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24 Sep 14:43

Estado ratifica pensão vitalícia retroativa para Agripino e Lavô

by Carlos Santos

Um dia após enviar à Assembleia Legislativa projeto (veja AQUI) para aumentar o “arrocho” no servidor público e contribuinte, na tentativa de aumentar receita e reduzir déficit do erário, o Governo do Estado publica decisão administrativa generosa. Ô!

O Diário Oficial desta quinta-feira (24) assinala a concessão de pensão vitalícia ao senador e ex-governador José Agripino (DEM). Também alcança o ex-senador e ex-governador Lavoisier Maia.

Acompanhe mais notícias em nosso Twitter clicando AQUI.

O benefício estava previsto na Constituição do Estado do Rio Grande do Norte, em seu art. 175.

Ou seja, é legal – mesmo que imoral.

Os beneficiados têm direito a empalmar vencimentos iguais a de um desembargador do Tribunal de Justiça do RN (TJRN). Enfim, mais de R$ 33 mil por mês.

Tudo retroativo ao ano de 1988 para Lavoisier e 1987 em favor de Agripino.

Veja abaixo o que trata do benefício para José Agripino.

Diário Oficial hoje materializa a boa nova para o senador (Foto: reprodução)

24 Sep 13:49

CPI do Banestado: Amaury denunciou em 2003 conduta do “cabeça” da Lava Jato

by Conceição Lemes
24 Sep 12:20

“Por que mataram meu pai, um jornalista esportivo?”

by Kiko Nogueira
Valério Luiz na rádio 820

Valério Luiz na rádio 820

 

Por Valério Luiz Filho na Agência Pública. 

 

Até 2012 eu era só um advogado tributarista. Não que ignorasse as questões da segurança pública e da violência, mas as pensava de forma abstrata, como qualquer pessoa. Após ter concluído o curso de Direito pela Universidade Federal de Goiás (UFG), passei um ano trabalhando em um grande escritório do Recife. Retornei a Goiânia com o objetivo de montar banca própria, incentivado por meu pai. Naquele ano, voltei a morar com ele.

Estava esperando por ele quando recebi o fatídico telefonema, às 14h22 do dia 5 de julho de 2012. Na véspera ocorrera nossa última conversa. Ele entrara na sala de televisão para me perguntar rapidamente sobre uma empresa que havia me contatado e fora dormir. No dia seguinte saiu cedo, não o vi. Fui almoçar em casa para conversarmos melhor depois do seu programa.

Meu pai era radialista e jornalista, comentava futebol das 12h00 às 14h00 na Rádio Jornal 820 AM, atual Rádio Bandeirantes. Era conhecido como “o mais polêmico do rádio” por não medir palavras nas ácidas críticas que dirigia às gestões dos cartolas goianos; citava nomes e fatos concretos, fugindo dos comentários genéricos adotados por outros profissionais.

Num dia normal, no máximo às 14h15, seu Ford Ka preto já teria estacionado no portão; a rádio ficava ali perto. Passaram alguns minutos, olhei o relógio do celular, mas não me preocupei. Eis que o aparelho toca. “Valerinho, pelo amor de Deus, vem aqui pra rádio que seu pai tomou um tiro”, disse Lorena, minha madrasta, aos prantos. Antes que eu fizesse qualquer pergunta, a ligação caiu, ou ela desligou. Não sei.

Telefonei então para o administrador da emissora, Pedro Gomes, que atendeu de pronto. “Pedro, que história é essa de que meu pai tomou um tiro?” “Onde você está?”, perguntou ele. “Em casa”, respondi. “Vou mandar um carro da rádio aí, que seu pai levou uns tiros.”

O plural me apavorou. Alguns minutos depois chegou o Fiat Uno plotado. Sentei no banco do passageiro e Elisvânia, a coordenadora financeira da Jornal, do banco de trás passou a mão em meu ombro, numa condolência. No caminho parentes e amigos me ligavam, mas ninguém dizia nada específico. Só perguntavam se estava tudo bem. Quando o carro chegou na esquina da Teixeira de Freitas, rua da emissora, não conseguiu seguir devido ao acúmulo de gente. Desci e continuei o trajeto a pé até avistar a cena que mudaria minha vida pra sempre: a esquina onde, cercado por faixas de isolamento, o Ford Ka preto estava parado na diagonal, com as duas portas abertas e os vidros crivados de balas.

Um detalhe me perturbou particularmente: o pé do meu pai pendendo pra fora do carro, com seu tênis cinza e aquela meia levantada da qual eu sempre caçoava. Não tive coragem de me aproximar. Fiquei parado, incrédulo. As vozes e as imagens pareciam oriundas de outro mundo. Ainda assim, precisei dar a notícia à minha irmã caçula, que ligava sem parar: “Nosso pai morreu, Laura”.

Minutos depois chegou meu avô Manoel de Oliveira, radialista e jornalista há 50 anos. “Mataram meu filho!”, gritou. O choro e os brados daquela voz poderosa – e conhecidíssima dos goianos – delinearam no rosto de todos a mesma consternação: como as coisas chegaram a este ponto?

Cresce a tensão

Em depoimentos na Delegacia Estadual de Homicídios (DIH), todos os colegas de meu pai, tanto da Rádio Jornal quanto da PUC-TV, onde era comentarista do programa Mais Esportes, concordaram em um ponto: recentemente houvera uma escalada nas severas críticas do jornalista à diretoria do Atlético Clube Goianiense, que numa ascensão meteórica saíra da série C para a série A do Campeonato Brasileiro, mas encontrava-se em má fase na competição de 2012.

Uma figura em particular se destacava: o poderoso empresário Maurício Sampaio, então vice-presidente do time, cargo que ocuparia até o fim de junho, ou seja, apenas dias antes do assassinato. Ele era velho conhecido do meu pai.

Cinco temporadas antes, em 2007, meu pai viajara ao Piauí para narrar, pela TV Brasil Central, afiliada da Cultura em Goiás, o jogo Barras (PI) vs. Atlético (GO), que valia classificação ao quadrangular final do Campeonato Brasileiro na série C daquele ano. Hospedado no mesmo hotel do clube goianiense, ele afirmou ter descoberto uma tentativa de compra da partida. Duas temporadas depois, em 2009, Valério denunciou o uso de drogas por alguns jogadores nas dependências do clube. Foi processado. Quem compareceu à audiência foi o próprio Maurício, mas a ação judicial não seguiu adiante.

Nada se compara, porém, àquele sinistro primeiro semestre de 2012, quando as críticas à diretoria rubro-negra se intensificaram, chegando a uma tensão pública e notória. “Uma vaca na árvore”, dizia o jornalista sobre a presença do Dragão na elite do futebol brasileiro. “Se um dia você estiver andando e vir uma vaca na árvore, pode até não saber como ela subiu lá, mas sabe que vai cair.” O time de Campinas – bairro mais antigo de Goiânia, precedente, aliás, à construção da capital – era figura constante na zona de rebaixamento do campeonato. “O Atlético está na série A, mas não é time de série A, não”, disparava meu pai em seus programas.

O jornalista atribuía a escalada do clube campineiro a uma injeção de dinheiro oriunda de “patrocinadores tenebrosos”, como a Linknet, envolvida no escândalo que derrubou José Roberto Arruda do Governo do Distrito Federal após a Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, e a Delta Construções, protagonista da famosa Operação Monte Carlo, que resultou na cassação do então senador Demóstenes Torres (DEM-GO).

Não por acaso, Valdivino de Oliveira, enquanto presidente do Atlético Goianiense, foi secretário da Fazenda do governo Arruda e posteriormente eleito deputado federal pelo PSDB. Outro deputado federal, Jovair Arantes, líder do PTB na Câmara e principal articulador da “bancada da bola”, era membro do Conselho Deliberativo do Dragão Campineiro. Já Carlinhos Cachoeira e Demóstenes Torres, então acusados de lobistas da Delta em Goiás, eram – e ainda são – amigos pessoais de Maurício Sampaio.

Em suma, meu pai, torcedor do Atlético, afirmava que a diretoria atleticana usava o brasão do clube para captar dinheiro escuso e criticava Sampaio, em particular, por supostamente utilizar recursos para a aquisição de jogadores que mal seriam testados em campo e serviriam apenas de lucro nas futuras negociações com outros cartolas.

Em 2012, com 49 anos de idade, meu pai tinha 35 de carreira, trabalhara em praticamente todos os veículos de rádio e televisão de Goiás como repórter convencional ou comentarista esportivo. Começara ainda adolescente, puxando fio de microfone no campo do Estádio Serra Dourada, e sempre levou o jornalismo a sério. No fundo, era só isso. Já que estava comentando futebol, comentaria de verdade. Afinal, para que discutir a qualidade técnica de um jogador que mal seria utilizado?

O trabalho do meu pai seria só comentar futebol, se esse fosse apenas futebol. Acontece que não é. Os clubes no Brasil se transformaram em agremiações de velhos políticos, coronéis. Escondem verdadeiras máfias. Não bastasse a triste campanha no Brasileirão de 2012, o Atlético perdeu a final do Campeonato Goiano. A diretoria do Dragão culpou a Federação Goiana de Futebol, acusando-a de escolher árbitros favoráveis ao time adversário. Comentando a polêmica na PUC-TV, em meados de junho, meu pai reabriu uma antiga ferida: “Querem que a Federação roube o título pra vocês? O problema é que lá no Atlético tem muito disso, nego acostumado a fazer mutreta, a tentar comprar resultado, como lá em Piauí, né, senhor Maurício Sampaio?”.

As críticas prosseguiram nos programas seguintes. Meu pai comentava, em debates ao vivo com outros jornalistas, boatos de que Sampaio chegara a pagar a torcida organizada rubro-negra para pichar os muros do próprio clube com xingamentos a jogadores, e até a dirigentes, se ocasionalmente caíssem no desagrado do vice-presidente. Logo as represálias começaram, atingindo, primeiro, outro profissional da imprensa.

Também comentarista esportivo, Charlie Pereira era colega do meu pai na PUC-TV e trabalhava para Maurício na Rádio 730 AM. Sim, o cartola e então cartorário era, e ainda é, “dono” de rádio. Adquiriu o controle da emissora no início de 2012, em sociedade com o advogado Neilton Cruvinel Filho e o apresentador Joel Datena, filho do popular apresentador José Luiz Datena.

A 730 é a rádio mais tradicional do jornalismo esportivo goiano. Meu avô, com sua popular “Equipe do Mané”, manteve uma bem-sucedida programação esportiva na então Rádio Clube durante os anos 1980. Em 1997, a emissora foi reinaugurada por Jorge Kajuru sob a alcunha “Rádio K do Brasil”, em homenagem a Juca Kfouri. Só em 2003 ela foi batizada de “730”, referência à frequência da onda de transmissão. E foi na 730 que Charlie recebeu o ultimato: ou ficava na rádio ou na TV. Sampaio não queria nenhum dos “seus” dividindo bancada com meu pai.

O jornalista deixou então a PUC, fazendo com que um dos coordenadores do programa, Daniel Santana, procurasse Maurício na intenção de dissuadi-lo da absurda exigência. O encontro se deu no 1º Tabelionato de Protestos e Registro de Pessoas Jurídicas, Títulos e Documentos de Goiânia, vulgo “Cartório WSampaio”, que o cartola ocupava interinamente (sem concurso) desde 1988, ano do falecimento do antigo tabelião, seu pai, Waldir Sampaio. “Quem não está comigo está contra mim”, foi sua resposta segundo Daniel.

Ainda em meados de junho de 2012 surgiram boatos de que Maurício deixaria a diretoria do Dragão em razão de desavenças financeiras com o clube. Instado a comentar o assunto, meu pai afirmou que o “deselegante” e “aborrecido” Sampaio era “descartável” e, por fim, pronunciou a expressão que seria celebrizada pelas crônicas policiais: “Meu amigo, você pode ver em filme de aventura, quando o barco está enchendo de água, os ratos são os primeiros a pular fora”.

A frase acirrou ainda mais os ânimos. No dia 19 de junho, o Atlético Clube Goianiense enviou cartas à PUC-TV e à Rádio 820 proibindo-as de entrar nas suas dependências, vestiários ou em quaisquer instalações ocupadas pelo time. O documento, assinado pelo presidente Valdivino de Oliveira e o vice Maurício Sampaio, classificava meu pai como “persona non grata”.

A partir daí meu pai começou a demonstrar uma incomum ansiedade. Falava em abandonar o jornalismo e passou a portar, secretamente, uma pistola taser. Um dia eu o flagrei guardando o objeto. “Para proteção”, disse, constrangido. Um jornalista seu amigo, André Isac, conta tê-lo procurado naqueles dias com uma denúncia séria contra o Atlético, um furo de reportagem. “Ele parecia mais carregado e disse: ‘Olha, vou te pedir uma coisa: não fala disso não, porque não vale a pena. Essas pessoas são muito perigosas’”, relatou André.

Dias depois, minha madrasta diria à Polícia Civil ter ouvido do esposo que Maurício “estava fazendo de tudo para que fosse demitido da rádio e da TV, inclusive oferecendo patrocínios mensais”.

Uma carta anônima

Meu pai foi sepultado na manhã do dia 6 de julho, com presença massiva da imprensa goiana, de familiares, amigos e autoridades, inclusive o governador de Goiás e o prefeito da capital. Lembro de, ao me aproximar do caixão, fixar-me na sua mão esquerda, que estava enfaixada. Uma bala a atingira quando ele fez “posição de defesa”, segundo os peritos e legistas. A maior referência da minha vida estava ali, envolta em flores. Meu pai, a quem devo meu nome.

Desde aquela manhã a imprensa só falava sobre o crime. Todos os parentes, amigos e conhecidos eram gentis comigo, fazendo o possível para me distrair. Mas isso ficou ainda mais difícil quando uma carta anônima chegou às redações de todos os jornais de Goiânia.

Com o título “Nada muda na PM goiana”, a denúncia foi amplamente divulgada e caiu como uma bomba tanto na Secretaria de Segurança Pública quanto em meu coração. Dizia: “O assassinato do jornalista Valério Luiz, filho do Mané de Oliveira, tem ligação direta com o Tenente Coronel (e se ‘deus’ abençoar e o Governador assinar, futuro coronel) Urzeda que todos sabem é intimamente ligado à diretoria do Atlético, uma das principais vítimas dos comentários da vítima [meu pai]”.

A seguir, o texto era ainda mais preciso: “Quem executou o jornalista foi o SD Figueiredo do CME2, se houver um reconhecimento do mesmo pelas testemunhas não haverá dúvidas. Estão organizando uma acusação contra um menor de idade, que ou irá assumir, ou irá morrer, e a arma do crime será plantada com esse indivíduo, podem anotar isso aí, se não der tempo dessa informação chegar no comandante Urzeda”.

Depois de lê-la, lembro de perambular horas a fio pelo parquinho do prédio da minha tia, pensando. Sentia-me ridiculamente pequeno e impotente. Era horrível a sensação de que forças muito maiores, inclusive do Estado, se movimentaram para matar meu pai. Não hesitariam, pensei, em atingir a mim e à minha família. Decidi sair à rua o mínimo possível.

O tal tenente-coronel Urzeda era não só “intimamente ligado à diretoria do Atlético” como foi diretor de relações públicas do time até as vésperas do assassinato. Renunciou no dia 19 de junho, por escrito, em solidariedade a Maurício Sampaio, a quem chamou de “homem de personalidade forte, leal, amigo, de conduta ilibada”. Mesmo assim, em constantes entrevistas, inclusive no velório, prometia “ajudar nas investigações”. Em resposta, minha família mostrou a delicada posição do tenente-coronel e pediu seu afastamento do caso. Fomos atendidos.

 

serra 2012

 

Ainda em julho, no dia 21, fizemos umprotesto por justiça no Estádio Serra Dourada, antes do jogo Goiás (GO) vs. Avaí (SC), que valia pelo Campeonato Brasileiro da série B de 2012. Os jogadores do Verdão entraram em campo vestindo camisetas estampadas com a foto do meu pai e a inscrição: “Não deixem que o povo esqueça esse crime”. Faixas da Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de Goiás (Aceeg) exigiam resposta das autoridades.

Semanas e semanas se passaram, no entanto, sem nenhum avanço.

Outubro, novembro e dezembro foram marcados pela troca do secretário de Segurança Pública e por audiências com o governador Marconi Perillo, que, em duas ou três oportunidades, convocou ao Palácio das Esmeraldas os delegados encarregados do inquérito e, na presença do meu avô, requereu empenho. A imprensa não só lembrava constantemente o caso como fazia uma espécie de diário das investigações, principalmente o Jornal Opção, através de renitentes notas de seu editor-geral, Euler Fagundes de França Belém.

Em fevereiro de 2013, sete meses depois do crime, quando a ansiedade já ficava insuportável para mim, foi o próprio Euler que me ligou. “Valério, está sabendo das prisões no caso do seu pai?” Corri para a delegacia.

Era meio-dia, e jornalistas se amontoavam em volta da delegada Adriana Ribeiro. Ela falou sobre um açougueiro, Marcus Vinícius Pereira Xavier; um sargento da PM, Djalma Gomes da Silva; e um empregado de Maurício Sampaio, Urbano de Carvalho Malta. Comentava-se que o assassinato fora organizado pelo sargento e por Urbano. Mas faltava uma peça no quebra-cabeça.

Na manhã seguinte, li a notícia na internet, incrédulo. Maurício Sampaio acabara de ser preso.

Ao cabo de quase oito meses de investigação, a Polícia Civil encerrou o inquérito, indiciando o cabo Ademá Figuerêdo Aguiar Filho como o autor dos disparos, o açougueiro como partícipe, o sargento Djalma como primeiro operador, Urbano de Carvalho Malta como o segundo operador. O empresário e cartola Maurício Borges Sampaio foi apontado como mandante. Eis o que diz o inquérito.

Como se mata um jornalista

Marcus Vinícius Pereira Xavier, vulgo Marquinhos, possuía um açougue no bairro Parque Amazonas, em Goiânia, e tinha como cliente o sargento Djalma Gomes da Silva. Paralelamente ao açougue, mantinha uma vida criminosa, com passagens pela polícia por assalto e roubo de carros. Devido à amizade com o PM, era acobertado e em troca repassava informações sobre outros bandidos.

Segundo Marquinhos, Da Silva o procurou no açougue solicitando ajuda a “um amigo”. Dias depois, em 3 de julho, reapareceu na companhia de Urbano de Carvalho Malta. Precisavam “passar um susto” em um indivíduo, disseram, a mando do “patrão de Urbano”. Pediram que Marcus arrumasse uma motocicleta – a sua foi rejeitada por ser amarela, chamativa. Providenciou então a Honda CG preta de seu pai, além de uma camiseta velha e um capacete. Mais tarde, Da Silva voltou ao açougue sozinho e deixou um revólver calibre 357 carregado. Dois dias depois, era chegada a hora.

Naquela manhã, Marquinhos foi avisado que Figuerêdo passaria perto das duas da tarde. O policial chegou em um Fiat Palio azul-escuro, vestiu a camiseta, o capacete, pôs o revólver na cintura e acelerou com a moto rumo à Rádio Jornal 820 AM, ali perto. Não muito depois, os objetos e a Honda foram devolvidos. Marcus queimou a camiseta. A arma estava descarregada.

O inquérito relata que uma das testemunhas viu um motoqueiro parado na contramão da avenida T-5, como se esperasse algo. Ele dobrou na estreita rua da emissora ao mesmo tempo que a testemunha, que desacelerou a moto, com medo, e foi ultrapassada. Em segundos soaram os estampidos. Um comentarista da Jornal, Alípio Nogueira, saiu para checar o barulho. Ouviu uma voz dizer “liga pro Da Silva”.

A voz era de Urbano de Carvalho Malta, que, logo após a fuga do atirador, abriu a porta do carro e se inclinava sobre a vítima ainda agonizante. “Vou ligar pra ambulância”, respondeu Alípio, sem entender. Os primeiros a chegar, contudo, foram equipes especializadas da Polícia Militar. Segundo relatos de uma testemunha, intimidaram trabalhadores braçais de uma construção contígua, que poderiam ter visto demais.

Da Silva fazia segurança para Maurício em dias de jogos. Em troca, recebia dinheiro e isenção de mensalidade para os filhos numa escola de propriedade do cartola. Assim como o colega, Figuerêdo costumava acompanhar o ex-vice do Atlético ao Estádio Serra Dourada. Tanto o cabo quanto o sargento eram seguranças também de Joel Datena. Na véspera do homicídio, Urbano de Carvalho Malta se mudara para um casebre em frente à Rádio Jornal, onde não pagava aluguel e mantinha vigilância sobre a rotina de meu pai. O imóvel pertence a Maurício Sampaio. Nos depoimentos do inquérito, consta que Urbano chegou a levar Marquinhos até lá e dizer “esta é a casa em que eu trabalho”.

O tráfego de ligações foi intenso entre todos os acusados naquele 5 de julho, tendo sido identificada até mesmo uma chamada feita da cena do crime, de Urbano para o cartório WSampaio. Estava clara a circunstância: à medida que se aproximavam as 14h, Urbano se colocou na calçada e, por celulares “bodinhos” – comprados e registrados num CPF laranja apenas para o crime –, comunicou-se com Figuerêdo, deixando-o de sobreaviso. Quando meu pai saía da emissora, uma última e curta ligação, de 10 segundos, registrada às 13h59min17s, deu a ordem fatal.

Meses depois, o pai de Marcus relatou que o filho lhe confessou a participação no assassinato numa ocasião em que assistiam a notícias a respeito. O irmão dele também confirmou, e um primo acrescentou que, segundo Marcus, o mandante foi Maurício Sampaio.

Os pecados do padre

Na véspera do julgamento de um embargo contra o último habeas corpus concedido a Maurício, um inusitado encontro no TJ estadual me deixou boquiaberto. Envolveu um padre muito popular em Goiânia, Luiz Augusto, que não só visitara Maurício Sampaio na cadeia como testemunhara em seu favor, relatando as gordas doações oferecidas à paróquia, e dera até entrevistas apregoando a inocência do réu.

Estava eu visitando os gabinetes de todos os desembargadores da 1ª Câmara Criminal e entregando memoriais explicativos sobre como o delegado Manoel Borges, em conluio com a defesa de Sampaio, os induzira a erro. Ao chegar a vez da desembargadora Avelirdes Pinheiro, pediram-me que esperasse na recepção, pois ela estava com alguém na sala. Minutos depois, aparecia a magistrada no corredor, acompanhada do padre Luiz Augusto, para orar com os servidores.

Ao me avistarem, ficaram brancos. Num gesto constrangido, o religioso chamou-me para junto aos outros. Neguei balançando a cabeça. Daquela oração eu não participaria, pois mandar padre conversar com desembargadora católica fervorosa um dia antes de ela votar embargos sobre a soltura de um assassino definitivamente não era obra de Deus. Ao fim do pai-nosso, Luiz Augusto e Avelirdes vieram conversar comigo.

Por ironia, o padre é quem tinha pecados a confessar. Justificou-se alegando não ter condições de saber se Maurício é culpado ou inocente. “Mas em entrevistas o senhor afiançou a inocência”, respondi, acrescentando que a condição de religioso conferia credibilidade a tais declarações perante os fiéis. O pároco prometeu então jamais tocar no assunto novamente. Hoje, responde a processo por receber salário da Assembleia Legislativa goiana como funcionário fantasma, conforme revelou uma reportagem especial do Fantástico.

Uma canetada, a liberdade e o Facebook

Com Maurício solto, em 27 de maio iniciaram-se as audiências de instrução. Eu e dois promotores de justiça fazíamos as perguntas da acusação. Do outro lado amontoavam-se advogados que conversavam na orelha uns dos outros sem parar.

No segundo dia de audiência, 28 de maio, os advogados de Da Silva, Figuerêdo, Urbano e Marquinhos, ancorados no habeas corpus concedido a Sampaio, pediram a soltura de seus clientes. O Ministério Público requereu vista dos autos para se manifestar, mas o juiz negou. Então, em 30 de maio, um dia antes de entrar de férias, o juiz Antônio Fernandes de Oliveira revogou todas as prisões preventivas, numa canetada só. Critiquei publicamente a decisão, pois o interrogatório dos réus não estava concluído e um deles, o açougueiro, disse em seu depoimento ter sido ameaçado de morte por Da Silva.

Com a soltura dos réus, Marcus Vinícius não compareceu em juízo para ser interrogado. Desapareceu.

Meses mais tarde recebi uma ligação de uma senhora do Real Conquista, periferia de Goiânia, dando pista do seu paradeiro. A sogra do açougueiro possui um salão de beleza naquele bairro e comentara com clientes que a família estaria em Portugal.

Como saber com certeza e provar isso para a Justiça? Foi quando soube que a esposa de Marquinhos mantinha uma conta no Facebook. Entrei no perfil sem grandes expectativas, mas, acreditem, estava tudo lá: fotos do casal na tranquila região de Caldas da Rainha. Uma delas continha até agradecimentos a Deus pela “segunda chance”. Imprimi as imagens imediatamente, enviei à imprensa e pedi nova prisão preventiva. Sem demora, o juiz Lourival Machado me atendeu.

O mandado de prisão foi entregue às autoridades lusitanas e o nome Marcus Vinícius Pereira Xavier, incluído entre os procurados pela Organização Internacional de Polícia Criminal, a Interpol. Em 7 de agosto de 2014, o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras português capturou o fugitivo. Seguiu-se o processo de extradição, que só foi finalizado em 28 de novembro de 2014, com a chegada do açougueiro ao Brasil. Hoje ele está detido no Complexo Prisional Odenir Guimarães, em Aparecida de Goiânia, e ainda não se sabe com que dinheiro transportou a família inteira para a Europa, onde viveram por mais de um ano.

Ligações também no Judiciário

A cada ano completado desde o covarde homicídio do meu pai, realizamos uma manifestação pelas ruas de Goiânia. No primeiro deles, 5 de julho de 2013, centenas de pessoas ocuparam a Praça Cívica para homenageá-lo e pedir justiça. Em 3 de outubro daquele ano, realizamos na Assembleia Legislativa de Goiás uma audiência pública chamada “Imprensa por Valério”, exigindo a proteção dos profissionais da imprensa. Visitamos duas vezes a Secretaria Nacional de Direitos Humanos, em reuniões com as ministras, além da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). Fizemos, ainda, um pedido pela federalização do caso, em reunião com o procurador-geral da República.

Participei do 6º Fórum Liberdade de Imprensa e Democracia, realizado em Brasília, com a presença do Committee to Protect Journalists (CPJ), que, no mesmo dia, entregou à presidente Dilma Rousseff um relatório com 12 episódios de jornalistas assassinados no exercício da profissão desde a sua posse em janeiro de 2011. Entre as mortes listadas, a do meu pai.

Tantos esforços de divulgação do caso foram engendrados em razão de um temor específico: o peso da influência de Maurício Sampaio no Tribunal de Justiça de Goiás. Afinal, eram quase 25 anos à frente de um cartório milionário, o WSampaio, que em 2013 foi o 4º cartório mais rentável do Brasil, chegando a faturar R$ 5 milhões por mês.

Soube mais sobre os meandros das ligações do tabelionato ao buscar uma fiscalização do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) daquele ano. Encontrei graves irregularidades identificadas no cartório WSampaio, o que me levou a redigir uma Ação Popular pedindo o afastamento de Sampaio. Entre elas, pagamento de notas fiscais frias emitidas por empresas de fachada, algumas abertas por funcionários do próprio cartório; cobrança de emolumentos acima das tabelas fixadas pela Corregedoria do Tribunal de Justiça, lesando milhares de consumidores; registros de documentos em sistema paralelo, fora dos livros oficiais; e até a assunção de despesas do Atlético Clube Goianiense, segundo consta no relatório do CNJ.

Mesmo assim, magistrados do TJ de Goiás mantinham no cargo cartorários interinos, como Maurício Sampaio, passando por cima das determinações do CNJ.

Num exemplo marcante, uma série de decisões de um famoso juiz local, Ari Ferreira de Queiroz – que, na TV, chegou a criticar a prisão preventiva de Maurício Sampaio pelo assassinato –, concedeu uma espécie de monopólio de registro de veículos ao Cartório WSampaio.

Eis o que aconteceu: o Departamento Estadual de Trânsito de Goiás (Detran-GO) estava anotando em seus registros os novos veículos financiados que saíam às ruas. Maurício Sampaio, então, ajuizou ação visando impedir o Detran de realizar tais registros antes que os contratos de financiamento (alienação fiduciária e arrendamento mercantil) fossem registrados primeiro nos Tabelionatos de Protesto e Documentos de Goiânia. O juiz Ari concedeu liminar determinando que todos os contratos de financiamento de veículos do estado de Goiás fossem obrigatoriamente registrados em um dos Tabelionatos de Documentos da Capital. Na prática, existiam apenas dois, mas o segundo, por alguma razão, negou-se a fazer os registros. Como consequência, se alguém financiasse um carro fosse em Goiânia ou Terezinha de Goiás, extremo norte do estado, teria de registrar o contrato com o tabelião Maurício Borges Sampaio.

Valério Luiz Filho no 6º Forum Liberdade de Imprensa e Democracia

Valério Luiz Filho no 6º Forum Liberdade de Imprensa e Democracia

 

Com essa série de decisões, o rendimento da serventia multiplicou-se. Dizem que o dinheiro seria repartido em propinas, mas nunca consegui informações aprofundadas. Sei, no entanto, que Sampaio desenvolveu até um software de comunicação direta com o Detran. O sistema informava ao órgão quais contratos já estavam registrados no tabelionato. Na época, o presidente do Detran era Edivaldo Cardoso, flagrado pela Polícia Federal em comprometedores diálogos com o bicheiro Carlinhos Cachoeira, de quem Sampaio é amigo. A rede parecia não ter fim.

Finalmente, em junho de 2013, o Ministério Público propôs uma Ação Civil Pública por ato de improbidade administrativa, pedindo o afastamento de Maurício e o bloqueio de quase R$ 16 milhões em seus bens. A esta altura, a liminar de Ari Queiroz que concedera o monopólio estava suspensa pela presidência do Tribunal de Justiça e se desenrolavam no CNJ procedimentos tanto contra o suspeito juiz quanto contra Sampaio. Não tardou até o cartorário ser afastado, e o juiz, aposentado compulsoriamente.

A última batalha

Finalmente, em 30 de abril de 2015, Marcus Vinícius, Urbano Malta, Ademá Figuerêdo, Djalma da Silva e Maurício Sampaio foram mandados a júri popular pela unanimidade do Tribunal de Justiça de Goiás. Mas ainda não há data para o julgamento. No momento, encontram-se em tramitação os recursos especiais e extraordinários dos réus para os tribunais superiores (STJ e STF), última fase antes do júri. Com exceção de Marquinhos, os acusados continuam livres e agora utilizam outras estratégias na batalha.

Entristece-me ainda hoje ouvir pessoas repetindo: “Santo, não era”; ou “Se morreu, alguma coisa fez”. Esse preconceito foi inflado por páginas anônimas e perfis fake na internet. Acusaram meu pai de envolvimento com mulheres casadas, drogas, prostituição, infantilmente tentando enquadrá-lo em quaisquer estereótipos sociais que afastassem o apoio popular na nossa luta por justiça. Num momento de particular inspiração para a crueldade, usaram a expressão “Valério Cheira-pó Luiz”. Em 19 de fevereiro de 2015, conseguimos decisão liminar na 2ª Vara Cível de Goiânia para tirar do ar uma das páginas.

Mas, para azar dos detratores, meu pai, apesar de intempestivo, era testemunha de Jeová desde os 25 anos e homem de hábitos espartanos. Além disso, era profissional renomado, com trajetória conhecida por todos, e filho do maior nome do jornalismo esportivo de Goiás, Manoel de Oliveira, meu avô, hoje o deputado estadual mais votado da história. Não seria fácil estereotipar Valério Luiz, e não conseguiram.

Ainda assim, é sintomático que, para conseguirmos o indiciamento, a denúncia e um curso normal de processo, tenhamos precisado confrontar diretamente militares, um tenente-coronel, um delegado, dois juízes de direito, setores da imprensa e até um padre. É surreal como um só homem conseguiu instrumentalizar tantos agentes públicos a seu favor.

A cooptação de policiais é especialmente problemática. Aqui em Goiás é comum as classes ricas arregimentarem parte da tropa para bicos como seguranças, não raro pagando mais que a corporação e assim pervertendo as relações normais de lealdade dos militares no seio social. “Maurício Sampaio, amigo da Rotam”, essa era a inscrição de uma camiseta encontrada na sua casa durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão em 2013 – a Rotam é um destacamento especializado da Polícia Militar goiana inspirado na Rota paulista. E, pra mim, ela simboliza as bases da nossa sociedade subdesenvolvida: dinheiro e arma.

Lembram-se de que Figuerêdo chegou ao açougue de Marquinhos em um Fiat Palio azul-escuro? Pois bem. Inadvertidamente, Da Silva, em sua defesa prévia, juntou aos autos um documento restrito do comando ao qual pertencia (Comando de Missões Especiais – CME) cujo teor discrimina o contingente e as viaturas descaracterizadas do grupo em 2012, entre as quais justamente um Palio azul. Para mim, isso sugere que a própria estrutura oficial do comando foi usada no crime.

Em janeiro deste ano, Maurício Sampaio retornou à diretoria do Atlético Clube Goianiense, dessa vez não na condição de vice-presidente, mas de presidente. A cerimônia de posse contou com as presenças de Valdivino de Oliveira e do tenente-coronel Wellington Urzeda, atualmente comandante de um recém-criado Batalhão de Operações Especiais – Bope. Indignada, parte da imprensa local anunciou um boicote ao clube, fato repercutido nacionalmente.

Há uma ironia nessa história, que meros comentários sobre futebol tenham atingido um grupo de poder inteiro. Isso porque, como já disse, o futebol não é só futebol. Meu pai nem imaginava a profundidade das conexões aqui narradas, mas, quando o cartola e agora ex-cartorário, do alto da soberba, ordenou tão escandaloso assassinato, atraiu os olhares para si e deixou aparentes esquemas, que por isso ruíram. Como consentiam em dar tanta força a um homem só, a ponto de o deixarem se julgar em condições para decidir sobre vida e morte?

Fiz essa pergunta repetidamente a mim mesmo, enquanto lembrava do meu pai envolto em flores no caixão. Em lugares patrimonialistas, corruptos, dominados por máfias e ranços coronelistas, a segurança individual existe até não cruzarmos o caminho de algum “coronel”, que, infiltrado nas instituições, pode neutralizá-las para fazer valer a lei da força.

A Morte Rubra invadira o castelo da nossa família, era preciso sair, influir no lado de fora: criei uma associação de apoio a vítimas de assassinato, o Instituto Valério Luiz, e ingressei numa pós-graduação em Criminologia e Segurança Pública pela Universidade Federal de Goiás. Assim segue a nossa luta, enquanto esperamos a definição de uma data para o júri popular a fim de obtermos, no caso do meu pai, justiça, e não o acréscimo dos absurdos índices de impunidade do Brasil quando se trata de jornalistas assassinados.

22 Sep 22:21

DUPLO EXÍLIO

by oestrangeiro.org
o drama dos refugiados que vivem como sem-teto em SP.
22 Sep 22:14

E se Aécio fosse o presidente? Por Paulo Nogueira

by Paulo Nogueira

 

Uma farsa

Uma farsa

E se Aécio fosse o presidente?

É uma pergunta boa para estes tempos. Muitos a têm formulado, e as respostas em geral são estapafúrdias.

Delfim Netto, por exemplo, disse que Aécio teria tomado as providências certas para conter a crise.

Mas um momento: quais são as providências certas?

Aécio prometeu antes da campanha, num ambiente de plutocratas, “medidas impopulares”.

Depois, num estelionato que só não se concretizou porque ele perdeu, negou as “medidas impopulares”.

Mas é evidente que ele iria tomá-las. Basicamente, cortes em programas sociais.

Aécio é comprometido demais com a plutocracia para fazer qualquer coisa que fira seus interesses.

Teríamos, na especulação de um Aécio presidente, as “medidas impopulares” que privadamente ele defendeu e publicamente renegou.

Mas ele não seria acusado de estelionato.

E eis um ponto vital para compreender o que seria a presidência de Aécio: a mídia iria mudar completamente de atitude.

A crise seria mundial. Jornais e revistas mostrariam a China apanhando, os Estados Unidos apanhando, a Alemanha apanhando – todo mundo enfim apanhando.

Um baixo crescimento em 2016 seria tratado como um feito.

Quem conhece o mínimo do trabalho numa redação sabe como é fácil substituir a vaia pelo aplauso em circunstâncias iguais.

Aécio reproduziria, em escala nacional, o que fez em escala regional nos seus anos de governador de Minas.

Encheria de anúncios a mídia amiga, numa retribuição aos carinhos recebidos. E asfixiaria a imprensa independente.

Poderíamos ter o restabelecimento do monopólio de voz e opinião das grandes corporações, sem os sites que com imensos sacrifícios serviram e servem de contraponto à Globo, à Veja, à Folha etc.

A Abril, agonizante pelas regras do mercado, ganharia uma sobrevida com o dinheiro público que Aécio lhe canalizaria.

Não são só anúncios, embora sejam a parte maior da mãozinha. São empréstimos de bancos oficiais, compras de livros e de assinaturas, isenções de impostos e outras marmeladas com que sucessivos governos brindaram Globo, Abril, Folha, Estadão e por aí vai.

O clima funéreo que domina o noticiário hoje seria magicamente substituído por um tom otimista.

É conhecida a frase de Medici a respeito do Jornal Nacional no auge da ditadura. O mundo em colapso, e o Brasil uma beleza no JN, disse Medici.

Essencialmente, seria restabelecida a mesma lógica de seleção de notícias.

E então, como que num milagre, a corrupção desapareceria – não da dura realidade, mas das páginas de jornais e revistas.

É só não dar.

Tudo isso embalaria uma brutal acentuação da desigualdade no país. O receituário de Aécio é, a exemplo do de FHC, uma cópia da fórmula de Margaret Thatcher.

Nos países desenvolvidos, o thatherismo levou a uma selvagem concentração de renda. Se isso não fosse o bastante, levou também à crise econômica de 2008, que até hoje castiga o mundo.

Na origem da crise, está a desregulamentação dos bancos, tão fortemente defendida pelos seguidores de Thatcher.

Entregues à próprio ganância, sem nenhum tipo de freio e controle, os bancos fizeram negócios com um risco altíssimo de inadimplência – e quebraram.

A conta foi paga pelo contribuinte, por meio dos bilhões e bilhões de dólares que os bancos centrais dos países desenvolvidos puseram nos seus bancos para evitar uma quebradeira.

A desigualdade, sob Aécio, avançaria, mas isso também não seria notícia na imprensa.

Nunca foi, aliás, e o motivo é que os donos das empresas de jornalismo sempre se beneficiaram da estrutura iníqua que marca o Brasil. Basta ver o patrimônio deles.

Seria este o Brasil sob Aécio: plácido, firme, só que de mentirinha.

Para resumir: seria infinitamente pior.

A sociedade tem todos os motivos para dar graças a Deus pela derrota de Aécio e de tudo aquilo que ele representa.

22 Sep 22:14

O jurista Dalmo Dallari fala do impeachment e da profecia sobre Gilmar Mendes. Por Kiko Nogueira

by Kiko Nogueira
Dalmo Dallari

Dalmo Dallari

 

Na segunda, 21, o DCM participou de uma entrevista com o jurista e professor da Faculdade de Direito da USP Dalmo Dallari — uma voz crítica do impeachment, que classifica de “fantasia”. Em sua opinião, não há arcabouço jurídico que sustente a tese.

Para Dallari, de 84 anos, o impeachment, se avançar, não passaria no STF por sua fragilidade jurídica. “Eu estou tranquilo”, avisa. “Não há semelhança com 1964. As forças golpistas estavam unidas, agora estão dispersas. Não há um grande líder, não há um grande partido, não há uma grande força política.”

Dallari se deteve especialmente sobre um personagem emblemático da crise: Gilmar Mendes. Em 2002, escreveu na Folha um artigo profético sobre a indicação de GM ao cargo que ocupa hoje. Aproveitou para esmiuçar as causas que o levaram ao protesto solitário.

Na ocasião, os dois militavam em lados opostos. “Ele é de família de grandes proprietários de terra do Mato Grosso. E eu por muitos anos defendi famílias de índios. Ele defendia os grandes proprietários”, contou. “Meu primeiro enfrentamento com Gilmar Mendes foi justamente na questão indígena, em que ele defendia os invasores. E lá já ficou muito evidente que a posição dele não era determinada pela Constituição, mas por interesses”.

Segundo Dallari expôs no jornal, o presidente da República [FHC] agiu “com afoiteza e imprudência muito estranhas”.

“Se essa indicação vier a ser aprovada pelo Senado, não há exagero em afirmar que estarão correndo sério risco a proteção dos direitos no Brasil, o combate à corrupção e a própria normalidade constitucional”, narrou.

O nome indicado está longe de preencher os requisitos necessários para que alguém seja membro da mais alta corte do país. (…)

Ele foi assessor muito próximo do ex-presidente Collor, que nunca se notabilizou pelo respeito ao direito. Já no governo Fernando Henrique, o mesmo dr. Gilmar Mendes, que pertence ao Ministério Público da União, aparece assessorando o ministro da Justiça Nelson Jobim, na tentativa de anular a demarcação de áreas indígenas.

Alegando inconstitucionalidade, duas vezes negada pelo STF, “inventaram” uma tese jurídica, que serviu de base para um decreto do presidente Fernando Henrique revogando o decreto em que se baseavam as demarcações. (…)

Medidas desse tipo, propostas e adotadas por sugestão do advogado-geral da União, muitas vezes eram claramente inconstitucionais e deram fundamento para a concessão de liminares e decisões de juízes e tribunais, contra atos de autoridades federais.

Indignado com essas derrotas judiciais, o dr. Gilmar Mendes fez inúmeros pronunciamentos pela imprensa, agredindo grosseiramente juízes e tribunais, o que culminou com sua afirmação textual de que o sistema judiciário brasileiro é um “manicômio judiciário”. (…)

A par desse desrespeito pelas instituições jurídicas, existe mais um problema ético. Revelou a revista “Época” (22/4/ 02, pág. 40) que a chefia da Advocacia Geral da União, isso é, o dr. Gilmar Mendes, pagou R$ 32.400 ao Instituto Brasiliense de Direito Público — do qual o mesmo dr. Gilmar Mendes é um dos proprietários — para que seus subordinados lá fizessem cursos.

Isso é contrário à ética e à probidade administrativa, estando muito longe de se enquadrar na “reputação ilibada”, exigida pelo artigo 101 da Constituição, para que alguém integre o Supremo.

A comunidade jurídica sabe quem é o indicado e não pode assistir calada e submissa à consumação dessa escolha notoriamente inadequada, contribuindo, com sua omissão, para que a arguição pública do candidato pelo Senado, prevista no artigo 52 da Constituição, seja apenas uma simulação ou “ação entre amigos”. É assim que se degradam as instituições e se corrompem os fundamentos da ordem constitucional democrática.

 

Era assim, continua assim. “Existem ministros do STF que desprezam a Constituição, que não a levam a sério, mas a maioria não”, afirma Dallari. “A maioria se orienta pela Constituição e atua com responsabilidade e zelo”.

22 Sep 21:18

O desabafo de uma fascista de praia arrependida. Por Mauro Donato

by Mauro Donato
Angela, hoje, numa foto ao lado de Suplicy

Angela, hoje, numa foto ao lado de Suplicy

Nesses tempos de imagens de arrastões nas praias do Rio de Janeiro, no meu modo de ver estranhamente veiculadas logo após a cassação da esdrúxula medida de barrar negros suspeitos a caminho da orla, que despertaram o monstro linchador em jovens da classe média carioca, um outro vídeo começou a rodar nas redes sociais.

Mais antigo, da extinta TV Manchete, o vídeo — postado no Facebook pelo grupo Mariachi — traz depoimentos dessa mesma classe média, média-alta, lá na década de 1990. É de vomitar. Ao assistir o vídeo temos vontade de chorar e somos induzidos à indagação: o ser humano tem salvação?

À primeira vista não. Mas…

Angela Moss era uma das entrevistadas. É a garota bonita e também a mais raivosa do grupo. Com a repercussão atual daquele registro histórico, Angela sentiu não só vergonha, como obrigação de pedir desculpas e de expôr sua defesa. Em vez de esconder-se debaixo da cama, pediu a um amigo que havia publicado o vídeo que o mantivesse em seu mural, mas publicasse também seu argumento.

“Sim, este vídeo em parte é verdadeiro. Infelizmente era eu quando tinha 18 anos. Eu era uma criança retardada com pouco conhecimento. Mesmo culta era uma alienada. Hoje tenho 47 anos e muita coisa se passou.

Quando na eleição da Dilma eu escrevi um manifesto dizendo que já havia sido ultradireita, muita gente não acreditou. Esse manifesto rolou pela internet por mais ou menos 1000 perfis. Eu fiz campanha ativa para ela. Ontem mesmo postei o hino da internacional comunista e chorei ouvindo.

O Olavo de Carvalho, filósofo como eu, começou como comunista e virou o que é agora. Fiz o caminho contrário. Se tenho vergonha? Hoje em dia, aos quase 50 anos, não tenho mais idade para ter vergonha. Tenho orgulho de ter podido evoluir. Fico feliz em ver que você postou esse vídeo, é importante jogar na cara da sociedade o que ela não quer dizer.

Eu sempre dissse, para o bem ou para o mal, o que penso. Sou ‘hipocrisia zero’. Fico feliz que pessoas como você fiquem indignadas com esse vídeo. O que me perturba mesmo são os muitos que me escrevem dando parabéns. Peço portanto que mantenha o vídeo mas que publique minha declaração.

É importante notar que o vídeo foi editado para parecer pior do que é. Como todo meio de comunicação, a Manchete não estava interessada em informar ou alertar, apenas em ter ibope.

Mas não há como negar: essa é a face triste de uma sociedade sem compaixão e egoísta e, sim, um dia já foi a minha face. É triste mas do alto da minha idade atual tenho orgulho de ver como eu era menor e em quem me transformei. Um abraço.”

Angela, até onde se sabe, não chutou meninos favelados que invadiam sua praia como a cinegrafista húngara fez com refugiados que tentavam entrar em seu país mas seu discurso hidrófobo era tão violento quanto. Hoje ela orgulha-se de ter evoluído e não tem medo de assumir o erro.

Quantos daqueles entrevistados terão trilhado o mesmo caminho virtuoso de Angela? E quantos terão gerados filhos que estariam entre os pitboys do Leblon?

 

22 Sep 21:17

As respostas para a crise no RS e as reações dos “de baixo”

by alexandrehaubrich

Alexandre Haubrich

O Rio Grande do Sul vive atualmente, sob o governo de José Ivo Sartori (PMDB), uma série de crises que vêm sendo enfrentadas pelo governador com medidas que em nada favorecem o povo gaúcho. Trata-se de uma crise econômica que, lado a lado com o despreparo e com interesses políticos distintos ao da maioria da população, leva a novos ciclos de crise em setores específicos, como a Segurança Pública e a Educação.

Foto: Sindsepers

Foto: Sindsepers

As “saídas” para a crise que o governo Sartori tem encontrado são de corte muito semelhante às medidas que vêm sendo aplicadas no nível federal pelo governo da presidenta Dilma Rousseff (PT). São caminhos que, em vez de buscar soluções para a crise, tentam acalmar os ânimos das elites políticas e econômicas e, assim, garantir a sustentação dos governos. “Soluções” que atacam os trabalhadores, violentam o Estado e colocam a crise na conta dos “de baixo”, como historicamente tem ocorrido na maioria dos países – a Grécia tentou fazer o contrário e foi impedida pelas pressões internacionais.

A crise política, ao mesmo tempo, não se instala no Rio Grande do Sul com a mesma força com que se instalou no governo federal. Isso porque a oposição gaúcha não aparece com a mesma força com que aparece a nacional. A velha direita está quase toda dentro ou próxima do governo Sartori, assim como o grande empresariado. E ambos apoiam as medidas de seu governo, com esfacelamento do Estado, ataques aos trabalhadores e manutenção dos velhos privilégios das elites políticas e econômicas. No caso nacional, essa velha direita – bastante fortalecida – está tanto dentro do governo quanto na oposição e, entre os opositores, faz barulho em parceria com a mídia dominante tentando derrubar o governo e abandonar os que foram seus intermediários durante os últimos doze anos.

A esquerda, por sua vez, se encontra enfraquecida tanto no nível nacional quanto no estadual, embora os rearranjos que vêm se desenhando projetem potencialidades interessantes para as próximas etapas de luta. No caso do Rio Grande do Sul, há tentativas de unificação entre os servidores públicos estaduais, mobilizados contra o parcelamento de salários – já uma realidade – e as ameaças de entrega de importantes instituições do Estado à iniciativa privada, atacando seu caráter público e, portanto, seu compromisso com o conjunto do povo gaúcho. Assim, o sindicalismo no RS vem ganhando novos contornos, novas articulações e parcerias, e mesmo as direções menos combativas são empurradas à luta pelas bases indignadas.

Por outro lado, continua havendo uma grande dificuldade em dialogar com movimentos populares fora do sindicalismo e, assim, em ajudar o conjunto da população a compreender e apoiar as lutas necessárias contra os “ajustes” tanto do governo federal quanto do governo estadual. A (quase) ausência de uma mídia alternativa combativa é um acréscimo a mais nessa dificuldade, já que, por mais que a mídia dominante ataque determinados governos, não estará jamais de fato ao lado dos interesses dos trabalhadores e da juventude.

No Brasil e no Rio Grande do Sul, as saídas para as crises políticas e econômicas não podem penalizar a classe trabalhadora, ou serão apenas paliativos e maquiagens. A auditoria das dívidas públicas, a taxação das grandes fortunas e o fim das isenções fiscais para o grande empresariado nacional e internacional são passos iniciais para sanar as contas. A entrega do Estado ao capital privado, o parcelamento dos salários do funcionalismo público e outras medidas de corte neoliberal devem ser respondidas com intensa mobilização por parte dos “de baixo”.

22 Sep 21:12

“Deixa o Gilmar falando sozinho”, diz professor de Lewandowski e Rosa Weber

by eduguim

Dallari foto

 

A melhor parte da entrevista que a TV dos Bancários de São Paulo levou ao ar – ao vivo – na noite da última segunda-feira (21/9) em seu programa Contraponto não apareceu na telinha dos internautas, mas nas viagens que este que escreve fez à residência do entrevistado para ir buscá-lo e levá-lo de volta.

Como muitos leitores desta página devem saber – até porque, assistiram a entrevista ao vivo –, o entrevistado foi Dalmo de Abreu Dallari, o jurista serrano (gentílico dos naturais de Serra Negra – SP) nascido em 1931, e que, aos 83 anos, deu inveja a este cinquentão pela clareza de ideias, pela objetividade, pela serenidade e até pelo vigor físico.

Conhecer Dallari e poder ouvi-lo num bate-papo – e esse papo fica melhor se ele monologar – é reconfortante porque faz o interlocutor acreditar que envelhecer pode ser bônus, e não ônus. Conheço-o desde 2013, mas nunca deixo de me espantar.

Se ainda pudesse escolher ser alguém quando crescesse, escolheria ser esse jurista octogenário, ex-professor da Universidade de Paris e ex-membro da Unesco que teve entre seus alunos ninguém mais, ninguém menos do que os ministros do Supremo, Ricardo Lewandowski, e Rosa Weber – sendo o primeiro, aluno dedicado e altamente influenciado pelo professor, e a segunda, uma aluna “eventual”, como Dallari descreveu sua relação com ela.

O que estimula alguém a querer envelhecer “bem” é constatar que certas pessoas não envelhecem, apenas amadurecem, mas no melhor sentido, no sentido de transformar o acúmulo da experiência de vida em um fator muito mais importante que a mera questão biológica da idade física.

A ciência vem divulgando há muito que a prática intensa da atividade intelectual é fator preponderante para se chegar bem à velhice, muitas vezes permitindo ao idoso ter condições mentais e até – pasme – físicas muito melhores do que as de muitos jovens.

É por tudo isso que o otimismo do professor Dallari me estimulou. Por ele ser o fenômeno de preponderância do desenvolvimento mental sobre o processo inerente aos seres vivos, o processo de envelhecimento biológico oriundo da degeneração celular que ocorre a qualquer vivente ao longo dos anos.

Claro que quem não conhece pessoalmente esse octogenário não tem como saber, por exemplo, de sua intimidade com a internet e de sua perfeita interação com a atualidade ao mostrar-se informado até sobre amenidades que dizem muito mais respeito à juventude do que a pessoas mais maduras como eu.

É por isso que fiquei realmente em dúvida sobre a afirmação serena de Dallari de que não tem “a menor preocupação” com o golpe e, até, com “Gilmar Mendes”, quem o jurista diz que já fez todo mal que poderia fazer – e que ele previu que faria em seu artigo profético publicado na página A3 da Folha de São Paulo em 2002, no estertor do governo FHC – e que esse mal não tem como avançar muito mais do que isso (?!).

Ao ser perguntado sobre Gilmar, Dallari mal ouve a pergunta e já dispara:

Vocês dão muita importância a esse homem. Deixa ele falando sozinho lá no Supremo, os outros ministros nem lhe dão bola. Deixam ele lá porque ninguém quer perder tempo em começar uma guerra”.

Pergunto ao professor se não é mal suficiente Gilmar ter segurado o processo de proibição de doação eleitoral por empresas durante um ano e meio. Dallari dá de ombros:

Foi até bom, a sociedade precisava discutir. As denúncias de que ele segurava o processo chamaram atenção. E o que aconteceu? Ele teve que devolver o processo. E depois? Ele foi derrotado. Esperneou, esperneou e foi derrotado. Depois foi à tevê vociferar, todo suado, e, ao fim, vai ter que engolir, porque oito é mais do que três; ele está em minoria”.

Argumento de que em julgamentos decisivos ele pode fazer a diferença não sensibilizaram Dallari. Ele voltou a minimizar a importância de Gilmar:

Isso já era sabido, já faz parte do mal que foi indicá-lo para o cargo. Mas, se for assim, até um ministro melhor pode, naquela votação, votar mal… Além disso, as teses dele são tão toscas que atraem reprovação automaticamente, sobretudo em um STF que melhorou muito em termos de composição”.

Uau! Qualifico a experiência de conversar informalmente com Dallari a um sopro de ar fresco, de juventude, de esperança. E não perder a esperança e o otimismo aos OITENTA E TRÊS ANOS não é para qualquer um, meus caros.

Mas, então, pergunto ao nobre professor sobre o golpe. Ele ri; eu me espanto:

Mas, meu filho, eu já lhe disse: isso é uma fantasia política

Nesse momento – que foi na ida aos estúdios da tevê dos Bancários –, Dallari me passa um pito:

Esse caminho que você está fazendo é muito ruim. Você deu a maior volta. Era só contornar o Fórum Criminal da Praça João Mendes e você pararia a poucos metros do sindicato, e não a duas quadras”.

Eu fora pela 23 de Maio, pegara a Xavier de Toledo e deixara o carro próximo ao Largo São Francisco, para depois irmos andando pela rua São Bento até o Edifício Martinelli, próximo ao Largo São Bento.

Bem, concluí que Dallari estava certo.

Mas, enfim, o professor da Universidade de Paris volta ao tema do golpe:

Isso não existe porque não há uma grande força política, social e econômica desejando derrubar Dilma, como em 1964. São pequenos grupos – de dezenas de milhares de pessoas, mas pequenos em um país como este. E, também, porque o STF não iria deixar

Fico preocupado com o que ouvi, porque Dallari me falava do mesmo Supremo que condenou réus do mensalão pelo “domínio do fato”, ou seja, sem provas, porque, afinal, “a lei permite”. Porém, logo o professor me fez entender a matéria:

O STF mudou. A nova maioria é atenta à Constituição. Aliás, todos deveriam ter um exemplar da Constituição e lê-lo atentamente. É um livrinho fino, curto, objetivo. E, para quem não sabe, a comunidade internacional julga que a Constituição brasileira é uma das melhores do mundo. Precisa apenas ser cumprida

Era inevitável, portanto, que a pergunta seguinte fosse sobre se o Supremo barraria uma iniciativa da Câmara de abrir o processo e afastar Dilma. Dallari diz que não tem dúvida, que não haveria como a maioria que ele bem estudou votar a favor de tal “absurdo”:

Não há provas, não há nada. A Constituição diz que precisa haver crime de responsabilidade da presidente, uma acusação de que ela praticou atos ilegais, que, além disso, teria que ser provada, o que levaria o processo a durar anos. Talvez até o fim do mandato dela”.

Você não acredita no professor de Ricardo Lewandowski, Rosa Weber, Dias Toffoli? Tudo bem. O noticiário é avassalador. A mídia – veja bem, leitor, a mídia – diz que é “inevitável”, que “falta pouco tempo”, apresenta a “agonia de Dilma” diuturnamente, condena por crime quem quiser, quantas vezes quiser… Mas, ainda assim, fiquei tocado pela tese de Dallari.

A certeza com que ele fala sobre mandar Gilmar às favas e não ficar gastando neurônios com o golpe, para, em vez disso, travar o debate político e esclarecer a sociedade sobre as teses lesivas a ela que a ascensão do conservadorismo extremado está fortalecendo, de repente me parece uma alternativa puramente racional.

Já passou da hora de nos espantarmos com o ponto a que pode chegar aquilo que já faz tempo deixou de ser direita para se converter em uma força político-econômico-ideológica literalmente fascista. Dallari me fez ver que a hora é de batalha de convencimento de corações e mentes sobre o mal que essa ideologia pode promover.

Parafraseando Dalmo de Abreu Dallari, pois:

Deixa o Gilmar falando sozinho

***

Assista, abaixo, à íntegra da volta do programa Contraponto

22 Sep 18:00

PCO diz que risco de cassação da sigla é parte de ofensiva da direita

by Luiz Carlos Azenha

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22 de setembro de 2015 08:05 AM

Julgamento do pedido de cassação do PCO pode ocorrer esta semana

Enviado por Perci Marra, via Facebook

Chamamos todos os setores democráticos a denunciar esse ataque e, a se somar à campanha contra o golpe e a direita

O Partido da Causa Operária, seus militantes, filiados e simpatizantes estão passando por momentos de incerteza desde que um pedido de cassação do registro do partido foi remetido para a pauta de julgamentos do Tribunal Superior Eleitoral.

A ação diz respeito à prestação de contas de 2008, que foi apresentada ao Tribunal intempestivamente. O processo estava parado há anos. E foi remetido para julgamento pelo ministro João Otávio de Noronha, relator do processo.

Ameaça contra o PCO ocorre justamente no momento em que a situação política, a questão da investida da direita fascista, do golpismo, caminha para um desenlace.

O pedido de impeachment entregue por  Hélio Bicudo na Câmara dos Deputados é crucial nesse sentido.

Cada passo é abertamente discutido na imprensa. Até o fato de que um possível governo Michel Temer fará um ajuste muito mais duro do que o de Dilma e do PT já foi dado como certo. Coisa que este jornal vem dizendo desde que o golpismo começou a ser manifestado.

O golpe está em todos os jornais. Já não é possível negar a polarização política no país. Inclusive por ataques fascistas. A tentativa de cassar o PCO é um deles, promovido pelo poder judiciário.

A ação contra o PCO é claramente uma perseguição política contra o partido que tem tido atuação determinante na luta contra a direita, contra o golpe.

Os advogados do partido e sua militância tem buscado o apoio e tem recebido ampla solidariedade. Seja no ambiente político ou intelectual há diversas manifestações contra a possibilidade de cassação.

Essa campanha vai se ampliar esta semana, tendo em vista que o julgamento pode acontecer ainda hoje, se não a qualquer momento.

O fato é que existe no país uma perseguição à esquerda. Inicialmente decretada contra o PT, mas que já começa a se espalhar para outros setores, como é o caso do PCO. Logo virão os ataques contra sindicatos e outras organizações dos trabalhadores. Tudo isso fantasiado com a fachada de luta ética contra a corrupção.

Nesse momento de incerteza, o que é certo é que o PCO vai continuar denunciando a perseguição que está sofrendo, vai continuar lutando contra a direita e o imperialismo, porque não nada disso fará o partido mudar de política.

Leia também:

PMDB de Minas Gerais contra o golpe

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19 Sep 01:07

O brilhante resumo do deputado Jorge Solla: Dinheiro de empreiteira para a campanha de Aécio foi benzido pelo Papa; governo FHC foi o mais corrupto da História

by Luiz Carlos Azenha
18 Sep 12:58

TJ toma nova decisão que revolta servidores judiciais

by Carlos Santos
Allan Patrick

"com a verba prescrita PAE (Parcela Autônoma de Equivalência), que catapultou os ganhos de cada juiz em 2014 para mais de 900 mil reais, ou seja, cada um dos 200 juízes do RN ficou milionário em apenas um ano às custas do erário público."

Parece infindável a ‘guerra’ declarada entre o sindicato dos servidores do judiciário do RN e o presidente do Tribunal de Justiça do RN (JRN), desembargador Cláudio Santos. A cada movimento de um, repúdio e contraponto do outro.

O Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário do Estado do Rio Grande do Norte (SISJERN) emite nota lamentando e repudiando o que considera uma nova investida “extravagante” do TJRN, na tentativa de “usurpação de direitos trabalhistas”.

Veja abaixo:

A Diretoria do Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário do Estado do Rio Grande do Norte (SISJERN) lamenta e repudia com veemência a mais nova investida do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Norte, que em extravagante sessão realizada ontem (16), comandada pelo presidente Cláudio Santos, ousou avançar ainda mais na usurpação dos direitos dos trabalhadores da justiça.

16 de setembro de 2015 ficará marcado de forma negativa na história do TJRN. Nesse dia, em duas sessões distintas, o pleno do Tribunal reconheceu o mandado de segurança da progressão funcional impetrado pelo SISJERN, e numa sessão relâmpago e sorrateira, momentos depois, aprovou o encaminhamento de Projeto de Lei à Assembleia Legislativa pedindo a suspensão das implantações de progressão aprovadas minutos antes. Nunca tinha ocorrido sequer algo parecido na história da corte, levando o mundo jurídico potiguar da estupefação à preocupação. A decisão, reconhecem todos, mina a confiança no TJRN.

É importante reforçar que a progressão funcional é absolutamente legal, CONSTITUCIONAL, consta do Plano de Cargos e Carreiras dos servidores desde 2002 e foi respeitada por todos os presidentes anteriores da corte. A forma capciosa como o presidente do TJRN quer extingui-la não apenas macula a autoridade e imagem da corte, mas cria um clima de insegurança jurídica que atinge toda a sociedade. Não custa lembrar a famosa frase de Montesquieu: “A injustiça que se faz a um, é uma ameaça que se faz a todos”.

O SISJERN considera a ação do TJRN um atentado à democracia e própria de ditaduras, onde as leis são meros adornos e mudam conforme o humor do tirano de plantão. Passar por cima da coisa julgada lembra muito tribunais de exceção, ditaduras, mas felizmente esse tempo já passou, embora alguns saudosistas doentes queiram sua volta.

Esperamos e confiamos que a Assembléia Legislativa não aprove mais essa agressão e corrija a decisão perversa tomada pelo pleno contra seus próprios servidores, que hoje já se encontram revoltados, desmotivados e abalados em suas autos-estima com a campanha persecutória sem tréguas movida pelo presidente do TJRN.

Não é tirando de quem tem menos para dar a quem tem mais que o TJRN será respeitado. Porque essa vem sendo a política do presidente do TJRN Cláudio Santos desde que assumiu. Está claro que as medidas contra os trabalhadores da justiça têm como objetivo fazer caixa para pagar os privilégios dos juízes e desembargadores, que somente este ano já tiveram reajustes da ordem de 22% e ganharão mais 16% a partir de janeiro, chegando a quase 40% de aumentos salariais em apenas dois anos.

Em ofício (055-GP) enviado há poucos dias ao TJRN, a AMARN “solicita a previsão orçamentária do referido reajuste (16%) para ser aplicado à magistratura potiguar em igual percentual” em janeiro de 2016. Isso sem falar na imoralidade do Auxílio-Moradia, sob liminar no STF, mas que já sangrou os cofres públicos no período de dez meses em R$ 11,8 milhões, beneficiando 200 juízes. Mas, enquanto não paga direitos legais dos trabalhadores, paga o Auxílio-Moradia administrativamente.

Consideramos oportuno ainda relembrar os ganhos com a verba prescrita PAE (Parcela Autônoma de Equivalência), que catapultou os ganhos de cada juiz em 2014 para mais de 900 mil reais, ou seja, cada um dos 200 juízes do RN ficou milionário em apenas um ano às custas do erário público. Infelizmente, nem isso aplacou a sanha por dinheiro e a usura sem limites deles.

O Sindicato da Justiça (SISJERN) reafirma sua determinação de lutar em todos os fóruns sociais e políticos e tribunais superiores contra a retirada dos direitos, precarização do trabalho e arrocho salarial promovidos pelo presidente do TJRN. Ao mesmo tempo alerta a sociedade para o altíssimo custo que será pago por todos com o desmonte do judiciário, transformado em obsessão e cruzada pelo desembargador Claudius Santos.

17 Sep 16:47

Você faria papelão? A Betty Faria.

by Polly

Dia desses a Betty Faria, com a desculpa de que qualquer um pode dizer o que quiser, disse em uma entrevista que tem repulsa de mulher gorda.

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Lendo isso metade de mim quer organizar um sentaço para todas as gordas do mundo sentarem em cima dela e darem um motivo real para incomodação, mas a outra metade morre de pena pois padrões de beleza, sociedade, etc. E imagina que horror passar 74 anos travando uma batalha tão ridícula, não deve ser uma vida maneira.

Mas esse post não é para a Betty, é para você que também está nessa batalha. Tenho duas coisas muito importantes para dizer sobre esse assunto.

Primeiro que esse discurso de ódio choca e causa revolta e todo mundo sai correndo para dizer “que absurdo!”, mas a grande maioria das pessoas reproduz o mesmo pensamento todos os dias. Não com essa falta de filtro e grosseria fenomenal, mas reproduz. Cada vez que você olha uma foto sua e comenta com horror como está gorda, o que você está dizendo é que sente repulsa de mulheres gordas. Quando você chora que engordou um quilo, você está dizendo que gordura te incomoda profundamente. Quando enche o saco falando da sua dieta e quanto pretende emagrecer, está falando sobre sua batalha pra não ser uma velha gorda.

Nãããããão, mas isso é só comigo, Polly. EU não quero ser gorda, não tenho problema com as outras gordas do mundo. 

Amiga, mesma coisa. Se olhar no espelho e se achar um monstro por estar gorda é sentir rejeição contra mulheres gordas. Betty Faria lutou a vida inteira para não ser como eu e você faz o mesmo.

Ai, então eu não posso querer emagrecer? Que ditadura da obesidade é essa?!?

Pode, cara. Pode sim. Porém se você sai por aí dizendo para quem quiser ouvir sobre o horror que é estar gorda e como aqueles dois quilos que você ganhou nas férias foram a pior coisa que aconteceu na sua vida não vale achar que está muito acima da Betty Faria, né? Sua gordofobia também é real e machuca tanto quanto a dela.

A outra coisa que eu queria dizer, é: cuidado que essa batalha não tem fim. A própria Betty Faria te prova isso com uma entrevista mais antiga:

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Tanta restrição alimentar, remédio, exercício e outras privações não vão garantir que as pessoas não encham o saco por causa do seu corpo, então melhor viver em paz com ele do que travando uma guerra que não dá pra ganhar.

16 Sep 22:58

De vítima da Unimed Paulistana: “Plano de saúde pra quê? Viva o SUS!”

by eduguim

hc

 

Como todos sabem (?), os mais de 740 mil clientes da Unimed Paulistana terão de ser transferidos para outros planos de saúde por determinação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). A medida foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) no segundo dia de setembro.

Como a operadora de planos de saúde não conseguiu sanear os problemas de mau atendimento aos clientes, a ANS determinou que negociasse a transferência de toda a sua carteira de clientes.

Em tese, a empresa deveria manter o atendimento até que se concretizasse a venda de sua carteira de clientes a outra operadora. Contudo, não é o que está acontecendo. A empresa simplesmente deixou todo mundo na mão.

A vítima da Unimed de que trata o título deste texto é este blogueiro que vos fala – ou melhor, que vos escreve.

Para poder manter para nossa quarta filha, que é especial (tem paralisia cerebral), um plano da Sul América caríssimo – que por isso, e graças a uma ação na Justiça, funciona –, eu e minha mulher compramos um desses planos tabajara: o da Unimed Paulistana.

Apesar de eu ter sido contra fazermos essa besteira, o preconceito da família contra o sistema público de saúde convenceu minha mulher de que seria melhor assim e, desse modo, fechamos o negócio.

Parece mentira, mas, como previ, foi só precisar dessa porcaria que ficamos na mão.

Há algumas semanas, minha mulher começou a sentir dores, foi ao médico e descobriu-se com cálculos na vesícula. Diagnóstico: havia que operar, pois ela emagreceu sem nem ter o que emagrecer, pois é uma mulher esbelta, e vem sendo acometida de desconfortos cada vez maiores na região abdominal, náuseas etc.

Ainda conseguimos consulta com um gastroenterologista pelo plano, o que não resolveu muita coisa porque a consulta custa barato; o que custa caro são os exames e a cirurgia que minha mulher terá que fazer, o que acrescenta à conta internação hospitalar, equipe cirúrgica etc.

Foi aí que descobrimos que pagamos o plano de saúde à toa. Para começar, a vítima da Unimed precisava de exames. Sabe que laboratórios atendem clientes da Unimed Paulistana? NENHUM! Todos se recusam a atendê-los por medo de não serem ressarcidos pela operadora falimentar de planos de saúde.

Na prática, não temos plano de saúde algum. Temos, porém, o boleto para pagamento do plano, o qual chegou-nos pelo correio absolutamente em dia.

Foi nesse momento que convenci mulher e filhos de que deveríamos ir ao SUS. Eis que recorremos ao Hospital das Clínicas de São Paulo – que, por sinal, fica a uns quatro quilômetros de casa.

Por sorte, a instituição está promovendo um mutirão para operações de retirada da vesícula – que é o caso de minha mulher. Desse modo, em algumas semanas ela terá feito todos os exames e será operada sem gastar um puto!, enquanto que o plano de saúde não nos dá nem bom dia pelos quase mil reais que cobra só da Cristina – a mulher que amo perdidamente pelo simples fato de que me atura há mais de 30 anos, descontadas a beleza, a bondade e a coragem de uma Valquíria.

Claro que o HC não tem sofás confortáveis, carpete macio e música ambiente. E a quantidade de pessoas esperando algumas horas para ser atendidas também espanta muito classe média – apesar de que, nos hospitais “de ponta” dos planos de saúde tabajara, a espera anda igual ou pior.

Mas decoração não cura as pessoas, o que cura é medicina, equipamentos hospitalares e profissionais. E isso o SUS – tão demonizado por essa classe média babaca e otária que paga fortunas para essas arapucas – tem, sim. Pode até haver demora, mas todo mundo é atendido.

Aliás, para quem não sabe, mesmo quem paga caro por esses planos picaretas a tendência é a de que, se o problema for grave, o incauto pagador desses planos acabe mesmo é no SUS.

É pouquíssimo divulgado, mas o governo federal está apertando o cerco às operadoras de planos de saúde para que paguem o valor do atendimento crescente a seus clientes pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Funciona assim: quando são consultas e exames – e até alguma internação mais simples e rápida –, o plano cobre. Mas quando o problema se agrava, os planos recusam atendimento e o cliente acaba no SUS.

Como de cada dez casos de descumprimento de obrigações pelos planos de saúde nem 1/5 das vítimas apela à Justiça, eles vão negando procedimentos que têm obrigação de cobrir e o cliente lesado, sem saber, acaba aceitando ir se tratar no SUS.

Por isso, em maio deste ano o ministro da Saúde, Arthur Chioro, e a diretora-presidente substituta da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), Martha Oliveira, determinaram que as empresas também tenham que ressarcir o SUS por exames e terapias ambulatoriais de alta e média complexidade, como quimioterapia e hemodiálise.

Até então, só as internações eram pagas.

Ou seja, você compra plano de saúde para fugir do “terrível” SUS e, otário, acaba exatamente onde pretendeu evitar: no SUS, companheiro (a).

Concluo este texto manifestando alegria, apesar do golpe de que fui vítima mesmo sabendo que ele aconteceria – como já disse, comprei o plano da Unimed Paulista por pressão familiar. Afinal, minha amada terá tratamento e, assim, continuará me aturando por muito tempo, pois se ficar doente correrei para o sistema público de saúde e sei que salvarão minha vida, se for possível.

É por essas e por outras que esta vítima dos planos de saúde – e, mais especificamente, da Unimed Paulista – exorta o leitor a bradar consigo: Viva o SUS! E abaixo os planos de saúde.

16 Sep 22:56

Gilmar Mendes é uma ofensa a uma Corte Constitucional

by Fernando Brito
Estou assistindo o lendário “voto” de Gilmar Mendes, “chocado” por 17 meses de seu pedido de vista.   “Voto”, assim, entre aspas, porque Gilmar não se pronuncia sobre o essencial da questão constitucional que...
16 Sep 22:01

“Meu pai está sendo usado pelos articuladores do golpe”: o depoimento do filho de Hélio Bicudo. Por Kiko Nogueira

by Kiko Nogueira
helio bicudo

Hélio Bicudo

 

José Eduardo Pereira Wilken Bicudo, 60 anos, é filho do jurista Hélio Bicudo, o autor do mais famoso pedido de impeachment de Dilma. Biólogo, professor titular aposentado da Universidade de São Paulo, José é, atualmente, professor honorário na Universidade de Wollongong, na Austrália.

O segundo mais velho entre quatro irmãos, todos donos do mesmo prenome (há mais três mulheres), opõe-se à atitude do pai. “Eu não sou filiado ao PT, mas sempre apoiei o partido”, diz. “Entendo que, apesar deste ter se desviado de seus princípios e valores a partir do momento em que Lula assumiu a presidência, vejo que algumas coisas importantes aconteceram no país, embora haja muito a ser feito ainda.”

Seu depoimento ao DCM:

 

Por conveniência e oportunismo, a mídia conservadora tem divulgado insistentemente que Hélio Bicudo foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT). Acontece que ele mesmo, em vídeo que circula nas redes sociais, diz o contrário. Quem o fez se aproximar do PT foi meu irmão mais velho, José.

Em recente editorial, na revista Carta Capital, Mino Carta definiu bem, com elegância e generosidade, a trajetória de meu pai: conservador, militou mais à direita, depois mais à esquerda e, hoje, não se sabe exatamente por onde caminha.

A sua idade avançada, 93 anos, e sua história de vida têm sido usadas e abusadas pelos articuladores do golpe para tirar Dilma Roussef da presidência da república. As pessoas em geral se comovem com a figura de um senhor de idade defendendo a moral, a ética e os bons costumes.

De fato, a sua história de vida tem um enorme peso, independentemente de sua matiz política. Ele teve papel importante junto ao Ministério Público do Estado de São Paulo, como procurador de justiça, principalmente na apuração dos crimes cometidos pelo “Esquadrão da Morte”, liderado pelo delegado de polícia Sérgio Paranhos Fleury, este também envolvido em crimes de tortura durante a ditadura militar. 

Esse triste episódio deu ao meu pai grande projeção nacional e internacional. Durante esse período meu pai também trabalhava na redação do jornal O Estado de São Paulo.

Meu pai sempre teve o apoio incondicional de minha mãe, Déa, mãe de sete filhos e esposa exemplar. É importante ressaltar que minha mãe sempre atuou como um “poder moderador”. O caráter conservador, muitas vezes autoritário e acusatório de meu pai sempre foi moderado por ela, dentro e fora de casa. Minha mãe, aos 91 anos de idade, é portadora do Mal de Alzheimer há dez anos, coincidentemente, período durante o qual meu pai iniciou sua obstinada cruzada contra o PT e Lula.

No final dos anos 1980, enquanto secretário de Negócios Jurídicos da Prefeitura de São Paulo, durante a gestão de Luiza Erundina, meu pai fez parte de uma comissão de sindicância interna do PT, juntamente com José Eduardo Cardozo, atual Ministro da Justiça, e Paul Singer. Esta visava apurar eventuais favorecimentos ilícitos de pessoas ligadas ao PT junto a prefeituras sob o comando do partido no estado de São Paulo. 

O parecer final continha acusações que poderiam comprometer Lula, já que um compadre deste estaria supostamente envolvido. José Dirceu era o presidente do PT na época e, segundo meu pai, deu a ele e à comissão de sindicância “carta branca” para comprometer todos aqueles que estivessem supostamente envolvidos. Aqui, creio eu, começa todo o imbroglio. 

Meu pai ocupava, também na época, um cargo importante na direção do partido e vislumbrou a possibilidade de alavancar o seu projeto pessoal de poder dentro do PT. Ele jamais admitirá isso, mas usou o parecer emitido pela comissão sindicante para “chantagear” Lula. Este, por sua vez, tentou negociar uma saída que não comprometesse o partido e sua candidatura à presidência da República. Lula disputou o segundo turno com Fernando Collor de Melo.

Esse episódio acabou azedando as relações entre Lula e meu pai, o qual saiu muito ressentido e foi aos poucos perdendo espaço dentro do partido, embora tenha sido eleito deputado federal nas eleições de 1990 e depois em 1994, com votações expressivas, principalmente em 1990. Os seus mandatos na Câmara Federal foram cumpridos quase que de forma independente do PT. 

Plínio de Arruda Sampaio, também na época deputado federal pelo PT, e meu pai cumpriam agendas bastante semelhantes, todavia Plínio gozava de boas relações com Lula. Meu pai deixou transparecer inúmeras vezes uma forte mágoa em relação ao episódio que fez Lula se distanciar dele.

Durante o período de seus dois mandatos na Câmara Federal, meu pai iniciou aproximações com congressistas que davam apoio ao governo de Fernando Henrique Cardoso, entre os quais Luiz Eduardo Magalhães, na ocasião Presidente da Câmara, filho de Antonio Carlos Magalhães (ACM), ambos integrantes do Partido da Frente Liberal, o antigo PFL e atual DEM.

Tal aproximação rendeu-lhe indicação do governo brasileiro para representa-lo junto à Comissão de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA), em Washington D.C., E.U.A.. Assim, durante o seu segundo mandato como deputado federal, meu pai repartia seu tempo entre a Câmara Federal e a OEA. 

Com isso, foi se distanciando cada vez mais do PT e se aproximando de setores do Partido da Social Democracia Brasileira, o PSDB. Nesse meio tempo, fora indicado para integrar comissão na Câmara Federal para investigar o envolvimento do deputado Ricardo Fiúza do PFL no escândalo dos “Anões do Orçamento”. O seu parecer foi qualificado, em público, pelo então Presidente Fernando Henrique Cardoso, como “pífio”, e a eventual implicação do deputado Fiúza no escândalo ficou comprometida, já que este fazia parte da base de sustentação do governo de Fernando Henrique Cardoso. 

 

Em outros tempos

Em outros tempos

 

Lembro-me que meu pai ficou ressentido com o episódio, por toda a repercussão negativa de sua imagem junto à mídia, mas é curioso que isso não o fez guardar qualquer mágoa ou rancor em relação a Fernando Henrique Cardoso.

Esse episódio é ilustrativo dos casuísmos que graçam na política brasileira. Hélio Bicudo, eminente jurista, emite um parecer juridicamente embasado, porém este pode incomodar um determinado “lado” e é portanto considerado “pífio”. Este mesmo jurista, agora faz um pedido de impeachment da Presidente Dilma Roussef, sem base jurídica alguma, respaldando-se apenas no denominado “domínio do fato”, cheio de slogans, que alegram os golpistas de plantão, mas que não presta serviço algum à nação a não ser tumultuar mais ainda a vida já muito difícil dos brasileiros. 

Nesse caso, no entanto, o texto não é considerado “pífio” por aquele mesmo “lado” ao qual me referi anteriormente. Aliás, aparentemente será usado para deflagrar eventual pedido de impeachment da Presidente Dilma Roussef na Câmara Federal.

O pedido de impeachment do qual meu pai é signatário é uma das inúmeras decorrências de sua infeliz trajetória nos últimos dez anos, período durante o qual o “poder moderador” de minha mãe deixou de existir em razão do mal que a acometeu, permitindo que o rancor desemedido de meu pai em relação ao PT e sobretudo a Lula desabrochasse de uma forma tão beligerante. 

Essa triste postura é visível no último vídeo que circula pelas redes sociais no qual ele faz acusações em relação a Lula sem quaisquer fatos concretos e de forma completamente leviana.

Há que se ressaltar que o rancor de meu pai em relação a Lula foi intensificado durante o primeiro mandato deste como Presidente da República, antes do episódio do mensalão. Meu pai, no final de mandato como vice-prefeito, na gestão de Marta Suplicy, solicitou a esta que fizesse gestões junto à Lula para que este o indicasse a um posto como embaixador do Brasil, ou na OEA, ou em Genebra junto à Organização das Nações Unidas (ONU), na área de Direitos Humanos, ou em Roma. 

Nada disso foi possível, pois a política do Ministério das Relações Exteriores mudara, não havendo mais indicações de pessoas fora da carreira para ocupar postos diplomáticos. No entanto, mesmo assim, meu pai recebeu um fax, do qual sou testemunha, do Ministério das Relações Exteriores, cujo ministro na época era Celso Amorim, convidando-o a representar o Governo Brasileiro junto à UNESCO, em Paris, nas reuniões trimestrais da entidade. 

Meu pai recusou o convite, interpretando-o como um grande insulto a sua pessoa e, a partir daí, resolveu se opor a tudo que dissesse respeito ao PT e a Lula. Guinada ultra-conservadora que o caracteriza hoje.

Finalmente, devo enfatizar que meu pai goza de plenas faculdades físicas e mentais, muito embora esteja com idade avançada. Todo ser humano tem qualidades e defeitos. Infelizmente, o seu profundo rancor o tornou um homem infeliz, solitário e amargo. Vários de meus irmãos e eu tentamos resguarda-lo durante muitos anos, principalmente após minha mãe ter sido diagnosticada como portadora do Mal de Alzheimer, tanto em relação a sua vida pessoal como em relação a sua vida pública, na tentativa de preservar a sua história de vida. 

Entretanto, o seu rancor desmedido e os limites impostos por ele aos próprios familiares que o cercavam, já que ele está lúcido e ativo, fizeram-no se aproximar de pessoas que certamente o estão usando, inclusive uma de minhas irmãs, para atingir os seus fins golpistas. E ele, que nunca soube ficar longe dos holofotes que o iluminaram durante tanto tempo, está se aproveitando do fato para ficar em evidência num triste e infeliz espetáculo midiático.

 

16 Sep 21:26

O estereótipo que estimula policiais brutamontes

by Danillo Ferreira

O estereótipo do policial brutamontes

Ao ingressar em qualquer profissão, o indivíduo é submetido a categorias de preconceito que até então não lhe atingiam. Assim, no Brasil, o médico é visto como alguém bem-sucedido financeiramente. O professor como um profissional não muito valorizado. O  político como alguém de quem se deve desconfiar. Todos esses paradigmas são padrões socialmente assimilados após certa quantidade de acontecimentos que conferem sentido a esses entendimentos. De fato, não é difícil encontrar médicos abastados, professores mal pagos e políticos que traíram a confiança de alguém em nosso país.

Como o leitor deve desconfiar, também há um conjunto de concepções projetadas sobre o sujeito que passa a receber o título de “policial”. Das inúmeras categorias em que passamos a ser enquadrados – como a de pessoa inculta e intelectualmente rasa -, gostaria de destacar aquela que me parece danosa ao objetivo de avançarmos na construção de sujeitos policiais mais alinhados com a resolução pacífica de conflitos e com o respeito à legalidade cidadã.

“O policial, para o brasileiro médio, é considerado o ‘irmão mais velho’ a quem se pode recorrer para retaliações, ameaças e ofensas”

Refiro-me ao estereótipo que considera o policial como alguém que, a qualquer momento, pode usar a força para intervir em questões de ordem pessoal, ou agir afetiva ou pessoalmente quando estiver na condição institucional (legal) de uso da força. O policial, para o brasileiro médio, é considerado o “irmão mais velho” a quem se pode recorrer para retaliações, ameaças e ofensas. Ou mesmo um brutamontes que sempre terá uma forma violenta de lidar com os seus problemas, a quem, portanto, deve-se temer.

A pergunta óbvia é: por que esse paradigma não é desfeito com a simples recusa dos policiais em vestir essa carapuça? Se um político pode ser muito franco e transparente em suas ações para negar o preconceito da desonestidade, o que leva um policial a manter-se inerte ao estereótipo que lhe atribuem?

“Quando o meio social em que o policial está inserido o estimula ao uso da força informal, muitas vezes ilegal e abusiva, é difícil fazê-lo contrariar sua própria autoestima”

Parece haver aí um problema de autoestima, em que o policial torna-se socialmente valorizado por ser um potencial autor de violência. Principalmente o policial homem sente-se importante por ser uma ameaça – e, algumas vezes, é instrumentalizado por terceiros que têm a oportunidade de usar essa ameaça para os fins que lhes interessem. Não é coincidência que esse mecanismo funcione particularmente com policiais homens, já que, desde a infância, aprendemos que “homem não leva desaforo para casa”.

Esse é um dos motivos que torna desafiador falar sobre policiamento comunitário, policiamento voltado para a resolução de conflitos e respeito à cidadania na segurança pública brasileira. Quando o meio social em que o policial está inserido o estimula ao uso da força informal, muitas vezes ilegal e abusiva, é difícil fazê-lo contrariar sua própria autoestima, que se alimenta dessa “razão de ser” extraoficial do seu trabalho.

Discutir as causas e os efeitos desse estereótipo é falar de machismo, do jeitinho brasileiro (que ninguém tratou melhor que Roberto DaMatta) e de formação policial, esta que tem o complexo papel de evitar que os policiais sejam capturados por essa dinâmica. O desafio é conduzir as tropas ao entendimento de que é muito mais vantajoso não ser um brutamontes.

16 Sep 21:25

A reação de Villa ao processo movido por Lula é o triunfo do descaramento. Por Paulo Nogueira

by Paulo Nogueira
Sem noção

Sem noção

A reação do pseudo-historiador Marco Antônio Villa ao processo de Lula desafia a imaginação.

Villa há tempos calunia Lula com frequência maníaca.

Lula, segundo Villa, é ladrão, bandido, chefe do Petrolão e outras barbaridades.

Com notável atraso, mas ainda assim com total acerto, Lula decidiu enfim se defender na Justiça.

Quem não se defende quando injustiçado, como ensinou o jurista alemão do sécula 19 Rudolf von Ihering, merece rastejar como um verme.

Lula tem seguido os ensinamentos consagrados de Ihering.

Villa tem sido predador, agressor, canalha mesmo ao tratar de Lula.

Mas, diante da notícia do processo tardio, ele se colocou na posição de vítima, de coitadinho, de perseguido.

E veste a fantasia de mártir.

Villa diz que não vai se calar, que não vai se deixar intimidar.

Ora, Lula não falou em calá-lo. Com o processo, Lula quer apenas de proteger das infâmias ininterruptas de Villa.

Villa pode dizer o que quiser, de Lula ou de quem quer que seja. Mas tem que ter provas que vão além de sua garganta maledicente.

Nos Estados Unidos, há muito Villa estaria em apuros sérios.

Ao contrário da brasileira, a Justiça americana exige provas para acusadores.

E se não as há as indenizações são altíssimas, exatamente para desestimular o tipo de coisa que Villa e tantos outros fazem sem a menor cerimônia.

Uma das coisas que explicam a baixa qualidade do jornalismo brasileiro é a complacência da Justiça diante de assassinatos de reputação sem provas.

Você se sente desestimulado de buscar reparação.

Mas aí também vem as lições de Ihering: a Justiça só melhora quando a sociedade se movimenta e cobra dela que impeça abusos como os de Villa.

É dentro dessa lógica que Ihering dizia que o atingido não tem apenas o direito de procurar a Justiça – mas o dever perante a sociedade.

Porque quando você age outras pessoas podem se beneficiar – eventuais futuras vítimas de predadores das palavras.

Villa está bravateando.

Mas, com certeza, já está tratando de achar um bom advogado. Também vai pensar duas vezes antes de produzir o veneno que sai dele em doses copiosas.

Outros Villas estarão também menos efusivos em suas investidas.

Sociedades avançadas não toleram pessoas como Villa, e ele se comporta como se o Brasil fosse uma República das Bananas.

Villa tem que ser protegido de Villa, de uma certa forma.

O que ele faria se alguém o acusasse de criminoso, ladrão, bandido, chefe de quadrilha?

Faria exatamente o que Lula está fazendo.

Por tudo isso, sua reação ao processo é o triunfo do descaro e da falta de noção.

16 Sep 00:11

Por qué los refugiados sirios vienen ahora a Europa

by Iñigo Sáenz de Ugarte

refugiados

Durante más de cuatro años, el peso de la acogida a las personas que huyen de la guerra de Siria ha recaído en los países vecinos, algo habitual en casi todos los conflictos bélicos. Según las cifras de ACNUR, Turquía cuenta con 1.938.999 refugiados, Líbano con 1.113.941, Jordania con 629.266, e Irak con 249.463.

En ese tiempo, la Unión Europea ha contemplado esa crisis desde la distancia, limitándose a aportar dinero al programa que dirige Naciones Unidas, fondos que en varias ocasiones han resultado insuficientes para financiar la asistencia humanitaria.

En el verano de 2015, esa ‘comodidad’ ha desaparecido y Europa se ve obligada a asumir su responsabilidad desde el momento en que los refugiados merecen una protección legal a causa de los acuerdos internacionales firmados por esos países.

La pregunta es legítima. ¿Por qué ahora? ¿Qué ha ocurrido en Siria y sus países vecinos para que lleguen tantas personas a Europa en los últimos meses? Hay razones que afectan a todos ellos y otras relacionadas con los países en que han vivido hasta ahora.

Inicialmente, el único objetivo de un refugiado es escapar. Su esperanza es que su salida del país sea temporal, que la guerra acabe pronto y pueda regresar a su hogar. Si la ciudad de la que procede sufre tanta destrucción como la que ha tenido Alepo, sabrá que eso no será posible. Quizá ni siquiera continúe en pie su casa. Si la guerra se prolonga durante años y no se vislumbra un final, el refugiado debe pensar en que su objetivo pasa a ser comenzar una nueva vida, y no fiarlo todo a una fantasía. El que decida hacerlo en el primer país que lo acogió o si deberá elegir un destino más lejano depende en primer lugar de la situación de ese país y de las posibilidades que se abren con un nuevo desplazamiento. En la práctica, muchos refugiados se sienten expulsados del primer país de acogida. Ellos son siempre la minoría que cuenta con menos derechos políticos y económicos.

¿Por qué abandonan Turquía?

El hecho de que Turquía sea el país que cuenta con más refugiados no quiere decir que no haya conflictos. La mayoría, en un 90%, viven fuera de campos de acogida, en hoteles, hostales o habitaciones alquiladas. El dinero termina agotándose, en especial cuando no hay muchas opciones de encontrar un trabajo decente.

Según una asociación de acogida a refugiados, “tienen que trabajar bajo condiciones de explotación durante largos horarios y por bajos salarios. Es muy habitual que no les paguen lo que les deben. Luchan para sobrevivir con ingresos por debajo del nivel de subsistencia”.

Ha habido casos de enfrentamientos con la población local y ataques a los exiliados. Muchos les acusan del incremento del precio de alquileres o de que se vean obligados a trabajar por la mitad del salario habitual, lo que perjudica a los trabajadores locales.

La decisión del presidente turco Erdogan de iniciar una guerra contra el grupo armado del PKK y el endurecimiento de su discurso contra los kurdos suponen un aviso para los sirios, en especial para los de origen kurdo. En caso de guerra, los extranjeros terminan asumiendo el papel de chivo expiatorio con facilidad.

¿Por qué abandonan Líbano?

Si en Turquía, los sirios creen que no tienen mucho futuro allí, en Líbano, otro país con graves conflictos internos, la situación no es mucho mejor. Poco a poco, cerca de un millón de refugiados están llegando a la conclusión de que vivir marginados no es una opción a largo plazo. A principios de año, la policía comenzó a adoptar una actitud más agresiva hacia ellos. “Cualquier agente puede pararnos, interrogarnos y pedirnos los documentos (que no tienen). Nos dicen que estamos aquí ilegalmente y que tenemos que volvernos a Siria”, explicó una joven refugiada a una periodista de NRP.

En esa entrevista, una mujer comenta que todos los hombres sirios que viven en su barrio se han ido. Ocurre con frecuencia que los maridos emprenden el largo viaje, casi siempre a través de Turquía desde donde pasan a Grecia, con la idea de trabajar para poder enviar dinero a la familia que ha quedado atrás y la esperanza de poder traérselos en el futuro.

Al igual que los que están en Turquía, estos refugiados reconocen que no pueden construir un futuro sobre una estancia temporal en un lugar en el que son vulnerables a los abusos y el acoso de las autoridades. Tienen que comenzar una vida nueva, y la mayor garantía sólo pueden encontrarla en estados que reúnen un mayor nivel de libertad y mayores posibilidades de encontrar un empleo. Es obvio que Alemania, por dar un ejemplo, resulta un destino mucho más conveniente que Turquía o Líbano.

En conversaciones con periodistas en varios países de Europa, algunos han comentado que aspiran a que sus hijos tengan un mejor futuro que ellos. En cualquier cultura, la idea de que un padre sepa que lo que va a entregar a sus hijos es básicamente una existencia miserable es aterradora. En Líbano o Turquía, sin papeles que certifiquen su existencia legal, las posibilidades de que los niños y jóvenes tengan acceso a educación en colegios y universidades son muy reducidas. Personas de clase media con estudios universitarios hará lo que sea para impedir que eso suceda.

¿Por qué abandonan Siria?

La pregunta es tan evidente que casi no merece la pena responderla, pero hay factores de los que no éramos conscientes hasta hace unos meses. Antes que nada, hay que recordar algo que conocen las personas que siguen lo que ocurre allí. Los refugiados que vienen de la provincia de Alepo huyen para salvar la vida.

El Gobierno castiga las zonas de la ciudad que no controla con las llamadas bombas de barril lanzadas desde helicópteros, ataques indiscriminados que causan un alto número de muertos entre los civiles. Los insurgentes no son más selectivos. Han colocado gigantescas cargas en el subsuelo que han volado manzanas enteras en zonas donde había edificios oficiales. Este martes, 38 personas han muerto, entre ellas 14 niños, en un bombardeo de los insurgentes con fuego de mortero y cohetes. Su única culpa era vivir en tres barrios controlados por el Gobierno.

Muchos refugiados proceden de zonas controladas por el Gobierno sirio. Son a fin de cuentas las más pobladas. Los jóvenes que hasta ahora no han sido reclutados por el Ejército saben que el tiempo se les acaba. Y si no es el Ejército, serán las milicias que lo apoyan (y lo mismo les ocurrirá a los que viven en zonas ocupadas por los insurgentes). Las fuerzas militares del régimen gozan de superioridad sobre los insurgentes en artillería, blindados y aviones. Pero les faltan hombres. No tienen capacidad para entablar dos grandes ofensivas al mismo tiempo, como se ha demostrado en la provincia de Idlib, en el norte, donde el Gobierno ha perdido casi todas sus posiciones al no poder enviar los refuerzos necesarios. La prioridad continúa siendo defender Damasco y la franja costera, donde se concentra la base social de apoyo al Gobierno.

En los últimos meses, el Ejército ha sufrido varios reveses en un frente que estaba hasta ahora en su mayor parte estabilizado. La posibilidad de una derrota existe, aunque está lejos de ser inminente. Las clases medias contemplan con terror el futuro de una Siria gobernada por grupos insurgentes de ideas fundamentalistas tan dispuestos a pelearse entre sí como a combatir al Gobierno.

“Mientras la oleada inicial de refugiados que salió de Siria al comenzar el conflicto se componía de aquellos que vivían en las zonas con combates o aquellos empobrecidos por el colapso inmediato de buena parte de la economía”, explica una persona que vive en Alepo, “en la última oleada están los jóvenes que acaban de terminar la universidad, los profesionales, trabajadores cualificados y pequeños empresarios, muchos de los cuales vivían en zonas ‘relativamente’ seguras de Siria. El hecho de que lo estén vendiendo todo –casas, coches, negocios, incluso mascotas y muebles– para pagar el viaje demuestra que no tienen previsto volver y que se convertirán en una parte de la diáspora de este éxodo sirio de proporciones bíblicas”.

Si los gobiernos extranjeros parecen haber renunciado a la idea de encontrar una solución a esta guerra, o se limitan a realizar campañas de ataques aéreos a ISIS, ¿cómo se puede culpar a los sirios que huyen de haber dejado atrás toda esperanza?

Nadie abandona todo lo que tiene para jugarse la vida en el Mediterráneo y comenzar un recorrido a pie por media Europa si no es esa su única opción. Venden lo que tienen (o malvenden) para reunir aunque sea 5.000, 10.000 dólares con los que financiar el viaje. Cualquier riesgo que los refugiados tengan que afrontar en el mar y en Europa no es nada comparado con vivir en Siria.

Lo único que nos debe extrañar es que hayan aguantado tanto tiempo en un país destruido por la guerra o en una existencia miserable en los países vecinos.

15 Sep 21:35

FURTADO E OS QUE FURTARAM, FURTAM E QUEREM CONTINUAR FURTANDO

by Antônio Mello
Para reflexão, reproduzo texto do cineasta Jorge Furtado, publicado em seu Blog:

Dilma e a corrupção na Petrobras

Se for possível, esqueça por alguns minutos todos os adjetivos e piadinhas, toda indignação seletiva dos que governaram o país por décadas e o transformaram na sociedade mais desigual do planeta, todas as manchetes escandalosas, esqueça as frases de efeito dos jornalistas que garantem seus empregos pensando exatamente como o patrão manda, os comentários dos seus amigos e colegas ressentidos pela ascensão social dos mais pobres, esqueça por alguns segundos o nosso racismo, nossa centenária indiferença com os miseráveis, nossa cordial tolerância com as injustiças sociais, nossa cômoda aceitação da existência de uma multidão de pobres dispostos a fazer o trabalho pesado por salários irrisórios, deixe de lado nossa ancestral complacência com a corrupção - que começa com a carta de Pero Vaz de Caminha pedindo ao Rei um emprego para um parente e vem até ontem, quando você aceitou pagar menos por um serviço sem recibo ou ofereceu um troco (ou um milhão) para o fiscal não lhe multar -, esqueça tudo isso por um breve instante e pense nos fatos.

1. O golpe civil-militar de 1964, que jogou o Brasil numa ditadura cruel que durou 25 anos e foi planejado e executado (hoje todos sabem) pelo governo americano e segundo interesses das grande empresas americanas, foi apoiado por pessoas de bem como você, que acreditavam no que diziam os jornais da época (os mesmos de agora), e queriam combater a corrupção na Petrobras e impedir as práticas comunistas do governo eleito.

2. Em 1989, ano que marca a volta da democracia com eleições diretas para presidente, o jornalista Ricardo Boechat foi premiado por denunciar a corrupção na Petrobras.

3. Em 1995 o jornalista Paulo Francis denunciou a corrupção na Petrobras e, por isso, foi processado.

4. Em 1997, o presidente Fernando Henrique Cardoso acabou com o monopólio da Petrobras na exploração do petróleo brasileiro e criou o sistema de concessão, que favoreceu as grande petroleiras americanas. FHC também editou a Lei n° 9.478, que autorizou a Petrobras a se submeter ao regime de licitação simplificado, na prática permitindo que a empresa contratasse fornecedores sem fazer concorrências públicas. Para o jurista Celso Antônio Bandeira de Mello, esse foi o momento em que "o governo Fernando Henrique colocou o galinheiro ao cuidado da raposa".

5. Segundo o depoimento dos delatores premiados da Lava Jato (Pedro Barusco e outros) e segundo a denúncia do Ministério Público, foi em 1997 que esta quadrilha (Paulo Roberto Costa, Youssef e turma) começou a roubar a Petrobras.

6. Durante o segundo mandato de FHC, o Ministro da Justiça - e, portanto, chefe da Polícia Federal - era Renan Calheiros (PMDB).

7. Em 2009, com a descoberta das gigantescas reservas do pré-sal, o governo Lula anunciou mudanças na lei de exploração do petróleo, favorecendo a Petrobras. As petroleiras americanas, Chevron, Shell, Exxon e a inglesa BP, ficaram de fora. Em telegramas revelados pelo Wikileaks e publicados pela Folha de SP, o candidato tucano José Serra garantiu aos representantes da Chevron que, se eleito, voltaria ao sistema anterior. Desde então Serra e o PSDB vem defendendo o modelo de concessão e os interesses americanos no petróleo brasileiro.

8. A quadrilha de Youssef e Paulo Roberto Costa começou a roubar em 1997, roubou a Petrobras durante o segundo mandato de FHC, durante todo o governo Lula e nos primeiros anos do governo Dilma. Entre os beneficiados com o esquema milionário estão empresários e políticos de todos os partidos, especialmente do PP e do PMDB, mas também do PT, do PSDB, do PSB e outros.

9. Em 2013 Dilma sancionou a lei 12.846 que definiu como corruptores tanto as pessoas físicas como as pessoas jurídicas. Graças a esta lei, pelo menos oito empresas tiveram executivos presos: Camargo Corrêa, Odebrecht, OAS, UTC, Engevix, Iesa, Queiroz Galvão e Mendes Júnior. A lei sancionada por Dilma pode render a condenação criminal dos sócios e executivos e pune as empresas com multas que variam de 0,1% a 20% sobre o seu faturamento. Foi com este temor que os milionários presos fizeram suas delações premiadas.

10. Dilma indicou e reconduziu ao cargo o Procurador Geral Rodrigo Janot, que investiga a corrupção na Petrobras e já indiciou muitas pessoas. (Bem diferente do que fazia o engavetador geral da república no governo FHC.)

11. A Polícia Federal, durante o governo Dilma, levou a cabo a Operação Lava Jato, que prendeu e desbaratou a quadrilha de Youssef e Eduardo Costa, que roubava a Petrobras desde o governo de FHC, atravessou o governo Lula roubando e bateu no poste no governo Dilma. Entre os investigados, com fortes indícios de terem recebido dinheiro sujo, estão Renan Calheiros (ministro da Justiça e chefe da Polícia Federal de FHC) e Eduardo Cunha (PMDB), atual presidente da Câmara, com um longo histórico de envolvimento em falcatruas de toda espécie.

A corrupção na Petrobras é antiga, no Brasil é ancestral, e os ladrões de dinheiro público, de qualquer partido ou governo, devem ser severamente punidos e, isso é importante, devem devolver o dinheiro que roubaram aos cofres públicos, mas repassando esta lista de fatos, todos incontestáveis, você ainda acha que há algum sentido em pedir, com o pretexto de combater a corrupção na Petrobras, a saída de Dilma para entregar o governo a Renan Calheiros e a Eduardo Cunha?

Você não acha bem mais provável que, sob o pretexto de combater a corrupção, essa turma queira que a Dilma saia para atender interesses poderosos e voltar a roubar, como sempre fizeram?


Madame Flaubert, de Antonio Mello

15 Sep 21:32

El gran peligro de Europa es el auge del fascismo

by rosa maría artal
Allan Patrick

Hungria se mostra preocupada pela "composição étnica" da Europa.

Los ves bajar de la barcaza, llorando, ateridos de frío y miedo. Padres y madres que cargan a sus hijos. Mujeres entradas en años, obligadas a afrontar el riesgo de un viaje incierto por huir de una vida aún peor. Ancianos que han de ser sostenidos por otros para caminar. Los propios chiquillos que han […]
14 Sep 18:54

Cunha e os cortes de gastos: blefe!

by Maurício Moraes

blefe m laranjaApesar da fala de Eduardo Cunha e do discurso de parlamentares da oposição – que acusam o governo de jogar a conta da crise nas costas da população, com propostas de aumento ou criação de impostos –, diversas matérias aprovadas em 2015 pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal implicam elevação dos gastos públicos. Por mais que, no mérito, muitas das matérias onerosas sejam defensáveis, os congressistas desgastam o governo federal obrigando-o a se passar por vilão ao vetar reajustes a aposentados e funcionários da ativa.

Os reajustes entre 53% e 78,56% para os servidores do Judiciário, por exemplo, aprovados no Congresso, trariam R$ 25 bilhões de despesas a mais para a União ao longo dos próximos quatro anos, sendo R$ 1,5 bilhão já em 2016. A medida foi vetada pela presidente Dilma Rousseff – o que ainda pode ser revertido pelo Congresso, que tem a prerrogativa de derrubar o veto.

Os congressistas também legislaram sobre as aposentadorias, que seriam corrigidas acima da inflação – com impacto de R$ 9 bilhões anuais para o governo. O Poder Legislativo concedeu a todos os aposentados e pensionistas pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) o aumento da remuneração pela mesma fórmula que reajusta o salário mínimo – a soma da variação do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes com a inflação. A medida onerosa também recebeu o veto presidencial.

Outra medida dos congressistas derrubada por Dilma foi o fim do fator previdenciário – fórmula que calcula o valor das aposentadorias a partir da idade, expectativa de vida e do tempo de contribuição. A conta reduzia a proporção de beneficiados pelo teto pago pelo INSS (R$ 4.663). Os parlamentares aprovaram outro sistema, que concede a aposentadoria integral ao homem que atingir o valor de 95 na soma dos anos de contribuição com a idade (e 85 para as mulheres). O governo alegou que isso quebraria a Previdência Social e vetou a matéria, enviando ao Congresso uma Medida Provisória que eleva progressivamente a soma até alcançar 90/100, em 2022.

Ainda tramitam no Congresso iniciativas com potencial para onerar os cofres públicos. Com custos previstos em mais de R$ 2,4 bilhões anuais, a Proposta de Emenda à Constituição 443 já foi aprovada em primeiro turno na Câmara. A PEC vincula os salários de delegados civis e federais e da Advocacia-Geral da União a 90,25% do que recebem os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), R$33.763,00. Se for aprovada pelo Congresso, a despesa adicional será de R$ 2,4 bilhões anuais.

Além disso, no fim de agosto foi aprovada pelo plenário da Câmara a tramitação em regime de urgência de diversos projetos onerosos. Entre eles, o que propõe a criação de novas varas da Justiça Federal no Rio Grande do Sul, Paraná e Tocantins, e outro que determina a disponibilidade de ambulância e equipe de saúde em todos os postos da Polícia Rodoviária Federal do país.

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14 Sep 18:54

Quanto Custa a Violência Sexual contra as Meninas?

by Polly

Um grupo de seis homens aborda uma estudante dentro de um ônibus na Índia. Eles estupram a jovem que morre dias depois no hospital. Revoltadas, as mulheres da Índia vão às ruas protestar e engajam a população, detonando uma onda mundial de indignação contra esse tipo de violência. Esse é o mote do filme India’s Daughter que, censurado na Índia, terá uma sessão especial gratuita no Brasil, no dia 16 de setembro, no Auditório do Ibirapuera, seguida de debate com a diretora do filme Leslee Udwin.

 

 

O filme vem ao Brasil e marca o lançamento da campanha “Quanto Custa a Violência Sexual contra as Meninas?”, promovida pela Plan International Brasil, organização humanitária internacional pelos direitos da criança e do adolescente, que faz um alerta para o País. “A maioria dos estupros não é cometida por desconhecidos na rua. Por aqui, os abusos geralmente acontecem dentro de casa e são realizados por conhecidos das meninas. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) mais da metade dos casos acontece com meninas menores de 13 anos”, afirma Anette Trompeter, diretora nacional da organização.

O estupro é considerado um dos crimes menos notificados do Brasil, apesar de ser tratado como hediondo pela justiça. Cerca de 50 mil casos de estupro são denunciados todos os anos no Brasil, mas estima-se que isso represente menos de 10% do total de casos. Aquelas que passam por essa situação deixam de denunciar com medo de represálias, com vergonha de se expor, e até mesmo com receio de serem culpadas ou tachadas pela violência sofrida.

O cenário é ainda pior quando se considera o universo infantil. Uma série de situações previstas como crime no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), em que adultos se aproveitam da fragilidade das crianças para ter satisfação sexual, não é entendida da mesma forma por parte da população.

A campanha “Quanto Custa a Violência Sexual contra as Meninas?” pretende promover e qualificar o debate sobre a violência sexual contra as meninas que já chega a mais de meio milhão de casos por ano no Brasil. Para isso, além de peças de comunicação e ações em mídias sociais, contará com uma rede de organizações de todos os setores na realização de iniciativas pelo Brasil, desde a exibição do filme

India’s Daughter e debates sobre a violência sexual contra meninas, passando pela elaboração de materiais informativos sobre a identificação de abuso e violência sexual, como denunciar estes crimes e procurar a rede de atendimento para meninas que sofreram com este crime.

“Qualquer um pode participar desta campanha. Queremos mobilizar e engajar o Brasil para um grande debate sobre as diversas consequências da cultura machista existente no País. A sociedade paga um preço muito alto por diversos tipos de violência silenciosa e impune, mas não encara o assunto de frente. As consequências para quem passa por isso são inestimáveis e geram danos para o resto de suas vidas”, conclui Anette.

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India’s Daughter
Quando: 16 de setembro de 2015, às 20h.
Onde: Auditório do Ibirapuera – Av. Pedro Álvares Cabral, 0 – Ibirapuera, São Paulo (SP)
Entrada gratuita – Retirada dos ingressos 1h30 antes da exibição.

14 Sep 18:46

Luiz Eduardo Soares lança novo livro

by Redação

O autor dos livros Elite da Tropa, que inspiraram os filmes Tropa de Elite, está prestes a lançar mais um livro. Luiz Eduardo Soares, Ex-secretário Nacional de Segurança Pública, que também escreveu “Meu Casaco de General” e “Justiça”, agora divulga o livro “Rio de Janeiro: histórias de vida e morte”.

O lançamento ocorre nesta terça (15), na Livraria da Travessa, Shopping Leblon, Rio de Janeiro, a partir das 19h:

Histórias de Vida e Morte - Luiz Eduardo Soares

14 Sep 18:45

O clássico “Helicoca”, agora com legendas em inglês para que ele possa viajar

by Kiko Nogueira

14 Sep 14:09

VAMOS QUEIMAR NA FOGUEIRA A FEMINAZI QUE DENUNCIA SEXISMO

by lola aronovich
Acho, nem tenho certeza, que estou no Linkedin. Depois de ignorar durante anos convites para entrar nesta rede social, me cadastrei este ano. Creio que foi após alguém criar um perfil falso pra mim. 
Sei que muita gente leva o Linkedin a sério. É uma ferramenta de marketing profissional, que pode ajudar na hora de procurar ou mudar de emprego e fazer contatos relacionados a trabalho (e talvez acadêmicos também, certo?). Mas a palavra-chave é essa: trabalho. O Linkedin não é pra paquerar, não é um Tinder ou um perfil pessoal no Facebook. Cada ferramenta tem um propósito.
Semana passada, Charlotte Proudman, uma advogada inglesa de 27 anos, mandou solicitação de contato no Linkedin para outro advogado, Alexander Carter-Silk, de 57 (foto ao lado). Ele aceitou o convite e enviou uma mensagem para Charlotte: "Feliz por me conectar, entendo que isso seja provavelmente muito politicamente incorreto, mas a sua foto é deslumbrante!!! Você definitivamente ganha o prêmio de melhor foto que eu já vi no Linkedin". 
A foto de Charlotte era esta ao lado. Uma foto normal, de rosto. Sem decote, sem minissaia. Não que uma foto de corpo inteiro justificaria a reação babona de Alex. Tipo, é uma rede profissional. Muitas dessas conexões no Linkedin você não conhece, ou só conhece de nome. Você achar ou não a foto de alguém deslumbrante é meio desnecessário. 
Clique para ampliar: de cima
pra baixo, a resposta de Char-
lotte, a mensagem de Alex, e
o tuíte
Charlotte resolveu não deixar barato. Ela respondeu para ele: "Alex, acho sua mensagem ofensiva. Estou no Linkedin por motivos profissionais e não para ser assediada pela minha aparência física ou para ser objetificada por homens sexistas. A erotização da aparência física das mulheres é uma maneira de exercer poder sobre elas. Isso silencia os atributos profissionais das mulheres, já que sua aparência se torna o principal. Seu comportamento é inaceitável e misógino. Pense duas vezes antes de mandar para uma mulher (com metade da sua idade) uma mensagem tão sexista. Charlotte". 
Além disso, ela colocou a resposta (junto ao recado de Alex) no seu Twitter, perguntando a suas seguidoras: "Quantas mulheres no Linkedin são contactadas em referência a sua aparência física em vez de suas habilidades profissionais?"
O caso rapidamente ganhou a mídia britânica. O tabloide de direita Daily Mail, um atraso de jornalismo, resolveu perseguir Charlotte. Eu talvez não escreveria este post se não tivesse ficado enojada com o posicionamento do tabloide, que imediatamente tachou Charlotte de "feminazi" em suas manchetes. 
Feminazi, você sabe, é um termo criado pelo radialista ultra-reaça Rush Limbaugh. É um termo que não tem nada a ver com a realidade -- visto que os nazistas não eram exatamente fãs das feministas, e visto que um dos inimigos número um dos neonazis de hoje é o feminismo.
Curiosamente, o pessoal de direita gosta de reescrever a história tentando inventar que Hitler foi um cara de esquerda. Reaças também chamam ativistas LGBT de gayzistas e gaystapo, o que só pode ser projeção.
É o que o Daily Mail faz -- atacar mulheres. 
A vida Amanda Palmer canta
música e tira a roupa em
resposta ao jornaleco
Só lembrando que em maio do ano passado, quando o mascu Eliot Rodger matou seis pessoas na Califórnia, o tabloide lançou uma capa acusando uma moça que tinha rejeitado as investidas de Eliot anos antes como responsável pelo massacre, com foto da menina e tudo. O Daily Mail é o jornaleco que decretou que a esposa do ex-James Bond Pierce Brosnan estava gorda. O mesmo que insultou a cantora Amanda Palmer ao publicar uma foto em que seu peito "fugia" do sutiã. Ela fez uma canção memorável contra o tabloide, que apelidou de veículo com "imbecis cheios de misoginia", e o mandou sifu.
Semana passada, o Daily Mail se pôs a investigar a vida de Charlotte para ver todos os esqueletos que poderia encontrar em seu armário. Numa das reportagens, o tabloide praticamente culpa a jovem pela morte de sua avó. Charlotte, que é ativista feminista e ganhou prêmio de direitos humanos, rompeu relações com a família do pai em 2011. Seu pai morreu jovem, quando ela tinha 4 anos. A família diz que o pai não ter deixado herança para os filhos possivelmente fez Charlotte virar feminista. 
E, óbvio, uma colunista do tabloide encarnou um mascu e escreveu (a sério!) um artigo intitulado "Os homens são o verdadeiro sexo oprimido hoje em dia", descendo a lenha na advogada. 
Mas o pior foi o tabloide afirmar que Charlotte se comporta exatamente da mesma maneira que acusa o advogado -- ela também objetifica homens online! Olha só as provas: em uma página do FB de um amigo, ela escreveu "Hot stuff" (bonitão? Gostosão?). Noutra, ela escreveu "Ulalá!"
Charlotte para um amigo: Hot stuff
Alex, o advogado, chamou
a própria filha (da idade de
Charlotte) de gostosa no FB
Pois é, chamar amigo de bonitão em perfil do FB é idêntico a elogiar foto de desconhecida numa rede profissional como a Linkedin! Mesmo que Chalotte tivesse chamado um cara de "deslumbrante" no Linkedin (o que ela não fez), sabe o que é falsa simetria? É um conceito difícil pra alguns entenderem. É tentar explicar que as mulheres sempre foram objetificadas e reduzidas a sua aparência, durante toda a história, ao contrário dos homens, e que assédio sexual é uma prática corriqueira no mercado de trabalho. 79% das vítimas de assédio sexual no trabalho são mulheres. Então uma mulher falar "gostoso" prum cara e um homem falar "gostosa" pra uma mulher -- não tem comparação. Não é a mesma coisa.
Cara chamando Charlotte de bunnyboiler
Em outra matéria, o jornal publica depoimentos de várias "celebridades", com opiniões como "Se ele me mandasse essa mensagem, eu adoraria!", "Ele é estúpido, ela é uma bunnyboiler (cozinheira de coelhinhos, referência à personagem de Glenn Close em Atração Fatal; o termo virou sinônimo de mulher carente e histérica), "Um homem não pode elogiar?", "Isto não é sexismo, é histeria", "Fez o feminismo retroceder vários anos". 
A feminista radical e escritora
Julie Bindel em palestra
de junho de 2015
Apenas duas mulheres, uma delas a escritora feminista Julie Bindel, deram razão a Charlotte. Bindel escreveu: "Charlotte Proudman foi rotulada de feminazi simplesmente por expor as atitudes sexistas de um homem que deveria tratá-la como sua colega profissional. Alexander Carter-Silk pode ser culpado de sexismo leve comparado à besteira frequente que as mulheres enfrentam, mas esses comentários contribuem para a desigualdade insidiosa entre homens e mulheres [...]. Os homens parecem acreditar que eles têm o direito de falar da aparência das mulheres. Já me falaram que eu sou feia demais para ser estuprada, mas também já recebi cantadas em bares de hotel enquanto estava trabalhando, sentada com meu laptop. Talvez o motivo que as declarações de Carter-Silk causaram tanto rebuliço é porque, cada vez mais, as mulheres não aguentam mais este sexismo casual". 
Um jornalista analisou os tuítes que Charlotte recebeu durante apenas quatro horas, depois que o Daily Mail passou a chamá-la de feminazi e persegui-la. Dos 300 emails que foram enviados a ela durante esse período, 70 eram elogiosos. O resto continha todo tipo de insulto, incluindo ameaças. 
Parece que foi uma mulher chamada Helen Lewis que criou a Lei Lewis em 2012: "Os comentários em qualquer artigo sobre feminismo justificam o feminismo". Esta sim é uma verdade absoluta.
"Meu parceiro/sócio recebe mensagens perguntando se ele quer trabalhar com fundos de investimento especulativo. Eu recebo propostas de homens para sair com eles"
 
13 Sep 21:27

Alckmin paga R$ 1,5 mi por anúncios em revistas de João Doria Jr., pré-candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo

by Conceição Lemes

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Gestão Alckmin paga R$ 1,5 mi a Doria Jr., pré-candidato à prefeitura de SP

ALEXANDRE ARAGÃO, DE SÃO PAULO, na Folha de S. Paulo, sugerido por Antônio David

O governo do Estado de São Paulo, comandado pelo tucano Geraldo Alckmin, pagou R$ 1,5 milhão ao empresário João Doria Jr., um dos pré-candidatos do PSDB à prefeitura paulistana, por anúncios veiculados em sete revistas da Doria Editora, entre 2014 e abril deste ano.

Os pagamentos foram intermediados por duas agências publicitárias contratadas pelo governo, a Mood e a Propeg, escolhidas por licitação, e seguiram os trâmites que regulam a publicidade estatal.

Doria é presidente do Lide (Grupo de Líderes Empresariais), que organiza eventos para empresários de diversas áreas, como o Fórum de Comandatuba, na Bahia. Sua editora possui 19 títulos, que em boa parte são atrelados aos encontros que promove.

Em um dos casos, o governo pagou R$ 501 mil por um publieditorial –formato em que o anúncio é semelhante a uma reportagem– de nove páginas na revista “Caviar Lifestyle”, que declara circulação de 40 mil exemplares.

Há casos em que os valores pagos pelo governo foram proporcionalmente maiores em anúncios da editora do que em revistas consolidadas, que passam por verificação independente de circulação.

No dia 5 de dezembro, o governo pagou R$ 259 mil por um anúncio de oito páginas na revista “Meeting & Negócios”. Em 15 de janeiro, repassou R$ 202 mil por um anúncio de quatro páginas na revista “Líderes do Brasil”.

Uma propaganda com o dobro do tamanho na “Exame”, da Editora Abril, custou R$ 292 mil. Também em janeiro, por um anúncio de duas páginas na “Época”, da Editora Globo, o governo pagou R$ 71 mil. Já a Editora Três cobrou R$ 479 mil do governo por 18 páginas na “IstoÉ”.

Nenhuma das revistas da Doria Editora é certificado pelo IVC (Instituto Verificador de Comunicação), que audita a distribuição das principais publicações –como as outras revistas citadas.

Entre correligionários

PROXIMIDADE

Doria é filiado ao PSDB desde 2001, segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Ele foi secretário de Turismo na prefeitura de Mário Covas (1983-86), mas nunca disputou eleições. O empresário mantém relação próxima com Alckmin, a quem apoiou na campanha à reeleição no ano passado.

Durante a disputa, o grupo organizou encontros entre empresários e os três principais candidatos. Além de Alckmin, foram convidados Paulo Skaf (PMDB), presidente da Fiesp, e Alexandre Padilha (PT), hoje secretário de Saúde da Prefeitura de São Paulo.

Mesmo nos encontros organizados para os adversários falarem a empresários, Doria ressaltava ao microfone que apoiava a candidatura de Alckmin.

Três semanas antes do primeiro turno, Doria organizou um jantar em homenagem ao governador em sua casa. Além dos principais expoentes do PSDB, como o senador Aécio Neves (MG) e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, empresários foram ao evento demonstrar apoio a Alckmin.

Neste ano, em maio, Doria homenageou Alckmin em Nova York, durante encontro organizado pelo Lide em parceria com a Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos. Na semana passada, o governador compareceu a dois encontros do grupo de empresários, na capital paulista.

OUTRO LADO

O governo de São Paulo não respondeu às perguntas enviadas pela Folha sobre os pagamentos de R$ 1,5 milhão que realizou à Doria Editora, do empresário João Doria Jr., um dos pré-candidatos tucanos à prefeitura paulistana.

A reportagem questionou sobre os gastos com publicidade em revistas da empresa, entre 2013 e 2015, mas não houve resposta. O jornal também perguntou sobre os critérios utilizados na escolha, também sem resposta.

Folha requisitou a mesma informação à Doria Editora que, em nota, afirmou que “não divulga valores de faturamento dos seus clientes, sejam eles públicos ou privados”. O texto ressalta que “este comportamento é exatamente o mesmo de outras publicações”. Segundo a editora, 86% de seu faturamento vem de empresas privadas.

Sobre os preços cobrados, a editora diz que suas “tabelas de preços são do conhecimento do mercado publicitário e praticadas em negociações com agências e anunciantes, em função do volume e frequência de mídia”.

“A Doria Editora não pode sofrer qualquer condenação ou juízo de conflito de interesses por agir dentro das estritas regras do mercado publicitário”, finaliza a nota.

Folha teve acesso a documentos relativos à publicidade do governo por meio da Lei de Acesso à Informação.

A reportagem pediu o relatório de mídia da gestão Alckmin, com os gastos em propaganda entre 2013 e este ano, divididos por ano, veículo, tipo de mídia e agência que intermediou, pedido idêntico a outro feito em 2012 –atendido na ocasião.

O Executivo estadual disse que as informações estão em sites, mas, no trâmite do pedido feito via Lei de Acesso à Informação, a Secretaria de Governo do Estado acolheu o argumento de que os dados pedidos não estão on-line.

A Casa Civil respondeu que a Folha poderia consultar os documentos, mas não deu os dados organizados, apesar de tê-los. Cerca de 70 mil páginas foram postas à consulta.

Questionado sobre o tema, o governo reiterou que “não cabe repetir o procedimento de 2012 porque os pagamentos efetivos estão disponíveis em endereço eletrônico”.

Doria

Leia também:

Rodrigo Vianna: Globo aposta no caos e também afunda; empresa dos Marinhos é rebaixada pela S&P 

O post Alckmin paga R$ 1,5 mi por anúncios em revistas de João Doria Jr., pré-candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo apareceu primeiro em Viomundo - O que você não vê na mídia.

13 Sep 21:27

Jeremy Corbyn y los medios de comunicación

by Iñigo Sáenz de Ugarte

Unos días antes de las primarias laboristas, el programa Panorama de BBC emitió este reportaje sobre Jeremy Corbyn, un análisis bastante completo de su trayectoria, con especial énfasis en los aspectos más polémicos, como suelen hacer con todos los políticos.

La campaña de Corbyn envió a BBC una queja por dos razones. En primer lugar, afirman que les engañaron. Les contaron que estaban haciendo un reportaje sobre las primarias, por tanto, con los cuatro candidatos, que al final resultó ser un perfil del que luego fue el vencedor. Lo otro es más serio. Afirman que Corbyn no asistió a una conferencia en El Cairo en 2003 donde se apoyó la resistencia armada contra la ocupación de Irak, lo que significaba promover ataques contra los soldados británicos que acompañaron a las fuerzas norteamericanas en la invasión. La posición de Corbyn es que precisamente estaba en contra de la ocupación, entre otras cosas, para que los soldados de su país no fueran puestos en peligro al servicio de una decisión ilegal e injusta.

corbyn spec1El programa incluye críticas duras a Corbyn procedentes de dirigentes laboristas moderados de los años de Blair en el Gobierno, los exministros Clarke y Blunkett, pero también testimonios de sus partidarios.

Panorama elige imágenes de desfiles de Hizbolá para arrancar la parte dedicada a sus ideas sobre política exterior. Podría haber escogido en ese punto ejemplos del desastre de la ocupación de Irak, el aspecto más definitorio de esas ideas de Corbyn en la última década, pero no lo hizo.

Si bien el reportaje provocó numerosas críticas en Twitter entre los partidarios del nuevo líder laborista –se emitió tres días antes del fin del plazo para votar–, no es en BBC donde Corbyn tendrá la cobertura más crítica. Sólo hay que ver los primeros artículos y reacciones en Twitter de los periodistas y comentaristas políticos más conocidos para comprobar que le espera una reacción completamente hostil. Sólo un puñado de comentaristas de The Guardian se pueden contar entre los que le apoyan o le conceden el beneficio de la duda. La prensa conservadora ya se ha lanzado contra él con todas las armas a su alcance.

Corbyn is anti-monarchy, anti-austerity and a defender of Putin, ISIS & Palestinian terrorists http://t.co/2DYbdrFfnY

— Daily Mail U.K. (@DailyMailUK) September 12, 2015

En el estilo más informal de Twitter, algunos optan por el ataque personal, a poder ser insultante, como este columnista del Telegraph que era partidario de Cooper, una de las rivales de Corbyn en las primarias. Por lo demás, muchos seguidores del laborista han reaccionado en las redes con una agresividad inusitada contra diputados laboristas moderados.

Labour hasn’t elected the new Karl Marx. They’ve elected the Left’s Sarah Palin. The man can’t even string a coherent sentence together. — Dan Hodges (@DPJHodges) September 12, 2015

Si tu proyecto político es una denuncia completa del establishment del que forman parte los medios de comunicación, no debe extrañarte que te ataquen con especial ferocidad. Corbyn ha denunciado todas las intervenciones militares británicas de los últimos 20 años, y esos medios las han refrendado con pasión. La versión oficial de los tories es que una victoria de Corbyn les beneficiaría porque, en una repetición de lo ocurrido en los 80, cuanto más a la izquierda se vayan los laboristas, más fácil lo tendrán ellos en las urnas. Eso no quiere decir que hayan recibido a su nuevo enemigo con una sonrisa condescendiente. Más bien al contrario.

Labour are now a serious risk to our national security. Please RT to let everyone know. pic.twitter.com/pH3c2S7RYa — Conservatives (@Conservatives) September 12, 2015

 

The Labour Party is now a threat to our national security, our economic security and your family’s security.

— David Cameron (@David_Cameron) September 13, 2015

 

En su mensaje, los conservadores manipulan la frase de Corbyn, que dijo que la muerte de Osama bin Laden era una tragedia porque debería haber sido llevado ante un tribunal para ser juzgado, no eliminado en una operación de comando.

El problema de partida de Corbyn es el de cualquier líder que inicia su carrera política o que asume un nuevo cargo. Si no defines con claridad quién eres y cuáles son tu programa, y lo haces con frecuencia, también en los medios de comunicación, otros lo harán por ti, y con peores intenciones. Ese es el tipo de política que no interesa mucho al diputado de Islington Norte y en el que es posible que no tenga un apoyo muy entusiasta y efectivo de los diputados laboristas que no coinciden con sus ideas ni votaron por él. Para empezar, el vicelíder del partido también elegido en primarias, Tom Watson, no comparte su oposición al programa nuclear Trident, la OTAN y la UE. Se sabe que Corbyn votó en contra de continuar en la Comunidad Económica Europea en el referéndum de 1975, pero no si ahora volvería a hacerlo.

The Tories are trying to define Jeremy Corbyn early on, so a first impression will stick no matter what. Needs quick countering.

— Owen Jones (@OwenJones84) septiembre 13, 2015

 

La política actual no te deja tiempo para tomarte tu tiempo.

11 Sep 18:26

Senegalês é chamado de macaco e atingido por banana; idosa pede desculpas

by Conceição Lemes

idosa e senegalês

Senegalês é chamado de macaco e atingido por uma banana no Paraná

O caso aconteceu na cidade de Londrina (PR), onde o rapaz trabalha vendendo bijuterias para ajudar a família, que permanece em seu país de origem. Logo após o episódio, vítima foi abordada por uma idosa que, indignada com o ocorrido, pediu-lhe desculpas. Assista ao vídeo

por Redação, da revista Fórum, sugestão Messias Franca de Macedo

Na manhã da última quarta-feira (9), o senegalês Ngale Ndiaye foi vítima de um ato de racismo e xenofobia no centro de Londrina (PR), onde trabalha como vendedor de bijuterias. Uma mulher, moradora da região, atirou nele uma banana, o chamou de “macaco”, “preto” e “ladrão”, o agrediu com um tapa e chutou seus produtos. Asinformações são do portal Bonde.

“Eu só dizia que não estava entendendo”, disse Ndiaye, que ainda não domina completamente o português. Testemunhas contam que a agressora só parou quando outros comerciantes e pessoas que passavam pelo local a contiveram. De acordo com o portal, a mulher sofre de esquizofrenia.

“Ganho dinheiro e mando para meus pais, minha mulher e meu filhos, que continuam no Senegal. Só estou aqui para trabalhar, só para isso”, relatou a vítima, que mora com mais outros três senegalenses em um pensionato. Logo após o episódio, Ndiaye foi abordado por uma idosa que lhe pediu desculpas pelo ocorrido. Confira no vídeo abaixo:

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11 Sep 18:25

“Querem tirar a Dilma para roubar mais”, diz Gregório Duvivier a TV portuguesa

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