
This is my magnum opus.
Adam Victor BrandizziMuito genial o monumento.
A corrupção tem um marco na arquitetura portenha. Trata-se do colossal edifício que nos anos 40 albergou o antigo Ministério de Obras Públicas e que atualmente é a sede da pasta de Ação Social. O prédio ostenta em uma de suas esquinas o único ‘monumento à propina’ conhecido no planeta. É estátua de um homem que, com pouca sutileza, coloca os dedos abertos estratégicamente para o lado, na espera de uma “molhada de mão”. O arquiteto colocou a estátua como recado futuro sobre as eventuais negociatas que seriam protagonizadas no edifício. O detalhe da mão passou desapercebido durante anos (foto de Ariel Palacios).
A televisão argentina foi no domingo à noite o cenário de uma inédita disputa pela audiência entre um jogo de futebol, o Boca Juniors versus o Newell’s, e um programa de TV sobre denúncias decorrupção. O embate foi vencido pelo programa “Jornalismo para todos”, do canal Trece, que apresentou novos detalhes sobre a investigação que realiza há semanas sobre os vínculos irregulares entre o empresário Lázaro Báez – investigado na Justiça por suposta lavagem de dinheiro – e o casal Néstor e Cristina Kirchner.
Há duas semanas o governo Kirchner anunciou que alteraria o horário dos jogos noturnos dominicais em uma hora, coincidindo com o programa comandado por Jorge Lanata. Desde o final dos anos 80 o jornalista investigativo é autor da denúncia de uma série de escândalos de corrupção dos diversos governos argentinos.
Integrantes do governo Kirchner admitiram publicamente que a mudança era por uma disputa de audiência contra o programa, transmitido pelo Trece, que pertence ao Grupo Clarín, principal holding multimídia da Argentina, considerado “inimigo mortal” pela Casa Rosada.
A expectativa, nos dias prévios, era a de que o esporte favorito da população ganharia a luta pela audiência. No entanto, enquanto que o jogo do Boca obteve picos de 17,2% entre os telespectadores, o programa de Lanata alcançou 28,1%.
Lanata, famoso por sua ironia, estava vestido como um jogador de futebol, contava com dois locutores esportivos famosos e a plateia estava em uma arquibancada como a de um estádio.
O governo Kirchner possui poder para alterar os horários do futebol, já que em 2009 estatizou as transmissões dos jogos. O acordo foi amplamente benéfico para os clubes de futebol, que em troca obtiveram US$ 1,06 bilhão do Estado argentino nos últimos três anos.
Em fevereiro de 2010 o governo proibiu as publicidades de empresas privadas. De lá para cá as únicas publicidades são as do governo Kirchner. Os vídeos consistem em elogios à administração da presidente Cristina e críticas contra a oposição e empresários não-alinhados com a Casa Rosada.
“Corrupt legislation”. Mural de 1896 Elihu Vedder, no hall da principal sala de leitura da Biblioteca do Congresso, no Thomas Jefferson Building, Washington, EUA. A figura central tem uma cornucópia virada para ela própria, enquanto recebe uma propina na balança da Justiça.
“CRISTINA É A PRESIDENTE DE UMA CLEPTOCRACIA POPULISTA”, DIZ PARLAMENTAR DA OPOSIÇÃO
Os aliados do governo Kirchner destacam que a atual administração é uma das melhores da História do país, equiparando Néstor e Cristina Kirchner ao fundador do movimento peronista, o general e presidente Juan Domingo Perón, figura reverenciada pelos peronistas. No entanto, seus críticos afirmam que o kirchnerismo está “destruindo as instituições democráticas” e que os escândalos de corrupção atingem níveis nunca antes vistos.
Sem sutilezas, a deputada Laura Alonso, do partido Proposta Republicana (Pro), de oposição, define a presidente Cristina Kirchner como “a líder de uma cleptocracia populista”. Segundo ela, em comparação com períodos anteriores, como os anos 90, do ex-presidente Carlos Menem, “na era kirchnerista os protagonistas que roubam são menos…mas roubam maior volume”.
Alonso, uma das deputadas mais combativas no Parlamento argentino, sustentou ao Estado que o casal Kirchner utilizou “os mecanismos de acesso ao poder, previstos pelo regime democrático e representativo, para destruir todos os controles republicanos e institucionais”. Segundo ela, “este é um governo com muito discurso e ‘packaging’. Ora, a presidente ignorou várias vezes determinações da Corte Suprema de Justiça. Isso não é um governo republicano. Além disso, o governo falsifica estatísticas. E de quebra, tenta acabar com o federalismo, pois não libera os fundos para as províncias e obriga os governadores a se ajoelhar para pedir as verbas. É autoritarismo fantasiado de discurso democrático”.
Na contra-mão, o ex-chanceler Jorge Taiana, ministro do governo Kirchner entre 2005 e 2010, sustenta que a atual administração é plena de méritos. Avaliando para o Estado os “prós” e os “contras” da década administrada por Néstor e Cristina Kirchner, Taiana afirmou, ao sair de um cocktail na Embaixada do Brasil, que “o principal mérito foi o de ter tirado a Argentina do inferno da crise. E além disso o governo tem o mérito de ter avançado na reconstrução do tecido produtivo e do Estado argentino”.
Segundo Taiana, o governo também “colocou em dia a defesa dos direitos humanos, crucial para ter uma democracia sólida”. O ex-chanceler também destacou “a consolidação da integração regional”.
“Esses foram os ‘prós’. Os ‘contras’ não são ‘contras’, são coisas que faltam ainda fazer, como avançar muito mais na integração regional. Neste mundo não há chances de crescer sem mais integração com os países vizinhos”, afirmou Taiana.
“Este governo é uma cleptocracia populista”, sustenta a deputada Laura Alonso. Foto de Claudio Herdener.
BREVÍSSIMA ANTOLOGIA DOS CASOS DE CORRUPÇÃO DOS KIRCHNERS
Fundos de Santa Cruz (desde 2003): Nos anos 90 o então governador de Santa Cruz, Néstor Kirchner, enviou US$ 500 milhões para o exterior. Com o dinheiro fora do país, a província salvou-se do “corralito” (confisco bancário) de 2001 e a crise financeira de 2002. Kirchner prometeu que, quando fosse eleito presidente, o dinheiro voltaria ao país. Ele tomou posse em 2003. Mas os fundos somente voltaram entre 2007 e 2009. A oposição afirma que existem outros US$ 500 milhões em juros sobre os quais nada se fala e que não voltaram ao país.
Caso Skanska (2005): Escândalo que envolve empreiteiras argentinas e estrangeiras, entre elas a sueca Skanska, no superfaturamento das obras de dois mega-gasodutos no sul e norte da Argentina. O principal suspeito do affaire é o Ministro do Planejamento Julio De Vido. As denúncias indicam subornos pelo valor de US$ 5 milhões.
Trem-bala (2006): A Oposição acusa os Kirchners de graves irregularidades no contrato que o governo assinou com a empresa francesa Alstom para a construção do controvertido trem-bala argentino. O governo dizia que o custo da obra seria de 2,5 bilhões de euros. Mas, a Oposição afirmava que os contratos, da forma como foram elaborados, implicariam em um custo três vezes superior ao orçamento oficial. O projeto foi suspenso.
“Caso da Mala” (2007): Suposto envio de fundos de Chávez para a campanha eleitoral de Cristina Kirchner em 2007. Existem pistas sobre o envio de pelo menos US$ 5 milhões.
Enriquecimento ilícito (desde 2008): A oposição, advogados independentes e a mídia acusam os Kirchners de enriquecimento ilícito. Eles afirmam que o crescimento de mais de 1.000% do patrimônio presidencial desde 2003 não tem justificativas contábeis lógicas. A presidente Cristina argumenta que seu enriquecimento deve-se aos investimentos em imóveis o fato de ter sido “uma advogada de sucesso”.
“Embaixada paralela” (2010): O ex-embaixador argentino em Caracas, Eduardo Sadous, denunciou na Justiça que integrantes do governo da Venezuela e da Argentina durante vários anos exigiram a empresários exportadores de ambos países o pagamento de propinas de 15% a 20% para não causar obstáculos em suas operações de comércio bilateral. Segundo o ex-embaixador as pessoas envolvidas na exigência da propina referiam-se a ela como um “pedágio”.
Caso Ciccone (2011): A Companhia Sul-Americana de Valores, a ex-Ciccone, tornou-se o foco do escândalo em dezembro passado quando investigações jornalísticas, posteriormente aprofundadas pela Justiça, revelaram pistas que indicariam que o vice-presidente Amado Boudou teria favorecido amigos seus na compra da gráfica, que há poucos anos estava aponto de falir. Depois, Boudou teria ajudado os amigos a obter o contrato de impressão de notas de 100 pesos. Boudou tornou-se suspeito de enriquecimento ilícito, lavagem de dinheiro e negociações incompatíveis com a figura de funcionário público.
Caso Báez (2013): O empresário Lázaro Báez tornou-se em abril no pivô do mais recente escândalo de corrupção do governo Kirchner, quando o programa “Jornalismo para todos”, do canal Trece, divulgou uma câmera oculta na qual um financista, Leonardo Fariña, revelava operações de lavagem de dinheiro que o empresário realizava com a suposta cumplicidade do ex-presidente Kirchner, morto em 2010. A deputada Elisa Carrió, líder da Coalizão Cívica, de oposição, sustenta que “Cristina é a verdadeira dona da fortuna de Báez”.
Báez – protagonista de um escândalo de lavagem de dinheiro de 55 milhões de euros – foi sócio do ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007) em empreendimentos de construção civil na cidade de Rio Gallegos, capital da província de Santa Cruz, governada pelo kirchnerismo desde 1991. A afirmação foi feita pelo jornalista investigativo Jorge Lanata em seu programa de TV “Jornalismo para todos”, que exibiu documentos que provam que Báez e Kirchner tiveram uma sociedade em 2005.
Lanata – um dos referenciais do jornalismo argentino, que nos anos 80 fundou o jornal “Página 12” – também comprovou que a presidente Cristina Kirchner tinha um fundo fiduciário vinculado à Austral Construções, empresa de Báez, que é indicado como virtual testa de ferro do ex-presidente, que morreu em 2010. Báez é o dono da empresa Atlântico Sul, que possui um hangar onde atualmente está estacionado o avião presidencial Tango 01.
Báez e seu filho Martín foram beneficiados com tratamento preferencial em diversas obras públicas no país. Ao longo da última meia década suas empreiteiras receberam do governo federal e da província de Santa Cruz US$ 1 bilhão por obras realizadas no feudo político dos Kirchners no sul do país. Segundo os jornalistas investigativos argentinos, a relação de Báez com Kirchner era tão estreita que ele nunca precisou intermediários para falar com o ex-presidente. Câmeras ocultas feitas por Lanata mostram diversos financistas confessando que Kirchner sabia das “negociatas” financeiras do empresário, entre elas, o envio de dinheiro ao exterior, especialmente ao Panamá e Belize.
Báez é um dos vários empresários amigos dos Kirchners cujas fortunas cresceram de forma acelerada desde que o casal presidencial chegou ao poder em 2003. Nesse ano, por sugestão de Kirchner, Báez fundou sua empreiteira.
Atualmente é o dono das maiores empresas de construção civil da Argentina e possui 82% do total dos contratos de obras públicas em Santa Cruz. Além da construção civil possui empresas na área petrolífera e mídia.
Em 2010 o empresário deu de presente à viúva Cristina o mausoléu de onze metros de altura feito com granito e mármore onde está enterrado o ex-presidente Kirchner. O monumental lugar de repouso eterno do ex-presidente pode ser visto a vários quarteirões de distância nas ruas da pacata Rio Gallegos. A obra foi batizada popularmente de “a pirâmide de Quéops patagônia”.
O genial Joaquín Lavado, a.k.a. Quino, ironiza o sistema de corrupção e a impunidade.
VOCABULÁRIO ARGENTINO SOBRE PROPINAS
Coima – Suborno preparado, organizado. “Propina”, em espanhol, é usado para “gorjeta”.
La Banelco – Alusão à “Banelco”, marca de um cartão de débito bancário. Surgiu no ano 2000, quando o então ministro do Trabalho, Alberto Flamarique, teria afirmado que resolveria um impasse sobrea votação da polêmica Lei Trabalhista no Senado com “La Banelco”. Ou seja, pagando aos senadores. O termo, usado de forma geral para o pagamento de subornos em empresas e governo, voltou a ser aplicado no caso da suposta compra de votos na Câmara de Deputados por parte do governo de Cristina Kirchner.
Diego – Alusão a “El Diez” (O Dez), apelido do ex-astro do futebol, Diego Armando Maradona. Mas, neste caso, o “Diego” refere-se ao 10% de alguma quantia em jogo. Uma espécie de dízimo periódico. A porcentagem ficou defasada.
Celular – Alusão ao prefixo “15” dos telefones celulares na Argentina, e por tabela, referência à comissão de 15% que diversos ministros cobrariam de empresários. Esta porcentagem também ficou defasada.
Sobre – “Sobre” é “envelope”. Os subornos são enviados em envelopes.
Segundo Clemenceau, a economia da Argentina só cresce porque de noite os políticos e empresários estão dormindo e não podem roubar
Um levantamento feito pelo Estado, junto com dados da KPMG e informações empresariais, indicou que os pedidos de propinas, que nos anos 80 eram de 6%, na década de 90 – em plenas privatizações do governo do presidente Carlos Menem – subiram para 10% (esta porcentagem era ironicamente chamada de “Diego”, em alusão à camisa número 10 de Maradona).
Em 2003, poucos meses após a posse do presidente Néstor Kirchner, a proporção havia subido para 15%.
Em 2009 os empresários precisavam desembolsar 20% para esquivar problemas com os funcionários públicos.
No final de 2011, o jornalista Luis Majul, autor de “O Dono”, obra que disseca a corrupção na Era Kirchner, disse ao Estado que os pedidos de propina já passaram dos 20% e estão em 22% ou 23%. “Infelizmente, na administração Kirchner, a corrupção tornou-se um elemento a mais na política do governo”, afirmou na ocasião.
FRASES SOBRE PROPINAS E CORRUPÇÃO
- “Para que a Argentina progrida, a gente tem que deixar de roubar pelo menos durante dois anos” (Luis Barrionuevo, um dos principais líderes sindicais do país).
- “Neste país ninguém faz dinheiro trabalhando” (Luis Barrionuevo, sindicalista).
- “Se fosse pelos antecedentes penais e judiciários, não sobraria ninguém no país” (José Luis Manzano, Ministro do Interior no governo Menem).
“A economia da Argentina só cresce porque de noite os políticos e empresários estão dormindo e não podem roubar. E enquanto isso, à noite o trigo cresce e a vacas fornicam com luxúria” (estadista francês Georges Clemenceau, após sua visita à Buenos Aires no começo do século vinte).
O edifício de “El sobornado”, na esquina da avenida 9 de Julio e a rua Moreno, no bairro de Monserrat (foto de Ariel Palacios).
PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.
Em 2009 “Os Hermanos“ recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).
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Adam Victor BrandizziO que me lembra esse deveras tocante artigo que li há alguns dias: http://trueslant.com/zaidjilani/2010/04/07/mcdonnell-issues-thorough-apology-for-leaving-slavery-out-of-proclamation/
In light of Jamie Malanowski’s piece arguing for a moral-hygienic renaming of Army bases named after Confederate generals, I thought it’d be worth sharing Garry Wills’s measured assessment of the most famous of those generals, Robert E. Lee:
Colonel Robert E. Lee was no secessionist in 1860—he said that if he owned all the slaves in the South, he would give them up to save the Union he had fought for. Yet, as a professional soldier, he had only three choices— (a) to remain in the federal army and help destroy his own state, in the process killing his friends, his relatives, the countymen closest to him; or (b) to resign his commission and stand by idle, watching others ravage his homeland and kill his friends; or (c) though convinced of the futility of secession, to stand, once it came, between his people and those who would harm them. …
It might be objected that Lee was not choosing his country—the United States, the Union—but something opposed to his country. Yet Lee did not think of the nation as a legal unit indivisible, a judicial entity with one National Will (that Will ordering him to fight). Nor did he justify his choice on the grounds that he had a new country, the Confederacy, established by the right of self-determination. This whole cast of thought was foreign to him—as would have been E.M. Forster’s famous dictum: “I hate the idea of causes, and if I had to choose between betraying my country and betraying my friend, I hope I should have the guts to betray my country.” Forster equates, in the modern manner, country with Cause. Lee did not. He was not fighting for any Cause, for slavery or the Confederacy. For him, country meant one’s friends—the bond of affection that exists among countrymen; and when a rift opened in this union of persons, he had to choose those to whom he was bound by primary rather than secondary ties.
The Wilsonian turns his country’s citizens into a Cause, and then—having performed that depersonalizing operation—he personifies the Cause, gives it a “self” to be determined from within or repressed from without, to act selflessly or selfishly. But Lee’s people were actual persons, not a personified idea. He did not ask whether they were acting selflessly or selfishly; they had no unitary self to surrender or impose on others. They were a social complexus, of erring, noble, idiotic men. He knew it was in their interest to remain part of the Union, part of a larger band of countrymen. Choosing between these levels of his own people was an insane thing—but he was put by war (an insane thing) in a position where he had to choose. …
Lee did not help his fellow Virginians because they were right, or because he approved of anything they wanted to do as a body. He joined them only when it became a choice of killing one’s own, or watching them be killed, or protecting as many of them as he could at the risk of dying with them. Only at that last extremity was he edged over to their side.
Readers familiar at all with me know that I’m glad I’m living in Lincoln’s America, as opposed to Jefferson Davis’s. But it won’t do simply to call Lee a “traitor” and end it there. As this long passage of Wills’s (I hope) demonstrates, the matter is far more complicated. The Confederacy was not a monolithic evil, like Nazism, and in my opinion our military bases do not need to be “de-Confederacized.”

When James Harrison had chest surgery at age 13, he resolved to begin donating blood to help others in need. When he did so, doctors realized that he carries a rare immune globulin that can prevent unborn babies from suffering attacks by their mothers’ antibodies, a condition known as Rhesus disease.
In the 59 years since this was discovered, Harrison has given blood more than 1,000 times, an average of once every three weeks for five decades, and his donations have saved an estimated 2.4 million babies.
This has earned Harrison a spot in Guinness World Records. He calls this “the only record that I hope is broken.”
(Contam de um gênio tirado de uma garrafa de uísque numa esquina do Leblon, no fim dos anos cinquenta. Do palco de uma tampa, cercado de fumaça, o gênio prometeu a um homem um desejo, qualquer desejo, em troca de uma maldição para uma cidade inteira. O homem ganhou um apartamento em Paris. O povo, a maldição da bossa nova.)
A maldição da bossa nova exaltava, primeiro, a própria bossa nova. Celebrava a si mesma como a síntese entre “o que há de mais sofisticado” com “o que há de mais autêntico”, além de uma sintonia entre o de fora e o de dentro.
A maldição da bossa nova decretava nossa falência prospectiva. “Vocês nunca serão nada”, “nunca gravarão com Frank Sinatra”, “nunca serão a trilha nem a letra de um país que, para variar um pouco, resolveu acreditar em si mesmo”.
No Rio de Janeiro, a maldição da bossa nova era uma flauta de Hamelin para os cretinos solares. Tocava para chamar, em quatro batidas, os estilistas de uma máscara tropical para o Rio de Janeiro. Com essa máscara de areia, o Rio seria feliz, praiano e bem resolvido. Fantasiada assim estaria a cidade sombria, desconfiada e banhada de esgoto, aquela mesma cidade descrita e vivida há séculos.
(Meio século depois, o homem voltou. Viu uma cidade a se anunciar nova, mas ainda presa no passado, aquém da promessa. Andou pela rua, buscava o gênio: tinha a gratidão dos velhos. Investigou as carcaças de bares transformados em farmácias, as esquinas tomadas por academias de ginástica, só queria entregar um vinho de presente. Topou com o gênio quando a garrafa já havia sido passada adiante, lixo reciclável na caçamba dum amigo de nome incógnito, e foi assim: de cara cheia, tropeçou na neblina do último piano bar do último Leblon: o gênio estava ali, encolhido no crack. De cachimbo, produzindo fumaça dentro da fumaça, o gênio não o reconhecia; seu olhar era a pedra dum viaduto, era o nada dos gênios corrompidos. Reinava então a lei da internação compulsória, com um entretanto: uma brecha impedia o “acolhimento” de personagens d’As Mil e uma Noites.)
Ora, passados os homens, passada a era, passado o Brasil em que a bossa nova fazia sentido, a síntese na raiz dela resta impossível. Nascemos metidos em sons mundiais, os muambeiros perderam. E o popular se emancipou; é dono de seus próprios moldes: o pagode, o sertanejo e o funk vitais.
Persiste, entretanto, a imagem ritual, o altar do banquinho e violão, e a solenidade ao anunciar: “isso é malemolência, isso é o que fui buscar”. Mas talvez seja só isso, e um pouco das falas de Caetano Veloso, e ainda menos da mitologia de um João Gilberto recolhido.
(A autorreclusão de João Gilberto é, de longe, o ato artístico mais completo da bossa nova. Tocando ou se escondendo, João Gilberto segue um colosso numa tropa de diminutivos, onde rareiam os jobins e sobram os carlinhos e os poetinhas.)
Tudo é sobra. Quando há benevolência, a bossa nova é negada por polemistas cansados como eu. No mais, é ignorada. Quando toca, celebra o próprio desaparecimento: Garota de Ipanema hoje soa como uma marcha fúnebre e “O Barquinho”, como um hino de escárnio.
Lobão atirou na lua e acertou quando chamou a bossa nova de “língua morta”. Despida de solenidade, a bossa nova virou o latim dos velhos que tiram dinheiro de sunga nos caixas eletrônicos da Zona Sul do Rio de Janeiro. Seus netos até ressonham a cidade como uma colônia transbossanovista, com toques de hipsterismo do Brooklyn e verniz endinheirado de Ibiza, mas a bossa nova, ela mesma, depende da medicina, da saúde de seus fãs em extinção, para ter futuro: a bossa faz baticum no CTI.
(Quando saiu do piano bar, o homem navegou entre babás de branco, fotógrafos de celebridades e autores de novela. Perguntou a todos sobre a sina da cidade, se ela havia persistido. Ninguém sabia: a maldição do gênio havia triunfado só para ser esquecida. Sob um céu de Instagram, o homem foi embora.)
———
Comentário de Leandro Godinho:

Para o sujeito que nunca esteve no Rio – e para o sujeito que nasceu e vive no Rio dos arredores da bossa nova, dá no mesmo – a suavidade das melodias, ritmada em ondas do mais puro malte escocês funciona como um ar-condicionado ideológico. É impossível conceber a Garota de Ipanema correndo na praia porque a areia lhe queima os pés, assim como é trágico perceber que o uísque vendido nesses bares de Ipanema é invariavelmente batizado. Eis a tristeza dos trópicos. A bossa nova é foda porque é uma tremenda duma mentirosa.
O sujeito escuta aquelas melodias suaves e jamais imagina que a brisa do verão carioca se assemelha mais a uma fornalha da CSN do que a um beijo de halls. Ali, entre Ipanema e as cercanias do Flamengo, somente ali, não somente a música, mas a cultura da bossa poderia fazer algum sentido. É o Samba de Branco original, composto daquele suingue sem suor possível nas coberturas à beira-mar.
(Daí o preconceito com o pagodão e o funk, que, além de trazer em si a linguagem da criadagem – garçons, motoristas, porteiros, empregadas, babás, traficantes, putas –, são ritmos obviamente arranjados no calor, a camisa aberta porque estamos suando, as saias curtas porque é o máximo de nudez que os patrões permitem. As batidas são quentes, as estrofes bafejam erotismo e as pessoas dançam de verdade, perigosamente.)
Pouca gente sabe - ou menos gente do que seria o ideal – mas Tim Maia, Roberto e Erasmo Carlos e Jorge Ben começaram todos tentando ser João Gilberto. Apossados de um banquinho e um violão no coração do Grajaú, cada um saiu daquele samba de uma nota só para algo novo e pessoal. Daí que podemos concluir que a bossa nova não sobrevive ao tijucano.
Rafael Cal:
A maldição não terá fim. A bossa nova está ligada a aparelhos que a mantém respirando, ainda que morta: o coração foi substituído por uma batida eletrônica e agora sobrevive como lounge music.
Marcelo Parreira:

Sempre que ouço bossa nova, aquela batidinha que não evolui, não anda, eu penso em aposentados tarados à beira-mar, olhando num misto de desejo dormente e reprovação moral as moças que passam seminuas. São o retrato pronto e acabado não só do Rio, mas de toda uma geração brasileira, que se depara com uma juventude que não conseguem entender.
Aproveito para levantar uma questão: se a bossa nova foi o retrato daquela época, terá o nosso gênio craqueiro (num devaneio oriundo do tóxico) feito o mesmo e inspirado Seu Jorge e Sambô? É o samba-rock a nossa bossa?
Andrea Gorenstein:
Caetano resumiu – ainda que de modo um tanto reverso – todo meu sentimento sobre a Bossa Nova.
Era um domingo à tarde, aquela tarde no livro do Gênese em que Deus criou o churrasco e o pagode. A vizinha recebe sua falange para celebrarem o dia conforme a destinação divina. Até aí, tudo bem, o churrasco é um evento da natureza – assim como os terremotos – e lutar contra sua ocorrência é inútil.
Eis que um conviva pega o violãozinho, arrasta um banquinho, canta sobre o barquinho que vai enquanto a porra da tardinha cai.
"Não há estoicismo que resista a isso" pensei, enquanto repassava mentalmente o Código Penal, à procura de um crime que se amoldasse à situação.
Amigos pregadores da tolerância tentaram me demover de invadir a celebração, afinal ”É só uma vez na vida”
"Sim, mas tudo nessa vida tem um limite! Bossa Nova é foda!"
Oto Vale:
Não tenho nada contra a bossa nova. Talvez por não ser carioca. Talvez por me lembrar a infância em que qualquer coisa que tinha cheiro de novidade era adjetivado como ‘bossa nova’, que alguns anos depois foi substituido por “pra frente”. E, por isso mesmo, situo a bossa nova como alguma coisa que teria acontecido na minha infância, ficando registrado em alguns discos. (João Gilberto é João Gilberto.)
Mas tem uma coisa que sempre incomodou quando se fala de Tom Jobim. É a historia do telefonema do Sinatra.
Toda vez que ouvi ou li essa história, na hora a frase feita que me vinha à mente era “A Voz do Dono”.
Curiosamente, esse tal telefonema é sempre citado como o reconhecimento-mor de toda a obra.
Eu sempre me perguntei se Tom Jobim pensava isso mesmo ou se era uma decisão dos editores das reportagens privilegiar esse telefonema.
Minha dúvida se desfez quando vi um filme em que a mesma coisa acontecia com outro compositor: Claude François, que era o rei do ie-ie-ie (ou do pop-60) da França. No filme, o maximo do reconhecimento que o cara recebe é o telefonema de Sinatra pedindo para gravar “Comme d’Habitude”, aquilo que viria a ser conhecido como “My Way”.
Sim era a Voz do Dono.

Um belo exemplo de como uma simples mudança de design pode mudar a história de um produto e de uma empresa.
Durante anos a fabricante Kokeshi produziu os mesmos fósforos que todas as outras fabricavam. Um dia, seu fundador estava preocupado com o futuro dos negócios e pegou um fósforo e ficou encarando-o bem de pertinho. Não demorou muito para enxergar uma cabecinha e um rosto.

Nos anos 90 fazia apenas alguns, pintados à mão. Mas foi o suficiente para gerar um boom na mídia e colocar a marca em destaque, coisa que jamais conseguiria através de propaganda por falta de verba. Apareceu em jornais, revistas, programas de TV.
Passou uma década tentando um processo de impressão para poder produzir seus fósforos em massa até que em 2001, depois de muitas tentativas, conseguiu acertar uma fórmula.

Uma história de sucesso feita através do design e uns poucos grãos coloridos na cabeça dos fósforos.

Adam Victor BrandizziPrazer, Doug Jones, sou seu fã e nem sabia.










“For the last 20 years of my life, I’ve been wearing something unrecognizable. I’ve been acting for 20 years now and I’ve been under the radar.”- Doug Jones
but i think my favourite moment in star trek is when they glued a horn to a small dog and called it “an exotic animal”
But to some extent, that's changing. Salve Jorge, a popular Globo novela that just ended, prominently featured characters from Rio's Complexo de Alemão favela, including real people like Renê Silva. Esquenta, a Globo program which often features culture and residents from favelas, recently brought on children from a Rio favela to the show. The host, Regina Casé, asked them which communities they were from. "Maybe only two years ago, the idea of asking someone what favela they were from, on national television, was unthinkable," writes Rio Real blog's Julia Michaels.
And now, a full-length documentary called "Batalha do Passinho" or "Battle of the Passinho," hits Brazilian theaters next month. It details the makings of a cultural movement born in Rio's favelas, featuring young people who developed a new dance form set to funk music. I spoke to Emílio Domingos, director of the film, about the movie and the passinho.
The passinho, or little step, is a combination of dances like break dancing and pop-and-lock, along with traditional Brazilian dances like samba and frevo. It's almost always improvised, and like break dancing, involves dancers facing off against one another. Started in 2011, a competition called Batalha do Passinho seeks to find the best passinho dancer. "When I saw a boy do frevo to funk [music], incorporating elements from capoeira, I was sure there was a cultural revolution going on," Julio Ludemir, the creator of the competition, told Folha. The competition is different from funk parties, late-night affairs sometimes attended by heavily armed drug traffickers. The event attracts families and dancers alike, and the show is now sponsored by the Ministry of Culture and Coca Cola, among other entities. In the final round, 16 dancers go up against each other for 45 seconds. The final of the most recent competition was broadcast one of Brazil's most watched weekend programs on Globo. The winner, a 16-year old from Nova Iguaçu, won R$20,000, which he said he would use to take a class and help his mom.
Domingos, who earned a degree in social sciences from the Federal University of Rio de Janeiro, has worked for a long time with funk culture in Rio. For over a decade, he was a DJ for a funk party featuring international and Brazilian hip hop and "black music," and has worked on research for documentaries since 1997. He made his first film in 2000, looking at Rio's hip hop scene, and has made a total of 11 movies, several about funk music and culture. He also directs music videos, and works as a researcher on Esquenta. His latest film project is directing a film about the Vasco da Gama soccer team, slated for release later this year.
"Batalha do Passinho" came about when Domingos was asked to be a judge at the competition. He'd seen the dance on Youtube beginning in 2008, but hadn't been to the competition. "I was really impressed with their movement, because it was fast and sophisticated," said Domingos. But he wanted to learn more about the dancers, and decided to make a short film. He ended up with a full-length documentary.
Domingos wants to bring the passinho to a larger audience. "The culture of the passinho is an expansive thing that brings together youth from different places, who often live far away from each other," said the director. It's not just a style of dance, but is also evidence of growing digital inclusion in favelas and a chance for social mobility. "They created a strategy to disseminate the passinho," explained Domingos. "Youtube is essential for them." Using the online video site, dancers not only developed an audience in Brazil and beyond, but used it as a place for debating, discussing, and learning the dance. The dancers tend to use basic technology, such as cell phone cameras and point-and-shoot cameras. The internet is so important for spreading the dance, said Domingos, that some who qualify for the competition had never been to a dance or performance before, learning the steps entirely online.
Changing one's reality is also important to dancers. Many of the young men work and do the dance as a hobby, hoping to turn it into a full-time source of income. "The big challenge is to transform this visibility into financial recognition...it's difficult," said Domingos. Some dancers say they spurned selling drugs in order to dedicate themselves to the dance.
The other goal of the film is to change people's minds about funk and those who are part of the culture. Domingos explained that some are prejudiced against not only those who live in favelas, but funk music itself. One of the first things that happens when police pacify a favela is to ban funk parties. Despite the popularity of passinho videos online, comments reveal how some people view the dance and music. "I never really understood the criminalization that people attribute to funk," said Domingos. "It's a story of what's happening."
The passinho competition and the movie have had success in changing people's minds. "A part of society is quite surprised by the passinho, with its sophistication," said Domingos. He always brings those featured in the movie to screenings so audience members can meet them. "[The dancers] are conscious of the artistic power of the passinho," Domingos said.
However, the reality of Rio's favelas is a part of the story, too. One of the young men Domingos featured in the film was murdered last year, likely by security guards. Domingos says he was an icon who developed his own style, and was called the "King of the Passinho." Though he worked in manual labor at night, he was starting to get paid opportunities to dance. The movie is something of an homage to him, Domingos noted.
To learn about the film and its release, follow Batalha do Passinho on Facebook.
Image: Courtesy of Emilio Domingos.

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Adam Victor BrandizziCoitada da senhorinha, que já tem de ir visitar filho em penitenciária... Quanto ao resto: LOL.