
O Brasil passa a ter a maior frota de carros blindados do mundo ao superar o México. O medo da violência urbana fez com que o consumidor brasileiro ajudasse a criar uma indústria baseada apenas na defesa pessoal a bordo dos automóveis.
São mais de 120 mil veículos em circulação no país capazes de suportar impactos de vários calibres de armas de fogo. Em 2013, a alta no setor foi de 21% com 10.156 unidades, mas nos últimos 10 anos, a frota blindada quintuplicou.
O mercado de segurança automotiva está tão em alta que algumas empresas investem milhões para aumentar a oferta e a capacidade de atender os clientes. O Grupo Avallon, por exemplo, vai construir uma fábrica de blindagem automotiva em Cotia, cujo investimento será de R$ 15 milhões.
Com ela, a empresa pretende produzir 120 unidades por mês e o cliente poderá acompanhar pelo smartphone a construção de seu carro blindado, o que garante mais segurança, segundo a empresa.
A rede de concessionárias de luxo Eurobike também criou uma divisão de blindagem para atender o consumidor. A revenda poderá blindar de 30 a 40 veículos por mês. O investimento somou R$ 3 milhões. Até a Mercedes-Benz decidiu criar um programa de locação com vários carros de luxo blindados. A diária pode chegar a R$ 2.500.
Entre os modelos mais blindados no mercado nacional, destaque para o Corolla, campeão em 2009 e 2010. Tiguan e XC60 foram os mais blindados de 2011 e o Evoque liderou com o SUV da VW em 2012. No ano passado, o SUV alemão foi o mais protegido do país. O padrão de blindagem no Brasil é o nível III-A, que suporta impactos de calibre 9 mm. É o maior grau de proteção liberada para uso civil no país.
O aumento da blindagem é reflexo direto do aumento do número de roubos. Em São Paulo, por exemplo, registra 15 meses seguidos de alta, sendo que a maioria dos disparos são feitos por armas de calibres 9 mm, .40 e 765. Para ter proteção, o cliente precisa pagar bem, pois o custo é elevado. Audi A3 ou BMW Séries 3 e 5 podem ter seus preços elevados em média R$ 55.000 dependendo do nível de blindagem escolhida.

A tecnologia emprega hoje em dia é bastante avançada, fazendo largo uso de aramida e resina, além de oferecer vidros blindados 20% mais leves. O peso acrescentado ao veículo é em média de 200 kg. Na história, um carro bastante pesado para prover a proteção de seu dono era o Cadillac 1928 de Al Capone, que tinha 1.300 kg apenas de aço balístico. No Brasil, existem 6 níveis de blindagem disponíveis, mas um é de uso restrito e outro é proibido.
O nível I suporta disparos de revolveres .22 e .38. Já os níveis II-A e II aguentam pistola 9 mm e revólver .357 Magnum. Já o nível III-A resiste ao impacto de submetralhadoras de 9 mm e revólver .44 Magnum. O nível III é de uso restrito das forças armadas e suporta impacto de munição do fuzil FAL. Por fim, o nível IV é proibido no país e resiste à metralhadora M60 (7,62 mm).
Com 70% do mercado nacional, o estado de São Paulo é onde se concentra a maioria das empresas de blindagem. Elas, porém, recomendam que se compre um carro blindado usado apenas nas revendas especializadas, a fim de garantir maior segurança, pois o produto não pode falhar.
A desvalorização média é igual à dos carros 0 Km e a garantia em média é de três anos. Assim, o mercado de usados blindados se torna uma boa opção para quem quer proteção, mas não pode pagar em um veículo novo. No caso de troca de usado por novo, a Avallon, por exemplo, faz uma revisão (substituição de itens desgastados) e aplica mais um ano de garantia.
[Fonte: Estadão]
Agradecimentos ao birchip pela dica.
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