Cada vez mais ouço histórias de pessoas que trabalham com UX remotamente. Seja porque a pessoa trabalha para uma grande agência/empresa localizada em uma grande cidade, mas preferiu continuar tendo a qualidade de vida de uma cidade menor; seja porque trabalha em uma empresa global e acaba interagindo com escritórios que ficam em outros países e até horários; seja porque alguns dias da semana precisam trabalhar de casa, ou de um espaço de co-working, e interagem remotamente com o restante do time que está no escritório da empresa.
Os casos são muitos, e bem diferentes entre si. Quando converso com pessoas que passaram/passam por essa experiência, geralmente ouço uma lista bastante extensa – tanto de vantagens quanto desvantagens de não estar presencialmente no local onde o restante do time está. No geral, apesar de ouvir muitos pontos específicos, é possível agrupar esses desafios em grupos mais amplos: a personalidade do designer, a estrutura oferecida pela empresa e o processo de design adotado pelo time.
Vamos a eles.
A personalidade certa
Costumo dizer que para se trabalhar remotamente você precisa ser um pouco mais “cara-de-pau” do que a média. Pelo fato de você não estar no mesmo espaço geográfico dos outros membros do time, é natural que nem todas as informações cheguem até você do jeito certo e no tempo certo. E nessa hora é preciso ser um pouco mais curioso e questionador do que a média para estar constantemente perguntando para o time o status de cada coisa.
Não adianta esperar a informação chegar no seu colo. Por mais organizado que o time seja, sempre haverá algum delay ou algum ruído na informação caso você não esteja lá exatamente na hora em que as conversas acontecem e que as decisões são tomadas.

Além de precisar ser mais questionador, um outro ponto sobre a sua personalidade que você precisa considerar é o lado motivacional. Algumas pessoas se energizam a partir da presença e das conversas com outras pessoas. No cenário de trabalhar de casa ou de um ambiente mais silencioso, a pessoa pode começar a se sentir entediada e até solitária – o que pode acabar impactando tanto a motivação e a produtividade da pessoa quanto, em alguns casos, a qualidade do trabalho criativo.
Uma solução para essa solidão do home-office é passar alguns dias da semana em espaços de co-working: apesar de não estar no mesmo local que as outras pessoas do seu time, pelo menos você está rodeado de outros “cavaleiros solitários” de outras empresas e times – e consegue trocar ideias e fazer novos contatos durante o dia.
Para pensar: será que sua personalidade é compatível com os desafios citados acima?
A estrutura certa
Um outro ponto importante é a estrutura que a empresa oferece para trabalhadores remotos. Quando você está trabalhando presencialmente no escritório da empresa, é muito mais fácil para alguém do time parar em sua mesa, trocar uma ideia, ir com você até uma lousa e fazer um brainstorm rápido, ou ainda marcar uma reunião informal de última hora com duas ou três pessoas para decidir algo. Mas e quando você não está lá e não participa dessas conversas, como fica?
Empresas que estão mais acostumadas a trabalhar com freelancers e profissionais remotos costumam ter uma caixa de ferramentas mais robusta de comunicação: ferramentas de áudio e vídeo conferência, ferramentas de compartilhamento de tela, boas opções de comunicadores instantâneos, serviços de armazenamento e transferência de arquivos na nuvem, e até boas ferramentas de gerenciamento de projetos.
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Antes de começar um contrato de trabalho remoto com uma nova empresa, procure se informar sobre as ferramentas que eles possuem em cada uma dessas categorias. Quando o trabalho começar, tenha certeza de que você tem acesso a todas elas, e que todos os membros do time tenham te adicionado nas ferramentas de comunicação via texto, áudio e vídeo.
Outro ponto a se considerar é combinar uma certa cadência de comunicação entre você o time. Quando estamos trabalhando com pessoas de vários países diferentes aqui na agência, costumamos marcar um checkpoint de 15 minutos no começo do dia, um outro de 30 minutos no meio da tarde, e também combinamos pequenos “encontros online” de 10 minutos durante o dia, com menos pessoas envolvidas e com objetivos mais específicos em mente. A regra para times remotos é comunicar em excesso, sempre, e todos os dias.
Para pensar: quanto tempo você gasta por dia com atividades que servem simplesmente para contornar o fato de que você não está no mesmo local do restante do time?
O processo certo
Metodolodia em cascata ou Agile? Entregáveis formais ou decisões tomadas em “rabiscoframes” feitos na lousa? O UX apresenta os wireframes para o time, ou simplesmente manda por email?
Um ponto importante para levar em conta quando estiver entrando em um projeto remoto é o processo que será usado pelo time. Entender como aquelas pessoas estão acostumadas a trabalhar é importantíssimo para garantir que você não seja o “patinho feio” do time, tentando usar um processo que não é aquele com o qual eles estão habituados. Uma boa conversa com o Gerente de Projetos pode ajudar a definir a cadência do trabalho, as atividades que são esperadas de você, e também o nível de formalidade e fidelidade que é esperado de cada um dos seus entregáveis.
Alinhar esses pontos todos antes de começar o trabalho é um mal necessário para manter a sanidade do UX designer remoto, a produtividade do time e o nível de entrosamento entre as várias personalidades envolvidas.
Bônus
Um fluxograma criado pelos caras do UX Matters sobre a decisão de trabalhar remotamente:
