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Será que tu deveria usar o botão soneca do teu despertador?
O botão soneca: uma das maiores invenções da humanidade, até 9 minutos depois de ser acionado, quando o maldito alarme toca de novo
Opinião do especialista
Movie Secrets: Kill Bill is outlined at dinner in...










Movie Secrets: Kill Bill is outlined at dinner in Pulp Fiction by Mia Wallace
(See also: The Pulp Fiction Coffee Shop)
perigosobrauner
peter parker é fotógrafo e é apaixonado numa ruiva, certeza que ele tem um tumblr
Se linguagens de programação fossem carros
Eu estive recentemente experimentando coisas novas. Tentei usar o emacs e não gostei, voltei para o vim. Mas com o emacs veio um pouco de experiência com LISP.
Mas, principalmente, eu comecei a estudar Python mais a sério. Aprendi a usar virtualenvs, comecei a escrever algumas coisas com Django. Está sendo divertido.
Eu passei os últimos dois ou três anos escrevendo bastante Ruby. Sou velho o suficiente na comunidade pra lembrar de quando rvm parecia só uma idéia interessante, mas não velho o suficiente pra lembrar quando rails parecia uma boa idéia (porque nunca foi).
Isso me levou a fazer uma comparação entre as linguagens que eu conheço.
Ruby

Ruby é como um carrinho de controle remoto. Mas não um desses de camelô que aquela sua tia que sempre esquece a tua idade te dá de aniversário, mesmo tu tendo 24 anos, barba e dívida com o banco. Não, não. Ruby é um desses carrinhos chiques, a gasolina. É divertido de controlar, parece andar bem rápido, e é fácil de dirigir.
Mas, no fim das contas, não passa de um brinquedo.
Python

Python é um Ford Mustang 2012. Um carro moderno e bonito, com todas as tecnologias que se espera de um carro do século 21. GPS, dock pro iPhone, aquele apito irritante pra avisar pra tua mulher que ela vai bater no poste ao estacionar.
É um carro automático, te tira um pouco do controle e da emoção de pilotar, mas ainda é, no fundo, um Muscle Car.
C

C é um Dodge Charger 1971. Teu pai possivelmente conhece ele melhor que a palma da própria mão. Teu pai deve, aliás, ter deixado muitas pontas de dedos fuçando em um.
Não tem milhares de frescuras que os carros modernos têm. Mas ele tem um câmbio manual e um motor 4.8 V8. Ele vai sobreviver o apocalipse, e com estilo.
C++

C++ é o Bat-móvel. Tu pode usar ele a vida inteira, mas tu nunca vai saber tudo o que ele pode fazer. Ele é rápido, poderoso, barulhento e fedorento, que nem um peido daquele teu cunhado gordo.
O que você quiser que ele faça, ele faz. É capaz de se transformar num barco, num avião ou numa gaiola de passarinhos, desde que você saiba apertar os botões certos.
LISP

A crônica de Varsóvia
ivanUm dos melhores blogs old school
Eu tenho uma teoria que diz que qualquer coisa acompanhada do termo ‘de Varsóvia’ daria um bom nome de livro, de quadro ou de filme. Pode ser ‘o carteiro’, ‘o barbeiro’, ‘o equilibrista’, ‘o leiteiro’, ‘a prostituta’, ‘a lembrança’, ‘a bicicleta’, ‘o enigma’. Qualquer coisa mesmo parece uma grande obra da literatura moderna, uma pintura de vanguarda, um filme digno de Oscar.
Sério, pode fazer o teste. Até algo inusitado, tipo ‘a calculadora de Varsóvia’, funciona bem.
Daí eu acabo de ler na Wikipedia:
“Varsóvia é a fonte para nomes como Confederação de Varsóvia, Pacto de Varsóvia, Ducado de Varsóvia, Convenção de Varsóvia, Revolta de Varsóvia, Gueto de Varsóvia e [nota da editora, eu: A CEREJA DO BOLO VEM AÍ] A Revolta do Gueto de Varsóvia.”
Se você puxasse pela mente, só se lembraria do Gueto ou talvez do Pacto – eu mesma, no máximo, me lembraria desses e da Universidade. Mas existe, aparentemente, um catálogo inteiro de coisas ‘de Varsóvia’. De todos os tipos.
Ou seja, os europeus fazem todas as coisas em Varsóvia só pra ter nomes de tratados, congressos e batalhas que soem super bem e rendam adaptações artísticas incríveis. Minha teoria aparentemente é notória entre o povo do velho continente desde os tempos de Napoleão.
A propósito, vou passar a Páscoa em Varsóvia. Aí ó, ‘A turista de Varsóvia’, pronto.
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Sobre pessoas peladas

Um supermercado aqui na Alemanha deu 250 euros de desconto pras primeiras 100 pessoas que chegassem pra fazer compras peladas
Eu não precisei de muito tempo aqui pra ver gente pelada.
Na realidade, eu nem morava na Alemanha quando eu vi gente pelada na Alemanha pela primeira vez. Em 2011, em um festival de música no interior do país, onde eu acampei por três dias, tive a infelicidade de presenciar não um, não dois, mas três coitados que, muito bêbados e debaixo de um frio de 11 graus, abaixaram as calças na frente de todo mundo e fizeram xixi.
No meio do acampamento. Não era nem entre as barracas ou em uma árvore: nego tirou a calça no meio do acampamento, em plena vista, e se aliviou ali mesmo.
Claro que, na ocasião, não associei isso com um comportamento cultural (mesmo tendo visto três caras fazendo isso em só dois dias). Na minha cabeça, foi mais uma coisa de ‘nossa, eles estão tão bêbados que fizeram xixi na frente de todo mundo’. Eu devia ter me ligado, já que o banheiro também era ‘esquisito’: os chuveiros não tinham divisórias. Todas as mulheres ficavam ali tomando banho, uma ao lado das outras.
Mas foi só morando aqui que eu entendi como os alemães têm uma relação completamente diferente com o corpo nu do que a que nós, brasileiros, temos. Um corpo nu, pra eles, é só um corpo nu, dissociado de qualquer conotação sensual ou sexual – e esse corpo só ganha essa conotação em um contexto apropriado. Fora de contexto, não significa nada. Ninguém olha, ninguém repara, ninguém se importa nem com ficar pelado, nem em estar rodeado de gente pelada.
Tem a ver com a quase absoluta igualdade de gêneros aqui. Eu ainda estou tentando entender como a etnia alemã perpetuou-se ao longo da história, porque aqui a mulher é tão respeitada como igual ao homem que não há faísca nenhuma entre os gêneros. Como eles flertam, namoram, se reproduzem? Uma conhecida, alemã e psicóloga, me disse que ela mesmo não compreende e acha que seu povo está fadado à extinção. Claro que essa falta de machismo tem muitas vantagens: já vi moças andando de bicicleta de minissaia, com partes importantes à mostra, e nenhum homem se atrevou a lançar um olhar de rabo de olho que fosse. Não importa como você esteja vestida, se é que estiver: se for fora de contexto, eles não vão olhar. Nem elas, aliás. E isso é ótimo.
Mas a coisa pode chegar a níveis prejudiciais: no metrô, não é costume oferecer lugar pras mulheres grávidas. Dificilmente alguém vai te oferecer ajuda se você for mulher e estiver na rua carregando algo pesado. Não há ‘cavalheirismo’, e por mais que isso seja um produto da diferença de gêneros, há mulheres que sentem falta. E não há troca de olhares, de toques, nem em ambientes apropriados pra isso, como um nightclub. É tudo muito plano.
É por isso que aqui, no verão, quando eles vão pros lagos próximos a Berlim andar de barco e tomar sol, todo mundo fica pelado. Homens e mulheres não se preocupam com bíquini, maiô, sunga. Nas saunas, é tudo sem roupa – e em alguns casos, são mistas. E eu já vi fotos de gente pelada no metrô, sem contar o cheiro de xixi que você sente às vezes dentro de um vagão. Não sei se torço pra que seja um cachorro com o dono mal-educado.
Como eles não veem a nudez de maneira sexual, a pressão social pelo ‘corpo perfeito’ é menor. E dá pra entender, já que por aqui, você passa a maior parte do ano com o corpo bem coberto. Dá uma olhada nesse relato no Yahoo! Respostas pra ter uma ideia – tem até escolas secundárias com vestiários mistos, por exemplo.
O nudismo sempre foi algo muito mais tolerado pelos alemães culturalmente, e há registros de grupos sociais defendendo o hábito (ou a falta dele, se a pessoa for uma feira ou um padre) desde o fim do século 19. Existe até um orgão (risos) responsável por promover o nudismo no país, a German Association of Free Body Culture, e os naturistas por aqui tem até força política (sério!). Durante o nazismo, Hitler passou uma lei pra tentar proibir essa amoralidade inaceitável. Daí, ficar pelado acabou se tornando uma forma de protesto: com tantos banimentos, essa era a maneira dos alemães de mostrarem um controle, ainda que mínimo, pela última coisa que lhes restava controlar: o próprio corpo. A proibição durou um mês.
Daí que há pouco mais de duas semanas eu comecei a frequentar uma academia aqui em Berlim. E apesar de os vestiários não serem mistos (acho que eu não saberia lidar com isso), o vestiário feminino é uma grande profusão de corpos de mulheres nus.
Veja bem – qualquer corpo nu chama a atenção pra quem não está acostumado. Elas não se preocupam em usar toalha pra ir do chuveiro até o armário. Na sauna, permanecem sem roupa. E o vestiário tem uma centena de espelhos posicionados estrategicamente de maneira que, não importa onde você se esconda, alguém do outro lado do recinto vai estar vendo você pelada.
Nos chuveiros, tem uma antesala em que você pendura sua toalha e só.
No primeiro dia, eu preferi não tomar banho na academia. Mas o treino foi se intensificando e, no segundo dia, sair suada não era uma opção, não com -8 graus lá fora. E aí eu precisava entender qual era a etiqueta da nudez ali. Sabe, tipo aquelas regras que dizem que homem tem dentro do banheiro masculino?
Quer dizer, se eu ia tomar banho com todo mundo e caminhar pelada pelo vestiário, eu precisava entender o que estava dentro da normalidade pra eles. Entenda que a partir do momento em que a normalidade é todo mundo estar pelado, fica difícil estabelecer novos parâmetros. Mas eu precisava descobrir ser era aceitável me secar no vestiário ou se eu tinha que me secar na antesala dos chuveiros; se eu precisava levar calcinha e sutiã pro chuveiro ou se podia colocar tudo na frente do meu armário, mesmo.
Alguns dias de observação depois e eu entendi como funcionava. No chuveiro, as regras parecem sensatas – cruzar olhar com alguém pareceu não aconselhável. Conversar também não é uma prática comum enquanto as pessoas estão ali, nuas (ao menos na academia). Todo mundo toma banho muito rápido, só o essencial.
E todas as mulheres tomam banho viradas pra parede. Não é como se você não fosse de fato ver tudo de qualquer jeito, mas ficar olhando pra bunda das outras pessoas é desnecessário. Então todo mundo toma banho virada pra parede e tá tudo certo.
Menos essa mulher esquisita. Eu tava lá tomando meu banho e tinha uma moça imediatamente na minha frente, na linha oposta de duchas. E ela estava virada pra mim. Completamente. E ela não estava, digamos, tomando banho. Ela estava com um olhar morto apenas deixando a água cair nas costas. Imóvel.
Ainda estou tentando entender se o que ela fez é socialmente aceitável em um ambiente pelado. Mas acho que não seria normal nem se todo mundo estivesse de roupa.
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News and updates
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(Image source: Wikipedia)
We hope that you all had a great holiday season and entered 2013 as enthusiastic as we are now! As you may guess we are receiving tons of emails with feature requests, and to make those easier to track we have configured a special feedback page. Go ahead and check it out - you can submit new feature requests as well as vote for existing ones. Also this now gives us lots of visibility into what our users really want, so we can spend our time on what’s important first. Keep your voices coming, but please avoid creating duplicate issues (we hate deleting them).
During past months we have mostly been busy refactoring our database backend. This is not something that you can see, but it helped us cut some hardware costs and will ensure that we can scale as fast as our user base grows. We also implemented some minor features you’ve been asking about - reverse post sorting and new passwordless Pocket integration. (You will need to check your Settings menu for that).
You might have also noticed a new image that says Unteleported on our main page. Don’t get scared, as we have not got bought by an evil corporation just yet. We have been discussing various ways to cover our increasing hardware costs, and we liked the idea of being sponsored by cool companies we can relate to. Unteleported is the first of such companies - they are our good old friends, a team of software development professionals (hey, our only real software engineer works there!) who agreed to partially cover our bills. We are extremely grateful for what they do and would like to encourage you to check their new shiny website out. If you have a cool software project to develop, they are the right people!
We were receiving requests and suggestions about translating The Old Reader to various languages. Well, we have a winner! We thank our bright friend and an early Old Reader adopter Daria Nifontova for the Russian translation she made (now available in Settings menu). For anyone else wishing to contribute there is now a separate github repository, and we are happy to accept your pull requests.
And finally, we don’t want to be ahead of ourselves, but our next major update will probably include that B-word we all are waiting for. Cool, no?
Bandejinha do Mcdonalds - segunda parte
Sony registra patente para bloquear games usados
ivanQue merda. =(

Parece que a Sony começou a se mexer quanto ao barramento do comércio de games usados. Segundo o UOL Jogos e o Meiobit Games, a empresa registrou uma nova patente, usando a tecnologia NFC (Near Field Communication) para que o game e o console troquem de informações entre si, com a mídia tendo um chip que pode “registrar informações como onde o jogo foi usado previamente, como o console ou a conta do usuário”. O sistema seria acionado antes do game funcionar, e, segundo uma descrição da patente, “o sistema de processamento eletrônico restringe de forma confiável o mercado de jogos de segunda mão”.
“Como resultado, o comércio de jogos usados será suprimido, o que por sua vez reforçará o retorno de parte do lucro das vendas de volta para os desenvolvedores”, diz o documento.
Bom, a Sony está no direito dela de barrar o comércio de usados, que não gera grana para os produtores. Os online passes estão aí pra isso, pois o comércio de usados é grande, lojas faturam muito alto com isso e a produtora, que poderia receber a grana do jogador, não recebe nada, apesar de que, tecnicamente, ela já recebeu a grana pela venda inicial da primeira cópia.
Já para o lado do consumidor, o comércio de usados, pelo menos aqui no Brasil, cresceu bastante, isso durante uma época em que o Playstation 3 ainda era um sistema a prova de destravamento e com games custando os olhos da cara por aqui. Ainda hoje os lançamentos custam o mesmo valor que há 1, 2 anos atrás, e muitos jogadores compram games usados por serem mais baratos, ainda dentro da legalidade de ter um console travado. 12 dos 26 jogos de caixinha que eu tenho aqui são usados, e certamente teria mais se eu tivesse completado a maioria dos games que eu ainda não consegui jogar e que hoje eu nem saio comprando tanto pois a PS Plus também oferece acesso gratuito a diversos games completos enquanto o jogador ainda é assinante.
Pessoalmente, eu não curto a ideia da patente, pois eu tenho interesse direto em comprar o próximo console da Sony alguns meses depois que ele sair, e tem um amigo próximo que também tem essa ideia, e nós poderíamos emprestar os games um pro outro. A locadora próxima da minha casa também é uma grande ajuda, tendo muitos games de PS3 e que pode também começar a alugar games de Playstation 4 quando mais jogadores tiverem o console e começar a ter demanda. A Sony não vê isso com bons olhos, mas não vou ficar tapando o sol com a peneira e dando uma de “cara bonzinho e politicamente correto” por aqui, pois também olho para o bolso quanto aos gastos com games. Óbvio que muitos citam um “games são artigo de luxo e continuam sendo”, mas hoje é possível manter um console atual gastando menos, caçando promoções de games não tão novos e, claro, o comércio de usados de jogador para jogador. Se a Microsoft não aplicar esse tipo de prática (o que acho meio difícil pois ela também está no mesmo barco e deve achar a ideia interessante) ela com certeza terá a faca e o queijo na mão, pois muitos jogadores podem optar por ela na próxima geração. Ou ir direto pra PCs, pagando preços bem menores nos games de ponta e tendo ainda a vantagem do computador ser usado para outras atividades. Aliás, o Steam acaba sendo um “barramento velado de games usados”, pois ao comprar um game por lá, pelo menos no momento o jogador não pode revender. E pelo Steam quase sempre ter promoções arrasadoras, quase ninguém lembra desse detalhe quando a gente comenta sobre barramentos de cópias usadas, fora que a própria PSN Store/Live é uma compra de um game novo e que não pode ser repassado.
Outros problemas dessa patente da Sony é que não será mais possível levar um game na casa de um amigo para jogar e se divertir; ou mesmo se o console queimar por qualquer outro problema. Será que eu perderia também todos os jogos de caixinha?Eu consegui recuperar os jogos que eu comprei na PSN Store depois que desativei o meu primeiro console, que deu YLOD, tendo perda total dos dados. Eu comprei outro PS3 pois já tinha comprado muitos jogos, ganhei muitos troféus e tenho muitos amigos na PSN Store, e jogar tudo pela janela acaba sendo uma perda muito grande. Só que numa época em que os eletrônicos estão ficando cada vez mais frágeis, ninguém sabe se os novos consoles serão resistentes, pois tudo tem vida útil. Um PC pode ter uma peça defeituosa trocada facilmente. Um videogame não tem essa facilidade toda. Fora os prováveis problemas jurídicos, pois, conversando com o Alexandre Soares no Twitter, e lendo os comentários do post do Meiobit Games, barrar o comércio de produto usado no Brasil “fere o direito de propriedade e as leis ‘consumeiristas’”, não podendo deixar um bem móvel alienado. Quem compra um produto para si mesmo tem o direito de fazer o que quiser com ele, desde usar, vender ou trocar. Só resta esperar a Sony anunciar o novo console para saber se ela irá usar mesmo esta tecnologia, e como ela irá usar esta tecnologia.
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A felicidade não se compra!
ivanFilmão mesmo. =)
Ou seja, não é só em mim que A Felicidade Não se Compra provoca boas lembranças e sentimentos bons. O engraçado é que eu só vi esse filme uma vez, tem mais de cinco anos, e nunca mais tive a oportunidade de ver de novo. Mesmo assim, ele me marcou muito.
Pensei então em lembrar dele aqui, pra que mais pessoas possam ter vontade de assistir ou, se já assistiram, relembrar todas as coisas boas que ele passa. Sei que o natal já passou, mas me parece um bom modo de começar o ano novo: tendo a certeza de que a felicidade não se compra e de que, quem sabe, o ano de 2013 seja o ano em que um anjo vai aparecer (da forma que for) pra te mostrar que você é importante e tem valor diante da vida.
Feliz 2013!
Retrospectivas do Diário: 10 filmes que você deveria ter visto em 2012
Alugue o DVD, baixe na internet, faça qualquer coisa, mas não deixe de ver isso
Boy
Passado no litoral da Nova Zelândia em 1984, Boy conta a história de uma família maori pelo olhar do menino de 11 anos do título. Ele vive à espera de que o pai, um ex-presidiário, o leve para ver o show de seu ídolo Michael Jackson. Seu irmão mais novo, Rocky, acha que tem superpoderes. E todos eles procuram a mala de dinheiro que o pai, Alamein, afirma ter enterrado em algum lugar há tempos.
Oslo, 31 de agosto
Um dia na vida de Anders, um ex-junkie de 34 anos, filho de uma família rica, que reencontra os amigos, as baladas, a ex-namorada e todas as coisas pelas quais virou um drogado. Você torce pela chance que ele tem de se reabilitar – e também acaba entendendo o porquê de seu desespero.
O Amante da Rainha
A rainha Carolina Matilde, casada com o rei Cristiano VII, da Dinamarca, se apaixona pelo médico alemão Johann Struensee. Ela e o doutor têm um caso, uma filha e um fim trágico. Aproveitando-se da doença mental do monarca, Struensee, um iluminista, vê sua influência na corte crescer, até ser nomeado regente, aprovando várias reformas, como o fim da censura e a vacinação em massa da população. É um novelão, mas, além de contar uma história fascinante, dá um panorama da Europa no final do século 18, quando o Iluminismo mudou o mundo.
A cabana na floresta
Uma paródia de O Mundo de Truman, só que como filme de terror. Cinco jovens passam um fim de semana numa casa isolada na montanha. Aos poucos, eles descobrem que fazem parte de um reality show do mal. Clichê? Sim. Completamente. Totalmente. Mas divertidíssimo.
Isto não é um filme
O diretor iraniano Jafar Panahi foi condenado, em 2010, a seis anos de prisão por apoiar a oposição nas eleições do ano anterior. Em prisão domiciliar, Panahi resolve fazer o que sabe e gosta: um filme. Ele realiza um documentário sobre sua vida em casa, fazendo chá, recebendo os amigos, conversando com a filha, alimentando seu iguana. É um filme subversivo, não nos temas que aborda (não há um trecho remotamente político), mas ao mostrar um cineasta fazendo o que um regime autoritário lhe proibiu de fazer: trabalhar.
Intocáveis
A amizade improvável de Driss, um imigrante africano, e seu patrão Philippe, um milionário tetraplégico. Driss acha que o ricaço é mimado – e resolve tratá-lo normalmente, isto é: levando-o para passear a mil no carro esportivo, contratando massagistas etc. Uma bonita parábola sobre um encontro de dois mundos opostos.
Amour
Anote: vai ganhar o Oscar de filme estrangeiro em 2013. Um casal de velhos, ex-professores de música, vive num apartamento em Paris. A mulher sofre um AVC e pede ao marido que, haja o que houver, ele não a interne num hospital ou numa casa de repouso. Ele faz o que ela pede, até o fim. Uma obra-prima, um dos filmes mais ternos e ousados dos últimos anos.
Moonrise Kingdom
Em 1965, numa ilha remota, um menino órfão e uma menina de uma família desajustada se apaixonam e fogem juntos. No mundo do cineasta Wes Anderson, isso significa que eles terão de enfrentar a perseguição de exércitos inimigos de escoteiros e uma trilha sonora composta de canções francesas dos anos 60. Os personagens desajustados de Anderson são sempre uma garantia de beleza e originalidade. Sem contar que o elenco tem Bill Murray, Frances McDormand e Bruce Willis.
Poder Sem Limites
O que acontece quando um adolescente desajustado, filho de um bêbado e de uma mãe com uma doença terminal, faz uma descoberta que o leva a desenvolver superpoderes? Nada de bom, claro. Principalmente para os colegas que faziam bullying com ele. O estudante Andrew vira uma espécie de cruzamento entre Homem Aranha e Adam Lanza.
Wild Bill
Bill Hayward era uma lenda local da bandidagem até ser preso. Depois de oito anos, ele sai em condicional e volta para casa. Encontra os dois filhos, de 11 e 15 anos, abandonados pela mãe. Enxerga ali, então, uma chance de redenção, principalmente ao ver que o mais novo estava nas mãos dos traficantes. Só a paternidade salva.
As crianças mortas que nós desprezamos
O massacre de Newtown levanta justa indignação. Mas outros pequenos estão morrendo e ninguém nota
Vítimas de drones
Em dezembro de 2009, o jornalista iemenita Abdulelah Shaye foi a uma aldeia em seu país para investigar a morte de dezenas de pessoas num bombardeio. A alegação do governo do Iêmen era que se tratava de terroristas da Al-Qaeda, o grupo de bin Laden. As autoridades também disseram que o ataque foi obra do exército do Iêmen em sua guerra ao terror.
O que Shaye descobriu foi algo bem diferente.
Crianças e mulheres tinham sido mortas, e não terroristas. Ele também encontrou destroços em que estava escrito “made in USA”. O Iêmen não tem as armas utilizadas no bombardeio.
Fora, na verdade, uma ação americana, não do Iêmen. E o meio foram os controvertidos drones, os aviões teleguiados que disparam mísseis sem que haja tripulação. Um dos documentos vazados pelo Wikileaks sobre as atividades da diplomacia americana mostrava que a Casa Branca combinara com o Iêmen que este assumiria a responsabilidade em caso de ataques como o da aldeia para a qual fora, como jornalista, Shaye. Isso evitaria não só desgaste de imagem como a economia de dinheiro em indenizações por mortes de inocentes.
Shaye
O furo de Shaye lhe valeu duas coisas. A primeira, aplausos entre os iemenistas, cansados de um governo corrupto, ditatorial e subserviente aos Estados Unidos. A segunda, a cadeia. O governo do Iêmen acusou-o de vínculos com a Al-Qaeda e o prendeu.
Recentemente, ele seria libertado, dado simplesente não haver prova de que ele pertença à Al-Qaeda. A informação chegou ao presidente americano Barack Obama. Obama pediu ao governo iemenita que mantivesse Shaye preso. Isso levou o jornalista americano Jeremy Scahill, editor de assuntos de segurança da revista The Nation, a viajar para o Iêmen, de onde escreveu um artigo em que pergunta: “O que leva o presidente Obama a manter um jornalista preso no Iêmen?” Scahill define Shaye, que ele já conhecia, como um jornalista investigativo “corajoso e de opiniões independentes”.
Dias atrás, a prestigiosa rede de mídia Jazeera, bancada pelo governo do Catar, dedicou um programa ao caso. O objetivo é dar dimensão internacional à história. É o mesmo que Scahill e a revista Nation estão fazendo nos Estados Unidos. No mundo contemporâneo, jornalistas presos valem muita indignação se, como disse Scahill, se tiverem passaporte ocidental. Não é o caso de Shaye.
Da mesma forma, os inocentes mortos no Iêmen – ou no Afeganistão, ou no Iraque – têm escasso valor, quando comparados aos inocentes mortos no Ocidente. São vítimas invisíveis, ignoradas no mundo — choradas apenas num canto que para nós, ocidentais, não é nada.
“Eu sou a mãe de Adam Lanza”
A história da mãe de um menino gênio, fã de Harry Potter — e aterrorizante
Michael
Liza Long é escritora, música e especialista em Antiguidade Clássica. Também é mãe de quatro crianças amadas e brilhantes, uma das quais necessitada de cuidados especiais. Ela escreveu este depoimento, originalmente, no site The Blue Review.
Três dias antes de Adam Lanza, 20 anos, matar sua mãe e, em seguida, abrir fogo em uma sala de aula de uma escola infantil em Connecticut, meu filho de 13 anos de idade, Michael (o nome foi alterado), perdeu o ônibus porque estava usando as calças de cor errada.
“Eu posso usar essas calças”, disse ele, num tom cada vez mais beligerante, as pupilas negras de seus olhos engolindo as íris azuis.
“Elas são azul marinho,” eu respondi. “Sua escola permite apenas calças pretas ou cáqui.”
“Eles me disseram que eu poderia usar estas”, ele insistiu. “Você é uma vadia estúpida. Posso usar o que eu quiser. Esta é a América. Tenho direitos!”
“Você não pode usar as calças que quiser”, eu disse num tom afável, razoável. “E você definitivamente não pode me chamar de vadia. Você está de castigo pelo resto do dia. Agora entre no carro e eu vou levá-lo para a escola.”
Eu vivo com um filho doente mental. Eu amo meu filho. Mas ele me aterroriza.
Algumas semanas atrás, Michael puxou uma faca e ameaçou me matar e depois se suicidar depois que eu lhe pedi para devolver os livros da biblioteca. Seus irmãos de 7 e 9 anos, que conheciam o plano de segurança, correram para o carro e trancaram as portas antes mesmo de eu pedir. Eu consegui pegar a faca de Michael, e então metodicamente recolhi todos os objetos pontiagudos da casa em um Tupperware que agora viaja comigo.
Esse conflito terminou com três policiais corpulentos e um paramédico, que puseram meu filho em uma maca e o levaram de ambulância para a sala de emergência. O hospital psiquiátrico não tinha camas naquele dia. Michael se acalmou na sala de emergência e eles nos mandaram de volta para casa com uma receita do remédio Zyprexa e uma visita marcada com o psiquiatra.
Liza Long, a autora
Nós ainda não sabemos o que há de errado com Michael. Ele está em um pântano de antipsicóticos e fármacos que alteram o humor, num romance russo de planos comportamentais. Nada parece funcionar.
No início da sétima série, Michael foi aceito num programa para estudantes altamente talentosos de matemática e ciências. Seu QI é fora do padrão. Quando ele está de bom humor, discorre com prazer sobre assuntos que vão da mitologia grega às diferenças entre a física einsteiniana e a newtoniana. Ele está de bom humor a maior parte do tempo. Mas quando não está, cuidado. E é impossível prever o que vai tirá-lo do sério.
Depois de várias semanas em seu novo colégio, Michael começou a apresentar comportamentos cada vez mais estranhos e ameaçadores. Na manhã do incidente das calças, Michael continuou a discutir comigo. Ele ocasionalmente pedia desculpas e parecia arrependido. No estacionamento da escola, disse: “Mãe, olha, eu sinto muito. Posso jogar videogame hoje?”
“De jeito nenhum”, eu disse a ele. “Você não pode agir da forma que agiu esta manhã e achar que pode obter de volta os seus privilégios rapidamente.”
Seu rosto ficou frio e seus olhos estavam cheios de fúria calculada. “Então eu vou me matar”, disse ele. “Eu vou pular deste carro agora e me matar.”
E foi isso. Após o incidente da faca, eu falei a ele que, se ele dissesse essas palavras novamente, eu o levaria diretamente para um hospital psiquiátrico. Eu não respondi nada e virei a direção do carro na direção oposta.
“Onde você está me levando?” disse ele, de repente preocupado. “Para onde vamos?”
“Você sabe para onde estamos indo”, eu respondi.
“Não, você não pode fazer isso comigo! Você está me mandando para o inferno! Você está me mandando direto para o inferno!”
Parei em frente ao hospital. “Chamem a polícia”, disse eu. “Depressa”.
Michael estava em surto, gritando e batendo. Eu o abracei apertado para que ele não pudesse escapar do carro. Ele me mordeu várias vezes e repetidamente acertou os cotovelos em minhas costelas. Eu ainda sou mais forte do que ele, mas não por muito mais tempo.
A polícia chegou rapidamente e levou meu filho ao hospital. Eu comecei a tremer, e as lágrimas encheram os meus olhos enquanto eu preenchia a papelada: “Houve alguma dificuldade com… com que idade a criança… não existiam problemas com… seu filho já experimentou… se seu filho tem…”
Pelo menos temos um convênio agora. Recentemente, eu aceitei um emprego numa faculdade local, encerrando a minha carreira de freelancer porque, quando você tem um garoto como este, você precisa de benefícios. Você vai fazer qualquer coisa pelos benefícios.
Primeiro, meu filho insistiu que eu estava mentindo, que eu fiz a coisa toda para que pudesse me livrar dele. No primeiro dia, quando liguei para ver como estavam as coisas, ele disse: “Eu odeio você. E eu vou me vingar assim que eu sair daqui”.
Em três dias, ele era meu menino, doce e calmo, cheio de desculpas e promessas de melhorar. Eu já ouvi essas promessas durante anos. Eu não acredito mais nelas.
No formulário de admissão, sob a pergunta: “Quais são as suas expectativas para o tratamento?” Eu escrevi: “Eu preciso de ajuda”.
E eu preciso. Esse problema é grande demais para eu lidar sozinha. Às vezes não há saída. E então você só consegue orar para ter confiança de que, um dia, tudo fará sentido.
Eu estou compartilhando esta história porque sou a mãe de Adam Lanza. Eu sou a mãe de Dylan Klebold e Eric Harris. Eu sou a mãe de Jason Holmes. Eu sou a mãe de Jared Loughner. Eu sou a mãe de Seung-Hui Cho. E esses meninos e suas mães precisam de ajuda. Na esteira de outra terrível tragédia nacional, é fácil falar de armas. Mas é hora de falar sobre doença mental.
De acordo com a revista Mother Jones, desde 1982, 61 assassinatos em massa envolvendo armas de fogo ocorreram no país. Destes, 43 dos assassinos eram homens brancos, e apenas uma era mulher. Mas este sinal inequívoco de doença mental deve nos levar a considerar quantas pessoas nos EUA vivem com medo, como eu.
Quando perguntei ao assistente social do meu filho sobre minhas opções, ele disse que a única coisa que eu podia fazer era conseguir com que Michael fosse acusado de algum crime. “Ninguém vai prestar atenção em você, a menos que alguém preste queixa”.
Eu não acredito que meu filho deva ir para a cadeia. Mas parece que os Estados Unidos estão usando a prisão como a solução. De acordo com a Human Rights Watch, entidade de direitos humanos, o número de doentes mentais nas prisões americanas quadruplicou de 2000 a 2006, e continua a aumentar.
Ninguém quer enviar um gênio de 13 anos, que adora Harry Potter, para a cadeia. Mas a nossa sociedade, com seu estigma sobre a doença mental e seu sistema de saúde falido, não nos fornece outras alternativas. E então, outra alma torturada abre fogo num fast food. Um shopping. Uma sala de aula do jardim de infância. E nós crispamos as mãos, dizendo: “Alguma coisa precisa ser feita”.
Concordo que algo deva ser feito. É hora de uma conversa de âmbito nacional sobre a saúde mental. Essa é a única forma de nossa nação realmente se curar.
Deus me ajude. Deus ajude Michael. Deus nos ajude.
Michael Moore: “Do que temos tanto medo para ter 300 milhões de armas em casa?”
O cineasta americano tenta explicar por que assassinatos em massa nos EUA são tão comuns
A semi automática “Bushmaster .223″, uma das três armas usadas por Adam Lanza, o assassino de Newtown
Michael Moore escreveu esse texto por ocasião da chacina no cinema de Aurora, no estado do Colorado, em julho. Por continuar terrivelmente atual, o Diário o republica hoje.
Desde que Caim enlouqueceu e matou Abel, sempre houve aqueles seres humanos que, por uma razão ou outra, temporariamente jogavam vítimas de um penhasco na ilha mediterrânea de Capri. Gilles de Rais, um cavaleiro francês aliado de Joana D’Arc durante a Idade Média, ficou maluco e acabou assassinando centenas de crianças. Apenas algumas décadas mais tarde, Vlad, o Empalador, inspiração para Drácula, estava assassinando pessoas na Transilvânia de inúmeras maneiras terríveis.
Nos tempos modernos, quase todas as nações tiveram um psicopata ou dois para cometer um assassinato em massa, independentemente de quão rigorosas as leis fossem – o adepto da supremacia branca na Noruega há um ano, o açougueiro na escola em Dunblane, na Escócia, o assassino da Escola Politécnica em Montreal, o assassino em massa em Erfurt, Alemanha… a lista parece interminável.
Sempre houve pessoas insanas, e sempre haverá.
Mas aqui está a diferença entre o resto do mundo e nós: temos dois Auroras que acontecem todos os dias de cada ano! Pelo menos 24 norte-americanos por dia (8-9 mil em um ano) são mortos por pessoas armadas – sem contar os mortos por acidente e os que cometem suicídio. Se você incluí-los, pode triplicar esse número para mais de 25 mil.
Isso significa que os Estados Unidos são responsáveis por mais de 80% de todas as mortes por arma de fogo nos 23 países mais ricos, combinados. Considerando-se que as pessoas desses países, como seres humanos, não são melhores ou piores do que qualquer um de nós, bem, então, por que nós?
Conservadores e liberais operam com crenças firmemente mantidas em relação ao “porquê” do problema. O motivo de não encontrarem a solução é que ambos estão certos pela metade.
A direita acredita que os Pais Fundadores, através de uma espécie de decreto divino, garantiu o direito absoluto de possuir armas. E eles vão incessantemente lembrar que uma pistola não pode ser disparada sozinha – “armas não matam pessoas, pessoas matam pessoas”.
Claro que eles sabem que estão sendo intelectualmente desonestos com relação à Segunda Emenda, porque têm ciência de que os homens que escreveram a Constituição só queriam ter certeza de que uma milícia poderia ser rapidamente organizada entre agricultores e comerciantes, caso os britânicos decidissem voltar e causar alguns estragos.
Mas eles estão certos pela metade quando dizem: “armas não matam pessoas.” Gostaria apenas de alterar um pouco esse slogan para falar a verdade: “Armas não matam pessoas, americanos matam pessoas”.
Porque nós somos os únicos no Primeiro Mundo que fazem isso em massa. E você vai ouvir americanos de todas as faixas com uma série de razões para explicar por que não querem lidar com o que está realmente por trás de tudo isso.
Eles dizem que filmes violentos e games são responsáveis. Da última vez que verifiquei, os filmes e games no Japão eram mais violentos que os nossos – e, mesmo assim, menos de 20 pessoas por ano são mortas por lá com armas. Em 2006, foram duas!
Outros dirão que é o número de lares desfeitos que leva a toda essa matança. Eu odeio discordar, mas há quase tantos lares monoparentais no Reino Unido como por aqui – e, ainda, na Grã-Bretanha, há menos de 40 assassinatos por ano por armas de fogo.
Pessoas como eu vão dizer que esse é o resultado de os EUA terem uma história e uma cultura de homens armados, “caubóis e índios”, “atirar primeiro e perguntar depois.” E se é verdade que o genocídio em massa dos nativos americanos definiu um modelo muito feio para fundar um país, eu acho que é seguro dizer que nós não somos os únicos com um passado violento ou uma propensão para o genocídio. Olá, Alemanha! É isso mesmo que eu estou falando sobre você e sua história, dos hunos aos nazistas, sempre amando um bom massacre (assim como os japoneses e os ingleses, que governaram o mundo por centenas de anos – e não conseguiram isso através de plantio de margaridas). Ainda na Alemanha, uma nação de 80 milhões, existem apenas cerca de 200 assassinatos por ano.
Então, esses países (e muitos outros) são como nós – exceto pelo fato de que mais pessoas aqui acreditam em Deus e na igreja do que qualquer outra nação ocidental.
Meus amigos liberais vão dizer que, se nós tivéssemos menos armas, haveria menos mortes por armas. E, matematicamente, isso seria verdade. Se você tiver menos arsênico na água, ele vai matar menos pessoas. Menos de cada coisa ruim – calorias, tabagismo, reality shows – vai eliminar muito menos pessoas. E se tivéssemos leis fortes proibindo a venda de automáticas e semi-automáticas e de revistas especializadas que contêm um zilhão de balas, bem, então atiradores não seriam capaz de atirar em tantas pessoas em apenas alguns minutos.
Mas aí, também, existe um problema. Há uma abundância de armas no Canadá (em sua maioria espingardas de caça) – e, mesmo assim, o número de assassinatos anuais é de cerca de 200. Na verdade, por causa de sua proximidade, a cultura do Canadá é muito semelhante à nossa – as crianças jogam os mesmos games violentos, veem os mesmos filmes e programas de TV e ainda assim não crescem querendo matar umas as outras. A Suíça tem o terceiro maior número de armas de fogo por habitante na Terra, mas ainda assim uma taxa de homicídios baixa.
Então – por que nós?
Fiz essa pergunta há uma década no meu filme ‘Tiros em Columbine’. Isso é o que eu disse então e é o que vou repetir hoje:
1. Nós, americanos, somos assassinos incrivelmente bons. Nós acreditamos na morte como uma forma de atingir nossas metas. Três quartos dos nossos estados executam criminosos, mesmo que as menores taxas de homicídio estejam geralmente em estados sem pena de morte.
É a nossa forma atual de enfrentar seja o que for que estejamos temendo. É invasão como política externa. Claro que existe o Iraque e o Afeganistão – mas temos sido invasores desde que conquistamos o Velho Oeste e agora estamos tão viciados nisso que não sabemos onde invadir (bin Laden não estava escondido no Afeganistão, mas no Paquistão) ou por que invadir (Saddam tinha zero armas de destruição em massa e nada a ver com o 11 de setembro). Enviamos nossas classes mais baixas para fazer a matança e o resto de nós, que não tem um ente querido por lá, não gasta um único minuto de qualquer dia pensando sobre a carnificina. E agora nós enviamos aviões não-tripulados a regiões remotas para matar, aviões controladas por homens sem rosto em um exuberante estúdio com ar-condicionado no subúrbio de Las Vegas. É uma loucura.
2. Nós somos um povo facilmente assustado e é fácil manipular-nos com o medo. Do que temos tanto medo para ter 300 milhões de armas em nossas casas? Quem é que achamos que vai nos machucar? Por que a maioria dessas armas está nas mãos de brancos em casas de subúrbio e nas áreas rurais? Talvez devêssemos resolver o nosso problema de racismo e nosso problema de pobreza e então houvesse menos gente frustrada, assustada e furiosa. Talvez nós devêssemos cuidar melhor de nós mesmos.
Tudo o que está faltando aqui, meus amigos, é coragem e determinação. Estou nessa se você estiver.
Qual o preço justo de um e-book?
Carlo Carrenho, no Tipos Digitais
As lojas de e-books da Kobo, Amazon e Google mal abriram suas portas virtuais e já começaram as reclamações sobre o preço dos livros digitais. “Livros a R$ 9,90 já!”, alguém postou no twitter. Outros acusavam os editores, mantendo-se a tradição de computar aos editores toda a responsabilidade pelo preço do livro considerado alto – infelizmente, o público leigo e até jornalistas costumam esquecer as altas margens das grandes redes que abocanham de 50 a 60% do preço de capa de um livro.
Os livros digitais estão caros demais?
Mas afinal, os livros digitais estão caros ou não? Para início de conversa, pegamos o preço dos 64 livros da lista de mais vendidos do PublishNews que estão no catálogo da Amazon brasileira e comparamos com os preços de capa das edições de papel. Jogando uma média simples, os livros digitais estão 36,2% mais baratos. Mas isto é pouco, muito ou o suficiente? Para analisarmos esta questão, precisamos entender melhor como a receita se distribui entre os vários agentes e custos da cadeia do livro físico e, então, comparar os resultados com a realidade digital.
Os custos de papel, impressão e logística física situam-se entre 20 e 25% do preço de capa de um livro. Vamos então considerar uma média de 22%. Os descontos para distribuidores e varejistas oferecidos pelas editoras situa-se entre 40 e 60%, então vamos trabalhar com 50% em média. E os direitos autorais giram em torno dos tradicionais 10% sobre o preço de capa. Ficamos assim para um livro com preço de capa de R$ 50:
| O Livro Físico | ||
| Preço de capa | 100% | R$ 50,00 |
| Desconto comercial | 50% | R$ 25,00 |
| Direitos autorais | 10% | R$ 5,00 |
| Impressão e logística | 22% | R$ 11,00 |
| Subtotal | 85% | R$ 41,00 |
| Participação da editora | 18% | R$ 9,00 |
Vale lembrar que são números aproximados e que podem variar de editora para editora. Acredito, no entanto, que estejam perto da realidade. Mas vejam que, neste modelo, a editora ficar com 18% do preço de capa ou R$ 9,00. E isto está longe de ser o lucro, pois desta contribuição a editora ainda precisa retirar os recursos para pagar seus custos fixos de salários, administração etc., além dos próprios custos fixos da produção editorial como tradução, revisão, diagramação etc.
E no mundo digital, como ficamos? Vamos a princípio manter o preço de capa de R$ 50 para o digital, mas agora o custo logístico desaba e o desconto comercial diminui. Obviamente não existe mais custo com impressão e papel, mas há custo logístico de distribuição, de DRM, de armazenagem. Vamos estimá-los em 2,5% do preço de capa.
Ainda não se sabe bem qual a amplitude de desconto comercial que Kobo, Google e Amazon fecharam com os editores. A Apple costuma ficar nos 30% inspirada no modelo agência que ajudou a implementar nos EUA. A Kobo deve ter mantido mais ou menos o que era exercido por sua parceira Livraria Cultura.
A Google não deve ter sido muito agressiva, já que o e-book em si não é seu principal negócio. A Saraiva sempre procurou manter os mesmos descontos do físico, mas com certeza os editoras conseguiram aumentar sua fatia do bolo. E quanto a Amazon, cercada de mais NDAs (Non-DisclosureAgreements; Acordo de Não-Revelação) que o Neymar de fãs, ainda não é possível ter uma ideia clara de seus contratos. Mas como NDAs no Brasil não duram mais que um romance de verão, logo, logo todos já saberão sua faixa de descontos.
Acho, no entanto, razoável imaginarmos os descontos concedidos para livrarias e distribuidores digitais na faixa dos 35 a 45%, e vou trabalhar aqui com uma média de 40%. Já os direitos autorais possuem forma de cálculo diferenciada, são negociados em cima do preço líquido e podem até aumentar. Por hora, vamos considerá-los na faixa dos 25%. Ficamos assim:
| O Livro Digital | ||
| Preço de capa | 100% | R$ 50,00 |
| Desconto comercial | 40% | R$ 20,00 |
| Direitos autorais | 25% (líquido) | R$ 7,50 |
| Logística | 2,5% | R$ 1,25 |
| Subtotal | 57,5% | R$ 28,75 |
| Participação da editora | 42,5% | R$ 21,25 |
Como pode se observar, se o livro digital tiver o mesmo preço que o livro físico, a margem das e a fatia das editoras aumentam quase 150%, e realmente é injustificável que o preço digital seja igual ao físico. Se fossemos manter a mesma margem por livro digital vendido do modelo físico, ou seja, em R$ 9,00, o preço do e-book deveria ser R$ 21,18. Veja abaixo:
| O Livro Digital com Mesma Contribuição | ||
| Preço de capa | 100% | R$ 21,18 |
| Desconto comercial | 40% | R$ 8,47 |
| Direitos autorais | 25% (líquido) | R$ 3,18 |
| Logística | 2,5% | R$ 0,53 |
| Subtotal | 57,5% | R$ 12,18 |
| Participação da editora | 42,5% | R$ 9,00 |
Ou seja, neste nosso modelo, o livro poderia custar 57,64% a menos. Mas é claro que nada é tão simples assim. Como pode se ver, os autores teriam uma queda razoável de receita de R$ 5,00 (no livro físico) ou R$ 7,50 (no livro digital com mesmo preço de capa) para R$ 3,18. E em um momento em que a Amazon oferece até 70% de royalties em seu programa de self-publishing, o KDP, e em que outras empresas chegam até a 85%, como a americana SmashWords, acho difícil que os autores aceitem facilmente uma diminuição do valor bruto por livro vendido ainda que a porcentagem de direitos autorais fique fixa nos 25%. Outra questão é que o custo logístico tem um limite de redução em valores absolutos. Por isso, fiz o exercício de readequar a tabela mantendo os R$ 5,00 de direitos autorais e reduzindo a logística digital a apenas 1%. Ficamos assim:
| O Livro Digital com Royalties e Logística Ajustados | ||
| Preço de capa | 100% | R$ 25,00 |
| Desconto comercial | 40% | R$ 10,00 |
| Direitos autorais | 33% (líquido) | R$ 5,00 |
| Logística | 4% | R$ 1,00 |
| Subtotal | 64% | R$ 16,00 |
| Participação da editora | 36% | R$ 9,00 |
Portanto, se as premissas deste estudo estiverem corretas, os editores poderiam reduzir os preços dos livros digitais em 50%, de R$ 50,00 para R$ 25,00 e, ainda assim, manter a mesma contribuição em valores financeiros absolutos que têm no modelo físico.
Mas e se os descontos digitais não forem assim tão baixos?
Ainda a título de estudo, considerei um modelo em que o desconto comercial permanecesse em 50%:
| O Livro Digital com Royalties e Logística Ajustados | ||
| Preço de capa | 100% | R$ 30,00 |
| Desconto comercial | 50% | R$ 15,00 |
| Direitos autorais | 33% (líquido) | R$ 5,00 |
| Logística | 3,33% | R$ 1,00 |
| Subtotal | 70% | R$ 21,00 |
| Participação da editora | 30% | R$ 9,00 |
Ou seja, ainda que o desconto digital seja 50%, que os autores mantenham a mesma receita de 10% do preço de capa físico e que a logística seja fixada em R$ 1,00 por livro, os livros digitais poderiam ser vendidos a preços 40% inferiores ao preço de capa físico.
E por que isto não acontece?
A principal razão é que os editores ainda estão mais preocupados com seus negócios físicos do que digitais. E eles têm toda a razão em agir assim. Afinal, o mercado de livros digitais representa hoje menos que 0,5% do mercado de livros. Ao decidir qualquer coisa, portanto, o editor sempre pensa nas consequências para seus livros físicos e para o estoque no qual tanto capital ele investiu. E qual o maior medo do editor? Que uma queda do preço do livro digital mude a percepção de valor dos livros em geral por parte do consumidor-leitor e leve-o a exigir preços semelhantes ao digital para o livro físico sob a pena de não comprá-los. O pesadelo do editor seria ter de vender seu estoque físico a preços digitais para se livrar dele. Ou seja, as editoras têm receio, justificado, de que ao baixarem consideravelmente os preços dos livros digitais, haja uma canibalização radical, os leitores migrem radicalmente para o digital, e a percepção de valor dos livros seja o novo preço de capa digital. Considerando que todas as editoras possuem estoques razoáveis e grandes capitais investidos em papel e tinta, algo assim poderia até colocar em risco sua própria existência. Voltemos ao modelo, aplicando o preço digital de R$ 25,00 na tabela do livro físico:
| O Livro Físico com Preço Digital | ||
| Preço de capa | 100% | R$ 25,00 |
| Desconto comercial | 40% | R$ 10,00 |
| Direitos autorais | 10% | R$ 2,50 |
| Impressão e logística | 44% | R$ 11,00 |
| Subtotal | 94% | R$ 23,50 |
| Participação da editora | 6% | R$ 1,50 |
Como é possível notar, se a percepção de valor do livro físico alcançar os patamares dos possíveis preços digitais, as editoras passam a ter uma margem de apenas R$ 1,50 em suas vendas físicas. Entende-se, então o medo dos editores.
Conclusão
O livro digital pode custar de 40% a 50% a menos que o livro físico, mantendo-se a margem de contribuição em valores absolutos que vai para as editoras – eles ficam com uma fatia digital do mesmo tamanho que a fatia física. Os editores, no entanto, ainda têm o foco no mundo físico, responsável por 99,5% de seu faturamento, e temem o que grandes variações nos preços dos livros digitais podem causar na percepção do valor dos livros físicos. A queda do preço do livro digital, portanto, será um processo. Quanto maior for a fatia digital do mercado de livros, menos inseguros estarão os editores para baixar seus preços. E quanto mais o tempo passar, mais experiências de preço forem feitas e mais pressão os leitores exercerem, mais os preços tenderam a cair.
A queda do preço do livro digital em relação ao seu primo físico será um processo. E os preços cairão no máximo algo entre 40% e 50%. Mais do que isso, é utopia para a atual estrutura do mercado de livros.
Ainda falta falar do baixo custo marginal do livro digital e de como ele permite experiências rápidas com o preço dos livros, mais isto fica para um próximo post.
[Contribuíram Iona Teixeira Stevens e Matheus Perez]
Estas imagens com Photoshop são incríveis porque foram bem planejadas
Estas imagens de Martín de Pasquale são tão surreais que, obviamente, você sabe que não são fotos reais. Mas elas foram perfeitamente executadas. E o motivo para isso não é habilidades incríveis no Photoshop, e sim ótimo planejamento.
Se você quer fazer composições perfeitas de fotos, não é tão difícil se você planejar com antecedência. O exemplo de Martín vai mostrar a você como fazer.
Combinar as cores e luzes de todos os elementos de imagens compostas é a parte mais difícil do processo, então a chave para ser bem sucedido (e rápido) é fotografar elementos individuais no mesmo ambiente, com a mesma luz.
Neste caso, você pode ver a imagem base – Martín tocando uma bateria incompleta – e depois pilhas em diferentes posições, tiradas mais perto da câmera para ser mais fácil criar a composição depois.


Outra imagem brinca com escala. Eu queria muito que um cão gigante como esse existisse.

Eis todos os elementos, fotografados a distâncias diferentes para facilitar o processo de composição.

Mais escala é mais diversão. Desta vez Martín é o gigante.

E apenas três fotos foram necessárias para criar a imagem final. A iluminação faz tudo parecer real.

Multiplicação também é fácil. Você só precisa de muitas fotos quando quer multiplicar qualquer objeto, sem precisar mover a câmera.


Aqui outra coisa legal para fazer: brincar com partes do corpo.

É um pouco mais complicado pois requer ilustrações para simular o pescoço cortado, além do planejamento para simular o corpo flutuando.

Você também pode colocar várias pessoas na mesma foto, mesmo que mexa na câmera. Só precisa atingir os ângulos e posições certas.

Neste caso, borrar a imagem um pouco é necessário para simular o movimento, mas não é nada muito complicado.

Esta é ótima: combinando a inclinação e proximidade para acentuar a ilusão de estar fotografando uma maquete.

Desta vez, Martín não usou as mesmas técnicas das outras imagens, preferindo um fundo preto para a foto da mão.

Nesta, a caixa não é real… e sim apenas uma ilustração.


Veja mais fotos como estas aqui: [Martín de Pasquale/Facebook]
Flutuando no espaço
ivanAinda um dos melhores blogs das internetz
Essas frases do Amyr Klink, do Marco Polo e de Santo Agustinho que todo mundo cola no perfil eventualmente, quando está viajando ou vai viajar, são uma tentativa válida de descrever aquele entusiasmo de ver o mundo com olhos de criança de novo.
Essa é uma empolgação que, se você não tem mais 4 ou 5 anos, só sair do seu ‘ninho’ vai proporcionar. E eu acho que sei disso há um tempão, mesmo; talvez desde pequena.
O livro que mais me marcou na vida foi um dos primeiros (de verdade, de gente grande) que eu li. Chama O Mundo de Sofia e eu não sei qual é a reputação dele do ponto de vista literário, assim, e nem quero saber. O que importa é que aos 10 anos, aquele papo de que eu precisava continuar escalando de volta até a ponta dos pêlos do coelho fez todo o sentido. Péra, eu explico:
Vamos resumir: um coelho branco é tirado de dentro de uma cartola. E porque se trata de um coelho muito grande, este truque leva bilhões de anos para acontecer. Todas as crianças nascem bem na ponta dos finos pêlos do coelho. Por isso elas conseguem se encantar com a impossibilidade do número de mágica a que assistem. Mas conforme vão
envelhecendo, elas vão se arrastando cada vez mais para o interior da pelagem do coelho. E ficam por lá. Lá embaixo é tão confortável que elas não ousam mais subir até a ponta dos finos pêlos, lá em cima. Só os filósofos têm ousadia para se lançar nesta jornada rumo aos limites da linguagem e da existência. Alguns deles não chegam a concluí-la, mas outros se agarram com força aos pêlos do coelho e berram para as pessoas que estão lá embaixo, no conforto da pelagem, enchendo a barriga de comida e bebida:
— Senhoras e senhores — gritam eles —, estamos flutuando no espaço!
Mas nenhuma das pessoas lá de baixo se interessa pela gritaria dos filósofos.
— Deus do céu! Que caras mais barulhentos! — elas dizem.
E continuam a conversar: será que você poderia me passar a manteiga? Qual a cotação das ações hoje? Qual o preço do tomate? Você ouviu dizer que a Lady Di está grávida de novo?
Ser filósofa passou pela minha cabeça naquela época. Mas mais adiante no livro, as passagens que descreviam lagos escandinavos, Fjordes e aquela língua estranha com å e ø provavelmente me encantaram mais que a ideia de ser filósofa e eu decidi que queria ser viajante.
Infelizmente pra mim e pra todos vocês, não existe tal profissão. Costumava existir, e esses parecem ter sido tempos interessantes, muito embora a profissão em si não fosse ‘viajante’, mas talvez ‘capitão de embarcação’, ‘bandeirante’ ou ‘explorador’. Nenhuma dessas, no entanto, costuma ser uma opção prática ou viável pra ser considerada uma cidadã economicamente ativa.
Mas eu dei um jeito. No fim das contas, ser viajante – como ser filósofo, aparentemente – é a maneira mais eficaz de se manter na ponta do pêlo do coelho, às vezes mesmo contra nossa vontade. Não existe técnica melhor pra cultivar a capacidade de se encantar com as coisas triviais e, ao mesmo tempo, não se assustar tanto com o diferente e ser mais tolerante.
Porque o mundo, afortunadamente, é muito grande e diferente. Não é incrível que uma distância de poucos quilômetros seja decisiva pra ditar a língua que as pessoas falam, o que elas comem, como elas tratam os outros, como elas organizam os ladrilhos na calçada? Isso é fascinante e é fundamental pra relativizar questões territoriais, de pátria, de nação e, numa brisa maior ainda mas não menos importante, da nossa existência.
Mas mais do que isso, viajar é tão fundamental pra mim porque me mostra um negócio que deveria ser óbvio, mas não é – e não é pra maioria das pessoas, por diversos motivos. A verdade é que não importa por onde passei e as coisas diferentes que vi, eu sempre fui capaz de ver padrões que me eram familiares, se eu olhasse além da superfície. No mundo inteiro, faça neve ou 40 graus, tenha você nascido no meio da guerra ou no meio de uma ilha deserta, você vai encontrar cidades cheias de lixo e cidades limpas, gente amável e gente antipática, amigos inseguros e amigos confiantes, departamentos públicos burocráticos e departamentos públicos cheios de <3, pessoas dispostas a te abraçar e pessoas dispostas a te dar uma rasteira.
Eu viajei pra ver as coisas diferentes do mundo, e viajar me mostrou que o mundo é mais igual do que eu jamais imaginaria.
Ah: Eu achei esse texto subjetivo demais pra ir pro Drum Bun, mas passa lá se o seu negócio for viajar e não só ficar viajando sobre viajar.
Voce tambem pode gostar de:
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Dark Knight Trilogy Behind the Scenes
O que há de realmente errado em não depilar o cu?
ivanAmigos do fórum.... Debatam
Mulher de verdade cobra R$5.000,00 para transar!

Alexis Texas, já fez mais de 300 filmes. Mulher de verdade.
Essa foi a conclusão que cheguei depois de uma conversa com meia dúzia de amigos bêbados. Sabe porquê? Por que essas mulheres fazem testes de DST semanalmente! Por que essas mulheres estão sempre com a buceta e o cu depilados. Elas não usam absorventes ou protetores de calcinha. A vagina é linda, tá sempre fresquinha, cheirosa. E a lingerie nunca é bege. A mulher de verdade vive e “se cuida” para agradar.
“Meninas, vocês não depilam o cu?”
A pergunta surgiu na mesa onde eu estava. Minha amiga respondeu de pronto: “Claro que sim!”. O cara continuou:
“Pô, eu ficava com uma mulher gatíssima, mas aí um dia a gente tava transando, pedi pra ela ficar de quatro e dei aquela abridinha na bunda. Caralho! Ela não se depilava e eu juro que ainda vi umas coisas presas nos pêlos”.
A comoção na mesa foi instantânea. Todos os homens explodiram em “Credo!” e as mulheres viraram a cara com nojo.
O saldo dessa conversa foi que a garota gata que estava com o cu “cabeludo” virou motivo de piada e nojo! E as garotas de família eram desleixadas, não sabiam transar, cometiam gafes e até peidavam.
Parece que os homens não percebem o quanto é opressor o estereótipo que persegue as mulheres sexualmente ativas. O modelo é a atriz pornô e a garota de programa de luxo. Mas eles nunca param para se perguntar onde a maioria das mulheres deveria aprender todo esse checklist pré-sexo, enquanto, até outro dia, a mulher inexperiente que só ficasse parada na cama representava a boa criação.
Eu acredito na pornificação quando exigem que eu seja um símbolo sexual, pronta para transar a qualquer hora do meu dia. Quando acham que eu deveria trocar o lazer depois do trabalho para me preocupar com a altura dos pelos do meu corpo, com a maciez da minha pele e com o meu esmalte impecável. Eu acredito quando percebo que poderia estar no mesmo lugar da garota que não depilou o cu em alguma história contada por aí, como se isto tirasse todo o meu valor. Como se as gafes que cometi ou que aconteceram durante as minhas relações sexuais me tirassem do roll das mulheres de verdade.

Será que a Sandy é mulher de verdade?
Eu concordava que estávamos observando realmente o surgimento da nova geração de homens mimados. Aqueles que não precisam ser bons de cama, mas que querem uma mulher que saiba “quicar” e sempre faça o boquete perfeito. E, principalmente, aqueles que tem nojo de sexo, que dizem por aí que não transam com mulheres menstruadas.
Mas o que mais me preocupa é a internalização de todas essas ideias por parte das mulheres. É a nova exigência de que, além de ser inteligente, divertida e bem sucedida, eu deva encarnar a Sasha Grey em cada transa minha. Sendo que eu não cobro nada por isso.
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