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11 Sep 12:56

Cinco mil refugiados quantos são?

by noreply@blogger.com (Nuno Serra)
Entre as reacções mais ou menos difusas de rejeição do acolhimento de refugiados em Portugal, que assentam genericamente na xenofobia militante, no preconceito infundado ou no simples sentimento de medo que a desinformação alimenta, encontra-se a questão da suposta incapacidade e inoportunidade para que o nosso país acolha um número digno (isto é, à altura da catástrofe humanitária a que estamos a assistir) de famílias e de pessoas que fogem da guerra, da perseguição e da morte. Talvez valha por isso a pena nesta matéria - e sem perder de vista o plano mais importante, dos princípios elementares de dever moral e humanista em acolher refugiados - lembrar a nossa história recente e fazer algumas contas simples.


1. Em apenas dois anos (1974 e 1975) chegaram ao nosso país entre 500 a 600 mil pessoas (gerando um aumento da população residente, entre 1973 e 1976, na ordem dos 8%). Num curto espaço de tempo, uma sociedade saída de uma ditadura e exaurida pela guerra, pelo subdesenvolvimento e pela pobreza consegue integrar, sem convulsões relevantes, meio milhão de pessoas. Perante estes valores e esse contexto, os cerca de cinco mil refugiados que se espera cheguem a Portugal nos próximos tempos não chegam a representar 1% das entradas registadas nos anos da transição para a democracia.

2. Em cinco anos, entre 2010 e 2014 - e em resultado das políticas de austeridade e de uma emigração massiva - Portugal perdeu 172 mil habitantes (cerca de -2%). Isto é, um valor que contrasta com o aumento de população verificado nos cinco anos anteriores, de 2006 a 2010, na ordem dos 51 mil residentes. E que inverte a tendência para o aumento regular da população, a partir do início dos anos noventa. Perante estes valores, os refugiados que se espera sejam acolhidos no nosso país não chegam sequer para compensar 3% da sangria demográfica causada pela austeridade e pelo empobrecimento.

3. Projeções europeias para 2080 apontam para que Portugal tenha menos de dez milhões de habitantes até 2030, menos de nove milhões até 2050 e que perca um quarto da sua relevância na população europeia até 2060. Estima-se que existam mais de cinco milhões de portugueses espalhados pelo mundo, o que faz com que Portugal apresente actualmente a «taxa de população emigrada mais elevada da União Europeia (UE28)» e seja o sexto país em termos de número de emigrantes. Os refugiados que se preparam para entrar no nosso país representam cerca de 0,02% face aos cinco milhões de portugueses da diáspora.

E porque a questão constitui fundamentalmente um desafio para a Europa, deve sublinhar-se também que a estimativa de 400 mil refugiados (correspondente ao número de pedidos de asilo registado em todos os países da UE nos primeiros seis meses de 2015), representa cerca de 0,08% da população europeia. Ou seja, como bem lembra o Alexandre Abreu, estamos a falar de «um refugiado por cada 1250 habitantes».

09 Sep 00:30

Aloysio Nunes e o milagre da invisibilidade tucana: nem uma única, mísera citação nas manchetes expostas nas bancas

by Luiz Carlos Azenha

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Da Redação

Podemos chamar de “milagre da invisibilidade tucana na mídia”.

Leiam, primeiro, as manchetes de primeira página no Agora (extrema-esquerda) e Estadão (extrema-direita).

Depois, no miolo, a primeira página, a interna e o detalhe publicados pela Folha de S. Paulo.

A investigação do senador tucano Aloysio Nunes, que não é um quadro qualquer do partido, não apareceu nas manchetes, que se concentraram em “Dilma” e no “Planalto”. No caso da Folha, mereceu uma notinha no pé da “reportagem”, um texto que equivale quase a um pedido antecipado de desculpas pela publicação: “Não está claro, por exemplo, se os recursos [doados a Aloysio] seriam provenientes de corrupção na Petrobras”.

Como diria um colega blogueiro, “quá, quá, quá”.

Para Aécio Neves, tudo não passou de um engano (como no caso dele mesmo em Furnas ou de seu braço direito Antonio Anastasia na Lava Jato):

Declaração do senador Aécio Neves, presidente nacional do PSDB

O PSDB recebeu com surpresa a abertura de inquérito sobre as contas da campanha de 2010 do senador Aloysio Nunes, um dos mais combativos líderes da oposição no país.

O PSDB, apesar de não temer qualquer tipo de investigação, chama a atenção para o risco dessas investigações desviarem-se do seu foco principal, que é a responsabilização daqueles que, no PT e partidos aliados, montaram um complexo esquema de corrupção que assaltou os cofres da Petrobras e financiou a manutenção desse grupo no poder.

O senador Aloysio Nunes, cuja biografia é reconhecida e respeitada até mesmo por seus adversários, foi um dos primeiros a denunciar toda essa operação da qual, por razões óbvias, jamais poderia ter participado.

Aguardaremos com serenidade o desenrolar desse processo, atentos a que ele não fuja de seu real objeto.

Senador Aécio Neves
Presidente nacional do PSDB

PS do Viomundo: Como ninguém mais — a não ser os mais velhos —  lê jornal, o que mais aparece são as manchetes nas bancas…

Leia também:

Doações de empreiteira a Aloysio Nunes não constam no site do TSE

O post Aloysio Nunes e o milagre da invisibilidade tucana: nem uma única, mísera citação nas manchetes expostas nas bancas apareceu primeiro em Viomundo - O que você não vê na mídia.

09 Sep 00:23

Por qué los países del Golfo se niegan a acoger a refugiados sirios

by Iñigo Sáenz de Ugarte

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Turquía, Arabia Saudí y Qatar han sido los países de Oriente Medio que más ayuda han prestado a los insurgentes sirios. En 2014 el Financial Times hizo una estimación de los fondos concedidos por Qatar, que se elevaba a 3.000 millones de dólares. No sería extraño que en el caso de Arabia Saudí la cifra esté a ese nivel o incluso superior.

Son por tanto contribuyentes netos a una guerra que se prolonga desde 2011 y que ha destruido gran parte del país. Turquía ha tenido que recibir a casi dos millones de refugiados, ¿pero cuántos han acogido los saudíes y los demás países del Golfo Pérsico? Según un comunicado de Amnistía Internacional que ha tenido una amplia difusión, Arabia Saudí, Qatar, Emiratos Árabes Unidos, Kuwait y Bahréin se han ofrecido a albergar a cero refugiados. No es la primera vez que Amnistía lo denuncia. Ya lo hizo a finales del año pasado.

De entrada, no debería extrañar a nadie. Son países que no han firmado la Convención de Refugiados de 1951 (en la región el único que lo ha hecho es Yemen), cuentan con una numerosa población de trabajadores extranjeros que carecen de los más elementales derechos laborales, y su prioridad en relación a Siria empieza y termina en acabar con el régimen de Asad por ser un estrecho aliado de Irán.

Los extranjeros son vistos con desconfianza en estos países. Se ocupan de los empleos que los locales no quieren asumir y nunca tendrán derecho a conseguir la ciudadanía. En décadas anteriores, países como Arabia Saudí, Kuwait o los Emiratos acogieron a miles de inmigrantes, entre los que había muchos profesores, abogados e ingenieros egipcios, palestinos o sirios con ideas cercanas a los Hermanos Musulmanes. Tuvieron una influencia importante en la sociedad que los gobernantes de estas teocracias feudales terminaron considerando peligrosa. Hay un tipo de xenofobia que por razones políticas o religiosas está muy extendida en esos estados.

Con respecto a la preocupación por la población civil en tiempo de guerra, lo que mejor les define, por utilizar un caso reciente, es la intervención militar de Arabia Saudí y Emiratos en la guerra de Yemen, a la que ahora se ha unido Qatar con un millar de soldados de infantería. La campaña de bombardeos contra las milicias huzíes (chiíes), iniciada en marzo, ha incluido ataques indiscriminados contra zonas civiles con decenas de muertos en varios de ellos. Hospitales, escuelas y mezquitas han sido destruidos.

Que no haya refugiados reconocidos como tales en los países del Golfo Pérsico no significa que no haya ahora mismo sirios viviendo allí. Es muy probable que sirios con dinero y contactos (a los que llaman “refugiados cinco estrellas”) hayan conseguido visados temporales en el Golfo, sobre todo si ya había familiares suyos que pudieran firmar por ellos. Otros han terminado allí huyendo de la guerra. ¿Cuántos? Es difícil saberlo.

Al surgir la polémica en los últimos días, los gobiernos del Golfo y los medios que financian se han apresurado a afirmar que no hay tal falta de solidaridad. Un profesor de Ciencias Políticas de los Emiratos afirma en un artículo en el NYT que en ese país hay 160.000 sirios. No hay pruebas de eso. El embajador saudí en Londres alega que han acogido a un millón, una afirmación no ya difícil de creer, sino ridícula.

Como explica este artículo, sí hay sirios trabajando en esos países, algunos desde antes de la guerra, pero la corrupción del sistema y el secretismo oficial impiden saber cuántos son. El sistema de “patrocinio” de los inmigrantes (sólo pueden viajar con un contrato concedido por una empresa o agencia de colocación) fomenta que en la práctica esté muy extendido el soborno: los trabajadores pagan una cantidad por un visado que no les garantiza un puesto de trabajo legal, y sí ser explotados.

Al contrario que en Europa, los países del Golfo no tienen problemas en recibir a los que podríamos llamar “inmigrantes económicos” para ocupar ciertos puestos en la economía local, pero no a refugiados que aspiran a iniciar una nueva vida y que quizá nunca puedan volver a su país. Los últimos tendrían derechos que los gobiernos no están dispuestos a conceder.

ACNUR sólo tiene registrados 417 refugiados en los Emiratos. O 561 en Arabia Saudí.

Lo que sí hacen estos países es tirar de talonario. Kuwait es el tercer máximo donante mundial en el fondo de ayuda a los refugiados sirios organizado por la ONU (datos a 8 de septiembre). Ha entregado 304 millones de dólares, aunque prometió  aportar 219 millones más. Los Emiratos han desembolsado 29,9 millones y Arabia Saudí, 18,3 (en ese listado España aparece con 4,3 millones). Los Emiratos financian la asistencia a un campo de refugiados en Jordania en el que hay 4.000 refugiados. Son cifras relevantes, pero en absoluto suficientes para afrontar estas gigantescas necesidades. Ha ocurrido varias veces que las agencias de la ONU han tenido que recortar la ración diaria de alimentos que dan a muchos refugiados en zonas de Turquía o Líbano porque no cuentan con los fondos suficientes.

Por tanto, sí hay sirios viviendo ahora en países del Golfo Pérsico, pero el número de refugiados reconocidos como tales se acerca a cero. Acoger a personas que huyen de una guerra no es sólo un acto de caridad, sino una obligación legal según los tratados internacionales suscritos por la mayoría de países del mundo. Esos acuerdos exigen reconocer ciertos derechos a los refugiados, y eso es algo que las dictaduras del Golfo no están dispuestas a admitir.

Foto: el príncipe heredero saudí Mohamed bin Salman en una visita a Jordania el 4 de agosto.

09 Sep 00:16

Ficção científica, essa coisa perigosa!

by Lady Sybylla
Eu sempre disse que ficção científica é um gênero literário completo. É um grande guarda-chuva onde tudo pode caber e cabe. É um gênero que sempre trabalhou com complexas questões de política, questões sociais, de representatividade. Talvez seja exatamente por essa capacidade de se trabalhar com questões tão complexas que o FBI investigou Ray Bradbury e outros autores de FC.


Siga a @Sybylla_


O FBI (Federal Bureau of Investigation, aquele mesmo de Arquivo X) esteve na cola de Bradbury em dois momentos, com uma década de diferença. Ray Bradbury, o celebrado autor de As Crônicas Marcianas e Fahrenheit 451, era conhecido como um autor de ficção científica proeminente e roteirista para televisão e filmes, em 1959, tendo vendido milhões de cópias de seus livros pelo mundo.


O arquivo dele é composto por relatos de informantes, anônimos ou não, que buscavam pêlo em ovo ao analisar o autor. Não somente Bradbury, mas Isaac Asimov e Philip K. Dick também têm seus arquivos no Bureau. O arquivo de Dick, por exemplo, fala mais da paranoia dele com outros autores de ficção científica do que com sua obra em si. Em 1959, Martin A. Berkeley, ex-membro do Partido Comunista e informante do governo, disse que:

(...) alguns escritores de ficção científica criaram fantasias a respeito da impossibilidade de tratar de assuntos do cenário mundial... por meio de histórias futuristas envolvidas com as potencialidades da ciência.

Para Berkeley, a ficção científica era um campo lucrativo para a introdução de ideologias comunistas. Os arquivos de Bradbury não sugerem que ele tenha sido incentivado por qualquer tipo de ideologia, mas que seu trabalho era capaz de perturbar de várias maneiras vários dogmas estabelecidos. As Crônicas Marcianas, por exemplo, foram acusadas de mostrar terráqueos como espoliadores e controladores, não pessoas capazes de desenvolver um lugar. Interessante notar que os soviéticos chegaram a banir The Fireman, obra que deu origem a Farenheit 451.

E é aí que olhamos para a ficção científica como uma forma de não apenas entreter. Mas de - parafraseando Star Trek - explorar novos mundos, novas civilizações e audaciosamente ir aonde ninguém jamais esteve. Ficção científica é sobre o incômodo com as coisas e a ordem do mundo, é tentar fazer algo diferente, divertindo e informando o leitor. A FC nunca foi apolítica, ela sempre esteve de um lado ou de outro, mostrando fantásticos mundos e seres, discutindo assuntos terrenos com grande propriedade.

O problema é que sempre que alguém tenta fazer algo diferente, apenas pelo prazer de sair da mesmice, de poder ver escrito coisas que sempre quis, de querer ver uma FC muçulmana ou feminista, de querer ver enredos afrofuturistas, só de ser um autor destes grupos marginalizados, já é uma afronta. Somente por ser e existir, algumas pessoas entendem que aquilo já é um manifesto. E sim, existem obras que sejam, mas na grande maioria os autores estão apenas colocando sua visão de mundo nas obras, algo que irrita profundamente os mais conservadores.


Isso [a investigação sobre Bradbury] serve como um lembrete de que a ficção científica, até mesmo a mais popular, nunca foi somente para entreter. (...) Os Puppies não estão irritados com o que a ficção científica se tornou, eles estão desconfortáveis com o que ela sempre foi.

Jacob Brogan

Ficção científica sempre nos obrigou a pensar diferente. Os Puppies e todos os seus apoiadores, diretos e indiretos, apenas demonstraram que conhecem pouco a ficção científica e que não entendem o que ela significa. Há espaço para todo mundo aqui, por que somente um grupo quer ter o privilégio de produzir e ainda por cima ganhar prêmios? Não faz sentido segregar o diferente quando ele sempre fez parte deste universo.

Na verdade, alguns fãs se tornaram mais conservadores, enquanto a ficção científica sempre foi um espaço de exploração. E nem sempre um enredo que explore a diversidade humana é ideologicamente inclinado para algum lado político. É por isso que estes painéis de votação dos Puppies não fazem nenhum sentido.

Até mais!



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08 Sep 13:34

E então Cunha falou o que a classe média queria ouvir. Por Mauro Donato

by Mauro Donato
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“Muitos programas sociais vão ter que acabar, não tem outro jeito”.

Finalmente Eduardo Cunha disse o que as classes média e alta tanto queriam ouvir. Pelo meu palpite, depois de um pronunciamento desses, se Cunha se candidatasse à presidência da república hoje seria barbada.

“É preciso ter arrecadação de impostos para sustentar tudo isso. A sociedade vai ter que decidir se quer manter esses programas. Para isso, é preciso aumentar impostos, o que vai ser difícil de passar no Congresso. Será necessário, então, fazer uma opção”.

É batata, quando se fala em impostos a classe média tem urticária.

Ela, que se vê como independente do estado, afinal já paga tudo em regime de iniciativa privada (escola, plano de saúde, transporte – que é em forma de financiamento do carro – plano de previdência privada) engole facilmente esse discurso.

Não quer nem 0,01% a mais de encargos, comete suas sonegações que considera menores e inocentes (afinal, quem nunca) e depois passa o resto do tempo dizendo que já paga muito e não tem nada em troca.

Ela concorda e assina embaixo que os programas sociais são apenas e tão somente  fábricas de vagabundos, mas revolta-se com cortes no Ciência sem Fronteiras, em que muitos de seus filhos foram enviados ao exterior para estudar.

Trata seus empregados domésticos em regime de semi-escravidão mas posta nas redes sociais que acha “um absurdo” terem barrado o negro Carl Hart na entrada de um hotel. Além de ter sido um boato, essas pessoas nunca tinham ouvido falar no neurocientista norte-americano. Se ouviram, certamente não concordam com as idéias dele sobre o crack e se o encontrassem na rua durante a noite, com aquelas tranças rastafari e roupas informais, mudariam de calçada.

Refiro-me à classe média como um grupo homogêneo. Generalizo, claro. Ela tem indivíduos esclarecidos e bem intencionados, mas no seu bojo, quando pensa em grupo, é retrógrada, xenófoba e racista. Infelizmente.

E como se não bastassem todos esses “pequenos defeitos”, é desinformada o suficiente para adotar os Cunhas, os Bolsonaros, os Aécios como exemplos de correção.

Para muitos políticos, ser citado na operação Lava Jato significa receber imediatamente sentença de culpa. Afinal, o delator afirmou, quem irá desmentir? Se Julio Camargo da Toyo Setal alega que Eduardo Cunha recebeu pelo menos 5 milhões de dólares, é um dedo-duro e não tem credibilidade.

Todo o escândalo da Petrobrás teve a anuência de Dilma, roubo da quadrilha do PT, o conchavo das empreiteiras financiadoras de campanha. Nenhum desses raciocínios se aplica a Geraldo Alckmin e seu encalhado metrô. As empresas contratadas pelo tucanato paulista pagarão alguma multa e ficarão como as únicas vilãs de todo o esquema.

Na semana da independência, quando a classe média está achando maravilhoso o discurso rasteiro do “cantor” Fabio Junior em Nova York e replicando nas redes sociais com comentários do tipo “Lindoooo!!!!”, poucos sabem que PT, PSOL, PcdoB, votaram favoravelmente ao fim do financiamento empresarial de campanha. Os votos para manutenção desse sistema vieram dos partidos de direita que hoje puxam a gritaria de “Chega de corrupção”.

Eduardo Cunha e companhia podem ser citados e passam ilesos. Continuam a ter os microfones abertos para uma mídia desonesta que fala a língua da tal classe média com técnica minuciosamente pensada. Basta ver o perfil dos pré-candidatos à prefeitura de São Paulo.

Eduardo Cunha para presidente! Eu, para refugiado na Macedônia.

 

06 Sep 18:26

A minha empregada era quase da família

by Leonardo Sakamoto

“Que horas ela volta”, de Anna Muylaert, é um filme obrigatório pelo incômodo que provoca ao discutir as mudanças sociais através das relações de uma trabalhadora empregada doméstica, seus patrões, sua filha e o filho deles. E, ao mesmo tempo, por ter a coragem de lembrar de falar em esperança nesses tempos em que achamos que qualquer luz no fim do túnel pode ser um trem.

O Brasil gosta de se comportar como uma sociedade de castas. Não de forma escrachada (a elite social, econômica, política, intelectual não aprecia nada muito cru). Preferimos um cozido de relações em que todos pareçam viver em paz – desde que, é claro, cada um saiba (e fique em) seu lugar. Daí, para provar o contrário, essa elite mostra à exaustão a história do Joãozinho, que comia biscoitos de lama e andava na miséria plena e, que por conta própria, sem a ajuda de ninguém, estudou e virou diretor de uma multinacional – como se a exceção fosse a regra.

Uma sociedade em que as correntes que mantém a exploração trabalhista deixam de ser feitas de ferro, passando a ser incutidas diretamente na cabeça dos explorados. A ponto de muitos deles defenderem essa exploração, criticando os “badereneiros” que vão contra as regras sociais. Mesmo que essas regras não tenham sido democraticamente discutidas, mas impostas pela tradição – de cima para baixo.

Participei de um bate-papo com a diretora mediado pela jornalista Natália Engler, na TV UOL, nesta sexta (4). A íntegra pode ser vista aqui. Não vou me alongar sobre o filme porque acabarei cometendo um spoiler. Se não quiserem vê-lo  pela temática, vejam pela Regina Casé que está excelente no papel de Val, a empregada.

Aproveito para elencar alguns pontos que já trouxe aqui, mas acho pertinente retomar por conta do filme.

Durante as discussões sobre emenda constitucional que elevou os direitos das trabalhadoras empregadas domésticas para um patamar mais próximo do restante da população, lemos e ouvimos um festival de preconceitos. O que foi ótimo para nos lembrarmos do que somos feitos de verdade e o tanto que falta ainda para que possamos nos olhar no espelho sem sentir vergonha.

Ainda hoje, escutamos ecos de reclamações de senhoras e senhores sobre o inferno no qual mergulharam suas vidas a partir do momento que “essa gente” passou a achar que era “igual a eles”. Alguns exemplos coletados (na vida real, não no filme):

– Pedi para a mocinha que trabalha lá em casa ficar mais duas horinhas porque o Arnaldo ia se atrasar do tênis e ela disse que não. Disse que tinha os filhos em casa. E os meus?

– Ela não quis trocar a folga. Disse que tinha marcado uma viagem. Agora, esse povo viaja!

– Deve ser enchente. Ela, apesar de morar na favela, é mulher honesta, nunca falta.

– Pediu demissão e se foi. E tá me processando por direitos! Eu que a tratava como uma filha.

– Não são que nem nós, que tivemos criação.

– Ela disse que não quer mais dormir no quartinho dela porque é fechado e não tem janela. Na favela dela, também não deve ter…

É incrível o ressentimento de alguns por terem sido obrigados a ceder um tiquinho à qualidade de vida dessa gente “que não sabe o seu lugar”, como é possível ver na timeline de muitos “homens e mulheres de bem”.

Seja na superfície, através de piadinhas, risinhos, ironias e preconceitos, seja estruturalmente, pela impossibilidade de ir a um hospital sem enormes filas, estudar em uma boa escola, voltar para casa com conforto, viver em um bairro com saneamento básico e ter a certeza de que os filhos chegarão à idade adulta, já passamos o recado de quem manda e quem obedece.

Detesto acordar de manhã com um especialista no rádio ou na TV dizendo que não é o momento de garantir direitos a determinada categoria de trabalhadores porque a economia não aguenta, vai gerar mais informalidade, as estruturas do país não suportam esse luxo ou porque o bagre-de-cabelo-moicano não se reproduziu ainda este ano.

Reclamam que isso vá gerar uma hecatombe sobre as contas previdenciárias – mas na hora em que precisam de alguém para fazer o trabalho sujo por eles ninguém fala nada. Se ignorarmos os direitos desses trabalhadores, estamos considerando que uma sociedade pode aceitar basear o seu crescimento sobre o esfolamento de um determinado grupo.

A Organização Internacional do Trabalho demorou meio século para conseguir aprovar uma convenção sobre os direitos das trabalhadores empregadas domésticas. A civilizada Europa precisava de mão de obra barata, mas não queria garantir aos imigrantes os mesmos direitos de quem nasceu no continente. Através dessa exploração do trabalho informal, regulava o custo de vida em várias economias.

Como já disse aqui, incomodo-me bastante que muitas plantas dos apartamentos no Brasil ainda tenham o “Quarto de Empregada” destacado, ao lado da cozinha e da lavanderia – versão contemporânea da senzala. Pode parecer besta, mas isso é carregado de simbolismo e, portanto, fundamental, herança da escravidão oficial, que moldou o nosso país.

Aquele tantinho de espaço ao lado das vassouras, rodos e produtos de limpeza, destinado à criadagem me irrita. Se ela tiver que dormir no serviço, deveria compartilhar um espaço mais digno. Um quarto de hóspedes, por exemplo.

– Ela é quase da família.
– Você colocaria seu filho para dormir no quartinho de empregada?
– Não. Mas que comparação boba. É diferente.

O problema é que a realidade social brasileira, bem como o diabo, vive no “quase”.

Somos quase um país justo.

Conseguimos ser quase civilizados.

A dignidade aqui é quase respeitada.

A gente quase trata pobre como gente.

06 Sep 18:23

Los británicos no quieren más refugiados

by Iñigo Sáenz de Ugarte

refug sirios

Es poco probable que los británicos reciban con aplausos a los refugiados sirios que lleguen al país, como ha ocurrido en Alemania y Austria. Años de xenofobia y desinformación en los medios de comunicación conservadores y promesas absurdas de los políticos han dejado su huella (lo que por otro lado también se puede apreciar en otros países europeos, en especial en Europa del Este).

No increase in Syrian refugee numbers – public http://t.co/AHSOp92969 pic.twitter.com/Tl9OLzWd1B

— YouGov (@YouGov) September 6, 2015

La encuesta de YouGov indica que los británicos no quieren aumentar el número de refugiados (datos completos del sondeo, aquí), como parece probable que decida el Gobierno de Cameron. El trabajo de campo se hizo después de que periódicos y canales de televisión ofrecieran la imagen del niño kurdo muerto en una playa de Turquía. Esa foto hizo que los tabloides Daily Mail y The Sun pidieran en sus portadas que el Gobierno hiciera más en favor de las personas que huyen de la guerra. Es una amarga ironía que sean estos dos periódicos, en especial el Mail, los que más azuzan a la opinión pública contra los inmigrantes extranjeros con el argumento de que suponen una amenaza a la estabilidad económica del país.

Inmigrantes y refugiados se confunden en la mente de los británicos. Ambos son seres humanos, pero es cierto que su estatus legal y las obligaciones de los gobiernos europeos hacia ellos son diferentes.

Un sondeo de Ipsos demostró en 2014 el nivel de la paranoia en el Reino Unido en relación a la inmigración y a todo aquello que suene a extranjero. Hay un 5% de musulmanes en el país, pero los encuestados pensaban que eran el 21% (los datos no son muy distintos en otros países europeos). Creen que hay un 24% de inmigrantes (personas nacidas en otros países, incluidos los europeos) cuando la cifra real es 13%.

El ministro de Hacienda, George Osborne, ha dicho hoy en BBC que Gran Bretaña debe hacer mucho más por los refugiados. Es un caso en el que si los políticos no muestran liderazgo, es poco probable que la opinión pública cambie de opinión.

Esta crisis es una buena oportunidad para comprobar cómo han evolucionado algunas sociedades europeas o cómo la historia británica arroja otro tipo de ejemplos. Jon Snow da el ejemplo de lo que ocurrió en 1972 en Uganda. Idi Amin anunció la expulsión en tres meses de toda la población de origen asiático. Gran Bretaña acogió a 27.000 personas en una movilización general en la que participaron varias instituciones. Es absurdo pretender que en esa época la economía británica estaba en mejores condiciones que ahora para realizar ese esfuerzo. Más bien, ocurre lo contrario. A mayor prosperidad, mayor egoísmo basado en sensaciones subjetivas e información falsa.

Ahora la respuesta más extendida es apostar por la guerra para afrontar esta crisis humanitaria. Un 52% en esa encuesta de YouGov está a favor de una mayor implicación militar del país para poner fin a la guerra de Siria (se supone que piensan en la lucha contra ISIS cuando ni siquiera eso serviría para acabar con el conflicto). Es otro caso de ignorancia que no sólo olvida el papel irrelevante de las fuerzas militares británicas en las guerras de Irak y Afganistán sobre el terreno, sino la realidad actual.

As UK debate on bombing IS in Syria gears up, let’s remember the RAF is too small now to add much (maybe 4-6 jets) to its current efforts

— Mark Urban (@MarkUrban01) septiembre 6, 2015

Una solución ‘mágica’ para acabar con la guerra pasa por tanto por bombardear Siria con aviones que no tienes. No es extraño que los menos dispuestos a acoger refugiados sean los más interesados en una intervención militar. Permite mantener la ilusión de que se puede poner fin a una tragedia de dimensiones incalculables sin que ningún extranjero cruce la frontera de tu país.

Foto: refugiados sirios rescatados este fin de semana por la Guardia Costera chipriota a su llegada a un centro de acogida cerca de Nicosia.

18.00

The Sun siempre se supera cuando piensas que no se puede caer más bajo a la hora de manipular los sentimientos. Pide bombardear Siria “por Aylan”.

"Bomb #Syria for Alan" pic.twitter.com/lQE6ZXhKAe

— Firat G (@FiratG1) septiembre 6, 2015

06 Sep 13:48

Como é a “Casa de Pedra” e seu papel na Lista de Furnas. Por Joaquim de Carvalho

by Joaquim de Carvalho
A "Casa de Pedra", em BH, onde teria sido entregue propina

A “Casa de Pedra”, em BH, onde teria sido entregue propina

Esta reportagem é um teaser do novo projeto de crowdfunding do DCM sobre a Lista de Furnas. Entre aqui para conhecer e participar.

 

A casa de número 50 da avenida Eurico Dutra, no Belvedere, um bairro de classe média alta da capital mineira, onde Aécio Neves teve 90% dos votos válidos da última eleição, é o que se poderia chamar de uma fortaleza.

Ela pertence à prima de Aécio, Tânia Guimarães Campos, que mora ali com o marido, um construtor de obras públicas. Nesta casa, o ex-policial federal Jayme Alves, conhecido como Careca, teria entregue R$ 1 milhão de reais, dinheiro de propina, a um homem muito parecido com o senador Antônio Anastasia, ex-governador de Minas Gerais.

A denúncia da propina já era conhecida desde que a Polícia Federal ouviu em depoimento o ex-policial Jayme, mas a história perdeu força quando o procurador-geral Rodrigo Janot determinou o arquivamento da investigação contra Anastasia, por considerar os indícios insuficientes para a abertura de um processo.

Há dias, vazou a informação de que a PF pediu ao ministro do STF Teori Zavaski que mantenha a investigação, contrariando a manifestação do procurador-geral, pois teriam surgido fatos novos. Que fatos novos são estes? A casa de Tânia Guimarães é um deles. Mas isso basta para reabrir a investigação?

O PSDB já divulgou nota na mesma linha de defesa usada em situações em que se viu em apuros. É tudo armação, Aécio é vítima. No caso da Lista de Furnas, o partido divulgou a versão de que a Lista era falsa. O tempo e a perícia da Polícia Federal provaram que não. A lista era autêntica.

E o que tem a casa da prima de Aécio que pode complicar a vida de seu grupo político? Há na sua fachada muitas câmeras que registram a entrada e saída de qualquer pessoa. Um ex-aliado de Aécio, que já freqüentou o local, diz que o problema não são as câmeras externas, mas as internas.

“A casa é um Big Brother, tem câmera para todo lado, até no quarto do casal, mas essas câmeras são voltadas para a porta e para o banheiro, não para a cama”, conta.

Há câmeras nas salas, nos corredores e no escritório. Uma central, que funciona fora do imóvel, pode gravar tudo o que se passa ali. Isso é fato. O ex-aliado de Aécio, que hoje não priva da intimidade da família, diz que a fonte da informação da Polícia Federal é uma mulher que trabalhava na segurança do imóvel.

Ela teria o registro do encontro de Anastasia com o ex-policial na casa de Tânia e teria tomado a iniciativa de enviar diretamente ao Palácio do Planalto um email com a reprodução de alguns alguns quadros da imagem gravados pelo circuito interno. É esse email que teria sido enviado ao Ministério da Justiça e daí à Polícia Federal.

Fato também é que, além das câmeras, a casa é conhecida pelas festas. Um vizinho contou que já viu ali, além de Aécio, Ronaldo Fenômeno, Luciano, da dupla Zezé di Camargo, Luciano Huck (sem Angélica), e ex-jogadores como Palhinha, Piazza e até Rivelino. “É uma casa freqüentada por celebridades”, diz o vizinho.

Tentei conversar com Tânia Guimarães Campos. Apertei a campainha e cães começaram a latir. Deu para ver por uma fresta do portão de madeira que eram buldogues brancos. Logo depois, uma mulher apareceu no muro para dizer que Tânia e o marido viajaram e só voltam depois do feriado.

No trabalho de apuração da Lista de Furnas, a casa da prima de Aécio pode voltar a aparecer, porque, tanto naquele caso quanto no de Anastasia, o doleiro Alberto Youssef é a assombração que tira o sossego do grupo político que fincou raízes no estado e esparramou-se pelo Brasil.

 

casa de pedra

 

05 Sep 19:38

REPÚDIO E CAMPANHA DE BOICOTE AOS SHOWS DE UM MÚSICO MISÓGINO

by lola aronovich
Publico aqui uma nota de repúdio que me foi enviada por uma feminista que vejo com frequência em João Pessoa e Brasília.
A nota foi feita "depois que umas 40 mulheres se reuniram virtualmente para fazer algo em relação às frequentes demonstrações de machismo e misoginia de um músico paraibano, que voltou recentemente para o Estado, fazendo show em vários lugares e declarando coisas cada vez mais horríveis nos shows e nas redes sociais".

Esta nota tem o intuito de expor publicamente a postura machista do cantor Fábio Sacal, conhecido na cena independente paraibana por cantar ragga dancehall. Esse cantor vem reforçando opressões que atingem milhares de mulheres todos os dias em todo o mundo e por isso, nós não poderíamos deixar que agressores como ele sejam protegidos ou que divulguem suas ideias facilmente! 
Sacal contra feministas
Essa nota de repúdio é uma maneira de não permitir que machistas (pessoas que são defensoras do machismo, que não aceitam a igualdade de direitos entre o homem e a mulher; que se gabam da sua masculinidade e acreditam na superioridade das características tipicamente masculinas) misóginos (misoginia é o ódio, desprezo ou repulsa ao gênero feminino e às características a ele associadas; está diretamente ligada à violência contra as mulheres e meninas) circulem impunemente nos espaços sem que haja nenhum tipo de questionamento.
Um artista que foi influenciado por movimentos de contracultura como skate, hip-hop e rap acabou se tornando apenas mais um que não conseguiu sair da sua zona de conforto e partir para discussões que fujam do pensamento normativo da sociedade. O que vemos em seu trabalho são reproduções e discursos de ódio. O mais do mesmo.
Sacal: homens no fogão, mulheres na pia
Nós acreditamos na luta pela igualdade de gênero e no poder da influência da cultura na transformação social. A arte é o exercício experimental da liberdade, vai muito além de uma forma de sobrevivência para o artista, é também uma forma de manifestação. Não podemos nos calar ou ficar na neutralidade diante de posturas como essas que reforçam o machismo e a opressão da sociedade.
Acreditamos que a música deve estar a serviço da libertação das pessoas, sejam elas mulheres, homens, negrxs, LGBTs, da periferia ou ainda de setores oprimidos e explorados por esse sistema injusto e desigual! Por isso, nossa atitude não poderia ser outra: REPUDIAMOS O COMPORTAMENTO, COMENTÁRIOS E A MÚSICA MACHISTA E MISÓGINA DE SACAL.
Sacal contra cotas p/mulheres
Além das postagens feitas publicamente em seu perfil pessoal no Facebook, existem relatos de chantagem, ameaça e agressão por parte de Fábio Sacal. Abaixo exibimos alguns posicionamentos machistas e misóginos que foram publicados por ele abertamente na internet – lembrando que isso é apenas o que conseguimos ver:
1. Coloca o feminismo como sendo o oposto de machismo (ao invés de ser a luta por direitos iguais);
2. Ridiculariza as tarefas domésticas, por ele destinadas às mulheres, chamando-as de “entediantes/ mecânicas/ acefalóides”;
3. Ridiculariza homens que se colocam em apoio ao feminismo;
4. Mesmo tendo histórico de pichação, ele expôs a imagem de garotas fazendo intervenção urbana em uma marcha feminista, classificando-as como criminosas;
5. Ironiza as cotas e a representatividade das mulheres na política;
Sacal ridicularizando homens que lutam
ao lado das mulheres
6. Em seus últimos shows Sacal tem cantando uma de suas novas pérolas musicais, ela é uma parceria com um grupo musical de Goiana - GO chamado Ragga Rural, e tem chamado a atenção não só das mulheres que são subjugadas e se sentem ofendidas com a letra, mas também do seu velho púbico, que tem se decepcionado e se indignado com a qualidade e as referências que o cantor vem estabelecendo, iniciando de pronto uma campanha de boicote aos shows e às redes sociais do mesmo. Abaixo segue a letra da referida música que está disponível na internet:

Tamo no circo, no meio da mulherada 
E não importa se é gorda ou se é malhada
Eu só não encaro a mulher barbada
Porque a dona comeu ela mermo toda menstruada
Foi atrás do picadeiro que eu comi meu brigadeiro
Mais foi outra guloseimas que eu roubei lá do padeiro...
O palhaço vai vadiar com sua mulher no banheiro
Ladrão de mulher sabe como é
Sou um palhaço malandro, só com roupa de Mané
Adoro uma palhaçada
Lembra semana passada
Que a mulher do PM voltou com a bunda assada
Muitas por mim são laçadas, no palco entrelaçadas
Sacal sobre inspiração para
compor a canção
Solteiras, novas, casadas: todas serão traçadas [...]
Pega as menininhas e dá um chega pra papai
Joga um miguezin ligerin que ela cai
Chega e diz que é a calça folgada que atrai
Tudo que é buraco tu emburaca
Até as beatas viram acrobatas [...]
Leva ela pra casa, quer torar pra carai
Vem que eu te prometo botar só a cabecinha
Pode vir que eu meto até com duas camisinha
Toda apertadinha que nem lata de sardinha
Deixa o palhacinho apertar sua maminha

Convidamos todxs, inclusive o próprio artista, a fazer uma reflexão sobre suas postagens, músicas e atitudes. O machismo não é apenas o que mata ou machuca fisicamente as mulheres, mas também aquilo que se reproduz em frases e pensamentos como esses que identificamos nessa nota, caminhamos para trás. A luta que contribui para o avanço das mulheres e pela igualdade de gênero, por outro lado, não faz nenhum homem retroceder. Esperamos que o artista Sacal possa se retratar publicamente e passe a ser vigilante no que fala e escreve para que não volte a reproduzir o machismo.
#BoicoteSacal #Machistasnãopassarão
Se você, assim como nós, se indignou com os conteúdos dos posts e das letras, convidamos a boicotar os shows e as redes sociais! Repassem para outras pessoas o quanto esse artista é machista e misógino. Não fique aí parado achando que não é com você! A agressão cometida à uma mulher, atinge todxs nós.
Machistas não passarão!
05 Sep 18:08

Justiça mineira “condena” tio de Aécio a devolver dinheiro público com dinheiro público

by Fernando Brito
Da Folha, hoje:   “A Justiça de Minas Gerais autorizou um parente do senador Aécio Neves (PSDB-MG) a quitar uma antiga pendência judicial sem desembolsar um centavo, graças a uma indenização que ele receberá...
04 Sep 17:40

O que afasta as mulheres da política brasileira?

by Diario do Centro do Mundo

Plenário do Congresso

Publicado na DW.

 

Com uma das taxas mais baixas do mundo de participação feminina no sistema político, o Brasil estuda aprovar cotas para aumentar o número de mulheres no Legislativo. Uma proposta de emenda à Constituição (PEC), aprovada em primeiro turno pelo Senado na semana passada, prevê a reserva de 10% dos assentos nas próximas eleições, 12% na seguinte e 16% nas que se seguirem, o que ainda deixaria o país abaixo da média mundial (20%).

Para especialistas ouvidos pela DW Brasil, o projeto, válido para todas as Casas Legislativas – municipais, estaduais, distrital e federais –, é insuficiente para mudar o cenário histórico ínfimo de representação de mulheres nas instâncias de decisão do país.

“As cotas de gênero são fundamentais para a eleição de mulheres, mas se não forem significativas – de 30% a 40% –, têm muito pouco impacto”, afirma Leslie Schwindt-Bayer, da Universidade Rice, nos Estados Unidos, especialista em questões de gênero na política latino-americana.

A taxa de participação feminina no Legislativo brasileiro é menor, por exemplo, que no Conselho de Representantes do Iraque (25%) e no Congresso Nacional argentino (em torno de 35%).

Apesar de a maioria dos eleitores brasileiros serem do sexo feminino, apenas 9,94% dos 513 parlamentares da Câmara dos Deputados são mulheres. No Senado, a representação feminina sobe para 16%. Com números tão baixos, o Brasil aparece na 116ª posição no ranking mundial da União Interparlamentar (IPU, na sigla em inglês), órgão internacional parceiro da ONU, que compila dados sobre parlamentos de 190 países.

Maior representação

A proposta inicial da bancada feminina no Congresso era reservar 30% dos assentos no Legislativo, assim como fez a Argentina, mas o patamar foi rejeitado pela maioria dos parlamentares. O senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), que votou contra a aprovação das cotas, afirmou que a proposta “fere o princípio da soberania do voto”.

De acordo com Schwindt-Bayer, a adoção de cotas de gênero foi decisiva para aumentar a representação feminina no legislativo de países latino-americanos nos últimos 20 anos. Na Costa Rica, onde 33,3% dos deputados são do sexo feminino, a Lei Eleitoral exige que 50% dos candidatos sejam mulheres e não permite que duas pessoas do mesmo sexo sejam incluídas de forma subsequente na lista de candidatos.

O código eleitoral argentino prevê que as listas dos partidos tenham ao menos 30% de candidatos do sexo feminino e, no Parlamento, é obrigatório haver ao menos uma mulher a cada dois homens. No ranking da IPU, a Argentina está apenas duas posições atrás da Alemanha (20º), que conta com um índice de 36, 5% de participação feminina no Bundestag, a câmara baixa do Parlamento alemão.

Ruanda foi o primeiro país do mundo a ter maioria feminina no Legislativo, com 63,8% dos assentos ocupados por mulheres. A Constituição criada em 2003, dez anos após o genocídio, determina reserva de 30% das cadeiras para o sexo feminino. A mudança na lei fez a presença feminina saltar de cerca de 20% para mais da metade dos assentos.

No Brasil, a Lei Eleitoral de 1997 exige que os partidos reservem 30% de candidaturas a mulheres, mas a exigência só chegou a ser cumprida em 2012. “Faltam sanções pelo descumprimento da legislação, o que torna a medida muito frágil”, diz Luciana Ramos, do Grupo de Pesquisa em Direito e Gênero da FGV-SP.

O sistema eleitoral em lista aberta, adotado pelo Brasil, também dificulta a implantação de cotas de gênero. “Uma vez que os partidos não controlam previamente a ordem dos candidatos na cédula, fica difícil assegurar que as mulheres fiquem no topo da lista e ganhem assentos”, diz Schwindt-Bayer.

Nas listas fechadas pré-ordenadas, como ocorre na Argentina, é possível garantir uma cota de eleição de mulheres, já que a ordem de preferência dos candidatos é determinada antes das eleições. “Já na lista aberta, a escolha dos partidos é imprevisível. Esse sistema de representação proporcional não permite uma pré-ordenação, o que dificulta a efetividade das cotas partidárias já existentes no Brasil”, avalia Ramos.

Partidos são maior entrave

Segundo Lucia Avelar, pesquisadora do Centro de Estudos de Opinião Pública da Unicamp, os partidos políticos são a principal barreira para uma maior inserção da mulher na política.

“Os partidos políticos são instituições muito fechadas e ignoram os avanços que as mulheres já fizeram na sociedade”, afirma. “Elas exercem atividades políticas nos bairros, nas ONGs, na sociedade civil de um modo geral e, mesmo assim, continuam sendo brecadas no sistema político.”

Apesar de haver expoentes femininos na liderança política do país, não há correspondência nos partidos. “Toda vez que se aproximam dos partidos, elas têm de ficar num lugar à parte. E na campanha do ano passado, nem Dilma nem Marina Silva trataram da questão.”

A falta de representação feminina no Congresso prejudica a elaboração de políticas públicas e afeta os direitos sociais da mulher, de acordo com Ramos. “Uma das principais pautas prejudicadas é a descriminalização do aborto e também o aumento da licença paternidade”, diz. “A bancada feminina no Congresso acaba se concentrando em questões pouco problemáticas, que não envolvam discussões religiosas e que sejam apartidárias.”

Mesmo sendo maioria entre os filiados nos partidos, de acordo com levantamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as mulheres têm dificuldades em avançar a posições de liderança e recebem pouco financiamento de campanha de grandes empresas.

“As instituições políticas marginalizam as mulheres”, diz Avelar. “A representação política é secularmente um affair masculino, e há uma clara obstrução por parte dos homens. Pouquíssimos conseguem levar ao sistema representativo o universo dos interesses das mulheres.”

04 Sep 14:30

GUEST POST: O QUE O ESCÂNDALO NO CINEMA PERNAMBUCANO NÃO MOSTRA

by lola aronovich
Muita gente comentou sobre uma amostra de machismo ocorrido no sábado, em Recife: num debate sobre Que Horas Ela Volta?, elogiadíssimo filme de Anna Muylaert, dois cineastas, bêbados, tentaram roubar a cena.
Anna Muyalert e Camila Márdila
recebem prêmio no Festival de Sundance
Anna deu uma declaração gentil mas contundente sobre o comportamento dos colegas, seus amigos: "Agiram de maneira infantil e boba, numa atitude de egolatria comum aos homens. Quando viram uma mulher em evidência, precisaram atrapalhar o momento". 
A Fundaj decidiu punir os dois cineastas. Durante um ano, a fundação não passará os filmes deles nem os convidará para eventos. Eu acho justo. Vários coletivos feministas de Recife, também. 
No entanto, toda essa discussão (saudável) sobre o machismo de homens num meio artístico, que deveria ser mais progressista e inclusivo, trouxe à tona um outro escândalo de que muito se fala na cidade. Ou melhor, se cochicha. 
Até agora, nada foi publicado sobre isso, além de um ou outro comentário no Facebook. 
Recebi ontem este email de Renata de Maio -- um nome fictício, mas que os envolvidos no caso devem entender. 

Claudio Asssis e Lírio Ferreira são dois machistas e malucos, que foram grosseiros com a Anna Muylaert e só se fala nisso, na cidade. E o comportamento deles virou escândalo nacional Mas a história que vou contar para vocês é muito pior que as grosserias de dois bêbados mal educados. É uma coisa bem mais séria do que a conduta que tem chocado tanta gente. Envolve cineastas pernambucanos, ao menos três deles [não Claudio nem Lírio]. E envolve também pressão, humilhação e abusos. 
Ninguém diz quando começou, talvez até os participantes mais íntimos não tenham certeza, porque faz mais de dez anos. Era uma lista de e-mails, depois, virou comunidade no Orkut. Chegou ao Facebook e, quando entrou no whatsapp foi que descobriram. A quantidade de vítimas também não se sabe. Mas o grupo de abusadores tem mais de dez homens, todos de Recife, uns mais, outros menos, ligados à cena cultural da cidade e alguns cineastas bem conhecidos. Entre professores, músicos, escritores, jornalistas, criou-se um hábito que só veio à tona porque dois deles foram pegos, enquanto mexiam no seu whatsapp, pelas respectivas namoradas, há menos de um ano. 
Mulheres que fizeram entrevistas para ingressar no elenco de filmes, alunas que seduziram e foram seduzidas, desavisadas, foram fotografadas e filmadas. Enquanto faziam sexo, enquanto estavam tirando as roupas, em momentos íntimos, com alguns desses caras. Sem saber. Sem que algum deles tenha lhes pedido autorização para tanto. E essas imagens eram compartilhadas entre os amigos de misoginia. Um dos caras só queria transar num quarto do apartamento dele. O quarto com câmeras escondidas, depois as meninas ficaram sabendo. 
Os dois desmascarados saíram do grupo de whatsapp. Um deles morre de medo de perder o emprego. Outro é militante feminista, ou diz que é, agora que foi desmascarado, então, virou um feminista de carteirinha de facebook. 
Algumas das vítimas deles conversaram entre si, outras, conversaram com advogadas, ligadas a questões de gênero. Uma foi internada numa clínica psiquiátrica. Nenhuma teve coragem de denunciar, de dizer, em público, o que não se para de comentar, nos bares da cidade e nas mensagens privadas. 
“Eu sou atriz, não vou estragar minha carreira por causa desses escrotos”. 
O silêncio se perpetua na mesma velocidade da fofoca a respeito do grupo de whatsapp. Faz quase um ano que esse grupo começou a ser descoberto. Algumas das vítimas e algumas outras mulheres, advogadas, feministas militantes e jornalistas, tentaram abrir uma discussão, pública, no Facebook. Receberam ameaças, em mensagens privadas. Ameaças de processos, ameaças de não serem lembradas em trabalhos e oportunidades, olhares agressivos, ao vivo, como se dizendo: “me sacaneou, vou te foder”. 
A vida aqui não é muito acolhedora para mulheres, imagine para feministas. A minha geração está começando a mudar as coisas. Somos menos condescendentes e estamos num processo de empoderamento, nesta sociedade patriarcal e autoritária. Mas também somos, ou ainda somos muito desprotegidas e muitas vítimas, na hora “h”, ficam com medo e recuam. 
“Tenho uma profissão para construir”. “Meus pais não vão aguentar ver isso”. 
Uma das mulheres diz que tem prints, que tem a lista do whatsapp, que viu mensagens do facebook, do grupo, lá, dos caras. Nenhum deles foi publicado. Todo mundo sabe, mas ninguém sabe. Recife é muito assim, a violência se perde nos silenciamentos e na maneira como se naturaliza tudo. 
Por conta do escândalo com Claudio Assis e Lírio Ferreira, durante a sessão de estreia do filme de Anna Muylaert, esse assunto voltou para as conversas e para as mesas de bar recifenses, com intensidade. 
E muita gente está incomodada, e vítimas estão entristecidas e revoltadas (embora sigam com medo, ou por isso mesmo?). Membros do grupo de voyeurs, abusadores e cúmplices em geral, de machismo e das violações às imagens e à privacidade de mulheres, estão clamando por justiça contra Cláudio Assis e contra Lírio Ferreira. Alguns defendem o banimento da exibição de seus filmes e defendem que a Fundação Joaquim Nabuco esteja agindo em represália. 
Ontem à noite tinha gente quase indo para as vias de fato, num dos bares da área central da cidade, em defesa e contra os cineastas. Não suportei assistir aquilo e voltei para casa. Foi quando recebi um email, que transcrevo abaixo:
“Sabe o que é foda? É a hipocrisia dessa história toda, a sacanagem que tão fazendo e cara de pau de acusarem uns caras que ninguém leva a sério, quando estão bêbados, para soltar os cachorros. E todo mundo sabe, e a galera toda do cinema sabe, que eles não têm nada a ver com o que aconteceu, sem cachaça nenhuma”. 
Fiquei pensando numa coisa que se parece com o nosso momento político, com o espírito de época, no país, hoje. Os mais de rabo preso são os que mais gritam contra a corrupção do outro. Compartilhar fotos íntimas, sem autorização, não é crime? Dá para acreditar que esses caras fizeram isso e talvez ainda façam e acham que não são machistas nem misóginos? E que podem acusar nas redes sociais os outros, como se ninguém soubesse quem eles são, e a gritarem contra a “impunidade” e a “brodagem” que “protege” Cláudio Assis e Lírio Ferreira? 
O que eu quero com este texto, Lola, não é inocentar ninguém, não é defender machista nenhum. Eu quero é que as pessoas saibam que o que ocorreu, fora dos escândalos, é que é realmente grave. A grosseria pública é uma coisa. O uso de imagens íntimas sem autorização é outra. 
Não vou dizer meu nome, mas sinto que preciso contar às pessoas que o problema é muito mais violento, contra nós, aqui. Por que esse abuso que eu relatei e que todo mundo comentava, ontem, não é tratado como escândalo? Até quando sofreremos e nos sacrificaremos pelo nosso empoderamento?
04 Sep 13:21

A prima de Aécio, Anastasia e o próprio Aécio. Por Paulo Nogueira

by Paulo Nogueira
A prima Tânia com o marido

A prima Tânia com o marido

De uma coisa Aécio não pode ser acusado: de não dar empregos públicos para a família.

Ele passou a campanha toda falando em meritocracia, que é a negação, exatamente, da prática de nomear a parentada.

E é uma prima sua, Tânia Campos, que trabalhou com ele no governo de Minas que irrompe, agora, no caso Anastasia, que a PF quer reabrir depois de Janot mandar arquivar.

O fato novo que justifica a reabertura, segundo a PF, é um email que afirma que dinheiro de propina foi entregue na casa de Tânia para a campanha de Anastasia para o Senado.

É revelador do mundo estranho em que vivemos que, mesmo com tamanha dor de cabeça por causa de dinheiro para campanha, Anastasia tenha votado dias atrás a favor da manutenção das doações de empresas para partidos e candidatos.

Ele e Aécio, e mais todo o PSDB.

Anastasia postou um vídeo-desabafo no YouTube no qual diz estar vivendo um “verdadeiro calvário” com esta história.

Há um ponto que merece consideração nas lamúrias de Anastasia.

Pertencer ao PSDB tem garantido imunidade contra aborrecimentos e investigações. A mídia amiga e a Justiça amiga cuidam de tudo.

E a regra é rompida logo comigo? É do parece se queixar, não sem alguma razão, Anastasia.

Considere seu mentor, Aécio.

Desde que se tornou uma figura nacional, ao disputar a presidência, emergiu nas sombras um Aécio bem diferente do Catão das Minas.

Ninguém investigou com seriedade, por exemplo, o aeroporto mandado construir em terras que eram da família, usado, aparentemente, para facilitar as idas de Aécio à sua fazenda nas redondezas, a “Versalhes” particular, como ele descreveu à revista Piauí.

Nem a Folha, que trouxe o assunto, fez um trabalho decente. Largou a história mal a iniciara, num coitus interruptus jornalístico.

Mais anedótica ainda foi a atitude do Jornal Nacional.

O aeroporto foi desprezado no noticiário como se não valesse nada. Só que na entrevista que o JN fez com Aécio o aeroporto recebeu tratamento de gala.

Aécio poderia ter respondido a Bonner, se estivesse preparado para a pergunta: “Mas, meu querido, se era uma coisa importante, e não uma armação dos meus inimigos, por que vocês não deram?”

O Outro Aécio surge de algo que nem as grandes empresas de mídia e nem a Justiça controlam: a internet. O jornalismo independente que se pratica longe das corporações.

É este jornalismo independente que cobra vigorosamente que as mesmas regras jurídicas e legais aplicadas contra o PT valham também para o PSDB.

O símbolo máximo da blindagem era FHC, cuja emenda de reeleição foi comprada com dinheiro vivo no Congresso, conforme documentou anos atrás a Folha em mais um coitus interruptus investigativo.

Agora FHC foi substituído, como ícone da blindagem total, por Aécio, o cínico que prega a meritocracia mas emprega a parentada como a prima Tânia, agora metida nas investigações da Lava Jato.

02 Sep 20:00

Los asesinos de este niño sirio tienen nombre y apellidos

by rosa maría artal
De todas la terribles imágenes que está dejando el drama de los refugiados, ésta supera -si cabe- al resto. Varios niños sirios han acabado así hoy, como cada día. Esta criatura que precisaba una cuna para dormir, un calor para vivir, ha acabado de bruces en la arena de una playa turca. Muerto. Se llamaba Aylan […]
02 Sep 18:47

Lula foi preso por lutar, em plena ditadura militar, por liberdade de expressão e melhores condições para os trabalhadores

by Conceição Lemes

lula e boneco Lula preso e enterro da mãe

Dona Lindu faleceu em 12 de maio de 1980. Preso no DOPS, Lula só conseguiu ir no final do velório para se despedir da mãe

LULA EM CARNE E OSSO

na página de Lula no Facebook

Sem uniforme listrado de desenho animado, a prisão de Lula, em 1980, foi consequência de sua luta incansável para recuperar direitos sequestrados pela ditadura (1964-1985), como a independência dos sindicatos em relação ao Estado, o direito de organização e a liberdade de expressão.

Enquanto esteve detido pelo Departamento de Ordem Política e Social, o então presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema não pôde estar ao lado de sua mãe, Dona Lindu, no leito de morte.

De volta à atividade sindical e política, Lula viria a se tornar um dos presidentes mais populares da história do Brasil. Em seus governos, o diálogo com todos os setores da sociedade e a grande participação popular possibilitaram o fortalecimento de nossa democracia. Mais de 36 milhões de pessoas saíram da pobreza e o Brasil deixou de figurar no mapa da fome da ONU.

Luiz Inácio Lula da Silva esteve preso entre 19 de abril e 20 de maio de 1980. Presidia o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, lutava por liberdade e reivindicava melhores condições trabalhistas para os operários, em plena ditadura militar.

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31 Aug 19:40

CPMF: Por que parlamentares e empresários rejeitam um imposto que não pode ser sonegado?

by Conceição Lemes

cpmfSenadores comemoram fim da CPMF em 2007

DURA REAÇÃO

Quem tem medo da CPMF?

Por que têm medo de um imposto direto, que recai sobre quem gasta mais? Por que rejeitam um imposto que não pode ser sonegado?

por Emir Sader para a RBA publicado 30/08/2015 10:46, última modificação 30/08/2015 10:50

Bastou o governo anunciar a intenção de retomar a proposta da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CMPF) para que chovesse uma quantidade de afirmações da disposição de rejeitar a retomada do imposto sobre o cheque. Desde dirigentes do parlamento, que geram novos e exorbitantes gastos do governo, mas querem aparecer demagogicamente, como os que defendem a população contra novos impostos. Passando por grandes empresários, conhecidos pela sonegação de impostos, que querem fazer passar a ideia de que iniciativas como essa dificultariam a retomada dos investimentos. Chegando ao useiros ventríloquos na mídia, com seu discurso pronto contra qualquer iniciativa de democratização tributária.

Por que eles têm medo de um imposto direto, que recai sobre quem gasta mais? Por que rejeitam um imposto que não pode ser sonegado? Por que não aceitam um imposto que retira recursos de quem ganha mais para financiar o mais democrático sistema de saúde pública do mundo?

Porque eles se atendem nos planos privados de saúde. Porque eles sonegam impostos. Porque eles preferem impostos indiretos, em que os pobres e os ricos pagam a mesma quantia.

Se sabia que a reação desses setores seria dura. Sempre foi. O anúncio não foi o mais hábil, porque foi invertida a lógica: primeiro se deveria fazer o que faz o ministro da Saúde: mostrar as necessidades de financiamento do sistema público de saúde. E aí apontar como a CPMF é a forma mais democrática de financiá-lo.

A direita e seus porta-vozes economicistas sempre se valem do isolamento das cifras econômicas do seu sentido social. Mais imposto? Não? Sem mencionar a que necessidade responderia o novo tributo.

Temos que inverter o procedimento: enunciar as necessidades que precisam ser cobertas, explicar como é falso o raciocínio de que se paga excessiva quantidade de impostos no Brasil, explicar o caráter democrático e redistributivo de um imposto como a CPMF, pelo qual quem tem mais transfere recursos para financiar o sistema publico de saúde, o SUS, que atende a toda a população.

Não será possível restaurar a CPMF – que foi eliminada pela aliança espúria da direita, do centro e da ultra-esquerda (recordar a cena imoral de Heloísa Helena, então presidente do Psol, comemorando com a direita, a derrota a tentativa do governo de dar continuidade ao imposto que financia o sistema publico de saúde) – sem um grande trabalho de convencimento prévio de amplos setores da população e do próprio parlamento.

Mas, ao mesmo tempo, o Sistema Único de Saúde (SUS) será duramente afetado se não conseguirmos essa ou outra via de conseguir os financiamentos que o sistema necessita. Democratizar é desmercantilizar, é colocar na esfera pública o que hoje está na esfera mercantil. Transformar em direito o que hoje é mercadoria.

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Chico Alencar: Congresso não tem moral para tirar Dilma; além disso, não há nada que a incrimine

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31 Aug 19:30

Projeto de Cunha favorece saúde privada e pode enfraquecer o SUS

by Redação
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31/08/2015
Especialistas ressaltam importância de melhorar a saúde pública, direito universal garantido pela Constituição
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 451, de autoria do presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que pretende obrigar as empresas a contratarem planos de saúde para os funcionários, aparentemente, favoreceria os trabalhadores, mas especialistas alertam que a medida vai fragilizar o Sistema Único de Saúde. Nas eleições de 2014, o deputado recebeu, como doação para sua campanha, R$ 250 mil de uma empresa de planos de saúde.

A proposta não leva em conta que o direito à saúde universal e pública já é garantido pela Constituição e que o empregado só teria direito ao benefício uma vez que estivesse empregado, e com mais pessoas na saúde suplementar privada, os investimentos do Estado no SUS cairiam em detrimento dos subsídios aos planos.

Maria Cristina Louvison, integrante da Associação Paulista de Saúde Pública, não acredita que a proposta de Eduardo Cunha seja vantajosa, e nem vai contribuir para reduzir a demanda do sistema público de Saúde. Para ela, o maior risco é de se criar um sistema de saúde segmentado e subfinanciado.

“O nosso sistema de saúde pressupõe um sistema universal, de direito, um sistema que pressupõe redução de desigualdades”, lembra Maria Cristina, que falou ao repórter Jô Miyagui, para o Seu Jornal, da TVT.

Antes da criação do SUS, o atendimento público de saúde era feito em entidades filantrópicas e só para os miseráveis. Os trabalhadores assalariados eram atendidos pelo Instituto Nacional de Assistência Médica e Previdência Social (Inamps), nas poucas unidades próprias e em hospitais particulares conveniados. Quem não se enquadrava em uma ou outra situação, ficava desassistido.

Após 27 anos de existência, o SUS é uma experiência que vem dando certo. Segundo dados do ministério da Saúde, 71,1% da população brasileira utiliza a rede pública. Só em 2014, foram feitas 4,1 bilhões de tratamentos ambulatoriais e 11,5 milhões de internações.

A Pesquisa Nacional de Saúde apontou que 82,6% das pessoas que foram internadas nos hospitais do SUS consideraram o serviço bom ou muito bom, e 80,4% das que tiveram atendimento de urgência em domicílio também consideraram o serviço bom ou muito bom.

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31 Aug 19:25

Opinião – Quem tem medo da CPMF?

by Redação
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Por que têm medo de um imposto direto, que recai sobre quem gasta mais? Por que rejeitam um imposto que não pode ser sonegado?

31/08/2015

Por Emir Sader, via Rede Brasil Atual

Bastou o governo anunciar a intenção de retomar a proposta da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CMPF) para que chovesse uma quantidade de afirmações da disposição de rejeitar a retomada do imposto sobre o cheque. Desde dirigentes do parlamento, que geram novos e exorbitantes gastos do governo, mas querem aparecer demagogicamente, como os que defendem a população contra novos impostos. Passando por grandes empresários, conhecidos pela sonegação de impostos, que querem fazer passar a ideia de que iniciativas como essa dificultariam a retomada dos investimentos. Chegando ao useiros ventríloquos na mídia, com seu discurso pronto contra qualquer iniciativa de democratização tributária.

Por que eles têm medo de um imposto direto, que recai sobre quem gasta mais? Por que rejeitam um imposto que não pode ser sonegado? Por que não aceitam um imposto que retira recursos de quem ganha mais para financiar o mais democrático sistema de saúde pública do mundo?

Porque eles se atendem nos planos privados de saúde. Porque eles sonegam impostos. Porque eles preferem impostos indiretos, em que os pobres e os ricos pagam a mesma quantia.

Se sabia que a reação desses setores seria dura. Sempre foi. O anúncio não foi o mais hábil, porque foi invertida a lógica: primeiro se deveria fazer o que faz o ministro da Saúde: mostrar as necessidades de financiamento do sistema público de saúde. E aí apontar como a CPMF é a forma mais democrática de financiá-lo.

A direita e seus porta-vozes economicistas sempre se valem do isolamento das cifras econômicas do seu sentido social. Mais imposto? Não? Sem mencionar a que necessidade responderia o novo tributo.

Temos que inverter o procedimento: enunciar as necessidades que precisam ser cobertas, explicar como é falso o raciocínio de que se paga excessiva quantidade de impostos no Brasil, explicar o caráter democrático e redistributivo de um imposto como a CPMF, pelo qual quem tem mais transfere recursos para financiar o sistema publico de saúde, o SUS, que atende a toda a população.

Não será possível restaurar a CPMF – que foi eliminada pela aliança espúria da direita, do centro e da ultra-esquerda (recordar a cena imoral de Heloísa Helena, então presidente do Psol, comemorando com a direita, a derrota a tentativa do governo de dar continuidade ao imposto que financia o sistema publico de saúde) – sem um grande trabalho de convencimento prévio de amplos setores da população e do próprio parlamento.

Mas, ao mesmo tempo, o Sistema Único de Saúde (SUS) será duramente afetado se não conseguirmos essa ou outra via de conseguir os financiamentos que o sistema necessita. Democratizar é desmercantilizar, é colocar na esfera pública o que hoje está na esfera mercantil. Transformar em direito o que hoje é mercadoria.

Crédito Imagem Destacada: Arquivo Agência Senado

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31 Aug 18:40

Foi fácil matar o líder kaiowá Simião Vilhalva. Por Camila Lopes

by Camila Emboava

Quem liga para eles?

Quem liga para eles?

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No dia 29 de agosto, o líder Kaiowá Guarani Simião Vilhalva foi assassinado durante um ataque à comunidade indígena de Ñanderu Marangatu, no sul de Mato Grosso do Sul, fronteira do Brasil com o Paraguai. Dezenas de pessoas foram feridas. O ataque aconteceu após uma reunião no sindicato rural da cidade de Antônio João (MS), na qual os ruralistas decidiram expulsar os Kaiowá Guarani que reocupavam a Fazenda Barra desde o dia 22.

A área foi reconhecida como indígena pelo Estado em 2005, mas o processo de demarcação foi suspenso por conta de um mandato de segurança impetrado pelos fazendeiros. O caso espera uma decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal há dez anos.

Embora o fato tenha ocorrido há apenas dois dias, a notícia da morte de indígenas por conta do conflito de terras é uma velha canção nos nossos ouvidos. E como por vezes nossa história segue se repetindo como num velho disco riscado, foi fácil matar o Kaiowá Simião. Há uma semana, desde a reocupação dos indígenas, espalharam-se insistentemente boatos de que os Kaiowá tinham incendiado fazendas e planejavam invadir o município.

Um dos principais articuladores dessas calúnias foi o ruralista e ex-deputado federal Pedro Pedrossian Filho, filho de um dos mais importantes políticos da região. Pedro Pedrossian foi uma vez governador do antigo Mato Grosso uno e por duas vezes governador do então Mato Grosso do Sul.

No dia 27, Pedro Pedrossian Filho postou na sua conta pessoal do Facebook fotos de um celeiro e de maquinários carbonizados alegando que as imagens retratavam destruição feita por indígenas depois de invasão a uma propriedade.

O post dizia: “Não basta invadir, tem que destruir! Eu não quero comentar mais sobre isso pq todos já sabem a minha opinião e a partir da minha decisão é que nenhum índio vagabundo quis roubar minha propriedade. Agora se a decisão de vocês é esperar pelo Estado inexistente, o resultado é o previsto… O nosso país se chama Brasil (sic) ”. A publicação teve mais de 2.000 compartilhamentos (vários deles na minha timeline inclusive) e mais de 70 comentários no estilo “Tiro, bomba e porrada nesses vagabundos” e “tem que contratar um “Funcionário” para eliminar esses índios inútil (sic)”.

​A imprensa regional repetiu a versão dos ruralistas. Os indígenas, por meio do perfil Aty Guasu, afirmaram que as imagens não eram da ocupação. O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) comprovou que as imagens são de matéria publicada pelo portal paraguaio ‘Itapuá en Noticias’ sobre um incêndio ocorrido no último dia 24 e causado por curto-circuito em uma fazenda de Capitán Meza I, distrito paraguaio. Veja a postagem de Pedrossian Filho aqui: https://www.facebook.com/pfilho2?ref=br_rs
E a matéria sobre o incêndio aqui: http://itapuanoticias.tv/index.php/capitan-meza-incendio-descomunal-genera-3500-millones-en-perdidas/ .

​No dia 21, a proprietária atual da Fazenda Barra postou um vídeo no qual, vestida toda de branco, lê uma carta aos “pares fazendeiros, homens e mulheres que fazemos, que produzimos o alimento da mesa dos brasileiros”. Fala do bem e do mal, diz que tem fé abominando esse braço da Igreja Católica que é a CNBB e cita a Bíblia “seja quente ou seja frio, pois os mornos eu vomitarei”. Bem, ontem os ruralistas realmente “puseram quente” como se diz em Mato Grosso do Sul.

​Depois da confirmação da morte do líder Kaiowá durante o ataque, Pedrossian Filho – com a foto de perfil de terno, gravata e bigode, bandeira do Brasil brilhante como capa – postou: “Na ausência do Estado, nós temos que fazer a nossa própria segurança, de nossa família, de nossas casas, de nossas vidas! Não é possível que alguém suporte tamanha humilhação e desonra sem que nada seja feito. Ademais, não se entra em casa alheia, em terra alheia sem que esteja preparado para o conflito, para a guerra.(…)”.

Podia ter sido no século retrasado, mas foi agora. Foi também no dia 24 de junho deste ano que indígenas da comunidade Kurusu Amba foram expulsos por pistoleiros de seu acampamento. Foram tantas vezes. E ainda é um absurdo. Não apenas o discurso que sobrepõe sem nenhum rodeio o direito à propriedade ao direito à vida. Não só a ironia de quem se dirige aos pares produtores do alimento dos brasileiros e se refere a uma das comunidades que tem o maior índice de desnutrição do país.

É absurdo o cinismo do Brasil enquanto Estado. Assegurou os direitos indígenas na Constituição de 1988, previu as demarcações no prazo de cinco anos e até hoje não concluiu. O Brasil que assinou a Declaração da ONU sobre os Direitos dos Povos Autóctones, de 13 de setembro de 2007, como observou o advogado Rogério Batalha no blog do Coletivo Terra Vermelha “fez isso perante todos, perante o mundo, alegando não querer deixar equívocos sobre o caminho que o Estado brasileiro pretende seguir na sua relação com seus povos e comunidades indígenas”.

A mesma declaração foi assinada pela Noruega, por exemplo, onde a notícia do assassinato de um líder indígena e o tamanho da morosidade (seletiva?) da Justiça nas demarcações causam espanto porque soam impensáveis. A Noruega é um exemplo de como o caminho para o desenvolvimento não precisa atropelar os direitos e saberes indígenas. Não precisa atropelar os direitos de ninguém, aliás. Atualmente moro em Guovdageaidnu, no norte da Noruega, território tradicional do povo Sámi, estudo na Sámi University College e percebo a valorização da diversidade. É tão real quanto possível.

31 Aug 17:03

O DCM é censurado em um dos maiores hospitais públicos de São Paulo. Por Kiko Nogueira

by Kiko Nogueira

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O Hospital Pérola Byington, um dos mais importantes de São Paulo, referência no terreno de saúde da mulher, está censurando o Diário do Centro do Mundo em sua rede.

Nos computadores da instituição, o DCM está bloqueado. A mensagem que aparece na tela é “acesso negado”. Isso ocorre pelo menos desde maio.

O mesmo problema acontece com o Brasil 247 e o Tijolaço, entre outros. Sites como os da Folha, Estadão, Veja e G1 funcionam normalmente. (Na recepção, uma TV de 60 polegadas fica ligada na TV Globo.)

Não existe wifi. A internet é acessada pelos funcionários, que permitem, eventualmente, que pacientes e visitantes entrem. O Pérola tem 300 médicos e cerca de mil empregados atendendo, em média, 25 mil pessoas por mês. São 180 leitos.

Trata-se de uma inconstitucionalidade.

De acordo com o Artigo 5º da Constituição, XIV, “é assegurado a todos o acesso à informação”. O Artigo 220 fala que “a manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição”.

Ainda: “É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística.”

O hospital tem algumas diretrizes para sua rede interna e é natural que seja assim. Não se permite a entrada no Facebook e no Twitter, por exemplo, ou de endereços que veiculem pornografia.

No caso das informações jornalísticas, porém, o critério é claramente arbitrário. Uma clínica particular pode fazer o que quiser nesse departamento. Uma hospital público não.

Não há uma explicação coerente para a censura. O DCM telefonou para o setor responsável na Secretaria de Saúde (na tela aparece  o email “intragov@saude.sp.gov.br”), que faz a gestão.

Ninguém soube dizer de quem ou de onde partiu a ordem. O diretor do Pérola se chama Luiz Henrique Gebrim. Está no cargo desde 2006 e é uma figura presente em eventos e convenções do PSDB.

“Esse pessoal faz democracia seletiva”, diz Janaína Luna, diretora da região central do sindicato dos trabalhadores da saúde.

O DCM ainda aguarda uma posição da assessoria de imprensa da secretaria.

 

 

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31 Aug 14:20

HOMENS DECIDEM O QUE AS MULHERES VESTEM

by lola aronovich
Acho que quem não conhece vai gostar de saber desse caso contado por Susan Faludi no seu livro obrigatório, Backlash: o contra-ataque na guerra não declarada contra as mulheres
Backlash fala da reação conservadora lançada na década de 1980 para fazer as mulheres regredirem nas conquistas que tinham alcançado nos anos 60 e 70. É um livro importante e delicioso, que você pode ler aqui, grátis, com tradução de Mario Fondelli para a Rocco.
Na primeira metade da década de 80, as mulheres americanas compravam menos roupas. Faludi cita uma pesquisa que mostra que, entre 1980 e 86, mais de 80% das entrevistadas disseram que detestavam comprar roupa. 
Faludi atribui isso em parte à crise econômica, mas também ao fato de que as mulheres estavam mais ocupadas comprando casas, carros e planos de saúde. 
O mercado da moda tentou lidar com a queda na procura aumentando o preço das roupas, que subiram em média 30%. Não adiantou. A mídia tinha até um mote pro que acontecia: "revolta contra a moda". 
Criação de Arnold Scaasi
Outra explicação para a queda nas vendas foi que, pra variar, os estilistas pensavam suas peças para jovens altas e magras. A moda era a "alta feminilidade", cheia de babados e fru-frus. Arnold Scaasi, um dos criadores dessa "tendência", confessou que ela era "uma reação ao movimento feminista, que foi uma espécie de guerra". Lacroix lamentou que, com o feminismo, as mulheres pararam de dar importância à moda -- "só restaram como clientes [da alta costura] as princesas árabes e senhoras da nobreza europeia". 
Faludi lembra que essa revolta das consumidoras já havia acontecido quarenta anos antes, em 1947. Durante a Segunda Guerra, as mulheres usaram calças, sapatos de salto baixo, suéteres largos, e não quiseram voltar a se vestir como antes. Christian Dior lançou o "New Look", uma volta ao visual da era vitoriana, que exigia cintas para deixar a cintura com menos de 40 cm. No final da década de 40, a mídia declarou que Dior havia vencido a batalha. 
Christian Dior e seu new look no
final dos anos 1940
Como aponta Faludi: "Em todos os períodos de backlash (reação conservadora), a indústria da moda contra-atacava produzindo roupas punitivamente restritivas e a imprensa ligada à moda exigia que as mulheres as usassem". Até porque "a insegurança pessoal é a grande força motriz do consumo". Um estudo do começo dos anos 1980 mostrou que as mulheres que menos consumiam eram as mais seguras e independentes.
Griffith é observada por
Ford em Secretária
O discurso nos anos 80 foi que as conquistas feministas estariam roubando as mulheres de sua "natural feminilidade". A porta-voz do Conselho de Moda Íntima se queixou: "Estamos enfrentando uma crise de identidade e nos vestindo como homens". A gente vê isso direitinho numa cena de um grande sucesso do cinema na época, Uma Secretária de Futuro, de 1988, em que Harrison Ford, ao conhecer Melanie Griffith, a elogia por ela usar um vestido preto e se vestir "como mulher", e não como homem (com blazer, por exemplo), como faziam as outras executivas na vã tentativa de, quem sabe assim, serem levadas a sério.
A moda investiu muito para feminilizar as consumidoras, principalmente as executivas. Calvin Klein, ao lançar uma coleção de minissaias, afirmou: "Nós nos baseamos no desejo das mulheres". Um fabricante de roupas de Los Angeles justificou que as mulheres no ambiente de trabalho "querem que os homens olhem para elas como mulheres. Veja primeiro as minhas pernas, não a minha competência". 
Houve um esforço enorme para aquecer o mercado de moda íntima, que também estava em baixa. 
Melanie Griffith em Secretária
Bob Mackie, um estilista de Hollywood, lançou no final da década de 80 uma coleção de lingerie praticamente idêntica à que ele havia criado no início da década, e que havia sido um fracasso retumbante. Porém, segundo ele, agora seria diferente: "As mulheres agora querem lingerie muito feminina". O cinema fez o possível para alavancar essa "tendência", com cintas-ligas e sutiãs meia-taça em ampla exposição em Bull Durham, Uma Secretária de Futuro, e, óbvio, Ligações Perigosas.
Como diz Faludi, "a lingerie do fim da década de 1980 celebrou a repressão, não o florescimento, da sexualidade feminina. A senhora vitoriana ideal para a qual ela tinha sido originalmente criada não devia ter, afinal de contas, libido alguma" (pg. 198).
Alguns anos antes, um americano chamado Roy Raymond pensou no tema vitoriano por ter sido, segundo ele, um tempo feliz e romântico. Ele abriu uma butique especializada em lingeries num shopping da Califórnia tendo em mente pessoas como ele -- homens. Mas pegava mal dizer que a loja era de um homem vendendo lingerie sexy pra mulheres, então ele colocava em seu catálogo uma carta pessoal de "Victoria", conclamando as consumidoras para "minha butique". Na mídia, Raymond nunca aparecia. Só a esposa dele, Gaye. A loja, evidentemente, se chamava Victoria's Secret.
Em 1982 uma empresa, a Limited, comprou a marca por um milhão de dólares e a transformou numa cadeia nacional. Em cinco anos, a franquia já contava com 346 lojas nos EUA. Faludi narra uma típica loja da Victoria's Secret em 1988, com prateleiras cheias de tangas de seda e ursinhos de pelúcia:
"Perguntadas se estavam ali atrás da lingerie vitoriana, duas clientes dizem que não com a cabeça. Até a gerente Becky Johnson admite que só compra 'as boas e velhas calcinhas e sutiãs básicos'. Então, quem é que está comprando a porcaria vitoriana cheia de babados? 'Os homens', respondeu Johnson.
Embora os homens representem de 30 a 40% dos clientes das lojas Victoria's Secret, são responsáveis por quase metade do volume do faturamento, estimam os gerentes da empresa. 'Os homens são ótimos', suspira uma das vendedoras da loja de Stanford. 'Não medem esforços para ter o que querem.'
Um espécime dessa raça entra na loja justo nesse momento. Jim Draeger, um advogado de 35 anos, ignora o balcão de ofertas e vai diretamente para as prateleiras de bustiê. 'Venho aqui desde 1980', diz ele, analisando um corpete de seda. 'Esse tipo de roupa torna a mulher mais sensual'" (pg. 201).
Um fato que eu não sabia é que Raymond cometeu suicídio aos 46 anos, em 1993, pulando da famosa ponte Golden Gate. 
Se o criador da marca e a Limited tiveram que suar na década de 80 para convencer as consumidoras a trocar calcinhas e sutiãs "práticos" por lingerie com rendas ou fio-dental, hoje isso não é um problema. Em 2012 a Victoria's Secret faturou 6,12 bilhões de dólares.
31 Aug 14:17

Fernando Brito: Cantareira e Alto Tietê perderam em agosto 50 bilhões de litros de água

by Conceição Lemes

altotiete

Cantareira e Alto Tietê arruinados, “gambiarras de Alckmin” vão à Billings

POR FERNANDO BRITO, no Tijolaço

Os dois principais sistemas de abastecimento de água de São Paulo sofreram, ao longo do mês de agosto, a pior redução de sua história.

Cantareira e Alto Tietê perderam , juntos, 50 bilhões de litros de água.

As perdas no Cantareira, do dia 30 de julho a hoje levaram o volume de 10,5% negativos (ou seja, abaixo do “zero normal”, sem considerar o “volume morto” pra menos 13,5%.

As do sistema Alto Tietê, sobrecarregado para compensar a menor vazão do Cantareira teve queda maior.

Baixou 4,4%: de 18,4% do volume total para 14%.

A semana de chuvas pouco influiu na situação e a previsão – com todas as ressalvas que previsões meteorológicas merecem – é de que só em outubro a estação chuvosa chegue, com volumes modestos de precipitação.

É, ao menos, o que noticia hoje o Estadão.

O governo paulista continua apelando para as “gambiarras”.

Primeiro, as bombas do “volume morto” no Cantareira , depois a drenagem do Alto Tietê para substituir a água que não vinha mais de lá, reduzida a menos da metade (de 33 , hoje não chega a 16).

Agora, Alckmin anuncia a retirada de água da Billings- para o Taiaçupeba, uma das represas do Alto Tietê.

O “probleminha” é que retirar 4 metros cúbicos por segundo da Billings é, quase, dobrar a vazão do Sistema Rio Grande, do qual ela é o centro…

E como a capacidade do reservatório é pequena diante dos Outros (um décimo do Cantareira e um quinto do Alto Tietê), a falta de chuvas a faz baixar mais rapidamente: ao longo do mês de agosto caiu cerca de 8%.

O Governo de São Paulo, com a água, parece um cidadão arruinado, mas com contas em vários bancos: vai tirando de um para não “estourar” o outro, que já entrou no saldo negativo. E assim vai ficando, em todos.

Mas isso, claro. não merece uma análise de Miriam Leitão, sempre tão focada em dizer que os efeitos da seca sobre o sistema elétrico nacional são resultado da incapacidade de Dilma Rousseff, mas sobre Alckmin são culpa de São Pedro.

Leia também: 

As portas giratórias do governo Alckmin: De contratante a contratado 

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31 Aug 12:46

Un niño de 12 años y un soldado israelí como símbolos de un conflicto

by Iñigo Sáenz de Ugarte

Anshel Pfeffer se pregunta si el Ejército israelí no ha aprendido nada desde la primera intifada. Se podría decir lo contrario. Los militares llevan décadas haciendo lo mismo. Como demuestra el comienzo de las imágenes, ven o creen ver a un niño lanzando piedras y van a por él (la familia ha negado que eso sea cierto). Lo que no esperan es que varias mujeres se defiendan abalanzándose sobre el militar. Entre ellas, están la madre, la hermana y una tía del detenido, Mohamad Tamimi.

No es una reacción histérica, sino perfectamente racional. El Ejército no tiene problemas en detener a menores. Una vez que entras en prisión, tu vida será diferente, y no cambiará a mejor, desde luego.

El niño se revuelve. Tiene 12 años y el brazo izquierdo escayolado. Grita para que alguien acuda en su ayuda. En ese momento, no quiere ser en lo que se ha convertido en los últimos días, un símbolo de los que se resisten a la ocupación. Sólo quiere que no se lo lleven.

Al final, el soldado renuncia a su caza y se va con un compañero.

Afortunadamente, el soldado no utiliza su fusil en ningún momento. Tiene dos manos, una para el arma, otra para el niño. Las órdenes le prohíben soltar el fusil. Y tampoco quiere soltar la presa. Cómo un soldado bien entrenado cree que llevarse detenido a un niño contribuye a la seguridad de su Estado es un misterio, a menos que se piense que la humillación es una parte fundamental de su trabajo.

El pueblo en el que tiene lugar esta escena es Nabi Saleh, donde ha habido numerosos incidentes en los últimos años. Los colonos judíos de la zona se apoderaron en 2009 de un pozo de agua cercano propiedad de los palestinos. El Ejército ha llegado a utilizar fuego real contra alguna de las manifestaciones.

Para los medios de comunicación israelíes, el soldado es la víctima. Por eso, la ministra de Cultura (sí, de Cultura) está indignada. Lo está porque el soldado no disparó a las mujeres que le atacaban: “Necesitamos decidir inmediatamente que un soldado que es atacado tiene permiso para abrir fuego. Punto. ¡Reclamo al ministro de Seguridad a que ponga fin a la humillación y cambie las normas sobre el uso de armas de fuego inmediatamente!

Disparar a la madre que intenta defender a su hijo. Es la idea que tiene Miri Regev del uso proporcional de la fuerza.

14.00
El editorial del periódico Haaretz afirma que estas imágenes son el retrato más obvio y desagradable de la ocupación: “Un Ejército que lucha contra niños y los persigue es un Ejército que ha perdido su conciencia”.

Palestinians fight to free boy held by Israeli soldier during protests against settlements: http://t.co/sAoxJuAfip pic.twitter.com/6XUDM6gkxv

— AJ+ (@ajplus) August 28, 2015

30 Aug 12:16

Instituto Lula acusa revista de ignorância e má fé e lembra que Globo levou R$ 361 mi do BNDES

by Luiz Carlos Azenha

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A Globo quer dar o pré-sal para a Chevron como queria dar Mariel para os chineses

Documentos secretos revelam ignorância e má-fé da revista Época

29/08/2015 18:16

do site do Instituto Lula

Mais uma vez a revista Época divulga reportagem ofensiva ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com afirmações falsas e manipulação criminosa de documentos oficiais.

Avançando em ilações maliciosas e irresponsáveis, pelas quais seus jornalistas já foram citados em ação judicial por danos morais movida pelo ex-presidente Lula, a revista insiste em atribuir ao ex-presidente condutas supostamente ilícitas que ele jamais adotou ou adotaria.

A matéria deste final de semana (29/08) é uma combinação de má-fé jornalística com ignorância técnica (ou ambas) e o único crime que fica patente, após a leitura do texto, é o vazamento ilegal de documentos do Ministério das Relações Exteriores que, de acordo com a versão da revista, tiveram o sigilo funcional transferido ao Ministério Público.

Ao contrário do que sustenta a matéria, a leitura isenta e correta dos telegramas diplomáticos reproduzidos (apenas parcialmente, como tem sido hábito de Época) atesta a conduta rigorosamente correta do ex-presidente Lula em seus contatos com as autoridades cubanas e com dirigentes empresariais brasileiros.

A presença de um representante diplomático do Brasil numa reunião do ex-presidente com dirigentes de empresa brasileira demonstra que nada de ilícito foi ou poderia ter sido tratado naquele encontro. O mesmo se aplica ao relato, para o citado diplomata, da conversa de Lula com Raul Castro sobre o financiamento de exportações brasileiras para Cuba.  Só a imaginação doentia que preenche os vácuos de apuração dos jornalistas de Época pode conceber um suposto exercício de lobby clandestino com registro em telegramas do Itamaraty.

Os procedimentos comerciais e financeiros citados nos telegramas diplomáticos são absolutamente corriqueiros na exportação de serviços, como os jornalistas de Época deveriam saber, se não por dever de ofício, pelo simples fato de que trabalham nas Organizações Globo. A TV Globo exporta novelas para Cuba desde 1982, exporta para a China e exportou para os países de economia fechada do antigo bloco soviético.

Deveriam saber que, em consequência do odioso bloqueio comercial imposto pelos Estados Unidos, empresas que fazem transações com Cuba estão sujeitas a penalidades e restrições pela legislação dos EUA. Por isso, evitam instituições financeiras sujeitas ao Office of Foreign Assets Control, que é uma agência do governo dos EUA e não um “organismo internacional de fiscalização”, como erra a revista.

Ao contrário do que o texto insinua, maliciosamente, não há, nos trechos reproduzidos, qualquer menção a interferência do ex-presidente em decisões do BNDES, pelo simples fato de que tal interferência jamais existiu nem seria possível, devido aos procedimentos internos de decisão e aos mecanismos prudenciais adotados pela instituição.

Os jornalistas da revista Época deveriam conhecer o rigor de tais procedimentos e mecanismos, pois as Organizações Globo tiveram um relacionamento societário com o BNDESPar, subsidiária do BNDES. Em 2002, no governo anterior ao do ex-presidente Lula, ou seja, no governo do PSDB, este relacionamento se estreitou por meio de um aporte de capital e outras operações do BNDESPar na empresa Net Serviços, totalizando R$ 361 milhões (valores de 2001).

Deveriam saber que em maio de 2011, por ocasião da mencionada visita  do ex-presidente a Havana, o financiamento do BNDES às obras do Porto de Mariel estava aprovado, havia dois anos, e os desembolsos seguiam o cronograma definido nos contratos, como é a regra da instituição, que nenhum suposto lobista poderia alterar.

Em nota emitida neste sábado (29) para desmentir a revista, o BNDES esclarece, mais uma vez, que “os financiamentos a exportações de bens e serviços brasileiros para as obras do Porto de Mariel foram feitos com taxas de juros e garantias adequadas”, e que os demais contratos mencionados não se realizaram. Acrescenta que “o relacionamento do BNDES com Cuba foi iniciado ainda no final da década de 1990, sem qualquer episódio de inadimplemento ou atraso nos pagamentos.”

Os jornalistas da Época deveriam saber também que não há nenhum ilícito relacionado às palestras do ex-presidente Lula contratadas por dezenas de empresas brasileiras e estrangeiras, entre elas a Infoglobo, que edita o jornal O Globo. Deveriam, portanto, se abster de insinuar suspeição sobre esta atividade legal e legítima do ex-presidente.

Tanto em Cuba quanto em todos os países que visitou desde que deixou a presidência da República, Lula trabalhou sim, com muito orgulho, no sentido de ampliar mercados para o Brasil e para as empresas brasileiras, sem receber por isso qualquer espécie de remuneração ou favor. Lula considera que é obrigação de qualquer liderança política contribuir para o desenvolvimento de seu País.

Os jornalistas da Época deveriam saber que todos os grandes países disputam mercados internacionais para suas exportações. E que não fosse o firme empenho do governo brasileiro, para o qual o ex-presidente Lula contribuiu,  talvez o estratégico porto de Mariel fosse construído por uma empresa chinesa, ou os cubanos estivessem assistindo novelas mexicanas. Neste momento histórico, em que EUA e Cuba reatam relações e o embargo econômico americano está prestes a  acabar, a revista Época volta no tempo a evocar velhos fantasmas da Guerra Fria e títulos de livros de espionagem.

Ao falsear a verdade sobre a atuação do ex-presidente Lula no exterior, os jornalistas da revista Época tentam criminalizar um serviço prestado por ele ao Brasil. O facciosismo desse tipo noticiário é patente e desmerece o jornalismo e a inteligência dos brasileiros.

PS do Viomundo: A Globo faz a velha jogada de sempre. Publica na Época e “repercute” porcamente no Jornal Nacional.

Leia também:

Mariel e a direita brasileira: Atraso, ignorância e preconceito

O post Instituto Lula acusa revista de ignorância e má fé e lembra que Globo levou R$ 361 mi do BNDES apareceu primeiro em Viomundo - O que você não vê na mídia.

28 Aug 17:38

Quem se beneficia de todas as pesquisas do tipo “e se a eleição fosse hoje?” Por Kiko Nogueira

by Kiko Nogueira

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Um estranho fenômeno ocorre desde janeiro de 2015: o ano eleitoral brasileiro passou a ter mais de 1500 dias.

A quantidade de pesquisas com o título “se a eleição fosse hoje, em quem você votaria” ultrapassou qualquer limite do absurdo. Há pelo menos uma por mês. O Google completa sozinho a frase, como você pode ver abaixo.

Cui bono? Quem ganha com isso?

Em 2014, alguns institutos — nominalmente, Paraná, Sensus e Veritá — foram responsáveis por presepadas homéricas. Todas ficaram impunes. Continuam trabalhando normalmente, sob encomenda de não se sabe de quem.

Na sexta, 28, o Paraná saiu com um levantamento, veiculado celeremente no blog do jornalista e ficcionista Ricardo Noblat.

Teriam sido ouvidos 2 060 pessoas de 154 municípios de todos os estados, mais o Distrito Federal. Aécio venceria Lula com quase o dobro dos “votos” – 54,7% a 28,3%. Uau.

Em março, o mesmo Paraná já havia feito a mesma pergunta. Deu Aécio com 51,5% contra Lula, com 27,2%. Uau, uau, uau.

Em fevereiro, a questão era se aqueles que votaram em Dilma estavam arrependidos: 21,7% não repetiriam a escolha. Com relação a Aécio, só 3,8% voltariam atrás. O placar, então, seria de 51 milhões para Aécio contra 49,1 para a petista.

 

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No ano passado, a cinco dias do pleito, o Veritá apareceu com uma pesquisa em que Aécio aparecia com 53,2% contra 46,8% de sua adversária. De acordo com a Folha, em matéria na semana seguinte, houve utilização de dados falsos.

O diretor do instituto Paraná, Murilo Hidalgo, é comentarista da Gazeta do Povo, o maior jornal do estado, e da CBN-Curitiba.

Num artigo no site da empresa, escreveu o seguinte: “Com essas eleições ficou claro que é urgente uma discussão honesta e franca acerca da utilização das pesquisas”.

Treino é treino e jogo é jogo — mas esses dados servem para manipular e inflar uma insatisfação, além de alimentar a sensação de instabilidade. O desejo é matar Lula antes de ele entrar em campo.

É muito pouco provável que ele, ou qualquer um, desista por causa disso.

Curiosamente, não há pesquisas, por exemplo, para saber se, atualmente, Geraldo Alckmin venceria. O calendário eleitoral paulista é diferente.

28 Aug 12:55

“Se você gostar de mulher, eu te mato”: o desabafo de adolescentes que sofrem preconceito em casa e na escola

by Diario do Centro do Mundo

cartaz

Publicado na DW.

 

Laura Sousa* tem 15 anos e sabe que é lésbica. Ela não pode falar sobre as coisas que sente, porque não há quem as escute. Nem em casa, nem na escola. Ela esconde a orientação sexual da família, porque não tem outra opção. “Minha mãe me disse aquilo quando estávamos vendo novela”, conta Laura, que tem dificuldade de repetir a frase. O aquilo foi uma ameaça de morte: “Se você gostar de mulher, eu te mato.”

Na sua escola, uma instituição pública na periferia de São Paulo, apenas alguns amigos próximos sabem o que ela vive. “Porque eles também são ‘diferentes'”, explica. Os outros colegas costumam implicar com o seu jeito de se vestir, com roupas mais largas: a chamam de “Maria macho” e puxam seu cabelo.

Laura acredita que o preconceito dos alunos é fruto de ignorância. Por isso, foi uma das centenas de estudantes a participar de uma campanha nas redes sociais, com o lema “eu preciso de debate de gênero nas escolas”.

A campanha, criada pelo Coletivo LGBT Cores no início de julho, alcançou 4 milhões de pessoas e teve mais de 14 mil compartilhamentos. A mobilização teve origem após a retirada dos termos relacionados ao debate de gênero dos planos de educação de vários municípios e estados do país – os documentos vão orientar a formação de professores e alunos nos próximos dez anos.

Em 2014, o assunto foi banido do Plano Nacional de Educação, por pressão das bancadas religiosas. Aprovadas as diretrizes nacionais, municípios e estados tinham até junho de 2015 para fazer o mesmo. Nesta terça-feira (25/08), por pressão de grupos religiosos, a Câmara Municipal de São Paulo aprovou o Plano Municipal de Educação sem a palavra gênero.

Para Laura, falar sobre esse assunto no colégio melhoraria a sua vida. “Ficaria mais fácil para todos que passam por isso. Talvez existam pessoas como eu que não têm com quem conversar. Se cada um tivesse um espaço para se expressar, as pessoas talvez vissem o que o preconceito causa em cada um”, diz.

Para as bancadas religiosas, a inclusão do debate nas escolas significa impor uma “ideologia de gênero”, que atacaria os “valores da família”.

Em nota divulgada em junho sobre o tema, a Confederação Nacional de Bispos do Brasil(CNBB) se diz favorável ao combate de qualquer discriminação, mas se posiciona contra a inclusão do termo nos planos de educação.

“A ideologia de gênero (…) desconstrói o conceito de família, que tem seu fundamento na união estável entre homem e mulher. (…) A introdução dessa ideologia na prática pedagógica das escolas trará consequências desastrosas para a vida das crianças e das famílias”, afirma.

Os pais de Laura concordam com os argumentos religiosos e defendem a “família tradicional”. Segundo a estudante, os pais são “crentes que não vão à Igreja” e vêem os homossexuais como “aberrações”.

Laura passa por períodos de muita tristeza. “Sinto como se eu fosse obrigada viver uma mentira. É como se todo aquele amor de mãe fosse se transformar em raiva e desprezo de uma hora para outra. Então tento viver como a sociedade prefere”, conta.

Nos momentos de desesperança, Laura escreve textos sobre loucura e solidão. Ela mostra seus cadernos apenas para um professor da escola, que sabe das suas dificuldades e a incentiva a colocá-las no papel.

A experiência de Laura ilustra o cotidiano dos professores que, mesmo sem a inclusão do debate de gênero nos planos de educação, precisam saber lidar com questões como essas na sala de aula.

A professora de matemática Marina Baldoíno, que trabalha em uma escola estadual em Itaquera, na zona leste de São Paulo, afirma que o debate de gênero é importante, não só para os alunos, mas também para os professores.

“Já ouvi muita barbaridade de professor. Um deles disse para um aluno que ser gay era falta de apanhar. Que na época dele, isso se resolvia batendo. Também tivemos problemas com um aluno transexual que queria ser chamado por outro nome. Por lei, ele tem esse direito, mas alguns professores se recusaram a cumprir a determinação”, lamenta.

A professora ressalta que o debate de gênero é um tema transversal, que aparece em qualquer disciplina. “Sou de exatas, mas já tive que intervir em vários momentos. Além do conteúdo, estamos formando os alunos, que precisam ter senso crítico.”

Carolina Figueiredo, professora de sociologia em uma escola estadual em Campinas, no Estado de São Paulo, concorda. Ela explica que o colégio não está isolado dos problemas da sociedade.

“A escola não é uma bolha. Uma série de desigualdades que atravessam a sociedade também estão presentes ali: gravidez na adolescência, violência contra a mulher e os LGBT são constantes. Por isso temos que ensinar os alunos a lidar com a diferença e respeitar a diversidade”, afirma.

Miguel Martins, de 16 anos, ouvia seus colegas dizerem que ser gay era “possessão do demônio”, quando resolveu se posicionar. Ele já era homossexual assumido no colégio, uma instituição publica em Limeira, interior de São Paulo, e não imaginou que pudesse sofrer represálias por expressar sua opinião.

“Dentro da sala não houve nenhuma agressão. A maioria das pessoas estava expondo opiniões bastante homofóbicas, mas não eram dirigidas contra mim. Então eu disse que era gay e que existiam outras formas de amar. Quando eu sai da sala, percebi que aquilo tinha me deixado marcado”.

Logo depois, no corredor, um menino veio até Miguel e disse: “você devia apanhar até morrer”. Isso foi há um ano, mas Miguel ainda se sente mal ao lembrar-se do caso.”Fiquei com muito medo, abalado. Parei de falar no assunto durante um bom tempo.”

Miguel diz que sempre sofreu discriminação no colégio por ser considerado mais feminino. No início, não percebia as agressões, que, para ele, estavam muito naturalizadas.

“Me chamavam de viado, mocinha. Até os professores de educação física me diziam que eu corria como uma menininha. Eu me sentia mal, mas não entendia o que significava, porque era criança.”

Um ano depois da ameaça do colega, Miguel voltou a lutar por seus direitos dentro da escola. Juntou-se a outros alunos, formou um grupo e organizou debates no pátio do colégio sobre diversidade sexual e gênero.

“Isso mudou a situação, já me sinto muito mais fortalecido. Foi importante mostrar que nós não somos invisíveis”, afirma ele. “Precisamos servir de exemplo para os alunos que sofrem em silêncio.”

Em alguns casos, até mesmo um simples corte de cabelo pode ser motivo de discriminação. Após um ano difícil em seu colégio em Gravataí, no Rio Grande do Sul, Eduarda Puerta, de 17 anos, quis mudar o visual e optou por um cabelo curto.

Mas a decisão provocou uma reação inesperada. Apesar de ter namorado, os colegas de sala e vizinhos passaram a perguntar se ela tinha “virado lésbica”. A mãe foi contra o corte e pediu que Eduarda deixasse o cabelo crescer novamente.

Eduarda explica que precisou tranquilizar até mesmo as amigas mais próximas. “Eu falava para elas passarem lá em casa mais tarde e elas me olhavam feio. Tive que dizer: ‘calma, eu não vou te pegar'”.

Apesar de chateada com a situação, Eduarda afirma que isso a fez entender melhor o que os colegas gays passam. “Comecei a defendê-los na escola.”

25 Aug 23:21

Youssef repete CPI que houve propina a Aécio mas jornais acham que “não vem ao caso”

by Fernando Brito
Fiquei procurando, em vão, menção no noticiário ao que disse Alberto Youssef sobre as propinas que pagou, segundo ele, a uma diretoria de Furnas que seria “dividida” entre José Janene, do PP, e Aécio...
24 Aug 17:07

Médicos enfrentam setor privado e lançam contraofensiva pelo SUS

by Redação
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21/08/2015

A Adital entrevistou o médico de família Augusto Cezar, que integra a Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares. Ele fala sobre a articulação nacional que nasce para defender o SUS e se contrapor a setores elitistas da categoria

Por Marcela Belchior, da Adital

Numa conjuntura nacional imersa numa ofensiva conservadora que tenta, por várias frentes, enfraquecer a Saúde pública e gratuita no Brasil e impor o interesse privado dos planos de saúde e outros mercados, uma iniciativa acaba de chegar para se somar à luta pela garantia do acesso médico a toda a população: a Rede Nacional de Médicos e Médicas Populares. Nascida para se contrapor ao setor elitista da categoria médica, que pretende restringir o acesso à saúde a uma minoria, a entidade propõe ao debate público o retorno da natureza solidária dos profissionais da Medicina e o fortalecimento das políticas públicas do Estado para que todas e todos tenham acesso à saúde.

Para discutir o assunto, a Adital entrevistou Augusto Cezar, médico da família e integrante da Rede. Ele explica que uma das principais causas desse esforço coletivo é o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), que vem sendo continuamente ameaçado pelo setor privado, sobretudo pelos planos de saúde, que se utilizam do poder do capital para orientar a atuação de parlamentares em nome da ampliação do mercado e o consequente enfraquecimento das políticas públicas do Estado na saúde.

Nesse sentido, chama a atenção para um conjunto de proposições que tramitam no Congresso Nacional, que tem como intuito básico a imposição de leis que retiram o foco do acesso aos bens sociais para instalar a saúde privada no país. Algumas dessas matérias são de autoria do próprio presidente da Câmara dos Deputados, o deputado federal Eduardo Cunha, conhecido defensor do interesse privado, que acumula em suas doações de campanha financiamento de planos de saúde.

Diante desse cenário, Cezar avalia como positivo o Programa Mais Médicos, destaca o sistema de saúde pública do Canadá, Inglaterra e, principalmente, Cuba, que presta serviço internacional ao setor, como na África e em toda a América Latina. Ele chama a categoria para se unir a uma política progressista para a saúde, resistindo ao discurso do ódio que emana do setor conservador também dentro da categoria. “Hegemonicamente, a categoria médica tem se comportado como defensora do interesse das elites desse país. Digo “hegemonicamente” porque há, neste país, médicos que pensam diferente”, afirma. “Para melhorar a Saúde do Brasil, lutar é o melhor remédio”, conclama.

ADITAL – O que é a Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares e como ela surgiu?

A rede é esse esforço coletivo de se organizar enquanto categoria e se posicionar para a população brasileira e dizer: existe um conjunto de médicos e médicas que pensam diferente e que lutam para junto com o povo pressionar para melhorar a saúde da população brasileira. A rede vem sendo “gestada” com muito carinho desde o ano passado; ela é necessidade de dar a voz, de quem encontrou nessa profissão uma ferramenta para transformar a sociedade, deseja dar e não se sente representada pelas entidades da categoria (sindicato dos médicos, CRM [Conselhos Regionais de Medicina], Associação Brasileira de Medicina), principalmente no que diz respeito à luta pela efetivação do SUS e pelo posicionamento sobre o Programa Mais Médicos para o Brasil.

ADITAL – Quantos profissionais integram hoje a Rede e como é realizado esse movimento de integração da categoria?

Hoje já somos muitos, centenas espalhadas pelo Brasil. Fica impossível contabilizar essa iniciativa, pois a sua proposta é criar um espaço de articulação dos médicos e médicas que têm uma lógica de pensar e atuar em que o principal é defender a vida. Aqui não precisa se filiar ou ter alguma obrigação financeira. Está nesse espaço quem se identifica com as causas populares, as causas que trazem benefícios para o povo brasileiro.

ADITAL – A Rede tem sido apresentada como uma proposta de espaço articulador do campo progressista na categoria médica. Em torno de quais principais questões e orientações políticas a Rede se debruça?

Os médicos e as médicas populares se orientam através das causas populares e veem nos movimentos sociais seus representantes mais legítimos, que carregam nas suas demandas e pautas a necessidade real do povo organizado, que, em seus territórios, cotidianamente lutam para transformar a realidade e no campo da saúde para fortalecer o nosso SUS. Nós queremos trazer os médicos e médicas para o debate da conjuntura brasileira, da luta pelo fortalecimento do SUS, pelas transformações necessárias para melhorar a vida das pessoas.

ADITAL – Como avalia as atividades do Sistema Único de Saúde (SUS) atualmente?

O nosso sistema público de saúde atualmente (SUS) está em disputa e vem amargando derrotas sucessivas nos últimos anos, além de viver com um subfinanciamento crônico, desde o seu nascimento. Ele nasce de um forte movimento progressista que amplia o cuidado e o conceito de saúde, porém que vem sendo desarticulado paulatinamente desde o seu surgimento.

Ele se propõe a ser o grande cuidador do povo brasileiro, para efetivar o direito à cidadania, e desenvolve políticas importantíssimas nesse sentido, como doação de órgãos, cuidados e tratamentos em paciente portadores do HIV/AIDS [Síndrome da Imunodeficiência Adquirida], SAMU´s [Serviços de Atendimento Móvel de Urgência], campanhas de imunização, entre outras. Entretanto, enfrenta ainda hoje obstáculos enormes para garantir o principio de equidade, integralidade e universalidade e se converter em um sistema civilizatório.

ADITAL – Hoje que riscos corre a saúde pública e gratuita do Brasil?

O principal risco que existe hoje é de acabar esse sistema gratuito de saúde, principalmente a partir das leis que o Congresso Nacional tem tentado apresentar. Em especial, as propostas que ficaram conhecidas como Agenda “Brasil”, do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) [Partido do Movimento Democrático Brasileiro, de Alagoas] e a Proposta de Emenda Constitucional [PEC] do [deputado federal e presidente da Câmara dos Deputados] Eduardo Cunha (PMDB-RJ) [Partido do Movimento Democrático Brasileiro, do Rio de Janeiro].

É importante sempre ressaltar que ninguém se diz contra o SUS. É muito difícil você ouvir isto da boca de um representante, seja legislativo ou executivo. Porém, é muito claro que existe uma articulação para boicotar o SUS, e se veem nitidamente no Congresso Nacional deputados que jogam contra o SUS, aprovando leis que ferem a constituição (como a lei das OS, a tentativa do perdão das dividas dos planos de saúde) e que sempre se orientam na lógica de que saúde é uma mercadoria é pode ser comprada.

Beneficiando, assim, o lucro dos planos de saúde privados e afins, que são eles obviamente que financiam as campanhas eleitorais desses políticos. Ou seja, é necessária uma reforma eleitoral no Brasil, para evitar essa influência gritante que tem hoje o poder econômico sobre a decisão dos rumos da nação. A reforma eleitoral faz bem ao SUS!

ADITAL – No Congresso Nacional, há propostas de modificação e até extinção do SUS, movidos por força de interesses econômicos com grande influência entre os parlamentares. Um dos projetos que visa a atender aos interesses desses grupos é a Proposta de Emenda à Constituição 451/2014, de autoria do presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que obriga as empresas a oferecerem planos de saúde privados para todos os funcionários. Como avalia essa PEC?

De uma perversidade sem limites, pois isso seria justamente enfraquecer ainda mais o SUS, retroceder ao modelo anterior ao SUS (os INAMPS) [era uma autarquia federal vinculada ao Ministério da Previdência e Assistência Social (hoje Ministério da Previdência Social), e foi criado pelo regime militar em 1974 pelo desmembramento do Instituto Nacional de Previdência Social (INPS), que hoje é o Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). Tinha a finalidade de prestar atendimento médico/dentário aos que contribuíam com a previdência social, ou seja, somente aos contribuintes de toda forma e seus dependentes] que beneficiam muito mais os planos de saúde (que doaram consideráveis quantias para a campanha do autor do Projeto) garantindo um mercado de consumo.

Aliás, algumas coisas temos aprendido nesses mais de 20 anos de SUS: toda vez que você fortalece os planos de saúde, você enfraquece o SUS; esses dois polos são antagônicos. O SUS e o sistema de saúde privado não se dão bem, pois nasceram de lógicas completamente diferentes, um nasce sobre a perspectiva de saúde como um direito de todos e um dever do Estado garanti-la; já a outra segue a lógica de que saúde é uma mercadoria e, assim sendo, posso vendê-la a quem esteja interessado em comprá-la.

ADITAL – Que tipo de iniciativas por parte do Estado e também da sociedade civil organizada poderíamos apontar como necessárias à garantia da Saúde no Brasil como política de direitos sociais, pública, gratuita, integral e de qualidade?

Por parte do Estado, primeiro, é repensar sua agenda. Propostas como apresentadas pelo ministro da Saúde Artur Chioro da “cobertura universal” não garantem saúde à população brasileira, mas, sim, aprofunda essa lógica perversa de segmentação do SUS. Além delas, o Estado tem de rever a lei recentemente aprovada que permite a entrada do capital estrangeiro na saúde, acabar com a lei das OS/OSSIP’s [Organizações Sociais/Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público], resolver o problema do subfinanciamento, auditando a dívida pública que consome 44% do orçamento do Estado e colocar em áreas essenciais como saúde e educação.

Seriam esses o primeiro passos e, para nós, sociedade civil, a melhor e mais forte iniciativa é se organizar e lutar. Historicamente, a saúde pública no nosso país não foi feita com acordos de cúpulas e, sim, com luta da sociedade organizada. Para melhorar a Saúde do Brasil, lutar é o melhor remédio.

ADITAL – No início deste mês, a estudante de Medicina Ana Luiza Lima, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), foi hostilizada e agredida por discursar em cerimônia de dois anos Programa Mais Médicos, agradecendo a oportunidade de ingressar na carreira a partir de políticas públicas do governo da presidenta Dilma Rousseff. Como avalia o episódio e como isto se articula com o atual contexto político da categoria médica?

Olha, no Brasil de hoje, como já disseram anteriormente, o fascismo saiu do armário e o discurso de ódio tem sido presente na mídia brasileira. Porém, esse discurso é minoritário na população. O grande problema é que é a única conversa que se assiste e lê massivamente no Brasil e ganha um aspecto de “maioria”.

Esse discurso de ódio (incentivado pela mídia), assim como esse sentimento, não é racional e tem atingido várias pessoas que ousam questionar esse discurso ou mesmo defender propostas mais progressistas. Hegemonicamente, a categoria médica tem se comportado como defensora do interesse das elites desse país. Digo “hegemonicamente” porque há, neste país, médicos que pensam diferente, que seu discurso e sua pratica são voltados para resolver os problemas de saúde do povo, ao ponto de chamar colegas de “escravos”.

As médicas e médicos populares se solidarizam com Ana Luiza Lima. Acreditamos que existem muitos desses estudantes que são progressistas e que acreditam que, para exercer a medicina, é necessária uma dose elevada de humildade e ternura. E convidamos a tomar partido dessa luta de ideias que se trava hoje no Brasil, para dizer em alto e bom tom que, para cuidar das pessoas, é necessário muito amor.

ADITAL – Como avalia o Programa Mais Médicos?

Avaliamos como positivo o Programa Mais Médicos. Esse esforço e a humildade em pedir ajuda para cuidar da nossa população tem sido uma experiência extraordinária tanto para os profissionais que atenderam a esse chamado como para a população, que passou a vivenciar um outro paradigma da relação médico-paciente. E isso vem modificando indicadores de saúde da população, ou seja, tem apresentando impactos reais sobre a população.

Como passo inicial, é fundamental garantir o acesso a toda a população brasileira aos serviços de saúde; e nossa cobertura ainda segue pequena, por volta de 64% da população está coberta pela atenção primária de saúde. Agora surgem desafios que devem ser resolvidos para avançar na política de saúde do Brasil e a principal é resolver o problema do financiamento do SUS.

ADITAL – Como a Rede se posiciona diante das resistências dentro da categoria médica com relação ao trabalho que os profissionais cubanos têm desenvolvido no Brasil?

A rede acredita que o ódio e o preconceito jamais devem ser valores de um profissional da saúde, de um guardião da vida. O que nos move são sentimentos de outra índole, como a ternura e a solidariedade. E essa resistência tem algumas raízes políticas profundas: a primeira é porque são cubanos! E porque Cuba é uma ilha socialista! Existe um medo que beira ao extremismo em falar disso dentro da categoria médica, até porque planejar um sistema de saúde somente público seria perder privilégios para muitos.

ADITAL – As políticas públicas de Saúde em Cuba são uma referência para a Rede?

São referências para nós aqueles países e os modelos de Saúde implementados que garantiram a saúde como um direito a toda sua população. E Cuba, dentro desse contexto, jamais deixará de ser uma referência. Primeiro pelos indicadores de saúde, que deixam claro que o país se empenha cotidianamente pela saúde do seu povo. Segundo pela grande ajuda humanitária que Cuba presta ao mundo, em especial à África e à América Latina.

Hoje existem mais profissionais médicos cubanos trabalhando em todo o mundo do que os médicos da ONU [Organização das Nações Unidas] e da Cruz Vermelha. Cuba está presente em mais de 147 países nos 5 continentes. E isso não cabe na lógica de quem pensa que o exercício profissional deve ser balizado pelo dinheiro e não pela solidariedade humana. Agora, também existem outros, como Canadá, Inglaterra, que têm experiências interessantes. E como toda referência, quando olhamos Cuba queremos ter a humildade em aprender aquelas políticas que deram certo e, se possível, reinventá-las aqui, não como receita, mas como uma lógica de política publica a ser feita.

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24 Aug 17:06

Os gritos e insultos de um casal contra Haddad; veja o vídeo

by Luiz Carlos Azenha

Notem o homem de boné azul claro e camiseta da Red Bull e a mulher de preto que seguem o prefeito; registro de Luciano Redondo, que passava pelo local

Nota da Prefeitura:

A Prefeitura esclarece que, no evento de inauguração da ciclovia da Bernardino de Campos, ocorreu um pequeno incidente que não abalou o clima geral festivo e de alegria com pedestres e ciclistas na Av Paulista. Próximo ao cruzamento da Paulista e da Augusta, um homem e uma mulher abordaram o prefeito Fernando Haddad e impediram que ele seguisse seu percurso de bicicleta, com gritos e insultos. Quando o homem segurou a bicicleta do prefeito, ele desceu e seguiu a pé. A segurança do prefeito buscou liberar a bike e dissuadir ciclistas de reagir contra o homem e a mulher. O prefeito Fernando Haddad considerou a manifestação inoportuna e pediu para que isso não estragasse o sucesso do dia.

PS do Viomundo: Quem incute o ódio na cabeça dos antipetistas doentios? Protestam contra as ciclovias em São Paulo mas adoram alugar bicicleta em Paris!

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Internauta cria evento para lembrar Aécio que ele perdeu a eleição

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24 Aug 12:31

Territórios ocupados: forças de segurança marroquinas atacam no bairro de Um Tunsi de Dakhla (antiga Villa Cisneros)

by noreply@blogger.com (AAPSO)


 As forças de segurança marroquinas atacaram este sábado o bairro de Um Tunsi, na cidade ocupada de Dakhla (antiga Villa Cisteros), depois de vários jovens se terem manifestado em protesto contra as forças de ocupação posicionadas na zona, informam fontes informativas dos territórios ocupados do Sahara Ocidental.

Segundo essas fontes, as forças de ocupação agrediram cidadãos saharauis em suas casas provocando uma situação de pânico no bairro e noutros locais da cidade.



As forças de segurança marroquinas - exército, polícia e forças auxiliares - mantêm um cerco permanente à cidade e estão dispersas por todos os bairros para impedir que os saharauis saiam à rua para protestar contra a sua presença e o uso de práticas violentas que exercem contra os civis inocentes.