
Shared posts
dumbledork713: mrscliffordshelley: Thanks BBC, you FINALLY...

Thanks BBC, you FINALLY cleared everyone’s suspects at last.
THANK YOU

yall—need-misha: timey-wimey-consulting-detective: octop...


timey-wimey-consulting-detective:
Rebloging again because of this gif.
We better reblog this as much as we can 2013 is almost over
leacnaib: what they skylines In these cities would look like...








what they skylines In these cities would look like if there was no light pollution.
Rio is outstanding, like SHUT UP don’t mess with my city
A vida secreta de Walter Mitty
Send to Kindle
Você já deve ter passado os olhos em mais de um texto que aponta como o Facebook deixa as pessoas deprimidas. É aquela armadilha que armamos para nós mesmos: sabemos que o que aparece na timeline dos outros é “editado”, só os melhores momentos, e mesmo assim nos perguntamos por que não somos tão bonitos, felizes e bem sucedidos quanto aquelas pessoas que ali estão. E lembrando que não são só fatos da vida de uma pessoa que podem ser “editados”, como ela mesma pode criar uma personagem, expondo só o que tem de melhor (ou de pior, não vamos esquecer dos trollzinhos). Você também já deve ter lido qualquer texto daqueles que mesclam um tom de autoajuda com crítica, falando de como as pessoas têm 500 amigos em redes sociais mas poucos “na vida real”.
É essa linha cada vez mais tênue entre a vida virtual e a vida real que A vida secreta de Walter Mitty explorará, em uma metáfora até bem direta (e bastante óbvia), mas que nem por isso deixa de agradar. Mitty é um sujeito sonhador, que volta e meia está perdido em devaneios onde ele surge como um sujeito que faz tudo o que ele gostaria de fazer na realidade. O Mitty “dos sonhos” é corajoso, aventureiro, genial, extrovertido. Em suma, tudo o que Mitty “da realidade” acha que não é. Ele é o responsável pelos negativos na revista Life, que passa por um período de transição, com a edição de papel deixando de circular e passando apenas a contar com edição online. Há aqui mais um jogo entre ficção e realidade, já que a revista é real e de fato hoje em dia não conta mais com a edição impressa, por outro lado até algumas capas que aparecem no filme não são reais, incluindo aí, é claro, a capa com a foto do negativo 25, que some misteriosamente e é o que lança Mitty em uma aventura real para resgatá-lo.
O filme todo poderia ser só a busca de Mitty pelo negativo e já seria bem bacana, daquele jeito “sessão da tarde” mesmo. É leve, engraçado e tem seus momentos tocantes (e ok, vá lá, mexe com a nossa curiosidade sobre o qual é a foto do negativo 25). Mas desde o começo há ali a presença constante de elementos que apontam para a metáfora da vida virtual x vida real, a começar pelo mais evidente, a conversa ao telefone com Todd, o técnico do site de encontros que Mitty usa para tentar se aproximar de uma colega de trabalho por quem se apaixonou. É ali que as dicas são deixadas, a começar quando ele pergunta para Mitty por que diabos ele não começa a conversar com a mulher para quem queria mandar um wink no site, já que eles são colegas de trabalho. Há então a insistência para completar o perfil, como se ele não existisse por completo se não tivesse alguma aventura em seu histórico.
Mas mais do que isso, percebi como os telefonemas do técnico começam a coincidir bem com os momentos em que ele está lá, em um lugar belíssimo – só ele e uma vista maravilhosa de uma cidadezinha da Islândia, por exemplo. É aqui que a metáfora fica um pouco menos óbvia, mas ao mesmo tempo mais forte: quantas vezes você não esteve vivendo um momento especial e não acabou parando de fazer o que estava fazendo para tirar uma foto e publicá-la no Facebook ou Instagram, só para que outras pessoas também vissem o que você estava fazendo? Para mostrar que seu perfil está completo, que você também tem histórias e aventuras para contar?
E se isso não serviu para “pescar” a ideia, vem então uma cena muito bonita onde Mitty finalmente encontra Sean O’Connell, o fotógrafo que enviou a imagem do negativo 25. Sean está tentando fotografar o leopardo-das-neves, e enquanto conversa com Mitty sobre o destino do negativo 25, está se preparando para registrar o momento. Até que o leopardo aparece, e Mitty estranha o fato de Sean não fotografar o animal. O fotógrafo então comenta que quando o momento é especial como aquele, ele não fotografa, mas o vive. Lembrei de novo daquela fala da Amanda Palmer sobre a falta de fotos do dia do casamento dela, que já comentei por aqui:
i don’t want to live to document my moments. i don’t want to see a sunset and reach for my iPhone. i don’t want to live my life and love my loves inside out. i fear, sometimes, that i do. i fear for all of us. and in these moments, i find non-action is the only antidote. or something like that.
Fazer parte do momento, viver aquele momento. A ideia é basicamente que enquanto pensamos em termos de como “preencher nosso perfil”, podemos estar perdendo momentos preciosos. A proposta não é de “desconectar” completamente, mas de saber o momento de quando fazê-lo. Por exemplo, vale lembrar que apesar do papel que Todd representa na história, ele depois surge como alguém na vida real de Mitty, valendo até um diálogo que qualquer pessoa que já fez amigos na internet já deve ter ouvido: “Nossa, você é completamente diferente do que eu imaginei”.
Enfim, eu sei que não é um filme tecnicamente perfeito, tenho noção disso. Há algumas questões do roteiro que pedem um pouco de paciência de quem está assistindo, porque vá lá, são meio forçadas. Continuo não gostando do Ben Stiller, e blablabla, poderia falar mais um monte de coisa aqui. Mas aí eu fecho os olhos e lembro da cena em que Walter está imaginando Cheryl cantando Space Oddity em um botequinho na Groenlândia, e pans, não tem como não colocar entre os meus favoritos desse ano.
Em tempo, o filme é levemente baseado em um conto de James Thurber, publicado em 1939 na New Yorker. E como a New Yorker é uma linda e nem tudo é ruim quando se fala de internet, é só clicar aqui caso você queira ler o conto. Quando digo “levemente baseado” é porque a versão do cinema conta com o mesmo nome, e a ideia de uma pessoa perdida em devaneios em momentos ordinários da sua vida. Mas o filme acaba explorando isso de forma diferente, inclusive ao incluir a busca pelo negativo (e toda a metáfora sobre a vida virtual da qual falei aqui).
Vai aí o trailer (que foi o que me fez ficar tão ansiosa sobre o filme que fui já no final de semana de estreia assistir no cinema):
PS: Sim, 20 dias sem escrever, eu sei. Estou virando um tipo de macunaíma dos blogs, não sei. Começo a escrever e aí ai, que preguiça. Vamos ver se pelo menos a lista de filmes e livros de 2013 eu ainda faço.
Vitamina D: a arma secreta dos hobbits
Quando você acha que você já viu de tudo, sempre tem uma maluquice nova. Por exemplo, a dos pesquisadores Joseph e Nicholas Hopkinson, do Instituto Nacional de Pesquisa em Saúde. A dupla acaba de publicar um artigo científico na revista médica “The Medical Journal of Austrália” com o título “O hobbit – uma deficiência inesperada”. Resumo da ópera: a derrota dos personagens malévolos de “O Hobbit” parece ter uma forte associação com… a deficiência de vitamina D.
A dupla de médicos usou uma estratégia simples e elegante: mapeou os personagens do livro, classificando-os como “vitoriosos” e “derrotados” e “bons” ou “maus” (OK, nada sofisticado até aqui) e depois usou informações do texto para classificar os personagens numa escala de 0 a 4 com respeito aos níveis de vitamina D em seu organismo, com base em seu estilo de vida. Os níveis de vitamina D, é bom lembrar, dependem basicamente da exposição à luz solar, e também, em menor medida, de uma dieta rica em peixes gordurosos, gema de ovo, queijo, carne, fígado e certos cogumelos. A falta de vitamina D, lembram eles, causa problemas ósseos e no sistema de defesa do organismo.
Nas palavras impagáveis da dupla descrevendo sua hipótese de trabalho:
“Uma característica marcante da literatura de fantasia é a vitória dos personagens bons e a derrota dos maus. Enquanto o consenso é atribuir isso a convenções narrativas sobre moralidade e a necessidade de finais felizes, nossa hipótese é que uma grande contribuição para a derrota dos malfeitores nesse contexto é sua aversão à luz solar e sua dieta ruim, que poderia levar à deficiência de vitamina D e, portanto, à redução das capacidades marciais.”
Não preciso dizer que a dieta variada e a vida ao ar livre de Bilbo o deixam em boa situação, assim como ocorre no caso dos anões, de Gandalf (apesar de eles serem fumantes, ressalvam os médicos) e de Beorn. Já Gollum, apesar de comer peixxxxe, fica mal nessa fita, e o mesmo vale para os orcs e para Smaug. (A média dos personagens bons é uma “nota” de 3,4, contra apenas 0,2 dos personagens malévolos).
Como é de praxe em publicações médicas, os autores tiveram de fazer uma declaração de conflito de interesse: “Declaramos que não temos conflitos de interesse a respeito deste trabalho, embora Nicholas Hopkinson curta bastante Game of Thrones na televisão e Joseph Hopkinson tenha lido todos os livros”.
Encontre o Erro - Os profissionais do Hospital San Magno
Pra embalar este post, uma música bem condizente com o corpo clínico:
Dá o play e vem com a gente:
Lutero - O cirurgião com Parkinson
Lutero era um cirurgião renomado que estava com parkinson. O que ele fez? Sim, continuou operando, pois estava com medo de perder o cargo. Contou com a ajuda da amiga enfermeira, que operava...sim, operava no lugar dele quando ele tremia demais.
Ganhou: cinco estrelinhas só que ao contrário no quesito profissionalismo ★★★★★
Bônus para a enfermeira da foto que acha que "aids só dá em gay" sendo que ela é enfermeira e teria obrigação de saber isso, até porque está lidando com sangue e fluidos alheios.
Michel - O endocrinologista ninfomaníaco que tem preconceito com gordinha
Michel é um endocrino, que cuida de obesidade e outras disfunções, como tireóide. Masssss mesmo assim, ele amava rir da colega Perséfone...porque ela é gorda. Ué? Pois é.
Ganhou: três estrelinhas só que ao contrário no quesito profissionalismo ★★★
Bônus para ele e Patrícia que costumavam usar os consultórios e cantos do local de trabalho para fazer sexo, inclusive desmarcando pacientes para saciar o desejo incrontrolável.
César - O ex-presidente safadinho
César mantinha um caso com a secretária gostosona. Em várias ocasiões, trancavam as portas do escritório e mandavam ver ali mesmo.
Além disso, internou a própria filha em uma clínica psiquiátrica completamente duvidosa, sendo que como médico, poderia realizar exames nela com algum profissional com um pingo de confiança.
Ganhou: quatro estrelinhas só que ao contrário no quesito profissionalismo ★★★★
Perséfone - A enfermeira que só pensa naquilo
Perséfone passou metade da novela querendo desencalhar, dava em cima de todos os colegas de trabalho (inclusive durante o expediente) e agora a outra metade ela tá querendo se vingar do ex marido (que também trabalha lá) dando em cima de todos os colegas de trabalho (inclusive durante o expediente).
Também costuma fazer comentários super pertinentes para o chefe como por exemplo "estou exausta porque era virgem e casei essa semana, o senhor sabe como é, né? to tirando o atraso. como é bom rssss" e "to pensando em fazer depilação artística, o primeiro que merecer, vai ver o meu moicano"
Ganhou: uma estrelinha só que ao contrário no quesito profissionalismo ★
Bônus para o marido fisioterapeuta que tem uma irmã autista porém nunca se lembrou que ela poderia fazer alguns tratamentos com ele mesmo e muito menos sugerir isso para a mãe deles.
Jacques - Médico e galã
Jacques é um cirurgião que quer crescer no hospital. Para isso, tentou derrumar Lutero, o médico com Parkinson, mas era só pra pegar o lugar dele. Depois tentou seduzir o Felix para descolar um cargo e inclusive participou de algumas armações e desvios de dindin do hospital.
Ainda tentou dar o bote na Pilar dona do hospital, na tentativa de se dar bem.
Ganhou: duas estrelinhas só que ao contrário no quesito profissionalismo ★★
Laerte - O médico que troca óvulos
Laerte é amigo da Narylis, que fez um pedido muito especial para ele.
- Oi querido! Troca o óvulo da doadora da barriga de aluguel pelo meu?
- Ai num posso, é proibido.
- Ah, vai! Coloca meu óvulo aí, só pra eu saber comé que é
- Ta bom.
E assim, contra qualquer ética neste caso, ele foi lá e implantou o óvulo da Amarylis em vez da doadora anônima, sem que os pais Niko e Eron tivessem qualquer conhecimento.
Ganhou: cinco estrelinhas só que ao contrário no quesito profissionalismo ★★★★★
Enfermeira morta
Morreu no meio do expediente.
Ganhou: três estrelinhas só que ao contrário no quesito profissionalismo ★★★
Pérsio - O médico que não atende pecadoras
Pérsio se recusou a atender uma mulher que fez um aborto ilegal porque isso ia contra sua religião, o que levou a paciente a óbito. Nem preciso falar mais nada, né?
Ganhou: oito estrelinhas só que ao contrário no quesito profissionalismo ★★★★★★★★
Enfermeira Cissa - Aquela que dá mole pro ex da patroa
Cissa trabalhava no hospital, depois foi trabalhar na casa da Pamonha. Um belo dia, voltando da padaria, encontrou Ninho. Ele falou que queria dar uma volta com ela e ela - OK.
Largou o expediente no meio pra sair com o ex da patroa, que ela achou que tava dando bola pra ela.
Com isso, desencadeou o sequestro da Paulinha.
Ganhou: duas estrelinhas só que ao contrário no quesito profissionalismo ★★
Bônus para Pamonha que botou ela pra trabalhar de volta no hospital, mesmo toda quebrada e sem conseguir se mexer e cuidar dos pacientes "porque ela precisava do emprego" em vez de afasta-la por problemas de saúde.
Glauce - A obstetra assassina
Glauce se apaixonou por Burruno marido de sua paciente, a participação especial da Gabriela Duarte.
A cada consulta, sentia mais e mais vontade de beijar, ver ele nu, peladinho, mostrando aquele peitoral maravilhoso minha nossa senhora e foi lá e matou a paciente e o nenem por causa disso. Ainda de quebra, matou também a enfermeira figurante.
Além disso, ajudou o Felix no sequestro da Paulinha, que era sua afilhada. E por fim se suicidou...
Ganhou: dez estrelinhas só que ao contrário no quesito profissionalismo ★★★★★★★★★★
Bônus para enfermeira Perséfone, que ajudou a fazer o registro falso da Paulinha e roubou e escondeu o prontuário da mulher do Burruno e ninguém mais lembrava disso.
E este foi mais um profissão repórter fazendo a radiografia da saúde no país. Já sabe, né? Qualquer emergência, passe longe deste hospital. Esqueci de alguém? Quer reclamar do seu plano de saúde? Comenta AQUI
Uma resenha de O Hobbit: A Desolação de Smaug – por Fëanor
Eis que a segunda parte de O Hobbit finalmente estreou! Encarei a estreia em 48 fps e 3D (preferia 2D, mas não tinha opção disponível) e, com o nível da empolgação em alta pela expectativa de ver Smaug, Beorn, Esgaroth e Erebor na telona, me afundei na cadeira. As duas horas e quarenta minutos do filme passaram rápido pelos meus olhos, e saí da sala com sentimentos mistos sobre o que eu havia acabado de assistir. Destaco a seguir aqueles que considero os pontos positivos e negativos do filme para tentar fazer um balanço geral da experiência. E para fazer isso naturalmente revelarei partes do filme, ou seja: SPOILERS ABAIXO.
Começamos com um flashback de Thorin em uma Bri chuvosa. Mas antes do chegar no anão, PERAÍ! Quem é o primeiro sujeito que aparece na tela saindo de uma casa? Ninguém menos que o próprio diretor Peter Jackson, naquele que é provavelmente o cameo mais precoce da história do cinema! Ok, voltemos ao flashback. Thorin se encontra com Gandalf no Pônei Saltitante, e o mago revela ao anão que colocaram um preço em sua cabeça. Gandalf encoraja-o a recuperar Erebor. Thorin argumenta que necessita da Pedra Arken para poder reunir as forças dos reinos dos anões – e surge aí a primeira adaptação que julgo ser meio sem sentido: Thorin não é mais ou menos rei devido à pedra. Mas ok, PJ julgou que esse seria um gancho interessante para dar o motivo pelo qual Bilbo foi escolhido por Gandalf para fazer parte da comitiva: entrar em Erebor sem ser notado para recuperar a gema.
O filme volta para o momento presente. Bilbo espia orcs montados em wargs caçando a comitiva, quando repentinamente avista algo maior e ainda mais assustador: Beorn! Bilbo avisa o resto da trupe e Gandalf, adivinhando se tratar do troca-peles, conduz todos para a “casinha” do ursão, que persegue-os mas no último momento é impedido de abocanhá-los pela porta da própria residência, que é fechada pelos nossos heróis. A sequência é bacana, mas infelizmente é praticamente a única coisa que vemos de Beorn em sua forma animal em todo o filme. Depois disso ele reaparece em sua forma humanoide (que é um tanto exagerada na quantidade de pelos faciais, mas não chega a comprometer a ideia mental que eu tinha do personagem), mas também por pouco tempo. Realmente uma pena, já que era um dos personagens que mais esperei para ver. Resta agora aguardar pela participação do metamorfo no terceiro filme.
Próxima parada: Floresta das Trevas. Gandalf tem uma comunicação telepática com Galadriel (ou foi uma lembrança de uma conversa anterior? Ainda não tenho certeza, preciso rever) e decide rumar para Dol Guldur, onde forças malignas se reúnem. Para quem conhece a história do livro, ok. Já quem não conhece ficou com uma sensação de “ahn?” (assim como com praticamente toda a sequência de Gandalf na fortaleza do necromante)
A floresta ficou bem caracterizada, e as aranhas também. Gostei bastante da sequência em que elas aparecem capturando os anões e Bilbo resgata-os. E o CGI ficou muito bom, diga-se.
Em seguida, os anões são capturados pelos elfos da floresta e encarcerados no reino de Thranduil. Aí aparecem novos personagens que já eram esperados por todos: Legolas e Tauriel. A elfa, criação pura de PJ, não chega a comprometer per se, e é bastante carismática. O problema, julgo eu, é a paixonite que Kili desenvolve pela elfa, e a maneira como ela parcialmente corresponde. Não é a mesma coisa que a relação Gimli-Galadriel que vimos em O Senhor dos Anéis e que estava muito mais para uma admiração profunda e deslumbrada do anão pela rainha de Lothlórien, bastante próxima ao que Tolkien descreve no livro. No caso “Kili S2 Tauriel” o anão realmente se apaixona pela elfa, chegando a causar ciúmes em Legolas (que também tem uma queda pela ruivinha). E Tauriel dá alguns sinais de correspondência. Me pareceu um romance forçado, uma espécie de tentativa de preencher a ausência de cenas românticas no filme, ao mesmo tempo em que parece querer passar uma mensagem de tolerância inter-racial. Para quem é minimamente familiarizado com o mundo de Tolkien, o negócio pareceu estar à beira do absurdo. Elfos e anões não se bicam. Sim, existem exceções (os já mencionados Gimli e Galadriel, bem como o próprio Gimli e Legolas), mas forçar para o lado romântico ficou meio apelativo. Se PJ queria algum romance no filme, poderia ter se limitado ao relacionamento de Tauriel com Legolas.
Após os anões lerem libertados por Bilbo, vemos uma sequência de ação mirabolante retratando a fuga nos barris pelo rio. Orcs aparecem atacando anões e elfos, Legolas e Tauriel encarnam o espírito de super heróis da Marvel e um ridículo Bombur rola para fora do rio em seu barril, derrubando dezenas de orcs pelo caminho. A comitiva escapa ilesa, exceto por Kili, acertado na perna por uma flecha de Morgul, que dará a deixa para Tauriel reaparecer posteriormente.
Paralelamente, Gandalf adentra Dol Guldur e é atacado por Azog e sua trupe de orcs. O Mago enfrenta-os, e enquanto tenta escapar da fortaleza depara-se com uma sombra que parece ser o chefão local. Os dois se enfrentam, Gandalf é subjugado e descobre de quem se trata o inimigo: Sauron, vulgo Necromante, vulgo coisa ruim.
Já Bilbo e os anões se aproximam dos domínios de Valle, e encontram Bard. O arqueiro aceita uma graninha do grupo para colocá-los dentro de Esgaroth, por onde precisam passar para continuar rumo à Erebor (e onde precisam conseguir algumas armas, já que as suas foram tomadas pelos elfos). Na Cidade do Lago, Bard é mal visto pelo Mestre da cidade, que julga-o um agitador que quer unir a população para derrubá-lo. Os anões tentam passar despercebidos até a residência de Bard e seus filhos, e chegando lá logo descobrem que as armas que o arqueiro lhes conseguiu não são nada adequadas. Enquanto isso, é contada a história do último ataque de Smaug à Valle, quando o rei Girion, ancestral de Bard, falhou em derrubar o Dragão com as imensas flechas negras atiradas de uma balestra gigante (ou uma balista). Aqui surge outra parte incômoda: é dito que somente uma dessas flechas tamanho família pode derrubar o dragão. Além de tornar o destino do lagartão previsível demais, PJ descartou a possibilidade de Bard conseguir derrubar Smaug usando um arco e uma flecha de tamanho comuns.
Em seguida, os anões decidem dar um jeito de entrar no depósito de armas da cidade para conseguir algo melhor. A missão falha graças à uma trapalhada de Kili, e os mesmos são presos e levados ante o Mestre da cidade. Thorin revela-se, e promete ao povo de Esgaroth que a cidade voltará a ser próspera caso consigam retomar Erebor. Bard intervém, relembrando a todos da desgraça que lhes acometeu outrora, culpando a ganância dos anões. Mas não parece ser o suficiente para impedir que a comitiva ganhe a simpatia da cidade e do Mestre. E com isso o grupo consegue finalmente se armar e partir para a Montanha Solitária. Kili fica para trás devido ao seu ferimento, e com ele Óin, que fica ali para cuidar do anão caçula. E ainda Bofur, que encheu a cara e perdeu a hora da partida.
Chegando em Erebor exatamente no Dia de Durin, a comitiva precisa encontrar a porta secreta, cuja fechadura é revelada pela última luz do dia. O sol se põe, a fechadura não aparece, e os anões perdem as esperanças. Bilbo não desiste e permanece sozinho diante da porta ainda não revelada, tentando se lembrar das palavras do mapa que indicavam como encontrá-la. E eis que surge a lua, revelando finalmente a fechadura. A porta é aberta, e Thorin revela à Bilbo sua missão: adentrar sozinho na Montanha e recuperar a Pedra Arken. Bilbo, ainda que atemorizado, decide provar seu valor e cumprir a tarefa. E isso nos leva ao momentos mais bacanas do filme, isto é, ao dragão! Mas antes de chegar nisso, vamos voltar para a Cidade do Lago.
Em Esgaroth Bard é preso, e os orcs, liderados por Bolg (filho de Azog), atacam a cidade. Tauriel aparece para salvar Kili (que tá indo dessa pra melhor por causa do veneno da flecha), e junto com Legolas expulsam os inimigos. Legolas e Bolg se enfrentam, mas sem concluir o combate: Bolg foge e o elfo vai atrás dele. Já Tauriel fica na cidade e usa de seus poderes medicinais para curar o ferimento de seu novo amor, digo, Kili.
Voltemos à Erebor: Bilbo procura pela pedra Arken, mas acaba despertando Smaug. O diálogo do hobbit com a besta é excelente e bastante fiel ao livro. O CGI do danado é impecável. E a voz poderosa ficou perfeita. Bilbo foge do dragão, mas é barrado por Thorin, que lhe pergunta sobre a Pedra Arken. Bilbo nada diz, Thorin se irrita, e é aí que chega o resto da comitiva. E também chega Smaug. O grupo foge do dragão, e seguem-se cenas de ações que, apesar de serem bastante longas, são muito bem feitas (sobretudo pelas altas doses de Smaug com que somos presenteados). O plano dos anões é meio mirabolante demais, mas ao mesmo tempo funcionou para duas coisas: criou a deixa para Smaug ir atacar Esgaroth e permitiu a deslumbrante cena final de um Smaug sacudindo o ouro do corpo e indo para o ataque, enquanto um incrédulo Bilbo se questiona: “o que nós fizemos?”
E eis que é justamente aí que o filme acaba. Provavelmente muitos ficaram descontentes com um final que foi um corte súbito na trama, sem fornecer um desfecho de fato para essa parte da história. Já eu achei bacana, justamente por isso. Na verdade eu já estava gritando internamente pelo fim do filme justamente ali, para que se criasse esse suspense em torno do ataque de Smaug, que deverá propiciar um início de terceiro filme de tirar o fôlego.
De uma maneira geral, o filme tem suas óbvias distorções e acréscimos à obra original. Entendo alguns como naturalmente necessários pela opção dos três filmes, mas outros realmente extrapolaram o limite do que seria razoável. O filme poderia ter aí uns 40 minutos a menos, cortando muita baboseira e cenas de ação demasiadamente longas (como aquela dos barris). Não bastasse a opção do PJ pelos três filmes, eles quis fazer cada um com quase 3 horas, o que me parece criar espaços demais para embromation e deslizes feios. 3 filmes de duas horas cada teria sido uma opção mais sábia.
A trilha sonora cumpriu muito bem seu papel, de uma maneira até superior ao primeiro filme. Martin Freeman foi mais uma vez incrível no papel de Bilbo, consolidando muito bem a imagem do hobbit, de personalidade ao mesmo tempo simples em sua natureza e complexa em suas reações ao Anel, aos seus companheiros e a toda uma aventura longe de seu lar. Os demais atores principais também estiveram bem: Gandalf (Ian McKellen), Thorin (Richard Armitage), Balin (Ken Stott), e também Tauriel (Evangeline Lilly). Já Legolas (Orlando Bloom) não fedeu nem cheirou, e seu pai Thranduil (Lee Pace) foi o ponto baixo dos personagens, com pouquíssimo carisma e cheio de trejeitos que não caíram bem.
Enfim, apesar de pecar novamente em vários pontos e tomar liberdades que nada acrescentaram (pelo contrário!) à trama, PJ entregou um filme que diverte e que é visualmente muito bom. Não é o tipo de filme que vá agradar puristas, nem mesmo àqueles que esperam algo ao mesmo nível de O Senhor dos Anéis. Mas é um filme que ainda assim garante seus momentos de empolgação e de encher os olhos. E agora é esperar pela conclusão da saga em 2014, que também nos permitirá saber se PJ realmente perdeu a mão para filmar a Terra-média ou se ele ainda é capaz de nos entregar uma trilogia que, no fim das contas, seja satisfatória para a maior parte do público e dos fãs.












































