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04 Dec 19:35

A estreia do documentário do DCM sobre Alckmin, a Sabesp e a falta d’água em São Paulo

by Pedro Zambarda de Araujo

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O DCM apresenta nosso novo documentário: “O Escândalo da Sabesp: a verdadeira história da falta de água em São Paulo”.

Em maio de 2014, o governador Geraldo Alckmin inaugurou as cotas de volume morto do sistema Cantareira, o maior reservatório de água do estado de São Paulo. A crise hídrica dura há mais de um ano e não dá sinais de que está sendo devidamente debelada.

Produzimos reportagens financiadas por nossos leitores através da plataforma de crowdfunding Catarse. Conversamos com promotores do Ministério Público do Estado de São Paulo, funcionários, diretores, políticos e especialistas no setor de gestão de recursos hídricos, além de pessoas que estão vivendo o drama de abrir a torneira e sair ar.

Todos foram unânimes: o que aconteceu com a empresa foi uma gestão capenga de uma empresa altamente lucrativa, sob a leniência do governo Alckmin.

Divulgamos em primeira mão documentos do Ministério Público que acusam ex-funcionários da Sabesp de formação de um cartel de fornecedores terceirizados. Documentos da empresa mostram o adiamento das providências. Mostram com exclusividade que falhas de medição da água em edifícios comerciais geram prejuízos de R$ 200 mil até R$ 200 milhões por ano.

A Sabesp triplicou gastos com publicidade durante a reeleição em primeiro turno de Geraldo Alckmin em 2014. O dinheiro investido garantiu uma cobertura mansa da grande imprensa sobre a falta de água.

Cidade Tiradentes, na zona leste de São Paulo, chega a ficar mais de 17 horas diariamente sem água. O diretor metropolitano da Sabesp, Paulo Massato Yoshimoto, uma indicação do senador tucano Aloysio Nunes, chegou a sugerir às vítimas que corressem para as montanhas. Acompanhamos de perto as investigações da CPI aberta na Câmara Municipal. A má gestão é um grande negócio para a Sabesp.

A direção do documentário é de Carla Bispo, que se debruçou sobre o material que colhemos ao longo de meses. Confira o vídeo sobre esse escândalo que ainda está longe de se encerrar em São Paulo.

Muito obrigado pelo apoio.

 

04 Dec 17:12

A tática dos estudantes para tentar driblar a violência da PM de Alckmin. Por Mauro Donato

by Mauro Donato
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“Quero fazer amor com você”

 

Diante da rigidez de Alckmin, a flexibilidade dos estudantes. O desdobramento das ocupações das escolas se dá em ocupações de ruas e avenidas concretizando o grito de “se a escola fechar, a cidade vai parar.”

Os estudantes dão a cara a tapa. Não têm medo. Sabem que irão apanhar, mas a causa é maior. Como num flash mob decidem rapidamente quais ruas serão interditadas e surgem de surpresa, carregando cadeiras e faixas. Em poucos minutos interrompem o trânsito das principais vias de São Paulo. E tome porrada e bomba.

Na manifestação acompanhada pelo DCM na tarde desta quinta-feira  (3), não teve tiro. Mas não faltou a ameaçadora escopeta apontada para os adolescentes. Uma mãe se desesperou ao ver a arma ‘não letal’ apontada para os jovens e foi tirar satisfação com o comandante. “Esse é seu trabalho? Vai bater em criança, você não tem vergonha não?” Levou um grotesco empurrão com um escudo. Uma chuva de bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral é lançada. Ao menos três pessoas foram feridas por estilhaços.

Impedida pela Justiça de colocar em prática as reintegrações de posse das escolas ocupadas, a Polícia Militar tem se esbaldado com os protestos dos alunos realizados do lado de fora. Nas ruas, demonstra toda sua sanha. Quebra a cadeira na cabeça de aluno, enfia murro na cara como se em briga de rua, da golpes de cacetete nas pernas de meninas, prende adolescentes como se fossem bandidos.

Está na hora da revisão: vamos repetir? Estudantes. Adolescentes. Alunos.

Ao final do protesto de ontem, 14 deles foram detidos. Já são mais de 30 no total e muitos feridos. O que está possibilitando essa barbaridade?

Já noticiamos aqui no DCM que jornalistas da grande mídia foram instruídos a não abordar o assunto de outra forma que não seja favoravelmente ao plano de reorganização do ensino proposto pelo governo. E isso é mais facilmente percebido nas ruas do que vendo os telejornais. Com essa cobertura, a polícia recebeu um cheque em branco. Poucas vezes em manifestações vi tantas expressões raivosas e reações desmedidas de policiais. Tudo bem, exagero, já vi muito piores afinal estamos falando da PM, mas quando se trata de repressão a adolescentes não há como não se revoltar.

Pela manhã, o estudante Elissandro Dias Siqueira ficou pendurado como em um pau-de-arara do Doi-Codi. Enquanto era carregado, suas calças caíram e ele assim foi mantido, humilhado em plena rua. Se fosse seu filho, o que você faria?

O Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH), classificou ontem como “verdadeiro atentado” contra os direitos de crianças e adolescentes essas medidas de repressão adotadas depois do chefe de gabinete da Secretaria de Educação declarar guerra. E como em guerra vale tudo, há ainda uma outra covardia sendo praticada nas prisões realizadas. Dada a participação de menores nos protestos, quando um manifestante detido é maior de idade está sendo acudado de aliciamento de menores. Isso é um golpe baixo repugnante.

O governo Alckmin diz estar aberto ao diálogo, mas publica o decreto assim mesmo. Diz estar aberto ao diálogo, mas joga a PM em cima. Diz estar aberto ao diálogo, mas pratica coação na imprensa.

Como na realidade não ouvem ninguém, secretaria de segurança e governador afirmam que não irão tolerar o fechamento de ruas uma vez que impede o ‘sagrado’ direito de ir e vir (sempre tirado da manga e pelo visto mais importante que o direito à educação). Mas o curioso é que na noite anterior, 30 pessoas pararam a avenida Paulista para ‘comemorar’ a bertura do processo de impeachment de Dilma.

A polícia não chegou batendo e lançando bombas por que? Quando a causa é simpática ao governador daí tudo bem? Então não é uma questão técnica ou legal, há um fundo político nas ações determinadas por ele. Não é ele quem diz o tempo todo que o movimento dos alunos não é legítimo pois é político?

E até onde vai isso? Simples. Com a pesquisa Datafolha divulgada hoje sinalizando a popularidade de Alckmin em queda livre, é certo que ele irá recuar. E mais uma vez isso nada tem a ver com uma preocupação com a educação ou respeito ao direito de manifestação. Terá sido simplesmente para salvar a própria pele.

 

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04 Dec 17:06

Os estudantes que jamais vão apanhar da polícia de Alckmin. Por Paulo Nogueira

by Paulo Nogueira
Alunos do Santo Américo, em São Paulo; a realidade é outra para eles

Alunos do Santo Américo, em São Paulo; a realidade é outra para eles

O Brasil se dividiu desde sempre entre os (poucos) privilegiados e os (muitos) esquecidos.

É uma divisão presente até na pancadaria que a polícia de Alckmin desfere nos estudantes de São Paulo que lutam apenas por uma coisa: que suas escolas não sejam fechadas.

(A posteridade haverá de anotar esse fenômeno: alunos apanharem da polícia por rejeitarem o fechamento de suas escolas.)

Os termos genéricos – alunos, estudantes – estão sendo empregados erradamente.

Porque não são todos os estudantes que estão sendo castigados. São os estudantes mais humildes, mais simples, de recursos mais contados. Aqueles, em suma, que ninguém enxerga.

A família deles não tem dinheiro suficiente para pagar uma escola particular. E é por isso que eles sofrem nas mãos de uma polícia que despreza pobres.

Os alunos das escolas particulares – meus filhos todos estudaram nelas – estão protegidos, preservados.

Este é o país em que o igualitarismo – aquele sistema sagrado que oferece iguais oportunidades a todos, e assim faz reinar a meritocracia – é uma coisa selvagemente combatida pelos donos do dinheiro e do poder.

Os outros meninos – os abastados – estão agora nos shopping centers de São Paulo fazendo compras de Natal.

Em breve, viajarão para resorts brasileiros, ou para o exterior, e assim se recuperarão para um novo ano de estudos em 2016.

Continuarão a ter os melhores professores, as melhores instalações para aprender, as melhores chances para garantir um futuro ensolarado.

Continuarão também a chegar às escolas confortavelmente acomodados em carros dirigidos pelos pais ou avós, ou por motoristas profissionais.

Bem diferente é a realidade dos meninos que enfrentam a polícia de Alckmin nestes dias.

As escolas estão em ruínas, frequentemente. Professores miseravelmente pagos não têm condições de ensinar como na rede privada. Para chegar a bancos escolares em pedaços, estes alunos se locomovem em ônibus abarrotados, ou simplesmente são obrigados a caminhar pelas ruas poluídas de São Paulo.

Estes garotos – e garotas, é claro – têm que remar várias vezes mais que os demais, e quase sempre em vão.

Muitos desistem de estudar, em algum momento. São obrigados a trabalhar para ajudar a família.

A polícia fará sempre parte de sua vida.

Agora a polícia bate neles com cassetetes. Mais tarde, metralhadoras poderão substituir os cassetetes, como aconteceu recentemente no Rio.

Ninguém os ouve, ninguém lhes dá satisfação.

Alckmin quis tirá-los de suas escolas sem sequer explicar os fundamentos de sua pretensa reforma. Em vez de ouvir os jovens, Alckmin preferiu ouvir o arcebisbo, de quem recebeu o conselho tardio de explicar aos estudantes e suas famílias a lógica de seu plano repudiado.

É assim a vida para eles. São os invisíveis da sociedade.

Às vezes reagem, como aconteceu agora.

E é assim, só assim, que a humanidade evolui: quando quem é pisoteado se insurge.

Por isso a rebelião dos estudantes de escolas públicas de São Paulo deve ser aplaudida com entusiasmo.

04 Dec 17:05

Rodrigo Vianna: O impeachment, feito por Cunha, é um golpe do PSDB; “você, Cunha, arranca o PT da presidência, e nós livramos a sua cara!”

by Conceição Lemes

cunha, aécio, paulinho e serra
Esses aí querem tirar Dilma para combater a corrupção?

O impeachment, feito por Cunha, é um golpe do PSDB

dezembro 3, 2015 12:25 Atualizado

O golpe tucano é assim: “você, Cunha, arranca o PT da presidência, e nós livramos a sua cara!” Ou seja, trata-se de um golpe parlamentar. Promovido pelo homem mais sujo do Brasil, com apoio dos que perderam a eleição em 2014.

por Rodrigo Vianna, no Escrevinhador, sugestão de Messias Macedo 

A decisão de Eduardo Cunha, de dar seguimento a um pedido de impeachment formulado pela oposição, gera imensas dificuldades para o país: cria incerteza na economia, atrasa decisões de investimento, aumenta a probabilidade de que a recessão se aprofunde.

Mas, do ponto de vista estritamente político, a decisão não chega a ser um desastre para Dilma. Por alguns motivos, que passo a listar.

Primeiro: o momento de abrir o processo não é o mais adequado, se a ideia é mobilizar as pessoas na rua para derrubar Dilma.

Desde o começo de 2015, este blogueiro tem dito que a hora da verdade para Dilma seria o primeiro semestre de 2016, quando a economia chegaria ao fundo do poço, provocando (além da crise política e econômica) também instabilidade social. Para a oposição, o momento ideal de abrir o impeachment seria maio ou junho de 2016. A base social de Dilma estaria ainda mais frágil, e o desemprego poderia criar uma espécie de consenso pela derrubada.

Cunha, no entanto, não podia esperar. Agiu por vingança. E essa será a disputa agora: uma disputa de narrativas.

Aécio/Serra/Cunha/Temer e a mídia golpista tentarão caracterizar o impeachment como fato consumado, um dado da realidade. Reparem como as manchetes dos portais não trazem o contexto, não dizem: “Acuado e ameaçado de prisão, Cunha se vinga e abre impeachment”.

Os portais da Folha (UOL) e da Globo (G-1) preferem uma saída técnica, tipo: “saiba o passo a passo do impeachment”. A ideia é criar esse clima de “naturalização”.

Pode dar certo? Pode. Mas, neste momento, Dilma tem grandes chances de caracterizar a decisão de Cunha como manobra, e não decisão técnica. Pra isso, é preciso travar a guerra de comunicação.

Governo, PT e forças democráticas em geral devem mostrar a decisão de Cunha como aquilo que é: um movimento de vingança, de uso indevido do cargo.  Acusado de esconder dinheiro na Suica, às portas de perder o mandato e de ir pra cadeia, Cunha usa a presidência da Câmara para se livrar dos problemas. E, pra isso, lança o país num abismo – em parceria com líderes do PSDB.

Reparem que jornalistas com um pingo de responsabilidade, mesmo em organismos comandados pela direita, já se insurgem.  Foi o que fez Jorge Bastos Morenos (“O Globo”), em sua conta no twitter: “Sinto-me, como todos os brasileiros, ofendido na minha inteligência com a alegação de Cunha de que tomou uma decisão técnica. Foi vingança.”

Segundo: vai ficando claro para a população que há uma articulação PMDB/PSDB para tomar o poder, sem passar pelas urnas.

Durante dias, ouvimos falar na mídia de uma barganha PT/Cunha. Mas o que vemos agora é que no fim essa barganha não se desenvolveu.

A barganha em curso é outra: “você, Cunha, arranca o PT da presidência, e nós livramos a sua cara!” Ou seja, trata-se de um golpe parlamentar. Promovido pelo homem mais sujo do Brasil, com apoio dos que perderam a eleição no voto em 2014. Aécio, Serra, Paulinho, Cunha e Temer não querem combater a corrupção. Eles querem o poder, sem precisar do voto popular.

Cunha teria consultado outras lideranças, avisado o vice Michel Temer, e recebido sinal verde para a operação. A oposição tucana (com exceção de Alckmin, às voltas com uma crise em São Paulo) percebeu que esse era o momento para fechar o acordo com o PMDB. Com o presidente da Câmara acuado e Temer amedrontado diante da Lava-Jato, os peemedebistas estariam mais propícios a patrocinar o golpe.

Esse cenário, de articulação palaciana e de um impeachment que surge quando as ruas estão vazias (ou seja, é fruto de um grande acordo “por cima”), pode tirar o PT e a esquerda da letargia.

A tentativa de impeachment pode dar a Dilma e ao PT a chance de falarem em nome da democracia.

Terceiro: o impeachment surge num momento em que o governo reorganiza sua base no Congresso. Nas últimas votações, Dilma ganhou, enterrou a pauta-bomba.

Tanto nas ruas, como no Congresso, o momento não é o mais propício para o golpe. Mas eles vão tentar…

Hoje, eu diria que a presidenta tem 60% de chance de ficar no cargo. E de sair da crise mais forte do que entrou.

Se cair, abrir-se-á um período de mais instabilidade. Aécio, na sequência, tentará derrubar Temer, para que novas eleições sejam convocadas. Serra, por sua vez, tentará sustentar Temer até 2018, para ser ele (o estadista da Mooca) o comandante do país.

É um enredo em que o país está seqüestrado por interesses privados.

O PT errou muito, entregou-se a todo tipo de acordo e se lambuzou na zona cinzenta dos interesses privados que dominam o Estado brasileiro. Tudo isso é fato. Ainda assim, na undécima hora, o PT mostrou compromisso com a democracia ao recusar a barganha de Cunha.

Agora, é preciso travar a disputa final. Pra ganhar ou perder.

Mas há boas chances de vitória, se o lado da democracia agir de forma unida e sem medo de um embate total. Do outro lado, há o que existe de mais podre e atrasado nesse país. Uma disputa tão grave como a travada em 1954, 1961 e 1964.

Não está escrito nas estrelas quem vai vencer. Depende da disputa real, que está em pleno curso. Nas redes e nas ruas.

Leia também:

No pedido de impeachment, oposição omitiu decretos de créditos suplementares assinados por Temer 

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02 Dec 19:33

Alckmin fez “operação abafa” no Estadão e na Folha às vésperas de decreto sobre “reorganização” do ensino

by Pedro Zambarda de Araujo
O secretário de Educação Voorwald e o governador Alckmin

O secretário de Educação Voorwald e o governador Alckmin

 

Jornalistas da Folha de S.Paulo e do Estado de S. Paulo falaram com o DCM na condição de anonimato sobre uma visita de Geraldo Alckmin às empresas onde trabalham.

O governador esteve no Estadão na segunda-feira, 30 de novembro, para uma reunião de mais de duas horas. No dia seguinte foi almoçar na Folha, informação confirmada pela própria coluna Painel do jornal.

O assunto principal das reuniões foi o mesmo: as manifestações de estudantes que ocuparam mais de 200 escolas em São Paulo. A conversa do Estadão teve a presença do diretor de conteúdo do grupo, Ricardo Gandour, e da equipe do caderno Metrópole.

A cobertura jornalística do Estadão manteve as notícias factuais sobre as ocupações e deu capa para a pancadaria da PM na Avenida Nova de Julho contra estudantes. No entanto, o jornal estampou em manchetes o termo “invasão” no lugar de “ocupação”. A palavra “invasores”, no entanto, não estava nos textos — o editor mexeu apenas nos títulos.

Outra decisão interna chamou atenção depois da reunião com Alckmin. Por causa do vazamento do áudio em que o chefe de gabinete da Secretaria Estadual de Educação, Fernando Padula, declara “guerra” aos opositores da “reorganização”, a chefia do jornal determinou que os repórteres passassem a falar com Dom Odilo Scherer para dar “o outro lado” (Odilo foi citado por Padula na gravação capturada por Laura Capriglione, do Jornalistas Livres).

Já a Folha havia publicado, na tarde do dia 1º, um vídeo na TV Folha que mostrava as mobilizações nas escolas.

Pouco depois da saída de Geraldo Alckmin da sede na Barão de Limeira, o material foi retirado do ar. Só foi recuperado por um usuário do sistema de vídeos Vímeo, chamado Leonardo Musa, que deixou uma mensagem na internet. “Este vídeo estranhamente sai do ar quando Geraldo Alckmin visita a Folha para um amigável café. Por favor, espalhem”, dizia a mensagem.

A capa da Folha desta quarta-feira, 2 de dezembro, não estampava fotografia dos protestos na Nove de Julho que resultaram na detenção de dois menores, um de 15 e outro de 17.

Tampouco havia qualquer coisa sobre a ação da Polícia Militar e muito menos sobre Alckmin. Apenas uma enorme chamada sobre a retração do PIB.

02 Dec 19:32

A contribuição milionária da imprensa para ampliar a crise econômica. Por Paulo Nogueira

by Paulo Nogueira
Só notícias ruins

Só notícias ruins

Existe uma expressão em inglês chamada self fulfilling prophecy. Numa tradução livre, profecia auto-realizável. O termo foi cunhado em 1949 pelo cientista social americano Robert Merton.

É mais ou menos o seguinte.

Você tanto fala numa coisa com bases falsas que ela acaba se tornando realidade. Um exemplo comumente citado é o de alguém que, ao acordar, já fala que vai ter um mau dia. Se ele colocar isso na cabeça, acabará por criar as condições para que seu dia seja, efetivamente, ruim.

O Brasil vive um momento de profecia auto-realizável. Tanto a mídia, por motivações políticas, gritou que o Brasil vivia um inferno econômico que as coisas, efetivamente, se complicaram.

Não há economia que resista a maciços ataques de catastrofismo.

Seria um ano difícil, sem dúvida. O Brasil vinha de dez anos de crescimento ininterrupto, e não há vento que sempre bata para um só lado na economia.

Adicionalmente, a crise global começou a cobrar – enfim – seu preço do Brasil. Mundo afora, o dólar estourou, para ficar num caso.

Mas a imprensa se apressou em atribuir o drama do dólar apenas ao Brasil. Não era o universo em convulsão. Era o Brasil. Quer dizer, era o governo Dilma.

Demorou semanas para que alguém, na mídia, mostrasse a floresta, e não a árvore: o dólar crescera diante de todas as moedas, do euro ao yuan chinês.

Agora, imagine. Você é empresário, e está submetido a uma corrente interminável de previsões apocalípticas.

O que você faz?

Vai para a defesa, naturalmente. Isso significa demitir, cortar investimentos e coisas do gênero.

Pronto. A profecia se auto-realizou.

Os rugidos negativistas da mídia encontraram o parceiro ideal numa oposição obcecada em derrubar Dilma, e cassar assim 54 milhões de votos, a qualquer preço.

Projetos fúnebres para o país – as apropriadamente chamadas pautas bombas – foram aprovados com a execução de Eduardo Cunha e a contribuição milionária do PSDB de Aécio.

A crise política nascida abjetamente do desejo sujo de dar um golpe na democracia acabou piorando, também, a crise econômica. Mais uma vez, era a profecia auto-realizável em ação.

Ainda haveria um outro fator para dar dimensões muito maiores a um problema que poderia ser relativamente pequeno: a Lava Jato, com seu espalhafato.

Segundo a BBC, a Lava Jato pode ter tido um impacto negativo no PIB de 2,5 pontos. Uma recessão de coisa de 1% negativo pode chegar a menos 3,5%. Grandes corporações ficaram imobilizadas com a Lava Jato.

Alguém terá feito a conta do custo benefício da Lava Jato? Moro pegou uma calculadora? Duvido.

Haveria uma forma de enfrentar a corrupção no mundo do petróleo sem o custo devastador que se apresentou? Muito provavelmente.

E o ciclo pode continuar. O economista Gustavo Loyola, presidente do Banco Central na era FHC, está no noticiário dizendo que a crise econômica vai até 2018.

É bom que se desconfie dessa previsão, muito mais fundada na política do que nos fundamentos econômicos.

Até porque, se ela se propagar, poderemos perfeitamente estar, neste final de 2015, começando a fabricar uma crise que cederá apenas em 2018.

A isto o professor americano Merton deu, em meados do século passado, o nome de profecia auto-realizável.

02 Dec 17:12

Nas cadeiras de Suas Excelências, a austeridade não se senta

by Fernando Brito

Da reportagem de Marcelo Lima, do jornal Tribuna do Norte, de Natal: “Do Museu de Arte Moderna de Nova Iorque (Moma) direto para o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJ/RN). Os...

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02 Dec 17:09

Milícias destroem patrimônio público e Alckmin conta com a mídia para culpar estudantes

by Conceição Lemes

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Como ficou a Escola Estadual Coronel Sampaio, em Osasco, após ser invadida por homens encapuzados e armados

por Conceição Lemes

Sorocaba, 27 de novembro, sexta-feira.

Oficiais de Justiça tentam, sem sucesso, entregar a notificação de reintegração de posse aos estudantes, que ocupam 21 escolas contra a“reorganização” do governo Geraldo Alckmin (PSDB).

Nas 48 horas seguintes, duas são invadidas por pessoas encapuzadas e armadas, que cortam a luz elétrica, ameaçam os alunos, roubam equipamentos e destroem o patrimônio público de ambas, quebrando vidros das janelas, portas, carteiras, máquinas.

Na madrugada de sábado, 28, isso acontece na Escola Estadual Mário Guilherme Notari, no Jardim Luciana Maria. Na noite de sábado, na EE Guiomar Camolesi Souza, no Jardim Maria Eugênia. À força, os estudantes  desocupam  as duas escolas.

O site Sorocaba de Verdade denuncia

Mais grave do que isso é o motivo que levou os estudantes a deixarem as escolas estaduais Mario Guilherme Notari, no Jardim Luciana Maria, e Guiomar Camolesi Souza, no Jardim Maria Eugênia: invasão da escola por bandidos que nada têm a ver com o movimento de resistência ao fechamento de escolas por parte do Governo do Estado e o constrangimento a que foram submetidos por profissionais da educação e “lideranças” dos bairros. Outras 19 escolas seguem ocupadas pelos alunos

Osasco, 30 de novembro, segunda-feira.

modus operandi utilizado em Sorocaba é aplicado na Escola Estadual  Coronel Sampaio, em Osasco, na Grande São Paulo.

O site O Mal Educado denuncia:

 “ATAQUE À E.E. CORONEL SAMPAIO EM OSASCO!! ESSA É A ESTRATÉGIA DE “GUERRA” DO GOVERNO?

Logo após o Governo declarar que iniciaria uma “guerra” contra o movimento dos estudantes, começam ataques violentos contra as ocupações mais afastadas das câmeras da grande mídia. Em Osasco, a E.E. Coronel Sampaio foi invadida e destruída por pessoas estranhas. A Polícia Militar estava no local e jogou bombas nos estudantes, mas não impediu que os invasores ateassem fogo no colégio.

(…)

O que aconteceu? Na manhã dessa segunda-feira, a Diretoria de Ensino de Osasco convocou a comunidade escolar para uma reunião para incentivar a desocupação da E.E. Coronel Sampaio. Logo em seguida, à tarde, um grupo de pessoas de fora invadiu a ocupação e começou a quebrar toda a escola, roubando muitos materiais. Aterrorizados, muitos dos estudantes que estavam ocupando o prédio saíram. Logo em seguida chegou a PM jogando bombas dentro da escola.

Os estudantes que permaneceram tentavam se reunir no pátio para decidir o que fazer, quando a escola foi novamente invadida pelos fundos e incendiada – e a PM estava presente o tempo todo! Tentando ajudar os outros alunos, dois estudantes ficaram feridos, um cortado pelos pedaços de vidro no chão, outro que passou mal devido ao medo e a fumaça. Um estudante conseguiu recuperar um tablet que fora roubado e trouxe de volta à escola.

São Paulo, 1º dezembro, terça-feira.

Sai no Diário Oficial do Estado de São Paulo (DOSP) o decreto 61.671/2015, do governador Geraldo Alckmin, oficializando a “reorganização” escolar, que fechará 94 escolas e desestruturará  outras 782. Curiosamente não traz a assinatura do secretário da Educação, Herman Voorwald, nem a lista das escolas atingidas.

Ao mesmo tempo, a Secretaria Estadual de Educação põe escancaradamente em prática outra estratégia de “guerra” do governo tucano contra os estudantes.

Ela foi acertada no domingo 29, na reunião reservada do chefe de gabinete de Voorwald, Fernando Padula Novaes, com 40 dirigentes de ensino do Estado, e que vazou. “A gente vai brigar até o fim e vamos ganhar e vamos desmoralizar [quem está lutando contra a reorganização]”, Padula arrotou.

Ao arrepio da lei, inclusive contrariando decisão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (T-SP), manda a PM  invadir escolas. Além disso,  para mobilizar a comunidade espalha mentiras. Por exemplo, a de que os alunos irão perder o ano. Chega ao cúmulo de orientar  pais e mães a fazerem matrícula em escolas ocupadas, para gerar tensão.

O alvo “inaugural” desta outra estrategia é a Escola Estadual Maria, na Bela Vista, zona central da capital.

Jornalistas Livres acompanhou toda ação desde cedo:

* No início da manhã, Fernando Padula foi pessoalmente à Maria José pressionar os estudantes. Ridícula a sua “performance” como tiozão legal, compreensivo (veja no vídeo abaixo).  Mais falsa que nota de R$ 3. Não convenceu.

*Em seguida, um bando, tendo à frente o diretor da escola, Vladimir Teofilo Fragnan Filho, arrombou o cadeado do portão do colégio e invadiu o prédio, que vem sendo mantido e cuidado pelos alunos.

* À porta, a Polícia Militar (PM) assistiu toda essa movimentação, como se não estivesse acontecendo nada.  O spray de pimenta ficou apontado só para os alunos.

* Na sequência, orquestrados pela diretoria de ensino na sua chamada “guerra” contra as escolas ocupadas,  a Polícia Militar e um bando de civis invade a escola e expulsa os jornalistas (veja no segundo vídeo abaixo).  A ação é truculenta. Na tentativa de desocupar, policiais espirram spray de pimenta em crianças e adolescentes.

* E, aí, a covardia das covardias. O diretor da Escola Estadual Maria José, Vladimir Teofilo Fragnan Filho, deu um tapa rosto de uma estudante de 16 anos que protestava contra a “reorganização escolar”.  Um colega foi socorrê-la e acabou espancado por policiais que escoltavam o diretor. Acompanhados da mãe da menina, os dois jovens fizeram Boletim de Ocorrência (BO) na 5ª DP, para denunciar diretor e PMs por lesão corporal.

Diante da leitura do BO e das imagens destes vídeos, a pergunta óbvia: Se o governo Alckmin agiu com tamanha truculência, em plena região central da capital, o que não será capaz de fazer nas escolas das “quebradas”?

Barbárie - BO-002

CONEXÃO SOROCABA-OSASCO-BELA VISTA SP

A esta altura, outras perguntas são inevitáveis:

– O que aconteceu em Sorocaba tem a ver com o que ocorreu em Osasco e Bela Vista, na capital paulista?

A resposta é sim, claro.

– O que une os ataques de grupos armados a escolas ocupadas em Sorocaba e Osasco?  

Como o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP) vetou a reintegração de posse das escolas ocupadas e o uso da PM nessas ações, aparentemente a “solução” foi criar milícias de cunho fascista para expulsar a garotada.  Há indícios de digitais tucanas nelas.

Vejamos.

Barbárie -- roney - devolve a minha escola1. Na semana passada, o Movimento Ação Popular, ligado à juventude do PSDB, criou no Facebook a página Devolve a Minha Escola, cujo objetivo  é combater as ocupações nos colégios. Administra-a Roney Glauber (na foto ao lado, com Alckmin). Ele trabalha no Diretório do PSDB em Guarulhos e  preside  Juventude tucana Guarulhos.

Além da página no Facebook, integrantes do Movimento da Ação Popular  têm visitado escolas ocupadas para pressionar os alunos, revela a revista Fórum.  Quando percebem que não vão conseguir, fazem ameaças.  “Tudo bem, se não vai sair por bem, vai sair por mal”, disseram a uma manifestante  da capital.

2. Tudo indica que aí eles já iniciavam os preparativos para a “guerra” contra as escolas ocupadas, deflagrada por Fernando Padula, chefe de gabinete do secretário da Educação de São Paulo,em reunião reservada, cujo áudio vazou.

3. Coincidentemente, nessa reunião do domingo, Padula apresentou de forma solene um militante do Movimento Ação Popular, que frequentemente comparece nas manifestações pelo impeachment da presidenta Dilma. Seria o próprio Roney? Como apenas o áudio vazou, não dá para ter certeza.

4.O fato é que o movimento fascista contra as escolas ocupadas se intensificou na já famosa reunião de domingo, quando foram divulgadas por Fernando Padula e Valéria Volpato as estratégias do governo Alckmin contra os movimento dos estudantes.

Ouvir Padula contar que as placas de carros estacionados próximos às escolas estavam sendo fotografadas para saber se eram de integrantes da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Estado de São Paulo) deu náuseas. Me fez voltar aos tempos da ditadura militar, quando professores, alunos, funcionários eram vigiados.

Barbárie - Coronel4-0035. Curiosamente, o chefe de gabinete do Secretário da Educação (ao lado, de terno) chegou  à Escola Estadual Coronel Sampaio, em Osasco, logo após o ataque armado de destruiu o colégio. Teria sabido antes?

No caso da Maria José, a PM e um bando de civis (acompanhava o diretor) partiram para cima da garotada pouco depois de Fernando Padula ir embora. Teria partido dele a ordem para a PM invadir a escola?

6. Estranhamente, tanto em Osasco quanto na Bela Vista a Polícia Militar do governo Alckmin assistiu passivamente às agressões aos estudantes  e às escolas e nada fez. Pelo contrário. Na escola da Bela Vista, os estudantes levaram spray de pimenta no rosto. Seriam ordens  superiores?

CONLUIO CRIMINOSO DA GRANDE MÍDIA COM O GOVERNO PAULISTA 

Como era de esperar, os telejornais desde ontem cedo apontavam para os alunos como responsáveis pelo vandalismo, livrando a cara do governo Alckmin.

No caso de TV Globo, isso começou no Bom Dia São Paulo e culminou no Jornal Nacional. O conluio mídia/tucanos, como sempre.

Ao mesmo tempo, abriu os microfones para o chefe de gabinete do secretário da Educação conjeturar sobre haver “movimento político por trás”.  Ele quis incriminar

PT, PCdoB, movimentos sociais de esquerda… Nada de novo.

Só que não é necessário contratar nenhuma força-tarefa para se descobrir que os ataques de vandalismo às escolas ocupadas não partiram de alunos. Destruí-las não lhes interessa nem aos seus apoiadores.

A quem então interessa detonar uma escola?

A quem interessa fazer com que os estudantes desocupem uma escola?

Será essa a tática “de guerra” do governo em ação, para colocar a população contra a luta justa e digna dos estudantes?

Sugiro que o governador Alckmin procure os responsáveis  por estas arbitrariedades e truculências, nas próprias hostes tucanas, talvez alguns mercenários.

Diante tudo isso:

* Por que o Ministério Público do Estado de São Paulo demorou tanto para intervir e, assim, proteger crianças e adolescentes? Estava esperando uma morte para cumprir o seu papel constitucional de defender a sociedade? Nessa terça 1, finalmente, MP começou a se movimentar.

* Cadê os Conselhos Tutelares para proteger crianças e adolescentes de agressões e abusos?

* Os ataques  não seriam a materialização da volta de um eventual “acordo” entre o PCC e o governo Alckmin para impedir a continuidade do movimento?

Assim como Alckmin, os traficantes estão gostando nenhum pouco das escolas ocupadas. Primeiro, porque os alunos proíbem o uso de drogas nelas. Segundo,  porque aumenta o policiamento nas escolas, atrapalhando os “negócios”.

Há, portanto, uma tragédia anunciada e não dá para silenciar diante de tantas barbaridades.

Mais do que nunca quem realmente defende Estado de direito e a democracia só pode estar de um lado neste momento: o dos estudantes que ocupam as escolas.

A propósito: por trás dessa barbárie toda não estaria também o truculento Saulo de Castro, secretário de Governo de Alckmin? É aquele mesmo Saulo de Castro, que desacatou deputados e foi denunciado ao Ministério Público. Esse cidadão é conhecido pelo estilo trator e pela truculência.

PS do Viomundo:  Segundo o site Não fechem minha escola já são 231 escolas ocupadas. Até o momento, 2 de dezembro às 13h52, contabiliza 116 mil curtidas. Já o site do grupo pró-Alckmin, o Devolve minha escola, tem apenas 1.600.

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Giannazi: Alckmin está usando todo o aparto policial do Estado contra crianças e adolescentes 

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02 Dec 11:38

Justiça determina que médicos recebam mais por parto normal

by João Paulo Caldeira

Categoria: 

Saúde

Jornal GGN - A Justiça Federal determinou que a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) coloque em prática medidas para diminuir o número de cesáreas na rede particular de saúde. No Brasil, 84% dos partos na rede privada são cesarianas, quando o recomendado pela Organização Mundial da Saúde é de 15%.

Uma das medidas diz que os planos de saúde terão de pagar no mínimo três vezes para os médicos que auxiliarem em um parto normal. A remuneração era uma reclamação dos médicos, já que eles recebiam quase o mesmo valor pelos dois tipos de parto, mas o parto normal pode levar mais de oito, enquanto a cesárea exige duas ou três horas.

Enviado por Vânia

Da BBC Brasil

Médicos vão receber três vezes mais por parto normal, determina Justiça

Em uma decisão considerada um "um divisor de águas", a Justiça Federal determinou que a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) coloque em prática três novas medidas para reduzir o número de cesáreas na rede particular de saúde.

O Brasil é o país com a maior taxa de cesáreas no mundo: 84% dos partos na rede privada são cesarianas (na rede pública, a taxa é de 40%), enquanto o recomendado pela OMS é de 15%.

Com a decisão, em um prazo máximo de 60 dias, os profissionais de saúde da rede particular que auxiliarem em um parto normal terão de receber dos planos de saúde no mínimo três vezes mais do que na realização de uma cesárea.

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02 Dec 11:33

Sem diálogo com estudantes, Alckmin investe na PM para lidar com #ocupaescola e cortar orçamento; FEUSP denuncia Privataria Tucana

by Luiz Carlos Azenha

Manifestação da FEUSP sobre a Reorganização das Escolas Estaduais de SP

do site da FEUSP

A Congregação da Faculdade de Educação da USP, em sua 468ª Reunião Ordinária realizada em 29/10/2015, deliberou pela aprovação do seguinte Documento:

A Congregação da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FEUSP) vem a público manifestar sua indignação e veemente repúdio em relação à Reforma Educacional apresentada pela Secretaria de Estado da Educação de São Paulo (SEE/SP) que, baseada na separação das escolas por nível de ensino, acarretará o fechamento de inúmeros estabelecimentos.

Entre outras evidências, nas medidas tomadas, chama a atenção o descaso e o desrespeito às crianças e aos jovens, estudantes das escolas públicas, bem como a seus familiares e ao conjunto dos professores e funcionários que trabalham nos locais, que encerrarão abruptamente o atendimento em 2016, provocando sua remoção forçada e previsível desemprego, e a junção impositiva de turmas de estudantes.

A SEE/SP, nesta forma autoritária de agir, sem que qualquer diálogo tenha sido feito com os diretamente atingidos, nega, na prática, a educação como direito social fundamental, tratando-a na perspectiva da lógica mercantil e colocando a população e os profissionais diretamente atingidos como cidadãos de segunda categoria, além de praticar uma agressão a todos os que trabalham em prol da educação pública de qualidade.

A FEUSP considera-se, dessa forma, também atingida. Como formadora de profissionais para a educação, desenvolve estágios e outras atividades junto à rede estadual. A questão ética e de compromisso com a população atendida por esta escola é, sem dúvida, um eixo constitutivo da formação desenvolvida.

Impossível, portanto, silenciar, quanto às consequências imediatas e de médio prazo dessa medida.

É preocupante constatar, na política adotada, uma intenção irresponsável de economia de gastos públicos que, associada a iniciativas como a da flexibilização do currículo do ensino médio, o fechamento de salas no período noturno, a diminuição da oferta de vagas para Educação de Jovens e Adultos, entre outras, apontam para o descompromisso com a oferta pública da educação, funcionando como estímulo para a privatização do ensino.

O projeto de reestruturação do governo vem completar o processo de municipalização do Ensino Fundamental, o que está explícito no Projeto de Plano Estadual de Educação, encaminhado pelo executivo estadual para a Assembleia Legislativa de São Paulo. Conforme indicado na meta 21 desse projeto o objetivo é “promover, até o final da vigência do Plano Estadual de Educação (PEE), a municipalização dos anos iniciais do Ensino Fundamental”.

Cabe reforçar que, na passagem de 1995 para 1996, o processo de reorganização provocou o fechamento de 150 escolas, com a diminuição de 10.014 classes, E, entre 1995 e 1998, a rede estadual diminuiu 376.230 alunos atendidos com um decréscimo de 5,61%, enquanto, a rede municipal aumentou 841.860 atendimentos, crescendo quase 60%. Tais medidas, como sabemos, não promoveram a melhoria da escola pública estadual, de suas condições de ensino e trabalho.

Pode-se esperar que a reorganização das escolas estaduais desencadeie a ampliação de pequenas unidades privadas que já se espalham nos bairros e para as quais a população se dirige descrente da possibilidade de um serviço público de qualidade.

E, como denunciam os nossos colegas da Faculdade de Educação da Unicamp em sua Moção de Repúdio aos atos arbitrários da Secretaria Estadual da Educação, a municipalização tem sido um terreno fértil para os processos de privatização da escola pública, seja com a aquisição dos denominados “sistemas de ensino” de escolas privadas, via o apostilamento, seja para a ampliação das contratações terceirizadas, com as parcerias público-privadas e/ou com os contratos de gestão privada para o ensino público.

No Projeto de Plano Estadual de Educação encaminhado pelo governo, está evidenciada a orientação empresarial na organização da escola. A estratégia 6.7 que trata do Ensino em Tempo Integral, afirma:

“Estimular, em regime de colaboração, a apropriação dos espaços e equipamentos públicos e privados, articulando ações entre esses e as escolas, de forma a viabilizar a extensão do tempo de permanência do aluno em atividades correlacionadas ao currículo”.

Não é descabido, portanto, considerar que as medidas propostas irão fortalecer a configuração de um mercado que poderá se abastecer, em breve, de recursos públicos.

Nas atuais circunstâncias, nós, estudantes, professores e pesquisadores da Faculdade de Educação da USP, manifestamo-nos contrários ao projeto que orienta a reorganização das escolas estaduais e declaramos nosso apoio aos estudantes, pais e professores que, mobilizados nas ruas, defendem a escola pública e questionam o projeto de reorganização, exigindo diálogo com setores do governo.

Nessa direção, e em total acordo com as manifestações das forças políticas – partidos e entidades científicas e sindicais de educadores e estudantes – que contestaram, nas recentes audiências públicas, a proposta de Plano Estadual de Educação apresentada pelo executivo paulista, nos dirigimos à Secretaria da Educação do Estado para reivindicar gestão democrática e transparência administrativa, que sejam apresentadas as informações que subsidiam a proposta de reorganização da rede estadual e as medidas para o estabelecimento imediato do diálogo com a comunidade escolar do estado de São Paulo.

Reiteramos que quaisquer mudanças na organização da educação do Estado só devem ser implementadas após debates amplos e consulta, por meio de audiências públicas, à comunidade escolar e acadêmica especializada.

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Alckmin corta R$ 2 bi da educação em 2016

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02 Dec 11:30

A PM que bate nos estudantes está apenas fazendo o serviço sujo de Alckmin. Por Kiko Nogueira

by Kiko Nogueira
Allan Patrick

"Os paulistas foram acostumados à ideia de que todas as questões sociais — uso de drogas, greves, manifestações, doenças mentais, brigas de trânsito, mudanças no ensino — são resolvidos enviando homens especializados em inspirar o medo."

"Senta aqui, vamos conversar"

“Senta aqui, vamos conversar”

 

As cenas dos policiais batendo nos alunos que estão protestando contra a “reorganização” da educação pelo governo Alckmin ficarão marcadas na história de São Paulo.

O tipo de disciplina violenta resume um estilo que o Picolé de Chuchu consagrou. Ele é o falso cordato, o falso tiozinho gente fina do interior, eternamente adotando medidas de cima para baixo, sonegando informação, mentindo. Maluf, que apelava para Rota, ainda tinha um charme de vendedor de tapete persa.

Há um traço de psicopatia em Alckmin. Enquanto as pessoas iam presas na noite de 1º de dezembro, por exemplo, seu perfil no Twitter dava dicas sobre as aulas de moda ministradas pela primeira dama: “São cursos de Corte e Costura, Modelagem, Bordado em Linha, Bordado em Pedraria, Crochê e Confecção de Caixas, todos gratuitos”.

A PM está sendo, merecidamente, criticada por descer o cacete nos alunos. Agora: a culpa não é dos canas e sim de quem acredita que a solução para qualquer problema é acioná-los.

Os paulistas foram acostumados à ideia de que todas as questões sociais — uso de drogas, greves, manifestações, doenças mentais, brigas de trânsito, mudanças no ensino — são resolvidos enviando homens especializados em inspirar o medo.

Alguém se espantou com o fato de que, provavelmente, muitos daqueles soldados violentos tinham filhos em escolas ocupadas. Por que isso não os deteve? Porque eles não sabem fazer outra coisa e é ingênuo — eventualmente, injusto — achar que agirão de forma diferente. Eles são robôs? Sim.

Alckmin substitui autoridade por poder. O sociólogo americano Robert Nisbet fez uma distinção entre os dois conceitos. “A autoridade pressupõe relacionamento, lealdade e é baseada, em última análise, no consentimento de quem está sob ela”, escreveu.

“O poder, por outro lado, é externo e baseado na força. Existe onde as alianças se enfraqueceram ou nunca nasceram. O poder surge quando a autoridade desaparece”.

Alckmin não tem autoridade. Policiais militares não são professores, psicólogos, terapeutas de casais ou conselheiros familiares. São pagos para cumprir ordens e sobem na carreira ou caem em desgraça por causa disso.

Não estou, obviamente, defendendo as borrachadas. Só não faz sentido criar uma expectativa de um resultado alternativo com esses fulanos fardados. Como diz o velho adágio, para quem só anda com martelo, qualquer coisa é um prego.

O cabo Gustavo e o tenente Roberval estão fazendo o que ordena Geraldo Alckmin. É ali que mora a imensa dificuldade em dialogar, o autoritarismo, a incompetência e vontade de apelar para a solução mágica da pancadaria —tudo amparado na blindagem obscena dos suspeitos de sempre.

01 Dec 11:30

Justiça Eleitoral: “não mexam no meu, dane-se a lei”

by Fernando Brito

A esdrúxula portaria da Justiça Eleitoral dizendo que não pode realizar as eleições municipais de 2016 se no contingenciamento  a que está sendo obrigado o Governo eleitoral – obrigado, sim, porque há dinheiro, mas...

O post Justiça Eleitoral: “não mexam no meu, dane-se a lei” apareceu primeiro em TIJOLAÇO | “A política, sem polêmica, é a arma das elites.”.

01 Dec 11:14

Menos discurso de ódio, mais espaço de fala

by Mila Correa

Meu dia começou como todos os outros, reunindo forças, enquanto mexo no celular. Nessa hora, vi várias pessoas revoltadíssimas com um outdoor na cidade de Curitiba de um suposto “Movimento pela Reforma de Direitos”. Acho que todos, a essa altura já devam saber do que estou falando, para quem não sabe, olha esse link aqui.

Sim, a campanha é horrorosa, revoltante, nojenta, tem um caminhão de adjetivos que podem ser utilizados. Nem vou me estender nas razões pelas quais essas ideias constituem o mais claro discurso de ódio (que inclusive denunciado ao facebook deu em nada).

Com o passar das horas, e alguns apelos para que não se compartilhasse essa página, que isso estaria dando visibilidade a tão vil campanha, surgiram hipóteses (veja essa aqui, por exemplo) de que se tratava de “viral”, para alertar as pessoas sobre as opressões sofridas por pessoas com deficiência nessa semana na qual a ONU celebra o dia 03 de dezembro como Dia Internacional da Pessoa com Deficiência.

Aí é que tudo parece bem pior. Numa cascata de erros, temos como absurdo primeiro o discurso de ódio que a campanha prega.

A seguir, o erro se resume em dar grande visibilidade para essa campanha. O famoso “olha que absurdo” com o link da página que, a princípio, tinha pouquíssimos likes. Veja bem, entendo que a vontade é demonstrar o imenso nojo perante palavras tão capacitistas. Mas é nesse momento que eu queria aproveitar para lhes pedir que olhem um pouco para as pessoas com deficiência e vejam o que elas tem a dizer.

feminismo-e-deficiência

A agressão da página é abjeta e clara e por isso merece imediato descontentamento. Mas e quanto às agressões sofridas diariamente pelas pessoas com deficiência? Por que tão pouco discutidas, avaliadas? Seria um momento de reflexão, dessas pessoas que compartilharam a campanha do MRD, quantas delas já compartilhou textos escritos por pessoas com deficiência? Vivemos num tempo em que se dá mais voz a quem erra do que a quem precisa que alguém acerte.

Eu gostaria de ouvir menos sobre as ofensas, essas sofro na pele sempre. Eu gostaria de ser mais ouvida.

O que está sendo feito para além dos compartilhamentos revoltados?

Grande parte das agressões feitas contra pessoas com deficiência nem são percebidas como agressões. E isso também se deve ao fato de que as pessoas com deficiência são pouco ouvidas nos meios de comunicação. Não nos sentimos representados na política, no feminismo, nas grandes mídias. Parece que só temos a chance de aparecer quando é para mostrar quão desgraçada, cheias de percalços e histórias de superação é nossa vida, quando serve para nos manter no local de incapaz, menor.

acessibilidade-kdCadeirantes enfrentam dificuldades para usar ônibus em BH

Eu gostaria muito que esses cliques de indignação se revertessem em visibilidade para as pessoas com deficiência que estão aí a todo tempo dizendo o quanto o mundo é excludente. Muito se fala de vagas de estacionamento, enquanto a maioria da população com deficiência é de baixa renda e depende de transporte público (ou pelo menos uma calçada acessível) para, por exemplo, ir num posto de saúde ou frequentar a escola.

Há que se expandir os horizontes, trazer a voz para grande parte da população que vive escondida. Da próxima vez que tal tentar dar menos compartilhamentos para um (suposto) viral infeliz e mais espaço para que as pessoas com deficiência falem por si?

30 Nov 20:17

Max Altman: Na Venezuela, integrante de bando criminoso é o novo herói da direita

by Luiz Carlos Azenha

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Como um delinquente e integrante de um bando criminoso, julgado e condenado pela justiça, pôde ser dirigente da Ação Democrática?

por Max Altman, via Brasil de Fato

Quanto cinismo! O colunista da Folha de S. Paulo, Clóvis Rossi, (ed. 30 nov. mundo A13) por não querer assinar de próprio punho, passa a palavra a Luis Almagro, secretário-geral da OEA: “O assassinato de um dirigente político é uma ferida de morte para a democracia”, disse Almagro sobre o tiro que matou o venezuelano Luis Manuel Díaz, dirigente da oposicionista Ação Democrática”.

Ocorre que Rossi recebeu do blogueiro que assina esta matéria um dossiê, do até agora apurado, sobre o assassinato. O que se tem ao certo é que o crime foi um acerto de contas entre mafiosos e assim honestamente deve ser tratado por quem tem a incumbência profissional de informar.

O restante de sua coluna esforça-se por demonstrar que o pleito de 6 de dezembro não será “livre e justo”, as duas palavrinhas que a comunidade internacional usa para qualificar a lisura de uma votação. Centra sua argumentação, baseada em pareceres de especialistas, de que a cobertura eleitoral dos meios de comunicação de massa é francamente favorável ao governista PSUV, em detrimento do espaço oferecido à opositora MUD.

Por acaso, só para citar um exemplo, a cobertura dos meios de comunicação de massa brasileiros – televisão, rádio e imprensa escrita – não foi esmagadora e raivosamente favorável a um dos candidatos nas últimas eleições presidenciais? É que a direita e os neocons não se conformam que na Venezuela a revolução bolivariana montou uma rede de comunicação para travar a batalha de ideias contra seus opositores, o que infelizmente não aconteceu e não acontece no Brasil: o PT ter montado também sua rede de meios de comunicação de massa.

Interessante que logo abaixo da matéria de Rossi, uma reportagem assinada por Samy Adguirni, correspondente do jornal na Venezuela, sob o título “Reduto chavista vibra em comício opositor”, dá conta que a oposição realizou um ato eleitoral em Guarenas, estado de Miranda, ‘bastião histórico do chavismo’.

Menciona ainda outras ‘penetrações’ de oposicionistas em redutos chavistas. De seu relato, não se pode perceber o menor ato de violência ou sequer resistência a atos políticos da oposição em redutos governistas. Pode-se então deduzir que a campanha corre com plena liberdade de manifestação e é isto que deveria ser destacado se houvesse ‘equilíbrio’ na informação.

Por quê um delinquente, portador de alentado prontuário policial, ex-presidiário, julgado e condenado por homicídio, estava em liberdade e era dirigente de seu partido?

Esta é a pergunta que não foi respondida pelo secretário-geral do partido Ação Democrática, Henry Ramos Allup, sobre Luis Manuel Díaz, alcunha El Crema, um meliante extorsionista assassinado em virtude de acerto de contas entre quadrilhas durante um ato político da oposição.

“Secretário-geral da AD em Altagracia de Orituco”, assim o definiu Allup na rede social. “Cumpria apenas dois meses como dirigente local desse partido. Como chegou a este cargo, é a certeira pergunta que o mundo deve se fazer.

Díaz era membro de um bando de extorsionistas, Los Plateados, que em conflito para ter acesso exclusivo à cobrança de “vacunas” (vacinas- ‘taxa’ de proteção) de empresários de Guárico contra outra quadrilha, Los Malony, perpetrou um assassinato por encomenda. Com a mesma arma que mataram Díaz haviam matado outra desse mesmo bando, Los Plateados, em outubro.

Agora, sobre casos esses sim que podem ser catalogados como crimes políticos, houve alguma reação da OEA, do Parlamento Europeu? Robert Serra, deputado da Assembleia Nacional, morte planificada pela direita colombiana; Eleazar José Hernández Rincón, estudante de direito, assassinado em eleições estudantis por Yorman Barillas, dirigente do partido opositor Primero Justicia; Génesis Arguinzones, dirigente na localidade de Petare (Miranda), morta por encapuzados vinculados com Primero Justicia; Liana Aixa Hergueta González, esquartejada por José Rafael Pérez Venta, dirigente de Primero Justicia.

Houve alguma reação do mundo a respeito? Da chancelaria do Brasil, Uruguai ou Paraguai? Da OEA de Luis Almagro? De algum governo europeu? De Mario Vargas Llosa? De Fernando Henrique Cardoso? De Sebastian Piñera, de Felipe González, de Vicente Fox, de Ricardo Lagos, de Alejandro Toledo? De algum meio de comunicação da grande mídia internacional? Da CNN? Do Departamento de Estado? Da Casa Branca?

PS do Viomundo: E a série de reportagens da Band sobre a Venezuela, hein? O que foi aquilo?

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27 Nov 01:19

Haddad: Quando o Brasil voltar a crescer, SP terá longo ciclo de desenvolvimento

by Luiz Carlos Azenha

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São Paulo, grau de investimento

por Fernando Haddad, na Folha de S. Paulo

A cidade de São Paulo recebeu um inédito grau de investimento da agência de risco Fitch Ratings, na contramão do que vem acontecendo com entes públicos e empresas privadas no Brasil, depois de superar quatro abalos improváveis em 2013.

Em março daquele ano, o STF (Supremo Tribunal Federal) declarou inconstitucional o parcelamento do pagamento de precatórios. Em junho, a crise da tarifa de ônibus acarretou seu congelamento acumulado por quatro anos.

Em dezembro, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) suspendeu, de forma inédita, a atualização da planta de valores do IPTU, equívoco só corrigido um ano depois. No mesmo mês começou a recessão da economia paulista, que deverá, no quadriênio 2013-16, sofrer uma retração acumulada de 5%.

Em outras palavras, São Paulo, nesse período, pagou mais precatórios, subsidiou mais a tarifa e deixou de arrecadar como nunca antes. Piorou muito um cenário já difícil, com o impacto negativo de mais de R$ 10 bilhões no fluxo de receitas e despesas que se somou à dívida acumulada da cidade, de R$ 63 bilhões ou 197 % da Receita Corrente Líquida (RCL).

O governo da cidade, contudo, soube reagir. Em 2013, auditamos e revisamos valores e indexadores dos principais contratos com fornecedores e reduzimos a taxa de crescimento real das despesas de custeio de 11,8% para 1,1%.

Criamos a Controladoria Geral do Município (CGM), uma secretaria de transparência e combate à corrupção, que desbaratou a “máfia do ISS” e nos deu o título, concedido pela Controladoria Geral da União (CGU), de cidade mais transparente do Brasil.

Em 2014, São Paulo liderou a negociação, no Congresso Nacional, das dívidas municipais e venceu o debate sobre a retroatividade da troca do indexador, o que possibilitou o reequilíbrio econômico-financeiro dos contratos. No mesmo ano, aprovamos nosso Plano Diretor Estratégico (PDE), que permite à cidade apropriar-se de parte da mais-valia fundiária e direcioná-la a programas de transporte público e moradia popular.

Em 2015, encaminhamos para a Câmara Municipal a reforma da Previdência e construímos, com o governo do Estado e a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), a solução para o pagamento dos precatórios, já aprovada pela Câmara Federal.

Nossa folha de pagamentos encontra-se em patamar abaixo dos limites prudenciais da Lei de Responsabilidade Fiscal, de 35% da RCL, mesmo com acordos salariais e reestruturações de carreiras com a quase totalidade do funcionalismo.

Nossos investimentos, em contrapartida, aumentam a cada ano (sempre acima de R$ 4 bilhões ao ano), com perspectiva de melhora tão logo sejam normalizados os repasses de recursos para as obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), quase todas licitadas e licenciadas.

Por fim, nossa dívida caiu de R$ 63 bilhões para R$ 38 bilhões, ou seja, para 90% da RCL, o que devolve a autonomia que a cidade perdeu há 20 anos, inclusive para se financiar com linhas de crédito.

Quando o Brasil voltar a crescer, a cidade viverá um longo ciclo de desenvolvimento.

São Paulo se coloca, dessa forma, à altura dos desafios de uma grande metrópole global, não só do ponto de vista de um projeto urbano visionário, nos dizeres do “Wall Street Journal”, mas também do ponto de vista de sua sustentabilidade fiscal, como atestou a Fitch Ratings.

Essa reorganização, nas circunstâncias mais adversas, devolve a São Paulo agora seu merecido horizonte de grandeza.

FERNANDO HADDAD, 52, advogado, mestre em economia e doutor em filosofia pela USP, foi ministro da Educação (2005-2012). É prefeito de São Paulo

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25 Nov 23:32

Para a mídia, o banqueiro preso não é amigo de Aécio. Por Paulo Nogueira

by Paulo Nogueira
Nada a ver com Aécio, segundo a imprensa

Nada a ver com Aécio, segundo a imprensa

O senador Aécio Neves é um homem sem amigos, para a imprensa.

Ele não é amigo de Perrela, o homem em cujo helicóptero foi encontrada meia tonelada de pasta de cocaína.

Ele também não é amigo de Andre Esteves, o banqueiro preso hoje na Lava Jato.

Em contraste, Lula, segundo a mídia, é um homem cheio de amigos. Você é informado ubiquamente em jornais e revistas, por exemplo, que ele é amigo de um pecuarista preso na Lava Jato como o banqueiro Esteves.

Fui ver o que a decana do jornalismo econômico, Míriam Leitão, deu em seu blog no Globo sobre Esteves hoje.

Nenhuma menção a Aécio. Esteves se aproximou, nos últimos anos, do governo, disse Míriam.  Este seu pecado, para Míriam: aproximar-se de Lula e Dilma.

A empresa para a qual Míriam trabalha sempre esteve longe de governos, naturalmente, a começar pelos da ditadura militar, e depois seguindo por Sarney. Distância absoluta, o que dá a Míriam força para falar nos males trazidos pela proximidade com governos.

Não é notícia, nem para Míriam e nem para ninguém na imprensa, que Andre Esteves pagou uma viagem para Nova York para Aécio e acompanhante em 2013. Ele era então senador.

Em Nova York, Aécio falou num encontro com investidores estrangeiros promovido por Esteves. O casal Neves ficou hospedado num dos hotéis mais tradicionais de Nova York, o Waldorf Astoria.

Repare.

Ninguém discute se é ético um banco patrocinar uma viagem a Nova York para um senador da República.

Foi sua lua de mel. Aécio acabara de se casar. Míriam, como o resto da mídia, ignorou esta viagem de Aécio em seu texto. Será que ela acha moralmente aceitável este tipo de coisa? (Do episódio ficou o boato de que Esteves foi padrinho de casamento de Aécio. Não é verdade.)

Suspeito que para ela, assim como para a maior parte dos conservadores, haja duas formas de analisar uma mamata como a oferecida por Esteves a Aécio.

Para figuras como Aécio, tudo bem. Mas se fosse para alguém do PT seria um escândalo.

O Brasil vive a tragédia da dupla visão sobre episódios idênticos.

Fui ver o perfil do site da Folha sobre Andre Esteves. Mais uma vez, nenhuma citação a Aécio. Havia até, na última frase, a afirmação de que Esteves é sócio minoritário dos Frias no uol.

Mas silêncio absoluto sobre Aécio. É um homem sem amigos. O oposto de Lula.

Esta a mídia não enviesada, na definição antológica do juiz Sérgio Moro, outro luminoso exemplo de isenção.

23 Nov 19:36

Alunas de Informática participam de evento de incentivo às mulheres na TI

by Elyakim Iatamur de Oliveira Paiva

Na última sexta- feira (20), 37 alunos do curso integrado em Informática do IFRN Campus Apodi, dentre eles, 25 alunas, participaram da 3ª edição do Code Girl, um evento de motivação e incentivo à participação feminina na área de Tecnologia da Informação. Para o professor Carlos Fran, "A participação das alunas no evento proporciona um momento único para elas, pois deparam-se com diversas outras meninas da área e com as palestrantes que passam suas experiências quanto a formação, mercado de trabalho e vida pessoal. Essa interação motiva as alunas a seguirem na área de TI e fazem todos, meninas e meninos, reverem alguns preconceitos e quebrarem esteriótipos."

O Code Girl (http://www.euvou.codegirl.com.br/) é um evento que surgiu como uma ação para dialogar sobre as razões pelas quais a participação feminina em TI no Brasil é tão pequena. Desta forma, o evento foi concebido com palestras motivacionais, onde mulheres que trabalham e empreendem na área falam sobre desafios e superações.

23 Nov 17:30

Como identificar um trouxa

by Polly

Você deve estar pensando que não precisa aprender a identificar um trouxa pois está careca de saber como eles são. Já namorou dezenas deles, conhece um trouxa de longe. Mas o amor, amiga, faz a gente enlouquecer, faz a gente dizer coisas pra depois se arrepender. É só alguém soprar no nosso pescoço com mais jeitinho que ignoramos todos os sinais evidentes de que é cilada.

Use essa lista para referência futura. O próximo broto que mexer com você, venha aqui e confira se bate com algum item e caia fora.

1. É grosso com os outros.

Não adianta nada ele ser um fofo com você mas escroto com o porteiro do prédio. Tá sendo fofo porque quer transar com você, começa a namorar pra ver só se a grosseria não vira para o seu lado também. Caia fora.

2. Se refere à qualquer coisa como “coisa de viado”.

Esse tipo de comentário homofóbico não significa necessariamente que ele votou no Bolsonaro e vai sair dando paulada em casais gays na rua mas, com tanto homem no mundo, você precisa de gente retrógrada assim na sua vida? Caia fora.

3. Nunca tem dinheiro.

Calma, não estou dizendo que homem tem que ser rico, inclusive detesto que fiquem pagando coisa pra mim, mas se vocês se conhecem a menos de um mês e ele já te deve dinheiro ou você já ajudou a pagar a conta de celular dele porque ele estava esperando um dinheiro cair e “vai te pagar de volta assim que receber”, caia fora.

4. Diz que toda mulher é louca, menos você. Você é ótima.

Cuidado para não cair nesse elogio equivocado. Isso não é um elogio, é um aviso. É só fazer algo que o desagrade e pronto, você será louca como todas as outras. Caia fora.

5. Diz que em QI alto e por isso tem dificuldades para se relacionar

Geralmente é o mesmo cara que se acha “meio Dr. House”. Pensa que é um gênio incompreendido mas é apenas uma pessoa grossa e sem traquejo social. Caia fora.

6. Não tem amiga mulher

Se o cara só consegue ser amigo de outros homens, não tem como dar certo. Caia fora.

7. Conta a maneira escrota que terminou com a ex se gabando

Esse é um caso real.  Na primeira vez que saí com um cara ele me contou rindo que terminou com a ex-namorada de sete anos por inbox no Facebook e a bloqueou logo após a mensagem pra ela não poder responder. Quando viu minha cara de horror emendou um “não, não tem problema, ela era louca.” Amigo, louco é você de achar que quero passar mais um segundo na sua companhia. Caí fora.

22 Nov 19:08

Robert Fisk: a guerra com o EI não impedirá a França de continuar vendendo armas aos mentores do terrorismo

by Diario do Centro do Mundo

estado islâmico

Por Robert Fisk, no Independent.

 

O país que entregou o credo sunita wahhabista aos assassinos do Estado Islâmico que atacaram Paris não dará a mínima importância aos gritos de guerra de François Hollande. Os sauditas já ouviram isso antes, essa conversa de Nova Ordem Mundial – lá por 1991, quando George Bush pai sonhava com uma expressão subhitleriana do Golfo, na qual poderia existir um oásis de paz, um lugar sem armas, onde as espadas se transformavam em enxadas, e a riqueza que provém dessas terras deixasse de partir em navios petroleiros para passar por oleodutos mais longos.

Os sauditas estão ocupados demais destruindo o Iêmen, em sua enlouquecida guerra contra os houthis xiitas, e não têm tempo para se preocupar com os loucos sunitas wahhabistas do Estado Islâmico.

Seu inimigo continua sendo o novo melhor amigo dos Estados Unidos, o Irã xiita, e estão tão obstinados como sempre em destronar o presidente alauita xiita da Síria, ainda mais se o Estado Islâmico está na primeira fila dos inimigos de Bashar al Assad.

A Arábia Saudita também sabe que a política exterior francesa favorece tanto os seus interesses que chegou a se opor a um acordo nuclear com o Irã – sem contar os bilhões de dólares em armamento americano que continuarão fluindo ao reino sunita, apesar dos nexos deste com a organização que destruiu 129 vidas em Paris.

Se alguém acredita que Barack Obama vai disciplinar a monarquia teocrática dos sauditas, deveria observar melhor a proposta de vender armas americanas pelo valor de 29 bilhões de dólares ao rei Salman, de 79 anos de idade, para entender que Washington não se interessa nem um pouco por controlar a ferocidade do reino.

Riad se omite diante do Estado Islâmico (que grande surpresa!), mas necessita dessas armas desesperadamente depois de queimar todo o seu arsenal atacando os iemenitas, afundados na extrema pobreza. O contrato de venda de armas à Arábia Saudita já foi aprovado pelo Departamento de Estado norte-americano, e inclui munições de ataque direto fabricadas pela companhia Boeing, além de bombas guiadas a laser, do tipo Paveway, construídas pela firma Raytheon.

Os houthis ainda controlam a maior parte do Iêmen, incluindo a capital Saná, apesar da mitologia de Riad continuar relatando uma suposta assistência militar do Irã ao grupo iemenita.

Grupos de defesa dos direitos humanos acusaram durante muito tempo os sauditas de lançar ataques aéreos e de assassinar indiscriminadamente os civis. Segundo cifras da Organização das Nações Unidas, essas mortes já são mais de duas mil. Vale a pena lembrar que uma dessas vidas perdidas é tão preciosa quanto as 129 que foram ceifadas na sexta-feira passada.

Os americanos e os franceses possivelmente esperavam que os sauditas matassem dois mil membros do Estado Islâmico, o que não acontecerá. O Congresso dos Estados Unidos já autorizou Obama a vender mais 600 mísseis antiaéreos Patriot PAC-3, o que significa mais 5,4 bilhões de libras esterlinas aos cofres da Lockheed, apesar de os houthis não terem um mísero avião.

Supostamente, esses mísseis estão destinados a proteger os sauditas de um ataque aéreo iraniano, que ninguém em toda a região do Golfo acredita que pode acontecer.

Com relação às novas leis de emergência na França, nenhuma delas afetará os sauditas ou às outras nações árabes. No Oriente Médio, onde os ditadores locais, reis e emires – quase todos aliados do Ocidente – espionam regularmente os seus cidadãos, grampeando telefones e torturando o povo, ninguém se importa se as novas leis de Hollande restringem a égalité, ou a liberté dos franceses.

Para os sauditas, a batalha familiar entre o príncipe herdeiro, o ministro do Interior, Mohammed bin Nayef, e o ministro de Defesa, Mohammed bin Salman bin Saud – este último, com apenas 30 anos de idade, é quem encabeça o bombardeio saudita ao Iêmen –, é muito mais interessante que o futuro da região e do Estado Islâmico.

E se algo interessa muito mais à França são seus próprios e bastante lucrativos acordos de venda de armas com a Arábia Saudita, onde Hollande ainda tem esperanças – algo desesperadas, vale dizer – de suplantar os Estados Unidos e o Reino Unido como um provedor de armas de máximo nível. Talvez acredite que está em guerra com o Estado Islâmico, mas os mentores espirituais do grupo permanecerão intactos.

22 Nov 19:04

Polícia agride jovens que defendem escolas e usa luvas brancas com golpistas

by eduguim

POLÍCIA CAPA

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, do PSDB, pretendia fechar nada menos que 94 escolas no Estado, afetando 311 mil alunos. Diante da revolta que a medida provocou, usou sua polícia contra alunos e professores que ocuparam as instituições de ensino para impedir tal barbaridade..

Apesar da decisão da Justiça de proibir o governo de São Paulo de usar a polícia contra adolescentes e professores – provavelmente por estar escolada pelo que fez recentemente Beto Richa, o governador tucano do Parana -, Alckmin continuou jogando seus cães de guerra contra a garotada.

A PM paulista não decepcionou o chefe. O nível de truculência contra os adolescentes foi impressionante. Particularmente, o que mais impressionou foi a invasão de uma escola em Marília (SP), onde policiais chegaram ao cúmulo de assediar sexualmente uma jovem enquanto espancavam seus colegas para retirá-los do estabelecimento de forma ILEGAL, já que a Justiça proibiu ações daquele tipo.

No vídeo abaixo, uma estudante relata que um policial chegou a agarrar sua colega pelos seios com a desculpa de tirá-la das dependências da escola – assédio sexual?

As cenas de garotos e garotas sendo arrastados por gorilas fardados para fora de escolas revoltou a sociedade brasileira e acabou fazendo Alckmin desistir de fechar escolas, medida que provavelmente nem Hitler seria tão bestial a ponto de tomar.

Confira mais algumas cenas reveladoras de como a polícia tratou jovens que orgulham o país ao defenderem a Educação.

Esse é o tratamento que a polícia dá a quem, com aval da Justiça, defende causas legítimas como a preservação de instituições de ensino.

Por outro lado, vemos uma ocupação muito menos digna e totalmente ilegal ser tratada pela polícia de forma diametralmente oposta. Há semanas, grupos que defendem golpe de Estado e volta da ditadura militar ocupavam o gramado do Congresso Nacional.

Na semana passada, após um desses meliantes sair dando tiros em plena Praça dos Três Poderes, o Congresso e o governo do Distrito Federal decidiram pôr fim àquela barbaridade. A ordem foi cumprida no último sábado

Confira, leitor, a diferença de tratamento que o Estado brasileiro dá a quem age em defesa do bem maior de um povo, a Educação, e a quem prega crimes como implantação de ditaduras e comete crimes ao sair dando tiros em praça pública.

Por sorte, a diferença não reside somente na forma como estudantes e golpistas são tratados pela polícia.

A grande diferença dos dois grupos é entre o caráter e a determinação dos jovens heróicos que conseguiram impedir que o pústula que governa São Paulo fechasse escolas e a estupidez e a covardia dos fascínoras patéticos que trabalham, sem pudor, para pôr fim à democracia.

Para concluir, assista, abaixo, à comédia protagonizada por esses energúmenos, que, para sorte deste país, não têm força moral para levar suas convicções imbecis em frente. Gente com idade para ser pais e avós dessa garotada valente e que deveria aprender com ela como lutar por ideais.

22 Nov 10:17

E a Folha se estrepou por acreditar na Veja. Por Paulo Nogueira

by Paulo Nogueira

 

O novo caso de atentado contra a informação, numa montagem do Tijolaço

O novo caso de atentado contra a informação, numa montagem do Tijolaço

É um paradoxo.

A imprensa publica diariamente artigos contra o direito de resposta.

Mas a cada momento ela fornece com seus erros seguidos provas concretas de quanto o direito de resposta é, simplesmente, imprescindível.

O caso mais recente é o da Folha. Você pode adivinhar contra quem o erro foi cometido. Lula. A família de Lula.

É o alvo número 1 da plutocracia cuja voz é a imprensa.

Um repórter experiente da Folha, Rubens Valente, conseguiu acreditar numa reportagem da Veja.

Esta é a surpresa da história: um jornalista veterano usar a Veja como fonte.

Num texto sobre um lobista preso, Valente disse que ele cedeu uma sala em Brasília para que um filho de Lula, Fábio Luís, trabalhasse nela.

Era uma informação da Veja. Valente não apenas a reproduziu agora como disse que o lobista confirmou para a Veja a notícia.

Não era verdade.

O filho de Lula entrou com uma ação. Ao longo desta, o lobista afirmou que jamais tivera relação pessoal ou profissional com Fábio Luís.

Ontem mesmo a família de Lula anunciou que reivindicaria direito de resposta com base na nova lei sancionada por Dilma.

A Folha se antecipou e publicou, em seu site, uma correção – tímida, miserável, escondida como é de praxe no jornal.

É presumível que a família de Lula, mesmo com a admissão da Folha, prossiga com sua reivindicação, até por razões pedagógicas.

Acreditar na Veja desafia a inteligência de qualquer um. Mas quando o alvo é Lula e família os controles de jornais e revistas se afrouxam ao máximo.

Numa reunião do Conselho Editorial das Organizações Globo alguns anos atrás, lembro que alguém citou uma denúncia da Veja.

O chefe do Conselho, João Roberto Marinho, avisou: “É preciso tomar cuidado com a Veja.” Ele já percebera que a Veja deixara de ser uma fonte confiável. Perdera aquilo que, como a virgindade, não volta mais: a credibilidade.

Mas mesmo assim a Folha e Rubens Valente se apoiaram na Veja, para a qual vale a grande máxima de Wellington: quem acredita nela acredita em tudo.

A ausência do direito de resposta é um câncer para a sociedade. Porque leva os cidadãos a ser vítimas de informações falsas que distorcem a realidade.

É uma coisa também que atenta contra a qualidade da imprensa. Quando erros têm consequências – e o direito de resposta é uma delas – as publicações tomam extremo cuidado com a qualidade das notícias que dão.

Checam, rechecam, verificam ainda uma vez.

Mas quando você pode errar livremente as coisas se deterioram. A impunidade jamais produziu bons frutos, e menos ainda para a imprensa.

O desleixo vem em série. O repórter não se preocupa em apurar com profundidade a denúncia que lhe chega, o editor muito menos – e os patrões, desde que o alvo sejam inimigos como Lula, simplesmente fecham os olhos.

Mil artigos contra a lei de resposta não compensam, por exemplo, o erro que Lauro Jardim cometeu em sua estreia no Globo ao afirmar, numa manchete, que um delator disse que deu dinheiro a um filho de Lula. (Sempre Lula, sempre a família de Lula.)

Você só tem uma imprensa séria – e falo de veículos de esquerda, direita, centro ou o que for – se houver leis que punam erros.

E com rapidez.

É uma piada uma das reclamações da imprensa: o prazo para que sejam dadas as correções.

Estamos vendo o que acontece com Eduardo Cunha quando não existe urgência nas ações.

A resposta, quando julgada justa, tem que vir prontamente – até para que repórteres como Rubens Valente não cometam barbaridades como a que ele cometeu.

21 Nov 00:04

Faz sentido um governador ter avião no Brasil? Por Paulo Nogueira

by Paulo Nogueira
Choque de gestão à Aécio

Choque de gestão à Aécio

Nunca existiu avião privado para o primeiro ministro britânico.

O assunto de tempos em tempos é discutido. Tony Blair queria comprar dois jatos para deslocamentos oficiais – atenção: oficiais – dos principais integrantes do governo britânico.

Seu sucessor, Gordon Brown, abortou o projeto.

Outra vez o assunto é discutido, agora, entre os ingleses. A resistência é grande. As pessoas acham que é uma extravagância, uma ostentação, algo que distancia ainda mais o governo do povo.

Adicionalmente, nestes tempos de austeridade, os britânicos consideram que não cai bem aos olhos da opinião pública comprar um avião para a elite dirigente.

Depois de uma acalorada discussão, o premiê conseguiu, agora, emplacar um jato privado para ele e seus principais auxiliares.

Para uso estritamente oficial, naturalmente.

Falei disso tudo em face das informações trazidas por Kiko Nogueira, do DCM, a respeito do uso e abuso do jato de Minas por Aécio.

A lista de gente que voou por conta do dinheiro público mineiro impressiona. Vai de FHC a barões da mídia, de parentes a amigos de Aécio.

Quando você lembra do “choque de gestão” tão apregoado por Aécio a vontade é gargalhar.

Aécio nunca foi fiscalizado, nem pela imprensa e nem pela Justiça, e por isso pôde cometer as barbaridades que cometeu sem risco de ser desmascarado.

A mídia sempre o protegeu. Ele conseguiu falar sem cessar em meritocracia na campanha eleitoral mesmo nomeando copiosamente amigos e pessoas da família para cargos públicos em Minas.

Mas há uma questão que transcende Aécio.

Pense nos britânicos e agora pense em nós. Faz sentido um governador ter avião privado? Somos tão ricos assim? Não haverá aplicações sociais melhores para o dinheiro?

O fato é que o Brasil demanda um choque de frugalidade, de simplicidade. Alguma coisa que seja inspirada em Mujica ou no Papa Francisco.

Vigora, em todas as esferas do poder, uma cultura abjeta de ostentação e de utilização sem freios do dinheiro público.

Salários altos, mordomias infindáveis, apartamentos funcionais, carros de alto padrão pagos pelo contribuinte e substituídos frequentemente – é uma orgia com o dinheiro do contribuinte.

Países ricos como os escandinavos são extremamente comedidos no que oferecem a suas autoridades. Juízes pagam sua condução e seu apartamento.

Um país pobre como o Brasil vai na direção oposta.

Isso, entre outras coisas, gera raiva e desconfiança nos cidadãos comuns.

Tony Blair não conseguiu seu avião. David Cameron lutou tenazmente para que o seu fosse aprovado em meio a uma enxurrada de críticas.

Enquanto isso, no Brasil, é tido normal que um governador tenha o seu brinquedinho que voa.

20 Nov 19:50

Por que a França foi atacada? Marcos Feliciano tem sua explicação. Por Carlos Fernandes

by Carlos Fernandes
Besteiras anti-Islã

Besteiras anti-Islã

O pastor Marcos Feliciano, internacionalmente conhecido pelo seu enorme repertório de insanidades, conseguiu aumentar ainda mais a sua já infame lista de contribuições à desinformação, ao racismo, ao preconceito e à intolerância religiosa.

Circula na internet um vídeo em que o “líder” religioso explana o que para ele seriam as razões pelas quais a França foi alvo dos recentes atentados terroristas que vitimaram pelo menos 129 pessoas.

Na encenação teatral que já virou lugar comum no “modus operandi” que farsantes travestidos de pastores utilizam para manipular os fiéis, Feliciano não economizou na performance e aos berros rezou o seu terço de ignorância e ódio para uma platéia de braços erguidos e olhos em lágrimas, como se o próprio apocalipse estivesse à sua frente.

Culpou o fato da França ser um dos países mais liberais do mundo, de ser um dos primeiros a lutar pela legalização do aborto, por defender a liberdade sexual e principalmente pelo fato dos franceses não terem filhos, permitindo assim que os imigrantes da religião islâmica tornassem a França num país muçulmano em 10 anos, profetizou.

Sobrou até para os animais. Segundo o cidadão, se você possui um gato ou um cachorro de estimação em sua casa e não filhos, você está atraindo a “islamização” e o terrorismo para o seu país. Santa demência.

Marcos Feliciano nunca foi bom em história e geopolítica . Na verdade, Feliciano nunca foi bom em nada decente, talvez por isso não tenha feito qualquer menção aos massacres efetuados pela França nas suas colônias ou sua atual política internacional. Preferiu justificar essa tragédia com base nas suas próprias convicções, que convenhamos, são contemporâneas à Idade média e à Inquisição religiosa.

Primeiro que querer atribuir os atos de fanáticos religiosos ao fato do país ter avançado em temas como a legalização do aborto e a liberdade sexual, é na melhor das hipóteses, uma deficiência intelectual de proporções continentais. Nem mesmo o argumento da França possuir um baixo índice de natalidade permitindo um aumento proporcional de cidadãos de religião muçulmana, se ampara na realidade.

De acordo com o relatório do Eurostat, o Departamento de Estatística da União Européia, a França segue na contra-mão da maioria dos países da Europa no que se refere à taxa de natalidade. Ainda segundo o relatório, o país fechou o ano de 2013 com uma média de 1,99 filho por mulher, perdendo apenas para a Turquia que apresentou um índice de 2,08.

Essa é uma posição muito mais confortável no chamado “nível de substituição” (que estabelece a possibilidade da geração dos filhos substituírem os pais), do que os verificados na Alemanha (1,40), Itália (1,39), Espanha (1,27) e Portugal (1,21) no mesmo período.

Do início ao fim, Marcos Feliciano demonstrou o quanto é despreparado, e pior, mal-intencionado quando o assunto é a compreensão das diferentes formas de pensar e a convivência harmoniosa e cooperativa entre os diversos povos, religiões e culturas.

Acusa descaradamente o povo islâmico de perseguir evangélicos, o que não passa da mais ignóbil mentira, além de servir apenas como mais um alicerce para a construção de estereótipos que não param de alimentar o preconceito e a violência.

Da mesma forma que os evangélicos do mundo inteiro não podem ser responsabilizados pelas atitudes vergonhosas de indivíduos como Marcos Feliciano, a comunidade muçulmana também não pode sofrer em função do extremismo religioso de grupos que nada refletem o que prega o Alcorão.

O Brasil já passa por uma radicalização política demasiada o suficiente para que um membro de um outro tipo de Estado Islâmico venha incitar o ódio e a vingança para todos nós.

20 Nov 11:42

Exclusivo: a lista completa dos ‘empréstimos’ de aeronaves de Minas por Aécio. Por Kiko Nogueira

by Kiko Nogueira
Aécio em seu elemento

Aécio em seu elemento

 

O DCM teve acesso à relação completa dos vôos de Aécio Neves durante os 7 anos e três meses de seu governo em Minas Gerais, entre 2003 e 2010, através da Lei de Acesso à Informação.

O uso que Aécio fez dos dois jatos, um Citation e um Learjet, um helicóptero Dauphin e um turboélice King Air pertencentes ao estado é um caso de estudo em matéria de patrimonialismo.

Foram 1430 viagens ao todo, 110 com pouso ou decolagem do famoso aeroporto de Cláudio, construído nas terras do tio Múcio Toletino, que ficou com a chave por um bom tempo.

Pelo menos 198 vezes ele não estava a bordo. Um decreto de 2005 estabelece que esse equipamento destina-se “ao transporte do governador, vice-governador, secretários de Estado, ao presidente da Assembleia Legislativa e outras autoridades públicas” e serve “para desempenho de atividades próprias dos serviços públicos”. A linha entre o interesse público e o privado é tênue.

Parte desses empréstimos de aeronave foi objeto de matéria da Folha do início de novembro. Parte.

A Folha mencionou Luciano Huck, Roberto Civita, Boni, José Wilker, Milton Gonçalves e Ricardo Teixeira (que fez seis vôos, três em 2006 e mais três em 2010. Um deles com José Serra a bordo e outro, em 28 de agosto de 2007, com Ray Whelan, acusado de envolvimento num esquema de venda ilegal de ingressos da Copa do Mundo do Brasil. Whelan chegou puxar cana no Complexo de Bangu.)

A lista completa, no entanto, traz muitas outras surpresas.

Fernando Henrique Cardoso usou os aviões e o helicóptero em pelo menos dez ocasiões, sem a presença do governador. A maioria em 2006 (três, uma delas com uma “comitiva”) e 2008. Em quatro viagens o pacote foi completo: de Belo Horizonte direto para São Paulo.

Roberto Irineu Marinho, um dos donos da Globo, foi de BH a Brasília em 11 de setembro de 2007. No dia seguinte, da capital mineira a Diamantina. Esteve acompanhado do então senador Sérgio Guerra, do PSDB.

Ex-presidente do partido, Guerra foi citado pelo delator Paulo Roberto Costa, que afirmou ao Ministério Público Federal ter dado propina ao tucano para ajudar a esvaziar uma CPI da Petrobras de 2009. Morreu em 2014, aos 66 anos, de câncer no pulmão (foi substituído por Aécio).

Com o amigo Acciolly

Com o amigo Acciolly

 

A Fundação Roberto Marinho tem várias obras de restauração em MG. Em Diamantina fica a Casa de Chica da Silva. É uma relação boa: Aécio, por exemplo, pavimentou uma estrada no interior que faz um desvio na fazenda dos Marinhos em Botelhos, produtora de um café de alta qualidade.

O amigo Alexandre Acciolly foi premiado, também. Dono de academias de ginástica, sócio do Gero e do Fasano, bon vivant, ele é da turma carioca de Aécio, integrada por Huck, Mário Garnero e outros. Foi padrinho do casamento de Aécio com Letícia Weber em 2013, no Rio.

Cabo eleitoral do amigo, ele deu uma entrevista à revista Alfa, em 2012, em que admitiu que foi sonegador: ”Eu tomava decisões de risco na minha empresa de telemarketing. Não tinha dinheiro para investir e minha carga tributária era de 40%. Eu ia pagar imposto ou comprar computador e pagar salário? Eu falei: ‘No c*, imposto!” Em abril de 2009, voou no Dauphin até Confins (com Aécio, passeou mais quatro vezes).

Houve espaço até para o presidente do Rotary International, Dong Kurn Lee, e Hipólito Ferreira, ex-membro de um certo Comitê de Revisão da entidade. Em setembro de 2008, eles viajaram de helicóptero de Belo Horizonte a Ouro Preto com suas respectivas senhoras.

A generosidade com a própria família é enorme. Tios, primos (inclusive Tancredo Tolentino, o Quedo, que seria denunciado em 2012 por negociar a compra de habeas corpus de dois traficantes), ex-mulher, parentes, contraparentes — todos voaram. Andrea Neves, a irmã de Aécio, esteve em São João del Rey, Brasília, Viçosa e Rio de Janeiro, com e sem o irmão.

Para quem era, no papel, presidente do Serviço Voluntário de Assistência Social, é um bocado. No debate da Band, Aécio, retrucou uma acusação de nepotismo de Dilma Roussef. “Quero saber onde minha irmã trabalha”, disse ele, desafiador.

Bem, além do tal cargo “voluntário”, Andrea era a responsável pela distribuição de verbas publicitárias. Durante sua gestão, os gastos com publicidade subiram 300% (de R$ 24 milhões para R$ 96 milhões). Uma parcela foi destinada aos veículos do clã: as rádios Arco Íris, São João e Colonial, ambas de São João del Rey, e um jornal também de lá.

A reverência com relação a ela é tamanha que é das poucas identificadas como “Dra.” no relatório. Sua xará Andrea Falcão, por exemplo, entra apenas com nome e sobrenome. Andrea, ex-mulher de Aécio, mãe de Gabriela, voou para locais como Rio de Janeiro, onde as duas moram, e em março de 2007 para Manaus (Sergio Cabral também estava nessa).

Em 31 de março de 2010, o King Air aterrissou na Cidade Maravilhosa com Andréa Falcão, Gabriela Falcão Neves, Luiza Falcão e Matheus Falcão.

Todos os nomes acima se juntam aos divulgamos, anteriormente, pela Folha. Luciano Huck, companheiro de Aécio presente nas horas incertas como a “festa da vitória” em 2014, foi a Tiradentes em agosto de 2004. Alguns dias depois, com Sandy, Junior e o empresário da dupla, rumou para Santa Bárbara. Estavam gravando um quadro para o programa.

Milton Gonçalves e José Wilker também foram usufrutuários, assim como Boni, que foi, segundo ele, “fazer uma análise da TV Minas”.

Ricardo Teixeira fez seis vôos, três em 2006 e mais três em 2010, um deles com José Serra a bordo. O detalhe é que, em 28 de agosto de 2007, um dos passageiros era Ray Whelan, executivo-chefe da Match Services acusado de envolvimento num esquema de venda ilegal de ingressos da Copa do Mundo do Brasil. Whelan chegou a ser preso no Complexo de Bangu.

Roberto Civita, ex-dono da Abril, e a mulher Maria Antônia passaram o fim de semana de 27 e 28 de março de 2010 em Minas. O casal foi de Belo Horizonte a Brumadinho, onde fica o fabuloso museu de Inhotim, no helicóptero. De volta à capital, Aécio os levou a São João del Rey no Learjet. No domingo, pegaram novamente uma carona nas hélices do Dauphin até Confins.

A listagem de vôos, como foi dito, é grande e cada uma tem sua história com suas imbricações. Outras serão contadas aqui.

 

Aécio e Andrea Neves

Aécio e Andrea Neves

19 Nov 19:42

Randolfe Rodrigues e Sandra Cureau criaram a farsa sobre decreto de Dilma

by eduguim

decreto capa

Na noite da última da última terça-feira (17/11), começou a se espalhar pelas redes sociais (a partir do What’s App) uma interpretação maliciosa, canalha, inacreditavelmente estúpida e verdadeiramente criminosa de decreto do governo federal que passa a considerar como “acidente natural” rompimentos de barragens que “ocasionem movimentos de massa”.

decreto 1

Imediatamente, o Blog começou a receber mensagens de leitores questionando medida que estava sendo apresentada por opositores do governo como iniciativa da presidente Dilma Rousseff para “inocentar a Samarco”, mineradora responsável pelo rompimento da Barragem do Fundão, em Mariana (MG), que dizimou o distrito de Bento Rodrigues.

decreto 2

De fato, o decreto 8572, de 13 de novembro de 2015, dá margem a tal interpretação se reproduzido fora do contexto para atingir pessoas pouco preocupadas com os fatos e dispostas a condenar sem reflexão.

Os rumores nas redes sociais, porém, decorreram do fato de que, no mesmo dia 17, o senador pelo Amapá Randolfe Rodrigues (ex-PSOL, atualmente filiado ao partido Rede Sustentabilidade) foi à tribuna do Senado espalhar essa versão absurda sobre o decreto da presidente da República.

No dia seguinte, a subprocuradora Sandra Cureau, que atua na área de meio ambiente na Procuradoria-Geral da República e que se tornou uma notória antipetista, criticou o decreto da presidente por julgar que a medida poderia ter reflexos nas áreas penal e cível e poderia ser usada pela mineradora Samarco para buscar reduzir penas nessas esferas.

Não tardou para a má fé cooptar a ignorância. Pessoas irresponsáveis começam a propagar a farsa pela internet

decreto 3

No mesmo dia 17, à noite, o Blog entrou em contato com a assessoria do ministro-chefe da Secretaria de Governo da Presidência, Ricardo Berzoini, e obteve as explicações necessárias. Informada por este Blog sobre o que estava acontecendo, a Secretaria divulgou as explicações em suas páginas nas redes sociais.

decreto 4

Todavia, bastava a leitura atenta do decreto, em seu inteiro teor, para entender que tudo não passou de uma armação.

O decreto de Dilma alude ao que está disposto no inciso XVI do caput do art. 20 da Lei nº 8.036/90. Se fossem procurar o que diz essa lei, veriam que ela dispõe sobre o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e o art. 20 estabelece as hipóteses nas quais podem ser sacados os valores correspondentes ao FGTS.

O inciso XVI, por sua vez, determina que poderá haver saque do FGTS por motivos de necessidade pessoal, cuja urgência e gravidade decorra de desastre natural. O decreto nº 8.572/2015, portanto, serve para assegurar às vítimas de desastres decorrentes de rompimento de barragens a possibilidade de sacar o FGTS.

Esse decreto altera o decreto nº 5.113/2004 que regulamenta as hipóteses de saque de FGTS em situações de emergência ou estado de calamidade pública decorrentes de desastre natural.

Nesse decreto não consta como desastre natural o rompimento de barragens, não sendo possível o saque do FGTS pelos afetados pelo rompimento da barragem em Mariana. Assim, para fins de possibilitar o recomeço da vida das pessoas atingidas, foi editado o decreto nº 8.036/90 possibilitando a movimentação da conta do FGTS.

Quanto às interpretações do senador Randolfe Rodrigues e da subprocuradora Sandra Cureau, são vergonhosas. São pessoas que conhecem a lei. Como podem afirmar que rompimento de barragens vai ser considerado desastre natural mesmo que comprovada negligência da empresa responsável?

Infelizmente, enquanto as mentiras ganharam milhares de compartilhamentos nas redes sociais, as explicações do governo ficaram reduzidas a pouquíssimos desses compartilhamentos, razão pela qual o Blog exorta as pessoas a que difundam os fatos quanto puderem, apesar de que o mal já está feito, pois muita gente jamais se dará o trabalho de procurar a verdade.

19 Nov 19:26

Novembro Azul: reflexões sobre o rastreamento do câncer de próstata

by Redação
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19/11/2015

O discurso hegemônico no Brasil de que o rastreamento do câncer de próstata deve ser realizado tem cada vez mais produzido vítimas de suas investigações e sobrediagnósticos.

Por Alexandre José de Melo Neto*

Infelizmente, na medicina, uma parte importante do conhecimento ainda é passado como se fosse uma transmissão geracional de um ofício de pais para filhos, onde alguns especialistas assumem este papel patriarcal e projetam para os alunos apenas um papel de repetidores de seus dogmas, sem produzir nenhuma capacidade reflexiva.

O debate do rastreamento do câncer de próstata segue em parte este modelo e o debate científico das evidências sobre o tema tem conseguido produzir muito pouca reflexão nos alunos e médicos. Isto se dá por que a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) e os urologistas são vistos no imaginário da formação médica (transbordando para a população em geral) como os legítimos detentores do conhecimento sobre a próstata, pois, numa visão cartesiana, são estes os estudiosos e proprietários da mesma. Esquecemos, no entanto, que o próprio Descartes pressupunha uma divisão para entender as partes com posterior reintegração para olhar estas partes no todo. Esquecem-se ainda do ceticismo metodológico proposto pelo próprio Descartes.

Com isso, o discurso hegemônico da SBU e da urologia (especialmente no Brasil), de que o rastreamento do câncer de próstata deve ser realizado, tem cada vez mais produzido vítimas de suas investigações e sobrediagnósticos (além de muitos procedimentos e lucro) com a indefensável defesa dos poucos casos particulares de alguém que teve um suposto benefício.

Que bom, entretanto, que esta situação começa a mudar através das rachaduras criadas nessa própria superestrutura. Se não nos basta apresentar dados científicos já que não somos os legítimos proprietários das próstatas, começamos aos poucos a perceber o despertar científico dentro da própria urologia.

Pasmem vocês que, desde 2013, a Associação Americana de Urologia já contraindica o rastreamento do câncer de próstata e apenas orienta que, dos 55 aos 69 anos, os urologistas devem decidir sobre o rastreio em conjunto com os pacientes após apresentar a eles os supostos benefícios e também os RISCOS deste procedimento.

No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) – principal órgão de cuidado contra o câncer no Brasil – também contraindica este procedimento desde o início desta década. Mas, agora, isso também começa a se tornar realidade na urologia a partir da posição da conceituada Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e do serviço de urologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre.

Aos céticos contra a ciência, agora só resta decidir em qual patriarca confiar. Aos temerosos pelas mudanças, deve surgir também o medo de não mudar. Entretanto, aos dispostos a encarar as próprias incertezas do nosso conhecimento médico esta é uma grande oportunidade de refletir nossa prática e humildemente admitir que não temos feito a escolha correta ao defender o rastreamento populacional do câncer de próstata.

Diga-se de passagem que a reflexão é só um primeiro passo, pois há outros tantos interesses para colocar esta nova posição em prática, como bem podemos ver na quantidade de patrocinadores na página das instituições que promovem o novembro azul. (http://www.novembroazul.com.br)

Assim, mesmo diante destas dificuldades, nos resta nos apoiar na ciência e seguir debatendo de mãos limpas e coração puro tudo que for melhor para os pacientes.

* Médico de Família e Comunidade e professor do Curso de Medicina da Universidade Federal da Paraíba (UFPB)

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19 Nov 11:04

Lula na toca dos leões. Por Paulo Nogueira

by Paulo Nogueira

 

A risadinha de Dávila foi a mesma, mas o resto não

A risadinha de Dávila foi a mesma, mas o resto não

A risadinha é a mesma, mas o resto não. E isto me leva, de cara, a perguntar: teria sido Ali Kamel o autor das perguntas que Roberto Dávila fez a Lula na entrevista desta quarta na Globo News?

Foi Mariana Godoy, ex-Globo, quem disse que todas as entrevistas de apresentadores eram feitas, nos bastidores, por Kamel, o que a rigor não o levará ao panteão dos grandes formuladores de perguntas da imprensa brasileira.

Mas veja a diferença.

Começos de entrevistas são uma espécie de aquecimento para as questões mais duras e mais complexas.

Na entrevista que fez há poucas semanas com FHC, Dávila começou com o livro recém-lançado por ele. Fez propaganda ao vivo, segurando-o, e não se constrangeu em dizer que era bom mesmo sem ter lido. “Andei lendo”, disse Dávila, o que em português claro quer dizer: folheei aqui e ali.

Depois, Dávila fez “provocações” – a palavra é dele – a FHC. Uma delas: tendo feito tudo que alguém poderia fazer na vida e na política, ele não se dignaria a sentar com Lula para discutirem saídas para a crise?

Este é o Dávila versão FHC e todo o resto.

O Dávila versão Lula é outro, fora, repito, a risadinha.

O aquecimento foi o panelaço que Dávila disse que alguém lhe disse que iria promover durante a entrevista que acabara de se iniciar.

Para FHC e a humanidade em geral, Dávila oferece afagos no princípio da conversa (durante e depois também). Para Lula, a agressividade sorridente começa já na primeira frase.

Isto posto, pergunto: o que leva Lula a aceitar dar uma entrevista para a Globo News, mesmo se tratando do popular Risadinha?

A resposta é dada pelo próprio Lula no decorrer da conversa. Lula tem um nível de confiança em sua capacidade de debater que o leva a crer que mesmo em situações hostis ele vai acabar se saindo bem.

Foi, aliás, o que aconteceu.

Roberto Dávila não foi páreo para ele. Não houve questionamento para o qual Lula não tivesse resposta imediata e firme.

É verdade que a qualidade dos ataques de Dávila foi baixa. Ele perguntou a Lula quantas vezes ele se arrependera de ter indicado Dilminha.

Até eu me sairia bem desta. Lula jamais poderia rejeitar publicamente – e até privadamente — Dilma até porque ela foi uma escolha pessoal dele. Críticas a ela são, indiretamente, críticas a ele.

Isso não impede que a imprensa viva inventando grandes crises de relacionamento entre os dois, invariavelmente desmentidas pelos fatos e pelas fotos que revelam a amizade, o carinho e o respeito de um pelo outro.

Lula é um pesadelo para a plutocracia porque, como mais uma vez ficou claro na entrevista de outro, ele é um debatedor sem igual na cena política nacional, goste-se ou não dele.

Caso ele realmente se candidate em 2018, quem conseguirá enfrentá-lo diante das câmaras? Aécio, Serra, Alckmin? Bonner?

É isto que realmente assusta os conservadores. Ao comentar na própria Globo News a entrevista, Merval fingiu um ar de superioridade ao falar de Lula. “Ele vive no planeta dele”, disse.

O problema é que o Planeta Lula tem muito mais votos que o planeta do qual Merval é um dos porta-vozes, o Planeta dos Plutocratas.

Quanto ao panelaço de que falou Dávila, bem, parece que as panelas tiveram uma noite de absoluto repouso na noite de ontem nas cidades brasileiras.

19 Nov 00:02

Loja online na Alemanha emprega idosos para fazerem entregas pedalando

by Ana Sniesko
Foto: Reprodução Facebook
Além de gerar emprego para aposentados, loja online potencializa negócios locais, centralizando a venda de produtos de pequenos comerciantes.
16 Nov 19:07

PAREM DE CULPAR A VÍTIMA, P*RRA!

by lola aronovich
Num belo artigo na Folha ontem, Maria José Rosado, presidente do Católicas pelo Direito de Decidir, explica o que vai acontecer se o projeto de lei 5069 de Eduardo Cunha for aprovado. Rosado começa assim:

O projeto de Cunha tem propósitos maiores, como o de proibir a pílula do dia seguinte e o aborto decorrente de gravidez por estupro. Ele parte do princípio que as mulheres precisam ser sempre vigiadas e punidas, pois elas mentem. Inventariam um estupro pra poderem abortar, as pérfidas. 
Cunha deve saber que, ainda que o aborto é legal no Brasil (desde 1940) em casos de estupro, são pouquíssimas as mulheres -- e meninas menores de idade! -- que conseguem realizar este aborto. Embora 7% dos casos de estupro resultem em gravidez, 67% das mulheres que passaram por isso não tiveram acesso ao serviço de aborto legal no SUS. Cunha quer que esse número atinja os 100%. 
Reuni alguns comentários excelentes deixados no guest post da Ana, que foi estuprada duas vezes, aos 15 e 18 anos, engravidou na segunda vez, e fez um aborto. Pra começar, o da própria Ana. Esses comentários ilustram a dificuldade que é denunciar o estupro:

"Então, eu sou a Ana do relato.
Eu ia evitar comentar alguma coisa. Havia assumido o compromisso comigo mesma de sequer ler os comentários. Mas eu imaginei que talvez num blog feminista eu não seria julgada.
Então, o que apreendi dos comentários: 
. Entendi que mesmo me sentindo suja, culpada (afinal, ser estuprada duas vezes -- eu devo ter provocado isso), sem forças, com vergonha, com medo (até de contar pra minha família e ser acusada de ter provocado), medo de encontrar o cara (que tinha quase dois metros de altura e 200 kg) e ser agredida por ele novamente, medo d'ele me caçar até me encontrar e me matar, eu deveria ter procurado uma delegacia qualquer (em 1994 não havia delegacia da mulher onde moro e os policiais eram bem piores do que hoje) e fazer a denúncia. 
. Também compreendi que eu (mesmo desempregada e favelada) deveria ter me virado para conseguir o remédio vendendo um rim, ou levar adiante a gravidez de um estuprador e não envolver um ex-namorado que poderia me conseguir o remédio muito fácil e rapidamente. 
. Também compreendi que mesmo aos dezenove e completamente desesperada (a ponto de tentar suicídio), eu deveria ser madura e ter calma o suficiente para compreender que envolver uma pessoa que não tinha nada a ver com meu drama nessa história era eticamente inaceitável. 
. Entendi que eu poderia contar pra todo mundo que estava grávida e precisava fazer um aborto porque eu havia sido estuprada e não havia falado pra ninguém, que estaria tudo bem. Eu não seria julgada pelo estupro, pela gravidez, pela opção pelo aborto...
Então, em resumo: talvez tivesse sido melhor que ao invés de ter envolvido terceiros nessa história e deixado de denunciar, eu tivesse tido êxito na tentativa de suicídio. 
Por fim, entendi que mesmo depois de 20 anos eu continuo sendo julgada pelas violências que sofri. Imaginem se eu tivesse denunciado, contado sobre a gravidez ao invés de aguentar tudo calada, quem sabe o que poderia ter me ocorrido!
Não estou me vitimizando, estou apenas ressaltando o quanto nossa cultura é misógina. Chega-se ao ponto de querer fazer me sentir culpada por estratégias de sobrevivência que estabeleci como forma de superar uma violência que quase me leva ao suicídio. 
E vou ser bem honesta com vocês, eu não me arrependo de absolutamente nada que fiz. Não adiantaria coisa alguma eu denunciar ou ter procurado pelo aborto legal. Eu apenas sofreria muita humilhação e dor e jamais conseguiria o aborto legal ou que o estuprador (um estranho num beco escuro) fosse preso.
Também não me arrependo de ter deixado o meu relato. Vou contar essa história quantas vezes forem necessárias, vou mostrar a cara, vou enfrentar julgamento até que as pessoas parem de me culpar e parem de culpar outras mulheres pelo estupro, pela opção pelo aborto e por sentirem medo de denunciar.
Agradeço o apoio das mulheres que foram capazes de compreender meu relato, elas sabem ou imaginam o quanto é humilhante passar por um estupro e ser julgada por isso. 
Obrigada meninas, vocês me ajudam a acreditar que valeu a pena quebrar o silêncio e acreditar na humanidade. Beijos!" (Ana)
80% das meninas até 12 anos que engravidaram não tiveram o direito garantido por lei de abortar
"O estupro não é difícil de ser comprovado. Há dilaceração vaginal/ anal, marcas de uso de força, sintomas de trauma/ choque psicológicos, etc. 
O problema é que as vítimas são desestimuladas a denunciar. Quando denunciam, quem é investigada é A VÍTIMA, não o agressor. Ainda há muito machismo enraizado, que diz que mulher 'honesta' não deveria estar fora de casa, não deveria beber...
Ainda que o estupro seja contra uma menina de 12 anos, dentro de casa, por um membro da família (pai, padrasto, irmão, primo), há aquelas pessoas que dizem 'Ah, mas você já viu como estão essas meninas de 12 anos? Aposto que estavam pedindo'.
Aí a pessoa prefere se calar.
Fora que o machismo está enraizado nas próprias vítimas... Elas ficam se perguntando onde erraram, por que fizeram isso com elas, o que elas fizeram para 'merecer'.
Porque é isso o que escutamos dia sim, outro também.
A mulher tem que ser boazinha, não pode dar chilique, tem que respeitar o homem. 
E outra: imagina se for o próprio pai. A mãe não trabalha. O pai é quem sustenta a família. Ele estupra as filhas (já vi casos assim).
A família até pode juntar forças para denunciar. Mas até que isso ocorra, já pensaram em mil alternativas. Inclusive tiveram que considerar como vão sobreviver com o pai na cadeia." (vbfri)

"Aos 12 anos de idade, minha mãe feminista me contou o que era um estupro. Daí para frente sempre me convenci de que eu seria capaz de evitar um estupro. Eu ia gritar, eu ia bater, não sou tão franzina, seria estuprada depois de morta. Na teoria, todo mundo evita estupro.
Daí há uns meses eu fui estuprada. Não foi num beco escuro com um desconhecido. Foi numa academia e o estuprador era um rapaz que eu tinha conhecido no tinder. Dono de academia, lutador, o típico cidadão de bem. Não foi uma situação para a qual eu estava preparada, sequer consegui gritar. Meu corpo simplesmente travou.
Só denunciei depois que fui levada por uma amiga advogada e feminista. Mas vários pensamentos passaram pela minha cabeça. Será que eu, no fundo, quis? Meu vestido tava provocante demais? O tinder é um app de pegação, eu deveria estar preparada. O que eu fui fazer sozinha na academia de um cara que tinha encontrado três vezes? Eu deveria ter gritado. Eu deveria ter esperneado.
A Vbfri [acima] descreveu bem o processo. Recebi tratamento razoável, mas num começo de sermão da policial, minha advogada interferiu. Depois de passar por todos os laudos e exames, ainda fui (sou) ameaçada pelo meu agressor. Fui chamada de putinha, safadinha, 'não aguentou minha pica', 'se eu te ver pela rua, te como e depois te encho de porrada'. 
Ainda bem que não engravidei, como foi o caso da autora, e nem contraí nenhuma doença. Porém, isso já interfere na minha relação com homens (pretendo manter distância de relacionamentos amorosos). Meus pais tiveram de ouvir que não me vigiaram direito e que me deram muita liberdade com esses 'negócios de internet'.
Aprendi que ser violentada é o tempo todo procurar desculpas para as circunstâncias. É a gente ficar com vergonha de ter nossa intimidade violada e não contar pra ninguém porque no fundo todo mundo vai estar nos culpando. É passar na cabeça o tempo todo que se a gente tivesse mudado um detalhe, nada daquilo ia acontecer." (Carol)

"Eu já vi a Carol comentando sobre isso aqui e me parece que ela é bem jovem (tipo, 17 ou 18 anos). Então ela não deveria mexer com Internet sendo que isso é inevitável da geração dela? Vamos ser práticos, os adolescentes de hoje estão imersos neste mundo. O que nós adultos devemos fazer é trabalhar para que esse ambiente seja o mais seguro possível. 
Acredito que existam milhares de Anas, Carols e Márcias que passaram por situações de abuso, de violência e de assédio. Como o anônimo disse, vítima de estupro, por mais empoderada que seja, martela na cabeça os 'se'. Se ela tivesse dado vermelho no tinder, se ela não tivesse passado por aquela rua naquela hora, se ela tivesse gritado mais, se... se... 
Aos 11 anos, um sujeito me seguiu pela rua com a clara intenção de me estuprar no único dia que eu saía da escola mais cedo sem a companhia das minhas amigas. Escapei porque entrei numa padaria. Se eu só tivesse percebido mais tarde que o cara me seguia, não sei se poderia ter me salvado. 
Lamentável que num blog feminista, venha uma 'feminista' apontar os erros de uma vítima e o que ela deveria ter feito, como se ela não tivesse os dedos da sociedade e os próprios colocando a culpa: 'Você facilitou'.
É claro que há situações que facilitam o estupro. Também quero viver num mundo onde eu possa sair às 4 da madrugada, bêbada e de minissaia sem correr o risco de ser estuprada, mas sei que o mundo não é assim, então eu tento minimizar os riscos. Também sei que nem todas possuem a mesma sorte que eu e estão ao lado do abusador (marido, pai, padrasto); nesses casos, fica ainda mais difícil a denúncia (outro fator complicador é que nesse tipo de abuso a vítima quase sempre é criança e adolescente). Só que eu sei que não mudarei o paradigma se apontar na cara da vítima e dizer: 'Você não deveria ter feito isso'." (Mila)

"Não adianta você vir aqui ficar dizendo o que uma vítima de estupro deveria fazer ou deixar de fazer pra não ter sido estuprada. Que ela não deveria confiar naquele homem ou em nenhum. Você pode ter certeza que ela já se fez todas essas perguntas centenas de vezes, então guarde a sua lição de moral pra si. Quando uma vítima conta o seu relato você cala a boca e escuta, não fica apontando dedos, entendeu?" (Anônima)

"Uma pessoa viva não é um cadáver. Tratar uma vítima de agressão, qualquer que seja a agressão, com os mesmos procedimentos de investigação de um corpo morto, é agressão. Sabia que colocar mulheres na posição de exame ginecológico é desnecessário para comprovar penetração vaginal ou anal? Tais práticas permanecem exatamente por conta dessa mentalidade de que 'não tem jeito', você é uma vítima de estupro, então precisa ser agredida novamente para provar o que lhe aconteceu. 
Enquanto essas forem as práticas, não haverão muitas denúncias. E a culpa, e a responsabilidade, não são das vítimas. Exames não intrusivos podem ser recolhidos em hospitais, de preferência centros de tratamento à mulher. O padrão ideal que já é regulado no Brasil desde a década de 1990 é que a médica ou enfermeira que atende a mulher no hospital faça laudo das agressões, forneça uma cópia para a vítima e essa leve até a delegacia para denúncia. 
Laudo psicológico é outra forma muito contundente de prova, uma bem aceita nos parcos casos de condenação. Soluções investigativas mais humanas existem há décadas, profissionais dispostos a aplicá-las ainda são raros por que não conseguimos mudar a mentalidade de que uma vítima de estupro precisa ser 'inquirida' para sabermos se é mesmo verdade a sua história. Isso também é violência." (Marcia Baratto)
16 Nov 18:43

Seu filho está doente de novo, tem certeza?

by Ruri Giannini

“Onde você trabalha agora?” ou “o que você faz?” são perguntas típicas quando encontramos alguém com que não falamos há um tempo ou quando acabamos de conhecer uma pessoa.

Trabalho – aquela coisa que ocupa boa parte do nosso tempo – nos define.

Trabalhar tem uma importância gigantesca em quem somos, no nosso desenvolvimento e na nossa contribuição para a sociedade, não importa qual o trabalho e qual a remuneração (ou mesmo se não houver remuneração). Para as mulheres, poder trabalhar fora e ter uma remuneração é uma conquista importante para a independência.

Trabalhando e ganhando nosso próprio dinheiro, a gente consegue viver independente dos pais e dos maridos. A gente consegue ter nossa própria casa, enfrentar um divórcio, criar nossos filhos sozinha e fazer as coisas que a gente gosta. Poder trabalhar é muito importante na vida das pessoas em geral e, especialmente, na vida da mulher.

Aí eu acho bizarro que uma coisa tão importante, para a qual nos preparamos a vida toda, seja muitas vezes motivo de tristeza, depressão, pânico e por aí vai. Entre outros motivos, isto acontece porque existe uma coisa comum no trabalho que se chama assédio moral. Comum porque ocorre o tempo todo. Assédio moral é uma violência psicológica, que coloca o trabalhador em situações constrangedoras e humilhantes. Acho que quase todo mundo já sofreu assédio moral alguma vez na vida em um ambiente corporativo. Assédio moral é isto aqui:

“Esse negócio vai dar errado porque você tem que ir embora cedo”

“É normal passar o aniversário dos filhos longe deles, acontece com todo mundo, não vai ser a única vez” – gestor tentando me convencer a fazer uma viagem a trabalho no dia do aniversário dos meus filhos

“Eu recomendo que você contrate uma babá que durma na sua casa, porque assim não está dando”

“Todo dia agora você tem compromisso com seus filhos?” – se referindo ao horário em que eles vão dormir (sim, eles dormem todo dia)

“Seu filho está doente de novo, tem certeza?”

“A culpa dessa merda é que você nunca fica aqui trabalhando até tarde!” – trabalhava todos os dias até às 19h

“Agora você vem e contrata outra pessoa que nunca fica até tarde?” – quando contratei uma outra mãe para a equipe

“Você vai confiar neste relatório feito pela estagiária gostosinha?” – o relatório estava ruim, mas ninguém havia dito que tinha sido feito por um estagiário, mulher e, muito menos, “gostosinha”

“Mentira que ela está doente! Frescura de mulher!” – quando alguém da equipe não foi trabalhar por problemas de saúde

“Você não parece chefe da equipe, preciso que se imponha e pare de ser mais uma menininha no meio do time”

“Aqui funciona assim mesmo, não gostou, cai fora”

“Você é chefe e tem que dar o exemplo para sua equipe, não dá para você achar que tá certo trabalhar só 10 horas por dia”

“Infelizmente você está sendo desligada porque não se envolve o suficiente com as demandas da empresa” – depois de recusar algumas viagens a trabalho porque tenho filhos e não ter contratado uma babá 24 horas

Ouvi todos estes assédios que escrevi de mais de um gestor apenas por ser mulher. Sou mulher e mãe, uma pessoa difícil, complicada, que causa muitos problemas e que não tem o desempenho e disponibilidade “que a empresa precisa”.

Violência psicológica nos destrói e traz angústia, frustração, irritação, além de deixar a auto estima lá no chão.

Muitas vezes me senti incompetente, inútil, fiquei pensando em como ia fazer para parecer mais velha e me “impor” mais, fiquei repassando todos os feedbacks negativos que recebia e cheguei até a ligar em uma agência de babás porque achei que precisava mesmo trabalhar mais horas por dia.

Cara, tá tudo errado.

Não tem nada de errado comigo, como não tem nada de errado com você. Sofremos assim porque somos mulheres. Por mais que a gente se esforce, que “cresça na carreira”, que tente entregar tudo o que foi pedido, a gente continua sofrendo assédio moral, ele nunca acaba. No meu caso, só piorou.

Enquanto eu estava escrevendo esse texto, fiquei me perguntando se realmente deveria publicar. Durante cinco minutos tive medo de me queimar e de nunca mais ter um emprego em lugar nenhum. Aí está o erro de anos: ficar calada. Ficar calada, arrumar outro emprego e continuar sofrendo constrangimentos e humilhações está errado.

Ficar de boca fechada enquanto assédio moral contra a mulher acontece milhares de vezes todos os dias é deixar que isto continue. Então eu vou falar sobre isto. E convido todas para falar comigo sobre isto, porque ninguém deve ter vergonha ou medo de falar sobre assédio moral. Então conta pra gente: o que você já ouviu em ambiente de trabalho por ser mulher? #assediomoralcontraamulher