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16 Oct 18:26

#MelhorComDilma13: Eu voto pelo Outro

by Daniel Dantas Lemos
Um dos mais belos vídeos da campanha de 2014 foi produzido por artistas gaúchos. Por que eles votam em Dilma? Veja abaixo:
16 Oct 17:55

Jornalistas mineiros denunciam manipulação e censura

by Luiz Carlos Azenha

Captura de Tela 2014-10-16 às 14.40.12

da Redação

Em evento realizado em Belo Horizonte, jornalistas denunciaram:

– manipulação de informações na cobertura do segundo turno;

– censura prévia;

– gastos anuais de R$ 96 milhões em publicidade desde que Aécio Neves assumiu o governo estadual, há 12 anos;

– clima de rebelião na redação de um jornal mineiro — trata-se do maior deles, O Estado de Minas;

– invisibilidade da maioria dos mineiros, já que as pautas da mídia se concentram na região metropolitana de Belo Horizonte.

Ao evento compareceram representantes dos professores mineiros, que contestaram a versão do candidato Aécio Neves de que a educação no Estado serve de modelo para o resto do Brasil.

O autor da reportagem, Caio Castor, viajou a Minas graças ao financiamento dos assinantes do Viomundo (torne-se um deles!)

Leia também:

Presidente do TCE-MG, indicada por Aécio, é esposa de réu do mensalão tucano

O post Jornalistas mineiros denunciam manipulação e censura apareceu primeiro em Viomundo - O que você não vê na mídia.

14 Oct 19:15

A VISÃO DE NORMALIDADE DO OUTBACK

by lola aronovich
Allan Patrick

Taí um bom motivo pra não frequentar quando a unidade Natal inaugurar

Não conheço a rede de restaurantes Outback, nunca comi lá. Mas ontem recebi o email de uma leitora querida, que pediu para não ser identificada:

"Querida Lola, tudo bem?
Meu amigo A. teve uma experiência desagradável numa entrevista de emprego no Outback. Eu pedi que ele escrevesse um texto pra mandar pra você, porque acho que é importante denunciar esse tipo de comportamento das empresas. O Outback é uma rede de restaurantes que oferece comida estadunidense com charme australiano. O ambiente é chamado de 'casual dining'; aquela coisa de ter quem serve, mas com atmosfera informal. Tem até aquele balcão de bar nos restaurantes. 
Só vou pedir pra você escolher alguma inicial pra identificá-lo, porque ele ainda quer o emprego. Acho melhor não me identificar também, mas só porque eu sou amiga do A. nas redes sociais. Vai que o pessoal do RH resolve investigar, né?"

Eis a denúncia do A.:

Oi, Lola!
Meu nome é A., tenho dezenove anos e, atualmente, estou desempregado. Gostaria de compartilhar uma experiência constrangedora que aconteceu numa entrevista de emprego em um restaurante do Outback num shopping em São Paulo.
Éramos seis pessoas, quatro rapazes e duas moças. Fomos levados para uma mesa grande, no fundo do restaurante, para preenchermos uma ficha. Enquanto preenchíamos, uma moça e um rapaz faziam a entrevista individualmente não muito longe. Como terminei logo, fiquei aguardando me chamarem e, enquanto aguardava, ouvia a entrevistadora.
Entre perguntas e comentários, ela frisava, exclusivamente para as meninas, que aquele era um ambiente informal e descontraído e que elas deveriam estar dispostas a se adaptarem a ele. Ora, não vira nenhum problema nisso, afinal, era um restaurante. 
No final da entrevista, ela frisou mais uma vez, até que eu percebi do que se tratava: tratava-se de assédio sexual. A entrevistadora não disse para a primeira moça, mas, para a segunda, hesitando, disse que era passível de sofrer assédio por parte de clientes. Que era algo "normal". A moça prontamente respondeu que não se importava, pois "não dava liberdades" para que isso acontecesse. 
Fui chamado pelo entrevistador. Daí aconteceu outro constrangimento, porque assinalei para a vaga para atender na recepção (hostess). Ele me disse que na equipe dele não tinha homens nessa colocação e que não poderia haver. Não me atrevi a perguntar o porquê. Desconversei e disse que qualquer vaga serviria. Agradeci e fui embora.
Decidi compartilhar com você por ideia de uma amiga, que disse que seu blog poderia dar visibilidade a isso e mudar a visão de "normalidade" do Outback. Continuemos denunciando. Agradeço desde já.
14 Oct 12:23

Costa foi nomeado por FHC em 1995 e demitido por Dilma em 2012

by Maria Frô

Dia destes me deparei com uma ‘matéria’ da Veja bastante laudatória (e ao mesmo tempo bastante reveladora do conservadorismo da revista) à condução dada por FHC durante a greve de 1995 quando os petroleiros tentaram impedir FHC de mudar a Constituição para ampliar o poder das petroleiras estadunidenses sobre o nosso petróleo.

Cito alguns trechos:

Dobradinha: Justiça e governo de FHC para criminalizar a greve dos petroleiros


Emprego de técnicas terroristas: despedir funcionários exemplares pra intimidar os demais e enfraquecer o movimento.


Uso político da Petrobras, neste ano, Paulo Roberto Costa foi alçado a cargo político por FHC: Gerente Geral do Departamento de Exploração e Produção do Sul
Aposto que você não sabia que foi o tucano FHC o primeiro a indicar o corrupto declaro Costa, não é mesmo? Mas que outras implicações há nisso? Leia o artigo do professor Ignácio Delgado e confira os links citados.

Por Ignácio Delgado, especial para o Maria Frô

Não se sabe o alcance e a profundidade das denúncias de corrupção na Petrobrás, cujo principal personagem, Paulo Roberto Costa, ingressou na empresa em 1978, conhecendo vigorosa ascensão em seus quadros, a partir de 1995, quando obteve sua primeira nomeação política, no governo Fenando Henrique Cardoso, ao ser indicado para Gerente Geral do Departamento de Exploração e Produção do Sul (ver aqui).

Corrupção investiga-se, apura-se, julga-se e pune-se, como tem sido feito no Brasil nos últimos anos. Não é este, contudo o objetivo do PSDB que, no governo, tutelou o Ministério Público, manteve desaparelhada a Polícia Federal e obstruiu todas as tentativas de investigação, pelo Congresso, de inúmeras denúncias de corrupção, com a complacência da mídia

Além dos óbvios dividendos eleitorais que o PSDB procura obter com as denúncias, seu principal propósito é criar um ambiente favorável à revisão da política brasileira para o petróleo, em sintonia com os objetivos das grandes empresas ocidentais, especialmente norte-americanasconforme pode ser observado em telegramas enviados ao Departamento de Estado pela embaixada e consulado dos EUA no Brasil, divulgados pelo Wikileaks (ver aqui  e aqui)

            Como se sabe, a estratégia brasileira para o petróleo, com o governo Lula, envolveu duas decisões fundamentais. A primeira foi a política de conteúdo local, através da qual a Petrobrás passaria a comprar equipamentos preferencialmente de empresas nacionais, medida que permitiu a recuperação da indústria naval brasileira, hoje a quarta do mundo (ver este tema na coletiva dos blogueiros com Dilma, aqui). A segunda foi a definição do regime de partilha no Pré-Sal, estabelecendo o compartilhamento dos resultados de sua exploração entre o Estado e as empresas investidoras, tendo a Petrobrás como operadora única do sistema. Assim, ao contrário do regime de concessão (em que o Estado brasileiro receberia apenas as taxas devidas das empresas detentoras do direito de exploração), o Brasil vai reter para si a parte de leão dos resultados do Pré-Sal, que tornará o país, em poucos anos, um dos maiores exportadores de petróleo do mundo (ver: aqui  e aqui)

Por isto o regime de partilha no Pré-Sal, como dizem Lula e Dilma, é nosso “passaporte para o futuro”, garantindo a travessia a um novo patamar de desenvolvimento sem os sobressaltos no balanço de pagamentos que sempre foram um gargalo de vulto nos momentos de expansão do passado. Com ele, o país poderá pagar de vez sua dívida histórica com as exigências de educação e saúde para o desenvolvimento. Pode investir em novas fontes de energia e inovação para situar-se numa posição superior na economia mundial

            É contra tal política que reagem as petrolíferas ocidentais, em especial as norte-americanas. Seus aliados internos – a direita entreguista, sob liderança do PSDB – estão na ponta de lança deste combate lesa pátria, contra os interesses do país. O que Aécio não faz questão de esconder (aqui) e todo o capital internacional que o apoia sabe, é que se vencesse entregaria nosso passaporte para o futuro para as petroleiras dos EUA e traria o Brasil de volta ao passado..

Leia também: Wikileaks: PSDB promoteu a americanos rever lei do pré-sal

 

 

 

 

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14 Oct 12:14

Médicos agem fora da lei quando usam as consultas para fazer campanha

by Daniel Dantas Lemos
Cada um tem o direito de votar em quem quiser, assim como de pedir voto e fazer campanha. Inclusive os médicos.
O que não é permitido a eles é utilizar espaços públicos para isso. 
Um paciente hoje esteve em um consultório em Natal - mais uma história a esse respeito -, e teve de ser doutrinado acerca do voto em Aécio Neves e teve de ouvir o médico falar mal de seus colegas cubanos.
Acontece que foi feito um registro fotográfico da pilha de adesivos de Aécio que o médico oferece a seus pacientes.

Em Mossoró, um registro semelhante. O homem ergue uma receita com o timbre da prefeitura em que consta escrito nome e número do candidato tucano:
Dois crimes eleitorais flagrados cometidos pela classe médica potiguar, dentre tantos já relatados.
Repito: os médicos têm o direito de pedir o voto para quem quer que queiram, só não podem usar seus consultórios. Como eu não posso usar minha sala de aula.
13 Oct 22:05

Como a polarização das eleições trouxe o medo para dentro da escola

by Leonardo Sakamoto

Cristina percebeu que alguma coisa não estava bem quando a filha lhe mostrou uma imagem que bombou no grupo de WhatsApp dos amigos da escola. Ela trazia Dilma Rousseff com um revólver na cabeça e a legenda “30 likes e eu atiro”.

Não só. Musiquinhas preconceituosas e todo o tipo de campanha violenta faziam parte do pacote circulante. Que já seriam odiosos entre adultos, imagine então com crianças que não são plenamente capazes de refletir sobre as consequências de seus atos.

Seus filhos estudam em um renomado colégio da classe média alta paulistana. Não são os únicos casos, pelo contrário: recebi queixas de pais e mães com filhos e filhas em outras tradicionais escolas da cidade vivendo situação semelhante. Cristina aceitou contar a história ao blog.

A sua filha, que, desde cedo, recebeu dos pais uma educação para o diálogo e não o conflito, está mais quieta. Como as eleições tomaram conta das conversas na escola, ela tem medo de dizer que a mãe vai votar na Dilma, pois todas as outras crianças afirmam que seus pais votarão no Aécio. E ai de quem defender o contrário.

Crianças podem ter atitudes muito cruéis mesmo sem consciência disso.

E não é uma questão de maldade ou bondade. Pelo contrário, estão simplesmente reproduzindo o comportamento que aprenderam em casa, repetindo o que seus pais falaram, ou aquilo que leram e ouviram na internet.

“Vagabunda”, “Essa corja tem que morrer”, “Essa raça deve ser exterminada”, “Vadia”, “Tinha que esfolar viva”, “Quem vota nela devia ser preso”, “Bando de nordestino ignorante”.

Cristina ouviu sua filha perguntar: “Mãe, mas por que você volta na Dilma? Nenhum pai vota na Dilma”. Ela voltou a explicar para a filha as razões da sua opção e que toda escolha deveria ser respeitada.

Mas, tempos depois, quando estava dando uma carona para uma amiguinha dela e ouviu “Tia, em quem você votou?”, titubeou. E após refletir, mentiu: “Eu votei nulo”.

Queria protegê-la de sofrer bullying na escola caso o seu voto virasse corresse pela classe. O mais difícil, contudo, foi explicar à filha a razão de ter feito aquilo, uma vez que ensinara que mentir nunca era uma opção. Muito menos esconder-se daquilo em que acredita.

É claro que, dependendo da cidade, estado ou região, a mesma coisa pode acontecer com sinal trocado, com bullying em crianças de pais que votam Aécio por crianças de pais que votam Dilma. Já ouvi pais, de outro canto do país, reclamando de filhos que sofreram na escola por eles serem eleitores da oposição – “Seu pai vai trazer desemprego para esta cidade elegendo esse sujeito!” Ou seja, a ignorância segue livre, sem ser monopólio de ninguém.

“Não vejo isso como culpa da escola. Deve haver outras crianças com pais que votaram na Dilma, mas ninguém se manifesta. Se não, vai ser massacrado”, diz Cristina.

Culpa, não. Mas há, sim, responsabilidade. De acordo com Telma Vinha, professora da Faculdade de Educação da Unicamp, a percepção sobre o coletivo, bem como o aprendizado sobre justiça, diversidade e tolerância ocorre na escola. Este é o ambiente onde devem conviver opiniões diferentes. Portanto, por mais que alunos e alunas tragam de casa uma visão intolerante, a escola deve transformar e ressignificar essa visão. Não para doutrinar ou censurar, mas garantir o respeito à divergência.

Na escola, aprendemos a lidar com a igualdade e a diferença. Se um pai diz para não andar com gays porque eles são “sujos”, na escola a pessoa terá a oportunidade de aprender que, na verdade, as coisas não são assim e que as diferenças entre as pessoas representam uma vantagem e não uma desvantagem para a sociedade.

Perguntei à Cristina se não havia a possibilidade dos pais conversarem sobre essa situação para tentar criar um ambiente mais tolerante. “A lista de pais da escola no Facebook é de chorar. Funciona, basicamente, como uma agência para contratação de empregadas domésticas, motoristas e cozinheiras.” Segundo ela, qualquer tentativa de discussão sobre esse assunto descamba para a truculência.

Nesse sentido, uma sugestão apontada por Telma é a escola promover debates e reuniões para que todos entendam que tipo de mensagem estão passando para seus filhos. Dois pais ou mães que defendem o voto em Dilma e dois pais ou mães que defendem o voto em Aécio poderiam ser convidados para apresentar seus pontos de vista para os alunos em uma turma, de forma respeitosa.

“A discussão não é sobre Aécio e Dilma, mas sobre o tipo de pessoas que a gente quer formar”, afirma Telma. “O planejamento para a discussão de valores e do respeito a ideias divergentes é tão importante quanto o do conhecimento técnico em uma escola.”

Com a popularização das redes sociais e a quantidade de tempo em que os mais jovens passam conectados, é de se esperar que a família não seja a sua única fonte de formação fora da escola, talvez nem a principal. A escola tem que estar preparada para entender isso e convidá-los à reflexão sobre tudo isso.

“A escola sempre vai transmitir valores. Quando ela fecha os olhos, está transmitindo valores. A intolerância para com o outro é um valor”, lembra Telma. Enfim, o silêncio não é neutro.

Caso contrário, independentemente de quem ganhe dia 26 de outubro, todos perderemos. Pois se os mais jovens estiverem sendo formados no medo e na intolerância, o resultado dessa derrota irá consumir uma geração.

13 Oct 19:51

El hombre que puede hacer historia en Alemania

by fdelledonne

“¿Te atreves?” // “Bist du so weit?”

“¿Te atreves?” es el slogan que Raed Saleh repite incansablemente en cada acto de la mini-campaña electoral en Berlin. La capital alemana tendrá nuevo alcalde luego de trece años y Saleh tiene la posiblidad de hacer historia. Por un lado, porque nació en Palestina y sería el primer gobernador alemán extranjero. Por otro, porque su biografía representa el ascenso social tal como el ideal socialdemócrata lo describe: esfuerzo personal acompañado de políticas públicas sociales. Creció en un barrio pobre casi a las afueras de Berlin, aprendió alemán con mucho esfuerzo, trabajó en un local de comidas rápidas, logró fundar una pequeña imprenta, ganó las elecciones en 2006 para diputado en Berlin y en 2011 se convirtió en portavoz del grupo parlamentario del Partido Socialdemócrata (SPD) de la ciudad. Una historia digna de Hollywood.

Algunos consideran a Raed Saleh como un puente entre el Berlin cristiano, el Berlin musulmán y el Berlin judío. Personifica el carácter de metrópoli cosmopolita de la capital alemana, pero al mismo tiempo conoce muy bien los arrabales y barrios bajos de la misma. Allí creció. Saleh representa Berlin como ningún otro candidato lo hace, pero al mismo tiempo tuvo la desventaja de comenzar esta campaña siendo todavía un virtual desconocido. Muchos ignoraban su existencia, y ni hablar de sus posiciones políticas. Otros lo juzgaban por su acento y siquiera sabían pronunciar su nombre.

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La pregunta que se plantean todos, incluso Saleh con su slogan, es: ¿Se atreverán los socialdemócratas del SPD a elegirlo para que sea el Regierender Bürgermeister (Alcalde) de Berlin durante el resto del mandato de Klaus Wowereit*? ¿O se inclinarán por una versión más conservadora y pragmática como el actual Senador de Desarrollo Urbano, Michael Müller; o una más radical, de izquierdas y sin experiencia en gobierno como el actual jefe del partido en Berlin Jan Stöß?

La respuesta se conocerá el 17 de octubre cuando finalice el período de votación. En cualquier caso, podemos adelantar que Raed Saleh ya ganó: aumentó su visibilidad exponencialmente a través de los medios locales, nacionales e internacionales; se construyó como candidato a partir de una historia que conmovió a propios y extraños; y con ella también comunicó sus valores y objetivos políticos relacionados en especial con la educación y el ascenso social. Con apenas 37 años Saleh logró lo que a muchos políticos le lleva toda la vida. Ahora él se atreve a más. Sabe que ya hizo historia.

* El actual alcalde de Berlin, Klaus Wowereit, anunció su renuncia a fines de agosto luego de trece años al frente de la ciudad. Pese a que muchos creen que la renuncia se debió al escándalo del interminable nuevo aeropuerto internacional, fue la interna partidaria lo que lo llevó a tomar esta decisión. La oposición exigió nuevas elecciones, pero el sucesor será elegido por los afiliados al SPD, partido al que le corresponde el cargo de Regierender Bürgermeister hasta 2016 según el tratado de coalición con la Unión Demócrata-Cristiana (CDU).

Fuente de las imágenes: raed-saleh.de, Facebook personal de Raed Saleh y la foto de apertura corresponde a @0XS.

El resultado finalmente dió como ganador a Michael Müller (59%). Raed Saleh obtuvo el 18% y Jan Stöß el 20%. La participación fue del 65%. Sobre el análisis de los resultados y las claves de la campaña electoral ingresa a: “En la ciudad de los ciegos, el tuerto es rey”.


Archivado en: ¿Quién es quién?, Comunicación Electoral Tagged: Aeropuerto BER, Berlin, Campaña electoral, Candidato, educación, gobiernos regionales, historia, Ich bin ein Berliner, identidad, imagen personal, interna partidaria, Michael Müller, militancia, Obama, prensa, Raed Saleh, Slogan, soundbites, SPD, Stöß, valores, Wowereit
11 Oct 18:41

Lula: Fernando Henrique tem preconceito contra os pobres e quem trabalha

by Conceição Lemes

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ENTRE DOIS PROJETOS OPOSTOS DE BRASIL

LULA ESTÁ COM A PALAVRA PARA MOSTRAR A REAL ESSÊNCIA DESTA ELEIÇÃO

Entrevista de Lula a Mino Carta, em CartaCapital, via blog do Mandacaru13, enviado por Julio César Macedo Amorim

UMA IMPERIOSA CONTRADIÇÃO ESTÁ NO AR: como seria possível uma renovação se o tucanato pretende voltar ao passado, e disso não faz mistério? Como seria possível, de resto, que promessas de mudança pudessem ser postas em prática por conservadores empedernidos? Conservador conserva, diria o Chico Anysio de antigos tempos.

Não bastassem as antecipações de  Arminio Fraga, candidato a ministro da Fazenda em caso de vitória tucana, a fornecer um trailer de puríssima marca neoliberal, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso apressa-se a esclarecer, entre a ameaça e o didatismo, que quem vota Dilma além de pobre é desinformado. E qual seria a informação correta?

Fraga prontifica-se a informar o globo de um polo ao outro, no debate com Guido Mantega, mediado (mediado?) na Globo por Miriam Leitão: a crise econômica mundial acabou há cinco anos. Gostaríamos de imaginar, na nossa irredutível ousadia, o que pensam a respeito Ângela Merkel, ou Barack Obama. Tendemos a acreditar que ambos os citados, e outros mais habilitados à citação, agradeceriam Fraga por sua oportuníssima revelação. Há incertezas quanto a existência de Deus, mas dúvidas não subsistem em relação a Fraga, seu profeta.

Na linha das revelações, o Clube Militar informa que, com Dilma reeleita, o País estará à beira da sovietizarão. Há militares ainda dispostos a recorrer a terminologias emboloradas. Ao longo da campanha tucana, corroboradas pelos editoriais dos  jornalões, desfraldaram termos mais contemporâneos. Imperdoável é ser “chavista”, ou “bolivariano”. Pois o único, indiscutível chavista brasileiro é Fernando Henrique Cardoso, que provocou a alteração constitucional destinada a permitir sua reeleição. E não hesitou para tanto em comprar votos de parlamentares.

Não invoquemos de todo modo, exames de consciência por parte da mídia nativa, postada de um lado só na qualidade de porta-voz da casa-grande. Neste exato instante ela transforma em peça eleitoral o vazamento de depoimentos secretos do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, do doleiro Youssef  e de sua contadora. Deles emerge uma complexa história, cujo ponto central seria a chantagem sofrida por Lula, por parte de parlamentares da base governista, para forçá-lo a nomear Costa para a direção da estatal.

Era de esperar que a mídia nativa extraísse da manga a carta pretensamente letal. O déjà vu é próprio destas atribuladas vésperas eleitorais desde quando o PT apresenta um candidato à Presidência da República. Lula avisa: “Nunca fui submetido a qualquer gênero de chantagem por parte de congressistas. Fala-se de fatos que teriam ocorrido há dez anos, de sorte que, para averiguar a sua veracidade, seria preciso ouvir o então ministro das Relações Institucionais, o então chefe da Casa Civil, o presidente da Câmara, o líder do PT”.

Tomados em conjunto, comportamentos e eventos dão razão a Lula quando afirma que esta eleição, antes ainda de confrontar Dilma e Aécio, coloca frente a frente dois projetos de Brasil, duas visões profundamente opostas de vida, de mundo, de política, de fé.

MINO CARTA: Meu caro presidente e grande amigo, como é que você se sente ao se perceber pobre e desinformado?

LULA: Olha, eu na verdade me sinto muito ofendido com este preconceito que chega às raias do absurdo. Fernando Henrique Cardoso mostra o que uma parte da elite brasileira e, sobretudo, uma parte da elite paulista, incluindo a elite política, pensa do povo trabalhador deste País. Porque eles não têm preconceito contra o nordestino rico, contra o negro rico, é contra os pobres, contra quem trabalha. E, ao dizer que Dilma teve voto onde as pessoas são desinformadas, revela que o ex-presidente não tem noção da evolução política da classe mais pobre da sociedade.

MC: Política e econômica.

LULA: Não se dá apenas por conta dos programas sociais, do aumento do salário dos aposentados, do aumento do salário mínimo. E por conta da conquista da consciência da cidadania. Os brasileiros estão pensando mais. E muito esquisito que, quando o governo financiava os estudos de um jovem no exterior antes do Ciência sem Fronteiras, tratava-se de uma bolsa aceita por todo o mundo, algo fantástico. Quando o governo cria uma bolsa para dar direito a crianças não morrerem de fome é assistencialismo, é retrocesso, é criar vagabundo. Imagem totalmente equivocada: certamente, o ex-presidente ficou com a imagem do Brasil que ele governou. Porque, quando ele governava, davam voto de cabresto, viviam à procura da frente de trabalho e de uma política assistencialista, por falta de política social invadiam supermercado. Agora não. São respeitadas, e mesmo as mulheres que não trabalham ainda recebem aposentadoria rural, assim como os brasileiros a partir dos 65 anos recebem seu benefício. E sem dever favor ao governo.

MC: Esses benefícios vão muito além do Bolsa Família.

LULA: Mas muito além. O Bolsa Família é apenas uma parte dele. O que aconteceu com o crédito rural para a pequena propriedade, o que aconteceu com o microempreendedor, o que aconteceu com a aprovação da Lei Geral da Pequena e Média Empresa.

MC:E a abertura do crédito?

LULA:E a abertura do crédito consignado. Foram 60 milhões de contas bancárias abertas. Sabe o que é isso? E colocar uma Colômbia e meia no sistema financeiro brasileiro. As pessoas passaram a entrar no banco para negociar empréstimo, não apenas para pagar conta de luz. Mas observe quem também ganhou com isso. E muito. Foi a sociedade mais abastada. A classe média, em vez de ficar constrangida quando se fala de política social, deveria entender que, ao receber algum recurso, o pobre gasta. Para comer, para vestir, esse dinheiro retorna para o mercado no dia seguinte e quem ganha é a loja, o shopping, a fábrica, o agricultor. Certa vez, discuti com um cidadão que reclamava porque o Luz para Todos era mais uma política do Lula para ajudar o pobre e que eu só pensava no pobre. Eu lembrei a ele que, quando a gente levava o Luz para Todos, o beneficiado ligava três lâmpadas, comprava uma geladeira, 80% deles compravam um televisor. Ou seja, um simples programa chamado Luz para Todos, que levou energia para 15 milhões de brasileiros, resultou na venda de quase 4 milhões de mercadorias. Até empresas multinacionais ganharam muito com esse programa social. Sem contar os empregos criados. Mas, infelizmente, há ainda quem prefira ver indigentes nas ruas em lugar de gente humilde consumindo. E lamentável que um cientista político tão estudado como Fernando Henrique Cardoso tenha proferido uma frase tão agressiva contra eleitores brasileiros. Porque há sempre aquela idéia de que as pessoas que não votam do jeito que desejamos não sabem votar. Eu aprendi a respeitar o voto, contra ou a favor. Aprendi isso na fábrica. Aquele que votava contra a greve eu o respeitava tanto quanto quem votava a favor. O eleitor que vota em mim é tão importante quanto aquele que não vota. E um direito dele. Cabe a mim tentar convencê-lo. A elite brasileira levou cem anos para colocar 3,5 milhões de estudantes na universidade. Nós, em 12 anos, colocamos 7,2 milhões.

MC: Tudo isso não aproveita a criação de um capitalismo oposto àquele precipitado pelo neoliberalismo?

LULA: Uma vez me perguntaram: Lula, você é operário e os banqueiros estão ganhando dinheiro no seu governo. Eu disse: eu prefiro que os banqueiros ganhem dinheiro porque, se eles não ganharem, vai ter que ganhar um Proer, é o Estado que passa a financiá-los outra vez. Eu quero que ganhe todo mundo. Fui dirigente sindical e sei que, quando o empresário perde, quem perde mais é o trabalhador, porque perde o seu emprego.

MC: Onde fica o FMI, que entrou na campanha?

LULA: Se você for analisar os números da economia do Brasil hoje, eles são aqueles que desejamos. Também nós somos vítimas da crise mundial. Os números da Alemanha também são insatisfatórios, os EUA não conseguem se recuperar.

MC: Mas lá o problema não é interno, como no Brasil?

LULA: O Brasil foi o país que melhor soube tratar a crise. Em 2008, quando tudo começou, o governo já vinha com política de desenvolvimento do PAC e nós entendemos que o consumo não poderia arrefecer. E o que eu disse? Se você parar de comprar, a indústria para de produzir, a loja para de vender e você vai perder o emprego. Então é bom a gente comprar, fazer dívida de acordo com a nossa possibilidade de pagar e vamos tocar o barco para a frente. Está escrito: nós sustentávamos na reunião do G-20 que a melhor forma de enfrentar a crise seria não permitir a volta do protecionismo e incentivar o comércio no mundo. Se os países ricos estão estrangulados na sua capacidade de consumo e de endividamento, está na hora de começarem a fazer investimentos para os países pobres poderem consumir, criar indústria, comprar máquinas e se modernizar. Isso foi assinado, e lá estavam Obama, Sarkozy, Berlusconi, todo mundo. Acontece que o FMI só sabe dar palpite quando a crise é no Brasil ou na Bolívia. Quando a crise é nos Estados Unidos eles desapareceram. Na Europa desapareceram. Aliás, desapareceram tanto que nós tivemos de emprestar dinheiro para eles.

MC: Apesar disso, por que os investimentos no Brasil crescem?

LULA; Quem se preocupa com a economia pensa só nos números de crescimento. E importante crescer muito, está claro, mas este País já cresceu 10% e não gerou emprego. Nós agora continuamos gerando emprego, continuamos aumentando o salário mínimo e a renda do trabalhador. E Dilma disse muito bem: o trabalhador não vai arcar com uma crise feita pelos ricos no mundo. Isto é algo que temos de levar em conta a respeito do caráter do compromisso de Dilma. O Brasil é o país que tem o futuro mais garantido. Um país que tem a quantidade de investimento em obra de infraestrutura para ser feita, muitas já contratadas, um país que tem a perspectiva extraordinária do pré-sal, um país que decide que 75% do dinheiro dos royalties vai para a educação, é um país que está dizendo que o futuro já chegou. Não é jogando nas costas do povo um ajuste fiscal, cortando salários, dispensando funcionários. Esses que querem voltar, que dizem? Que para controlar a inflação tem de ter um pouco de desemprego. Pouco se importam com quem vai ficar desempregado. E o contrário do que a gente pensa. Um deles, aliás, acha que o salário mínimo cresceu demais, quando na verdade cresceu ainda aquém da necessidade da sobrevivência digna. Arminio Fraga, Aécio Neves, essa gente toda significa o retrocesso. E é isso que me preocupa. As pessoas não perceberam que é isso que está em disputa nesta eleição. Não é a Dilma contra o Aécio, não é PSDB contra PT, é mais do que isso. O que está em disputa são dois projetos de sociedade. O que era o Brasil antes de 2003? Como é que a elite brasileira tratou este país e tratou o povo trabalhador até eu chegar à Presidência? E quais são os dois projetos? Um é o projeto de que o País tem de ser governado apenas para uma parte da população, enquanto outra tem de ficar marginalizada. Segundo o nosso projeto, todo mundo tem direito de participar da riqueza produzida no Brasil. Temos de garantir que aqueles mais necessitados, mais debilitados economicamente, os mais frágeis do ponto de vista da sua formação profissional, tenham o direito de comer, de estudar, de dizer “eu sou brasileiro e não desisto nunca”. E esse projeto que está em jogo.

MC: Mas não seria um projeto capitalista?

LULA: E lógico que é. E só recordar Henry Ford, que dizia: eu tenho de pagar bem os meus funcionários para que eles possam comprar o carro que eles produzem. E aqui no Brasil o pobre ter carro incomoda. Eu trabalhei a vida inteira e como operário nunca pude ter um carro. Meu primeiro carro foi uma Brasília. MC: Eu tenho em mente alguns números. Por exemplo, investimento estrangeiro no Brasil: no tempo tucano, o máximo a que se chegou foi de 10 bilhões de dólares. LULA: Uma vez, acho que chegou a 19 bilhões. MC: Este ano, a previsão é de 67 bilhões. Mais do que no ano passado, que fechou com 64 bilhões. LULA: Pois é, há quatro anos consecutivos nós só perdemos para a Rússia, China e EUA. Nós somos o quarto ou quinto país receptor de investimentos externos diretos.

MC: Mas será que os investidores estrangeiros são cretinos?

LULA: 64 bilhões, 65 bilhões, 67 bilhões… Todo ano nós crescemos mais. Significa que as pessoas de fora estão acreditando muito mais no Brasil do que alguns brasileiros. Porque há quem, neste momento eleitoral, fique brincando com a Bolsa de Valores, especulando, ganhando dinheiro, comprando e vendendo. E é importante o povo ficar atento. Eu fui candidato muitas vezes, perdi eleições muitas vezes, sei das safadezas que eles fazem com a Bolsa. E quer saber de uma coisa, sem radicalismo? Eu nunca pedi voto para o mercado. Eu não sei quantos votos tem esse mercado, o que sei é que o povo tem voto para ele que a gente tem de pedir voto. E eu quero voto do rico, da classe média, do profissional liberal, do sem-teto, do sem-terra, do com terra, eu quero  voto de todo mundo, porque todo mundo é brasileiro e tem de ser tratado com igualdade de condições. O que eu dizia e a Dilma diz: nós governamos este País para todo mundo, agora o braço do Estado tem de estar mais atento às pessoas mais necessitadas. E este país que precisamos fortalecer, onde todo mundo seja tratado com igualdade de condições, onde a escola seja efetivamente de qualidade. Através da educação se estabelece a oportunidade de ascensão social. Mas há quem não a queira, a possibilidade de ascensão oferecida a todo mundo. Uma vez, muito tempo atrás, almoçava com você, o Weffort, que era secretário-geral do PT, o Jacó Bittar, e eu fui ao banheiro e, ao voltar à mesa, passei diante de duas senhoras e ouvi: “Ele diz que é pobre, mas está comendo aqui onde a gente come”. E o Jacó revidou: “É a senhora que vai pagar a conta dele? Sou eu que vou pagar a conta dele”. O sociólogo Fernando Henrique Cardoso, quando pronunciou sua frase infeliz, retratou um sentimento histórico da elite brasileira, algo que vem desde o tempo da Coroa.

MC: Que sobra disso tudo se o PSDB volta ao poder?

LULA: Para mim, não há questão pessoal com Aécio. A questão não é o Aécio, a questão é a filosofia de vida que o tucano tem, a visão de mundo. Pessoalmente, sou amigo do Aécio, sou é adversário político e ideológico. A vitória de Aécio é a volta daquilo que não deu certo, é a volta do mundo que não deu certo. E por isso que o sistema financeiro está ouriçado para ele ganhar as eleições, é por isso que o FMI, que estava tão escondidinho, voltou a dar palpite, porque não se sabe para onde vai a taxa de juros com o seu Arminio Fraga. Ou se esqueceu da taxa que eu encontrei, os números da inflação e do desemprego? E como as burras estavam vazias? O Brasil de hoje está infinitamente melhor do ponto de vista das finanças públicas, da dívida interna pública, da dívida bruta, da política de juros, da reserva. Quando eu cheguei, o Brasil devia 30 bilhões de dólares ao FMI. A gente tinha 30 bilhões de dólares na reserva, dos quais 16 bilhões ou 17 bilhões de dólares era o próprio FMI. Eu aprendi com a minha mãe que era analfabeta: “Meu filho, a gente não pode fazer dívida que a gente não pode pagar”. Eu falei, sabe de uma coisa, eu não vou ficar devendo para o FMI para vir dar palpite na minha vida aqui. Eles querem que volte isso? Só porque o mercado quer mais. O mercado vai ganhar na medida em que a indústria ganhe, que os trabalhadores ganhem e a agricultura ganhe. E assim que a gente vai fazer um país feliz.

Fonte: Revista CartaCapital Edição 821

Leia também:

O post Lula: Fernando Henrique tem preconceito contra os pobres e quem trabalha apareceu primeiro em Viomundo - O que você não vê na mídia.

10 Oct 13:34

Amigos, sim, mas sem baixarias

by Carlos Motta
Vários familiares e pessoas de meu círculo de amizades, com as quais entro em contato via redes sociais, já manifestaram sua preferência por Aécio Neves nesta eleição. Houve até quem me fizesse um apelo para que votasse no candidato tucano, pois o Brasil estava ruim demais - nem empregadas se consegue contratar nos dias de hoje...
Não tenho amigos porque eles são, ideologicamente, próximos de mim. Amizade se faz por causa de empatia, ligações emocionais, afetividade. 
Um grande amigo que tive, infelizmente morto cedo demais, era um ex-petista - e acho que todos sabem o que significa isso. Mas tinha um grande coração, era divertido, criativo, de extraordinário senso prático. Discutíamos, ríamos, e nunca um quis convencer o outro de que ele não estava certo sobre tal assunto. 
Claro que, com o passar do tempo, nossos amigos mais próximos acabam sendo mesmos os que têm mais afinidade com o nosso modo de ver o mundo. Não importa se ele vota ou não no PT, gosta ou não do Lula, acha ou não o FHC um intelectual imprescindível para o entendimento da sociedade moderna.


O que importa é se essa pessoa carrega e pratica, no seu dia a dia, os mesmos valores que prezo. 
Não adianta, por exemplo, dizer que é de esquerda e tratar mal o porteiro do prédio, o garçom ou a faxineira. 
Esse nunca será meu amigo.
Também não suporto quem exala preconceito, conta piadas racistas, se vangloria de ter enganado quem quer se seja - e por aí vai.
Um parêntesis: quando era editor de Esportes do Estadão e participava da reunião para "vender" as matérias que poderiam ir para a capa, era obrigado a ouvir, praticamente todos os dias, o editor-chefe do jornal contar uma piada preconceituosa, imitando a voz de Lula, que havia acabado de se tornar presidente. Uma das mais escrotas era mais ou menos assim: Benedita da Silva havia desistido de ser ministra depois de ver o grande número de janelas de vidro do Palácio do Planalto que teria de limpar... Dá para perceber o nível daquele pessoal?
Quanto aos meus amigos, reais ou virtuais, espero conservá-los para sempre. Não será uma eleição que abalará o afeto que sinto por eles.
O único risco que eles correm de ver abalada a relação é confundirem a disputa política, legítima em nossas vidas, em ataques mentirosos à candidata que apoio, disseminarem calúnias, inventarem boatos, expressarem preconceitos e ódios - se nivelarem, enfim, ao esgoto em que as redes sociais estão se transformando.
Se fizerem isso, terão ultrapassado a linha que separa a civilização da barbárie.
E é óbvio que não quero me relacionar com gente assim.
Também espero que, se o candidato deles, para imensa infelicidade do povo brasileiro, for eleito para a Presidência, não venham reclamar ou se queixar alguns meses depois, da escolha que fizeram - acho difícil essa hipótese, a julgar o que houve com Collor, que, milagrosamente, venceu a eleição sem ninguém ter votado nele...
Essas pessoas, lamento informar, nunca ouvirão de mim uma palavra de consolo, mas sim um ditado popular que meu saudoso pai, o capitão Accioly, usava de quando em quando: "Quem pariu Mateus que o embale."
09 Oct 20:47

Vídeo do DCM sobre o helicóptero dos Perrellas apreendido com cocaína é retirado do YouTube

by Kiko Nogueira
  O vídeo “Helicoca – o helicóptero de 50 milhões de reais”, produzido pelo DCM a partir de um projeto de crowdfunding, foi retirado do ar pelo YouTube. Ele estava com mais de 130 mil visualizações. É a história de uma das maiores apreensões de droga do Brasil. Quase meia tonelada de past...
09 Oct 19:22

GUEST POST: A EDUCAÇÃO PRECISA LEVAR GÊNERO EM CONTA

by lola aronovich
A Fernanda, uma jovem professora que conheci numa das palestras, escreveu este excelente relato sobre educação e gênero. 

Já trabalhei em rede privada, municipal e federal, então, apesar da pouca experiência, acredito que esse relato apresente várias situações que outros professores possam ter passado.
Para começar, não podemos esquecer que a escola é um local que serve ao poder, e toda a sua construção é baseada na manutenção do poder na mão de quem sempre esteve. Isso já explica as diferenças estruturais entre escolas de periferias e escolas mais centrais, escolas públicas e particulares. Ao mesmo tempo, a escola pode ser um local de resistência.
O que tenho percebido nas últimas eleições é que não há muita diferença nas pautas de candidatos envolvendo educação. Todos defendem a escola para todos, em tempo integral, e de qualidade, seja lá o que isso quer dizer para cada um. Vamos por pontos. 
A escola para todos tem sido feita de forma literal, ou seja, escola com todos de corpo presente nela. Não importa se com ou sem professor, se não tem livro, se a realidade escolar é totalmente desvinculada das comunidades do entorno, o importante é número. 
A escola em tempo integral, muito combatida pelo corpo docente, também segue a mesma lógica: o importante é todos estarem no tempo integral, mas vamos esquecer só um pouco a parte de infra estrutura, que isso sai caro (em tempo: acho necessário e importante a escola de tempo integral, só que isso tem sido usado de forma eleitoreira; a maior parte das escolas estão perdidas com essa mudança). 
Professoras de SP protestam durante
manifestação no Dia dos Professores
Já no quesito qualidade, entram mil coisas, mas em geral, quando pensam em qualidade, fala-se muito de provões, como SARESP, ENEM e prova Brasil (não importa também se muitas escolas maquiam os resultados fazendo simulados, o importante é ter pontuação). Mas discutir as classes super lotadas e as condições precárias de muitos docentes, poucos querem (para quem não tem muito embasamento, indico que procurem saber sobre a categoria O do Estado de São Paulo, categoria essa criada para tapar buracos das milhares de exonerações anuais e que é tolhida de muitos direitos trabalhistas). 
Religiosos adotaram a ideologia de
gênero como um dos grandes vilões
a ser combatido, principalmente na
educação
Essa introdução básica é para falar como o ambiente educacional atual agrega as relações de gênero. Como um ambiente extremamente tradicional, nossas escolas estão impregnadas de práticas sexistas, desde a estrutura até a própria prática docente e as impressões dos próprios estudantes. Eu costumo fazer algumas intervenções em meio a aulas sobre o assunto, como uma forma de analisar as próprias concepções dos alunos sobre gênero. Como professora de Ciências, meus alunos sempre me questionam sobre comportamentos. Abaixo coloquei algumas experiências em sala de aula:
1 - Em um quarto ano (antiga 3ª série), os alunos tinham a atividade de relatarem histórias a partir de um ponto que o professor contava. Coloquei propositalmente situações que os alunos não estavam acostumados a lidar em seu cotidiano, como por exemplo, quando uma menina ia falar, eu começava a história com um dinossauro; quando era um menino, eu falava de uma boneca na história. 
Resultado: as crianças percebiam a subversão da ordem e logo em seguida continuavam a história de forma a restabelecê-la. A menina do dinossauro o colocava fazendo compras em um supermercado, enquanto o menino da boneca falava que a deu de presente à irmãzinha. Com 9 anos, as crianças já tem uma divisão de papéis de gênero bem estabelecida. Fiquei torcendo para essas crianças terem alguma professora feminista no meio do caminho (eu estava em caráter de substituição).
2- Formar filas não sexistas é o maior sufoco da face da Terra! Já tentei fazer filas com gosto por sorvete, por altura, por qualquer outro parâmetro, as crianças ficam super confusas e acabam voltando a fila meninos x meninas. Aí aboli a fila (o problema é que muitos gestores confundem ordem com crianças em formação de quartel, e isso pode gerar problemas).
3 - Problemas de assédios que alunas enfrentam com alunos são considerados frescuras e vêm com todo o arsenal de desculpas que sabemos ser culpa de uma cultura de estupro. Já ouvi professora comentando que quando aluna vem reclamar que aluno fica olhando para a bunda dela, ela aconselha a se acostumar, porque o mundo é assim mesmo.
4 - Meus alunos me ajudaram a identificar um problema bem sério com livros de ciências: a ideia de ser humano representado como homem é tão inconsciente que nem eu percebi que ela é insistente nos livros. Estávamos em uma aula sobre sistema imunológico, e tinha um corpo feminino demonstrando a estruturas do sistema. Meus alunos perguntaram se só mulheres tinham baço e timo, pois o modelo apresentado era uma mulher, e não o representante "neutro" do ser humano, o homem.
5- As perguntas sobre sexo partem muito mais das meninas. Pode ter relação com os meninos não terem a mesma abertura com uma professora para conversar do que um professor, mas acredito que a educação machista cria homens que não podem demonstrar fraqueza ou dúvidas, ou que pensam que pornografia é educação sexual. Eles acabam correndo riscos por não expressarem suas dúvidas e incertezas. 
6 - Uma parcela considerável de professores e professoras ajuda a perpetuar essa divisão entre meninos e meninas. Tudo tem a versão feminina e masculina, desde marcador de página até chapeuzinho de coelho da páscoa. 
Aliás, mesmo em um ambiente com tantas mulheres como a escola, professores homens costumam ter posição de destaque em seus apontamentos, ao ponto de já ter tido reunião em que diretora passou a bola pra professor tocar. Os professores homens são colocados como mais sábios e eficientes que as professoras num geral, e isso parte de todo corpo docente. 
7- A falta de sororidade é algo muito comum entre alunas, assim como são frequentes as brigas motivadas por meninos. A ideia de masculinidade com demonstração de violência também é muito comum entre os meninos, que vivem com "brincadeiras" (adolescentes aprendem rápido com comediantes a utilizar a palavra brincadeira para toda falta de respeito) de briguinhas e de humilhações. 
Acredito ser um desafio importante da nossa educação acabar com essa cultura de violência que, aliada ao preconceito de gênero, perpetua papeis que já deveriam ter desaparecido há muitos anos.
09 Oct 19:11

Operação Sinal Fechado: As relações do PSDB/DEM e do vice de Aécio na corrupção no Detran do RN

by Daniel Dantas Lemos
Era novembro de 2011 quando o Ministério Público estadual do Rio Grande do Norte deflagrou a Operação Sinal Fechado.  A investigação começou com foco nos esquemas criminosos que estavam por trás da aprovação da legislação e organização do consórcio que exploraria o serviço de inspeção veicular no estado e aprofundou-se em uma trama que alcançava, a partir do Detran, parcela considerável da classe política e até jurídica. Do RN, mas não somente.
Um dos partidos com maior proeminência do escândalo, ainda que tenha sido oculto pela mídia, foi o PSDB. No dia da operação, 24 de novembro de 2011, foi preso o ex-deputado João Faustino, liderança do partido no RN.  Mais do liderança dos tucanos potiguares, Faustino foi sub-chefe da Casa Civil do governo paulista nos tempos de José Serra governador e Aloysio Nunes Ferreira como chefe da Casa Civil.
Entre outras coisas, este blog mostrou que o PSDB pagou R$ 100 mil ao advogado George Olímpio, acusado de ser líder do esquema, nas vésperas da eleição em 2010. O dinheiro poderia ter sido triangulado através de doação da empreiteira CR Almeida.  Na semana seguinte, descobriu o Ministério Público, João Faustino manipulava R$ 51 mil em dinheiro vivo, dos quais R$ 20 mil depositou na conta do advogado Alexandre de Morais (em envelopes de depósito fracionados de R$ 2.500).  Três dias depois desse primeiro depósito, foram depositados R$ 31 mil reais em envelopes fracionados de R$ 3 mil (a maioria) na conta de João Faustino.

Como lobista do grupo, João Faustino teve despesas pagas pelo grupo e participou de negociações com o ministro Garibaldi Filho no tempo em que presidia o Senado Federal. O ex-deputado faleceu em janeiro deste ano.
Preso, João Faustino recebeu uma única visita de fora de Natal: Aloysio Nunes Ferreira foi à cidade visitar o companheiro e ex-subordinado no quartel da PM.
O candidato à vice na chapa de não viu seu nome relacionado ao escândalo apenas nessa ocasião. Uns poucos meses depois da Operação explodiu o depoimento sob delação premiada do empresário Alcides Barbosa.  Barbosa afirmou que o esquema abasteceu com R$ 1 milhão a conta de campanha de José Agripino (DEM), coordenador da campanha de Aécio Neves (PSDB) à presidência.  Além disso, envolve diretamente o senador Aloysio Nunes com o esquema, já que esteve na reunião que selou o apoio da quadrilha ao senador Agripino porque Aloysio não pôde ir, como relatou a Carta Capital em maio de 2012:
Segundo o lobista, ele só foi chamado ao encontro por conta da ausência inesperada de outros dois paulistas, um identificado por ele como o atual senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) e o outro apenas como “Clóvis” – provavelmente, de acordo com o MP, o também tucano Clóvis Carvalho, ex-ministro da Casa Civil do governo Fernando Henrique Cardoso.
O esquema desmantelado pela Operação Sinal Fechado tinha desdobramentos em diversos estados do país.  Na Paraíba, ajudou a financiar a campanha do senador José Maranhão (PMDB) em 2010.
O esquema criminoso atuava também junto ao registro de veículos financiados nos cartórios do país. Por esse mecanismo, tinha um braço também nas Minas Gerais do então governador Aécio Neves.  Aliás, mesmo não indo visitar João Faustino na cadeia, Aécio esteve em Natal no mesmo período que Aloysio Nunes, dias em que João estava preso.
Reproduzo abaixo, na íntegra, post que publiquei à época (10 de dezembro de 2011):

Ainda há elementos mal-explorados pela cobertura das investigações que culminaram na Operação Sinal Fechado, que na quinta-feira passada completou duas semanas.
Um dos aspectos mais interessantes ainda quase completamente ignorado diz respeito aos vínculos da organização criminosa desbaratada em outros estados.  Pelo menos quatro estados são relacionados na parte do processo já tornada pública: Minas Gerais, Alagoas, Ceará e São Paulo.  Todos, exceto o Ceará, governados por tucanos.  Mas lá no Ceará, é sabido, que a família Gomes não é exatamente adversária do coronel do PSDB Tasso Jereissati.

Minas Gerais

Esteve em Natal hoje o senador do PSDB mineiro, Aécio Neves.  O ex-governador de Minas veio participar da campanha do correligionário Rogério Marinho, que pretende ser prefeito de Natal.  No entanto, como disse aqui, a visita de Aécio em dias de Operação Sinal Fechado me deixou curioso.
São palavras do Ministério Público:

(...) fortes evidências demonstram que a organização também está se instalando, ou já se instalou, em Minas Gerais, para implantar o registro dos contratos através da PLANET BUSINESS LTDA.
Com base em que se pode afirmar isso?  Em 23 de agosto uma conversa entre George Olímpio e seu sócio da Planet Business, Nilton Meira.  Nela, conversam sobre as articulações do negócio de registro de veículos.  O papo gira em torno de parceiros de negócio em Minas e no Ceará, sobre quem falaremos mais adiante.



Vanuza de Cássia Arruda é presidente do Instituto de Registro de Títulos e Documentos e de Pessoas Jurídicas de Minas Gerais (IRTDPJMinas).  A partir da busca e apreensão de documentos realizada pela Operação Sinal Fechado, o MP encontrou um contrato de honorário advocatícios entre George Olímpio e o Instituto de Minas Gerais.  Por cada carro registrado em MG, George receberia R$ 4,50.  É muito provável que tenha sido essa a estratégia utilizada para que George pudesse ser sócio da organização que realiza o registro de veículos em Minas.
Na conversa transcrita acima, aparentemente, Nilton e George conversam sobre uma entrada futura no negócio de registro de veículos em Minas Gerais.  Segundo a conversa acima, Claúdio Pinho, presidente de entidade cearense semelhante a que era dirigida de fato por George Olímpio no RN e por Vanuza Arruda em MG, foi preterido em favor de George na obtenção do contrato de registro com o Detran mineiro.
O Ministério Público descobriu também que não era a primeira vez que George participava do negócio de registro de veículos em Minas.  Segundo disse o advogado apontado como líder da organização criminosa, “não pode aparecer [em Minas], mas se tiver uma interlocução, é uma forma de entrar lá e lá é bom, né?”.
Isto se dá porque GEORGE OLÍMPIO já obteve o registro dos contratos em Minas Gerais anteriormente, muito provavelmente através do próprio IRTDPJMinas.
Ainda na petição inicial do Ministério Público há o destaque para uma conversa entre outros dois denunciados: o lobista Alcides Barbosa e Marco Aurélio Doninelli.  A conversa foi gravada em 13 de maio.  Nela, os dois conversam sobre George e situam a primeira inserção do advogado em Minas Gerais há três anos, antes mesmo do negócio ser implantado em Natal.  Em março de 2009, o Detran/MG cancelou o contrato.
No dia anterior ao diálogo abaixo, o IRTDPJMinas havia entrado com mais uma ação na justiça tentando reverter a decisão de cancelamento do contrato.  É essa esperança que George tem do retorno ao negócio mineiro.



Mas esse diálogo revela ainda uma coisa mais séria.  Segundo o relato, o negócio em Minas estava difícil "porque o Vice-Governador de lá, o José Alencar, não saber disso, ele é contra isso...".  Evidentemente há um equívoco aqui com relação aos nomes.  José Alencar era o vice-presidente da República, mineiro, mas não o vice-governador.  Em 2009, o vice-governador mineiro era o atual governador, Antônio Anastasia.  Aparentemente Anastasia era a resistência para que o negócio prosperasse no Detran mineiro, mesmo que George estivesse voltando ao negócio mineiro este ano, através do IRTDPJMinas, quando Anastasia é o governador.  O contrato de honorários do Instituto com George comprova isso, ainda mais vinculando o pagamento ao registro de veículos.
Quem falta nessa história?  Se a resistência ao negócio vinha do então vice-governador e atual governador Antônio Anastasia, não vinha do então governador e atual senador Aécio Neves.  A conjectura não é despropositada, ainda mais se lembrarmos que um dos principais articuladores da quadrilha potiguar é o membro da executiva nacional do PSDB, João Faustino.
É preciso lembrar, também, que uma das principais implicações da ex-governadora Wilma de Faria (PSB) com a Operação Sinal Fechado diz respeito ao fato de que ela permitiu a instrumentalização da organização em seu governo.  Se foi assim com Wilma, não pode ter sido assim com Aécio?
Aparentemente há uma relação da operação da organização criminosa que começou a ser desbaratada em Natal com os governos tucanos - e com a ação de Tasso Jereissati no Ceará, sobre o quê falo em outro post.

E, afinal, o que Tasso Jereissati (PSDB) e Garibaldi Filho (PMDB) têm a ver com a quadrilha?



08 Oct 20:34

Detido com dinheiro em Brasília coordenava publicidade no governo Fernando Henrique Cardoso

by Daniel Dantas Lemos
A partir de janeiro de 1997, Moreira foi coordenador na Secretaria de Comunicação da Presidência da República na área de publicidade e propaganda

Sou jornalista por paixão.  Acredito no que faço.
Não acredito nesse discurso do jornalismo que enfatiza imparcialidade, objetividade ou neutralidade. Mas acredito em honestidade intelectual na atividade profissional.
Tornei-me professor de jornalismo me fiando nessa crença.
Por isso uma das coisas que mais doem em mim, como jornalista e professor, é quando vejo a imprensa fingir que é imparcial ou objetiva, vender esse discurso e, no entanto, se comportar parcialmente em suas pautas, ênfases e enquadramentos.
Já vi isso acontecer mais de uma vez, especialmente nos processos eleitorais.
Nos últimos dias, também.  Hoje.

Era o sábado, 27 de setembro, quando Mário Welber foi detido em São Paulo com R$ 102 mil e 16 cheques em branco.  Welber assessora o deputado tucano eleito Bruno Covas, neto de Mário Covas.
Acontece que a notícia só foi divulgada na quinta-feira (02) pelo Estadão e na sexta-feira (03) pela Folha de São Paulo.  E eu duvido que você tenha visto alguma informação sobre isso na tevê.
Faça uma busca no Google buscando os termos Bruno Covas + R$102 mil.  Aparecem umas poucas referências de órgãos da mídia tradicional na primeira página de resultados (Folha, Terra, Exame).
Agora experimente uma nova busca.  Jogue no Google o nome Marcier Trombiere Moreira: os resultados são praticamente todos da grande imprensa na primeira página.
Quem é esse?
Ele foi um dentre três que foram detidos ontem no Aeroporto de Brasília com R$ 116 mil.  A diferença é que ele era ex-assessor do ministério das Cidades.  Ministério das Cidades comandado pelo PP. Segundo consta, o avião em que vinha Moreira saiu de Minas Gerais.  E, segundo publicou O Estadão, um outro passageiro seria assessor de um senador.
O assessor do Senador sumiu do noticiário. Ainda que, pasme, Moreira trouxesse no bolso R$ 4 mil.  Os demais eram responsáveis pelos outros R$ 112 mil. Quem são? Benedito Rodrigues de Oliveira e Pedro Medeiros.  Benedito é conhecido da época dos aloprados. Mas, e o Pedro?  Quem é?  De que estado é?  Qual sua idade?  Assessora que senador?
Outra coisa que as avançadas redações jornalísticas da grande mídia não perguntaram e, por isso, não responderam: se Moreira era assessor do Ministério das Cidades, comandado pelo PP, por que foi a Minas supostamente trabalhar na campanha de Fernando Pimentel (PT), mesmo o PP estando no palanque tucano de Pimenta da Veiga?  E quem é o senador?
Mas também faltou um pouco mais de aprofundamento à imprensa. Se é certo que Marcier Moreira atuava junto à comunicação do Ministério das Cidades até este ano, não é certo que ele tenha passado apenas pelo Ministério da Saúde antes.
A partir de 1997, no governo tucano de Fernando Henrique Cardoso, Moreira foi coordenador na Secretaria de Comunicação da Presidência da República na área de publicidade e propaganda, tendo participado de várias licitações de publicidade de órgãos públicos no período, como da Caixa Econômica Federal.
Ainda assim, é de estranhar que se enfatize o nome do sujeito que levava um dinheiro relativamente baixo consigo (R$ 4 mil) e se esqueça Pedro Medeiros, supostamente assessor de um senador.  Era ele que levava os outros R$ 112 mil?
Numa busca no Google o único Pedro Medeiros que surgiu com relação política é paraibano, tucano e aliado do senador Cássio Cunha Lima e Aécio Neves.
08 Oct 20:26

Médicos propõem holocausto e castração química de eleitores do PT

by Luiz Carlos Azenha

medicos

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consultorio

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quimica

Comunidade médica prega holocausto no Nordeste em campanha contra Dilma na web

Por Carolina Garcia – iG São Paulo | 07/10/2014 21:33 – Atualizada às 07/10/2014 21:40

Grupo com quase 100 mil que se dizem médicos ou estudantes de medicina defende ‘castrações químicas’ a eleitores do PT

Uma comunidade de quase 100 mil usuários numa rede social, que se declaram profissionais da classe médica brasileira, se tornou palco de uma guerra de classes no entorno da corrida presidencial, entre Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB).

Com o título de “Dignidade Médica”, as postagens do grupo pregam “castrações químicas” contra nordestinos, profissionais com menor nível hierárquico, como recepcionistas de consultório e enfermeiras, e propõe um “holocausto” entre os eleitores da petista.

Médicos, professores e estudantes de medicina estão entre os 97.901 membros da comunidade na rede social Facebook.

Entre postagens de revolta com a situação da econômica do País e xingamentos a nordestinos, os participantes confessam que fazem campanha pró-Aécio até dentro do próprio consultório – público ou privado – convencendo os seus pacientes. Eles dizem que colocam “a recepcionista no lugar dela” com ameaças de que perderia o emprego com a reeleição de Dilma.

O discurso de ódio com conta com frases de “nível de conversa que pobre entende” e ameaças de expulsão do grupo caso o usuário se manifeste contra os ideais da página. Um usuário protesta: “70% de votos para Dilma no Nordeste! Médicos do Nordeste causem um holocausto por aí! Temos que mudar essa realidade!”

As manifestações, no entanto, saíram das redes e foram denunciadas pelo tumblr “Médicos Indelicados”, que reúne os post mais inflamados e dá comentários irônicos aos desabafos dos profissionais de jaleco branco.

Procurado pelo iG, o Conselho Federal de Medicina (CFM), com sede em Brasília, afirmou ser “contra qualquer comentário ou ação que denote atitude preconceituosa”. Em nota, o órgão ponderou dizendo que todos os profissionais podem manifestar opiniões, “inclusive políticas”, mas considerando o “comportamento ético e o respeito às leis”. O CFM cita ainda uma investigação em casos que “extrapolem esses limites”.

Leia abaixo a íntegra da nota CFM ao iG sobre o caso:

“O Conselho Federal de Medicina (CFM) é contra qualquer comentário ou ação que denote atitude preconceituosa praticada por qualquer pessoa por conta de aspectos como etnia, origem geográfica, gênero, religião, classe social, escolaridade, orientação sexual ou posicionamento ideológico, entre outros. Esse entendimento representa a percepção da classe médica brasileira.

Para a Autarquia, o Brasil é um país democrático, onde todos os cidadãos devem e podem manifestar suas opiniões, inclusive políticas. No entanto, esta expressão deve ter como parâmetros o comportamento ético e o respeito às leis. Casos que extrapolem esses limites devem ser investigados pelas autoridades competentes.”

Leia também:

Auditora que propõe jogar bomba no Nordeste denunciada por incitar ódio

Bráulio Pedrosa: Imagine se o Nordeste ficar independente

“Nordestinos malditos votam em Dilma, espero seca pra sempre”

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07 Oct 15:01

O caso de desamor entre São Paulo e o PT

by Carlos Motta
@ É um paradoxo: o PT nunca foi forte no Estado em que nasceu. O desempenho pífio nesta eleição suscitou várias análises sobre os motivos dessa debilidade. Há de tudo, explicações sociológicas, históricas e até mesmo psicológicas. Na verdade, pode ser uma mistura de tudo isso. A filósofa Marilena Chauí propôr que se fizesse um estudo de caso sobre os motivos que levam o paulista a repudiar com tanta veemência o partido e, ao mesmo tempo, consagrar legendas e políticos de oscilam da centro à extrema direita do espectro ideológico.

@ Quem frequenta os círculos de classe média - nem vou falar da média alta ou da alta - sabe que o PT, para essas pessoas, é associado a tudo de ruim que pode existir neste e em outros mundos: corruptos e ladrões são dois dos qualificativos mais leves imputados aos integrantes - e até a simpatizantes - do partido. 

@ Sem a pretensão de qualquer tipo de análise "científica", acho que a raiz desse fenômeno está no extremo conservadorismo dessa ampla classe média paulista - um conservadorismo que rejeita qualquer ideologia que não o mais puro liberalismo, com sua defesa intransigente da propriedade, sua crença inabalável no empreendedorismo, no individualismo, e na riqueza como expressão do sucesso pessoal, além de uma religiosidade extremada. São crenças transmitidas há muitas gerações. 

@ Grande parte dessa classe média é formada por descendentes de imigrantes, que conseguiram ascender social e economicamente em terras paulistas, escapando, assim da péssima condição anterior em que se encontravam nos seus países de origem. Lógico que criaram seus filhos incutindo neles o valor que julgavam essencial ao seu sucesso: trabalho árduo, com o objetivo de acumular o máximo possível de capital.

@ Nas camadas mais altas da pirâmide social encontram-se os representantes da "aristocracia" paulista, os filhos, netos e bisnetos de fazendeiros, cafeicultores e negociantes, que transmitiram não só ao seu círculo familiar, mas às pessoas de seu relacionamento mais estreito a sua visão de mundo, logicamente baseada em relações de mando - senhor-escravo, senhor-servo, senhor-empregado.

@ São Paulo tem, certamente, a mais ampla e antiga classe média do Brasil. Milhões de pessoas que cresceram num ambiente familiar conservador, religioso, extremamente influenciável pelos meios de comunicação de massa, frutos de uma educação formal de baixo nível, bombardeados por uma propaganda que exalta as virtudes do capitalismo made in USA, impregnados pelo lixo cultural americano e vítimas de uma lavagem cerebral que dura décadas.

@ De certa forma, essas pessoas ainda vivem no tempo da Guerra Fria. Para elas o mundo está dividido entre os bons, ou seja, aqueles que defendem esse liberalismo antiquado, esse capitalismo selvagem, e os maus, ou seja, os "inimigos" dessa ideologia, os "comunistas". Ou, no caso, os petistas, os "petralhas", os "lulodilmistaspetistas" - os novos comunistas, enfim.

@ Essa noção está tão entranhada na sociedade paulista que quem a professa nem mais se apega à realidade, aos fatos ou à razão, para expor suas opiniões, muitas vezes carregadas de ódio e preconceito.

@ O papel dos meios de comunicação para demonizar o partido também tem de ser destacado. Anos atrás, quando não representava nenhum perigo para a classe dominante, o partido era criticado pelo seu purismo, pelo seu excesso de democracia. Depois que derrotou, em nível federal, as forças oligárquicas, recebeu o carimbo de corrupto. Propaganda de guerra pura e simples. 

@ É ingenuidade supor que essa rejeição ao PT vai ser superada num breve tempo. Isso é algo que exige muitos anos de trabalho persistente e em várias frentes. Uma delas, talvez a mais importante, é na área da informação, onde o partido sempre foi muito frágil. É preciso criar canais que levem, efetivamente, aos jovens, o ideário e as realizações do partido, e à classe média, uma mensagem que afaste dela o medo de ser dominada por demônios e roubada por salteadores. É preciso construir pontes onde o tráfego da racionalidade supere os atropelos da emoção primitiva.
01 Oct 17:38

“Como eu vi ‘The Office’ no trânsito”: nosso repórter testou os ônibus de São Paulo com Wi-Fi

by Pedro Zambarda de Araujo
  O DCM testou a primeira conexão Wi-Fi de internet 4G disponibilizada pela prefeitura de São Paulo com a SPTrans e as empresas Sambaíba Transportes e VEROnline.  A rede foi lançada gratuitamente no dia 20 de setembro, um sábado, em oito ônibus da linha 2104-10 Metrô Santana – Terminal Parque D...
01 Oct 12:10

Pablo Vilaça: Pedir apoio eleitoral em Hollywood é viralatice

by Luiz Carlos Azenha

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O vídeo em que Ruffalo apoia Marina continua no ar

por Pablo Vilaça, no Facebook

Ontem aconteceu algo atípico no Twitter: logo cedo, recebi de um leitor um vídeo que trazia Mark Ruffalo manifestando apoio a Marina Silva. Achei aquilo ao mesmo tempo natural e surpreendente.

“Natural” por saber que Ruffalo é um sujeito que se dedica a várias causas sociais, inclusive o ambientalismo — e Marina vende muito bem a imagem de ser uma ambientalista embora sua passagem pelo Ministério do Meio Ambiente tenha sido decepcionante (o desmatamento no país despencou DEPOIS que ela saiu), sua ideia de plantar eucaliptos para repopular áreas desmatadas seja desastrosa segundo todos os especialistas (o eucalipto suga os minerais da terra e cria um deserto verde) e sua política sobre áreas voltadas para transgênicos e não-transgênicos (que já representa uma mudança de sua postura mais radical anterior) seja igualmente absurda por criar um desequlíbrio perigoso de pragas específicas, além de não fazer qualquer sentido.

Além disso, Ruffalo trabalhou com Fernando Meirelles no belo “Ensaio Sobre a Cegueira” e Fernando (que considero um amigo e sei por constatação própria que é uma ótima pessoa) apoia Marina.

Por outro lado, a surpresa se devia ao fato de que Marina, por mais que tente se vender como “pró-gay”, usa a desculpa de apoiar a união civil homossexual (que nem precisa de seu apoio, já que é legal) como forma de evitar a discussão sobre o casamento gay e suas implicações sociais.

Além disso, como todos sabemos, ela voltou atrás ao ser pressionada por Malafaia — e não é à toa que este e Feliciano, dois dos mais vocais evangélicos antigay do país, já manifestaram apoio PESSOAL à campanha de Marina. (Não estamos falando aqui de apoio do PARTIDO aos qual Feliciano pertence, mas de apoio pessoal).

Pois bem: depois de ver aquilo, disparei uns três ou quatro tweets para a conta de Mark Ruffalo, explicando a postura de Marina com relação aos homossexuais, já que sabia que ele acompanha seu Twitter pessoalmente, e esqueci daquilo.

Algum tempo depois, ele publicou um texto retirando o apoio à Marina e pedindo que esta removesse seu vídeo da campanha. (Algo que, 24 horas depois, a campanha de Marina ainda não fez, vale apontar.)

Pois bem. Quando disparei os tweets iniciais, vários eleitores de Marina ironizaram minha atitude com um bobo “vê lá se o ator de Hollywood vai ouvir o crítico brasileiro”. Quando Ruffalo ouviu, estas mesmas pessoas vieram me chamar de “canalha”.

Além disso, há a questão: interessa realmente o apoio de um ator norte-americano?

A resposta é um retumbante “não”. Nem mesmo se Marlon Brando voltasse ao mundo dos vivos e apoiasse Marina Silva ou Aécio isto me faria hesitar um segundo.

Acho absurdo que um estrangeiro que mal conhece o país se manifeste com relação ao processo eleitoral democrático deste — e o fato de Marina Silva buscar apoio de um ator de Hollywood exibe um viralatismo impressionante e, sejamos honestos, entrega a maneira como subestima seus eleitores por julgar que o apoio do Hulk poderia influenciá-los.

Não, meus tweets para Ruffalo não se deveram a qualquer preocupação eleitoral, mas ao meu carinho pelo ator. Não só o considero um profissional brilhante, mas sua performance em The Normal Heart me comoveu profundamente (algo que discuti em um post por aqui). Vê-lo ser enganado a apoiar uma candidata que contraria sua visão de mundo é algo que me impeliu a alertá-lo. Só isso. Não foi uma motivação política (não desta vez), mas de fã.

E fico feliz que ele tenha se mostrado mais atento ao contexto real do que representa Marina Silva do que muitos de seus eleitores, que preferem ignorar a implicação real do fato desta ser considerada a melhor candidata por criaturas como Malafaia e Feliciano.
(E antes que alguém grite “Maluf” ou o que quer que seja: no dia em que Dilma mudar de ideia depois de ler dois tweets do Maluf, me avisem.)

Estou louco para esta eleição passar logo. Quero ficar sem discutir política por uns dois anos no mínimo.

PS do Viomundo: Pouco conhecíamos de Ruffalo antes deste episódio, além do nome. Mas, pelo vídeo que ele gravou de apoio a Marina Silva, é mais um daqueles chatíssimos atores de Hollywood, que querem “transformar” o mundo sem nadar contra a corrente. Coloca-lo-íamos no mesmo escaninho dos “revolucionários” de sapatênis com jeans apertado e camisa larga, que à noite adotam o look dirty-clean. Se é assim, prefirimos o Sean Penn, que coloca a carreira em risco ao fazer o que faz e ao menos tira a roupa que veste direto da máquina de secar. Próximo!

Leia também:

Por recuo em casamento gay, ator retira apoio que havia dado a Marina

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30 Sep 11:19

5 famílias tradicionais para não amar

by Mari

Temos ouvido falar muito dessa tal família tradicional, mas quem é ela e por qual motivo ela é melhor que as outras? Aliás, era uma competição?

1. Onã, Er e Tamar (Antigo Testamento)

OnãDeus matando Er, da Bíblia de Lego

Muitos conhecem Onã como mártir e padroeiro da masturbação. A história conta que ele ficou encarregado de dar um primogênito para seu irmão, Er, que havia sido morto por Deus. Para isso, ele deveria engravidar Tamar, viúva do seu irmão. Ocorre que Onã achou tudo isso bem maluco e não quis, não. Então ele criou o método contraceptivo de gozar fora e passou a ser associado com os masturbadores. Daí Deus matou ele também.

Além de nos soar absurdo, esse processo certamente era bastante cruel com a Tamar, que só estava lá para procriar. Quase como um cenário com útero.

2. Jasão, Medéia e dois filhos (Eurípedes)

Medéia e Jasão2Jasão e Medéia, de John William Waterhouse (1907)

Enfeitiçada por Afrodite, Medéia se apaixona por Jasão e ajuda o jovem a roubar o tesouro de sua terra natal. Os dois pombinhos fogem, não sem antes matar o irmão da noiva, para atrasar as tentativas de resgate do sogrão. Tempos depois o casal, já com dois filhos, se estabelece em Corinto, onde Jasão larga Medéia para casar com a filha do rei. Para se vingar, ela mata os filhos e foge (com os corpos) na carruagem do Deus do Sol, deixando Jasão arrasado pelo luto.

É desgraça pra todo mundo, nem saberia por onde começar a comentar.

3. Ariel e Eric (Disney)

Pequena SereiaOlha que bobão esse cachorro, parece nosso ideal romântico de aniquilação da individualidade, né?

Quem diria que uma sereia que se apaixona por um humano seria capaz de tanto estrago? Após  conhecer Eric e ser tomada por sentimentos incontroláveis, a menina de 16 anos (isso não é ilegal?) troca sua voz por pernas, tenta conquistar o amado, é presa, seu pai se oferece para ficar em seu lugar e libertá-la, a população sobre a qual seu pai (agora escravo) reinava passa a ser submetida à bruxa má, seu pretendente mata a bruxa má, seu pai passa a acreditar no amor deles, torna a filha humana e eles se casam na superfície.

No final ela abandona toda a família (e identidade pessoal), mas nesse ponto certeza que pessoal já tava era clamando por isso. Olha o tamanho da zuera, cara.

4. Bella, Edward Cullen e Renesmee (dos filmes da Summit Entertainment, que não li o livro)

Bella Edward CullenNada como obliterar o self em uma cerimônia nas matas

Dois adolescentes, ela de 17 anos e ele de 100, se conhecem e se apaixonam no colégio. Até aí ok, não fosse ele um vampiro que escolheu esperar e ela uma adolescente que não tem o sobrenome. Eles passam por mil aventuras, que incluem lutar com lobisomens, vampiros e ignorar a família dela. Dois filmes depois, eles finalmente casam e fazem sexo (o que são dois filmes pra quem esperou 100 anos, né, gente?). Claro que ela engravida logo de cara, pois vampiros não conhecem contraceptivos. Edward teme que o bebê a mate e pede que ela aborte, ela se recusa e, de fato, morre. Mas renasce como vampira. A filha, que só tem o sobrenome do pai pois o da mãe parece irrelevante, gera uma guerra de clãs por ser mestiça vampiro-humano, mas aí surge a turma do deixa disso mostrando que já existem outros mestiços, tá tudo bem.

Três filmes de metáfora sobre como abrir mão de si é o que faz uma esposa maravilhosa, como não amar? De toda forma, leiam isso aqui.

5. Xariar, Xerazade, Duniazade e três filhos (origem popular)

mil e uma noitesQue situação, né, gente?

Xariar, rei da Pérsia, descobre que sua espousa o trai, mata ela e o amante. Depois disso decide dormir com uma mulher diferente por noite, matando-a na manhã seguinte pois ignora que ser corno é ok, o problema é ser serial killer misógino. Ele fez isso por três anos (quantas mulheres o reino dele tinha?), até que conheceu  a matreira Xerazade. Xera, com auxílio da irmã Duniazade, conta histórias que nunca acabam, protelando a morte. Foram tantas histórias que eles tiveram três filhos e mesmo assim nossa heroína teve que suplicar por sua vida. Tudo isso com a irmã do lado. No final o rei perdoou ela, se redimiu como misógino, fez dela rainha, arrumou um marido pra irmã dela e parou a matança e os abusos sexuais.

Xariar é praticamente o paciente zero do modus operandi do Homenzinho de Merda. Nossa, fui magoado, agora vou comer geral e ser um ridículo, como sou machão, uiuiui. Vai se tratar, cara.

–X–

Dito isto, convém lembrar que tradição nem sempre é sinônimo de coisa boa, né. Então, dsclp famílias tradicionais, mas eu prefiro as amorosas, mesmo.

28 Sep 12:44

No espaço, ninguém vai reparar no seu cabelo, viu moço?

by Lady Sybylla

Toda semana acontece alguma coisa que consegue deixar a imbecilidade do mundo à vista, bem clara. Em uma semana onde a Índia conseguiu, de primeira, colocar uma sonda exploratória na atmosfera de Marte com um custo que equivale à metade do custo do filme Gravidade (2014), de Alfonso Cuarón, tivemos também um ótimo exemplo de perguntas idiotas feitas por jornalistas.

Nova equipe na EEI.

Equipe se preparando para passar 6 meses na Estação Espacial.

Esta semana foi apresentada, em Baikonur, no Cazaquistão, a equipe que estará alocada na Estação Espacial Internacional pelos próximos 6 meses. Os cosmonautas Alexander Samokutyaev e Yelena Serova, da Agência Espacial Russa e o astronauta da NASA Barry Wilmore chegaram à EEI nesta sexta-feira. É a primeira mulher russa no espaço em 17 anos. Lembrando que a antiga União Soviética foi quem mandou a primeira mulher ao espaço, Valentina Tereshkova, em 16 de junho de 1963.

Yelena é engenheira espacial formada pelo renomado Instituto Espacial de Moscou, tem 38 anos e dois filhos. E ao invés de se preocuparem com sua missão, qual será sua função na EEI, como ela se preparou para isso nos últimos 6 anos, um jornalista resolveu perguntar como ela faria a maquiagem no espaço, como arrumaria seu cabelo e como se sentia por abandonar seus filhos para passar 6 meses no espaço.

Seus colegas também têm filhos, mas a eles essa pergunta não foi feita. Visivelmente incomodada pelas constantes perguntas sem noção dos jornalistas, ela rebateu:

Posso fazer uma pergunta também: você não está interessado no cabelo dos meus colegas?

Mulheres na ciência são muitas vezes vistas por este viés. Como elas fazem para cuidar da pele em trabalho de campo? Como equilibram carreira e família? Se elas não se sentem culpadas por fazer um doutorado fora e ~abandonar~ marido e filhos? Se elas não vão casar depois do mestrado/doutorado/pós-doutorado? A pergunta de Yelena é muito pertinente. Por que só ela é questionada sobre essas coisas? Se você respondeu que é porque ela é mulher, sim, você acertou. É por isso mesmo.

Yelena Serova

Yelena Serova

Já é uma carreira difícil de levar adiante quando se é mulher. Além do assédio em viagens e trabalhos de campo, do desestímulo da parte dos professores (homens, em sua maioria), de mulheres serem menos numerosas conforme subimos na escala docente e nos níveis mais altos de ensino, de financiamentos e aprovação de papers serem mais demorados quando são liderados por mulheres, perguntas desse tipo nos diminuem e nos reduzem a seres que apenas tem que ser bonitinhos. Competência, inteligência, formação, tudo isso parece evaporar. Espero que a estada de Yelena seja produtiva e reconhecida e que mulheres na ciência continuem se multiplicando.

25 Sep 14:32

Ajuste sinistro

by Tiago de Thuin
Convencionou-se, no Brasil, que responsabilidade fiscal é um tema "de direita." Soluciona-se todos os problemas do Brasil seja com a eliminação da corrupção e incompetência (tema que irmana todos que não são, naquele momento, governo), seja com a "auditoria da dívida," que depende de não entender como funciona uma dívida pública e achar que foi um contrato de dívida emitido lá atrás pelo FH ou pelo JK que ainda está sendo pago.

E no entanto, dá pra fazer o ajuste fiscal tão sonhado pelos economistas de direita de uma forma bastante diferente da normalmente assumida. O Brasil - já é quase consenso - é um país em que os impostos indiretos, que pesam mais sobre os mais pobres e atrapalham a economia, são os principais, enquanto os diretos, que pesam sobre renda e patrimônio e portanto sobre os mais ricos, são acessórios. Para inverter essa lógica E fazer o ajuste nas contas públicas, é só

1) Aumentar impostos diretos (IRPFITRITDIPTU (estes últimos subnacionais)). O ITR hoje não morde nem um bilhãozinho; é menor do que o IPTU arrecadado por São Paulo ou pelo Rio. O IRPF para alguém entre os 5% mais ricos não vale 17% (contra 34% nos EUA, que não são exatamente comunistas). O ITD tem alíquota máxima de 8%, vs., de novo nos EUA, 40%. O IGF, que ainda não existe fora da constituição, renderia mais uns trocados. Aumentar o preço da gasolina, sim, que transporte individual motorizado não precisa de subsídio público. Transformar a CIDE numa taxa de carbono, e razoavelmente pesada. 

2) Quando o ajuste tiver sido feito desse jeito, e a necessidade de segurar as pontas tiver passado, cortar os impostos indiretos federais o máximo possível, e incentivar que estados e municípios façam o mesmo. Com sorte, extinguir o IPI, pelo menos, quiçá o ISS, diminuir bastante o ICMS (e unificá-lo num IVA nacional, sempre cobrado no destino). Pode-se até estabelecer a regra de redução dos impostos indiretos já na legislação que aumenta os progressivos. Coisa do tipo "a cada ano, deverão ser feitas desonerações permanentes em tais e tais impostos, equivalente à média do aumento real de arrecadação dos últimos três anos."

Presto: Ajuste nas contas públicas feito com bônus estrutural. 

O bônus não é pequeno. Noves fora a diminuição dos indiretos aumentar a competitividade da economia brasileira, a desigualdade, que se reduziu com a implantação dos benefícios sociais e o crescimento maior de regiões mais pobres (boa parte da desigualdade brasileira é a desigualdade regional), parou de descer nos últimos anos, devido aos limites dessa política. Ora, nos EUA a diferença entre a desigualdade pré e pós impostos é de 0,11 Gini. Isso é 0,11 de diferença a mais do que no Brasil. Sim, os impostos brasileiros não fazem diferença alguma na desigualdade. Admita-se que é um mal continental... reparem no gráfico: a desigualdade latinoamericanaé maior "no mercado" realmente, mas ela fica muito maior depois que os impostos progressivos e benefícios idem fizeram a sua parte na Europa.



A longo prazo, aliás, a redução da desigualdade também é um projeto de responsabilidade fiscal.  E o aumento do ITR pode servir como instrumento de reforma agrária.

É claro, pode ser perguntado, como faz o Ciro Gomes, se isso "dá bilhão." E a resposta é, muito claramente, sim. Vamos fazer umas continhas:

O ITR, hoje, não dá nem um mísero bilhão, cobrado sobre propriedades que valem um trilhão de reais. Se aumentarmos a alíquota média pra 1,5%, estamos falando de 15 bilhões de reais. Para 3% (em linha com o fato da maioria das terras estarem hoje com latifúndios), 30bn.

A alíquota média do IRPF para os 5% mais ricos está abaixo de 20%. Se aumentarmos para 30%, em linha com o IRPF cobrado pelo governo federal americano (muitos estados americanos também dão sua mordida), a arrecadação adicional pode ser de 60bn. Se além disso acabarmos com a isenção sobre dividendos, coisa em que o Brasil é quase único no mundo, são outros 60bn.

Comparado a esses números, o imposto sobre grandes fortunas é até modesto - seriam por volta de 6bn.

Para resolver a penúria estadual, ao invés de enfiar bizarros juros simples retroativos na União, a proposta (até modesta, comparada com a maioria dos países) de aumento do ITCMD renderia 20bn.

Estamos falando de um ajuste de no mínimo, dando um desconto de 30% em todas as previsões acima, 120bn. Bem mais do que o ajuste proposto pelo governo interino, e sem afetar a imensa maioria da população.

"E não vai cortar nada?" Bem, primeiro acho uma falácia falar em cortar gastos (assim, de baciada; aumentar a eficiência do gasto público sempre é bom) "pelo ajuste." Um gasto público deve ser cortado se for desnecessário, com ou sem ajuste, e se é necessário não pode ser cortado, com ou sem ajuste; usar o ajuste de desculpa para cortar os gastos que você queria cortar de qualquer jeito é hipocrisia. Mas pode deixar que tem uns gastoszinhos que, bem, eu cortaria com a desculpa do ajuste:

O ministério da Defesa gasta 81bn; é um dos maiores orçamentos de defesa do mundo, maior que o de Israel. E em troca temos forças armadas er... não tão boas quanto as de Israel, digamos. O principal dos problemas é o enorme gasto de pessoal, inchado pelas pensões e pelo oficialato, e portanto difícil de resolver de chofre - mas o fim do alistamento obrigatório e a redução do contingente grande de recrutas pra metade dessa quantidade de militares profissionais já ajudaria. Uma revisão do oficialato também - o Brasil tem 29 generais e almirantes, contra 39 dos Estados Unidos. Nos EUA, um vice-almirante comanda uma esquadra; aqui, há 18 vice-almirantes, e não há 18 navios de combate principais na marinha brasileira. (São oito fragatas mais o porta-aviões que mal sai do cais.)  E o problema do muito cacique pra pouco índio continua quando se desce a escada. É difícil dizer quanto seria poupado pela revisão, mas 20bn (deixando dez para o aumento do investimento e custeio) tá de bom tamanho. Além disso, para o ajuste emergencial, daria para vender as vastas áreas militares já inúteis para a defesa nacional e encravadas em áreas caras das capitais. Só o campo de futebol do forte de Copacabana ou o forte da Urca já dariam bilhão. Cada. Isso tudo, claro, assumindo que as forças armadas são mesmo necessárias, num nível melhor que o de hoje. Se você considerar que não há nenhum cenário de invasão plausível, e mal há possível, pode cortar logo 60bn, mantendo só uma força de autodefesa básica, com princípios baseados em defesa antiaérea, bateria de costeira, e treinamento de guerrilha, ao invés de tanques e porta aviões que ninguém sabe pra que serviriam. E ainda diminui o golpismo.

O governo também segue subsidiando hidrocarbonetos, sob a desculpa do estímulo à atividade econômica e aos transportes. Ora, é um subsídio pra lá de mal focado: se queremos subsidiar atividade econômica, subsidie-se aquela área específica.  São outros 30bn por ano...

Ok, temos 210bn de ajuste, à sinistra. Nada disso é indiscutível, claro - mas seria interessante se fosse mais discutido pela esquerda, ao invés desta defender que responsabilidade fiscal é besteira. Até porque tudo isso é, ou talvez devesse ser, para a esquerda bem-em-si. 
25 Sep 14:30

SAMBA DO CRIOULO DOIDO

by blogdosirio

 

O título é de um samba de Sérgio Porto, cuja letra mistura fatos de forma completamente inconsistente. Este tipo de mistura é, às vezes, uma característica da loucura (daí “doido”). Para se fingir de louco, Hamlet respostas que não têm nada a ver com as perguntas. A diferença entre o louco e o parodista / humorista é que este produz incongruências conscientemente – como Sérgio Porto -, ao contrário do sujeito não razoável.

O samba começa assim: “Foi em Diamantina / Onde nasceu JK / Que a Princesa Leopoldina / Arresolveu se casá / Mas Chica da Silva / Tinha outros pretendentes / E obrigou a princesa / A se casar com Tiradentes.”.

Lembrei-me da peça ao espiar no YouTube entrevistas do Prof. Ernani Pimentel, que está conhecido por sua proposta de uma reforma ortográfica que seria lógica e simplificadora. Por exemplo, propõe abolir o H em palavras como “hoje”, grafar com Z todos os “sons” (ou fonemas?) /Z/: “exemplo” se escreveria EZEMPLO; com S todos os sons /S/: CASA seria a escrita de “caça” e de “cassa”; a atual “casa” seria escrita CAZA; ASENDER substituiria tanto “acender” quanto “ascender” etc.

Trata-se de tese que merece um bom debate. Minha posição: se estivéssemos em fase de substituição de um sistema alfabético por outro (como quando a Turquia substituiu o alfabeto cirílico pelo romano, com pequenas adaptações), a defesa de uma escrita fonológica faria sentido. Nas atuais circunstâncias, é desnecessária e demasiado custosa – além de não ser nada simples.

Considerar que a grafia é um problema grave só parece relevante quando a escola alfabetiza mal e, principalmente, quando se dá valor excessivo a este tipo de erro (grifei “excessivo” para evitar leituras do tipo “os lingüistas acham que não precisa mais ensinar ortografia” – mas acho que não vou conseguir).

Qualquer aluno que fique oito anos numa escola decente pode estar quase capacitado a ser revisor (basta ver que, quando alguém comete um erro de grafia, não falta a chusma de corretores, que até se diverte com isso. Somos um país de revisores!). Mas seria bem bom se encarássemos eventuais erros com naturalidade, até porque são comuns e têm boas explicações.

O que me impressionou nas entrevistas do prof. Pimentel não foi sua proposta. Foram equívocos do tipo dos que se vêem na letra do citado samba. Antes, uma observação: ele acha que, atualmente, só se pode aprender as regras de escrita por meio de decoreba. O que é uma óbvia inverdade: aprende-se pela prática. Lendo e escrevendo mais, aprende-se a ler e a escrever direito. Escritas “complicadas” são adquiridas em boas escolas brasileiras, e mesmo americanas e francesas, por exemplo, em tempo relativamente curto.

Eu mal sei uma ou duas regras de escrita (usa-se “h” quando é etimológico – se é que ainda vale), mas erro pouco (pouco, eu disse). Testemunho que, ao final do antigo ginásio (atual ensino fundamental), eu raramente cometia um erro de grafia. E meu passado não me era favorável: nasci na roça e minha língua materna foi um dialeto italiano. Em suma: não se trata de decoreba, mas de práticas de letramento. A cada dia eu resumia no meu caderno as matérias que via nas aulas e sobre as quais lera no livro didático.

Uma das “coisas de doido” que Pimentel disse (numa entrevista à TV Senado, acompanhado de Cristovam Buarque, que também disse coisas pouco recomendáveis – e ele é dos menos bobos da casa) foi a propósito de “presidenta”. Nota: não tenho obsessão pelo caso; mas muita gente tem; eu só falo dele quando ouço bobagens sobre esta flexão.

Pimentel até fez uma boa piada: disse que, se chamarmos Dilma de “presidenta”, teremos que chamá-la também de “governanta”, o que geraria problemas de desvio de função. Dessa eu gostei!

Mas, em seguida, quando voltou a falar sério, disse que, se adotarmos “presidenta”, teríamos que criar também um masculino, “presidento”. Ora, ora, ora! Não há regras de formação de masculino em português! Nenhuma gramática, descritiva ou normativa, inventaria algo do gênero (nem Mendes Fradique faria!). Seguindo esta lógica, deveria propor um “o” no final de todas as palavras masculinas. “Revólver” teria que ser “revólvero”, “ator” seria “atoro”, “sol” teria que ser “solo” e “final”, “finalo”. Mas quem disse que masculinos terminam em “o”?

É preciso acionar uma logiquinha básica aqui: palavras terminadas em “o” são masculinas (aceitemos). Mas isso não significa que as masculinas terminam em “o”. Basta ver os exemplos acima, e mais, entre outros, “poeta / caixa / abdômen / computador” etc.

Em suas aparições, o professor faz críticas ao acordo ortográfico. Pode haver justiça em algumas delas, mas seu exemplo predileto é péssimo. Por que, pergunta ele, “guarda-chuva” tem hífen e “mandachuva” não? Ora, porque em “mandachuva”, “manda” e “chuva” não significam ‘manda’ e ‘chuva’, mas em “guarda-chuva”, “chuva” significa ‘chuva’ e “guarda” significa ‘guarda’ (protege).

Na entrevista a Jô Soares, disse outras barbaridades. Cito duas: a) provocado pelo entrevistador (ele já cometera esse erro grosseiro em outra ocasião), que lhe perguntou se “pinguim” sem trema seria pronunciado sem o [u] isto é, com “gu” soando como em “guerra”, Pimentel respondeu emendando que o pinguim (sem u) seria comprado por [cinKenta] reais (!!). De onde se deduz que ele pensa que a queda do trema muda a pronúncia da sílaba! Como se pode, com tamanha “lucidez”, propor exatamente uma reforma da ortografia?

Outra bobagem monumental foi sustentar que a grafia antiga depende de decoreba e, portanto, obedece a uma pedagogia ultrapassa. Para sustentar a tese, citou experimentos realizados no Japão e no Chile, que demonstrariam que está havendo uma mutação genética que produz resultados como o seguinte: uma criança pega qualquer livro, escrito em qualquer língua, mesmo antes de ser alfabetizada, e o lê!

Falou sério! Ora, muitos adultos já vimos crianças “lendo livros”, imitando, de certa forma, os gestos dos adultos e, eventualmente, dizendo, em entonações pertinentes, “a fada pegou a varinha…”. Mas isso é ler como se espera?

Depois ele disse que crianças colocam um livro na orelha (meninos, eu ouvi!) e começam a falar dele. Não precisam ler. E não estava brincando! Atribuiu a proeza ao “fato” de que as crianças atuais já nascem com uma “visão quântica”!

Mais chato foi o final da entrevista. Pediu um minuto, mencionou sua proposta de reforma, e convidou Jô Soares a assinar um manifesto em seu apoio. E Jô assinou! Sem ler! E sob aplausos da plateia!

25 Sep 14:25

Guerra contra ISIS: la misma historia con otro reparto

by Iñigo Sáenz de Ugarte

banderas

El Pentágono no lo esconde. La lucha contra ISIS en Siria e Irak durará años (War on Terror II, la secuela). Como en principio el Gobierno ha descartado el uso de fuerzas de tierra, son noticias estupendas para los fabricantes de misiles Tomahawk. Van a tener que completar las existencias muy pronto. Y los generales volverán a figurar omnipresentes en las pantallas de las televisiones de EEUU, como ya está ocurriendo.

Estando Irak de por medio, no es extraño que haya una marcada diferencia entre la retórica y la realidad. Según la primera, ISIS es la mayor amenaza a la que se enfrenta Occidente ahora mismo. Es otra encarnación del mal absoluto. Pero luego en el mundo real no hay tanta urgencia. Los ataques aéreos de EEUU no derrotarán por sí solos a los yihadistas, ha dicho John Kerry, 24 horas después de que se extendieran a Siria. “No deberían pensar que se producirá una gran retirada en las próximas dos semanas”, ha dicho el secretario de Estado a CNN.

Eso ya lo sabíamos. Con los bombardeos, se puede frenar a una fuerza militar en movimiento e impedir el avance de los yihadistas sobre el Kurdistán iraquí. Para lo que no sirve, por ejemplo, es para expulsar a ISIS de Mosul, a menos que se esté dispuesto a destruir la mitad de la ciudad.

obama economistCualquier análisis sobre las consecuencias reales del primer ataque norteamericano en Siria debe ponerse en el contexto de lo que está ocurriendo en Irak. Como cuenta el NYT, seis semanas después de que aviones y drones comenzaran a atacar al ISIS allí, el Ejército iraquí no ha conseguido aprovechar esos bombardeos para recuperar posiciones. Antes al contrario, se suceden espectaculares ejemplos de incompetencia militar.

El último caso: hay en la provincia de Anbar centenares de soldados en una posición rodeada por el enemigo, de los que no se tiene información desde hace varios días: podrían estar aún resistiendo el sitio, haber muerto o o haberse rendido.

Entre los objetivos atacados en Siria, se encuentran los de un misterioso grupo llamado Khorasan, que ha pasado en semanas de ser muy poco conocido a ser presunto responsable de la organización de un ataque “inminente” en EEUU. Que sean miembros de Al Qaeda que se han refugiado en Siria no es sorprendente. Que sus objetivos no tengan que ver con la guerra siria, sino con la idea de Bin Laden de atacar directamente a los países occidentales es algo muy diferente, y eso sólo pueden saberlo los servicios de inteligencia, que nunca son muy explícitos con las pruebas con las que cuentan.

[También hay fuentes, anónimas claro, que dicen que ese plan no era inminente. No habían elegido un objetivo del atentado, ni el momento o el método de llevarlo a la práctica.]

En este artículo, quedan patentes algunas dudas sobre este grupo, incluido su nombre. La conclusión a la que llega es que no se trata de una organización por sí misma, aunque los titulares parezcan decir eso. La hipótesis más probable es que respondan ante Al Zauahiri –se supone que escondido en Pakistán– y que hayan recibido ayuda del Frente Al Nusra, el grupo insurgente sirio enfrentado a ISIS y que prestó lealtad a Al Qaeda.

La coincidencia de las informaciones sobre Khorasan y el debate producido en septiembre en EEUU y Europa sobre qué hacer con ISIS es, cuando menos, sospechosa. Supone para la Administración norteamericana una forma excelente de vender a una opinión pública reticente la idea de implicarse militarmente en la guerra siria. Es también una forma de justificar legalmente los ataques en ese país.

Photo shows before and after photos of target by #F22. This was the first time the F22 was used in a combat role. pic.twitter.com/bMma8rxnsK

— U.S. Dept of Defense (@DeptofDefense) September 23, 2014

Las operaciones en Irak están cubiertas por el hecho de que el Gobierno de Bagdad ha pedido ayuda. No ha habido tal petición desde Damasco. Pero atacar a un grupo que es parte de Al Qaeda dentro de Siria tiene la ventaja de que permite usar el argumento de que el Congreso ya dio la autorización pertinente después del 11S. Esa aprobación es un chicle que se ha extendido a lo largo de los últimos 13 años para atacar objetivos relacionados de una forma u otra con Al Qaeda por todo el planeta. Son las ventajas de la guerra que nunca terminará.

La embajadora de EEUU en la ONU ha dado a Ban Ki-moon otra justificación legal: los ataques en Siria son necesarios para defender al Gobierno iraquí, ya que ISIS opera a ambos lados de la frontera y el Gobierno sirio no está en condiciones de impedir su actividad.

Pero lo que cuenta no es tanto la cobertura legal en EEUU (no parece que el Congreso norteamericano esté muy interesado en cuestionar los motivos de Obama en esta ofensiva), sino sus posibilidades de éxito y sus consecuencias en todas las crisis que están teniendo lugar en Oriente Medio. Respecto al segundo punto, ya nos podemos olvidar de la Primavera Árabe y de cualquier esfuerzo por propiciar la defensa de la libertad y de los derechos humanos en la zona.

Las banderas de la imagen de arriba dejan lugar a pocas dudas sobre los aliados de Occidente en la última operación militar: Arabia Saudí, Bahréin, Emiratos, Qatar y Jordania. Los cuatro primeros países son las monarquías del Golfo que imponen un régimen teocrático en el que las libertades no tienen cabida. Qatar es el origen de la ayuda más importante que probablemente hayan recibido los grupos insurgentes sirios, y de esa ayuda se han terminado beneficiando ISIS y Al Nusra, ese mismo grupo que da cobijo a Khorasan.

Las espantosas imágenes de la decapitación de rehenes tienen su reverso en las decenas de ejecuciones que se produjeron con el mismo método en Arabia Saudí en agosto (en una de ellas la víctima fue condenada por “brujería”). Las circunstancias no son las mismas, pero sólo considerando que el sistema judicial saudí es similar al de España o Francia se puede sostener que la comparación es absurda.

libeAl igual que en 1990, tras la invasión de Kuwait, EEUU intenta hacer ver que no es una cruzada particular contra un enemigo declarado, sino una coalición internacional formada por decenas de países contra un ejemplo paradigmático de barbarie. Invadir un país es desde luego una acción que merece ser respondida. Intervenir en la guerra civil de otro país es, por el contrario, lo que se puede denominar como una guerra elegida. Y por espectacular que sea la intervención (algo que deberíamos tener presente por lo ocurrido en Irak desde 2003), el desenlace no tendrá que ver tanto con el número de divisiones o aviones empleados, sino por la situación interna de ese país (la relación de fuerzas, la capacidad de un Estado de imponer su autoridad sin necesidad de desatar un baño de sangre, etc.)

En Irak no hay aviones extranjeros que puedan sustituir las funciones de un Estado fallido. ISIS no será expulsado de Mosul o de Faluya a menos que el Ejército iraquí pueda intervenir sin ser considerado una fuerza de ocupación por la población local.

Por dar un ejemplo, 31 civiles (incluidos 24 niños) murieron en un bombardeo de la Fuerza Aérea iraquí sobre una escuela cerca de Tikrit el 1 de septiembre que albergaba a refugiados. La alternativa no puede ser destruir todas esas ciudades para poder ‘liberarlas’.

El nuevo Gobierno iraquí ha ordenado que no se repitan ataques aéreos como ese en zonas civiles, pero eso hará que su contraofensiva sea lenta e incierta. Lo más que se puede esperar en estos momentos es que consiga defender sus propias posiciones. Mientras los generales y coroneles sigan huyendo y los soldados sean abandonados a su suerte, no habrá ninguna posibilidad de hacer frente a los yihadistas.

ISIS ha prosperado gracias a la falta del legitimidad del Gobierno de Bagdad y a la corrupción de sus fuerzas militares y de seguridad. Sin solucionar esos problemas, no habrá opciones de cambiar la situación sobre el terreno.

My cartoon Thursday @TheTimes on Assad….Obama’s enemy’s enemy. pic.twitter.com/wXo0s3MWPZ

— Peter Brookes (@BrookesTimes) September 24, 2014

 

En Siria, no hay ni siquiera esa posibilidad. EEUU y Europa no van a volcar todo su esfuerzo para que la dictadura siria derrote a sus enemigos. Lo que queda es una quimera: debilitar mes tras mes a ISIS hasta que un ‘caballero blanco’ resurja de sus cenizas y venza primero a los yihadistas y luego a Asad. Es la tesis de los que buscan descubrir a los “rebeldes moderados”, que es el equivalente a la promesa de Dios a Abraham de que no destruiría Sodoma si conseguía encontrar a “50 justos”. Buena suerte, Abraham.

Una guerra se hace con sangre y con dinero. Si quieres vencer, la sangre la tienen que poner los otros y tú debes tener acceso al dinero para comprar armas, equipamiento y alimentos para tus tropas. Mientras los insurgentes del FSA (al que se llama moderado y casi ha desaparecido de la mayor parte de las zonas no controladas por Damasco) cobren unos 50 dólares al mes, y los miembros de ISIS reciban 300, 600 o hasta mil dólares al mes (porque todas esas cifras se han manejado), no habrá ninguna duda del desenlace de ese conflicto.

Su implantación en amplias zonas de Irak y Siria ha permitido a ISIS controlar pozos petrolíferos en ambos países. Extraer petróleo no sirve de nada si no lo puedes vender. La gente se sorprendería al saber lo fácil que es hacerlo en las zonas fronterizas de Irak, Siria, Turquía e Irán desde hace varias décadas, en especial desde que comenzaron las sanciones contra Irak en 1990.

De entre todos los artículos que he leído, el más revelador es este del FT, que apunta a la colaboración de (y esto es una nueva paradoja) uno de los mayores enemigos de ISIS, precisamente porque lo tiene muy cerca: el Gobierno del Kurdistán iraquí.

Desde hace casi 25 años, decenas de miles de barriles de petróleo iraquí pasan de contrabando hacia Turquía, sobre todo, y otros países. A mediados de los 90, ese tráfico llegó a provocar una miniguerra civil entre los grandes partidos/tribus kurdas. Los beneficios eran y son inmensos. Cuando se dice que el Kurdistán iraquí ha conseguido mantener un nivel apreciable de prosperidad desde 2003, es porque ese petróleo de contrabando ha mantenido llenos los bolsillos de todo el mundo.

Como explica en el artículo un profesor de la universidad de Suleimaniya, esa red es posible gracias a varias pequeñas refinerías en el Kurdistán. El Gobierno no puede cerrarlas porque buena parte del combustible que usa la población procede de allí. Si las cerrara, subiría el precio de la gasolina. No puede hacerlo, porque depende de esos ingresos para pagar los salarios de sus funcionarios, que se aprovechan también del combustible barato. No puede pagar esos salarios, porque el Gobierno de Bagdad no ha entregado fondos para su presupuesto desde hace ocho meses.

Y así volvemos al punto de partida. Irak no funciona como un Estado normal, además de por su alto nivel de corrupción, por las pésimas relaciones entre Bagdad y todos aquellos centros de poder que no estén controlados por chiíes. Dicho en términos coloquiales, los kurdos se buscan la vida haciendo lo que llevan décadas haciendo, y no les molesta demasiado porque todo lo que no sea depender de Bagdad les beneficia políticamente.

En mitad de ese caos, ISIS se aprovecha para hacer negocio. Y es un negocio de entre uno y dos millones de dólares diarios. Con eso se puede financiar un Ejército bastante grande.

En el discurso en que dio a conocer su nueva política, Obama se refirió a Yemen como un ejemplo de intervención permanente de EEUU contra grupos terroristas. ¿Y qué ha pasado en Yemen?: años de ataques con drones, eliminación de dirigentes de los insurgentes pero al mismo tiempo reforzamiento del poder de esos grupos gracias precisamente a esos ataques, progresiva debilidad del Gobierno.

Sí, el Pentágono no se equivoca. Esto va a durar años. Otra década de guerra sin fin.

16.30

Veo ahora que en la pasada noche se ha producido un ataque norteamericano contra seis refinerías controladas por ISIS en la zona oriental de Siria (el Pentágono dice que han sido 12 con el lanzamiento de 41 misiles y el ataque de 16 aviones). Lógicamente, no iban a esperar mucho tiempo antes de ordenar una operación de estas características.

oil isis

 

Gráfico del FT.

25 Sep 14:20

#SOMOS TODAS MULHERES DE QUEIMADAS: Relato de uma feminista que acompanhou o caso do estupro coletivo

by lola aronovich
Nem a Paraíba, nem o Brasil. Não esqueceremos

Hoje, dois anos e meio após um crime dos mais bárbaros, será julgado o principal acusado. 
Eu e todas as mulheres (feministas ou não) que conheço, e muitos homens, ficamos horrorizadas com o que aconteceu em Queimadas, cidade paraibana de pouco mais de 40 mil habitantes. Durante uma festa de aniversário, vários homens presentes vestiram máscaras, simularam um assalto, e estupraram cinco convidadas. Duas delas reconheceram os homens e foram assassinadas. 
Sete dos dez criminosos
Na época, escrevi um post sobre o caso, "Estupros como presente de aniversário", até hoje um dos mais lidos do blog. No dia seguinte, ainda arrasada com a crueldade, escrevi outro. Porque este caso é daqueles de perder fé na humanidade, ou pelo menos em metade da humanidade. Afinal, foi premeditado. Dez homens (sete adultos e três adolescentes) participaram dos crimes. DEZ HOMENS! Nenhum parou pra pensar que opa, estuprar não está certo. E não eram estranhas. Eram conhecidas, amigas!
Graças à pressão das feministas, nove dos dez criminosos já foram julgados e condenados, com penas que variam entre 26 e 44 anos de prisão para os adultos, e de até 3 anos para os adolescentes, que depois serão reavaliados. Hoje, no 1o Tribunal do Júri em João Pessoa, às 14h, é o julgamento do principal acusado, Eduardo Santos, que foi quem teve a ideia de "presentear" o irmão com estupros. 
O texto que publico abaixo, apesar de estar em primeira pessoa em alguns momentos, não foi escrito por uma só mulher, e sim por vários movimentos feministas da Paraíba. Essas ativistas não pararam de se mexer para alcançar justiça desde que o crime aconteceu, em fevereiro de 2012. Em homenagem à luta delas e às vítimas, e em nome de todxs nós que nos chocamos com a barbaridade, vamos divulgar a tag #SomosTodasETodosMulheresDeQueimadas.
Eis o texto dessas incansáveis guerreiras:

Sentar e escrever sobre o caso de Queimadas é uma tarefa no mínimo difícil para mim. Há dois anos, recém-formada do curso de Direito e ingressante nas fileiras do movimento feminista, me deparei com um crime de tamanha barbaridade que mesmo hoje custo a acreditar.
A casa da barbárie
Em 12 de fevereiro de 2012, na cidade de Queimadas no interior paraibano, dez homens premeditaram o estupro coletivo de cinco mulheres, culminando na morte de duas delas. Estes homens se organizaram com mais de uma semana de antecedência para planejar uma festa de aniversário onde simulariam um assalto e estuprariam as mulheres presentes. Este estupro foi organizado como um “presente” do principal mentor e dono da casa onde ocorreu o sinistro, Eduardo Pereira, a seu irmão Luciano Pereira.
Uma típica cena de terror. Durante a suposta festa, alguns dos presentes saem para comprar qualquer coisa; e retornam enquanto supostos assaltantes invadem usando máscaras de monstros. Foi só colocar o planejado em prática: havia sido comprado uma variedade de instrumentos para viabilizar a tortura: cordas, “enforca-gatos” etc.
As vítimas fatais: a professora Izabella
e a secretária Michelle
Ao retornarem e simularem o assalto, os criminosos -- criminosos sim porque todos eles já foram sentenciados, resta apenas o júri do mentor -– separam as vítimas dos demais “convidados”: os maridos de duas das vítimas e as mulheres dos envolvidos nos crimes. Ligam o som alto e a barbaridade acontece. Uma das vítimas se finge de morta/desmaiada e vê sua irmã ser violentada sucessivamente e depois ser raptada para ser assassinada a quilômetros dali. Duas das mulheres -– Izabella Pajuçara e Michelle Domingos -- reconhecem os agressores, e o mentor, o suposto autor, que vai a júri hoje, decide matá-las e assim o faz.
Luciano, o aniversariante, e seu
irmão Eduardo, o mentor de tudo
E como o objetivo deste texto não é trazer detalhes do caso (e podem acreditar que existem milhares de detalhes mais bárbaros do que estes poucos que mencionei), a questão é dizer que ouvir estas histórias minuciosamente, muitas vezes ouvir das próprias vítimas ou dos agressores, não foi a pior experiência que vivi em relação a este caso. O que nunca vou esquecer, e acredito que as companheiras do movimento feminista também não, é o rosto de pavor permanente das mães de Izabella e Michelle, bem como de seus familiares.
O corpo de uma das vítimas foi
deixado ao lado da igreja
O mais aterrorizante é que ainda haja em Queimadas manifestações de violência simbólica às vítimas e suas famílias. A primeira vez que ouvi falar do crime, soube dele como se as mulheres fossem prostitutas. Elas não eram. E nem cabe aqui dizer o óbvio de que tal informação é irrelevante. Prostitutas são mulheres, e portanto sujeitos de dignidade humana. Ponto.
Contudo, esses discursos justificadores da violência permanecem. As famílias das vítimas relatam que ainda ouvem que as “meninas” mereceram isso “porque eram metidas e não davam cabimento pra cara nenhum”. Então, vejamos. Nesse caso as mulheres merecem ser estupradas por serem prostitutas ou excessivamente castas!
Simona Talma, cantora do
Rio Grande do Norte
Nós, mulheres organizadas na Paraíba, desde que iniciamos nossa atuação no caso entendemos que assumir a luta das mulheres em Queimadas é gritar para os poderes públicos e para a sociedade brasileira que a cultura de estupro e a violência contra às mulheres é um problema de todas nós. Por isso, reivindicamos pela celeridade do julgamento do caso junto à Comissão Mista Parlamentar de Inquérito (CPMI) que investigava a aplicação da Lei Maria da Penha no Brasil em 2012. A intervenção da CPMI foi crucial para o apuramento rápido do caso.
Dessa forma, se comparado com outros casos, o caso de Queimadas já ruma para seu desfecho: seis dos dez homens se encontram sentenciados e os três adolescentes cumprem medidas sócio-educativas, restando apenas o júri do mentor Eduardo. A condenação desses homens pelos seus atos de violência e pelo machismo não apaga a dor nos nossos corpos e vidas, mas justiça é o mínimo que podemos exigir diante dessa monstruosidade.
Ana Alice Macedo, estuprada e
morta aos 16 anos, também em
Queimadas, PB
Infelizmente, nem todos os casos tem um desfecho “rápido”. No mesmo ano de 2012, na mesma cidade de Queimadas, houve o sequestro e estupro da adolescente e agricultura Ana Alice Macedo. O júri do acusado ainda não foi marcado. 
Se, nacionalmente, a mídia não deu publicidade ao caso, o papel dos movimentos feministas foi de mostrar ao mundo o nosso repúdio. Por isso, e tendo em vista que a auto-organização das mulheres é uma das poucas saídas para o enfrentamento da violência, estamos realizando uma campanha nacional nas redes sociais ao afirmarmos que somos todas e todos mulheres de queimadas. Além disso, hoje, dia do júri, realizaremos um ato de protesto e memória na capital da Paraíba, João Pessoa.
A juíza do caso
Um caso extremo como esse que nos deparamos é um exemplo nítido que ainda é preciso reivindicar do Estado o fortalecimento da rede de enfrentamento de violência: aumento no número de delegacias especializadas e casas abrigo, formação do Poder Judiciário para o tratamento adequado desses casos, o esforço em implementar uma educação não-sexista, assim como o cumprimento da punição de estupradores e assassinos de mulheres. 
Enquanto termino esse texto corrido, vejo na sala ao lado outras companheiras fazendo cartazes para o ato. Num deles leio: “o problema das mulheres sempre foi dos homens”. Digo mais: o problema das mulheres sempre será de toda a sociedade. A condenação dos estupradores e o desfecho deste filme do mais requintado horror nos deixa o ensinamento de que estupro coletivo jamais poderá se caracterizar como presente, já que as mulheres são sujeitos históricos e políticos, que desde a Revolução Francesa nunca mais cessaram de lutar de forma organizada. 
Enquanto existir violência contra as mulheres, construiremos enquanto militantes feministas a reivindicação de direitos entre mulheres e homens. Preencheremos as fileiras da luta social, popular e feminista de forma organizada, tendo como horizonte um mundo em que seja possível a verdadeira igualdade e a solidariedade entre os sexos, com a mesma força com que desejamos uma realidade livre de desigualdade entre classes, raças e etnias. 
Por fim, pedimos a solidariedade de todas e todos nesta emocionante campanha, que vem sendo realizada por intermédio das redes sociais. A nossa tarefa é, portanto, espalhar a hashtag #Somos Todas E Todos Mulheres De Queimadas [tudo junto] aos quatro cantos deste mundo. Deste modo jamais as mulheres de Queimadas terão as suas histórias e os seus gritos de resistência silenciados. 
Não esqueceremos: os estupradores não passarão!
Enquanto uma mulher for estuprada, seremos todas mulheres de Queimadas!
25 Sep 00:08

The northeast and Brazil’s internal divide

by frombrazil

reciflag

Brazil is divided economically, socially and politically between its two major population centers, the wealthier Southeast and the historically richer Northeast, so much so that prejudice still exists. Far too few appreciate the ways in which the fiercely proud, culturally rich Northeast revels in its uniqueness. 

by James Young

A week after Brazilian football was rocked by the racist abuse of Santos goalkeeper Aranha by Grêmio fans during a game in the south of Brazil, veteran Ceará midfielder Souza wanted to talk about a different type of prejudice after his team were knocked out of the Copa do Brasil by Rio side Botafogo.

“I don’t want to play the victim, but I’m nordestino, [from Brazil’s poor Northeast]. I’ve seen this happen plenty of times. When it comes to the crunch, they always favor the other side and hurt teams from the nordeste. How can I go home and explain this to my kid?” he said, in protest at a number of controversial refereeing decisions made during the game.

It may have only been football, and worse, Brazilian football, where conspiracy theories blossom like flowers in the spring. But Souza had touched upon one of Brazil’s most virulent, though often overlooked, forms of prejudice.

While Brazil’s racial and social divisions are well documented (as in this article by Vincent Bevins), the country’s regional schisms are perhaps less well publicized. But subtle or not so subtle prejudice against those from the northeast of Brazil is a common occurrence.

Football, as it so frequently does in Brazil, provides a convenient illustration of the ills of the country’s society – in this case the lack of respect with which nordestinos are often treated. It is hard to imagine a journalist from a major US or German broadcaster, for example, asking a famous athlete if people from his or her part of the country are “different because they’re funny” and if “it’s their accent that makes the rest of the country think they’re so funny” – as a journalist from the Esporte Interativo channel asked Brazil international Hulk, from the northeastern state of Paraíba, this June.

The roots of Brazil’s regional divisions are historical. There were times in the dim and dusty past when the nordeste was the country’s powerhouse – Salvador was the country’s colonial capital until 1763, while Recife remained a city of major influence until the beginning of the 20th century. “People like us from the interior of Bahia used to look at Recife like the world looked at Paris,” said MPB legend Caetano Veloso

But a number of interrelated factors – among them the decline of the sugar trade (the region’s staple industry), the poverty and social disadvantages of huge swathes of the population, many of whom were descended from freed or escaped slaves, the harsh terrain of the sertão (the parched nordeste backlands), which forced hundreds of thousands to migrate to state capitals ill-prepared for their arrival, the indolence and self-interest of the area’s ruling classes, and a lack of investment by both state and federal governments – brought steady decline.

Now, tragically, the nordeste is best known in Brazil for its poverty, and the region trails the south and south east of the country in every social and economic indicator. A 2012 study by research agency IBGE found that more than half of the 12.9 Brazilian adults who are unable to read or write are nordestinos, while Veja magazine recently stated that the region is home to 52% of Brazilians who claim Bolsa Familia, the Brazilian government’s basic welfare program strongly associated with the ruling Worker’s Party (PT). According to a 2011 study by research agency IBGE, 9.6 million people in the nordeste live below the government’s definition of extreme poverty (U$30 a month). It is such hardship that forced hundreds of thousands of nordestinos to the south and south east, to work in cities such as São Paulo or Rio de Janeiro, where if they were lucky they found a menial job and managed to eke out a basic living, as well as being almost universally nicknamed “paraibanos” – regardless of what state they actually came from.

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Even today the more unreconstructed of southerners perpetuate the nordestino stereotype, blaming the people of the region for maintaining the grip on power of the PT of Lula and Dilma Rousseff by voting out of ignorance or under the influence of coronelismo (the abuse of power by wealthy landowners or politicians), and portraying them as toothless, illiterate simpletons. Never was this clearer than in 2010, when a court found São Paulo law student Mayara Petruso guilty of discrimination and sentenced her to community service after she tweeted “Nordestinos aren’t people. Do São Paulo a favor – drown a nordestino!” after Rousseff won the presidential election.

At the same time it is impossible to deny the vivid differences between the south and southeast of Brazil and the northern half of the country, whether it is in terms of climate (whereas Minas Gerais and points south shiver through chilly winters, the nordeste basks in summery temperatures all year round), food (from the acarajé of Bahia to buchada de bode, a backlands dish not unlike the Scottish haggis, though made from the innards of a goat, rather than a sheep), music (such as forró) or accent and dialect (the manioc plant, known as aipim in Rio de Janeiro and mandioca in other parts of Brazil becomes macaxeira in the nordeste).

“From its larger coastal cities, the Northeast can look very like the Southeast,” wrote Peter Robb in his intoxicating interpretation of Brazilian culture and history, A Death In Brazil. “But these appearances deceive. The Northeast is different. The past is present in the Northeast. Rio and São Paulo destroy as they grow, but walk down certain streets in a north-eastern city and you might be in the 1940s. There is the cream painted curved art deco cinema…there are the lean men with hats over their faces, asleep on the tray of a beat up old truck.”

Robb was writing over ten years ago, however, and the nordeste has changed a great deal over that period. While the expansion of Brazil’s welfare state arguably began during the government of Fernando Henrique Cardoso, it was the election of Luis Inácio Lula da Silva, born in the hardscrabble backlands of Pernambuco, as president in 2003 that truly kick-started the region’s transformation. Social support systems such as Bolsa Familia and increases to the minimum wage, together with a number of major infrastructure works included in the PAC (Program of Accelerated Growth) and increased private investment, led to greater prosperity in the region.

Now, while the same social problems remain (a report by the UN Drugs and Crime office earlier this year put six nordestino cities among the 20 most violent urban areas in the world, the nordeste continues to enjoy economic growth that outstrips the rest of the country– in the first five months of 2014, for example, the economy in the region grew by 4%, in contrast to Brazil’s sickly 0.6% growth rate, according to the Brazilian central bank

At the same time the area maintains a fiercely independent sense of pride. Never was that better seen than at the funeral of the former governor of Pernambuco, Eduardo Campos, last month, when 160,000 people flooded onto the streets of Recife in mourning. Campos was hugely popular in his home state but overlooked elsewhere, reaching only 8% nationally in the presidential election polls before his death. There had been equal, though not quite so public, lamenting over the death of the great Paraibano playwright and author Ariano Suassuna in July, while a torch still burns in Recife for Chico Science, leader of the band Nação Zumbi and founder of the mangue beat movement, which mixed rock, hip-hop and maracatu, who died in a car crash in Olinda in 1997, aged just 31.

Regional pride is also on vivid display at the nordeste’s massive carnaval celebrations, where Recife, its sister city Olinda, and Salvador, throb to the rhythm of maracatu, frevo and axé, respectively. “I came back to Recife,” goes one carnaval anthem by Alceu Valenca, “it was homesickness that dragged me by the arm.” And the same passion is reflected in the popular support enjoyed by many of the region’s soccer teams, who, due to financial disparity struggle to compete against clubs from the south and south east of Brazil, but still manage to pull in massive crowds – last year two teams, Santa Cruz (Recife) and Sampaio Corrêa (São Luis) were among the top 10 best supported clubs in the country – while playing in Serie C.

“To be Baiano (a native of Bahia) is a state of mind,” wrote the great writer Jorge Amado, one of the state’s most famous sons. In truth though, he could have been talking about anywhere in the nordeste –perhaps Brazil’s most unique, and bewitching, region.

James Young lived in Recife for years and now resides in Belo Horizonte. Follow him on Twitter.

24 Sep 18:13

Quando Marina se depara com a realidade, dissolve-se

by Maria Frô

Acho que as pesquisas de ontem (Vox Populi, CNT/MDA e Ibope) mostram um pouco o que está acontecendo na mente dos eleitores: o ódio anti-PT, o ataque organizado da mídia velha à candidata Dilma (e a qualquer candidato do PT), a comoção da morte de Campos, tudo isso fez com que os eleitores vissem em Marina algo novo.

Mas daí começam os debates, as sabatinas, a campanha eleitoral, o face to face e a nova política de Marina, além de mostrar que de nova não tem nada, mostra também que não há consistência de projetos.

Tenho acompanhado o máximo que posso as sabatinas, debates e horário eleitoral dos candidatos à presidência.

Dilma quando é sabatinada pela grande mídia parece um interrogatório dos tempos da ditadura militar. E esse comportamento de atacar e nunca deixa ao menos a candidata responder a acusação (raramente lhe fazem perguntas) ocorre desde quando Dilma se sentou pela primeira vez na bancada do Jornal Nacional. Bonner ocupou mais da metade dos 15 minutos de entrevista atacando Dilma, interrompendo-a, numa demonstração de animosidade impressionante. No último Bom dia Brasil, Dilma foi interrompida 82 vezes em menos de 30 minutos!
O Manchetrômetro tem feito estatísticas semanais mostrando-nos como é desigual a cobertura da mídia e como ela tem lado e este não é o do governo:

As sabatinas feitas fora da grande mídia não tem este clima de animosidade, mas são muito consistentes. A Campanha Banda Larga um Direito Seu é pluripartidária, tem ativistas do Partido Pirata, do PSOL, do PCdoB, por exemplo. Boa parte deles também são ativistas pela democratização das comunicações e tem severas críticas ao governo Dilma e ao ministro Paulo Bernardo.

Claro que no dia em que Dilma foi sabatinada, foram em massa ativistas digitais petistas, mas eles não fizeram as questões. Ouça as intervenções dos sabatinadores e vejam se Dilma teve algum privilégio:

Dilma foi a primeira a aceitar o convite para participar das sabatinas da Campanha Banda Larga e sua participação gerou este post aqui: Dilma: a infra-estrutura mais estratégica para o país é a banda larga. Eu estava lá, eu ouvi Dilma discorrer durante quase duas horas com muita propriedade sobre infra-estrutura de telecomunicações, sobre fomento do desenvolvimento de softwares, sobre segurança informacional entre outros temas. Se eu não estivesse convencida que Dilma é uma candidata muito preparada e que sabe do que fala, sua atuação ali teria me convencido. 

Marina foi a segunda candidata a aceitar a sabatina de ativistas digitais e especialistas que lutam há anos pela universalização da banda larga. Ponto para Dilma e Marina, afinal falar face to face com gente que sabe do que fala e há anos luta por uma causa é preciso ter coragem, Aécio Neves, por exemplo, não respondeu ao convite da Campanha Banda Larga. Mas não basta só isso, tem de conhecer sobre o assunto e propor um caminho para que algo que é estratégico ao país como a infra-estrutura em banda larga de fato ocorra. Quando Marina é questionada se investirá em banda larga fixa, ela não responde, joga para a galera. Marina tinha o vídeo gravado de Dilma e mesmo assim não aproveitou. Sua fala é genérica, sem estofo.

No Facebook vi a manifestação indignada de alguns ativistas presentes de que Marina fugia do assunto o tempo todo. Ao assistir a gravação, vi que a indignação de quem comentava não era de fanáticos petistas acríticos. De fato, falta consistência no discurso de Marina, ela escorrega, escapa, não responde diretamente nenhuma pergunta que lhe é dirigida. Eu já apontei isso em vários posts, mas desta vez, é possível ver com muita precisão que Marina não tem ideia da importância estratégica da banda larga universalizada para o país e não tem projeto para isso. Observem que na fala de Veridiana (IDEC) há críticas duras ao governo Dilma, críticas que foram feitas também na sabatina com Dilma e isso se repete na fala de todos entrevistadores:

Mas, Marina não traz nada consistente para substituir Dilma na difícil tarefa de governar o Brasil. Esta impressão não é só minha e talvez em outros aspectos os eleitores estão percebendo a falta de consistência dos projetos de Marina.

Durante a sabatina, Renata Mielli  fez uma questão matadora para Marina sobre a postura de Beto Albuquerque, vice de Marina, e seus ataques ao Marco Civil.

Relembrando: durante o processo de mobilização da sociedade civil pela aprovação do Marco Civil da Internet, Beto Albuquerque se juntou à ala desinformada e reacionária nas redes – que tratava o Marco Civil como “Marco Servil” – e se posicionou contra a aprovação da lei nas redes sociais, veja a imagem acima de um de seus tweets.
Marina ao invés de responder a questão de Renata, gastou boa parte do seu tempo criticando Dilma e Aécio. Mesmo quando confrontada várias vezes, Marina não responde. Ao contrário, atacou Dilma chamando-a de ‘gerente’ e defendeu Fernando Henrique, igualando-o a Lula, dizendo que ambos “têm visão estratégica” e desandou a criticar a Petrobras, IBGE etc. Não disse o que fará se fosse eleita, confundiu neutralidade com velocidade de conexão e só repetiu bordões do seu discurso costumeiro: “governaremos com homens bons”, “estamos discutindo com nossa equipe”. Marina não respondeu a questão de Renata, como não respondeu aos demais sabatinadores, nada de falar do seu vice que fez campanha contra o marco civil. Ela sequer citou o nome de Beto Albuquerque e acusou seus adversários de ter “diretrizes genéricas”, no entanto foi Marina que ao ser sabatinada sobre um assunto que claramente não domina só respondeu de modo genérico a todas as questões propostas pela Campanha Banda Larga, tergiversou simplesmente. Enfim, sempre quando a questão esbarra nas contradições de sua nova política com velhos políticos e velhas práticas políticas, Marina dá de ombros. 

Trago dois depoimentos na íntegra, pinçados no Facebook um sobre esse evento que faz o mesmo que fiz, comparou os dois discursos e propõe que todos façam o mesmo para tirar suas próprias conclusões:

O primeiro depoimento é de Kalianne Tosold, ela estudou Química Industrial na UFCE em Fortaleza e hoje é estudante de International Development, Ciencias Políticas e Gender Studies pela Universidade de Viena, Austria. Ela ouviu as duas sabatinas da Campanha Banda Larga feita aos presidenciáveis e escreveu o seguinte no seu Facebook

Acho que as pessoas com um pouco de senso critico irão notar a enorme diferença de preparação e de discursos das duas principais candidatas.
Enquanto Dilma, no “Diálogos Conectados” da campanha “Banda Larga é um Direito Seu” responde com propriedade e clareza as perguntas e dialoga verdadeiramente com a banca. Marina Silva reafirma o significado de tergiversar. Acusa e difama. Promete e ataca. Acho que nunca senti tanta vergonha alheia ao ver e comparar duas entrevistas com o mesmo tema!

Aqui estão as duas entrevistas, ou melhor, diálogos. São longos, mas vale a pena a informação!

Boa quarta-feira a todxs!

Diálogos Conectados com Dilma Rousseff, Entrevista do dia 9 de Setembro
Diálogos Conectados com Marina, realizado dia 22 de Setembro


O segundo depoimento é de uma jornalista especialista em arquitetura, neste fica ainda mais claro a falta de consistência, já que Marina criou sua marca na política por meio da sustentabilidade e nem neste tema ela apresenta uma resposta consistente.

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24 Sep 13:48

Dirigente do WWF: “Tirar o pré-sal da lista também seria uma boa ideia”

by Luiz Carlos Azenha

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por Luiz Carlos Azenha, a partir da dica do FrancoAtirador

Em entrevista à GloboNews, a secretária-geral da ONG WWF no Brasil, Maria Cecília Wei de Brito, deu conselhos à presidente Dilma Rousseff. A WWF, como se sabe, é majoritariamente financiada fora do Brasil.

Como a ONG se coloca no papel de, ainda que indiretamente, interferir na política eleitoral interna dos países em que atua (você verá logo mais), é mais que justo que a gente também lembre que o onguismo vem sendo crescentemente criticado no mundo.

Não estou falando de Hugo Chávez ou Vladimir Putin. O primeiro, na Venezuela, proibiu as ONGs de financiar as atividades locais que eram formas disfarçadas de ajudar a oposição. Putin fez o mesmo na Rússia e chegou a ameaçar que expulsaria todas as ONGs do território nacional.

Estas atitudes não cairam do céu.

Na Venezuela, a advogada Eva Golinger revelou a existência de um plano escrito para causar distúrbios durante o governo de Nicolás Maduro, sucessor de Chávez. O documento está aqui. Uma reportagem sobre ele publicada pelo Viomundo, aqui.

O documento foi produzido em encontro, em junho de 2013, pela empresa de consultoria FTI Consulting, dos Estados Unidos e pelas organizações colombianas Fundación Centro de Pensamiento Primero Colombia e Fundación Internacionalismo Democratico. Ambas teriam ligações com o ex-presidente de extrema-direita, Álvaro Uribe. Da reunião em que se definiu a estratégia contra o chavismo participaram o chefe regional da famosa USAID (Agência de Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos), o psicólogo e estrategista Juan Jose Rendon e líderes da oposição venezuelana, inclusive Maria Corina Machado, que tem viajado o mundo denunciando Chávez/Maduro.

Aqui, permitam-me uma digressão. Eu era correspondente da TV Manchete em Nova York quando aconteceu o grande escândalo no governo conservador de Ronald Reagan, o Irã-Contras. Secretamente, os Estados Unidos venderam armas ao Irã, país com o qual não mantinham relações diplomáticas e que estava sob embargo internacional para compra de armas. Foi em 1986. O Irã estava em guerra contra o vizinho Iraque, numa disputa por campos de petróleo fronteiriços.

Os Estados Unidos forneciam informações relevantes a Saddam Hussein, do Iraque, sobre o movimento de tropas do Irã (o ditador iraquiano correu risco de ser derrotado militarmente). Os iranianos atacavam com ondas humanas e, com fotos de satélite fornecidas por Washington, Saddam sabia antecipadamente onde as ofensivas estavam sendo organizadas.

No mesmo período, os Estados Unidos venderam armas ao Irã. Com o dinheiro, financiaram outra guerra, a dos chamados “contras”, que tentavam derrubar o governo legítimo, constitucional, sandinista e de esquerda da Nicarágua.

Quando a casa de Reagan quase caiu e ele ficou sob o risco de ver fechada a torneira no Congresso, optou por uma espécie de privatização da política externa. A CIA era muito visada pelos crimes em série que havia cometido mundo a fora. Assim, foi criado o NED, o National Endownment for Democracy, uma super ONG financiada com dinheiro público que passou a “promover a democracia” no mundo, obviamente sob a tutela financeira e política de Washington. O NED, vamos dizer, é generoso: repassa dinheiro para entidades ligadas a republicanos e democratas, sindicatos e empresários. Ao NED se juntaram outras fundações e entidades que se dizem de fins não lucrativos, todas interessadas em “promover a democracia”. Há, inclusive, divergência entre elas.

Porém, basicamente o que fazem é treinar a chamada sociedade civil de outros países para ensinar democracia ao estilo dos Estados Unidos. Algumas são mais agressivas, outras não. Algumas prestam serviços de fato relevantes. O fato central é que elas fixam, nas pessoas “treinadas” por elas, a ideia de que não há alternativa ao modelo norte-americano. Ajudam a promover um pluralismo de fachada, já que exlcuem qualquer transformação mais profunda de estruturas intrinsicamente injustas. Confinam o debate.

O NED e associados, como a Fundação Soros, incentivam a “exportação de democracia” treinando militantes, focando em jovens, ensinando novas formas de comunicação. Não foram as responsáveis, mas estimularam revoltas no Leste Europeu, na África e no Oriente Médio. Coincidentemente, quanto mais fragilizados estiverem outros Estados, mais fácil fica o domínio dos países centrais sobre os recursos naturais do mundo.

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Vejamos agora o que a revista alemã Der Spiegel, que não é comunista, escreveu sobre o WWF, aqui:

Título: Verniz verde: O WWF ajuda a indústria mais que o meio ambiente

Trechos relevantes:

Quer proteger as florestas tropicais? Para começar, tudo de que você precisa é de 5 euros. Salvar os gorilas? Três euros e você será incluído. Você pode fazer sua parte ajudando a natureza com apenas 50 centavos — desde que confie o dinheiro ao World Wide Fund for Nature (WWF), que ainda é conhecido nos Estados Unidos e Canadá por seu nome original de World Wildlife Fund. No ano passado, a WWF, junto com a cadeia varejista Rewe, vendeu mais de 2 milhões de peças a colecionadores. Em apenas seis semanas, o programa levantou 875,088 euros, que a Rewe transferiu à WWF. (…) Os governos também dão muito dinheiro para a organização. Ao longo dos anos, a WWF recebeu um total de U$ 120 milhões de dólares da USAID, a Agência de Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos. Por muito tempo, os ministérios do governo alemão foram tão generosos com a organização que a própria WWF decidiu, nos anos 90, limitar o financiamento recebido de governos. A WWF estava ansiosa para não ser vista como mera extensão das agências de proteção ambiental governamentais. (…)

A WWF, cuja sede mundial está em Gland, na Suiça, é vista como a mais poderosa organização conservacionista. É ativa em mais de 100 países, onde tem conexões com os ricos e poderosos. Sua marca registrada, um Panda, aparece nos copos de iogurte da Danone e nas roupas de socialites como a princesa Charlene de Mônaco. As companhias pagam taxas milionárias pelo privilégio de usar o logotipo. A WWF tem 430 mil integrantes só na Alemanha e milhões de pessoas doam sua poupança à organização. A questão é quão suntentavelmente o dinheiro é investido. (…) Representantes de organizações independentes do governo alemão, como as ONGs Rettet den Regenwald (Rainforest Rescue) e Robin Wood já não enxergam a WWF como defensora dos animais. Em vez disso, enxergam na WWF uma cúmplice das corporações. Na opinião delas, a WFF dá às corporações licença para destruir a natureza, em troca de grandes doações e pequenas concessões.

Agora vejam, logo abaixo, um trecho de entrevista que fiz com o seringueiro Osmarino Amâncio, no Acre (para ver a entrevista imperdível, clique aqui). Lá atrás, ele foi companheiro de “empates” de Marina Silva, ou seja, ambos batalharam na floresta contra a chegada de latifundiários “paulistas”, que queriam detonar os seringais e implantar pecuária extensiva e devastadora na Amazônia.

Notem o que ele diz sobre a relação entre WWF e a candidata ao Planalto Marina Silva, quando ela era ministra do Meio Ambiente no governo Lula:

Agora que contextualizamos, vamos ao que disse a chefe da WWF no Brasil, num trecho da entrevista à GloboNews:

“O que a presidente precisa dizer é o que será feito no futuro. Não é suficiente dizer que a gente já economizou dinheiro se a gente quiser continuar vivendo no futuro daqui pra frente. A gente tem que fazer mais. Eu acho que o que a presidente talvez pudesse de nos dar de alento é mostrar que a nossa matriz energética está apostando em energia eólica e solar, coisa que a gente não tá vendo num crescimento que deveria ver, porque ainda estamos naquela lógica de, sim, temos muita hidreletricidade, ou seja energia produzida com grandes reservatórios que conservam água. Isso também é impactante, isso também joga carbono na atmosfera face aos processos construtivos e de manutenção. Falta a nossa presidente nos mostrar um caminho mais agressivo e mais do século 21 no que diz respeito às energias. E tirar o pré-sal da lista também seria uma boa ideia”.

É um discurso muito, muito parecido com o de Marina Silva, que já foi premiada pelo WWF com a importante honraria do Duque de Edimburgo.

Maria Cecília Wei de Brito é uma pessoa respeitadíssima. Mas repete o comportamento dos diversos “lobismos” que atuam para influenciar políticas públicas. A falta de — uma frase que certamente agradaria Marina Silva — uma “visão holística”, política e econômica, do processo.

A produção de energia hidrelétrica ainda oferece uma vantagem competitiva à indústria brasileira na disputa pelo mercado internacional. Há um debate interessante na área. Há quem advogue pelas PCH, as pequenas centrais hidreléticas, como Ivo Pugnaloni, em artigo publicado no Viomundo. Há quem diga que, ao fim e ao cabo, a energia hidrelétrica não é limpa, nem barata, como disse o professor Celio Bermann em entrevista ao Viomundo. Para ele, a hidrelétrica de Belo Monte serve essencialmente aos aliados de José Sarney e às mineradoras.

Mas o fato, o fato concreto, é que hoje temos já implantado um grande parque hidrelétrico no Brasil. Fazer a transição custa dinheiro.

Poderemos desenvolver nossos próprios cataventos (muitos comprados na Alemanha) e painéis solares (muitos vindos da China).

O Brasil não pode se dar ao luxo de, ao fazer a transição, ser mero importador de tecnologia. Isso, se quiser criar os empregos de qualidade de que precisa.

O programa econômico dos liberais (Aécio) e hiperliberais (Marina Silva) pensa, grosseiramente, assim: a gente derruba os salários, tira alguns direitos sociais, submete a indústria brasileira à competição externa em melhores condições e, assim, vamos exportar mais. O risco, como nos disse em entrevista o professor André Biancarelli, é abrir totalmente o mercado interno de 200 milhões de consumidores e perder justamente o que salvou a economia brasileira depois da crise financeira de 2008.

Poderemos ter um grande aporte de capital internacional no Brasil, ainda maior, para tirar proveito da mão-de-obra barateada, mas também poderemos ter um número crescente de maquiladoras, como o México, El Salvador e outros países centro-americanos.

Em resumo, nossa dependência externa pode aumentar justamente num momento de crise econômica internacional duradoura, em que a China produz sua própria tecnologia, conta com mão-de-obra barata e coloca seus produtos de forma avassaladora no mercado mundial.

Quanto aos países do capitalismo central, optaram por tecnologia de ponta, de altíssimo valor agregado, de empregos que pagam bem, que preservam o meio ambiente, ganhando também ao exportar para os países pobres suas tecnologias poluentes e já ultrapassadas.

Tudo o que a chefe do WWF no Brasil quer é mesmo desejável — recuperar os rios, acabar com represamentos, restaurar as várzeas e as matas ciliares, devolver à população o prazer de se banhar no Tietê despoluído, trazer de volta espécies que correm risco porque dependem de um rio livre para fazer a piracema (nadar contra a correnteza e se reproduzir), acabar com as ‘retificações’ de rios introduzidas no tempo em que era preciso acelerar as águas (por causa do risco de doenças), colocar escadas para piracema nas hidrelétricas brasileiras que não as possuem — com isso protegendo a biodiversidade –, preservar as nascentes — tudo isso é mesmo desejável no século 21.

Mas o Brasil não é a Alemanha, nem os Estados Unidos.

É justamente aí em que reside o problema destas ONGs que pretendem “nos ajudar”. Elas pensam com a cabeça daqueles que as financiam. Num dos trechos de sua entrevista, Maria Cecília Wei de Brito disse textualmente: “E tirar o pré-sal da lista também seria uma boa ideia”.

Porém, reside no pré-sal a possibilidade de o Brasil, ao ser exportador de petróleo, financiar o desenvolvimento de tecnologias próprias, de cadeias produtivas internas, para construir pelo menos parte dos painéis solares, cataventos, motores menos poluentes e pequenas centrais hidrelétricas a serem utilizados na fase de transição.

Não explorar o pré-sal é congelar o Brasil numa espécie de mundo sonhático, em que desperdiçamos nossa principal fonte de riqueza, enfraquecemos a indústria nacional de automóveis, perdemos ou rebaixamos a qualidade dos empregos e nos tornamos ainda mais dependentes de tecnologia importada.

Talvez sob a influência de seus financiadores, algumas ONGs querem que o Brasil assuma um papel desproporcional na proteção do ambiente mundial, uma espécie de “santuário” onde 200 milhões de pessoas precisam comer, estudar e trabalhar — Neca Setubal, inclusive.

Porém, notem no gráfico do Der Spiegel, baseado em dados de 2005, quem mais emitiu gás carbônico no planeta desde 1850:

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Ou seja, eles querem que o Brasil pague agora, de forma desproporcional, a conta que vem sendo pendurada no meio ambiente há mais de um século e meio!

Sei que, como eu, o WWF sonha com ciclistas atléticos, rios limpos, florestas preservadas e um país produtor apenas de tecnologia e energia limpas. Mas, pela força das circunstâncias que expliquei acima, se o Brasil descartar o pré-sal o sonho do WWF só vai se realizar na Alemanha.

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Olhar para o entorno é sempre bom (foto Luiz Carlos Azenha, na cachoeira Casca D’Anta, na serra da Canastra)

[O conteúdo exclusivo do Viomundo, como o documentário sobre o Choque de Gestão em Montezuma, que fiz recentemente com edição de Padu Palmério, é bancado exclusivamente pelos assinantes deste site. Torne-se um deles]

PS do Viomundo: Durante a entrevista, a GloboNews faz uma reportagem se referindo à nascente do rio São Francisco como sendo um riacho em São Roque de Minas, na serra da Canastra, onde estive recentemente. Há controvérsiasa partir de um estudo que colocou a nascente no município de Medeiros, embora não haja reconhecimento oficial da mudança. Além disso, o problema principal para preservar as importantes nascentes dali são as disputas jurídicas com fazendeiros que querem impedir a implantação do Parque Nacional como foi originalmente planejado, além do interesse de mineradoras. Depois da campanha, esperamos o WWF também lá, lutando contra fazendeiros e mineradoras e garantindo o parque íntegro, da forma como foi criado.

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23 Sep 14:07

Quem ‘matou’ Patrícia Poeta?

by Paulo Nogueira
Engraçada a Folha. No assunto sério em que deveria investigar a Globo – o caso da sonegação – fica muda, acoelhada. Num assunto irrelevante que não vai mudar a vida de ninguém – a substituição de Patrícia Poeta no Jornal Nacional – produz textos em copiosas quantidades, tanto no jornal como no UOL. ...
20 Sep 21:53

Marina, o ‘professor’ Giannetti e os direitos trabalhistas: uma combinação explosiva

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Marina desmente Marina, mais uma vez. Um dia depois de ter dito a pequenos empresários que iria “atualizar” as leis trabalhistas, ela investiu contra as próprias declarações. Disse que os direitos dos trabalhadores são “sagrados”. Antes que ela própria se desdissesse, Dilma aproveitou para afirmar q...
20 Sep 21:24

Maria das Graças Costa: Apesar de tudo, 700 mil novos empregos

by Conceição Lemes

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Apesar de tudo, o emprego continua crescendo no Brasil!

por Maria das Graças Costa, especial para o Viomundo

Mais uma vez os dados econômicos desmentem os candidatos de oposição, a TV e os jornais, que insistem em afirmar que o Brasil está em “recessão técnica” (termo inventado para não dizer que não estamos em recessão). Tal cenário seria devido à queda na produção, principalmente a industrial, e no nível de emprego, além do descontrole da inflação.

Porém, no último dia 11, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) anunciou que no mês de agosto 101.425 postos de trabalho formais foram criados, gerando um acumulado no ano de mais de 700 mil novos empregos.

“Ah, mas foi menos que um ano atrás!”, alardeou a mídia, “estamos caindo”.

É evidente que não, pois a conjuntura econômica global não voltou a crescer e ainda não atinge patamares otimistas.  Mesmo assim é um dado significativo e que se destaca da maioria das economias de outros países. Hoje o Brasil registra quase 49 milhões de empregos registrados (CLT e estatutários)  e no período 2003 e 2013 houve a geração de mais de 20 milhões de novos empregos formais.  Mesmo em ritmo mais lento, os saldos mensais medidos pelo CAGED continuam positivos.

Para quem não se lembra, nos anos 1990, período neoliberal em que o PSDB governou, as taxas de desemprego eram elevadíssimas – superaram os 12% e quem ficava desempregado levava meses para conseguir nova vaga. Essa situação deixou as famílias brasileiras em total abandono e sem perspectiva de futuro para os seus filhos. Jovens eram desencorajados a estudar para buscar ocupação e ajudar no sustento das famílias.

Atualmente o contexto é muito diferente, no qual os jovens têm a possibilidade de se dedicar exclusivamente aos estudos, já que seus pais têm salários maiores do que doze anos atrás. Além disso, devido aos altos investimentos federais no ensino superior, como o programa PROUNI, a juventude pôde aspirar a um diploma de nível superior em centenas de faculdades e universidades abertas pelo Brasil afora. Hoje há um registro de que diminuiu o número de pessoas em busca de emprego. Em grande parte porque muitos jovens estão adiando sua entrada no mercado de trabalho porque há mais oportunidades de estudo.

Comparando esses cenários, não podemos concordar com uma volta ao passado recente, que é o que aconteceria com a eventual vitória de Marina Silva ou Aécio Neves. Os dois personificam um projeto de Brasil que propõe medidas que faziam parte do Consenso de Washington – independência do Banco Central, ajuste fiscal, Estado mínimo, modernização das relações de trabalho (através da terceirização sem limites) e diminuição do investimento público. São medidas que o FMI receitou ao Brasil, quando estávamos presos a uma divida impagável, e também à Grécia, Portugal e Espanha que hoje apresentam os índices de desemprego mais altos do mundo.

Não queremos retrocessos, queremos seguir no caminho que vem sendo traçado pelo Brasil na última década. Queremos mais empregos e melhoria na qualidade desses empregos, com a manutenção da política de valorização do salário mínimo e com uma regulamentação da terceirização que garanta igualdade de direitos entre trabalhadores diretos e terceirizados. Este avanço só pode ser alcançado com a continuidade do projeto político expresso na candidatura da Presidenta Dilma. Com participação popular e mais direitos podemos seguir traçando o caminho do desenvolvimento com distribuição de renda para o Brasil.

Maria das Graças Costa é Secretária Nacional de Relações de Trabalho da CUT

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20 Sep 14:52

Dois anos de pancadaria

by Luis Fausto

Do Brasil 247:

Tratada como fenômeno, a verdadeira surpresa da eleição presidencial até aqui, no sentido de ter mais e crescente confiança da opinião pública neste primeiro turno, não é, já se sabia desde a semana passada, Marina Silva. Falta, porém, os adversários reconhecerem, o que é duro, que esse fenômeno é mesmo a presidente Dilma Rousseff.

Quem tem conseguido resistir e, para irritação dos que lhe são contra, ainda avançar diante da maior saraivada de críticas e ataques despejada diariamente nos veículos de comunicação de maior faturamento publicitário do País pelo menos nos últimos dois anos? Nenhuma pessoa de presidente da República, a não ser pelos exemplos históricos dramáticos de Getúlio Vargas, em 1954, e Jango Goulart, em 1961, apanhou tanto da mídia quanto Dilma. Com a diferença que ela tem sofrido por mais tempo e a partir de máquinas bilionárias com altíssimo poder de destruição. E, repita-se, ela está de pé.

A simples atribuição de todas e cada uma das forças da presidente ao programa Bolsa Família, com 14 milhões de beneficiários, não explica o verdadeiro fenômeno de resiliência que ela encerra. Dilma não tem interlocutores éticos na cúpula da pirâmide patronal da mídia, mas vai sabendo, como primeiro anotou, em 247, o editor Paulo Moreira Leite, voltar ao seu estado natural de favorita à vitória,mesmo após todas as iniciativas para a deformação de sua imagem.

Para quem só acredita em números de pesquisas, ainda que estas tenham apresentado falhas grosseiras nas eleições municipais de 2012, todas convergem para colocar Dilma numa posição, longe de ser confortável, perto da que os adversários não queriam. Vai se lembrar que, se Dilma jamais baixou de 30 pontos nas pesquisas para primeiro turno, também faz tempo que não apresenta 40. No momento, porém, tanto Datafolha como Ibope apresentam a presidente com seu caminhão de campanha na direção de voltar ao patamar inicial. Um subido íngreme, mas que a campanha do PT está sabendo, sem grandes retrocessos, escalar.

Em janeiro do ano passado,  os veículos conhecidos genericamente como ‘formadores de opinião’ associaram em suas capas, manchetes e matérias de televisão e rádio Dilma à “inflação do tomate”. Montagens, charges, caricaturas, editorialistas, economistas e fontes de toda espécie se somaram, então, no maior movimento de depreciação que um governo que manteve a inflação dentro da meta e a taxa de desemprego em níveis históricos de baixa já havia sofrido. Neste e em muitos outros medidores macroeconômicos, Dilma e seu governo entregaram resultados absolutamente razoáveis e facilmente compreensíveis dentro do contexto global, mas não houve taxa ou percentual que barrasse a onda crescente de notícias escolhidas a pior, projeções catastrofistas e análises que não se combinaram com a realidade.

De Dilma e seu governo, voz corrente entre os analistas, tem o País o Ministério mais fraco de todos os tempos, na expressão cunhada pelo ‘pauteiro’ José Serra. As escolhas políticas da presidente são acusados de serem, sempre, as piores. Os programas sociais de seu governo sofrem boicote. Basta lembrar, neste sentido o que se passou com a repercussão dada aos achincalhes ao Mais Médicos – além da vigilância crítica permanente sobre o mundialmente reconhecido programa Bolsa Família. Vitórias globais de Dima foram minimizadas, como a a eleição, por articulação pessoal da presidente, do brasileiro Roberto Azêvedo para o comando da OMC. Ou a resposta dura dada ao presidente Barack Obama por espionar o governo, as empresas e os cidadãos brasileiros. Isso tudo, assim como espetacular e brilhantemente executada manobra de criação do Novo Banco de Desenvolvimento, com verbas de US$ 100 bilhões dos Brics. Um ou outro inevitável elogio, e olhe lá, foram dados com saliente má vontade. Percalços nacionais, com a mão pesada de quem bate, foram amplificados. Foi assim que uma ofensa  contra Dilma na abertura da Copa do Mundo, feita a partir do setor de camarotes, ganhou dimensão nacional por dias a fio.

Tudo foi contra Dilma. E tudo continua contra ela. Eppur si muove. Num país que, a cada eleição, fica cada vez mais dependente das pesquisas de opinião de precisão discutível para entender o presente e projetar o futuro, a presidente está ganhando no critério que mais se leva em consideração: as próprias pesquisas.

Já está ocorrendo de um contingente em ascensão acreditar que Dilma é uma boa presidente e uma candidata extremamente competitiva.  Se mostrou ter ‘casca grossa’ para chegar sã e salva até aqui, como evitar devolver a ela o favoritismo que sempre exibiu?