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21 Jun 20:53

CET quer ciclistas fora das avenidas de São Paulo

by Willian Cruz
Allan Patrick

É, Haddad, a máquina da prefeitura trabalha contra. Se não ficar de olho aberto, pode ser engolido por ela.

Muitas das avenidas paulistanas não possuem alternativa adequada. Foto: Willian Cruz/VdB
Para o órgão, ciclistas não devem circular em avenidas. Elas não serão sinalizadas, mesmo onde a faixa direita for exclusiva aos ônibus.
21 Jun 11:18

O que Diogo Mainardi tem a ver com o vândalo Pierre Ramon

by Ailton Medeiros

Pierre Ramon Alves de Oliveira que apareceu na televisão depredando a prefeitura de São Paulo, no protesto de terça-feira, é estudante de arquitetura de uma universidade privada e filho de um empresário da área de transportes.

Após confessar ter participado da depredação, Ramon decidiu pedir desculpas. A polícia havia solicitado sua prisão temporária por formação de quadrilha, mas o juiz negou o pedido.

Ramon é a versão atual de Diogo Mainardi. Eu explico. Em 1979, Mainardi aderiu as manifestações promovidas pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo depredando e saqueando uma loja no centro da capital paulista.

Mainardi foi colunista de Veja. Se depender da revista da Abril, o futuro de Ramon está garantido!

Diogo Mainardi

 

Protestos em SP

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21 Jun 11:16

Há um golpe sendo gestado no Brasil

by Daniel Dantas Lemos
O receio havia tomado conta de mim há alguns dias. 
Apesar da história que carrego, dos protestos de Natal, o cenário contemporâneo começou a mudar minhas impressões.
E hoje o meu receio virou um concreto medo.
Em Natal sempre que fomos às ruas havia uma pauta muito bem definida. Hoje, em Fortaleza, a disparidade e a difusão das pautas me deixaram ainda mais assustado. Afinal, você está lutando contra o quê? Ou pelo quê?
Não há muita certeza. 
Um rapaz, com máscara de Guy Fawkes, hostilizou um militante petista de camiseta e bandeira.  Fui conversar com ele: 
- Lutamos contra Dilma e o cara vem com a bandeira dele?, disse.
- E qual das pautas do movimento é contra o Executivo Federal?, perguntei.
- A PEC 37, ele respondeu.
- A PEC 37 é com o legislativo, não depende da Dilma.
- Mas vai para ela para aprovar... 
- Sim, mas é uma pauta do legislativo.
No fim, ele reconheceu que as demais pautas eram ligadas à gestão municipal ou estadual.
O que a Dilma estava fazendo mesmo no protesto?
Meus ouvidos ainda ecoam o grito de "Vem pra rua!"
Eu defendi que a rua precisava contar com a presença dos partidos da esquerda, inclusive daqueles que apóiam o governo. A fumacinha de um movimento catártico que podiam degringolar em uma ação golpistajá  aparecia e a única alternativa que me parecia lógica era ir disputar o espaço das ruas.
Mas aí eu fui para o protesto de hoje em Fortaleza. E tudo mudou - para pior.
Antes de sair da UFC, discuti com alunos que defendiam que as bandeiras dos partidos deveriam ser proibidas no protesto. Sua incapacidade de ouvir o que eu falava me fez pensar na inconseqüência dos seus atos: há condições históricas para uma revolução? Há uma eleição ano que vem - o que será dela? Vocês traçam estratégias para o ato com antecedência? O que farão se houver um confronto com a polícia? 
Nenhuma das minhas perguntas foi considerada. Confesso que esse iconoclastissismo radical me assistou e entristeceu.
Sai de lá com a pulga atrás da orelha.
No protesto podia ver dois grupos que me preocuparam ainda mais: de um lado, jovens absolutamente despolitizados. De outro, gente que foi para quebrar o que for possível.
Na frente da Assembleia Legislativa esse grupo estourou algumas bombas sem mais gravidade. E isso você não viu na cobertura da Globo.
O protesto seguiu e quase se dividiu quando decidiu se dirigir para o Palácio da Abolição.  Isso a Globo também não disse: depois de certa relutância, todos seguiram para o Palácio.
Vi meninos carregando estilingues. Vi fortões muito parecidos com os que apareceram em São Paulo. Vi P2, alguns muito mal disfarçados, acompanhando o protesto em marquises ou calçadas.
Cheguei no mausoléu de Castelo Branco, ao lado do Palácio, sentei na grama. Tentei religar a transmissão, mas seguia sem Internet.
A tensão era palpável. 
Os provocadores queriam agir. E agiram: começaram a disparar rojões e coquetéis molotov contra o Palácio da Abolição. A PM não havia agido até então. Não adiantaria mais aos manifestantes pacíficos recolocar no lugar as grades que os agitadores jogavam no chão.
Nesse momento revi cartazes moralistas. Tenho medo de cartazes moralistas: "Pena de morte para a corrupção", dizia um. O grito de "Sem partido" também ainda ecoa na cabeça.
Foi esse cenário que me desfez as esperanças: há gente interessada em gestar um golpe de estado no Brasil.
Tive receio pela integridade física do jornalista da Verdes Mares/Globo que estava lá.
A cena de ataque a prédios de governos se repetiu, quase como se fosse articulada, Brasil afora.  As cenas que a TV mostrou em Belém foram muito semelhantes às de Fortaleza.
E nós não sabíamos o que ocorria no resto do país. Em São Paulo, militantes de PT, PCdoB, PSTU foram hostilizados aos gritos de Ditadura Já.
Em Natal, militantes de partidos foram agredidos. Dário Barbosa, dirigente do PSTU, sofreu uma garrafada.
A sensação com a qual eu sai das ruas hoje é de que há alguém gestando um golpe de estado no Brasil.
Horas de os partidos, os democratas e as esquerdas se unirem enquanto houver tempo.
Sempre fui para as ruas numa luta por mais democracia.  Atacar os partidos e esses símbolos do governo só serve para que consigamos menos democracia - ou nenhuma.

20 Jun 22:05

Jornalista fica três dias preso. “Bad boy” chora e é liberado

by Leonardo Sakamoto

O jornalista Pedro Ribeiro Nogueira, que cobria a manifestação contra o aumento nas passagens do transporte público de São Paulo, foi cercado e surrado por um grupo de policiais militares ao tentar proteger outras pessoas na terça, dia 11 de junho. Detido às 22h, na 78a Delegacia de Polícia, onde ficou sabendo que havia sido indiciado por dano ao patrimônio público e formação de quadrilha, acabou transferido para a 2a DP. Não lhe deram o direito de fazer o exame de corpo de delito. Ignoraram um vídeo que correu a internet em que a versão dele é corroborada e no qual aparece sendo violentamente espancado (abaixo). Por conta de muita pressão social e da competência de seus advogados, um juiz decidiu pela soltura, que veio a ocorrer às 16h20 da sexta (21). Mas é uma liberdade provisória, com restrições: não pode sair de casa das 20h às 6h e deixar a cidade. Vale ressaltar que o Ministério Público defendeu a sua permanência na cadeia. Ele ainda terá que responder pelos crimes do qual foi acusado.


Fonte: Centro de Mídia Independente (CMI)

O estudante de arquitetura Pierre de Oliveira incitou pessoas que protestavam diante da Prefeitura de São Paulo a depredarem o prédio – durante ato contra o aumento na tarifa do transporte público nesta terça (18). Vestindo uma máscara contra gás lacrimogênio, ele quebrou vidros, agrediu guardas e tentou invadir o prédio. Ele fez parte de um grupo que também ameaçou os próprios manifestantes que usaram seus próprios corpos em um cordão humano a fim de defender a sede do governo paulistano. As imagens da depredação correram a internet e ele acabou sendo identificado. Entregou-se após ter sido procurado em casa. Pediu desculpas pelo ocorrido e chorou ao depor. O delegado o considerou arrogante: “achou que era o dia dele e começou a quebrar tudo”. Ele foi indiciado por dano ao patrimônio público e liberado após prestar depoimento. A juíza negou prisão temporária por formação de quadrilha, apesar do pedido da polícia.

Pierre usa grade para atacar a Prefeitura (Joel Silva/Folhapress)

Pedro, que foi trabalhar para reportar à população o que estava acontecendo e defendeu manifestantes de sofrerem violência, foi espancado e ficou três dias detido apesar das imagens mostrarem que ele nada fez. Pierre, que incitou violência, apavorou os presentes e desancou a fúria sobre o patrimônio público, foi embora, apesar das imagens que mostrarem que ele fez tudo.

Sei que há diferenças judiciais entre os casos. E – pelas divindades da mitologia cristã! – não defendo que Pierre sofra o que Pedro sofreu. Mas é completamente ridículo que Pedro tenha sido vítima de brutal injustiça, tendo seus direitos enterrados e sido acusado no melhor estilo de “O Processo”, de Kafka.

Pedro apanhou porque era jornalista e a polícia desceu, sistematicamente, a porrada em jornalista até o dia 13, quando isso transbordou e sujou o chão da sala, com colegas de grandes empresas de jornalismo entre os feridos e presos. Pierre se beneficiou do “monitoramento à distância” da Polícia Militar que demorou para se mexer enquanto pessoas que não eram manifestantes faziam o que queriam no Centro de São Paulo.

O ato desta quinta será de festa para quem se conscientizou e foi às ruas por seus direitos e viu sua reivindicação atendida com a revogação do aumento do valor da passagem. Mas também de reflexão. Sobre o nosso poder real, muitas vezes esquecido. E sobre o comportamento do poder público que deveria proteger, mas ataca as liberdades de seus cidadãos. Pois um governo decente é aquele que respeita a liberdade de imprensa, mas também a liberdade de expressão.

Entidades divulgam nota de repúdio 

Na tarde desta quinta (20), organizações sociais de defesa à liberdade de imprensa e direitos humanos deram uma coletiva à imprensa no Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo, manifestando repúdio à violência contra jornalistas e manifestantes. Cobraram medidas concretas para apuração das responsabilidades. Segue a nota pública assinada, entre outros, pelo Aprendiz, Artigo 19, Conectas Direitos Humanos, Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, Intervozes, Repórter Brasil e Repórteres sem Fronteiras.

As organizações de jornalistas e de defesa de direitos humanos abaixo assinadas, preocupadas com a garantia da liberdade de imprensa e da liberdade de manifestação e expressão, vêm a público manifestar:

O repúdio às graves violações a direitos de liberdade de imprensa e de manifestação e expressão em virtude da violência policial ocorrida nos recentes protestos pela redução da tarifa de transporte, que só em São Paulo resultou em mais de vinte jornalistas feridos e dois jornalistas presos. Entendemos que a violência se deveu não apenas a abusos individuais, mas foi incentivada por declarações de autoridades públicas e inclusive de editoriais de opinião dos próprios órgãos da imprensa em defesa da forte repressão à manifestação;

A preocupação com aumento dos casos de ameaças a jornalistas por parte de integrantes da Polícia Militar, agravada pelo medo que impede os profissionais em dar encaminhamento às denúncias;

O repúdio a todas as tentativas de dificultar e impedir o trabalho de cobertura jornalística dos eventos, inclusive aquelas promovidas pelos próprios manifestantes.

Nesse sentido, reivindicamos as seguintes ações:

• Identificação e responsabilização dos responsáveis por todas as agressões ocorridas nas recentes manifestações;
• Garantia da liberdade de manifestação, com revisão das doutrinas, manuais e procedimentos para uso de armas menos letais;
• Criação de Grupo de Trabalho em âmbito estadual em São Paulo para adoção de medidas específicas de proteção à liberdade de imprensa, com sugestão de participação da Secretaria de Segurança Pública, Polícia Militar, Sindicato dos Jornalistas e organizações da sociedade civil.

As organizações também consideram fundamental o acompanhamento do Grupo de Trabalho sobre proteção a jornalistas da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República e a denúncia dos casosàs relatorias de liberdade de expressão da OEA e da ONU.

Salientamos, por fim, que a violência contra jornalistas e comunicadores atenta não apenas contra os profissionais e veículos envolvidos, mas contra o direito de toda a sociedade a ser informada, configurando-se, na prática, como uma forma de censura.

20 Jun 19:27

GUEST POST: PELAS MULHERES ESQUECIDAS DO TRANSPORTE PÚBLICO

by lola aronovich
Os protestos nas ruas conseguiram seu primeiro resultado concreto, que foi a redução das passagens. 
É uma vitória, sem dúvida, mas pouco ou nada se fala dos lucros absurdos das empresas de ônibus. 
Eu me lembro (inclusive porque morava em SP na época) quando Erundina tentou enfrentar essas empresas e foi massacrada pela mídia. E, por incrível que pareça, ainda hoje, as pessoas veem os gigantescos lucros privados em cima de um serviço essencial como algo aceitável, natural, "é assim que as coisas são", enquanto concentram sua revolta unicamente no poder público.  
Outra coisa que vem sendo esquecida das reivindicações é quem anda no transporte público. Não é surpresa pra qualquer um que pega ônibus que a maior parte dos usuários é mulher. E mulheres costumam ter prioridades que muitas vezes são ignoradas pelos homens. Portanto, o Coletivo Feminista Pagu - Baixada Santista escreveu este post para trazer essas questões para a pauta principal.

Diante de todas as manifestações que ocorreram, ocorrem e ocorrerão por todo o território nacional a respeito da Luta Nacional Contra o Aumento das Passagens, fica a reflexão: e as mulheres? O que o transporte público pode oferecer às mulheres? Aliás, no que elas são prejudicadas por ele?
Não é novidade para quem está presente no movimento feminista o quanto as mulheres sofrem quando o assunto é transporte público. E, pasmem, 55% dos usuários do transporte público na Grande São Paulo são mulheres! Isso pode em grande parte ser explicado pela diferença salarial entre homens e mulheres. Em média, homens ganham 66% mais que mulheres com o mesmo nível de escolaridade, chegando a uma diferença de 185% em certos cargos, como o de diretor. 
Tendo em vista que em média as mulheres utilizam o sistema três vezes na semana, pelo menos, para ir e voltar do serviço, a perda monetária é muito maior, proporcionalmente aos seus rendimentos, do que a dos homens. Afinal, mesmo que as mulheres ganhem menos, o valor da passagem é igual.
Como as mulheres são maioria em funções de baixa remuneração e que necessitam de menor qualificação, qualquer aumento tarifário pesará mais sobre elas. E esta situação as torna mais dependentes do transporte público, mais expostas aos abusos cometidos por outros passageiros e, às vezes, até por motoristas e cobradores. Também essa dependência do sistema público de transporte mantém a mulher em situação de vulnerabilidade quanto ao estupro/assédio sexual, uma vez que a imensa maioria de linhas passa em péssimos horários durante a madrugada e a noite.
O desrespeito à mulher no transporte público é outro assunto muito abordado por nós do meio feminista. Não faz muito tempo que explodiu nas redes sociais da nossa militância um blog que tinha o objetivo de disseminar o assédio de mulheres no transporte coletivo. Esse blog foi denunciado, e depois disso apareceu mais outro de tanto que era -- se assim podemos dizer -- a demanda. Fazia-se upload de vídeos e fotos em que homens expunham seus órgãos sexuais e começavam a se masturbar próximos às mulheres que estavam, muitas vezes, em pé no transporte coletivo. O fato de que uma mulher não pode estar dentro de um ambiente fechado que seu corpo já se torna público, que não merece nenhum respeito, é chocante. A “mão boba” é conhecida: é o que as mulheres recebem dentro do transporte público lotado depois de um dia inteiro na escola, faculdade ou trabalho.
A demora na chegada do transporte também contribui para colocar a vida da mulher em risco. O que para muitos homens chega a ser apenas um empecilho tedioso é, na verdade, para as mulheres longos minutos ou, muitas vezes, horas de apreensão e insegurança na espera do ônibus. Inconscientemente, só pelo fato de estar ali parada, muitas vezes sozinha, a mulher teme a figura do estuprador à espreita. É isso que o patriarcado faz conosco. É um medo tão enraizado que não tem como escapar. Não sendo suficiente a demora, ocorre que normalmente os pontos de transporte são mal iluminados e mal estruturados, ocasionando um local propício para que a cultura de estupro coloque em prática toda a sua força.
Existe também o fator da má distribuição de rotas do transporte público. Quantas vezes temos que fazer longas caminhadas à noite em ruas pouco iluminadas porque a rota do ônibus não cobre determinada região? Qual é a sensação que temos ao fazer isso? O medo é o primeiro sentimento. Não é medo de assalto, é aquele medo de estar sendo seguida, de que qualquer um pode estar à espreita e querer te submeter ao “sexo” forçado. Sexo entre aspas porque isso nunca foi sobre sexo, isso sempre foi sobre dominação, sobre subjugar o outro. Esta é uma das armas do patriarcado para manter as mulheres com medo: o estupro. E pessoas com medo são mais fáceis de dominar, de controlar.
Mas aqueles que não vem o espaço público como pertencente também à mulher poderiam perguntar: "Que mulher é essa que utiliza o transporte público para sair à noite ou de madrugada?". Respondemos: são profissionais domésticas, inspetoras escolares, merendeiras, cozinheiras, arrumadeiras, faxineiras, profissionais da área de saúde, professoras, estudantes, mães, e em alguns casos prostitutas (elas existem e são gente)... A lista é enorme: são essas mulheres que precisam andar no escuro por ruas pouco ou nada iluminadas, que precisam parar em pontos desertos; que pegam ônibus com poucos passageiros, ou com passageiros demais. 
Há que se levar em conta também o medo de denunciar a violência sofrida e se expor piorando a situação. Quantos casos ouvimos de mulheres brutalizadas no transporte público que contam baixinho, furtivamente para a família e/ou para algumas amigas e pedem silêncio? Quantas conhecemos que se culpabilizam por serem brutalizadas? Deixemos claro que a culpa não é da vítima. Embora possa ser daquelas pessoas que vendo o abuso evitam ajudar porque "a mulher está pedindo".
O patriarcado age quando nenhum desses temas expostos aqui é considerado na luta pelo transporte. E por quê? Por que é tão difícil pensar na situação da mulher em relação ao transporte coletivo? Porque a opinião da mulher é secundária e, infelizmente, seus interesses também. Talvez nenhum desses tópicos tenha sido considerado pelo simples fato de que a sociedade brasileira ainda culpabiliza a mulher que sai à noite. Afinal, quem mandou ser mulher e sair à noite? O transporte público não tem nada a ver com isso.
Por isso precisamos criar uma campanha feminista dentro da Luta Nacional Contra o Aumento das Passagens. Vamos levantar cartazes com os nossos problemas. Não podemos ficar invisíveis nessa luta, por mais que para parte da sociedade nossas reivindicações sejam secundárias. Para as mulheres, não são.
20 Jun 17:43

Yuri Franco: Direita quer diluir reivindicações para não pagar a conta

by Luiz Carlos Azenha

 

As pautas justas dos atos e como resistir à tentativa de desvirtuá-las

por Yuri Soares Franco*

Nos últimos dias o Brasil tem sido sacudido por manifestações em diversas cidades. Como centelha inicial está a questão do transporte público, causadas pelo aumento da tarifa do transporte coletivo em várias cidades. Esta é uma reivindicação justíssima, e inclusive a revogação dos aumentos é apenas uma pauta imediata. Há uma discussão antiga e profunda sobre a questão do financiamento do transporte coletivo, que hoje serve basicamente como ferramenta de lucro de alguns empresários.

Ao irem às ruas, surgiram também críticas decorrentes da violência policial. A Polícia Militar, como a conhecemos hoje, foi construída ao longo do tempo para ser exatamente isso: instrumento de controle da população e de defesa da propriedade. Isso também não é exclusividade do Brasil. Recentemente, ao ser questionado sobre a repressão violenta da polícia aos manifestantes na Turquia, o primeiro ministro turco respondeu que sua polícia utilizava os mesmos mecanismos repressivos que a polícia dos Estados Unidos e dos países europeus. Nesse ponto, ele tinha razão.

Infelizmente a mídia e a direita (o que é  um pleonasmo), após inicialmente chamarem os manifestantes de vândalos e baderneiros, resolveram fazer uma virada espetacular de opinião e passaram a apoiá-los.

O problema é que esse apoio tem um objetivo muito claro: diluir as bandeiras legítimas dos movimentos ao mesmo tempo em que tentam inserir as suas pautas reacionárias e tentam capitalizar o movimento para os seus objetivos sórdidos.

Esta virada foi sendo colocada quando a seguinte palavras de ordem foi sendo posta: “não é por centavos”. A partir do momento em que a pauta principal e inicial do movimento foi sendo escanteada, abriu-se espaço para que todo tipo de pauta fosse incluída: “contra isso tudo que está aí”, “contra a corrupção” de maneira vaga e despolitizada, “contra os impostos”, e até as mais recentes que já circulam nas redes sociais, como “contra a ditadura gay” e “pelo impeachment da Dilma”.

Os slogans também foram sendo usados de forma a despolitizar. O pior deles é “O gigante acordou”**. Este slogan é complicadíssimo. Carregado de ufanismo, ele simplesmente tenta jogar para a vala do esquecimento os séculos de lutas e resistências do povo brasileiro: os índios e suas guerras de resistência, os negros e seus quilombos, os movimentos feministas e suas marchas, a classe trabalhadora e suas greves, os trabalhadores rurais e suas ocupações, o movimento estudantil e suas manifestações…

Para os setores reacionários nenhuma dessas lutas vale, já que sempre estiveram do outro lado, dos exploradores, da elite.

Há um discurso nestes setores, de que “é necessário acabar com o pão e circo”. Precisamos rechaçar fortemente esse discurso, pois o que eles chamam de “política do pão e circo” são os avanços que tivemos nos últimos anos. Eles querem acabar com as políticas sociais de distribuição de renda, com as cotas sociais e raciais, com a política de valorização do salário mínimo e da massa salarial da classe trabalhadora em geral, com os direitos trabalhistas que as empregadas domésticas ganharam recentemente.

Dentro dos palácios temos os governantes, que não souberam negociar e até o momento ainda se mostram atônitos. Utilizam argumentos técnicos, quando o seu papel é fazer política, em outras palavras, procurar meios para atender às pautas populares. Não é possível governar apenas com gestão sem discutir os rumos da sociedade.

Há também uma demanda reprimida da população por participação. Esse sistema político atual, com financiamento privado, favorece a corrupção, uma vez que os financiadores das campanhas cobram depois o retorno dos seus “investimentos”. Também afasta a população das decisões relevantes das cidades, dos estados e do país. É preciso então discutir uma profunda reforma política, que dê voz e espaço aos setores excluídos da política institucional.

Como resistir à tentativa de sequestro dos atos?

Precisamos primeiramente compreender que a gênese desses movimentos é progressista e tem como pautas problemas concretos da vida das pessoas. No entanto há uma operação da mídia e da direita de desvirtuá-los e transformar os manifestantes em massa de manobra para setores da elite que não pretendem avançar, mas sim retroceder nos direitos da maioria da população.

É preciso que os manifestantes “antigos”, que já estão nas lutas e nas ruas há muito tempo em defesa das pautas progressistas, se somem aos atos e disputem sua linha, para que o tom seja pela conquista de novos direitos, sem abrir mão do que já foi conquistado.

Para os manifestantes novos: sejam bem-vindos à  luta!

A única compreensão que eu lhes peço é  que entendam o motivo que torna impossível “todos darmos as mãos por uma causa só, independente das diferenças”. Há, como sempre houve, a necessidade que alguém perca para que alguém possa ganhar.

Para termos passagens mais baratas e transporte de qualidade é preciso que o dinheiro saia de algum lugar: ou dos governos (o que seria trocar seis por meia dúzia), ou diminuir os lucros dos empresários do setor e aumentar impostos dos usuários de transporte individual (carros). Para conquistarmos direitos para a população LGBT precisaremos derrotar os fundamentalistas. Para democratizarmos as comunicações precisaremos derrotar a grande mídia, para termos melhores salários e condições de trabalho precisaremos derrotar os empresários, para termos mais dinheiro precisaremos derrotar os banqueiros que lucram em cima de nós com seus juros, e por aí segue…

Creio que o meio para defender os atos e os movimentos da intromissão de pautas reacionárias nesse momento é a restrição das nossas pautas nos atos. Precisamos realizar atos como sendo claramente contra os aumentos e em defesa de um novo modelo de transporte público e de qualidade.

Há diversas pautas progressistas igualmente importantes, como o combate ao projeto de lei da “cura gay” aprovado nesta terça-feira (18/06) pelo Feliciano na CDHM da Câmara dos Deputados, a Reforma Política, a democratização dos meios de comunicação, o combate à PEC37 (que restringe os poderes de investigação do Ministério Público), dentre tantas outras.

Se pulverizarmos as pautas em poucas manifestações “genéricas”, estaremos ajudando a fazer o que a mídia e a direita tanto querem: caracterizar o movimento como difuso e aberto à qualquer pauta, e já percebemos que onde cabe qualquer pauta, cabem também as pautas dos nossos adversários.

É necessário organizarmos atos para cada uma dessas pautas, aproveitando o momento político para acumular força, organicidade e visibilidade para as nossas lutas, que certamente não terminarão em uma ou duas semanas.

Que as manifestações não sejam passageiras!

*Historiador pela Universidade de Brasília

**PS do Viomundo: Investiga-se se #ogiganteacordou, propagado pela TV Globo no jogo entre Brasil e México, ontem, em Fortaleza, tem relação direta ou indireta com gente da oposição.

Leia também:

Globo enfia a corrupção no Castelão. Não a da FIFA

O post Yuri Franco: Direita quer diluir reivindicações para não pagar a conta apareceu primeiro em Viomundo - O que você não vê na mídia.

20 Jun 17:40

Prefeitura atrasou INSS dos servidores?

by Comissão de Comunicação
Por Marcelo de Manduca

Tudo era fácil em cima do palanque,  os atrasos e a dívida do INSS era coisa de políticos incompetentes, irresponsáveis etc.  Agora, após a posse, os atrasos continuaram e a dívida do INSS recebeu um acréscimo de, aproximadamente, R$ 350 mil (trezentos e cinquenta mil reais), em apenas dois meses que deixaram de ser pagos (no mês de março/2013 a parte patronal não foi paga).  

Isso aconteceu antes do final do 6º mês  ou do 1/8 (um oitavo) da gestão, significa dizer que se a proporção do acúmulo de dívida for mantida, ao final da "Gestão Verde e Rosa" teremos como resultado a seguinte conta, aproximadamente: R$ 350.000,00 X 8 = 2.800.000,00 (350 mil multiplicado por 8 é igual a 2,8 milhões). Quer dizer, teremos mais alguns milhões somados à dívida da Prefeitura.

Pergunta: Já que os  atrasos e as dívidas contraídos anteriormente, junto ao INSS, eram atribuídos a incompetência e irresponsabilidade dos gestores, o mesmo se aplica à gestão atual? 

Tomara que a "Gestão Verde e Rosa" comece a reler os discursos que fizeram sobre os palanques, talvez eles comecem a deixar de fazer muito mais do mesmo.  

Veja o pagamento normal no dia 10 de maio de 2013


Veja que não aconteceu o pagamento no dia 10 de junho de 2013


 Fonte: Banco do Brasil S/A
20 Jun 00:44

Fenianos

by Francisco Seixas da Costa
Conheci ontem o embaixador irlandês em Portugal. Com o espírito jovial de "mediterrânico" do Norte que é típico dos seus concidadãos, falou-me, com entusiasmo, da ideia de fazer um guia com uma espécie de "percurso irlandês" de Lisboa, por forma a evidenciar aos portugueses a importância das relações entre os dois países. Trata-se de um apaixonado pela História e tem vindo a coletar imensa informação sobre o tema.

A meio da conversa, perguntei-lhe: "Já visitou o Clube Fenianos, no Porto?". Nunca tinha ouvido falar. Expliquei-lhe que, desde 1904, existe no Porto uma agremiação que, tanto quanto se sabe, deriva de entidades similares brasileiras (estas últimas, aparentemente, influenciadas pelos Estados Unidos), criadas ainda no século XIX, que tinham como objetivo a recolha de ajuda financeira para os revolucionários católicos irlandeses, que lutavam pela sua independência dos ingleses. De certa forma, como já tenho lembrado a amigos portuenses, o popular "Fenianos" tem uma raiz (pelo menos) etimológica que o liga ao famoso "Sinn Féin", o partido da da Irlanda do Norte que, durante muito anos, esteve por detrás do violento IRA. 

No historial do pacífico clube portuense de hoje, constam já poucos vestígios dessa origem. Na "Sapataria Fenianos", que fica no rés-do-chão, apenas sabem dizer que o nome se deve ao clube. Talvez, numa próxima visita ao Porto, o simpático embaixador irlandês venha a comprar por lá um par de sapatos, em honra da memória da instituição.
19 Jun 16:55

Em breve, o preço da passagem será o menor dos problemas do poder público

by Leonardo Sakamoto
Allan Patrick

#sakamala, nós te amamos!

“Sakamoto, seu comunista filho da puta! Eu vou te matar!”

Ouvi isso de dois rapazes fortes e mascarados que estavam entre os que depredaram a entrada da Prefeitura de São Paulo, na noite desta terça (19), durante o ato contra o aumento nas passagens do transporte público em São Paulo. Comunista? – hihi. Por sorte – ou azar, dependendo do ponto de vista – eles voltaram a se entreter com uma grade de segurança, feito gato com novelo de lã, junto com outros da sua espécie. O que foi bom porque não pareciam do tipo que brincam em serviço.

Logo antes, eles haviam entrado em confronto com um grupo de manifestantes que usou os próprios corpos em um cordão humano de isolamento, dando os braços, para proteger o prédio. Gritando “sem violência!”, permaneceram lá enquanto enquanto viam pedras serem arremessadas sobre suas cabeças contra as vidraças. Ouviam do grupo agressor – uma mistura de boladões bem-vestidos e uma molecada franzina, claramente de origem mais humilde – que estes eram “moralistas” e “coxinhas”.

Manifestantes fazem cordão de isolamento e tentam proteger Prefeitura

Quando alguém me reconhece na rua (provavelmente pela cabeça inconfundivelmente grande) e vem conversar, normalmente discute algum texto ou ideia, concordando ou discordando em paz. Mas, nesta noite, fui surpreendido algumas vezes por um pessoal que – não duvido – grita “anauê!” enquanto toma banho. São diferentes do pessoal extremamente politizado e consciente que vê a depredação de patrimônio como ação política, mas que não usam violência contra pessoas (só para deixar claro que não concordo com esses métodos, antes que alguém me xingue).

Após a pancadaria por parte da Polícia Militar, na última quinta (13), ter pegado mal para o poder público e as pesquisas de opinião (inclusive o hilário DataDatena) mostrarem que a maior parte dos paulistanos era favorável aos protestos, muita gente mudou o discurso com relação ao movimento pela redução do preço das passagens do transporte público em São Paulo. Vendo que ele ganhava força nas redes sociais, também por conta da violência que manifestantes e jornalistas sofreram, trocaram o que – até então – era “vândalo” por “ativista”. Setores da mídia e da sociedade civil que não necessariamente concordam com a demanda original dos atos ajudaram a incluir mais pautas às reivindicações, o que aglutinou outros grupos de descontentes.

Para falar a verdade, quando vi algumas instituições conservadoras e reacionárias apoiando os protestos, fiquei com um arrepio na coluna. Isso não tira um milímetro de legitimidade das manifestações, mas preocupa a carona que alguns querem pegar. Páginas de extrema direita na internet, contrárias à pauta da manifestação, conclamando o povo para o ato são de doer. Seria apenas cômico se a coisa não fosse séria.

O Movimento Passe Livre reforçou: este é um ato contra o aumento das passagens. O que, em qualquer sociedade minimamente decente, significa um transporte público com mais qualidade, ou seja, o respeito ao direto de ir e vir e à dignidade humana. “Ah, mas o movimento não consegue controlar a massa para garantir isso.” E nem é esse o trabalho deles. São as dores e delícias de uma ação horizontalizada. É claro que as manifestações chegaram a esse porte por reunir um leque muito amplo de pessoas. Inclusive gente que não concorda com o objetivo da manifestação e está lá com sua pauta própria. O direito à livre expressão faz parte da democracia.

O objetivo principal dos atos não é para pedir o impeachment de Haddad, Alckmin ou Dilma; não é pedir recursos para educação, saúde e cultura – por mais que sejam pautas relacionadas ao direito à mobilidade urbana e importantíssimas; não é a favor ou contra o ovolacteovegetarianismo; não é pela volta da ditadura (sim, tem gente dodói da cabeça defendendo isso) ou a favor da redução de impostos; não é uma marcha contra a corrupção, a favor da contratação de reforços para o Palmeiras ou pela volta dos Teletubbies (adoro). Enfim, por mais que ela envolva descontentes de todos os cantos e com muitas reclamações, não é um grande “Cansei” contra o estado das coisas. Ela possui um guarda-chuva central, que mobiliza a maior parte das pessoas. Basta estar presente em um ato do começo ao fim para constatar isso. A maioria dos que gritam contra corrupção, pela saúde, pela educação, contra o pastor Feliciano, por mais teletubbies também entoam contra os 20 centavos.

Há uma pauta principal, objetiva e clara, sem margem para grandes viagens filosóficas: a revogação do aumento da tarifa. É ela que reúne, é ela que justifica, é ela que conclama. Alguns políticos e outros setores econômicos e sociais podem até tergiversar, mas o povo sabe disso. O Datafolha indica, aliás, que 67% da população sabe que o motivo dos protestos é o aumento no preço da tarifa. E 77% apoia as manifestações.

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Ao se articular pelas redes sociais após as manifestações dos dias 11 e 13, exigindo o direito de protestar, em muito por conta da violência da Polícia Militar, os jovens abriram uma avenida. E muita gente que defende a liberdade de expressão trouxe seu carro para rodar nela ao lado da pauta do movimento. Estranho seria se não fizessem isso, dada a pluralidade da sociedade e a magnitude do evento.

O Movimento Passe Livre e colegas jornalistas que têm coberto as manifestações já identificaram a ação de agitadores infiltrados que têm o objetivo de tocar o terror na manifestação. Para deslegitimá-la, para assustar participantes, para justificar ações da polícia, por um rosário de razões. É possível que o ataque à entrada da Prefeitura não tenha começado com os manifestantes que pediam a redução no preço da tarifa. O mesmo se aplica ao fogo que consumiu um carro de reportagem de TV. Da mesma forma, é difícil de acreditar que foram manifestantes que começaram os saques nas lojas do Centro (que, como já ficou comprovado, teve a participação de pessoas que não participavam dos atos) ou atingiram o Teatro Municipal. O saque e  caos também têm um significa político forte e claro, mas não creio que este era o caso. Essa minoria queria outra coisa.

Há, é claro, manifestantes que descarregam sua frustração e indignação na forma de ataques a equipamentos públicos e patrimônio privado. Muita gente vinda da periferia que foi sistematicamente excluída da categoria de cidadã irrompe em fúria, bastando apenas uma faísca. Mais uma vez, não estou defendendo esses métodos, apenas explicando que entendo o que se passa na cabeça de alguém que não sente a cidade como sua e, portanto, a protege, porque a cidade nunca o tratou como um dos seus. Tem gente que sabe muito bem disso e, em algumas ocasiões, cria as condições dessa faísca.

A força policial tem sido célere em agir contra manifestantes que caminham de forma pacífica. Contudo, demora para evitar saques ou destruição gratuita realizada por quem não está lá para reivindicar, mas sim promover o caos atendendo à sua pauta própria. Paga ou não. Por que? É uma boa pergunta a fazer aos comandantes das operações.

Há uma grande quantidade de pessoas que nunca tiveram contato com discussões sobre a sua cidade, muitos menos sobre direitos fundamentais, que está caindo de paraquedas nos atos. Quem sejam cada vez mais bem-vindos. Concordo com quem diz que este é um excelente momento para formação política desse pessoal, a fim de que entendam o que está em jogo e transformem insatisfação, descontentamento e incômodo em ação com reflexão, espírito crítico e participação ativa e duradoura nos desígnios da pólis e do país.

E também para evitar outros tipos de violências. Como as de gênero ou de orientação sexual, que podem parecer coisa pequena em meio à multidão, mas que são simbólicas e, portanto, fundamentais.

Na manifestação desta terça, abordei educadamente um rapaz, próximo ao Parque Dom Pedro, que carregava um cartaz chamando Dilma de “vaca”. Pedi desculpas pela intromissão, mas expliquei que o protesto dele seria muito mais legítimo se ele usasse um termo para criticá-la que não fosse tão machista. Ele entendeu, ficou sem graça e disse que tinha escolhido só porque rimava com o restante da ideia. Contudo, um senhor mais velho que o acompanhava afirmou que ela é mesmo uma “vaca”. Perguntei a ele se gostaria que sua mãe fosse chamada de “vaca”, no que ele estranhamente respondeu que sabia que era professor de história e havia estudado a vida de Dilma e podia atestar que ela é uma “vaca” (?…!) Torci para uma das organizadoras da Marcha das Vadias passar naquele momento por ali para um processo rápido de desintoxicação do senhor em questão, mas como não tive o desejo atendido, tentei convencê-lo, em vão.

Pouco depois, um rapaz gritava a plenos pulmões, com o apoio de um coro de moças, “Alckmin é gay!” Também fui conversar com eles (#sakamala). Perguntei por que não usavam outro termo para expressar o descontentamento contra o governador. Pois homossexualidade não deveria ser considerado xingamento. Apesar de uma resistência inicial, ao menos, parte do grupo, entendeu a mensagem.

Ok, gente, não estou querendo provar que sou uma variação do “chato de palestra”, nesse caso o “chato de passeata”. Mas apenas reforçar algo que todos já perceberam: boa parte desse pessoal está saindo para a vida pública agora e seria importante enfatizar alguns pontos. Outra coisa, por exemplo: atos como esse podem ser suprapartidários, mas nunca apolíticos.

Vi muitas cenas de jovens com caras-pintadas exigindo que bandeiras de partidos fossem abaixadas, o que é uma besteira sem tamanho. Há espaço para todas as denominações partidárias, religiosas, futebolísticas, desde que elas saibam que a manifestação não pertence a elas e não tente cooptá-la. Mas elas – como em qualquer outro momento na sociedade – têm o direito de participar do debate público, porque reúnem pessoas que pensam de uma mesma forma. A livre associação é um direito humano.

Para exigir algo novo, não significa que é preciso considerar que tudo o que já existe é ruim (não acredito que estou escrevendo esse beabá, mas vá lá). Isso é muita arrogância e descolamento com a realidade. Muitos menos que todos os políticos são iguais – não, não são.

Como já escrevi, o paradigma do sistema político representativo está em grave crise por não ter conseguido dar respostas satisfatórias à sociedade. Aos mais jovens, sobretudo. Bem pelo contrário, apesar de ser uma importante arena de discussão, ele não foi capaz de alterar o status quo. Apenas lançou migalhas através de pequenas concessões, mantendo a estrutura da mesma maneira e a população sob controle.

A vanguarda dos progressistas foi ocupada por grupos que discutem as liberdades individuais e a qualidade de vida nas grandes cidades – da mobilidade urbana, passando pelas demandas de direitos sexuais e reprodutivos ao poder de dispor do próprio corpo. Os movimentos estão ainda no momento de tatear e descobrir como serão incorporados esses novos atores que não vêm às ruas para, necessariamente, procurar, respostas para as suas indagações, mas a fim de encontrar pessoas que, através das redes sociais, estavam perguntando a mesma coisa que elas.

Enfim, as manifestações contra as tarifas estão crescendo porque são legítimas. E aglutinando gente. Que também protesta pelo direito de protestar. E, com isso, vai aglutinando pautas paralelas que atendem a demandas legítimas ou a interesses bizarros. Inclusive de gente que não quer debater e sim causar, sendo paga ou não para isso. Inclusive de gente que está lá porque ficou cansada de não ver perspectiva para si nos debates da ágora e está insatisfeita, pegando carona nas reivindicações do Passe Livre – que são bem claras. Quanto mais os políticos demorarem para dar uma resposta a essas reivindicações que originaram essas manifestações, mais estarão alimentando algo que ninguém sabe ainda onde pode parar.

Ou seja, o preço da passagem será o menor dos seus problemas.

19 Jun 16:51

"Eu até concordo com o direito à greve, mas..."

by noreply@blogger.com (Alexandre Abreu)
Allan Patrick

Se pudesse resumir os problemas econômicos dos últimos 60 anos num único gráfico, seria esse.


...sobretudo acho uma pena que uma boa parte das pessoas, sobretudo quando também são trabalhadoras, não entenda realmente o que é que está em causa.

Adenda: gráfico retirado daqui.
19 Jun 11:43

How Are These Times Different?

by By PAUL KRUGMAN
Allan Patrick

Paul Krugman, deve ser o único economista que escreve uma coluna na qual faz mais perguntas do que apresenta respostas (e suas dúvidas valem muito mais do que mil certezas que se vê por aí).

From GM to Apple.
18 Jun 12:12

Esquizofrenia midiática no RN

by Daniel Dantas Lemos
Sabe aqueles caras que esculhambavam a #RevoltadoBusao e hj aplaudiram o protesto no Brasil? Nós os conhecemos.
Na quinta-feira estava em Mossoró e vi a matéria da TV Tropical (do Senador José Agripino, do DEM) sobre o abraço ao Parque das Dunas que uniu a APAC, o Comitê Popular da Copa e a #RevoltadoBusao.
Na nota retorno, o apresentador comentou que o movimento havia se esgotado e tinha pautas irreais ou inadequadas para a luta estudantil - como o passe livre. E complementou dizendo que pautas como a luta contra dupla jornada motorista-cobrador não pertencem a estudantes, mas aos sindicatos.
Concluiu dizendo que o movimento estava perdido e sem rumo.
A TV Tropical precisa também de mea culpa.
Outros comentaristas que, quando dos protestos em Natal, nos chamavam de vândalos e incendiários, parece que sofreram algum processo amnésico com relação a isso nesse dia 17 de junho.
Afinal, não parece agradável desrespeitar a vontade de 100 mil pessoas nas ruas de São Paulo.
18 Jun 12:10

“There is more to walking than walking”

by Gehl Architects
Allan Patrick

A humanidade se definiu como tal no ato de caminhar :)

Read a reflection on Jan Gehl’s recent trip to Melbourne written by Assembly Paper’s contributor, Mitra Anderson-Oliver here.

AP_JanGehl_ELIM_MG_9460


17 Jun 17:37

SOBRE OS PROTESTOS QUE APOIO

by lola aronovich
Vamos ver se eu consigo escrever isso antes de sair pro trabalho. 
Então, sobre os protestos em São Paulo na semana passada, que se repetirão hoje, provavelmente sem o ataque violento da polícia: eu sou uma pessoa que jamais condena protestos, até porque eu costumo ser uma dessas pessoas que protestam. Tenho cá pra mim que quem chama manifestante -- qualquer manifestante -- de baderneiro, vagabundo, arruaceiro, é gente que tem nojinho de povo. Gente que odeia qualquer aglomeração popular porque atrapalha o trânsito. Gente que gostaria de colocar todo o Movimento dos Sem Terra na cadeia pra sempre e que reclama das Marchas das Vadias, crente que está sendo engraçado e original, perguntando "E a louça, já lavou?". 
Pois é, vem falar pra feminista e pra ativistas de modo geral que "agora o país acordou"!  Agora? E a gente que vem protestando faz tempo estava fazendo o quê, dormindo? Eu me sinto ofendida. Só porque você não via ou estava ocupado demais rindo dos nossos protestos, não quer dizer que eles não aconteceram. Aliás, continuam acontecendo. Um protesto não anula outro. Vamos deixar pra Veja chorar que SP está tendo um protesto diferente por dia. Mas gente de esquerda decidir quais protestos são válidos e quais não são?! Dos reaças, essa condenação a todos os protestos é o que se espera.
E foi o que aconteceu. Editoriais dos grandes jornais condenando o "quebra-quebra" e a desordem. Os de sempre falando que é a juventude marxista que não tem nada o que fazer. Reaças fingindo que a revolta se resume a um aumento de 20 centavos. 
Antes de continuar, só queria deixar clara minha posição: também quero passe livre. Dizem que custaria 6 bilhões subsidiar o transporte público, e que não há dinheiro pra isso. Claro que há. É só uma questão de prioridades. Os EUA, o país mais rico do mundo, talvez da história da humanidade, tem grana pra invadir países e pra promover guerras, mas não tem pra garantir saúde pública -- que eles acham que é coisa de comunista -- pros seus próprios cidadãos. Questão de prioridades. É só ter uma outra visão.
E é lamentável que, hoje, o governo brasileiro tenha desistido de qualquer visão minimamente mais ousada. O governo que eu elegi está refém de partidos conservadores. E é preocupante que a violência policial esteja ocorrendo em todo o país, não só em SP. Pra quê mandar tropa de choque pra protestos? Por que a tentativa de querer proibir protestos, se estamos numa democracia? 
Ontem no final da noite recebi um relato do Phillipe, um rapaz politizado e consciente que esteve em vários protestos da semana passada em SP e estará no de hoje:

"Já havia decidido que participaria do protesto desde que o Estatuto do Nascituro foi aprovado na comissão de finanças da câmara. Acontece que, ao longo da semana, e, em especial, na quinta feira dia 13, aconteceu algo inexplicável, inconcebível, que adicionou tempero, pimenta e vinagre ao meu sentimento militante.
O clima da cidade sem amor está tão vibrante que não consigo racionalizar muito as coisas. Depois de sermos agredidos pela Comissão de Direitos Humanos, pela aprovação na Comissão de Finanças do Estatuto do Estuprador, pela repressão policial burra e indiscriminada à população, pela criminalização da pobreza e dos movimentos sociais, pelos inflamados discursos conservadores incitando ódio a um grupo anônimo, amorfo e heterogêneo, os movimentos sociais diversos começaram a se unir -- senão no campo ideológico e político, na dimensão física. 
O movimento cresceu sob a lua crescente. Não sei ao certo em torno de que estamos nos unindo, mas sei que a cidade está diferente e a previsão do tempo é a melhor possível. Peço desculpas aos incomodados, mas estamos repensando o Brasil.
Saímos do protesto contra o Estatuto vitoriosxs e felizes. A luta somente começou e é preciso que esse sentimento do outono perdure e que a sementinha da revolta vingue em cada coração feminista."

Sou totalmente a favor que uma sementinha da revolta vingue, mas é preciso saber contra que estamos nos revoltando. Só revoltando por se revoltar, sem foco, sem lutas definidas, me preocupa. Quando eu vejo sujeitos com longo histórico de retrocesso mudando de ideia e agora sendo a favor de alguns protestos, fico com pé atrás. Qual é a grande mudança radical que gente como Jabor e Pondé querem? A volta do PSDB ao poder? Ou os protestos de SP ganharam legitimidade depois que brasileiros no exterior passaram a apoiá-los?
Certo, não dá pra controlar um grande protesto. Mas eu não marcho ao lado de reaças, porque temos pautas totalmente diferentes. Opostas. Imagina que legal estar na mesma marcha de um monte de gente com cartazes pedindo a redução da maioridade penal. Ou de gente fazendo protestos genéricos contra a corrupção. Pô, se tem uma unanimidade no país, é que todo mundo é contra a corrupção, pelo menos no discurso, pelo menos até a hora de tentar subornar o guarda que te multou no trânsito. E daí? Eu sou contra a corrupção e mesmo assim não participaria nunca de um "Cansei 2, a missão".
Eu não estou nada satisfeita com este governo mas não quero de maneira alguma a volta da direita. Sim, desculpe se você acha que este já é um governo de direita, mas mesmo você sabe que há possibilidades muito mais à direita. Possibilidades bem concretas, que governaram o Brasil durante tantos anos, e que de cara acabariam com o Bolsa Família (que é um programa de redistribuição de renda) e com as cotas. 
Espero que existam possibilidades concretas à esquerda também. Espero, inclusive, que a executiva do PT se lembre das bandeiras que parece ter abandonado faz anos. Ainda há tempo.
Fico contente que esteja instalado um sentimento de revolta -- é justamente isso que tento fazer com este bloguinho todos os dias. 
Mas sempre é bom exercer o pensamento crítico. Revolta por revolta, até os mascus são revoltados (pelas mulheres não se casarem mais virgens e por ninguém dar bola pra eles). E eles, que sempre foram e serão de extrema direita, estão perdidinhos com esses protestos: apoiam ou não apoiam? 
É preciso se perguntar: por que essa mudança repentina de ideia dos jornais e de vários reaças? De "baderneiros desocupados atrapalhando o trânsito" a "protesto legítimo"? Certamente essa mudança de opinião não foi por causa da violência policial. Não foi por defenderem passe livre ou sequer uma redução de tarifas. Foi, talvez, não tenho certeza, pela tentativa de tirar uma casquinha. De querer voltar ao poder. Mas considero esse tipo de apoio tão oportunista e indesejado quanto o de gente que quer mais é que o circo pegue fogo, e que vai a protestos com um único objetivo -- depredar (são grupinhos, mas existem). 
Eu não me junto a quem defende o quanto pior, melhor. E sei que esta não é a tônica dos partidos e pessoas de esquerda que participam e apoiam os protestos. Mas não é só com a truculência da polícia de choque que precisamos tomar cuidado. 

Mais sobre os protestos: Visões diferentes dos muitos protestos.
17 Jun 13:28

“O tiro no olho foi intencional”

by Kiko Nogueira
Um cabo da PM conta ao Diário como os confrontos e abusos nos protestos repercutem na corporação.   Um cabo da PM com 13 anos de serviço falou ao Diário sobre os abusos que resultaram numa batalha campal na quinta-feira, em São Paulo. Por motivos óbvios, pediu para não ser identificado. “Os chefes dão a
17 Jun 13:11

Smiley vuelve mientras ladran los perros

by angelsmcastells
Allan Patrick

Reino Unido espionou delegações que participavam do G20

vigilanciaNo sólo Obama juega también (¿quién imaginó lo contrario?) a los espías. Cuenta hoy El Pais que “los servicios de inteligencia británicos, que contaban con la autorización expresa del Gobierno, interceptaron llamadas telefónicas de móviles y correos electrónicos de numerosos asistentes a cumbres del G-20 que se celebraron en 2009 en Reino Unido…” La información procede de The Guardian, avalada por documentos que el diario ha conseguido a través de Edward Snowden, el mismo que reveló el escándalo del espionaje de Estados Unidos en Internet. Ya ven, británicos y estadounidenses siempre acaban encontrándose en los mismos círculos. BlackBerries “pinchadas”, cibercafés de atrezzo y claves violadas para suministrar “en vivo información privilegiada a 45 analistas que la hacían llegar de inmediato a los negociadores del Gobierno de Su Majestad”. Una trama de las muchas de John Le Carré.

¿Qué es lo peor de todo el montaje? No sólo pensar que nuestro “me gusta” en Facebook puede ser una señal de interpretación equívoca para los grandes hermanos, o que los 140 caracteres de un tuit los conviertan los hombres de gris en ríos de información sobre nuestra potencial capacidad de insurrección masiva, sino que ya empiezan (de nuevo) los torpes vaivenes ideológicos entre seguridad y libertad en un panorama mental donde no existen las gradaciones, ni los equilibrios, sino un temor difuso y el claroscuro tenebrista que limita en el caos y la barbarie por los dos lados, y aboca a una aceptación servil de súbditos en estado de shock. Espionaje en los medios y entre la ciudadanía, y represión en las plazas indignadas de todo el mundo. Y como no podía ser de otro modo, a pie de página el despropósito del absurdo en la propuesta de que los mossos d’esquadra de Catalunya sumarán al uso de las pelotas de goma una tanqueta de agua oxidada a su arsenal anti-manifestaciones.

Y todo este material disponible para la represión que haría feliz al ministro Fouché (espionaje de redes, pinchazos telefónicos, material antidisturbios que no sufre recortes, sino todo lo contrario) lo alinean los ideólogos a sueldo del sistema del lado de la seguridad, cuando no tardaremos en descubrir los grandes peligros que para la propia seguridad, con mayúsculas, entraña. Cuando el espionaje y la represión toman los tintes abracadabrantes que estamos viviendo, la libertad nos obliga a preguntarnos si el concepto de seguridad puede utilizarse sin adjetivos, y a darnos cuenta de que en nuestra sociedad no existen murallas chinas que aislen aspectos tan fundamentales para una convivencia saludable.

Nos recordaba Chris Hedges que, en Estados Unidos, la incautación por el departamento de Justicia del registro de las llamadas telefónicas entrantes y salientes que se produjeron durante dos meses por los departamentos editorial e informativo de la Associated Press forma parte de una serie de ataques espectaculares contra las libertades civiles. Y sigue: “La incautación de los registros de llamadas de los teléfonos de AP forma parte de una operación más extensa por parte del estado corporativo para silenciar todas las voces que discrepan y desafían la narrativa de la neolengua del estado para esconder al público el funcionamiento interno, las mentiras y los crímenes del imperio. La persona o personas que proporcionaron la información clasificada a la AP, si son detenidas, probablemente serán procesadas en su mayoría bajo la Ley de Espionaje. Esa ley instituida en 1917, no se aprobó con la intención de silenciar a los ciudadanos. Desde 1917 hasta que Obama asumió la presidencia en 2009, solo se había utilizado contra los denunciantes en tres ocasiones, la primera contra Daniel Ellsberg en 1971 por la filtración de los papeles del Pentágono” … pero ya ha sido utilizada tres veces por el gobierno Obama.

FBI-aumenta-espionaje-a-estadounidensesLa persecución de la prensa y los ataques contra WikiLeaks, Bradley Manning, Julian Assange y activistas como Jeremy Hammond, la enmienda a la ley FISA (que hace que sea legal retroactivamente lo que antes era ilegal) las escuchas telefónicas y la vigilancia sin orden judicial de decenas de millones de ciudadanos, y la sección 1021 de la Ley de Autorización de la Defensa Nacional, que permite a los militares detener a los ciudadanos, despojarlos del derecho al debido proceso y mantenerlos detenidos indefinidamente, son medidas que significan, según Hedges, que apenas queda nada de las libertades civiles. Y concluye: “El puñado de oligarcas corporativos que controla el globo se ha quedado con todo – riqueza, poder y privilegios – y el resto de nosotros luchamos como parte de una vasta subclase, progresivamente empobrecida e implacablemente reprimida. Hay un conjunto de leyes y normas para nosotros y hay un conjunto de leyes y normas para una élite que ejerce el poder que funciona como una mafia global. Estamos indefensos ante el embate empresarial. No hay manera de votar contra el poder corporativo. Los ciudadanos no tienen forma de conseguir el enjuiciamiento de banqueros, financieros de Wall Street y casta política por fraude, ni a los militares y agentes del espionaje por tortura y crímenes de guerra, ni a los funcionarios de seguridad y vigilancia por abuso de los derechos humanos. (…)” Ante el descalabro de los derechos laborales, de los servicios sociales, de las redes de apoyo, sólo cabe un camino: Rebelarse, aunque cueste, aunque parezca que no se pueda, porque “nuestra dignidad es fundamental como seres humanos”.

Rebelión entendida también como desafío constante, como resistencia a la manera de Bradley Manning y Julián Assange, o de Mumia Abu-Jamal. Porque defender la libertad frente a esta “seguridad” homicida es defender el aire para seguir respirando. Y porque rebelarse, nos explica también Chris Hedges, significa negarse a sucumbir al miedo, y sentir el orgullo de decir NO. Significa, añado yo, organizarse para plantar cara, para no ser cómplices, para aguantar la mirada a quien traspasó todos los límites, y ayudar a que broten alternativas amables y civilizadas mientras, a nuestro alrededor, ladran los perros.


17 Jun 13:08

No olho do furacão: o protesto no Rio sob a ótica de uma "câmera subjetiva"

by Daniel Dantas Lemos
17 Jun 13:03

Como reformar um livreiro - Faça você mesmo!

by Eduardo Mendes

Tenho um livreiro na minha sala que foi aquisição nas casas Bahia (quem nunca né?). Ele sobreviveu quase que bravamente à mudança e hoje ocupa um lugar entre a porta da sala e a da varanda. Tá lá quieto desde que eu mudei guardando honradamente meus livros e revistas. Acontece que tô nos finalmente pra terminar a sala e agora tô tentando harmonizar tudo pra que dê aquela liga.

Na sala fica o painel de madeira com o violão que eu combinaria com um sofá de pallet mas, como vocês já sabem, acabei comprando um sofá convencional mesmo. Então senti falta de um móvel com um tom de madeira natural pra equilibrar tudo. E sobrou pro livreiro, que ganhou uma leve recauchutada.

A idéia foi colocar no livreiro (que é tabaco) um tom mais claro, mas como não gostaria que ele se destacasse tanto na parede cinza, decidi fazer isso só na parte de dentro. Então apelei, mais uma vez, pro contact numa estampa que imita muito bem madeira. Primeiro retirei o fundo e encapei cada ripa com o auxílio de um rodinho de pia. Dessa vez não usei a técnica do detergente, não quis arriscar molhar o coitado sabendo de sua procedência.

Depois retirei as madeiras que protegem a frente do livreiro e medi cada prateleira. Aí cortei sobrando alguns centímetros pra dar o acabamento. Para as prateleiras, cortei o tamanho exato para a largura e na altura usei sobrando bastante, de forma que o contact cobrisse a parte de cima e a de baixo (foco no acabamento). Nas paredes laterais, cortei os quadrados sobrando 2 centímetros só pra garantir. A aplicação segue o mesmo esquema, só lembre-se de alisar bem para evitar bolhas.

Se alguma bolha intrometida insistir em ficar, fure com uma agulha e alise com o dedo que ela vaza rapidinho. Essa reforma foi bem simples e só pra dar uma repaginada no móvel mesmo. Acho importante a gente fazer pequenas modificações também.

>> Usei a estampa cerejeira
>> Use estilete para retirar as sobras
>> Dúvidas sobre aplicação, já falei de contact aqui no blog (1,2,3, 4)
>> Sim, continuo sofrendo com o sofá novo mijado pelo Bento.

A madeira traz uma sensação de aconchego que acho bem legal pra áreas sociais da casa. Queria mesmo era um piso de madeira, mas todo mundo já conhece a história de casa alugada né? Então a gente se vira com o que dá mesmo.

Bom, gostou? Quer dar uma cara amadeirada pra algo aí na sua casa também? Sim? Então põe a caixola pra funcionar porque tem promoção!


PROMOÇÃO MADEIRAAAAAAAAAA


Isso mesmo, 1 rolo gigante pra encapar tudo que você quiser (e que não seja vivo, claro). A melhor resposta (segundo o dono do blog) leva! E nem vem reclamar que não tem criatividade e bla bla blá, tudo tem um preço na vida uai! Expreme aí que sai.

Regulamento:
- Promoção válida apenas para leitores que morem no Brasil
- Válido somente para os comentários feitos aqui no blog.
- Vale somente uma resposta por pessoa.
- Resultado no dia 21/06, sexta feira.
- O resultado será divulgado aqui no blog e na página do Homens da Casa no Facebook

Boa sorte e boa semana pra todo mundo!


RESULTADO DA PROMOÇÃO

Muita gente participou e as respostas foram incríveis. Mas a que chamou a atenção pela praticidade (marca registrada do HC) e criatividade foi essa:

Eu chamava ele de lagartixa, jogava na parede e fazia um painel pra minha TV!

Parabéns Eliane Zimmerman, o rolo de contact é seu!

A todo mundo que participou, obrigado demais!

16 Jun 18:57

O que a Rosa tem contra o Folhiço?

by Marcos Dionisio Medeiros Caldas

Coleodactylus natalensis 01O Lagarto-de-Folhiço¹ (Coleodactylus natalenses) seria o menor lagarto da América do Sul. É uma “especizinnha” que só existe no Parque das Dunas e poderá ser afetada pelo túnel caro que o Gov.RN quer fazer na Avenida Roberto Freire.

No ato de Quinta-feira, o amigo das Craibeiras e outro especialista, aduziram que o “folhiço”, havia sido identificado também numa área da Paraíba. Menos mal.

Não bastasse ser uma obra cara, que liga uma avenida a um enorme engarrafamento na BR, não bastasse à forma imperial com que vem sendo em segredo tratada, o governo que, não propicia saúde, segurança, cultura, lazer, mobilidade, esporte, saneamento para o povo potiguar e os turistas que nos visitam, já demonstrou que não governa e que não gosta da população imersa numa guerra civil aonde os mortos vão, por sua omissão, se acumulando dia a dia.

Não entendo, mas o governo deve ter lá suas “prioridades”, suas PPPs, mas, o que danado pode o Gov.RN ter contra o simpático Lagarto-de-Folhiço?

E contra as 400 Craibeiras² (Tabebuia aurea), agora florando que vão ser ceifadas do canteiro central da avenida que leva o nome “de um dos boas praças” que a cidade e sua boemia produziram, Roberto Freire?

E porque essa tara toda em fazer um túnel que vai matar a convivência humana que vem sendo resgatada em caminhadas, bares e restaurantes na Av. Roberto Freire?

caibrera2 089IPE Pic2E porque esse planejamento para matar o empreendedorismo e o comércio instalado ao longo da Av. Roberto Freire?

Como no episódio do Machadão, do Arena das Dunas e sua PPP e seus liames legais não conhecidos , eu me lembro daquela música de Tom Zé, antes da Coca-cola, onde ele exclamava “ah se maldade vendesse na farmácia”. Penso que o Gov.RN ,achou essa farmácia e adquiriu todo o estoque e agora ministra em doses cavalares para o povo da terra de Poti.

Nada contra Tom Zé e a propaganda Coca-Cola, claro. Tudo contra as perdulárias, desumanas e degradantes obras da Av. Roberto Freire.

O que a Rosa tem contra o Folhiço e as Craibeiras? Contra o povo, já se sabe.

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SOBRE O AUTOR:

Marcos Dionisio Medeiros Caldas é Presidente do Conselho Estadual de Direitos Humanos (RN) e da Coordenação do Comitê Popular Copa 2014 – Natal.

__________

CITAÇÕES:

¹Coleodactylus natalensis ou lagarto-de-folhiço é uma espécie de lagarto pertencente a família Sphaerodactylidae. Recentemente descrita, é endêmica do remanesecente de Mata Atlântica do Rio Grande do Norte.

²A craibeira ou paratudo (Tabebuia aurea) é uma árvore não-pioneira pertencente ao gênero Tabebuia (dos ipês e pau-d’arcos). Foi descrita originalmente em 1836 como Bignonia aurea, por Silva Manso. O nome popular “paratudo” deve-se ao fato de que os pantaneiros do Brasil mascam a casca como remédio para problemas no estômago, vermes, diabetes, inflamações e febres.

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16 Jun 14:49

Qué significa que haya ganado un moderado en Irán

by Jordi Pérez Colomé

Hassan Rohani es el nuevo presidente de Irán. No es reformista, pero era el más moderado de los seis candidatos. ¿Qué significa su elección?

El régimen también gana. En 2009 los resultados estuvieron listos en un rato. Esta vez han tardado 24 horas, aunque el goteo de datos siempre con la misma distancia entre candidatos era sospechoso.

En 2009, tras la elección, empezó la revolución verde, que acabó con docenas de muertos -el número exacto es desconocido- y los dos candidatos reformistas en arresto domiciliario: Karroubi y Mousavi. Irán se convirtió en un evidente estado represor más. Solo hay que ver esta recopilación de fotos de junio de 2009:

Pinche aquí para ver el vídeo

En cambio, la celebración del resultado en 2013 era una pura fiesta multitudinaria:

Pinche aquí para ver el vídeo

Aquí unos jóvenes incluso cantan una canción de protesta de la época del sha.

Parece que los que escapaban de las palizas en 2009, lo celebran en 2013. El régimen no quería de nuevo aquellas imágenes. Su legitimidad estaba en juego. Este fue el cartel más significativo de la celebración de 2013: “Me alegro de que contaran mi voto”. Es algo que en 2009 no pasó.

itranvoto

Pero no bastaba la ausencia de represión. Había que demostrar que los iraníes aún creían en el sistema. Necesitaban participación. El líder supremo, el ayatolá Ali Jamenei, había pedido a los iraníes que votaran “incluso si por algún motivo no apoyaban a los líderes islámicos”. Es una petición importante. Pero encontraron una alternativa mejor: promover un candidato moderado factible para convencer a los reformistas de ir a las urnas.

Así lo hicieron. A unas elecciones en Irán no se presenta quien quiere. El consejo guardían escoge a los candidatos. Se presentaron 686 y quedaron ocho. Entre los que vetó estaban el ex presidente Rafsanjani y el candidato de Ahmadinejad, Mashaei.

Había tres moderados, pero los otros dos se retiraron: quedaba solo Rohani. En cambio, en el bando conservador se mantenían cinco candidatos.

Rohani lo tenía por tanto todo a favor. En los últimos días de la campaña se notó el empuje. Los ciudadanos con ganas de cambios veían posible la victoria. Aún así, el resultado era inimaginable: “No lo vi venir. Nadie tenía ninguna esperanza y todos hablaban de no volver a votar”, decía un periodista iraní al Guardian. Un iraní-israelí me decía aún hoy en twitter:

@jordipc creo que tiene que ser mas de 50% de los votos eligibles. Todavia creo que no dejaran que Rowhani ganara. Estaria muy sorprendindo

— Meir Javedanfar (@MeirJa) June 15, 2013

Todos esperaban que Jamenei iba a preferir alguien como Said Jalili, que estaba dispuesto a dar la vida por el líder supremo. En esta charla, la mujer del chador se lo pregunta y él responde: “Inshallah” y besa el Corán:

Pinche aquí para ver el vídeo

Pero al final fue Rohani. El golpe de efecto del líder supremo parece ahora magistral, pero su situación era delicada. “Vamos a votar. Si cuentan los votos, nuestro candidato ganará, y si nos joden otra vez, iremos a la calle”, decía un estudiante de 19 años. El objetivo de Jamenei era mantener el cargo y el régimen sin quedar manchado. La opción de un candidato aceptable para todos y una gran participación era la mejor. 

Por ahora ha ganado la apuesta: hubo un 72 por ciento que votó. La oficina de Jamenei quiso dejarlo bien claro durante el recuento: “La República Islámica no traiciona los votos del pueblo/los mecanismos legales de las elecciones en Irán no permiten ningún fraude 19/6/2009”:

Islamic Republic don’t betray people’s votes/ Legal mechanisms for #IranElection don’t allow any fraud to happen 19/6/2009 #Iran — khamenei.ir (@khamenei_ir) June 15, 2013

Con los resultados, se anotó la victoria: “Aconsejé a algunos de que no se preocuparan sobre la confianza del pueblo en la República Islámica. El pueblo y el sistema tienen una confianza mutua”.

I advise some not to be concerned abt ppl’s trust for the Islamic Republic. #Iran‘s Ppl&System have mutual confidence — khamenei.ir (@khamenei_ir) June 15, 2013

La economía cuenta, la aislación también. Las protestas y la desafección con el régimen eran un desafío real de cara al exterior. Pero dentro de Irán hay solo un gran problema: la economía. La inflación es al menos del 32 por ciento y el rial ha caído más del 50 por ciento desde 2012 (cuando estuve en Irán hace un año, ya estaba muy bajo).

In interviews, Qom shopkeepers were for him: hated state of economy RT @ThomasErdbrink: Rowhani also wins in clerical city of Qom.

— Steve Inskeep (@NPRinskeep) June 15, 2013

Man in #Iran: some expats called on us not to vote/to vote in fictional/online election, “Do they realize what 50% inflation means”?

— Golnaz Esfandiari (@GEsfandiari) June 15, 2013

Si los iraníes han votado para frenar la inflación y hacer que el rial se reevaluara, las sanciones dirigidas por Estados Unidos han tenido un papel. El mensaje de los iraníes es: ya vale de jugar. El mejor candidato para relajar la situación es un moderado como Rohani, que en su campaña dijo: “¡Seré amigo de todo el mundo!”, decía.

Su símbolo en la campaña era una llave, para “desbloquear la economía, y desbloquear la relación de Irán con la comunidad internacional”. La “comunidad internacional” no es solo Estados Unidos; Brasil, Europa, Sudáfrica, China son también comunidad internacional.

El líder supremo seguirá al mando del país, con lo que una economía mejor le conviene. Un presidente que no pida la aniquilación de Israel o que no mande a Estados Unidos al infierno ayuda.

Qué pasará con las armas nucleares. La principal pregunta en el extranjero es el programa nuclear. Rohani será menos exagerado que Ahmadinejad en sus declaraciones, pero en el fondo está de acuerdo con el ayatolá Jamenei: Irán tiene derecho a un programa nuclear civil. Es probable que la ambigüedad sobre las armas siga. Pero hay margen para alcanzar acuerdos válidos. Incluso, quizá, admisibles para Israel.

Hace unos meses, el régimen envió una nueva carta a Estados Unidos para hablar. Será útil si cambian al actual negociador, Said Jalili, el presunto favorito de Jamenei. La calma nuclear será la principal baza para hacer que la presión internacional se relaje. Aunque el nuevo gobierno deberá demostrar ganas.

En 2004-5, cuando dirigía las negociaciones nucleares, Rohani ya dijo que era un asunto que había que afrontar “con más razón y menos emoción”. También decía entonces que el primer paso era “construir más confianza”. Veremos. El conflicto en Siria será otro lugar clave para ver la buena voluntad iraní y la paciencia occidental para aceptar el cambio. Asad y Hezbolá pueden verse un poco abandonados; solo un poco.

Rohani’s victory isn’t great for Bashar Assad. Rev Guards will still carry out the policy, but Rohani is more bazaari than he is resistance.

— Karim Sadjadpour (@ksadjadpour) June 15, 2013

Qué es un moderado en Irán. Hassan Rohani estudió en Glasgow. Habla inglés, alemán, francés, ruso y árabe. Tiene 64 años, diez menos que Jamenei. Si muere el ayatolá, es importante quien esté de presidente.

Los últimos mítines de Rohani fueron multitudinarios. Entraba con una himno iraní previo a la revolución: “Ey Iran”.

Pinche aquí para ver el vídeo

Pero luego cuando cantaban, como dicen aquí, “¡libertad para los presos políticos!”, tras los gritos, Rohani decía: “Sí, interaremos liberarles, en consenso con los altos cargos resolveremos muchos problemas”. No es una promesa firme. A ver qué hace con los ex candidatos detenidos, Mousavi y Karroubi.

Prometió en la campaña también menos presión para los estudiantes reformistas y más derechos para las mujeres. Habrá que ir viendo. Su principal objetivo será calmar la economía, no las mujeres o los presos políticos. Aunque debe ser consciente que ha ganado con esos votos y ese apoyo.

Es un clérigo. La religión es el último beneficio que puede aportar para el régimen la elección de Rohani. El sistema iraní se basa en el dominio total de los mulás -clérigos. Mahmud Ahmadinejad, presidente hasta ahora, intentaba desde 2009 minar el régimen desde dentro: no para imponer una democracia, sino para seguir en el poder.

Ahmadinejad y su tropa habían cuestionado varias veces el velo o les parecía “un insulto preguntar a un hombre y una mujer que van por la calle qué relación tienen”. Si no pueden demostrar que son familia, pueden tener problemas; pero es raro que les paren sin motivo.

Irán ha vuelto pues a los presidentes clérigos -el único que o ha sido es Ahmadinejad. Los iraníes han votado para mejorar su situación económica hoy; la caída del régimen puede esperar. No hay que olvidar que mandan los mulás, pero sin la Guardia Revolucionaria no serían nada. La caída de los clérigos podría significar un gobierno militar, quizá peor para los jóvenes iraníes con ganas de otra vida.

Rohani es el compromiso que el país ha aceptado para los próximos años. La maniobra de Jamenei es magnífica: gana alguien aceptable y encima queda como más demócrata que sus vecinos.

Pero la tarea del presidente ahora es más fácil de explicar que de hacer. Irán es un país rico, con petróleo, pero sus prioridades internas y externas son dificiles de unir. Aunque hoy, es un día de celebración para la mayoría de iraníes.

iran2celeb

flattr this!

16 Jun 14:33

Como é a votação presidencial no Irã

by gmanzini

O Irã vai às urnas amanhã, sexta-feira 14 de junho, para escolher o sucessor do presidente Mahmoud Ahmadinejad, que não pode concorrer de novo por já ter cumprido dois mandatos seguidos.

QUEM VOTA?

O país tem cerca de 50 milhões de eleitores aptos a votar, o equivalente a toda a população acima de 18 anos, homens e mulheres de qualquer grupo étnico (persas, azeris, curdos, etc) ou religioso (muçulmanos, judeus, cristãos, zoroastras e bahá’ís). O voto não é obrigatório, mas os iranianos adoram política e acabam sempre comparecendo às urnas em grande número. A campanha para a última eleição, há quatro anos, eletrizou a população, e a participação foi de 80%. Em 2005, antes o clima era mais morno, mas ainda assim 60% dos eleitores votaram. Para o regime, quanto mais alto o comparecimento, maior a legitimidade popular do Estado teocrático fundado com a revolução de 1979.

Nos meios conservadores alinhados ao regime, o voto é visto como uma obrigação religiosa. Neste ano, o regime fez coincidirem as eleições para presidente e vereador, voto mais importante em algumas cidades do interior. Unir as duas votações denota um esforço das autoridades para obter a participação mais alta possível.

COMO É A VOTAÇÃO?

A votação é secreta e acontece em centenas de escolas e mesquitas em todo o país, dos bairros mais chiques de Teerã até as ilhas no golfo Pérsico, passando pelos povoados perdidos nas montanhas do Curdistão. Não há zonas eleitorais, ou seja que todo mundo pode votar onde quiser. O eleitor se apresenta, mostra um documento de identidade e mergulha o dedo indicador na tinta para evitar repetição de votos.

Resultados são anunciados pelo Ministério do Interior algumas horas após o fechamento das urnas. Se ninguém levar 50% + 1 dos votos, haverá segundo turno, uma semana após o primeiro. A posse será no início de agosto.

Mulheres iranianas esperam em fila para votar, em um templo da cidade sagrada de Qom; país vai às urnas decidir o sucessor do presidente Mahmoud Ahmadinejad (Seda Ravandi/AFP)

QUEM SÃO OS CANDIDATOS DA VEZ?

Após duas desistências na reta final da campanha, seis candidatos estão na briga. Os principais são três conservadores (Mohamad Qalibaf, prefeito de Teerã; Ali Akbar Velayati, assessor diplomático do líder supremo; e Said Jalili, chefe negociador nuclear) e um clérigo centrista (Hasan Rowhani, ex-negociador nuclear) que se tornou a opção da oposição reformista. Num reflexo das sutilezas da política iraniana, o candidato mais radical é um diplomata (Jalili) e o mais moderado, um mulá (Rowhani).

Correm por fora um ex-comandante militar (Mohsen Rezaee) e um ex-ministro dos Correios (Mohamad Gharazi).

TODO MUNDO PODE CONCORRER À PRESIDÊNCIA?

Em tese, qualquer iraniano nato, muçulmano xiita, maior de idade, com pós graduação e sem ficha policial pode concorrer. Basta juntar RG, fotos 3 x 4 e currículo e levar a papelada ao Ministério do Interior no mês que antecede a eleição. Neste ano, quase 700 pessoas se registraram, de estudantes a malucos beleza. Mas há uma filtragem rigorosa por parte do regime. Quem avalia as candidaturas é o Conselho de Guardiães da Revolução, formado por seis juristas e seis teólogos encarregados de avaliar a conformidade dos presidenciáveis aos ideais islâmicos da revolução de 1979. Mulheres podem se candidatar, mas nenhuma até hoje conseguiu ser aprovada pelo conselho.

No fundo, o conselho acaba refletindo a vontade do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, o homem que mais manda no Irã. Como Ahmadinejad deu muito trabalho a Khamenei nos últimos anos, contestando sua autoridade e pregando até mesmo, pasme, uma relação direta com Deus, o regime desta vez só liberou candidatos vistos como irrestritatamente leais ao sistema teocrático.

COMO SÃO AS CAMPANHAS?

A maior particularidade das campanhas no Irã é sua curta duração. O prazo entre o anúncio dos nomes aprovados pelo Conselho de Guardiães da Revolução e o dia do voto não passa de algumas semanas. Nesta campanha, Teerã só passou a ter clima de eleição uma semana antes do voto. Há cartazes por toda a cidade, distribuição de panfletos, carros de som, musiquinhas de candidatos, passeatas e comícios. A disputa monopoliza conversas nos mais variados meios sociais. Como os iranianos adoram ter opinião sobre tudo, até quem não vai votar gosta de dar pitaco.

Não há financiamento público de campanhas. Candidatos dependem de doações, que são ilimitadas. Cada presidenciável teve nas últimas semanas 360 minutos gratuitos na TV estatal, incluindo espaço para documentários e entrevistas. Além disso, tiveram quatro horas na rádio estatal.

ELEIÇÕES REALMENTE IMPORTAM NO IRÃ? RESULTADOS SÃO CONFIÁVEIS?

O regime funciona com base num sistema que mescla entidades com poder divino e órgãos republicanos nos quais os cargos são eletivos (presidente, deputados, conselheiros municipais).

Predomina no Ocidente a ideia de que as eleições no Irã são manipuladas. A última votação presidencial, há quatro anos, ficou marcada por acusações de fraude para favorecer Ahmadinejad. Há vários indícios de irregularidade, mas faltam provas definitivas. Um ex-diplomata americano especialista em Irã, William R.Polk, lembra em seu livro “Understanding Iran” que todas as pesquisas eleitorais de 2009, inclusive as feitas a pedido da oposição, previam uma vitória de Ahmadinejad, que tinha grande base de apoio popular devido a programas sociais. Os pleitos anteriores ao de 2009 não geraram as mesmas acusações de fraude.

Várias vezes o líder supremo aceitou derrotas de candidatos que tinham sua preferência. O caso mais famoso é o do reformista Khatami, que foi eleito e reeleito à Presidência (1997 e 2001), apesar de Khamenei preferir outros líderes. Dito isso, os tempos mudaram, e especula-se que o regime talvez não esteja mais disposto a aceitar um presidente reformista.

15 Jun 20:33

A descrição da repórter para o tiro no olho

by Luiz Carlos Azenha

por Giuliana Vallone, no Facebook

Queridos,

Em primeiro lugar, gostaria de agradecer a todas as manifestações de carinho e preocupação recebidas dos amigos e também de pessoas que não tive a oportunidade de conhecer. Vocês são incríveis.

Agora, o boletim médico: passei a noite no hospital em observação. A tomografia mostrou que não há fraturas nem danos neurológicos. A maior preocupação era o comprometimento do meu olho, que sofreu uma hemorragia por causa da pancada.

Felizmente, meu globo ocular não aparenta nenhum dano. E agora, ao acordar, percebi a coisa mais incrível: já consigo enxergar com o olho afetado, o que não acontecia quando cheguei aqui. Fora isso, estou muito inchada e tomei alguns pontos na pálpebra.

Sobre o aconteceu: já tinha saído da zona de conflito principal — na Consolação, em que já havia sido ameaçada por um policial por estar filmando a violência — quando fui atingida. Estava na Augusta com pouquíssimos manifestantes na rua. Tentei ajudar uma mulher perdida no meio do caos e coloquei ela dentro de um estacionamento. O Choque havia voltado ao caminhão que os transportava.

Fui checar se tinham ido embora quando eles desceram de novo. Não vi nenhuma manifestação violenta ao meu redor, não me manifestei de nenhuma forma contra os policiais, estava usando a identificação da Folha e nem sequer estava gravando a cena. Vi o policial mirar em mim e no querido colega Leandro Machado e atirar. Tomei um tiro na cara. O médico disse que os meus óculos possivelmente salvaram meu olho.

Cobri os dois protestos nesta semana. Não me arrependo nem um pouco de participar desta cobertura (embora minha família vá pirar com essa afirmação). Acho que o que aconteceu comigo, outros jornalistas e manifestantes, mostra que existem, sim, um lado certo e um errado nessa história. De que lado você samba?

Em tempo: obrigada Giba Bergamim Junior e Leandro Machado pelos primeiros socorros!

Leia também:

Rodrigo Vianna: A baderna é da polícia!

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15 Jun 20:23

PM atirou até em quem pedia que não machucassem os meninos

by Daniel Dantas Lemos

http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/sp/2013-06-14/em-noite-violenta-pm-atirou-ate-em-quem-pedia-nao-machuquem-os-meninos-em-sp.html

Uma unidade da Tropa de Choque atravessava a avenida Paulista, em São Paulo, por volta das 20h, quando uma moça negra usando camiseta branca com uma cruz preta fez um apelo da calçada, perto da esquina com a rua da Consolação, onde se encontravam pelo menos outras 20 pessoas: “Por favor, não machuquem os meninos, eles não fizeram nada contra vocês”. Um policial retardatário ouviu o apelo e respondeu. “Então toma, sua hipócrita filha da p...”, e atirou uma bomba de gás lacrimogêneo.

O efeito da fumaça atingiu todos que estavam na calçada. Uma senhora aparentando ter mais de 60 anos passou mal e foi carregada pelos colegas para dentro de um prédio. Os outros saíram correndo. A maioria era composta por trabalhadores que ficaram presos na Paulista depois do trabalho sem conseguir voltar para suas casas.

As estações de Metrô da principal avenida da cidade fecharam os portões. Os seguranças escolhiam quem podia entrar pela cara e pelas roupas. O comércio fechou as portas por orientação da Polícia Militar, que impediu o tráfego de pessoas em vários pontos e os barrados no Metrô se aglomeravam nas calçadas.

Algumas vezes os trabalhadores eram confundidos com grupos de manifestantes e viravam alvos das balas de borracha, bombas de efeito moral e gás. Pessoas choravam, tentavam se esconder e andavam com os braços erguidos para evitar a violência policial.

A reportagem do iG flagrou diversos casos de arbitrariedades cometidos pela PM na região central ao longo da tarde e início da noite de quinta-feira.

Um homem também negro, com camiseta de listras horizontais, foi detido violentamente depois de reclamar da falta de diálogo do governador Geraldo Alckmin (PSDB) no Largo do Patriarca, ainda antes do início da marcha.

O auxiliar de escritório Valdemir de Souza, 21 anos, levou um tapa na orelha de um PM na calçada da rua da Consolação. “Tira essa máscara e mostra a cara seu filho da p...”, gritava o policial enquanto o espancava.

Souza não estava mascarado. Ele colocou a camiseta preta no rosto para evitar os efeitos do gás lacrimogêneo e nem sequer participava do protesto.

“Acabei de sair do trabalho e estou tentando voltar para casa. Nem sei porque apanhei”, disse ele.

Daniel Klein, professor de Economia da PUC-SP, e outras duas pessoas foram detidos simplesmente por gravarem a ação da PM com seus tablets e celulares na Praça Roosevelt.

A reportagem também flagrou outras cinco pessoas sendo levadas pela PM por chamarem os policiais de fascistas.

“O único jeito de não ser preso hoje é andar com as mãos para cima e calado”, disse o advogado Estevão da Cunha. Ele recebeu uma reprimenda e quase foi preso por gritar “violência não”.

12 Jun 10:58

Bill Gates se submete a entidade comunista tupiniquim

by Professor Hariovaldo

Bill Gates sendo indevidamente cooptado pelo vice-presidente brasileiro

Perdido e desorientado, o pobre empresário americano Bill Gates caiu no conto do vigário ao procurar uma entidade brasileira, aparelhada pelos bolchevistas do PT, e foi imediatamente cooptado pelos comunas como inocente útil a ser usado nos futuros golpes internacionais perpetrados pelo bando do Dirceu. Mal orientado, Gates deixou de ir ao lugar certo, ou seja, ao Palácio dos Bandeirantes, onde com os homens bons encontraria todo o auxílio necessário para as Obras Sociais Melinda Gates em África, para buscar amparo nas mãos inimigas do Palácio do Planalto.

Após o filho do Lula ter invadido a Escola Superior de Agricultura – Esalq, para usar como sede de sua gigantesca fazenda na região, Bill Gates achou que não encontraria ajuda em São Paulo para promover o cultivo de alimentos na África

É por isso que cada vez mais os homens de bem deixam de usar o Windows 8 para adotarem os ótimos computadores da Maçã, que são simplesmente um luxo!  Isso não se faz Bill, se Dilma e sua turma fossem bons não teriam usurpados o poder contra a vontade  da nação. E depois, não passa de ideia comunista essa história de achar que se deve combater a fome no mundo, todos nós nos lembramos do famigerado Fome Zero, um instrumento esquerdista inventado por Lula para se perpetuar no poder, que só trouxe dor e sofrimento para o nosso país. Bill Gates executou uma operação ilegal e será fechado.

Technical information:
*** STOP COMUNISM: 0x0000006B (0×0000022,0×0000002,0×00000000,0×00000013)

11 Jun 23:31

Justiça Federal condena donos Casa da Uva e Uvifrios por sonegação fiscal no RN

by primo


A Justiça Federal  condenou dois empresários e uma contadora pelo crime de sonegação fiscal e uso de “laranjas” no esquema de tentar burlar a cobrança de impostos. O empresário Herculano Antônio Albuquerque Azevedo foi condenado a seis anos de reclusão, que deverá ser cumprido, inicialmente, em regime semiaberto e ainda ao pagamento de 476 dias-multa, o que aponta que cada dia multa equivale a 4 salários mínimos.

O comerciante Antônio Luiz de Albuquerque Neto, irmão de Herculano Azevedo, foi condenado a quatro anos e seis meses de reclusão, cumprida inicialmente em regime semiaberto, e ao pagamento de 301 dias-multa, sendo cada dia-multa equivalente a dois salários mínimos.

A contadora Maria da Conceição da Silva foi condenada a cinco anos e três meses de reclusão, devendo ser cumprida inicialmente em regime semiaberto. Além disso, ela pagará 476 dias-multa, equivalendo a três salários mínimos cada dia-multa.

A sentença foi proferida pelo Juiz Federal Walter Nunes da Silva Júnior, titular da 2ª Vara Federal. Ele analisou que nos autos da denúncia, impetrada pelo Ministério Público Federal e recebida no dia 18 de abril de 2012, está comprovado que houve movimentação de R$ 16 milhões na conta corrente que tinha como titular Antonio Albuquerque Neto, sem que houvesse nenhum elemento que justificasse tal movimentação.

“Associando-se, ainda, à coincidência de dados cadastrais das referidas contas com as empresas Casa da Uva Ltda. e Uvifrios Ltda., de propriedade do seu irmão, o acusado Herculano Antônio Albuquerque Azevedo, pode-se concluir, sem sombra de dúvidas, que os altos valores movimentados nas contas correntes em nome de Antônio Luiz de Albuquerque Neto eram provenientes, na verdade, da atividade comercial exercida pelas empresas Uvifrios Ltda. e Casa da Uva Ltda”, escreveu o Juiz Federal na sentença.

O magistrado observou que Antônio Albuquerque era o “testa de ferro” do irmão Herculano Azevedo. Já a contadora Maria da Conceição da Silva era a pessoa de confiança do empresário Herculano no esquema de sonegação fiscal.

“Como desdobramento do esquema de sonegação de impostos engendrado pelos acusados, constata-se, ainda, a existência de contas correntes, em nome de ‘testa de ferro’ e ‘laranja’, nas quais eram movimentados os recursos provenientes da atividade das empresas Casa da Uva Ltda. e Uvifrios Ltda”, escreveu o magistrado na sentença.

O esquema de sonegação foi feito através da criação da empresa fictícia Distribuidora de Frutas Pernambuco Ltda., em nome de “laranjas”. A partir daí os acusados dissimulavam a movimentação financeira das empresas “lícitas” – Uvifrios e Casa da Uva Ltda. e o produto das vendas realizadas por tais empresas era movimentado entre contas correntes, também em nome de terceiros.

O Juiz Federal Walter Nunes ressaltou que o contrato social da Distribuidora de Frutas Pernambuco foi feito fraudulentamente. “Todas as pessoas que subscreveram o contrato social da empresa fictícia possuíam relação com a Casa da Uva Ltda. ou com a acusada Maria da Conceição da Silva, funcionária de confiança do proprietário das empresas Casa da Uva Ltda. e Uvifrios, o acusado Herculano Antônio Albuquerque Azevedo”, escreveu o magistrado.

Ele foi mais além ao observar que os três acusados integraram um “sofisticado esquema de perpetuação de inúmeras fraudes”. “Dos fatos trazidos a deslinde, denota-se o engenho de sofisticado esquema engendrado pelos acusados para a perpetração de inúmeras fraudes, cuja intenção principal era, por meio da criação de empresa fictícia, que assumia os encargos tributários, dissimular a movimentação financeira das empresas “lícitas” da organização, afastando o Fisco do real devedor tributário e beneficiário da atividade empresarial”, destacou o magistrado na sentença.
Fonte: JFRN

11 Jun 17:51

Fátima Oliveira: Por que o Bolsa Família desperta tanto ódio de classe?

by Conceição Lemes

É o maior e mais importante projeto antipobreza do mundo

Fátima Oliveira, em O TEMPO

Médica – fatimaoliveira@ig.com.br @oliveirafatima_

Eu não tinha a dimensão do ódio de classe contra o Bolsa Família. Supunha que era apenas uma birra de conservadores contra o PT e quem criticava o Bolsa Família o fazia por rancor de classe a Lula, ou algo do gênero, jamais por ser contra pobre matar a sua fome com dinheiro público.

Idiota ingenuidade a minha! A questão não é de autoria, mas de destinatário! Os críticos esquecem que a fome não é um problema pessoal de quem passa fome, mas um problema político. E Lula assumiu que o Brasil tem o dever de cuidar de sua gente quando ela não dá conta e enquanto não dá conta por si mesma. E Dilma honra o compromisso.

Estou exausta de tanto ouvir que não há mais empregada doméstica, babá, “meninas pra criar”, braços para a lavoura e as lidas das fazendas que não são agronegócios… E que a culpa é do Bolsa Família!

Conheço muita gente que está vendendo casas de campo, médias e pequenas propriedades rurais porque simplesmente não encontra “trabalhadores braçais” nem para capinar um pátio, quanto mais para manter a postos “um moleque de mandados”, como era o costume até há pouco tempo! E o fenômeno é creditado exclusivamente ao Bolsa Família.

Esquecem a penetração massiva do capitalismo no campo que emprega, ainda que pagando uma “merreca”, com garantias trabalhistas, em serviços menos duros do que ficar 24 horas por dia à disposição dos “mandados” da casa-grande, que raramente “assina carteira”. Eis a verdade!

Esquecem que a população rural no Brasil hoje é escassa. Dados do IBGE de setembro de 2012: a população residente rural é 15% da população total do país: 195,24 milhões.

Não há muitos braços disponíveis no campo, muito menos sobrando e clamando por um prato de comida, gente disposta a alugar sua força de trabalho por qualquer tostão, num regime de quase escravidão, além do que há outras ocupações com salários e condições trabalhistas mais atraentes do que capinar, “trabalhar de aluguel”, que em geral nem dá para comprar o “dicumê”. Dados de 2009 já informavam que 44,7% dos moradores na zona rural auferiam renda de atividades não agrícolas!

Basta juntar três pessoas de classe média que as críticas negativas ao Bolsa Família brotam como cogumelos. Após a boataria de 18 de maio, que o Bolsa Família seria extinto, esse assunto se tornou obrigatório. Fazem questão de ignorar que ele é o maior e mais importante programa antipobreza do mundo e foi copiado por 40 países – é uma “transferência condicional de renda” que objetiva combater a pobreza existente e quebrar o seu ciclo.

Atualmente, ajuda 50 milhões de brasileiros: mais de 1/4 do povo! E investe apenas 0,8% do PIB! Sem tal dinheiro, mais de 1/4 da população brasileira ainda estaria passando fome!

Mas há gente sem repertório humanitário, como as que escreveram dois tuítes que recebi: “Nunca vi tanta gente nutrida nas filas dos caixas eletrônicos para receber o Bolsa Família, até parecia fila para fazer cirurgia bariátrica”; e “Eu também nunca havia visto tanta gente rechonchuda reunida para sugar a bolsa-voto!”.

Como disse a minha personagem dona Lô: “Coisa de gente má que nunca soube o que é comer pastel de imaginação; quem pensa assim integra as hostes da campanha Cansei de Sustentar Vagabundo, que circulou nas eleições presidenciais de 2010”. São evidências de que há gente que não se importa e até gosta de viver num mundo em que, como escreveu Josué de Castro, em Geografia da Fome (1984): “Metade da humanidade não come e a outra não dorme com medo da que não come…”.

Leia também:

Bolsa Família teve impacto na queda da mortalidade infantil

Direita caça votos da classe média atacando o Bolsa Família?

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11 Jun 13:46

GUEST POST: EU ENGRAVIDO, EU DECIDO

by lola aronovich
C., que tem hoje 25 anos, me enviou este relato comovente. Só queria lembrar o óbvio: que a experiência dela não é representativa da de todas as mulheres. Tem quem aborte sem sentir culpa
Por enquanto, posso publicar relatos como este sem ir presa. Mas, se o Estatuto do Nascituro for aprovado, veja só que belezura é o artigo 28, que ameaça com detenção de 6 meses a um ano quem fizer "apologia ao aborto". Alguma dúvida que os conservadores veem qualquer texto que não condene ferozmente o aborto como apologia ao aborto? 
Toda semana eu já recebo ameaças de que serei presa por defender a legalização do aborto. A aprovação do Estatuto será o sonho molhado de muitos reaças.
Isso que eu nunca fiz um aborto, até porque nunca engravidei. Mas a C., assim como milhões de mulheres, teve uma experiência bem diferente. 

Passei a quarta-feira com uma notícia entalada na garganta. No momento, gostaria, ou melhor, tenho a necessidade de falar sobre ela: o chamado Estatuto do nascituro. Quando li pela primeira vez sobre ele, não achei que era algo possível de ser aprovado, parecia-me mais invenção de algum fanático religioso, notícia sensacionalista mesmo. Queria acreditar que era um desses projetos que servem pra chamar a atenção da mídia, angariar votos nas próximas eleições, mas que jamais sairiam do papel. Pelo visto eu estava enganada.
Nunca fui do tipo que briga, protesta, assume causas, pelo menos não publicamente. Isso tem mudado com o tempo, com as experiências e com o amadurecimento. 
Fiz um aborto quanto tinha 17 anos. Eu não pude escolher. A decisão não foi minha. Eu estava tão assustada, afinal, era meu primeiro namorado, estava me formando no terceiro colegial, tinha acabado de voltar da minha viagem de formatura. Gravidez era coisa de aula de Biologia, que só acontecia com a vizinha, com a prima distante, não comigo. 
O sinal de positivo no teste de farmácia parecia cena de filme: por alguns segundos a gente se pergunta se está mesmo vivendo tudo aquilo. Estava. Foi tudo muito rápido. A mãe do meu namorado e a minha mãe decidiram tudo: no dia seguinte eu já estava tomando a primeira dose de remédios que até hoje não sei quais são. O pai do meu namorado era médico, chefe de um dos maiores hospitais da minha cidade, foi fácil conseguir os comprimidos. 
O problema é que eles não funcionaram. Tive um pequeno sangramento, alguma cólica, mas não abortei. Levaram-me então pra fazer uma ultrassonografia, com outro médico amigo da família. Assim que ele encostou o aparelho em mim disse que eu estava grávida. E eu só pensava, mas como? Eu não tomei os remédios? Não ia ficar tudo bem? Como vou contar pro meu pai? 
Com 17 anos todas as situações parecem situações sem saída. 
O médico então pediu pra que eu tirasse a roupa, iria fazer um ultrassom transvaginal pra ver se o feto tinha batimentos cardíacos. Eu estava com seis semanas. 
De tudo, esse é o momento que ficou marcado em mim -- eu no banheiro do consultório, tirando a roupa e pensando: que não tenha batimentos cardíacos, que não tenha batimentos cardíacos. A decepção e o medo são maiores do que tudo. Desejar que aquilo dentro de mim estivesse morto é o pior sentimento do mundo. 
Tomei uma segunda dose do remédio que me fez abortar. E nunca ninguém me perguntou se era aquilo mesmo que eu queria fazer. Eu sei, meu medo era tanto que ainda que me perguntassem eu teria dito que sim, que eu queria abortar, não podia ter um filho com 17 anos. 
Quando um Estatuto como esse é aprovado, eu me sinto mais uma vez como se não tivesse direito de escolha, como se meu corpo e minhas decisões não me pertencessem. Sinto-me julgada, um monstro que desejou a morte de outro ser. Mas eu não sou assim. 
Seria andar em círculos dizer que o Estado é laico e que a descriminalização do aborto é questão de saúde pública. Tanta gente já disse isso e de modo muito melhor. 
Eu só queria que as pessoas conseguissem entender que jamais um aborto será algo agradável: carregaremos conosco a cicatriz. Eu ainda me vejo desejando não ouvir o coração bater, e ainda dói. Tenho medo de nunca conseguir ser mãe, de não ter a capacidade de um amor tão grande, já que fui tão covarde na primeira vez. 
Palavras como covardia, culpa, morte ficam gravadas em nós, como estigmas de uma sociedade ainda tão presa a dogmas religiosos. Se esse deus deu aos homens o livre arbítrio, por que então as pessoas que usam esse mesmo deus como argumento querem tirar esse direito de mim? Acredito que é preciso libertar a discussão sobre o aborto, livrá-la de clichês tão ultrapassados.  
Somos tantas, e tantas de nós ainda morrem por não terem acesso a um procedimento seguro. 
Não deixarei. Não deixemos. 
O Estatuto do Nascituro fere o nosso direito de escolha. Ele fechará a discussão sobre o aborto, discussão esta tão importante. 
Minha gravidez é em primeira pessoa: eu engravido. A decisão sobre ter ou não o filho jamais deve ser tomada em terceira pessoa: a mulher não abortará. Não! Se o corpo é meu, se as dores sou eu que sinto, se as cicatrizes sou eu que carrego, então sou eu que devo decidir. 
Eu não pude escolher, mas quero lutar pelo direito à escolha de tantas outras mulheres como eu. 
10 Jun 14:01

Paranoia da inflação e hipocrisia da burguesia

by joao-pedro-stedile
Allan Patrick

O bom do Stédile é que ele sempre traz informações do mundo real difíceis de encontrar (como a exportação/importação de milho casada pela Cargill/Bunge).

POR JOÃO PEDRO STEDILE

 

A imprensa burguesa tem propagandeado que a inflação está fora do controle com a divulgação de noticias, artigos e comentários de políticos de oposição ao governo federal.

Com isso, colocam o tema dos preços como um fantasma atrás da porta de cada família brasileira, prestes a assaltá-la e tomar o seu dinheiro.

A construção dessa paranoia começou com a divulgação de matérias sensacionalistas sobre o aumento do preço do tomate, como se a valorização desse alimento tivesse de forma isolada incidência real na inflação dos gastos da maioria da população.

Qualquer estudante do primeiro ano de economia já sabe que os estudos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Fundação Getúlio Vargas têm diversos itens do orçamento doméstico médio dos brasileiros, sobre o qual se calcula o aumento da inflação real para as famílias.

Depois da criação da “crise do tomate”, a mídia burguesa tem apelado a cada dia para outros produtos, tentando criar novos factoides.

Essa manipulação grosseira se baseia em duas táticas complementares.

A primeira delas é criar na população paranoias e preocupações desnecessárias que resultem em ações de massa que desgastem o governo.

Essa tática deu resultado, por exemplo, com o boato de que a Bolsa Família iria acabar.

Com isso, 900 mil representantes das famílias mais pobres, desinformados ou mal informadas, correram para as agências da Caixa, provocando um verdadeiro tumulto, sobretudo nas cidades do Nordeste.

Hipocrisia descarada

A segunda tática da burguesia é jogar uma cortina de fumaça sobre os verdadeiros problemas do país, lançando mão da hipocrisia descarada.

Em primeiro lugar, a burguesia e seus meios de comunicação sabem que existe uma tendência geral de aumento dos preços de todas as mercadorias que estão na sociedade, independente do preço de um único produto.

Ora, se há uma tendência de aumento de preços em todas as mercadorias, quem são os atores econômicos que aumentam os preços?

São exatamente os capitalistas proprietários das fábricas, supermercados ou lojas do comércio.

Portanto, é a base social tucana que opera o aumento dos preços, beneficiando-se com o aumento dos seus lucros.

Assim, o discurso por trás da inflação esconde interesses de classes.

Em segundo lugar, ao mesmo tempo em que exageram nas notícias sobre um “descontrole inflacionário”, fazem pressão pelo aumento das taxas de juros.

Nós, brasileiros, já pagamos os juros mais altos do mundo.

A taxa média de juros paga na economia pelos comerciantes e pelos consumidores é de 58% ao ano.

Os bancos que financiam esses empréstimos ganham 52% de lucro líquido, com a inflação em torno de 6% ao ano.

Não existe paralelo no mundo para a lucratividade dos bancos com  crédito no Brasil.

Com isso, os brasileiros ficam endividados no cartão de crédito ou no cheque especial, que têm taxas que ultrapassam em média 100% ao ano…

Ou seja, é um verdadeiro assalto.

Para efeito de comparação, a taxa média de lucro nas economias centrais é de 13% ao ano. Essa taxa já faz brilhar os olhos dos capitalistas nesses países…

Nenhum porta-voz da burguesia brasileira protesta nos jornais, revistas e nas TVs contra esse assalto aos brasileiros que o capital financeiro pratica todos os dias.

Ao contrário.

Esses ideólogos defendem aumentos das taxas de juros como uma pretensa medida para controlar o consumo das massas e impedir o tal descontrole da inflação.

A terceira hipocrisia da burguesia é omitir que a taxa de câmbio da nossa moeda em relação ao dólar é irreal.

A comparação dos preços das mercadorias em dólar nos Estados Unidos e em real no Brasil indica uma taxa de câmbio necessária ao redor de U$S1,00 por R$3,00.

Essa posição é defendida por diversos especialistas da área.

A atual taxa de câmbio próxima a U$S 1,00 por R$2,00 está provocando um processo de desindustrialização da economia brasileira e reprimarização das exportações.

A produção das manufaturas, que geram emprego e valor agregado, não consegue mais competir no mercado internacional.

Essa taxa de cambio é provocada pela emissão descontrolada do papel dólar pelo governo dos Estados Unidos e pela avalanche de capital financeiro especulativo em nosso país, que vem para cá se proteger da crise.

Nenhuma palavra dos porta-vozes da burguesia sobre o “descontrole” da taxa de câmbio.

Ou seja, a mídia da classe dominante sequer protege sua fração industrial.

Controle dos alimentos

A quarta hipocrisia é esconder que grande parte dos produtos agrícolas que se transformam em alimentos no mercado interno é controlado por um oligopólio formado por empresas transnacionais.

Depois da crise de 2008, houve uma corrida do capital financeiro internacional e das empresas transnacionais sobre as chamadas commodities para se proteger da perda de dinheiro.

Assim, fizeram um brusco movimento especulativo, que fez com que os preços das commodities aumentassem em três anos, em todo mundo, nada menos do que 200%.

Esse aumento de preço foi repassado para os consumidores de alimentos.

Portanto, o aumento de certos produtos alimentícios tem como responsáveis os que multiplicaram os seus ganhos: as grandes empresas do agronegócio, como Bunge, Monsanto, Unilever, Cargill, Nestlé, Danone, entre outras.

A quinta hipocrisia da mídia burguesa é ignorar que o Brasil é um dos maiores produtores mundiais de milho, enquanto a falta de alimentos dizima 18 milhões de cabeças de bois, vacas, porcos e bodes no Nordeste.

Foram colhidas 60 milhões de toneladas de milho na última safra.

No entanto, diante da pior seca no Nordeste, morrem os animais criados por camponeses da região.

A morte desses animais será uma perda irreparável para a população nordestina, que pode demorar uma geração para repor o rebanho dizimado.

As famílias se salvaram da fome graças a saques, aos benefícios do Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural) e ao programa Bolsa Família, que garantiram renda para fazer a feira e se alimentar.

Diante dessa situação, a presidenta Dilma Rousseff mandou seus ministérios tomarem providências.

O Ministério do Desenvolvimento Agrário resolveu doar tratores produzidos no Sul para as prefeituras do Nordeste. Foi só um negócio que não alterou questões estruturais.

Independente da situação, o Ministério da Integração Nacional continuou com a distribuição de lotes de perímetros irrigados para empresários do Sul, em vez de beneficiar os camponeses da região que padecem com a falta de água.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) foi autorizada a comprar milho para levar para o Nordeste e salvar o rebanho.

No entanto, a companhia fez vários editais e não encontrou quem vendesse milho suficiente para a demanda. Por quê?

A safra de milho é controlada por empresas transnacionais.

A Cargill e a Bunge exportaram nada menos que 18 milhões de toneladas de milho para os Estados Unidos no último ano.

Esse milho voltou ao país como etanol, importado por esses mesmas empresas.

Com isso, o preço do etanol se mantém bem acima do seu valor real.

Se o governo quisesse resolver o problema, poderia requisitar a produção de milho, proibir as exportações e salvar o rebanho no Nordeste, enfrentando o problema das mortes dos animais causado pela seca.

Nenhuma palavra na imprensa burguesa sobre a falta de milho no país campeão de produção agrícola.

Na verdade, foram escondidas as raízes da perda do rebanho no Nordeste.

Dessa forma, a mídia burguesa demonstra seu compromisso com o interesses do grande capital financeiro internacional.

Os meios de comunicação da classe dominante, “preocupados” com a inflação, omitem questões centrais relacionadas à formação dos preços no país.

Assim, os verdadeiros problemas que a sociedade brasileira enfrenta ficam submersos diante da manipulação e da hipocrisia dos donos de jornais, revistas e redes de televisão.

10 Jun 13:51

¿Qué pasa en Suecia?

by Marta Tur

Artículo publicado por Vicenç Navarro en el diario digital EL PLURAL, 9 de junio de 2013

Este artículo analiza la evolución de las políticas laborales y económicas de Suecia, explicando las causas de las revueltas populares, centrándose en la inmigración.

Creo conocer bien Suecia. Cuando a principios de los años sesenta me fui de España por razones políticas, escogí irme a aquel país, donde los partidos socialdemócrata y comunista habían ayudado mucho a las fuerzas democráticas que luchaban contra la dictadura fascista (la historia de la resistencia antifascista catalana y española no se ha escrito todavía). Tales partidos nos habían dicho que si algún día tuviéramos que irnos de nuestro país, consideráramos Suecia como nuestra casa. Y así fue. En un día lluvioso de agosto (que siempre recordaré) inicié el camino hacia Suecia.

Yo era médico en aquel entonces y estaba en el Karolinska Hospital. Pero recibí la instrucción por parte de mis compañeros de la resistencia antifascista de que me formara y aprendiera del Estado del Bienestar sueco. Me dijeron que Franco iba a caer en cualquier momento –el optimismo de la resistencia era necesario para continuar la lucha contra uno de los regímenes más represivos que hayan existido en Europa (por cada asesinato político que cometió Mussolini, Franco cometió diez mil, según el estudioso más conocido del fascismo en Europa, el profesor Malekafis, de la Universidad de Columbia)-. No tenía ni idea de cómo realizar ese aprendizaje y se lo dije al gobierno sueco, que me derivó al economista más influyente de la socialdemocracia escandinava, el Sr. Gunnar Myrdal (que recibió más tarde el Premio Nobel de Economía), y a su esposa Alva Myrdal, una de las mentes más claras que yo haya conocido. Más tarde también conocí a Walter Korpi, el analista más conocedor de la realidad económica y social de Suecia, y a Carl-Henrik Hermansson, que había escrito el libro más crítico de la estructura de poder económico en Suecia (mi esposa, sueca, tradujo parte del libro al inglés), y que fue el Secretario General del Partido Comunista en el periodo 1964-1975, precursor del eurocomunismo. Fue así como cambié de profesión y comencé a estudiar economía política y economía social, habiendo tenido todas las personas citadas una gran influencia en mi trabajo. Y tuve la gran suerte de presenciar en primera fila uno de los debates más interesantes que yo haya visto jamás en las áreas de política económica y economía social.

El debate sobre como resolver la falta de trabajadores: inmigración versus integración de la mujer

Mírese como se mire, Suecia es un país poco poblado. Es enorme, casi tan grande como España (la superficie de Suecia es aproximadamente la de España sin Aragón) pero tenía entonces solo 7 millones y medio de habitantes. Y las autoridades del país eran conscientes de que iban a necesitar muchos más trabajadores de los que tenían. La pregunta era ¿de dónde obtendremos los nuevos trabajadores? Una respuesta, procedente de los conservadores y liberales, era que vendrían de la inmigración y, muy en especial, de los otros países escandinavos, principalmente Finlandia y Noruega, y de los países eslavos. Las izquierdas gobernantes entonces -el Partido Socialdemócrata y el Partido Comunista- priorizaban, en cambio, facilitar la integración de la mujer al mercado de trabajo. Lideradas por Alva Myrdal, propusieron y desarrollaron la infraestructura de servicios –como escuelas de infancia y servicios domiciliarios- que ayudaran a las familias y facilitaran la integración de la mujer al mercado de trabajo. También, por cierto, se enfatizó la necesidad de la corresponsabilidad en las tareas familiares, educando y socializando al hombre para que compartiera las tareas domésticas que hasta entonces asumía la mujer (hoy la mujer sueca pasa 28 horas a la semana realizando tareas familiares, y el hombre 22. En España son 42 y 9 horas respectivamente). Era, además, parte de la ideología de las izquierdas que la igualdad de género exigía la integración de la mujer al mercado de trabajo.

Y lo consiguieron. El 72% de las mujeres están integradas en el mercado de trabajo (En España es el 51%). Esta integración ha sido clave para explicar la riqueza del país (trabajo quiere decir riqueza) y su elevado nivel de ingreso de fondos (a través de impuestos) al Estado. El elevado nivel que los impuestos representan sobre el PIB se basa en el alto porcentaje de la población adulta que trabaja y en el elevado gravamen que sostiene el Estado del Bienestar más desarrollado que todavía hoy existe en Europa. La alta  protección social es consecuencia y también causa del elevado nivel de desarrollo económico. Suecia ha mostrado durante muchas décadas que, en contra de lo que los conservadores y liberales asumen, el Estado del Bienestar es una necesaria inversión para lograr un elevado nivel de desarrollo económico, social y humano. Ni que decir tiene que persistían muchos problemas todavía en este modelo social. Pero sí que se había alcanzado un nivel de bienestar que se había convertido en un punto de referencia internacional.

La integración de la inmigración

El gobierno sueco permitió, naturalmente, la inmigración, pero no fue la prioridad para resolver el problema de escasez de mano de obra. Ahora bien, lo que sí se enfatizó fue que, si bien la integración de la mujer al mercado de trabajo era el tema prioritario, no podía descuidarse la inmigración. El inmigrante tenía que ser considerado como un ciudadano más con los mismos derechos que el ciudadano sueco. Aunque nunca formulado en estos términos, el eslogan de los sindicatos podría haber sido: “No damos prioridad a la inmigración pero sí al inmigrante”. La política gubernamental de las izquierdas estaba claramente orientada a la integración del inmigrante, lo cual requería su plena integración en el amplio esquema de protección social del país que se caracterizaba por su universalidad, es decir, por ser un derecho de toda la ciudadanía, sin dividirla por raza u origen étnico o cultural, división que siempre favorece al mundo empresarial.

El cambio de gobierno, con una coalición de partidos conservadores y liberales, ha cambiado esta situación. Esta universalidad se ha cuestionado y la protección social se ha diluido, el abanico salarial ha aumentado y el paro ha crecido. Todo ello ingredientes del estallido social. Sería injusto atribuir estos cambios exclusivamente a los gobiernos de derechas. Varios de ellos se iniciaron por el gobierno socialdemócrata. El compromiso con el pleno empleo, por ejemplo, se diluyó algo en los años ochenta, bajo la dirección de un Ministro de Finanzas que priorizó el control de la inflación. Y como ya había escrito Hermansson, el modelo social sueco estaba todavía lejos del proyecto socialista al cual las izquierdas aspiraban. Pero creo justo afirmar que la gran mayoría de cambios en camino regresivo han alcanzado su máximo desarrollo ahora en la época conservadora-liberal que ha seguido políticas públicas responsables del mayor crecimiento de las desigualdades que cualquier país de la OCDE (el club de países más ricos del mundo) haya experimentado. Tal crecimiento ha alimentado el descontento entre los sectores más vulnerables, con menos recursos. No hay plena conciencia de que es muy fácil desmontar el Estado del Bienestar de un país (como se está viendo en España). Y los estallidos sociales se han dado con mayor intensidad en las ciudades gobernadas por las fuerzas conservadoras y liberales. La comercialización de los servicios públicos, la introducción de los mal llamados mercados (como mecanismo de descohesión social), la desuniversalización de los Estados del Bienestar, tienen un coste: la descohesión social, que crea un estallido social.

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10 Jun 01:36

O esquema de vigilância nos EUA é o último triunfo de bin Laden

by Diario do Centro do Mundo
A paranoia da guerra ao terror e o fim da liberdade eram o que todo jihadista queria.   Publicado no Common Dreams. POR SIMON JENKINS Washington proporcionou a Osama bin Laden seu último grande triunfo. Os arquivos do programa PRISM revelados pelo Guardian indicam quão longe sua tentativa de minar os valores ocidentais foi nos