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22 Jan 18:30

Religiões afros, orientalismos e cristianismo… Onde estão os oprimidos da Terra?

by giinternet

Leitores apontam que o chamado novo humor brasileiro, bem mais ideológico, no mau sentido, do que o de gerações anteriores também não faz piadas com religiões de origem africana ou com o budismo. É verdade. Os orientalismos estão entre hábitos de consumo de certa classe média com aspirações à ilustração, de onde vem a turma. E os africanismos são uma das expressões do politicamente correto. Transformá-los em alvos do humor seria um desrespeito com o oprimido e uma forma de fazer o jogo do poder.

Então sobra para o cristianismo, com igual virulência contra evangélicos e católicos. Estes são considerados culpados de boa parte dos males do mundo, inclusive a aids, já que “é contra a camisinha”. Sem contar a Inquisição… Bom mesmo era Marat!!! E os evangélicos são tratados como idiotas abduzidos, que não perceberiam que seu pastor não passa de um pilantra. “Ah, mas não existem padres e pastores pilantras, Reinaldo?” Claro que sim! Mas também há jornalistas pilantras, açougueiros pilantras, humoristas pilantras. E, reitero, não quero censurar ninguém. Só não dá para posar de “Soninha Toda Pura” ou de “A Censurada do Leblon” quando há uma reação.

Recorrer à Justiça é, reitero, uma reação democrática. Não pode é sair quebrando, espancando, batendo — práticas com as quais certo humor, é bom notar, tem flertado, ainda que por vias oblíquas. Isso, sim, é, nos valores que propaga, agressão à democracia. Recorrer a um Poder da República, nos marcos do Estado de Direito, é parte das regras do jogo.

Mas me desviei um pouco. No meu longo texto, demonstro que, se os humoristas preservam aqueles que julgam oprimidos, então preservem o cristianismo, ora, hoje a mais oprimida das religiões, seja na denominação católica, seja num dos muitos ramos do protestantismo. Mais de 100 mil pessoas são assassinadas por ano por causa de sua confissão religiosa. Parece pouco? Inspira o gosto de alguém pela piada?

Mas atenção! Eu sou Tocqueville: os males da liberdade se curam com mais liberdade — garantidas as premissas que permitem o exercício do direito. A piada é livre. O direito de reagir — na forma já definida aqui como sensata — também.

Há quem ache que Cristo era um banana? Que diga! O que não é possível é sair gritando “censura!” e reagir como se tivesse havido uma agressão à santidade quando alguém diz que banana é o humorista — ou jornalista, incluindo o autor deste post.

22 Jan 18:30

E agora? Ciclistas estão sendo assaltados na USP. Como vai bater o coração de alguns jornalistas?

by giinternet

ladrão de bicicleta

Ai, ai… Começou uma onda de assaltos a ciclistas na USP. Não me digam! Segundo levantamento da Jovem Pan, desde o dia 1º de janeiro, já são 14 ocorrências. Uma das vítimas é o promotor de Justiça Roberto Bodini, que relata a abordagem violenta dos marginais. Dizer o quê? Os ciclistas se transformaram, no Brasil, numa espécie de categoria de pensamento, adotada e adorada pela imprensa. Quem sabe, agora, se faça a coisa certa.

A USP é uma cidade de porte médio. Circulam por lá mais de 100 mil pessoas. A Polícia Militar tem de se comportar por ali de maneira quase invisível. As lideranças de extrema esquerda que tiranizam a universidade e os traficantes e consumidores de drogas, que são muitos, não querem saber da “repressão” . Sim, é preciso chamar as coisas pelo nome, e eu chamo.

Os mesmos traficantes, diga-se, tiranizam também a favela São Remo, que fica ao lado, separada da universidade por um muro, que foi vazado, num trabalho conjunto de militantes de extrema esquerda e vendedores de droga. A justificativa politicamente correta é que isso é feito para acabar com o apartheid social, entendem? Já houve um assassinato na USP. Mesmo assim, os “amigos do povo” querem a polícia longe.

Então ficamos assim: há uma cidade de porte médio, com policiamento precário, onde circula uma boa massa de endinheirados… Em que isso vai dar quando se sabe que o tráfico fez da Cidade Universitária o seu mercado? Atenção! Há bicicletas de endinheirados que podem custar até R$ 30 mil. Os assaltantes pegam a dita-cuja e se mandam pra favela.

Pior: ficamos sabendo agora que ciclistas contrataram escolta armada… Epa! Aí as coisas começam a ficar ainda mais perigosas. Avaliem o risco! A única saída sensata é parar com essa brincadeira estúpida de que a USP — e as universidades brasileiras — são territórios livres, onde a polícia não entra. A Guarda Universitária não vai poder se comportar como segurança privada de ciclistas, não é? É preciso que se faça lá policiamento ostensivo para reprimir qualquer forma de crime — inclusive, sim, o tráfico e o consumo de drogas.

Por mais que queriam transformar a USP num bunker, onde a PM não entra, as leis de mercado chegam pelo ar. Atrair bandidos para a universidade — em razão das drogas e da falta de policiamento — imaginando que eles não vão praticar banditismo é coisa de cretinos ou de gente de má-fé.

Sem a presença ostensiva da polícia, a alternativa para os ciclistas é levar Marilena Chaui como uma espécie de batedora, de ponteiro. Quando o bandido chegar com o tradicional “Perdeu, perdeu, passa a bicicleta para cá”, ela, a mais saliente crítica da presença da PM no campus, pode tentar convencê-lo de que se trata de um ato reacionário, que acabará concorrendo para a “militarização” da universidade, adicionando que ele, ladrão, mesmo sem saber, é, na verdade, um revolucionário em potencial, que está canalizando mal as suas energias redentoras… De resto, os dois “ODEIAM” a classe média…

22 Jan 17:55

Vasilis Ventirozos: Setting up Postgres Automated Failover

Nowadays, failover is one of the simplest procedures in postgres. Still, there are not many ways to automate this procedure and perform it without any human interference. This blog post will guide you through a way to implement automated failover by using two open source projects, repmgr2 and pgbouncer.

PGbouncer will act like a connection pool and as an entry point to the database cluster.
Repmgr now, (since version 2) supports automatic failover, the slave will try to connect to the master for a predefined time and number of attempts, if it fails, it will run a script that can be anything. We are going to use this functionality to perform auto-failover, redirect our application connections to the new master database, and notify the dba that a failover has been performed.

Each server will have its own copy of pgbouncer configuration file(s) and when a server is being promoted, the new master also has the responsibility to overwrite the configuration file on the server that pgbouncer runs (failover.sh).

In my example I used:
3 nodes (3 debian net install virtual machines)
$PGDATA configured on each node
3 postgres installations. one on each node
repmgr2-beta2 or later
pgbouncer-1.5.4
rsync
sshd

Hostnames:
bouncer 192.168.0.16 witness and pgbouncer server, will act as connection to our database cluster.
pgnode1 192.168.0.202 postgres database server 1
pgnode2 192.168.0.203 postgres database server 2


I will use these hosts as examples and as a point of reference for all the configuration files, lets start. . .

Install postgres on all nodes, set passwordless ssh between the three nodes for a user that has access to write in $PGDATA and run postgres binaries.

Install repmgr on all nodes, and pgbouncer only on bouncer.
On pgnode1 set the following in $PGDATA/postgresql.conf

listen_addresses='*'
wal_level = 'hot_standby'
archive_mode = on
archive_command = '/bin/false'
max_wal_senders = 10
wal_keep_segments = 5           # ----- FOR MY EXAMPLE 5, suggested by repmgr is bellow -------
#### wal_keep_segments = 5000   # 80 GB required on pg_xlog
hot_standby = on
shared_preload_libraries = 'repmgr_funcs'

and in $PGDATA/pg_hba.conf:
host    all             repmgr             192.168.0.0/16          trust
host    replication     repmgr      192.168.0.0/16           trust

Bring PostgreSQL up on pgnode1 and run:

createuser -s repmgr
createdb -O repmgr repmgr
psql -f </usr/share/postgresql/9.0>/contrib/repmgr_funcs.sql repmgr

On pgnode2 run:
repmgr -d repmgr -U repmgr -h pgnode1 standby clone
(this will use rsync)

Start postgres on pgnode2, you should have a new slave.
edit a repmgr.conf , whereever you like; in my case /etc/repmgr/repmgr.conf and add:

cluster=my_cluster
node=1
#priority=-1
node_name=pgnode1
conninfo='host=192.168.0.202 dbname=repmgr user=repmgr'
master_response_timeout=50
reconnect_attempts=5
reconnect_interval=1
failover=automatic
promote_command='/home/vasilis/configs/failover.sh'
follow_command='repmgr standby follow -f /etc/repmgr/repmgr.conf'

Each node will need its own repmgr.conf file: check github link for all my config files.
on pgnode1:
repmgr -f /etc/repmgr/repmgr.conf master register

on pgnode2:repmgr -f /etc/repmgr/repmgr.conf standby register
 
on bouncer (witness server):repmgr -d repmgr -U repmgr -h 192.168.0.16 -D PGDATA -f /etc/repmgr/repmgr.conf witness create

on pgnode2 and on bouncer run:
repmgrd -f /etc/repmgr/repmgr.conf > /var/log/postgresql/repmgr.log 2>&1 
(this is the deamon for repmgr)

Put the configuration file of pgbouncer from the master (pgnode1) to bouncer (pgbouncer server). Restart and test connectivity. If you stop pgnode1's postgres, pgnode2 will takeover, rsync configuration file for pgbouncer to bouncer, restart pgbouncer with ssh and mail a notification.


Conclusion
The main idea behind this implementation is that pgbouncer is the only entry point from the application to the database, each node upon promotion is responsible to “show” pgbouncer where it should now connect, this way, the application can remain unaware of  the current master db.
An alternative implementation could skip pgbouncer completely and each slave could directly change the configuration file of the application. In my example, I used a pgbouncer for 3 reasons: to ensure stability, to enforce connection pooling (and its advantages), and also to skip the assumption that the database stack has access to the application stack, which in my opinion shouldn’t.


notes:
  1. If the master is running repmgrd and db crashes then the deamon will exit because it can’t connect to the db, needs a way to restart, possibly with postgres startup.
  2. Bouncer in our example is a single point of failure, witness db can be configured as pgnode1/2 with repmgr and a second pgbouncer on a second machine. The application should take care on how to use these 2 pgbouncers.
  3. Failover.sh runs pg_ctl promote which is a postgresql 9.1 feature, for versions prior to 9.1 you may “touch” a trigger file.

Github link of all the configuration files used

 

Thanks for reading
--Vasilis Ventirozos
22 Jan 16:06

Fighting the Flu May Hurt Those Around You

by Unknown Lamer
sciencehabit writes "When you've got the flu, it can't hurt to take an aspirin or an ibuprofen to control the fever and make you feel better, right? Wrong, some scientists say. Lowering your body temperature may make the virus replicate faster and increase the risk that you transmit it to others. A new study claims that there are at least 700 extra influenza deaths in the United States every year because people suppress their fever."

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22 Jan 16:06

Walmart

What I really want is to hang out where I hung out with my friends in college, but have all my older relatives there too.
22 Jan 11:50

Hacker Says He Could Access 70,000 Healthcare.Gov Records In 4 Minutes

by timothy
cold fjord writes with this excerpt from Computerworld: "[W]hite hat hacker David Kennedy, CEO of TrustedSec, may feel like he's beating his head against a stone wall. Kennedy said, 'I don't understand how we're still discussing whether the website is insecure or not. ... It is insecure — 100 percent.' Kennedy has continually warned that healthcare.gov is insecure. In November, after the website was allegedly 'fixed,' he told Congress it was even more vulnerable to hacking and privacy breaches. ... 'Out of the issues identified last go around, there has been a half of a vulnerability closed out of the 17 previously disclosed ... other security researchers have also identified an additional 20+ exposures on the site.' ... Kennedy said he was able to access 70,000 records within four minutes ... At the House Science and Technology Committee hearing held last week ... elite white hat hackers — Kevin Mitnick, Ed Skoudis, Chris Nickerson, Eric Smith, Chris Gates, John Strand, Kevin Johnson, and Scott White – blasted the website's insecurity. ... Mitnick, the 'world's most famous hacker' testified: '... It would be a hacker's wet dream to break into Healthcare.gov ... A breach may result in massive identity theft never seen before — these databases house information on every U.S. citizen! It's shameful the team that built the Healthcare.gov site implemented minimal, if any, security best practices.'"

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22 Jan 11:50

Code Is Not Literature

by Soulskill
An anonymous reader writes "Hacker and author Peter Seibel has done a lot of work to adopt one of the most widely-accepted practices toward becoming a better programmer: reading high quality code. He's set up code-reading groups and interviewed other programmers to see what code they read. But he's come to learn that the overwhelming majority of programmers don't practice what they preach. Why? He says, 'We don't read code, we decode it. We examine it. A piece of code is not literature; it is a specimen.' He relates an anecdote from Donald Knuth about figuring out a Fortran compiler, and indeed, it reads more like a 'scientific investigation' than the process we refer to as 'reading.' Seibel is now changing his code-reading group to account for this: 'So instead of trying to pick out a piece of code and reading it and then discussing it like a bunch of Comp Lit. grad students, I think a better model is for one of us to play the role of a 19th century naturalist returning from a trip to some exotic island to present to the local scientific society a discussion of the crazy beetles they found.'"

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22 Jan 11:37

Ainda os incendiários do posto de gasolina, os quilombolas, o “negro subjetivo” e o Jornal Nacional

by giinternet
Canalha tenta riscar um fósforo para explodir o posto, depois de derramar combustível no chão

Canalha tenta riscar um fósforo para explodir o posto, depois de derramar combustível no chão. Felizmente, não conseguiu

Um leitor, que se identifica como Paulo César, aponta o que considera os meus “equívocos” no post em que critico a abordagem que o Jornal Nacional fez de dois assuntos ontem: o arrastão promovido por supostos funkeiros e o caso da invasão, e posterior conflito, de uma fazenda no norte de Minas. O post está aqui. Segundo ele, não há nada de errado na forma como as notícias foram dadas, e minha crítica teria apenas “viés ideológico”. Ele me recomenda ainda que tome cuidado para não ser o “outro extremo do JEG”. JEG, como devem saber quase todos os leitores, é a sigla que criei para definir o “Jornalismo da Esgotosfera Governista”, aquela gente financiada por estatais para exaltar o governo e o PT e atacar as lideranças de oposição e a imprensa independente. Não corro o risco. Escrevo o que penso, não o que pensa uma “legião”. Adiante.

Acho que fui bastante claro no post que escrevi, mas não me incomodo de voltar ao assunto. Noto, de saída, que critiquei, em primeiro lugar, o discurso da PM — não a ação de repressão, deixo claro. Ainda que os atos criminosos tenham se seguido à proibição de um baile funk, é preciso que se tome cuidado para que ações daquela natureza não sejam consideradas uma reação possível de descontentes. Evidentemente, não é. Aquilo é banditismo em estado puro. A questão, para mim, toca num dos pontos centrais do combate à violência.

Quem espanca funcionários e clientes de um posto de gasolina, derrama combustível no chão de forma deliberada e tenta explodir o lugar age deliberadamente de forma criminosa. Pobre ou rico, ele é apenas um bandido. Não há condição social que explique isso — a menos que se invista no preconceito habitual de associar a pobreza a delitos. Essa, como se sabe, é uma das farsas mais influentes no debate sobre a violência, desmentida de forma peremptória pelos fatos. São tantos os pobres no Brasil que, fosse verdadeira a relação, seria impossível andar nas ruas. A verdade é bem outra: a esmagadora maioria dos pobres tem o senso de moralidade de todos nós: peca aqui e ali, mas, no geral, segue as leis. Algumas psicopatias à parte, o criminoso o é porque quer, não porque foi empurrado para o crime.

E acho, sim, hoje mais do que ontem, que o JN fez muito mal em associar ao caso a promessa do prefeito Fernando Haddad de que vai levar iluminação para os tais clubes comunitários — ou algo assim. Qual é a relação óbvia que se estabelece? Com os clubes, não seria preciso fazer o baile funk no meio da rua, a polícia não teria interferido, e aqueles rapazes não teriam praticado aquelas barbaridades. Essa explicação pertence à mesma família moral daquela que sustenta que, não fossem as pesadas penas impostas à Alemanha pelo Tratado de Versalhes, não teria havido nazismo no país. Há uma diferença entre explicitar circunstâncias e estabelecer relações de causa e efeito que, no fim das contas, acabam responsabilizando as vítimas pela ações dos criminosos e facínoras.

Se cada crime cometido por pobres — frequentemente contra outros pobres, que não despertam a compaixão nem excitam a compreensão dos politicamente corretos — merecer um rabicho explicativo de sociologismo barato (falta de “opções de lazer”, por exemplo), estará criada a justificativa para a violência. Mas será preciso, por coerência intelectual, atuar também na outra ponta: o criminoso do colarinho branco terá igualmente de ser visto como alguém, sei lá, “vítima da sua classe”, certo? Ou a riqueza, a seu modo, também não tolhe a liberdade de escolha? Sigamos.

A invasão da fazenda
Paulo César me acusa ainda de tentar negar o que considera um fato “óbvio”, assim definido por ele: “a violência promovida pelos proprietários rurais”. E pergunta, em tom de desafio: “Você não reconhece?”. Não! Eu não reconheço! Não, ao menos, como ação deliberada de um grupo social ou de uma área da economia. Ao contrário: eu reconheço, isto sim, é que o setor agropecuário brasileiro há muitos anos tem livrado o país do buraco. Há bandidos entre os proprietários de terra? Há sim! Mas também os há na indústria, no comércio, nos serviços, na imprensa…

Estou igualmente mais convencido do que ontem dos equívocos da reportagem do Jornal Nacional. Em nenhum momento ficou claro que a invasão da fazenda, promovida por supostos quilombolas, era um ato ilegal. Nota: a violência com que foram retirados não se justifica; nem eu a justifiquei; escrevi isso Na verdade, a palavra “invasão” nem foi pronunciada pela reportagem ou pela locução do JN. Falou-se, candidamente, que eles “entraram” na propriedade. De modo oblíquo, informa-se que o Incra inclui a terra entre aquelas que poderão ser passíveis, um dia, quem sabe?, de reforma agrária. Fica clara a sugestão de que a invasão — ooops, “a entrada” — era justificada.

Eu reconheço, sim, que existe uma indústria da invasão de terras no país. Eu reconheço, sim, que existe uma escandalosa manipulação do conceito de “comunidades tradicionais”, seja para definir índios, seja para definir quilombolas. Paulo César aponta a minha “ignorância” por estranhar o que o dito “quilombola” entrevistado seja… branco! Segundo ele, cor de pele não é critério para definir quem pertence e quem não pertence a essa comunidade.

Ah, entendi: cor de pele serve para conquistar vaga na universidade pelo regime de cotas e, em breve, uma vaga no serviço público. Na hora da “quilombonlice”, aí não. Aí, parece, o que conta é o negro que cada um tem dentro de si, o negro subjetivo. Diz ele que aquele rapaz pode ser um descendente. Claro que pode! Mas é evidente que ele é fruto do cruzamento de cores de pele, de culturas, de correntes migratórias, sei lá eu. Ele é, em suma, uma brasileiro como a larga maioria de nós: está todo misturado. Seja para definir reservas indígenas, seja para definir áreas de quilombolas, não dá para fazer de conta que a história brasileira não existiu. Mas que se note: esse é o aspecto menos importante da minha restrição.

Inaceitável mesmo é que uma invasão não seja tratada como tal e que se condene apenas um dos atos criminosos. O simples silêncio sobre a primeira transgressão legal já comprometeria a isenção da reportagem. Mas há mais do que silêncio: a história é contada segundo um ponto de vista: o dos invasores — tratados como simples “entrantes”.

Lamento! Está tudo errado, e minhas observações, de resto, são técnicas. Não têm nada a ver com ideologia, se sou de direita ou de esquerda, comunista ou liberal. O país tem uma ordem jurídica, democraticamente instituída, e seus fundamentos têm de ser respeitados. Abordagem ideológica — no sentido de que se apela a um conjunto de valores abstratos para alterar e corrigir os fatos — foi a empregada pelo Jornal Nacional.

PS: No vídeo que publiquei, do SPTV, falta o momento em que um dos bandidos tenta riscar um fósforo para explodir o posto. Por que no do JN aparece aquele instante e não no outro? Não sei. 

22 Jan 11:36

Kaíque, 17 – Atenção, dona Maria do Rosário: “É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã”

by giinternet

Vejam a foto deste adolescente. Ele tinha 17 anos.

Kaíque Augusto

No dia 18, escrevi aqui um texto sobre a morte trágica de Kaíque Augusto, o rapaz da foto, que era negro e gay — pronto, portanto, para ser “consumido” por movimentos militantes. Faço questão de reproduzir o primeiro parágrafo daquele post:
“Todas as profissões têm seus momentos desagradáveis, indesejados pelos profissionais. Eis um deles. Preferiria não escrever nada do que virá, seja em razão do que há de drama humano, de sofrimento mesmo, seja em razão da pulhice política que acompanha o episódio. Raramente tantos oportunistas se aproveitaram com tamanha determinação da dor alheia como nestes tempos.”

Meu desconforto continua neste segundo texto. Kaíque, agora a família também reconhece depois de mais um monte de indícios, se suicidou. Jogou-se do alto de um viaduto no Centro de São Paulo. A polícia encontrou seu corpo no dia 11, desfigurado em razão da queda. Dado o estado do cadáver, que, adicionalmente, passou três dias sem refrigeração, a família suspeitou de espancamento e tortura e sustentou que o garoto teria sido morto num ataque homofóbico.

Penso no sofrimento do rapaz, na dor de sua mãe, de seu pai, da sua família, enfim. Nesta terça, o advogado da família reconheceu que o jovem se suicidou — em seu diário, há até um texto de despedida — e que a Polícia atuou com correção na investigação do caso. Na sexta-feira, militantes gays promoveram um protesto no Centro de São Paulo “exigindo” que a polícia apurasse direito o caso. Na verdade, a exigência era outra: que se concluísse que a morte era consequência da homofobia. Kaíque, como observei, havia deixado de ser uma pessoa — com todos os seus sofrimentos — e passara a ser uma bandeira.

E agora? Bem, agora Kaíque foi rebaixado à condição de cadáver comum, e ninguém mais vai se interessar pelo seu caso. Deixo claro, meus caros: eu até compreendo, embora lamente, que lideranças de movimentos gays chamem de “crimes de homofobia” também àqueles que não são. Lamento porque isso distorce a verdade e, por óbvio, distorce também a solução. Mas vá lá… Digamos que essas lideranças tenham adotado uma postura política: “Faremos sempre o máximo de barulho para que nossa causa fique em evidência”. Acho um erro, sim, mas é muito próprio do caráter sindical que assumiram esses movimentos.

Mas e Maria do Rosário? A ministra dos Direitos Humanos, com a (ir)responsabilidade de quem é a voz da Presidência da República na área, emitiu na sexta-feira uma nota indecorosa, asquerosa mesmo, a respeito. Ela decidiu pegar carona na morte de Kaíque e na terrível tragédia que acometeu sua família e emitiu uma nota pública em que:
a: deu como certo e fato consumado que Kaíque fora assassinado;
b: deu como inquetionável que se tratava de um crime praticado pela “homofobia”;
c: fez propaganda de seu ministério;
d: fez propaganda do governo Dilma;
e: sugeriu que, não fosse a pressão da sua pasta, a Polícia de São Paulo não faria a devida investigação;
f: defendeu a aprovação da tal lei anti-homofobia.

Reproduzo uma vez mais a sua nota e volto em seguida.
A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) vem a público manifestar solidariedade à família de Kaique Augusto Batista dos Santos, assassinado brutalmente no último sábado (11/01). Seu corpo foi encontrado pela Polícia Militar de São Paulo próximo a um viaduto na região da Bela Vista, na Avenida 9 de Julho.
As circunstâncias do episódio e as condições do corpo da vítima, segundo relatos dos familiares, indicam que se trata de mais um crime de ódio e intolerância motivado por homofobia.
De acordo com dados do Relatório de Violência Homofóbica, produzido pela Secretaria de Direitos Humanos, em 2012, houve um aumento de 11% dos assassinatos motivados por homofobia no Brasil em comparação a 2011. Diante desse grave cenário, assim como faz em outros casos que nos são denunciados, a SDH/PR está acompanhando o caso junto às autoridades estaduais, no intuito de garantir a apuração rigorosa do caso e evitar a impunidade.
A ministra da SDH/PR, Maria do Rosário, designou o coordenador-geral de Promoção dos Direitos deLGBT e presidente do Conselho Nacional de Combate a Discriminação LGBT, Gustavo Bernardes, para acompanhar o caso pessoalmente. O servidor da SDH/PR desembarcou no início na tarde desta sexta-feira (17) na capital paulista, onde deverá conversar com a família e acompanhar o processo investigativo em curso.
Informamos ainda que a Secretaria de Direitos Humanos está investindo recursos para a ampliação dos serviços do Centro de Combate à Homofobia da Prefeitura Municipal de São Paulo, fortalecendo a rede de enfrentamento à homofobia.
Diante desse quadro, reiteramos a necessidade de que o Congresso Nacional aprove legislação que explicitamente puna os crimes de ódio e intolerância motivados por homofobia no Brasil, para um efetivo enfrentamento dessas violações de Direitos Humanos.
O Governo Federal reitera seu compromisso com o enfrentamento aos crimes de ódio e com a promoção dos direitos das minorias, em especial, com a população LGBT.

Retomo
É um hábito desta senhora disparar primeiro e ponderar depois. É assim desde os tempos em que ela defendia a proibição da venda legal de armas, embora tivesse aceitado doação de campanha da Taurus… Notem: a doação foi legal. Imoral era a pregação de Maria de Rosário. Sim, é preciso combater os crimes de ódio — necessariamente sem fazer escolhas que possam provocar… ainda mais ódio. E assim pode ser caso, nos termos em que está, se aprove a tal lei anti-homofobia. Mas nem vou entrar agora nessa questão.

Qual história é mais trágica, mais triste, mais dura? Para a família de Kaíque, suspeito, a versão que se comprovou falsa talvez machucasse menos. Os militantes gays deixarão o garoto de lado. Ele não pode mais ser consumido pela causa. Ele já não serve como bandeira. Maria do Rosário não vai se desculpar, e seus caçadores de causas ficarão atentos à espera de um próximo cadáver que possa ser exibido em praça pública.

Recorri a Renato Russo no título — quando percebi que tinha qualidades genuínas, ele já havia morrido —, um verso de índole cristã (e pouco me importa saber o que autor pensava sobre religião).

Se Maria do Rosário seguisse aquele princípio, não seria tão oportunista. E emitiria, então, 140 notas de pesar por dia, que é a média de assassinatos diários no país que mais mata no mundo, incluindo os que estão em guerra. Ocorre que Maria do Rosário pertence a uma escola de pensamento que transforma um morto na bandeira com a qual esconde os outros 51 mil para os quais o governo que ela integra não dá a menor bola.

Solidarizo-me com a família de Kaíque. É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã.

22 Jan 11:32

Código Penal pune conduta de Maria do Rosário com pena de 1 a 6 meses de prisão

by giinternet
Maria do Rosário: ela atira primeiro e só pergunta depois

Maria do Rosário: ela atira primeiro e só pergunta depois

Escrevi há pouco um texto sobre a conduta lastimável da ministra Maria do Rosário, que anunciou ao Brasil a falsa ocorrência de um crime. Resgatemos dois trechos de sua nota:
ANÚNCIO DO FALSO CRIME:
“A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) vem a público manifestar solidariedade à família de Kaique Augusto Batista dos Santos, assassinado brutalmente no último sábado”
MOBILIZAÇÃO DA AUTORIDADE
“SDH/PR está acompanhando o caso junto às autoridades estaduais, no intuito de garantir a apuração rigorosa do caso e evitar a impunidade.”

O que diz o Código Penal no Artigo 340? Isto:
“Art. 340 – Provocar a ação de autoridade, comunicando-lhe a ocorrência de crime ou de contravenção que sabe não se ter verificado:
Pena – detenção, de 1 (um) a 6 (seis) meses, ou multa.”

 

 

22 Jan 11:24

'Web Junkie': Harrowing Documentary On China's Internet Addiction Rehab Clinics

by Soulskill
cold fjord writes "The Daily Beast reports on Web Junkie, a documentary showing the unsettling efforts undertaken by the Internet Addiction Treatment Center in China to break teenagers of their internet habits. Quoting: 'China was one of the first countries to brand "Internet addiction" as a clinical disorder, and to claim it's the number one threat to its teenagers today. The Chinese government has erected 400 rehabilitation boot camps like this one ... a bizarre hybrid of military barracks and mental hospital. ... Every room in the facility is monitored by cameras. ... Teens spend a minimum of three months at Daxing. ... Wires and nodes will be hooked to their head ... they're administered daily medication (without being told what it is), they have to keep their rooms spotless, partake in individual and group therapy sessions with their parents, and do boot camp-style exercise ... One kid in the film claims to have played World of Warcraft for 300 hours straight, taking only tiny naps in between. ... "Some kids are so hooked on these games they think going to the bathroom will affect their performance. So they wear a diaper. These are the same as heroin addicts. ... That's why we call it electronic heroin."' Wired has further details and a clip from the documentary."

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22 Jan 11:23

Cuidado! Os amigos dos pobres e dos bichos estão em ação

by giinternet
Táxi no corredor da Rebouças; avenida congestionada, área de ônibus livre — inclusive dos... ônibus!

Táxi no corredor da Rebouças: avenida congestionada, área de ônibus livre — inclusive dos… ônibus!

Na sexta-feira passada, tinha uma consulta à tarde no Hospital Albert Einstein. Não dirijo, como sabem. Nunca nem liguei um carro — hoje, basta apertar um botão. Não tive essa curiosidade. Vai que aquele troço dê um solavanco… Um desafeto pode indagar: “Como pode tentar lidar com ideias um idiota como você, que não consegue, ao mesmo tempo, cuidar de dois pedais, mover o volante e olhar para a frente e para um retrovisor central e dois laterais?” Pois é, leitor inimigo… Já bati o carro só de escrever… Não tem jeito! É uma tarefa para humanos acima da minha medíocre condição. Admiro sinceramente as pessoas que dirigem. Adicionalmente, tenho uma miopia fabulosa (vai ficando menor com a idade, mas ainda é robusta). Enfim, eu poupo os outros da minha falta de jeito e de talento. “Menos quando escreve”, insiste o petralha viciado em mim, hehe…Retomo. Tinha uma consulta às 19h30 no Einstein. Decidi sair daqui às 18h. Minha mulher, um desses humanos superiores capazes de conduzir aquela máquina, se ofereceu para me levar. “Não, vou de táxi por causa do corredor da Rebouças, ou vamos demorar mais de duas horas para chegar lá”. E assim fiz.

Fui bem-sucedido. Rampa do Pacaembu livre; a Rebouças toda parada, como sempre, mas os corredores de ônibus fluíam. O táxi deslizou por ele. Não atrapalhamos um único coletivo, nada! Cheguei a meu destino em 25 minutos. No meu próprio carro, dado o congestionamento, não teria levado menos de duas horas. “Por que não vai de metrô?” Porque ele ainda não chegou ao Morumbi. “E de ônibus?” Seriam necessários pelo menos quatro — oito com os da volta. Síntese: se e quando os táxis não puderem mais circular no corredor, haverá, em casos assim, um carro a mais na rua — o meu. Como eu, há milhares de outras pessoas.

Existem 35 mil táxis em São Paulo. O motorista que me levou ao hospital afirmou que faz, por dia, 12 corridas. Mas disse não ser dos que mais trabalham. Afirmou que há quem só pare depois de pelo menos 20. Operarei com uma média modesta: 10. Fazem-se pelo menos 350 mil corridas por dia. Segundo ele me diz, em metade das vezes, transporta dois passageiros; mais raramente, três. Nos fins de semana, por causa das baladas, é frequente conduzir até quatro. Pergunto: o táxi não é também, a seu modo, transporte coletivo? Se e quando forem proibidos de circular nos corredores, será que donos de carro migrarão para o ônibus e pronto? Não! Haverá mais carros na rua, extremando os problemas de trânsito.

Mas não tem jeito. A Prefeitura falsifica a realidade ao afirmar que se trata de uma exigência do Ministério Público. É? Sim, o órgão ameaça representar contra a Prefeitura porque os gênios de Fernando Haddad fizeram um estudo demonstrando que os táxis deixavam mais lentos os ônibus. Basta circular de táxi nos corredores para perceber que isso é falso. Digamos, no entanto, que verdadeiro fosse: mais lento quanto? A depender do percentual, melhor arcar com essa lentidão do que com ao acréscimo de milhares de carros nas ruas.

Fosse uma questão apenas técnica, de conciliação das várias necessidades de São Paulo, o certo seria permitir que táxis circulassem não só nos corredores, mas também nas faixas — inclusive vazios, para que pudessem chegar com mais rapidez aos clientes. Quando puder, leitor, se ainda não o fez, vá a Nova York ou a Buenos Aires. Veja o número de táxis que há nessas cidades e depois compare com São Paulo, Rio, qualquer outra capital brasileira. Houvesse vontade de resolver problemas em vez de criar proselitismo ideológico e luta de “ricos” contra “pobres”,  Haddad daria um jeito de, primeiro, fazer com que donos de carro migrassem em maior número para os táxis. Para milhares de pessoas, o “custo tempo” é muito mais importante do que o “custo dinheiro”.

Mas não! Haddad, que hoje hostiliza os donos de automóveis, apesar de seu partido estimular a compra de carros, decidiu hostilizar também os motoristas de táxi e os usuários do serviço. Eis o PT: essa gente é especialista em promover a guerra de todos contra todos.

Os bichos
Para chegar ao Einstein, no caminho em que faço, tenho de passar pelo Palácio dos Bandeirantes, sede do governo de São Paulo. Havia lá um grupo de uns 15, 20 militantes, com cartazes. Eles cobravam que o governador Geraldo Alckmin sancione uma lei aprovada pela Assembleia Legislativa — à esteira daquela barbaridade cometida contra o Laboratório Royal —, que proíbe o teste em animais de produtos cosméticos, de higiene pessoal e de perfumes e seus derivados. “Também os de higiene pessoal?” Também! Parece que o essa área do saber é considerada mera frescura…

Que se note: a indústria cosmética quase não usa mais bichos. Na maioria das vezes, os testes são mesmo feitos em vitro. No Royal, diga-se, os animais eram usados apenas para testar remédios. Aquela gente em frente ao Palácio só estava lá protestando, firme e saudável, em razão de alguns bichinhos que serviram à ciência. O governador tem até quinta para sancionar ou não a lei. Parece-me evidente que se trata de uma questão federal, não estadual. Até porque, a depender das restrições que se criem, empresas deixarão São Paulo, desempregando pessoas, para se instalar em outros estados.

Higiene pessoal, cosméticos, perfumes… Será isso tudo supérfluo? A depender da decisão que se tome, também nessa área, o único resultado será a punição de pessoas. Que diferença faz empregar um animal em São Paulo ou em outro estado qualquer? Mas faz toda a diferença para quem vai perder o emprego, não? Sem contar que há, obviamente, um apelo obscurantista nessa história. Mas essa gente sabe que o espírito estúpido do tempo está a seu favor. Essa militância já chegou à imprensa.

Novo encontro
Passei pela minha consulta; fiz lá as minhas negociações com o Jairo Hidal (“haja paciência”, ele deve pensar!) e desci até o andar onde param os táxis. Aquele mesmo grupo que estava no Palácio do Bandeirantes havia decidido ir até o hospital para usar o banheiro, beber água, essas coisas… A turma usava com muita destreza um espaço particular, certa do seu “direito” de impor tanto ao público — o conjunto dos paulistas — como ao privado (o hospital) as suas vontades, as suas necessidades, a sua visão de mundo. Seja para defender bichos ou para fazer xixi, comportam-se como soberanos.

“Que ironia!”, pensei (enquanto aguardava o táxi, que não chegou; peguei outro na rua). “Esse hospital deve salvar centenas de vidas por dia porque pesquisadores que aquela gente certamente acha desprezíveis souberam estabelecer uma hierarquia entre o homem e os outros animais. Não eram torturadores; não eram sádicos, não eram maus; ao contrário: queriam salvar vidas”.

Líquidos expelidos e ingeridos, lá se foram os amigos dos bichos, certos de ter cumprido a sua missão: anunciar ao mundo a sua bondade e a maldade alheia. Outros, nem tão bonzinhos, continuarão a fazer pesquisas para preservá-los de suas próprias convicções, curando-os de doenças e preservando-lhes a vida. Peguei meu táxi de volta, pelo corredor — eu, um usurpador do direito natural dos pobres, segundo o Ministério Público e Fernando Haddad. Afinal, eu sou mau. Eles são bonzinhos.

22 Jan 11:22

Mais uma declaração estupefaciente de Maria do Rosário, agora sobre os presídios

by giinternet

Ah, Maria do Rosário!

A Human Rights Watch fez um relatório criticando duramente vários aspectos ligados à segurança pública no Brasil: presídios, atuação das polícias, investigações malfeitas, impunidade. Também fez elogios, como a criação da Comissão da Verdade e a punição de policiais envolvidos nas mortes do Carandiru e no assassinato do pedreiro Amarildo. Concordo com algumas críticas; discordo de outras. Concordo com alguns elogios; discordo de outros. Mas não vou entrar agora nesse mérito.

Quem veio a público falar em nome do governo foi Maria do Rosário, sobre quem já escrevi nesta terça. Esta impressionante ministra dos Direitos Humanos disse o seguinte, num determinado momento: “Quando o governo investe no sistema prisional, nós recebemos críticas também…”

É mesmo? Recebe críticas de quem? Quando é que vocês viram um governo, em qualquer esfera, ser criticado por investir em presídios? Epa! Esperem! É verdade. Quem costuma fazer essa crítica é justamente o petismo. Lula, o Apedeuta-chefe, disse certa feita que ele preferia construir escolas a construir cadeias. Bidu! Com esse pensamento, o Brasil tem hoje um déficit de umas 200 mil vagas mais ou menos.

Mas está tudo explicado. Em 2013, o governo federal investiu 38% menos do que em 2012 no sistema prisional. Agora entendi o motivo: os petistas fiaram com medo de receber… críticas.

Não tem jeito! O diálogo com Maria do Rosário não é nem bom nem mau. É apenas inútil.

22 Jan 11:22

Tarso Genro é condenado por improbidade administrativa

by giinternet

Por Eduardo Gonçalves, na VEJA.com:
O governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), foi condenado em primeira instância por improbidade administrativa. O processo se refere aos dois períodos em que foi prefeito de Porto Alegre (1993 a 1996 e 2001 a 2002). Na decisão, assinada pela juíza da 1ª Vara da Fazenda Pública, Vera Regina Cornelius Moraes, o petista deverá pagar multa de 10.000 reais e terá os direitos políticos cassados por cinco anos. A punição será aplicada quando não houver mais a possibilidade de recursos.

O Ministério Público acusou a administração de Genro de contratação irregular de profissionais da área da saúde. Na sentença, a magistrada afirma que não foi realizado concurso público para a admissão dos servidores: “A contratação de inúmeras pessoas sem concurso público fere os princípios que regem a boa administração, ou seja, moralidade e legalidade, bem assim a disposição constitucional que prevê o concurso público como forma de ingresso no serviço público, com as exceções expressa e taxativamente previstas na Constituição Federal”.

As contratações foram feitas em caráter de urgência, para vagas temporárias, o que dispensaria a realização de concurso, segundo a legislação municipal. A juíza, no entanto, argumentou que alguns servidores permaneceram no cargo por dois anos com contrato temporário – cuja validade era de até oito meses. Além disso, a magistrada afirmou que “a demanda da população não era provisória, mas permanente, o que descaracteriza a motivação para contratações emergenciais”, e acrescentou que “alguns contratos sob forma temporária foram privilegiados em prejuízo de outros candidatos já aprovados em concursos públicos para os mesmos cargos”.

Caso
A ação civil questionava a legalidade da contratação de enfermeiros e médicos para a capital gaúcha de 1993 e 2002. A sentença foi emitida em dezembro do ano passado, mas só nesta terça-feira foi divulgada pelo Tribunal de Justiça do Estado. Além do governador Tarso Genro, foram condenados na mesma sentença os ex-prefeitos Raul Pont (1997-2000) e João Verle (2002-2004), o atual deputado Henrique Fontana (PT), que à época era secretário municipal da Saúde, e outros dois ex-secretários, Lucio Barcelos e Joaquim Kliemann.

Em nota, Genro disse que a “prefeitura não tinha médicos concursados para contratar”, e que a ação refere-se à “contratação de um médico radiologista com base na lei municipal”. O governador também afirmou que já respondeu a outros três processos, dos quais foi absolvido de todos. “Na democracia, somos obrigados a conviver com absurdos desta natureza e para revisá-las, felizmente, temos o duplo grau de jurisdição”, disse, referindo-se ao direito de recorrer para outras instâncias.

22 Jan 10:55

Scientists Detect Two Dozen Computers Trying To Sabotage Tor Privacy Network

by Soulskill
New submitter fynbar writes "Computer scientists have identified almost two dozen computers that were actively working to sabotage the Tor privacy network by carrying out attacks that can degrade encrypted connections between end users and the websites or servers they visit (PDF). 'Two of the 25 servers appeared to redirect traffic when end users attempted to visit pornography sites, leading the researchers to suspect they were carrying out censorship regimes required by the countries in which they operated. A third server suffered from what researchers said was a configuration error in the OpenDNS server. The remainder carried out so-called man-in-the-middle (MitM) attacks designed to degrade encrypted Web or SSH traffic to plaintext traffic. The servers did this by using the well-known sslstrip attack designed by researcher Moxie Marlinspike or another common MitM technique that converts unreadable HTTPS traffic into plaintext HTTP.'"

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22 Jan 10:54

O “Porta dos Fundos”, a liberdade de expressão e o direito dos cristãos à reação

by giinternet

porta dos fundos

Vamos a um texto longo, longuíssimo?

Vamos às tarefas difíceis, que as fáceis são fáceis. Como afirmei num pequeno post de ontem à noite, não acho que comentaristas de política devam ficar terçando armas com humoristas, embora, em essência, o humor sempre fale a sério. No geral, interessa-me nele mais a mecânica da desconstrução de uma lógica aparente ou formal, de que são capazes os bons, do que o conteúdo propriamente. Em princípio, qualquer assunto pode ser objeto dessa desconstrução. A quem ocorreria, no entanto, fazer graça, deixem-me, ver com os sírios, submetidos ao carniceiro Bashar Al Assad e também a seus adversários, não menos asquerosos? Como arrancar um riso ou fazer uma ironia inteligente sobre a boate Kiss? “Tudo me é permitido, mas nem tudo me convém. Tudo me é permitido, mas eu de nada (nem de ninguém) serei escravo”. É São Paulo na 1ª Epístola aos Coríntios, ensinando que a noção de limite também é libertadora. Para que dê sequência a este texto, é preciso que um valor esteja presente à leitura de cada linha: se, em algum momento, parecer que estou a defender a censura estatal, ou de qualquer outra natureza, ao humor do Porta dos Fundos ou de qualquer outro, ou eu não estarei a me expressar com clareza ou o defeito estará no entendimento. Vamos seguir.

Visitei regularmente esse site de humor até aquele vídeo em que um ginecologista identifica a imagem de Jesus Cristo na vagina de sua paciente, durante um exame ginecológico. Nem vi como terminava, acreditem. Leitores me contaram que o alvo final eram os evangélicos. Sou católico. Aquilo me ofendeu por causa da minha religião? Não! Achei burro, grosseiro, sem graça. Na Internet, é muito fácil “provocar reações”, não é? Mexer com religião, especialmente agredindo a fé das pessoas, é um caminho fácil para mobilizar amores e rancores. Nem sempre, como é o caso, é o mais inteligente.

Cheguei até ali com o “Porta dos Fundos” e não segui adiante. Para mim, estava bom. Vi mais uns dois ou três vídeos, em links recomendados por amigos e leitores. E só. Sim, é verdade, eu já os elogiei aqui e mantenho os termos do que escrevi. Assim, recomendo, com clareza meridiana, que os descontentes com o humor da turma façam como eu: não vejam! Não se perde tempo nem se ganha aborrecimento.

Fiquei sabendo nesta terça — e foi nesta terça mesmo — que uma entidade católica já havia recorrido ao Ministério Público contra o Porta dos Fundos. Agora, o deputado Marco Feliciano (PSC-SP), com faro para a polêmica, decidiu também recorrer ao MP contra um “Especial de Natal” produzido pelo grupo. Segundo Feliciano, o material traz “conteúdo altamente pejorativo, utilizando-se inclusive de palavras obscenas, e de forma infame atacou os dogmas cristãos e a fé de milhares de brasileiros que comungam deles (…)”. O deputado quer uma indenização de R$ 1 milhão. Se vitoriosa a causa, diz que doará o dinheiro para as Santas Casas de Misericórdia.

À Folha, Feliciano afirmou: “Esse vídeo ofende os cristãos. Não há necessidade de fazer humor com religião. Deixem os cristãos em paz. Esse não foi o primeiro vídeo. Agora, esperamos que eles tenham limite. Se não colocarem limites, vou convocar todos os religiosos a fazerem um boletim de ocorrência contra eles. No mínimo, vai dar muita dor de cabeça”. A turma do “Porta dos Fundos” tem seus advogados e não precisa do meu amadorismo. Mas pode, sim, dar uma dor de cabeça dos diabos. A religiosidade é um bem protegido pela Constituição, e o Código Penal também trata do assunto. Isso é lá com eles. Mas não quero me antecipar porque essa questão ainda vai aparecer mais adiante.

Calma lá!
A ação dos católicos repercutiu pouco — eu mesmo a desconhecia. A de Feliciano, por conta da notoriedade que lhe conferiram os gays na Comissão de Direitos Humanos da Câmara, já está gerando um escarcéu danado. E começou a gritaria: “O Estado é laico!”; “Isso é censura!”; “Esse pastor precisa aprender o que é democracia!”; “Feliciano quer ditadura!”. Opa, opa, opa! Calma lá. Se o direito de o “Porta dos Fundos” fazer piadas estivesse em questão, eu estaria entre os primeiros a assinar um manifesto em sua defesa — é bem possível que um ou outro membros do grupo jamais assinassem um manifesto em favor do meu direito de escrever o que me der na telha. Mas essas coisas não exigem reciprocidade.

Devagar com o andor — sem querer fazer graça: numa democracia, recorrer à Justiça é um direito. Não há nada de errado, de antidemocrático ou de autoritário na decisão dos católicos ou de Feliciano. Os que acham que seus direitos foram agravados têm três caminhos: a) silenciar; b) tentar resolver no braço; c) recorrer à Justiça. Sim, há a possibilidade de acordo, sem perturbar o estado com isso, mas não creio que funcionaria no caso em espécie: “Pô, pessoal, vamos pegar leve; acho que houve exagero…”. Não daria pé.

Feliciano enviou ainda uma carta à Fiesp, uma das patrocinadoras do grupo, pedindo que reveja o apoio: “Aproveito para, encarecidamente, pedir à V. Sa. e seus representados que reflitam sobre o patrocínio que estão proporcionando ao site chamado Porta dos Fundos que, reiteradamente, vem através desses vídeos, que alegam proporcionar humor aos seus espectadores e nada mais fazem do que achincalhar as pessoas como nós que professamos a fé cristã”.

De novo, é preciso indagar: o que há de errado nisso ou de antidemocrático? Nada! Feliciano, os católicos e os cristãos em geral têm o direito, inclusive, de propor um boicote ao site e às marcas que o patrocinam. Se ações assim funcionam, não tenho a menor ideia. Práticas dessa natureza, diga-se, foram inauguradas pelas esquerdas. Ninguém lá no “Porta dos Fundos” tem cara de ingênuo. Ou será que eles ignoram que determinadas abordagens enfurecem muitos cristãos? Posso apostar que contam com isso, inclusive, para ganhar audiência e influência na Internet. Convenham: em certos círculos militantes e ateus, arrumar uma briga com Feliciano pode até ser uma bênção. Mas sempre há o risco de passar do ponto, não é? Por definição, é sempre do topo que se começa a cair. Como é mesmo? “A gente é mais famoso que Jesus Cristo” — ou algo assim…

O “Porta dos Fundos”, outros antes deles e outros depois deles são todos herdeiros do Monty Python — um grupo verdadeiramente engraçado, culto, inteligente. A melhor cena de humor que conheço está no filme “A Vida de Brian”, num trechinho conhecido por “O que nos deram os romanos?”. Já publiquei aqui o vídeo e a tradução do diálogo. Pode ser que alguém se ofenda com aquilo? É possível. Não há ali — como em tudo o mais que o grupo fez — uma só canelada, uma só grosseria, uma só generalização estúpida, e o humor vive, em parte, da generalização, daí a necessidade de cuidado. É bem verdade que, na sua curta existência, o “Porta dos Fundos” já fez mais piadinhas do que o Monty Python em décadas. Nem sempre dá para escolher o roteiro, pelo visto. Na falta de uma ideia melhor, por que não provocar os religiosos? Sempre funciona. Perdi o interesse por eles em razão desse e de outros proselitismos — maconha, por exemplo. Humor, quando pretende doutrinar, vira política — e precisa tomar cuidado para não se tomar como uma religião.

Cristo e Maomé
No dia 3 de abril de 2013, faz tempo já, escrevi aqui um post sobre uma entrevista de Fábio Porchat a Sônia Racy. Ele sustentava que o limite do humor é não ter graça. Leiam este trecho (em vermelho):
Por quê? Acha que o limite [do humor] é não ter graça?
Acho que, no nosso caso, somos cinco cabeças pensando. Cinco sócios. Então, é difícil uma coisa passar despercebida. A gente tem batido em coisas que, na verdade, merecem apanhar. No idiota que inventou a Ku Klux Klan, no padre pedófilo. Eu, por exemplo, não faço piada com Alá e Maomé, porque não quero morrer! Não quero que explodam a minha casa só por isso (risos). Mas, de um modo geral, a gente vai fazendo, vai falando.
Não houve uma situação em que vocês falaram “isso não”?
Já. E a gente não fez.

Na conversa com a Folha, Feliciano afirmou: “Não entendo esses ataques. Eles só mexem com os cristãos porque sabem que somos pacíficos. Por que não mexem com muçulmanos?”. Bem, Porchat respondeu à pergunta de Feliciano, não é mesmo? E vou ter de discordar de ambos — no fim das contas, reparem, eles são mais iguais no pensamento do que ambos gostariam.

Por que não posso concordar com a pergunta-afirmação de Feliciano? Ora, o fato de humoristas não poderem fazer piada com Maomé e Alá não deve servir de argumento definitivo para que não se faça piada também sobre o cristianismo. Fosse assim, a interdição imposta pelos islâmicos relativa à sua religião seria de tal forma poderosa que acabaria se alastrando para as demais religiões. E eu não posso concordar com isso.

Mas a resposta de Fábio Porchat é também inaceitável. O fato de os humoristas, por uma covardia justificada, não fazerem piada sobe o Islã deveria levá-los a uma reflexão: então a violência cultivada por uma religião os empurra para o silêncio, e o reconhecido pacifismo da outra, para a falta de limites — a não ser o da graça? Não é possível! Fosse assim, a tal graça (quando não envolve islâmicos, claro!) seria um valor soberano, superior a todos os outros. Essa fala, ademais, é perigosa porque está a sugerir que, se os cristãos reagissem de forma violenta, eles parariam. Não é um bom modo de pensar.

No dia 8 de março de 2012, dei aqui uma esculhambada em Mark Thompson, que não era um humorista como Porchat e seus amigos, mas diretor-geral da BBC. Hoje, é o chefão do New York Times (já falo sobre este jornal também). E por que ataquei Thompson? Reproduzo parte daquele post (em azul):

O chefe da BBC, Mark Thompson, admitiu que a rede BBC jamais zombaria de Maomé como zomba de Jesus. Ele justificou a espantosa confissão de preconceito religioso dando a entender que zombar de Maomé teria o mesmo peso emocional da pornografia infantil. Mas tudo bem zombar de Jesus porque o cristianismo suporta tudo e tem pouca relação com questões étnicas.
Thompson diz que a BBC jamais teria levado ao ar “Jerry Springer -The Opera” — um polêmico musical que zomba de Jesus — se o alvo fosse Maomé. Eles fez essas declarações numa entrevista para um projeto de pesquisa da Universidade Oxford.
Thompson afirmou: “A questão é que, para um muçulmano, uma representação teatral, especialmente se for cômica ou humilhante, do profeta Maomé tem o peso emocional de uma grotesca peça de pornografia infantil”. O porta-voz da BBC não quis comentar as declarações.
No ano passado, o ex-âncora da BBC Peter Sissons disse que é permitido insultar os cristãos na rede, mas que os muçulmanos não podem ser ofendidos. Sissons, cujas memórias foram publicadas numa série no Daily Mail, afirmou: “O Islã não pode ser atacado sob nenhuma hipótese, mas os cristãos, sim, porque eles não reagem quando são atacados”. O ex-apresentador disse também que os profissionais têm suas respectivas carreiras prejudicadas se não seguem essa orientação da BBC.

Retomo
No dia 16 de março daquele mesmo ano, oito dias depois, registrei post a covardia do New York Times. O jornal publicou um anúncio, que custou US$ 39 mil, que convidava os católicos a abandonar a sua religião, classificando de equivocada a lealdade a uma fé marcada por “duas décadas de escândalos sexuais envolvendo padres, cumplicidade da Igreja, conluio e acobertamento, da base ao topo da hierarquia”. Eis o anúncio.

anúncio contra os católicos

Pois bem. A blogueira Pamela Geller, que comanda a página “Stop Islamization of America”, tentou pagar os mesmos US$ 39 mil para publicar no mesmo New York Times um anúncio convidando os muçulmanos a abandonar a sua religião. O texto afirma: “Junte-se àqueles que, como nós, colocam a humanidade acima dos ensinamentos vingativos, odiosos e violentos do profeta do Islã”. Assim:

anúncio contras o islã

Sabem o que aconteceu? Com a coragem do humorista Fábio Porchat e de seus amigos, o New York Times se negou a publicar o anúncio. Eileen Murphy, porta-voz do NYT, repete a resposta que teria sido enviada a Pamela quando houve a recusa: “Nós não nos negamos a publicar. Decidimos adiar a publicação em razão dos recentes acontecimentos no Afeganistão, como a queima do Corão e o assassinato de civis por um membro das Forças Armadas dos EUA. Acreditamos que a publicação desse anúncio agora poderia pôr em risco os soldados e civis dos EUA, e nós gostaríamos de evitar isso”.

E não se tocou mais no assunto.

Perseguidos
Gregório Duvivier, o melhor ator deles todos, escreveu uma coluna na Folha respondendo com ironia não muito fina ao cardeal arcebispo de São Paulo, dom Odilo Sherer, que reclamou no Twitter de um dos vídeos do Porta dos Fundos. Duvivier estava bravo mesmo. A empresa de que ele é sócio já fez muitos vídeos esculhambando a religião de que dom Odilo é sacerdote graduado. Mas o humorista não engoliu os 140 toques do bispo reclamando no Twitter. De quem é a intolerância com a crítica? Jogou nas costas do bispo a perseguição a Galileu Galilei, o fato de a Igreja não ordenar mulheres, opor-se ao aborto de fetos de anencéfalos etc. Aí o humorista falava a sério. Uma pena!

Estou certo, e acho que ele faz muito bem, que Duvivier não é do tipo que faria piada com palestinos da Faixa de Gaza, por exemplo — ou com os já citados sírios. Não hoje em dia. Com Maomé, a gente já sabe, nem pensar! Há coisas na Igreja de que, a gente percebe, ele não gosta. Tem esse direito. Como humorista e como pensador. Mas se é pra ter um “papo firmeza”, vamos lá.

Em 2012, pelo menos 105 mil pessoas foram assassinadas no mundo por um único motivo: eram cristãs. O número foi anunciado pelo sociólogo Maximo Introvigne, coordenador do Observatório de Liberdade Religiosa, da Itália. E, como é sabido, isso não gerou indignação, protestos, nada. Segundo a Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), 75% dos ataques motivados por intolerância religiosa têm como alvos os… cristãos. Mundo afora, no entanto, o tema quente, o tema da hora — e não é diferente na imprensa brasileira —, é a chamada “islamofobia”, certo?

Se Duvivier quer ir além da piada ideológica, que não tem graça, terá de reconhecer que a igreja que não ordena mulheres é a maior cuidadora do mundo de crianças abandonadas e de mães que trabalham. Também mantém a maior rede de assistência social do mundo. E é a entidade privada que mais financia leitos hospitalares no mundo. Nesta hora, seus missionários estão lá pelos rincões da África, muitos deles protegendo comunidades da fúria de milícias muçulmanas. Em Darfur, mais de 400 mil pessoas foram assassinadas porque eram cristãs. Galileu Galilei? Robespierre matou em dois anos dezenas de vezes mais do que o Santo Ofício em quatro séculos. Eram crimes do Iluminismo?

Atenção!
Nada disso pode impedir, reitero, o “Porta dos Fundos” de fazer humor sobre o que bem entender. Sim, a Constituição protege a liberdade religiosa, conforme se lê no Inciso VI do Artigo 5º:
“VI – é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias”.
Não por acaso, já que são questões contíguas, é o mesmo artigo que trata da liberdade de expressão, no Inciso IX:
“IX – é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”.
A ele se junta, nas garantias, o Artigo 220:
“Art. 220. A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição.
§ 1º – Nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social, observado o disposto no art. 5º, IV, V, X, XIII e XIV.
§ 2º – É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística.

O Código Penal, no entanto, estabelece, no Artigo 208:
“Art. 208 – Escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso:
Pena – detenção, de um mês a um ano, ou multa.”

O “Porta dos Fundos” faça o que quiser e siga na trilha que achar melhor, mas há uma penca de leis — inclusive aquelas que protegem a honra — que disciplinam aquela liberdade de expressão, que não é, a exemplo de qualquer direito, um bem absoluto. Se o escarnecimento por motivo de crença é considerado crime, é um sinal de que a liberdade de expressão não o abarca; se a calúnia, a injúria e a difamação são crimes, da mesma sorte não estão protegidas por aquele fundamento. O assunto pode, sim, render. E muito!

Começando a caminhar para a conclusão
escrevi aqui sobre uma igreja criada nos EUA chamada Westboro Baptist Church. É composta por um bando de malucos liderados por um tal Fred Phelps. Ele teria recebido uma mensagem divina informando que Deus estava castigando as tropas americanas no Iraque e no Afeganistão por causa da… tolerância com o homossexualismo!!! A missão de sua igreja seria anunciar isso ao país. E o que fazia Phelps e seu bando de lunáticos, boa parte gente de sua própria família? Cruzava o país de norte a sul, de costa a costa e, onde houvesse funeral de um soldado, lá estavam eles brandindo cartazes com os seguintes dizeres: “Obrigado, Deus, pelos soldados mortos”, “Obrigado, Deus, pelo 11 de Setembro” e “Você vai para o inferno”. Eles são asquerosos? Não tenho a menor dúvida. A direita americana os despreza. Os liberais (a esquerda de lá) não menos.

Albert Snyder, pai de um fuzileiro naval, processou a Westboro. Numa primeira instância, a Justiça lhe concedeu uma indenização de US$ 11 milhões, reduzida depois a U$ 5 milhões. O caso foi parar na Suprema Corte. Atenção! Por 8 votos a 1, os juízes decidiram que a Primeira Emenda garante à canalhada o direito de dizer o que diz. Se bem se lembram, a Primeira Emenda é aquela que proíbe o Congresso até de legislar sobre matéria que diga respeito à liberdade de expressão e à liberdade religiosa. Para quem se interessar, a íntegra da sentença está aqui.

Também em relação aos vídeos do “Porta dos Fundos”, que deixaram de me interessar, faço minhas as palavras o economista Walter Williams, um ultraliberal negro, em entrevista à VEJA:
“É fácil defender a liberdade de expressão quando as pessoas estão dizendo coisas que julgamos positivas e sensatas, mas nosso compromisso com a liberdade de expressão só é realmente posto à prova quando diante de pessoas que dizem coisas que consideramos absolutamente repulsivas”.

Quando fui contratado para ser colunista da Folha, enfrentei uma canalha, inclusive da imprensa e do humor, que passou a defender uma forma de linchamento moral e de censura. Eu não quero censurar ninguém, ainda que certas coisas possam ser repulsivas.

E agora vou concluir mesmo
Dei uma olhada no tal vídeo de Natal, o que mais está gerando polêmica. Há lá uma tentativa de graça com os cravos fincados nas mãos de Jesus Cristo, representado por Gregório Duvivier. É engraçado? Huuummm… Tem gente que já vem equipada de fábrica com todos os antidepressivos, certo? Processar o “Porta dos Fundos” por aquilo? Eu não o faria. Mas compreendo que os cristãos se sintam ofendidos.

Como se ofenderiam os jornalistas, acho, e qualquer pessoa decente, se fizessem uma graça com Tim Lopes, colocando-o numa pira de pneus (o micro-ondas), com alguém indagando: “E aí, está quentinho?”. Ou, sei lá, se aparecessem humoristas para fazer piadas — vou citar dois assassinos — com Carlos Lamarca ou com Carlos Marighella, ali, na hora final. Acho que seriam chamados de “fascistas”, de “direitistas”, de “reacionários”. Mais: alguém logo escreveria um artigo apontando a, como é mesmo?, “guinada à direita” do humor.

Walter Williams de novo: “A liberdade de expressão só é realmente posta à prova quando diante de pessoas que dizem coisas que consideramos absolutamente repulsivas”.

Por mim, o “Porta dos Fundos” segue fazendo o que vem fazendo, seja lá o que for. Não me interessa mais faz tempo. Quem não gostar que não veja. Eu continuo com São Paulo: “Tudo me é permitido, mas nem tudo me convém. Tudo me é permitido, mas eu de nada (nem se ninguém) serei escravo”. Os rapazes do site têm o direito de ser escravos dos próprios preconceitos. Enquanto for um bom negócio, mudar por quê? Só não vale reclamar e acusar os cristãos de autoritários. Eles também têm o direito de dizer o que pensam e, se acharem que é o caso, de apresentar petições ao Poder Público. Trata-se de um dos pilares da democracia.

 

22 Jan 10:49

Maria do Rosário não tem cura

by giinternet

Leiam o que informa a Folha:
A secretária de Justiça de São Paulo, Eloisa Arruda, criticou a ministra Maria do Rosário por ter afirmado, em nota oficial na última sexta-feira, que Kaique dos Santos foi “brutalmente assassinado” por homofobia. O texto afirmava ainda que a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência estava “acompanhando o caso junto às autoridades estaduais” para “evitar a impunidade”. O Estado é comandado pelo PSDB, que faz oposição ao governo federal petista. Eloisa Arruda defendeu a investigação da polícia e afirmou que a homofobia deve ser tratada “de forma responsável e sem considerações precipitadas”. “Lamento que uma situação tão dolorosa tenha sido encaminhada de forma sensacionalista”, disse a secretária. “São casos que devem ser tratados com serenidade e seriedade, sem fazer proselitismo com o sofrimento alheio.”

Gustavo Bernardes, coordenador-geral de Promoção dos Direitos de LGBT da pasta de Maria do Rosário diz que não houve precipitação ao tratar o caso como assassinato. Segundo ele, a pasta só descartará a tese crime de ódio quando saírem os laudos. “Sempre que a ministra e eu nos manifestamos, citamos que confiávamos que as autoridades fariam a apuração correta.” Em resposta às criticas de Eloisa Arruda, a secretaria disse que agiu em defesa da família de Kaique. “Como a ministra afirmou no caso do presídio de Pedrinhas, os direitos humanos são uma questão suprapartidária.”

 

21 Jan 11:33

Vejam quem são os novos opressores do Brasil segundo o onguismo milionário e vigarista — com o aplauso do governo!

by giinternet

Perto de 6 mil pessoas serão expulsas de uma área considerada pela Funai como pertencente aos índios awá-guajá. Pois é… Consta que “awá” quer dizer “gente, pessoa”. Os agricultores pobres que não têm para onde ir, má sorte deles, não são “awás”, entendem? Não são gente, não são pessoas. Vejam este vídeo. Eis os pobres coitados que estão sendo tratados como “intrusos” pelas joint ventures que hoje unem ONGs, jornalistas e farto financiamento internacional. Volto em seguida.

Voltei
O juiz federal José Carlos do Vale Madeira resolveu agir com um pouco de bom senso ao menos, depois de ter decidido expulsar os não índios da área, e determinou que o governo dê garantias de que eles serão realmente reassentados pelo Incra. Segundo o juiz, o governo tem até o dia 27 para definir onde as famílias serão alojadas. A decisão foi comunicada ao Incra, ao Ministério do Desenvolvimento Agrário é à Secretaria-Geral da Presidência. Todos esses entes integram o grupo de trabalho que trata da tal “desintrusão”, essa palavrinha absurda.

Quem protestou em defesa dos pobres coitados que estavam sendo jogados ao relento não foi a ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, mas a Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária (CNA) — vejam lá no alto as expressões do “agronegócio” que estão levando um pé do traseiro…

Segundo Paulo Maldos, braço-direito de Gilberto Carvalho, que só tem braços esquerdos, aquela gente estava lá para plantar maconha e extrair madeira. Depois ele se desculpou. Dadas as bobagens que costuma dizer e sua trajetória, foi desculpa da boca pra fora. Os moradores, como se vê, já começaram a ser notificados. Tão logo recebam o papel, têm 40 dias para deixar a área por livre e espontânea vontade. Ou é isso, ou saem debaixo de metralhadora…

 Leio no site http: Questão Indígena:
“A região compreende os municípios de Centro Novo do Maranhão, Governador Newton Bello, Zé Doca e São João do Caru. Madeira teme que o Incra não consiga cumprir a decisão judicial no que diz respeito ao reassentamento dos pequenos produtores. Na semana passada, o Incra criou grupo de trabalho para dialogar com sindicatos de trabalhadores rurais sobre o andamento do processo”.

Nunca é demais lembrar: o país tem quase 14% do seu território ocupado por reservas indígenas — boa parte delas, como todo mundo sabe, infiltrada pelo garimpo e pela exploração ilegal de madeira. Se for com a concordância dos índios, aí o governo faz vista grossa. Como fazia no Amazonas, onde os tenharins resolveram ganhar dinheiro cobrando pedágio na Transamazônica, uma estrada federal.

Voltem lá ao vídeo. Vejam aqueles rostos. Há quem queira nos convencer de que eles são os novos opressores do Brasil.

21 Jan 08:57

Assim não, “Jornal Nacional”! Ou: O coitadismo criminoso num posto de gasolina ou numa fazenda em Minas…

by giinternet

Vejam isto.

Já me acusaram de ser um defensor incondicional da TV Globo. Deve ser porque me oponho àquilo que os pterodáctilos chamam “controle social da mídia”, que é o outro nome da censura. Outro dia me enviaram um texto de um Zé Mané me acusando de tentar, calculem, levar a Globo para a direita. Quem sou eu?! E que se note: seja para elogiar, seja para criticar, não escrevo imaginando se este ou aquele vão me ler. Eu escrevo apenas para dois leitores, plagiando Gil Vicente: um leitor chamado “Ninguém” e outro leitor chamado “Todo Mundo”. Mas volto ao ponto: nem elogio nem critico a Globo por princípio. Quando gosto, aplaudo; quando não gosto, critico. Oponho-me ao controle social da mídia não por causa dos Marinhos. Eu me oponho ao controle social da mídia por causa dos Azevedos — uma gente bem mais mixuruca e vira-lata, mas em cujo cérebro também se realizam algumas sinapses. Adiante.

Hoje é crítica. O Jornal Nacional precisa tomar mais cuidado. Vi duas notícias, em sequência, editadas ambas de maneira um tanto perigosa. “Segundo qual critério, Reinaldo Azevedo?” Serve o do Estado de Direito?

Na primeira, um bando de vândalos, de bandidos, de vagabundos — assim os chamo eu, não a Globo —, é flagrado por câmeras depredando, saqueando e assaltando hipermercado e um posto de gasolina e espancando funcionários. O vídeo acima, como está claro, não é o da reportagem do JN.  Na saída, um deles, acreditem!, aciona a bomba de gasolina, derrama combustível no chão e risca um palito de fósforo. Felizmente, não acendeu. Imaginem quantas vítimas poderia ter feito se tivesse sido bem-sucedido. Ele só tentou porque sabia das consequências. É um monstro! É um canalha! É um assassino em massa em potencial.

Até aí, bem. Não havia sinais de simpatia do JN com os marginais, é claro! Mas aí começa a trilha perigosa. O JN informou: “Segundo a Polícia Militar, os jovens estavam revoltados com a suspensão de um baile que promoviam na rua”.

Bem, aqui vai a minha primeira observação, dirigida ao governo de São Paulo, muito especialmente ao comando da Polícia Militar. Quem quer que tenha passado essa suposta informação à reportagem da Globo tem de ser severamente advertido. TRATA-DE SE UMA MENTIRA. GENTE QUE FAZ O QUE SE VÊ NA REPORTAGEM É BANDIDA. Ninguém assalta porque está revoltado. Assalta porque é assaltante. Ninguém tenta explodir um posto de gasolina porque quer fazer baile. Quem age desse modo quer matar pessoas, além de causar um grande dano.

Em seguida, o JN gruda a seguinte informação à notícia:
“O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, disse hoje que vai fornecer mais espaços para o lazer dos jovens em São Paulo. Ele quer levar iluminação pública para os 300 clubes de comunidades que funcionariam como praças públicas e que poderiam receber festas à noite, desde que não atrapalhem a vizinhança”.

Como é bacana este Haddad. Além da iluminação, espero que ele dote também os clubes de tratamento acústico. Ou o prefeito imagina um batidão de funk sem… “atrapalhar a vizinhança”? Pois é… Ainda que, de modo explícito, o JN não tenha justificado a ação dos criminosos, na sublinha fica a suspeita de que, NÃO FOSSE A PROIBIÇÃO DO BAILE, TALVEZ ELES NÃO HOUVESSEM ATACADO O POSTO. Não dá!

Imaginem, agora, se todos os funkeiros — ou que outro gosto tenham — que forem contrariados resolverem, digamos, reagir… Ao associar a fala de Haddad a uma notícia como essa, o JN, queira ou não, cria uma correlação entre os fatos, e fica parecendo que mandar um posto de gasolina para os ares é uma das consequências possíveis quando se proíbe um baile ou quando não existem as tais “opções de lazer”. Aqueles canalhas precisam é de cadeia, não de lazer.

O segundo caso
Vamos lá. Um grupo de 18 pessoas que se dizem quilombolas invadiu uma fazenda no norte de Minas, entre os municípios de Verdelândia e São João da Ponte. No domingo, outro grupo, este de 11 pessoas encapuzadas, entrou na fazenda, agrediu e expulsou os invasores. Consta que dois deles foram feridos a bala.

É óbvio, é ululante, é claro como a luz de um dia ensolarado que eu não apoio reações dessa natureza. Mas é preciso comentar certos aspectos tortos da reportagem do JN. O grupo que atacou os ditos “quilombolas” foi chamado de “bando” e de “criminosos”‘. Ok. Nada a opor. Era um bando. Eram criminosos. Mas pergunto ao JN: e os invasores eram o quê? Pombas da paz? Destaco um trecho da fala da repórter:
“No sábado, um grupo de quilombolas de comunidades vizinhas entrou na fazenda. Eles dizem que era uma ação para reivindicar a desapropriação da área. Para o Incra, a fazenda está incluída em uma relação de imóveis que pode entrar em processo de reforma agrária”.

Um dos invasores da fazenda, o quilombola branco, tratado pelo JN só como vítima

Um dos invasores da fazenda, o quilombola branco, tratado pelo JN só como vítima

Ualá! Então vamos ver. Eu adorei o emprego do verbo “entrar”. Observem, então, que os sedizentes quilombolas “entraram” na fazenda, tá? Não foi invasão. Durante os protestos de junho, por exemplo, alguns black blocs e outros dinossauros também queriam “entrar” na Globo do Rio e de São Paulo, entenderam? A segurança foi reforçada. E se eles forçassem a “entrada”? Vai saber… Tenho certas ortodoxias: uma delas é achar que propriedade, rural ou urbana — seja uma fazenda ou uma emissora de TV —, não pode ser invadida… Ooops! Corrijo-me: o proprietário deve ter o direito de impedir a “entrada” de quem não foi convidado.

Volto ao texto. A “entrada”, então, segundo os quilombolas era “uma ação para reivindicar a desapropriação da área”. Ah, entendi. Informa mais a repórter: “Para o Incra, a fazenda está incluída em uma relação de imóveis que podem entrar em processo de reforma agrária”. Certo! Trata-se de propriedade privada, e o Incra acha que a terra deva servir à reforma agrária. Mas fica claro que não há nem mesmo uma ação de desapropriação em curso, nada!

Vale dizer: um bando resolveu tirar outro bando de uma fazenda. Foi isso o que aconteceu. E o fez da pior maneira. Sim, ações dessa natureza devem ser vivamente desestimuladas e punidas. Mas é preciso que também os invasores arquem com as consequências legais de seus atos, não é mesmo?

Ao fim da reportagem, há o depoimento de um dos “quilombolas” agredidos. O homem é mais branco do que eu antes das três semanas de sol do fim de dezembro e início de janeiro — e olhem que isso não é assim tão fácil, hehe… Tenho certas ortodoxias, que me desculpe a neoantropologia… Quilombola, creio, tem de ser negro, não? A ideia não é tomá-los como uma chamada “comunidade tradicional” — hoje em dia, isso costuma ser pura mistificação —, formada por descendentes de negros que foram escravizados? Para que essa “tradicionalidade” (sim, a palavra existe!) se mantenha, entendo, os descendentes de escravos teriam de ter conservado vínculos, tradições etc. Se não é assim, Tio Rei é índio e vai invadir todo o Litoral Norte de São Paulo…

Não! Definitivamente, eu não apoio a ação daqueles que entraram na fazenda para retirar de lá os invasores — e não os “entrantes”. Mas eu também não apoio a invasão e acho que as coisas têm de ser chamadas pelo nome que elas têm.

Sei, sei… Hoje em dia, para não cair na boca de sapo da difamação das redes sociais, a gente tem de ser simpático a invasores de terra, do MST ou quilombolas, ou de compreender que, em certas circunstâncias, certas comunidades acabam reagindo mal à falta de opções de lazer e saem por aí explodindo postos de gasolina. Ainda que reverente a essas canalhices, a imprensa segue sendo alvo da bandidagem ideológica.

Não! Não é a minha praia. Não vou fazer isso. Não condescendo com isso. E, adicionalmente, acho que quilombola tem de ser negro. #prontofalei.

Texto publicado originalmente às 22h42 desta segunda
21 Jan 08:57

Desastre sírio: a inútil conferência de paz e Assad candidato — que venceria mesmo com eleições limpas…

by giinternet

Começa nesta quarta, em Montreux, na Suíça, a tal conferência de paz que tem como tema a Síria. Depois de protestos oriundos de todo lado, inclusive dos EUA, a ONU desconvidou o Irã, hoje o principal esteio do regime de Bashar Al Assad. O objetivo do encontro seria debater um governo de transição, com a saída de Assad, que já disse que não vai embora. Fato: ele está vencendo a guerra. O campo adversário, hoje em dia, é comandado por facções terroristas ligadas à Al Qaeda, que, curiosamente, brigam até entre si.

É a velha história. Este senhor é um açougueiro? É, sim, mas, infelizmente, ele diz a verdade quando afirma estar enfrentando terroristas financiados pela Arábia Saudita e pelo Catar — um notório insuflador, diga-se, das revoltas batizadas de “Primavera Árabe”.

Em que vai dar o encontro? Muito provavelmente, em nada. Se Assad não for assassinado ou vítima de um golpe desfechado pelos militares, ficará no poder. A menos que as potências ocidentais decidiram tirá-lo de lá a bala. Mas aí será preciso convencer antes a Rússia. Não parece que ela vá concordar. Não sendo isso, a única saída é tentar negociar um acordo com o próprio presidente sírio para pôr fim ao morticínio. A oposição política, no exílio, rejeita essa alternativa, mas vamos ser claros: ela não tem e nunca teve o comando no campo de batalha, que está com os jihadistas.

Noticiou-se nesta segunda, em tom de escândalo, que Assad pretende concorrer em junho a um novo mandato de sete anos. Como uma tirania faz uma eleição decente num país conflagrado por uma guerra civil? Isso, no entanto, não deve nos impedir de constatar o óbvio — atestado até pelo brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, emissário da ONU: ainda que se realizassem eleições limpas na Síria, Assad venceria com tranquilidade.

A razão é simples: seus opositores não usam métodos distintos dos seus; em muitos aspectos, são ainda piores; há relatos de que, nas áreas dominadas pelos rebeldes, vigora a lei do cão, com execuções sumárias, violência de toda sorte, especialmente contra mulheres, tortura contra pessoas consideradas aliadas do regime — e, para tanto, assegura-me um sírio, basta que o sujeito não tenha decidido pegar em armas para que seja visto como suspeito.

Entenderam o ponto? O regime de Assad é violento, sim; Síria afora, no entanto, há centenas de Assads locais “do lado de lá”, que não têm nem mesmo um compromisso com um simulacro de legalidade.

A única decisão “humanitária” sensata dos países que se dizem empenhados em construir a paz na Síria é negociar uma transição com Assad. Não é assim porque quero nem porque gosto. É assim porque é e porque os adversários do tirano são ainda piores do que ele próprio. Já morreram 130 mil pessoas. Isso tem de parar.

20 Jan 20:06

The Bible’s Many Gods

by ft@firsthings.com (Gerald McDermott )

bible


The idea that there are other gods" who exist as real supernatural beings, albeit infinitely inferior to the only Creator and Redeemer, pervades the Bible. The Psalms fairly explode with evidence. There is none like you among the gods, O Lord" (86:8); For great is the Lord, and greatly to be praised; he is to be revered above all gods" (96:4); Our Lord is above all gods" (135:5); Ascribe to Yahweh, [you] gods, ascribe to Yahweh glory and strength" (29:1, my trans.); He is exalted above all gods" (97:7); For Yahweh is a great god, and a great king above all gods" (95:3, my trans.). And so on.


But its not just the Psalms. In Exodus Yahweh predicts that he will execute judgments on all the gods of Egypt" (12:12). The author of Numbers then declares that that is indeed what happened: Yahweh executed judgments against their gods" (33:4). There is no hint that Yahweh is the only God. Instead it is clearly implied that Egypt has her own gods, and Yahweh will defeat them.


When Yahweh gives his people the Ten Commandments, the first commandment implies the existence of other gods: You shall have no other gods before me" (Exod. 20:3; see also Deut. 5:7). In Exodus 23:3233 Israel is told not to covenant with or worship other gods; there is no suggestion that the gods of Israels neighbors do not exist.


In Deuteronomy 4:19 the Israelites are forbidden from worshipping the sun, the moon and the stars, all the host of heaven . . . [which] Yahweh your god has allotted to all the peoples everywhere under heaven." In other words, they were told not to worship other gods, not because those gods did not exist, but because they were supposed to rule other peoples, not Israel.


Yahweh himself, who created and rules the other gods, would rule Israel directly. He would rule the nations indirectly through the delegated authority of other gods. This, apparently, was the original intent behind the strange passage regarding the prince of Persia" in Daniel 10: The prince of Persia withstood me [perhaps the angel Gabriel] twenty-one days, but Michael, one of the chief princes, came to help me" (v. 13).


Something had gone terribly wrong in Psalm 82. The supernatural beings He had appointed to rule the nations justly had failed to perform. They were supposed to rule with justice, executing judgments on behalf of the poor, the widows and the rest of the nations. But because they did not judge properly, Yahweh would judge them. And the punishment was ferocious.


[Yahweh] has taken his place in the divine council,
In the midst of the gods he passes judgment. . . .
And all of you, sons of Elyon [God Most High]
Instead like Adam you shall die,
And like one of the 'Shining Ones you shall fall."
Arise, O Yahweh; Judge the earth!
May you take possession of all the nations!"

If these gods" were really human beings, verse 7 would not make sense, for all humans die like Adam. Why would this be a special punishment? Instead, there is a hint in this verse of cosmic rebellion against Yahweh. It calls to mind Isaiah 14 and Ezekiel 28, where the king of Babylon and prince of Tyre are condemned for their rebellious pride. In Isaiah 14:1314, the rebellion is explicit. The Shining One, son of Dawn" (the same phrase used here in Ps. 82:7) tried to place himself above the stars of El [the highest God, or Yahweh]" to sit enthroned in the Mount of Assembly (of the gods)," to be like Elyon [the fuller name for the Most High God]."


The drift of these passages is that the gods-which are sometimes regarded in the Hebrew Bible as fallen angels and arguably are the genesis of Pauls principalities and powers"-are condemned to death not simply because of their failure to rule with justice, but more importantly, for their rebellion against their Maker, Yahweh. Their unjust rule of the nations was simply one of many expressions of their rebellion, which was the principal reason for Yahwehs discipline.


Christians later came to see these two stories in the prophets as allusions to Satans fall from grace. Once created as Gods most gifted and beautiful supernatural being, Satan abused his authority and then led a rebellion against Yahweh. God punished him by limiting his authority on earth; he is still the god of this world" (2 Cor. 4:4) but his authority is checked by Gods sovereign purposes, and his final destruction is decreed.


N. T. Wright calls this creational monotheism," which means that Yahweh rules over a cosmos thick with not only good angels but also fallen angels masquerading as the true God. Wright insists that we have very few examples of 'pure monotheism anywhere, including in the Hebrew Bible."


For the biblical authors, these weak and beggarly gods" helped explain why this cosmos seems to be at war, both spiritually and politically. They believed the ancient pagan religions were animated by powers hostile to Yahweh, actively fighting Yahwehs control of the cosmos. It was no surprise to them that history is full of conflict, because its driving animus is conflict between supernatural forces, which are visibly represented by both religious and political communities.


In other words, wars between nations were really only the shadowy surface of the deeper and more fundamental combat between spiritual powers. So Samuel Huntington, the Harvard political scientist whose Clash of Civilizations claimed the real inspiration for modern wars would be cultural and religious, was making what might be seen as a biblical argument.


Gerald McDermott is the Jordan-Trexler Professor of Religion at Roanoke College. He is the co-author of A Trinitarian Theology of Religions (forthcoming from Oxford University Press).


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19 Jan 19:45

Solar Lull Could Cause Colder Winters In Europe

by Soulskill
Taco Cowboy writes "Since September of last year scientists have been wondering what's happening to the Sun. It's supposed to have reached the peak of its 11-year cycle, but sunspot and flare activity remains much quieter than expected. Experts now think the recent cold snap that hit North America and the wet weather that hit part of Europe might be linked to the eerie quietness of the Sun. According to the BBC, solar activity hasn't been this low in 100 years, and if activity keeps dropping, it may reach levels seen during the 'Maunder Minimum,' an 'era of solar inactivity in the 17th Century [which] coincided with a period of bitterly cold winters in Europe.' It wouldn't have a big effect on global temperatures, just regional ones. Why? The sun's UV output drops during these lulls, and the decreased amount of UV light hitting the stratosphere would cause the jet stream to change course. Prof. Mike Lockwood says, 'These are large meanders in the jet stream, and they're called blocking events because they block off the normal moist, mild winds we get from the Atlantic, and instead we get cold air being dragged down from the Arctic and from Russia. These are what we call a cold snap... a series of three or four cold snaps in a row adds up to a cold winter. And that's quite likely what we'll see as solar activity declines.'"

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19 Jan 19:43

Que pena! Sai a estética Osklen-John John dos “excluídos”; entra o estilo sujinho-ensebado-universitário das Mafaldinhas & Remelentos incluídos. Sem o povo, os rolezinhos ficaram mais feios e mais burros

by giinternet

boné John John

Tênis da Osklen e bonés da John John: eis os fuzis dos revolucionários de Maria Rita Kehl

Tênis da Osklen e bonés da John John: eis os fuzis dos revolucionários de Maria Rita Kehl

Os playboys vermelhos do Complexo Pucusp e da imprensa acabaram com o barato da meninada. O rolezinho nunca mais será o mesmo. Era para fazer umas fotos, beijar na boca, botar depois no Instagram, causar… Mas a Maria Rita Kehl não quer que seja assim. A psicanalista de esquerda (isso é possível? Se um analisando mostra tendências de direita ela faz o quê? Tira o cara do divã a pontapés ou exorciza?), percebi por uma declaração sua à Folha, acha que pobre em shopping está reivindicando. Declarou o seguinte:
“Toda inclusão econômica exige, em um segundo momento, o reconhecimento da pertença a uma nova classe social. Claro que os jovens da periferia não pertencem a essa classe que compra nos shoppings, mas chegaram mais perto dela. E muitos deles hoje podem comprar algumas mercadorias que estão ali. A performance dos rolezinhos funciona como denúncia da discriminação, mas não sei se eles fazem isso conscientemente ou apenas movidos pelo mal-estar de saber que não são bem-vindos nos templos do consumo de uma sociedade que, até o momento, só promoveu inclusão via consumo — e não via cultura, acesso a serviços públicos de qualidade etc.”

Quando um especialista diz “etc.”, sempre penso que ele não deu o melhor de si ao argumentar. Vai ver não aposta na nossa inteligência. Petista militante, notem que Maria Rita precisa reconhecer a “inclusão econômica” ou estará negando um dos pilares da campanha de seu partido, certo? Aí ela avança com aquela ignorância desassombrada de que só psicanalistas falando sobre economia são capazes… Mentira! Os jornalistas são ainda mais capazes… Releiam esta enormidade: “Claro que os jovens da periferia não pertencem a essa classe que compra nos shoppings, mas chegaram mais perto dela!”.

Maria Rita Kehl acha que só rico compra no Shopping Campo Limpo.
Maria Rita Kehl acha que só rico compra no Shopping Aricanduva.
Maria Rita Kehl acha que só rico compra no Shopping Center Norte.
Maria Rita Kehl acha que só rico compra no Shopping Metrô Itaquera.
Maria Rita Kehl acha que só rico compra no Shopping Center Penha.
Maria Rita Kehl acha que só rico compra no Shopping Center Lapa.
Maria Rita Kehl acha que só rico compra no Shopping Center Ipiranga.
Maria Rita Kehl acha que só rico compra no Shopping Center Mooca.
Maria Rita Kehl acha que só rico compra no Shopping Pirituba.
Maria Rita Kehl acha que só rico compra no Shopping Metrô Tucuruvi.

Maria Rita Kehl acha que todos os shoppings do Brasil são o Iguatemi, o JK Iguatemi e o Higienópolis. A razão é simples. Maria Rita Kehl só conhece pobre de ouvir falar e, quando tem de ir a um shopping, vai ao Iguatemi, ao JK ou ao Higienópolis — igualmente abertos, diga-se, para receber pobres, ricos, brancos, pretos, homens, mulheres, gays, crianças… Cadê o histórico de discriminação praticado por esses centros de compras?

Maria Rita Kehl nunca conversou com Renilda Pereira dos Santos. Quem é Renilda? É uma senhora que integrou um “rolezão” organizado pelas extremistas do MTST no Shopping Campo Limpo (que fechou a porta antes que eles conseguissem entrar para fazer bagunça lá dentro). A mulher deu a seguinte declaração: “É um absurdo eu não poder entrar no shopping hoje. Eu sempre venho, assim como meus filhos, e a gente gasta muito dinheiro. O direito de entrar no shopping é de todo mundo, não só dos ‘filhinhos de papai’”. Ela só estava na manifestação porque mora numa área invadida e quem manda no lugar é o… MTST.

Mas eu quero seguir com Maria Rita. Kehl. Esta senhora sempre aguça os meus instintos. Disse ela: “A performance dos rolezinhos funciona como denúncia da discriminação, mas não sei se eles fazem isso conscientemente ou apenas movidos pelo mal-estar de saber que não são bem-vindos nos templos do consumo de uma sociedade que, até o momento, só promoveu inclusão via consumo — e não via cultura, acesso a serviços públicos de qualidade etc.”

Mentira! Os meninos e meninas já deixaram claro! Não era denúncia de nada. Também não há mal-estar nenhum. Quando os shoppings chegaram a Campo Limpo, Itaquera, Penha, Mooca, levaram mais opções de lazer — em áreas em que, muitas vezes, essas coisas são escassas. Se o empreendedores que criaram esses centros de compra não quisessem pobres no estabelecimento, não teriam investido dinheiro naquelas regiões.

Na sexta, na minha coluna na Folha, escrevi o seguinte: “Os shoppings, chamados de ‘templos de consumo’ por bocós dos clichês superlativos, seriam a expressão mais evidente e crua do ‘fetichismo da mercadoria’ (…)”. No dia seguinte, Maria Rita Kehl chama esses empreendimentos de… “templos do consumo”! Que coisa! Eu faço a caricatura, crio o estereótipo, e ela vai lá e cumpre a agenda dos bocós dos clichês superlativos…

Maria Rita Kehl, como toda esquerdista rosa-chique, que aprendeu, no conforto, a desprezar os bens materiais, despreza também a inclusão pela via do consumo — ela acha isso uma coisa menor e, no fundo, meio reacionária. Repete, assim, Marilena Chaui, sua colega de partido, aquela que “odeia a classe média”. Maria Rita Kehl só valoriza a integração por intermédio da cultura, entendem? Por que esta senhora não tenta convencer a molecada a invadir museus, galerias de arte, bibliotecas? Maria Rita Kehl acha que os meninos só vão ao shopping pra beijar na boca porque não têm acesso a Dostoiévski.

O que escrevi
Fui dos primeiros na imprensa a dar um tratamento sério a essa história de rolezinhos — aqui e na Rádio Jovem Pan. E quem leu o que andei escrevendo e ouviu o que andei comentando sabe que sempre considerei que esses eventos não passam de uma diversão meio perigosa da molecada, que tem de ser coibida. E tem de ser desestimulada por múltiplas razões de segurança. Só isso. Todos os meus comentários, desde o início, se voltavam contra cretinismos como os de Maria Rita Kehl.

Para ela e gente como ela, gozo é para os ricos; a tarefa do pobre é reivindicar. A meninada, confessadamente, organizava aquelas jornadas para se divertir, mas Maria Rita Kehl, a iluminada, julga que “a performance dos rolezinhos funciona como denuncia da discriminação”. E emenda: “mas não sei se eles fazem isso conscientemente”. Entenderam? Ainda que um rolezeiro diga para dona Maria Rita que não se trata de protesto — e é o que estão dizendo nas redes sociais e à imprensa —, esta pensadora responderá: “É que você não tem consciência do que está fazendo; eu a tenho por você”.

Desprezo pelo povo
Uma das razões — há uma penca — que me afastaram da esquerda é o profundo desprezo, beirando o nojo, que esquerdistas têm do povo. Eles, no geral, consideram a população um lixo, incapaz de fazer escolhas morais certas, escolhas políticas certas, escolhas estéticas certas… O povo, em nome do qual falam, não é esse que está aí, mas outro, é o “novo homem”, que tem de ser construído para substituir este que conhecemos, que já foi corrompido pelos valores do capitalismo, entendem? Não é nada surpreendente que os tiranos comunistas tenham matado e ainda matem com desassombro.

O “humano” de que eles gostam é aquele que foi iluminado pela consciência revolucionária, pela consciência da libertação. O humano com o qual se importam é aquele que serve a uma causa, que carrega bandeira. Vejam lá o texto que escrevi sobre a ministra Maria do Rosário. Mais de 50 mil pessoas são assassinadas todo ano no Brasil. Ela não diz nada. Um garoto gay, infelizmente, aparece morto — muito provavelmente, jogou-se de um viaduto. Sem esperar perícia, nada!, ela saiu acusando “crime de homofobia” e tentou faturar politicamente com o cadáver. Nojo. Por que é assim? Porque aqueles 50 mil não são nada, não têm pedigree, não permitem proselitismo — ao contrário: eles só provam a falência do governo nessa área.

Da mesma sorte, Maria Rita Kehl e outros que pensam desse modo têm um profundo desprezo pelos meninos e meninas que fazem rolezinhos por rolezinhos. Para eles, isso é coisa da sociedade de consumo, entendem? Maria Rita Kehl deixa claro, ainda que não diga com todas as letras: ela só se interessa pela coisa porque vê nela “a denúncia da discriminação”. Para dona Maria Rita Kehl, pobre tem de carregar bandeira ou não merece respeito. É assim que interpreto a sua fala.

E de igual modo atuam todos os militantes que falam em nome de “minorias”. Ou não é verdade que Joaquim Barbosa, ministro do Supremo, chegou a ser chamado de branco e feitor de escravos só porque condenou os pistoleiros do mensalão? “Ora, como um negro ousa condenar esquerdistas? Então não é um bom negro!” Atenção! Um ex-ministro da Igualdade Racial, Edison dos Santos, um negro, disse algo semelhante sobre o ministro do STF. Aquele garoto que caiu do viaduto ganhou visibilidade porque era gay e negro. Fosse branco e hétero, seria mais um dos mortos anônimos. Maria do Rosário ignoraria o caso solenemente.

Esses subintelectuais não gostam do povo que há, não, senhores! Na verdade, odeiam! O povo que reverenciam é outro, saído dos manuais revolucionários do fim do século retrasado.

De resto, reparem: os rolezinhos, tudo indica, tendem mesmo a arrefecer. As meninas e meninos, os “excluídos” de Maria Rita Kehl, que compravam blusas e bermudas novas para se exibir; que marcavam manifestações para mostrar seus tênis da Osklen, suas camisetas da Hollister e seus bonés da John-John foram substituídos pela turma que conserva aquela estética sujinho-universitária. Sai a molecada com vistosas correntes no pescoço e cabelos cuidadosamente desenhados, e entram os Remelentos & Mafaldinhas que fazem a linha “pensador ensebado”.

18 Jan 13:11

Chrome Is the New C Runtime

by timothy
New submitter uncloud writes "Cross-platform app development is more important than ever. But what about when you need the features and performance of native code, across platforms? And you're a startup with a small team and impossible deadlines?" His answer? Take advantage of cross-platform Chrome. From the article: "Out of necessity, the Chrome team has created cross-platform abstractions for many low-level platform features. We use this source as the core API on which we build our business logic, and it's made the bulk of our app cross-platform with little effort. Most importantly -- Chrome code has been battle-tested like almost nothing else, with an installed base in the hundreds of millions. That makes all the difference when you want to spend your days working on your company's business logic instead of debugging platform issues."

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18 Jan 11:15

Conspiração, teoria e prática

by giinternet

Leiam trecho do artigo da senadora Kátia Abreu na Folha deste sábado.
*
Há um projeto em curso, que quer restringir e relativizar a propriedade privada e a economia de mercado ”Teoria da conspiração” tornou-se uma espécie de mantra para banir qualquer avaliação mais profunda da conjuntura política. O termo é invocado mesmo quando já se está diante não de uma tese, mas da própria prática conspirativa. Os fatos estão aí: há um projeto em curso, que pretende restringir e relativizar a propriedade privada e a economia de mercado. Em suma, o Estado democrático de Direito. O setor rural é o mais visado.  Usa-se o pretexto da crise social para invasões criminosas a propriedades produtivas: sem-terra, quilombolas e índios têm sido a massa de manobra, incentivada por ativistas, que, no entanto, não querem banir a pobreza.

Servem-se dela para combater a livre iniciativa e estatizar a produção rural. Espalham terror nas fazendas e, por meio de propaganda, acolhida pela mídia nacional, transformam a vítima em vilão. Nos meios acadêmicos, tem-se o produtor rural como personagem vil, egoísta, escravagista, predador ambiental, despojado de qualquer resquício humanitário ou mesmo civilizatório. No entanto, é esse “monstro” que garante há anos à população o melhor e mais barato alimento do mundo, o superavit da balança comercial e a geração de emprego e renda no campo.

Nada menos que um terço dos empregos formais do país está no meio rural, que, não tenham dúvida, prepara uma nova geração de brasileiros, apta a graduar o desenvolvimento nacional. Enfrenta, no entanto, a ação conspirativa desestabilizadora, que infunde medo e insegurança jurídica, reduzindo investimentos e gerando violência, que expõe não os ativistas, mas sua massa de manobra, os inocentes úteis já mencionados.

Vejamos a questão indígena: alega-se que os índios precisam de mais terras. Ocorre que eles –cerca de 800 mil, sendo 500 mil aldeados– dispõem de mais território que os demais 200 milhões de compatriotas. Enquanto estes habitam 11% do território, os índios dispõem de 13%. Não significa que estejam bem, mas que carecem não de terras, e sim de assistência do Estado, que lhes permita ascender socialmente, como qualquer ser humano.

Mas os antropólogos que dirigem a Funai não estão interessados no índio como cidadão, e sim como figura simbólica. Há o índio real e o da Funai, em nome do qual os antropólogos erguem bandeiras anacrônicas, querendo que, no presente, imponham-se compensações por atos de três, quatro séculos atrás.
(…)

18 Jan 00:43

Militantes gays transformam morto numa simples bandeira. E a absurda irresponsabilidade de Maria do Rosário — mais uma vez!

by giinternet
Maria do Rosário: ela se interessa por um cadáver ou outro que rendam proselitismo. Os outros mais de 50 mil, ela ignora

Maria do Rosário: ela se interessa por um cadáver ou outro que rendam proselitismo. Os outros mais de 50 mil, ela ignora

Todas as profissões têm seus momentos desagradáveis, indesejados pelos profissionais. Eis um deles. Preferiria não escrever nada do que virá, seja em razão do que há de drama humano, de sofrimento mesmo, seja em razão da pulhice política que acompanha o episódio. Raramente tantos oportunistas se aproveitaram com tamanha determinação da dor alheia como nestes tempos. Vamos lá.

No sábado, a Polícia Militar de São Paulo encontrou o corpo de Kaique Augusto Batista, de 17 anos, perto de um viaduto na região da Bela Vista. Estava desfigurado em razão, tudo indica, de uma queda — as causas ainda estão sendo apuradas. São fortes os indícios de ele possa ter se suicidado, jogando-se do elevado. A família acusa homicídio porque diz que seu rosto estava desfigurado, sem os dentes, e que haveria uma perfuração na perna com barra de ferro. Uma avaliação preliminar indica que a tal perfuração se deve a uma fratura exposta e que os ferimentos do rosto são compatíveis com quem sofreu a queda. Haveria ainda sinais de tortura. A polícia informa que o corpo ficou sem refrigeração até quarta-feira e que os sinais de suposta tortura se devem, na verdade, à deterioração dos tecidos.

Kaique era negro e homossexual. E pronto! Estão dados os “botões quentes” para acionar a mobilização da militância. Sem que haja qualquer indício, qualquer sinal, qualquer evidência, qualquer fio que possa alimentar a suspeita — além da militância de sempre —, a morte do rapaz está sendo atribuída por grupos gays à “homofobia”. O garoto, ficamos sabendo, não morava com os pais, mas na casa do que a imprensa chama “casal de homens”. Teria sido visto por amigos pela última vez numa boate gay, na sexta passada.

Muito bem! Nesta sexta, houve um protesto em São Paulo organizado por grupos gays, que exigem a apuração do que de fato aconteceu — como se apurações assim dependessem de exigências. Mais: nem é preciso dizer que, na verdade, esses grupos militantes não querem exatamente uma investigação, mas a confirmação oficial da conclusão a que eles já chegaram: Kaike foi assassinado pela homofobia. Qualquer investigação que chegue a outra conclusão será considera, também ela…, homofóbica.

Entendam: Kaique já deixou, nesse caso, de ser uma pessoa e passou a ser uma causa. Pouco importa, no fim das contas, o que tenha acontecido com ele. Deixou de ser gente e passou a ser uma bandeira. Em sua página no Facebook, a polícia encontrou a seguinte mensagem: “Você se machuca com o que as pessoas fazem com você e você vive pensando em não machucar as pessoas. E aí pensa mesmo em não derrubar as pessoas da ponte enquanto elas te jogam e vocês têm que subir ela de alguma forma”.

Que fique claro: acho que todas as hipóteses têm de ser investigadas. O que é inaceitável é que a militância tente impor a sua conclusão à polícia, como se gays só pudessem morrer vítimas da homofobia; como, diga-se, se muitos dos assassinos de gays não fossem michês — vale dizer: gays eles também. Ou não são? Existem crimes de ódio praticados contra homossexuais? Existem. Mas isso é a investigação que tem de definir, não a gritaria. E agora Maria do Rosário.

A irresponsável
Maria do Rosário, secretária nacional dos Direitos Humanos, teve o desplante de emitir uma nota oficial chamando a ocorrência de crime praticado pela homofobia. Uma ministra de estado ignora a investigação da polícia, não espera os dados técnicos sobre a perícia e sai expelindo sentenças. Vindo de quem vem, não me surpreende. Leiam a nota (em vermelho):

A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) vem a público manifestar solidariedade à família de Kaique Augusto Batista dos Santos, assassinado brutalmente no último sábado (11/01). Seu corpo foi encontrado pela Polícia Militar de São Paulo próximo a um viaduto na região da Bela Vista, na Avenida 9 de Julho.
As circunstâncias do episódio e as condições do corpo da vítima, segundo relatos dos familiares, indicam que se trata de mais um crime de ódio e intolerância motivado por homofobia.
De acordo com dados do Relatório de Violência Homofóbica, produzido pela Secretaria de Direitos Humanos, em 2012, houve um aumento de 11% dos assassinatos motivados por homofobia no Brasil em comparação a 2011. Diante desse grave cenário, assim como faz em outros casos que nos são denunciados, a SDH/PR está acompanhando o caso junto às autoridades estaduais, no intuito de garantir a apuração rigorosa do caso e evitar a impunidade.
A ministra da SDH/PR, Maria do Rosário, designou o coordenador-geral de Promoção dos Direitos deLGBT e presidente do Conselho Nacional de Combate a Discriminação LGBT, Gustavo Bernardes, para acompanhar o caso pessoalmente. O servidor da SDH/PR desembarcou no início na tarde desta sexta-feira (17) na capital paulista, onde deverá conversar com a família e acompanhar o processo investigativo em curso.
Informamos ainda que a Secretaria de Direitos Humanos está investindo recursos para a ampliação dos serviços do Centro de Combate à Homofobia da Prefeitura Municipal de São Paulo, fortalecendo a rede de enfrentamento à homofobia.
Diante desse quadro, reiteramos a necessidade de que o Congresso Nacional aprove legislação que explicitamente puna os crimes de ódio e intolerância motivados por homofobia no Brasil, para um efetivo enfrentamento dessas violações de Direitos Humanos.
O Governo Federal reitera seu compromisso com o enfrentamento aos crimes de ódio e com a promoção dos direitos das minorias, em especial, com a população LGBT.

Voltei
Uma ministra de estado ignora dados técnicos sobre o corpo e prefere emitir uma nota com base em impressões da família, certamente impactada com a morte. Observem que também Maria do Rosário usa Kaique como bandeira: lá está ela:
a: a fazer proselitismo em favor da tal lei anti-homofobia;
b: a fazer propaganda dos investimentos do governo federal na Prefeitura petista de São Paulo;
c: a sugerir que, não fosse a pressão da sua secretaria, a polícia de São Paulo poderia não fazer direito o seu trabalho.

Asqueroso
Trata-se de um comportamento asqueroso, oportunista. Mais de 50 mil pessoas são assassinadas todo ano no Brasil. Alguém viu esta senhora emitir antes alguma nota? Observem que a mobilização do seu ministério é maior nesse caso do que na trágica ocorrência no Maranhão, que vitimou a menina Ana Clara.

Mais uma vez, estamos diante da evidência de que, para o governo federal, para os petistas, há cadáveres e cadáveres. Há aqueles que podem ser convertidos em causas e que rendem proselitismo. E há os que chamo de os mortos sem pedigree. É isto: a moral petista transforma em estandarte os cadáveres de primeira linha para que sua omissão criminosa nos outros casos não vire notícia. Como boa parte da imprensa é refém de grupos militantes, a operação é bem-sucedida.

Os ministros de Dilma se dividem em dois grupos: os com e os sem-limites. Maria do Rosário, junto com Gilberto Carvalho e José Eduardo Cardozo, entre outros, integra a segunda turma. Para encerrar e para não esquecer: quando houve aquela corrida para sacar dinheiro do Bolsa Família em razão de uma barbeiragem da Caixa Econômica Federal, essa senhora  foi a primeira a sacar a pistola retórica no Twitter: acusou a oposição. E não se desculpou depois.

Texto publicado às 22h18 desta sexta
17 Jan 23:59

Os rolezinhos e a Justiça. Ou: Para que existem os juízes? Ou: Se o direito de se manifestar é absoluto, então o manifestante é o novo tirano. Ou ainda: Dois juízes do Rio

by giinternet

Que tal um texto looongo? Vamos nessa?

Eu vou comentar aqui duas decisões da Justiça do Rio: num caso, concedeu-se uma liminar contra um rolezinho num shopping; no outro, a liminar foi negada. Mas preciso fazer considerações prévias porque, menos do que os casos em particular, interessa-me tratar de uma tendência. Vamos lá.

Juízes só existem — desde o momento em que o homem percebeu que o simples estado da natureza não era exatamente um bom modo de viver — porque a aplicação das leis não é uma operação aritmética. Especialmente nas democracias, há fundamentos que, na superfície ao menos, parecem colidir. Ao juiz cabe uma escolha que tem de ser fiel, no limite do possível, ao que está escrito, buscando preservar ou construir a paz social, mas sem ferir prerrogativas asseguradas em lei. Por isso mesmo, o que poderia ser sopa — aplique-se a lei — costuma ser uma operação bastante complexa. Infelizmente, tem se fortalecido no Brasil a tendência de os juízes confundirem esse espaço de arbítrio, facultado pelas muitas faces da legislação, com arbitrariedade idiossincrática, gosto pessoal, escolhas ideológicas e afinidades eletivas. Mais: em certas áreas do Judiciário, há, parece, a determinação de o juiz fazer com a própria toga o que ele julga que a sociedade, o Legislativo e o Executivo deveriam ter feito antes. Ou por outra: ele próprio decide encarnar, a um só tempo, a vontade do povo, a vontade do Legislativo e a vontade do Executivo — além, claro, de atuar em nome do Judiciário. E, então, falando em nome da democracia, ele não vê mal nenhum em encarnar os Três Poderes e ainda se considerar a fonte da legitimidade originária: o povo. É um momento glorioso, pois, em que um tirano decide falar em nome da democracia. Esse pensamento torto já chegou ao Supremo Tribunal Federal, e sua expressão máxima se chama Luís Roberto Barroso — não por acaso, destaque-se, o mais cultuado do tribunal pelas esquerdas.

É certo que a Constituição assegura o direito à manifestação e à livre associação. Não menos certo é que a mesma Carta garante a liberdade de expressão. São fundamentos da democracia gravados em nossa Lei Maior, e, pois, não cabem especulações sobre a sua pertinência. O direito que está impresso em letra fria é o conceito, é o valor abstrato que nos orienta. A sua efetividade só é provada a quente, na vida. Assim, cumpre indagar: o direito à livre manifestação e associação é de tal sorte absoluto que deve ser garantido mesmo quando uma minoria se impõe a ponto de impedir que a maioria igualmente se manifeste? É plausível que, em nome dessa liberdade, um grupo de 100, 200, 500 ou mil pessoas impeça o direito de ir e vir de milhares, pondo, adicionalmente, a sua segurança em risco?

Sim, pensemos no caso dos shoppings, espaços privados de uso público. Os que respondem juridicamente pelo empreendimento têm obrigações firmadas com entes do estado brasileiro — e tem de ser assim — para que possam abrigar pessoas. Entre outras coisas, precisa garantir a sua segurança, o seu bem-estar, condições adequadas de higiene, até a salubridade do ar que se respira por lá. Se os frequentadores sofrerem algum prejuízo em razão da incúria dos administradores, estes responderão judicialmente pelo dano.

Há mais: esses centros comerciais, que abrigam uma vasta gama de comércio e serviços, mantêm obrigações contratuais com lojistas, que respondem, por sua vez, por milhares de empregos. E, como sabe a Justiça do Trabalho, também os patrões arcam com obrigações que dizem respeito à segurança dos seus funcionários.

Os arquivos
Escarafunchemos os arquivos, o noticiário. Quantas são as notícias, ao longo dos últimos, sei lá, 40 anos dando conta de que grupos — seja em razão de sua renda, cor de pele ou sexualidade — foram proibidos de entrar em shoppings? Ao contrário: espalhados também nas periferias, especialmente em São Paulo, eles são exemplos de convivência democrática. Como confessou uma senhora que protestava em frente ao shopping Campo Limpo, ela e sua família são frequentadoras do estabelecimento.

Acrescente-se: em muitos casos, os shoppings acabam oferecendo o que o Poder Público nunca conseguiu oferecer: opções de lazer aos mais pobres: lanchonetes, miniparques de diversão, lojas de games, o simples “footing” para a paquera, em áreas bem mais seguras do que a conflagrada periferia das cidades brasileiras.

Os shoppings também exercem um certo poder civilizatório. Ainda que se possam perceber inconveniências aqui e ali, o comportamento dos frequentadores, pouco importa o grupo social, costuma ser aceitável. Funciona a tal lógica do serviço eficiente. Se os administradores do empreendimento se esforçarem para manter sempre limpo o ambiente, dá-se o ciclo virtuoso: é mais difícil jogar lixo no chão quando esse chão está limpo; intimidado, o sujeito acaba buscando o cesto mais próximo. Se sujo estiver, aí que se dane.

O melhor código de conduta que pode haver é o da razoabilidade. Está escrito em algum lugar que é proibido fazer “rolezinho”, com este nome, num shopping? É claro que não! Mas é aceitável que se faça “rolezinho” ou “rolezão” nesses lugares? A resposta é a mesma: é claro que não!

É o momento em que se deve, então, aplicar a letra fria da lei à prática quente da vida. A segurança desses ambientes — do espaço físico disponível às brigadas anti-incêndio — foi planejada para isso? Não! E nem deveria. É possível assegurar, a um só tempo, manifestações como essas e o direito dos demais frequentadores de ir e vir? Não! A administração de um shopping pode responder pela segurança dos seus frequentadores, em meio a rolezinhos, com a eficiência e a responsabilidade com que se comprometeram diante de órgãos legais? É claro que não!

A Justiça não tem de coibir rolezinhos em razão de algum juízo de valor sobre a qualidade da manifestação. Isso tudo é bobagem. Eles têm de ser coibidos porque incompatíveis com aquele ambiente; porque o exercício da vontade dessa minoria — e é uma minoria! — colide com direitos da maioria e impede que obrigações contratuais, disciplinadas por lei, sejam cumpridas.

Agora as decisões da Justiça do Rio
Foi marcado pelas redes sociais um “rolezinho” no Plaza Shopping, em Niterói, para este sábado às 18h30. Se vai mesmo acontecer, isso eu não sei. O Plaza recorreu à Justiça para tentar impedir o evento. O juiz Alexandre Duarte Scisinio, da 9ª Vara Cível, decidiu ignorar essa ordem de considerações que faço acima — o que há de errado com ela? —, negou a liminar e ainda deu uma má aula do que ele entende ser democracia e direitos, com considerações francamente hostis aos postulantes.

Escreveu:
“A prevalecer o estranho desejo dos autores de obter ordem judicial, como assim deduzido nesta ação, para proibir esse ou aquele indivíduo ou grupo, de ingressar no seu shopping, que é aberto ao público em geral, se estaria conquistando uma medida inaceitável de dar ao particular a absurda discricionariedade de agir dessa ou daquela forma, rejeitando os mais diversos consumidores, pelos mais variados motivos, sempre que assim lhe conviesse. Ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei e é livre a manifestação de pensamento, dogmas contidos na nossa Carta Magna”.

O doutor me perdoe, mas se trata de um texto absurdo e preconceituoso. Em primeiro lugar, não há nada de “estranho” na solicitação, que não é um mero “desejo”, sempre lembrando, meritíssimo, que encaminhar petições ao poder público é um direito constitucional. O senhor, por favor, trate com respeito os que procuram o seu saber, para cujo exercício é pago — e os peticionários colaboram com impostos para esse pagamento. Adiante.

O Plaza quis impedir o “rolezinho”, e o juiz, ao negar a liminar, resolveu contestar o que não foi pedido. A direção do shopping não está reivindicando nenhuma “absurda discricionariedade” para impedir que este ou aquele entrem no prédio. Quer apenas barrar uma manifestação para o qual aquele ambiente não foi pensado, planejado, organizado. De fato, ninguém é obrigado a fazer ou não fazer determinada coisa senão em virtude da lei. Mas esperem: o doutor nega que exista um penca de leis que coíbem que indivíduos ponham em risco a segurança de terceiros. A propósito, doutor Scisinio: quando “roleiros” cassam direitos de frequentadores, é em virtude da lei que o fazem? Ora…

O doutor resolveu ainda avançar para a poesia. Definiu assim os rolezinhos: “atividade artística e cultural, eis que os jovens criativamente apresentam-se com figurinos interessantemente diferenciados, pontuando um modismo próprio de sua época e idade, e é certo que se compreende por arte toda forma de expressão e manifestação estética, de ideias, pensamentos, etc. São estas acepções que compõem o vasto e complexo conceito de atividade cultural”.

A compreensão do juiz do que seja arte chega a ser cômica, mas deixo pra lá. A questão é outra: quando foi que o Plaza ou outro shopping qualquer impediram a livre manifestação de quem quer que seja? De resto, o doutor tem de responder a uma questão. Se tiver uma boa resposta, publico. MAIS PÚBLICOS DO QUE OS SHOPPINGS, MAIS “DO POVO” DO QUE OS ESTABELECIMENTOS PRIVADOS, SÃO OS TRIBUNAIS BRASIL AFORA, NÃO? SÃO AS REPARTIÇÕES DA JUSTIÇA. O DOUTOR ALEXANDRE DUARTE SCISINIO ABRIGARIA ROLEZINHOS NO SEU GABINETE? Se “jovens criativos” decidirem impedir o funcionamento normal da Justiça, deve-se fazer o quê? Creio que ele chamaria a polícia e daria voz de prisão aos transgressores. O juiz pode dizer o que quiser, mas, numa sociedade organizada, tanto o juiz como o vendedor de sanduíche têm de ter assegurado o seu direito ao trabalho e à segurança.

O juiz diz ainda que os excessos devem ser coibidos pela Polícia. Claro! Imaginem se uma manifestação em ambiente fechado, com escadas rolantes e grades nem sempre muito altas, foge do controle. De resto, cumpre indagar: o que foi feito da praça pública quando o assunto é manifestação?

A boa decisão
Mas exalto aqui, também, a boa decisão. Andou bem a juíza Isabela Pessanha Chagas, da 14ª Vara Cível do Rio, que concedeu liminar contra o rolezinho ao Shopping Leblon. Ela lembrou que os direitos à livre manifestação e de ir e vir não devem colidir com “os direitos de locomoção de outros, bem como o direito de trabalho, assegurado pela Carta Magna.” Observou ainda o óbvio: “os shoppings são prédios privados, havendo que se garantir o direito de propriedade (…) coibindo-se a ação de possíveis manifestantes que pretendem causar desordem pública, facilitando a prática de atos de depredação, bem como a ocorrência de furtos de bens, violando o direito de lojistas”.

Volto ao outro doutor: o que há de errado nas considerações da juíza Isabela Pessanha Chagas? Mais: ela se refere a episódios que de fato aconteceram em rolezinhos anteriores; não está sendo meramente preventiva. Escreveu com absoluta pertinência: “Frise-se, ainda, que a admitir-se tal manifesto, estar-se-ia colocando em risco a integridade física de eventuais consumidores que possam estar no local, sobretudo ante a possibilidade da presença de famílias que, no desfrute do seu lazer, se façam acompanhar de suas crianças e/ou idosos, como se verifica nos shoppings em finais de semana”.

Ainda há juízes na Berlim tropical!

Ela foi adiante na sua prudente decisão, informa o Estadão: “determinou que pelo menos dois oficiais de Justiça permaneçam de plantão no shopping, a partir das 15h, para identificar os manifestantes a fim de aplicar multa no valor de R$ 10 mil para cada um. Até as 15h desta sexta-feira, 17, mais de 8,7 mil pessoas haviam confirmado presença na página do evento no Facebook.”

Retomo
Notem: pode até ser que o evento se realize e coisa e tal. E, não há como, se a coisa sair do controle, a Polícia Militar terá de ser acionada. O que elogio na decisão da juíza é a sua disposição de não condescender com a demagogia e com o discurso fácil. Digam-me cá: deve-se permitir um rolezinho numa sessão de cinema ou de teatro em nome da “liberdade de expressão”? Não me parece que alguém possa dizer “sim” ao despropósito. E por que, então, deveriam ser permitidos em shoppings? Não se está, da mesma forma, afrontado direitos de terceiros?

A questão vai mesmo às raias do absurdo. Entender que a liberdade de organização e a de expressão são direitos absolutos confere àquele que age em nome desses fundamentos a discricionariedade de um tirano. Na demagogia nossa de casa dia — que, com frequência assustadora, tem exibido uma toga —, essa “absolutização”, no entanto, não vale para todo mundo. Só podem exercitá-la aqueles que falam em nome dos pobres e dos excluídos. Na maioria das vezes, trata-se de militantes políticos que não são nem uma coisa nem outra. O povo mesmo, aquele que gosta de ir aos shoppings, prefere se divertir em paz.

Texto publicado originalmente às 19h08 desta sexta
17 Jan 23:57

Marta é condenada em primeira instância por improbidade e tem direitos políticos suspensos

by giinternet

Por Lilian Venturini e Luciano Bottini Filho, no Estadão:
A ex-prefeita Marta Suplicy (PT) foi condenada pela Justiça de São Paulo por improbidade administrativa em razão de um contrato firmado sem licitação, durante sua gestão na Prefeitura de São Paulo (2001-2004). Em decisão de primeira instância, o Juiz Alexandre Jorge Carneiro da Cunha Filho, da 1ª Vara de Fazenda Pública, condenou a ex-prefeita a suspensão dos direitos políticos por três anos e ao pagamento de multa no valor de 50 vezes a sua remuneração como prefeita.

Na decisão, da última quarta-feira, 9, o Justiça acatou a denúncia do Ministério Público de São Paulo, que apontou irregularidades na contratação, em 2002, de uma ONG para assessorar o desenvolvimento de ações referentes a planejamento familiar, métodos contraceptivos, questões de sexualidade nas subprefeituras de Cidade Ademar e Cidade Tiradentes. O juiz estende a condenação também a então secretária de Educação, Maria Aparecida Perez. A defesa de Marta Suplicy informou que vai recorrer, já que contrato semelhante foi considerado legítimo pela Justiça (leia abaixo). A defesa de Maria Aparecida não foi encontrada para comentar o caso.

 De acordo com a promotoria, o contrato de R$ 176,7 mil com o Grupo de Trabalho e Pesquisa de Orientação Sexual (GTPOS) é irregular por ter sido firmado sem a realização de licitação. A secretaria teria desconsiderado também os requisitos necessários para a dispensa da pesquisa de preços. “Houve infração do princípio da moralidade, já que a ré Marta Suplicy, prefeita de São Paulo à época da celebração do contrato, era intimamente ligada à entidade contratada”, acrescenta o juiz na sentença, de novembro de 2013.
(…)

17 Jan 23:57

Promotoria entra com ação contra Prefeitura de SP e Instituto Lula por cessão de terreno

by giinternet

Por Fausto Macedo, no Estadão:
O Ministério Público do Estado ingressou judicialmente nesta sexta feira, 17, com ação civil pública contra a Prefeitura e o Instituto Lula por causa da área cedida à entidade no centro de São Paulo. Através da lei municipal 15.573, de 31 de maio de 2012 (gestão Gilberto Kassab), o Município de São Paulo foi autorizado a ceder ao Instituto Lula, mediante concessão administrativa, independentemente de concorrência, pelo prazo de 99 anos, o uso de áreas situadas na Rua dos Protestantes, Centro, para a instalação de Memorial.

Para a Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social, braço do Ministério Público, “o procedimento dos réus de facultar a divulgação de acervo de apenas um ex-presidente (Lula) sem lei municipal de incentivo a acervo presidencial constitui ferimento aos princípios da legalidade, igualdade e da democracia e aos princípios da administração pública da impessoalidade, publicidade, moralidade, eficiência previstos no artigo 37 da Constituição Federal”.

A ação civil é subscrita pelos promotores Valter Foleto Santin e Nelson Luís Sampaio de Andrade. “A situação se enquadra como verdadeira doação indevida de recursos públicos ou de imóvel público (mesmo temporariamente, mas por longos 99 anos) à entidade privada, beneficiada totalmente pelo lucro político e pessoal de espaço público para promoção pessoal do seu homenageado especial (Lula).”

“Não há interesse público devidamente justificado em cessão de imóvel para instalação de Memorial do ex-presidente Lula em momento de escassez de recursos e de terrenos públicos, longe do interesse do povo de melhoria da sua qualidade de vida e efetivação dos direitos sociais”, assinalam os promotores.
(…)

17 Jan 19:39

“Alô, é José Dirceu, do núcleo petista da Papuda”. Ou: Chega de preconceito! Dirceu não fez nada além do que habitualmente fazem os marginais nos presídios!

by giinternet
Correia, o interlocutor de Dirceu: secretário na Bahia e amigão do peito, petróleo e gás

Correia, o interlocutor de Dirceu: secretário na Bahia e amigão do peito, petróleo e gás

A Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, governado por Agnelo Queiroz, companheiro de partido do petista José Dirceu, disse que abriu sindicância para apurar o uso de celular pelo mensaleiro dentro do presídio, prática considerada uma falta grave. O chefão petista, condenado por corrupção ativa e formação de quadrilha, bateu um papo com James Correia, titular da Indústria, Comércio e Mineração na gestão do também governador petista Jacques Wagner,  da Bahia. O próprio Correia confirmou a conversa em entrevista ao “Painel”, da Folha. O homem é empresário da área de petróleo e gás e já contratou os serviços de Dirceu como “consultor”. Todo mundo sabe que o mensaleiro é especialista no setor, não é mesmo?

A esta altura, os petralhas pensam: “Pô, presidiários do Brasil inteiro usam celular o tempo todo; de dentro dos presídios, saem ordens para os bandidos que estão nas ruas…”. É verdade. Desta vez, eu concordo com os petralhas: Dirceu não fez nada que esses marginais, ligados ao crime organizado, não façam habitualmente. Por que o preconceito contra ele, né?

A secretaria emitiu uma nota, a saber:
Sobre a matéria publicada hoje (17/01) no jornal Folha de S.Paulo sobre a suposta utilização de celular pelo apenado da Ação Nº 470, José Dirceu, dentro do Complexo Penitenciário da Papuda, a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal esclarece que:
1) Todas as informações veiculadas por meio da matéria serão alvo de um processo administrativo disciplinar aberto na manhã de hoje. O resultado da apuração deverá transcorrer ao longo do mês de janeiro e tem um prazo de até 30 dias para ser concluído.
2) O resultado do processo será encaminhado à Vara de Execuções Penais (VEP)

Retomo
Sim, severidade máxima, posso apostar.

O tal James Correia diz coisas realmente singulares. Afirmou que José Dirceu está animado e quer trabalhar na biblioteca do presídio. Sei. E disparou uma frase deliciosa: “Ele está fazendo o que gosta”. É?

Correia também não dá muita bola para o que diz a lei e sustenta que seu amigão do peito, além do petróleo e gás,  não fez nada demais. E anuncia a intenção do mensaleiro tão logo saia da cadeia para supostamente trabalhar: “Em breve, ele poderá falar o dia inteiro ao telefone, porque estará trabalhando.”

A menos que Dirceu seja contratado para trabalhar numa empresa de telemarketing, há de se perguntar: que diabo de trabalho será esse?

Pelado
Em 2010, Dirceu concedeu uma entrevista à revista Playboy. Falando sobre a sua atividade de “consultor”, soltou esta pérola:
“(…) No fundo, o que eu faço é isso: analiso a situação, aconselho. Se eu fizesse lobby, o presidente saberia no outro dia. Porque, no governo, quando eu dou um telefonema, modéstia à parte, é um telefonema!”

Claro! Foi a segunda vez que um homem ficou pelado na Playboy — a primeira foi com Lula, em 1979, quando revelou que usava seu cargo no sindicato para pegar as viúvas dos companheiros menos afortunados do que ele… Papar viuvinha de companheiro morto que ia ao sindicato tratar de assuntos ligados à Previdência revela, certamente, um nível tão elevado de testosterona como de caráter.

Assim, tão logo o juiz da Vara de Execuções Penais decida autorizar que Dirceu trabalhe fora do presídio, é bom que se atente: há o risco de ele ficar o dia inteiro pendurado ao telefone, disparando telefonemas para o governo que, “modéstia (dele) à parte, são TELEFONEMAS”.

PS - James Correia tentou consertar o estrago. Afirmou depois não ter conversado pessoalmente com Dirceu. Uma terceira pessoa, uma visita, que estaria com o presidiário, teria servido de intermediária. Ah, bom! Seria boa a desculpa se fosse permitido entrar com celular no presídio. Mas não é.