Tomara que o Twitter nunca vá pra tv aberta
Osias Jota
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Redução da maioridade penal: você está sendo enganado http://t.co/TlvbLLeJIf
Sábado na balada ♪ A galera começou a dançar ♪ Daí passou a menina mais linda ♪ Numa fogueirinha de papel ♪ No,... http://t.co/0IezOJNjzV
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Black hole consumes a star
how is tha…wha… I mean…..but……fuuuuuuuuck. Mindbroke.
Por isso eu vou na Capadócia ai ai ♪ Falar do meu amor pra ela ai ai
Essa é a mistura do Brasil com a Capadócia ♪ Tem que ter Jorge pra matar bonito.
Jorge veio lá da Capa. Pa. Mas o dragão. Gão. Não morreu. Reu. Reu.
Como boatos se transformam em fatos
Durante as pesquisas para meu segundo livro Nem vem que não tem: A vida e o veneno de Wilson Simonal, uma das perguntas que eu deveria responder, era sobre como surgem os boatos. No caso do Simonal, como surgem lendas urbanas baseadas em boatos que foram, um dia, baseados em fatos. Pra quem ainda não leu o livro: em 1971, Simonal foi acusado de haver mandado torturar um ex-funcionário para obter dele uma confissão de desvio de dinheiro. Anos depois, o “fato” que se noticiava, e pelo qual Simonal foi alijado da cultura brasileira, era o de que ele trabalhava para o regime militar, prestando serviço à ditadura delatando outros artistas para que estes fossem torturados e, eventualmente, exilados.
Claro que boatos não surgem do nada. O ex-funcionário de Simonal foi torturado nas dependências da polícia política da época, o DOPS. O livro traz declarações e documentos em que o próprio Simonal dava a entender que ele, de alguma maneira nebulosa e jamais explicada, havia “colaborado” com a “revolução” de 1964. Mas daí para ser alcaguete havia uma distância tão grande quanto a que separa o fato do boato.
Nas últimas semanas, eu acompanhei intrigado a “evolução” de duas notícias ligadas ao mundo do entretenimento, e como elas se transformaram a cada nova republicação, a cada novo control+c control+v, em “fatos” cada vez mais assertivos e distantes da notícia original. Acompanhe os monstros se criando:
No dia 09 de abril, o produtor Mark Ronson, que está trabalhando em duas ou três faixas do novo álbum de Paul McCartney, deu uma entrevista à revista Rolling Stone tentando tirar a pecha de “retrô” que paira sobre seu nome. Ronson foi DJ na festa de casamento de McCartney em 2011 e contou na entrevista que certo dia no estúdio, o ex-beatle surgiu com algumas “coisas funk-moombahton pós-Bonde do Rolê” e lhe perguntou: “Como você consegue tirar esse tipo de energia do som?” e usou Usher como exemplo do que chamava de “energético”.
No dia seguinte, a notícia saiu no New Musical Express da Inglaterra como “baile-funk e Usher inspiram o novo álbum de Paul McCartney”.
O ClubNME brasileiro puxou a brasa pra sardinha brasileira. Era assim o seu lead: “Quem diria que Paul McCartney está apaixonado pela sonoridade do funk (sim, o carioca!) e do Bonde do Rolê? Mas são essas as influências que Mark Ronson, produtor do novo disco do ex-Beatle, revelou.”
No UOL, a gente descobre que “Paul McCartney está ouvindo funk carioca como inspiração para novo disco”.
O Bonde do Rolê, que nem é carioca, claro, aproveitou a demência coletiva, tirou foto atravessando alguma faixa de pedestre à moda de Abbey Road e ainda produziu um remix de “Get Back” pra provocar.
No dia 13, o amigo Ricardo Schott no jornal O Dia já estava algumas curvas na frente, entrevistando o DJ Sany Pitbull e Mr Catra pedindo dicas para que o velho roqueiro se inteire no movimento do funk carioca. Valeska Popozuda, por exemplo, se ofereceu para levá-lo ao morro do Alemão.
Aí a coisa degringolou. Na Mix TV a notícia era a de que “O produtor Diplo contou para a Rolling Stone que o ex-beatle Paul McCartney chegou em seu estúdio esses dias com uma música do Bonde do Rolê e perguntou: “Como a gente consegue esse tipo de energia?”. Sim, um dos músicos mais aclamados da história do rock estava ouvindo um brasileiríssimo funk”
Àquela altura, alguém já havia lembrado do inacreditável projeto Let it Baile que o não menos inacreditável João Brasil perpetrou em 2010, de mash ups do álbum Let it be com músicas do MC Buiu, Perlla e Deize Tigrona.
Segundo a Caras de alguns dias depois, “Bonde do Rolê conquista Paul McCartney”. Pedro D’Eyrot, do grupo curitibano, declarou: “Me sinto a nova Linda McCartney!”
Não se espante, se depois de tanta loucura, alguém agitar um encontro do ex-beatle com o trio de Curitiba. A farsa, às vezes, se repete como história.
A outra notícia mutante é mais séria e envolve a vocalista do grupo Calypso, Joelma. No dia 30 de março, a musa paraense deu uma entrevista à coluna social da revista Época e, entre outras coisas, falou sobre sexualidade: a sua e a dos outros. “Tenho muitos fãs gays, mas a Bíblia diz que o casamento gay não é correto e sou contra”. Acrescenta que, se tivesse um filho nessa situação, “lutaria até a morte para fazer sua conversão”. “Já vi muitos se regenerarem. Conheço muitas mães que sofrem por terem filhos gays. É como um drogado tentando se recuperar”. O título da entrevista foi um tanto malandrinho: “Joelma compara gays a drogados e diz ser contra o casamento homossexual”.
No UOL, a frase virou “gays são como drogados em recuperação”. No dia seguinte à publicação da entrevista à Época, o portal compilou a reação de artistas contrários à cantora paraense.
O coluna “Retratos da Vida” do jornal Extra “contribuiu” com a história: “A nuvem está negra para Joelma e Chimbinha da Banda Calypso. Os pedidos para shows com os astros da música brega despencaram após a mudança de escritório. Abalado, o cantor se consultou com um psiquiatra e iniciou um tratamento com antidepressivos.” O texto ainda dizia que a declaração de Joelma levou problemas ao casamento deles, já que o guitarrista não compartilharia da opinião da cantora.
O ator José de Abreu, no Twitter, declarou que também seria deprimido se tivesse de conviver com Joelma. Me lembrei do exército de cantores e artistas que, nos anos 70, se negavam a subir em um mesmo palco que Simonal porque “não dividiam palco com dedo-duro”. Era uma ótima hora pra todo mundo se mostrar engajado.
A assessoria da banda Calypso imediatamente emitiu comunicado dizendo que as palavras de Joelma foram distorcidas pela Época. Negou a depressão de Chimbinha e os problemas matrimoniais com Chimbinha. Mas no mesmo dia o sempre intrépido jornal Extra trouxe uma “novidade” ao caso de “inferno astral” do grupo paraense: “Filme sobre Calypso sobe no telhado”. Dizia o texto: “A produção do longa-metragem já vinha encontrando dificuldades de levar essa história para a tela, e a situação se agravou com a polêmica em torno das declarações recentes da cantora. O fato é que agora ninguém mais quer vincular o nome à banda, e o projeto tornou-se inviável.” Note a palavra “fato”. A única fonte procurada foi a produtora Vira-lata, que negou o cancelamento do filme. De onde surgiu essa notícia então? Mistério.
Aí a imprensa fez a festa: o Estadão contou que “Depois de Joelma se dizer contra o casamento gay e comparar homossexuais a viciados em drogas, o filme da banda Calypso não será mais realizado “até segunda ordem”. Sem checar a informação, limitou-se a dizer que a fonte era o jornal Extra.
A coisa continuou rolando: no dia 16 de abril o “Blog do Marrom”, ligado ao jornal Correio da Bahia afirmou que a banda Calypso teria sido limada das festas juninas de Jequié, Bahia, devido às “declarações da cantora sobre o casamento gay e os homossexuais em geral”. O “fato” chegaria às raias do insólito, já que, segundo a nota, os paraenses teriam sido substituídos justamente por Daniela Mercury, que, no mesmo período, assumiu publicamente seu relacionamento com uma mulher. Tanto a assessoria de Daniela quanto a do Calypso negaram a “informação” que, no entanto, continua a correr redes sociais como uma libelo contra o preconceito e a homofobia.
Aguardem desdobramentos de ambos os casos.
Ontem falei pessoalmente para o diretor do filme Isto é Calypso, Caco Souza, com um velho instrumento de comunicação chamado telefone. Ele, apesar de ter ligado aos jornais que deram o “furo”, até hoje não sabe de onde surgiu a história do cancelamento do filme. Caco disse que a produção segue em ritmo normal, tão fácil e tão difícil como sempre havia sido, e que a única reação de um dos cotistas já contratados foi um telefonema, confuso com as notícias de que o filme que sua empresa estava apoiando, ter sido cancelado. O cotista ficou aliviado em saber que tudo não passava de mais um boato espalhado pela imprensa brasileira como fato.
Friendship is Magic... Brothership on the Other Shell...
Jorge vem da Capadócia ♪♪♪♪ No cavalo com a lança ♪♪♪♪ Mata uma dragão por dii-aa ♪♪♪♪ ♪♪♪♪ And nothing else matters!
Why We'll Never Meet Aliens
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Muitos e muitos anos depois, diante do pelotão de fusilamento, o coronel Aureliano Buendía cantou mentalmente o... http://t.co/H5YqaP7KzT
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Jorge veio lá de Madagascar onaê ♪ iááá ♪ Sacalavás oná!
Keep calm and carry on
Nunca peguei um avião, desde o 9/11, sem deixar de pensar na extraordinária vitória do terrorismo. As torres caídas ficaram naquele momento do passado, mas a Al-Qaeda continua presente na vida de qualquer pessoa que viaja. A sua marca está na enorme antecedência com que se deve chegar ao aeroporto, nas filas, nas inspeções, nas centenas de milhares de alicates de unha e de pequenos canivetes confiscados em nome da segurança.
Se Bin Laden fosse vivo, teria, por esses dias, mais um motivo para comemorar. O seu triunfo em Boston foi acachapante: uma das cidades mais civilizadas dos Estados Unidos, com quase seis milhões de habitantes, imobilizada por causa de um moleque de 19 anos. Ou, melhor dizendo, por causa da reação das autoridades a um moleque de 19 anos em fuga.
Longe de mim fazer pouco deste criminoso ou do seu crime; atacar inocentes não tem perdão em nenhuma circunstância. Apenas estranho a quantidade de policiais ostensivamente destacados para a caça, a ordem de recolher dada aos moradores da cidade, o trânsito parado, o comércio fechado. Estranho o excesso de cautela. Parece que nenhum dos comandantes da operação tomou conhecimento de uma das frases mais famosas dos últimos anos, “Keep calm and carry on”. Originalmente impressa em cartazes ingleses da década de 1940, que tinham como alvo ensinar ao público como se portar durante a guerra, ela está hoje espalhada por toda a parte, de capinhas de celular a objetos de decoração.
“Keep calm and carry on”: mantenha a calma e siga em frente. Os ingleses sabiam do que estavam falando. Continuaram a observar o seu sábio preceito mesmo depois que a guerra acabou, e não chegaram a perder a fleuma nem durante os atentados terroristas do IRA.
Manter a calma e seguir em frente é fundamental para a sanidade coletiva — e é, ao mesmo tempo, um poderoso recado para o inimigo. Uma rotina (quase) inalterada é uma decepção para terroristas, cujo objetivo é espalhar o pânico e chamar a atenção; uma cidade paralisada pelo medo é, ao contrário, o sonho de todos eles, a missão cumprida com louvor.
o O o
Dhzokhar Tsarnaev está sendo processado por uso de “arma de destruição em massa”; mas bombas caseiras como as que ele e seu irmão fizeram — e que são o terror dos soldados que lutam no Iraque e no Afeganistão — são conhecidas, há tempos, como IEDs, de Improvised Explosive Device, artefato explosivo improvisado. Esse exagero semântico é gêmeo do exagero da operação policial, e não pega bem.
o O o
Fiquei admirada com a eficiência das investigações. A polícia descobriu em tempo recorde a identidade dos criminosos, a imprensa foi atrás, a internet fez a sua parte e, pouco depois, já tínhamos uma boa noção de quem eram os dois irmãos. Apesar disso, ainda faltam respostas para muitas perguntas. À principal delas — por que eles fizeram isso? — vai ser difícil, se não impossível, responder. Por que um menino fica louco, vai para a escola e mata vinte crianças? Por que um homem sai pela rua atirando a esmo?
Na verdade, não sabemos. Não há como saber. Nada é motivo para justificar um assassinato quando se é uma pessoa inteira; tudo é motivo quando se ultrapassa certa fronteira moral. Tamerlan Tsarnaev (que tinha um lindo nome) pode ter se frustrado no casamento, pode ter desistido do esporte, pode ter tido uma visão, pode ter se cansado dos Estados Unidos sem ter se encontrado na Europa. Pode ter radicalizado a religião. Pode ter sido, como o tio apropriadamente disse aos jornalistas, um loser, um perdedor (e todo o resto, o Islã, a Chechênia, seria fake — uma ficção). Nada disso, porém, explica o que fez. Há incontáveis pessoas passando por problemas parecidos ou piores sem que lhes venha à cabeça a ideia de dar cabo dos seus semelhantes.
O diabo é que precisamos de uma resposta, nem que seja para nos distanciarmos de seres que não reconhecemos como semelhantes. Queremos nos certificar de que a maldade tem causa, é apreensível e, por causa disso, talvez não se repita; queremos nos sentir seguros. Desejos vãos.
Os motivos que levam um rapaz a fabricar bombas e a detoná-las entre inocentes não desaparecem com a morte do rapaz; outros rapazes iguais nascem, crescem e, um dia, aprendem a fazer bombas. Enquanto for habitado por seres humanos, o mundo não será lugar seguro para ninguém.
O segredo é manter a calma e seguir em frente.
o O o
Um dia, no já longínquo ano de 1982, alguém trocou o conteúdo de algumas cápsulas de Tylenol por cianureto e espalhou as caixas envenenadas por diversas lojas de Chicago. Várias pessoas morreram, entre elas três de uma mesma família: um moço que tomou uma cápsula, e a irmã e o cunhado que ficaram com dor de cabeça depois do enterro. O crime nunca foi solucionado. Foi a partir daí que remédios e alimentos passaram a ser lacrados. Até hoje penso nesse caso. Quem fez isso? E por que?
Vai saber.
(O Globo, Segundo Caderno, 25.4.2013)
grandes mistérios da humanidade: de onde vem e pra onde vai a carga do Optimus Prime quando ele se transforma http://t.co/mZY2WdGp5w
Backup Your Data

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Texts From Superheroes, A Blog Featuring Witty Texts Between Comic Book Heroes & Villains
Texts From Superheroes is a Tumblr blog featuring witty iPhone text exchanges between comic book heroes and villains. The blog is run by internet comedian Diana McCallum and stand-up comedian Andrew Ivimey.
images via Texts From Superheroes
A Modern Retelling

Still on a Shakespearean chicken kick!
Português do Brasil é o melhor idioma, diz revista americana
Daniel Buarque, no Terra
“Quando penso nos meus filhos, hoje com dez e cinco anos, um dia podendo colocar em seus currículos que têm ‘português fluente’, me sinto satisfeita”. O relato é da correspondente da revista The Economist à publicação americana More Intelligent Life, que publica um texto em que defende que o idioma falado no Brasil é o melhor para se aprender no mundo atual.
Segundo a revista, o português falado no Brasil é o melhor “investimento” em termos de estudo de línguas. A justificativa da publicação parte do tamanho da população brasileira, da perspectiva da economia do país, da importância do Brasil no mundo, da relativamente baixa dificuldade de aprender o idioma e da sua utilidade no mundo.
dica do Jarbas Aragão
"Começando no dia 5 de fevereiro de 1980 eu me lembro de tudo. Era uma terça-feira" http://t.co/TLzHMepBBe
"The man who found Boston Marathon bombing suspect Dzhokhar Tsarnaev hiding in his boat—a boat..."
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Man who found Tsarnaev on boat doesn’t want donations for new one
thank you
fucking internet donators
Pai Afasta de mim esta Khaleesi Pai Afasta de mim esta Kha. Leesi Pai Afasta de mim esta Kha! Lee! Si! Com seus dragões e dotrakhis!
O que estamos realmente discutindo quando falamos de maioridade penal
Há 20 anos, no Reino Unido, um crime bárbaro cometido por dois menores de idade contra uma criança gerou uma enorme discussão sobre o tratamento de jovens delinquentes. James Bulger, de dois anos, foi sequestrado em um shopping e depois morto a golpes de tijolo e barra de ferro. Seu corpo, jogado em uma linha de trem, só foi encontrado dois dias depois. Jon Venables e Robert Thompson, os responsáveis pela brutalidade, tinham apenas 10 anos à época e foram julgados como adultos. O governo pedia uma pena de 15 anos, os leitores do tablóide Sun assinaram uma petição para que fosse aplicada a prisão perpétua. Depois de julgados, eles ficaram confinados na prisão até 2001 – quando ganharam novas identidades e endereços. Depois de liberados e renascidos judicialmente, os dois vivem em uma aparentemente eterna condicional, podendo ser chamados de volta à cadeia a qualquer momento.
O crime voltou aos jornais nos últimos meses quando começaram a circular fotos na internet identificadas como sendo de Jon Venables. A Advocacia Geral do Reino Unido alertou os cidadãos que distribuir as imagens ou qualquer informação sobre a nova identidade era crime, pediu ajuda de Twitter, Facebook e Google para que bloqueassem as imagens e chegou a prender agentes prisionais que venderam ao tablóide Sun informações sobre os condenados. Para deixar a história ainda mais terrível, Venables voltou à prisão recentemente depois de terem sido encontradas fotos de pedofilia em um computador, e novamente aumentaram os clamores – puxados pela mãe da vítima – de que a sua verdadeira identidade fosse revelada.
Há uma farta literatura sobre o crime, e as discussões que elas geraram lá, tanto na mídia (como na BBC) quanto no parlamento (em uma comissão dedicada ao tema) merecem ser visitadas neste momento quando estamos discutindo, de novo, a redução da maioridade penal no Brasil, ou a inimputabilidade de quem tem menos de 18, como preferirem.
O “debate” sobre o assunto, como muitos que acontecem nas redes sociais, tenta simplificar um negócio um tanto quanto complexo, fazendo crer que há algum tipo de consenso entre especialistas. Muita gente contra sequer lê os “relatórios da Unicef” que repassa dizendo que a mudança da lei no Brasil seria um retrocesso: não há qualquer relação entre a maioridade penal e o nível de desenvolvimento humano de um país. Basta ver este gráfico:

França e Holanda são países bárbaros? Tampouco há uma tendência clara mundial de mudança na lei para proteger mais as crianças. Na Inglaterra, depois do caso James Bulger, por exemplo, revogou-se o princípio de doli incapax – a presunção de que crianças de 10 a 14 anos nem sempre têm consciência do mal que estão fazendo. Por outro lado, também não há, como a turma do Datena advoga, qualquer relação conclusiva entre a redução da maioridade penal e a diminuição dos delitos cometidos por adolescentes, especialmente os mais graves.
A proposta mais próxima de ser aprovada, a PEC 33/2012, do senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), é bem menos agressiva (eu diria equilibrada) do que nos fazem crer aqueles que a repudiam, como a OAB e, bem, qualquer colegiado de psicólogos, educadores do Brasil. Ela na verdade não reduz a maioridade para 16 anos, mas “desconsidera a menoridade entre 16 e 18 anos em casos específicos”. Se a acusação for sobre um crime hediondo (ou múltipla reincidência em lesão corporal grave e roubo qualificado), após uma análise das condições psicológicas e precedentes do menor infrator, ele poderá, com autorização do Ministério Público, ser julgado como adulto. Na justificativa:
(…) a proposta é uma norma constitucional de eficácia limitada, na clássica definição do José Afonso da Silva, a depender, portanto, do advento de uma lei infraconstitucional (Complementar), algo como uma “Ação de Desconsideração da Menoridade”. Na construção desta lei, a sociedade brasileira, através do Congresso Nacional, no momento que considerar oportuno, definirá os casos excepcionais e extraordinários em que o menor infrator poderá ser considerado maior criminoso, sujeito não mais ao ECA (Estatudo da Criança e do Adolescente), mas ao Código Penal.
O texto anexo à proposta de emenda é bem interessante por dizer que “É fato que o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/90) ainda não foi integralmente implementado e, portanto, não se pode ainda avaliar concretamente seus resultados, de molde a apontarmos para o seu sucesso ou fracasso.” Na prática, o senador concede a principal crítica dos opositores da mudança: se o Estatuto fosse melhor aplicado, e se as unidades de reabilitação de adolescentes fossem de qualquer forma reformadoras, talvez não estivéssemos discutindo isso agora.
Uma coisa é certa, e raramente é mencionada pelos defensores da ideia: mudar a legislação provavelmente vai sair caro. A proposta de Nunes estabelece que os criminosos entre 16 e 18 anos não seriam presos junto de adultos:
é notória a falência de nosso sistema prisional e sua incapacidade de recuperação. Colocar estes menores infratores, mesmo que de comprovada periculosidade, em contato direto com criminosos mais velhos, seria simplesmente piorar o problema, como por exemplo, fornecendo novos soldados para as facções criminosas que dominam o sistema penitenciário de boa parte do país.
Tanto o reconhecimento de que o ECA não foi implementado quanto este asterisco na justificativa da lei deveria disparar o alarme para a necessidade de focar a discussão no sistema prisional. Os problemas são conhecidos: superpopulação, corrupção que permite a comunicação dos presos com facções criminosas, a falta de estrutura para trabalho, péssimas condições de saúde, réus primários que cometeram delitos menores e pessoas aguardando julgamento colocadas na mesma cela que homicidas. Tudo isso ajuda a gerar uma das maiores taxas de reincidência do mundo, de 70%.
Como espaços para reabilitação, as instituições de correção para menores de idade como a Fundação Casa são um fracasso. As prisões, idem. Como disse o colunista Marcelo Coelho, na Folha, hoje:
Chegamos ao núcleo da questão. No estado atual das prisões brasileiras, é tão bárbaro prender quem tem 16 anos quanto quem tem 18 ou mais. Todos sabemos disso. O país não tem moral para exigir respeito à lei quando não tem moral para dizer: isto é uma prisão, você perderá a liberdade e aprenderá um ofício; trate de se recuperar.
Antes de criar novas prisões temos que decidir o que queremos com elas. É simplesmente punir ou de alguma forma reabilitar? Todos os casos são passíveis de reabilitação? O quanto que o Estado deve proteger pessoas que cometeram crimes horríveis? O menor de idade que junto de outros quatro adultos arrastou o menino João Hélio pelas ruas do Rio em 2007 não ficou mais de 3 anos preso, e recebe proteção especial do Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes Ameaçados de Morte – enquanto os adultos pegaram penas de 39 a 45 anos (que, como sabemos, viram uma fração disso depois). Como os assassinos de James Bulger, o garoto teve um tratamento especial, afastado, e ganhou uma nova identidade pelo Estado. Um jovem criminoso é mais caro do que um criminoso comum, não apenas porque são necessárias novas celas, mas porque há uma ideia maior de reabilitação e proteção.
Na Inglaterra, o clamor popular para julgar crianças de 10 anos como adultos em poucos anos se transformou em revolta ao se descobrir o quanto o Estado gastava tentando dar uma vida nova aos jovens criminosos. Segundo estudo do parlamento inglês, manter uma fração de adolescentes em 10 prisões especiais custa lá cerca de 740 milhões de Reais por ano aos cofres públicos. Depois de toda a experiência tratando crianças como adultos para fins penais, a ordem do governo agora é prender cada vez menos menores de idade e focar em penas alternativas. Eles pensam bem com o bolso lá. Se o Brasil fosse uma democracia perfeita, onde a voz do povo é a lei, a redução da maioridade penal deveria ser aprovada o mais rápido possível. Mas é importante que todo mundo reflita um pouco sobre quais problemas estamos resolvendo e quais estamos criando, e se o resultado vale as penas.
Foto da Fundação Casa: Marcos Santos/USP imagens.
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