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11 Sep 18:58

De onde vem a parte mais importante da bateria do seu celular?

by Andrew Tarantola

O lítio é um grande negócio. Ele alimenta tudo, nossos gadgets, nossos carros – praticamente todo o mundo moderno. E isso não vai mudar tão cedo; alguns analistas estimam que a demanda por lítio deve aumentar em 25% nos próximos anos. Mas como aproveitar o poder deste metal que explode a cada vez que se molha? Como ele é tirado do chão?

O que é Lítio?

Lítio (vem de lithos, a palavra grega para “pedra”) é o terceiro elemento da tabela periódica, um metal alcalino branco-prateado que é macio o suficiente para ser cortado com uma faca. Ele também é o metal mais leve da Terra, assim como o elemento sólido menos denso. Ele tem a densidade equivalente a uma tábua de madeira de pinho, e metade em comparação à da água. Ele flutua no óleo (e na água também, mas isso não dá muito certo, já que ele explode na água), e já que reage à umidade do ar, o lítio puro é armazenado em condições anaeróbicas e coberto com óleo mineral, vaselina ou algum outro líquido não-reativo.

Você não pode cavar um buraco e colocar o lítio lá dentro. Não, ele é corrosivo e reativo demais para isso; na verdade, o lítio nunca ocorre livremente na natureza. Ele sempre é encontrado em compostos, frequentemente em minerais pegmatíticos, ou na água do mar, salmoura e argila. O problema é, mesmo que o lítio seja relativamente abundante – ele é o 33º elemento mais comum – ele é muito difuso na natureza, o que significa que coletá-lo e concentrá-lo em uma forma viável comercialmente é bem difícil.

litio

Como ele foi descoberto?

Johan August Arfwedson isolou o lítio da petalita, uma substância cristalina, em 1817. Nas décadas seguintes, diversos pesquisadores estudaram as condições físicas básicas do metal. Em 1855, os químicos Robert Bunsen e Augustun Matthiessen descobriram uma forma de precipitar grandes quantidades de lítio do cloreto de lítio através de eletrólise, o que levou a uma produção em pequena escala a partir de 1916 e a uma escala comercial de produção de lítio em 1923.

Lítio foi usado na Segunda Guerra Mundial como uma graxa de alta temperatura para motores de aeronaves, graças ao seu alto ponto de fusão e ao fato de ser significativamente menos corrosivo que as pastilhas de cálcio usadas anteriormente. Ele também teve papel importante na Guerra Fria. Os íons lítio-6 e lítio-7 foram usados para criar o trítio, um composto usado para aumentar a eficiência e rendimento das bombas de hidrogênio, bem como um combustível sólido de fusão.

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Entre o fim dos anos 1950 e o meio dos anos 1980, os EUA foram o principal produtor global de lítio. Durante quase um quarto de século, os EUA acumulou um estoque de 42 mil toneladas de hidróxido de lítio a partir de locais de produção nos estados de Nevada e Carolina do Norte. Os Estados Unidos foram responsáveis por suprir 80% da demanda global por lítio em 1976, e continuaram o domínio até 1984, quando um dos maiores depósitos do planeta foi descoberto no Chile (e novamente em 1997, quando a mineração começou em outro grande depósito na Argentina).

Então, o que fazemos quando encontramos o lítio?

Os Estados Unidos têm apenas uma parte dos enormes depósitos de lítio no Chile e na Argentina. Eles são os dois principais produtores, exatamente nessa ordem, sendo responsáveis por 60% do lítio produzido anualmente no mundo. A Austrália e a China, juntas, têm mais 30%. Os 10% restantes são divididos em produtores menores como Estados Unidos e Rússia. Estimativas do US Geological Survey dizem que a reserva mundial de lítio é de 13 milhões de toneladas. Metade desse suprimento acredita-se estar na Bolívia, e na parte oeste dos Andes. No geral, a USGS estima que exista 5.4 milhões de toneladas de Lítio nas montanhas bolivianas.

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Historicamente, o lítio foi ou extraído de salmouras ou minerado de rochas duras. A mineração de lítio em rochas duras é como qualquer outra operação tradicional de mineração: cave um grande buraco, jogue as pedras, e envie para processamento. O problema de aplicar isso ao lítio é que extrair a substância de rochas sólidas exige tempo, energia e custo alto. Como o lítio é tão difuso, você precisa de muita pedra para conseguir um pouco do que quer.

Uma forma mais eficiente economicamente é usar métodos de extração à base de solução salina. Tanto Chile quanto Argentina (e também China, Rússia, e os EUA, em partes) usam esse método. A salmoura em si é, como o Western Lithium explica:

As salmouras, de origem vulcânica, estão presentes em áreas desertas e ocorrem em locais onde o lítio foi concentrado por evaporação solar. Nas bacias salinas (desertos salinos, por vezes conhecidos como lagos de sal ou salinas), a solução está contida em ou abaixo da superfície, e é bombardeada para dentro de grandes tanques de evaporação solar para a concentração antes do processamento. Quando as superfícies da bacia são predominantemente compostas por siltes e argilas com alguma incrustação de sal, elas são chamadas de playas. Se a superfície é predominantemente sal, são chamadas de salar. Embora o caráter fundamental dos depósitos seja semelhante, há uma grande variedade de tamanho, de caráter superficial, estratigrafia, estrutura química, infraestrutura e taxas de evaporação solar.

Bolivia Uyuni Salt Flat

A maior dessas piscinas de salmoura está na maior planície salina do mundo, Salar de Uyuni, na Bolívia.

A empresa Foote Mineral costumava operar uma dessas piscinas de salmoura em Silver Peak, Nevada, e dá uma explicação mais profunda de como o lítio é extraído:

A Foote Mineral Company está recuperando lítio de salmouras evaporadas em Silver Peak. As salmouras são bombardeadas a partir de baixo de uma playa dentro de uma bacia fechada. Os depósitos playa consistem em misturas de argila, siltes, areias e evaporito, muitos dos quais são saturados com salmoura salina até profundidades que chegam a 180 metros. Mas as salmouras provavelmente está presentes abaixo dessa profundidade, e estudos de gravidade indicam que sedimentos não consolidados atingem profundidades de 450 metros. A gênese do depósito de Silver Peak aparentemente está relacionada com a atividade vulcânica e a área é caracterizada por nascentes de água quente, cones de concreto e depósitos de lava. A salmoura bombeada das fontes contêm 300 ppm (partes por milhão) de lítio e 10-15% de outros sólidos dissolvidos. A superfície da playa é adequada para evaporação solar. As salmouras são bombeadas em uma série de tanques de evaporação solar e após atingirem a saturação, uma série de sais são precipitados. A sequência desses sais precipitados é NaCL, uma mistura de NaC1 com glaserite (KNa(So4)2), e então esses dois mais Ka. Como consequência da evaporação, a concentração de lítio é aumentada para cerca de 5000 ppm. A temporada de evaporação em Silver Peak começa em abril e tradicionalmente continua até outubro. É necessário acumular salmoura o suficiente até outubro para operar a fábrica de processamento durante os meses de inverno. O lítio é recuperado da salmoura ao precipitar carboneto de lítio.

Apenas quatro empresas - Talison LithiumRockwood HoldingsSociedad Quimica y Minera de Chile, e FMC - representam quase 95% da produção mundial de lítio e todas usam o método padronizado da indústria de precipitar lítio puro a partir de cloreto de lítio fundido (LiCL) usando eletrólise. Este processo evidentemente é feito em um ambiente isento de água e ar para evitar uma reação.

De onde vêm as baterias?

No vídeo acima, a Leyden Energy mostra por dentro de uma fábrica de baterias íon-lítio e os bastidores da sua unidade de produção.

A série How It’s Made do Science Channel nos dá uma explicação geral da produção de bateria no vídeo acima.

Atingindo a demanda

Existem cerca de 900 milhões de veículos nas ruas ao redor do mundo, e não há reservas de lítio o suficiente para substituir muitos deles por alternativas movidas a bateria. “Como uma bateria de veículo exige 100 vezes mais carbonato de lítio do que uma bateria de laptop, a revolução dos carros verdes pode tornar o lítio uma das commodities mais estratégicas do planeta”, diz Mary Ann Wright, da Johson Controls-Daft, uma produtora de baterias de lítio.

“Para fazer apenas 60 milhões de veículos híbridos por ano contendo uma pequena bateria de íon-lítio, precisaríamos de 420.000 toneladas de carbonato de lítio anualmente – ou seis vezes a produção global atual”, Willian Tahil, diretor de pesquisa da Meridian International Research, explica. “Mas você quer baterias de tamanho decente, então é mais provável que você teria que aumentar a produção global em dez vezes. E isto exclui a demanda por lítio em aparelhos eletrônicos portáteis.”

Para evitar esse desabastecimento, diversas fontes alternativas ao lítio são exploradas. Um sistema promissor é fazer a salmoura ser puxada para a superfície a partir de bombas geotérmicas. Um grupo de sete usinas geotérmicas no Salton Sea conseguem puxar cerca de 16.000 toneladas de lítio (e uma grande quantidade de zinco) anualmente. É uma questão de filtrar os minerais dissolvidos da água.

[Wikipedia - NBC News - Daily Mail - Rodinal Lithium - Salt Institute - BC Institute of Technology - About - Resilience - Western Lithium - Imagem da mineração de rocha sólida: Kamzara / Shutterstock, Imagem da pilha de sal: Vladimir Melnik / Shutterstock, todas as outras: AP Images]

11 Sep 18:53

Fim do voto secreto para qualquer votação no Congresso é um absurdo e atua contra os interesses da população

by giinternet

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou nesta quarta-feira uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que acaba com o voto secreto em votações no Congresso. É uma decisão estúpida! Caso prospere, tornará o Congresso mero instrumento do Executivo, que tem a máquina na mão. É uma aberração! Uma coisa é proibir o expediente em caso de cassação de mandatos; outra, diferente, é expor os parlamentares à sanha vingativa do governo federal. Tinha de ser mesmo proposta de um petista — no caso, o senador Paulo Paim (RS). Não há ideia ruim que ele não proponha ou abrace.

Se isso prospera, não se derruba mais veto presidencial, por exemplo. O mandatário de turno ficará com a listinha na mão: “Ah, Vossa Excelência ajudou a derrubar um veto meu, né?, e agora quer dinheiro para fazer aquela ponte lá no seu Estado?… Prefiro dar o dinheiro para quem votou comigo”.

O voto secreto, em muitos aspectos, é um instrumento que a minoria — a oposição — tem para resistir à maioria: o governo.

É a coisas como essa que chamo “espírito destrambelhado das ruas”. Os tontos que odeiam a política — EM VEZ DE ODIAR OS MAUS POLÍTICOS — não percebem quando estão jogando fora a criancinha junto com a água suja. Espero que essa porcaria acabe sendo, ao fim e ao cabo, derrotada. Fim do voto secreto? SIM! MAS APENAS PARA OS CASOS DE CASSAÇÃO DE MANDATO. A proposta de Paim não ajuda a política, não moraliza o Congresso, não colabora com o país. A proposta de Paim corta uma prerrogativa do Poder Legislativo e serve apenas para enganar os idiotas.

Se isso passa, nunca mais um senador votará contra a indicação de um ministro para cortes superiores. A eleição das respectivas presidências de Câmara e Senado também se daria às claras. Não se falaria mais em candidaturas alternativas. É preciso tomar cuidado com esse negócio de “espírito das ruas”. Se ele sempre estivesse certo, a humanidade não teria chegado à democracia representativa, e este não seria o regime que assistiu aos maiores progressos da civilização.

Com democracia direta, os feiticeiros é que seriam os cientistas, e os cientistas seriam queimados, acusados de feitiçaria.

23 Jan 18:47

Reviews & Opinions - Coordinating the Kingdom and the Common Good

Social movements are crucial to political change. But what about the church?
09 Jul 17:08

Sunset Societies

by ft@firsthings.com (John Murdock )

fireworksThe Independence Day fireworks over the National Mall are impressive to behold. Yet, watching from a hillside between Arlington National Cemetery and the Iwo Jima Marine War Memorial-both of which speak eloquently to the past sacrifices made for life, liberty, and the pursuit of happiness-I could not shake my friend Os Guinnesss observations about sunset societies." By this the erudite Irishman and social critic describes cultures that- like the fiery oranges and reds that can erupt at twilight- are still capable of brilliant pyrotechnics" even as they are about to fade into a long darkness.


The United States remains the nation from which the next medical marvel, mega-blockbuster film, or latest iWhatever techno-distraction is most likely to come. But, as Dr. Guinness argues in A Free Peoples Suicide: Sustainable Freedom and the American Future, without a virtuous people, American freedom is apt to morph into licentiousness, and that is no foundation on which to build a lasting republic. Guinness knows his warning is not new, echoing as it does many of the countrys founders and other alert foreign observers like Alexis de Tocqueville. He argues that freedom requires virtue, which requires faith." Similarly, true faith cannot be dictated by a state church or its rough equivalent as faith requires freedom." This connected golden triangle of freedom" is as important to our functioning republic as the Declaration of Independence and the Constitution, for documents are only as sound as the societies and living leaders putting them into practice.


That truth was recently reinforced as the end of June brought cultural cannon shots to rival those that would be fired in the 1812 Overture just over a week later. The actions of a bipartisan Congress and President Clinton in the not too distant past of 1996 were deemed unconstitutional, having been, in the eyes of the slim majority, motivated by an improper animus or purpose." Rainbow-colored celebrations rang out across the land as the Defense of Marriage Act, or DOMA, fell-with a Praise the Lord!" offered at D.C.s Foundry United Methodist Church where the Clintons have often worshiped.


Leftist think tanks also celebrated. It was standing room only July 2 at the Center for American Progress (CAP) when a panel of liberal legal luminaries discussed the just-completed Supreme Court term. First and foremost was basking in the glow of the gay rights cases.


Interestingly enough, the prophetic powers of Justice Antonin Scalia were noted. As one panelist acknowledged, Scalia had been roundly ridiculed for suggesting, in his dissent to the 2003 Lawrence v. Texas case that struck down state sodomy laws, that traditional marriage was now on the hit list. Then, few liberals would dare dream that the court might move so quickly to take up same-sex nuptials. This group of lefty lawyers, though, was now in agreement with Scalias most recent crystal ball reading. In his DOMA dissent, Scalia bemoaned that, with the current courts composition, it was only a matter of time before the next shoe dropped and a constitutional right to same-sex marriage was declared. Such, the CAPers noted, would eventually be necessary to bring along the likes of Alabama-the preferred state punching bag representing backwardness on this day. Despite CAPs usual fondness for democracy-talk, no discussion was given to Scalias basic argument that the democratic process should have been left alone to work its will on this issue.


Instead, the discussion shifted to the historical importance of blocking the Supreme Court nomination of Judge Robert Bork, who just died in December of last year. After the emminently qualified and philosophically consistent jurist had his name turned into a verb that redefined a politically motivated blockade (i.e., to Bork), the much more shadowy Anthony Kennedy eventually filled the seat in 1988. Justice Kennedy-with a jurisprudential philosophy as unpredictable as a hurricane in the Gulf of Mexico-now sits as the key swing vote on controversial cases that otherwise tend to split the court into blocks of four linked to the political party of the various appointing presidents.


In his 1996 cultural lament Slouching Towards Gomorrah, Judge Bork aptly noted the full faith and credit" concerns that would eventually lead to DOMAs passage in the wake of a Hawaii Supreme Court ruling announcing a legal presumption that any statute restricting marriage to opposite sexes was contrary to the states constitution. He suggested that such a legal seawall like DOMA might" hold but warned that the court had recently handed down, in Romer v. Evans (a Kennedy opinion), a logically suspect victory for homosexual activists, with whom the court evidently sympathizes." Sadly, Bork saw things rather clearly, both in this particular and generally.


Bork feared the combination of an unhinged individualism, no longer bound by religion and morality, and an egalitarianism that sought to level even the most basic and biological of differences. Same sex marriage fits these fears well. The broad goal is not access to the protective limits of marriage-and, unfortunately, heterosexuals long ago ensured that the ball has grown rather light and the chain is easily severed-but the true prize is an affirmation of personal autonomy: I want to do what I want to do, and I want society to proclaim it equal to all historic norms.


A Free Peoples Suicide strikes many of the same chords as Slouching Towards Gomorrah. You Americans, Guinness concludes, are turning yourselves into caricatures of your original freedom." Despite their gloomy titles, these works refuse to declare that the night has won, yet the hour does grow late, and many risk being distracted by the appearance of pretty fireworks.


John Murdock works as an attorney in Washington, D.C. and assisted with the briefing of multiple Supreme Court cases this term. He worships at The Falls Church (Anglican) in northern Virginia.


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09 Jul 17:07

Wisdom, Christian Witness, and the Year of Faith

by ft@firsthings.com (Charles J. Chaput )

basilicaThe following talk was delivered at the National Shrine, Washington, D.C., on Tuesday, July 8 as part of the National Shrines Year of Faith lecture series.


A long time ago in Germany, a man kept a diary. And some of his words are worth sharing today, because theyre a good place to begin our discussion.


The man wrote: Speak both to the powerful and to every man-whoever he may be-appropriately and without affectation. Use plain language. Receive wealth or prosperity without arrogance, and be ready to let it go. Order your life well in every single act. Behave justly to those who are around you. Be vigilant over your thoughts, so that nothing should steal into them without being well examined."


He wrote: Every moment, focus steadily on doing the task at hand with perfect and simple dignity, and with feelings of affection and freedom and justice. Put away hypocrisy. Put away self-love and discontent with your portion in life. We were made for cooperation, and to act against one another is contrary to nature. Accept correction gladly. Teach without anger. Keep yourself simple, good, pure, serious, a friend of justice, kind, affectionate, and strenuous in all proper acts."


Finally, he wrote: Take care never to feel toward those who are inhuman, the way they feel toward other men."


The dictionary in my home defines wisdom as the understanding and pursuit of what is true, right or lasting." If thats so, and I believe it is, the words from the diary we just heard are wisdom. They offer us a map to living a worthy life-a life of interior peace flowing out of moral character and purpose. Theyre as valuable today as when they were first written.


But whats interesting is this: They were written more than 1,800 years ago. The author probably didnt intend to see his work published. He wrote mainly for himself-to strengthen his convictions. And many of his thoughts, which we now call the Meditations, were written at war, at night, in winter, from the inside of a Roman military tent, on the German frontier. In his nineteen years as emperor, Marcus Aurelius Antoninus had no long period of peace. He spent much of his life away from Rome with the army. He fought one brutal war after another against invaders, and he did it to defend a society that had already lost the values he held dear. Moreover, in the long run he failed. The barbarians won. Rome rotted out and unraveled. His own son Commodus became one of the worst tyrants in history.


So why do we remember him? We remember him because nothing is more compelling than a good man in an evil time. Marcus Aurelius held absolute power in a corrupt age. Yet despite that, he chose to seek what is true and right and lasting; and he disciplined his own life accordingly. In the context of his time, he was a just man and a moral ruler. He achieved that dignity of character by giving his heart first to the pursuit of wisdom, and only then to Rome. He had a brilliant mind, but he had no love of intellect purely for the sake of intellect. Rather, he had a special disgust for intelligence without moral purpose.


Thats why hes important for us today. He pursued wisdom above everything else. And though his beliefs were very different from our own, we can learn from his example. Those three qualities that Marcus Aurelius sought in his own life-the true, the right, and the lasting-are the pillars of the world. Theyre the tripod that supports a meaningful life. Whether rich or poor, emperor or peasant, Christian or pagan, all people in every age have a hunger for meaning in their lives.


That hunger is a clue to the nature of our humanity. Its a sign that points to what Jesus said to Satan: Man shall not live by bread alone, but by every word that proceeds from the mouth of God." Power, sex, knowledge, money, possessions-none of these things finally lasts. Theyre narcotics. They can dull our inner hunger, but they cant make it go away. Wisdom consists in turning our hearts to the search for what does satisfy that hunger, and then pursuing it with all our strength.


That brings me to the three simple points I want to put before you today.


Heres my first point: The more secular we become, the less we care about the true, the right and the lasting. And heres the reason: We dont really believe they exist. Or we simply dont care.


The word philosophy" comes from the Greek words philia, which means love, and sophia, which means wisdom. In an earlier age, philosophy fed mans nobility; it involved the love and pursuit of wisdom. Academic philosophy today is a shadow of its historic dignity in the Western tradition. Its an ailing discipline because it has collapsed into either postmodern skepticism or materialistic scientism, and neither has any place for wisdom or love. The postmodern cynic rejects the search for higher, permanent truths about the human person as a kind of ideological power grab. And the materialist philosopher rejects the search because it demands going beyond what we can confirm in a laboratory.


As a result, our idea of wisdom" has shriveled down to mean, at best, a kind of common sense based on experience; and at worst, a cheap and clever irony.


Real wisdom grows from the moral memory of a culture. The more we debunk and reinterpret the past according to some political or social scientific agenda, the less coherent our memory becomes, and the more irrelevant wisdom like the Bible seems. This results in a kind of rootlessness, a self-imposed amnesia, and it undermines our whole moral vocabulary. It also leads us to see and judge everything in terms of its utility, right here and right now. Whats useful and productive is judged good. What isnt is judged bad.


Heres my second point: Just as we transferred our belief in God to a belief in ourselves beginning with the Enlightenment, now were shifting a belief in ourselves to a belief in our tools under the cover of a scientific and technological revolution. To put it another way: Losing faith in God inevitably results in losing faith in man, because only God can guarantee mans unique dignity. Without God, we turn ourselves into the objects and the victims of our own knowledge. And were now doing that at a moment when our tools have more destructive power than at any time in history.


This is why the witness of the Church is so important. The Church, as G.K. Chesterton once said, is the only thing that saves a man from the degrading slavery of being a child of his age." What he meant is this: People who conform their hearts to the ideas of the age disappear right along with the age. Nothing is older than yesterdays new thing" and the people who worshiped it. We were created to live in the present, worship God in the present, serve the poor in the present, and support each other in the present-but to ready ourselves for eternity.


That brings me to my third point: I believe that its exactly this vocation-this eternal perspective-that makes the Church the most reliable bearer of wisdom for the contemporary world. No one knows the human soul and the human experience as well as the Church. No one believes in the human enterprise more deeply than the Church. And that creates an interesting irony: In his lifetime, Marcus Aurelius bitterly persecuted Christians for being superstitious, obstinate, and seditious. But he did so not out of personal cruelty, or corruption, or arrogance, but out of piety for the old gods. If he were alive today, and alive with the same hunger for wisdom, he might see the world very differently. It might even be tempting to imagine him as a Christian-because what he sought from life in his own time, only the Church really offers today.


Now lets revisit these three points in a little more detail.


Regarding my first point: The more secular we become, the less we care about the true, the right, and the lasting. At the heart of the secular-or maybe the better word is secularist"-worldview are several key ideas. They go like this: God doesnt exist; or if he does, hes irrelevant to our public life. Religion is dangerous, or at least suspect, because it divides people with conflicting fairytales about the purpose of life. What matters is material reality, here and now; and the principles governing our behavior here and now will change as our needs and circumstances change. Finally, a good society is one that provides the most material benefits to the greatest number of people. What we perceive as true and right is conditioned by our circumstances, and nothing lasts because our needs change.


Obviously Im oversimplifying a complex social reality, but not by so very much. Wisdom in this kind of environment shrinks into sophistry or cynicism. And thats exactly what has happened. Weve become skeptical about our ability to really know" anything, and weve simply stopped asking profound questions. We no longer really look for the true, the right, and the lasting because we dont really believe they exist outside our own brain chemistry. Were agnostic about human meaning in the same way were agnostic about God.


Lets move on to my second point: We stopped believing in God and began believing in ourselves. Now were losing our faith in ourselves and putting our faith in our tools. Were becoming the objects and the victims of our own knowledge. Forty years ago, if a scientist talked about hybridizing embryos to produce people to do certain jobs or live in certain environments, he was dismissed as a lunatic or a monster. Now we talk about the practical benefits of perfecting" the human gene code, and the potential profits.


What we risk creating is a culture of unthinking scientific and technological boosterism. In some ways, its already here. In the words of Leon Kass, the distinguished physician and University of Chicago scholar of social thought:


The pursuit of [human perfection] scientifically defined and technically advanced, not only threatens to make us more intolerant of imperfection. It also threatens to sell short the true possibilities of human flourishing, which are to be found in love and friendship, work and play, art and science, song and worship . . . We triumph over natures unpredictabilities only to subject ourselves, tragically, to the still greater unpredictability of our capricious wills and our fickle opinions.

To put it even more bluntly: Were fooling ourselves if we think our love affair with science is intellectually chaste, a kind of high-minded romance with knowledge. Chaste its not. Knowledge is power, and what Americans really love is the power knowledge brings-the power to penetrate, dominate, and exploit the natural world.


Exactly seventy years ago, C.S. Lewis very shrewdly observed that


There is something which unites magic and applied science while separating both from the wisdom of earlier ages. For the wise men of old, the cardinal problem had been how to conform the soul to reality, and the solution had been knowledge, self-discipline, and virtue. [But] for magic and applied science alike, the problem is how to subdue reality to the wishes of men; the solution is a technique; and both, in the practice of this technique, are ready to do things hitherto regarded as [terrible and] impious . . .

Americans love science for the technology we can extract from it, and technology does not have a conscience. As easily as it gives us iPads and smart phones, it also gives us Nagasaki, Zyklon B gas, genetic screening, and abortion pills. The more we subordinate the sanctity of the human person to the tools we create, the less human we become. Our job as Christians is to remind our culture that true and right and lasting things do exist about human nature-and if we abandon these things, we abandon who we are, and we abandon those who need us to speak on their behalf.


Which brings us to revisit my third and final point: The Church is the most reliable bearer of wisdom in the contemporary world; and the most reliable defender of the human person. Thats a very big claim, especially in light of the many sins people in the Church, including her leaders, have committed down through the centuries. But its also the truth. The Church has always existed for sinners. Her wisdom lies in seeing the world as God sees it; seeing the human person with the love and mercy that moved Jesus to weep at the tomb of Lazarus.


The Church knows, as Ecclesiastes reminds us, that there is nothing new under the sun." The terrain of the world changes, but the nature of the human journey doesnt. The poet Rainer Maria Rilke once described man as by turns, clay and stars."It has always been so. Man is a creature of animated carbon, but every life also has a higher purpose. Were meant for more than this time and place. Yesterday, today, and tomorrow, the human struggle is always the same: Were in this world, and yet we hunger for the next; were imperfect, and yet were made for perfection.


The Church knows, as the Psalms and Proverbs teach, that only the mouths of the righteous speak wisdom;" that happy is the man that finds wisdom" for wisdom is the principal thing;" and that wisdom is a treasure more precious than rubies." Were put in the world to seek the truth. We thirst for it. We cant be happy without it.


The Church also knows, with Sirach, that to fear the Lord is the beginning of wisdom." Why? Because God is the source and meaning of our lives, and humility in Gods presence, which is just another name for fear of the Lord," is the sign of a sane person-a person who understands the real nature of creation, and humanitys holy place in it.


Dietrich Bonhoeffer, the great Lutheran pastor and theologian, once wrote that the wise man knows that reality is not built upon [materialist] principles, but that it rests upon the living and creating God." He prayed often for simplicity, and he warned that the best informed man is not necessarily the wisest. Indeed there is a danger that precisely in the multiplicity of his knowledge, he will lose sight of what is essential."


To put it another way: Wisdom comes to the humble, not to the proud. And that simple truth may help us understand the moment weve arrived at in the life of our nation.


In his dissent from the June 26 Supreme Court Windsor decision that struck down the Defense of Marriage Act (DOMA), Justice Antonin Scalia correctly named the arrogance, the power grab, and the eager, oddly moralizing spirit at the heart of the courts majority opinion. The Windsor ruling accuses DOMA and its supporters of deliberately seeking to injure same-sex couples through an unjust exclusion" of their relationships from the benefits of marriage.


The courts reasoning is not just wrong, and not just a case of raw judicial overreach. Its also baffling in its logic. To defend traditional marriage," wrote Scalia, is not to condemn, demean, or humiliate those who would prefer other arrangements, any more than to defend the Constitution of the United States is to condemn, demean, or humiliate other constitutions." Supporters of traditional marriage, Scalia said, are simply defending a reality of marriage unquestioned in virtually all societies for virtually all of human history."


By attributing ill will to the supporters of DOMA, Scalia noted, the majority opinion demeaned the court itself, demeaned the peoples elected representatives, and set the stage for imposing same-sex marriage" nationally, whether the public wants it or not.


It took less than thirty years for abortion to go from a crime against humanity at Nuremberg to a constitutional right. Its taken even less time for disordered sexuality to become sacralized in law and to redirect the course of our culture. People unwise enough to accept a slogan like marriage equality" without challenging its honesty and examining its massive implications, are people capable of doing things even more foolish. And even more damaging.


And if we think we have some kind of safe haven from these events in Americas tradition of religious freedom, we should probably think again. Despite months of confusing talk about compromise, the administrations June 28 final wording of the HHS contraceptive mandate conceded almost nothing to the concerns of its opponents. It continues to be unneeded. It continues to be coercive. It continues to impose on the nation a false need for contraceptive services in medical coverage. And it continues to violate the rights of religious and moral conscience. Its a monument to ideological pride and belligerence.


In a few months well close out the Year of Faith that began under Pope Benedict and was highlighted so beautifully just three days ago in Pope Francis first encyclical, Lumen Fidei. In the past year-in fact, in every year now, according to the Holy See-more than 100,000 Christians are killed worldwide for reasons related to their faith. Thats the real cost of discipleship. Thats a measure of heroic character.


Ive spoken many times about the importance of religious freedom and the need for all of us to actively witness our Christian faith not only in our private lives but also in the public square. The sacrifice of Christians in other countries, who write their witness in their own blood, places an obligation on all of us to live our faith with courage and zeal, endurance and hope, and to begin every new day by grounding our hearts and our actions in the wisdom of the Church.


Nothing is more compelling than a good man, or a good woman, in an evil time. Wisdom is the pursuit of the true, the right, and the lasting. In the record of Scripture and the witness of the Church, all these things find their source in God, and nowhere else but God.


Genesis tells the story of the Tower of Babel, and it carries a useful lesson. The pride of men in seeking to make a name for [themselves]" and to build a tower to heaven leads God to confuse mans language and scatter humanity. But I think God intervened against Babel not to punish man but to save humanity from itself. In the Bible passage, God says, If now, while they are one people all speaking the same language, they have started to do this, nothing will later stop them from doing whatever they presume."


In an age of genetics, neuroscience, and nanotechnology; an age of political arrogance; an age that refuses to admit the purpose of human sexuality, or even that man himself has an inherent identity, free will, or nature, those words from Scripture should make each of us pause.


In his great work, The City of God, St. Augustine created a portrait of the world divided into two cities-the City of God with its eyes set on heaven, and the City of Man rooted in pride and sin. Life consists in choosing one or the other. Its a choice we cant avoid. And each of us faces that choice right here, today, now. The wisdom which the Church offers the world is for the humble, not the proud, and its the only wisdom that counts: the path to salvation.


But this salvation is not a philosophy or an ideology, an idea or ideals. No one can love" an idea, and yet the heart of real wisdom is the ability and willingness to love. Augustine says that all of the wisdom in the Old Testament literally takes on flesh in the New Testament. The reason is simple. Jesus Christ is the Word of God-the Wisdom of God-God as love incarnate. Jesus himself says, I am the bread of life." He says, I am the way, the truth, and the life."


No one can love an idea. But we can love and be loved by Jesus Christ. We can meet and be met by Gods Son. The true, the right, and the lasting meet in a Man. Our task is to follow him, no matter what the cost, and to lead others to do the same.


Charles J. Chaput, O.F.M. Cap., is the Archbishop of Philadelphia.


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09 Jul 15:18

Settled

Well, we've really only settled the question of ghosts that emit or reflect visible light. Or move objects around. Or make any kind of sound. But that covers all the ones that appear in Ghostbusters, so I think we're good.
09 Jul 15:18

Giovanni Palatucci: A Righteous Gentile Under Fire

by ft@firsthings.com (William Doino Jr. )

platucciIn 2005, a  special ceremony  in Jerusalem was held for Giovanni Palatucci, an Italian policeman who was arrested and died in Dachau for his anti-Nazi activities. Fifteen years before, Yad Vashem, Israels Holocaust Memorial, had  named him  a  Righteous Among the Nations , for rescuing Jews; and now, over one hundred and fifty people gathered at the same site to honor him once again. Among those attending were politicians, diplomats and-most movingly-Elizabeth Quitt-Ferber, a Holocaust survivor whose life had been saved by Palatucci. He was only thirty five when he died.


Since then, Palatuccis fame has only grown: books, documentaries, and films have been devoted to his life; streets, buildings, and schools have been named after him; and awards have been presented in his name. An official cause for his canonization has begun.


On June 19, however, the New York Times published a critical account of his life titled Italian Praised for Saving Jews is Now Seen as Nazi Collaborator." The man once known as the Italian Oskar Schindler," we were told, far from being a hero" or saintly rescuer of Jews was an enthusiastic Nazi collaborator." New revelations by a panel of more than a dozen scholars" were reported to have exposed the myth" surrounding Palatucci, and found documents that showed that Palatucci had helped the Germans identify Jews to round up." Instead of receiving accolades, the celebrated Italian officer now stood condemned before the bar of history.


One wishes one could say this was a dispassionate investigation, the result of a careful and well-rounded search for truth. Unfortunately, it appears to be anything but that.


The Times article was not original, but a repackaging of an earlier piece by the Italian daily, Corriere della Sera, which had aggressively attacked Palatucci. What the Times did not reveal, however, is that the Corrieres sensational charges were immediately and severely criticized by a host of historians and experts; and that this criticism has only grown since.


At the heart of the allegations against Palatucci and his admirers is the idea that they all have an interest in elevating his stature. As one critic told the Times:


The Italian government was anxious to rehabilitate itself and show that they were better and more humane than their Nazi allies. The Catholic Church was eager to tell a positive story about the Churchs role during the war, and the State of Israel was eager to promote the idea of righteous gentiles and tell stories of right-minded ordinary people who helped to save ordinary Jews.

Thus-according to this narrative-the legend of Palatucci, reportedly begun by his relatives in the 1950s, was embellished by each group to advance its agenda. Claims that Palatucci saved as many as five thousand Jews in the north Italian town of Fiume (today, Rijeka, Croatia) are contradicted by official records which show the total number of Fiumes Jews werent anywhere close to that. Further, archival documents from Italys Interior Ministry reveal he was obedient to his anti-Semitic superiors, and that his arrest wasnt for protecting Jews, but for contacting the British.


It all sounds particularly damaging-until one considers the countervailing evidence. To begin with, critics who claim it is untenable to suggest he saved five thousand Jews in an area with a Jewish population of just half that number have failed to take into account the huge numbers of migrant Jews from eastern or central Europe" as the Giovanni Palatucci Association noted.


To overlook that crucial fact is like talking about Americas immigration reform without acknowledging the countrys countless undocumented immigrants. Further, much of the support for Palatuccis heroism-like other vital evidence pertaining to the Holocaust-is based on oral testimony, not official documents, which were highly dangerous for rescuers to preserve.


Rolando Balugani, historian and vice president of the Palatucci Association, asserted that the new allegations take no account of the dozens of witness statements made by Jews who said they were saved by Palatucci." As for the claim that Italys state archives implicate Palatucci, Balugani writes, I have thoroughly studied the 14 folders on the activity of Palatucci made available by the Ministry of the Interior and there is nothing about his collaboration with the Nazis. Instead, there are numerous letters of Jews saved, showing their gratitude for the policeman."


In a separate interview, Aldo de Francesco pointed out, among other facts, it wasnt Palatuccis relatives, in the 1950s, who first drew attention to Palatuccis rescue efforts, as the Times put forward, but Rafael Danton, the Italian delegate to the First World Jewish Congress held in London in 1945." Professor Matteo Luigi Napolitano, one of Italys top authorities on contemporary Church history, followed with a comprehensive point-by-point rebuttal of Corriere della Seras story, noting, in particular, what Yad Vashems file on Palatucci found, in contrast to what the newspaper claimed. As for the finding that Palatuccis arrest was for contacting a foreign enemy, that is quite true-but completely contradicts the notion that he was a loyal Italian fascist. In fact," continued Balugani, Palatucci, who was also a patriot, was trying, in conjunction with the Allies, to ensure that Fiume remained Italian after the War," none of which precludes him from also saving Jews.


The carelessness with which this story has been treated in the media has been astonishing. Following misleading and incomplete statements in the Times, numerous outlets claimed that the United States Holocaust Memorial Museum, as a result of the new charges, was in the process of banishing every trace of Palatuccis name from its exhibits. In fact, all the museum has done is remove his name from one exhibit which made large claims about Palatuccis heroism, pending further clarity" on the matter, as the museums Director of Communications told me. But nether the USHMM, nor Yad Vashem (which is also reviewing the allegations) has removed Palatuccis name from its list of the Righteous who saved Jews. That the best available evidence still proves that Palatucci met at least the minimum requirement for that honor has not been denied by either institution.


A number of sources also suggested the Vatican was rethinking its support for Palatuccis cause, but in fact no sooner was that idea floated than the Vaticans newspaper published a major piece demonstrating just the opposite. Anna Foa, a prominent historian at Romes La Sapienza University, wrote that Palatucci was the victim of an unfounded condemnation," and that at most new research could possibly downsize the scale of his rescue efforts, but certainly not transform him from a savior of the Jews into a persecutor." She also noted that one of the supposed opponents of Palatucci agrees with her:


Michele Sarfatti, Director of the Center for Contemporary Jewish documentation and one of the historians said to have taken part in the research organized by the Centro Primo Levi, [said] I am perplexed about a sentence written by a New York Times journalist who claims that Palatucci 'helped the Germans to identify Jews to be rounded up. This sentence is attributed to 'researchers without specifying who; but no proof of this exists." What then explains the glaring headlines in the press about the policeman who persecuted Jews?

Foa believes there is more behind this story than just a heated debate over Palatucci: It is a way for the critics of the Catholic Church to indirectly attack the wartime pope; hence, the title of her piece, To Strike a Blow at the Church of Pius XII." Its a serious criticism, but there is ample evidence for it. Both Corriere, and the Times tried to inappropriately drag Pius XII into the Palatucci story, failing to mention that to the extent he is involved, it speaks entirely in his favor: Pius XII ordered that money, specifically intended for persecuted Jews, be sent to Palatuccis uncle, the wartime Bishop of Campagna, who was in contact with his nephew, and assisting Jews imprisoned by the fascists.


More importantly, the organization that has led the new movement against Palatucci, the Primo Levi Center in New York-whatever its virtues otherwise-has been at the forefront in publishing misinformation about Pius XII. If one goes to the centers website, there are no less than four articles or interviews assailing Pius XII (one of which combines criticism of Pius with criticism of Palatucci),  repeating all the standard errors about the wartime pontiff-e.g., that he was silent" or indifferent during the Holocaust and did little or nothing to protect Europes Jews during their darkest hour.


These allegations have been demolished again and again. At a time when leading scholars in GermanyItalyBritain, and North America have done so much to clear the good name of Pius XII, honoring his life-saving efforts, it is distressing to find such outdated and discredited allegations being promoted by the Levi Center.


If the Palatucci story was simply about new research which raised reasonable (if debatable) questions about how many Jews Palatucci actually saved, there would be no uproar. But its turned into something more: an all-out effort to turn a recognized Righteous Gentile into an active Nazi collaborator"-and then use that alleged discovery" as a platform from which to make sweeping and unfair allegations against Italians, the papacy, and even parts of the Jewish community itself.


Such one-sided and partisan campaigns do not advance the cause of responsible scholarship, but rather undermine it. As Professor Foa wrote, This is ideology, not history." The victims and survivors of the Holocaust-as well as their courageous rescuers-deserve far better.


William Doino Jr. is a contributor to  Inside the Vatican  magazine, among many other publications, and writes often about religion, history and politics. He contributed an extensive bibliography of works on Pius XII to  The Pius War: Responses to the Critics of Pius XII . His previous On the Square" articles can be  found here .


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08 Jul 16:06

photographer.io source release

by corbet
The creator of the photographer.io photo-sharing site has announced that the source for the site is now available under the MIT license. "On a more selfish note; I’m really excited to have something I feel is worth open sourcing. I’ve spent 2 months working nearly every evening to get the site to a stable point and I’m generally pleased with where it is (other than the dire test suite)."
08 Jul 15:30

Islam’s civil war moves to Egypt

by David P. Goldman

Cross-posted from Asia Times Online

 

The vicious crosswind ripping through Egyptian politics comes from the great Sunni-Shi’ite civil war now enveloping the Muslim world from the Hindu Kush to the Mediterranean.

It took just two days for the interim government installed last week by Egypt’s military to announce that Saudi Arabia and other Gulf States would provide emergency financing for the bankrupt Egyptian state. Egypt may not yet have a prime minister, but it does not really need a prime minister. It has a finance minister, though, and it badly needs a finance minister, especially one with a Rolodex in Riyadh.

As the World Bulletin website reported July 6:

“The Finance Ministry has intensified its contacts [with Gulf states] to stand on the volume of financial aid announced,” caretaker Finance Minister Fayyad Abdel Moneim told the Anadolu Agency in a phone interview Saturday. Abdel Moneim spoke of contacts with Saudi Arabia, the United Arab Emirates (UAE), and Kuwait for urgent aid … Defense Minister Abdel Fatah al-Sisi phoned Saudi Kind Abdullah bin Abdel Aziz and UAE President Sheikh Khalifa bin Zayed al-Nuhayyan yesterday on the latest developments in Egypt. King Abdullah was the first Arab and foreign leader to congratulate interim president Adly Mansour after his swearing-in ceremony. [1]

Meanwhile, Egypt’s central bank governor, Hisham Ramez, was on a plane to Abu Dhabi July 7 “to drum up badly need financial support”, the Financial Times reported. [2] The Saudis and the UAE had pledged, but not provided, US$8 billion in loans to Egypt, because the Saudi monarchy hates and fears the Muslim Brotherhood as its would-be grave-digger. With the brothers out of power, things might be different. The Saudi Gazette wrote July 6:

Egypt may be able to count on more aid from two other rich Gulf States. Egypt “is in a much better position now to receive aid from Saudi Arabia and the UAE”, said Citigroup regional economist Farouk Soussa. “Both Saudi Arabia and the UAE have promised significant financial aid to Egypt. It is more likely that Egypt will receive it now.” [3]

Media accounts ignored the big picture, and focused instead on the irrelevant figure of Mohamed al-Baradei, the Nobel Peace Prize winner whose appointment as prime minister in the interim government was first announced and then withdrawn on Saturday. It doesn’t matter who sits in the Presidential Palace if the countryruns out of bread. Tiny Qatar had already expended a third of its foreign exchange reserves during the past year in loans to Egypt, which may explain why the eccentric emir was replaced in late June by his son. Only Saudi Arabia with its $630 billion of cash reserves has the wherewithal to bridge Egypt’s $20 billion a year cash gap. With the country’s energy supplies nearly exhausted and just two months’ supply of imported wheat on hand, the victor in Cairo will be the Saudi party.

I predicted this development in a July 4 post at PJ Media, noting,

The Saudis have another reason to get involved in Egypt, and that is the situation in Syria. Saudi Arabia’s intervention in the Syrian civil war, now guided by Prince Bandar, the new chief of Saudi Intelligence, has a double problem. The KSA wants to prevent Iran from turning Syria into a satrapy and fire base, but fears that the Sunni jihadists to whom it is sending anti-aircraft missiles eventually might turn against the monarchy. The same sort of blowback afflicted the kingdom after the 1980s Afghan war, in the person of Osama bin Laden.

Saudi Arabia and Qatar have been fighting for influence among Syria’s Sunni rebels (as David Ottaway reported earlier this week at National Interest). Cutting off the Muslim Brotherhood at the knees in Egypt will help the KSA limit potential blowback in Syria.” [4]

There wasn’t before, there is not now, and there will not be in the future such a thing as democracy in Egypt. The now-humiliated Muslim Brotherhood is a Nazi-inspired totalitarian party carrying a crescent in place of a swastika. If Mohamed Morsi had remained in power, he would have turned Egypt into a North Korea on the Nile, a starvation state in which the ruling party rewards the quiescent with a few more calories.

The head of Egypt’s armed forces, Field Marshal Abdel-Fatah al-Sisi, is not a democrat, but a dedicated Islamist whose wife is said to wear the full niqab body covering, according to Naval Postgraduate School professor Robert Springborg. “Islamic ideology penetrates Sisi’s thinking about political and security matters,” Springborg observes. [5]

The question is not whether Islamism, but whose. Some Saudi commentators claim al-Sisi as their Islamist, for example Asharq al-Awsat columnist Hussein Shobokshi, who wrote July 7, “God has endowed al-Sisi with the Egyptians’ love. In fact, al-Sisi brought a true legitimacy to Egypt, which will open the door to hope after a period of pointlessness, immaturity and distress. Al-Sisi will go down in history and has gained the love of people.” [6] The Saudi-funded Salafist (ultra-Islamist) Nour Party in Egypt backed the military coup, probably because it is Saudi-funded, while other Salafists took to the streets with the Muslim Brotherhood to oppose it. Again, none of this matters. The will of a people that cannot feed itself has little weight. Egypt is a banana republic without the bananas.

Whether Egypt slides into chaos or regains temporary stability under the military depends on what happens in the royal palace at Riyadh, not in Tahrir Square. It appears that the Saudis have embraced the military-backed government, whoever it turns out to include. It is conceivable that the Saudis vetoed the ascension of al-Baradei, hilariously described as a “liberal” in the major media. Al-Baradei is a slippery and unprincipled operator who did great damage to Western interests.

As head of the International Atomic Energy Agency until 2009, the Egyptian diplomat repeatedly intervened to distort his own inspectors’ reports about the progress of Iran’s nuclear program. In effect, he acted as an Iranian agent of influence.  [See also Claudia Rosett today on al-Baradei].

The Saudis have more to fear from Iran than anyone else. Iran (asMichael Ledeen observes) is trying to subvert the Saudi regime through the Shi’ite minority in Eastern Province. If Riyadh did not blackball his nomination as prime minister, it should have.

There isn’t going to be a war with Israel, as some commentatorshave offered. Israel is at worst a bystander and at best a de factoally of the Saudis. The Saudi Wahabists hate Israel, to be sure, and would be happy if the Jewish State and all its inhabitants vanished tomorrow. But Israel presents no threat at all to Riyadh, while Iran represents an existential threat.

The Saudis, we know from WikiLeaks, begged the United States to attack Iran, or to let Israel do so. The Egyptian military has no interest in losing another war with the Jewish state. It may not have enough diesel fuel to drive a division of tanks to the border.

The Saudi regime, to be sure, sponsors any number of extremist malefactors through its network of Wahabist mosques and madrassas. But the present Saudi intervention in Egypt – if I read the signals right – is far more consistent with American strategic interests than the sentimental meanderings of the Barack Obama administration, or the fetishism of parliamentary form that afflicts the Republican establishment.

The Saudi regime is an abomination by American standards, but the monarchy is a rational actor. As Michael Ledeen observed a year ago, “The big oil region in Saudi Arabia is in Shiite country, and the Saudi Shi’ites have little love for the royal family. If the rulers saw us moving against Tehran and Damascus, it would be easier for us to convince them to cut back their support for jihad outside the kingdom.” [7]

The United States has less influence in the region than at any time since World War II, due to gross incompetence of the Obama administration as well as the Republican establishment. The Obama administration as well as Senators John McCain and Lindsey Graham courted the Muslim Brotherhood as a prospective vehicle for Muslim democracy, ignoring the catastrophic failure of the Egyptian economy as well as the totalitarian character of the Brotherhood.

Americans instinctively ask about any problem overseas, “Who are the good guys?” When told that there are no good guys, they go to see a different movie. There are no good guys in Egypt, except perhaps for the hapless democracy activists who draw on no social constituency and wield no power, and the endangered Coptic Christian minority. There are only forces that coincide with American interests for reasons of their own. It is a gauge of American foreign policy incompetence that the medieval Saudi monarchy is a better guardian of American interests in Egypt for the time being than the United States itself.

Notes:
1. Egypt following up aid pledges with Gulf countries, World Bulletin, July 6, 2013.
2. Egypt seeks Gulf cash as coalition cracks and opponents rally, Financial Times, July 7, 2013.
3. Egypt economic optimism high as transition government reigns, Saudi Gazette, July 5, 2013.
4. Dismiss the Egyptian People and Elect a New One, PJ Media, July 4, 2013.
5. Abdel Fattah Al Sisi, Egypt Army Chief, Turns On Morsi, The President Who Promoted Him, Huffington Post, July 3, 2013.
6. Opinion: El-Sisi, a true military man, Asharq al-Awsat, July 7, 2013.
7. Debating Syria: The Wider War and the Way Forward, National Review Online, March 15, 2013.

07 Jul 22:34

RIP Douglas Engelbart.

by Stanislav

Douglas Engelbart – perhaps the last of the great American inventors – is dead. The newspapers are keen to remind everyone that Engelbart invented the computer mouse, but they are largely silent on the matter of his having personally created almost every one of the concepts we think of as part of the standard human-computer interface, including the very idea of an interactive graphical workstation. This is because a silent army of dutiful piss-ants is, by unspoken agreement, always given credit for the bulk of their betters’ accomplishments.

The video clip below is the opening segment of what has long been known as “The Mother of All Demos.” If you have not seen “The Mother of All Demos,” your education in the history of computing is woefully incomplete:

Who among those living today could hope to produce something equaling the pure novelty – the sheer intellectual audacity – of just a single one of the things which appear in “The Mother of All Demos” ?

07 Jul 22:31

Eu me quero o crítico nº 1 de Sérgio Cabral, mas afirmo: cercar a sua casa é um ato fascistoide!

by giinternet

Vamos ver: em matéria de crítica a Sérgio Cabral, governador do Rio (PMDB), não tem pra ninguém. Eu sou o primeiro da fila. Não só a ele: também a seu secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame. Quando quase todo mundo babava na fantasia das UPPs (é fantasia como política de segurança pública; as unidades não são ruins em si), eu dissentia aqui. Esse é apenas um dos temas. Os arquivos estão aí. Mas, mas… est modus in rebus! Do latinório para o óbvio: existe uma medida nas coisas. Na VEJA.com, Cecília Ritto relata o confronto havido no fim da noite de ontem entre estimados 300 manifestantes e a Polícia Militar, em frente ao prédio em que mora Cabral.

Tudo teria começado quando policiais foram atingidos por pedra e, parece, latas de cerveja. Muitos deles levavam lenços na cabeça, numa alusão àquela estranha dança executada por Cabral, assessores seus e o empreiteiro Fernando Cavendish em Paris. Quem trouxe as fotos a público foi o deputado Anthony Garotinho (PR-RJ)

Eu sei que corro o risco de desagradar a todos os lados com certas coisas que escrevo. Mas ou faço isso atendendo ao império da minha consciência ou, então, não faço. Não apoio, de maneira nenhuma — e, na verdade, deploro —, esse tipo de manifestação! Não acho que a casa de um governador, por mais inepto que seja, deva ser cercada. Não sei se isso tudo é ainda rescaldo da tal indignação ou se é politicamente manipulada. Para o caso, pouco importa. Considero um tipo de protesto impróprio, meio fascistoide. Não! A turma de Cabral jamais vai gostar de mim por isso porque sabe o que penso da sua gestão. E os indignados também não! Não me sinto minimamente tentado a chamar isso de “direito democrático”.

Que protestem pacificamente em frente ao palácio de governo; que usem as praças para expressar as suas contraditas. Esse comportamento persecutório é inaceitável. Cabral e os demais governantes brasileiros, incluindo Dilma, não são ditadores ilegítimos. O direito ao protesto não pode se confundir com a afronta à ordem democrática e a própria democracia.

Os que vão cercar Cabral querem o quê? “Ah, queremos hospitais padrão Fifa; escolas padrão Fifa…” Tudo bem! Ele não poderia fornecê-los da noite para o dia ainda que tivesse como. Se acharem que alguém pode lhes dar essa garantia, 2014 está chegando. “Então vamos nos calar até lá?” Podem gritar! Mas gritem segundo a ordem democrática, que é a única ordem que garante o grito de todo mundo.

07 Jul 22:21

Paulo Henrique Amorim é condenado, em segunda instância, a um 1 ano e 8 meses de reclusão por injúria racial contra o jornalista Heraldo Pereira. Já não é mais “ficha limpa”

by giinternet

Nas democracias, todo mundo é livre para criticar.
Nas democracias, todo mundo é livre para injuriar, difamar e caluniar.
Nas democracias, quem critica exerce um direito fundamental.
Nas democracias, quem injuria, difama e calunia é punido. Isso é crime.

Por isso, Paulo Henrique Amorim foi condenado a um ano e oito meses de prisão pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal. Poderia ser mais. O Inciso I do Artigo 65 do Código Penal permite a redução da pena por senilidade. Como ele já fez 70 anos, teve a pena diminuída em três meses. Agora, segundo a Lei Complementar nº 135, conhecida como Lei da Ficha Limpa, ele passou a ser um “Ficha Suja”, já que condenado por um colegiado. Ainda neste texto, farei uma sugestão no que concerne a essa lei e às estatais. Vamos entender o caso.

Em certos casos, a fronteira entre a crítica e o crime pode não ser muito clara; em outros, é de uma espantosa nitidez. Amorim cometeu um crime quando, em seu blog, escreveu sobre o jornalista Heraldo Pereira: “Heraldo é negro de alma branca”. Achou que era pouco e avançou: “Ele não conseguiu revelar nenhum atributo para fazer tanto sucesso, além de ser negro e de origem humilde”. Para caracterizar como um negro servil aquele que é reconhecido por seus pares como um dos mais competentes jornalistas do país, Amorim afirmou ainda que Pereira “se ajoelha” e “se agacha” diante do ministro Gilmar Mendes, do STF. O caso já rendeu um processo na área cível, e o autor da ofensa teve de se retratar (se você clicar aqui , encontrará uma série de artigos a respeito).

O Ministério Público do Distrito Federal entendeu que aquelas palavras excediam a liberdade de expressão e configuravam racismo e injúria racial. O juiz de primeira instância considerou que estava extinta a punibilidade porque a denúncia teria sido oferecida fora do chamado “prazo decadencial” — depois de seis meses desde a publicação da ofensa. O Ministério Público recorreu e afirmou que o prazo deveria ser contado a partir do momento em que a vítima tomou conhecimento do fato.

Muito bem, o Tribunal de Justiça afastou a chamada decadência e condenou Amorim a um ano e oito meses de reclusão por injúria preconceituosa com base no Parágrafo 3º do Artigo 140 do Código Penal, a saber:
Art. 140 – Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro:
§3º Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência.
Pena – reclusão de um a três anos e multa. (Incluído pela Lei nº 9.459, de 1997). 

Transcrevo trecho do voto da desembargadora Nilsoni de Freitas Custódio, relatora:
(…)
Isso porque ao veicular que a vítima “é negro de alma branca” e que não tinha em seu currículo nada além de ser “negro e de origem humilde”, o réu manifestou sua opinião pessoal em relação à vitima, desacompanhada de qualquer dado concreto, com a nítida intenção de ofender a honra.
A idoneidade das expressões utilizadas para ofender e a utilização de elemento relacionado à cor estão patentes. A expressão “negro de alma branca” não raro é entendida em sentido pejorativo, indicando que pessoas de cor branca são sempre relacionadas a atributos positivos ao passo que as de cor negra são sempre associadas a qualificações negativas e que seriam mais dignos se se igualassem aos brancos, o que indubitavelmente se adéqua ao crime de injúria racial.
(…)
Nessa linha de raciocínio, Cezar Roberto Bitencourt preleciona que “a injúria nem sempre decorre do sentido literal do texto ou das expressões proferidas, que, não raro, precisam ser contextualizadas para se encontrar seu verdadeiro sentido”.
No caso, o réu em momento algum quis elogiar a vítima. O artigo é eminentemente crítico, e o apelado sempre adotou postura enfática em relação à emissora na qual a vítima trabalha, de forma que o autor não elogia a vítima, ao revés, a critica, dizendo que ela não tem nenhuma característica boa. Entretanto, ainda que se entendesse que a expressão “negro de alma branca” foi utilizada no sentido alegado pelo réu, ou seja, para designar “o negro que não assume sua negritude para combater a discriminação e o privilégio” a sua conduta seria típica, pois, na ânsia de criticar a vítima, o autor acabou por taxá-la de pessoa que renega suas próprias origens, o que já é apto a configurar ofensa relacionada à cor.

A vítima, ao ser ouvida em juízo, descreveu o abalo que o réu causou à sua honra ao taxá-la de pessoa que renega suas próprias origens, esclarecendo que a matéria divulgada pelo réu o ofendeu profundamente. Confiram-se excertos de sua declaração:
“Quando diz que eu sou negro de alma branca, eu fico muito mal; negro de alma branca, eu não sirvo para nenhum dos lados, eu sou a vergonha dos negros porque eu não me comporto como negro, eu queria ser branco e eu sou a vergonha dos brancos porque eu jamais conseguirei ser branco. Meu avó era varredor de rua, foi com ele que eu mais aprendi, ele era analfabeto, e a mãe dele era ex-escrava e beneficiária da Lei do Ventre Livre. Eu tenho o maior orgulho de ser negro; eu não cheguei a uma posição profissional para deixar de ser negro (…)”

Retomo
A pena privativa de liberdade será substituída por duas restritivas de direitos, a serem ainda especificadas. Acho que está tudo aí. Na quarta-feira, a Folha publicou uma reportagem sobre a distribuição de verba de publicidade federal para sites e blogs. Destaco um trecho:
“(…)
Logo abaixo vem o site “Carta Maior”, que recebeu R$ 830 mil em 2012, mais que a versão eletrônica da Folha, que recebeu R$ 780 mil, e a Abril.com, que recebeu R$ 586 mil. Segundo o Ibope, o “Carta Maior” registrou apenas 9,7 milhões de páginas vistas em 2012, contra 311 milhões da Folha e 3 bilhões da Abril. O site “Conversa Afiada”, do jornalista Paulo Henrique Amorim, recebeu R$ 628 mil do governo em 2012. O site teve 48 milhões de páginas vistas em 2012, segundo o Ibope.”

A Caixa Econômica Federal é anunciante do blog Conversa Afiada, de Amorim, onde foram publicadas as injúrias raciais que renderam a condenação, em segunda instância, ao blogueiro.

O Senado aprovou por unanimidade uma PEC que impõe a Ficha Limpa para servidores públicos federais. Proponho agora aos parlamentares que estendam a Lei da Ficha Limpa para serviços contratados por governos e estatais.

Encerro
É ensurdecedor o silêncio dos movimentos negros nesse caso. A razão? Isso tem de ser perguntado a eles. Heraldo Pereira é um grande jornalista. E é também negro, condição da qual, como ele mesmo diz, se orgulha. Não faz da cor da sua pele a sua profissão nem da sua profissão a cor da sua pele.

Texto originalmente publicado às 5h16
07 Jul 22:19

Em dois dias, 10 mortos nas estradas em decorrência de protestos. E o PT conclama a sua militância a sair às ruas, com apoio a greves. Ou: Afinal, Lula está doente ou não?

by giinternet

Entre a noite de quarta e madrugada desta quinta, 10 pessoas morreram em decorrência do bloqueio de estradas. Na Bahia e em Minas, acidentes resultaram em nove mortos. No Rio Grande do Sul, um caminhoneiro foi atingido por uma pedrada no pescoço e morreu. Ele já tinha sido agredido no rosto e pedira ajuda à Polícia Rodoviária Federal, que passou a escoltá-lo, mas de longe. Ouvido pela Folha, Nélio Botelho, líder da paralisação dos caminhoneiros, lamentou o caso, mas disse que “isso pode acontecer”.

Cadê Dilma Russeff?

Está acuada. Por Lula e pelo PT. Ele a critica por intermédio dos seus estafetas. Os petistas acusam a presidente de não dialogar com os movimentos sociais, seja lá o que isso signifique. Dado o ambiente, que não é dos mais hospitaleiros para a chefe do Executivo, o papel do partido seria diminuir a tensão. Nada! Decidiu fazer justamente o contrário e optar pela saída à esquerda. O Diretório Nacional emitiu ontem uma nota em que saúda “o caráter progressista que se consolidou no rumo das manifestações em curso, com suas reivindicações políticas, econômicas e sociais profundamente identificadas com a trajetória e programa do Partido dos Trabalhadores e das forças que se uniram para governar o Brasil sob a condução da Presidenta Dilma”.

Sim, claro!, o texto canta as glórias da presidente e coisa e tal, mas conclama “a militância petista nos movimentos sociais a que assumam decididamente a participação nas manifestações de rua em todo o país, em particular no Dia Nacional de Luta com Greves e Mobilizações convocada por ampla coalizão de centrais sindicais e movimentos populares para o próximo dia 11 de julho, em defesa da pauta da classe trabalhadora para o país e da Reforma Política com Participação Popular”. O texto prega ainda a Constituinte exclusiva para fazer a reforma política.

Lula
Chegou a hora de falar claramente sobre o que anda nas bocas e nos becos: há uma especulação danada, inclusive entre jornalistas, sobre a saúde de Lula. Alguém diz: “Ah, sei de fonte segura que a doença voltou”. Outro, com fonte não menos segura: “Ele está saudável como nunca!”. Informo: no próprio petismo e no governo, a especulação corre solta. A dúvida se tornou um caso político relevante? É evidente que sim! Uma coisa é absolutamente certa: seu silêncio, ao menos de própria voz, não é corriqueiro. Tem falado, por intermédio de terceiros, mas para criticar… Dilma! Sabemos que ele considerou um erro a história da Constituinte, que acha sua criatura e sucessora “teimosa”, que defende que ela reduza o número de ministérios e mude a equipe econômica.

Tudo isso pra quê? Pra nada? É bom saber como as coisas funcionam no petismo, um partido que tem, enquanto Lula for Lula, dono. A nota pregando a saída pela esquerda e a participação da militância em protestos não sairia sem o seu endosso. Se o Babalorixá estiver saudável, é evidente que considera a hipótese de entrar em campo — como disse Gilberto Carvalho ainda em 2011, o partido tem “o Pelé no banco”. Se estiver doente, a mobilização pode assumir uma dimensão messiânica. Em qualquer dos casos, o partido, ao menos no discurso de rua, resolve dar uma guinada à esquerda. Ela serve para qualquer cenário: para um Lula saudável, com chances reais e disputar a eleição de 2014, ou para um Lula que falaria em nome de um legado.

Num caso ou noutro, Dilma, como é evidente, não apita nada! Para ela e para seu governo, o bom seria que as ruas fossem voltando aos poucos à normalidade. O tal dia de luta só servirá para dar combustível novo aos protestos. Ocorre que o PT não tem como negar a sua natureza. Quer que os aparelhos sindicais que domina — mais uma miríade de ONGs a seu serviço — assumam o controle das manifestações e lhes torça a pauta. Na tal resolução, e isso não poderia faltar, há também o controle da mídia.

Depois do discurso de Dilma em favor da ordem, 10 já morreram. E o PT, como se lê, pregou de novo que seus aparelhos disputem a influência nas ruas. A questão é saber: contra quem?

07 Jul 22:09

Não pode haver democracia na prática se não há valores democráticos

by giinternet

Tendo a achar que, de um lado e de outro, há muita gente que não entendeu direito o que escrevi sobre o Egito. Eu, e isso me pareceu óbvio, não aplaudi o golpe do estado havido no país — e notem que, em nenhum momento, hesitei em chamar a coisa pelo nome que ela tem. A diferença em relação a alguns tantos é que chamei de golpe também a deposição de Hosni Mubarak. Golpes são atos de força desferidos contra a ordem legal. Tento de novo: eu não estou chamando os militares de “libertadores”, de “amigos do povo”. Parece-me que quem anda a fazer isso são as forças não islâmicas, que viram a Irmandade Muçulmana solapar a agenda — ainda que minoritária no país — democrática.

Eu não acho, é evidente, que pessoas treinadas para a guerra e para lidar com tanques e armas sejam as mais aptas a cuidar da política, por mais humanistas que possam ser suas convicções. Militares são treinados — e é correto que assim seja — para não perder. E, em política, perde-se e ganha-se. Homem armados, se desafiados num confronto, veem o outro como inimigo. E isso também é correto. Por essa razão, soldados não devem ser, enquanto soldados, governantes.

Algo similar digo sobre os religiosos. Suas prefigurações não são deste mundo, e a razão última de seus atos não se explica segundo a lógica convencional e o mundo de causas e efeitos. Por mais mansa e lhana que seja uma religião — e esse não é exatamente o caso do islamismo —, transformar assuntos de estado em instrumento de reafirmação de uma ordem divina termina, fatalmente, em ditadura. Isso não quer dizer que religiosos não devam se manifestar na sociedade, a exemplo do que sugerem alguns tolos no Brasil. Podem e devem se organizar. Podem e devem dizer o que acham. Quando assisto, por aqui, a manifestações hostis a católicos e evangélicos porque expõem seus valores, porque os defendem, inclusive do Parlamento, só me resta atribuir tal hostilidade à intolerância, à estupidez. Os cristãos têm o direito de disputar adesões numa sociedade pluralista. Mas vocês nunca me viram aqui a defender que pastores e bispos governem o Brasil.

Eis o busílis. O cristianismo, nos dias de hoje, qualquer que seja a sua vertente, contenta-se em não ser estado — ainda que, por intermédio de associações, ONGs, pastorais etc., interfiram em assuntos laicos, mundanos. Isso é próprio da democracia. A pergunta óbvia, com resposta não menos, é a seguinte: o Islã se contenta com o poder apenas espiritual? O Islã se contenta com a possibilidade de defender, sim, seus valores; de conquistar mais e mais adesões, mas tolerando que o “outro” possa rejeitá-los? Pois é… É claro, leitor, que, visitados os “livros” do cristianismo, lá também se encontrarão atos e disposições que seriam hoje incompatíveis com a ordem democrática. Mas quantas são as vertentes do cristianismo que as aplicam de verdade? São elas as correntes dominantes? A resposta é dada pelos fatos. Não há uma só — nem mesmo a exceção a confirmar a regra — ditadura no mundo que se possa dizer cristã ou que justifique atos violentos, discriminações e imposições em nome dessa fé.

Assim como se podem encontrar disposições incompatíveis com a democracia no cristianismo, há no islamismo recomendações do mais límpido humanismo. De novo, trata-se de saber quem dá as cartas e quais valores são realmente os influentes e determinam as escolhas. O meu texto sobre o Egito valeu mais como um lamento. O que fiz lá, basta revisitá-lo, foi apontar um paradoxo: numa eleição democrática e livre, vencerão partidos islâmicos que fatalmente acabarão por solapar os fundamentos democráticos que os elegeram, de sorte que a democracia vira um instrumento contra a… ordem democrática. Para impedi-los de levar adiante seu intento, é preciso apelar a intervenções não democráticas, que, por seu turno, nunca são meramente instrumentais. Como resolver?

Eu tenho a resposta — e ela é óbvia. Mas ela não é simples. No fim das contas, ela é impraticável. Então resposta não é. E qual é? Ora, para que se conciliem democracia e islamismo, é preciso que essa religião, nas suas mais variadas (e são muitas!!!) vertentes, abra mão de ser estado; é preciso que essa religião desista de ser poder; é preciso que essa religião renuncie à prerrogativa que julga ter da “última palavra”. Isso é possível? Vejam lá o Irã xiita, que alguns tolos insistem em chamar de “democracia”. O poder está com o conselho dos aiatolás. O país elege um presidente, mas tem um “líder supremo”. Os religiosos fazem uma triagem para decidir quem pode e quem não pode disputar eleições. No Egito sunita, os militares já deixaram claro, se e quando houver uma nova Constituição, ela será submetida ao líder máximo dessa corrente no país.

A análise que sempre rejeitei — e me parece que estava certo — sobre a tal “Primavera” é a de que os países árabes haviam, finalmente, acordado para os valores da democracia. Nunca me pareceu. É claro que existem aos milhares os defensores da ordem democrática, mas são uma minoria — infelizmente.

A Irmandade Muçulmana foi para as ruas no Egito. Exige a volta de Mohamed Morsi. Há mais mortos. Já houve atentado terrorista no Sinai, com a morte de um soldado. O Exército tem condições de segurar a pancadaria. A questão é saber a que custo. Numa eventual volta à normalidade, que salvaguarda há de haver na Constituição que impeça a Irmandade Muçulmana de tentar pôr em prática aquele que é, afinal, o seu intento, a razão por que existe originalmente, a saber: um Egito governado segundo as leis islâmicas?

07 Jul 22:08

A Irmandade Petista quer ser, a um só tempo, a força da ordem e da desordem

by giinternet

A manchete da VEJA.com não poderia ser mais eloquente: “Dilma apela ao PT para recompor base na Câmara”. Como? A presidente é obrigada a fazer um apelo a seu próprio partido, que tem nas mãos, sei lá, uns 70% do governo que realmente conta? Sim, é bom deixar claro: o loteamento existe; a fisiologia existe; o toma-lá-dá-cá com partidos da base existe, mas quem fica com o filé-mignon é mesmo o petismo. Ou respondam:
- quem comanda os maiores orçamentos da Esplanada dos Ministérios?;
- quem está na secretaria-executiva de muitas pastas que estão apenas nominalmente nas mãos de outros partidos?;
- quem dá as cartas na economia?;
- quem faz, se quiser fazer, as escolhas estratégicas?

Com tudo isso, Dilma se vê na contingência de ter de “apelar” ao PT? É evidente que o partido decidiu medir forças com a racionalidade, disputando a alma da presidente. Por enquanto, infelizmente, está ganhando. Vejam a pantomima da Constituinte e do plebiscito, por exemplo. O que foi aquilo? Em sua mais recente resolução, nesta quinta, o Diretório Nacional do PT está convocando seus militantes a ir para as ruas, a engrossar os protestos, a aderir a um dia de greve gral ou sei lá o quê. Os petistas, em vez de se comportar como o partido do poder, o partido da ordem, decidiram disputar o espaço das ruas, como se lá se decidissem os rumos da institucionalidade. É uma sandice, um contrassenso, um absurdo. E a presidente, inexperiente, vamos convir, em disputa democrática, está entrando nessa. Fazer o quê? Ela tem uma história intelectual, não é?, que vem de um agrupamento clandestino de esquerda, que praticava atos terroristas. “Lei” e “ordem”, na perspectiva revolucionária, encarnam necessariamente forças da reação.

O PT nunca escondeu que o modelo institucional que aí está — democracia representativa, independência entre os Poderes, liberdade de expressão, imprensa livre — não é o seu ponto de chegada! Nada disso! Para eles, essas questões são apenas instrumentos de um ponto ligeiramente além do de partida. É com eles que pretende chegar ao verdadeiro modelo, que dispensa essas, digamos, delicadezas burguesas. Daí que frequentemente se depreenda dos textos que escrevem que estão ainda na fase do “acúmulo de forças”.

“Ah, Reinaldo, isso é só retórica; mera cascata pseudo-revolucionária…” Pode até ser assim em tempos de paz… Se, no entanto, os ânimos se acirram, como vemos, a rapidez com que escolhem o caminho da irresponsabilidade é espantosa. Esses celerados têm a ambição de ser, a um só tempo, o partido da ordem e o partido da desordem, de modo que esta possa ser usada em favor daquela — que será, então, uma ordem muito particular: a ordem petista.

Foi assim que tudo começou. No dia 13 de junho — aquele do confronto entre manifestantes e a Polícia Militar em São Paulo — os petistas acharam que se abrira uma janela de oportunidades para levar o governo Alckmin às cordas. E fizeram a aposta na desordem. O tiro saiu pela culatra, e um país com mais insatisfações acumuladas do que possa expressar com clareza, foi cair no colo de Dilma.

Em vez de apostar no entendimento, a Irmandade Petista prefere acirrar as contradições.

07 Jul 22:06

Eike e o dinheiro público – Senador tucano envia requerimento a Mantega, Pimentel e Alves cobrando informações

by giinternet

O senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) cumpriu a sua obrigação de senador da República — e, nesse caso, pouco importa se da oposição ou da situação — e encaminhou a órgãos federais três requerimentos cobrando informações sobre as relações entre o estado brasileiro e as empresas de Eike Batista, que estão derretendo. Segundo o senador, “a sociedade não pode ficar sem conhecer as operações que foram feitos com os recursos do Tesouro Nacional, decorrentes da arrecadação de impostos”, que têm origem, lembra, “na brutal carga tributária”, que recai sobre todos. Abaixo, seguem as perguntas encaminhadas nos requerimentos a três ministros: Fernando Pimentel (Indústria e Comércio), Guido Mantega (Fazenda) e Garibaldi Alves (Previdência). O parlamentar concentra suas questões em três instituições: BNDES, Banco do Brasil e fundos de pensão de estatais. Seguem as perguntas encaminhadas a cada um dos ministros.

Ao ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Fernando Pimentel:
1. Existem operações de crédito ou concessão de garantia entre o BNDES – Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social em favor de empresas do Grupo do empresário Eike Batista?
2. Qual o valor total dessas operações?
3. Que empresas do Grupo teriam sido beneficiadas?
4. Quais foram as garantias recebidas?
5. Qual foi a taxa média ponderada pelo valor dos empréstimos, por instituição?
6.Qual o spread médio ponderado das operações em relação à taxa Selic do dia da concessão; o fator de ponderação deve ser o percentual do saldo de cada operação em relação ao saldo total das operações.
7. Que providências estão sendo adotadas para preservar o patrimônio do BNDES na hipótese de insolvência das empresas do Grupo?
8. Existe algum outro tipo de risco para o BNDES na hipótese de insolvência do referido Grupo, além de eventuais operações de crédito?
9.Na hipótese de existir qualquer participação, direta ou direta do BNDES nas empresas do Grupo, discriminar quais são essas participações, a evolução trimestral do valor dessas participações nos 12 últimos trimestres.

Ao ministro da Fazenda, Guido Mantega:
1 Existem operações de crédito ou concessão de garantia entre o Banco do Brasil S/A, a Caixa Econômica Federal, o Banco do Nordeste do Brasil e o Banco da Amazônia em favor de empresas do Grupo do empresário Eike Batista?
2. Qual o valor total dessas operações, discriminadas por instituição referida no item 1?
3. Que empresas do Grupo teriam sido beneficiadas?
4. Quais foram as garantias recebidas?
5. Qual foi a taxa média ponderada pelo valor dos empréstimos, por instituição?
6. Qual o spread médio ponderado das operações em relação à taxa Selic do dia da concessão; o fator de ponderação deve ser o percentual do saldo de cada operação em relação ao saldo total das operações.
7. Que providências estão sendo adotadas para preservar o patrimônio das instituições federais de crédito na hipótese de insolvência das empresas do Grupo?
8. Existe algum outro tipo de risco para as instituições federais de crédito na hipótese de insolvência do referido Grupo, além de eventuais operações de crédito?
9. Na hipótese de existir qualquer participação, direta ou direta das instituições federais de crédito nas empresas do Grupo, discriminar quais são essas participações, a evolução trimestral do valor dessas participações nos 12 últimos trimestres.

Ao ministro da Previdência Social, Garibaldi Alves:
1. Existem operações no âmbito do controle exercido pela Secretaria de Previdência Complementar, nos fundos de pensão, em favor de empresas do Grupo do empresário Eike Batista?
2 Que fundos de pensão realizaram operações com as empresas referidas no item 1?
3. Qual o valor total dessas operações, discriminadas por instituição referida no item 1?
4. Que empresas do Grupo teriam sido beneficiadas?
5. Quais foram as garantias recebidas?
6. Qual foi a taxa média ponderada pelo valor das aplicações, por instituição?
7. Qual o spread médio ponderado das operações em relação à taxa Selic do dia da concessão; o fator de ponderação deve ser o percentual do saldo de cada operação em relação ao saldo total das operações.
8. Que providências estão sendo adotadas para preservar o patrimônio dos fundos de pensão na hipótese de insolvência das empresas do Grupo?
9. Existe algum outro tipo de risco para os fundos de pensão na hipótese de insolvência do referido Grupo, além de eventuais operações de crédito?
10. Na hipótese de existir qualquer participação, direta ou direta dos fundos de pensão, nas empresas do Grupo, discriminar quais são essas participações, a evolução trimestral do valor dessas participações nos 12 últimos trimestres.

07 Jul 22:02

Dilma resolveu ter outra grande ideia: atropelar de novo o Congresso, jogando contra o Parlamento os movimentos sociais. Ontem, ela combinou tudo com o… MST! Agora vai!

by giinternet

A presidente Dilma Rousseff precisa estudar o funcionamento da teia de aranha. Se os bichos que caem na armadilha tivessem ciência da coisa, tentariam, com todo cuidado, sem afobação, pata ante pata, livrar-se do enrosco. O maior inimigo da presa é o próprio desespero. O maior amigo da aranha é o desespero da vítima. Ela se debate sem método e, aí, adeus! Enrosca-se toda e fica atada. Se a teia não estivesse lá, claro!, o aracnídeo ficaria sem o seu almoço. Essa fábula, portanto, tem um componente objetivo. Mas também tem um subjetivo: a única chance da presa era ter método. Sim, minha alegoria é clara: Dilma, hoje, é a presa; a rede de descontentamentos — muitos deles opostos, mas combinados — é a teia, e a aranha é a realidade, devoradora de reputações. A presidente não tem nem contra quem vituperar. Não foram, por exemplo, as oposições a lhe aprontar uma armadilha. Ao contrário. Durante muitos anos, elas driblaram o confronto. O estopim da crise, como se sabe, está na tentativa do PT de criar o baguncismo em São Paulo, embarcando na tese de meia dúzia de alopradinhos que resolveram implementar o socialismo no Brasil a partir da catraca. O resto ainda é história a ser devidamente contada, mas o fato é que a bomba foi explodir com maior potencial destrutivo lá no Palácio do Planalto. Dilma tinha de reagir. Eu mesmo a convidei a tanto aqui.

Em vez da coisa certa, fez a errada. Em vez de tentar se desenroscar pé ante pé, começou a se debater sem método. Tentou jogar a confusão no colo do Congresso, com a sua aloprada e inconstitucional proposta de Constituinte. Não deu! Esperneou um pouco mais e passou a falar em plebiscito, procedendo a uma descabida consulta ao TSE — essa não é uma de suas atribuições —, enviando ao Congresso, imaginem só!, a pauta. Falhou de novo. Acuada, amuada, brava porque ninguém a defende, decidiu, então, que é hora de atropelar o Legislativo pra valer. Nada de suavidade. Quer agora buscar o calor das ruas. Nesta sexta, decidiu se reunir com o MST, cuja popularidade, no Brasil, certamente é inferior à sua própria, para pedir mobilização popular. Também apelou às centrais sindicais, especialmente CUT e Força Sindical. Todos garantiram que vão ocupar as ruas em favor de um plebiscito.

Não existe milagre nessas coisas. Um plebiscito só pode ser convocado por iniciativa de um terço de uma das Casas do Congresso, e as duas têm de aprovar. A Justiça Eleitoral só pode dar início às formalidades da consulta quando estiver tudo acertado. A partir daí, informou, são necessários 70 dias. Dilma e a torcida do Corinthians sabem que não há tempo para isso. O governo fala, então, em engrossar o movimento em favor de um projeto de lei de iniciativa popular, como defendido por OAB e por um tal Movimento Contra a Corrupção…

Então vamos ver. Mesmo a consulta popular não é a Casa-da-Mãe-Dilmona… Está regulamentada pela lei 9.709. O Artigo 13 dessa lei é claro:

“Art. 13. A iniciativa popular consiste na apresentação de projeto de lei à Câmara dos Deputados, subscrito por, no mínimo, um por cento do eleitorado nacional, distribuído pelo menos por cinco Estados, com não menos de três décimos por cento dos eleitores de cada um deles.”

É chato ter de convidar a presidente a ler a Constituição, mas algumas das questões que seriam matéria de plebiscito são… CONSTITUCIONAIS. E só podem ser mudadas por EMENDAS. Ocorre que a tal “iniciativa popular” não pode emendar a Constituição, atribuição exclusiva, também por determinação constitucional, dos senhores deputados e senadores. A título de exemplo, reproduzo os artigos 45 a 46 da Carta:
Art. 45. A Câmara dos Deputados compõe-se de representantes do povo, eleitos, pelo sistema proporcional, em cada Estado, em cada Território e no Distrito Federal.
§ 1º – O número total de Deputados, bem como a representação por Estado e pelo Distrito Federal, será estabelecido por lei complementar, proporcionalmente à população, procedendo-se aos ajustes necessários, no ano anterior às eleições, para que nenhuma daquelas unidades da Federação tenha menos de oito ou mais de setenta Deputados. (Vide Lei Complementar nº 78, de 1993)
§ 2º – Cada Território elegerá quatro Deputados.
Art. 46. O Senado Federal compõe-se de representantes dos Estados e do Distrito Federal, eleitos segundo o princípio majoritário.
§ 1º – Cada Estado e o Distrito Federal elegerão três Senadores, com mandato de oito anos.
§ 2º – A representação de cada Estado e do Distrito Federal será renovada de quatro em quatro anos, alternadamente, por um e dois terços.
§ 3º – Cada Senador será eleito com dois suplentes.

Voltei
Viram só? O sistema proporcional e a suplência no Senado são matérias constitucionais. “Ah, mas a proposta poderia ser encampada por alguém, transformar-se em emenda e então…” Claro que sim! ACONTECE QUE ISSO TEM DE SER NEGOCIADO COM OS RUSSOS, E DONA DILMA ROUSSEFF ACHA QUE CHEGOU A HORA DE ATROPELAR OS RUSSOS, compreenderam?

Não existe um “cérebro” no Congresso que coordene as ações do Poder, mas existe o senso de sobrevivência dos políticos. Eles sabem que, junto com Dilma, estão na berlinda. E perceberam a natureza do jogo. Ela tentou se livrar do problema apontando o dedo para o sistema político, tentando jogar a massa contra o Parlamento. Os políticos sabem que, em momentos como os que vivemos, eles não formam exatamente uma categoria muito popular. Tanto é assim que Marina Silva ascendeu ainda mais como segunda colocada em pesquisas de opinião, seguida, em certos cenários, por Joaquim Barbosa. Tradução dessas intenções de voto: ódio à política.

Ocorre que Dilma não está em condições de apontar o dedo para ninguém. O Congresso, dentro dos limites possíveis, até que se mexeu — votando até mesmo alguns cretinismos e barbaridades. E o Executivo? A única ideia de Dilma foi a reforma. O resto é promessa. E está dando tudo errado. Agora ela resolveu ter a genial ideia de mobilizar os tais “movimentos sociais” contra o Congresso. O PT já convocou os seus militantes a se juntar aos protestos no dia 11.

Quando os deuses querem destruir alguém, começam por lhe tirar o juízo, reza velho adágio latino. Parece ser o caso.

Texto publicado originalmente às 7h22
07 Jul 21:29

Especialista questiona funcionalidade da urna para plebiscito

by noreply@blogger.com (Fraude Urnas Eletrônicas)

urna_eletronicaEspecialista em urnas eletrônicas, o engenheiro Amílcar Brunazo afirmou em entrevista ao G1 que o atual modelo de urna eletrônica "não é amigável" para a realização de um plebiscito. Para ele, as urnas são "antiquadas" e terão que ser usadas com "artificialismo" em eventual consulta popular, já que o eleitorado terá que digitar um número para a alternativa de resposta escolhida.

Amílcar Brunazo é um dos principais especialistas em urna eletrônica no país. Autor do livro "Fraudes e Defesas no Voto Eletrônico", já deu consultoria para o Senado sobre votação eletrônica e assessora partidos no TSE em relação à votação. Também participa de congressos e discussões em todo o país sobre o tema. Ele é um dos principais críticos do sistema de votação e apuração do Brasil. Para Brunazo, não há garantia da segurança de uma apuração precisa no modelo atual.

 

[A urna] não é amigável [para plebiscito]. Ainda mais com 10 perguntas, por exemplo. Como as urnas são antiquadas, não se tem opção"

Amílcar Brunazo, engenheiro especialista em urna eleitoral

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sempre defendeu o modelo brasileiro, afirmando, inclusive, que o país é exemplo para o resto do mundo. O TSE afirma que, com as urnas eletrônicas, foram realizados referendo do desarmamento e plebiscito sobre a divisão do Pará sem questionamentos. De acordo com o tribunal, nas consultas populares o "sim" e o não" são representados por números de dois dígitos.

A sugestão de um plebiscito foi feita pela presidente Dilma Rousseff como resposta às manifestações populares que ocorrem há um mês em todo o país por melhores condições e vida e medidas de combate à corrupção. Para Dilma, é preciso que o povo decida o que quer ver alterado no sistema político e eleitoral. Nesta semana, ela disse acreditar na "inteligência, sagacidade e esperteza do povo brasileiro" para responder às perguntas.

Apesar da sugestão de Dilma, a decisão de convocar o plebiscito precisa partir do Congresso. Segundo juristas, os parlamentares poderão decidir quais perguntas serão feitas ou apenas apontar o tema e deixar as questões a cargo do TSE.

O TSE poderá, dizem os especialistas, alterar a pergunta caso venha pronta do Congresso para deixá-la mais clara. Aos parlamentares, o governo sugeriu que o plebiscito aborde ao menos cinco temas: financiamento público ou privado de campanha; sistema eleitoral (voto proporcional ou distrital); manutenção ou não da suplência para senador; fim ou não do voto secreto em deliberações do Congresso; e manutenção ou não de coligações partidárias proporcionais. Algumas perguntas em um plebiscito sobre reforma política poderão, eventualmente, ter mais opções, além do "sim" ou "não".

No plebiscito mais recente, em 2011, os eleitores paraenses tiveram de digitar 55 para "não" e 77 para "sim". Foram perguntadas duas questões: “Você é a favor da divisão do Estado do Pará para a criação do Estado do Tapajós?” e “Você é a favor da divisão do Estado do Pará para a criação do Estado do Carajás?”.

Amílcar Brunazo diz que, em um plebiscito sobre reforma política, com mais perguntas, o eleitor poderá ser prejudicado. "Imagine um plebiscito com 10 perguntas. Não tem 'sim' ou 'não'. Pelo artifício do software, você escolhe um número e confirma. Não é amigável. Ainda mais com 10 perguntas, por exemplo. Como as urnas são antiquadas, não se tem opção. Eles farão um software que funcione, mas não será amigável para o eleitor", afirma o engenheiro.

Brunazo relatou ter sugerido ao TSE, quando houve aquisição de equipamentos em 2009, a compra de urnas mais modernas, mas a sugestão não foi aceita. Segundo ele, seriam mais convenientes para um plebiscito urnas com tela sensível ao toque, como a utilizada na Argentina, país que adotou recentemente o modelo touch-screen, em vez do teclado fixo.

O engenheiro aponta ainda que, caso o plebiscito seja realizado em curto espaço de tempo, outro prejuízo será a impossibilidade de testes mais específicos sobre a segurança do sistema. "Os partidos têm que examinar. Leva seis meses para desenvolver um software que possa ser testado adequadamente."

Segundo ele, o sistema atual não permite a recontagem dos votos, o que seria outra vulnerabilidade - Amílcar Brunazo defende que o sistema emita um voto impresso que o leitor possa conferir e colocar em uma urna, que pudesse ser auditada posteriormente. "Falta transparência para o eleitor, que tem que confiar no resultado e não pode questionar."

Brunazo destaca que o plebiscito precisa ter perguntas simples para facilitar a consulta. "A do referendo do desarmamento foi confusa. Apesar de a pessoa ter uma opinião, se confundiu na hora de responder", frisou. A pergunta era "Você é a favor da proibição da venda de armas de fogo e munição no Brasil?". O "sim" era contra a comercialização de armas e o "não", a favor da venda de armas.

Outras opiniões
Professor de Ciência da Computação da Universidade de Brasília (UnB), Diego Aranha encontrou uma vulnerabilidade no sistema da urna eletrônica durante os testes para as eleições de 2012. Para ele, o modelo da urna não é o ideal para um plebiscito, mas o professor não crê em dificuldades para a realização da consulta.

"Para utilizar a urna eletrônica atual em uma consulta popular, é preciso que os eleitores conheçam os códigos numéricos correspondentes às respostas 'sim' e 'não'. Não vejo essa questão como um grande obstáculo, até porque as urnas foram utilizadas em referendos passados sem grandes problemas. A utilização de telas sensíveis ao toque certamente aprimora a usabilidade, mas acredito que o custo adicional não justifique uma possível substituição", disse Aranha.

Assim como Amilcar Brunazo, ele também defende que a urna eletrônica possa imprimir o voto para que haja auditoria posterior. "Durante os testes de segurança, encontramos uma vulnerabilidade que nos permitiu derrotar o único mecanismo de segurança implementado no software da urna para proteção do sigilo do voto. Utilizando essa vulnerabilidade, minha equipe conseguiu recuperar a lista ordenada dos votos em eleições simuladas com até 475 eleitores a partir unicamente de informação pública, com impacto potencial até em eleições passadas."

 

As pessoas já estão bem informadas, senão não estaria nas ruas. A população está pronta para decidir o que quer que seja"

Sandra Cureau, vice-procuradora-geral eleitoral

Perguntas fáceis e objetivas
O juiz eleitoral Márlon Reis, do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), também não considera o modelo da urna um empecilho para a consulta popular, mas disse que a principal preocupação é com as perguntas que serão eventualmente feitas. "Poderia ser melhor, mas não me parece que seja tão difícil a adaptação. No referendo das armas, falou-se muito de erro com a formulação da pergunta, mas não da questão técnica."

Márlon Reis acredita que a reforma política poderia ser realizada por meio de projeto de lei de iniciativa popular no Congresso. O MCCE e outras entidades coletam assinaturas para apresentação da proposta.

A vice-procuradora-geral eleitoral, Sandra Cureau, também afirmou ao G1 que é preciso cuidado com as perguntas. Para ela, não se pode colocar "coisas demais" no plebiscito e as perguntas devem ser "claras, objetivas e poucas" para não prejudicar o processo.

Sobre os custos previstos para o plebiscito – segundo algumas estimativas, poderiam superar os R$ 500 milhões –, a vice-procuradora eleitoral afirmou que, "nesse caso, o que vale é o ganho da população, da democracia".

O plebiscito feito em 2011, para decidir sobre a divisão do Pará, custou R$ 19 milhões. O referendo de 2005 para decidir sobre o porte de armas custou cerca de R$ 250 milhões.

Para ela, os movimentos populares nas ruas mostram que a população está bem informada para decidir sobre o que deve ser alterado. "As pessoas já estão bem informadas, senão não estaria nas ruas. A população está pronta para decidir o que quer que seja."

Fonte: G1

07 Jul 21:28

O Brasil descobre as viagens de Cabral

by giinternet

Por Otávio Cabral e Leslie Leitão, na VEJA:
Longe de ser uma prerrogativa do Legislativo, o uso e abuso da coisa pública é algo de que entendem perfeitamente governantes como, por exemplo, Sérgio Cabral (PMDB), do Rio de Janeiro. Ele costuma passar os fins de semana em sua casa em Mangaratiba com a mulher, os dois filhos, duas babás e Juquinha, o cachorrinho de estimação. O meio de transporte da turma é o helicóptero oficial do governo — um Agusta AW109 Grand New, que Cabral mandou comprar por 15 milhões de reais em 2011, depois de voar em um igualzinho, de propriedade de Eike Batista. Às sextas, o Agusta leva para Mangaratiba todo mundo, menos Cabral, e retorna ao heliporto do governo. No sábado, leva apenas Cabral e volta. No domingo, faz duas viagens: a primeira traz a família Cabral e a segunda, as empregadas — no que é chamado pelos pilotos de “voo das babás”. “Já levamos para Mangaratiba cabeleireira, médico, prancha de surfe, amigos dos filhos. Uma babá veio ao Rio pegar uma roupa que a primeira-dama tinha esquecido. Uma empregada veio fazer compras no mercado. É o helicóptero da alegria”, diz um piloto.

Durante a semana, Cabral usa o helicóptero todos os dias para ir trabalhar, ainda que seja de apenas 10 quilômetros a distância entre seu apartamento e o Palácio Guanabara — e de 7 a que separa o palácio do heliporto. O voo tem duração de três minutos. No mercado, o aluguel de um helicóptero desse tipo custa 9 500 reais a hora. Os gastos de Cabral com o equipamento ficam em cerca de 312 000 reais por mês, ou 3,8 milhões por ano. Em nota, sua assessoria informou que Cabral “usa o helicóptero do governo sempre que necessário para otimizar o seu tempo e cumprir todos os seus compromissos”. Na quinta-feira, a rua do governador voador foi ocupada por 400 manifestantes que empunhavam cartazes de “Fora, Cabral”. Naquele mesmo dia, VEJA testemunhou o helicóptero decolar mais uma vez para o palácio, como ele faz diariamente. Se Cabral viu o protesto, portanto, não entendeu sua mensagem. E assim caminham os políticos — ou melhor, voam.

Para ler a continuação dessa reportagem compre a edição desta semana de VEJA no IBA, no tablet ou nas bancas

07 Jul 21:28

Mundo de ponta-cabeça – Num Egito em que tiranos recorrem a eleições para golpear a democracia, golpistas adversários nomeiam um Nobel da Paz sem voto como primeiro-ministro

by giinternet

Num mundo em que uma força ditatorial, como a Irmandade Muçulmana, chega ao poder por meio de eleições, talvez não se devesse estranhar tanto que um Prêmio Nobel da Paz seja nomeado primeiro-ministro porque o Exército botou tanques nas ruas. É um paradoxo a ser explorado. Leiam o que informa a VEJA.com:

Três dias após o Exército derrubar Mohamed Morsi, o presidente interino do Egito, Adli Mansour, reuniu neste sábado a cúpula militar e líderes de partidos seculares e salafistas e começou a definir um gabinete de transição e uma Constituição provisória até a convocação de novas eleições. O diplomata Mohamed ElBaradei, prêmio Nobel da Paz em 2005 e líder da oposição secular, será o novo primeiro-ministro do país, informou a agência estatal Mena.

O encontro reuniu Mansour, o Ministro da Defesa, general Abdel-Fatah El-Sisi, o Ministro do Interior Mohammed Ibrahim, o líder da oposição laica, ElBaradei, e representantes do partido salafista al-Nour, além de jovens do movimento Tamarrod – Rebelde, em árabe – , que protagonizaram os protestos contra Morsi.

Além da formação do gabinete, o objetivo da reunião era dar início aos preparativos para a Constituição provisória, que regerá o país até que uma nova Constituinte seja eleita. A Carta de novembro, de inspiração islâmica, foi suspensa. Uma nova eleição deve ser convocada depois de referendo sobre a nova Carta Magna.

O Partido Justiça e Liberdade, braço político da Irmandade Muçulmana, recusou-se a participar do encontro. Em nota, o partido agradeceu às centenas de milhares de pessoas que protestaram pela volta de Morsi ao poder na sexta-feira.

Nas ruas do Cairo, depois de uma noite de grande tensão e destruição, o sábado foi de calmaria. Os destroços da batalha campal de sexta-feira ainda eram visíveis em várias regiões do centro da cidade. Temendo novos confrontos, o Tamarrod convocou os egípcios a não ocuparem a Praça Tahrir.

 

07 Jul 21:26

Poligamia e Casamento Gay

by Augustus Nicodemus Lopes
Recentemente minha atenção foi despertada para este assunto por um ativista gay que veio aqui no blog Tempora-Mores questionar minha afirmação de que o padrão bíblico é o casamento heterossexual e monogâmico. “Como assim?” questionou o sábio e entendido ativista (que se declarou ex-evangélico), “no Antigo Testamento temos a poligamia como modelo de casamento usado por homens como Abraão, Davi e Salomão, e o silêncio cúmplice de Deus sobre suas mulheres e concubinas”. E soltou sua conclusão, que da mesma forma que Deus no passado alterou o padrão de casamento, da monogamia para a poligamia, podia também em nossos dias alterar o casamento heterossexual para homoafetivo. Então, tá.

Como eu não havia antecipado este argumento no post sobre teologia gay, achei que deveria dar alguma atenção ao mesmo e escrever algo sobre poligamia. Aos fatos, então.
Encontramos no Antigo Testamento diversos exemplos de poligamia. Os mais conhecidos são estes: 
  • Lameque – duas esposas: Ada e Zilá (Gn 4.19).
  • Patriarca Abraão – três esposas: Sara, Agar, Quetura e várias concubinas (Gn 16.1-3; 25.1-6).
  • Esaú – três esposas: Judite, Basemate e Maalate (Gn 26.34-35 e 28.9).
  • Patriarca Jacó – duas esposas: Raquel e Lia, e duas concubinas: Bila e Zilpa (Gn 29.21-35).
  • Elcana – duas esposas: Ana e Penina (1Sm 1.1-2).
  • Juiz Gideão – muitas esposas e concubinas (Jz 8.30).
  • Rei Davi – oito esposas: Mical, Abigail, Ainoã, Maaca, Hagite, Abital, Eglá, Bate-seba e mais outras mulheres e concubinas (1Sm 25.40-43; 2Sm 3.2-5; 5.13; 2Cr 14.3).
  • Rei Salomão – a filha de Faraó, setecentas outras esposas e trezentas concubinas (1Rs 3.1; 11.1-3).
  • Rei Acabe – uma esposa: Jezabel e outras mulheres e concubinas (1Rs 16.31; 20.2-5).
  • Rei Abias – catorze mulheres (2Cr 13:21).
  • Rei Roboão – duas esposas: Maalate, Maaca, mais dezoito outras mulheres e sessenta concubinas (2Cr 11.21). 
  • Rei Joás – duas mulheres (2Cr 24.1-3).
  • Rei Joaquim – muitas mulheres (2Cr 24.15).
Estes fatos levantam várias perguntas, sendo a mais importante esta: Deus sancionou e aprovou estes casamentos poligâmicos? Se não, por que não há uma proibição clara da parte dele? Seu silêncio significa que o modelo de casamento pode variar com a cultura – monogâmico, heterossexual, poligâmico, homossexual – e que isto pouco importa para Deus? Em resposta ofereço os seguintes pontos como resultado do meu entendimento destes textos acima e de outros referentes à poligamia no Antigo e Novo Testamento.

1. Sem dúvida alguma, o padrão divino para o casamento sempre foi a monogamia heterossexual, isto é, um homem e uma mulher: “Disse mais o SENHOR Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea... Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando- se os dois uma só carne” (Gn 2.18-25).

2. O desvio deste padrão ocorreu somente depois da queda de Adão e Eva (Gn 3), começando com Lameque, o assassino vingativo, filho de Caim (Gn 4). Depois dele, a poligamia foi praticada por diversos motivos. Entre os exemplos de poligamia no Antigo Testamento, encontramos alguns que eram políticos, ou seja, para selar tratados internacionais, como Salomão que se casou com a filha de Faraó (1Rs 3.1) e Acabe que casou com Jezabel, filha do rei dos sidônios (1Rs 16.31), além das mulheres que já tinham. Há outros casos em que o desejo de ter filhos e preservar a descendência parece ter motivado a aquisição de mais uma esposa ou concubina, no caso da esterilidade da primeira esposa, como foi o caso de Sarai ter trazido sua serva egípcia Agar para Abraão (Gn 16.1-4), costume praticado no Antigo Oriente. Provavelmente foi o mesmo caso de Elcana, casado com Ana (estéril) e depois com Penina (1Sm 1.1-2). Havia também o desejo de ter muitos filhos em caso de guerra (cf. Jz 8.30; 2Sm 3.2-5; 1Cr 7.4, 11.23, etc.). Nenhum destes casos, porém, justifica a poligamia, pois se trata de um desvio do padrão monogâmico. 

3. Apesar do surgimento da poligamia cedo na história de Israel, a monogamia continuou a regra entre os israelitas e a poligamia, a exceção. Abraão mandou seu servo conseguir uma esposa para seu filho Isaque (Gn 24.37). Na genealogia dos descendentes de Judá, de entre dezenas de nomes, apenas um é citado como tendo tido duas mulheres, Asur (1Cr 4.5). No livro de Provérbios encontramos o encorajamento ao casamento monogâmico (Pv. 5.15-20; 12.4; 19.14). A ode feita à mulher virtuosa em Provérbios 31 pressupõe que ela é a única esposa do marido felizardo. Mesmo que Cantares tenha sido escrito por um polígamo, que foi Salomão, transparece claramente dele que o casamento é entre um homem e uma mulher, figura da relação de Deus com seu povo Israel. A poligamia, por razões econômicas, acontecia quase que exclusivamente entre os ricos, como os juízes e reis.

4. Os profetas tomam o casamento monogâmico para ilustrar a relação entre Deus e seu povo Israel (Jr 2.1-2; Os 3.1-5; Is 54.1-8; Jr 3.20). O profeta Malaquias denuncia a prática que havia em seus dias dos judeus se separarem de sua esposa para casarem com estrangeiras, mostrando assim que a poligamia não era o padrão estabelecido e muito menos o padrão comum e normal em Israel (Ml 2.13-16).

5. A lei de Moisés trazia diversas restrições e cuidados quanto à poligamia em Israel. A mulher israelita que fosse comprada para ser a segunda esposa teria os mesmos direitos que a primeira e seus filhos seriam igualmente herdeiros (Ex 21.7-11). O filho primogênito, ainda que da esposa aborrecida, teria o direito de herança acima do filho da esposa amada (Dt 21.15-17). Um homem casado não poderia casar com a irmã da sua esposa, o que provocaria a rivalidade entre ambas (Lv 18.18; cf. Gn 30.1). 

6. Vários destes exemplos de famílias poligâmicas registrados no Antigo Testamento são acompanhados dos problemas que o sistema inevitavelmente causava. Os judeus casados com mulheres pagãs eram levados a adorar os deuses delas e assim pecar contra Deus. Havia uma advertência na lei de Moisés aos futuros reis de Israel contra a poligamia neste sentido: “Tampouco para si multiplicará mulheres, para que o seu coração se não desvie” (Dt 17.17), conselho este que não foi seguido por Salomão, cujas muitas mulheres pagãs o levaram à idolatria em sua velhice (1Rs 11.1-8). Foi assim que Neemias interpretou o episódio de Salomão e suas muitas mulheres, quando proibiu os judeus depois do cativeiro de multiplicar esposas pagãs (Ne 13.25-27).

7. Além do risco da apostasia, a poligamia trazia profundos conflitos nas famílias poligâmicas. Havia ciúmes entre as mulheres, que disputavam entre si o amor do marido e competiam em número de filhos (Gn 16.4; 1Sm 1.5-8; Gn 30.1-26). Podemos ainda mencionar a angústia que as mulheres pagãs de Esaú trouxeram a seus pais (Gn 26.34-35). O marido acabava gostando mais de uma que da outra, favorecendo a amada e desprezando sua rival e seus filhos (Gn 29.30; 1Sm 1.5; 2Cr 11.21), o que levou a lei de Moisés, para amenizar esta situação, a estabelecer a lei dos filhos da aborrecida (Dt 21.15-17). Outro problema trazido pela poligamia dos reis de Israel era a briga entre os filhos das diversas mulheres quanto à sucessão, muito bem exemplificada na sucessão de Davi, veja 1Reis 1. 

8. No Novo Testamento na época de Jesus a monogamia era claramente o padrão entre os judeus. Quando alguns fariseus vieram experimentar Jesus com uma pergunta capciosa sobre o divórcio, o Senhor respondeu tendo o casamento monogâmico como pressuposto comum e aceito: “Não tendes lido que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher e que disse: Por esta causa deixará o homem pai e mãe e se unirá a sua mulher, tornando-se os dois uma só carne? De modo que já não são mais dois, porém uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem” (Mt 19.3-19).

9. Nas igrejas cristãs entre os gentios, o padrão monogâmico estava já estabelecido, embora na sociedade grega a poligamia fosse conhecida e praticada. Escrevendo aos coríntios Paulo declara: “Quanto ao que me escrevestes, é bom que o homem não toque em mulher; mas, por causa da impureza, cada um tenha a sua própria esposa, e cada uma, o seu próprio marido” (1Co 7.1-2). Aos Efésios, ele compara a relação entre o marido e a esposa à própria relação entre Cristo e sua Igreja: “Eis por que deixará o homem a seu pai e a sua mãe e se unirá à sua mulher, e se tornarão os dois uma só carne. Grande é este mistério, mas eu me refiro a Cristo e à igreja” (Ef 5.22-33).

10. Paulo claramente proíbe que os líderes das igrejas gentílicas fossem polígamos ou bígamos. Os bispos/presbíteros tinham de ser “esposos de uma só mulher” (1Tm 3.2; Tt 1.3-5) bem como os diáconos (1Tm 3.12).

Portanto, não há dúvida, em meu entender, que o padrão de Deus sempre foi o casamento monogâmico heterossexual, estabelecido na criação, e que a poligamia do Antigo Testamento foi um desvio deste padrão, em decorrência do pecado que entrou no mundo pela queda de Adão. Em Cristo, Deus restaura o casamento à sua forma original.

Contudo, pode parecer que Deus aprovou ou sancionou a poligamia, considerando que a lei de Moisés trazia regulamentações referentes a ela e que não há uma proibição direta de Deus contra a poligamia. Pode ser que nunca venhamos a entender completamente o silêncio de Deus neste assunto, mas uma coisa é certa: ele não significa que o assunto é indiferente para o Senhor e nem que “quem cala consente”.

1. As regulamentações da lei de Moisés sobre a poligamia não podem ser vistas como uma aprovação tácita da parte de Deus quanto ao casamento poligâmico, uma vez que este nunca foi o padrão por ele estabelecido. Trata-se da misericórdia de Deus protegendo as esposas e filhos de casamentos poligâmicos, uma amenização de uma distorção do casamento até a chegada do Messias. 

2. Deus nos revela sua vontade de maneira gradual e progressiva nas Escrituras. No Antigo Testamento ele se revelou em figuras, tipos, promessas. A sua revelação final e definitiva se encontra no Novo Testamento. Antes de Cristo ele suportou sacrifícios de animais, passou leis referentes a comidas, o sistema de escravidão e levirato, o apedrejamento de determinados pecados, a lei de talião (olho por olho),  o divórcio por qualquer motivo, etc. A poligamia deve ser vista neste contexto, como uma das coisas que Deus suportou na antiga dispensação e que foi definitivamente abolida em Cristo, à semelhança de várias outras. 

3. A encarnação e manifestação de Cristo ao mundo trouxe à luz a verdade outrora oculta, agora revelada pelos apóstolos e profetas, que Cristo é o cabeça de sua igreja, um povo único, composto de pessoas de todas as raças, tribos e nações, como o homem é o cabeça da mulher. E que a relação de amor-submissão entre marido e mulher é uma expressão da relação amor-submissão entre Cristo e sua igreja. Portanto, a partir do evento de Cristo, Deus não mais tolera nem suporta a poligamia entre seu povo, como suportou pacientemente no período anterior à sua vinda, pois sua vontade quanto a isto é em Cristo e sua igreja plenamente revelada. Em Cristo restaura-se o padrão original estabelecido por Deus no jardim.

4. Deus pode demonstrar a sua vontade sobre um assunto simplesmente registrando os males associados a ele, como é o caso da poligamia. Apostasia, ciúmes, invejas, disputas entre mulheres e filhos acompanham o histórico da poligamia entre os israelitas. A evidência cumulativa depõe contra a poligamia, mesmo que Deus não tenha se pronunciado expressamente contra ela. 

5. Aqui é preciso dizer que a revelação divina se encerrou com o cânon do Novo Testamento, onde o casamento monogâmico é claramente estabelecido como a vontade final de Deus para seu povo e a humanidade em geral. Portanto, não podemos aceitar que Deus, em nossos dias, esteja mudando o conceito de casamento para incluir o casamento homossexual, uma vez que o homossexualismo é claramente condenado em toda a Escritura canônica e a mesma se encontra definitivamente encerrada. Sola Scriptura!

04 Jul 01:15

Fim do voto secreto para qualquer votação no Congresso é um absurdo e atua contra os interesses da população

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A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou nesta quarta-feira uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que acaba com o voto secreto em votações no Congresso. É uma decisão estúpida! Caso prospere, tornará o Congresso mero instrumento do Executivo, que tem a máquina na mão. É uma aberração! Uma coisa é proibir o expediente em caso de cassação de mandatos; outra, diferente, é expor os parlamentares à sanha vingativa do governo federal. Tinha de ser mesmo proposta de um petista — no caso, o senador Paulo Paim (RS). Não há ideia ruim que ele não proponha ou abrace.

Se isso prospera, não se derruba mais veto presidencial, por exemplo. O mandatário de turno ficará com a listinha na mão: “Ah, Vossa Excelência ajudou a derrubar um veto meu, né?, e agora quer dinheiro para fazer aquela ponte lá no seu Estado?… Prefiro dar o dinheiro para quem votou comigo”.

O voto secreto, em muitos aspectos, é um instrumento que a minoria — a oposição — tem para resistir à maioria: o governo.

É a coisas como essa que chamo “espírito destrambelhado das ruas”. Os tontos que odeiam a política — EM VEZ DE ODIAR OS MAUS POLÍTICOS — não percebem quando estão jogando fora a criancinha junto com a água suja. Espero que essa porcaria acabe sendo, ao fim e ao cabo, derrotada. Fim do voto secreto? SIM! MAS APENAS PARA OS CASOS DE CASSAÇÃO DE MANDATO. A proposta de Paim não ajuda a política, não moraliza o Congresso, não colabora com o país. A proposta de Paim corta uma prerrogativa do Poder Legislativo e serve apenas para enganar os idiotas.

Se isso passa, nunca mais um senador votará contra a indicação de um ministro para cortes superiores. A eleição das respectivas presidências de Câmara e Senado também se daria às claras. Não se falaria mais em candidaturas alternativas. É preciso tomar cuidado com esse negócio de “espírito das ruas”. Se ele sempre estivesse certo, a humanidade não teria chegado à democracia representativa, e este não seria o regime que assistiu aos maiores progressos da civilização.

Com democracia direta, os feiticeiros é que seriam os cientistas, e os cientistas seriam queimados, acusados de feitiçaria.

04 Jul 01:14

O Eike pirotécnico é coisa de revista de celebridades. Não me interessa! Quero saber quanto dinheiro oficial o lulo-petismo pôs nos seus negócios. E uma pergunta de Diogo Mainardi em março de 2011

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O governo agora diz, segundo informa a VEJA.com, que não vai mais injetar dinheiro nos negócios de Eike Batista. Entendo. Tenho algumas considerações a fazer.

Aqui e ali noto certo risinho de satisfação com a derrocada do empresário. Não é o meu caso. Quando cai um grande, sempre acho que a grandeza é que pode estar ameaçada e que o mundo pode vir a ser governado apenas por minoridades organizadas em bandos. Seria o fascismo. É um raciocínio, quem sabe?, um pouco apocalíptico, mas o fato é que acho o ressentimento o pior de todos os sentimentos. Ele é mesquinho sempre e não se conforma com o fato de que outros não sejam. Assim, há um mau jeito de olhar a queda do mitológico — em boa parte, “automitologia” — Eike Batista. E há o modo realista.

Eu, cá comigo, nunca vibrei com a figura e sempre achei, com base apenas na lógica, que havia nesse pastel mais vento do que carne, mais promessas do que azeitonas. Ficava muito impressionado com as formidáveis apostas que faziam nas suas, digamos, projeções. Embora sempre tenha tomado cuidado para não deixar a minha falta de Ferrari contaminar meu juízo, aquele negócio de carrão de bilionário exposto na sala de estar, as pirotecnias exibicionistas… Mas querem saber? Nada disso me diz respeito. Se “usmercadozzzzz” gostam, para mim, tudo bem. Não tenho grana pra me meter nessas coisas. O meu ponto é outro.

O que interessa hoje ao Brasil é outra coisa. E acho que as oposições deveriam se ocupar do assunto, se é que se sentem à vontade para tanto; se é que também não estão presas, vamos dizer, por laços sentimentais com Eike Batista. O que interessa é isto: QUANTO DINHEIRO, ATÉ AGORA, O ESTADO BRASILEIRO METEU NOS NEGÓCIOS DO EMPRESÁRIO? De quanto foi a ajuda?

Que ele seja um elemento, como se diz hoje em dia nas reportagens de cultura, icônico da era lulo-petista, não tenho a menor dúvida. De certa maneira, ele é uma metáfora — ou uma metonímia — desse tempo. Ou também o castelo lulo-petista não está a mostrar os seus pés de barro? Ou também na política a propaganda não está se chocando com a realidade? Não me divirto, reitero, com o fato de o império de Eike Batista estar derretendo. Por mim, o Brasil teria uns 50 Eikes, mas os de verdade!!! Eles constituem a força da economia americana, por exemplo. Mas, lá nos EUA, dispensam a ajuda do estado e não se confundem com o próprio governo.

Diogo Mainardi
O Brasil precisa saber quanto o governo investiu nas empresas de Eike Batista e quais são as chances de retorno. Abaixo, segue um vídeo com parte da entrevista que Eike concedeu ao programa Manhattan Connection. Diogo Mainardi lhe dirige, então, uma pergunta. À época, alguns bananas demonizaram Diogo por sua suposta agressividade, porque não entenderia nada do mundo dos negócios etc. Vale a pena rever. Volto depois.

Encerro
A entrevista é de março de 2011. A canalha petralha caiu de porrete em Diogo. Não suportava o fato de que estivesse fazendo, afinal de contas, jornalismo. Há pelo menos 11 anos o puxa-saquismo e a sabujice viraram uma forma superior de pensamento.

04 Jul 01:10

Evo, os países europeus e a nota ridícula do governo brasileiro

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Ai, que preguiça!

O Brasil resolveu entrar na chacrinha de outros países sul-americanos e condenar com veemência os governos da França, Portugal, Espanha e Itália por terem impedido, nesta terça, que o avião que conduzia o presidente da Bolívia, Evo Morales, sobrevoasse seus respectivos espaços aéreos. A aeronave teve de fazer um pouso em Viena, na Áustria. A suspeita era a de que Evo estivesse conduzindo Edward Snowden, aquele pilantra americano que revelou ao mundo o esquema de monitoramento telefônico e on-line feito pelos EUA — escreverei um post só sobre este rapaz para explicar o meu ponto de vista; gente como ele e o tal Julian Assange, cada um no seu ramo, forma a escória dos nossos dias; mas fica pra depois. A interdição já foi suspensa, tanto é que a Espanha permitiu que a aeronave fizesse uma escala técnica nas Ilhas Canárias. Há coisa de duas horas, fez nova parada em Fortaleza. Logo Evo estará na Bolívia. O que eu acho disso? Já digo. Antes, leiam a nota condoreira do governo brasileiro, cheia daquela arrogância orgulhosa das minoridades. O texto assinado por Dilma Rousseff não se limita a protestar, o que seria, vá lá, aceitável. Não! Ela, que mal está conseguindo dar conta dos problemas internos, resolveu dar pito nos governos europeus e dizer, adicionalmente, inconveniências sobre os EUA. Leiam. Volto em seguida.

*

O governo brasileiro expressa sua indignação e repúdio ao constrangimento imposto ao presidente Evo Morales por alguns países europeus, que impediram o sobrevoo do avião presidencial boliviano por seu espaço aéreo, depois de haver autorizado seu trânsito. O noticiado pretexto dessa atitude inaceitável — a suposta presença de Edward Snowden no avião do Presidente —, além de fantasiosa, é grave desrespeito ao Direito e às práticas internacionais e às normas civilizadas de convivência entre as nações. Acarretou, o que é mais grave, risco de vida para o dirigente boliviano e seus colaboradores.

Causa surpresa e espanto que a postura de certos governos europeus tenha sido adotada ao mesmo momento em que alguns desses mesmos governos denunciavam a espionagem de seus funcionários por parte dos Estados Unidos, chegando a afirmar que essas ações comprometiam um futuro acordo comercial entre este país e a União Europeia.

O constrangimento ao presidente Morales atinge não só à Bolívia, mas a toda América Latina. Compromete o diálogo entre os dois continentes e possíveis negociações entre eles. Exige pronta explicação e correspondentes escusas por parte dos países envolvidos nesta provocação.

O governo brasileiro expressa sua mais ampla solidariedade ao presidente Evo Morales e encaminhará iniciativas em todas instâncias multilaterais, especialmente em nosso continente, para que situações como essa nunca mais se repitam.

Dilma Rousseff
Presidenta da República Federativa do Brasil

Voltei
Começo pela nota para, depois, entrar no mérito da decisão dos países europeus. Em nome da solidariedade a um país do continente, Dilma até poderia ter protestado. Nos termos em que o fez, o texto é inaceitável de vários modos. Para começo de conversa, esse negócio de “risco de vida” é um óbvio exagero.

Dilma poderia ter protestado sem se meter nas razões dos países. Quem é ela para sustentar que suas respectivas decisões são contraditórias, uma vez que eles próprios estariam sendo espionados pelos EUA? Imaginem, agora, se o conservador Mariano Rajoy, primeiro-ministro da Espanha, e François Hollande, o socialista que preside a França, decidirem responder mais ou menos assim: “Causa-nos espanto que a presidente Dilma, cujo país teve uma unidade da Petrobras roubada pelo governo boliviano, que mantém presos brasileiros inocentes, se solidarize com Evo Morales…”. Terceiros países não se metem em questões que dizem respeito a relações bilaterais. A nota, nesses termos, é um despropósito e só dá conta do primarismo da política externa.

A Unasul decidiu marcar uma “reunião de alto nível pra esta quinta”. Marco Aurélio Top Top Garcia representará Banânia. Reunião de “alto nível” da Unasul, com a presença de Garcia?! Não dá! A contradição está nos próprios termos.

Agora o mérito
Morales saiu por aí a defender Snowden, tratando-o como herói, e a sugerir que o mundo deve abrigar o rapaz, chamando para si as atenções. Não sei o quê, mas alguma coisa que ignoramos se deu nos bastidores. Os serviços de inteligência dos EUA e desses países registraram algum movimento estranho. Snowden não estava no avião. A questão é saber se houve ou não uma tentativa. Gente como Morales pode fazer isso? Pode! Lembrem-se de que Chávez tentou invadir Honduras com avião par levar Manuel Zelaya de volta ao país.

Lamento! Se havia uma suspeita de que o avião do índio de araque carregasse o espião mequetrefe, os quatro países europeus fizeram a coisa certa. Se Morales não fosse um contumaz chicaneiro, isso não teria acontecido. Ora, ora, de quem, afinal de contas, estamos falando?

O Brasil conhece muito bem o amor que este senhor tem pelas leis. Tomou, com armas na mão, do Brasil, uma refinaria da Petrobras. Mundo afora, faz um esforço para que a folha de coca seja reconhecida como produto de “consumo tradicional”, o que é um estímulo e tanto ao narcotráfico. Recebeu uma dinheirama do BNDES para financiar uma estrada. Em troca, o cara batuta resolveu criar novos campos de cultivo de folha de coca na fronteira com o Brasil. Importou cocaleros de outras regiões do país para cuidar do empreendimento. Seu governo mantém presos brasileiros sabidamente inocentes. Não faz tempo, decidiu, vejam que mimo!, legalizar carros sabidamente roubados no Brasil e no Chile que circulam em seu país. Morales se nega ainda a conceder um salvo-conduto para o senador de oposição Roger Pinto, que está asilado na embaixada brasileira em La Paz há um ano. O Brasil e o mundo conhecem, pois, o amor de Evo Morales às leis!!!

Ridículo final
Como? Dilma diz que o episódio ameaça “o diálogo e as negociações” entre a Europa (toda a Europa!!!) e a América do Sul? Huuummm… Bem, talvez seja o caso de romper relações, não é? Sabem como é… Sem Banânia, o mundo vai à breca!!! Aquela porcaria de Mercosul faz com que o Brasil mantenha hoje apenas três acordos comerciais bilaterais: com Israel, com a Palestina (???) e com o Egito (!!!). Só o acordo com Israel existe. Talvez seja o caso de romper relações com os europeus também. E, já que a origem da crise é o picareta do Snowden, dá-se um pé no traseiro dos EUA também.

Quem precisa dessa gente, né? Nós vamos nos virando com tipos como Rafael Correa, Nicolás Maduro e o próprio Evo… Manda brasa, Soberana!

04 Jul 01:08

Os Bourbons caipiras – Presidente da Câmara diz que vai pagar por voo da alegria da FAB que levou sua namorada e a parentada para assistir à final da Copa das Confederações

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O deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) gosta de pegar carona no calor das ruas, no alarido. Se houver gente gritando em favor disso ou daquilo, ele quer estar junto. Lembro, por exemplo, que tentou, contra a lei e o Regimento Interno da Câmara, depor o deputado Marco Feliciano da presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias. Sim, leitor, você pode não gostar de Feliciano, um monte de gente pode pensar o mesmo. Mas ele só pode ser retirado de lá na forma da lei. Alves estava tomado de espírito cívico…  Queria ceder à gritaria para ficar bem na fita; para ganhar a simpatia da imprensa militante. Vejam bem como andam as coisas e o que as pessoas pedem por aí… Aquele palácio onde Alves despacha já foi quase tomado de assalto, não? Sapatearam no teto.

Com o país pegando fogo, às vezes literalmente, o presidente da Câmara — segundo na linha sucessória, Dilma à parte — não viu mal nenhum em pedir que um avião da FAB fosse buscar no Rio Grande do Norte a sua namorada mais alguns parentes dela e dele para… assistir à final da Copa das Confederações no Rio. Ele tem uma explicação: é que tinha um almoço com o prefeito Eduardo Paes para… discutir a crise do país. E aí o clã só pegou uma carona…

Entendo! Alves é uma alma sensível, dá-se a rasgos poéticos. Para ele, como para Fernando Pessoa, o rio mais bonito é mesmo o da sua aldeia. Tanto é assim que, se necessário, ele usa um avião oficial para transportar o seu riacho sentimental para o Rio turístico. Em tempos de redes sociais, os nababos de Alves ainda publicam fotos no Facebook, cheios de alegria. Ele diz agora que vai pagar tudo. Esta é outra prática que está se generalizando entre os bacanas: se não forem pegos, tudo bem; se flagrados, eles pagam. É uma gente que é tomada de um espírito de Suprema honestidade quando pega com a boca na botija. Leiam trecho de reportagem na Folha Online. Volto depois:
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Por Márcio Facão:
O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), disse nesta quarta-feira (3) que errou ao permitir que sete parentes pegassem carona em um avião da Força Aérea Brasileira para assistir ao jogo da seleção no Maracanã, no fim de semana. Eduardo Alves disse que determinou que sua assessoria avalie o mais rápido possível o valor das passagens do Rio Grande do Norte ao Rio de Janeiro para reembolsar à União. A Folha revelou que pegaram carona com o deputado sete pessoas: sua noiva, Laurita Arruda, dois filhos e um irmão dela, o publicitário Arturo Arruda, com a mulher Larissa, além de um filho do presidente da Câmara. Um amigo de Arturo entrou no voo de volta.

“Meu erro, e aqui eu reconheço, foi ter permitido que pessoas me acompanhassem pegando carona nesse voo para o Rio de Janeiro. Por esse erro, estou aqui reconhecendo e já mandei ressarcir o valor de cada passagem correspondente”, disse ao chegar na Câmara. Alves negou que estivesse em uma agenda de turismo no Rio. Segundo o deputado, ele foi recebido pelo prefeito da cidade, Eduardo Paes, na residência oficial, na Gávea Pequena, para discutir o cenário político do país. A reunião, no entanto, não foi divulgada na agenda oficial dos dois políticos. “Houve uma agenda previamente divulgada com o prefeito Eduardo Paes, que me recebeu para um almoço na Gávea Pequena, onde conversamos sábado pela manha”, disse.

Alves não respondeu a pergunta da Folha se a medida não provoca mais desgastes à Casa diante das manifestações que sacudiram o país nas últimas semanas.
(…)

Encerro
Não adianta. Também os Bourbons caipiras não aprendem nada nem esquecem nada.

 

04 Jul 01:07

Egito – Seja ou não oficialmente deposto, Mursi já era!

by giinternet

Mohamed Mursi, presidente do Egito, já era. O Exército agora dá as cartas. E com o apoio de parte considerável da população. Há, sim, risco de a coisa degenerar. O Exército egípcio, no entanto, não é e nunca foi como o sírio ou o líbio — uma espécie de gangue armada a serviço de plutocratas. Para o bem e para o mal, é uma força onipresente na sociedade e tem o respeito de boa parte da população. Não sei se haverá solução possível com o presidente ainda no poder. O certo é que os planos de islamização da sociedade da Irmandade Muçulmana deram com os burros n’água.

Consta que os militares preferem que ele caia fora mesmo. Um governo interino assumiria por um prazo de nove meses a um ano, chefiado pelo presidente do tribunal constitucional do país. Nesse tempo, far-se-ia uma nova Constituição, que garantiria a pluralidade política, submetida depois a referendo. Sob a égide da nova Carta, realizar-se-iam então novas eleições gerais.

Pluralidade garantida com tanques? Pois é… Coisa bem própria desses tempos em que a Irmandade Muçulmana é tratada pela imprensa ocidental como força democrática… Leiam texto na VEJA.com:
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Pressionado pelos militares e por manifestações que pedem sua renúncia, o presidente egípcio, Mohamed Mursi, sugeriu, nesta quarta-feira, a criação de um governo de coalizão para solucionar a crise política no país. A proposta foi feita por meio de um comunicado divulgado pelo Facebook e o Twitter pouco depois de esgotado o prazo de 48 horas imposto pelo Exército para que Mursi chegasse a um acordo com os manifestantes. O prazo expirou às 16h30 (11h30 de Brasília). Ao mesmo tempo, dezenas de milhares de pessoas estão reunidas neste momento na Praça Tahrir, em volta dos dois palácios presidenciais no Cairo, aguardando a saída de Mursi.

Em seu comunicado, Mursi pede diálogo nacional e aposta na criação de um governo de transição até que sejam realizadas eleições parlamentares. No entanto, o presidente voltou a dizer que não renunciará e pediu aos egípcios que apoiem seu plano de união nacional.

A presença militar e de veículos blindados do Exército na capital egípcia aumenta o clima de tensão. Testemunhas disseram à agência Reuters que há centenas de soldados egípcios com tanques na principal avenida próxima aos palácios presidenciais.

Em sua conta no Twitter, o porta-voz da Irmandade Muçulmana, Gehad Al Haddad, disse que um golpe militar está em andamento no Egito – o Exército havia ameaçado uma intervenção militar caso Mursi não chegasse a um acordo com a oposição para partilhar poderes. “Tanques começaram a se mover nas ruas”, escreveu al Haddad.

Na terça-feira, o Exército anunciou que tinha planos de suspender a Constituição do país, dissolver o Parlamento e convocar novas eleições presidenciais. Os militares também declararam, em comunicado, que estavam prontos para “derramar o próprio sangue” para defender o país de “terroristas, extremistas ou ignorantes”. Era uma resposta ao discurso de Mursi, que rejeitou renunciar e disse que protegerá seu mandato com a própria vida.

Desde a última semana, às vésperas do aniversário de um ano da posse do presidente, milhares de pessoas foram às ruas para pedir sua renúncia. Também há registros de protestos pró-Mursi, como o desta madrugada, nos arredores da Universidade do Cairo, em que pelo menos dezesseis pessoas morreram durante uma manifestação de partidários do presidente egípcio. Mais cedo, outras sete pessoas haviam morrido em confrontos durante os protestos no país.

Mobilização
As manifestações atingiram o mais alto nível de participação no último domingo, quando Mursi completou um ano no poder e milhões foram às ruas para pedir sua renúncia. Há um ano, o membro da Irmandade Muçulmana assumiu o poder, que estava nas mãos de uma Junta Militar desde a queda do ditador Hosni Mubarak, em fevereiro de 2001.

No período em que os militares estavam no comando do país, os manifestantes os acusavam de minar os esforços para a construção da democracia. Mas, antes mesmo de largar o poder, a junta negociava para manter alguma relevância dentro do novo governo. Mursi assumiu a Presidência, mandou para a reserva os generais mais influentes e substituiu-os por outros simpáticos à Irmandade.

Quem esperava ver no poder um defensor da democracia, dos direitos humanos e das liberdades universais, acabou se deparando com um novo ditador. E, como ocorreu nos dias que antecederam a derrubada de Mubarak, o papel das Forças Armadas será determinante para traçar o futuro do país. Para muitos cidadãos, os militares podem trazer a ordem que o país não encontrou ao longo de um ano marcado pela crise política e por uma cada vez mais aguda crise econômica. Não deixa de ser uma opção desoladora.

04 Jul 01:05

PF vai abrir inquérito para apurar bloqueios nas estradas

by giinternet

Por Marcela Mattos, na VEJA.com. Comento no próximo post.
O Ministério da Justiça determinou nesta quarta-feira que a Polícia Federal abra inquérito para investigar se os bloqueios de caminhoneiros nas rodovias do país são orquestrados por empresários do setor de transportes. Até o momento, onze pessoas foram presas pela prática de crimes variados.

Em ofício encaminhado ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, na manhã desta quarta, o titular dos Transportes, César Borges, disse ter obtido informações de que Nélio Botelho, representante do Movimento União Brasil Caminhoneiro (MUBC), “possui contratos de transporte rodoviário com a Petrobras e estaria atuando, como empresário do setor, nas paralisações, o que poderia configurar ‘lockout’”.

O ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Luís Inácio Adams, afirmou que o representante do MUBC atualmente tem 39 contratos com a Petrobras, com valor mensal de 4 milhões de reais. Adams determinou que os contratos sejam averiguados. A Polícia Rodoviária Federal foi orientada a aplicar multas para quem descumprir a lei. Nesta terça-feira, a Justiça Federal determinou o bloqueio dos bens de Nélio Botelho.

Rigor
Nesta quarta, a presidente Dilma Rousseff afirmou o governo não vai tolerar o bloqueio de rodovias por caminhoneiros. O Executivo, disse ela, “não ficará quieto” diante da situação. Pelo terceiro dia consecutivo, os caminhoneiros voltaram a realizar uma série de interdições em seis estados.

O ministro da Justiça ressaltou que o bloqueio das rodovias pode ser tipificado como atentado contra a liberdade de trabalho, crime com punição de três meses a um ano de prisão, além de multa. “O governo não vai tolerar a prática de crimes ou de abusos por quem quer que seja. A Polícia Federal vai apurar com rapidez todos os fatos que foram narrados e os envolvidos sofrerão as sanções cabíveis. A sociedade brasileira não tolera o descumprimento da lei e por isso o governo vai agir, com o máximo de rigor”, disse Cardozo.

Já César Borges afirmou que “há interesses específicos” por trás das mobilizações e voltou a dizer que as reivindicações dos caminhoneiros não serão atendidas. “Há na pauta demandas como o não pagamento do pedágio e o subsídio ao óleo diesel, que é um combustível já subsidiado para baratear o transporte das cargas. Não há como fazer um outro subsídio uma vez que o óleo diesel serve a vários setores.”

04 Jul 01:05

Eu bem que dei um conselho a Dilma, né? Ela preferiu ouvir o Mercadante…

by giinternet

Leia primeiro o post anterior

Eu quero o PT fora do poder. Não porque eu tenha partido — os tucanos, por exemplo, sabem muito bem que não sou da turma. Quero os petistas fora do poder porque eles não gostam de democracia. Já escrevi milhares, literalmente, de textos demonstrando isso. Mas eu os quero fora do poder SEGUNDO AS REGRAS DO JOGO — ainda que eles vivam tentando burlá-las. Ocorre que o fato de eles fazerem isso não me dá o direito de fazer o mesmo. Não são os petistas a decidir o que acho bom ou ruim. Eu decido. Nas minhas escolhas morais e éticas, faço de conta que eles não existem. Assim, vocês sabem, o baguncismo em curso no país nunca me encantou. “E se contribuir para o PT ser defenestrado…” Nem assim endosso os métodos. Escrevi um textinho no dia 21 de junho recomendando que Dilma falasse à nação. Mesmo deplorando seu governo, seu partido e o que pensa essa gente, sugeri a ela um caminho — o da institucionalidade. Mas ela preferiu um outro. Vale a pena reler. Volto em seguida.
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O Brasil vive, por enquanto ao menos, uma democracia política plena. A única ditadura que ronda as consciências é a patrulha do politicamente correto, das ditas “minorias”, dos autodeclarados movimentos sociais. Existe plena liberdade de manifestação e de opinião. A praça está livre para o povo ocupá-la e dizer o que bem entende.

Atenção para este parágrafo: quando, no dia 13, a Polícia Militar de São Paulo decidiu cumprir a sua função e impor a ordem nas ruas — já que manifestantes tentavam, mais uma vez, impedir o direito de ir e vir, foi demonizada pela imprensa, pelos petistas e, de forma indireta, até pela presidente.

Dilma está diante de um de dois caminhos: 1) fazer um pronunciamento meramente retórico em defesa da paz, perdendo-se, mais uma vez, na propaganda dos feitos de seu partido; 2) deixar claro que os abusos não serão tolerados e que o governo federal dará todo o apoio material e político para que os governadores garantam a tranquilidade e a ordem.

Por mais que setores da imprensa insistam em dizer o contrário, é mentira que as manifestações ocorrem num clima de paz e tranquilidade. É evidente que não temos uma maioria de depredadores na rua. Fosse assim, ou seria revolução ou o retorno ao estado da natureza. O fato e que existe um clima favorável à bagunça, à depredação e aos saques.

Existe lei federal — a de Segurança Nacional, sim! — para conter esses bandidos. Mas a coisa não pode parar por aí. Todos têm o direito de se manifestar publicamente. Há liberdade de reunião e de associação no país, mas é mentira que exista o direito assegurado de paralisar as cidades.

O governo federal tem de se reunir com os governadores e lhes dar o devido suporte para que sejam definidas as áreas que podem abrigar as manifestações. As interrupções do trânsito e a ocupação tresloucada de ruas, avenidas e rodovias têm de ser contidas pelas Polícias Militares, e os que insistirem na prática têm de ser punidos.

Mas, para isso, é preciso que haja uma solução de compromisso. Para isso, é preciso que os ministros de Dilma se comportem como homens de estado, não como chicaneiros. E é preciso que o partido de Dilma abra mão do oportunismo asqueroso que o fez redigir uma nota que, na prática, estimula a bagunça.

Ou a presidente faz isso, ou pode começar a se despedir não da reeleição, mas da própria candidatura. É bom que ela não se esqueça de que a maior concentração por metro quadrado de pessoas que torcem para que ela quebre a cara é o PT.

O partido quer Lula de volta.

Volto
Em política, forma é conteúdo. A maneira escolhida para reivindicar isso ou aquilo expressa um entendimento do tipo de sociedade que queremos. Dilma fez um pronunciamento assustadiço, de quem estava acuada no Palácio, sem entender direito o que estava em curso. Se os descontentamentos são de agora, recentes, ou fruto do acúmulo de anos de desmandos na República, pouco importa: o fato é que temos o instrumento adequado em mãos. O nome dele é estado democrático e de direito.

Em tempos de redes sociais, de “cada um vá para a rua e exija o cumprimento de seu sonho”, a desordem acaba se confundindo com a poesia. Manifestações estupidamente violentas eram transmitidas ao vivo, com comentadores destacando a, como é mesmo?, “maioria pacífica”. Ora, o mesmo critério da “maioria pacífica” que impedia as cidades de levar uma vida normal está em curso nas estradas. Que eu saiba, a maioria dos cominhoneiros não está botando fogo em pneus. Ou está? “Ah, mas eles impedem o direito de ir e vir…” Não me digam! Os que passaram a dar plantão na Paulista não faziam o mesmo?

Digam-me aqui: se a Mayara Vivian e os Rimbauds das catracas podem posar de pensadores no Jornal Nacional e no Fantástico, por que não Nélio Botelho? “Ah, esse cara é muito suspeito…” Eu também acho. Mas os outros eram, por acaso, uma mistura de Madre Teresa de Calcutá com Voltaire?

Agora a coisa começa a ficar feia, não é? Agora se começa a mexer com coisa séria. Há gente no Brasil que achou que dava para tirar a pasta de dentes do tubo e depois devolvê-la. Não dá, não! Por que o “occupy a Paulista” é mais legítimo do que o “occupy a Dutra”? Se alguém tiver alguma resposta que não seja só ideologia, pode enviar para cá.

Os petistas resolveram, num primeiro momento, flertar com a desordem, achando que iriam liquidar om o PSDB em São Paulo e, depois, se viram acuados com os monstros que ajudaram a tirar da caixa. Com o problemão nas mãos, em vez de deixar claros os limites que teriam de ser respeitados, resolveram ser reverentes com expressões claras de ilegalidade.

Eu, que quero Dilma fora do poder, acabei por lhe dar um bom conselho. Ela preferiu ouvir o Mercadante. O resultado é esse aí.

03 Jul 15:11

The Zombie Apocalypse — Ours and Theirs

by David P. Goldman

Sometime in 2011 the total number of film plots with the keyword “zombie” passed the number of film plots with the keyword “cowboy,” according to the Internet Movie Database. One might argue that the zombie has become the great American archetype of the postmodern era, as the cowboy was the American archetype a century ago. With the release of Brad Pitt’s $200 million zombie epic World War Z, what used to be the stuff of low-budget shockers has entered the American cultural mainstream. Therein lies a lesson.

“The history of the world is the history of humankind’s search for immortality,” I argued in my 2011 book Why Civilizations Die (and Why Islam is Dying, Too). Human beings can’t tolerate life without the hope of some existence beyond our brief mortal span of years. Cultures that know they have made it past their best-used-by date tend to die for lack of interest. Extreme examples are the neolithic tribes that walk out of the Amazon to encounter modernity, and succumb to alcoholism and other vices in a matter of years. Less extreme examples are the radical Muslims who declare that they love death more than we love life, or the European nations whose fertility rate is so low that their national survival is questionable at the hundred-year horizon. I argued in Civilizations that the so-called Arab Spring was a paroxysm of cultural despair, the prelude to societal breakdown with appalling consequences; watching the dreadful events in Egypt and Syria, few today can dismiss this thesis as alarmist.

Dying cultures are the living dead. Half of the world’s 6,000 languages will disappear by the end of this century. They are zombie cultures. But we Americans are gestating a zombie culture inside what used to be a “country with the soul of a church,” as G.K. Chesterton put it. The hedonistic narcissism that took over popular culture during the 1960s produced a spiritual deadening like nothing in American history. That’s why we are so fascinated with zombies. We identify with them.

Few living poets express this spiritual deadening as eloquently as the Syrian Ali Ahmad Said, who writes under the pen name Adonis. He maintains that the Arabs already are an extinct people, as I reported in my Asia Times column some years ago: ”We have become extinct. … We have the masses of people, but a people becomes extinct when it no longer has a creative capacity, and the capacity to change its world. … The great Sumerians became extinct, the great Greeks became extinct, and the Pharaohs became extinct.” Adonis hauntingly conveys the sense of living death, as in these extracts from his poetry:

Each day is a child/ who dies behind a wall/ turning its face to the wall’s corners.

When I saw death on a road/ I saw my face in his. My thoughts resembled locomotives/ straining out of fog/ and into fog.

“We must make gods or die./ We must kill gods or die,”/ whisper the lost stones in their lost kingdom.

Strangled mute/ with syllables/ voiceless,/ with no language/ but the moaning of the earth,/ my song discovers death/ in the sick joy/ of everything that is/ for anyone who listens./ Refusal is my melody./ Words are my life/ and life is my disease.

Americans don’t read much poetry, but they do watch movies. There is something especially compelling about the image of dead people walking, I wrote in a May, 2012 essay for Asia Times. We understand this more clearly if we consider the opposite, namely the concept of eternal life arising from God’s promise to Abraham and his descendants and embodied in the Temple at Jerusalem. In a brilliant 2008 book, Resurrection, Harvard professors Kevin Madigan and Jon D. Levenson argue:

The ancient Israelites, altogether lacking the materialist habit of thought so powerful in modernity, did not conceive of life and death as purely and exclusively biological phenomena. These things were, rather, social in character and could not, therefore, be disengaged from the historical fate of the people of whom they were predicated.

Contrasting the promise of eternal life with the fear of living death, I argued, helps make sense of our fascination with zombies, as we’ll explore after the page break.

03 Jul 12:45

A humilhante resposta do TSE aos feiticeiros do PT. Ou: Dá pra tirar Mercadante de perto da Dilma?

by giinternet

A resposta do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com o endosso de todos os Tribunais Regionais, ao Palácio do Planalto sobre a viabilidade do plebiscito deveria provocar uma enorme vergonha na turma, especialmente na presidente Dilma Rousseff e no seu agora fiel escudeiro, Aloizio Mercadante — a propósito: quem está a cuidar da Educação? Foi preciso lembrar que o país vive sob um ordenamento jurídico e tem uma Constituição. Foi preciso dar lição de moral aos destrambelhados. Até o poeta Carlos Drummond de Andrade foi evocado pela mineira Carmen Lúcia, que preside o TSE. Sobrou também para Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, que chegou a opinar que a legislação eleitoral poderia, sim, mudar a menos de um ano da eleição desde que essa fosse a vontade do povo. Sugeriu que essa fosse uma das perguntas do plebiscito, o que é um escárnio. Expliquei a ele aqui por que não. Ontem, foi a vez de o TSE lembrar:

Assim, elimina-se uma dúvida que já não havia. Nem o povo é soberano para mudar cláusula pétrea da Constituição. Chega a ser ridículo que isso tenha de ser reafirmado, mas fazer o quê?

O TSE precisou lembrar aos valentes qual é o sentido de um plebiscito e em que circunstâncias ele tem de se dar. Leiam este outro trecho.

Há ali um alerta importante: que sentido faz submeter a população a uma consulta que se lhe afigurará uma charada grega? Não porque seja congenitamente incapacitado para responder, mas porque não haverá tempo para os devidos esclarecimentos. O brasileiro já deu mostras de verdadeiros prodígios. Lembremo-nos de que, durante a implementação do Plano Real, tivemos de conviver com duas moedas. Houve quem previsse o caos. Não aconteceu nada. Ao contrário: deu para perceber, muito depressa, que parecia ser um bom caminho para conter a sandice inflacionária. Mas as coisas não se fizeram na base da correria e da porra-louquice, comportamento próprio de um governo que está doido para driblar os problemas reais e se entregar a diversionismos.

Prestem agora atenção a este outro trecho.

Retomo
Se o processo tivesse sido deslanchado anteontem, diz o tribunal, poder-se-ia realizar o plebiscito em 8 de setembro, ainda dentro do prazo para que eventuais mudanças vigorassem já em 2014. Mas se está muito longe disso. Nem sequer se tomaram as providências para o necessário Decreto Legislativo, que depois tem de ser aprovado nas duas Casas. De resto, far-se-ia o decreto com que conteúdo? Deputados e senadores nem mesmo terão tempo de debater que reforma querem?

E, então, foi preciso citar Drummond para cobrar, ainda que de modo lhano, uma pouco mais de responsabilidade (esses rabiscos são pedaços da rubrica dos juízes do TRE.

O fim do texto não poderia ser mais edificante. A Justiça Eleitoral lembra que está a serviço dos eleitores, não dos poderosos de turno.

Primeiro faltou sabedoria a Dilma para entender as ruas. Depois faltou prudência para entender o ordenamento constitucional.

Alguém faça o favor ao Brasil de tirar Mercadante de perto dela?