Shared posts

18 Dec 08:36

Haddad e a emissora que recebeu R$ 900 mi do governo federal em 12 anos

by Luiz Carlos Azenha

ENTREVISTA

Com IPTU, Haddad descobre lado obscuro dos ‘donos da cidade’

Prefeito relata declaração de guerra feita por dono de um grupo de comunicação por causa da cobrança progressiva do imposto

por Redação RBA publicado 17/12/2013 12:55, última modificação 17/12/2013 15:14

sugerido pelo Silvio Dutra, via Facebook

‘Recebi um telefonema de um dono de muitos meios de comunicação dizendo que não daria trégua à prefeitura’

São Paulo – Fernando Haddad não precisou chegar ao fim de seu primeiro ano de mandato à frente da maior cidade do país para concluir que nem só de boas intenções e competência técnica se faz uma gestão. Queira ou não, o prefeito petista de São Paulo tem de conviver com estratégias jogadas em cenas obscuras protagonizadas por aqueles que se consideram donos de São Paulo.

“Recebi um telefonema de um dono de muitos meios de comunicação dizendo que não daria trégua à prefeitura e que colocaria todos seus veículos contra o IPTU progressivo. Isso não me foi contado. Isso foi dito”, relata, durante uma conversa com jornalistas, realizada ontem (16) à noite na sede da administração municipal. O prefeito não revelou o nome do barão midiático que declarou guerra abertamente. Segundo o site Conversa Afiada, o empresário seria Johnny Saad, dono do Grupo Bandeirantes e “proprietário de muitos imóveis urbanos em São Paulo”.

Questionado se já não sabia que seria assim, dado o histórico de governos do PT no Palácio do Planalto e na própria prefeitura, Haddad parece indicar que conhecia o problema, mas desconhecia seu tamanho, e admite a necessidade de repensar sua política de comunicação para evitar distorções.

O caso do IPTU resume bem o problema. Após quatro anos sem reajuste, o prefeito conseguiu aprovar na Câmara Municipal um projeto de lei para aplicar um aumento maior nos bairros mais valorizados, e baixar o valor do tributo em regiões que gozam de menor infraestrutura urbana. Mas a medida se tornou impopular devido à dificuldade da gestão de explicar justamente isso à população e à resistência de parte da mídia tradicional, que, em parceria com a Fiesp e o PSDB, conseguiu que o Tribunal de Justiça concedesse liminar congelando a aplicação dos novos níveis de cobrança.

A gestão promete apresentar recurso à decisão. “Quando discute IPTU progressivo, cobrando mais de quem pode mais, cobrando menos de quem pode menos, você está discutindo a fonte de financiamento de um Estado de bem-estar social que ainda está muito no começo no Brasil. Tem muito para avançar”, defende o prefeito, que parece manter uma característica que ajudou a levá-lo ao cargo: a clareza de ideias, a intenção de enxergar os macroproblemas a partir das microsituações, a transferência das ideias do acadêmico ao mundo da execução política e a consciência de que, na macropolítica, a filosofia de gestão é um espaço demarcado de disputa de projetos.

“Está em discussão no Brasil o modelo de Estado que nós queremos. Queremos o Estado mínimo, acreditando que o mercado vai resolver os problemas da população mais pobre, ou queremos um Estado com protagonismo, que tenha condições de dar resposta às questões sociais?”

Questionado se não gosta de fazer política, como se tem ouvido em bastidores até no meio petista, ele afirma que apenas vê sentido em que as pessoas se dediquem a algo voltado ao interesse comum, visão que tem de ser resgatada no país. Na conversa, Haddad volta a cravar que não tem problemas em sacrificar sua reeleição e reitera que entende a política como uma prática voltada à construção de soluções para o cidadão. Considera que o fundamental é pensar projetos de longo prazo e garantir a máxima execução possível nos quatro anos a que tem direito, sem que se deva preocupar se as futuras administrações darão sequência a isso ou não.

Ao traçar um balanço da gestão, Haddad parece satisfeito com aquilo que prometeu pouco mais de um ano atrás: Bilhete Único Mensal e eficiência no transporte público, Arco do Futuro, revisão do Plano Diretor Estratégico, melhoria dos serviços de saúde. Se terá tempo para fazer tudo, não sabe, mas entende que uma região da cidade estará transformada rapidamente. “A zona leste vai mudar. Vou dar alguns exemplos. Ficando pronto o Rodoanel Leste, os caminhões saem da Jacu-Pêssego. A Jacu-Pêssego, juntando com o polo de Itaquera, é a zona incentivada da prefeitura. O que queremos é geração de emprego. Você vai ver uma grande transformação física. Conglomerados econômicos, dois ou três, vão investir ali para geração de emprego. Talvez tenhamos uns 100 mil empregos.”

A principal fonte de preocupação do petista continua a ser a mesma, e nada indica que será outra quando encerrar o mandato: a baixa capacidade de investimento da prefeitura de São Paulo. R$ 18 bilhões de pagamento de precatórios, R$ 55 bilhões de dívida, R$ 2 bilhões a menos graças ao congelamento da tarifa de transporte público e R$ 1 bilhão da decisão judicial do IPTU somam um montante muito superior ao orçamento anual de R$ 40 bilhões. A esperança reside agora no sinal verde do Ministério da Fazenda para que o Senado vote a renegociação da dívida de estados e municípios com a União, o que, espera, virá até fevereiro.

Na conversa, o prefeito afirmou ainda que a mudança de modelo de gestão das subprefeituras entra agora numa segunda etapa. Neste primeiro ano de mandato, Haddad apostou na desmilitarização das estruturas, legado de Gilberto Kassab (PSD). Agora, com a eleição dos integrantes dos conselhos participativos municipais, o petista imagina ser possível aproximar representantes populares eleitos da administração da cidade.

Confira aqui trechos da entrevista conduzida por Eduardo Maretti, da RBA, Renato Rovai, da revista Fórum, Maria Inês Nassif, da Carta Maior, Paulo Henrique Amorim, do Conversa Afiada, e Eduardo Guimarães, doBlog da Cidadania.

PS do Viomundo: Vamos pedir à Prefeitura — e também ao governo estadual paulista — a lista completa dos gastos com publicidade oficial em 2012. Os que pagam a conta certamente merecem saber.

Leia também:

Helena Chagas diz que governo desconcentra as verbas publicitárias

O post Haddad e a emissora que recebeu R$ 900 mi do governo federal em 12 anos apareceu primeiro em Viomundo - O que você não vê na mídia.

17 Dec 11:36

Haddad revela a blogueiros que grupo de mídia declarou guerra ao IPTU progressivo

by eduguim

Na última segunda-feira (16), o prefeito Fernando Haddad deu uma longa entrevista na sede da  prefeitura a um grupo de blogueiros. Entrevistaram-no Maria Inês Nassif (Carta Maior), Paulo Henrique Amorim (Conversa Afiada), Renato Rovai (Revista Fórum), Eduardo Maretti (Rede Brasil Atual) e também, com muita honra por estar lá, este que escreve.

Durante cerca de 90 minutos, o prefeito de São Paulo respondeu com desassombro, serenidade e humildade a uma saraivada de questões. Ouviu críticas, inclusive. E chegou a reconhecer que procediam as que recebeu sobre falhas na comunicação de seu governo.

A entrevista foi transmitida ao vivo por streaming pelo site da Revista Fórum, pelo site Conversa Afiada e pela Rede Brasil Atual.

Este blogueiro, porém, não conseguiu transmitir a entrevista nesta página devido ao fato de que toda sua equipe – ou seja, ele e mais ele mesmo – estava consigo, o código de incorporação do vídeo da entrevista só foi entregue aos blogueiros envolvidos pouco depois de chegarem à sala de imprensa da Secom, na prefeitura, e, portanto, não havia quem o colocasse aqui e publicasse o post.

O site Conversa Afiada, o da Revista Fórum e o portal R7, porém, fizeram ótimas matérias e que completaram umas às outras sobre quase tudo que foi discutido na entrevista. Para ler tais matérias, clique no link no nome de cada site, neste parágrafo.

Apesar da boa cobertura que – por falta de divulgação da gravação da entrevista pela Secom – os sites acima citados tiveram que reproduzir a partir das suas anotações, como acontece com toda visão plural sobre o mesmo assunto um site deixou de relatar coisas que outro relatou. Em comum, porém, os três deixaram de lado uma revelação espantosa feita por Haddad.

A preocupação principal deste blogueiro foi levar ao prefeito queixas que tem recebido de seus leitores nesta página e nas redes sociais quanto à política de comunicação do governo da capital paulista. Queixas com as quais concorda, diga-se.

Abaixo, reproduzo a íntegra da principal pergunta que este blogueiro fez ao prefeito de São Paulo e que gerou uma resposta surpreendente de parte dele, a qual, mais adiante, será relatada.

—–

Pergunta de Eduardo Guimarães ao prefeito Fernando Haddad

Prefeito Haddad,

Obrigado por nos receber.

Antes de perguntar, quero testemunhar que é a segunda vez neste ano que o entrevisto. Ainda assim, prefeito, há quase consenso contra suas políticas de comunicação. Diante da questão política, pois, questões administrativas, que são importantíssimas, ficam prejudicadas.

Mas minha pergunta não é exclusivamente sobre comunicação.  É, mais do que tudo, sobre política.

Dizem que em um momento em que o senhor deveria estar fazendo política inclusive nos fins de semana – devido à queda da aprovação ao seu governo nas pesquisas –, o senhor reservou esses dias para a família. Dizem que o senhor não gosta de política.

Dizem também que o senhor privilegia a grande mídia e que não dá maior importância às mídias ditas alternativas. Devido à grande mídia, porém, seu governo se tornou responsável pela corrupção no governo de seus antecessores Gilberto Kassab e José Serra.

Não bastando tudo isso, novamente um governo paulistano do PT está sendo acusado de criar ou aumentar taxas e impostos. E essa medida é adotada estando a popularidade desse governo fortemente abalada.

Seu governo paga até hoje o preço dos protestos de junho, ligados ao transporte, enquanto que o governo Geraldo Alckmin, apesar dos escândalos que enfrenta envolvendo o mesmo transporte público, vem recuperando aprovação.

O vereador Antonio Donato é um dos autores da investigação sobre a máfia do ISS, mas foi defenestrado de seu governo “a pedido”. Essa demissão, porém, soou aos paulistanos como uma confissão de culpa. Dizem que se ele não tivesse culpa teria ficado no cargo.

O senhor diz que não se arrepende de nenhuma dessas medidas ou posturas, mas dizem que elas estão arrasando a imagem de seu governo. Contudo, o senhor soa despreocupado com o aspecto político, que é o que o impede, por exemplo, de aumentar o IPTU.

Minha pergunta, portanto, é a seguinte: sabendo que cargos executivos na administração pública são cargos políticos, não está na hora de o senhor começar a fazer mais política, prefeito?

[...]

—–

Haddad não só reconheceu que têm havido falhas na comunicação de sua administração, mas também revelou outros problemas que essas falhas vêm gerando.

Relatou, por exemplo, que incontáveis políticas públicas em andamento não são divulgadas porque a mídia não se interessa por reproduzi-las. Relatou, inclusive, que por falha de comunicação da prefeitura há quem pense, por exemplo, que seu governo é o responsável pelo metrô paulistano…

Mas não ficou por aí. Quando o assunto resvalou no aumento do IPTU, ou melhor, na nova política de progressividade do IPTU e que ora se encontra sub judice por conta de ação impetrada pela Fiesp, Haddad fez uma revelação estarrecedora.

Segundo o prefeito de São Paulo, tão logo viu o noticiário da grande mídia sobre sua proposta para o IPTU procurou um dos maiores grupos de comunicação do país para “esclarecê-lo” sobre o fato de que não havia propriamente um aumento do imposto, mas uma política de baixá-lo nas áreas mais pobres da cidade e elevá-lo nas mais ricas.

Detalhe: explicou, didaticamente, que muito mais paulistanos passariam a pagar menos IPTU e que os aumentos atingiriam a uma parcela bem menor dos munícipes.

Haddad revela que se surpreendeu ao ouvir desse interlocutor – que, supõe-se, seja da direção desse grande grupo de comunicação – a enormidade de que todas as suas plataformas de mídia – jornais, revistas, rádios, televisões e portais de internet – tinham ordem de combater sem tréguas essa política pública. O prefeito ouviu, pois, uma virtual declaração de guerra à sua política para o IPTU.

Apesar de a entrevista ter sido meio caótica devido ao fato de que os blogueiros presentes tinham visões diferentes sobre os assuntos levantados, nas visão deste que escreve foi excelente. Quem a assistiu pôde ver um Haddad sereno e consciente de que algo precisa mudar em sua administração. Nem que seja, apenas, sua política de comunicação.

*

PS: O prefeito Fernando Haddad não quis revelar o nome do tal “grande grupo de comunicação” que praticamente o ameaçou. Fica, pois, para sua imaginação, leitor, adivinhar que grupo seria esse…

17 Dec 11:30

A carta de Snowden que fala diretamente aos brasileiros

by Luiz Carlos Azenha

CARTA ABERTA AO POVO DO BRASIL

EDWARD SNOWDEN, publicado na Folha

Seis meses atrás, emergi das sombras da Agência Nacional de Segurança (NSA) dos EUA para me posicionar diante da câmera de um jornalista. Compartilhei com o mundo provas de que alguns governos estão montando um sistema de vigilância mundial para rastrear secretamente como vivemos, com quem conversamos e o que dizemos.

Fui para diante daquela câmera de olhos abertos, com a consciência de que a decisão custaria minha família e meu lar e colocaria minha vida em risco. O que me motivava era a ideia de que os cidadãos do mundo merecem entender o sistema dentro do qual vivem.

Meu maior medo era que ninguém desse ouvidos ao meu aviso. Nunca antes fiquei tão feliz por ter estado tão equivocado. A reação em certos países vem sendo especialmente inspiradora para mim, e o Brasil é um deles, sem dúvida.

Na NSA, testemunhei com preocupação crescente a vigilância de populações inteiras sem que houvesse qualquer suspeita de ato criminoso, e essa vigilância ameaça tornar-se o maior desafio aos direitos humanos de nossos tempos.

A NSA e outras agências de espionagem nos dizem que, pelo bem de nossa própria “segurança” –em nome da “segurança” de Dilma, em nome da “segurança” da Petrobras–, revogaram nosso direito de privacidade e invadiram nossas vidas. E o fizeram sem pedir a permissão da população de qualquer país, nem mesmo do delas.

Hoje, se você carrega um celular em São Paulo, a NSA pode rastrear onde você se encontra, e o faz: ela faz isso 5 bilhões de vezes por dia com pessoas no mundo inteiro.

Quando uma pessoa em Florianópolis visita um site na internet, a NSA mantém um registro de quando isso aconteceu e do que você fez naquele site. Se uma mãe em Porto Alegre telefona a seu filho para lhe desejar sorte no vestibular, a NSA pode guardar o registro da ligação por cinco anos ou mais tempo.

A agência chega a guardar registros de quem tem um caso extraconjugal ou visita sites de pornografia, para o caso de precisarem sujar a reputação de seus alvos.

Senadores dos EUA nos dizem que o Brasil não deveria se preocupar, porque isso não é “vigilância”, é “coleta de dados”. Dizem que isso é feito para manter as pessoas em segurança. Estão enganados.

Existe uma diferença enorme entre programas legais, espionagem legítima, atuação policial legítima –em que indivíduos são vigiados com base em suspeitas razoáveis, individualizadas– e esses programas de vigilância em massa para a formação de uma rede de informações, que colocam populações inteiras sob vigilância onipresente e salvam cópias de tudo para sempre.

Esses programas nunca foram motivados pela luta contra o terrorismo: são motivados por espionagem econômica, controle social e manipulação diplomática. Pela busca de poder.

Muitos senadores brasileiros concordam e pediram minha ajuda com suas investigações sobre a suspeita de crimes cometidos contra cidadãos brasileiros.

Expressei minha disposição de auxiliar quando isso for apropriado e legal, mas, infelizmente, o governo dos EUA vem trabalhando arduamente para limitar minha capacidade de fazê-lo, chegando ao ponto de obrigar o avião presidencial de Evo Morales a pousar para me impedir de viajar à América Latina!

Até que um país conceda asilo político permanente, o governo dos EUA vai continuar a interferir com minha capacidade de falar.

Seis meses atrás, revelei que a NSA queria ouvir o mundo inteiro. Agora o mundo inteiro está ouvindo de volta e também falando. E a NSA não gosta do que está ouvindo.

A cultura de vigilância mundial indiscriminada, que foi exposta a debates públicos e investigações reais em todos os continentes, está desabando.

Apenas três semanas atrás, o Brasil liderou o Comitê de Direitos Humanos das Nações Unidas para reconhecer, pela primeira vez na história, que a privacidade não para onde a rede digital começa e que a vigilância em massa de inocentes é uma violação dos direitos humanos.

A maré virou, e finalmente podemos visualizar um futuro em que possamos desfrutar de segurança sem sacrificar nossa privacidade.

Nossos direitos não podem ser limitados por uma organização secreta, e autoridades americanas nunca deveriam decidir sobre as liberdades de cidadãos brasileiros.

Mesmo os defensores da vigilância de massa, aqueles que talvez não estejam convencidos de que tecnologias de vigilância ultrapassaram perigosamente controles democráticos, hoje concordem que, em democracias, a vigilância do público tem de ser debatida pelo público.

Meu ato de consciência começou com uma declaração: “Não quero viver em um mundo em que tudo o que digo, tudo o que faço, todos com quem falo, cada expressão de criatividade, de amor ou amizade seja registrado. Não é algo que estou disposto a apoiar, não é algo que estou disposto a construir e não é algo sob o qual estou disposto a viver.”

Dias mais tarde, fui informado que meu governo me tinha convertido em apátrida e queria me encarcerar. O preço do meu discurso foi meu passaporte, mas eu o pagaria novamente: não serei eu que ignorarei a criminalidade em nome do conforto político. Prefiro virar apátrida a perder minha voz.

Se o Brasil ouvir apenas uma coisa de mim, que seja o seguinte: quando todos nos unirmos contra as injustiças e em defesa da privacidade e dos direitos humanos básicos, poderemos nos defender até dos mais poderosos dos sistemas.

Tradução de CLARA ALLAIN

Leia também:

Tatiana Merlino: Durante julgamento, viúvas da ditadura celebram Ustra e Fleury

O post A carta de Snowden que fala diretamente aos brasileiros apareceu primeiro em Viomundo - O que você não vê na mídia.

16 Dec 16:49

Marrocos tortura jovens saharauis. A história de Hayat Rgueibi e Enguía Elhawasi

by noreply@blogger.com (AAPSO)
Allan Patrick

Saara Ocidental, a última e esquecida colônia da África.

 
Enguía Elhawasi e Hayat Rgueibi
Tinham 19 anos quando foram presas, mas já desde os 14 que conheciam o assédio da polícia marroquina. A 8 de novembro de 2010, Hayat Rgueibi y Enguía Elhawasi dispunham-se a viajar desde El Aaiún, capital do Sahara Ocidental, até à África do Sul para participar num congresso internacional. As duas eram conhecidas pelos serviços de informação marroquinos pelo seu ativismo em defesa dos Direitos Humanos e da causa saharaui.


Após a detenção vieram os interrogatórios, ameaças e torturas para que contassem quem financiava as suas atividades e reconhecessem os seus delitos: porte de armas brancas e destruírem bens do Estado. Depois veio o cárcere, misturadas com prostitutas que as convidavam a tomar drogas e álcool.

Para resistirem, pelas suas mentes passavam a imagem dos saharauis que desde há 40 anos têm lutado e sido mortos pela independência do país. Pela sua mente, agora, a determinação de manter a luta pelos direitos humanos e a liberdade. Pela sua mente, hoje, continua a perpassar a lembrança amarga de Espanha, o país que entregou o Sahara Ocidental aos marroquinos e mauritanos (estes, depois, viriam a abandonar a ocupação e o conflito) em vez de cumprir sua obrigação de descolonizar e dar o território aos seus proprietários, os saharauis.

Para elas, como para a maioria do povo saharaui, o governo de Espanha mantem um silêncio cúmplice ante as violações dos DDHH na sua antiga colónia, governo que — insistem — continua a ser responsável pelo seu destino.

Hayat  Rgueibi e  Enguía Elhawasi, como outros jovens saharauis que vivem no Sahara Ocidental “ocupado”, palavra que repetem constantemente, conhecem desde muito pequenas “o terror marroquino”, que não respeita crianças, nem mulheres ou anciãos.

 

Hayat Rgueibi



“Nascemos — relata Hayat — sob ocupação estrangeira, a do reino de Marrocos, e sofremos na nossa própria carne as aberrações que cometem diariamente. Desde crianças ouvimos falar do terror dos anos oitenta e noventa, os anos de chumbo, quando as nossas famílias não podiam falar das atrocidades que se perpetravam contra os presos políticos, nem dos desaparecidos, nem dos familiares que vivem nos acampamentos de refugiados. Recordo os meus país escutando em segredo a Radio Nacional Saharaui para saberem alguma notícia”.

Chegou um momento em que o que ouviam passaram a vivê-lo na primeira pessoa, como recorda Hayat: “Fui vítima da violência física desde os 14 anos, proibiram-me o meu direito básico, que é o de ir à escola, a educação. Na minha adolescência, a mim e um grupo de amigas as autoridades de ocupação marroquinas chamavam-nos cada dois ou três dias à comissaria, uma situação muito difícil. Numa ocasião, em 2009, o governador de El Aaiún disse-me que se eu acabasse com as minhas atividades dava-me ‘milhões’ e me garantia a educação”.

Enguía e Hayat cresceram vendo como “as autoridades de ocupação tratavam os saharauis como cidadãos de segunda”, e o governo marroquino impunha um “férreo bloqueio informativo para que o mundo não soubesse o que ali se passava: a constante violação dos Direitos Humanos da população saharaui por lutar pela sua liberdade e clamar contra a espoliação dos recursos naturais do Sahara Ocidental”.

Com 19 anos, conhecidas já como lutadoras pelos Direitos Humanos, esperavam no dia 8 de novembro de 2010 no aeroporto de El Aaiún para ir a um congresso Internacional, quando foram detidas pelo “exército de ocupação marroquina”.

Numa cela com as paredes cheiras de sangue


Enguía Elhawasi conta que no aeroporto sofreram por parte de vários oficiais tortura psicológica, e um interrogatório detalhado sobre as suas vidas. Numa furgoneta civil, “para mostrarem que não eram militares”, algemadas e com os olhos vendados com uma bandeira saharaui, foram levadas à sede da polícia em El Aaiún e metidas numa cela, “para nos aterrorizar ainda mais”, uma “pequena e horrenda cela que tinha as paredes manchadas de sangre, sequelas de torturas a saharauis”.

 

Enguía Elhawasi

Este é o seu relato:

“Foram 24 horas de interrogatório, sobre quem nos financiava, as nossas visitas aos acampamentos de refugiados, Argélia e outros países. Para além de ativistas de Direitos Humanos, o que sabiam muito bem…, já que publicamente sempre reconhecemos que lutamos pacificamente pela liberdade do nosso povo, acusavam-nos de tudo”.

“Na manhã seguinte, outra vez com os olhos vendados e as mãos algemadas, levaram-nos ao Tribunal de Apelação em El Aaiún ocupado.

Aí repetiram-se as mesmas acusações, porte de armas brancas e destruição de bens do Estado, acusações falsas que não reconhecemos. Declararam a nossa culpabilidade conduziram-nos à prisão Negra de El Aaiún”.

“Meteram-nos na secção de mulheres, com prostitutas e delinquentes comuns, a maioria marroquinas, que já estavam preparadas para dizer-nos que eramos de outro ‘gang’ e tratarem-nos mal. Incitavam-nos a tomar álcool e drogas, para corromper-nos e destruir-nos”.

“Comíamos e bebíamos numa metade de uma garrafa de plástico, em condições infra-humanas. Obrigavam-nos a ajudar na cozinha e na limpeza da prisão. Não só sofremos tortura física e psicológica, estivemos um tempo sem poder ver as nossas famílias, a quem diziam que não estávamos ali e que nos fossem procurar noutro lugar. Mais tarde puderam-nos visitar uma vez por mês”.

“Uma delegação marroquina de DDHH foi ver-nos para saber quais as nossas condições nas masmorras marroquinas, assim como uma delegação parlamentar, e foi então que melhorou a nossa situação.

“Nesses duros momentos, como ativistas de DDHH, sobretudo quando nos acusavam falsamente, recordávamos os grandes saharauis que tinham luchado pacificamente e haviam sacrificado a sua vida pela liberdade deste povo. Depois de seis meses conseguimos sair da tenebrosa prisão graças à pressão internacional e a algumas organizações de DDHH. Agora estamos em liberdade condicional”.


A tortura do “frango assado”


Hayat Rgueibi concretiza para o “el espiadigital.com” algumas particularidades da atuação dos interrogadores marroquinos:

“Põe-te uma venda nos olhos e fazem-se todo o tipo de ameaças de tipo sexual, humilham-te e torturam para que aceites as falsidades de que te acusam; recusa-as… e voltas a ser torturada”.

“Deram-me cacetadas na cabeça e atiravam-ma contra a parede. Também me submeteram à tortura conhecida como “o frango assado”. Despem-te e atam-te os pés e as mãos a uma barra, como se assam os frangos, para depois baterem-te e deitarem-te por cima de tipo todo o tipo de porcarias. Além disso, proferem continuamente ameaças contra a tua família e contra a nossa honra”.

“Durante as torturas podem chegar a estar vinte verdugos, durante três, quatro horas…, algumas vezes toda a noite. Depois chegam a levar-te para o deserto e dizer-nos que aquilo são os direitos humanos… e que não vamos conseguir nada”.

Hayat e Enguía têm agora 23 anos, fazem parte do “Fórum para o futuro da mulher saharaui” e com uma profunda convicção nas suas ideias e grande determinação nos seus objetivos denunciam em distintos lugares as difíceis condições em que vivem os saharauis e a “feroz e brutal” repressão do regime marroquino.

Pedem ajuda para lutar “contra o bloqueio informativo imposto por Marrocos e que agora, graças à Internet e às novas tecnologias, o mundo já sabe das atrocidades que são cometidas no Sahara Ocidental ocupado”. Citam a repressão ocorrida em 2005, quando voltaram a prender Aminetu Haidar, ou o acampamento de Gdeim Izik, o acampamento de protesto erguido nas cercanias de El Aaiún em 2010, “uma lição para o mundo, especialmente para a União Europeia e para Espanha, sobre a luta pacífica do povo saharaui, e pela qual vários ativistas foram condenados a pesadas penas, alguns de prisão perpetua, por um tribunal militar”.

 

Exterior da 'prisão negra' em El Aaiún



Espanha, responsável pelo destino dos saharauis


Esta referencia a Espanha, o país que os colonizou não surge como um caso isolado, ao contrário, é constantemente repetida a dor e a indignação que produz a atuação dos diferentes governos espanhóis.

“Os meus avós e país não podem esquecer que os colonizadores espanhóis, da noite para o dia, entregaram-nos aos exércitos invasores”, afirma Hayat, que acrescenta que ainda há uns meses “Espanha, juntamente com a França, colaborou para que não fosse por diante proposta americana de que a Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental (MINURSO) tivesse competências na vigilância dos DDHH”.

“O nosso povo nunca deixará de afirmar que o governo de Espanha continua a ser o responsável do destino dos saharauis e que o seu silêncio cúmplice, como o da França, ante as diárias violações dos DDHH favorece a política de ocupação marroquina”.

“Os saharauis — conclui —, apesar da repressão e das atrocidades que se cometam, continuarão a lutar pelos seus legítimos direitos, à liberdade e à independência. Levamos 40 anos resistindo, assim vamos continuar e nunca abandonaremos a nossa luta pela dignidade”.


16 Dec 11:41

In search of modern Hanoi: an identity crisis of a 1,000-year-old city

by gehl architects
Allan Patrick

Nem os países comunistas escapam da praga dos viadutos e dos condomínios fechados.

Header_Guest_blogger2

01Cover

By Julia Suh
Freelance urban strategist and architect, Australia
Former guest lecturer at Hanoi Architectural University

Julia_Suh

“Em ơi!” called out the vendor when she caught my eyes examining her basket full of fresh baguettes. We exchanged glances, promptly followed by customary bargaining and transaction. She then swiftly disappeared to find her next customer. At sunrise, street vendors and shoppers in Hanoi’s Old Quarter begin signaling the start of a new day: red and blue plastic stools are laid out on the sidewalk to receive noodle soup seekers; megaphone-equipped metal carts make sure contained footwear does not go unnoticed; makeshift motorcycle-wash is quickly set up in the lane way marking its territory on dampened asphalt. Some mobile vendors nimbly move about on foot or by bicycle to deliver goods to their regulars, while others search for eyes lingering on their baskets of vegetables, fruits, snacks and flowers.

From each end of a bamboo pole pivoted on the vendor’s shoulder hang two baskets that delicately balance each other, forming an iconic image of Vietnam’s mobile street vendors. ‘Fixed’ vendors on the other hand, often with fast-food push carts, operate from sidewalks and lane ways serving patrons daily from the same spot. It is not unusual for ground-level eating houses to spill out onto the sidewalk with their mobile cooking facilities (cylindrical briquettes), food carts and plastic tables and stools, compensating for insufficient indoor space. I picked my favourite blue plastic stool facing St. Joseph’s Cathedral and sat for a while sipping Vietnamese iced tea under a striped awning. Later in the afternoon, an old lady with a baby in her arms would walk in as usual – the baby was passed around and entertained, until the lady decided she had enough chat for the day and took off. Some restaurants are more permanently equipped with a fixed kitchen, generously sized tables and comfortable chairs with backs, but curiously remain almost empty. Despite the fumes and noise from motorcycles zipping by, the locals’ preferred eating and drinking spots are still the sidewalk where food is cheap, space is flexible and people-watching is easy. The mask-wearing locals are certainly concerned about their polluted environment, however, coupled with inadequate public transport, Vietnam’s high motorcycle ownership in fact affords mobility and vibrant street life all over the city.

A woman delivers vegetables to eating houses early in the morning.

A woman delivers vegetables to eating houses early in the morning.

A mobile vendor comes around to sells snacks.

A mobile vendor comes around to sells snacks.

Sidewalks are promptly filled with informal workers providing services from shoe shine to motorcycle repairs.

Sidewalks are promptly filled with informal workers providing services from shoe shine to motorcycle repair.

A motorcycle-wash is set up on a quiet street.

A motorcycle-wash is set up on a quiet street.

'Fixed' vendors set up outdoor seating in the lane way. Lane ways are a typical feature of a tube house, and provide 1-2m wide access to a rear courtyard and houses.

‘Fixed’ vendors set up outdoor seating in the lane way. Lane ways are a typical feature of a tube house, and provide 1-2m wide access to rear courtyards and houses.

Eating houses provide plastic stools for eating and drinking outdoors.

Eating houses provide plastic stools for eating and drinking on the sidewalk.

Ground level activities in Hanoi’s Old Quarter are largely associated with its trading tradition. The city centre’s urban fabric is predominantly shaped by ‘tube houses’. The deep and narrow plot size is dictated by centuries-old tax law: the wider the street frontage, the more the property tax. The regulation has led to an urban fabric of 3-4 story mixed use apartments bordering the streets (some growing taller, despite recent height regulation enforcement), with wide open ground level shops, offices and eating houses. Living spaces on upper floors are connected by internal stairs, accommodating 2-3 generations of families. Even when the ground level is not used for a family business or rented out, its façade still opens wide onto the street, fitted with glass sliding doors and metal gates. It is used for motorbike parking, tea drinking, TV-watching, cooking and eating, and the doors are often left unlocked and open to welcome visitors, both planned and unplanned.

There is a strong sense of community here. Robbers, as daring as they may have been to enter the house, would have a hard time leaving unseen by neighbours or street vendors. Children often eat and play outside their houses, claiming the sidewalk as an extension of their play room. At different times of the day, children, mums, teens, grandparents, travelers, workers spontaneously gather in Hanoi’s small and big pockets of public spaces. As I start walking to my usual bus stop for work, I must be prepared to dodge flying shuttlecocks, weave through chatty crowds, and most importantly safeguard myself from accelerating motorcycles.

Tube houses are modified at the owner/residents' discretion.

Tube houses are modified at the owners/residents’ discretion.

Active street frontages of tube houses keep neighbourhoods safe and engaging.

Active street frontages of tube houses keep neighbourhoods safe and engaging.

A motorcyclist pauses to watch a good game of badminton in the city centre.

A motorcyclist pauses to watch a good game of badminton in the city centre.

School children spill out onto the few public spaces in the city after school. Badminton is very popular amongst the young and the old.

School children spill out onto the few public spaces in the city after school. Badminton is very popular amongst the young and the old.

Hoàn Kiếm Lake provides a much needed break for pedestrians in the city centre.

Hoàn Kiếm Lake provides a much needed break for pedestrians in the city centre.

A badminton court at Hoàn Kiếm Lake transforms into a dance floor on Saturday nights.

A badminton court at Hoàn Kiếm Lake transforms into a dance floor on Saturday nights.

Motorcyclists will drive on the sidewalk if that has a chance of saving time. A number of traffic lights are set up and several zebra crossings exist, but a typical driver will accelerate through intersections, park on the sidewalk and dismiss pedestrians. The city is occupied by an urban population of 6.5 million people with a rural mentality: individual desires are prioritised over long-term collective gain.

On the one hand, the motorcycle has empowered people to be more mobile, allowing mums to pick up their kids from school, students to get to school and traders to transport goods for sale. On the other, it has become the central dictating principle in Hanoi’s urban planning. A number of provinces and districts were merged into Hanoi’s metropolitan area a few years ago, tripling its land area. Many commute long distances daily using the most viable transport option: motorcycles are affordable, convenient, and fast. Cycling is unsafe and slow, while the only local public transport mode, the bus network, is disconnected, slow and overcrowded. Despite the cheap bus fare (about 25 cents per ride, regardless of distance) and reasonable frequency of buses, driving a motorcycle makes sense for most adults. “The newer the model the better of course,” my 20-something-year-old students in Hanoi said. “You look cooler if you have a cool motorcycle. A bicycle, not so much,” they added. With a new Bus Rapid Transit system and light rail underway, the city hopes to see a gradual decrease in the use of private motorised transport.

Trần Phú street is getting ready for a new elevated light rail.

Trần Phú street is getting ready for a new elevated light rail.

St. Joseph's Cathedral plaza mainly functions as a pick-up/drop-off area for motorcyclists and cabs.

St. Joseph’s Cathedral plaza mainly functions as a pick-up/drop-off area for motorcyclists and cabs.

Vietnam’s leaders seem to envision a new modern Hanoi without its poorer past. While informal sector workers are being driven out from parts of the Old Quarter, ambitious plans for New Towns and large-scale developments are on the rise. Singaporean, Japanese and Korean developers are responding to Hanoi’s demand for more private and exclusive neighbourhoods away from the city centre, best accessed by private cars. The new housing largely consists of quasi-European villas with backyards and parking space, and nondescript high rise apartments. Shopping is conveniently done at a nearby mall that offers everything from food to clothes. “You can safely assume the villa residents will have their own cars and maids. They may have another house in the city centre closer to work, and spend the weekend in the villa, away from the polluted, crowded city. Or sometimes, they just leave the villa vacant for years as an investment property. Either way, they want this European look,” said a local architect currently finishing a project at Vincom Village.

As the Vietnamese get richer and aspire to more spacious, car-oriented living, we will see less of the vibrant public life than that which currently keeps streets safe, active and engaging, and more of a monotonous, large and unoccupied cityscape. Perhaps today’s economic downturn is a golden opportunity to reconsider what modern Hanoi should look like. I would start by acknowledging the informal sector workers as part of the economy, and applying housing principles that are in line with 1,000 years of Hanoi’s vibrant history.

The first of 9 phases of Ecopark, a US$8.2 billion development, is now occupied. By 2020 the 500 ha of land will be complete with new gated villas, schools, hospitals, parks, gyms, shops and offices.

The first of 9 phases of Ecopark, a US$8.2 billion development, is now occupied. By 2020 the 500 ha of land will be complete with more gated villas, schools, hospitals, parks, gyms, shops and offices.

Read more on Julia Suh´s observations on dense Asian cities at her blog “Urbia


14 Dec 21:24

Los gobiernos europeos abandonan a su suerte a los refugiados sirios

by Iñigo Sáenz de Ugarte
Allan Patrick

"Los países occidentales no pierden la oportunidad de dejar claro qué es lo que se debe hacer para poner fin a esas guerras, pero pocas veces asumen la responsabilidad sobre las consecuencias de esas decisiones."

Por muchas diferencias que haya a la hora de analizar lo que ocurre en Siria, hay una idea que no se puede negar. Los países europeos se han desentendido por completo de la suerte de los refugiados sirios. Todas las declaraciones de los gobernantes de la UE sobre el drama de la guerra y la necesidad de poner fin al conflicto se convierten en una cháchara hipócrita al examinar la suerte de las personas desplazadas por el conflicto bélico.

No es una novedad. Países como Irán y Pakistán han podido tener un comportamiento discutible o rechazable en relación a las guerras de Afganistán, pero es indudable que desde los años 80 han albergado a millones de refugiados que han huido del país vecino. Los países occidentales no pierden la oportunidad de dejar claro qué es lo que se debe hacer para poner fin a esas guerras, pero pocas veces asumen la responsabilidad sobre las consecuencias de esas decisiones.

La situación de los refugiados sirios es ahora aún más dramática por el frío y el temporal de nieve que afecta a varios países de Oriente Medio en los últimos días. La foto de arriba es de una cola de refugiados para registrarse en localidad libanesa de Arsal, en el norte del país. Esta otra foto de otro pueblo de Líbano (al sur de Beirut) indica cómo están cayendo las temperaturas.

En Arsal, unos 200 hombres, mujeres y niños llegaron el miércoles después de atravesar en condiciones terribles las montañas que separan ambos países. De momento, el Gobierno libanés se niega a permitir campos permanentes de refugiados, como ya los hay en Jordania y Turquía.

Amnistía Internacional denuncia la conducta de los gobiernos europeos por haber acogido a sólo 12.000 sirios, sólo el 0,5% de los 2,3 millones de personas que han huido del país.

Sólo 10 Estados miembros de la UE han ofrecido plazas de reasentamiento o admisión por razones humanitarias a personas refugiadas procedentes de Siria. Estos son los datos de AI:

Alemania ha sido, con diferencia, el Estado más generoso al comprometerse a acoger 10.000 refugiados, es decir, el 80 por ciento del número total de refugiados que la UE se ha comprometido a acoger.

Excluyendo Alemania, los 27 Estados miembros de la UE restantes se han ofrecido a acoger solamente 2.340 refugiados de Siria.

Francia sólo ha ofrecido 500 plazas, es decir, el 0,02 por ciento del número total de personas que han huido de Siria.

España ha aceptado acoger sólo 30, el 0,001 por ciento de los refugiados de Siria.

Dieciocho Estados miembros de la UE –entre ellos Reino Unido e Italia– no han ofrecido una sola plaza.

Aquí falta una referencia a Suecia, donde el Gobierno ha adoptado una actitud diferente, aunque está por ver cuántos sirios tendrán asilo allí. Es difícil que los refugiados lleguen directamente a Suecia, y si han pasado por otros países de la UE, las normas de la Unión podrían ser suficientes para impedirles permanecer en el país.

En términos de dinero, los países europeos prefieren gastarlo en reforzar sus fronteras. Cuestión de prioridades.

14 Dec 09:27

Alimentação saudável pra crianças: as dicas de Ingrid

by papacapim
Vez ou outra uma mãe me escreve pedindo dicas de como fazer os filhos comerem melhor e/ou aceitarem mais vegetais na alimentação. Como não tenho filhos e tive poucas oportunidades de cozinhar pra crianças, fico sem saber o que responder. Claro que tenho algumas ideias, que podem se resumir em duas frases. 1- Crianças aprendem [...]
13 Dec 09:19

Israel y la Suráfrica del apartheid: la historia de una larga amistad

by Iñigo Sáenz de Ugarte

Netanyahu no fue al funeral de Nelson Mandela porque hubiera necesitado “centenares” de personas dedicadas de forma exclusiva a su seguridad. Este cálculo del viceministro de Defensa resulta un tanto exagerado, pero no hay que olvidar otro hecho: ¿cómo iba a ser recibido el jefe de Gobierno de un país que fue durante años uno de los mejores socios internacionales del odiado régimen del apartheid?

A lo largo de los años 60, ya con Mandela en prisión, la situación de Suráfrica no estuvo en primera línea de la atención internacional. Fue a partir de los 70 cuando la presión comenzó a aumentar, a lo que contribuyó la decisión de crear los bantustanes, pequeños estados dependientes económicamente de Pretoria y en los que supuestamente los negros disfrutarían de sus derechos. La burla resultó demasiado obvia, y por otro lado contribuyó a dejar patente la política racista del Gobierno.

Fue entonces cuando la ayuda israelí comenzó a ser especialmente valiosa para los africáners. El ministro de Información, Connie Mulder, viajó a Israel para explicar a sus anfitriones las ventajas propagandísticas de la creación de bantustanes. “Si nuestra política se lleva hasta sus últimas consecuencias, no quedará ningún negro con la ciudadanía de Suráfrica. Nuestro Parlamento no tendrá ya ninguna obligación moral de incluir políticamente a esta gente”.

En los años 50 y 60, Israel se mostró crítico con el apartheid, pero a partir de la guerra de 1973 la mayoría de los gobiernos africanos rompieron relaciones. Suráfrica parecía ser una alternativa muy atractiva por razones económicas, políticas y militares. Esas ideas sobre los bantustantes incluso podían resultar provechosas en relación al problema palestino. De hecho, Ariel Sharon se mostró años después en conversaciones con periodistas o políticos muy interesado en ponerla en práctica. Así se lo confió al exprimer ministro italiano Massimo D’Alema.

En un folleto publicado por el Ministerio israelí de Turismo, cuando estaba dirigido por un dirigente del partido ultra Moledet, que decía inspirarse en las ideas de Sharon, se plasmaron estas intenciones. “El mapa de Sharon es sorprendentemente similar al plan de los protectorados de Suráfrica en los años 60. Incluso el número de cantones es el mismo, 10 en Cisjordania (y uno más en Gaza)”, escribió Akiva Eldar en Haaretz hace diez años.

Empresarios de Israel y Taiwan fueron los únicos que entablaron relaciones comerciales con los bantustanes. El mayor de ellos, Bophutatswana, recibió permiso para abrir una oficina de representación en Tel Aviv.

En los años 70, fue Shimon Peres el artífice de los contactos con Suráfrica. Tratándose de Peres, el interés sólo podía ser militar. En noviembre de 1974, Peres viajó en secreto a Pretoria. En público, expresaba críticas al racismo institucionalizado de ese país. En privado, convirtió en estratégica la relación entre los ministerios de Defensa de ambos estados. A su regreso del viaje, escribió a las autoridades surafricanas: “Esta cooperación no se basa sólo en los intereses comunes o en la determinación de resistir ante nuestros enemigos, sino también en la base inmutable del odio que sentimos por la injusticia y nuestra negativa a aceptarla”, como aparece reflejado en el libro ‘The Unspoken Alliance: Israel’s Secret Relationship with Apartheid South Africa’, de Sasha Polakow-Suransky.

En qué estaría pensando Peres cuando citó “el odio” a la injusticia de un Gobierno que se basaba en la idea de que los negros eran seres inferiores.

No era sólo una relación forzada por las circunstancias o por factores coyunturales. Peres les decía a sus nuevos amigos que esperaba que ambos obtuvieran frutos a largo plazo, y eso fue lo que ocurrió.

Al año siguiente, el viaje secreto fue a Suiza, donde se reunió con el ministro de Defensa P.W. Botha (que luego sería primer ministro) para sentar las bases de la cooperación militar. A partir de entonces, los altos cargos de Defensa y de la industria militar de los dos países se reunirían dos veces al año, y los jefes de los servicios de inteligencia, una vez.

Suráfrica informaba en esos contactos a Israel sobre “organizaciones terroristas palestinas y su relación con organizaciones terroristas del sur de África”. Los gobiernos israelíes estaban sobre todo interesados en vender armas a Pretoria, relación que además siempre sería muy discreta.

En marzo de 1975, Israel ofreció a Suráfrica la venta de misiles Jericó, capaces de llevar cabezas nucleares. El jefe de la Fuerzas Armadas apoyó la compra de los misiles a pesar de su alto precio. Si al final pudieran llevar esas cabezas, supondrían un elemento clave de disuasión frente a rusos y chinos por si estos quisieran intervenir con más decisión en los asuntos africanos, según un informe del alto cargo militar.

Unos días después, Peres y Botha firmaron un acuerdo de defensa y seguridad que establecía que su existencia debería mantenerse en secreto. Era un pacto sin fecha de caducidad que impedía que alguno de sus firmantes pudiera renunciar a él de forma unilateral.

En junio, los mismos protagonistas volvieron a reunirse y el tema era la carga explosiva de los Jericó. Estaba claro que si los surafricanos estaban interesados en comprarlos era porque daban por hecho que estarían dotados con cabezas nucleares. Botha mostró su interés si llevaban “la carga adecuada”. En el acta de la reunión, Peres aparece diciendo que “la carga adecuada está disponible en tres tamaños diferentes”.

Finalmente, la venta no se produjo. El precio era demasiado elevado. Por otro lado, la planificación para el posible uso por Suráfrica de armas nucleares no estaba muy avanzada entonces. Pero eso no impidió otros acuerdos de cooperación en el tema nuclear. Diez años después, ambos países trabajaron en la puesta en práctica de una zona de pruebas nucleares en el Índico.

El regreso de los laboristas al poder en 1975 en Londres redujo el círculo de amistades para Pretoria, que dependía cada vez más de Israel en sus compras militares en el exterior.

Esa relación secreta se hizo más pública con la visita del primer ministro surafricano John Vorster a Israel en abril de 1976. Por rentables que fueran esos contactos, parecía difícil creer que alguien como Vorster fuera invitado a viajar a Israel. En 1939, este político, uno de los más importantes en la historia del régimen, se opuso públicamente a la participación en la guerra del lado de los aliados y formó parte de una organización pronazi y antibritánica de la que llegó a ser general de su brazo paramilitar. Por esa razón pasó dos años en prisión durante la guerra.

El recibimiento oficial fue caluroso, también en los medios de comunicación, y las protestas, escasas. “Las relaciones entre Israel y Suráfrica nunca han sido mejores”, dijo el antiguo nazi. En su país, la prensa definió el viaje como uno de los mayores éxitos diplomáticos de Vorster en sus diez años en el poder.

El primer ministro Rabin elogió en la visita los objetivos comunes de ambos gobiernos: “Justicia y coexistencia pacífica”. Se podría haber descrito de otra manera: Israel recibe cuantiosos fondos surafricanos y contratos para su industria militar. Suráfrica, material militar de primera calidad y asesoramiento. Y materia prima relevante para la propaganda del régimen: los herederos del pueblo perseguido por los nazis daban su aprobación moral a un régimen racista al que muchos comparaban con los nazis.

Adelantándose a la retórica que ya conocemos en esta última década, Vorster dijo que Israel y Suráfrica se enfrentaban a los enemigos de la civilización occidental. Claro que para Vorster civilización occidental significaba civilización blanca, y eso suponía en Suráfrica negar derechos políticos y sociales a la mayoría negra del país.

En público, los objetivos de la visita se centraron en aspectos comerciales, no militares. Sin embargo, ya el año anterior el acuerdo firmado incluía la compra de material por valor de 100 millones de dólares. Según el almirante Binyamin Telem, jefe de la Armada israelí durante la guerra del Yom Kippur, la visita de Vorster permitió ampliar esa cantidad hasta 700 millones.

“Nosotros creamos la industria de armamento surafricana”, dijo después el embajador israelí en Pretoria Alon Liel. “Nos ayudaron a desarrollar todo tipo de tecnología porque tenían mucho dinero. Cuando desarrollábamos proyectos conjuntos, nosotros aportábamos la tecnología y ellos, el dinero. Después de 1976, hubo una historia de amor entre los servicios de seguridad y ejércitos de ambos países”. 

Todos estos acuerdos militares debían mantenerse en secreto. Muchos miembros de la comunidad judía surafricana no sentían ninguna simpatía por el racismo institucionalizado. Ocurría algo parecido en EEUU. Por eso, era necesario disimular, y otros se ocuparon de la venta en los mercados más complicados. En un artículo en el NYT, Moshe Decter, de la organización American Jewish Congress, se apresuró a reaccionar: “la pequeña venta de armas” no era nada comparado con lo que Suráfrica compraba a Francia, Gran Bretaña y otros países. Negarlo era un ejemplo de “claro cinismo, evidente hipocresía y prejuicios antisemitas”.

El Ministerio israelí de Defensa no tenía tales prejuicios. Envió en 1976 al coronel Amos Baram a Pretoria para que asesorara directamente al alto mando militar surafricano. No sólo sobre amenazas exteriores. “Si sabes defenderte contra el enemigo fuera de tus fronteras, sabrás cómo ocuparte de él dentro de tus fronteras”, dijo después Baram. La amenaza que sufría el régimen del apartheid tenía un obvio componente interno (la mayoría negra), y el coronel israelí tenía ideas que compartir al respecto.

A diferencia de Telem, al que le indignó que los empleados negros de la embajada israelí cobraran diez veces menos que los locales que trabajaban para la legación alemana y que consiguió que el Ministerio acabara con esta discriminación, a Baram el apartheid no le causaba conflictos morales. Nunca hizo un comentario en público contra el sistema: “¿Por qué debería haberlo hecho? Yo les estaba aconsejando precisamente para que pudieran defenderlo”.

Los surafricanos también tenían la oportunidad de aprender de otras maneras. El jefe del Ejército, Constand Viljoen, visitó los territorios ocupados palestinos en 1977 y se quedó maravillado por los controles militares israelíes. Le dejó boquiabierto lo concienzudos que eran: “A los árabes les cuesta atravesarlos como poco hora y media. Cuando el tráfico es muy alto, necesitan entre cuatro y cinco horas”.

Observar cómo los israelíes controlaban a los palestinos resultaba muy instructivo para los surafricanos, que aplicaban estas enseñanzas en su propio país.

En noviembre de 1977, la ONU aprobó un embargo (de obligado cumplimiento a diferencia del embargo anterior de carácter voluntario) en la venta de armas al régimen racista. De más está decir que no afectó en absoluto a la exportación de armamento israelí. Ya con Begin al frente del Gobierno en Jerusalén, ese apoyo incluso se acentuó.

Sólo a mediados de los 80, cuando el aislamiento de Suráfrica era generalizado, los gobernantes israelíes aceptaron tener que abandonar su relación especial con el régimen de Pretoria. Los altos cargos militares y de inteligencia lo consideraron un gran error.

Ronnie Kasrils fue uno de los judíos surafricanos que se opuso con decisión al apartheid, cuando los miembros más destacados de su comunidad homenajeaban por ejemplo a otro judío, Percy Yutar, el fiscal del juicio que condenó a Mandela a cadena perpetua. Yutar terminó siendo presidente de la sinagoga ortodoxa de Johanesburgo.

Kasrils visitó los territorios palestinos en 2004. No se puede decir que lo que vio le recordara lo que había ocurrido en su país. Había importantes diferencias: “Esto es mucho peor que el apartheid. Las medidas israelíes, la brutalidad, hacían que el apartheid pareciera un picnic. Nunca atacamos con aviones de guerra las ciudades. Nunca tuvimos poblaciones sitiadas durante meses y meses. Nunca hicimos que los tanques destruyeran casas. Teníamos vehículos blindados y a la policía que usaba armas ligeras para disparar a la gente, pero no a esta escala”.

Foto: Vorster visita el Muro de las Lamentaciones en Jerusalén en 1976.

Brothers in arms. Israel’s secret pact with Pretoria. The Guardian.

Mandela, el revolucionario que no renunció a la violencia. Guerra Eterna.

¿Qué fue de la reconciliación económica en la Suráfrica de Mandela? Guerra Eterna.

11 Dec 01:47

Pressão externa leva TRE a mudar rumo e cumprir obrigações

by Carlos Santos

O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) parece disposto a viver um novo tempo. A péssima repercussão do seu comportamento mandrião e de nítida dificuldade para cumprir obrigações básicas, como julgar um processo, acuou a corte.

Amílcar cobra celeridade... ...Rebouças: experiência oportuna

A ordem é julgar, julgar com celeridade. Julgar logo, rapidamente, o que tem amontoado há meses em seus escaninhos.

A rapidez de julgamento virou regra e não letra morta em seu rol de deveres, desde a semana passada, quando finalmente conseguiu votar em plenário um dos recursos das dez cassações em primeiro grau, da prefeita e vice de Mossoró, Cláudia Regina (DEM) e Wellington Filho (PMDB).

A mudança tem uma razão de ser, baseada em uma série de fatores. A maioria é desconhecida da sociedade e praticamente não chegou à superfície dos acontecimentos.

O Blog mergulha nesse labirinto, para trazer à tona alguns fatos que esclarecem esse enredo cheio de situações surpreendentes.

Zombaria

O TRE foi levado à zombaria como colegiado judicial eleitoral, alvo de críticas e acusações pesadas que até hoje estão sem respostas. A corte não se defendeu; ninguém lhe prestou ombro solidário.

O pároco da Igreja de Santa Cruz-RN, padre Vicente Neto, por exemplo, classificou o TRE como um “grande banco de negócios” (veja AQUI). O pároco da Igreja de Fátima em Mossoró, padre Talvacy Chaves, reforçou o bombardeio (AQUI).

Ninguém os contestou, nenhuma nota da instituição rebateu as catilinária e não apareceu sequer uma linha de desagravo aos judicantes.

Pressão sufocante para que os sete integrantes e eventuais suplentes do TRE não conseguissem suportar. Tudo agravado, com a dimensão que as dez cassações de Cláudia e Wellington passaram a ter na Grande Imprensa.

O primeiro sinalizador público de que a corte se sentia pressionada foi dada pelo desembargador e seu ex-presidente, João Batista Rebouças, na sessão do último dia 3.

“Queria fazer um apelo para que esses processos sejam julgados com celeridade porque temos os prazos para prefeitos eleitos e essa demorando pode ter repercussão no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e no CNJ (Conselho Nacional de Justiça)”, ponderou João Batista.

Repercussão

Na verdade, o desembargador não se pronunciava sem base. Além da experiência, ele tinha o conhecimento do que ocorria nos intramuros da Justiça Eleitoral e que já era publicizado pela mídia.

Um dia antes do pronunciamento de Rebouças, a Folha de São Paulo escancarava as dez cassações de Mossoró, um recorde nacional – quiçá mundial. Um fenômeno (veja AQUI).

Este Blog também noticiava que no início de novembro, que o CNJ recebera dossiê (veja AQUI) relatando o que seriam supostos deslizes de alguns integrantes do TRE, bem como relações perigosas/compadrios que poderiam estar influindo em seu comportamento.

Na quarta-feira (27) de novembro, o corregedor do TSE – ministro Dias Toffoli – foi cientificado pessoalmente quanto à nítida chicana (uso de artifícios processuais para atraso em julgamentos) que estariam acontecendo no TRE potiguar. Ao interlocutor, ele não fez rodeios verbais: estava ciente de algumas informações.

No mesmo dia, foi a vez do corregedor do CNJ, Francisco Falcão, ser informado da necessidade de se agir com contundência, sob pena da completa desmoralização do Judiciário Eleitoral no Rio Grande do Norte.

Falcão: CNJ cientificado e atento

Nos bastidores do TRE corre a informação, de fontes credenciadas, de que num telefonema ao presidente do TRE-RN, Amílcar Maia, Falcão teria recomendado agilidade nos julgamentos. Um sinal de que, em contrário, o CNJ agiria de forma administrativa.

A pressão tinha razão de ser. Não era por acaso.

O julgador Carlo Virgílio, por exemplo, chegou a “dormir” sobre processos postergando decisões do plenário. Em um dos recursos, seu voto vista durou quase um mês.

Numa mesma sessão, ele freou duas votações em andamento. Pediu vista num julgamento e adiou seu voto em outro. Emperrou tudo.

Há pouco mais de uma semana, Virgílio chegou a ponto de justificar o atraso com a desculpa bizarra de que precisaria sair para “pegar um exame” de saúde, de irmã que está passando por enfermidade. Minutos depois, escafedeu-se do plenário, deixando o presidente Amílcar atordoado, procurando-o ao microfone: “Cadê o doutor Carlo Virgílio…!??”

Estratégia

No dia 28 de novembro, advogados de Cláudia Regina e Wellington tentaram frear julgamento (que consideravam perdido, marcado para o dia seguinte, dia 29), alegando que a corte teria em plenário três juízes substitutos. “Essa composição feriria o postulado do juiz natural”, ou seja, os julgadores não teriam legitimidade para se pronunciarem.

A estratégia foi derrubada em despacho do relator do processo em pauta, juiz federal Eduardo Guimarães.

Guimarães lembrou, para justificar a recusa do ardiloso requerimento, que o Regimento Interno do TRE assinala que “os substitutos dos juízes do Tribunal serão escolhidos p elo mesmo processo de escolha dos respectivos titulares, em número igual para cada categoria, e terão os mesmos direitos, garantias, prerrogativas, deveres e impedimentos, quando no desempenho da função de Juízes titulares”.

Mas na sessão da tarde seguinte (dia 29), a saída “estranha” de Carlo Virgílio terminou determinando a falta de quórum e o processo foi mais uma vez empurrado para adiante, sem pronunciamento do plenário.

Acompanhe mais novidades em nosso Twitter clicando AQUI.

Os bastidores do TRE ferveram. A partir daí ficou impossível frear desdobramentos incontroláveis.

No último dia 5, quinta-feira, o processo em que Guimarães já dera seu voto pela cassação de prefeito e vice de Mossoró, terminou sendo julgado. O recurso da parte ré foi derrubado por 3 votos a um. O único favorável aos dois foi justamente de Carlo Virgílio.

Além de mantida a cassação, sanção pecuniária e inelegibilidade por oito anos, Cláudia e Wellington foram afastados da prefeitura.

Carlo Virgílio: saída e falta de quórum

Antes de terminar a sessão, o presidente da corte – Amílcar Maia – tirou carta de seguro e usou de plena autoridade. Passou um batido, elegante, seguindo a lógica que os acontecimentos recentes apontavam como mais sensata.

“Todos os votos, inclusive o da divergência (de Carlo Virgílio), foram excelentes. Mas espero que essa demora não se repita mais”, avisou o presidente.

Esta semana, a pauta do TRE está cheia. Só de Mossoró existem cinco processos na fila para julgamento, a partir de hoje, até quinta-feira (12).

Difícil se apostar que a corte venha, novamente, a claudicar em seu papel basilar de segunda instância, julgando com imparcialidade e agilidade.

Qualquer estudante de direito sabe que, Justiça morosa, não é Justiça. Não julgar é uma forma de injustiça.

* Leia AQUI o artigo “As cabeças cortadas e a fuga do Direito no TRE-RN“, para melhor entender todos esses delicados acontecimentos. Foi postada no dia 30 de novembro, logo após a inusitada sessão do TRE em que faltou quórum, narrada mais acima, nessa postagem.

11 Dec 01:44

A aprovação da Lei da Maconha, no Uruguai, pode ser o começo do fim da guerra às drogas

by Luiz Fernando Tofoli

uruguai maconha

Hoje é um dia que será ser lembrado, no futuro, pelos historiadores. É a data em que o Uruguai de Pepe Mujica poderá se tornar o primeiro país, desde o início da proibição mundial do comércio das plantas psicoativas do gênero cannabis, há oito décadas, a legalizar completamente o ciclo da produção, venda e consumo da maconha para uso recreativo.

Para alguns, esse dia será recordado como uma iniciativa fracassada que irá causar impacto negativo na saúde mental e na criminalidade. Essas pessoas tendem a acreditar que os problemas relacionados ao uso de drogas serão resolvidos exclusivamente com a polícia e as ações de repressão, temerosos do que as drogas são capazes de fazer com a sociedade. Esse medo gera o tabu de que a questão não possa nem ao menos ser discutida e, na eventualidade de que surjam pessoas que proponham alternativas ao atual modelo criminalizante, elas são olhadas com desconfiança, tendo seus pensamentos interpretados como simples apologia.

Entre os que se lançaram à corajosa iniciativa de transformar o modelo pautado na chamada ‘Guerra às Drogas’ estão o presidente uruguaio José Mujica e o sociólogo Julio Calzada, secretário-geral da Junta Nacional de Drogas do Uruguai.

Calzada tem sido o responsável pelo processo de regulamentação do mercado da maconha no Uruguai. Regulamentação? Mas o que vai acontecer no Uruguai não é justamente a “liberação” da maconha? Não.

A proposta uruguaia é de regulamentar por meio da legalização e do controle estatal, um mercado cujos grandes mecanismos organizadores são as decisões de traficantes e a corrupção policial. É mais ou menos o que ocorre com o tabaco e o álcool.

Calzada é uma das pessoas que compartilham do pensamento de que as penalidades contra a posse de uma droga não podem ser mais danosas para o indivíduo e a sociedade – incluindo aí os que não usam drogas – do que o próprio uso da substância. Em uma recente visita a Brasília, ele afirmou que não defende que a maconha seja inofensiva, mas afirma que o processo de legalização do consumo e a regulamentação da comercialização permitirão que se controle um mercado que hoje está nas mãos de criminosos. Os gestores uruguaios esperam regulamentar toda a cadeia produtiva, com controle de qualidade, fornecimento e acesso ao produto.

Espera-se que este processo seja permeado de educação e informação e que a estrutura de atenção aos usuários de drogas do Uruguai seja ampliada e qualificada. No Brasil, conseguiu-se reduzir drasticamente os problemas relacionados ao consumo do tabaco com política semelhante. Todavia, houve investimento maciço em informação e campanhas educativas. Isso remete ao que disse, em uma recente entrevista, o psiquiatra e epidemiologista britânico Robin Murray sobre o controle dos riscos médicos associados à maconha: “A educação é mais importante do que a lei”.

As previsões de cunho apocalíptico – entre elas, a invasão de maconha uruguaia no sul do Brasil, uma epidemia de esquizofrenia e a degradação geral da sociedade uruguaia – são oriundas do oportunismo político e sensacionalista. Esse medo é criado pelo bombardeio de noticiários repetindo que a violência gerada pelo combate às drogas é justificável a todo custo, ainda que agrave o encarceramento em massa de pessoas, a concentração do poder econômico nas mãos dos traficantes, e, o que é mais relevante, sem conseguir diminuir os problemas associados ao uso de drogas.

A saída da maconha —  a droga ilegal mais usada no mundo, cujo uso pessoal já foi descriminalizado no Uruguai há muitos anos – do ciclo do tráfico nos convida à esperança de que o 10 de dezembro de 2012 possa ser lembrado na história como o dia em que a Guerra às Drogas começou a terminar.

09 Dec 19:52

Clinton critica espionagem dos EUA à Petrobras: “Não justifica”

by Conceição Lemes

Clinton: Segurança não justifica espionagem econômica

Para ex-presidente dos EUA, Brasil deveria ter assento permanente no Conselho

PEDRO DORIA  e LUCIANA RODRIGUES, em O Globo 

RIO – Em visita ao Rio de Janeiro para o primeiro encontro da fundação Clinton Global Initiative (CGI) na América Latina, o ex-presidente americano Bill Clinton critica, em entrevista exclusiva ao GLOBO, o rastreamento das comunicações da Petrobras: ‘Não deveríamos levantar informação econômica sob o pretexto de segurança’.

Esta é a primeira edição da CGI na América Latina. O senhor escolheu o Brasil e o Rio. Por quê?

Eu já queria vir à América Latina faz algum tempo. Mas, quando Hillary foi convidada a assumir a Secretaria de Estado, me pediram para não fazer estes eventos. São muitos os patrocinadores. Não queríamos dar a impressão de que alguma grande empresa poderia influenciar a política externa americana. Só aqui são mais de uma dúzia de patrocinadores latino-americanos e oito americanos.

Simplesmente esperamos alguém manifestar algum tipo de interesse e o prefeito do Rio, Eduardo Paes, se mostrou o mais empolgado. Ninguém parecia estar tão interessado quanto ele, então viemos para cá. Também achei importante vir ao Brasil por conta do progresso que houve no país. Veja, por exemplo, a questão das manifestações. Nos últimos anos, 70 milhões de pessoas deixaram a extrema pobreza na América Latina. Destes, 50 milhões chegaram à classe média. E pouco mais de metade destes 70 milhões são brasileiros. Claro, ainda há muitos desafios mas, aqui no Brasil, sinto uma predisposição a trabalhar em cooperação.

Há dois anos, fui convidado a uma reunião dos produtores de etanol brasileiros. Disse que viria com prazer mas perguntei por que me queriam. Porque, eles me responderam, sentem contribuir indiretamente para as mudanças climáticas. Poucos países usam tanto etanol de cana, em oposição à gasolina, quanto o Brasil. É o biocombustível mais limpo que existe. Mas quanto mais plantam cana, mais empurram as plantações de soja e a pecuária na direção da floresta, que vai sendo desmatada.

Um tempo depois, participei de uma conferência de sustentabilidade em Manaus. Estavam todos lá: governo, ONGs, grandes empresas, agropecuaristas, índios, e eles estavam espalhados pela sala, misturados. Conversavam. Reconheciam que tinham um problema complexo por resolver e que, sem cooperação, nada sairá. A economia brasileira cresce e, no continente, os únicos locais que tiveram grande queda na desigualdade de renda foram Brasil e México. As manifestações são um resultado natural deste processo recente.

Conforme as pessoas começam a deixar a pobreza, ela vão querer mais. Querem governos transparentes, querem o fim da corrupção, querem oportunidades de melhorar a própria vida. É saudável. Veja a diferença entre o Brasil e a Síria. Perante outros países do Oriente Médio, a Síria era um lugar mais secular, com mais espaço para mulheres. Evidentemente que, para nós americanos, o fato de que tinham uma aliança com o Irã e com o Hezbolá, que permitiam o fluxo de armas para o Líbano, nos incomodava. Mas, para a população síria, não era um país particularmente ruim. Havia espaços. E o povo foi às ruas pedindo mais liberdade, mais oportunidades, justamente porque havia este espaço.

O que ocorreu lá e o que ocorreu aqui? O presidente Bashar al-Assad enviou o exército e, de repente, tinha uma guerra civil com a qual lidar. A presidente Dilma Rousseff, por sua vez, disse ‘vocês têm razão, vamos tentar descobrir como resolver os problemas’. É por isso que estamos no Brasil. Falo como alguém de fora que acompanha a situação. Tanto as manifestações quanto a maneira como o governo respondeu a elas são, a longo prazo, indícios positivos.

O Brasil fez grandes progressos a respeito da distribuição de renda, mas educação ainda é um problema. Os EUA viveram problemas semelhantes, porém houve uma grande transformação nas décadas de 1950 e 60. Há lições para nós na experiência americana?

Vocês podem aprender com nossos sucessos mas também com o que fizemos errado. Após a Segunda Guerra Mundial, tivemos muita sorte. A Europa e o Japão estavam dizimados e nós éramos a potência industrial que crescia. Aprovamos a GI Bill, uma lei que garantia a todo soldado que retornava o direito de cursar a universidade. Era muita gente com ensino superior, o que melhorou a qualidade do trabalhador médio, o que fez crescer ainda mais a economia. Depois de um tempo, porém, começou a desandar. O custo do ensino universitário está aumentando mais rápido do que a inflação. Durante meu governo, aprovei o maior investimento em bolsas de estudo desde a GI Bill. Mas isso foi embora após cinco anos, por conta do aumento de custos do ensino e da inflação.

O presidente Barack Obama fez um novo programa. A inflação comeu novamente os incentivos. O resultado é que caímos de primeiro para décimo segundo no mundo em percentual de jovens com ensino universitário. Agora estamos buscando soluções com tecnologia e incentivos às universidades para que acolham mais alunos de baixa renda.

Os governos Lula e Rousseff tentam fazer algo que nós jamais tentamos: dar às universidades particulares incentivos fiscais proporcionais ao número de alunos de baixa-renda. Isso funciona porque, por um lado, aumenta o número de matrículas e, por outro, não incentiva o aumento das mensalidades. Acho que vocês precisam de um misto das políticas que já têm e das nossas políticas de distribuição de bolsas para pobres e classe média. É preciso também uma política para pessoas na casa dos 30 e 40 anos voltarem à escola, pois estes ainda têm uma longa vida profissional pela frente.

A tecnologia de informação é muito importante para o crescimento econômico. E a conectividade tem aumentado não só no Brasil como na região. Há, então, uma troca por menos privacidade? Governos e grandes empresas têm acesso cada vez maior a informações pessoais.

Nos EUA, muitos se preocupam com o sigilo de endereços e identidade que podem ser usados em campanhas de marketing. Ainda assim, o benefício do acesso à tecnologia é extraordinário, sobretudo para os mais pobres. Um estudo mostrou que, na África, para cada incremento de 10% na penetração de celulares nos países mais pobres, o PIB aumenta em 0,6%. Quando o tsunami atingiu a Ásia e muitos pescadores perderam tudo, eu trabalhava para a ONU (como enviado especial das Nações Unidas para os países afetados pelo tsunami). Prometemos que todos voltariam a trabalhar no mar. Além de darmos a eles um barco, demos também um celular. Em média, o rendimento destas pessoas cresceu 30%. Pela primeira vez ninguém poderia enganá-los a respeito do preço dos peixes.

Todos os países terão de trabalhar em seus protocolos de privacidade. Nos EUA, o governo tem a permissão de monitorar toda ligação e toda troca de e-mail desde que seja em busca de padrões. O conteúdo só é violado se percebemos que aquela pessoa tem conexões regulares com suspeitos de terrorismo. Ainda assim, nestes casos tem de ir ao tribunal pedir aprovação para ouvir ou ler a conversa. O problema é que alguém bom em computadores pode quebrar os códigos, qualquer código. Edward Snowden fez isso. Alguns países europeus têm a mesma política, porém gastam mais dinheiro para proteger a informação. É mais difícil para o governo violar a privacidade dos cidadãos. No caso do Brasil, o incômodo maior foi com o acompanhamento das conversas telefônicas da presidente Rousseff.

E também da Petrobras.

Sim, há o caso da Petrobras. Em primeiro lugar, não deveríamos levantar informação econômica sob o pretexto de segurança. Não com um aliado. Isso só deveria ocorrer quando há um acordo de transparência, que é outra coisa. E, nestes casos, falamos abertamente um para o outro o que ocorre. Mas vamos à questão da segurança. Precisamos ter uma conversa clara, séria e aberta sobre isso, explicando por que a Big Data pode evitar um ataque terrorista.

Eu tenho informação concreta de que salvamos vidas rastreando padrões de conversas por telefone e por e-mail. Muita gente em muitos países deseja que isso ocorra. O tema gerou controvérsia, mas muitos governos desejam que seus serviços de inteligência usem Big Data. Agora que o assunto veio à tona, o que devemos fazer é explicar às pessoas o que é a capacidade de rastreamento de informações, dizer qual é a política. Elas precisam ao menos saber, mesmo que não concordem. O problema é a falta de transparência e a falta de garantia de que usamos todos os meios tecnológicos disponíveis para proteger a privacidade. Há muito mais que pode ser feito.

Ontem, a OMC fechou seu primeiro acordo em quase 20 anos de existência da organização. É o suficiente?

Soube hoje (domingo) de manhã que foi fechado o acordo, ainda não conheço os detalhes. É importante construir redes de comércio e investimento e fazer isso de maneira que ajude a todos. Há muitos que acreditam que a globalização só ajuda os ricos. Em alguns lugares, só eles mesmo foram beneficiados. Mas veja a China. Nos últimos 35 anos, desde a abertura em 1978, 500 milhões de pessoas deixaram a extrema pobreza. Nada parecido com isso aconteceu na História.

Agora estamos entrando numa era em que não podemos ter sistemas de comércio ou financeiro a nível global se não houver algum pacto para preservar o meio-ambiente, proteger a igualdade social e dar oportunidades aos pobres de fazerem parte da classe média. Estamos em um novo estágio, com o aquecimento global, a grande desigualdade de renda e com a crise de falta de empregos, sobretudo para jovens.

Um dos motivos de a Primavera Árabe ter eclodido no Cairo é que eles deram acesso ao ensino universitário para os jovens. O sistema universitário do país forma 400 mil jovens por ano. Mas a economia não consegue gerar 400 mil vagas para graduados. Fizemos a globalização financeira e agora tentamos fazer a globalização comercial. Mas precisamos ter um pacto em questões sociais e de mudanças climáticas para permitir um crescimento sustentado, balanceado e justo.

O senhor mencionou, quando estava no governo, que era favorável a um assento permanente para o Brasil no Conselho de Segurança da ONU.

Ainda acho isso. Sempre achei. Tanto Brasil quanto Índia. Os atuais membros permanentes vão resistir, mas a pressão irá aumentar para que países do G-20 tenham seu lugar. E a mudança mínima necessária é um lugar permanente para a América Latina e outro para a Ásia não chinesa. São Brasil e Índia. Se você pensa em como evolui o PIB global, se pensa como está distribuída a população ou mesmo como as decisões vêm sendo tomadas, fica muito difícil justificar a atual formação do Conselho. Veja, o século XXI será dominado por redes. A questão é se serão redes positivas ou negativas.

A al-Qaeda e suas afiliadas são um exemplo negativo. Funcionam como uma franquia. Redes permitem que organizações tenham menos níveis hierárquicos. Há um conflito, hoje, entre aqueles que desejam concentrar o poder e aqueles que aceitam dividi-lo. Se queremos uma cultura democrática, livre, aberta e diversificada, isso exigirá que tenhamos um processo decisório compartilhado. Se queremos compartilhar a responsabilidade pelo futuro, se desejamos construir uma comunidade, tudo o que Nelson Mandela representava, não há outro caminho. Expandir o Conselho de Segurança é, tanto do ponto de vista simbólico quanto do prático, importante. É claro que o México e o Japão ficarão incomodados. Mas temos de fazer. É inconcebível que fiquemos mais cem anos com a ONU organizada como está, com apenas cinco países com poder de veto. Ou teremos de expandir o Conselho ou precisaremos diminuir o poder de veto.

 Leia também:

Thomas Drake: Nos EUA, espionagem sustenta “tirania suave”

O post Clinton critica espionagem dos EUA à Petrobras: “Não justifica” apareceu primeiro em Viomundo - O que você não vê na mídia.

08 Dec 13:00

A vingança de Tuma Jr, o amigo do chefe da máfia chinesa de São Paulo

by Paulo Nogueira
Tuma Jr

Tuma Jr

Para quem quer entender como funciona a mídia.

Li Kwong Kwen foi preso, em 2010. A Polícia Federal apurou que ele, conhecido como Paulo Li, era chefe de uma máfia chinesa que promovia contrabando de celulares falsificados procedentes da China. A quadrilha também intermediava vistos de permanência no Brasil para imigrantes chineses em situação irregular.

Gravações mostraram conversas comprometedoras de Li com o então secretário nacional da Justiça, Romeu Tuma Jr. Nas conversas, Tuma Jr chegou a fazer encomendas a Li.

Era uma relação tão próxima que, quando foi preso, Li telefonou para Tuma Jr na frente dos agentes da Polícia Federal.

Coisas do Brasil da governabilidade: Tuma Jr chegou à Secretaria Nacional de Justiça numa negociação para que o partido de seu pai, Romeu Tuma, aderisse à base aliada do governo Lula.

Para encurtar, Tuma Jr acabaria demitido.

Três anos depois, ele aparece com um livro no qual, segundo a Veja, existem revelações “estarrecedoras”. Repare: não são “acusações”. São “revelações”. O livro é assinado pelo jornalista Claudio Tognolli, parceiro de Lobão na biografia 50 Anos a Mil.

Lobão, no Twitter, vem promovendo intensamente o livro do parceiro. Tognolli, também no Twitter, parece eufórico: “Está para sair minha biografia de Romeu Tuma: o país vai ficar de joelhos.” Sobre Tognolli nada fala tanto quanto um tuíte no qual ele define Chico, Caetano e Gil como “comunas”.

Você pode imaginar quais são os alvos da vingança de Tuma Jr. Ou melhor: o alvo. Lula, Lula e ainda Lula.

Como age a mídia nestes casos, além de tratar acusações como revelações? Esquecendo, por exemplo, de dizer quem é o acusador e o que está por trás de suas acusações.

Fiz uma breve pesquisa e fui dar num artigo do jornalista Carlos Brickman de alguns meses atrás, publicado no Observatório da Imprensa, de Alberto Dines.

Brickman falava do livro, que estava por sair. Já no título o veredito de Brickman estava manifestado: “Um livro fura a imprensa”. Quer dizer: se fura é porque é sério, profundo, embasado.

Li duas vezes o texto de Brickman em busca de alguma informação que me ajudasse a entender quem é Tuma Jr, e o que estava por trás de suas acusações.

Nada.

Repito: nada.

Não há uma única menção às relações de Tuma Jr com a máfia chinesa, e sua consequente demissão.

De Brickman vou ao site da Veja. Topo com Reinaldo Azevedo. Em negrito, ele inicia assim seu artigo:

“O LIVRO-BOMBA – Tuma Jr. revela os detalhes do estado policial petista.”

Enfrentei, estoicamente, o texto copioso de Azevedo. Como em Brickman, nem uma única menção ao passado de Tuma Jr. Ao pobre leitor são negadas informações essenciais se você quer cobrir com decência um caso de denúncia.

Vejo que Tuma Jr, numa de suas mais estridentes acusações – ou “revelações” –, invoca o pai morto.

Quer dizer: o “documento” que ele apresenta no caso é a palavra, aspas, do pai morto.

Isto diz tudo.

Quanto a mim, aguardo um  livro-bomba de Carlinhos Cachoeira e Policarpo Júnior com revelações devastadoras sobre Lula, e rio sozinho ao imaginar o aproveitamento que a Veja dará a isso.

08 Dec 11:08

Em tempo

by Francisco Seixas da Costa
Allan Patrick

O embaixador fala sobre o vexame de Portugal ter sido o único voto de apoio aos EUA e RU contra Mandela e a favor do regime do Apartheid

Está a tornar-se um pouco bizarra a coreografia desculpabilizante a que se está a assistir nas últimas horas, a propósito do caso do voto na ONU, em 1987. É um espetáculo triste virem à baila nomes de funcionários diplomáticos que intervieram nesse processo, como se, pela confusão, se conseguisse salvar, não a "honra do convento" de Nossa Senhora das Necessidades, mas a imagem dos verdadeiros responsáveis pelo sentido do voto - independentemente de qualquer juízo sobre a importância objetiva desse mesmo voto.

Os diplomatas obedecem a uma cadeia hierárquica, executam uma política externa que lhes é determinada por quem tem legitimidade política para o fazer e que, em derradeira instância, deve responder pelas suas decisões. Os diplomatas aconselham mas não "produzem" política externa.

Quem conhece como estas coisas funcionam sabe que o diplomata que intervém numa comissão de um órgão multilateral como é a ONU atua sob uma instrução recebida do seu embaixador, ao qual, por sua vez, chegaram orientações oriundas da direção política, em Lisboa. Muitas vezes as instruções são genéricas, outras vezes são detalhadas, em alguns casos mesmo num "micro-management" irritante. Na frente lisboeta da decisão - que, dada a sensibilidade política do tema em causa, deve ter sido ponderada ao milímetro, porque ninguém fica "isolado" com os EUA e o Reino Unido sem ser como resultado de uma opção política muito refletida - fazem parte o diretor-geral político-económico (era assim que se chamava, à época), o ministro dos Negócios Estrangeiros e, naturalmente, o primeiro-ministro de então. Não me passa pela cabeça que qualquer destas três figuras possa ser tentada agora a fugir às suas responsabilidades. E, repito, não é para aqui chamado qualquer juízo de valor sobre a temática, em si mesma. Essa é outra questão.

Porque é que tenho estas certezas - e não outras - sobre este assunto? Fui embaixador na ONU, na OSCE e na UNESCO e, noutro quadro de responsabilidades, passei anos a dar instruções a representações portuguesas junto da União Europeia, da OCDE, do Conselho da Europa e da OMC. Sei, por isso, do que falo, mas, repito, apenas no tocante ao "processo decisório".
06 Dec 11:39

Mandela, el revolucionario que no renunció a la violencia

by Iñigo Sáenz de Ugarte

Antes de ser un icono mundial de la paz y la reconciliación, Nelson Mandela fue un líder revolucionario. En 1964, fue conducido ante un tribunal para ser juzgado por cometer “actos de violencia y destrucción”. El líder del Congreso Nacional Africano sólo quería destruir el régimen racista del apartheid, no el país.

Había dudado mucho en apoyar el sendero de la violencia, pero al final vio que era la única alternativa que dejaba el Estado a la lucha por los objetivos políticos de la mayoría negra del país. Como otros líderes nacionalistas negros de África, había llegado a la conclusión de que la resistencia pacífica sólo conducía a la inmolación.

Ante el tribunal, no intentó negar los hechos, pero sí la interpretación que hacían de ellos los jueces blancos. Sus palabras finales son las más recordadas (“es un ideal por el que estoy dispuesto a morir”) y procedían de las pocas esperanzas que tenían él y sus compañeros sobre el veredicto final. Tardó dos semanas en escribir su alegato final. Un abogado que lo revisó preveía un desastre. Comentó que si leía ese texto, “le llevarían directamente a la parte de atrás del tribunal y le colgarían”. Su abogado le recomendó que no acabara con esa nota de desafío. Mandela no le escuchó: “Creía que nos iban a colgar no importa lo que dijéramos, así que pensé que podríamos decir aquello en lo que de verdad creíamos”, escribió años después en su autobiografía.

Más relevante que esas palabras finales fue la explicación que dio antes sobre por qué el CNA había decidido crear Umkhonto we Sizwe (Lanza de la Nación, el brazo armado del movimiento) y embarcarse en una campaña de sabotajes. Mandela nunca quiso una “guerra interracial” y, aunque al final se produjeran víctimas mortales, intentó que la violencia estuviera limitada a objetivos específicos. Ante el tribunal, decidió convertirse en fiscal del sistema y acusarle de no haber dejado a los negros más alternativa que empuñar las armas.

“En primer lugar, creíamos que, a resultas de la política del Gobierno, la violencia por el pueblo africano se había convertido en algo inevitable, y que a menos que un liderazgo responsable pudiera canalizar y controlar los sentimientos de nuestra gente, se produciría un estallido de terrorismo que ocasionaría un aumento de la hostilidad y el resentimiento entre las distintas razas del país hasta un punto desconocido incluso en una guerra.

En segundo lugar, pensamos que sin los sabotajes no habría forma de que el pueblo africano tuviera éxito en nuestra lucha contra el principio de la supremacía blanca. Todas las formas legales de oponerse a este principio habían sido bloqueadas por la ley, y estábamos en una situación en la que o aceptábamos un estado permanente de inferioridad o desafiábamos al Gobierno. Elegimos desafiar al Gobierno. Primero, violamos la ley evitando el recurso a la violencia. Cuando se legisló contra esto, y cuando el Gobierno recurrió a la fuerza para aplastar a la oposición a su política, sólo entonces decidimos responder a la violencia con violencia”.

Es probable que la descripción de Mandela sobre el camino a la violencia como un proceso gradual que culminó en junio de 1961 no fuera del todo cierta. Varios miembros del Partido Comunista de Suráfrica confirmaron años después que la iniciativa surgió en su partido y que incluso Mandela formó parte también de la misma organización durante algún tiempo, algo que el expresidente surafricano siempre negó.

A finales de 1960, el PC adoptó la vía de la lucha armada, pero su número de militantes era ínfimo. Sabían que no tendrían ninguna posibilidad sin el apoyo del CNA. Mandela asumió la decisión pocos meses después con la idea de que el paso era inevitable. Tras la matanza de Sharpeville en marzo de 1960, también había sectores del CNA que pensaban que había llegado el momento de empuñar las armas.

Este apoyo táctico a la violencia, incluso algo reticente, no se convirtió en una baza negociadora que pudiera abandonarse con facilidad si las circunstancias lo permitían. Ya en los años 80, el Gobierno de P.W. Botha ofreció la libertad a Mandela a cambio de la renuncia a la violencia. La rechazó. Aunque ya no fuera posible derrocar al Gobierno racista con las armas, la guerra continuaría hasta el fin del apartheid.

La progresiva movilización política, económica y cultural en Occidente a favor de su liberación y del fin del racismo en Suráfrica no podía ocultar el hecho de que desde el primer momento el mayor apoyo que recibió el CNA procedió de los gobiernos africanos que habían conseguido la liberación del colonialismo, muchos de ellos a través de la insurrección armada, y del apoyo material de los gobiernos soviético y chino. En el esquema de la guerra fría diseñado por Washington, el CNA pasó a formar parte de la amenaza comunista, aunque en su propio juicio Mandela recordó al tribunal que nadie se hubiera atrevido a llamar comunistas a Churchill y Roosevelt por haberse aliado con la Unión Soviética en la lucha contra Hitler.

En los años 80, los gobiernos de Reagan y Thatcher no se movieron ni un centímetro en ese rechazo. Washington instauró una política con Reagan que apostaba por la existencia de unos supuestos moderados dentro del Gobierno a los que había que apoyar para conseguir que el régimen cambiara desde dentro. Ese apoyo a Botha, tan moderado que llegó a decir que el sistema de un hombre, un voto nunca se impondría en Suráfrica, permitió al apartheid sobrevivir unos años más.

En el Reino Unido, el ala derecha de los tories, incluida su primera ministra, arrojó sobre Mandela todo su odio. En 1987, 23 años después del encarcelamiento de Mandela, Thatcher aún decía: “El CNA es una típica organización terrorista. El que crea que algún día gobernará Suráfrica vive en un mundo de fantasía”. Otros diputados pedían directamente que Mandela fuera fusilado. En esos años las juventudes tories distribuyeron un cartel en un congreso del partido que reclamaba que Mandela fuera ahorcado, y no sólo él: “Y todos los terroristas del CNA. Son unos carniceros”, decía.

Mandela había apostado ya desde su juicio por la reconciliación. Al salir de prisión, se deshizo de la violencia con facilidad porque ya había cumplido su objetivo: mantener unida a la mayoría negra y evitar la aniquilación de los que luchaban por la libertad. A partir de ese momento, quiso dejar claro que su lucha no era contra los blancos, sino contra la pobreza, la violencia y la dominación de un grupo racial sobre otro. Que es lo mismo que ya había dicho en su juicio de 1964.

Un fragmento de la entrevista que Mandela dio a ITN en 1961.

Una entrevista con George Bizos, el abogado que le representó en el juicio y que continuó representándole durante los años en que estuvo encarcelado. Fundamental para conocer la actitud de Mandela en prisión, su relación en esa época con el Gobierno y finalmente sus negociaciones con De Klerk.

05 Dec 18:16

As críticas à política de comunicação do prefeito Haddad

by Luiz Carlos Azenha

Preso no mundo da hierarquia informativa

por Luiz Carlos Azenha

Quais seriam os problemas com a comunicação?

Não está sendo feita de forma adequada. A gestão Haddad não pode se fiar apenas nos meios tradicionais de comunicação achando que eles vão divulgar as políticas corretas da prefeitura. Muito pelo contrário. Eu vejo meios de comunicação que têm bastante penetração na sociedade paulistana e que eles sistematicamente criticam a prefeitura, mesmo nas questões em que ela está correta.

O que eu recomendaria ao Haddad, e tenho o poder de recomendar, é que ele troque essa equipe de comunicação. Porque essa equipe de comunicação foi desastrosa. Se eu tiver que dar uma nota ruim para a gestão Haddad eu daria justamente na comunicação. Sem comunicação você não vence a batalha política, sem comunicação você não vence inclusive a batalha administrativa. Hoje, se comunicar bem e interagir bem com a sociedade é um elemento de uma boa administração.

Falta ao governo municipal criar uma política própria de comunicação. E de diálogo com a sociedade. Não adianta você implementar uma política correta se você não dialoga com a sociedade. O governo Haddad está falhando em fazer uma verdadeira revolução no que tange a comunicação da prefeitura. Principalmente em um momento histórico como esse, em que existe uma crise de legitimidade dos políticos de modo geral. Falta à prefeitura uma política própria de comunicação, uma política aguerrida, arrojada, moderna, que leve em conta principalmente as redes sociais.

O trecho acima é de uma entrevista do sociólogo Aldo Fornazieri, que colaborou com o programa de governo de Fernando Haddad em 2012, à Rede Brasil Atual, reproduzida no GNN.

O problema a que ele se refere não é apenas de um governo, partido ou político brasileiro. É, acima de tudo, geracional.

Em maio de 68 tivemos uma explosão estudantil que pegou os mais velhos de surpresa. Uma revolta movida por ideias que haviam passado a circular através do embrião de um mercado fonográfico globalizado e do impacto de novas tecnologias de informação que pela primeira vez conectavam o planeta, como a televisão.

O século 21 é o da informação instantânea, multidirecionada, horizontal. Aos poucos, as hierarquias que herdamos da sociedade industrial estão ruindo, assim como as jornadas de trabalho com horário fixo. A comunicação assim o permite.

No que diz respeito ao consumo de informação e entretenimento, os jovens não querem mais ficar à mercê das “grades” de programação. Reflexo disso: enquanto o Jornal Nacional pela primeira vez na história tem audiência inferior a 20 pontos, o YouTube bomba. Ainda não surgiram aparatos de medição para avaliar este fenômeno.

No Brasil, a Globo continua vendendo seu peixe baseada em medições do Ibope que não dão conta de analisar a complexidade do novo mercado de comunicação. As agências de publicidade são prisioneiras do BV, a bonificação por volume — que é em resumo um jabá concentrador das verbas publicitárias. Os clientes só aos poucos começam a despertar para o fato de que, usando as redes sociais, podem atingir seu público-alvo sem torrar milhões no canhão da Globo. Isso já se expressa no crescimento do Google como a grande agência de publicidade global. O Facebook vai pelo mesmo caminho.

Um mundo está se desfazendo, outro ocupa o lugar, mas ainda somos reféns das ideias que circulavam naquele em extinção.

Os governos, partidos e políticos brasileiros continuam agindo de acordo com a lógica ultrapassada, hierarquizada, da comunicação. Como em 68, são pegos de surpresa pela dinâmica das ruas, pelo descompasso entre o que dizem as instituições e o que os jovens querem ouvir. A forma de dizer também está ultrapassada. Pressupõe a relevância de algo que, para a molecada, é irrelevante: hierarquia, senioridade, autoridade baseada em cargos, sobrenomes e contas bancárias.

Occupy nos Estados Unidos e black blocs no Brasil são apenas sintomas deste descompasso.

No caso apontado pelo sociólogo Fornazieri, é importante lembrar que o PT se rendeu à lógica do ex-presidente Lula: deixem que o marqueteiro João Santana resolve, na reta final. A fórmula desconsidera que uma fatia considerável, embora ainda não majoritária do eleitorado, associa a propaganda eleitoral gratuita ao mesmo discurso surrado, ultrapassado e unilateral dos noticiários da TV.

O candidato fala, você concorda ou não. É diferente de o candidato dialogar contigo nas redes sociais, ou pelo menos dar a impressão de que faz isso.

Em 2008 Barack Obama decobriu a pólvora. Fez uma campanha verdadeiramente “ground breaking”, inovadora, tirando proveito de que as redes sociais tinham atingido massa crítica nos Estados Unidos. Obama recrutou voluntários em rede, para financiar, organizar e propagar sua mensagem.

Tirou proveito de um fenômeno identificado em uma pesquisa que a revista britânica Economist resumiu: mesmo as pessoas que estão muito satisfeitas com a vida sob o regime capitalista acham que a vida não é apenas ganhar dinheiro. Estão dispostas a se engajar em alguma causa de forma voluntária. Admiram e cultuam os “idealistas”.

A campanha de Obama adotou uma tática interessante: fatiou a plataforma eleitoral do candidato em temas. Engajou voluntários que se identificavam com cada um destes temas: autorização para recrutamento de gays pelas Forças Armadas, salários iguais para homens e mulheres, fechamento da base de Guantánamo e assim sucessivamente. A soma das partes formava o projeto político de Obama. Mas ninguém precisava abraçar o todo: o militante interessado especificamente no plano de saúde proposto por Obama não tinha que necessariamente concordar com o todo, mas se empenhava pelo candidato tanto quanto o eleitor ideológico, que sentia repulsa pela invasão do Iraque patrocinada pelos republicanos.

As partes formavam mais que o todo.

Especificamente sobre o governo Haddad, o prefeito é visto como uma boa pessoa, mas inerte.

Talvez porque a comunicação falhou nos momentos-chave.

No enfrentamento das manifestações promovidas pelo Movimento Passe Livre, ficou a reboque do governador Geraldo Alckmin quando foi anunciada a redução das tarifas. Eu entrevistava integrantes do MPL quando a decisão foi comunicada em entrevista coletiva. Eles mesmos, os meninos e meninas do MPL, estranharam o papel secundário assumido por Haddad.

Nos aumentos do IPTU, Haddad levou uma tremenda surra da imprensa antes que algumas vozes isoladas se levantassem para defendê-lo — aliás, com excelentes argumentos, que dizem respeito à justiça tributária. Onde é que estavam aqueles articulistas antes? Por que o anúncio do aumento não foi precedido de uma campanha de eslarecimento?

Na implantação das faixas de ônibus em São Paulo, aprovadas inicialmente pela maioria dos paulistanos, o prefeito corre o risco de ver a situação revertida por não dispor de uma política de comunicação eficiente sobre o tema. Os ônibus ganharam em velocidade? Aumentou o número de passageiros? As faixas que não derem certo, depois da análise da engenharia do trânsito, serão removidas?

Este é um assunto dinâmico, em que não se pode ficar parado, especialmente quando as redes sociais se tornaram tão importantes para consolidar opiniões quanto o Jornal Nacional.

No escândalo da máfia dos fiscais, Haddad assistiu inerte à manobra do Jornal Nacional, que colocou o escândalo no colo do prefeito, onde permanece. No dia seguinte à denúncia contra Antônio Donato o prefeito deveria ter dado uma entrevista coletiva para detalhar a cronologia do escândalo, deixando claro que não tinha ainda assumido o poder quando a máfia começou a agir. De forma didática.

Se possível, com um gráfico trazendo as datas de forma detalhada — em seguida, poderia ser compatilhado em forma de meme no Facebook.

Para vocês terem uma ideia da política de comunicação da Prefeitura, recentemente a produtora do Viomundo tentou marcar entrevista com um secretário do prefeito justamente para obter dele aquela cronologia. Resposta do secretário ao pedido de entrevista: Não!

É bizarro que uma assessoria de imprensa profissional não tenha feito o que faria um estagiário em relações públicas: “Infelizmente, o secretário não está disponível no momento, mas enviarei um texto com os argumentos do governo a respeito do tema, uma entrevista recente do prefeito sobre o assunto e as notas oficiais que divulgamos”.

Por que o assessor deveria ter feito isso?

Porque no mundo das redes sociais, como entendeu perfeitamente Barack Obama, a política de comunicação deve ser pró-ativa. Você precisa ocupar espaço. Você precisa fornecer argumentos que sirvam tanto a seus apoiadores quanto ao confronto de ideias com seus críticos. Este confronto de ideias não é mais apenas mediado pelo Otavinho, Civita e irmãos Marinho.

Antes, um político poderia perfeitamente passar a mão no telefone, ligar para um barão da mídia e reclamar da cobertura desigual. Muitos o fizeram e continuam fazendo.

Hoje, política de comunicação é mais que fazer propaganda ou conseguir cobertura da Globo. É engajamento em nível quase pessoal com leitores, telespectadores e ouvintes — que também são contribuintes. Engajamento para o qual existem ferramentas praticamente gratuitas, na rede, sem passar pelo controle das grandes redações.

Dá trabalho, eu sei. O que talvez seja o grande problema.

Leia também:

A lógica torta da Globo no caso de José Dirceu

O post As críticas à política de comunicação do prefeito Haddad apareceu primeiro em Viomundo - O que você não vê na mídia.

05 Dec 18:13

De volta a Dubrovnik!

by Adriana Miller
Allan Patrick

Vocês estão vendo como a blogueira está triste e desanimada por não poder passear com filha e marido numa SUV/Toyota Hilux/Mitsubishi Pajero durante as férias? Ah, Natal/RN, você um dia poderia ter um turismo assim...

Desde que fui a Dubrovnik pela primeira vez, sabia que iria voltar em breve. E nao foi so uma daquelas coisas de “ah um dia eu volto” (que acontece com praticamente todas as cidades que visito na vida) e com minha listinha eterna de lugares a (re)visitar.

9710076593_8991f9580d

Nao, com Dubrovnik foi diferente, e o planejamento de uma segunda viagem começou praticamente de imediato!

Por um lado porque eu AMEI a cidade, o clima, as pessoas… e como fui com uma amiga, eu tambem sabia que que Aaon ia adorar, entao queria voltar um dia com ele.

9710080125_e22afc5f52

Entao logo que a Isabella nasceu e comecamos a pensar em possiveis viagens, e oque fazer “em familia” no verao, finalmente coloquei meus planos em pratica: voltar a Dubrovnik com o Aaron e de quebra ainda explorar um pouco mais essa regiao do Adriatico e dos Balkans.

9709998805_05ecf7f811

Do aeroporto fomos direto pra cidade antiga – almocamos na pracinha com a vista da muralha e as aguas cristalinas do Adriatico… Sim! Isso eh Croacia!

9713237912_53b13b3a6f

E ao entrar pelo portao principal da cidade antiga nao da pra negar que a imagem eh impactante! As casas de pedra com persianas verdinhas, e chao de marmore polido ao longo dos seculos brilhando no sol, que se estende ate a torre do relogio!

9710004781_a25c6c2ebb

Parafraseando a reacao boquiaberta do Aaron: a cidade eh tao perfeitinha que nem parece de verdade! A cada esquina voce acha que esta passeando por uma cidade cenografica do Epcot Center na Disney! (a gente tira o menino dos EUA, mas nao tira os EUA do menino! Hahahaha)

9710006021_7bf3eb99d4

Mas eh por ai mesmo. E cada esquina eh uma surpresa!

9713239486_7918df5c6a

Por “sorte” dessa vez, como estavamos com a Isabella acabamos ficando com preguica de subir na muralha (depois acabamos subindo, a tempo do por do sol porque nao deu mesmo pra resistir!) entao fomos apontando nossas cameras e se enveredando cidade a dentro.

9710007285_65f6e9223c

E digo “sorte” porque a maioria dos roteiros da cidade focam na regiao central da rua Placa e a muralha, que por si soh ja toma boa parte de seu dia. Entao, com esse “buraco” em nosso tour, resolvemos explorar com mais calma o “interior” da cidade, suas pracinhas, igrejas escondidas e ruelinhas.

9713247438_d4175bd444

E sem contar que no calor massacrante de Agosto na Croacia, as ruas estreitas bordeadas por casas de pedra fresquinha foram uma delicia (as bochechas rosadas da Isabella agradeceram!) e na verdade mesmo se a area nao fosse tao interessante, nao queriamos sair de la!

9713246442_f02d25af3d

O bairro judeu de Dubrovnik foi uma area de “gueto” durante muitos seculos, sendo posteriormente praticamente aniquilada pelos Nazistas, e por fim pela guerra da antiga Iugoslavia – mas na verdade eh ali em Dubrovnik que estao as ruinas da mais antiga sinagoga da Europa!

9710011905_4a861622db

A sinagoga fica pertinho do Portao Pile e hoje em dia funciona apenas como ponto turistico, com servicos ocasionais, apenas quando o rabino de Zagreb visita a cidade – e alem disso, apos o holocausto apenas 27 judeus ainda sao registrados na “paroquia” (existe um nome equivalente para sinagogas?) sendo que varios deles receberam asilo nos EUA durante a guerra e nunca mais voltaram.

9713253348_7f413e7d1e

E por ali tambem pudemos ver o trabalho maravilhoso de conservacao que o governo atual tem feito na Croacia, reconstruindo a cidade pos-guerra, e em varias esquinas no interior da cidade existem “exposicoes” de fotos mostrando o mesmo lugar durante/depois da guerra, completamente destruidos, e como estao agora, de volta ao seu esplendor!

9713257514_f921e85da4

No fim do dia, nao resistimos e subimos a muralha – sim foi um mega perrengue subir as escadarias (no sol!) com a Isabella no canguru e carregando o carrinho… mas ah como valeu a pena!

9710025599_2e85d18903

A vista la de cima eh incrivel,  e conseguimos pegar uma luz linda no por do sol!

9710027783_f67f184e1b

9710023891_a3b4ddc0d3

Entao consegui cumprir minha meta e voltar a Dubrovinik (e explorar a regiao, ja que nos dias seguintes de nossa viagem fomos para Montenegro e Bosnia) mas agora adicionei outra meta: conhecer o resto do pais (na mira? Split e Hvar!)

Nessa viagem, assim como da primeira vez que fui a Dubrovnik, optamos for ficar hospedados nos arredores da cidade, e dessa vez ficamos em Lapad, a 10 minutos do centro antigo de Dubrovnik, no Hotel Sumratin.

Infelizmente, o hotel que fiquei da outra vez (e amei) estava lotado por ser alta temporada, então escolhemos o Sumratin por ficar pertinho da praia (que acabamos não indo) e ficar bem no “centrinho” de Lapad, então tínhamos muitas opções de bares e restaurantes bem pertinho, e foi fácil sair pra comer e jantar fora ou curtir os bares mesmo com a Isabella no carrinho (sabendo que se as coisas não corressem bem e ela começasse a chorar ou algo do tipo, era fácil voltar pro hotel), e conseguimos curtir bem nossos dias e noites em Lapad sem problemas.

O hotel fica bem na meiuca da “rua dos restaurantes” da Lapad, com varias opcoes de bares e lugares pra comer ao ar livre, com mesinhas espalhadas pelas calcadas, musica ao vivo e boa comida!

 

 

 

04 Dec 15:53

A pouca diferença entre as classes explica a baixíssima criminalidade da Islândia

by Diario do Centro do Mundo
A tranquila capital

A tranquila capital

O texto abaixo foi publicado, originalmente, na BBC Brasil

Pela primeira vez na história da Islândia – país que tem uma das mais baixas taxas de criminalidade do planeta – policiais armados mataram um suspeito em uma operação.

A vítima foi um homem de 59 anos, que não teve a identidade divulgada. Ele foi morto a tiros na segunda-feira na capital Reykjavik.

O suspeito fez disparos com uma espingarda dentro de seu apartamento, supostamente contra policiais que tentaram invadir o imóvel. O homem acabou sendo morto a tiros pelas forças especiais.

A motivação do atirador ainda não está clara, segundo a polícia. Os policiais do grupo tático que atacou o suspeito estão recebendo acompanhamento de psicólogos.

A BBC publicou no mês de maio um texto do estudante de direito americano Andrew Clark, que investigou como um dos países com um dos maiores índices de armas por habitantes tem uma das mais baixas taxas de criminalidade do mundo. Leia abaixo:

Na companhia de estranhos

Embora eu tenha crescido na Nova Inglaterra, no nordeste dos Estados Unidos (onde neva com frequência no inverno), senti uma sensação diferente ao ver as nevascas islandesas. Era algo paralisante, com rajadas de vento épicas que faziam com que os flocos de neve parecessem navalhas.

Quando deixei minhas malas no solo coberto de neve da capital, Reykjavik, um homem se aproximou de mim em um jipe.

“Quer subir?”, perguntou-me.

Aquilo parecia uma loucura. Quem entraria no carro de um desconhecido?

Mas, apesar do que já me disseram sobre pegar carona com estranhos, pulei na parte traseira do veículo sabendo que nada de mal aconteceria.

Pois, afinal de contas, eu estava na Islândia. Eu ficaria por lá uma semana com o intuito de estudar os baixos índices de criminalidade do país. Essa era minha segunda viagem a essa gélida nação em seis meses.

Passei os últimos três anos na Universidade de Suffolk, no Estado americano de Boston, estudando direito internacional.

Antes de minha primeira visita a Reykjavik, em agosto de 2012, já havia definido o tema da minha tese: faria um estudo sobre a Convenção de Genebra para a guerra cibernética.

Mas aquela semana na Islândia mudou meus planos. Estava agradavelmente surpreso com o que vi.

Qual é o segredo?

Os crimes violentos eram praticamente inexistentes na Islândia. As pessoas pareciam despreocupadas com sua segurança ou a de seus filhos, a ponto de deixar as crianças sozinhas na rua.

Passei temporadas na Noruega, na Suíça e na Dinamarca, mas agora esses países pareciam tomados pelo crime, em comparação com a Islândia.

De volta aos Estados Unidos, mudei o tema de minha tese. Queria saber qual era o segredo da Islândia.

Francamente, não há uma resposta perfeita para explicar por que o país está entre os que detêm os menores índices de criminalidade do mundo.

Segundo o UNODC (Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes), a taxa de homicídios na Islândia entre os anos de 1999 e 2009 nunca foi mais alta que 1,8 por 100 mil habitantes.

Os Estados Unidos, por sua vez, registraram no mesmo período taxas de homicídio anuais de 5 a 5,8 casos para cada 100 mil habitantes.

No Brasil, a taxa é ainda maior, de 23 homicídios por 100 mil habitantes.

Pouca diferença de classes

Depois de conversar com professores, autoridades, advogados e jornalistas, os fatores do sucesso da Islândia nessa área começaram a ser delineados – embora seja impossível determinar em que medida cada um deles contribui para o resultado final.

Em primeiro lugar, quase não há diferença entre as classes alta, média e baixa na Islândia. Por causa disso, praticamente inexiste tensão econômica entre classes – algo raro em outros países.

Um trabalho de um estudante da Universidade do Missouri que analisou o sistema de classes islandês descobriu que somente 1,1% dos participantes do levantamento se descreviam como classe alta e apenas 1,5% como classe baixa.

Os 97% restantes se identificaram como classe média, ou trabalhadora.

Em uma das minhas três visitas ao Parlamento islandês, me reuni com Bjorgvin Sigurdsson, ex-presidente do grupo parlamentar da Aliança Social Democrata.

Para ele e para a maioria dos islandeses com quem falei, a igualdade é a principal causa da quase ausência de crimes.

“Aqui os filhos dos magnatas vão aos mesmos colégios que o restante das crianças”, afirmou Sigurdsson.

Para ele, os sistemas de serviços públicos e de educação do país promovem a igualdade.

Os poucos crimes que acontecem no país geralmente não envolvem armas de fogo, apesar dos islandeses possuírem muitas.

A página de internet GunPolicy.org estima que haja aproximadamente 90 mil armas no país – cuja população é de cerca de 300 mil pessoas.

Isso faz com que a Islândia figure na 15ª posição no ranking mundial de posse legal de armas de fogo per capita.

Mas adquirir uma arma de fogo não é fácil no país. O processo inclui um exame médico e uma prova escrita.

A polícia também não anda armada. Os únicos agentes que podem portar armas de fogo são uma força especial chamada “Esquadrão Viking”, que atua em poucas ocasiões.

Além disso, o tráfico de drogas na Islândia é pouco expressivo. Segundo um relatório da UNODC, o consumo de cocaína por cidadãos com idades entre 15 e 64 anos é de 0,9%; o de ecstasy, 0,5% e o de anfetaminas, 0,7%.

Também há uma tradição na Islândia de denunciar os crimes diante de qualquer indício ou agir para freá-los logo no início, antes que a situação piore.

No momento, a polícia está combatendo o crime organizado enquanto o Parlamento discute leis para ajudar a desmantelar essas redes criminosas.

Quando as drogas pareciam ser um problema em expansão no país, o Parlamento estabeleceu uma política antidrogas independente e um tribunal especial para lidar com o problema. Isso aconteceu em 1973. Nos dez primeiros anos de funcionamento do tribunal, 90% dos casos foram resolvidos com multas.

Esses são os segredos da Islândia, que poderiam orientar outros países que buscam soluções para seus problemas de delinquência.

Por isso, enquanto eu subia naquela manhã no jipe daquele homem que sorriu para mim e perguntou se eu precisava de ajuda com as malas, me senti seguro, mesmo não sabendo quem ele era.

04 Dec 12:14

O relatório PISA de 2015

by noreply@blogger.com (Nuno Serra)
Allan Patrick

Cheque-ensino levou a Suécia dos primeiros lugares da educação pública à disputa de posição com os países mais pobres do sul da Europa.

Começaram hoje a ser divulgados os resultados do Relatório PISA de 2012, que avalia a literacia e o desempenho dos alunos em três domínios-chave: Matemática, Ciências e Leitura. O inquérito é realizado de três em três anos nos 34 países membros da OCDE, tendo em 2012 abrangido ainda outros 31 países de zonas económicas que não fazem parte da organização.

O balanço feito pelos peritos da OCDE, para lá do horizonte mais estreito da comparação entre 2009 e 2012, é uma muito positiva avaliação externa (e independente) dos últimos dez anos de políticas educativas em Portugal. Como assinala o jornal Público, o relatório hoje divulgado recorda que o país estava, em 2003, no que à Matemática diz respeito, abaixo do Luxemburgo, dos Estados Unidos, da República Checa, da França, da Suécia, da Hungria, da Espanha, da Islândia ou da Noruega, para acrescentar que, em 2012, Portugal «alcançou» níveis de resultado idênticos aos observados nestes países. Os ideólogos extremistas do «eduquês» e da narrativa da «década perdida», que ajudaram a instalar o ministro Nuno Crato na 5 de Outubro, fazendo do «privatês» e da mediocridade subdesenvolvimentista a política oficial para a educação, têm que confrontar-se, uma vez mais, com a evidência de alguns destes factos. Mais: a tão aclamada Suécia - exemplo supremo das supostas virtudes do «cheque-ensino», que Nuno Crato se prepara para implementar entre nós - afunda-se novamente na cauda dos rankings da OCDE.

Valerá a pena analisar com detalhe toda a informação contida no relatório hoje divulgado e que volta a assinalar o impacto negativo que o background familiar e social tem nos níveis de desempenho escolar dos alunos portugueses (ver figura). Este será aliás, muito provavelmente, um dos aspectos que melhor demonstrarão, no futuro PISA de 2015, a devastação resultante da passagem de Nuno Crato pelo Ministério da Educação. Retenham pois o balanço que este relatório nos permite estabelecer: ele corresponde ao retrato de um ciclo que o ministro, empenhadamente, tem procurado encerrar. Porque se é certo, como refere a OCDE, que «os alunos portugueses mostram como em pouco tempo é possível melhorar», não o é menos que, também em pouco tempo, se podem destruir os avanços alcançados ao longo de mais de uma década.

04 Dec 11:54

A volta da “República do Galeão”

by Rodrigo Vianna

por Flavio Aguiar, na Rede Brasil Atual

Acabo de ler que o deputado Genoino renunciou a seu mandato [leia a carta de renúncia no final do post]. Estou chocado, me sinto extorquido em minha condição de cidadão brasileiro.

Quando eu tinha sete anos, acompanhei pelo rádio a notícia do suicídio do presidente Vargas, cuja deposição foi orquestrada pela mídia conservadora, e não se deve esquecer, por um órgão paramilitar e parajudicial, chamado “a República do Galeão”.

O que era a “República do Galeão”? Era um misto de futuro DOI-Codi, onde inclusive se torturou, e tribunal de exceção, onde se espezinharam direitos mínimos da cidadania e das garantias individuais, em nome de “investigar” o “mar de lama” supostamente varguista e o atentado contra o jornalista Carlos Lacerda.

Seus inquisidores oficiantes eram oficiais da Aeronáutica, movidos pela mesma sanha que em abril de 64 assassinaria o tenente-coronel aviador Alfeu de Alcântara Monteiro.

Hoje vemos a mesma sanha linchativa na mídia conservadora, incapaz de aceitar, quanto mais deglutir suas sucessivas derrotas eleitorais.

Vemos o Supremo Tribunal Federal transformado numa “República do Galeão” ad hoc, devido à volúpia de poder de seu presidente.

Não houve tortura física, é evidente. Mas houve tortura moral. O estalido das algemas. A humilhação do transporte algemado. A condução ao presídio. Quem já viveu isto, sabe. Tudo indevido. Aliás, ilegal, como a “República do Galeão”.

Depois, a discussão de uma junta médica sobre o estado de saúde de quem não tem direito a estado de saúde – junta bovina no seu comportamento de quem está sob a canga da pressão midiática, jurídica e linchativa.

Nunca – nunca desde os tempos do laudo de suicídio atribuído a Cláudio Manoel da Costa no processo dos Inconfidentes – a imagem médica no Brasil navegou tão baixo. A situação da junta médica examinando se Genoino podia continuar na cadeia ou não remete àquela dos médicos que examinavam os torturados para saber se eles podiam continuar a ser torturados ou não.

Ah, mas agora não se tortura, dirão os falsos Catões hipocráticos. Uma ova. Quem não ouviu falar de tortura moral? Nos cárceres estalinistas muitas vezes sequer se tocava no prisioneiro. Só se destruía a sua personalidade.

Genoino renuncia. Quem é Genoino? Os dados da vida pública de Genoino são conhecidos. Acrescentarei apenas que Genoino é o dedicado pai de família e vizinho (ex-vizinho, moro em Berlim) da Vila Indiana, Butantã, São Paulo, companheiro das reuniões de pais e mestres da Escola da Vila, na rua Barroso Neto. Nada mais tenho a acrescentar, além de minha indignação pessoal. E que voto nele, assim que puder.

xxxxx

Carta de renúncia de José Genoíno de seu mandato de deputado federal:

 “Excelentíssimo Senhor Presidente da Câmara dos Deputados

Excelentíssimos Senhores Membros da Mesa Diretora

Excelentíssimos Senhores Deputados

Dirijo-me a Vossas Excelências após mais de 25 anos dedicados à Câmara dos Deputados, e com uma história de mais de 45 anos de luta em rol da defesa intransigente do Brasil, da democracia e do povo brasileiro, para comunicar uma breve pausa nessa luta, que representa o início de uma nova batalha, dentre as tantas que assumi ao longo da vida.

Assim, e considerando o disposto no inciso II, do artigo 56 da Constituição Federal;

Considerando ainda a transformação midiática em espetáculo de um processo de cassação;

Considerando, de outro modo, que não pratiquei nenhum crime, não dei azo a quaisquer condutas, em toda minha vida pública ou privada, que tivesse o condão de atentar contra a ética e o decoro parlamentar;

Considerando que sou inocente;

Considerando, também, que a razão de ser da minha vida é a luta por sonhos e causas ao longo dos 45 anos, reitero que entre a humilhação e a ilegalidade, prefiro o risco da luta; e

Considerando, por derradeiro, que sempre lutei por ideias e jamais acumulei patrimônio ou riqueza.

Por tudo isso e ao mesmo tempo em que agradeço a confiança em mim depositada ao longo de muitos anos pelo povo do Estado de São Paulo e pelo Brasil, RENUNCIO ao mandato parlamentar e encaminho a presente missiva através do deputado José Guimarães PT/CE e do dr. Alberto Moreira Rodrigues, advogado inscrito na OAB/DF nº 12.652.

Atenciosamente,
José Genoino Neto – deputado federal licenciado – PT/SP

Alberto Moreira Rodrigues – OAB/DF – 12.652“

03 Dec 18:49

A trama para executar Genoino

by Paulo Moreira Leite
Allan Patrick

Hanna Arendt cada dia mais atual

Há uma barganha indecente por trás da farsa dos atestados médicos sobre a saúde de José Genoino
03 Dec 13:06

Wolglan Melo: A mídia que bate em Chico nem olha pra Francisco

by Conceição Lemes

A mídia até agora pouco ou nada falou sobre o assunto

por Wolglan Melo, especial para o Viomundo

Nos últimos dias, graças ao interesse em comum de meia dúzia de veículos de comunicação que compõem a chamada grande mídia em nosso país (grande na estrutura e minúscula na transparência de suas notícias), o cidadão brasileiro tem sido informado em tempo real sobre os desdobramentos da Ação Penal 470, que terminou como começou: arbitrariedades, politização do judiciário, ego, vaidade e a sumária condenação do ex-ministro Zé Dirceu, do ex-presidente do PT, José Genoíno, e do ex-tesoureiro Delúbio Soares.

Por apresentar inúmeros equívocos, que já foram repudiados, por unanimidade, até mesmo pela OAB, o processo por si só já seria suficiente para refletirmos o comportamento cínico dessa mídia que faz questão de varrer, a todo o momento, a verdade para debaixo do tapete e, em um show de anti-jornalismo, transforma erros explícitos em verdades que tomam conta do senso comum e, com isso, tenta transformar a sua opinião publicada em opinião pública.

Adaptando uma frase ostentada nos cartazes dos indignados que acamparam na praça Puerta Del Sol, em Madrid/Espanha, à realidade da nossa conjuntura política, podemos dizer que, neste caso, “tiraram a justiça, deturparam os fatos e aplicaram a lei”.

Caixa 2, caciques do PSDB e o trensalão

O curioso é que essa mesma mídia, que diz ser imparcial, ética e transparente, cobre com afinco as decisões do STF, mas ignora com um enorme profissionalismo dois episódios recentes de extremo interesse para a sociedade brasileira.

O primeiro diz respeito ao TRENSALÃO. De acordo com Everton Rheinheimer, ex-diretor da Siemens, há 16 anos, existe um forte esquema de corrupção comandado pelo PSDB no governo de São Paulo, cujo objetivo principal era o abastecimento do Caixa 2 do PSDB e do DEM.

O ex-diretor disse também que a sua ex-empresa compartilha uma conta na Suiça que já movimentou mais de R$ 64 milhões para o pagamento de lobistas, políticos e altos funcionários do governo tucano que eram beneficiados pelo esquema de corrupção nas licitações do Metrô de São Paulo.

“Eu tô te explicando pra te confundir”

A grande mídia, visando desvincular o PSDB da denúncia, informa desinformando. Em vez de comunicar à população que o caso se trata de CORRUPÇÃO, QUADRILHA e principalmente de um CAIXA 2 tocado pelo PSDB, em um contorcionismo midiático surpreendente, a grande mídia tem afirmado que o caso envolve ILEGALIDADE, CARTEL, CARTEL COM AVAL DO GOVERNO e outras palavras brandas. Ou seja, buscando despistar a atenção do espectador, nenhuma citação direta foi feita até agora em relação aos denunciados e ao partido tucano.

Helicóptero, cocaína e política

Já o segundo caso escancara, ainda mais, o cinismo de determinados veículos da grande mídia. No último domingo (24/11), a Polícia Federal apreendeu 450kg de cocaína em um helicóptero da empresa Limeira Agropecuária, que é propriedade do deputado estadual Gustavo Perrella (SDD/MG), filho do senador Zezé Perrella (PDT-MG), aliado político histórico do presidenciável Aécio Neves (PSDB/MG). A mídia até agora pouco ou nada falou sobre o assunto.

Não quero ser leviano e nem utilizar os mesmos e espúrios mecanismos utilizados, frequentemente, pela grande mídia para levantar suspeitas, mas é muito estranho que quase MEIA TONELADA DE COCAÍNA seja apreendida em um helicóptero de uma família tradicional da política mineira que, por tabela, tem relações intrínsecas com um candidato à Presidência da República e tudo isso seja desinteressante.

Pergunto aos meus botões: já imaginaram se o assunto envolvesse um filho, primo, sobrinho ou amigo de alguém do PT? Por exemplo, já pensou se o deputado estadual Gustavo Perrella fosse o deputado federal Zeca Dirceu, filho do ex-ministro Zé Dirceu? Será que a mídia teria a mesma inércia? Apostaria que não! Concordo com o jornalista Renato Rovai quando diz que “o que importa para a mídia não é o crime, mas a legenda do criminoso”.

Esses três exemplos nos dão uma noção clara de como essa mídia atua no Brasil. Fica claro que, de fato, o pau da mídia que bate em Chico nem olha pra Francisco.

Resumo da ópera: a verdade na grande mídia só ocorre quando ela fala do espaço ou do fundo do mar. Do contrário, é preciso ter muito cuidado, pois até o ‘bom dia’ dela, dependendo do interesse que ela tenha no dia, pode estar distorcido.

 Wolglan Melo é jornalista em Brasília.

Leia também:

Jornalismo Wando e o suposto papo de piloto

O jornalismo, a morbidez e o artigo que desanimou os gaúchos

O post Wolglan Melo: A mídia que bate em Chico nem olha pra Francisco apareceu primeiro em Viomundo - O que você não vê na mídia.

02 Dec 17:58

A vez da Ucrânia

by Francisco Seixas da Costa
Allan Patrick

Adoro quando o embaixador tem ataques de sinceridade e narra os fatos como são, sem mis-en-scene.

Ver muitos milhares de pessoas nas ruas de Kiev, lutando contra a "finlandização" da Ucrânia, apelando por uma maior ligação à Europa comunitária, não nos deve iludir. Não é o atual projeto baço, titulado pelas "entusiasmantes" figuras de Van Rompuy e Barroso, que necessariamente seduz essas pessoas. É a perspetiva de procurar um caminho de fuga à tutela moscovita que anima parte de um país hoje prisioneiro da guerra "morna" que se estabeleceu nas margens da Rússia.

Com a queda da União Soviética, o ocidente deixou-se seduzir pela possibilidade de fazer chegar tão perto de Moscovo quanto possível as fronteiras da sua segurança e da sua liberdade democrática. Para isso, alargou a NATO e a UE até aos bálticos, utilizou oportunisticamente o alibi da luta anti-terrorista para pescar em "águas" estratégicas russas, com uma aberta influência na Geórgia, com a utilização de bases aéreas no Usebequistão e no Quirguistão. 

Bruxelas, mobilizada pelo zelo anti-moscovita dos recém-convertidos, aproveitou a porta aberta pelos EUA e agravou o seu discurso face à Rússia, na ilusão de que assim reverteria a relação de forças. A liderança russa, já de si propensa a derivas autoritárias, viu nisso uma ocasião para impor soluções de proteção geopolítica. E aconteceu o que aconteceu na Geórgia. Na Bielorússia as coisas são já hoje o que são. Agora, noutro modelo, parece ser a vez da Ucrânia. Haveria outra solução ou outra política possível por parte da Europa? Talvez houvesse. Mas, para isso, a UE não deveria ter sido cúmplice das provocações anti-russas que alguns dos seus parceiros insistiram (e insistem) em tentar. Não é por acaso que estes acontecimentos coincidem com uma cimeira europeia que tem lugar precisamente em Riga (como poderia ser em Tallin ou Vilnius). Aí está o resultado da estratégia enviezada de um ator secundário na cena internacional, que dá pelo nome de União Europeia.
01 Dec 11:16

STF arquiva caso do estagiário demitido

by Frederico Vasconcelos

Três anos depois de ter sido autuada no Supremo Tribunal Federal a petição em que o estagiário Marco Paulo dos Santos alegou ter sido ofendido pelo então presidente do Superior Tribunal de Justiça, Ari Pargendler, o caso foi arquivado.

No último dia 18/11, o relator, ministro Celso de Mello, determinou o arquivamento da Petição nº 4848, acolhendo pedido formulado pelo então Procurador-Geral da República, Roberto Gurgel, em 24 de julho último.

O então PGR levou 31 meses e 7 dias para pedir o arquivamento dos autos em razão da atipicidade da conduta atribuída a Pargendler.

Em outubro de 2010, Santos registrou ocorrência na 5ª Delegacia da Polícia Civil do Distrito Federal. Ele alegou que fora fazer um depósito por envelope e não reconheceu Pargendler, que naquele momento estava usando o caixa eletrônico de uma agência bancária no subsolo do STJ.

No relato de Santos à polícia, o ministro, depois de olhar duas ou três vezes para trás, ordenou que ele saísse do local, gritando: “Eu sou Ari Pargendler, presidente deste tribunal. Você está demitido”. Pargendler, então, “arrancou, de forma abrupta, o crachá do seu pescoço”. Santos foi demitido.

Segundo Gurgel, “a despeito dos entendimentos em contrário, especialmente da autoridade policial que expressamente referiu-se a crime contra a honra (injúria), o fato não adentrou na seara penal”.

“Do próprio relato feito pelo noticiante [o estagiário] não se extrai da conduta do magistrado [Pargendler] a intenção de ofendê-lo de qualquer modo, tendo agido movido pelo sentimento de que o noticiante encontrava-se excessivamente próximo, não mantendo a distância necessária à preservação do sigilo da operação bancária que realizava”.

No entendimento de Gurgel, não houve o delito de injúria real, “que pressupõe a ocorrência de violência ou vias de fato praticas com a intenção de ofender a vítima, de humilhá-la, atingindo-lhe a honra objetiva”.

Segundo o então PGR, “a conduta do Magistrado de puxar o crachá em seu pescoço não teve por objetivo feri-lo ou humilhá-lo, mas apenas o de conhecer a sua identificação”.

Finalmente, “o desligamento do estagiário, nas circunstâncias do caso, não alcança relevância penal, diante da precariedade da função”.

Gurgel não requereu imagens da agência bancária, não ouviu testemunhas e nem pediu informações a Pargendler. O gabinete de Celso de Mello informou que “o ministro Ari Pargendler não ofereceu defesa por se tratar de procedimento penal no qual inexistente qualquer acusação formal”.

30 Nov 22:25

Hit Parade

by Professor Hariovaldo
Allan Patrick

Aécio, vamos conversar? Tem coca aí na geladeira? :)

Tem coca aí na geladeira do helicóptero?

Read more →

29 Nov 17:51

PSDB de Santos mostra que tucano pode aumentar o IPTU que ninguém reclama

by Victor Farinelli

Eu vi santistas espumando de raiva, quando?

Quando o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), aumentou IPTU dos bairros ricos da capital, e apesar de ter diminuído e muito e até chegado à isenção em bairros da periferia.


O tucano Paulo Alexandre Barbosa (à esq.) em evento de campanha com o governador também tucano Geraldo Alckmin.

Agora, quando o prefeito de Santos, Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), aumenta o IPTU da cidade em 12%, para todos os bairros da cidade, você vê raros reclamos em pessoas que vivem na Zona Noroeste ou nos Morros, mas grande parte do pessoal que mora nas praias, aqueles que espumaram contra o petista da capital, simplesmente fingem que não aconteceu nada. São os ~apartidários~ que nunca reclamam contra o tucano do litoral, mesmo quando ele tocam no seu bolso. E o gigante que protestava contra o aumento dos impostos, onde está?

Enquanto Haddad (PT) batalha contra a campanha de desinformação da imprensa contra suas medidas, Barbosinha deve estar brindando com champanhe como o apartidarismo do bairro alto lhe permite essa imunidade moral… tim-tim!

Vereadores aprovam reajuste acima da média no IPTU de Santos, SP

Reajuste de 12% foi aprovado nesta terça-feira (26). Em outras cidades o imposto sobe, em média, 5,8%.

Do G1 Santos

O IPTU da cidade de Santos, no litoral de São Paulo, sofrerá um reajuste de 12% no próximo ano. O valor foi aprovado pelos vereadores nesta terça-feira (26).

Em sessão extraordinária, os vereadores decidiram reajustar o Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU) em 12%, o dobro da inflação esperada para o ano todo. O Secretário de Finanças alegou que a planta genérica do município estava desatualizada desde 2008.

Nas outras cidades da Baixada Santista, o imposto sobe, em média, 5,8%. Apenas Cubatão não definiu o índice de aumento. Peruíbe teve um reajuste simbólico de 0,2%. Já em Itanhaém não haverá o aumento do IPTU para 2014.

28 Nov 12:01

O tratamento privilegiado dado pela mídia a Aécio no caso dos Perrellas

by Paulo Nogueira
Aécio entre os Perrelas numa comemoração do cruzeiro

Aécio entre os Perrelas numa comemoração do cruzeiro

Aécio Neves é um cara de sorte.

Quer dizer, sorte sob o ângulo do tratamento que recebe da mídia.

Ele soube cultivá-la, é certo. Roberto Civita, por exemplo, não raro ia passar finais de semana na fazenda de Aécio, em Minas.

Pulitzer, o maior editor, disse que jornalista não tem amigo.

Isso porque amizades influenciam a maneira de um jornalista tratar alguém ou algum assunto.

Mas Aécio tem amigos entre os jornalistas. Ou melhor: entre os patrões dos jornalistas.

Como Churchill, ou como Serra, se quisermos ficar no Brasil, é daqueles que falam diretamente com os donos das empresas jornalísticas.

Pode evitar intermediários, os jornalistas propriamente ditos.

Poderosos desta natureza enfeitiçam os jornalistas das grandes companhias. Se telefonam, eventualmente, para um jornalista, em vez de ir direto ao patrão, o jornalista se sente desvanecido, homenageado, premiado.

Sou importante.

O jornalista premiado vai contar detalhes do telefonema a seu círculo de amizades, provavelmente com algum enfeite que o coloque numa posição mais elevada que a realidade.

Bem, tudo isso para explicar, a quem não conseguiu entender, por que Aécio vem sendo tão poupado no caso do helicóptero dos Perrellas.

Foi uma apreensão extraordinária de cocaína. Não é todo dia que a polícia apreende quase 500 quilos.

E isso se deu na ‘jurisdição’ de Aécio. Os Perrellas são amigos e aliados políticos de Aécio.

Há fotos que mostram a imensa camaradagem entre Aécio e os Perrelas, pai e filho. São unidos pela paixão ao Cruzeiro, do qual Perrella pai foi presidente, fora as conveniências políticas.

A pergunta vem sendo feita por muita gente na única e real tribuna livre jornalística nacional, a internet: e se o helicóptero fosse de um amigo de Dirceu? E se houvesse fotos de Dirceu com os Perrellas como as que existem de Aécio?

Como estaria se comportando o Jornal Nacional? E qual seria a próxima capa da Veja?

Causou indignação, na internet, a ausência da apreensão espetacular – pelo volume, pelos proprietários do helicóptero etc – no Jornal Nacional no dia em que o assunto surgiu.

Quem conhece a vida nas redações pode imaginar o que houve. Ali Kamel, o diretor de jornalismo da Globo, não é nenhum Pulitzer, mas cego não é.

O JN certamente terá outros jornalistas capazes de distinguir uma notícia que pede, suplica por 30 segundos de atenção ou mais.

Mas um telefonema ao dono pode evitar que qualquer reportagem vá ao ar. Ou, ao menos, pode retardá-la na esperança de que o assunto morra.

Quem acredita que a não inclusão do helicóptero foi uma decisão meramente jornalística do JN acredita em tudo, para parafrasear Wellington.

Não se trata de incriminar, levianamente, ninguém.

Mas a amizade entre Aécio e os Perrellas é notícia, e omitir isso ao tratar do assunto é um pecado jornalístico em que o leitor é a vítima.

Indiretamente, e por força da internet, brasileiros fora de Minas puderam conhecer um pouco mais da política mineira.

Perrella, o pai, é acusado de não declarar uma fazenda avaliada em 60 milhões de reais. A fazenda, apenas para efeito de comparação, representa cerca de 80% do total do Mensalão, tal como os juízes do STF e a mídia afirmaram.

Isto tem um nome: corrupção.

Aécio combateu a corrupção em Minas? Investigou uma história esquisita como a de seu amigo Perrella? Há denúncias dele que envolvem até a negociação de jogadores.

Mesmo o silêncio inexpugnável da mídia, mesmo a proteção dada a Aécio, mesmo com tudo que se faz e fez para impedir que os brasileiros tenham informações relevantes sobre seus líderes – mesmo com tudo isso, a sociedade aprendeu muita coisa no episódio do helicóptero.

Graças a algo que rompeu o monopólio da voz dos Marinhos, Frias, Civitas etc: a internet.

Leia mais: Quem são os Perrelas, envolvidos no ‘escândalo do helicóptero’

27 Nov 18:55

Que tal combater os homicídios mudando o conceito do que seja assassinato?

by Leonardo Sakamoto

Encontrei, dia desses, uma manchinha escura na mão. Não, não é pereba ou algo do gênero. É marca do tempo ou, como ouvi uma vez minha avó reclamar, “tatuagem da velhice”. Daí, uma amiga sugeriu que eu usasse uns creminhos para dar uma guaribada no visual.

Poderia também tingir os cabelos brancos – que surgiram como testemunhas e hoje se juntaram em hordas a apavorar a maioria. Mas nada mudaria o fato de que estou ficando mais velho. Todos têm o direito de fazer o que quiser com sua aparência, mas – como já disse aqui – o meu conceito de envelhecer com dignidade inclui encarar de frente as metamorfoses do meu corpo. Afinal de contas, a mancha não é acidente. É vida mesmo.

Gostamos de fugir da natureza de nossos problemas, maquiando-os. No Congresso Nacional, jogando a realidade para baixo do tapete. Reescreve-se a bíblia trocando-se Jesus por Eduardo. Ou, ao contrário, avisam que apenas estão revisando de leve o texto bíblico e, de repente, Noé surge na Última Ceia.

Tramitam, em Brasília, propostas que rebatizam formas de exploração. Por exemplo, algumas delas querem alterar o conceito de trabalho escravo contemporâneo. Dizem que restringir o problema ajudará a combatê-lo.

Como se, de repente, o número de assassinato diminuíssem loucamente porque, a partir do começo do ano, só fosse considerado assassinato quando você matasse a pessoa na Praça da Sé, na hora do almoço, avisando a polícia de que isso ocorreria com certa antecedência para dar tempo a todo mundo comer seu churrasco grego com suco grátis.

No caso do trabalho escravo, querem praticamente que se traga o pelourinho e os grilhões como provas, além de um teste de DNA no sangue do chicote e uma declaração do feitor – assinada em três vias e autenticada em cartório não-abolicionista do interior do Tocantins, afirmando que o capataz fez isso em nome do dono da senzala para que o patrão possa ser devidamente julgado pelo crime. Em suma, restringir o conceito àquilo que havia quando Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança e Bourbon usava maquiagem a base de sebo de carneiro por aqui.

Outras propostas buscam combater o trabalho infantil, vejam só, reduzindo a idade mínima para o trabalho no país, passando dos hoje 16 (para qualquer atividade não insalubre) e 14 (desde que seja como aprendiz) para 13, 12, 11 e até dez. Assim, o que era ilegal passa a ser joia – um empurrão em nosso desenvolvimento através da adição de população economicamente ativa e a inserção cidadã através do trabalho.

Ou seja, de um dia para outro, como em passe de mágica, trocamos o rótulo da garrafa e o que era veneno passa a ser produto de qualidade. Afinal de contas, se já faz sombra, senta na guia e consegue encostar o pé no chão e não faz gu-gu, nem da-dá, pode trabalhar normalmente. Pois, como todos sabemos desde a década de 40, só o trabalho liberta.

O ideal seria se, ao invés das maquiagens, encarássemos de frente as marcas da desigualdade e da injustiça social. Pois, neste caso, as manchinhas não são inevitáveis como o envelhecimento ou marca de uma doença incurável. Mas um sintoma de que o organismo (no caso, a sociedade), anda doente.

Mas, aí, o pessoal que ganha com a venda de cosméticos vai fazer o que da vida?

27 Nov 14:20

¿Pasa algo por matar ciclistas? (I)

by Pablo León
Allan Patrick

Na veia: “Los jueces se identifican con los conductores. Los policías se identifican con los conductores. Hay una especie de empatía casi inevitable porque todos van en coche”

Guerra cultural entre bicis y coches.

Hace un par de semanas un editorial del New York Times arrancaba con esta cuestión: It´s ok to kill cyclist? (¿Pasa algo por matar ciclistas? )Tras un leve accidente, la seguridad sobre el sillín comenzó a rondar en la cabeza de Daniel Duane, autor del artículo de opinión, usuario de la bici y confeso defensor de la misma. “Empecé a prestar atención a los accidentes ciclistas y a las personas muertas”, explicaba en el texto Duane. Tras un análisis sobre las consecuencias legales de atropellar a un ciclista, concluía que en la mayoría de estados de Estados Unidos, si no había drogas implicadas o fuga, el conductor que había matado a un pedaleante no recibía una amonestación acorde con la gravedad de su acción. Además de hacer estallar las redes sociales con comentarios de defensores de la bici y haters de los pedales, generó una interesante cuestión: ¿protege la sociedad a los ciclistas?

Seattle. 2011. Un adolescente atropella a un ciclista de 49 años. La policía le multa con 42 dólares porque el chaval no estaba borracho y no había conducido de manera temeraria. “Si buscas en Google accidente y ciclista se pueden encontrar historias semejantes”, denuncia Duane en su artículo. Solo hay agravantes cuando el conductor se da a la fuga o ha consumido algún tipo de estupefaciente. Este verano, un joven de 26 años atropelló, en el madrileño barrio del Tetuán, a las 6 de la mañana a Oscar Fernández mientras iba al trabajo en su bici. Se dio a la fuga. Fernandez murió. Un par de días después, la policía le encontró. Tenía el carnet retirado y asumen que huyó porque podría haber estado borracho. El juez le tomó testimonio y le dejó en libertad con cargos. La indignación de los pedaleante no se hizo esperar. “No más ciclistas, asesinados”, gritaban en una manifestación que días después recorrió la capital reclamando justicia.

“Matar sale barato”, se lamentaba el hermano de Fernández. Cuando se produce un accidente entre dos coches todo el mundo entiende que ha habido un responsable. La policía interviene en el lugar para determinar ese grado de responsabilidad. Cuando la misma situación se produce entre un coche y una bici, parece que existe un impulso cultural a pensar que los accidentes son inevitables. “Los jueces se identifican con los conductores. Los policías se identifican con los conductores. Hay una especie de empatía casi inevitable porque todos van en coche”, resume Duane en el editorial.

VienaCycleToWork

Los ciclistas sienten que viven una cierta indefensión. En Estados Unidos, uno de los países menos bicifriendly del mundo, la industria de los pedales movió en 2012, 6.100 milliones de dólares y vendió 18,7 millones de bicicletas. Europa compra más bicis que coches al año desde hace tiempo. Italia y España se unieron a esta tendencia el pasado ejercicio. La bicicleta pública se está extendiendo por las principales capitales del mundo y lo mismo ocurre con la cultura ciclista. La legislación, la educación y las infraestructuras, sin embargo, no han evolucionado tan rápido. Un ejemplo, la velocidad en áreas urbanas. Aunque se habla de reducción, no se controla el cumplimiento. Este mismo mes, por ejemplo, cinco ciclistas han fallecido en las calles de Londres. 

(Continuará)

27 Nov 12:22

Barbosa escolheu a dedo a junta médica que avaliou estado de Genoíno

by Daniel Dantas Lemos

Por Miguel do Rosário

Em O Cafezinho (http://www.ocafezinho.com/2013/11/27/barbosa-contratou-medicos-antipaticos-ao-pt-para-tratar-do-caso-genoino/)


O Cafezinho foi investigar quem são os médicos selecionados por Barbosa para fazer um laudo médico que justifique trazer Genoíno de volta para Papuda. Todos os laudos anteriores indicavam que seria muito mais seguro para Genoíno se tratar em casa. Barbosa não se deu por satisfeito e pediu um último laudo, feito com médicos mais velhos, a maioria professores, acadêmicos, ou empresários da saúde, que aceitaram o jogo de Barbosa e prepararam um documento que prima por ser “contra” o réu.  É a primeira vez que eu vejo uma junta médica agir, deliberadamente, com apavorante frieza, com vistas à sabotar qualquer tratamento à Genoíno. 

Vê-se que Barbosa foi cuidadoso. Depois de trocar o juiz, escolheu cinco médicos perfeitos para executar sua missão. A maioria são médicos já maduros, com longa carreira acadêmica e donos de clínicas particulares. Barbosa não se arriscou com nenhum jovem idealista. Chamou só macaco velho.

Vamos a eles. Os nomes são: Luiz Fernando Junqueira Júnior, Cantídio Lima Vieira, Fernando Antibas Atik, Alexandre Visconti Brick, e Hilda Maria Benevides da Silva de Arruda.

Segue a ficha cada um:

 

  • Luiz Fernando Junqueira Júnior, professor de cardiologia da Universidade de Brasília e presidente da junta:

Consegui reunir pouco material sobre sua pessoa, mas obtive indícios do ambiente em que vive. Há uma página no Facebook dedicada à turma Luiz Fernando Junqueira Junior – Medicina UNB.

O administrador é Paulo Machado Ribeiro Junior.

ScreenHunter_2970 Nov. 27 02.39

 

página de Ribeiro Junior é repleta de acusações contra médicos cubanos, ódio contra o PT, festejos pela prisão dos “mensaleiros”.  Essa é a turma do chefe da junta que foi examinar Genoíno.

ScreenHunter_2974 Nov. 27 02.41

ScreenHunter_2973 Nov. 27 02.41

***

Cantídio Lima Vieira, cardiologista e especialista em perícia médica:

Esse aí tem uma história interessante. É um dos “marajás de jaleco” do Senado Federal. Médico do serviço público do Senado, Cantídio Lima Vieira possui clínicas privadas que oferecem serviços aos… senadores. Denúncia da Istoé foi logo abafada.

ScreenHunter_2978 Nov. 27 02.47

mi_561484965151303

Trecho da matéria: “Duas unidades médicas dos funcionários operam no Sudoeste, outro bairro nobre de Brasília. Uma delas pertence ao médico Cantídio Lima Vieira (foto). Ele tem participação em mais quatro clínicas. Duas delas, a Policlínica Planalto e a Cordis são prestadoras de serviço da mesma associação de médicos contratada pelo Senado.”

***

Fernando Antibas Atik, especialista em cirurgia cardiovascular:

Fernando Atik tem um Twitter, no qual tem 16 seguidores e segue 33 arrobas. Destas 33, as únicas fontes de informação são Jornal Nacional, Globo, G1, Globonews, CBN, Veja e Conselho Federal de Medicina. Seus últimos 2 tweets aconteceram no dia 16 de novembro, quando respondeu a uma pergunta da Veja a seus leitores:

ScreenHunter_2983 Nov. 27 04.25

***

Alexandre Visconti Brick, professor de cirurgia cardiovascular:

Esse aí tem um histórico legal. Ganhou o título de cidadão honorário de Brasília por indicação do deputado distrital Junior Brunelli. Brunelli é o deputado da “oração da propina”, religioso exemplar.

 

ScreenHunter_2980 Nov. 27 03.11

ScreenHunter_2979 Nov. 27 03.10

 

***

Hilda Maria Benevides da Silva de Arruda é mais nova e tem atuação mais discreta. Como a maior parte dos médicos brasileiros, odeia o programa Mais Médicos. E faz questão de deixar isso bem claro em sua página no Facebook.

ScreenHunter_2984 Nov. 27 04.43

***

Claro que a suposição de que Barbosa escolheu a dedo médicos com antipatias políticas fortes contra José Genoíno é apenas isso, uma suposição. Entretanto, o laudo médico me parece negligente, porque aponta algumas condições extremamente frágeis do paciente mas conclui que ele pode continuar numa prisão.  Por exemplo, o primeito item da conclusão diz, textualmente, que o paciente deve se submeter a acompanhamento ambulatorial periódico da sua condição pós-cirúrgica.

 

ScreenHunter_2985 Nov. 27 04.49

A má fé dos médicos aparece latente já no segundo item, onde se nota uma contradição que não pode ser inspirada em outra coisa, a meu ver, senão na maldade. Os médicos concluem que o réu, portador de hipertensão, deve usar medicamento de uso contínuo, e o tratamento deve incluir “dieta hipossódica, restrição de atividade física vigorosa, prática regular de leve a moderada atividade física aeróbica e  restrição de fatores psicológicos estressantes”. Repito a frase final: “restrição de fatores psicológicos estressantes”. Mesmo assim, os médicos concluem que não há necessidade do tratamento ser feito em domicílio. Ora, concluir que um homem idoso, sob exposição pública tão pesada, num processo tão polêmico, no qual se autoconsidera inocente, não vai ficar “estressado” dentro da cadeia é ser o que eu chamo, datavenia, de coxinha desalmado e psicótico. E se este stress se dá num homem que acabou de sair de uma cirurgia cujas chances de sobrevivência são de menos de 10%, a orientação de que ele pode se tratar na prisão me parece negligente e criminosa.

 

ScreenHunter_2986 Nov. 27 04.52

Todas as concluões são relativamente iguais, sempre repetindo expressões assim:

ScreenHunter_2988 Nov. 27 04.59

***

Não quero acusar nenhum médico. Vivemos uma democracia e cada um pode escrever o que quiser nas paredes virtuais de suas próprias redes.

Não consigo me livrar, porém, da impressão de que Barbosa catou médicos antipáticos aos réus apenas para que emitissem um laudo que chancelasse suas intenções de humilhar ainda mais José Genoíno. O laudo pode trazer informações verdadeiras, mas a conclusão me parece politicamente tendenciosa, contra o réu, contra a vida, contra o ser humano.

- See more at: http://www.ocafezinho.com/2013/11/27/barbosa-contratou-medicos-antipaticos-ao-pt-para-tratar-do-caso-genoino/#sthash.b9YtFJIc.dpuf
27 Nov 11:40

Go Plant a Tree

by Kevin Klinkenberg
Allan Patrick

"Diante de um orçamento limitado, o gasto mais efetivo para melhorar uma rua é o plantio de árvores."

If you’ve heard me speak or read any of my writings, you’re probably tired of this quote I use from Allan Jacobs, author of Great Streets:

“Given a limited budget, the most effective expenditure of funds to improve a street would probably be on trees”

But I can’t help myself. I’m a firm believer not just in the importance of street trees, but more importantly in the simple, inexpensive methods we can take to improve our lives today. And in that regard, Jacobs is spot on.

I thought of this again during a tree-planting volunteer day here in Savannah.

Recently the Savannah Tree Foundation, behind the leadership of Karen Jenkins, organized the planting of about a dozen street trees in my neighborhood and the give-away of dozens more. Volunteers did the planting, a small grant from CSX facilitated the purchase of the trees, and the City helped with some utility location and coordination.

ThomasSquare TreeGiveawayOct2603 300x224

ThomasSquare TreeGiveawayOct2619 300x224

lincoln trees 300x225

lincoln trees2 300x225

The effort was a success by all accounts, and you can see the results of the new trees on a couple of blocks.

Unfortunately what this effort underlines is just how rarely we do this, and by extension how low on the priority list we put these simple, inexpensive quality of life improvements.

Most of these trees will survive and grow to form a canopy over the sidewalk and the street.

Side note: it’s of critical importance to choose the RIGHT trees and put them in the RIGHT location. There are in fact wrong ways to go about this.

When they grow up they will provide much-needed shade in the summer (which encourages people to stay outside) cool the pavement (extending its life) and beauty for the residents and visitors. And, they do all this for a modest investment of a couple hundred bucks and some water.

It leads to an obvious set of questions, such as “Why aren’t we doing this sort of thing a thousand times over? Why doesn’t every city in America have a clear priority to plant and replant street trees in a proactive manner?”

Now, Savannah happens to be one city often known for its trees. The live oaks that grace the area provide a signature look and feel to our streets and squares. But even though the national landmark district is largely graced with beautiful trees, many streets throughout the city are either partially or completely lacking. In my own neighborhood, there are literally hundreds of locations needing a street tree. While our overall urban forest is good, it’s my feeling that good is not good enough. Why not shoot for excellent?

Volunteer efforts like the Tree Foundation’s planting are great – they bring people together, do some tangible good, and improve everyone’s lives. In the world of city planning and governing, I wish we’d place a higher priority on these types of improvements. The sad thing is, cities are eager to spend tens and even hundreds of thousands of dollars on studies for projects of dubious worth (such as big road projects and stadiums) while park and tree departments have their budgets constantly slashed.

We have the hardest time finding $10,000 to do something that will actually improve people’s daily lives, but no problem finding the money for studies for big projects that rarely deliver on their promises. The next time someone utters the phrase “make no small plans,” give them a shovel and a tell them to plant a tree.