sei que a vida é corrida, mas acho que nunca precisei tanto de vocês na vida.

Vejo as amigas da minha esposa nos visitando e dando suporte para ela. Cozinham, ficam com a bebê enquanto ela toma banho, fazem até as unhas dela.

Claro que não quero que vocês façam minhas unhas, mas sinto falta de apoio dos meus amigos homens.

Não sei ao certo como vocês podem me ajudar, só sei que preciso de vocês. 

Quarta-feira de noite minha esposa vai numa peça de teatro, algo bem rápido, e pela primeira vez vou ficar sozinho com a bebê. Sei que é o dia da pelada, mas pensei que seria incrível se pelo menos um de vocês pudesse vir aqui em casa me dar uma força.

Confesso que estou bem inseguro.

Então, se alguém se animar, é só chegar.

Bom, já escrevi pra caralho e tenho que agilizar umas coisas por aqui.

Forte abraço, um soco no olho de cada um e me liguem, porraaaa!

Tamo juntos!

01 Jul 03:15

Google revela preço e data de lançamento do Stadia

by Dori Prata

Quase três meses após anunciar o seu serviço de streaming de jogos, o Google resolveu revelar mais alguns detalhes do Stadia. O primeiro e talvez mais importante deles seja a data de lançamento, que está marcada para novembro de 2019 e acontecendo em 14 países. Como era de se esperar, infelizmente o Brasil não está nesta primeira leva e por enquanto não temos nem previsão de sermos atendidos.

Algo muito importante em relação ao lançamento do Stadia é que na data citada acima ele só estará disponível para quem adquirir a Founder’s Edition. Custando US$ 129,99 e com a sua pré-venda já tendo iniciado, ela nos garantirá um controle na cor azul escuro (como na foto), um Chromecast Ultra, três meses de acesso ao plano Stadia Pro e um passe de também três meses para darmos a um amigo. Com ela ainda ganharemos uma cópia do Destiny 2 com todos os DLCs já criados para o jogo.

Já em relação o Stadia Pro, trata-se de uma assinatura que custará US$ 9,99 por mês e que com ela teremos acesso a jogos em 4K, a 60 FPS e com suporte a HDR e som 5.1 surround. Além disso, o plano nos garantirá descontos ao comprarmos os títulos que serão vendidos na loja e acesso a alguns games gratuitos, possivelmente da mesma maneira que vemos na PlayStation Plus ou na Xbox Live Gold.

Porém, a partir do início de 2020 o Google nos permitirá criar contas gratuitas no Stadia, quando então passaremos a poder usar o serviço em outras plataformas como o PC. Neste caso os jogos rodarão a 1080p e 60 FPS, além de contarem com som apenas estéreo. Desta forma poderemos comprar os jogos que nos interessarem, mas devido a natureza do streaming não precisaremos de uma máquina parruda nem termos que fazer download ou instala atualizações.

E por falar em jogos, o Google confirmou uma lista com mais de 30 títulos para o Stadia, sendo que vários estarão disponíveis já no lançamento do serviço. São eles:

  • Assassin’s Creed Odyssey - Ubisoft
  • Baldur’s Gate 3 - Larian Studios
  • Borderlands 3 - 2K Games
  • The Crew 2 - Ubisoft
  • Darksiders Genesis - THQ Nordic
  • Destiny 2 - Bungie
  • Doom - Bethesda
  • Doom Eternal - Bethesda
  • Dragon Ball Xenoverse 2 - Bandai Namco
  • The Elder Scrolls Online - Bethesda
  • Farming Simulator 19 - Giants Software
  • Final Fantasy 15 - Square Enix
  • Football Manager - SEGA
  • Get Packed - Coatsink
  • GRID - Codemasters
  • Gylt - Tequila Works
  • Just Dance - Ubisoft
  • Metro Exodus - Deep Silver
  • Mortal Kombat 11 - Warner Bros. Interactive
  • NBA 2K - 2K Games
  • Power Rangers: Battle for the Grid - nWay Games
  • Rage 2 - Bethesda
  • Rise of the Tomb Raider - Square Enix
  • Samurai Shodown - SNK
  • Shadow of the Tomb Raider - Square Enix
  • Tom Clancy’s Ghost Recon Breakpoint - Ubisoft
  • Tom Clancy’s The Division 2 - Ubisoft
  • Tomb Raider Definitive Edition - Square Enix
  • Thumper - Drool
  • Trials Rising - Ubisoft
  • Wolfenstein: Youngblood – Bethesda

Como pode ser visto, há jogos para todos os gostos aí, incluindo alguns FPS e títulos de esporte, gêneros estes que exigem um tempo de resposta bem rápido e que servirá para termos uma real noção do quão viável será esta tentativa do Google de entregar jogos por streaming.

Contudo, eu diria que deste o grande destaque é o Baldur’s Gate 3, jogo que vinha sendo especulado nos últimos dias e que acredito que não poderia estar em melhores mãos. Desenvolvido pela Larian Studios, a mesma responsável pelos dois excelentes Divinity: Original Sin, o novo RPG está sendo criado em cima das regras da quinta edição do Dungeons & Dragons e de acordo com o estúdio, este é o maior projeto em que já estiveram envolvidos.

O pessoal da Larian também afirmou que o jogo não passará por uma campanha de financiamento coletivo e que ainda não existe uma data para ele ser disponibilizado. Mesmo assim eles garantem que, assim como aconteceu com os seus últimos projetos, existe o interesse em contar com o feedback da comunidade para que desta forma o Baldur’s Gate 3 se torne mais parecido com o que gostaríamos de receber.

A má notícia para os jogadores de consoles é que por enquanto o título foi confirmado apenas para PC e para o Stadia. Porém, se considerarmos o passado da Larian Studios, é muito provável que versões apareçam depois pelo menos no Xbox One e no PlayStation 4.

Update: o Google também confirmou que para atingirmos o máximo de desempenho fornecido pelo Stadia será preciso uma conexão de pelo menos 35 Mbps. Para conferir se a sua internet dará conta do recado e qual nível de qualidade será entregue pelo serviço, você pode acessar esta página, que funciona mesmo aqui do Brasil.

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26 May 01:58

Cubesat Launch

Luckily, the damages were partly offset by the prize money we got from accidentally winning the nearby water skiing championship tournament.
26 May 01:57

Appendicitis

Fortunately, after a brief skirmish, I seem to have gained the upper hand in the battle against my internal organs, at least until they learn to read and find out the mean stuff I've said about them.
26 May 01:50

M87 Black Hole Size Comparison

I think Voyager 1 would be just past the event horizon, but slightly less than halfway to the bright ring.
26 May 01:48

New Robot

"Some worry that we'll soon have a surplus of search and rescue robots, compared to the number of actual people in situations requiring search and rescue. That's where our other robot project comes in..."
26 May 01:46

Losing touch

by CommitStrip

26 May 01:44

Avengers Endgame Trailer – Developer edition [No spoilers]

by CommitStrip
Note : Strip written without having seen the movie, so there is no spoil at all, we haven’t watch it yet.

26 May 01:43

IDE Depression

by CommitStrip

25 May 23:50

Não ria: app de aluguel de carros hackeada; pelo menos 100 Mercedes desaparecidas

by Carlos Cardoso

A internet tem uma longa tradição de falhas de segurança constrangedoras. Sem pensar muito eu lembro de um app de envio de imagens que usava URLs públicas e nomes sequencias (343478.jpg, 343479.jpg), e uma empresa que permanecerá anônima, onde a senha do formulário "esqueci minha senha" era enviada via um email que ficava em um campo hidden no HTML da página.

Essas falhas de segurança se tornam mais divertidas quando interagem com o mundo real e hoje foi um dia desses. A vítima, um app chamada Car2Go, uma versão para hipster ricos daqueles malditos patinetes que, junto com as peças de plástico na ponta dos cadarços (chamadas agulhetas), têm um propósito sinistro.

O conceito é simples: você se cadastra no aplicativo e se precisar de um carro, pesquisa na sua região próxima se há algum estacionado. Reserva, vai até ele, abre a porta via Bluetooth ou NFC, e usa o carro pelo tempo combinado, após o qual você o deixa em um lugar pré-determinado e segue sua vida.

Você sabe, como pegar um táxi, só mais caro, complicado e inconveniente.

A Car2Go funciona em 10 cidades na América do Norte e disponibiliza três modelos, o Smart ForTwo, para hipsters, e Mercedes GLA e CLA, pra gente normal.

O produto é, reconheço, bem-pensado, mas como sempre pisaram na bola na implementação, afinal coisas como segurança, criptografia, testes de intrusão e o Departamento de Vai Dar Caca não são cool, e quem tem tempo pra isso? O produto tem que ir pra rua!

O resultado: alguém descobriu como hackear o app e a informação foi espalhada rapidamente para um monte de gente em Chicago. Logo mais de 100 carros foram acessados e, segundo fontes acompanhando o rádio da polícia, vários foram usados em crimes.

A Car2Go suspendeu o serviço na cidade, enquanto isso estão desabilitando os carros remotamente e repassando as coordenadas de localização para a polícia. Até agora 12 pessoas foram detidas.

Eles insistem que não foram hackeados nem nenhum dado dos usuários foi acessado, mas hoje em dia o termo "hacking" é usado de forma mais abrangente, e um simples macete descoberto, uma combinação de comandos ou um menu escondido ou mal programado é chamado de hack.

Agora é correr atrás do prejuízo, o único consolo é saber que um monte de gente comete os mesmos vacilos, vide o McDonald´s, cujo estagiário programou porcamente a sub-rotina de descontos e permitiu que alguns espertos conseguissem hamburgueres - hamburguers - sanduíches  de graça num terminal de autoatendimento:

 

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25 May 23:48

NASA descobre que astronautas são tão espertos quanto ratos (ou algo assim)

by Carlos Cardoso

Hoje achamos natural até astronautas flutuando (ok, tecnicamente caindo) no espaço, mas nos primórdios, pré-Gagarin ninguém sabia se seria realmente assim. havia todo tipo de especulação sobre o que aconteceria com um ser vivo no espaço.

Alguns cientistas achavam que qualquer ser vivo morreria imediatamente, pois o corpo não conseguiria bombear sangue sem gravidade. Outros achavam que os pulmões se encheriam de líquido. Como o estado de imponderabilidade, ou microgravidade é basicamente queda livre, havia quem achasse que as pessoas enlouqueceriam com a sensação de estar caindo eternamente.

Os mais otimistas achavam que sem a gravidade a comida no estômago ficaria flutuando, causando enjôo, gastrite e vômito incontrolável.

Foram feitos experimentos cautelosos com animais mas nenhum ficou solto, e convenhamos é complicado entrevistar um hamster para determinar como ele se sentiu no espaço. Os testes com o Cometa-Vômito (e seu equivalente soviético) foram inconclusivos, muita gente passava mal, mas se acostumava.

Testes foram feitos inclusive com gatos, que tem um ótimo reflexo de cair nas quatro patas, reflexo esse que foi completamente zoneado nos testes dos americanos...

E dos soviéticos.

 

Com os vôos orbitais para alívio de todo mundo os astronautas sobreviveram, com alguns efeitos colaterais. As extremidades do corpo tendem a ficar inchadas, e sem a gravidade puxando o sangue para baixo, junto com outros fluídos, o cidadão fica o tempo todo meio congestionado, por isso inclusive astronautas gostam de comida bem condimentada. É o jeito de sentir gosto de alguma coisa.

Os testes, claro, continuam até hoje, e uma dúvida é se outras espécies conseguem se adaptar tão bem ao ambiente de microgravidade. A NASA fez experimentos com ratos que não só mostraram uma incrível capacidade de adaptação, como parecem estar legitimamente gostando da microgravidade.

Parte do objetivo dos testes era descobrir se poderiam manter ratos em missões de longa duração, para estudar outros efeitos fisiológicos da microgravidade, eficiência de medicamentos, etc. Se o ratinho coitado tivesse um treco com cinco dias no espaço, seria inútil como cobaia.

No vídeo divulgado pela NASA nos primeiros dias os ratos ainda estão aprendendo a usar suas patas espaciais, mas logo aprender a andar usando as garras como ganchos, e no final de 11 dias a desorientação espacial é zero, com direito a transformarem a pequena jaula em uma pista de corridas:

Isso imediatamente lembrou uma cena famosa na História Espacial: Em 1973 os Estados Unidos lançaram sua primeira estação espacial, o Skylab, este bicho aqui:

Ele só foi ocupado por 171 dias, em três missões num total de nove astronautas, no final reentrou na atmosfera terrestre descontrolado em 1979, atingindo o deserto da Austrália (o que nem é difícil) o que resultou numa multa de US$400,00 por sujar as vias públicas (a NASA não pagou.

Nesse meio-tempo muito foi aprendido sobre a permanência de humanos no espaço por longos períodos de tempo, mas uma das cenas mais icônicas aconteceu por acaso.

Como o Skylab era enorme (basicamente um terceiro estágio de um Saturno V adaptado) havia espaço para sessões de ginástica espacial como esta feita por Alan Bean:

Logo os astronautas começaram a experimentar mais ainda com o ambiente, e descobriram que a Física estava do seu lado, e usando a boa e velha força centrífuga, conseguiam usar o anel de armários do Skylab como pista de corrida.

Igual aos ratos aprenderam.

E não, não passou longe de ninguém a semelhança entre os astronautas no SkyLab e a centrífuga em 2001: Uma Odisséia no Espaço, a NASA inclusive quando mostrou pela primeira vez as imagens usou como trilha Assim Falava Zaratustra, tema do filme de Stanley Kubrick e Arthur Clarke.

Quanto aos ratos, não tem final feliz, no final da missão eles serão eutanasiados e enviados de volta pra Terra para estudos.

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25 May 23:38

O buraco negro da Galáxia M87: Os 30 pixels que encantaram o mundo - Parte 2: A Missão

by Carlos Cardoso

Previously on Battlestar Galactica...

No artigo anterior nós vimos o básico dos buracos negros, como são formados com a morte de estrelas gigantes, hoje vamos entender como o pessoal do Event Horizon Telescope conseguiu fazer a imagem do buraco negro M87, qual a dificuldade e a importância disso tudo...

A M87, abreviação de Messier 87, ou 87o objeto no Catálogo Messier é uma galáxia que fica a 53 milhões de anos-luz da Terra, e não deve ser confundida com a Nebulosa M78, lar do Ultraman. Na foto acima ela é o ponto amarelo à esquerda, o resto é um jato de plasma emitido pelo buraco-negro gigante em seu núcleo. Ele é gigantesco, tem 1500 parsecs de comprimento, o suficiente para o Millenial Falcon fazer a Corrida de Kessel 125 vezes.

A imagem foi feita pelo Hubble, mas o segredo não é ampliação, pois galáxias não são coisas pequenas. Andrômeda por exemplo tem 3.167° de comprimento por 1° de altura. Quão grande é isso? A Lua tem 0.5° de diâmetro. isso mesmo, a Lua é bem menor do que imaginamos. De horizonte a horizonte Cabem 360 luas lado-a-lado.

Andrômeda é visível a olho nu como uma nuvem muito difusa, mas se aumentarmos seu brilho, este seria seu tamanho aparente:

Andrômeda está aqui do lado, a uns 2,5 milhões de anos-luz, e pior, está em rota de colisão com a Via Láctea, em 4,5 bilhões de anos as duas galáxias irão se mesclar em um evento catastrófico que formará uma nova estrutura. Aqui uma dramática simulação da colisão:

Já a galáxia M87, qual seu tamanho aparente? Bem, ela tem um diâmetro aparente de 7.2 minutos de arco. Comparado com a Lua esse diâmetro faria a M87 se fosse brilhante o suficiente para ser vista em detalhes ter este tamanho no céu:

Calma. Minutos, segundos, que diabo é isso?

A astronomia usa conceitos bem fundamentais de geometria, que você ainda se lembraria se seu professor não apostasse só na decoreba. São bem simples. Lembra do bom e velho transferidor?

Imagine que você está ali no meio. Olhe pra sua esquerda, reto. Agora suba o olhar, até olhar diretamente para cima. Parabéns você está olhando em um ângulo de 90 graus. Olhe para a direita, também reto. Na altura do horizonte temos 180 graus.

Como objetos no céu, ao contrário de dinossauros no retrovisor de Fords Explorers não são maiores do que aparentam, precisamos de subunidades para determinar o tamanho das coisas. Objetos grandes (ou próximos) como o Sol e a Lua podem ser medidos em minutos de arco. Um ângulo de um grau é dividido em 60 minutos de arco, ou 60'.

Assim a Lua (e o Sol) tem um diâmetro aparente de 1/2 grau, ou 30 minutos. Objetos menores ou mais distantes têm diâmetro menor ainda, Marte tem diâmetro aparente de 3,5 segundos de arco, ou 3,5".

E o Buraco Negro? Bem, a galáxia M87 tem 7.2 minutos de arco de diâmetro, mas o buraco negro em seu centro tem 40 μas, ou quarenta micro-segundos de arco. Um micro-segundo de arco é um milionésimo de segundo.

Já deu pra entender, né? Você pega um céu com 180 partes. Uma dessa parte você divide em 60 partes menores. Aí divide de novo em mais 60. Então a fatiazinha você divide em um milhão. Veja a comparação entre a resolução do Hubble e a obtida pelo Event Horizon Telescope. A imagem começa com o tamanho relativo de um pixel do Hubble:

Como conseguiram então?

Imagine que você tem uma luneta bem fina. Você aponta para um carro do outro lado da rua. Consegue ver perfeitamente um detalhe da placa, mas como você está dentro de seu próprio carro, não consegue ver outras partes. Você então avança alguns metros, aponta a luneta de novo e vê outro detalhe do carro, mais um número da placa.

Volta outros tantos metros e vai aos poucos montando uma imagem do carro como um todo.

Uma boa analogia foi apresentada pela Dra Katie Bouman: Imagine um teclado onde você só consiga ouvir algumas notas. É impossível entender a música. Agora coloque mais pessoas, cada uma ouvindo algumas notas. Se todas combinarem suas observações, a música passa a fazer sentido, se torna reconhecível.

No nosso caso cada nota é um radiotelescópio, e o nome da técnica é interferometria. É usada para combinar observações de antenas individuais, formando um radiotelescópio virtual com resolução muito maior, tipo o Very Large Array, no Novo México. Sim, o usado em Contato:

São 27 antenas de 25 metros de diâmetro cada, juntas forma um círculo que pode chegar a 21km de raio. Em conjunto elas conseguem uma resolução de 0.2 segundos de arco. Veja a Galáxia M87 e seu jato de plasma superaquecido, observado pelo VLA:

0.2 segundos de arco é bom mas o buraco negro é muito menor.

Relativamente falando, claro, é um dos maiores buracos negros do Universo, com dezenas de bilhões de vezes mais massa que o Sol, com um diâmetro de 0.12 parsers, ou 0.39 anos-luz, ou 25000 Unidades Astronômicas. O Sistema Solar nas estimativas mais otimistas tem 180 UAs de diâmetro. Só que a M87 tem mais de 240 mil anos-luz de uma ponta a outra.

Como saltar de segundos de arco para milionésimo de segundo de arco? Pra isso seria necessário um radiotelescópio do tamanho da Terra, e isso é impossível, certo?

Hold My Beer, disse esse pessoal:

OK na verdade esse pessoal é apenas um dos grupos, no total foram 207 cientistas de 62 instituições em 18 países (você não, Brasil) que utilizaram 6 radiotelescópios, dois no Chile, dois no Hawaii, um na Espanha, outro no México, um no Arizona e outro no Pólo Sul.

O trabalho de coordenar as observações foi fenomenal, é preciso configurar os equipamentos para todos registrarem as exatas mesmas frequências no exato mesmo momento, mas isso é apenas o começo. Um radiotelescópio não usa luz, não produz uma imagem. O que um radiotelescópio capta é intensidade e polarização de sinais de rádio, esta é a saída de dados de um radiotelescópio:

Esses dados vieram do NRAO/SKYNET 20 Meter Geodetic Radio Telescope, um radiotelescópio na Virgínia Ocidental, neste link você acessa as observações dele em tempo real, e aqui os dados brutos.

Esses dados plotados em gráficos resultam em algo bem diferente de uma foto. Esta é a Nebulosa de Orion, vista por um telescópio óptico:

Esta é Orion "vista" pelo NRAO:

Então, como se chegou a esta imagem do buraco negro, que parece ser muito mais detalhada?

Simples (ok, palavra errada). A estrutura montada mais que dobrou a capacidade máxima de gravação de dados. Em pleno funcionamento as antenas do EHT gravavam sinais captados a uma velocidade de 64 Gbps.

Segundo um dos papers do projeto, para operações em grande altitude foram usados 128 hard disks de entre 6 e 10TB, gravando em paralelo totalizando 1PB de armazenamento. Foram 10000 horas de gravações, os discos funcionando em altitudes de até 5100m com zero falhas. Palmas pra Western Digital, que patrocinou o projeto.

 

O sistema de gravação de dados é uma coisa linda, ele recebe duas streams de dados a 8Gbps cada e usando conexões Ethernet de 10Gbps divide os dados entre 32 Hard Disks, que isoladamente jamais conseguiriam lidar com 16Gbps, resultando em uma condição que descrita em termos altamente técnicos seria a piada da formiguinha e do elefante.

E o tal Algoritmo?

Algoritmo é um conceito bem simples, é ensinado nos cursos de computação como uma receita de bolo, uma forma de você ensinar ao computador como fazer alguma coisa, independente de linguagem.

Digamos que eu tenha um mapa-mundi. Eu preciso pintar de azul os pixels onde for mar, e de marrom os pixels onde for terra. Se eu tiver informação de altitude de cada pixel, o algoritmo é trivial:

1 - identifique a altitude do pixel

2 - se o pixel tiver altitude acima de zero, pinte de marrom, do contrário pinte de azul

3 - repita para todos os pixels.

Claro que quanto mais complexo o cenário mais complicado o algoritmo. Em Age of Empires quando você seleciona uma unidade e a manda chegar até um determinado ponto no mapa, ela usa um algoritmo de caminho chamado A* (A-Star) criado em 1966 para o Shakey, um robô do Stanford Research Institute.

No caso do EHT era preciso um algoritmo para transformar os dados em uma imagem, mas há um problema. Há muitas variáveis arbitrárias, muitas formas pelas quais o criador do algoritmo e seus programadores podem influenciar mesmo sem-querer o resultado final.

Ah, este é um dos algoritmos usados:

Eu explicaria em detalhes mas o artigo está ficando muito longo...

O algoritmo tem que preencher muitas lacunas, e facilmente dados e ruído podem ser confundidos. A solução foi criar quatro grupos independentes usando variações dos algoritmos e cada um escolhendo por conta própria os parâmetros de configuração.

Os grupos não mantiveram comunicação entre si, para garantir a independência dos resultados.

Os resultados foram comparados e usados para criar a versão final da imagem, usando contribuições de todos os grupos. Essa é a imagem mais "auditada" da história da radioastronomia, então não poderiam dar chance ao acaso ou ao erro humano. O resultado é que o software final ficou tão bom que as simulações (nas pontas) ficaram basicamente idênticas  à imagem do meio, produzida com dados reais.

O círculo pequeno é o limite de resolução do radiotelescópio, tecnicamente, um pixel. Os contornos difusos são cortesia do algoritmo que suaviza as bordas. As variações de temperatura, que são menores que um pixel são obtidas pelas variações de leitura de cada pixel em várias iterações.

A imagem do Buraco Negro M87 é histórica, mas é um 14 Bis, com a diferença é que nós sabemos como fazer um Concorde: Temos hoje a tecnologia para montar um radiotelescópio no lado oculto da Lua e ao invés de 10000Km teremos um radiotelescópio virtual de 300 mil km de diâmetro. O céu literalmente não é o limite.

Esse trabalho com certeza renderá um Nobel, e irá para o EHT como um todo, mas mesmo assim é pouco. É uma conquista de toda a Ciência, do Diretor do Projeto à tia do café, e sendo realista todos os envolvidos darão muito mais crédito à tia do café.

Para Saber Mais:

  1. First M87 Event Horizon Telescope Results. IV. Imaging the Central Supermassive Black Hole
  2. SUPER-RESOLUTION FULL POLARIMETRIC IMAGING FOR RADIO INTERFEROMETRY WITH SPARSE MODELING
  3. First M87 Event Horizon Telescope Results. II. Array and Instrumentation
  4. Astronomers Capture First Image of a Black Hole

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25 May 23:25

O buraco negro da Galáxia M87: Os 30 pixels que encantaram o mundo - Parte 1

by Carlos Cardoso

Levou anos e custou uma fortuna, felizmente o Event Horizon Telescope, um projeto multinacional com patrocinadores do mundo todo (você não, Brasil) tinha os dois, e conseguiram o impossível: Produzir a primeira (radio)imagem direta de um buraco negro.

Mais importante do que a imagem em si é a pesquisa ser mais uma comprovação da existência desse fenômeno cósmico. algo tão inconcebível que por décadas não foi mais que uma curiosidade matemática, um exagero teórico, mas buracos negros existem, e são a grande vingança, a vitória final da mais humilde, da mais fraca e insignificante das Forças Fundamentais do Universo, a Gravidade.

1 - Forças Fundamentais

O Universo, segundo nosso modelo-padrão da Física é mantido por quatro forças fundamentais: O Amor, A esperança-nah, zoeira. São a Força Nuclear Forte, a Força Nuclear Fraca, a Força Eletromagnética e a Gravidade.

A Força Nuclear Forte é o que mantém os núcleos atômicos unidos, ela é necessária para sobrepujar a repulsão eletrostática, do contrário dois prótons jamais conseguiriam existir juntos. Ela é extremamente forte, mas só existe em uma distância muito pequena, 10-15 metros, pouco além do diâmetro do núcleo de um átomo.

A Força Nuclear Fraca, ou Interação Eletrofraca é mais limitada ainda, seu alcance não vai além do diâmetro de um Próton, ou 10-18 metros. Ela interage apenas entre partículas próximas, é responsável pelo decaimento radioativo das partículas, transportando massa, spin e carga elétrica entre elas.

A Força Eletromagnética é literalmente responsável por tudo que a gente vê. Existe na forma de luz, ondas de rádio, campos magnéticos e na maçaneta carregada de eletricidade estática que você sempre espera um trouxa abrir antes de entrar no escritório. Ao contrário das outras, seu alcance é infinito, com sua intensidade diminuindo em relação ao quadrado da distância.

A Gravidade é a mais complicada. Dependendo do modelo ela age como uma força real ou uma pseudoforça, se usarmos o modelo de distorção da estrutura do espaço-tempo. Ela alcança o infinito, mas é muito, muito fraca.

Se a Força da Gravidade tiver um valor arbitrário de 1, a Força Nuclear Fraca teria intensidade equivalente a 1025, ou:

10000000000000000000000000 vezes mais forte.

A Força Eletromagnética é mais forte ainda, com intensidade relativa de 1036, ou:

1000000000000000000000000000000000000 vezes mais forte.

A Força Nuclear Forte atinge 1038, ou

100000000000000000000000000000000000000 vezes mais forte.

Vamos a um exemplo prático: Pegue sua caneca de café e levante, 10cm acima da mesa. Segure por um momento.

Ao fazer isso você está exercendo na caneca a mesma força que a Terra, com 5972000000000000000000  toneladas de massa. Com pouquíssima energia conseguimos gerar campos magnéticos muito mais fortes do que a gravidade:

A grande diferença é que a gravidade é cumulativa. Quanto mais massa, mais gravidade e isso não tem limite. Com pouca massa você forma objetos como Ultima Thule, o asteróide em forma de panqueca visitado pela New Horizons, além de Plutã0.

A medida que você vai acrescentando massa, a gravidade aumenta e depois de determinado ponto a força gravitacional é mais forte do que o atrito e as forças eletrostáticas mantendo a matéria unida, e esta é atraída para o centro do objeto. Como a intensidade é a mesma para todas as direções, o objeto se torna esférico. Nesse momento ele deixa de ser um asteróide e vira um planeta anão, ou uma lua, se estiver orbitando um planeta maior.

Ceres é um planeta anão com 946 km de diâmetro, o suficiente para ficar... esférico.

Esse aliás é um dos motivos básicos para Terraplanismo não fazer sentido, o básico do que entendemos da Gravidade teria que estar errado, para algo com a massa da Terra ser plano.

Se continuarmos a adicionar massa, um fenômeno começa a aparecer, e ele é bem conhecido, você já deve ter experimentado, usando algo parecido com isto:

Quem usou uma bomba de... bicicleta, isso, de bicicleta ou de bola de futebol sabe que ela fica quente. Gases comprimidos aumentam de temperatura, mas essa característica é comum a todo tipo de matéria, quando você dobra um vergalhão, se achando o Super-Homem até perceber que não é tão difícil assim percebe que ele fica quente na dobra. Isso funciona até com clipes de papel.

Agora imagine isso em escala planetária. Júpiter tem um núcleo de Hidrogênio metálico comprimido por uma pressão gravitacional imensa, que o aquece a uma temperatura de 24000 graus Celsius, mas isso é só o começo. Na falta de um Monolito, Júpiter precisaria ganhar 10 vezes a sua massa, e aí algo maravilhoso aconteceria.

Comprimido pela gravidade, o Hidrogênio atingiria temperatura de milhões de graus, com uma pressão de 250 bilhões de atmosferas, nessas condições seria desencadeada uma reação de fusão nuclear, onde átomos de Hidrogênio se combinariam em átomos de Hélio e energia. A luz e calor contrabalanceariam a pressão gravitacional, e muito mais matéria poderia ser adicionada sem que o objeto, agora uma estrela, colapsasse.

Quando uma estrela de massa entre 0.3 e 8 vezes a do Sol esgota seu suprimento de Hidrogênio a fusão no núcleo cessa, ele esfria e se condensa, as camadas externas se tornam uma concha, mas com a pressão da contração gravitacional sem a fusão para contrabalançar, a estrela volta a entrar em ignição, com o Hidrogênio das camadas exteriores servindo como combustível. Ela se expande, mas como é mais fria, sua luz é concentrada na parte vemelha do espectro, são as gigantes vermelhas.

Quando a fusão se esgota mais uma vez, caso a estrela tenha massa suficiente pode começar a fundir Hélio e até Carbono, mas na maioria das vezes ela não consegue atingir as temperaturas exigidas, e sua atmosfera, as camadas exteriores, é lançada ao espaço, como Mira A:

O que sobra é um núcleo de matéria degenerada de elétrons, um tipo de matéria comprimida pela gravidade onde um núcleo de prótons e nêutrons flutua em um mar de elétrons. Essa estrela é uma anã branca, e brilha não pela energia da fusão nuclear, que não existe mais, mas pelo calor acumulado durante a vida da estrela.

Uma anã branca pode ser muito pequena, do tamanho da Terra, mas sua matéria é incrivelmente densa, 1000000000 kg por m3, com temperatura de até 100 mil graus Celsius.

Nas estrelas de massa muito grande, entre 10 e 29 massas solares, o colapso inicial inicia uma reação extremamente violenta, queimando todo o combustível de uma vez, produzindo uma explosão mais intensa do que toda a luz da galáxia somada, é a chamada Supernova.

Depois da explosão o núcleo de uma supernova pode ter massa demais, e a força eletromagnética não é suficiente para manter a estrutura, ela ultrapassa o nível de matéria degenerada de elétrons.

Tudo é tão comprimido pela gravidade que os elétrons e prótons são fundidos, formando nêutrons.

Essa estrela de nêutrons pode ter 2 vezes a massa da Terra, mas apenas 10Km de diâmetro. Uma caixa de fósforos cheia de material de uma estrela de nêutrons pesaria 3 bilhões de toneladas, ora os fósforos.

A única coisa segurando essa estrela é a Força Nuclear Forte, mas mesmo ela tem limite, que se chama Limite de Tolman–Oppenheimer–Volkoff. Se o núcleo estelar tiver massa mais de 2.27 vezes a massa do Sol, nada consegue segurar o colapso.

Essa estrela irá se contrair, ultrapassando todos os limites, até atingir um ponto onde seu volume será zero, e sua densidade, infinita. É a chamada Singularidade, e uma enorme pedra no sapato dos astrofísicos, pois a nossa Ciência pára de funcionar lá dentro.

Nós não fazemos idéia do que acontece dentro de uma singularidade, o Universo nos impede de espionar pelo buraco da fechadura.

Note: Existe um conceito teórico onde isso seria possível, são chamadas de Singularidades Nuas, mas melhor não falar sobre elas, o Mobilon não gosta quando eu provoco o bot do AdSense...

As singularidades têm sua virtude protegida não só pelo Mobilon, mas pelo Horizonte de Eventos, que é apenas um ponto onde a velocidade de escape ultrapassa a velocidade da luz.

A melhor analogia para entender o conceito de velocidade de escape e poço gravitacional é... um poço. Ou mais precisamente um vale.

Digamos que você esteja em um rally off-road, em uma região bem selvagem, distante da civilização, tipo Niterói. Seu carro está em uma região rebaixada, para voltar pra trilha você tem que subir uma ladeira gentil, de uns 5 graus.

Não é complicado, você usa só uma fração da potência do carro.

Agora imagine uma ladeira muito mais íngreme, onde você terá que usar toda a potência do carro.

Nas duas situações você está lutando contra a gravidade, e as ladeiras com angulações diferentes podem ser vistas como um corte bidimensional de um poço gravitacional tridimensional:

A velocidade de escape é apenas a velocidade mínima que um corpo precisa atingir para escapar do poço gravitacional. Imagine o carro pegando embalo para sair da depressão.

Na Terra a velocidade de escape é de 11.2Km/s mas somente sondas planetárias atingem essa velocidade. As naves do Programa Apollo por exemplo viajaram a 10.4km/s, suficiente para escapar do poço gravitacional e chegar na Lua, não fazia sentido ir além disso e correr o risco de se perder no Sistema Solar caso algo desse errado.

Quanto mais distante, ou alto no poço gravitacional melhor a velocidade de escape. Da posição da Terra qualquer coisa lançada a mais de 42.1Km/s escapará do Sistema Solar, já da superfície do Sol você só conseguirá escapar da influência gravitacional se se mover a mais de 617.5Km/s.

Quanto mais você se aproxima de um objeto, maior a velocidade de escape, mas objetos normais possuem limites razoáveis. Já um buraco negro, a gravidade é tão intensa que em determinado ponto é impossível escapar, pois a velocidade de escape é maior do que a da luz.

Não quer dizer que você vai ser sugado, buracos negros não sugam ninguém, atraem gravitacionalmente do mesmo jeito que qualquer estrela, ou cliente do Al Bundy. Um buraco negro com a massa do Sol colocado no centro do Sistema Solar no lugar da nossa estrela manteria tudo equilibrado do mesmo jeito que está hoje, só um tiquinho mais frio.

O problema é que mesmo que você orbitasse uma singularidade dentro do horizonte de eventos, jamais conseguirá se comunicar com alguém do lado de fora (sorry, Interestelar). Nenhum sinal de rádio conseguirá sair, o horizonte de eventos é completamente negro.

Além do horizonte de eventos temos a Fotosfera, uma região com espessura zero formada por fótons capturados, é um ponto onde a velocidade de escape é exatamente a velocidade da luz, então os fótons orbitam o buraco negro, até serem perturbados por outros fótons, que ou os empurram para dentro ou os jogam pra fora.

Também há o disco de acreção, região em torno do buraco negro que acumula matéria que porventura seja capturada no poço gravitacional dele.

A Física como a conhecemos sofre nas proximidades de um buraco negro. Gravidade nessa intensidade causa todo tipo de efeito, que tecnicamente existem mesmo aqui. Fique de pé. Ótimo. Neste momento seus pés estão sendo atraídos pela Terra com uma intensidade um pentelhonésimo de micronada mais forte do que a força atraindo sua cabeça. Nada que seu corpo não dê conta, mas em um buraco negro se chegar perto demais a diferença entre as forças será imensa, e seu corpo será esticado e destroçado, em um processo que Neil DeGrasse Tyson adora lembrar se que chama "espaguetificação".

Ao mesmo tempo talvez cair em um buraco negro não seja tão ruim. A gravidade distorce o Tempo, e dependendo do ponto de vista você cairia para sempre, sem nunca atingir a singularidade. Infelizmente é do ponto de vista externo, do seu você morreria horrivelmente, e sem escapatória pois a singularidade, por causa da dilatação temporal estaria no futuro.

2 - O Super-Buraco Negro da Galáxia M87

A imagem é impressionante, mas como chegamos até a ela é mais impressionante ainda, e amanhã você saberá tudo sobre isso, incluindo o código fonte de alguns dos softwares utilizados.

Por agora, basta saber que esse buraco negro fica a 53 milhões de anos-luz, tem massa equivalente a quase 7 bilhões de vezes a massa do Sol, e o horizonte de eventos, o círculo negro do centro é mais ou menos do tamanho da órbita de Plutão.

E antes que reclamem da resolução da imagem, gostaria de pedir duas coisas:

1 - Faz melhor.

2 - Lembre-se disto:

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23 Apr 20:53

Video Orientation

CIRCULAR VIDEO - PROS: Solves aspect ratio problem. CONS: Never trust anyone who talks to you from inside a circle.
18 Apr 07:01

Professores: dia 21 de março participem do Experimento Eratóstenes

by Carlos Cardoso

Eratóstenes Foi um gênio. Poeta, astrônomo, matemático, inventor, é considerado o Pai da Geografia e merecia ser até nome de tartaruga. Ele mais de 2200 anos atrás, numa época em que a maioria da Humanidade comia capim, calculou o tamanho da Terra usando varetas, matemática e cérebro. Agora estudantes do mundo inteiro podem colaborar num projeto pra celebrar e repetir o experimento.

Eratóstenes de Cirene, popular Cabeção nasceu em 276 AC em -d'oh- Cirene no que hoje é a moderna Líbia. Ele se destacou em diversas áreas, quase foi considerado o Leonardo DaVinci de seu tempo, se DaVinci não fosse nascer só 1728 anos depois. Entre outros feitos ele:

Calculou a distância entre a Terra e a Lua e a Terra e o Sol

Calculou a inclinação da Eclíptica, o plano-base do sistema solar

Catalogou 675 estrelas

Mapeou o Nilo

Criou um mapa de todo o Mundo conhecido, das Ilhas Britânicas ao Sri Lanka, do Mar Cáspio à Etiópia.

Inventou a Esfera Armilar, um instrumento de navegação celeste que foi usado até o Século XVIII.

De todas as suas aventuras cientificas a mais famosa foi seu cálculo da circunferência da Terra.

Sim, circunferência. Aqui vale uma pequena nota explicativa:

O conceito de Terra Plana era uma idéia extremamente primitiva, no Século VI AC Pitágoras já dizia que a Terra era esférica, Aristóteles em 330 AC, mesmo incapaz de contar os dentes de uma mulher conseguiu demonstrar empiricamente a circunferência da Terra.

Toda a história de marinheiros medievais com medo de cair da borda da Terra é apenas um mito. Qualquer um com um mínimo conhecimento científico reconhecia a Terra como esférica. Terraplanismo nunca foi uma "alternativa" científica, não depois de VI AC então qualquer discurso terraplanista em 2019 cai em duas categorias:

1 - O sujeito sofre de alguma deficiência mental grave.

2 - É um idiota querendo aparecer e escolheu ser "terraplanista" para provocar reações

Os dois casos são incuráveis, os dois envolvem retardo mental, que é coisa séria então não devemos perder tempo com eles.

Eratóstenes como todo bom cientista era curioso. Ele observava o mundo ao seu redor e fazia perguntas, queira saber e entender.

Carl Sagan dizia que toda criança nascia cientista, mas eram forçadas e adestradas a não questionar, parar de fazer perguntas e aceitar as coisas do jeito que elas são, sem curiosidade sobre o porquê de serem assim. Eratóstenes, como Newton, Einstein, Galileu e outros chegou à idade adulta com sua criança cientista intacta.

Por isso ele conseguiu reparar, em um solstício de verão que o Sol não aparecia no fundo de um poço em Alexandria, ao meio-dia do Solstício de Verão.

Solstícios são os dois momentos em que o Sol atinge as posições aparentes mais extremas em seu trajeto aparente no céu, pois como a Terra se inclina E estamos orbitando o Sol, cada dia ele está em um lugar diferente, na mesma hora do dia. Se você fotografar o Sol na mesma hora durante um ano e juntar todas as imagens conseguirá uma figura chamada Analema:

O que Eratóstenes estranhou era que ele se lembrava que havia lido em um livro na Biblioteca de Alexandria (da qual era Diretor) que em Siena (atual Assuã, no Egito) no Meio-Dia do Solstício de Verão o Sol era refletido perfeitamente dentro de um poço.

Eratóstenes entendeu que como o Sol estava muito distante, seus raios atingiam a Terra de forma paralela, então se a Terra era redonda e um poço era iluminado e outro não, um dos poços deveria estar torto, por causa da curvatura do planeta, conforme demonstrado nesse gráfico extremamente completo:

Nota: O MeioBit agora tem um designer só pra fazer imagens decentes, mas eu me esqueci disso então vai essa coisa porca aí mesmo.

Esse posicionamento angular desigual, que para qualquer um seria uma curiosidade sem maior propósito na mente analítica de Eratóstenes desencadeou todo um processo de dedução lógica: Se ele soubesse o ângulo exato e a distância entre os dois pontos ele conseguiria calcular a circunferência completa.

Como tinha tempo e dinheiro, Eratóstenes bolou um plano. Primeiro ele pagou um sujeito para contar quantos passos havia entre Alexandria e Siena, comparando os resultados com medidas obtidas por caravanas de mercadores. Depois ele esperou o Solstício de Verão e mediu o ângulo da sombra de uma vareta em Siena, obtendo um valor próximo de 7 graus.

Isso foi obtido com geometria simples, que hoje ensinamos na 5a série:

Seno, Cosseno e Tangente, você sabe, aquelas coisas que a gente no colégio acha que não servem pra nada pois nenhum professor lembra de mostrar que podem ser usadas pra achar o tamanho da fucking Terra.

A distância de 7 graus entre as duas cidades significava que Alexandria e Siena estavam separadas por 7/360 da circunferência da Terra. Fazendo a multiplicação, ele concluiu que a circunferência de nosso planeta era de 252 mil estádios, ou 44.100km.

Mais de 2000 anos depois o valor mais preciso que conseguimos calcular é de 40.008km.

Usando apenas varetas, papel (ok, pergaminho) e o cérebro Eratóstenes conseguiu chegar a um resultado com 90% da precisão da valor obtido com satélites, lasers e computadores.

Em tempos obscuros onde ciência dá lugar a opiniões e fatos caso magoem os sentimentos de algum grupo devem ser ignorados, é bom celebrar a verdadeira Ciência, que não liga pro que a gente acha, e mostra como o mundo funciona.

Esse é o objetivo do Experimento Eratóstenes, que dia 21 de Março reunirá escolas do mundo inteiro. Mais precisamente, 5153 escolas de 52 países, 35913 alunos até o momento. No site oficial você tem as instruções de como se inscrever (gratuitamente, claro) e como fazer o experimento. Basicamente escolas na mesma latitude formarão pares, e usarão os dados uma da outra para chegar a um resultado.

Se não der tempo, planeje-se para ano que vem, o Experimento Eratóstenes acontece todos os anos. Ajude seus alunos a ver um mundo mais fascinante do que números abstratos num quadro-negro.

 

 

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21 Feb 23:57

Launch Conditions

Though I do think the tiny vent on one of the boosters labeled "O-RING" is in poor taste.
15 Feb 23:32

Opportunity Rover

Thanks for bringing us along.
15 Feb 00:54

Intel's Linux DRM Driver To Enable PSR2 Power-Savings By Default

The Intel DRM/KMS kernel driver will soon see PSR2 panel self refresh capabilities enabled by default for allowing more power-savings on Intel-powered ultrabooks/notebooks...
11 Feb 20:33

Open door

by CommitStrip

01 Feb 23:55

Modern OSI Model

In retrospect, I shouldn't have used each layer of the OSI model as one of my horcruxes.
18 Jan 00:26

Existe vida na Lua! (mas calma foi a China que levou)

by Carlos Cardoso

A China, com você deve estar sabendo, conseguiu de novo. Foram fortes no pioneirismo e pousaram seu segundo robozinho, desta vez no lado oculto da Lua, uma região raramente vista por olhos humanos ao vivo e nunca antes explorada do solo.

A Chang'e 4 é composta de 3 partes: Um módulo de pouso de 1200Kg, um robozinho de 140Kg e um muito importante satélite, o Queqiao.

Ele é essencial, pois o lado oculto da Lua tem esse nome por nunca ficar de frente pra Terra, então nenhum sinal de rádio consegue atravessar a Lua inteira para chegar até o robozinho do outro lado. É preciso um satélite para retransmitir o sinal.

A Lua não mostra a raba para a Terra por modéstia, ela está presa por causa de um fenômeno chamado rotação sincronizada, quando um satélite orbita um corpo muito maior. É criado um efeito de maré, e com o tempo a rotação do corpo menor em relação ao maior é anulada.

Não quer dizer que a Lua não gire em torno de si mesmo, apenas que o tempo que ela leva para completar uma rotação é o mesmo tempo em que ela leva para completar uma órbita, assim a mesma face fica sempre visível para a Terra.

Isso terá excelentes consequências no futuro, o lado oculto da Lua (também chamado erroneamente de lado escuro, lado negro e, pelo George Lucas de Lado Sombrio) é ideal para instalarmos radiotelescópios, que ficarão totalmente imunes à interferência de sinais de rádio da Terra. A desvantagem é que precisamos de um satélite pra repetir os sinais do que quer que coloquemos por lá.

No caso da Chang'e 4, o satélite funcionou muito bem e o pouso foi perfeito, pela primeira vez na História humanos do Planeta Terra pousaram uma sonda no Lado Oculto. O vídeo do pouso é lindo, e se você se confundir com a escala, não se preocupe, é perfeitamente normal:

Depois de pousar a sonda liberou o robozinho Yutu 2:

O Yuyu 2 leva uma câmera 3D, um radar de penetração capaz de identificar alvos a 100m de profundidade, espectrômetros e um analisador para identificar a interação entre o vento solar e a superfície lunar. A sonda de pouso leva vários outros experimentos, o mais interessante deles é o LEM - Lunar Micro Ecosystem, esta latinha aqui:

Ela tem 18 centímetros de altura, 16 de diâmetro e custa US$1,5 milhões, mas não, não está cheia de tinta de impressora. É um compartimento pressurizado especial, projetado para manter vivo um pequeno ecossistema.

O LEM, que na verdade são dois (um idêntico na Terra será usado para comparação) contém nutrientes, ar, água, sistemas de controle de temperatura e levará para a Lua vários organismos.

Temos por exemplo a Arabidopsis thaliana, uma florzinha bem vira-lata...

Também mandaram ovos de bichos-da-seda, que é um nome bonito pra uma lagarta nojenta que por acaso é útil:

Dentro do cilindro também haverá... batatas

O LEM é um ecossistema fechado, as bactérias no substrato irão fixar nitrogênio nas raízes das plantas, que metabolizarão o dióxido de carbono no ar, liberando oxigênio. Os animais consumirão o oxigênio, eliminarão dióxido de carbono e comerão aos plantas, que serão fertilizadas pelas fezes dos bichos. Em teoria exatamente o que acontece na Terra, mas numa escala um tiquinho menor.

A diferença é que isso tudo acontecerá em microgravidade, 1/6 da força gravitacional terrestre, e um feixe de fibras ópticas levará luz externa para o habitat, que terá temperatura controlada mas viverá sob o mesmo ciclo de luz do dia lunar, 15 dias dia 15 dias noite.

Notem, não estão plantando flores em solo lunar, não é esse o objetivo, o foco aqui é determinar se organismos da Terra conseguem sobreviver no ciclo dia/noite lunar. Testar isso E plantar em solo lunar parece lógico mas só introduz mais variáveis. Se as plantas morrerem a culpa é do solo ou da luz?

Por isso ciência às vezes parece irritante e lenta, mas se você acaba com mais perguntas do que respostas, e nem respondeu suas perguntas iniciais, não está avançando.

As informações dessa pesquisa podem significar a diferença entre termos que criar estufas totalmente isoladas ou abertas para o Sol lunar, é o raro tipo de pesquisa básica que já vem com um monte de futuras utilidades.

A China disse que fará streaming do habitat, e interesse eles tem, só a câmera que construíram para ficar dentro dele custou US$90 mil. Caso abram realmente o streaming, será o recorde mundial de audiência para ver capim crescer.

E não, não há nenhuma chance dos bichos da seda escaparem e por causa da radiação virarem Shai-huluds. Sossega, Muad'Dib.

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04 Jan 12:44

As cores do ano novo

by Andre Noel
tirinha
Inclua essa tirinha em seu site
COLE ESSE CÓDIGO EM SEU SITE x
Fonte: Vida de Programador
Transcrição ↓

(P.A. de camiseta amarela)
Programador: Essa camiseta amarela é por causa do ano novo, P.A.?
P.A.: Isso! Em 2019 eu quero ganhar muito dinheiro!
Programador: Poxa, que pena, vai deixar a programação...
P.A.: E essa camiseta preta, significa o quê?
Programador: Muito café e muitas linhas de código em 2019!
--
Camiseta: Comprei essa camiseta no Vida de Programador

O artigo "As cores do ano novo" foi originalmente publicado no site Vida de Programador, de Andre Noel.

05 Dec 22:10

Chipset #2

by André Farias

Vida de Suporte - Chipset #2

Transcrição:

Suporte [falando com o Amigo Suporte]: Que maldade você fez com o Estagiário! Vou ligar pra ele agora mesmo e avisar que não existe esse negócio de ‘‘Chip-oito’’.
Suporte: Tudo bem que uma vez ele passou liquid paper, ao invés de borracha, nos contatos de uma memória, mas Mesmo assim o Aspira não merece esse tipo de maltrato.
Suporte: Nem por aquela outra vez em que ele instalou o Baid* na minha máquina.
Suporte: Muito menos por aquele incidente em que ele tentou colocar o servidor no Ares com a ajuda de dinamite.
Estagiário [atendendo a ligação]: Aló! Estagiário falando.
Suporte: Aspira, depois de encontrar o ‘‘chip-oito’’ procura pra mim um toner pra impressora do modelo pdf Creator.

Continuação dessa tirinha aqui.

Veja, ou reveja, quando o Aspira passou liqui paper na RAM. Uma das vezes que ele foi o culpado pela instalação daquele-que-não-deve-ser-mencionado. E também quando ele mandou o servidor pelos “Ares”


Chipset #2 é um post do blog Vida de Suporte.
14 Nov 02:06

Onde Cagar

Onde Cagar

Tem um perfil no Instagram chamado OndecagarRJ, precisamos de um desses em cada cidade do brasil, sem mais haushAushAshuAS

14 Nov 01:59

O Brasileiro Ja Nasce Com Diploma De Marketing

O Brasileiro Ja Nasce Com Diploma De Marketing

Tem pra tudo que é gosto, só chegar freguesia hASuHAushAush

12 Nov 01:55

What coders really want

by CommitStrip

12 Nov 01:36

Sobre martelos, penas, professorinhas e plantadores de feijões

by Carlos Cardoso

Christa McAuliffe não era uma astronauta. Não sabia pilotar um shuttle, não tinha idéia de como calcular uma órbita, trocar uma unidade AE-35 ou era qualificada para usar um traje espacial. Ela também não era uma cientista. Não conhecia a Equação de Foguetes de Tsiolkovsky, e provavelmente era incapaz de descrever ou entender a mistura de co-polímero polibutadieno-acrilonitrilo usada nos motores auxiliares. Mesmo assim ela iria viajar no Ônibus Espacial.

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Christa foi escolhida entre 11 mil candidatos para o programa Professores no Espaço, e era isso que ela era: uma simples professorinha de estudos sociais no ensino fundamental. Ela passaria 6 dias em órbita, mas não descobriria nada, não avançaria a Ciência. Isso a um custo de 65 milhões de dólares, fora o custo de seu treinamento e um ano de salário dos dois empregos que a NASA pagou, quando ela se licenciou para treinar para a missão.

A missão era ser a primeira do programa Professores no Espaço, criado por Ronald Reagan em 1984, e desses US$ 65 milhões ela valia cada centavo.

O trabalho de Christa não era ampliar as fronteiras da Ciência, era muito maior que isso: ela estava lá para inspirar as novas gerações, reacender nas crianças a centelha da curiosidade e da exploração, que os adultos e o sistema educacional tão eficientemente cuida de apagar assim que pode.

No Brasil acha-se que investir em educação básica é comprar tijolo e construir escola, sem se preocupar com detalhes como o salário do professor ou se vai ter dinheiro pra comprar giz. Nos EUA há (ou havia) uma preocupação com o processo como um todo, começando lá bem cedo com as crianças.

Quando o Sputnik atravessou incólume o céu dos EUA, houve uma verdadeira revolução com bilhões de dólares direcionados para escolas e universidades. A Corrida Espacial seria vencida pela tecnologia.

O foco dos EUA é investir bilhões de dólares em STEM — sigla em inglês para Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática, e a viagem de Christa McAuliffe era parte desse investimento. Um governo com visão entende que para fazer algo é preciso gente com vontade de fazer, e a Ciência e a Exploração dependem de novas gerações trilhando o caminho aberto pelas antigas. Christa iria criar os cientistas do futuro.

Inspirar crianças para a Ciência é algo tão importante que na Feira de Ciências da Casa Branca o homem mais poderoso do mundo se ajoelha para examinar um robô feito por estudantes.

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Muita gente diria que é desperdício de tempo do presidente dos EUA acompanhar de perto uma feira de ciências que não vai descobrir nada de novo, mas não é esse o objetivo. Quando foi apresentar seu foguete na Feira Nacional de Ciências em 1960 Homer Hickam (cuja história você pode conhecer no excelente filme e livro October Sky) se perdeu no prédio procurando por Werner Von Braun. Quando voltou ele já havia passado pela mesa de seu projeto, e declarou que “aquele era o melhor foguete que ele já tinha visto fora do Cabo Canaveral”.

Hickam, filho de um mineiro e com tudo para viver e morrer na irrelevante cidade de Coalwood, WV, se formou em engenharia e foi trabalhar na NASA, não só como engenheiro mas como treinador de astronautas também.

Para gente imediatista não faz sentido o governo gastar uma fortuna com uma feira de ciências para crianças, e em plena corrida espacial, Werner Von Braun perder seu tempo passando um dia inteiro vendo projetos de crianças?

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Felizmente também há muita gente que não pensa assim, e vê a divulgação científica como algo estratégico para seus países e para a Humanidade como um todo. É aliás o único trabalho terrestre que astronautas não reclamam. No dia-a-dia eles são obrigados a cuidar de papelada, participar de intermináveis reuniões e fazer política, mas quando dão sorte, são chamados para visitar escolas e museus, receber crianças, responder perguntas e contar suas aventuras.

Isso funciona? Muito bem, a geração atual teve como ídolas a geração anterior, e veja esta foto de crianças ouvindo Jim Lovell em um museu:

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Eu não me surpreenderia se daqui a 20 anos a garotinha do lado do moleque abraçado com a pasta estivesse comandando uma nave da SpaceX e pousando em Marte. A expressão dela diz tudo.

Nós somos ensinados que Ciência é difícil, ciência é coisa de nerds estranhos que falam línguas indecifráveis e não têm qualquer contato com a realidade. Como o povo vai ter interesse em Ciência se aprende desde cedo que é difícil demais pra ele?

Países sérios fazem de tudo para popularizar a Ciência, como o Canadá, que gastou o equivalente a US$ 50 mil para colocar o astronauta Chris Hadfield conversando por 22 minutos com crianças de uma escola na Terra.


NASA — Hadfield Chats with Hadfield School Students Back Home

Fora isso, ciência não é só o LHC, nem todo mundo nasce sabendo, Christa McAuliffe iria fazer experimentos básicos em órbita, que seriam repetidos em terra por alunos em escolas por todo o país. Daria uma aula direto do Space Shuttle para seus alunos na Concord High School. De novo: no papel não faz sentido, é mais barato dar aula de terra, mas quantas mentes e corações isso não iria conquistar?

Em 1971 a NASA fez um experimento besta, para provar que Galileu estava certo. No papel, totalmente desnecessário, já sabemos que o peso de um objeto não afeta a velocidade de sua queda, a força gravitacional é a mesma. Ao contrário da Lenda Galileu não descobriu isso jogando balas de canhão da Torre de Pisa, ele usou planos inclinados, mas a NASA usou… uma pena.

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Durante a missão da Apollo XV o astronauta David Scott fez um experimento ao vivo na TV: segurando um martelo de 1,3 kg e uma pena de um falcão ele deixou os dois caírem de uma altura de 1,6 metro. Segundo Galileu, sem a resistência do ar ambos deveriam cair na mesma velocidade:


Nikolas Zane — Feather & Hammer Drop on Moon

Esse experimento já foi feito milhares de vezes em terra, em câmaras de vácuo e muito mais barato, mas qual vídeo você acha que faz as crianças dizerem “UAU!”?

Feijão no Espaço

Isso tudo nos leva à mais estúpida crítica sobre a nomeação de Marcos Pontes para Ministro da Ciência e Tecnologia: a de que ele foi plantar feijão no espaço.

Curiosamente não ridicularizam a NASA/ESA por fazerem a mesma coisa, com o programa SEEDS IN SPACE, cujo propósito básico é educação e divulgação científica. Sementes são enviadas para a Estação Espacial Internacional e os astronautas plantam não feijão — gringos não curtem — mas alface, como nesta imagem do astronauta francês Thomas Pesquet:

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Ao mesmo tempo são enviados kits para escolas, as crianças plantam as sementes e cuidam delas, regando e acompanhando em sincronia com os astronautas em órbita, e o crescimento é comparado. Em um experimento desses em 2004 foi replicado por 70 mil crianças em escolas na Holanda.

Ninguém nos EUA ou na Europa acusou os astronautas de plantadores de feijão.

O experimento que Marcos Pontes fez na ISS não foi novo, sementes foram a primeira forma de vida a ir ao espaço, lançadas em uma V2 pelos EUA em 1946, ele não pretendia descobrir nada de novo, nem era função dele. Marcos Pontes não é um cientista, como não era Neil Armstrong ou Yuri Gagarin. O primeiro astronauta cientista de verdade foi Harrison Schmitt, que voou na última Apollo, a XVII. Pontes e Armstrong são profissionais altamente qualificados e habilitados a executar experimentos científicos, como todo astronauta.

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Inspiração, quer que desenhe?

O experimento da Missão Centenário não tinha como objetivo salvar o mundo, era bem mais ambicioso: inspirar o deslumbramento com a descoberta e a curiosidade científica nas crianças. Marcos Pontes plantou e acompanhou a germinação de sementes de feijão em conjunto com alunos de várias escolas municipais de São José dos Campos. Mas ele não plantou só feijão.

Ele também plantou Gonçalo-Alves, uma árvore em extinção que você nunca ouviu falar, como parte de um experimento da EMBRAPA, que queria melhorar as técnicas para a preservação ambiental e desenvolvimento sustentável.

Ele não plantou só feijão

Marcos Pontes fez mais experimentos em 9 dias e 21 horas no espaço do que a maioria de seus críticos fez na vida inteira. Foram oito experimentos, criados por diversas instituições:

  1. Efeito da microgravidade na cinética das enzimas — Centro Universitário da FEI (Faculdade de Engenharia Industrial);
  2. Danos e reparos do DNA na microgravidade — UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) e INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais);
  3. Teste de evaporadores capilares em ambiente de microgravidade — UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina);
  4. Minitubos de calor — UFSC;
  5. Germinação de sementes em microgravidade — Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e Cenargen (Unidade Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia);
  6. Nuvens de interação protéica — Cenpra (Centro de Pesquisas Renato Archer), do Ministério de Ciência e Tecnologia;
  7. Germinação de sementes de feijão — Secretaria de Educação de São José dos Campos (SP);
  8. Cromatografia da clorofila — Secretaria de Educação de São José dos Campos (SP).

Ele não foi passear, não foi um “turista”. Pontes cumpriu o duro papel de tentar salvar a cara de um programa espacial marcado pela incompetência e politicagem suprapartidária (se o Lula sacaneou o Brasil na ISS, aprendeu com FHC que fez o mesmo).

Pontes foi um pioneiro, o primeiro brasileiro no espaço. Não era função dele gerar lucro ou trazer novos métodos de manufatura avançado a indústria nacional. A principal função dele era ser um símbolo, mostrar que em algum momento, se levantarmos a cabeça do capim, conseguimos fazer coisas grandes, e que mesmo aos trancos e barrancos uma criança nascida no Brasil PODE sonhar em explorar o espaço.

De resto, as acusações de que “ele não fez ciência” são ridículas. O piloto do Beagle também não fez ciência mas sem ele Darwin teria que aprender a nadar. Pontes fez ciência sim, a parte mais importante, a experimentação, sem experimentação ciência é apenas filosofia, aquela estranha escola de pensamento onde Aristóteles dizia que homens têm mais dentes do que mulheres e nem ele nem seus discípulos se deram ao trabalho de contar.

Aqui alguns dos papers baseados nos experimentos de Pontes em seus 9 dias na Estação Espacial Internacional:

Isso tudo eu achei em menos de 5 minutos de pesquisa. Mas é mais conveniente chamar de plantador de feijão.

Pontes foi uma tentativa fracassada de inspirar um povo que odeia seus ídolos, constrói pedestais já pensando em jogar o sujeito lá de cima. O ataque da mídia a Pontes mostra mais do que partidarismo cego, a falta de visão, a incapacidade de entender que às vezes é mais importante inspirar do que fazer. Estamos condenados a só admirar gente com uma bola no pé, um microfone na mão ou uma webcam na cara.

Pior, essa tendência ao obscurantismo é mundial. Christa McAuliffe morreu na explosão da Challenger, 73 segundos após a decolagem. O programa Teacher in Space foi cancelado. Homer Hickam foi xingado por millennials no Twitter, Trump cancelou a Feira de Ciências da Casa Branca (depois de prometer mantê-la) e Marcos Pontes está sendo xingado por todos os lados.

No Twitter vieram me explicar que um Engenheiro Aeronáutico com mestrado no exterior, astronauta, cosmonauta, piloto de testes, com bacharelado em Administração pública e um currículo destes, não é qualificado o suficiente para ser Ministro da Ciência e tecnologia.

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Curioso é dizerem que esse currículo e “só um mestrado” não bastam para ser Ministro de Ciência e Tecnologia, mas ninguém levantou essa bola quando o ministro era o Aldo Rebelo, um jornalista que propôs uma Lei punindo inovação tecnológica, um ministro famoso por ter criado o Dia Nacional do saci-pererê e negacionista do aquecimento global.

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Sinceramente eu tenho sérias dúvidas de que Pontes conseguirá promover a Ciência em um país que a odeia, e não acredito na promessa do Ornitomito de dar R$ 10 bilhões para a pasta. O presidente é profundamente ligado à bancada evangélica, e isso nunca é bom sinal pra Ciência.

Fora isso há argumentos de que Pontes não tem experiência como articulador político. Há controvérsias: por quase 10 anos ele foi o intermediador entre o Brasil e a NASA, e conviveu o bastante com os bastidores do poder para saber como ele funciona, mas é um argumento até aceitável.

O que não dá é ignorar todo o currículo e a história do sujeito e desqualificá-lo de forma baixa e rasteira. Se você acha que Marcos Pontes é um mero plantador de feijão, você que vá plantar batatas!

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Fontes

  1. Conheça os oito experimentos brasileiros levados à ISS
  2. Made in Brazil O Brasil na Estação Espacial Internacional
  3. Marcos Pontes – Currículo
  4. Wikipedia – Aldo Rebelo
  5. Trump Leaves Science Jobs Vacant, Troubling Critics
  6. Prefeitura Municipal de São José dos Campos
  7. Gazeta do Povo
  8. Dear Nobel Winners, Mr. Trump Has All the Brains He Needs

P.S.:

Antes que comecem com o “mimimi ele vende travesseiro”, eu pergunto: você paga os boletos dele? Pois é, quando as contas chegam a gente faz o que tem que fazer. De resto, Buzz Aldrin pisou na Lua e depois anunciou fuscas, vai lá reclamar com ele.

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