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19 Oct 20:29

Solve for the equilibrium

by Tyler Cowen
Albener Pessoa

What could possibly go wrong ...

An environmental entrepreneur whose plan to dump iron in a patch of the Pacific Ocean was shelved four years ago after a scientific outcry has gone ahead with a similar experiment without any academic or government oversight, startling and unnerving marine researchers.

…The entrepreneur, Russ George, said his team scattered 100 tons of iron dust in mid-July in the Pacific several hundred miles west of the islands of Haida Gwaii, in northern British Columbia, in a $2.5 million project financed by a native Canadian group.

The story is here.

19 Oct 19:30

Bibliotecas

by Gian Danton/Ivan Carlo
Recentemente consegui pela Internet uma verdadeira tonelada de livros virtuais, alguns dos quais totalmente raros, outros que nunca foram lançados no Brasil e que boas almas resolveram traduzir e disponibilizar na rede. Entre eles, um livro Intitulado A Biblioteca, de Umberto Eco.
O livro começa com uma afirmação interessante: “Um dos mal-entendidos que dominam a noção de biblioteca é o fato de se pensar que se vai à biblioteca pedir um livro cujo título se conhece. Na verdade acontece muitas vezes ir-se à biblioteca porque se quer um livro cujo título se conhece, mas a principal função da biblioteca, pelo menos a função da biblioteca da minha casa ou da de qualquer amigo que possamos ir visitar, é de descobrir livros de cuja existência não se suspeitava e que, todavia, se revelam extremamente importantes para nós. A função ideal de uma biblioteca é de ser um pouco como a loja de um alfarrabista, algo onde se podem fazer verdadeiros achados, e esta função só pode ser permitida por meio do livre acesso aos corredores das estantes”.
Infelizmente, o modelo de biblioteca que prolifera é exatamente o oposto: nele, os livros devem ficar escondidos, enclausurados, muitas vezes inacessíveis, especialmente nas situações em que os bibliotecários consideram que o leitor é um inimigo dos livros. Nesses casos, antes que seja entregue a obra, o requisitante é bombardeado por mil perguntas, como se fosse um suspeito sendo interrogado pela polícia.
Ainda assim, deve-se entregar um livro de cada vez, pois é imaginável que o leitor que faz várias leituras cruzadas ao mesmo tempo, como se o curso dos pensamentos ou a criação de idéias fosse uma via de mão única.
Além disso, os horários das bibliotecas públicas devem ser pensados para impedir que a pessoa que trabalhe a freqüente.
É comum ouvir professores reclamando que seus alunos não freqüentam a biblioteca. Um dizia que perguntou quantos haviam visitado a biblioteca durante o semestre, e o resultado foi pífio.
No entanto, que incentivo os alunos têm de freqüentar a biblioteca? Na maioria das vezes, parece predominar o paradigma de que um aluno só deve ir à biblioteca se o professor mandar e já com um livro específico na cabeça, livro esse sugerido pelo professor.
O prazer de freqüentar os livros pela simples fruição, pela beleza de percorrer corredores e encontrar um mundo que não se imaginava, em dialogar com autores que nem se pensava existir, mas que são mágicos, nada disso é estimulado nos alunos. Desde a tenra idade, os estudantes vêem a biblioteca como um local intocável e venerável no qual eles só podem entrar se tiverem uma ordem expressa de um assunto a pesquisar.
A biblioteca deveria ser o local mais visitado da escola na hora do intervalo, ou mesmo depois das aulas, mas não é isso que acontece.
Rememorando minha trajetória intelectual, lembro o quanto as bibliotecas foram importantes para mim. Mas lembro também que como elas eram inatingíveis na escola, com funcionários sempre dispostos a perguntar quem era o professor que pedira a pesquisa e para qual disciplina era... e livros distante, separados de nós por um balcão, de modo que tínhamos que espichar o pescoço para tentar escolher um livro qualquer. Quando descobríamos um bom livro, ao alcance dos olhos, nós o devorávamos até as migalhas.
Posteriormente encontrei na Biblioteca Pública funcionários cientes de suas responsabilidades, que me incentivavam a não só escolher o que queria ler, como faziam sugestões e até me pediam resenhas, que eram disponibilizadas para outros leitores, de modo que já naquela época eu não só aprendia a ler e gostar de ler, como ainda aprendia a analisar criticamente o que estava lendo. Infelizmente iniciativas como essas são raras e há grande desconfiança por parte dos funcionários das bibliotecas com relação aos leitores, vistos ou como vagabundos ou como ladrões. Acrescenta-se a isso a visão de que a leitura é leitura apenas de letras, de palavras (na época em que eu freqüentava a biblioteca, um diretor mandou fechar o acervo de músicas, pois dizia que eram apenas perda de tempo) e temos a receita certa para a ojeriza aos livros e às bibliotecas e uma piora cada vez maior da educação como um todo.


19 Oct 18:29

Nonsense paper accepted by mathematics journal

by Tyler Cowen

Last month That’s Mathematics! reported another landmark event in the history of academic publishing. A paper by Marcie Rathke of the University of Southern North Dakota at Hoople had been provisionally accepted for publication in Advances in Pure Mathematics. ‘Independent, Negative, Canonically Turing Arrows of Equations and Problems in Applied Formal PDE’…

Each of these sentences [of the paper] contains mathematical nouns linked by the verbs mathematicians use, but the sentences scarcely connect with each other. The paper was created using Mathgen, an online random maths paper generator. Mathgen has a set of rules that define how papers are arranged in sections and what kinds of sentence make up a section and how those sentences are made up from different categories of technical and non-technical words. It creates beautifully formatted papers with the conventional structure, complete with equations and citations but, alas, totally devoid of meaning. Nate Eldredge – the blogger behind That’s Mathematics! – wrote Mathgen by adapting SCIgen, which does something similar for computer science. Papers generated by SCIgen have been accepted for publication at academic conferences and journals that claim to carry out peer review.

The article is here and it also excerpts from the referee reports, for instance:

We can’t catch the main thought from this abstract. So I suggest that the author can reorganise the descriptions and give the keywords of this paper.

For the pointer I thank Mark Thorson.

19 Oct 16:13

Trolling God

Submitted by: selin_ss
Posted at: 2012-10-18 22:11:00
See full post and comment: http://9gag.com/gag/5635966


19 Oct 15:57

Plan of Attack

by Doug

Plan of Attack

Dedicated to Jenny F., who is celebrating a birthday today – happy birthday Jenny! Also dedicated to Jenny and John’s cat Snowball.

Here are more cat adventures and a few rat adventures too.

19 Oct 15:56

Comic for October 19, 2012


19 Oct 14:35

943 – Tira do leitor – Pescaria

by Carlos Ruas
Pessoal, lancei o concurso “tirinha do leitor” para vocês darem ideias referentes  a imagem que eu tinha exibido. Bem, essa semana todas as tiras serão de leitores, desenhei elas e o resultado vocês irão conferindo com o decorrer dos dias. A melhor, eleita por mim, ganhará o livro do USQ autografado. Começando com a primeira:

 

 

 

19 Oct 14:35

944 – Tira do leitor – Pescaria 2

by Carlos Ruas

 

 

19 Oct 14:35

945 – Tira do leitor – Pescaria 4

by Carlos Ruas

 

Essa teve bastante gente…

18 Oct 22:10

Introducing the NXTChuck

by Dexter Industries

Introducing the NXTChuck, our latest sensor for the LEGO MINDSTORMS system.  This sensor is an adapter for Nintendo’s Wii Nunchuck.  The adapter allows you to control your robot with the Nunchuck.  It also allows you to read the motion sensor data from the controller. The Wii Nunchuck is a really nifty controller.  Relatively inexpensive, it comes packed with a lot of controls: a joystick, two trigger buttons, and a 3-D motion sensor (three axis accelerometer).  All of these features are accessible with the NXTChuck.

This sensor is a new experiment, in another sense, for Dexter Industries.  The sensor design and programming are a collaboration with Matt Richardson, who runs his own blog.

Matt, a really smart young engineer, came up with the design and worked with us to bring it to you.  He has been playing with Mindstorms since ’06, and has been building custom sensors and interfaces all along.

We are selling the NXTChuck from our online store now, as well as Nintendo’s Nunchuck controller.  We can’t wait to see what you make with it!

18 Oct 18:31

Friends, I am Disappoint

18 Oct 17:03

Repeating History

by DOGHOUSE DIARIES

Repeating History

Context has become the redheaded stepchild of journalism. -Ray

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18 Oct 17:00

Saturday October 13, 2012

by admin
Albener Pessoa

Catbert would be proud

18 Oct 16:58

Thursday October 18, 2012

by admin
Albener Pessoa

It is an old problem ...

18 Oct 12:28

Polêmica na internet – foto romântica icônica pode fazer apologia a abuso sexual?

by Lu Galastri

Vocês conhecem essa imagem. A foto The Kissing Sailor, tirada na Times Square em 1945, após o término da 2a. Guerra Mundial, é, até hoje, considerada um símbolo do romantismo e da cultura estadunidense. Nela, um marinheiro beija uma enfermeira ‘de surpresa’, não aguentando sua euforia.

Mas, recentemente, o blog feminista Crates and Ribbons fez um post chamado The Kissing Sailor, or “The Selective Blindness of Rape Culture” (em tradução livre, ‘O beijo do marinheiro e a cegueira seletiva sobre a cultura do estupro). Nele, a autora fala sobre George Mendonsa e Greta Zimmer, o par da foto, cuja identidade permaneceu desconhecida durante muitos anos.

Em entrevistas, a dupla contou que não era verdadeiramente um casal e sim dois estranhos que estavam andando pela rua. George estaria bêbado e Greta andava calmamente, sem ideia do que poderia acontecer, até sentir que estava sendo beijada. As exatas palavras de Greta para descrever a cena foram “Não foi minha escolha ser beijada, o cara só se aproximou e me agarrou. Ele era muito forte. Ele me beijava, eu não o beijei”. A impressão de Zimmer sobre o momento, no entanto, não foi nada agressiva.

As declarações, juntamente com outras imagens mostrando Greta tentando se livrar de George, bombaram na internet – teria sido uma das imagens mais românticas de todos os tempos um ato de abuso sexual?

Antes que você negue afirmando que ali não houve violência e que se trata ‘apenas de um beijo’, saiba que a definição de abuso sexual não compreende só o ato sexual com penetração. Toques e beijos não desejados por uma das partes também são configurados como violência sexual. Logo, as declarações de Greta que afirma que tentou escapar de George, que não queria ser beijada e que não concordou com o ato seriam prova suficiente disso.

Não estou dizendo que George é um criminoso – muito menos a blogueira que começou a levantar essa polêmica. Eram outros tempos, outra cultura. Seria um exercício inútil entrar nesses detalhes. Mas, hoje, se a mesma coisa tivesse acontecido no centro de Nova York as coisas seriam diferentes?

O fato é que, mesmo com as declarações de Greta tendo saído em vários veículos de imprensa (Huffington Post e DailyMail, por exemplo) , o beijo ainda é considerado um dos gestos mais românticos de todos os tempos. Mesmo hoje, depois da revolução sexual da mulher. A imagem é tratada como se a moça da foto nunca tivesse contado sua versão do momento – pior, o fato dela ter sido pega de surpresa pode soar ‘bonitinho’. E isso seria a ‘cultura do estupro’ citada pela blogueira feminista.

Não significa que homens e mulheres se sintam livres para sair por aí cometendo crimes sexuais. Mas que vemos uma imagem em que uma mulher está sendo beijada contra sua vontade e julgamos aquilo normal, inofensivo. Mesmo sabendo que aquilo não foi bom para ela.

Fiquei me perguntando que outros casos como esse passariam despercebidos por nós. Você tem algum exemplo? Qual é sua opinião sobre ‘o caso da foto’? Deixe suas ideias nos comentários. E, caso queira fazer algum relato anônimo, basta me enviar um e-mail – o endereço está no canto direito da tela. Qualquer informação sobre sua identidade será preservada.

Leia também:
>>>Bar dedicado à masturbação feminina abre em Tóquio
>>> Vemos homens ‘por inteiro’, mas dividimos mulheres em partes

18 Oct 12:12

Comic for October 18, 2012


17 Oct 23:14

944 – Tira do leitor – Pescaria 3

by Carlos Ruas

17 Oct 21:28

Clear-Cut Case

by Doug

Clear-Cut Case

Dedicated to happy tree fan Samuel H., who turned twenty yesterday – happy belated birthday Samuel!

And here are more happy trees!

17 Oct 21:27

Donuts of Tomorrow 2

by Doug

Donuts of Tomorrow 2

A sequel to this one.

17 Oct 18:56

Militant Atheism, what does it consist of?

by Anonymous
16 Oct 10:20

Photo



16 Oct 10:18

yndigesto

by Bruno Maron

Tirinha publicada no Folhateen de hoje

15 Oct 19:00

Dia das crianças - desenhos antigos

by Gian Danton/Ivan Carlo
Albener Pessoa

Destes desenhos ai Thundarr, o barbaro era o meu predileto

Houve um tempo em que as manhãs das TVs brasileiras eram dominadas por desenhos animados. A variedade era realmente grande e se destacavam os da Hanna-Barbera. Entre eles eu sempre gostei mais daqueles que eram protagonizados por heróis. Um detalhe curioso é que a maioria deles tinha visual criado pelo lendário Alex Toth, um dos melhores quadrinistas de todos os tempos. Para comemorar o dia das crianças, coloco abaixo alguns desses desenhos.


Space Gost


Herculoides


Mightor


Thundar, o bárbaro


Galaxi trio, o meu predileto e influência direta dos Exploradores do Desconhecido.


Homem-pássaro.


O Jovem Sansão



15 Oct 14:23

Ted - o ursinho ID

by Gian Danton/Ivan Carlo
Assistimos Ted, o polêmico filme de Seth MacFarlane (do desenho Uma família da Pesada) que se tornou famoso depois que o deputado Protogenes assistir com seu filho de 12 anos e depois pedir a proibição do mesmo. Antes de mais nada: apesar do título e da premissa aparentemente infantil, Ted não é um filme para crianças. Mas também não há nada excessivamente pesado, tudo é muito mais sugerido do que realmente mostrado.
O filme conta a história de um garotinho solitário que, na noite de Natal, pede ao Papai Noel que seu ursinho de pelúcia ganhe vida. Já adulto,  John (Mark Wahlberg) precisa decidir entre manter a amizade de infância com um Ted que usa maconha, bebe  e vive com prostitutas, ou o namoro com Lori Collins (Mila Kunis).
É um filme sobre amizade, responsabilidade e desejos. Na analogia com a teoria freudiana, Ted é o ID, o instinto, a realização dos desejos do protagonista. Quando seu dono é criança isso se revela, por exemplo, em passar o tempo jogando video-game ou assistindo Flash Gordon. Quando este se torna um adulto, a realização passa a ser curtir a vida em baladas, com mulheres, bebidas, etc. Se Ted é o ID, a namorada Lori é o Superego. É ela que chama John às responsabilidades da vida, à preocupação com a carreira e com os deveres sociais. John deverá aprender a equilibar-se entre o Id e o Superego e é sobre essa premissa que o filme se sustenta.
A força de Ted está toda no roteiro. A direção é apenas competente, mas funcional. O humor consegue arrancar gargalhadas, especialmente dos expectadores mais antenados às referências à cultura pop, como a aparição de Flash Gordon no filme.
Vale lembrar que a película ganhou notoriedade e tem feito muito sucesso justamente por conta da polêmica causada pela possível proibição. O assunto chegou a ficar nos TTs do Twitter, com piadas do tipo: "Protogenes levou o filho na zona e reclamou que havia mulheres nuas lá" ou "Protogenes deu 50 tons de cinza para o filho colorir".
Se aumentou a audiência, a polêmica  serviu. Ted é um filme divertido, uma bela fábula, apesar de tudo.
Ted está passando no cinema Macapá às 16:40-19:00 e 21:20 horas.






15 Oct 13:04

Como obter acesso a artigos científicos sem pertencer a uma instituição acadêmica

by Moreno Barros

Pra quem não sabe, eu trabalho em umas das bibliotecas da UFRJ e a minha principal função é garantir o acesso à produção científica nacional e internacional aos alunos dos programas de graduação e pós-graduação do Centro de Tecnologia da universidade, seja por meio de treinamentos de bases de dados, serviço de referência, levantamento bibliográfico ou simplesmente encontrando para eles artigos difíceis de achar, mas que são importantes para as suas pesquisas.

Na minha tese de doutorado eu falo um pouco sobre a questão do custo do conhecimento, explicando sob a ótica de bibliotecário como é problemático os trabalho produzidos por pesquisadores, cientistas e seus pares, financiados em grande parte pelos contribuintes (por meio de recursos públicos, editais de fomento, bolsas de pesquisa e orçamentos das universidades e instituições de pesquisa), permanecerem acessíveis somente mediante pagamento avulso ou contratos de assinaturas junto às editoras responsáveis pela publicação desses trabalhos. Um duplo pagamento por parte dos contribuintes: na comissão da pesquisa e no acesso aos resultados. [Em um segundo momento, eu falo do porre que é esse frenesi em torno da contabilização da ciência (do ponto de vista macroeconômico os contribuintes não financiam nada) e como isso pode contaminar a ciência em sua essência. Maiores detalhes, quando a tese ficar pronta.]

Pra quem não sabe (2) aproximadamente 1,5 milhão de artigos originais são publicados todos os anos, veiculados em periódicos pertencentes a um pequeno número de grandes editoras comerciais científicas e acadêmicas com fins lucrativos, entre elas Elsevier, Springer, Wiley e Taylor and Francis.

Pra quem não sabe (3) o Brasil gasta em torno de R$120 milhões anuais para garantir que centenas instituições do país acessem mais de 30 mil revistas científicas por meio do Portal de Periódicos da Capes, modelo de consórcio de bibliotecas único no mundo, inteiramente financiado pelo governo nacional. (Palmas pro Brasil, mas ressaltando que o Portal de Periódicos da Capes foi criado justamente sob a perspectiva de que seria demasiadamente caro atualizar os acervos com a compra de periódicos impressos para cada uma das universidades do sistema superior de ensino federal.)

Sempre que alguém não vinculado a instituições associadas ao consórcio do Portal de Periódicos da Capes tenta acessar um artigo de periódico online, o acesso ao resumo do texto é geralmente livre. Sem esse vínculo, a leitura de um único artigo na íntegra publicado por um dos periódicos da Elsevier custa 31,50 dólares (aproximadamente 65 reais). A Springer cobra 34,95 dólares (aproximadamente 72 reais) e Wiley-Blackwell, 42 dólares (aproximadamente 87 reais).

Então as grandes questões são: como obter acesso aos artigos científicos na íntegra, sem ter que pagar questionáveis 60,70,80 reais por algumas páginas, sem pertencer a uma instituição acadêmica (desvinculada do Portal Capes)? Como ter acesso aos artigos originais na íntegra de maneira legal, sem infringir os direitos das editoras e autores?

Partindo da minha experiência diária lidando com esse tipo de demanda, quero deixar 10 dicas à vocês, pesquisadores desse meu Brasil varonil:

1) procure uma bibliotecária, preferencialmente de uma biblioteca universitária ou instituição de pesquisa e converse com ela sobre a possibilidade de obter acesso aos artigos na íntegra, mesmo não tendo vínculo com a instituição consultada. Alguns artigos são realmente muito fáceis de conseguir, desde que a biblioteca tenha o acesso via Portal Capes. Você pode levar um pen drive para copiar os arquivos dos artigos ou solicitar que eles sejam enviados ao seu email.

2) Quase todos os pesquisadores estão autorizados a colocar em seus sites pessoais ou institucionais uma versão em PDF dos textos que foram aceitos para publicação em periódicos. O caminho mais curto para encontrar a produção de um determinado autor é via Google Acadêmico. Então vá ao scholar.google.com e procure o título do artigo, o nome do autor ou o tópico de pesquisa.

Por exemplo, aqui está a página para um artigo publicado por um grupo de biólogos da UFRJ, no periódico Evolution, v.53, n.5, 1999. “Does Cosmopolitanism Result from Overconservative Systematics? A Case Study Using the Marine Sponge Chondrilla nucula“:

O primeiro resultado é o artigo procurado. Notem que na sinopse há a indicação de que ele está vinculado à base de dados JSTOR (notem também que já de cara há um link para o pdf, mas vamos fingir, para este exemplo, que ele não estivesse ali). Abaixo da sinopse está:
Citado por X Artigos relacionados Todas as Y versões

Clicando no link do título propriamente, você é levado à página do editor>periódico e verá um link para download do artigo na íntegra por módicos 14 dólares.

Mas se clicar no link “Todas as Y versões“, você verá todas as versões indexadas pelo Google. No nosso exemplo, a segunda versão é um PDF do artigo na íntegra que está hospedado no site do departamento da UFRJ o qual estão vinculados os autores do artigo.

3) em alguns casos, usar o parâmetro “filetype:pdf” no Google Acadêmico também ajuda. Vejam esse exemplo para um busca sobre pré-sal e águas profundas. Basta substituir o assunto ou incluir o nome do autor, mantendo o parâmetro de tipo de arquivo.

4) Se você precisa de muitos artigos sobre determinado tópico, é melhor seguir os passos anteriores. Mas se você só precisa de um ou poucos artigos e for capaz de encontrar um meio de contato com o autor, você pode pedir diretamente à ele. Geralmente os autores são solícitos e gostam de ter seus trabalhos reconhecidos. Basta você se identificar como pesquisador, do Brasil (ajuda sempre) e solicitar uma versão digital.

Para encontrar os emails dos autores (melhor forma de contato) busque pelo nome deles, associados às suas instituições de origem (universidades, departamentos, centros de pesquisa). Geralmente os resumos dos artigos contêm essas informações, mesmo em bases de acesso restrito.

5) Em muitas áreas é comum o uso de servidores pré-publicação (pre-print), que oferece acesso na íntegra aos artigos que já foram aceitos pelos periódicos, mas que ainda aguardam os trâmites de publicação. Um dos mais conhecidos é o Arxiv.org (pronunciasse ar-cai-ve mesmo) que têm grande concentração na área de física, mas engloba outras áreas do conhecimento também.

Recentemente no Facebook, Tiago Murakami solicitou esse artigo, bloqueado pela sua editora, acessível somente mediante pagamento. Mas o mesmo artigo está disponível na íntegra no Arxiv, provavelmente meses antes de ter saído na versão impressa/digital do periódico.

Outros servidores de preprints que valem menção são viXra, nature precedings, sciencepaper china e philica.

Não confundir os servidores pre-print com os servidores open acces (como o PLOS ONE, por exemplo). Os preprints são em geral de artigos aceitos para publicação em periódicos mediante avaliação por pares. Funcionam como um espelho grátis dos periódicos de acesso restrito e pago.

6) algumas bases de dados e de periódicos oferecem a opção de “trial”, JSTOR sendo um bom exemplo. Se você se registrar pode ler até 3 artigos na íntegra online, na tela do computador (sem opção de download grátis). Você pode armazenar até 3 artigos e mantê-los em um arquivo pessoal por 14 dias. Após esse período, você pode pesquisar por três novos artigos.

7) as bibliotecas ainda possuem coleções impressas dos periódicos. Isso significa que se você descobrir precisamente a edição do periódico onde foi publicado o artigo e descobrir qual biblioteca possui o exemplar impresso, você pode solicitar uma cópia simples (xerox). Isso vale especialmente para revistas antigas, algumas delas com suas edições retrospectivas não digitalizadas, não encontráveis na internet. As bibliotecas possuem sistemas de intercâmbio entre si, facilitando a troca de materiais mesmo entre diferentes e distantes cidades.

No Brasil, você pode consultar o Catálogo Coletivo Nacional, que não tem uma interface legal, mas que é um instrumento ultra útil pra saber quais bibliotecas, separadas por estados, possuem a revista que você procura.

Basta incluir o título da revista no campo de busca, clicar no “executar busca”, aparecendo os registros clicar em “visualizar consulta”, selecionar o título, clicar em “visualizar registros” e percorrer a lista das bibliotecas que possuem tal revista em suas coleções. Repare que a lista contêm exatamente a indicação de quais edições a biblioteca possui (a biblioteca pode ter a coleção integral ou parcialmente).

Feito isso, você pode ir até a biblioteca fisicamente ou entrar em contato por telefone ou email. Se você estiver em outra cidade e a burocracia não permitir a cópia ou scaneamento do artigo e envio por email, você pode solicitar à bibliotecária o envio por Correios, pela modalidade “COMUT”. Ela vai te explicar melhor os procedimentos.

8] nós bibliotecários possuímos fóruns privados de trocas de artigos. Eu participo e gerencio alguns fóruns de intercâmbio de artigos, que não são divulgados publicamente para evitar problemas com as editoras. É certo que não baixamos volumes gigantescos de artigos para imprimí-los e vendê-los em uma banquinha na esquina, mas os contratos editoriais são tão rígidos que não podemos nos expor muito, mesmo querendo somente o melhor e o mais rápido meio de fazer o artigo chegar até nossos usuários.

Eu sou feliz por ter um acesso VPN a uma das grandes universidades americanas, o que me permite uma gama maior de revistas do que o Portal Capes oferece. E conto com a ajuda sensível e inestimável dos colegas bibliotecários de outras instituições, no Brasil e no exterior.

Por isso, considere sempre falar com um bibliotecário quando empacar em suas pesquisas acadêmicas. A gente salva vidas. É o que eu faço, todos os dias :)

9) Se por acaso você estudou em alguma universidade americana ou européia, verifique a possibilidade de conseguir acesso aos recursos das bibliotecas e bases de dados por meio das associações de alumni. Converse com a bibliotecária de lá.

10) se você estuda ou tem vínculo com alguma universidade ou instituição de ensino, público ou privada, procure saber com a bibliotecária como você pode obter o acesso remoto ao Portal Capes, que te garante acesso aos artigos na íntegra em seu computador pessoal, sem precisar se deslocar até a biblioteca.

Quem tiver qualquer dúvida, pode falar comigo. Quem tiver qualquer solicitação de artigo, procure a bibliotecária mais próxima!

Posts relacionados:

  1. Lei de Acesso à Informação
15 Oct 02:01

Apple Licenses Iconic Swiss Clock Design Used in iOS 6

by Christina Bonnington

Swiss Federal Railways licensed the use of their clock design for iOS 6.

Swiss Federal Railways announced on Friday that it has reached a licensing agreement with Apple over the use of its iconic clock design in the iPad version of iOS 6.

The minimalist clock in question was developed by engineer and designer Hans Hilfiker for the Swiss train service (SBB) in 1944. It’s been used throughout the train system ever since and can also be found in some Mondaine watches.

“SBB isn’t hurt, but proud that his icon of watch design is being used by a globally active and successful business,” an SBB spokesperson told Reuters when the uncanny resemblance came to light in late September.

The amount that SBB has licensed this design for is not being publicly released.

14 Oct 23:43

Where Have All The Cults Gone?

by Neuroskeptic
Why have there been no new religious movements founded in the West for the past 20 years?


That's how it seems, anyway. I've been trying to think of any notable cults, sects or religions that have sprung up in the past 20 years, and I can't think of any.

Contrast this to the period from say 1945 to 1990. New groups were springing up all over the place. Scientology; the Hare Krishnas; Transcendental Meditation; the Moonies; Jesus Freaks; the Manson Family; Heaven's Gate; Jonestown; the Kaballah Centre; the Nation of Islam; the New Age; Neopaganism, Wicca...

These are all household names. But they all date to, at latest, about 1990. Why haven't there been any more since? The Waco siege was in 1993, but the Branch Davidian group was much older. Was Waco the end of an era? It does seem that way...

If so, what happened? I find this really interesting.

First off though, am I right? Maybe there's a boring explanation. Is it just that religious groups take time to become well known, so today's cults are out there, just below the radar? Seems unlikely. Many of the groups I mentioned above were famous within a decade of being founded. Even if this were true, you'd expect us to have a steady stream of newly famous groups, but where are they?

Of course, I may just be ignorant. If you think I'm overlooking some newer groups do let me know.

To be clear, I'm thinking of Western Europe and the USA here; I don't know about the rest of the world.

But if I'm right, what does it mean? What happened in the early 1990s? Here's a few ideas I had; I'm not sure I believe any of them, but they seem plausible -
  • The rise of the Internet created new substitutes for religion - such as? Otherkin? World of Warcraft? Blogger.com?
  • Secularization means less religion in general, and that includes less new religion
  • What we have now is normal, it was the previous few decades that were abnormally rich in new religions and that's what needs to be explained. The 1960s gave us rock and roll, drugs, hippies, feminism, Civil Rights, etc. Have things generally been quieting down since then?
  • The Internet / the 24 hour news cycle / Rupert Murdoch etc. has led to increasing homogenization of opinion - towards one pole in Europe, two poles red/blue states in USA... so there's less room for outliers.
  • Cults have always been a social club for lonely people. But now we have OKCupid.
  • The rise of psychiatry, psychiatric medication, and the increasing readiness to diagnose of mental illness means potential cult leaders and followers end up on Prozac, not
  • Religious groups have declined, because all social groups, clubs, parties have declined - the Bowling Alone theory
  • It's the decline of Western culture - we have lost the capacity to dream, to invent, to believe.
  • It's the golden age of western culture - we have so much entertainment, culture, freedoms etc. compared to the past, so less motivation to drop out and create your own culture.
I really don't know what to think, so please do leave a comment. However, please avoid comedy along the lines of "We have cults now - like global warming!!!"...
14 Oct 23:40

A New Theory of Psychosis?

by Neuroskeptic
A team of British neuroscientists led by the (in)famous David Nutt says that magic mushrooms offer a new theory of psychosis: Functional Connectivity Measures After Psilocybin Inform a Novel Hypothesis of Early Psychosis


It's a reanalysis of a study from earlier this year, which got quite a lot of attention, in which 15 volunteers were injected with psilocybin - the major active hallucinogenic ingredient in 'magic mushrooms' - during an fMRI scan.

In a nutshell, the rather interesting proposal in the new paper is that psilocybin may cause mind-altering effects by blurring the difference between the brain networks responsible for 'internal' and 'external' thought.

Activity in the internal "default mode network" (DMN) is generally anti-correlated with the "task-positive network" (TPN) - when one is higher, the other's lower. The DMN is active when you're not doing much - hence 'default' while the TPN comes online when you're engaged in a particular mental activity.

Nutt's team say, however, that their functional connectivity fMRI data show that after psilocybin, activity in these two networks becomes positively correlated - an unusual pattern. They write:
Increased DMN-TPN coupling has been found in people at high risk of psychosis and an inability to distinguish between one’s internal world and the external environment, sometimes referred to as “disturbed ego boundaries,” is a hallmark of early psychoses and the psychedelic state.
One of our volunteers reported the following after psilocybin: “It was quite difficult at times to know where I ended and where I melted into everything around me.”
To be honest I'd need to see a replication before I put too much faith in this, because this kind of post-hoc reanalysis of fMRI data is very flexible and therefore prone to false positives, but it's an interesting idea, and at least it provides a clear theory for further research.

ResearchBlogging.orgCarhart-Harris RL, Leech R, Erritzoe D, Williams TM, Stone JM, Evans J, Sharp DJ, Feilding A, Wise RG, and Nutt DJ (2012). Functional Connectivity Measures After Psilocybin Inform a Novel Hypothesis of Early Psychosis. Schizophrenia bulletin PMID: 23044373
14 Oct 23:38

More on False Positive Neuroimaging

by Neuroskeptic
Back in June, I warned that the ever-increasing number of clever methods for analyzing brain imaging data could be a double-edged sword:
Recently, psychologists Joseph Simmons, Leif Nelson and Uri Simonsohn made waves when they published a provocative article called False-Positive Psychology - Undisclosed Flexibility in Data Collection and Analysis Allows Presenting Anything as Significant.
It explained how there are so many possible ways to gather and analyze the results of a  simple psychology experiment that, even if there's nothing interesting really happening, it'll be possible to find some "significant" positive results purely by chance...
The problem's not just seen in psychology however, and I'm concerned that it's especially dangerous in modern neuroimaging research.
In a comment on that post, The Neurocritic pointed out that Michigan PhD student Joshua Carp had put forward the same argument in a conference presentation, several months previously.

Now Carp's published a paper on the topic: On the plurality of (methodological) worlds: estimating the analytic flexibility of fMRI experiments. It's free to access, so check it out.

Whereas I just talked the talk by listing lots of possible ways in which you could analyze a given set of data, Carp walked the walk, and actually did loads of analyses. He took a single dataset, the results of a simple experiment and looked at it in almost 7000 different ways. Each set of results was then thresholded to correct for multiple comparisons in 5 ways, for a grand total of 35,000 outputs.

The variants he considered ranged from how much smoothing to apply, to how to correct for head motion, and many more.

What happened? In a nutshell, the different options made a difference - and the variability was the largest in parts of the brain that were most activated (the "blobs" that lit up). In other words, analytic flexibility makes the most difference in the most interesting places. See the picture at the top.

The location of the maximum peak activation also varied. This is not unexpected, and not, in itself, that worrying - the great majority of the peaks clustered in a few small areas. However, it underlines that different options really can make a difference.

Carp concludes:
Nearly every voxel in the brain showed significant activation under at least one analysis pipeline. In other words, a sufficiently persistent researcher determined to find significant activation in virtually any brain region is quite likely to succeed...

If investigators apply several analysis pipelines to an experiment, and only report the analyses that support their hypotheses, then the prevalence of false positive results in the literature may far exceed the nominal rate. However, analytic flexibility only translates into elevated false positive rates when combined with selective analysis reporting. If researchers reported the results of all analysis pipelines used in their studies, then it would not be problematic.

To the author’s knowledge, there is no evidence that fMRI researchers actually engage in selective analysis reporting. But researchers in other fields do appear to pursue this strategy.
In my experience, fMRI researchers are actually fairly conservative in terms of using different analyses, and certainly I doubt anyone has ever run thousands of them just to get the result they want and I'd estimate that most published findings are not the result of more than a handful of 'attempts' at most.

However it's a serious concern that it could happen, and importantly it's getting ever-easier to do this, with the continuing increase in computer power making running an analysis quicker and cheaper than ever. As to what to do about it, Carp makes several suggestions, and here's one I made earlier...

ResearchBlogging.orgJoshua Carp (2012). On the plurality of (methodological) worlds: estimating the analytic flexibility of fMRI experiments Front. Neurosci. DOI: 10.3389/fnins.2012.00149
14 Oct 20:52

The call of Cthulhu

Submitted by: arenwolf22
Posted at: 2012-10-14 13:54:47
See full post and comment: http://9gag.com/gag/5598902