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09 Jun 16:38

PADRE PEDE E POLÍCIA PRENDE MANIFESTANTES DA MARCHA DAS VADIAS

by lola aronovich
Manifestantes protestam em frente à delegacia de Guarulhos

Ontem houve a Marcha das Vadias de Guarulhos, e duas manifestantes foram presas. Por quê? Porque um padre mandou
O pároco da Catedral de Guarulhos enviou carta às autoridades exigindo providências contra a Marcha, por ser "sempre eivado [sic] de crimes, tais como atentado violento ao pudor, violação de direitos religiosos, agressões físicas". Só pra lembrar, sabe quem era o bispo de Guarulhos até o ano passado, quando morreu? Ninguém menos que Dom Bergonzini, figurinha carimbada da misoginia, aquele que usou uma caneta para mostrar a uma repórter que "é muito difícil uma violência sem o consentimento da mulher".   
Patty, mestranda da USP, esteve lá na Marcha ontem e conta mais.
Convocação para a Marcha das Vadias Guarulhos -- quase um cartaz terrorista!
A Marcha das Vadias Guarulhos estava marcada para ontem às 14h no Marco Zero da cidade, que fica em frente à Igreja Matriz. 
Quando eu cheguei, as meninas estavam fazendo os cartazes e organizando tudo. Logo reparei que o padre estava na janela da igreja ao lado de uma imagem de santa. Havia também um grupo grande cantando e rezando com ele; eles usavam microfones.
Num primeiro momento, achei que fosse algum evento católico. Mas depois reparei que havia várias viaturas da PM e um grupo vestindo camisetas com a estampa "aborto não". Comecei a ter uma intuição ruim porque eles aumentavam cada vez mais o volume. Foi ficando mais difícil para nós da Marcha das Vadias fazer o jogral com um megafone fraquinho. Então entendi que os católicos realmente estavam se manifestando contra a marcha, o que por si só já era desagradável.
A foto deixa claro o sexo de quem é contra e a favor da legalização do aborto
Eu vi que uma unidade da PM chegou, e um PM conversou com uma das organizadoras, mas não me pareceu que eles fossem impedir a marcha. Afinal, era uma manifestação pacífica. Foi emocionante ver mulheres de várias faixas etárias que estavam trabalhando por perto se aproximando e participando. 
Até a hora em que fui embora, o maior problema era o contra-protesto da igreja. Só que, quando cheguei em casa, soube que algumas das manifestantes haviam sido detidas. A informação é que uma delas foi interpelada por ter feito topless, discutiu com o policial e foi detida por desacato à autoridade. Houve violência, pois ele rasgou a roupa dela e deu uma chave de braço.
Qual o perigo que uma mulher exibindo os seios em público oferece? A visão dela incomoda tanto que um policial resolve agredi-la fisicamente? Se isso não é misoginia, não sei o que mais pode ser. Quer dizer, corpo feminino só serve para entretenimento masculino. Se uma mulher o exibe numa demonstração de poder num protesto, isso ofende as autoridades.    
A última informação que tenho é de que uma representante da OAB esteve no 1o DP com a deputada federal Janete Pietá (PT-SP). A advogada conseguiu a liberação das meninas, que foram levadas a um hospital para fazer exame de corpo de delito.     
Mais tarde, chegou até mim a informação de que o pároco havia, num texto repleto de inverdades sobre a manifestação, solicitado a repressão da marcha.
Piada pronta: fiéis "protegem" igreja contra perigosas manifestantes
Como assim? O padre manda, e a PM e a GCM simplesmente obedecem? Como um padre pode restringir o direito de uma manifestação acontecer em frente à igreja? Ninguém da marcha entrou, nem pretendia entrar nela. A reunião foi marcada ali por ser o Marco Zero -- é espaço público. A polícia não pode prender manifestantes, nosso estado é laico e democrático. Estou me sentindo na inquisição. Espero que os responsáveis por esse absurdo sofram as medidas legais cabíveis. 
E o Estado laico, cadê?
As fotos 1 e 6 são de Natália Oliver; as 4,5,9 e 10, de Samuel Kassapian. Aliás, Kassá informou a Patty que sua conta no FB foi suspensa por 3 dias. Motivo: nudez!
Essas fotos da Narcisa mostram a chave de braço que o policial deu na Ana
Havia mulheres policiais. Por que foi um policial homem que deu a chave de braço?
Aqui dá pra ver direitinho o nome do policial. 
A Gil também esteve lá e conta como foi.
09 Jun 13:14

O erro de Tom Zé ao devolver o cachê da Coca Cola por causa da chantagem dos “fãs”

by Kiko Nogueira
Com um público que exige esse tipo de coisa, que artista precisa de inimigos?. Tom Zé, um tropicalista original que foi esquecido pelos demais tropicalistas originais, dá um duro para se manter. Além dos shows e discos, trabalha como jardineiro (é muito querido, aliás, pelos moradores de um prédio nas Perdizes, em São Paulo). A
07 Jun 12:24

Bicicletas e ônibus urbanos

by João Lacerda
Allan Patrick

Educar os motoristas de ônibus para o respeito aos ciclistas é bom, bonito e barato.

Turma de motoristas de ônibus

Turma de motoristas de ônibus

A bicicleta é para muitos motoristas uma estranha desconhecida. Com o aumento da infraestrutura cicloviária, conversar com motoristas é fundamental. O melhor a fazer no diálogo é gerar empatia e foi com essa intenção que participamos do curso “Ônibus e Bicicletas, uma convivência possível” – iniciativa da secretaria municipal do Meio Ambiente do Rio de Janeiro através do Centro de Educação Ambiental (CEA).

O curso foi ministrado para motoristas da Viação Ideal, que circulam na Ilha do Governador, bairro que tem recebido diversas melhorias cicloviárias, com destaque pro Anel Cicloviário da Ilha.

Ciclofaixa em mão dupla (em obras). Foto: Alex Gomes

Ciclofaixa em mão dupla (em obras). Foto: Alex Gomes

Dentro da estrutura do curso, os motoristas de ônibus foram apresentados ao programa “Rio Capital da Bicicleta”, depois puderam conhecer um pouco sobre os dados sobre o uso da bicicleta e o que diz a legislação de trânsito.

Sinalização horizontal e vertical. Foto: Alex Gomes

Sinalização horizontal e vertical.
Foto: Alex Gomes

Nossa participação foi para mostrar como os ciclistas são grandes aliados do transporte público, com destaque para as parcerias possíveis entre os ônibus urbanos e as bicicletas nas ruas.

Cruzamento sinalizado. Foto: Alex Gomes

Cruzamento sinalizado.
Foto: Alex Gomes

Os motoristas adoraram a abordagem e com certeza hoje estão até dando cobertura para os ciclistas da ilha. Afinal o bairro está repleto de ciclofaixas, sinalização horizontal e vertical ostensivas, cruzamentos demarcados e bicicletários em diversas esquinas.

Dá-lhe Ilha do Governador!

Leia mais: Motoristas de ônibus do RJ são treinados para respeitar ciclistas – Jornal do Brasil

07 Jun 12:10

Padilha no confessionário

by Daniel Dantas Lemos
Por Leandro Fortes
No Facebook

A suspensão da campanha de prevenção a AIDS entre as prostitutas brasileiras é uma dessas circunstâncias em que, cada vez que o ministro Alexandre Padilha se explica, pior fica para ele, para o governo, para todos os que nele confiam. Melhor seria admitir o mais antigo dos óbvios, a justificativa padrão para todo desvio administrativo pautado pela subordinação: ele obedeceu ordens, claro, da presidenta Dilma Rousseff.

Dilma rendeu-se a essa desvairada realpolitik na qual se tornou normal, e até mesmo recomendável, se aliar à escória política nacional em nome do projeto petista de poder. Garante o financiamento da mídia que a massacra, recebe elogios da latifundiária Kátia Abreu e deixa que a bancada evangélica no Congresso interfira na saúde e na vida de milhões de brasileiros e brasileiras sujeitos à contaminação pelo HIV e outras doenças sexualmente transmissíveis.

Imagino que isso seja uma estratégia política brilhante, mas como sou um ignorante em marketing, sempre acho que isso vai acabar levando a todos - o PT, os eleitores de Dilma, o País - para o abismo. Por enquanto, só colho sinais.

Jean Wyllys, esse jovem deputado baiano do PSOL do Rio de Janeiro, nos dá, agora, essa contribuição essencial para compreender o grau de submissão do Ministério da Saúde a essa estratégia. Convidado como parlamentar, compareceu também como bom jornalista que é ao gabinete do ministro Alexandre Padilha para ouvi-lo dar frágeis explicações sobre a inexplicável submissão do governo aos devaneios medievais de gente como Marcos Feliciano - a quem telefonou para dar satisfação e, em seguida, foi brindado com conselhos debochados pelo Twitter.

Em certo momento, Padilha repetiu a Wyllys ter suspendido a campanha para as prostitutas porque esta "não teria passado pela avaliação do departamento de comunicação do ministério". Repito, não é melhor falar a verdade? O ministro acha mesmo que alguém com mais de 12 anos de idade vai acreditar que a campanha foi retirada de circulação, três dias depois de lançada, e toda a diretoria do departamento de combate a AIDS caiu porque os assessores de comunicação não a tinham carimbado? É essa a noção de respeito ao cidadão que sobrou dessa brilhante estratégia política de se curvar a fanáticos religiosos?

Até onde me lembro, não foi para isso que o PT chegou ao poder.
06 Jun 19:25

DECISÃO POR PÊNALTIS

by blogdosirio

Posso estar me repetindo, mas não serei o único a fazer isso. Volto à questão dos textos (de sua avaliação) e do lugar da ortografia e da gramática no processo.

Sempre que leio em jornais e revistas sobre o assunto, a decepção é grande. E me pergunto se acontece a mesma coisa quando tratam de economia, de política etc. Ou seja, sem coerência, sem a devida distinção que cada aspecto merece.

Hoje me refiro à reportagem do Estadão de 02/06/2013, no caderno Empregos & Carreiras. “Língua portuguesa derruba candidatos” é a manchete. Por mais que, em diversos lugares, se fale de leitura e de texto, na hora de a onça beber água, ou seja, de apresentar alguma prova de mau desempenho (ou bom), os exemplos são sempre de ortografia (nem os de gramática são citados!).

Pior do que isso, mencionam-se testes de ditados! Não pense o leitor que se trata de ditar textos, o que poderia fazer algum sentido (principalmente para contratar secretários(as) pessoais). Não: ditam-se palavras soltas, supostamente de uso comum. Não tenho certeza, por exemplo, se “harmonização” é uma palavra que é “parte do cotidiano” (o que quer dizer uma palavra ser “parte” do cotidiano?).

Pode-se tornar a atividade mais interessante. Por exemplo, para contratar contadores, ditar “déficit”, para enfermeiros, “posologia” e “intravenosa” etc. Ou seja: medir, pelo menos, um aspecto da competência na área de atuação do candidato.

Minha posição, conhecida, é que tudo o que se quer avaliar deve ser considerado a partir de textos. Seja o próprio texto, sejam aspectos da gramática ou da ortografia.

Há coisas que definitivamente não compreendo: um entrevistado diz que já fez um curso de ortografia e vai fazer outro. Acha que o “novo acordo é muito difícil” (sic!!). Outro quer ter um bom texto, e por isso fez cursos de ortografia e gramática…

Vou defender meu ponto de vista comparando a escrita de um texto a um jogo (de futebol ou de basquete).

Produzir um texto assemelha-se a uma partida de futebol. O candidato fica sabendo que deve escrever sobre um tema. Nas boas propostas, o candidato pode ler textos de “apoio”, que lhe fornecem alguns dados e opiniões sobre o tema. Mas é ele quem deve armar o problema e dar-lhe uma (possível) solução. O que ele faz antes (ler, estudar, anotar, escrever etc.) é parecido com treinar.

Já as provas ditas objetivas não se assemelham a partidas, mas a lances isolados, como cobrar um pênalti ou um lance livre. Um jogo nunca é totalmente objetivo, ou seja, num jogo não há só pênaltis ou lances livres. No decorrer da partida, os jogadores devem tomar um conjunto de decisões que ultrapassam de longe o arremate da jogada.  Devem acelerar ou retardar o jogo, ganhar tempo ou tentar fazer o máximo de pontos no menor tempo possível.

Imagine-se o título de um campeonato de basquete ser decidido apenas em lances livres (podem ser 30 ou 40…) ou em uma série de enterradas. Nos EUA, há uma partida de basquete anual entre os melhores jogadores da Conferência Leste contra os da Oeste. Antes do jogo e no intervalo da partida, ou mesmo na véspera, há concursos de enterradas, por exemplo. Trata-se de ocupar e divertir a plateia. Mas o título da Liga é decidido em 7 jogos entre os vencedores de cada Conferência. Em alguns torneios, como a Champions League, os mata-matas são jogados em duas partidas, mas a final o é em uma só. É também um teste de nervos…

Selecionar candidatos ao emprego (ou à universidade) por meio de ditados equivale a disputar uma partida de futebol fazendo de conta que ela se reduz à disputa de pênaltis.

Minha opinião sobre as razões pelas quais se fazem testes de gramática, sempre os mesmos desde 1900 – e de ortografia é a pior possível: é a única “sabedoria” que certas bancas ou grupos de “especialistas” dominam.

***

Na rua, vejo uma placa na qual está escrito “OBRAS À 500 METROS”. No Banco, vi um aviso do tipo (não é literal) “VENHA A AGÊNCIA XXX”. Os leitores sabem que não acho que são erros graves (para mim, são aceitáveis todos os erros que podem ser corrigidos com uma canetada do revisor: corta uma crase aqui, acrescenta uma acolá, e pronto).

O que não entendo é que as pessoas não aprendam uma coisa tão banal como a relação entre crase e feminino. Crases antes de “500 metros” ou diante de verbos, confesso, me irritam um pouco. Não pela crase, não pelo erro. Pela confusão em um lugar onde não deveria haver nenhuma. Os professores que me perdoem, mas fico imaginando como devem ter sido as aulas sobre o tema.

Rolou um debate sobre crase ou não crase em “Amor à vida”, novelinha da Globo, por exemplo. Como isso se tornou possível?  

06 Jun 12:20

Balu, o meu guru (ou coisas que aprendi viajando e mudaram minha vida)

by Cyntia Campos

De carro, eu nunca veria a Paulista assim
(São Paulo, setembro de 2012)
Hoje faz quatro anos que vendi meu último automóvel. Já escrevi um post inteirinho, aqui na Fragata, sobre a alegria de interagir com as minhas cidades, desde que tomei a sábia decisão de virar pedestre e usuária de transporte público — sem contar é claro, a economia de estresse por não ter que enfrentar o inferno do trânsito e a falta de educação de muitos motoristas.

O prazer de ver as cidades cara a cara foi uma das melhores coisas que aprendi viajando. Andando a pé e de transporte público, acabava sabendo muito mais sobre as cercanias de um hotel onde me hospedasse por alguns dias — aquela lojinha fofa, a padaria simpática ou o buraco na calçada — do que sobre a minha própria vizinhança. E via as pessoas, a expressão que traziam nos olhos, ouvia seus sotaques, bisbilhotava suas leituras no metrô. Não é estranho que passasse a querer isso na vida, não só nas férias.

Meu caminho para o trabalho
(Brasília, 410 Norte)
Viajar também me ensinou a viver leve. De tanto carregar mochila e arrastar mala por aí, era inevitável constatar como a vida melhora quando a gente simplifica. Virei suma sacerdotisa do culto a Balu, o urso que usa “o necessário, somente o necessário” e se diverte muito mais do que a maioria das pessoas que eu conheço.

Viver leve é um perigo. Como diz aquela vizinha coroca, começa com uma droguinha inofensiva, tipo malinha de mão. Quando a gente vê, o vício já tomou conta dos armários, detonou os baús e passou um super filtro nas relações sociais  — essa regra só não vale para os livros, tá?

Balu: "Eu uso o necessário"
Outra dádiva das viagens é aprender a dialogar com o tempo. É tão bom rabiscar roteiros, pesquisar lugares e contextos que desejar e planejar viram partes essenciais da festa. E aí, nada mais precisa ser pra ontem, porque descobri que a vida também acontece nas muitas horas transcorridas entre dois dias memoráveis.

Como nada é pra ontem, viajar também me ensinou a deixar coisas para amanhã. Descobri como é bom descumprir as tarefas da gincana e fazer o que contenta meu coração, mesmo que eu não suba a Torre Eiffel, passe longe de um museu "obrigatório" e belisque bobagem em vez de ir a um restaurante "para o currículo". Se nenhuma dessas coisas vai sair correndo, muito menos eu vou me despencar atrás delas. Que fiquem como uma razão para eu voltar.

Antigamente, acreditava-se que “pessoas viajadas” eram mais “cultas”. Tenho a maior birra desta palavra, que associo àquele conhecimento ornamental e enciclopédico destinado a preencher conversa pedante. As coisas que aprendi viajando não me qualificaram para entreter ninguém, mas algumas delas mudaram minha vida — e têm me feito um bem danado.

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05 Jun 18:09

“Padilha colocou o moralismo acima da ciência; mortes virão”

by Conceição Lemes

por Conceição Lemes

O preconceito, o oportunismo, o conservadorismo e a ignorância venceram mais uma vez a saúde pública e violaram direitos.

O Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde lançou no final de semana nas redes sociais uma campanha destinada às profissionais do sexo. Com o tema “Sem vergonha de usar camisinha”, o objetivo é reduzir o estigma da prostituição da associada à infecção pelo HIV e aids.

O material da ação – banners e vídeos – foi feito a partir de uma Oficina de Comunicação em Saúde para Profissionais do Sexo, realizada em João Pessoa (PB),  de 11 a14 de março.

As peças da campanha trazem mensagens contra o preconceito, sobre a necessidade de prevenção da infecção pelo HIV e demais doenças sexualmente transmissíveis e a vontade de as prostitutas serem respeitadas. Médicos e especialistas na prevenção de DST-Aids elogiaram o material.

Porém, nessa terça-feira 4,  o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, cometeu dois desatinos, após protestos e pressões da bancada evangélica.

Primeiro, mandou tirar do ar, inclusive da página do Departamento de DST/Aids, uma das peças da campanha que tinha os seguintes dizeres: “sou feliz sendo prostituta”. A peça trazia o logotipo do ministério e havia sido divulgada no twitter.  As chamadas com destaque na página do Departamento também sumiram.

Segundo, no final da tarde, demitiu sumariamente o diretor do Departamento de DST/Aids do Ministério, o dr. Dirceu Greco, infectologista de renome mundial e professor titular da Faculdade de Medicina da UFMG. É um dos nomes históricos da luta contra a aids e um dos maiores especialistas em bioética e ética em pesquisas no Brasil.

Em nota, a Assessoria de Comunicação Social do Ministério da Saúde justificou:

As peças expostas no site do Departamento de DST/Aids não passaram por análise e aprovação da Assessoria de Comunicação Social, como ocorre com todas as campanhas do Ministério da Saúde, de todos os departamentos. Logo, o descumprimento das normas previamente estabelecidas pelo Ministério da Saúde justificou a retirada das peças do site do departamento e de seus perfis nas redes sociais e a apuração das responsabilidades.

 Em entrevistas à mídia, Padilha disse:

Enquanto eu for ministro, não acho que essa tem que ser uma mensagem passada pelo ministério. Nós teremos mensagens restritas à orientação sobre a prevenção contra as doenças sexualmente transmissíveis. O papel do Ministério da Saúde é estimular a prevenção das DSTs.

Não existirá nenhum material assinado pelo Ministério da Saúde que não seja material restrito às orientações de como se prevenir das DSTs.

“DESDE O ALCENI GUERRA, NÃO ASSISTIMOS ALGO SEMELHANTE”

“Quando soube da campanha, fiquei animado. Pensei:‘Tomara que o ministro Padilha tenha voltado atrás nas ações de prevenção, pensando nas pessoas vulneráveis às infecções por DSTs e aids’”, afirma o pesquisador, ativista e professor Mario Scheffer, presidente do Grupo Pela Vidda de São Paulo. “Não demorou 24 horas para ver que o Padilha continua o mesmo.”

“É retrocesso histórico”, denuncia Scheffer. “Desde a época do Alceni Guerra, ministro  da Saúde do então presidente Collor, não assistimos algo semelhante.”

Alceni foi ministro de 15 de março de 1990 a 23 de janeiro de 1992. Na época, fez uma campanha baseada no terrorismo e no preconceito, tipo “a aids vai te pegar”, “a aids vai te matar”, que afastava as pessoas. Consequentemente, elas não se sentiam vulneráveis, não se protegiam e a doença disseminou.

A ação desastrada de Alceni foi há mais de 20 anos, quando existia apenas o AZT. Portanto, na fase pré-coquetel antirretroviral.

“O Brasil conseguiu uma boa resposta à aids graças à combinação de ações afirmativas –  como defesa de direitos civis, combate ao preconceito, aumento da autoestima das populações afetadas — com ações de saúde pública — distribuição de preservativos, acesso ao teste de HIV e tratamento com remédios antirretrovirais”, alerta Scheffer. “É o que chamamos de prevenção combinada. Na prevenção em aids,  não podemos  separar direitos humanos de saúde pública. Agora, uma dessas pernas foi quebrada. A epidemia se concentra em algumas populações e o Padilha ficará para a história como o ministro que jogou isso para baixo do tapete, que colocou o falso moralismo acima das evidências científicas. A saúde pública está  pagando um preço muito alto pela ambição pessoal do Ministro em ser candidato a governador.”

 “VIOLAÇÃO DE DIREITOS GERAM MAIS DOENÇAS;MORTES E INFECÇÕES DESNECESSÁRIAS VIRÃO”

Em pouco mais de um ano, é a terceira vez que Padilha censura  material destinado à prevenção de DST/Aids.

A primeira, por determinação do governo, recolheu um kit dirigido a adolescentes. O material abordava temas como homossexualidade, drogas e gravidez. O ministro da Saúde, assim como fez nessa terça-feira, justificou na época que a distribuição tinha sido feita à revelia dele.

A segunda foi no carnaval de 2012. Proibiu a exibição de um vídeo com um casal de jovens gays, produzido para a exibição em TV aberta. Alegou depois que se destinava a circulação restrita.

“É totalmente inaceitável a proibição do Padilha”, diz, chocada, a pesquisadora e professora Vera Paiva, do Núcleo de Pesquisas em Aids da Faculdade de Psicologia da USP. “Fez isso em nome de quê? Valores pessoais? As prostitutas não têm direito à saúde e de serem felizes? Criminalizar como bandidos sem direitos os que não concordam com o seu projeto de felicidade? A decisão dele é injusta. É censura de ações baseadas em rigorosa evidência técnico-científica. ”

“É violação de direitos pelo Estado, inclusive do direito à saúde”, avisa a pesquisadora da USP. “É negligência na promoção e proteção do direito à não discriminação.”

“Padilha não quer prostitutas felizes? Quer o quê? Prostitutas tristes?”, questionou ontem, em Brasília,Elizabeth Franco, da USP, numa reunião de pesquisadores. “Nós queremos putas alegres! Putas tristes só aceitas no título da obra de Gabriel Garcia Márquez!.”

“O exército de crentes e carolas que hoje manda nas grandes decisões nacionais se insurgiu contra a campanha, acionou seus lobistas de plantão e, outra vez, colocou o governo de joelhos”,  atenta o jornalista Leandro Fortes em texto no Facebook, onde também postou a imagem abaixo.  ”Agora, calaram as putas, condenadas a serem tristes por decreto. Feliz mesmo é Feliciano, que logo se apressou a cumprimentar o ministro, no Twitter, por mais essa vitória da moral e dos bons costumes.”

“Só que violação de direitos gera mais doenças”, adverte Vera Paiva. “Mortes e infecções desnecessárias virão, como no caso dos jovens homossexuais.”

SOLIDARIEDADE A DIRCEU GRECO E DEFESA INEQUÍVOCA DOS DIREITOS HUMANOS

Logo após a confirmação da demissão do dr. Dirceu Greco, Toni Reis, secretário de Educação da ABGLT, divulgou esta nota:

“Confirmado: Dirceu Greco, Diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais foi exonerado sumariamente pelo Ministério da Saúde (causa, a felicidade da  prostituta acima)

Todos e todas têm direito de ser feliz no Brasil, inclusive as prostitutas (independente do que elas vendem…).

Nossa mais irrestrita solidariedade ao Dr. Dirceu  Greco e equipe – estamos  consternados  com a notícia.

Felicidade é um direito humano. Quem se  ama  se  cuida.

Plagiando a obra no Caminho com Maiakowski: ’Primeiro foram os gays a serem censurados. Eu não era gay, não reagi.Depois, censuraram as prostitutas. Eu não era prostituta, não reagi. Cercearam os índios. Eu não era índio, não reagi. Até que arrancaram o Estado laico, e já não podemos dizer nada”.

No início desta tarde,  de junho, Dirceu Greco enviou esta mensagem a todos os seus colaboradores:

Esta é para comunicar que fui destituído e rapidamente exonerado pelo secretário de Vigilância em Saúde por ordem do ministro da Saúde, por discordâncias do ministério com a condução da política de direitos humanos e valorização de populações em situação de maior vulnerabilidade, que não coadunava com a política conservadora do  atual governo.

Agradeço o apoio durante minha gestão e a solidariedade neste momento de transição. Volto para Belo Horizonte, para minhas atividades como Professor Titular de Clínica Médica e na Bioética.

Espero continuarmos todos juntos nesta luta, não só para o controle da epidemia, para a qual já existe instrumental técnico, mas principalmente enfrentando as disparidades, combatendo o estigma, a discriminação e a violência, e com defesa inequívoca dos direitos humanos.

Relembro que a política brasileira de enfrentamento das DST, Aids e Hepatites Virais, reconhecida nacional e internacionalmente, é maior que o Departamento e deve ser mantida como política de Estado e não só de governo”.

Com base nos meus 32 anos como repórter especializada em saúde e que acompanhou toda a evolução da aids no Brasil, ouso dizer: se, por nossa infelicidade, a epidemia tivesse surgido neste momento, o Brasil nunca teria se tornado referência mundial na prevenção de HIV/aids.

[Queremos investigar os planos de saúde vagabundos que atuam no Brasil.  Que tal  nos ajudar a financiar esta reportagem?]

Leia também:

Alaerte Martins: A morte materna invisível das mulheres negras

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05 Jun 12:42

Maria Sharapova vence em Roland Garros, Folha de S. Paulo destaca celulite

by Alexandre Haubrich
No último sábado, 1º de junho, o jornal Folha de S. Paulo reproduziu mais uma vez – e alimentou – o discurso da coisificação da mulher. Para falar de uma vitória da tenista Maria Sharapova, destacou “a celulite” da tenista, … Continuar lendo →
05 Jun 12:13

Justiça bloqueia bens de 32 empresas de Edvaldo Fagundes

by Carlos Santos

Edvaldo comanda Grupo Líder

A Justiça Federal do Rio Grande do Norte determinou o bloqueio de bens de 32 empresas e 29 pessoas ligadas ao Grupo Líder na cidade de Mossoró e região. As pessoas físicas e empresas foram incluídas, por decisão judicial, na ação de execução fiscal que tinha como ré originária apenas a empresa Tecidos Líder Indústria e Comércio Ltda.

A decisão foi proferida pela Juíza Federal Emanuela Mendonça Santos Brito, da 8ª Vara Federal, que, atendendo ao pedido formulado pela União (Fazenda Nacional), concluiu que todas as 32 empresas e as 29 pessoas integram um mesmo grupo empresarial, sob a gestão de Edvaldo Fagundes de Albuquerque, real proprietário das empresas alcançadas pela indisponibilidade de bens.

Os bens de todo grupo foram bloqueados até o montante do débito no valor de R$ 212.517.491,77, referente à execução fiscal ajuizada pela União. Na decisão, a Juíza Federal concluiu que, nas 32 empresas, que atuam no ramo de sal, tecido, construção, transportes e locação de veículos; venda de veículos e peças; maricultura; lojas de conveniência e consultoria de gestão empresarial (todos considerados integrantes do Grupo Líder), funcionários e familiares concorrem para que o Grupo Líder se furte ao cumprimento de suas obrigações legais, já que funcionam como proprietários “formais”, “testas de ferro” de Edvaldo Fagundes de Albuquerque.

A magistrada salientou na decisão que os documentos apresentados pela Fazenda Nacional mostram que Edvaldo Fagundes aplicou a estratégia, desde o início das suas atividades na década de 90, de usar os nomes dos seus empregados para constituir empresas que, de fato, são suas.

Destacou, ainda, que, da análise dos autos, observa-se que a Ciemarsal – Comércio, Indústria e Exportação de Sal Ltda., foi criada ainda no ano de 1992, tendo como sócios “formais” Carla Lígia Leite Barra e Manoel Ivonilton de Paiva.

No entanto, esses dois são empregados do Posto Líder Ltda., de propriedade do empresário Edvaldo Fagundes, do qual recebem “parcos salários que justificassem o investimento feito na salina e a movimentação financeira de, por exemplo, R$ 51.749.825,97 no ano de 2004”, conforme destacou a magistrada.

A União apresentou provas, que culminaram com a decisão da Justiça Federal, demonstrando a estratégia do grupo empresarial de constituição formal de diversos CNPJs, vinculados aos mesmos CPFs ou aos CPFs de pessoas interpostas (“laranjas”), onde os valores monetários e bens não permaneceriam nas empresas que fossem “sujas”, isto é, com muitas dívidas com o Fisco e credores em geral, sendo continuamente transferidos para novas pessoas jurídicas, constituídas por familiares e empregados do Edvaldo Fagundes de Albuquerque.

Fraudes

Acolheu-se a tese de que as diversas atividades exercidas sob a unidade gerencial da família FAGUNDES se interrelacionariam, de modo que haveria confusão patrimonial entre os seus bens com a finalidade de sonegação de tributos, prática de concorrência desleal, apropriação indébita previdenciária e fraude à fiscalização ambiental e trabalhista.

Para justificar a indisponibilidade de bens, a decisão enalteceu o abuso de forma e o prejuízo aos credores, salientando que “A jurisprudência pátria entende que, para a responsabilização solidária das empresas integrantes de um grupo econômico, é necessário que esteja presente, além da configuração do grupo econômico, algum outro elemento a exemplo da existência de confusão patrimonial, dissolução irregular, abuso de forma, má-fé com prejuízo a credores, utilização de pessoas interpostas, de modo que sejam evitadas fraudes à execução”, destacou a Juíza Federal na decisão.

Diante das evidências, a magistrada entendeu adequado aplicar ao caso o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que, nas hipóteses de abuso de forma e gestão fraudulenta de empresas integrantes de um grupo econômico, admite a extensão dos efeitos da desconsideração da personalidade jurídica para os sócios e demais sociedades do grupo, sobretudo quando verificada a existência de unidade gerencial.

As empresas que tiveram bens bloqueados foram estas:

CIABRASAL COM E IND DE ALIMENTOS BRASILEIRA S/A;
F. A. VEICULOS, PECAS E AGENCIAMENTO LTDA.;
MOSSORO TRANSPORTES LOCACAO E CONSTRUCAO LTDA.;
COMERCIAL LIDER DE VEÍCULOS E PEÇAS LTDA.;
MOSSORÓ INDÚSTRIA E COMERCIO DE SAL LTDA.;
REALPLAST INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA.;
DMARKET IND E COM DE ARTEFATOS PLASTICOS LTDA.;
LIDERPLASTIC INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. (atual SACOPLAST DO BRASIL LTDA.);
ILHA REFINARIA DE SAL LTDA.; LIDER MARICULTURA E EXPORTAÇÃO LTDA.;
REALPLASTIC INDUSTRIAL LTDA.;
REVENDEDORA DE COMBUSTIVEIS PORTALEGRE LTDA.;
EBS – EMPRESA BRASILEIRA DE SAL LTDA.;
HENRIQUE LAGE SALINEIRA DO NORDESTE S/A;
RAFITEX RAFIA TEXTIL LTDA.;
LÍDER COMÉRCIO E INDÚSTRIA DE ALIMENTOS LTDA.;
NATURALY CONVENIENCIA LTDA. – ME;
DIAMANTE CRISTAL IND E COM DE SAL LTDA. – ME;
EFA GESTÃO DE NEGÓCIOS LTDA.;
WEST IMPORTS E COMERCIO LTDA.;
COMERCIAL DE PRODUTOS DE PETRÓLEO FAGUNDES LTDA.;
POSTO LIDER LTDA.;
CIEMARSAL COM E IND E EXPORTAÇÃO DE SAL LTDA.;
COMERCIAL DE PRODUTOS DE PETRÓLEO LIDER LTDA.;
COMERCIAL DE DERIVADOS DE PETRÓLEO FAGUNDES LTDA.;
LIDER COM DE COMBUSTIVEL E LUBRIFICANTES LTDA.;
REFINASSAL IND DE REFINAÇÃO DE SAL LTDA.;
CBC INDUSTRIA DE TERMOPLASTICOS DA AMAZONIA LTDA.;
PREMOLDS INDUSTRIA & COMERCIO LTDA.;
ESS EMPRESA DE SERVIÇOS SALINEIROS LTDA.;
LOCMAQUIP LOCADORA & CONSTRUTORA LTDA.;
ARROBA SALINEIRA LTDA..

Matéria da Comunicação da Justiça Federal do RN (JFRN).

03 Jun 14:15

EU JÁ FIQUEI DO LADO DAS GRANDES CORPORAÇÕES

by lola aronovich
Não chore sobre o café fervendo derramado

Venho aqui fazer um mea culpa. Eu já fui uma cretina que achava ridículos os processos judiciais milionários que rolam nos EUA. Eu já fui uma babaca que riu dos avisos de “Cuidado: este conteúdo está quente” colocado em vários copos de café nos EUA. Eu pensava: dããã, é óbvio que está quente, dá pra sentir que está quente, não precisa de aviso pra saber que está quente, e se você se queimar é porque você é burro, e se você processar a marca por ter se queimado e ganhar é porque o sistema é ridículo.
Pois é. Euzinha, uma pessoa que sempre foi de esquerda, que sempre fui bastante politizada e crítica, caí no conto do senso comum. E só me dei conta disso outro dia.
Não faço a menor ideia de como cheguei a um post sobre “casos que o McDonald's gostaria que você esquecesse”. Um deles me chamou a atenção: o de uma velhinha de 79 anos que, na década de 90, derramou McCafé no seu colo e, por conta disso, recebeu uma indenização milionária. Eu me lembro. Eu me lembro como todo mundo -– eu inclusa -– chamava aquela senhora de demente, e ria de um sistema que a fez rica por um erro que ela mesma cometeu. 
Assim que li essas linhas, pensei: epa, tem algo de errado aí. O que me faz ficar do lado de uma grande corporação como o McDonald's e contra uma velhinha? Toda a nossa cultura individualista não deveria nos colocar do lado dos fracos e oprimidos? E aquela história de Davi e Golias que inspira tanta gente? Ela não se aplica quando se trata do McDonald's contra uma velhinha?  
Decidi começar a pesquisar um pouquinho e cheguei a um documentário de 2011 sobre o caso, chamado Hot Coffee (Café Quente). Eis o que aconteceu de fato: a velhinha não estava dirigindo quando tentou abrir o copo de café, e a tampa se rompeu e o líquido foi derramado em suas pernas. Ela estava parada num drive in. O café não estava apenas quente -– estava pelando, escaldante, impróprio para consumo (imagine tomar água recém fervida. Era nessa temperatura que o McCafé era servido). A velhinha não tomou apenas um susto quando o café escaldante caiu em cima dela. Ela teve queimaduras de terceiro grau. Precisou de enxertos de pele.
Ela decidiu contatar o McDonald's, que ofereceu a ela 800 dólares para cobrir despesas médicas que já ultrapassavam 10 mil. Ultrajada, ela entrou com um processo. E descobriu que já havia 700 casos de consumidores que tinham tido problemas com a temperatura do McCafé. Ela ganhou a ação, quase 3 milhões de dólares (você acha muito? É apenas o lucro de dois dias do McCoffee). A empresa recorreu, e a velhinha acabou recebendo bem menos (não sabemos quanto, porque ela é proibida de falar no assunto. Já a corporação pode falar à vontade). 
Ainda assim, seu caso foi usado como propaganda corporativa de ações absurdas contra as pobres empresas. Quando a velhinha morreu, em 2004, ela ainda era ridicularizada por gente que comprou a versão do McDonald's -– de que consumidores são muito frescos e sensíveis e processam empresas maravilhosas por qualquer coisinha.
Repito a minha pergunta: que ideologia faz com que a gente defenda as corporações e condene os indivíduos que porventura processem essas corporações?
O documentário mostra como o governo Reagan na década de 80 se posicionou oficialmente contra os processos judiciais. Um discurso do presidente na época ficou bastante famoso. Nele, Reagan condena a loucura da “indústria dos processos”. Ele cita o exemplo de um homem, na Califórnia, que estava falando numa cabine telefônica na calçada (não existia celular) quando a cabine foi atingida por um carro. O homem processou... a companhia telefônica, diz Reagan, injuriado. 
O que Reagan não conta é que a cabine estava localizada num lugar em que os acidentes eram constantes. Consumidores já haviam pedido para que ela fosse mudada de lugar. O homem, que perdeu as duas pernas na tragédia, viu o carro se aproximar e tentou sair da cabine, mas não conseguiu, porque a porta estava quebrada. Quebrada por causa do acidente que tinha ocorrido pouco tempo atrás.
Reagan tentou de tudo para proteger as indústrias de processos. A propaganda maciça, feita obviamente pelas empresas (disfarçadas de órgãos de consumidores), espalhava que os processos eram tantos, tão ridículos e tão caros, que estavam brecando a economia e aumentando o preço final dos produtos. Comerciais exibiam médicos alertando que teriam de parar de ser médicos por causa dos possíveis processos contra eles. O caso da velhinha contra o McDonald's foi uma das principais armas publicitárias. Quando o congresso aprovou um limite para as ações e seus valores, o presidente Clinton vetou. Disse que uma lei dessas não seria boa pros consumidores.
No entanto, com a eleição de George W. Bush, as corporações fizeram a festa. Bush, que já tinha favorecido as empresas quando governador do Texas, estendeu suas boas ações para todo o país. Ele -– que havia tido sua campanha patrocinada por essas mesmas empresas –- conseguiu não só instituir limites para as indenizações, como também tirou qualquer regulamentação que impedisse as empresas de financiar seus candidatos preferidos, incluindo os candidatos a juízes da Suprema Corte. Foi uma beleza. A US Chamber of Commerce realizou todo um planejamento dos juízes mais amigáveis a empresas que desejava eleger em cada condado. 
Aliás, no que você pensa quando ouve Câmara de Comércio dos EUA? Eu penso num órgão governamental. Mas não é. É uma organização privada, o maior lobby americano das grandes corporações, que abarca as gigantescas indústrias tabagistas, de bebidas, de saúde... O documentário mostra a campanha imensa que a Câmara fez contra um juiz (John Grisham escreveu o romance The Appeal baseado nessa história).
Ao mesmo tempo, as corporações começaram um outro grande negócio: uma tal de “arbitração mandatória”. Significa que você abre mão dos seus direitos de processar a empresa. Funciona assim: você recebe um telefone celular, um cartão de crédito. Pouco tempo depois, chega pelo correio uma mala direta com um monte de papelada, daquelas que ninguém lê. No meio dessa papelada encontra-se, em letras miúdas e em juridiquês, uma cláusula dizendo que, se você continuar usando o cartão, está subentendido que você aceitou as normas, e uma dessas normas é que você não pode processar a empresa. 
Isso vale para contratos trabalhistas também. Calcula-se que hoje nos EUA 30% da população tenha um desses contratos arbitrários, sem saber. Ou seja, há mais americanos que abriram mão de seus direitos trabalhistas do que americanos filiados a sindicatos. É o sonho capitalista se concretizando!
Um caso chocante é o de uma jovem que foi trabalhar no Iraque contratada pela empresa Halliburton (que tem lucrado os tubos para “reconstruir” o Iraque destruído pelos americanos). Sem saber, ela assinou um contrato que a impedia de processar a empresa. Chegando no Iraque, foi colocada num alojamento masculino. Como estava sofrendo assédio, pediu para ser transferida para o setor feminino, mas não foi atendida. Foi então drogada e estuprada por um colega. Levou quatro anos para poder levar seu caso a julgamento (e, quando finalmente conseguiu, perdeu. O júri acreditou na versão da empresa de que o sexo havia sido consensual). 
No final, o documentário entrevista advogados e professores que defendem direitos dos consumidores e dizem que os processos, ou a ameaça dos processos, são a razão pela qual os carros e brinquedos são minimamente seguros. Porque, se dependesse apenas da boa vontade corporativa, as empresas –- que lutam para não ter que arcar com suas responsabilidades -– não moveriam nem um dedinho. 
Segundo um especialista, processar é difícil, exige tempo, disposição e dinheiro. Exige que você conheça os seus direitos e que você tenha acesso a advogados. Por isso, deve ser visto como um ato heroico, não como um incômodo para a justiça e para as empresas. Até porque quando você ganha um processo, você não ganha só pra você. Ganha pras outras pessoas também. 
Ai, ai... Pensar que eu já acreditei nas mentiras corporativas e fiquei contra uma velhinha! E você?
02 Jun 13:25

‘Me gustaría que Egipto desapareciera, pero el gobierno no va a poder’

by Jordi Pérez Colomé

Nasr City (Cairo), Egipto

Osama es un estudiante en español de Al Azhar, la universidad religosa más importante del mundo árabe y una de las más grandes de Egipto. Un profesor de español de Osama, Ali Menufi, me pone en contacto con él y otros para que vea cómo son jóvenes egipcios de origen religioso. Todos estudian español y unos lo hablan mejor que otros.

Cuando llego a la cita en la terraza de un café, me hacen sentar en una mesa y me preparan el escenario:

escenario

Esta es una parte del grupo en plena discusión. Osama es el segundo por la izquierda:

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El Corán, de memoria

Todos estos jóvenes se han aprendido el Corán de memoria a lo largo de sus vidas. Pero de los diez, solo dos lo recuerdan aún, uno es Osama; los demás lo han olvidado. Al Azhar no es solo una universidad, es una institución educativa que tiene colegios. De pequeños, además de memorizar el Corán, estudian 18 asignaturas: las que estudian los demás niños más un montón de religiosas.

Ninguno está muy contento con su educación: “Mis hijos no irán a Al Azhar”, dice uno. “Aprendemos sin comprender”, dice otro, Kheltagy (en la foto pone cuernos a Osama; en el centro el profesor Ali Menufi). “Sería mejor que nos enseñaran solo una parte del Corán y la entendiéramos bien”. En la universidad siguen así. Aparte de las asignaturas de español, y de seguir con la memorización del Corán, tienen un montón de materias religiosas: biografía del profeta, exégesis del Corán, hechos del profeta.

kheltagy

La Universidad de Al Azhar cuesta solo 80 libras al año (menos de 10 euros). Pero la educación no es buena: “Quiero hablar de la corrupción en la universidad”, dice uno. No tienen ningún profesor nativo español y pocos hablan bien la lengua.

Les indigna por ejemplo un profesor que llega a clase y les hace traducir páginas y páginas, o memorizar novelas del Siglo de Oro en un español que nadie usa o, lo mejor, escribe algo en español con la derecha y con la mano izquierda lo va borrando para que no quede constancia de que no sabe ortografía.


Viva la revolución y el futuro

Cuando les pregunto si estuvieron en la revuelta de 2011, todos dicen que sí: “Nuestros padres en casa nos decían: ‘El país no aguanta más, tranquilos’. Pero nosotros seguíamos”, dice Kheltagy. Algunos creen que sus padres no entienden el futuro y la democracia en la que debe convertirse algún día Egipto. “Hace poco estuve en Alemania, allí todo el mundo tiene su opinión y se respeta, hay que respetarla. A mí de pequeño me decían: ‘No juegues con ese niño, que es cristiano’. No debe ser así”, dice Ibrahim.

Hablan de Bassem Youssef, el famoso presentador que critica a los Hermanos. Todos lo ven, pero no todos están de acuerdo. Es el primer momento en que veo que hay bastantes simpatizantes del gobierno: “Youssef coge solo fragmentos, no discursos enteros, los saca de contexto”, dice Osama, que es uno de los más favorables a los Hermanos. “Solo son bocas con dinero”, dice. Acusa a los presentadores millonarios de decir lo que quiere quien les paga, de ganar demasiado y de no pagar impuestos.

La batalla entre estos jóvenes de orígenes humildes contra las elites ricas y más seculares aparece cuando hablamos de los salarios. El islam para ellos no es solo religión, es justicia social, igualdad, caridad. La Constitución refleja estos puntos cercanos al socialismo. “Hay muchos más periódicos de las oposición que de los Hermanos”, dice uno.

La charla empieza a hacerse política. “Morsi solo promete, promete, promete, luego no hace nada”, dice un opositor. Pero Kheltagy, pro Morsi, responde: “¡No ha tenido tiempo!” Me mira a mí: “Llevamos un año y no paran de hacer manifestaciones en contra, de protestar, no colaboran”. Le pregunto si los Hermanos han pedido colaboración: “Sí, claro, pero la oposición solo quiere el sillón de presidente. ¡Nada más!”

La acusación es mutua. Cuando hablo con liberales, el gobierno no ha extendido la mano. Cuando hablo con islamistas, la oposición no ha acudido a sus llamadas. El sentido de Estado no abunda.

El debate político que se forma entre todos es acalorado pero razonable, pero suelen repetir argumentos comunes: “Los jueces son aún todos del antiguo régimen”, “el primer ministro es malo” [es un modo de echar la culpa a Hisham Qandil, que no es un Hermano, pero que está en el cargo porque Morsi quiere], “los Hermanos Musulmanes son en el fondo una mala influencia para Morsi” [es un modo de defender al presidente, que en el fondo sería bueno, de presuntos poderes en la sombra], “la culpa es de los egipcios, el gobierno pone una papelera y siguen tirando el papel fuera” [los ciudadanos no estarían preparados para tantos derechos y obligaciones de golpe].


El islamismo político está por definir

El lío más grande es cuando hablan de qué papel debe tener el islam en una sociedad democrática. El debate en Egipto está por resolver. Es un juego de equilibrios y contradicciones.

Ibrahim dice: “El islam no es una barba, no es una chilaba, nadie representa al islam”, que sería un asunto privado entre el creyente y Dios. Pero luego el mismo Ibrahim está satisfecho de que “yo creo que es por primera vez que en el mundo árabe hay un presidente con barba [islamista]“. Ibrahim no votó por Morsi en las dos vueltas de las presidenciales, con lo que no es un seguidor de los Hermanos. Cree que el papel del islam no está en el palacio presidencial o en el Parlamento, pero lo acepta y no puede evitar estar orgulloso del experimento.

La aparete prueba de su sinceridad es esta parábola que me cuenta: un farmacéutico fue a preguntar a un imán por dónde exactamente debía acabar la túnica cuando iba a rezar -es por encima del tobillo. El imán le contestó: “Tú preocúpate de lograr buenos remedios en la farmacia y olvida estos asuntos menores”.

Cuenta también esta presunta historia sobre el primer ministro turco, Erdogan (aunque hoy no es el mejor día para hablar de él): en su primera campaña electoral, le preguntaron qué iba a hacer: “Voy a aplicar el islam”, respondió Erdogan. ¿Cómo? “Pues voy a construir buenos hospitales, buenas carreteras, buena educación”. Eso sería aplicar el islam en política: hacer bien lo que es necesario. Las cuestiones privadas -qué velo llevar, qué música escuchar, beber o fumar- serían problemas individuales.

No es tan fácil. Hay cuestiones que afectan a todos. La mayoría no aceptaría una ley de libertad de expresión similar a la de Occidente: “No aceptaremos que nadie se ría de la religión”, dice Kheltagy. O Ibrahim se enfada cuando pregunto por ejemplo por los derechos de los gays: “¿Por qué has puesto precisamente ese ejemplo!” Como me dijo un escritor liberal: “En Egipto no puedes estar a favor de los derechos de los gays”.

Después de las líneas rojas, vienen las teorías locas, como la del titular. Osama cree en el califato, según dice: todos los musulmanes deberían vivir bajo una sola entidad política. ¿Entonces debería desparecer Egipto?, pregunto. Osama me dice que sí: “Me gustaría que Egipto desapareciera, pero el gobierno no va a poder”.

El mismo Osama me había dicho antes que Egipto prosperará si nadie se mete en su soberanía. Se refiere a Estados Unidos. Pero yo le pregunto por los países árabes -Catar, Arabia Saudí-, que ayudan al gobierno. Me dice que tampoco. ¿Pero no quieres que los musulmanes estén unidos? “Es que no podrá ser”, dice, no sé si con mucha tristeza.

Osama vuelve a caer en contradicciones cuando le pregunto por la ópera y el ballet, aparentemente anti islámicos: “No creo que deban desaparecer porque forman parte de nuestra tradición, de la cultura egipcia”. Si solo le importara el islam, la tradición nacional egipcia no debería servir. Su confusión es notable.

Cuando acabamos, ya más en confianza, Kheltagy le hace una broma que le habrán hecho mil veces: “¡Es Osama bin Laden!”, le llama delante mío. Y Osama, no sé si en broma: “Me parece un héroe, luchó contra los rusos y los americanos”. Le digo que la diferencia es la matanza indiscriminada de civiles. Y él: “Sí, pero por qué Rusia [la URSS entonces] invadió Afganistán, por qué Estados Unidos invadió Irak”. Son otras preguntas, pero que hacen pervivir la leyenda de la resistencia en el mundo árabe.

Otro me saca el tema de Siria: “No es una guerra entre musulmanes, sino entre Rusia y Estados Unidos”. Le digo que no hay ni un soldado ni un arma americana en Siria. “Sí, pero hay dinero, mucho dinero”, y vuelve a sacar relicarios: “Abu Ghraib, los drones”. Estados Unidos tiene difícil cambiar estas percepciones. Las teorías conspirativas -si algo va mal es por culpa de alguien oculto- son constantes.

Pregunto a Osama por qué no va a luchar en Siria: “Tengo cosas más importantes que hacer en Egipto, educación, trabajo, si no las tuviera, iría”, dice. Estos jóvenes llenos de ambigüedades y dudas son el futuro de Egipto. Es imposible saber qué país construirán porque ni ellos mismos saben qué quieren. Los puntos positivos que más apoyo tienen son la tolerancia por las opiniones ajenas y la alternancia en el poder. Veremos llegado el momento.

Aunque entre tanto lío, queda la esperanza del pragmatismo: “Yo me preocupo de mi religión, pero no quiero perder mi juventud”, dice Osama: “Me gustan las chicas y Pitbull”, que es este rapero cubano-americano bastante poco islámico:

Pinche aquí para ver el vídeo

flattr this!

02 Jun 13:04

Novos estudos sobre a maconha que os conservadores escondem de você

by Cynara Menezes

(Camarões de maconha que a cantora Rihanna postou no Instagram outro dia)

Quando se trata de maconha, tudo que a mídia e os políticos conservadores mostram são estudos científicos contrários a seu uso. O uso terapêutico da cannabis, então, é totalmente ignorado no Brasil, enquanto em outros países, como os EUA, já teve eficácia comprovada e foi liberado.

Mas você sabia que existem vários estudos recentes positivos sobre a maconha? É todo um mundo de informações novas, científicas, que simplesmente não chega ao cidadão para que ele possa se informar corretamente –além de deixar milhares de pessoas enfermas sem a possibilidade de acesso a terapias mais eficazes fora dos remédios convencionais, que rendem fortunas aos grandes laboratórios. Não será, aliás, por isso mesmo?

***

Por Paul Armentano, do AlterNet (os links para os estudos estão destacados no texto):

–Usuários frequentes de cannabis não têm maior chance de adquirir câncer do que fumantes ocasionais de maconha ou não-fumantes

De acordo com dados apresentados em abril durante o encontro anual da Academia Americana para a Pesquisa do Câncer, quem fuma maconha regularmente não possui maiores chances de ter câncer do que quem fuma de vez em quando ou não fuma. Pesquisadores da Universidade da Califórnia analisaram mais de 5 mil pessoas em todo o mundo entre 1999 e 2012 e confirmam: “Nossos resultados não mostram uma associação significativa entre intensidade, duração e consumo cumulativo de maconha e o risco de câncer”.

Outros estudos já haviam falhado em associar a cannabis ao câncer de cabeça e pescoço ou ao câncer do aparelho digestivo superior. No entanto, o DEA (organismo que controla as drogas nos EUA) continua a dizer que “fumar maconha aumenta o risco de câncer da cabeça, pescoço, pulmões e aparelho respiratório”.

–Uso frequente de cannabis é associado à redução dos fatores de risco para o diabetes tipo 2

A maconha terá algum dia um papel importante em evitar a crescente epidemia de diabetes tipo 2? Novos estudos indicam que é possível. De acordo com dados publicados este mês pelo American Journal of Medicine, pessoas que consomem cannabis regularmente possuem indicadores favoráveis relacionados ao controle do diabetes comparados a usuários ocasionais ou não usuários. Pesquisadores do Beth Israel Deaconess Medical Centre, em Boston, perguntaram a 5 mil adultos diabéticos se eles fumavam ou haviam fumado maconha alguma vez. Os que usavam regularmente tiveram níveis de insulina 16% mais baixos em jejum e resistência menor à insulina comparados aos que nunca tinham usado. Já os não usuários possuíam maior gordura abdominal e menor nível de colesterol “bom” (HDL) – ambos são fatores de risco para o diabetes tipo 2.

Benefícios similares foram reportados em usuários eventuais, apesar de serem menos importantes, “sugerindo que o impacto do uso da maconha sobre a insulina e a resistência à insulina existe durante períodos de uso recente”.

As novas descobertas confirmam os estudos de 2012 de uma equipe de pesquisadores da UCLA, publicados no British Medical Journal, segundo o qual adultos com histórico de uso de maconha são menos afetados pelo diabetes do tipo 2 e possuem um menor risco de contrair a a doença do que aqueles que nunca fumaram, mesmo após os pesquisadores ajustarem as variáveis sociais (etnia, nível de atividade física etc.). Conclui o estudo: “(Esta) análise de adultos entre 20-59 anos… mostrou que os participantes que usaram maconha foram menos afetados pela DM (Diabetes Mellitus) e por problemas associados à DM do que não usuários”.

O diabetes é a terceira causa de morte nos EUA após doenças do coração e câncer (no Brasil, o diabetes mata mais do que a Aids e os acidentes de trânsito).

–Fumar maconha reduz dramaticamente os sintomas da doença de Crohn

Fumar maconha duas vezes ao dia reduz significativamente os sintomas da doença de Crohn, uma doença crônica inflamatória intestinal que atinge cerca de meio milhão de americanos (atualmente está se investigando o número de portadores no Brasil). É o que diz o primeiro estudo já feito relacionando o uso de cannabis à doença, publicado online este mês na revista científica Clinical Gastroenterology and Hepatology.

Pesquisadores do Departamento de Gastroenterologia e Hepatologia do Meir Medical Center, em Israel, asseguraram a eficácia de fumar cannabis versus placebo em 21 pacientes com a doença de Crohn que não respondiam ao tratamento convencional. Onze participantes fumaram baseados contendo 23% de THC e 0,5% de canabidiol –um canabinóide não-psicotrópico conhecido por suas propriedades anti-inflamatórias– duas vezes ao dia durante oito semanas. Os outros dez fumaram cigarros contendo placebo.

Os pesquisadores dizem que “os estudos mostraram que o tratamento de 8 semanas com a cannabis contendo THC enriquecido foi associada a um significativo decréscimo de 100 pontos no CDAI (Índice de Atividade da Doença de Crohn)”. Cinco dos 11 pacientes no grupo estudado reportaram remissão da doença (definida como uma redução no escore CDAI do paciente em mais de 150 pontos). Participantes que fumaram maconha reportaram diminuição da dor, aumento do apetite e melhor sono comparado aos demais. “Nenhum efeito colateral significativo” associado ao uso da cannabis foi reportado.

Os resultados clínicos dão razão a décadas de relatos pessoais de pacientes de Crohn sobre usar cannabis para aplacar os sintomas da doença.

–Maconha sintética detém infecção por HIV em células brancas

A administração de THC vem sendo associada à queda na mortalidade e à desaceleração da progressão da doença em macacos com o vírus da imunodeficiência símia, uma espécie primata do HIV. Canabinóides poderiam ter efeito similar em humanos? As descobertas de um estudo recente indicam que a resposta pode ser “sim” e que a substância parece ter ação no combate à doença.

Na edição de maio do Journal of Leukocyte Biology, pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade Temple, na Filadélfia, informaram que a administração de canabinóides sintéticos limitam a infecção por HIV em macrófagos (células brancas do sangue que ajudam na imunidade do corpo). Pesquisadores asseguraram o impacto de três tipos de maconha sintética disponíveis no mercado (componentes não-orgânicos que agem sobre o cérebro da mesma forma que a planta) em células macrófagas infectadas pelo HIV. Depois, os pesquisadores colheram amostras das células periodicamente para medir a atividade da enzima chamada transcriptase, que é essencial para a replicação do HIV. No sétimo dia, a equipe descobriu que os três compostos tiveram sucesso em atenuar a replicação do HIV.

“Os resultados sugerem que o CB2 (receptor canabinóide) poderia ser potencialmente utilizado, em associação com drogas retrovirais existentes, abrindo a porta para a geração de novas terapias para o HIV/Aids”, resumiram os pesquisadores em um comunicado à imprensa da Temple. “Os dados também confirmam a ideia de que o sistema imunológico humano poderia ser fortalecido para combater o HIV”. (Em português meio cifrado aqui.)

–Canabinóides oferecem um tratamento eficaz na terapia para o TEPT (Transtorno de Estresse Pós-Traumático)

O estresse pós-traumático atinge cerca de 8 milhões de norte-americanos anualmente (com tantas guerras, pudera) e tratamentos eficazes para a síndrome são ainda raros ou desconhecidos. Mas uma pesquisa publicada em maio pela revista Molecular Psychiatry indica que os canabinóides possuem potencial para tratar o transtorno com sucesso.

Pesquisadores da New York School of Medicine informaram que pessoas diagnosticadas com TEPT possuem elevadas quantidades de receptores endógenos de canabinóides em regiões do cérebro associadas ao medo e à ansiedade. Além disso, os cientistas disseram que estas pessoas sofrem de uma produção reduzida de anandamida, um canabinóide endógeno neurotransmissor, resultando em um sistema endocanabinóide desequilibrado. (O sistema receptor de canabinóide endógeno é um sistema regulatório presente em organismos vivos com o propósito de promover homeostase ou estabilidade).

Os autores especularam que aumentar a produção de canabinóides no corpo poderia restaurar a química natural do cérebro e seu equilíbrio psicológico. Eles afirmam: “Nossas descobertas indicam (…) existir evidências de que canabinóides oriundos de plantas como a maconha podem causar benefícios em indivíduos com TEPT, ajudando a acabar com os pesadelos e outros sintomas.”

Infelizmente, em 2011, o governo norte-americano impediu que os pesquisadores da Universidade do Arizona, em Phoenix, conduzissem um teste clínico para avaliar o uso da cannabis em 50 pacientes com TEPT.

31 May 14:03

GUEST POST: MINHA CERTIDÃO DE NASCIMENTO COMO SER HUMANO

by lola aronovich

Em Porto Alegre, dezenas de pessoas acamparam durante um mês e meio para impedir que pelo menos 115 árvores (que o jornal Zero Hora chama de vegetais) fossem derrubadas para a duplicação de uma via, uma das obras da Copa 2014. Na madrugada de quarta, duzentos policiais retiraram, com violência, esses manifestantes. 
Um deles, o psicólogo Samuel Eggers, me escreveu: "tu e teu blog são importantes na minha caminhada. Tenho a sorte de ser amigo e conviver com muitxs amigxs feministas, principalmente mulheres lindas por serem de luta, que volta e meia postam teus textos no facebook e me deram a oportunidade de aprender com as tuas lutas. 
"Pra mim, esse texto em anexo é tão teu quanto meu. Salvo eventuais machismos meus, é um texto tão ecológico e libertário quanto feminista, porque estamos todxs lutando em nome da mesma causa. E é em nome dessa causa em comum que te peço que o publique".
Este é um guest post que foge um pouco do estilo do blog, mas é importante porque narra o despertar de um ativista. Quero que todxs sejamos, cada qual a seu modo, ativistas.
Considerando a quantidade de omissões e mentiras descaradas que estão sendo divulgadas na grande mídia de Porto Alegre, decidi escrever meu relato a respeito dos acontecimentos da madrugada de quarta no gramado ao lado do prédio da Câmara de Vereadores, de onde o acampamento Ocupa Árvores e seus habitantes foram desalojados a pauladas pela Brigada Militar. 
Penso que sou capacitado pra falar sobre este assunto, porque eu fui um dos algemados. E por isso, descreverei os fatos da maneira mais direta, e talvez crua, que eu consigo imaginar.
Primeiro, eu não sei porque serei indiciado por “desacato ou desobediência à ordem policial”, e não sei porque o Zero Hora, maior jornal do Rio Grande do Sul, dá a entender na reportagem em seu site que apenas os manifestantes que resistiram à retirada das barracas foram algemados. Nosso crime, se realmente existe algum, foi termos montado nossas barracas em uma área de grande interesse para a especulação imobiliária e para as grandes empreiteiras, e nossa resistência talvez tenha sido nossa cara de sono e espanto.
Fomos acordados à pauladas e gritos para que nos deitássemos no chão e calássemos a boca, enquanto os policiais presentes se certificavam de que todos nós estávamos algemados. Também não entendo que tipo de resistência nós, os vinte e sete prisioneiros, sem treinamento ou equipamento militar, poderíamos oferecer contra todo o contingente policial que foi deslocado para nos conter. E não precisa acreditar em mim, basta olhar na notícia da Zero Hora as fotos e os batalhões envolvidos – 200 soldados da Brigada Militar, do Batalhão de Operações Especiais (BOE) e do Grupo de Ações Táticas Especiais (GATE), sem contar a polícia montada, que também estava lá.
Devemos ser um grupo bastante perigoso para justificar não apenas todo esse exército contra nós, como também o profundo desprezo e humilhação com que fomos tratados pelos soldados da operação. Fomos arrancados de nossas barracas, jogados no chão, algemados e, quando abríamos a boca para pedir qualquer coisa, não importasse com quanta cordialidade o fizéssemos, ou nos mandavam calar a matraca, ou sofríamos algum tipo de agressão. Talvez por ser homem, branco e aparentemente de classe média, eu tive tratamento VIP, e só tomei uns puxões pelas algemas, uns empurrões e muita cara feia, nada que valesse um exame de corpo-delito. Porém, aposto que não posso dizer o mesmo dos companheiros que são negros, moram na rua ou "parecem" ser pobres. E mesmo assim, apesar de terem pegado leve comigo, nunca me senti tão humilhado em toda minha vida.
Depois de termos sido empilhados em um camburão improvisado e levados para a 9ª Delegacia de Polícia, ao lado do Mercado Público, fomos submetidos a um chá de cadeira de algumas horas -– só que algemados, em pé e de cara contra a parede. Quem tentasse telefonar para algum familiar para avisar que estava preso tinha seu celular confiscado, quem tentasse registrar a cena com algum aparelho fotográfico era intimidado, e quem quer que falasse um ai tomava um empurrão. A mensagem que os soldados nos passavam era clara: obedeçam, ou vão apanhar. Às vezes, essa mensagem vinha de maneira clara, e em outras, sob um verniz de educação: “tô te pedindo numa boa”, “por gentileza”.
Por algum motivo que desconheço, fui premiado com uma revista completa por dois brigadianos homens, que me levaram, sozinho, para um banheiro ali no canto. Eu, muito ingênuo, perguntei se eu iria apanhar. Um dos policiais riu da minha cara, dizendo “olha as idéias que vocês tem, agora tira a calça.” Antes de me mandar baixar a cueca, ele me perguntou se eu tinha alguma droga comigo. E, enquanto eu passava por esse pente fino, tentava estabelecer um diálogo, saber por que diabos estava ali, qual era meu crime. Contudo, a conversa acabava rápido, por que tudo o que tinham para me dizer era “por que tu foi desobedecer as ordens por causa de umas árvores?” Voltei, então, para a sala de espera, novamente algemado, até que algum oficial tivesse a boa vontade de mandar retirá-las.
Após termos todos sidos fichados, passamos por uma última humilhação: recolher nossas coisas, jogadas de qualquer jeito e quebradas na caçamba de um caminhão. Mais uma vez, eu não tive problemas, pois tinha levado apenas uma mochila com alguns livros, e o maior risco que eu corria era de ir trabalhar sem um pé da meia. Para outros camaradas meus, que trabalham com artesanato, não são classe média ou que moram na rua, a perda foi muito maior – perderam suas poucas e preciosas roupas, seu sustento, seu lar. 
Fico imaginando que muita gente que vai ler esse meu texto vai pular direto para os comentários pra me chamar de vagabundo, dizer que eu tinha mais é que apanhar por não trabalhar e obedecer a lei, que mendigo é tudo drogado ou lixo humano e que é melhor eu calar o bico e tocar minha vida, parar de me meter onde não sou chamado. 
Pra essas pessoas, que provavelmente acham a frase “direitos humanos para humanos direitos” o máximo, posso apenas dizer: ainda bem que nada disso aconteceu com vocês. Ainda bem que quando um policial chega perto, vocês não sintam o sangue gelar, e ainda bem que vocês não sabem o que é perder tudo que você chama de vida assim, de uma hora para a outra, por puro capricho de um governante qualquer. 
Esta madrugada, acampamos no largo do Gasômetro para impedir que árvores fossem cortadas, mas nossa luta não é só isso. Eu não milito em causa própria, por glórias, atenção, dinheiro ou cargos. Eu luto porque quero viver em um mundo onde ninguém –- nem vocês, nem os moradores de rua, nem os soldados da Brigada –- precise passar por privação. Esta luta também é sua e estamos do mesmo lado. Só que você ainda não percebeu, porque não entende que a liberdade de um é a liberdade de todos.
Por fim, este dia nasceu triste e opressivo, mas também é um dia de alegria, pois sinto que hoje tive meu batismo de fogo. Quando fui algemado, eu era apenas um menino idealista, mas quem saiu da delegacia foi um ser humano. Entrei para o grupo de pessoas que foram presas porque ousaram desafiar a tirania e combater a injustiça. Finalmente, sinto-me um igual, não apenas diante de homens e mulheres como Gandhi, Emma Goldman e Thoreau, mas também daqueles camaradas que há muito tempo gritavam para que eu me somasse à luta. 
Se queriam me assustar com ameaças, e fazer com que eu me recolhesse para dentro do meu mundo, fracassaram, pois hoje descobri que não quero viver numa “democracia” em que eu tenha que me calar e seguir as ordens dos meus superiores. Jurei que farei tudo que estiver ao meu alcance para tornar o mundo onde eu quero que meus filhos cresçam. Guardarei um lugar aqui pra ti, no dia em que perceberes o mesmo, e seguirei lutando enquanto você não acorda.

Enquanto eu, Lola, estava editando este post, chegou um email de uma leitora: 
"Aqui estão acontecendo diversas manifestações em função do corte de árvores feito pela prefeitura para duplicar avenidas em nome da Copa e pela forma ilegal e covarde que nós fomos retirados do nosso acampamento Ocupa Árvores e presos pela Brigada Militar. No protesto, ouvi o seguinte diálogo entre duas mulheres que assistiam à marcha pela cidade: 'Mas contra o que eles estão protestando?'
'Dizem que é por causa do corte das árvores, mas eles parecem transtornados de ódio. É grito de ódio contra a polícia, o capital, o governo, a mídia, até contra quem tá parado olhando. Às vezes parece que é só raiva reprimida'.
Percebi que quando eu protesto eu realmente sou movida por ódios -- exatamente todos os ódios que ela citou, e ainda alguns outros. E admito que já cometi atos 'impensados' em momentos de grande raiva. Confesso também que estou, cada vez mais, de saco cheio desse mimimi de manifestação pacífica. 
Essa situação das árvores foi a gota d'água: fomos 100% pacíficxs nos protestos que imploravam pra Prefeitura desistir de cortar as árvores, e cortaram. Mas no início do ano, quando protestamos para baixar o preço da passagem de ônibus, a prefeitura baixou depois que os protestos deixaram de ser pacíficos!
Enfim, pacífico é passivo? Esse ódio é certo? Aliás, o que move um protesto se não for o ódio? Por que algumas pessoas ativistas são tão resistentes quanto à violência? Essa resistência não caracteriza medo? O medo não deveria ser algo contrário ao protesto?"

31 May 13:49

‘Yo creía que los Hermanos Musulmanes eran el mal, pero ahora veo que también son incompetentes’

by Jordi Pérez Colomé

Había quedado martes por la noche con unos periodistas españoles en Cairo. Al mediodía, me enviaron un mensaje: “Vamos a ir a la ópera a ver Aida. Solo puedes entrar bien vestido”. Iba con un polo; tuve que ponerme una camisa. La entrada cuesta solo 5 euros, pero hay que ir con corbata. En la taquilla, por suerte, las prestan.

Cuando llegué había una noticia: “No va a haber representación. La compañía está en huelga en protesta porque el ministro ha cesado a la directora. Van a levantar el telón, leer un comunicado y adiós”. Así fue (con subtítulos en inglés):

Pinche aquí para ver el vídeo

La compañía tiene tres bailarines españoles (en la foto), que nos contaron qué sucedía.

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En los últimos meses habían recibido señales. En abril de 2012 bailaron el Bolero de Béjart. Al final la directora ahora cesada, Ines Abdel-Dayem, dijo a la directora del ballet, la italiana Erminia Gambarelli, que alguien del público se había quejado: “Es demasiado”, se refería a los movimientos. Erminia duda que fuera solo “alguien del público”.

La bailarina principal era una de las españolas. Cuando salió del escenario, Erminia le advirtió: “Por ahora puedes olvidarte del Bolero”. A partir del minuto 7 de esta representación del Bolero puede verse quizá los movimientos que quizá molestan:

Pinche aquí para ver el vídeo

No fue la única señal. El ballet iba a ir de gira por Alemania. Hicieron una representación previa al viaje. Entre el público había miembros del gobierno y les pareció que algunos fragmentos del repertorio eran demasiado sensuales. Tuvieron que eliminarlos. En otro espectáculo, donde la bailarina iba con pantalones y un top, la directora les pidió que taparan esa barriga. O una petición más general: los tutús debían ser más largos. La compañía tenía algo claro: el asunto se complicaba.

El ballet, para intentar sobrevivir, cumplía con estos pequeños requisitos: la programación 2012-13 no iba a tener repertorio contemporáneo, más fogoso. Pero aún así, el nuevo ministro de Cultura, Alaa Abdel-Aziz, que ya ha cesado a otros dos directores generales, de la agencia del libro y del departamento de bellas artes, acabó el martes con Ines Abdel-Dayem.

Por su lado, en la Shura -la única cámara legislativa que queda- un diputado salafista pidió que cerraran el ballet y punto. De momento, nadie ha llegado ahí ni está claro qué ocurrirá. Pero Gambarelli teme lo peor: “Los Hermanos son así de tortuosos, no hacen nada de cara”.

El ministro de Cultura dijo al llegar al cargo que trata de reformar la cultura de los años de corrupción bajo Mubarak: “El discurso de ‘islamización de la cultura’ es una expresión rara. La mayoría de egipcios practica el islam” y criticó el “monopolio” de las bellas artes de algunos intelectuales.

El gobierno de los Hermanos -Abdel-Aziz no es miembro del grupo- parece creer que si “los egipcios practican el islam” van a estar de acuerdo con ellos en todo. Puede ser. La amenaza al ballet y a la ópera no es ningún notición. El islam político no financiará con alegría a mujeres en mallas -”bailan desnudas”, dicen- rodeadas de hombres en mallas.

Pero Egipto tiene problemas mayores. La deuda que ha dejado el gobierno de Mubarak, el paro, la inflación, la falta de inversión extranjera y de turismo son los problemas de Egipto y que decidirán el próximo presidente. Los Hermanos controlan la mayoría de resortes del poder y no parecen tener prisa -llevan ya un año- en arreglarlos. Si no  levantan el país, pocos egipcios musulmanes van a tener en cuenta que ya no hay bailarinas “desnudas” al ir a votar.

He hablado con el profesor de la Universidad Americana del Cairo Ibrahim Awad. Ha intentado explicarme el motivo de por qué los Hermanos parecen poco preocupados:

¿Por qué en un momento tan difícil se empecinan en querer pagar el precio solos? Solo puede ser porque viven en una realidad alternativa. Creen que encontrarán una solución a la crisis. ¿Qué lógica tiene lo que están haciendo? Necesitas una reconciliación política para que medidas impopulares no se encuentren con rechazo. Pero no quieren apoyo. Quizá creen que un milagro lo va a resolver, que basta con desearlo, con quererlo, para que se cumpla.

Cuando antes de próximas elecciones el imán en el rezo del viernes recomiende apoyar al gobierno que no ha sacado el país adelante, quizá le escuchan menos fieles.

El nuevo gobierno islamista de Egipto no ha intentado nada de golpe. Ha querido jubilar a los jueces mayores de 60 años, quiere olvidarse de la planificación familiar a pesar de que la natalidad se ha disparado de nuevo, quiere impedir que gobiernos extranjeros financien ong locales, quiere controlar los grandes cargos universitarios.

Quiere hacer como cualquier gobierno: mandar y poner a los suyos. Nada es fulminante. A pesar de la reticencia a parecer abusones, parecen creer que van a tener todo el tiempo. Es verdad que la sociedad egipcia es más religiosa que hace 30 años. Pero eso no significa que todas las mujeres que llevan velo quieren prohibir el alcohol y el ballet y les vayan a votar pase lo que pase.

Nadie con quien he hablado da más de una década en el poder a los Hermanos. Algunos dicen que pueden llegar a amañar las elecciones y seguir en el poder. Quizá una vez, pero los egipcios no volverán a soportar un régimen de 30 años porque sí. Solo hay que ver el margen de libertad que por ejemplo se permiten los medios. El cómico más famoso del país, Bassem Youssef, se ríe de ellos en la tele:

Pinche aquí para ver el vídeo

Si alguien no quiere ver el vídeo entero, aquí hay una captura de pantalla:

youssefmorsi

En la información sobre la huelga de la ópera, el gran diario oficialista, Al Ahram, cita a dos espectadores y los dos apoyan la huelga. Los periodistas sabemos que puedes escoger a un espectador que diga lo que queremos; siempre hay opiniones para todo. Ningún diario fiel hubiera hecho algo así, ni una información tan extensa sobre un asunto peliagudo.

Otros dirán que pueden también infiltrar a sus funcionarios en los principales ministerios. Cuando cambie el presidente, es improbable que todos los no miembros que decían ser tan píos sigan fieles o mantengan su cargo. Tienen también una Constitución que conviene al gobierno, pero a ver cuánto dura.

Los presuntos todopoderosos Hermanos parecían destinados a iniciar una reconquista del islam. Aún pueden recuperar el terreno perdido, pero han empezado flojos. “Yo creía que eran el mal”, me dijo un alto cargo de un partido de la oposición, “pero ahora veo que también son incompetentes”.

flattr this!

31 May 13:34

ESCREVER OU REVISAR

by blogdosirio

O post será breve: compõe-se de uma citação e de pequenos comentários.

“Toda terça, lá pelas quatro da tarde, envio a crônica para a Andressa Taffarel, a Lívia Scatena e a Daniela Mercier, redatoras aqui do “Cotidiano”. Duas horas depois, mais ou menos, uma delas me devolve o texto com todos os meus descalabros diligentemente corrigidos e grifados de amarelo. São erros de ortografia e de digitação, vírgulas e mais vírgulas que vão pro beleléu, um ou outro ajuste ao padrão Folha – séculos “XXI” que se adéquam aos ditames do 21, “cowboys” que aprendem a falar sem a afetação do sotaque, como bons caubóis, “quinze pras seis” que trocam a imprecisão das letras pela pontualidade dos números: 17h45”.

O texto é de Antonio Prata, que, como o leitor deve ter sacado, publica uma crônica semanal no jornal Folha de S. Paulo. Os leitores do jornal o conhecem. É uma pena, provavelmente, que ninguém conheça as três redatoras que arrumam o texto dele, que devem ser ótimas profissionais.

Minha questão é ainda a correção das redações do ENEM. Se Antonio Prata estiver dizendo a verdade, ele seria bastante penalizado por muitos leitores e por quase todos os jornalistas que comentaram o fato. Mas, provavelmente, o que é bom, muito bom, não pelos corretores das provas do ENEM.

No fundo, eles esperam que todos os estudantes estejam prontos para serem revisores. As normas do INEP são bem mais interessantes: espera-se que o estudante que “faz o ENEM” esteja mais para Antonio Prata do que para as redatoras que corrigem o texto dele. Porque ele escreve! Elas não!

Estou dizendo que não se deve ou que não é bom saber ortografia e quejandos?  Não, não digo nada disso, não defendo esta posição. Apenas constato que quem escreve (insisto em ESCREVE) eventualmente – ou geralmente – não é bom revisor. E vice-versa.

O que as provas devem selecionar, de preferência? Sustento que, por mais interessante e útil que seja revisar, o mais importante é escrever. Uma boa redação (nota 1000, talvez) é aquela que, revisada (por outros), merece 1000. Simples assim.

31 May 13:26

O Rosário da Inépcia

by Ivenio Hermes

ROSALBA CIARLINI 07 (1)Pra fazer acontecer na Segurança Pública Potiguar

Por Ivenio Hermes¹

Não sabe investir

Em se tratando de Segurança Pública o histórico potiguar nunca esteve bem. Existe uma política obscura de não investir nessa área cuja fragilidade somente beneficia aos corruptos e corruptores.

Onde deveria imperar o planejamento estratégico e a busca de recursos, existe um gasto em publicidade e outras matérias de importância secundária, a Administração Ciarlini insiste em mentir sobre os investimentos, em usar a legislação como desculpa tanto para não agir como para não direcionar verbas para a contratação de policiais civis e militares, gerando com essa atitude uma das maiores imersões na violência que o Estado do Rio Grande do Norte já viveu.

Enquanto milhões de reais são utilizados para viagens, propaganda estatal (governamental seria o melhor termo) e para o sustento das aparências da Administração Ciarlini, cujos escalões mais altos do governo sequer se comunicam ou se entendem, a governadora nunca adotou políticas sérias de investimento e a polícia civil não recebe o efetivo para poder realizar um trabalho recente, o ITEP (Instituto Técnico Científico de Polícia do Rio Grande do Norte) não ganha investimentos reais na reorganização de sua estrutura física, estrutural e técnica e a polícia militar vive sofrendo sem homens, sem viaturas e sem recursos para estruturar melhor suas ações.

E Rosalba Ciarlini, numa explosão de seu sentimento de inépcia exclama que não sabe o que fazer com a segurança pública.

Rosalba-Campanha2Não sabe o que fazer

Em plena reunião na Associação dos Municípios do Seridó (AMSO) no dia 24 de maio de 2013, a governadora Rosalba Ciarlini, dando mostras de sua incapacidade de gestão, afirmou que não sabia como resolver a falta de pessoal da polícia civil.

Além disso, num engodo que somente leva ao erro quem não analisa a atual gestão de segurança, a governadora insiste em afirmar que convocou novos policiais civis quando todos já estão cansados de saber que ela apenas repôs as vagas abertas por aposentadorias, exonerações e falecimentos, contrariando veementemente o edital do Concurso da Polícia Civil que cria novas vagas.

Seria muito difícil entender a diferença entre criar e substituir algo que já existe? É somente uma questão de leitura direta do texto: não está havendo ampliação da força da polícia civil porque não existe investimento em crescimento do efetivo, há somente reposição de vagas e redistribuição dessas vagas sem critério de necessidade previamente definido.

Pior ainda fica quando Rosalba gera uma falsa expectativa de que fará um levantamento minucioso para descobrir onde estão lotados os policiais civis do interior do estado.

Não é preciso fazer isso, basta que ela releia as nomeações que ela mesma assinou e ver que as vagas existentes, não são as criadas pelo edital, pois essas nunca foram supridas, foram realocadas para atender à falsa política de interiorização da polícia civil, que simplesmente retira homens da região metropolitana, fazendo com que apenas duas delegacias funcionem durante a noite e todas as outras fechem suas portas, e os coloca, em sua maioria, na região de Mossoró, onde a Administração Ciarlini solidifica sua influência para voltar ao poder por lá, já que sua reconhecida incapacidade não lhe dá grandes expectativas no governo estadual.

ROSALBA-v..Não sabe gastar

O discurso da falta de dinheiro para investir, de ter o impedimento do limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal e de estar esperando soluções milagrosas do Governo Federal através do Programa Brasil Mais Seguro é diretamente contrário à prática da Administração Ciarlini que tem a coragem de gastar 102 mil reais na locação de uma aeronave para transportar a Governadora Rosalba Ciarlini para participar de uma cerimônia que não traz nenhuma contrapartida para o estado do Rio Grande do Norte, sendo apenas um passeio político.

A falta de prioridades da Administração Ciarlini é tão grande, que o governo faz um estardalhaço adquirindo e entregando novas viaturas, mas o Coronel Ulisses Nascimento de Paiva, Comandante do Policiamento Metropolitano de Natal, vê essas mesmas viaturas serem “baixadas” (pararem de funcionar sendo retiradas do serviço) por falta de manutenção básica como a simples troca de óleo do motor e reposição de pneus.

Sem homens suficientes para se opor ao avanço da criminalidade na região metropolitana de Natal, o comandante realiza estudos de caso e elabora manchas criminais para ficar constante a realocação de efetivo para as áreas cujas projeções demandem maior número de policiais.

A Polícia Militar precisa de uma verba mínima de sobrevivência para manter seu trabalho bem feito, uma quantia pouco maior de 5% do que a Governadora gastou somente no aluguel da aeronave.

120673Não sabe manter

Enquanto isso, o coronel Francisco Canindé Araújo, Comandante Geral da Polícia Militar do RN, lida com dificuldades orçamentárias até de pagamento do efetivo. Seus comandados que trabalharam na Operação Verão e no Carnaval ainda não receberam as diárias operacionais dos períodos abrangidos pelas operações.

Mas não é somente isso, tem havido atraso no pagamento dos tickets de alimentação, o contingente trabalha sobre pressão de não terem evolução na carreira pela falta de concurso, até grupamentos especiais de pronto emprego, cujo treinamento específico fica descaracterizado diante de situações cotidianas.

Com o policiamento metropolitano sem contingente para atender a demanda, o Coronel Ulisses se vê obrigado a utilizar os membros do grupamento de CHOQUE para a realização do policiamento ostensivo. Não existe investimento na Cavalaria, no BOPE, no Policiamento Turístico, enfim, faltando tão pouco tempo para o mega evento da Copa do Mundo de Futebol de 2014, a Administração Ciarlini nada faz para ampliar o quadro efetivo ou manter adequadamente o que já se adquiriu.

Em contrapartida, a família Ciarlini goza de benefícios desonestos e seguem tranquilos, pois não há policiais civis suficientes nem para atender a demanda de crimes comuns quanto mais para investigar crimes contra o patrimônio público, e os policiais militares vivem numa situação de quase escravidão precisando muitas vezes realizar o ciclo completo do policiamento na falta de efetivo da polícia civil.

Para exemplificar os benefícios mencionados, membros da família Ciarlini são funcionários fantasmas do governo do Estado, como Ruth Ciarlini e Rosângela Ciarlini e André Luiz, respectivamente irmãs e o sobrinho da governadora. Enquanto eles lucram sem trabalhar, a Segurança Pública trabalha minguada e sem a menor perspectiva de soluções.

ROSALBA-vr..Não sabe fazer acontecer

Enquanto a Governadora diz que não sabe o que fazer com a segurança pública e cerceia os projetos do Secretário de Estado de Segurança e Cidadania, Aldair da Rocha; impede que a Polícia Civil cresça e troca o Delegado Geral de Polícia Fábio Rogério por outro, Ricardo Sérgio Costa de Oliveira, que já chega sem a menor disposição para bater de frente com a Administração Ciarlini, isto é, sem condições, planejamentos ou estratégias para salvar sua instituição do ostracismo; e bloqueia as ações direcionadas da Polícia Militar por falta do respeito mínimo de pagar as diárias e os tickets de alimentação dos policiais.

O resultado óbvio desse rosário de ações sem planejamento e sem compromisso com a população potiguar se faz notar em casos como o fim de semana violento com 16 assassinatos registrados em apenas três dias.

Mas é importante lembrar que desde o início do ano fins de semana assim vem se tornando corriqueiros e a população do Estado do Rio Grande do Norte se transforma em vítima potencial da falta de atitude do próprio governo que elegeu.

Nessa mixórdia que é a atual gestão no que tange à Segurança Pública, fica uma pergunta, onde está a frase “pra fazer acontecer” veiculada no slogan de campanha para o governo do estado que transformou Rosalba Ciarlini na governadora do Rio Grande Norte?

________

Cezar Alves em Retratos do Oeste¹Artigo escrito por Ivenio Hermes e publicado anteriormente pelo amigo e fotojornalista Cezar Alves (Coluna Retratos do Oeste) no Jornal De Fato.

O Rosário da Inépcia

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31 May 12:27

As barragens e a destruição dos rios e culturas

by Luiz Carlos Azenha

sugerido pela Débora Albuquerque, no Facebook

Realizado durante o ano de 2012, o filme Damocracy mostra a realidade e as lutas dos atingidos pelas hidrelétricas de Belo Monte, no Brasil, e de Ilisu, na Turquia, e desconstrói o mito de que a hidreletrecidade é uma energia limpa.

Assim como Belo Monte, a história do barramento do rio Tigre na região de Ilisu data da década de 1980, quando o governo turco iniciou o projeto da hidrelétrica, com capacidade projetada de 1.200 megawatts. Desde então, da mesma forma que Belo Monte, a usina é foco de uma intensa batalha judicial em função dos seus enormes impactos, principalmente a inundação e destruição de um dos maiores tesouros arqueológicos do mundo: a vila de Hasankeyf.

Dirigido pelo premiado documentarista canadense Todd Southgate, narrado em português pela atriz Letícia Sabatella e produzido pela organização turca Doga Denergi, com apoio das ONGs International Rivers e Amazon Watch e do Movimento Xingu Vivo para Sempre, o filme traça paralelos sobre os impactos dos dois projetos nas populações locais e o meio ambiente, colocando em cheque o discurso que aponta a hidreletrcidade como fonte de energia limpa.

Leia também:

Forbes: Veja é odiada no Brasil e se envolveu em corrupção

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29 May 11:47

Em 10 anos taxa de patrões negros subiu de 22,84% para 30,19%

by mariafro

Taxa de negros empregadores passa de 22,84% para 30,19% em dez anos

Entre as mulheres negras o desemprego caiu de 18,2% para 7,7%, revela estudo de economista

CLARICE SPITZ , O Globo
27/05/13 - 7h00

 Estilista Marah Silva, dona do Ateliê Cor Sincretismo, diz que herdou da mãe a veia empreendedora Foto: FOTO: Daniela Dacorso

Estilista Marah Silva, dona do Ateliê Cor Sincretismo, diz que herdou da mãe a veia empreendedora FOTO: Daniela Dacorso

RIO — Ainda desigual, mas com avanços. Nos últimos dez anos, negros experimentaram uma melhora nas taxas de emprego e de renda. Aumentou participação de negros entre os empregadores, a categoria mais bem paga do mercado de trabalho: em 2003, representavam 22,84% do total de empregadores; em 2013, já são 30,19%, revela estudo do economista Marcelo Paixão sobre empreendedores negros. É bem verdade que, quando estão em postos de comando, os negros estão predominantemente em atividades de mais baixo rendimento, sobretudo, no comércio e serviços em geral, como cabeleireiros, donos de armarinhos, designers e trabalhadores da construção civil, onde a presença deles é maioria. Entre as mulheres negras, grupo com maior dificuldade de inserção no mercado de trabalho, o desemprego caiu de 18,2% para 7,7%.

Segundo o coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo, a melhora na economia propiciou a ascensão profissional. Com renda maior, o negro que trabalhava por conta própria pôde incrementar seu negócio e passar a contratar um funcionário, tornando-se um empregador.

— É um salto expressivo. O mercado de trabalho está menos desigual. Ainda se encontram as mazelas de gênero, de cor, de jovens, mas mais amenizadas — afirma Azeredo.

As desvantagens de empregadores negros passam por uma poupança menor. Com menos capital que os brancos, eles costumam ter negócios no setor de serviços, em que os investimentos são mais baixos. Mas a análise dos últimos dez anos mostra que a renda de empregadores negros subiu 42,59%, enquanto a dos empregadores brancos, 20,46%.

Enquanto em 2003, um empregador negro recebia o equivalente a 49,37% do rendimento de um empregador branco, hoje, ele ganha 58,43%. De acordo com Paixão, a redução dessas assimetrias no mercado de trabalho são explicadas, em parte, pela valorização do salário mínimo e de programas de transferência de renda.

— O rendimento de pretos e pardos, proporcionalmente, elevou-se mais que o dos brancos no mesmo intervalo, e tal cenário pode ter contribuído para esse movimento. O mesmo pode-se dizer da escolaridade média. Por outro lado, não se deve descartar por inteiro o fenômeno do crescimento relativo de pretos e pardos no conjunto da população, o que também inclui o grupo dos empregadores — afirma.

Paixão está em campo com uma pesquisa encomendada ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que investiga a discriminação no acesso ao crédito no país.

— Se o empregador não tem recursos, perde uma oportunidade muito grande. Tia Ciata passou a vida inteira com um tabuleiro, quando ela deveria ter uma barraquinha — ilustra.

Para o economista Marcelo Néri, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e ministro-chefe interino da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência, o aumento da escolaridade é o fator fundamental para que negros obtenham um posto de comando.

Segundo Néri, embora o lucro de empreendedores sem instrução tenha sido 74,9% menor que o de pessoas com 11 anos ou mais de estudo, entre 2003 e 2013, o rendimento deles subiu 29,7% no período. A educação de um negro, em termos de anos de estudo, representa 80% da de brancos, segundo dados do Censo de 2010.

— A fotografia ainda é favorável a quem tem estudo, mas a novidade é o filme que mostra redução da desigualdade — afirma.

O presidente do Ipea avalia que contribuíram ainda para a ascensão de negros no mercado de trabalho o maior orgulho da raça, que se traduziu em mais pessoas se autodeclarando negras nas novas gerações. Segundo ele, apesar de ainda ser cedo para ver um efeito das cotas, a chance de alguém nascido nos anos 80 de se reportar como negro é 61% maior que a de um nascido nos anos 1940. Já em 2011, a chance de alguém se reportar como negro era 36% maior do que em 1998.

— Entre 2003 e 2011, 40 milhões de pessoas entraram na nova classe média e três quartos são pretos e pardos, quase a população negra sul-africana. Essa nova classe média é fruto do orgulho e do aumento da renda — resume Néri.

A empresária Lia Vieira diz que não foram poucas as vezes em que viu pessoas se surpreenderem com o fato de ela ser dona de uma agência de viagens. Com clientes predominantemente afrodescendentes e faturamento acima de R$ 200 mil mensais, Lia diz que a formação foi fundamental para que ela chegasse aonde chegou:

— Eu prezo muito a qualificação. O mercado é muito competitivo, e só há espaço para aqueles que investem em si mesmos. A grande dificuldade do empresário negro é que não temos poupança acumulada, não temos herança de família.

A estilista Marah Silva diz que herdou da mãe, baiana de acarajé, a veia empreendedora. Depois de trabalhar com produção de eventos e comida, ela saiu da informalidade em 2006, quando abriu um ateliê de moda na Lapa, centro do Rio. No mês passado, foram 480 peças, um feito para o tamanho do empreendimento.

— Para o empreendedor negro, infelizmente a cor ainda é um percalço, mas a postura não é. Eu sento com meu gerente de banco e vejo o primeiro olhar e o último. Ele nota que tenho conhecimento do que estou falando — diz Marah.

O empresário Josué Elias e a família trabalham com uma pequena empresa de acessórios e bijuterias em couro na casa onde também moram, em Cascadura. Para ele, mais que dificuldades de raça, os microempresários como ele sofrem com a burocracia.

— Acredito na força do trabalho. Com qualidade, tenho quebrado muitas barreiras. Já houve discriminação, mas não foi o mais importante.

A rede Instituto Beleza Natural, com 13 salões de beleza em três estados, nasceu quando a ex-empregada doméstica Heloísa Assis, a Zica, criou uma fórmula para relaxar cabelos crespos. Ao lado do marido Jair, do irmão dela, Rogério Assis, e da amiga Leila Velez, Zica criou uma rede especializada em cabelos crespos. Hoje, são uma média de 90 mil clientes por mês e um faturamento que subiu 27% entre 2011 e 2012.

— A cada instituto que abrimos geramos mais de cem empregos diretos — orgulha-se Zica.

28 May 18:32

Preto Zezé: O Dia em que Fui Sorteado na Roleta Russa da Violência de Fortaleza

by Victor Farinelli
Allan Patrick

Questão sempre esquecida: pena de morte pra menores já existe de fato.

Publicado pelo Preto Zezé da Cufa, em seu facebook

Ontem, por volta das 19h, fui deixar minha companheira, sua filha e sua mãe num evento no bairro do Castelão.

Ao retornar, fui abordado por dois adolescentes armados, que se jogaram na frente do meu carro e anunciaram assalto!

Como vidro do meu carro é fumê, a primeira coisa que fiz foi ascender a luz e preparei o espirito, pois o assalto é um ato de expropriação mas a tensão de ambas as partes pode fazer esse ato terminar em tragédia!

O primeiro jovem, ficou na frente do carro, de arma em punho, parado numa bicicleta, o segundo veio até a porta do passageiro realizar o assalto.

Ao se aproximar da porta, o primeiro adolescente fez o de praxe, em voz alta , tentava me apavorar e me arrancar qualquer coisa que fosse, o que demonstrava sua insegurança e que o mesmo era novo no “ramo”!

Segue o diálogo:

- Bora porra! passa a carteira, celular , tudo que tiver, senão leva bala!

- Camaradinha, cabeça de gelo, vou abrir a porta pra você ver que tô na limpeza , certo?

Ele veio até a porta , que estava travada, com a arma a poucos centímetros da minha cabeça.

O outro moleque, se aproximava, enquanto o primeiro destravava ele mesmo a porta e prosseguia o assalto.

Pegou minha carteira, perguntou se eu não tinha laptop, mandou eu abrir o porta luvas e a baixar o vidro de trás.

Ao chegar perto, o segundo moleque, disse para eu nao olhar pra eles, assumindo o controle enquanto o que metia terror, vasculhava meu carro.

Percebendo que eles controlavam a situação, Tento argumentar:

- Ei, cumpadi, pode ficar gelo, que num tô armado, não! Também o Negu num tem muita coisa, tô meio debaixo de grana.

Eu estou meio rouco, com dificuldades de falar, não sei se eles interpretaram como estratégia minha para sensibilizá-los ou um caô para desdobrá-los!

O segundo moleque , que apontava a arma pra mim, começou me olhar, nessa hora vem todo tipo de pensamento, principalmente o pior, pois se aproxima a pior hora, onde pode terminar em susto e prejuízo financeiro ou em tragédia.

Deixei ele à vontade enquanto pensava na próxima abordagem! De repente ele grita :

- Ei macho, dispensa , bora sair fora. Tamu assaltando o Preto Zezé da Cufa!

Confesso a vocês , que isso já ocorreu algumas vezes comigo e outras pessoas da Cufa, mas sempre com a policia (e, acreditem, é tenso também), quando eu e meu parceiro Manelzin visitamos uma favela e fomos abordados pelos policiais do RAIO, mas isso é outra história!

Meio desanimado, o primeiro moleque cometa:

-Puta que pariu! O Negu tá com azar , hoje não sai nem o da merenda.

Olhei para ambos, agora com mais tranquilidade, e vi aqueles corpos magros, de armas na mão, pés e canelas cinzentas, roupas de marca da ciclone e pena, meio surradas, e perguntei:

- Ei pivete, vocês moram onde e me conhecem da onde?

- Eu conheço do show e do projeto lá no Barroso – responde, eufórico e contente como se nada tivesse ocorrido, o moleque da bike que me reconheceu!

- Eu conheço lá do Cecal, quando tu levou o Racionais, lá! O Negu tava preso respondendo 157, maior galera considera você e a Cufa lá dentro.

- Ei Preto, dá para desenrolar um rango ai pro negu? Aquela tia ali, vende pratin – pergunta o primeiro adolescente.

- Dá sim, mas eu não vou sair andando com vocês armados, dispensem as armas.

Nesse momento, uma menina , grávida, se aproxima e pega as armas e leva para dentro do barraco da favela.

Nos aproximamos da barraca, e disse para eles pedirem o que quisessem.

A tizianha se comportava como se nada tivesse ocorrido, como se eu fosse apenas mais um que caiu num pedágio e foi liberado por conhecer os donos do mesmo.

Sentamos a mesa, eu pedi uma água, os dois moleques sentaram comigo, e foram logo perguntando quando ir ter show, se dava para pedir ao Davi do Pantanal para mandar um alô para eles no programa de rádio domingo “e para os camaradinhas que estavam privados”, eu disse que sim, mas show ainda estava preparando, talvez só em julho.

Fui direto ao assunto com eles…

- Mah, vocês são doido é, batalhando aqui, isso aqui vai ser o lugar mais vigiado da cidade por causa da Copa, daqui uns dias e vocês já sabem qual o final do crime, cadeia ou cemitério.

- Preto, o negu tá ligado dessa fita aí, mas fazer o quê? Uma hora dessa aqui, num tem nada na área, se num fosse esse rango aqui ou a gente metendo as paradas (assaltando) a gente ia ficar no prejuízo hoje.

- Conheço vários caras que passam aperrei, mas tão dando a volta e tentando se manter longe da vida louca das ruas e do crime.

- Cada um sofre do jeito que escolhe, e a vida é curta, o negu tem que curtir enquanto dá , pois daqui a pouco como tu disse, cadeia e cemitério, respondeu o moleque da bike, de maneira serena e fria.

- Meus camarada, vou sair fora, pois tenho várias missões e amanhã viajo para Sampa.

- Valeu Preto, foi mau ai, vamos passar para os camarada aqui das áreas a placa do teu carro, para num dar essas mancada não.

- Parece carro de policia – brincou o moleque da abordagem.

Pois é, tô pensando pensando até de fazer uma campanha para evitar isso! E vcs macho, ve se larga as armas e vão procurar cuidar da vida, ela é massa, as vezes parece que não vale nada, eu já me senti assim, mas basta a gente ter uma oportunidade e alguém que a gente gosta, que as coisas muda.

- Pois Preto, arruma qualquer coisa ai para gente, os camarada da área me falaram que tu arrumou emprego para vários maluco nessas obra aí do Castelão.

- Quem arrumou foi o cara da Copa (Ferruccio). Fiz só o contato, mas os caras queriam sair, vocês querem?

- Todo mundo quer sair da vida bandida, Preto, falta pra onde. E o negu , num tem nem um 121 (homicidio) nas costas não, nem tá devendo nada na rua.

- Tá valendo, qualquer coisa eu encontro vocês, falo com o Piqueno e daí localizo vocês se algo aparecer. Tá limpeza?

- Valeu!

Nos cumprimentamos, e saí fora.

Na volta pra casa, vim pensando como é louca essa cadeia alimentar da violência, esses jovens, criminosos, na complexa, dura e contraditória realidade, são na verdade as principais vitimas, pois já chegaram no pior estágio da desumanização: perderam o amor à sua própria vida, logo, não se pode esperar deles amor à vida de ninguém, e infelizmente já prevejo o final deles, morrer antes dos 24 e passar a vida indo e vindo para a cadeia.

Fica a pergunta: o que fazer?

28 May 18:27

Tudo como antes para combater a inflação

by blogdoruidaher

Se os heróis brasileiros estão aí tranquilinhos, pensando em trocar o velho Gol quadrado por um zero arredondado e luzente, ou pagar aquelas prestações atrasadas que lhes tiram o sono, tomem cuidado.

Tudo poderá voltar a ser como antes, já me desculpando por deturpar o título da canção de Milton Nascimento e Ronaldo Bastos. Não me desculparei, porém, pelo que alguns economistas em perversas colunas de folhas e telas cotidianas pretendem fazer.

Para eles, o que está fazendo o País caminhar para o abismo é o fato de você estar empregado e ganhar um pouquinho mais. Você é o culpado pela “altíssima” inflação que William e Patrícia anunciam no Jornal Nacional com olhos arregalados. Depois do tomate, agora o feijão.

Não importa se você levanta às quatro horas da madruga, toma três conduções para chegar ao emprego e lá faz tudo direitinho. É pouco. Você deveria estar fazendo mais.

Um pouco do economês: a escassez de mão de obra (sejamos claros, pouca gente desempregada) provoca (eu diria, permite) que os salários cresçam acima dos níveis de produtividade da economia, gerando aumento de preços.

Se a taxa de desemprego, que hoje no Brasil roda à base de 5,5%, estivesse como no passado a 12%, ou mais apropriado ainda, em níveis como os atuais europeus, poderíamos dormir tranquilos.

Se você ganha dez e produz cinco, a diferença vai parar nos preços dos produtos, certo? Em parte. E põe parte nisso.

Essa tese que remonta à Escola de Chicago, Milton Friedman e quejandos, vigorou nos anos 60 e 70 do século passado, para dizer que um presente confortável implicaria num futuro desastroso.

Manter um equilíbrio entre ganhos de renda que permitissem, ao mesmo tempo, expansão do consumo e inflação controlada só seria possível no curto prazo. Mais tarde aquele calorzinho ameno se transformaria em chamas infernais.

Foi assim que muitos países e suas populações passaram décadas de perrengue sempre esperando que um dia chegasse sua vez de entrar no parque de diversões que os felizes 0,5% podiam frequentar.

Truque. Mais uma vez, truque. Eles não se contentam em terem convencido o Banco Central a aumentar as taxas de juros para combater a inflação. Provavel nesta semana mais uma rodada monetária validando isso.

E não se contentam porque sabem que essa é uma ferramenta inócua no momento. Todos os indicativos de que teremos menos inflação nos próximos meses estão dados, e não pela sequência de aumentos nos juros que virão.

Na semana passada, um desses economistas, escreveu: “A lúgubre escolha não é, pois, entre desemprego e inflação, mas sim entre desemprego hoje e desemprego mais elevado amanhã”.

Quer dizer, então, que os preços da economia são apenas influenciados pela produtividade do trabalho?

Fatores como o câmbio, que há anos está erodindo a competitividade de nossa indústria, sistematicamente apontado por Delfim, Nakano, Brésser Pereira, e outros, nada têm a ver com isso?

A falta de investimento em infraestrutura, não implica em redução de oferta, em aumento dos fretes das mercadorias e elevação de preços?

O desperdício brutal de excedentes de produção por falta de armazenagem e modais de transporte eficientes não implicam em menor produtividade e inflação?

Melhor deixar tudo por conta da situação de quase pleno emprego e recuperação de renda dos assalariados

Em que olhinhos, já que o excesso de zelo da coluna não permite definir outro local, deverá arder essa pimenta, meus caros discípulos de Friedman?

Clique aqui para assistir o vídeo inserido.

 

28 May 00:20

Filme que denuncia violações trabalhistas em campos da Embrapa é proibido; empresa nega

by Conceição Lemes

Maria da Graça Lopes, assistente da Embrapa em Manaus, no documentário A vida não é um experimento: "Fui varrer o chão, subiu um pó. Pensei que era pensei cal, era veneno"

por Conceição Lemes

Sempre que se pensa em Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) quase automaticamente vêm à cabeça suas pesquisas e seus pesquisadores.

Pudera. Dos seus 9.783 empregados, 2.389 são investigadores.  Os demais 6.394, analistas ou assistentes.

Os analistas têm nível superior. Incluem-se aí desde biólogos, agrônomos, veterinários (também podem fazer pesquisa) a advogados, jornalistas.

Os assistentes, apesar do nome pomposo, constituem a “peãozada”. Em geral, são os que  realmente põem a mão na massa nos laboratórios, nas plantações, enfim  em todo tipo de experimento necessário às pesquisas que desenvolve. Sem esses trabalhadores não há pesquisa.

Na região de Manaus (AM), a empresa tem dois campos experimentais: o Distrito Industrial Suframa, mais conhecido como DAS Manaus (a 54 km da capital); e o Rio Urubu ( a 140 km de Manaus),ambos ligados à Embrapa Amazônia Ocidental.

Em dezembro de 2011, já fora do expediente, na hora do jantar, dois trabalhadores (um concursado e outro terceirizado) se envolveram numa briga no DAS Manaus, logo apartada pelos colegas.

A Embrapa puniu-os direto. Deu cinco dias de suspensão para cada um. Contrariou a 11ª cláusula do acordo coletivo de trabalho que diz que para haver punição é preciso  antes fazer sindicância  para apurar o caso. Não houve.

Em função dessa ocorrência, Simone Alves, presidente da Seção Sindical Amazonas do Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário (Sinpaf) foi até o DAS Manus averiguar o que havia acontecido.

Ao chegar lá, encontrou uma porção de irregularidades, entre as quais estas:

* Trabalhadores sem sair do local de trabalho por uma semana, 15 dias, até um mês.

* Sementes guardadas em locais com mofo, animais e goteiras.

* Funcionários aplicando agrotóxicos sem equipamento de proteção.

* Falta de água potável e banheiro na área das plantações.

* Nenhuma estrutura para socorrer rapidamente os trabalhadores que se machucam ou passam mal. O caminhão que os transporta para o campo só volta na hora do almoço; muitas vezes nem isso acontece.

* Falta de alojamento adequado.

“Nós encontramos trabalhadores em condição de cárcere privado”, expõe Vicente Almeida, presidente do Sinpaf. “Ou seja, eles  não tinham o direito de ir e vir diariamente para as suas casas, como o supervisor, pois a empresa não lhes dava condição.  Eram mantidos lá dentro contra a vontade e numa condição desumana. Não tinham roupa de cama, havia alimentação vencida, água alterada. Em janeiro de 2012, nós os resgatamos.”

Em agosto de 2012, o Sinpaf denunciou à Organização Internacional do Trabalho (OIT) a existência de trabalho degradante e análogo à escravidão nas dependências da Embrapa, em Manaus. A reclamação baseia-se na Convenção nº 29 da OIT, segundo a qual, trabalho forçado ou obrigatório é “todo trabalho ou serviço exigido de um indivíduo sob a ameaça de qualquer penalidade e para o qual ele não se ofereceu de espontânea vontade”.

“Além de o Brasil ser signatário da OIT, a Embrapa é uma empresa pública vinculada ao Ministério da Agricultura”, observa Almeida. “Isto torna a denúncia do Sinpaf à OIT mais grave.”

DOCUMENTÁRIO MOSTRA SITUAÇÃO EM CAMPOS EXPERIMENTAIS

O Sinpaf expõe esse quadro no documentário A Vida não é Experimento, onde trabalhadores e dirigentes dão seus depoimentos.

O filme completo tem 33 minutos (pode ser visto aqui); a parte referente à Embrapa, 21. As gravações foram feitas no final de 2012 e início de 2013. A empresa não autorizou a filmagem dos seus ambientes de trabalho.

O documentário foi lançado no dia 26 de abril.

Em 17 de abril, portanto nove dias antes, a direção nacional do Sinpaf reuniu-se com o novo presidente da Embrapa, Maurício Lopes, e entregou-lhe uma cópia. O objetivo era alertá-lo sobre graves violações trabalhistas que estavam ocorrendo em alguns campos experimentais. O presidente do Sindicato fez questão de salientar que esperava que a realidade retratada no documentário fosse um episódio do passado.

Porém, na data do lançamento, ele recebeu notificação, visando impedir a divulgação do filme.

Em papel timbrado da Embrapa, ela está assinada por Gerson Soares Alves Barreto, chefe de gabinete do presidente.

Entre as alegações, a de que os testemunhos no vídeo “não parecem condizer com verdade e que sua divulgação pode trazer sérios prejuízos à imagem e ao conceito que a Embrapa alcançou durante esses 40 anos”.

“Esperávamos uma postura de parceria para  corrigir essas distorções e não retaliação. Em pleno século 21, recorrer a um instrumento de coação [a notificação] é  descabida, um erro histórico”, diz Vicente Almeida.

“A Embrapa está agindo contra dois direitos básicos: liberdade sindical e acesso à informação. Não recuaremos quanto à exibição do vídeo, pois essas histórias precisam ser vistas para que episódios como esses fiquem no passado.”

Vicente está na Embrapa desde 1999, quando entrou como estagiário. É engenheiro agrônomo com mestrado em planejamento e gestão ambiental. Em 2005, por meio de concurso, tornou-se pesquisador na área de impacto ambiental.

Esta repórter consultou a Embrapa para saber por que havia mesmo proibido o documentário A Vida não é Experimento. Por meio de sua Secretaria de Comunicação, respondeu ao Viomundo:

A Embrapa não proibiu a veiculação do vídeo e nem teria esta capacidade. O objetivo da citada carta é alertar sobre os riscos jurídicos de disseminação de informações equivocadas sobre as condições de trabalho dos empregados da Empresa e garantir a verificação dos fatos apontados antes da sua veiculação pública. A Embrapa possui procedimentos internos para verificação de irregularidades, e as denúncias não foram registradas em nenhum deles. Mesmo assim, o conteúdo do vídeo está sendo avaliado pela Empresa para providências que eventualmente se façam necessárias.

A Embrapa é uma empresa pública federal regida pela CLT tendo uma gestão voltada para o cumprimento dos princípios gerais da Administração Pública, zelando pelas condições de saúde e de trabalho de seus empregados com programas de qualidade de vida, apoio a luta contra dependência, dentre outras. Quanto à segurança no trabalho, cumprimos rigorosamente a legislação, inclusive com a atuação efetiva da CIPA em todas as Unidades, rede de técnicos e engenheiros do trabalho e fornecimento de equipamentos de proteção individual.

A notificação ao Sinpaf contradiz a resposta da Embrapa ao Viomundo.

TÉCNICOS DO CEREST E VIGILÂNCIA SANITÁRIA CONFIRMAM DENÚNCIA 

Se esses problemas denunciados no vídeo foram sanados?

“Não dá para saber”, afirma Almeida. “No final de 2012 e início de 2013, tentamos entrar nos campos experimentais da Amazônia para fazer averiguações e gravar o documentário. A empresa nos impediu.”

Em março de 2012, por solicitação do sindicato, técnicos do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador do Amazonas (Cerest Estadual),  Centro de Referência em Saúde do Trabalhador de Manaus(Cerest Regional), Vigilância Sanitária Municipal, INSS, Sinpaf e Embrapa fizeram uma visita técnica ao Campo Experimental do Distrito Industrial Suframa, o DAS Manaus.

Quase na mesma época, auditores do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) estiveram no DAS Manaus e na sede da Embrapa no Amazonas.

Os relatórios do Cerest Estadual, Cerest Regional e da Vigilância Sanitária Municipal apontam uma série de riscos aos trabalhadores.

Desde  alimentos fora da validade sendo servidos aos trabalhadores, água (inclusive) e solo contaminados por lixão a céu aberto, fezes e urina de morcego em depósitos e dormitórios, até “na aplicação de agrotóxicos, profissionais utilizando EPI’s [Equipamento de proteção individual] como bota, máscara com filtro, avental  e luvas que estavam completamente danificados”. (íntegra no final desta reportagem)

Conclusão do relatório dos Cerests Estadual e Municipal:

Relatório da Vigilância Sanitária de Manaus aponta, entre outras irregularidades, alimentos com prazo de validade vencido:

O relatório dos auditores fiscais do Ministério do Trabalho (íntegra no final da reportagem) diz respeito principalmente ao DAS Manaus, onde o Sinpaf identificou trabalhadores em cárcere privado. Mas é bem diferente do elaborado pelos Cerests e da Vigilância Sanitária, embora a inspeção tenha sido quase na mesma época – mais precisamente de 24 de janeiro a 29 de fevereiro de 2012.

Primeiro, em negrito, dizem que não encontraram condições de trabalho análogas à escravidão. Porém, no parágrafo seguinte, na mesma página, afirmam que a Embrapa se comprometeu a estudar uma solução para o transporte dos trabalhadores para que os mesmos tivessem como retornar às suas casas.

“Eles mesmos se contradizem”, atenta Almeida. “Confirmam que a empresa deixa os trabalhadores em condições de cárcere privado. Depois, ao observar que a empresa ‘já consertou’ alguns itens, os auditores ratificam as péssimas condições denunciadas pelo Sinpaf.”

Em função dessas acusações, no final do ano passado, a Embrapa denunciou por calúnia à Polícia Federal o presidente nacional do Sinpaf, Vicente Almeida, e a presidente da Seção Sindical Amazonas do sindicato, Simone Alves. A empresa usa o relatório do Ministério do Trabalho como prova de que as denúncias do Sindicato são mentirosas.

Na resposta ao Viomundo, relembramos, a Embrapa diz que:

… possui procedimentos internos para verificação de irregularidades, e as denúncias [feitas pelo Sinpaf] não foram registradas em nenhum deles.

… zelando pelas condições de saúde e de trabalho de seus empregados com programas de qualidade de vida, apoio a luta contra dependência, dentre outras. Quanto à segurança no trabalho, cumprimos rigorosamente a legislação, inclusive com a atuação efetiva da CIPA em todas as Unidades, rede de técnicos e engenheiros do trabalho e fornecimento de equipamentos de proteção individual.

 “A Embrapa continua impedindo a nossa entrada nos campos experimentais. Além disso, nunca procurou o Sindicato formalmente para solução dos passivos com esses trabalhadores”, arremata Vicente Almeida. “Se ela não tem o que esconder, por que age assim? De forma que reafirmo todas as denúncias contidas no vídeo A vida não é um experimento.”

Relatório da visita técnica ao DAS Manaus da Embrapa feita pelos centros de Referência em Saúde do Trabalhador Estadual e Municipal by Conceição Lemes

RELATORIO_INSPEÇÃO_Dept. de Vigilancia Sanitaria da PMM by Conceição Lemes

Relatorio Do Ministerio Do Trabalho by Conceição Lemes

Leia também: 

Cientista denuncia omissão da Embrapa na discussão do Código Florestal e censura a pesquisadores

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27 May 21:39

Uai, parece piada: Aécio denuncia guerra suja na internet

by Lucas Figueiredo
Aécio Neves: piada pronta

E o estilingue disse: “Eu sou é vidraça”

Dois anos atrás, publiquei neste blog uma série de posts denunciando o esquema profissional (e gigante$co) que buscava massacrar na internet aqueles que ousavam criticar ou mesmo pensar diferente do senador Aécio Neves (PSDB-MG). Eu mesmo fora vítima desse esquema.

(Para quem não viu a série, leia aqui o último post, com link para os demais).

Hoje, em seu artigo semanal na Folha de S.Paulo, Aécio denuncia a “indústria subterrânea voltada a disseminar calúnias e a tentar destruir reputações” na internet.

Parece piada, uai!

Fala Aécio: “Infelizmente, sob os novos horizontes tornados reais, existe um campo cinzento onde se instalou, no Brasil, um verdadeiro exército especializado em disseminar mentiras e agressões”.

Parece piada, uai!

Fala Aécio: “Fingindo espontaneidade, perfis falsos inundam as áreas de comentários de sites e blogs com palavras-chaves previamente definidas”.

Parece piada, uai!

Fala Aécio: “Robôs são usados para induzir pesquisas com o claro objetivo de manipular os sistemas de busca de conteúdo”.

Parece piada, uai!

Fala Aécio: “Calúnias são disparadas de forma planejada e replicadas exaustivamente, com a pretensão de parecerem naturais”.

Parece piada, uai!

Fala Aécio: “Absurdas acusações que jamais serão comprovadas, por serem falsas, são postadas e repostadas diariamente. A vítima pode ser um magistrado, um político ou um cidadão comum. Pode ser um jornalista, uma atriz, não importa”.

Parece piada, uai!

Fala Aécio: “Os objetivos são constranger, forjar suspeições, levantar dúvidas, transformar em verdade a mentira repetida mil vezes”.

Parece piada, uai!

Fala Aécio: “O mais grave é que esse roteiro se repete para buscar desconstruir a imagem de qualquer um que ouse defender ideias divergentes dos interesses daqueles que mantêm plugada essa verdadeira quadrilha virtual”.

Parece piada, uai!

Fala Aécio: “Esse tipo de ação covarde é um lado da moeda que, na outra face, tenta controlar a imprensa, impedir a formação de novos partidos, defender a remoção do direito de investigação do Ministério Público e a submissão das decisões do STF à maioria governista no Congresso Nacional”.

É piada mesmo.


Arquivo em:Imprensa, Política Tagged: Aécio, Andrea Neves, PSDB
25 May 17:17

MEC autoriza 60 vagas para curso de Medicina da Ufersa, no RN

by Comissão de Comunicação

O Ministério da Educação liberou 60 vagas para o curso de Medicina da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa). De acordo com a assessoria de comunicação da instituição a notícia chegou ao conhecimento do reitor Jose de Arimatea de Matos nesta sexta-feira (24) por meio de um ofício do Governo Federal. A primeira turma deverá ingressar em 2016 com 30 alunos e no ano seguinte mais 30 vagas serão ofertadas.

“O MEC faz questão que o curso já comece em pleno funcionamento. Por isso a primeira turma já irá iniciar depois que toda a estrutura estiver pronta”, afirma o reitor, informando que as obras começarão em 2014, quando está previsto o repasse financeiro do Governo Federal.

O próximo passo da Universidade será a elaboração do orçamento necessário para implantação do curso pela Pró-reitoria de Planejamento. A planilha de investimentos será incorporada ao Orçamento do Ministério da Educação para 2014, que deve ser fechado já no mês de junho, segundo a assessoria de comunicação.

“Todos os esforços serão feitos pela Universidade para acelerarmos as solicitações”, garantiu o reitor. A Ufersa acresceta que a expectativa é que a estrutura já esteja pronta em 2015. Se o prazo for cumprido, as primeiras 30 vagas serão ofertadas no Sistema de Seleção Unificada (SiSU) para ingresso em 2016.

O comunicado da instituição também informa que o Centro de Saúde da Ufersa será composto por 60 docentes, além de uma estrutura dotada de biotérios, sala de aula, sala para professores, laboratórios, auditórios e acervo bibliotecário.

No último dia 10 de maio, o reitor José de Arimatea de Matos se reuniu no Ministério da Educação com o secretário Executivo da pasta, Henrique Paim, e Paulo Speller, de Educação Superior. A reunião discutiu a criação das vagas de Medicina para a Ufersa.

“O município de Mossoró e a Ufersa cumprem todas as exigências, como, por exemplo, 661 leitos disponíveis pelo Sistema Único de Saúde (SUS), suficientes para atender 133 vagas. Hoje, por meio da Universidade Estadual do RN (Uern), são apenas 26 vagas para Medicina”, justificou Arimatea.

Além dos leitos, a cidade dispõe de cinco Centros de Atenção Psicossocial – Caps e certificação do Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade na Atenção Básica. Outra exigência é a residência médica em medicina comunitária.

25 May 00:13

Gerson Carneiro: Compensa denunciar um crime?

by Conceição Lemes

por Gerson Carneiro

Em 8 de abril de 2011, o Viomundo publicou esta matéria:  Polícia de São Paulo “entrega” mulher que denunciou execução por PMs.

Ela havia denunciado o assassinato de homem, por policiais, dentro de um cemitério. O fato ocorreu em 12 março.

Nessa quinta-feira 23 — 2 anos, 1 mês e 15 dias depois –, o caso foi a julgamento.

Apesar da prova da ligação para o número 190 — o telefone da PM — feita pela mulher, no momento e local do crime, eles foram absolvidos.

Já a  testemunha-denunciante está tendo de viver escondida.

Fica a pergunta: compensa denunciar um crime?

Leia também:

Justiça decide interpelar Telhada sobre ameaça a jornalista

Fenaj denuncia violência crescente contra jornalistas no Brasil

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23 May 23:01

Meia lua inteira (parte 2)

by Diana (admin)

Por Luiz Schwarcz

 

Em duas ocasiões fomos com José e Pilar à nossa casa no campo. A viagem era custosa para o José. Ficar três horas no carro, mesmo sendo a estrada bonita, parecia ser um grande esforço para ele. Em casa, em São Paulo, ele ficava por vezes sem fazer nada, sentado no sofá, de olhos fechados. Em outras ocasiões pedia para que eu colocasse um DVD, de preferência uma ópera de Mozart, ou um concerto de Beethoven ou Brahms, e lá ficava ele esperando o tempo passar — entre uma entrevista e outra, um lançamento, um debate, ou um almoço com seus amigos brasileiros. Os olhos fechados no carro, enquanto aguardava a chegada a um destino final, não lhe ofereciam o mesmo descanso, ou a mesma oportunidade de concentração. Creio que por essa razão não fomos mais vezes à Serra da Mantiqueira, da qual ele tanto gostou.

Saramago era sensível a grandes espetáculos da natureza, e foi justamente num desses pontos, no alto da Pedra do Baú, que resolvi ter com ele uma conversa pessoal, delicada, mas que senti que não poderia omitir.

Meses antes dessa viagem, numa manhã qualquer, fui surpreendido por um telefonema do meu pai, cedo de manhã, um horário incomum em se tratando dele. Já aposentado, meu pai prezava umas horas a mais de sono, pois dormia apenas depois de assistir a algum filme até bem tarde na TV, ou de sair com os amigos, em dias previamente marcados. Às quartas ele ia à sauna do clube; ficava até o seu fechamento e depois ia a uma pizzaria, sempre com o mesmo grupo de amigos. Às terças jantava com minha família na nossa casa. Às quintas alongava as noites numa mesa de carteado, regada de piadas e lembranças, contadas e cantadas em húngaro: essa língua super musical mas intransponível, falada por quase todos seus amigos mais próximos (e como ele sobreviventes da Segunda Guerra Mundial), que para cá vieram no final da década de quarenta, alguns deles até no mesmo navio.

Naquela manhã, meu pai acordou cedo e, quase chorando ao telefone, chamou minha atenção para uma declaração de Saramago publicada com destaque em vários jornais. Nela, o Prêmio Nobel de Literatura comparava Ramalah e os territórios ocupados por Israel, na Palestina, com o campo de concentração de Auschwitz. Meu pai não tinha muito senso crítico com relação às atitudes do governo israelense, e sobre isso discordávamos histórica e profundamente. Em muitos jantares, por ocasião das festas judaicas, a discussão chegava a pegar fogo. Naquelas ocasiões, eu não soube dar o devido desconto a meu pai, que tanto sofrera durante a Guerra — tendo escapado do trem que o levava, com meu avô, ao campo de Bergen Belsen. Ainda um garoto idealista, eu não consegui entender que para ele era mais difícil ser crítico ao governo israelense, tendo sobrevivido ao nazismo e perdido o pai para um inimigo que quis extinguir os judeus da face da terra.

– Eu pensei que ele era nosso amigo, Luiz. Ele mora na sua casa quando vem ao Brasil, eu nunca imaginei que ele diria uma coisa dessas!

Aos que me leem aqui a simplicidade das palavras de meu pai podem soar estranhas, mas para mim foi duro ouvi-las, e ainda mais duro explicar a ele que podíamos ter discordâncias com amigos próximos, e que nem por isso estes deixavam de ser nossos amigos. A crítica de Saramago a Israel aparecia com um enunciado extremamente infeliz, usando uma comparação equivocada, e que, ao contrário de sua intenção, não ajudava em nada a causa palestina.

A reação de escritores de esquerda — pacifistas e contrários à política do Estado de Israel — às declarações de José foi imediata. Amos Oz havia conhecido José em nossa casa e David Grossman admirava profundamente o escritor português. Mesmo assim acharam que deveriam se manifestar publicamente contra a declaração de Saramago. Eu falei a meu pai que um dia daria a minha opinião privadamente, mas que de forma alguma poderia questionar a liberdade de expressão e o respeito a posições contrárias às minhas.

Na serra, num dia anterior a um passeio à Pedra do Baú, avisei a Lili que tentaria falar com o José sobre o assunto que por tanto tempo guardara. Lili entendeu que deveria entreter a Pilar em algum momento do passeio, e sentados no Bauzinho, cujo acesso é mais fácil do que à própria Pedra, e de onde se vê a majestosa rocha e todo o imenso vale, me senti seguro e tranquilo para falar o que tinha que falar. Disse primeiro o quanto aquelas declarações tinham ferido meu pai e também o quanto eu achava que elas erravam no alvo, embora eu concordasse com várias críticas às atitudes militaristas de Israel. Disse que achava a ocupação dos territórios na faixa de Gaza cruel e injusta, mas que defendia a luta pela aceitação do Estado de Israel pelos palestinos, e acreditava que a única saída era a convivência pacífica dos dois povos, em dois estados nacionais vizinhos e respeitosos. O paralelo com um campo de extermínio perdia de vista a proporção dos fatos e esvaziava a intenção humanitária da crítica.

Num primeiro momento José estranhou, ou se surpreendeu, com o que eu disse. Argumentou a princípio, mas aos poucos me entendeu. Com o tempo, esta mesma conversa voltou, algumas vezes, e tanto ele quanto Pilar ressaltavam sempre que ele nunca havia dito aquela frase, e que o sentido de sua crítica fora deturpado por um jornalista que, presente na coletiva, estava em busca de um sensacionalismo qualquer.

Depois daquela conversa me senti aliviado. Olhando o enorme vale que se apresentava a nós, mostrei ao José uma pequena mancha alaranjada, onde, em meio àquele cenário grandioso, se podia vislumbrar o telhado de nossa casa. Achar a casa tão diminuta no meio de uma paisagem que parecia não ter fim, de algum jeito, correspondia ao que havíamos feito naquele fim de tarde. Ao encontrarmos o ponto para o qual logo mais iríamos voltar, Pilar e Lili juntaram-se a nós, e certamente intuíram que a conversa tinha andado bem.

* * * * *

Luiz Schwarcz é editor da Companhia das Letras e autor de Linguagem de sinais, entre outros. Ele contribui para o Blog da Companhia com uma coluna quinzenal chamada Imprima-se, sobre suas experiências como editor.

 

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23 May 22:55

Betty Faria vai de biquíni à praia no Leblon e faz história como Leila Diniz em Paquetá, há 40 anos

by Antônio Mello
Leila Diniz em 1971 e Betty Faria agora, em 2013


Leia Diniz liberou as grávidas da obrigação de esconder a gravidez, que não podia ser exibida em público. Era algo assim não de acordo com a etiqueta da época, como se fosse um arroto, um pum ou chulé. Aquela barriga crescente era algo que talvez só o ginecologista - nem o marido - pudesse ver.

Mas, em agosto de 1971, a maravilhosa Leila Diniz desfilou sua barriga de seis meses de gravidez num biquíni em Paquetá e a coisa mudou.

Agora, outra diva, Betty Faria, quebra novo tabu e vai à praia de biquíni mostrando seus 71 anos e liberando de vez a coroada para mostrar a história da vida em seus corpos, aquela que não é escondida por descaracterizantes cirurgias. Que maravilha!

Um paparazzo vendeu as imagens de Betty na praia do Leblon, e algumas pessoas tentaram censurá-la, dizendo que ela não deveria mostrar a idade num biquíni, assim como antes tentaram censurar Leila Diniz pela exibição da gravidez. Betty reagiu:

“O mundo quer uma burka para as mulheres que estão tentando viver e sobreviver aos tempos, às décadas, às agruras da vida, e muito mesmo a uma vida bem vivida. Não quero burka, não!”, desabafou. “Vou morrer velhinha de biquíni na praia. É uma sensação de liberdade tão boa. É o mínimo nesse Brasil tão careta."

Viva Leila Diniz! Viva Betty Faria! Um grande Viva a todas as mulheres que não se envergonham de serem o que são.

Grávidas e coroas, exibam sua alegria como lhes apetecer, e não deem ouvidos a essa gente careta e covarde.
22 May 17:27

Morte materna na novela da Globo: o que podemos estudar e aprender?

by Melania Amorim
Não é que eu esperasse que a Rede Globo tivesse aderido ao paradigma da Medicina Baseada em Evidências (MBE), porque na verdade da Rede Globo eu não espero nada, ou pelo menos nada de bom nas matérias sobre quaisquer aspectos de Medicina e Saúde. Menos expectativa ainda tenho em relação às novelas, aliás não acompanho nenhuma, muita coisa para estudar à noite (!), e se for para me distrair ou divertir prefiro ler ou assistir filmes, além de navegar nas redes sociais. No entanto, exatamente por conta dessas últimas, passei o início da semana sendo convocada para opinar sobre o capítulo da novela "Amor à Vida", apresentado na segunda-feira dia 20 de maio de 2013. 

Em uma de suas frequentes incursões à Obstetrícia (afinal, gestações e partos são frequentes na vida das heroínas de novela), a Rede Globo exibiu dois casos de parto complicado, com a morte de uma mãe e de seu bebê. Com o chamativo título  "Luana e o filho não conseguem sobreviver ao parto", as cenas que despertaram comoção no Facebook e, acredito, no Brasil inteiro, foram as seguintes:


Choveram comentários nas redes sociais, tanto de médicos comentando a terrível sequência de erros exibidos em horário nobre, como de mulheres aflitas com o risco de morte erroneamente atribuído ao parto normal, além de ativistas várias e boa parte das blogueiras mamíferas. Ao final, para poder comentar também, eu tive que assistir às tais cenas e ler uma boa parte das discussões, e por isso prometi esta postagem, porque o teor dos comentários estava me preocupando. Em vez de alertar para um problema que de fato pode ocorrer na gravidez (pré-eclâmpsia) e que é causa importante de morte materna em nosso meio (mas não seguindo o script global), o capítulo da novela, como foi redigido/dirigido/interpretado, só serviu para disseminar o temor ao parto normal, que aliás tem povoado o imaginário popular nos últimos anos. Em nossa cultura cesarista, é bem mais fácil aceitar as "fatalidades" decorrentes da operação cesariana do que as complicações eventuais do parto normal.

Um dos comentários, divulgado em uma página do Facebook "curtida" por mais de 370.000 pessoas resumia basicamente a opinião de muitas mulheres:

"Gente quem assistiu o primeiro capitulo da novela Amor à vida ontem viu um erro gritante... tive duas gestações de risco por pressão alta conhecida como pré eclampsia, e jamais quem tem esse problema pode ser submetida a um parto normal, por riscos a mãe e ao bebê (...) "

Por essas e outras, lá vou eu incursionar na crítica noveleira, mesmo sabendo que é tudo ficção e blá blá blá, qualquer semelhança com pessoas e fatos da vida real é mera coincidência. Seriados médicos estão na moda e o compromisso com a realidade não existe, basta lembrar de House e de sua altamente sofisticada Medicina de casos raríssimos investigados por uma equipe de profissionais polivalentes, que além de coletar evidências faziam todos os exames e até cirurgias de grande porte. Bem inverossímil, mas eu confesso que adorava assistir... por entretenimento. Há um rol de médicos viciados em seriados médicos. Coisas da vida. Mas depois poderemos voltar a House, E.R. e outros menos cotados mas ainda em exibição.

O que interessa agora é o primeiro capítulo da novela global. Uma mulher jovem entra em trabalho de parto aparentemente prematuro no hospital, com "pressão alta", é levada à sala de parto onde recebe todos os comandos convencionais para fazer força, até recebe sulfato de magnésio (pelo menos uma dentro, Rede Globo!), mas em seguida apresenta parada cardíaca e é (muito mal) reanimada pela equipe de canastrões, sem sucesso. Tentam uma cesariana de emergência e o bebê nasce morto. A mãe também morre.

Vou deixar de lado por enquanto a maluquice que foi essa suposta reanimação, a massagem cardíaca mais-do-que-fake com posição e técnica incorretas, a desfibrilação em um caso de assistolia (!!!), choques com 280 joules e zero de drogas vasoativas. Mesmo assim, foram erros imperdoáveis, porque vídeos demonstrando as técnicas corretas de reanimação estão fartamente disponíveis na Internet. Eu não espero tampouco que diretores e atores tenham feito os cursos de suporte avançado de vida em Obstetrícia - ALSO (1) ou em Cardiologia - ACLS (2), mas o consultor médico poderia ter seguido essas diretrizes. Em 2010 foram liberadas as novas recomendações da American Heart Association (AHA), que incluem a reanimação nos casos de parada cardiorrespiratória em gestantes (3, 4). Serviço de Utilidade Pública. Só valeu porque tanto eu como alguns colegas resolvemos usar esse vídeo em nossas aulas de reanimação para um exercício tipo "jogo de erros". Encontre os sete (ou mais) erros nessa reanimação materna.

E passemos para os aspectos obstétricos: ora, hipertensão é de fato frequente, estima-se que complique 10% de todas as gestações, e principalmente nas formas graves de pré-eclâmpsia e eclâmpsia, representa a primeira causa de morte materna no Brasil e a terceira no mundo (5, 6, 7). Estatísticas do Ministério da Saúde do Brasil demonstram que em 2010 20% de todos os óbitos maternos resultaram de hipertensão (Figura 1) (7). É importante reconhecer e tratar pré-eclâmpsia e prevenir a eclâmpsia, porque de fato as mulheres podem MORRER por conta dessas intercorrências. 


Figura 1. Causas de Morte Materna no Brasil, 2010

Todavia, a morte na pré-eclâmpsia e eclâmpsia dificilmente decorre de uma parada cardíaca súbita durante o parto normal, que poderia talvez alertar para a possibilidade de uma embolia por líquido amniótico, eventualidade raríssima na gravidez, entre 2 a 6 por 100.000 nascimentos (8). Os riscos maternos se associam às crises convulsivas (eclâmpsia), ao descolamento prematuro de placenta (DPPNI), edema agudo de pulmão, complicações hemorrágicas e coagulopatia (9, 10), enquanto os riscos perinatais decorrem sobretudo da prematuridade e da hipoxia resultante da redução do fluxo sanguíneo uteroplacentário (11).

A principal medida para prevenir e tratar a crise convulsiva eclâmptica é a administração do sulfato de magnésio, medicamento barato, acessível e de baixo custo que comprovadamente reduz o risco de recorrência da convulsão e de morte materna, o que é demonstrado em vários ensaios clínicos e diversas revisões sistemáticas com metanálise (12-15). 

A ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE ESTABELECE COMO GRAU DE RECOMENDAÇÃO FORTE O USO DO SULFATO DE MAGNÉSIO PARA PREVENÇÃO E TRATAMENTO DA ECLÂMPSIA (16).

Só que o sulfato de magnésio não baixa a pressão, então na emergência hipertensiva é necessário acrescentar uma droga anti-hipertensiva (labetalol nos países onde é comercializada a droga, aqui no Brasil e em outros lugares hidralazina por via intravenosa ou nifedipina por via oral). As evidências não conseguiram determinar qual a melhor droga e a orientação da RS Cochrane é que cada serviço utilize a droga com que tem maior experiência (17). A utilidade do tratamento anti-hipertensivo de manutenção na pré-eclâmpsia é controversa (10, 16).

Face à gravidade da situação, é possível que haja indicação de antecipação do parto, porque a única cura possível para a pré-eclâmpsia na atualidade é o parto, com a expulsão da placenta do organismo da mãe (10). Só que, ao contrário do que estão pensando e propagando, os riscos maternos e perinatais são em geral bem menores nos casos de pré-eclâmpsia ou eclâmpsia que "evoluem" para parto normal. "Antecipação do parto" só significa cesariana aqui no Brasil, no restante do mundo é deixar progredir ou induzir o trabalho de parto. Resultados maternos e perinatais são melhores nos casos em que se consegue o parto normal (10, 18), e é um erro frequente admitir na emergência um caso de pré-eclâmpsia e sair correndo para operá-la sem sequer solicitar exames. É necessário administrar sulfato de magnésio ("sulfatar", delicioso neologismo que introduzimos em português) e estabilizar para operar, nos casos em que de fato houver indicação de cesariana. A indução do parto pode ser realizada e tem mais chance de ser bem sucedida na pré-eclâmpsia, sobretudo com idade gestacional mais avançada (19, 20).

No caso em questão, a moça já estava em trabalho de parto (TP) e monitorizada, nada mais adequado do que ficar expectando a evolução do TP. Aliás, se estavam na fase de mandar "fazer força" (o que NÃO é uma orientação baseada em evidências), já se tratava de um período expulsivo. Se uma paciente nessa condição apresenta uma parada cardíaca, o indicado é que uma equipe comece logo a reanimação (CORRETA) e alguém se prepare para fazer um fórceps, desde que presentes as condições de aplicabilidade. Não havendo condições para um fórceps, cesariana perimortem está indicada, não apenas com o intuito de salvar o bebê, mas como parte dos esforços de reanimação materna. Existe a regra dos quatro minutos: se em quatro minutos de reanimação não se verifica sucesso, prosseguem as manobras e se realiza a cesariana de emergência. Com isso, cerca de 600ml de sangue que estavam confinados na circulação uteroplacentária retornam, com aumento do retorno venoso e do débito cardíaco. (1, 4)

[A propósito, não apenas PODE, mas DEVE-SE desfibrilar gestante, viram, pessoas? Não há contraindicação. Inicia-se a massagem cardíaca, enquanto se monta o desfibrilador, assim que ele chega se aplica o choque desde que um ritmo chocável seja identificado. É só seguir os protocolos do ACLS e do ALSO (baseados nas diretrizes da American Heart Association), vejam na figura abaixo, acrescentando-se a extração fetal de emergência de acordo com a regra dos quatro minutos (Figura 2). Notem que está escrito: NÃO retardar a desfibrilação!]


Figura 2. Algoritmo de reanimação na parada cardíaca materna

Enfim, o que quero reforçar é que é importante falar de pré-eclâmpsia, sim, é essencial ter uma boa assistência pré-natal para acompanhar as gestantes hipertensas e fazer prevenção com aspirina e cálcio nos casos de alto risco para pré-eclâmpsia (10, 16, 21, 22). Deve-se diagnosticar precocemente a pré-eclâmpsia, distinguir as formas graves com necessidade de internação e uso do sulfato de magnésio e, quando indicado e oportuno, antecipar o parto. Atualmente se evidenciam benefícios com a indução do parto a termo (a partir de 37 semanas) até mesmo nos casos de pré-eclâmpsia leve e hipertensão gestacional (23). Drogas anti-hipertensivas certamente estão indicadas na vigência de crise hipertensiva, e todas essas medidas em conjunto devem reduzir significativamente a morbidade e a mortalidade materna e perinatal. 

Cumpre, porém, evitar divulgar informações incorretas, contribuindo para disseminar mitos e preconceitos. NÃO há benefícios demonstrados com a prática de cesariana indiscriminada, mesmo que infelizmente ainda existam vários obstetras com essa mentalidade de que "é melhor operar". Eu já ouvi mesmo relatos de colegas que acham sulfato de magnésio "a maior besteira", indo contra todas as evidências científicas disponíveis e contra as recomendações da Organização Mundial da Saúde (16) e do Ministério da Saúde (MS) do Brasil (24).

Do Manual de Gravidez de Alto Risco do MS Brasil (2010):




Temos discutido muito neste blog sobre evidências científicas, e existem muitas classificações propostas para os níveis de evidências e graus de recomendação (25). Eu tenho preferido usar o GRADE (26), mas pretendo abordar essas classificações futuramente. Por enquanto, o que reforço é que a prática obstétrica, como todas as outras especialidades da saúde, deve se basear nas melhores evidências científicas correntemente disponíveis, e essas evidências certamente não são encontradas nas novelas da Globo. A menos que estejamos falando de "evidências" nível D, de "Desastrosa", "Desequilibrada" e, certamente, "Desprezível". Tão equivocadas como as de nível E, de "EU acho", ou "da minha Experiência", representadas pelas opiniões tantas vezes expressas pelos profissionais de saúde, quando desprovidas de senso crítico.

Para estudar mais sobre hipertensão e gravidez, recomendo a postagem anterior neste blog: Estudando Hipertensão na Gravidez: parte 1

REFERÊNCIAS

1. ALSO do Brasil. Advanced Life Support in Obstetrics. Suporte Avançado de Vida em Obstetrícia. http://www.also.com.br/

2. ACLS. Advanced Cardiac Life Support. Suporte Avançado de Vida em Cardiologia. http://www.ctsem.com/sample-menu/acls-advanced-cardiac-life-support.html

3. Travers AH, Rea TD, Bobrow BJ, Edelson DP, Berg RA, Sayre MR, Berg MD, Chameides L, O'Connor RE, Swor RA. Part 4: CPR overview: 2010 American Heart Association Guidelines for Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care. Circulation.2010;122(18 Suppl 3):S676-84.http://circ.ahajournals.org/content/122/18_suppl_3/S676.long

4. Vanden Hoek TL, Morrison LJ, Shuster M, Donnino M, Sinz E, Lavonas EJ, Jeejeebhoy FM, Gabrielli A. Part 12: cardiac arrest in special situations: 2010 American Heart Association Guidelines for Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care. Circulation. 2010; 122 (18 Suppl 3): S829-61. http://circ.ahajournals.org/content/122/18_suppl_3/S829.long

5.Duley L. The global impact of pre-eclampsia and eclampsia. Seminars in Perinatology, 2009; 33(3):130–137. http://www.seminperinat.com/article/S0146-0005(09)00021-4/abstract

6. Steegers EA, von Dadelszen P, Duvekot JJ, Pijnenborg R. Pre-eclampsia. Lancet, 2010; 21;376(9741):631–44. http://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(10)60279-6/fulltext

7. Ministério da Saúde Brasil. Secretaria de Vigilância em Saúde. Saúde Brasil 2011: uma análise da situação de saúde e de evidências selecionadas de impacto de ações de vigilância em saúde. 14. Mortalidade materna no Brasil: principais causas de morte e tendências temporais no período de 1990 a 2010. http://portalsaude.saude.gov.br/portalsaude/arquivos/pdf/2013/Fev/21/saudebrasil2011_parte2_cap14.pdf

8. Knight M, Berg C, Brocklehurst P, Kramer M, Lewis G, Oats J, Roberts CL, Spong C, Sullivan E, van Roosmalen J, Zwart J. Amniotic fluid embolism incidence, risk factors and outcomes: a review and recommendations. BMC Pregnancy Childbirth. 2012; 12:7. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3305555/

9.Bhattacharya S, Campbell DM. The incidence of severe complications of preeclampsia. Hypertens Pregnancy. 2005;24(2):181-90. http://informahealthcare.com/doi/abs/10.1081/PRG-200059873

10. Noronha-Neto C, Souza ASR, Amorim MMR. Tratamento da pré-eclâmpsia baseado em evidências. Rev. Bras. Ginecol. Obstet. 2010; 32 (9): 459-468. http://www.scielo.br/pdf/rbgo/v32n9/v32n9a08.pdf

11. Backes CH, Markham K, Moorehead P, Cordero L, Nankervis CA, Giannone PJ. Maternal preeclampsia and neonatal outcomes. J Pregnancy. 2011;2011:214365. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3087144/

12. Duley L, Gülmezoglu AM, Henderson-Smart DJ, Chou D. Magnesium sulphate and other anticonvulsants for women with pre-eclampsia. Cochrane Database Syst Rev. 2010; (11): CD000025. http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/14651858.CD000025.pub2/abstract

13. Duley L, Henderson-Smart DJ, Chou D. Magnesium sulphate versus phenytoin for eclampsia. Cochrane Review. Cochrane Database Syst Rev. 2010; (10):CD000128. http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/14651858.CD000128.pub2/abstract

14. Duley L, Henderson-Smart DJ, Walker GJ, Chou D.Magnesium sulphate versus diazepam for eclampsia.Cochrane Review. Cochrane Database Syst Rev. 2010; (12): CD000127. http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/14651858.CD000127.pub2/abstract

15. Duley L, Gülmezoglu AM, Chou D.Magnesium sulphate versus lytic cocktail for eclampsia.Cochrane Review. Cochrane Database Syst Rev. 2010;(9):CD002960. http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/14651858.CD002960.pub2/abstract

 16. World Health Organization. WHO Recommendations for Prevention and Treatment of pre-eclampsia and eclampsia.Geneva, Switzerland, 2011. http://whqlibdoc.who.int/publications/2011/9789241548335_eng.pdf 

17. Duley L, Henderson-Smart DJ, Meher S. Drugs for treatment of very high blood pressure during pregnancy. Cochrane Review. 2006; Cochrane Database Syst Rev.(3):CD001449. http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/14651858.CD001449.pub2/abstract

18. Amorim M, Katz L, Coutinho I, Souza A, Scavuzzi A, Matos A, Almeida T, Melo A. Vaginal delivery vs. cesarean section in women with severe preeclampsia: maternal outcomes.  http://www.ijgo.org/article/S0020-7292(09)60419-7/abstract

19. Berkley E, Meng C, Rayburn WF. Success rates with low dose misoprostol before induction of labor for nulliparas with severe preeclampsia at various gestational ages. J Matern Fetal Neonatal Med. 2007; 20: 825-31. http://informahealthcare.com/doi/abs/10.1080/14767050701578303

20. Alanis MC, Robinson CJ, Hulsey TC, Ebeling M, Johson DD. Early-onset severe preeclampsia: induction of labor vs elective cesarean delivery and neonatal outcomes. Am J Obstet Gynecol. 2008; 199:262.e-1-6. http://www.ajog.org/article/S0002-9378(08)00708-4/abstract

21. Hofmeyr GJ, Lawrie TA, Atallah AN, Duley L. Calcium supplementation during pregnancy for preventing hypertensive disorders and related problems.Cochrane Review. Cochrane Database Syst Rev. 2010;(8):CD001059. http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/14651858.CD001059.pub3/abstract

22.  Duley L, Henderson-Smart DJ, Meher S, King JF.Antiplatelet agents for preventing pre-eclampsia and its complications.Cochrane Review. Cochrane Database Syst Rev. 2007;(2):CD004659. http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/14651858.CD004659.pub2/abstract

23.  Koopmans CM, Bijlenga D, Groen H, Vijgen SM, Aarnoudse JG, Bekedam DJ, van den Berg PP, de Boer K, Burggraaff JM, Bloemenkamp KW, Drogtrop AP, Franx A, de Groot CJ, Huisjes AJ, Kwee A, van Loon AJ, Lub A, Papatsonis DN, van der Post JA, Roumen FJ, Scheepers HC, Willekes C, Mol BW, van Pampus MG; HYPITAT study group. Induction of labour versus expectant monitoring for gestational hypertension or mild pre-eclampsia after 36 weeks' gestation (HYPITAT): a multicentre, open-label randomised controlled trial. Lancet 2009; 374(9694):979-88. http://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(09)60736-4/fulltext


24. Ministério da Saúde, Brasil. Manual Técnico: Gestação de Alto Risco. Brasília, 2010. http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/gestacao_alto_risco.pdf

25. Centre for Evidence Based Medicine (CEBM). Levels of Evidence (March 2009). http://www.cebm.net/?o=1025

26. Mustafa RA, Santesso N, Brozek J, Akl EA, Walter SD, Norman G, Kulasegaram M, Christensen R, Guyatt GH, Falck-Ytter Y, Chang S, Murad MH, Vist GE, Lasserson T, Gartlehner G, Shukla V, Sun X, Whittington C, Post PN, Lang E, Thaler K, Kunnamo I, Alenius H, Meerpohl JJ, Alba AC, Nevis IF, Gentles S, Ethier MC, Carrasco-Labra A, Khatib R, Nesrallah G, Kroft J, Selk A, Brignardello-Petersen R, Schünemann HJ. The GRADE approach is reproducible in assessing the quality of evidence of quantitative evidence syntheses. J Clin Epidemiol. 2013 Apr 23. http://www.jclinepi.com/article/S0895-4356(13)00057-7/fulltext


22 May 13:12

Rosalba deve cortar salário e ‘extras’ de “Rutchinha”

by Carlos Santos

Se a governadora Rosalba Ciarlini (DEM) agir com isonomia, é provável que determine convocação pública ao trabalho da própria irmã, a ex-deputada estadual e ex-vice-prefeita de Mossoró Ruth Ciarlini (DEM).

A “Rutchinha”, como diria o personagem “Tonho da Lua”, da clássica novela “Mulheres de Areia” (TV Tupi, anos 70, regravada pela Rede Globo anos depois), desde o início do ano que está lotada no Hospital Regional Tarcísio Maia (HRTM), mas nunca apareceu para dar sequer um expediente (veja AQUI).

Mesmo assim, Rutchinha recebe 12 plantões diurnos e mais 4 plantões extras, somando uma renda extra mensal em seu salário no Hemoncentro de R$ 3.164,38/mês.

Vale ser lembrado que o diretor-geral do HRTM, médico Eider Barreto, é cunhado dela, a laboriosa assistente social – mana da governadora.

Há poucos dias, Rosalba determinou à Secretaria de Administração e Recursos Humanos o corte no ponto de servidores grevistas, que reivindicam seus direitos.

E a servidora que ganha sem trabalhar merece o quê?

Francamente!

22 May 13:08

#RevoltadoBusao: Os delgados caminhos da justiça

by Daniel Dantas Lemos
José Augusto Delgado foi ministro do STJ.  Aposentado, voltou-se à advocacia.  Na condição de advogado de algumas figuras conservadoras de Natal, já foi citado aqui no blog mais de uma vez, nos textos da Operação Sinal Fechado.
Quando juiz, em 1985, José Augusto Delgado tomou uma decisão, que talvez não tenha chamado tanta atenção à época, mas que aos olhos de hoje demonstram a intensidade de seu conservadorismo:
(Não sei quem escreveu a nota do Diário de Natal, mas me chamou atenção o fato de tratar o tema como homossexualidade, não homossexualismo).
O estudante Claudio José de Lima foi expulso da residência universitária da UFRN por ser homossexual.  O caso está sendo investigado pela Comissão da Verdade.  A decisão foi tomada pelos moradores da residência e pela Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis.  Tendo recorrido à justica, Claudio recebeu uma decisão negativa do então juiz José Augusto Delgado:
Não conheço do mandado de segurança por reconhecer ser impossível o pedido, por ausência de moralidade, princípio geral do direito e implícito em todo ordenamento jurídico, pelo que indefiro a petição inicial.
Ontem, 28 anos depois, foi a vez do filho do juiz José Augusto Delgado, Magnus Delgado, operar o direito de maneira conservadora nesta cidade, talvez de uma maneira ainda mais séria do que fizera o seu pai.
Magnus Delgado proibiu manifestações em toda extensão das BRs no estado.
Para mim, essa não foi a questão principal, no entanto.  O que liga sua decisão, pelo tempo, espaço, cultura e ideologia, à do seu pai, é a visão de mundo que brota de suas palavras.
Em face da gravidade das agressões, desrespeitos e crimes cometidos contra a indefesa população de Natal, bem como contra os agentes da lei que buscaram o cumprimento do sagrado direito de ir e vir de qualquer cidadão
Esse trecho da decisão do juiz me deixou perplexo: agressões, desrespeitos e crimes cometidos contra os agentes da lei?  Agentes da lei que encurralaram manifestantes desarmados, que utilizaram violência desmedida contra eles, que tentaram impedir o registro em fotos e vídeos chegando a confiscar equipamentos ilegalmente?
A cidade tem sido violentada por quem dá a ordem para que a Polícia agrida a cidadania na luta por seus direitos.  Reprimir o direito de se manifestar empurra-nos diretamente à decisão que manteve a expulsão de um aluno da residência universitária por causa de "moralidade" em virtude de ser homossexual.
Pior: essa decisão empurra o filho no mesmo cabedal jurídico sobre o qual o pai decidiu.  Ou seja, a ditadura militar e a repressão.  Estão fora de ordem, de tempo e de lugar.  Alguém precisa trazê-los imediatamente dos anos de 1970 para cá.
19 May 14:49

Brasil é campeão em desigualdade tributária, diz BID

by justicafiscal
A conclusão é de um estudo divulgado ontem pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) que mostra ser o Brasil o campeão da “desigualdade horizontal”, isto é, apresenta a maior diferença entre o que é cobrado a trabalhadores com a mesma renda, apenas pelo regime fiscal escolhido. A contribuição de um trabalhador brasileiro que paga o imposto Simples […]