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04 Apr 14:13

Mulheres desequilibradas e o machismo estrutural

by Thayz Athayde

Texto de Thayz Athayde para as Blogueiras Feministas. 

Essa semana a capa da Isto É colocou a presidenta Dilma Rousseff como alguém que está perdendo o seu equilíbrio emocional. Aliás, não apenas a capa, mas a matéria da revista sobre Dilma parece querer a todo momento afirmar que ela não está aguentando a forte pressão da crise política, chegando inclusive a compará-la com “Maria, a Louca”, que foi a primeira Rainha do Brasil. Na matéria, também há especulações sobre remédios que Dilma estaria tomando, além de opiniões de especialistas sobre o possível desequilíbrio de Dilma.

Bem, você pode se perguntar qual a relação disso com o feminismo. A questão é que você pode discordar da Dilma, do governo dela, do partido, etc. E eu entendo que você tem razão pra isso. Sou mulher e por isso tenho várias razões para criticar esse governo. Só que justamente por ser mulher, sei que o machismo estrutural nos atinge das mais variadas formas. E claro, não seria diferente com Dilma. A revista Isto É resolveu se utilizar de uma imagem de mulher louca, mulher surtada, mulher histérica para explicar tudo o que está acontecendo politicamente.

A histeria

Durante um tempo a histeria foi encarada como uma doença que seria causada por um “mal feminino”. Não queria casar? Histérica. Não se interessava por homens? Histérica. Queria estudar e trabalhar? Histérica. Mulher independente? Histérica. Ou seja, ser histérica no final dos anos 1800 e início dos anos 1900, era também desviar das categorias normativas de gênero, entre outras coisas. Muito tentou se fazer para “curar” a histeria, como por exemplo, retirar o útero ou terapias de choque. Vocês tem ideia de quantas mulheres foram arrastadas até manicômios por acreditarem que histeria era uma doença “biologicamente feminina”? Ser diagnosticada como histérica naquela época também poderia ser uma das formas de controle dos corpos das mulheres. Era uma das muitas formas de dizer que as mulheres não poderiam fazer o que elas quisessem.

Depois da teoria de Charcot sobre a histeria, foi a vez de Sigmund Freud levantar algumas hipóteses. É necessário marcar que Freud negou as origens biológicas da histeria e fez um gesto muito importante: ouviu as mulheres. A partir da escuta dessas mulheres histéricas, Freud fundou a psicanálise. Ali foi necessário entender que a histeria era muito mais que um simples “probleminha feminino”, mas tinha um real sofrimento. Aqui, invoco uma visão muito particular sobre a psicanálise. É necessário estar atenta sobre o período que estamos falando. Naquela época, as mulheres tinham poucos “destinos”: ser mãe, ser esposa, ser filha, ser irmã e dificilmente ser o que ela quiser. Arrisco-me a dizer que o discurso de muitas mulheres diagnosticadas como histéricas também foram importantes para que soubéssemos que aquelas mulheres não estavam felizes. Havia um sofrimento real, um sofrimento que também poderia ser atravessado pelo machismo estrutural.

Post da página Think Olga sobre Gaslighting no Facebook.

Post da página Think Olga sobre Gaslighting no Facebook.

A histeria é uma forma de neurose, que por sua vez é uma estrutura psíquica, segundo Lacan, que aponta um modo de lida pulsional e de gozo com o objeto do desejo, sempre pelo modo do sofrimento e da impossibilidade de alcança-lo. Dito isso, é importante destacar que alguns psicanalistas acreditam que o feminismo é uma luta de igualdade para atingirmos aquilo que supostamente as mulheres (diga-se de passagem, eles acham que todas as mulheres são cis) não tem, ou seja, alcançar uma suposta falha anatômica.

A psicanálise está aí para ser lida e interpretada. Eu posso escolher uma visão machista, por exemplo. Mas, eu escolho ler e interpretá-la de forma feminista. A histeria para mim pode ser uma forma de fazer movimentar os discursos engessados. Na impossibilidade de alcançar o objeto de desejo, a histérica sofre, mas continua questionando mesmo aquilo que não é questionado, ou ainda que não há nada a ser questionado. Ser histérica, para mim, é uma afronta a tudo isso que está dado e estático. E é possível sim ver muitas histéricas em um movimento social, como o feminismo, por exemplo. Afinal, qual o melhor lugar para duvidar daquilo que está dado, não é mesmo? Por isso, para a psicanálise (pelo menos da forma que leio), a histeria não é um xingamento. Histeria pode ser lida como uma forma de perturbar questões estáticas. E não seria o machismo estrutural uma delas?

Sobre os novos dispositivos de controle do corpo da mulher

Os dispositivos de controle das mulheres se modificam, mas vem com heranças. A teoria de Charcot sobre a histeria pode ter ido por água abaixo. Contudo, o machismo estrutural ainda nos atinge. De forma diferente do que na época em que a histeria foi catalogada como uma doença, é claro. Mas os resquícios estão aí.
Estamos em 2016 e o fantasma da mulher histérica ainda nos acompanha. Estamos diante de uma grave crise política, é claro que Dilma deve estar passando por um momento difícil. Isso não quer dizer que ela está descontrolada, passando por uma crise emocional ou ainda que ela é a nova “Maria, a Louca”.

Talvez um dos motivos da capa da Isto É seja justamente porquê Dilma é mulher. Ela nunca vai conseguir governar de forma serena e tranquila como um homem governaria, segundo eles. Para essa revista, mulheres não conseguem lidar com uma forte pressão.

Os novos dispositivos de controle do corpo da mulher são cada vez mais sofisticados. Por que não aproveitar que o país está dividido, em plena crise política, com milhares de pessoas odiando o PT sem nem mesmo saber o motivo, para eleger a mais nova “Maria, a Louca”? Em vez de fazer críticas ao seu governo, a Isto É apostou no machismo mais uma vez. A ideia é dizer que nenhuma mulher pode ocupar um lugar que acreditam ser masculino. Desde o início do seu governo, Dilma é chamada de sapatão (mal sabem eles que isso é um elogio, né queridãns?), acusada de não ter um homem ao seu lado, disseram que era gorda, que se vestia mal, que emagreceu demais, que não se cuida e agora, que é louca. Quantas mulheres ouvem coisas assim todos os dias?

Nós, mulheres, podemos votar, podemos estar no cenário político e em vários lugares importantes, mas não podemos exercer nossos cargos e nem fazer o que bem entendermos com nosso corpos e desejos sem ser julgadas. Não podem mais nos mandar para o manicômio e nem fazer terapias de choques e cirurgias para retirarem o nosso “problema”, mas ainda podem fazer com que todos acreditem que estamos loucas e que não somos capazes. Talvez, podemos pensar que esses discursos de um desequilíbrio emocional da mulher sejam uma nova forma de dizer que as mulheres não podem exercer uma função classificada como masculina e muito menos errar. Caso erre, será sempre lembrada que o fez porque não aguenta a uma forte pressão, porque está surtada, porque é mulher.

03 Apr 11:54

Exclusivo: como Mirian Dutra fala da Brasif, do DNA, da Globo etc. Por Joaquim de Carvalho

by Joaquim de Carvalho
Miriam em Cerdaña, fronteira da Espanha com a França

Miriam em Cerdaña, fronteira da Espanha com a França

Esta reportagem faz parte do novo projeto de crowdfunding do DCM. Para colaborar, clique aqui

 

Quinta-feira, 31 de março, o jornalista Mario Sergio Conti apresenta Fernando Henrique Cardoso para sua audiência na Globonews:

— O nosso entrevistado de hoje dispensa apresentação. É um dos intelectuais e políticos mais respeitados do país e no exterior. É uma referência para os brasileiros, sobretudo nestes momentos de crise. É um elder statesman (velho estadista). Vamos ver quem é.

Rolam na tela imagens do ex-presidente e os dois voltam para tratar dos temas da noite: Lava Jato e impeachment.

Nada de Mirian Dutra, nada da Brasif.

Domingo, 20 de março. Mirian Dutra está em Cerdaña, perto da fronteira da Espanha com a França, e me dá entrevista. No caminho até o hotel, em meio a montanhas com neve, ela para num posto de combustível e abastece o carro. “Aqui não tem mordomia, não”, comenta.

Mirian fala sobre Mario Sergio Conti e Fernando Henrique Cardoso:

— O Fernando Henrique deve um grande favor ao Mario sergio Conti. A nota que o Mario Sergio publicou na coluna Veja em 1991 é simplesmente uma mentira.

A nota diz que Mirian Dutra, “conhecida pelas reportagens que faz para o Jornal Nacional”, havia trocado o clima seco de Brasília por uma temporada de inverno em Santa Catarina. Em seguida, conta que Mirian espera um filho e que o pai é um biólogo.

Mirian conta a mesma história para uma amiga, a publicitária Glória Maria Campamá, com quem está reunida em Barcelona.

As duas não se vêem há bastante tempo, depois que Mirian se mudou para Madri. Glória, que nasceu na Catalunha e é mãe de um dos melhores amigos do filho de Mirian, os dois na faixa dos 25 anos de idade, ouve atentamente. Mirian explica:

— Veja é uma importante revista do Brasil. É como a Época – diz ela, em referência a uma publicação da Espanha.

Glória não esconde a surpresa, e Mirian diz que quem armou com o então diretor de redação da maior revista do Brasil a publicação de uma fraude pode muito bem ter armado um exame de DNA.

Na conversa com a amiga, Mirian Dutra fazia referência a um episódio de 2011, quando Fernando Henrique Cardoso divulgou à imprensa que se submetera a dois exames nos Estados Unidos, e o resultado foi negativo para a paternidade do filho de Mirian.

Mesmo assim, informou à época Fernando Henrique à imprensa, ele continuaria a atender às necessidades materiais e afetivas do filho da ex-namorada, inclusive mantendo o reconhecimento de Tomás como filho, que teria feito na Espanha no ano de 2009.

Mas, no cartório onde Tomás foi registrado, o 1º Ofício de Brasília, a certidão de nascimento obtida no último dia 24 de fevereiro pelo jornalista Fernando Molica, da coluna Informe do Dia, registra Tomás Dutra Schmidt como filho de Mirian Dutra e de pai desconhecido.

Enquanto conversa com Glória, Mirian está com os olhos marejados, e esses fatos seriam de absoluta privacidade não tivesse Fernando Henrique Cardoso movimentado uma máquina poderosa para encobrir seu relacionamento com Mirian Dutra e o filho, durante os anos em que foi presidente da república, com o apoio de empresas de comunicação e concessionárias do governo federal.

Mirian, Glória e eu estamos no bar do Hotel Villa Emilia. Mirian vê que o cãozinho Chico, sua companhia de alguns anos para cá, precisa dar uma volta e pede licença. Glória me conta que Mirian viveu anos difíceis em Barcelona. “Ele queria trabalhar, mas a empresa (Globo) pagava e ela não produzia nada. Isso deprime qualquer um”, comenta.

Glória diz ainda que o mercado de comunicação no Brasil é estranho.

Como funcionária de uma agência de publicidade em Barcelona, diz que a empresa, multinacional, tem negócios na Argentina, na Colômbia e no México, mas não consegue entrar no Brasil. “No seu País, a Globo dá as cartas”, afirma.

Glória diz também que seu filho mais velho, que hoje mora no Canadá, esteve com Fernando Henrique Cardoso, numa visita que ele fez a Tomás em Barcelona.

— O Tomás, na época criança, queria muito que os amigos conhecessem Fernando Henrique, mas ele não queria que vissem o presidente, mas o pai. E como Tomás estava feliz – diz Glória.

Mirian retorna com Chico e pede ao garçom mais uma cesta de pão. Ela quer alimentar o cachorrinho com pequenos pedaços de miolo.

— Sabe como eu soube do DNA? Eu estava em São Paulo para acompanhar minha irmã, que estava com câncer, ao hospital. Fernando Henrique soube que eu iria para lá e pediu para me encontrar com ele num hotel no Morumbi.

Segundo ela, Fernando Henrique chegou com dois seguranças, sentou-se numa mesa, lhe entregou um envelope e disse:

— Tomás não é meu filho.

— Não, então é de quem? Do biólogo?

— Fiz dois exames, e deram negativo – teria dito Fernando Henrique.

Mirian diz que ficou sem reação.

— O hotel estava cheio de gente e ele estava com dois seguranças.

A conversa não demorou muito. Ele teria pegado o exame de volta, se levantou e saiu.

Mirian recorda que, à noite, enquanto jantava num restaurante do Itaim com a irmã, começou a chorar.

A irmã achou que era por causa da doença dela e procurou tranquilizá-la:

— Eu vou superar.

Mirian, então, revelou:

— O Fernando Henrique me mostrou um exame de DNA e disse que Tomás não é filho dele.

Mirian, que diz ter tido sempre um relacionamento tenso com Margrit Dutra Schimidt, conta que viu a irmã baixar a cabeça e dizer:

— Eu já sabia… Que vergonha…

Como sabia?

Mirian diz que Margrit foi uma das pessoas que, a pedido de Fernando Henrique Cardoso ou de José Serra (grande amigo dela e de Fernando Henrique), pediram que Mirian não levasse adiante a gravidez.

— Mas, depois que o Tomás nasceu, ela gostava de ser conhecida como a cunhadinha do Brasil.

Nesse ponto da conversa, Mirian muda a expressão e diz que a irmã era sócia do marido (já falecido) na empresa de lobby Polimídia. “Com a história do filho de Mirian Dutra, as portas se abriam para ela e minha irmã ganhou muito dinheiro”, diz e sugere que se investigue o patrimônio da irmã: “Ela era funcionária da UNB (Universidade Federal de Brasília), não tinha nada e hoje tem conta no Canadá e muitos imóveis.”

mirian - certidão tomas

 

Margrit Dutra Shimidt tem hoje um cargo comissionado no gabinete de José Serra, no Senado, mas quase não é vista por lá.

Com a notícia do DNA, Mirian procurou o filho e quis saber por que ele fez o exame sem o conhecimento dela:

— O Tomás não tinha ideia do que significava aquilo e falou: ‘Ah, mãe, não é definitivo.’”

Mirian achou que ela, Fernando Henrique e Tomás, deveriam ter uma conversa, e se encontraram no hotel Palace, de Madri.

— Eu estava no meu território e a conversa foi dura. Acho que tinha caído a ficha do Tomás. Ele queria saber se eu tinha me relacionado com outra pessoa e eu respondi: tive, sim, com o porteiro. Claro que não, Tomás!

Enquanto mãe e filho discutiam, Mirian Dutra diz que Fernando Henrique chorou.

Mirian conta que também procurou um antigo terapeuta em Brasília, com quem fez psicanálise durante os seis anos de namoro com Fernando Henrique, para saber se, na ficha dela, constava alguma referência a um caso com outra pessoa.

— Eu fiquei tão confusa que achei que eu pudesse mesmo ter tido outro relacionamento e bloqueado isso por algum motivo. Meu terapeuta ficou de procurar as anotações no arquivo morto e, depois de alguns dias, me ligou para dizer que a coisa mais importante que tinha achado era uma referência à troca de medicamento para dormir. Não tinha nada.

Em agosto de 2014, seu advogado no Brasil, José Diogo Bastos, notificou duas vezes Fernando Henrique Cardoso para apresentar os documentos de reconhecimento de Tomás como filho e o resultado dos DNAs.

Fernando Henrique, que assina uma das notificações – a outra é assinada por uma secretária do Instituto Fernando Henrique Cardoso –, não respondeu. Em janeiro de 2015, ele concluiu a compra de um apartamento para Tomás, por 200 mil euros, perto da Universidade de Barcelona, onde o jovem faz pós-graduação.

Telefonei para Tomás, mas ele não quis falar. Disse que um dia, quando “tudo isso passar”, poderia dar entrevista. Procurei também Fernando Henrique Cardoso. A chefe de gabinete do Instituto FHC, Helena Maria Gasparian, retornou minha ligação e disse que tentaria marcar uma conversa. Caso a entrevista pessoal não fosse possível, propus enviar perguntas por escrito, mas não tive resposta.

Mirian diz que hoje estuda processar o ex-namorado, por danos morais, particularmente porque diz que sempre quis fazer o exame de DNA, mas ele recusou.

— Na maternidade, quando Tomás nasceu, ele me telefonou e eu disse que ele deveria fazer o DNA. Ele não quis, esperou meu filho ficar maior de idade e estar bem longe de mim – quando o exame foi feito, Tomás estudava nos Estados Unidos, com dinheiro de Fernando Henrique Cardoso.

Segundo Mirian, foi Fernando Henrique quem contou a Tomás que o resultado do DNA deu negativo. “Ainda que fosse verdade, e não é, ele deveria conversar comigo primeiro e depois falar com o Tomás”, diz.

A tragédia da família Dutra se mistura a situações em que é difícil separar o assunto público do privado. Nos anos em que considera seu exílio na Europa, com salário da Globo e o dinheiro de um contrato fictício da Brasif, ela teria questionado Fernando Henrique quando a Brasif, empresa concessionária do governo federal, parou de transferir dinheiro – eram 3 mil dólares por mês.

— O Fernando Henrique disse: é claro, eu coloquei 100 mil dólares lá, e esse dinheiro já acabou.

A família não deixou de receber recursos, mas a Brasif, segundo Mirian, deixou de ser o canal. Ela diz guardar todos os registros de transferência de dinheiro – da Brasif e de outros meios — e é o que pretende entregar à Polícia Federal. Seu depoimento foi marcado para 7 de abril, em São Paulo.

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03 Apr 11:46

56% são contra impeachment e 83% não querem Temer na Presidência, diz pesquisa

by Kiko Nogueira

Do iG:

Apesar da polarização entre grupos politicamente antagônicos e dos números negativos sobre a aprovação do governo federal em amostras recentes, levantamento do instituto de pesquisa Digzoo feito entre os leitores do portal iG mostra que o impeachment da presidente Dilma Rousseff não é uma medida vista de forma tão positiva pela população brasileira.

De acordo com 56% dos leitores do iG que participaram do levantamento, Dilma não deve deixar a Presidência da República. O cenário fica ainda mais dramático para os opositores ao governo federal quando a análise é em cima da possibilidade de o vice-presidente, o peemedebista Michel Temer, assumir o cargo caso o impeachment seja aprovado.

O levantamento mostra que 83% dos internautas não ficariam felizes com Temer, principal patrocinador do rompimento do PMDB com o governo federal, ocupando a Presidência. Além disso, 81% deles não acreditam que um eventual mandato do peemedebista solucionará a atual crise política do País.

Ao mesmo tempo, 75% dos entrevistados não confiam que Temer conseguirá fazer a economia melhorar em curto prazo na Presidência e um total de 80% não acredita que a corrupção diminuirá em um governo peemedebista.

Em relação aos pontos abordados, as vozes mais dissonantes são as dos leitores com mais de 65 anos. Entre eles, 63% são favoráveis ao impeachment, 70% acreditam que a economia melhora com Temer, 73% acham que a crise política acaba com o peemedebista, 66% apontam que a corrupção diminui com o vice assumindo o cargo de Dilma e 73% ficariam felizes com ele na Presidência.

Realizada entre 30 e 31 de março, após o desembarque do PMDB do governo e os protestos dos apoiadores de Dilma realizados em todo o Brasil, a amostra do instituto de pesquisas Digzzo em parceria com o iG contou com a participação de 3.985 internautas.

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31 Mar 14:08

Marco Aurélio Mello mitou ao dizer o óbvio: é golpe. Por Paulo Nogueira

by Paulo Nogueira
É golpe: Marco Aurélio Mello, do STF

É golpe: Marco Aurélio Mello, do STF

E quando as esperanças numa Justiça menos brutalmente politizada começavam a se esvair eis que surge Marco Aurélio Mello, insuspeito de petismo, lulopetismo ou qualquer daquelas categorias que a Globo tenta demonizar na sua louca cavalgada de tentar provar o impossível: que o golpe não é golpe.

Mello se ergueu nas sombras, com a coragem que vem faltando a tantos colegas seus na Suprema Corte, e lacrou: impedimento sem fato jurídico transparece a golpe.

Acabou, aí, a discussão.

Não foi Dilma, não foi Lula, não foi o PT que definiu o que está ocorrendo como golpe: foi um ministro que não pode ser acusado de qualquer simpatia pela esquerda ou por suas causas.

A história haverá de prestar a ele o devido tributo.

Você pega um juiz como Gilmar Mendes. Qual é a credibilidade do que ele fala? Nenhuma. É um militante político em toga. Você acredita na isenção dele tanto quanto acredita na isenção da Globo, da Veja, de FHC, Aécio e por aí vai.

Gilmar é uma desgraça para a Justiça brasileira, um escárnio, uma afronta. Um câncer.

Como ele pôde conspurcar o STF com sua conduta vil por tantos anos é uma questão que a posteridade terá que analisar e responder.

Marco Aurélio Mello apareceu como um contraponto devastador a Gilmar. (E também a outros como Celso Mello, autor de uma tragicômica entrevista em prol do golpe para uma militante da extrema direita.)

E ele não fez mais do que o que se espera de um juiz: se comportar como juiz.

Mas na Era de Gilmar e de Sérgio Moro, alimentados em seu partidarismo e sua vaidade pelos holofotes ininterruptos da mídia, isso é coisa rara.

Poucos dias antes de chamar o golpe de golpe, Marco Aurélio Mello já se distinguira por dizer a verdade sobre a delinquência de Moro ao decretar um depoimento sob coerção de Lula.

Sem que Lula tenha recusado um convite para depor, é uma aberração, avisou. Depois que Moro afirmou que era para “proteger” Lula, Mello disse com humor fino e contundente. “Eu não gostaria deste tipo de proteção.”

Também ali ele lacrou. Mitou.

Num mundo menos imperfeito, companheiros de Marco Aurélio Mello se inspirariam nele no esforço vital de devolver a credibilidade destruída à Justiça.

Não é fácil. Credibilidade, como virgindidade, é fácil perder e recuperar, bem, passemos adiante.

Quando alguém, por exemplo, voltará a acreditar na Veja, ou na Globo, depois de tantas barbaridades deliberadamente cometidas?

Mas a Veja e a Globo passarão, e o Judiciário não. Há, sim, que ressuscitá-lo em nome da decência e do bem de todos os brasileiros.

Há, hoje, duas possibilidades.

Ou a Justiça segue o caminho ignóbil de Gilmar Mendes ou envereda pela senda aberta por Marco Aurélio Mello.

Que o bem triunfe e, com ele, o juiz que numa hora de perplexidade se agigantou ao dizer o óbvio: o golpe é um golpe.

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31 Mar 13:31

E os amigos da democracia surgiram, aos milhões

by Carlos Motta
Nas crises é que se revela a personalidade das pessoas.

Pegue o exemplo de uma tragédia que possa ocorrer com um amigo ou um familiar.

Ele perdeu o emprego e a mulher está grávida, tem mais dois filhos em escolas particulares, mora em casa alugada.

Todos os amigos ou parentes lamentam o ocorrido, se mostram tristes, oferecem solidariedade, tudo conforme o figurino e as as regras de convivência social.

Mas na hora do vamos ver, todo mundo some.

Ou quase todos.


Num belo dia o nosso amigo/parente recebe um telefonema de um ex-colega de trabalho de quem nem era muito próximo.

E o cara diz que quer ajudar, se coloca à disposição para qualquer emergência, deixa claro que, se for preciso, pode até emprestar uma grana sem juros ou prazo para devolução.

A vida é assim como aquele chavão do futebol, uma caixinha de surpresas.

A dimensão da crise que assola o Brasil é enorme.

A sua frágil democracia vem sofrendo ataques incessantes pela plutocracia já há alguns anos.

E, de ataque em ataque, chegou-se a um ponto em que tudo parecia perdido, tudo indicava que o Brasil retrocederia meio século, ao tempo das trevas.

Até que o inimaginável, ou o improvável, aconteceu.

De todos os cantos começaram a surgir jovens, velhos, homens, mulheres, pobres ou não, das mais variadas ocupações, que se condoeram da triste situação do país ou que se indignaram com a vil ofensiva das forças reacionárias, fascistas em sua essência, contra os mais elementares princípios do Estado de Direito.

A onda democrática foi crescendo, aumentando de tal forma que o embate hoje se encontra ao menos empatado.

É praticamente impossível definir a essência do ser humano.

Ele é violento ou pacífico por natureza?

Bom ou mau?

Essas são perguntas que provavelmente nunca serão respondidas de maneira definitiva.

Isso, porém, pouco importa.

O que vale mesmo é que ainda há no mundo muitas pessoas que acreditam em valores que elevam e não degradam a condição humana e o caminho civilizatório.

No Brasil, a gente descobre, há milhões assim. 

Milhões que podem permitir um futuro melhor para as gerações futuras, vivendo numa sociedade mais justa e mais igualitária. (Carlos Motta)



31 Mar 11:07

Nesta quinta, atos em defesa da democracia por todo o Brasil e em 16 cidades do mundo

by Conceição Lemes

Manifestação 31 de março

da assessoria de imprensa da CUT,  por Marize Muniz

A CUT, CTB, UNE, MST, MTST, CMP e mais de 60 outras entidades dos movimentos populares, da juventude e partidos políticos que formam as Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, realizam nesta quinta-feira (31) atos contra o golpe em todo o Brasil.

Em São Paulo, a manifestação começa às 16 horas, na Praça da Sé, centro da capital.

Em Brasília, onde as frentes decidiram fazer uma marcha que sairá do Estádio Mané Garrincha e irá até a Esplanada dos Ministérios, a partir das 18, participarão do ato o ex-presidente Lula e o presidente Nacional da CUT, Vagner Freitas.

#NãoVaiTerGolpe

Os militantes, sindicalistas e líderes dos movimentos sociais, além de representantes de partidos políticos e de toda a sociedade que preservam as regras democráticas vão às ruas denunciar o Golpe de Estado em curso no Brasil neste momento.

Segundo os líderes sindicais e sociais, aumenta a cada dia o número de brasileiros conscientes da ação antidemocrática dos deputados que aceleraram a tramitação do impeachment da presidente Dilma Rousseff, apesar de não haver base legal.

Para o presidente da CUT, Vagner Freitas, “o processo não tem sustentação jurídica porque Dilma não cometeu nenhum crime, não é investigada nem foi denunciada”.

“É um Golpe de Estado e é para combater o golpe que vamos ocupar as ruas e praças em todo o Brasil e em várias cidades do exterior”, conclui o dirigente.

O argumento dos deputados para cassar o mandato de Dilma é o que ficou conhecido como “pedaladas fiscais”. Ou seja, Dilma usou dinheiro da Caixa Econômica Federal para bancar programas sociais, como Bolsa Família, e adiou o repasse dos recursos para o ano seguinte para fechar as contas no azul. No ano seguinte, ela fez o repasse normalmente. Portanto, não se trata de ação para obter benefícios pessoais. Outros presidentes e governadores utilizaram esse mesmo artifício fiscal, entre eles FHC, que vem defendendo a cassação da presidenta.

ATOS NAS CAPITAIS, INTERIOR, DISTRITO FEDERAL E  EXTERIOR

manifestação 31 de março 3

AMAPÁ

Macapá

31/03: 16h  – Praça da Bandeira

AMAZONAS

Manaus
31/03: 16h –  “Sarau da Democracia” (Praça de São Sebastião)

https://www.facebook.com/events/252072088466154/permalink/252874195052610/

01/04: 14h – Ato em Defesa da Democracia: Debate com o cantor Tico Santa Cruz vocalista da Banda Detonautas. (Centro de Convivência da Universidade Federal do Amazonas – ICHL)

ALAGOAS

Maceió

31/03: 14h – Concentração na Praça do Montepio (Rua Dr. Pontes de Miranda, 60 – Antiga sede da OAB). Caminhada até a Praça dos Martírios, onde acontece ato político/cultural

BAHIA

Salvador

31/03: 15h00  – Caminhada da Praça da Piedade ao Campo da Pólvora, todos vestidos de branco e flores no monumento aos perseguidos pela ditadura.

31/03: 18h – Ato Político e Cultura na UFBA em defesa da democracia (Praça das Artes UFBA – Ondina)

Araci

31/03: 8h – Sindicato dos Trabalhadores Rurais

Feira de Santana

31/03: 15h –  Praça do Nordestino

Ilhéus

31/03: 15h – Praça da Catedral

Juazeiro

31/03: 16h – Antigo vaporzinho (Orla de Juazeiro)

Valença

31/03: 14h – Praça da República.

CEARÁ

Fortaleza

31/03: 15h – Praça da Bandeira (Caminhada até o Centro Dragão do Mar)

01/04: 17h – Contra a mídia golpista (Manifestação em frente a Tv Verdes Mares)

02/04: 9h – Ato por mais democracia com a presença de Lula

Sobral

31/03: 16h – Arco

DISTRITO FEDERAL

BRASÍLIA – DF

31/03: 14h – Concentração es atrações culturais no Estádio Mané Garrincha

18h – Marcha pelo Eixo Monumental e Esplanada dos Ministérios

https://www.facebook.com/events/584586398374278/

ESPIRITO SANTO

Vitória

31/03: 18h – Assembleia Legislativa do ES, avenida  Américo Buaiz, 205

https://www.facebook.com/events/692828940859428/

GOIÁS

Goiânia

31/03: 17h – Caminhada da Praça Cívica até a Praça Universitária

www.bit.ly/31marcogoiania

MARANHÃO

São Luís

31/03: 18h – Ato na Avenida Litorânea

Balsas

31/03/18h – Avenida Litorânea

MATO GROSSO

Cuiabá

31/03: 17h30 – Praça Alencastro

Sinop

31/03: 17h30 – Praça Plínio Calegaro

MATO GROSSO DO SUL

Campo Grande

31/03: 14h – Concentração na Avenida Afonso Pena com a Rua 14 de Julho

31/03: 19h – Celebração pela vida e pela Democracia – Praça do Rádio

MINAS GERAIS

Belo Horizonte

31/03: 17h – Praça da Estação

https://www.facebook.com/events/227822384238571/

Juiz de Fora

31/03: 17h – Ato na Curva do Lacet

https://www.facebook.com/events/481630258687277/

Montes Claros

31/03: 19h – Praça da Matriz

https://www.facebook.com/events/1716165295332708/

Poços de Caldas

31/03: 19h – Urca

https://www.facebook.com/events/851407184968756/

São Lourenço

31/03: 18h – Praça Brasil

https://www.facebook.com/events/193326624380352/

Varginha

31/03: 17h – Praça do ET

https://www.facebook.com/events/1080710972001363/

PARÁ

Belém

31/03: 16h – Praça da Leitura

https://www.facebook.com/events/546122528900445/

31/03: 16h00 – Praça do Operário – Bairro São Brás

https://www.facebook.com/events/992360614177962

PARAÍBA

João Pessoa
31/03: 18h – Ponto Cem Réis (Rua Artur Aquiles, 80))

https://www.facebook.com/events/249982185340675/

Campina Grande

31/03: 15h – Praça Clementino Procópio

Cajazeiras

31/03: 8h – Praça da Oiticicas

Guarabira

31/03: 16h – Catedral

PARANÁ

Curitiba
31/03: 18h – Praça Santos Andrade

https://www.facebook.com/events/201544140225008/ 

Foz do Iguaçu

31/03: 16h – Concentração no Bosque Guarani (em frente ao TTU)

31/03: 17h30 – 17h30 – Passeata até a Praça do Mitre

31/03: 18h – Ato Político-Cultural

https://www.facebook.com/FrenteBrasilPopularFoz 

Maringá

31/03: 17h – Praça Raposo Tavares

https://www.facebook.com/events/1584760625176350/

PERNAMBUCO

Recife

31/03: 16h – Praça do Derby

https://www.facebook.com/events/1600676620254820/

Caruaru

31/03: 16h – Av Rui Barbosa, Em frente ao INSS

https://www.facebook.com/events/777074095761042/

Floresta

31/03: 7h30 – Em frente ao Sindicato dos Trabalhadores Rurais

Garanhuns

31/03: 8h – Parque Euclides Dourado

Petrolina

31/03: 15h – Praça do Bambuzinho

Tabira

31/03: 17h – Sindicato dos Trabalhadores Rurais

PIAUÍ

Teresina

31/03: 16h – Bandeiraço no cruzamento da avenida Frei Serafim ccom Coelho de Rezende,  seguido de  vigília na escadaria da igreja São Benedito.

RIO DE JANEIRO

Rio de Janeiro (capital)

31/03: 16h – Largo da Carioca

https://www.facebook.com/events/997580850320860/

Barra Mansa

31/03: 17h- Corredor Cultural

RIO GRANDE DO NORTE

Natal

31/03: 15h30 – IFRN Campus Central

https://www.facebook.com/events/1742326092653212/

Mossoró
31/03: 8h30 Lançamento do Comitê UERN pela Democracia (Auditório do DECOM)

31/03: 16h – em frente a Igreja São João
https://www.facebook.com/events/209134909460258/

RIO GRANDE DO SUL 

Porto Alegre

31/03: 17h – Esquina Democrática

https://www.facebook.com/events/1534996123468317/

Erechim

31/03: 18h – Praça dos Bombeiros

https://www.facebook.com/events/1529435397358228/

 Ijuí

31/03: 17h – Praça da República

Passo Fundo

31/03: 17h – Praça Teixeirinha

Pelotas

31/03: 17h – Em frente à sede da Prefeitura de Pelotas, na Praça Coronel Pedro Osório

https://www.facebook.com/events/261219420875768/

Rio Grande

31/03: 17h – Praça Coronel Pedro Osório

Santa Maria

31/03: 16h – Praça Saldanha Marinho

Santa Rosa
31/03: 18h – Praça da Bandeira

Santana do Livramento

31/03: 16h – Praça General Osório (concentração) caminhada até o Parque Internacional

Três Passos

31/03: 18h – Praça Reneu Mertz

https://www.facebook.com/events/933147553473427/

RONDONIA

Porto Velho
31/03: 19h – SINDUR – Sindicato dos Urbanitários

Jí-Paraná

31/03: 17h – Praça Matriz

SANTA CATARINA

Florianópolis

31/03: 17h – TICEN

https://www.facebook.com/events/980981221993724/

Joinville

31/03: 18h – Praça da Bandeira

SÃO PAULO

São Paulo (capital)

31/03: 16h – Canto da Democracia em São Paulo (Praça da Sé)

https://www.facebook.com/events/909827309124576

SERGIPE

Aracaju

31/03: 15h – Ato político, com concentração na Praça General Valadão, depois caminhada até a Orlinha do Bairro Industrial, onde às 18h tem ato político culturalAto Político na Praça General Valadão

31/03: 18h – Artistas Pela democracia (Orla do Bairro Industrial)

https://www.facebook.com/events/1660799237517412/ 

TOCANTINS

Palmas

17h00 – Estação Serente, Aurenty III

manifestação 31 de março 2

*************************

ATOS NO MUNDO – #NãoVaiTerGolpe

PARIS- FRANÇA

19h00 – Maison de l´Amérique latine

https://www.facebook.com/events/1649103942019535/

BERLIM – ALEMANHA

19h00 – Pariser Platz – Berlim, Alemanha

https://www.facebook.com/events/1794707547415247/

MUNIQUE – ALEMANHA

14h00 – Consulado Geral do Brasil em Munique

https://www.facebook.com/events/1705901246331484/

LONDRES – INGLATERRA

31/03: 17h, Cockspur St, London SW1Y 5BL. Em frente a Embaixada Brasileira

https://www.facebook.com/events/347223575402116/

COIMBRA – PORTUGAL

12h00 – Praça Dom Dinis

https://www.facebook.com/events/1733795590223510/

BARCELONA- ESPANHA

18h00 – Praca de Sant Jaume

https://www.facebook.com/events/954267841323084/

SANTIAGO – CHILE

17h00 – Palacio Errázuriz (embaixada do Brasil no Chile) – Avenida Libertador Bernardo O’Higgins (Alameda), n.º 1656.

https://www.facebook.com/events/862704053852633/

SÃO FRANCISCO – CALIFÓRNIA (EUA)

17h00 - Union Square

WASHINGTON (EUA)

31/03: 18h30 – Embaixa do Brasil (3006 Massachusetts Ave NW)

https://www.facebook.com/events/553407744827579/

CIDADE DO MÉXICO – MÉXICO

31/03, às 17H30 – Fuente en Frente del Centro Cultural Brasil México – San Francisco 1220 Col Del Valle Centro -Metrobús Ciudad de los Deportes

 https://www.facebook.com/events/1036349339760008/

GENEBRA,  SUÍÇA

Sábado, 02/04, às 10h, na Praça das Nações

MADRID –ESPANHA

Domingo, 03/04, às 17h, na Puerta del Sol

BARCELONA – ESPANHA

31/03: 18h – Plaça de Sant Jaume

https://www.facebook.com/events/954267841323084/

BUENOS AIRES- ARGENTINA

31/03: 17h – Embaixa do Brasil (Cerrito, 1350)

https://www.facebook.com/events/135527493508887

COPENHAGUE – DINAMARCA 

31/03: 16h – Rådhuspladse

https://www.facebook.com/events/1267945199888719/

MONTEVIDÉU – URUGUAI

31/03: 18h – Embaixada do Abril (Bulevar Artigas, 1394)

Fonte: Frente Brasil Popular

Leia também:

Pedaladas: Alckmin 31 x 6 Dilma 

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31 Mar 00:32

Como é o sistema de inserção social na França. Por Mônica Cossalter, de Paris

by Diario do Centro do Mundo
A professora-doutura Mônica Cossalter em frente ao Louvre

A professora-doutura Mônica Cossalter em frente ao Louvre

A autora deste artigo, Mônica Cossalter, foi bolsista do PRO-UNI do Mackenzie, instituição assustada com as altas performances dos PROUNISTAS. Formou-se em Letras com a nota máxima e fez mestrado na mesma instituição. Hoje é professora-doutura em uma universidade francesa, tradutora e escritora.

O Brasil é um país de quase 200.000.000 de cidadãos, palavra que, segundo qualquer bom dicionário significa, “indivíduo no gozo dos direitos civis e políticos de um estado livre”. Entre os direitos civis, estão contidos os direitos sociais.

Isso que dizer que o pobrezinho desdentado que não possui sapatos e que se venderia por um pão com mortadela é, sim, um cidadão brasileiro, mesmo que ele não esteja no gozo de seus direitos civis, sociais e humanos e que a enxurrada de agressões verbais estampadas nas redes sociais queira “coisificá-lo” aos olhos de todo um país e se possível do mundo. “Estes desdentados que se vendem por bolsa-família” (os seres humanos são compráveis, sabemos; mas enquanto alguns até podem se vender para ter o que comer, outros se vendem muito mais caro por motivos muito menos nobres). Deixo de digredir agora para entrar diretamente no assunto que me levou a fazer esta reportagem.

Eu vivo na França, onde imperam coisas chiques que nossa elite tanto estima. O brasileiro sente frissons ao ouvir o nome desse país que nos inspira. É como se aqui não houvesse pobre e todo mundo fosse absolutamente honesto e rico (o que é quase um oxímoro) e morasse ao lado da Torre Eiffel. Sim, a França é um país sofisticado! E o Brasil não sabe fazer nada direito, pois elegemos pessoas feias como Lula e Dilma! Não merecemos isso, afinal, somos um Brasil de Kardashians, não é verdade?

A direita brasileira tem se batido contra nossas importantes mas ainda modestas ajudas sociais, mostrando mais uma vez sua enorme ignorância. Por que será que não vemos nas ruas das cidades francesas uma enxurrada de cidadãos pedindo o que comer, o que vestir, ou uma moeda? Porque simplesmente, na falta da Providência Divina, o Governo provê. A França possui uma estrutura de proteção, acolhimento e inserção social que faz com que não vejamos ou vejamos poucas pessoas dormindo pelas ruas ou esmolando – como acontece no Brasil, para incômodo da consciência dos que a possuem e mero incômodo da minoria restante.

Qualquer cidadão francês (ou estrangeiro em situação regular) pode contar com uma ajuda financeira mensal, que se chama “RSA” (Revenu de Solidarité Active, ou Renda de Solidariedade Ativa), que é direcionada às pessoas em situação de necessidade temporária ou durável. Em março de 2016 as estatísticas mostraram que mais de 2,53 milhões de lares franceses contavam com esta ajuda em dinheiro. Ou, em pessoas, 4.000.000 de “vagabundos” que vivem de uma ajuda mínima de 514 € para uma pessoa sozinha, 925 € se esta pessoa tiver até dois filhos e 1.079 € para um casal com até dois filhos. Mas não é apenas isso. Cada cidade francesa possui estruturas de moradia de urgência direcionadas aos seguintes grupos sociais: famílias, idosos, jovens mães, homens sozinhos, mulheres agredidas, portadores de distúrbios psiquiátricos, adictos ou alcoolicos, pequenos delitos etc. Cada grande cidade gere um departamento e todos os serviços são integrados: a começar pela polícia civil, que presta orientação imediata ao receber uma pessoa por agressão domiciliar, por exemplo. O agredido é orientado a sair do local, e não tendo para onde ir, é imediatamente encaminhado ao Serviço de Alojamento de Urgência. Mas não é preciso passar pela polícia – qualquer pessoa pode se dirigir diretamente ao centro de sua região e pedir ajuda.

Na cidade de Nancy, por exemplo, existe o ARS (Acolhimento e Reinserção Social) com cujos responsáveis eu conversei e em cujas estruturas estive imersa.

Neste centro de acolhimento, o Camille Mathis, cada pessoa é recebida por um assistente social que acompanha seu percurso de reinserção. Lá, receberá toda a alimentação de que precisa, desde o café da manhã até o jantar. Comida de qualidade comum, em refeitório coletivo. Roupa e sapato “de ocasião”, ou seja, de segunda mão. Cada morador é também inserido na agenda dos serviços participativos: limpeza, coleta de lixo ou a guarda de crianças para mães que precisem sair.

Neste centro, cada pessoa acolhida – sozinha, em casal ou em família – possui reuniões com seu assistente social para ser encaminhada a cada um dos seguintes serviços: médico, dentista, hospital, clínicas, psicólogo, polícia, advogado, centros de emprego e formação profissional. O tempo médio que cada pessoa permanece no centro pode variar segundo suas necessidades, normalmente entre 6 meses e um ano. Mas, se for preciso, ela ficará mais.

Certas pessoas podem passar por uma moradia de transição, sempre acompanhada por um assistente social. Se tudo correr bem, ela será encaminhada ao organismo de moradias populares, os chamados “HLM”. E lá, ela terá uma casa ou apartamento simples mas correto, pelo qual pagará um aluguel baixo. Há ainda outras ajudas sociais para moradia, que podem variar segundo as necessidades: o FSL, ligado ao “Conseil Général”, mantém ajudas para acesso à moradia, como adiantamento do valor da caução, cobertura de uma porcentagem do valor mensal de aluguel e eletricidade, bilhete mensal de transporte público, entre outros benefícios. Também cuida de superendividamentos. Em alguns casos, a dívida chega a ser eliminada por questões humanas. Existe ainda a CMU, que é um sistema de saúde gratuito que atende aos cidadãos desmunidos.

Emmanuelle Garry, educadora especializada, desde 1999 ligada ao CHRS (Centro de Moradia e Reinserção Social) Camille Mathis muito gentilmente me respondeu algumas questões, que transcrevo abaixo.

“1 – Desde quando a França começou a colocar em pratica as ajudas sociais de ARS?

Não tenho a data exata, mas tudo começou com o período pós-guerra. As pessoas tinham necessidades de serem acolhidas e não tinham onde morar nem o que comer ou vestir.

2 – Quais os objetivos da associação ARS?

A associação, que é financiada pelo Estado, tem por objetivo desenvolver e gerenciar toda ação inscrita nos campos das políticas sociais ou médico-sociais, permitindo contribuir para melhorar as condições de existência das pessoas confrontadas com dificuldades temporárias ou duráveis, no respeito da sua dignidade e com a vontade de valorizar as potencialidades de cada uma delas, para assim lhes permitir o acesso às condições de vida promocionais e de serem atores de seu futuro.

3 – Por que a França mantém esta estrutura de acolhimento e inserção social?

Está no texto da Lei. A base está lá e, mesmo que algumas mudanças possam ocorrer, não podemos voltar à idade da pedra. É por isso que a França a mantém.

4 – Quais são as etapas pelas quais uma pessoa passa até sua inserção completa? Quando termina o trabalho do ARS?

Tudo depende da situação da pessoa. Por exemplo, se ela estiver endividada ou tiver problemas de saúde, será preciso antes resolver este problema para que ela possa vislumbrar seu futuro. Consideramos que nosso trabalho termina quando conseguimos que a pessoa esteja em seu próprio alojamento. Mas ela poderá sempre contar com nossa estrutura.

5 – Quais são os maiores benefícios dos resultados positivos desta estrutura para a sociedade francesa?

Nenhuma pessoa jamais está acabada. Se contar com uma ajuda adequada, ela poderá voltar a viver uma vida normal. Sem esta ajuda, no entanto, ela poderá estar acabada, sim. Depois, há toda uma fragilidade psicológica que faz com que ela, sozinha, entre em desespero. Sem ajuda, cairá na depressão, no alcoolismo e até no crime. É imperativo que ela beneficie destas ajudas o mais cedo e rapidamente possível. Quanto mais tempo se perder, maior será o prejuízo social e individual.

6 – Há uma lei que obriga ao cumprimento, ou o direito a estas ajudas sociais está garantido na Constituição Francesa, por exemplo?

Sim, tudo está previsto na Constituição. É Lei. Além disso, nós mantemos nossos valores. Se não tivermos mais os valores que nos orientam, vamos acabar na sombra do individualismo onde cada um só pensa em si. Isto não é viver em sociedade.

7 – No Brasil, sempre que um partido de orientação oposta ao seu antecessor assume um mandato, a tendência é acabar ou interromper os projetos implantados até então. A França também passou por mudanças de governantes de esquerda e de direita. Como se explica o fato de que a estrutura sobreviveu e não foi simplesmente fechada ou interrompida, como acontece no Brasil? Esta estrutura poderia vir a ser abolida por causa de opiniões políticas contrárias às despesas estatais?

Impossível. Nossas estruturas são de utilidade pública, então elas não podem ser fechadas. Eu acredito que nosso papel é fundamental e que ele permite o acesso às pessoas aos seus direitos também fundamentais, porque muitas vezes as pessoas não estão a par deles, ou não sabem como aceder a eles.

8 – A senhora teria uma mensagem de cunho social que gostaria de transmitir ao Brasil e aos brasileiros em geral?

Eu creio que todo ser humano possui o direito de ser respeitado como ser humano. Não é porque uma pessoa está em situação difícil que ela poderá ser criticada, rebaixada nem humilhada. Cada um de nós poderá se encontrar um dia nesta situação, devido à perda de alguém, ao desemprego etc. Daí a importância de não se fechar os olhos para o que se passa e de estender a mão àqueles que estão na necessidade. Em nossa formação, aprendemos a ética: ‘Toda pessoa sempre tem alguma coisa de bom’. Trabalhamos muito com o potencial de cada um, mesmo que a própria pessoa o desconheça. Assim se reconstroem os seres humanos”.

No Brasil, as ajudas sociais que foram implantadas a partir do primeiro governo de esquerda legitimamente eleito suscitaram e suscitam a cada dia mais a ira da “direita injustiçada” que tem que “sustentar vagabundo”. O Bolsa Família foi um dos responsáveis pela redução do índice de miséria no Brasil, que caiu 27,7% entre 2002 e 2006.

O valor de 77 reais que é versado mensalmente aos “vagabundos que vivem às custas do bolsa família” provoca uma ira irracional. Irracional é exatamente o termo, pois designa aquele que é incapaz de raciocinar: qual vagabundo conseguiria viver com 77 reais ao mês? (gostaria de aproveitar e transmitir aos 4.000.000 de franceses que contam com as ajudas socias do governo que a direita/elite brasileira os considera “vagabundos”. Afinal, não se trata de uma questão de nacionalidade, vagabundo é vagabundo em qualquer língua! E os vagabundos daqui, como os do Brasil, podem ser encontrados onde a elite brasileira vai e nem imagina que está sendo atendida por um).

A crueldade da direita elitista não tem limites! Cabe a nós, portanto, limitá-la. Proponho a criação de um dispositivo legal que (amplie e) obrigue a manutenção de uma estrutura social de acolhimento, proteção e inserção no Brasil, e que impeça sua suspensão, seja qual for a orientação política do governo, visto que até o momento, o Brasil é, sim, uma democracia (mesmo contra a vontade de uma minoria muito pouco chique) e como tal, democraticamente, não somos 2 ou 3 milhões que possuem direitos, mas duzentos milhões – na sua grande maioria feios, sem dentes ou sem dedos, sem botox, muito magros ou muito gordos, sem dinheiro pra comprar Louis Vuitton nem Moët & Chandon. Gente de verdade que tem fome, sede, frio, necessidades vitais e não vitais também. Junto com a ignorância, a ganância é a coisa menos elegante da elite brasileira.

A conclusão a que se pode chegar, após toda esta reflexão é que, apesar da rica direita brasileira julgar conhecer o que há de mais chique na França, a verdade é que ela permanece na mais obscura ignorância.

A coisa mais chique que a França possui é composta de uma estrutura de ferro, mas não é a Torre Eiffel. É sua estrutura de promoção da justiça social. Isso sim é chique. E a direita, que idolatra e adora imitar a França, mais uma vez mostra que vai na direção errada.

A prova de que boas políticas sociais prescindem da Sorbonne e de curso de sociologia para fazer valer direitos em sua sociedade.

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Em ordem:

1 e 2. Vista interior dos alojamentos sociais; 3. Fundos do Camille Mathis, em Nancy; 4. Refeitório coletivo Camille Mathis; 5. Sala de jogos para crianças; 6. Emmanuelle Garry

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30 Mar 18:56

Milionários fazem campanha para pagar mais impostos nos EUA

by Marcelo Oliveira

Quarenta milionários de Nova York estão empenhados em pagar mais impostos: eles fizeram um pedido oficial ao governador do Estado americano para elevar os impostos cobrados dos contribuintes mais ricos.

O chamado “1% plan for fairness” (plano do 1% para justiça, em inglês) foi apresentado recentemente em uma carta aberta e elaborado em conjunto pelo centro de estudos de esquerda Fiscal Policy Institute e o projeto Responsible Wealth, que tem entre seus membros 700 dos americanos mais ricos do país que advogam por “impostos mais justos” e por “responsabilidade corporativa”.

“Como nova-iorquinos que contribuíram e se beneficiaram da economia vibrante de nosso Estado, temos tanto a capacidade quanto a responsabilidade de pagar uma quantia justa”, disseram eles na mensagem endereçada ao governador Andrew Cuomo e aos membros do Legislativo estadual.

Atualmente, em Nova York, quem ganha mais de US$ 2 milhões (R$ 7,4 milhões) por ano paga sobre esta renda um imposto de 8,82%, o valor máximo no Estado. O grupo propõe que esta taxa seja aplicada a quem ganha entre US$ 1 milhão e US$ 2 milhões.

De acordo com o plano, o imposto subiria a 9,35% para quem ganha entre US$ 2 milhões e US$ 10 milhões, a 9,85% para a faixa entre US$ 10 milhões e US$ 100 milhões e a 9,99% para rendas acima de U$ 100 milhões.

Isso elevaria a arrecadação estadual em US$ 2,2 bilhões, dizem eles. Esses milionários defendem que o dinheiro é necessário para combater problemas como a pobreza entre crianças, a falta de moradia e falhas de infraestrutura.


Disponível em http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/03/160324_milionarios_mais_impostos_eua_rb

 

30 Mar 11:17

Moro interpreta piada de Paes sobre sítio e barco como prova contra Lula; condena Damous por pedido de impeachment de Gilmar; leia a íntegra do que ele escreveu ao STF

by Luiz Carlos Azenha

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Da Redação

No despacho em que respondeu à solicitação do ministro Teori Zavascki para esclarecer a interceptação e vazamento de grampos de autoridades com foro privilegiado e advogados, o juiz Sérgio Moro argumentou que o fez por acreditar que os diálogos eram relevantes para o processo.

Eles indicariam ação do ex-presidente Lula para obstruir a Justiça.

Isso certamente causará grande debate, uma vez que Moro aparentemente considera qualquer ação política como potencialmente criminosa.

No despacho, o juiz federal de Curitiba menciona a decisão de Wadih Damous — de pedir o impeachment do ministro Gilmar Mendes, do STF — como prova de que o deputado petista teria agido como cúmplice do ex-presidente.

Moro usa uma lógica tortuosa: como nenhuma das autoridades com foro privilegiado teria cedido às pressões de Lula, a divulgação das gravações em que as vozes delas aparecem não teria tido maiores consequências. Porém, isso é contraditório com o grampo que causou maior celeuma.

Na conversa com a presidente Dilma, Lula ouve enquanto é informado que receberá um documento em casa. O próprio Moro admite que não viu nada de errado na ação de Dilma. Como a gravação registra Lula passivo, por que então divulgar a conversa, se ela nada acrescenta à acusação contra o ex-presidente?

Moro afirma que as gravações de conversas de Roberto Teixeira se justificam pelo fato de que o advogado de Lula é suspeito de ter servido de acessório para seu cliente ocultar patrimônio.

Mas o que mais impressiona no longo despacho (íntegra abaixo) é que Moro considera a blague do prefeito Eduardo Paes, capturada em conversa com o ex-presidente, como prova de que Lula de fato seria dono do sítio de Atibaia, talvez pela frase “imagina se fosse aqui no Rio esse sítio dele”. No contexto, no entanto, está claro tratar-se de uma piada.

Sobre as “escusas” de Moro, ele não se desculpou por vazar as gravações, mas apenas pela polêmica que de fato gerou.

A leitura da íntegra do despacho indica que o juiz já formou convicção sobre a culpa de Lula, mesmo tendo ouvido e registrado o diálogo do ex-presidente de que jamais iria para o Ministério de Dilma para se proteger.

A resposta de Moro a Zavascki, em forma de sentença, foi uma inteligente forma de emparedar o Supremo Tribunal Federal.

Seja como for, internautas se divertiram com a postura de Moro depois que a mídia registrou que ele tinha pedido “desculpas”:

Por Anna Christina com ilustração disseminada por Maria Goretti

Coloquei em risco a segurança nacional.

Desrespeitei direitos de cidadãos e da autoridade máxima do país.

Desmoralizei publicamente você, sua família e seus amigos.

Coloquei em jogo o futuro do país.

Deixei o Supremo Tribunal Federal em maus lençóis.

Dei munição pra mídia destruir a sua imagem.

Invadi sua privacidade e mandei tudo pra TV.

Desculpa, tá…

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29 Mar 14:18

MEU APOIO A SHIRLEY E À FEMINISMO SEM DEMAGOGIA

by lola aronovich
Eu não estou no Facebook por absoluta falta de tempo, então quase nunca fico sabendo do que acontece por lá. 
Um dos motivos de não estar lá é lembrar do que me disse uma vez uma leitora querida, já há alguns anos. Ela moderava a Feminismo Sem Demagogia. Mesmo estando em três moderadoras (hoje são bem mais), elas não davam conta de cortar todas as ofensas e ameaças deixadas lá. 
A FsD é a maior página feminista do Brasil no FB, com 1 milhão e 300 mil seguidorxs. Pode-se não concordar com tudo que o site declaradamente marxista e classista diz, mas sua abrangência e influência são indiscutíveis. Mascus e reaças em geral sabem disso e não deixam a página em paz. Vivem denunciando, hackeando, tentando derrubá-la. É importante frisar que não é um ou outro indivíduo perturbado que odeia mulheres e a esquerda. São grupos organizados. 
Páginas feministas não só não recebem qualquer proteção no Facebook como são constantemente canceladas. A FsD foi cancelada duas vezes. Na primeira vez durou apenas 24 horas. Depois da administração entrar com recurso, o FB "devolveu" a página. Agora ela está fora do ar desde o dia 22 de março.
Ela foi derrubada em 21 de janeiro, depois de um post que parabenizava Amanda Palha, travesti que passou em primeiro lugar na UFPE. O post incentivava mulheres trans e travestis a continuar estudando. Não é doido derrubar uma página por elogiar uma travesti que ingressou numa universidade? Mas aí se vê quem são os caras que têm como missão na Terra atacar feministas. 
Às vezes as próprias administradoras do FsD tiram a página do ar para protegê-la de ataques (é tirá-la do ar ou cair por denúncias em massa). Grupos que comumente atacam a página (e outras feministas) são Faca na Caveira, Orgulho de Ser Hétero, QLC, um grupo chamado GOEC que se reúne numa comunidade chamada Cartola e numa rede russa, VK (esta não no FB). Eles costumam atacar de madrugada, quando grande parte das moderadoras da página -- mulheres que trabalham e estudam -- estão dormindo. 
Se eu estivesse no FB (não estou; há uma página feita por uma fã, mas sem atualizações há tempos), não tenho a menor dúvida que estaria sempre sendo denunciada e derrubada. E certamente já tentaram derrubar e hackear este bloguinho centenas de vezes. Já li mascus reclamando que blogs do Blogspot são quase impossíveis de hackear. Ufa!
No dia 19 de março, um grupo de misóginos dessa rede russa divulgou uma lista das administradoras do FsD, colocando nome completo, RG, CPF, endereço e telefone residencial. 
O último grande ataque à FsD, que resultou no seu cancelamento, começou quando uma administradora negra, Shirley Silvério, foi atacada em seu perfil pessoal. 
Alguns dos muitos ataques racistas e machistas a Shirley
Ela postou uma foto com seu lindo cabelo natural, black power, e em troca recebeu dezenas de insultos racistas e machistas. 
Coisas como: "Volta pra senzala", "macaca", "imunda", além de inúmeras alusões a marcas de palhas de aço, porque já sabemos que misóginos têm fixação por lavar louça. E, lógico, as habituais montagens com sua foto e ameaças de morte e estupro. 
Janaína entrevista Shirley
Shirley, que é militante do PSTU, deu uma entrevista à página do partido. "Quando você ataca uma mulher negra, você está atacando a negritude", disse ela na entrevista. Ela ainda enfatizou que as fotos que postou simbolizam sua transição, bem quando passou a aceitar seu cabelo natural. 
Em seu blog, a Feminismo sem Demagogia explica o que aconteceu e cobra a prometida sororidade de todas as feministas, inclusive das feministas negras que ignoraram os ataques a Shirley:

A Verinha, uma das criadoras da página, me escreveu: "Algumas páginas começaram a se manifestar, como foi o caso de uma grande página feminista, que só publicou minha postagem sem dizer nada a respeito, deixando um monte de gente entrar nos comentários -- muitas mulheres banidas da FsD por defender a crença em racismo reverso, por acusar mulheres que abortam de assassinato, por racismo etc -- festejarem a queda da página, sem nenhuma intervenção para ajudá-las a entender que o banimento foi correto, já que elas persistem com reprodução de ideologias de ódio. Olha, tá lamentável mesmo, tá de desanimar."
Felizmente, Shirley teve apoio do Quilombo Raça e Classe e da Secretaria de Negras e Negros do PSTU, que lhe deu assistência jurídica. Ela narra sobre sua denúncia: "Fiz o BO no DECRADI -– Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância, foi bem bacana, nunca pensei que seria tão bem tratada em uma delegacia. A escrivã falou que conhece a página, daí chamou outra que conhecia também, papeamos tanto, sobre feminismo, política, sobre a PUC, a mãe da escrivã dá aula pra mim. Falaram que vão cuidar do meu caso com muito carinho."
Vamos esperar que cuidem mesmo, do mesmo jeito que, no dia 16 de março, a polícia civil prendeu quatro administradores de páginas de ódio responsáveis por ataques racistas às atrizes Taís Araújo, Cris Vianna e Sheron Menezzes, e à jornalista Maria Júlia Coutinho, a Maju. 
Esperamos que esse tipo de investigação e ação da polícia não aconteça apenas quando os alvos dos racistas são famosos. 
E tem mais: um superintendente da Polícia Federal já me disse que misoginia e homofobia não são crimes, logo, não são investigados. Mas racismo é crime. Portanto, precisa ser investigado e punido (e precisamos também criminalizar misoginia e homofobia). 
Toda a minha solidariedade a Shirley e à página Feminismo sem Demagogia. Gente, vamos levar mais a sério o "Mexeu com uma, mexeu com todas". Não pode ser "Mexeu com alguém que não é minha amiga, não mexeu comigo", ou "Mexeu com quem não é da minha corrente feminista, não mexeu com todas". Os grupos que nos atacam incessantemente sabem muito bem quem é o inimigo (nós!). Eles são fortes porque são unidos. E a gente?
A Feminismo sem Demagogia está com uma nova página

29 Mar 12:00

5 razões pelas quais ciclovias protegem também os pedestres

by Aline Souza
Foto: Willian Cruz
Nas ruas de Nova York que ganharam ciclovias, a taxa de acidentes de trânsito, que em boa parte envolviam pedestres, caiu entre 12% e 52%. Descubra por quê.
28 Mar 13:33

Duvivier: por que querem derrubar a única pessoa que não está sendo investigada?

by Kiko Nogueira

Da coluna de Gregório Duvivier na Folha:

Em geral tento escrever pra quem não concorda comigo.

Gosto de pensar no leitor de camisa polo e mocassim, batendo panela numa varanda do Leblon.

Essa semana, no entanto, queria falar com os semelhantes.

Sim, com você mesmo. Você que frequenta o carnaval de rua, você que é de humanas, que nunca sabe que dia do mês é hoje, às vezes não sabe sequer o mês, você que confunde a fórmula de Golgi com o complexo de Bhaskara, você que foi às ruas em 2013 pelos 20 centavos, você que mesmo com pressa e sem dinheiro sempre acaba comprando fanzines de poesia na porta do museu (“curte poesia?”), você que não come carne ou tá tentando parar de comer, você que ama o Mujica tanto quanto ama beijos triplos e férias em Moreré: sei bem o que você tá sentindo.

Também estou tentando entender por que é que as mesmas pessoas que não protestaram contra o aumento de tarifa, contra Belo Monte, contra Eduardo Cunha estão hoje nas ruas pedindo a queda de Dilma.

Afinal, das centenas de nomes da lista da Odebrecht, nenhum deles é o da presidenta.

Por que raios querem derrubar a única pessoa que, até o momento presente, não está sendo investigada? Porque, você talvez dirá, são fascistas que não toleram a distribuição de renda e as conquistas sociais promovidas pelo PT e por isso aplicam um golpe branco. Será?

Milhões de pessoas foram às ruas (dentre elas, aposto, muita gente que você ama) pedindo o impeachment. O Brasil não tem milhões de golpistas. Tem uma centena de dementes que pede intervenção militar? Tem. Mas a imensa maioria só tá mesmo muito mal informada —basta ver a qualidade das revistas semanais.

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28 Mar 12:01

Professor descobre em sala de aula como a mídia desinforma

by Luiz Carlos Azenha

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Meme disseminado por adversários do impeachment e charge de Ivan Cabral sobre a Globo

por Fábio Garrido*

Ontem num debate sobre ética em uma aula minha percebi o resultado da estratégia da manipulação midiática.

Todos os meus alunos achavam que o processo de impeachment contra a Dilma (golpe) era por causa da Lava Jato.

Quando comecei a explicar que a tese do impeachment (golpe) era de que a presidenta usou dinheiro da Caixa Econômica Federal para manter os programas sociais eles ficaram perplexos.

— Mas professor, ela não roubou?

— Não, não é acusada de ter roubado um único centavo. A única coisa que fez foi colocar dinheiro público de um banco estatal em programas sociais, e depois, devolver esse dinheiro à Caixa.

Isso foi suficiente para passarem a se posicionar contra o impeachment e se sentirem enganados pelos meios de comunicação que misturam uma coisa com a outra o tempo todo.

Agora pergunto: isso é fazer propaganda petista ou cumprir com a minha obrigação como professor de filosofia de questionar a massificação da propaganda ideológica golpista feita pelos meios de comunicação?

Acredito firmemente que a função da filosofia no ensino médio deva ser possibilitar que os alunos pensem criticamente a sociedade. Isso significa pensar por conta própria. E numa época de mídia de massa onde os meios de comunicação, principalmente a Globo que comprovadamente já participou de alguns movimentos golpistas na nossa história, determinam os rumos da política, temos a obrigação de desconstruir a ideologia dominante.

Ideologia essa que nos leva a passos largos para o abismo fascista.

Adorno após a Segunda Guerra já nos alertava da necessidade de uma Educação pós-Auschwitz.

Não temos portanto o direito de aderir à histeria da classe média, frustrada em suas pulsões consumistas durante um período de crise mundial.

Nem o niilismo, nem o individualismo pós-moderno atendem as necessidades de enfrentar o avanço fascistizante.

Apenas o apelo à razão, tão surrada nos últimos tempos, nos serve neste momento.

As classes se levantam e se conflitam no movimento dialético da história. Não há espaço para torres de marfim.

Heidegger não foi perdoado. Já conhecemos o mundo onde pisamos. Faz-se urgente transforma-lo.

Ou deixaremos a tristeza e a servidão como únicas heranças para os pensadores(as) do futuro.

O golpe está em andamento diante dos nossos olhos. O silêncio não é uma opção.

*Professor de Filosofia da Rede Estadual de Minas Gerais; membro da Direção Estadual do Sindute

Leia também:

R$ 200 mil da Odebrecht para José Agripino. Que nem foi candidato

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28 Mar 12:00

Couple in Rio are denied registering their new-born with an African name

by gatasnegrasbrasileiras

Casal não consegue registrar filha com nome africano e crê em racismo

Note from BW of Brazil: Sometimes it seems that it would be more difficult to simply make up these types of stories, and the absurdity of today’s feature definitely fits into that category.  First, let’s take a look at the story and later in this post I’ll offer my comments…

Couple not able to register with daughter with African name and believes it’s due to racism

The couple failed to register her daughter with the name you chose

By Cíntia Cruz of Extra with additional information from R7

With just one week of life, little Makeda is already facing the first fight of her life: having a civil registry. The name Makeda Foluke means Grandiose that is at the care of God, but even so, the girl, who was born on the 16th in the Casa de Parto David Capistrano Filho (House of Labor David Capistrano Filho, in Realengo, in the West Zone of Rio, still can’t be placed on her birth certificate. All because the registration office of the 2nd district of São João de Meriti, in the Baixada Fluminense region, understood, according to the girl’s parents, that the name would cause embarrassment for the child in the future. Makeda’s family believed they were the victim of racism.

“It’s a form of racism that takes place in Brazil: the racism of subtleties. It should be very natural a man and a black woman adopting an African name, as the country is made up of three races. It is difficult to prove. Only those in this skin is knows,” lamented the child’s father, Cizinho Afreeka, 44.

Cizinho, which is a public servant and is depending on the registration to have a maternity leave, also said that he and his wife, the Physical Education teacher Jéssica Juliana, 27, thought about the issue of name pronunciation before choosing it:

“It’s not a name phonetically alien to Portuguese, we thought about it. There are African names that change the pronunciation and cause greater estrangement.”

Makeda was what the Ethiopians called the rainha de Sabá (Queen of Sheba). Foluke is a Yoruba name. The girl’s name was decided early in the pregnancy.

Casal não consegue registrar filha com nome africano e crê em racismo (2)

The girl is still has no official registration

“We decided together quite in early in the pregnancy and we came to call her Makeda. Family and friends already speak naturally because we were inserting this. What’s the problem with naming her Makeda if they register so many European names,” asked Jéssica.

Cizinho came to speak to a civil registration official, Luiz Fernando, by telephone, but a petition was necessary so the name could be analyzed:

“He said he thought the name was beautiful. They already knew that the name was African. They searched the internet before giving a negative. I made a petition and took a statement from my wife authorizing, but it was denied. The notary suggested I put a name in Portuguese in front. But I will keep on until the end. Either it will be Makeda Foluke or she’ll be with no registration.

“The procedure is necessary with any name that can be used to leave the child in a vexatious situation or bullying. You have to filter. These procedures are normal, no one refused to do the registration,” said Luiz Fernando. “It is not the name, not the meaning. It’s pronunciation, diction. Racism is really in people’s minds,” he finalized.

According to the Internal Affairs Division of the Court of Rio, the registration office submitted to the judge in charge a procedure of doubt. The prosecutor’s office issued an opinion against the use of the name because they considered it likely to cause future problems for the child, suggesting that a pre-name be added to the other names such as Ana Maria Makeda, for example. If the judge does not authorize, it will be up to the party to appeal the decision in the procedure in the proper registry office that will forwarded to the Council of the Magistracy.

Parents want their daughter to be named Makeda

Also according to internal affairs, “when pronouncing the name in Portuguese it makes no sense at all, except for coming out wrong, which could provide possible future suffering for the person in social life.” The criterion used is “the analysis of the magistrate and the Ministério Público (public prosecutors) who act to protect the child. Law 6.015/73 gives that power to avoid registrations with names that may affect the social life.”

Read the response of internal affairs in full:

“The prosecutor’s office issued an opinion against the use of the name because they considered it likely to cause future problems for the child, suggesting a pre-name was added to the other names…such as Ana Maria Makeda or something like this.

If the judge does not authorize, it will be up to the party to appeal the decision in the procedure in the proper registry office that will be forward to the Council of the Magistracy.

When you pronounce the name in Portuguese it makes no sense at all, except for coming out wrong, which could provide possible future suffering for the person in social life.

The criterion is the analysis of the magistrate and prosecutors who act to protect the child. Law 6.015/ 73 gives this power to avoid registrations with names that may affect the social life. The criteria are the social and historical phonetics of Portuguese, verifying the sense that the name may have to be spoken or read, must meet in these criteria elements that can classify it as vexatious. Thus are considered vexatious historical names of bloodthirsty dictators or persecuted characters or execrated over time, the objectification of the name or the phonetic pronunciation, which seems to be the case, because it will not make any sense to those who do not know its origin and its translation, favoring acts as “bullying” or discrimination. Several cases where the lack of care of the registers and deeper analysis produced cases that later forced people to go to court to change the first names are notorious due to the embarrassment caused in childhood. One of the most famous was that of the daughters of Baby and Pepeu (1).

The request is being examined by the responsible judge, but it is an analysis at the administrative level that provides for its consideration on appeal to the Judicial Council through a specific procedure.”

Note from BW of Brazil: As I wrote in the intro, absurd! Is it racism or does the registration office have a point? It is true that we cannot define this case as absolute racism, but we also cannot dismiss the possibility. Why? Brazil has a long history of anti-Africanism. We’ve seen it in how it treats African immigrants. We’ve seen how at one time the government actually banned the entrance of more Africans into country after nearly four centuries of slavery and an official ideology of whitening the country through massive European immigration and the promotion of miscegenation. We’ve seen it in how remains of African slaves are dealt with. We’ve seen it in the way followers of African-origin religions are treated. Need we say more? There’s more…

Any Brazilian or anyone who has lived in Brazil for some time knows how common first, middle and last names are in the country. As the country literally has millions of Pedro Paulos, Marcos Antônios, Júlio Césars, Maria Aparecidas, Ana Maria and Ana Rosas, it’s shameful that a couple that sought to give their child a more original name is made to endure so much bureaucracy. As we’ve seen, anything that connects Brazil to its European heritage (in this case, names) is admired while anything re-connecting it to Africa is frowned upon. Although we cannot define this case as definitely racism, notice the attempt to steer the couple into naming the child Ana Maria with Makeda being pushed into third. If it isn’t anti-African bias, why not suggest another African name? Why suggest the couple simply introduce the ten millionth Brazilian Ana Maria?

Let us also remind you that there is at least one man in the country named after Germany’s National Socialist leader Adolph Hitler. YES! In a story featured here in February of 2014, a judge in the state of Minas Gerais named Hitler Eustásio Machado Oliveira presided over a case of racial discrimination. So apparently, having an African name is even worse than a “vexatious historical name of a blood thirsty dictator or persecuted character” as the registration center itself put it. Even with much of what people actually know about the German chancellor being minimal, Hitler Eustásio Machado Oliveira hasn’t felt the need to change his name, so why the need to force this couple to Europeanize their child’s name? Neither Makeda nor Foluke are even difficult to pronounce (as if that really matters)! Also note how the registrar tried to minimize the possibility of racism in this case with a typical comment such as “Racism is really in people’s minds”. Not that we need any more evidence, but Professor Kabegele Munanga was clearly right when he said that the “myth of racial democracy is part of the education of the Brazilian.” 

Brazil Brazil…you really go out of your way to prove how much you dislike Africa!

Source: Extra, R7

Note

  1. Successful pop duo who named their children Pedro Baby, Krishna, Kriptus, Sarah Sheeva, Nãna Shara and Zabelê.

26 Mar 11:26

A bofetada de Anna Muylaert na Globo. Por Nathali Macedo

by Nathali Macedo

“Somos Jéssicas e somos filhos de um novo Brasil”.

São dias difíceis para a Rede Globo.

Com o golpismo cada vez mais óbvio, o boicote crescente à emissora já se reflete não só pela queda de audiência, mas de maneiras muito mais incisivas: cartazes com os dizeres “Globo golpista” ou gritos de “abaixo à Rede Globo” em transmissões ao vivo tem deixado apresentadores entupidos em frente às câmeras, gagos e apáticos diante da antes inacreditável queda do império global.

Não bastassem as críticas do povo, os próprios empregados têm se manifestado diante da parcialidade e do golpismo global.
Ontem, particularmente, foi um dia ainda mais difícil.

Anna Muylaert, diretora do aclamado “Que Horas Ela Volta”, discursou corajosamente ao receber o prêmio O Globo de Cinema:

“Quero dedicar esse prêmio às Jéssicas que estão hoje na universidade e a algumas pessoas que eu acredito que têm muito a ver com isso. Entendo essas pessoas como pai e mãe das Jéssicas. Não no filme, mas na vida real: o ex-presidente Lula e a presidente Dilma Rousseff.”

Quando se governava para os ricos, Jéssica – a menina pobre que entrou na universidade pública em que o filho do patrão não conseguiu entrar – era só um personagem. Uma utopia, como bem disse Anna, apenas um produto inalcançável do Brasil que esperávamos.

Com mais de sete milhões de jovens na Universidade, porém, esse novo Brasil se revela – e não é de hoje – majestosamente sob os nossos olhos. As Jéssicas existem e não se calarão.

E todos aqueles que se compreendem como “Jéssicas” sentiram-se representadas pela fala de Anna. Aqueles que – como eu, aliás – fazem parte da primeira geração de suas famílias a entrar para a universidade, aqueles que já não precisam se conformar com sub-empregos, os negros que agora têm condições de se levantarem contra o racismo, os pobres que se libertaram das amarras do discurso meritocrático e tiveram, graças a programas como o ProUni, a única coisa de que precisavam: oportunidade.

A Globo não noticiou o discurso de Anna, mas a autossuficiência midiática da internet faz com que essa notícia chegue como um tiro de misericórdia: ninguém se cala diante do poder, agora em queda, da emissora, nem mesmo os seus empregados, nem mesmo os cineastas que eles premiam.

Anna Muylaert nos presentou com a constatação antes pessoal e agora coletiva e notória: Somos Jéssicas e somos filhos de um novo Brasil, quer queira a Globo, quer não.

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24 Mar 13:30

Proposta: tributar a gasolina, para financiar transporte público

by Marcelo Oliveira

Estudo revela: automóveis ocupam 78% das vias urbanas, mas conduzem só  33% dos passageiros. Imposto, de vinculação obrigatória, permitiria reduzir preço das passagens e melhorar sistemas de ônibus e metrô

Por Bernarda Miranda, no Mobilize

O prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), defendeu a criação de um tributo municipal sobre combustíveis para subsidiar o preço das passagens de transportes públicos nas capitais brasileiras. Como presidente da Frente Nacional de Prefeitos, Lacerda trabalha para mobilizar parlamentares pela aprovação da PEC 179, projeto de 2007 elaborado pelo então deputado Jilmar Tatto (PT), atual secretário de Transportes de São Paulo. A proposta, que tramita na Câmara dos Deputados há mais de nove anos serviria para financiar os sistemas de ônibus, que hoje sofrem queda no número de passageiros. Em Belo Horizonte, a redução foi de 6,5% no ano passado, na comparação com 2014.

A justificativa da frente é que veículos particulares causam congestionamentos que, por sua vez, elevam o preço das passagens de ônibus. Conforme estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), os automóveis utilizam 78% da malha viária das cidades, mas transportam apenas 33% da população que se desloca diariamente. O Ipea calcula que os congestionamentos aumentam o preço das passagens em 9,6%. Isso ocorre porque, com o trajeto da viagem mais demorado, os custos com combustível aumentam. Também será preciso, segundo o Ipea, mais ônibus e operadores para cumprir o quadro de horários.

Segundo a frente, a cada R$ 0,10 cobrados a mais no combustível, seria possível reduzir R$ 0,30 na passagem. Na prática, seria uma Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), porém revertida para os municípios, e não para a União. “Esse assunto será tratado na 69ª reunião da Frente Nacional de Prefeitos, na próxima semana, no Rio de Janeiro”, disse Lacerda.

O presidente da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), Otávio Cunha, é a favor da medida. Ele destaca que as principais capitais do mundo subsidiam a passagem e explica que a proposta em tramitação dá liberdade para cada cidade decidir como irá implantar a tarifa.

“Cada cidade terá que avaliar qual será o impacto no preço da gasolina para alcançar a redução na passagem. Esse modelo permite, inclusive, que a população decida se prefere uma redução de R$ 0,30 na tarifa ou uma gasolina R$ 0,10 mais barata”, afirmou. Para Cunha, a saída para reverter a tendência de queda no transporte público passa, necessariamente, pelo subsídio, aliado à criação de faixas exclusivas de ônibus.

O consultor em transportes João Luiz Dias vê a criação de um novo tributo com ressalvas e defende que a Cide, já existente, seja aplicada como previsto. “Inicialmente, 25% do arrecadado com a Cide (nacional) iria para investimentos em transporte público. Mas hoje esse repasse é zero”, disse.

Mais sobre a PEC

# A PEC 179/07 autoriza municípios a criar a Cide municipal, por meio de um projeto de lei complementar. Cada um definiria o impacto do tributo no preço de combustíveis e a redução alcançada.

# A PEC já passou por comissões regulares e é analisada por uma grupo especial criado para analisar a proposta. Depois ela irá para plenário. Se aprovada, deve passar pelo Senado e ter sanção presidencial.

# Enquanto a proposta não é aprovada, a BHTrans afirma que trabalha com renovação da frota, melhoria do sistema de informações e das faixas exclusivas de ônibus para aumentar o número de passageiros.

Medida pode reduzir inflação

Apesar da proposta de subsídio prever aumento no preço da gasolina, estudos da frente apontam que a medida não iria pressionar a inflação. Os prefeitos alegam que 36% do que é gasto com passagens de ônibus vem do pagamento de auxílio-transporte por empresas aos seus funcionários – são R$ 10 bilhões por ano no Brasil. Com a redução das passagens, reduziria também o custo dessas empresas.

“O aumento da passagem tem um peso maior no cálculo da inflação do que o da gasolina. Portanto, o subsídio poderia inclusive causar um efeito contrário, com a redução do preço de alguns produtos”, defende o presidente da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), Osvaldo Cunha.

Especialistas temem desvios

A maior preocupação com a criação de um tributo para subsidiar a passagem é se haverá, de fato, uma melhora no transporte público ou se ele servirá apenas para aumentar o lucro das empresas. O consultor em transportes João Luiz Dias afirma que a taxa sozinha não é solução para atrair passageiros. O analista destaca que não há como continuar incentivando o uso dos ônibus em grandes metrópoles. A única saída é a expansão do metrô.


Disponível em http://outras-palavras.net/outrasmidias/?p=286504

 

24 Mar 13:03

Há 50 anos uma floresta existia no cruzamento da Faria Lima com Juscelino Kubitschek

by Ricardo Cardim

Poucas cidades no mundo cresceram com a velocidade de São Paulo no século passado. Para quem tem menos de 40 anos, pode parecer que a metrópole sempre foi assim, asfalto e concreto por todos os lados. Essas fotografias abaixo mostram bem como a transformação foi rápida. Em um dos cruzamentos mais movimentados da São Paulo atual, há cerca de 50 anos existia uma tranquila Mata Atlântica na beira de um ribeirão serpenteante.

jk antes

JK hoje

crédito das imagens: Geoportal.

Ricardo Cardim

24 Mar 11:33

Aécio sobre presença na lista da Odebrecht: “Nem precisava dessa divulgação”

by Kiko Nogueira

Do Globo:

O presidente nacional do PSDB, Aécio Neves (MG), que aparece em uma das planilhas apreendidas pela Polícia Federal que lista doações feitas pelo Grupo Odebrecht a mais de 200 políticos do país, disse que é preciso “separar o joio do trigo” e disse tratar-se de doações contabilizadas em sua prestação de contas ao Tribunal Superior Eleitoral. Segundo o tucano, o que ele viu divulgado nesta quarta-feira confirma aquilo que está nas prestações de contas do PSDB.

— Se você leu a lista, não preciso nem te responder — disse Aécio ao ser perguntado sobre a lista.

— É exatamente o número da conta onde esses valores foram depositados. Contribuição de campanha. Não precisava nem dessa divulgação. Basta apenas olhar as declarações de campanha de todos os candidatos, não apenas do PSDB, como de todos os partidos. É preciso que haja muita serenidade para se diferenciar o joio do trigo — completou.

Em nota o PSDB divulgou o detalhamento das doações mencionadas nas planilhas da Odebrecht, através da prestação de contas do Diretório Estadual do partido em 2010 e da conta de campanha eleitoral de Aécio, então candidato ao Senado naquele ano. Elas foram realizadas pela empresa Leyroz de Caxias Indústria Comércio & Logística Ltda, cujos dados também constam nas planilhas hoje divulgadas. Segundo a nota, a prestação de contas de campanha do PSDB de Minas Gerais em 2010 e do senador Aécio Neves foram julgadas e aprovadas sem ressalvas pela Justiça Eleitoral.

A nota diz que as doações ocorreram na forma legal e estão demonstradas nos documentos públicos registrados pelo PSDB junto ao TRE-MG. A empresa Leyroz de Caxias Indústria Comércio & Logística Ltda, CNPJ 06.958.578/0001-31, efetuou um depósito na conta de campanha do Partido (CEF – Agência 0935 – Conta 1456-5 – CNPJ: 24.059.610/0001-29) no valor de R$ 1.600.000,00, na data de 28/09/2010. O recibo eleitoral emitido para doação foi o de Nº 45000262313.

Em 21/09/2010, segundo a nota, a empresa Leyroz de Caxias Indústria Comércio & Logística Ltda, CNPJ 06.958.578/0001-31 efetuou um depósito na conta de campanha do senador Aécio Neves (Banco Bradesco – agência 0465-0 – conta 450000-8- CNPJ: 12.179.474/0001-21) no valor de R$ 96.000,00. O recibo eleitoral emitido para doação foi o de Nº 45000243569.

Os investigadores ainda não conseguem afirmar se as doações foram feitas legalmente ou por meio de caixa 2.

O post Aécio sobre presença na lista da Odebrecht: “Nem precisava dessa divulgação” apareceu primeiro em Diário do Centro do Mundo.

23 Mar 16:40

Papa de aveia árabe

by papacapim

Alguns dias atrás o curso de Árabe que vim fazer aqui em Beirute terminou. Foram só cinco semanas, mas o alívio que senti no último dia de aula foi grande. Eu já tinha esquecido o que significa acordar cedo pra ir pra escola e passar a maior parte do seu dia sentada, olhando pra lousa ou pros cadernos. Mas adorei ter feito esse curso, pois aprendi, enfim!, a escrever e a ler em Árabe e conheci pessoas maravilhosas que espero manter na minha vida. E foi uma grande lição de humildade ser alfabetizada novamente aos 34 anos e ter que ler, na frente do professor e de uma sala repleta de alunos, com a mesma dificuldade e na mesma velocidade de quando eu tinha 6 anos (“b…b…ba…r…c…bar…co. Barco!). Aprender uma língua estrangeira depois de adulta é difícil, mas aprender uma língua estrangeira que tem um alfabeto completamente diferente do seu e que ainda por cima se escreve na direção oposta é como contratar um personnal trainer pros seus neurônios. Eles vão sofrer, suar, se esbaforir e quase colocar os bofes pra fora, mas sairão da experiência mais fortes e em melhor forma. Eu e meus coleguinhas de curso estamos nos sentindo muito mais sabidos agora do que cinco semanas atrás. Nos encontramos na rua e nos olhamos com respeito mútuo, pois fazemos parte do grupo que conseguiu conjugar os prefixos e sufixos do sistema verbal árabe- gênero, número, tempo e grau de probabilidade- escritos com letras que se metamorfoseiam de acordo com a posição dentro da palavra e que ainda por cima se escreve da direita pra esquerda!

Além de ter colocado meus neurônios em treinamento intensivo, pude sentir na pele o que já sabia de maneira teórica: comida tem um papel fundamental no aprendizado. O que faz com que a historinha do personnal trainer de neurônios seja ainda mais verdadeira. Sabe a obsessão que o mundo do fitness tem com a comida pré e pós treino? Deveríamos ter a mesma preocupação com a comida que entra no nosso corpo antes e depois do estudo.

Minha vida de estudante no Brasil tinha um cardápio bem diferente do que como hoje. Pequena, eu comia tapioca, cuscuz ou pão com mortadela (mortadela!!! haha). Durante a adolescência a coisa piorou ainda mais e meu café da manhã passou a ser coxinha fria com café preto (de mortadela à coxinha! hahahahaha!). Embora as referências políticas do meu café da manhã me façam rir hoje (tudo piada, gente! Veganas, por razões óbvias, não simpatizam nem com mortadela nem com coxinha ; ), meu pobre cérebro teve que funcionar durante anos e anos com uma carga de nutrientes bem pequena.

Nos anos de faculdade eu morava em Paris e as coisas mudaram bastante, embora não necessariamente pra melhor. Meu café da manhã era brioche, pão de leite ou outro pão branco com manteiga, queijo, muito queijo e café com leite. Mais pra frente troquei o pão branco por pão de forma integral com cereais, o que na época me parecia ser supra sumo da alimentação saudável, mas hoje vejo isso como uma melhora bem pequena levando em consideração que o resto continuou o mesmo.

Embora os cafés descritos acima fossem bem diferentes, os resultados eram mais ou menos os mesmos. Eu quase sempre saía de casa com o estômago pesado, mas curiosamente antes das 10h a barriga já estava roncando. Graças aos conhecimentos em nutrição que adquiri durante os últimos anos entendi o que estava fazendo errado e adotei uma refeição matinal que me nutre e sacia por várias horas. Sinto uma diferença imensa no meu nível de energia durante o dia quando estou viajando e, por não poder preparar meu café da manhã típico, acabo me alimentando mal pela manhã.

Ir pra escola depois de ter consumido um café da manhã pobre, depois do longo jejum da noite e esperar que seu cérebro tenha um desempenho optimal é loucura. Sem entrar nos detalhes do que uma criança ou adolescente deveria consumir antes de ir pra escola, porque sairia do tema desse post e do meu domínio de competência, vou me concentrar no que essa adulta aqui, que voltou a estudar, precisa pra sentir seu cérebro funcionando a todo vapor e seu estômago saciado até a hora do almoço. Espero que ajude e inspire os outros adultos lendo esse blog.

Depois que voltei pra escola percebi que minha adorada, idolatrada, salve!, salve! papa de aveia sozinha não era mais suficiente pra me saciar até a hora do almoço. Embora minhas papas sejam uma refeição completa e equilibrada, pois acrescento vários outros ingredientes à aveia, eu como uma porção relativamente modesta. Comer uma porção maior teria resolvido o problema, mas não consigo comer algo doce em grandes quantidades, logo é difícil pra mim engolir um pratão de papa de uma vez. Incluir uma fatia de pão integral com hummus na refeição seria outra solução, mas além de tentar comer o mínimo de pão possível (meu estômago é mais feliz sem glúten), aqui em Beirute já como hummus com bastante frequência no almoço. Como senti que precisava aumentar a quantidade de proteína do meu café, pois ela é uma das grandes responsáveis pela saciedade (expliquei tudo sobre como se sentir saciado com uma alimentação vegana nesse post), comecei a preparar omelete de grão de bico pra acompanhar a minha papa. Bingo!

Incrível como uma cumbuquinha de papa de aveia mais meio omelete de grão de bico (a outra metade ia pra Anne) ingeridos às 8h me deixa saciada e feliz até as 12h, sem no entanto pesar no estômago nem me fazer sentir lenta e sonolenta, que é o que acontece quando como pão de manhã. Aproveito pra dizer que percebi o que muita gente já deve saber: hidratar o corpo de manhã é indispensável, pois é possível confundir sede com fome, por mais estranho que isso possa parecer. Eu começo o dia com um limão espremido em um copo grande com água ou água de kefir (geralmente uma mistura das duas). É a primeira coisa que faço quando saio da cama e só depois vou preparar o café, tomar banho, me vestir, comer. Pra mim é indispensável seguir essa ordem, pois como o copo de água com limão é grande (acordo com muita sede), preciso de um tempinho entre o momento em que todo esse líquido entra no meu corpo e o momento em que sento pra degustar minha refeição matinal, senão fica difícil acomodar os dois no estômago. Antigamente eu tomava um copão de suco verde pela manhã, mas como não tenho liquidificador em casa e minha vida de nômade com orçamento limitado me impede de sair comprando um liquidificador pra cada casa nova que me acolhe, hoje em dia me contento com limão e água de kefir.

Outra coisa fantástica que descobri depois que me mudei pra Beirute: tahine na papa de aveia é uma delícia! Sabem como é, a necessidade é a mãe da criatividade. Justamente por não ter liquidificador, não posso fazer meus leites vegetais em casa e fui obrigada a procurar leites vegetais prontos. A oferta aqui é grande e consigo achar, pertinho de casa, leite orgânico de soja, arroz, amêndoas… Mas os preços são bem elevados. Como o Líbano produz a melhor tahine do mundo (junto com a tahine palestina) e que esse produto é bem barato aqui, pensei: “Se eu cozinhar a papa na água e acrescentar colheradas de tahine, é como se tivesse usado leite de gergelim!” E além de resolver o problema do leite vegetal, ganhei um super bônus: muito cálcio. Gergelim (e, consequentemente, tahine, que nada mais é do que gergelim moído até se tornar uma pasta) é extremamente rico em cálcio. E como uma fonte de gordura boa é igualmente indispensável pra dar saciedade, a tahine cumpre três papeis ao mesmo tempo. É meu substituto de leite vegetal, enriquece a papa com cálcio e é uma fonte de gordura boa. Geralmente o óleo de coco é a gordura boa das minhas papas, mas esse é outro ingrediente extremamente caro por aqui. Tento me alimentar da maneira mais local possível (melhor pro meio ambiente e pro bolso também!), então fazia mais sentindo usar um ingrediente local que é abundante, barato e delicioso. Se você usar a criatividade e tirar proveito dos alimentos locais, alimentação vegana pode ser sempre barata. E eu, que não paro de mudar de país, nunca deixo de me maravilhar com o imenso leque de possibilidades que o reino vegetal oferece.

E foi assim que nasceu essa variação árabe da minha papa de aveia clássica. A inspiração é árabe por causa dos ingredientes, mas na verdade ninguém aqui come papa de aveia e lógico que essa não é uma receita tradicional.

Como expliquei, faço essa receita só com água e tahine e o sabor fica bem intenso. Já testei com uma mistura de água e leite vegetal (de arroz ou soja) e ficou bem mais suave, então é essa versão que compartilho abaixo. Gosto de servir essa papa salpicada de nozes tostadas, porque é outro ingrediente típico daqui e porque elas aumentam a dose de proteína, gordura boa e ômega 3 da receita. E falando em ômega 3, aproveito pra relembrar que esse nutriente, importantíssimo pra qualquer pessoa, não pode ficar de fora da alimentação dos estudantes. Por isso sempre incluo semente de chia na minha papa. Pode até ser psicológico, mas acho que um café da manhã rico em ômega 3 me deixa mais inteligente.

Termino lembrando que escrevi esse post explicando tintin por tintin porque o café da manhã é tão importante, não só pra quem estuda, e vale a pena ler de novo. E se quiser ver mais receitas nutritivas e saborosas pra manhã é só clicar na página “Receitas” no cabeçalho e conferir a seção “café da manhã”.

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Papa de aveia árabe (com tahine)

Tahine pode ser fluida e quase líquida, como as que encontramos no Líbano e na Palestina, ou bem densa e compacta, como as que encontramos nas lojas de produtos naturais. Adapte a quantidade de tahine nessa receita de acordo com o tipo que você tiver em casa e com as suas preferências. Gergelim tem um sabor delicadamente amargo que uns adoram e outros detestam. Se você gosta de tahine, vai adorar essa papa. Se não gosta, mas quer aprender a gostar, essa não é a receita ideal pra você, pois o amargor da tahine é bem presente aqui. Sugiro receitas como hummus e mutabbal, que também usam tahine, mas com resultados bem mais sutis. E se tahine não for a sua praia, publiquei outras receitas de papas deliciosas aqui, aqui e aqui.

1/2 x de aveia em flocos (finos ou grossos)

1 cs de chia

1 banana madura

1/2 x de leite vegetal (arroz, aveia, amêndoa, coco, soja…)

1 cc rasa de canela, ou a gosto

1 pitada de sal

Melado a gosto – opcional (se, como eu, você mora no Oriente Médio, melado de tâmara ou alfarroba deixa tudo ainda mais “árabe” e são ingredientes locais)

1-2 cs de tahine (leia explicações acima)

Um punhado de nozes – opcional

Na véspera, coloque a aveia e a chia em um recipiente pequeno, com tampa, e cubra com 1 xícara de água. Misture bem, tampe e deixe na geladeira durante a noite. Esse passo é opcional, mas vai deixar a sua aveia mais cremosa usando menos líquido e a papa vai ficar pronta muito mais rápido (quem estuda cedo não tem muito tempo pra cozinhar de manhã!).

Na manhã seguinte amasse a banana e transfira pra uma panela pequena. Junte a aveia/chia dormida, o leite vegetal, a canela, o sal e o melado, se estiver usando (entre 1cc e 1cs, dependendo da intensidade de doçura que você quiser). Leve ao fogo baixo e cozinhe por alguns minutos, mexendo de vez em quando, até a papa começar a borbulhar. Junte a tahine e misture bem pra incorporar. Se sua tahine for do tipo espessa e compacta vai ser preciso dissolve-la em um pouco de água/leite vegetal antes, senão vai ser difícil incorpora-la à papa de maneira uniforme. Depois de juntar a tahine a papa vai engrossar um pouco, então nesse ponto eu acrescento mais água ou leite vegetal (entre 1/3x e 1/2x), pois gosto da minha papa fluida e cremosa. Adapte a quantidade de líquido pra atingir a consistência que você preferir. Desligue o fogo e sirva imediatamente, salpicada de nozes (tostadas a seco elas são ainda mais saborosas). Rende 1 porção estudante ou 2 porções pequenas (pra quem gosta de comer outras coisas além da papa no café da manhã).

22 Mar 17:08

Enquanto Marco Aurélio Mello cresce, Luciana Genro se apequena. Por Kiko Nogueira

by Kiko Nogueira
Mello

Mello

 

Em todo momento decisivo da história há aqueles que se agigantam, os que se apequenam e os que vão pescar — em geral, esses últimos dois grupos são os que confirmam a tese do Barão de Itararé segundo a qual de onde menos se espera é que não vem nada, mesmo.

O ministro Marco Aurélio Mello, do STF, vem dando lições preciosas desde a condução coercitiva de Lula. Naquela mesma noite,  à TV Bandeirantes, falou da arbitrariedade. “E quando o chicote mudar de mãos?”, perguntou.

Tornou-se uma voz fundamental contra os poderes plenipotenciários de Sergio Moro e o perigo que ele representa para o estado de direito.

No episódio dos grampos de Lula e Dilma, foi categórico. “Ele não é o único juiz do país e deve atuar como todo juiz. Agora, houve essa divulgação por terceiro de sigilo telefônico. Isso é crime, está na lei. Ele simplesmente deixou de lado a lei. Isso está escancarado. Não se avança culturalmente atropelando a ordem jurídica, principalmente a constitucional”, falou em entrevista ao site Sul21.

“O avanço pressupõe a observância irrestrita do que está escrito na lei de regência da matéria. Dizer que interessa ao público em geral conhecer o teor de gravações sigilosas não se sustenta. O público também está submetido à legislação”.

Sobre o vazamento da delação premiada de Delcídio: “Os fatos foram se acumulando. Nós tivemos a divulgação, para mim imprópria, do objeto da delação do senador Delcídio Amaral e agora, por último, tivemos a divulgação também da interceptação telefônica, com vários diálogos da presidente, do ex-presidente Lula, do presidente do Partido dos Trabalhadores com o ministro Jacques Wagner. Isso é muito ruim pois implica colocar lenha na fogueira e não se avança assim, de cambulhada.”

Sobre os fins justificarem os meios: “Há um afã muito grande de se buscar correção de rumos. Mas a correção de rumos pressupõe a observância das regras jurídicas. Eu, por exemplo, nunca vi tanta delação premiada, essa postura de co-réu querendo colaborar com o Judiciário”.

“Eu nunca vi tanta prisão preventiva como nós temos no Brasil em geral. A população carcerária provisória chegou praticamente ao mesmo patamar da definitiva, em que pese a existência do princípio da não culpabilidade. Tem alguma coisa errada. Não é por aí que nós avançaremos e chegaremos ao Brasil sonhado.”

Se Mello cresceu na fita, especialmente num Supremo “acovardado” — se Luiz Fachin é “suspeito” para julgar o habeas corpus de Lula, Gilmar Mendes é o quê? —, Luciana Genro diminuiu. Luciana é, hoje, uma nanica.

Lula foi levado para depor no dia 4 de março. Cinco dias depois, ela se manifestou. Cinco. E de maneira desgraçadamente oportunista.

“A condução coercitiva do Lula foi desnecessária, autoritária e pode até ser entendida como ilegal. Isso, entretanto, não é novidade no Brasil”, escreveu. “Pessoas presas sem julgamento são 30% da massa carcerária do país. Lula não foi preso, e foi tratado com dignidade pelos policiais, coisa que não acontece com os acusados pobres.”

O problema, lembra ela, não é só com o Lula. E arremata: “Por isso temos que construir uma alternativa, para que, se não agora, mas no futuro, seja possível uma esquerda autêntica governar o Brasil. E não será defendendo um líder sustentado pelas empreiteiras corruptas que vamos conseguir por de pé esta alternativa.”

É quase um discurso de grêmio estudantil nefelibata. É fruto do oportunismo, que você pode dizer que é do jogo — mas que tipo de oportunidade pode surgir no cenário que se apresenta?

Sim, quem quer defender um líder sustentado por empreiteiras etc etc. Ataca-lo, porém, desta maneira significa ajudar a doar o país para outros líderes sustentados por empreiteiras, apenas à direita e impunes, eternamente impunes.

O ressentimento de Luciana e do Psol com o PT, Lula e Dilma a impede de enxergar direito e de qualquer perspectiva histórica. Parece que o que vivemos agora não tem nada a ver com 54 ou 64. Jean Wyllys tornou-se uma liderança isolada ali, denunciando o que ficou impossível esconder.

A ideia de Luciana das eleições antecipadas — o “referendo revogatório” — virou farinha nas mãos do PMDB, PSDB et caterva, como esperado. Temer e Serra articulam abertamente.

No Twitter, ela lançou uma dúvida: “Estará o PSDB sendo poupado por Moro? Talvez. Para saber devemos defender o fim do sigilo da Lava Jato e sua continuidade.”

Talvez?? Aécio está na sexta citação, nada acontece — e o PSDB talvez esteja sendo poupado? Os policiais federais e promotores vazam para toda a mídia “simpatizante” (apud Moro) documentos sigilosos, atropelam a defesa, dão declarações messiânicas, tocam fogo no Brasil, o chefe se apresenta em eventos de João Doria, tudo aponta para a criminalização não só de um partido, mas de uma ideia — e o PSDB “talvez” esteja sendo poupado?

Luciana refuta a ideia de golpe. “A precária democracia que temos continuará burguesa e precária”, aponta um manifesto do Psol por ela reproduzido.

O golpe já foi dado e só Luciana não viu.

 

Luciana

Luciana

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21 Mar 13:41

Zezé Perrella, cujo helicóptero foi pego com 500 kg de cocaína, posa com cartaz: “Eu confio na PF”

by Kiko Nogueira
Allan Patrick

Ele confia

O senador Zezé Perrella, aquele cujo helicóptero foi capturado com 455 quilos de pasta base de cocaína, fez uma foto em apoio à autonomia da Polícia Federal.

Captura de Tela 2016-03-21 às 10.23.09

Lembrando: Perrella foi inocentado do caso Helicoca em menos de 30 dias por um delegado.

 

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20 Mar 21:04

A imprensa e o impeachment de Getúlio Vargas. Por Rodolpho Santos

by Diario do Centro do Mundo
E assim chegou ao fim a Era Vargas

E assim chegou ao fim a Era Vargas

Esta espécie de pacto de desonra entre o Governo e a Nação só não atingirá mais profundamente o destino da democracia e os interesses permanentes do Brasil se o sr. Getúlio Vargas tiver os dentes quebrados – no sentido figurado, é claro.

A frase é do jornalista e político fluminense Carlos Lacerda (1914-1977), proprietário do diário carioca Tribuna da Imprensa. Faz parte de um editorial contra o então presidente Getúlio Vargas (1882-1954), que enfrentaria nos dias seguintes a votação de um processo deimpeachment na Câmara dos Deputados. Nas palavras de Lacerda, o impedimento era a “penicilina constitucional para a infecção que é [esse] governo”.

Essa tensão política não era novidade. Ela vinha se avolumando desde o final da década anterior quando Vargas, que governara ditatorialmente o país durante o Estado Novo (1937-1945), anunciou sua participação na eleição presidencial de 1950. Muitos políticos e jornalistas, alguns presos e calados nos anos anteriores, se uniram ao coro contra sua presença no pleito. Algumas dessas vozes faziam parte da União Democrática Nacional (UDN), principal e recém-criado partido antigetulista.

Foi nesse contexto que os discursos violentos de Lacerda começaram a atrair público. Em 1950, ele escreveu: “O senhor Getúlio Vargas, senador, não deve ser candidato à presidência. Candidato, não deve ser eleito. Eleito, não deve tomar posse. Empossado, devemos recorrer à revolução para impedi-lo de governar”.

Nos anos seguintes, foram inúmeros editoriais como esse, marcados pela extrema violência discursiva e não raro recorrendo à calúnia pura e simples. Para ficar em apenas dois exemplos, o embaixador brasileiro em Buenos Aires, João Batista Lusardo, foi chamado certa vez de “centauro dos pampas, metade cavalo, a outra também”. Já Lutero Vargas seria o “filho rico e degenerado do Pai dos Pobres”.

Lacerda estava longe do estereótipo do líder radical com influência restrita a pequenos grupos. Era amigo de famílias poderosas, como os Mesquitas (proprietários do jornal O Estado de S. Paulo), e com frequência usava os microfones da rádio Globo, no Rio de Janeiro, para proferir seus ataques. Rapidamente tornou-se um político conhecido em todo país.

Dono de retórica exuberante e ferina, ele colocava-se como puritano defensor do povo. Sua autoimagem de salvador da nação associava-se à insistente denúncia maniqueísta de que a população estava sendo continuamente explorada por corruptos vilões. Cotidianamente, Lacerda descarregava sua metralhadora de denúncias contra autoridades, especialmente dos partidos ideologicamente inimigos.

Lacerda ficou marcado como o Corvo

Lacerda ficou marcado como o Corvo

Se por vezes ajudou a elucidar abusos e contravenções, não raro ficava evidente que muitos de seus argumentos se baseavam em suspeitas com indícios frágeis. Sua retórica assemelhava-se, em linhas gerais, ao discurso da própria UDN, que se torno mais moralista depois que seu candidato, o brigadeiro Eduardo Gomes, perdeu duas eleições presidenciais consecutivas.

Maria Victoria de Mesquita Benevides, autora de uma obra-prima sobre o partido, afirma que a UDN possuía uma autoimagem de excelência de seus integrantes, o que a levou a se colocar com frequência como um “pedaço de chão limpo”, decente e digno em relação aos demais. Essa ideia de “partido incorruptível” era reforçada pela atuação parlamentar centrada nas constantes denúncias de desvios administrativos, de subversão da ordem provocada pelas políticas trabalhistas e da suposta infiltração comunista na sociedade.

Ao longo dos anos 1950, muitos udenistas passaram a defender a ideia de que era necessária uma “democracia tutelada”, pois “o povo não sabe votar”. Ou seja, não estaria preparado para usufruir a liberdade. Essa noção autoritária justificava os constantes apelos à intervenção militar contra um sistema político considerado “ilegítimo porque tolera (e até estimula) manifestações de grupos sociais incompatíveis com a ordem desejada”.

Em consequência desse raciocínio, defendia-se que “o golpe é legítimo porque quer destruir um sistema ilegítimo” ou, nas palavras de Carlos Lacerda, de que seria necessário “defender o golpe para evitar o golpe por via eleitoral”.

Mesmo com uma oposição ruidosa, Vargas demonstrou sua popularidade. Lançado pelo PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), ele foi eleito presidente com 48,7% dos votos em 3 de outubro de 1950. O que se viu nos anos seguintes já é bem conhecido dos livros de história. Vargas enfrentou uma ferrenha oposição no poder Legislativo e da maioria da imprensa. À exceção de Última Hora, todos os grandes diários lhe eram contrários. Nas palavras da cientista política Maria Celina Soares D’Araújo, o “desarmamento publicitário do governo” era evidente.

Para muitos desses opositores, o presidente não havia abandonado seu passado autoritário e estaria planejando uma nova ditadura controlada principalmente a partir dos sindicatos de trabalhadores. Nas palavras da época, preparava-se em silêncio uma “república sindicalista”.

Somaram-se ao quadro turbulento as constantes denúncias de corrupção envolvendo membros do governo, a vigilância quase macarthista em relação aos comunistas colocados na ilegalidade em 1948 e a atuação do ministro João Goulart em defesa dos trabalhadores. Embora o PIB tenha crescido 6,2% ao ano em média, a inflação em ascensão (média de 17,8% ao ano) corroía o poder de compra dos trabalhadores.

Em março de 1954, apenas duas semanas depois da controversa demissão de Goulart, fruto da pressão dos militares, Carlos Lacerda divulgou em seu jornal um discurso reservado do então presidente da Argentina, Juan Domingo Perón.

Nele, Perón afirmava que, antes da eleição, havia acertado secretamente com Vargas a criação de uma aliança econômica envolvendo Argentina, Brasil e Chile (Pacto ABC). Acrescentou que Vargas lhe dera direito de representar os interesses do Brasil junto ao Chile. Os três países eram então governados por líderes nacionalistas. As revelações caíram feito uma bomba no mundo político.

Diante da repercussão negativa, a embaixada argentina negou o discurso, que hoje se sabe autêntico. A situação piorou quando um magoado ex-chanceler de Vargas, João Neves da Fontoura, deu um depoimento a O Globo. Afirmou que Vargas tivera, no mínimo, uma “negligente cumplicidade” com os planos secretos de construir uma aliança com a Argentina. Não apresentou, porém, provas documentais de que Vargas e Perón tivessem feito um pacto à revelia dos outros poderes das duas nações.

Esses depoimentos fundamentaram o processo de impeachment. Na ocasião, Vargas foi denunciado com base em dois argumentos. O primeiro o acusava de participar de uma conspiração envolvendo o Pacto ABC. O segundo rel

Getúlio, o 'Pai dos Pobres'

Getúlio tinha toda a imprensa contra ele

acionava-se a uma série de acusações envolvendo improbidade administrativa e crimes de responsabilidade ligados à má execução orçamentária.

Embora o relator tenha recomendado seu arquivamento devido à falta de provas, o processo foi submetido à Câmara dos Deputados, que discutiu o assunto durante duas nervosas semanas. Em 16 de junho de 1954, 135 parlamentares votaram contra a proposta, 36 a favor e 40 se abstiveram.

Em suas memórias, o líder udenista Afonso Arinos recordou que um dos defensores mais intransigentes do pedido de impeachment foi o líder militar udenista Eduardo Gomes, derrotado por Getúlio na eleição anterior. Ao contestar que a batalha muito provavelmente seria perdida e que, dessa forma, Vargas poderia momentaneamente ganhar terreno, Arinos escutou deste que a vitória temporária do presidente pouco importava.

“Isso [a derrota do impedimento] é necessário para que se forme, no meio militar, a consciência de que não há solução legal”, assegurou Eduardo Gomes. Ou seja, o esgotamento das tentativas constitucionais de derrubar o governo seria uma forma de fortalecer entre os oficiais o projeto de intervenção armada. Lacerda, como se sabe, tinha livre trânsito entre os militares que conspiravam pelo abreviamento do governo através da força. Desde esse período, passou a ser chamado pejorativamente pelos inimigos de “o corvo”.

Salvo do impeachment, o governo ficou ainda mais desgastado. No início de agosto, Vargas ousou aparecer na tribuna do Hipódromo da Gávea, reduto tradicional da elite carioca. Recebeu uma sonora vaia, mostrando os efeitos da intensa campanha política e jornalística contra seu governo.

Três semanas depois, o presidente cometeu suicídio após uma das mais graves crises políticas da história do Brasil republicano. Os detalhes são conhecidos por todos. Em reação, populares furiosos atacaram sedes de jornais em várias capitais do Brasil, como O Globo, Tribuna da Imprensa e os jornais da rede Diários Associados.

Ferido em um atentado igualmente abominável planejado dentro do palácio do Catete, Carlos Lacerda teve que se esconder para não ser linchado. Os espontâneos ataques da população mostraram bem que, nesse momento, ela não reconhecia a grande imprensa como porta-voz da opinião pública. A estridente campanha dos jornais contra o governo estivera distante da opinião de muitos.

Obviamente, a imprensa não pode ser responsabilizada exclusivamente pelo trágico desfecho do governo Vargas e pela divisão social que culminou no golpe militar uma década depois. No entanto, o caso ilustra bem os perigos de uma imprensa excessivamente partidarizada e que, em nome de projetos políticos autoritários, abandona o objetivo (inalcançável, mas necessário) de informar com o máximo de isenção possível.

Os terríveis episódios dos anos 1950 mostram que, quando a imprensa se torna soldado fundamental das lutas por poder, ela inevitavelmente amplia a polarização, a intolerância e o acirramento das paixões políticas que colocam em risco um bem conquistado a duras penas: a democracia.

O texto acima é de Rodolpho Gauthier Cardoso dos Santos,  doutor em História pela USP. Ele foi foi publicado originalmente no blog Viramundo, de Rodolpho.

 

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20 Mar 20:58

“Peitado por um negro”: ouça o piti de ator que teve a peça interrompida pela plateia depois de xingar Dilma

by Kiko Nogueira
20 Mar 12:04

Ato falho: Folha diz que Moro é do PSDB; e depois tenta corrigir…

by Rodrigo Vianna

ATUALIZAÇÃO – Colegas jornalistas chamam minha atenção para o fato de que, na edição impressa, a Folha esclarece que os “3 tucanos” citados no Cenário 4 da pesquisa DataFolha são: Aécio, Alckmin e Serra. Na edição digital, neste domingo, o jornal  também fez a correção. Mas o texto abaixo foi publicado pelo blog no sábado à noite, com base no print da página na edição digital da Folha; e ali está claro o ato falho freudiano – Moro foi tratado como tucano! Fazer o que. Trata-se de piada pronta, em se tratando de um juiz que pune petistas (agindo fora-da-lei, segundo Marco Aurélio do STF) e poupa sempre o PSDB. Moro acabou tendo suas afinidades expostas por um jornal que, também ele, tem clara preferência pelo PSDB. Freud explica.

por Rodrigo Vianna

O alerta veio pelo twitter de Alvaro Larangeira: @larangeira.

O inconsciente falou mais alto entre os redatores da Folha? Ou teria sido uma mensagem cifrada, passada por um jornalista rebelde?

Na pesquisa eleitoral (em que, sofregamente, ajuda a embalar o impeachment) divulgada neste fim-de-semana pela Folha, aparecem simulações eleitorais com vistas a 2018. Numa delas, a Folha resolveu testar um cenário com “os três tucanos”: Aécio, Serra e … Moro!

Finalmente, alguém disse a verdade: Moro é PSDB. E o PSDB é Moro.

Viva a Justiça brasileira: imparcial, impoluta.

Viva o juiz das camisas negras, agora filiado oficialmente ao PSDB.

folha moro

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18 Mar 11:32

Mídia e oposição perderam o controle de seus fascistas de estimação

by Cynara Menezes
tacape

(Manifestante anti-PT em Brasília. Foto: Lula Marques)

Há cinco anos venho alertando para o perigo do crescimento da extrema-direita no Brasil. A concepção de que “contra o PT vale tudo” levou os meios de comunicação a alimentarem (de)formadores de opinião que, sob a desculpa da liberdade de expressão, se acham no direito de dizer barbaridades e incentivar o ódio à esquerda. Colunistas, articulistas e apresentadores reaças ganharam espaço na TV, em revistas e nos jornais. Todos eles exemplares da direita furiosa, que espuma pela boca. Perfeitos imbecis perfeitamente incorretos que acham normal justiceiros atarem menores infratores a postes ou que se acham no direito de perseguir minorias e defender as torturas na ditadura militar. São estes “exemplos” que estão influenciando nossos jovens e é isso que está se refletindo nas ruas e nas redes sociais, infestadas de agressores.

A oposição, representada sobretudo pelos tucanos, uma espécie de alterego da velha mídia, faz o mesmo desde 2010, quando José Serra, desesperado para ganhar a eleição, se aliou a fundamentalistas religiosos que acusavam a então candidata Dilma Rousseff de ser “abortista”. No Congresso, sedentos pela volta ao poder, os tucanos se articularam com o que há de pior na política brasileira: os mesmos fundamentalistas religiosos com suas pautas da Idade Média e também os ruralistas, aquela gente que quer exterminar os índios e nos empurrar agrotóxicos e transgênicos goela abaixo. Sempre oportunista, o PSDB não teve pruridos em se juntar até mesmo ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha, o fundamentalista religioso homofóbico que tem contas na Suíça. Não é à toa que ele, um político investigado por corrupção, é o maestro do impeachment de Dilma, que é HONESTA.

Mas, como adverti, chocar o ovo da serpente é complicado, porque periga a cobra se voltar contra o criador. Cría cuervos y te sacarán los ojos, diz um velho ditado espanhol que gosto de lembrar. Cria corvos e te arrancarão os olhos. Não deu outra. No domingo 13, o candidato derrotado Aécio Neves, o governador Geraldo Alckmin e outros políticos do PSDB foram escorraçados da avenida Paulista aos gritos de “ladrão, ladrão” pelo mesmo grupo que ajudaram a insuflar. Na quarta-feira 17, mesmo liberando a Paulista para os manifestantes, ao contrário de reprimi-los, como fez com os estudantes das escolas ocupadas, o secretário de segurança de Alckmin teve seu carro chutado e acabou expulso da manifestação.

Desde que se anunciou a indicação do ex-presidente Lula para a Casa Civil, os ânimos se acirraram ainda mais. Nos telejornais, as emissoras regem as manifestações. Na noite em que foi divulgado que Lula aceitara o convite para integrar o governo, o canal GloboNews começou a abertamente convocar pessoas para irem às ruas. No domingo anterior, em editorial à imagem e semelhança dos publicados às vésperas do golpe de 1964, o jornal O Estado de S.Paulo dizia: “Basta!” E convocava os “brasileiros de bem” a ir às ruas para ajudá-los a derrubar a presidente legitimamente eleita.

O resultado disso tem se mostrado diante das câmeras das próprias emissoras: pessoas sendo atacadas pelos tais “brasileiros de bem” apenas por usarem camisetas vermelhas ou se dizerem favoráveis ao PT, a Lula e a Dilma. Um rapaz de bicicleta vermelha foi agredido na avenida Paulista por “ter cara de petista”; o mesmo aconteceu com um casal de namorados; também em São Paulo, um menino de 17 anos recebeu tapas na cabeça e por pouco não foi espancado por dizer “não vai ter golpe”; em Caxias do Sul, um grupo de manifestantes pró-impeachment acossou um rapaz de camiseta vermelha, acompanhado de uma mocinha, na parede; e, em Brasília, os verde-amarelos gritavam “Comunistas!” “Desocupados!” “Vagabundos!” para os apoiadores de Dilma e do ex-presidente.

Vivemos dias tenebrosos. Ninguém pode prever o que será de nosso país. Empenhado em prender Lula e derrubar Dilma, o consórcio mídia-oposição parece disposto a continuar chocando o ovo da serpente, sem a menor responsabilidade para com o futuro do Brasil. Hoje, dia 18 de março, haverá manifestação da esquerda em todo o país. Os reacionários não foram perturbados em seu protesto do dia 13 e puderam pedir “intervenção militar” e outros absurdos tranquilamente. Saberão fazer o mesmo, respeitar a presença maciça da esquerda, vestida de vermelho, na rua? E a oposimídia, saberá controlar seus fascistas de estimação ou eles estão realmente fora de controle? Quem é mesmo que está querendo transformar o Brasil numa Venezuela, afinal?

O mais preocupante é saber que, se algo de mais grave acontecer, nem a mídia nem a oposição serão capazes de admitir sua parcela de responsabilidade no clima ruim que está nas ruas. Sempre poderão alegar que é “culpa do PT”.

 

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18 Mar 11:26

Cuspa, bata, esfole, mate… ajude a construir um novo Brasil

by Lucas Figueiredo
Constantino

Constantino, o de bermuda americanizada, treina para abater seu alvo

Rodrigo Constantino, colunista do jornal O Globo e ex-colunista da revista Veja, divulgou em seu blog uma lista negra com os nomes de 767 “petralhas” que seriam “cúmplices dos golpistas” Em seguida, conclamou seus leitores:

“Boicote nos vagabundos, gente! Sem dó nem piedade. Eles querem transformar o Brasil numa Venezuela, num Cubão. Eles são comparsas dos bandidos que tomaram Brasília de assalto e atentam contra nossa democracia. Não comprem nada deles! Não leiam suas colunas! Não frequentem seus shows e peças. É boicote geral a petralha!”

Meu nome está entre os 767 condenados por esse novo macarthismo que vai perigosamente conquistando mentes e corações no Brasil.

Não estranhei meu nome estar na lista, apesar de, em 25 anos de jornalismo, ter me dedicado à denúncia sistemática da corrupção – de esquerda, centro e direita.

Meu nome está na lista porque sempre defendi o Estado Democrático de Direito. E sempre acreditei que o autoritarismo (ou o flerte com o autoritarismo) deveria ser denunciado. Continuo acreditando.

Talvez, daqui a pouco alguém proponha que os indicados na lista negra de Constantino sejamos obrigados a andar com uma estrela bordada na camisa. Só para que fique claro para todos quem somos nós.

O ovo da serpente está chocando.


Arquivado em:Cidadania, Mídia
17 Mar 19:09

A manipulação do golpe na TV e o jornal da Ku Klux Klan para o cidadão de bem. Por Joaquim de Carvalho

by Joaquim de Carvalho
"Cidadão de Bem", o jornal da Ku Klux Klan

“Cidadão de Bem”, o jornal da Ku Klux Klan

 

A prática nazista – ou fascista – já está nas ruas.

O jovem casal agredido na Paulista não é um ato isolado.

A senhora que trabalha em casa como faxineira me conta que hoje, quando tomou ônibus do Jardim Ângela até minha casa, um grupo de jovens discutia sobre os grampos vazados por Mouro. Eram todos, segundo ela, “do contra” – contra o governo.

“Eles me olharam feio e perguntaram: ‘E você, é contra ou a favor?’ Eu sou quase uma analfabeta, não sei nada não’”. Disse ela, baiana do sul  do Estado, 30 e poucos anos, já se afastando. “Fui para o final do ônibus. Imagina se eu digo alguma coisa e eles não gostam, eu apanho.”

Desnecessário dizer que o caldo entornou quando o juiz Moro divulgou os grampos de Lula, com conversas pinçadas fora de contexto, numa atitude difícil de classificar, mas que só faz sentido se este for o objetivo de alguém ou de algum grupo: tumultuar e, desse ambiente, tirar proveito.

Mas nada disso teria chance de prosperar não fosse a cobertura da TV Globo.

No Jornal da Globo desta madrugada, por exemplo, Willian Waak informou que o helicóptero da emissora “sobrevoava” a Paulista e mostrou imagens do alto. A palavra sobrevoo tem um sentido de voo em movimento. Mas o que se via não era a ação do helicóptero nesse sentido, mas a aeronave parada no alto, com a imagem fechada no grupo de manifestantes em frente à Fiesp.

Se houvesse sobrevoo, com movimento do helicóptero ou da câmera, já se veria que o grupo não era tão grande.

As cenas me lembraram o que acontecia na Globo quando o helicóptero decolava para entrada ao vivo num dos jornais locais.

Se não havia congestionamento a mostrar, o editor sugeria a chegada a São Paulo pela Rodovia Dutra, a partir da Marginal Tietê. Ali sempre havia problema, e o repórter poderia dizer: “trânsito muito complicado na chegada a São Paulo pela Rodovia Dutra”.

Era manipulação.

Na Globonews, um grupo de manifestantes que protestava na avenida onde fica o apartamento de Lula era chamado pelo apresentador de “população”. Segundo ele, era a “população” que protestava em frente à casa do ex-presidente.

População?

Quem não conhece como um telejornal é feito, com imagens e textos que buscam emocionar, nunca esclarecer, é facilmente iludido. Toma a parte pelo todo e chega a conclusões erradas.

O que se vê agora é que esse tipo de noticiário que busca alcançar o lado emocional dos telespectadores tem um papel decisivo no que começa a acontecer nas ruas.

O jornal impresso também faz a sua parte, embora com um alcance muito menor. O “Estadão” tem publicado editoriais, com chamada na primeira página, em que convoca os “cidadãos de bem” para marcharem contra o PT. Não sei se o editorialista sabe, mas na década, nos Estados Unidos, o jornal da Klu Klux Klan se chamava Good Citizen.

No Brasil de 2016, as pessoas ficam com medo de dizer em público o que pensam. Foi o que aconteceu com a diarista que foi hoje à minha casa. Ele se calou porque não sabia qual era a resposta “certa” que deveria dar ao grupo exaltado no ônibus. Se errasse na opinião, poderia apanhar ou ser xingada.

Começou assim na Alemanha, e alguns achavam que era possível conciliar, entender. Enfim, por covardia ou conforto, preferiram ignorar o mal que crescia.

Deu no que deu.

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17 Mar 17:14

Pablo Villaça: Por que passei a defender a ideia de Lula assumir um ministério

by Conceição Lemes

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Pablo Villaça, no seu Facebook, sugestão de Débora Cruz

Como alguns poucos dias fazem diferença.

Na semana passada, quando a ideia de Lula assumir um ministério foi discutida pela primeira vez, considerei a iniciativa equivocada. “Passará a imagem errada”, apontei. “A mídia vai massacrar”, considerei. “Não é uma boa estratégia”, julguei.

Isso, claro, foi antes de duas coisas importantes acontecerem: o pedido de prisão absurdo feito pelo MP de São Paulo e a divulgação do depoimento no dia em que foi conduzido coercitivamente ao aeroporto de Congonhas.

Esses dois fatores me fizeram desistir de manter qualquer esperança na imparcialidade da Justiça: o pedido de prisão foi tão ridículo que até a juíza que o enviou para Curitiba apontou, antes de fazê-lo, que os procuradores de São Paulo não haviam estabelecido qualquer elemento que apontasse quais teriam sido os benefícios obtidos pelos supostos favores a Lula. Além disso, a falta de evidências era tamanha que o PRÓPRIO PROCURADOR, ao ser confrontado pela falta de provas, respondeu que “a falta de provas era a prova de que o patrimônio era oculto”.

Por esta lógica, sou dono do Empire States Building.

A falta de qualquer evidência também ficou clara no depoimento dado por Lula ao delegado da PF em Congonhas: depois de mais de dois anos de investigação da Lavajato, o máximo que o delegado conseguiu foi apresentar certas suposições. Nenhuma prova ou elemento factual foi apresentado para que Lula pudesse responder. Lendo as 109 páginas do depoimento (que traz alguns momentos hilários, por sinal – como aquele no qual Lula diz que “consegue falar de boca cheia”), é impossível não perceber o delegado tateando no escuro, tentando encontrar alguma maneira de levar o ex-presidente a se comprometer. E sem sucesso.

O depoimento – repito: tomado depois de DOIS anos de investigação – foi tão inócuo que o máximo que a mídia fez para tentar pintar um retrato negativo de Lula foi contar quantas vezes ele disse “querido” e “Hein?”.

O que me traz a uma pergunta que me fazem frequentemente: “você realmente acha que Lula é inocente, que ele não sabia de nada?”.

Em primeiro lugar, “achar” isso ou aquilo não é evidência jurídica. Eu posso achar ou não achar um monte de coisas – nenhum tribunal sério levaria isso em consideração. Na justiça norte-americana, há um termo para isso quando um advogado protesta: “Especulação!”.

Dito isso, não sei se Lula é “inocente” no sentido extremo da palavra (de “nunca ter feito nada errado”), mas tenho a forte convicção de que não cometeu algum crime grave. Por que tenho essa opinião? Porque há QUARENTA ANOS ele é sistematicamente atacado pela mídia, vigiado de perto e questionado. E nestes QUARENTA ANOS, nenhuma prova surgiu de que ele tenha, de fato, feito algo capaz de enviá-lo para a prisão (a não ser quando foi preso, na ditadura, por ser líder sindical).

Observem, por exemplo, que contas já foram encontradas no exterior em nome de Cunha e da família de Aécio (isso em 2007, embora a imprensa só esteja divulgando de fato agora; aparentemente, desistiram do tucano). Obras questionáveis foram feitas em propriedades COMPROVADAMENTE pertencentes à família Neves (o aeroporto na fazenda do tio).

O que foi de fato provado contra Lula? Quais FATOS foram comprovados? Se o máximo que se consegue apontar contra o ex-presidente depois de QUARENTA ANOS são perguntas do tipo “mas você acha que ele não sabia de nada?”, das duas uma: ou Lula está sendo perseguido pela mídia (e basta folhear qualquer jornal ou revista ao longo destas décadas para perceber isso) ou é um gênio do crime. E, portanto, é no mínimo irônico que os mesmos que vivem fazendo pouco da inteligência do ex-presidente também acreditem em sua capacidade descomunal de cometer crimes sem deixar rastros.

E isto me traz ao último ponto, que certamente será a base da narrativa que a mídia adotará de agora em diante: a de que Lula assumiu um ministério para “fugir da Justiça”.

Se você ouvir isso, aponte algumas questões fundamentais ao autor da afirmação:

1) Como “fugir da justiça”? Ser ministro não o impede de ser investigado. A única coisa que o “foro privilegiado” modifica é a instância do julgamento, que passa para o STF. Ou devemos acreditar que Moro é mais “justo” ou “confiável” do que o SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL?

2) Do ponto de vista do réu (algo que Lula NÃO É; ao menos ainda, já que, como vimos, provas aparentemente não são necessárias para acusá-lo), ser julgado diretamente pelo STF é uma DESVANTAGEM.

Se fosse pensar puramente em estratégia (e estou certo de que ele deve ter considerado isso ao hesitar tanto em aceitar o ministério), Lula deveria recusar o convite de Dilma. Por quê? Simples: ao ser julgado pelas instâncias menores, Lula poderia prolongar o processo quase indefinidamente através de adiamentos, recursos e o escambau – até chegar na instância máxima. Ao ser transferido diretamente pro STF, porém, ele perde todas estas vantagens. Caso seja condenado, por exemplo, ele só teria direito a mais UM recurso e pronto.

Por que vocês acham que Eduardo Azeredo renunciou ao mandato de deputado federal justamente para retornar à primeira instância no julgamento do mensalão tucano e escapar do STF?

Mas o que realmente me empolgou com a possibilidade de ver Lula na Casa Civil é saber que, para aceitar, ele certamente colocou algumas condições na mesa, como a mudança na condução da economia e em políticas fundamentais do governo. Há muito venho dizendo que o governo Dilma tem sido uma profunda decepção para a esquerda – e mesmo ciente de que Lula tampouco tem um histórico muito invejável neste sentido, a probabilidade de que ajude a deslocar o governo um pouco (no mínimo) mais para a esquerda já me anima e me deixa um pouco mais otimista depois de tanto tempo de pura pancadaria.

Quanto à Dilma, digo apenas que fico feliz ao perceber que ela finalmente parece ter se dado conta de que não sabe fazer política – e por mais que a mídia tenha demonizado a POLÍTICA como um todo, o fato é que não se conduz um país sem esta, por mais imperfeita que seja.

Observemos, agora, o que acontecerá nas próximas semanas. A mídia obviamente baterá muito, mas isto não é novidade. Tentará pintar tudo com as piores cores do mundo, mas isto é o de praxe. E vai procurar afastar a esquerda do governo.

E é aí que nós, você e eu, entramos. Porque este governo pode não ser a esquerda que queremos, mas é a que temos no momento. Perdê-la é jogar fora tudo o que foi conquistado nos últimos 13 anos.

E isto, sim, é absolutamente impensável.

Leia também:

Dizer que Lula está escolhendo ‘foro privilegiado’ é duvidar da idoneidade dos ministros do STF

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16 Mar 16:22

Na polêmica sobre a babá dos protestos, sobrou para as serviçais de Glória Maria. Por Marcos Sacramento

by Marcos Sacramento
Glória Maria e suas babás

Glória Maria e suas babás

 

A polêmica em torno da foto da família acompanhada por com uma babá negra e uniformizada nos protestos do último dia 13 provocou uma curiosa onda de solidariedade.

A atitude mais diligente foi de algum revoltado online que garimpou e espalhou uma foto de Glória Maria passeando com as duas filhas escoltadas por babás uniformizadas. O tom da pele das funcionárias, mais claro do que a da jornalista, contribuiu para que a foto fosse usada como resposta ao flagrante do casal de manifestantes.

Houve quem manifestasse apoio em posts nas redes sociais:

“E não tem nada de errado mesmo. Vejo um casal de classe média alta e a babá do seus dois filhos, que está sendo paga pra fazer aquilo ali. Aposto que ela está muito feliz por estar trabalhando em plena crise”, disse uma usuária do Facebook.

Outro internauta lançou no Twitter:

“Sabe o que aconteceria com a babá se não fosse cuidar de bebê no protesto? Seria mais uma desempregada graças a petistas.”

O empenho de certos internautas em entrar numa cruzada em defesa da família Pracownik revela duas questões intrigantes.

A primeira é evidente: na agenda de quem se manifesta “contra a corrupção” e pelo impeachment da presidente Dilma não há espaço por lutas pelo fim da desigualdade social.

Entre as críticas à fotografia, uma das mais corriqueiras e pertinentes refere-se simbolismo da imagem, que remete a uma relação arcaica de trabalho com origens no passado colonial, e para piorar justamente no momento de uma manifestação por mudanças na política.

O flagrante apresenta um esquema comum no cotidiano das grandes cidades: família de classe alta, branca, com os filhos carregados por uma babá uniformizada e em geral negra.

O cidadão que foi atrás da imagem de Glória Maria e os demais que compartilharam com a intenção de desconstruir as críticas contra os Pracownik não se importam com as relações que estão por trás daquela prestação de serviço.

Da mesma forma, revoltados que manifestavam na avenida Paulista não tiveram escrúpulos e empatia ao usar um senhor em situação de rua como adorno para suas revoltas, como relatou Pedro Zambarda aqui no DCM.

A outra questão é que muitos, provavelmente a maioria dos que defenderam os Pracownik estão socialmente mais próximos da serviçal do que da família carioca, como lembrou o filósofo e professor da Universidade Federal do Espírito Santo Maurício Abdalla em seu perfil no Facebook.

“Deixe de vergonha e caia na real: compare a distância de seu salário com um e com outro e provará o que estou falando: o homem do casal é banqueiro. Um diretor de banco mais pobrezinho ganha, no mínimo, de 50 a 60 vezes mais que a maioria das pessoas que estão lendo esta postagem. Duvido que alguém aqui ganhe 50 vezes mais que uma babá. A maioria de nós não chega a ganhar sequer 10 vezes mais que a babá. Se ganha 5 vezes já é muito”.

São muitos os motivos dessa empatia seletiva. Vão desde o racismo puro e simples até questões de cunho freudiano. A imprensa tradicional também tem sua parcela de culpa, conforme aquela frase viral que define notícia como sendo “pessoas ricas pagando pessoas ricas para dizer às pessoas da classe média para culpar pessoas pobres”.

Se são “Casa Grande & Senzala”, Freud ou o fenômeno Jornal Nacional que explicam, não tenho como dizer.

Só digo que defender diretor de banco e fechar os olhos para os abismos socioeconômicos que atravancam o progresso do país é uma canalhice das grandes.

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14 Mar 13:50

Carnacoxinha na Bahia. Por Nathalí Macedo

by Nathali Macedo

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Treze de março foi um péssimo dia para estar na Barra.

Se não fosse patético, seria um verdadeiro show e horrores: o carnacoxinha estava oficialmente aberto.

Camisas da seleção brasileira seriam suficientes para uma indumentária perfeita para tamanha palhaçada, mas eles não se contentaram: havia vuvuzelas, chapéus em formato de bolas de futebol e os mais inusitados acessórios carnavalescos.

Me senti numa copa do mundo só de coxinhas.

Mulheres – brancas, na maioria – com as unhas feitas, os cabelos escovados, os saltos impecáveis, lantejoulas verdes e amarelas e babás pobres a tiracolo, aguentando os seus filhos mimados que choramingavam sob um sol escaldante.

Eram poucos em quantidade – seguramente, não havia sequer mil foliões no carnacoxinha – mas, ainda assim, era insuportável permanecer ali.

Cartazes repetitivos e quase ininteligíveis, apitos insistentes, música ruim e gente hostil. Para completar a tortura, policiais militares e a guarda municipal em peso – porque, sim, o prefeito de Salvador (ACM Neto, Dem) empenhou todos os seus esforços para que a marcha dos coxinhas ocorresse sem nenhuma interrupção.

“Isso é tudo o que eu desprezo na humanidade”, pensei.

Virei a esquina voltando as atenções para um batuque insistente. Era uma espécie de bloquinho de carnaval, alheio à manifestação principal. Uma bandinha tocava “Pequena Eva” enquanto meia dúzia de homens e mulheres vestidos e verde e amarelo dançavam animadamente, com suas latinhas de cerveja na mão, já um tanto ébrios àquela altura.

Pareciam, como já se podia prever, completamente distantes do objetivo que pensavam assumir: a luta contra a “corrupção”. Eles não faziam a menor ideia do que exatamente estavam fazendo ali.

A manifestação dispersou-se rapidamente. Havia jogo do Bahia. Chega de “Revolução”, eles queriam futebol. Os bares chiques da Barra receberam os ricaços manifestantes de braços abertos.

Captura de Tela 2016-03-14 às 09.34.44

Era como um desfile animado e coreografado, mas isento de qualquer ideologia. Não se via “manifestantes” realmente tomados pelo sentimento que os levou às ruas: apenas pessoas perdidas, que sorriam e gritavam insistentemente “Fora Dilma!” entre uma cerveja e outra.

Seriam eles, os batedores e panelas, cúmplices engajados e absolutamente conscientes ou apenas imbecis que se deixam alienar por pura preguiça e, evidentemente, pela odiosa síndrome dos pequenos poderes que os arremata a cada vez que vêem um negro ou pobre conquistando um diploma?

Eu sempre pensava nisso antes de ver de perto as manifestações, mas, desta vez, a resposta veio junto com as caras desorientadas que povoaram a Barra hoje à tarde: não, eles não passam de massa de manobra.

O sentimento de que estão fazendo alguma coisa pelo seu país lhes foi implantado até a medula. Eles se empenham, é verdade: desengavetam as camisas da seleção, escolhem a melhor roupa, escrevem cartazes sem nenhum sentido e vão às ruas.

Uma vez lá, eles não fazem a menor ideia do que fazer. Criados em playgrounds, leitores da Veja e espectadores assíduos da Globo, eles naturalmente não entendem nada sobre a cidadania, e acabam se prestando ao lamentável papel de servirem como marionetes para a defesa de interesses partidários.

De tão patéticos, eu até lamentaria por eles – mas ainda acho que são também responsáveis pela própria ignorância e que, além da alienação, são também movidos pelo ódio de classe – este sim, eles conhecem como a palma das mãos.

Enquanto os “manifestantes” dançavam e berravam, visivelmente sem nenhum propósito claro, os vendedores ambulantes faziam as mesmas coisas de sempre: caminhavam com seus isopores sob o sol e tentavam salvar o próprio sustento. Pobres vendendo cerveja para ricos: nada diferente do que vemos todos os dias.

Seus rostos pareciam incomodados e estranhamente conformados. Ouvi, por acidente, um vendedor falando ao outro, com uma expressão inconfundível de estranhamento enquanto se voltava para o carnacoxinha:

– Eu é que não vou dizer a eles que tá errado, né? Deixa lá.

Penso que não se tratava de desinteresse político da parte deles. É que, a despeito das coreografias e das camisas da seleção, a cidade vive.

O ambulante ainda volta pra casa com as cervejas que lhe sobraram no isopor, contando os trocados para pagar o ônibus. A mulher negra ainda arrasta os filhos sob os olhares hostis dos brancos dançarinos. Tudo está como sempre foi, mas, agora, com o bônus indesejável de “manifestantes” que nunca saberão nada sobre a verdadeira revolução.

Nada muda para eles. Isso realmente não é sobre nós, o verdadeiro povo. A revolução de burgueses não é capaz de nos provocar sentimento algum além da vergonha alheia. Para nós, isto não é nada além de risível.

Dei as costas e voltei para o meu domingo pacato. Longe de toda aquela palhaçada, ainda havia a vida real – e as lutas reais – que me esperavam depois daquele episódio patético.

Você sabe: prioridades.

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