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23 Apr 17:08

Filme sobre golpe de 2016 leva prêmio principal em festival na Suíça

by Rafael Duarte

O documentário “O processo”, de Maria Augusta Ramos, venceu a 49ª edição do festival Visions du Réel, na Suíça, como melhor longa-metragem da competição. O filme mostra os bastidores do golpe de 2016 que retirou Dilma Rousseff (PT) da presidência da República.

O festival foi realizado entre 13 e 21 de abril, em Nyon. O festival contou com 174 filmes de 53 países, sendo palco para 78 estreias mundiais.

Esse é o segundo prêmio conquistado pelo documentário antes da estreia em circuito comercial no Brasil, previsto para ocorrer dia 17 de maio. Em fevereiro, “O Processo” levou o prêmio de júri popular do festival de Berlim.

Veja o trailler:

 

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23 Apr 13:35

Juíza desabafa contra homenagem a Rogério Marinho e Nevaldo Rocha

by Rafael Duarte

Alguns magistrados fizeram questão de criticar pessoalmente as homenagens da Justiça do Trabalho do Rio Grande do Norte a Rogério Marinho e Nevaldo Rocha. No dia da premiação, a juíza do Trabalho Lisandra Lopes, externou no facebook toda a sua indignação:

 

Hoje é o dia. TRT 21 homenageia o deputado Rogério Marinho e o empresário Nevaldo Rocha. Houve nota contrária da Amatra, da Anamatra, da AJPDC, ANPT, Anatra…Houve conversa, pedido, apelo, e nada. Houve até mandado de segurança. Mas absolutamente nada demoveu a cúpula do Judiciário Trabalhista do RN do propósito de homenagear o artífice de uma reforma trabalhista antidemocrática, que não foi discutida pela sociedade, um deputado que é réu perante o STF e se colocou claramente contra a Justiça do Trabalho em vários momentos.

E ainda, de homenagear um empresário cuja empresa figura como ré em inúmeras ações e protagonizou uma campanha contra as fiscalizações efetuadas pelo Ministério Público. O CEO dessa empresa, senhor Flávio Rocha (que se despediu da função recentemente para disputar a Presidência) prega textualmente o fim da Justiça do Trabalho. 

Só me resta a tristeza de pertencer a uma instituição que não me vê como parte integrante dela, não escuta seus juízes e servidores, e segue inabalável com essa homenagem, numa solenidade que vai figurar dentre os mais lamentáveis capítulos de sua existência.

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19 Apr 19:32

Ana Amélia associou Al Jazeera à Al Qaeda de forma deliberada. Por Leandro Fortes

by Leandro Fortes
Allan Patrick

O mesmo discurso de ódio que levou à guerra na Iugoslávia e aos massacres na Bósnia.

Ana Amélia Lemos

Trabalhei com a atual senadora Ana Amélia Lemos quando ela era chefe da sucursal de Brasília da RBS e eu, repórter da Zero Hora, no início da década de 1990.

Ana Amélia era uma chefe dura, mas que reconhecia o valor dos jornalistas. Era, ela mesma, uma jornalista de qualidade que dominava todo o processo de produção de notícias da sucursal – rádio, TV e jornais, além da ZH e do Diário Catarinense.

Veio de uma família pobre, de Lagoa Vermelha, no norte do Rio Grande do Sul, e conseguiu concluir os estudos do ensino médio porque escreveu, de próprio punho, uma carta com um pedido de bolsa ao então governador Leonel Brizola. Fato, aliás, do qual sempre se orgulhou e fez justiça. O velho Briza será, ainda esse ano, eternizado no Livro de Heróis da Pátria graças a uma iniciativa da senadora Ana Amélia.

É, não tem como não ter deixado de ser, uma mulher culta e inteligente.

Por isso, não há a menor possibilidade de ela ter confundido Al-Jazeera com Al-Qaeda.

Ao fazê-lo, o fez de forma deliberada, em mais um de seus movimentos que a transformou em uma lamentável porta-voz do ódio, do preconceito e da insensatez.

Que tenha se enveredado por esse caminho sem volta, iniciado no apoio ao golpe, enfiada numa fantasia verde-amarela, me deixa mais triste do que decepcionado.

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19 Apr 14:07

Ana Amélia é uma espertalhona que surfa na ignorância dos eleitores dela. Por Joaquim de Carvalho

by Joaquim de Carvalho

É tentador colar na senadora Ana Amélia Lemos, que é jornalista, a etiqueta de ignorante, por associar o pronunciamento da presidente do PT, Gleisi Hoffmann, na TV Al Jazeera ao Estado Islâmico.

“Eu só espero que essa exortação feita pela senadora presidente do PT não tenha sido para convocar o Exército Islâmico para vir ao Brasil fazer as operações de proteção ao partido que perdeu o poder  e agora parece ter perdido também a compostura e o respeito, e o apoio popular”, disse.

É tentador, mas não é correto.

Ana Amélia é tudo menos ignorante.

Seu discurso serve como uma luva para o eleitorado que acredita, mesmo, que o Brasil pode ser alvo de atentados terroristas ou de uma ofensiva comunista, gente que, ao invadir o Congresso tempos atrás, viu na bandeira do Japão, branca com um círculo vermelho no meio, o protótipo de uma nova bandeira do Brasil.

Em maio do ano passado, quando estive com o cineasta Max Alvim em Curitiba, para cobrir o depoimento de Lula a Sergio Moro, entrevistamos manifestantes que haviam viajado à capital do Paraná para apoiar o juiz da Lava Jato.

Eram seis pessoas, entre eles um empresário e uma dentista, que diziam coisas como considerar Fernando Henrique Cardoso comunista e o PSDB, um partido de esquerda, além de criticar a lei de imigração apoiada pelo chanceler tucano Aloysio Nunes Ferreira, que teria aberto as portas do Brasil para o terrorismo.

“Já estão acontecendo atentados terroristas no Brasil”, disse a dentista, olhos arregalados, com ênfase na palavra “atentados”. “Estão sim”, insistiu ela, ao ser cobrada por mim para apontar os locais onde teriam ocorrido.

A senadora Ana Amélia sabe que há um terreno fértil no Brasil para semear inverdades, principalmente no campo da direita, do conservadorismo xucro.

Não é por outro motivo que o MBL se destaca hoje como a maior fonte de fake news nas redes sociais.

Ana Amélia Lemos é heroína nesta turma, se alimentando da farsa de que o mal se abriga no campo progressista.

A senadora é, antes de tudo, uma ingrata, porque, de família pobre, só chegou aonde está porque contou com a ajuda de um governo trabalhista no Rio Grande do Sul.

Aos 9 anos, trabalhou como dama de companhia em Porto Alegre e, ao voltar para sua cidade natal, Lagoa Vermelha, no norte do Estado gaúcho, só permaneceu nos estudos, entre o final dos anos 50 e e início dos anos 60, porque enviou uma carta ao então governador do Estado, Leonel Brizola, com um pedido de bolsa de estudos.

Foi atendida.

Ana Amélia, alguns anos depois, se formou em jornalismo, fez carreira na RBS (afiliada da Globo), se casou com um deputado e, mais tarde, senador, Tarso Dutra, que ajudou a sustentar a ditadura militar.

Na frase em que estabelece, com malícia, uma relação entre a Al Jazeera (alguém que chefiou a RBS em Brasília não sabe o tamanho da Al Jazeera?), Ana Amélia diz dois outros disparates:

O PT perdeu o poder, disse ela.

Errado.

O PT não perdeu o poder, o poder lhe foi tirado na mão grande, com apoio de Ana Amélia.

O PT perdeu o apoio popular.

Errado.

Segundo todas as pesquisas, o PT é disparado o partido que conta com o maior índice de simpatia do eleitor, mesmo de quem não é filiado.

Na última pesquisa Vox Populi, realizada entre 13 e 15 de abril, o partido é o primeiro nesse quesito, com 18% dos eleitores que o consideram simpático.

O segundo colocado, o PSDB, tem 1%. O PP de Ana Amélia é traço.

Ana Amélia, esperta, tira da ignorância de seu eleitor médio combustível para continuar no poder.

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17 Apr 20:03

MST ocupa fazenda de dono do bordel que celebrou prisão de Lula e homenageou Moro e Cármen Lúcia

by Conceição Lemes

Divulgação MST

MST ocupa fazenda de Oscar Maroni em Araçatuba (SP)

A fazenda possui aproximadamente 1700 hectares e já esteve envolvida em processos trabalhistas que a puseram leilão 

Da Página do MST 

Na manhã desta terça-feira (17), cerca de 300 integrantes do MST ocuparam a fazenda Santa Cecília, localizada em Araçatuba, São Paulo, de propriedade de Oscar Maroni, um dos maiores empresários de prostituição do país.

Esta é quarta ocupação do movimento na área do empresário, famoso por agenciar casas de prostituição de luxo como o Bahamas Club, onde Maroni agrediu sexualmente diversas mulheres, expondo o corpo de muitas trabalhadoras do sexo perante centenas de homens em uma festa na última sexta-feira (6).

A fazenda possui aproximadamente 1700 hectares e já esteve envolvida em processos trabalhistas que a puseram leilão em 2016.

O MST exige que a área seja destinada para a Reforma Agrária e, posteriormente, para a construção de um assentamento onde as famílias possam morar e produzir alimentos agroecológicos, trabalhando sob relações de gênero igualitárias.

A ação faz parte da Jornada Nacional de Lutas pela Reforma Agrária que além de rememorar os 22 anos de impunidade do Massacre de Eldorado dos Carajás, também denuncia a paralisação da Reforma Agrária, a arbitrariedade da prisão de Lula e a agilidade nas investigações do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes.

Leia também:

Para celebrar prisão de Lula, dono de bordel recebe cidadãos de bem e homenageia Moro e Cármen Lúcia

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17 Apr 19:59

Zenaide Maia: “Não fui eleita pra vender minha mãe nem pra tirar direito de trabalhador”

by Rafael Duarte

 

Zenaide Maia surpreendeu quem imaginava que ela seria mais uma parlamentar de sobrenome tradicional a defender os interesses da própria família. Ao contrário, os votos nos projetos mais importantes contrariaram os interesses do PR, partido pelo qual se elegeu em 2014. Foi suspensa, censurada e optou pelo caminho mais óbvio: mudar de legenda.

Nesta entrevista especial, a deputada federal Zenaide Maia (PHS) fala sobre os desafios da atual legislatura, os projetos que abraçou nos primeiros anos de mandato, a briga com o PR, a desconfiança natural de parte do eleitorado e por quê decidiu agora se candidatar ao Senado Federal.

 

Agência Saiba Mais: Qual o peso do sobrenome Maia na sua carreira política ?

Zenaide Maia: Eu sou filha de pai pequeno agricultor, minha mãe costurava para ajudar em uma família de 16 irmãos. A origem da família é a mesma do José Agripino, mas o parentesco não é tão próximo. Os Mais são parte da Paraíba e parte do Rio Grande do Norte. A origem é em Catolé do Rocha, Brejo do Cruz. Somos de Jardim de Piranhas, onde só tinha o primário. A partir do ginásio a gente tinha que estudar em Caicó. Meu pai é de 1911, mas já achava que mulheres deveriam se formar antes de casar. Numa época em que a visão das famílias era preparar mulher para casar, meu pai não tinha nem o primário e se esforçou para criar a família.

 

E como a filha de um pequeno agricultor conseguiu se formar em Medicina naquele tempo ?

 Caicó oferecia educação de qualidade não só para privilegiados, estudava do filho do pequeno agricultor ao filho do prefeito no colégio. Por conta dessa educação fui para Recife e passei na faculdade de Medicina da UFPE. Mas sou uma exceção, como médica. O filho de quem tem dinheiro tem escola privada, aulas de reforço, inglês, nutricionista e psicólogo para concorrer com o filho de quem ganha um salário mínimo, pega dois ônibus e muitas vezes encontra a escola em greve. Essa concorrência não é leal.

 

A senhora é a favor da política de cotas, então…

Sou a favor da política de cotas e sou coautora da política de cotas para os deficientes. Tenho um filho deficiente intelectual, por conta de um erro médico, e Cesinha é muito importante nesse meu trabalho. Hoje existe a política de 5% de vagas para deficientes nos processos seletivos e também para as universidades. Se existe algo que me deixou feliz foi isso. Outro dia, o Instituto Federal de Natal me falou que o atual processo seletivo aprovou 40 deficientes visuais, auditivos…

 

Alguma experiência na política antes da eleição para deputada federal ?

Fui secretaria de saúde de Parnamirim há 20 anos e depois assumi a secretaria de saúde de São Gonçalo.

 

E a lei do nepotismo ?

Quando Jaime (Calado, ex-prefeito de São Gonçalo e marido de Zenaide) ganhou eu achei que não poderia assumir por causa da lei do nepotismo, mas disseram que a lei não valia para o primeiro escalão e aceitei. Acho que dei umas cores importantes na gestão. Fiz residência em doença infecto contagiosa, atuei como médica da universidade com carga horária de 20 horas e do Estado mais 20 horas. Optei pela medicina pública. Não tenho nada a contra a medicina privada, mas não teria coragem de atender alguém que não tem dinheiro para pagar.

 

E a experiência como gestora de saúde ?

Vi que como médica ou secretária de saúde posso ajuda um número limitado de pessoas. Mas você só pode ajudar o município, um estado e um país com políticas. O poder é o Congresso: porque faz a lei, aprova e se o presidente vetar ainda pode derrubar o veto. É o congresso nacional que define a vida. Eu já sabia que o Congresso tinha poder. Mas quando chega lá você se impressiona. Qualquer medicamente, alimento, para ir para prateleira é preciso ser aprovado no Congresso. É quem diz quanto vai ser o salário, quantas horas você vai trabalhar por semana e com que idade vai se aposentar É o Congresso que determina a vida do povo brasileiro.

 

Qual sua primeira ação logo que assumiu o mandato ?

Foi assumir a comissão de seguridade social, saúde e família. É onde passa a vacina, o produto, onde se define a vida saudável do povo. Todos dizem que essa legislatura foi umas das coisas mais difíceis de se ultrapassar porque de repente esse Governo que está aí resolveu dizer que os trabalhadores e os servidores públicos são o problema desse país. E eu não concordei. Em seguida veio o impeachment e eu tinha certeza que Temer e Eduardo Cunha não eram solução para o país. E eu tinha razão.

 

Na semana que antecedeu ao impeachment, a imprensa nacional disse que a senhora foi contra a cassação da ex-presidenta Dilma porque ela prometeu um cargo no Banco do Brasil para seu irmão João Maia. Isso ocorreu ?

Eu não tenho nenhum cargo nem aceitei cargo algum. Eu não aceito nem emendas a mais porque o preço disso é muito caro. João Maia tinha condições de ter um cargo a nível de qualquer lugar sem ter nada a ver com essa votação. Nunca me envolvi com isso porque vi quando cheguei que o preço é caro.

 

Haviam muitas negociações nos bastidores naquela votação. A senhora foi chamada para alguma conversa ?

Não houve conversa alguma. Já sabiam que eu tinha opinião formada, que eu não ia ceder. Mas infelizmente o impeachment era um ato consumado. Acho que temos que derrotar as pessoas nas urnas. Hoje se sabe que não teve nada de pedalada fiscal diante do que a gente está vendo aí. As instituições sérias desse país não concordam com o que a gente está vendo.

 

Seu partido na época, o PR, apoio abertamente o impeachment e segue na base do governo Temer. Como resistiu às pressões ?

No dia da votação do impeachment muitos disseram que ainda estava em tempo (de votar pela abertura do processo de cassação). Quando votei, Dilma já tinha perdido e por isso alguns colegas insistiam. Teve uma que me falou: “quando vai votar com a bancada?” E eu disse: “no dia que vocês votarem a favor do povo, me chamem”. Falando assim parece uma coisa simples, mas não era. Formaram um corredor polonês na hora, aquela votação não foi gratuita. Houve um grande investimento, e eles mostraram depois que tinham um projeto. E eu fui em cima. Quando começam a defender eleição de empresários no lugar de políticos, prestem atenção. Os empresários são quem mais votam contra os trabalhadores.

 

A cisão entre a senhora e o PR foi em que momento ?

Na votação da PEC 241, foi quando o partido me puniu.

 

De que forma ?

 O PR me tirou tanto da propaganda nacional como da estadual, eu não poderia aparecer. E queriam me tirar de algumas comissões também, mas como sou muito atuante, alguns partidos disseram para a direção do PR que se me tirasse das comissões eles me indicariam de forma independente. A população não vê, mas temos um trabalho muito atuante nas comissões. O PR já sabia que eu não podia votar aquele absurdo. Eu tinha opinião sobre isso. Você consiga convencer o povo que está no caminho certo, mas depois de eleito arrumar uma pedalada !? Imagine se fosse hoje a história daquela mala e do apartamento cheio de dinheiro ? Aquela PEC congelou investimentos durante 20 anos em segurança, saúde, educação e assistência social. Nunca vi isso na minha vida.

 

Que projetos a senhora relatou nesses três anos e destacaria na sua atuação ?

Fui relatora do projeto de lei que proibiu a venda dos refrigerantes nas cantinas, no ensino básico e fundamental. Era um projeto que estava há 10 anos tramitando, tinha muito lobby, mas aprovei tanto na comissão de seguridade como na de Educação. Eu via o seguinte: os filhos dos ricos não tomavam mais refrigerante, que é um dos grandes fatores da obesidade infantil, e a gente mexe com grandes empresas. Se você forma crianças e jovens sem refrigerantes provavelmente eles não serão um adulto usuário de refrigerante que faz tanto mal à saúde. Então esses projetos polêmicos, que alguns deputados têm medo de desagradar o governo, passavam para mim.

 

A senhora é relatora do projeto que limita juros nos cartões de crédito…

É uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que limita juros dos cartões de credito, cheque especial e qualquer financiamento dos bancos a, no máximo, três vezes a taxa Selic. Está na comissão de Constituição e Justiça, foi posta em votação, o (Henrique) Meireles (ministro da Fazenda) mandou tirar… hoje a taxa Selic é menos de 7% ao ano, então os juros seriam menos de 20% ao ano. E esses cartões cobram 300%, até 400% de juros, numa extorsão às famílias brasileiras. O cartão de credito faz parte do orçamento. O Banco Central me informou que esses cartões praticam em seus países de origem 1% ao ano e o Congresso Nacional permite que o povo brasileiro seja extorquido dessa forma. E PEC o presidente da República não pode vetar, são dois turnos na Câmara e no Senado. Então temos a oportunidade, desde novembro de 2015, de dar esse presente ao povo brasileiro. O que é um banco, senão um agiota oficial ? Não educa, não constrói e não edifica, mas infelizmente…

 

Houve pressão dentro do PR para travar esse projeto ?

O próprio PR falou na época: “vixe, Zenaide”… mas poderiam ver isso. Essa PEC ajuda o comércio. Hoje você compra um carro e paga cinco. Mas poderiam vender mais quatro, concorda ?

 

E como está a situação desse projeto hoje ?

Como o governo decretou a intervenção federal no Rio de Janeiro não pode aprovar nenhuma PEC, mas não vou deixar isso morrer, não. O Congresso Nacional deve isso à população brasileira. Tudo o que você compra paga três vezes o mínimo. É a PEC 160/2015 que acrescenta o parágrafo 4º ao artigo 192 da Constituição. Em 2008 se colocou que o juro podia ser no máximo 12%, mas isso engessava a política monetária do Banco Central.

 

Dos principais retrocessos votados pela atual legislatura, na visão da senhora, o que mais é prejudicial ao país?

Tem muita coisa, mas o Governo aprovou uma medida provisória lesa pátria, que é uma renúncia fiscal por 25 anos de RRF, IPI, o que juntos representam 100% do Fundo de Participação dos Municípios… uma contribuição para as petroleiras estrangeiras que receberam nosso pre-sal praticamente de graça. Como é que o Governo vai para a televisão dizer que o país está falido ? Mas os parlamentares que votaram isso vão para os municípios oferecer ambulância, consultório dentário… mas tiraram milhões dessas cidades.. Gosto de falar sobre isso, mas sinceramente não vejo nada bom. Isso sem falar no desmonte da CLT.

 

O emprego formal continua em queda…

Essa reforma afetou a família que não tem no orçamento. O que é o trabalho intermitente? Eu trabalho num shopping, meu contrato é de 44 horas, mas meu patrão pode dizer quantas horas ele me quer e quando. É uma família que não tem no orçamento. Porque ele pode dizer: “Zenaide, não venha hoje que o movimento está fraco”. E eu vou receber pelas horas trabalhadas. Isso vai interferir no meu 13º, nas férias e na aposentadoria. Mulher grávida em ambiente insalubre !? Até os acordos de guerra não permitem isso porque você está condenando uma criança que nem nasceu ainda. E o mais grave: contratado sobrepondo ao legislado. Como o contrato pode valer mais que uma lei !? Sou médica por formação e não sou idiota para não ver um negócio desse. Quem vai pagar isso? As mulheres. Porque mãe nenhuma vai deixar faltar alimento na mesa do filho. E vai aceitar o que o patrão quiser. E eu lhe digo: o assedio moral vai crescer.

 

A PEC do teto dos gastos…

Quando eu vejo meus colegas fazendo discurso pela Segurança Pública tendo votado pelo congelamento dos investimentos por 20 anos como naquela PEC… eu nunca vi um negócio desse na minha vida. É uma ironia. Você foi lá e bota que por 20 anos não pode investir em segurança, saúde, educação e assistência social. O Temer diz que quer ajudar o Rio, mas tem dificuldade por causa dessa PEC.

 

Muita gente no Rio Grande do Norte esperava que a senhora fosse repetir seus colegas de bancada, representasse sua família. Como foi o impacto das suas votações junto aos eleitores ?

Como eu votaria a favor de uma medida provisória que tira milhões dos municípios, que é onde o povo mora ? Não deixo de colocar emendas em instituições estruturantes. Já botei R$ 4,5 milhões nos Institutos federias porque eles contingenciaram a educação e visitei os 21 campis. Quando vi que a ideia era fazer o apartheid… essa interiorização… invisto no educação. Hospitais estruturantes. Se o prefeito é do PSDB, e daí ? Salvei a vida do Seridó todo. Liga de Natal, liga do Seridó, Varela Santiago, Onofre Lopes… quando se contingencia tira isso tudo da saúde. Maternidade Januário Cicco…. temos que olhar não só para o prefeito.

 

A senhora imaginou fosse fazer um mandato diferente ?

Todos que estão lá já disseram que nunca houve uma legislatura tão conturbada. Mas mais grave é o que estão fazendo com o povo brasileiro. Estão vendendo o nosso patrimônio. Estão querendo vender a Casa da Moeda. A gente estuda na história das guerras que a primeira coisa que um país vencedor faz é impor sua moeda ao derrotado. E como a gente vai vender isso ? Isso é inédito. A venda da Eletrobrás é um crime. Eu não fui eleita para vender minha mãe que tem 90 anos e muito menos tirar direito de trabalhador. Saí do partido, que me deu essa oportunidade. Essas votações não são gratuitas. Eu não entro em CPI, por exemplo. Já tem 11 órgãos controladores. O que posso dizer ao povo é que essas votações não são de graça.

 

Como foi a convivência com o Eduardo Cunha ?

O Eduardo Cunha é um cara de inteligência acima da média, mas eu notava e o via como uma pessoa muito próximo do psicopata. Ele adora ficar olhando parado aquelas brigas entre os deputados. Eu ficava só olhando as reações dele….

 

Como a senhora  vê a situação do Lula ?

Olha, uma boa parte do povo que bateu panela já está discernindo. Disseram que iam tirar o partido mais corrupto, mas a população está vendo que não era bem assim. Você tem um senador, comprovadamente com R$ 2 milhões, a irmã dele com contas fora do país, denúncia com avião de cocaína, mas ele não perde nem o mandato porque a presidente do Supremo mandou ele voltar para o Senado. O presidente é pego com malas, achou pouco e todo escalão está envolvido em tudo, assessor com apartamento cheio de dinheiro, que alguns dizem que era o boi de piranha… e do outro lado você vê o presidente Lula. Posso dizer porque na primeira eleição votei no Fernando Henrique Cardoso, mas aquele cara destruiu as universidades brasileiras. Ele fez uma portaria proibindo a construção de institutos federais. Eu era residente e vi os hospitais negligentes, com 60% dos leitos infantis ocupados por desnutrição grave. Então, acordei. Independente do Partido, tem que respeitar o Lula.

 

Qual sua visão sobre o processo do tríplex do Guarujá ?

O apartamento que dizem que é dele a juíza mandou a OAS entregar ao devedor, não tem uma conta na suíça. O que esse cara tem ? FHC tem apartamento em Paris, em Nova York. A população tem acordado, essa história de que não tem prova, mas tem convicção… se as pessoas estiverem pensando que essa jurisprudência vai ficar só em Lula estão enganados. Todo mundo sabe que esse crime é político.

 

Por quê decidiu disputar uma vaga no Senado ?

Surgiu espontaneamente, as pessoas dizendo: “vá para senadora”.

 

A imprensa chegou a dizer que o fato do seu irmão João Maia ter decidido se candidatar a deputado federal a obrigou a disputar o Senado…

Minha decisão foi independente de João ser candidato ou não… Agora não tenho como não ter gratidão pelo PR. É pelo fato deu ter ido lá e mostrado que podemos fazer um bom trabalho, que não é todo mundo farinha do mesmo saco. Agora também sou contra reeleições sem fim. Pra mim teria que ter um número de mandatos, independente de qualquer coisa a gente poda gerações. Se você fica 40 anos num mandato você poda mais de uma geração. Quem criou os poderes foi o povo, não podemos esquecer isso.

 

Mas se a senhora tentasse a reeleição teria que disputar a mesma base com João Maia, não ?

Antes de João definir a volta para a Câmara já foi surgindo isso. A base mais ou menos, mas tenho muito voto de opinião, de pessoas esclarecidas. Sou muito fã das rádios comunitárias. Gosto da coisa muito viva, por isso gosto de feira livre. Adoro pechinchar. Essa é Zenaide, sertaneja. Quero voltar ao Congresso, mas jamais serei contra município. Pressionei muito para aquela repatriação que era um dinheiro novo que o governo ainda não tinha reservado. O governo prometeu R$ 2 bi para mais de 5 mil municípios, não entregou um centavo e ainda tirou milhões.

 

A senhora vai enfrentar dois senadores com mais de 40 anos de vida pública, Garibaldi Alves e José Agripino Maia…

Um dos candidatos foi prefeito de Natal biônico, teve oito anos como governador e completa 32 anos de Senado. O outro foi deputado estadual, prefeito, governador e tem quase 50 anos de mandato. Você jamais vai me ver falar dos colegas… mas qualquer brasileiro que tenha espirito coletivo sabe que o Congresso é para lutar por direitos. Costumo dizer que não estou candidata contra A, B ou C. Estou pré-candidata ao Senado para continuar com esse trabalho de não deixar tirar direito de quem já tem muito pouco. O parlamentar tem que ter um olhar de espírito coletivo porque você define a vida de pessoas mais carentes.

 

Qual o diferencial do Senado ?

Senado é órgão regulador e representa também, tem paridade estadual, mas não deixa de dar visibilidade aos problemas. Vejo diferença.

 

Por quê escolheu o PHS ao sair do PR ?

Na época o PT falava comigo, me procurou… me identifico muito com Fátima, ela veio do interior, defende dos trabalhadores. Mais com Fátima do que com o PT. O PHS me deu liberdade. Até votou a favor do impeachment, mas não tem cargo no Governo, não cedeu a tudo. O PHS sabe que vou me posicionar, enquanto o PR está cada vez mais próximo de tudo o que a gente está vendo aí…

 

A aliança com a senadora Fátima, que já anunciou a pré-candidatura ao Governo do Estado, é natural ?

É natural, ela defende os trabalhadores como eu.

 

Como estão as conversas sobre suplentes na chapa ?

Não estou discutindo suplente. Não há imposição, não. Pela primeira vez na historia desse país a gente não sabe quem são os candidatos a governador. A essa altura já estava se discutindo se ia ter segundo turno ou não. Não adianta ficar conjecturando. Política é momento. Eduardo Cunha é um exemplo. As pessoas dizendo que ele era o melhor Presidente e eu pensava: “vou começar a ir de tênis para o congresso para não escorregar na baba”.

 

A senhora é a única mulher de uma bancada com sete homens. Há discriminação na política ?

Existe discriminação. Quando vou para outro país, o mundo todo reconhece que enquanto as mulheres são maioria e estão representadas em 10% do parlamento, a sociedade não está bem representada. Nos sentimos bem rebaixadas. Na Bolívia as mulheres são 40% na política. Eles começaram com cotas… no México é 45%, na Argentina é 30%, isso está na lei. Hoje temos 10% e se não houver imposição… A Bolívia tem 40% mas tem poucas mulheres de qualificadas, então criaram um instituto para poder qualificar as mulheres. Não queremos privilégio, mas tem que nos empoderar.

 

Como está a relação com seu irmão João Maia ?

Tudo bem. Essa briga que criaram nunca existiu. A gente não nunca teve nada, essa é a democracia. O João já sabia que eu tinha opinião. Claro que as vezes o partido pressionava e vinha através dele, mas ele como meu irmão já sabia como eu votava. Eu explico e as pessoas entendem porque eu estou votando.

 

Haverá uma campanha dobrada com Zenaide para o senado e João Maia para deputado federal ?

Nem conversamos ainda. Ele já sabia que eu ia sair do partido. João é muito partido, foi o cara que formou esse o PR.

 

Confiante nas pesquisas que indicam a senhora com boas chances de vencer ?

O povo sente quem está. Muitas vezes o partido vinha fazer a propaganda eu dizia: “não vou falar isso não”. Mas por quê? Porque se nem eu estou acreditando nisso aí, que dirá o povo. Claro que ainda existem aqueles currais. Mas quando vi aquele jovem de Currais Novos que desafiou duas oligarquias (Odon Júnior, prefeito de Currais Novos)… Não subestimem a inteligência da população.

 

Como a senhora se sentiu sendo ameaçada por fãs do Bolsonaro ao descer no aeroporto de Natal ?

Eu desci sem entender nada. Começaram a gritar “golpista, golpista”. Aí é que eu não entendi nada, mas como desceu Garibaldi e Agripino logo atrás, eles aproveitaram o arrastão para gritar aquilo. Até porque golpista eu não sou.

 

 

 

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16 Apr 12:57

Ocupação do triplex pelo MTST é legítima porque força a discussão: quem é o dono? Por Joaquim de Carvalho

by Joaquim de Carvalho
Se é do Lula, é do povo

O processo em que Lula foi condenado a 12 anos e um mês de prisão produz uma das maiores aberrações jurídicas de que se tem notícia. O Tribunal Regional Federal da 4a. Região aceitou como válida a decisão de Sergio Moro de atribuir a propriedade do imóvel a Lula.

Como lembrou o processualista Afrânio Silva Jardim, em artigo publicado, não existe no Código Civil o conceito de atribuição de propriedade. Ou ela pertence a alguém, ou não pertence. E o que define se pertence ou não é a escritura de compra e venda, com registro do cartório de imóveis.

Não fosse assim, um juiz poderia atribuir a você a propriedade de um automóvel apenas porque você foi à concessionária e fez um test drive. Ou poderia atribuir a outro a casa onde você mora, que está em seu nome, com registro em cartório.

O triplex no Guarujá, preparado pela OAS para ser entregue a Lula, foi rejeitado por este, conforme fica claro pelos testemunhas e pelas demais evidências, como a ida dele ao local apenas uma vez, para ver o apartamento e concluir que não interessava a ele.

Dona Marisa, que tinha uma cota do condomínio onde está o triplex, foi mais uma vez, mas também não quis ficar com o apartamento. E entrou na justiça para reaver o que havia pago como cota do condomínio, comprada quando as obras ainda estavam em andamento.

Depois da construção, a OAS colocou o imóvel para garantir dívida. Lula teria que ser o chefe de quadrilha mais burro da história da humanidade se aceitasse como propina um bem que poderia lhe ser tomado a qualquer momento, para garantir débitos da OAS.

Se a OAS era laranja de Lula, como insinua Moro em sua sentença, o ex-presidente ou seus familiares deveriam pelo menos usufruir de um bem do qual tinha a propriedade dissimulada. Mas nenhum Lula da Silva ou pessoa indicada por eles passou uma noite sequer no local. Ou uma tarde, ou uma amanhã. Nada.

Por isso, faz todo sentido a ocupação do triplex realizada há pouco pelo MTST e o Povo Sem Medo. “Se é do Lula, é nosso”, diz uma das faixas colocadas na varanda. “Se não é, por que prendeu?”

O triplex não é uma questão de propriedade civil, é objeto de uma disputa política em que se envolveu um setor do Judiciário.

A ocupação no início da manhã desta segunda-feira, 16 de abril. Militantes do MTST se colocaram em frente ao condomínio e alguns entraram. Mas a maior parte ficou na calçada, cantando refrães como:

“O Povo sem Medo chegou”, “Pisa ligeiro, pisa ligeiro, se não pode com a formiga, não pisa no formigueiro”.

Diziam ainda: “Se é do Lula, é nosso, a-há, u-hu”. Pessoas que passavam pela avenida, onde estavam homens e mulheres, com bandeiras vermelhas, ouviam:

“Repatriar o poder popular”.

A prisão de Lula, consequência de um processo contestado por mais de 100 juristas, produz efeitos que vão muito além da carceragem da Polícia Federal em Curitiba e de suas imediações. O gigante, efetivamente, pode estar acordando.

A presença do MTST na avenida do Guarujá lembra a todos que o processo contra Lula é político

O post Ocupação do triplex pelo MTST é legítima porque força a discussão: quem é o dono? Por Joaquim de Carvalho apareceu primeiro em Diário do Centro do Mundo.

16 Apr 11:58

Comer e beber em São Paulo - do café da manhã ao tira-gosto, 5 dicas perto da Paulista

by Cyntia Campos
A Avenida Paulista vista do terraço do Instituto Moreira Salles: estou cada vez mais convencida de que não há região melhor para curtir São Paulo Que São Paulo é um mudo, no capítulo gastronômico, todo mundo já sabe. E o melhor é que não é preciso sair cruzando a cidade para encontrar opções das mais variadas origens. No último fim de semana, fiz mais uma passagem corridinha por São Paulo.
14 Apr 18:06

Ivan Cabral: O sol da liberdade

by Luiz Carlos Azenha
13 Apr 12:12

What is the real reason for the imprisonment of former President Lula da Silva? According to sociologist, hatred of the poor and policies lifting Brazilians out of poverty

by gatasnegrasbrasileiras

capa

Note from BW of Brazil: I must say, the past few years have seemed like a modern witch hunt. However one feels about embattled former Brazilian President Lula da Silva, we can all agree that the labor leader is clearly a figure that divides the country. A few years ago, we saw all sorts of demonstrations calling for the end of the 13-year rule of da Silva’s Workers’ Party culminating with the impeachment and ouster of the country’s first female president, and Lula’s hand-picked successor, Dilma Rousseff in 2016. And while corruption charges against politicians are nothing new, there seemed to be a desire to see the blood of the man former US President Barack Obama once called “the most popular politician on earth” spilled in the streets. 

obama_lula

Better days: US President Barack Obama with Lula, who he defined as the “most popular politician on the planet” 

 

If you’re not one to follow international politics, let me just tell you that the last few days have been a true spectacle. Yesterday, sometime between 6-7pm, I drove down to “auntie’s house” and took a seat in the living room in front of the big screen TV that was tuned to Globo TV’s all-news channel.

And for the next few hours, I watched a scene of which I can only compare to a certain event in June of 1994 when a former American athlete captivated television viewers with his highway getaway in the infamous white Ford Bronco chase. As I listened to journalists discussing details that led to current event unfolding live, I sat slightly bewildered as I watched both street and helicopter shots showing numerous vehicles and motorcycles accompany da Silva to Federal Police headquarters. 

Lula se entrega à Polícia Federal

Da Silva preparing to hand himself over to Federal Police

Lula’s habeas corpus to avoid prison sentencing until all appeals were heard was denied in a 6-5 Supreme Court vote on Thursday which gave the go-ahead for his subsequent arrest. But what transpired over the next 24 hours days just added to former president’s mystique. With the order to turn himself in on Friday by 5pm, Lula defied the law and declared he would turn himself in until he was able to attend a Saturday morning mass in memory of his wife, Marisa, who died last year. The defiant labor leader remained holed away at the Metalworker Union’s building in São Bernardo do Campo, in metro São Paulo surrounded by supporters, some of whom camped outside of the building overnight. 

On that same Saturday, Lula gave a rousing speech in which he demanded the chief judge leading his prosecution, Sérgio Moro, to show the evidence that would prove his guilt. He, like perhaps millions of his supporters, saw this whole trauma as simply a mechanism to do away with him as early polls showed that if he were to run again in 2018 for the presidency, he would surely win. Lula’s conviction, as well as Rousseff impeachment, were the result of a calculated conspiracy to return Brazil to a land of vast inequalities, which were slowly decreasing under the reign of da Silva’s Workers’ Party. 

Da Silva spoke of his “crimes” during his speech. His “crime” of helping millions of Brazilians out of poverty and allowing them the possibility of being to partake in an economy that was booming during Lula’s presidency. In his own defense, Lula went on to say:

“And if the charges are for these crimes, for including the poor in universities, black people in universities, [making it possible for] poor people to eat meat, poor people to buy cars, poor people to travel by plane, poor people to have their small farm, have a small business, have their own home. If that is the crime I’ve committed, then I’d like to say I am going to continue to be a criminal in this country, because I am going to do so much more. I am going to do so much more.” – Read the full speech here.

A Lula supporter discouraged about the Supreme Court's decision

A Lula supporter after Supreme Court decision

Some would say the speech was just rhetoric of a corrupt politician trying to deflect attention away from his crimes. But is that the truth? The proof is readily available. Numerous articles on this blog have shown that Brazilian society detests seeing black and poor people in areas where they are believed to be “out of place”. The resentment of the middle class seeing their children attending the same university as the family’s maid. During Lula’s presidency, Afro-Brazilians gained unprecedented access to middle-class consumption in numbers never seen before in the nation’s history, and as one article showed, certain segments of society were “none too pleased about it.” 

Demonstrators in Sao Paulo parade inflatable dolls depicting former Brazilian President Luiz Inacio Lula da

Numerous protests leading up to Rousseff’s 2016 impeachment, depicted Lula and Dilma as criminals

And then what about what has happened in the aftermath of the exit of Lula from the presidency and the ouster of Rousseff? To put it simply chaos. A President who is fighting his own corruption charges and single digit approval ratings. A tanking economy, which to be fair, was already in a tailspin fall before the impeachment. The return of many who had managed to rise out of poverty back to the ranks of the poor, numerous draconian reform policies that threaten to take Brazil back to the stone ages and a recent decision to send in the army to police Rio’s poor. All of this just to keep the (black and poor) masses “in their place”. Don’t believe me? Check what sociologist Jesse Souza had to say on the issue. 

Jesse Souza

Sociologist Jessé Souza, author of the best-selling ‘A Elite do Atraso’

Hatred of the poor is the modern version of the hate of the slave

Sociologist Jessé Souza, author of the bestseller A elite do atraso (The elite of the delay), evaluates that the military intervention in Rio de Janeiro is an open sociology class, with favelados (slum dwellers) being booked by soldiers, who also come from the peripheries; according to him, “hatred of the poor is the modern version of hatred of the slave,” which was the mark of colonial Brazil; according to him, “the PT has not left and is not being persecuted because of corruption, but because it has allocated more resources to the poor”.

policing ofthe poor

Brazil’s black and poor have been the principal target of politicians, elites and police

The sociologist Jessé Souza, author of the bestseller A elite do atraso, evaluates that the military intervention in Rio de Janeiro is an open sociology class, with residents of the favelas being booked by soldiers, who also come from peripheries (slums).  According to him, “hatred of the poor is the modern version of hatred of the slave,” which was the mark of colonial Brazil.

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For many, the take down of Lula was ultimately a strike to keep the poor classes in “their place”

According to Jesse, “hatred of the poor is the main Brazilian political and social problem and comes from 500 years.” He points out that there is “the indiscriminate killing of the poor as an informal policy in all major Brazilian cities.” “It’s not the police, the police only do it because it’s supported by the middle class and the elite,” he says. “Hatred of the poor is the modern version of the hatred of the slave.”

The PT (Workers’ Party) in his view, “didn’t leave and is not being persecuted because of corruption,” but because it has allocated more resources to the poor. “What I say in the book is that a power alliance between the elite and the middle class has been in place since 1930, and that the guarantor of this block is maintaining the distance from the poor. The Lula government diminished this distance, not only giving consumption power to the poorest, but increasing from three to eight million people in the universities.”

Source: Brasil 24/7

12 Apr 17:22

A discriminação contra os nordestinos no mundo da bola

by Edmo Sinedino

Existe discriminação contra nordestinos no futebol, no esporte?  Claro, vou logo avisando que sou suspeito em falar, suspeitíssimo. Mas também quero deixar claro que, por testemunhos, muitos, e experiência própria, eu sei bem o que é isso. Como diria Carlos Magno, ex-colega de redação do Diário de Natal, “corria o ano da graça de 1986…” O Alecrim, bicampeão estadual – 1985/86 – disputaria o Campeonato Nacional, uma  Série A daqueles tempos, com equipes divididas em grupos.  As porradas contra a inclusão dos clubes do Norte e Nordeste eram diárias.

Chegou a semana da partida contra o Botafogo/RJ, o jogo seria no Maracanã. A semana toda, toda, o achincalhe, malhação, criticas ácidas da imprensa do Sul-Sudeste, inclusive do cara que era, sempre fui e vou continuar sendo fã, João Saldanha. “Alecrim que eu conheço é aquela planta que a gente faz um chazinho para tomar e ficar mais calmo…”, dizia João Sem Medo. E durante toda a semana ele fez chacota com o Verdão  em seus comentários, demolindo  esse “campeonato absurdo que inclui, sem méritos nenhum, equipes sem expressão do Norte-Nordeste.”

Eu, ainda jogador,  fazia parte desse Alecrim criticado e humilhado.  Chegamos ao Rio. No Hotel Plaza, o ascensorista nos recebe no elevador e pergunta: “esse time é de onde?” Sorrio simpático, encantado por estar no Rio, já imaginando jogar no estádio dos sonhos de todos nós, e respondo:  “somos de Natal” . Acreditem, o cara se saiu com essa: “Natal? Natal que conheço é a época dos presentes, do Papai Noel…”, disse zombando, na maior cara de pau.

O bom humor passou na hora, afinal, já havia escutado e lido demais durante a semana. “É o que dá, meu amigo, você não estudou, nem leu, nada sabe de nada, talvez por isso esteja aqui sentado, todo dia, subindo e descendo nesse elevador e recebendo salário de fome”. O senhor se fechou, calou. Só Deus sabe, na hora não, tempos depois, o quanto me arrependo da grossura com o pobre homem. Eu, discriminador…

Hora do jogo. Frio na barriga intenso. Na entrada em campo, subindo as escadas da magia, de sonho, escutando a fúria dos torcedores nos vaiando acintosamente com todo tipo de impropérios discriminatórios: “passa fome, papa-jerimum, comedor de calango, desnutrido, pau de arara…” Uma verdadeira recepção às avessas. E se eles soubessem que eu fiquei olhando para o placar eletrônico (nunca tinha visto um) para ver meu nome aparecer…

No jogo, pensam que não? Discriminação de jogadores, tentativas de humilhações de alguns figurões da seleção – Alemão, Josemar – fazendo alusão a salários, zombando e perguntando “quanto tu ganha, passa-fome”? E do árbitro, então?  Romualdo Arpi Filho, nanico já falecido, juiz de Copa do Mundo, uma banca…. Não nos dava o direito sequer de dirigir a palavra, enquanto os caras do Botafogo comandavam  o apito.

O Alecrim perdeu para o Botafogo de 2 a 1, jogou muito bem diante de um público de 12 mil torcedores. Depois, teve até o reconhecimento do próprio João Saldanha ( passei a ser mais fã ainda). Reconheceu, no ar, isso mesmo,  que errou, e que foi injusto “com a boa equipe do Alecrim de Natal ”. Lavou nossa alma. Eu e De Leon, colega de equipe, recebemos a honra de sermos elogiados por ele. A glória que vou carregar para sempre. Mas, chega de saudade, de passado, é que não podia deixar de dar minha pequena colaboração,  quando sofri  na pele, eu e meus companheiros, a discriminação por sermos nordestinos.

Hoje, jornalista , esbravejo, em vão, é bem verdade, contra o complexo de vira-latas , potiguares, nordestinos, ora, se nós mesmos discriminamos, imaginem a turma da parte de baixo do mapa do Brasil. Minha bandeira, todos sabem, é a defesa de nossas categorias de base, eu não vou entender nunca porque, sempre, as chances dos que vêm de fora, inclusive na imprensa, são melhores e maiores. Entendo que isso também faz parte do que trato nesse texto.

Por falar em imprensa, registro o meu começo no Diário de Natal, discriminado e perseguido por “colegas” e sindicato, pois não era formado…imaginem aí… um ex-jogador de futebol, sem formação,  editor de esportes do grande Diário de Natal? Demais!

Assim, como profissional da imprensa esportiva,  posso dar testemunho sobre  futebolistas que entrevistei, torci e acompanhei a carreira. Souza, por exemplo, um dos mais talentosos meias da história do futebol do Brasil, quando vestiu a camisa da seleção, foi sacaneado pela imprensa, gritado pelo idiota Dunga, sacado por Zagallo para fazer entrar  “Beto Cachaça”. Depois da desavença com o “capitão” ele não teve mais oportunidades.  Lembro dos “comentaristas” quando se referiam ao craque potiguar, procurando defeitos, elogios acompanhados de “mas, poréns, todavias, contudos”. Poucos reconheciam, de verdade, Rivelino foi um deles, o quanto era fora de séria nosso conterrâneo de Itajá-Assu.

Todas as vezes  que Atlético/PR (onde foi campeão brasileiro no ano de 2001), São Paulo e Corinthians, Flamengo  não estava bem no jogo, treinadores cegos sacavam o potiguar. A torcida nunca reclamava. É mais fácil para o treinador, covardes, sacar o que não reclama, não vai à mídia. Tímido, humilde, caladão, sem amigos na imprensa, Souza precisava ser craque sempre (entendam, em todos os jogos) para ser lembrado, respeitado.

André Bigode, outro. Monstro artilheiro do futebol de areia. O melhor de seu tempo, tanto que, ainda hoje, brilha. Também caladão, humilde, vindo do Morro de Mãe Luíza, ficava na reserva para os peladeiros cariocas na seleção brasileira de beach soccer  de cartas marcadas e dos amigos de Júnior. Quantas coisas absurdas passou esse potiguar.

Até ele. Marinho Chagas, vocês sabiam? Foi discriminado também.  Certa vez, um cara da imprensa sapecou: “E aí, pau de arara, de Pernambuco, cuidado! Aqui no Rio não tem moleza do timinho de lá não…”, Marinho retrucou, corrigiu, dizendo que era de Natal. O cara, radialista conhecido da Nacional, do Rio, arrematou: “é tudo uma bosta só, se tu não jogar, ‘cabeça chata’, vai voltar de caminhão pra tua cidadezinha lá nos confins pra comer calango”. Essa passagem, Marinho nos contou quando estávamos trabalhando, eu e Alex de Souza, no projeto para escrever sua história, o que acabou não acontecendo.

Esse verme da imprensa, preciso completar a informação, tempos depois, comeu, bebeu, saiu com mulheres, pagou contas e recebeu muitos “favores” do nosso malucão querido. Nem precisa dizer que o fato de ser da nossa região encurtou o tempo da “Bruxa” na Seleção, isso eu não tenho nenhuma dúvida. Os cariocas queriam o fraco Edinho improvisado e Coutinho, capitão, atendeu.

E o pernambucano e feinho Rivaldo? Me digam aí, quanto não deve ter sofrido?  De vez em quando, entre pessoas que confia, ele narra passagens escabrosas.  E eu duvido que o meia cria do Santa Cruz merecesse menos atenção pela bola, que os Ronaldos, o Kaká…  mas é que ele foi outro “pecador” do estilo Souza, caladão, a sofrer horrores antes da consagração. O melhor do mundo em 1999, craque da Copa do Mundo de 2002, disparado,  na minha opinião, perdeu na escolha para Oliver Kahan. Se a decisão fosse da Globo, de Galvão Bueno, ele também não ganharia de Ronaldinhoooooooooooooooo! Fosse bonitão, paulista, carioca, mineiro, paraense, seria da mesma forma?

Tenho dezenas de outros exemplos. Junior Capacete quase nunca falava que era Pessoense, acho-o tolo, injusto, mas sabia, reconheço, fazer sua média,  e sempre passou a imagem de carioca, hoje é Global. Mazinho, ao contrário, que sempre  fazia e faz questão de lembrar suas origens , paraibano de Santa Rita, por isso, talvez, tenha alcançado maior sucesso e mais respeito na Europa que no Brasil, mesmo tendo sido decisivo em títulos inéditos de Vasco e Palmeiras, além da Copa de 1994. Ele era reserva de Zinho e Raí, vê se pode? Depois, todos viram, para nossa sorte, ele foi titular e decisivo.

Será que tem algo a ver o fato de um de seus filhos, o que herdou mais o seu talento, vamos dizer assim, jogar na Espanha?

A discriminação doentia desse povo do Brasil, dos ricos sudestinos e sulistas, claro, vai muito além do jogador. Posso dar exemplo da tentativa que fizeram para acabar com a Copa do Nordeste. A competição cresceu demais, ameaçou os donos dos públicos, do Clube dos 13, e foi preciso muita luta e acordos com os donos da bola da CBF, para continuar essa que é, hoje, uma das grandes atrações do calendário do futebol brasileiro.

Todos os atletas nordestinos, de ontem e os de hoje, não falam abertamente, mas sofreram e sofrem sim com o preconceito.  Quem não fala é porque tem um bom emprego, por isso a polêmica causada há duas semanas pela declaração de Juninho, após a demissão da comissão técnica do Flamengo e a má escalação do time.

“A torcida que escala o Vinicius Júnior, a torcida tirou o Renê… Você vai para um jogo, numa semifinal em que você tem a vantagem do empate… A torcida tira o Everton que joga lá na ponta esquerda, que é decisivo, para improvisá-lo na lateral porque o Vinicius Júnior tem que jogar e o Renê é ruim. Como que o Renê é ruim e chegou no Flamengo? O Renê é feio, é nordestino e não é amigo de ninguém. Isso é a realidade. O Brasil é preconceituoso, o brasileiro é preconceituoso e a torcida da massa é preconceituosa. Então, o que acontece no Flamengo é bagunça porque não se deixa ninguém trabalhar”, disse Juninho.

Juninho tem toda a razão. Hoje, no Brasil, o jogador tem que ser “comercial”, isso mesmo. Precisa ser alto, bonito, falar bem e, incluo, de preferência que não seja nordestino. E esse “não é amigo de ninguém” a que o comentarista se refere quando defendeu o nordestino Renê tem, implícita, a referência à parte da imprensa, chefes de torcida, direção e outras mazelas que infestam os clubes.

Atualmente, dois nordestinos, potiguares inclusive, estão bem na fita em seus clubes. Rodriguinho que, no seu retorno, Neto, ex-jogador do próprio Timão e comentador da Band, dizia “não ser jogador para o Corinthians”, mas claro, já se redimiu e vive elogiando agora, é o principal astro do Timão. E Ayrton Lucas. Esse menino de Carnaúba dos Dantas  foi do ABC para o Flu, mas para ser titular no tricolor teve que ser emprestado ao sulista Londrina, ganhar a Primeira Liga, sendo destaque da equipe paranaense, e ainda contar com a saída de vários atletas. Sim, gosto de lembrar, Ayrton, aqui no ABC, não ia nem para o banco, enquanto um treinador escalava Samuel, zagueiro improvisado, ou Somália, na ala.

O caso Rodriguinho, não se enganem, que também já foi vítima dessa discriminação (já li horrores nos comentários do site do clube em algumas ocasiões),  teve um desfecho diferente porque foi beneficiado pelos títulos, a boa fase e, também, precisa ser dito, por ser um cara articulado, inteligente, fala bem e sabe sim fazer a política da “boa vizinhança” com a imprensa. E também craque de bola diferenciado. Então, estranho ele não fazer parte dos planos de Tite na seleção?

Por último, nem sei se alguém teve paciência para ler esse texto até o fim, a discriminação no futebol é algo tão presente, tão doente que, acreditem, um treinador de nosso futebol, chamado de vencedor por amigos da imprensa, tinha horror a jogadores  que tivessem nascido e morassem no bairro das Rocas. Alguns atuaram com ele porque eram, absolutamente, acima da média. E sabem o que  mais: até Rodriguinho, ele mesmo, foi vítima dessa discriminação desse “professor.”

Não é fácil, gente. Uma tese de mestrado, doutorado, para tentar entender-explicar essa questão da discriminação contra atletas nordestinos. O pai da nossa estrela do vôlei, Virna Cristine, lembra, ele concordava quando eu escrevia na minha coluna no DN contra os exageros de Armando Nogueira nos elogios a Ana Paula, Ana Moser, Fernanda Venturini e quase nunca falava na potiguar. Até no vôlei…

Aproveitei a chance para mostrar também o preconceito e discriminação, absurdos, contra os nossos garotos crias de nossas bases.

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12 Apr 11:59

Hoje, em Lisboa

by noreply@blogger.com (Nuno Serra)

Organizado pelo CES Lisboa e pela Fundação José Saramago, o Encontro «O Futuro das lutas democráticas: Em defesa da democracia brasileira», realiza-se no Capitólio (Parque Mayer), a partir das 18h00. Apareçam.

12 Apr 11:57

Três imagens de um país rasgado ao meio. Por Rafael Cardoso

by Diario do Centro do Mundo
Foto de Francisco Proner

PUBLICADO ORIGINALMENTE NA REVISTA PESSOA

Duas imagens andaram circulando pela imprensa e as redes sociais, esses dias, tidas como simbólicas do momento histórico atual. Uma, clicada por Francisco Proner Ramos e distribuída mundialmente pela agência Reuters, mostra Lula carregado nos braços do povo. A foto foi feita de cima, de ângulo inusitado, e mostra uma massa colorida de gente espremida em torno do cortejo que carrega o ex-presidente para fora do sindicato dos metalúrgicos em São Bernardo do Campo. A figura de Lula ocupa o centro nervoso da composição, para o qual convergem os olhares e a partir do qual irradiam círculos concêntricos de pessoas. O rosto dele não é visível por estar voltado para a multidão que o aclama, mas sua mão direita se estende ao encontro dos muitos braços erguidos na tentativa de tocá-lo. Em sua mão esquerda, firmada por outras mãos que o sustentam para que não caia, duas flores. Vários outros rostos, voltados para cima, são reconhecíveis. Logo atrás de Lula, por exemplo, vêm a deputada Manuela d’Ávila e o senador Lindbergh Farias. Porém, o enquadramento sagaz gera uma imagem que não valoriza nenhum indivíduo acima da massa, nem mesmo o próprio líder alçado fisicamente para o alto. Ela é a expressão visual acabada da frase pronunciada por Lula pouco tempo antes: “se não me deixarem caminhar, caminharei pelas pernas de vocês”.

A outra imagem, creditada a Túlio Vidal em diversos sites de notícias, mostra uma cena do ato promovido por Oscar Maroni, em frente ao seu Bahamas Club, em São Paulo, para comemorar a prisão de Lula. O chamado “magnata do sexo” contratou DJ e distribuiu latinhas de cerveja gratuita para cerca de três mil pessoas, quase todos homens pelo que se depreende das reportagens sobre o evento. Um palco foi improvisado à frente do local, no bairro de Moema, com fotos do juiz Sérgio Moro e da ministra Carmen Lúcia, adornadas com a Bandeira do Brasil, suspensas logo acima. Diante desses banners, o proprietário, vestido com uma fantasia de presidiário do gênero Irmãos Metralha, protagonizou interações teatralizadas com uma mulher seminua.

Esses registros dos respectivos acontecimentos são, cada qual, um entre muitos. Ninguém sabe explicar direito porque uma imagem viraliza nas redes sociais e outras não. Não é necessariamente por suas qualidades fotográficas. A foto no palco do Bahamas foi tirada com celular, sem maior aparato, e de modo aparentemente espontâneo, por um autor pouco conhecido. A outra, de Francisco Proner, parece ter sido realizada com equipamento profissional e planejamento meticuloso. Ao que indicam os laços de parentesco (o fotógrafo é filho da advogada e professora Carol Proner), assim como os caminhos pelos quais a imagem ganhou tração inicialmente, deve ter sido feita com o beneplácito da cúpula do PT. Seu autor já é um profissional de fotografia documental com portfólio impressionante para sua pouca idade (18 anos). Túlio Vidal também é fotógrafo profissional, mas não especializado em fotojornalismo. Não seria justo tecer comparações formais ou técnicas entre essas duas fotografias, produzidas e circuladas sob condições inteiramente distintas. Mesmo assim, há características da foto atribuída a Vidal que clamam por uma análise de imagem condigna. A começar pelo fato que foi clicada (ou, ao menos, divulgada) em preto e branco.

É incomum uma foto em preto e branco ganhar repercussão quando seu tema são acontecimentos do dia. Embora sejam compartilhadas muitas imagens em p&b nas redes sociais, trata-se geralmente de fotos antigas. O preto e branco está associado ao passado histórico ou, com menor frequência, a uma ideia um pouco démodé de “fotografia artística”. A opção do fotógrafo de registrar assim o evento do Bahamas é interessante, por si só, visto que empresta uma inflexão irônica a uma encenação que não tem nada de histórica ou estética. Ao contrário, o mau gosto do show de Maroni se situa em algum ponto do espectro entre o patético e o sórdido. Mais um espetáculo de auto-promoção desavergonhada de alguém que vai fazendo sua carreira de polêmicas no submundo televisivo de reality shows e assemelhados. Se existe uma figura pública no Brasil de hoje que não corre risco de ser lembrado com admiração é Oscar Maroni. Daí, o vitupério que vem sendo derramado sobre ele nas redes. Não somente por uma esquerda ultrajada em ver um personagem desse naipe emitir juízos morais sobre um de seus maiores ídolos, como também por alguns conservadores que começam a se envergonhar das alianças feitas com o propósito de derrubar Lula. É de se presumir que Carmen Lúcia e Moro tenham sentido uma pontada de constrangimento ao verem seus rostos elevados acima daquela careca sorridente à la Mussolini. A associação brechtiana entre cafetões, líderes fascistas e juízes corruptos não deve ter escapado ao repertório cultural deles.

A imagem de Túlio Vidal é rica em detalhes, alguns intencionais, outros acidentais. Pouco visíveis ao fundo, há dois homens que espreitam por cima da moita, um de óculos, outro suspendendo um celular para fotografar a cena pelo lado oposto. Ambos sinalizam o teor de voyeurismo explícito da ocasião, reforçado pelo rapaz que se posta ao fundo do palco, de cavanhaque, camiseta e mãos nos bolsos da calça jeans, atrás do microfone e da mesa de som. O olhar dele, observando Maroni, tem o ar meio entretido, meio admirado, como se pensasse, “que figura, o chefe”. No plano próximo está o próprio empresário pimpão, com a cabeça erguida e um leve sorriso nos lábios, logo abaixo da carranca austera de Moro. Sua postura e seu rosto não deixam dúvida que se sente altivo e no comando dos acontecimentos. Com sua mão direita, ele tapa a boca da mulher e esconde o rosto dela. A outra mão não está visível, mas a posição do corpo dela sugere que ele a aperta contra si. Ela veste uma camiseta baby-look, que só cobre até em cima do umbigo, e botinas de couro. De resto, está nua. A calcinha, baixada até logo acima dos joelhos, sugere vulnerabilidade, como se estivesse prestes a ser estuprada. Não se sabe, pela foto, qual o restante da encenação que cercou esse momento, mas não é difícil adivinhar alguns roteiros plausíveis.

O detalhe talvez mais interessante da foto do Bahamas é que foi divulgada com uma tarja preta retangular cobrindo o sexo da moça. É provável que esse elemento tenha sido acrescentado – não se sabe se pelo fotógrafo ou por outros – para burlar os rígidos padrões das redes sociais com respeito à nudez. Seja como for, a tarja opera como ponto fulcral da imagem, competindo por atenção com os quatro rostos visíveis. Tal qual a figura de Lula na imagem de Francisco Proner, a tarja está bem próxima do centro ótico da composição (um pouco abaixo, para ser exato, em ambas). Interessante se deter sobre essa coincidência e ainda sobre os contrastes entre as duas imagens. Uma colorida, movimentada, vibrante, retrata uma cena de entrega de um líder aos seus seguidores. A outra acromática, estática, apagada, retrata a dominação de uma mulher jovem por um homem de idade. A primeira é clara e nítida, com uma uniformidade de foco que faz com que tudo nela seja igualmente visível. A segunda é escura e granulada, com gradações de iluminação, textura e foco que tornam a imagem menos legível e chegam a esconder detalhes relevantes em seus contornos. O alto contraste entre o preto e o branco acaba por exercer uma função imprevista, aproximando visualmente a tarja preta das listras na fantasia de Maroni. No plano analítico mais sofisticado, é quase como se a imagem afirmasse que, ao celebrar a prisão de Lula, encarcera-se também um prazer e uma liberdade que não podem mais ser dados a ver. O sexo que, a priori, é de usufruto exclusivo da moça no palco, agora passa a ser propriedade de quem tem poder e dinheiro para encená-lo como espetáculo e mercadoria. Mesmo que seja para distribui-lo de graça à turba sedenta, como tantas latinhas de cerveja.

Leituras psicanalíticas à parte, é inegável o contraste entre entrega e dominação nessas duas imagens símbolo da prisão de Lula. A contraposição leva a outra: entre o êxtase público compartilhado e o gozo secreto solitário dos prazeres proibidos. Muito apropriado que a festa do antipetismo em seu dia de apoteose tenha sido realizada diante de uma boate privée, que dedica esforços a não ser descrita como prostíbulo. Não há moralismo de direita que não traga em seu bojo as sementes da velha hipocrisia tarada. Ainda mais em se tratando do universo alegórico latino onde, conforme Pier Paolo Pasolini em Salò ou os 120 dias de Sodoma (1975), o bispo e o banqueiro, o presidente e o magistrado são eternos convivas no banquete da degradação humana. Por outro lado, a festa da militância petista em São Bernardo foi bonita. Mesmo quem odeia o petismo terá de admitir que foi uma manifestação emocionante e forte. Talvez o PT deva à perseguição jurídica de Moro a Lula a redescoberta de algo que andava há muito enterrado na memória coletiva do partido: o jeito “sem medo de ser feliz” de se jogar nas lutas políticas. Os governos do PT cometeram alguns crimes. Um deles foi matar a alegria e a pureza que moveram a militância até o dia em que o partido chegou ao poder.

Quem leu esse artigo até aqui deve ter reparado que só se falou em duas imagens, quando o título anuncia três. É que a terceira ainda não se materializou, embora fosse a mais antecipada de todas. Desde aquela irresponsável capa da revista Veja, em novembro de 2015, que trazia uma montagem de Lula vestido com roupa listrada de presidiário – a mesma evocada pela fantasia de Maroni – o desejo de vê-lo na cadeia tornou-se uma obsessão para os movimentos antipetistas raivosos. Não havia passeata de Vem Pra Rua ou MBL que não lançasse mão de bonecos ou cartazes com essa efígie do “Lula presidiário”. O desejo foi saciado em parte pela condução coercitiva do ex-presidente, em março de 2016, quando o juiz Moro mandou a polícia trazer à força um depoente que nem havia sido convidado a comparecer voluntariamente ao juízo, e sua equipe tomou a iniciativa ainda mais indecorosa de alertar a imprensa para a hora e o local em que ocorreria a “prisão” para as câmeras. A expectativa agora, portanto, quando da prisão de fato, era de novas imagens capazes de celebrar e eternizar a derrocada final do petismo. Só que Lula conseguiu inverter o jogo ao desobedecer à ordem de prisão e se refugiar em São Bernardo. Por mais questionável que seja em qualquer outro sentido, a missa-comício do sindicato dos metalúrgicos gerou uma série de imagens que representam um renascimento do PT no plano simbólico. Para a eterna frustração das hordas antipetistas, as imagens do 7 de abril de 2018 que ficarão para a História são as de Lula nos braços do povo. Num distante segundo lugar – como Bolsonaro nas pesquisas – ficará a imagem repugnante de Maroni em seu show para os desocupados de Moema. Para quem não apoiava o PT (como o autor destas linhas), mas se escandalizava com o cinismo da perseguição a Lula, a trincheira rasgada entre os dois lados do Brasil ficou tão grande que já não dá mais para manter um pé de cada lado. O cheiro que sobe da fossa é podre demais. Entre essas imagens e o que elas representam, não resta dúvida qual dos males é o menor. Parabéns a Francisco Proner Ramos pela habilidade e delicadeza em contruir essa foto tão simbólica de uma esperança. Parabéns a Túlio Vidal pelo olhar de fotojornalista que soube clicar o registro certo na hora certa e compartilhar com outros o testemunho cru daquilo que viu de errado. Pêsames aos que continuam a aguardar a prova fotográfica da maldição que se abateu sobre o Brasil. O ódio de vocês é o combustível que incendiará a todos nós.

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Rafael Cardoso é escritor e historiador da arte, PhD pelo Courtauld Institute of Art (Londres). Seu livro mais recente é O Remanescente, publicado em 2016 pela Companhia das Letras e traduzido para alemão (S. Fischer) e holandês (Nieuw Amsterdam). É autor de mais três livros de ficção e co-roteirista do longa-metragem Maresia (dir. Marcos Guttmann, 2016). É também autor de diversos livros sobre história da arte e do design no Brasil, incluindo Design para um mundo complexo (Cosac Naify, 2012). Atua ainda como curador independente, responsável, entre outras, pelas exposições Do Valongo à Favela: Imaginário e periferia (Museu de Arte do Rio, 2014). E colaborador do Instituto de Artes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, mora atualmente em Berlim.

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11 Apr 12:39

Consult aponta Carlos e Fátima na frente em Natal e Robinson rejeitado por 90%

by Rafael Duarte

Estranha a pesquisa divulgada nesta terça-feira (10) pela empresa Consult.

Embora as eleições 2018 tenham abrangência estadual, com escolha para Governo, Senado, Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa, a pesquisa foi direcionada para eleitores de apenas seis municípios do Estado: Natal, Parnamirim, São Gonçalo do Amarante, Ceará Mirim, Macaíba e Extremoz.

E mesmo nessas cidades, houve um recorte significativo. Na capital potiguar, por exemplo, a Consult entrevistou eleitores em apenas 18 dos 36 bairros da principal cidade do Estado, ou seja, em metade dos bairros.

Outro dado que chama a atenção é a data do registro: a inscrição no TRE/RN foi em 3 de abril, mas a divulgação só saiu após a renúncia do prefeito Carlos Eduardo Alves (PDT).

Carlos Eduardo foi prefeito de Natal por 13 anos e, por questão de lógica, seria o mais lembrado em Natal e nas cidades do entorno. Na pesquisa estimulada, quando o entrevistado oferece as opções aos eleitores, Alves apareceu com 24,88%, contra 21,88% de Fátima Bezerra. Ainda assim, a senadora surge com mais intenções de voto em São Gonçalo do Amarante e em Extremoz.

Os demais candidatos vêm bem atrás. A pesquisa mostra ainda os efeitos da eleição para a prefeitura de Natal de 2016, quando aponta o deputado estadual Kelps Lima (Solidariedade) na terceira posição, com 4,88% das intenções de voto, à frente do governador Robinson Faria, preferido por apenas 4,38% dos eleitores dos seis maiores municípios da Grande Natal.

A desaprovação do atual chefe do Executivo é emblemática. Nada menos que 90% dos eleitores da capital rejeitam a gestão de Robinson Faria. Levando em conta todos os seis municípios da pesquisa, a rejeição é de 82,5%. Outro dado que chama a atenção é a sinalização de que a candidatura do vice-governador encalhou. Fábio Dantas (PSB) aparece com 1,13% das intenções de voto, um desconhecido para os eleitores da Grande Natal.

Para o Senado, Garibaldi Alves (19,25%) e Zenaide Maia (17%) surgem como os nomes preferidos na região. José Agripino Maia vem bem atrás com apenas 4,75%, seguido de perto pelo ex-senador Geraldo Melo, com 4,13%.

No plano nacional, Lula foi o mais lembrado por 35,75% dos eleitores, seguido de Jair Bolsonaro (19,38%) e Ciro Gomes (4,13%).

 

Saiba Mais:

Fátima amplia vantagem, Zenaide sobe e pressão sobre Carlos Eduardo aumenta

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09 Apr 14:19

HOMENS DE BEM COMEMORAM NO PUTEIRO A PRISÃO DE LULA

by lola aronovich
Não sei se eu já tinha ouvido falar em Oscar Maroni. 
Ele é um "empresário de casa de entretenimento para adultos" (quais adultos? de que gênero? de que cor?) ou, pra usar um termo mais conhecido, um cafetão, um gigolô. Em outras palavras, vive de explorar mulheres sexualmente. Já esteve preso por sonegar impostos e outros crimes. Ao pesquisar, vi que o sujeito é respeitado por reacinhas playboys da estirpe de Danilo Gentili. Ano passado Maroni se lançou candidato a presidente com o slogan "O Brasil está uma zona, e de putaria eu entendo". Foi filiado ao partido nanico PTdoB e candidato a prefeito de SP dez anos atrás e teve menos de 6 mil votos.
Neste final de semana, Maroni se superou. Ofereceu cerveja de graça a coxinhas que foram comemorar no seu puteiro em SP a prisão de Lula. Num discurso, o cafetão diz para um grupo de festivos conservadores que já transou com mais de 2.700 mulheres, e os virjões gritam "Mito! Mito!" (parece que essa palavra é adotada sem cerimônia por eleitores da direita. Serve para elogiar qualquer crápula preconceituoso). 
Em outro vídeo, Maroni aparece vestido de presidiário e exibe uma prostituta só de short, que tenta se esconder da multidão. O cafetão então a vira e chupa seu seio.
Noutro vídeo, Maroni promete cerveja de graça para todos se Lula for morto na cadeia. Um reaça pergunta, rindo, "E se for sofrida a morte?" (Maroni não estava brincando. Diz ele: "Minha palavra é que nem tiro: quando eu solto, não volta mais". Mas aparentemente tudo bem ameaçar ex-presidente. Pode até atirar em ônibus!). 
Em seu discurso aos reaças (convocados pelo MBL), Maroni diz a um de seus ídolos: "[Sérgio] Moro, você tem um vale vitalício, enquanto o seu pau funcionar, para frequentar o Bahamas Club". E ainda pede para a Polícia Federal e o Ministério Público sortear "cinco de vocês aí para frequentar o Bahamas Club".
A esta  altura, já está óbvio que este "brasileiro que voltou a acreditar na sua pátria" (como ele se definiu na sexta) é um attention whore. Quer chamar a atenção, custe o que custar. É o lema dos reaças: falem mal, mas falem de mim. Não existe publicidade ruim -- é o mote daquele outro que eles também chamam de mito. 
Ao falar dele, estamos dando a Maroni o que ele quer. Mas não dá pra não falar. Afinal, se a belíssima foto do jovem Francisco Proner é a imagem da resistência à prisão de Lula (e desde já a foto do ano, digna de um Pulitzer), a imagem da comemoração da prisão de Lula é esta feita num puteiro, com faixas saudando os principais juízes de sua prisão, Carmen Lúcia e Sérgio Moro.
A imagem me causa ânsia. É um retrato fiel do machismo, e mais uma prova de que como o golpe contra Dilma foi, e continua sendo, misógino. O coro dos reaças festejando é totalmente masculino. O cafetão oferecendo a presa aos abutres é um "magnata do sexo" que mede seu valor pelo dinheiro que tem e por quantas mulheres conseguiu alugar. As únicas mulheres presentes nesse cenário são a prostituta e o cartaz da juíza. A juíza só é celebrada porque deu o voto que eles queriam, o de condenação a Lula. Mas apenas ao juiz macho cabe o "vale vitalício" para frequentar o puteiro. 
Não é apenas que a comemoração no prostíbulo exclui as mulheres. Ela usa as mulheres não para comemorar, mas como objeto de troca a ser comemorado. A prostituta nua sendo subjugada por Maroni não tem voz, não tem rosto, tem a boca coberta pelas mãos do patrão. Não parece feliz. Não parece estar comemorando coisa alguma. Minha sororidade a ela. 
Essa imagem só confirma o que conhecemos tão bem, pois somos alvos frequentes dos reaças -- que o lugar que eles reservam às mulheres é no puteiro ou no lar, para as "belas e recatadas" (depois reaças fingem não entender como tantas mulheres não votam na direita).
O cidadão de bem, o defensor da família tradicional, o homem honrado que quer fechar museus que vão contra a moral e os bons costumes, 
é justamente esse que leva o filho pra perder a virgindade num puteiro, que mataria a esposa (pra defender sua honra) se ela o traísse, mas não considera traição transar com prostitutas. É exatamente esse tipo de homem que ataca feministas nas redes sociais, pois nos vê como entraves para a sua liberdade -- a liberdade de seguir sendo o babaca que é sem ser criticado. 
Essa imagem, apesar de terrível e chocante, deve ser compartilhada (cobrindo a nudez; não por moralismo, mas por respeito à prostituta). Deve ser registrada porque é o espelho da nação que nos tornamos após o golpe de 2016. Uma nação em que cafetões ameaçam um ex-presidente enquanto cumprimentam juízes e bolinam mulheres. 
Foi Marcela Campana, leitora do blog, feminista e mestranda pela PUC-SP, quem me pediu para escrever este post, embora eu esteja muito sem tempo. Deixo com vocês as palavras dela sobre mais esta marca lamentável dos misóginos:
A saga da condenação de Lula gerou um turbilhão de acontecimentos e imagens que com certeza ficarão para a história e devem ser interpretados não na sua especificidade meramente factual, mas no campo do simbólico.
No dia 5 de abril de 2018, confirmada a rejeição do STF ao pedido de habeas corpus de Lula e emitido o mandato de prisão pelo juiz Sergio Moro, começaram as comemorações dos opositores aos governos do PT. Nada inesperado, levando em consideração as paixões tristes que cercam a imagem de Lula e os anos de espera pela efetivação da punição. O inesperado aconteceu na total falta de critério na vinculação da indignação “contra a corrupção” de boa parte dessa “gente de bem” com personagens polêmicos.
No mesmo dia 5 de abril, começaram a circular pelas redes sociais (em especial o whatsapp, que é o recanto dos microfascismos) vídeos onde Oscar Maroni, conhecido por ser dono do Bahamas, uma casa de prostituição de um bairro nobre de São Paulo, ofereceria cerveja gratuita na frente de seu estabelecimento caso Lula fosse preso. Em outro vídeo ele declarou que se Lula fosse morto ele ofereceria cerveja durante o mês (“Se o Lula for preso, a cerveja é de graça até a meia noite. Agora, se matarem ele na prisão, a cerveja vai ser de graça durante o mês inteiro”, assinalou o empresário). Ao Moro ofereceu “um vale vitalício para frequentar o Bahamas Clube”, bem como a membros do MPF e da Polícia Federal.
Automaticamente, algumas páginas começaram a divulgar a “comemoração”, como a da agência de notícias falsas e polemização MBL, convocando seus seguidores. 
No dia 7 de abril, com a decisão de Lula de se entregar à Polícia Federal, um evento foi armado na frente do Bahamas, com direito a um show grotesco. Nasceu a imagem que sintetiza todo esse processo que testemunhamos: Oscar Maroni e uma mulher nua realizam o show, ele com gestos violentos e agressivos direcionados ao corpo feminino desumanizado, ao fundo a foto do juiz federal Sergio Moro e da ministra do STF Carmem Lúcia, segundo Maroni seus “exemplos de vida e dignidade”.
Rapidamente a imagem do fotógrafo Túlio Vidal, que cobria o evento, se alastrou, e questionou-se a figura de Maroni, conhecidíssima em São Paulo por responder (em liberdade) a diversos processos que vão desde sonegação de imposto até formação de quadrilha e tráfico de mulheres, sendo condenado em 2011 a 11 anos de prisão pelos crimes de favorecimento à prostituição e manutenção de local destinado a encontros libidinosos. 
Ou seja, comemorou-se a prisão de um ex-presidente na frente de um estabelecimento pretensamente regular em uma festa oferecida por um homem que responde a diversos processos e que vive de explorar mulheres, o que possibilitou que ele oferecesse milhares de reais em cerveja.
Movimentos que no ano passado atacaram exposições de arte com argumentos moralistas hoje se prestam a divulgar e vangloriar esse tipo de situação. 
A imagem que fica
O Facebook está derrubando posts que denunciam a hipocrisia das pessoas que foram "comemorar" a prisão do Lula. Na imagem registrada do "show" armado por Maroni para "pessoas de bem" que lutam contra a corrupção (ironia), foi usada uma mulher nua. A foto que circula demonstra a violência com a qual a cafetinagem age sobre o corpo feminino, e o espaço que a mulher pode ocupar frente ao homem, o de submissão. Os vídeos do momento não são menos grotescos
Que fique claro o que sempre esteve em jogo para esse grupo de pessoas: o bandido é o Lula, o empresário explorador de mulheres que responde a diversos processos é digno desse tipo de valorização e prestígio. O show é às custas da humilhação de mulheres, claro.
A imagem sintetiza que o discurso que permeia e justifica o ódio à Lula, “contra a corrupção”, na verdade mascara a essência do ódio pelo avanço das pautas igualitárias e progressistas, contra a conquista de direitos das minorias. A mobilização foi para que Maronis pudessem continuar fazendo um show desse tipo sem problemas. O operário foi preso, a primeira presidenta deposta, e os Maronis voltaram ao poder. Tudo está de novo no lugar. 
Apesar das falhas do PT, seus governos representam um avanço social, e isso devemos defender a todo custo. Que essa imagem resuma o que lutamos contra: o privilégio centrado na forma do patriarcado misógino, branco e rico, que hoje brada que "a lei deve ser para todos", enquanto anda livremente apesar dos diversos crimes que carrega nas costas, aplaudido pelos seus hipócritas semelhantes.
A nossa luta não pode parar.
09 Apr 12:09

Brasil teve 4 presidentes da República presos antes de Lula

by Rafael Duarte

Em tempos sombrios e de tanta desinformação, o melhor remédio é a História. Pelas redes sociais, o escritor e historiador carioca Luiz Antônio Simas, uma das maiores autoridades em samba e macumba do país, relembra que, diferente do que vem sendo contado em verso e prosa pela imprensa, Lula não é nem de longe o primeiro ex-presidente preso da história do Brasil.

Antes do petista, Hermes da Fonseca, Washington Luís, Arthur Bernardes e Juscelino Kubitschek também passaram um tempo encarcerado. Com a palavra, Simas:

– Hermes da Fonseca, Washington Luís, Arthur Bernardes e JK foram presos. Jânio teve que passar 4 meses isolado no Mato Grosso. Já li vinte vezes que Lula será o primeiro ex-presidente preso na História do Brasil. Hermes foi em cana por “tumultuar” o processo eleitoral em 22, W.L. foi preso no Forte de Copacabana na Revolução de 30, Arthur Bernardes foi preso por liderar um fuzuê contra Getúlio no contexto do levante constitucionalista de 32, JK foi detido pela ditadura de 64, a mesma que isolou Jânio no Mato Grosso. E a triste República de coturno, esse nosso covil tupiniquim de justiceiros, ainda baniu o perigosíssimo D. Pedro II, quase dentro de um caixão.

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09 Apr 12:07

Ilusão de jornalista

by Coleguinhas

Escrevi este post, inicialmente, para a página da Coleguinhas no Facebook. Ela ganhou grande repercussão, então postei no Blog do Iv, no Medium. Aí pensei: “pô, o blog da Coleguinhas, o veículo mais antigo (completa 22 anos mês que vem), não pode deixar de ter esse texto também”. Então, aí vai ele, com foto e tudo:

 

Dentre as auto-ilusões dos coleguinhas, uma das que considero mais estranhas é achar que representa algo individualmente. Jamais entendi isso. Creio que 99,99% não compreende (ou finge não compreender) que, diante do Outro (qualquer Outro, seja militante político, analista financeiro, empresário, jogador de futebol, político…), representamos apenas os veículos (e os patrões) que nos pagam. Quem trabalhou em jornal pequeno e depois num grande, percebe claramente a diferença de tratamento e o que ela diz.

História para exemplificar. Em 88, o Exército (quem mais?) matou três metalúrgicos que faziam piquete na frente da CSN, em Volta Redonda. Foi o estopim de uma batalha. Num determinado momento, um carro da Rede Globo foi cercado pelos trabalhadores, que queriam virá-lo e linchar quem estava dentro. A equipe de O Dia – na época um jornal popular decente e onde eu trabalhava -, comandada por uma amiga de faculdade, conseguiu interpor o carro entre a turba e os colegas. A amiga – que, sem exagero, tem 1,50m – saltou e encarou os trabalhadores. “Nós somos trabalhadores que nem vocês!”, gritou. Os caras pararam. O líder respondeu. “Eles são não. São da Globo. Mas você é do Dia. Tira eles daqui”.

Portanto, caro colega, esqueça essa coisa de passado militante, liberdade de imprensa e tal. Você representa nada disso. Representa o seu patrão e tudo no que ele acredita. Como dizia A.J. Liebling, da New Yorker: ‘Freedom of the press is guaranteed only to those who own one.’ “

09 Apr 12:02

Para celebrar prisão de Lula, dono de bordel recebe cidadãos de bem e homenageia Moro e Cármen Lúcia

by Luiz Carlos Azenha

Foto reproduzida com pedido de desculpas por Lino Bocchini no twitter

Fascistas do MBL festejam no bordel Bahamas

Por Altamiro Borges, em seu blog

Saiu no site Folha, da golpista famiglia Frias: “Depois de cancelar o ato na avenida Paulista nesta sexta-feira (6) para festejar a prisão de Lula, o Movimento Brasil Livre remarcou a comemoração para a frente do Bahamas Club, em Moema. O dono da boate e hotel, Oscar Maroni, promete desde 2016 distribuir cerveja de graça nos arredores do seu estabelecimento quando o petista for preso”.

Nada mais emblemático.

Os fascistas mirins, que posam de falsos moralistas contra exposições de arte e destilam ódio contra artistas, pretendiam comemorar a prisão de Lula em um dos bordeis mais famosos do país, que alegra parte da cloaca empresarial nativa.

A festa, porém, brochou.

Com milhares de pessoas diante da sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, o ex-presidente Lula rejeitou a decisão do cangaceiro Sergio Moro, chefão da midiática Lava-Jato, e não se entregou à Polícia Federal.

O Jornal Nacional, da golpista TV Globo, não pode transmitir a prisão no horário acertado e os fascistas mirins do MBL não tiveram o que comemorar.

Segundo site da escrota revista Veja, a decepção foi grande.

“Muita gente está esperando que Oscar Maroni, dono da casa liberal Bahamas, em Moema, cumpra a sua promessa… Por volta das 19 horas desta sexta, cerca de 300 pessoas, quase todas homens, se amontoavam na frente do endereço, algumas desde o meio-dia. O clima era de festa”.

“A chegada de Maroni ao local no início da noite causou comoção, com gritos e fotos. Em frente a pôsteres com fotos do juiz Moro e de Carmen Lúcia, instalados na fachada do estabelecimento, ele discursou para a plateia. Não há certeza do início da promoção, já que depende da efetiva prisão do político. Maroni prometeu que a bebedeira começa com a detenção e vai até a meia-noite do mesmo dia. Quem quiser entrar no estabelecimento precisa desembolsar 110 reais, mas 5 000 litros de cerveja devem ser liberados para o público fora da casa”.

O gigolô Oscar Maroni, denunciado inúmeras vezes pelo crime de exploração e tráfico de prostitutas, é o novo herói dos fedelhos do MBL.

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09 Apr 11:59

O cerco a Lula, pelos traços de Maringoni

by Joaquim de Carvalho
09 Apr 11:56

O otário que se tornou protagonista no Brasil, nos traços de Duke

by Joaquim de Carvalho
09 Apr 11:55

Enquanto o povo chora, o Brasil prostíbulo comemora. Por Carlos Fernandes

by Carlos Fernandes
Oscar Maroni comemora no Bahamas. Foto: Reprodução

A prisão do ex-presidente Lula demonstrou, por diversas formas e ângulos, de que matéria são feitos os dois espectros políticos que rondam o cenário de terra arrasada do Brasil atual.

As demonstrações de apoio e solidariedade ao maior líder popular da América Latina desde os primeiros minutos em que o juiz Sérgio Moro decretou seu encarceramento, mostraram ao mundo que Lula não está só e que sua importância para a reconstrução da democracia brasileira aumenta substancialmente a cada arbitrariedade cometida pelo judiciário desse país.

Ter sido carregado pelo verdadeiro povo brasileiro – esse formado pelos pobres, humildes e injustiçados do dia a dia – no momento de seu maior martírio, entrará, seguramente, para a galeria de honra das imagens mais bonitas e emocionantes já presenciadas na história da política nacional.

Pessoas comuns de todas as cores, idades, crenças, etnias e orientações sexuais choraram no momento em que o homem que mais ajudou os despossuídos do Brasil se entregava a seus carrascos.

Enquanto tudo isso acontecia, não muito distante dali realizava-se uma comemoração, cujas proporções deixaria o próprio Baco com inveja, exatamente pelo mesmo motivo.

Oscar Maroni, um dos maiores empresários voltados para a prostituição de luxo no país, distribuía no seu desavergonhado estabelecimento cervejas e mulheres (sua mercadoria, por assim dizer) gratuitamente para cidadãos de bem defensores da família, das tradições e dos bons costumes.

Tratava-se do pagamento de uma promessa feita pelo cafetão caso Lula fosse efetivamente preso.

No vídeo que viralizou nas redes sociais, o proxeneta da High Society brasileira parecia não se contentar apenas com a prisão do ex-presidente. Para Maroni, felicidade mesmo é se alguém o matasse na cadeia. De preferência com requintes de crueldade, claro!

Para que tudo espelhasse com fidedignidade o espírito da ocasião, montou-se um cenário à altura. No palco, vestido de presidiário, Maroni amordaçava com ar de superioridade e violência uma de suas “propriedades” seminuas.

A cena não poderia ser mais simbólica.

Como deboche pouco é bobagem. Para abrilhantar ainda mais a festa, não poderia faltar os cartazes na frente do puteiro em referência aos seus dois grandes homenageados: Sérgio Moro e Cármen Lúcia.

Sejamos justos. A coisa toda faz muito sentido.

É inquestionável que Oscar Maroni deve muito a Moro e Carminha o fato do seu tipo de comércio ter se transformado praticamente na mais confiável e justa representação do Brasil pós-golpe.

O que ambos fizeram para promover a maior crise institucional que se tem notícia no país desde a redemocratização, foi algo digno da mais suja e desqualificada prostituição moral e ética praticada nesse tipo de ambiente.

Tudo posto e escancarada as diferenças gritantes que separam um lado do outro, restaram cristalinas as duas ideias distintas de justiça, dignidade e soberania que ditam o debate político nesse triste e desesperançado território.

Tudo perfeitamente às claras e rigorosamente atendidos os sentimentos de tristeza e alegria que hoje povoam a republiqueta, uma única observação:

Do lado dos que se regozijaram com a injustiça e a truculência de um Estado sem lei, lugar melhor e mais apropriado para festejar seria os salões nobres do próprio STF.

Carminha iria adorar.

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06 Apr 13:55

O que vi e ouvi pessoalmente de Lula antes da prisão ilegal

by eduguim

Quando cheguei ao amplo prédio da rua João Basso 231, sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, por volta das 21 horas de 5 de abril de 2018, pouco após o anúncio de que o juiz Sergio Moro decretara a prisão de Lula, as cercanias da região estavam tomadas por dezenas de milhares de pessoas que para lá se dirigiram em uma impressionante procissão que tomou o centro de São Bernardo do Campo.

Só consegui entrar no sindicato porque pessoas do círculo íntimo de Lula me reconheceram e me fizeram passar por diversas barreiras até chegar ao segundo andar, onde o ex-presidente estava reunido com a família e amigos mais chegados, políticos e assessores.

Mesmo no círculo íntimo que dava acesso ao local onde ele estava havia uma infinidade de pessoas simples, do povo, que ele recebia por ter tido algum contato com elas durante a vida. O que mais se viu naquela área reservada à diretoria do sindicato foram cenas que, já na madrugada desta sexta-feira, reproduziram-se do lado de fora, onde estava a massa: pessoas emocionadas e desoladas, muitas em lágrimas, sendo CONSOLADAS por Lula.

Sempre sereno, sempre digno, a horas de ser encarcerado pelos esbirros da ditadura que se abateu sobre o Brasil.

Confesso que me emocionei com aquelas cenas. Em minha mente voltei há quase 30 anos, a 1989, quando comecei a apoiar Lula após a derrota do meu candidato no primeiro turno, Mario Covas, pois achava Lula “muito radical”. Revi, na mente, cada passo da trajetória dele nos últimos 30 anos, que acompanhei todos.

Grande Lula.

Quando pudemos conversar e tirar fotos, ele me disse frases que me surpreenderam e arrepiaram. Não saberia reproduzir ipsis-litteris o que ele me disse, pois ver essa figura histórica um dia antes do início do seu calvário realmente me colocou em um estado de estupor e de perplexidade por algo assim estar acontecendo, mesmo que soubesse há muito tempo que isso poderia ocorrer.

Cumpre-me, pois, passar a todos a mensagem de Lula. Ele pede que todos os que o apoiam que não se deixem abalar, que “não desistam nunca” e que ele mesmo está preparadíssimo para o que der e vier. Ele se ampara na consciência de que é inocente e está sofrendo uma injustiça.

Caro leitor (a), é só o que tenho a dizer, por enquanto. Fotos e vídeos você verá aos montes por aí. Eu precisava, apenas, passar a todos essa mensagem de Lula. Diante da coragem dele, contida nas palavras que me disse enquanto me dava um dos seus famosos abraços afetuosos, não temos o direito de perder a coragem ou de desistir da luta. Se você apoia Lula, faça como ele: lute muito, “teime”, como ele diz.

WhatsApp Video 2018-04-06 at 08.34.34(1).mp4 from Eduardo Guimarães on Vimeo.

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02 Apr 17:33

Gentileza e gente lesa

by Carlos Fialho
Allan Patrick

Crônicas do carrocentrismo em Natal.

Um amigo pedalava pela Via Costeira no espaço reservado para ciclistas que fica sobre a calçada. Nenhuma possibilidade de desviar de um obstáculo que se interpusesse entre ele e o seu caminho sem que fosse preciso descer para o asfalto, por onde passam veículos em alta velocidade, ainda mais se este obstáculo fosse justamente um carro atravessado por toda a extensão da calçada. O ciclista parou sua bicicleta e, ao perceber que haviam duas pessoas dentro do veículo, argumentou: “Olá. Você poderia tirar o seu carro da ciclovia? Preciso passar e o tráfego está muito intenso para que eu possa ir pelo asfalto. É perigoso pra mim.”

O ocupante do veículo respondeu, mas não no mesmo tom de voz, preferiu gritar de volta palavras que, apesar de proferidas em altos brados, ele não conseguiu distinguir. Para não transformar aquele fortuito acontecimento numa discussão e, pior, numa briga, meu amigo procurou manter o mesmo tom de voz e seguiu argumentando racionalmente: “Veja bem. Eu não quero lhe prejudicar. Só quero que você saia da ciclovia. Você não pode parar o carro aí.” O motorista respondeu novamente, de forma ainda mais colérica, vociferando, gesticulando muito e intensamente. O homem sobre duas rodas, por estar soprando uma forte ventania, novamente não distinguiu bem as palavras que o interlocutor dizia, mas pôde vê-lo melhor e percebeu que era um sujeito de uns 30 e poucos anos e que a seu lado estava uma mulher, provavelmente casada com ele ou noiva ou talvez namorada. Em meio à gritaria conseguiu escutar algo que lhe pareceu a palavra “quebrado”. Então, resolveu perguntar: “Seu carro está quebrado? É isso? Quer que eu ajude a empurrar pra ver se ele pega?”

Foi então que aquele com as mãos ao volante fez um ensurdecedor silêncio. Olhava sério e intrigado para o outro, o estranho, o desconhecido que, em que pese o flagrante e crescentemente agressivo conflito entre eles, lhe ofereceu prontamente ajuda. Com um semblante incrédulo, após encarar o emissor da proposta e a situação por alguns segundos, sinalizou positivamente com a cabeça. Quis dizer a palavra “quero”, mas provavelmente não conseguiu devido ao choque.

A mulher que estava no banco do passageiro assumiu a direção. Os dois homens empurraram o carro enquanto ela dava a partida. Sem que fosse preciso muitas tentativas, o veículo pegou rapidinho. O motorista sorriu amarelo e agradeceu. A mulher/noiva/namorada lançou sobre ele uma expressão de enorme reprovação. Na verdade, ao que parece, ela queria matá-lo mesmo.

O meu amigo, sobre a bicicleta, seguiu seu caminho até o trabalho. Na garupa, levava a certeza de que tinha feito a coisa certa e evitado um desentendimento que poderia ter evoluído para ofensas mútuas ou, pior, agressão física em razão de um motivo banal que poderia, e foi, contornado com uma boa e conciliadora conversa entre as partes.

Quanto ao motorista, espero que tenha aprendido uma valiosa lição. É de bom tom conversar, explicar, buscar o entendimento, antes de partir para o caminho do confronto. Uma disputa pautada pelo nervosismo poderia até lhe favorecer no final, mas certamente lhe causaria danos, fosse o rancor das agressões sofridas ou marcas físicas de uma eventual luta corporal. Encontrar o equilíbrio mental numa situação de pressão extrema é o que separa a gentileza da gente lesa.

***

Outra vez foi uma amiga que vivenciou um caso inusitado. Ela estava no interior de um ônibus, a caminho da escola onde dá aula, quando o coletivo foi trancado no trânsito por um veículo de passeio qualquer. O motorista do busão fez cara de que não tinha gostado, torceu a boca contrariado e balançou a cabeça de um lado a outro em flagrante desaprovação do ocorrido. Levar uma fechada no trânsito, afinal de contas, é uma das mais desagradáveis experiências de quem conduz. É demonstração da mais absoluta falta de respeito e de consideração ao espaço alheio, ao direito do outro, é uma agressão sobre quatro (ou duas) rodas, uma falta de educação extrema, de imprudência, ou até de imperícia que seja, mas uma coisa é certa: nunca é legal de levar.

O ônibus continuou seu percurso e, alguns quilômetros mais à frente, parou num ponto cheio de passageiros que levariam alguns minutos para embarcar, bem como muitos também desceriam em razão da localização estratégica daquela parada. Para surpresa do motorista e de alguns passageiros, o carro que o havia trancado havia pouco parou também, logo à sua frente. Dele, desceu um homem que veio caminhando sério e a passos firmes em direção ao ônibus. Parou ao lado da janela do motorista e o condutor do coletivo já veio esperando algumas palavras ásperas que revelassem alguma manobra do ônibus que o tenha irritado a ponto de ele ter ido à forra trancando o veículo e agora estava ali para dizer o porquê de tê-lo feito, além de complementar seu discurso com um vasto vocabulário de baixo calão direcionado ao motorista e a familiares próximos.

Porém, não foi o que aconteceu. Quando o homem que estava à janela falou, disse: “O senhor desculpe, viu? Eu fechei seu carro ali atrás. Entrei na pista sem olhar direito, calculei mal e acabei trancando o senhor. Desculpe mesmo. Tenha um bom dia e bom trabalho, viu?” E saiu.

O motorista ficou mudo de estupefação. O burburinho entre os passageiros foi intenso. Minha amiga perguntou ao motorista se aquilo já havia ocorrido com ele alguma vez. Respondeu que não, que ele tinha quase 30 anos de profissão e que nunca passara por nada sequer parecido. O homem do carro de passeio cometeu uma leseira no trânsito, mas teve a gentileza de reconhecer o erro.

***

Em comum, estes dois casos têm a expectativa pela violência (verbal ou efetiva) que sempre esperamos em situações de disputa no trânsito. É como se, quando no comando de um automóvel, cada indivíduo exteriorizasse uma personalidade mais agressiva do que o normal, defendendo seu espaço ferozmente, lutando pela sobrevivência ou por seu território instintivamente. É o gene egoísta que, ao agir sobre nós, torna-nos menos sociáveis e mais violentos. A conclusão que se pode tirar disso tudo é que a diferença entre gentileza e gente lesa pode estar por trás um volante, sentado no banco do motorista.

 

Leia outras crônicas de Carlos Fialho:

Especialistas em tapinha nas costas
O cidadão de bem

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02 Apr 13:40

Exclusivo: Dono da Jovem Pan se retrata da acusação de que ex-mulher lhe furtou obras de arte e joias. Por Joaquim de Carvalho

by Joaquim de Carvalho
Tutinha e Flávia Eluf: separação turbulenta gerou denúncia ao MPF

O proprietário da Jovem Pan e do Pânico, Antônio Augusto do Amaral Filho, o Tutinha, se retratou da acusação que fez contra sua ex-mulher, a advogada e joalheira Flávia Eluf, de ter-lhe furtado quadros e joias. A acusação de Tutinha teve grande repercussão em  julho de 2016, quando ele publicou em seu facebook nota que, agora, com a retratação, se revela falsa.

Na época, a Revista Veja São Paulo publicou reportagem com o título “A arte de um barraco”, em que relata, com base na acusação de Tutinha, a ruidosa separação do casal:

O barraco ficou ainda maior na semana passada, quando Tutinha postou, em seu perfil do Facebook, que 43 quadros e esculturas haviam sumido da residência, entre exemplares de Di Cavalcanti, Amélia Toledo, Tunga, Vik Muniz e os gêmeos. “Ela me roubou”, acusa ele.

(…)

“Ela também sumiu com uma coleção de mais de cinquenta relógios, como Rolex. Até panela de 10 reais desapareceu”, garante.

Antes de fazer a acusação através do Facebook, Tutinha já havia prestado queixa em dois distritos policiais de São Paulo, o78o. e o 15o. — com a retratação, a acusação, em tese, pode se voltar contra ele, já que o artigo 339 do Código Penal define como crime “dar causa à instauração de investigação policial, de processo judicial, instauração de investigação administrativa, inquérito civil ou ação de improbidade administrativa contra alguém, imputando-lhe crime de que o sabe inocente.”

A pena prevista é de reclusão, de dois a oito anos, e multa.

Filha de outro casamento de Tutinha, a empresária Daniela Amaral de Carvalho fez eco ao pai e acusou a ex-madrasta na rede social da prática de furto. Daniela está sendo processada por crimes contra a honra, assim como Tutinha.

Mas, no caso do dono da Jovem Pan e do Pânico, o processo criminal será arquivado depois que ele, no dia 22 de março, fez a retratação nos termos relatados por Flávia Eluf na petição inicial, ou seja, integralmente, sem ressalvas.

No processo movido por Flávia contra Daniela, a audiência de conciliação está marcada para os próximos dias — com a retratação do pai, a acusação de Daniela fica insustentável.

Ambos respondem também à ação civil por danos morais.

Tutinha e Flávia se casaram no dia 12 de maio de 2006, sob regime de completa e absoluta separação de bens. Tiveram duas filhas, uma delas hoje com 11 anos de idade, e outra com 8.

Em setembro de 2015, segundo Flávia, Tutinha deixou a casa, na rua Groelândia, e ela entrou com ação na Vara de Família que resultou no divórcio.

Em novembro de 2015, Tutinha foi ao 78o. Distrito Policial para registrar queixa contra Flávia. Disse que, a mando de Flávia, dois funcionários retiraram da residência do casal obras de arte de sua propriedade

Em abril de 2016, ele voltou à polícia, desta vez no 15o. Distrito Policial, para requerer a instauração de inquérito policial, pelos mesmos motivos.

Em julho do mesmo ano, Tutinha tornou pública a acusação contra Flávia, ao postar no Facebook e no Instagram a acusação do desaparecimento das obras de arte e das joias. Disse ele:

“Amigos por favor leiam o comunicado abaixo

São Paulo, 26 de julho de 2016

COMUICADO

Comunicamos a quem possa interessar que, após a minha separação com a Sra. Flavia Eluf Lutty e consequente saída temporária do lar conjugal, desapareceram as obras de arte (quadros, esculturas, etc.) que guarneciam a residência, tais como:

Obra de Arte do artista Marco T. Resende (Dez/02)

Obra de Arte do artista José Bento (Torre de Sto Onofre) (Mai/02)

Obra de Arte do artista Marco Coelho Benjamim (Jul/02)

Obra de Arte do artista Niura Bellavinha (Abr/02)

Obra de Arte do artista Dora Longo Bahia (out/02)

Obra de Arte do Artista Sergio Camargo (ago/02)

Obra de Arte de Tunga (dedais) – TU 023 – (nov/02)

Obra de Arte de Waltercio Caldas – WC 418 – (abr/03)

1 Krajcberg vermelho – (2003)

Obra de Arte de Luiz Hermano – Título: Ralos – (out/03)

Obra de Arte de Luiz Hermano – Título: Cubos – (dez/03)

Obra de Arte de Marcos C Bejamin (set/04)

Escultura de krajcberg Siriba (2004)

Escultura Sombra natural F. K. DEC. 90 (jul/06)

Obra de Arte de Fernando Ribeiro- tela mickey (fev./07)

Tela: os gêmeos e os músicos – (mar/07)

Tela: The beautiful erth (sic) – (ago/08)

Tela: Face of the moon, after John Russel (jan/08)

Obra de arte de Julio Le Parc – formes em contorsion sur trame 1969 (ago/09)

Quadro de Milton Costa

Quadro de Di Cavalcanti

3 Quadros de Geraldo Barros

Quadro de Celia Ovaldo

Objeto de arte de Iran Teófilo: 1 globo 6, ED AP 1/2 de mármore – (dez/11)

Quadro de Leonilson – o piano (jun/12)

Quadro de Leonilson – (laranja)

Mamarracho de ivan Argote (out./13)

Obra de arte de os gêmeos (jan/13)

Obra de arte de Vick Muniz – Paisagem (abr/14)

Obra de arte de os gêmeos – Rodopiando

Quadro de Pizoletto rosa com espelhos

2 anjos barrocos

Quadro Amarelo de Amélia Toledo

Quadro de Cruz Dies

Quadro Vermelho de Antonio Dias

Quadro Alberto Boetti

Quadro Jesus Soto Azul

2 Quadros Vic Muniz (terra e lua)

Desenho a giz de cera sobre papel do artista Richard Serra – large reversal7 (mai/15)

Assim levo a conhecimento público que foi instaurado o competente inquérito criminal e a aquisição ou guarda destas obras de arte poderá incidir na prática de crimes previstos no Código Penal.

Antônio Augusto Amaral de Carvalho Filho”

Enquanto Tutinha tornava pública a acusação (falsa, repita-se), Flávia, discretamente, procurou o Ministério Público Federal para entregar um pen drive com toda a vida financeira do ex-marido.

Esse arquivo digital, segundo ela deixado na entrada de USB de um computador na casa, revela que Tutinha tem bens no exterior não declarados à Receita Federal, conforme reportagem que o DCM publicou com exclusividade no dia 24 de fevereiro, que reproduzo:

O Ministério Público Federal determinou à Polícia Federal que abra inquérito para apurar a denúncia contra Antônio Augusto do Amaral Filho, o Tutinha, dono da Jovem Pan e do Pânico, pelos crimes de evasão de divisas, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

A denúncia envolve também três filhos adultos de Tutinha e a prima dele, Maria Alice Carvalho Monteiro de Gouvêa, que seria responsável pelo envio de recursos ao exterior de maneira a dissimular o nome de Tutinha.

A denúncia integra a Notícia de Fato número 1.34.001.0063220/2016-03, assinada pelo procurador da república Sílvio Luís Martins de Oliveira. Na notícia, a partir de uma representação da ex-mulher de Tutinha, Flávia Eluf Lufty, ele afirma:

—Ressalte-se, por oportuno, que a remessa significativa de divisas para o exterior, sem a comprovação nos autos, indica possível envio de recursos de forma ilegal ou para o fim de promover lavagem de capitais.

O procurador determina à Polícia Federal algumas providências, entre elas o envio de ofícios à Secretaria da Receita Federal para que indique se Tutinha ou os filhos Daniela Amaral de Carvalho, Antônio Augusto Amaral de Carvalho e Gabriela Amaral de Carvalho, bem como a prima e a empresa dela, Consenso Investimentos Ltda., respondem a processo administrativo fiscal.

O procurador determinou ainda a requisição junto à Receita Federal dos dados fiscais de todos eles, no período de 2010 a 2016.

“Sugere-se, ademais, a análise das movimentações bancárias dos envolvidos, referente ao mesmo período, com o objetivo de determinar os caminhos trilhados pelos valores sob análise. Por fim, sejam expedidos ofícios ao Bacen (Banco Central) para que informe se possuem registros das operações de câmbio contratadas pelos investigados acima, bem como promova-se suas oitivas, a fim de que esclareçam e comprovem os fatos noticiados, dentre outras providências a serem adotadas a critério da autoridade policial.”

A notícia foi acompanhada de centenas de cópias de documentos e de um pen drive, que contém as informações sobre os supostos crimes. Esse pen drive, segundo a denúncia, pertenceria ao próprio Tutinha.

Segundo Flávia contou ao procurador, Tutinha deixou o arquivo digital conectado à entrada de USB de um computador quando deixou a casa onde morava com a mulher, Flávia, na rua Groelândia, Jardins.

Sua separação foi turbulenta. Ele teria deixado a casa para viver com outra mulher, e alguns meses depois postou no Facebook uma nota em que relaciona uma série de obras de arte e acusa a ex-mulher de furto.

Daniela, uma das filhas de Tutinha, de um casamento anterior, fez eco ao pai e também acusou a ex-madrasta de furto. A acusação foi parar no Distrito Policial do Itaim, mas não deu em nada. Ainda que a acusação fosse comprovada — e não foi —, não existe o crime de furto entre cônjuges.

O caso é um dos processos que envolvem a família. Em resposta à acusação de furto, Flávia representou contra os dois por injúria e calúnia, processos que estão em andamento na Justiça de São Paulo, já com o depoimento de Tutinha e Daniela agendados.

Ao mesmo tempo em que se defendeu das acusações, Flávia entregou ao Ministério Público Federal o pen drive de Tutinha. No arquivo, segundo se depreende da Notícia de Fato assinada pelo procurador, há riqueza de detalhes da vida financeira de Tutinha.

O procurador conta que, durante o casamento, Flávia descobriu “atos anômalos no campo negocial” e, no pen drive, encontrou documentos e correspondências por e-mail que, em tese, comprovam sua denúncia.

Segundo o despacho do procurador, são documentos em inglês que revelam a existência de empresas e contas em paraíso fiscal, em nome de Tutinha e dos três filhos. Há ainda documentos que comprovam a compra de um imóvel de cinco andares em Manhattan, Nova York, em área muito valorizada, próxima do Central Park, na 221 East  61 street.

O imóvel, segundo a denúncia, não aparece na declaração de renda de Tutinha, referente a 2016, cuja cópia estava no pen drive e foi entregue ao procurador.

Também não aparece a empresa em nome da qual a casa foi comprada, a Holding LLC GHSKLLP. Tutinha, segundo contrato social encontrado no pen drive, é sócio majoritário da empresa, que tem ainda três dos seus filhos como acionistas.

O imóvel foi comprado por 6 milhões de dólares, mas, segundo avaliação da Prefeitura de Nova York, já está valendo 10 milhões de dólares, depois que Tutinha fez uma reforma em que gastou pelo menos 1 milhão de dólares.

A casa de Tutinha em Nova York — segundo Notícia de Fato do MPF, tem cinco andares e vale 10 milhões de dólares

Na Notícia de Fato do Ministério Público Federal,  também está relatado que existem muitas obras de arte no apartamento, que  teriam sido registradas a preços subfaturados.

“Por sua vez, (Flávia) trouxe também que Tutinha e seus três filhos maiores, Daniela, Antônio Neto e Gabriela, são titulares e/ou beneficiários da empresa estrangeira Kingswood Art Resources Inc. Segundo consta, esta empresa é titular de inúmeros quadros de artistas renomados e de valores expressivos, destacando-se a obra de Frank Stella (Cownway II, 1965) adquirida pela quantia de US$ 750 mil”, relatou o procurador, que prossegue:

“Ela juntou correspondência eletrônica realizada por Tutinha com corretores estrangeiros de obras e arquitetos encarregados das citadas reformas, sendo que diversos documentos comprobatórios dessas empresas encontram-se orçados e quitados em moeda estrangeira, constando a correspondente tradução para a língua portuguesa.”

Ainda segundo o relato do procurador, feito com base na representação da ex-mulher de Tutinha, “as remessas dos valores era feita, na sua maioria, por meio de depósitos em contas bancárias indicadas por Maria Alice Carvalho Monteiro de Gouvêa, responsável pela Consenso Investimentos Ltda., prima de Tutinha e conhecida pela alcunha de Lica.”

Na Notícia do Fato, o procurador Sílvio Luís Martins de Oliveira diz que “os documentos, recibos e as trocas de e-mails ora juntados comprariam o noticiado, declinado às folhas 11/12 trechos de mensagens que, em tese levantariam fortes suspeitas dos delitos até então alegados”.

Na sequência, escreve o procurador: “De igual modo, consta da representação informação de que os bens noticiados  e adquiridos no Exterior, bem como as propriedades e controles acionários das citadas Holdings e offshores, sediadas em paraísos fiscais, não teriam sido objeto de declaração à Receita Federal do Brasil — RFB”.

O procurador segue reproduzindo a denúncia de Flávia, que revela procedimentos suspeitos por parte de Tutinha:

“Não bastasse isso, das DIRFs (declaração de imposto de renda) de Tutinha referentes aos exercícios de 2015-2016, chama a atenção os expressivos valores de bens declarados, contudo, sem a devida comprovação nos autos acerca de suas origens, destacando-se, além de muitos outros, o valor de R$ 13.390.883,15 em cotado capital da MYDDLETON INVESTIMENS LTD, nas Ilhas Virgens Britânicas, bem como a significativa movimentação bancária na conta bancária 1106100 do banco Bradesco em Luxemburgo. Note-se, pois, que se trata de locais notoriamente conhecidos como paraísos fiscais”, escreve.

O ofício foi enviado pelo procurador à Polícia Federal em 11 de novembro de 2016. Três meses depois, no dia 14 de fevereiro de 2017, o delegado da Polícia Federal Eduardo Hiroshi Yamanaka despachou na Notícia Crime, já com 511 páginas, a maioria de documentos juntadas por Flávia. Eduardo Yamanaka não fez nenhuma investigação, ignorando as medidas requisitadas pelo procurador, e se manifestou pela devolução da Notícia de Fato ao Ministério Público Federal.

“A citada petição não informa se houve autorização judicial para a quebra do sigilo fiscal e dos dados dos e-mail de Antônio, fato que gera a figura da prova ilícita”, justificou Eduardo Yamanaka.

Num procedimento que não é comum na Polícia Federal, o chefe do Núcleo de Correições da Superintendência da Polícia Federal em São Paulo, Ulysses Prates Júnior, também se manifestou e avalizou a sugestão do delegado Eduardo Yamanaka.

“Pelo exposto, opino pelo acolhimento da sugestão do Delegado de Polícia Federal Eduardo Hiroshi Yamana e consequente devolução ao Exmo. Procurador da República Oficiante para que, respeitosamente, proceda a reavaliação do presente expediente à luz dos argumentos da referida autoridade policial”, destacou, em despacho assinado em 3 de março de 2017.

O procurador Sílvio Luís Martins de Oliveira respondeu ao delegado, em termos duros. Diz que o delegado “não pode travestir-se de advogado de defesa e espiolhar nulidades”. A ele, cabe tão-somente investigar.. A manifestação do procurador merece reprodução integral:

“Com o devido respeito, a análise quanto à licitude ou não da prova trazida aos autos não cabe, nesta fase preliminar, à autoridade policial. Não pode o delegado de polícia, embora bacharel em Direito, destacar-se de seu fundamental papel de investigador, de esquadrinhador da verdade. Não pode travestir-se em advogado de defesa e espiolhador de nulidades. Principalmente quando nenhuma diligência investigatória foi sequer cogitada.

A noticiante, testemunha presencial dos fatos narrados, independentemente da discussão a respeito da validade jurídica dos documentos que juntou aos autos, sequer foi ouvida. Seu depoimento, como bem sabe, ou deveria saber a autoridade policial, pode lastrear pedido judicial de acesso a informações bancárias ou fiscais, além de pedido de cooperação penal internacional com semelhante propósito.

Requisito, insisto, a instauração de inquérito policial.”

A resposta do procurador Sílvio Luis Martins de Oliveira é de 20 de julho de 2017, mas até agora, sete meses depois, Flávia, na condição de testemunha, não foi chamada. Eduardo Yamanaka já não se encontra mais na Delegacia de Repressão a Corrupção e Crimes Financeiros (Delecor), para onde a Notícia de Fato foi encaminhada.

Em seu lugar, assumiu Karina Murakami Souza, que também estaria de saída.

Por que a Polícia Federal ainda não atendeu à determinação do procurador, que tem poderes para exibir a abertura de inquérito, como determina a Constituição?

Uma explicação é a influência da Jovem Pan como veículo de comunicação. O grupo foi um dos mais ostensivos na campanha que levou à queda de Dilma Rousseff e, nos primeiros meses do governo Temer, foi um dos que lhe deram sustentação.

A Polícia Federal é subordinada ao Ministério da Justiça.

A ex-mulher de Tutinha, Flávia, não dá entrevista, mas amigas disseram que que já está disposta a ir aos Estados Unidos, para entregar cópias de documentos às autoridades do Fisco americano.

Segundo cópias de e-mails e recibos de obras de arte adquiridas nos Estados Unidos, Tutinha teria comprado, através de suas empresas, obras de arte a preços subfaturados, o que significa menos recolhimento de imposto, prática que, nos Estados Unidos, é severamente punida.

Caso cumpra a ameaça de ir aos Estados Unidos denunciar o ex-marido, Flávia Eluf Lufty move mais uma peça numa disputa que começou em 2016, quando Tutinha, depois de se separar, postou em seu perfil  Facebook que 43 quadros e esculturas haviam sumido da residência, entre exemplares de Di Cavalcanti, Amélia Toledo, Tunga, Vik Muniz e os gêmeos.

“Ela me roubou”, acusou ele, segundo reportagem publicada à época pela Veja São Paulo.

“Ela também sumiu com uma coleção de mais de cinquenta relógios, como Rolex. Até panela de 10 reais desapareceu”, disse.

A acusação rendeu um boletim de ocorrência no 15o. Distrito de Polícia, que está parado. A essa acusação, somaram-se outras, mais pesadas.

Tutinha pediu a guarda das duas filhas que teve com Flávia, nos dez anos em que permaneceram casados. Na Vara de Família, ele acusou a ex-mulher de usar drogas. Flávia se submeteu a exame no laboratório Fleury, e o resultado deu negativo.

Por conta disso, Flávia pretende mover outro processo contra Tutinha. Seria o segundo. Ele já responde por injúria e difamação por conta da acusação de furto dos quadros.

Tutinha, por sua vez, conseguiu na Justiça um mandado de reintegração de posse da casa onde ela vive com as duas filha. A casa é dele, comprada antes do casamento com Flávia. Já existe a ordem de despejo, que pode ser cumprida a qualquer momento.

Flávia reclama que não tem onde morar. No acordo de separação, Tutinha teria concordado em pagar o aluguel em um apartamento no Itaim, no valor de R$ 15 mil aproximadamente, conforme recorte de classificado do jornal O Estado de S. Paulo apresentado ao juiz.

O contrato de aluguel, no entanto, não foi assinado. Tutinha exige agora que Flávia se responsabilize pelo contrato e pague um terço do valor do aluguel.

Os números relacionados à separação do controlador da Jovem Pan são expressivos, mas coerentes com o padrão de vida declarado por ele, conforme consta da representação encaminhada ao Ministério Público Federal.

Em 2016, sua renda mensal era de R$ 780 mil.

Hoje, ele paga aproximadamente 30 mil reais de pensão às duas filhas, mais escola e plano de saúde.

Também teria se comprometido a pagar os quatro funcionários da mansão da rua Groelândia, mas os salários deles não estariam em dia.

Flávia se mantém firme na defesa do que considera seu direito, mas, como se vê, têm sido grandes os obstáculos que ela enfrenta.

Há mais de um ano, denunciou o ex-marido ao Ministério Público Federal por supostas práticas ilegais. O procurador acolheu a representação, mas até agora a Polícia Federal não cumpriu a ordem do Ministério Público Federal.

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02 Apr 11:36

A ligação da foto fake de “Marielle e Marcinho VP” com José Agripino, presidente do DEM, e a bancada da bala

by Diario do Centro do Mundo

Publicado no Facebook de Rafael Batista

Circula há alguns dias a mais do que canalha difamação sobre Marielle e seu falso matrimônio com Marcinho VP. A calúnia vem acompanhada de uma foto de duas pessoas sentadas em uma cadeira de bar azul. O homem seria Marcinho VP e a mulher, em seu colo, Marielle. Não é preciso muito para se dar conta de que talvez a única semelhança entre Marielle e a respectiva mulher seja o branco dos olhos, o mesmo valendo para Marcinho VP e o festivo homem ao lado de uma garrafa de cerveja.

Acontece que não há novidade alguma no formato da calúnia. Há algum tempo, logo que um suspeito caso de violência policial passa a ganhar espaço midiático, uma máquina difamatória aparentemente anônima se levanta fabricando textos sem sentido junto a fotografias grosseiras com o objetivo de comprometer a imagem das vítimas. Eduardo, do Alemão e Maria Eduarda, de Acari, com grande velocidade foram interpretados por dublês sem qualquer semelhança, estes portando armas e identificados como menores traficantes. Já Amarildo foi dublado: os mesmos policiais responsáveis por seu assassinato forjaram áudios vinculando-o ao tráfico na Rocinha.

Seja no sentido de tentar resguardar a imagem da instituição policial através de mentiras, ou satisfazer interesses mais obscuros, a confecção sistemática de peças caluniosas desse tipo não parece estar associada a algum grupo de tiozões conservadores e raivosos, daqueles de mesa de Natal. Tanto as semelhanças entre o formato das calúnias desse tipo, quanto o modo de disseminação — são sempre as mesmas páginas e grupos de WhatsApp — dão a entender que se trata de algo mais organizado. Por quem? É fundamental não apenas se opor à disseminação dessas farsas, mas principalmente encontrar a fonte delas e entender quais interesses mobilizam essa atividade.

Voltando ao assunto inicial, ao ver a foto pela primeira vez, conjuntamente à repulsa, me surgiu a pergunta: quem são esses dois que, aparentemente flagrados em um churrasco, acabaram por ser elencados anos depois para retratar Marielle e Marcinho VP?

Pois bem, de acordo com o UOL, a imagem foi publicada originalmente em 2005, numa conta de Fotolog chamada KTAPUTAS_. Pela legenda e comentários é possível identificar que o nome do sujeito fotografado é Patrício e a imagem foi capturada alguns anos antes no cabaré da Jaqueline, localizado em Pau dos Ferros (RN). Notável a especificidade da foto, uma procurada rápida no Google não leva a uma postagem de 13 anos de idade num pequeno perfil do Fotolog.

KTAPUTAS_ era uma conta compartilhada entre amigos adolescentes festeiros da região de Alexandria (RN). Vasculhando um pouco mais, é possível descobrir que o Patrício da foto tem um irmão também chamado Patrício. O da foto é Neto e o outro é José.

Aliás, assim como em Roma, os Patrícios do Rio Grande do Norte parecem constituir uma espécie de aristocracia: Patrício Júnior, pai de Neto e José, foi deputado estadual e deputado Constituinte de 1989, vindo a falecer em 2016. Alberto Maia Patrício, irmão de Júnior, tio de Neto e José, foi duas vezes prefeito de Alexandria pelo PP, até trocar de partido e se tornar presidente municipal do PMDB. Olga Fernandes, viúva de Patrício Júnior e mãe de Neto e José, é prefeita de Marins (RN) desde 2012 pelo DEM.

Enquanto Patrício Neto, o da foto, parece ter como única aparição política uma presença embriagada na festa de posse do tio Alberto na prefeitura de Alexandria, seu irmão Patrício José aparece em diversas fotos com correligionários da mãe Olga e do falecido pai Patrício Júnior.

Dentre os marcados no Facebook, os mais badalados são o cacique José Agripino Maia, senador, presidente nacional do DEM e aparente padrinho político de Olga; Felipe Maia, deputado federal pelo DEM, filho de Agripino e conhecido integrante da bancada da bala; e Henrique Alves, atualmente preso, mas ex-ministro do Turismo nos governos Dilma e Temer. Orbitando em torno das notícias mais comuns sobre Olga também está Beto Rosado, deputado federal do PP e também da bancada da bala.

Confesso que por falta de recursos e tempo não fui capaz de aprofundar a pesquisa. Não é possível chegar a qualquer conclusão com o que fui capaz de encontrar até agora. No entanto, por que justamente essa foto? Dada a dificuldade de se chegar até uma publicação de Fotolog tão específica, somada ao caráter igualmente específico do protagonista Patrício Neto, não parece uma escolha aleatória tal qual uma jogada de palavras-chave no Google Imagens, de modo que uma pergunta é inescapável: como esse sujeito, vinculado a uma rede de representantes políticos conservadores e/ou integrantes da bancada da bala, foi parar numa peça de campanha difamatória contra Marielle?

Seguem as imagens das pessoas mencionadas e, nos comentários, os links que me possibilitaram traçar as relações entre elas.

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02 Apr 11:26

O país da chibata

by Durval Muniz

            Os cientistas sociais sabem que há imagens, há cenas que sintetizam uma dada época, uma dada ordem social. Essas imagens servem como emblemas de dados momentos e dadas circunstâncias sociais. Como observaram o filósofo alemão Walter Benjamin e o historiador da arte Georges Didi-Huberman, há imagens que sobrevivem a seu tempo e, como restos, como fragmentos, como cacos de sua época, reaparecem num tempo posterior, promovendo um encontro revelador entre o passado e o presente. A imagem que, vinda do passado, relampeia no presente, serve como um facho de luz para iluminar o que se passa à nossa volta. Nesse choque entre tempos, nesse pedaço de passado que atravessa a cena do presente, Freud via a possibilidade de entendermos as dimensões inconscientes que governam nossas vidas individuais e coletivas. Recalcadas, amortecidas como brasas cobertas de cinzas, essas imagens emergem, vêm à tona em um dado momento de conflito, que Benjamin chamou de “um dado momento de perigo” dando acesso à camadas profundas da vida social, estruturas de valores, estruturas sociais e culturais marcadas por uma longa duração. Essas cenas, pois elas implicam uma dada dramaturgia, uma dada forma de aparecer, de se expor, elas tem o condão de resumir os traços mais definidores de uma dada sociedade, em um dado momento histórico.

O fotógrafo Guilherme Santos, do jornal Sul21, flagrou o momento em que um fazendeiro gaúcho, munido de um relho, chicoteava simpatizantes do ex-presidente Lula. Imagem arcaica, imagem saída dos porões do nosso passado escravista. Fazendeiro a espancar pessoas a quem, possivelmente, considera não terem o direito de existir, de ser e pensar diferente, talvez que não tenham sequer a condição de humano. Possivelmente para esse representante do latifúndio secular, aqueles homens e mulheres sejam vistos como gado, podendo ser chicoteados, como se fazia com o gado humano trazido à ferros da África. A chibata, o rebenque, o relho, foram durante quatro séculos a encarnação do poder discricionário, absoluto, sem peias, dos potentados senhores de terra, de quem esse agressor é um descendente e continuador. O chicote contra a carne, contra o lombo, contra qualquer parte do corpo, deixava impressas as marcas de um poder sem contestação, um poder de vida e morte protegido pela legislação, amparado pelo Estado, considerado legal. O relho, a palmatória, o chicote eram vistos como pedagógicos, como instrumentos de ensino e educação. Somos um país onde ainda se espanca crianças todos os dias, em nome da educação. Os espancados serão os espancadores de amanhã. O fazendeiro que maneja o relho contra petistas, bem pode ter sido o menino que aprendeu a ser “homem” debaixo de peia. Significativamente, o ex-presidente que é motivo de tanto ódio, foi aquele que enviou ao Congresso Nacional, um projeto de lei proibindo o espancamento infantil, para a revolta de muita gente que se perguntava como os pais poderiam educar seus filhos sem espancá-los. A lei da tapinha, como ficou conhecida, foi um daqueles gestos dos governos do PT que mexeu em nervos expostos da sociedade brasileira, que atingiu o âmago de nossa vida social, ainda profundamente marcada pelas relações escravistas. Pais espancadores e torturadores são apresentados como educadores e se revoltam contra o que seria a ingerência indevida do Estado “no jeito dos pais educar os filhos”. O mesmo enunciado que serve de base para a demagogia da chamada “Escola sem Partido” apresentado à Assembleia Legislativa pelo deputado Jacó Jácome. O princípio republicano exige que o Estado (e a escola é uma instituição do Estado, mesmo quando privada, pois por ele é fiscalizada e deve seguir as regras gerais que dele emana) participe da educação dos cidadãos e partilhe com a família essa educação, em benefício da defesa de interesses gerais da sociedade e em detrimento dos interesses privados das famílias, que podem ser antisociais e antirepublicanos.

Essa imagem que poderia ser tomada como isolada, como sendo o documento de um ato espúrio de um celerado, foi amplamente apoiada pelos setores da oposição ao PT, mostrando que ela é a explicitação de tendências bem mais profundas de nossa sociedade. Uma senadora da República, uma mulher, uma senhora de classe média alta, uma avó, formada no meio urbano, jornalista ligada por décadas ao grupo midiático mais poderoso do sul do Brasil, o grupo RBS, usou o palanque da pré-convenção de seu partido, o PP – que lembremos é um restolho da Arena, o partido que apoiou a ditadura militar, com seus relhos e rebenques, com suas botas, fuzis, cães amestrados, com a tortura e assassinato de presos políticos, também na época chamados de terroristas (o mesmo nome que os grupelhos de direita e extrema-direita que perpetraram vários atos de ataque e agressão a caravana do ex-presidente Lula, chamam aqueles a quem agridem, chicoteiam e tentam matar) – para defender o uso do relho feito pelo seu conterrâneo. Ela disse, como uma boa representante dessa elite brasileira, branca, que nunca saiu da casa-grande, que nunca retirou o pé do latifúndio, da monocultura e da escravidão, bases de nossa colonização: “levantar o relho, o rebenque não é violento”. Possivelmente porque violência seja empunhar uma bandeira vermelha, querer ouvir um ex-presidente, querer saudá-lo, ir para as estradas recebê-lo, portar uma estrela no peito. Possivelmente, para essa gente, violência é reivindicar reforma agrária, divisão dos enormes latifúndios, que nessa região do Rio Grande do Sul, como em tantas outras no país, remontam ao período colonial e escravista. Para essa senadora levantar o relho e o rebenque deve continuar sendo pedagógico, educativo, deve ser legal e legítimo. A senadora da República pretende fundar a República no uso da chibata, como afinal foi fundado o Estado brasileiro. O Império brasileiro esteve por décadas fundado na escravidão, na lei do tacão e do chicote. Foi preciso que, no início da República, os marinheiros se revoltassem contra o uso sistemático da chibata na Marinha brasileira. Não é de espantar que muita gente ainda queira fundar a própria existência política da nação no uso “não violento” do relho.

A senadora cumprimentou Bagé, Santa Maria (uma das cidades mais militarizadas do país), Palmeiras das Missões, Passo Fundo, São Borja e Santana do Livramento, “que botou para correr aquele povo que foi lá, botando um condenado para se queixar da democracia”. Notem a muito particular noção de democracia da senhora senadora: democracia é a prevalência da opinião dela e dos seus, nem que para isso tenha que se fazer uso do chicote, do soco inglês, da pedra, do sopapo, do tiro. Democracia não é a convivência necessária com a diferença, com um outro que é diferente de mim, que pensa diferente de mim, mas que tem os mesmos direitos de existir que o meu. Quando qualquer um de nós chega à terra, já encontramos outros, já encontramos muita gente com línguas, costumes, religiões, ideias políticas diferentes da nossa, o que temos que fazer é buscar coabitar com toda essa diferença. Com que direito eu que cheguei depois, quero fazer da terra algo só meu ? É esse tipo de postura que a existência da propriedade privada, que a existência da propriedade da terra causa. Quem nasce dono de terra tende a se achar dono da Terra, tende a se achar aquele que é dono do mundo, não tendo lugares para outros existirem. Além do dono da terra, só existe o gado, até mesmo as demais gentes são gados, a que se deve dar uma ração e algumas bordoadas quando não obedecem. A senadora Ana Amélia, quando foi candidata ao governo gaúcho, deixou de declarar que era proprietária de uma fazendola de 1,9 mil hectares. Ou seja, fica claro de que lado ela está do chicote, ela está empunhando o cabo, não do lado de quem recebe a lambada. Sua solidariedade com os portadores de chicote é uma solidariedade de classe. Mesmo tendo suas atividades na cidade, como é comum no Brasil, as elites urbanas, quando já não são ou descendem de proprietários de terra, que se acham donos da Terra, tornam-se proprietários, usando o acúmulo de propriedades rurais como reserva de valor, como investimento, já que os baixíssimos impostos cobrados sobre a terra no país, um dos privilégios conferidos a uma elite agrária que ainda tem enorme poder no aparelho de Estado, torna esse investimento tremendamente lucrativo, sem que seja preciso, inclusive, torná-la produtiva.

Alguns dos municípios que mereceram o efusivo cumprimento da senadora da lambada (não a dança, claro!), ficam nas regiões de fronteira do Rio Grande do Sul, tendo uma longa história de conflitos com os vizinhos uruguaios e argentinos, sendo zonas muito militarizadas, com uma cultura marcada pela presença da violência e da escravidão. Nessa região a presença da grande propriedade pecuária é acompanhada por uma forte presença do Movimento dos Trabalhadores sem Terra (MST), o principal movimento social do país, nas últimas décadas, que tem sua origem nesse estado, que reivindica a desapropriação para fins de reforma agrária dos grandes latifúndios com baixa produtividade nesses municípios. O ódio dos ruralistas ao MST, os conflitos em torno da terra, é o caldo de cultura para explicar a formação dos grupos que tentaram impedir a passagem da caravana de Lula pela região. O uso de tratores, colheitadeiras, deixa claro a origem social dos manifestantes. No entanto, o candidato a presidência da República pelo PRB, o empresário Flávio Rocha, disse que as manifestações eram do povo e que elas demonstravam a irresponsabilidade do STF por deixar um condenado, no caso, Lula, solto. É interessante que manifestações de minorias intolerantes sejam transformadas em rejeição popular, quando o que se viu foi o uso do rebenque para tentar impedir que a população acorresse até o presidente. O empresário que se revolta contra a justiça quando ela apenas investiga possíveis irregularidades de suas empresas, que tenta sob ameaças intimidar o Ministério Público, que usa de manobras para tentar anular o processo em relação a questão das facções é o mesmo que cobra celeridade da justiça e da punição no caso de Lula. O empresário da Riachuelo também quer que o chicote da justiça só atinja o lombo daqueles que contrariam seus interesses. Ele é mais um que segura o cabo do chicote com gosto, mas acha um absurdo se a folha da chibata vira para o lado de seus costados. Seus trabalhadores têm que aguentar, sem reclamações trabalhistas, a força de seu tacão, têm que sair como rebanho a defender os seus interesses, tangidos por sua chibata invisível: a chibata da ameaça da demissão, do desemprego, da miséria e da fome, os tradicionais instrumentos de acicate ao trabalho no capitalismo.

A senadora, orgulhosa, ainda utilizou um argumento de identidade regional para louvar as chibatadas “não violentas”: disse ela, talvez em nome de um Centro de Tradições Gaúchas, “atirar ovos, levantar o relho, levantar o rebenque para mostrar o Rio Grande, para mostrar onde estão os gaúchos”. Como em todo discurso identitário, toma-se uma parte pelo todo: o fazendeiro espancador, o atirador de ovos, aqueles que fizeram levantamento de rebenque (talvez uma modalidade olímpica no futuro) são os gaúchos, representam todos eles. Aqueles milhares de vermelhinhos que foram ver Lula por onde ele passou, não são gaúchos, quedam alijados da identidade regional. Gaúchos machos devem ser os que usaram soco inglês para agredirem uma mulher grávida, em Cruz Alta, pois, afinal, todo macho é misógino e odeia mulheres. Mas a senadora parece não ter a menor identidade com o seu gênero, ela sabe de que lado estão os verdadeiros gaúchos: eles são machos, latifundiários, reacionários e seguram o cabo do relho e do rebenque, mesmo que urbanamente usem saia e frequentem o Parlamento nacional. Gaúchos machos devem ser o promotor que impediu que o reitor da Unipampa, uma universidade criada por Lula, pudesse receber o ex-presidente, e o próprio reitor que se escondeu para não recebê-lo, dois machaços. Como eles poderiam se identificar com a presidente deposta pelo golpe, uma gaúcha por adoção, uma mulher forte, digna, honesta, mas que se negava a ficar do lado dos verdadeiros gaúchos, aqueles que empunham a macaca pedagógica. O ódio a Lula repercute o enorme preconceito regional, de parte das elites e da população dos estados do Sul do Brasil, contra os nordestinos e o restante dos brasileiros como um todo. É preciso notar que Lula percorreu os estados do Nordeste e do Sudeste sem ter encontrado essas manifestações organizadas de hostilidade e de violência. Foi no sul que estivemos à beira de uma tragédia, com os ônibus da caravana tendo sido emboscados e alvejados por tiros, após grupos extremistas usarem a internet para prepararem o ataque. O separatismo de setores das sociedades desses estados, embora minoritário, seu desprezo e ressentimento pelo Brasil e pelos moradores de outras áreas do país, notadamente pelos nordestinos, de quem Lula é um representante simbólico, explica parte da violência e do ódio que assistimos. Tendo sido colonizados por imigrantes europeus, que aqui chegaram fugindo da miséria e da guerra, nesses estados foi cultivado mitos compensatórios para essa desterritorialização forçada, como a pretensa superioridade racial e cultural, como a pretensa superioridade quando se trata de disposição para o trabalho e, inclusive, o mito de que são mais conscientes politicamente, embora estados como Santa Catarina e Paraná estejam politicamente, há décadas, nas mãos de oligarquias inéptas e corruptas, que embora não sejam consideradas compostas por coronéis, como se costumam chamar as oligarquias nordestinas, para deixar claro o seu atraso, são responsáveis pelo declínio relativo da importância do sul na economia nacional e pela miséria e atraso de dadas áreas de estados como o Rio Grande do Sul, atraso e declínio que são demagogicamente atribuídos ao fato de que o governo federal roubaria o sul e transferiria o fruto de seu trabalho para os “vagabundos e preguiçosos do Nordeste”, do bolsa família, para eles votarem no PT. A falência de um estado como o Rio Grande do Sul, da qual políticos como a senadora Ana Amélia é responsável, é atribuída à transferência de recursos e empresas para fora da região, que teriam sido estimuladas pelos governos do PT.

Se o fascismo grita nas ruas e desvãos do sul do país (ele está presente no país como um todo) temos que lembrar que aí imigrantes italianos e alemães simpatizaram com o nazi-fascismo e grupos neonazistas têm militância permanente e pública, sem que nada seja feito a respeito. Os imigrantes de várias nacionalidades tenderam a se agrupar em organizações comunitárias que construíam suas identidades enquanto grupos reivindicando uma ancestralidade europeia, uma ancestralidade branca, não brasileira, não mestiça, não indígena, não negra. O orgulho racial somado ao isolamento comunitário é um caldo de cultura para a formação de subjetividades reativas ao diferente, para a formação de uma visão de mundo hierárquica, em que outro é colocado em posição de subalternidade. A desqualificação do outro, seu não reconhecimento, passa a ser um perigoso princípio identitário. Quem levanta uma chibata para bater num outro, não o reconhece como igual, como semelhante, como humanamente tendo o direito de existir. A chibata animaliza, rebaixa à condição de animal (já que os humanos ainda se acham no direito de espancar os animais por eles serem pretensamente inferiores). Assim como os nazistas rebaixavam os judeus à condição de ratos, cães, pulgas, porcos para justificarem seus atos, nos emails que prepararam o ataque assassino a caravana de Lula e que comemoravam, depois do ocorrido, que com isso foram parar no Jornal Nacional (deixando claro outra fonte de nosso fascismo, já que com ele o fascismo se identifica), o ex-presidente é reduzido a um saco de bosta que seria explodido com uma bomba em seu avião. O fascismo é justamente essa rejeição passional e reativa à existência do outro na sua diferença. Outro presidenciável, Jair Bolsonaro, em mais um gesto que revela o seu estatuto político e moral, foi a cidade vizinha a Curitiba, onde Lula finalizava sua caravana com uma gigantesca manifestação contra o fascismo (deixando claro que milhares de pessoas no sul não concordam em serem representados pelo relho “não violento” da senadora da lambada), fazia no palanque um gesto indicando que se devia atirar na cabeça do ex-presidente. Essa é a plataforma de Bolsonaro, o extermínio daquele com quem ele não concorda. Afinal, além da chibata, a tocaia, a emboscada, sempre foram tecnologias muito utilizadas por nossas elites, rurais e urbanas, para resolver de forma “não violenta”, de forma “republicana e democrática” os conflitos, notadamente com os trabalhadores negros e pobres. Marielle Franco e seu motorista foram vítimas dessa sofisticada tecnologia de extermínio do diferente, do opositor, daquele que denuncia os desmandos, a exploração, a ganância, a corrupção, a violência, a prepotência dos poderosos desse país, em todas as áreas. A tocaia talvez seja uma evolução da tecnologia da chibata, por ser mais letal e resolver de forma definitiva um problema. Normalmente bastava o poderoso chegar para seu braço armado e dizer: “é preciso tomar providências em relação a fulano”. “Pois não coronel, não se preocupe”. Hoje esse diálogo foi modernizado, ele se dá nas redes sociais: “ Vá numa loja de arma, compre uma puma 38 ou 44, é mais fácil do que vc imagina”. Emoticon com uma carinha piscando, matreira. “Aí é só se posicionar do outro lado do rio e mandar uma bala certeira”. Retorno do recalcado, imagens sobreviventes.

O governador do estado mais rico do país, representante da nossa indústria mais moderna, saído da burguesia que teria levado o país para a modernidade, o centro da inteligência nacional, o estado com os eleitores mais politizados do país, livres de coronéis, governados por gente que domina a “gestão”, território à parte no domínio populista, bolivariano, esquerdista do PT, território do tucanistão, não podia deixar de se associar à política entendida como uso do relho e da bala. Se a política implica sempre uma dada violência, a violência simbólica, verbal, da troca de ideias, da crítica, ela existe desde os gregos para evitar a violência direta, sanguinolenta, carnal. A democracia surgiu para que as diferenças entre os homens pudessem coexistir, pudessem ser negociadas, pudessem ser objeto de discussão e deliberação. O governador Geraldo Alckmin, outro presidenciável, disse uma frase muito sábia: “Lula colheu o que plantou”. Ou seja, nosso governador confunde disputa verbal, política, de ideias, embates eleitorais, críticas e dissensões políticas com chicote e bala. Que me conste nem Lula, nem o PT, jamais usou o chicote ou a bala para atacar nenhum adversário. O que Lula plantou foram 14 novas universidades federais, mais de 240 novos institutos federais de educação, mais de 20 milhões de empregos, milhares de casas populares, a redução da miséria para milhares de brasileiros, milhares de cisternas, centenas de UPAS, farmácias populares, UBS, permitindo que milhares de brasileiros negros tivessem acesso ao ensino superior. É por causa disso que ele e seus partidários merecem ser tratados no chicote e na bala? Nem mesmo se ele tivesse cometido os crimes que lhe imputam era para receber esse tratamento. O processo civilizatório criou o direito e a justiça para se evitar que as pessoas resolvam suas diferenças usando a violência. O PT dividiu o país por defender um projeto político distinto daquele que nossas elites e parcelas da classe média estão dispostos a aceitar, mas isso se resolve nas urnas e não na bala e na lambada.

É significativo que a senadora do uso “não violento” do relho tenha sido jornalista e tenha trabalhado na RBS, afiliada da Rede Globo. Talvez nenhuma instituição tenha feito mais para a instalação desse clima de caça às bruxas que vivemos. Nem mesmo o Judiciário, onde a Corte Suprema do país está à beira do uso da chibata e do clavinote, onde as punhaladas pelas costas têm sido o pão de cada dia, tenha feito tanto quanto a mídia para que a besta fascista esteja mostrando os seus dentes sedentos de sangue, como a intervenção na segurança pública do Rio de Janeiro mostra claramente. Sangue nos dentes vindo de um governo vampiresco não é de espantar. Nem mesmo a república de Curitiba, com o tacão das conduções coercitivas e das prisões preventivas indefinidas, fez mais para instalar o desejo de morte coletivo, desejo que caracteriza o fascismo, do que o jornalismo de guerra praticado pelos principais meios de comunicação do país. O destilamento diário de ressentimento, inveja, preconceito, má consciência, ódio, desrespeito ao próximo, aos direitos humanos, somados à mentira, à armação, à calúnia, à fabricação de versões parciais e desonestas, produziram essas subjetividades intolerantes, violentas, agressivas, assassinas. No Jornal Nacional todo dia passou a ser dia de Rei do Gado. Todas as estatísticas mostram, nunca se bateu tanto num partido, numa pessoa como a de Lula. Lula leva anos a ser chicoteado em praça pública todas as noites. Seu poder de resistência e resiliência desorienta os senhores da casa-grande platinada. Quando torceram que o câncer o matasse, quando se regozijaram com a morte de Dona Marisa, ficou claro que para essa gente vê-lo morto é um desejo indisfarçável. A Rede Globo, seus jornalistas, suas afiliadas, os órgãos da grande mídia são eles que empunham o cabo do relho que desceu violento sobre o lombo dos petistas e simpatizantes no Rio Grande do Sul. Todos os dias os programas policiais descem o relho no pobre, no preto, no bandido, no marginal, no meliante, no da favela. Eles não são humanos, são bestas que merecem ser violentadas. Direitos, que direitos podem ter ? Aprendemos todos os dias, com esses programas fascistas, como as velhas lições e imagens do passado já nos mostravam, que para quem não concorda comigo o que se deve ter é peia, pau nos bostas que vivem, pensam, desejam diferente da gente, tal como dizia um post na internet. Assim se afundará a República e a democracia, mas os donos dos relhos e das chibatas terão seus privilégios garantidos. Quem segura no cabo do chicote pouco está se importando com a dor de quem está levando sua folha e sua ponta no lombo. O golpe foi dado para que o relho continue a vibrar sobre as contas dos trabalhadores, dos negros, das mulheres, dos pobres, dos marginalizados, do diferentes. O relho senhorial sobrevive, a chibata do senhor de escravo ainda ressoa entre nós, as carnes laceradas dos negros de ontem continuam sendo as carnes mais baratas no mercado hoje, sujeitas à lambadas e a serem varadas de balas quando resistem, quando se rebelam, quando se revoltam, quando apelam até para o crime para ver se são vistas e têm existência.

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29 Mar 13:45

“Cumué?”

by Francisco Seixas da Costa
Allan Patrick

E tem quem ironize as nossas expressões nordestinas!


No regresso pascal à cidade de origem, os encontros de rua com gente da minha geração têm rituais sedimentados, por décadas. A anteceder o abraço forte e franco, surge quase sempre a frase: “Então, cá por cima?” ou, numa variante, “Então, vieste à Bila?” (com “b”, claro). Alguns, menos crentes de que a minha visita se possa fazer sem sacrifício das “delícias” da capital, acrescentam ainda: “Tem que ser, não é?”. 

Ontem, num passeio pela rua Direita, a antiga artéria principal da cidade, hoje transformada num cemitério ou quase de lojas comerciais, mas que tenho por ritual percorrer sempre que venho à cidade, fui surpreendido por outra expressão, que já não ouvia há alguns anos, mas que fez escola por muito tempo: “Como é?” (”cumué?”). É uma pergunta que não exige resposta, equivalente a um “Atão?”. 

Fez-me muito bem ouvir isto. E deu-me uma ideia. Um destes dias, em Lisboa, vou testar a expressão à chegada a uma reunião que tenha grande formalidade. Sempre quero ver qual será a cara de alguns fabianos...
29 Mar 13:42

Izaías Almada, sobre série da Netflix: Propaganda do conservadorismo brasileiro com verniz fascistoide

by Conceição Lemes

COXINHAS & EMPADILHAS

 por Izaías Almada, especial para o Viomundo

Peço licença aos leitores para começar esse artigo citando pequenino trecho de uma peça teatral por mim escrita, onde duas senhoras de classe média alta dialogam sobre o filho de uma delas e falam do amor e da admiração que ele tem aos Estados Unidos.

A mãe, entusiasmada no calor dos elogios, chega afirmar para a sua amiga: “o Sérgio é tão vidrado nos norte-americanos que se lá disserem que é bom comer merda por algum motivo, ele vai ser o primeiro a comer merda aqui no Brasil”. Afinal, mãe é mãe…

A lembrança, escatológica e à primeira vista fora do contexto (será?), vem a propósito de uma série produzida para a TV Netflix realizada por um diretor de cinema brasileiro que, desde cedo nos primeiros trabalhos, mostrou enorme desejo de imitar Hollywood e – se possível – ir para lá fazer os seus filmes. Nessa perspectiva seu intento foi conseguido e por lá anda o nefelibata ainda a sonhar.

Dada a repercussão negativa da tal série, sobretudo nos blogues progressistas, fui ver o por que de tanta revolta e, de fato, sobrou-me a impressão de que se trata de um caso de sociopatia, mais do que de arte.

O tal diretor, que é o criador da história (sic) e também diretor do primeiro episódio da série nos diz que vai contar um dos casos de maior corrupção no mundo, o que me levou de saída a admitir: puxa o cara deve conhecer muito bem o assunto. E olha que o tema é antigo sendo, salvo erro de avaliação, praticado em todos os países do mundo.

Se o caso brasileiro, para ele, se configura como o maior do mundo o indigitado diretor/roteirista deve conhecer também os menores, aqueles pequeninos que nós achamos que ninguém vai desconfiar, entenderam?

O homem deve estar felicíssimo com a polêmica causada, pois é da turma do “falem mal, mas falem de mim” e, com isso, fica na expectativa de conseguir financiamento para outros projetos semelhantes, principalmente nos “states” como gostam de se referir à pátria mãe. Um mecanismo bastante conhecido, aliás.

O que choca, mais do que a ignorância histórica e social de seu próprio país, é a arrogância com que tais pessoas apontam o dedo acusador para seus adversários políticos, como se estivessem a fazer um grande favor ao Brasil, munidos de um conhecimento chinfrim temperado com a inveja que têm dos donos do capital, de quem precisam “puxar o saco” para fazerem aquilo que consideram um bom cinema.

Bons tempos o do Cinema Novo com Nelson Pereira dos Santos, Anselmo Duarte, vencedor da Palma de Ouro em Cannes em 1962, Leon Hirzman, Cacá Diegues, Roberto Santos, Glauber Rocha, Joaquim Pedro de Andrade e tantos outros que atraíram o olhar mundial para o nosso cinema. Cinema muitas vezes crítico e de poucos recursos, mas com imenso amor pelo país. E não com ódio ou soberba… E deslavadas mentiras.

Conhecerá o notável diretor aqui citado o clássico “Doze Homens e uma Sentença”, de Sidney Lumet, realizado em 1957, ou ainda “A Tortura do Silêncio” de Alfred Hitchcock, de 1953 ou o fantástico “Sacco &Vanzetti” do italiano Giuliano Montaldo, de 1971? “O Caso dos Irmãos Naves”, de Luiz Sérgio Person? Ou mesmo o JFK de Oliver Stone?

Se conhecer, não entendeu nada. Pois a distância que o separa desses filmes e o seu arremedo televiso é como se pudéssemos comparar Albert Einstein a Michel Temer. Ou Joana D’Arc a Janaína Paschoal… Os valores, em seus extremos, se comparam.

Estudos indicam qua a expressão “coxinha” originou-se em São Paulo ao identificar pessoas que, embora pertencendo à classe média, procuram transferir para si os chamados ‘valores’ de uma classe social mais alta que a sua, anulando-se enquanto cidadãos e atores políticos.

Uma espécie de puxa sacos da burguesia brasileira ao criticarem cegamente aquilo que identificam como sendo os partidos de esquerda e os governos dos ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff.

Ou como jovens dos bairros periféricos apelidaram os riquinhos que habitam algumas faixas endinheiradas da cidade. Ou ainda aos policiais que fazem batidas pelas comunidades paulistanas e param em alguns bares para comer coxinhas com guaraná.

Seja qual for a origem, a esse fenômeno crítico/gastronômico e aculturado se junta agora um telecine de raízes propagandísticas do conservadorismo brasileiro com verniz fascistoide, que poderá ser visto em doses homeopáticas num canal estrangeiro, Netflix.

Canal que deu voz e imagem aos adeptos do ódio e da violência tupiniquim, a quem poderíamos passar a chamar de os “empadilhas”.

Na vitrine dos bares da intolerância brasileira e de sua mediocridade cultural coloquemos ao lado das “coxinhas” mais um salgadinho em evidência, as “empadilhas”.

Leia também:

Marcelo Zero: Lula ou o fascismo?

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29 Mar 13:33

Para sociólogo, ocupação do Carrefour é resposta para omissão do poder público

by Norton Rafael

Como explicar a transformação do estacionamento do Supermercado Carrefour em área de convívio social? Para o sociólogo Edmilson Lopes Júnior, professor de Ciências Sociais da UFRN, a resposta está na omissão do poder público em criar e manter bem conservados os espaços urbanos de entretenimento destinados à população, sobretudo as mais carentes.

Edmilson observa que há um processo de exclusão de parcela significativa da população de áreas que deveriam ser voltadas ao convívio mútuo. Na avaliação do sociólogo, a maior parte dos espaços públicos de Natal é destinada exclusivamente ao consumo das classes média e alta da cidade.

“Natal é uma cidade muito violenta com os seus jovens, estruturalmente violenta. Além dos números da violência interpessoal, temos uma violência que não é percebida, não é tematizada, que é a violência causada pela ausência de equipamentos públicos para esta população. Isso provoca a completa exclusão destes jovens, principalmente os mais pobres, do convívio social. Então, essa parcela da população encontra em lugares como o Carrefour uma oportunidade de resistir, de mostrar que eles existem e querem participar da formação social da cidade”, explica o sociólogo Edmilson Lopes Júnior.

Edmilson Lopes Jr. é sociólogo e professor da UFRN

 

O professor da UFRN, no entanto, acrescenta que essa tentativa de marginalização e exclusão de jovens do convívio social não é um fenômeno exclusivamente atual. Ele lembra que há cerca de 15 anos foi elaborado um projeto, e entregue à Prefeitura de Natal, para construção de parques públicos na Via Costeira para atender à população da comunidade de Mãe Luíza, desprovida de equipamentos públicos de entretenimento. A ideia, inicialmente aprovada pela gestão municipal, foi rechaçada após pressão exercida pelo setor de hotéis e empresários, que temiam o aumento da criminalidade na área.

 

“Para as elites locais, são desejáveis apenas os jovens de classe média alta nos espaços destinados à classe média alta. Porém, é impossível controlar as pessoas que estão à margem desse processo. Então, os jovens marginalizados vão ocupar supermercados, shoppings ou outros locais semelhantes para montar resistência. Eu, particularmente, acho isso incrível. É fantástico que exista resistência no Carrefour, por exemplo, porque mostra que há uma criatividade social, um desejo de transformação vinda de uma parcela da população, que supera todas as tentativas de sufocar a liberdade dessas pessoas”, analisa Edmilson.

Juventude troca liberdade por convivência vigiada 

Beijaço LGBT foi divisor de águas e resistência contra homofobia

Carrefour é um local privilegiado, aponta urbanista

 

A localização geográfica do Carrefour também pode ser apontada como fator primordial na transformação do estacionamento do local em área de convivência. Pelo menos é o que defende o arquiteto, urbanista e ambientalista Francisco Iglesias. Ele sugere que a proximidade do supermercado com escolas, universidades e, principalmente, com a Árvore de Mirassol influenciaram na popularização do espaço.

“Quando a Prefeitura instalou a Árvore de Mirassol, no período natalino, muitas pessoas iam para o Carrefour para ter uma visão mais ampla da torre iluminada. Isso aconteceu por acaso, não foi um movimento estimulado ou previamente pensado. A loja, por ficar num lugar mais alto em relação à BR-101, foi transformada num mirante e isso atraiu muita gente para lá”, recorda.

 

Urbanista afirma que a prefeitura não é ousada nem planeja ações para a cidade

 

O urbanista cita que as condições geográficas do Carrefour, construído sobre uma duna, “criam uma sensação de superioridade à cidade. Então, é prazeroso observar de cima a movimentação de veículos, o vai e vem de pessoas… isso passa a sensação de poder sobre o local onde a gente vive. Sem contar que, por estar em um ponto elevado, a circulação de vento naquele local é maior, tornando o ambiente agradável para as pessoas”.

Assim como o sociólogo Edmilson Lopes Júnior, Francisco Iglesias também cita a falta de zelo dos gestores com espaços públicos como fator preponderante para a ocupação do estacionamento. A região de Candelária, por exemplo, onde está cravado o Carrefour, abriga nove praças públicas. Todas têm problemas estruturais e não oferecem boas condições de uso para a população, conforme observa o urbanista.

“É uma soma de fatores que contribuem para que as pessoas simplesmente deixem de ocupar as ruas e passem a ocupar espaços privados, como acontece no Carrefour, mas também ocorre nos shoppings, que são os principais espaços de entretenimento de Natal. Costumo dizer que há uma grave deficiência urbanística em Natal. Não há ousadia, ações planejadas para cuidar da cidade. O que a Prefeitura faz são reparos quando a situação se torna insustentável. Então, a população vai buscando alternativas para não abrir mãos de momentos de lazer”, conclui.

 

* A série de reportagem “#OcupaCarrefour: liberdade vigiada” foi uma das vencedoras da 1ª edição do Mais Repórter, iniciativa pioneira no Rio Grande do Norte financiada exclusivamente pelos leitores assinantes da Agência Saiba Mais. Contribua para que outras reportagens inéditas, como a produzida pelo repórter Norton Rafael, continuem dando visibilidade às narrativas silenciadas da sociedade. Apoie o jornalismo independente: www.saibamais.jor.br/assine.  

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29 Mar 13:32

Delegado diz que foi excluído do caso sobre atentado contra Lula por razões políticas

by Equipe Saiba Mais

Com informações de Joaquim de Carvalho
Diário do Centro do Mundo (DCM)

 

O delegado Wikinson Fabiano Oliveira de Arruda divulgou uma nota para rebater as razões expostas pela Secretaria de Segurança Pública do Estado do Paraná para justificar a designação de outro delegado para conduzir o inquérito que apura o atentado à Caravana de Lula pelo Sul do País.

“Retirar a investigação da minha mão fere o critério de distribuição dos inquéritos no Estado. Assume o inquérito o delegado que estiver de plantão na semana, e esta semana quem está de plantão sou eu”, respondeu o delegado a um colega policial que perguntou se o afastamento dele tinha razões políticas.

“É claro que tem razões políticas. Não gostaram das declarações que dei sobre como vejo o crime. Foi uma tentativa de homicídio”, disse. Por quê? “Porque nós estamos diante do que se chama dolo alternativo. Quem atira contra um ônibus está querendo matar alguém. Não estou dizendo que era para matar o Lula. Mas quem faz isso, atirar em um ônibus, quer, sim, matar alguém.”

É importante destacar que a Segurança Pública do Paraná, na gestão Beto Richa (PSDB), foi comandada por Fernando Franceschini, hoje deputado federal e coordenador da campanha à presidência da República de Jair Bolsonaro. O delegado Franceschini só foi exonerado por Richa após o massacre da polícia paranaense contra professores do Paraná, que na época lutavam contra a aprovação da reforma da previdência estadual.

 

Leia, abaixo a íntegra da nota do delegado Wilkinson:

O Delegado de Polícia Wilkinson Fabiano Oliveira de Arruda, no uso de suas atribuições constitucionais e legais, notadamente quanto à observância dos princípios da publicidade, probidade, moralidade e transparência e na defesa das atribuições do cargo de Delegado de Polícia, diante das recentes publicações em toda à imprensa nacional e internacional sobre o caso dos disparos de arma de fogo que atingiram dois ônibus da comitiva do Ex-Presidente Luís Inácio Lula da Silva, vem a público, prestar os seguintes esclarecimentos:

1. Este Delegado não foi em nenhum momento afastado de suas funções ou sofreu qualquer retaliação por parte da Polícia Civil ou outros órgãos governamentais em razão do enquadramento legal dado ao caso.

2. A atuação deste Delegado no uso de suas atribuições legais são pautadas apenas na técnica jurídica, como convém a qualquer servidor público e em especial à Polícia Judiciária (função policial desempenhada nos Estados e no Distrito Federal pela Polícia Civil).

3. No exercício de atividade funcional do Delegado de Polícia, não existe hierarquia. A hierarquia para Delegados é apenas administrativa, jamais funcional, assim como para membros do Ministério Público e do Judiciário, pois a independência funcional do Delegado de Polícia é garantia constitucional de imparcialidade, que protege em primeiro lugar o cidadão e, ipso facto, é basilar do Estado Democrático de Direito.

4. Desse modo, o enquadramento legal dado a um caso por um Delegado de Polícia deve se fundamentar exclusivamente em critérios técnicos, jamais em critérios políticos, pois Polícia é neutra. “Os governos passam, as sociedades morrem, a polícia é eterna…” (Honoré de Balzac).

5. Na 2ª Subdivisão Policial Laranjeieiras do Sul/PR, existem dois Delegados lotados e, pelos critérios objetivos e predeterminados aqui utilizados para a distribuição dos trabalhos, o Delegado plantonista é o responsável (Delegado Natural) por todos as ocorrências registradas durante seu plantão, o que não impede uma redistribuição ou avocação, desde que de modo justificado, nos exatos termos do §4º do art. 2º da Lei Federal 12.830/2015, verbis: “§4o O inquérito policial ou outro procedimento previsto em lei em curso somente poderá ser avocado ou redistribuído por superior hierárquico, mediante despacho fundamentado, por motivo de interesse público ou nas hipóteses de inobservância dos procedimentos previstos em regulamento da corporação que prejudique a eficácia da investigação”.

6. O Delegado que estava de plantão na noite do fato era o que firma a presente nota, embora, diante da gravidade do fato, ambos os Delegados tenham se dirigido ao local.

7. Efetuar disparos de arma de fogo em direção a um veículo é, na opinião jurídica e fundamentada desta Autoridade Policial, tentativa de homicídio, o que não impede, com o avançar das investigações, novo enquadramento legal, mediante aditamento à Portaria inaugural do Inquérito, se necessário.

8. Enquadramento legal, em regra, é feito com base nos fatos e não nas pessoas atingidas.

9. Constitui-se equivocado e ilegal afirmar que um Inquérito será redistribuído em razão de hierarquia.

10. Não há precipitação alguma em concluir o óbvio, que se há disparo de arma de fogo em direção a diversas pessoas em um ônibus, isso será considerado, em um primeiro momento, tentativa de homicídio, aqui e em qualquer lugar do mundo, embora se respeite opiniões diversas, desde que juridicamente fundamentadas.

11. Este Delegado possui 10 anos de experiência auxiliando os Procuradores em investigações no honroso Ministério Público do Trabalho e dois anos na nobre Polícia Civil do Paraná e jamais permitirá interferências políticas, de quem quer que seja, no exercício de suas atribuições, posto que isso sim seria um atentado à ordem jurídica em vigor e à função de Delegado de Polícia e adotará, se necessário for, as devidas medidas legais e administrativas contra qualquer pessoa que interfira no livre exercício do seu múnus público de defender a tão sofrida sociedade do interior paranaense.

12. A demora na chegada de peritos ao local deu-se em razão da extrema precariedade a que está submetido o Instituto de Criminalística do Estado do Paraná, uma vez que o perito foi obrigado a se deslocar de Guarapuava até o local onde estavam os ônibus (aproximadamente 120Km), o que é práxis no Estado do Paraná e poderia ter demorado muito mais, se estivesse atendendo a uma outra ocorrência.

13. Da mesma forma, os quadros da Polícia Civil do Estado do Paraná encontram-se extremamente deficitários, de modo que hoje o Paraná possui menos Delegados do que municípios e que a nomeação efetuada no dia de ontem pelo Governo de apenas 20 Delegados suprem quase que apenas as COMARCAS vagas (cerca de 11 Comarcas).

14. O Estado do Paraná possui aproximadamente 100 delegados a menos que o Estado de Santa Catarina, mesmo possuindo 100 municípios a mais e quase o dobro da população e da extensão territorial, o que obriga os Delegados do interior a se submeterem a uma escala ininterrupta de sobreaviso, o que atenta contra a saúde e segurança das Autoridades Policiais e também dos seus servidores, os quais também são submetidos a condições precárias de trabalho.

15. Embora entenda a relevância do caso do ataque à caravana do Ex-Presidente, este Delegado pensa que todo o cidadão paranaense (e todo brasileiro) merece o mesmo tratamento de priorização, respeito e esforço dado à investigação do citado episódio, mas não haverá, por certo, nenhum reforço permanente de efetivo e diversos inquéritos continuarão paralisados em todo o Estado do Paraná e também nesta Subdivisão Policial, uma vez que não há concurso para Investigadores ou Escrivães em aberto, o concurso para Delegado está em vias de perder a validade e o concurso previsto para escrivães, com uma previsão de apenas para 100 vagas, não conseguirá suprir a demanda de todo o Estado.

16. Esta Subdivisão Policial, a título de exemplo, já possuiu seis escrivães e hoje possui apenas três.

17. Somente nesta Subdivisão, encontram-se fechadas as Delegacias de Polícia Civil de Porto Barreiro, Laranjal, Goioxim, Rio Bonito do Iguaçu, Nova Laranjeiras etc., por falta de efetivo policial.

18. Essa desestruturação e sucateamento da Polícia Civil do Estado do Paraná é fruto de, no mínimo, 20 anos de investimentos insuficientes e/ou inexistentes e contratações meramente pontuais, que praticamente repõem aposentadorias e exonerações de servidores, fazendo com que a ocupação dos cargos efetivos da PCPR esteja hoje na ordem de 50%.

19. Este Delegado manifesta o seu profundo respeito e admiração pelo Delegado Subdivisional da 2ª Subdivisão Policial de Laranjeiras do Sul, Hélder Andrade Lauria, a quem presta solidariedade e deseja sucesso na condução do inquérito que apura o ataque à caravana do Ex-Presidente da República.

20. Este Delegado não se submete e nem cede a pressões de qualquer natureza, mas ressalta que não recebeu nenhuma ligação de qualquer membro do Governo do Estado do Paraná sobre o caso em questão.

Laranjeiras do Sul, PR, 28 de março de 2018.

WILKINSON FABIANO OLIVEIRA DE ARRUDA

Delegado de Polícia do Estado do Paraná Diretor de Comunicação Social do Sindicato dos Delegados do Estado do Paraná.

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