Curse of 1945: The victors’ nostalgia for their finest hours has led to a fatal propensity to embark on ill-advised military adventures… more»
Adam Victor Brandizzi
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Digit Count

A letter from John Phillips of the Yale University School of Medicine to the New England Journal of Medicine, Feb. 14, 1991:
When referring to the hand, the names digitus pollicis, indicis, medius, annularis, and minimus specify the five fingers. In situations of clinical relevance the use of such names can preclude anatomical ambiguity. These time-tested terms have honored the fingers, but the toes have been labeled only by number, except of course the great toe, or hallux. Is it not time for the medical community to have the toes no longer stand up and merely be counted? I submit for consideration the following nomenclature to refer to the pedal digits: for the hallux, porcellus fori; for the second toe, p. domi; for the third toe, p. carnivorus; for the fourth toe, p. non voratus; and for the fifth toe, p. plorans domum.
Using porcellus as the diminutive form of porcus, or pig, one can translate the suggested terminology as follows: piglet at market, piglet at home, meat-eating piglet, piglet having not eaten, and piglet crying homeward, respectively.
(Thanks, Scott.)
Diagnosis
A letter from Lewis Carroll to Gertrude Chataway, Oct. 28, 1876:
My Dearest Gertrude,
–You will be sorry, and surprised, and puzzled, to hear what a queer illness I have had ever since you went. I sent for the doctor, and said, ‘Give me some medicine, for I’m tired.’ He said, ‘Nonsense and stuff! You don’t want medicine: go to bed!’ I said, ‘No; it isn’t the sort of tiredness that wants bed. I’m tired in the face.’
He looked a little grave, and said, ‘Oh, it’s your nose that’s tired: a person often talks too much when he thinks he knows a great deal.’ I said, ‘No, it isn’t the nose. Perhaps it’s the hair.’
Then he looked rather grave, and said, ‘Now I understand: you’ve been playing too many hairs on the pianoforte.’ ‘No, indeed I haven’t!’ I said, ‘and it isn’t exactly the hair: it’s more about the nose and chin.’
Then he looked a good deal graver, and said, ‘Have you been walking much on your chin lately?’ I said, ‘No.’ ‘Well!’ he said, ‘it puzzles me very much. Do you think it’s in the lips?’ ‘Of course!’ I said. ‘That’s exactly what it is!’
Then he looked very grave indeed, and said, ‘I think you must have been giving too many kisses.’ ‘Well,’ I said, ‘I did give one kiss to a baby child, a little friend of mine.’ ‘Think again,’ he said; ‘are you sure it was only one?’ I thought again, and said, ‘Perhaps it was eleven times.’ Then the doctor said, ‘You must not give her any more till your lips are quite rested again.’ ‘But what am I to do?’ I said, ‘because you see, I owe her a hundred and eighty-two more.’
Then he looked so grave that tears ran down his cheeks, and he said, ‘You may send them to her in a box.’ Then I remembered a little box that I once bought at Dover, and thought I would some day give it to some little girl or other. So I have packed them all in it very carefully. Tell me if they come safe or if any are lost on the way.
Sobre a Matéria Especial da Revista The Economist
Algumas pessoas apontaram para o radicalismo da revista The Economist que, ao contrário de 2009, traz agora o Cristo Redentor desgovernado. Assim, pela foto da capa poder-se-ia esperar uma matéria com viés excessivamente pessimista sobre o Brasil. Mas a matéria especial de 14 páginas está bem escrita e longe de adotar o conteúdo pessimista que a capa sugere.
Vou mais longe. A grande maioria dos analistas econômicos aqui no Brasil e jornalistas locais teriam escrito algo muito mais radical. A repórter, Helen Joyce, conseguiu fazer uma matéria muito boa que está longe de ser ufanista, como alguns desejariam, e longe de ser pessimista como outros gostariam. Vou destacar aqui 10 pontos para dar uma ideia do tom da matéria.
(1) “…Many have now lost faith in the idea that their country was headed for orbit and diagnosed just another voo de galinha (chicken flight), as they dubbed previous short-lived economic spurts”.
Esse é um bom debate. Há poucos anos muitos apostavam que o Brasil cresceria nos próximos dez anos perto de 4% aa. Agora essa expectativa é mais modesta: 3% a 3,5% aa. Ou seja, o crescimento de 4,6% aa ao longo do segundo governo Lula parece uma realidade muito distante e voltamos a debater o voo de galinha. Isso não é invenção da The Economist.
(2) “..But Brazil has done far too little to reform its government in the boom years. It is not alone in this: India had a similar chance, and missed it. But Brazil’s public sector imposes a particularly heavy burden on its private sector, as our special report explains”
Alguém discorda que fomos complacentes com a agenda de reformas a partir do segundo governo Lula? Houve até um esforço do governo de continuar com algumas reformas como a reforma tributária, mas não conseguimos. E demoramos muito para iniciarmos as concessões. Alguém discorda? E, ao contrário de outros países em desenvolvimento que têm espaço para aumentar carga tributária e divida, nós já estamos em um patamar muito acima de outros países em desenvolvimento.
(3) “…..its spending on infrastructure is as skimpy as a string bikini. It spends just 1.5% of GDP on infrastructure, compared with a global average of 3.8%, even though its stock of infrastructure is valued at just 16% of GDP, compared with 71% in other big economies.”
Alguém tem dúvidas que investimos muito pouco em infraestrutura? Há anos Claudio Frishtak da InterB consultoria tem destacado isso, que nosso investimento em infraestrutura nos últimos dez anos não é suficiente nem para manter a qualidade. Esse é um problema tão grave que o governo abraçou uma audaciosa agenda de concessões.
(4) “….These problems have accumulated over generations. But Ms Rousseff has been unwilling or unable to tackle them, and has created new problems by interfering far more than the pragmatic Lula. She has scared investors away from infrastructure projects and undermined Brazil’s hard-won reputation for macroeconomic rectitude by publicly chivvying the Central Bank chief into slashing interest rates. …….and the markets do not trust Ms Roussef.
As pessoas de mercado falam exatamente isso (e muitas pessoas no governo também). Podemos concordar ou discordar dessas avaliações, mas muitos falam exatamente isso e, se for em reunião fechada, o tom é mais forte do que em reuniões abertas.
(5) “…But if Brazil is to recover its vim, it needs to rediscover an appetite for reform. …. Second, it must make Brazilian business more competitive and encourage it to invest. ….. Third, Brazil urgently needs political reform.
Alguma discordância dessa agenda? Mesmo meus amigos que são mais heterodoxos concordam com essas agenda.
(6) “…Ms Rousseff has been hectoring businessmen to invest more, ignoring the fact that it is mainly government obstructionism and heavy-handedness that hold them back. And commodity prices seem unlikely to bail out Brazil’s economy with another growth spurt”
Eu escuto isso de grandes economistas, pessoas com experiência de governo e que são consultores econômicos. Todos muito respeitados. O excesso de intervenção na economia aumentou a insegurança dos investidores. Novamente, isso não é tese da revista mas sim de vários economistas brasileiros.
(7) The country has also blown its chance to cash in on its demographic bônus.
Novamente, isso é outra das teses praticamente consensuais entre economistas, que colocaria lado a lado meus amigos Samuel Pessoa (FGV-IBRE), que não acredita em política industrial, e meu amigo Jorge Arbache (UNB), que acredita em política industrial. Nos estamos na década final do nosso bônus demográfico e a poupança doméstica não cresceu e a tendência é diminuir. Um estudo do Ministério da Previdência anexado a última LDO mostra que, a partir de 2016, o déficit do INSS passará a crescer de forma contínua todos os anos. Isso é estudo oficial do governo anexado à LDO. Novamente, não é tese da revista The Economist.
(8) “Despite all these caveats, this special report will argue that, given the will, there is scope for the social and economic advances of the past two decades to continue….. the government will have to resume the reforms it dropped during the good times: trimming pension benefits, cutting red tape, lowering and simplifying taxes and updating labour laws”.
Eu leio isso em publicações oficiais do próprio governo e escuto isso de economistas de dentro e fora do governo. Hoje, não escuto ninguém defendendo aumento de carga tributária como uma forma de alavancar o nosso crescimento e quase todo mundo fala a favor da agenda de simplificação tributária. No caso da previdência, vamos ter que fazer algo ao longo dos próximos dez anos por imposição demográfica, pode ser uma mudança pequena ou uma grande mas faremos algo.
(9) “…And it makes it harder to persuade the best young graduates to take up teaching in the first place. Pensions form such a large part of total compensation that they squeeze pay. State-school teachers’ salaries are among the lowest for graduate jobs in Brazil, so most high-flyers are not interested.”
A revista fala que os salários de professores são baixos para atrair os nossos formandos mais brilhantes para a sala de aula. Essa é uma tese que escuto de muita gente que estuda o tema educação. Como também que o aumento de recurso para educação deve ser acompanhado por uma melhoria de qualidade que envolve avaliação de professores e alunos e retirar os professores ruins da sala de aula. Se isso vai aumentar o gasto em educação não sei, mas aqui o debate não é apenas reduzir ou simplesmente aumentar o gasto.
(10) “Many Brazilians believe that cutting politicians’ perks would release enough cash to build better roads, schools and hospitals. But although such trimming would be a good thing, only a radical reshaping of public spending, and in particular much later retirement and lower pensions, will produce the required savings.”
Eu concordo 100% com isso. Muita gente acha que o combate a corrupção vai gerar um montanha de recursos que será suficiente para aumentar a oferta e qualidade dos serviços públicos, aumentar o investimento público e ainda reduzir carga tributária. Isso é “wishful thinking”. No Brasil, para criarmos o espaço fiscal para aumentar o investimento público e reduzir carga tributária teremos que mudar regras e rediscutir o gasto público, inclusive o gasto social. Estou aberto ao contraditório mas não me venham com papo furado que fechar 10 ministérios vai nos trazer uma substancial economia. Não vai.
Em resumo, a matéria da The Economist está excepcionalmente bem escrita e longe do tom pessimista que alguns poderiam imaginar, olhando apenas para a capa da revista. O ideal seria crescermos 5% ao ano sem precisarmos fazer reforma alguma. Mas alguém acredita nesta possibilidade? Alguém acredita que o Brasil não fará uma reforma da previdência (pequena ou grande pois vai depender da vontade do eleitor) ao longo dos próximos dez anos? Infelizmente, teremos que fazer escolhas, mesmo que a escolha seja não avançar nas reformas e crescer menos.
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Homecoming

Last November, Jacob and Bonnie Richter of West Palm Beach, Fla., drove their motor home to Daytona Beach to attend an RV rally. Their cat, Holly, bolted when Bonnie’s mother opened the door, and could not be found after several days’ search. Finally the Richters returned home.
On New Year’s Eve, Holly was spotted “barely standing” in a backyard about a mile from the Richters’ house in West Palm Beach. The 4-year-old tortoiseshell had traveled 200 miles over two months to return to her hometown. She was identified both by the black-and-brown harlequin patterns in her fur and by an implanted microchip.
No one is quite sure how cats navigate across such long distances. Like other animals they may rely to some extent on magnetic fields, olfactory cues, and the sun, but generally cat navigation seems surest over short distances. In a 1954 study in Germany, cats were placed in a circular maze with exits positioned every 15 degrees; a cat exited most reliably in the direction of home if home was less than 5 kilometers away.
But at least some cats are capable of much greater feats. British cat biologist Roger Tabor cites “Ninja,” a cat who found his way from Mill Creek, Wash., to his old home in Farmington, Utah, in 1997; Howie, an indoor Persian cat who was left with relatives and traveled 1,000 miles across Australia to return to his family’s home in 1978; and a Russian tortoiseshell who traveled 325 miles from Moscow to her owner’s mother’s house in Voronezh in 1989.
Those exploits, and Holly’s, remain unexplained. “We haven’t the slightest idea how they do this,” cat behaviorist Jackson Galaxy told the New York Times in January. “Anybody who says they do is lying, and, if you find it, please God, tell me what it is.”
A merda como externalidade
O Brasil nada em merda. Seu cheiro une as metrópoles brasileiras. Na dimensão urbanística, a merda nos junta mais do que a Rádio Nacional jamais foi capaz de fazê-lo na comunicação. A merda é tão prevalente na vida brasileira que qualquer debate sobre nossas coisas deveria vir acompanhado do cheiro de merda, por adequação.
Quatro em cada dez domicílios do Brasil carecem de saneamento básico. Em 1992, as casas sem saneamento eram cinco em dez. “Avanço”, saudarão os otimistas nasais. “Cheiro de merda”, dirão os olfativos autênticos.
A falta de saneamento coloca quase tudo em perspectiva nesta terra. Às guerras culturais de velhos e novos subversivos, contrapõem-se as lagoas em que nadam, enfim conciliadas em pasta, a bosta dos ricos e a bosta dos pobres. Às guerras entre sócios da política e da economia, a mousse escorrendo pelas valas. Às nossas pretensões todas de grandiosidade, a fossa líquida dos nossos rios e baías.

Na Vanity Fair, o jornalista Michael Lewis escreveu em 2011 uma crônica sobre a atitude alemã em relação à crise financeira mundial. Para explicar a forma do que descrevia, Lewis resgatou um texto do antropólogo americano Alan Dundes sobre a relação entre os alemães e a sujeira. Na Alemanha, dizem Lewis e Dundes, a merda figura com frequência obsessiva no imaginário. O desenho típico dessa obsessão é a de um exterior limpo a revestir um interior sujo.
No nosso caso, a merda nos visita como presença, e não como sugestão. Sua matriz de fetiche é esvaziada pelo alcance do próprio objeto: a merda está próxima demais. O que nos distingue vis-à-vis à merda é a nossa fleuma fecal. Só a insensibilidade cultivada pode explicar por que o Brasil é tão retardatário em saneamento.
(“Falta dinheiro” é uma mentira. “Falta vontade política” é só uma casca.)
A Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, é um bairro de lagoas. Essas lagoas, por sua vez, são cercadas por alguns dos condomínios mais ricos do Brasil. Por décadas, esses condomínios fechados ao público despejaram o creme de sua cloaca ao público, nas lagoas.
(Se falasse, a cloaca velha lembraria de culpar o governo e os políticos – pois a cloaca, ela mesma, é inimputável.)
Na Barra e além, a nossa capacidade de isolar o oásis do privado do deserto do comum deságua no valão. Se, por acaso, a mensagem do valão invade o oásis como fedor, ficamos quase como o protagonista de “O cheiro do ralo”, de Lourenço Mutarelli: “o cheiro não é meu, o cheiro é do ralo”. Como se o ralo – no caso, o valão, pudesse ser isolado do humano, e do privado. Ou ainda: “a culpa não é minha, a culpa é deles”: como se, com a atribuição da responsabilidade a um sujeito composto e indeterminado, o cheiro pudesse diminuir.

Para Freud, a repulsa ao fedor de merda tem um forte componente social, mas “não obstante todos os progressos evolutivos do ser humano, dificilmente ele acha repulsivo o cheiro de suas próprias fezes”. O que Freud escreveu em “O mal-estar na civilização” sofre, entre nós, um deslocamento retórico-político. A merda de fundo público, a que perfuma nossas cidades, fede como paisagem, geografia com a qual nos acostumamos. Tomado por si, o bafo de verão da Marginal Pinheiros, em São Paulo, justificaria revoluções e bombas de hidrogênio, mas não: toleramos a bosta como externalidade, algo que não tem a ver conosco, mas acontece. Só assim podemos nos concentrar nos nossos devaneios de novos ricos.
Com ou sem fibra, fleuma fecal faz dos nossos líderes e intelectuais, orgânicos. Somos capazes de debater grandes temas ilhados por merda. Nossa versatilidade é a de escafandristas fecais. Nossa ágora fede: fantasmas de donas-de-casa coloniais ainda lançam baldes de bosta das janelas.
Redescobrir, reencontrar a face do nosso fracasso boiando como merda é uma tarefa nacional. “Somos pobres”, concluiria o Narciso brasileiro. A merda brasileira merece uma sociologia só sua.
(O que talvez prejudique a luta por saneamento básico seja o tom de propaganda de Activia do discurso sobre o tema. A assepsia conspira contra. “Combater o cheiro de merda”: é assim que a questão deve ser vendida.)
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Comentário de Ronaldo Pelli:
Você tem toda a razão quando diz que: “a falta de saneamento coloca quase tudo em perspectiva nesta terra”. Mostra que, além de um grande abismo social, temos também uma igualdade fecal vergonhosa.
Luiz Carlos Pontes;
Um passeio pelo interior do Brasil e voltamos com a imagem de um país parabólico. Em cada casebre, uma antena. Para cada antena nem mesmo uma fossa. Das obras de saneamento, diz-se aliás, que embaixo da terra não se ganha voto. Assim seguimos juntos na “coprocracia” à céu aberto.
Igor Barbosa:
“Peidei mas não fui eu”, “Alguém peidei, não sei quem fui” - nossa sujeira atinge até o nosso traço cultural que atinge tudo, o de fazer piada. Quem atira nos atiradores? No nosso caso, o que os atinge os tinge de marrom fedido. A zoeira não tem limites?
Sobra a síntese necessária: Se a merda cobre ATÉ a sua própria presença nas piadas e se essa cobertura se processa pela suposição de externalidade, essa suposição ou é a própria merda ou a alimenta.
Não é só por vinte centavos, não é só pelo meu aumento, mas os alunos continuam sem aula. O governador continua uma merda eleita pelo povo.
Chova ou faça sol, lecione ou faça greve, teu aluno não aprende como se lê nem escreve.
Peidamos, mas não fomos nós.
Jeffrey Sachs’ failure
Jeffrey Sachs, boy genius at Harvard, tenured at 28, thought he could eradicate poverty. He brandished a 147-page plan. Anyone surprised that it failed? more»
Get to Know Egypt’s Islamists
Adam Victor BrandizziSe tem um negócio que acho impressionante é a Irmandade Muçulmana. Deu vontade de ler o livro agora.
It is remarkable that after years of occupying countries with predominantly Muslim populations—following attacks motivated by a particular brand of Islam—most Americans, including commentators and politicians, remain misinformed about the politicization of Islam and the effect Islamism has across this area of the world. The recent war in Iraq and the ongoing conflict in Afghanistan tragically highlighted the importance of understanding demographic and sectarian complexities in the Middle East and South Asia.
Yet events across the Arab world in the last few years have made it clear that it is not only in countries where American troops are patrolling streets or the CIA is conducting drone strikes that significant, unpredicted, and often violent political and cultural changes can take place. This is perhaps the most clear in Egypt.
Given Egypt’s crucial position as the Arab world’s most populous nation, it is especially welcome that Emory University’s Carrie Rosefsky Wickham has written The Muslim Brotherhood, an accessible and informative analysis of one of the most important and perhaps most misunderstood political organizations in the Middle East.
In June 2012 Mohamed Morsi, a member of the Muslim Brotherhood, was sworn in as president of Egypt after elections held in the wake of huge popular protests that brought down the military-backed dictatorship of Hosni Mubarak. Although not where the Arab Spring began, Egypt had quickly become the focus of attention amid the wave of protests across the Arab world in 2011, and Mubarak came to represent the sort of authoritarianism that protesters across the region were demonstrating against. The protesters in Tahrir Square seemed to stand for all who wanted democracy and liberal reforms.
After Morsi came to power the fact that Egypt was to be led by a member of the Muslim Brotherhood caused concern among those segments of Egyptian society that had been comfortable with Mubarak’s rule. The Arab Spring had resulted not in the emergence of a moderate Egyptian government but one headed by a member of a political movement founded on Islamism. The Muslim Brotherhood’s electoral successes naturally enough also revived discussions in America about the role of Islamist movements in Middle Eastern politics and what U.S. foreign policy should be in the region. Democracy promotion had been a pillar of U.S. foreign policy under George W. Bush—but what if the democrats who came to power in the Middle East were distinctly illiberal ones?
Wickham’s book provides a fascinating historical account of the Muslim Brotherhood and its development over the decades, while also showing how misguided much of the commentary on the Muslim Brotherhood is. Wickham argues that while the Muslim Brotherhood undoubtedly wants to implement political change, it has itself undergone transformations throughout its history, prompted by political reality. This dynamism makes characterizing the Muslim Brotherhood’s mission and the ambitions of its members very difficult.
One of the most revealing parts of The Muslim Brotherhood is its examination of the group’s ideology, which is the key concern many in the West have with its involvement in Egyptian politics. The Muslim Brotherhood was founded on a particular strict interpretation of Islamic law (Shariah) at the beginning of the last century, and it is today viewed by many in the West as the embodiment of a worrying political Muslim worldview. But while it may come as a surprise to an audience unfamiliar with Egyptian politics, for some of the Muslim Brotherhood’s history it has been a proponent of granting political rights to women, despite opposition from many members, and of democratic reform. It has also, like any political movement, experienced its share of internal conflicts.
Founded in 1928 by Hasan al-Banna, the Society of the Muslim Brothers was only one religious organization in Egypt that was reacting against Western influences in Egypt. Under al-Banna’s charismatic leadership, the movement grew to hundreds of thousands of members only a little over a decade after its founding—and the entire population of Egypt in 1940 was only around 17 million. Wickham’s account of the Muslim Brotherhood’s beginnings outlines not only what the group stood for but also what it came to represent a reaction against—namely Western influences and domestic authoritarianism, though Wickham notes as well the Brotherhood’s own worrying relationship with authoritarian governments in Europe.
To many observers in the West, it seems contradictory that the Muslim Brotherhood has evolved and developed in opposition to authoritarianism while also advocating a strict interpretation of Islam as a basis for personal and political life, an interpretation that if fully implemented would hardly be characterized by tolerance. Wickham explains how some members of the Muslim Brotherhood’s leadership intend Shariah to be implemented.
One of the most fascinating parts of the book is a discussion of an interview she conducted with Morsi in 2010 in which he said that while the Muslim Brotherhood would allow for individuals to doubt the foundations of Islam in private, the Muslim Brotherhood would prohibit the promotion of such doubt in public. In fact, even homosexual activities and breaking fast during Ramadan would be considered tolerable as long as not promoted in public. While far from ideal for anyone sympathetic to liberalism, Morsi’s understanding of political Islam is different from the sort of totalitarian fundamentalism that the West often associates with Islamism.
Egypt has become a recurring target of libertarian-leaning legislators in Congress, who highlight the fact that aid continues to be handed out to Cairo despite its illiberal leadership. While non-interventionists might well applaud criticisms of the American government’s policies relating to Egypt, Wickham highlights the fact that the situation there—and the Muslim Brotherhood’s influence—cannot be understood simply as a resurgence of fundamentalist Islam that has been brewing in the region for decades.
Indeed, non-interventionists are not immune to broad generalizations. When Sen. Rand Paul (R-Ky.) told an audience at CPAC this year, “I say not one penny more to countries that are burning our flag,” he was making a point that resonates with Americans who want to scale back U.S. involvement in the rest of the world, but he was also drawing a rather tenuous link between the behavior of some Egyptians and Egyptian officials in government who happen to be members of the Muslim Brotherhood, an organization that Wickham points out cannot be characterized in sound bites. If noninterventionists want to be more involved in foreign-policy decisions on Capitol Hill, they will have to move beyond rhetoric and deal with the complex political reality in places like Egypt.
Anti-Americanism has been seen in Egypt across the political spectrum. During the coup this summer, some protesters bemoaned the U.S. relationship with Morsi, with one memorable sign reading, “Obama your bitch is our dictator.” In contemporary Egypt, it seems that the U.S. will continue to be viewed with suspicion—and in some cases anger—by whichever side is out of power, presenting American legislators with an awkward diplomatic situation.
While The Muslim Brotherhood provides an excellent account of the organization’s history and how it compares to other Islamist movements in the Middle East, the most valuable lesson of Wickham’s book is that the Muslim Brotherhood is an example of how long-term politics in Egypt, like anywhere else, is conducted with ideological compromise and pragmatism. While Americans accept this as a given in domestic politics, it is too easily forgotten when the political situations in other countries are considered. ![]()
After reading Wickham’s book it becomes easier to understand why so many Egyptians feel that the Muslim Brotherhood is their only refuge. The organization is exactly what the West fears during times of political upheaval—but during times of relative stability, it’s something more complex. Without the violence that followed Morsi’s removal, Wickham’s book would have been a fascinating examination of an influential and often misunderstood political movement. But given the present situation in Egypt, the book provides more than just an interesting history of the Brotherhood—it also allows the reader to examine the country’s most significant political change in perhaps a generation with a more informed perspective.
Matthew Feeney is assistant editor of Reason 24/7 at Reason.com.
"Cartão da paquera" é encontrado em livro doado ao Instituto Histórico e Geográfico do RS

Cartão de galanteio encontrado em meio a um livro que pertencia a Othelo Rodrigues Rosa.
Foto: Arquivo Pessoal
O gaúcho Othelo Rodrigues Rosa, nasceu em Montenegro em 1889 e morreu em Porto Alegre em 1956. Ele foi um homem eclético: jornalista, escritor, poeta, historiador e promotor nomeado em 1911. Em 1915, tornou-se secretário particular do governador Borges de Medeiros. Membro do Partido Republicano Rio-grandense, elegeu-se deputado estadual. Foi também o primeiro secretário de Educação do RS, no governo Flores da Cunha. Redator do jornal O Taquaryense, diretor de A Federação (1925/1930) e do Jornal da Noite (1931/1932). Membro do Instituto Histórico e Geográfico do RS (IHGRGS) e da Academia Rio-grandense de Letras, é o autor do livro Vultos da Epopeia Farroupilha.
O acervo bibliográfico que ele reuniu ao longo da vida, doado pela Assembleia Legislativa ao IHGRGS, era eclético como ele. Os títulos vão de obras de Eça de Queirós até coisas como A vida sexual dos macacos. Recentemente, ao manipular o conjunto de bens culturais recebidos, a funcionária Márcia Piva Radtke encontrou entre as páginas de um dos livros o curioso cartão reproduzido acima. Homem de interesses múltiplos, provavelmente Othelo julgou interessante guardar esse galanteio impresso em papel, por algum “profissional” do fazer a corte às damas da época. Tão provável quanto a possibilidade desse não ser o único exemplar dessa manifestação de amor arrebatada, transcrita em letra de fôrma, pronta para circular em grande quantidade. Tudo indica que, no passado, o dono do cartão se deu bem, a julgar pela inequívoca marca que se observa no canto inferior direito do cartão.
Colaborou professor Sérgio Alves Teixeira
kingcheddarxvii: I feel this picture on a spiritual level I...
Epigenetics: Are Genes The New Brains?
Adam Victor BrandizziDeveras curioso, mas se Neuroskeptic botou fé, boto também.
Over at the Pacific Standard, David Dobbs writes on: The Social Life of Genes
It’s an excellent piece about epigenetics and gene expression – the process by which particular parts of our DNA are ‘switched on’, or off, within cells:
Genes can vary their level of activity, as if controlled by dimmer switches. Most cells in your body contain every one of your 22,000 or so genes. But in any given cell at any given time, only a tiny percentage of those genes is active.
This is well-established biology; what’s new is the idea that:
The environment could spin the dials on “big sectors of genes, right across the genome” – and that an individual’s social environment might exert a particularly powerful effect. Who you hung out with and how they behaved, in short, could dramatically affect which of your genes spoke up and which stayed quiet – and thus change who you were.
For instance, comparing socially isolated people to others, researchers Cacioppo and Cole found that:
Of roughly 22000 genes in the human genome, the lonely and not-lonely groups showed sharply different gene-expression responses (in leukocytes) in 209 genes. That meant that about one percent of the genome – a considerable portion – was responding differently depending on whether a person felt alone or connected…
Whole sectors of genes looked markedly different in the lonely and the socially secure. And many of these genes played roles in inflammatory immune responses…
Good stuff, and there’s plenty more detail (including some remarkable studies of bees) in Dobbs’ piece.
But while reading the article I felt an odd sense of deja vu. Why? I don’t know much about genes. I’m a brains guy. But then I realized, that was it – I’d heard this kind of thing before about brains.
Here’s a bit from near the end of the article, where Dobbs is in conversation with epigeneticist Steven W. Cole. I’ve just made a little adjustment:
We were in fact skirting the rabbit hole that is the free-will debate. Yet he wanted to make it clear he does not see us as slaves to either environment or brains.
“You can’t change your brain. But if we’re even half right about all this, you can change the way your brain behaves – which is almost the same thing. By adjusting your environment you can adjust your brain activity. That’s what we’re doing as we move through life. We’re constantly trying to hunt down that sweet spot between too much challenge and too little.
“That’s a really important part of this: To an extent that immunologists and psychologists rarely appreciate, we are architects of our own experience…”
Cole was talking about genes, but couldn’t he almost have been discussing brains? I’m thinking here of the recent discussions about neuroplasticity, the idea that the environment can alter brain structure and function. The story is the same: “We used to think that biology determined our lives, but now we know that life can influence biology.”
There’s a lot of truth in that, in both cases.
However, if genes are the new brains, then epigeneticists will need to be careful not to fall into the same traps that neuroscientists are only just learning to avoid.
One thing we’ve learned that it’s easier to measure brain activity than to interpret it. Brain activity-behaviour correlations are ten a penny, but the mere fact that the brain is activated by something, or activated differently in two groups of people, tells us nothing. Working out what causes what, what’s important and what’s trivial, is the goal, and it’s not an easy one to achieve.
There are 22,000 genes; there are some 20,000 voxels in the average fMRI scan of the brain, so even the statistics of analyzing their activations are quite similar.
Finally, it seems I’m not the first to spot the parallels here, because three years ago Greg Miller wrote a piece called The Seductive Allure of Behavioral Epigenetics. This was surely an allusion to The Seductive Allure of Neuroscience Explanations, the famous 2008 paper about fMRI.
The post Epigenetics: Are Genes The New Brains? appeared first on Neuroskeptic.
Com todo respeito aos que protestam, eu sou mais ou menos assim...

Com todo respeito aos que protestam, eu sou mais ou menos assim uma boa parte do tempo.
September 30, 2013

About to board an airplane, so hopefully there are no typos! Thanks again to the festiblog crew!
A New Style
Alguns problemas em uma coluna de Drauzio Varella
Admiro o Drauzio Varella. Sua habilidade de falar ao público amplo às vezes atrai antipatia, mas eu a julgo notável e muito bem aplicada em causas importantes. Ainda assim, na sua coluna na Folha do dia 7 de setembro não pude deixar de perceber algumas afirmações dúbias. Por exemplo, ele afirma que o programa Mais Médicos é uma resposta improvisada aos protestos de junho:
Talvez por falta do que propor nas duas primeiras áreas [transporte público e educação], decidiu atacar a da saúde. A população se queixa da falta de assistência médica? Vamos contratar médicos estrangeiros, foi o melhor que conseguiram arquitetar.
Isto, porém, não pode ser verdade, porque o anúncio do programa foi feito ainda em maio. O Mais Médicos, por sinal, seria uma péssima resposta eleitoreira, pois focaria no público-alvo errado. Os manifestantes eram jovens urbanos, preocupados com os problemas da saúde em sua cidade, mas o programa atende populações remotas cujos problemas raramente aparecem nos jornais. Ademais, o programa já era polêmico, de modo que não consistiria em um bom aplacador de ânimos. Eu mesmo me assustei quando a presidente mencionou o programa no seu discurso emergencial. Felizmente, a polêmica inicial parece superada.
A pergunta que o doutor faz (“Se o problema é antigo, por que não foi encaminhado há mais tempo?”) é pertinente, mas também capciosa, porque se aplica a qualquer questão emergencial e a qualquer momento. Drauzio se pergunta isto em 2013, mas poderia tê-lo perguntado em 2005 ou 1999 e a o tom de acusação sempre estaria presente. Mesmo que questão tivesse sido resolvida em 1999, é certo que ainda teríamos problemas ao mesmo tempo antigos e emergenciais no Brasil de hoje, aos quais poderíamos direcionar o mesmo questionamento.
Isto não tira o valor da pergunta. Tampouco a resposta que propõe – “a área da saúde nunca foi prioritária nos últimos governos” – é necessariamente errada. Entretanto, entregar-se rapidamente a esta resposta traz quatro problemas. Primeiro, esconde outra questão: se a saúde não foi a prioridade, o que foi? Os governos trabalharam em muita coisa durante este tempo. Desde antes de Fernando Henrique os governantes no Brasil gerenciam urgências quase intratáveis, da hiperinflação à miséria, da desigualdade à violência, das reformas institucionais à saúde. Tudo isso, e ainda mais coisas, deve ser prioridade; infelizmente, porém, quanto mais causas prioritárias há, menos prioritárias as causas são. Se a saúde parece menos prioritária é porque há bastantes concorrentes.
Segundo, quando Drauzio pergunta se o leitor “lembra de alguma medida com impacto na saúde pública adotada nos últimos anos”, urge indagar-se o que seria uma “medida de impacto”. Se for uma medida digna da memória do leitor, suponho que deva ser grandiosa e visível. Entretanto, não me surpreenderia se as pequenas mudanças, feias, entediantes e não escaláveis, fossem mais importantes que as mais pomposas. Tais avanços, por sinal, podem já estar em execução mas, por sua natureza, são menos visíveis. Estas mudanças estão sendo feitas? Não sei, mas sei que ninguém as investigou.
Este é o terceiro problema: a busca de médicos do exterior não foi a primeira medida tomada. Considere o salário dos médicos no interior, que pode ser três vezes o de um médico na capital e maior que o do prefeito! Para chegarmos a tais valores houve muitas ofertas durante anos. Outra tentativa desesperada foi tomada em Sobral, onde médicos são trazidos por aerotáxi para a cidade. Muito foi tentado antes de se apelar para os estrangeiros.
Tais ofertas, por sinal, pesam muito nas contas municipais, o que nos leva à quarta questão. Tanto a União quanto os estados e os municípios são responsáveis por alguma parte da saúde pública; identificar a responsabilidade de cada um é um desafio, assim como intermediar a comunicação entre eles. Melhorar a saúde pública passa por considerar os desafios da própria federação.
No fundo, há um problema maior que temos medo de anunciar: prover saúde pública de qualidade em um país como o Brasil não é fácil e não será rápido. Saúde pública é um dos serviços mais caros e complicados que um governo pode prover. Atendimento e remédios são caros, tratamentos são pesadamente regulamentados e há um custo alto de fiscalização. Fazer isso funcionar bem em um país continental, com regiões de difícil acesso, renda per capita baixa e grande parte do orçamento travada é algo hercúleo. Para piorar, quanto melhor for o sistema público de saúde, mais caro ele será, pois mais usuários terá. Não discordo que bons gerentes – ou mesmo estadistas – tragam mudanças positivas, mas o problema é muito maior que qualquer liderança individual.
Ademais, é bom termos certa perspectiva global. Por pior que seja, o sistema de saúde brasileiro é uma obra enorme que ajuda um tanto nas horas de desespero. Durante a maior parte da minha vida, era minha única opção e muitos familiares meus dependeram e ainda dependem do SUS. As filas são revoltantes, o atendimento nem sempre é bom (frequentemente, é péssimo) e as esperas podem ser longas; mesmo assim, penso quão desesperador seria não ter essas mínimas opções. A maior parte da população mundial, e boa parte dos brasileiros, na verdade, não as tem. É instrutivo se pôr no lugar deles.
De maneira alguma tenho mais conhecimento sobre saúde pública que Drauzio Varella, naturalmente. Ainda assim, acredito que ele foi impreciso em sua última coluna, e julgo que precisão é uma necessidade se quisermos saber quais são as causas dos problemas na saúde. Também é válido reconhecer que, por incompleto que seja, o sistema de saúde pública têm feito uma diferença relevante na vida de muitas pessoas, e seu talvez maior defeito é não conseguir tornar essa relevância mais universal. A saúde no Brasil é lastimável mas é preciso ter as ideias no lugar para sairmos desta situação.
Toucan Cam
I don’t know if this is actually Brazil, but it’s really cute - a toucan finds a traffic camera
Aliás, talvez você aprecie esta versão de Putting on the Ritz.
Aliás, talvez você aprecie esta versão de Putting on the Ritz.
Como o Judaísmo recebeu a teoria de Copérnico?
Adam Victor BrandizziTaí, nunca tinha pensado nisso...

O blog On Faith, do Washington Post, publicou um texto de Jeremy Brown, professor de Medicina e autor de um livro sobre a recepção do Judaísmo às teorias heliocêntricas de Nicolau Copérnico. O artigo de Brown lembra que, embora a reação católica seja amplamente conhecida (e distorcida, acrescento eu; basta comparar o que realmente aconteceu a Galileu com o que dizem por aí sobre o que aconteceu a Galileu), a resposta de outras religiões é pouco abordada; Marcelo Gleiser deu dicas sobre como os luteranos viam a teoria heliocêntrica, mas até agora a visão judaica sobre o tema era tema praticamente ausente da discussão.
O rabino Joseph Delmedigo estudou com Galileu em Pádua e foi o primeiro líder religioso judeu a abraçar o heliocentrismo com entusiasmo. (Imagem: Reprodução)E, a julgar pelo texto de Brown, os judeus tiveram, de início, a mesma reação cautelosa dos cristãos e, inclusive, dos demais cientistas (lembremo-nos que, no tempo de Copérnico, nem mesmo os mais respeitados astrônomos da época, como Tycho Brahe, abraçaram o heliocentrismo). O rabino e astrônomo David Gans, por exemplo, elogiava Copérnico, mas discordava de seu modelo com base em dúvidas de caráter científico. E Brown ainda lembra que o modelo em que a Terra se move em torno do Sol apresentava, para os judeus, o mesmo problema posto para os cristãos, que era a questão da interpretação de trechos da Escritura que davam a entender que a Terra era imóvel e o Sol é que se movia.
O primeiro líder judeu a abraçar o heliocentrismo com entusiasmo foi o rabino Joseph Delmedigo, que conheceu Galileu na Universidade de Pádua e publicou um livro defendendo o modelo de Copérnico em 1629. Mas isso não foi suficiente para conseguir unanimidade entre a comunidade judaica, pois Brown conta que, em 1707, uma enciclopédia publicada pelo rabino e médico Tobias Cohen rejeitava o heliocentrismo, chamava Copérnico de “primogênito de Satã” e dizia que nenhum judeu poderia aceitar essa teoria, pois ela se chocava com as passagens bíblicas sobre a Terra imóvel. Mas, naquele mesmo século, ganhou força entre os judeus uma corrente que soube conciliar as descobertas científicas com a crença de que a Torá é a verdadeira palavra de Deus, aceitando que nem tudo no texto sagrado devia ser entendido de forma 100% literal, já que Deus estaria falando na “linguagem do dia a dia”. “Pode não parecer grande coisa para quem vê de fora, mas dentro do mundo tradicional da academia judaica foi uma mudança radical”, diz Brown, que encerra dizendo que ainda hoje há alguns judeus ultraortodoxos que rejeitam o copernicanismo (assim como ainda há católicos que fazem o mesmo), mas são um grupo sem representação nenhuma, e sem respaldo dos líderes religiosos do Judaísmo.
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Prêmio Top Blog, votação em curso!

Começou no dia 9 a primeira rodada de votação da edição 2013 do prêmio Top Blog. Em 2010 e 2011, o Tubo venceu a categoria “Religião/blogs profissionais” pelo voto popular. Em 2012, não ficamos entre os finalistas, mas o Blog Animal, também da Gazeta, venceu sua categoria pelo júri acadêmico. Para votar no Tubo, basta você clicar aqui ou no banner ao lado. Cada conta de e-mail só pode votar uma vez no mesmo blog, mas nada impede que, com uma mesma conta de e-mail, você possa votar em vários blogs de sua preferência. Da mesma forma, você pode votar no Tubo mais de uma vez se tiver duas ou mais contas de e-mail. Basta preencher, no alto da página do prêmio, seu nome e e-mail. Você receberá uma mensagem com um link para confirmar seu voto. Também é possível votar pelo Facebook. Neste ano, teremos outros blogs da Gazeta do Povo concorrendo também; à medida que eles forem se inscrevendo, vocês saberão como votar em todos eles.
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Você pode seguir o Tubo de Ensaio no Twitter e curtir o blog no Facebook!
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Going Down
Adam Victor BrandizziSempre me impressiona o jeito dessas pessoas antigas de pensar!
In antiquity Aristotle had taught that a heavy weight falls faster than a light one. In 1638, without any experimentation, Galileo saw that this could not be true. What had he realized?
Experimentos sugerem que simples ataques ad hominem pioram tremendamente o restante de uma conversação online
Via @relances, no twitter, esse texto, de uma revista eletrônica, dizendo que decidiu fechar a caixa de comentários, pois as discussões facilmente degingolavam para posições polarizadas sem sentido.
São resultados importantíssimos, e preocupantes, para quem se preocupa com discussões que possam produzir aprendizados ou convergências para com ideias mais próximas da verdade.
Sem ter lido os estudos, diria que deve haver muita variação nesses resultados. Há contextos e contextos. E mais, temos que aprender, nessa nova sociedade em que vivemos, que precisamos aprender a discutir online. Isso precisa ser ensinado nas escolas e em casa pelos pais. Deve fazer parte da educação. Só precisamos definir o que é uma boa educação a esse respeito.
Um trecho:
A politically motivated, decades-long war on expertise has eroded the popular consensus on a wide variety of scientifically validated topics. Everything, from evolution to the origins of climate change, is mistakenly up for grabs again. Scientific certainty is just another thing for two people to “debate” on television. And because comments sections tend to be a grotesque reflection of the media culture surrounding them, the cynical work of undermining bedrock scientific doctrine is now being done beneath our own stories, within a website devoted to championing science.
Trecho do estudo, citado por eles:
Filed under: english, Manoel Galdino, Política e Economia Tagged: comentários, debates, discussão, experimentos





















