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14 Mar 14:19

"PAU QUE BATE EM CHICO BATE EM FRANCISCO COM MAIS FORÇA"

by lola aronovich
Proibida conversão à direita

Hoje em Recife: Marcha dos Coxinhas
Aproveitando que hoje é domingo e dia de reaça ir pra rua tirar selfie com a polícia que mais mata no mundo, vamos a mais um post político. 
Dando continuidade ao tema do post Lula e a Lavajato, Allan Patrick fez um resumo das perguntas e respostas que surgiram nos comentários do post de sexta.
ELE DECLAROU OU NÃO DECLAROU?
Pergunta: O sr. Allan que é auditor fiscal poderia dizer se na declaração de bens do 'instituto lula' há referências às milhares de palestras, os ref. valores recebidos (participação em conferência NÃO é palestra), e seu IR devidamente calculado e PAGO pelo contribuinte em questão?
Resposta: Bem, quando os jornais estamparam em primeira página os rendimentos de Lula, o fizeram a partir de dados fiscais (declarações que Lula havia apresentado à Receita Federal) que deveriam estar em poder da Lava Jato e que provavelmente foram vazados por ela para a imprensa. Portanto, ao que tudo indica, sim, Lula declarou esses dados à Fazenda Nacional.
COMO É RUIM VIVER ENTRE EGOÍSTAS
Pergunta: Você, servidor público, emprestaria sua eventual "casa de praia" 188 vezes para a mesma pessoa, em um ano? Aceitaria reformas de milhares de reais? Aceitaria receber 38 caixas de vinhos da mudança do amigo?
Resposta: Fato é que quando eu me mudei da cidade de Mossoró para Natal, tive que contar com a solidariedade de amigos e parentes para guardar boa parte das caixas da minha mudança, que não cabiam na quitinete onde provisoriamente, durante pouco mais de um ano, residi com minha esposa. Ninguém me perguntou se nessas caixas haviam livros ou vinhos.
Quando houve a Copa do Mundo em 2014, e aí já estávamos numa residência maior, acolhemos pelo Couchsurfing vários turistas (mochileiros) que vieram a Natal. Chegamos a ter, de uma vez, nove mexicanos em casa. E contei com a solidariedade de amigos que emprestaram colchões pra essa turma toda.
O que eu tenho a dizer a você é que deve ser muito ruim viver num ambiente de pessoas onde todo mundo é egoísta e ninguém se ajuda.
Sobre a quantidade de vezes que Lula visitou o sítio, acho que se eu fosse aposentado e alguém me emprestasse uma casa de praia ou casa de campo, em dois ou três anos eu iria lá 188 vezes ou até mais.
P.S.: o dono do sítio em Atibaia conhece Lula desde que era uma criança de 7 anos.
METAMORFOSE AMBULANTE
Pergunta 1: a "fluidez" das denúncias [o fato de que elas estão em constante mutação] contra Lula AINDA não é um problema PORQUE ELE AINDA NÃO FOI DENUNCIADO PELA JUSTIÇA FEDERAL.
Resposta: Como não é problema? Ele é achincalhado diariamente na mídia com base na elocubração do dia que a Lava Jato vaza e isso não é um problema? Vazamentos ilegais, devo lembrar.
Pergunta 2: você não comentou o fato de a OAS estar pagando / ter pago mais de um ano o aluguel de um container para manter parte da mudança do Lula em um depósito.
Resposta: Esse comentário prova alguns dos pontos que defendi no texto:
1) as acusações são mutantes,
2) nunca estão acompanhadas do outro lado ou do posicionamento da defesa, até porque esta sempre é a última saber do que está sendo acusada
3) são vazadas ilegalmente para a imprensa. Como corolário do clima de fascismo, o comentário, como tantos outros, vem postado anonimamente.
Lula não é mais agente público desde que deixou a presidência. Seus negócios privados podem ser conduzidos da forma que lhe for mais conveniente, dentro da lei. Pode, apenas como exemplo hipotético, ter pago essa armazenagem com uma palestra em Moçambique e outra na China. Ou não, pode ter pago com seus próprios recursos. Segundo dados fiscais vazados à imprensa, Lula faturou mais de R$ 20 milhões em palestras, então R$ 20 mil/mês de aluguel não parece ser um valor extraordinário.
Falo o que falo com base em experiência própria. Como servidor público que trabalha numa organização que mexe com um tema sensível, o patrimônio das pessoas, não posso sair por aí fazendo autuações com base no primeiro feeling que vem à minha mente. Tenho que cruzar informações, fazer batimentos, e intimar o contribuinte a dar sua versão para cada situação. Isso porque meu trabalho é no âmbito do direito tributário.
No direito penal -- não no direito penal do inimigo -- deve-se ser ainda mais rigoroso do que no tributário durante a construção do arcabouço probatório para se chegar a uma condenação.
ALGO HABRÁN HECHO
Pergunta: Portanto, meu caro, alguma coisa tem e é muito séria.
Resposta: Durante a ditadura militar na Argentina, que deu fim a 30 mil vidas no período da guerra suja, a frase "algo habrán hecho" -- meio que uma tradução para "alguma coisa tem" -- era muito usada para justificar quando alguém "desaparecia".
É uma frase antagônica do Direito Penal e do Estado Democrático de Direito. Sintomático seu uso no debate público na atual conjuntura.
POLÍTICA OU DIREITO PENAL?
Pergunta: Ok Patrick, vc conta com a solidariedade de amigos.... Presidentes e ex-presidentes não podem se dar a esse luxo. Uma conduta ilibada requer que não fique margem pra dúvida sobre a conduta adotada. Lula não é nenhum coitadinho... Poderia ele mesmo ter comprado um sítio e o triplex e ter colocado no nome dele. Por que não fez isso?
Resposta: A Constituição dá o direito a todas as brasileiras e brasileiros de julgar politicamente o comportamento de Lula de curtir o sítio de um amigo ou de sonhar em comprar um triplex. Julgamento político, repito.
Mas às autoridades judiciais, um julgamento criminal tem que seguir certas regras, do contrário não estamos num Estado Democrático de Direito.
Se você está dizendo que o sítio e o triplex são deles, você tem o ônus de provar. No filme que recentemente ganhou o Oscar, Spotlight, os jornalistas que investigavam o caso tinham diversos indícios para acreditar que a Igreja ocultava casos de pedofilia. Mas só concluíram sua investigação e publicaram algo quando encontraram provas definitivas: cartas assinadas pelo próprio Cardeal de Boston reconhecendo os fatos.
No caso do sítio e do triplex, essas provas nunca aparecem, nem há fumaça de sua existência. Provavelmente porque o que ele afirma é verdade. Uma equipe de investigação -- jornalística ou criminal -- não pode brigar pra sempre com as evidências até que a tese pré-concebida seja alcançada. Isso não é jornalismo nem investigação penal, mas perseguição pessoal.
PAU QUE BATE EM CHICO BATE EM FRANCISCO COM MAIS FORÇA
Pergunta: Os excessos da lei cabem ao pedreiro Amarildo, torturado e morto pela polícia. Aos investigados da lava jato, desde que o mundo é mundo, cabem os privilégios da lei. Ao Aécio cabem mais privilégios do que ao Lula, isso é um fato. Mas de qualquer forma fico feliz que se trate com rigor aqueles das camadas mais altas, que é onde o Lula está hoje. E torço pra que chegue logo a vez do Aécio.
Resposta: A direita não é ingênua como a ultra-esquerda quando o tema é luta de classes. Lula era e continua sendo um representante das classes subalternas. A direita não tem nenhuma dúvida quanto a isso.
Ele sendo tratado com arbitrariedade e esculachado, mesmo sendo um personagem proeminente da classe subalterna, só dá ainda maior liberdade para o abuso e assassinato de pessoas como Amarildo.
Está em dúvida? Anteontem mesmo a Polícia Militar de São Paulo já se achou no direito de invadir um sindicato pra combater “crime de opinião”.
COMPARANDO COM O CASAL CLINTON
Apenas a título ilustrativo, vamos pegar um caso real de outro país, sobre o qual a opinião publicada não está contaminada, pra fazermos uma análise da situação de Lula.
Quando Bernie Sanders acusa Hillary Clinton de fazer palestras demais para bancos de Wall Street, ele faz uma acusação política, não uma acusação criminal.
Entendo e respeito, embora discorde, quem condena politicamente Lula pela proximidade com grandes empresários brasileiros.
O pulo do gato está em transformar o discurso político em discurso penal. No meio do caminho há uma Constituição e um Código Penal, ambos no contexto de uma sociedade que se pressupõe constituir um Estado Democrático de Direito dentro de uma economia capitalista liberal.
Não estamos numa hipotética sociedade comunista onde é crime ter relacionamentos comerciais com empresários. Mais uma vez, lembremos: Lula deixou de ser agente público desde o final de seu mandato em 2010.
Por que a Odebrecht pagaria por um evento com Lula em Angola? Pela mesma razão que levou a empresa americana que adquiriu a Universidade Potiguar em Natal, RN, a pagar por um evento com Bill Clinton nessa cidade em 2010: mostrar ao mercado local que é uma corporação de porte e com trânsito internacional. Isso garante acesso a mercados e contratos.
Fez mal Lula em agir assim? Há quem pense que esse é um comportamento político errado, que Lula deveria ter voltado pra São Bernardo pra jogar dominó com os companheiros do sindicato.
Respeito essa opinião (que é um julgamento político, como já falei), mas não concordo. Com essa atuação de Lula, empresas brasileiras ganharam uma inédita inserção internacional. Ilustro o efeito benéfico a partir do exemplo do filho de um casal de vizinhos, formado recentemente em engenharia: trabalha numa obra de uma construtora brasileira em Angola.
LULA ESTÁ TRANSFORMANDO O BRASIL NUM IMPÉRIO MALVADO?
Mas será que isso não é ruim pra Angola (ou qualquer outro país onde esse tipo de ação ocorreu)?
Bem, antes esses países, pra fechar um negócio desse tipo, costumavam ter como opção apenas empresas dos Estados Unidos, contando com financiamentos do seu Eximbank ou do Banco Mundial. Normalmente, para conseguir esses financiamentos, tinham que cumprir contrapartidas de ordem política, como privatizar sistemas de distribuição de água.
As empresas brasileiras, financiadas pelo BNDES, não fazem exigências políticas como essas aos governos locais. É uma situação benéfica para todos, então por que Lula não pode ser bem remunerado por seu trabalho?
CONCLUSÃO
Por acaso Lula utilizou os seus ganhos pra comprar um apartamento em Paris, outro em Nova Iorque e mais um em Mônaco? Vive no circuito dos grandes cassinos internacionais? Veraneia na Côte d'Azur ou em Palma de Mallorca?
Nada disso, apenas pensou em comprar um apartamento no Guarujá e uns pedalinhos pros netos, além de um barco de lata pra pescar no sítio de um amigo. O resto preferiu aplicar em benefício da sociedade por meio do Instituto Lula que, como falei no post anterior, construiu o ciclo dos “Diálogos Africanos”, realizou debates sobre os imigrantes no Brasil, a visita a refugiados ou a elaboração do Memorial da Democracia, só pra citar eventos que eu vi com meus próprios olhos no Youtube e na internet.
Enfim, até agora eu não vi motivos pra duvidar da fala em que Lula afirmou que não ia se encontrar ninguém mais honesto do que ele entre os que o perseguem.
12 Mar 13:09

Mistério do cofre é mistério porque a Lava Jato não lê a Época e nem a Época lê a Época

by Fernando Brito

Manchete da Época: Exclusivo: PF encontra cofre da família de Lula. Uau! E lá, entre outros objetos de arte, destaca-se a foto de uma adaga de ouro, marfim, esmeraldas e brilhantes! Que furo de...

O post Mistério do cofre é mistério porque a Lava Jato não lê a Época e nem a Época lê a Época apareceu primeiro em TIJOLAÇO | “A política, sem polêmica, é a arma das elites.”.

11 Mar 22:02

GUEST POST: LULA E A LAVA JATO

by lola aronovich
Meu amigo Allan Patrick é Auditor Fiscal da Receita Federal e colaborador frequente aqui do blog. Pedi a ele para escrever um texto sobre Lula e a Operação Lava Jato.

Já que Lola é Professora de Literatura, eu poderia começar e encerrar este post dizendo que uma resposta curta e precisa, em apenas um parágrafo, às suas indagações sobre essa operação poderia se resumir a um personagem, Josef K., e à obra por ele protagonizada, O Processo, de Franz Kafka.
Mas elaboremos um pouco mais.
Lula, condenado por alguns
meios de comunicação
desde 1980
Aparentemente, Lula é acusado de receber por palestras fantasmas, de receber demais por palestras, de ser contratado para palestras em mais de 30% dos casos por empresas que já tiveram negócios com o governo, de ter montado um instituto de fachada para lavar dinheiro sem pagar imposto, de ter um sítio ou ainda por ter um apartamento no Guarujá que não está em seu nome. 
Esse “aparentemente” do início do parágrafo anterior e a conjunção “ou” para tantas acusações alternativas não estão aí gratuitamente. Tal como acontece com Joseph K., a acusação contra Lula é fluida, variável e nunca está definida preto-no-branco, até porque se estivesse seria possível elaborar uma defesa e não foi pra isso que “o processo” foi criado. 
Digo isso porque se tem a nítida impressão que o nosso K., Lula, já foi condenado de antemão e “o processo” é apenas um meio pelo qual essa condenação terá que nascer, nem que seja a fórceps e com manobra de kristeller.
Aliás, enquanto eu redigia esse texto, saiu a notícia que a Operação Lava Jato tem uma nova acusação por improbidade administrativa contra ele e deverá julgá-lo e condená-lo até a segunda instância antes de 2018!
Ao ver isso no noticiário, o leigo pode pensar que a investigação está se aprofundando, quando na realidade ela está perdida porque, uma após outra, as acusações são rebatidas pela defesa. É incrível como a situação de Lula na Lava Jato se encaixa à perfeição na breve sinopse que a Wikipédia em português apresenta sobre O Processo:
"Sem motivo Josef K. é capturado e interrogado em seu aniversário de 30 anos. As circunstâncias são grotescas, ninguém conhece a lei e a corte permanece anônima. A 'culpa', descobre Josef K., torna-se-lhe inerente, sem que ele possa fazer algo contra isso. Obstinadamente, mas sem sucesso, ele tenta lutar contra o crescente absurdo e envolvimento, ignora todo aviso de resistência e é por fim executado um ano depois nos portões da cidade."
Porque de antemão A Corte não acredita que alguém pagaria por uma palestra dele.
A Corte também não admite as provas em contrário apresentadas por Fernando Morais ou quem quer que seja.
Por exemplo, segundo ditames d’A Corte, esse evento não existiu:
Lula, 4o da esquerda para a direita, em 27/11/13, reunido com empresários chilenos na Confederación de La Producción y del Comercio 
Para A Corte, (ex-)presidentes americanos promovem o interesse de seu país ao defenderem suas empresas.
Afinal, se Bill Clinton veio a Natal/RN em 2010 palestrar para promover a empresa americana que adquiriu a maior universidade particular do estado, então estamos diante de um evento lindo e maravilhoso! Clinton sim é um verdadeiro estadista.
Mas se Lula fizer o mesmo, ou seja, sair por aí promovendo empresas brasileiras no exterior, certamente é crime. Esse peão não sabe o seu lugar.
Enfim, A Corte não admite que o Instituto Lula não seja uma organização criminosa.
A Corte entende que o instituto está lá pra lavar dinheiro, pagar benesses e luxos ao Lula. Evidências e provas em contrários são inúteis, pois A Corte já decidiu que houve confusão patrimonial.
Se o Instituto não foi usado pra lavagem de dinheiro ou pra pagar despesas pessoais de Lula, então A Corte entende que mesmo assim ele é um crime, pois no Código Penal anotado pela Corte constitui propina doação a um mausóleo de adoração soviética do “grande líder”.
A Corte descarta qualquer evidência em contrário. A construção dos “Diálogos Africanos”, debates sobre os imigrantes no Brasil, a visita a refugiados ou a elaboração do Memorial da Democracia não são evidências aceitas por Ela.
A Corte entende que se esses atos ainda não forem crimes então em breve certamente serão, mas assegura desde já a condenação em segunda instância, antes de 2018.
(Desculpem o breve desvario kafkafiano, mas é assim que a mente passa a funcionar quando imersa n’O Processo).
Deixando Kafka (um pouco) de lado, por que tanto ódio e desconfiança em relação ao apartamento do Guarujá e ao Sítio de Atibaia?
No meu meio social, classe média alta de uma capital litorânea, é comum alguém emprestar uma casa de praia ou de campo a um parente ou amigo próximo em troca de reparos ou de sua manutenção.
É ainda mais comum acontecer, antes de alguém comprar um imóvel, que a pessoa visite vários diferentes, sonhe e faça planos mirabolantes para cada um deles e no final desista da aquisição.
Mas essas são práticas costumeiras de quem pode. Isso não é pra qualquer um, muito menos um peão. Aliás, se for um peão fazendo isso, deve ser crime.
É que, como já diz uma velha piada, rico correndo pratica cooper; pobre correndo deve estar fugindo da polícia.
JOÃO SANTANA
Lula é uma pessoa querida e amada por muitos. Se queremos nos embrenhar nos intestinos da Lava Jato, temos que falar de pessoas de reputação incógnita, já que exercem atividades normalmente execradas pelo público.
Ao serem presos, Mônica Moura e seu marido, João Santana, foram algemados. Quando o STF editou a Súmula Vinculante nº 11, sobre a proibição do uso de algemas, anulou um julgamento de homicídio com base unicamente no fato do réu estar algemado. Ao que tudo indica, essa Súmula não se aplica À Corte.
Vamos falar, por exemplo, do marqueteiro João Santana. Sobre ele, parece (afinal, estamos falando d’A Corte onde corre O processo e lá a defesa é sempre a última a conhecer o teor da acusação) que pesa a acusação de ter recebido um depósito em conta no exterior por uma atividade realizada no exterior (segundo o próprio João Santana) ou no Brasil (segundo A Corte).
Como Lola me apresentou, eu sou Auditor Fiscal, trabalho na Receita Federal, e entre outras atividades que já exerci na instituição, uma delas foi a de fiscalizar contribuintes que não tinham cumprido suas obrigações tributárias corretamente.
Como a Receita Federal costuma proceder ao se deparar com a informação de que um contribuinte recebeu um vultoso depósito em conta corrente no seu nome? Há uma série de passos a serem seguidos. Inicialmente um setor chamado Seleção faz uma análise sumária do caso.
Neste momento, havendo dúvidas razoáveis sobre a legalidade do ato, provavelmente será aberto um procedimento fiscal. Aberto o procedimento fiscal, ele é distribuído a um servidor público ocupante do cargo de Auditor Fiscal. Essa pessoa intimará o contribuinte a prestar esclarecimentos e buscará, por meios lícitos de prova, informações que comprovem ou desmintam a versão que o contribuinte apresentar para o depósito vultoso.
Se o Auditor Fiscal, ao final desse procedimento fiscal, tem a convicção e provas de que aquele depósito é uma renda não declarada pelo contribuinte, procederá à lavratura de um Auto de Infração. Do contrário, encerrará o procedimento fiscal sem resultado.
Havendo a autuação, o contribuinte tem direito a contestar o resultado do Auto de Infração. Se assim o fizer, esse Auto será revisto internamente numa unidade distinta daquela onde o Auditor Fiscal que o elaborou trabalha, chamada Delegacia de Julgamento, também composta por Auditores Fiscais.
Se o contribuinte discordar da decisão tomada pela Delegacia de Julgamento ao analisar sua impugnação, ainda tem o direito de submeter um novo recurso, desta vez ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, composto meio a meio por Auditores Fiscais e advogados indicados por entidades patronais, como as Confederações Nacionais da Indústria, da Agricultura e do Comércio.
Se esse Conselho finalmente entender que aquele depósito é um ilícito tributário, o Auto de Infração retorna à unidade de origem sem mais chances de ser revisto administrativamente e pronto para cobrança.
Se houver anexado a esse Auto uma Representação Fiscal para Fins Penais por crime de sonegação, essa representação será encaminhada ao Ministério Público Federal.
Mas atenção: nesse caso o STF já pacificou jurisprudência no sentido de que, se o contribuinte pagar os valores relacionados no Auto de Infração, extingue-se o processo penal e o contribuinte não responderá pelo crime de sonegação.
Eventualmente, se durante o procedimento fiscal, o Auditor descobrir indícios que apontem para a origem ilegal desse depósito na conta do contribuinte -- que não a mera sonegação de tributos -- pode encaminhar de imediato Representação Fiscal para Fins Penais ao Ministério Público Federal que, usualmente, solicitará à Polícia Federal a abertura de um inquérito para apurar informações que complementem essa representação e, se entender cabível, ao receber de volta o inquérito preparado pela PF, apresentará uma denúncia perante um juiz. 
Comparemos esse roteiro tradicional com o que aconteceu com João Santana. Ele foi preso de cara lá no momento inicial, quando num caso normal tem início o procedimento fiscal na Receita Federal. Ou seja, a situação dele é excepcionalíssima quando observada lado a lado com possíveis ilícitos similares.
Inverteu-se a presunção de inocência quando ele primeiro foi preso e só depois a máquina processual burocrática começou a se mexer. Isso é possível?
No mundo real (aqui fora), podem acontecer situações excepcionais que justifiquem a prisão preventiva, normalmente porque o alvo:
1) Constrange testemunhas
2) Destrói provas ou
3) Está em continuidade delitiva.
Não parece ser o caso de João Santana, pois:
1) Supõe-se (lembrando que n’A Corte acusações são sempre mutantes, portanto no condicional) que ele está sendo acusado por fazer campanhas eleitorais para Lula e o PT em troca de dinheiro oriundo de propinas, mas não estamos em campanha eleitoral, ou seja, no momento é impossível a continuidade delitiva
2) Não se tem notícia de que esteja constrangendo testemunhas.
3) Aí resta, para justificar o aprisionamento, a acusação de destruição de provas, a qual não faz sentido porque se houvesse qualquer preocupação com isso A Corte não estaria há mais de uma semana vazando que João Santana seria alvo de uma operação -- ao mesmo tempo em que recusava pedido feito por ele para depor espontaneamente!
Será que João Santana apagou alguma coisa dos seus computadores? Bom, depois que houve um vazamento sobre brinquedos sexuais de um réu numa recente operação do MPF em Brasília, isso seria estranho?
Kafka pode ter alcançado o mesmo nível, mas não fez melhor n’O Processo.
CONCLUSÕES
Qualquer Estado Democrático de Direito digno de tal denominação não pode tratar de forma desigual, perante a lei, pessoas em situação semelhante.
Não é à toa que, colocados nessa situação extraordinária, tantos réus delatem. De fato, apenas 8% dos acusados na Lava Jato permanecem presos. Os demais, como se dizia nos tempos da ditadura, “cantaram” e estão livres.
Além da desigualdade de acesso ao direito, pesam desconfianças sobre a imparcialidade da Operação. Só Aécio Neves, por exemplo, já foi citado por três delatores. E, embora ele tenha foro privilegiado, as pessoas do seu entorno não têm. E elas não foram abordadas. Uma Justiça que não trata a todos com isonomia não representa um Estado Democrático de Direito.
Ao que parece, existe um Direito Penal para um setor da sociedade, onde se incluem Fernando Henrique Cardoso, Aécio Neves, Eduardo Cunha, José Serra, dentre outros, e um segundo Direito Penal, o Direito Penal do Inimigo, tal como concebido por Gûnther Jakobs, que se aplica ao “Outro”, ao “Petralha” ou qualquer um que a estes possa ser associado, e que os sujeita a:
(a) antecipação da punição;
(b) desproporcionalidade das penas e relativização e/ou supressão de certas garantias processuais;
(Não inventei esses itens, eles estão na obra de Jakobs).
Por fim, não deixa de ser curioso que, na esdrúxula teoria construída pela Corte, os subordinados da “organização criminosa” desviam centenas de milhões de reais e os “cabeças”, que detêm o “domínio do fato”, pedalinhos e um barco de lata.
Em paralelo, me causa espanto que o escândalo seja conhecido como da “Petrobrás”, a empresa vítima do esquema, e não da Samsung, a empresa que teria praticado a corrupção ativa e incentivado diretores da Petrobrás a trair os interesses da estatal em troca de propinas. Mas isso seria tema pra outro post.

Resposta de Allan Patrick a alguns questionamentos que surgiram nos comentários.
11 Mar 11:45

CPLP - A hora da verdade

by Francisco Seixas da Costa
Allan Patrick

O problema é, enquanto pra Lula a política externa era prioridade (e isso rendeu muitos frutos), Dilma a considera um estorvo.



Posso ser sincero? A CPLP tem duas décadas de existência e, há que dizê-lo com frontalidade e transparência, estes vinte anos não foram os mais entusiasmantes.

Houve países que investiram a sua vontade política na CPLP. Outros fizeram os mínimos, outros nem isso. A profunda desigualdade entre os Estados integrantes, as diferentes prioridades em que cada um coloca a organização no quadro das suas opções externas – tudo isso contribuiu para desenhar uma manta de retalhos, aqui ou ali nem sempre muito bem servida pelas personalidades a quem competiu desempenhar o cargo de Secretário-Executivo. Presumo que não seja politicamente correto dizer isto “alto”, mas eu, que estou de fora, não me coíbo em afirmá-lo.

A CPLP tem urgentemente de se repensar. Neste tempo de refluxo global da liberdade de circulação, ou a organização se consegue relançar como um espaço de cidadania coletiva, visivelmente útil para todos os seus cidadãos e Estados, ou o seu destino continuará a ser o estiolar na rotina declaratória das cimeiras. Por essa razão, criar tensões artificiais, para tentar relançar jogos de poder, é um gesto gratuito e até irresponsável. Nesse caso, talvez fosse melhor assumir, com coragem, o desafeto lusófobo ao projeto, em lugar de estimular polémicas que podem ter efeitos detrimentais nas relações bilaterais. Ou então, se esse é objetivo, assumi-lo abertamente.

Sei que o tema não é cómodo para muitos, mas também não vale a pena esconder que a adesão da Guiné Equatorial – forçada pela generalidade dos restantes membros, contra a vontade portuguesa – não configurou a “finest hour” de uma organização que se havia assumido, no seu início, com uma vocação ético-política, e que acabou por vergar-se à realpolitik. Goste-se ou não, essa adesão deixou feridas, descredibilizou profundamente a organização e permanece como um ferrete de que a CPLP se não libertou. O facto dos diferentes países ainda hoje olharem para esta realidade de forma contrastada é, em si mesmo, prova da fragilidade dos princípios comuns da organização.

Tenho-o dito e escrito, desde há muito: enquanto a CPLP não for assumida pelo Brasil como um instrumento essencial da sua política externa, a organização tem escassas possibilidades de evoluir e de afirmar-se à escala global. E nunca, até hoje, o foi. Em 2016, o Brasil assume a presidência rotativa da CPLP. Fá-lo-á passando a ter como embaixador junto da organização um diplomata que conheço muito bem, com grande qualidade e prestígio. Esta é uma oportunidade soberana para Brasília dar mostras de liderança e capacidade para relançar um projeto que, para ter “pernas para andar”, necessita, apenas e só, de vontade política. Porque acho que a ideia da CPLP permanece cada vez mais válida, confesso que ando à procura de razões para alimentar o meu otimismo.
11 Mar 11:30

Promotor que denunciou Lula foi sócio de filho de um dos maiores bicheiros de SP

by Paulo Nogueira

Do zero hora:

Os principais denunciantes do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva acumulam alguns episódios polêmicos na biografia. É o caso do promotor José Carlos Blat. Em 1998 ele foi um dos criadores do Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), unidade de elite do Ministério Público de São Paulo. Trabalhou no famoso caso da Favela Naval, onde um policial foi flagrado torturando e matando suspeitos.

Blat dedicou a maior parte do tempo a investigar contrabando e jogatina ilegal. Foi por essas duas atividades que acabou alvo de inquéritos da Corregedoria do MP.

Em 2002 Blat foi investigado por suspeita de proteger o contrabandista chinês Law Kin Chong, um dos mais notórios do país. O promotor teria, supostamente, direcionado sua atuação contra contrabandistas de menor expressão para proteger Law. Corregedores apontaram que uma advogada que trabalhava para o criminoso chinês visitava Blat periodicamente no Gaeco.

Ele também foi investigado por supostas ligações com bicheiros. O promotor admitiu ter sido sócio, numa loja de conveniências, do filho de Ivo Noal, o maior banqueiro do jogo do bicho em SP. As investigações sobre Blat, conduzidas pelo procurador de Justiça Antônio Ferreira Pinto, acabaram arquivadas pelo Judiciário.

A polêmica mais recente de Blat é a investigação sobre a Bancoop, cooperativa falida que teria desviado recursos para empresas ligadas a alguns dirigentes do PT, entre eles, João Vaccari Neto, agora preso pela Operação Lava-Jato. O promotor é acusado por dirigentes petistas de perseguir o partido.

A mesma acusação é feita a outro promotor que acaba de denunciar Lula, Cássio Conserino. Ele ficou conhecido por diversas denúncias contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), maior facção do crime organizado paulista. Mas também por um episódio controverso: em 2012 prendeu temporariamente 13 policiais civis e um advogado em Santos por suspeita de extorsão e envolvimento com jogatina clandestina.

Acontece que todos foram liberados horas depois, porque a Justiça considerou que não foram encontradas provas contra eles. O jogo virou contra o promotor, que acabou condenado em processo por dano moral movido pelo advogado que fora preso.

(…)

O post Promotor que denunciou Lula foi sócio de filho de um dos maiores bicheiros de SP apareceu primeiro em Diário do Centro do Mundo.

09 Mar 17:08

Gestapo de Moro se apropria de bens da família e do Instituto Lula, viola e-mails, troca senhas, tudo isso sem mandado

by Antônio Mello

Gestapo


A condução coercitiva do ex-presidente Lula não foi a única ilegalidade cometida pela Polícia Federal na última sexta-feira, dia 4. Embora esta ao menos tenha justificativa no mandado do juiz Moro.

Mas, agindo como a antiga Gestapo de Hitler, os federais foram além, segundo denunciam parentes do ex-presidente e o Instituto Lula.

Os advogados de parentes do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recorreram hoje (ontem, dia 8) à Justiça contra as buscas e apreensões feitas pela Polícia Federal na semana passada, durante a 24ª fase da Operação Lava Jato. Segundo os defensores, a PF apreendeu bens pessoais das noras de Lula, como laptops, celulares e tablets, que não eram alvo dos mandados de buscas expedidos pelo juiz federal Sérgio Moro.

Além das buscas na casa dos parentes, a defesa questiona a ação da PF no Instituto Lula e na sede das empresas Touchdown Promoção de Eventos Esportivos e LFT Marketing Esportivo, de propriedade de um filho de Lula. De acordo com a petição, as empresas não estavam abrangidas pelos mandados. No caso do Instituto Lula, os advogados alegam que os agentes mudaram a senha do administrador dos computadores e os funcionários não conseguem trabalhar, por não terem acesso à nova senha.

De acordo com os advogados, a PF levou bens pessoais de Marlene de Araújo Lula da Silva , esposa de Sandro Luis Lula da Silva, de Renata de Abreu Moreira, casada com Fabio Luis Lula da Silva, e de Fatima Cassaro da Silva, mulher de Luis Claudio Lula da Silva.

Segundo os advogados, de acordo com a decisão do juiz, os agentes não poderiam ter levado os aparelhos e documentos, que se referem às atividades profissionais de uma das noras de Lula, que é advogada. [Fonte: Agência Brasil]

Do Instituto Lula:

Durante a operação de busca e apreensão no Instituto Lula na última sexta-feira (4), a Polícia Federal exigiu, sob voz de prisão do técnico de informática, a senha do administrador das contas de e-mail @institutolula.org, o que não constava no mandado da justiça, que fazia referência apenas poucas contas de e-mail específicas.

Com a informação que receberam sem mandato, passaram a ser os únicos a poder criar e bloquear e-mails, além de terem acesso livre a todas as contas do Instituto Lula, indo muito além do mandado original expedido pelo juiz Sérgio Moro. 

Mais do que isso. Ontem foi efetivamente violado o sigilo de cinco contas de e-mail, todas sem o respaldo legal de um mandato judicial.

Trata-se não somente de mais uma violação das regras legais. Trata-se de uma violência às garantias e direitos fundamentais expressos no artigo 5º da Constituição Federal, uma salvaguarda civilizatória defendida na Declaração Universal dos Direitos Humanos e por todas as democracias deste planeta.

O Instituto Lula peticionou na terça-feira (8), ao juiz Moro, a devolução da senha do administrador para o fim desse abuso de poder contra o trabalho de uma entidade da sociedade civil brasileira.

A apropriação ilegal da senha do administrador dos e-mails do Instituto (hospedados no Google) permite à Polícia Federal: ler todas as mensagens de todas as contas do Instituto (inclusive esta e qualquer comunicação com a imprensa, violando princípio constitucional), apagar informações, e, como já aconteceu, trocar a senha, impedindo o acesso as contas pelos seus usuários, bloqueando seu trabalho e contatos.

A senha também permite que eles criem novos (e ilegítimos) e-mails com o domínio do institutolula.org e que mandem mensagens em nome de qualquer conta do Instituto. Imagine se um abuso desse fosse cometido com a sua conta de e-mail pessoal, com a conta de e-mail de uma empresa, ou de um órgão da imprensa. 

O Instituto Lula é uma organização da sociedade civil brasileira sem fins lucrativos, com contatos e trabalho conjunto com movimentos sociais, entidades sindicais, organismos internacionais, governos e ex-mandatários da África, América Latina, Estados Unidos, Europa, Ásia e Oceania. 

Apenas para citar alguns exemplos, temos acordos, parcerias ou relacionamento com a FAO, a Cepal, com a União Africana, com a União Europeia, com a Unasul, com as fundações do Partido Socialista Francês e do Partido Social Democrata Alemão, com o Podemos e o PSOE da Espanha, com o sindicato dos trabalhadores da indústria automotiva dos Estados Unidos (UAW), com o sindicato dos metalúrgicos da Alemanha (IG Metall), com a Central Sindical da África do Sul (Cosatu), com a Fundação Bill e Melinda Gates, com a Fundação Clinton etc. 

Recebemos visitas de jornalistas, acadêmicos, embaixadores, lideranças partidárias, chefes e ex-chefes de estado interessados em conversar sobre o cenário político mundial e a experiência do Brasil no combate à pobreza com os diretores do Instituto e com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, uma das personalidades brasileiras mais conhecidas no exterior.

O sequestro feito pela Polícia Federal de toda a nossa autonomia e privacidade em comunicações eletrônicas é uma violência contra a democracia, a liberdade de organização e expressão.


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Madame Flaubert, de Antonio Mello

09 Mar 16:17

FHC precisou de 9 caminhões para despachar os presentes que recebeu na presidência

by Paulo Nogueira

Em 2010, a revista Época, ainda não aparelhada pelo antipetismo estridente, publicou um texto sobre como os ex-presidentes lidam com os presentes que receberam durante o mandato. FHC teve que recorrer a nove caminhões para carregar os seus ao sair do Planalto.

Um trecho da reportagem:

Fernando Henrique Cardoso se deparou com o mesmo problema há nove anos. Ele saiu de Brasília com nove caminhões de mudança e precisou de mais de um ano para fundar seu instituto, tempo em que recolheu fundos com a iniciativa privada para custeá-lo. Atualmente, o acervo é mantido no subsolo de um prédio no centro de São Paulo. O local foi equipado com controles de temperatura e umidade. Uma equipe especializada é responsável pela limpeza diária do arquivo. Outra se dedica à montagem de exposições e à manutenção do site. Tudo custa cerca de R$ 100 mil por mês. A maior parte dos recursos é obtida por meio da Lei Rouanet, de incentivo à cultura. Já a Fundação Sarney, em São Luís, no Maranhão, diz depender exclusivamente de doações de recursos privados para se sustentar. A administração dos acervos demanda uma quantidade considerável de trabalho e dinheiro, o que dificilmente permitiria aos ex-presidentes retirar-se da cena pública para uma aposentadoria tranquila, caso eles assim o desejassem.

Embora a lei obrigue os ex-presidentes a conservar e expor seus presentes, ela não diz quando isso deve ser feito. Isso explica por que, 18 anos depois de sua conturbada saída da Presidência, Fernando Collor de Melo ainda não organizou seu acervo. Ao voltar ao Senado em 2007, o ex-presidente decidiu se ocupar de seus documentos e presentes, abandonados na Casa da Dinda desde 1992. Muito do acervo se perdeu devido à umidade do lugar. Uma equipe agora trabalha para restaurar e organizar o que sobrou. Há alguns meses, Collor tentou captar recursos para o próprio acervo por meio da Lei Rouanet. Diante da má repercussão da iniciativa, ele desistiu de obter o dinheiro e tem evitado falar sobre o assunto.

Há quem veja pouco sentido em gastar fortunas na conservação desses objetos. “Há de tudo em meio a esses presentes, desde porcarias a coisas muito valiosas”, diz Danielle Ardaillon, do Instituto FHC. “Algumas coisas deveriam ser despachadas para bibliotecas em vez de ser mantidas pelo presidente. Fernando Henrique recebeu umas 60 Bíblias. Que importância tem manter todos esses objetos?” Danielle afirma que visitou muitas bibliotecas de presidentes americanos. Na do democrata Bill Clinton encontrou presentes semelhantes aos de FHC, que ela supõe serem iguais a alguns que Lula também ganhou. “Se todos têm um objeto igual, que significado ele tem para o país?” Baseada nos documentos do período FHC, Danielle tem tentado uma nova abordagem histórica. Criou uma exposição interativa sobre a economia brasileira para explicar o impacto do Plano Real nas contas nacionais. É um conceito alternativo ao dos museus, que mantêm objetos em redomas. A recente democracia brasileira ainda terá de rever o modo como conserva a história que produz. Enquanto a discussão toma forma, a história continua em movimento. Nem sequer foram despachados os objetos de Lula, os primeiros pacotes para Dilma já começaram a chegar ao subsolo do Palácio do Planalto.

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04 Mar 17:59

Lula, guerreiro do povo brasileiro: estou a seu lado porque isso não é justiça, é JUSTIÇAMENTO

by Cynara Menezes
lulamenino

(Foto: Ricardo Stuckert)

Sei que quando eu publicar este texto, irão mais uma vez me acusar de receber dinheiro público ou do PT. Gente capaz de vender a própria consciência em geral pensa que os outros fazem o mesmo. Este tipo de acusação, por outro lado, é um elogio para mim, porque ninguém é caluniado e perseguido se não estiver incomodando. Sei que os reacionários do Brasil me temem, temem a minha voz e o poder que conquistei nas redes sociais. Me orgulho disso. A maior especialidade dos comunistas sempre foi enfrentar fascistas. Não tenho patrões, só devo satisfação aos meus leitores e à minha própria consciência.

Perguntam-me se eu acho que Lula errou. Claro que errou. Há tempos critico neste blog o profundo erro estratégico do PT de repetir as práticas que condenava nos outros partidos antes de assumir o governo, em vez de entrar na briga para valer e romper com o sistema político vigente. Minha maior crítica ao Lula foi ceder ao establishment, e isso se comprova agora com sua amizade com donos de empreiteiras. Isso, porém, não anula o fato de que há algo muito mais grave acontecendo hoje: a justiça brasileira se transformou em um instrumento midiático para perseguir Lula e o PT.

NADA do que Lula é acusado é estranho a outros políticos brasileiros, sobretudo do PSDB e do DEM. A proximidade com as empreiteiras é um clássico tucano. No entanto, NUNCA a Polícia Federal invadiu a casa de nenhum deles. Por que os políticos de direita, bem nascidos, podem ter amigos poderosos e Lula, um ex-torneiro mecânico, não pode? Por que em relação aos tucanos é considerado lícito aceitar favores de empreiteiros e banqueiros?

Eu só concordarei que está se fazendo justiça ao perseguirem Lula quando o mesmo acontecer, por exemplo, com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que jamais foi investigado na vida, embora seu governo tenha sido uma sucessão de escândalos e recentemente ele tenha sido acusado de mandar dinheiro para o exterior para um suposto filho, quando ainda era presidente, através de uma empresa que possuía contratos com o governo. Me comprometo a dar a mão à palmatória se algum dia a PF entrar no apartamento gigante que FHC comprou de um empresário amigo em Higienópolis, bairro nobre de São Paulo, logo após deixar a presidência. Ou quando invadirem o Instituto FHC, que recebeu quase 1 milhão de reais da Odebrecht e teve doação até de uma empresa pública, a Sabesp. Até lá, não.

Tampouco posso aceitar que a maior emissora de televisão do Brasil se dedique diuturnamente a atacar o ex-presidente Lula, poupando todos os outros políticos envolvidos em denúncias de corrupção, e dizer que está praticando “jornalismo” –no caso específico de FHC, a Rede Globo é inclusive acusada de acobertar um romance extraconjugal durante anos a fio apenas para proteger o aliado. Que tipo de imprensa é esta? Estes dois pesos e duas medidas me indignam e indignariam qualquer cidadão de fato interessado em promover a justiça. A justiça, justiça de verdade, é uma balança: ela pende para os dois lados. Uma balança que pende para um lado só não é justiça, é JUSTIÇAMENTO.

Desde 2010 eu advirto que o objetivo da mídia porca que existe em nosso país é prender o Lula. Agora, pelo visto, estão perto de conseguir. A ilusão da velha mídia, subserviente ao poder econômico, é achar que, prendendo Lula, vão finalmente colocar um presidente que se submeta a ela no cargo. E, com isso, conseguir dinheiro governamental em forma de publicidade ou de empréstimos para salvá-la da bancarrota em que se encontram. Não vai adiantar. O povo sabe quem está do lado dele e quem está do lado dos ricos. A mídia e seu braço político, o PSDB, estão do lado dos ricos, dos poderosos, dos que exploram o país, dos que querem vendê-lo ao capital estrangeiro. No pasarán.

Lula, estou do seu lado. Se você for preso, estaremos aqui denunciando ao mundo a perseguição que você sofre desde que ousou se tornar presidente do Brasil em 2002. A escória não é você. A escória está do outro lado. O tempo vai mostrar quem está realmente do lado da verdade e da Justiça.

P.S.: Clique aqui para ler comunicado da EBC dizendo que o convite para que eu fosse entrevistadora na TV Brasil em 2014 NUNCA SE CONCRETIZOU.

 

 

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04 Mar 13:51

Instituto Lula: violência contra ex-presidente afronta o país e o estado de direito

by Kiko Nogueira

Do Instituto Lula:

A violência praticada hoje (4/3) contra o ex-presidente Lula e sua família, contra o Instituto Lula, a ex-deputada Clara Ant e outros cidadãos ligados ao ex-presidente, é uma agressão ao estado de direito que atinge toda sociedade brasileira. A ação da chamada Força Tarefa da Lava Jato é arbitrária, ilegal, e injustificável, além de constituir grave afronta ao Supremo Tribunal Federal.

1) Nada justifica um mandado de condução coercitiva contra um ex-presidente que colabora com a Justiça, espontaneamente ou sempre que convidado. Nos últimos meses, Lula prestou informações e depoimentos em quatro inquéritos, inclusive no âmbito da Operação Lava Jato. Dezenas de testemunhas foram ouvidas sobre estes fatos alegados pela Força tarefa,  em depoimentos previamente marcados. Por que o ex-presidente Lula foi submetido ao constrangimento da condução coercitiva?

2) Nada justifica a quebra do sigilo bancário e fiscal do Instituto Lula e da empresa LILS Palestras. A Lava Jato já recebeu da Receita Federal, oficialmente, todas as informações referentes a estas contas, que foram objeto de minuciosa autuação fiscal no ano passado.

3) Nada justifica a quebra do sigilo bancário e fiscal do ex-presidente Lula, pois este sigilo já foi quebrado, compartilhado com o Ministério Público Federal e vazado ilegalmente para a imprensa, este sim um crime que não mereceu a devida atenção do Ministério Público.

4) Nada justifica a invasão do Instituto Lula e da empresa LILS, a pretexto de obter informações sobre palestras do ex-presidente Lula, contratadas por 40 empresas do Brasil e de outros países, entre as quais a INFOGLOBO, que edita as publicações da Família Marinho (http://www.institutolula.org/as-palestras-de-lula-a-violacao-de-sigilo-bancario-do-ex-presidente-foi-um-ato-criminoso). Todas as informações referentes a estas palestras foram prestadas à Procuradoria da República do Distrito Federal e compartilhadas com a Lava Jato. Também neste caso, o Ministério Público nada fez em relação ao vazamento ilegal de informações sigilosas para a imprensa.

5) Nada justifica levar o ex-presidente Lula a depor sobre um apartamento no Guarujá que não é nunca foi dele e sobre um sítio de amigos em Atibaia, onde ele passa seus dias de descanso. Além de esclarecer a situação do apartamento em nota pública – na qual chegou a expor sua declaração de bens – e em informações prestadas por escrito ao Ministério Público de São Paulo, o ex-presidente prestou esclarecimentos sobre o sítio de Atibaia em ação perante o Supremo Tribunal Federal, que também é de conhecimento público.

6) A defesa do ex-presidente Lula peticionou ao STF para que decida o conflito de atribuições entre o Ministério Público de São Paulo e o Ministério Público Federal (Força Tarefa), para apontar a quem cabe investigar os fatos, que são os mesmos. Solicitou também medida liminar suspendendo os procedimentos paralelos até que se decida a competência conforme a lei. Ao precipitar-se em ações invasivas e coercitivas nesta manhã, antes de uma decisão sobre estes pedidos, a chamada Força Tarefa cometeu grave afronta à mais alta Corte do País, afronta que se estende a todas as instituições republicanas.

7) O único resultado da violência desencadeada hoje pela Força Tarefa é submeter o ex-presidente a um constrangimento público. Não é a credibilidade de Lula, mas da Operação Lava Jato que fica comprometida, quando seus dirigentes voltam-se para um alvo político sob os mais frágeis pretextos.

O Instituto Lula reafirma que Lula jamais ocultou patrimônio ou recebeu vantagem indevida, antes, durante ou depois de governar o País. Jamais se envolveu direta ou indiretamente em qualquer ilegalidade, sejam as investigadas no âmbito da Lava Jato, sejam quaisquer outras.

A violência praticada nesta manhã – injusta, injustificável, arbitrária e ilegal – será repudiada por todos os democratas, por todos os que têm fé nas instituições e do estado de direito, no Brasil e ao redor do mundo, pois Lula é uma personalidade internacional que dignifica o País, símbolo da paz, do combate à fome e da inclusão social.

É uma violência contra a cidadania e contra o povo brasileiro, que reconhece em Lula o líder que uniu o Brasil e promoveu a maior ascensão social de nossa história.

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02 Mar 19:29

Quando O Globo atacou o MP e defendeu a presunção de inocência

by Luiz Carlos Azenha

Captura de Tela 2016-03-02 às 13.51.33Luiz Francisco e o sorriso impune de FHC, apoiado por Marinho

Tempos seletivos

Por Rodrigo Aguiar, no Facebook, sugerido por Maria Goretti

Se a indignação corrente contra casos de corrupção — a maioria ainda baseada em precárias denúncias de meliantes, barcos de lata e pedalinhos infantis — é seletiva, por que a memória não seria?

No início dos anos 2000, o procurador federal Luiz Francisco de Souza atazanava tucanos ligados ao presidente FHC.

Era ridicularizado pela chamada grande imprensa: um falso paladino, falso asceta (dirigia um fusca 1985) e petista. Tratamento não apenas diferente, mas contrário ao recebido pelos procurados da lava jato.

O jornal O Globo era o mais preocupado com a — cito um editorial — “ofensiva contra a imagem do próprio presidente da República”.

Ao analisar ações de membros do MPF que se aproximavam do gabinete presidencial, o mesmo editorial dizia ser “incorreto que se confundissem indícios com provas, possibilidades com certezas e, acima de tudo, desejos com fatos”.

Os “desejos”, no caso, seriam as motivações político-partidárias do procurador. O Globo pedia calma. Estava correto.

Agora, encontre esse bom senso em quaisquer edições globais nos últimos anos.

O editorial é do dia 15 de agosto de 2000.

Segue (1) uma versão dele, na íntegra.

E (2) um trecho destacado, que me parece uma das maiores pérolas do esquecimento brutal que acometeu os outrora SENSATOS editorialistas de O Globo.

Captura de Tela 2016-03-02 às 13.39.59

Sei que caixa alta parece grito, mas é necessário, creiam neste perplexo postante.

Ao criticar um procurador federal por excessos que estavam turvando a imagem do presidente, o Globo, em sua nobre página de opinião, naquele ancestral agosto, PUBLICOU isso:

“(…) o interesse público pede principalmente algo bastante elementar: que guardem suas denúncias PARA O FIM DO PROCESSO INVESTIGATÓRIO E NÃO AS ALARDEIEM NO INÍCIO, QUANDO SÃO AINDA SUSPEITAS.”

O editorial chega a sugerir uma revisão nas prerrogativas do Ministério Público garantidas na Constituição de 1988. E encerra com um galante FH falando à já notável repórter Mirian Leitão. Vale a pena a leitura, basta colar as colunas.

Dito isto, lido o editorial, te pergunto: que tal?

Captura de Tela 2016-03-02 às 13.45.41Captura de Tela 2016-03-02 às 13.45.25

Leia também:

Lula pede à Globo que investigue mansão de Paraty

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02 Mar 19:28

Este refrigerante não é saudável. Mas você precisa dele para ser feliz

by Leonardo Sakamoto

Após muita pressão da sociedade civil e do poder público, indústrias de refrigerantes e de sucos artificiais vão deixar de fazer publicidade de seus produtos para crianças de até 12 anos.

A decisão foi tomada pela Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas não Alcoólicas e vai valer sempre que 35% do público do comercial for de crianças, como em atrações voltadas ao público infantil. De acordo com a coluna de Monica Bergamo, na Folha de S. Paulo desta quarta (2), a associação está estudando a interrupção da venda de bebidas com alto teor de açúcar em cantinas de escolas.

Ponto para o Instituto Alana, para o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente e para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, que acompanham a questão de perto.

Toda vez que se discute a necessidade de regular os comerciais de produtos com altos teores de açúcar, gorduras e sódio voltados para crianças, a indústria e parte dos veículos de comunicação e das agências de publicidade fritam.

Surgem reclamação de que as empresas têm o direito de se expressar ao vender seu produto da mesma forma que os jornalistas o têm ao noticiar algo.

Pergunto-me, então, se isso significa que os comerciais podem começar a dar os “dois lados” ao vender um produto. Não que reportagens sempre deem os dois lados, mas pelo menos isso está lá nos manuais que os jornalistas leem cada vez menos.

Ter informação é fundamental para poder ter liberdade de escolha. E comprar é um ato político, pois ao adquirir um produto você dá seu voto para a forma através da qual uma mercadoria foi fabricada e mesmo o que ela representa.

Como já disse aqui antes, sou a favor de radicalizar. Para que proibir? Bora fazer anúncios sinceros:

“Este refrigerante contém bastante sódio, o não é muito bom para o coração. E engorda. E favorece as cáries. Mas tem bolhas.”

“Esse carro sobe qualquer montanha com seu novo sistema de tração nas quatro rodas. Tem só um probleminha: uma tampa de bagageiro que pode decepar seu dedo, pois o projeto desse utilitário foi feito às pressas para que a empresa ganhasse mais dinheiro. Mas o recall será grátis.”

“Este novo modelo de celular também é MP3, máquina fotográfica, agenda, acessa a internet, lava, passa e cozinha. Mas a cada mil produzidos, um deles tem uma bateria que vai estourar no seu colo provocando graves queimaduras.”

“Essa bolacha recheada é um fenômeno. Gosto incrível, textura incrível e o recheio, hummmmm, super fofinho. Tão fofinho quanto você vai entupir as artérias se comer um pacote inteirinho toda a vez que lembrar deste anúncio. Ah, e é enriquecida com vitaminas B5 e B12.”

“Fume este cigarro. E não se preocupe: cirurgia para tratar câncer no SUS é gratuita.”

“A calça é para quem tem estilo. Apesar do seu custo de produção ser baixo, por ter sido feita por imigrantes escravizados em São Paulo, jogamos o preço para cima. Dessa forma, você pode ficar tranquilo que não vai ver um pobre pé-rapado usando mesma a calça. Nunca.”

“O combustível é ótimo, faz com que o motor do seu carro dure 30% a mais. Só tem um efeito colateral: ele possui tanto enxofre na fórmula que contribui mais do que qualquer coisa com a poluição das grandes cidades. Mas, putz, é ar! Quem se importa com ar?”

Se for assim, vamos lutar para a liberdade de expressão total e sem restrições nas propagandas! Certamente, com os anunciantes e veículos de comunicação falando a verdade sobre o que oferecem a nós, teremos um país mais consciente na hora de comprar e, portanto, um desenvolvimento mais sustentável.

01 Mar 22:01

“A corrupção nos Estados Unidos é pior do que no Brasil e vocês são pessimistas”: DCM entrevista Henry Mintzberg. Por Pedro Zambarda

by Pedro Zambarda de Araujo
Henry Mintzberg (1939 -)

Henry Mintzberg (1939 -)

Considerado uma mente brilhante do mundo empresarial, Henry Mintzberg tem 76 anos e é professor da universidade canandense McGill, em Montreal, desde 1968. Antes de conquistar reconhecimento como acadêmico nos cursos de administração, fez um doutorado na MIT Sloan School of Management em Cambridge, no estado norte-americano de Massachusetts.

Publicou mais de 150 artigos destinados ao mundo dos negócios e 15 livros. Mintzberg concebe modelos organizacionais de companhias em seis partes: segmento estratégico, linha média de administração, operacionais, analistas técnicos, funcionários de suporte e ideologia empresarial.

No dia 3 de março Henry Mintzberg irá até Brasília para debater política com a ex-candidata e fundadora da Rede, Marina Silva. Vão conversar sobre seu novo partido e a atual situação brasileira. Na opinião do canadense, os brasileiros são excessivamente “pessimistas”, o programa Bolsa Família foi um grande passo no combate à desigualdade social e a corrupção norte-americana é pior do que a nossa.

Mintzberg defendeu em um artigo publicado em seu blog no dia 18 de fevereiro de 2016 a diferença entre os corruptos americanos e brasileiros. “A corrupção no Brasil é criminalizada e ela pode ser processada. A maior parte da corrupção encarada pelos Estados Unidos é legal, e seus perpetradores não podem sofrer sanções da Justiça”, diz o estudioso do mundo dos negócios, citando o caso da Petrobras.

De acordo com a Transparência Internacional, o escândalo da Petrobras é o segundo maior do mundo. No entanto, a legalização do lobby e do financiamento empresarial norte-americano tornaria teoricamente mais difícil a apuração da corrupção, que pode acontecer livremente e sem interferência jurídica segundo Mintzberg.

Em seu livro “Renovação Radical”, lançado em português em 2015, o acadêmico defende que os brasileiros trazem um equilíbrio entre iniciativas públicas, privadas e plurais – sendo a última vinda de ONGs, associações mistas e cooperativas – que tornam a sociedade mais eficiente.

Para entender melhor a opinião dele, o DCM conversou com Henry Mintzberg por telefone antes de sua visita ao Brasil.

O que você acha da Operação Lava Jato? Ela está fazendo um bom trabalho? A presidência de Dilma Rousseff está prejudicada de maneira irreversível?

Não sou capaz de julgar judicialmente as ações, mas vocês no Brasil ao menos estão processando os acusados. Nos Estados Unidos, o financiamento privado de campanhas está dentro da lei. Todos podem doar para campanhas políticas. Já no país de vocês, a Suprema Corte diz que isso não pode acontecer e que as fontes precisam ser investigadas. Vocês ao menos estão lidando com isso, mas eu sou incapaz de avaliar os efeitos imediatos.

Eu comparei a corrupção entre americanos e brasileiros e acho que os EUA são piores nisso. A corrupção nos Estados Unidos é pior do que no Brasil, porque lá ela é legal.

As investigações da Lava Jato e os casos de corrupção não contribuem para acentuar a crise econômica brasileira?

São muitos fatores que afetam o Brasil e sua economia, sendo alguns deles de fora do país. Temos o preço do petróleo, a depreciação das commodities e tudo isso afeta tanto quanto os problemas das empresas envolvidas nas investigações.

Governos populares não são mais visados em investigações do que os conservadores?

Todos os governos envolvidos em investigações ficam em apuros, mas você quer saber uma coisa? O Brasil ainda tem problemas de desigualdades piores do que muitos países, mas vocês estão melhorando no combate a estes problemas, que são muito sérios. A desigualdade está diminuindo para os brasileiros e está aumentando em outras nações. Ao menos os brasileiros estão lidando com uma questão séria.

Lindando contra a desigualdade econômica também?

As desigualdades para vocês estão ficando menores, sim. No caso dos americanos, isso está piorando muito.

Você pode citar exemplos de como isso aumenta hoje nos Estados Unidos?

A economia americana é vigorosa por conta de seu empreendedorismo robusto. Eles têm todo o tipo de novas empresas agressivas, do Google até a Amazon. Mas a sociedade dos EUA está com um grande problema, embora os índices econômicos não estejam tão mal.

Qual é o problema deles, em sua opinião? É com as minorias e com a recepção de pessoas de fora do país?

Eles realmente têm muitas complicações. Desde o sistema penitenciário, que aprisiona muito e injustamente, até o uso intenso de drogas, o boom de pessoas obesas… A sociedade americana hoje está mal formatada.

Políticos de sociedades como a Suécia, Finlândia e outros países da Escandinávia podem ser um exemplo para o Brasil e para os EUA ou estão muito distantes?

Acho que podem ser um exemplo para o resto do mundo, mas também acho que o Brasil pode inspirar outros países. Os brasileiros tem o terceiro setor, formado por ONGs e organizações mistas entre público e privado, mais vigoroso que eu tenho conhecimento. Isso pode ser exemplar globalmente.

Eu falo disso pelo sucesso de iniciativas como o Bolsa Família. Falo de economia participativa em Porto Alegre e das oportunidades que vocês ainda têm com o etanol. Todas essas coisas não são encontráveis em muitos outros países.

E, além do etanol, temos o pré-sal, não é?

Há muitas coisas boas no Brasil e o petróleo de vocês é muito importante. As economias escandinavas que você me listou são as mais democráticas do mundo, mas quer saber uma coisa? Elas são todas pequenas. Todos os cinco países da Escandinávia e a Suíça estão no topo dos rankings de democracia e, depois deles, a primeira nação grande que aparece é o Canadá. É a sexta maior. A relação é desigual neste aspecto.

Você falou que visitará Marina Silva no Brasil durante o dia 3 de março. O que você sabe da campanha dela em 2014? Vão discutir sobre ecologia e energias renováveis?

Não sei muito sobre política brasileira e seus detalhes, mas ela quer conversar comigo sobre seu movimento e eu quero ouvi-la.

Você gostaria de falar algo aos brasileiros neste momento de crise econômica, com desemprego subindo e problemas empresariais?

Acho que o Brasil deveria dar um passo para trás, observar e entender que existem sim coisas maravilhosas acontecendo no país de vocês.

Somos então muito pessimistas com a sociedade que temos hoje?

Vocês são bastante pessimistas, sim. Por todos estes motivos que conversamos, o Brasil é o país mais interessante para mim neste momento.

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29 Feb 19:40

Deep Space 9: representatividade e diversidade

by Lady Sybylla
Deep Space 9 é a série mais subversiva e obscura de todos os spinoffs de Star Trek. É também a única que não é situada em uma nave. A missão aqui é em uma estação espacial cardassiana, a antiga Terok Nor, depois que o bajorianos se libertaram da ocupação de Cardassia. A Federação de Planetas Unidos foi, então, convidada pelo governo provisório de Bajor para administrar conjuntamente a estação, que foi renomeada para Deep Space 9.

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Leia também sobre Star Trek Voyager

Estação Deep Space 9

Deep Space 9 foge do padrão de Star Trek, o que fez muita gente torcer o nariz, inicialmente. Também houve acusações de plágio tanto do lado de Star Trek quanto do lado de Babylon 5, de J. M. Straczynski (um dos criadores de Sense8). Dizem as más línguas e os fóruns, que a ideia de DS9 foi plagiada de B5, que por falta de verbas e apoio, estreou depois de DS9. Porém, as semelhanças morrem aí. São universos completamente diferentes, com pegadas diferentes. E não havia nenhuma animosidade entre as produções, tanto que Majel Barrett Roddenberry, esposa de Gene Roddenberry, fez uma participação especial em B5, como Lady Morella e Walter Koenig interpretava o vilão, Alfred Bester recorrentemente.

Dados técnicos:

  • Tipo: estação orbital
  • Classe: Nor
  • Propriedade: Governo Provisório de Bajor
  • Operador: Milícia bajoriana e Frota Estelar
  • Status: Ativa (2376)
  • Tripulação: 300 a 2000 pessoas entre bajorianos e membros da Frota Estelar
  • Capacidade máxima: 7000 pessoas
  • Instalações de atracação: 6 docas grandes, 3 médias, 9 pequenas e 6 plataformas de pouso
  • Armamento: 48 bancos phaser (rotatórios); emissores phaser estacionários; 3 emissores móveis; 48 lançadores de torpedos, 5000 torpedos de fótons (reabastecidos em 2372)
  • Defesas: escudos defletores
  • Propulsão: propulsores de impulso
  • Massa: 10,1 milhões de toneladas
  • Tamanho: 1451,82 metros


Sua missão conjunta a Bajor era assegurar a calmaria na região depois da libertação de Cardassia e de montar guarda no wormhole que, segundo a religião de Bajor, foi construído pelos profetas e que liga ao quadrante gama da galáxia. Logo no episódio piloto, a Frota Estelar descobre o wormhole e a estação é rebocada da órbita de Bajor para mais perto dele.

Assim como Star Trek Voyager, DS9 marca uma revolução na forma como tratou diversos aspectos da raça humana, muito mal ou quase não tratados nas duas séries anteriores.

Negro no comando
Star Trek tem por tradição, desde a tenente Uhura, em mostrar negros em posição de destaque, mas até o comandante Sisko chegar à estação DS9 não havia nenhum papel fixo de comando para personagens negros na franquia. Outros personagens tinham aparecido, muito pontuais em A Nova Geração, normalmente na posição de klingons, o que sempre me pareceu estereotipado demais. Klingons são irascíveis, agressivos, levam a honra acima de todas as coisas, mesmo mantendo um império tão vasto como aquele.


O comandante Sisko, emissário dos profetas dos bajorianos, nasceu em Nova Orlens, sul dos Estados Unidos, um lugar conhecido pela segregação racial, em especial nos anos 50 e 60. Mesmo que na sociedade de Star Trek isso não exista mais, ter um personagem que represente essa região é de extrema importância para a representatividade. Quantos garotos viram o comandante Sisko e pensaram que eles também podiam ser quem quisessem ser, assim como Uhura foi capaz de inspirar tantas meninas?

Sisko é viúvo, cuida sozinho do filho e guarda certa mágoa do capitão Picard pela batalha de Wolf 359, onde sua esposa morreu. Ele foi encarregado de comandar uma estação em um lugar que é praticamente um barril de pólvora, onde diversas culturas colidem, nem todas amistosas, como os cardassianos. Foi necessária muita diplomacia e pulso firme para não desandar a situação já bastante tensa entre Cardassia e Bajor. Sisko não apresenta os irritantes estereótipos que muitos personagens negros carregam, como o de ser o alívio cômico dos enredos.

A guerrilheira
A ocupação de Cardassia em Bajor foi longa, violenta e quando os cardassianos deixaram DS9, fizeram questão de destruir tudo pelo caminho como retaliação. Bajor estava livre dos algozes, mas ainda tinham que reconstruir e curar muitas feridas. O comandante da estação seria um humano, mas a segunda pessoa em comando seria uma bajoriana. Coronel da milícia contra Cardassia e sobrevivente da ocupação, Kira era considerada uma terrorista por Cardassia e por muitas vezes vemos esse lado aflorar através de seus contatos e conhecimentos do submundo.


Cansada de todos os abusos que viu na infância, ela se juntou à resistência bajoriana e tornou-se uma importante aliada de Sisko para comandar a estação. Nerys é forte, pragmática, mas apresenta um lado que poucas vezes vimos em Star Trek: a fé. Os bajorianos são profundamente religiosos e crentes nos Profetas e Nerys não é diferente. Major Kira não é só forte por ser forte porque a série dita isso. Ela precisou endurecer e se tornar forte após toda uma vida lutando pela liberdade de seu povo e de seu planeta. Sua personalidade foi moldada através de tantas tragédias pessoais o que a tornou uma das mulheres mais fortes da ficção científica.

A sociedade bajoriana é baseada na igualdade de gêneros, o que é ótimo de se ver. Nerys se relaciona abertamente, não tolera insultos e abusos e tem laços muito fortes de amizade com aqueles que lhe são próximos. Ela é passional e inteligente e indispensável para o bom andamento da estação. E quando ela carrega o bebê de Keiko e chefe O'Brien, o parto é humanizado, algo que nunca vemos na FC.

Simbionte
Toda série de Star Trek precisa de seu oficial de ciências e aqui temos uma que é simplesmente incrível. Não apenas por sua inteligência e conhecimento, mas por sua história de vida. Jadzia é uma trill, uma espécie que é caracterizada pela capacidade de se unir a um simbionte. O processo é longo para a aprovação de um novo candidato, mas Jadzia se une a Dax, um ser sem gênero que se manifesta como um ser sexuado por meio de seus hospedeiros. Uma vez que Jadzia é uma mulher (da espécie trill), a personagem é, de maneira geral, uma figura feminina. Mas os estereótipos caíram todos aqui.


O velho Curzon Dax, antigo hospedeiro, era um grande amigo de Sisko, portanto ele chama Jadzia de "meu velho" por toda a série e os dois estabelecem conversas como se fossem dois caras numa mesa de bar. Dax adota o gênero do hospedeiro, mas muitos sentimentos seus permanecem, como o amor por Kahn. Os hospedeiros anteriores, Torias Dax e Nilani Kahn, foram casados e se reencontram na estação como Lenara Kahn e Jadzia Dax. O episódio do beijo entre as duas causou um furor na audiência conservadora norte-americana, que quis até mesmo boicotar a série.

Curzon Dax foi o responsável por diversos tratados entre humanos e Klingons, por isso Jadzia também apresenta um grande interesse pela cultura Klingon, o que a faz se apaixonar por Worf. O que é mais interessante em Jadzia foi a forma de trabalhar a transexualidade sem estereotipar negativamente a personagem, trazendo discussões que, até então, Star Trek nunca teve. Podemos extrair até mesmo momentos em que ela se apresenta como genderfluid, que ST nunca se aprofundou. Por ser uma personagem que já teve outras sete vidas, a experiência e o conhecimento de Dax são imensos.

O transmorfo
Odo é um dos mais espetaculares personagens de Star Trek. Ele adquire a forma de qualquer objeto ou ser vivo que deseje, pois é um transmorfo. Foi encontrado próximo a Bajor e levado ao Instituto de Ciências para ser estudado pelo doutor Mora Pol. Como não foi reconhecido como uma forma de vida senciente, ele foi submetido a vários testes dolorosos, até que Odo conseguiu formar um tentáculo para atacar Mora Pol. Só assim o cientista teve noção de que lidava com um ser vivo consciente.


Odo era um dos cem transmorfos enviados pela galáxia e deveria voltar para casa apenas no século XXVII. Imitando a forma humanoide de seu preceptor, Odo se ressentia dos experimentos a ele induzidos e durante a ocupação de Cardassia, ele acaba na estação, onde é recrutado por Gul Dukat para investigar um assassinato. Isso o levou a ser o chefe de segurança da estação ainda sob a ocupação cardassiana e permaneceu quando a Frota Estelar entrou.

É interessante pensar como Odo (que vem da palavra cardassiana Odo'ital, que quer dizer "nada") imita as maneiras e trejeitos dos humanoides ao redor, até mesmo a heterossexualidade, pois nutria um amor secreto por Kira Nerys. Star Trek aqui poderia ter tratado Odo de maneira neutra ou até mesmo assexuada até que ele encontrasse seu povo novamente. Digo que imita a heterossexualidade, pois seu povo não tem masculino e feminino. A imitação poderia ser até mesmo compulsória ao ver o comportamento dos bajorianos e cardassianos ao seu redor.

A cada 18 horas, Odo precisa voltar para seu estado líquido para se regenerar e pode "trocar" experiências com outros transmorfos. Odo também nos faz questionar o conceito de humanidade. Ele não precisa comer, nem beber, nem excretar substâncias, não possui um cérebro. Não podemos classificá-lo como humano, mas não podemos desclassificá-lo como forma de vida inteligente e consciente por causa disso. São muitas as discussões sobre a vivência de Odo.

O capitalista alienígena
Star Trek não é nem um mundo socialista ou comunista, tampouco é um mundo capitalista. Na verdade, ninguém tem bem certeza como a economia de ST funciona e já discutimos isso no Anticast e no Holodeck. Assim como várias discussões podem ser feitas sobre fé, transexualidade e humanidade entre os personagens, Quark pode ser discutido como uma estereotipação do capitalismo ao seu extremo. A Aliança Ferengi é considerada neutra para a Federação, mas apenas para poderem mudar de lado quando for conveniente.

Odo

Os Ferengi são motivados por lucro, algo que não motiva mais a raça humana. Eles são cruéis com as mulheres, que não podem ter nada, nem mesmo têm o direito de se vestir. Costumam ser atrapalhados, apesar de tudo, sendo o alívio cômico da série, mas isso não nos impede de reconhecer o capitalismo desenfreado ali. Eles não se importam com as consequências, desde que lucrem. Possuem um guia para a vida, que são as Regras de Aquisição, que substituem qualquer livro religioso. Quer crítica mais deslavada ao capitalismo do que isso?

Quark é um alívio cômico na série que trata de tantos temas. Responsável pela área recreativa da estação, junto de seu irmão e de seu sobrinho, é interessante ver quantas vezes seus desejos de obter um lucro exorbitante se batem de frente com a filosofia da Federação e, especialmente, da Frota Estelar, já que os humanos não veem no lucro um fim. É como jogar a mentalidade da Frota estelar de frente para a mentalidade atual e ver o que acontece.

O ser geneticamente superior
O médico da estação nos traz uma grande crítica ao capacitismo. Julian Bashir não era tido como uma criança muito esperta. Pequeno, tacanho, de desenvolvimento muito lento, seus pais o submeteram a um tratamento genético intenso que ressequenciou seu DNA e também seus padrões neurais. Nascia ali um novo Bashir, mais inteligente, mais rápido, mais ágil, mais esperto. Depois de se formar e de se alistar na Frota Estelar, ele buscou cada posto remoto que pode encontrar na galáxia. Julian se interessava pela verdadeira medicina de fronteira, a medicina de campo, a mais rudimentar possível.

Doutor Bashir

Star Trek não tem apelo por pessoas geneticamente modificadas nem pelo transhumanismo. As pessoas são mostradas "o mais natural possível". Quando envolve genética humana, todas as vezes são mostradas tragédias. Basta ver o caso de Khan, que era geneticamente superior, mas um lunático. Bashir encontra outras pessoas que tiveram a genética mexida e todos eles são considerados pirados.

Pessoas com deficiência sempre tiveram lugar no universo de Star Trek, mas parece que uma cura genética ou mexer com a genética das pessoas é algo que eles criticam ferozmente. Os pais de Bashir pensaram no melhor do filho, ou apenas não o aceitavam da maneira que era? Em uma sociedade igualitária como a de ST, ele não teria lugar? Se nos fosse dada a oportunidade de mexer na genética de crianças autistas, isso seria ético? Em que ponto a benevolência muda para capacitismo?


Se nunca assistiu Deep Space 9, por favor, está perdendo tempo! Corra! Se já assistiu, bora ver de novo?

Até mais!

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24 Feb 01:17

Dr. Janot, inquérito contra Lula em Brasília é com “cintada” ou “surra de cipó”?

by Fernando Brito

Pelo GGN, de Luiz Nassif, fica-se sabendo que um dos procuradores do MP do DF, usado como fonte das informações da última edição da Época para afirmar que Lula teria feito tráfico de influência...

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22 Feb 16:39

Em editorial, O Globo defende que crianças trabalhem em 'piores formas de trabalho infantil'. Por que não me surpreendo?

by Antônio Mello



Em editorial publicado neste sábado, O Globo condenou ação do Ministério do Trabalho e Previdência Social que proibiu o Clube Caiçaras, um clube de classe média alta na zona sul do Rio de Janeiro, a continuar empregando menores de 16 anos, sem respeitar a lei.

O Ministério Público do Trabalho no Rio de Janeiro (MPT-RJ) agendou para o dia 31 de março audiência com o Clube dos Caiçaras, localizado na Lagoa – bairro nobre do Rio -, na tentativa de converter em aprendizagem o programa que explorava ilegalmente mão de obra infantil e exigir pagamento de indenização. Em fiscalização solicitada pelo MPT-RJ ao Ministério do Trabalho e Previdência Social (MTPS), auditores fiscais flagraram 26 adolescentes entre 14 e 15 anos que trabalhavam de forma irregular como boleiros de tênis, ou seja, recolhendo as bolas durante as partidas.

Os auditores do MTPS [Ministério do Trabalho e Previdência Social] relataram que os adolescentes estavam exercendo atividade em condições listadas pelo Decreto 6481/2008 como piores formas de trabalho infantil: atividade ao ar livre, sem proteção adequada contra exposição à radiação solar, chuva e frio.

O clube já havia sido notificado e continuou na atividade ilegal, sem respeitar a determinação do Ministério do Trabalho, diferentemente do que fizeram todos os demais clubes do estado que se encontravam em situação semelhante.

Em seu editorial, O Globo defende o que chama de flexibilização de leis trabalhistas

Pode-se argumentar que o MP nada fez além de cumprir a lei. É certo. A lei, portanto, está errada. Aliás, todo o sentido da legislação trabalhista, uma herança anacrônica de Getúlio, encontra-se a léguas de distância da realidade do mercado de trabalho. Por isso, funciona contra o trabalhador. Assim como no caso dos meninos boleiros, uma atividade que, não raro, revela profissionais do tênis.


Este ‘O Globo’ é o mesmo que assedia jornalistas por apoio a abaixo-assinado que propõe redução de direito, conforme denuncia o Sindicato da categoria.

O Sindicato vai informar ao Ministério Público do Trabalho denúncias recebidas esta semana de que o jornal ‘O Globo’ estaria assediando os jornalistas em busca de apoio para um abaixo-assinado que pede a conclusão das negociações salariais de 2015 com reajuste abaixo da inflação e piso inferior ao da lei estadual.
À revelia da maioria dos jornalistas da redação, o documento que a empresa quer que os jornalistas assinem pede que a convenção coletiva do segmento de jornais e revistas seja firmada com reajuste salarial de 7% – abaixo dos 7,13% aferidos pelo INPC em fevereiro deste ano, mês da data-base da categoria.
O abaixo-assinado de ‘O Globo’ sugere ainda um piso de R$ 2.700 para jornadas de cinco horas com duas extras. A lei estadual 6.983/2015 prevê, porém, R$ 2.432,72 para jornadas de cinco horas. Pela proposta patronal, o valor da jornada legal de cinco horas seria de R$ 1.928,58 – 20% abaixo do estabelecido pela lei em vigor.
O Ministério Público do Trabalho já investiga hoje práticas antissindicais no setor de radiodifusão, como obrigar funcionários a assinar documentos contra direitos conquistados pelos trabalhadores e contra o Sindicato. A expectativa agora é que as denúncias em ‘O Globo’ direcionem as investigações também para o segmento de jornais e revistas.
Além de coagir os jornalistas a assinar um documento que reduz direitos de toda a categoria, ‘O Globo’ realiza este mês o terceiro ‘passaralho’ do ano. Dezenas de profissionais foram demitidos, principalmente nas redações dos jornais ‘O Globo’ e ‘Extra’. O Sindicato recebeu denúncias de irregularidades e de assédio moral nos três grandes processos de demissão feitos pela empresa.
As negociações salariais dos jornalistas de jornais e revistas andam a passos lentos por conta de impasses do sindicato patronal, que se recusa em cumprir a lei estadual que garante o piso salarial dos jornalistas do Estado do Rio de Janeiro. A Infoglobo, inclusive, é alvo de ação movida pelo Sindicato por descumprimento da lei. A primeira audiência está marcada para abril de 2016 na 40ª Vara do Trabalho.

Não há surpresa nisso. Afinal, O Globo sempre esteve na contramão do Brasil, ao longo da história. Cotas, ProUni, Getúlio, Lula.

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19 Feb 16:49

Dr. Rosinha: “Paneleiros” são contra Bolsa Família mas concordam com Bolsa Miami

by Conceição Lemes

Panelaço

Bolsa Miami

Dr. Rosinha, especial para o Viomundo

No último dia 30 de janeiro, recebi uma mensagem, via WhatsApp, intitulada “Auxiliômetro”. Dizia a mensagem que “desde 1º de janeiro de 2016, o Brasil já gastou cerca de R$ 125 milhões com auxílio-moradia de juízes, desembargadores e promotores”.

Não estavam nesta conta os ministros do Tribunal de Contas da União e tampouco os conselheiros dos tribunais de contas estaduais.

A mensagem não informava quem fez o cálculo, e tampouco por que não levava em conta os pobres e probos ministros e conselheiros dos tribunais de contas. Será que é só por que estes tribunais não são exatamente tribunais, ou por que muitos deles só fazem de conta, ou ainda por que parte de seus conselheiros e ministros estão sendo investigados por corrupção?

São muitas as ilegalidades ou decisões políticas que esses senhores e raras senhoras tomam, mas se sentem como fiscais do erário e se sentem à vontade para decidir quanto devem receber do imoral auxílio-moradia.

No final de janeiro passado, o jornal “Hoje em Dia”, Minas Gerais, divulgou mais uma “mesada” dos atrasados pagos do imoral “auxílio-moradia” dos membros do Ministério Público de Minas Gerais. Os também fiscais do erário receberam a bagatela de R$ 13,9 milhões de um total de mais de R$ 1 bilhão.

O auxílio-moradia dos promotores foi criado pelos próprios, assim como os juízes, desembargadores, conselheiros dos tribunais de contas e ministros do TCU criaram os seus auxílios. A classe média, tão ciente da moralidade, não foi consultada, a mídia não critica e o parlamento nunca debateu, quanto menos aprovou.

Enquanto alguns bilhões passam para as mãos de uma minoria, a classe média idiotizada é contra o Bolsa Família.

Mas, voltemos: os atrasados são uma ‘parcelinha’ do 1 bilhão, pois os atrasados se referem de 1994 para cá. Ou seja, não só criaram seu próprio auxílio, como decidiram que deviam receber desde 1994.

Fernando Brito, no “Tijolaço” registra que o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (não é o único no Brasil) não fornece o número total dos gastos em auxílio-moradia dos senhores juízes e desembargadores, mas devem ser superiores ao do Ministério Público, pois os atrasados são desde 1988.

Portanto, tudo (promotores, procuradores, juízes e desembargadores) deve ser algo em torno de 2 bilhões de reais.

Brito faz a seguinte conta: “Como Minas Gerais tem 10% da população brasileira, não é absurdo supor que tenha 10% dos juízes, desembargadores, promotores e procuradores. E, como o “auxílio” é nacional, valendo a partir das mesmas datas e com os mesmos valores, pode-se extrapolar seus custos totais”. Pode ser mais de 20 bilhões de reais. Ah! Somando a turma dos tribunais de faz-de-contas e outros, a conta pode chegar, ou até passar, a R$ 30 bilhões.

Rogério Galindo, no seu “Caixa Zero”, escreveu no último dia 9 que “é como se os juízes e promotores do Brasil estivessem à beira de ganhar sua nona Mega-Sena da Virada em menos de um ano e meio. São já R$ 2 bilhões recebidos em dezesseis meses – mas, claro, sem a necessidade de sorteio ou expectativa. O bolão não falha nunca, e é sempre dividido pelas mesmas pessoas”.

Galindo, no “Juízes ganham na Mega a cada três meses”, faz uma ótima análise do que representa este montante e por que ele não é questionado. “Os R$ 2 bilhões representam dinheiro suficiente para construir mil creches no país. Ou seja: dava para criar 150 mil vagas para que mães e pais pudessem trabalhar sossegados. Ou, então, seria possível comprar 50 mil viaturas de polícia já equipadas – mais ou menos uma para cada homicídio que ocorre anualmente no Brasil. Ou pagar o Bolsa-Família de Curitiba, que atende famílias com renda per capita de menos de R$ 77, até 2036”.

No entanto, escreve Galindo, os juízes decidiram “que esse dinheiro deve servir à Bolsa Miami”. “Bolsa Miami”, bom título para um artigo. Galindo, com licença, vou usá-lo.

Num país onde as próprias autoridades, diga-se de passagem, que deveriam servir de exemplo, definem e decidem quais são suas prioridades e privilégios, não há como ter justiça. Não bastasse o privilégio de dois meses por ano de férias, decidem receber um auxilio imoral.

Galindo, em seu breve texto, coloca o dedo na ferida: o Judiciário é um “sumidouro de dinheiro público” e “ninguém ousa enfrentar os magistrados que podem, de uma canetada, destruir a vida de alguém. Governos temem diminuir o orçamento dos juízes, mesmo sabendo que gastam demais e sem necessidade. Legisladores temem fazer leis que contrariem o Judiciário por medo de acabar na cadeia. E assim criou-se o monstro”.

“O monstro”, digo, juízes e procuradores, ameaçam entrar com ação no STF contra a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pela presidenta Dilma. Estão revoltados porque a LDO exige que, para receber o auxílio moradia, será preciso provar, ou seja, apresentar a nota ou o recibo, das despesas com hotel ou aluguel.

A lei também especifica que o auxílio não será fornecido caso o beneficiário ou o cônjuge tenha casa própria. Vejam só, ‘paneleiros’, estão revoltados porque precisam provar as despesas.

Bate-se panela contra o Bolsa Família e concordam com o Bolsa Miami.

Dr. Rosinha, médico pediatra, ex-deputado federal (PT-PR).

 Leia também:

“Cunhada” de FHC, que trabalha com Serra sem comparecer, é militante contra corrupção 

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19 Feb 11:25

A entrada de Serra no caso FHC-Mírian. Por Paulo Nogueira

by Paulo Nogueira
Velhos companheiros: FHC e Serra

Velhos companheiros: FHC e Serra

E eis que Serra entra no escândalo Mírian-FHC.

Não que, a rigor, seja novidade. Os conhecedores da história sabem que Serra foi um dos articuladores da operação ‘Cala Mírian’, nos anos 1990.

Mas agora a história rompeu a Conspiração do Silêncio contra Mírian, feita para proteger a candidatura presidencial de um mau marido, mau amante e mau pai.

E Serra entra a seu modo: usando dinheiro público. A irmã de Mírian, Margrit Dutra, é funcionária fantasma do gabinete de Serra.

É um velho hábito dele. Virtualmente toda a família de Soninha foi empregada no governo de São Paulo quando Serra ocupava o Palácio dos Bandeirantes.

Nada melhor do que ser generoso com o dinheiro do outro, Serra sabe. Você recebe a gratidão sem ter que mexer na carteira.

Aécio, com os múltiplos amigos, parentes e agregados que empregou em Minas, conhece bem essa cartilha.

A importância do episódio está em desmascarar a pregação cínica de Serra (e Aécio) a respeito de meritocracia.

Eles falam em meritocracia  — o ato de montar uma equipe com base em talento e mérito, em vez de compadrio e interesse pessoal – tanto quanto a desrespeitam.

Isso se chama demagogia. Isso é uma atitude corrupta.

Serra tenta defender o indefensável dizendo que a irmã de Mírian trabalha em casa.

Para repetir a grande frase de Wellington, quem acredita nisso acredita em tudo.

Quem mexer no Senado vai encontrar, certamente, vários casos além do de Serra.

A filha do protagonista do presente escândalo, FHC, estava lotada no gabinete do ex-senador Heráclito Fortes sem pisar lá.

Como o PSDB é amigo da mídia, nada é noticiado.

Não fosse o surgimento do jornalismo digital, tudo isso continuaria a não ser noticiado, e demagogos como FHC, Serra e Aécio poderiam fazer seus discursos cínicos de falsos Catões.

Considere o caso Mírian.

Ele só se tornou amplamente conhecido por causa da internet. Não fosse a modesta revista digital Brazil com Z, que deu voz à namorada rejeitada de FHC, e ficaria escondida entre poucos privilegiados a lama que veio à tona para milhões de brasileiros.

A imprensa – que sempre soube de tudo – corre agora para falar de um assunto em que ela teve um papel vital.

Até o Globo, que manteve Mírian na folha de pagamentos por anos em troca do seu silêncio, está correndo atrás da história depois que ela viralizou nas redes sociais.

E a Folha, que sempre alegou que era um caso de interesse privado para não noticiar o caso, agora faz sucessivas entrevistas que desmentem a tese indecente sob a qual o jornal acobertou FHC.

Não será surpresa se a Folha reivindicar que o grande furo foi seu, ao dar a empresa que ajudou FHC a pagar um mensalão para Mírian.

Bastava o mínimo de empenho para descobrir todos os horrores que demonstram cabalmente que se trata de um fato de enorme interesse público.

A internet livrou a sociedade da manipulação da mídia. Essa é a principal conclusão duma história de amor que se transformou numa trama de terror.

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19 Feb 11:22

O complexo do vira-latas orgânico

by Tiago de Thuin
Não deixa de guardar relação com o texto de ontem: ontem e antes de ontem, encarei duas versões do que já acho que dá pra chamar de um complexo (em mais de um sentido) do vira-lata orgânico. São as pessoas que expressam a convicção íntima da ruindade brasileira pela ótica da ecologia e outras causas mais alinhadas com o espectro de esquerda do que com riqueza e opulência. De novo: não se trata de constatar problemas do Brasil, que são muitos e candentes, mas de contrastar esses problemas com uma visão idealizada de outros países, geralmente localizados no Primeiro Mundo (space stereo), mas dependendo das veleidades políticas pode ser algum vizinho latinoamericano, ou talvez alguma nação asiática ou africana "pobre segundo a ótica da civilização ocidental, mas rica em sabedoria." Os diálogos, via face:



Comentário: "Quem dera aqui no Brasil também se fizesse iniciativas como essa, mas não as veremos nunca!"
Eu: "Ahn, tem. Só que é seis vezes. Do Minha Casa Minha Vida." 
"Fonte?"
"Fonte"
"Ah, mas a Dilma vetou prioridade a renováveis. Infelizmente o Brasil vai continuar sem investir em energias renováveis."
"A) Isso é outro assunto, B) o Brasil é o país que mais cresce em energia eólica do mundo."
"Quem dera os conjuntos do Minha Casa Minha Vida tivessem o capricho e a beleza desse condomínio alemão. Odeio falar mal do Brasil, MAS..." 

Só pra esclarecer: o condomínio alemão é um condomínio de luxo, com preço de venda entre 2700 e 3300 euros por metro quadrado, ou aluguel em torno de 11 euros o metro quadrado, no limite superior dos preços em Friburgo. Um tico mais do que os preços do Minha Casa Minha Vida. 

A outra ocasião: 

"Uruguai promulga lei do software livre."
"Quem dera o Brasil seguisse o exemplo, ao invés de continuar enchendo os cofres da Micro$oft."
(O Uruguai se inspirou no, e teve ajuda do, Brasil na questão.)

Ainda outra, esta ontem: 

"Peru vai isentar livros de impostos por três anos. Aquele momento em que você tem inveja do Peru."
"No Brasil já é isento desde o tempo do Sarney. Tá na constituição federal, inclusive."
"Achei este artigo de tributarista que fala que o livro no Brasil paga imposto sim, porque as editoras e seus donos pagam imposto de renda, Cofins, e PIS."
"Ahn, no Peru não isentaram editores de pagar impostos e contribuições trabalhistas. Só o livro." 


Ainda noutra ocasião, há tempos atrás, comentei que o Brasil tinha reduzido o desmatamento neste século (pruma pessoa que lamentava que enquanto a Venezuela se preocupava com ecologia, o Brasil só desmatava cada vez mais), e a resposta foi um texto indignado dizendo que eu me informava em sites neoliberais ao invés de no imazon. 

Aqui o gráfico do desmatamento na Amazônia segundo o Imazon: 



(Peguei link direto, aliás. Pode olhar a fonte da imagem.) 

Só pra deixar claro, a Venezuela no mesmo período


















De novo: o Brasil tem problemas sérios, e enormes. O desmatamento na Amazônia parou de cair, e quatro a cinco mil quilômetros por ano é coisa pra burro - e a Amazônia ainda é o bioma menos degradado. Militantes pelo meio ambiente, pelos sem terra ou pelos índios são assassinados literalmente às centenas.  E o governo pretende mesmo fazer as fantasias gernsbackianas na selva que são o complexo hidrelétrico do Tapajós.  Numa nota menor, a área plantada com orgânicos recuou, e o consumo de agrotóxicos aumentou (e já era enorme). 

Mas uma lenda negra do próprio país não é uma forma de denunciar e melhorar esse país. É só uma forma de autoconforto na convição fatalista duma merda absoluta. O Brasil também tem - e isso não é benesse de governo, mas conquista coletiva - bastante coisa boa acontecendo. É o país que mais diminuiu emissões de gases de efeito estufa no mundo, e isso porque já emitia pouco em comparação com o PIB; o saneamento continua vergonhoso, mas cresceu mais na última década que no século anterior; o país é, repetindo, aquele no qual a energia eólica mais cresceu no mundo nos últimos anos, e deve continuar a ser nos próximos; em 2014 o crescimento foi de 122%.  

Custa não cair nem no ufanismo raso nem no seu oposto, pelo visto. Viramos torcida do circo romano, pronta pro vaticínio total sobre a essência de algo, ao invés de gente tentando ver o que acontece. 
19 Feb 11:18

Além do salário de senador, Garibaldi Alves Filho recebe R$ 20 mil por mês de aposentadoria da Assembléia

by renato

O Portal da Transparência da Assembléia Legislativa tem revelado coisas interessantes.

Dentre muitos que recebem vultosos contra-cheques do erário público, está o senador Garibaldi Alves Filho que embolsa caladinho  uma ‘aposentadoria parlamentar’, todo santo mês, no valor de R$ 20.257,81.          .

Somados aos vencimentos de senador, Garibaldi Alves faz jus a sua música de campanha “esse seu sorriso alegre”.

Quando ministro da Previdência, Garibaldi Alves nunca fez referência ao fator previdenciário no RN. Aquilo que ele defende para os outros não vale para ele.

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17 Feb 11:22

Agropecuária dona da mansão dos Marinho divide sala e agente no Panamá com Paulo Roberto Costa

by Fernando Brito

Os provocadores da direita que vêm a este blog perguntar o que tem a ver a mansão dos Marinho com a Lava Jato iriam sumir, se tivessem vergonha na cara. E o mesmo se...

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17 Feb 11:16

Notícias de “Lugar Nenhum” [8]

by Lucas Figueiredo

254a3c_fa29f4496a6a422d9d675e97fb8f7acbA excelente revista eletrônica Peixe-elétrico, edição #4 (março-abril/2016), publica uma entrevista comigo em que falo do meu último livro, “Lugar Nenhum”. Abaixo, a íntegra da entrevista:

Os arquivos da ditadura

Entrevista com Lucas Figueiredo

Pesquisador da Comissão Nacional da Verdade (o que não o impede de fazer várias críticas ao trabalho do grupo), Lucas Figueiredo tem vários livros sobre a ditadura militar brasileira, com destaque para Morcegos negros e Ministério do silêncio. Em 2015, publicou Lugar nenhum – militares e civis na ocultação dos documentos da ditadura, em que refaz os discursos oficiais sobre o sumiço da documentação histórica sobre os anos de chumbo e mostra a incoerência entre eles e o descaso das autoridades sobre o assunto. Abaixo entrevista exclusiva concedida à Peixe-elétrico.

Peixe-elétrico: Você enxerga a “cultura do denuncismo” como vital para a manutenção dos centros de informação durante a ditadura militar, por exemplo no Cenimar (pág. 22). No próprio livro você mostra como muitos elementos da ditadura continuam muito presentes na vida brasileira. Você enxerga esse tipo de cultura em algum setor da nossa vida cotidiana?

Lucas Figueiredo: O principal pilar que fez com que a ditadura civil-militar no Brasil se sustentasse durante 21 anos foi o rígido controle da sociedade, o que muitas vezes resultava no controle da vida de cada cidadão. Para punir, era preciso vigiar. E para vigiar era preciso ter informação. O projeto das Forças Armadas era um arremedo do projeto totalitário descrito em “1984” por George Orwell. Havia, portanto, um aparato gigante que vivia de levantar e processar informações. E esse aparato dependia de espiões, que eram “plantados” na sociedade, e de informantes, que eram “colhidos”. Esse projeto investiu pesadamente na “cultura do denuncismo”, seja por intermédio de prêmios em dinheiro e favor, seja por afinidade ideológica e moral, seja pela força e pela ameaça. Essa “cultura do denuncismo” cresceu e floresceu, mas ela nasce de um projeto de poder muito bem elaborado. E implantado como estratégia de guerra.

O livro está estruturado segundo a organização dramatúrgica. Qual é a razão disso? Vivemos no interior de uma farsa?

A ocultação dos arquivos da ditadura e da cumplicidade do poder civil nesse processo é certamente uma história banhada de farsa. Por décadas, os militares assumiram sozinhos o papel de vilão dessa história, encobrindo a participação dos civis na ocultação dos arquivos. A farsa também nos levou a atomizar a figura do vilão no velho torturador de óculos Ray-Ban e com cara de malvado. Mas a verdade é que a máquina de moer gente que funcionou na ditadura foi desmontada sem que houvesse punições graças a civis de camisa de colarinho alto e gravatas impecáveis, muitos deles de partidos de centro e de esquerda. “Gente cheirosa”, como gostava de dizer o então presidente Lula, ele próprio um ativo personagem na estratégia de manter os arquivos da ditadura dentro de gavetas trancadas. Quando eram presidentes, Lula e Fernando Henrique Cardoso acionaram a Advocacia Geral da União para tentar impedir que a Justiça Federal ordenasse a abertura dos arquivos dos combates contra a Guerrilha do Araguaia. Dilma Rousseff não foi diferente de José Sarney no que tange à submissão às Forças Armadas. Fernando Collor e Itamar Franco, idem. Definitivamente, a farsa é sal dessa história.

Você identifica no livro que as autoridades militares parecem ter feito uma triagem nos próprios documentos, decidindo o que vai e o que não vai ser visto. Esse tipo de procedimento seletivo existe em outras instâncias da sociedade brasileira. Muita gente acredita que a justiça, por exemplo, é seletiva, privilegiando esse e não aquele réu. Existe alguma relação entre essas possíveis “seletividades”?

Pouco antes do fim da ditadura, as FFAA fizeram sim uma seleção de seus arquivos, separando o que não deveria ser levado a público. Parte desse material foi destruída, parte foi simplesmente ocultada, como continua a ser até hoje, conforme demonstro no meu livro. Portanto, trata-se aqui de destruir ou esconder provas de crimes. A seletividade que acontece em seguida está relacionada ao fazer justiça. O poder civil, sobretudo o Executivo e o Legislativo, selecionaram os militares e civis que operavam a engrenagem da repressão e disseram que essas pessoas não precisavam ajustar suas contas com a Justiça. Em outras palavras: tornaram-se pessoas imunes, sobre as quais caiu o véu da impunidade. A impunidade de ontem se reflete na impunidade de hoje. Um PM que sobe a favela e mata um jovem negro tem imunidade, pode ficar impune. Uma guarnição militar que sobe a favela e mata 15 suspeitos, a queima-roupa, sai ilesa. Sob esse pondo de vista, a impunidade seletiva da redemocratização tem sim um reflexo nos tempos de hoje.

No final do livro você apresenta algumas críticas à Comissão Nacional da Verdade. É possível dizer que ela no geral espelhou o comportamento dos sucessivos governos no que diz respeito à investigação dos crimes da ditadura, agindo também seletivamente, ou essa afirmação é forte demais?

A principal função da Comissão Nacional da Verdade era fazer um relato pormenorizado das graves violações contra os direitos humanos ocorridas na ditadura civil-militar. Pesquisadores da CNV acabaram obtendo documentos que mostram que muitos dos arquivos da ditadura que revelam essas graves violações dos direitos humanos continuam sob a guarda das Forças Armadas, que se negam a torná-los públicos, a despeito de decisões em contrário da Justiça Federal e de resoluções emitidas pela própria CNV. Na mesma pesquisa, a CNV também descobriu que a ocultação desses arquivos pelos militares só foi (e ainda é) possível porque eles contam com cumplicidade do poder civil. De posse dessas informações, o que então faz a CNV? Nada! No relatório final da comissão, não há uma única menção à participação civil na ocultação dos arquivos da ditadura. O silêncio da CNV é escandaloso. E ecoa um silêncio que já faz parte da nossa história.

 

 


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17 Feb 11:15

“Olha o meu perfil”: a carteirada de Capez na máfia da merenda em SP. Por Sacramento

by Marcos Sacramento

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Suspeito de receber propina da máfia das merendas, o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, Fernando Capez (PSBD), utilizou um expediente inusitado e revelador para se defender das acusações.

Em entrevista ao blog de Fausto Macedo, do Estado de São Paulo, Capez, que é promotor de Justiça, pediu que comparassem o seu perfil com o do seu ex-assessor Jeter Rodrigues Pereira, denunciado no esquema de superfaturamento da merenda escolar.

“Você já viu o perfil do Jeter? Olha o meu perfil e olha o perfil dele: está com pneumonia, cheio de dívidas, mora em uma favela, tem quarenta anos, e está prestes a se aposentar. Se um cara tem a chance de fazer uma jogada e, sei lá, ganhar 50 paus por mês, a chance de ele fazer isso é maior”, disse Capez.

Sob esta lógica, que lembra as ideias racistas e classistas do cientista Cesare Lombroso, o fato de um indivíduo ser pobre e morador da periferia o torna automaticamente mais propenso a cometer deslizes.

Em entrevista à Folha, Jeter Rodrigues, demitido em dezembro do ano passado, disse que está com dificuldades financeiras, tendo penhorado o Palio 2001 e recorrido a um empréstimo consignado de 10 mil reais para pagar dívidas.

Um link do UOL com os candidatos da eleição de 2008 mostra que Rodrigues informou à justiça eleitoral que na época não possuía nenhum bem a declarar.

No sentido oposto está o perfil de Capez, divulgado na sua página oficial. É procurador de justiça desde 1988, quando foi aprovado em primeiro lugar, autor de livros nas áreas de Direito Penal e Processual Penal, e deputado estadual desde 2006. Na declaração de bens apresentada à justiça eleitoral nas eleições de 2014 consta um patrimônio de R$ 4.960.727,40.

Enfim, um perfil acima de qualquer suspeita, pelo menos de acordo com a ideia que ele deixou escapar na entrevista.

O pensamento expresso por Capez é do mesmo tipo do que produz manchetes jornalísticas mais amenas quando os envolvidos são brancos e de classes mais abastadas. Nesses casos, um grupo de rapazes detidos com 300 de maconha é identificado como “jovens de classe média”.

Quando a apreensão é na periferia, o envolvido é logo identificado pela reportagem como “traficante”.

O que impressiona é ver um parlamentar, membro do Ministério Público e doutrinador, que deveria se ater a fatos e evidências concretas, usar um preconceito mixuruca para se defender.

Se a moda pega, daqui a pouco veremos advogados invocando o “perfil” do cliente ao defender banqueiros, empreiteiros e parlamentares envolvidos nas maracutaias de sempre.

 

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15 Feb 17:16

Mansão dos Marinhos tem oliveiras uruguaias e periquito australiano. Por Renan Antunes

by Diario do Centro do Mundo
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Paula Marinho: dicas de paisagista no triplex da família na praia Santa Rita

Por Renan Antunes de Oliveira

Um monte de gente que trabalhou para os Marinhos na mansão Paraty House está vindo a público para falar da vida deles na propriedade da praia Santa Rita, supostamente pertencente a uma empresa de fachada.

Quando os donos não estão os serviçais fazem fotos de alguns detalhes e contam tudo: segundo eles, os Marinhos criam animais exóticos, sacrificam moluscos só para ocupar a praia grilada e plantam árvores adultas para fazer crer que são os limites da propriedade – quem fala são pessoas comuns que não querem ter suas identidades aqui reveladas.

E, numa pequena invasão da privacidade dos patrões, revelaram a possível existência de 300 taças com nomes próprios, uma para cada tipo de vinho da adega da luxuosa Paraty House – não foi possível checar a veracidade da informação das taças.

Assim, o Ministério Público Federal já tem testemunhas que estabelecem que os Marinhos são os verdadeiros donos da mansão triplex, enrolada na Justiça por crimes ambientais na sua construção e grilagem da praia.

Paula Marinho, neta do magnata da Globo Roberto Martinho (1904-2003), é o elo de ligação da família mais rica do Brasil com a empresa de fachada que administra a fabulosa residência de veraneio, a Agropecuária Veine.

Há outras empresas de fantasia na cadeia societária da Veine, mas este já um rolo diferente e não está na mira da Justiça – o processo por crimes ambientais e grilagem corre na Vara de Angra dos Reis sob o número 201051110009517.

Socialite mais conhecida por sua paixão pelo hipismo, Paula comandou a implantação dos jardins e da casa de massagens – este é um pequeno chatô na mata, quase uma réplica da mansão, na trilha sul da imensa propriedade, na costa do Rio.

Casa de massagem dos Marinhos na mata: réplica da mansão em concreto, aço e vidro

Casa de massagem dos Marinhos na mata: réplica da mansão em concreto, aço e vidro

Na visita do DCM à praia na semana do carnaval não fora possível notar a existência do chatô e que nem todo o verde era mata nativa, como parecia.

Muitas espécies exóticas foram introduzidas no meio ambiente, através do sofisticado paisagismo sugerido por Paula – segundo os funcionários que executaram a obra.
Exemplo: ao lado da mansão existe um jardim de oliveiras. Esta planta é originária do Mediterrâneo, mas as dos Marinhos foram importadas de um cultivo no Uruguai. As árvores chegaram adultas, cada pé custou 50 mil reais.

Na investigação do MPF, paisagistas, jardineiros, arquitetos e transportadores foram identificados na concepção e montagem do jardim.

O projeto que deu uma europeizada na Mata Atlântica é da arquiteta paulista Fernanda Ravanholi.

Ela foi subcontratada por uma empresa terceirizada, comandada por um caseiro dos Marinhos, chamado Celso, que não foi possível identificar como sendo de sobrenome Campos, que é réu no processo pelo crime ambiental na construção da mansão.

Os Marinhos escapam à responsabilidade do processo porque aparecem como meros inquilinos: tipo assim, usam a mansão dos amigos da Agropecuária Veine em feriados e nos fins de semana, para descansar.

Paula encomendou de Fernanda mudas de “Calathea zebrina”, nativa do México mas que se dá bem no Brasil, não tóxica para animais domésticos – aqui chamam de planta zebra, por suas listras brancas.

A socialite também sugeriu à paisagista que plantasse bromélias espinhosas no alto da montanha que tem uma trilha à praia Vermelha, ao sul, para desencorajar turistas.

As grandes mudanças na flora foram feitas todas de uma vez, em 2011. Balsas levaram o verde exótico à Santa Rita – muitas plantas compradas na Ceasa de Sampa.

As palmeiras que hoje dão coco e estão na frente da piscina, foram trazidas ao preço médio de R$ 5 mil cada. Jabuticabeiras, 10 paus.

Elas e as oliveiras importadas foram plantadas adultas porque demorariam muito para crescer – no mundo globalizado, até a natureza precisa de um ritmo mais veloz.

Os procuradores do MPF que investigam crime ambiental já têm laudos do Ministério do Meio Ambiente: muitas árvores foram plantadas na areia para dar impressão que a praia acabava nelas – isto legitimaria a parte da mansão erguida ali.

Mas, a foto com uma oliveira, de 2011, feita por um dos homens que a plantaram e entregue ao DCM, mostra que tanto árvore como piscina estão na areia da Santa Rita, configurando uso indevido de área pública, a popular grilagem.

Oliveira uruguaia à beira da piscina: ambas plantadas em praia grilada

Oliveira uruguaia à beira da piscina: ambas plantadas em praia grilada

Um detalhe pitoresco da mata é que agora ela abriga um imenso viveiro de pássaros, imperceptível nas fotos aéreas.

Uma rede cobre um naco da floresta, numa trilha do lado sul em direção ao trapiche dos iates.

Ali os Marinhos criam cacatuas australianas – é uma espécie de periquito, maior, branco e com um topete enorme. Não foi possível visitar o viveiro nem saber como estão as aves – um segurança ficou de dar informações na próxima semana.

Durante a construção dos jardins, viveiro e chatô o pessoal conviveu muito com Paula. Alguns dos que testemunharam a presença dela ficaram “encantados com sua gentileza”, disse um dos trabalhadores.

Para um dos paisagistas ela teria demonstrado compaixão por um grupo de oito homens que carregaram enormes árvores adultas por uma íngreme ladeira. Ela teria lamentado a impossibilidade de usar máquinas e dito “fico com pena dos coitadinhos ter que fazer tanta força” – elas foram replantadas no muque da rapaziada.

Mas, quando Paula se afastava da casa os trabalhadores tomavam conta. Muitos se deslumbraram com o luxo. Um carregador fez funcionar uma máquina de sorvetes, servindo os colegas.

Uma assistente ficou surpresa ao ver na porta de um armário uma lista, provavelmente para orientar os serviçais, em que cada vinho na adega teria uma taça correspondente. Tipo assim, vinho francês tal, taça com seu nome, vinho português, sua taça e assim por diante. Ela parou de contar em 300 taças.

Entre os paisagistas havia também um mergulhador, supostamente para ajustar a produção fajuta do viveiro de maricultura – na verdade, os Marinhos não se interessavam pela criação, seu objetivo era apenas lançar as bóias demarcadoras da área, para dificultar a navegação e desencorajar farofeiros de descer na Santa Rita.

Uma bióloga disse que os Marinhos criavam o molusco”Nodepecten nodosus”, o da casca igual ao logotipo da Shell: “Eles se reproduzem em cativeiro, mas os da propriedade só ficavam presos nas redes para morrer, ninguém os comia”.

Não foi possível apurar quem escolheu sacrificar moluscos na encenação.

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15 Feb 17:12

CPBR9: militância feminista e a participação das mulheres em eventos nerds

by Jussara Oliveira

Texto de Jussara Oliveira para as Blogueiras Feministas.

O primeiro Campus Party que eu fui foi em 2009, um ano depois de ter me formado, quando estava começando a participar de eventos de tecnologia. Lembro que fiquei deslumbrada pelo tamanho do evento, pela diversidade de termas e por uma infinidade de fatores que até hoje não sei se consigo descrever completamente.

Eu achava simplesmente mágico sair da minha bancada da área de software livre, ver um monte de gabinetes customizados por todos os lados, me distrair com um helicóptero controlado por controle remoto construído ali, bater papo com o pessoal de imagem e som e depois ainda tentar lugar na fila pra jogar rock band. Enquanto isso ouvia notícias sobre um grupo que ia usar telescópios para observar algum fenômeno astronômico que ia acontecer naquele dia. Resumindo: prato cheio para qualquer pessoa nerd de diversas áreas.

Esse evento também é conhecido pela grande quantidade de patrocinadores e anunciantes que distribuem brindes e aproveitam para fazer propaganda focada nesse público. E daí que estava eu caminhando em algum momento e vi duas mulheres vestidas de coelhinhas da Playboy. Por um segundo eu parei e fiquei observando, me perguntei se tinha alguma novidade tecnológica envolvendo o site deles, se tinha algum algo nerd relacionando que eu não tava sabendo, e finalmente me liguei: a maioria esmagadora dos participantes eram homens. E seguindo a lógica heteronormativa alguém achou que fazia muito sentido fazer propaganda de uma revista de nus femininos em um evento nerd. Tinha outra revista que eu não lembro fazendo o mesmo, e é claro muitos homens saiam babando e assediando as mulheres que estavam fazendo propaganda da revista.

Nessa época ainda não estava envolvida na militância feminista, mas mesmo assim era bastante visível a assimetria na participação: faltavam mulheres palestrando, as poucas participantes na maioria das vezes estavam com namorados, e enquanto isso existiam várias mulheres expondo produtos. Como não estava acompanhada fui abordada diversas vezes como se fosse algum tipo de monstro alienígena que se materializou ali. A sentença estava dada: eu estava sozinha enquanto mulher e amante da tecnologia.

Depois de passar por outras situações constrangedoras em outros eventos de tecnologia resolvi me afastar, só fui tomar coragem novamente em 2012 para voltar a Campus Party. Já fazia parte do Blogueiras Feministas, fui apresentada a outras minas nerds incríveis e sabia que não éramos um grupo pequeno, apenas compartilhávamos dos mesmos desconfortos. Nesse evento a participação das mulheres tanto enquanto palestrantes como participantes já tinha aumentado significativamente os temas se voltaram muito para que acontecia na internet também. Pude acompanhar uma mesa redonda sobre feminismo na rede e uma palestra sobre a importância de incentivar pessoas a contribuir e a participar de comunidades de software livre por uma das pouquíssimas mulheres a palestrar numa das áreas voltadas à desenvolvimento. Luciana Fuji, que inclusive encontrei nessa edição de 2016 e ao comentar que existiam várias mesas do tipo desabafou: Agora posso falar do que eu realmente gosto: Software Livre!

Nos anos seguintes um conjunto de fatores diversos me afastaram da campus, mas este ano finalmente pude participar novamente. E tomei um susto, no bom sentido. Haviam tantas mulheres palestrando que eu tive que delimitar os temas das palestras que eu ia acompanhar para aquelas que se voltavam mais a participação e representação das mulheres e o feminismo e não eram poucas! A quantidade de mulheres e meninas participando era bastante grande também. Sempre que sentava numa bancada achando que ia acabar sendo a única mulher ali, logo mais sentavam duas, três. Parece que houve uma diminuição na quantidade de patrocinadores, mas o resultado positivo é que também não havia tantas mulheres sendo objetificadas para apresentar produtos. Gostaria de ter em maiores detalhes os números comprovando minhas impressões, mas a organização do evento não me passou quando solicitei.

Foto da mesa: Cyberbullying e violência contra mulheres na cultura pop e nos games do Campos Party 2016. Foto retirada por Jussara Oliveira

Foto da mesa: Cyberbullying e violência contra mulheres na cultura pop e nos games do Campos Party 2016. Foto retirada por Jussara Oliveira

Nas palestras que acompanhei houve uma grande diversidade de temas, projetos, iniciativas voltadas para a participação de mulheres e, mais importante, em muitos momentos se levantava a necessidade de focar em outras regiões do país, em mulheres negras, periféricas, lésbicas, bissexuais, transexuais. Das que não pude acompanhar tinham iniciativas focadas na participação de crianças na tecnologia, sobre maternidade nerd e também nas necessidades de pessoas com deficiência.

Mas claro nem tudo são flores. Além de diversos problemas de infra-estrutura que vêm desde o primeiro evento que participei que envolvem banheiros distantes, comida cara e nada saudável, e palcos mal planejados e mal distribuídos (por terem uma distribuição confusa e estarem muito próximos o som de uma palestra acaba invadindo o espaço da outra), ainda teve uma restrição nova que impedia de levar comida para dentro do evento que levou a uma situação bem absurda com uma das palestrantes que estava tentando comprar comida para seu bebê.

Outro grande problema foi com relação a distribuição das palestras que envolviam os temas que eu buscava, muitas delas ficavam em horários absurdos no meio da madrugada, o que dificultava a participação de quem não estava acampando no evento (já que algumas palestras começavam depois da meia noite e o ultimo ônibus para o metro funcionava até as 22h). Além de geralmente ficarem em espaços menores e de menor visibilidade. Parece inclusive que algumas não tiveram transmissão por streaming por conta do horário que aconteceram. Em um ambiente tão hostil para as mulheres e outras minorias como um evento de tecnologia, palestras que debatem violência contra as mulheres deveriam ter lugar de destaque.

Pelo menos, apesar dessas limitações, a maioria das palestras e oficinas que fui tinham uma participação razoável. Com destaque a uma oficina para criação de personagens mais diversos para games ministrada por Rebeca Puig e Alice Mattosinho que foi bastante concorrida, tendo inclusive uma grande quantidade de homens participando. E também da palestra da Thaisa Storchi Bergmann, uma astrofísica brasileira que falou sobre buracos negros, que esteve no palco principal e estava completamente lotada.

Outro ponto a se observar é a heterogeneidade do posicionamento com relação ao feminismo por parte das palestrantes. Algumas não titubearam em se declarar feministas, outras tiveram muitas reservas quando questionadas, outras ainda diziam que não tinham muito interesse pela militância, ainda que seus projetos fossem claramente feministas. Dessa forma é possível perceber que temos muito ainda o que caminhar com relação a conscientização das mulheres com relação a necessidade de combatermos o machismo. Mas o começo já estamos fazendo: estamos nos organizando e nos apoiando e assim ganhando espaço e visibilidade.

Abaixo segue a lista das palestras que participei com alguns links dos respectivos projetos e iniciativas e links que tratam da participação de mulheres na tecnologia:

27-01

17:30
Cyberbullying e violência contra mulheres na cultura pop e nos games

18:30
A representação da mulher na cultura pop
links:  MinasNerds, Collant sem decote, Who’s Geek, Think Olga

23:00
PyLadies Brasil: Projetos e Experiências das comunidades brasileiras
link: PyLadies

28-01

10:30
Quebrando estereótipos: Aprenda a criar de personagens para games
link: Collant sem decote

14:30
Empreendedorismo feminino na geração Y
link: Jogo de damas

15:30
Hackerspaces feministas: reduzindo a desigualdade de gênero na tecnologia
link: MariaLab Hackerspace

21:15
Ativismo feminista em redes
links: Casa de lua, Minas Programam, KD Mulheres

23:00
Robótica: Uma forma lúdica de atrair meninas para a tecnologia
link: /MNT (Mulheres na Tecnologia)

29-01

00:00
Estimulando a participação feminina no Mercado de TI
link: CODE GIRL

11:45
Empatia e Ética nos Games
link: MinasNerds

14:30
O mundo real de volta ao relacionamento online

23:00
Garotas CPBr | O que fazer para permanecer firme no caminho das ciências exatas
Link da mesa no youtube: https://www.youtube.com/watch?v=FFA5xoyD47Q
link: Garotas CPBr

30-01

01:00
Garotas CPBr: A influência da Tecnologia em cada faixa etária
links: Garotas CPBr, /MNT (Mulheres na Tecnologia), Mulheres, Tecnologia e Oportunidades, Mulheres na computação

11:45
Delas pra elas: tecnologia e segurança. Sai pra Lá e ONU mulheres.
links: Onu Mulheres, Sai pra lá

13:00
Buracos Negros Supermassivos e seu papel na Evolução do Universo
link: Para mulheres na ciência

16:30
O Software Livre como ferramenta para a inclusão de mulheres na tecnologia
link: Mulheres, Tecnologia e Oportunidades

E mais iniciativas que estiveram presentes que não pude acompanhar (se faltarem mais por favor postem nos comentários):
Meninas também Jogam, Rails Girls, PAC MãePrograMariaWomen Up Games

+ Sobre o assunto:

[+] Atena Haus na Campus Party 2016 – #SerMulherEmTech

[+] ATENA HAUS Entrevista: Deb Xavier na Campus Party 

[+] Campus Party: projeto busca inclusão de mulheres nas áreas tecnológicas por Larissa Santos

[+] Campus Party: aos 11, programadora dá dicas de computação para crianças por Larissa Santos

[+] Carta de repúdio a suposta “brincadeira” no palco da Campus Party 2015 por Blogueiras Feministas

[+] Mulheres na Campus Party: assumir o feminismo ou não? por Nessa Guedes

15 Feb 12:04

A mansão dos Marinhos: jornalismo em “equipe”, de excelente qualidade

by Marcelo Auler

Marcelo Auler *Reeditada às 08H51 desta segunda 15/02 para acréscimo de informação sobre o Tijolaco.com.br. Normalmente tenho o hábito – cada vez mais raro, é verdade de compartilhar artigos de outros blogs. Quando o faço, procuro apenas dar uma chamada, expor algum comentário e indicar o link. Assim, respeito o trabalho do colega e indico […]

O post A mansão dos Marinhos: jornalismo em “equipe”, de excelente qualidade apareceu primeiro em .

13 Feb 14:04

Relatório afirma que Netflix já afeta TV tradicional

by André Taffarello
Mapa de disponibilidade atual da Netflix no mundo

Um relatório do Instituto Reuters, da Universidade de Oxford, aponta que o vídeo pela internet "começa a afetar a televisão" no mundo. Entre outros dados, o relatório compara assinaturas de TV paga e as chamadas "over the top", diretamente pela internet, como Netflix, de 2011 para 2015 nos Estados Unidos:


A TV paga caiu de 100,9 milhões de domicílios para 97,1 milhões, enquanto o vídeo OTT cresceu de 28 milhões para 50,3 milhões.

O Brasil não é destacado no estudo, mas as assinaturas de TV paga recuaram no ano passado após uma década de crescimento, segundo a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações):
A queda foi de 3%, passando de 19,6 milhões em dezembro de 2014 para 19 milhões em dezembro de 2015. Recentemente as operadoras de TV paga brasileiras ameaçaram lançar uma contra-ofensiva à TV por streamming através de loby no congresso e pressão sobre o governo.

Não há dados abertos sobre assinaturas OTT no país, mas a Anatel registrou que as assinaturas de banda larga fixa cresceram de 24 milhões para 25,6 milhões no mesmo período, apesar da crise.
Além de um "grande ano para o Netflix", o Reuters Institute prevê a estreia do "streaming" da Apple, "finalmente", e o aumento nos serviços via internet das operadoras, como Verizon.

"A disrupção da televisão" já ameaça a TV aberta. Uma amostra teria sido a queda de 5% na audiência, sobretudo telejornalismo, no ano passado no Reino Unido.

O estudo, chefiado por Nic Newman, ex-executivo da BBC, se baseia em respostas de "mais de 130 líderes digitais de 25 países".
12 Feb 11:33

DCM: Servidora que denunciou mansão triplex dos Marinho em Paraty teve automóvel queimado; obra irregular tem piscina em praia pública

by Luiz Carlos Azenha

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UMA AVÓ COMBATIVA

do Diário do Centro do Mundo (reprodução parcial)

por Renan Antunes de Oliveira

Quem levantou a lebre foi uma servidora pública federal, concursada, Graziela de Moraes Barros, fiscal do Instituto Chico Mendes (ICMBio), órgão do MMA.

Ela tem apenas 39 anos e já é avó. Mora num sítio escondido numas quebradas e implora pra que o repórter não diga onde é, porque teme represálias.De quem? “Quando fiz a denúncia da casa dos Marinhos, alguém atacou a minha e incendiou meu carro”, conta, sem acusar ninguém.

A Polícia Federal investigou o caso, óbvio que sem sucesso. Hoje, ela anda sempre em carro oficial e acompanhada de uma colega.

Graziela não é mais fiscal. Deu entrevista, na semana do carnaval, em seu escritório na APA Tamoios, no alto de um morro do qual se vê Angra dos Reis e Paraty – a House agora está fora de sua jurisdição.

“Desisti porque passei cinco anos dando murro em ponta de faca. O Estado e a Justiça não enfrentam e nem punem os poderosos. Minha função acaba sendo fazer o papel de polícia contra pescadores e pequenos posseiros”, resmunga, amargurada.

Ela aponta o processo contra os Marinhos como um exemplo de desrespeito: “Eles poderiam ter erguido uma casa menor, de até 200m², o que seria permitido pela lei. Mas fizeram aquele monstrengo de concreto derrubando mata. Foi uma afronta à lei e à natureza”.

Graziela é a estrela da acusação. Ela inspecionou a praia Santa Rita uma vez durante a construção e outra depois que a mansão ficou pronta: “Heliponto e casa devem ser derrubados. A piscina está na praia…” e ela despeja os argumentos que estão no processo iniciado pelo procurador Fernando Lavieri, tim tim por tim tim.

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Ela quer os Marinhos fora do pedaço: “Eles entram com recursos e vão rolando. Pagam multas e continuam ocupando a área, esperando tudo cair no esquecimento. Calculo que gastem mais de um milhão em multas e advogados, mas vão continuar lá, porque podem tudo”.

Graziela enumera uma lista de milionários que cometeram crimes ambientais na mesma região. Está desiludida: “Nada vai mudar”.

Na hora da fotografia, Graziela entra em pânico: “Tenho medo de ser exposta”, diz preocupada com sua segurança como se vivesse no meio de uma guerra de gangues. Pede que a foto seja tirada pelas costas, solicitação atendida.

A Paraty House foi desenhada pelo arquiteto paulista Márcio Kogan e sua equipe. Não foi possível localizá-lo para saber se ele nunca ouviu falar da proibição de derrubar Mata Atlântica. Se não ensinaram na faculdade dele, consola saber que já existe preservação ambiental até no currículo da escola fundamental.

O projeto original sempre esteve em desacordo com a lei de máximo 200m² porque saiu da prancheta com 840. Aí foram mexendo e subiram para os 1.300.

Para íntegra da reportagem, vá ao DCM.

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A descrição da casa (fotos Nelson Kon), no site do arquiteto:

Há uma lenda que diz que a região da cidade colonial de Paraty e de Angra dos Reis (entre São Paulo e Rio de Janeiro) tem 365 ilhas, uma para cada dia do ano.

Duas caixas de concreto aparente repousam engastadas na encosta de uma dessas ilhas; dois prismas modernos por entre as grandes pedras brutas do litoral brasileiro.

Os volumes projetam-se para fora da montanha, quase na altura da praia, num balanço de 8 metros.

A casa, numa engenhosidade estrutural, equilibra-se na topografia do terreno, constituindo um grande vão e um espaço habitável na natureza quase intocada.

Nas pedras de Paraty, na densa mata da ilha, venenosas aranhas, encontram esse volume ortogonal e adentram o gramado que reveste a laje.

Movimentando rapidamente as patas, desbravam o terreno.

As aranhas continuam seus percursos por dentro da residência onde se embreiam por uma coleção de importante móveis do século XX desenhados, entre outros, por George Nakashima, Luis Barragan, Lina Bo Bardi, Sérgio Rodrigues, Joaquim Tenreiro e José Zanine Caldas.

As aranhas se perdem no estofado da poltrona.

Os moradores chegam de barco: depois de pisar na areia, já protegidos pela laje, a entrada da casa é feita por uma ponte metálica sobre um espelho d’água forrado por cristais.

A ponte conduz a uma escada que conecta-se ao volume inferior. Este volume contém parte do programa da casa: uma sala de estar, a cozinha e a área de serviço.

O espaço interno, continuo, tem um grande vão de 27 metros e grandes janelas de vidro que permitem ver a vista, o mar.

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A mesma escada da entrada continua, para o volume superior que abriga os quartos. Na parte da frente da casa, painéis retráteis de graveto de eucalipto protegem os dormitórios do sol.

Os espaços voltados para a montanha, têm pequenos pátios internos com iluminação zenital e o uso do concreto armado aparente confere uma textura surpreendente para todas as paredes.

Todas as coberturas da casa são terraços: mirantes para os moradores, para as aranhas venenosas, jardim para as esculturas e para plantas medicinais e ervas comestíveis.

Gabriel Kogan

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Ficha técnica:

Arquitetos:Studio MK27

Ano: 2009

Área construída: 840 m²

Área do terreno: 50000 m²

Tipo de projeto: Habitacional

Status:Construído

Materialidade: Concreto e Vidro

Estrutura: Concreto

Localização: Paraty, Brasil

Implantação no terreno: Isolado

Leia também:

Como a Globo “branqueou” a Globeleza

O post DCM: Servidora que denunciou mansão triplex dos Marinho em Paraty teve automóvel queimado; obra irregular tem piscina em praia pública apareceu primeiro em Viomundo - O que você não vê na mídia.

11 Feb 20:59

Sucesso do Carnaval de SP não foi geração espontânea

by Luiz Carlos Azenha

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Por que o Carnaval de rua de São Paulo “pegou”?

A gestão Haddad liberou e deu estrutura aos blocos, antes proibidos; carnaval de rua de 2016 rendeu R$ 400 milhões à cidade

Por Marcela Petrere, Agência PT, em 11 de fevereiro de 2016 às 12:13:00

sugestão do Lino Bocchini

Quem mora em São Paulo ou acompanha o carnaval da cidade fica com a impressão de que o paulistano acordou para a folia de uns anos para cá. Não é bem assim.

Até a gestão municipal anterior, a Prefeitura autorizava apenas um pequeno número de blocos a saírem para as ruas. Os demais eram reprimidos.

A incompreensão era tamanha que um bloco como o Acadêmicos do Baixo Augusta, que este ano reuniu mais de 40 mil pessoas e teve a atriz Alessandra Negrini como sua madrinha, chegou a ser reprimido pela Prefeitura em 2012, e sequer pôde sair às ruas, ficando confinado em um estacionamento.

Logo nos primeiros dias da atual gestão, o então secretário da Cultura e hoje ministro Juca Ferreira convocou os blocos até então proibidos que desejavam sair e liberou a rua para todos.

“Nosso papel não é reprimir. Nosso papel é gerar uma infraestrutura e o sistema regulatório para garantir que a celebração do Carnaval seja aberta a todos”, disse Ferreira à época.

Ano após ano o número de blocos foi aumentando, e a estrutura fornecida pela prefeitura também.

Reclamações de sujeira, falta de banheiros e excessos de pessoas praticamente inexistiram em 2016. Isto porque a Prefeitura, agora com o secretário Nabil Bonduki à frente, mobilizou uma enorme estrutura para garantir que a folia ocorra em paz e que o restante da população também seja respeitado.

A prefeitura fornece banheiros químicos, gradis, segurança e ambulâncias, entre outros. A organização começou há seis meses e envolveu 14 secretarias municipais.

Como resultado, mais de um milhão de pessoas foram aos blocos nos primeiros dez dias de festa, de acordo com estimativa da Prefeitura. O carnaval de rua já é o evento turístico mais lucrativo da cidade, ao gerar mais receita e atrair um público de fora maior do que a Fórmula 1, que até então ocupava esse posto.

Foram 139 desfiles nos dias 29, 30 e 31 de janeiro e 147 no feriado. No final de semana pós Carnaval, acontecem mais 88 desfiles, até 14 de fevereiro. Até o final da programação, a Prefeitura espera totalizar 2 milhões de foliões.

Um dos principais diferenciais do novo carnaval de rua de São Paulo é que a participação na folia é gratuita. São proibidas cordas e a venda de abadás ou de qualquer outra vantagem ou acesso “VIP”, como acontece em outras capitais, como Salvador.

“Paulistanos podem, a custo zero, se divertir nas ruas, transformando o espaço público em lugar de festa, sociabilidade, namoro e liberdade”, disse o secretário de Cultura, Nabil Bonduki.

A política para o carnaval de rua e a atuação de Nabil são parte do projeto da gestão Haddad para o município, tornando São Paulo uma cidade em que as pessoas sejam as protagonistas do espaço público –como já acontece no caso das ciclovias, das ruas abertas à população etc.

A não cobrança em nada atrapalha a geração de renda, uma vez que hotéis, restaurantes táxis, estacionamentos, bares e toda a cadeira econômica envolvida ganham um tremendo estímulo. O Carnaval de rua já dá mais retorno à cidade até do que os desfiles no sambódromo. A SPturis, órgão municipal de turismo, estima superar a meta de arrecadação de R$400 milhões em negócios gerados pelos blocos, enquanto os desfiles oficiais devem render R$ 250 milhões.

Este ano, a prefeitura ofereceu cerca de R$ 40 milhões para as escolas de samba, blocos e cordões carnavalescos ligados à Liga das Escolas de Samba. Já os blocos independentes receberam R$ 10,5 milhões, sendo 35% verbas de patrocinadores. Em comparação com 2015, os investimentos no Carnaval de rua cresceram 66%.

Além do crescimento de 32% no número de blocos, o destaque da festa deste ano foi a descentralização das atrações. Os desfiles aconteceram por 23 subprefeituras e o número de blocos na periferia cresceu 44%. Pela primeira vez, por exemplo, a programação incluiu Sapopemba e Guaianases, na zona leste.

“É quarenta vezes mais de receita do que de despesa. A cada R$ 1,00 investido, a cidade tem R$ 40 de retorno, sem incluir o desfile”, explicou Fernando Haddad. E completa: “pessoas vieram para São Paulo e outras deixaram de sair daqui para curtir a festa. Em muito pouco tempo São Paulo será um destino turístico do Carnaval”.

“É quarenta vezes mais de receita do que de despesa. A cada R$ 1,00 investido, a cidade tem R$ 40 de retorno, sem incluir o desfile”, explicou Fernando Haddad

Nabil resume a folia paulistana: “o espírito desse Carnaval nasceu de baixo para cima, de forma espontânea, sem a paternidade e tutela do Estado”. Ou seja, o paulistano sempre gostou de Carnaval. Mas só agora a Prefeitura deixou a festa rolar.

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A casa de Che Guevara em Caraguatay, Argentina

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A entrada do museu e uma touceira de caraguatá A Ruta Nacional 12 é principal via de ligação entre o Norte e o Sul da Província de Misiones, aquele pedaço de terra argentina que se espreme entre o Brasil e o Paraguai, conhecido internacionalmente pela porção hermana das Cataratas do Iguaçu e pelas ruínas de algumas reduções jesuíticas (as Missões que dão o nome à região). Quando peguei
10 Feb 18:08

Conceição Oliveira: Secretário de Alckmin admira idealismo do Isis, mas não o dos secundaristas

by Luiz Carlos Azenha

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Professores e estudantes, vamos ensinar ao Nalini o que é uma escola verdadeiramente democrática?

Por Conceição Oliveira, 05.02.2016, no Blog da Maria Frô

Não me surpreenderam as estratégias de ação que serão adotadas pelo novo secretário da rede estadual de educação de São Paulo, Renato Nalini, nomeado pelo governador tucano Geraldo Alckmin recentemente.

O atual secretário bastante midiático (é blogueiro, comentarista do jornal da TV Cultura e vive dando entrevistas em canais de tv) quer fazer uso das redes sociais para implementar a política de fechamento de escolas, nomeada pelo governador eufemisticamente de “reorganização escolar”.

A ideia do ex-desembargador agora na pasta da educação do governo tucano é tentará convencer a sociedade por meio do uso de youtubers como garotos propaganda que fechar escolas é bacana!

Aliás me parece que a escolha de um quadro da Justiça para ocupar a Secretaria da Educação do estado de São Paulo não é gratuita já que o governador tucano foi derrotado na Justiça em seu intuito de fechar escolas, após grande mobilização da comunidade escolar durante todo o segundo semestre do ano passado e em todo o estado.

Antes de comentar as declarações de Nalini publicadas em matéria do G1, muito reveladoras por sinal, é preciso ter uma ideia no que se passa na maior rede estadual de educação do país.

Há décadas, as escolas estaduais de São Paulo diminuíram muito sua oferta para os primeiros ciclos da educação básica. Esse declínio pode ser visto desde pelo menos 1995, ver (Decreto 40673/96).

Ou seja, as redes municipais de educação que já cuidavam de creches, educação infantil e ensino fundamental 1 passaram a assumir paulatinamente também o Fundamental 2 (o prefeito Fernando Haddad vem oferecendo alguns cursos universitários nos CEUs, mas é exceção), o ensino médio ficou a cargo das redes estaduais.

Lembrando ainda que o governo federal nos dois mandatos de Lula e no primeiro mandato de Dilma investiram pesadamente na construção de escolas técnicas federais. Até 2002, o Brasil tinha apenas 140 escolas técnicas federais.

Em 12 anos de governos de Lula e Dilma foram criadas 374 escolas técnicas federais, três vezes mais do que foi construído em quase um século de história do Brasil.

No estado de São Paulo, creches, educação infantil são oferecidas pelos municípios como também a maior parte do Fundamental 1 e fundamental 2, e além disso o governo federal construiu 374 escolas técnicas de qualidade reconhecida nas avaliações nacionais.

Em 2009, por exemplo, a melhor colocação no ENEM das escolas públicas localizadas no estado de São Paulo não pertencia à rede estadual paulista.

Trata-se do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP). Esta escola técnica federal oferece o ensino médio integrado com a formação técnica. Trinta e quatro escolas técnicas federais entre as 374 construídas por Lula e Dilma estão no estado de São Paulo.

Assim, a rede estadual paulista não oferece aos paulistas nem creches nem educação infantil, oferece pouco Ensino Fundamental 1 e ensino Fundamental 2, pois o grosso de sua atuação é o Ensino Médio em nível regular e em parte nível técnico.

Na página oficial do governo tucano paulista sobre a “reorganização” escolar, malandramente o governo do estado diz que o estado de São Paulo “perdeu” 2 milhões de alunos de 1998 e 2015. O que o governo tucano de São Paulo sonega à população ao usar esse dado? Vejamos:

1) Nesses 20 anos há uma política deliberada dos governos tucanos no estado de São Paulo de sucatear a rede estadual, o que obriga as famílias a buscar nas escolas municipais alternativas para o Ensino Fundamental.

O sucateamento ocorre pela falta de investimento da administração tucana na educação: metade dos professores da rede do estado de São Paulo são temporários, sem concurso público, muitos ainda em processo de formação (estudantes de universidades), há falta de investimento nas escolas, ausência de política para planos de cargos e salários, escolas em péssimas situações estruturais.

O resultado são salas de aulas superlotadas (especialmente no nível médio), professores desestimulados, sem vínculo com a comunidade, direções não escolhidas democraticamente pela comunidade escolar (vide a atuação autoritária de muitos desses diretores durante as ocupações das escolas pelos estudantes, alguns deles ameaçavam alunos, pais e professores) que culminam em índices cada vez mais baixos nas avaliações de desempenho feitas pelo próprio estado de São Paulo em sua rede de ensino.

2) No Brasil inteiro diminuiu o número de nascimentos, portanto, diminuiu a pressão por vagas na rede escolar de todo o país (ver dados comparativos do censo 2010 em relação ao censo de 2000 para a região Nordeste por exemplo).

Mas não precisa ser demógrafo para saber que se o gestor fizer bom uso dos recursos que dispõe – mais dinheiro para menos alunos –, ele poderá investir esses recursos nas escolas com: formação continuada dos professores, atualização dos equipamentos técnicos, reformas nos prédios, fazer concurso público, aumentar salários dos professores dentre outros investimentos em recursos estruturais, técnicos e humanos.

3) A rede estadual paulista está no topo dos estados brasileiros em entulhar aluno em sala de aula.

Sim, aqui a opção tucana tem sido continua e silenciosamente fechar escolas e transformá-las, por exemplo, em quartéis da PM. Isso mostra quais são as escolhas políticas deste estado governado há 20 anos pelo PSDB, que trata a segurança pública como sinônimo de repressão e encarceramento.

São Paulo é campeão em encarcerar devido aos seus índices astronômicos na indústria prisional (com serviços terceirizados que dão enormes lucros aos empresários das prisões e gastos astronômicos aos contribuintes.

O estado tucano de Minas, por exemplo, em 2007 gastou 11 vezes mais para manter uma pessoa presa que uma aluno na escola) o Brasil está entre os quatro primeiros países de maior população carcerária do planeta.

Não é à toa que o governador Geraldo Alckmin é o garoto propaganda no projeto que visa aumentar o número de anos de cumprimento de penas para o menor infrator. Alckmin e o restante dos tucanos apostam nas prisões no lugar de escolas.

Assim diante deste quadro, a receita do Estado mínimo tucano para a educação é fechar escolas, entulhar alunos em sala de aula, jogá-los para estudar longe de casa, segregá-los geracionalmente, utilizando como argumento a separação por ciclos e em última instância aprisiona-los, seja nas fundações para menores infratores ou nos presídios ao completarem 18 anos.

Agora retomemos a fala do novo secretário de educação midiático, Renato Nalini, em matéria do G1 já linkada anteriormente:

José Roberto Nalini, ex-presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, afirma ter a convicção de que o ciclo único é mais vantajoso. Segundo o novo secretário, com a mistura de faixas etárias, “crianças são atropeladas na hora da merenda e há formação de grupos que praticam o bullying”.

É bastante reveladora a fala do novo secretário que nunca abriu sequer um livro de algum teórico respeitável da educação e que faz Vigotsky revirar no túmulo. Para o novo secretário as escolas da imensa rede estadual paulista que ainda preservam Ensino Fundamental junto com Ensino Médio não ganham nada em manter estudantes de diferentes ciclos da Educação Básica estudando no mesmo espaço.

Ao contrário, ele considera que os estudantes maiores, além de não ter nada para ensinar aos menores, são, por natureza, sujeitos violentos que atropelam crianças na hora da merenda e praticam ‘o bullying’.

Qualquer aluno no primeiro ano de pedagogia sabe que ambientes ricos em diversidade sejam elas geracionais, étnico-raciais, de gêneros e identidades sexuais, de opções religiosas, com nacionais e estrangeiros, enfim, são ambientes ricos de aprendizagem nas relações de convivência para que efetivamente a escola cumpra o seu papel de formar cidadãos que respeitem as diferenças.

Portanto, o argumento do novo secretário nega por excelência o papel da escola em sua basilar e fundamental função: ensinar a convivência democrática e respeitosa de uns com os outros para viver em sociedade.

Talvez porque na lógica do PSDB o que importa mesmo é armar a PM para resolver qualquer conflito a base de bombas de gás, spray de pimenta e balas de borracha (às vezes balas mortíferas mesmo).

Causa espécie o secretário querer fazer uso das redes para forçar a implementação de uma proposta cujo objetivo é reduzir custos do estado na área da educação, mas vendê-la pela propaganda como melhoria para o ensino e ao mesmo tempo desconhecer o papel que as redes sociais na atualidade.

Mesmo que as escolas no século XXI pratiquem uma escolarização do século XIII, é grave o fato de um secretário da educação desconhecer, por exemplo, que uma das práticas de alunos inseridos em ambientes autoritários é fazer uso da violência preferencialmente pelas redes sociais.

O secretário precisa dedicar tempo para conhecer os estudos que mostram que grande parte do bullying praticado entre os estudantes o meio preferencial são as redes sociais. Se os alunos não são formados para serem respeitosos com a diversidade eles serão violentos no mundo online e off-line, dentro e extramuros escolares.

Finalmente, o desembargador que defende o aumento de subsídios para juízes (que ganham pelo menos dez vezes mais que um professor da rede estadual) viajarem para Miami, comprarem seus ternos e não ficarem deprimidos deveria acompanhar um dia pelo menos de qualquer escola pública que tenha mais de um ciclo.

Ele certamente não dará o vexame de mostrar toda a sua ignorância pública sobre a Secretaria que acabou de assumir, demonstrando que não sabe, por exemplo, que os intervalos de cada ciclo são em horários diversos, porque nenhum refeitório e/ou quadras de uma escola (sejam elas públicas ou privadas) comportam todos os estudantes ao mesmo tempo. Dispenso aqui comentário sobre o jornalista que fez a matéria e não confrontou o secretário sobre tamanha desinformação, possivelmente o jornalista já se esqueceu dos tempos de escola e depois de formado jamais pôs os pés em uma delas.

Que o novo secretário da Educação que parece ser uma pessoa vaidosa (exibindo seus pensamentos em muitos meios de comunicação) nos fale mais sobre o que pensa sobre a secretaria que assumiu.

Talvez possamos descobrir as pérolas de seu pensamento como no vídeo abaixo [Nota do Viomundo: Jornal da Cultura, 29.12.2015; os secundaristas de São Paulo já haviam derrotado a ‘reorganização’ de Alckmin] quando ele afirma ter ‘inveja’ da tenacidade do Isis, do fundamentalismo islâmico, porque aqui vivemos um ‘deserto de ideias’.

Parece que o ‘deserto’ de ideias reside no pensamento tucano. Que os youtubers que se prestarem a este papel vergonhoso de defender o indefensável se virem nos 30 ao serem usados como garotos propaganda e ao menos não repitam falsos argumentos do senso comum.

Pois os guris e gurias corajosos, que enfrentaram o truculento governador Geraldo Alckmin, seus diretores nomeados e, igualmente, autoritários e sua polícia militar que parece não ter filhos em idade escolar, aprenderam a lutar.

Os estudantes, parcela dos professores e pais aprenderam a duras penas que uma escola pode ser democrática e não abrirão mão do direito de assegurar o futuro da educação.

Que o novo Secretário se prepare, por exemplo, para efetivamente agir com transparência para que denúncias de desvios de recursos federais destinados à merenda escolar, que envolvem o alto tucanato do Estado de São Paulo (do gabinete do governador, a seus parentes prefeitos, passando pelo presidente tucano da ALESP) não se repitam.

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