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18 Jun 21:00

Maureen Flavin, a jovem que adiou o Dia D

by Carlos Cardoso

663 anos antes do Dia D, o mundo veria uma invasão semelhante. Era o ano de 1281 e o Japão não pensava em nada além da inevitável derrota nas mãos do Império Mongol de Kublai Khan.

Invasão mongol impedida por intervenção divina (Crédito: Issho Yada, circa Sec XIX)

Os mongóis tentavam pela segunda vez invadir o Japão, desta vez com todas as forças que conseguiram arregimentar. Relatos falam de 4400 navios e 140 mil homens, um número que só seria superado no Dia D, 6 de junho de 1944.

Em um daqueles eventos aleatórios que mudam a História, a frota mongol foi apanhada por um tufão, que dizimou completamente os invasores. Dizem que somente algumas centenas de navios sobreviveram, e mais da metade dos homens morreram afogados. Os que chegaram a terra foram despachados pelos samurais.

No imaginário popular o Japão foi salvo por intervenção divina. Raijin, o equivalente a Thor no Xintoísmo mandou a tempestade e exterminou o inimigo com seu vento divino. Em japonês, KamiKaze (神風).

Raijin, o Deus do Trovão. Escultor anônimo, circa Sec XIII (Crédito: Wikimedia Commons)

Nas vésperas do Dia D, o General Einsehower não estava interessado em repetir o destino dos mongóis, uma lição há muito aprendida, por todo mundo envolvido em guerra. O clima era um fator essencial, e deveria ser levado em conta em todo e qualquer planejamento.

Um fato interessante é que a velha história de que Hitler foi burro por invadir a Rússia no inverno é uma bobagem. Hitler não foi burro, foi otimista e teimoso, ele invadiu a Rússia 22 de junho, em pleno verão. Os russos é que não colaboraram e a operação foi se esticando, e quando viram não tinha mais ferrovia ou estrada pra mandar casaquinhos pros chucrutes.

A meteorologia era fundamental para todos os envolvidos, e verdadeiros feitos de magia tecnológica foram criados para obter essas informações. Os nazistas construíram e instalaram estações meteorológicas autônomas, com instrumentos para medir temperatura, pressão atmosférica, umidade, velocidade e direção do vento e outros parâmetros.

Estação Meteorológica Automática Kurt (Crédito: Bundesarchiv)

Os dados eram coletados e transmitidos automaticamente. Isso em uma época completamente analógica, e em que a tecnologia mais avançada era uma válvula.

Mesmo assim as estações funcionavam de forma totalmente autônoma, com baterias para seis meses. Uma delas, a Estação Kurt, foi instalada por um submarino nazista na península de Labrador, no Canadá, e só foi descoberta em 1977. Os caras tiveram o requinte de espalhar maços de cigarros americanos pelo local, e escrever “Canadian Meteor Agency” em um dos cilindros da estação, para caso alguém a descobrisse, achasse que era uma estação aliada.

Os aliados tinham seus próprios meios de obter dados, incluindo uma rede altamente capilarizada de postos de observação espalhados por todos os territórios a que tinham acesso.

Esses dados, fundamentais para todas as operações e principalmente para o Dia D, eram concentrados e tabulados pelo grupo de meteorologistas comandados pelo Coronel da RAF James Stagg, e ele viu que o tempo estava para piorar bastante nos próximos dias.

Carta meteorológica para 4 de junho de 1944. (Crédito: Serviço de Meteorologia do Reino Unido)

Com a invasão do Dia D planejada para a madrugada de 4 para 5 de junho, se ela fosse adiada mais que alguns dias, os Aliados perderiam a Lua Cheia, as marés ficariam desfavoráveis, o clima seria tempestuoso e nem queira saber o que o horóscopo indicava.

Nada poderia parar a maior operação anfíbia da História da Humanidade, cada minuto adiado Hitler poderia descobrir os planos aliados. Somente um motivo de força maior adiaria o Dia D.

O motivo de força maior estava celebrando 21 anos, naquele dia 3 de junho de 1944, ele, ou melhor, ela se chamava Maureen Flavin Sweeney e era filha do faroleiro do farol Blacksod, no condado de Mayo, na Irlanda.

Maureen Flavin Sweeney e o Farol de Blacksod (Crédito: Editoria de arte)

Como parte do esforço de guerra, eles foram incumbidos de registrar dados barométricos em intervalos de uma hora, e de tempos em tempos enviá-los via telégrafo para Londres. Era isso que Maureen fazia, meticulosamente anotando os dados.

As medições enviadas no dia anterior foram tabuladas, e 1AM do dia 3, James Stagg mandou seu staff confirmar os dados. Assim que amanheceu, o telefone tocou e Maureen atendeu uma moça com sotaque inglês pedindo para ela conferir os dados, e repeti-los, por telefone mesmo.

Confirmados os dados, Stagg viu que uma tempestade se aproximava, e iria kamikazear a frota invasora, o que não é bom quando você é a força invasora. Ele convenceu Eisenhower, que ignorou os dois grupos de meteorologia americanos que insistiam que estava tudo bem pro dia 4.

É impossível capturar em uma imagem a escala da Operação Neptune, a fase naval do Dia D (Crédito: Marinha Real)

Stagg afirmou que seus dados previam uma aliviada na tempestade no dia 6, e Eisenhower adiou o Dia D por 24 horas. No dia 4 uma tempestade assolou o Canal da Mancha, e seria virtualmente impossível desembarcar.

Por anos Maureen Flavin Sweeney não teve idéia da importância de suas leituras, mas com o tempo o reconhecimento começou a acontecer. Em 2021, aos 98 anos ela recebeu uma homenagem especial do Congresso dos Estados Unidos, por seu serviço na Guerra.

Maureen, devidamente homenageada. (Crédito: Reprodução Internet)

A lição foi mais que aprendida. Os Estados Unidos investem bilhões em meteorologia, as forças armadas da maioria dos países possuem serviços meteorológicos próprios, e conhecimento do clima e previsão do tempo é fundamental para toda e qualquer operação militar. Ignorar a meteorologia ao iniciar uma operação militar, só se o sujeito for muito mongol.

 

Maureen Flavin, a jovem que adiou o Dia D

13 Jun 17:21

As mudanças que tornaram o Pokémon um jogo melhor

by Dori Prata

Lançada para o Game Boy em 1996, a franquia Pokémon se tornou uma das mais bem sucedidas não só da indústria de games, mas do entretenimento como um todo. O que nem todos sabem, no entanto, é que até uma boa parte do seu desenvolvimento, aquele jogo poderia ter sido bem diferente do que acabamos recebendo.

Pokémon

Crédito: Reprodução/Erik Mclean/Pexels

Em mais um excelente minidocumentário, o canal DidYouKnowGaming? vasculhou o passado da tão adorada série dos monstrinhos e reuniu algumas informações interessante sobre a sua produção. Entre elas está a ideia do primeiro título contar com muito mais do que apenas as duas versões (Red e Green) que acabaram chegando às lojas.

De acordo com o programador Takenori Oota, as variações seriam associadas a identificação que recebemos quando iniciamos uma campanha no primeiro Pokémon, o Trainer ID que é gerado aleatoriamente e que poderia ir até 65.535. Se o conceito tivesse sido implementado, os monstros que encontraríamos pelo caminho e até os cenários seriam alterados de acordo com o número que estivéssemos usando.

Porém, mesmo com as IDs aleatórias mantidas na versão final, ela tem pouca influência na experiência e conforme explicou Satoshi Tajiri, fundador do estúdio que desenvolveu o jogo, o Grame Freak, a mudança aconteceu após a recomendação de uma pessoa muito importante:

“[...] atribuímos aleatoriamente números de identificação gerados automaticamente, indo de 1 a 65 mil em cada cartucho de jogo. Com a ID dos cartuchos determinadas, os Pokémons capturados nesses jogos carregariam aquele número e desde que alguém não tivesse trocado com outras 65 mil pessoas diferentes, as chances de negociar com alguém com a mesma ID eram improváveis

O formato de uma floresta, os Pokémon que poderiam aparecer, eu queria fazer um jogo que fosse diferente para todo mundo, mas era difícil. Então fui consultar Shigeru Miyamoto, da Nintendo, e acabamos decidindo fazer com que dependesse da cor — vermelho ou verde — os mundos serem paralelos, mas diferentes.”

Crédito: Reprodução/Ace of Sevens/MobyGames

Mas apesar de a ideia de fazer com que cada jogo fosse (praticamente) único possa parecer tentadora, Tajiri admitiu que explicar esse conceito para o jogador não seria muito fácil e foi aí que entrou a sensibilidade de Miyamoto. Para o criador do Mario, as pessoas precisavam conseguir diferenciar um jogo do outro apenas pela cor ou formato, o que os levou ao Pokémon Red e Pokémon Green — com o Blue sendo lançado alguns meses depois no Japão e tendo substituído no Green nos Estados Unidos.

Com cada versão contando com alguns monstrinhos exclusivos, a Game Freak estabeleceu um dos pilares da série, além de incentivar as pessoas a comprarem um cabo que permitia a conexão entre dois Game Boy. O cabo ainda possibilitava outro recurso que inicialmente não estava previsto, o multiplayer.

Apesar de permitir batalhas entre os jogadores fosse um desejo de Satoshi Tajiri, o produtor Shigeki Morimoto relutou por muito tempo a aceitar isso. Para ele, além do multiplayer ser algo que não considerava interessante, havia o temor de que seria muito complicado de implementar. Assim, ele fez o que muitos líderes de projeto fariam: fingiu que não estava ouvindo e seguiu ignorando o pedido.

A situação só mudaria quando a própria Nintendo exigiu que as batalhas entre jogadores fossem implementadas. Contudo, com o tempo para o desenvolvimento se esgotando, a equipe criou uma versão bastante rudimentar do multiplayer, onde as batalhas aconteciam automaticamente e os jogadores só podiam assisti-las. Sem uma maneira de influenciar os combates, os resultados eram aleatórios e a ideia não agradou.

“Mostramos aquilo para a Nintendo e as pesquisas que recebemos de volta o chamaram de ‘tedioso’,” revelou Morimoto. “Acredito que eles estavam corretos, mas estávamos perto do prazo final, tentando adicionar batalhas que os jogadores comandavam.”

Crédito: Reprodução/Ace of Sevens/MobyGames

Se essas mudanças de percurso não tivessem sido implementadas, pelo menos o primeiro capítulo da série Pokémon teria sido bastante diferente e fica difícil saber até se ele teria feito tanto sucesso. Agora, imagine não precisar caçar os monstrinhos, com eles estando disponíveis nas lojas ou podendo ser adquirido de outros jogadores. Pois isso poderia ter acontecido.

Mesmo com um ou outro podendo ser comprado na versão final, Tajiri disse que o que os levou a desistir dessa ser a proposta central do jogo foi a percepção de que as pessoas estavam preferindo economizar dinheiro in-game a explorar o mundo enquanto tentavam capturar Pokémon e assim aumentar sua coleção. Eles cogitaram até cobrar uma taxa virtual para cada troca entre os jogadores, mas devido à limitação do hardware, preferiram eliminar essa possibilidade.

Com mais de 440 milhões de cópias vendidas, hoje essas ideias podem parecer bastante absurdas, mas precisamos considerar que na época o pessoal da Game Freak ainda estava conhecendo um terreno inexplorado. Quando o primeiro Pokémon foi lançado, não existia nada parecido no mercado e por isso chega a impressionar o estúdio não ter cometido erros muito significativos.

Parte disso certamente se deve a ajuda da Nintendo e de figuras como Shigeru Miyamoto, mas também ao próprio talento daqueles que estavam diretamente ligados ao projeto. O resto é história.

As mudanças que tornaram o Pokémon um jogo melhor

06 Jun 17:30

Russos usando componentes comerciais em seus mísseis

by Carlos Cardoso

Os russos estão usando seu armamento mais moderno na Ucrânia, o que está sendo um presente de Natal antecipado para os EUA, OTAN e todo mundo que tenha curiosidade sobre a elusiva tecnologia bélica de Putin e seus amigos.

Bombardeiro russo Tu-160 lançando um míssil Kh-101 (Crédito: Reprodução Internet)

Sendo honesto essa guerra está sendo ótima para os dois lados, vide a quantidade de equipamentos de ponta capturados por russos e ucranianos. Algumas vezes sistemas inteiros caem nas mãos do inimigo.

Existem várias formas de espionagem industrial/militar, na Segunda Guerra Mundial espiões poloneses capturaram planos das máquinas Enigma e entregaram para os ingleses, que mais tarde conseguiram colocar as mãos em uma unidade inteira.

Também nos anos 1940 espionagem era praticada abertamente por velhinhas belgas, que ficavam em suas varandas, tricotando e observando os trens passando com tropas e veículos alemães. Elas “erravam” propositalmente um ponto, para sinalizar o tipo de carga e trem. Mais tarde as roupas eram vestidas por outros agentes que chegavam aos Aliados.

Quando armas caíam em mãos inimigas, bombas voadoras que não explodiam, aviões que pousavam sem explodir, era só alegria nos laboratórios que destrinchavam os equipamentos, descobriam como eles funcionavam e aproveitavam as boas idéias.

Spitfires Mustangs ingleses capturados e pintados com as cores do Reich (Crédito: Domínio Público)

Para evitar isso valia tudo, oficiais da Kriegsmarine eram instruídos a destruir as máquinas Enigma caso fossem abordados ou forçados a se render, e os aliados, que haviam desenvolvido equipamentos primitivos de radar Interrogate: Friend or Foe, para diferenciar amigos de inimigos, tinham botões de autodestruição dos rádios, caso o piloto fosse obrigado a abandonar a aeronave.

Botão duplo (para evitar acidentes) de destruição dos rádios IFF britânicos (Crédito: RAF)

Algumas vezes a xerocada acontece até entre amigos de conveniência. Durante a 2ª Guerra Mundial alguns bombardeiros B-29 americanos tiveram que pousar na União Soviética. Foram bem-recebidos, mas enquanto isso os engenheiros da Tupolev examinaram cada centímetro do avião, que era tecnologia quase de ficção científica, na época.

O resultado foi o Tu-4, um avião que é uma cópia IDÊNTICA do B-29, a ponto dos pedais terem “BOEING” em alto-relevo, pois os russos não quiseram mudar nada. Até o ferramental foi adaptado para usar medidas imperiais.

Em 1958, durante um arranca-rabo entre Taiwan e China, os americanos mandaram para Taiwan mísseis Sidewinder, recém-desenvolvidos, muito mais avançados do que qualquer coisa no arsenal russo. Infelizmente um deles não explodiu, ficou alojado em um MiG chinês, que conseguiu voltar para casa. Em alguns dias o míssil estava em Moscou, e em três anos os russos lançavam seu próprio míssil, o ATOLL. Na foto abaixo, os dois.

Um é o ATOLL, o outro o Sidewinder. Kibe? Não, magina (Crédito: Contraditorium)

Óbvio que os russos também tinham muitos programas originais, o próprio foguete Vostok que lançou Yuri Gagarin era um míssil balístico intercontinental, com tecnologia 100% russa, e uma ajudinha de ex-cientistas nazistas, mas até aí todo mundo fez isso.

Mesmo assim a tecnologia russa nunca foi “de ponta”, eles são ótimos em construir máquinas pé-de-boi, que agüentam muita pancada, mas não são exatamente sofisticadas. O ponto fraco deles sempre foi a eletrônica, e mais tarde, o software, que o digam os sistemas antiaéreos do Moskva.

Por isso não foi muita surpresa quando apareceram unidades de controle de mísseis de cruzeiro russos Kh-101, e elas não eram exatamente high-tech. Projetado em 1971, o míssil com codinome na OTAN AS-15 "Kent", dependendo da versão pode ter alcance de até 3000 km carregando uma ogiva termonuclear ou convencional. Por enquanto na Ucrânia os russos estão usando convencionais.

Tupolev Tu-95 "Bear", carregando uma penca de Kh-101s (Crédito: Mod Rússia)

Como quase tudo da época, o Kh-101 era totalmente analógico, o que surpreendeu é que mesmo nas versões mais modernas, ele continua sendo. Os mísseis capturados foram examinados e suas unidades de navegação usam os mesmos componentes pré-históricos dos Anos 70, basicamente barro fofo e pedra lascada.

Outros equipamentos russos capturados revelaram informações mais suculentas ainda.

Placa do sistema de navegação de um Kh-101 capturado. (Crédito: Ministério da Defesa da Ucrânia)

Normalmente equipamentos militares são construídos com componentes robustos, caros que só eles, preparados para resistir a condições bem mais severas do que os chips do seu Hitach Magic Wand.

No caso dos equipamentos russos, como os sistemas antiaéreos Pantsir-S1, ou o veículo de comando e controle de defesas aéreas Barnaul-T, os ucranianos se surpreenderam.

Nos bons e velhos tempos os russos se gabavam de sua superioridade e independência do Ocidente, agora optaram pelo caminho mais fácil, e só o Barnaul-T, acharam chips feitos pela Intel, Micrel, Micron Technology e Atmel Corp.

Segundo o War Zone, na versão modernizada do Míssil Kh-101, o que não era tecnologia dos Anos 60, era feito com chips da Texas Instruments, Atmel Corp. Rochester Electronics, Cypress Semiconductor, Maxim Integrated, XILINX, Infineon Technologies, Intel, Onsemi, e Micron Technology.

Uma das placas de um Barnaul-T capturado. Bem mais decente, mas cheia de componentes civis (Crédito: MOD Ucrânia)

Nenhum desses chips tem certificação militar, são componentes que qualquer um compra na Internet, e com ou sem embargo, são encontrados em qualquer lugar, principalmente na China, com uma imensa indústria de reciclagem de componentes eletrônicos.

Há relatos de que os russos estão canibalizando eletrodomésticos importados, como máquinas de lavar, para obter componentes para seus mísseis e sistemas bélicos. É uma interessante inversão da clássica passagem, dessa vez estão transformando arados em espadas.

Componentes reforçados para uso em aplicações militares. (Crédito: Carlos Cardoso)

Não seria a primeira vez. Reza a lenda que por volta da virada do Século, Saddam Hussein teria comprado 4000 Playstations 2, que seriam usados como máquinas Linux em cluster, para todo tipo de computação maligna, como cálculos para armas nucleares.

Saber que os russos estão usando chips comerciais em seus equipamentos é mais que uma curiosidade, é uma informação estratégica. Esses chips são muito mais vulneráveis a todo tipo de interferência, e têm suas capacidades bem conhecidas. É só saber explorá-las.

Russos usando componentes comerciais em seus mísseis

31 May 18:01

Intel Announces Rialto Bridge As Ponte Vecchio Successor, Talks Up Falcon Shores & DAOS

Intel is using ISC 2022 this week in Hamburg, Germany to provide an update on their Super Compute Group road-map and the efforts they are pursuing both in hardware and software for a sustainable, open HPC ecosystem.
23 Apr 17:10

Family Reunion

Grandma says that because of differences in primate and feline lifespans, the cat is actually my 17,000,000th cousin 14,000,000 times removed.
16 Apr 00:48

Graphic Designers

They might make it past that first line of defense. For the second, you'll need some picture frames, a level, and a protractor that can do increments of less than a degree.
16 Apr 00:40

Rest and Fluids

Remember not to take it easy. Put a hot washcloth on your forehead, remain standing, and breathe dry air while taking lots of histamines. You need to give your body a chance to get sick again.
16 Apr 00:40

Tractor Beam

Did you base the saucer shape on pop culture depictions of aliens, or was that stuff based on your ships? Does the rotational symmetry help with ... hey, where are you going?
07 Oct 06:14

"Intel Software Defined Silicon" Coming To Linux For Activating Extra Licensed Hardware Features

There has been talk of Intel moving to offer more license-able/opt-in features for hardware capabilities found within a given processor as an upgrade. We are now seeing the Linux signs of that support coming with a driver for "Intel Software Defined Silicon" to allow for the secure activation of such features baked into the processor's silicon but only available as an up-charge option...
15 Sep 23:53

Vaccine Research

Honestly feel a little sheepish about the amount of time and effort I spent confirming "yes, the vaccine helps protect people from getting sick and dying" but I guess everyone needs a hobby.
07 Sep 19:22

Recreate the Conditions

We've almost finished constructing the piña collider.
07 Sep 19:22

Modern Tools

I tried to train an AI to repair my Python environment but it kept giving up and deleting itself.
10 Aug 23:09

Abandonment Function

Remember to only adopt domesticated drones that specifically request it. It's illegal to collect wild ones under the Migratory Drone Treaty Act.
03 Aug 06:14

Mine Captcha

This data is actually going into improving our self-driving car project, so hurry up--it's almost at the minefield.
30 Jul 05:01

Universal Seat Belt

The plug fits really snugly, so it should be safe in a crash.
08 Jul 05:07

Colorindo texto

by Andre Noel
tirinha
Inclua essa tirinha em seu site
COLE ESSE CÓDIGO EM SEU SITE x
Fonte: Vida de Programador
Transcrição ↓

real historia;
string sender = "Alex K";

(Em tempos de eterno home office...)
Esposa: Oi, amor! O que você está fazendo??
Programador: Trabalhando...
Esposa: Ué, mas alguém te paga só pra ficar colorindo texto?
Programador: PLOFT!
--
Camiseta: O amor tudo suporta

O artigo "Colorindo texto" foi originalmente publicado no site Vida de Programador, de Andre Noel.

08 Jul 05:04

Linked List Interview Problem

I'd traverse it myself, but it's singly linked, so I'm worried that I won't be able to find my way back to 2021.
24 Jun 21:03

It haunts us

by CommitStrip
15 Jun 06:16

SpaceX pousa com sucesso a Starship (sem explodir)

by Carlos Cardoso

A SpaceX pousar a Starship com sucesso é jornalisticamente um paradoxo; ao mesmo tempo que era inevitável, não deixa de ser notícia. Talvez o fato mais memorável esteja sendo ignorado pela imensa maioria das reportagens noticiando o feito: A velocidade com que a SpaceX saiu de uma caixa d’água para uma nave capaz de pousar em segurança.

Starship SN9 (Crédito: SpaceX)

Tecnicamente a Starship está em desenvolvimento desde 2012, mas era apenas um projeto terciário na SpaceX. Somente em 2017 eles conseguiram acumular especificações o suficiente para apresentar um projeto definido ao mundo. Em 2018 foi dada prioridade, com aumento de verba e equipe, projetando o que seria o Big Falcon Rocket.

O BFR usaria os motores Raptor, bem maiores mais poderosos e mais complicados que os Merlins do Falcon 9. Só o desenvolvimento do Raptor consumiu boa parte do tempo e dos recursos da SpaceX.

A SpaceX planejava construir o BFR e seus tanques de combustível usando fibra de carbono, mas o material se mostrou um inferno pra ser manipulado, e uma guinada completa foi feita: O BFR agora seria feito de metal, e nada exótico. O bem e velho aço inox, em uma liga própria.

Em Abril de 2019 a SpaceX apresentou o que talvez seja o foguete mais feio do Universo, o Starhopper. Ele é uma base de testes para os materiais de construção e os motores Raptor. Depois de alguns saltos, em Agosto do mesmo ano o Starhopper fez um vôo de 150 metros de altitude, provando que o Raptor era confiável e controlável.

Essa velocidade tem a ver com a metodologia de desenvolvimento da SpaceX. É algo impensável para a NASA, China, basicamente para todo mundo. Eles resolveram que todas as empresas e governos do planeta estão desenvolvendo foguetes errado, e o pior é que pelo visto estão certos.

Quer dizer, se você tem tempo e dinheiro infinitos, pode se dar ao luxo de aplicar todos os protocolos de testes, projeto, especificar cada parafuso e cada interação. Toda falha é uma pisada no freio enquanto o projeto inteiro é reavaliado. É assim que a Blue Origin está projetando o New Glenn e o New Sheppard, é assim que a ULA projetou todos os seus foguetes, e está projetando o Vulcan.

Já A SpaceX trabalha com a filosofia de resolução de problemas. É relativamente seguro dizer que Elon Musk nem ninguém na empresa tem a menor idéia de como serão as acomodações da Starship tripulada. O mecanismo de reabastecimento em órbita? Talvez esteja desenhado em algum guardanapo preso na parede de um engenheiro.

Ao invés de resolver todos os problemas, projetar e especificar todos os circuitos e sistemas, eles vão resolvendo um de cada vez, e bem rápido.

Foi assim com o Falcon 9. Eles queriam desde o começo reutilizar o foguete, mas primeiro construíram um capaz de colocar cargas em órbita. Feita essa parte, passaram a testar o resto. Primeiro com manobras orbitais, depois com pousos na água. A gente acompanhou, quando eles se esborrachavam no mar ou nas balsas.

Era divertido ver a mídia acusando a SpaceX de correr atrás de sonhos impossíveis, que nenhum foguete poderia pousar, era desperdício de dinheiro tentar isso.

Espiando debaixo da saia da Starship - Três Raptors (Crédito: SpaceX)

Mais divertido ainda foi ver os problemas acontecendo -falta de combustível, falta de nitrogênio nos jatos de manobra, pernas com amortecimento insuficiente- e sendo resolvidos não um ano e 38 reuniões depois, mas no próximo lançamento.

Hoje, depois de 75 pousos bem-sucedidos, chega a ser considerado um fracasso quando um Falcon 9 não pousa, o que aliás é bem raro.

Com a Starship o desenvolvimento está sendo no mesmo modelo. Depois da caixa d’água abominável dos infernos que era o Starhopper, a SpaceX construiu outros protótipos para testar técnicas de soldagem e montagem, e para aprender na marra como fazer tanques capazes de resistir às pressões exigidas para um vôo tripulado.

O Starhopper é mais feio que encoxar a mãe no tanque. (Crédito: Nomadd / Wikimedia Commons)

Depois de várias explosões previstas bem legais, foi a vez da Starship SN5, um silo de cereais de metal com um contrapeso no alto, a desgraça destruiu o chão da plataforma de lançamento, mas subiu os 150 metros planejados, em 4 de Agosto de 2020.

Em 9 de Dezembro de 2020, foi a vez da SN8 fazer um teste de vôo de grande altitude. Desta vez com direito a bico e tudo, a Starship contava com flaps de manobra e um perfil de vôo ousado. Ela iria subir a 12,5Km, pairar, começar a descer, deitar na horizontal para reduzir a velocidade terminal e quando estivesse chegando, giraria e executaria um pouso vertical. Quase deu certo.

Lembre-se, esse bicho tem 50 metros de altura, é um prédio de 15 andares.

Quanto tempo levou pra SpaceX estudar a falha no pouso, descobrir que foi falta de pressão no tanque do nariz, projetar as correções e implementar?

Bem, em 2 de Fevereiro de 2021 a Starship SN9 estava decolando de Boca Chica. Na hora de religar os motores, um deles não funcionou direito e um único Raptor foi incapaz de desacelerar. O resultado foi espetacular.

Nessa altura a SpaceX já estava cumprindo sua meta: Produzir protótipos mais rápido do que conseguia explodi-los. Em 2 de Março foi a vez da SN10, um incrível alarme falso. Um pouco de Hélio, usado para pressurizar os tanques de combustível e oxidante foi ingerido pela tubulação, e compreensivelmente um dos Raptors engasgou, Hélio não é um dos gases mais inflamáveis, como todo mundo -vocês não, projetistas do Hindemburg- sabe.

Sem potência, o SN10 fez um pouso bem forte, rompeu tubulações e depois de oito minutos, cabum. Por outro lado foi a única Starship a decolar duas vezes 😉

A Starship SN11 voou 30 de Março, dois lançamentos em um mês. A decolagem foi perfeita, a manobra de giro idem, mas quando os motores foram religados um vazamento de metano provocou a perda da espaçonave, em uma gigantesca explosão.

No mesmo dia funcionários da SpaceX recolhiam os pedaços da nave, espalhados pela região, enquanto outros analisavam a telemetria e identificavam problemas. O próximo protótipo, a SN15 já estava em construção, incorporando centenas de modificações, derivadas de tudo que aprenderam com os lançamentos anteriores.

Pouco mais de um mês depois, em 5 de Maio de 2021, era a vez da SN15 ser lançada.

O clima não estava ajudando, a neblina deixava menos de 100m de visibilidade vertical, mas a Starship não precisa ver o local de pouso, ela tem toneladas de radares, lidares, gps e até Starlink.

O que não funcionou foi o streaming, por algum motivo o sinal estava horrível, ficamos vários minutos sem atualização, de vez em quando entrava um ou outro frame, então foi um belo susto ver a SN15 saindo das nuvens e iniciando uma manobra bem agressiva para se verticalizar e alinhar com o ponto de pouso.

Deu certo, com o detalhe menor que um vazamento de metano ou metano remanescente nas tubulações alimentaram labaredas por alguns minutos, mas mesmo assim a Starship não explodiu, o que é uma excelente forma de terminar um vôo.

Os Deuses da Exploração Espacial estavam realmente sorrindo pra SpaceX. Eles tiveram sorte, sorte mesmo. Entre outros momentos, a nave pousou bem na borda do pavimento de concreto. Talvez não acontecesse nada, mas pousar no chão de terra dificilmente seria agradável.

O pouso bem-sucedido veio na hora ideal, depois que a NASA mandou a SpaceX parar de trabalhar no programa de pouso lunar, contrato de US$2.89 bilhões que a empresa de Elon Musk ganhou, deixando para trás os concorrentes Dynetics e Blue Origin.

Os dois grupos, claro, entraram com um monte de recursos e acusações, fazendo com que a NASA parasse o projeto para ter que se defender. As acusações, dos grupos que nunca colocaram uma grama em órbita nem construíram nada que se assemelhe a um foguete de verdade acusam a SpaceX de... explodir protótipos.

A futura Starship Lunar (Crédito: NASA / SpaceX)

Pois bem, agora para desgosto geral das inimigas, a SpaceX pousou uma Starship, na 5ª tentativa. Fora a SN15 a SpaceX está construindo da SN16 à SN20.

A expectativa agora é um vôo de testes do Super Heavy, o primeiro estágio da Starship, com 28 motores Raptor. O primeiro protótipo, BN1 foi feito para certificar as técnicas de construção e sondagem. Em 30 de Março de 2021 ele foi dado como encerrado.

O BN2 está sendo construído e provavelmente irá voar em breve. Musk diz que com sorte ele terá capacidade orbital, mas o BN3, que também já está sendo construído, será usado para o primeiro vôo orbital de uma Starship, em Julho de 2021.

BN1, o primeiro Super Heavy. Esse monstro tem 70 metros de altura. A Starship tem 50. (Crédito: SpaceX / Elon Musk)

A gente sempre imaginou aquelas fábricas como da ULA, com técnicos em impecáveis macacões brancos em salas limpas manuseando delicadamente complexas peças de metal, aí vem a SpaceX, em modo Full Tony Stark, construindo uma nave espacial em um terreiro, com um galpão de alumínio sem porta, e lançando literalmente da beira da estrada.

A SpaceX sem-querer criou toda uma economia de youtubbers nerds que passam 24 horas por dia filmando e acompanhando o desenvolvimento. A Starship hoje provavelmente é o projeto de engenharia mais monitorado e “aberto” do planeta. É a melhor forma de fazer engenharia? Não sei, mas é a mais divertida!

SpaceX pousa com sucesso a Starship (sem explodir)

15 Jun 05:53

Barbara Lauwers e a Operação Chucrute

by Carlos Cardoso

Barbara Lauwers sabia que em guerra psicologia é uma arma tão importante quanto uma arma. O sucesso ou fracasso de uma operação militar depende da cabeça dos soldados, se sua motivação e moral. Nenhuma tropa que acha que está derrotada já venceu alguma batalha, e essa jovem e ousada refugiada se mostraria uma mestra nessa arte.

Nem era complicado mexer com a cabeça dos nazistas (Crédito: NBC)

Claro, ela de forma alguma foi a inventora do conceito de Guerra Psicológica, tão antigo quanto a própria Guerra, mas aprimorado na Primeira Guerra Mundial e usado em grande escala na Segunda.

Temos as clássicas estações de rádio inimigas transmitindo música e propaganda para os soldados, com locutoras que ganhavam apelidos com Rosa de Tóquio e Axis Sally. No Vietnã os americanos espalhavam alto-falantes na floresta, para emitir sons fantasmagóricos e assustar os inimigos.

Panfletos com salvo-condutos convidando o inimigo a se render eram jogados constantemente atrás das linhas inimigas. Algumas vezes não davam muito certo, e em um caso especial a propaganda de guerra falhou por contarem a verdade.

Panfletos aliados mostrando soldados alemães em campos de prisioneiros sendo bem-tratados e comendo pratos fartos com bacon e ovos foram vistos como propaganda mentirosa, nenhum soldado alemão acreditou que um prisioneiro de guerra teria melhor dieta que um soldado no front e fazia tempo que Hitler não mandava um baconzinho que fosse.

O da esquerda não funcionava muito bem. (Crédito: US Army/Domínio Público)

No Japão a propaganda tinha efeito quase zero, até descobrirem que havia um componente psicológico forte: Os panfletos dizendo “Eu em rendo” eram terríveis para a moral do soldado japonês. Eles eram treinados a nunca se renderem, rendição era vergonha suprema. Então mesmo que significasse morrer, eles ignoravam os panfletos.

Quando o texto passou a dizer “Eu parei de resistir”, a propaganda funcionou e os panfletos começaram a funcionar.

Esse tipo de detalhe cultural era fundamental, e Barbara Lauwers era especialista nisso.

Cabo Barbara Lauwers (Crédito: US Army / Domínio Público)

Nascida em 1914 em Brno, no que seria hoje a Tchecoslováquia, se a Tchecoslováquia ainda existisse, Božena Hauserová se formou em Direito pela Universidade de Masaryk, e na mesma época conheceu seu futuro marido.

Lauwers era curiosa, inteligente e aventureira, falava com fluência várias línguas, incluindo Checo, Eslovaco, Francês, inglês e alemão. Aventurando-se com o marido ela foi parar no Congo Belga em 1939, quando os dois perceberam que o angu estava começando a ferver na Europa, eles emigraram para os Estados Unidos, em 1941. Aí em dezembro os japas fizeram o favor de envolver os EUA de vez com o arranca-rabo generalizado.

O marido se alistou imediatamente. Barbara Lauwers teve que esperar a conclusão de seu processo de naturalização, mas assim que se tornou cidadã americana, 1º de junho de 1943, algumas horas depois se alistou no Exército, e após terminar o treinamento básico foi mandada para a Escola do Women's Army Corps, a organização do Exército que coordenava as tropas femininas, que trabalhavam em todas as atividades fora combate.

Não deu muito tempo, os instrutores perceberam que aquela gringa viajada esperta feito uma barata em galinheiro era material perfeito pra trabalhos mais nobres, e ela foi mandada pro OSS - Office of Strategic Services. O Escritório de Serviços Estratégicos é uma espécie de antecessor da CIA, eles cuidavam de todos os planos mirabolantes, espionagem, armas secretas, etc, etc, etc. Entre eles, operações de guerra psicológica.

Os planos do OSS às vezes eram ridículos, como a idéia de fazer Hitler consumir progesterona sem perceber, e com isso torná-lo mais feminino e dócil. Outras vezes eram coisa de filme, como quando usaram a superstição e a crença nazista em astrologia. Um astrólogo europeu famoso teve seus poderes “ampliados”, com os Aliados passando informações que eram transformadas em previsões, que obviamente se cumpriam.

Com o tempo ele começou a prever a queda do III Reich, e cópias falsas de uma revista popular de astrologia eram distribuídas pela Resistência na Alemanha, para espalhar as profecias e desestabilizar a população.

Barbara Lauwers e o artista Saul Steinberg em Roma, 1944 (Crédito: US Army/Domínio Público)

Barbara Lauwers foi mandada primeiro para a Argélia, depois para a Itália. Lá ela se tornou parte da Operação Chucrute. Seu trabalho era entrevistar prisioneiros alemães e achar os melhores candidatos dispostos a distribuir propaganda atrás das linhas inimigas.

Nessa época o OSS produzia dois tipos de materiais: Documentos, ordens, passaportes e cartas, falsificados com perfeição e certificados por prisioneiros alemães, que apontavam erros de português, digo, de alemão e pequenas imperfeições.

O segundo tipo eram panfletos, cartazes e reproduções de documentos “roubados”, tudo produzido em máquinas de gráficas locais, com papel de qualidade duvidosa, erros de composição e falhas de impressão. O objetivo era dar aos nazistas a impressão de que eram produzidos por membros locais da Resistência, que muitas vezes nem existia.

Uma das trollagens do OSS era imprimir papel higiênico com o rosto de Hitler - a Inscrição diz "usar este lado" e espalhar pelas latrinas dos acampamentos inimigos (Crédito: US Army / Domínio Público)

Um dos grandes feitos de Barbara Lauwers foi a criação da Verein Einsamer Kriegerfrauen (VAK), ou “Associação das Mulheres Solitárias da Guerra”. Era um grupo obviamente fictício, que seria composto por jovens casadas e solteiras, solitárias com seus maridos e namorados no front.

Elas estariam sozinhas e carentes, desesperadas por um abraço amigo, e sem seus homens para consolá-las, qualquer um servia. Soldados de folga bastariam usar um coração de papel preso na lapela, e várias Fräuleins dadivosas fazendo cara de Polônia se apresentariam esperando uma Blitzkrieg, de preferência não muito blitz.

Clube das Fräuleins solitárias (Crédito: US Army/Domínio Público)

O material foi espalhado como uma circular interna da Wehrmacht, que teria sido capturada pela Resistência e RE-capturada pelo Exército, soldados achavam cópias do documento e guardavam, mostrando pros amigos e divulgando a história.

O efeito era óbvio. Barbara Lauwers, profunda conhecedora da psiquê masculina sabia que a idéia de moças dadivosas sem burocracia ou compensação monetária era extremamente atraente, mas também sabia que uma boa porção dos soldados eram casados ou tinham namorada, então enquanto Hans lia no panfleto “Frei Zex!”  Franz lia “você está morrendo na guerra e a patroa em casa está distribuindo mais que chayote nos alpes”. Isso era terrível psicologicamente para a maioria dos soldados.

Claro, Barbara não parou ali. Um dia, entrevistando prisioneiros alemães ela ouviu uma conversa em que um oficial se gabava de estarem selecionando soldados Checos e Eslovacos para os piores trabalhos.

Nessa época, 1944, a Alemanha estava com falta de tropas qualificadas, então muitos serviços eram alocados para tropas formadas por homens de países invadidos, convocados e apresentados com a interessante escolha “ou você serve no exército ou morre”.

Percebendo a situação Barbara Lauwers bolou um plano, mas primeiro precisou conseguir emprestadas máquinas de escrever com o Vaticano, o único lugar aonde eram regularmente produzidos documentos nas mais variadas línguas, dificilmente as máquinas de escrever americanas teriam acentos e caracteres dos idiomas Checo e Eslovaco.

Com as máquinas disponibilizadas, ela escreveu e produziu panfletos nas línguas nativas dos dois países, oferecendo salvo-conduto para essas tropas.

As mensagens foram lançadas de avião e transmitidas pela BBC.

Em uma semana pelo menos 600 soldados desertaram e foram acolhidos pelos aliados.

Por essa a Cabo Barbara Lauwers ganhou uma Estrela de Bronze.

Barbara Lauwers recebe sua Estrela de Bronze (Crédito: US Army/Domínio Público)

A fake News foi tão bem-feita que o Washington Post colocou as mãos em um dos panfletos, acreditou piamente e publicou a história em sua edição de 10/10/1944, sem ter a menor idéia de que era tudo um plano do OSS.

Após a Guerra Barbara Lauwers se reencontrou com o marido, mas o casamento não foi adiante. Ela trabalhou vendendo chapéus, como locutora, ficou no tempo na Academia Nacional de Ciências e depois arrumou uma vaga como pesquisadora na Biblioteca do Congresso, aonde conheceu Joseph Junosza Podoski, um aristocrata polonês que se tornou seu segundo marido.

O casal trabalhou em uma organização de apoio a refugiados até a morte de Joseph, em 1984. Barbara morreu em 2009, aos 95 anos de idade, com certeza cheia de memórias incríveis e a paz de espírito do dever cumprido.

Fontes:

Barbara Lauwers e a Operação Chucrute

13 Jun 22:30

MS-DOS 40 anos: o SO que colocou a Microsoft no mapa

by Ronaldo Gogoni

O MS-DOS, um dos mais populares (mas não o único) sistemas operacionais de operação de disco para computadores IBM-PC, completa 40 anos no dia 12 de agosto de 2021. Embora tenha sido o responsável por colocar a Microsoft no mapa, de uma mera subsidiária à empresa de software concorrente de empresas como IBM e Apple, ele não foi um programa totalmente original da companhia de Bill Gates. Ele passa bem longe disso, na verdade.

Tela de carregamento do MS-DOS (Crédito: Reprodução/Microsoft)

Tela de carregamento do MS-DOS (Crédito: Reprodução/Microsoft)

No princípio, havia o CP/M

As origens do MS-DOS podem ser traçadas até o CP/M, sigla original para "Control Program/Monitor" (Programa/Monitor de Controle), posteriormente alterada para o  equivalente em inglês de "Programa de Controle para Microcomputadores". Desenvolvido em 1974 por Gary Kildall (1942-1994), que fundou a empresa Digital Research para distribuir seu software, ele era um programa de controle e operação voltado para os processadores Intel 8080 e posteriormente 8085, de 8 bits.

Estruturalmente, o CP/M é igual ao MS-DOS. Ele suporta entradas via linha de comando para a execução de operações diversas, e suporta a instalação e execução de programas de terceiros, para os mais diversos fins.

Originalmente desenvolvido como um programa de tarefa única, ele era limitado a endereçar apenas 64 kB de uma vez. Com o tempo, o software ganhou multitarefa e foi migrado para processadores de 16 bits. Sua operação era baseada no venerável Altair 8800 da MITS, o primeiro computador voltado para hobbystas e que sozinho iniciou a revolução digital, tirando o controle das mãos de grandes corporações.

O CP/M foi importante por diminuir bastante a necessidade de programar cada ação que um computador precisaria fazer, de olho principalmente em uso por leigos, que teriam acesso a programas capazes de rodar por cima do CP/M. Foi ele também que introduziu o conceito de instruções de baixo nível que eram carregadas durante o boot, e que posteriormente seriam introduzidas via firmware.

O tempo, cunhado por Kildall para nomear o recurso,  foi "Sistema Básico de Entrada e Saída", em inglês "Basic Input Output System", ou simplesmente... BIOS.

Tela do CP/M-86, voltada a processadores Intel 8086 (Crédito: Reprodução/BSD License)

Tela do CP/M-86, voltada a processadores Intel 8086 (Crédito: Reprodução/BSD License)

O CP/M teve várias versões para diversos processadores, e inspirou outros desenvolvedores a criarem adaptações para vários casos de uso ao longo dos anos. Um desses casos foi o da Seattle Computer Products, ou SPC, fundada pelo programador Tim Paterson.

Ele desenvolveu em 1980 uma versão do programa de Kildall especificamente para o Intel 8086, tanto que chamou o sistema inicialmente de QDOS, de "Quick and Dirty Operating System", ou Sistema Operacional Rápido e Sujo em português. Posteriormente ele foi renomeado para 86-DOS, quando começou a licenciá-lo.

Um de seus clientes foi uma pequena empresa de Redmond, Washington chamada Microsoft, que tinha um problema para resolver.

86-DOS, MS-DOS e IBM PC-DOS

Segundo Paterson, o desenvolvimento do 86-DOS só consumiu 6 meses, visto que ele era basicamente um port do CP/M para o Intel 8086, sem saber que a Digital Research também estava desenvolvendo uma versão para o chip, lançada como CP/M-86 posteriormente. A SCP originalmente iria distribuir a versão original, anunciada para 1979, mas decidiu desenvolver (copiar) sua versão quando o mesmo atrasou, tendo saído  só em novembro de 1981.

O 86-DOS era vendido com o kit do processador e uma versão do Microsoft BASIC-86, sendo que a empresa de Bill Gates estava em negociação com a IBM, esta prestes a introduzir o IBM-5150, seu primeiro computador pessoal. A gigante precisava de um sistema de disco embarcado com cada unidade, e o CP/M-86 da Digital Research, mesmo atrasado, era a primeira escolha da empresa.

No entanto, as negociações não avançaram, porque não só a IBM queria a posse do software, como desejava renomeá-lo para IBM PC-DOS, o que Kindall não aceitou. Gates, mais esperto, propôs um acordo de licenciamento de seu suposto sistema DOS, que a IBM poderia usar como quisesse, enquanto manteria a propriedade intelectual sobre o mesmo.

A IBM aceitou, pois a empresa acreditava que embora não controlasse o software na sua totalidade, o grosso do dinheiro estava no hardware, e a Microsoft ficaria com a menor fatia do bolo de qualquer forma. Os meses e anos seguintes provariam que tal decisão teria o efeito contrário, mas chegaremos lá.

Embora tenha saído  do primeiro encontro com a IBM com um acordo preliminar, Bill Gates tinha agora um problema para resolver: a Microsoft não possuía um DOS para oferecer, o contrato era baseado em vento.

A solução foi correr até a SCP, pagar US$ 75 mil pelo 86-DOS, customizá-lo e mudar o nome para MS-DOS. Tim Paterson acabou contratado pela Microsoft, onde ele trabalhou em três períodos distintos, sendo o último entre 1994 e 1998, onde fez parte do time de desenvolvimento do Visual Basic.

Gates e Allen concluíram a passada de rodo na IBM repassando o 86-DOS/MS-DOS 1.14 como uma versão licenciada, chamada obviamente IBM PC-DOS, ao mesmo tempo que era livre para vender sua versão própria.

No fim das contas, o IBM PC 5150 chegou às lojas compatível com PC-DOS (devidamente embarcado), MS-DOS e CP/M-86, quando este foi lançado meses depois.

Paul Allen e Bill Gates em 1981, após fecharem o acordo de licenciamento do MS-DOS com a IBM (Crédito: acervo Microsoft)

Paul Allen e Bill Gates em 1981, após fecharem o acordo de licenciamento do MS-DOS com a IBM (Crédito: acervo Microsoft)

O que a IBM não contava, no entanto, era o fato de que a arquitetura do Intel 8086 e do 8088, este presente no IBM PC, não era uma propriedade exclusiva da gigante de tecnologia, e kits com os processadores começaram a ser embarcados por diversas empresas, tão logo a Microsoft começou a licenciar o MS-DOS para quem quisesse. Em um ano, o SO estava presente em produtos de outras 70 companhias, invertendo completamente a noção de domínio que os então parceiros de Gates possuíam:

O hardware era algo que qualquer empresa poderia colocar no mercado, montar como quisesse e vender pelo preço que desejasse, mas o sistema operacional era sempre o MS-DOS, o que fez a pequena companhia se expandir de forma exponencial nos anos seguintes. Sem contar que muitos usuários usaram versões não-oficiais, na época em que não havia internet e todo mundo trocava disquetes de programas e jogos.

Considerando exceções como os computadores da Apple, que sempre usaram SOs proprietários, e casos atípicos como o mercado de computadores pessoais do Japão, capitaneado pela NEC, Sharp e outras empresas locais, que usavam seus próprios sistemas operacionais, a Microsoft se fez presente com o MS-DOS, e posteriormente com o Windows, que rodava como um app, em quase todos os cantos do planeta.

Ainda assim, a Microsoft manteve os acordos e continuou a co-desenvolver o PC-DOS em paralelo ao MS-DOS, e ambos eram essencialmente iguais até 1993, quando a IBM começou a se enveredar para o lado do PowerPC, uma parceria de desenvolvimento em conjunto com a Apple e a Motorola. Vale lembrar que rusgas entre as duas também incluem o OS/2.

Apesar de oferecer grande suporte a diversos processadores e componentes, curiosamente o MS-DOS não tinha suporte a multiusuários, porque a Microsoft já possuía um SO capaz disso: o Xenix, sua própria distribuição Unix, mantida entre 1980 e 1989.

O MS-DOS continua "vivo" até hoje, com fragmentos integrados ao Windows, tendo começado a ser depreciado no Windows 95 e substituído por completo no Windows 98, mas permanece como um caso de software que ajudou a elevar uma empresa, ainda que não fosse original, ao mesmo tempo que impediu a IBM de dominar o mercado de PCs domésticos, ao ser licenciado para todo mundo que quisesse usá-lo.

Hoje você pode usar versões específicas do MS-DOS, distribuídas pela Microsoft como softwares de código aberto.

10 programas e jogos do MS-DOS

Vamos relembrar alguns programas e jogos do MS-DOS que são lembrados até hoje, e em muitos casos ainda usados e curtidos por alguns entusiastas:

1. WordPerfect

WordPerfect no MS-DOS (Crédito: Reprodução/Corel)

WordPerfect no MS-DOS (Crédito: Reprodução/Corel)

George RR Martin pode preferir escrever seus livros até hoje no WordStar (o programa que todo mundo que usou se lembra até hoje o comando para desmarcar bloco), que outrora foi um dos editores de texto mais populares do MS-DOS, junto com o Word, o primeiro a  ter suporte a mouse fornecido pela Microsoft.

No entanto, foi o WordPerfect quem evoluiu mais que os concorrentes e em pouco tempo, se tornou o software dominante em sua área, por oferecer uma interface mais limpa e menos complexa. no entanto, os desenvolvedores meteram os pés pelas mãos com a versão para Windows, que foi eclipsada pelo Word e outros editores.

2. Lotus 1-2-3

Lotus 1-2-3 (Crédito: Reprodução/HCL)

Lotus 1-2-3 (Crédito: Reprodução/HCL)

A Lotus Software foi um caso clássico de "one hit wonder". O Lotus 1-2-3 foi por muitos anos o único programa suficientemente decente para usar planilhas de cálculo no MS-DOS, por ser ridiculamente fácil de usar, mais do que o Excel nunca foi, dizem alguns.

Como o tempo não perdoa, e assim como aconteceu com o WordPerfect, o Lotus 1-2-3 se tornou um produto restrito a uma época, visto que a Lotus não conseguiu emplacar outros produtos no Windows.

3. dBase

dBase III Plus (Crédito: Reprodução/Cecil Wayne Ratliff)

dBase III Plus (Crédito: Reprodução/Cecil Wayne Ratliff)

O dBase foi um programa de construção de banco de dados sólido, fácil de usar e flexível, principalmente na versão III Plus, uma das mais usadas. Ele era tão simplificado e dispensava conhecimentos extensos de programação, o que lhe permitiu servir de base para inúmeros sistemas de gerenciamento ao longo das décadas.

Se você procurar, fatalmente encontrará um comércio em algum canto do Brasil, que usa um sistema de terceiros para controle de estoque e fluxo de caixa, que por trás dos bastidores, é todo construído sobre o dBase, que apenas funciona, e não tem no que mexer para melhorar, se isso não é necessário.

4. Compiladores de 1ª geração

Compilador Turbo C (Crédito: Reprodução/Borland International)

Compilador Turbo C (Crédito: Reprodução/Borland International)

O MS-DOS não exige conhecimentos de programação extensos para ser operado, mas por outro lado, suportava inúmeros compiladores para quem estava aprendendo. Todas as linguagens populares entre os anos 1980 e 1990, como C, Delphi e a acadêmica Pascal, ou algumas mais antigas, como COBOL, possuem compiladores para o SO.

Com o SO da Microsoft, era bastante simples rodar programas compiladores e aprender a programar por conta própria, graças à facilidade de instalação dos softwares.

5. Clientes de BBS

Um exemplo de como a BBS era (Crédito: Reprodução/acervo internet)

Um exemplo de como a BBS era (Crédito: Reprodução/acervo internet)

Antes da internet existia o BBS, servidores dedicados mantidos por terceiros, em geral universidades e operadoras, com algumas empresas no meio, que ofereciam ambientes online para os usuários, que se conectavam via telefone. Com um programa cliente, era possível entrar em listas de discussão, baixar e fazer upload de programas e imagens, pesquisar artigos e publicações diversas, e etc.

Embora o acesso fosse bastante limitado, o BBS fez sucesso entre entusiastas e curiosos, mesmo no Brasil, e clientes como o Telemate eram essenciais para fazer a conexão entre o seu computador e a rede.

6. DONKEY.BAS

DONKEY.BAS foi escrito por Bill Gates para o PC-DOS (Crédito: Reprodução/IBM)

DONKEY.BAS foi escrito por Bill Gates para o PC-DOS (Crédito: Reprodução/IBM)

Pouca gente sabe, mas o primeiro jogo do MS-DOS, ou tecnicamente do PC-DOS, foi co-escrito por Bill Gates com Neil Konzen, que foi um dos primeiros funcionários da Microsoft, responsável por programar as primeiras versões do MultiPlan e do Word para o Macintosh, em 1984.

DONKEY.BAS era um jogo de corrida que vinha junto com as instalações padrão do PC-DOS, em que o jogador tinha que conduzir seu carro na estrada, enquanto se desviava de burros, daí o nome. Hoje ele é risível de tão simples, mas foi de fato o primeiro jogo do DOS.

7. Wolfenstein 3D

Wolfenstein 3D (Crédito: Reprodução/id Software/Microsoft)

Wolfenstein 3D (Crédito: Reprodução/id Software/Microsoft)

Até este jogo, a série Castle Wolfenstein consistia de 2 jogos em visão isométrica. John Carmack, que estava testando jogos com ambientação tridimensional, decidiu aproveitar a marca, que estava vaga e fora adquirida pela id Software, para apresentar o que é considerado o avô de todos os jogos de tiro em primeira pessoa, os FPS.

Wolfenstein 3D trazia uma trama simples e um desafio altíssimo, além de um mapa gigantesco para explorar, cheio de segredos e nazistas para despachar. Ainda relevante e divertido, ele foi incluído como easter eggs nas versões mais recentes da franquia, completo.

8. Prince of Persia

Prince of Persia é excelente até hoje (Crédito: Reprodução/Brøderbund/Ubisoft) / ms-dos

Prince of Persia é excelente até hoje (Crédito: Reprodução/Brøderbund/Ubisoft)

Justiça seja feita, Jordan Mechner se sentiu motivado a criar games quando o Apple II foi lançado, e este recebeu a primeira versão de Karateka, posteriormente portado para outras plataformas. Já Prince of Persia teve muito mais alcance, principalmente pela versão para MS-DOS, compartilhada em disquetes junto com versões caseiras do manual, para driblar o recurso anti-pirataria incluso, a sala com as poções.

Um dos recursos mais atraentes do jogo, a fluida animação dos personagens, cada um com muitos quadros, foi viabilizada graças ao uso da rotoscopia por Mechner, capturando movimentos filmados para posteriormente transferi-los para animações com pixels, de forma manual. O resultado é um jogo excelente, em desafio e estética, mesmo mais de 30 anos depois.

9. SimCity

SimCity (Crédito: Reprodução/Maxis/Electronic Arts) / ms-dos

SimCity (Crédito: Reprodução/Maxis/Electronic Arts)

A Maxis e a Electronic Arts cometeram uma série de presepadas na última versão de SimCity, o que enfraqueceu um pouco a marca, mas o simulador de cidades ainda é uma das franquias mais conhecidas entre os jogadores de PC mais antigos.

O jogo de 1989, conhecido hoje como SimCity Classic para diferenciá-lo do SimCity de 2013, foi desenvolvida de forma independente por Will Wright por 4 anos, e mesmo que muitos apontem que a versão de Super NES seja melhor (o que é verdade), cabe a esta versão ter trago elementos e mecânicas que foram replicadas por concorrentes, e refinadas nas continuações oficiais.

10. Sid Meier's Civilization

Mahatma Gandhi, o pacifista nuclear (Crédito: Reprodução/Microprose/Take-Two Interactive) / ms-dos

Mahatma Gandhi, o pacifista nuclear (Crédito: Reprodução/Microprose/Take-Two Interactive)

A obra-prima de Sid Meier e um dos precursores do gênero 4X, em que o jogador deve explorar recursos naturais, expandir seus domínios e eliminar a competição, o primeiro Civilization é um jogo bastante limitado para os padrões de hoje, mas já trazia todos os elementos básicos que estruturam todas as continuações, para o bem e para o mal.

O "Gandhi Nuclear", em que o histórico pacifista se apresenta no jogo como um líder que retalia potenciais ameaças com força nuclear, foi um bug na atribuição de agressividade para o personagem. Originalmente o índice ia de 1 a 12, e era armazenado em um byte. Gandhi começava com 1, o mais baixo, mas assim que um jogador desenvolvesse a Democracia como sistema de governo, todos os demais líderes recebiam 2 pontos de desconto.

Como resultado Gandhi ficava com -1, e quando você executa uma subtração em binário, é gerado um underflow porque a tabela não suporta negativos. Assim, a agressividade do líder indiano dava a volta e ia para o valor mais alto, 255, o último da tabela binária. Como resultado, Gandhi contra-atacava qualquer ação contra a Índia com armas nucleares.

O bug fez tanto sucesso pelos motivos errados, que mesmo nas versões mais recentes da série Civilization, onde a retaliação nuclear é uma variável separada, Gandhi possui o valor mais alto, 12, contra 8 dos líderes mais belicosos da franquia.

MS-DOS 40 anos: o SO que colocou a Microsoft no mapa

11 Jun 05:44

First Time Since Early 2020

Gotten the Ferris wheel operator's attention
08 Jun 06:45

Como disfarçar seu avião secreto: Coloque um gorila pra pilotar

by Carlos Cardoso

Tocar projetos sigilosos em países mais livres é complicado. Se os russos queriam projetar um avião secreto, era só determinar uma área no mapa e quem chegasse perto, sumiria. Nos EUA, mesmo com a Área 51, muita informação vazava.

Jack Woolams e seu chapéu coco (Crédito: USAF)

Algumas vezes os projetos eram feitos a céu aberto, com um objetivo falso. Quando a CIA gastou bilhões projetando o Glomar Explorer, um navio para içar um submarino soviético, a construção foi pública. A justificativa era que o bilionário Howard Hughes, o Tony Stark da época iria explorar o fundo do oceano atrás de Manganês.

Outros projetos são absolutamente secretos, como o SR-71, o avião era transportado em uma caixa, entre a fábrica e a Área 51.

Os voos eram sempre noturnos, mas mesmo assim o avião acabou vazando.

SR-71 Blackbird sendo transportado. (Crédito: USAF)

Muito antes disso métodos criativos eram usados para ocultar projetos, como o caso o P-59, o primeiro caça a jato dos Estados Unidos.

Em 1942 ele começou seus primeiros testes, mas era uma tecnologia avançadíssima, e secreta. Ele deveria ser mantido low profile mesmo para a maioria dos soldados e aviadores na base aonde era testado.

Para disfarçar o avião secreto, criaram uma hélice falsa, de madeira, que ficava encaixada no nariz do P-59, assim quem passasse não estranharia um avião sem hélice, mas essa não é a melhor parte.

Sim, o pessoal era enganado por isso. (Crédito: USAF)

Durante os voos era comum encontrarem aviões militares, e mesmo alguns civis. Por mais que os militares soubessem manter a boca fechada, eles acabariam falando, e os civis muito mais, ao ver um avião revolucionário voando sem hélices.

A idéia para complicar a vida dos enxeridos veio de Jack Woolams, chefe dos pilotos de prova da Bell Aircraft, empresa que estava projetando e construindo o P-59 Airacomet.

Jack passou a pilotar o P-59 em seus voos de teste usando uma máscara de gorila, um chapéu coco e um charuto. Quando um avião emparelhava com ele, Jack pegava o charuto e saudava o outro piloto, antes de acelerar e ir embora.

Jack Woolams, disfarçado (crédito: USAF)

Quando os pilotos começavam a contar a história de um avião que voava sem hélice, acabavam emendando que quem pilotava era um gorila. Todo mundo soltava um “aham, claro!” e o segredo permanecia seguro, pois ninguém acreditaria em qualquer parte da história.

Como disfarçar seu avião secreto: Coloque um gorila pra pilotar

08 Jun 06:42

Neuralink e o macaco Bluetooth de Elon Musk

by Carlos Cardoso

OK, tecnicamente o macaco é WIFI, mas tudo fica melhor com Bluetooth, inclusive os implantes da Neuralink, que estão usando uma abordagem nova e ousada em pesquisa neurológica avançada.

OK, talvez eu esteja exagerando um pouco. (Crédito: CW)

Algum tempo atrás vivos o Porco Bluetooth, com um implante da Neuralink medindo a área do cérebro que controla o focinho. Foi legal, impressionante, mas não é inédito, cientistas espetam sensores nos cérebros alheios o tempo todo. Temos até estudos em humanos, embora mais modestos.

Em todos os casos a imagem é algo de filme de terror, um enorme emaranhado de fios conectados em uma cabeça parcialmente raspada, um arranjo desajeitado e claramente provisório. A genialidade da Neuralink é fugir disso tudo.

Ao invés de um rato estressado com uma conexão SCSI atuchada na cabeça, temos um implante que por si só é uma maravilha tecnológica: Do tamanho de uma moeda, o implante tem bateria com carregamento sem-fio, processamento de sinais interno, capacidade de leitura E escrita, podendo enviar sinais individualmente para o cérebro. Tudo isso posicionado de forma mais precisa do que um humano seria capaz.

A Neuralink construir um robô especializado em operar cérebros, o equipamento é capaz de posicionar 1024 micro-eletrodos de cada implante, não só na superfície como em profundidades diferentes. Ao contrário dos experimentos antigos, a matriz de dados da Neuralink é tridimensional.

O processo foi detalhado neste paper aqui. (cuidado, PDF!)

E o que dá pra fazer com isso tudo?

Excelente pergunta, gafanhoto.

We are the Musk. (Crédito: Reprodução Internet)

O seu cérebro (exceto se você for comentarista de portais) é a máquina mais complexa do Universo. Há mais conexões nele do que estrelas na galáxia. Temos uma pálida idéia de seu funcionamento, que pode envolver até física quântica. Não sabemos nem se é possível ou não simulá-lo em computador, mas...

Não faz diferença para a Neuralink.

Imagine que você acordou em um país estrangeiro, sem falar uma palavra do idioma. É um daqueles países estranhos da Europa Oriental. Todo mundo é simpático, te chamam para beber. Você observa uma mesa do outro lado da rua. De tempos em tempos alguém fala “PROCHASKA!” e todo mundo levanta os pés, enquanto um enxame de ratos passa correndo.

Aí alguém da sua mesa fala “PROCHASKA!” e você prontamente levanta os pés, junto com seus novos amigos.

Você não tem conhecimento do idioma, não sabe se a palavra significa cuidado, atenção, olha o rato. Não importa, você entendeu a informação por trás dela.

O implante da Neuralink coleta continuamente dados de regiões específicas do cérebro, e ao menos nós sabemos as funções gerais delas. Se espetar no córtex visual, temos informação visual. No auditivo, informação sonora. No cheirativo, no caso da porca Getrud, temos dados de olfato.

Elon Musk demonstra o implante Neuralink (Crédito: Neuralink/AFP)

O que eles fizeram com um macaco de nome Pager foi instalar dois implantes no córtex motor na área que controla braços e mãos. Foram dois implantes para pegar dados dos dois lados do cérebro.

O macaco então foi treinado a usar um joystick para jogar alguns games. Se jogasse corretamente, ganha uma dose de suquinho de banana. Enquanto isso os implantes da Neuralink captavam os sinais dos neurônios motores. Com o tempo o sistema de redes neurais e machine learning construiu uma biblioteca de associações entre os sinais e os movimentos. Com base nesses sinais eles eram capazes de prever com alta probabilidade de acerto qual movimento o macaco estava fazendo.

Pager então ganhou um upgrade: foi ensinado a jogar Pong.

Depois disso, desabilitaram o joystick, usando só os dados dos implantes Neuralink como input.  O passo seguinte foi mostrar o jogo para o macaco, sem nenhum joystick. Ele sabia o que deveria fazer, então instintivamente se viu movendo a raquete na tela, enquanto mamava gostoso seu suquinho de banana e sim essa frase ficou bem mais esquisita do que eu imaginei.

Os implantes conseguiram captar o aumento de sinais nos neurônios motores, presentes mesmo quando a gente imagina um movimento. Pager estava efetivamente jogando com sua mente.

Até o final do ano a Neuralink deve começar os primeiros testes em humanos, e daí o céu é o limite. Elon Musk disse que a primeira aplicação comercial da empresa será uma forma dos implantes permitirem a uma pessoa paralisada operar um celular, com pelo menos tanta agilidade quanto alguém usando as mãos, e depois mais rápido ainda.

Como todo tipo de informação pode ser processada usando esse método de “força bruta”, esperam que a tecnologia também funcione para que amputados controlem membros biônicos, e cegos recebam estímulos externos no córtex visual.

Parece ficção científica, mas é exatamente isso que um implante coclear faz, estimulando eletricamente o nervo auditivo.

A Neuralink conseguirá ser tão bem-sucedida? Ninguém sabe, mas eles têm verba à vontade, e uma direção que entende o conceito de pesquisa a longo prazo. O importante é pararem logo com experimentos em macacos, antes que o inevitável aconteça:

OK, melhor não. (Crédito: MGM)

Neuralink e o macaco Bluetooth de Elon Musk

08 Jun 06:28

Signal – O que é e como usar?

by Cristiano Silva
Sétimo artigo da série Comunicação entre processos. Este artigo apresenta uma explicação do que é Signal e como usá-lo
01 Jun 21:47

Google launches its third major operating system, Fuchsia

by Ron Amadeo
The Nest Hub.

Enlarge / The Nest Hub. (credit: Google)

Google is officially rolling out a new operating system, called Fuchsia, to consumers. The release is a bit hard to believe at this point, but Google confirmed the news to 9to5Google, and several members of the Fuchsia team have confirmed it on Twitter. The official launch date was apparently yesterday. Fuchsia is certainly getting a quiet, anti-climactic release, as it's only being made available to one device, the Google Home Hub, aka the first-generation Nest Hub. There are no expected changes to the UI or functionality of the Home Hub, but Fuchsia is out there. Apparently, Google simply wants to prove out the OS in a consumer environment.

Fuchsia's one launch device was originally called the Google Home Hub and is a 7-inch smart display that responds to Google Assistant commands. It came out in 2018. The device was renamed the "Nest Hub" in 2019, and it's only this first-generation device, not the second-generation Nest Hub or Nest Hub Max, that is getting Fuchsia. The Home Hub's OS has always been an odd duck. When the device was released, Google was pitching a smart display hardware ecosystem to partners based on Android Things, a now-defunct Internet-of-things/kiosk OS. Instead of following the recommendations it gave to hardware partners, Google loaded the Home Hub with its in-house Google Cast Platform instead—and then undercut all its partners on price.

Fuchsia and Flutter

View more stories Fuchsia has long been a secretive project. We first saw the OS as a pre-alpha smartphone UI that was ported to Android in 2017. In 2018, we got the OS running natively on a Pixelbook. After that, the Fuchsia team stopped doing its work in the open and stripped all UI work out of the public repository.

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20 May 05:41

Apple’s M1 is a fast CPU—but M1 Macs feel even faster due to QoS

by Jim Salter
Multiple Apple promotional images are piled on each other.

Enlarge / The Apple M1 is a world-class processor—but it feels even faster than its already-great specs imply. Howard Oakley did a deep-dive investigation to find out why. (credit: SOPA Images via Getty)

Apple's M1 processor is a world-class desktop and laptop processor—but when it comes to general-purpose end-user systems, there's something even better than being fast. We're referring, of course, to feeling fast—which has more to do with a system meeting user expectations predictably and reliably than it does with raw speed.

Howard Oakley—author of several Mac-native utilities such as Cormorant, Spundle, and Stibium—did some digging to find out why his M1 Mac felt faster than Intel Macs did, and he concluded that the answer is QoS. If you're not familiar with the term, it's short for Quality of Service—and it's all about task scheduling.

More throughput doesn’t always mean happier users

There's a very common tendency to equate "performance" with throughput—roughly speaking, tasks accomplished per unit of time. Although throughput is generally the easiest metric to measure, it doesn't correspond very well to human perception. What humans generally notice isn't throughput, it's latency—not the number of times a task can be accomplished, but the time it takes to complete an individual task.

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19 May 21:10

Muller's Ratchet

Who knew you could learn so much about sexual reproduction from looking at pictures on the internet!
19 May 21:08

Vaccinated

I built a model that combines local case rates and vaccination stats to estimate when it's reasonable to attend various types of party, but I forgot to include anything about where to find them.
19 May 21:06

Sem condição

by Andre Noel
tirinha
Inclua essa tirinha em seu site
COLE ESSE CÓDIGO EM SEU SITE x
Fonte: Vida de Programador
Transcrição ↓

real historia;
string sender = "Felipe Profeta";

P.A.: Cara, eu até consigo ler bem em inglês, mas essa documentação aqui não tem condição!
Programador: Sério? Deixa eu ver...
Programador: Ah, tem condição sim...
P.A.: Ahn??
Programador: Olha ali... Tem if, tem else if e até else...
P.A.: PLOFT!
--
Camiseta: O importante é o principal, o resto é secundário

O artigo "Sem condição" foi originalmente publicado no site Vida de Programador, de Andre Noel.