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18 Apr 19:04

O que o site Implicante conta sobre Alckmin

by Paulo Nogueira
O problema do site Implicante não é exatamente o governo Alckmin dar um mensalão de 70 mil reais para seu editor. Quer dizer: isto é um problema, dada a absoluta falsa de transparência com que o dinheiro vai dar na conta do editor, e considerados também os repetidos ataques do PSDB contra blogueiros...
18 Apr 12:07

Piada pronta: repórter DO ESTADÃO chama blogueiro de “mentiroso”

by eduguim

pitbulls capa

A esquerda faz muitas críticas “à mídia”, mas se esquece de que não existe uma “mídia” propriamente dita. O que existe é um exército composto – salvo honrosas exceções – de puxa-sacos dispostos a vender a alma na esperança de caírem nas boas graças dos patrões.

A mídia que tanto indigna a setores tão amplos da sociedade é produto dos ditos “profissionais da imprensa”, seja de que “nível” forem. Nesse aspecto, tanto faz um Reinaldo Azevedo ou um repórter de campo da Veja: ambos se valem das mesmas práticas.

Sempre ressalvando que tudo, nesta vida, tem exceção e com a “mídia” não é diferente.

Qual é a diferença, porém, entre Mervais, Azevedos, Cantanhêdes, et caterva, e os repórteres de política que correm exclusivamente atrás de “pautas” que possam prejudicar a esquerda, os movimentos sociais, os sindicatos e todos aqueles agentes políticos que incomodam a direita?

Seja como for, esses pensamentos me ocorrem ao chegar em casa após passar o fim da tarde de sexta-feira 17 na sede nacional do PT em São Paulo, no “centro velho” da cidade. No local ocorreria entrevista coletiva do presidente da sigla, Rui Falcão.

Este blogueiro – entre outros, assim como a “grande mídia” – recebeu aviso de pauta do PT sobre coletiva em que, entre outros fatos, seria divulgado o nome do novo tesoureiro do PT, o ex-deputado federal por Sergipe Márcio Macedo, que já foi ligado ao ex-governador Marcelo Deda, morto em 2013.

A entrevista estava agendada para as 16 horas e 30 minutos. Cheguei ao número 132 da rua Silveira Martins, que dista poucas centenas de metros das Praças da Sé e João Mendes. Estacionei o carro ao lado da sede petista e já havia umas 10, 15 pessoas à porta.

pitbulls 1

Grandes câmeras apoiadas em tripés, carros e furgões de reportagem da Globo, da Band, do SBT, do Estadão etc. tomavam a rua. No saguão do prédio do PT, mais uma dezena de repórteres aguardava que terminasse reunião da direção petista para subirem ao auditório.

Um porta-voz do PT sai ao saguão e chama os repórteres para anunciar o nome do novo tesoureiro do partido. Imediatamente, o batalhão de repórteres se põe a digitar em seus celulares, tablets, notebooks ou a fazer ligações telefônicas, repassando as informações.

Como já testemunhei em outras oportunidades, apesar de trabalharem em veículos distintos, nessas coberturas políticas esses repórteres parecem atuar todos para um único veículo – compartilham informações e opiniões, que repassam aos seus veículos.

Quem já testemunhou uma cena dessas não se surpreende quando, no dia seguinte, lê reportagens praticamente idênticas no Estadão, no Globo, na Folha, nos telejornais etc.

O trabalho é pasteurizado, mecânico.

Voltando ao ocorrido na tarde desta sexta, dos blogueiros avisados pelo PT sobre a entrevista compareceram um representante da Rede Brasil Atual, o coeditor do Diário do Centro do Mundo, Kiko Nogueira, e eu.

Cheguei antes deles e, como costumo fazer, fiquei na miúda ao lado dos grupinhos de repórteres prestando atenção no processo de fazer linguiça que são essas coberturas. Eis que percebo a presença de um repórter do Estadão com o qual tive uma discussão no ano passado.

Relato, a partir daqui, a razão da discussão que tive com esse repórter.

Em 17 de maio do ano passado, ocorreu o 4º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, que contou com a presença de Lula. Na oportunidade, o ex-presidente deu uma declaração sobre crítica que a mídia fizera aos estádios de futebol que estavam sendo construídos para a Copa do Mundo, de que nenhum deles contava com estação de metrô dentro.

Lula disse, no evento, que não fazia sentido construir uma estação de metrô dentro de um estádio de futebol porque fica muito caro e essa estação só teria grande movimento em dias de jogos, e que, portanto, essa cobrança seria “babaquice”.

Minutos depois, em todos os portais de internet, e no dia seguinte, em todos os grandes jornais, manchetes dizendo que, para Lula, pedir metrô em estádio seria “babaquice”.

Folha Lula

Um grupo de blogueiros presenciou como nasceu essa manchete comum a toda a grande mídia.

Segundo esses colegas me informaram, à porta do encontro de blogueiros os repórteres dos grandes veículos, em rodinha, teriam combinado como relatariam a fala de Lula sobre metrô nos estádios. Os blogueiros que fizeram a denúncia fizeram até um vídeo do flagra.

 

Com base no relato dos blogueiros, fiz um post contendo a informação de que eles afirmaram ter presenciado os repórteres combinando o tom de uma manchete que, corroborando o relato, saiu praticamente idêntica em Folhas, Globos, Estadões etc.

Conheço alguns dos repórteres da mídia corporativa presentes àquele encontro de blogueiros. Um deles, do Estadão, ficou furioso com o post que escrevi. Enviou-me mensagens por SMS criticando o post e me chamando de “mentiroso”. Eu lhe disse que apenas havia reproduzido informação que colegas blogueiros me passaram, mas ele não quis saber.

Nunca mais tinha tido contato com aquele repórter. No dia em que escrevo, porém, ele estava presente diante da sede do PT. Até lhe fiz um cumprimento, que não foi correspondido. Fiquei na minha.

Alguns minutos depois, estava eu próximo a uma rodinha de repórteres de que ele participava. Quando me viu, disse em voz alta, obviamente que para que eu ouvisse, o seguinte:

— Cuidado, falem baixo porque tem um blogueiro progressista escutando.

Passaram-se mais alguns minutos e os presentes fomos chamados para o auditório – a coletiva iria começar.

Eu estava à porta conversando com o Kiko Nogueira. Quando nos preparávamos para entrar no prédio, esse repórter do Estadão, chamado Ricardo Galhardo, passa olhando para minha cara. Em uma tentativa de desanuviar o ambiente, brinquei:

— Não precisa ter medo, blogueiro progressista não morde.

O sujeito, visivelmente alterado, com os olhos injetados de raiva, chamou-me de “mentiroso”. O Kiko Nogueira, do DCM, ficou tão surpreso que soltou um “Opa!”.

Claro que eu lhe devolvi a “gentileza”, mas esse não é o ponto.

A razão pela qual o tal repórter do Estadão alertou os colegas de minha presença seria a de que eu teria inventado que os repórteres combinaram a pauta que apareceu igualzinha na primeira página de todos os grandes jornais de 18 de maio do ano passado.

Eu não vi a cena da combinação de pauta, mas o vídeo acima mostra que os repórteres ficaram constrangidos com a pergunta dos blogueiros sobre se combinaram a pauta sobre a fala de Lula.

A verdade verdadeira é que esses ditos “profissionais da imprensa”, em grande parte, confundem-se com seus patrões. Acham-se muito importantes. E agem de forma ameaçadora. Pensam que fazem parte de uma grande família midiática feliz, esquecendo-se de que, daqui a pouco, baixa um “passaralho” nas redações e eles são postos no olho da rua.

Para mostrar como essa gente “se acha”, mais uma cena da tarde desta sexta-feira 17.

Pouco antes do entrevero com o jornalista do Estadão, o assessor da Presidência para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, deixava a sede do PT quando foi cercado pelos repórteres. Cheguei perto antes de alguns deles e coloquei o celular próximo do rosto de Garcia para filmar sua fala, mas não consegui.

Os repórteres exigiam que eu saísse da frente das câmeras deles, cheguei a ser empurrado. Para evitar um confronto, acabei desistindo. Até porque, de empurrão em empurrão eu já havia perdido boa parte da fala de Garcia.

Dentro da sede do PT, na coletiva, só perguntas provocativas. Nada sério foi tratado. O sujeito que me insultou quis saber como o PT respondia a declaração do ministro Gilmar Mendes no sentido de que a corrupção está no “DNA” do PT.

Parece coisa de fofoqueira de bairro, não?

Enfim, só vendo esse exército de pit bulls “trabalhar” para entender por que o produto final desse “trabalho” é tão tendencioso, parcial, virulento e infiel aos fatos – o que, aliás, torna piada pronta repórter do Estadão – justo do Estadão – chamar alguém de “mentiroso”.

17 Apr 21:03

A rádio que troca notícia: #PodemosTirarSeAcharMelhor

by Luiz Carlos Azenha
17 Apr 21:03

Sonegação de impostos é sete vezes maior que a corrupção

by justicafiscal
Carlos Drummond, na Carta Capital em 30/03/2015, modificado em 02/04/2015 Deixa-se de recolher 500 bilhões de reais por ano aos cofres públicos no País, ao passo que o custo anual médio da corrupção no Brasil, em valores de 2013, corresponde a 67 bilhões anuais Nenhum assunto rivaliza com as notícias sobre corrupção na cobertura e […]
17 Apr 20:48

Alunos do campus Zona Norte representarão o Brasil em congresso na Turquia

by Maria Clara Bezerra de araújo

O artigo intitulado "Desenvolvimento de um Protocolo Visual de Pouso para Veículos Aéreos Não-Tripulados", desenvolvido pelos alunos Vitor Greati, Celso Soares e Vinicius Campos do curso de Informática do IFRN Zona Norte, foi selecionado para participar de um dos maiores congressos da área de inteligência computacional do mundo, o IEEE International Conference on Fuzzy Systems 2015 (FUZZ-IEEE). Esse ano, o evento acontece em Istambul, na Turquia, entre os dias 2 e 5 de agosto. 

O trabalho foi orientado pelo professor Bruno Jales Costa e trata do pouso preciso de veículos aéreos não tripulados (drones) através de um código visual próprio semelhante ao já conhecido QR Code. "Um aparelho smartphone acoplado ao drone é capaz de identificar corretamente e de maneira bastante precisa um local de pouso dentro de uma grande área de visão", esclarece o docente.

Os estudantes envolvidos na pesquisa têm no currículo o segundo lugar na Olimpíada Nacional de Algorítimos, conquistado em setembro de 2014.

17 Apr 12:43

“Evasão fiscal é um problema muito mais grave do que corrupção”

by Diario do Centro do Mundo
Publicado na bbc: Mesmo antes da disparada na cotação do dólar, US$ 280 bilhões já seria um número impressionante. Segundo uma pesquisa da Tax Justice Network (rede de justiça fiscal, em tradução livre, organização internacional independente com base em Londres, que analisa e divulga dados sobre mov...
16 Apr 17:53

ATACADA NA NET ATÉ DIZER CHEGA

by lola aronovich
Semana passada recebi uma notícia muito triste: Iara de Dupont, leitora antiga, blogueira querida, estava fechando o blog que mantinha há quatro anos, o SMM (Síndrome do Mundo Moderno).
A decisão da Iara, que espero não ser definitiva, é uma prova daquele post que publiquei de uma feminista americana, contando que, devido aos ataques incessantes, várias feministas estariam jogando a toalha. Porque quem aguenta tanto ódio? Como suportar agressões e ameaças o tempo todo?
Pra fazer este texto, juntei partes de um email que Iara me enviou com o post que ela escreveu pro seu blog (você pode ler o "post do adeus" na íntegra aqui). Seu relato deixa evidente o que denuncio há tempos: os ataques que sofremos não são obra de um ou dois trolls solitários. 
Era assim, no começo dos nossos blogs. Com o tempo, com a maior visibilidade, os ataques vem orquestrados. São misóginos que se unem justamente para isso, para agredir mulheres em geral e feministas em particular. 
Por exemplo, os tuítes falsos que mascus sanctos fizeram "pra mim" enquanto eu estava viajando não teriam se espalhado sem que um blog reaça e um perfil de extrema direita no Twitter os divulgassem. Eles atuam juntos, sempre (na maior parte das vezes contando com a colaboração de "humoristas" com milhões de seguidores).
A maioria dos chans (fóruns anônimos) age dessa forma: destacam alguém -- quase sempre uma mulher -- que eles não apreciam, por qualquer motivo (porque ela deu um fora num cara qualquer, porque ela "colocou um cara na friendzone", porque ela é uma "traidora racial", ou seja, uma branca que está namorando um negro, porque ela é lésbica, porque escreveu um post que eles não gostaram, porque ela é feminista etc), e preparam um "raid" para atacá-la. Divulgam seu endereço residencial, telefone, página no FB, tudo que puderem, e atacam em conjunto.
Antontem mesmo colhi este exemplo num chan misógino. Uma jovem no FB escreveu um post contra a redução da maioridade penal e a favor das cotas. O post chegou às mãos de mascus sanctos, que imediatamente começaram a fazer planos para ameaçá-la:

O mesmo chan também planeja "uma ação" contra a juíza que condenou Bolsonaro (ídolo deles) a pagar R$ 150 mil de indenização por declarações homofóbicas.

Este é o tipo de ódio com que mulheres e feministas precisam lidar por simplesmente exporem suas ideias. 
E, quando o governo finalmente lança um programa que pode ajudar a combater o ódio, reaças em geral (liderados por gente que faz stand-up bullying, como Danilo Gentili) atacam o programa, que eles veem como censura. Para eles, ameaçar, xingar, fazer montagens, agredir em massa, usando inclusive programas de TV, para silenciar grupos historicamente oprimidos, não é ódio. É "zuera".
Eis o relato da Iara:

Venho, com muita tristeza, comunicar que não vou mais escrever no blog. Não sei se é um fator temporário. Digamos que minha estratégia nos últimos meses não deu certo, por isso preciso da mudança.
Quando comecei o blog naveguei durante um bom tempo no sossego, tinha poucas visitas e os temas eram distintos, nada que atraísse algum grupo de ódio.
Mas ao começar a escrever sobre mulheres, e nem digo ''feminismo'', digo ''mulheres'', o panorama mudou. Eu tinha deixado aberta a possibilidade de comentários anônimos, e isso gerou uma onda de ''trolls mascus''. Na minha ingenuidade achei que era só fechar essa porta e tudo voltaria a ser como antes. Fechei e não deu certo, eles foram para meus emails e twitter.
Peguei alguns conselhos com blogueiras que também sofrem com esses trolls e a vida seguiu. Foi assim durante quase quatro anos.
Conheci o lado sinistro da internet. É uma guerra declarada, um Iraque pessoal de cada mulher que se atreve a escrever. Só quem tem um blog direcionado ao assunto sabe do que falo -- é um cyberbullying constante, que vai de segunda à segunda, em todos os horários. Mesmo eles lotando meu email segui uma regra interna, jamais publiquei um comentário deles aqui.
Tentei nestes anos dar uma driblada, escrevia sobre televisão e eles sumiam, mas assim que postava algum texto sobre mulheres, a onda vinha novamente na minha direção.
Nos últimos meses piorou, a ponto de me fazer mudar de números de telefone, diante das constantes ameaças.
Um desses ''trolls mascus'' tem um blog e chegou a comentar algumas vezes no meu. Fui no seu blog perguntar se ele era ameaçado por feministas todos os dias e ele me disse que jamais nenhuma mulher mandou um comentário, ele não conhecia nenhuma feminista que saísse por aí ofendendo e ameaçando os outros. Em uma atitude estranha -- nem eu entendi -- ele me passou um endereço de um fórum mascu. Eles vão pela internet ''caçando'' blogs que consideram perigosos para a humanidade, que mencionem pensamentos de esquerda, defesa das mulheres, gays e feminismo. Fazem uma lista e dividem os ''trabalhos'', se dedicam a perseguir e atormentar quem os escreve.
Para minha surpresa meu nome estava lá, junto ao meu blog, endereço e telefones.
Blog patético com certeza, mas não
inofensivo. É mais um site de ódio
[Por email, perguntei a Iara quem era o mascu que havia enviado o link, e ela respondeu:] O rapaz que me avisou sobre a página é o "Pobretão", que tem um blog patético. Não o conheço, mas de vez em quando aparece no blog, é aquele discurso de que mulheres estão acabando com o mundo, mas ele me parece inofensivo. A página que ele me mandou era de um fórum. Entrei e vou ser sincera: quando vi meu nome ali gelei.
Algumas pessoas me perguntam de onde vem minha certeza de que são os ''mascus'' e eu só respondo: pelo conteúdo das mensagens. Existe uma preocupação enorme em deixar mensagens ameaçando estuprar, coisa deles, né? Depois dizem que vão matar e tal, aquelas besteiras todas.
Semana retrasada sumiram uns posts meus, não sei como, mas isso me deixou muito insegura, porque não sei ainda como ''blindar'' o computador.
Pensei se queria fazer do meu pouco tempo disponível um rosário de visitas a delegacia, para registrar boletins de ocorrência, conversas com advogados e tentativas de retribuir a perseguição dos trolls, indo atrás e divulgando quem são. Tive que analisar com calma se queria escutar com frequência frases como ''dá um print'', ''vai na delegacia'', ''muda teus horários'', ''avisa todo mundo o que está acontecendo''.
E cheguei a uma conclusão, essa pessoa não sou eu. Tenho um espírito pacifista, me interesso por diferentes assuntos e gosto de escrever. Me sinto mal com a energia negativa derramada em meus e-mails e mensagens no celular. Tudo aquilo me vira o estômago e me lembra que errei de estratégia. Ser ameaçada todos os dias é uma das piores energias que existem no mundo, uma das mais baixas. E quem leu meu blog algum dia sabe disso, nunca foi sobre feminismo, foi sobre liberdade. E falo sobre tudo, sobre nada. 
Mesmo assim não passei impune, minha condição e meu gênero neste mundo machista limitam meu espaço e movimentos, fazendo de uma coisa simples, como escrever, um ato de guerra. E sempre disse que as duas maneiras de fazer uma revolução são com uma espada ou uma caneta. Eu prefiro a caneta, mas preciso de uma estratégia para usá-la, caso contrário ela é arrancada de minha mão.
Já me disseram que posso entrar em contato com a operadora do celular para rastrear as ligações anônimas, mas eu me pergunto, sério, Lola, como você consegue lidar com tudo isso? É uma coisa tão ruim, tão sem sentido, porque não se vê quem está atacando! É tanto ódio que essas pessoas não se dão mais o trabalho de ler nenhum post, já vão direto ao ataque pessoal.
É tudo orquestrado, devem existir centenas de blogueiras sofrendo essas ameaças.
Enfim, eu ainda estou muito chateada com tudo, é horrível a sensação de medo, dá uma paranoia sabe? Eu saio à rua e fico olhando para os lados, imagine, tudo isso apenas por escrever! Fica todo mundo me dizendo que o virtual não vai para o real, que esses malucos só ficam atrás do computador e não fazem nada, mas não posso afirmar isso, não sei quem são...
Camiseta com símbolo da mulher
como alvo, vendida por grupos mascus
nos EUA
Te agradeço muito se você publicar meu post no teu blog, talvez ajude outras blogueiras que passam por esta situação. Mesmo a internet sendo território livre não me parece certo que as mulheres continuem sendo o alvo e perseguidas dessa maneira vil.
E te agradeço o apoio e reitero minha profunda admiração por você e pela tua família. Não sei o motivo de tua resistência, mas é admirável, Mesmo sabendo o quanto o mundo precisa da divulgação da causa feminista, nem sempre é possível lidar com as consequências de viver em um país tão machista. E não deixa de ser assustador ver como uma mulher escrevendo agita tantos demônios.
16 Apr 12:36

¿Qué importan 400 muertos cuando hay en juego miles de votos?

by Iñigo Sáenz de Ugarte

palermo

Otro naufragio. Otra matanza. 400 muertos, o desaparecidos, que viene a ser lo mismo. Más tumbas en el Mediterráneo. Ese cementerio tan limpio en el que muchos europeos se bañarán despreocupados dentro de muy pocos meses. Se cumplen así las prioridades de los gobiernos de la UE. Italia clausuró el programa Mare Nostrum y la UE lo sustituyó por Tritón, un simple sistema de protección de las costas italianas con menos buques. El problema de Mare Nostrum, además de ser muy caro, es que servía para salvar vidas, vidas que acto seguido pasaban a residir en Europa. En opinión de gobiernos como el británico y el español, suponía un incentivo para intentar dar el salto. Esas vidas estaban mejor en el fondo del Mediterráneo como alimento de los peces. Ese es el incentivo que sería de utilidad.

Sólo hay que ver lo que sucede en Libia, Siria, Gaza y varios países africanos para saber que ese cálculo mental puede ser inhumano, pero sobre todo es absurdo. Las personas que se acumulan en las costas del Norte de África ya han arriesgado su vida para llegar hasta allí. Arriesgarla una vez más es sólo el inevitable paso posterior. Y hay muchos esperando en Libia.

Crucemos el mar y veamos lo que pasa en nuestros países. Los inmigrantes que ya están aquí, los que tienen papeles o no, los que pagan impuestos directos o indirectos, los que vienen de países que el Gobierno española llama “hermanos” con una retórica hipócrita, son la carnaza con la que se buscan votos en los sitios propicios. Se hace en Francia, en Gran Bretaña, en Holanda, en Dinamarca, y en España, ahora que entramos en un periodo electoral permanente, lo estamos empezando a ver.

En Cataluña el éxito del programa xenófobo del Partido Popular en Badalona (pasó del 21% en las elecciones de 2007 al 33% en las de 2011), ha animado a sus correligionarios de L’Hospitalet a seguir la misma línea. La candidata del PP, Sonia Esplugas, ha lanzado una campaña en la que no hay ya lugar para los disimulos: “L’Hospitalet necesita un cambio porque desde hace años tenemos problemas de inmigración, limpieza, incivismo y seguridad”. Podría haberlo dicho de forma más directa: los extranjeros son sucios, salvajes y peligrosos). El efecto sería el mismo. Es el discurso racista de siempre disfrazado de preocupación por los problemas de la ciudad.

Lo mismo ha ocurrido en Vitoria, una ciudad poco castigada por la crisis en comparación con la media nacional, donde el alcalde ha encontrado en la xenofobia un argumento perfecto para buscar la reelección. Denunció en 2014 que los magrebíes vivían de las ayudas sociales, sin basarse en ningún dato o estadística. No los necesitaba, porque sólo pretendía apelar a lo peor del ser humano, esa parte miserable que te dice que tus problemas no proceden de las decisiones tomadas por los que mandan o de errores propios, sino por culpa de los que menos tienen, los que te quitan el trabajo que tú no quieres aceptar, los que malviven con sueldos de miseria.

Esa incitación al odio tiene consecuencias en forma de amenazas anónimas. Los que odian a los extranjeros se sienten ahora más fuertes. Maroto ha invertido su capital político en esta espiral y seguirá haciéndolo hasta el día de las elecciones. No será el único.

El panfleto que reparte el PP en L’Hospitalet está encabezado por el guiño de rigor: “Inmigración en L’Hospitalet: pensamos lo mismo”. Odiáis a los extranjeros y no os atrevéis a decirlo en voz alta. Nosotros lo hacemos por ti. Danos tu voto a cambio.

No nos engañemos. Los prefieren muertos en el fondo del Mediterráneo.

16 Apr 01:26

Com a mão no queixo Agripino, acusado de receber R$ 1 milhão em propina, assiste a discurso contra a corrupção

by Luiz Carlos Azenha

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O senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) foi preso na Operação Pororoca, da Polícia Federal, conforme notaram comentaristas. Ele aparece  na frente, à direita de Agripino Maia.

Da Redação

O Brasil ingressou esta tarde em um novo capítulo na História da cara-de-pau, quando líderes da oposição receberam no Congresso representantes dos movimentos que promoveram as manifestações de 15 de março e 12 de abril.

Estavam presentes os presidentes do PSDB, Aécio Neves, do Solidariedade, Paulinho da Força, do PV, Luiz Penna, do PPS, Roberto Freire e o representante do PSB, ex-deputado Beto Albuquerque.

Aécio Neves foi citado pelo doleiro Alberto Yousseff por envolvimento em suposto esquema de desvio de verbas públicas da estatal Furnas. O principal aliado político de Aécio, senador Antonio Anastasia, está no rol dos investigados na Operação Lava Jato.

Paulinho da Força integra a galeria de escândalos da — no caso dele — insuspeita revista Veja.

Mas a maior cara-de-pau foi exibida pelo presidente do DEM, Agripino Maia, que colocou a mão no queixo para ouvir inflamado discurso denunciando a corrupção de uma integrante do movimento Vem Pra Rua.

Depois, o denunciado pontificou: “Os fatos se impõem. Chegou a hora de colocar o impeachment e a investigação de Dilma para valer na pauta. A oposição está unida”.

Agripino Maia foi acusado de receber R$ 1 milhão em propina num esquema que envolvia a inspeção de veículos em seu estado de origem, o Rio Grande do Norte. A acusação foi feita pelo empresário George Olímpio. O STF abriu investigação sobre Agripino atendendo a pedido da Procuradoria Geral da República.

Antes de se reunir com os líderes da oposição, os integrantes dos movimentos que organizaram protestos apresentaram sua pauta de reivindicações ao Congresso:

Enfrentamento real da corrupção, através do fim da impunidade;

Aprovar as 10 medidas de combate à corrupção apresentadas pelo Ministério Público Federal. Submeter acordos de leniência de empresas envolvidas na Lava Jato ao Ministério Público Federal. Aumentar a pena dos crimes de corrupção. Indicar servidores públicos de carreira para o Tribunal Superior Eleitoral, o Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça, com prazo de mandato estabelecido;

Implementar eleições diretas para escolha dos procuradores gerais. Afastar o ministro José Dias Toffoli do STF e do TSE por não atender ao critério de imparcialidade;

Pedir ao STF e à PGR abertura de investigação por crime comum de Dilma Rousseff e apreciar com transparência pedidos de impeachment apresentados ao Congresso;

Choque de ordem na gestão pública: Abertura dos empréstimos concedidos pelo BNDES e impedir empréstimos do banco ao exterior; Exigir Revalida de todos os médicos estrangeiros atuando no Brasil. Reduzir e otimizar impostos;

Educação: Fim da doutrinação ideológica e partidária nas escolas do país;

Ajustes no processo político-eleitoral: Eleições com registro impressos dos votos, auditáveis por partidos e empresas. Fim do financiamento público de campanha. Mandato único, pondo fim à reeleição.

É uma espécie de programa de governo pós-Dilma ou pós-terceiro turno.

Leia também:

Lula: “Tentaram fazer comigo exatamente o que estão fazendo com a Dilma”

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16 Apr 01:20

Governador discute em Brasília retomada de obra

by Carlos Santos
Allan Patrick

Trecho de 13km de BR duplicada equivale ao que se estima custará a conexão ferroviária até o aeroporto!

A duplicação da reta Tabajara (BR-304) foi a principal pauta da primeira de duas audiências realizadas em Brasília nesta quarta-feira,15, com a participação do governador do Rio Grande do Norte, Robinson Faria. A obra, orçada em R$ 233 milhões, é de responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

Ela está parada desde outubro do ano passado, prejudicando cerca de 60 mil motoristas diariamente.

“Nós não podemos deixar que uma obra importante como esta fique parada. Viemos até o Ministro dos Transportes [Antônio Carlos Rodrigues], que nos recebeu com toda a sua equipe técnica. Estamos confiantes de que em breve teremos uma boa notícia”, destacou. O projeto, além da duplicação dos 26,7 km de rodovia, contempla a construção de marginais, viadutos, e pontes.

Alem da reta Tabajara, foram discutidas outras obras desenvolvidas pelo Governo Federal no RN, como a adequação do contorno de Mossoró, a adequação do contorno de Campo Grande e o viaduto do Gancho de Igapó.

Também foi citada a obra do trecho da BR 101, entre Natal e Parnamirim, que contempla 13,2 km de vias marginais, seis viadutos, cinco passarelas e passagem inferior, e já está licitada.

Além do corpo técnico do governo estadual e do Ministério dos transportes, estiveram no encontro os senadores Fátima Bezerra e Garibaldi Filho, deputados federais Fábio Faria, Zenaide Maia, Beto Rosado, Walter Alves, Rafael Motta, e os deputados estaduais Nélter Queiroz e Jacó Jácome.

Com informações do Governo do Estado.

13 Apr 13:09

64 revisitado: Em Belo Horizonte, a “caça” aos padres comunistas

by Luiz Carlos Azenha

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Da Redação

Os cartazes acima foram colocados na Casa dos Bispos de Belo Horizonte, que fica perto de onde manifestantes se concentraram na capital mineira.

Enviado por Igor Fellipe, que também mandou o meme do dia:

Captura de Tela 2015-04-12 às 21.49.30

Veja também:

A imperdível aula de História que Raul Castro deu a Obama

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13 Apr 13:08

Memorabilia diplomatica (XXV) - Ártico

by Francisco Seixas da Costa

Dormir num saco-cama, assente numa placa de esferovite diretamente pousada sobre o gelo, numa tenda militar, bem a norte do Círculo Polar Ártico, com uma temperatura exterior de cerca de 25º negativos, é uma experiência para a qual se exige uma certa coragem. A verdade é que a tenda tinha no centro uma espécie de aquecedor, com uma chaminé que saía pelo tecto. E, no seu interior, valha a verdade, a temperatura estava bem acima dos números de fora. Mesmo assim...

Estávamos num campo de treino da NATO, organizado pelas tropas norueguesas, em 1980. O dia fora longo e eu partilhava o espaço com dois colegas, um belga e um turco. Chegados à nossa tenda, enfiei-me logo no meu saco-cama, saquei de uma lanterna de bolso, que prudentemente levara comigo, e pus-me a ler o "Herald Tribune", nesse dia trazido de Oslo. Acompanhava-me uma pequena garrafa metálica com um belo whisky de malte, em cuja tampa, com esmero, coloquei algum gelo que raspei do chão. As recomendações NATO tinham sido estritas - nada de alcool! -, mas achei que uma pequena excepção podia ser admissível para o civil inverterado que eu era. E nem a proximidade do Pólo Norte tinha o condão de me afastar de alguns comezinhos prazeres mais cosmopolitas...

Notei que o meu amigo belga adormeceu logo e estranhei ver o turco a tentar fazê-lo fora do saco-cama. Disse-me que estava com calor e que ficaria bem assim...

Acabadas a minha dose de whisky e a leitura, adormeci também. Acordei, creio que cerca de uma hora depois, alertado pelo belga. O nosso colega turco, imprudente, ao ter-se deixado dormir fora do saco-cama, estava agora enregelado, sentia-se mal e não conseguia aquecer, nem sequer aproximando-se do aquecedor.

Que se podia fazer? Sair da tenda, à procura de ajuda, na gélida e ventosa noite ártica, era quase suicida. Adiantei uma ideia: porque não bebia o nosso amigo turco um bom trago do meu whisky? Seguramente que isso poderia ter um efeito-choque, ajudando à sua recuperação. O belga concordou que era uma boa sugestão. E é aí que o turco nos surpreende: "não posso beber álcool. Sou muçulmano". E continuava a tremer de frio.

Com diplomacia e poder argumentatório - estávamos entre diplomatas - tentámos convencê-lo de que os ditames religiosos, com toda a certeza, eram passíveis de uma pontual derrogação quando estava em causa a salvação de uma vida. O whisky podia assim ser considerado, no caso vertente, como um mero medicamento - "embora bem mais saboroso do que é habitual", lembro-me de ter pensado.
 
O turco, já um pouco em pânico, acabou por concordar em seguir a opção que lhe era oferecida: bebeu uma boa dose do meu velho malte e até repetiu... E lá aqueceu, como previsto, conseguindo dormir.

Pergunto-me, até hoje, se a minha leitura das regras religiosas muçulmanas esteve ou não correta. E será que me posso considerar culpado se acaso o meu amigo turco, por via da minha sugestão, mudou de hábitos de vida?
 
(Reedição de historietas da diplomacia por aqui já publicadas)
12 Apr 18:41

Globonews lê cartazes contra Dilma e pelo impeachment, mas não a faixa que defende ao mesmo tempo a Globo e o golpe militar

by Luiz Carlos Azenha

Captura de Tela 2015-04-12 às 14.01.03

por Luiz Carlos Azenha

Do ponto-de-vista numérico, as manifestações do 12 de abril foram um tremendo fracasso.

Segundo o UOL, do diário conservador Folha de S. Paulo, eram 52 mil pessoas em todo o Brasil às 14 horas.

No entanto, na Globonews, das Organizações Globo, os protestos foram um tremendo sucesso.

“Tranquilidade”, “família”, “verde-amarelo” e outras descrições anódinas marcaram a descrição feitas pelos repórteres da emissora, que se misturaram aos manifestantes.

Nunca antes na História deste País a Globo tinha feito o que vem fazendo: ir a uma manifestação, ler de forma seletiva os cartazes e permitir que o som natural vaze na transmissão, com gente gritando “Fora Dilma”, “Fora PT” e outras palavras de ordem.

Vocês já viram a Globo fazer isso num protesto do MST ou contra o tucano Geraldo Alckmin? Jamais.

É óbvio que a notícia do dia, de que as manifestações fracassaram do ponto-de-vista numérico, não dominou a cobertura. Por que fracassaram? Cansaço? Indiferença? Dissensão interna? A Globonews simplesmente se esqueceu da verdadeira tarefa do jornalismo, que é esclarecer.

A certa altura, uma repórter em São Paulo fez referência ao fato de que os diferentes carros de som na Paulista utilizavam diferentes palavras de ordem. Mas, ficou nisso. Não entrou em detalhes. Por motivos óbvios: alguns destes carros de som pedem intervenção militar, o que não se enquadra no que a Globo acha aceitável mostrar aos que estão em casa.

A Globo não leu, por exemplo, a faixa que aparece acima, fotografada pelo Leandro Prazeres, do UOL, em Brasília.

Notem o detalhe: além de pregar o golpe, a faixa assume a defesa da Globo (no canto inferior direito) com a frase “a mídia sob ataque”.

Globo e golpe militar, tudo a ver!

Ainda que involuntariamente, no entanto, a Globonews acabou mostrando a intolerância que foi a marca do 15 de março e esteve de volta hoje, nas ruas: em Copacabana, um homem de camisa vermelha foi perseguido por manifestantes e teve de sair escoltado pela Polícia Militar.

É isso mesmo: um homem de camisa vermelha, aparentemente com uma grife no peito, sem qualquer relação com o PT ou com algum partido comunista.

Um simples homem de camisa vermelha, cujo cerco resume o que a Globonews não mostrou: “intolerância” e “golpismo” andaram juntos com “tranquilidade” e “família”.

PS do Viomundo: A Globonews faz mais que cobrir o evento, faz a convocação de quem está em casa ao enfatizar a todo o momento que “tem mais gente chegando”, “famílias inteiras”, etc.

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Decisão da Justiça contesta versão de deputado sobre acidente no Sul

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10 Apr 00:24

E a Europa?

by Francisco Seixas da Costa

O espetáculo diário do governo grego na sua luta, cada vez mais inglória, com as instituições europeias nada tem de dignificante para a própria Europa. A humilhação de um poder político, que tem atrás de si um mandato de desespero, por mais irracional que ele possa ser, é uma imensa bofetada na democracia e um insulto à própria ideia de União Europeia.


Fruto de imensos erros próprios, somados à irracionalidade da política austeritária imposta pelos credores, a Grécia gerou uma situação que colocou no poder um governo portador da mirífica agenda de pôr termo à tutela estrangeira e recuperar, de um dia para o outro, o poder decisório nacional.


Muitos foram os que olharam com simpatia essa revolta, que prometia uma apetecida luta de um David contra o Golias da “troika”. E não foram poucos os que acreditaram que a atitude grega trazia um saudável abanão no “pensamento único” dominante.


Olhando em perspetiva, somos forçados a concluir que o modo radical como a Grécia carreou para o debate a questão do combate à austeridade acabou por enfraquecer fortemente uma linha menos confrontacional, que estava a começar a fazer o seu caminho, nomeadamente no Parlamento europeu, em algumas forças políticas no governo ou na oposição, bem como no próprio discurso da Comissão e do BCE. O sucesso dessa estratégia reformista estava longe de garantido, mas o facto do combate à austeridade ser hoje bastante identificado, até na comunicação social, com o suicidário “tudo ou nada” grego não facilita as coisas.


Ninguém faz ideia de como este braço de ferro entre a Grécia e as instituições europeias irá terminar. Mas ninguém já espera que Atenas vá cantar vitória ao fim do dia. Para uns, isso significará apenas a prevalência do bom senso. Para outros, traduzirá a humilhação de uma nação, sujeita a um diktat externo.


Vou por outra leitura. Até há uns anos, a União Europeia era a imagem da solidariedade, uma ealiança para o desenvolvimento, o bem-estar e a paz. Com o caso grego a reforçar bem essa nota, a Europa tende, cada vez mais, a ser olhada como um “big brother” disciplinador, zelador de uma matriz comportamental, regida pela lógica obsessiva do mercado, numa hierarquização interna de poderes que relega para as calendas (que, aliás, são  gregas) a ideia da “igualdade dos Estados”, que ainda surge na letra dos tratados. Confesso que tenho cada vez mais dúvidas de que, a prazo, seja possível compatibilizar este modelo de Europa com a salvaguarda das ordens constitucionais nacionais.  

(Artigo que hoje publico no "Jornal de Notícias")
09 Apr 11:20

O que o Congresso pode retroceder em quatro anos?

by Leonardo Sakamoto

Considerando que temos uma legislatura conservadora, com um presidente da Câmara dos Deputados extremamente competente, faço uma listinha do que os congressistas, caso se empenhem bastante, poderiam aprovar…

Liberação da terceirização para qualquer atividade da empresa.

Transferência do poder de demarcação de Terras Indígenas para deputados e senadores.

Redução da maioridade penal para 16 anos.

Proibição de adoções por casais do mesmo sexo.

Alteração do conceito de trabalho escravo contemporâneo para diminuir as possibilidades de punição.

Redução da idade mínima para poder trabalhar de 14 para 10 anos.

Proibição do aborto nos casos de estupro, risco de vida para a mãe e má formação fetal.

Aprovação da pena de morte.

Fim do voto feminino.

Revogação da Lei Áurea.

09 Apr 11:18

Bolsonaro pode ter armado pegadinha contra Jean Wyllys em voo da TAM

by eduguim

bolsonaro capa

Na manhã da última terça-feira (7/4), o deputado federal pelo PSOL fluminense Jean Wyllys passou por constrangimento ao embarcar no voo JJ 3024 (10H19), da TAM, que o levaria do aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, para o aeroporto Juscelino Kubitschek, em Brasília.

Wyllys estava sentado na poltrona 12 C (corredor), entretido em leitura, quando o deputado pelo PP fluminense Jair Bolsonaro chamou-lhe a atenção ao avisá-lo de que sua poltrona era a 12 B, bem ao lado esquerdo do psolista. Wyllys, de forma automática, levantou-se e foi sentar-se em outra poltrona mais distante.

Assista ao vídeo postado por Bolsonaro em seu canal no You Tube.

Poucas horas após o desembarque, Bolsonaro postou a mensagem abaixo em seu perfil no Facebook.

bolsonaro 1

A postagem de Bolsonaro espalhou-se nas redes sociais como uma fagulha no palheiro. No fim da tarde desta quarta-feira (8/4), o vídeo já contava com mais de 600 mil visualizações no You Tube e a postagem do pepista no Facebook já tinha mais de 80 mil likes e quase 30 mil compartilhamentos.

Poucos se deram conta – inclusive este que escreve – de alguns fatos estranhos envolvendo esse episódio. Só me dei conta desses fatos graças a mensagem recebida em comentário neste Blog, o qual reproduzo abaixo.

Prezado Eduardo: apesar de ser s/ seguidor no Facebook, optei por colocar comentário no s/ blog porque p/ razões q vc ira entender ñ quero me identificar. Peço a vc. que assista ao vídeo deste link https://www.youtube.com/watch?v=_Ezo283VfbA Como vc vai ver, o bolsonaro (em minúscula mesmo) fez uma pegadinha com o Jean Willys num vôo da TAM. Ele conseguiu saber c/ funcionário da empresa q vôo que Jean ia pegar e q assento que ele ia sentar e pediu pra ser colocado do lado. Vc pode notar que esse facista já chegou no avião filmando. Pq ele entrou no avião filmando? Sou homossexual e fiquei revoltado com o que a TAM ou um funcionário dela fez com o Jean, por isso estou te contando essas coisas. Edu sei que teu blog, registra IP dos leitores, por favor não coloque o meu. Queria que vc denunciasse isso pq foi muita sujeira do Bolsonaro e quem ajudou ele.

De fato, é bastante suspeito que Bolsonaro tenha entrado no avião já filmando. Quem faz isso? Entrar em avião é complicado, pessoas cheias de bagagem se esbarram. Não há motivo para alguém entrar em um avião filmando o ambiente, a menos que seja alguém que nunca voou e quer registrar o momento de estreia, o que, obviamente, não é o caso de Bolsonaro.

Por fim, vejamos a crítica do deputado pepista. Ele acusou Jean Wyllys de “heterofobia”. É de matar de rir. Isso não existe. Nunca alguém foi espancado até a morte por ser heterossexual. Nunca houve discriminação no mercado de trabalho ou em qualquer ambiente por uma pessoa gostar do sexo oposto.

É óbvio que a reação de Wyllys foi por uma questão pessoal. Ele não saiu da poltrona ao lado da de Bolsonaro porque ele é heterossexual e, sim, porque ele debocha de homossexuais, insulta-os etc.

Até onde sei, não ir com a cara de uma pessoa não é discriminação. O que caracteriza discriminação é não querer ficar perto de alguém por aquele alguém pertencer a um grupo social, étnico, religioso etc.

Se foi mesmo uma armação que permitiu a Bolsonaro captar essa cena para tentar mostrar uma contradição de Wyllys, ela só irá funcionar entre pessoas tão desprovidas de inteligência quanto o deputado homofóbico.

Senão, vejamos: se o deputado do PSOL fosse “heterofóbico”, não iria querer ficar ao lado de quase ninguém nem no avião nem em parte alguma, pois, supostamente, a esmagadora maioria das pessoas é heterossexual.

Este blogueiro, por exemplo, é heterossexual e tampouco ficaria ao lado de Bolsonaro. Talvez, por dever de ofício, suportasse estar com ele para entrevistá-lo – nunca é demais expor seu “intelecto”. Mas não poderia ser a seco. Uma dose de uísque – ou de plasil – ajudaria.

08 Apr 11:02

Até esposa de Eduardo Cunha é contra terceirização e processa o patrão: Rede Globo

by Maria Frô

Vejam vocês, se o PL 4330, que Eduardo Cunha insiste em colocar em votação, existisse em 2008, sua esposa, a jornalista Cláudia Cordeiro Cruz, com doença ocupacional, estaria a ver navios, desprotegida pela legislação e não poderia ter entrado com a ação judicial contra a Globo.

Terceirizada, mulher de Cunha ganhou ação contra Globo e foi contratada

DO site da CONTRAF

07/04/2015

  
A mulher do presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ), jornalista Cláudia Cordeiro Cruz, ex-apresentadora da TV Globo que prestava serviços como terceirizada, ganhou ação no Tribunal Superior do Trabalho (TST), em 2008, obrigando a empresa da família Marinho a contratá-la com carteira assinada e com todos os direitos trabalhistas.

Entre 1989 e 2001 Cláudia Cordeiro Cruz foi repórter e apresentadora do Jornal Nacional, Jornal da Globo, Bom Dia Rio, Jornal Hoje, RJ TV e Fantástico. 

Segundo o Portal da Imprensa, publicação voltada para o mundo da comunicação, na sentença o TST informou que a jornalista teve de criar uma empresa (C3 Produções Artísticas e Jornalísticas) para prestar serviços à TV Globo. Em julho de 2000, após vários contratos de “locação de serviços”, a emissora informou que o acordo com Cláudia não seria renovado, após ela ter sofrido uma faringite, considerada doença ocupacional.

A jornalista entrou com ação trabalhista pedindo vínculo de emprego e ressarcimento das despesas e indenização por danos morais, já que passou por uma cirurgia em razão da faringite e nenhuma despesa foi paga pela emissora da família Marinho.

O TRT do Rio de Janeiro reconheceu a existência de vínculo empregatício, uma vez que a jornalista tinha de cumprir horário de trabalho e relação de subordinação com a Globo, condenando a emissora a registrar Cláudia em carteira de trabalho por todo o período de contrato, entre maio de 1989 e março de 2001. 

A Globo recorreu, mas o TST rejeitou a apelação, mantendo a decisão do tribunal fluminense.

Segundo o ministro do TST Horácio Senna Pires, relator do caso, a atitude da emissora “se tratava de típica fraude ao contrato de trabalho, caracterizada pela imposição feita pela Globo para que a jornalista constituísse pessoa jurídica com o objetivo de burlar a relação de emprego”.

Se o PL 4330, que Eduardo Cunha insiste em colocar em votação, existisse naquela época, sua mulher estaria desprotegida pela legislação e não poderia ter entrado com a ação judicial.

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Assine a petição e pressione o seu deputado para rejeitar o PL 4330/2004 que propõe a regulamentação da TERCEIRIZAÇÃO SELVAGEM

Manifesto contra a terceirização do Trabalho na USP

7 de Abril: Dia Nacional de Luta contra o PL 4330 em defesa da classe trabalhadora

Iara Bernardi nos representa: Deputada se posiciona contra a aprovação do PL nº 4330/ 04

Vamos enterrar o PL4330: a tentativa de destruir os direitos trabalhistas com a precarização do trabalho

CUIDADO COM O PL 4330!!! Se você espera muito a reagir, pode ser tarde e ficar reduzido à escravidão

Imagina na Copa: vários projetos na Câmara e Senado ameaçam os direitos dos trabalhadores

PL 4330: A mais grave ameaça aos direitos trabalhistas desde a ditadura militar

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Até que enfim uma boa notícia aos trabalhadores! CUT: viramos o jogo contra o PL 4330!

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Juizes para Democracia tem lado e é o dos trabalhadores: Contra PL4330

CUT volta a Brasília nestas terça (1) e quarta (2) para cobrar arquivamento do PL 4330 da terceirização

Mais uma vez a CUT consegue barrar a votação do famigerado PL4330

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Combate à Precarização

Por pressão da classe trabalhadora a votação do PL4330 foi mais uma vez adiada

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08 Apr 10:54

Como ficará seu emprego se o “primeiro-ministro” Eduardo Cunha, em nome dos empresários, avançar no desmanche da CLT

by Luiz Carlos Azenha

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Policial pisa na cabeça de manifestante em Brasília. Foto Zeca Ribeiro, Câmara dos Deputados, via Fotos Públicas

Retrocesso trabalhista

06/04/2015 02h00

por Ricardo Melo, na Folha

A depender do “primeiro-ministro” Eduardo Cunha, a Câmara promete votar em breve o famigerado PL 4330. Velho de mais de dez anos e de autoria de um deputado que nem mais é parlamentar, Sandro Mabel, a proposta simplesmente legaliza o desmanche da CLT.

Não é de hoje que o mercado de trabalho formal no Brasil tem sido fustigado. Ninguém se faça de surpreso. A figura do PJ, ou pessoa jurídica, ocupa espaço cada vez maior, seja qual for o ramo da empresa. Para o patronato, é uma tentação. Ele se livra de encargos legais e transfere para o trabalhador o ônus de uma mínima segurança no emprego. Já o assalariado fica entre a cruz e a espada: ou bem aceita a situação ou bem é lançado ao relento. O governo, por sua vez, perde uma importante fonte de arrecadação.

Usado num primeiro momento para seduzir gente do topo da pirâmide ou profissionais liberais, a praga se generalizou na irregularidade e bateu no chão de fábrica. Uma verdadeira esculhambação. Hoje em dia, mesmo salários irrisórios são contratados na base de PJ diante da vista grossa de autoridades. De tempos em tempos, ensaia-se uma fiscalização cenográfica, mas a prática só faz se alastrar.

A única defesa contra este ataque permanente é a legislação que o projeto Mabel pretende derrubar. Muitos empresários ainda pensam duas vezes antes de “informalizar” seus empregados – alguns por convicções, mas outros tantos por temer derrotas na Justiça. O PL 4330 acaba com este tipo de escrúpulo e libera geral a terceirização em qualquer atividade. É a chave da porteira da precarização irreversível.

Desde 2004, sindicatos, instâncias da Justiça do Trabalho e até algumas entidades empresariais acharam a ideia absurda e arrastaram sua tramitação. Hoje a conjuntura é outra. Considerando o vendaval reacionário vigente no Congresso, todo cuidado é pouco para os que vivem de salário.

IMPUNIDADE PARA MAIORES

Indiferente a soluções verdadeiras para interromper a vergonhosa taxa anual de 55 mil homicídios, a chamada bancada BBB – Boi, Bíblia e Bala – prossegue sua blitzkrieg retrógrada. Menos de 1% dos assassinatos são cometidos por jovens de 16 e 17 anos. Já os adolescentes representam 36% das vítimas. Basta tais números para perceber a manipulação demagógica do debate da maioridade penal.

Uma sugestão: em vez de caçar menores, por que não endurecer, por exemplo, as regras de prescrição de delitos de adultos?

Graças a esse tipo de brecha, casos como o do mensalão mineiro daqui a pouco se encerram não por falta de crimes, mas por ausência de réus. Atingida determinada idade o sujeito sai livre, leve e solto –isso vem acontecendo no processo tucano que nem mais juiz tem. Paulo Maluf é outro expert na matéria das prescrições. E, pagando um bom escritório, quem sabe não é possível aliviar mesmo crimes como os revelados na Operação Zelotes.

Afinal, vivemos num país em que o ministro da Fazenda e, portanto, chefe maior da Receita Federal, até pouco tempo era alto executivo num dos grupos suspeitos de se aproveitar da máfia da sonegação.

Hoje, de uma ou de outra forma, o ministro tem que investigar os antigos patrões. Durma-se com um Bradesco, Safra, Santander e outros inocentes como esses.

*****

Marilane Teixeira, no IHU Online:

Neste contexto atual, as empresas se sentem inseguras em relação ao quanto elas podem terceirizar, porque elas querem terceirizar tudo. Só que existem amarras, existe uma jurisprudência que impede isso. Elas estão sendo condenadas, estão tendo que pagar passivos enormes e querem aprovar um projeto de lei para se sentirem seguras e poderem terceirizar todos os tipos de atividades.

O problema é que com a aprovação do PL 4330 a prática da terceirização ocorrerá de forma irrestrita. Ou seja, todos os trabalhadores que já trabalham como terceirizados, que sonham com a possibilidade de se tornarem trabalhadores efetivos, não terão essa oportunidade.

Quem é efetivo hoje poderá virar terceirizado amanhã, e quem está entrando no mercado de trabalho vai entrar pela porta da terceirização. Ou seja, nós podemos chegar a uma situação em que a empresa será um ambiente onde não precisará haver um trabalhador efetivo, será um conjunto de trabalhadores prestadores de serviços vindos de diferentes atividades econômicas e categorias profissionais.

Se isso acontecer, os trabalhadores perderão a identidade enquanto trabalhadores, perderão o vínculo de solidariedade, as relações de pertencimento, o local de trabalho, as relações de classe, a representação sindical. Além disso, os rendimentos serão reduzidos, direitos serão rebaixados.

*****

Ruy Braga, no IHU Online:

Qual o significado das MPs 664 e 665, que atacam direitos como o seguro desemprego, e qual a intenção do governo por detrás delas?

Importante destacar que o mercado de trabalho brasileiro nos últimos 12 anos tem se caracterizado pela elevação das taxas de rotatividade. Isto, obviamente, denota um aprofundamento da deterioração das condições de trabalho. Quando se tem taxas de rotatividade muito elevadas combinadas com baixas taxas de desemprego significa, em geral, que as empresas procuram alcançar ritmos mais intensos de produtividade por meio da intensificação dos ritmos e do consequente manejo degradante da força de trabalho.

As empresas contratam, intensificam o trabalho e, quando os trabalhadores deixam de dar os resultados esperados por conta da pressão pelos resultados, elas demitem. Isto é uma regra hoje no mercado de trabalho brasileiro principalmente no tocante às atividades de baixa qualificação e principalmente no setor de serviços, que sustenta as taxas mais elevadas de rotatividade. Como na legislação brasileira havia, pela regra antiga, uma proteção para o trabalhador que ficou mais de 6 meses empregado com carteira de trabalho assinada — o seguro-desemprego – a elevação da rotatividade naturalmente amplia a demanda pelo seguro.

Dentro do último ciclo econômico, o trabalhador tem ficado, em média, cerca de 14 meses empregado. Uma vez demitido, fica entre 2 a 3 meses vivendo do seguro desemprego e tentando recuperar a saúde pelo SUS até conseguir um novo trabalho. Isto pressiona a previdência social, por isto, o governo decidiu endurecer as regras de acesso ao seguro-desemprego, tornando o acesso cada dia mais restrito. Isto naturalmente terá um impacto sobre uma massa de trabalhadores subempregados que normalmente são semiqualificados ou não qualificados, de maneira geral, e trabalham sobretudo no setor de serviços. O governo, com estas medidas, busca fazer uma economia de gastos com direitos sociais às custas do aumento da exploração e da degradação do trabalho assalariado.

[...]

Caso o PL 4330 do famigerado deputado Sandro Mabel, empresário da indústria dos alimentos, seja aprovada, com ou sem apoio do governo, com ou sem resistência do governo, não tenho a menor dúvida em afirmar que foi o maior ataque à classe trabalhadora brasileira desde o golpe militar. Isto em um governo do PT, com o PT como principal partido brasileiro. Algo importante de entendermos, uma situação trágica.

*****

Paulo Luiz Schmidt, no IHU Online:

IHU On-Line – Quais os principais equívocos do PL 4330/04?

Paulo Luiz Schmidt – O PL traz vários equívocos, mas alguns deles assumem relevo maior. O primeiro, como já foi dito, é a liberação da terceirização para qualquer atividade econômica, até mesmo nas essenciais da empresa, que poderiam, dentro do exemplo da resposta anterior, contratar motoristas terceirizados para uma empresa de transporte coletivo, o que, convenhamos, é um absurdo. Outro grande equívoco é a possibilidade de contratação e recontratação de um mesmo trabalhador diversas e sucessivas vezes por diferentes empresas terceirizadas na prestação de um mesmo serviço à tomadora, fato que potencializa a precarização, por ser uma de suas marcantes características. Muitas vezes as prestadoras vão sendo substituídas — pela sucessão de contratos cada vez mais baratos —, não pagam direitos dos trabalhadores e estes vão ficando junto à tomadora de serviços por um estado de pura dependência econômica. Mas um dos traços mais perversos desse sistema, do ponto de vista dos direitos sociais, é a completa ausência de paridade de direitos entre os trabalhadores terceirizados e os empregados diretos, o que representa, com clareza, que os terceirizados recebem menos do que aqueles admitidos formalmente pela tomadora. Aliás, a Anamatra sugeriu a ideia de paridade de direitos, mas foi amplamente rejeitada.

[...]

IHU On-Line – Quais as desvantagens dessa proposta tanto para as empresas quanto para os trabalhadores?

Paulo Luiz Schmidt – A principal motivação da terceirização, infelizmente, é a diminuição de custos, ou seja, transformar o “custo fixo” dos salários em “custo variável”, objetivamente para menos e com piores condições de trabalho. Por isso se diz que o projeto precariza o trabalho. Só para lembrança, é nas atividades onde há emprego de terceirização que ocorre, proporcionalmente, o maior número de acidentes de trabalho. Isso, claro, é prejuízo para o trabalhador, para as empresas e para a sociedade, quer pela ausência do empregado, quer pelos riscos de indenizações e pelos custos previdenciários. Mas não é só isso. Há também uma clara baixa de produtividade pelo emprego de mão de obra desmotivada e muitas vezes desqualificada.

Enfim, o projeto tem proveito econômico imediato para os empresários, mas os imensos custos sociais e humanos não podem nem mesmo ser dimensionados.

Leia também:

Vannuchi: Eduardo Cunha vendeu aos empresários o compromisso de aprovar a terceirização

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08 Apr 10:42

O caso dos tuítes falsos que comemoravam a morte de Thomaz Alckmin

by Paulo Nogueira
Onde está o ódio: na direita ou na esquerda, ou em ambas? Dois episódios permitem uma comparação. A notícia do início de AVC de Zé Dirceu e a morte do filho de Alckmin. Nas redes sociais, logo se multiplicaram votos de que o AVC matasse Zé Dirceu. A direita torcia descaradamente pelo AVC. Se você fi...
08 Apr 10:42

Quem devolverá o tempo perdido ao inocente que passou 30 anos no corredor da morte?

by Diario do Centro do Mundo
Publicado na BBC Brasil.   Anthony Ray Hinton tinha 29 anos anos quando foi condenado à morte por dois homicídios em 1985 nos Estados Unidos. Ele passou as últimas três décadas em uma prisão do Alabama até seu caso ser revisto recentemente – a condenação foi revertida após testes com as b...
08 Apr 10:39

Se envergonhando com Max e Mariano

by Mari

Uma porção de gente nos mandou o vídeo da dupla proto-sertaneja Max e Mariano no qual eles fazem uma apologia ao revenge porn. Revenge Porn, vocês sabem, é um crime praticado por homens virjões que odeiam sexo e expõem a intimidade de uma mulher para tentar intimidá-la, subjugá-la e controlá-la.

Isso, per se, deveria ser motivo de vergonha, já que todo mundo que entra em contato com um sujeito desses sabe que ele é uma criaturinha infantil que não consegue lidar com rejeição sem espernear. O clássico homenzinho que não quer que as mulheres gostem de sexo ou tenham controle sobre seu corpo, porque em um mundo assim só homens massa tem vez (e ele sabe que não é um desses caras).

Enfim, mas nós já falamos sobre os danos causados por esse tipo de comportamento vergonhoso várias vezes aqui e, dessa vez, vamos nos ater ao constrangimento que foi ver dois homens adultos achando que estão mandando bem quando, na verdade, estão apenas se envergonhando.

Como não existe naofo.de de vídeos, vamos apenas analisar a letra lastimável (pois dar platéia pra babaca não é conosco). Até porque, se a letra é assim, imagina o resto.

Inclusive, homens e jovens: prestem bastante atenção pois esse é quase um tutorial de como não proceder.

Então vamos lá. A música, como toda obra ultra criativa, começa pelo refrão:

Eu vou jogar na internet
Nem que você me processe

O eu-lírico já queima a largada ao assumir ter consciência de que seu comportamento é ilegal. Ou seja, coisa de Homenzinho que, além de recalcado, é criminoso.

facepalm fortíssimoFacepalm fortíssimo pra eles

Eu quero ver a sua cara quando alguém te mostrar
Quero ver você dizer que não me conhece
Eu vou jogar na internet

Aqui acredito que a grande maioria de nós consiga se identificar com a musa dessa canção. Ocorre que, em um mundo ideal, gostaríamos de ter tido apenas parceiros dos quais nos orgulhássemos, mas a vida é dura e quase todas nós já passamos por momentos difíceis. Somos humanas e, como disse Mateus (26:41): “o espírito está pronto, mas a carne é fraca”. Então é apenas o esperado que tenhamos ficado com um ou dois (ou dez) caras vergonhosos.

Quando ficamos com um cara vergonhoso só assumimos para as amigas (e/ou amigos) mais próximas, claro. Então quando ele assume que a mulher diz que não o conhece está, na verdade, perdendo uma grande chance de fazer uma auto-crítica e pensar: o que me torna tão vergonhoso? Por qual motivo essa dona incrível que eu gosto tanto não admite que me conhece? Eu sei que pode soar terrrível, mas como culpar a maravilhosa por achar que esses jovens são feito pantufa (em casa são bons mas, na rua, uma vergonha)?

Captura de tela de 2015-04-07 19:31:12¯\_(ツ)_/¯

Btw, se quiser jogar alguma coisa na internet, sugiro jogos eletrônicos. Muito mais divertido e menos vergonhoso.

Você andou falando demais
Você foi corajosa capaz
Dizendo pro seu namorado novo que não me conhece

Novamente o eu-lírico misógino demonstra toda a sua asquerosidade (depois não sabe por que a mina nega que o conhece) ao expressar seu rancor pelo fato de que a mulher sabe o que quer (SPOILER: não é namorar com ele). Obviamente que, se ela não falou nem na mesa do bar, de zuera, não teria motivos para dizer para o novo namorado: “Amor, aquele é meu ex idiot fuck**” (**termo cunhado no maravilhoso seriado 30 Rock e que fala de uma pessoa que tu pega porque é gatinho e/ou manda bem, mas que é tão tonto que tu faz isso de maneira, digamos assim, um tanto discreta).

Convém aqui notar que o motivo do recalque mais e mais se apresenta: os mocinhos não conseguem lidar com uma rejeição básica e decidem resolver isso da maneira mais troxa possível, claro.

rejeição

Mas a vergonha ainda piora, se preparem:

você mente que nem sente
semana passada mesmo a gente ficou

Amigo, o contrato não parece ser exatamente esse aí, ou seja, sentir e ficar não parecem se relacionar, nesse caso.

Mas nada é compulsório, saca? Se tu não curte essa situação, pode sair dela, o que não pode é:

e sem que você percebesse eu gravei de nós dois
um vídeo de amor

Gravar outra pessoa durante a prática sexual sem consentimento dela. Isso é: cultura de estupro (aliás, toda essa letra é). Inclusive chamar revenge porn de vídeo de amor é bem o tipinho dos senhores, ein. Lastimável.

Fora gravar, também não pode ameaçar expor a mulher porque ela não quer ficar contigo, cara, olha o papelão. Além de ser um crime e uma péssima forma de lidar com rejeição, fazendo isso tu só está te constrangendo. Sério, ouve o que eu estou dizendo porque agora mesmo estou escrevendo um post tirando com a tua cara, então nem teria como mentir.

Somos adultos e, conforme já falamos aqui e aqui, rejeição acontece. O que não pode acontecer é tentar diminuir e expor uma mulher para que ela se porte como tu quer que ela se porte: ela não é teus bibelô, nem nunca será.

Desiste e vê se cresce aí, ô.

site

 

OBSERVAÇÃOZINHA INTERESSANTE: Aproximadamente uma hora após postarmos o texto a dupla fez uma limpa online, deletando redes sociais e “modificando” o site. Mas, ei, nós sabemos que vocês estão aí, escondidinhos, caras ;)

07 Apr 18:32

O capim braquiária acabará com os Cerrados até o final desse século?

by Ricardo Cardim

 

Pequi-anão no Cerrado bem preservado. Até quando?

Pequi-anão no Cerrado bem preservado. Até quando?

De inegável valor para a pecuária brasileira, o capim-braquiária (Brachiaria sp.) apresenta vantagens importantes, como alta produtividade, valor nutritivo e abafamento de “invasoras” de pasto. Tais fatores levaram a intensa utilização das suas espécies por todo o território, principalmente a Brachiaria decumbens, no Bioma Cerrado. Essa última, também nativa da África, foi introduzida no Brasil recentemente – há duas décadas – e já se espalha por parte considerável do país.

Pode ser ótima opção para a pecuária, mas virou um enorme problema para a vegetação nativa de Cerrado, e com potencial de se tornar seu exterminador. A questão é a imbatível capacidade de competição do braquiária, que rapidamente elimina centenas de espécies de ervas, arbustos e árvores do Cerrado por sombreamento, rapidez e eficiência de propagação.

A esquerda, o capim braquiária invadindo, e na direita da estrada, o Cerrado ainda preservado. Parque Estadual do Juquery - SP.

A esquerda, o capim braquiária invadindo, e na direita da estrada, o Cerrado ainda preservado. Parque Estadual do Juquery – SP.

Os tufos de braquiária (capim mais claro) invadindo o Cerrado agressivamente. Parque Estadual do Juquery - SP.

Os tufos de braquiária (capim mais claro) invadindo o Cerrado agressivamente. Parque Estadual do Juquery – SP.

O capim-braquiária pode ser encontrado também invadindo praticamente todas as áreas verdes urbanas, e nas zonas rurais é hoje a espécie dominante da paisagem. Sua capacidade de “assassino de biomas” ocorre principalmente naqueles não-florestais, como o Cerrado, que tem bastante luz do sol disponível para sua capacidade competidora.

Como o Cerrado está cada vez mais fragmentado e cercado por áreas cultivadas, extensões importantes de reservas nativas estão sendo espontaneamente e silenciosamente substituídas pela espécie invasora, o que equivale quase ao seu desmatamento. Com a rapidez do sucesso da invasão biológica (poucas décadas) e sua eficiência, não será um pensamento irreal imaginar que o Cerrado pode desaparecer em grande parte do Brasil ainda neste século.

1 - o começo da invasão - entremeado as espécies nativas. Parque Estadual do Juquery - SP.

1 – o começo da invasão – entremeando as espécies nativas (a esquerda). Parque Estadual do Juquery – SP.

2 - o braquiária já ocupando todo o espaço da vegetação nativa. Parque Estadual do Juquery - SP.

2 – o braquiária já ocupando todo o espaço da vegetação nativa. Parque Estadual do Juquery – SP.

3 - a "cama" que o braquiária faz impede a luz de chegar ao solo e continuar a vegetação de Cerrado. É o fim. Parque Estadual do Juquery - SP.

3 – a “cama” que o braquiária faz impede a luz de chegar ao solo e continuação da vegetação de Cerrado. É o fim. Parque Estadual do Juquery – SP.

Como resolver? Muita pesquisa para encontrar saídas que não prejudiquem os Cerrados preservados e nem a pecuária. Mas o problema é que nada vem sendo feito. Assim, certamente sobrará aos nossos netos extensos pastos de braquiária em todo o ex-Bioma Cerrado e perderemos um dos maiores ativos ambientais do mundo.

capim braquiária com sementes. Inconfundível.

capim braquiária com sementes. Inconfundível.

Ricardo Cardim

07 Apr 13:48

Comic for April 07, 2015

06 Apr 19:07

Filho de Lula vai à Justiça contra mentiras do prefeito tucano de São Carlos

by Conceição Lemes

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NOTA À IMPRENSA

Filho de Lula interpela judicialmente prefeito de São Carlos

do Instituto Lula, via e-mail

São Paulo, 6 de abril de 2015, 

O prefeito de São Carlos, Paulo Altomani, do PSDB, foi interpelado judicialmente nesta segunda-feira (06), pelo filho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Fábio Luis Lula da Silva, por uma postagem mentirosa em seu Facebook, no dia 15 de março de 2015. A prática pode configurar injúria, calúnia e difamação.

O prefeito usou uma mentira sobre o filho de Lula para convocar as manifestações do dia 15 de março em sua cidade, dizendo que: “não é justo o Tesouro Nacional tirar dinheiro de nossa cidade para repassar ao BNDES para financiar por exemplo a empresa Frioboi (sic), que pertence ao Lulinha, e que paga cachês milionários para o ator Tony Ramos para vender em rede nacional sua carne financiada com recursos de saúde educação limpeza publica etc.”

Segundo consta na interpelação, Fábio “não é nem jamais foi sócio ou manteve qualquer relação profissional com a política ou com negócios relacionados à agropecuária, agroindústria, também não é, nem nunca foi, proprietário de frigoríficos, fazendas ou propriedades rurais”.

Fábio não é proprietário, tampouco sócio da empresa JBS, dona da marca Friboi. Veja aqui, no site da empresa, a lista dos acionistas da JBS.

Fica claro que prefeito se utilizou de mentiras para chamar pessoas para uma manifestação em São Carlos. Espera-se, com a interpelação, que o prefeito do PSDB possa se retratar e colaborar para o restabelecimento da verdade.

O prefeito é o segundo político do PSDB interpelado judicialmente este ano por mentir sobre o filho de Lula. A interpelação contra o deputado federal do PSDB de Minas Gerais, Domingos Sávio, foi protocolada no Supremo Tribunal Federal no dia 18 de março, por mentir indiscriminadamente sobre Fábio. Veja aqui a nota.

O print screen do post do prefeito e a petição de interpelação criminal, estão a disposição dos jornalistas que requisitarem.

Link do post do prefeito de São Carlos Paulo Altomani (post ativo no momento do envio deste email)

Assessoria de Imprensa 

Instituto Lula

Leia também:

André Singer: Governo Dilma pendura o ajuste na conta do trabalhador

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06 Apr 17:04

Aldeia Gaulesa: RBS passa de pedra a vidraça, suspeita de pagar R$ 15 milhões para se livrar de dívida de R$ 150 milhões

by Luiz Carlos Azenha

rbs

De pedra a vidraça: RBS é investigada por esquema milionário de fraude

do Aldeia Gaulesa, sugerido pelo Nelson Marcondes

Eis que quem era pedra virou vidraça: a RBS e mais um punhado de grandes empresas estão diretamente envolvidas em um grande escândalo de corrupção.

A RBS, um dos principais grupos de mídia do país e afiliada da Rede Globo na Região Sul, é um dos alvos da Operação Zelotes, da Polícia Federal, que apura desvios de R$ 19 bilhões em impostos.

Segundo reportagem publicada neste sábado (28/03) no jornal Estado de S. Paulo, o grupo, presidido Eduardo Sirotsky, pagou R$ 15 milhões para obter um benefício fiscal de R$ 150 milhões – ou seja, uma relação de um para dez.

Ao todo, os débitos fiscais da RBS somariam R$ 672 milhões. A empresa, no entanto, afirmou não haver “qualquer irregularidade” em suas relações com a Receita Federal.

Em sua página na internet, o grupo RBS foi evasivo e diz seguir “os mais elevados padrões de governança corporativa”, seja lá o que isso de fato signifique.

Óbvio que esta notícia não estará com nenhum destaque na capa da ZH dominical e também não veremos nas páginas do jornal uma foto com a família Sirotsky, estampada com letras garrafais “Corruptos”, se é que estará em algum lugar do jornal ou em qualquer outro das dezenas de veículos ligados a família.

Assim como seguramente a imprensa nacional, nos próximos dias, deverá discretamente retirar o já pouco destaque que a Operação Zelotes tem ganhado.

Como o escândalo envolve grandes empresas (em geral grandes anunciantes), parceiros de Instituto Millenium​, e além disso não há nenhum agente político com algum grau de relação com o governo federal ou o partido dos trabalhadores, o “interesse público” não é afetado.

PS do Viomundo: Sem falar na mídia corrupta que sonega na compra dos direitos da Copa do Mundo usando empresa laranja em refúgio fiscal (Organizações Globo) ou mantém contas secretas no HSBC (viúva de Roberto Marinho e sócio-proprietário do Grupo Folha).

Leia também:

André Singer: Governo Dilma pendura o ajuste na conta do trabalhador

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04 Apr 12:14

Latuff: Morte no Alemão

by Luiz Carlos Azenha
02 Apr 11:34

A ineficiência da Delegacia da Mulher – parte II

by Clara

Sigamos, pois, com a série de posts sobre a ineficiência da Delegacia da Mulher.

Se até o texto ser publicado eu já tinha muitos relatos, eles agora triplicaram, seguindo o padrão de serem todos horríveis e todos uma segunda violência contra a mulher que vai lá buscar fazer uma denúncia e não sofrer mais. Já recebi mais de 50 (CINQUENTA!) emails.

Leitora do @mulherdelugar sobre o atendimento que recebeu na Delegacia da Mulher: “Você entra fragilizada e sai quebrada”

— mari messias (@marimessias) March 28, 2015

Com 16 anos estive em um relacionamento abusivo e passei 3 meses tentando terminar o namoro. Eu com 16, ele com 22. No final disso tudo, eu me impus e pus um fim na relação. Ele começou a me esperar na porta do colégio, me seguia em festas, bateu nos meus amigos… Até que um dia ele mostrou à minha prima a espada q ele mantinha afiada.

Minha mãe foi comigo à Delegacia da Mulher no bairro do Tanque em João Pessoa. Em primeiro lugar, chegando lá, eu tomei um “esporro” do inspetor.

-“ Mas o que você, com 16 anos esteve namorando um homem de 22?? Namore pessoas da sua idade.”

Pois é. Culpada por ser perseguida e ameaçada.

Não, a existência da Delegacia da Mulher não é um privilégio; a cada quatro minutos uma mulher é vítima de violência doméstica no Brasil. Não, os casos lá não são “problemas de marido e mulher” que “deveriam ser levados a assistentes sociais”. Um homem enfiar porrada na companheira é crime e deve ser tratado como tal. E se elas acabam voltando com os mesmos depois é, na maioria dos casos, porque não têm pra onde ir, porque dependem financeiramente do parceiro, porque a lei não se faz cumprir e elas têm medo.  Medo de retaliação pela denúncia, medo de apanhar mais e ser ainda mais violentada na delegacia caso resolva fazer uma segunda denúncia (lembrando que a escrivã chegou a dizer que mulher que permanece com o agressor tem culpa da violência que sofre), medo de, imagine, morrer.

Quando eu sentei de frente com essa escrivã a primeira coisa que ela me disse foi:

– Vai fazer mesmo isso? Porque eu não tô aqui pra perder meu tempo e depois você não levar isso adiante!”
– Sim, eu vou!
– Fala isso agora, depois volta com o namoradinho igual todas as outras que vem aqui e eu que fico aqui escrevendo pra nada.
– Não, não pretendo voltar com ele. Ele tentou me matar, me deu um soco na cara e enquanto eu jorrava sangue me jogou no chão, chutou e apertou meu pescoço.
– É, mas você nem tá com nenhuma marca muito grande, só esse olho roxo, isso nem vai dar nada pra ele.
– Tá, mas que eu faço…
– Pensa bem se quer fazer esse BO, porque além de depois se arrepender, desistir, voltar com ele, vai ter que ir fazer exame de corpo de delito e tudo mais, e só com esse olho roxo ai o juiz nem vai fazer nada com ele, porque não é nem agressão grave.
– Ele tentou me matar! Se eu não fiquei mais marcada foi sorte,ele continua me ameaçando, eu preciso fazer alguma coisa!
– Eu vou fazer esse seu BO, mas tenho certeza que você não vai levar isso pra frente e SE levar só com essa marquinha no olho, não vai dar em nada, já te aviso!

Um pouco depois ela me passou pra outra escrivã. Essa policial, conversando comigo, vendo meu nervoso e tendo ouvido como a outra havia me tratado, pediu desculpa e disse que estava a somente dois meses na PM e se sentia decepcionada e envergonhada com as coisas que ela andava vendo.

No final, depois de fazer exame de corpo de delito, ser chamada várias vezes na delegacia pra dar depoimento, levar testemunhas, não deu em nada mesmo,porque quando ele finalmente foi chamado me ligou 10 minutos depois de entrar na delegacia rindo e disse:
– Sabe como foi? A delegada me perguntou se eu bati em você, eu disse que sim ela falou pra eu não fazer mais isso e me liberou!

E outra: nada funciona assim dessa maneira tão simples, surgiu violência, sumiu o amor. Muitas das mulheres que sofrem violência acreditam que foi só uma vez, que foi só um descontrole, que ele não vai mais fazer isso e vai mudar. E de novo, e de novo. E aí me incluo. Sim, já sofri violência no passado, mas sempre achei que a culpa tinha sido minha, que eu tinha provocado, que, como eu tinha revidado, não contava como agressão. Que ele era meu grande amor e como é que eu ia denunciar meu grande amor? Não podia. Não é isso que nos ensinam, que o amor deve tolerar tudo? Eu não tinha orientação nesse sentido, assim como muitas outras mulheres não têm.

Vim relatar o caso de agressão e (muitas) denúncias sofridas pela funcionária que trabalha na minha casa há doze anos.

Ela tem hoje 35 anos e foi casada por 16 com o agressor, de 36. Estão separados fisicamente há aproximadamente sete anos. Ele saiu de casa (com MUITO esforço da parte dela) há cinco. Eles têm dois filhos juntos. O menino tem 20 anos e a menina, 12. Atualmente eles moram no mesmo bairro, na Zona Norte do Rio de Janeiro.

Os registros de agressão vêm desde quando o menino era pequeno. Em 2011 ela começou a namorar um outro homem (o ex-marido já estava fora de casa e usava drogas desde quando eram casados).

Ela estima QUARENTA visitas à delegacia da mulher e à delegacia comum entre 2011 e 2014.

Em 2011, o ex-marido foi à casa dela enquanto ela estava ausente e avisou ao filho de que quando usasse drogas novamente iria matá-la. O menino ligou para avisá-la e ela foi direto à delegacia da mulher. Lá foi solicitada medida protetiva com base na ameaça. A medida foi indeferida.

Pouco tempo depois ele invadiu a casa dela (ela estava lá com o namorado e os filhos) com um facão causando fortes ferimentos nela e dano permanente na mão do namorado. Eles foram até a delegacia comum, prestaram queixa e ela foi orientada a seguir até a delegacia da mulher. Dessa vez a medida protetiva foi deferida (incrível que a pessoa precisa estar sangrando para conseguir apoio) e o caso foi registrado como lesão corporal.

Depois do episódio com o facão ele foi até a casa dela uma noite e atirou três vezes. Novamente ela estava com o namorado e os filhos. Ninguém foi atingido, porém os filhos ficaram muito afetados. Medo constante, as notas na escola caíram e o menino chegou ao ponto de dormir com uma faca embaixo do travesseiro, caso o pai invadisse a casa. Ela foi à delegacia e houve registro de tentativa de homicídio (note que a medida protetiva já existia).

Numa terceira “visita” ele tentou atear fogo na casa dela, mas não conseguiu. Ela foi até a delegacia da mulher prestar queixa.

Ela sofreu ameaças frequentes dele. Soube por um homem que o ex-marido lhe ofereceu mil reais para matá-la e matar o namorado. Soube mais tarde, por outro homem a mesma história, porém a recompensa dessa vez era de 2 mil. Os dois alegaram que, por ela ser uma pessoa boa, não aceitaram o serviço. Em todas as ameaças ela registrou queixa.

Ela me disse que na maioria das visitas à delegacia da mulher foi atendida por homens. Disse que sentia como se estivesse pedido um favor, e não exigindo seu direito. Teve a sensação de que na maioria das vezes (exceto quando ela estava sangrando) as pessoas duvidavam dela, mesmo quando ela estava muito nervosa, que sentia que estava sendo “tratada igual a cachorro”.

Foi induzida a tirar a queixa na delegacia comum e, na primeira queixa na delegacia da mulher ouviu: “você tem que pensar muito bem antes de denunciar, porque depois não adianta vir aqui tentar retirar a queixa”. Ela diz que o atendimento foi muito ruim na maioria das vezes. Hoje as coisas estão mais calmas, mas ela vive medo constante.

Ele nunca foi preso.

A violência psicológica também está prevista na Lei Maria da Penha, mas, em muitos casos, a polícia tenta dissuadir a vítima disso. “Isso não é crime”, “não posso fazer nada” e outras frases do tipo se repetem em muitos relatos. Não caia nessa; bata o pé, busque conhecer a lei e exija que o B.O. seja feito.

O resumo da história é o seguinte: eu me envolvi com um rapaz, fui fazer intercâmbio, achei que tínhamos terminado. Voltamos enquanto eu estava lá, e terminamos também.

Quando terminamos, ele ameaçou matar um amigo meu (porque ele sentia ciúmes dele e eu me recusei a excluí-lo do meu face), e direcionou vários xingamentos, de nomes que eu nunca nem tinha ouvido, e ameças como “você vai ver”, “vai pagar pelo que me fez”, e outras mais implícitas. Isso durante uma briga por skype, quando terminamos, e depois por meses seguidos em e-mails, mensagens, whatsapp…

Voltei para o Brasil, morrendo de medo de que ele cumprisse as ameaças e fui à delegacia da mulher com registros de áudios e de todas as palavras que ele me enviou durante uns 4 meses . Não consegui fazer B.O. porque “o crime não foi aqui” (mesmo que ele estivesse aqui e as ameaças fossem pra quando eu voltasse).

Eu fiquei particularmente perturbada quando eu comentei que minutos antes do meu embarque para o brasil ele me mandou uma mensagem com apenas: “;)” o que para mim significava que ele sabia que eu estava voltando. E poderia estar no aeroporto (ele sabia que meus pais moram em outra cidade, muito longe, e nao estariam lá para me receber. A mulher riu muito disso e me disse “piscadinha não é crime”. Eu tentei argumentar que nao era apenas uma piscadinha, que tinha um histórico de ameças…. mas ela insistiu que não poderia fazer o B.O.

Continuei recebendo mensagens esporádicas por cerca de nove meses, embora mais tênues. Ele nunca chegou a me machucar fisicamente, mas eu sei que violência moral e psicológica se enquadram na lei maria da penha, e até hoje não me sinto totalmente tranquila para andar sozinha, pois ele morava perto da minha casa.

E não acaba, gente. Tenho relatos de violência psicológica, de ameaças de morte, de tentativas de assassinato, todos eles seguidos da segunda violência na delegacia da mulher. Tem inclusive uma senhora que foi presa por desacato por não aceitar o tratamento dado ao seu caso pela DDM. Quer dizer: a mulher vai relatar uma violência e acaba ela sendo processada. É mole?

480734_464646046915189_1320129831_n1A sua que pode, senhores e senhoras policiais

Tenho também relatos de algumas delegadas dizendo que não se pode generalizar. Entre mais de cinquenta depoimentos, cerca de quatro delegadas escreveram para defender o atendimento de suas respectivas delegacias. Pensem comigo, senhoras, doutoras: não se pode generalizar porque vocês são a exceção? Fico feliz que algumas de vocês estejam tentando fazer o seu trabalho de forma digna, é claro que fico, e muito obrigada por isso. Mas e as outras todas? E a delegada que concordou com o que expus?

Porém, não poderia ficar inerte ao seu relato: de fato, a Delegacia da Mulher, que se propõe a oferecer um atendimento especializado, muitas vezes não o faz.

Isto porque, dentro da própria instituição policial, ela é preterida, é “menos importante” (já ouvi isso de um chefe). Afinal, roubos, homicídios e drogas dão mais ibope e supostamente precisam de maior suporte técnico e humano.

A realidade é desoladora. Não temos estrutura, viatura, pessoal. Além disso, há uma enorme qtde de tabus a serem quebrados todos os dias; o principal problema pode ser resumido nessa teimosia humana em julgar o próximo.

Como Delegada é super complicado sensibilizar tua equipe a não julgar a mulher vítima de violência.

Digo e repito todos os dias: não estamos aqui para julgar ninguém, atenda bem a vítima, dê todas as orientações possíveis, faça os encaminhamentos corretos, não se prenda a estereótipos do tipo: é prostituta, usuária de drogas, péssima mãe, traiu o marido, etc.

Felizmente, a Delegacia na qual trabalho pode ser considerada uma exceção. Temos 3 escrivães mulheres para atender as vítimas. Conseguimos uma sede nova, no Centro da Cidade, reformada, com salas aconchegantes e limpas, para atender a mulher. Não há essa triagem feita na recepção. A mulher chega e diz: vim registrar um BO e já é encaminhada para um sala reservada. Mas isso só aconteceu debaixo de muita luta. Vou a muitos eventos na cidade e levanto a bandeira da luta contra  violência à mulher. Levo dados estatísticos (da própria Cidade), faço baderna, grito, esperneio, tudo para tentar ser ouvida.

A casa em que funciona a Delegacia foi alugada e é custeada pela Prefeitura. Isso porque a Policia Civil não se ocupa realmente com a Delegacia da Mulher – é, como disse, uma delegacia menos importante, afinal, envolve só “casos de briga de marido e mulher”, e logo eles se entendem e a mulher vem “retirar a queixa”.

Quanto aos policiais que trabalham comigo, há todo um processo de sensibilização que precisa ser feito. Primeiro porque eles não entendem que precisam acompanhar a vitima para retirar os pertences da casa. Ou que precisam leva-la até o hospital para ser atendida. “Não são motoristas de ninguém”. Até você convencê-los que não estamos falando de privilégios e mimos pras vítimas, que tudo está previsto em LEI e somos obrigados a cumpri-la.. é uma luta.

Nesse ponto, eu gostaria de lembrar que os Delegados são líderes e fundamentais nesse processo de mudança. Sou defensora que Delegacia da Mulher é lugar de Delegada e não Delegados, os quais, salvo raras exceções, não são nenhum pouco sensíveis à causa.

Depois, capacitar a equipe, sensibilizá-los, é um processo contínuo, ininterrupto.

A policia é uma instituição que não paga bem seus policiais, os quais vivem estressados, desmotivados, e embrutecidos pelo sistema (imagine ouvir relatos de violência 7 dias na semana).

Precisamos pensar em políticas públicas.

É, delegada. Precisamos. E é isso que faremos.

Vem mais post por aí. Por hoje é só.

“Só”

02 Apr 11:30

Deputados gastaram R$ 6.500 para ver o ex-ministro Cid Gomes em hospital, diz a Folha de São Paulo

by Renato Dantas

A comitiva de quatro deputados formada para visitar o ex-ministro da Educação Cid Gomes num hospital em São Paulo, no dia 12 de março, gastou R$ 6.500 com passagens e alimentação.

André Fufuca (PEN-MA), Manoel Junior (PMDB-PB) e Juscelino Filho (PRP-MA) pagaram, em média, R$ 2.000 para ir a São Paulo e retornar à Brasília no mesmo dia. Os bilhetes foram adquiridos com recursos da cota parlamentar, dinheiro disponível para custear gastos referentes ao exercício do mandato.

Juscelino Filho também apresentou à Câmara uma nota fiscal de uma churrascaria, no valor de R$ 148,20, com data da viagem. Marquinhos Mendes (PMDB-RJ), outro deputado que participou da missão oficial, diz ter tirado do próprio bolso R$ 910 para comprar suas passagens.

Em sessão na Câmara com a presença de Cid Gomes, no dia 18 de março, o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), rebateu o pedido do então ministro para que se apurasse quem custeou a viagem dos deputados.

“Gostaria de dizer clara e textualmente: o requerimento que foi mandado à comissão foi feito sem ônus para a Casa, às expensas dos parlamentares, porque essa Casa se dá ao respeito”, argumentou Cunha na ocasião.

O Congresso não destinou verbas especificas para alimentação e deslocamento dos deputados. As passagens e o almoço de Juscelino Filho, no entanto, acabaram bancados por meio da cota parlamentar. O pagamento só ocorre para ressarcimento de despesas, mediante apresentação de notas fiscais.

O objetivo da visita era avaliar o estado de saúde de Gomes, que apresentou um atestado médico à Câmara para justificar sua ausência a uma audiência. Ele foi convocado a se explicar sobre a declaração de que “na Câmara há de 300 a 400 achacadores”.

Ao chegarem no Hospital Sírio Libanês, os deputados foram impedidos de vê-lo. Cid Gomes acabou indo ao Congresso, uma semana mais tarde. No plenário da Câmara, ele partiu para o ataque. Fez novas acusações, inclusive contra Eduardo Cunha.

01 Apr 18:47

Blog do Dirceu: Cobertura da Zelotes pelos jornalões é uma tragicomédia

by Conceição Lemes

rbsglobo

 A RBS é a maior afiliada Globo. Na foto com William Bonner, Nelson Sirotsky, presidente do Conselho de Administração do Grupo RBS e do Comitê Editorial

Cobertura do escândalo CARF pelos jornalões seria hilária, não fosse trágica

 por Equipe do Blog do Zé

Nossa mídia continua em seu hercúleo esforço para ignorar a Operação Zelotes, desencadeada semana passada pela Polícia Federal (PF) para apurar na Receita Federal (RF) o que as investigações iniciais indicam ser o escândalo financeiro que manipulou maior volume de dinheiro da história do país e o que mais lesou os cofres públicos.

A apuração preliminar que levou a PF a desfechar a Zelotes indica que um conluio entre grandes empresas nacionais e multinacionais e membros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) da Receita pode ter lesado o país em nada menos que R$ 19 bilhões. Nossa grande mídia praticamente não dá o assunto desde o 1º dia (5ª feira da semana passada) e continua assim, sabe-se lá até quando.

Hoje o assunto está na Folha de S.Paulo e em O Globo. Mas, de uma forma que seria hilária, não fosse trágica…O Globo, por exemplo, trata do assunto em seu principal editorial. Mas, faz uma completa inversão de valores e critica a “caixa preta da Receita Federal”, ao invés de criticar os sonegadores, as empresas que cevaram conselheiros do CARF para que eles quebrassem e reduzissem multas/dívidas milionárias delas e as convertessem em quantias irrisórias.

Empresas em que a PF viu indícios negam ter participa de irregularidades

A Folha traz uma reportagem a respeito. Mas em seu editorial principal de hoje não fica muito atrás do Globo: o jornalão da Barão de Limeira, em São Paulo, prega que o governo precisa fazer uma profunda revisão no CARF, aumentando mecanismos de controle focando em maior transparência do órgão.

Na reportagem que publica hoje, a Folha crava que pelo menos 12 empresas, segundo a PF,  “negociaram ou pagaram propina” no CARF para reduzir – em alguns casos, até zerar – débitos com a Receita Federal. Mas, levantamento inicial da PF indica que outras 62 podem ter feito o mesmo – no total 74 grandes empresas teriam alimentado as irregularidades ocorridas no Conselho, última instância da Fazenda para apreciar recursos contra multas e tributos que as empresas consideram indevidos.

A Folha diz ter tido acesso aos 74 processos tocados pela PF e que a levaram a desencadear a Operação Zelotes. Das 74 “muitas subornaram integrantes do CARF. (…) Outras, porém, foram procuradas por facilitadores que intermediavam o suborno a conselheiros do órgão, mas ainda não há contra elas elementos que comprovem o pagamento da propina.

De acordo com o jornalão, os casos que os investigadores apuraram e constataram com indícios mais consistentes envolvem os grupos Gerdau, Rede Brasil Sul de Comunicações – RBS, companhias Cimento Penha, Boston Negócios, J.G. Rodrigues, Café Irmãos Julio, Mundial-Eberle, Ford e Mitsubishi, além de instituições financeiras, como Santander e Safra. Todas foram procuradas pelo jornal e as que deram resposta negaram irregularidades em sua ação.

Leia também:

Kenarik Boujikian: Se o Gilmar já criticou publicamente o financiamento de empresas, por que segurar o processo?

Operação Zelotes: RBS, maior afiliada da Globo, teria pago R$ 15 milhões para “desaparecer” débito de R$ 150 milhões 

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01 Apr 18:45

Na cabine da Germanwings, a depressão neoliberal por Franco Berardi | Tradução Bruno Cava | Imagem: Edvard Munch

by admin

Na cabine da Germanwings, a depressão neoliberal

Existirá uma relação entre o incrível aumento da propensão ao suicídio e o triunfo do neoliberalismo, que implica precariedade e competição obrigatória?


Franco Berardi | Tradução Bruno Cava | Imagem: Edvard Munch

Arquivo

Dizem que o jovem piloto Andreas Lubitz sofria de crise depressiva e mantinha escondidas da Lufthansa as suas condições psíquicas. Os médicos tinham aconselhado um período de licença do trabalho. Mas isso não é de fato surpreendente: o turbocapitalismo contemporâneo detesta aqueles que pedem para usufruir licenças médicas, e detesta à enésima potência qualquer referência à depressão.

Deprimido, eu? Não se fala nunca disso. Eu estou bem, perfeitamente bem, eficiente, alegre, dinâmico, enérgico e acima de tudo competitivo. Faço jogging toda manhã, estou sempre disponível e preparado para coisas extraordinárias.

Não seria talvez esta a filosofia do “baixo custo”? Não seríamos talvez rodeados ininterruptamente pelo discurso da eficiência competitiva? Não estaríamos talvez constrangidos no cotidiano a comparar o nosso estado de ânimo com aquela alegria agressiva dos rostos bem sucedidos que aparecem nos anúncios publicitários? Não correríamos talvez o risco de demissão se faltarmos demais ao trabalho por estarmos doentes?

Agora os jornais (os mesmos jornais que há anos vêm nos chamando de pouco esforçados e elogiam a exclusão dos ineficientes) aconselham-nos a prestar mais atenção nos processos seletivos. Teremos controles extraordinários para verificar se os pilotos de avião não sejam desequilibrados, loucos, depressivos, maníacos, melancólicos tristes e abatidos. De verdade? E os médicos? E os coronéis do exército? E os motoristas de ônibus? E os condutores de trem? E os professores de matemática? E os agentes da polícia rodoviária?

Depuremos os deprimidos. Depurêmo-los. Pena que sejam a maioria absoluta da população contemporânea. Não estou falando dos deprimidos declarados, que aliás estão crescendo em proporção, mas daqueles que sofrem de infelicidade, tristeza, desespero, aqueles que raramente informam da situação e o fazem com certa prudência. A incidência de doenças psíquicas tem crescido enormemente nas últimas décadas. A taxa de suicídio, segundo relatório da Organização Mundial da Saúde, subiu 60% (!) nos últimos quarenta anos.

Quarenta anos? O que isso poderá significar? O que aconteceu nos últimos quarenta anos para que tanta gente se apresse em vestir paletó de madeira? Existirá talvez uma relação entre esse incrível aumento da propensão a abreviar a vida e o triunfo do neoliberalismo, que implica precariedade e competição obrigatória? E existirá talvez uma relação com a solidão de uma geração inteira que cresceu diante da tela, sendo submetida a contínuos estímulos psico-informativos e tocando sempre menos o corpo do outro? Não se esqueçam que, para cada suicídio realizado, existem cerca de vinte tentados sem sucesso. E não se esqueçam que, em muitos países do mundo, os médicos são convidados a ter cautela na hora de atribuir a morte ao suicídio, se não existirem provas evidentes da intenção do falecido. E quantos acidentes de carro ocultam uma intenção suicida mais ou menos consciente?

Não apenas as autoridades de investigação e a companhia aérea revelaram que a causa do desastre aéreo foi o suicídio de um trabalhador que sofria de crise depressiva e que a mantinha escondida, eis que na internet se coloca em marcha o costumeiro exército de teóricos da conspiração. “Até parece que vou acreditar”, dizem aqueles que suspeitam de um complô. Deve ter a mão da CIA, ou talvez Putin, ou quem sabe foi simplesmente um gravíssimo erro da Lufthansa que agora querem esconder do público. Um chargista que se chama Sartori e acredita ser muito espirituoso mostra um cara lendo um jornal com a manchete “Tragédia Airbus: responsável o copiloto deprimido” e fala: “daqui a pouco vão dizer que o ISIS também é feito por deprimidos”.

Olha aí, parabéns. Acertou o ponto em cheio: o terrorismo contemporâneo pode ter mil causas políticas, mas a única causa verdadeira é a epidemia de sofrimento psíquico (e social, mas as duas coisas são uma só) que se está difundindo pelo mundo. É possível explicar o comportamento de um terrorista, de um jovem que se explode para matar uma dezena de outros seres humanos, apenas em termos políticos, ideológicos, religiosos? Certo que se pode, mas vai ser conversa fiada. A verdade é que quem se mata considera a vida um peso intolerável, e vê na morte a única salvação, na tragédia a única vingança. Uma epidemia de suicídio se abateu sobre o planeta Terra, porque por décadas se pôs pra rodar uma gigantesca fábrica de infelicidade de onde parece cada vez mais impossível escapar.

Aqueles que em todo lugar veem um complô deveriam parar de buscar uma verdade escondida, deveriam em vez disso interpretar diversamente a verdade evidente. Andreas Lubitz se trancou naquela maldita cabine porque a dor que sentia dentro de si era de fato insuportável, e porque acusava daquela dor os 150 passageiros e colegas que voavam com ele, e todos os outros seres humanos que como ele são incapazes de libertar-se da infelicidade que devora a humanidade contemporânea, desde que a publicidade nos submeteu a um bombardeio de felicidade obrigatória, desde que a solidão digital multiplicou os estímulos e isolou cada um dos corpos, desde quando o capitalismo financeiro nos constrangeu a trabalhar o dobro para ganhar a metade.