Shared posts

15 Jan 10:03

Como Reconhecer uma Seita?

by Augustus Nicodemus Lopes
Existem milhares de religiões neste  mundo, e obvia­mente nem todas são certas. O próprio Jesus advertiu seus discípulos de que viriam falsos profetas usando Seu nome, e ensinando mentiras, para desviar as pessoas da verdade (Mateus 24.24). O apóstolo Paulo também falou que existem pessoas de consciência cauterizada, que falam mentiras, e que são inspirados por espíritos enganadores (1 Timóteo 4.1-2).

Nós chamamos de seitas a essas religiões. Não estamos dizendo que to­dos os que pertencem a uma seita são deson­estos ou mal intencionados. Existem muitas pessoas sinceras que caíram vítimas de falsos profetas. Para evitar que isto ocorra conosco, devemos ser capazes de distinguir os sinais característicos das seitas. Embora elas sejam muitas, possuem pelo menos cinco marcas em comum:

(1) Elas têm outra fonte de autori­dade além da Bíblia. Enquanto que os cristãos admitem apenas a Bíblia como fonte de conhecimento verdadeiro de Deus, as seitas adotam outras fontes. Algumas forjaram seus próprios livros; outras aceitam revelações diretas da parte de Deus; outras aceitam a palavra de seus líderes como tendo autoridade divina. Outras falam ainda de novas revelações dadas por anjos, ou pelo próprio Jesus. E mesmo que ainda citem a Bíblia, ela tem autoridade inferior a estas  revelações.


(2) Elas acabam por diminuir a pessoa de Cristo. Embora muitas seitas falem bem de Jesus Cristo, não o consideram como sendo ver­dadeiro Deus e verdadeiro homem, nem como sendo o único Salvador da humanidade. Reduzem-no a um homem bom, a um homem di­vinizado, a um espírito aperfeiçoa­do através de muitas encarnações, ou à mais uma manifestação diferente de  Deus, igual a outros líderes religiosos como Buda ou Maomé. Freqüentemente, as seitas colocam outras pessoas no lugar de Cristo, a quem adoram e em quem confiam.

(3) As seitas ensinam a salvação pelas obras. Essa é uma característica universal de todas as seitas. Por acreditarem que o homem é intrinsecamente bom e capaz de por si mesmo fazer o que é preciso para salvar a sua alma, pregam que ele pode acumular méritos e vir a merecer o perdão de Deus, através de suas boas obras praticadas neste mundo. Embora as seitas sejam muito diferentes em sua aparência externa, são iguais neste ponto. Algumas falam em fé, mas sempre entendem a fé como sendo um ato humano meritório. E nisto diferem radicalmente do ensi­no bíblico da salvação pela graça mediante a fé.

(4) As seitas são exclusivistas quanto à salvação. Pregam que somente os membros do seu grupo religioso poderão se salvar. Enquanto que os cristãos reconhecem que a salvação é dada a qualquer um que arrependa-se dos seus pecados e creia em Jesus Cristo como único Senhor e Salvador (não importa a denominação religiosa), as seitas ensinam que não há salvação fora de sua comunidade.

(5) As seitas se consideram o grupo fiel dos últi­mos tempos. Elas ensinam que re­ceberam algum tipo de ensino se­creto que Deus havia guardado para os seus fiéis, perto do fim do mundo. É interessante que toda vez que nos aproximamos do fim de um milênio, cresce o número de seitas afirman­do que são o grupo fiel que Deus reservou para os últimos dias da humanidade.

Podemos e devemos ajudar as pes­soas que caíram vítimas de alguma seita. Na carta de Tiago está es­crito que devemos procurar ganhar aqueles que se desviaram da ver­dade (Tiago 5.19-20). Para isto, entretanto, é preciso que nós mes­mos conheçamos profundamente nossa Bíblia bem como as doutri­nas centrais do Cristianismo. Mais que isto, devemos ter uma vida de oração, em comunhão com Cristo,  para recebermos dele poder e amor e moderação.  

 

15 Jan 08:43

Irish Politician Calls For Crackdown On Open Source Internet Browsers

by Soulskill
An anonymous reader writes "An Irish politician has called for tougher controls on the use of open source internet browsers. He said, 'An online black market is operating which protects the users’ anonymity and operates across borders through the use of open source internet browsers and payments systems which allow users to remain anonymous. This effectively operates as an online supermarket for illegal goods such as drugs, weapons and pornography, where it is extremely difficult to trace the identity of the buyers. We need a national and international response to clamp down on this illicit trade.' The politician added that the U.S. had 'taken action' to address this, but he seemed surprised that their solution was only 'temporary.'"

Share on Google+

Read more of this story at Slashdot.


    






14 Jan 22:20

L'Italie privilégie le Logiciel Libre dans le secteur public

L'Italie privilégie le Logiciel Libre dans le secteur public

Le gouvernement Italien fait du Logiciel Libre un choix prioritaire pour les administrations publiques. Dans le document publié mercredi dernier, relatif à la circulaire n.63 du 6 décembre 2013, l'agence pour l'Italie numérique a fixé des règles de base à destination de toutes les administrations publiques du pays qui doivent privilégier le Logiciel Libre avant d'envisager l'acquisition de logiciels sous licences propriétaire.

Le document, intitulé « Lignes directrices sur l'évaluation comparative [logiciel] », propose une méthode détaillée que les organisations publiques devront adopter pour décider de l'adoption et l'utilisation des logiciels. Ils sont tenus de vérifier que les programmes appropriés ne sont pas disponibles en logiciels libres, ou de choisir un logiciel développé par le secteur public. Si aucun programme approprié n'est disponible l'acquisition de logiciels non-libres peut être envisagée.

« Il n'y a pas d'excuses. Toutes les administrations publiques doivent choisir le Logiciel Libre ou opter pour la réutilisation des logiciels lorsque cela est possible » selon Carlo Piana, avocat conseil de la FSFE qui a pris part aux travaux du Comité et fourni des conseils pour les lignes directrices. « Maintenant, le logiciel libre et la réutilisation sont la norme, les logiciels propriétaires sont l'exception. À ce jour c'est l'action positive la plus avancée en Europe. Je suis vraiment très fier que l'Italie ouvre la voie pour une fois ».

« C'est un excellent exemple d'une simple mesure que les gouvernements de chaque pays peuvent adopter pour prendre le contrôle de leur infrastructure informatique », a déclaré Karsten Gerloff, Président de la FSFE. « Le Logiciel Libre permet aux gouvernements de se réapproprier leur souveraineté, la technologie contribue à rendre plus difficile l'espionnage étranger pour accéder aux données des citoyens et à des informations confidentielles. Nous encourageons les autres pays en Europe et du monde entier à approfondir et suivre l'exemple de l'Italie. »

Le document a été rédigé par l'Agence pour l'Italie numérique, qui pour la première fois a adopté une procédure de consultation des représentants du secteur public, la communauté du Logiciel Libre et les éditeurs producteurs de logiciels propriétaires.

D'une importance fondamentale, les nouvelles règles sont accompagnés d'un mécanisme qui assure les suivis. Les deux organismes publics dont les citoyens intéressés peuvent demander à l'Agence pour l'Italie numérique de vérifier si une organisation particulière suit correctement la procédure. Les tribunaux administratifs peuvent annuler les décisions qui transgressent ces règles. En cas de négligence, les fonctionnaires de manière individuelle peuvent être tenus personnellement responsables.

Support FSFE, join the Fellowship
Make a one time donation

14 Jan 11:07

O papa, o aborto e as coisas estúpidas que se escreveram e se escrevem a respeito

by giinternet

papa francisco acena

A  imprensa mundial, a brasileira também, pôs na cabeça que Jorge Bergoglio se transformou no papa Francisco com o objetivo de destruir os valores da Igreja Católica e transformá-la, quem sabe?, numa dessas ONGs consideradas “progressistas”. E, como todos sabemos, as pessoas só são progressistas hoje em dia se defenderem o casamento gay, a descriminação das drogas e, acima de todas essas causas, o aborto. Por que é tão importante para as esquerdas de hoje transformar o feto num dente que se pode arrancar quando incomoda (para lembrar uma imagem a que recorreu Dilma Rousseff ainda antes de ser candidata)? Não sei. Essa obsessão desafia a minha capacidade de entendimento dos desvãos da alma humana. Só certo feminismo — que pretende que o feto seja uma mera extensão do corpo da mulher — parece-me insuficiente para explicar a determinação com que se faz a defesa desabrida da morte. Adiante.

Nesta segunda, na mensagem tradicional de início de ano aos embaixadores de seus respectivos países junto ao Vaticano, Francisco fez uma dura condenação do aborto, que chamou de parte da “cultura do descarte”. Afirmou ainda: “Causa horror o simples pensamento de que existam crianças que jamais poderão ver a luz do dia, vítimas do aborto”.

E, acreditem, a declaração está gerando barulho. Estão entendendo a sua fala como uma concessão aos “conservadores da Igreja Católica”, o que é, para dizer pouco, uma leitura boçal. O surpreendente, aí sim, seria se Francisco tivesse condescendido com o aborto. Nessa matéria, não existe “igreja progressista” e “igreja tradicionalista”. Existem o compromisso com a morte e o compromisso com a vida.

Por que essa leitura cretina da fala do papa? Porque, infelizmente, essa mesma imprensa, em matéria religiosa, tem mais compromisso com os seus erros e com os seus preconceitos do que com os fatos.

Em setembro, o papa concedeu uma longa entrevista à revista jesuíta “Civiltà Cattolica”. Trechos de sua fala, retirados do contexto, levaram alguns intérpretes mundo afora à suposição de que o papa estava condescendendo com o aborto e admitindo a possibilidade de a Igreja vir a flertar com tal prática. Escrevi a respeito Apontei a distorção, sem deixar de apontar o que me desagradava na sua resposta. Chamei a atenção dos leitores para a distorção estúpida. Fui acusado de tentar negar o óbvio. Transcrevo, em português, a afirmação do Sumo Pontífice a respeito (em azul).
(…)
“Esta é também a grandeza da confissão: o facto de avaliar caso a caso e de poder discernir qual é a melhor coisa a fazer por uma pessoa que procura Deus e a sua graça. O confessionário não é uma sala de tortura, mas lugar de misericórdia, no qual o Senhor nos estimula a fazer o melhor que pudermos. Penso também na situação de uma mulher que carregou consigo um matrimónio fracassado, no qual chegou a abortar. Depois esta mulher voltou a casar e agora está serena, com cinco filhos. O aborto pesa-lhe muito e está sinceramente arrependida. Gostaria de avançar na vida cristã. O que faz o confessor?”

“Não podemos insistir somente sobre questões ligadas ao aborto, ao casamento homossexual e uso dos métodos contraceptivos. Isto não é possível. Eu não falei muito destas coisas e censuraram-me por isso. Mas quando se fala disto, é necessário falar num contexto. De resto, o parecer da Igreja é conhecido e eu sou filho da Igreja, mas não é necessário falar disso continuamente”.
(…)

Volto
Reproduzo aqui a crítica que fiz (em azul) e volto em seguida.
Acho, sim, que a fala do papa está transitando por terrenos perigosos, e minha crítica está mantida, mas considerar que o que vai acima significa condescender com o aborto é de uma falsidade escandalosa. A matéria de que se cuida acima é outra. O papa está a falar de arrependimento e de perdão. E, a rigor, não há novidade nenhuma nisso.

“Mas por que você mantém a crítica?” Porque ele não deve ignorar o ambiente em que faz considerações dessa natureza e porque as palavras não são duras o bastante em relação à questão em si. Espera-se do pastor por excelência da Igreja que seja mais preciso ao acolher a mulher que abortou e ao repudiar o aborto em si.

Assim, é fato que Francisco, em alguma medida, criou condições favoráveis à distorção intelectualmente dolosa do que disse. O lobby em favor da legalização do aborto é um dos mais organizados do mundo. E demonstra, uma vez mais, a sua força. Entender por que alguém se dedica a essa causa com tanto afinco, como se estivesse a propugnar por um novo iluminismo, é um dos grandes enigmas morais do nosso tempo.

Retomo
Ao deixar clara, de forma inequívoca, a condenação ao aborto, o papa não presta satisfações aos “conservadores”. Apenas põe nos justos termos o pensamento da Igreja Católica a respeito. Não se trata de uma guinada conservadora, mas da exposição daquele que é o pensamento da Igreja a respeito da inviolabilidade da vida.

Li em algum lugar que, assim, Francisco reafirmava também um ponto de vista “conservador” sobre as questões sexuais. Então o “aborto”, agora, passou a ser parte da “liberdade sexual”? Em nome do exercício dessa liberdade, fetos devem passar a ser coisas, que se descartam, assim, como um contratempo, mera consequência indesejada de uma imprudência qualquer?

Insisto: o mundo só teria o direito de se surpreender se o papa dissesse o contrário.  Alguns tolos dispensam a Francisco o mesmo tratamento que dispensavam a Barack Obama quando se elegeu presidente dos EUA. Parecia que, finalmente, chegaria o presidente, escolhido pelo povo, para destruir o país. Ainda que eu não tenha simpatia nenhuma por Obama, o fato é que não aconteceu o que esperavam os inimigos dos EUA. Sim, ainda que de um modo que eu não gosto, ele é um homem do establishment. Nota: parte da gritaria em favor do vigarista Edward Snowden é promovida por aqueles que queriam que Obama fosse o Gorbatchev do sistema americano.

Esses mesmos esperam que Francisco seja o Gorbatchev da Igreja Católica. Como sabem, já recorri aqui a essa imagem. Talvez o papa tenha se dado conta de que sua imagem, mundo afora, estava começando a assumir os traços de uma caricatura: “aquele que veio para desmontar a Igreja”… Não! Ele veio para preservá-la.

Acolher as mulheres que abortaram é parte da doutrina do perdão. Não significou, de modo nenhum, condescender com o aborto. Uma coisa é a Igreja abraçar aqueles que sofrem, ser inclusiva, abrir-se para o mundo; outra, distinta, é renegar seus próprios valores. O papa não havia feito isso na entrevista à revista católica. E, agora, faz o óbvio e reafirma seu compromisso com a doutrina que o fez o sumo sacerdote.

O que há de novo ou de especial nisso?

Texto publicado originalmente às 21h46 desta segunda
14 Jan 11:03

Um direito, para ser humano, tem de ser de alguma “minoria” influente entre esquerdopatas. Gente pobre que trabalha que se dane! Ou: O outro crime cometido no Maranhão!

by giinternet

Quem é este segurando, com esse ar de prazer, uma bala de borracha?

Paulo Maldos - bala de borracha 2 Paulo maldos - bala de borracha 3

Vocês o conhecem. Já chego lá.

Um estrangeiro ou um marciano que visitassem o Brasil e decidissem se inteirar dos números da nossa economia certamente esperariam ver uma nação grata ao agronegócio, quase reverente, reconhecendo que, afinal, o setor livra o país do buraco. Em vez disso, os agricultores brasileiros têm de enfrentar a difamação promovida por setores do governo e da imprensa, pelo MST, por ONGs que se apresentam como porta-vozes de índios e quilombolas e até por atores da Globo e alguns comediantes, que não resistem à tentação de pôr a sua ignorância engajada a serviço da desinformação. Recentemente, o ataque mais boçal à produção agrícola brasileira e ao homem do campo partiu de uma autoridade do governo. Refiro-me ao senhor Paulo Maldos, velho conhecido deste blog, que é secretário de Articulação Social da Secretaria-Geral da Presidência — braço-direito de Gilberto Carvalho. É aquele que aparece ali no alto. Já chego ao caso. Antes, é preciso lembrar alguns números para que se possa fazer um debate instruído.

Em 2013, a balança comercial brasileira teve o seu pior desempenho em 13 anos, com um saldo positivo de, atenção!, apenas US$ 2,5 bilhões. E, na verdade, ele é falso. Tem mandracaria aí, uma das muitas artimanhas da contabilidade criativa. O país registrou como entrada US$ 7,7 bilhões por conta da (falsa) exportação de sete plataformas de petróleo que, na verdade, não saíram de Banânia: foram fabricadas aqui, compradas por empresas como a Petrobras no exterior e alugadas para operar no Brasil. Entenderam? Sem o truque, a balança teria fechado no vermelho: US$ 5,2 bilhões.

E o agronegócio com isso? Pois é. Leiam post na home. No ano passado, o superávit comercial do setor foi de US$ 82,91 bilhões. Só para vocês terem uma ideia: o país exportou em 2013 US$ 242,17 bilhões — US$ 99,97 bilhões desse total — 41,28% — pertencem ao agronegócio. Em contrapartida, importou modestos US$ 17,06 bilhões — apenas 7,11% de um total de US$ 239,61 bilhões. Vejam que coisa: os brasileiros gastaram só em viagens no exterior, no ano passado, US$ 23,125 bilhões — 35,6% mais do que tudo o que importou o setor que livra o país do buraco.

Aplausos? Reconhecimento? Reverência? Que nada! O agronegócio brasileiro — na verdade, os produtores rurais de maneira geral — é tratado a tapas e pontapés. E, claro!, no grupo dos detratores que vai lá no primeiro parágrafo, é preciso incluir certo ambientalismo doidivanas. Um setor da economia opera com eficiência máxima para, na prática, financiar a farra daqueles que o difamam. Ou haveria o circo se começasse a faltar pão — inclusive sobre a mesa dos brasileiros? Porque é preciso deixar claro que o agronegócio opera a preços competitivos lá fora e abastece o mercado interno com uma das comidas mais baratas do planeta. Tudo isso é matéria de fato, não de gosto. As coisas são assim porque assim são as coisas. Não são matéria de gosto, de opinião, de achismo.

Acontece que…
Acontece que uma das configurações que assumiram as esquerdas contemporâneas prevê, deixem-me ver como chamar, a “reindianização” do Brasil. Mais números, que são, sim argumento: esse fantástico desempenho do agronegócio brasileiro é obtido com a agricultura e a pecuária ocupando pouco mais de 27% do território nacional. É nesse espaço que se produzem aqueles números que nos livram da bancarrota.

Atenção: essa área corresponde ao dobro daquela que é hoje ocupada por reservas indígenas, que abrigam uns 600 mil índios, onde não se produz uma espiga de milho. Ao contrário: os indígenas brasileiros — bem como boa parte dos sem-terra — se alimentam com cestas básicas fornecidas pelo poder público: sim, são os alimentos produzidos pelo “detestável”… agronegócio!!! Os comediantes, de fato, teriam com o que se fartar caso buscassem se informar, fugindo da piada fácil e do discurso ideológico bocó.

Maranhão
Brasil afora, multiplicam-se os confrontos entre índios e produtores rurais, decorrentes, na maioria das vezes, da reivindicação para ampliar áreas de reserva já estabelecidas ou da decisão da Funai — e seus antropólogos invisíveis —, de considerar indígenas territórios em que agricultores estão instalados há mais de século.

Neste exato momento, a tragédia de Pedrinhas não é o único crime — ou penca deles — que se comete no Maranhão. Há outro em curso. Agricultores instalados há décadas numa área declarada como pertencente aos índios Awá-Guajá terão de deixar suas terras. Atenção! São 1.200 famílias — perto de 6 mil pessoas. A própria Justiça admite que a esmagadora maioria é formada por agricultores pobres, que têm pequenas propriedades. O ódio ao agronegócio contamina, agora, até os pequenos produtores.

De volta a Maldos
Pois bem, na semana retrasada, o senhor Paulo Maldos falou à Voz do Brasil sobre o assunto e disse a seguinte barbaridade (em vermelho):
“A maioria dos ocupantes que se encontram ali vivem da extração da madeira, plantação de maconha e outros ilícitos, como já foi identificado há pouco tempo trabalho escravo na região. Então, a gente tem uma crise humanitária, digamos, em que você, por um lado, povos indígenas sem contato algum com a nossa sociedade, ou um contato muito recente, e, por outro lado, representantes, digamos, da nossa sociedade, que são o que temos de mais criminoso. Então, uma situação que o estado tem que se fazer presente, dando suporte a uma decisão judicial”.

Existem madeireiros na região? Sim! Há pessoas praticando crimes por ali? Não duvido. Mas é a regra? Não! Ao contrário. A maioria das famílias é formada de gente que ganha a vida honestamente, produzindo alimentos. A fala é absurda, truculenta, escandalosa. A senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), presidente da CNA reagiu (em azul):
“A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil vem a público repudiar as declarações levianas, irresponsáveis e ideológicas de um servidor público mal- intencionado, contra as quais buscará as medidas judiciais cabíveis.”

A presidente Dilma obrigou Maldos a se desmentir. Em nota, ele tentou remendar (em vermelho):
“Em relação à desintrusão da terra indígena Awá-Guajá gostaria de esclarecer que não foi minha intenção generalizar e afirmar que os agricultores que se encontram naquele local são plantadores de substâncias ilícitas. No local vivem muitos agricultores corretos e decentes. Se houve qualquer mal entendido a partir de minhas declarações, deixo claro que não foi essa minha intenção.”

A fala dele à Voz do Brasil é muito clara. De resto, este senhor tem uma atuação pregressa conhecida. Já lembrei aqui alguns de seus feitos.

Maldos é braço-direito de Carvalho. A ele cabe conversar com os movimentos sociais. Essa “conversa” assume um sentido muito particular: na prática, o governo os organiza e os financia. Maldos foi, por exemplo, o coordenador-geral do grupo de trabalho criado pelo governo federal para promover a desocupação de uma região chamada Marãiwatséde, em Mato Grosso.

Como ele trabalha? Nessa área, havia uma fazenda chamada Suiá-Missú, que abrigava, atenção!, um povoado chamado Posto da Mata, distrito de São Félix do Araguaia. Moravam lá 4 mil pessoas. O POVOADO FOI DESTRUÍDO. Nada ficou de pé, exceto uma igreja — o “católico” Gilberto Carvalho é um homem respeitoso… Nem mesmo deixaram, então, as benfeitorias para os xavantes, que já são índios aculturados. Uma escola que atendia 600 crianças também foi demolida. Quem se encarregou da destruição? A Força Nacional de Segurança. Carvalho e Maldos foram, depois, para o local comemorar o feito. Republico este vídeo impressionante que mostra o que restou daquela comunidade.

Maldos já disse a interlocutores que não descansa enquanto 25% do território brasileiro não forem destinados a reservas indígenas. Tem dito também que a violência dos índios é compreensível porque isso é uma espécie de direito à rebelião. De novo: o Brasil já destina hoje a menos de 600 mil índios (de um total de pouco mais de 800 mil) uma área correspondente a 26,6 Holandas, 11 Portugais ou duas Franças. Maldos quer 40 Holandas, 17 Portugais e 3,1 Franças. Agora o Pinheirinho.

Pinheirinho
Maldos não é um qualquer. Trata-se, reitero, de um profissional do conflito — e não da resolução de conflitos. Vocês devem se lembrar da desocupação do Pinheirinho, no interior de São Paulo. A Justiça determinou — e não cabia contestação à ordem — a desocupação de uma propriedade. Carvalho e Maldos acompanhavam tudo de perto. A Polícia Militar não podia mandar a Justiça às favas. Tinha de cumprir a ordem. O governo federal poderia ter resolvido tudo com uma assinatura: bastava desapropriar o terreno. Não o fez. Ficou esperando o conflito. Esperando? Não! Fez um pouco mais do que isso.

No dia da desocupação, adivinhem quem estava lá, ajudando a organizar a “resistência” dos invasores? Acertou quem chutou “Paulo Maldos”. Depois ele veio a público, com grande estardalhaço, anunciar que tinha sido atingido por uma bala de borracha. ATENÇÃO: ELE SE NEGOU A FAZER EXAME DE CORPO DE DELITO. Saiu a exibir uma bala de borracha por aí (foto no alto), dizendo ter sido atingido por um artefato daquele e posando de herói. Sim, uma tragédia poderia ter acontecido. Não aconteceu. Forças do oficialismo chegaram a denunciar ao mundo a existência de mortos e desaparecidos. Era tudo mentira.

Eis aqui um agricultor que está sendo expulso de sua terra no Maranhão. É este homem que Maldos considera “o que há de mais criminoso no Brasil”.

Encerro
As 1.200 famílias que lá produzem seu sustento acabarão deixando a terra. A exemplo do que se viu em Raposa Serra do Sol, não se plantará mais nenhum grão ou pé mandioca por lá. Se não saírem por bem, pais de família serão coagidos pelas forças policiais. Hoje, são donos do seu destino. O governo lhes oferece como saída se cadastrar no programa de reforma agrária.

Escrevi na tarde de ontem um texto sobre a expansão do Bolsa Família. Brasileiro bom é brasileiro dependente da caridade oficial, não é mesmo? Gente que produz tem mais é de ser tratada a chicote. Sem querer pautar comediantes, dou uma dica: o próprio ouvidor da Secretaria Nacional de Direitos Humanos confirmou, em depoimento na Câmara dos Deputados, que os direitos fundamentais dos antigos moradores da fazenda Suiá-Missú foram violados. Quem se importa?

Afinal de contas, direitos, para que possam ser considerados “humanos”, têm necessariamente de ser direitos de alguma minoria sociológica influente no imaginário esquerdopata. Brasileiro pobre que trabalha que se dane. Que vá pedir esmola a Lula e Dilma, pô!

Texto publicado originalmente às 4h05
14 Jan 11:01

LOTD:

13 Jan 22:22

O Bolsa Família e os “vagabundos” de Lula, que não plantavam mais macaxeira

by giinternet

A VEJA.com desta segunda publica uma excelente reportagem de Gabriel Castro sobre o Bolsa Família. Já escrevi aqui algumas vezes que uma das medidas do sucesso do programa seria a diminuição do número de famílias atendidas, certo? Não preciso explicar os motivos, acho… Mas quê! Em Banânia, dá-se justamente o contrário: o governo bate no peito, cheio de satisfação, quando cresce o número de atendidos.

Pensem um pouquinho: faz sentido o país estar com o menor desemprego de sua história e com o Bolsa Família em expansão? Faz, mas de um modo que muito talvez não suspeitem (leiam a reportagem). Nessa história toda, muita coisa está errada — envolta em mistificações — desde a origem. Pra começo de conversa, a renda derivada do trabalho informal não entra na conta do estabelecimento da linha de corte para a concessão do benefício. Vamos ao extremo: consumidores de crack que vagam pelas cracolândias Brasil afora, sem casa, sem mais nada, consomem em pedra um valor muitas vezes superior aos R$ 70 per capita que habilitam alguém a se candidatar ao programa.

Recorro a esse exemplo extremo porque esse grupo acaba sendo uma espécie de emblema de pessoas que vivem à margem da sociedade. Atenção! Um consumidor de crack pode gastar com a droga R$ 70 por dia — não por mês. E qual a origem dessa “renda”? A esmola e pequenos serviços prestados informalmente.

Só 1%
Os mistificadores agora deram para acusar de crueldade os críticos da expansão do Bolsa Família porque, afinal, o programa consome apenas 1% do PIB brasileiro, e isso não passaria de uma migalha. Por outro lado, o governo gastaria muito mais com os tais “rentistas” (são os alvos da hora dos esquerdopatas) por intermédio do pagamento de juros.

É uma crítica que concentra várias formas de vigarice. Começo pelo mais óbvio: o governo paga aos ditos “rentistas” pelo dinheiro que é obrigado a tomar emprestado em troca de títulos que põe no mercado. E só faz isso porque precisa de recursos para se financiar. E só precisa fazer isso porque gasta mais do que arrecada, já que concede mais benefícios — se quiserem, a pobres e ricos — do que teria condições de fazê-lo e porque a máquina é cara e ineficiente.

Em segundo lugar, fica parecendo que o Bolsa Família é o único programa social vigente no país. Não! É preciso colocar na conta a saúde, educação e programas de moradia — nas três esferas da administração — e a Previdência Social. O 1% do PIB do Bolsa Família é, com efeito, a menor fatia do desembolso social.

O problema é que o programa se converteu — vejam os números na reportagem — numa ação que tem forte apelo eleitoral; na verdade, eleitoreiro. Não há corrente política no país capaz de falar com a parte da sociedade que paga a conta; todos preferem ter como interlocutores os beneficiários. Nas disputas eleitorais de 2006 e 2010, os petistas fizeram terrorismo aberto, acusando a oposição de querer pôr fim ao programa. Desta feita, o PSDB se blindou da fofoca: Aécio Neves apresentou um projeto incorporando o Bolsa Família aos benefícios permanentes, que não dependam da boa vontade de governos. É uma medida eleitoralmente prudente, dada a vigarice oficial. Mas é inescapável constatar que isso só nos distancia de uma resposta adequada.

Sem medo de ser feliz
E pensar que, de fato, o Bolsa Família foi criado pelo PSDB. Não é mera questão de opinião, não. É matéria de fato. Como já demonstrei aqui por A + B, quem achava que programas de bolsa deixavam o pobre vagabundo é Lula. No dia 9 de abril de 2003, com o Fome Zero empacado, ele fez um discurso no semiárido nordestino, na presença de Ciro Gomes, em que disse com todas as letras que acreditava que os programas que geraram o Bolsa Família levavam os assistidos à vagabundagem. Querem ler? Pois não! Em vermelho.

Eu, um dia desses, Ciro [Gomes, ministro da Integração Nacional], estava em Cabedelo, na Paraíba, e tinha um encontro com os trabalhadores rurais, Manoel Serra [presidente da Contag - Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura], e um deles falava assim para mim: “Lula, sabe o que está acontecendo aqui, na nossa região? O povo está acostumado a receber muita coisa de favor. Antigamente, quando chovia, o povo logo corria para plantar o seu feijão, o seu milho, a sua macaxeira, porque ele sabia que ia colher, alguns meses depois. E, agora, tem gente que já não quer mais isso porque fica esperando o ‘vale-isso’, o ‘vale-aquilo’, as coisas que o Governo criou para dar para as pessoas.” Acho que isso não contribui com as reformas estruturais que o Brasil precisa ter para que as pessoas possam viver condignamente, às custas do seu trabalho. Eu sempre disse que não há nada mais digno para um homem e para uma mulher do que levantar de manhã, trabalhar e, no final do mês ou no final da colheita, poder comer às custas do seu trabalho, às custas daquilo que produziu, às custas daquilo que plantou. Isso é o que dá dignidade. Isso é o que faz as pessoas andarem de cabeça erguida. Isso é o que faz as pessoas aprenderem a escolher melhor quem é seu candidato a vereador, a prefeito, a deputado, a senador, a governador, a presidente da República. Isso é o que motiva as pessoas a quererem aprender um pouco mais.

Notaram a verdade de suas palavras? A convicção profunda? Então…

No dia 27 de fevereiro de 2003, Lula já tinha mudando o nome do programa Bolsa Renda, que dava R$ 60 ao assistido, para “Cartão Alimentação”. Vocês devem se lembrar da confusão que o assunto gerou: o cartão serviria só para comprar alimentos?; seria permitido ou não comprar cachaça com ele?; o beneficiado teria de retirar tudo em espécie ou poderia pegar o dinheiro e fazer o que bem entendesse?

A questão se arrastou por meses. O tal programa Fome Zero, coitado!, não saía do papel. Capa de uma edição da revista Primeira Leitura da época: “O Fome Zero não existe”. A imprensa petista chiou pra chuchu.

No dia 20 de outubro, aquele mesmo Lula que acreditava que os programas de renda do governo FHC geravam vagabundos, que não queriam mais plantar macaxeira, fez o quê? Editou uma Medida Provisória e criou o Bolsa Família? E o que era o Bolsa Família? A reunião de todos os programas que ele atacara em um só. Assaltava o cofre dos programas alheios, afirmando ter descoberto a pólvora. O texto da MP não deixa a menor dúvida (em vermelho):
(…) programa de que trata o caput tem por finalidade a unificação dos procedimentos de gestão e execução das ações de transferência de renda do Governo Federal, especialmente as do Programa Nacional de Renda Mínima vinculado à Educação – “Bolsa Escola”, instituído pela Lei n.° 10.219, de 11 de abril de 2001, do Programa Nacional de Acesso à Alimentação – PNAA, criado pela Lei n.° 10.689, de 13 de junho de 2003, do Programa Nacional de Renda Mínima vinculado à Saúde – “Bolsa Alimentação”, instituído pela medida provisória n.° 2.206-1, de 6 de setembro de 2001, do Programa Auxílio-Gás,instituído pelo Decreto n.° 4.102, de 24 de janeiro de 2002, e do Cadastramento Único do Governo Federal, instituído pelo Decreto n.° 3.877, de 24 de julho de 2001.

Compreenderam? Bastaram sete meses para que o programa que impedia o trabalhador de fazer a sua rocinha virasse a salvação da lavoura de Lula. E os assistidos passariam a receber dinheiro vivo. Contrapartidas: que as crianças frequentassem a escola, como já exigia o Bolsa Escola, e que fossem vacinadas, como já exigia o Bolsa Alimentação, que cobrava também que as gestantes fizessem o pré-natal! Esse programa era do Ministério da Saúde e foi implementado por Serra.

E qual passou a ser, então, o discurso de Lula?

Ora, o Apedeuta passou a atacar aqueles que diziam que programas de renda deixavam acomodados os plantadores de macaxeira, tornando-os vagabundos, como se aquele não fosse rigorosamente o seu próprio discurso. No dia 23 de março de 2005, em Cuiabá, atirava contra as pessoas supostamente contrárias ao Bolsa Família. Leiam e confrontem com o que ele próprio dizia em 2003:
Eu sei que tem gente que fala: “Não, mas esse presidente está com essa política do programa Fome Zero, do Bolsa Família, isso é proselitismo, isso é esmola.” Eu sei que tem gente que fala assim. Lógico, o cidadão que toma café de manhã, almoça e janta todo santo dia, para ele Bolsa Família não significa nada, ele não precisa. E ainda mais se ele puder fazer uma crítica a mim tomando uma Coca-Cola em um bar, um uísque ou uma cerveja. Agora, tem pessoas que, se a gente não der essa ajuda, não conseguem comer as calorias e as proteínas necessárias à vida humana. E se for uma criança de antes de seis anos de idade, nós sabemos que essa criança poderá ter o seu cérebro atrofiado e nunca mais se recuperar.

Fora do horário eleitoral; imprensa crítica
Estudar como se deu a mudança desse discurso explica, em boa parte, como se construiu a hegemonia petista. Em 2002, havia nada menos de 5 milhões de famílias atendidas por alguma das bolsas do governo FHC — que depois foram reunidas sob a rubrica Bolsa Família.

As concessões, acreditem, não foram usadas pelo PSDB na campanha eleitoral de 2002. Ao contrário até: havia certo esforço para escondê-las. Não se deve criticar apenas o partido por isso. Quem consultar o noticiário da época vai constatar que a própria imprensa — contaminada pelo petismo — dispensava às bolsas tratamento semelhante ao de Lula: NÃO PASSAVAM DE ESMOLAS.

Os analistas “de esquerda”, isentos como um táxi, tachavam os programas de meras “medidas compensatórias” para minimizar os efeitos de um suposto ajuste neoliberal na economia, que teria sido operado por FHC. Era conversa mole; era bobagem, mas a coisa colou. Assim, o PSDB preferiu esconder, em 2002, que havia 5 milhões de famílias recebendo benefícios — o que atingia bem uns 25 milhões de pessoas. Os tucanos, vejam vocês!, na verdade, se envergonhavam daqueles programas e achavam que eles depunham contra o Brasil. No particular, então, concordavam com… Lula!

Com menos de um ano de poder, o Apedeuta percebeu que poderia transformar o que considerava uma titica em ouro eleitoral puro. Como se vê acima, unificou todos os programas num só, chamou de “Bolsa Família”, anunciou a redenção dos pobres e, três anos depois, já havia dobrado o número de famílias beneficiadas: 10 milhões. Na eleição de 2006, sugeriu que os tucanos é que achavam os beneficiários “vagabundos”, não ele.

E, é fato, na imprensa, o Bolsa Família passou a ter um prestígio realmente inédito. Também os analistas isentos como um táxi acreditam que só reacionários de maus bofes criticam o Bolsa Família; também eles acham que o aumento de pessoas atendidas é uma medida de sucesso do governo.

E assim vamos.

 

13 Jan 22:22

Por que o número de beneficiários do Bolsa Família só cresce

by giinternet

Por Gabriel Castro, na VEJA.com. Volto no próximo post.
Há oito meses, boatos sobre o fim do Bolsa Família causaram pânico e levaram milhares de pessoas a agências da Caixa Econômica Federal em todo o país. Em meio ao episódio, duas cenas exibidas em telejornais foram reproduzidas na internet por seu aspecto inusitado. Elas mostravam beneficiárias do programa fazendo queixas incomuns. Francisca Flores, de São Luís (MA), reclamava: “Só ganho 134 reais e não está dando nem para comprar uma calça para minha filha, que tem 16 anos. Porque uma calça para uma jovem de 16 anos (sic) é mais de 300 reais”. Diana dos Santos, de Fortaleza (CE), contou diante das câmeras: “Eu fui à lotérica, como vou de costume, fazer um depósito na poupança do meu esposo. Fui depositar o dinheiro. Como eu já estava lá, aproveitei, levei o cartão, e tirei o Bolsa Família”.

Francisca acreditava que o dinheiro do auxílio do governo deveria ser usado para bancar bens de consumo mais caros do que os que o trabalhador médio pode bancar com seu salário. Diana revelou, sem se incomodar, que sua família poupa dinheiro mensalmente – e quem faz poupança evidentemente não está em situação de emergência financeira. É difícil estimar a quantidade de beneficiários irregulares do Bolsa Família: mas os exemplos de Francisca e Diana mostram que há algo de errado com o programa. Os números de 2013 reforçam esta impressão.

No ano passado, o total de beneficiários e o valor gasto com o programa atingiram novos recordes. Foram 20,6 bilhões de reais, pagos a 14,1 milhões de famílias. O próprio Ministério do Desenvolvimento Social aponta que mais de 50 milhões de pessoas, ou seja, mais de 25% da população brasileira, são atendidas pelo Bolsa Família. É o equivalente à população da África do Sul.

Em 2004, as dimensões eram bem menores: o total pago foi de 5,5 bilhões de reais, divididos por 6,6 milhões de famílias. Para 2014, os números indicam que deve surgir um novo recorde: o Orçamento previsto para o programa é de 25,2 bilhões de reais. Uma elevação tão acelerado no número de dependentes de auxílio governamental não aconteceu nem na parte da Europa que mergulhou em uma grave crise econômica nos últimos anos. Comparado com o total do orçamento, o valor significa pouco mais de 1% dos gastos do governo. O problema é a ampliação indefinida no programa. Não é exagero afirmar que, se fosse mantida a curva de crescimento, metade dos brasileiros poderia ser beneficiada com o dinheiro do Bolsa Família daqui a dez anos.

A presidente Dilma Rousseff tem como meta para 2014 incluir no programa outras 500.000 famílias – cerca de 1,8 milhão de pessoas – que teriam direito ao benefício mas estão fora do cadastro dos programas sociais do governo. Fora isso, o crescimento vegetativo e as oscilações da economia podem lançar no Bolsa Família novos beneficiários. É fácil entrar no programa – e a saída não é tão rápida: mesmo que a família passe a receber acima do limite de 140 reais mensais per capita, o corte no auxílio financeiro não é automático. Se a renda per capita não ultrapassar meio salário mínimo (362 reais), o cancelamento do benefício só é feito durante o período de revisão cadastral, em outubro de cada ano.

O governo usa o Bolsa Família como exemplo de uma medida bem sucedida. Mas como um programa criado para tirar pessoas da pobreza pode ser elogiado se o número de dependentes aumenta a cada ano? O crescimento vegetativo da população é uma explicação insuficiente, já que a quantidade de beneficiários sobe muito mais rapidamente do que a de brasileiros. “Se uma em cada quatro pessoas recebe Bolsa Família, isso quer dizer que três em cada quatro pagam por uma quarta. Não me parece que a longo prazo isso seja sustentável”, diz o economista Adolfo Sachsida, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

O combate à pobreza é necessário, e o Bolsa Família cumpre essa função. Mas a expansão indiscriminada no número de atendidos pode não ser um simples lapso. Para o governo, há pouco a perder e muito a ganhar com o crescimento descontrolado no número de assistidos pelo dinheiro público: um programa relativamente barato, que tem pouca rejeição popular, mantém dependente do Estado uma parcela cada vez maior dos cidadãos. Com a devida propaganda, a lealdade desse eleitorado a cada quatro anos costuma ser elevada.

Fiscalização
As falhas na fiscalização também ajudam a explicar o número cada vez maior de beneficiários, apesar do crescimento da economia. Trabalhadores que possuem empregos informais – segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 40 milhões de pessoas – por vezes acabam burlando as regras e recebendo o benefício. “Não tem sido feito um controle adequado e isso desvirtua o programa”, diz o professor Newton Marques, da Faculdade de Economia da Universidade de Brasília (UnB).

Relatos de fraudes no programa não são raros: algumas das irregularidades descobertas envolvem pagamentos em nome de crianças, estrangeiros, mortos e até animais. As dificuldades na verificação dos critérios facilitam os desvios. A fiscalização é feita no plano municipal, com o uso de ferramentas oferecidas pelo governo federal.

Em um fórum virtual que reúne gestores do Bolsa Família, os relatos sobre as dificuldades são frequentes. Em uma das mensagens publicadas na página, um funcionário admite que não pretende cancelar os pagamentos a uma beneficiária que, pelas regras, já ultrapassou a renda exigida para participar do Bolsa Família: “Eu me sinto frustrado em ter que fazer parte desse processo. Será por iniciativa minha que ela deixará de receber o dinheiro que já está acostumada a receber. Sou eu quem irá explicar o motivo de ela estar com o beneficio bloqueado. Enfim, serei eu quem irá escutar as reclamações, ameaças e tudo mais”, diz ele.

O Bolsa Família contempla os núcleos familiares com menos de 70 reais de renda per capita ou famílias que tenham renda de até 140 reais per capita e possuam ao menos um jovem menor de quinze anos. O menor auxílio pago aos beneficiários do programa é de 32 reais. De acordo com a renda familiar e a quantidade de filhos, o valor pode subir muito: há beneficiários que recebem 600, 700 e até 800 reais por mês. O valor médio pago é de 120 reais.

Um dos problemas mais graves do Bolsa Família é a falta das tão propaladas portas de saída. Apenas 12% dos atendidos pelo programa abriram mão do benefício até hoje, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento Social. E não se pode dizer que eles superaram a miséria necessariamente graças ao auxílio do governo.

O efeito do programa também pode ser uma das explicações para a baixa no índice de desemprego. A metodologia aplicada pelo IBGE só considera desempregada a pessoa que, tendo mais de dez anos, procurou um emprego nos trinta dias anteriores à pesquisa e não encontrou. Com o Bolsa Família garantido por tempo indeterminado, argumentam alguns economistas, muitas pessoas não se dedicam com afinco à procura por um novo trabalho. Como consequência, elas não são vistas estatisticamente como desempregadas.

Adolfo Sachsida e Newton Marques concordam que seria adequado instituir um limite temporal – três ou quatro anos, sugere o pesquisador do Ipea – para que os beneficiários busquem uma qualificação e adquiram uma fonte de renda por conta própria. Mas, dado o potencial eleitoral do programa, nenhum partido político encampa uma proposta do tipo.

Eleições
No período eleitoral de 2014, não haverá debates sobre o fim do Bolsa Família, nem sobre a instituição de limites temporais ao programa. O candidato do principal partido de oposição, o senador Aécio Neves (PSDB-MG), já se vacinou contra os potenciais boatos de que iria encerrar o programa: apresentou um projeto de lei transformando o benefício em política de Estado.

“Não se pode falar disso durante a eleição. E a principal razão é esta: 50 milhões de pessoas dependem do programa”, diz o professor Paulo Kramer, do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB). Ele lembra que, em 1996, o governo americano implementou uma reforma no sistema de assistência social para impor limites temporais aos benefícios concedidos às famílias pobres. As mudanças implementadas por Bill Clinton alteraram o modelo implementado três décadas antes, no governo de Lyndon Johnson.

O desgaste do sistema anterior era evidente: muitas pessoas em perfeitas condições de procurar trabalho deixaram de fazê-lo para não perder os benefícios; o número de crianças nascidas fora do casamento aumentou, já que os homens solteiros já não se sentiam obrigados a assumir a responsabilidade financeira sobre as crianças; e os gastos federais com a assistência social impediam o saneamento das contas públicas.

A regra aprovada em 1996, após um esforço suprapartidário, instituía um prazo de dois anos para que o beneficiário encontrasse um trabalho; depois disso, ele perderia direito ao auxílio financeiro. Durante toda a vida, o cidadão poderia receber o benefício por no máximo cinco anos. Também foram criados incentivos para a responsabilidade individual dos assistidos. É bom lembrar: Bill Clinton pertence ao Partido Democrata, mais à esquerda. Isso não impediu a reforma moralizadora.

É razoável que o governo auxilie famílias que, por razões diversas, estejam à beira da miséria. O debate gira em torno do modelo aplicado: sem critérios rigorosos e apoio à autonomia dos mais pobres, programas de assistência social podem causar efeitos negativos. É a lição que os Estados Unidos aprenderam e que, aparentemente, o Brasil ainda precisa aprender.

13 Jan 18:43

Chefs Preview Surface Tension-Based Cocktail Garnishes

by samzenpus
carmendrahl writes "Last fall, MIT researchers made news for developing two bioinspired cocktail toppers-- a moving cocktail boat and a floral pipette-- in collaboration with James Beard Award-winning chef José Andrés. Both the boat and floral pipette operate by taking advantage of surface tension-- either to propel the boat forward or to keep small drops of liquid inside the flower's petals. Some of those early garnishes were nominally edible. But to make them worthy of a restaurant debut requires balancing of flavors, temperature, density, and alcohol content, among other factors. Here's a look inside Andrés' company ThinkFoodGroup to see how the project is coming along. The toppers aren't available to the public just yet."

Share on Google+

Read more of this story at Slashdot.


    






13 Jan 12:50

(FT5) New E-M10 has 3 axis IBIS.

by admin

The E-M10 name already is present in Indonesia public registry for devices with WiFi.

-

Soon Olympus will announce the new E-M10 and as I told you before the E-M5 will remain for sale for a longer time. And finally I know one of the possible reasons. The E-M10 will have a 3 axis image stabilization while the E-M5 has a five axis stabilization. That way the E-M10 will have a more clear differentiation from the High End OMD which is the E-M1.

That part got confirmed via multiple sources: The E-M10 has the same E-M5 sensor with E-M1 image processor. 25mm f/1.8 and new compact zoom coming too!


For sources: Sources can send me anonymous info at 43rumors@gmail.com (create a fake gmail account) or via contact form you see on the right sidebar. Thanks!
For readers: Don’t miss any news. Join our group on facebook and follow our tweets.

Rumors classification explained (FT= FourThirds):
FT1=1-20% chance the rumor is correct
FT2=21-40% chance the rumor is correct
FT3=41-60% chance the rumor is correct
FT4=61-80% chance the rumor is correct
FT5=81-99% chance the rumor is correct

 

 

13 Jan 10:41

Data Fundamentals and Education

by noreply@blogger.com (Fabian Pascal)

Conveying the theoretical foundation of database management to practitioners without losing either precision/rigor, or the audience is a non-trivial endeavor, the skill for, or interest in which very few possess. More often than not one or the other are lost.

In Relations and Relationships I referred to the following LinkedIn exchange:
AT: ... William Kent and his book "Data and Reality" [1978] ... is devoted to "attributes", and (in my words) William confesses that he can not distinct [sic] between "relationships" and "attributes". Thus, the later might be completely redundant. 
GE: This confusion of entities vs. attributes has been with us a long time. Several years ago [a student] ... discovered a paper ... that discussed this dilemma. He proposed calling the thing, which we could not determine whether it was an entity or an attribute, an "entribute." Beautiful, eh? That was in 1939.

Read more »
13 Jan 10:40

Building a Better Bike Helmet Out of Paper

by samzenpus
An anonymous reader writes "Inspired by nature, a London man believes the solution to safer bike helmets is to build them out of paper. '"The animal that stood out was the woodpecker. It pecks at about ten times per second and every time it pecks it sustains the same amount of force as us crashing at 50 miles per hour," says Surabhi. "It's the only bird in the world where the skull and the beak are completely disjointed, and there's a soft corrugated cartilage in the middle that absorbs all the impact and stops it from getting a headache." In order to mimic the woodpecker's crumple zone, Anirudha turned to a cheap and easily accessible source — paper. He engineered it into a double-layer of honeycomb that could then be cut and constructed into a functioning helmet. "What you end up with is with tiny little airbags throughout the helmet," he says.'"

Share on Google+

Read more of this story at Slashdot.


    






13 Jan 10:39

Kennedy, a intervenção durante o golpe de 1964 e a língua do “Bardo”

by giinternet
O presidente Kennedy com o embaixador Lincoln Gordon: o que foi que disseram?

O presidente Kennedy com o embaixador Lincoln Gordon: o que foi que disseram?

Este blog tem milhares de leitores, como vocês sabem, e conta com alguns conselheiros informais, leitores que, volta e meia, colaboram para que as coisas se mantenham nos eixos. Um deles se identifica como “Admirador do Bardo”. Não gosta de aparecer. Envia comentários sugerindo coisas, mas pede que não sejam publicados. Já colaborou com algumas correções. Quem é “o Bardo” do seu apelido? Segundo ele diz, é Shakespeare.

Pois é… Desta feita, ele enviou um texto para ser publicado. Verifiquei, com o auxílio de um amigo, se a correção que ele faz — não de texto meu — procede. E cheguei à conclusão de que ele tem razão.

“O Admirador do Bardo” aponta erros importantes na transcrição de um trecho da conversa entre o John Kennedy, ex-presidente dos EUA, e Lincoln Gordon, seu então embaixador no Brasil, em 1964, conforme está publicado no site do jornalista Elio Gaspari. Lá se encontra a seguinte transcrição:
Kennedy [interrompendo]: “What about the… Do you see a situation coming where we might be, find desirable to intervene militarily ourselves?”

Com a seguinte tradução:
“E os… Você vê a situação indo para onde deveria, acha aconselhável que façamos uma intervenção militar?”

O professor ouviu o áudio e constatou que, no essencial, a frase correta de Kennedy em inglês é:
“Do you see a situation coming where we might be finding desirable to intervene militarily ourselves?”
Tradução:
“Você vê uma situação iminente em que nós poderíamos considerar conveniente intervir militarmente?”

 Aí o “Admirador do Bardo” escreve (em azul, conforme chegou):
Pior foi colocar na boca do presidente americano uma frase ilógica, por mais coloquial que seja — e, mais, com atentados à língua inglesa. “A situação indo para onde deveria…”??? Heavens! Kennedy fala em “uma situação” e não “a situação”. O sujeito de “find” é “nós”, e não “a situação”.

Kennedy não pergunta a Gordon se ele (Gordon) acha aconselhável fazer uma intervenção militar. Kennedy conjectura sobre a hipótese de os Estados Unidos (“we”) virem a considerar ser conveniente intervir. É outra coisa. Aliás, a frase foi tirada de uma conversa de mais de uma hora entre JFK e LG. Só naqueles poucos segundos há referência a uma intervenção militar por parte dos americanos. O presidente e seu embaixador discutem longamente os cenários políticos prováveis no Brasil, falam da personalidade e da força de arregimentação dos mais eminentes políticos brasileiros, mas não discutem nenhum plano de invasão do país.

Enfim, Tio Rei, os caras ouviram o galo cantar, mas não souberam onde e nem em que idioma. Uma lambança só: essa falta de rigor, de precisão e objetividade fazem muito mal ao jornalismo, viu? Obviamente, ninguém duvida que os americanos estivessem felizes com a queda do Jango (não tanto quanto os próprios brasileiros, mas estavam…) ou que tivessem um plano para ajudar os militares brasileiros caso o Brasil afundasse em guerra civil entre comunistas e defensores da democracia. Era o ápice da Guerra Fria. Os EUA e a URSS tinham planos para invadir qualquer país.

Bem, Tio Rei, despeço-me com um abraço e a admiração de sempre. Antes de ir-me, mais uma observação: não é instrutivo constatar a superioridade moral da democracia americana — que preservou as provas materiais de seu envolvimento com a crise havida no Brasil — no cotejo com a tirania soviética, que, em 1964, se meteu no Brasil tanto quanto os americanos (ou mais), mas destruiu as evidências?

Shakespeare, o "bardo" admirado pelo leitor

Shakespeare, o “bardo” admirado pelo leitor

Texto publicado originalmente às 2h11
13 Jan 10:37

O socialismo do PSOL começou em Itaocara. E a cidade mergulhou no caos!

by giinternet
O prefeito Geksimar Gonzaga, de Itaocara: ele pode ser incompetente, mas é convicto...

O prefeito Geksimar Gonzaga, de Itaocara: ele pode ser incompetente, mas é convicto…

Chamem o Caetano Veloso!
Chamem o Wagner Moura!
Chamem o Chico Buarque!

Eles precisam correr para Itaocara, no estado do Rio, para ver como se dá a aplicação prática dos fundamentos do PSOL. E, claro, têm de arrastar também o deputado estadual Marcelo Freixo. Leiam o que informam Daniel Haidar e Thiago Prado, na VEJA.com.

Alvo de uma Comissão Parlamentar de Inquérito, o prefeito de uma pequena cidade pega o próprio carro, um Fusca montado com caixas de som, e passa a convocar a população aos brados para protestar na Câmara Municipal, controlada pela oposição. Poderia ser Sucupira, a cidade fictícia de Odorico Paraguaçu em O Bem Amado, mas a cena ocorreu em meados de dezembro em Itaocara, no Noroeste Fluminense. “Se quiser me matar pode matar. Nós acabamos com a corrupção, por isso estão com raiva”, diz, em um trecho de sua pregação, registrada em vídeo e publicada no Youtube, o prefeito Gelsimar Gonzaga, primeiro governante eleito pelo PSOL no país. O município de 23.000 habitantes imediatamente tornou-se vitrine para o partido. Ex-sindicalista, Gelsimar assumiu com medidas populistas, como a redução do próprio salário e a escolha de secretários em “assembleias populares”, por aclamação. O resultado dessas e outras experiências, em confronto com as necessidades da população e a realidade das pequenas cidades, é um caos administrativo e político que paralisa o poder público e pune a população.

Os 44% obtidos pelo PSOL na cidade puseram Itaocara no mapa do partido no primeiro turno de 2012. A cidade logo virou vitrine e tornou-se ponto de peregrinação dos cabeças da sigla, como Ivan Valente, deputado federal por São Paulo, Luciana Genro, ex-deputada pelo Rio Grande do Sul, e Marcelo Freixo, deputado estadual fluminense. Itaocara, desejava o partido, deveria ser um modelo de gestão inovador, diferente de “tudo isso que está aí”, sem fisiologismo e concessões a aliados políticos. O primeiro ano da gestão de Gelsimar, no entanto, não saiu como imaginavam ele e o partido. Em guerra com o Legislativo, que transformou a CPI em uma “comissão processante”, com poderes para aprovar inclusive o impeachment do mandatário, Itaocara terminou 2013 com salários atrasados para servidores, médicos em greve e nenhuma perspectiva de solução no impasse com os vereadores.

O caos em Itaocara mobilizou a cúpula do PSOL no Rio de Janeiro. No fim do ano passado, o partido pôs na rua uma operação que se assemelha às velhas práticas da política. Com Gelsimar encurralado na Câmara Municipal – dos onze vereadores, dez são de oposição –, foi necessário recorrer a um aliado para tentar evitar que a vitrine socialista se transforme em vexame nacional. O processo foi liderado pelo deputado estadual Marcelo Freixo, alçado ao status de maior liderança do PSOL no Estado desde a conquista do segundo lugar na eleição contra Eduardo Paes (PMDB). Ao perceber que uma Câmara dominada pelo PR estava articulando o impeachment do aliado, Freixo buscou ninguém menos do que Anthony Garotinho para tentar uma composição. O ex-governador e atual deputado federal é abertamente criticado por Freixo e pelo PSOL.

De início, não foi simples construir um acordo pela governabilidade em Itaocara. O PSOL faz oposição ferrenha ao governo de Rosinha Garotinho em Campos dos Goytacazes (RJ), influenciando sindicatos e dificultando a adoção de medidas na área da educação. Mas Garotinho cedeu – não por solidariedade, ressalte-se. Simplesmente por ter outros adversários mais importantes para se preocupar em 2014, como Sérgio Cabral (PMDB) e Lindbergh Farias (PT). O pedido de ajuda do PSOL a Garotinho é o prenúncio de outro muito maior que está por vir: Freixo precisará dos votos do PR se não quiser ver cassada Janira Rocha, a deputada estadual que desviou dinheiro de um sindicato para campanhas do PSOL.

Com alguns telefonemas, Garotinho articulou um encontro entre Freixo e o vereador Robertinho, presidente da Câmara de Itaocara. A conversa nas últimas semanas de 2013, também presenciada pelo deputado federal Paulo Feijó (PR), o deputado estadual Paulo Ramos (PSOL) e dois vereadores, traçou um cenário de paz para este ano. Não será tão simples: Robertinho diz que não dará trégua e chama Gelsimar de “louco”. Ele acusa o prefeito de beneficiar apadrinhados com pagamento de horas extras e de ter contratado um ônibus por 7.000 reais para levar estudantes a um congresso do PSOL em Goiânia.

Para tirar o poder público da imobilidade, a prefeitura tem recorrido aos quadros do PSOL nacional que podem destinar recursos para Itaocara. Para 2014, os deputados federais Chico Alencar e Jean Wyllys reservaram 3 milhões de reais, cada um, para a estruturação de unidades especializadas em saúde. Dos 15 milhões de reais em emendas a que tinha direito em 2013, Wyllys reservou 4,1 milhões de reais para o município de Gelsimar. O governo federal só empenhou, desse total, 1,5 milhão para a construção de um novo hospital na cidade. A secretária municipal de Saúde, Wanessa Gonzaga de Oliveira, no entanto, diz que os recursos não podem financiar outro hospital e serão usados na unidade atualmente em funcionamento, mesmo sendo este um prédio em área de risco de inundações.

Gelsimar só pode contar com os amigos. O prefeito tentou, em um encontro com o vice-governador, Luiz Fernando Pezão, obter asfaltamento de vias na cidade. Até hoje, não houve movimento nesse sentido. E o programa Somando Forças, marca do governo Sérgio Cabral em suas obras no interior, não destinou recursos para o município governado pelo PSOL.

Agente de saúde concursado, Gelsimar, que até a eleição era também presidente do sindicato dos Servidores Municipais da cidade, defende sua gestão citando, como um dos principais feitos, o subsídio às passagens de ônibus intermunicipais para estudantes universitários, a um custo de 80 mil reais por mês. Não restou muito para mostrar. As medidas inéditas não sobreviveram. Dos secretários de Saúde, Educação, Obras e Agricultura, aclamados em assembleia popular, três abandonaram o governo. “Não aguentaram a pressão”, sentencia o prefeito.

Há, de fato, muita pressão. Mas só ela não explica a história. Um deles, o bombeiro Eduardo Moreno, é investigado pelo Ministério Público pela suspeita de utilizar recursos da prefeitura sem ter sido nomeado. O vice-prefeito Juninho Figueira (Pros), que virou adversário político de Gelsimar em outubro, diz que Moreno chegou a trabalhar como secretário. O secretariado também acabou envolvido nas velhas práticas da política, criticada por Gelsimar e pelo PSOL. Escolhido por Gelsimar, o secretário municipal de Administração, Alexandre Souza da Fonseca, contratou a própria mulher para trabalhar na pasta. Teve de deixar o governo logo no começo. Corre no Ministério Público do Estado do Rio um inquérito para investigar a contratação.

Insatisfeito com a reduzida quantidade de cargos comissionados em comparação com a administração anterior, Gelsimar tentou criar por decreto municipal mais de 100 vagas de Direção e Assessoramento Superior (DAS). Mas logo teve de desistir do projeto, que começou a ser investigado pelo MP por ser inconstitucional. “Caíram de 160 cargos comissionados na gestão anterior para cerca de 20 nesta, por aprovação da Câmara Municipal. O certo é fazer concurso público. Mas era a solução que tinha”, disse Gelsimar em entrevista ao site de VEJA.

Saúde
O Hospital Municipal de Itaocara, único público na cidade, é exemplo dos desafios que a prefeitura enfrenta. Instalado em área de risco de inundações na beira do leito do rio Paraíba do Sul, a unidade sofre com filas, falta de médicos, atrasos em exames e consultas. O prefeito considera uma vitória de sua gestão, na área de saúde, ter adquirido, no primeiro ano de governo, um aparelho de ultrassonografia para exames. O equipamento foi entregue em dezembro, mas ainda estava lacrado na caixa na semana passada.

Na última quinta-feira, a dona-de-casa Sandra Carrilho, 40 anos, esperou mais de uma hora para que o vizinho, com uma hemorragia em uma cicatriz aberta na cabeça, fosse medicado. “As enfermeiras não trabalham direito. Tem médico que só atende o paciente em pé no consultório, de tanta pressa. O hospital está uma imundície”, dizia.

Itaocara não chega a ser uma cidade complexa. O município possui apenas uma linha de ônibus para circular pela cidade, de hora em hora. Não existe cinema – reclamação constante de moradores. Mas há demandas mais urgentes. Na estimativa da prefeitura, falta asfaltar 10 quilômetros de ruas na área urbana e 800 quilômetros em vias rurais. Responsável por 0,06% do PIB do Rio de Janeiro, a economia de Itaocara dobrou de tamanho de 1999 a 2011, gerando 281 milhões de reais em riquezas. A maior parte desse dinheiro é dependente da renda gerada pelo setor público, que saiu de um peso de 29,91% da atividade econômica para 38,57% no período. Os gastos estão próximos do limite: a despesa com pessoal foi de 12,6 milhões de reais, ou 41% da receita corrente líquida, de 30,9 milhões de reais, de janeiro a outubro deste ano – o máximo a que se pode chegar, com a Lei de Responsabilidade Fiscal, é 54%. O município é o maior produtor de quiabo do Estado – os agricultores reclamam que nenhuma das ações de Gelsimar para incentivar a agroindústria saiu do papel até hoje.

A falta de disposição de negociar com aliados foi o que motivou o racha entre Gelsimar e o vice-prefeito, Juninho. O prefeito alega que o vice pediu três secretarias para permanecer no governo e não sair do PSOL. O vice, por sua vez, diz ter requisitado apenas uma pasta. E acusa Gelsimar de ameaçar demitir sua noiva, contratada temporariamente assim que o partido assumiu a prefeitura. A noiva do vice pediu demissão. E Juninho, agora em uma trincheira contra o ex-aliado, diz que abandonou o grupo por falta de espaço para trabalhar e por não concordar com a cobrança de uma taxa de 20% do salário de 7.500 reais, feita pelo PSOL, a título de “exigência estatutária do partido”. Juninho conta que ficava incomodado em entregar 900 reais em espécie, todo mês, para uma secretária do prefeito, sem saber no que seria usado o dinheiro. “Ficava preocupado, porque não sabia para onde estava indo. Sentia até que estavam me lesando. Entregava o dinheiro na mão de uma secretária de confiança do prefeito”, diz.

O vice tem mais munição. Acusa o prefeito, que é presidente do diretório municipal de Itaocara, de ameaçar com represálias funcionários que não se filiavam ao PSOL. O Ministério Público investiga se o prefeito exige que comissionados e contratados sejam filiados ao PSOL para serem efetivados. Gelsimar nega. “Fizeram campanha maciça para filiar funcionários. Ou era do PSOL ou estava fora. Tinha uma leve perseguição”, acusa.

Atribui-se à postura radical do prefeito a responsabilidade pela paralisia no crescimento da cidade. Os salários atrasados dos servidores atrapalharam até as vendas de fim de ano, reclamam comerciantes. Embora diga que mantém “relações republicanas” com os outros poderes, Gelsimar chega a dizer que não há possibilidade de negociar com os vereadores pela aprovação de projetos. “No Brasil, esquerda é perseguida mesmo. Quando negocia, vai para a cadeia como José Genoíno e José Dirceu. Quando não negocia, é cassada. Mesmo que eu seja cassado, não negocio com ninguém”, avisa Gelsimar.

12 Jan 16:27

Excelente editorial do Estadão revela os bastidores e as verdadeiras intenções do programa "Mais Cubanos"

by Ciência Brasil
12 Jan 15:49

De forma didática, Sharon evidenciou que, sem a renúncia dos palestinos ao terror, não há paz possível

by giinternet

Morreu Ariel Sharon, depois de uma longa agonia. Os textos de Jean-Philip Struck e Caio Blinder (aqui e aqui) abordam com clareza e eficiência os aspectos ambíguos de sua trajetória política. Deu motivos para ser detestado, mas só até certo ponto; deu motivos para ser amado, também até certo ponto. Bem, talvez se possa dizer o mesmo de cada um de nós, não? O problema é que o destino colocou Sharon numa região muito particular do planeta, onde amor e ódio mobilizam paixões que vão muito além da esfera privada.

No comando do governo de Israel, Sharon fez o absolutamente inesperado, por críticos e admiradores — e era inesperado de tal sorte que os primeiros tiveram de lhe reconhecer qualidades que não suspeitavam, e os outros se sentiram traídos. Como primeiro-ministro, promoveu a desocupação da Faixa de Gaza e recorreu à força para acabar com os assentamentos judaicos que havia na região, o que lhe rendeu o ódio de algumas correntes religiosas. Também alterou o antigo equilíbrio entre direita (Likud) e esquerda (trabalhistas) com a criação do Kadima. Nota à margem: em Israel, “direita” e “esquerda” assumiram um conteúdo muito particular, que só vale para aquele país e diz respeito, basicamente, às negociações com os palestinos: o Likud, em tese, faz menos concessões. O Kadima, sob o comando de Sharon (quem diria? O velho ícone da direita radical…), apresentou-se como uma força de centro.

A desocupação de Gaza acabou revelando, de maneira insofismável, um aspecto da questão israelo-palestina que muita gente se nega a reconhecer. Ainda que se possa argumentar que Israel pôs fim a uma intervenção cara, estrategicamente inútil e que lhe rendia desgaste internacional, o fato é, e todo mundo sabe, que ela poderia ter se prolongado indefinidamente. A saída, portanto, foi, sim, uma concessão, que lhe rendeu, diga-se, ódios internos incontornáveis.

E aconteceu com Gaza o quê? Caiu nas mãos dos terroristas do Hamas. Não vou entrar na lógica da disputa interna de poder entre os palestinos. O fato é que o território se transformou numa plataforma de lançamento de mísseis contra Israel. Ignorar que as consequências da desocupação da área servem de advertência para o que poderia acontecer com a Cisjordânia caso ficasse inteiramente sob o controle palestino é querer tapar o sol com a peneira.

Em suma: aquela que a foi a mais vistosa concessão do governo de Israel às forças palestinas acabou, por contraste, demonstrando como é estreito e difícil o caminho da paz. De forma didática — e traumática, sim, para o seu próprio povo —, Sharon acabou evidenciando que a paz não é possível enquanto os palestinos não promoverem, então, a sua revolução interna, que ponha fim à perspectiva do terror. Sem isso, não há acordo possível. Existem radicais e truculentos no governo de Israel. O terrorismo palestino só lhes dá razão prática.

O destino acabou sendo cruel com Sharon e, a rigor, com as perspectivas de um entendimento na região. Justamente porque não pesava sobre as suas costas a suspeita de que pudesse pôr em risco a segurança de Israel, poderia ter conduzido negociações mais ousadas do que qualquer outro político — tinha credibilidade entre fatias importantes dos conservadores. Mas a história não tem “e se…”. É o que é. O derrame o colheu quando ele levava para a política a ousadia e impetuosidade que tinha no campo de batalha. E a paz, vejam que ironia, ficou ainda mais distante.

12 Jan 15:48

Common Traits Bind Jews and Chinese

by David P. Goldman

Common traits bind Jews and Chinese
By Spengler

(Cross-posted from Asia Times Online)

JERUSALEM – The Chinese are connoisseurs of civilization. For thousands of years they have absorbed ethnicities into their own culture, eliminating on occasion tribes that proved too troublesome. They have watched other civilizations come and go; they have seen their younger neighbors adopt parts of their culture and then try to assert their superiority, and ultimately fail. They are the last people on earth to accept the liberal Western dogma that every culture is valid within its own terms of reference, for they have seen too many civilizations fail of their own flaws.

There is no greater compliment to any culture than to be admired
by Chinese, who with some justification regard their civilization as the world’s most ancient and, in the long run, most successful. The high regard that the Chinese have for Jews should be a source of pride to the latter. In fact, it is very pleasant indeed for a Jew to spend time in China. The sad history of Jew-hatred has left scars on every European nation, but it is entirely absent in the world’s largest country. On the contrary, to the extent that Chinese people know something of the Jews, their response to us is instinctively sympathetic.

“I am always surprised by the expressions of affection that the Chinese show for the Jews. Both cultures, the Chinese emphasize, share respect for family, learning and, yes, money,” wrote the journalist Clarissa Sebag-Montefiore last year. ‘”Most Chinese will think Jews are smart, clever or good at making money, and that they have achieved a great deal,’ Professor Xu Xin, director of the Institute of Jewish Studies at Nanjing University (one of over half a dozen centers in China dedicated to studying Judaism) told me last week,” she wrote. “This logic — that the Jews are admired for their success despite their small numbers and historical oppression — has also led to a burgeoning industry of self-help books that use Jewish culture and the Talmud to preach business tips.”

Family, learning, respect for tradition, business acumen: these are Jewish traits that the Chinese also consider to be their virtues. All this is true as far as it goes. One might also mention that China never has had reason to view the Jews as competitors for legitimacy.

Christianity began as a Jewish sect and has vacillated between the claim that is has superseded Judaism and the view that it is a daughter religion that should honor its parent. Islam claims that Jews and Christians falsified the revelations given to them and that their scriptures are a perversion of God’s true message, which Mohammed restored to its original integrity. But by no stretch of the imagination could China view the Jews as a threat to the legitimacy of its civilization.

The Chinese, in short, have no reasons to dislike or fear the Jews, and a number of reasons to admire them simply because Jews display traits that Chinese admire among themselves. A Jew visiting China, though, senses an affinity with Chinese people, more than can be explained by the commonality of traits. There is a common attitude towards life, and especially toward adversity.

A Chinese friend explained it to me this way: If you suffer a setback, even if through no fault of your own, and even if through the malicious acts of malevolent people, you must not feel sorry for yourself or blame others for your troubles. It is you who must take responsibility for overcoming them. You are required to redouble your efforts and work all the harder. Perseverance in the face of adversity is something Jews understand very well. Through two millennia of exile in the West, Jews maintained an autonomous high culture while succeeding at the highest level within Western culture, often despite persecution.

Civilizations fail when they become despondent, when they lose confidence in their history and their future, when their citizens cease to feel pride in and draw inspiration from their culture. Somehow, for thousands of years, Jews and Chinese kept their confidence in their civilization and preserved it through war and foreign conquest. Surely that helps explain their present success. The confidence to redouble one’s efforts in the face of adversity, even malevolence, cannot be explained by simple stubbornness. The grit required to excel even when the game is rigged against you is not only a cultural trait, but the trait of a culture, that is, a personal characteristic that draws on a culture’s self-confidence.

It may seem odd to compare the largest of peoples with one of the world’s smallest, but Chinese and Jews have something in common that helps explain their success and longevity. That is the ability to rise above ethnic conflicts.

Tribal warfare is the bane of human society. During the 40,000 years before the dawn of civilization, some anthropologists estimate, two-fifths of males who survived infancy died in warfare. The great empires of the Near East and the West failed because they enslaved the peoples they conquered rather than integrate them. European Christianity offered a compromise: the ethnicities that occupied Europe after the collapse of the Roman Empire would join a universal Church in the spirit, but keep their ethnic nature in the flesh. Ultimately the flesh overwhelmed the spirit, and ethnocentric nationalism provoked the terrible wars of the 20th century.

Chinese civilization offered a different model: it integrated innumerable ethnic minorities into a unified culture centered on a written language and literary tradition, and offered the opportunity for advancement to everyone who came under the umbrella of this culture. Unlike Rome, it did not enslave subject populations to work giant estates, but emphasized the extended family as the fundamental unit of society.

Unlike Christianity, where the unifying language of Europe (Latin) was understood by a tiny elite, Chinese culture propagated a unifying written language. Literacy in ancient China was extremely high in comparison to the ancient and medieval West, between 20% and 30% by most estimates. China still has 55 ethnic minorities and a wide variety of spoken languages. The only people with a higher literacy rate in the ancient world were the Jews, who began a program of compulsory universal education during the 1st century BCE.

What distinguishes Israel from all the other peoples of the ancient world west of the Indus River? Uniquely, the ancient Hebrews believed that their nation was defined not by ethnicity and geographic origin but rather by a code of practice given by divine mandate.

Jewish Scripture describes the founding father of the Jewish people, Abraham, as a wandering Babylonian summoned by the single Creator God to leave his homeland and come to a land–the present-day Israel–where his descendants would multiply and endure forever. The generation of his great-grandchildren migrated to Egypt, and their descendants were enslaved. God’s intervention freed the Hebrews from slavery, and gave them the Torah (“teachings”) at Mount Sinai, instructing them to conquer the future Land of Israel.

11 Jan 20:19

Daily Pot Use Tied To Age of First Psychotic Episode

by Soulskill
An anonymous reader writes "Reuters reports, 'In a study of adults who experienced psychosis for the first time, having smoked marijuana daily was linked to an earlier age of onset of the disorder.' ..."This is not a study about the association between cannabis and psychosis, but about the association between specific patterns of cannabis use ... and an earlier onset of psychotic disorders,' Dr. Marta Di Forti, who led the research at the Institute of Psychiatry at Kings College, said in an email. Among more than 400 people in South London admitted to hospitals with a diagnosed psychotic episode, the study team found the heaviest smokers of high-potency cannabis averaged about six years younger than patients who had not been smoking pot. Psychosis is a general term for a loss of reality, and is associated with several psychiatric diseases, including schizophrenia and bipolar disorder. ... "The thorny question is whether they might otherwise have developed the disease or would have not had mental illness. It's a distinction we haven't figured out yet," Compton said. ... It is still unclear whether there are safe levels of use for cannabis, she added. '"

Share on Google+

Read more of this story at Slashdot.


    






10 Jan 19:20

Ah, essa maldita “imprensa de oposição”, não é mesmo? Ou: Eles querem é censura

by giinternet

Kim Phuc

Delinquentes intelectuais e morais — alguns deles disfarçados de jornalistas, financiados com dinheiro público — resolveram censurar a Folha e a VEJA.com por terem divulgado, respectivamente, os vídeos com os decapitados de Pedrinhas e o incêndio do ônibus em São Luís, em que a menina Ana Clara aparece com o corpo em chamas.

A divulgação seria, sustentam esses delinquentes, coisa típica de jornalismo sensacionalista, de uma “mídia” (como eles dizem) comprometida com a agenda da oposição.

Que bando! Se essa gente chegar a ter o poder que almeja, o DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda) do ditador Getúlio Vargas será fichinha; a censura havida durante o regime militar será brincadeira de criança.

O PT que sempre contou com a liberdade de imprensa, quando era oposição, para veicular mesmo as suas denúncias infundadas acha que, agora, os fatos atrapalham a história, entendem?

Sim, é verdade. Não fosse a divulgação dos dois vídeos, é bem possível que o Brasil não tivesse se dado conta da gravidade do problema. Até porque, em 2011, 14 foram decapitados no mesmo complexo de Pedrinhas. E ninguém deu bola.

Os vídeos têm de ser exibidos simplesmente porque aquelas coisas aconteceram. De fato, há similaridade entre a imagem do corpo da menina Ana Clara em chamas e a foto (no alto) da então garota vietnamita Kim Phuc (de autoria de Huynh Cong “Nick” Ut), que corre nua depois de sua aldeia ter sido atacada com napalm pelas forças americanas, em 1972.

Todos sabiam dos horrores da Guerra do Vietnã. Faltava um emblema. Todos sabiam da tragédia do Maranhão. Faltava conferir ao ocorrido a sua trágica humanidade.

Se os petistas pudessem impedir, no entanto, nada disso viria a público — não enquanto o partido estivesse no poder ao menos. A realidade atrapalha a mística e a mistificação petistas. Os valentes acham que o compromisso com os fatos transforma a “mídia” em força de oposição.

Eles gostam é do subjornalismo de situação, financiado por estatais — o que, parece-me, caracteriza uma variante do peculato, já que se trata de se apropriar de dinheiro público a serviço dos interesses particulares de um grupo. Não passarão!

10 Jan 15:08

No Maranhão, presos são convidados por direção de presídio a escolher facção

by giinternet

Por Evandro Éboli, no Globo:
Acusado pela governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB), de ter mentido em seu relatório que apontou falhas no Complexo Penitenciário de Pedrinhas (MA), o juiz Douglas Martins, do CNJ, reafirmou nesta quinta-feira suas críticas sobre aquela unidade do sistema carcerário do estado. Na reunião do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH), Martins afirmou que a governadora não cumpriu as recomendações do órgão feitas ainda em 2008 e nem as mais recentes. O juiz, que é relator do sistema carcerário do CNJ, disse ainda que os presos que chegam do interior para o presídio da capital, no caso o de Pedrinhas, são obrigados a se filiar automaticamente ao crime organizado, optando por uma das facções existentes.

“Foram quatro anos de inspeções e vários relatórios do CNJ. Foram feitas recomendações que não foram cumpridas. Houve advertência sobre as facções, que acabaram crescendo. Tentamos entrar recentemente numa unidade prisional e fomos proibidos. Tem vídeo disso. O CNJ, ainda na época de Ayres Britto presidente do STF, sequer deu respostas às recomendações do conselho. E ele (Britto) já se aposentou”, disse Douglas Martins. ”É preciso acabar com a centralização dos presos num único presídio. Tem presos em Pedrinhas de comarca que fica distante até 1.200 quilômetros de distância”, completou.

 A procuradora Ivana Farina, do Ministério Público de Goiás, apresentou seu relatório sobre Pedrinhas, elaborado para o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). Ela é relatora desse tema no CNMP. Ela descreveu o cenário das más condições da penitenciária de Pedrinhas e disse que a situação lá é diferenciada de todo o país. Ela também citou a presença de duas facções na unidade – 1° Comando do Maranhão e Bonde dos 40 – e repetiu Martins ao afirmar que os presos do interior sofrem nas mãos dos detentos da capital. Ela afirmou que além de aparelhos celulares, até tablets foram apreendidos dentro do presídio.

 ”É uma situação de total descontrole, de total insalubridade. É um absurdo atrás do outro. O preso que não é de uma facção é chamado, convidado pela direção do presídio para se filiar a uma. Assinamos um termo com a governadora Roseana, em 2013, e até agora nenhuma medida foi adotada”,disse Ivana Farina.

10 Jan 15:07

Mortos sem pedigree

by giinternet

Segue trecho de minha coluna de hoje na Folha:

Se ninguém dá bola quando bandidos matam pais de família, por que haveria indignação quando presos resolvem decapitar seus pares no Maranhão, onde José Sarney é a fé, a lei e o rei? Que se virem! As trevas maranhenses são apenas um sintoma de um desastre humanitário silencioso.

Em novembro, veio a público o Anuário Brasileiro de Segurança Pública com os dados referentes a 2012. Os “crimes violentos letais intencionais” (CVLI) somaram 50.108, contra 46.177 em 2011. A taxa saltou de 24 para 25,8 mortos por 100 mil habitantes. Na Alemanha, é de 0,8. No Chile, 3,2. Os “CVLI” incluem homicídio doloso, latrocínio e lesão corporal seguida de morte. Nota: esses são números oficiais. A verdade deve ser mais sangrenta.

Segundo a ONU, na América Latina e Caribe, com população estimada em 600 milhões, são assassinadas 100 mil pessoas por ano. Com pouco menos de um terço dos habitantes, o Brasil responde por mais da metade dos cadáveres. O governo federal, o PT, o PMDB, o PSDB e o PSB silenciaram. Esse é um país real demais para produtivistas, administrativistas e nefelibatas. A campanha eleitoral já está aí. Situação e oposição engrolarão irrelevâncias sobre o tema. Prometerão mais escolas e mais esmolas. Presídios não!

Para ler a íntegra, clique aqui.

09 Jan 16:21

Dá-lhe, Pondé!

by Norma

Luiz Felipe Pondé não é cristão, mas tem feito a diferença em uma cultura cujo verdadeiro bode expiatório é o cristianismo, e não as autodeclaradas vítimas de sempre. (Para mais sobre o bode expiatório, leia aqui.)
09 Jan 11:27

Dá-lhe, Pondé!

by Norma

Luiz Felipe Pondé não é cristão, mas tem feito a diferença em uma cultura cujo verdadeiro bode expiatório é o cristianismo, e não as autodeclaradas vítimas de sempre. (Para mais sobre o bode expiatório, leia aqui.)
08 Jan 18:35

The Quiet Fury of Former Secretary of Defense Robert Gates

by Unknown Lamer
An anonymous reader writes "Activities, technologies, equipment, or other matters regarding the U.S. Department of Defense are a common topic on Slashdot, both as stories and in discussions. Despite that, we seldom see stories regarding the senior leadership of DoD as we do for technologists, the political branches, and lately the NSA. Former Secretary of Defense Robert Gates, who served under both Presidents Bush and Obama, has released a rather biting memoir of his tenure as the Secretary of Defense. The Wall Street Journal has an excerpt: '... despite everyone being "nice" to me, getting anything consequential done was so damnably difficult — even in the midst of two wars. I did not just have to wage war in Afghanistan and Iraq and against al Qaeda; I also had to battle the bureaucratic inertia of the Pentagon, surmount internal conflicts within both administrations, avoid the partisan abyss in Congress, evade the single-minded parochial self-interest of so many members of Congress and resist the magnetic pull exercised by the White House, especially in the Obama administration, to bring everything under its control and micromanagement. Over time, the broad dysfunction of today's Washington wore me down, especially as I tried to maintain a public posture of nonpartisan calm, reason and conciliation. ... difficulties within the executive branch were nothing compared with the pain of dealing with Congress. ... I saw most of Congress as uncivil, incompetent at fulfilling their basic constitutional responsibilities (such as timely appropriations), micromanagerial, parochial, hypocritical, egotistical, thin-skinned, and prone to put self (and re-election) before country.' — More at The Washington Post."

Share on Google+

Read more of this story at Slashdot.


    






08 Jan 16:37

A barata carne preta e pobre. Ou: O silêncio intelectualmente criminoso da OAB

by giinternet

Quando pobre resolve ser o Robespierre de pobre num presídio infecto do Maranhão, a OAB não tá nem aí, não dá a mínima, dá de ombros, olha para o outro lado. ONGs que se dizem especializadas em direitos humanos — a maioria se dedica mesmo é ao proselitismo ideológico e vive pendurada nas tetas do governo — também se calam. São humanistas de fachada.

No caso da OAB, a coisa é mais grave. O Painel da Folha desta quarta informa que Marcos Vinícius Coelho, presidente da entidade, foi advogado da governadora Roseana Sarney (PMDB) no TSE. Contam-me que a relação entre ambos é de amizade mesmo — e não há mal nenhum nisso. O que é politicamente criminoso — só politicamente, viu, doutor? — é o silêncio a respeito da barbárie.

E vejam vocês quem silencia! A OAB foi a entidade mais saliente na defesa dos delinquentes fantasiados de “black blocs”. Vagabundos mascarados que saíam às ruas para depredar prédios públicos e privados, para incendiar, para quebrar, para enfrentar a polícia no muque, bem, estes sempre tinham, especialmente no Rio, um advogado da OAB a tiracolo.

Onde está Wadih Damous, presidente do Conselho de Direitos Humanos da entidade? Sim, no Facebook e em sites ligados à área jurídica, ele andou classificando as ocorrências de inaceitáveis; chamou tudo aquilo de “barbárie”. Correto. Mas só isso? Comparem a saliência no doutor na defesa dos black blocs com a discrição de agora.

Há muitos anos, como sabem os leitores mais antigos, afirmo que a má consciência dita “progressista” no Brasil distingue dois tipos de agressão aos direitos humanos: as praticadas contra pessoas com pedigree ideológico e as praticadas contra homens comuns, que não tem o “selo de qualidade militante”.

Se o sujeito é ligado a algum ente de esquerda, a algum grupo militante, a algum dito “movimento social”, então tudo lhe é permitido. Chama-se “agressão” até mesmo a justa repressão ao crime que eventualmente pratique. Se, no entanto, é apenas um homem comum — ou, se quiserem, um bandido comum —, aí ninguém dá a menor pelota. Num outro post, tratarei com mais vagar dessa impostura.

De fato, o que se passa no Maranhão nem chega a ser novo, nem chega a ser inédito. Numa rebelião no mesmo complexo de Pedrinhas, em 2011, nada menos de 14 presos foram decapitados; outros morreram em razão de mutilações várias. A novidade, desta feita, é que um vídeo veio a público. E se pôde ter, então, clareza, digamos, empírica do horror.

A OAB está ocupada
Entendo. A OAB está muito ocupada, não é mesmo? No momento, está tentando proibir o financiamento privado de campanha, num esforço — espero que involuntário — para jogar o sistema político brasileiro na clandestinidade. Não tem tempo para — lá vou eu a citar quem me detesta — “pretos de tão pobres e pobres de tão pretos” que decapitam os de sua própria espécie.

Se são iguais, eles que se entendam, certo? A boa má consciência progressista não tem nada com isso.

07 Jan 16:26

A Copa do Mundo e o marketing oficial do terror preventivo. Ou: O petismo de TPM. Ou ainda: a bola, o aborto e o kit gay

by giinternet

Que título estranho, não? Como é que essas coisas se juntam? Eu mostro. Preparados para a retomada num texto, digamos assim, looongo?

A escumalha a soldo que serve ao governismo na imprensa e no subjornalismo pôs para circular uma teoria conspiratória: a direita — sempre ela, coitadinha! — estaria tramando os piores ardis fara fazer com que a Copa do Mundo seja um fiasco. A trama uniria setores da oposição e a imprensa independente. O objetivo da sabotagem seria, claro!, destituir Dilma Rousseff. E como a tal “direita” faria isso? A canalha não diz. Não diz porque se trata de uma fantasia, de uma mentira estúpida. Os petistas e seus satélites instrumentalizam o marketing do terror preventivo para silenciar a crítica. Não é a primeira vez que recorrem a essa estratégia. Infelizmente, a imprensa séria e as oposições costumam cair no truque. Vamos ver.

O governo brasileiro torrou e está torrando uma fábula, ainda não calculada, para realizar a Copa. Muitas obras de infraestrutura, especialmente as de mobilidade, previstas no plano original não foram feitas. O governo as trocou pela decretação de feriado, mudança no calendário escolar, jeitinhos… Seis dos 12 estádios, que deveriam ter sido inaugurados até dezembro do ano passado, ainda não estão prontos. Joseph Blatter, presidente da Fifa, disse jamais ter presenciado atraso tamanho. Ele está na organização desde 1975. Já batemos o primeiro recorde: “nunca antes na história da Fifa…”.

Pior: alguns desses estádios serão mesmo elefantes brancos, futuras ruínas. A realização do torneio em tantas capitais foi decidida por um misto de populismo com delírio de grandeza. A brasileirada ficou sem o metrô, as estradas, as vias de acesso… Mas ganhou monumentalidades inúteis. E, no entanto, teremos, sim, Copa do Mundo. Se o Brasil for campeão, Dilma Rousseff pode ganhar ou perder a eleição. O mais provável é que ganhe. Se o Brasil não for campeão, Dilma Rousseff pode ganhar ou perder a eleição. O mais provável é que ganhe. Qual a razão da TPM, da Tensão Pré-Mundial?

Ora, a campanha eleitoral já começou. Os petistas sempre foram muito hábeis em vender o que não fizeram, mas são ainda melhores quando se trata de atribuir a adversários defeitos e intenções que não têm. De resto, é preciso que se esclareça: uma oposição que explorasse os erros e a incompetência do governo na realização da Copa do Mundo ou de qualquer outro evento estaria apenas cumprindo a sua função, a sua obrigação, a sua missão, o seu mandato — adquirido nas urnas: opositores existem para vigiar o governo, apontar as suas falhas e tentar tomar o seu lugar quando há eleições, segundo as regras do jogo. Se a incompetência do governo Dilma for parar no horário eleitoral de seus adversários — coisa em que não acredito —, estaremos apenas diante do corriqueiro em sociedades livres.

Quanto à imprensa, não há muito o que dizer além do óbvio: há aquela que se financia na sociedade — por meio da publicidade privada e das assinaturas — para reportar o que tem de ser reportado, segundo os valores conhecidos por seus leitores, telespectadores, ouvintes e internautas, e há aquele outro “negócio”, financiado com dinheiro público, para fazer propagada governista e difamar seus adversários e críticos. E não custa lembrar de um terceiro grupo: os infiltrados. São agentes do oficialismo que escrevem na grande imprensa, aproveitando-se, para fazer proselitismo, da vantagem que esta lhes oferece e que eles próprios jamais ofereceriam a seus adversários se tivessem o poder que almejam: a pluralidade. Sigamos.

TPM
Sim, existe uma compreensível Tensão Pré-Mundial no governo Dilma. Teme-se o renascimento das manifestações de junho, coisa na qual não acredito — e já digo por quê. Depois de quase 12 anos de petismo no poder, as fragilidades do arranjo e as promessas não cumpridas são evidentes. Nada, infelizmente, entendo eu, que possa tirar a reeleição de Dilma. O governo tem âncoras outras, que dispensam a eficiência. A máquina assistencialista, que passou a ser chamada, à direita e à esquerda, de “redistribuição de renda”, tem ocupado boa parte do espaço que caberia à política.

“Política” é e será sempre o nome do jogo — e é precisamente nesse ponto que passa a operar o marketing do terror preventivo. Os petistas e sua máquina de propaganda demonizam a divergência com uma eficiência que não se viu nas duas grandes ditaduras do século passado: a do Estado Novo e a militar. A crítica é tratada como sabotagem. Assim, apontar as ineficiências do governo na realização da Copa do Mundo ou demonstrar os desastres de Guido Mantega na condução das políticas monetária, cambial e fiscal não seriam ações compreendidas no escopo da democracia. Nada disso! Num caso e noutro, interesses inconfessáveis estariam a mobilizar a crítica e o crítico.

A renitência da inflação e a contabilidade criativa para fechar as contas não podem, pois, ser tomadas como erros na condução da política econômica. Segundo um dos porta-vozes do oficialismo, Dilma estava apenas fazendo a sua aposta num mundo melhor para os pobres, mas foi atropelada pelos pérfidos interesses das elites, especialmente do capital financeiro — o mesmo que, vejam que coisa curiosa!, financia regiamente o PT e torce de forma nada secreta pela volta de… Lula! É evidente que também essas teorias conspiratórias não param de pé; alimentam-se, a exemplo de todas as outras, da falta de evidências. Ocorre que estamos no terreno da guerrilha ideológica — e, nesse caso, o que vale é a fantasia.

Não acredito
Não aposto — e, em certa medida, gostaria de estar errado — no renascimento das tais “manifestações”. A razão é simples: seja para analisar a “Primavera Árabe”, seja para entender quebra-quebra em São Paulo e Rio, eu não acredito na efetividade do Facebook, mas da Irmandade Muçulmana e das organizações de esquerda, respectivamente. Num caso e noutro, não mobilizados podem até aderir às ações de rua, mas a centelha original sempre fica a cargo de profissionais. O “junho” brasileiro pode até ter ganhado uma coloração antigovernista em vários momentos, mas o seu ânimo era, entendo eu, de esquerda. Infelizmente, a direita liberal e democrática não dispõe de força para grandes mobilizações de rua — ademais, nem é esse o seu espírito. Nunca se esqueçam de que os protestos violentos nasceram em São Paulo, numa associação entre os petistas radicais e extremistas de esquerda associados. O alvo era o governo Alckmin. Aí o tiro saiu pela culatra. Já demonstrei isso aqui com evidências de sobra.

Assim, ainda que exista a TPM, o governo não leva muito a sério a possibilidade de novos e gigantescos protestos de rua. De resto, seus bate-paus nos sindicatos, nas ONGs, nos movimentos sociais — E NA IMPRENSA — estão e estarão mobilizados para sabotar qualquer tentativa de manifestação antigovernista.

Então por quê?
Então por que essa conversa sobre uma suposta conspiração da direita? Para calar preventivamente a oposição, a imprensa e os críticos, de sorte que tanto o noticiário como as redes sociais sejam inundados só com discursos laudatórios. Eis o PT: antes mesmo que seus críticos apontem seus defeitos e suas falhas, o próprio partido os anuncia como se fossem manifestação do preconceito de seus adversários. E conta, nesse trabalho, com uma rede poderosa, que une os venais, os quadros ideológicos e, como sempre, os idiotas.

Aborto
Lembrem-se das campanhas eleitorais de 2010 e de 2012. Dilma, a então ministra da Casa Civil de Lula, era uma defensora da legalização do aborto. Chegou a comparar a extração de um feto à de um dente. Segundo ela, ninguém poderia gostar nem de uma coisa nem de outra. Um pensamento humanista e chique. Com Deus, havia deixado claríssima a sua relação: rezava um pouco quando o avião balançava. Em terra firme, entende-se, diminui o seu fervor místico…

Atenção! Isto que vai agora é fato, não opinião. Acompanhei a coisa toda desde o início porque, como vocês sabem, esse é um debate que me interessa. O PT temia as opiniões emitidas por Dilma sobre esses temas. Antes que a campanha do tucano José Serra emitisse qualquer juízo de valor a respeito, teve início a guerra — esta, sim, midiática — acusando o adversário de explorar uma questão que, segundo o petismo, não deveria frequentar o debate político porque se trataria de mera questão… religiosa!

Notem que fantástica impostura! Decidir como o Brasil vai tratar os seus fetos não diria, então, respeito à disputa pelo poder. “A política é laica”, gritavam os pilantras, secundados pelos cretinos. A imprensa, esmagadoramente favorável à legalização do aborto, serviu de porta-voz da pregação petista. Mais do que isso: foi sua propagandista. Não se esqueçam jamais de que o jornalismo brasileiro apoiou, quase unanimemente, o recolhimento de um panfleto impresso por um grupo de católicos que recomendava que não se votasse em candidatos favoráveis ao aborto. O TSE atuava como censor, contrariando a Constituição. Jornalistas aplaudiram porque lhes pareceu razoável censurar uma opinião com a qual não concordavam. Uma vergonha!

O PSDB foi posto na defensiva. Repórteres cobravam agressivamente de Serra se considerava justo que se cobrasse de Dilma a opinião que ela tinha sobre o aborto; queriam saber se isso era compatível com a laicidade da política. Raramente a imprensa foi tão intelectualmente delinquente como naqueles dias.

E agora vem o mais estupefaciente: o PSDB não havia tocado no assunto. A questão não foi levada ao horário eleitoral — nem mesmo os dois vídeos, para confronto: num deles, Dilma se dizia favorável à legalização do aborto; no outro, já candidata, contrária. O trabalho do petismo deu resultado: a petista não foi obrigada a se confrontar com as suas próprias opiniões, e o ônus das negativas caiu no colo do seu adversário. Dez em marketing; zero em vergonha na cara.

Kit gay
Em 2012, na disputa pela Prefeitura de São Paulo, assistiu-se ao mesmo procedimento. Os petistas sabiam que os absurdos do tal kit gay — vetados até por Dilma Rousseff — poderiam pesar contra Fernando Haddad. O arquivo está aí. Apontei a trapaça desde o início. Antes mesmo que o PSDB definisse o seu candidato, os porta-vozes do partido na imprensa e na subimprensa anunciavam: “Os tucanos vão explorar o kit gay! Isso é preconceito! O que o kit gay tem a ver com a Prefeitura?”. Bem, é claro que tem — especialmente quando essa Prefeitura tem milhares de alunos.

E pronto! Lá foi o batalhão de repórteres a tratar o candidato do PSDB como homofóbico — justamente José Serra, o formulador de uma política pública de combate à AIDS, por exemplo, que era e segue sendo uma referência para o mundo. E daí? A delinquência ideológica não respeita competências; ela tem causas.

E, como era de esperar, o tema ficou longe da campanha. O PSDB preferiu não ligar Haddad à sua própria obra, assim como não ligara, dois anos antes, Dilma às suas próprias opiniões. Pior: tucanos ditos “progressistas”, nos dois casos, preferiram atacar a campanha do seu partido, que seria por demais… conservadora!

Concluindo
A máquina petista e seus serviçais estão de volta com o mesmo procedimento. Agora eles pretendem levar os adversários de Dilma para a defensiva no caso da Copa, acusando-os de tentar sabotá-la. Assim como não se podia lembrar que a petista era uma defensora fanática do aborto e que Haddad havia feito os kits gays, deve-se deixar de lado a incompetência do governo na organização do evento.

Infelizmente, os adversários do PT — e a imprensa séria, que não é adversária de ninguém em matéria partidária — têm caído no truque petista de maneira sistemática. Aqui e ali já vejo críticos do petismo fazendo as suas juras de amor à Seleção, ao nosso futebol, à nossa ginga, essas coisas… A questão de fundo é a seguinte (e ainda voltarei ao tema): enquanto os não petistas reconhecerem no PT um tribunal legítimo e permitirem que o partido se comporte como seu juiz, será impossível vencê-lo. Em certa medida, é preciso esquecer o PT para derrotar o PT. 

07 Jan 13:18

Hans-Juergen Schoenig: Detecting fraud: Bendorf’s law

Many people use PostgreSQL to store data and do some basic analysis. However, there is more to data than many people might think. Bendorf’s law, for instance, is a mechanism, which is widely used in many fields. Especially accounting fraud and so on can be detected nicely using this very simple law of mathematics. What […]
03 Jan 12:12

Searching the Internet For Evidence of Time Travelers

by samzenpus
Hugh Pickens DOT Com writes "Here's an interesting paper by two physicists at Michigan Technological University who have come up with a practical methodology for finding time travelers through the internet. 'Time travel has captured the public imagination for much of the past century, but little has been done to actually search for time travelers. Here, three implementations of Internet searches for time travelers are described, all seeking a prescient mention of information not previously available. The first search covered prescient content placed on the Internet, highlighted by a comprehensive search for specific terms in tweets on Twitter. The second search examined prescient inquiries submitted to a search engine, highlighted by a comprehensive search for specific search terms submitted to a popular astronomy web site. The third search involved a request for a direct Internet communication, either by email or tweet, pre-dating to the time of the inquiry. Given practical verifiability concerns, only time travelers from the future were investigated. No time travelers were discovered. Although these negative results do not disprove time travel, given the great reach of the Internet, this search is perhaps the most comprehensive to date.' Stephen Hawking's similar search (video) also provided negative results."

Share on Google+

Read more of this story at Slashdot.


    






03 Jan 12:11

Haskell

The problem with Haskell is that it's a language built on lazy evaluation and nobody's actually called for it.
02 Jan 18:52

Leituras do dia

by Norma

Artigo de Denis Rosenfield que expõe a desonestidade dos que comparam o capitalismo real a um socialismo que só existe em suas cabeças.

Mais uma resposta de Yago Martins e Felipe Cruz ao Jesus também inventado de Caio Fábio.

Em tempo: a teologia de Caio Fábio, assim como a teologia liberal, nada no mar do esquerdismo, e é por isso que pode ser tão incoerente e ao mesmo tempo conquistar tantos adeptos. Veja, por exemplo, o comentário de um rapaz chamado Ederson Sales à postagem. Ele acredita que Deus está "além do alcance de nossa capacidade intelectual" (confundindo a infinitude de Deus com irracionalismo) e crê que Caio fala

"...do amor incondicional de Deus e sobre a simplicidade de viver o Evangelho liberto de dogmas e estigmas patrocinados por instituições opressoras travestidas de igrejas".

O rapaz acertadamente localizou nos ensinamentos de Caio Fábio três itens obrigatórios em qualquer discurso esquerdista pós-moderno atual: o mito da liberdade sem forma, a criminalização do pensamento lógico e o mecanismo do bode expiatório. A liberdade sem forma deixa o sujeito "livre" para viver do jeito que quiser, para criar suas próprias regras, convencendo-o de que não há regras. A criminalização do pensamento lógico o desobriga da coerência e faz com que ele identifique uma racionalidade "opressora" em todo aspirante a interlocutor divergente: isso explica a aversão de Caio pela sistematização, ao mesmo tempo em que usa dela em algum nível (é impossível fugir). O mecanismo do bode expiatório estabelece que a igreja instituída é "opressora", estratégia que atrai simpatias instantâneas e ainda reúne odiadores em nome do amor. O "amorrrrrrr" serve como justificativa prévia para tudo. É assim que Caio Fábio pode continuar dizendo as maiores barbaridades sobre a igreja instituída e todos aqueles que discordam dele, mas continuar posando como "guru do amor". Porém, que não se enganem seus adeptos: a água que ele está servindo foi buscada no poço das cosmovisões apóstatas, que são irracionalistas, esquerdistas e românticas, mantendo a ilusão da autonomia humana. Ainda falarei mais sobre isso.