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Mordy The Boston Terrier

Mordy the 2 year old Boston Terrier from South Gate, California. Submitted by Judy.
Frankie The French Bulldog

Frankie the 2.5 year old French Bulldog from Melbourne, Australia. Submitted by Leigh.
AS MARIAS DE MACHADO
Na urna da eternidade
P´ra sorrir mais animada
Mais bela, mais perfumada,
Lá na etérea imensidade".
É dela, que os meus sonhos de criança
Dourou: é minha mãe
O fogo da saudade me arde lento
É dela: minha mãe"
Em que descansas dessa longa vida,
Aqui venho e virei, pobre querida,
Trazer-te o coração do companheiro.
Que, a despeito de toda a humana lida
Fez a nossa existência apetecida
E num recanto pôs o mundo inteiro
Da terra que nos viu passar unidos
E ora mortos nos deixa e separados.
Pensamentos de vida formulados,
São pensamentos idos e vividos.
Aprenda a preparar Tofu Steak, uma delícia vegetariana da cozinha japonesa
Uma receita simples mas muito saborosa. Preparada com tofu, é rica em proteínas e mostra a versatilidade do queijo de soja, que, frito, adquire uma textura mais firme e às vezes até crocante. E o molho amanteigado completa esse prato, que pede apenas de uma porção de arroz branco como acompanhamento.
Tofu Steak
(Rende 2 porções)
Ingredientes
– ½ tofu
– Sal a gosto
– 5 colheres de sopa de óleo de soja para grelhar
– 3 colheres de shoyu (molho de soja)
– 3 colheres de mirin (saquê culinário)
– 1 colher de manteiga
Refogado: alho, cebola, shimeji e cebolinha. Opcionais: cenoura e abobrinha cortadas em palitinhos (juliene).
Modo de preparo
Corte o tofu em pedaços de 4 x 3 cm (com 1,5 cm de altura) e deixe sobre papel toalha para eliminar o excesso de água.
Tempere o tofu com sal e grelhe com um pouco de óleo na frigideira antiaderente, até ficar com as bordas coradas. Disponha em um prato.
Refogue o alho picadinho e a cebola em um pouco de óleo, junte os legumes, temperando com o shoyu, o saquê culinário (mirin) e a manteiga. Engrosse o molho adicionando uma colher (de chá) de maisena diluída em água. Disponha o refogado sobre o tofu frito e sirva salpicado de cebolinha.

Essa é uma receita da culinarista Marlene Fukushima, prática e fácil de ser preparada, como tantas outras que ela já ensinou em aulas na oficina de comida japonesa caseira. A próxima oficina vai mostrar o preparo de pratos para o inverno e festas, com clássicos como o nishime (cozido de legumes de inverno – foto) e o sekihan (arroz mochigome e feijão azuki – foto), além de ozoni (sopa de mochi, legumes e ervas), namasu (fatias finas avinagradas de nabo e cenoura), shake shio (salmão grelhado com sal) e oshiruko (sobremesa de feijão azuki e dango).
O valor da oficina é de R$ 310 e inclui uma apostila de receitas, ingredientes e o almoço com todos os pratos do curso. A aula acontecerá no dia 9 de junho, das 8h às 13h na rua 1º de Janeiro, 53 – Vila Clementino (ao lado do metrô Santa Cruz). As inscrições podem ser feitas pelo e-mail cursos@kaminaricomunicacao.com.br ou pelo Whats App: (11) 97130-3335.
(Fotos: divulgação)
STANLEY
Os slogans
Achado: sanduíches coreanos na Paulista
O Kimchi food truck agora tem ponto físico na Paulista, ali no número 1941, ao lado do Conjunto Nacional. Ocupa o primeiro ponto do lado direito do espaço gourmet do Market Paulista, atrás do Pastel da Maria.

No cardápio, Bao (pão no vapor) com bulgogui (churrasco coreano – foto acima) ou panceta apimentada (R$ 15 cada um). Tem ainda Bibimbap (R$ 25) servido com bulgogui, verduras e ovo com molho de pimenta. Dá para comer ali nos bancos da entrada do shopping, vendo o movimento da avenida. Já fui duas vezes e recomendo o Bao de panceta apimentada fortemente.

Tem ainda um cachorro quente com cebola caramelizada e maionese picante (R$ 10 – foto acima).
De quebra, tome um café coreano, que vem com creme! Aos domingos, a proprietária, Elisa Han, promete drinques a preço amigo com soju, o destilado coreano. Tô até me animando para fazer aquela caminhada no final de semana!

Kimchi – mapinha aqui
Av. Paulista, 1941, Cerqueira César. Aberto diariamente das 11h às 19h30 (aos domingos abre ao meio-dia).
Dax The Great Dane Mix

Dax the Great Dane Mix from Washington. Submitted by Sam.
REAL GABINETE PORTUGUÊS DE LEITURA
IPANEMA
CENTRO ANOS 70
ANOS 70
COSME, DAMIÃO E QUEM?

Olá, leitores! Outro dia, em minhas andanças fotográficas à procura de alguma nova decoração de fachada para meus arquivos, descobri no bairro do Catete, para minha felicidade, um pequenino ornamento para lá de interessante. Repousa a pequena escultura em argamassa no interior do frontão de um sobrado novecentista da Rua Tavares Bastos, número 10, hoje pintado num extravagante amarelo com detalhes em rosa.
Analisando a foto acima vemos a representação quase trivial de dois santos bastantes conhecidos nossos: Cosme e Damião. Mas reparemos que, à direita deles e vestida exatamente como eles, há uma terceira figura, em menor tamanho. Quem será?
Acertou quem pensou Doum.
Sobre os irmãos Cosme e Damião já sabemos, por Jorge Campos Tavares, que “eram dois irmãos gêmeos de origem árabe que exerciam medicina gratuitamente na intenção de divulgar a Fé de Cristo. Teriam sido martirizados em 287 no tempo de Diocleciano. São padroeiros dos médicos, dos cirurgiões, dos farmacêuticos, dos barbeiros e dos herbanários. Iconograficamente, apresentam-se vestidos de doutores, com vestes forradas de peles, chapéu ou barrete de doutor e têm como atributos um estojo de cirurgião, um vaso de farmácia, uma caixa de unguentos, uma lanceta ou uma espátula para preparar pomadas e bálsamos, ou um urinol (frasco de vidro para examinar urina, exame muito importante na medicina antiga).”[1] Como mártires que são, carregam a palma da ressurreição. No Brasil, sua festa é comemorada no dia 27 de setembro.[2]
Nas religiões de origem africana, como o Candomblé e a Umbanda, o sincretismo religioso os associou a Ibeji, orixá protetor dos gêmeos. Para saber mais sobre o assunto, clique aqui.
Mas e Doum, afinal?
O Candomblé e a Umbanda acreditam que, a cada dupla de gêmeos nascidos, um terceiro não encarna nesse mundo. Esse terceiro, “aquele que não veio”, é Doum (ou Idowu), entidade que personifica as crianças e é seu protetor. Para saber mais sobre Doum, clique aqui.
O tema é espinhoso, e portanto paro por aqui. Meu interesse foi apenas o de registrar a ocorrência de tão interessante ornamento numa fachada carioca – ainda que extemporâneo, a meu ver, à construção do sobrado.
[1] Tavares, Jorge Campos. Dicionário de Santos. Porto: Lello e Irmão Editores, 1990.
[2] Não custa lembrar que no município pernambucano de Igarassu está, segundo o IPHAN, a mais antiga igreja católica do Brasil, iniciada em 1535. Trata-se da Igreja Matriz de São Cosme e São Damião.
“SUÉCIA FECHA PRISÕES – BRASIL FECHA ESCOLAS.”

Rio de janeiro, 24 de Abril de 2018
Pai,
No caminho de casa, quase chegando, passo na frente de uma escola, que agora está fechada.
Antes passava e tinha todo aquele movimento de entrada e saída de alunos. Mas depois de algum tempo, a escola fechou, e aos poucos, fui vendo, a cada dia, a escola ficar suja, com aspecto de abandonada. Vieram as pichações, e aos poucos fui vendo que as janelas estavam sumindo, uma a uma, desaparecendo da fachada, deixando tudo exposto. Aí deu pra notar que as divisórias que separavam as salas também estavam sendo levadas. Costumava pensar que era uma representação do que estava sendo feito com a educação no Brasil, sendo desmontada!
Dava tanta tristeza, pai, que passei a não olhar mais quando passava em frente. Desviava o olhar pra não ver.
Depois de um tempo, um dia, dei uma espiada, e vi que tinha escrito alguma coisa na fachada, mas não consegui ler direito, fiquei na curiosidade de saber o que era, mas já tinha passado.
No dia seguinte passei mais devagar, e consegui ver, bem grande o que tinham escrito:
“SUÉCIA FECHA PRISÕES – BRASIL FECHA ESCOLAS.”
Encostei o carro e saí. Fiz questão de tirar uma foto.
Uma foto de uma luta, que captei aquele momento exato de um soco bem no fígado!
Aquela frase mostra como uma coisa tá ligada à outra, diretamente.
A Suécia investiu em escolas e está fechando prisões por falta de presos, e o Brasil fechando escolas, e tendo que construir mais presídios.
Sem educação, tem mais violência, né!
Mais violência faz com que as pessoas tenham mais medo, e percam a esperança, e isso não pode acontecer!
Seu filho ainda tem esperança que vamos vencer o medo, pai!
Um beijo
Ivan

Telepatia e tecnologia embalam comédia romântica sci-fi
Conhecer alguém, se apaixonar, começar um namoro e, finalmente, planejar uma cirurgia no cérebro que faça um experimentar os sentimentos do outro.
No mundo imaginado pela autora americana Connie Willis para seu romance “Interferências” (editora Suma), isso é possível e está na moda entre as celebridades e o pessoal do vale do silício.
É assim que a personagem principal, a jovem Briddey, vai parar em uma mesa de cirurgia para fazer um EED –nome que Connie deu à cirurgia que faz o cérebro do crush entrar em sintonia com o seu.
A ideia foi de seu namorado, o executivo de tecnologia Trent, que trabalha na mesma empresa de telecomunicações que ela, a Commspam. Mas, em vez de se conectar com o namorado, Briddey cria uma ligação muito mais forte do que a prevista pelo tal EED. Só que não com Trent.
Logo depois do procedimento, ela começa se comunicar por pensamento com o cara mais estranho da empresa, um rapaz descabelado chamado C. B. Schwartz. Depois de alguns dias, Briddey passa a escutar pensamentos de desconhecidos também, consolidando a telepatia adquirida misteriosamente após a cirurgia.
A escritora é veterana na ficção científica. É dela o elogiado “O Livro do Juízo Final”, também publicado no Brasil pela Suma. Mas “Interferências”, impresso originalmente em inglês em 2016, dividiu as opiniões dos fãs e de críticos pelo mundo.
Parte disso vem da tentativa de construir uma narrativa incomum dentro do gênero. “Interferências” é uma história de amor. Há tecnologia e especulações científicas, mas ainda é uma história de amor que poderia virar um filme da Sessão da Tarde.
A autora tem uma escrita ágil e certamente algumas risadinhas vão aparecer durante a leitura. Entretanto, se prepare para a torrente de pensamentos –os da personagem principal e os de centenas de pessoas que ela é capaz de ouvir. Pode desanimar os leitores menos pacientes.
A grande quantidade de referências do universo da tecnologia surpreende, ainda mais quando se considera que Connie escreveu a história quando tinha 70 anos, em 2016. A intenção por trás de boa parte desses comentários e da enxurrada de pensamentos que ataca Briddey, o leitor poderá descobrir, é bastante educativa.
Connie quer chamar a atenção para a velocidade e a superficialidade com as quais nos comunicamos hoje. Mandar uma mensagem de texto ficou tão instantâneo quanto pensar. O ato de conversar se desvencilha do contato visual e do movimento da boca cada vez mais –e esse parece ser o futuro dos humanos.
“As pessoas se comunicam demais”, conclui um dos personagens em um dado momento. Depois de ler as mais de 450 páginas de “Interferências”, o leitor pode chegar a considerar deixar o smartphone um pouco de lado também.

INTERFERÊNCIAS (CROSSTALK)
AUTORA Connie Willis
TRADUTORA Viviane Diniz Lopes
EDITORA Suma
QUANTO R$ 59,90 (464 págs.); R$ 39,90 (e-book)
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Cidade palimpsesto
Palimpsesto é uma palavra de origem grega, que em sentido literal significa “aquilo que se raspa para escrever de novo”.
O google nos ensina que a origem do termo tem a ver com o uso do pergaminho como suporte para a escrita, na antiguidade e na idade média. Um palimpsesto é um escrito que guarda vestígios de outro escrito anterior, que existiu sobre a mesma superfície. Essa prática de apagar para reescrever era comum por razões de economia: o pergaminho era um material escasso e caro, por isso o costume de raspar um texto para fazer outro em cima, sobre seus restos.
Cidades também podem ser lidas como palimpsestos: elas resultam do acúmulo de sucessivos “textos” parcialmente apagados, que guardam sentidos e memórias materiais de diferentes épocas. Compreender uma cidade exige habilidade para reconhecer e decifrar essas diferentes camadas de historicidade, em geral pouco visíveis ao olhar comum.
São Paulo é uma cidade que se desenvolveu marcada por sucessivas demolições e reconstruções, ou apagamentos e reescrituras, e por isso se apresenta como palimpsesto. Uma demonstração disso surgiu neste 1º de maio, em meio à tragédia do Largo do Paissandu. O desmoronamento do edifício Wilton Paes de Almeida fez ressurgir um pequeno vestígio de texto anterior, de uma época em que a cidade era menos brutal e beber Caracu era beber saúde.
Não é só nos EUA. Você sabia que a Rússia também tem a sua Casa Branca?
Não é só os Estados Unidos que têm a sua Casa Branca.
A Rússia também tem uma. E ela está localizada à beira do Rio Moscou, na capital do país.
Oficialmente é conhecida como “Casa do Governo da Federação Russa” (Дом Правительства Российской Федерации, em cirílico).
O edifício é o local de trabalho do primeiro-ministro Dmitri Medvedev.
Ele tem 102 m de altura e a bandeira em seu topo alcança 119 m. Sua área total é de 172,7 mil metros quadrados. Tem diversos escritórios e 27 halls para eventos e recepções. É fechado para o público.
O prédio foi construído entre os anos de 1965 e 1981, na União Soviética, e levava originalmente o nome “Casa dos Sovietes”.
A Casa Branca ilustrou um selo de 50 copeques lançado em 1991, em homenagem ao golpe de estado malogrado ocorrido em 1991.
Tal golpe foi comandado por uma ala radical de membros do governo da União Soviética para tirar do poder Mikhail Gorbatchev, presidente soviético, que trabalhava em medidas de abertura para o exterior. Ainda que não tenha sucedido, é apontado como momento chave para o fim da União Soviética.
Imagens de tanques de guerra em frente ao prédio correram ao mundo.
Em 1993, em outro momento de tensão na Rússia.
Uma disputa política pelo poder entre o presidente Boris Ieltsin e o parlamento russo foi resolvida com uso de força militar, naquela que ficou conhecida como a Crise Constitucional de 1993. Ela durou 13 dias e acabou com 187 pessoas e 437 feridas.

Episódio marcante aconteceu em 4 de outubro. Os militares, que estavam ao lado de Ieltsin, atacaram a Casa Branca, que servia como sede do parlamento russo. Houve também invasão do prédio.
A fachada ficou toda danificada e queimada, em imagens que se tornaram famosas em todo o planeta. Por algum tempo recém-casados paravam em frente ao prédio para fazer fotos.
Após meses, o edifício passou por uma grande restauração. E o símbolo russo, a águia de duas cabeças foi instalada no topo e segue até hoje.
Como é que é? - Molho de soja (shoyu) é feito com milho no Brasil? (Sim, mas...)
Ocorre que é absolutamente normal o uso de outros componentes para a produção do molho além da soja (e sal e água). Geralmente é adicionada uma fonte de amido para promover o crescimento do fungo e a produção de suas enzimas - no Japão e outros países orientais é comum a adição de trigo.
O ministério da agricultura do Japão padroniza cinco tipos entre os principais, mas há variantes por todo o país. O tipo mais comum de shoyu comercializado no Japão é koikuchishoyu (濃口醤油), com uma proporção de 1:1 entre soja e trigo. O shiroshoyu (白醤油), shoyu branco, pode ser feito totalmente de trigo, mas o mais comum tem uma proporção de cerca de 75% (1 parte de soja para 3 de trigo). O usukuchishoyu (薄口醤油) tem uma coloração intermediária entre o shiroshoyu e o koikuchishoyu, tendo cerca de 66% de trigo. Quanto maior a proporção de soja, geralmente, maior o teor de glutamato (e outros aminoácidos livres), que confere(m) o umami ao molho. Quanto maior a proporção de fontes de amido, maior o teor de açúcares, que conferem um toque adocicado. (Veja na tabela 1 algumas das principais características de cada tipo.)
Tabela 1. Características de composição e coloração dos cinco tipos padronizados de shoyu japonês. (Modificado de: O'Toole 2004.)
| tipo | sal (g/100 ml) | nitrogênio total (g/100 ml) | açúcares redutores (g/100 ml) | álcool (ml/100 ml) | cor | razão soja:trigo | |
| koikuchi | 16,9 | 1,57 | 3 | 2,3 | marrom escuro | 1:1 | mais vendido no Japão (>80% do mercado) |
| usukuchi | 18,9 | 1,19 | 4,2 | 2,1 | marrom claro | mais trigo | |
| tamari | 19 | 2,25 | 5,3 | 0,1 | quase preto | 10:1 | principal tipo consumido na China |
| saishikomi | 18,6 | 2,39 | 7,5 | - | quase preto | 1:1 | uso de shoyu cru no lugar da salmoura para fermentação líquida |
| shiro | 19 | 0,5 | 20,2 | - | amarelado | muito mais trigo |
Então é preciso observar- que: 1) não há proibição na legislação brasileira de adição de milho nem estabelecimento de limites para seu uso no molho de soja (como é comentado de passagem nas reportagens como a do UOL); 2) elementos amiláceos que não a soja são acrescentados normalmente na produção de shoyu, inclusive no Japão; 3) a presença de milho (e outros ingredientes) *está* indicada normalmente nos rótulos de shoyu nacionais, como determina a lei.
A única restrição que se poderia fazer é se a *ordem* dos ingredientes nos rótulos está de acordo com a quantidade de milho: se há mais milho do que soja, o milho precisa estar listado antes da soja nos ingredientes.
Os autores do estudo observam que a maioria das amostras estudadas (40 de 70 amostras de marcas brasileiras) apresentou um teor estimado de soja menor do que 20%. É preciso observar que o que o estudo determinou mais diretamente é a proporção de isótopos de carbono-13 (C-13). O milho, ao contrário da maioria das plantas, inclusive soja (e também trigo), tem o chamado metabolismo C4, em que o carbono é inicialmente fixado (incorporado) em um composto de quatro átomos de carbono (a maioria tem um metabolismo chamado de C3, que, como se pode deduzir, fixa o carbono inicialmente em um composto com três átomos de carbono). Nas plantas com metabolismo C4, ocorre uma fixação de gás carbônico com isótopo C-13 em proporção ligeiramente superior às plantas C3. Um nível mais elevado de C-13 indicaria o uso em maior quantidade de uma fonte como o milho. A metodologia, então, é bem indireta para se estabelecer a quantidade exata de milho usado - tanto é que, para pelo menos um dos pontos, a extrapolação a partir da medição de C-13 indicaria uma quantidade superior a 100% de soja, o que não faz sentido a não ser considerando-se as incertezas da avaliação para o teor de milho.
Para os pesquisadores, a possível alta quantidade de milho poderia se dever ao fato dos preços desses grãos serem, na média, menores do que os da soja. É possível e faz muito sentido (mesmo que correspondendo a alguns centavos por frasco). Mas um fator a se considerar é a diferença de gosto entre brasileiros e japoneses. Será que, em tudo o mais sendo igual (preço, quantidade de sal, cor...), o brasileiro preferiria um molho com maior umami ou um com mais açúcares? É possível que haja estudos de mercado sobre a preferência do consumidor, no entanto, como não sou da área, não tenho conhecimento a respeito.
Seria o caso de promover uma padronização do shoyu brasileiro? Não sei. Em termos de saúde - tirante legislações mais genéricas como em relação ao uso de sal, aviso de alergênicos, data de validade, tabela nutricional... -, não parece haver necessidade em função de um eventual risco pelo uso de milho. Em termos econômicos: em 2013, as vendas totais de shoyu no Brasil eram o equivalente a cerca de R$ 180 milhões/ano, não chega a ser insignificante (para fins de comparação, o ketchup movimentou cerca de 500 milhões BRL/ano em 2016); mas há lesão ao consumidor - exceto se no rótulo não for indicado o uso do milho ou a listagem sugerir um uso menor -? Essa discussão deixo para a leitora ou o leitor do GR.
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Algumas manchetes, excertos e comentários:
Exame 25.abr.2018: Estudo mostra que shoyu brasileiro é feito à base de milho
"Foram feitas análises com 70 amostras do condimento vendidas no Brasil. A presença média de soja nos produtos avaliados era de menos de 20%. Apesar de normalmente ser à base de soja no Oriente, ele é feito com milho no mercado nacional. O trigo e a cevada podem ser misturados ao shoyu, mas não fazem parte da composição principal do produto."
UOL 25.abr.2018: Shoyu produzido no Brasil não é de soja, é feito à base de milho
"Em países como Japão, China e Coreia do Sul, o molho shoyu é feito de soja com proporções pequenas de outros cereais como trigo ou cevada."
.O shoyu mais comumente vendido no Japão, por exemplo, leva 50% de trigo, o que é longe de pequeno e pode ser qualificado como fazendo parte da composição principal. Há variações que têm até 100% de trigo na composição (excetuando-se água e sal).
Terra 26.abr.2018: Estudo revela real composição do Shoyu fabricado no Brasil.
"O molho fabricado pelas indústrias brasileiras é composto por milho, e não por soja. [...] Já o milho, nesse mesmo processo apresenta o sistema de fotossíntese de C4 por gerar moléculas de açúcar que contêm quatro átomos de carbono. Essas moléculas de açúcar continuam presentes nos alimentos mesmo após seu processamento, portanto torna-se mais fácil identificar cada um deles."
.Embora o milho fosse o principal componente, havia soja - mesmo que apenas 5% (o menor teor estimado para algumas amostras), não houve nenhuma em que o molho tivesse apenas milho. O método usado não tem a ver com a quantidade de átomos de carbono nas moléculas de açúcares - porque, embora inicialmente nas plantas de metabolismo C4 o carbono seja fixado em uma molécula de 4 átomos de carbono, essa molécula é processada depois e a via fotossintética é muito similar às plantas C3; a diferença é pela fração de isótopos de carbono-13 que são incorporados (devido a afinidades das enzimas que realizam a reação).
França Proíbe Uso de Termos de Origem Animal para Produtos Veganos e Vegetarianos
A França aprovou (em abril de 2018) uma medida que proíbe o uso de termos associados com produtos de origem animal para descrever produtos de base vegetal. Como assim?
As empresas segmentadas em produtos veganos e vegetarianos que fabricam substitutos vegetais como: carne vegetal, linguiça vegetariana, bacon sem carne, queijo de castanha e afins não poderão mais utilizar estes termos em embalagens para descrever estes produtos.
A proposta foi sugerida pelo deputado Jean Baptiste Moreau que (olha o choque) é fazendeiro e defende que estes termos podem levar os consumidores ao erro. A proposta foi baseada em uma decisão de 2017 da Justiça Europeia (atrelada à União Europeia) referente para derivados de leite: termos como queijo, leite e manteiga só podem ser usados para produtos de origem animal (EUR-Lex: 62016CJ0422).

Foto: Jean Baptiste Moreau
O viés do político é combater alegações falsas para que os produtos sejam descritos corretamente e que termos como queijo e steak sejam reservados apenas para produtos de origem animal. As empresas que não seguirem a nova regra podem ser multadas em até €300 mil euros.
Algumas fontes sugerem que esta medida é ação de lobby para tentar frear o crescente mercado de produtos alternativos de origem vegetal que encontrou um nicho disposto a comprar.
Enquanto outras, também veem como uma maneira de impedir mudanças na língua francesas com novos termos e palavras, principalmente, se forem estrangeiras-inglesas.
O posicionamento é um tanto questionável, porém analisando de uma maneira generalizada e do ponto de vista de marketing existem empresas que usam os termos de maneira equivocadas que realmente podem levar o consumidor ao erro. Costumo dizer: não é mentira, mas não é toda a verdade.
Por exemplo, já fui em comércio que atende este nicho vegetariano e vegano, e pedi um prato que dizia ter queijo vegetal de castanhas. Até aqui tudo bem. Eu já os conhecia, mas não tinha provado ainda.
O detalhe foi que ao chegar o pedido era… uma pasta/creme de castanhas, e não um queijo. E sim, gente, queijo de castanha fica parecendo (visualmente) queijo. Não foi o caso. Eu realmente me senti enganado, uma pena.
Tendo como base a mudança de laticínios de 2017, o mercado não viu um impacto tão grande assim. Ou seja, os consumidores continuaram a comprar mesmo assim os produtos. O exemplo é para o leite de soja (soy milk) que virou bebida de soja (soy drink). E algumas empresas queriam mesmo se distanciar de produtos lácteos. Então, é uma via de duas mãos.
A pergunta que fica: será que essa decisão irá virar um precedente e vai se difundir para outros países?
[via The Guardian, ES, Independent, Retail Detail]
Confira o artigo em: França Proíbe Uso de Termos de Origem Animal para Produtos Veganos e Vegetarianos via PratoFundo. VAMOS CONVERSAR! Youtube | Instagram | Facebook | Twitter
Aprenda a receita do famoso pão de mel do Mosteiro de São Bento
O pão de mel do Mosteiro de São Bento é daquelas delícias que a gente prova e nunca mais se esquece. Pois os monges lançaram um livro com mais de 100 receitas do mosteiro chamado “Cozinhe com os monges ” e para a nossa sorte, a receita está lá –e aqui também, cola abaixo!
Pão de mel
20 porções
Ingredientes
• 3 xícaras de mel
• 60 g de manteiga em temperatura ambiente
• 2 colheres (sopa) de açúcar mascavo
• 1 xícara de leite morno
• 1 cálice3 de licor de laranja (por exemplo, Cointreau)
• 3 colheres (sopa) de chocolate em pó
• 1 colher (chá) de canela em pó
• 4 xícaras de farinha de trigo
• 1 colher (sopa) de fermento químico em pó
• 1 xícara de nozes sem casca picadas
• 1 barra (300 g) de chocolate ao leite para cobertura
• 1 barra (300 g) de chocolate meio amargo para cobertura.
Preparo
Em uma tigela grande, coloque o mel e a manteiga e bata até formar um creme.
Junte os demais ingredientes pela ordem em que aparecem na lista (exceto as barras de chocolate), misturando bem a cada adição.
Preaqueça o forno a 180 °C. Unte 20 forminhas (15 cm) com manteiga e polvilhe farinha de trigo. Distribua a massa entre as forminhas.
Leve ao forno preaquecido e asse por aproximadamente 30 minutos.
Retire do forno e deixe esfriar completamente em local fresco e abrigado do vento.
Enquanto isso, prepare a cobertura, derretendo os dois tipos de chocolate em banho -maria: pique grosseiramente as barras de chocolate e transfira para uma tigela refratária; encaixe a tigela dentro de uma panela com dois dedos de água (não deixe a água tocar o fundo da tigela) e leve esse conjunto ao fogo baixo, mexendo sempre até os chocolates derreterem e formarem uma cobertura homogênea.
Banhe os pães de mel já frios na cobertura e coloque-os em cima de uma grade para escorrer o excesso. Se quiser embrulhá-los em papel celofane, espere que sequem completamente.
P.S.: Você pode utilizar uma forma maior e rechear o pão com uma geleia de frutas e amêndoas depois de pronto.

Crédito da foto: Wellington Batista
Além das receitas, o livro conta a história dos mosteiros no Brasil, com destaque para o Mosteiro de São Bento. Fala sobre as refeições dos monges, verdadeiros rituais, e traz até um cardápio para uma semana com sugestões de orações.
Tem uma foto do aparelho de jantar utilizado para receber o Papa Bento XVI e também as receitas que foram servidas, como a terrine de berinjela e tomate seco e o bolo de fubá. Um livro gostoso de ler, até ousaria dizer, uma leitura divina, rs!
Cozinhe com os monges
Dom João Baptista Barbosa, OSB e Sandra Marina Witkowski
272 páginas – preço sugerido: R$ 75,90
Veja o que não pode faltar na sua bancada de marcenaria
Você curte marcenaria? Adora desenvolver seus próprios móveis e utensílios em madeira, ou está louco para começar? Selecionamos os principais itens que não podem faltar na sua bancada.
Itens da bancada de marcenaria
Vamos listar os itens que consideramos que farão a diferença em sua bancada. Fique tranquilo se você não possui tudo. O importante é começar, e aos poucos você vai tornando seu material mais completo. Então vamos lá!
Trena
Parece meio óbvio, mas é importante lembrar: nos projetos de marcenaria não cabe medidas mal feitas. Por isso deixe a improvisação de lado e utilize uma trena. Nada exagerado. Uma com 3 metros já é suficiente para projetos com madeira. Se você está começando agora, talvez seja interessante optar por uma trena que mostre apenas milímetros. Muitos modelos trazem múltiplas escalas que podem confundir ou dificultar a leitura.
Régua
Para trabalhar com madeira você precisa de réguas específicas, ou seja, as feitas em metal. Pode ser aço ou alumínio. Você vai encontrá-las em diversos tamanhos. São duráveis e possuem precisão na marcação.
Graminho
Poderíamos fazer um post especialmente sobre este item. Ele realmente faz a diferença quando você precisar fazer marcações de encaixes. O riscador de aço já faz uma marcação precisa e fina. Vale destacar também o sulco que fica para acertar o formão no início do entalhe.
Malho de madeira
Você precisará de um malho de madeira para realizar entalhes com formão, encaixes mais apertados, ou ainda inserir cavilhas e insertos de madeira. Se você está iniciando, não precisa ter vários tamanhos de malho, um médio será muito útil.
Formões
Aqui vale um investimento um pouco maior. Formões muito baratos possuem baixa qualidade e não vão te ajudar a faze encaixes com precisão. Há também uma variedade nas medidas. Se você tiver pelo menos três formões com 6mm, 12mm e 18mm, você conseguirá se virar em boa parte dos projetos.
Plaina
Você vai encontrar diversos modelos. O importante é saber que você vai precisar muito dela para alinhamentos, chanfros retos ou redondos e remoção de marcas de serras.
Grampos
Os grampos são utilizados para segurar as peças no lugar certo, seja para colagem, corte ou marcações. Se você tiver com uma grana para investir um pouco mais, vale a pena avaliar a compra de grampos de aperto rápido. Você conseguirá realizar o aperto com apenas uma mão.
Serras
São incontáveis os modelos existentes no mercado. Você vai sentir aos poucos a necessidade. De qualquer forma, como sugestão selecionamos o serrote de carpinteiro de lâmina com uns 30cm e um serrote de costa para fazer encaixes e cortes mais precisos.
Com uma bancada dessas não temos dúvida que você vai ter condições de construir muitas coisas em sua oficina!
Este artigo Veja o que não pode faltar na sua bancada de marcenaria foi originalmente publicado em Fazedores. [CC-BY-SA]
Sanduíches Campeões: McDonald’s lança linha especial para a Copa 2018

Foto: Divulgação | McDonald’s Brasil
O McDonald’s trouxe novamente para a Copa 2018 a sua linha de sanduíches inspirados em países que competem no evento esportivo, já é a quinta vez que a marca aposta nesta linha.
Para a versão de 2018, a seleção foi uma homenagem aos países que já foram campões do mundial: Brasil, Alemanha, Espanha, Uruguai, Argentina, Inglaterra, França e Itália. Para deixar um pouco mais diferenciado, estão dentro da Linha Signature que é o segmento premium do McDonald’s.
Por isso a Rússia ficou de fora, mas seria bem interessante se tivesse um lanche de estrogonofe, não é mesmo? hahahahah

Foto: Divulgação | McDonald’s Brasil
Seguindo os outros anos, cada dia da semana é específico para um sanduíche, exceto do McBrasil que estará disponível em todos eles. Além disso, as McFritas também serão diferentes para cada lanche.
O preço sugerido é r$29,90. Não sei se os lanches são bons, afinal, não provei nenhum (a assessoria não chamou a gente dessa vez para o lançamento, hahahahah). Estarão disponíveis a partir do dia 24 de abril de 2018.
McBrasil

Foto: Divulgação | McDonald’s Brasil
Todos os dias: Composto por dois hambúrgueres, queijo típico brasileiro, mix de folhas, bacon e maionese verde no pão de brioche. McFritas ou Batatas Rústicas especiais do dia.
McItália

Foto: Divulgação | McDonald’s Brasil
Domingo: Composto por queijo muçarela, polpetone, tomate, pepperoni e melt de muçarela com tomate seco no pão de brioche. McFritas tradicionais com molho de muçarela com tomate seco e bacon picado.
McFrança

Foto: Divulgação | McDonald’s Brasil
Segunda-feira: Composto por cogumelos caramelizados, dois hambúrgueres, queijo emental, mix de folhas, cebola crispy e Melt Brie no pão com gergelim. Batatas Rústicas com molho Melt Brie e bacon picado.
McEspanha

Foto: Divulgação | McDonald’s Brasil
Terça-feira: Composto por queijo muçarela, dois hambúrgueres, mix de folhas, tomate, copa fatiada e maionese de oliva no pão de brioche. Batatas rústicas com molho de maionese de oliva e bacon picado.
McAlemanha

Foto: Divulgação | McDonald’s Brasil
Quarta-feira: Composto por cebola caramelizada, 2 fatias de queijo emental entre dois hambúrgueres, bacon, tomate e mostarda rústica no pão com gergelim. Batatas rústicas com molho de maionese e bacon picado.
McUruguai

Foto: Divulgação | McDonald’s Brasil
Quinta-feira: Composto por 2 fatias de queijo emental entre 2 hambúrgueres, copa fatiada, cebola crispy e maionese chimichurri no pão de brioche. McFritas tradicionais com molho de maionese chimichurri e bacon picado.
McInglaterra

Foto: Divulgação | McDonald’s Brasil
Sexta-feira: Composto por 2 fatias de queijo emental entre 2 hambúrgueres, picles, fatias de bacon, cebola crispy e molho barbecue no pão com gergelim. McFritas tradicionais com molho cheddar e bacon picado.
McArgentina

Foto: Divulgação | McDonald’s Brasil
Sábado: Composto por 2 fatias de queijo cheddar entre 2 hambúrgueres, bacon, tomate, alface crespa e maionese chimichurri no pão de brioche. Batatas rústicas com molho de maionese verde e bacon picado.
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Pertinho de cidade da Copa é possível pisar em 2 continentes ao mesmo tempo
Cidade mais ao leste entre as 11 escolhidas para receber os jogos da Copa do Mundo da Rússia, Iekaterinburgo permite ao turista pisar em dois continentes ao mesmo tempo e fazer aquela foto legal para mandar aos amigos e compartilhar nas redes sociais com um pé na Europa e outro na Ásia.
E nem é preciso se afastar tanto assim do centro da cidade localizado na região dos Urais para ir livremente de um continente ao outro.
São três monumentos nos arredores do município que marcam a divisa.
O mais antigo e afastado deles e que dizem ser a verdadeira fronteira entre Europa e Ásia fica a cerca de 45 quilômetros ao oeste do centro de Iekaterinburgo, nas proximidades de uma cidade chamada Pervouralsk.
Ele foi erguido em 1837 paa comemorar a visita do Czar Alexandre II. Hoje é uma estrtura muito bem preservada.
Com Uber ou o aplicativo de táxi local Yandex dá para ir e voltar por cerca de 1.200 rublos (R$ 67). Há tamém um ônibus que passa perto e sai por 180 rublos (R$ 10) entre ida e volta.
Um outro monumento bem menor e sem muita graça fica perto deste de Pervouralsk. Se estiver de carro ou táxi basta dar uma paradinha. Além do pequeno Obelisco, há uma placa indicando o fim de um continente e início do outro.


Já o mais recente e mais próximo monumento fica a só 17 quilômetros de Iekaterinburgo. São cerca de 15 minutos de carro, o que vai dar ao redor de 500 rublos (R$ 29) entre ida e volta usando um aplicativo de transporte.
É uma espécie de mini torre Eiffel, inaugurada mais recnetemente e que foi adotada por Iekaterinburgo como um de seus símbolos para a Copa do Mundo.
Esta divisa também se carateriza por ser um local de casamentos, principalmente aos fins de semana.

Para chegar a Iekaterinburgo saindo de Moscou a melhor e menos canastiva opção é o avião. São cerca de 2h20 de voo. De trem, se leva cerca de 25 horas.
A volta para a capital é quase uma “viagem no tempo”. Como Iekaterinburgo está duas horas à frente no fuso horário, você alcançará seu destino quase no mesmo horário em que partiu.

O repórter viajou a convite do Comitê Organizador da Copa do Mundo
O Brasil em Nick Cave

Nick & Viv.
No início de 1993 fui até a Santa Efigênia, em São Paulo, buscar uns equipamentos para a emissora de TV em que trabalhava. Estava com meu chefe Ginel Flores. Andando por ali, parei num camelô que vendia CDs e encontrei o “Henry´s Dream”, do Nick Cave – que eu não conhecia, só tinha ouvido falar. O camelô abriu um sorriso e disse:
– Eu tinha uma loja na Galeria do Rock e esse cara não sai de lá, ele mora aqui na Vila Mariana. Ele não fala português e o pessoal lá zoa ele, chama ele de Chitãozinho.
O apelido era por causa do cabelo do músico, parecido com o do sertanejo, repicado em cima e com mullets gigantes.

– Nick Cave mora em Sampa?
Foi quando fiquei sabendo.
Levei o CD, que é um dos meus preferidos dele até hoje. Depois comprei tudo, li o que pude sobre ele, e fiquei atento.
Em meados de 1989 era impossível ficar incólume a Chitãozinho e Xororó. A dupla estava em todos os programas de TV, tocava incessantemente no rádio, podia ser vista em outdoors de propaganda de seus shows e, para quem vinha do exterior, parecia representar uma unanimidade nacional. Foi quando Nick Cave chegou ao país para morar com Viviane Carneiro, que tinha conhecido um ano antes, quando os Bad Seeds vieram tocar aqui. Ela estava grávida e Nick se desintoxicando de heroína – acharam que viver no Brasil seria bom para o processo. O jornalista Pedro Alexandre Sanches diz que o casal morou na Vila Madalena, mas um cara, numa fila de cinema em SP, me disse que foi vizinho de Nick em Vila Mariana, corroborando o camelô.
Era dezembro de 2000 e eu estava em SP visitando um amigo com minha filha Isabelle, então com oito anos. Fomos ver Fuga das Galinhas em um cinema de rua, não me lembro qual, tínhamos entrado em uma loja de discos antes, eu tinha comprado alguns, e na fila dos ingressos, tirei o “The Boatman´s Call” da sacolinha para dar uma olhada. Um cara, mais ou menos da minha idade, com um garoto de uns dez anos, olhou para o disco por cima dos meus ombros e disse:
– Fui vizinho dele, fomos pais mais ou menos na mesma época, vivíamos conversando sobre paternidade e tal…
Infelizmente, a fila andou rápido e não pude falar mais com o sujeito. Me lembro só de ele ter dito que Nick ficava muito em casa e gostava de entrar em igrejas para ver os cultos, às vezes Viviane ia junto, achava que era evangélica. “Meio doida, mas evangélica”.
Aparentemente, a rotina de Nick era discreta, alternando idas à Galeria do Rock, a pé, parando em botecos no caminho, onde apreciava os salgados e cervejas Antarctica – quando foi assaltado duas ou três vezes (não guarda ressentimentos); em casa escrevendo e cuidando do filho, Luke; e, eventualmente, indo a casas noturnas, como o Espaço Retrô.

Nick usou alguns desses lugares que conheceu, assim como prostitutas, travestis e gente da noite paulistana no videoclipe de “Do You Love Me”, rodado aqui.
Ele gravou “The Good Son” no Cardan Studios, em São Paulo, em 1989, o disco foi lançado no ano seguinte. A faixa de abertura é “Foi na Cruz”, assim mesmo, em português, com trechos do clássico cristão de mesmo nome, de Luiz de Carvalho, gravado em 1958, no primeiro disco gospel brasileiro, muito tocada em cultos da Assembléia de Deus. Ouça:
“The Good Son” tem outras canções de inspiração “tradicional” ou folclórica. Há tempos Nick vinha reescrevendo coisas assim. “The Good Son”, a canção, por exemplo, é baseada num spiritual chamado “Another Man Gone Done” e “The Witness Song” tem base num gospel chamado “Who Will be a Witness”. No período que Nick passou no Brasil, ele escreveu muito material desse tipo, que seria gravado em discos seguintes. Por exemplo, “When I First Came to Town”, de “Henry´s Dream”, é decalcado da canção tradicional “Kathy Cruel”; “Stagger Lee”, “Henry Lee” e “Crown Jane”, de “Murder Ballads” são quase versões literais de canções tradicionais. Esse disco tem uma cover de Bob Dylan e algumas pessoas entendem que o disco anterior de Nick, “Let Love In”, foi quase todo inspirado em canções de Dylan – tese na qual acredito.
O fato é que Nick fez uma versão para “Fio de Cabelo”, de Chitãozinho & Xororó. Ele gostou da ideia da canção e a reescreveu, dando o nome de “Black Hair”, gravada no disco “The Boatman´s Call”.
“The Boatman´s Call” é um disco com muita homenagem, reescrita e chupação. Por exemplo, fã de Leonard Cohen e de Lou Reed”, Nick começa “There is a Kingdom” com a frase “Just like a bird” emulando Cohen em “Bird on the Wire” e com uma melodia simplesmente chupada de “Perfect Day”, de Reed. Interessante que Nick diz que esse disco o remete a Viviane Carneiro tanto quanto a PJ Harvey, com quem ele teve um namoro e de quem levou um PNB.
Muita gente acha que o disco seguinte, “No More Shall We Part”, é uma espécie de continuação de “The Boatman´s Call”, mas, na verdade, o disco marca uma guinada e aponta para uma nova fase da carreira de Nick, com letras mais elaboradas, distância das canções tradicionais, autenticidade, originalidade. “No More…” é o décimo-primeiro disco de Nick, gravado quatro anos depois do anterior.
Depois tudo ficou ainda mais interessante. 
Voltando um pouco, Nick ficou por aqui entre fins de 1989 e 1993, voltando duas ou três vezes e, depois, levando Viviane e o filho Luke para Londres. Separaram-se, Viviane é psicoterapeuta lá e Luke é casado com uma jornalista esportiva.
Em 1994, Nick deu uma entrevista para a Hypno Mag onde não falou exatamente bem do país. Deve ser por isso que demorou quase 30 anos para voltar.
Mesmo que as coisas não tenham mudado muito por aqui.

Nick & Luke.
UPDATE: doc interessante com imagens de Nick em SP, indicado nos comentários por César 
Fruta-pão. Coluna Nhac do caderno Paladar. Edição de 12 de abril de 2018
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| Já começando a amadurecer e |
No próximo post, pão de fruta-pão





























