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18 Dec 14:39

Quais são os 3 argumentos para defender uma vitória de Assad na Guerra da Síria?

by Gustavo Chacra

Começam a surgir vozes nos EUA e na Europa defendendo que a melhor (ou a menos negativa) opção para a Síria neste momento é uma vitória de Bashar al Assad. Na semana passada, tivemos, por exemplo, uma declaração do ex-diretor da CIA Michael Hayden afirmando  ser preferível a permanência do líder sírio no poder. Analistas também cravam ser esta a melhor alternativa e até revista a The Economist, uma das maiores críticas do regime, escreveu um artigo neste sentido com o título de “Verdade Inconveniente” sobre a importância da vitória de Assad para a questão das armas químicas.

Nenhum deles defende as táticas de Assad e de seu regime. Todos o consideram um autocrata liderando um dos mais sanguinários regimes da face da terra, além de ser acusado de ter utilizado armas químicas. Mas três fatores ajudam a explicar porque é melhor Assad e suas forças vencerem a guerra.

1. A alternativa a Assad é a Al Qaeda ou radicais islâmicos similares

Primeiro, temos a alternativa a Assad. Hoje não existe nenhum grupo opositor relevante moderado. O Exército Livre da Síria, supostamente mais laico, entrou em colapso e seu líder sequer conseguiu ficar no território sírio. Todos os que possuem força são extremistas islâmicos sunitas. A diferença é que duas das principais facções, a Frente Nusrah e o ISIS, são aliados da Al Qaeda, embora inimigos entre si, e o terceiro, conhecido como Fronte Islâmico, não. Qualquer um deles, caso chegue ao poder em Damasco, instalaria um regime nos moldes do Taleban em uma nação conhecida por sua tolerância religiosa e convivência pacífica entre cristãos e muçulmanos, além de ser um dos três países árabes mais ocidentalizados depois do Líbano e da Tunísia. Certamente minorias cristãs, alauítas e druzas, que já vêm sendo alvo de massacres cometidos por opositores, seriam perseguidas, assim como sunitas seculares.

2. Uma onda ainda mais gigantesca de refugiados

Em segundo lugar, para derrubar Assad, seria necessário que Damasco se transformasse em uma nova Aleppo. O mesmo teria de se passar em bastiões pró-regime na costa Mediterrânea, como Tartus e Latakia. A capital síria e a maior parte dos centros populacionais do litoral são próximos do Líbano. Conflitos abertos nestas áreas levariam a uma onda de refugiados ainda mais gigantesca do que a atual. Provavelmente o Líbano, uma nação de 4 milhões de habitantes, veria o total de refugiados, hoje estimado em 1,5 milhão somando sírios e palestinos, superar o total de cidadãos em um caso inédito na história recente da humanidade.

3. Transporte das armas químicas

Por último, existe a questão das armas químicas. É necessário, como escreveu a The Economista, que Assad vença para que os armamentos sejam transportados de suas 22 instalações espalhadas pela Síria para os portos mediterrâneos, onde serão alocados em navios dinamarqueses e noruegueses, antes de serem transportados e transferidos para um americano.

 Conclusão

Notem que ninguém vê Assad como santo e a maior parte o descreve como maligno. Apenas avaliam que, diante do cenário atual, ele é melhor a alternativa para a estabilização do país e para uma possível transição no futuro. O custo de uma vitória dele será elevado, com o fortalecimento do Hezbollah no Líbano e do Irã na região como um todo. Mas, insisto, vejam o item dois, da alternativa. Israelenses e libaneses, por incrível que pareça, estariam menos inseguros com Assad, um líder secular pragmático, do que com radicais da Al Qaeda com um perfil igual ao do Taleban.

Obs. O total de mortos na Guerra da Síria é de 120 mil. Isso não significa que as forças de Assad mataram 120 mil. Esta é a contabilidade total de vítimas de ações do regime, vítimas de ações da oposição e combates entre os próprios rebeldes.

Guga Chacra, comentarista de política internacional do Estadão e do programa Globo News Em Pauta em Nova York, é mestre em Relações Internacionais pela Universidade Columbia. Já foi correspondente do jornal O Estado de S. Paulo no Oriente Médio e em NY. No passado, trabalhou como correspondente da Folha em Buenos Aires

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18 Dec 14:36

Leave-Taking

by Greg Ross

http://www.sxc.hu/photo/1430845

In 1964 Canadian writer Graeme Gibson bought a parrot in Mexico. The bird, which Gibson named Harold Wilson, was bright and affectionate at first, but he seemed to grow lonely in the dark Canadian winter, so in the spring Gibson made arrangements to donate him to the Toronto Zoo. At the aviary Gibson carried Harold into the cage that had been prepared for him, placed him on a perch, said his goodbyes, and turned to go.

“Then Harold did something that astonished me. For the very first time, and in exactly the voice my kids might have used, he called out ‘Daddy!’ When I turned to look at him he was leaning towards me expectantly. ‘Daddy’, he repeated.

“I don’t remember what I said to him. Something about him being happier there, that he’d soon make friends. The kind of things you say to kids when you abandon them at camp. But outside the aviary I could still hear him calling ‘Daddy! Daddy!’ as we walked away. I was shattered to discover that Harold knew my name, and that he did so because he’d identified himself with my children.

“I now believe he’d known it all along, but was using it — for the first time — out of desperation. Both Konrad Lorenz and Bernd Heinrich mention instances of birds calling out the private names of intimates when threatened by serious danger. I am no longer surprised by such information. We think of our captive birds as our pets, but perhaps we are theirs as well.”

(From Gibson’s Perpetual Motion, 1982.)

18 Dec 14:22

Undocumented Feature

And it doesn't pop up a box every time asking you to use your real name. In fact, there's no way to set your name at all. You just have to keep reminding people who you are.
17 Dec 22:38

Why Waiting Lists Could Be Bad For Your Health

by Neuroskeptic
No-one likes waiting their turn, but according to a new study, just knowing that you're 'on a waiting list' could change your behaviour: Exploratory randomized controlled trial evaluating the impact of a waiting list control design The research was conducted by an Canadian team led by John A. Cunningham, and it made use of a beautiful experimental design. The participants were 185 people who wanted to cut down on their drinking. They'd volunteered for a trial of an 'intervention' t
17 Dec 21:41

honkshu: guardian: Photograph: Anup Shah/Wild Planet Another...



honkshu:

guardian:

Photograph: Anup Shah/Wild Planet

Another stunning shot in our week in wildlife series:

At the centre of Tanzania’s Ngorongoro crater is Lake Makat, a shallow warm soda lake. Spirulina algae bloom in the lake in vast numbers, attracting lesser flamingos in their thousands to come and feed. The birds in turn attract predators such as hyenas and golden jackals. Photographer Anup Shah watched this jackal target a bird, then accelerate to pursue it, alarming the rest of the flock, which took off in a flurry of wings and legs.

17 Dec 15:33

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17 Dec 15:25

sitedosmenes: NOVO MENE:::: O SORVETE RECALCADO



sitedosmenes:

NOVO MENE:::: O SORVETE RECALCADO

17 Dec 15:19

Muzinga :: O segredo

by adiniz9

Roteiro e desenhos de André Diniz :: Cores de Marcela Mannheimer

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17 Dec 15:17

paintraincomic: I actually did research for this! That is an...



paintraincomic:

I actually did research for this! That is an Aurochs and a Neolithic man. Aurochs had small udders, apparently!

By Mark Pain [website | tumblr | twitter | facebook]

16 Dec 05:46

The Faces Behind the Garment Industry

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The stuff you buy is made by people. Here are some of them.

Read The Blog Post Here »

16 Dec 05:16

Não era uma reunião de cathólicos.



Não era uma reunião de cathólicos.

16 Dec 05:16

Uma regravação de Alien usando cachorros.



Uma regravação de Alien usando cachorros.

16 Dec 05:14

Cinemagraphs | 63c.gif

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16 Dec 01:34

Via The Old Reader - New Send To Feature

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Last night we introduced another new feature called Send To. Like Starred items, this has been a frequently requested addition and something we’ve been itching to get into the application. Send To allows you to share posts from The Old Reader to external services such as Facebook, Twitter, Tumblr, Evernote, Google+, or email. By default, email, Facebook, and Twitter are available in your Send To list but you can add others or configure custom options in Settings under the Social tab. We’ve put together a short page with some common services you might want to add to your Share To list here. Email us with any you think would be a good fit for this list.

Also, there’s another small feature that went out last night. We added pubsubhubbub to the user’s profile RSS feed (http://theoldreader.com/profile/[USERNAME].rss), so profile RSS feeds now provide near real time updating. Small, but it might be worthy of mention.

We hope you like these new features as much as we do.

Thanks for using The Old Reader!

Photo Credit: 

http://wordsmoker.com/blog/2009/01/15/welcome-to-the-happy-baby-kitten-club/

16 Dec 01:32

nevver: Victo Ngai

16 Dec 01:32

thefrogman: Photographed by David Stephens [flickr] Ai,...





thefrogman:

Photographed by David Stephens [flickr]

Ai, cruzes! Uma cobra!

16 Dec 01:29

Ainda a criação de municípios

by Leonardo Monasterio


É muito importante que o veto presidencial aos PLS 98/2002 seja mantido. Eu passei a semana divulgando (sem muito sucesso) a Nota Técnica sobre criação de municípios. Como a nota é bem pontual, eu recomendo o artigo do Marcos Mendes "Criar novos municípios é prejudicial para o Brasil? " para quem quiser saber mais sobre o tema. 
Segue a apresentação da Nota:

 
Só para reforçar os pontos principais:

  • Os municípios pequenos brasileiros não são nem os que têm a população mais pobre, nem os com prefeituras mais pobres;
  • Criar municípios significa transferir recursos dos municípios que já existem para os emancipados e só aumenta a desigualdade regional;
  • Se o veto for derrubado, o  número de novos municípos pode ser grande. Muito grande.
Ainda sobre o assunto: na terça-feira será divulgado o trabalho ""Multiplicai-vos e crescei? " em que Mation, Boueri e eu estimamos os efeitos das emanicipações pós-1988. Adianto o resultado: não deu muito diferente do estudo de  Enlison e Ponczek publicado recentemente na RBE. Ou seja, nem a população emancipada se beneficiou.
14 Dec 00:23

The Bat Bomb

by Greg Ross
Adam Victor Brandizzi

Mas não acho que adiantaria muito contra instalações industriais e militares etc.

http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Bat_Bomb_Canister.jpg

Pennsylvania dentist Lytle S. Adams had a bright idea in 1942: Since Japanese cities were largely built of paper, bamboo, and other flammable materials, they could be disrupted effectively with fire. And a novel way to spread fire in public buildings would be to release bats bearing incendiary devices. Rigged bats dropped over an industrial city would roost in the buildings as living time bombs, and the resulting fires would spread chaos over a wide area.

Surprisingly, the government liked the idea, and it set about designing a bomblike canister in which a thousand bats could be dropped from an altitude of 5,000 feet. At 1,000 feet the container would open, releasing the bats over a wide area. Ten bombers carrying 100 canisters each could unleash a million intelligent bombs over the industrial cities of Osaka Bay.

Preliminary tests were encouraging, even setting a New Mexico air base accidentally ablaze, but the project evolved too slowly and was eventually eclipsed by the atom bomb. In a way that’s a shame: “Think of thousands of fires breaking out simultaneously over a circle of 40 miles in diameter for every bomb dropped,” Adams had said. “Japan could have been devastated, yet with small loss of life.”

14 Dec 00:20

The Onion's Last Print Issue

13 Dec 23:54

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13 Dec 23:54

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13 Dec 23:52

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13 Dec 17:44

The eyes of Vincent van Gogh:Self Portraits, 1886 - 1889.

















The eyes of Vincent van Gogh:Self Portraits, 1886 - 1889.

13 Dec 17:43

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13 Dec 17:37

Skin Deep

by Greg Ross
Adam Victor Brandizzi

Assustador...

During the filming of Planet of the Apes in 1967, Charlton Heston noted “an instinctive segregation on the set. Not only would the apes eat together, but the chimpanzees ate with the chimpanzees, the gorillas ate with the gorillas, the orangutans ate with the orangutans, and the humans would eat off by themselves. It was quite spooky.”

James Franciscus noticed the same thing filming Beneath the Planet of the Apes in 1969. “During lunch I looked up and realized, ‘My God, here is the universe,’ because at one table were all the orangutans eating, at another table were the apes, and at another table were the humans. The orangutan characters would not eat or mix with the ape characters, and the humans wouldn’t sit down and eat with any one of them.

“I remember saying, ‘Look around — do you realize what’s happening here? This is a little isolated microcosm of probably what’s bugging the whole world. Call it prejudice or whatever you want to call it. Whatever’s different is to be shunned or it’s frightening or so forth.’ Nobody was intermingling, even though they were all humans underneath the masks. The masks were enough to bring out our own little genetic natures of fear and prejudice. It was startling.”

(From Joe Russo and Larry Landsman, Planet of the Apes Revisited, 2001.)

13 Dec 17:32

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12 Dec 20:37

Há 30 anos terminava a ditadura militar argentina (pequeno manual sobre o modus operandi do regime)

by Ariel Palacios
Adam Victor Brandizzi

Pequeno manual de referência para gente que acha que ditadura serve para algo.

Mão de um desaparecido da ditadura argentina. Seu corpo – que estava com as mãos amarradas – foi encontrado em uma praia do lado uruguaio do rio da Prata. 

Há 30 anos, na manhã do dia 10 de dezembro de 1983, o presidente civil Raúl Alfonsín, tomava posse. Encerravam-se 7 anos da ditadura militar mais sangrenta da História do século XX na América do Sul.

A ditadura argentina aplicou uma série de formas de eliminar pessoas que considerava “subversivas”, fossem elas vinculadas a grupos guerrilheiros, civis sem militância política alguma, estudandes secundaristas, universitários, empresários, aposentados, entre outros.

 As principais formas eram:

- Jogar pessoas vivas, desde aviões, sobre o rio da Prata ou o Oceano Atlântico.

- Juntar prisioneiros, amarrados, e dinamitá-los.

- Fuzilamento.

- Morte por terríveis torturas

Tal como os funcionários do Terceiro Reich que recorreram aos fornos crematórios para eliminar os prisioneiros dos campos de concentração – como forma rápida de eliminar os vestígios dos corpos dos judeus massacrados – a ditadura argentina optou pelos “voos da morte” como uma de suas modalidades preferidas para “desaparecer” as pessoas sequestradas.

Adolfo Scilingo, ex-capitão da Marinha que em 1995, arrependido de sua participação nos “voos da morte”, revelou que 4.400 pessoas foram assassinadas ao serem arremessadas no rio da Prata e no mar desde os aviões da Marinha. Scilingo, condenado a 640 anos de prisão pelos tribunais da Espanha por crimes contra a Humanidade, sustentou que os voos da morte não eram um procedimento circunstancial, mas sim, parte de um plano de grande escala de eliminação dos corpos dos desaparecidos.

Além da Armada argentina, a Aeronáutica e o Exército também realizaram “voos da morte”, embora em menor escala, já que estas duas forças preferiam o enterro dos cadáveres em fossas comuns clandestinas.

Na época do surgimento dos primeiros cadáveres nas praias, a ditadura militar uruguaia acreditou que tratavam-se de pessoas afogadas em um naufrágio de um navio asiático. Os militares confundiram no início que eram de etnias orientais, pois os corpos estavam “amarelos”. Mas, posteriormente perceberam que tratavam-se de ocidentais.

Nos anos seguintes os militares em Montevidéu reclamaram aos colegas argentinos em Buenos Aires que o surgimentos de corpos em suas praias estavam causando constrangimentos ao regime, além de pânico nos turistas, que deparavam-se com os cadáveres trazidos pela maré. A partir dali, os pilotos argentinos deixaram de arremessar os prisioneiros na área do rio da Prata começaram a fazer voos até o mar. No entanto, as correntes marítimas continuaram levando os corpos às costas uruguaias.

 O destino dos corpos:

- Enterrados em cemitérios clandestinos. Ou, em cemitérios oficiais, embora em fossas coletivas como indigentes.

- Jogados no Rio da Prata ou no mar

Em 2009, um relatório entregue à ONU pela secretaria dos direitos humanos da Argentina indicou que do total de desaparecidos da Ditadura, 30,2% eram composto de operarios; 21% por estudantes (inclusive colegiais), 28,6% de funcionários públicos e profissionais liberais. Outros 20,2% pertenciam à outras categorias sociais.

MODALIDADES DE TORTURAS

As torturas aplicadas pela ditadura argentina acumulavam diversas modalidades que – ao longo de dois séculos de História – as forças armadas locais (e as forças policiais) haviam desenvolvido e aplicado.

- Picana elétrica: criada nos anos 30 na Argentina por Leopoldo Lugones Hijo, filho do escritor nacionalista Leopoldo Lugones. A picana era o instrumento para assustar o gado com choques elétricos nos currais, e assim, direcioná-lo para o abate ou embarque. Aplicado a seres humanos, tornou-se no instrumento preferido de tortura na Argentina.

- Submarino molhado: consistia em afundar a cabeça de uma pessoa em uma tina d’água. Ocasionalmente a tina também estava cheia de excrementos humanos.

- Submarino seco: consistia em colocar a cabeça de uma pessoa dentro de um saco de plástico e esperar que ela ficasse quase asfixiada.

- O rato no cólon: a colocação de um rato, faminto, no cólon de um homem. Nas mulheres, o rato era colocado na vagina.

- Estupros: Mulheres e homens foram estuprados sistematicamente pelos militares e policiais argentinos. As mulheres, ocasionalmente recebiam a opção de serem estupradas ou de serem eletrocutadas na parte interna da vagina e ânus.

- Esfolamento: Os torturadores amarravam um prisioneiro em uma mesa e começavam a esfolar a pele da sola dos pés com uma gilette ou bisturi

- Empalamento: Alguns homens foram empalados pelas forças de segurança com cabos de vassoura.

O menino Floreal Avellaneda, considerado ‘inimigo’ pela ditadura argentina, foi empalado.

Um dos casos mais sinistros de torturas foi o do adolescente Floreal Avellaneda, sequestrado no dia 15 de abril de 1976. Filho de um casal de sindicalistas militantes do Partido Comunista, Floreal, que tinha 14 anos quando foi sequestrado, sofreu torturas nas mãos e genitais. Depois, foi empalado vivo.

No dia 22 de abril de 1976 a polícia uruguaia encontrou em uma praia perto de Montevidéu o cadáver de um jovem violentamente torturado com a marca de uma tatuagem com as letras “FA”. Posteriormente, com a volta da democracia, a mãe de Floreal pode confirmar que tratava-se de seu filho. Ele havia sido arremessado de um dos aviões que realizavam os “vôos da morte” sobre o rio da Prata.

GALERIA DE ALGUNS DOS PRINCIPAIS TORTURADORES

O “Tigre” Acosta - Um dos criadores dos “voos da morte” foi o capitão de corveta Jorge “Tigre” Acosta, uma das “estrelas” da Escola de Mecânica da Armada (ESMA). O oficial, que falava sozinho à noite, em delírio místico explicava aos colegas e prisioneiros que mantinha longas conversas noturnas com “Jesucito” (O pequeno Jesus), ao qual perguntava qual dos prisioneiros deveria torturar no dia seguinte e jogar dos aviões. Famoso pelos requintes de crueldade que aplicava aos detidos, Acosta também foi um dos principais sequestradores dos bebês de prisioneiras da ESMA.

O “Anjo Loiro” Astiz – “É o mais sinistro paradigma do terrorismo de Estado”. Com esta frase, o escritor e jornalista Jorge Camarasa, define a personalidade do ex-capitão Alfredo Astiz apelidado de “O anjo loiro da morte”. Garoto mimado da ditadura, entre seus assassinatos mais famosos estão os das freiras francesas Alice Domon e Leonie Duquet, além de três fundadoras das Mães da Praça de Mayo, entre elas, Azucena Villaflor. Astiz foi recompensado por seus serviços com o cargo de comando nas ilhas Geórgias durante a Guerra das Malvinas, em 1982. No entanto, essas ilhas foram o primeiro ponto recuperado pelos britânicos durante o conflito. Após um único tiro de bazuca disparado pelos britânicos, Astiz desistiu de resistir “até a morte”, como havia prometido. Com com um copo cheio de whisky em uma das mãos, assinou a rendição incondicional.

Donda Tigel - Alfredo Donda Tigel tornou-se famoso por sequestrar seu próprio irmão e a cunhada – militantes da esquerda. Depois de assassiná-los, ficou com suas filhas, que eram bebês.

Ernesto Weber – Oficial da Polícia Federal, era apelidado de “220” pelos colegas militares pelo prazer que sentia em aplicar essa voltagem nas torturas. Foi professor de torturas dos oficiais de Marinha.

Febres - O ex-Chefe da Guarda Costeira Héctor Febres ficou notório por seu extremo sadismo, que o levou a torturar bebês e crianças para arrancar confissões dos pais, presos políticos. A primeira surpresa ocorreu poucos dias após sua morte, no dia 10 de dezembro – o Dia internacional dos Direitos Humanos, que também coincidiu com a posse da nova presidente, Cristina Fernández de Kirchner – quando a Justiça anunciou que o ex-torturador havia falecido por uma dose cavalar de cianureto. A segunda surpresa surgiu dias depois, quando as autoridades indicaram que a autópsia também registrou a presença de sêmen no reto do ex-torturador. Ele era famoso por seu desenfrado sadismo. Sobreviventes relatam que, quando aplicava choques elétricos nos prisioneiros, ficava “alucinado” e gargalhava enquanto ouvia os gritos dos torturados. Um dos sobreviventes relatou como Febres lhe pediu gentilmente que consertasse o aparelho de choques elétricos, que logo depois utilizaria no próprio prisioneiro. Na ESMA os torturadores costumavam ter apelidos referentes a animais. Esse era o caso do capitão Jorge “Tigre” Acosta e do tenente Alfredo “Corvo” Astiz. Mas, Febres era chamado de “Selva”, já que “era o conjunto de todos os animais”

Enfardador - Luis Porcio, chefe de segurança da Side, conhecido pelo apelido de “Enfardador”, já que apreciava amarrar os prisioneiros com arames, como se fossem fardos, para posteriormente queimá-los. Ele operava no Automotores Orletti, um centro clandestino de detenção e tortura localizado no bairro portenho de Floresta

El Turco Julián - Diversas testemunhas indicam que os torturadores argentinos ouviam marchas militares do Terceiro Reich e discursos de Adolf Hitler enquanto torturavam. Esse era o caso Julio Simón, chefe dos interrogadores do centro de detenção “El Olimpo”, cujo nome de guerra era “O Turco Julián”. Ele divertia-se jogando água fervendo em cima de seus prisioneiros políticos. Deleitava-se em torturar os deficientes físicos, jogando-os do alto de uma escada. Além disso, saboreava cada minuto no qual estuprava a esposa de um prisioneiro na sua frente.

Segundo o depoimento da ex-prisioneira (uma das poucas pessoas detidas que sobreviveram nesse centro onde imperava Julián) Susana Caride o lugar era uma espécie de “circo romano” no qual os policiais “se divertiam”. Caride relatou que os prisioneiros eram obrigados a lutar boxe um contra o outro, sob ameaças de torturas. Ela também relembrou como, no dia de Natal, os prisioneiros foram convidados para um banquete, no qual puderam comer peru, maionese e panettone. Mas, à meia-noite, na hora do brinde, Simón interrompeu a festa que ele próprio havia organizado para iniciar uma sessão de violentas torturas com os presentes. Juan Agustín Guillén, outro dos sobreviventes, contou como Simón – que ostentava uma suástica no uniforme, tinha especial sanha com José Poblete, um jovem militante peronista que havia perdido ambas pernas em um acidente. Simón lhe havia retirado a cadeira de rodas e as pernas ortopédicas, e divertia-se – às gargalhadas – jogando-o para cima ou obrigando-o a desfilar na frente dos outros policiais arrastando-se sobre os tocos de seus membros.

O ex-policial foi condenado pelo seqüestro e torturas infligidas ao casal Gertrudis Hlaczik e José Poblete Roa em 1978. Ele também foi considerado culpado do seqüestro de Claudia, o bebê de apenas oito meses do casal, e do ocultamento de sua identidade. Ele fazia Gertrudis andar nua pelos corredores, enquanto que José, sem as pernas, devia se arrastar com as mãos pelo chão. Simón e os outros guardas o chamavam de “cortito” (curtinho), por causa da ausência dos membros inferiores. O torturador também costumava jogar Poblete desde o alto de uma escada. Em um vídeo, o ex-policial admitiu que torturou com choques elétricos, com o objetivo de “acelerar” os interrogatórios. No vídeo, confessa que “o critério geral era o de matar todo mundo”.

Rebaneyra - Outro notório torturador era o carcereiro Raúl Rebaynera, uma dos principais figuras da prisão de La Plata, onde estiveram vários prisioneiros políticos, entre eles, o Adolfo Pérez Esquivel, que em 1980 tornou-se Prêmio Nobel da Paz. Segundo o ex-prisioneiro Julio Modorgoy, cada vez que chovia Rebaynera colocava música clássica, de preferência Beethoven ou Bach – e saía “de caça”, isto é, passava pelas celas espancando os prisioneiros. “Se te dou 15 socos e você não gritar, te levo de novo para a cela. Se gritar, fica aqui na sala de torturas 15 dias”, ameaçava.

A modelo Marie Anne Erize, estuprada pelos militares p0r alfabetizar crianças pobres 

ESTUPROS – Em 2011 a Justiça argentina começou a investigar os delitos sexuais cometidos por militares e policiais durante a ditadura contra mulheres e homens detidos nos centros clandestinos. Até esse ano, a Justiça havia considerado os delitos sexuais dentro da categoria ampla de “abusos”. Desta forma, com a mudança de enfoque, diversos ex-integrantes da Ditadura puderam ser processados por estupros e violações.

Os casos de delitos sexuais transcorreram nos campos de detenção de “Club Atlético”, “El Olimpo” e “Banco”.

Os envolvidos estupraram – segundo as denúncias – dezenas de mulheres detidas nos centros de tortura. Geralmente elas eram amarradas, nuas, a camas nas celas. Primeiro eram torturadas com choques elétricos nos mamilos e nos órgãos genitais. Posteriormente eram violadas por um ou mais policiais e militares. Ocasionalmente, um dos repressores reclamava exclusividade sobre a mulher estuprada. Os militares e policiais costumavam preferir as estudantes universitárias jovens. Freqüentemente, quando um casal era detido, os seqüestradores violavam a esposa na frente do marido.

Os militares também costumavam introduzir ratos vivos – e famintos – nas vaginas das mulheres.

O CASO MARIE MARIE ANNE ERIZE

Filha de franceses que instalaram-se na Argentina, Marie Anne Erize foi “Miss Siete Días” (concurso realizado pela revista semanal de maior tiragem da época) e protagonizou diversas campanhas publicitárias da primeira metade dos anos 70 na Argentina.

De forma paralela a seu trabalho nas passarelas Marie Anne Erize fazia militância política na faculdade de filosofia, além de colaborar com o padre Carlos Mujica – referente do clero de esquerda na Argentina – na alfabetização de crianças nas favelas portenhas. A jovem mudou-se para a província de San Juan pouco após o golpe militar. No entanto, em outubro de 1976, ao sair de uma loja de bicicletas, onde havia ido trocar um pneu furado, foi sequestrada e levada para o centro clandestino de torturas “La Marquesita”.

Marie Anne, de 22 anos, que também tinha a cidadania francesa, foi levada à força pelo então tenente Jorge Antonio Olivera (que posteriormente chegaria a major), chefe de inteligência da Infantaria de San Juan, que a estuprou em diversas ocasiões, antes de matá-la. Olivera ufanava-se perante os outros militares de ter penetrado a famosa modelo.

Esta história tem outro lado sinistro: Olivera, que tinha apenas dois anos mais do que ela e era tenente na época da ditadura, havia morado durante sua infância e adolescência em Wanda, Misiones, a mesma cidadezinha de Marie Anne, a apenas um quarteirão de distância um do outro.

FATOS E NÚMEROS SOBRE A DITADURA MILITAR ARGENTINA:

- Entre 1976 e 1983 os militares assassinaram ao redor de 30 mil civis, entre eles, crianças e idosos, segundo estimativas de ONGs argentinas e organismos internacionais de defesa dos Direitos Humanos.

- Os militares afirmam que mataram “somente” 8 mil civis (segundo declarações do próprio general e ex-ditador Reynaldo Bignone, à TV francesa na virada do século, outros colegas seus dizem que não mataram pessoa alguma)

- O Estado argentino, com a volta da Democracia, recebeu pedidos para indenizações da parte de parentes de 10 mil desaparecidos.

- A Ditadura teria sido responsável pelo sequestro de 500 bebês, filhos das desaparecidas. Desde o final dos anos 70 as avós da Praça de Mayo localizaram e recuperaram a identidade de 109 dessas crianças, atualmente adultos.

- Em 1983 nos últimos meses da Ditadura, um relatório das próprias forças armadas argentinas indicou que a guerrilha e grupos terroristas de esquerda e cristãos nacionalistas teriam assassinado 900 pessoas. Diversos historiadores afirmaram ao longo dos anos que esse número está ligeiramente inflacionado, já que diversos dos mortos da lista militar teriam sido assassinados pelos próprios militares, na miríade de brigas internas (e, convenientemente, teriam colocado a culpa nos terroristas).

FRACASSOS ECONÔMICOS E MILITARES: Além de ter sido a mais sanguinária Ditadura foi um fracasso tanto na área militar como na esfera econômica.

Fiascos Militares:

- Entre 1976 e 1978 a Ditadura colocou quase a totalidade das Forças Armadas para perseguir uma guerrilha que já estava praticamente desmantelada desde antes do golpe, em 1975. Analistas militares destacam que este desvio das Forças Armadas argentinas (que havia iniciado no final dos anos 60 mas intensificou-se a partir do golpe) reduziu drásticamente o profissionalismo dos militares.

- Em 1978, a Junta Militar argentina levou o país a uma escalada armamentista contra o Chile. Em dezembro daquele ano, a invasão argentina do território chileno foi detida graças à intermediação papal. O custo da corrida armamentista colocou o país em graves problemas financeiros.

- Em 1982, perante uma crise social, perda de sustentabilidade política e problemas econômicos, o então ditador Leopoldo Fortunato Galtieri – famoso por seu intenso approach ao scotch – decidiu invadir as ilhas Malvinas para distrair a atenção da população. Resultado: após um breve período de combate, os oficiais do ditador renderam-se às tropas britânicas.

Desastres econômicos:

- Em sete anos de Ditadura, a dívida externa subiu de US$ 8 bilhões para US$ 45 bilhões.

- A inflação do governo civil derrubado pela Ditadura, que era considerada um índice “absurdo alto” pelos militares havia sido de 182% anual. Mas, este índice foi superado pela política econômica caótica da Ditadura, que encerrou sua administração com 343% anual.

- A pobreza disparou de 5% da população argentina para 28%

- A participação da indústria no PIB caiu de 37,5% para 25%, o que equivaleu a um retrocesso dos níveis dos anos 60.

- Além disso, a Ditadura criou uma ciranda financeira, conhecida como “la plata dulce”, ou, “o doce dinheiro”.

- Ao mesmo tempo em que tomavam medidas neoliberais, como a abertura irrestrita das importações, os militares continuavam mantendo imensas estruturas nas empresas estatais, que transformaram-se em cabides de emprego de generais, coronéis e seus parentes.

- Os militares também estatizaram US$ 15 bilhões de dívidas das principais empresas privadas do país (além das filiais argentinas de empresas estrangeiras).

- No meio desse caos econômico, os militares provocaram um déficit fiscal de 15% do PIB.

- A repressão provocou um êxodo de centenas de milhares de profissionais do país. Os militares, em cargos burocráticos, exacerbaram a corrupção na máquina estatal.

MILITARES E ESPORTE - Apesar das denúncias de graves violações aos Direitos Humanos a FIFA não cancelou a realização da Copa de 1978. Para a Ditadura, a vitória nesse evento esportivo foi um trunfo político, que lhe garantiu alta popularidade. Os argentinos exilados discutiam no exterior se deveriam torcer a favor ou contra a seleção. Alguns argumentavam que a vitória na Copa não favoreceria a Ditadura, e que esporte e política nunca se misturam. Outros destacavam que esporte e política misturam-se, e muito.

NEGOCIATAS DE 1978 – O Orçamento inicial da Copa de 1978 era de US$ 70 milhões. Custo final da Copa: US$ 700 milhões (o valor supera amplamente o custo da Copa realizada na Espanha, em 1982, que foi de US$ 520 milhões).

GUERRA CIVIL OU GUERRILHA LOCALIZADA?

Os militares deram o golpe e instauraram a ditadura mais sanguinária da História da América do Sul (América do Sul, não América Latina) com o argumento (um dos vários) de que a guerrilha controlava grande parte do país.

Delírio. A pequena guerrilha argentina, mais especificamente o ERP, dominava às duras penas uma pequena porcentagem da província de Tucumán, a menor província da Argentina.

A magnificação da guerrilha foi útil para os militares e também para o prestígio dos guerrilheiros. A nenhum dos dois lados era conveniente admitir a realidade, de que a área controlada pela guerrilha era ínfima.

Os militares e os setores civis que apoiaram o golpe (e os saudosistas daqueles tempos) afirmavam (e ainda afirmam) que o país estava em guerra civil nos nos 70.

Mas, “guerra civil”, rigorosamente, seriam conflitos de proporções mais substanciais, tais como a Guerra da Secessão dos EUA, a Guerra Civil Espanhola, a Guerra Civil Russa logo após a proclamação do Estado Soviético, a Guerra das Duas Rosas (Lancasters versus Yorks, na Inglaterra) ou a Guerra Civil da Grécia após o fim da Segunda Guerra Mundial. Ainda: a Guerra Civil da Nicarágua, e a de El Salvador. Isto é: bombardeios de cidades, grandes êxodos de refugiados, centenas de milhares de mortos, uma boa parte de um país controlado por um dos lados, e outra parte controlada por outro lado. Isso não ocorreu na Argentina nos anos 70.

POLÍTICA EXTERNA ESQUIZOFRÊNICA

Na política externa a Ditadura também mostrou um comportamento peculiar:

- Acreditou que os EUA ficariam de seu lado na Guerra das Malvinas, já que a Ditadura havia sido um bastião anticomunista na América do Sul e até havia colaborado na guerrilha dos ‘contras’ na América Central.

Os militares argentinos não levaram em conta que pesaria mais a velha aliança EUA-Grã Bretanha por motivos históricos e pela participação na OTAN.

- A Ditadura tinha um discurso anticomunista mas continuou vendendo trigo para a URSS e não aderiu ao boicote americano contra as Olimpíadas de Moscou em 1980.

E, para respirar um pouco, o Intermezzo da “Cavalleria Rusticana”, de Pietro Mascagni (* 7.12. 1863 – † 2.8.1945). Na batuta, o genial Georges Prêtre. A Orchestre National de France:

hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).

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12 Dec 17:04

December 12, 2013


Thank you all so much. I'm sitting in an airport with a dying battery, but seriously, I have not felt so unstressed in a long time. More on this later, promise!