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25 Aug 17:10

Beyoncé e o feminismo

by Clara

Não é nenhuma novidade que Beyoncé samba na cara da sociedade.

Mas o que ela fez ontem, como disse minha amiga Renata, ainda não tem nome.

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Se você acorda cedo e estava dormindo na hora da apresentação de Bey no Video Music Awards, premiação da MTV americana, saiba que:

“Ai, mas a Beyoncé não era feminista até ontem”

Ainda bem que hoje é, não é mesmo? Não sei como alguém pode achar ruim um dos maiores ícones pop do mundo colocar na roda as falas da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie sobre feminismo. Mesmo. O alcance que isso tem pode realmente abrir os olhos e despertar o interesse de muita, muita, muita gente.

Uma mulher como a Beyoncé se assumir feminista dessa forma tão resplandecente é de uma enorme importância. Conheço um monte de meninas que já vivem sob ideais feministas, tem o discurso todo voltado pra libertação e igualdade mas ainda tem um pé atrás em sair do armário por acharem que não são “feministas perfeitas” ou porque não se encaixam no estereótipo de feminista.

Novidade: não existe feminista perfeita. Isso porque não existe ninguém perfeito. Estamos em constante construção e frequentemente ajustamos nossos posicionamentos. Aprendemos todos os dias lendo, conversando com outras mulheres e vivendo, então olha só: tudo bem mudar de ideia. Quanto aos estereótipos de feminista, por favor, né, quem se importa?

Eu sei que é todo um processo. Também passei por ele. Primeiro pensamos “é, elas estão certas, eu concordo com isso”. Depois pensamos “cara, eu sou feminista”, mas temos receio de falar por causa da encheção de saco que isso pode gerar, mas garanto: chega uma hora que você não vai mais se importar com isso e muito menos com as pessoas que poderiam possivelmente encher o seu saco, porque se posicionar é bem mais importante do que qualquer opinião babaca. E então é como se tirasse um véu da frente do rosto. Você começa a perceber comportamentos seus e dos outros, começa a analisar situações que antes pareciam “normais” e começa a perceber o quanto o feminismo é necessário.

Aproveitando, queria falar sobre o trecho da música Drunk in love em que Beyoncé faz referência aos abusos que Tina Turner sofria da parte de seu marido e parceiro Ike Turner. Muita gente achou que aquilo foi um desrespeito ou uma tiração de onda, mas não vejo assim. Eu acho que o “eat the cake, Anna Mae” é uma referência a como estar “drunk in love”, chapado de “amor”, pode levar a abuso. De qualquer forma, está aberto a interpretação, e mesmo que tenha sido uma cagada, todo mundo erra, né? Pra mim não tem nada pior do que gente que fica apontando o dedo de cima do palanquinho moral e dizendo quem pode ou não ser feminista. Chimamanda mesma disse, sobre Beyoncé usar suas falas:

Acho que qualquer coisa que faça com os jovens falem sobre feminismo é muito bom. Também acredito ter um problema com a ideia de o feminismo ser um tipo de festa exclusiva onde alguém decide se você pode ou não entrar e, também, com a ideia de que, de alguma forma, tem algo errado com uma mulher confortável com sua sexualidade.

Então: bora sair do armário como feministas?

25 Aug 11:01

El castigo colectivo a 40 familias de Gaza

by Iñigo Sáenz de Ugarte

Un edificio entero de 12 plantas (14 plantas según algunos medios) vuela por los aires en Gaza. Es prácticamente una demolición. Dos impactos en el lugar exacto provocan que el bloque entero se venga abajo.

Unas 40 familias vivían dentro. Un residente recibió un aviso por teléfono de que el edificio iba a ser destruido. Salió a la escalera para avisar a gritos a los vecinos de lo que se avecinaba. Todos salieron corriendo aterrorizados. Muchos no se arriesgaron a esperar para recoger lo más valioso, dinero por ejemplo. Veinte minutos después, cayó un misil de poca potencia en la azotea. Otros veinte minutos después, se produjo el ataque definitivo.

22 personas resultaron heridas, entre ellas 11 niños y cinco mujeres.

Todas esas familias perdieron sus viviendas, lo perdieron todo, porque el Ejército israelí dijo que la torre albergaba un “centro de mando” de Hamás. Los vecinos lo negaron.

En el primer párrafo de la noticia, el NYT dice que “el ataque (contra el edificio de viviendas) demuestra que Israel está dispuesta a acciones militares más audaces en Gaza, mientras los radicales palestinos continúan disparando cohetes y proyectiles de mortero sobre Israel”. Las negritas son mías.

En cualquier otra guerra, la destrucción completa de un edificio civil se consideraría un crimen de guerra. La posible existencia de un objetivo militar en su interior nunca justificaría la voladura completa de la torre. A menos que consideres que toda la población civil de Gaza es culpable y se merece cualquier castigo.

También el sábado fue destruido un centro comercial en Rafá que albergaba tiendas y oficinas de abogados, médicos y otros profesionales.

This is Rafah, Gaza right now after the airstrike hit a business building… #GazaUnderAttack #PrayForGaza pic.twitter.com/zjB6KHnwUu

— فلسطين i (@iFalasteen) agosto 24, 2014

El domingo, 17 misiles lanzados en 20 minutos sobre un barrio de Jan Yunis han causado la destrucción de 13 casas y un centro gestionado por una ONG.

Rahma Charity Association hit by israeli warplanes minutes ago in Khan Younis, southern Gaza strip. #GazaUnderAttack. pic.twitter.com/bqybjyHRUC

— صايل (@Falastinian) agosto 24, 2014

60 palestinos han muerto desde que el martes se reanudaron los ataques con cohetes sobre Israel y los bombardeos de Gaza. La cifra de total de víctimas mortales se acerca a 2.100. La ONU calcula que 17.000 casas han sido destruidas o muy gravemente dañadas.

25 Aug 09:51

A estranha fauna

by Luis Fausto

Do jornalista Ricardo Kotscho:

Defensora radical do meio ambiente e das espécies em extinção, a presidenciável Marina Silva, abrigada temporariamente no PSB, está conseguindo reunir em torno da sua candidatura uma fauna das mais variadas do cenário político e econômico nacional.

Na primeira semana de campanha, desfilaram em seu comitê eleitoral, e até falaram em nome da candidata, banqueiros e socialistas, históricos bichos grilo e simpatizantes dos black bloc, aqueles rebeldes sem causa das “manifestações de junho”, descontentes em geral, de ex-tucanos a ex-petistas, passando por venerandos dissidentes do PMDB _ um saco de gatos, enfim.

Em nome da sustentabilidade de um possível governo, a candidata já lançou no ar que pode se unir tanto a Serra como a Suplicy. O vice escolhido é Beto Albuquerque, do PSB, líder do agronegócio e dos transgênicos, agora parceiro dos “sonháticos” da Rede marinista e dos banqueiros Neca Setúbal e André Lara Rezende, responsáveis pela área econômica do projeto eco-socialista.

No comando da campanha, estão lado a lado a ex-petista Luiza Erundina e o ex-tucano Walter Feldman. Na tesouraria, ficou o socialista Márcio França, deputado federal e ex-prefeito de São Vicente, que é candidato a vice na chapa do tucano Geraldo Alckmin. Na base aliada da “nova política”, podemos encontrar as famílias políticas dos Bornhausen, de Santa Catarina, e a de Inocêncio Oliveira, em Pernambuco, figuras históricas do PFL-DEM.

Só não deu para saber ainda qual é mesmo o projeto de governo desta arca de Noé, que embala as fantasias de colunistas e editorialistas, enquanto se tenta descobrir quem era, afinal, o dono do jato em que Eduardo Campos morreu na tragédia aérea de Santos.

É neste cenário buliçoso, com a grande mídia hegemônica já anunciando a economia em processo de recessão e o aumento dos índices de desemprego, que serão publicadas nos próximos dias novas pesquisas Datafolha e Ibope, os dois institutos que, de fato, comandam os rumos desta campanha eleitoral. Para quem gosta de jogar no quanto pior, melhor, e se dedica a especular na Bolsa, a próxima semana promete mais emoções.

22 Aug 18:14

Maluf, o Minhocão e a gentrificação

by João Sette Whitaker

Ao construir o Minhocão, no auge do planejamento funcionalista, quando o carro era sinônimo da cidade que não parava de crescer, Paulo Maluf foi um político incompreendido. Não queria fazer uma pista expressa para os carros. Seu intuito era fazer uma política de habitação social no centro da cidade. O Minhocão foi uma espécie de ZEIS antes da hora. Salve Maluf.

Antes que meu blog seja inundado de comentários raivosas, aviso que o pequeno devaneio acima É IRONIA. Mas, brincadeira a parte, o fato é que o nefasto elevado Costa e Silva teve um perverso efeito positivo, dentre todos seus aspectos negativos. Ao degradar o entorno, matar a rua, condenar os vizinhos a respirar toneladas de gás carbônico por anos a fio, o Minhocão desvalorizou tanto os predios em sua orla que, com isso, permitiu que uma população de baixa renda tivesse condições de alugar ou até mesmo comprar, e assim morar no centro, perto de seu trabalho. Pesquisas feitas por estudantes da FAU mostraram que muitos moradores dos prédios ao longo do Minhocão são ambulantes do comércio informal do centro.

Pois bem, o novo Plano Diretor de São Paulo, enfim, indicou a desativação dessa ferida urbana que é o Minhocão, em médio prazo. Imediatamente, movimentos cívicos ligados à luta por uma cidade melhor começaram a mobilizar-se para discutir o que fazer em seu lugar. Duas propostas são comumente aventadas: a destruição do elevado, ou sua transformação em um parque elevado. Não vou ainda falar sobre elas, e sobre uma terceira que tenho a propor. Antes, é necessário falar do “plano social do Maluf”.

A mobilização para a desativação do elevado parte de grupos cívicos de estratos sociais muito variados (o que faz sua riqueza), e ela não pode deixar passar desapercebido o fato de que a causa que defendem pode, ela também, tornar-se um instrumento de valorização imobiliária e expulsão dos mais pobres. Por que? Pois ao retirar o elevado, os preços dos imóveis no seu entorno vão, imediatamente, explodir. Imobiliárias e construtoras estão, evidentemente, com olho gordo nesse novo filão que está para surgir. Imagine poder vender um apartamento de frente para um boulevar reurbanizado ou um parque elevado em plena São Paulo. Ou seja, imediatamente, todos os moradores de renda média-baixa que por décadas se contaminaram respirando CO2 no café da manhã, receberão como prêmio pela desativação do elevado um convite forçado a retirar-se de lá.

É a mesma coisa de sempre: quando a coisa vira boa, tiram-se os pobres. Senão por políticas oficiais, pela força do dinheiro. Por isso, antes de se falar em destruir o elevado ou transformá-lo em parque, a reivindicação deve ser outra: a apresentação de um plano, por parte da Prefeitura, de regulação de preços e proteção aos moradores de menor renda que lá moram. Essa deve ser a luta no atual momento. Sob o risco, se não o fizermos, de carregar a culpa de ter defendido a criação de algo que pode tornar-se um dos projetos mais gentrificadores que a cidade já teve.

Há muitas formas de fazer isso, que demandam vitórias políticas em uma Câmara Municipal que será provavelmente muito arredia: lei de inquilinato específica para o Minhocão para proteger os moradores que lá residem, taxações hipertrofiadas para negociações imobiliárias que afetem moradores que estão lá há anos, demarcação de ZEIS (Zonas Especiais de Interesse Social) em prédios cuja maioria de moradores seja de baixa renda, e assim por diante. Na França, quem quiser comprar uma casa de pessoas idosas que nela vivem há muito tempo pode ser submetido a um imposto que dobra o valor da transação. O caminho é por ai.

Só depois disso, depois de resguardar o “efeito social” do minhocão do Maluf, é que se pode pensar no que fazer em seu lugar. E então, acho que há outras alternativas possíveis àquelas propostas. O Minhocão tem uma estrutura de vigas longitudinais, de tal forma que é simples retirar as camadas externas, deixando apenas os pilares e o vigamento que passa por cima deles. Com isso, abre-se caminho para o sol enfim chegar de novo ao chão da rua, que pode ser rearborizada e ganhar ciclovia e calçadas largas. Mas, na estrutura central preservada, pode-se fazer um VLT aéreo, elétrico e silencioso, que substituiria a via expressa pelo modal de transporte público de massa, e evitaria a ocupação de boa parte da nova avenida no térreo para a implantação de um corredor de ônibus, medida necessária e coerente com a nova orientação do município de priorizar a rede de transporte. Uma via aérea de locomoção de massa rápida, silenciosa, com paradas na Praça Roosevelt, Sta. Cecília (com conexão com o metrô), Higienópolis, etc., em direção à Barra Funda (e outra conexão com o Metrô).

Qualquer que seja a solução escolhida, que deve aliás passar por um processo participativo nos conselhos de bairro, no conselho de transporte e na Câmara Municipal, durando o tempo que for necessário, só não se pode fazer uma coisa: eliminar um problema criando outro parecido. Ou seja, a proposta feita na gestão passada de, no lugar do Minhocão, afundar a linha de trem que vai para a Barra Funda e construir uma nova via expressa por cima, é simplesmente sucumbir à tentação de continuar, 40 anos depois, fazendo o mesmo. Vias expressas de fundo de vale que, além dos custos fabulosos de enterrar o trem, ressuscitam o carro e matam a cidade.

A contra-argumentação é que não se pode retirar uma “via expressa tão importante para a cidade” sem oferecer uma alternativa viária. Balela. O colapso viário na cidade já ocorreu há anos, e a retirada do elevado vai criar um caos passageiro dentro do caos existente, e as pequenas ruas da Sta.Cecília e arredores vão da noite para o dia congestionar-se. Mas esse impacto, que deve durar alguns anos, só diminuirá enquanto, ao mesmo tempo, se implante um sistema de transporte público eficaz que pouco a pouco de fato substitua o modelo anacrônico e condenado do carro como alternativa de locomoção dentro das cidades. Estamos no caminho certo.

E, sobre isso, para terminar, vale um aceno ao Fernando Haddad. No Brasil, conta-se nos dedos os gestores que enfrentem questões estruturantes nas cidades, porque elas representam problemas cuja solução obrigatoriamente dura muito mais tempo do que uma gestão. Ou seja, não rendem frutos eleitorais. Por isso, opta-se por fazer coisas imediatas mas nada estruturais, que gerem votos a curto prazo. Ao enfrentar a opção pelo transporte público no lugar do automóvel em uma cidade de elite e conservadora como São Paulo, o prefeito optou pelas transformações estruturais, e paga o preço por isso no ataque sistemático que recebe da grande mídia corporativa e de parte dos usuários do carro. Espero que ganhe o apoio merecido da população pela opção corajosa.


PS: Dois pequenos comercias - não deixem de assistir ao bonito documentário Elevado 3.5, que conta histórias de moradores do Minhoção (veja o trailer aqui).

Sobre a temática da gentrificação, recomendo o site Arquitetura da Gentrificação (clique aqui)

21 Aug 18:10

AINDA O NOME DAS COISAS

by blogdosirio

 

De vez em quando, um jornal publica uma coluna que poderia ser avaliada como verdadeiro retrato falado de um segmento da sociedade. O caderno Cotidiano (Folha de S. Paulo) de 20/08/2014 traz (como virou moda dizer) um texto de Francisco Daut intitulado O quarto poder. Resumidamente, lamenta que a política interna do jornal em que escreve considere “cláusula pétrea” a não declaração de voto. E ele queria declarar o seu. Na verdade, acrescenta que queria apenas declarar um não voto (e a lista de defeitos que enumera, grandes lugares comuns dos discursos de oposição, deixa seu voto mais claro do que se o declarasse com todas as letras). Diz que acata, mas não aprova a política do jornal. E afirma que inveja jornalistas estrangeiros que fazem isso regularmente.

No Brasil, só por hipocrisia os jornais não declaram seu voto. Uma exceção é o Estadão, que faz isso pelo menos eventualmente. Dentre as revistas, a Carta Capital.

No caso da Folha, a não declaração é parte de seu ethos: quer apresentar-se como jornal plural (a última campanha publicitária afirma isso claramente). Abriga cerca de cem colunistas, o que, teoricamente, seria uma garantia de espaço para todos os discursos. Mas mera olhada revela enorme desequilíbrio. Basta uma amostra: as colunas da Ilustrada, de segunda a domingo, exibem uma clara dominância de posições mais à direita que à esquerda. De Pondé a Ferreira Gullar, a conclusão é óbvia. Se se consideram as colunas que ocupam o lado direito da página 2, ver-se-á um solitário de esquerda (Safatle). A não ser que se considere Delfim Neto, que escreve às quintas feiras, de esquerda.

Acho engraçadas certas interpretações dos leitores. A manchete do jornal, na terça feira, era: NA TV, LULA PROMETERÁ UM 2º GOVERNO DILMA ‘MELHOR’. No dia seguinte, uma carta de leitor afirmava que a manchete era propaganda de Lula. Segundo ele, “evidencia mensagem eleitoreira do ex-presidente”. São comuns avaliações de leitores segundo as quais a Folha é petista (vamos mal nos testes de leitura, e não é só no PISA).

A interpretação óbvia é outra: que Lula, dizendo isso, dá a entender que avalia o atual governo Dilma como ruim. Não vale a pena apelar para as gramáticas, que diriam que, abaixo de “melhor” estaria “bom”. Nesse tipo de declaração, “melhor” apenas supera “ruim”.

Voltando a Daut (o desvio foi involuntário, mas uma coisa puxa outra): às tantas, afirma que nunca empregaria a palavra “contribuinte” para definir-se numa situação em que faz algo contra sua vontade.

Seguir o emprego dessa palavra nos textos, ver quando parece normal e quando parece estranha, é uma forma razoável de encontrar uma divisão na sociedade. Há grupos que só pensam no imposto que pagam, e outros que até “esquecem” isso.

O que este pequeno fato esconde ou revela são duas posições sobre como uma sociedade deveria funcionar. Uma pessoa pode predicar-se como contribuinte ou cidadão ou eleitor – por exemplo (não se espere que alguém se afirme  sonegador). E esse pequeno fato é sintoma de posições mais ou manos pra lá ou mais ou menos pra cá em relação a outros temas quentes.

 

21 Aug 17:19

Nasci para contrariar estatísticas: nasci mulher, negra e pobre, mas tive a sorte de nascer no Brasil em tempos de democracia e políticas de Estado

by mariafro

Em 25 de junho a presidenta Dilma anunciou a segunda etapa do programa #CiênciasSemFronteiras que oferecerá mais de 100 mil bolsas de intercâmbio para os jovens do nosso Brasil, além dos milhares de jovens já atendidos. Até aí são mais informações númericas que muitos ainda não são capazes de entender a revolução que vem se operando no país.

Daí minha filha, vestibulanda, me apresenta este belíssimo vídeo. Nele, Débora dos Santos Carvalho, uma das milhares de bolsistas do #CiênciasSemFronteiras, conta como esta oportunidade abriu um novo horizonte para sua vida e a ajudou a contrariar estatísticas.

A jovem,  diferente de uma gama de alienados, reconhece que boas políticas podem transformar realidades excludentes.

Ouça o que ela diz, como ela diz e entenda a revolução que vivemos nesta última década. Talvez você pare de repetir desinformação pelas redes sociais. E se você não faz parte deste time, informe aos que fazem pela voz de Débora.

21 Aug 09:28

Marina abandona Suplicy e vai de Serra em SP. Candidatura de Aécio à beira do telhado

by Antônio Mello
Serra e Marina, só na 'simpatia'


Da coluna de Mônica Bérgamo na Folha:

Marina Silva não apoiará mais Eduardo Suplicy, do PT, ao Senado em SP. E sim dirá que a aliança que representa apoia José Serra, do PSDB.
É assim que Marina retribui o apoio que recebeu de Suplicy, um petista histórico, quando da tentativa frustrada de fundar sua REDE, como noticiou o Uol em fevereiro do ano passado:

O senador petista Eduardo Suplicy (SP) foi ovacionado no início da noite deste sábado (16) ao apresentar apoio à amiga e ex-colega de Senado Marina Silva. Suplicy chegou já perto do fim do evento de lançamento do partido "Rede Sustentabilidade", de Marina.

Após um longo discurso no qual contou as experiências que partilhou com Marina Silva, Suplicy assinou a lista de apoiadores  - que precisa ultrapassar o número de 500 mil assinaturas de eleitores, em pelo menos nove Estados, segundo exigência do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Agora, nos braços de Serra, Marina abandona quem lhe deu a mão e empurra a candidatura do tucano Aécio Neves telhado abaixo. Sem Rede de Sustentabilidade.


OBS: Não dou links para a mídia corporativa porque eles também não nos linkam quando nos citam.

Madame Flaubert, de Antonio Mello

20 Aug 22:41

Publicitário William Bonner mostra que é bom de marketing

by Luiz Carlos Azenha

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por Luiz Carlos Azenha

Por um tempo Carlos Nascimento alimentou a ideia de que se tornaria âncora do Jornal Nacional. Na minha primeira passagem pela emissora, nos anos 80, acompanhei de perto a trajetória dele. Boa presença no vídeo, boa voz e, acima de tudo, experiência na rua. É conversando com as pessoas, no dia-a-dia, que nascem os bons entrevistadores. O mesmo aconteceu com Ana Paula Padrão, com quem só tive contato muito mais tarde, na TV Record. Foi correspondente, interagiu com entrevistados mundo afora.

Do casal 20 da Globo se dizia o seguinte, na minha segunda passagem pela Globo, no Rio de Janeiro, a partir de 1999: Fátima Bernardes tinha chacoalhado nas viaturas, amassado barro e subido morro. William Bonner, não. Tive pouco contato com ele. Ao analisar as reportagens que seriam exibidas no Jornal Nacional, aprovadas pessoalmente por ele, Bonner era preciosista, focava nos detalhes.

Havia um toque de masoquismo naquele ritual de espera diário na redação: o imperador diria sim ou não ao seu trabalho!

Escapava-lhe a contextualização. O foco no subsidiário — na gramática, por exemplo — permitia que não se discutisse o essencial.

Talvez seja um mecanismo de defesa. Na Globo o profissional tem autonomia até a página 2. A estrutura é altamente hierarquizada. Até as entradas ao vivo são aprovadas antecipadamente, ou pelo menos eram quando eu estava lá. A margem de manobra dos repórteres é reduzidíssima.

Só ascendem a cargos de chefia — o de Bonner é um deles — os que são de extrema confiança do patrão. Por comparação, em outras emissoras nas quais trabalhei as reclamações sempre foram posteriores: Manchete, SBT e Record. “Ah, o Azenha não deveria ter dito aquilo que disse”, um chefe eventualmente observa. Mas, no frigir dos ovos, quem manda mesmo é o dono. É o patrão — ou seus prepostos.

William Bonner tem a mesma alma matter que eu: a Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Formou-se em Publicidade e Propaganda. Outros repórteres da Globo, como Alberto Gaspar e Ernesto Paglia, foram meus contemporâneos na faculdade de Jornalismo.

A ECA era uma boa escola, de professores e estudantes questionadores, que foi se voltando aos poucos para servir “ao mercado”. Acho uma perda. Escrever bem ou aparecer direito na TV a gente pode aprender aos poucos, nas ruas, ganhando experiência. Mas a formação em História, Filosofia, Lógica e Ciências Sociais, dentre outras disciplinas, essa não tem preço. É a alma do Jornalismo. É o espírito crítico.

No caso de Bonner, no entanto, a formação em Publicidade e Propaganda parece ter muita solidez.

Às críticas que recebeu nas últimas horas ele respondeu com uma mensagem de deixar qualquer marqueteiro encantado: no twitter, em uma só frase, juntou robôs (deve ter se inspirado na famosa reportagem de Veja, que ao ser pega em conluio jornalístico com o bicheiro Carlinhos Cachoeira atacou ‘aranhas, robôs e comunistas’), corruptos insatisfeitos e blogueiros sujos (adotando, aqui, designação formulada por um dos grandes amigos dos patrões da Globo, o candidato a senador José Serra).

Como bom marqueteiro, Bonner desqualificou as críticas que recebeu ligando-as a  gente previamente criminalizada pela mídia. Não debateu o mérito.

Abandonou o preciosismo que é sua marca, de forma oportunista.

Um preciosismo do qual ele se vale muitas vezes para julgar o trabalho de colegas.

O preciosismo que ele tanto ama e que, nas últimas horas, foi expresso de forma estatística na rede:

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Ou, de Ricardo Amaral, no Conversa Afiada:

Dos 16 minutos cronometrados [da entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo], Dilma falou 10 minutos e meio; [o apresentador William] Bonner, 4 e meio, e Patrícia [Poeta, a apresentadora] quase 1 minuto. Dá 65% para ela e 35% para eles. Dilma pronunciou 1.383 palavras, contra 980 da dupla (766 só do Bonner), o que dá 60% x 40%. Isso é escore de debate, não de entrevista. A dupla encaixou 26 acusações ao governo e ao PT; algumas, com ponto de exclamação. Nos quatro blocos temáticos (corrupção, mensalão, saúde e economia) Bonner lançou no ar 13 pontos de interrogação, e Patrícia, dois. A presidenta foi interrompida 19 vezes. Tomou dedo na cara de Bonner e de Patrícia, que reclamou de uma resposta com um soquinho na mesa. Isso não é comportamento de jornalista. Na entrevista com Aécio Neves – que muitos acharam “dura”, embora tenha sido apenas previsível – a dupla fez quatro interrupções e cinco reiterações de perguntas.

Ou, da Márcia Cunha, no Facebook, reproduzindo a Mídia Ninja:

O tom inquisidor de William Bonner na entrevista com Dilma no Jornal Nacional de hoje mostrou, em alguns minutos, como a imprensa brasileira atua há séculos para criar e manipular suas verdades. Na primeira pergunta, com mais de um minuto de duração, o âncora usou sete vezes a frase “Escandalo de Corrupção”. É pela repetição, aquela mesma usada pelo publicitário do nazismo Joseph Goebbels, que se funda a percepção da realidade.

Quando eu, Azenha, era um repórter já maduro na TV, tive o prazer de conviver, na excelente redação do Globo Repórter — acreditem, a Globo tem excelentes profissionais, de altíssimo nível, que só não nomino para não colocá-los sob risco de demissão — com Ana Helena Gomes.

Uma editora de primeira categoria, uma documentarista sensível, ao mesmo tempo doce e ácida, como acredito que devam ser os jornalistas.

Numa viagem ao Nordeste, para gravar um Globo Repórter sobre poligamia, ela me chamou de lado e observou, usando mais ou menos as seguintes palavras: “Azenha, você está muito afoito. Está apertando demais o entrevistado. Querendo arrancar dele tudo na primeira pergunta. Colocado na defensiva, ele não vai revelar nada. Tem de ‘tourear’ o entrevistado. Fazer com que ele se sinta seguro ao seu lado. Uma boa entrevista é quando você envolve o entrevistado de tal forma que ele acabe se entregando”.

Sábias palavras. Obrigado, Ana Helena, pela sabedoria!

Nunca mais fui o mesmo. Obviamente, levei anos para aprender as lições básicas da entrevista, aprendendo cotidianamente com observações de colegas como Jotair Assad, Alexandre Alencar e Vanda Viveiros de Castro. Tentei absorver todas as críticas, mas nunca cheguei lá.

Admiro quem sabe fazê-lo quase que naturalmente, por um dom de nascença: os ex-globais Carlos Dornelles e Arnaldo Duran, por exemplo, ou o Gérson de Souza e o Caco Barcellos.

Os quatro são de tal forma envolventes que, depois de 15 minutos de conversa, você é capaz de comprar o carro usado deles por uma fortuna.

Nós, telejornalistas, somos tratados como repórteres de segunda classe pelo pessoal que trabalha em jornal e revista, que não precisa se preocupar com a captação de imagens e tem a garantia de anonimato para coletar informações. Nosso desafio, o dos telejornalistas, é conseguir arrancar alguma coisa do entrevistado com a presença intimidadora de uma grande equipe, de luzes e microfones.

É tarefa árdua, delicada, ainda mais quando exige que o entrevistador não apareça mais que o entrevistado. Pelo menos eu não confundo jornalismo agressivo com jornalismo agressor.

Barbara Walters, a grande entrevistadora da TV dos Estados Unidos, nunca, jamais, perdeu a linha. Era dura com uma leveza admirável. Tinha o dom.

globo

Segundo o leitor Felipe Tadeu Barata de Macedo, a Globo aparece como patrocinadora do Viomundo na Europa. Vamos bloquear

Porém, em tempos mais recentes, com o desafio da internet, nosso meio mudou.

As emissoras querem telejornalistas que sejam, eles mesmos, personagens. Que sejam mais importantes que a própria notícia.

Nos Estados Unidos, isso não é novidade. Lou Dobbs, da CNN norte-americana, foi um dos primeiros âncoras a abraçar uma causa. Quando eu morava em Nova York, ouvia as diatribes diárias dele contra “the illegal alliens”, os alienígenas ilegais. Era como se todos os problemas sociais dos Estados Unidos fossem causados pela entrada de imigrantes mexicanos ou dominicanos. Justamente no momento em que o presidente direitista Ronald Reagan, este sim, destruia sindicatos, salários e direitos sociais. Com apoio da CNN.

Os imigrantes eram, portanto, alvo fácil, a “escória”, da mesma forma que hoje a direita brasileira elegeu “os corruptos” como nosso grande mal, desde que não sejam corruptos privados, como os irmãos Marinho, multados em 600 milhões de reais pela sonegação de impostos na compra dos direitos de TV nas Copas de 2002 e 2006.

Para assumir seu papel de herói da causa, nos Estados Unidos, Dobbs mascarava a realidade. Não contava toda a história.

Assim como Bonner não fala na multa da Globo, Dobbs escondia o contexto:

1. Com o acordo comercial fechado com os Estados Unidos, o NAFTA, o milho norte-americano e outros produtos agrícolas começaram a invadir o mercado mexicano, destruindo a agricultura local e acelerando a imigração;

2. Os imigrantes ilegais cumpriam, nos Estados Unidos, o papel de calibrar para baixo o salário dos trabalhadores em geral, especialmente os do campo.

Dobbs cumpriu direitinho o papel que o dono da CNN esperava dele, o de atrair telespectadores de extrema-direita, preocupados com o fato de que os brancos logo deixariam de ser maioria nos Estados Unidos, ameaçados pela demografia.

No Brasil, o compromisso de Bonner é o de “render” credibilidade ao jornalismo de seus patrões. É uma espécie de ‘caçador de marajás’ da própria casa.

Como escrevi anteriormente, Bonner faz isso para mascarar a verdade factual de que a Globo apoiou a ditadura militar, interferiu e interfere no processo eleitoral, atribui a si própria o papel de ‘árbitro’ da política brasileira — apesar de ter conspirado contra a democracia — e exerce um monopólio midiático praticamente desconhecido em qualquer parte do mundo.

Gente do Executivo, do Judiciário e do Legislativo brasileiros já se deu conta de que não poderá viver eternamente sob a ameaça do assassinato de caráter jornalístico praticado pelos Marinho.

Bonner é um biombo dos patrões para evitar que se faça com eles o que uma das mais sólidas democracias liberais do mundo, a do Reino Unido, fez com o magnata Rupert Murdoch. Com apoio da rainha “chavista” Elizabeth, foram colocados limites claros à atuação da mídia eletrônica, com direito dado ao telespectador de abrir investigações através de formulários na internet e previsão de penalidades inclusive para conteúdo desequilibrado.

No plano profissional, se estamos tratando exclusivamente de técnicas de entrevista, Bonner não deveria se preocupar com o fato de que se formou em Publicidade e Propaganda, não em Jornalismo na ECA.

Não devemos ser preconceituosos quanto a diplomas.

Talvez fosse o caso de Bonner revisitar os arquivos da própria Globo, para consultar todas aquelas entrevistas que fez como repórter de rua. A partir disso, de forma humilde, o imperador talvez reconhecesse que é possível melhorar. Ou será que ele nunca fez uma única e mísera reportagem de rua?

Leia também:

O que a Globo vai descobrir se o jatinho do JN pousar em Montezuma

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19 Aug 21:55

Estudantes do IFRN conquistam 3º lugar na Olímpiada Nacional em História do Brasil

by Iza Medeiros

A Equipe Guaranis composta pelos estudantes de Química do Campus Macau do IFRN, Mirelly Moura, Raphael Iury e Jhudson Araújo conquistou a medalha de bronze na 6º edição da Olimpíada Nacional em História do Brasil, a ONBH. Orientados pela Professora de História do Campus, Bruna Rafaela de Lima os alunos participaram da etapa presencial realizada este final de semana, na Universidade de Campinas, em São Paulo.

Ano passado, o Campus  também foi representado na Olimpíada com a participação de 14 equipes sob orientação da mesma professora. Este ano, oito equipes participaram da competição e três conseguiram chegar à fase online. A Olimpíada contou ainda, com a participação do Diretor Acadêmico do Campus, Hudson Cunha.

Sobre a ONBH: A Olimpíada Nacional em História do Brasil começou em 2009, e tem sido um grande sucesso entre alunos e professores do país. Elaborada pelo Departamento de História da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), a iniciativa firmou-se no cenário educacional como uma proposta inovadora de estudo consistente de História. É realizada por equipes compostas por 4 pessoas: 3 estudantes (oitavo e nono anos do ensino fundamental e qualquer ano do ensino médio) e o professor de história do colégio. As cinco fases online duram uma semana cada uma, e as respostas são obtidas pelos participantes por meio do debate com os colegas de equipe e a pesquisa em livros, internet e com os professores.

Confira mais informações: 6ª ONHB 

 

18 Aug 21:14

All things to all men

by Tiago de Thuin
A maior fonte de força de Marina Silva - provável nova candidata do PSB que ela denunciava há menos de um ano como velha política - também é a fonte da minha rejeição pessoal a ela. Não é a sua posição política real que, tanto quanto possa ser precisada, é mais ou menos a direita do PT, nem tanto à direita da Dilma que também está na direita do PT. Mais economicamente liberal por um lado (o programa de 2010 incluía privatização da previdência), talvez mais ambientalista por outro (mas não se manifestou contra Belo Monte durante a campanha de 2010, e aprovou a BR-364); certamente mais moralmente conservadora pessoalmente, mas não se sabe o quanto isso faria diferença prática. O problema é esse não se sabe, é o quanto a candidata foge da definição, se apresentando não como a proponente de um plano mas como uma personalidade em cima da qual cada eleitor pode, apaixonadamente, projetar seus próprios anseios. Não é uma solução híbrida, em que altermundialistas convivem resignados e inamistosos com o Povo de Deus, mas uma solução absoluta em que Marina levará o Brasil ao caminho anticapitalista da liberdade para uns, à República Cristã para outros.

Marina tem força porque é a missionária Marina da Assembléia de Deus, que prega o ensino nas escolas públicas do criacionismo junto ao "evolucionismo" "para que as crianças possam escolher em que acreditar," um discurso aparentemente democrático usado pelos defensores americanos do criacionismo há tempos. Os criacionistas sabem bem o que significa essa cifra; os defensores modenos e laicos da candidata acreditam que isso é um repúdio ao criacionismo. Ambos, ferrenhos opositores entre si, acreditam que ela está do seu lado e na verdade o outro, em seu apoio, é um tolo iludido.

Marina tem força porque é a candidata amada pelo Mercado, aquela nebulosa entidade que representa os interesses do grande capital internacional, repudiado tanto por muitos evangélicos quanto por quase todos os altermundialistas. O Mercado acredita na privatização da Previdência lá do programa de 2010, acredita na expansão da BR-364, e num governo brasileiro mais amigo dos seus interesses, enquanto altermundialistas e evangélicos sonham com uma candidata que leve o Brasil para um caminho diferente de desenvolvimento, ou até à renúncia do desenvolvimento capitalista,  certamente não é nisso que os analistas do Mercado acreditam. Mas uns votam e outros investem.

Marina tem força porque é a candidata que supera o fla-flu na política, a baixaria eleitoral, a polarização, dizem-nos outros eleitores - apesar de não apenas todos os acima mencionados mas eles próprios se dedicarem à polarização, à torcida, à discussão antes dos defeitos dos outros que de programas, à glosa de quaisquer defeitos da candidata e de seus aliados. Aliás, apesar da esquiva da candidata em se aferrar a qualquer programa definido, com direito a anunciar que há pontos (indefinidos) do próprio programa escrito da candidatura que não são dela. Porque é a candidata da nova política ética contra tudo isto que está aí, mesmo sendo aliada (sem querer o registro da foto em cartaz) de Alckmin, tendo sido vice na chapa de um governador hereditário, tendo sido ministra colega de Dilma, política experiente e afeta a alianças por vinte anos. Não importa a história, importa o sonho.

Enfim, Marina tem força porque é, qual Dom Sebastião surgindo da vaga bruma, o novo, a superação da vergonha pela iníqua história brasileira, que é mistura de gargalhada e vale de lágrimas, a utopia que varrerá para sempre o passado. Porque é a negação da história (exceto pela sua própria história pessoal, mesmo esta convenientemente editada), uma tabula rasa em que qualquer um pode projetar o que quiser. (Não confundir tabula rasa com poste; de Dilma ou Haddad nada se sabia das suas competências pessoais como governante, o que é diferente de rejeitar a precisão de sua ideologia. Um foi melhor que a outra...) E eu admito, de bom grado, que sou mais tímido do que esperançoso, e projeto nessa tabula rasa mais medos que sonhos. Principalmente graças à tal preferência do Mercado, que é quem tem mais força passada a eleição.
17 Aug 21:19

SpressoSP: 70% das doações para Alckmin vêm do cartel do Metrô

by Conceição Lemes

Cortes desproporcionais para ajudar a cobrir os R$0,20 da redução de tarifas de ônibus, metrô e trens

70% de doações para campanha de Alckmin vem de empresas do cartel do Metrô

Sem qualquer constrangimento, por conta do escândalo político que representa o “trensalão tucano”, o atual governador mostra que a parceria com empresas que são rés em processos na Justiça por casos de corrupção em gestões do PSDB continua

Redação do SpressoSP

Três empresas, que são acusadas de participar de um cartel, e são acusadas de participar de um cartel, que se favorecia de formação de cartel e de fraudes em licitações do metrô paulista e do Distrito Federal, doaram R$ 4 milhões para a campanha à reeleição do governador Geraldo Alckmin (PSDB).

Mais grave ainda, uma vez que as investigações indicam que as fraudes ocorreram em governos do PSDB, partido de Alckmin, é que duas das empresas já são rés em processos na Justiça, são elas: Queiróz Galvão, que doou R$ 2 milhões e CR Almeida, que participou com R$ 1 milhão.

As duas empresas teriam participado, de acordo com denúncias feitas pelo Ministério Público, de um esquema para formação de cartel e favorecimento em licitações para a construção da Linha-Lilás do Metrô.

A terceira empresa é a Serveng Civilsan, que é investigada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que contribuiu com R$ 1 milhão para a campanha de Alckmin.

As irregularidades cometidas pela Serveng, e investigadas pelo Cade, datam de 2007, quando o metrô do Distrito Federal promoveu um edital para reforma de linhas férreas.

 

O post SpressoSP: 70% das doações para Alckmin vêm do cartel do Metrô apareceu primeiro em Viomundo - O que você não vê na mídia.

17 Aug 21:16

Quem tira fina de bicicleta na rua não vai para o céu

by Leonardo Sakamoto

- Sai da rua, mané!

O berro veio de dentro de um carro grande, daqueles que ironicamente carregam um “Salve a natureza” no protetor do estepe traseiro, ao passar quase raspando pela minha bicicleta. E não foi bem “mané” que ele disse mas, neste horário, há crianças na sala.

Mais do que o susto, fiquei um tanto quanto intrigado com a razão pela qual, em uma avenida com faixas vazias, ele resolvei tentar tirar uma lasquinha logo de mim. A única explicação plausível, descontando possíveis condições psicológicas ligadas à variação brusca de humor ou o reconhecimento deste que vos escreve por algum comentarista deste blog, seria uma tentativa de impor uma punição.

Afinal de contas, eu precisava ser educado, pela palavra e pela pedra, que a cidade foi feita para carros.

Particularmente, acho essas tentativas de catequização automobilística extremamente elucidatórias. Pois sabe aquela tese de que o nível de consciência da cidadania é diretamente proporcional à renda? Então, é cascata.

Uma pessoa em uma bicicleta tem tanto direito quanto uma pessoa em um carro de trafegar pelas ruas da cidade. E isso vai ter que ser respeitado, cada vez mais, quer o povo que tem orgasmo com essência de carro novo goste ou não.

Não acho que o pessoal ande derrubando ciclistas como pato em parque de diversão de propósito. Mas finas são tiradas de forma consciente, como parte desse processo pedagógico que querem nos impor. Até porque, na cabeça desse povo, tudo isso é um grande “ou eles, ou eu”.

E, sabe como é: com essa onda maluca de ciclovias pela cidade, a paz dos motorizados está ameaçada. Qual o próximo passo? Uma política comunista de priorizar o transporte coletivo, dando menos atenção ao individual? Já não basta ter que dar direitos às mucamas e combater o trabalho escravo contemporâneo, agora mais essa? Como é que ficam os direitos dos “homens de bem”?

Tempos atrás, vi uma cena de um carrinho de bebê que, aos trancos, salvou-se de ser atropelado por um possante prateado. O motorista ainda teve a pachorra de abrir o vidro para xingar uma mãe de guarda-chuvas por atravessar em faixa de pedestres num dia molhado. Eisenstein nem precisaria da escadaria para filmar “O Encouraçado Potemkin” por aqui. Dane-se que é um carrinho de bebê. Se não funciona com um motor à explosão, não pode estar na rua.

Um pequeno congestionamento havia se formado mais à frente por conta de dois carros batidos. Por isso, deu tempo de encontrar o Mr. Driver (Pateta, #adoro) no semáforo. Depois de um longo silêncio, disse a ele a única coisa que fazia sentido:

- Trânsito louco esse, não?

16 Aug 14:22

O ator sueco e a sonegação da Globo

by Paulo Nogueira
Stellan Skarsgard é um ator sueco. Aos 63 anos, um dos favoritos do cineasta Lars von Trier, tem uma carreira vitoriosa que lhe trouxe fama e dinheiro. Recentemente, ele concedeu uma entrevista na qual reafirmou seu amor pela Suécia. “Vivo na Suécia porque o imposto é alto, e assim ninguém passa fom...
14 Aug 21:38

OS NOMES DAS COISAS

by blogdosirio

O tema é vasto. Eu poderia começar de várias maneiras. Por exemplo, citando o texto do Prof. Pasquale de hoje (14/08) na Folha, que critica os espíritos literalistas, que, por exemplo, acham que não se deve dizer “bater o pênalti”, mas sim “bater o tiro livre direto”.

Este exemplo bastaria, mas é razoável citar outros. Sujeitos que dizem este tipo de coisa são, em geral, pouco razoáveis. Se quisessem mesmo ser literais, teriam que dizer algo como “bater (n)a bola”, e não “bater o tiro”. Mas, se eles se dessem conta disso, dar-se-iam (gostaram?) conta de muitas outras coisas, e as trevas começariam a desaparecer da face da Terra.

Todos os tempos são ricos em debates pobres deste tipo. Nos últimos tempos surgiram exemplos bem interessantes, e vale apena escolher uma pequena amostra.

Vejam um comentário de Jânio de Freitas: “Se é para ficar em palavras, eis um acréscimo feito agora ao vocabulário jornalístico: os milicianos palestinos apanhados pelos israelenses são “presos”; o tenente israelense apanhado pelos palestinos é “seqüestrado” (FSP, 05/08/2014). Sem necessidade de comentário.

Outro exemplo, uma verdadeira uma aula sobre o tema, que merece uma meditação, mesmo sem tomar partido. É um trecho de entrevista “[com] Issa Quarabe, Ministro palestino de Assuntos de Cativos e Libertos: Pergunta: – Palestinos chamam em árabe um homem preso de cativo e não de prisioneiro. Israel diz que são terroristas. Há uma divergência de visões?. Resposta: – É claro. Os israelenses não os reconhecem como prisioneiros políticos; para eles, são criminosos. Como povo, consideramos esses homens guerreiros da liberdade. São pessoas que deram a vida pela causa. Nós nos recusamos a tratá-los como terroristas. (FSP, 14/04/2013).

Do “apartidário” Painel da FSP de 17/4/13: “O PT baixou ordem interna: a expressão regulação da mídia será substituída por democratização da mídia. O objetivo é evitar que se relacione a ofensiva petista à censura; mas os adversários chamam a isso de regulação ou de censura”. Nem comento a palavra ofensiva, da própria colunista, também “apartidária”.

Observação de Elio Gaspari: “Eremildo é um idiota e não está entendendo mais nada: quem toca fogo em carros no Brasil é terrorista. Em Kiev é manifestante. No máximo, quando estocam armas, são manifestantes radicais. Quando o Venezuelano Leopoldo Lopez entrega-se à Justiça de punho fechado, é líder da oposição. Para os comissários bolivarianos, ele é um terrorista legado aos manifestantes que incendiaram a entrada do Ministério Público de Caracas” (Folha, 23/02/2013).

Mas melhor exemplo talvez seja o seguinte, até por não ter conotações ideológoicas claras. Um amigo mandou o link de uma noticia, da qual extraio (e traduzo rapidamente) uma parte:

 

Muito se tem usado mal ou usado equivocadamente a palavra “literally” (literalmente). “Literally”, claro, significa algo que é realmente verdadeiro: “Literally every pair of shoes I own was ruined when my apartment flooded.” Quando usamos as palavras sem seu sentido literal normal, significando algo mais interessante ou impressionante, a palavra correta é, claro, “figuradamente”.

Mas as pessoas usam cada vez mais “literally” para enfatizar uma afirmação que não pode ser verdadeira, como “minha cabeça literalmente explodiu quando…”. A primeira definição de literally do Webster é “in a literal sense or matter; actually”. Sua segunda definição é “in effect; virtually.”. Sobre esta aparente contradição, os autores comentam:

Dado que algumas pessoas consideram o sentido 2 como oposto ao sentido 1, isso é frequentemente criticado como mau uso. No entanto, este uso é puramente hiperbólico e busca um ganho de ênfase, embora frequentemente apareça em contextos em que nenhuma ênfase adicional é necessária.

Uma conclusão geral: palavras mudam de sentido frequentemente, como o mostra o último exemplo. E palavras são disputadas, marcam posições culturais e/ou ideológicas, como o mostram os outros exemplos.

A única posição difícil de ser sustentada é a dos que acham que há usos corretos (as palavras referem-se às coisas como elas realmente são) e errados (em geral tratados como ideológicos). Os que dizem isso pensam (pensam?) que não são “dominados” por ideologias. É bem engraçado.

 

 

14 Aug 21:35

10 coisas que eu quero fazer (de novo!) em Londres

by Cyntia Campos
Allan Patrick

Cyntia certeira!

Sou apaixonada por muuuuuitas cidades.  Mas Londres é pra casar... Quando este post for ao ar, eu estarei chegando em Londres (\o/). No ano passado, nesta mesma época, tive uma semana deliciosa na capital inglesa, mas acabei escrevendo muito pouco sobre ela, aqui no blog (culpa da eterna correria). Agora que estou voltando, fiz essa listinha dos meus programas preferidos por lá,
14 Aug 18:33

Ciclovias em São Paulo: diálogo não é perda de tempo…

by raquelrolnik

Há alguns anos vemos crescer em São Paulo movimentos por melhoria do transporte público, por melhores condições para os transportes não motorizados, como as bicicletas e os deslocamentos a pé, enfim, por uma mudança radical no modelo predominante de mobilidade na cidade. Os grandes congestionamentos, os acidentes e mortes no trânsito – somente de ciclistas, no ano passado, foram 35 – mostram que a situação é mesmo alarmante.

Desde a campanha eleitoral, o prefeito Fernando Haddad assumiu o compromisso de implementar ciclovias na cidade. No ano passado, anunciou que até o fim de seu mandato seriam implementados 400 km de ciclovias, integradas ao sistema geral de transporte, superando a visão de que a bicicleta é instrumento apenas de lazer. Nas últimas semanas temos visto, finalmente, essa proposta sair do papel.

O plano desenvolvido pela Prefeitura, divulgado recentemente, prevê a implementação dos 400 km de ciclovias até o final de 2015 e apresenta objetivos, diretrizes, estimativas de custos e cronograma. Embora não em detalhe, é possível conhecer também a rede proposta, ou seja, os locais onde serão construídas as ciclovias. Entre as diretrizes, por exemplo, estão previstas a interligação com outros modais – metrô, trem, corredores de ônibus – e com equipamentos públicos – escolas, postos de saúde, hospitais, áreas de lazer.

Estas são excelentes notícias. E fazem parte de uma escolha da cidade de São Paulo de melhorar a mobilidade urbana e reverter o modelo histórico do transporte baseado no uso do carro particular. Temos que ter clareza de que não estamos falando apenas de uma mudança na forma de nos deslocar, mas de uma transformação estrutural e cultural profunda. E é impossível promover tais mudanças sem conflito.

Afinal de contas, o espaço público da rua é finito, e para implementar uma ciclovia – ou um corredor ou faixa exclusiva de ônibus – é necessário tirar espaço de circulação ou de estacionamento de carros, o que deixa muita gente insatisfeita, como temos visto a imprensa noticiar. É o mesmo filme a que assistimos quando a prefeitura começou a implementar as faixas exclusivas de ônibus no ano passado.

Mas porque finalmente estamos mudando a política de mobilidade da cidade, não significa que as intervenções propostas pela prefeitura não devam ser debatidas com os cidadãos antes de serem implementadas. Algumas reclamações, portanto, fazem sentido. Uma das principais queixas de moradores da Santa Cecília, por exemplo, é que a ciclovia foi implementada da noite pro dia, sem comunicação prévia, nem discussão com os moradores e comerciantes locais.

Nesta – como em outras iniciativas – faltou promover canais de comunicação e diálogo nos bairros, apresentar a proposta, receber sugestões, enfim, promover a participação da população. A prefeitura tem pressa – porque os cidadãos também têm – em querer ver seus projetos implementados, mas é fundamental reconhecer que tais projetos só têm a ganhar quando amadurecem em diálogo com os moradores da cidade…

*Texto originalmente publicado no Yahoo!Blogs.


12 Aug 23:14

São Paulo receberá dia 13 de agosto seu 6º Parklet, uma parceria entre o Instituto Mobilidade Verde ContainIT e Prefeitura de São Paulo

by greenmobility

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É uma extensão de calçada com mobiliário urbano, cujo objetivo é oferecer espaços de convivência de qualidade para população. Faz parte de um projeto urbanístico  que visa elevar o número de espaços de públicos na cidade de São Paulo, é também uma forma de melhorar a qualidade de vida,  incentivar a cultura de paz e tolerância entre as pessoas.

A introdução do Parklet no bairro do Paraíso se deu através de um estudo de viabilidade desenvolvido pela ONG Mobilidade Verde, a escolha se deu em função de ser um bairro com muitos moradores idosos, jovens casais com filhos e quantidade de escolas muito próximas, trata-se de um bairro misto, com comércio vibrante e com um bom transporte público. Este processo contou com mapeamento de Stakeholders ( membros da comunidade), comércio local, moradores e parceria com a gestão pública. Junto com o Parklet foi introduzido uma vaga de carros para idosos.

No estacionamento de dois carros na via pública onde param 40 carros por dia, um parklet pode receber 400 pessoas por dia. Os Parklets ou áreas de convivências, são  espaços vivos que  regatam um pouco da história local, nós queremos incentivar as pessoas a fazerem novas amizades, conhecer seus vizinhos, poder descansar ou  comer um lanche, trabalhar em espaços abertos, públicos e convidativos.  O projeto foi idealizado pelo Instituto Mobilidade Verde, Contain(IT), Zoom Arquitetura e H2C arquitetura como uma intervenção urbanística que discute de forma ampla  o uso do solo, restrição o estacionamento de carros na via pública e criação de mais  espaços de qualidade para as pessoas,  em abril de 2014 o Parklet  foi transformado em instrumento urbanístico da cidade de São Paulo através do decreto 55.045 sancionado pelo prefeito e morador do bairro do Paraíso , Sr. Fernando Haddad.

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O bairro surgiu de uma propriedade rural do sec XIX, era a Chácara do Sertório, propriedade de João Sertório. Situada entre as duas estradas para Santo Amaro, a área foi vendida à Dona Alexandrina Maria de Moraes, que faleceu em 1886; a partir de então, seus herdeiros lotearam a propriedade. A região ligava as ruas da Liberdade ao extinto município de Santo Amaro, surgiu o trecho do atual bairro do Paraíso, desde a rua Humaitá até a Abílio Soares.

 

O nome do bairro vem do nome do “Largo do Paraízo”, atual Praça Oswaldo Cruz, e há bastante controvérsia quanto aos seus limites, pois antigamente se considerava Paraíso também áreas pertencentes hoje a distritos como Liberdade e Bela Vista.  Localizado no coração cultural e econômico da cidade de São Paulo, o bairro do Paraíso dá início à famosa Avenida Paulista.

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Moradores ilustres do bairro do Paraíso:

Zélia Gattai (1916-2008) escritora brasileira foi uma ilustre moradora do bairro do Paraíso.

Começou a escrever aos 63 anos. Estreou na literatura com o livro de memórias “Anarquistas Graças a Deus”. Recebeu o Prêmio Paulista de Revelação Literária. Viveu com o escritor Jorge Amado durante 56 anos. Em 2001, foi eleita para a Academia Brasileira de Letras, para a cadeira 23, a mesma que pertenceu a Jorge Amado.

Zélia Gattai (1916-2008) nasceu em São Paulo, no dia 2 de julho de 1916. Filha de Ernesto Gattai e Angelina, imigrantes italianos. Passou sua infância e adolescência, no bairro de Paraíso. Participava, junto com a família, do movimento político-operário, organizado por imigrantes operários, italianos, espanhóis e portugueses, que reivindicavam melhorias no trabalho.

 

Anos depois Zélia passou a trabalhar com Jorge Amado, revisando e datilografando os originais de seus livros.
Em 1979, Zélia Gattai estréia na literatura com o livro de memórias “Anarquistas Graças a Deus”. O livro foi traduzido para diversos países, sendo adaptado para o teatro e para uma minissérie de televisão. Outro livro de memórias que se tornou peça teatral foi “Um chapéu para viagem”, em 1982.

Zélia Gattai morreu em Salvador, Bahia, no dia 17 de maio de 2008.
(fonte e-biografias)

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12 Aug 11:38

CURSINHOS FECHAM VAGAS PARA HUMORISTAS CONSERVADORES

by lola aronovich
Adorei a matéria que saiu ontem na Folha de SP, com o título "Reação de alunos faz professores pararem com piadas homofóbicas de cursinho". 
A matéria de Thais Bilenky afirma: "Alunos e especialmente alunas têm reclamado do que consideram machismo, homofobia e racismo aos pais, que cobram explicações". 
Nas palestras que costumo dar sobre preconceitos nas universidades, sempre tem estudante que pergunta o que se pode fazer quando um professor discrimina alguém ou manifesta machismo, racismo e homofobia (seja em tom de piada ou não) em sala de aula. Eu respondo que, em primeiro lugar, deve-se tentar falar com o professor. Como Polyanna Deslumbrette que sou, acredito que muitos professores não sabem que estão sendo preconceituosos e ofendendo alunxs. Se a conversa não resolver, aí sim deve-se levar o caso à coordenação, fazer abaixo-assinado, o escarcéu. 
A matéria conta que, numa turma de cursinho, os rapazes sortearam quem beijaria uma menina no seu aniversário. O professor deu a maior força, perguntou "Quem vai ser o felizardo?", até que outra aluna protestou: "Mulher não é objeto para ser sorteada". Diante disso, o professor se desculpou e repudiou a brincadeira. 
Hoje, em praticamente todas as universidades públicas, e em muitas das particulares também, há coletivos feministas. E eles não deixam barato: onde houver preconceito, essas ativistas vão lutar contra. A proliferação de coletivos é um fenômeno bastante recente. Não que não existissem uns tempos atrás, mas nos últimos cinco, dez anos, eles têm crescido muito, assim como o interesse por estudos de gênero. O machista de hoje nas universidades (professor ou aluno) ainda segue com seus trotes absurdos, com seu assédio sexual, com suas piadas. Mas ele tem cada vez mais que se explicar. Não recebe mais tapinhas congratulatórios nas costas, e sim críticas.
Mais bacana ainda é que esse clima de "Você deve se responsabilizar pelo que diz e faz" -- o "politicamente correto" pro qual tanta gente ainda torce o nariz -- já invadiu escolas de ensino médio e até cursinhos, geralmente vistos como lugares com pouco engajamento, centros de alienação (afinal, os estudantes ficam lá por pouco tempo; é um lugar de passagem). 
Um professor do cursinho Intergraus reclamou à reportagem que teve que cortar seu vasto repertório de piadas: "Virei chato. Não faço mais brincadeiras. Minhas aulas estão terminando mais cedo. Passo exercícios a mais".
Ô colega, chato é o seu preconceito. Você provavelmente já era chato pra um monte de gente antes ("Aquele é o tio que faz piadinha racista sem graça"), mas ninguém tinha coragem de avisar. 
Valéria, professora de História, relatou ao me enviar o link pra matéria da Folha:
"Que dó desses professores que não podem mais debochar de mulheres, negros, gays etc para manter suas aulas interessantes. Agora, lembro bem que no meu terceiro ano (1992), o professor de História do Brasil fez umas piadas grosseiras usando Xica da Silva, e a única aluna negra da turma, que não vinha da mesma escola que nós (era novata), trouxe os responsáveis no outro dia e formalizou uma queixa. Não tivemos aula. Vestibulandos, ficamos zangados com ela, o professor deu uma de vítima e tal. Eu não verbalizei critica à menina, mas fui igualmente conivente. Tenho vergonha e lembro com admiração daquela colega adolescente que não aceitou que piadas machistas e racistas pudessem passar impunes."
De minha parte, eu só fiz cursinho (Anglo, na R. Sergipe, em SP) durante três meses, e faz tanto tempo (1986) que não me lembro de muita coisa. Só que eu gostava. Principalmente de um professor de História, evidentemente de esquerda, que era bem engraçado sem oprimir ninguém. Ele zoava dos poderosos, não dos alvos (fáceis) de sempre. Pessoas inteligentes sabem o valor da palavra e do humor, e o usam para criticar o sistema, não para perpetuá-lo. Zombam do racista, não do negro. 
A matéria entrevistou Clara, de 18 anos, atualmente aluna de arquitetura na USP, que disse: "O humor que oprime alguém não merece a risada de quem assiste à aula". Ela completou: "Não digo que não se deve fazer piadas, mas que elas sejam inteligentes o suficiente para tirar sarro do opressor, e não do oprimido".
Tá vendo? Em vez da mídia inventar factoides como "mulheres se rebelam contra o feminismo" (como se algumas meninas segurando plaquinha de "Não preciso do feminismo porque adoro ser cantada na rua" tivessem inventado o anti-feminismo), seria mais instigante analisar o que de fato tem mudado. 
Como disse um professor do Anglo entrevistado pela matéria: "O incrível é que, dez anos atrás, você podia contar piada de preto, de português. Ao mesmo tempo, era inimaginável ter dois meninos se beijando no cursinho como temos agora".
O coordenador-geral do Anglo pelo jeito concordou: "As piadas têm que ser adaptadas a seu tempo". Sinal de que, por mais que os conservadores chiem, a sociedade está mudando a passos rápidos. E não vai parar
Mas, claro, adivinha quem tomou as dores das "vítimas do politicamente correto"?

Pobre Danilinho. Se algum dia a boquinha na TV acabar, se seus shows de stand-up pararem de atrair pessoas acostumadas a piadas preconceituosas, ele não vai mais poder dar aulas de Introdução ao Humor Reacionário em cursinhos e universidades. 
12 Aug 11:35

The worst thing about Brazil

by Vincent Bevins
Allan Patrick

Na Folha, tem que escrever em inglês pra abordar a questão da desigualdade.

vivara

Brazil’s brutal inequality is so ubiquitous that those who live here simply stop noticing it. An unexpected message from abroad serves as a reminder of the topic that is so rarely discussed here, in society, the media, or the current election.

I’ve been living in Brazil for over four years now, which has been incredible in almost every way, including the ways in which I’ve adapted to the local culture. But there’s the bits I don’t like, too. More than anything else, I hate the way I’ve become desensitized to shocking, brutal, and stultifying levels of inequality. I’ve become accustomed to it, as if it were or ever should be normal.

[para ler o texto em Português, clique aqui]

This, most foreigners in Brazil learn quickly enough, is actually one of the required characteristics of being authentically “Brazilian.” True locals understand that extreme inequality is just a fact of life here, and it is bad taste to bring it up or transgress established class boundaries, so much so that an extreme preoccupation with the topic, or wanting to get to know Brazil outside elite circles, are sometimes considered “gringo” things to do. The more I find myself  becoming “local” in this sense (and in this sense only), the more uncomfortable I become.

Recently, a flash of realization came, as they almost never do, via a WhatsApp message, sent to my cell phone from a Brazilian friend visiting my home country for the first time.

From New York:

“Wow, I’m really impressed with the social equality here. Congratulations.”

And then: “Blacks are part of society. They aren’t excluded like they are in Brazil.”

For all intents and metaphorical purposes, these messages caused my head to explode.

I was born and raised in the United States, a country which has many, many, very obvious problems – probably more than Brazil – which are mostly irrelevant here. Apart from our famous propensity to bomb countries, killing hundreds of thousands for no discernible positive outcome, social injustice has always been a major problem of ours. We have one of the worst inequality levels among the world’s developed countries, and it’s clear to me we have a fairly serious race problem, especially when it comes to treatment of our black citizens.

Moreover, on the equality issue, our problem is getting worse, so much so that Obama spoke recently of the need to combat “dangerous and growing inequality.” 

Maybe not every Brazilian would immediately see things they way my friend did when arriving in the US or Europe. But the fact that a resident of Brazil can feel that New York, of all places, is a beacon of social harmony was a shocking reminder of how deep and problematic Brazil’s inequality is.

But of course it shouldn’t have been shocking. When I arrived here, I was constantly taken aback by elements of a culture that often seemed from another time. Two separate doors for apartments (one for the family, one for the help). Upper middle class youth who had never washed their own clothes or bathroom (let alone held down a job before graduating university), and who could casually drop classist or racist remarks – of the kind that would get you permanently expelled from polite society many places elsewhere – as if it were nothing.

But much of this had become normal for me, as I imagine it had long ago for most Brazilians.

Of course, it’s easy enough for me to deal with this violent prejudice, as a white man who arrived from the US and Europe, locations that much of São Paulo’s upper middle class look up to, but where they themselves, ironically, may be considered crude, reactionary, or racist, and with very bad taste.

You could argue, sometimes correctly, that people like me benefit from this prejudice at times, even if we would rather not. But for the Brazilian friends and colleagues who were unlucky enough to be born with African or indigenous features, or to working-class parents, it’s common to be shouted down when they complain of this class system, as if they were either dangerous Bolsheviks or lazy, self-interested quota jumpers.

It is absolutely true that Brazil is one of the few countries in the world to have improved income inequality in the last decade. But, in the pursuit of both social justice and increasing economic productivity, the country still has a very long way to go. If you look at how the election is unfolding, however, you would think that what the country needs is mostly some technocratic fixes, or a candidate who is less tarred by corruption allegations than the others. If you look at the media, you would think that the social advances made since 2003 were already revolutionary and frightening enough, or that there wasn’t much to talk about. Of course, if you pick up any major newspaper here, you may come to the conclusion that they are written by the white upper middle class for the white upper middle class, because they are.

Around the ‘rolezinhos‘ which took place early this year, there was a debate as to whether Brazil is an ‘apartheid‘ society. I think that’s the wrong word, as there is no state sanction for the divisions. Another friend suggested we may have a “caste” system, which I think is closer to being accurate.  It is at least accurate insofar that the following statement is accurate: For a daughter or son of the ‘middle class,’ the idea of showing up at Sunday family lunch and introducing a member of the working class as boyfriend or girlfriend is basically unheard of. Indeed, I’ve met people from both classes who admit they’ve never had a real, substantive conversation with a member of the other class.

But why don’t we talk about this? Because it’s too obvious.

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12 Aug 11:29

A escandalosa desigualdade da cobertura do Jornal Nacional entre os candidatos à presidência da República

by mariafro

Ao analisarmos as coberturas do JN percebemos o quão a mídia bandida tem uma prática uníssona, em nada difere da cobertura da Veja, O Globo, Estadão, Folha. Em todos os gráficos a cobertura é escandalosamente partidarizada e pró tucanos.

Quando o foco da cobertura são os partidos políticos entendemos a irracionalidade de muitos em relação ao Partido dos Trabalhadores, é uma verdadeira campanha de criminalização do PT. Sem democratização das comunicações, esses filhotes da Ditadura continuarão a pôr em risco à democracia para defesa de seus interesses escusos.

Jornal Nacional

Via Manchetômetro

10/08/2014

Nesta página encontram-se os gráficos que representam a cobertura do jornal Nacional, tanto a análise de valências como os enquadramentos dos temas economia e política. A base de dados cobre todo o ano de 2014. A metodologia empregada aqui é similar à da análise dos jornais impressos. A diferença reside na adição do fator tempo no cálculo das valências. Isto é, o que temos nas colunas é a agregação do tempo das notícias nas categorias favorável, contrário e neutro. Estes gráficos são atualizados diariamente.

Candidatos

No gráfico abaixo temos o cômputo agregado (total), até o dia de hoje, do tempo das notícias favoráveis, contrárias e neutras no Jornal Nacional, para cada candidato. Este gráfico é atualizado diariamente.

Candidatos: cobertura antes do início do período eleitoral

No gráfico abaixo temos o cômputo do tempo das notícias favoráveis, contrárias e neutras no Jornal Nacional, para cada candidato, no período que vai de 1 de janeiro de 2014 a 5 de julho, um dia antes do começo do período oficial de campanha, como estabelecido pelo TSE.

Candidatos: cobertura depois do início do período eleitoral

No gráfico abaixo temos o cômputo do tempo das notícias favoráveis, contrárias e neutras no Jornal Nacional, para cada candidato, no período que vai de 6 de julho, dia do começo do período oficial de campanha, como estabelecido pelo TSE, até o dia de hoje. Este gráfico é atualizado diariamente.

Candidatos: série temporal

No gráfico abaixo temos o cômputo do tempo das notícias contrárias no Jornal Nacional ao longo do ano de 2014, dividido em meses. Este gráfico é atualizado diariamente.

Partidos

No gráfico abaixo temos o cômputo agregado (total), até o dia de hoje, do tempo das notícias favoráveis, contrárias e neutras no Jornal Nacional, para cada partido. Este gráfico é atualizado diariamente.

Governo Federal

No gráfico abaixo temos o cômputo agregado (total), até o dia de hoje, do tempo das notícias favoráveis, contrárias e neutras no Jornal Nacional, para o Governo Federal. Este gráfico é atualizado diariamente.

Enquadramento da política

No gráfico abaixo temos o cômputo agregado (total), até o dia de hoje, do tempo das notícias positivas, negativas e neutras no Jornal Nacional sobre instituições políticas (partidos, congresso, executivo, etc.), agências, empresas e políticas públicas, e personalidades políticas brasileiras. Este gráfico é atualizado diariamente.

Enquadramento da economia

No gráfico abaixo temos o cômputo agregado (total), até o dia de hoje, do tempo das notícias positivas, negativas e neutras no Jornal Nacional sobre economia. Este gráfico é atualizado diariamente.

11 Aug 18:54

O verdadeiro problema do verbete de Míriam Leitão na Wikipédia

by Paulo Nogueira
O caso Wikipedia me fez ler, por curiosidade, o verbete sobre Míriam Leitão. Logo vi o seguinte: só a própria Míriam poderia tê-lo escrito. Ou sua mãe, tamanha a profusão de elogios e a ausência de qualquer crítica. Em verbetes sérios da Wikipédia, sempre existe o contraponto, a área de críticas. No...
10 Aug 13:51

Janio de Freitas: Alckmin foi a BSB combinar depoimentos em CPI do Metrô, se é crime para o PT e também para o PSDB

by mariafro

Políticos autoritários feito Alckmin não perdem tempo, vão ser treinados para responder às questões do roubo dos cofres públicos pago em propina pelo Estado a Alstom e a Siemens e ainda fazem jogo de cena para seu eleitorado conservador.

Claro que se Alckmin pudesse encarcerava todos os meninos negros das favelas do estado para dar mais lucros aos empresários da indústria dos presídios. Mas jornalistas que fazem jornalismo sabem que o projeto tucano do senador Aloysio Nunes, denunciado no meme acima, é inconstitucional e já foi enterrado pelo próprio Senado Por isso, o que Alckmin fez no seu Facebook foi mais do mesmo de sua política autoritária, reafirmando o projeto excludente dos tucanos para delírio de seu eleitorado conservador. Mas ele não fez só isso.

Seu eleitorado conservador e mesmo aqueles à esquerda podem acreditar na desculpa esfarrapada dada por Alckmin para sua ida a Brasilia. Mas o que ele foi mesmo fazer na capital federal foi media training. No entanto não veremos isso em ‘denúncia” na capa de Veja, aliás só sabemos da escandalosa corrupção dos tucanos no metrô, porque ela foi denunciada pelo Ministério Público Suíço, pois o de São Paulo, que tem lado e este não é o dos cidadãos paulistanos, enterrou as denúncias.

Janio de Freitas: Se é crime combinar depoimentos em CPI, é também para o PSDB

via Viomundo

07/08/2014


O dia em que Alckmin foi à Alstom e autorizou trens que seriam superfaturados

Se é crime, são dois

Janio de Freitas, na Folha de S. Paulo

Com os amigos que tem no PSDB, Geraldo Alckmin deve ao menos proteger as costas. Enquanto se ocupa de sua promissora campanha eleitoral, os parlamentares do PSDB que passam por Brasília qualificam como crime, e querem submetida a processos, “a armação” de parlamentares governistas e funcionários que prepararam depoentes da Petrobras para inquirições no Congresso. Bem, isso é o que senadores e deputados do PSDB aparentam à primeira vista.

Os adversários de Geraldo Alckmin jamais o identificaram com crime de qualquer espécie. Não é assim, porém, a conduta dos seus companheiros. Se atos de determinadas pessoas são criminosos, outras que os cometam, idênticos, incidem também em atos criminosos. Eis, então, o que há apenas 62 dias era publicado no Painel da Folha:

“Preocupado com a CPI mista que investigará o cartel do metrô, o governo de São Paulo começou a treinar os parlamentares do PSDB escalados para defendê-lo. Nesta quarta (4), foram ao Congresso Marcio Aith, subsecretário de Comunicação, e Roberto Pfeiffer, representante da Corregedoria do Estado” [a nota continuava].

Exatamente as providências de que os deputados e senadores ligados ao governo federal estão acusados, a propósito das CPIs sobre as suspeitas de corrupção levantadas contra a administração passada da Petrobras.

Pode-se admitir que Geraldo Alckmin não soubesse das providências de sua assessoria. O senador Aloysio Nunes Ferreira não admite. Disse ele, responsabilizando Dilma Rousseff pelo apontado acerto entre inquiridores governistas e depoentes da Petrobras: “Seria impossível que ela não soubesse que estava se armando este crime contra uma instituição da República” [o Congresso e sua CPI]. Se é “crime” e o governante dele tem conhecimento inevitável, Alckmin e Dilma estão igualados pelo candidato a vice-presidente na chapa de Aécio Neves, tanto no conhecimento como no crime.

O Painel informava ainda:

“A ordem é reduzir os danos à campanha de Geraldo Alckmin à reeleição. O presidente do PSDB paulista, Duarte Nogueira, defendeu atenção redobrada à CPI: ‘Sabemos que o PT tentará usá-la para atacar nosso governo’. O líder do PSDB na Câmara, Antonio Imbassahy (BA), também foi à reunião. Os tucanos lamentam não poder contar com o deputado Carlos Sampaio (SP) na defesa do governo paulista. Ele já estava escalado para fustigar o Planalto na CPMI da Petrobras”.

Por incompetência açodada ou descuido preguiçoso, para não falar em omissão hipócrita, os parlamentares do PSDB decidiram explorar eleitoralmente a denúncia sensacionalista de uma banalidade, no entanto, também por eles praticada. Com igualdade até no objetivo eleitoral que atribuem aos governistas: “A ordem é reduzir os danos à campanha” de Alckmin.

Em obediência ao seu zelo pela ética parlamentar, Renan Calheiros, presidente do Congresso, decidiu que uma comissão investigue a denúncia de “armação” na CPI da Petrobras. Mas, até por experiência própria, ou a das suas vaquinhas coadjuvantes em certo inquérito do Senado, Renan Calheiros sabe que os partidos se representam nas CPIs para a defesa combinada de seus correligionários e ataque combinado aos adversários. Farsa, como sabe a imprensa, é fingir que as CPIs não são assim.

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09 Aug 20:44

Wilson Ferreira: Como pode haver “fraude” se Wikipédia é colaborativa?

by Conceição Lemes

Escandalo wikipedia

O “escândalo da Wikipédia” e a autofagia da TV Globo, por Wilson Ferreira

Atualizado em 09/08/2014 – 12:58

por Wilson Ferreira, no Jornal GGN, sugerido por Júlio César Macedo Amorim

O “escândalo da fraude da Wikipédia” é a confirmação de que nada mais resta para a grande mídia do que a bomba semiótica da não-noticia.

Em nova “denúncia” jornalistas Miriam Leitão e Carlos Sardenberg tiveram seus perfis na enciclopédia virtual Wikipédia “fraudados” com a inserção de difamações e críticas. E tudo teria partido do endereço virtual “da presidência”… ou teria sido “do Palácio do Planalto”… ou, então, “de um rede pública de wi fi?”.

A ambiguidade dá pernas à não-notícia que revela um insólito desdobramento de um jornalismo cuja fonte primária (a Wikipédia) nega a si própria como fonte confiável de investigação. Abre uma surreal possibilidade de um tipo de jornalismo que se basearia exclusivamente em fontes onde o próprio repórter pode criá-las para turbinar a sua pauta. E de quebra revela o momento autofágico da TV Globo que oferece suas próprias estrelas jornalísticas em sacrifício no seu desespero de ter que lutar em duas frentes simultâneas: a política e a audiência.

Com o “escândalo Wikipédia” e a perspectiva de uma hilária “CPI do wi fi” está se confirmando que na atual batalha semiótica pela opinião pública a única arma que restou para a grande mídia é a da não-notícia.

O jornal O Globo deu a manchete (“Planalto altera perfil de jornalistas com críticas e mentiras”) e a TV Globo repercutiu nos seus telejornais durante todo o dia a “notícia” de que os perfis dos jornalistas Carlos Alberto Sardenberg e Miriam Leitão na enciclopédia virtual foram alterados com o objetivo de criticá-los. E o IP (endereço virtual) de onde partiram as alterações era da rede do Palácio do Planalto.

As supostas “críticas” inseridas no perfil dos jornalistas qualificam as análises e previsões econômicas de Miriam Leitão como “desastrosas” e de ter defendido “apaixonadamente” os ex-banqueiro Daniel Dantas quando foi preso pela Polícia Federal em escândalo de crimes contra o patrimônio público. E o jornalista Sardenberg de ser crítico à política econômico do governo por ter um irmão economista da Febraban que tem interesse em manter os juros altos no Brasil.

Três características chamam a atenção nessa segunda detonação seguida de uma bomba semiótica da não-notícia (a anterior foi a tentativa de transformar a existência do media trainning na Petrobrás em escândalo político): a irrelevância, o timming e o tautismo.

Wikipédia é relevante?

Como a própria Wikipédia já admitiu, a enciclopédia não deve ser utilizada como fonte primária de investigação (“Wikipedia Reasearching With Wikipedia”). Jimmy Walles, co-fundador da Wikipedia, afirmou que “enciclopédias de qualquer tipo não são apropriadas como fontes primárias, e não devem ser invocadas como autoridades”.

Pelo seu caráter colaborativo onde qualquer usuário pode alterar o conteúdo dos verbetes, o uso da Wikipédia não é aceito em escolas e universidades. No máximo é utilizada como indicadora para fontes externas. Mas repentinamente para a grande mídia a Wikipédia passou a ter uma surpreendente relevância como documento primário de investigação.

Como “dar pernas” à não-notícia?

Estamos na típica situação jornalística em que se tenta “dar pernas” para a notícia que, em si, não possui relevância. A melhor forma de dar algum gás à não-notícia é por meio da retórica da ambiguidade.

A matéria do jornal O Globo ora fala que o IP era da “Presidência da República”, ora do “Palácio do Planalto”, ou também de “computadores do Palácio” e “IP da Presidência” para no final diluir tudo no “endereço geral do servidor da rede sem fio do Palácio do Planalto”. Naturalmente o teaser é dado pela manchete e primeiro parágrafo que tentam aproximar ao máximo o fato (irrelevante em si mesmo) da figura da presidente da República. Se o leitor persistir a leitura até o final da matéria, perceberá a diluição do próprio impacto noticioso.

Qual a matéria-prima dessa suposta notícia? De um lado a própria enciclopédia virtual que é até cautelosa consigo mesma e do outro uma rede wi fi pública. Com isso se projeta a possibilidade de que se alguém alterar o perfil do governador Geraldo Alckmin em rede wi fi pública instalada pela prefeitura de São Paulo, o gabinete do prefeito seria responsabilizado… A matéria abre uma surreal possibilidade de um tipo de jornalismo que se basearia exclusivamente em fontes primárias de investigação onde o próprio repórter pode criar para turbinar a sua pauta.

O timming do escândalo

Outra coisa que chama a atenção é o timming da detonação dessa bomba semiótica. Supostamente o “fato” teria ocorrido nos dias 10 e 13 de maio e somente agora é “revelado”. Desde então, os perfis da Wikipédia encontravam-se alterados, sem haver qualquer tipo de escandalização – o que demonstra a “relevância” da enciclopédia virtual. Nesse momento, outras bombas semióticas estavam em andamento na Operação Anti-Copa (manifestações de rua, Black blocs etc.). A não-notícia foi guardada no paiol de armas semióticas da grande mídia, aguardando o momento propício para a detonação, que acabou sendo na sequência da suposta fraude da CPI da Petrobrás.

E para turbinar a não-notícia dos “perfis fraudados” da Wikipédia (como pode haver “fraude” se a enciclopédia é colaborativa?), a manjada estratégia da chamada agenda setting que até aqui o Governo federal mantém-se inacreditavelmente refém: a não-notícia é repercutida pela imprensa ao “noticiar” que políticos de oposição pedem que a Procuradoria Geral da República apure a “denúncia”; ou divulgando a “preocupação” de órgãos como Associação Brasileira de Imprensa, Associação Nacional de Jornais e Federação Nacional dos Jornalistas.

O que exige uma resposta institucional da Secretaria de Comunicação do Governo, dando legitimidade e combustível à não-notícia da “fraude da Wikipédia”.

Um escândalo tautista

Outra característica dessa não-notícia é que ela revela não só o desespero da grande mídia em ter que continuamente rebocar um oposição política inepta como também o próprio tautismo da Organizações Globo. Por tautismo nos referíamos em postagem anterior a um momento de crise que a Globo enfrenta revelada por uma combinação de tautologia com autismo, por meio do conteúdo da sua programação cada vez mais autorreferencial e metalinguístico.

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08 Aug 11:53

Antes de Fred houve Quedo, primo de Aécio que negociou propina para liberar traficantes. Por Joaquim de Carvalho

by Joaquim de Carvalho
Aécio e o primo Tancredo, o Quedo
Aécio e o primo Tancredo, o Quedo

Esta matéria, datada de 2014, está sendo republicada por motivos óbvios.

 

Em 2010, o jornalista Bruno Procópio, que se define também poeta e cronista, publicou em seu blog Prosa com Cultura um texto em que revela: a família Tolentino Neves, “famosa pelo legado político de homens como ex-presidente da República Tancredo de Almeida Neves e o governador mineiro Aécio Neves, também fez sua história no universo da cachaça.”

Bruno, o Dindi, jovem de pele morena, barba rala, cavanhaque de poucos e longos fios, conta que seu Múcio Tolentino, irmão de Risoleta Neves, mulher de Tancredo, começou a produzir em 1960 a cachaça Mathuzalem 960.

Durante 25 anos, os amigos se reuniam na fazenda da família, no município de Cláudio, para tomar da pura. Segundo a crônica do Dindi, Tancredo Neves era um dos mais assíduos na confraria.

Depois da morte de Tancredo, seu Múcio parou de fabricar a “960” e praticamente fechou o alambique.

Em 2002, um dos filhos de Múcio, homem que herdou do tio o nome, Tancredo, decidiu retomar a produção da cachaça, mas mudou o nome da bebida.

A cachaça passou a se chamar Mingote, homenagem ao bisavô Domingos da Silva Guimarães, o seu Mingote, que em 1873 comprou terra na região, para produzir rapadura, açúcar mascavo e cachaça, e dar início a uma prole numerosa, da qual descendem dona Risoleta, o neto dela, Aécio Neves, seu Múcio e o filho dele Tancredo Tolentino, também conhecido como Quedo.

A exemplo da “960”, a Mingote também fez fama, principalmente depois que a revista Época publicou, em maio de 2007, “os brasileiros famosos, bem-sucedidos em seus respectivos ramos profissionais, que têm como atividade paralela a produção de cachaça”, e citava Aécio Neves.

Segundo a reportagem, o então governador de Minas era o fabricante da Mingote, descrita como uma cachaça envelhecida durante dois anos em tonel de Umburana, no município de Cláudio.

A julgar como verídica a informação de Época, Aécio era sócio do primo Tancredo Tolentino, o Quedo.

Esse era um tempo em que Aécio era apresentado como o autor do “choque de gestão”, e Tancredo Tolentino era um comerciante de Cláudio.

Cinco anos depois, em 2012, o repórter Valmir Salaro, do Fantástico, foi a Cláudio para fazer uma reportagem sobre um esquema de venda de habeas corpus para libertar traficantes.

O repórter contou que, em julho de 2010, numa cidade vizinha, Marilândia, a polícia apreendeu 60 quilos de pasta base de cocaína, parte deles encontrada numa camionete.

A polícia prendeu o motorista Jesus Jerônimo da Silva, e outro traficante, Brás Correia de Souza.

Eles permaneceram alguns meses presos no município de Divinópolis, na mesma região, e foram libertados por decisão do desembargador Hélcio Valentim de Andrade Filho.

Valmir Salaro foi até a cachaçaria Mingote e gravou uma passagem em frente à sede da empresa, em que revelou que a sentença para libertar os traficantes foi negociada ali dentro, entre o desembargador Valentim e Tancredo Tolentino, o Quedo.

A reportagem do Fantástico tem mais de 11 minutos e, em nenhum momento, o nome de Aécio Neves foi citado – nem para dizer que Tancredo Tolentino é primo dele ou para lembrar que a Mingote apareceu na Época como a cachaça fabricada pelo bem sucedido Aécio.

Não era difícil fazer essa associação. Bastava entrar no site da Mingote e clicar em “notícias”. A página abre com uma foto de Aécio e um link para a reportagem da revista Época, em que o ex-governador é apresentado como o fabricante da cachaça.

Hélcio Valentim foi nomeado por Aécio Neves quando governador.

Valentim se formou em direito no ano de 1988 pela Universidade Federal de Minas Gerais. Advogou até 1990, quando entrou no Ministério Público. Em 1996, se tornou procurador e, em 2005, integrou a lista tríplice de indicados para compor o Tribunal de Justiça de Minas Gerais, na cota do Ministério Público, o chamado quinto constitucional.

A prerrogativa de nomeação para o Tribunal pertence ao governador e o costume é escolher o primeiro da lista. Mas, nessa nomeação, em março de 2005, Aécio nomeou o segundo, Valentim.

Além de nomear o desembargador que, mais tarde, negociaria com o primo a libertação de traficantes, Aécio é autor de outra medida que beneficia Tancredo Tolentino.

A fazenda do pai dele tinha uma pista de terra para pousos e decolagens de avião, obra que o avô de Aécio, Tancredo, havia mandado fazer quando era governador – fazenda em que ele tomava cachaça, como revelou o cronista e poeta Dindi.

Quando chegou sua vez de governar Minas, Aécio mandou pavimentar a obra, ao custo de quase 14 milhões de reais. O outro Tancredo da família, o primo de Aécio (e sócio na Mingote?), é quem toca as coisas por lá, e tem as chaves do aeroporto, até hoje sem homologação da ANAC e, portanto, proibido para o público em geral.

Essas conexões do município de Cláudio acabaram despertando a desconfiança de que a pista pavimentada serviu para pouso de reabastecimento do helicóptero do senador Zezé Perrella, quando trazia 445 quilos de pasta base de cocaína do Paraguai, em novembro do ano passado.

Afinal, Perrella é amigo de Aécio, e Aécio é primo do Tancredo Tolentino, o homem que tem a chave do aeroporto e foi flagrado negociando a libertação de traficantes, num caso em que a semelhança com a apreensão de cocaína no Espírito Santo é espantosa.

Procurei os dois pilotos do helicóptero. Um deles, que eu entrevistara anteriormente, mandou dizer que não fala mais comigo. O outro, o piloto Rogério Almeida Antunes, ex-funcionário de Perrella, disse, por intermédio de seu advogado, que “não, não pousou lá”. Passou perto, mas não parou na pista.

 

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07 Aug 01:12

Igor Felippe: Eduardo “cria” reforma tributária sem aumentar imposto

by Conceição Lemes

Eduardo-Campos

Os superpoderes de Eduardo Campos: reforma tributária sem aumentar impostos

por Igor Felippe, no Escrevinhador

O sistema de tributação é um dos grandes problemas nacionais.

Não existe uma alma viva que acredite que o complexo de dezenas de impostos seja bom para o Brasil.

Assim, a questão é outra. Não é suficiente fazer o diagnóstico correto do problema, mas apontar como fazer a tal reforma tributária.

Objetivamente, mudar pra valer o modelo de tributação implica tirar de uns e dar para outros.

Fazer a reforma tributária mexe diretamente com estados e municípios, capital industrial, comercial e bancário, setores exportadores e importadores, ricos e pobres, empresários e trabalhadores.

No entanto, ninguém aceita perder.

Aí que a porca torce o rabo.

Qualquer candidato pode prometer fazer a reforma tributária – assim como pode prometer o céu na terra.

Sem responder como conseguir um nível de unidade política que viabilize a aprovação de uma proposta no Congresso, o mantra “reforma tributária” não passa de uma profissão de fé.

Nesta terça-feira, o candidato à presidência da República, Eduardo Campos, prometeu fazer a reforma tributária.

E foi além: vai modificar o sistema de tributação sem aumentar impostos para ninguém.

Ou seja, o candidato acredita que é possível fazer uma mudança no sistema tributário sem ganhadores e perdedores.

A conclusão é a seguinte: Eduardo Campos colocará de forma abnegada à disposição da Nação os seus super-poderes para fazer milagres…

Abaixo, leia reportagem da Agência Brasil.

Campos diz que fará reforma tributária sem aumento de imposto

Por Isabela Vieira

O candidato à Presidência da República Eduardo Campos (PSB) se comprometeu hoje (5) a fazer uma reforma tributária, se eleito, sem aumento de impostos. Durante encontro com entidades representativas dos fiscos municipais, estaduais e federal, no Rio de Janeiro, ele recebeu documento que propõe reduzir a tributação sobre as classes de menor renda. O texto defende uma arrecadação progressiva e com menor carga sobre o consumo.

Ao receber as propostas, o presidenciável classificou como “injusta” a carga tributária no país, por induzir a reprodução de desigualdades socioeconômicas. “De um lado, como foi dito aqui, temos entre 35% a 37,5% de carga tributária no Brasil e, por outro lado, uma sociedade querendo serviço e qualidade de vida melhor, com saúde e educação”, afirmou. Ele se comprometeu a envolver estados e municípios nas mudanças.

Campos concordou com as instituições fiscais, que calculam em 60% a defasagem da tabela do Imposto de Renda, e se comprometeu com a solução do problema, além de criticar os “fundamentos injustos” para se determinar o valor de impostos. “Não dá para achar que é normal o Imposto de Renda incidir na renda de alguém que ganha R$ 1,8 mil. Não é normal pagar tributos em moto de 125 cilindradas, que leva o trabalhador para o seu trabalho na construção civil, e não cobrar de uma aeronave particular”, afirmou.

O candidato também questionou a desoneração do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de carros e a taxação mais alta das bicicletas, veículos não poluentes, e disse que o sistema tributário deve favorecer o modelo de desenvolvimento do país. “Ou seja, se tem alguém que produz poluindo menos, não pode ser tratado como o empreendimento que polui mais. Se a aposta é em ciência, tecnologia e inovação, não pode ser tratado como alguém que não quer inovar”.

Durante o evento, a candidata a vice na chapa, Marina Silva, disse que é necessário um sistema tributário mais simples e transparente, com “justiça tributária”. Para eles, sem a reforma tributária, os avanços sociais serão diluídos. Para eles, mudanças na tributação devem ter como meta “liberar a renda dos mais pobres para o consumo e desonerar investimentos”.

O presidente do Sindifisco Nacional, Cláudio Damasceno, explicou que a última correção da tabela do Imposto de Renda, com base no aumento da inflação, foi feita em 1996. “Se fizéssemos a correção, o limite de isenção saltaria de R$ 1.787 para cerca de R$ 2,8 mil, ou seja, aproximadamente 60% [de crescimento] do atual. Isso significa que, se o governo corrigisse a tabela, as pessoas que ganham nessa faixa de renda não precisariam pagar o imposto que estão pagando hoje”, explicou.

Os representantes da Chapa Unidos pelo Brasil acrescentaram que, para dar conta dos desafios na área tributária e para aperfeiçoar a democracia, o serviço público deve ser fortalecido. Na área fiscal e trabalhista, por exemplo, são necessários concursos para recompor os quadros, citou Campos.

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04 Aug 17:18

Uma singela lição que gêmeos separados ao nascer nos oferecem

by Luiz Carlos Azenha

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Sophie e a família, separados quando ela tinha 6 meses de idade, se reencontram depois de 21 anos; abaixo, a sequência de reportagens do Jornal da Record

 

por Luiz Carlos Azenha, no Facebook, com acréscimos

Imaginem comigo a seguinte situação, real: irmãos gêmeos separados ao nascer. Uma vai para a França. O menino fica no Ceará. A família é muito pobre. Não tem água, nem luz em casa e passa fome.

Na França a menina vive numa casa confortável, com pais adotivos que não enfrentam dificuldades financeiras. No Ceará o menino briga para receber a pensão do pai.

Aí eles se reencontram 21 anos depois. Ela, estudante de comunicações à distância de uma universidade pública de Lyon.

Antes de conhecê-lo imaginei que poderia encontrar um menino sem muitas oportunidades na vida.

Mas não! É estudante de engenharia elétrica numa universidade pública de Sobral. Quer se formar “para ajudar a mãe”, uma guerreira sertaneja que carregou muita água na cabeça para criar os outros três filhos.

A direita diria: viram só como é importante a meritocracia? Foi o esforço individual dos gêmeos que permitiu que chegassem onde chegaram.

Não duvido do esforço de nenhum deles e sei que os sertanejos são tão resistentes quanto a vegetação da caatinga, que parece morta na seca mas renasce com vigor na chuva.

Porém, se desde 2006 não houvesse uma unidade da Universidade Federal do Ceará em Sobral as chances de Marquinhos estudar seriam bem menores. Se não houvesse o Programa Ciência Sem Fronteiras ficaria muito mais difícil para ele atingir seu objetivo: fazer mestrado na Alemanha ou nos Estados Unidos para estudar, se entendi direito, a construção de turbinas.

O vovô dos gêmeos, Pedro, que ainda hoje vive no sertão, não teria energia elétrica não fosse o Programa Luz para Todos. Ficaria sem geladeira ou o prazer diário de ver uma ou duas horas de TV, depois de cuidar do rebanho de cabras.

Resumo do filme: por mais que a direita chie, denunciando seguidamente o “intervencionismo estatal” e outras balelas, o Estado tem um papel decisivo a cumprir na vida de milhões de Marquinhos e Pedros. Com todos os seus defeitos, corrupção e falta de dinamismo.

Saiba mais em:

http://noticias.r7.com/jornal-da-record/videos/nova-serie-do-jornal-da-record-investiga-adocoes-ilegais-02082014

Captura de Tela 2014-08-04 às 13.05.38

Eu com vovô Pedro, no sertão do Ceará

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04 Aug 13:29

No Brasil inteiro a desigualdade diminuiu ao longo da última década, exceto em SP, onde o rico ficou ainda mais rico

by mariafro
Allan Patrick

Nessa Natal é vanguarda há muito tempo :D ------> 'ou no uso de camisas polo “com um cavalo enorme” bordado no peito'

Sempre tive esta percepção, moro na periferia de São Paulo, viajo muito para muitos cantos do Brasil. Enquanto percebia as expressivas mudanças em locais historicamente abandonados, via São Paulo degringolar em seus sucessivos governos tucanos que sucatearam o Estado e pioram os serviços públicos tornando nossas vidas mais miseráveis. Agora, nem fornecimento regular de água temos. Espero que as mudanças efetivas que Haddad vem fazendo neste 1 ano e oito meses de gestão petista na cidade consiga reverter um pouco esta barbárie.

Por Wgner Iglecias

A cidade de São Paulo na contramão do Brasil. Se no país a distribuição de renda melhorou nos últimos 12 anos, ainda que de forma discreta, na capital paulista ela piorou. Acho que daí dá para se entender, em parte, a profunda rejeição ao prefeito Haddad e ao governo Dilma na maior cidade do país. Não bastasse uma classe AAA que hoje absorve mais da renda da cidade do que absorvia há uma década, tem-se ainda um grande contingente de classe média em sua eterna ilusão de um dia vir a fazer parte deste seleto grupo. É nesses estratos que se ouve com muita força o discurso de que “o Brasil acabou” e coisas do gênero.

1% mais rico de SP abocanha 20% da renda da cidade; há dez anos eram 13%

Por: VANESSA CORREA. DE SÃO PAULO, Folha

03/08/2014 02h00

As pessoas ricas estão cada vez mais ricas em São Paulo. Se o seleto grupo do 1% mais endinheirado da população já embolsava R$ 13 em cada R$ 100 ganhos na cidade em 2000, dez anos depois sua renda deu um salto: passou a abocanhar R$ 20 em cada R$ 100 do montante arrecadado -vindo de salários, aluguéis e investimentos.

Os dados fazem parte de um levantamento inédito da prefeitura que compara os dois últimos Censos do IBGE (2000 e 2010).
A cara da riqueza
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Felipe Gabriel/Projetor

Homens conversam no piso de alimentação do shopping JK, na zona oeste

No mesmo período, outras camadas da população, como os 50% de menor renda, não experimentaram prosperidade parecida. Embora estejam ganhando mais hoje, a participação deles no “ordenado paulistano” ficou praticamente estagnada, passando de R$ 11,65 para R$ 10,57 em cada R$ 100.

Para fazer parte do 1% mais rico, é preciso ter uma renda individual de ao menos R$ 15 mil. Essa fatia acomoda pouco mais de 100 mil pessoas, entre empresários, altos executivos, profissionais liberais e gestores do próprio patrimônio. A população atual de São Paulo é de 11,8 milhões.

O descolamento do super-ricos e o achatamento da classe média são reflexos de uma São Paulo mudada, que se transformou em metrópole de serviços, importante centro financeiro e sede de grandes multinacionais, pouco parecida com a cidade industrial de algumas décadas atrás.

A mudança no perfil dos empregos, com o surgimento de superexecutivos e novos empresários da indústria criativa, ajuda a explicar as mudanças no topo. Já a perda de postos na indústria, substituída pela multiplicação das ocupações de baixa remuneração em serviços terceirizados, dá uma ideia de qual é a nova situação na base.

Está em curso, também, uma migração seletiva: enquanto profissionais ultraqualificados vêm para São Paulo em busca de melhores remunerações e opções de lazer, pessoas de baixa renda fogem do custo de vida elevado. Essa migração completa o quadro de alterações por que a cidade passou e vem passando, segundo os especialistas ouvidos pela sãopaulo.

SEM INDÚSTRIA, COM GLOBALIZAÇÃO

O geógrafo Tomás Wissenbach, responsável pelo levantamento desses dados na prefeitura, credita a concentração de renda à modificação operada nos empregos da cidade.

“Desde os anos 1970, São Paulo vem perdendo suas indústrias e com elas os empregos que pagavam bons salários a pessoas com escolaridade média”, afirma Wissenbach, que é diretor do Deinfo (departamento de informações), ligado à secretaria de Desenvolvimento Urbano.

Por outro lado, diz Wissenbach, hoje a economia paulistana está concentrada nos setores de serviços, que produzem, em uma ponta, superempregos para executivos e consultores e, na outra, ocupações de baixa remuneração em funções terceirizadas como limpeza e telemarketing.

Nos últimos dez anos, a atenção das multinacionais se voltou para os países em desenvolvimento como o Brasil, e muitas dessas empresas abriram filiais na cidade de São Paulo, afirma Rodrigo Soares, diretor da Hays, uma consultoria especializada em recrutamento de altos executivos.

Como a legislação trabalhista não favorece a vinda de profissionais estrangeiros, os executivos brasileiros acumularam funções e passaram a ganhar bem mais. “Essa versatilidade levou-os a ter uma compensação financeira.”

Assim, diretores-presidentes que em 2005 recebiam salários de até R$ 25 mil por mês na cidade de São Paulo, em 2010 poderiam chegar a R$ 70 mil, segundo o Datafolha. Hoje, essas remunerações passam dos R$ 90 mil —sem falar nos bônus e benefícios.

Mas há outros fatores operando o milagre da multiplicação das rendas altíssimas, avalia o professor de economia Otto Nogami, do Insper (instituto de ensino). “Empresas que oferecem novos serviços ligados ao mundo da tecnologia e da comunicação estão crescendo rapidamente.”

As novas empresas se expandem, e, junto com elas, a renda de jovens empresários como Guga Guizeline, 32, que organiza eventos para “aproximar marcas de pessoas”. Ele faz festas promovendo de “lançamento de prédio até marca de camisinha”.

Guga vem de uma família de nível “superbom”, como ele diz. Seu pai sempre foi funcionário do setor financeiro, área em que ele próprio tentou a sorte. Há seis anos, porém, depois de trabalhar com marketing e investimentos, começou a fazer eventos corporativos.

VIRADA DEMOGRÁFICA

O urbanista Kazuo Nakano vê mais uma explicação para o aumento da renda dos mais ricos: São Paulo “passa por uma virada demográfica”. Pessoas ultraqualificadas estão vindo de outros lugares para cá, enquanto a população mais pobre migra para fora da cidade em direção à região metropolitana, devido ao aluguel e o custo de vida altos.

Nogami, do Insper, faz a mesma análise: no longo prazo, a tendência é que indivíduos de renda maior, como empresários e executivos de alto escalão, procurem locais com melhor infraestrutura, com mais opções de lazer. “São Paulo continua representando o sonho de consumo para essas pessoas, apesar da insegurança”.

A questão da desigualdade, gerada por um modelo econômico em que a renda dos mais ricos cresce mais rápido do que a atividade econômica, foi realçada com a publicação, em 2013, de “O Capital no Século 21″, do francês Tomas Piketty. O livro, que defende a taxação de grandes riquezas, bateu recorde na lista dos mais vendidos do site Amazon e suscitou um debate acalorado em milhares de artigos de jornais e blogs do mundo todo.

Por aqui, o economista e ex-presidente do Ipea Márcio Pochmann defende a tese de que está em curso uma “polarização da sociedade” brasileira, em que os muito ricos e os muito pobres melhoram de vida, mas a classe média fica olhando a banda passar.

Esse cenário tende a ser mais acentuado em lugares onde a economia se baseia no setor de serviços, especialmente os financeiros, como São Paulo, diz o especialista. Por isso, afirma, apesar de a desigualdade ter se estabilizado na cidade, “existe uma corrosão da renda da classe média, que fica numa camada entre os 40% mais pobres e os 20% mais ricos”.

“O que nós vemos em São Paulo é o que vem acontecendo no mundo inteiro capitalista, mais fortemente nos EUA, e em menor grau na Europa”, diz o economista José Roberto Mendonça de Barros, que foi secretário de política econômica da Fazenda no governo Fernando Henrique (1995-2002).

Segundo Barros, os muito ricos são compostos por dois grupos. Em um, a receita vem de rendas, como de aluguéis, aplicações financeiras e juros. O outro é formado por quem ocupa papéis estratégicos nas empresas e detém altos salários. “É uma característica do capitalismo contemporâneo, neoliberal: os altos capitalistas rentistas e os altos profissionais.”

Por outro lado, as políticas distributivas que vêm sendo aplicadas pelo governo do PT, como os aumentos salariais e bolsas diversas, afetaram negativamente a renda de todos os ricos, menos dos muito ricos, diz Barros.

“Por isso se vê uma radicalização violenta da base social e uma reação das classes altas contra a preferência pelos pobres que o PT adotou.”

“Eles [os muito ricos] vivem a cidade, frequentam exposições, concertos e eventos na casa de outros milionários, mas estão cercados de seguranças”, diz Stella Susskind, presidente da Shopper Experience, uma consultoria de marketing para marcas de luxo. “Não é por culpa deles. Vivemos uma guerra civil neste país”.

Quando o assunto é consumo, Susskind explica o mercado com uma anedota: “Tenho uma cliente que diz: ‘com meus amigos milionários, as viagens são voltadas para as compras; com os bilionários, as compras ficam de lado e geralmente vamos de jato particular; com meus amigos biliardários, comprar, só se for obra de arte.”

DISCRETOS X EXUBERANTES

Milionários, bilionários, ou biliardários, não importa. Eles moram e frequentam os mesmos lugares. Restaurantes como Spot e Bilboquet, destinos turísticos como Grécia e Ibiza e os shoppings Cidade Jardim, JK e Iguatemi, todos no sudoeste da cidade, onde ficam bairros como Jardins, Pinheiros, Itaim e Moema.

E como um rico se diferencia de outro rico? Exclusividade é a palavra. “Se uma amiga tem um relógio Breitling, a outra vai querer um diferente, com fundo rosa, por exemplo. Há uma aspiração de demonstrar a personalidade”, diz a consultora.

Quando as “fortunas são antigas”, no entanto, as pessoas são mais discretas. “A competição é para ver quem tem a obra de tal artista, para mostrar em qual universidade do exterior os filhos vão estudar.”

A última tendência em férias de luxo, segundo Stella, é mandar as crianças esquiarem na montanha Snow Mass, em Aspen, nos EUA.

Para os adultos, a pedida deste ano é a Grécia, além de ilhas exclusivas na Flórida, onde há condomínios “caríssimos”, e destinos europeus em geral. Para o pessoal da velha guarda, o “objeto de desejo” continua sendo a França, mais especificamente Cote d’Azur e Saint Tropez.

Há também os ricos com estilos mais exuberantes, como o de Val Marchiori, que figurou no reality show “Mulheres Ricas”. Um tipo “total emergente, novo rico que se afirma pelo consumo”, explica Susskind.

Entre os homens, os sinais de ostentação que dão pinta de riqueza nova podem vir na forma de aceleradas com carrões na porta dos restaurantes da rua Amauri, no Itaim Bibi -ou no uso de camisas polo “com um cavalo enorme” bordado no peito, diz o empresário R., que não quis se identificar.

Mas ostentação pouca é bobagem para os ricos de berço. Quando a coisa fica séria no Instagram, dá-lhe foto de pratos com trufas gigantes (ou lagostas enormes), de preferência em restaurantes como a rede Nobu, conta R. Sem falar nos selfies em academias de ginástica badaladas. “Está rolando uma onda de fitness de uns dois anos para cá que é uma loucura.”

O sonho de consumo de R. hoje é uma BMW da série três, mas “o legal mesmo é não gastar com porcaria, para viver bem e com pouca preocupação”.

04 Aug 13:11

Uma resposta ao leitor Jorge Portugal sobre os motivos da mídia

by Luiz Carlos Azenha

zitocaxias

Amigo é para essas coisas…

por Luiz Carlos Azenha

O caríssimo leitor Jorge Portugal me pergunta, nos comentários de outro post: o que a mídia ganha ao fazer campanha contra governos de esquerda e/ou trabalhistas?

Minha resposta: dinheiro, muito dinheiro.

Na verdade, não importa se é PSDB, PT ou DEM.

Em espécie ou em vantagens, como denunciado aqui.

Conto um causo que vivi pessoalmente.

Lá por 1998 ou 1999, trabalhando de repórter na TV Globo do Rio de Janeiro, fui convocado pelo produtor Tim Lopes para fazer uma reportagem. Era para sair no Fantástico. Uma investigação sobre o então prefeito de Duque de Caxias, José Camilo Zito dos Santos. Zito era suspeito de mandar matar adversários políticos.

Fomos atrás dos documentos e testemunhas. Entre elas, um casal de professores que havia escapado de uma tentativa de homicídio num Fusca. Para finalizar a reportagem, fiz o impensável: fui ouvir Zito durante uma cerimônia pública, numa praça de Duque de Caxias. Ele respondeu às minhas perguntas com os dentes cerrados. Embarquei na viatura da emissora e saí “voado”.

E olha que o Zito era do PSDB!

A reportagem foi editada. Ficou com cerca de 8 minutos. Um petardo, com vários documentos, entrevistas e as respostas do prefeito.

Passaram-se algumas semanas.

Fui perguntar ao Tim, que trabalhou comigo em várias reportagens, sobre o destino de nosso material.

Ele foi cobrar do diretor do Fantástico. Ouviu que era uma questão de falta de tempo.

Assim foi. Semanas e semanas se passaram, até que esqueci completamente do assunto.

Num domingo, em meu apartamento da Timóteo da Costa, no alto Leblon, abro o jornal O Globo.

Susto!

Uma foto de Roberto Marinho cumprimentando o Zito.

O parque gráfico de O Globo em Duque de Caxias havia sido inaugurado em janeiro de 1999.

Aparentemente, tinha havido uma disputa sobre isenção de impostos.

Aquela foto era sinal de que o “problema” tinha sido resolvido? Não sei.

O que importa é que nossa reportagem nunca foi ao ar!

É assim que funciona a mídia corporativa…

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“Denúncia” de Veja faz lembrar ofensiva de 2006

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03 Aug 09:27

A mídia velha não faz jornalismo faz política anti-PT

by mariafro

“Se o Brasil fosse o que mostra a imprensa, estaríamos todos mortos de fome. Essa é uma das evidências de que a imprensa hegemônica rompeu com o jornalismo.” E se os governos petistas não fossem visivelmente superiores, fossem apenas medianos já teriam sucumbido há tempos. Diante de um quadro partidarizado da mídia monopolizada, visíveis em gráficos, os governos petistas mostram como são eficentes: 182 informes negativos para apenas 15 positivos quando a notícia trata de Dilma e mesmo com o Índice dos Preços ao Consumidor com recorde histórico de queda os noticiários em julho deram 97,6% de notícias negativas contra apenas 2,4% de notícias positivas.

Crise da água provocada pelo governo Alckmin nem pensar de anunciar.


Levantamento nos três jornais mais vendidos do Brasil, de 28/8 a 27/9/2010. Realizado pelo Brasil de Fato, estudo concluiu que: das 90 capas publicadas, 61 eram negativas para candidatura presidencial do PT, enquanto apenas 3 eram positivas.


Eleições de 2014 nada mudou, ou melhor, piorou: Última atualização: 02/08/2014 às 14:50. Fonte: Manchetômetro

O ‘manchetômetro’ e a imprensa partidária
Por Luciano Martins Costa,  na edição 809, programa radiofônico do Observatório

1/8/2014 

Folha de S. Paulo acaba de descobrir que o racionamento de água que ocorre em São Paulo é racionamento mesmo, e não efeito colateral de obras de manutenção da rede. Essa constatação faz a manchete do jornal na sexta-feira (1/8): “Ação de SP na crise da água equivale a racionamento”.

No texto que se segue, o leitor fica sabendo que o racionamento que sofre na prática há um mês também é racionamento na teoria. O diário paulista só percebeu que o racionamento de fato é também um racionamento em termos técnicos quando alguns bares da Vila Madalena, região da boemia frequentada por jornalistas, tiveram que fechar por falta de água.

A nova interpretação da Folha para a crise de abastecimento chama atenção porque acontece ao mesmo tempo em que o jornal anuncia uma campanha para esclarecer aos leitores seu posicionamento diante de alguns temas tidos como importantes: casamento gay, pena de morte, cotas raciais, política econômica, aborto e legalização de drogas. A direção do jornal quer mostrar que, embora tenha posições claras sobre os assuntos, abre espaço para opiniões divergentes.

Essa mudança responde em parte a especulações feitas por protagonistas das redes sociais sobre a persistência da Folha de S. Paulo em pressionar o senador Aécio Neves (PSDB), candidato a presidente da República, a dar uma explicação para o caso do aeroporto privado feito em Minas Gerais com dinheiro público quando ele era governador do Estado.

Foi a Folha que revelou essa história, obrigando os outros jornais a seguirem a pauta, e o veículo que mais mantém o assunto em evidência. Com a insistência do jornal paulista, Aécio Neves finalmente admitiu que usou o aeroporto “algumas vezes” e, na quarta-feira (30/7), acusa a Agência Nacional de Aviação Civil de atrasar a homologação do campo de pouso, o que pode ter feito com que ele, “inadvertidamente”, usasse as instalações irregulares.

No mesmo dia, em editorial, a Folha exige mais explicações, acusa o ex-governador de haver privilegiado a cidade onde sua família possui terras, observa que a obra “no mínimo, é conveniente para ele e seus parentes” e conclui que a questão “não está mais que esclarecida”, como quis Aécio.

O Brasil da imprensa vai mal

Alguns leitores escrevem comentários dizendo que o jornal paulista se descola de seus concorrentes, que poupam quanto podem o candidato tucano. No entanto, é mais fácil explicar a aparente guinada da Folha em dois aspectos: o jornal sempre foi muito próximo do ex-governador José Serra, que, embora correligionário, não tem qualquer entusiasmo pela candidatura de Aécio Neves; a Folha, como os outros diários de circulação nacional, segue demonstrando seu partidarismo em favor do PSDB em outros aspectos, principalmente no que se refere aos problemas de São Paulo.

Se não fosse pela simples observação crítica que o leitor mais atento costuma fazer, o partidarismo dos principais diários do País vem sendo registrado por um grupo de pesquisadores da UERJ – Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Suas análises da valência das informações destacadas pela imprensa mostram uma dicotomia presente nas escolhas editoriais, que reforçam aspectos negativos ou positivos dos acontecimentos conforme os protagonistas.

O Laboratório de Estudos de Mídia e Esfera Pública (LEMEP) da UERJ demonstra, com seu “manchetômetro” (ver aqui), como os jornais blindaram Fernando Henrique Cardoso e expuseram Lula da Silva no passado recente, como tratam desigualmente o governo federal e o governo paulista, como as notícias sobre Aécio Neves são mais equilibradas do que o material referente à presidente Dilma Rousseff, bombardeada na proporção de 182 informes negativos para apenas 15 positivos, por exemplo, e como esse bombardeio se intensifica no período eleitoral.

Além disso, o noticiário econômico apresenta um resultado consolidado de mais de 90% de notícias negativas, numa linguagem dicotômica e com poucas nuances, “interpretando os fatos e dados econômicos como sinais de uma crise, ou em andamento, ou prestes a acontecer”.

Os gráficos da cobertura agregada dos três jornais, por exemplo, mostram que a economia teve em julho 97,6% de notícias negativas contra apenas 2,4% de notícias positivas.

Se o Brasil fosse o que mostra a imprensa, estaríamos todos mortos de fome.

Essa é uma das evidências de que a imprensa hegemônica rompeu com o jornalismo.

01 Aug 08:44

O que vai acontecer no Brasil caso a receita de Thatcher seja reaplicada com Aécio

by Paulo Nogueira
O terrorismo econômico está aí. Essencialmente, o que os conservadores estão dizendo é que a política econômica descarrilhou sob Dilma. Só Aécio salva, é a mensagem. O que a direita quer para a economia é, numa palavra, a receita thatcheriana. Os pilares da doutrina consagrada nos anos 1980 por Marg...