

É dia das crianças, e isso nos lembra que nem as meninas mais pequenas são privadas da cagação de regra generalizada. E que, talvez, uma das primeiras regras que devemos obedecer seja sobre como podemos brincar.
Quando minha sobrinha e afilhado eram menores, eu entrava em lojas pra comprar presentes pra eles e saía descaralhada da cabeça. Vocês tão ligadas que até hoje existem fogõezinhos de brinqudo para meninas, né? Mas não é só isso: tem bebês, princesas, Barbies, casas de bonecas, enfim, o ambiente não muda muito. Ou seja, as brincadeiras de menina se dão no ambiente doméstico.
Mesmo em universos fantásticos com dragões e batalhas nós ainda temos que nos contentar com a parte doméstica, sendo princesas em busca de aprovação.
Pros meninos, por outro lado, não existe essa limitação. Ou seja, as brincadeiras deles não ficam restritas ao ambiente doméstico, eles brincam do que quiserem. De dinossauros, de músicos, de super-heróis, de construir, de destruir, enfim, do que quiserem mesmo.
(Como dizer se um brinquedo é de menino ou de menina: tu usa os genitais pra brincar? Sim: esse brinquedo não é para crianças. Não: tanto faz para meninas ou meninos)
Basicamente, desde criança, a imaginação dos meninos é menos cerceada que a nossa. Mais ou menos como se o mundo aceitasse que eles tem trânsito livre por muitos prismas e possibilidades que nós não temos.
Pra mim, essa delimitação foi muito cruel desde cedo. Eu não sou, exatamente, uma mulher doméstica ou frágil, eu gosto de ação, atrito. Então, surpresa nenhuma, eu gostava de brincar e de ter brinquedos que eram coisa de menino. Claro, até hoje eu gosto. Meninos tem bonecos articulados do Bruce Lee, poxa! Enquanto isso, meninas tem Barbies de vestido rosa. Saca? Não que tenha algo de errado com as Barbies e suas roupinhas, brinquei muito com elas, também.
O erro está em restringir o universo. Em impôr essas barreiras pra imaginação e curiosidade das meninas, nos privando da mera possibilidade de mundos e mundos e mundos. E nos privando desde sempre.
Enquanto eu escrevo isso não consigo parar de lembrar do que disse o Aaron Swartz, um gênio precoce, sobre inteligência:
Seja curioso. Leia muito. Tente coisas novas. O que as pessoas chamam de inteligência no final é só curiosidade.
Se vocês, como eu, botam fé no que ele disse, já sabem que restringir a imaginação, curiosidade e os universos femininos, tratando isso como uma questão de gênero, é um jeito de tentar fazer com que nossas meninas virem mulheres que não se sentem no direito de fazer ou pensar quase nada fora do âmbito doméstico.
E não vamos nos enganar, toda essa confusão de gênero e liberdade de pensamento e ação e afetividade é uma coisa que só começa a nos perseguir aí. Mas não para na infância, não. Pergunta pra qualquer mulher que já ouviu que era sapatão por gostar de algo (futebol, lutas, ciências exatas, sci-fi, o que for). Isso quer dizer, basicamente, que querem nos privar de transitar pelo espaço masculino e que se, mesmo assim, fazemos isso, nossa identidade de gênero entra na roda, pois aquele ambiente não nos pertence, é deles.
Mas se o espaço masculino é o universo e o da mulher é só a casa, quem não ia querer transitar pelo universo?
E se vocês não botam fé nem em mim nem no Aaron, botem fé nessa pequena maravilhosa e bora fazer um dia das crianças (e uma vida e um mundo) diferente esse ano <3
From Thinkgeek:
Check out this cool Medieval Knight Hoodie. With the convenience of a full-zip hoodie, it makes its wearer look like he or she is decked out in plate armor. The spaulders and visor are removable with snaps. The “plates” are reinforced with interfacing. There are embroidered “etched” designs on the helm, spaulders, and lames. And because bathing and automated washing machines are two reasons why our nose is glad we live in the modern world, it’s machine washable. Just snap the visor and spaulders off before you toss it in. So arm yourself against the cold with the Medieval Knight Hoodie today.
It doesn’t get much more biopunk than this:
As hospitals in nations hardest hit by Ebola struggle to keep up, desperate patients are turning to the black market to buy blood from survivors of the virus, the World Health Organization warned. [...]
Blood from survivors, referred to as convalescent serum, is said to have antibodies that can fight the deadly virus. Though the treatment is unproven, it has provided some promise for those fighting a disease that’s killing more than half of those it has infected.
Full Story: CNN: Ebola patients buying survivors’ blood from black market, WHO warns

I got the opportunity to talk to some students later this month about making a career as an artist. This is pretty much the TL;DR version of what I’m gonna say. (bonus panel)

even this very young specimen of cat has already mastered the “I totally meant to do that” save.
Estou um bocado cansada de ouvir asneiras e invencionices pipocando pela internet sobre o que as feministas dizem que uma mulher pode ou não pode fazer. Não é assim que funciona, gente. Feminismo não é sobre controle, é sobre liberdade.
São escolhas exclusivamente suas:
1. O que você faz com os seus pelos.
Quer tirar? Tire. Ninguém vai confiscar a sua carteirinha por isso.
Quer deixar? Amiga, parabéns, você se livrou dessa imposição cultural desagradável. Imagino que seja uma libertação incrível.
Sim, a depilação faz parte de um padrão de beleza opressor, mas não são todas que estão prontas ou dispostas a abrir mão desse padrão. Está tudo bem. Você não é uma má feminista porque não quer parar de se depilar.
Agora, que não venha nenhum homenzinho querer dizer o que devemos fazer com os pelos que vai escutar, pois aqui não tem o que? Otária.
2. Suas preferências sexuais
Quer dar de 4? Fique à vontade.
Quer ficar por cima? Tenha a bondade.
Quer ser amarrada? Que sorte.
Quer ser domme? Que sorte também.
Faça sexo como quiser, desde que seja bom, que seja prazeroso, que te faça feliz. Faça sexo só se quiser. Se não quiser, tudo bem também.
3. Se você frequenta academia
Quer ficar monstra, musculosa, definida? Manda ver.
Quer correr na esteira pra ficar saudável? Que bom pra você.
Não se sente bem com o seu corpo e quer mudar? Vá em frente, se isso for te fazer feliz.
O que a gente critica é a escravidão de um padrão de beleza. Ninguém critica o pessoal, o que está em foco é uma imposição estética, que pode estar sim por trás da sua escolha de malhar, mas também pode ser que não. Tem gente que curte o lifestyle e ninguém tem nada com isso.
Ninguém está totalmente livre. Você não vai ser uma pessoa pior porque não consegue se livrar de algo que tentam te empurrar diariamente, em todos os meios, por todos os lugares, de uma forma quase impossível de ignorar e não internalizar.
Nosso conselho sempre é cercar-se de exemplos positivos que façam você se sentir bem.
*Abracinho*
4. Se você quer casar com um homem
Colega, espero que o cara com quem você pretende casar seja bacana, respeite a sua individualidade e que vocês sejam felizes.
Se vocês querem ser exclusivos, boa sorte. Se não querem ser monogâmicos, boa sorte também. É uma escolha de vocês e ninguém tem nada com isso.
5. Se você quer ter filhos
Você pode escolher ter ou não ter filhos. A crítica vem da percepção de que uma mulher só é feliz ou completa se engravidar e formar uma família. Nenhuma mulher depende nem de um relacionamento e nem de filhos pra ser completa, mas se você quiser isso tudo, vá em frente. Dá um trabalhão, você sabe, e se você acha que a primeira infância é a pior parte, espere até que eles cheguem na adolescência, rs.
Ah, e você pode escolher como quer parir, também. Ninguém pode te obrigar nem a fazer cesariana e nem a ter um parto natural. E ninguém deve fazer chacota da sua escolha.
A escolha é sua e é para isso que lutamos. Sua, só sua. Apenas sua.
*
Não aguento mais ver esses mitos espalhados por aí.
É claro que esses temas são largamente debatidos dentro do feminismo, já que fazem parte do modelo de mulher que nos foi imposto e que tentamos desconstruir, mas nenhuma pessoa bacana vai querer empurrar sua opinião sobre a escolha da outra. Mesmo que a escolha da outra pareça contraditória, é de quem? Da outra, assim como a vida em questão, e não é metendo o dedo na cara da colega que se promove alguma mudança.
Somos todas imperfeitas, lutando contra uma caralhada de imposições contraditórias, conceitos impossíveis, padrões inatingíveis, e estamos todas fazendo nosso melhor.
Sigamos tentando e sigamos juntas <3