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27 Nov 09:37

IFRN obtém a melhor média no ENEM 2012 entre as escolas do Estado

by Marilia Estevão

O Câmpus Mossoró do IFRN obteve o melhor desempenho do Rio Grande do Norte no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), edição 2012. O Câmpus apresentou uma média de 619,1, sendo a mais alta no estado. As notas conseguidas pelas escolas, de acordo com as áreas do conhecimento, foram divulgadas nesta terça-feira (26), pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP).

Além do Câmpus Mossoró, o Câmpus Currais Novos, com uma média de 592,88, e o Câmpus Natal-Zona Norte, com 584,2, ficaram entre as 11 melhores escolas do estado, ocupando o 8º o 11º lugar, respectivamente.

De acordo com informações dos técnicos do INEP, os  demais câmpus do IFRN não aparecem na lista porque para isso seriam necessários que  mais de 50% dos alunos matriculados no último ano do ensino médio da escola tivessem feito o ENEM 2012, além de o colégio ter registrado mais de 10 estudantes inscritos no Exame.

O cálculo das médias gerais das escolas foi feito pelo Portal UOL, que considerou a soma das notas das quatro provas objetivas realizadas no ENEM divididas por quatro. Os números podem ser conferidos no Portal (http://educacao.uol.com.br/infograficos/2013/11/26/confira-a-nota-da-sua-escola-no-enem-2012.htm), sendo possível filtrar por estado e pelo nome da escola.

27 Nov 09:35

No lugar de 2 carros, 500 pessoas sentadas.

by greenmobility

Repare quantos carros passam na rua e compare com quantas pessoas caminham na calçada… no lugar de 2 carros , 500 pessoas podem sentar durante o dia. Cidade para as pessoas!


27 Nov 09:23

Lelê Teles: Troca de casal padrão FIFA e o sorteio da Copa

by Luiz Carlos Azenha

 

Charge de Vitor Teixeira

TROCA DE CASAL PADRÃO FIFA

por Lelê Teles, via e-mail

Jogadores negros ameaçam boicotar a copa do mundo!

Assim mesmo, a FIFA decidiu vetar o casal de negros, Camila Pitanga e Lázaro Ramos.

O jogador marfinense, Yaiá Touré, do Manchester City, avisou às autoridades do futebol europeu que os jogadores negros poderão não disputar a Copa do Mundo de 2018, na Rússia. País com histórico de racismo nos estádios.

Touré, em partida este ano contra o CSKA, foi chamado de macaco pela torcida russa. Em 2012, o Yayá Touré e Ballotelli foram ofendidos pela torcida do Porto que cantava hinos racistas. No início deste ano, Balotelli e Robinho foram ofendidos por alguns torcedores da Fiorentina. Outro dia, a torcida do Roma ofendeu tanto os negros Balotelli e Boateng, do Milan, que o árbitro teve que interromper a partida. Boateng já abandonou o campo certa vez por não suportar as ofensas. Acontece o tempo todo. Em muitos estádios europeus, jogadores negros são ofendidos pela torcida adversária com jocosas imitações de macaco, e até bananas são arremessadas nos gramados.

Mesmo assim, a FIFA não aceitou a dupla de negros sugerida pela Globo.

Na semana passada, a torcida do espanhol Bétis, time do brasileiro Paulão, vaiou o nosso patrício e fizeram macaquices. Torcedores do seu próprio time!

Porém, a FIFA não quis saber do casal de negros e escolheu um casal de loiros sulistas para apresentar a cerimônia do sorteio de grupos para a Copa do Mundo do ano que vem.

Lázaro Ramos, um dos grandes atores brasileiros da atualidade, filho do teatro popular, é da Bahia, onde será realizado o evento no mês que vem. A Bahia é o estado que tem o maior contingente negro do Brasil. Mais: a Bahia é o centro da resistência e do orgulho negro no Brasil.

Mas a FIFA preferiu que os mestres de cerimônia do evento, a ser transmitido para todo o mundo, fossem a apresentadora gaúcha Fernanda Lima e o cozinheiro catarinense Rodrigo Hilbert.

O futebol brasileiro, até os anos 20, recusava profissionalizar jogadores negros. O presidente Epitácio Pessoa chegou a vetar a presença de negros na Seleção Brasileira no Sul-Americano de 1921.  Mas os negros não desistiram e foram conquistando o seu espaço. Primeiro no Vasco, transformando o time em uma potência, depois Bangu, Flamengo, Fluminense…

Em ’34, chegou à seleção brasileira o ousado Leônidas da Silva, o Diamante Negro, inventor da bicicleta, a jogada mais espetacular do futebol, a mais criativa, a mais inusitada. Já na Copa do Mundo de ’38, o Diamante Negro comandou o time que encantou o mundo. Um time com branco, mulato e preto. Quatro décadas depois, um negro surge como o maior nome deste esporte em todos os tempos. Em seguida vieram Romário, Denner, Ronaldos, Rivaldo, Robinho, Neymar…

A questão, portanto, não é que a CBF tenha escolhido um casal loiro. É que ela rejeitou o casal de negros.

Na verdade, mesmo sendo o maior exportador de jogadores para o exterior, e sendo negros a maioria deles, o Brasil ainda tem poucos negros nas situações de comando. Após o negro Barbosa ter levado nas costas toda a culpa pela perda da Copa de ’50, demorou muito para vermos um negro novamente com a camisa de goleiro na seleção.

A FIFA poderia ter sugerido mesclar Fernanda Lima e Lázaro Ramos, ou Pitanga e Hilbert. Mas mesmo fazendo campanhas contra o racismo nos estádios, a FIFA não conseguiu compreender a simbologia de termos ali ao menos um negro representando o Brasil; ou não quis compreender.

Na Copa das Confederações no ano passado, durante o jogo entre Uruguai e Itália, devido ao preço exorbitante dos ingressos, o cara mais negro dentro da Arena Fonte Nova, na negra Bahia, era o italiano Balotelli.

A FIFA já quis proibir a venda de Acarajé durante os jogos, e desproibiu a venda de bebidas alcoólicas nos estádios.  Ela faz e acontece. Pode até não se importar com o fato de que, no Brasil, o preço do ingresso pode segregar raças.

Se importará em 2018, se Touré levar o seu ativismo adiante.

Eu fui à varanda olhar para o mar, um pensamento passou com a maresia e eu o agarrei: com mil diabos, mesmo com tudo isso sendo do conhecimento de todos nós, a FIFA recusou o casal de negros e contratou o casal de loiros. E eles aceitaram!

Leia também:

Professora que se diz vítima de macartismo propõe debate ao vivo

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26 Nov 22:00

Maria Frô acusa o PSDB de ser o partido mais cara de pau do país e o PT o mais inerte

by mariafro

A chamada de capa da Folha PSDB acusa PT de reeditar a operação dos ‘aloprados’ para encobrir o mensalão é um caso inédito do poste mijando no cachorro.

Pensem num jornal que se presta a esse papel: garoto de recado de corruptos de alto escalão que desviaram 500 milhões dos cofres públicos. Lembrem-se que a síndrome de Estocolmo do PT, a baixa auto-estima (só consigo explicar o quanto o PT permite levar a culpa de algo que não fez pelas vias psicológicas, não consigo achar explicação política pra este comportamento) já jogou na vala dos corruptos o vereador Antonio Donato, como fez com os ‘mensaleiros’.

Já estou vendo um caso Donato II: o investigador da máfia dos fiscais é atacado por bandidos, sem nenhuma prova  REPITO, ATÉ AGORA SEM NENHUMA PROVA CONTRA ELE, mas mesmo assim Donato é afastado do cargo. Os 500 milhões de desvio ocorridos na Administração Kassab vão para as costas do Haddad, colocados em manchete pela própria Folha. A manchete é tão cara de pau que virou motivo de piada na rede, tal absurdo jornalístico.

Qual prefeito, Folha? De qual partido, Folha? Quando este prefeito governou, Folha?

Quando há escândalos contra o PSDB e seus aliados, a mídia inteira esconde de que partido se trata:

Propinoduto: Quando denunciado em manchete, tucano é apenas “político”


Nós só ficamos sabendo do propinoduto por causa do Ministério Público Suíço, enquanto o de São Paulo esqueceu a denúncia na gaveta: Como o Ministério Público protegeu tucanos. Procurador Rodrigo de Grandis engaveta oito ofícios do Ministério da Justiça que pediam apuração do escândalo do metrô de São Paulo e prejudica o andamento das investigações.

Reparem nos títulos das matérias da Folha tucana: Marina defende Walter Feldman, citado no escândalo dos trensAécio cobra explicações de ministro da Justiça sobre caso Siemens!!!!!!

Que o governo Dilma e o PT enfrentem estes cafajestes, porque a ideia que dá a manchete da Folha aí abaixo, nasceu nas redes sociais, pela direitalha  mais canalha que existe, assim com a ficha falsa do Dops que circulava em blog de extrema direita foi parar em plena campanha eleitoral para presidente no Brasil, na manchete de primeira página da Folha, que nunca se desculpou de seu erro grotesco.

Assim, já que o PSDB pode acusar impunemente o PT e o PT segue sem reagir e processar todos esses detratores e, pior, alimentando a mídia que age a serviço desses detratores, vejo-me no direito de acusar um de cara de pau e o outro de menino que apanha e vai chorar na barra da mãe.  Olha, além de paciência, é preciso muito estômago pra assistir esse absurdo sem se indignar.

PSDB acusa PT de reeditar a operação dos ‘aloprados’ para encobrir o mensalão

RANIER BRAGON, DE BRASÍLIA, Folha

Com fortes críticas ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, a cúpula do PSDB convocou a imprensa nesta terça-feira (26) para acusar o governo federal de reeditar o “escândalo dos aloprados” –a suposta encomenda de um dossiê falso contra José Serra (PSDB) nas eleições de 2006– como forma de minimizar o impacto das prisões decorrentes do esquema do mensalão.

Tendo à frente o senador Aécio Neves (MG), provável candidato do partido à Presidência da República, o partido defendeu o afastamento de Cardozo das investigações sobre as suspeitas de montagem de cartel para fraudar licitações do metrô e trens em São Paulo durante os governos do PSDB. Em algumas falas, a demissão do ministro foi sugerida. Cardozo irá responder às críticas do PSDB em entrevista coletiva às 15h30 desta terça.

 ”A tentativa de fazer com que os outros possam parecer iguais não terá êxito, porque nós não somos iguais. Prezamos e praticamos a ética na vida pública não apenas em determinados momentos, mas ao longo de toda a nossa trajetória”, afirmou Aécio, acrescentando que o governo “manipula” as instituições do Estado para atingir seus adversários.

Segundo o tucano, as acusações contra integrantes do partido, que tem a empresa alemã Siemens como pivô, vieram a público agora como forma de encobrir os desdobramentos do escândalo do mensalão, cujos condenados, boa parte deles do PT, começaram a ser presos no último dia 15.

Para Aécio e os demais tucanos, é uma reedição do caso dos “aloprados”, que começou com a prisão de integrantes do PT em 2006 com dinheiro que, segundo o Ministério Público, seria usado para a compra de um dossiê contra o então candidato tucano ao governo de São Paulo, José Serra.

A entrevista foi dada na sede nacional do partido, em Brasília, e teve a presença dos líderes do PSDB na Câmara (Carlos Sampaio) e no Senado (Aloysio Nunes Ferreira), além dos secretários do governo de Geraldo Alckmin Edson Aparecido (Casa Civil) e José Aníbal (Energia).

Reprodução/Twitter/‏@Rede45
Presidente do PSDB Aécio Neves e líderes do partido concedem entrevista sobre a atuação da Cade e do Ministério da Justiça na investigação do caso Siemens
Presidente do PSDB, Aécio Neves e líderes do partido falam sobre a atuação do Cade e de Cardozo no caso Siemens>

ACUSAÇÃO CONTRA TUCANOS
As acusações contra políticos tucanos vieram a público após a divulgação de um suposto depoimento do ex-diretor da Siemens Everton Rheinheimer que apontava a “existência de um forte esquema de corrupção no Estado de São Paulo durante os governos [Mário] Covas, [Geraldo] Alckmin e [José] Serra, e que tinha como objetivo principal o abastecimento do caixa 2 do PSDB e do DEM”.

Rheinheimer negou posteriormente ser o autor da denúncia. O depoimento diz que Aparecido recebeu propina do lobista Arthur Teixeira, acusado de intermediar o pagamento de comissões de empresas que atuam no mercado de trens. São citados como próximos do lobista mais três secretários de Alckmin: Anibal, Jurandir Fernandes (Transportes Metropolitanos) e Rodrigo Garcia (Desenvolvimento Econômico), do DEM. Aloysio Nunes (PSDB-SP) também era mencionado como pessoa próxima a Arthur.

Embora dois delegados da Polícia Federal que participam das investigações tenham afirmado que receberam essas acusações do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), o ministro da Justiça afirmou depois que recebeu o depoimento das mãos do secretário de Serviços da Prefeitura de São Paulo, o também petista Simão Pedro.

A versão visa preservar o Cade, segundo a Folha apurou. O órgão responsável pela defesa da concorrência, que investiga o cartel no mercado de trens denunciado pela Siemens, tem como presidente Vinicius Carvalho, que foi chefe de gabinete de Simão Pedro e que escondeu essa informação do seu currículo.

CARDOZO

Na entrevista desta terça, os tucanos se mostraram indignados com a atuação de Cardozo, Simão Pedro e Carvalho, que também teve sua demissão defendida pelos tucanos. “Esses nomes [os tucanos] que honram a vida pública brasileira não podem ser enxovalhados por denúncias sem qualquer base concreta. [...] Na verdade, o PT faz um mal enorme à democracia”, disse Aécio.

“Se a presidente não sabia desse episódio, agora sabe. Ou demite o ministro ou é cúmplice desse dossiê de aloprados”, afirmou Aníbal. De acordo com os tucanos, é incompatível com o cargo de Cardozo ter recebido a denúncia fora do ministério, das mãos de um companheiro de partido. Aécio e os demais tucanos não foram tão contundentes quanto Aníbal no pedido de demissão, defendendo claramente apenas seu afastamento das investigações e a análise por Dilma de sua eventual demissão.

Os tucanos também afirmaram que pretendem tentar aprovar a convocação de Cardozo para dar explicações no Congresso, além de representar contra ele na Comissão de Ética Pública da Presidência e, por improbidade administrativa, no Ministério Público Federal. O partido também disse que adotará medidas contra o presidente do Cade e que ingressará na Justiça pedindo reparação dos danos.

“Esse é um episódio ‘crapuloso’, urdido nos subterrâneos da política, [...] estou como Pilatos no Credo, não tenho nada a ver com essa porcaria”, disse Aloysio Nunes. Aparecido afirmou que irá processar todos os envolvidos.

26 Nov 16:35

GUEST POST: DIFERENÇA SALARIAL ENTRE GÊNEROS ATÉ NO FUNCIONALISMO PÚBLICO

by lola aronovich
Allan Patrick

Meu texto no Escreva Lola Escreva

Patrick, que eu adoro, é Auditor Fiscal na Receita Federal. 
Na minha primeira palestra sobre feminismo, que dei em Mossoró a convite dele, ele me surpreendeu com um dado. Recentemente pedi a ele que escrevesse um post sobre a diferença salarial entre gêneros que existe até no funcionalismo público.

Escrevo este post abordando a questão das diferenças de gênero no serviço público, a partir da observação do mundo que me cerca. Basicamente a instituição onde trabalho. Vou aproveitar o gancho pra tratar um pouco também da questão racial, já que, no início deste mês de novembro, a Presidenta Dilma encaminhou ao Congresso Nacional um Projeto de Lei (PL) prevendo a reserva de 20% das vagas em concursos públicos para pessoas negras.
A reação foi amplamente negativa na maioria dos meios de comunicação. Só para ilustrar, embora o PL, em seu art. 1º, afirme que a reserva de vagas é de 20%, o blog tido como o mais acessado de Natal/RN –- disputa em audiência com o principal jornal da cidade -– manchetou o assunto “informando” cotas de 40% e anunciando no corpo da notícia que a proposta poderá acabar com a “meritocracia” no serviço público.
Pausa. Pra rir. Se pesquisarmos pela palavra "meritocracia" naquele blog, vamos encontrar quase 600 posts. A despeito de falar tanto em meritocracia, o seu autor não demonstra qualquer constrangimento com o fato de que 19 em cada 20 de seus posts terem origem pirata e não passarem de um simples Ctrl-C/Ctrl-V, grande parte dos quais violando até o direito moral de autor, ao sequer citar quem preparou os textos que copiou e, na cara de pau, escrever no rodapé do feed RSS “O post XXX apareceu primeiro no Blog do GG”. Fim da pausa.
À primeira vista, o edital de um concurso público parece ser uma oportunidade transparente e sem preconceitos para pessoas oriundas de minorias. Tanto é assim que, em 1992, quando eu era aluno secundarista da Escola Técnica Federal (atual Instituto Federal) do RN, em uma visita da turma à empresa estatal de distribuição de energia elétrica, encontramos trabalhando lá uma Técnica em Eletrotécnica que havia se formado na primeira turma mista da nossa Escola, no final da década de 1970. 
É uma profissão onde até hoje as mulheres tem dificuldade para conseguir emprego! Inclusive, há poucos dias Lola publicou um guest post sobre uma técnica industrial que teve que mudar de profissão por não conseguir emprego na área por culpa da discriminação de gênero.
A propósito, um aspecto que pouco se lembra da ditadura militar é esse: mulheres foram proibidas de praticar diversos esportes (como futebol e judô) e exercer várias profissões. Como já citei, nossa Escola só começou a aceitar o ingresso de mulheres nos cursos técnicos da área industrial já na segunda metade dos anos 1970. No caso da prática do futebol, a proibição persistiu de 1964 até 1981.
Ainda agora, em pleno 2013, o Governo Federal, através da Força Aérea Brasileira, mantém uma escola pública de nível médio com acesso vedado a garotas. É a Escola Preparatória de Cadetes do Ar de Barbacena (MG). Isso embora a Academia da Força Aérea, para a qual a Escola prepara seus alunos, aceite mulheres em dois de seus três cursos de Oficial (Intendente e Aviador; a vedação persiste no de Infantaria).
Eu comecei falando do PL das cotas para pessoas negras, mas acabei tomando o rumo da questão de gênero. Por uma razão simples: pra mim, que não sou pesquisador e não tenho acesso a estatísticas agregadas nem a questionários de entrevistas, é mais fácil levantar dados mostrando as disparidades gritantes na questão de gênero.
Vamos aos números: o último concurso para o cargo mais bem remunerado da Receita Federal (Auditor Fiscal) ofereceu 200 vagas. Quantas mulheres foram aprovadas? Apenas 35, ou 17,5%. Um resultado, a meu ver, assombroso! Como esse número se explica? Essa é uma ótima pergunta que eu gostaria de ver pesquisadores na academia estudando, mas eu não vou me furtar de dar uma opinião.
Aliás, cabe ressaltar que o concurso previa uma cota de 5% para portadores de necessidades especiais (10 vagas), mas apenas um foi efetivamente convocado. Porque cota não é sinônimo de aprovação automática, e todos os candidatos (eram 26 mil, no total) têm que superar as notas mínimas (apenas 250 conseguiram, entre eles o único portador de necessidades especiais), sempre muito elevadas.
A Receita Federal do Brasil (nosso nome oficial) é o resultado da fusão, em 2007, da Secretaria da Receita Federal (SRF) com a Secretaria da Receita Previdenciária (SRP). Como costuma acontecer em fusões, acaba prevalecendo a cultura corporativa da instituição maior, o que é uma pena, pois todos os relatos que as pessoas oriundas da SRP me fazem é de que lá havia um equilíbrio muito maior de gênero do que na instituição resultante da fusão.
Minha percepção é que, como as pessoas aprovadas no concurso de Auditor Fiscal tomam posse em localidades inóspitas e de fronteira, onde há carência de creches e escolas, e o mercado de trabalho é pouco dinâmico, as mulheres são mais prejudicadas. Lola já postou aqui como é mais difícil para a mulher convencer o homem a largar sua vida profissional e segui-la do que o contrário. 
Além disso, nossa atividade vem assumindo um papel excessivamente hierarquizado e se privilegia a competição em detrimento do trabalho em equipe, com regiões competindo entre si por orçamento. Isso significa, por exemplo, que se a sua região ficar mais bem classificada no ranking nacional de metas do que as outras, vai ser mais fácil trocar a mobília velha na qual você trabalha. Essas características são bem propícias à criação de um caldo de cultura machista.
Em 2011 eu convidei Lola pra fazer uma palestra sobre feminismo, às vésperas do Dia Internacional da Mulher, na Delegacia da Receita Federal em Mossoró, onde na época eu era o chefe.
Para me preparar à vinda de Lola, elaborei uma planilha onde tabulei o salário de todas as pessoas que trabalhavam na Delegacia e suas Agências, fossem servidores públicos ou terceirizados. No total eram 29 mulheres e 64 homens. Quando calculamos o salário médio de cada gênero, a diferença foi gritante: R$ 4.422,57 (homens) versus R$ 2.400,80 (mulheres, 43% inferior). Não havia (não há ainda) nenhuma Auditora Fiscal naquela Delegacia, o que puxava a média feminina pra baixo.
Se involuímos recentemente com a fusão, prevalecendo a cultura da Secretaria onde havia mais diferenças de gêneros, também temos regredido firmemente em outros aspectos. Depois que me mudei para Natal, tomei conhecimento de que, nos anos 1980, havia na sede local do Ministério da Fazenda uma creche mantida pela associação dos servidores (Assefaz). Essa creche utilizava a estrutura física do Ministério (algumas salas), mas era custeada pela associação, sem ônus para a administração pública. 
No entanto, o Tribunal de Contas da União (TCU) proibiu a prática, alegando que um patrimônio público estava sendo utilizado em benefício privado. Até aí tudo bem, mas eu gostaria de apontar para uma baita hipocrisia do TCU: no mesmo local, algumas dezenas de carros particulares -– de servidores -– ocupam espaço público e são custodiados por seguranças terceirizados custeados pela administração pública. Ou seja, segundo o TCU: 1) “babás” para automóveis particulares bancadas com dinheiro público, OK; 2) profissionais de educação infantil, bancados pelos próprios servidores por meio de sua associação, propiciando um ambiente de trabalho mais equânime do ponto de vista de gênero, NÃO-OK.
Ressalto que o fato se repete na própria sede local do TCU e provavelmente em todas suas outras unidades, além de em milhares de repartições públicas de todo o país, sejam federais, estaduais, municipais, do poder executivo, legislativo ou judiciário, onde pajear automóveis de particulares é visto como atividade "essencial" do serviço público.
A questão do racismo, embora eu não disponha de qualquer número, também existe na Instituição. No final de 2008, foi distribuído um calendário de mesa que, escudado no argumento do "bom humor", tratava do assunto segurança institucional com ilustrações racistas (tente adivinhar a cor dos personagens malfeitores e criminosos, retratados inclusive em alguns casos com rabo, chifre e tridente; sim, a resposta é essa mesma que você pensou). Isso é resultado de um ambiente de trabalho onde, na ausência de diversidade racial, os freios e contrapesos deixam de funcionar.
Além disso, baseada num parecer da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, a Receita Federal não respeita os feriados municipais do Dia da Consciência Negra, marcados para o próximo 20 de novembro. O fundamento é que a Lei nº 9.093/1995 só abriu espaço para feriados municipais se forem de matiz religioso (o que francamente me parece inconstitucional). Sendo assim, só em cidades como Araraquara, onde o dia 20 é o Dia da Consciência Negra e dos Orixás, ele é respeitado.
Eu fico triste quando percebo que as políticas públicas emanadas da SEPPIR (Secretaria de Políticas de Promoção de Igualdade Racial) e da Secretaria de Políticas para as Mulheres não se espalham como deveriam pelo serviço público federal, mesmo num governo que as defende e promove.
Portanto, Lola, se eu vejo um problema no Projeto de Lei das cotas é porque ele se restringe unicamente à minoria negra, ignorando a questão de gênero.

P.S.: enquanto redigia esse post, William Douglas, juiz federal muito conhecido como autor e professor na área de concursos, escreveu um belíssimo texto, sem qualquer juridiquês, mostrando porque mudou de opinião em relação às cotas para negros.
26 Nov 12:25

Professora negra da USP é assediada e humilhada no restaurante Dueto

by mariafro
Allan Patrick

Chocante :(

Caso de assédio moral, sexual, machismo, sexismo e racismo tudo junto e misturado no Dueto, um restaurante que adorava frequentar.

A indicação do post denúncia é de Domingos Tomé, também cliente do Dueto.  Ontem mesmo falava com Laerte Coutinho do dia que nos encontramos neste restaurante quando vários pais da escola da Vila foram jantar após a formatura de nossos filhos.

Além de não ir mais neste restaurante vou informar minha filha que o frequenta desde pequena com seus amigos  e informarei meus amigos. Espero que este sujeito asqueroso seja processado, nem diante de testemunhas ele se constrangeu e assediou moralmente uma cliente, ofendendo-a, humilhando-a.

Como escrevi no 20 de novembro sobre o racismo e o machismo: Nenhum homem pode entender integralmente como é degradante para nós mulheres sermos assediadas, violentadas, diminuídas em nossa humanidade por termos útero e vagina. 

Há machistas que nos agridem até mesmo expondo partes do corpo feminino com comentários grotescos, como se fôssemos cadáveres em uma aula de anatomia. O machista reifica o corpo feminino ao requinte de nos reduzir a um único órgão: a vagina.

Não há violência física que não seja precedida da violência psicológica e moral e o machista e seus sentimentos grotescos quer ter direito sobre os nossos corpos, decidir nossa moral a partir da roupa que vestimos, do linguajar que usamos, do sexo que fazemos. 

O nível do controle que a sociedade machista quer exercer sobre o corpo da mulher chega ao absurdo de querer criminalizar aquela que aborta. Quando não se tem direito sobre o próprio corpo não se goza de plena liberdade. Os escravos não têm direito sobre o seu corpo. Não somos escravas.

O machista é tão abjeto que na impossibilidade de argumentar, naturaliza a diferença entre os sexos para submeter a mulher.

Ao sair de casa para comemorar seu aniversário de 33 anos, no dia 8 agosto,  a geóloga e Professora  Doutora USP, Adriana Alves,  jamais imaginou que seria uma noite tão constrangedora.  Ela chamou um grupo de amigos e todos se encontraram no restaurante Dueto Bar, localizado no bairro do Butantã em São Paulo.  “É um bar frequentado principalmente por pós-graduandos e professores da USP. Era meu bar predileto, ia lá quase que semanalmente há pelo menos quatro anos”, descreve a professora em entrevista ao site Mundo Negro.

“Seus pelos lá de baixo devem ser duros como os da sua cabeça”, diz dono de restaurante à professora negra da USP

Por Silvia Nascimento, Mundo Negro



“Fachada do restaurante Dueto Bar, em SP”

Tudo corria bem, até que ela o seus amigos foram para frente do restaurante, na calçada, para fumar e conversar. O dono do estabelecimento, um holandês de nome Peter, que nunca havia falado com ela, juntou-se ao  grupo com a intenção de se aproximar da professora.  “Ele começou perguntando se meus dentes eram verdadeiros, por serem muito brancos, eu dei uma risada e respondi que sim. Tentamos mudar o assunto da conversa, quando ele me perguntou se eu gostaria de tomar café  da manhã com ele no dia seguinte”, descreve a professora.  Ela tentou desconversar novamente, questionando o que a esposa dele acharia da proposta, e ele respondeu “que ela não tinha nada com aquilo”.

Para ver ser Peter desistia das investidas, Adriana foi ao banheiro e ao voltar, se posicionou bem entre seus amigos. O holandês deu a volta para se aproximar dela novamente e perguntou se ela se depilava. Brava e em tom agressivo a professora respondeu que não tinha pêlos, quando ele retrucou: “Aposto que tem e os de lá de baixo devem ser duros como os da sua cabeça”.  Os amigos não reagiram, um deles era chileno e não falava português. Adriana resolver deixar o local, contra a vontade de Peter que perguntou ainda “qual era a última vez que ela tinha gozado gostoso”.

“Cheguei em casa e desatei a chorar. Pensei, sim, que a motivação dele foi racial. Há várias reclamações no site do restaurante, mas todas por grosseria. Então ele se achou no direito de falar daquela forma comigo, é porque sou negra e sabemos muito bem como a mulher negra figura no imaginário brasileiro”, afirma Adriana. Ela conta ainda que quando relatou o ocorrido aos amigos negros, todos de pronto entenderam o “viés racial” da situação. Já as amigas brancas, disseram que isso é normal e acontece “com qualquer mulher”.

 Inquérito foi instaurado

Em agosto, logo após o ocorrido, Adriana Alves se dirigiu à Delegacia de Defesa da Mulher para instaurar inquérito. No entanto, a delegada presente entendeu que crimes de racismo deveriam ser investigados numa delegacia comum. No dia 14 de novembro,  assessorada pelo advogado do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT), Daniel Oliveira, a professora foi orientada a retornar à 3ª Delegacia de Defesa da  Mulher para fazer o boletim de ocorrência, e nesta segunda tentativa não houve objeção.

“Trata-se  de com caso de racismo, porque o dono do restaurante não apenas a assediou, mas fez uma associação relativa ao cabelo dela, que tem obviamente uma conotação preconceituosa”, explica Oliveira do CEERT.

Silvia Nascimento – Site Mundo Negro www.mundonegro.inf.br

Também o Comunique-se reverberou a notícia

Professora negra da USP sofre ofensa racista em restaurante de São Paulo

Docente afirma que o proprietário do restaurante a insultou de acordo com depoimento prestado à 3ª Delegacia da Mulher (Bairro Jaguaré), na última quinta-feira – 14/11

A geóloga e docente da Universidade de São Paulo, Adriana Alves estava reunida com amigos no Restaurante Dueto, no dia 08 de agosto, para comemorar seu aniversário.

Segundo ela, o dono do bar, o holandês Peter, se aproximou e proferiu palavras grosseiras com o objetivo de manter relações sexuais, ouvidas por ela e por testemunhas que devem ser chamadas para depor.

Prevalecendo-se da condição de proprietário do estabelecimento, Peter não se intimidou com as recusas de Adriana e passou a ser cada vez mais inconveniente. Em determinado momento perguntou: “Seus dentes são de verdade? Você se depila nas partes pubianas? Há quanto tempo você não goza gostoso?”.

Diante da negativa e enfretamento de Adriana, disparou: “Seus pelos pubianos devem ser tão duros quanto os da sua cabeça!”.

A vítima acredita que a sua condição de mulher negra tenha motivado o assédio. Seu advogado, Daniel Teixeira, concorda: “De acordo com o relato dos fatos, é possível perceber uma conotação nitidamente preconceituosa na atitude do proprietário do restaurante, seja nas palavras que utilizou para abordá-la, seja nas palavras ditas após a professora ter se negado a dar-lhe qualquer atenção”.

O pedido de instauração de inquérito foi protocolado pelos advogados do CEERT na 3ª Delegacia de Defesa da Mulher.

Mais informações
Juliana Gonçalves, assessora de imprensa do CEERT – Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades. Site:www.ceert.org.br
Contatos: 11 985259387 11 957062171 jukisantos@gmail.com

25 Nov 14:10

VIRA LATAS EM TEERÃ

by Paulo Moreira Leite
Allan Patrick

Com três anos de atraso, EUA e Irã assinaram um acordo essencialmente igual ao que o Brasil e a Turquia tinham providenciado em 2010.

Acordo assinado em Genebra foi rascunhado por Lula, Erdogan e Ahmadinejad em 2010. O massacre foi geral
23 Nov 19:12

Por que os médicos cubanos são tão queridos?

by Paulo Nogueira
Exigiram a volta deste médico cubano em Feira de Santana

Exigiram a volta deste médico cubano em Feira de Santana

Os médicos brasileiros aprenderam uma coisa rapidamente com a chegada de seus colegas – ou rivais, segundo a visão dominante entre eles – cubano: são detestados.

Exagerei?

Então vou colocar a coisa de forma mais branda: não são amados. Especificamente entre os brasileiros desvalidos, esta é uma verdade doída que nem os médicos brasileiros podem contestar sem enrubescer.

O episódio de Feira Santana é particularmente revelador. A força do tema é tanta que Feira de Santana, pela primeira vez em muitos anos, virou assunto nacional.

Um médico cubano teria escrito no papel uma dose errada para uma criança com febre. Na consulta em si, segundo a mãe da criança, o médico explicou tudo com clareza e acerto.

Alguém teve acesso à receita e a usou para denunciar o cubano. Ele foi afastado.

E isso gerou uma revolta entre as pessoas, as humildes pessoas, que tinham sido atendidas pelo cubano.

A primeira da lista da revolta era a própria mãe do garoto. Ela se mobilizou pela reintegração do cubano. Em sua simplicidade, disse o que todos sabemos: os cubanos tratam seus pacientes com carinho e atenção, enquanto os brasileiros, retiradas como de hábito as exceções, sequer os olham.

De certa forma, os mal-amados médicos brasileiros são vítimas. Eles foram e são educados num sistema mercantil em que a saúde é uma mercadoria com finalidades estritamente lucrativas.

São fortemente influenciados por gigantescos laboratórios multinacionais que simplesmente quebrariam se a humanidade, subitamente, se tornasse saudável.

Por viverem da doença, os laboratórios estimulam os médicos – sempre convidados a bocas livres em hotéis e cidades especiais – a receitar remédios sempre.

É raro você sair de uma consulta sobre um colesterol alto sem que o médico indique medicamentos, em vez de uma vida mais saudável com exercícios e uma dieta menos assassina.

A internacionalmente aclamada medicina cubana tem outra visão da saúde.

Para os médicos cubanos, a chave está na prevenção. Tenha bons hábitos. Em Cuba, existe o chamado doutor comunitário. Como um amigo, ele acompanha as pessoas de uma determinada região.

Uma vez por ano, o doutor comunitário faz uma visita de surpresa ao paciente, em sua casa, para ver se seus hábitos estão de acordo com uma vida de saúde.

É por isso que é comum, em Cuba, você ver idosos se exercitando na praia. O resultado é que a expectativa de vida em Cuba, a despeito das limitações econômicas impostas pelo duríssimo embargo americano, é uma das maiores do mundo.

Além de tudo, a medicina, em Cuba, conservou algo do sacerdócio e do idealismo que o império do dinheiro foi destruindo no Ocidente, incluído o Brasil.

A principal motivação de um candidato a médico, no Brasil, é a remuneração. É uma das profissões mais bem pagas.

Dentro dessa lógica pecuniária, o jovem médico vai se estabelecer onde pode ganhar mais dinheiro: São Paulo, por exemplo.

Por isso, e pela inação de tantos governos, milhões de desvalidos em cidades remotas ficaram ao longo dos tempos sem um único médico.

Ou, como no caso de Feira de Santana, com médicos que gostariam de estar em outro lugar, com uma clientela disposta a pagar 400, 500, 600 reais por uma consulta.

Os médicos brasileiros, diante da chegada dos cubanos, têm agora duas alternativas.

Uma é ficar sabotando-os. É a mais fácil.

Outra é, humildemente, aprender com eles. É a mais sábia, tanto para os médicos brasileiros como para a sociedade como um todo.

A não ser que os médicos brasileiros se reinventem, logo as pessoas – e não estou falando apenas das desvalidas – passarão a sonhar em ter um médico cubano para cuidar delas.

22 Nov 12:26

“Meu filho melhorou logo graças ao médico. Queremos o médico de volta, passamos mais de 2 meses sem médico e agora inventam coisa para tirar o médico daqui”

by mariafro

Tem se propagado nas redes um caso sobre uma receita em que o médico cubano, Isoel Gómez Molina, teria prescrito uma dosagem incorreta de dipirona a um bebê em Feira de Santana (BA), conforme matéria abaixo:

Profissional do Mais Médicos é afastado por suspeita de receitar dose de remédio excessiva para bebê

por Sandro Freitas

A prefeitura de Feira de Santana decidiu nesta quarta-feira (20) afastar um dos profissionais que atuam na cidade pelo programa federal Mais Médicos, por suspeita de prescrição excessiva de um medicamento para um bebê de um ano, que não tomou o remédio após desconfiança de familiares.

O médico cubano atua na unidade do Programa Saúde da Família do bairro de Viveiros e foi denunciado pelo vereador José Carneiro (PSL). O profissional, que não teve o nome revelado, teria indicado 40 gotas de dipirona sódica para o bebê de dez quilos, quando o normal seria entre 4 e 8 gotas.

A dosagem receitada pelo médico, segundo a posologia do medicamento, é destinada a adultos. A secretaria de Saúde de Feira, Denise Mascarenhas, adiantou que o caso foi informado a Secretaria Estadual de Saúde (Sesab) e o Ministério da Saúde. “Iremos adotar as medidas legais”, garantiu Mascarenhas.

Segunda maior cidade da Bahia, Feira de Santana recebeu 12 profissionais do Mais Médicos, sendo que 11 são estrangeiros. Após o caso, a secretaria decidiu promover um curso extra para os médicos, com a Assistência Farmacêutica Municipal, neste final de semana.

Após ler esta notícia conversei com a assessoria do Ministério da Saúde que me informou que o caso está sendo apurado.

Mas qual não não foi a minha surpresa quando descubro que a mãe do bebê e demais moradores da região estão pedindo a volta do médico e acusando de falta de ética os profissionais que jogaram a receita na rede.

Destaco alguns trechos da fala da mãe:

“Trouxe meu filho aqui com febre alta e ele passou dipirona injetável e a em gotas para eu dar em casa.

Ele me disse que eram 10 gotas, já que meu filho pesa 10.200 kg, ou seja, uma gota por cada 1 quilo.

Se tivesse alguma coisa errada eu mesma teria denunciado”, disse.

“Ela me pediu a receita para mostrar a uma outra médica, como não desconfiei entreguei depois de um tempo trancada em uma sala ela retornou e me entregou o documento. Foi aí que vi que estava prescrito 40 gotas”

Demonstrando revolta, a diarista acusou a médica de ter feito a denúncia e ter prejudicado os moradores do bairro. “Ela não teve ética. Fez algo que não autorizei, o médico me explicou certo, apenas errou. Quem nunca errou? Eles estão com raiva porque os cubanos estão fazendo o trabalho que eles não querem fazer, pois os médicos brasileiros tratam a gente como se fôssemos animais, diferente dos cubanos”, frisou.

“Meu filho melhorou logo graças ao médico. Queremos o médico de volta, passamos mais de 2 meses sem médico e agora inventam coisa para tirar o médico daqui”

Os moradores afirmaram que, caso o médico não retorne para a unidade, eles farão uma manifestação fechando a entrada da unidade. “Se não retornar na próxima semana, iremos impedir o funcionamento do posto de saúde. A secretaria deveria ouvir a comunidade e não acreditar em uma mentira”, ameaçou Maria da Glória Martins.

Um dado curioso, o médico orientou corretamente a mãe, e a receita está errada, mas veja o que diz a mãe, destaco o trecho: 

“Ela me pediu a receita para mostrar a uma outra médica, como não desconfiei entreguei depois de um tempo trancada em uma sala ela retornou e me entregou o documento. Foi aí que vi que estava prescrito 40 gotas”.

Estranho não? Quem não nos garante que um 1 virou um 4 numa sala fechada?

De todo modo, resta-nos uma grande questão, quando foi mesmo que nos ambulatórios Brasil afora os  médicos se fiscalizaram entre si, para cuidar tão bem de nossa saúde e evitar erros de seus colegas de trabalho?

Antes do programa Mais Médicos quando foi que  a atenção dos médicos brasileiros se voltou tanto para a atenção básica?

Seria cômico se não fosse trágico a preocupação dos #coxinhadejaleco de Feira de Santana.  Experimente fazer uma pesquisa no Google com a expressão ‘erro medico no Brasil’, você terá 4 milhões, 140 mil menções. Você também descobrirá que a denúncia de familiares, vítimas de erro médico, cresceu 52% em 2011, dois anos antes do início do mais médicos.

O Google também nos surpreende quando pesquisamos sobre a quantidade de ONGs de familiares vítimas de erros médicos no Brasil.

Até agora só vemos boatos sobre os Médicos Cubanos, é de nos envergonhar o esforço de uma classe em detratar seus colegas de trabalho estrangeiros. Repugnante atitude tanto quanto as páginas do Facebook onde essas falsas denúncias pululam (vejam um exemplo desta postagem retirada do ar, inclusive). são todas páginas anti-petistas e cheias de propaganda do PSDB. Não é possível que o debate eleitoral tão antecipado nas redes caia nesta baixaria, desinformando e aterrorizando a população. Não é possível, porque é a própria população usuária do SUS (como eu) que virá em defesa do programa.

Desistam #coxinhasdejaleco, o povo brasileiro vai continuar lutando pelo seu direito de ter acesso à saúde pública de qualidade.

Abaixo mais uma mentira deslavada postada numa destas páginas anti-petistas e reverberadas em blogs de extrema-direita. Percebam como nos primeiros parágrafos é possível descobrir que é boato.

“Acaba de chegar a nós o relato de um médico no interior de Santa Catarina. Esperamos que a família entre com todas ações legais, pois tudo indica ser o primeiro caso de ÓBITO do Mais Médicos:

No plantão dessa noite 20/11/2013, em uma cidade do interior de SC [Qual? A lista e a quantidade de médicos por município é pública], o colega (somos em 2 plantonistas), recebe uma ligação da cidade vizinha [Qual](hospital de pequeno porte), desejando transferência de um politrauma, atropelamento bicicleta/caminhão.[mais médicos não atende em hospitais, mais médicos atendem em ambulatórios, atenção básica]

Em nosso hospital, não temos sobreaviso de Neurocirurgia e, portanto, todo e qualquer politrauma sempre solicitamos MIL vezezes: ” Não tem TCE? Não tem nenhum TCE? TCE??? ” Sendo que o MAIS MÉDICO respondeu: No… apenas necessito RX.. Paciente estável, sem fraturas…

Dados da entrada do paciente em nossa emergÊncia:

18 anos, Hipocorado, Pele pegajosa, PA: 80/60mmHg, torporoso, Glasgow 10. FC 138bpm, Abocath 24!!!

Paciente com hematêmese franca (grande quantidade, sangue vivo), edema de região cervical anterior direita + Afundamento de crânio em região frontal. Pupilas isofotorreagentes, Sinal de guaxinim bilateral

AP: MV+ bilateral, sem RA

AC: sp

Abdome: desconforto à palpação, sem defesa

Iniciado manobras de reanimação volêmica, paciente evolui com rebaixamento de consciência – sendo realizado IOT.

10 minutos após entrada do paciente evolui com PCR – assistolia, RCP sem sucesso após 40 minutos, pupilas midriáticas fixas;

Cirurgião geral chega para avaliação durante PCR sugerindo lesão de grandes vasos.

 Resumindo, perdemos MAIS UMA VIDA, 18 anos.

Obrigado Dilma, Obrigado MAIS médicos.

 OBS: Sei que o caso era grave, SEI que mesmo que tudo fosse feito como manda ATLS, ACLS, e todos os protocolos de emergência, talvez a vida não fosse salva. Mas o que revolta é a ligação de um ” colega ” para o meu COLEGA de plantão dizendo que o paciente viria transferido apenas para realizar RX, que não havia TCE e que o paciente estava Estável! ATÉ QUANDO DILMA? ATÉ QUANDO PT?!!!!!!!!!!!!!!”

ATUALIZAÇÃO: Médico cubano não receitou dose excessiva e volta a trabalhar segunda, diz prefeitura de Feira de Santana

20 Nov 17:06

Na pele de um negro

by Kiko Nogueira
A família branca se torna negra

A família branca se torna negra

 

A TV francesa fez, há poucos anos, um documentário chamado “Dans La Peau d’un Nour” (“Na Pele de um Negro”). Foi dividido em duas partes e passou no Canal+.

Baseou-se num livro do americano John Howard Griffin. Em 1959, Griffin, um texano, se pintou de negro para contar como era a segregação.

No caso francês, o enfoque foi dado a duas famílias, cada uma formada por um casal e um filho jovem (um rapaz e uma moça). Uma ideia simples e brilhantemente executada. Com maquiagem pesada, as famílias se transformaram e ficaram irreconhecíveis. Os parisienses puro sangue Laurent Richier, 40 anos, Stéphanie e o garoto Jonathan passaram a viver como o antilhano Romuald Berald, sua companheira Ketty Sina, camaronesa, e o pós-adolescente Audrey Verges.

A família Richier é liberal. São politicamente corretos, acreditam num monte de coisas boas, como bicicletas, e creem que a sociedade avançou enormemente. Para Stéphanie, há uma dose de vitimização na maneira como os negros se enxergam na França.

As duas negras vão a um restaurante. Stephanie acredita que é lenda que melhores lugares são para caucasianos.

E então batata: a hostess as encaminha para os fundos. Não de maneira descarada (“vocês, feios, fora”), mas com bastante sutileza. Stéphania, ao perceber, fica enlouquecida. Reclama na casa, fica tomada pela indignação.

Questiona a amiga como ela não fica enraivecida (enragée) diante daquilo. Como não se revolta. Tem como resposta que, se ela for reagir de maneira violenta diante de cada injustiça, não consegue ter uma vida próxima do normal.

Para Ketty Sina, se cada negro se sublevar quando maltratado no bar, no táxi, na pizzaria, no trabalho, na escola, na TV, numa batida policial, fica virtualmente impossível seguir adiante.

O documentário está na íntegra na Internet. A diretora, Christine Cauquelin, disse que “não é um filme sobre raças, mas sobre comportamentos que estão causando tensão na França”. É didático e mostra uma realidade que tende a passar despercebida no dia a dia — para quem não é negro, evidentemente.

Ainda bem que, no Brasil, não existe racismo.

20 Nov 12:33

Zero Hora quebra tabu sobre suicídio mas silencia sobre violência machista

by alexandrehaubrich

Alexandre Haubrich

Violencia de generoO suicídio da garota de 16 anos que teve um vídeo seu fazendo sexo divulgado na internet por um ex-namorado fez o jornal Zero Hora tomar uma decisão editorial extremada. Há um acordo tácito na imprensa – e em alguns jornais esse tema consta inclusive no manual de redação – que diz que suicídios em geral não devem ser noticiados. Abre-se exceção para casos envolvendo pessoas famosas, pessoas públicas, mas ainda assim mantendo-se certos resguardos. O objetivo é evitar que as notícias estimulem novos suicídios. No Brasil, enquanto a taxa de homicídios chega a 21 por 100 mil pessoas, os índices de suicídio são de 2 / 100 mil no caso das mulheres e 7,7 / 100 mil no caso dos homens.

Zero Hora resolveu noticiar em seu site – e com grande destaque – o mais recente acontecimento. É provável que venha a justificar a decisão em algum editorial, afirmando a necessidade de prevenir contra novas situações de agressões virtuais desse tipo, que podem levar a resultados extremos como esse. Além dessa razão – plenamente plausível – há, provavelmente, a razão mercadológica: tragédias vendem. Em nome das vendas e/ou do debate, fato é que Zero Hora passou a fazer uma forte cobertura sobre o assunto.

Nas matérias no ar na noite desta terça-feira, há o relato do caso e há uma discussão sobre os perigos da exposição virtual e do “bullyng virtual”. Sem dúvida uma questão importante, algo que merece reflexões mais profundas – bem mais profundas inclusive da que é apresentada na matéria. Zero Hora quebra o tabu sobre não noticiar suicídios e levanta um debate importante, mas se omite na principal problemática de fundo desse caso: o machismo e individualismo como causas últimas da morte da garota.

Em seu perfil no Facebook, o estudante de psicologia Ramiro Catelan fez a crítica precisa nesse sentido: “sobre a cultura machista, que submete a mulher e regula corpos e comportamentos, ninguém emite uma notinha, como se fosse muito natural apedrejar mulheres por causa de algo tão natural como sexo. As vítimas desses vazamentos são as novas bruxas, queimadas nas praças públicas das redes sociais por gente extremamente moralista que se acha no direito de julgar os outros. Isso é muito sério. O bullying é um fenômeno que cresce cada dia mais – e o cyberbullying pode ser ainda pior -, e enquanto o debate sobre as reais causas disso não for feito, pessoas estúpidas vão continuar praticando violência – são responsáveis diretas nesses casos – e mulheres vão continuar se suicidando por conta dum paradigma sexista e misógino no qual a mulher deve ser a princesinha pura guardando-se para o marido perfeito enquanto ao homem é dada a prerrogativa de fazer o que quiser”.

Esse é um tabu que segue existindo e que, ao manter-se ausente da maior parte dos espaços de construção de subjetividade, alimenta a repetição de situações de violência de gênero, das mais banais às mais agressivas. Algo semelhante acontece em relação à violência contra negros e homossexuais. Outro tabu, relacionado ao problema do individualismo na sociedade capitalista, completa o silêncio sobre as causas estruturais de acontecimentos como esse. Sem o debate, a conscientização fica impossibilitada. E sem conscientização, sem mudança de visão social, não há como resolver o problema visível.

19 Nov 13:47

Um dossiê embaraçoso

by Luis Fausto

Do Correio do Brasil:

O pior pesadelo do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, que tem dado repetidas mostras de interesse pela vida política, começa a se transformar em realidade nas próximas horas, em Roma. O ex-diretor do Banco do Brasil Francisco Pizzolato fará chegar às mãos de seus advogados italianos o relatório de perto de mil páginas, que o Correio do Brasil divulga, com exclusividade, no qual apresenta provas de que o dinheiro que deu origem à Ação Penal 470 no STF origina-se em uma empresa privada e não de um ente público, como afirma o relatório de Barbosa.

Para ocultar este fato, que coloca por terra o argumento que levou os réus na AP 470 ao Complexo Penitenciário da Papuda, segundo o dossiê apresentado por Pizzolato, que tem cidadania italiana, o então procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza e o ministro Joaquim Barbosa criaram, em 2006, e mantiveram sob segredo de Justiça dois procedimentos judiciais paralelos à Ação Penal 470. Por esses dois outros procedimentos passaram parte das investigações do chamado caso do ‘mensalão’.

O inquérito sigiloso de número 2474 correu paralelamente ao processo do chamado ‘mensalão’, que levou à condenação, pelo STF, de 38 dos 40 denunciados por envolvimento no caso, no final do ano passado, e continua em aberto. E desde 2006 corre na 12ª Vara de Justiça Federal, em Brasília, um processo contra o ex-gerente executivo do Banco do Brasil, Cláudio de Castro Vasconcelos, pelo exato mesmo crime pelo qual foi condenado no Supremo Tribunal Federal (STF) o ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato.

Esses dois inquéritos receberam provas colhidas posteriormente ao oferecimento da denúncia ao STF contra os réus do ‘mensalão’ pelo procurador Antônio Fernando, em 30 de março de 2006. Pelo menos uma delas, “o Laudo de número 2828, do Instituto de Criminalística da Polícia Federal, teria o poder de inocentar Pizzolato”, afirma o dossiê.

Ainda segundo o relatório que Pizzolato apresentará, em sua defesa, na corte italiana, um tribunal de exceção foi montado no Brasil com o único objetivo de desmoralizar o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em uma clara tentativa de apeá-lo do poder antes do tempo. Embora o estratagema tenha funcionado ao contrário, com mais um mandato popular surgido das urnas ao líder petista, que em seguida elegeu a sucessora, Dilma Rousseff, o STF seguiu adiante e conseguiu que o ex-ministro José Dirceu e o deputado José Genoino (PT-SP) fossem conduzidos à prisão.

Pizzolato relata, em detalhes, as operações realizadas na campanha política de 2002 e suas ações na diretoria de Marketing do Banco do Brasil. No dossiê, ele contesta os documentos acatados como verdadeiros na AP 470.

“Observem bem a data em que foi escrita a carta mentirosa do “tucano” (Antonio Luiz Rios, ex-presidente da Visanet que hoje trabalha como consultor para a Rede Globo de Televisão) e dirigida aos peritos da PF, foi em 02 de fevereiro de 2006, período em que os advogados não tinham acesso a nenhum documento. E esta carta mentirosa do “tucano” ditou, influenciou e/ou moldou todos os pareceres, perícias e fundamentalmente a própria “denúncia” da Procuradoria Geral da República e do Ministério Público Federal (PGR/MPF), bem como a argumentação do relator Joaquim Barbosa que por sua vez “convenceu” o plenário do STF. Ninguém, repito, absolutamente ninguém, nem o PGR/MPF e nem o relator, deram-se ao trabalho de observar a regra básica de uma relação de mercado, o respeito ao contrato. Pois existia um contrato que normatizava a relação da Visanet com seus sócios, os diversos bancos, sendo o maior acionista da Visanet, o Bradesco”.

Em nove capítulos, Pizzolato também revela que, em março de 2006, quando ainda presidia o STF o ministro Nelson Jobim, a CPMI dos Correios divulgou um relatório preliminar pedindo o indiciamento de 126 pessoas. Dez dias depois, em 30 de março de 2006, o procurador-geral da República já estava convencido da culpa de 40 deles. A base das duas acusações era desvio de dinheiro público (que era da bandeira Visa Internacional, mas foi considerado público, por uma licença jurídica não muito clara) do Fundo de Incentivo Visanet para o Partido dos Trabalhadores, que teria corrompido a sua base aliada com esse dinheiro. Era vital para essa tese, que transformava o dinheiro da Visa Internacional, aplicado em publicidade do BB e de mais 24 bancos entre 2001 e 2005, em dinheiro público, ter um petista no meio. Pizzolato era do PT e foi diretor de Marketing de 2003 a 2005.

Barbosa decretou segredo de Justiça para o processo da primeira instância, que ficou lá, desconhecido de todos, até 31 de outubro do ano passado. Faltavam poucos dias para a definição da pena dos condenados, entre eles Pizzolato, e seu advogado dependia de Barbosa para que o juiz da 12ª Vara desse acesso aos autos do processo, já que foi o ministro do STF que decretou o sigilo.

O relator da AP 470 interrompera o julgamento para ir à Alemanha, para tratamento de saúde. Na sua ausência, o requerimento do advogado teria que ser analisado pelo revisor da ação, Ricardo Lewandowski. Barbosa não deixou. Por telefone, deu ordens à sua assessoria que analisaria o pedido quando voltasse. Quando voltou, Barbosa não respondeu ao pedido. Continuou o julgamento. No dia 21 de novembro, Pizzolato recebeu a pena, sem que seu advogado conseguisse ter acesso ao processo que, pelo simples fato de existir, provava que o ex-diretor do BB não tomou decisões sozinho – e essa, afinal, foi a base da argumentação de todo o processo de mensalão (um petista dentro de um banco público desvia dinheiro para suprir um esquema de compra de votos no Congresso feito pelo seu partido).

No dia 17 de dezembro, quando o STF fazia as últimas reuniões do julgamento para decidir a pena dos condenados, Barbosa foi obrigado a dar ciência ao plenário de um agravo regimental do advogado de Pizzolato. No meio da sessão, anunciou “pequenos problemas a resolver” e mencionou um “agravo regimental do réu Henrique Pizzolato que já resolvemos”. No final da sessão, voltou ao assunto, informando que decidira sozinho indeferir o pedido, já que “ele (Pizzolato) pediu vistas a um processo que não tramita no Supremo”.

O único ministro que questionou o assunto, por não acreditar ser o assunto tão banal quanto falava Barbosa, foi Marco Aurélio Mello.

Mello: “O incidente (que motivou o agravo) diz respeito a que processo? Ao revelador da Ação Penal nº 470?”

Barbosa: “Não”.

Mello: “É um processo que ainda está em curso, é isso?”

Barbosa: “São desdobramentos desta Ação Penal. Há inúmeros procedimentos em curso.”

Mello: “Pois é, mas teríamos que apregoar esse outro processo que ainda está em curso, porque o julgamento da Ação Penal nº 470 está praticamente encerrado, não é?”

Barbosa: “É, eu acredito que isso deve ser tido como motivação…”

Mello: “Receio que a inserção dessa decisão no julgamento da Ação Penal nº 470 acabe motivando a interposição de embargos declaratórios.”

Barbosa: “Pois é. Mas enfim, eu estou indeferindo.”

Segue-se uma tentativa de Marco Aurélio de obter mais informações sobre o processo, e de prevenir o ministro Barbosa que ele abria brechas para embargos futuros, se o tema fosse relacionado. Barbosa reitera sempre com um “indeferi”, “neguei”. O agravo foi negado monocraticamente por Barbosa, sob o argumento de que quem deveria abrir o sigilo de justiça era o juiz da 12ª Vara. O advogado apenas consegui vistas ao processo no DF no dia 29 de abril, quando já não havia mais prazo recurssório.

19 Nov 11:21

Urban interventions in Mar del Plata #2

by sofie kvist
Allan Patrick

O custo desse tipo de modificação urbana é inexpressivo e está ao alcance até da mais falida das prefeituras.

Pilot project in Calle Güemes – Phase 1

The first round of pilot project implementations has been carried out in Mar del Plata by the Municipality, and is ready for the busy summer season! The pilot projects have come to life in a close working relationship between Gehl Architects, the Municipality, the citizens and local business owners as well as through numerous surveys and registrations on site in the city – see Urban Interventions in Mar del Plata by Ola Gustafsson for more information and background story.

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Calle Güemes March 2013

The pilot project is the first of three and is situated in the busy shopping and leisure street of Calle Güemes. As a first step towards changing the street layout, one block has been implemented in order to test the solution before extending it to eight more blocks. Testing the pilot in one block allows the municipality to measure the effect of the changes and to make possible adjustments before carrying out the rest of the pilot projects. As part of the test period of one month, follow up surveys and interviews are being carried out in the street.

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Calle Güemes November 2013 (image courtesy of Municipality of Mar del Plata)

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Calle Güemes November 2013 (image courtesy of Municipality of Mar del Plata)

The pilot project consists of; improved pedestrian crossings in the intersections with enhanced corner spaces also holding bicycle parking, seating and shade; better space for pedestrian movement along the street – space that has been located by allocating the outdoor serving along the street to a series of small parklets along the sidewalk, freeing the sidewalk space from chairs and tables; parklets that are located along the sidewalk and holds both spaces for outdoor serving as well as public seating areas with chairs and tables, benches and urban lounges, umbrellas that provide shade and planters to green the street and to create a safe zone between the parklets and the vehicular lanes. Bicycle and motorcycle parking has been integrated in the parklet zone that also holds spots for car parking.Image

The local team has been working very hard on getting to this stage of the process and we are super exited to see that citizens of all ages have already taken the interventions into use.

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Calle Güemes November 2013 (image courtesy of Municipality of Mar del Plata)

Click to see interview with Santiago Bonafatti, Head of Department, Municipality of Mar del Plata


18 Nov 12:28

A Globo, a Folha e a Veja versus Genoino

by Paulo Nogueira
Allan Patrick

Frise-se: Genoínio é completamente inocente.

Os Genoinos

Miruna com o pai.

Brecht, num de seus melhores momentos, falou que o pior analfabeto é o analfabeto político, que aqui vou tratar por AP, por razões de espaço e de facilidade.

O AP, como sublinhava Brecht, facilita a vida da direita predadora, da plutocracia empenhada apenas em acumular moedas. O AP é facilmente manipulado pelos poderosos.

No Brasil, como se fosse miolo de pão para pombos, a direita – pela sua voz, a mídia corporativa – arremessa ao AP denúncias de corrupção, quase sempre infladas ou simplesmente inventadas.

E o AP é assim manipulado como se estivesse com uma coleirinha. Veja, Globo e Folha são mestras na arte de manobrar o AP.

Penso nisso tudo ao ver o drama pelo qual passa José Genoino. Mal saído de uma cirurgia delicada no coração, Genoino foi preso por um capricho de Joaquim Barbosa, um heroi do AP.

A filha de Genoino, Miruna, numa entrevista ao blogueiro Eduardo Guimarães, fez um pedido singelo. Pediu aos brasileiros que não se deixassem contaminar pela trinca suprema da canalhice jornalística brasileira – Veja, Globo e Folha.

Miruna, 32 anos, é uma professora. Herdou do pai a simplicidade. É quase que o contrário de Verônica Serra, a multimilionária filha de Serra.

“Tudo que meu pai fez, desde que saiu do Ceará, foi lutar por justiça social”, disse Miruna.

Compare isso ao que vem fazendo, sistematicamente, Veja, Globo e Folha. É o oposto. A mídia corporativa teve e tem uma contribuição bilionária na construção de um país abjetamente desigual.

Em 1964, a mídia tramou contra a democracia e saudou entusiasmadamente a ditadura que mataria tantos brasileiros e colocaria no topo da lista dos ricos as famílias que controlam o noticiário que chega à sociedade.

Dez anos antes, a mídia levou Getúlio Vargas ao suicídio. Nas duas ocasiões, e em várias outras, o AP foi brutalmente manipulado pela imprensa.

O apelo falacioso, cínico e indecente da “corrupção” sempre funcionou. Repito: era e é o miolo de pão atirado aos pombos, ou ao AP.

Agora, vejo na internet alguns leitores dizerem o seguinte: “Pela primeira vez os poderosos estão na cadeia.”

Pobres APs.

Genoino poderoso? Ora, basta olhar seus bens: uma casa modesta no Butantã, bairro classe média de São Paulo.

Poderosa é a Globo, poderosa é a Veja, poderosa é a Folha, mas o AP é enganado, intoxicado mentalmente por elas.

A Globo, por exemplo, deve bilhões à Receita Federal, um crime que dá cadeia e repulsa coletiva em países socialmente avançados.

E o que acontece com ela? Seus acionistas não são presos, e sequer quitam as contas na Receita.

Pior: os múltiplos veículos da Globo cobrem a “corrupção” como se a empresa fosse São Francisco de Assis.

O mesmo vale para a Veja e para a Folha. Seus jornalistas rottweilers fingem desconhecer que o dinheiro público é que ergueu a fortuna assombrosa de seus patrões.

Os cofres do BNDES e do Banco do Brasil sempre foram frequentados pelas empresas de mídia como se fossem lupanares.

Os jornalistas fingem desconhecer também – ou é ignorância apenas – que vigora na mídia uma absurda reserva de mercado que veda a empresas estrangeiras entrar no Brasil.

Pesquise na Veja, na Folha e na Globo o número de reportagens que clamam por mercado aberto. Mas para os outros. Na sombra, elas conseguiram manter um privilégio inacreditável: a reserva.

Vou contar um pequeno exemplo de assalto ao dinheiro público por parte da mídia. Na era de FHC, quando todos os anunciantes obtinham descontos enormes das empresas de mídia, apenas as estatais pagavam a tabela cheia.

Importante: estatais federais, estaduais e municipais.

Dinheiro – muito dinheiro — que deveria construir hospitais e escolas acabava na Globo, na Veja, na Folha etc.

Isso é poder. Isso é corrupção.

E então o pobre Genoino, com sua casa que é menor que a sala dos Marinhos, dos Civitas e dos Frias, é o “corrupto”.

Miruna pede que as pessoas não acreditem na Globo, na Veja e na Folha.

O AP acredita.

Mas eles são cada vez menos, como se pode ver pelos resultados das eleições, e pelas sistemáticas quedas de audiência da Globo, da Veja e da Folha.

O brasileiro acordou, e a internet tem um papel decisivo nisso, ao oferecer visões alternativas à voz rouca das ruas.

O AP é um ser extinção, como a própria mídia que o manipula.

E isso é uma notícia extraordinariamente boa para os brasileiros que, como o DCM, querem que o Brasil seja tão avançado socialmente como a Escandinávia.

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17 Nov 15:35

CHAMAR PESSOAS DE MENTIROSAS TEM PERNA CURTA

by lola aronovich
Allan Patrick

Admiro a paciência de Lola para lidar e desmascarar malas.

Às vezes eu fico perplexa ao notar como tem gente que não consegue interpretar um texto, ou que nega evidências mesmo quando elas estão lá na sua cara. Por exemplo, você apresenta uma estatística dizendo que, entre 2003 e 2007, em Santa Maria, 97% dos causadores de acidentes com alta gravidade eram homens. 
Não tem muito o que discutir, certo? Claro, deve-se discutir o que provoca esse quadro (por que homens cometem muito mais acidentes fatais de trânsito do que mulheres) e como transformá-lo. Mas aí um rapaz não muito inteligente me diz que esse número pode ser facilmente explicado: crianças também não cometem acidentes fatais, porque criança não dirige. O mesmo com mulheres. Taran... Fatality! (e, pra provar que estamos na Arábia Saudita, o rapaz ainda apresenta um argumento irrefutável: "Vai ver na rua quem está no volante! Só homens!").
Mas esse pelo menos tentou argumentar. Melhor que os outros duzentos que me mandaram links de notícias em que alguma mulher cometeu um acidente de trânsito (provavelmente não fatal). Porque um caso individual certamente comprova que a estatística dos 97% está errada! E isso é feito sempre que uma pessoa se depara com uma estatística com a qual não concorda. 99,6% das 7,762 participantes de uma pesquisa (não científica) disseram já ter sido assediadas na rua? Impossível, diz um homem machista: ninguém assedia mulheres feias e gordas! (aham, por supuesto: e só mulheres jovens e belas são estupradas). 
Bem, outro dia percebi que um mascu fez um Twitter só pra interagir com o meu twitter, o que é um pouco estranho, porque eu o bloqueei já na primeira mensagem que recebi dele. Mas, numa pausa, fui lá fuçar depois de uns dias só pra me divertir com o que o Ovo (como são chamados os usuários do Twitter que nem sequer colocam uma imagem no perfil) havia escrito para e sobre mim. E aí, entre dezenas de insultos e acusações, encontro este tuíte:
E eu tive que clicar no "Ver conversação" pra entender que tuíte meu havia revoltado tanto o rapaz. Devia ter sido algum em que eu dava uma opinião muito forte e polêmica, pra que o cara decretasse que tudo eu disse na vida é mentira. Então... foi este tuíte aqui:
"Lily Allen volta à ativa c/vídeo q ataca machismo na indúst musical: It's hard out here for a bitch. via @littlejoia"
Qual pode ter sido a terrível mentira que eu disse?
1) Lily Allen não voltou à ativa. Ela nunca foi embora? Ou ela se aposentou de vez? Sei lá, eu nem sei quem é Lily Allen.
2) Não é um vídeo. É um clip? Uma música?
3) O vídeo não ataca o machismo. 
4) Ok, o vídeo ataca o machismo, mas não na indústria musical, só numa outra indústria qualquer. 
5) O vídeo não se chama "It's hard out here (for a bitch)". 
6) Não foi a littlejoia que me encaminhou o vídeo. 
Digamos que alguma dessas afirmativas citadas acima estivesse errada. Erros não são necessariamente mentiras, são? Pra mim, mentira tem que ser proposital. Como eu não minto, sou bem cuidadosa antes de acusar outra pessoa de mentirosa. Porque eu acho que, se a pessoa acredita no que está dizendo, ela de repente não está mentindo. Eu creio que os mascus, por exemplo, realmente acreditam no universo alternativo que criaram. Eu acredito que eles acreditam que vivemos num matriarcado, numa sociedade b*cetista, num mundo vaginante, chamem como quiser. Só porque eles são lunáticos ensandecidos não quer dizer que sejam sempre mentirosos. 
E tem aquilo de você repetir uma mentira até que ela se torne verdade. Reaças de modo geral adoram fazer isso. Eu acredito que boa parte dos reaças que querem reescrever a História e insistem que o nazismo foi de esquerda, não de direita, realmente acreditam nessa mentira. É bem provável que quem começou essa lenda (que hoje é quase uma unanimidade entre o pessoal da direita) sabia que estava mentindo. Mas quem a repete deve ter se convencido. O que obviamente não quer dizer que estejam certos. 
É um pouco diferente de um sujeito como o Danilo Gentili, por exemplo, dizer que sou, além de "gorda nojenta" (uma opinião dele que diz muito sobre o que ele acha de pessoas gordas, ou de mulheres que discordam dele de modo geral), "blogueira paga pelo PT". Isso é mentira na cara dura mesmo. Eu não acredito que o Gentil realmente acredite que quem o critica só pode estar sendo pago pra isso. Porque, né, haja dinheiro. 
Eu pessoalmente não conheço nenhum blogueiro que receba dinheiro do PT pra criticar pessoas de direita. Também não conheço nenhum blogueiro que receba dinheiro do PSDB pra criticar pessoas de esquerda. Há rumores, claro, mas seria leviano dizer, sem provas, que um blogueiro é pago por um partido pra atacar outro. Agora, conheço vários nomes que são pagos pelo Instituto Millenium (um think tank da direita brasileira composto por homens brancos) pra dar palestras atacando a esquerda. (Conheço blogs -- não é o caso do meu -- que recebem propaganda de institutos ligados ao governo federal. Mas, até aí, a Veja, a Globo, a Folha, também recebem, e incomparavelmente mais).
No caso do tuíte meu que deixou o mascutroll indignado, imagino (mas não dá pra ter certeza) que o que fez com que ele me chamasse de mentirosa (pela 1,784a vez) foi o teor do vídeo, "It's hard out here for a bitch" (é difícil ser uma vadia, ou algo assim). Suponho que o rapaz pense que é fácil ser vadia. Mas meu tuíte era meramente informativo. Não julguei o vídeo (depois vi que muita gente achou o clip racista, no que concordo totalmente), não entrei na discussão se é fácil ou não ser vadia. Isso quem está dizendo é o vídeo, não eu. E o tuíte é "verdadeiro", ué. 
Estou usando o troll como exemplo, mas já vi muita gente mais inteligente (inclusive feministas) fazer a mesma coisa -- uma pessoa não gosta da outra, por N motivos, e por causa disso acusa a outra de mau caráter e mentirosa. Esta, pra mim, não é uma tática muito honesta, nem produtiva. Porque se você diz que uma pessoa mentiu, ok, tem gente que vai aceitar a sua palavra sem hesitar e concordar que aquela pessoa mentiu. Mas também haverá gente que checará a história e se perguntará: "Mas onde está a mentira?" 
Ser ignorante, pra mim, é diferente de ser mentiroso. Um idiota qualquer que usa termos como feminazis e gayzistas ou gaystapo, numa tentativa ridícula de associar o nazismo com pessoas (feministas e gays) que foram vítimas do nazismo, de dizer que movimentos revolucionários que lutam por direitos de grupos historicamente discriminados são tão ruins como um regime que matou milhões de pessoas, não é necessariamente mentiroso. 
É incrivelmente ignorante (ou eu que sou muito ingênua?). Quem usa esses termos, e tantos outros, está automaticamente se auto-carimbando com um grande "otário" na testa. 
E evidentemente que discordar de alguém não faz da outra pessoa uma mentirosa. Só acho que a gente tem que pensar duas vezes antes de dizer que alguém está mentindo. 
17 Nov 01:33

O autoritarismo de Barbosa, seus fãs e a teoria do agendamento

by Daniel Dantas Lemos
Uma das formulações da teoria do agendamento (ou agenda-setting), uma das principais discussões teóricas do jornalismo nos últimos cinquenta anos, diz que a imprensa não apenas é capaz de nos impor sobre o que pensar como também como devemos pensar sobre tal fato.
Aliada à noção de enquadramento (framming), desenvolvida pelo sociólogo Erving Goffman, o agendamento é capaz de nos ajudar a entender muita coisa.
Por exemplo: é capaz de ajudar o pesquisador a entender porque boa parte da opinião pública brasileira considera os agora presos José Genoíno e José Dirceu como "ladrões" ainda que no processo conhecido como Mensalão (a Ação Penal 470) não tenha havido denúncia nem condenação por enriquecimento ilícito.  Ou seja, não houve no julgamento dos dois Josés do PT nenhuma acusação ou condenação por que eles tenham se locupletado, para si, de recursos públicos.
A opinião pública provavelmente acha isso porque a mídia contribuiu para que se construísse neles a imagem de ladrões.
Mesmo que isso me pareça ser um interessante objeto para a análise, a motivação para escrever esse texto se deu a partir do momento em que percebi tantos incautos cidadãos na Internet afirmando ser invenção petista os alertas sobre o autoritarismo do presidente do STF, Joaquim Barbosa.  Os que lustram o orgulho de Barbosa nas redes sociais, sonhando com ele como presidente (ou déspota) do país, ficaram cegos para os sinais suspeitos de sua hipocrisia e espírito anti-democrático.
Esses dias perguntei no Facebook como alguém pode admirar um homem tão desequilibrado como o presidente do STF.  Um amigo me respondeu que a deselegância dele é resultado de sua ira por ver os jogos corruptos que se dão nos bastidores, mesmo do Tribunal, e contra os quais ele se vê lutando sozinho.
Se isso fosse verdade faria de Barbosa alguém contra quem pesaria, antes de tudo, a suspeita de uma grave hipocrisia.  Quem fala isso esquece que Barbosa comprou, utilizando uma empresa de fachada que ele criou com esse fim, um apartamento milionário em Miami, declarando um valor menor para diminuir a mordida do fisco norte-americano.  Muita irregularidade, a começar do fato de ele ter e presidir uma empresa o que é ilegal para os magistrados no Brasil.
Aí o que me espanta é ver que muita gente acredita que isso é invenção de petistas ou lenda da Internet.  O caso, ao contrário, foi amplamente publicizado: mas aí a agenda e o enquadramento não deram continuidade e a opinião pública foi logo levada a esquecer o caso.
Mas você pode relembrar o caso nos links a seguir.  As notícias são de julho passado:

Barbosa criou empresa para comprar apartamento em Miami 

Joaquim Barbosa cria empresa para comprar imóvel nos Estados Unidos

Barbosa cria empresa para comprar imóvel em Miami

E os incautos também teimam em não ver o espírito autoritário de Barbosa, manifesto tantas vezes nas sessões televisadas no tribunal que preside.  Mas a imprensa, em particular o jornal O Estado de S. Paulo, já experimentou da fúria anti-democrática do presidente do STF.
Em março deste ano, o repórter Felipe Recondo havia solicitado, com base na Lei de Acesso à Informação, dados sobre os gastos de Barbosa (lembra do banheiro reformado por R$ 90 mil?). 
Ao se proximar do ministro em 06 de março passado, o "repórter iniciou o diálogo perguntando: “presidente, como o senhor está vendo...”. Antes de terminar a pergunta, veio a resposta de Barbosa, com o tom de voz alto: 'Não estou vendo nada. Me deixa em paz, rapaz. Me deixa em paz. Vá chafurdar no lixo, como você faz sempre'", segundo relato publicado pelo Blog do Noblat.
Outros veículos, como a revista Exame, noticiaram o fato, que foi registrado no vídeo que você assiste abaixo.  O repórter também foi chamado de palhaço pelo presidente do STF:


Como se não bastasse, no último mês de outubro o presidente do STF solicitou ao colega Ricardo Lewandovsky que devolvesse ao seu tribunal de origem (o TJ-DF) a servidora Adriana Leineker Costa.  Adriana é esposa do repórter Felipe Recondo.

O episódio que fecha com chave de ouro o destempero e autoritarismo, especialmente com a imprensa, se deu na Universidade de Yale, nos Estados Unidos.  A correspondente do Estado de S. Paulo, Claudia Trevisan, foi presa depois de tentar entrevistar Joaquim Barbosa, que faria uma palestra na instituição.  Os guardas do campus tinham seu nome e sua fotografia e a ordem expressa de detê-la, caso aparecesse.

A única explicação plausível para tantos fãs do autoritarismo joaquiniano me parece ser, além do conservadorismo da sociedade brasileira, o bom trabalho de agenda feito pela mídia brasileira.  Não apenas nos instruiu sobre os assuntos sobre os quais pensar como também o que deveríamos pensar sobre eles.  No caso, a construção de Barbosa, o autoritário, como herói da democracia.

Se analisássemos a imagem do "Batman" que impingiram no presidente do STF, talvez pudéssemos entender melhor o cenário.  Aliás, o Batman é o Cavaleiro das Trevas, o Vingador que pode sujar as mãos para manter Gotham limpa além da justiça do Estado.  Não à toa o Robin de "O cavaleiro das trevas ressurge"termina abandonando a polícia para herdar a máscara do morcego.
Tudo a ver com o espírito de uma sociedade que não quer justiça, mas vingança contra seus criminosos.  Que os tortura para que eles se reconheçam culpados e os lincha antes de qualquer investigação, processo ou julgamento.
Exatamente como fez o agendamento midiático durante oito anos contra os dois Josés que ontem foram presos.
16 Nov 00:03

Genoino resiste!

by mariafro
Allan Patrick

Minha solidariedade também é pública.

Convivi com Genoíno como pai, pois fui professora de seu filho no sexto e sétimo ano, ele prestigiava as apresentações das crianças. Sempre morou no mesmo lugar, rodeado por livros. Passei longos anos sem encontrá-lo, até que fui buscar minha amiga Débora Cruz na residência dele meses atrás. 


Foto: Débora Cruz

Sua disciplina é algo impressionante. Rara.

Ele estava abatido mas não havia perdido a sua verve e me disse algo mais ou menos assim “Descobri que há um esforço público por destruir reputações, mas a solidariedade é privada” enquanto lia para mim uma carta de uma amigo que preferiu não tornar pública a solidariedade prestada. Pois, Genoino, minha solidariedade a você é pública, admiro sua história na luta contra a ditadura militar e acho que você tem direito a um julgamento justo e à ampla defesa, o que foi negado a você pelo STF.

De uma coisa tenho certeza, Genoíno que foi torturado pela ditadura militar e nunca enriqueceu com a política será absolvido pela História, o mesmo não posso garantir de quem o condenou sem direito a uma defesa ampla e por meio de um julgamento espetacularizado.

Reproduzo sua nota, publicada ontem. 

Aonde for e quando for defenderei minha trajetória de luta permanente por um Brasil mais justo, democrático e soberano

Com indignação, cumpro as decisões do STF e reitero que sou inocente, não tendo praticado nenhum crime. Fui condenado porque estava exercendo a presidência do PT. Do que me acusam, não existem provas. O empréstimo que avalizei foi registrado e quitado.

Fui condenado previamente numa operação midiática inédita na história do Brasil. E me julgaram num processo marcado por injustiças e desrespeito às regras do Estado democrático de direito.
Por tudo isso, considero-me preso político.

Aonde for e quando for defenderei minha trajetória de luta permanente por um Brasil mais justo, democrático e soberano.
José Genoino

Abaixo a nota assinada pelo presidente do PT na tarde de hoje:

Nota assinada pelo presidente Rui Falcão sobre as decisões do STF a respeito da Ação Penal 470
Do site do Partido dos Trabalhadores
15/11/13 – 16h15

A determinação do STF para a execução imediata das penas de companheiros condenados na Ação Penal 470, antes mesmo que seus recursos (embargos infringentes) tenham sido julgados, constitui casuísmo jurídico e fere o princípio da ampla defesa.

Embora caiba aos companheiros acatar a decisão, o PT reafirma a posição anteriormente manifestada em nota da Comissão Executiva Nacional, em novembro de 2012, que considerou o julgamento injusto, nitidamente político, e alheio a provas dos autos. Com a mesma postura equilibrada e serena do momento do início do julgamento, o PT reitera sua convicção de que nenhum de nossos filiados comprou votos no Congresso Nacional, nem tampouco houve pagamento de mesada a parlamentares. Reafirmamos, também, que não houve da parte dos petistas condenados, utilização de recursos públicos, nem apropriação privada e pessoal para enriquecimento.

Expressamos novamente nossa solidariedade aos companheiros injustiçados e conclamamos nossa militância a mobilizar-se contra as tentativas de criminalização do PT.

Rui Falcão
Presidente Nacional do PT

14 Nov 13:11

É Fantástico: aberta a temporada de caça às mulatas

by Marcos Sacramento
Allan Patrick

Complemento perfeito para o texto de William Douglas.

globeleza

O “Fantástico” iniciou a temporada de caça às mulatas. No último domingo, lançou o concurso para escolher a nova Globeleza. Dez moças disputam a coroa de Rainha do Carnaval Global. Todas negras. O programa confirma a prática enraizada de limitar a exposição de negros a papéis estereotipados.

Durante as próximas três semanas, elas participarão de uma espécie de gincana até uma ser escolhida pelo público. Neste mesmo período, poucas negras igualmente lindas emprestarão suas imagens para vender margarina, carros, pacotes de viagens ou seguros em anúncios televisivos.

O concurso é um exemplo eloquente de como o negro é tratado na TV brasileira: sempre relegado a papéis secundários ou carregados de clichês, sejam eles negativos ou supostamente positivos, como a alegria ou a malemolência atribuídas às pessoas de cor. Quando estão em evidência, é dançando freneticamente no “Esquenta”, o equivalente televisivo a uma grande festa na senzala.

Outra disputa de beldades promovida pelo mesmo “Fantástico” atesta esta exclusão. O “Menina Fantástica”, concurso para revelar uma top-model, tinha pouquíssimas negras na disputa. Às belas negras, resta o Carnaval e a possibilidade de um reinado até a quarta-feira de Cinzas. Passarela da moda? Só com sorte ou por conta de míseras cotas, como as adotadas no último Fashion Rio.É como se mulher negra e bonita fosse sinônimo de passista de carnaval, apenas.

Uns bons anos atrás li “Carnaval, Malandros e Heróis”, de Roberto DaMatta. Ele aborda, entre outras coisas, as inversões de valores em que o carnaval opera. O machão se veste de mulher e os pobres e iletrados tornam-se reis nas passarelas ou doutores no samba.

Isso ajuda a entender o papel que as aspirantes a Globeleza estão representando atualmente na mídia. A presença delas no “Fantástico” seria apenas uma subversão controlada e temporária da ordem estabelecida.

E enquanto as meninas dançam, o Show da Vida segue seu curso e a cada domingo consolida preconceitos raciais.

14 Nov 09:21

O que penso sobre a reforma das polícias

by Ivenio Hermes
Allan Patrick

Um dos melhores textos sobre reestruturação dos corpos de segurança pública.

Por Ricardo Balestreri
Ricardo Balestreri

Ricardo Balestreri

Gostaria de comentar algo sobre as polícias e suas reformas. Tenho sido muito demandado sobre isso e meus textos e vídeos, produzidos em jornadas por várias partes do país, correm a internet. Fui um dos primeiros a “peitar” o tema, ainda nos preparativos da Conferência Nacional de Segurança Pública. É claro que sofri as consequências e fui atropelado, sem dó, pela jamanta do corporativismo. Foi um de meus períodos mais sofridos e solitários, como Secretário Nacional de Segurança Pública. Exceto por algum tímido apoio de uma ou outra entidade representativa, e de três ou quatro queridos amigos intelectuais, fui uma voz clamando no deserto. Possivelmente por erros estratégicos meus: me adiantei muito, não consegui adesão de apoiadores importantes (por falta de tempo para articulá-los), não consegui explicar com suficiente didática e fui logo rotulado por gente paralisada em seus velhos paradigmas, tive um raro súbito acesso de otimismo e avaliei mal a conjuntura, com seus cruzados conservadores…

Mas não me arrependo. A semente, que já vinha sendo plantada antes de mim, inclusive por excelentes policiais, regada a tantas lágrimas e noites insones, começa agora a crescer. Vai dar frutos? Dependerá de nossa maturidade, de nossa capacidade de superarmos embates figadais e personalísticos e nos engajarmos na discussão racional de ideias, de nosso empenho, criatividade e persuasividade para buscarmos aliados.

O que penso hoje? O mesmo que pensava à época. Afinal, mal quatro anos se passaram. Aqui, uma breve síntese (muitos poderão estranhar, pois se trata de uma visão muito autônoma, em que pese eu poder apoiar outras propostas ou parte de outras propostas):

20100301BM0366.jpgPara o sistema, em geral

a) Multiplicidade de polícias especializadas, nos moldes do primeiro mundo democrático, todas de ciclo completo. Não sou e nem nunca fui a favor de unificação de polícias, ideia que considero bem intencionada mas de corte autoritário e muito perigoso. Polícia única não possibilita a inter-vigilância institucional, fundamental para a democracia e a cidadania. Logo se torna monopólio de informações e manipulações políticas. Nas democracias avançadas há muitas polícias para fins diversos, que não se entrechocam;

b) Carreira única e profissional para todas as instituições, COM BASE NA MERITOCRACIA (atenção: evitar a tentação empobrecedora de que a progressão se faça apenas por tempo de serviço, sem exigências qualificatórias acadêmicas, concursamentos internos, práticas, ficha funcional etc.);

c) Possibilidade de organização de polícias em municípios maiores e mais bem estruturados, para cuidarem de delitos básicos ocorridos nas municipalidades (ex: questões posturais, licenciamentos, contravenções, desafogando as instituições maiores e de âmbito estadual, de parte de suas atribuições). Sob rigorosa normatização e fiscalização, para evitar que se tornem Guardas Pretorianas de maus prefeitos;

d) Independência e tratamento digno aos bombeiros, reconhecendo suas autonomias, como não policiais, interfaceados com a segurança pública mas fundamentalmente relacionados à defesa civil;

e) Reforço da autonomia das ouvidorias de polícia;

f) Vinculação orçamentária, como na saúde e na educação, para evitar que a segurança pública dependa da boa vontade, da benevolência do “governante da hora”;

g) Participação obrigatória do Governo Federal na melhoria dos padrões salariais das polícias dos entes federados (segurança pública, ao contrário das afirmações que nos levaram a mais de 50.000 homicídios por ano, não é “coisa dos estados”;

 

NETO1140-pPara as Polícias Militares

a) Amplo e democrático direito à sindicalização, como em qualquer país decente do mundo, independentemente de ostentarem ou não estéticas militares. São policiais e não membros das forças armadas. Governos estúpidos e viciados na lógica ditatorial negam isso, tratando as reivindicações legítimas dos policiais como “casos de polícia”. Repressão a movimentos sociais, mesmo quando constituídos de policiais, não passa de ignorância governamental e desconhecimento das dinâmicas da história;

b) Revisão modernizante e democratizante dos famigerados “regulamentos disciplinares”, transformando-os em Códigos de Ética, à luz da razão, da legalidade, da moralidade, da impessoalidade e da prestação de serviços à cidadania;

c) Eliminação das penas “internas” de prisão e substituição por mecanismos contemporâneos e legalistas (sem paradoxos) de sanção;

d) Manutenção dos princípios da hierarquia e da disciplina, mas rigorosamente fundados na impessoalidade racional (e sem negar o direito civilizado ao contraditório), com foco na eficácia e eficiência dos serviços prestados aos cidadãos (fiz alguns estágios e conheci polícias altamente hierarquizadas do primeiro mundo, onde o direito a divergir nunca ameaçou e nem desestabilizou ninguém – esta é a diferença quando a democracia é mais do que apenas um discurso);

e) Desquartelização e formação de “malhas” de atuação junto às comunidades (priorização da filosofia e do modus operandi de polícia de proximidade – obviamente, sem negar as demais modalidades de policiamento mas transversalizando-as nessa lógica);

f) Exclusão absoluta do caráter de “forças auxiliares” do Exército;

g) Carreira única meritocrática (formações, concursamentos internos, tempo de serviço com boa ficha, titulações acadêmicas, experiências técnicas e de liderança etc);

h) Ciclo completo nos crimes ordinários (no sentido de os mais comuns no dia-a-dia como, por exemplo, os crimes contra o patrimônio, com assunção de cartório mínimo-básico próprio, desonerando a polícia civil);

i) Nomeação de comandos fundada em critérios técnicos e de progressão de carreira, superando eventuais subjetividades personalísticas e interesses de caráter político;

Obs: Há diversas excelentes polícias no mundo que, por sua ostensividade, optaram pela manutenção de estéticas militares mas que se organizam com fundamentos em filosofias e ideologias civis. Em se tratando de polícia, só pode ser assim.

cliente=-36b05205a7404dec059de04c3f5924c4Para as Polícias Civis

a) Superação do cartorialismo, livrando-se do foco registrador-escrivista e da patética consumição inquisitorial (veja-se as estatísticas sobre resultados de elucidações consequentes de crimes no Brasil);

b) Priorização da investigação profissional;

c) Para isso, libertação do inquérito policial, repetitivo, caro, sem o direito democrático ao contraditório, extemporâneo, inútil e reforçador da morosidade e da irracionalidade do sistema

d) Deslocamento do foco da delegacia (cartorial-burocrático) para a comunidade (investigativo-presencial-de proximidade);

e) Deslocamento dos Delegados para o Poder Judiciário, como Juízes de Instrução (trabalho que já fazem, de fato, mas sem empoderamento e consequência). Isso renovaria as possibilidades de melhoria de um Judiciário hoje inapetente para as demandas sociais, despreparado, inadequado e desconstituído para a coleta direta de informações e provas e daria um sentido ao, também, hoje deslocado trabalho (na polícia) do segmento dos delegados (inclusive dos bons delegados, que se esforçam por melhores índices, em um sistema desprovido de adequação para isso);

f) Transformação da PC em corpo técnico de investigadores, inequivocamente policiais profissionais, liderados por Comissários ascensionados meritocraticamente através de estudos-formações-titulações (no tema da segurança pública, especificamente) e nas lides investigativas;

g) Carreira única meritocrática;

h) Assunção dos crimes de maior complexidade, apenas com o cartório mínimo indispensável aos mesmos, desonerando-se da inútil enxurrada de registros da totalidade dos delitos;

i) Ciclo completo em relação à sua própria demanda.

********

Ricardo BalestreriDiante de tudo isso, muitos me perguntam se sou a favor da extinção da PM e da PC. Não, não sou, em que pese respeitar pensadores qualificados que assim se posicionam (é da democracia o direito de propor).

Explico: não sou a favor da extinção porque são instituições centenárias, em que muitos erros foram cometidos, mas onde muitos acertos também foram perpetrados por bons policiais civis e militares que, muitas vezes, deram literalmente suas vidas. E há, nelas, também muito know how, de grande valor, acumulado.

Sou um sujeito que, por convicção, nunca gosto de começar do zero. É meu estilo pessoal (sempre agi assim), partir do que já foi construído. E temo que uma desconstrução absoluta jogue o país em um caos ainda maior. Li aqui pela internet um ditado, não me lembro de onde, que diz que nunca se joga uma vasilha velha fora sem saber se a nova será capaz de conter a água.

Mas defendo o que coloquei acima. Não é preciso extinguir nada. É preciso mudar a lógica, a ideologia, a organização, desapegar-se dos ranços da ditadura, ainda tão presentes, e ousar o novo. Ainda assim, se por proximidade consensual, a população e seus governos quiserem extinguir alguma instituição, bem, que seja. Mas não creio que se faça necessário e nem que seja bom para o país. O que não se pode extinguir é a polícia pois sem ela a democracia não sobreviveria. No mundo contemporâneo, estaríamos rapidamente – ainda mais – nas mãos do crime organizado e articulado em todos os níveis. A função da polícia é guarnecer o bom funcionamento das instituições democráticas (ainda que nem sempre ela saiba fazer isso).

Proponho partir da cultura existente para uma cultura totalmente nova. Minha proposta não é leniente e nem conciliadora no mau sentido. Ela já me valeu muitos dissabores no passado, advindos do conservadorismo de quem se preocupa muito com o próprio poder e pouco com a população. Mas que poder? Aos poucos, na segurança pública, nós vamos afogando e diluindo num mar de desmoralizações. Não há nenhum caminho que nos possa salvar que não seja o caminho da transformação, radical (de raiz) mas responsável.

Respeito os que discordam e não sou arrogante e nem dono da verdade. Mas é nisso que creio, apaixonadamente (ainda que racionalmente) e de coração puro. Um abraço muito fraterno a todos os convergentes e divergentes. Que saibamos sempre, pelo menos, convergir no desejo do melhor serviço.

_______________

SOBRE O AUTOR:

Ricardo Balestreri, é licenciado em História, com especialização em psicopedagogia clínica e em terapia familiar, também participou do grupo que instituiu o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) e que formatou o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci).

Ex-secretário Nacional de Segurança Pública. Ex-presidente da seção brasileira da Anistia Internacional, Escritor de várias obras sobre polícia e direitos humanos. Ex-diretor de Ensino e Pesquisa da Secretaria da SENASP. Foi o responsável pela criação da Rede Nacional de Altos Estudos em Segurança Pública (RENAESP) que oferece 82 cursos de pós-graduação para 5.250 policiais e cursos à distância para outros 126 mil.

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12 Nov 19:28

Por que me tornei a favor das cotas para negros

by Diario do Centro do Mundo
Allan Patrick

Relevante por ser a conversão de um personagem emblemático do mundo dos concursos e que era contrário às cotas.

William Douglas mudou de ideia

William Douglas mudou de ideia

O autor do texto abaixo,  William Douglas, é juiz federal (RJ), mestre em Direito (UGF), especialista em Políticas Públicas e Governo (EPPG/UFRJ), professor e escritor. O artigo foi  publicado no site Pragmatismo Político.

 

Roberto Lyra, Promotor de Justiça, um dos autores do Código Penal de 1940, ao lado de Alcântara Machado e Nelson Hungria, recomendava aos colegas de Ministério Público que “antes de se pedir a prisão de alguém deveria se passar um dia na cadeia”. Gênio, visionário e à frente de seu tempo, Lyra informava que apenas a experiência viva permite compreender bem uma situação.

Quem procurar meus artigos, verá que no início era contra as cotas para negros, defendendo – com boas razões, eu creio – que seria mais razoável e menos complicado reservá-las apenas para os oriundos de escolas públicas. Escrevo hoje para dizer que não penso mais assim. As cotas para negros também devem existir. E digo mais: a urgência de sua consolidação e aperfeiçoamento é extraordinária.

Embora juiz federal, não me valerei de argumentos jurídicos. A Constituição da República é pródiga em planos de igualdade, de correção de injustiças, de construção de uma sociedade mais justa. Quem quiser, nela encontrará todos os fundamentos que precisa.

A Constituição de 1988 pode ser usada como se queira, mas me parece evidente que a sua intenção é, de fato, tornar esse país melhor e mais decente. Desde sempre as leis reservaram privilégios para os abastados.

Não me valerei de argumentos técnicos nem jurídicos dado que ambos os lados os têm em boa monta, e o valor pessoal e a competência dos contendores desse assunto comprova que há gente de bem, capaz, bem intencionada, honesta e com bons fundamentos dos dois lados da cerca: os que querem as cotas para negros, e os que as rejeitam.

Por isso, em texto simples, quero deixar clara minha posição como homem, cristão, cidadão, juiz, professor, “guru dos concursos” e qualquer outro adjetivo a que me proponha: as cotas para negros devem ser mantidas e aperfeiçoadas. E meu melhor argumento para isso é o aquele que me convenceu a trocar de lado: “passar um dia na cadeia”.

Professor de técnicas de estudo, há nove anos venho fazendo palestras gratuitas sobre como passar no vestibular para a EDUCAFRO, pré-vestibular para negros e carentes.

Mesmo sendo, por ideologia, contra um pré-vestibular “para negros”, aceitei convite para aulas como voluntário naquela ONG por entender que isso seria uma contribuição que poderia ajudar, ou seja, aulas, doação de livros, incentivo.

Sempre foi complicado chegar lá e dizer minha antiga opinião contra cotas para negros, mas fazia minha parte com as aulas e livros. E nessa convivência fui descobrindo que se ser pobre é um problema, ser pobre e negro é um problema maior ainda.

Meu pai foi lavrador até seus 19 anos, minha mãe operária de “chão de fábrica”, fui pobre quando menino, remediado quando adolescente. Nada foi fácil, e não cheguei a juiz federal, a 350.000 livros vendidos e a fazer palestras para mais de 750.000 pessoas por um caminho curto, nem fácil.

Sei o que é não ter dinheiro, nem portas, nem espaço. Mas tive heróis que me abriram a picada nesse matagal onde passei. E conheço outros heróis, negros, que chegaram longe, como Benedito Gonçalves, Ministro do STJ, Angelina Siqueira, juíza federal. Conheço vários heróis, negros, do Supremo à portaria de meu prédio.

Apenas não acho que temos que exigir heroísmo de cada menino pobre e negro desse país. Minha filha, loura e de olhos claros, estuda há três anos num colégio onde não há um aluno negro sequer, onde há brinquedos, professores bem remunerados, aulas de tudo; sua similar negra, filha de minha empregada, e com a mesma idade, entrou na escola esse ano, escola sem professores, sem carteiras, com banheiro quebrado.

Minha filha tem psicóloga para ajudar a lidar com a separação dos pais, foi à Disney, tem aulas de Ballet. A outra, nada, tem um quintal de barro, viagens mais curtas. A filha da empregada, que ajudo quanto posso, visitou minha casa e saiu com o sonho de ter seu próprio quarto, coisa que lhe passou na cabeça quando viu o quarto de minha filha, lindo, decorado, com armário inundado de roupas de princesa.

Toda menina é uma princesa, mas há poucas das princesas negras com vestidos compatíveis, e armários, e escolas compatíveis, nesse país imenso.

A princesa negra disse para sua mãe que iria orar para Deus pedindo um quarto só para ela, e eu me incomodei por lembrar que Deus ainda insiste em que usemos nossas mãos humanas para fazer Sua Justiça.

Sei que Deus espera que eu, seu filho, ajude nesse assunto. E se não cresse em Deus como creio, saberia que com ou sem um ser divino nessa história, esse assunto não está bem resolvido. O assunto demanda de todos nós uma posição consistente, uma que não se prenda apenas à teorias e comece a resolver logo os fatos do cotidiano: faltam quartos e escolas boas para as princesas negras, e também para os príncipes dessa cor de pele.

Não que tenha nada contra o bem estar da minha menina: os avós e os pais dela deram (e dão) muito duro para ela ter isso. Apenas não acho justo nem honesto que lá na frente, daqui a uma década de desigualdade, ambas sejam exigidas da mesma forma. Eu direi para minha filha que a sua similar mais pobre deve ter alguma contrapartida para entrar na faculdade.

Não seria igualdade nem honesto tratar as duas da mesma forma só ao completarem quinze anos, mas sim uma desmesurada e cruel maldade, para não escolher palavras mais adequadas.

Não se diga que possamos deixar isso para ser resolvido só no ensino fundamental e médio. É quase como não fazer nada e dizer que tudo se resolverá um dia, aos poucos. Já estamos com duzentos anos de espera por dias mais igualitários.

Os pobres sempre foram tratados à margem. O caso é urgente: vamos enfrentar o problema no ensino fundamental, médio, cotas, universidade, distribuição de renda, tributação mais justa e assim por diante. Não podemos adiar nada, nem aguardar nem um pouco.

Foi vendo meninos e meninas negros, e negros e pobres, tentando uma chance, sofrendo, brilhando nos olhos uma esperança incômoda diante de tantas agruras, que fui mudando minha opinião. Não foram argumentos jurídicos, embora eu os conheça, foi passar não um, mas vários “dias na cadeia”. Na cadeia deles, os pobres, lugar de onde vieram meus pais, de um lugar que experimentei um pouco só quando mais moço. De onde eles vêm, as cotas fazem todo sentido.

Se alguém discorda das cotas, me perdoe, mas não devem fazê-lo olhando os livros e teses, ou seus temores. Livros, teses, doutrinas e leis servem a qualquer coisa, até ao nazismo. Temores apenas toldam a visão serena.

Para quem é contra, com respeito, recomendo um dia “na cadeia”. Um dia de palestra para quatro mil pobres, brancos e negros, onde se vê a esperança tomar forma e precisar de ajuda. Convido todos os que são contra as cotas a passar conosco, brancos e negros, uma tarde num cursinho pré-vestibular para quem não tem pão, passagem, escola, psicólogo, cursinho de inglês, ballet, nem coisa parecida, inclusive professores de todas as matérias no ensino médio.

Se você é contra as cotas para negros, eu o respeito. Aliás, também fui contra por muito tempo. Mas peço uma reflexão nessa semana: na escola, no bairro, no restaurante, nos lugares que freqüenta, repare quantos negros existem ao seu lado, em condições de igualdade (não vale porteiro, motorista, servente ou coisa parecida).

Se há poucos negros ao seu redor, me perdoe, mas você precisa “passar um dia na cadeia” antes de firmar uma posição coerente não com as teorias (elas servem pra tudo), mas com a realidade desse país. Com nossa realidade urgente.

Nada me convenceu, amigos, senão a realidade, senão os meninos e meninas querendo estudar ao invés de qualquer outra coisa, querendo vencer, querendo uma chance.

Ah, sim, “os negros vão atrapalhar a universidade, baixar seu nível”, conheço esse argumento e ele sempre me preocupou, confesso. Mas os cotistas já mostraram que sua média de notas é maior, e menor a média de faltas do que as de quem nunca precisou das cotas.

Curiosamente, negros ricos e não cotistas faltam mais às aulas do que negros pobres que precisaram das cotas. A explicação é simples: apesar de tudo a menos por tanto tempo, e talvez por isso, eles se agarram com tanta fé e garra ao pouco que lhe dão, que suas notas são melhores do que a média de quem não teve tanta dificuldade para pavimentar seu chão.

Somos todos humanos, e todos frágeis e toscos: apenas precisamos dar chance para todos.

Precisamos confirmar as cotas para negros e para os oriundos da escola pública. Temos que podemos considerar não apenas os deficientes físicos (o que todo mundo aceita), mas também os econômicos, e dar a eles uma oportunidade de igualdade, uma contrapartida para caminharem com seus coirmãos de raça (humana) e seus concidadãos, de um país que se quer solidário, igualitário, plural e democrático.

Não podemos ter tanta paciência para resolver a discriminação racial que existe na prática: vamos dar saltos ao invés de rastejar em direção a políticas afirmativas de uma nova realidade.

Se você não concorda, respeito, mas só se você passar um dia conosco “na cadeia”. Vendo e sentindo o que você verá e sentirá naquele meio, ou você sairá concordando conosco, ou ao menos sem tanta convicção contra o que estamos querendo: igualdade de oportunidades, ou ao menos uma chance.

Não para minha filha, ou a sua, elas não precisarão ser heroínas e nós já conseguimos para elas uma estrada. Queremos um caminho para passar quem não está tendo chance alguma, ao menos chance honesta. Daqui a alguns poucos anos, se vierem as cotas, a realidade será outra. Uma melhor. E queremos você conosco nessa história.

Não creio que esse mundo seja seguro para minha filha, que tem tudo, se ele não for ao menos um pouco mais justo para com os filhos dos outros, que talvez não tenham tido minha sorte.

Talvez seus filhos tenham tudo, mas tudo não basta se os filhos dos outros não tiverem alguma coisa. Seja como for, por ideal, egoísmo (de proteger o mundo onde vão morar nossos filhos), ou por passar alguns dias por ano “na cadeia” com meninos pobres, negros, amarelos, pardos, brancos, é que aposto meus olhos azuis dizendo que precisamos das cotas, agora.

E, claro, financiar os meninos pobres, negros, pardos, amarelos e brancos, para que estudem e pelo conhecimento mudem sua história, e a do nosso país comum pois, afinal de contas, moraremos todos naquilo que estamos construindo.

Então, como diria Roberto Lyra, em uma de suas falas, “O sol nascerá para todos. Todos dirão – nós – e não – eu. E amarão ao próximo por amor próprio. Cada um repetirá: possuo o que dei. Curvemo-nos ante a aurora da verdade dita pela beleza, da justiça expressa pelo amor.

Justiça expressa pelo amor e pela experiência, não pelas teses. As cotas são justas, honestas, solidárias, necessárias. E, mais que tudo, urgentes. Ou fique a favor, ou pelo menos visite a cadeia.

12 Nov 17:07

Os clichês criminosos do caso do menino Joaquim

by José Nabuco Filho
Joaquim

Joaquim

Diante da morte de um menino de 3 anos, que teria sido assassinado, qualquer palavra de indignação é um clichê demasiadamente óbvio.

Quando vejo fatos como esse e vejo a facilidade e a rapidez com que se chega a um veredicto sobre a existência e autoria de um crime, é a lição de Evandro Lins e Silva que me vem à cabeça. Além de Ministro do Supremo Tribunal Federal, aposentado compulsoriamente pelo regime militar, Evandro foi um dos maiores advogados brasileiros. Dizia que é preciso sempre ter em mente que os acusados “podem ser inocentes ou vítimas de armadilhas que o destino tece e prepara do modo mais imprevisto e desgraçado.”

Assim que vimos as matérias na mídia, tiramos rapidamente nossas impressões, interpretando sempre os fatos da pior forma possível para o suspeito. Invariavelmente, essas impressões são exatamente as que o delegado ou promotor quer que tiremos.

O garoto sumiu de sua casa no dia 5 de novembro e imediatamente surgiram as suspeitas de que teria ocorrido assassinato cometido pela mãe e pelo padrasto do garoto. No dia seguinte, o promotor já havia requerido a prisão temporária dos dois. Quando foi encontrado o corpo, no dia 10, o promotor disse: “Temos agora certeza de que foi um homicídio”.

Tudo parecia certo e a investigação parecia uma tourada, cujo final já se sabe de antemão.

Pois bem, hoje vem a notícia de que o garoto pode ter morrido por erro na aplicação de insulina e o promotor admite essa possibilidade. A mudança no quadro é gritante. Se a morte decorreu de um erro, teria ocorrido homicídio culposo e ocultação de cadáver, e pelo primeiro crime a mãe, se autora do crime foi, poderia nem receber pena, por aplicação de um perdão previsto em lei.

Não me aventuro a dar palpites sobre qual crime teria ocorrido. A questão que me move é a facilidade com que se decreta a prisão provisória no Brasil. A prisão temporária, que foi decretada contra a mãe e o padrasto, foi criada por medida provisória, de iniciativa do então presidente José Sarney, e nada mais foi que a consagração da prisão por averiguações, que foi proibida pela Constituição de 1988. No fundo, os dois estão presos para que se averigue a culpa dos dois.

Insurjo-me contra essa prisão porque, a rigor, ela não é necessária, já que a investigação pode existir sem a prisão e ela pode gerar um dano imensurável.

O casal foi colocado em um camburão e a turba vociferava contra os dois. E se ficar provado que não houve assassinato?

É possível imaginar a dor de uma mãe que perdeu o filho em morte trágica e ainda é presa acusada tê-lo matado?

Notem que a certeza que o promotor disse ter não é diferente da certeza que tinham os delegados do caso Escola Base e dos acusados da morte da garota Tayná.

A certeza é apenas um estado mental, nada tem a ver com a consistência das provas. Não por acaso, Fernando Pessoa, por seu heterônimo Álvaro de Campos, disse: “Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!”

Todos os erros judiciários foram cometidos porque alguém tinha certeza de alguma coisa. Em muitos casos, a prisão açodada nada mais significa que acrescentar à dor do crime a dor de uma prisão injusta. Quis evitar o clichê dos lamentos pela morte do garoto, mas não consigo fugir do clichê de dizer que, em termos de processo penal, a pressa é inimiga da perfeição.

12 Nov 17:04

GUEST POST: "QUE CURRÍCULO ÓTIMO, PENA QUE É MULHER"

by lola aronovich
A A. me mandou este relato sobre a mais pura discriminação. Depois empresários reclamam que faltam técnicos especializados... 

Equipamentos "masculinos"
Escrevo esse e-mail como um desabafo, sempre vejo mulheres compartilhando suas histórias e gostaria de contar a minha, que pode até parecer que aconteceu há décadas, mas não...
Moro em uma região onde a economia gira em torno do minério de ferro. 
O mercado de trabalho é muito competitivo, devido, em grande parte, ao número de trabalhadores que migram para cá, provendo mão de obra barata. Meu pai e irmãos (sou a única mulher) são mecânicos em empresas de mineração e, influenciada por esse meio e sempre admirando meu pai, resolvi também seguir essa carreira. Quando fiz essa escolha sabia do machismo na profissão e da dificuldade, mesmo para homens, de conseguir emprego, mas julguei que, com meu esforço e dedicação, eu teria alguma chance. 
Fiz o ensino médio integrado a um curso de aprendizagem industrial (semelhante aos cursos oferecidos pelo Senai) e, embora tenha recebido bolsa de estudos de uma empresa, não tive maiores oportunidades de ingressar como funcionária. Terminei o curso, que dava noções práticas de mecânica, eletrotécnica e eletrônica, como uma das primeiras da turma. Enquanto fazia alguns bicos como soldadora, resolvi tentar a prova para um curso técnico público muito concorrido na cidade. Passei em primeiro lugar; minha carreira parecia promissora, não é? Mas eu simplesmente não tive a  oportunidade de saber.  
Para obter o certificado de técnica em mecânica, eu precisaria realizar um estágio. Logo no primeiro dia de aula foi avisado na sala que os cinco primeiros colocados no processo seletivo deveriam ir à secretaria, pois uma empresa da região os cadastraria e ofereceria o estágio a partir do segundo semestre. No intervalo da aula fui até lá e qual não foi a minha surpresa ao perceber que os contemplados se tratavam literalmente dos cinco primeiros colocados, ou seja, eu e uma outra garota, que havia passado em terceiro lugar, fomos ignoradas; na lista constavam apenas os rapazes. Perguntei a uma funcionária e era isso mesmo: só homens.
Continuei empenhada nos estudos e no ano seguinte surgiu uma nova oportunidade, em parceria com outra instituição, que ofereceria cursos de capacitação em suas dependências. A escola contrataria alguns alunos, como auxiliares de laboratório. Novamente o que contava eram as notas, e dessa vez não fui excluída de cara, poderia participar de um curso na outra instituição; ao final desse, seriam escolhidos os contratados. Os cursos que seriam oferecidos eram AutoCAD [programa de desenho técnico de engenharia] e Soldagem, adivinha em qual me colocaram? 
Quase um vestido
Mesmo eu tendo claramente explicitado minha preferencia por soldagem, obviamente eu deveria ficar no curso mais adequado para mulheres, segundo eles. Desenho técnico é uma área importante, longe de mim criticar esses profissionais, mas não era a que me interessava, por que eu não podia escolher? Reclamei, fiz milhões de requerimentos e finalmente consegui trocar de curso, mas não adiantou nada, embora eu tenha tido um desempenho superior, afinal já tinha experiência na área, não fui escolhida. Como é que uma garota ia conseguir carregar caixas de eletrodos? Preparar peças? E imagina só como é que eu ia aguentar usar aqueles equipamentos de proteção malcheirosos de raspa de couro?
Já no ultimo semestre do curso, fui avisada por uma funcionária que em uma semana haveria uma nova entrevista de estágio. Preparei meu currículo, novamente esperançosa, e compareci no dia da entrevista. A moça que havia me falado da seleção ficou surpresa em me ver e perguntou o que eu fazia ali. Estava lá pra concorrer à vaga, é claro. Então ela pediu desculpas e me explicou que havia me informado da vaga para eu avisar meu namorado, que também fazia o curso -- as vagas eram só para homens. 
Eu não conseguia acreditar! Era uma frustração tão grande, que não consegui fazer nada, só deixei o currículo e fiquei lá fora, esperando pelo meu namorado (olha só! Eu tinha feito meu papel de mulher, avisei a ele). Enquanto voltávamos pra casa, ele me contou que, durante o processo seletivo, folhearam meu currículo e o consenso tinha sido: “Nossa, que currículo ótimo, pena que é mulher”.
Elas existem!
Durante todo o curso tentei outros estágios. As exigências para empresas se conveniarem com a escola eram grandes, o que diminuía bastante as opções. Fiz provas, dinâmicas, entrevistas, mas nunca fui chamada. Nessas outras situações, pode ser que eu tenha sido reprovada por outros motivos, talvez não tenham me considerado boa trabalhando em equipe, ou que eu não seja proativa ou qualquer desses quesitos que tanto ouvi falar. Mas não tenho como não suspeitar do fato de que, das cinco meninas da sala, a única que conseguiu o certificado foi a que aceitou continuar no AutoCAD.
Se eu tivesse fracassado por não ter sido esforçada, motivada ou mesmo inteligente o suficiente ficaria triste, mas nada se compara a esse gosto amargo, de não me ser permitido nem competir. Na época, seis anos atrás, eu não era feminista, nem tinha ideia de como lutar pelos meus direitos, e vejo aí a importância do feminismo se comunicar com as jovens, pois muitas feministas que conheço nem sonhavam com uma realidade diferente na adolescência. Naquela época, se soubesse um pouco mais, talvez tivesse escrito uma história diferente, lutado mais, talvez até contribuído para uma melhora para as garotas que ingressaram depois de mim.
Minha família sempre me apoiou muito, sempre deu muita força e incentivou que eu seguisse a carreira que quisesse. Mas me deixou um tanto triste ver que eles trataram a forma como tudo aconteceu com naturalidade, pois viam situações como a minha todos os dias trabalhando na área e já achavam aquilo normal.
Depois desses acontecimentos todos, parei de tentar ingressar em empresas, cursei Pedagogia, fiz concurso e acabo de iniciar o trabalho com orientação em uma instituição de ensino técnico e tecnológico. Quero lutar constantemente para incluir um olhar de diversidade nas ações da escola, preocupação que simplesmente não existiu quando era eu a aluna.
12 Nov 08:31

São Paulo # 1

by gehl architects

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A new heart for São Paulo

In the effort to make the historic downtown of São Paulo lively, safe and attractive to people, Gehl Architects have been hired by Itaú Unibanco to assist São Paulo Urbanismo in the development of new public spaces.

By Stine Behrendtzen, freelance journalist

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“When darkness falls, people quickly disappear from the sidewalks. The shops close their shutters and the streets turn into long, dark alleys. The historic downtown is not a place where people go for a drink, a coffee or a walk. In fact it seems a bit deserted at night”

This description is given by CEO of Gehl Architects, Helle Søholt, who shares her thoughts on the ambience in the area surrounding Vale do Anhangabaú, one of the largest and most central squares in São Paulo.

In the 1970′s the city was ahead of the curve in their approach to public spaces. At the time,
car-free zones were established. The city center was filled with pedestrian areas where people
were seen relaxing on benches or strutting around among colorful telephone booths, shaped like giant oranges.

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An ambitious plan

São Paulo has always had a strong architectural foundation, influenced by ground-breakers, like Oscar Niemeyer and Le Corbusier.  However, during the 1980s, city planning ceased.

Following the end of the dictatorship in 1988, the city evolved rapidly but also randomly, according to Helle Søholt. Jobs disappeared from downtown, families started to move away, and slowly the area was transformed into a place with many vacant buildings. Most of the businesses that used to occupy the ground floors closed down, and nowadays upper floors are used primarily for product storage and ground floors for parking.

The area has become a place people mainly go to if they have a specific errand to run or if they work in one of the public sector offices. Few go there for leisure, explains Helle Søholt, unless attending one of the many events. Now the city has decided to do something about it.

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“A new mayor and a new operational chief for city planning were elected in November of last year, and one of their goals is to rectify the old city center. The municipal council is currently working on a very ambitious plan. They are serious about generating more life and daily day-time activities into the area.”

One of the visions is to breathe new life into Vale do Anhangabaú. Today the large central square functions mainly as an event space and does not facilitate everyday use, even though there is a large body of potential users that pass by on the nearby streets and cross the square every day on their way to and from public transport, going to work and school in the area.

An inclusive process

“Our job is to facilitate the process, but we believe that it is important to understand and respect the historical and cultural context. In order to broaden our perspective, and include a variety of voices and viewpoints, we’ve held a series of workshops, where we have included various local experts,” explains David Sim, Creative Director at Gehl Architects.

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The people attending the workshops have been a mixture of architects, engineers, police officers, bicycle enthusiasts and people who work to conserve Brazilian cultural heritage.

“If a city needs a new heart, it’s important to include everyone in the process. It’s their city. That’s why it is only right to give them the opportunity to make their mark. Only by including people in the planning process can they truly engage and get a sense of ownership in a project like this one.”

Observing city life

For example, a part of the workshop included a simple exercise in observation –  a group of 30 people going to the square and observing life unfolding.
“Basically we started by identifying all the things we could agree upon. Generally when you have a lot of people involved in a process like this – a good starting point is unity. Finding similarities instead of differences.” he says.

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“We quickly agreed that there was a need for more trees, as well as a need for more activities so we should include kiosks, cafes and free wifi. There was also a general consensus regarding some form of water on the square, and a more uniform surface and universal access, so everyone would be able to go there, regardless of any disabilities. On the whole we agreed that it should be a flexible place suited for both large events as well as an everyday place where you would want to eat your lunch or just chill.”

Acupuncture for cities

Gehl Architects define one of their ways of working as ‘urban acupuncture’. The idea is that if you make an effort to create an area that is inviting and people- friendly, the effect will spread to other neighbourhoods.

In addition to the project in Vale de Anhangabaú, Gehl Architects has been commissioned to facilitate a process for 4 pilot projects in selected parts of the city, says Architect Sofie Kvist.

“Currently city life in the old city center is very objective-based: You go to the market, visit a pedestrian street for shopping or you go there for work or to study. Everyday life is not particularly supported, so there’s no incentive to hang around in the area.”

A better pedestrian environment

The purpose of the pilot projects is to improve the environment in order for everyday life to flourish. The first one is expected to be launched in December 2013, and is aimed towards the area surrounding the busy shopping street of 25 de Março, which is typically crammed with people.

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The pilot project gives space back to the pedestrians and reorganizes the street vending to create a better pedestrian and shopping environment. This is already part of a reoccurring Christmas event. The pilot prolongs the period of street closure and adds elements such as wayfinding, seating and art into the street.

“Including local stakeholders and creating partnerships with possible contributors and locals to the area is crucial in order to make the pilots a success,” explains Sofie Kvist

One of many ideas is to transform a side street which today is used for parked cars, into a small recreational square, where people can take a break, relax, and get a drink in between shopping on the busy 25 de Março. There are among other initiatives plans to install benches, tables, parasols and food stands that sell local delicacies.

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Helle Søholt hopes that Gehl Architects can contribute by making São Paulo more inviting to people.

“We want to contribute to changing people’s impression of the city center. Hopefully these pilot projects will place the city center on people’s ’mental maps’, and change their perception of the urban spaces.”


11 Nov 23:29

Vamos importar Ricardo Darín

by Kiko Nogueira

 

Ricardo Darín participou de uma entrevista com o apresentador Alejandro Fantino, do programa “Animales Sueltos”, da Argentina. É um bate-papo numa bancada. Darín, há algum tempo o maior ator do país, deu alguns sustos em Fantino. O vídeo se tornou viral (inclusive com uma menção fictícia a Quentin Tarantino). A certa altura, lhe foi perguntado se não gostaria de fazer carreira em Hollywood.

“Eu não perco o sono ou enlouqueço com isso, pode ter a ver com a idade. Fui muito criticado porque disse que não queria ir ao Oscar. O que você acha que acontece lá? Eu já fui, eu já vi e estou feliz de estar aqui”.

Também contou do convite — recusado — para trabalhar num longa de Tony Scott.

“O produtor me respondeu que não aceitava ‘não’ como resposta. Era para o filme  “Man on Fire”, com Denzel Washington. Me ofereceram o papel de um traficante mexicano. A primeira coisa que me incomodou foi que procurassem latinos para fazer papel de traficantes em um dos países com maior tráfico de drogas no mundo [os EUA]. Além do mais, eu tinha trabalhado na Espanha, no teatro. Estava há seis meses longe de casa.”

Fantino começou a elencar as coisas que estava perdendo: casa em Los Angeles, jato particular, praia em Santa Monica etc.

“Para quê? Melhor do que eu vivo? Eu tomo dois banhos de água quente por dia. A ambição pode levar você a um lugar muito escuro. Eu tenho um carro caro que me dá muito trabalho. Fico feliz quando eu pego o carro do meu filho. Eu sempre encontrei uma mão amiga quando precisava. Tenho muito mais do que preciso. Sou um privilegiado”.

Darín é um ator brilhante. Em 2009, o thriller “O Segredo de Seus Olhos”, em que fez o protagonista Benjamin Esposito, levou o Oscar de filme estrangeiro. Seu papel como um dos golpistas de “Nove Rainhas” é inesquecível. A atuação em “O Filho da Noiva” é tocante.

Mora há anos na mesma casa, no bairro portenho de Palermo. Participou de uma campanha do Greenpeace para impedir a construção de uma usina na Patagônia. Fumou cigarros a vida inteira e admitiu que fumou muita maconha, o que causou barulho. “Ninguém atacas as drogas legais porque existem muitos negócios por trás delas”, disse.

Não é a apenas a falta de afetação e a capacidade de articulação que chamam a atenção. Sua persona pública não tem a auto-importância e a falsa solenidade que  costuma sobrar em muitos de seus colegas brasileiros, especialmente os que convocam manifestações e não aparecem.

O ativismo de Darín está mais ligado ao exemplo do que à falação. Ao invés de detonar Hollywood com clichês, ele conta o que aconteceu com ele lá. Ao invés de criticar o “sistema”, descreve sua relação com seu carro importado e o desconforto que sente com a pobreza à sua volta.

Uma amiga diz que, se o Brasil não fosse tão argentinofóbico, seria o caso de importa-lo. Mas para fazer o quê? Uma novela? Uma comédia da Globofilmes? Melhor deixá-lo na Argentina, onde ele é mais útil.

11 Nov 14:32

Want better streets in America? Go to Denmark

"People don’t know what they want until you show it to them." -Steve Jobs

How would you paint a desert landscape if you’ve never left Rhode Island?

What if someone asked you to design a better pair of skis, but you’d never hit the slopes in your life?

How could you envision a better kind of bike lane — one that is safe, intuitive, and attractive to people of  all ages — if your only basis for experience was modern-day America?

In my work, I’ve found that there’s no better place to spark the imagination than Denmark.

American city thinkers have been getting their minds blown over there for a while. Most of them come back wishing that their mayors and bosses had been by their side. That’s why the Green Lane Project provides scholarships for city leaders to visit the most people-friendly cities of Northern Europe. And this winter, we’ll be selecting six new cities to join the program.

Copenhagen’s protected bike lanes are elevated from the street, with a second curb to separate bike space from sidewalks.

Last fall, I led a delegation of elected officials, department executives and senior staff from three different American cities on an expedition to Denmark’s most innovative cities. During the trip, we rode bikes to meetings using Copenhagen’s extensive network of protected bike lanes — it’s the fastest, most convenient way to get around. Participants found kinship with some of Europe’s leading experts on city life, transportation, and politics. We discovered that even in the world’s happiest country, change isn’t easy.

We visited lively streets full of people and thriving businesses, only recently transformed from car-oriented thoroughfares to bustling neighborhood centers. And we strategized — a lot — about how to bring the best things about Copenhagen back home. For six days, American city officials battled jet lag and backlogged inboxes to allow themselves a simple luxury rarely granted to busy professionals: pausing to dream about how great their cities could be.

A city is an elaborate experience, and there’s simply no virtual or 2-D substitute for seeing it, feeling it, and living it. Just being in a new place can encourage bold, creative thinking. As one delegate put it, “we never could have had these kinds of conversations about our city back home.” The cycle tracks of Copenhagen are a fast track to the political will and technical know-how necessary to change the way streets work in America.

It’s oh-so tempting to dismiss European experience as a viable model for the USA. I once did. Skeptics can easily list the reasons why Copenhagen is different; it’s flatter, denser, wealthier and more compact. Taxes on car ownership and use are among the highest in the world. It has a population that grew up in a culture of mainstream bicycling. These differences are real, for sure. It’s easy to be discouraged by this — until you go there and meet the Danes who spend their careers working to make their cities better places.

Kids are regular users of Copenhagen’s bike network - a sure sign that it’s safe, easy to use, and comprehensive.

For U.S. city professionals, hearing Danish peers describe Copenhagen of the 1960s as renowned for cars and traffic jams, not bikes and outdoor cafes, is empowering. Today’s transformed Copenhagen is the product of 40+ years of dedicated investment and hard work. When you realize that someone in Copenhagen has a job very similar to yours, cares about many of the same things you do, and experiences many of the same victories and frustrations in their work as you, it becomes much more difficult to insist that our cities’ problems, solutions and cultures are exceptional.

Contemporary Copenhagen sends a very different message about how urban space should be used. Cars are allowed on today’s plaza for deliveries, but there’s no question that this is a space for meant for people.

That’s not to say that the Copenhagen experience can simply be boxed up and shipped to America (or can it?). It took decades of incremental change to create the Copenhagen I know today. The Green Lane Project cities are pioneers: innovators and change agents who have the experience and influence to quickly advance new ideas. They know that their role is not to copy what they see in Copenhagen, but figure out how to do it faster — and better — in America.

11 Nov 09:51

Trabalho escravo

by Luis Fausto

Leio na Folha de S.Paulo:

Uma equipe de fiscalização do Ministério do Trabalho registrou indícios de trabalho semelhante à escravidão em uma fazenda do advogado Luiz Alfredo Feresin de Abreu, irmão da senadora Kátia Abreu (PMDB-TO).

Ele nega irregularidades e diz que a operação visava atingir sua irmã. Principal líder da bancada ruralista no Congresso e colunista da Folha, Kátia Abreu preside a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil).

Em vistoria de 23 de agosto, fiscais dizem ter encontrado cinco pessoas em condições de trabalho escravo na fazenda Taiaçu II, a 48 km do município de Vila Rica, no nordeste do Mato Grosso.

De acordo com o relatório, os trabalhadores tinham jornada de 11 horas e moravam em um alojamento sem energia elétrica ou água. No momento, o vaso sanitário do banheiro estava quebrado.

A investigação aponta que os empregados receberam proposta para dividir R$ 400 por alqueire roçado. Dois teriam sido recrutados no Maranhão.

Produtos necessários para o trabalho, como botina, lanterna, garrafa térmica e chapéu, eram fornecidos, mas seriam descontados do pagamento. “Já faz algum tempo que está ocorrendo situação de trabalho escravo”, diz Giselle Vianna, coordenadora de fiscalização rural no Estado.

Três dos empregados teriam sido contratados temporariamente para trabalhar nessas condições desde 2010.

Os funcionários foram levados a um hotel em Vila Rica, onde ficaram por uma semana. De lá, seguiram para suas cidades de origem, segundo a Superintendência do Mato Grosso, responsável por autuar a fazenda. Luiz de Abreu pagou o transporte e a estadia.

As irregularidades foram registradas em 19 autos de infração contra o proprietário; os documentos, encaminhados ao Ministério Público Federal.

A pena a quem submete alguém à condição análoga à de escravo pode chegar a oito anos de prisão, fora multa.

Luiz de Abreu afirmou que contratou apenas um dos trabalhadores, José Orlando da Silva, para roçar o pasto e que esse empregado chamou quatro amigos para uma “sociedade”, dividindo com eles o serviço e o pagamento.

Ele anexou à defesa, enviada ao superintendente regional do Trabalho em Mato Grosso, depoimentos registrados em cartório em que os roceiros afirmam que trabalhavam por empreita e não tinham vínculo empregatício com o advogado, que o alojamento tinha luz, água encanada e que pretendiam continuar na fazenda pois recebiam em dia.

Luiz Abreu acusa os fiscais de má-fé, pois teriam omitido trechos das declarações dos trabalhadores que lhe eram favoráveis e, segundo ele, buscavam vincular a senadora à propriedade.

Em um trecho da defesa, Abreu faz referência à chacina de Unaí (MG), em 2004, quando três fiscais do trabalho foram mortos em uma emboscada: “A sorte de Vossa Senhoria e dos fiscais é que eu não tenho personalidade marcada pela psicopatia e acredito na justiça dos homens, senão certamente vocês teriam o mesmo destino daqueles fiscais de Unaí”, escreveu.

Abreu disse não temer que a frase seja interpretada como ameaça. “Digo justamente que ele não corre esse risco. É mais um desabafo”, declarou.

10 Nov 12:51

El muro de Berlín que cae sin cesar sobre las mujeres…

by angels martinez castells
Allan Patrick

Um lado da queda do Muro de Berlim que não se conta por aí

berlin 1989Hace tiempo leí una frase que me impactó de la Conferencia de Mujeres de Pekín. Una delegada afirmó: “el muro de Berlín cayó sobre las mujeres”. De hecho, guardo las mayores discrepancias con el enunciado anterior sólo en el tiempo verbal. El muro, como metáfora del triunfo de un sistema que sólo crece en la desigualdad (y aún así, fallido) sobre otro sistema que no supo ser ni convencer, sigue cayendo sobre las mujeres y las personas más débiles de todas las sociedades occidentales con el robo de derechos laborales, las privatizaciones, los recortes en dependencia, sanidad, enseñanza, y los enormes pasos atrás que se dan en educación laica, libre y científica. Por tanto, creo que la frase sigue teniendo una gran vigencia aquí y ahora, y a la lógica indignación por unos retrocesos tan claros de género y de clase, se une (como una cantinela monocorde) la memez repetida en algunos medios estos días de que fueron los socialistas españoles del entorno de Felipe González los que “inventaron” el Estado del Bienestar. Sin negar su labor, lamento su poca capacidad para captar no sólo los matices, sino aceptar que su moneda tiene dos caras y la que quieren ocultar fundamenta ya los orígenes de la prostitución de la política para servir una economía que sólo beneficia a los menos, pero muy poderosos.

Y por ser la fecha que es, recurro a un artículo de Bruni de la Motte publicado en The Guardian el 8 de noviembre del 2009, para que las añoranzas del bienestar no se detengan sólo en lo que hizo una Europa en la que un compromiso ya roto entre democracia-cristiana y socialdemocracia quería poner límites (y hacer perder atractivo) a otra manera de entender la economía.

muro Berlín“El 9 de noviembre 1989, cuando cayó el muro de Berlín, me di cuenta de que pronto le seguiría la unificación alemana. Se produjo un año después, con el fin de la República Democrática Alemana (RDA), país en el que nací, creci, dí a luz a mis dos hijos, obtuve el doctorado y disfruté de un trabajo satisfactorio como profesora de literatura inglesa en la Universidad de Potsdam. Por supuesto, la unificación trajo consigo la libertad de viajar por el mundo y, para algunos, más riqueza material, pero también la desintegración social, el desempleo generalizado, las listas negras, un materialismo craso y más que la competitividad, una “sociedad de golpes de codo”, así como la demonización del país en el que vivía y ayudó a formarme. A pesar de las ventajas, para muchos era más un desastre que un evento la celebrada unificación.

Sólo dos ejemplos. Mi mejor amiga, profesora de idiomas extranjeros, perdió su trabajo y pasó a formar parte de la lista negra, ya que en el momento de la caída del muro estaba dando clases en la Facultad de Derecho. No era miembro del PDS, ni siquiera le interesaba la política. Después de la unificación, y con mucho esfuerzo, logró encontrar trabajo ayudando a los jóvenes excluidos de la escuela, pero sin contrato fijo y con un salario mucho más bajo. Mi hermano, que tiene un doctorado en filosofía de la ciencia, perdió su trabajo de investigación en la academia y desde entonces sólo ha podido encontrar empleos temporales, poco relacionados con lo que le interesa, y mal pagados .

No se ha difundido gran cosa de lo que sucedió a la economía de la RDA cuando cayó el muro. Una vez abierta la frontera, el gobierno decidió la creación de un fideicomiso para asegurar que “las empresas de propiedad pública” (que eran la mayoría) serían transferidos a la ciudadanía que habían creado la riqueza. Sin embargo, pocos meses antes de la unificación, el gobierno conservador entonces recién electo entregó la tutela a determinadas personas designadas desde el lado oeste que representaban a grandes intereses comerciales e industriales. La idea de los activos de “propiedad pública” que debían transferirse a los ciudadanos se abandonó en silencio, mientras se privatizaban a una velocidad vertiginosa. Más de 85% paso a manos de alemanes occidentales y muchos se cerraron poco después. En el campo, se vendieron más de 1,7 millones de hectáreas de tierras agrícolas y forestales, y el 80% de los trabajadores agrícolas perdieron su trabajo.

En julio de 1990, cuando todavía existía la RDA, se construyó a toda prisa una “unión monetaria” precipitada con el resultado de que la economía de la RDA se hundió en la bancarrota. Antes de la unificación del marco, la divisa de la Alemania Occidental valía 4,50 marcos de la RDA. Sin embargo, en la unión monetaria se fijó la paridad con un tipo de cambio de 1:1. El resultado fue que los productos de exportación de la RDA subieron de precio en un 450 % durante la noche y dejaron de ser competitivos. Como ressultado, el mercado de exportación (un 39 % de la economía de la RDA), se desplomó de manera inevitable.

Un gran número de trabajadores manuales perdieron sus puestos de trabajo, pero también lo hicieron miles de investigadores y académicos. Como resultado de la depuración de los centros universitarios, de investigación y científicos después de un proceso de investigación de antecedentes políticos, más de un millón de personas con grado superior perdieron sus puestos de trabajo. Representaba la mitad de todas las que habían alcanzado la mayor cualificación académica y cientídica, y con ello se creó en el este de Alemania el mayor porcentaje de desempleo profesional del mundo: todos los rectores y cargos académicos delas Universidades de la RDA y 75.000 profesores perdieron sus puestos de trabajo… y muchos de ellos pasaron a engrosar las listas negras. Este proceso contrastaba fuertemente con lo que ocurrido en la Alemania occidental después de la guerra, cuando los ex-nazis mo fueron tratados de esta manera.

En la RDA, todo el mundo tenía una seguridad jurídica garantizada sobre el disfrute y propiedad de los inmuebles en los que vivían. Después de la unificación, se atendieron las reclamaciones hechas por 2,2 millones de ciudadanos de fuera de la RDA que dejaron sin hogar a personas que habían estado viviendo en sus casas durante décadas: Varias se suicidaron antes de abandonar lo que para ellas era su hogar. Irónicamente, las reclamaciones de restitución a la inversa, de propiedades de los alemanes del este en el oeste, fueron rechazadas por presentarse “fuera de tiempo”.

Desde la desaparición de la RDA , muchos han llegado a reconocer y lamentar el desmantelamiento de los verdaderos “logros sociales” de que disfrutaban: igualdad social y de género, pleno empleo y la seguridad de que nada esencial para la existencia pordía faltarles; por ejemplo, alquileres subvencionados, transporte público, acceso casi ilimitado al mundo de la cultura y a las instalaciones deportivas. Por desgracia, el colapso de la RDA y del llamado “socialismo de Estado” se produjo poco antes que el colapso posterior del sistema de “libre mercado” en occidente.”

Video tomado del blog de mi amiga Rosa María Artal, la periodista entonces de Informe Semanal que pudo dar la primicia y a quien “le” abrieron el muro.


10 Nov 12:48

Pacote do governo FHC, novembro de 1997. Até no dinheiro dos velhos com mais de 70 e deficientes físicos eles mexeram

by Antônio Mello
Allan Patrick

Viver é recordar


Capas da Veja - Antes e depois do Pacote de nov/1997


Para quem gosta de fazer comparações entre os governos tucanos e os governos populares Lula-Dilma,  nada como recordar, por exemplo, a situação que o Brasil viveu em novembro de 1997, bem ilustrada por essas duas capas da Veja daquela mês reproduzidas acima.

Na edição que comentava o cruel pacote baixado pelo governo FHC, para atender exigências do FMI e do mercado global, a Veja publicou a reportagem reproduzida abaixo, que resumo a seguir, inclusive com a ilustração:

São 51 medidas de natureza fiscal, com corte de despesas e investimentos públicos, demissão de servidores e aumento de impostos e tarifas.

(...) O pacote não foi a primeira nem a última intervenção do governo nos últimos dias contra a crise financeira. Ponto central da atuação de Brasília para esfriar o nervosismo, o pacote foi costurado num fim de semana, e essa confecção às pressas aparece em várias passagens infelizes que incorporou. Tanto tem furos que a cada dia o governo faz uma nova correção. A última é a edição de uma medida provisória com 75 artigos que visa aliviar um pouco o item do pacote que aumenta o imposto de renda das pessoas.

(...) No dia 29 de outubro, um dia antes do aumento dos juros, a equipe econômica falou, pela primeira vez, num pacote fiscal. Pensava cortar 10 bilhões de reais. Seis dias depois, como os juros não acalmaram o mercado, o corte pulou para 12 bilhões. No dia seguinte, 16 bilhões. Quando a bolsa afundou na sexta-feira, 7 de novembro, os técnicos partiram para o pacote de 20 bilhões.

(...) Diante da televisão, os técnicos do governo avisaram pura e simplesmente que o governo estava aumentando em 10% o IR na fonte e limitando as deduções com educação, previdência privada e saúde, entre outras, a 20% da renda. Dizendo assim, deram a impressão de que os contribuintes pagariam apenas uns reais a mais. Nada disso. Nos casos mais graves, haveria gente pagando até treze vezes mais imposto do que agora.

(...) No pacote, aumenta-se também o imposto sobre produto industrializado, cortam-se 2 bilhões nos investimentos das estatais, em especial Petrobrás e Telebrás, e adia-se, mais uma vez, o reajuste salarial do funcionalismo [do BdoM: sem aumento desde o início do governo FHC].

[Agora, um detalhe cruel, perverso, que mostra a frieza da equipe econômica e do governo FHC: Medida] que altera um programa social que paga um salário mínimo para velhos com mais de 70 anos e deficientes físicos. Hoje, os inscritos recebem o benefício em 45 dias. Agora, só o terão em noventa dias.

Dobrar o prazo para recebimento de um salário mínimo para velhos com mais de 70 anos e deficientes físicos é de uma crueldade indesculpável. Mas, é o modo tucano de governar. E eles ainda querem voltar... Fiquemos atentos.

Íntegra da reportagem, a seguir. 





Madame Flaubert, de Antonio Mello

09 Nov 23:18

Privatês

by noreply@blogger.com (João Rodrigues)
Allan Patrick

Pra gente ficar alerta: privatização das escolas tem avançado em Portugal e na Espanha durante a crise.


A jornalista Ana Leal da TVI está de parabéns. A Verdade Inconveniente sobre os colégios privados, que passou esta semana na TVI, é reportagem no seu melhor. Se ainda não viram, não percam:

“Uma equipa da TVI percorreu o país e encontrou escolas públicas vazias, em risco de fechar, cercadas por colégios privados que nunca deveriam ter tido autorização para serem construídos. Uma teia de cumplicidades que abrange ex-governantes que, depois de exercerem os cargos, passaram a trabalhar para grupos económicos detentores de muitos desses colégios, ou ex- diretores regionais de educação que fundaram depois colégios que são pagos com o dinheiro dos contribuintes.”

É a economia política da ida ao pote, o tal Estado paralelo, o neoliberalismo, ou seja, uma engenharia política de demolição do que é público e de construção e decisivo reforço de interesses capitalistas, em todo o seu esplendor na educação. O privatês de Crato precisa mesmo de um contramovimento político à altura, o que requer a multiplicação das análises críticas sobre invenções políticas neste campo, de que são exemplos o novo estatuto do ensino particular e cooperativo e o planeado cheque-ensino, sendo que algumas destas tecnologias deseducativas têm por aqui sido escalpelizadas nas suas perniciosas consequências, em especial pelo Nuno Serra.
09 Nov 12:54

Gentili devia explicar na cadeia por que ofereceu banana no Twitter a um negro

by Paulo Nogueira
Um ignorante que faz piadas para ignorantes

Um ignorante que faz piadas para ignorantes

Vou contar uma história ocorrida em Londres.

Meses atrás, um jogador de futebol teve uma síncope cardíaca em pleno jogo, diante de um estádio lotado e de câmaras que transmitiam a partida para vários países.

Foi uma comoção coletiva. Ele ficou minutos sem respirar, e saiu numa maca sem que se soubesse se estava morto. (Felizmente, conseguiram ressuscitá-lo: ele se retirou do futebol, mas está vivo.)

No Twitter, mensagens angustiadas, desesperadas torciam pelo jogador.

No meio da dor generalizada, alguém começou a postar mensagens racistas, insultuosas ao jogador e às pessoas que sofriam naqueles instantes por ele.

Houve uma reação imediata dos internautas. O racista, em seu último tuíte, depois de falar em bananas e coisas do gênero, disse o seguinte: “Vivo num país em que a liberdade de expressão é sagrada.”

Bem, para encurtar a história: em poucas horas alguém bateu em sua porta. Era a polícia. Ele foi levado para a prisão, onde passou alguns meses.

Covardemente, apagara sua conta no Twitter, mas estava tudo registrado.

Me lembrei desse episódio ao ver que Danilo Gentili, o analfabeto político com voz esganizada que faz humor para preconceituosos rasteiros como ele, ofereceu bananas a um homem negro que o interpelara sobre seu uso de racismo nas “piadas”.

Tão covardemente quanto o londrino valentão, Gentili apagou o tuíte racista. Mas o ofendido já tinha gravado a imagem.

1 a 1 a a a a a hu resposta de gentili a leitor negro em 1 10 12

Solidariedade a Gentili partiu dos mentecaptos de sempre, entre eles o cantor Roger, o Inútil, outro analfabeto político. Roger se gaba de um QI elevado, mas acredito tanto nisso quanto acredito na audiência “enorme” de Reinaldo Azevedo.

Gentili é um entre tantos ‘comediantes’ que atiraram na lata de lixo o humor nacional com suas “piadas” endereçadas a negros, pobres, nordestinos, retirantes, homossexuais.

Há outros: Tas, Rafinha Bastos – gente que adula os ricos, rasteja diante de quem tem dinheiro e é impiedosa com os desvalidos, as minorias.

Eles chamam o que fazem de “politicamente incorreto”. Mas o que fazem é contribuir para o atraso social do país. São ignorantes que semeiam a ignorância.

Em Londres, o racista deu suas explicações pelo que fez no Twitter no único lugar que cabe para esse tipo de coisa: na cadeia.

É uma pena que Gentili não dê suas explicações no mesmo lugar.

Uma imensa pena.