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30 Nov 14:33

What Have Unions Ever Done?

by Barry

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The beautiful backgrounds for this comic were drawn by the amazing Adrian Wallace! Thanks, Adrian!

Transcript of cartoon:

PANEL 1
An elderly woman in a striped skirt, walking a dog, is being spoken to by a friendly young man, who is holding out a petition on a clipboard and wearing an anti-union t-shirt. The dog sniffs at the young man’s leg in a friendly way.

MAN: Ma’am, you should sing our right-to-work petition… What have unions ever done for you?

PANEL 2
CAPTION: Outlawing child labor.
The panel shows a young girl in a striped shirt playing on a old-fashioned scooter.

PANEL 3
CAPTION: The 8 hour workday.
The panel shows a young woman at work, delivering packages, and whistling. She’s wearing a striped shirt.

PANEL 4
CAPTION: Health plans and sick leave.
The panel shows the same young woman, now with a broken arm in a cast. A friend is signing the cast.

PANEL 5
CAPTION: Maternity Leave.
The same woman in the striped shirt, now a little older, pushing a baby in a stroller.

PANEL 6
CAPTION: Weekends
The same woman in the striped shirt, now older still, at a carnival, being pulled along by her happy daughter, who now looks about 10.

PANEL 7
CAPTION: Vacation time.
The same woman and daughter at the beach, the woman now wearing a striped swimsuit, and looking older still, as she walks along the beach with a metal detector. In the background, her daughter, now a teen or young woman, is talking on a cell phone.

PANEL 8
CAPTION: Social Security and Medicare
The same woman, now elderly and dressed as she was in the first panel. She has the dog with her, and is pulling envelopes out of her mailbox.

PANEL 9
This panel shows the woman and the young man with the anti-union petition again. The woman has walked past the young man, her nose in the air in a “I refuse to even dignify that with an answer” attitude. The dog has the same attitude. The young man watches them leave, not understanding.

MAN: Ma’am?

24 Nov 11:27

Desmazelo ou incompetência? Procurador conta como site “Antagonista” usou sua foto em “notícia” sobre PCC

by Diario do Centro do Mundo

luiz carlos

Publicado no Justificando.

POR LUIZ CARLOS DOS SANTOS GONÇALVES, Procurador Regional da República.

 

A notícia da prisão de membro do CONDEPE, Conselho Estadual de Direitos Humanos de São Paulo, veio acompanhada, na mídia social de “O Antagonista”, da foto da pessoa e a frase “Direitos Humanos do PCC”. A sugerida correlação entre defesa dos direitos humanos e crime organizado foi, de pronto, apreendida por um grande número de comentadores, dentre os milhares que curtiram ou compartilharam a postagem. Houve quem dissesse para “marcar bem a cara desse canalha”, outro propôs “chumbo nele”. Um terceiro observou que terrorista bom é terrorista morto.

Nunca fui favorável à divulgação de imagens e vídeos de pessoas presas ou processadas. Acredito que a resposta à cultura da impunidade que ainda vejo no país é o devido processo legal. Que se faça a investigação, a denúncia e o processo. Se o veredito for condenatório, que se cumpra a pena. A divulgação de imagens e vídeos condena antes do processo e permite que paixões extremas  – como o desejo de vingança – aflorem, juntamente com esse ódio que habita sob a pele de tanta gente e é exposto com tanta desenvoltura nas mídias sociais.

Tampouco jamais fiz essa distinção primária entre efetividade da atuação estatal e respeito aos direitos humanos. Uma coisa não pode existir sem a outra. Processo Penal que imuniza castas sociais ofende a Constituição; condenações sem amplo direito de  defesa também.

Ocorre que a imagem do preso supostamente ligado ao crime organizado, não era a dele. Era a minha. O “Antagonista”,  por desmazelo, malícia, indiferença ou incompetência, procurou na internet o nome do preso Luiz Carlos dos Santos e, desprezando o fato de que se trata de um nome muito comum, pegou a primeira foto que apareceu e colocou na notícia. O erro crasso perdurou por tempo suficiente para que milhares de compartilhamentos fossem realizados, uns a partir dos outros.

A foto, dos tempos em que fui relator geral da Comissão de Reforma do Código Penal, foi reproduzida à mancheias, sempre acompanhada da observação “Direitos Humanos do PCC”. Noutras tantas vezes, o acompanhamento se fez com a imputação de “Assassino”, que autorizaria a recomendação de “matar ele também”.  Meu rosto ilustrava o pedido de alguém para “marcar bem a cara desse canalha”. Tornei-me o terrorista, o assassino, o bandido, o que deve morrer. Quando afinal a foto foi retirada da publicação original, ela já havia se disseminado pelos mundos da internet. Ainda esta lá, se aquela ferramenta comum de busca de imagens for acionada. Nem se lembraram que meu nome agrega o sobrenome “Gonçalves”.

Eu, Luiz Carlos dos Santos, ele mesmo, fui confundido com o Luiz Carlos dos Santos, o outro.

Até agora, sem retratação.

A trapalhada levou a uma profusão de contatos: familiares, parentes, amigos, colegas do Ministério Público Federal e Estadual, o pessoal de Brasília onde trabalhei, alunos, ex-alunos, conhecidos das redes sociais… Todos queriam saber se eu era eu (ou o outro); se eu estava preso ou solto. Uma ex-aluna, simpática, trouxe a profissão de fé: “eu tenho certeza de que o Senhor vai provar sua inocência, professor”.

O dia foi terrível. Peguei desconfiado o metrô, cismando que todo mundo olhava para mim. Afinal, “marquem bem a cara desse canalha”, pedia uma mensagem. Uma moça me olhou de modo interrogativo e me imaginei descoberto, mas era só para perguntar se eu, em razão da minha quase ancianidade, queria me sentar.

Outras imagens minhas foram incluídas, noutros endereços da internet, uma delas com a plaquinha da Comissão de Reforma do Código Penal, que tantas vezes defendi, quem sabe se para sugerir que se trata de outra artimanha do crime organizado. A acusação foi incrementada: tornei-me lavador de dinheiro. Ao fim, além do Luiz Carlos-eu-mesmo e do Luiz Carlos-o-outro, surgiu um terceiro, um golem hibrido de maldades, pronto para receber invectivas raivosas, repetidas sem nenhuma verificação, nenhum cuidado ou desconfiança…

É isso a internet?

O absurdo que me acometeu não é a parte principal do problema. Sim, vou ao Judiciário contra o que considero uma afronta. Só que tanto faz se a imagem era errada ou certa, se era de um governador ou de um ex-governador, de um presidente ou de um ex-presidente, de um ladrão ou de um quadrilheiro, de um indigente ou de um policial, de alguém ou de um zé-ninguém.

Entende-se o interesse jornalístico (quando seguido do mínimo padrão de decência e confirmação). Entende-se que os agentes públicos tem o dever de prestar contas de seus atos. Só que tudo isso pode ser feito sem achincalhe, sem demasia, sem condenação apriorística. A divulgação de imagens e vídeos de gente presa e processada incita a intolerância, o extremismo e o ódio e, portanto, é errada.

Eu, Luiz Carlos dos Santos, o outro, lamento o que também ocorreu com o Luiz Carlos dos Santos, ele próprio. Quanto ao mais, que venha o devido processo.

 

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24 Nov 11:25

Alimento é saúde|Mandioca, a cultura do século 21

by Redação
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Base de alimentação para mais de 800 milhões no mundo, a raiz é fundamental na dieta brasileira

23/11/2016

por Mauro Ramos do Brasil de Fato

Cultivada em mais de 100 países tropicais e subtropicais, a mandioca pode ser muito rentável. Isso porque ela precisa de poucos insumos em áreas com solos pobres e sujeitas a chuvas imprevisíveis, graças ao uso eficiente da água e dos nutrientes do solo, à tolerância à seca e aos ataques esporádicos de pragas.

A mandioca é muito rica em carboidratos, o que a torna uma fonte energética importante. Também é fonte de vitaminas do complexo B, cálcio, fósforo e potássio. Por estes motivos, a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura escolheu a mandioca como a cultura do século XXI.

Confira o programa Alimento é Saúde, da Radioagência Brasil de Fato (para baixar o arquivo, clique na seta à esquerda do botão compartilhar):

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24 Nov 11:25

Escola omissa nos casos de bullying aumenta vulnerabilidade dos estudantes LGBT

by Conceição Lemes

Fátima LGBT

73% dos estudantes LGBT sofrem bullying nas escolas, segundo pesquisa

da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH)

Entidades LGBT apresentaram , nesta terça-feira, 22, no Congresso Nacional, pesquisa inédita sobre a realidade preocupante enfrentada por estudantes LGBT nas escolas de todo o país.

Os dados foram apresentados durante reunião da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), presidida nesta terça-feira (22) pela senadora Fátima Bezerra.

A novidade dessa pesquisa é que foram os próprios alunos que responderam os questionários, ou seja, não se trata da percepção de terceiros sobre a realidade desses meninos e meninas.

Segundo a pesquisa, 60% dos estudantes disseram se sentir inseguros na escola no último ano em razão de sua orientação sexual; 73% foram agredidos verbalmente; e 36% chegaram a ser agredidos fisicamente.

“Os dados são alarmantes. Precisamos de políticas públicas que minimizem essas situações, pois estamos tratando de vidas humanas”, explica Toni Reis, coordenador da pesquisa no Brasil e secretário de educação da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays , Bissexuais, Transexuais e Travestis.

O estudo mostrou ainda que 36% dos respondentes acreditaram que foi “ineficaz” a resposta dos profissionais para impedir as agressões e 39% afirmaram que nenhum membro da família falou com alguém da equipe de profissionais da escola quando o estudante sofreu agressão ou violência, o que, na opinião da senadora Fátima Bezerra, torna a situação ainda mais grave, pois aumenta a vulnerabilidade desses estudantes, já que aqueles que tem o dever moral e legal de defendê-los se omitem.

Para a senadora Fátima Bezerra, é muito importante que os professores de toda rede pública e privada do país tomem conhecimento da pesquisa.

” A pesquisa precisa chegar ao chão das escolas, precisamos acabar com a intolerância e o ódio no Brasil, principalmente neste momento de ataques à democracia”, afirmou.

Fátima lembrou que iniciativas como o projeto Escola Sem Partido, apelidada de Lei da Mordaça, só incentivam a intolerância. ” Não podemos aprovar legislações que atacam os direitos humanos, como esse tipo de proposta. Eles querem tirar a liberdade de expressão dos nossos professores e calar o censo crítico dos estudantes”, criticou.

A pesquisa, realizada há 25 anos nos Estados Unidos, agora foi estendida a outros sete países da América Latina. No Brasil, foi respondida via internet por 1016 estudantes LGBT,  entre 13 e 21 anos, no período entre dezembro de 2015 e março de 2016.

O Relatório da pesquisa pode ser acessado no link: http://www.abglt.org.br/docs/IAE-Brasil.pdf

Além da senadora Fátima, participaram do debate a deputada Érica KoKay;  a coordenadora geral do Conselho Nacional de Combate à discriminação e Promoção dos Direitos Humanos da Secretaria Especial de Direitos Humanos do Ministério da Justiça, Kátia de Andrade; o diretor de Políticas de Educação em direitos Humanos do Ministério da Educação,  Daniel de Aquino; o presidente da Fundacíon Todo Mejora, Julio Dantas, coordenador internacional da pesquisa; e a oficial de projetos de setor de Educação da Unesco, Mariana Braga.

PS:No final da audiência, a senadora Fatima Bezerra e a deputada Érica KoKay informaram que vão apresentar um requerimento para debater as experiências do Chile e do Uruguai, no combate à violência nas escolas. Fátima informou ainda que levará o debate para a Comissão de Educação e Cultura do Parlasul, na próxima semana.

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24 Nov 11:24

Tomazo Garzia Neto: Enquanto China e Coreia apoiam setor naval com dinheiro público, Brasil discute rever lei do conteúdo local!

by Luiz Carlos Azenha

Da Redação

O setor naval está em crise em todo o mundo. Primeiro, por causa da retração econômica generalizada. Depois, por causa da queda do preço de petróleo, com o adiamento ou a suspensão de planos e projetos de investimento para buscar petróleo em alto mar.

No Brasil, a crise foi agravada pelas consequências da Operação Lava Jato, que aprofundaram as dificuldades para conseguir crédito.

No setor de engenharia de projetos, no qual o Brasil é autossuficiente, a crise implicou em cerca de 5 mil demissões, de acordo com o engenheiro Tomazo Garzia Neto, presidente da Projemar. Ele participou, no Rio, do evento promovido pelo Clube de Engenharia para debater a Petrobras e o pré-sal.

Em sua fala, Tomazo menciona a Iesa, do Grupo Inepar, a UTC, a Sete Brasil e a própria Odebrecht — todas atingidas direta ou indiretamente pelas investigações e pela megapublicidade das ações da Lava Jato.

O que chama a atenção na palestra de Tomazo é a diferença com que os governos enfrentam a situação. Na Coreia, segundo ele, o governo pretende encomendar 250 navios a estaleiros locais e investir U$ 1 bi. China, Japão, França e Singapura também atuam para reforçar ou salvar o que sobrou do setor.

Enquanto isso, diz ele, no Brasil o debate é sobre a redução da exigência de conteúdo local nas encomendas da Petrobras. Em busca de garantir lucros dos acionistas acima de tudo, a própria estatal decidiu fazer grandes encomendas no Exterior.

O grande risco é que todo o saber desenvolvido por empresas locais, antes e durante a descoberta do pré-sal, agora seja simplesmente transferido para empresas que gerem lucros e empregos fora do Brasil.

Não é por acaso que Tomazo inicia sua palestra com a famosa frase de Ivan Lessa: “A cada quinze anos, o Brasil esquece os últimos 15 anos”.

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23 Nov 23:02

Aragão, sobre as 10 medidas contra corrupção: Criada pelo MPF, é a iniciativa popular mais chapa branca que já vi

by Conceição Lemes

Eugênio Aragão diz que 10 medidas contra a corrupção têm caráter corporativista e populista

do PT na Câmara, 22/11/2016 

“Se for uma iniciativa popular, é a iniciativa popular mais chapa branca que eu já vi”.

Em um dia decisivo para a comissão especial da Câmara que trata das medidas anticorrupção, o procurador da República Eugênio Aragão assim definiu hoje (22) o conjunto de medidas que, para ele, nada tem de popular, mas é fruto de uma iniciativa viciada, com forte cunho institucional e corporativista.

Vale lembrar que o Ministério Público Federal (MPF) foi o idealizador das dez medidas contra a corrupção, que foram compiladas em projeto que tramita na Câmara (PL 4.850/16) e que chegaram ao Parlamento sob a forma de projeto de iniciativa popular.

Para o procurador, o Ministério Público apenas buscou no apelo social o apoio necessário a um projeto de interesse corporativo.

“Nós vemos País afora carros de serviço do Ministério Público estampados com publicidade das dez medidas. Vemos o procurador-geral da República [Rodrigo Janot] fazendo atos dentro da Procuradoria Geral da República [PGR] para defender as dez medidas. Sabemos também que esse projeto foi co-coordenado pela 5ª Câmara da PGR [que atua nos casos de combate à corrupção]. Então, tem muito mais cara de iniciativa institucional, que de um jeito populístico foi buscar apoio social”, detalhou Eugênio Aragão.

O procurador afirmou que o MPF teria meios mais sérios para discutir esse tema, em vez de insuflar as ruas.

“O Ministério Público tem iniciativa de lei naquilo que diz respeito a suas atribuições e tem permanente diálogo com o Executivo e com o Legislativo. Portanto, não teria nenhuma necessidade de vir buscar o apoio do ‘clamor das ruas’. Acredito ser o caminho errado, porque a Constituição diz que os poderes da República são harmônicos entre si. Então, buscar o clamor das ruas é querer criar tensão entre os poderes, colocando o Legislativo na parede”.

Importante destacar que essas dez medidas estão inclusas num contexto mais geral de realização da Lava Jato e que um dos seus principais incentivadores é o procurador Deltan Dallagnol, um dos responsáveis pela operação.

Uma das principais críticas a essas medidas é que elas têm um caráter fortemente acusatório, que aumentam penas e expandem competências do Ministério Público, criando obstáculos às atividades da defesa, destroçando o sistema recursal.

Estado Nacional

Ao falar da conjuntura política do Brasil, Eugênio Aragão disse inexistir nesse momento qualquer projeto nacional.

Segundo o procurador, com o golpe, todos os projetos de inclusão social foram engavetados. Deu como exemplo o risco que correm atualmente os projetos que privilegiavam e incentivavam a criação de uma tecnologia genuinamente nacional, dando preferência aos produtos nacionais nas compras públicas, em detrimento dos produzidos lá fora.

“Um dos fatos talvez mais chocantes é que o Poder Executivo andou dizendo por aí que iria substituir os programas de códigos abertos por software da Microsoft. Ora, aquela substituição que se deu há alguns anos de software da Microsoft por software de código aberto foi uma recomendação do Tribunal de Contas da União. E por quê? A Microsoft teve sérios problemas no Cade [Conselho Administrativo de Defesa Econômica], porque só vende seus software por meio de revendedores. E em cada região do país geralmente existe um só revendedor. Isso significa que o Poder Executivo estaria aqui em Brasília na mão de um único revendedor”, criticou.

Ele disse que nesse contexto o poder público ficaria muito mais exposto, por exemplo, a situações de corrupção trabalhando com softwares comerciais do que trabalhando com plataformas abertas que são customizadas pelo próprio serviço público.

Isso porque, nessa situação, seria muito maior a vulnerabilidade de uma empresa privada, como a Microsoft, promover financiamentos paralelos, potencializando ações de corrupção dentro do aparato público.

Veja também:

Aragão: Brasil adere aos espetáculos de “meganhagem” enquanto a soberania do País é destruída

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23 Nov 22:40

30 anos do terremoto de João Câmara: UFRN e IFRN promovem evento em alusão à data

by LabSis/UFRN


    Este ano, o terremoto que abalou a cidade de João Câmara no dia 30 de novembro de 1986, bem como o início de uma sequência de eventos sísmicos nesta cidade completam, este ano, 30 anos. Estes eventos sísmicos foram marcantes sob aspectos científicos e sociais, e foram sem dúvida, a sequencia sísmica mais estudada no Brasil. Em alusão à data, o Laboratório de Sismologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (LabSis/UFRN) e o campus João Câmara do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), realizam uma série de palestras com renomes da Sismologia nacional, técnicos e pessoas que vivenciaram o fato.
    Em Natal, o seminário ocorrerá no dia 29.11, entre as 8h e 18h, no anfiteatro do Centro de Ciências Exatas e da Terra (CCET/UFRN) , com encerramento no Clube de Rádio Amadores do RN (Av. Rodrigues Alves, 1004 – Petrópolis), com o lançamento do Livro "João Câmara, 1986: Os abalos sísmicos e seus efeitos”, do Prof. Dr. Mario Takeya.
    Já na cidade de João Câmara, o evento acontecerá no dia 30.11, no campus local do IFRN, entre as 9h e as 15h30. Nomes de peso da Sismologia do Brasil estarão presentes, como Joaquim Ferreira, Alberto Veloso e Marcelo Assumpção.
    “Não poderíamos deixar de relembrar um acontecimento tão importante como esse. O sismo que ocorreu em 1986 abalou todo o país e mexeu diretamente com muitas famílias. Vamos rememorar e homenagear todo aquele trabalho  e aqueles que trabalharam na época”, explica o coordenador do LabSis, prof. Dr. Aderson Nascimento.

Sismo de João Câmara

    O sismo de João Câmara foi o de maior magnitude em uma série de eventos sísmicos que tiveram início no ano de 1986. O primeiro tremor – sentido inclusive em Natal – aconteceu no dia 21.08, e alcançou 4.3 na Escala Richter. No mês seguinte, foram dois eventos sísmicos: 4.3 e 4.4, respectivamente.  O terremoto principal ocorreu no dia 30.11, com magnitude de 5.1, seguido por milhares de réplicas. 

Fonte: LabSis/UFRN
Heloísa Lemos, Rodrigo Luiz.
23 Nov 22:40

Como o Mercado de Trabalho lida e trata Pessoas Trans e Travestis

by Beatriz

Texto de Morrigan Oliveira.

Como o Mercado de Trabalho lida e trata Pessoas Trans e Travestis.

De forma geral, o mercado formal de trabalho não aceita, detesta, é omisso, trata mal, e das piores formas mais desumanas e cruéis, que se possa imaginar todas as pessoas trans.
Eu posso tomar o meu caso por exemplo, sempre que tentava de todas as formas me inserir mesmo que em sub empregos, sempre me davam desculpas sem sentido, diziam que iam ligar, e eu esperava grudada no celular por meses, e nada. Quando morava no interior de Goiás, todas as diárias que chegava a fazer, pois era o que tinha e o que eu encontrava, e olha que de vez em nunca eu chegava a ganhar apenas 15 reais, não me lembro de alguma diária que ganhei mais que isso, isso pra mim é muito desumano mas a necessidade gritava mais alto né, e eu precisava.
Certa vez fiz um anúncio na internet, daí se passaram alguns dias, e um cara me contatou por whatsapp, papo vai papo vem, já parecia contratada e que estaria tudo certo, até ai fui tratada como uma “donzela”, mais à frente acabei soltando que era uma mulher trans, daí a reação do cara foi de ódio, nojo, espanto, raiva, me ofendendo de milhares de injúrias, calúnias, xingamentos, etc, e pasmem tudo isso só por causa da minha identidade de gênero.
Outro caso foi quando fui à uma empresa que “supostamente” me indicaram, chegando lá já fui até a recepcionista entreguei meu currículo, e expliquei tudo à ela, do nada a mulher começou a me tratar de “traveco” dizendo que naquela empresa “viado de peito” não entra, usando outros milhares de termos pejorativos, eu fiquei perplexa, fui reclamar com o “Chefe” dela, e ele fez praticamente o mesmo que a sua suposta subordinada, a diferença é que ele pegou meu currículo e rasgou bem na minha frente, dizendo que “Traveco aidético, que finge ser mulher” não acrescenta em nada na empresa, e simplesmente com o papel rasgado o embolou e o atirou no lixo, além de tudo isso cuspiu no meu rosto.
Saí de lá chorando, e todos da empresa soltando gargalhadas ao ver a cena, fiquei estarrecida sem acreditar no que havia acontecido, e sem contar que nem celular eu tinha para ao menos poder gravar e provar tudo aquilo na época. Ao meu ver enquanto não surgirem políticas públicas, em torno dessa questão de inserção de pessoas trans no mercado de trabalho formal, e punição devida, vão continuar ocorrendo essas discriminações transfóbicas à torto e a direito.
Isso geralmente vem de pessoas inferiores, que de tão doentes só faltam cuspir na nossa cara sem motivo algum, coisa que especificamente comigo já ocorreu.
O único modo ao meu ver, seria criar “COTAS”para pessoas trans serem inclusos e inclusas no mercado de trabalho formal pelo menos, já que estamos às margens dessa sociedade que faz questão de que continuemos lá, já que leis não existem…
A única solução no momento seriam possíveis cotas e com punição severa para qualquer empresa que desacatar tais termos que deveriam ser seguidos. Ou alguma lei severa sancionada contra a discriminação de gênero, e que de praxe funcione, porque portarias do boca à boca, do late à late, de nada adiantam ou sequer resolvem.

Imagem: Weudson Ribeiro/Socialista Morena via Democracia e Mundo do Trabalho em Debate.

22 Nov 19:52

Aragão: Brasil adere aos espetáculos de ‘meganhagem’ enquanto a soberania do país é destruída

by Luiz Carlos Azenha

Eugênio Aragão. “As dez medidas prometem o impossível”

Ex-ministro de Dilma Rousseff, Eugênio Aragão, procurador da República, é um crítico da Operação Lava Jato

por Wagner Mendes, em O Povo

Em passagem por Fortaleza para participar do 2° ato pela Legalidade Democrática, na última quinta-feira, 17, o ex-ministro da Justiça, na gestão da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), Eugênio Aragão, conversou com O POVO e analisou o cenário político nacional.

Ele fez diversas críticas à condução da Operação Lava Jato e chamou as Dez Medidas de combate à corrupção, encampadas pelo Ministério Público e que tramitam na Câmara dos Deputados, como “populismo”. Confira os principais trechos da entrevista:

O POVO — Em 2012 o senhor publicou um ensaio com o título “O Ministério Público na encruzilhada”, no qual já alertava para os perigos que rondam a atuação do MP, citando os excessos e um corporativismo desmedido. O senhor acha que nos últimos tempos a situação se agravou na medida em que procuradores negociam dentro do Congresso Nacional pontos do texto do projeto de lei que reúne Dez Medidas de Combate à corrupção?


Eugênio Aragão – Como esse corporativismo nunca foi freado, bem pelo contrário, ele foi cevado pelo PT e pelo governo, na medida em que admitiu a lista corporativa para procurador-geral da República, é claro que ali se tornou mais ousado.

As Dez Medidas que o Ministério Público propõe têm tudo menos a iniciativa popular. Foram dez medidas gestadas dentro de um pequeno grupo da procuradoria, sequer trocando ideias com colegas de outras áreas, e levado adiante com uma propaganda, uma publicidade institucional enorme. Isso é uma iniciativa institucional ou popular?

Porque se for uma iniciativa institucional existem vários outros meios do MP trabalhar de forma mais séria, e não fazer esse tipo de populismo. Porque essas dez medidas prometem o impossível, prometem que se vai acabar com a corrupção no Brasil. Isso é puro populismo.

Claro que não se vai acabar com a corrupção no Brasil. Corrupção não se acaba, corrupção se controla, em níveis que não sejam disfuncionais para a sociedade. O que na verdade se está fazendo ali é cortar garantias fundamentais dentro do processo penal.

OP – O senhor afirma que o MP é visto pelos administradores públicos como um “risco à governabilidade”, pois os ameaçam com a Lei de Improbidade Administrativa. O que está acontecendo hoje no País, como o envolvimento de políticos em desvios, não daria razão ao MP?

Eugênio — O MP infelizmente, até por uma questão de formação dos procuradores ou deformação, na maioria das vezes não está interessado em resolver problemas que são apresentados pelos gestores.

Ele está mais interessado em achar um culpado por certos desvios na gestão que muitas vezes são frutos de desconhecimento das regras de gestão pública.

Hoje nós podemos dizer que mais de 90% dos municípios brasileiros têm problemas na área de contabilidade pública, problemas sérios. Mas a grande maioria desses problemas é por falta de conhecimento das prefeituras, das equipes municipais com essas regras. É a falta de treinamento.

OP – A Lava Jato tem sido um fio de esperança para grande parte dos brasileiros que almeja o combate à corrupção. Quais fatores levam um ex-ministro da Justiça a se tornar um dos grandes críticos da Operação?

Eugênio — Desde que deixei o Ministério, estou vendo a Operação Lava Jato apenas pelas luzes da ribalta. Eu não tenho acesso a processo nenhum, mas a gente lê o que estão fazendo.

Power point, colocando Lula como o capeta do capeta, não é isso? Ações espetaculares… Hoje (quinta-feira, 17), de manhã mesmo o ex-governador Sérgio Cabral preso sob os flashes da Globo News…

Isso é tudo extremamente grave porque fere a presunção de inocência das pessoas, fere o devido processo legal, prejudica substancialmente seu direito de defesa porque o juiz acaba ficando sob a pressão da opinião pública.

Então, é uma forma de se lidar com o problema da criminalidade de modo pornográfico, expondo as entranhas. E eu acho que isso daí, realmente, é um problema muito sério que estamos enfrentando na cultura judiciária e vai se ameganhando. Cada operação dessa parece um show do Ratinho, e as instituições perdem em seriedade.

OP – Nos últimos dias houve invasão à Câmara dos Deputados, bate-boca no STF e protestos às medidas austeras do governo do Rio de Janeiro. O senhor identifica saídas para um País em ebulição?

Eugênio — Eu tenho avaliado como decorrência de uma campanha sistemática de disseminação de ódio que o País tem sido alvo desde a ação penal 470.

Nenhuma sociedade aguenta 13 anos de bombardeio de discurso de ódio. Essa sociedade acaba ficando intoxicada porque a grande maioria das pessoas não sabe ler notícia de jornal. Notícia de jornal nunca se pega pelo seu valor de face.

Para você entender uma notícia você tem que saber a história que está por trás da notícia. Por que foi esse jornalista que escreveu? Por que usaram esse lide? Por que puseram esse título na matéria?

São perguntas que você tem que fazer, porque notícia de jornal é que nem jabuti em cima da árvore, não sobe sozinho, alguém colocou lá. Mas a maioria das pessoas não se questiona disso.

Nós estamos numa sociedade que está intoxicada pelo negativismo.

Esse negativismo disseminado dentro da sociedade faz com que a sociedade fique num permanente estado de choque e fique assistindo passivamente ao desmonte do Estado, desmonte do patrimônio nacional, desmonte do nosso futuro, do futuro dos nossos filhos.

Um pai assassinando seu filho porque ele estava fazendo parte de ocupação de universidade, senadores que passam com seu carro oficial em cima de manifestante…

Isso tudo no mesmo dia, é assustador. É um cenário assustador, a degeneração da nossa cultura política.

OP — A aprovação do processo de impeachment intensificou essa ebulição nacional?

Eugênio – O impeachment foi uma das pedras no caminho, teve outros episódios, teve a própria Lava Jato, teve a ação penal 470, teve as manifestações de 2013. Ou seja, é uma atitude sistemática de desconstrução de um projeto nacional. E, agora, nós estamos vendo onde eles queriam chegar.

Não é na ponte para o futuro, é na pinguela para o passado, que é o desmonte de tudo o que a Petrobras significa em termos de vanguarda tecnológica da nossa indústria nacional.

É a prisão do pai do projeto nuclear brasileiro, Almirante Otto, a quem se deu uma pena maior que a de Suzane Richthofen, que matou os pais.

Suzane Richthofen levou 39 anos e o Almirante Otto, que é o pai da energia nuclear brasileira, levou 43 anos. É um momento de delírio.

OP — Muito se fala na falta de legitimidade de Michel Temer (PMDB) para governar o País. Na avaliação do senhor, esse é, realmente, o maior problema do presidente que assumiu o comando do País após o processo de impeachment?

Eugênio – Michel Temer assumiu o poder dentro daquilo que nós podemos chamar de um engodo, atribuindo-se à presidenta algo que ela não fez, algo que o Tribunal de Contas da União nunca considerou como algo errado, ilícito, e transformaram isso em crime de responsabilidade para tirá-la do lugar dela onde foi eleita por 54 milhões de votos.

E depois de consumado esse golpe contra ela, que é um golpe no sentido de uma ruptura política e também no sentido de 171, uma trapaça, depois disso tudo, cinicamente esses mesmos atores falam ‘não, ela não foi destituída pro crime de responsabilidade, foi porque ela não aceitou o projeto ponte para o futuro’. Ora bolas, claro que ela não aceitou, ela não foi eleita para isso.

Nem o senhor Michel Temer, na chapa da presidente Dilma, foi eleito para isso que ele está fazendo hoje. Então, tem um duplo problema: primeiro que Michel Temer não foi eleito para derrubar a cabeça de chapa. Isso já é uma distorção. Em segundo lugar, ele não foi eleito para ditar à cabeça de chapa o que deveria ser feito.

Agora, temos que reconhecer que esse problema todo tem um ruído de comunicação enorme que existiu na parceria entre o PT e o PMDB. Se misturou água com óleo. Os projetos são incompatíveis.

O PMDB é um partido que se serve da gestão para distribuir premendas. Enquanto o PT, querendo ou não fez muitos erros, mas é um partido sério que tem um programa de projeto nacional, tem uma militância que controla as instâncias do partido, é um partido construído internamente de forma democrática, não é um partido de caciques como é o PMDB.

Não é um partido patrimonialista como é o PMDB.

Então a gente vê que são duas coisas que não se misturam. É o Brasil velho, que vem desde a velha República, e o Brasil que se quer modernizar, incluir, se colocar no conserto das nações como um País avançado, desenvolvido.

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22 Nov 13:58

A cultura do estupro não só existe como está em nosso DNA enquanto nação

by Cynara Menezes
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(Flagelo de uma escrava Samboe. William Blake, c. 1791)

Não é exagero afirmar que o primeiro mestiço nascido nesta terra, o primeiro “brasileiro”, pode ter sido o fruto do estupro de uma índia por um português. Nossa nação foi engendrada sob o signo do estupro cotidiano, corriqueiro e impune de indígenas e africanas. A violência sexual contra a mulher faz parte, portanto (e infelizmente), de nossa história como nação. Nascemos do estupro. Como não haveria uma cultura do estupro em nosso país se ele está em nosso DNA? É impossível algo tão enraizado ser dissociado do fato de acontecerem atualmente cinco estupros por hora no país.

Ao longo da história, palavras foram escolhidas a dedo pelos vencedores para edulcorar o que aconteceu nos anos de colonização da América em geral e do Brasil em particular. O próprio termo “colonização” ou “conquista”, por exemplo, quando o que houve foi uma invasão. “Descobrimento” em vez de “genocídio”. Também “miscigenação”, como se a mistura de raças fosse, na maior parte das vezes, “cordial”, embora tudo indique que foi o contrário. Meninas na mais tenra idade eram forçadas a ter relações sexuais em um mundo para o qual, em seus primórdios, só chegavam homens. Mesmo entre os escravos, as mulheres eram uma minoria cobiçada: eram trazidos para cá duas ou três vezes mais negros do que negras.

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(Homens e Uma Mulher Negra. Pintura do holandês Christiaen Couwenbergh, 1632)

No clássico Casa Grande & Senzala, tantas vezes acusado de promover entre nós a mitificadora concepção de que os intercursos sexuais entre raças e classes sociais se deram por consentimento mútuo, Gilberto Freyre traz algumas histórias bárbaras, como a da transmissão de sífilis às negras africanas pelos sinhozinhos infectados. “Foram os senhores das casas-grandes que contaminaram de lues (sífilis) as negras das senzalas. Negras tantas vezes entregues virgens, ainda mulecas de 12 e 13 anos, a rapazes brancos já podres da sífilis das cidades. Porque por muito tempo dominou no Brasil a crença de que para o sifilítico não há melhor depurativo que uma negrinha virgem”, escreveu Freyre, citando o médico João Álvares de Azevedo Macedo Júnior, que anotou, em 1869, o estranho costume. “A inoculação deste vírus em uma mulher púbere é o meio seguro de o extinguir em si.”

Ao mesmo tempo, entre os que vieram para o Brasil entre os tais “degredados”, segundo o escritor pernambucano, estão “numerosos indivíduos” acusados de “tocamentos desonestos”, ou seja, estupradores em potencial. Imaginem o contato desta gente com índias nuas e inocentes… Certamente está aí o embrião da tendência que se observa até hoje de culpar a vítima do estupro, atribuindo a selvageria do autor do ataque à forma como a estuprada estava vestida. Atualmente, não faltarão machistas a sustentar que foram as índias que “provocaram” a lascívia dos colonizadores por não usar roupas.

Já no século 17, o bandeirante Domingos Jorge Velho, matador de Zumbi e destruidor do Quilombo dos Palmares, ficou conhecido por levar a tiracolo sete concubinas índias e, não contente, forçar outras que encontrava pelo caminho a que tivessem sexo com ele. Em 1697, o bispo de Pernambuco, dom Francisco de Lima, contou ter ficado horrorizado com o priapismo do bandeirante, que andava “pelas matas à caça de índios e índias, estas para o exercício de suas torpezas e aqueles para o granjeio de seus interesses.”

Na crônica Conquista espiritual hecha por los religiosos de la Compañía de Jesús en las provincias del Paraguay, Paraná, Uruguay y Tape, o padre espanhol Ruiz de Montoya conta que a curra de mulheres era um costume bandeirante.  “As mulheres deste povo e de outros (que destruíram), quando de boa aparência, fossem elas casadas, solteiras ou pagãs, encerrava-as o dono consigo num aposento, passando com elas as noites como o faz um bode num curral de cabras”, escreveu, sobre a invasão da missão de Jesus Maria, no Paraná, pelos paulistas, “demônios do inferno” que tinham as casas “cheias de mulheres índias compradas para suas torpezas”.

A pesquisadora Marina Lacerda, autora de uma tese de pós-graduação em Direito na PUC-RJ sobre a violência contra a mulher na formação do Brasil, traz uma explicação para o fenômeno do estupro de escravas negras e indígenas: o patrimonialismo. “Eu quis tratar a questão sobre o viés do patriarcalismo e do patrimonialismo, que é invisibilizado. O senhor de terras é ao mesmo tempo o agente da colonização e do estupro, o que irá influenciar na falta de punição. A mulher, não só a escrava, era sua propriedade; e não há crime de estupro contra a própria propriedade”, diz Marina.

“Para Weber, o primeiro direito patriarcal é o direito sobre o corpo da mulher. O paralelo mais evidente da época da escravidão com a atualidade é a ideia que ainda persiste do homem como proprietário da mulher. A empregada doméstica que tem relações sexuais com o patrão ou com o menino da casa, muito presente no imaginário brasileiro, é ou não uma reprodução na senzala? Conhece-se poucos casos do patrão que larga a mulher para ficar com a empregada… Não é uma relação entre iguais”, opina.

A pesquisadora cita autores como Caio Prado Júnior, a portuguesa Maria Nizza Silva, Mary Del Priori e Gilberto Freyre para acentuar que o abuso sexual das escravas negras foi generalizado na colônia. “A outra função do escravo, ou antes da escrava, instrumento de satisfação das necessidades sexuais de seus senhores e dominadores, não tem um efeito menos elementar. Não ultrapassará também o nível primário e puramente animal do contacto sexual, não se aproximando senão muito remotamente da esfera propriamente humana do amor, em que o ato sexual se envolve com todo um complexo de emoções e sentimentos tão amplos que chegam até a fazer passar para o segundo plano aquele ato que afinal lhe deu origem”, diz Caio Prado em sua Formação do Brasil Contemporâneo.

“Existiu, na forma de opressão das mulheres, um cálculo político: necessidade de povoamento, de reprodução de braços para trabalhar, o que se deu, entretanto, entre nós, de forma sádica. A mulher foi mais objeto do que sujeito da colonização, devido à forma de sua inserção: ser violentada para satisfazer desejos e para gerar (filhos)“, escreve a pesquisadora em sua tese.

“A primeira miscigenação foi com a mulher indígena (…), também abusada sexualmente e escravizada. O primeiro ventre em que se gerou um brasileiro. As negras, escravas, sofreram abuso sexual generalizado. O estupro ocorria em nome do prazer sexual e da ‘reprodução do cativeiro': o elemento mais rico da escravidão era o ventre gerador, como constatou Joaquim Nabuco em documentos da época. A estabilidade da família patriarcal chegava a depender do abuso desenfreado das negras. Eram relações sexuais entre vencedores com vencidos, num sadismo persistente do conquistador sobre o conquistado, de branco por negro, do homem sobre a mulher.”

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(Detalhe de um mural de Diego Rivera no Palácio Nacional do México)

A impunidade era a regra. No Brasil colonial, o estupro só era considerado crime se fosse em flagrante e contra a mulher virgem, ou seja, quando atentava à “honra”. No código penal de 1890, o crime de “defloramento”, mais grave, era definido como “deflorar mulher de menor idade, empregando sedução, engano ou fraude”. Abaixo deste vinha o estupro contra mulher não virgem, “mas honesta”; a pena menor era para o estupro contra a prostituta. A figura do crime contra a “dignidade sexual” apareceria apenas recentemente, em 2009, já no final do governo Lula, com a lei 12.015, que tipificou o estupro e o tornou “crime hediondo” sem fazer diferenças entre a vítima.

Talvez isto explique por que, até hoje, a ampla maioria dos crimes de estupro permaneça impune ou, pior ainda, nem sequer chegue a ser denunciado. Não por acaso, mulheres pretas e pardas são ainda, quase 130 anos após a abolição da escravatura, a maioria das vítimas de estupro e atentado violento ao pudor (54%), segundo estudo do Instituto de Segurança Pública (ISP) no Rio de Janeiro de 2010. A culpabilização da vítima permanece frequente nas próprias sentenças judiciais: em setembro deste ano, um promotor foi denunciado por humilhar uma menina de 14 anos estuprada pelo próprio pai, acusando-a de “facilitar” o abuso.

Há poucas referências iconográficas dos abusos cometidos contra as mulheres, sobretudo negras e indígenas, no período colonial brasileiro. Mas a história se repetiu em toda a América escravagista. A imagem que ilustra esta reportagem conta a história de uma escrava de cerca de 18 anos encontrada pendurada em uma árvore pelo viajante John Gabriel Stedman no Suriname no século 18. “Estava lacerada de uma maneira tão chocante que tinha o corpo coberto de sangue, do pescoço à cintura. Havia recebido mais de 200 chibatadas”, conta Stedman na Narrativa de Cinco Anos de Expedição na então colônia holandesa. O crime da menina? Rejeitar as investidas do dono.

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(Mulher indígena sendo marcada. Pintura de Miguel Covarrubias)

No Peru, as mulheres de Manco Cápac, irmão do Sapa (imperador) inca Atahualpa, teriam sido estupradas em sua presença pelos espanhóis que o sequestraram, como forma de humilhação, além de cuspir e urinar sobre ele. Outra herdeira inca, Beatriz Clara, foi violada aos 8 anos pelo “conquistador” Cristóbal Maldonado, e aos 15 foi presenteada a outro espanhol para se casar. O próprio Francisco Pizarro gerou descendentes com duas princesas incas adolescentes, uma delas viúva de Atahualpa, Cuxirimay, a quem estuprou após assassinar o marido.

No México, Hernan Cortés possuiu as três filhas do imperador Moctezuma e violentou sexualmente pelo menos uma delas, Tecuichpo Ichcaxóchitl, rebatizada como “Isabel”. Por esta razão Tecuichpo rejeitou a própria filha que nasceu da relação com Cortés, Leonor, criada pelo pai. Nos Estados Unidos, a lei protegia tanto os brancos que não existia a possibilidade de um escravo ser punido pelo estupro de outra escrava: só existia violação sexual se fosse praticado por um homem negro contra a mulher branca.

“O crime de estupro não existe neste Estado entre escravos africanos. Nossas leis não reconhecem nenhum direito marital entre escravos. As regras legais, como as da raça branca, a respeito de intercurso sexual, não podem ser aplicadas, por razões óbvias, a escravos; o intercurso deles é promíscuo e a violação de uma escrava por um escravo deve ser considerada um mero ataque ou agressão”, argumentou o advogado em um caso famoso em 1859, George vs Mississippi. O escravo George havia abusado de uma menina de 9 anos, mas a Corte aceitou seu recurso baseado em leis feitas para proteger os brancos. “Proprietários e escravos não podem ser regidos pelo mesmo sistema de leis”, dizia a decisão que o inocentou.

Quando o estuprador era branco, a impunidade grassava, exatamente como entre nós. No livro Rape & Sex Power in Early America, a historiadora Sharon Block conta que, durante a colonização, muitos homens negros foram condenados pelo estupro de mulheres brancas, enquanto os brancos ricos e poderosos escapavam sem punição. Ela demonstra, assim, que as definições do que é violência sexual mudavam de acordo com quem estivesse envolvido. Mudou muito desde então? As diferenças de raça e classe seguem praticamente intocadas no que concerne ao crime de estupro: enquanto o escravo/negro/pobre é punido, o senhor/rico/branco tem muito mais chances de escapar impune. As estatísticas confirmam que a maioria da população carcerária é de jovens negros. O sinhozinho continua a levar vantagem.

No Brasil, além de ser abusada sexualmente por seus proprietários, a negra escrava ainda tinha de suportar a extrema crueldade das sinhazinhas enciumadas. É Gilberto Freyre quem conta: “Sinhá-moças que mandavam arrancar os olhos de mucamas bonitas e trazê-los à presença do marido, à hora da sobremesa, dentro da compoteira de doce e boiando em sangue ainda fresco. Baronesas já de idade que por ciúme ou despeito mandavam vender mulatinhas de 15 anos a velhos libertinos. Outras que espatifavam a salto de botina dentaduras de escravas; ou mandavam-lhes cortar os peitos, arrancar as unhas, queimar a cara ou as orelhas”.

Não era de se admirar a inveja que as sinhás nutriam pelas belas africanas: como eram forçadas a casar cedo, com 13 ou 14 anos, aos 18 já eram matronas desfeitas. “Depois dos 20, decadência. Ficavam gordas, moles. Criavam papada. Tornavam-se pálidas. Ou então murchavam”, conta Freyre em Casa Grande & Senzala. “Casadas, sucediam-se nelas os partos. Um filho atrás do outro. (…)Deixavam as mães uns mulambos de gente”. O pernambucano cita uma série de viajantes que se impressionavam tanto com a beleza das meninas-moças quanto com o envelhecimento precoce delas após o casamento.

É a este caldo, a estes antecedentes históricos, praticamente um mito fundador, que nos referimos quando falamos em cultura do estupro. Não a uma “arte do estupro” ou “crença do estupro”, como bizarra e ignorantemente se referiu o deputado pastor Marco Feliciano ao rejeitar o conceito em audiência pública no Conselho de Direitos Humanos da Câmara, em junho.

Se a cultura do estupro está em nosso DNA, como acabar com ela? Acabando com a impunidade, mas também com informação e educação. Mostrando, sem tergiversar, como a história nos tornou herdeiros deste costume bárbaro podemos conscientizar e modificar a forma como a mulher ainda é vista: como propriedade e objeto dos desejos masculinos. Só com educação de homens e mulheres seremos capazes de evitar assistir, em nosso próprio parlamento, a disseminação da ignorância e a perpetuação da cultura do estupro no Brasil.

 

 

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22 Nov 13:31

Do Brazilians really believe ‘we are all equal’?: Video shows different reactions to almost identical photos with the only difference being skin color

by gatasnegrasbrasileiras
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Left: “relaxing” – Right: “On the prowl”

Note from BW of Brazil: How many more examples do need proving how perceptions of race function in Brazilian society? I mean, we’ve seen hundreds of academic studies, we’ve heard the experiences of Afro-Brazilians and we’ve unofficial tests that, while they don’t present expert opinions, they nonetheless provide insight into how Brazilians really think in terms of race and ideologies underneath all of the “we are all equal” rhetoric that so many utter automatically when more proof of racist views are exposed. 

Let me the first to say here that this 2 minute video may have benefited from being a little longer. I, for one, would have liked to have seen the raw video that was edited down to the final version. Why? Because even with this blog having covered so many instances of racism and racist views, it is still somewhat startling to see how people actually come to such conclusions simply based on race. Don’t get me wrong, I know and have thoroughly documented “the mind of the Brazilian” when the subject is race, but sometimes it’s still unbelievable. I mean really, a black man running has to be a thief? A black man in a suit must work in security? I guess those billboards we saw back in June still hold true! It just goes to show, once again, that even if/when black Brazilians climb to social ladder, stereotypes will continue to express the idea that they don’t “have the face of a judge/doctor/university student”, etc. 

What this little video shows is that Brazil continues to reserve a certain “place” for its black citizens and perceptions behind who are associated with these places won’t be changing any time soon. (See transcript of the video translated into English at bottom of article)

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Video shows several reactions to almost identical photos in which the only difference is the color of the skin

Courtesy of Administradores

A campaign commissioned by the Government of the state of Paraná has sparked debates about racism. The campaign, titled “Teste de Imagem” (Image Test), shows two groups of professionals in the area of Human Resources and their reactions – allegedly spontaneous – in front of images that show the daily lives of anonymous people.

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The difference is that each photo had two versions: in the first group, Aryan people were displayed in everyday situations. In the other group, the same situations were performed by black people. The reactions of the interviewees were absolutely disparate – for example, a white man in a suit was classified as an executive, while a black man was defined as security or a personal driver/chauffeur.

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The campaign’s proposal is to draw attention to the institutional and veiled racism that exists in Brazil. According to data from the Brazilian Institute of Geography and Statistics (IBGE), 82.6% of blacks say that their skin color influences their search for job opportunities; The Department of Statistics and Socioeconomic Studies (Dieese) shows that they have an average income of 37% lower than that of white professionals, account for 60.6% of the unemployed and only 18% are in leadership positions.

The video posted on Facebook already has more than 7 million views. Some users question the veracity of the campaign and claim that the whole situation previously set up with actors. As participants’ faces remain hidden, there is no way to ensure that what is said in the audio was said during the meeting. But the Government of Paraná page guarantees that the test was real and wasn’t manipulated in any way.

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“The Teste de Imagem is a real experiment, which took place on November 10th at a Focus Group room in Curitiba, the capital city. Participating in the test were real HR professionals who were divided into two distinct groups and that gave spontaneous opinions to the images presented by the mediator of the experiment,” the page claims.

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The campaign, also divulged in print media and on the website contraracismo.pr.gov.br, was carried out in partnership with the Assessoria Especial da Juventude e com o Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial (Special Advisory for Youth and the State Council for the Promotion of Racial Equality). The agency responsible for the piece is Master Comunicação.

Experiment

In early 2015, an advertising campaign in Lithuania struck millions of people by demonstrating what people felt – or appeared to feel – in the face of racial violence. See the video below.

Transcript of video in English

We invited RH professionals to the a test.
We divided them into two groups
“Thank you very much for coming.”

Group 1

“I will show some photos to you all and I want you to tell me what see in this photo.”

Photo: white man running
“He’s late”, “He’s in a hurry”,

Photo: Asian woman holding a jacket
“And this one?”
“She’s fashion designer”, “She’s choosing chothes to buy”

Photo: White man in suit and tie
“Executive. He could be in the financial sector, he could work in the Human Resources”

“Another” (photo)
Photo: white man, wearing hat and casual striped shirt cutting a bush outdoors

“I think that it’s a guy taking care of the garden at his house”, “Right, certainly he doesn’t have the face of being worker at the house, no.”

Photo: White woman doing something o a kitchen counter

“She’s cleaning her house, she’s cleaning the sink”,

Photo: White woman wearing a hood and sunglasses spray painting outdoors

“I think she’s a grafitti artist. She has the manner of a grafitti artist. Grafitti is an art, it’s not vandalism, no.”

Group 2: We show the same photos…But with black people

“What do you see in this image?”

Photo: Black woman spray painting a wall outdoors

“Someone defacing the wall”, “someone who defaces walls with grafitti”

Photo: Black woman in kitchen, wearing rubber gloves, apparently cleaning the counter.

“She’s an unskilled laborer; cleaning the house”, “a maid”.

Photo: Black man with casual striped shirt, cutting a bush outdoors.

“He’s a gardner”

Photo: Black man in suit and tie

“Well, he reminds me of mall security”, “A personal driver/chaffeur”

Photo: Black woman holding a jacket

“She’s a salesperson, or could be seamstress”

Photo: Black man running

“Seems to be a person escaping”, “a thief”

The name of this is institutional racism.

Source: Administradores


22 Nov 11:37

Dois pesos, duas medidas, dois apartamentos — o de Geddel e o de Lula. Por Kiko Nogueira

by Kiko Nogueira
Como ia ficar a sala do apê de Geddel

Como ia ficar a sala do apê de Geddel

 

Que o Brasil não é para principiantes você já sabia. Mas não precisávamos exagerar.

Geddel Vieira de Lima foi premiado por seu chefe com um salvo conduto escandaloso.

Veja bem: ele admitiu ter comprado (a conferir se comprou, mesmo, ou se foi presente) um apartamento no 23º andar do edifício La Vue Ladeira da Barra, numa área tombada de Salvador.

Confessou que falou com o colega Marcelo Calero sobre a liberação do empreendimento no Iphan. Segundo o instituto, o máximo permitido eram treze andares. O cafofo de Geddel seria, portanto, eliminado.

De acordo com corretores, o valor do imóvel varia entre R$ 2,6 milhões e R$ 4,5 milhões. A conclusão da obra está prevista para 2019.

“Em nenhum momento foi feita pressão para que ele tomasse posição. Foram feitas ponderações”, falou Geddel.

É inacreditável.

Na segunda, dia 21, a Comissão de Ética da Presidência da República abriu procedimento para verificar conflito de interesse, como se houvesse alguma dúvida. Pode resultar numa recomendação de demissão.

Humberto Costa, líder do PT no Senado, vai solicitar que o Ministério Público entre no caso.

O silêncio do MP, como era de se suspeitar, é ensurdecedor.

Ao longo de mais de dois anos, Lula vem sendo massacrado por um apartamento numa praia do Guarujá repleta de línguas pretas de esgoto.

Para todos os efeitos, o famoso “triplex” já é dele, embora não haja nenhuma prova, apenas convicção.

Onde estão os cruzados de Deltan Dallagnol quando se trata de um crime confesso como o de Geddel? Onde está aquela indignação como a expressa na campanha eleitoral histérica das tais 10 medidas contra a corrupção?

Onde estão os savonarolas da Lava Jato? Ou a dupla Geddel e Temer não rende como Lula?

Fica aqui a sugestão de um powerpoint maneiro para o pessoal de Curitiba.

 

 

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22 Nov 11:36

Professor é aprovado em curso de formação promovido pela UNICAMP

by Virginia Santos de Holanda Vieira

O professor de história do IFRN/Campus Mossoró, Gerardo Junior, foi aprovado no Curso de Formação de Professores da Olimpíada Nacional de História Brasileira (ONHB), promovido pela UNICAMP. Gerardo foi selecionado entre os 50 melhores planos de aula. “É importante destacar a qualidade dos IF´s em geral e, em especial, do nosso Campus Mossoró”, comenta o professor.

Para ele, diante do momento em que o país atravessa, mais uma conquista reforça a qualidade dos Institutos Federais. “Quero dedicar essa conquista a todos que fazem parte da comunidade educativa do Campus Mossoró e, principalmente, aos estudantes brasileiros que estão nos dando uma lição de cidadania e de protagonismo histórico”, destaca Gerardo.

Este ano a temática abordada no 3º curso é "A História dos Índios na Sala de Aula". Assim, o professor fez seu plano de aula com o título: "Aula de campo: visita à Comunidade dos Índios Tapebas", sendo aprovado entre os 50 melhores do Brasil. Gerardo Junior já foi aprovado outras duas vezes para esse Curso de Formação, o que reforça o compromisso dos nossos docentes para com o ensino.

“Consideramos muito relevante a escolha do tema proposto pelo professor Gerardo para o curso de formação dos professores de história da ONHB. É significativo para o Campus trabalhar com professores qualificados e focados, isto tem constituído um diferencial nos resultados obtido pelo Campus”, ressalta o Prof. Jailton Barbosa, Diretor-Geral do Campus Mossoró. 

 
22 Nov 11:17

As mentiras que os golpistas contaram para derrubar Dilma. Por Paulo Nogueira

by Paulo Nogueira
Rocha e suas falácias

Rocha e suas falácias

A matéria mais lida esta semana no DCM dizia respeito a um empresário, Flávio Rocha, dono da Rede Riachuelo. Rocha desprezava os programas sociais, ele que já foi acusado de promover trabalho semiescravo.

O título de nosso texto: “Estado Robin Hood acabou”, diz dono da Riachuelo, condenada a pagar pensão mensal a costureira que colocava elástico em 500 calças por hora.. Os leitores se indignaram, e a nota viralizou.

Rocha, isto não estava em nosso texto, teve um papel expressivo no golpe.

Ele foi um dos primeiros empresários a defender a queda de Dilma publicamente.

E usou uma tática que hoje, passados seis meses, sabe-se que foi uma infame mentira destinada a ludibriar brasileiros desinformados.

Numa entrevista à BBC, ele afirmou que a economia se recuperaria “instantaneamente” com o impeachment.

Repito: instantaneamente.

Ele foi adiante:

O impeachment vai significar o fim desse ciclo que eu acabei de mencionar. Temer tem grande habilidade política e seria capaz de dar um propósito (ao governo) e criar homogeneidade de ação no Congresso. O PMDB tem um plano de governo que acredito ser a síntese das medidas mais urgentes para o Brasil hoje – o Ponte para o Futuro. Tenho a impressão de que, com o compromisso de não ser candidato a reeleição, Temer vai fazer do seu grande projeto de vida colocar em prática essas medidas e garantir a transição. Seria um legado excepcional para o próximo presidente.

Legado excepcional. Pausa para rir.

A dura realidade mostrou o real legado de Temer, e a brutalidade das mentiras que foram contadas para embelezar a narrativa do golpe.

Quem paga por isso?

Como demonstra o Tijolaço hoje, a “recuperação econômica” só existiu nas colunas de jornal, alimentadas por palavras como as de Rocha, destinadas a desestabilizar a democracia e destruir 54 milhões de votos. As fábricas brasileiras trabalham hoje com o menor índice de ocupação em 16 anos.

No mundo real, a economia não apenas piorou como a crise política deu um salto formidável. Onde o PMDB com seu plano perfeito para o Brasil, como disse Rocha?

Os historiadores da posteridade haverão de registrar as manobras sujas com que foi tramada a destruição da democracia: mentiras, mentiras e ainda mentiras.

O dicionário Oxford acaba de eleger a palavra do ano, inspirada na campanha cheia de lorotas de Trump: “pós-verdade”.

Pois é.

A “pós-verdade” é o retrato perfeito do golpe sofrido pelo Brasil.

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22 Nov 11:17

Por causa de Henrique Alves, Garibaldi, seu filho Waltinho e Roberto Germano o povo de Caicó não tem água nem para tomar banho

by renato
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Henrique Alves com Roberto Germano participando da audiência com o ministro de Temer, Helder Barbalho quando foi solicitada providências para retirar a obra da adutora da Governo do Estado para o Governo Federal.

Um Estado que tem uma pessoa como o politico/politiqueiro Henrique Alves só pode sofrer muito. Por causa dele e seus babões, o povo de Caicó está sofrendo muito por falta d’agua. que está acontecendo com o povo de Caicó em decorrência do colapso do abastecimento.

Não que o velho cacique Alves tenha o poder de fazer chover e não fez, mas, pelo fato dele interferir politiqueiramente na execução das obras da adutora emergencial de engate rápido que seria construída pelo Governo do Estado com recursos do Governo Federal.

Quando o ‘bacurau lava jato’, tomou conhecimento em março deste ano que o Governo Federal iria repassar R$ 42 milhões para o governador Robinson Faria fazer a obra, Henrique Alves foi para Brasília falar com Temer para retirar a obra do Governo do Estado e transferi-la para o DNOCS, apenas com o objetivo de evitar que o governador Robinson  fosse o pai da adutora.  O Governo do Estado já tinha pronta a licitação e todas licenças para começar a obra, mas isso não foi levado em consideração.

Com a maldita interferência de Henrique Alves, que contou também com o beneplácito do senador omisso Garibaldi Alves e seu filho deputado federal Walter Alves, a obra da adutora sofreu um grande atraso e sequer iniciada provocando o que todos esperavam, ou seja, com a falta de chuvas o sistema de abastecimento parou e o povo não tem água, hospitais e escolas estão ameaçados de não funcionarem.

A obra, como prevista, iniciada em março, o cenário seria outro, pois a adutora já estaria pronta.

O secretário de Recursos Hídricos do Governo do RN José Mairton de França também foi incompetente e irresponsável, já que ele sabia que iria acontecer essa ‘tragédia’, por que não iniciou estrategicamente e preventivamente perfurações de novos poços e adotando outras medidas para garantir o abastecimento de Caicó?

O secretário de Robinson deixou faltar água nos reservatórios como Itans e do sistema Coremas que é constituído de dois reservatórios Coremas e Coremas-Mãe D’agua. para tomar providências.

O governador Robinson Faria tem que tomar uma providência imediata sob pena de acontecer uma tragédia. Robinson é o governador das crises, se eu fosse ele iria instalar o Gabinete do Governador em Caicó e só voltaria para Natal quando o abastecimento d’água estivesse garantido e normalizado.

O (Coremas) se encontra com 2,6 % da capacidade (16.104.197 milhões de metros cúbicos) e o segundo (Coremas Mãe D’agua) com 7,6 %.

O colapso d’água que atingiu Caicó também afetou outros municípios como Jardim de Piranhas, Timbaúba dos Batistas e São Fernando.

 

 

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20 Nov 12:31

escravidão: o passado é o presente

by alexcastro

a escravidão africana nas américas foi talvez a maior tragédia da era moderna.

estima-se que cerca de 11 milhões de pessoas tenham sido transportadas à força da áfrica para as américas.

dentre as muitas nações responsáveis por esse lucrativo e criminoso tráfico, a maior culpada é portugal.

dentre as muitas nações que compraram essas pessoas e que construíram sua riqueza em suas costas, a maior culpada é o brasil.

dentre os muitos portos brasileiros que receberam essa massa humana desgraçada, o principal foi o rio de janeiro.

a história da escravidão africana nas américas começa e termina lusófona: em 1441, portugal traz para a europa as primeiras pessoas escravizadas; em 1888, o brasil torna-se o último país do continente a abolir o horror.

um crime contra a humanidade que é, antes de tudo, lusófono, brasileiro, carioca.

* * *

na alemanha, mesmo entre adolescentes cujos pais e mães nem eram nascidos durante a guerra, basta uma menção a nazismo, holocausto ou auschwitz para fazê-las abaixar a cabeça em silêncio, envergonhados, culpados, tristes.

nós, no brasil, se tivéssemos vergonha na cara, se tivéssemos um pouco mais de memória, faríamos a mesma coisa ao ouvir menções a senzala, navio-negreiro, escravidão.

essa vergonha é nossa.

* * *

no rio de janeiro, o principal porto de desembarque de pessoas escravizadas foi o cais do valongo, desativado e aterrado em 1843 por um império que tinha vergonha da escravidão que lhe sustentava.

hoje reformado e reembalado para turistas, esse cenário de horror foi inserido no recém-criado circuito histórico e arqueológico da celebração da herança africana, ao lado de outras atrações como a pedra do sal, os jardins suspensos e o cemitério dos pretos novos — que não era nem mesmo um cemitério, somente um valão onde eram jogadas as vítimas da travessia atlântica.

mas o que falta ao brasil e ao rio de janeiro não são novas atrações turísticas, e sim espaços que promovam uma verdadeira compreensão dos horrores que aconteceram (e ainda acontecem) debaixo dos nossos olhos, nesse nosso chão, na nossa senzala, no nosso quartinho de empregadas, nas nossas comunidades.

* * *

o holocausto perpetrado pela alemanha durante as décadas de 1930 e 1940 matou cerca de seis milhões de pessoas judias, um terço da população judaica mundial, além de incontáveis milhões de outras pessoas.

esse horror não deve nunca ser suavizado.

mas não foi nem de longe o único horror perpetrado pela civilização europeia em sua longa história de horrores.

é impossível visitar lugares de tortura e morte como auschwitz, treblinka, sobibor sem uma atitude de respeito e reflexão, sem pensar na memória das centenas de milhares de pessoas que sofreram ali.

auschwitz matou 1,1 milhão de pessoas, treblinka, 900 mil, sobibor, 200 mil.

enquanto isso, o brasil recebeu 4 milhões de pessoas escravizadas, sendo que um milhão só pelo cais do valongo, logo ali ao lado, no centro do rio.

por que nós, pessoas brasileiras, não temos a mesma atitude de respeito e reflexão ao visitar uma senzala, um engenho, um pelourinho?

* * *

estou no cais do valongo, tentando esquecer os números e somente imaginar como teria sido a experiência individual, una, indivisível, de pisar em terra firme ali, naquelas pedras, naquele chão.

imagino que fui arrancado de minha família e de tudo que conheci; que atravessei o oceano cercado de pessoas agonizantes em um navio infecto; que não pude trazer nenhum objeto pessoal; que não sabia se jamais veria minha terra; que estava condenado a um castigo literalmente e potencialmente infinito, pois a escravidão não seria apenas minha, mas sim herdada por toda a minha descendência até o fim dos tempos.

imagino que o rio de janeiro, para mim, escravo recém-chegado, era um lugar desconhecido e cheio de horrores; era o porto onde colegas de viagem mais fracos vinham morrer; era o chão onde começava a escravidão do meu corpo; era minha primeira experiência nesse novo mundo onde seria cativo e explorado.

imagino então que hoje o rio de janeiro continua sendo um lugar de horror para as pessoas que descendem de mim e dos meus, para as pessoas que têm o meu sangue e a minha cor, que são ao mesmo tempo a maior parte das vítimas de assassinato e também a maior parte da população carcerária, e ainda têm que ouvir que racismo não existe no brasil.

tudo isso aconteceu ontem, e continua acontecendo hoje.

a polícia militar não invade do mesmo jeito a cobertura do descendente do escravista e o barraco do descendente do escravo.

o passado, como uma pedra jogada na água, cria ondas concêntricas que repercutem no presente.

o passado é o presente.

20 Nov 12:29

Aécio e Caiado financiaram e organizaram os grupos pró impeachment como MBL, diz ex-ativista de SP ligada ao PSDB. Por Donato

by Mauro Donato
Dani Schwery em seus tempos de militância pró impeachment
Dani Schwery em seus tempos de militância pró impeachment

Esta entrevista está sendo republicada. 

Um plano encabeçado e financiado por Aécio Neves e Ronaldo Caiado; eleições indiretas são para salvar FHC; movimentos pró impeachment como o MBL são fantoches.

Quem afirma é Daniela Schwery, uma das primeiras manifestantes a conclamar a população a ir para as ruas ‘contra a ditadura comunista que seria a reeleição de Dilma’, cujos vídeos atingiam 70 mil views.

Dizendo-se enganada pelo PSDB, hoje Schwery desfiliou-se do partido e ganha a vida como assessora do humorista Juca Chaves. Ela conversou com o DCM na última sexta-feira. A seguir, os principais trechos da entrevista.

DCM: Esses grupos sempre se disseram independentes, espontâneos, apartidários que não recebiam dinheiro de partidos ou de políticos. Mesmo quando todo mundo já sabia que o Vem Pra Rua, por exemplo, tinha dinheiro do Jorge Paulo Lehmann, sócio da cervejaria Ambev.

Schwery: Espontâneo o cacete. Eu fui a uma reunião quando o Vem Pra Rua estava querendo surgir no cenário com o Rogerio Chequer. Era gente que não queria aparecer, sempre ficou escondida, não subia nos carros de som. Essa turma é PSDB.

DCM: Você diz que MBL, Vem Pra Rua e afins não são movimentos sociais? O que são então?

Schwery: Eles são profissionais da comunicação. Eles estudam as massas e tal. Rogério Chequer é um profissional da comunicação. Quando ia a eventos ele orientava até na hora de tirar fotos. A Carla Zambelli é amiga do Augusto Nunes. A cúpula do PSDB é toda ligada ao Reinaldo Azevedo. Eles foram se infiltrando e forjando ser algo espontâneo. Mas nós nunca reconhecemos nenhum desses grupos como liderança. A gente criticava o Lula por não ter estudo e daí vem o Kim Kataguiri? Me poupe.

Mas você não fazia parte? A todo momento usa termos como ‘nós’ e ‘eles’. Quem são os ‘nós’ e os ‘eles’?

‘Eles’ são essa turma liberal. Eles caíam matando em cima de mim porque eu era do PSDB e para eles PT é igual PSDB. Eu também acho isso, mas eles são uns hipócritas porque fazem esse discurso enquanto a cúpula deles… Humm.

Tudo encenação?

O que foi aquela marcha a pé até Brasília? Ridículo. Saíam da marcha, comiam bem, dormiam em hotéis e voltavam para a estrada para fazer fotos. A Carla Zambelli é amicíssima do Danilo Amaral do ‘Acorda Brasil’, um cara que ia para manifestação contra corrupção mas que foi citado 18 vezes na Lava Jato.

Quem então é a cúpula, quem puxou todo esse processo?

Aécio e Caiado. No começo houve um acordo ‘todo mundo com todo mundo’ para unir forças, ignorando nossas diferenças. Mas a cúpula dessa galera não era clara pras pessoas. E quem conduziu dessa maneira foi o Aécio junto ao Caiado, que fizeram um acordão para que o pedido de impeachment produzido pelo Helio Bicudo fosse adiante numa grande jogada. Caiado pagou a Carla Zambelli para liderar esse processo todo de empurrar o impeachment do Bicudo, por isso queremos CPI desses ‘movimentos’.

Mensagem de celular de Carla Zambelli, dos Nas Ruas
Mensagem de celular de Carla Zambelli, dos Nas Ruas

 

Mas impeachment não era o desejo de vocês?

A gente queria novas eleições, derrubar o Temer também, mas depois começaram a fantasiar a coisa toda, separar as contas da Dilma e do Temer, do PT e do PMDB. Pegaram a pior argumentação, que era a das pedaladas. Nós ficamos putos.

As coisas que vocês (referindo-se ao DCM) criticam, nós concordamos. Temos a autocrítica de que tudo que serviu para Dilma serviria para o Alckmin também. Nós sempre alertamos que se o PT fosse derubado a Lava Jato iria chegar no PSDB também. Repare que no começo o PSDB se dizia contra o impeachment.

Havia vários pedidos de impeachment. Por que brigaram para fazer valer o capitaneado por Helio Bicudo, Janaína Paschoal e Reale Junior?

O primeiro pedido de impeachment quem fez foi o Bolsonaro. Tinha fundamentação para derrubar os dois, a chapa. Apoiamos. Não se tratava de ser pró Bolsonaro ou não. Mas já tinha um pedido lá, então que fosse aquele. Mas a cúpula depois entrou com outros pedidos para retardar o processo enquanto construía o marketing todo. Foi então que apareceram a Carla Zambelli, a Janaína Paschoal, para fazer toda essa engrenagem em torno do pedido do Helio Bicudo.

Tudo ficou aparelhado. Conseguiram o ‘aval’ de 43 ‘movimentos sociais’ e pronto. Mas que movimentos? Alguém que tinha uma página no facebook com 600 curtidas era um ‘movimento’. Um grupinho de WhatsApp era um ‘movimento’, tinha um nome, assinaram lá e pronto. Muita gente foi enganada, não concordou depois de ter assinado, mas a Carla dizia ‘agora já era, sua assinatura já foi’.

Tudo isso com qual a intenção?

Eleições indiretas. A gente alertava sobre isso. O FHC, se você perguntar ele vai dizer que não, mas ele aceita voltar. Deve estar com o c… na mão com o avanço da Lava Jato e já fez as continhas de que antes de 2018 a operação chegaria nele. Então o Xico Graziano [um dos principais assessores do ex-presidente, autor do artigo “Volta, FHC”] já veio arquitetando isso, visando o foro privilegiado.

Quando então a ficha caiu? Há uma mensagem entre vocês de Heduan Pinheiro de um tal Movimento Brasil Melhor instruindo como fazer para a mobilização ‘parecer’ democrática, que deveria ‘parecer’ espontânea perante a mídia… termos explícitos revelando que tudo sempre foi uma farsa. Por que demorou tanto para perceber?

É difícil. Eu era uma idiota, iludida. Essa turma de Aécio Neves, Ronaldo Caiado, eles iam enfiando os assessores de imprensa nos grupos de WhatsApp. A gente não sabia quem era quem.

O DEM aos poucos ‘contratava’ essas lideranças dos grupos como assessoria de comunicação, mas era pagamento pois eles não podiam falar claramente: “Vou te dar uma grana para você fazer o que eu quero”. Mas somos umas formigas contra o poderio. Eu tentava alertar as pessoas. Dizia: “O populismo mudou de lado, gente. Vamos tomar cuidado, vamos raciocinar”, poucos percebiam. Eu fiquei tomando porrada e agora muita gente me dá razão.

Em meu artigo sobre a rixa atual entre os movimentos, creditei a falta de vaga no camarote como um dos motivos. Argumento que você concorda em sua réplica. Você diz que o pessoal da Movimentomania conseguiu o que queria. Quem conseguiu o quê?

Não está vendo que agora todos são pró Temer? O Kim Kataguiri não conseguiu a coluna dele na Folha? Jornalistas sem emprego e aquele menino vazio escrevendo na Folha, não é uma conquista? Do Vem Pra Rua, nove pessoas conseguiram cargos na FIESP. O tal Forum Internacional da Carla quem financiou foi o DEM.

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Só o DEM?

Tem dinheiro da Companhia Suzano também, os Feffer.

Neste domingo ocorrerá uma manifestação puxada pelo Vem Pra Rua em defesa da Lava Jato e das 10 Medidas Contra a Corrupção. É mais uma mentira então?

Sobre eles eu concordo quando você diz que posam de indignados. Eles são profissionais. Sentam com o pessoal do PSDB e começam a contar prazo, eles sabem quando irá acontecer tal coisa e se mobilizam previamente para as datas ficarem próximas. Eles fazem uma coisa bem trabalhada, com profissionalismo, com marketing.

Esse negócio das 10 Medidas é tudo palhaçada, Onyx está sendo populista. Quem não gosta de ouvir aquilo? Se querem reconhecer caixa 2 como crime agora é porque querem deixar todo um passado para trás. Só agora é crime? Isso é para salvar o rabinho deles. Por isso o pessoal da intervenção militar entrou de sola na última quarta-feira e a gente entrou para defendê-los.

Defendê-los?

Eu os admiro porque são resilientes. Pode ser que o mote deles não seja o mais adequado, mas para quebrar essa estrutura que está aí, eles são loucos o suficiente. É um desespero. A gente vê que a Lava Jato está murchando e que o PSDB vai sair ileso e ainda mais fortalecido disso tudo… não é de ‘emputecer’? Sei que não é ideal nem adequado, mas é desespero.

Tem recebido ameaças?

Sim, já foram atrás até da minha mãe. Sinceramente, tenho mais medo do pessoal do PSDB que do pessoal do PT. Eles são ardilosos, são requintados na maldade.

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18 Nov 18:39

QUEM É A FAVOR DE DESVALORIZAR AINDA MAIS OS PROFESSORES?

by lola aronovich
Observe bem o gráfico ao lado. 
Nos EUA, um professor em início de carreira ganha mal, menos de 40 mil dólares por ano (classe média nos EUA é uma família de 3 pessoas ter renda anual entre US$ 42 mil e 125 mil por ano. Ou seja, se apenas um dos pais trabalhar, e como professor, a família é classe baixa). É pouco, mas é três vezes mais que um professor ganha no Brasil.
É uma miséria. 
E olha que o salário de professor (ou melhor, de professora, já que 80% dos professores são mulheres) aumentou muito por aqui entre 2004 e 2014, esses anos petistas que muitos ignorantes tratam como tragédia. Por causa do piso salarial do professor, instituído em 2009 (e ainda não cumprido em diversos estados), a base foi de 950 por mês para 2.135. A remuneração dos professores aumentou 39% acima da inflação, em média. 
Ainda assim, é pouquíssimo. 
Calculando uma jornada de 40 horas semanais, uma professora recebe R$ 1.660 menos por mês que outros profissionais com o mesmo nível de escolaridade. Se a gente considerar apenas professores com nível superior (a maioria), eles recebem 39% a menos que outros profissionais. 
Quem trabalha com educação percebe que as licenciaturas (em qualquer área) atraem cada vez menos gente e têm alta taxa de evasão. 
Paga-se mal aos professores e professoras. E hoje, parte da população (n)os olha com desconfiança. Taí o Escola Sem Partido (mais conhecido como Lei da Mordaça) que não me deixa mentir. 
Justamente para tentar atrair mais jovens, uma das metas do Plano Nacional de Educação era equiparar o salário dos professores com o de outros profissionais. 
Essa meta deveria ser cumprida até 2020. Com a PEC 55, que vai cortar investimentos em saúde, educação, saneamento -- em tudo que não seja gastos para pagar juros eternos da dívida pública --, pode esquecer. A tendência é que todos os servidores públicos tenham seus salários congelados ou reduzidos. 
Portanto, quem é a favor da valorização da profissão de professor 
(e não entendo como alguém possa não ser), tem que ser contra a PEC do Fim do Mundo, PEC do Teto, PEC da Morte, seja lá como queiram chamar. Por sinal, a enorme maioria da população é contra. É o que mostra o resultado da consulta pública na página do Senado. 
18 Nov 18:27

A companhia publicitária do Doutor Dallagnol

by Fernando Brito

O Doutor Deltan Dallagnol que, em tese, é procurador da República para trabalhar nos autos dos processos da Operação Lava Jato tornou-se, como todos sabem, um globe-trotter. Ora está em Brasília, ora em São...

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18 Nov 18:09

Brasileiro preso na Índia por visto falsificado tem seu último recurso negado

by Anna Beatriz Pouza

Um brasileiro está preso há quase dois anos na Índia por tentar viajar do país para o Nepal com um visto falsificado. Após diversas tentativas de recurso, seu caso foi recusado pela Suprema Corte indiana no dia 7 de novembro. Era o último dispositivo legal disponível, segundo sua irmã, Ana Farinello, de 41 anos. Ela está na Índia tentando provar que Dante foi vítima de um golpe e não teve direito a um julgamento justo, com documentos traduzidos para o seu idioma. Ana entrou com recurso três vezes, em três cortes diferentes, e teve negados todos os seus pedidos. A Justiça indiana agora afirma que, além do visto, o passaporte de Dante Farinello também era falso. No entanto, em documento oficial enviado a Ana, a embaixada brasileira na Índia nega a informação e assume a responsabilidade pela emissão do documento.

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Dante Farinello Cardoso, de 43 anos, está preso há dois na Índia acusado de ter falsificado seu visto (Foto: Arquivo pessoal)

Dante Farinello Cardoso, de 43 anos, viajava pela Índia em 2014 quando seu visto de turista, válido por três meses, venceu. Para renovar o documento, ele contratou um despachante, que cobrou mil euros pelo serviço. Dante alega que só descobriu que o visto fornecido era falso no dia 11 de setembro do mesmo ano, quando foi detido com sua então namorada, Tainá Palheta, em Sunauli, na fronteira da Índia com o Nepal. O casal foi submetido a um curto interrogatório dos guardas fronteiriços e aguardou no local por 12 horas até a chegada da polícia, que levou Dante sem dar explicações. Tainá, que estava com o visto vencido havia um dia, precisou deixar o país sem o namorado.

Desde esse episódio, a vida do tatuador Dante e de sua irmã, Ana, mudou completamente. Dante passou por duas prisões na Índia, debilitado pelo agravamento da febre tifoide, doença que havia contraído pouco antes de ser preso. Ana se viu obrigada a vender sua casa, na Guarda do Embaú (SC), para arcar com os custos legais do processo do irmão e financiar as frequentes viagens à Índia para visitá-lo.

“A gente tenta um dar apoio ao outro. Eu sempre procuro não trazer problemas de fora pra ele e ele tenta não passar muito os problemas internos da cadeia pra mim, mas é difícil manter uma estabilidade emocional diante dessa situação”, contou Ana em entrevista à Pública por telefone.

Luta judicial

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Os irmãos em uma viagem que fizeram pouco antes da prisão de Dante (Foto: Arquivo pessoal)

Para tentar tirar o irmão da cadeia, Ana recorreu à Justiça em quatro ocasiões, mas seu último recurso, na Suprema Corte, foi negado no dia 7. “O juiz rejeitou sem nenhuma justificativa, apenas uma sentença dizendo que a apelação foi negada. Por isso, decidi fazer uma queixa nos Direitos Humanos também, estão negando o princípio básico de defesa do Dante”, reclama Ana. Ela tem reuniões marcadas nesta semana com a organização Human Rights Law Network (HRLN) e com representantes da embaixada do Brasil em Nova Délhi, onde espera conseguir chamar mais atenção para o caso de seu irmão.

“O julgamento está todo errado. O processo inteiro foi feito em hindi. Meu irmão é brasileiro, eles são obrigados a traduzir o processo na língua da pessoa que está sendo acusada, para que a mesma possa entender as acusações e se defender corretamente”, aponta. “Não saber o que está acontecendo é a pior coisa. Eu pedi diversas vezes um tradutor, mesmo em inglês, se não tivesse pra nossa língua, e deram risada.”

O périplo de Ana na Justiça indiana começou ainda em 2014, quando ela contratou um advogado e entrou com recurso para questionar a decisão da corte local, que havia condenado Dante a cinco anos de reclusão. O caso foi levado para a Corte Distrital, um nível acima da local, onde o pedido de revisão foi recusado. Ana entrou com um novo recurso, em um tribunal superior. “O advogado foi claro comigo. Ele falou que eu poderia ficar tranquila, que a gente iria encerrar o caso na Corte Superior, que caso de visto não vai pra Suprema Corte. Eu estava aqui na Índia, eu assinei os documentos, eu trouxe os papéis. Aí o juiz recusou o caso, ou seja, manteve a mesma sentença. Eles não querem bater de frente com o Judiciário deles”, conta. “Eu fui na audiência e fiquei chocada. Meu advogado começou a falar e, em dez segundos, o juiz interrompeu, jogou a pasta dele pro lado e falou ‘next’. É uma corte sobrecarregada ao extremo”, revela.

Além de manter a condenação de cinco anos de prisão, a Corte Superior acrescentou uma alegação ao processo, a de que o passaporte brasileiro de Dante também seria falso. Segundo a acusação, a embaixada brasileira teria confirmado tal informação. No entanto, em julho deste ano, a representação do Brasil em Nova Délhi enviou ao advogado de Ana um documento no qual certifica a autenticidade do passaporte. “Me forneceram esse documento porque meu irmão de fato fez o passaporte na embaixada brasileira”, diz Ana. “Agora ficou muito fácil de provar que eles estão mentindo, porque eles ainda colocaram essa história do passaporte falso, que foi desmentida pela embaixada.”

Legalmente, Dante responde por quatro crimes previstos no Código Penal indiano, que lista as infrações em seções numeradas. Dois dos crimes, os de número 471 e 467, estão relacionados a falsificação de documento e a uso de documento falso como genuíno. No entanto, os crimes das seções 468 e 420, pelos quais Dante também é acusado, são relativos a fraudes e traições. “Colocaram várias acusações contra ele, todas referentes a falsificação de documento, mas tem umas supersérias, tem a ver com falsificar documento para poder pegar propriedade do governo, várias acusações que não se encaixam no caso dele porque o documento falso era apenas o visto”, relata Ana. “A gente não conseguiu tirar essas acusações. A embaixada também falou que íamos conseguir tirar essas acusações, mas não aconteceu.”

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Documento enviada a Ana pela embaixada brasileira na Índia atesta que o passaporte de Dante é original, ao contrário do que afirma a Justiça indiana (Foto: Arquivo pessoal)

A reportagem procurou a embaixada do Brasil em Nova Délhi, que repassou a demanda ao Itamaraty. O órgão, responsável pela assistência consular a brasileiros no exterior, disse que “não está autorizado a divulgar dados específicos sobre o processo judicial ou sobre as circunstâncias que levaram o cidadão brasileiro a receber assistência consular”. Entretanto, afirma ter prestado assistência a Dante e a sua irmã Ana: “Diplomatas da embaixada do Brasil realizaram viagens para visitas consulares ao brasileiro em seis ocasiões”, afirma o Itamaraty. Questionado sobre a inércia da embaixada diante da alegação da Justiça indiana de que o passaporte de Dante também seria falso, o Itamaraty se limitou a destacar a “impossibilidade de que uma repartição consular venha a ser parte em processos judiciais envolvendo cidadãos brasileiros”.

Por telefone, a reportagem conversou com Ana na semana em que ela se preparava para o último recurso à Suprema Corte indiana. Ela viajava de Varanasi, onde seu irmão está preso atualmente, para Nova Délhi, onde ocorrem as audiências. Na segunda vez em que conseguimos contato com ela, Ana tinha acabado de receber a notícia de que o juiz havia rejeitado seu recurso na Suprema Corte, tecnicamente o último recurso legal.

Problemas financeiros

Abalada emocionalmente, Ana foi pega de surpresa por mais uma desventura poucos dias depois da audiência na Suprema Corte: o governo do país decidiu tirar de circulação boa parte das notas de rúpia. As cédulas de 500 e 1.000 rúpias, que correspondem a 80% da moeda em circulação, perderam a validade, como mostra matéria da Folha de S.Paulo. Longas filas se formaram nos bancos, já que milhares de indianos precisaram trocar suas cédulas. “A Índia está um verdadeiro caos, não tem dinheiro disponível para as pessoas, estão falando em greve geral, a situação está bem complicada”, explica Ana. A novidade também agravou a já delicada situação financeira de Ana na Índia: em meio aos processos e reuniões para discutir o caso do irmão, ela precisa ainda trocar as notas que possui para conseguir pagar suas despesas, já que a maior parte dos pagamentos no país ainda é feita em dinheiro vivo.

Ana diz já estar acostumada a enfrentar dificuldades em todas as visitas que fez à Índia desde que o irmão foi preso, em 2014. Inicialmente, Dante cumpriu pena na região de Maharajganj, em uma penitenciária próxima à fronteira onde foi detido. “Aquela cadeia era pequena, em um lugar esquecido por todos, completamente sem lei, muito violento. Os primeiros meses que ele ficou ali foram muito difíceis mesmo”, lembra Ana. “O lugar era de muito difícil acesso. Eu era a única estrangeira no lugar, só tinha homem na rua, e é um dos estados mais violentos do país.” Ela conta que só conseguiu falar pessoalmente com o irmão quando um diplomata brasileiro a acompanhou até a cadeia. A partir de então, Ana passou a visitá-lo semanalmente, levando mantimentos para que ele pudesse cozinhar sua comida em um fogareiro dentro da cela. “Ele fica doente quando come a comida da cadeia”, suspeita Ana. No entanto, o hábito despertou a ira de alguns presos. “Ele era o único que recebia visitas, começaram a falar que sabiam tudo sobre mim, ameaçavam ele lá dentro”, revela.

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Ana Farinello observa o irmão Dante sendo levado para a prisão (Foto: Arquivo pessoal)

Dante havia contraído febre tifoide, uma doença bacteriana disseminada por meio de alimentos e água contaminados, pouco antes de ser detido na fronteira. “A doença piorou muito quando ele entrou. Ele descobriu antes de ser preso e, quando chegou, avisou que estava doente, mas não deram medicamentos, nada. Só depois que ele desmaiou na cela é que levaram ele para o hospital. Ele estava mais de 10 quilos mais magro”, conta Ana, que diz ainda que o irmão sofreu diversas vezes com infecções por estafilococos. “É muito fácil ficar doente, é muita gente junta em um lugar que não tem higiene.”

Depois do julgamento na Corte Superior, considerado definitivo, Dante foi transferido para um presídio central em Varanasi, que Ana julga menos precário. “Por ser uma cadeia central, a maioria dos presos que estão lá tem prisão perpétua e são presos mais velhos, mais tranquilos. Não tem tanta violência quanto na outra, fica em uma região muito mais turística. Também é mais controlada a questão da corrupção. Na outra cadeia, era dinheiro pra qualquer coisa”, avalia. Mas a situação continua difícil. “Ele dorme no chão, não tem cama, não tem colchão. É muito precário.”

“Mulher aqui é inferior até para falar com o advogado”

As dificuldades do processo judicial se somam àquelas próprias da sociedade indiana: “Ser mulher sozinha é muito difícil aqui. Mulher aqui é inferior até para falar com advogado”. O Judiciário também atua com dificuldade. “Quando eu fui na Suprema Corte, tinha um advogado defendendo um caso de 1978. Mesmo assim, eu fico sempre em cima, sempre pressionando, mas fico superpreocupada porque eles não têm uma data-limite. Já foram dois anos, ele já cumpriu a pena mínima de dois anos, entende? Ele poderia, sim, responder pelo resto da pena em liberdade”, diz. Sua última esperança é que a acusação do passaporte falso traga visibilidade ao caso de Dante. “É uma acusação muito séria envolver a embaixada brasileira contra um cidadão brasileiro. Eles precisam perceber que tem mais gente olhando.”

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18 Nov 17:59

O ex-presidente da Andrade Gutierrez mostrou o quanto a Justiça pode ser ridicularizada. Por Carlos Fernandes

by Carlos Fernandes
O ex-presidente da Andrade Gutierrez Otávio Marques de Azevedo

O ex-presidente da Andrade Gutierrez Otávio Marques de Azevedo

 

E quando você imagina que não existe mais forma possível da justiça brasileira ser ridicularizada, eis que o ex-presidente da empreiteira Andrade Gutierrez, Otávio Azevedo, presta um segundo depoimento ao TSE para “esclarecer” a sua já desmentida delação.

Após ter sido miseravelmente desmascarado pela defesa da ex-presidenta Dilma quanto à sua afirmação de que teria pago R$ 1 milhão de propina em forma de doação ao diretório do PT, Azevedo agora muda completamente a sua versão.

Depois que a cópia do cheque nominal ao golpista Michel Temer circulou pelos quatro cantos do universo conhecido, subitamente, não mais do que subitamente, uma clarividência divina iluminou a memória do nosso querido corruptor ao encontro da “verdade”.

Sem qualquer constrangimento, o iluminado “retificou” as suas declarações e o que antes foi posto como fruto de propina paga “certamente” ao PT, como que num passe de mágica, fazia parte do “cofre em separado” em que as “doações lícitas” eram realizadas aos sempre honestos convivas do PMDB, PSDB, DEM e demais incólumes partidos políticos.

A mais nova – e cabível – versão dos fatos, surgiu nesta quinta (17) em novo depoimento tomado pelo ministro do TSE, Herman Benjamin. O magistrado ouviu do depoente que houve uma “confusão” de sua parte e que à luz dos acontecimentos, não houve nenhum valor de propina da Andrade Gutierrez paga à companha Dilma-Temer de 2014.

Fico aqui me perguntando: quantas “confusões” essa verdadeira procissão de delatores teria “cometido” à medida que os investigadores deixavam claro que a única razão de ser de tudo isso é incriminar o PT, a esquerda e todos os movimentos sociais e democráticos deste país?

Independente das conclusões que inevitavelmente podemos chegar, o caso é que temos aqui mais uma prova incontestável da parcialidade descarada com que a grande mídia, a Polícia Federal, promotores e juízes vem conduzindo os trabalhos de apuração dos indícios dos crimes investigados.

Outorgar qualquer benefício previsto na lei de delações para um sujeito que claramente obstruiu a justiça prestando falso testemunho no intuito evidente de prejudicar um dos acusados, não só é uma afronta à sociedade civil quanto um atentado ao ordenamento jurídico provocado pelos próprios membros do judiciário.

Isso, é claro, num país onde as instituições realmente funcionam e que goza de uma justiça verdadeira imparcial, o que, cristalino está, não é o caso do Brasil. Devemos lembrar que a favor das “confusões” de Azevedo, existe sempre o inestimável incentivo dado pelo juiz Sérgio Moro. Condenado a 122 anos de prisão, o seu velho conhecido do Banestado, Alberto Youssef, após inúmeras “confusões” e irrisórios 2 anos e oito meses de cadeia, poderá agora usufruir de uma bela vista na zona sul de São Paulo.

Assim funciona o sistema para aqueles que contribuem para os grandes interesses envolvidos. E, sabemos todos, não cabem em termos publicáveis.

Tudo exposto, no pastelão mexicano que se transformou todo o processo penal ligado à operação Lava Jato e à cassação da chapa Dilma-Temer, apenas duas certezas são admitidas: 1) a de que jamais criminosos se sentiram tão a vontade para mentirem e 2) a de que os juízes envolvidos nunca se sentiram tão lisonjeados por terem criminosos apoiando a sua forma de fazer política.

 

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18 Nov 17:11

US Election – Reflections on Public Life

by Jeff Risom

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As the reality that Donald Trump would become the next American president began to sink in on the morning of November 9th, emails began to ping around the Gehl offices as we tried to piece our thoughts together. How could this election have been so monumentally misjudged, and what will it mean in our field of urban design for engaging public life?

It can be difficult as a global urban design practice to present a singular narrative on this situation, so we won’t try. Instead, here were some of our immediate thoughts as we remain idealistically pragmatic and even more dedicated to our mission of creating cities for people.

Here at Gehl, our approach to planning and design is to understand how people behave in the public realm, and try to understand if people feel invited to partake in public life. We do so by meeting people in their everyday lives, by observing and recording behavior, and by asking questions that only they are the experts on. This knowledge helps us to advise leaders, professionals and citizens to build the cities and communities they wish to live in.

We strongly believe the way the public realm is planned, designed and governed reflects how we live life outside of the home and impacts the everyday necessities from crossing the street to the civic actions we take like voting.

We understand the reality that many people have not benefitted from globalization, de-industrialization of the economy and the rise of the creative class. As Blaine Merker, the team lead in the San Francisco office, said in his email to our team, “A look at the map is striking; it indicates two sides talking, but not to each other.” Data confirms this view as cities went blue by as much as 59% (down from 63% in 2008) and rural areas red by as much as 62% (up from 53% in 2008). However, we know that the voter turnout in urban areas was exceedingly low, and that in most cities voter turnout was less than 50% of registered voters with democrats receiving fewer votes in 2016 than in 2012. 120 million people cast votes in a fraught election this month, deciding the fate of a country of 340 million people. The status quo isn’t working in urban or rural areas, that much is clear.


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Brexit polls reinforced this trend indicating that there are social, political and ideological divides between cities and their periphery. The tendency in our hyper-connected society is to focus on the extreme edges, but our aspirations are to focus on the shared commonalities. If we keep focusing so much on the urban / rural divide we are not offering a platform for change, as the two are mutually dependent! Matthew Lister who leads our NYC office insists “The lines of the electoral map make the borders between red and blue look like impermeable barriers – they are lines on a map – not walls.”

In fact, our experience shows us that there are many aspects of public life, from time spent in parks, to enjoying cultural offerings to contribute to a civic energy, and these are common across all people. For us at Gehl, these commonalities are rooted in all that homo-sapiens share – our physiology, our senses and the basic need to be social animals. The challenge for us is to honor these similarities in the way we plan and design our communities while simultaneously inviting for and celebrating difference. This ‘life between buildings’ approach and a belief that connectivity between people matters is evident not only in cities, but in communities of all sizes. We have always worked in villages, towns, districts and cities – with and for all people.

It is clear to us, post-election, that a huge next step is to understand and try to incorporate all of the voices that were heard this week – even those of the non-voter – and invent new ways to listen. In order to move forward we must do so quickly, not only to unite through shared purpose, but also to practice what we preach and continue to invite for difference of opinion through our work, even when people ideologically disagree.

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The Subway Therapy project – subwaytherapy.com

This last year has exemplified how people use the streetscape as a space for expression, revolt and protest, from Black Lives Matter to Trump rallies and the current post-election protests in urban areas. The Square has always been the venue for protest and democratic expression. Today, it is even more important that our streets and public spaces be used for dialogue, and exposure to other points of view which promote empathy and a greater ability to co-exist in our physical surroundings and institutions. Figuring out how our public realm supports these activities is a question that we at Gehl understand as being more important than ever. As designers and planners, our challenge is to understand how physical space invites for positive, constructive, in-person contact. This challenge is made all the more acute because of the physical sorting that has occurred in U.S. residential patterns during the last fifty years. In other words, we literally need places where all of America’s diverse population has a chance to show up.

We also recognize that the mood for change in 2016 is not that dissimilar from the momentum that propelled President Barack Obama to the presidency in 2008. Both candidates ran on a platform of change. Change that the country is desperate for. Our understanding is that this energy for something new can be harnessed toward something positive for the public realm, rather than accentuating fear and alienation. As change agents ourselves, we will adapt and learn how to work and guide this earnest need for transformation. Helle Søholt, Founding Partner and CEO of Gehl, discussed the election and our place within it. She explained that our cross-border goals are founded on integration, collaboration and innovation by building better public places and places for public discourse. She addressed the demand for change by stating, there is a need more than ever, for us, our partners and clients to show what change can look like and that it does not have to mean retreating.

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We see public life and public space as the connective tissue that can hold our communities together. In big cities and small towns – these are the places where people create opportunities to come together and connect through shared experience. At Gehl, we help make public places that work for people. We hope through this work we might help create more places where differences that are currently ill-defined by the stark boundaries of our electoral map – can be honestly expressed, shared, challenged and more fully understood. We felt this way on November 7th – and we feel this way today.

While the election is a powerful reminder of the state of society, we also want to keep things in perspective. We would like to share a quote from Adam Gopnik, writer and essayist, from his article in The New Yorker that highlights the importance of everyday public life in the face of recent events:

“I […] believe that the comings and goings of politics and political actions in our lives must not be allowed to dominate our daily existence — and that if we struggle to emphasize to our children the necessities of community, ongoing life, daily pleasures, and shared enterprises, although we may not defeat the ogres of history, we can hope to remain who we are in their face.”

 

 

18 Nov 17:08

Mudança na delação da Andrade confirma tentativa de criminalizar o PT a qualquer custo

by Cynara Menezes
Brasília-DF 11-08-2015 Fotos Lula Marques/AGPT Presidenta Dilma durante cerimônia de anúncio do Programa de Investimento em Energia Elétrica

(Temer e Dilma em 2015. Foto: Lula Marques)

Está cada vez mais difícil confiar no equilíbrio da Justiça brasileira pós-Lava-Jato. Os “erros” se sucedem, todos prejudicando, é claro, o PT. Primeiro foi a Polícia Federal quem atribuiu a José Dirceu a sigla “JD” na lista da Odebrecht e depois admitiu que se equivocou para então atribuir a mesma sigla a um assessor do também petista Antonio Palocci. Ou seja, foram dois petistas atingidos com um JD só. Acredite se quiser.

Agora, o delator premiado pela Lava-Jato Otavio Azevedo, ex-presidente da Andrade Gutierrez, mudou sua versão sobre a doação feita à campanha de Dilma Rousseff e Michel Temer em 2014. Observe bem: o delator JÁ TINHA ASSINADO, em 19 de setembro, a confissão ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), presidido por Gilmar Mendes, afirmando haver doado 1 milhão de reais em PROPINA para o diretório nacional do PT em 2014.

Acontece que, no início de novembro, a defesa de Dilma apresentou um cheque nominal a Michel Temer comprovando que a doação de 1 milhão tinha vindo do PMDB, que recebera o valor da Andrade Gutierrez. Quer dizer, se havia ilegalidade, a ilegalidade tinha acontecido com o PMDB, e não com o PT.

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“Os documentos comprovam que não houve transferência de 1 milhão de reais do diretório nacional do PT à campanha de Dilma. O que houve foi a transferência de 1 milhão de reais, em 14 de julho de 2014, da conta do diretório nacional do PMDB para a conta 2014 Michel Temer vice-presidente, tendo Andrade Gutierrez como doador originário”, diz a defesa da presidenta eleita, acusando o delator de tentar, deliberadamente, atingi-la.

Confrontado com os documentos, o que fez o delator, convocado novamente a depor? MUDOU sua versão à Justiça Eleitoral. O cheque, que era “propina”, virou magicamente doação legal, de forma conveniente para o presidente ilegítimo, que tenta se safar de ser cassado pelo TSE. O processo é movido pelo PSDB, que pede a cassação da chapa Dilma-Temer. Se isso acontecesse em 2017, teríamos um presidente eleito indiretamente pelo Congresso até 2018. Quem sabe do PSDB, não é mesmo?

“O depoente fez uma retratação, ou seja, ele reconheceu claramente que não existiu nenhuma propina e nenhuma irregularidade na campanha presidencial de Dilma Rousseff e Michel Temer. Portanto, hoje ele se retratou perante a Justiça Eleitoral e retirou a acusação que tinha feito no depoimento anterior”, disse o advogado de Dilma, Flávio Caetano, após o recuo de Azevedo.

O mais curioso é que a mídia, de antemão, já havia inocentado Temer de qualquer ilegalidade, servindo como álibi ao atual ocupante do Planalto. A Folha, por exemplo, só noticiou o caso se referindo a uma tentativa de Dilma de “envolver” Temer nas denúncias, sendo que o homem era vice dela. Após o golpe, jornais e TVs comportam-se como porta-vozes do novo governo. Terá alguma relação com a generosidade de Temer, usando dinheiro público, na distribuição de anúncios à velha mídia?

Comprovada a falsidade da delação, comprova-se também a tentativa em curso de criminalizar o PT a qualquer custo além de livrar a cara do presidente ilegítimo do Brasil. É lamentável ver que, mais uma vez, a mídia é participante ativa deste tipo de jogada. Para destruir o PT, Dilma e Lula, o estado de direito naufraga. E com a cumplicidade dos meios de comunicação.

 

 

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14 Nov 17:45

Após demonstrar que não lê o próprio jornal, Folha some com noticiário sobre a “piscina do Lula no Alvorada”

by Conceição Lemes

Folha e piscina 2

Da Redação

Nesse domingo (13/11), a Folha denunciou na capa da edição impressa: PF investiga se Odebrecht fez reforma de piscina para Lula.

Diz o texto:

A Polícia Federal investiga suspeitas de que a Odebrecht fez uma reforma na piscina do Palácio da Alvorada durante o segundo mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sem ter contrato com o governo e sem que a obra tivesse registro público.

Indícios de que isso ocorreu foram encontrados após análise de mensagens trocadas em 2008 pelo então presidente da empresa, Marcelo Odebrecht, com outros executivos investigados por causa de seu envolvimento com o esquema de corrupção revelado pela Operação Lava Jato.

A nova frente de investigação pode reforçar as acusações da Lava Jato contra o ex-presidente Lula. O petista responde a três inquéritos, que investigam favores e pagamentos que ele recebeu de empreiteiras como a Odebrecht após deixar o governo.

Se as novas suspeitas forem confirmadas, seria uma evidência de que o ex-presidente recebeu favores também no exercício do mandato, quando os negócios das empreiteiras receberam impulso do governo no Brasil e no exterior.

Documentos aos quais a Folha teve acesso confirmam que uma reforma foi realizada na piscina do Alvorada na época das mensagens encontradas pela polícia. Funcionários da Presidência da República e pessoas ligadas à Odebrecht confirmaram à reportagem que a empreiteira fez a obra sem ter contrato.

Poucas horas depois o jornalista Leandro Fortes desmontou em sua página na rede social o factoide.

Leandro descobriu que a própria Folha já tinha noticiado a reforma em 2006 e o pedido público de Lula, solicitando ajuda dos empresários.

folha 2006

Ou seja, com a matéria desse domingo sobre a piscina do Alvorada, a Folha demonstra que não lê a própria Folha.

Há pouco Leandro descobriu mais esta:

Leandro

Veja também:

Destruição a Jato. Assista!

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14 Nov 14:13

Impostos, e o que eles compram.

by Tiago de Thuin
Sim, eu sei que falar desse jeito, de um ramerrame tão chato quanto impostos, e sem ser diretamente dentro de uma grande narrativa - pró ou contra- parece estranho, nestes tempos que correm sob o signo da emoção. Mas acho que é importante, considerando-se a importância de questões relacionadas a déficits e impostos nos dias que correm, ter a percepção correta do que impostos e carga tributária são. Afinal, fala-se muito em "aumento da carga tributária" - e vai se ver, e os impostos não aumentaram, aumentou a formalização. Mas a impressão que ficou foi do aumento do imposto...

Não é problema só de impostos e carga tributária, claro. Um dos problemas mais comuns da nossa época é a reificação das estatísticas. Traduzindo o palavrão: é a tendência de pessoas a lerem estatísticas como dados da realidade bruta, mesmo quando essas estatísticas na verdade refletem todo um sistema de dados amealhados, interpretados, selecionados, e processados. Isso vale para a maioria das pessoas, pouco à vontade com números em geral, mas é um mal do século, comum a todo mundo, inclusive aos estudiosos de ciências sociais. Pode ser, inclusive, resultado da necessidade do discurso: é preciso falar alguma coisa, as estatísticas não são realmente confiáveis para serem comparadas, mas são o que temos, então falamos delas como se fossem reais. E aí alguém vem e pega o que foi falado, e usa por sua vez, e o "assumindo-se que assim seja" se perde pelo caminho, e uma comparação tortuosa vira um fato, às vezes com resmas de explicações complexas em cima. As coisas mais simples e aparentemente óbvias não são tanto assim. Por exemplo: o dia de trabalho no Brasil e nos EUA é de oito horas. Nos EUA, isso é chamado de "9 to 5." Aqui, geralmente é de 8 às 5. A diferença é que no Brasil temos uma hora de almoço obrigatória - que não é contada dentro do horário de trabalho. Mas americanos - dizem - também almoçam. E então, o que seria "certo" nessa comparação? Dizer que o brasileiro empregado formalmente tem um dia de trabalho de nove horas, descontar do tempo do americano o tempo de almoço... o mais simples, é claro, é simplesmente utilizar o tempo formal. De novo: o brasileiro tem direito a trinta dias corridos de férias. Na maioria dos países da Europa, as férias obrigatórias são de vinte e cinco dias úteis. E por aí vai...

Um desses números que parecem simples mas encerram em si todo um discurso é o da carga tributária. Gente bem melhor que eu já falou da carga tributária líquida, a diferença entre o custo efetivamente gasto pelo governo e aquele dinheiro que é só redistribuído, na forma de transferências diretas, por ele, mas o que quero falar é de outra coisa: o gasto do governo propriamente dito que é pago com "carga tributária" em cada país não é, nem remotamente, comparável. Não estou falando da qualidade do serviço, a clássica reclamação da classe média brasileira, mas de que as estruturas pelas quais as nações oferecem diferentes serviços a seus cidadãos são diferentes; a definição do que é e não é Estado é mais complexa do que à primeira feita parece. Mas diferentes de tal modo que é difícil, mesmo, reduzir essa diferença a um número. Um dos exemplos mais flagrantes: a carga tributária japonesa é bem menor do que a da França. Eficiência do modelo japonês... ou porque universidades e saúde são pagos do bolso do cidadão no Japão, ao invés de majoritariamente pelos cofres públicos, e os subsídios ao transporte são muito menores (o Estado dá, ao invés disso, às companhias de trem vastas áreas urbanas para desenvolver como imobiliária, e empréstimos a juro baixo via bancos e parabancos estatais). 

E essa comparação entre o Japão e a França nem é tão estranha quanto a comparação que se faz entre a carga tributária brasileira e a de países ricos para reclamar que o retorno "não é semelhante." Primeiro porque, como já disse na resposta ao gringo picareta, renda não é riqueza, e serviços públicos também são riqueza. Segundo porque a comparação entre percentuais não faz sentido; tente exigir comprar uma casa igual à do Bill Gates pela mesma porcentagem das suas economias que ele gastou. Terceiro pela diferença entre carga tributária líquida (que não deixa de ser um serviço público, mas para a qual não cabe falar de eficiência do estado, já que quem recebe sabe muito bem o quanto recebe). E quarto, finalmente, pela diferença de "pacotes de serviços" oferecidos pelos diferentes governos. Ah sim, um quinto: pela existência de receitas extraordinárias, não-tributárias, como são o petróleo e outros hidrocarbonetos nos países exportadores. 

Não é uma diferença pequena, circunstancial. Mesmo para empresas sofisticadas é difícil julgar entre preços de pacotes de serviços diferentes para tomar uma decisão; é por isso que muitas agências reguladoras mundo afora, e em especial os bancos centrais, exigem algum tipo de estandardização de pacotes de serviços por seus regulados, até, em alguns casos, a nível internacional. E entre os "pacotes de serviços" dos governos não há estandardização nenhuma, a tal ponto que fica difícil até julgar a diferença, de tal modo as estruturas são diferentes. Uma obra que tentasse fazer um esboço do esboço de um estudo comparativo real entre essas estruturas, sopesando cada particularidade e transformando-a num número, ou em meia dúzia, seria tão grossa (assim de deixar os calhamaços do Braudel ou do Osterhammel parecendo panfletos) quanto cheia de "assumindo-se-que." 

Longe de tentar atacar essa cavalariça de Áugias, tentei só fazer uma conta bem mais grosseira, que resumo na tabela abaixo. A conta começa na parte fácil (PIB do país per capita multiplicado pela carga tributária - o que ignora inteiramente a questão da progressividade do gasto e de quanto efetivamente um dado cidadão paga), e junta uma das coisas mais simples de se definir à parte entre os grandes gastos públicos, que é o financiamento da saúde. Porque, se vários países têm sistemas de saúde universal, como esse sistema de saúde é universal está bem longe de ser uniforme. Basicamente, se tem os sistemas como o SUS, chamados de "pagador único," em que o Estado mantém, via impostos, um sistema de saúde que é inteiramente grátis pra quem chegar e aparecer, e modelos de planos de saúde regulados e subsidiados, mas que têm, obrigatoriamente, que ser pagos pelo cidadão além dos impostos. Na prática, portanto, poder-se-ia chamar esse pagamento de imposto também - e um imposto bastante regressivo, já que não guarda relação nenhuma com a renda de quem paga. Mas o Obamacare, ou a Krankenversicherung, ou o Kokuminkenkoohoken, não entram pra estatística de carga tributária. Faz sentido: não são impostos entregues ao Estado, mas pagamento a empresas privadas. Por outro lado, são pagamentos que o Estado obriga que se faça a essas empresas privadas, que são pesadamente reguladas e imbricadas na estrutura do Estado.

A tabela abaixo, então, longe de tentar sistematizar e conceitualizar essas diferenças importantes, tem apenas uma ideia modesta de, imaginando bem ao gosto neoliberal o Estado como um "pacote de serviços," mostrar o que está incluído nesse pacote, e quanto ele custa aos cidadãos. (Em dólares, não em % do PIB - cf. "construir uma mansão que nem a do Bill Gates com a mesma proporção da minha renda.) (Os números pra PIB e carga tributária foram conseguidos na wikipédia.)


País
Carga tributária em % do PIB
Carga tributária per capita, em dólares PPP
O que é pago com impostos
O que é pago pelo cidadão médio, obrigatoriamente, hors imposto
Brasil
35,7
5.265
Saúde
Universidade pública
Educação (todos os níveis; terciária restrita)
Previdência

EUA
26,9
14.458
Previdência
Subsídio a combustíveis
Educação (até média)
Saúde (restrita)
Saúde - 3552

Alemanha
40,6
18.521
Educação (todos os níveis)
Subsídio a transportes
Saúde - 4460
Japão
29.5
11.148
Previdência
Subsídio à saúde
Saúde - 1500
Educação (todos os níveis) - 3750+
China
28,1
2.226
Educação (até média)
Subsídio a educação superior
Saúde (parcialmente)
Subsídios ao transporte
Saneamento e energia subsidiados
Saúde - 200
França
44,6
17.184
Previdência
Subsídio à saúde
Educação (todos os níveis)
Subsídios pesados ao transporte
Saúde - 1600
Reino Unido
34,4
14374
Previdência
Saúde
Educação (até média)
Subsídios à educação superior


Argentina
37,2
7625
Previdência
Educação (todos os níveis)
Saúde (restrita)
Subsídios ao transporte
Saúde - 1200




14 Nov 11:24

The Election was Stolen – Here’s How…

by Greg Palast

Before a single vote was cast, the election was fixed by GOP and Trump operatives.

Starting in 2013 – just as the Supreme Court gutted the Voting Rights Act – a coterie of Trump operatives, under the direction of Kris Kobach, Kansas Secretary of State, created a system to purge 1.1 million Americans of color from the voter rolls of GOP–controlled states.

The system, called Crosscheck, is detailed in my Rolling Stone report,
The GOP’s Stealth War on Voters,” 8/24/2016.

Crosscheck in action:  
Trump victory margin in Michigan:                    13,107
Michigan Crosscheck purge list:                       449,922

Trump victory margin in Arizona:                       85,257
Arizona Crosscheck purge list:                           270,824

Trump victory margin in North Carolina:        177,008
North Carolina Crosscheck purge list:              589,393

On Tuesday, we saw Crosscheck elect a Republican Senate and as President, Donald Trump.  The electoral putsch was aided by nine other methods of attacking the right to vote of Black, Latino and Asian-American voters, methods detailed in my book and film, including “Caging,” “purging,” blocking legitimate registrations, and wrongly shunting millions to “provisional” ballots that will never be counted.

Trump signaled the use of “Crosscheck” when he claimed the election is “rigged” because “people are voting many, many times.”  His operative Kobach, who also advised Trump on building a wall on the southern border, devised a list of 7.2 million “potential” double voters—1.1 million of which were removed from the voter rolls by Tuesday. The list is loaded overwhelmingly with voters of color and the poor. Here's a sample of the list

Those accused of criminal double voting include, for example, Donald Alexander Webster Jr. of Ohio who is accused of voting a second time in Virginia as Donald EUGENE Webster SR.


Note: Watch the four-minute video summary of Crosscheck. The investigation and explanation of these methods of fixing the vote can be found in my book and film, The Best Democracy Money Can Buy: a Tale of Billionaires & Ballot Bandits (2016).


No, not everyone on the list loses their vote.  But this was not the only racially poisonous tactic that accounted for this purloined victory by Trump and GOP candidates.

For example, in the swing state of North Carolina, it was reported that 6,700 Black folk lost their registrations because their registrations had been challenged by a group called Voter Integrity Project (VIP). VIP sent letters to households in Black communities “do not forward.”  If the voter had moved within the same building, or somehow did not get their mail (e.g. if their name was not on a mail box), they were challenged as “ghost” voters.  GOP voting officials happily complied with VIP with instant cancellation of registrations.

The 6,700 identified in two counties were returned to the rolls through a lawsuit.  However, there was not one mention in the press that VIP was also behind Crosscheck in North Carolina; nor that its leader, Col. Jay Delancy, whom I’ve tracked for years has previously used this vote thievery, known as “caging,” for years.  Doubtless the caging game was wider and deeper than reported.  And by the way, caging, as my Rolling Stone co-author, attorney Robert F. Kennedy Jr., tells me, is “a felony, it’s illegal, and punishable by high fines and even jail time.”

There is still much investigation to do.  For example, there are millions of “provisional” ballots, “spoiled” (invalidated) ballots and ballots rejected from the approximately 30 million mailed in.  Unlike reporting in Britain, US media does not report the ballots that are rejected and tossed out—because, after all, as Joe Biden says, “Our elections are the envy of the world.”  Only in Kazakhstan, Joe.

While there is a great deal of work to do, much documentation still to analyze, we’ll have to pry it from partisan voting chiefs who stamp the scrub lists, Crosscheck lists and ballot records, “confidential.”

But, the evidence already in our hands makes me sadly confident in saying, Jim Crow, not the voters, elected Mr. Trump.

What about those exit polls?

Exit polls are the standard by which the US State Department measures the honesty of foreign elections.  Exit polling is, historically, deadly accurate. The bane of pre-election polling is that pollsters must adjust for the likelihood of a person voting.  Exit polls solve the problem.

But three times in US history, pollsters have had to publicly flagellate themselves for their “errors.”  In 2000, exit polls gave Al Gore the win in Florida; in 2004, exit polls gave Kerry the win in Ohio, and now, in swing states, exit polls gave the presidency to Hillary Clinton.

So how could these multi-million-dollar Ph.d-directed statisticians with decades of experience get exit polls so wrong?

Answer:  they didn’t.  The polls in Florida in 2000 were accurate.  That’s because exit pollsters can only ask, “How did you vote?”  What they don’t ask, and can’t, is, “Was your vote counted.”

In 2000, in Florida, GOP Secretary of State Katherine Harris officially rejected 181,173 ballots, as “spoiled” because their chads were hung and other nonsense excuses.  Those ballots overwhelmingly were marked for Al Gore.  The exit polls included those 181,173 people who thought they had voted – but their vote didn’t count.  In other words, the exit polls accurately reflected whom the voters chose, not what Katherine Harris chose.

In 2004, a similar number of votes were invalidated (including an enormous pile of “provisional” ballots) by Ohio’s GOP Secretary of State Kenneth Blackwell.  Again, the polls reflected that Kerry was the choice of 51% of the voters.  But the exit polls were “wrong” because they didn’t reflect the ballots invalidated by Blackwell.

Notably, two weeks after the 2004 US election, the US State Department refused the recognize the Ukraine election results because the official polls contradicted the exit polls.

And here we go again. 2016: Hillary wins among those queried as they exit the polling station—yet Trump is declared winner in GOP-controlled swings states. And, once again, the expert pollsters are forced to apologize—when they should be screaming, “Fraud!  Here’s the evidence the vote was fixed!”

Now there’s a new trope to explain away the exit polls that gave Clinton the win.  Supposedly, Trump voters were ashamed to say they voted for Trump.  Really?  ON WHAT PLANET?  For Democracy Now! and Rolling Stone I was out in several swing states.  In Ohio, yes, a Black voter may have been reluctant to state support for Trump. But a white voter in the exurbs of Dayton, where the Trump signs grew on lawns like weeds, and the pews of the evangelical mega churches were slathered with Trump and GOP brochures, risked getting spat on if they even whispered, “Hillary.”

This country is violently divided, but in the end, there simply aren’t enough white guys to elect Trump nor a Republican Senate.  The only way they could win was to eliminate the votes of non-white guys—and they did so by tossing Black provisional ballots into the dumpster, ID laws that turn away students—the list goes on.  It’s a web of complex obstacles to voting by citizens of color topped by that lying spider, Crosscheck.

*****

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Greg Palast (Rolling Stone, Guardian, BBC) is the author of The New York Times bestsellers, The Best Democracy Money Can Buy and Billionaires & Ballot Bandits, now out as major motion non-fiction movie.

Donate to the Palast Investigative Fund and get the signed DVD.

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Visit the Palast Investigative Fund store or simply make a tax-deductible contribution to keep our work alive! 

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GregPalast.com

 

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11 Nov 19:36

Ciência brasileira, feita por brasileiras

by Lady Sybylla

Na quinta-feira, dia 20 de outubro, no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, aconteceu a cerimônia de entrega do Prêmio Para Mulheres na Ciência, uma parceria da L’Oréal, com a UNESCO e a Academia Brasileira de Ciências. Sete cientistas brasileiras foram selecionadas entre as mais de quatrocentas inscritas em 2016. Da Astronomia, à Medicina, as cientistas receberão 50 mil reais para manter seus trabalhos e pesquisas.

Premiação

O L’Oréal-UNESCO For Women in Science é o primeiro programa dedicado às mulheres cientistas do mundo e no Brasil é a única iniciativa do gênero. Fundado em 1998 ele carrega a convicção de que o mundo precisa de mais mulheres cientistas, pois o mundo em si precisa da ciência e a ciência precisa de mais mulheres produzindo, pesquisando e sendo reconhecidas por seus trabalhos já que ainda somos minoria na área (cerca de 30% dos cientistas do mundo são mulheres).

O programa reconhece e incentiva que estas pesquisadoras possam levar à frente seus trabalhos e também oferece bolsas de estudos por meio de premiações locais para promissoras pesquisadoras. São 18 anos de enaltecimento mundial às cientistas, presente em 115 países e que precisam lidar com muitas barreiras na carreira como o machismo de orientadores e colegas, falta de financiamento e renovação dos mesmos, problemas de ranking por saírem de licença-maternidade, entre outras.

Até hoje o prêmio distribuiu o equivalente a 3,5 milhões de reais entre 75 mulheres promissoras cientistas, que receberam um impulso extra para prosseguirem em seus estudos e incrementar o desenvolvimento da ciência no país.

Os critérios

Os trabalhos são avaliados por uma comissão julgadora formada por renomados profissionais das áreas científicas que têm a difícil tarefa de escolher apenas 7 trabalhos. As vencedoras são selecionadas pela qualidade de seus currículos e pelo potencial de suas pesquisas, desenvolvidas em instituições brasileiras. Como prêmio, cada uma receberá uma bolsa-auxílio de R$ 50 mil, para dar prosseguimento às pesquisas. Foram mais de 400 projetos inscritos.

As vencedoras

As sete cientistas falaram sobre a surpresa e satisfação ao receberem a notícia do prêmio. Impulsionadas, muitas vezes, por ganhadoras de anos anteriores, elas sentem que colegas e alunos passaram a vê-las sob um novo olhar, tanto de admiração como de espelhamento, o que também é uma grande responsabilidade. Não apenas foram reconhecidas por seu trabalho e suas pesquisas, elas também são reconhecidas por alunos e alunas, algumas delas admitindo que se inspiram em seus trabalhos para prosseguirem na carreira científica. Muitas vezes as vencedoras atuam em meios predominantemente masculinos e veem no prêmio uma forma de provar que não apenas possuem o conhecimento e a técnica como podem ser o que bem quiserem e que podem chefiar equipes e instituições. Ainda assim, na Academia Brasileira de Ciência, por exemplo, só 13,5% dos membros são mulheres.

Normalmente quando a mulher está em um momento importante da carreira, é também o momento de ter filhos. E isso precisa ser aceito como algo natural, pois a ciência precisa de mulheres, e elas podem se tornar mães e continuar sendo pesquisadoras como eu.

Adriana Neumann de Oliveira – UFRGS

As pesquisadoras também esperam que a premiação possa aproximar academia de sociedade, que muitas vezes não conhece ou compreende o que é feito nos institutos de pesquisa. Ter uma empresa do porte da L’Oréal fomentando a ciência nacional, com um nome de peso nos lares de tantas gente, pode fazer com que mais pessoas se interessem pela pesquisa. Muitos ignora o fato que, por trás dos cosméticos que consumimos, também há pesquisa e desenvolvimento da parte privada.

No Brasil, o financiamento de pesquisa é quase que na sua totalidade feito pelo setor público, através de agências de fomento. O prêmio pode vir a ser um incentivo ao setor privado de reconhecer os feitos da ciência brasileira e, assim, apoiá-la, principalmente com recursos financeiros.

 

Matemática

Dra. Adriana Neumann de Oliveira
Departamento de Matemática Pura e Aplicada da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

Graduação em Matemática pela Univ. Fed. de Pelotas, mestrado e doutorado na mesma área pela UFRGS e pelo Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (IMPA)
Baseada no princípio de que a teoria é essencial para a aplicação prática da matemática, Adriana lidera um projeto que estuda o comportamento coletivo das moléculas de um sistema físico, no qual se movem de um reservatório para o outro, através de um modelo matemático que interpreta essas moléculas como partículas que interagem entre si, segundo uma regra probabilística. O estudo é importante para compreender o comportamento de gases e fluídos.

 

Medicina

Dra. Claudia Kimie Suemoto
Departamento de Clínica Médica/Geriatria da Fac. de Medicina da Universidade de São Paulo (USP)

Graduação em Medicina pela USP, Doutorado em Ciências (2010) pela mesma instituição, junto ao Departamento de Patologia, mestrado em Epidemiologia e pós-doutorado pela Harvard School of Public Health.
Seu trabalho visa tentar compreender os fatores de risco da demência. Hoje a demência é uma das dez principais causas de mortalidade e morbidade no mundo, sendo que é uma doença sem cura nem prevenção. Com a maior coleção de encéfalos do Brasil, o estudo foca em casos de doença de Alzheimer e demência vascular e investiga se o entupimento das artérias carótidas e coronárias por placas de gordura podem propiciar o desenvolvimento da enfermidade.

 

Biomedicina

Dra. Denise Morais da Fonseca
Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP)

Graduada em Ciências Biológicas pela UNESP, mestrado e doutorado pela Fac. de Medicina da USP em Ribeirão Preto com pós-doutorado na mesma área e no Institute of Parasitic Diseases – National Institude of Health (EUA).
Constantemente as pessoas estão sujeitas a infecções agudas, especialmente em regiões mais expostas ao ambiente, como a mucosa intestinal. A maior parte dos casos são facilmente curáveis, mas ainda não se sabe quais são as implicações disso a longo prazo. Infecções como essa podem deixar uma ‘cicatriz imunológica’ que passaria a reagir com a flora intestinal residente, levando a inflamações crônicas e predisposição a outras doenças, em especial metabólicas como diabetes, obesidade, até doenças cardiovasculares.

 

Química

Dra. Elisama Vieira dos Santos
Escola de Ciências e Tecnologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)

Graduada em Química pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, com mestrado em Eletroquímica e Química Ambiental Aplicada e doutorado sanduíche em Química pela UFRN e pela Universidad de Castilla-La Mancha, na Espanha
Indústria, mineração e agricultura costumam descartar seus resíduos de maneira inadequada, poluindo solos e corpos d’água. Usando da tecnologia eletroquímica, Elisama estuda como tornar a descontaminação de solos e água mais barata, através da energia elétrica e renovável, como energia solar e eólica. Barateando os custos, a ciência pode sair do laboratório e assim ser empregada em larga escala.

 

Biologia

Dra. Fernanda de Pinho Werneck
Programa de Coleções Científicas Biológicas/Coordenação de Biodiversidade do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA)

Graduada em Ciências Biológicas pela Universidade de Brasília (UNB), com mestrado em Ecologia pela mesma instituição. Doutorado em Biologia Integrativa pela Brigham Young University (EUA).
As mudanças climáticas globais causarão efeitos na vida animal, mas é incerto o nível de resistência das espécies para que sobrevivam. No caso dos répteis, Fernanda quer identificar os riscos de extinção e a capacidade adaptativa de lagartos da Amazônia e do Cerrado, os dois maiores biomas da América do Sul. A velocidade com que as mudanças estão acontecendo impede que as espécies se adaptem a tempo.

 

Astronomia

Dra. Ana Leonor Chies Santiago Santos
Departamento de Astronomia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

Graduada em Física com mestrado na mesma área pela UFRGS, doutorado pela Universiteit Utrecht (Holanda). Pós-doutorado na University of Nottingham (Inglaterra) e no Instituto de Astronomia e Geofísica da USP
Com experiência nas área de Física e Astronomia, com ênfase em Astrofísica Extragaláctica, Ana trabalha com evolução de galáxias, concentrando seus estudos em aglomerados globulares (estrelas unidas pela gravidade), utilizando dados de telescópios de última geração. Ana também mede a metalicidade, idade e os componentes estelares das galáxias a fim de obter conhecimento do universo primordial.

 

Farmácia

Dra. Gabriela Trevisan dos Santos
Departamento de Fisiologia e Farmacologia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)

Graduada em Farmácia pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), mestrado e doutorado em Bioquímica Toxicológica pela mesma instituição e pela Universidade de Florença, com pós-doutorado na Universidade do Arizona
Incentivada pela doença da mãe, que sofre de esclerose múltipla, Gabriela se empenha em buscar um tratamento que controle as dores causadas pela patologia, em geral na cabeça e nas extremidades. A dor é incapacitante, prejudicando a qualidade de vida e atividades cotidianas. Dessa forma, Gabriela busca desenvolver um analgésico que bloqueie a ação de uma proteína encontrada no sistema nervoso que desencadeia o quadro doloroso.

 

Que mais mulheres se inspirem a seguir a carreira acadêmica, a fazer pesquisa e a que sirvam de exemplo para jovens que estão entrando na universidade. A ciência precisa de mulheres; lugar de mulher é onde ela quiser!

11 Nov 18:43

A estudante que tentou fraudar o Enem enquanto batia panela é o retrato do Brasil de Temer. Por Donato

by Mauro Donato
Sofia Macedo

Sofia Macedo

 

Colar na prova, quem nunca? Aquela olhadinha rápida, uma cutucada no colega CDF da frente: “Sabe a oitava?” Inocente e inofensivo.

Mas quando se está na vida adulta, em um processo seletivo, a coisa muda de figura. Na vida adulta, em processo seletivo e praticando suborno, a situação muda de patamar. Na vida adulta, em processo seletivo e praticando suborno depois de ter batido panela de forma desequilibrada pelo ‘fim da corrupção’ e gritando Fora Dilma, é de uma hipocrisia espetacular.

Em mais um episódio de máscara que cai (já foram centenas de manifestantes adoradores de Sergio Moro flagrados em casos de corrupção e a explosão de denúncias de malas de dinheiro nos movimentos que tramaram o golpe é sintomática), uma estudante que apoia a república de Curitiba foi pega no pulo.

Sofia Azevedo Macedo estava com um ponto eletrônico no ouvido. Uma central que ficava em um hotel em Montes Claros (MG) enviava o gabarito e a estudante tossia uma vez para sinalizar que havia compreendido.

Tossir duas vezes significava que o interlocutor deveria repetir. Pela ajudinha na trapaça, o custo girava entre R$ 150 mil a R$ 180 mil, segundo a Polícia Federal.

A operação Embuste foi realizada em Minas Gerais, Bahia e Ceará com o propósito de desmantelar uma quadrilha especializada em fraudes no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). A Justiça emitiu vinte e oito mandados, quatro de prisão temporária.

No cumprimento dos mandados foram apreendidos os equipamentos usados pela turma criminosa e os áudios captados em escutas autorizadas pela Justiça revelam que antes do exame era feito um teste para verificar se a geringonça toda estava funcionando, se o candidato conseguia escutar a voz de quem iria repassar as respostas para ele. Em um desses áudios, a estudante

Sofia estava em contato com um homem identificado como Jonathan, que a polícia diz ser Jonathan Galdino dos Santos.

Jonathan: Sofia, tá me escutando? Dá duas tosses aí, por favor.

Sofia: tosse duas vezes, sinalizando que estava tudo ok.

Jonathan: Correto. Eu vou falar cinco palavras: casa, carro, tatu, prédio e cachorro. Entendeu? Dá uma tossida.

Sofia: tosse uma vez novamente.

Jonathan: Pronto, ok.

“Pela primeira vez constatamos o retorno de áudio por parte do candidato. A maneira que ele usava para demonstrar ao interlocutor que compreendia ou não o gabarito era por intermédio da tosse”, disse o delegado Marcelo Freitas.

Quem tem entre R$ 150 e R$ 180 mil para ‘investir’ assim? Estudantes oriundos das classes menos favorecidas? Por óbvio que não. O que vale um investimento desse montante? Cursos de mensalidades altas, historicamente frequentados pela elite. O target da quadrilha eram os candidatos que almejam principalmente os cursos de medicina.

Sofia tem 19 anos, nasceu em Carbonita (MG) e hoje vive em Belo Horizonte. Seus posts em redes sociais nem são majoritariamente engajados. Em 2014 publicou algumas vezes em apoio a Aécio Neves e compartilhou memes que ridicularizavam Dilma Rousseff.

Lamentou a vitória da petista e depois comemorou o impeachment. Em dezembro de 2013 viajou para Montes Claros, cidade que serviu agora como sede da quadrilha. Só coincidência? Talvez, mas vale a investigação.

De resto, seus posts são relacionados a maquiagem (que faz em si mesma). Muito bonita, agora tem a página recheada de comentários como ‘bonitinha mas ordinária’, ‘vai ser bonita assim lá na cadeia’, ‘olha a corrupta’. Enfim, Sofia se assemelha ao despolitizado clássico que apenas repete o que seu meio social propaga sem refletir.

Isso não a isenta de nada, claro. Sempre que possível, suas postagens mais ‘cabeças’ revelam o conservadorismo. Em uma delas enalteceu a Indonésia por possuir pena de morte enquanto o Brasil não. Em outra, pediu ‘punição rígida e prisão’ para infratores de leis de trânsito. Como se vê, seu lema é o bom e velho ‘leis para os outros’.

Em resumo: (mais) uma daquelas figuras que estiveram exigindo a expulsão de corruptos faz parte da parcela da população que tem R$ 150 mil para sacanear estudantes de escola pública que mal têm grana para o busão que os levará ao local de exame. Mais uma representante do ‘papai pagou, passou’.

Satisfeito, coxinha? Entendeu? Então tosse uma vez aí.

sofia - posts

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11 Nov 18:38

Caso Vacari/Bancoop : acusação é manchete; absolvição é notinha

by Fernando Brito

O tesoureiro do PT, João Vaccari, está preso na Lava Jato. É, portanto, um dos condenados do Dr. Moro. João Vaccari foi exposto, durante anos, como beneficiário de fraudes na Cooperativa habitacional dos Bancários....

O post Caso Vacari/Bancoop : acusação é manchete; absolvição é notinha apareceu primeiro em TIJOLAÇO | “A política, sem polêmica, é a arma das elites.”.

11 Nov 18:33

Três benefícios desconhecidos de viver perto de uma árvore

by Redação
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Uma árvore reduz entre 7% e 24% o material particulado, um dos tipos mais prejudiciais de poluição

10/11/2016

As árvores produzem em muitas pessoas um efeito calmante e positivo. Mas viver perto desses gigantes verdes gera um impacto muito concreto na saúde, especialmente nos habitantes das cidades, segundo um novo estudo. Leia a matéria da BBC Brasil.

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