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28 Sep 03:44

Os coletivos e as eleições

by Ivone Pita

Eu pensei em iniciar esse texto falando sobre a história do voto feminino, sobre superação, conquistas, como chegamos até aqui.

Mas depois pensei que não era sobre nada disso que eu realmente gostaria de escrever – até porque vejo tantas mulheres incríveis, escritoras e ativistas maravilhosas que escreveram ou ainda irão escrever textos muito melhores do que seria o meu sobre estas questões. Então, decidi por outro rumo: falarei da minha experiência em ser candidata à Deputada Estadual no Rio de Janeiro. Preciso falar sobre isso. Precisamos falar muito sobre isso: sobre eleições e representatividade.

Tenho visto muita gente dizendo que não votará ou que não vota mais, por não acreditar no sistema eleitoral, no sistema político que temos hoje, que é preciso mudanças radicais, estruturais. E eu não poderia concordar mais com a necessidade urgente de lutarmos por novos modos de gestão. E não me atrevo à pretensão de debater – sem melhor conhecimento de causa – com quem defende a abolição de todo o sistema.

No entanto, este é o modelo que temos no momento e a luta por modifica-lo não impede que sejam colocados nossos representantes, inclusive para alterá-lo por dentro, senão como se deseja, em alguns aspectos que podem ser muito importantes para uma modificação geral maior. Além disso, se nos retiramos da disputa pelos espaços de poder hoje instituídos, quem fica com eles? Justamente nossos algozes. Pessoas com poderio econômico, midiático e vamos lá saber o que mais.

sufragette

Nós, os que querem e lutam por mudanças, ficamos de fora da política institucionalizada, ficamos de fora de onde as leis são propostas, de onde o executivo pode e deve ser fiscalizado, de onde se pode destinar verbas para instituições que desempenham papeis sociais importantíssimos, através de emendas orçamentárias. Eles, nossos algozes, ficam com tudo. Nós ficamos insatisfeitos, reclamando e protestando por outros quatro anos para depois repetirmos tudo novamente.

E estou longe de acreditar que com isso nada modificamos, pois muito conseguimos alterar através do caráter educativo e mobilizador dos movimentos sociais – para citar somente um exemplo. Mas, de qualquer forma, o que nos impede de estarmos em mais de um espaço? Por que não estarmos em mais de uma frente de luta? Sim, eu entendo que votar para quem defende não participar do processo eleitoral é alimentar um sistema em que não se acredita, e mais, um sistema que se quer destruir.

No entanto, a situação de avanço de grupos conservadores nas instâncias governamentais exige uma resposta urgente, imediata, dentro dos espaços que eles estão ocupando cada vez mais e nos cerceando direitos de forma cada vez mais absurda.

É urgente frearmos o avanço destas forças e, para isso, precisamos de representatividade. E é pensando nisso que alguns aceitam o desafio da candidatura. Não é fácil: nos bastidores da militância, sempre apontamos algumas dezenas de pessoas que seriam ótimos representantes, mas quase em sua totalidade respondem não, por ser muita exposição, muito desgaste, muita frustração, muita gente sem escrúpulo com que se teria de conviver muito de perto. Por outro lado, ainda assim, encontramos algumas pessoas dispostas e este ano, mais do que em qualquer outra eleição.

Contudo, sinto falta de ver a militância LGBT e feminista apoiando as candidaturas.

VARIOUS, LONDON, BRITAIN

Temos recebido apoios isolados e, é verdade, bem importantes, preciso dizer, mas esperava muito mais apoio da coletividade. Tanta gente falando que precisamos de feministas e de LGBTs em espaços de política institucionalizada, em espaços de poder que tem sido predominantemente masculino, hétero, branco, cristão, cissexual, mas quando alguns de nós partem para a luta – bem desgastante e dificílima – de tentar um lugar nestes espaços, acabamos por nos ressentir da falta de apoio e isso para mim tem sido algo bem desgostoso.Eu que sempre grito e luto para nos apoiarmos, nos mantermos, nos sustentarmos, nos fortalecermos em conjunto, assisto com imenso desgosto parceiros de luta isolados em suas candidaturas ou com pouco ou nenhum apoio. Onde estão os blogs, sites, portais, articulistas, colunistas, todos divulgando em seus espaços estas candidaturas? Onde estão os coletivos fazendo reuniões, seminários, debates etc? Coletivos com que entrei em contato respondem que em sendo coletivos com muitas pessoas e pessoas muito diversas, decidiram não apoiar qualquer candidatura. Ora, justamente por serem muitas pessoas, muitas vozes, é que poderia ser muito interessante o apoio. Justamente por serem coletivo é que o apoio seria importantíssimo. Temos força para eleger os nossos, mas nos eximimos.

Enquanto isso, enquanto coletivos, com seus portais, suas newletters, e todo o alcance que tem na rede, se recusam a divulgar candidaturas, o lado de lá, reacionário, conservador, machista, misógino, racista, homotransfóbico, conta com TV, rádio e todo o restante do aparato permitido em campanha. E sem ser pouco, são milhões e milhões gastos em material, são milhões de cidadãos alcançados. Mas eximir-se é mais fácil, é mais confortável, menos problemático: se não for bom o mandato deste ou daquele representante, ou fizer algo com que não se concorde ou decepcione, o coletivo não apoiou.

league-of-women-voters

E se nenhum representante for eleito, simples: é ficar no ora-veja, reclamando e lamentando mais 4 anos que, vejam só, representantes de minorias não são eleitos. É ficar mais 4 anos falando que precisamos de mulheres nas câmaras, no Congresso, e que é preciso termos mais candidatos que representem minorias, a cada avanço conservador absurdo dos que ajudamos a eleger por omissão.

28 Sep 03:42

The Kiss

by Jonco

The kiss

Thanks sourpuss

 

27 Sep 19:31

Misogyny is not human nature.

by Annalee Newitz

Misogyny is not human nature. That's what evolutionary biology researcher Eric Michael Johnson explains in Slate, where he explores the connections between male baboon behavior and male human behavior during "The Fappening." Turns out that patriarchy actually undermines our fitness as a species.

Read more...








27 Sep 06:01

Dogs Who Look Like Other Things [imgur]Previously: Bears Doing...





















Dogs Who Look Like Other Things [imgur]

Previously: Bears Doing Human Things

27 Sep 06:00

Writing Skills

I'd like to find a corpus of writing from children in a non-self-selected sample (e.g. handwritten letters to the president from everyone in the same teacher's 7th grade class every year)--and score the kids today versus the kids 20 years ago on various objective measures of writing quality. I've heard the idea that exposure to all this amateur peer practice is hurting us, but I'd bet on the generation that conducts the bulk of their social lives via the written word over the generation that occasionally wrote book reports and letters to grandma once a year, any day.
27 Sep 05:56

Cirque Du Soleil cria coreografia ‘mágica’ com drones

by Jacqueline Lafloufa

O escritor de ficção científica Arthur C. Clarke, autor de “2001: Uma odisseia no espaço”, diz em sua ‘terceira lei’ que ‘qualquer tecnologia avançada o suficiente é praticamente indistinguível de mágica’.

Isso fica bem evidente ao acompanhar o curta Sparked, criado a partir de uma parceria entre a ETH Zurich, uma das maiores especialistas em drones do mundo, e o Cirque du Soleil.

A história mostra o mundo mágico de um profissional que se dedica a consertar luminárias. Em um dado momento, elas ganham vida e circulam pelo ambiente, regidas pelo eletricista. O mais interessante é que não foi preciso usar nenhum efeito especial na gravação, que durou apenas 3 dias em um galpão de da ETH Zurich. O trajeto dos drones, que havia sido previamente coreografado, era controlado a partir de uma conexão wireless, e a interação entre o ator e os quadcópteros foi planejada nos mínimos detalhes.

cirque-soleil-drones-curta

Os bastidores mostram a dedicação da equipe e o interesse da ETH em transformar os drones em mais do que apenas robozinhos entregadores, mas também ferramentas para performances e efeitos especiais ainda não imaginados.

Não é à toa que a Disney já foi atrás de patentes para melhorar seus shows nos parques temáticos. Da mesma forma que o Cirque du Soleil fez lâmpadas voarem, imagine o que a Disney poderia fazer com o seu universo de personagens.

Se arte e tecnologia conversarem bem, estamos para ver um novo tipo de show ‘mágico’ nos próximos anos.

Brainstorm9Post originalmente publicado no Brainstorm #9
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27 Sep 04:37

tumblr_mdhne3FkBL1qcbh43o1_500.jpg (imagen JPEG, 500 × 647 píxeles)

by kndll
27 Sep 04:10

Photo





27 Sep 04:10

Monstros Contemporâneos II

by Filipe Remedios

25 Sep 21:53

zzthebean: cccakery: Lady Han Solo and Slave Prince Leia Photo...



















zzthebean:

cccakery:

Lady Han Solo and Slave Prince Leia Photo shoot 

Cosplayers: C&C Cosplay

Photographer: Zach Picard

This is perfect.

24 Sep 22:46

GUEST POST: CARTA ABERTA DE UMA GORDINHA A MARINA SILVA

by lola aronovich
Camila Moreno está no twitter e já colaborou com um guest post. Ela é estudante de Letras da UNB e pretende não ser infeliz por conta dos padrões de beleza. 

Marina, 
Está circulando pela internet um vídeo em que a senhora faz uma comparação entre você e a também candidata e presidenta Dilma Rousseff (sem mencionar seu nome). Entre as tantas comparações que podem e devem ser feitas entre as duas candidatas mais bem posicionadas nas pesquisas eleitorais, você opta por usar uma metáfora sobre besouros para dizer que é magrinha, enquanto Dilma seria "fortinha", arrancando risadas e aplausos da plateia.
Lembro com nitidez que a senhora já havia feito essa comparação com Dilma na eleição passada, ao ser perguntada sobre suas principais diferenças.
Dilma é a primeira presidenta da história do Brasil e essa é a primeira eleição com grandes chances de duas mulheres irem para o segundo turno. Uma eleição histórica, certamente. 
Carapanã é como pernilongo ou
muriçoca é chamado no Norte
Histórica porque em um país cercado de machismo por todos os lados; em que as mulheres são menos de 10% no Congresso Nacional; onde embora muitos avanços tenham sido alcançados com a Lei Maria da Penha, ainda estamos em 7º lugar no ranking da violência doméstica; a maioria dos cidadãos e cidadãs do nosso país, se as pesquisas estiverem certas, optará por confiar o seu voto em uma mulher. Isso é lindo e me emociona.
Sei que você sabe, Marina, que ser mulher é um desafio cotidiano. É ter que provar duas vezes que é capaz. Na política então, nem se fala. Lembro o quanto te criticaram pelo fato do seu companheiro trabalhar no governo do PT no Acre, como se vocês, por serem casados, devessem ter a mesma opinião política. Na época, te defendi e disse que achava um absurdo esse tipo de acusação. Te defendo quando falam da sua voz, porque não estão acostumados com vozes mais agudas nos debates políticos. Imagino, Marina, o quanto sejam duras as críticas por causa do seu cabelo, pelas roupas e não pelas ideias. 
Talvez você não tenha tido noção da gravidade da sua declaração, Marina, mas vou te contar o porquê ela doeu no fundo da minha alma: eu sempre fui considerada uma criança gordinha e desde que entendi que isso era um defeito, sofri com isso. 
Tive transtornos alimentares graves e só me aceitei de fato quando conheci a militância e o feminismo, porque me mostraram que os padrões de beleza nos tornam escravas de uma busca impossível e infeliz. Eu esperava que as mulheres na política, ainda que com divergências, optassem pela desconstrução do machismo, mas você fez exatamente o contrário.
Essa sua declaração apenas reforça um padrão ditatorial que faz com que a anorexia e a bulimia estejam entre as principais doenças de jovens mulheres, que faz com que milhões de meninas e mulheres arrisquem suas vidas em métodos salvadores do alcance da beleza, porque ao invés de você optar por ajudar a romper com essa lógica de que a mais magra é melhor que a gorda, você a reforçou. 
Você podia ter escolhido desconstruir a ideia de que o debate entre duas mulheres seria um debate superficial e estético, mas você preferiu seguir essa lógica que revistas de beleza e a indústria do entretenimento entranham todos os dias na nossa vida, de que para ser bem sucedida e feliz, é preciso ser magra. 
Você não perdeu o meu voto com essa sua “piada”, porque você já o havia perdido quando optou por deixar de lado a sua bela trajetória de vida e luta ao lado de Chico Mendes para ser a nova voz da direita e do neoliberalismo no país, mas eu de fato esperava um debate mais qualificado da sua parte. 
24 Sep 22:37

haunthecause: its fucking face omg





haunthecause:

its fucking face omg

24 Sep 22:20

John Oliver Just MURDERED the Miss America Pageant…

by Georgie

From Emma Watson’s incredible U.N. speech on gender equality this weekend, to John Oliver destroying the Miss America Pageant on Last Week Tonight, this is turning out to be a truly amazing week…

 

And this really is the funniest thing I’ve seen in a very, very long time.
 

 
Describing Donald Trump as “mummified foreskin and cotton candy” is a description that will be burned in my memory forever.

 

THEY ASKED ONE OF THE CONTESTANTS TO SOLVE ISIS…IN 20 SECONDS.  I should not be laughing this hard but I can’t help but laugh this hard.

The post John Oliver Just MURDERED the Miss America Pageant… appeared first on POPHANGOVER.

23 Sep 21:37

ithelpstodream: Director Douglas Mackinnon shares a Doctor Who...









ithelpstodream:

Director Douglas Mackinnon shares a Doctor Who secret.

RUBY AND HER ROCKET

23 Sep 21:34

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23 Sep 21:30

prguitarman: I want to believe





prguitarman:

I want to believe

23 Sep 21:28

Keep it cool, keep it cool man. #9gag



Keep it cool, keep it cool man. #9gag

23 Sep 21:27

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23 Sep 21:25

diogowerner: Poor Tom…



diogowerner:

Poor Tom…

23 Sep 03:59

"I’m tired of talking about feminism to men. I’m tired of explaining to men that the feminist..."

by wagatwe
“I’m tired of talking about feminism to men.

I’m tired of explaining to men that the feminist movement will, in fact, benefit them as well as women. I’m tired of trying to hawk gender equality like I’m some kind of car salesman showing off a shiny new sedan, explaining all of its bells and whistles. I’m tired of smiling through a thousand thoughtless microaggressions, tired of providing countless pieces of evidence, tired of being questioned on every. Single. Damn. Thing.I’m tired of proving that microaggressions exist, tired of proving that I’m unfairly questioned and asked for proof. For a movement that’s centered around the advancement and empowerment of women, why do I feel like I’m supposed to spend so damn much of my time carefully considering how what I say and do will be taken by men?

I’m tired of men who insert themselves into feminist spaces with claims of hurt feelings. I’m tired of men who somehow manage to make every issue about them. I’m tired of men like the one who recently stopped by a friend’s Facebook thread in order to call feminism “c*nty”, then lecture the women involved for being too “hostile” in their responses to him. I’m tired of men telling me that my understanding of feminism and rape culture are wrong, as if these aren’t things that I have studied intensely. I’m tired of men who claim to be feminist allies, then abuse that position to their own advantage. I’m so fucking exhausted by the fact that I know that I will have to, at some point in this piece, mention that I understand that not all men are like that. I will have to note that some men are good allies. And all of those things are true! And all of you good allies get cookies! But honestly,I’m tired of handing out cookies to people just because they’re decent fucking human beings.

- Anne Thériault, I’m Not Your Feminist Mommy & I’m Tired of Holding Your Hand (via alwaysinyouratmosphere)
23 Sep 03:55

Video



23 Sep 02:47

You even smoke bruh?

23 Sep 00:05

[paintraincomic]

22 Sep 23:15

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22 Sep 00:24

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22 Sep 00:23

У вас богатый внутренний мир



Белок миозин V передвигается вдоль актиновых волокон и перетаскивает прикрепленные к нему грузы.

22 Sep 00:15

Photo





















21 Sep 05:50

Eu, ex-cotista, “vagabunda”

by Diario do Centro do Mundo

O texto abaixo, de Gabriela Araújo, foi publicado em seu blog, gabinoica.

A autora

A autora

Eu não vou conseguir ser linear, mas espero que entendam os pormenores desta história íntima. Eu morei 10 anos em Londrina, no norte do Paraná, em um bairro de periferia chamado Jardim Leonor e estudava em uma escola estadual.

Na época não era assim muito comum ter sonhos além de chegar ao final do ensino médio, então a falta de credibilidade das pessoas em mim já começava aí. As pessoas, menos a minha mãe. Quando eu tinha 16 anos decidi mudar de período na escola, indo do matutino ao noturno, para que assim tivesse um tempo para trabalhar e pagar o cursinho pré-vestibular. E isso já era uma audácia muito grande: desejar ingressar na Universidade Estadual de Londrina.

A minha mãe não deixou que eu seguisse com estes planos, dizia que seria pesado demais conciliar trabalho e escola, e me sobraria pouco ou quase nenhum tempo livre pra diversão e coisas de adolescente. Por isso eu comecei a tentar estudar em casa mesmo, só com os materiais da escola – internet era um luxo inimaginável. Na verdade, nem computador eu tinha, e não tinha vaga ideia de quando eu teria um. A minha mãe trabalhava como costureira autônoma.

Tudo isso para explicar que: era impossível pagar cursinho, era impossível pagar escola particular e o que eu tinha era um punhado de livros e o sonho de ingressar no curso de Relações Públicas da UEL. Essa era uma situação risível no meio onde eu vivia. O ensino superior não era um direito de todos. Nós, que estávamos às margens da cidade, geralmente acabávamos por servir os que estavam no topo. Era muita audácia da minha parte.

Para encurtar esta parte da história: Em fevereiro de 2005 eu fui a uma festa promovida pela rádio pop local, que divulgaria o resultado do vestibular ao vivo, e quando eles distribuíram o jornalzinho do resultado (patrocinado pelo maior colégio particular da cidade, risos), meu nome estava lá, e naturalmente minha mãe chorou quando recebeu a notícia por telefone, um celular que eu peguei emprestado de um amigo.

Estaria tudo ok se não fosse um porém: eu era cotista. Isso aí é como se eu carregasse alguma placa em neon piscante dizendo que eu não pertencia àquele lugar. Desde o começo eu ouvi manifestações hostis de pessoas que diziam abertamente que eu não deveria estar ali, pelos seguintes motivos:

– Elas estudaram muito, pagaram 2, 3, 4 anos do cursinho mais caro da cidade justamente para terem mais chance.
– Um possível mau desempenho meu atrasaria a turma toda.
– É racismo inverso contra brancos (sic).
– Cria vagabundos.

Eu queria explicar estes pontos de maneira ponderada e organizada, mas não dá. A explicação vai vir bagunçada, tal como a bola de ódio nutrida contra cotistas nas turmas de 2005 da Universidade Estadual de Londrina.

Pra começar, vocês precisam entender que eu não acredito no sistema de vestibulares como seleção de pessoas inteligentes e aptas a esse grande portal de suposição de superioridade intelectual chamado Universidade. Pra mim, o ensino deveria ser universal. E para o vestibular nós nos matamos para compreender ou decorar coisas que às vezes fazemos questão de esquecer o mais rápido possível, porque temos (ou deveríamos ter) direito de escolher as áreas que gostamos mais.

Meus conhecimentos em química evaporaram tão rápido quanto perfume ao sol. Mas em mim ficou a Geografia Política, que eu fazia questão de ser a melhor aluna da sala, História, Literatura e os idiomas. E era isso que eu queria continuar estudando. O vestibular é um funil desgraçado e cruel.

As escolas moldam crianças e adolescentes para passarem em provas “difíceis”, abordando questões pouco compreensíveis e ignorando toda a realidade social, só para estampar a cara do aluno vencedor e fazer dele uma mídia espontânea, que trará mais alunos para a escola e, assim, mais dinheiro.

Conhecimento pode ser adquirido, mas não deveria ser tão difícil. Desde mensalidades, até preços de livros, é tudo um grande obstáculo. Quem trabalha com educação sabe disso ainda melhor do que eu, por ter uma visão global e maior conhecimento sobre a influência econômica no sistema educacional. Mas a prática não deixa muita dúvida: educação é para quem pode comprar.

Sobre o racismo inverso a gente finge que não ouviu, pro bem da nossa saúde mental. E se insistirem, uma aula explicando o massacre das populações negras deveria ser suficiente. Se não for, é porque o ouvinte é mau-caráter, mesmo. E também me surgia a dúvida: a pessoa estuda 4 anos em escola particular e culpa uma cotista de ter roubado a vaga? Não soa razoável. Mas dinheiro ainda importava.

Aí vem a nova parte da minha novela.

Sobre a vagabundagem cotista: possivelmente a acusação mais esdrúxula neste mar de chorume racista. O curso de Relações Públicas não é dos mais caros. Os livros saem por cerca de 40 reais. A exceção são os livros de Economia e Marketing que, às vezes, passam dos 100. Mas todo aquele volume de xérox começou a falir a conta bancária que eu já não tinha. E, em certos dias, eu precisava escolher entre pagar 3 reais de passagem de ônibus ou usar estes mesmos 3 reais para comprar comida. Dentro do ambiente acadêmico, porém, o desempenho era equivalente. Eu não sentia que era menos capaz do que meus colegas oriundos de escolas particulares.

Então eu ingressei em um projeto chamado Afroatitude, que unia alunos cotistas de 10 universidades públicas:

“O Programa Nacional Afroatitude propicia aos alunos negros bolsas para desenvolverem projetos com os temas: Cultura e População Negra/Discriminação Racial, Vulnerabilidade Social, Prevenção das DST/AIDS e Direitos Humanos. Na UEL, o relatório final dos bolsistas Afroatitude que participaram de projeto de iniciação científica (2005-2007) deu-se com a entrega de um artigo sob supervisão do orientador.

Os trabalhos foram surpreendentes, considerando que se tratavam de alunos da primeira série, que descortinavam um mundo extremamente novo em relação ao seu cotidiano, quer como vivência em sala de aula, quer como participação em projetos.”

Fonte: http://www.uel.br/revistas/afroatitudeanas/?content=apresentacao.htm

Com este projeto eu entrei em contato com a cultura negra, o que me era inédito, usei o dinheiro da bolsa pra comprar o primeiro computador da minha vida, estudei a vulnerabilidade da população negra e isso serviu de estopim pra tudo o que eu sou hoje. Apoiados pela Secretaria dos Direitos Humanos do Governo Federal, nós tivemos a chance de estudar a influência e as carências das populações negras das regiões em que vivíamos, e pudemos finalmente ter a noção do tanto de trabalho que ainda havia a ser feito.

Eu não sei se consigo ser objetiva neste ponto e explicar direito a importância deste projeto em minha vida. Digamos que minha intelectualidade ganhou na loteria acumulada. Muita riqueza de informação. Em paralelo a isso, eu queria entender por que alguns colegas insistiam que eu e meus demais amigos cotistas éramos inúteis e tão dispensáveis, e por que não deveríamos estar ali.

Na época era algo que eu não conseguia nem começar a explicar, e me restava ficar calada em situações constrangedoras, como quando pessoas riram ao assistir “Quanto Vale? Ou é por quilo?”, chamando objetos de tortura de escravos de “enfeite pra cara”.

Me deem um desconto, eu era uma piveta de 17 anos sem muito acesso à informação. Felizmente, 4 anos foram suficientes pra provocar uma tormenta em mim, que me deixou cada dia menos tolerante a provocações racistas.

Eu me formei em 2008, sem ter a minha foto de criança exposta no painel da festa, como meus outros colegas, por eu não ter conseguido pagar a festa. Eu fui como convidada de uma amiga.
Eu me formei odiando festas de formatura e me sentindo deslocada.

Mas o que é importante dizer que cotas funcionam, sim. E incomodam, também. Incomodam porque provam que vestibular não serve mais pra nada, e porque “mescla” um ambiente que, até 10 anos atrás, era homogêneo. Branco.

As cotas provam que elite intelectual é um termo inventado para deprimir e assustar aqueles que não possuem grandes quantias de dinheiro para serem gastas em escolas que vendem mais imagem do que conhecimento. Ou para manter estas pessoas longe da preocupação da escola pública, porque afinal, pra que se preocupar com a escola da filha da empregada se a tua cria pode estudar no palácio do centro?

Como costureira, empregada e babá, a minha mãe passou a vida construindo sonhos comigo. O sistema de cotas me ajudou a realizar um deles, Mas esta é a visão individualista, e vocês precisam entender o impacto global disto. Sendo cotista, eu ingressei em um excelente curso de uma excelente instituição, recebi um tsunami de cultura negra que me empoderou de uma forma que eu nem imaginei que fosse possível.

Já formada, eu passei a me preocupar em ser uma multiplicadora, levando pra frente o que eu aprendi com o Afroatitude, e faço questão de empoderar cada jovem negro que passa pela minha vida. Com o sistema de cotas eu enfrentei a sociedade mimada, acostumada a ser bem dividida entre os que nasceram pra servir e os que nasceram pra serem servidos, e eu trabalho até hoje contra segregação racial. E vou continuar trabalhando enquanto meu corpo e minha mente permitirem.

Como profissional de Relações Públicas, aos 24 anos eu alcancei a posição de gerência da empresa onde trabalhei. Não me soa nada ruim.

Eu voltei a estudar em 2010, desta vez escolhi aprender a ler, escrever e falar árabe coloquial e árabe clássico. Estudei cinema árabe, literatura árabe, filosofia árabe, história árabe.

O sistema de cotas para negros é bem simples de entender, ele é feito para a inserção de pessoas negras na universidade. Ele não substitui a necessidade de repensarmos a educação de base, mas impede que a disparidade racial do país aumente. O sistema de cotas não é outra coisa, senão um sistema inclusivo.

Também é leviano chamá-lo de “esmola governamental”, porque uma das obrigações do governo é justamente zelar pelo bem estar de seus cidadãos, e os cotistas estão apenas utilizando um direito, que é o de estudar. Errado é achar que, porque estas pessoas não tiveram 1.500 reais por mês durante 15 anos, não merecem entrar pelos portões da frente do ensino superior. O sistema de cotas incomoda porque mostra que dinheiro pode comprar coisas, pode até comprar gente, mas não pode comprar humanidade.

E, por falar em conhecimento, um sem-número de artigos já explicaram a real eficiência desta solução, então não é difícil a compreensão.

Há também quem busque invalidar toda a experiência dos cotistas, afirmando que a única solução correta e eficiente seria a reforma total do ensino de base, apenas. Eu talvez preste atenção nisto no dia que todos os pais puderem educar seus filhos com as mesmas condições econômicas, e isso inclui os empregados de quem desqualifica os cotistas.

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21 Sep 05:42

What everyone reads

by Seth Godin

Everyone used to read the morning paper because everyone did. Everyone like us, anyway. The people in our group, the informed ones. We all read the same paper.

Everyone used to read the selection of the book of the month club, because everyone did.

And everyone used to watch the same TV shows too. It was part of being not only informed, but in sync.

Today, of course, that's awfully unlikely. Only 1 or 2 percent of the population watch the typical 'hit' show on cable. Of course, it's entirely possible that everyone in your circle, the circle you wish to be respected by, is watching the same thing, but that circle keeps getting smaller, doesn't it?

And when 'everyone' isn't part of the picture any more, when the long tail is truly the only tail, plenty of people stop trying. They stop reading difficult books or watching less-than-thrilling video, and they don't push themselves to do the hard stuff, because, really, why bother?

Society without a cultural, intellectual core feels awfully different than the society that we're walking away from.

       
21 Sep 05:36

203

by clay

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