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21 May 10:02

Zelotes: Oposição não comparece à audiência; delegados dizem que lei é condescendente com crimes tributários

by Conceição Lemes

zelotes - audiencia 20 de maio

Na mesa: os delegados Hugo Correia (E) e Marlon Cajado (D); no centro, o deputado Valtenir Pereira (Pros-MT)

zelotes - audiência 2

Oposição não compareceu à audiência, que foi acompanhada por boa parte dos deputados petistas. Entre eles,  da esquerda para a direita, Adelmo Leão (MG), Paulo Pimenta (RS) e Toninho Wandscheer (PR). Fotos: Zeca Ribeiro/ Câmarados Deputados

Zelotes: “Crimes tributários têm tratamento diferenciado de crimes comuns”, critica delegado da Polícia Federal

 da assessoria de Imprensa do deputado Paulo Pimenta (PT-RS), via e-mail

A subcomissão da Câmara dos Deputados que acompanha a Operação Zelotes recebeu, na manhã desta quarta-feira (20), os delegados da Polícia Federal Marlon Oliveira Cajado dos Santos, da Divisão de Repressão a Crimes Fazendários, e Hugo de Barros Correia, da Coordenadoria Geral da Polícia Fazendária. Os dois são responsáveis pela investigação da Operação Zelotes, que apura o esquema de corrupção no Conselho de Administração de Recursos Fiscais (Carf), em que empresas com débitos tributários com a Receita Federal pagavam propina a conselheiros que atuavam no órgão para escaparem das dívidas.

Na audiência pública, que foi acompanhada durante boa parte somente por deputados petistas, os delegados fizeram críticas à legislação, à composição do Carf e à Súmula Vinculante 24 do Supremo Tribunal Federal que, segundo eles, reduziu pela metade os inquéritos policiais contra crimes tributários nos últimos cinco anos.

“Não é que diminuiu a quantidade de crimes tributários, ou que a Polícia está investigando menos. A Súmula do STF, de 2009, consolida o entendimento de que a PF não pode instaurar inquérito policial se a Receita Federal, em sua última instância, não constituir definitivamente o crédito tributário. Isso dificulta e impede o início de uma investigação”, lamentou o delegado Hugo Correia.

O delegado informou que muitas das investigações relacionadas ao Carf só foram possíveis a partir de evidências de crimes de corrupção, advocacia administrativa, tráfico de influência e lavagem de dinheiro. Os delegados enfatizaram que a legislação brasileira permite um tratamento diferenciado para crimes tributários em relação aos crimes comuns. Segundo eles, a leis são mais condescendentes no âmbito do direito penal tributário.

De acordo com delegado Marlon Cajado dos Santos, a conclusão do inquérito deverá ocorrer em quatro meses, e que a ideia é desmembrar a investigação para dar mais celeridade. Marlon Cajado dos Santos também criticou a fórmula de composição do Carf, que possui 216 conselheiros, sendo metade de servidores de carreira da Receita Federal e a outra metade composta por representantes da sociedade civil. “Está demonstrada que a paridade do Carf facilitava a atuação de pessoas que buscavam cometer irregularidades”, disse com base nas investigações.

Deputado Pimenta defende “investigação dentro da investigação”

Relator da subcomissão, o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) defendeu que seja feita uma “investigação dentro da investigação”. O deputado disse temer que haja uma contaminação das “esferas superiores” no andamento dos processos, em razão dos vultuosos valores e do envolvimento de pessoas e empresas muito influentes no País.

Pimenta classificou como “estranho” o fato de a Justiça ter negado os 26 pedidos de prisão solicitados pelo Ministério Público Federal e ter decretado o sigilo das investigações. Diante desses fatos, o deputado Pimenta anunciou que, na próxima semana, fará uma representação ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) pedindo a instauração de procedimento para apurar possíveis irregularidades na prestação jurisdicional na 10ª Vara Criminal Federal do DF.

“Não é razoável que um País como o nosso, com as necessidades e as dificuldades que possui, tenha créditos bilionários sem que haja uma agilidade ou prioridade por parte do Poder Judiciário. Como é possível existir processos bilionários como esses prescrevendo em prejuízo da União em varas especializadas de combate à lavagem de dinheiro e aos crimes de colarinho branco?”, questionou o deputado Pimenta.

De acordo com o relator, deputado Paulo Pimenta, os próximos convidados para falarem à subcomissão serão o Presidente do Carf, Carlos Alberto Freitas Barreto,  e a Corregedora Geral do Ministério da Fazenda, Fabiana Vieira Lima.

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20 May 17:59

Altamiro Borges: PT, MST, Stedile, MTST, UNE, alvos do reacionarismo doentio do Estadão

by Conceição Lemes

JornalEstadao

O reacionarismo doentio do “Estadão”

por Altamiro Borges, em seu blog

O falido jornal Estadão, da decadente famiglia Mesquita, não nega as suas origens de classe. Fundado no final do século XIX por um grupo de 23 empresários – entre eles, alguns oligarcas do café que exploravam trabalho escravo –, o diário sempre foi um inimigo feroz das lutas sociais. Em seus editoriais, ele pregou dura repressão aos anarquistas, comunistas e todas as correntes que lideraram greves e protestos pela ampliação dos direitos dos trabalhadores. Na sua longa trajetória, ele sempre conspirou contra governos que não seguiam sua cartilha. Foi assim contra Vargas, Goulart e, mais recentemente, contra Lula e Dilma. Com o passar do tempo, porém, a visão reacionária do Estadão ficou ainda mais doentia.

Prova disto são os editoriais das últimas semanas que destilaram veneno contra os professores do Paraná e de São Paulo, contra o MTST e o MST e, nesta terça-feira (19), contra a UNE. O mais repugnante foi obrado em 1º de maio, intitulado “Lições de selvageria”. Nele, o jornalão justificou o massacre dos grevistas promovido pelo governador Beto Richa (PSDB-PR), no final de abril – que resultou em 200 feridos. “Não se pode deixar de criticar a violência desmedida da PM em alguns casos, mas também não se podia esperar outra reação da força policial destacada para fazer cumprir a lei – coisa que esse pessoal com máscaras, pedras e paus, em seus delírios, vê como expressão de um regime que pretende derrubar”.

Nos dias seguintes, o Estadão voltou a manifestar seu ódio de classe aos professores em editorais e “reporcagens”. Num deles, publicado em 15 de maio, o jornal argumentou que as greves da categoria têm “objetivos mais políticos do que salariais” e prestou o papel de advogado de defesa dos tucanos. “Atualmente, existem 29 sindicatos que representam servidores públicos estaduais ligados à educação e a maioria é controlada pelo PT e pelo PCdoB… Isso ajuda a entender por que os Estados onde os professores se encontram mais mobilizados e apresentam as reivindicações mais absurdas são os de São Paulo e do Paraná, cujos governadores pertencem ao PSDB”.

A histeria contra o MST e Stédile

Mas o sindicalismo não é o único alvo do reacionarismo doentio do panfleto da famiglia Mesquita. Nos últimos anos, o MST virou o principal saco de pancada do jornal que sempre defendeu os interesses dos latifundiários – hoje disfarçados de modernos barões do agronegócio. Num de seus incontáveis editoriais contra o movimento dos trabalhadores rurais sem-terra, obrado em março, o jornal rosnou: “Como organização ilegal que é, o MST sempre fez das ações criminosas a principal ferramenta para manifestar sua pauta de reivindicações. Mas agora, desfrutando como nunca da cumplicidade do governo petista, chega a anunciar com antecedência a agenda de invasões e bloqueios de estradas”.

Quando da homenagem a João Pedro Stédile, membro da coordenação nacional do MST que recebeu a Medalha da Inconfidência do governador Fernando Pimentel (PT-MG), em 21 de abril, o Estadão quase teve um ataque histérico. Para o jornalão, o dirigente camponês – que inclusive foi recebido recentemente pelo Papa Francisco no Vaticano – é “líder de uma organização criminosa” e “chefe de uma milícia armada”. É certo que o Estadão não foi o único meio que surtou. A revista Veja chegou a disparar mensagens pelo twitter contra a homenagem: “Pimentel desconstrói a obra de Aécio e condecora baderneiro do MST”.

MTST e UNE também são alvos

Mais recentemente, o combativo MTST, que revela forte capacidade de mobilização na luta por moradia, também passou a ser encarado como inimigo pelo Estadão. Quase toda a semana, o jornal publica um editorial ou artigo exigindo a imediata criminalização do movimento. “Depois de tudo que o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto vem aprontando há tanto tempo, ninguém mais pode alegar surpresa com os abusos de todo tipo a que ele se entrega e que cada vez mais têm menos a ver com o problema da moradia”, esbravejou há poucos dias. Para o jornal, o MTST goza da “complacência das autoridades”, que deveriam aplicar a lei e reprimir duramente os ocupantes de terrenos e prédios ociosos.

Por último, para confirmar o estado doentio da famiglia Mesquita, o editorial desta terça-feira (19) contra a União Nacional dos Estudantes (UNE) – uma entidade historicamente sempre odiada pelo Estadão. Para o jornal, “a organização está cada vez menos interessada nos estudantes, pois seu papel, nos últimos anos, tem sido o de servir apenas como correia de transmissão do lulopetismo. Uma entidade que nasceu para contestar o poder se tornou seu fiel vassalo, para usufruir da coisa pública como se privada fosse”. O motivo da nova histeria é a construção da sede da UNE na Praia do Flamengo, no Rio de Janeiro – “símbolo definitivo do patrimonialismo que tanto marca a era petista no governo”. Haja ódio aos movimentos sociais!

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20 May 17:55

Meus pais, meus calouros

by João Pinheiro

Naquela quarta-feira, 8 de abril, Tayná Marcela abriu a lista de aprovados no curso de Guia de Turismo e viu que seus esforços não foram em vão. Seus pais haviam sido admitidos no IFRN Cidade Alta e, melhor ainda, no mesmo curso que ela. Seriam seus calouros. 

Mauro Clebson, pai da adolescente, é tapeceiro. O incentivo da filha foi a força motriz para sua aprovação. Nessa família os papéis se inverteram e era a jovem que pedia dos pais dedicação aos estudos. “Todo dia ela cobrava da gente. ‘Estudem! Vocês tem que se empenhar para passar’, ela dizia. Foi Tayná que fez a nossa inscrição e ficava incentivando para que fizéssemos o mesmo curso que ela”, revelou Mauro. 

A admiração pela escola e insistência da filha acabou despertando o interesse de Taís Andreza, mãe da aluna. “O meu maior incentivo foi dela mesmo. Minha filha sempre falava bem do curso. Um dia, quando eu cheguei em casa, Tayná disse que tinha feito a inscrição da gente na prova. Eu falei que não ia fazer, mas ela insistiu.  Depois, me incentivou a me empenhar e agora estou aqui”, declarou a nova aluna.

Além de querer um futuro melhor para os pais, Tayná também estava atenta aos sonhos que eles tinham. Desde jovem, quando trabalhou como guia mirim, Mauro sempre gostou da área de turismo, mas acabou se afastando do setor. “Eu já estudava petróleo e gás, mas era um curso que eu não estava satisfeito. Sempre fui apaixonado por turismo. Aí quando surgiu a oportunidade eu resolvi voltar”, confessou o pai.

A área do turismo segue crescendo em nossa região. O Curso Técnico Subsequente em Guia de Turismo do IFRN Cidade Alta prepara o profissional do setor para trabalhar com o acolhimento e recepção de pessoas e outras atividades ligadas à hospitalidade.

Mauro e Taís sabem do desafio que está por vir mas o orgulho de ser “Família IF”, como Tayná gosta de chamar, é maior. “A gente passou muito tempo fora de sala de aula e agora tá retomando os estudos. É um desafio muito grande, é sacrificante, mas vale a pena”, finaliza o pai e aluno orgulhoso.  

20 May 17:54

Menino de 5 anos emociona lanchonete ao pedir para mãe comprar lanche para morador de rua

Allan Patrick

O que seria do mundo sem as crianças para questionar as nossas certezas?

É normal que crianças de 5 anos façam perguntas - muitas que não são banais ou que os pais simplesmente não sabem responder. Como que o bebê chega à barriga da mãe? O que acontece quando nós morremos? A americana Ava Faulk passou por isso recentemente. O pequeno Josiah Duncan avistou um homem do lado de fora da lanchonete Waffle House, no Alabama, Estados Unidos. Ele estava sujo e segurava apenas uma sacola, ao lado de sua bicicleta. Confuso com a aparência dele, o menino começou a bombardear a mãe com perguntas.

“Ele é um morador de rua”, explicou Ava Faulk. Não satisfeito, ele retrucou: “E o que isso significa?”. “Bem, quer dizer que ele não tem uma casa”, a mãe continou. Ava escreveu um e-mail para a emissora local WSFA 12 News falando sobre a atitude do filho, incluindo as diversas dúvidas que a criança tinha. “Onde é a casa dele? Onde está a família dele? Onde ele guarda suas compras?”. Mas a mãe disse que uma coisa chateou ele em especial.

“Ele não tem comida”, o jovem lamentou. Após pedir para que Ava comprasse uma boa refeição para o homem, ele entrou e sentou à mesa, mas ninguém foi atendê-lo. Josiah, então, levou o cardápio até ele e falou que ele não conseguiria pedir sem um menu.

O cliente desconhecido inicialmente pediu um hambúrguer simples para desfrutar. Mas com um pouco de persuasão tanto de Josiah quanto de Ava, o homem faminto se sentiu confortável para pedir qualquer coisa que quisesse.

“Posso comer bacon?”, Ava lembrou-se dele perguntando. “E eu disse que ele podia ter o tanto de bacon que quisesse.”

Antes que o homem desse a primeira mordida, Josiah tinha mais uma atitude carinhosa guardada. Ele queria compartilhar sua fé com o estranho que havia acabado de conhecer.

“Deus, nosso Pai, Deus, nosso Pai, nós te agradecemos”, falaram juntos na frente de pelo menos 11 clientes. “Agradecemos a você pelas nossas muitas bênçãos, pelas nossas muitas bênçãos, amém, amém.”

Após muitas lágrimas de todos presentes, o morador de rua deixou o restaurante com o estômago cheio. E a memória desse dia vai durar no coração da mãe:

“Assistir ao meu filho tocar as 11 pessoas que estavam na Waffle House vai ser para sempre uma das maiores realizações como mãe que eu vou testemunhar. Você nunca sabe quem é o anjo na Terra, e quando a oportunidade vem você não deve nunca dar as costas para ela”.

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20 May 17:53

Fernando Marroni: O estranho silêncio da mídia sobre os R$ 40 bilhões sonegados

by Luiz Carlos Azenha

Globo sonega

Na Zelotes uma das investigadas é a RBS, parceira da Globo; no HSBC, surgiu uma conta da esposa de Roberto Marinho. 

QUAL O TAMANHO DO ESCÂNDALO?

por Fernando Marroni*

Recentemente, dois escândalos de sonegação vieram à tona no Brasil: o deflagrado pela Operação Zelotes; e o das contas de brasileiros no HSBC da Suíça. Na Zelotes, estão envolvidas grandes empresas brasileiras; inclusive, empresas que controlam a grande imprensa brasileira. A sonegação estimada é de cerca de R$ 19 bilhões.

No escândalo do HSBC, foram identificados 8.667 correntistas brasileiros que possuíam, em 2006 e 2007, cerca de US$ 7 bilhões depositados na filial suíça do HSBC, o que corresponde a R$ 21 bilhões. Vejam bem: R$ 21 bilhões é o orçamento previsto para o Bolsa Família em 2015. Ou seja, os ilustres brasileiros podem ter sonegado um orçamento do Bolsa Família na Suíça — e ainda chamam de Bolsa Esmola?

Recentemente, participei de uma audiência pública, aqui na Câmara dos Deputados, com o jornalista Fernando Rodrigues, único jornalista brasileiro a receber a documentação completa sobre as contas secretas. Saí convencido de que existem três crimes nesse escândalo: evasão fiscal, lavagem de dinheiro e sonegação. Acredito, ainda, que os integrantes da lista, de alguma forma, podem estar envolvidos com outros tipos crime, como tráfico de drogas ou tráfico de pessoas.

A partir dessa audiência e de outras com órgãos do governo, a Câmara pode propor legislação mais rígida, porque o sistema financeiro mundial não aguenta mais essa evasão fiscal e lavagem de dinheiro. Penso que o Brasil deve enfrentar esse tema com maior rigor possível. As investigações e apurações devem apontar os culpados. Esses culpados deverão ser punidos e os recursos repatriados.

Estamos falando de R$ 40 bilhões sonegados. Esse é o tamanho do escândalo. O mais impressionante é que a maior parte da mídia está calada; e a oposição, por sua vez, não move uma palha para obter mais informações. (Nenhum senador do PSDB assinou a CPI do HSBC, no Senado).

Por quê?

*Deputado federal PT/RS

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Maria Inês Nassif: FHC não pode falar em ‘estelionato eleitoral’

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20 May 17:42

O stalker ideológico e o iminente golpe comunista no Brasil

by Leonardo Sakamoto

Estou me divertindo horrores com a repercussão desta foto tirada sorrateiramente e transformada em meme por um site conservador de humor (parece contraditório, mas eles são bons). O meme levantou debates existenciais à esquerda e à direita e eu me senti querido pacas.

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Neste ano, estive em Washington para participar como palestrante de um evento da Organização Internacional do Trabalho e do Departamento de Trabalho norte-americano. Avisei no Facebook, inclusive.

Ninguém disse nada.

Daí falei no seminário “Innovative Approaches to Combating Forced Labor and Other Forms of Workers Exploitation”, também, como palestrante, na Universidade da Califórnia, em Los Angeles.

Ninguém disse nada.

Venho todos os anos, várias vezes ao ano, para Nova Iorque e Washington (afinal a política de combate à escravidão e de defesa aos direitos humanos deve ser global, uma vez que as ameaças a ela também são) e ninguém nunca fala nada.

Quando, durante uma viagem de trabalho, sento para tomar um cafezinho, entre um evento e outro, uma reunião e outra, o povo grita “comunista hipócrita!”, fritando nas redes sociais.

Analisando friamente os elementos envolvidos nessas situações, chego à conclusão que o problema não são os Estados Unidos ou eu. É o café.

Maldito café.

A batalha de ideias na internet é uma coisa muito doida. Poucos estão interessados em discutir o que o outro pensa, seja de direita ou de esquerda. O objetivo é imputar a ele uma série de chavões simplistas, transformando-o em uma caricatura – que é diferente da vida real, mas que serve a um discurso.

Como o leitor médio na internet não foi formado para absorver informação criticamente, acaba adotando muita coisa como verdade, sem raciocinar. E como ele, não raro, não está preparado para uma leitura complexa da realidade, não vê as entrelinhas e aceita que o mundo seja o palco de uma luta entre bem e mal, de esquerda e direita. Não entende contradições ou processos. E confunde a crítica, necessária para o desenvolvimento individual e coletivo, com o ódio.

Como o tosco lema da tosca ditadura militar brasileira: “Brasil: ame-o ou deixe-o”, lembram? Ou você é assim ou é assado, não existe tons de cinza.

Se você declara ser progressista ou de esquerda (seja lá que raios significar ser de esquerda hoje em dia) automaticamente tem que declarar voto de pobreza, votar no PT, querer o comunismo, ter uma sunga igual à do ditador da Coreia do Norte.

Não raro, quando estou em algum restaurante em São Paulo, sou fotografado e depois criticado em páginas conservadoras nas redes sociais. Por exemplo, almocei com um advogado e, horas depois, haviam postado fotos do almoço, com o preço da comida, questionando o meu direito de estar lá e o fato de, apesar de parecer gordinho, pedir sobremesa. E o sujeito ainda me seguiu e ficou tirando fotos na rua. E se eu tivesse colocado o dedo no nariz? Quem pagaria o prejuízo?

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Então, tenho que avisar algo importante. A partir de agora, se quiserem, por favor, me peçam. Não fiquem tirando foto escondida porque vocês são péssimos. Falta a competência técnica de fotojornalistas como Marcos Hermes ou Gilvan Barreto. Pois, nas imagens feitas porcamente em seus smartphones, pareço mais gordo e mais cabeçudo que já sou. Praticamente, uma abóbora que sustenta um chocotone.

É só chegar e dizer: “Sakamoto, eu te odeio com todas as minhas forças porque você é um jornalista que come criancinha e representa o mal neste mundo. Sim, eu li isso no WhatsApp, então é verdade. Por isso, quero tirar uma foto e fazer um meme para expor sua hipocrisia. Posso?” Desde que a foto saia boa, claro!

Outra dica: cheque duas vezes antes de trolar alguem. Sabe quando a pessoa fica ouriçada porque acha que descobriu uma mina de ouro e, minutos depois, tem vontade de sumir de vergonha? Fui com uma amiga jornalista assistir ao filme Relatos Selvagens no início do ano. Daí recebi este comentário de um empolgado leitor – que, apesar de jovem, desconhecia os benefícios das compras pela internet:

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Ele o apagou, claro. E depois postou, novamente e somente, a “denúncia”.

Voltando às viagens: posso compartilhar a minha agenda previamente. Esta não foi a primeira viagem a Nova Iorque no ano e nem será a última, porque irei dar aulas.

Alem disso, na primeira semana de junho, estarei na Universidade de Durham, na Inglaterra, para falar das minhas pesquisas sobre trabalho escravo contemporâneo. Em outubro, na Universidade de Stanford – também convidado para falar sobre escravidão. Em novembro, reunião do conselho do fundo das Nações Unidas para Formas Contemporâneas de Escravidão, em Genebra, do qual faço parte. Enfim, se o pessoal da patrulha quiser algo do Free Shop é só dizer, desde que não estoure a cota.

Mas nada disso importa. O importante é que a galera é rápida na rede. Sensacional:

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Atente-se para a conversa que tive com um professor universitário (é sério) via inbox. Resumi porque o negócio foi longe – eu estava sem ter o que fazer, esperando uma reunião:

- Você é comunista e está nos EUA! Hipócrita!

- Eu me posiciono à esquerda, mas nunca disse que era comunista. Mas mesmo se fosse, sua reclamação não faz muito sentido.

- Mentira! Hipócrita!

- Acho que você deveria se informar melhor. Essa mania de colocar tudo no mesmo barco – gente de esquerda em geral, comunistas, socialistas, petistas, psolistas, o povo sem partido, movimentos sociais – dá um nó, sabia?

- Não preciso mostrar. Você é comunista! Adorador de Cuba, da Coreia da Norte e da Venezuela. E detesta os EUA.

- Ué, mas adoro o povo estadunidense – pelo menos uma parte do pessoal progressista que mora na Costa Leste e na Costa Oeste… Só tenho embates com as políticas do seu governo e de suas empresas. Curto pacas um hamburguer opressor, amo House of Cards e assisti a todos os episódio de House.

- Seu idiota! Isso é hipocrisia! Você deveria viver como os pobres.

- Não, quem gosta da estética da miséria é punheteiro social. E voto de pobreza é algo cristão e eu não tenho fé alguma. Só no Palmeiras, mas tá difícil. Quem disse “largue tudo e me siga” foi o outro barbudão – Jesus, não Marx. A ideia é fazer com que os pobres deixem de ser pobres, não?

- Você não está me levando a sério.

- Não, não estou. Mas se te deixar feliz, posso trocar meu terno por um saco de estopa, meus remédios de uso contínuo por chás e mandingas e usar sinais de fumaça ao invés deste notebook opressor com o qual escrevo esta resposta.

O melhor é que quando eu expliquei em outro post que estava na cidade também por conta de meu trabalho junto à ONU, houve quem dissesse que a ONU era uma “organização comunista sem credibilidade alguma”.

Tá vendo? Isso é que dá jogar bombas de gás em professor de história e pagar a eles salário de fome.

Outro meme ótimo e sexy:

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Mas preciso ser honesto. Tudo isso é cortina de fumaça. Há realmente um golpe comunista em curso no Brasil.

FHC, Lula e Beth Carvalho me mandaram em uma missão especial: levar as determinação do Foro de São Paulo para o camarada revolucionário Obama. E aquilo onde eu estava não era um café e sim uma célula do Communist Army Force of Execution (Cafe), local seguro – como pode ser visto pelas estrelinhas vermelhas ao fundo, no vidro – no qual entreguei as ordens bolivarianas.

Porque, como todos sabem, o corte em direitos trabalhistas e previdenciários em nome do ajuste fiscal, bem como o ataque à dignidade dos povos tradicionais, em nome de uma visão distorcida de desenvolvimento, levados a cabo pelo governo do PT no Brasil, são apenas distração para turvar os reais planos de um grupo maior e secreto: a implantação do comunismo em todo o continente americano.

O plano tem sido tão bem feito que ninguém percebeu que Levy (codinome: Grande Vara) é nosso. O ministro da Fazenda vai aplicar golpes na recuada CLT a fim de ganhar a confiança do mercado. Depois, lastreará a economia com rublos, pesos cubanos, wons norte-coreanos, bolívares venezuelanos e, claro, a pa’anga, da ilha de Tonga.

Enquanto isso, o companheiro Eduardo Cunha está lançando algumas polêmicas para a mídia se distrair. Ao final do seu mandato, contudo, entrará com a proposta de emenda constitucional que acaba com a propriedade privada no Brasil. Os companheiros da Brigada Mikhail Bakunin, que foram eleitos sob o disfarce de “Bancada Evangélica”, estão ansiosos tanto para votarem a PEC quanto para poder parar de falar mal de gays, lésbicas, bissexuais, transexuais e travestis. O companheiro Beto Richa cumpriu o combinado e, através da identidade reativa à violência estatal, conseguiu organizar e mobilizar os professores e servidores públicos no Estado do Paraná. Os comitês revolucionários dos estados devem ser orientados a copiar o modelo desenvolvido pelo companheiro Beto e aplicar a mesma fórmula com o intuito de acordar as massas.

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O companheiro Geraldo teve sucesso com a parte do plano que previa secar a capital paulista. Toda a água está, agora, escondida em uma rede de cavernas abaixo do sistema Cantareira sem que ninguém ao menos desconfie. Provavelmente em agosto, as torneiras de mais da metade da cidade já estarão secas, o que levará ao êxodo em massa da elite para seus haras ou para hotéis na região da Berrini/Morumbi, abastecidos pelo sistema Gurapiranga. Nesse momento, Jardins, Higienópolis, Pacaembu, Perdizes e adjacências serão ocupados pelos companheiros do movimento sem-teto, por clínicas de médicos cubanos e pelos argelinos treinados pelo camarada “Libanês”, que foi prefeito e governador de São Paulo.

Por fim, Dilma foi sedada por um grupo avançado que invadiu o Palácio do Alvorada e levada para um local secreto, onde ficará sob custódia. Em seu lugar foi colocada a “Moça”, que após cirurgias plásticas em Pequim e intenso treinamento, tornou-se uma cópia perfeita, mas “de luta”. Porém, como ela estava bem acima do peso da mandatária (que, de uma hora para a outra, resolveu fazer a dieta Ravenna), tiveram que proibir aparições públicas da “Moça” por algumas semanas, até que ela perdesse massa corpórea. A “Moça” está instruída a manter a política entreguista de Dilma por mais seis meses. É prazo mais do que suficiente para que o carregamento de armas norte-coreanas do companheiro Kim Jong-un chegue ao porto de Santos, escoltadas por mariners do camarada Obama.

Com as tripas do último Mickey, enforcaremos o último Muppet. Vai ser duro, porque gosto de Muppets. Mas sacrifícios são necessários.

Em tempo: Algumas companhias aéreas que operam Brasil – EUA estão fazendo uma promoção monstro para Nova Iorque por esses dias. A passagem ida e volta pode sair uns R$ 600,00, mais taxas. Você não vai ficar fora dessa, vai?

20 May 13:33

Escrever sobre a Grécia não é fácil...

by noreply@blogger.com (João Rodrigues)
Ao contrário do que por vezes corre em círculos europeístas, que desgraçadamente ainda dominam entre a intelectualidade de esquerda, as elites do poder europeu não estão loucas. Pelo contrário, sabem bem o que estão a fazer e têm os instrumentos necessários para levar a sua avante, como aqui tenho defendido. Só avaliando bem a racionalidade dos adversários e as suas estruturas, caso do euro, é que se pode esperar conseguir alguma coisa.

Um dos mais prováveis sucessos das elites é o de terem conseguido impedir a exportação do modelo do Syriza para Espanha, já que estou convencido que o declínio do Podemos nas sondagens também se deve aos desenvolvimentos gregos. A Grécia só pode contar consigo. Graças a uma operação que envolveu uma pressão continuada, do BCE à CE, para desestabilizar financeiramente a economia grega, incluindo por via da promoção da fuga de capitais, a situação é mais difícil hoje do que era no início em termos da relação de forças com os credores. Aparentemente, o novo governo grego não estava preparado para este nível de hostilidade e não tinha instrumentos para lhe fazer face, caso dos controlos de capitais.

A mensagem do centro foi e é clara e os povos estão a escutá-la, dado que as pessoas não são parvas: toda a desobediência, por mais moderada e europeísta que seja, será punida e toda a obediência terá o seu prémio, por pequeno que este seja e obtido depois de muito sofrimento assimétrico e evitável, até por via do alívio das condições financeiras. A moeda é uma arma do soberano. Como responderão os povos a isto? A resposta não é independente da posição das forças nos terrenos que contam e que são os nacionais.

Entretanto, o governo grego conseguirá, provavelmente, o tal acordo que o manterá financeiramente à tona de água, mas a sua capacidade de mobilização e inspiração internacionais parece ter diminuído. Para mobilizar e inspirar é preciso ter instrumentos e usá-los. Nada está ainda perdido, claro, mas o seu programa original de reestruturação da dívida no interesse do devedor no quadro euro não tem viabilidade e hoje tem ainda menos do que a pouca que tinha quando o governo tomou posse. Não se ganhou tempo. A natureza do cerco é clara e os seus efeitos a prazo nas corajosas linhas vermelhas que persistem também, sendo esta a aposta mais racional das elites do poder europeu. Não estão loucas.

Sabendo nós que a hostilidade da elite do poder europeu tem feito mossa nas convicções europeístas de uma maioria da direcção do Syriza que esperava ter mais margem de manobra, tornam-se salientes duas questões que reverberam para lá da Grécia: qual será a prazo, curto e médio, o efeito disto e haverá condições para alterar a linha? É que os termos há muito que estão claros: ruptura ou rendição.

19 May 11:34

O Acordo poderia ter duas linhas...

by Francisco Seixas da Costa
Um amigo que muito prezo, escreveu um texto delicioso sobre o Acordo Ortográfico, sob o título em epígrafe, que lhe pedi que me deixasse publicar por aqui. Ele aí vai:
 
"Para que fique bem clara a minha posição sobre o Acordo Ortográfico: percebo que este dispositivo interesse aos Ministérios dos Negócios Estrangeiros para dar uma imagem de cooperação entre os países de língua portuguesa. Se tivesse sido eu a escrevê-lo, teria a seguinte formulação:
 
Artigo único:
 
Reconheçam-se como válidas, em todos os países da CPLP, as normas ortográficas em vigor nos restantes países.
 
Esta formulação permitiria que o uso de qualquer variante ortográfica não pudesse ser penalizado ou considerado ilegítimo em qualquer país de língua oficial portuguesa ou em qualquer contexto de uso da língua.
 
Esta não foi a opção de quem negociou o Acordo Ortográfico, tendo sido preferida uma versão que tenta unificar a ortografia.
 
Quem me conhece sabe que não consegue arrancar de mim nenhuma posição inflamada a favor ou contra o Acordo Ortográfico. Sei que a ortografia é uma mera convenção, que nenhuma versão da nossa ortografia foi coerente entre transparência ou etimologia e que esta e outras versões de instrumentos de normalização ortográfica têm problemas técnicos já assinalados por vários. Não me parece que a versão 1990 seja pior ou melhor do que a versão 1945 – basta pensar no uso do hífen. É apenas uma convenção – o facto de “hospital” se escrever com em português e sem em italiano não tem qualquer consequência.
 
Muito do debate em torno do Acordo Ortográfico rasa o absurdo e descreve as consequências da sua aplicação como algo próximo do Armagedão. Há dados que me fazem manter-me longe deste debate.
 
Sempre que sai uma notícia num jornal sobre o Acordo Ortográfico, surgem centenas de comentários de leitores que, horrorizados, listam os horrores do Acordo Ortográfico em mensagens pejadas de erros ortográficos.
 
Ouvia, há tempos, alguém que tinha escrito “nada a opôr [sic]” vociferando que não retirava o acento circunflexo, porque se recusa a escrever com o Acordo Ortográfico, que sempre escreveu assim e não vai mudar!
 
O mesmo, tal e qual, ouvi de alguém que, num programa de rádio, dizia: “não é por causa dos brasileiros que vou tirar a cedilha de vocês”!
 
A obsessão com a ortografia e tudo o que se diz sobre o seu impacto no mundo é a consequência de uma escolarização em que as produções escritas são, tradicionalmente, corrigidas em função de desempenhos temáticos e ortográficos. Coesão e coerência, conformidade com sequências textuais ou explicitação de regras de pontuação são dimensões da escrita a que a escola nunca prestou a devida atenção, que justificam muitos problemas de escrita (e leitura) e que explicam que se dê tanta importância à ortografia.
 
Tratando-se apenas de uma convenção, a ortografia não gera penalizações. Se eu escrever a minha lista de compras para o supermercado com inúmeros erros, ninguém saberá e, mesmo que saiba, nada acontece. Só no sistema educativo é que há penalização do erro e é interessante verificar que a introdução do Acordo Ortográfico no sistema educativo se deu sem problemas.
 
Se é verdade que a ortografia é uma mera convenção e que quem redigiu o Acordo visou uma unificação da ortografia, também é verdade que qualquer pessoa minimamente informada sobre as variantes do português deveria saber que as diferenças fundamentais entre o português usado em Portugal, no Brasil, Angola, Moçambique não estão na ortografia. Tente-se escrever um texto em conjunto com um colega brasileiro e veja-se como se tropeça em cada linha. Há um evidente desconhecimento da língua portuguesa na génese de algumas decisões políticas, o que é confrangedor.
 
Passados vinte anos sobre a criação deste Acordo, não são ainda evidentes os passos claros que a CPLP está a dar para uma eficiente política de língua. Para dar apenas um exemplo, ainda não se vislumbra uma política comum sobre o ensino de português no estrangeiro.
 
Dito tudo isto, alguns amigos que conhecem esta minha posição (ou ausência de posição), perguntam-me se uso ou não o Acordo Ortográfico. Comecei a usar no dia em que li um arrazoado de argumentos nacionalistas e de comentários racistas sobre os restantes países da CPLP a propósito do Acordo Ortográfico. Pensei que não queria ser identificado com aquele tipo de argumentação e nesse mesmo dia passei a utilizar, sem grande dificuldade, a nova convenção ortográfica (nunca senti aquela insegurança de que alguns falam, dizendo “Agora não sei como se escreve”).
 
Passados alguns meses, participei numa reunião em que, em defesa do Acordo Ortográfico, ouvi um eminente académico tecer comentários absolutamente nacionalistas e a rasar o racismo... Fiquei sem saber o que fazer e, pela primeira vez, me deparei com a hesitação de não saber como escrever.
 
Cresce em mim a vontade de reagir de forma adolescente e não usar o Acordo quando escrevo àqueles que o defendem ferozmente e usar quando escrevo aos que são violentamente contra. Mas, por vezes, tenho de escrever a ambos e, nessa altura, penso: isto é apenas uma convenção, para quê gastar tempo a pensar no assunto?
 
Se se tivessem ficado pelas minhas duas linhas, ter-se-ia poupado muito tempo...
 
João Costa
 
PS: Ao reler o texto, apercebo-me de que, por vezes, o Acordo Ortográfico não tem mesmo importância nenhuma na forma como se escreve. E garanto que não foi intencional.

 
18 May 22:49

“Descobri que ciclistas sorriem uns para os outros e se dão bom dia”

by Autor convidado
Apesar das adversidades, ciclistas circulam felizes por ruas e ciclovias de nossas cidades. Foto: Rachel Schein
Veja o relato de Carolina Marciale sobre sua primeira vez indo de bicicleta ao trabalho e inspire-se! :)
18 May 18:55

O REAL MOTIVO DE MASCU PREGAR BOICOTE AO NOVO MAD MAX

by lola aronovich
Ainda não vi o novo Mad Max e vai demorar bastante pra que eu encontre tempo de ir ao cinema. 
Mas estou com muita vontade. Primeiro porque adoro o Mad Max original (o dois e o três, nem tanto, se bem que não tem muito homem mais bonito que o Mel Gibson jovem), e segundo por causa do chorume dos mascus.
Foi notícia em todo mundo que mascus americanos estão promovendo um boicote ao filme. Por que? Bom, mesmo antes d'eles verem o remake, eles notaram que tem uma personagem feminina forte que fala muito no trailer (talvez duas linhas). 

E, pior ainda: que dá ordens ao Max! Ninguém dá ordens ao Max! Boicote! Não vejam este filme feminazi, machos do planeta Terra!
Um dos portais que deram a notícia, o Cinema Uol acertou na nomenclatura que ofereceu aos mascus -- ativistas em defesa do machismo, muito mais verdadeiro que chamá-los de ativistas pelos direitos dos homens, porque mascus se lixam pros homens --, mas derrapou numa enquete. 
Compreendo que estavam ironizando as declarações mascus, mas não ficou nem engraçado.
Enfim, ontem coloquei no meu Twitter a "pérola mascu do dia", referente a este trecho do blog mais chorão da internet brasileira:
Não há novidade nenhuma. Mascus nunca trocam o disco. É o que eles não cansam de repetir: as mulheres não prestam, todas são vadias, e ainda por cima fazem exigências insanas e não aceitam ficar com rapazes "betas" (mascus dividem todos os homens em duas categorias, alfas e betas; são mais limitados que o zodíaco, que pelo menos admite doze grupos). 
Mascus creem em "hipergamia", ou seja, que mulheres têm um desejo instintivo e natural de só se acasalarem com homens de nível maior que o delas (mascus não têm muita explicação para o fato de homens pobres namorarem, casarem, transarem, terem filhos).
Eles têm uma teoria científica (do Instituto Mascu As Vozes Me Disseram) de que 20% dos homens pegam 80% das mulheres. Segundo eles, se você faz parte dos 80% dos homens, você não pega ninguém. É o caso deles.
Uma pessoa, Verossimil, fez a associação entre o pensamento mascu e Mad Max.
Ela acertou em cheio. A gente sempre imagina que mascus gostariam de voltar aos anos 1950, aquela fantasia americana pós-guerra de homens trabalhando em escritórios enquanto suas esposas donas de casa abraçavam eletrodomésticos (homens e mulheres brancos, óbvio). 
Mas não é bem assim. Mesmo que naquela época, segundo mascus, as mulheres tinham o seu "lado obscuro" controlado por uma sociedade patriarcal, ir todo dia engravatadinho obedecer a um chefe não é nenhuma fantasia masculina. Mascus sonham mesmo com a pré-história, onde eles sairiam todo dia pra caçar um mamute e nocautear alguma neandertal com seu tacape e levá-la inconsciente a sua caverna máscula.
Como esses bons tempos não voltam mais, resta aos mascus sonhar com o apocalipse. Por algum motivo, mascus acham que seriam menos betas num cenário de barbárie. Nunca ouviram falar na sobrevivência do mais forte, pelo jeito. É que não é o "mais forte" que importa pra eles nesse sonho molhado -- é o mais fraco. Aliás, a mais fraca. A mulher.
Mascus fantasiam um mundo apocalíptico em que as mulheres não teriam poder algum. Poderiam ser estupradas e mortas no meio da rua por qualquer homem (engraçado é que mascus creem que no mundo moderno em que vivemos mulheres não são estupradas nem mortas cotidianamente). Se você acha que estou exagerando, veja o caso de jovens ocidentais indo lutar pelo Estado Islâmico.
De um blog mascu. Puro ódio
Esses mascus (e não precisa ir na deepweb para ver fóruns onde eles falam de sua vontade de lutar em guerras) querem se juntar a fundamentalistas por causa da misoginia. Lá longe a galera sabe como tratar as vadias. Lá não tem essa pouca vergonha de feminismo não. Mas esta é apenas parte da sedução. A outra é poder pegar em armas, sair atirando, matar e estuprar mulheres e meninas. Inclusive, estuprar vale como estratégia de guerra.
Este é um dos motivos que eles amam filmes pós-apocalípticos ou que mostram um futuro não muito distante (tipo Laranja Mecânica) em que rapazes podem sair por aí estuprando e matando sem serem responsabilizados. Ainda que eles torçam pro mocinho, o Mad Max (mascus sempre se identificam com alfas), o que os cativa é aquele universo idílico em que mulheres não têm qualquer valor, nenhuma força, nenhum direito. 
Em Mad Max: Estrada da Fúria, a incrível Charlize Theron faz Furiosa, uma das cinco "noivas" do vilão. Ela foge e ajuda as outras mulheres a escapar, o que faz com que o malvadão mande todo seu exército atrás delas. Mas o que quebra o encanto pros mascus é que elas não são frágeis donzelas prontinhas pra serem violadas por qualquer um que cruze seu caminho. 
É isso que realmente revolta os mascus no novo Mad Max: nem no cenário pós-apocalíptico com que sonham eles teriam acesso irrestrito às mulheres. Mesmo no fim do mundo, Furiosa e as outras ainda os mandariam passear -- antes de explodi-los em pedacinhos. 
18 May 18:47

Guga Noblat descobriu o óbvio: os paneleiros são doentes. Por Paulo Nogueira

by Paulo Nogueira
O apresentador Guga Noblat descobriu a pólvora: os paneleiros são doentes. Ele escreveu, no Facebook, que não imaginava que, carregando uma criança no colo, pessoas que protestavam contra Dilma pudessem hostilizá-lo. Mas hostilizaram. Quando nem um bebê é respeitado, é porque a doença é, definitivam...
18 May 12:53

Isenção de IR para lucros e dividendos e a “pejotização” no Brasil

by justicafiscal
Já discutimos que os pobres pagam relativamente mais impostos do que os ricos no Brasil e a causa para tal é uma carga tributária concentrada em impostos indiretos em detrimento de impostos diretos sobre a renda e o patrimônio. Seguindo nesse debate, essa nota busca chamar a atenção para um tema pouco discutido, mas absolutamente […]
17 May 00:15

“For sale: baby for $50″: Journalist’s pregnant image with false headline is used without permission on sale/purchase page; victim files police report

by gatasnegrasbrasileiras

capa

Note from BW of Brazil: Overall, the availability of the internet has made our lives better and often easier in numerous ways. I remember the first time I had the experience of using the internet in my home. The first few days I must have spent about 14-16 hours searching for all sorts of things. It seemed that the internet literally put the whole world right at your fingertips! Years later came the introduction of social networking. I remember very well my participation in Orkut, a pre-Facebook Google-run social network that didn’t really take off in the US but gained a huge following of users in Brazil. I was hooked on Orkut for years as it was an open forum for people to express their opinions on a host of issues and allowing others to chime in whether they agreed with you or not. Some of those debates used to get pretty heated.

On Orkut, we saw numerous debates on the issue of race that showed the existence of strong divisions that Brazilians have long denied. I appreciated the debates and the brutal honesty people would display in expressing how they felt on certain topics. But as the internet and social media have brought a host of great things to our lives, it also brings out some regrettable things. Here at BW of Brazil, we’ve featured numerous samples of comments from social media (here, here) to capture how folks are feeling about a certain topic that featured on the blog. We’ve also featured samples of the racist tendencies that many Brazilians continue to insist is simply “in the head” of the victim. Today, we bring you yet another example of one of the ills that we must also deal with when opening our world to people we may not even know. Coincidentally, an article written by the victim of today’s post along with the photo in question was featured here back in August of 2013. Who would have ever thought her photo could be used in the manner that it was. But that’s the chance we all take when we share our lives on the World Wide Web. 

Journalist of the Federal District has her photo published in a false post on the web: ‘For sale: a baby’

Police investigate ‘crime over the Internet’; victim says she sees racism and sexism. Two weeks ago, another journalist from the DF was the target of insults on social network.

By Mateus Rodrigues with contribution of Agência Brasil

Publication uses photo of Federal District journalist with fake message: “For sale: a baby”

Publication uses photo of Federal District journalist with fake message: “For sale: a baby”

The Civil Police of the Distrito Federal  (DF or Federal District) is investigating offensive publications released on a social network on Monday (11) with a photo of journalist Raíssa Gomes, 25, who lives in the capital city of Brasília. The message was conveyed in a group that purchases and sales products in Salvador (Bahia) and uses a picture of her pregnant with the message “For sale a baby! R$50. As I didn’t find Cytotec [abortion drug banned in Brazil], me and my woman decided to sell the child.”

The post was published at 2pm on Monday. The occurrence was registered hours later at the 2nd precinct (Asa Norte). According to Raíssa, a friend who lives in Salvador saw the message and warned the Internet, minutes later. “I didn’t denounce it on the site itself, precisely so that it stayed up longer and I could register it. I’ve never experienced this on the internet,” she says.

Gomes after filing a police report

Gomes after filing a police report

The photo was taken in 2011 and shows the journalist nine months pregnant – the son was three years in November. She says that the picture illustrated a text to combat prejudice, published on the website of a black women’s collective in the federal capital.

“Libel, slander, defamation. I do not know how they apply the racial question, because nobody said ‘sua preta’ (you black), so for them this is not racism. But I feel like it’s racism” – Raíssa Gomes, journalist

I wrote a text for the site Blogueiras Negras, dealing precisely with a case of racism I suffered because I was pregnant. I think it’s on Google, who knows what these people will search for. This profile doesn’t have any friend in common, nothing, nothing,” says Raíssa. She claims to believe that the author used a fake profile.

2 gravidaThe Civil Police registered the case as “a crime committed via the Internet”, but the victim says she identifies elements of racism and sexism. “Libel, slander, defamation. I do not know how they apply the racial question, because nobody said ‘sua preta’ (you black), so for them this is not racism. But I feel like it’s racism,” says Raíssa.

Orientation

As soon as she learned of the offenses, Raíssa contacted the journalist Cristiane Damacena also of Brasília, who suffered racist abuse in profile photo on a social network two weeks ago. Cristiane’s case is being investigated by the police, by the Secretariat of Policies to Promote Racial Equality of Presidency of the Republic and by the Public Ministry (MP) of the Federal District.

“As Cristiane went through it last week, I contacted her to learn how to deal with it. She said this, to take the prints, go to the station to register the occurrence, then go to the Public Ministry,” said Raíssa. “In her case, they went straight to the profile, it wasn’t something random. But imagine if I didn’t know anyone in this group, the post would stay up there. Maybe, I wouldn’t even know.”

The publication has been deleted from the site since 7pm. While the text was on the air, others criticized the publication and the alleged trafficking of children. “People if you don’t want your baby, after childbirth just go to a police station and hand over the child and inform them that you can not raise it,” write a site user.

“There were several comments believing it, calling me ‘a child killer’, saying that I will burn in hell. What I was most thinking was going to Salvador, right, enough. Imagine if someone identifies me, and says something on the street,” Raíssa said.

Comments on false posting using pregnant journalist picture of the Federal District (Photo: Facebook/Playback)

Comments on false posting using pregnant journalist picture of the Federal District (Photo: Facebook/Playback)

More racism

The journalist went to the police station accompanied by her father, the coordinator of Combating Racism of the Secretariat on Policies for Women, Racial Equality and Human Rights, Carlos Alberto Santos. In November, the researcher claims to have been the target of racist and truculent approach by police officers in São Sebastião, in DF. He said the case “has not yet produced anything,” but it will be reopened by the public prosecutor.

 University professor and researcher Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas Carlos Alberto Santos was a victim of police harassment in December 2014


University professor and researcher Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas Carlos Alberto Santos was a victim of police harassment in December 2014

The complaint was published on social networks. Santos claims he was handcuffed, searched and taken to the police station by four white police while returning home. Before the approach, they requested to pass in traffic, but the researcher says there was not enough space to back up.

“[At the police station], they put me in a headlock, of which disengaged me with relative ease, but two other agents came down the stairs of the station already with their weapons drawn. This agent put me in a choke hold and said that he would use force. I am taken to the location where the inmates are, and the same agent asks to handcuff me,” said Santos in the publication last year.

The Carlos Alberto Santos case made headlines late last year

The Carlos Alberto Santos case made headlines late last year

For the secretary of Racial Equality of the Federal District, Vera Araújo, “There is some dissatisfaction with the presence of blacks in environments that before were predominantly white. For us, that work within the secretariat and participate in the Movimento Negro, it’s very symptomatic: in the measure that some advances of the black population are being consolidated, with more space and social visibility, the reactions occur in a systematic and significant manner,” she said.

Fighting discrimination

In 2014, the Núcleo de Enfrentamento à Discriminação (Center of the Combat of Discrimination) in the DF offered 47 complaints based on police investigations. According to the department of the MP, most of them referred to crimes of racism and injúria racial (racial injury/slur). In the first four months of 2015, 24 complaints have already been offered and can be converted into public criminal proceedings against the perpetrators.

In April, the 1st Turma Criminal do Distrito Federal (Criminal Panel of the Federal District) denied appeal and upheld unanimously the condemnation of the procurador federal Leonardo Lício do Couto for the crime of racism, based on comments posted on the Internet in 2007. The defendant was initially convicted in August of last year, but turned himself in Tribunal de Justiça (Court of Justice) of the Federal District and in the Superior Tribunal de Justiça (STJ or Superior Court of Justice). The sentence was maintained in both instances but could be appealed.

The messages with offensive content were published in a public procurement forum. According to the lawsuit, the then student self-entitled himself “skinhead” and preached hate of Jews, blacks and Northeasters in the texts published on the Internet. In an exchange of messages in 2007, another user questioned whether the comments were a joke, but the hypothesis was denied by Couto.

“Actually, I’m not just anti-Semitic skinhead. I hate Jews, blacks, and especially Northeasters;….. […] No, no. I mean I really hate (them). I hate the vermin of which I referred. The accused must belong to one of these groups that make up the scum of society,” said the published messages, which were attached to the lawsuit.

Source: G1, Correio Braziliense


17 May 00:06

Como funciona a fábrica de infâmias contra Lula na internet. Por Paulo Nogueira

by Paulo Nogueira
O professor Gaudêncio Torquato não é exatamente um jornalista mirim. Ele milita no jornalismo há décadas, e é um acadêmico sério e respeitado. Por isso mesmo me chamou a atenção um tuíte que ele postou hoje a respeito de Lula. Ele comprou, sem o menor senso crítico, o texto de um artigo do Estadão c...
15 May 11:13

E se o caso do policial que fez tiro ao alvo com foto de Dilma tivesse ocorrido nos EUA? Por Kiko Nogueira

by Kiko Nogueira
    Em 2012, o fuzileiro naval americano Gary Stein criou uma comunidade no Facebook dirigida a meteorologistas e oceanógrafos. Ali ele escreveu um dia: “Obama é o inimigo econômico. Ele é o inimigo religioso… Ele É o inimigo doméstico.” Cinco minutos mais tarde, apagou seu post, mas algué...
14 May 00:10

Horrores do capitalismo: maior economia do planeta, EUA é campeão de pobreza infantil

by Cynara Menezes
blankenhorn

(Mãe e filho sem-teto nos EUA. Foto: Craig Blankenhorn)

Com a desigualdade cada vez maior nos Estados Unidos, a pobreza infantil cresce junto. Enquanto a riqueza do país aumentou 60% nos últimos seis anos, acima de 30 trilhões de dólares, o número de crianças sem-teto também cresceu 60% no mesmo período. A cada ano, 2,5 milhões de crianças –uma em cada 30– vão dormir sem um lar para chamar de seu na nação mais rica do mundo. Estão abrigadas temporariamente em abrigos, igrejas ou motéis.

Segundo um relatório recente da organização Crianças Sem-Teto da América, as razões para haver tanta criança sem moradia por lá são basicamente: a alta taxa de pobreza; a falta de habitação a preços acessíveis; os impactos contínuos da grande recessão; as disparidades raciais; os desafios para as mulheres de criarem filhos sozinhas; e as experiências traumáticas, especialmente a violência doméstica. O número de crianças sem-teto cresceu em 31 Estados e há meninos e meninas nesta situação em cada cidade. Em todo o país, o crescimento foi de 8% apenas entre 2012 e 2013.

semteto

“Crianças que experimentam a vida sem um lar são mais frequentemente famintas, doentes e preocupadas sobre onde serão sua próxima refeição e cama; elas se perguntam se terão um teto sobre suas cabeças à noite e o que acontecerá com suas famílias. As crianças nestas condições se desenvolvem mais lentamente. Muitas tem problemas na escola, têm faltas, repetem de ano e até mesmo abandonam a escola completamente”, diz o relatório.

Símbolo-mor do “sucesso” do capitalismo e tida como a “terra das oportunidades”, os EUA têm atualmente um dos maiores índices relativos de pobreza infantil do mundo desenvolvido. No último informe da Unicef sobre bem-estar infantil, de 2013, os Estados Unidos apareciam em 26º lugar em uma lista de 29 países. Só perdia para a Lituânia, a Latvia e a Romênia. A Holanda aparecia em primeiro lugar, ao lado de outros quatro países nórdicos.

Aproximadamente metade de todos os vales-refeição (food stamps) concedidos pelo governo dos EUA são para crianças. Em 2007, 12 de cada 100 crianças estavam vivendo de vales-refeição. Hoje são 20 em cada 100. O fotógrafo Craig Blankenhorn se dedica a fotografar famílias sem-teto EUA afora. As imagens são melancólicas e desoladoras, sobretudo quando se sabe que não se trata de um país do “terceiro mundo”, mas da maior economia do planeta (clique aqui para ver).

Em janeiro deste ano, 138 mil crianças estavam sem uma casa. É o mesmo número de famílias que aumentaram suas fortunas em 10 milhões de dólares por ano desde a recessão. O país também patina na pré-escola. Enquanto numerosos estudos demonstram que a pré-escola ajuda as crianças a aprender e a fazer de forma mais tranquila a transição para a fase adulta, os EUA estão indo na direção oposta de outros países desenvolvidos e cortando recursos para o setor.

O mais chocante é descobrir que somente duas nações do mundo deixaram de ratificar a convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança: Sudão do Sul e Estados Unidos. Significa.

O que será que a direita propõe para acabar com a pobreza infantil no país mais rico do mundo? Meritocracia? Se eles defendem que um menino de 16 anos pode ir para a cadeia junto com adultos, com que idade acham que podem começar a trabalhar?

(Com informações do Alternet)

 

14 May 00:10

A máquina de escrever

by Danilo

Sabe, sou do tempo da máquina de escrever. Mecânica, ainda por cima. Os recursos eram pífios, bem inferiores aos oferecidos pelas máquinas linotipo ou pelas caixas de tipos da época. Mas era o que se tinha, então, a gente quebrava o galho de alguma forma.

Por exemplo, não havia itálico nem negrito, nem muito menos versalete (Ctrl Shft K) embora algumas datilógrafas artistas fizessem uns títulos imitando negrito até que bonitinhos — mas era complicado. Então, aquilo que um tipógrafo comporia em negrito ou itálico, ou até em negrito itálico a gente sublinhava.

Não havia travessões (Alt 0150 — ou Alt 0151 —), e, para indicar diálogos, a gente usava também o traço de sublinhar (_). No meio da frase — para separar uma intercalação, por exemplo — muita gente usava dois hifens. Não havia espaço inseparável (Ctrl + Shift + espaço), que a gente pudesse usar entre o $ e o primeiro dígito (ou “algarismo”, como se dizia), então a gente ou usava tudo junto (Cr$1,00), ou, às vezes, preenchia a linha com pontos e, na escrevia os valores no começo da linha seguinte, porque não se pode deixar o R$ em, uma linha e o valor na seguinte.

Aspas, só havia as “retas”, as “inglesas”, nem pensar. Tabuladores, então, eram uma desgraça. Algumas máquinas tinham tabuladores decimais, porém, de modo geral, era tudo no olhômetro.

Essa história do tabulador me faz lembrar a dificuldade que foi enfiar na cabeça dos mais conservadores que esses recursos do computador estavam lá para serem usados. E você? Sabe usar tabulador decimal do MSWord? Sabe usar os outros recursos de diagramação do seu programa? Ou ainda acha que o computador não passa de uma Olivetti Lexicon 80 metida a besta?

14 May 00:09

Até Preta Gil casou

by Polly

Com o casamento da Preta Gil ontem saíram do buraco vários sommeliers de relacionamento.

Gorda. Feia. Casamento de fachada. Só gastando esse dinheiro todo mesmo.

casamento-preta-gil

 

Não faz nem sentido, né? No raciocínio dessa pessoa ela é feia e só casou porque gastou 2 milhões na festa. Mas o que o marido ganhou com isso se o dinheiro foi pra festa? Ele é o dono do buffet? Tudo que ele sempre quis na vida foi uma festança valendo 80 carros populares? Não importa, o que importa é que Preta é gorda. Preta é negra. E onde já se viu negra e gorda feliz. Que absurdo, tudo culpa da Dilma, outra feia.

Isso me lembrou também dos comentários que surgem quando Gaby Amarantos aparece em público com o namorado – um cineasta inglês.

gaby-amarantos

Com certeza foi macumba.

Gringo adora uma mulher exótica

Cara corajoso.

Queria ver se ele pegaria se ela fosse vendedora de acarajé.

A mensagem aqui é a mesma para Preta: se você é negra e fora do padrão, alguma coisa você fez para conseguir um homem branco e magro que obviamente poderia arrumar algo muito melhor do que você.

Ai, agora eu tenho que achar a Preta Gil bonita? Chega dessa ditadura do politicamente correto!

Quem precisa achar a Preta Gil é bonita e querer casar com ela é o marido dela. O que você precisa é parar de achar que a sua opinião importa e que de alguma forma está em posição de julgar quem é ou não bonito e quem pode ou não casar com alguém.

A única ditadura aqui é das pessoas dizendo como e com quem os outros devem se relacionar.

13 May 10:15

Lula: É inacreditável que um bandido com oito condenações, que já enganou a Justiça, tenha palco para caluniar sem nenhuma prova

by Conceição Lemes

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Nota à imprensa

do Instituto Lula

É inaceitável que uma grande democracia como o Brasil, com 200 milhões de habitantes, uma das maiores economias do mundo, seja transformada em refém de um criminoso notório e reincidente, de um réu que negocia depoimentos – e garante para si um percentual na recuperação do dinheiro que ajudou a roubar.

É inacreditável que um bandido com oito condenações, que já enganou a Justiça num acordo anterior de delação premiada, tenha palco para atacar e caluniar, sem nenhuma prova, algumas das principais lideranças políticas do país, legitimadas democraticamente pelo voto popular. Que se dê crédito a criminosos  para apontar quem é e quem não é honesto neste País.

É uma pena que parte da imprensa brasileira venha tratando bandidos como heróis, quando tais pessoas se prestam a acusar, sem provas, os alvos escolhidos pela oposição; quando se prestam a difamar lideranças que a oposição não conseguiu derrotar nas urnas e teme enfrentar no futuro.

O Brasil merece ser tratado com mais responsabilidade e seriedade.

Assessoria de Imprensa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva

São Paulo, 12 de maio de 2015

Leia também:

Vagner Freitas: O processo de destruição das forças de esquerda

O post Lula: É inacreditável que um bandido com oito condenações, que já enganou a Justiça, tenha palco para caluniar sem nenhuma prova apareceu primeiro em Viomundo - O que você não vê na mídia.

13 May 10:13

Por que a certificação para ciclistas em BH é uma péssima ideia

by Autor convidado
Foto: Augusto Schmidt
Chamada pela imprensa de "CNH para ciclistas", certificação pode se tornar obrigatória. Entenda por que isso viria a ser péssimo para a bicimobilidade.
13 May 10:11

Quem está gastando dinheiro para tirar o Blog da Cidadania do ar?

by eduguim

MSM CAPA

 

Desde o último sábado (9), o Blog da Cidadania começou a sair do ar de forma intermitente e o problema foi aumentando até a tarde de terça-feira (12), quando a página praticamente saiu de vez do ar e só voltou a funcionar plenamente na madrugada desta quarta.

Contatada a empresa que hospeda o Blog, o primeiro “diagnóstico” foi o de que a audiência da página havia subido muito e, portanto, seria necessário contratar mais “memória”, ou seja, pagar para a empresa para a página ter mais capacidade para receber visitas de supostos leitores.

Nenhuma providência como essa foi suficiente. Foi contratada mais memória e não adiantou Quanto mais memória, mais “audiência” fajuta que esgotava a capacidade da página.

O técnico particular do Blog – que não trabalha na empresa que hospeda a página – estava fora de São Paulo pelo feriado e só voltou a atuar na segunda-feira à tarde, quando detectou que o que estava acontecendo era, na verdade, um “ataque de negação de serviço” também conhecido como DoS Attack, um acrônimo em inglês para Denial of Service.

Isso significa uma tentativa de tornar os recursos de um sistema indisponíveis para seus utilizadores, ou seja, para fazer “cair” o Blog.

Isso é feito da seguinte forma: quem quer “derrubar” um determinado site CONTRATA – ou seja, paga – para criar um servidor – de preferência, fora do país – e nele instalar um “robô” – um programa – que envia requisições de acesso ao site atacado, só que em uma quantidade imensa.

Milhares de requisições de acesso são enviadas pelo “robô” àquele site e ele acaba “travando” por excesso de demanda.

Isso vem sendo feito contra o Blog da Cidadania desde o sábado até o presente momento. Algumas dezenas de servidores foram contratados para enviar milhares e milhares de requisições de acesso à página, razão pela qual desde o último sábado ela está saindo do ar de forma intermitente.

Na última terça-feira à tarde, o problema se agravou e o Blog saiu do ar de vez.

Eis alguns IPs (endereço dos computadores) e sites de onde vêm sendo feitos os ataques.

185.62.188.91

185.62.188.98

118.123.14.86

80.82.78.96

89.248.171.135

37.115.185.56

14.33.247.130

136.243.36.80

185.62.188.91

185.62.188.98

hospedado em: blazingfast.io

Isso é só um pequeno exemplo de quantas máquinas ficaram enviando requisições ininterruptas de acesso ao Blog de forma a sobrecarregá-lo e tirá-lo do ar. Há muito mais.

Por precaução, na noite de terça o técnico do Blog tirou a página do ar para preparar o sistema para tentar impedir novos ataques, mas, também, para obter informações sobre quem está atacando.

Como não se sabe quanto dinheiro quem está fazendo isso pretende gastar, não se sabe se a página não sairá do ar de novo. Já foi reforçada a estrutura defensiva, mas, como já foi dito, se o sabotador tiver muito dinheiro para gastar isso não para nunca.

Evidentemente que isso é feito para impedir o Blog da Cidadania de continuar no ar. Alguém está sentindo-se muito incomodado pelo que é publicado aqui e não está poupando recursos – sobretudo financeiros – para esmagar a liberdade de expressão.

Como não existe acusação que possa ser feita ao autor desta página, quem está promovendo esse ataque partiu, literalmente, para a violência.

Vamos entender o que está acontecendo. Usando uma metáfora muito apropriada, é como se alguém se sentisse muito incomodado pelo que publica um pequeno jornal e mandasse um bando de brutamontes invadir esse jornal e quebrar tudo por lá.

Estamos falando de censura, de um ataque à liberdade de expressão que se vale de poder econômico, pois cada servidor usado custa uns 50 reais para ser contratado, e foram dezenas.

Há uma outra possibilidade de se fazer isso sem gastar dinheiro. Quem quer derrubar o site pode invadir outros servidores e de lá fazer esse tipo de ação. Só que aí tem que ter um técnico muito bom, que tem que ser muito bem pago, o que talvez fique até mais caro.

A pergunta final é a que intitula o texto. Quem teria tanto trabalho apenas para tirar um blog como este do ar? A quem esta página está incomodando tanto?

Não é difícil saber quem são as pessoas ou grupos que se sentem incomodados pelo que é publicado aqui. Basta ler o Blog e tirar conclusões. Não há tantas possibilidades assim.

Quem está atacando esta página está cometendo crime. Esse crime obviamente que será denunciado nos próximos dias à delegacia especializada em internet. Porém, isso não será suficiente. Para fazer a coisa andar não basta o boletim de ocorrência.

A outra providência a ser tomada será fazer uma representação ao Ministério Público Federal e outra à Polícia Federal.

A investigação irá andar? Será que essas instituições estão preocupadas com ataques à liberdade de imprensa e de expressão? Descobriremos em breve.

O que está acontecendo é do interesse de todos os que defendem essas liberdades. Hoje é este site, amanhã será o seu. Ah, mas eu não tenho site, blog, nada. Mas deve ter um perfil em uma rede social. Se você se tornar relevante de alguma maneira, serão usados métodos análogos para calá-lo.

O que você pode fazer em defesa da liberdade de expressão, de pensamento, de imprensa é divulgar esta denúncia e repudiar publicamente iniciativas como a dos que estão tentando tirar o Blog da Cidadania do ar.

Para finalizar, vale dizer que é lamentável que o Brasil esteja sendo submetido a ações como a supra descrita. Milhares e milhares de ataques como esse são feitos todos os dias em todo o mundo, mas por razões políticas concretas, não. O caso relatado é muito específico.

Alguém está gastando dinheiro que não será recuperado só para calar alguém – no caso, este Blog. Isso equivale a contratar um capanga para surrar ou até matar alguém por não gostar do que pensa e diz. Essa é uma reflexão que tem que ser feita.

Será que esse problema também é seu?

 

12 May 18:49

O Brasil é de paz. Esses esquerdistas é que têm que morrer

by Leonardo Sakamoto

Perdi a conta das vezes em que – quando morava no Campo Limpo, periferia de São Paulo – fui obrigado a descer do ônibus ou parar na rua e a, humilhantemente, beijar o muro junto com outros rapazes “suspeitos” em batidas policiais. Um dia, um soldado, de pele mais negra que muitos dos meninos presentes, gritou no ouvidos de um deles um sonoro “seu negrinho sujo”, seguido de um elogio à sua progenitora.

Nunca ouvi um policial dizer “seu branquelo asqueroso” ou “seu branquinho fedorento”. Devem dizer, claro, mas nunca ouvi.

Na época, essa cena não fazia o menor sentido para mim.

Hoje, faz todo o sentido do mundo.

Valores passados cuidadosamente e ao longo do tempo vão colando em nossos ossos e nos transformando em guerreiros da causa alheia.

Não ganhamos nada com isso, pelo contrário, perdemos. Como cidadãos, como seres humanos.

Mas preferimos defender modelos forjados para manter as coisas como estão, modelos que apontam de antemão quem é perigoso e quem não é.

E a polícia não é a única responsável por manter a ordem do povo.

O povo, devidamente treinado por instituições como escolas, igrejas, trabalho e a própria mídia, garante o seu próprio controle e o monitoramento no dia a dia.

Quem sai da linha do que é visto como o padrão e o normal, leva na cabeça. Quem resolve se insurgir contra injustiças e foge do comportamento aceitável vira um pária. Sem essa vigilância invisível feita pelos próprios controlados, é impossível um grupo se manter no poder por tanto tempo e de forma aparentemente pacífica como ocorre por aqui.

Recebi, recentemente, um link de um debate acalorado em rede social. Pelo que pude perceber, na opinião dos participantes, este blog é um dos espaços que mais incita o ódio na internet hoje. A razão: ele inventa que há, no Brasil, racismo, machismo, xenofobia, homofobia, transfobia e preconceitos sociais. Segundo eles, negros, indígenas, mulheres, gays, lésbicas, transexuais, imigrantes e pobres em geral têm os mesmos direitos efetivados que homens brancos, héteros e ricos. Ou seja, tudo está em paz. A culpa é da esquerda que diz que não está.

O que me lembra outra história dos tempos do Campo Limpo. Há uns 15 anos, ajudei um rapaz que havia sido espancado por ladrões na rua. Dei carona a ele, que sangrava muito. Após deixá-lo em uma delegacia, toquei em frente – para ser parado alguns quilômetros depois por três carros de polícia. Com as mãos para cima, repeti a história – à exaustão – reafirmando que aquele sangue na porta não era de nenhuma desova de corpo. Até que chegou a notícia de que a minha versão procedia.

Até aí, tudo bem. O pitoresco foi a bronca que levei do comandante da operação: “essa é para você aprender que dar ajuda pra gente desconhecida pode ser perigoso”.

12 May 17:26

Domésticas das Filipinas: o Brasil que perpetua a senzala.

by Blogueiras Feministas

Texto da Equipe de Coordenação das Blogueiras Feministas. 

“A língua é o de menos: passaram mais de dez babás por aqui e nenhuma dava certo, porque ficavam de má vontade”, conta Kely. “A Liza está sempre bem humorada e eu preciso até pedir para ela parar de trabalhar; o povo filipino gosta de servir”. 

“[Ela] Era incrível, fazia compras, limpava, cozinhava e dirigia. Ela até lavava o carro!”, conta. “No Brasil, babá é só babá, cozinheira só cozinha e empregada só limpa”.

Esses são dois parágrafos da matéria: Empresa ‘importa’ babás e domésticas das Filipinas para o Brasil (.pdf), publicada na Folha de São Paulo em 10/05/2015. Segundo a reportagem, com dificuldade para encontrar empregadas que aceitem dormir no serviço, famílias de classe média alta estão trazendo domésticas das Filipinas.

No Brasil, a empresa Home Staff oferece o serviço da agência Global Talent, que já trouxe 70 trabalhadoras domésticas filipinas para o Brasil. As filipinas entram no Brasil com visto de trabalho válido por dois anos, renováveis por mais dois, e ganham de R$ 1.800 a R$ 2.000 por mês. O contratante paga R$ 6.000 para a agência e a passagem da empregada. Jarid Arraes já havia publicado no fim de abril o texto: Home Staff anuncia empregadas Filipinas e causa indignação; em que fala sobre os anúncios de mulheres filipinas da empresa Home Staff e questionou: o que será que há de tão diferente nas mulheres filipinas?

De acordo com quem as oferece: “As babás filipinas são tipo os médicos cubanos, mas sem pagar pedágio para o Fidel”. A matéria também afirma que o país tem tradição de exportação de mão de obra para trabalhos domésticos. Como se a exploração de trabalhadores de países periféricos pelo mundo não fosse um dos principais problemas mundiais. Relatório de 2014 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) aponta que o trabalho forçado gera lucros anuais de US$ 150 bilhões, sendo que as mulheres são as principais vítimas, exploradas sexualmente e no trabalho doméstico. Somente na Ásia, 12 milhões de pessoas são forçadas ao trabalho forçado.

Relações profissionais escravagistas

Essa reportagem da Folha de São Paulo faz duas coisas principais:

Primeiro, mostra que a perpetuação da senzala, em que é preciso haver uma pessoa disponível 24 horas por dias para servir a família branca e rica, encontra na importação de imigrantes as soluções para os recentes avanços na legislação trabalhista brasileira das trabalhadoras domésticas. Em 2011, já surgiam notícias de famílias paulistanas contratando babás paraguaias.

Podemos até acreditar que a maior parte dessas mulheres não será submetida a condições degradantes. Porém, é absurdo que a elite brasileira ainda não tenha aceitado que uma empregada doméstica tenha vida própria e precise levar o filho no médico, ou que queira sair durante a semana para se divertir. É conivente encontrar essas mulheres desesperadas, que trabalhando nos bairros ricos brasileiros ganham mais que em Cingapura e, olha só, o patrão deixa comer bem e folgar. Não há uma defesa sobre remuneração por horas extras, não é mesmo?

Segundo, a matéria tem um caráter quase de propaganda social, porque reforça a ideia de que essas mulheres estão tendo uma vida muito melhor aqui no Brasil, já que ganham mais e podem enviar dinheiro para suas famílias. Amy Villariez, filipina, conta que com o salário no Brasil sustenta a filha de nove anos e a mãe na terra natal. Para no fim, a patroa Thalita Assis dizer: “É uma vantagem minhas filhas crescerem falando inglês e acho que estou ajudando a Amy a melhorar a vida dela também”.

Assim como em tantas relações trabalhistas que envolvem o serviço doméstico no Brasil, vemos se repetir o discurso de que “as pessoas estão ajudando”, quando na verdade deveriam ter responsabilidade social pelos trabalhadores.

A classe média brasileira insiste em manter uma relação não profissional com pessoas que fazem serviços de babá, cozinheira e trabalhadoras domésticas. Podemos perceber, na frase em que diz que no Brasil “babá é só babá” uma diminuição do trabalho, como se ser babá, trabalhadora doméstica ou cozinheira fosse uma tarefa simples e fácil, que qualquer um pudesse fazer, ou ainda que não fosse digna de direitos trabalhistas e uma remuneração adequada. Pode-se perceber no texto que muitas das mulheres que contratam esse serviço esperam quase um sentimento de gratidão das mulheres que fazem esse serviço, talvez por acharem que seja uma profissão “menor” e que deveriam agradecer por estarem sendo pagas.

Qual a necessidade de uma família brasileira rica ter uma empregada doméstica que durma no emprego e faça todo o serviço da casa? Apenas perpetuar os privilégios existentes desde o início do Brasil colônia. Ao dizer que as empregadas domésticas brasileiras “ficavam de má vontade”, a patroa entrevistada elogia automaticamente a domesticidade da empregada filipina.

Também é interessante notar como essas relações trabalhistas domésticas ainda se dão somente entre mulheres, entre patroas e empregadas, os homens, que também são patrões, nem tem seus nomes citados. Você imagina o CEO da Shell chegando para um de seus executivos brasileiros e dizendo: “não deu certo com o cara que estava nesse posto anteriormente porque ele tinha má vontade”?

A empregada doméstica filipina Amy Villariez, 33 anos, com a patroa Thalita Assis, advogada, 35 anos. Foto de Adriano Vizoni/Folhapress.

A empregada doméstica filipina Amy Villariez, 33 anos, com a patroa Thalita Assis, advogada, 35 anos, que vive com o marido, executivo da Shell, as filhas gêmeas de um ano e Amy na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio. Foto de Adriano Vizoni/Folhapress.

A mídia insipiente

O texto ignora os problemas globais da exploração de trabalhadores e também o contexto social do trabalho doméstico no Brasil, que por ter a escravidão de negras e indígenas como base sempre negou direitos amplos a essa categoria.

As mulheres filipinas tem sido vítimas de exploração de mão-de-obra pelo mundo. As Filipinas, um país de quase 100 milhões de habitantes, tem um quarto da força de trabalho atuando no exterior, prática incentivada pelo governo local. Isso representa um fator importante para a economia do país, pois assim como no Brasil, o emprego doméstico não pode simplesmente ser proibido, já que muitas mulheres dependem dele. Porém, é desonesto pintar um retrato em que uma mulher é obrigada a se afastar de sua família para trabalhar em um país distante, como se isso fosse uma grande dádiva. O emprego em condições precárias não pode ser corroborado como a grande chance de uma pessoa.

Em matéria de 2010, o jornal The New York Times denunciou que centenas de mulheres asiáticas, empregadas domésticas imigrantes, fugiram de abusos e estavam vivendo em abrigos improvisados em embaixadas. Na Embaixada das Filipinas, mais de 200 mulheres estavam abrigadas em um quarto sufocante, onde dormiam sobre sua bagagem.

Na mesma data, a Folha de São Paulo também publicou a matéria: Filipinas são o maior país exportador de mão de obra no mundo (.pdf): “As Filipinas são o maior exportador de mão de obra do mundo. Na maioria, trabalham como babás, empregadas, enfermeiras e garçons. Em 2012, uma doméstica filipina na Jordânia pulou do terceiro andar para escapar de seu empregador, que batia nela com arame farpado e não lhe dava folgas. Mas o país não pode abrir mão dessa exportação de mão de obra, uma vez que as remessas dos emigrantes chegaram a US$ 21 bilhões em 2012 (quase 10% do PIB do país)”.

Dormir e morar no local de trabalho não pode ser vendido como um super benefício para a trabalhadora imigrante, isso representa perda de autonomia, liberdade, privacidade, entre outras questões que violam direitos humanos.

Nos últimos anos, o Brasil tornou-se destino de imigrantes haitianos, latinoamericanos e agora asiáticos. As denuncias de trabalho escravo, que já não eram poucas nas áreas rurais brasileiras, apontam crescimento na industria têxtil e de serviços. No fim, a reportagem ainda afirma que a Global Talent pretende importar trabalhadores filipinos com foco nos serviços hoteleiros das Olimpíadas do Rio de Janeiro, como se essa fosse uma grande oportunidade para todos ganharmos.

Como disse a jornalista Maíra Kubik: “classe social, etnia e gênero atuam imbricados para manter as hierarquias, mas ao invés de um jornalismo crítico que pense sobre isso, temos que aguentar as aspas da nossa elite escravagista”.

+Sobre o assunto:

[+] Senado aprova regulamentação da PEC das Domésticas que mais privilegia patrões. Por Najla Passos na Carta Maior.

[+] As novas cores da escravidão. Por Mariana Assis nas Blogueiras Negras.

[+] Precisa-se de meninas para trabalho infantil e escravo. Por Negro Belchior na Carta Capital.

[+] O Brasil vai desistir de combater o trabalho escravo? Por Leonardo Sakamoto no Repórter Brasil.

[+] Da responsabilidade moral à responsabilização jurídica? As condições de escravidão moderna na cadeia global de suprimentos da indústria do vestuário e a necessidade de fortalecer os marcos regulatórios: o caso da Inditex-Zara no Brasil (.pdf).

12 May 17:23

O Jornal Nacional está funcionando como assessoria de imprensa de Eduardo Cunha

by Diario do Centro do Mundo
Por Helena Sthephanowitz na RBA.   Um dos fatos jornalísticos importantes na quarta-feira passada (6) foi o cumprimento de um mandado de busca e apreensão no gabinete do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). A diligência foi pedida pelo procurador-geral da República, Rodr...
12 May 17:22

As «instituições» e a Grécia: entreter até derrubar

by noreply@blogger.com (Nuno Serra)
Com o decorrer do tempo, a estratégia das «instituições» para vergar o governo grego foi-se tornando cada vez mais evidente. Logo de início, numa acção concertada com Mario Draghi, tratou-se de apertar na dose certa o torniquete do BCE, por forma a limitar o acesso da banca a financiamento, para desse modo estimular a fuga de capitais e assim fragilizar ainda mais a economia grega.

Paralelamente, depois de um momento inicial em que se cultivou a ideia de que as negociações assentariam no empenho mútuo em conciliar legitimidades e interesses distintos, passou-se para o entreter do governo grego numa sequência infindável de reuniões técnicas e políticas, postergando sempre para o encontro seguinte a possibilidade de chegar a acordo. Isto é, de celebrar o compromisso necessário para que a Grécia possa aceder à tranche que a troika lhe deve desde Agosto do ano passado (7,2 mil milhões de euros).

Nos termos desta estratégia, que tem como objectivo ir deixando que o Estado e a economia grega se esvaiam em falta de liquidez, o governo acabará - cedo ou tarde - por ter que fazer a escolha entre ceder ou cair, sucumbindo em qualquer dos casos à frustração e revolta do eleitorado pelas promessas não cumpridas. Depois da demissão ou do derrube, basta então substituir o executivo de Tsipras por um governo de mangas de alpaca, devidamente liderado por um qualquer tecnocrata obediente. Neste quadro, o único dado que tem falhado na equação das «instituições» para o «problema grego» é justamente o do apoio popular ao governo do Syriza, que não só se manteve como viria até a robustecer a sua base social de apoio.

Ninguém sabe hoje até quando - e como - poderá a Grécia resistir. Sobretudo quando se considera o volume de liquidez necessário para gerir a dívida nos próximos meses e todas as pressões e constrangimentos que pendem sobre a economia grega (Estado incluído). Não é por isso improvável que o governo de Alexis Tsipras, de uma forma ou de outra, acabe por sucumbir.

Desengane-se contudo quem pensa que as «instituições» saem incólumes deste processo. São demasiadas as perplexidades que se foram acumulando: da ausência de qualquer explicação para o fracasso colossal da receita da austeridade, na Grécia como aqui, à evidência cada vez maior de que apenas o governo grego foi cedendo (até chegar ao osso intransponível das suas linhas mais vermelhas), passando pela percepção de que as divergências deixaram há muito de ser «técnicas» para se circunscreverem a uma esfera puramente política (como demonstra, com clareza, o comunicado da reunião de ontem do eurogrupo). A máscara de respeito pela democracia e pela legitimidade das escolhas dos povos e dos seus governos foi portanto caindo aos poucos. Para quem tivesse dúvidas, as «instituições» europeias foram revelando a sua verdadeira face.

11 May 19:41

A árvore que floresceu em cima do viaduto da Avenida dos Bandeirantes

by Ricardo Cardim

árvore pata de vaca Bauhinia - árvores de São Paulo 1 - foto de Ricardo Cardim - direitos reservados

Árvore comum na arborização de São Paulo, e geralmente exigente quanto as condições de solo, uma pata-de-vaca (Bauhinia blakeana) cresceu na junta de dilatação do movimentado viaduto de acesso da Marginal do Rio Pinheiros a Avenida dos Bandeirantes, Zona Sul de São Paulo.

Não conheço outro exemplar da espécie vivendo “nas alturas” como esse, e ainda mais adulto e florescendo. Essa espécie é originária de Hong-Kong e suas flores lembram orquídeas, sendo muito ornamentais. Na Mata Atlântica temos uma árvore do mesmo gênero, a B. forticata, de flores menos vistosas e com a cor branca.

árvore pata de vaca Bauhinia - árvores de São Paulo - foto de Ricardo Cardim - direitos reservados

 

Ricardo Cardim

 

11 May 13:54

DANE-SE O QUE ELES ACHAM

by lola aronovich
Volta e meio recebo email de alguma menina de doze, treze, quatorze anos, arrasada porque energúmenos em grupo a atacaram virtualmente, chamando-a de mocreia, ou porque a elegeram a garota mais horrível da escola.
Pois é, isso acontece com frequência. Estou falando de meninas que já são bombardeadas por imagens midiáticas mentirosas do que é considerado belo (cerca de quinhentas imagens por dia, todos os dias), de adolescentes que querem ser aceitas, que estão tentando descobrir seu lugar no mundo. Nessa idade estamos mais frágeis, mas esses ataques também têm o potencial de abalar a autoestima de mulheres adultas. E quem ataca quer mesmo nos destruir. 
Bom, não sei se consigo resumir melhor do que isso: fuck what they think. Dane-se o que eles acham.
A revolta desses rapazes que nos xingam é justamente porque eles não têm poder algum. 
"Então eu pensei, quem sou eu
pra julgar? Vá pra casa,
homenzinho"
Passam o dia inteiro em fóruns nas redes sociais ora se lamentando dessa falta de poder (onde já se viu mulher poder escolher?! Escolher com quem namorar? Se achar bonita?), ora tentando convencer os colegas que eles ainda mandam. 
Eles podem ser heterossexuais, mas não gostam de mulher. Porque "gostar de mulher" vai muito além de fazer sexo com elas (ou, no caso de muitos desses seres, querer fazer sexo com elas e ser ignorado, ó opressão). Gostar de mulher é ver mulheres como um ser humano completo, digno de fala, opiniões, competências, liberdade e respeito. Tem nome pra quem vê mulher apenas como um pedaço de carne: misógino. É quem odeia mulheres, quem vê nelas somente uma função.
Eles baseiam todo o juízo que fazem de uma mulher (qualquer mulher, de qualquer idade, seja a presidenta, a pedreira, a professora, a médica) em um só critério: se essa mulher faz com que eles tenham uma ereção. Se causar esse efeito, a mulher vale alguma coisa. Não muito, porque só vale pra isso, pra transar. E só até a hora de transar. Porque, se essa mulher aceita transar com o cara, ela é uma vadia (ela tem que se preservar, se valorizar, se dar ao respeito. Como assim, transar no primeiro ou quinto encontro?). Se ela recusar o cara, ela é uma vadia -– porque foi logo recusando um cara tão bonzinho e bacana! E a mulher que não cause uma ereção no cara também é uma vadia. Simplesmente por ser mulher. 
Mas por que muitas de nós, mulheres, ainda damos alguma importância ao que um cara com um pensamento desses pensa? Recomendo fortemente que as meninas, desde cedo, criem uma casca grossa. Um pensamento de dane-se o que eles pensam. Há pessoas legais e inteligentes que podem ter opiniões que talvez você deva levar em conta. Mas opinião de misógino? 
Se um cara te chama de feia ou mocreia ou baranga ou trubufu ou dragão ou sei lá quantas dezenas de insultos existem para falar mal da aparência de uma mulher, por que você vai levar essa opinião em consideração? É uma opinião baseada num padrão racista de beleza. Num conceito em que as mulheres só são bonitas (e, por isso, válidas) enquanto jovens. Num conceito de que mulher só vale pra adornar.
Por mais que eles adorem usar fórmulas para tentar provar que seus conceitos são universais, que inventem critérios “científicos” como a proporção áurea, a verdade é que todo mundo que já flertou com alguém sabe que existe algo chamado "química". O que é feio pra alguns pode ser muito atraente pra outros, e vice versa. Apesar do empenho dos misóginos em espalhar que “ninguém vai te querer”, pode ter certeza que tem gosto pra tudo (óbvio que ser misógino limita muito as chances de um homem em atrair uma mulher).
"Minha vida melhorou muito quando
eu parei de dar a mínima"
A psicologia evolucionista, sempre ela, tenta explicar o fascínio pela beleza: ela indicaria saúde genética. Por isso, seríamos sexualmente programados para nos sentirmos “naturalmente” seduzidos pela beleza. Há uma enorme falha nesse raciocínio, como apontou um historiador britânico: “Se a beleza é uma característica humana favorecida geneticamente pela evolução de forma tão sistemática, por que não há mais gente bonita no mundo?”
Pois é, a beleza clássica, digamos assim, é escassa. Pesquisas indicam que só 3% das mulheres e 2% dos homens são considerados muito bonitos. Bonita ou acima da média, 31% das mulheres, e 27% dos homens. A maior parte está na vala da “aparência comum”: 51% das mulheres, e 59% dos homens. Sem atrativos estariam 13% das mulheres, e 11% dos homens. E feios, feios mesmo, só 2% das mulheres e 1% dos homens. 
E muito depende do conceito de beleza. Um estudo com 2 mil participantes na Grã-Bretanha perguntou: “Para você, o que torna uma mulher bonita?” 70% dos participantes responderam que ser bonita é ser confiante. Você já deve ter notado que quando está namorando, feliz, muitas vezes é mais cobiçada do que quando está sozinha. Isso é porque você passa a exalar autoconfiança, e é isso que atrai.
Não é à toa que misóginos investem uma grande porcentagem de seu tempo livre minando a autoestima de mulheres e meninas. Imagine se você foi criada achando que o maior valor de uma mulher é sua aparência. Agora imagine uma horda de criaturas sem nome te dizendo que você falhou nessa sua única missão. 
Se dependesse dos misóginos da internet, eles dividiriam o mundo numa meritocracia baseada na beleza. Mas só para mulheres, porque, se envolvesse homens, eles novamente seriam deixados de fora (foco no novamente). 
Já está na hora de não levar essas opiniões em consideração. Fuck what they think. Ame-se a si mesma e crie um escudo anti-trolls. Como disse uma modelo, “A beleza é poderosa porque ela é agradável. Poder verdadeiro significa não ter que agradar”. 
11 May 11:44

Paulo Nogueira: Que pecado cometeu o cidadão de Itajaí para pagar R$ 60 mil por palestra de Joaquim Barbosa?

by Conceição Lemes

barbosa

QUE PECADO O CIDADÃO DE ITAJAÍ COMETEU PARA TER QUE PAGAR 60 MIL REAIS POR UMA HORA DE JOAQUIM BARBOSA?

por Paulo Nogueira, no Diário do Centro do Mundo

E então temos o seguinte: o cidadão de Itajaí foi obrigado a pagar 60 mil reais por uma palestra de uma hora de Joaquim Barbosa.

Este é o Batman, o campeão da ética, “o garoto pobre que mudou o Brasil”, segundo a Veja, naquela que foi uma das mais idiotas chamadas de capa já produzidas por uma revista em toda a história em qualquer lugar do mundo.

Mil reais por minuto. Este, ficamos sabendo, é o preço de Barbosa. Vazou de alguma forma, porque segundo o contrato o valor era sigiloso.

Seria um assalto ao contribuinte de Itajaí de qualquer forma. Mesmo que a palestra fosse em praça pública, aberta a todos os interessados, há outras maneiras mais inteligentes de gastar 60 mil reais em 60 minutos, você há de convir.

Mas este é Joaquim Barbosa, o paladino que não hesitou em queimar 90 mil reais de dinheiro público numa reforma dos banheiros do apartamento funcional que utilizou por tão pouco tempo.

Repito: mas este é Joaquim Barbosa, o incorruptível que inventou uma empresa para sonegar impostos na compra de um apartamento em Miami.

Quando você prega moralidade e na sombra faz coisas impublicáveis, isso quer dizer que você é um demagogo.

Pois é exatamente este o título que deveria estar hoje no cartão de visitas de JB, ou nas propagandas de suas palestras: demagogo.

No STF, ele foi um péssimo exemplo para a sociedade. Deslumbrado com as lantejoulas cínicas da mídia, ele presidiu o julgamento mais iníquo do Brasil.

Joaquim Barbosa levou às culminâncias o conceito de justiça partidária, em que você julga alguém não pelo que fez ou deixou de fazer, mas pelo partido a que pertence.

Enquanto teve poder, foi mesquinho, intolerante – repulsivo. Não surpreende que seja admirado exatamente por pessoas com aquelas características, e abominado por progressistas de toda ordem.

Saiu do STF porque, com a chegada de novos ministros, ficou em minoria. Não teve sequer a coragem de defender suas ideias conservadoras e pró-1% em ambiente não controlado.

Estava na cara que ia fazer palestras.

A direita se defende e se protege: arruma palestras milionárias para aqueles que vão fazer pregações contra qualquer coisa parecida com a esquerda, e sobretudo contra Lula e o PT.

Mau exemplo no STF, Joaquim Barbosa continua a ser mau exemplo fora dele.

Entre palestras, arrumou tempo para fazer uma bajulação abjeta à Globo por seus 50 anos.

A emissora que foi a voz da ditadura se converteu, nas palavras de JB, na empresa generosa à qual os brasileiros devemos, pausa para gargalhada, a integração.

A emissora que é um símbolo da hegemonia branca, e que advoga ferozmente contra políticas de afirmação, foi colocada num patamar de referência em seu universo na inclusão de negros.

Joaquim Barbosa foi uma calamidade para o Brasil no STF, e longe dele, arrecadando moedas em palestras, continua a projetar sombras nada inspiradoras.

É, como Moro hoje, o falso herói, condição fatal de todos aqueles que a plutocracia, para perpetuar sua predação, tenta transformar em ídolo popular.

Leia também:

Fábio Serapião: O PT paulista prefere perseguir dissidentes contrários ao “Trem da Alegria” a se opor ao PSDB

O post Paulo Nogueira: Que pecado cometeu o cidadão de Itajaí para pagar R$ 60 mil por palestra de Joaquim Barbosa? apareceu primeiro em Viomundo - O que você não vê na mídia.

09 May 18:25

DEBATENDO A LAVA JATO – 3 Entrevista com Edson Ribeiro, advogado de Cerveró - Antes da AP 470 ele denunciava "a espetacularizacão do Direito Penal e o escárnio público"

by Paulo Moreira Leite

Paulo Moreira Leite

No início da década, quando a AP 470 sequer fora julgada pelo Supremo Tribunal Federal, o advogado Edson Ribeiro publicou um artigo na revista do…

09 May 11:50

O factoide sobre Mujica e o mensalão é mais um golpe baixo para atingir Lula 2018

by Kiko Nogueira
  A campanha contra Lula 2018 produziu mais um capítulo infame. O Globo “revelou” que Lula teria dito a Pepe Mujica que sabia do mensalão. A história teria sido tirada da recém-lançada biografia de Mujica, “Una oveja negra al poder”, dos jornalistas uruguaios Andrés Danza e Ernesto Tulbovitz. O...