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25 May 13:16

O áudio de Renan, Dilma e o STF que “só pensa em aumento”.

by Fernando Brito

O capítulo 2 dos áudios gravados por Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, para negociar sua delação premiada revelam dois extremos: dignidade e indignidade. Não há, aparentemente, nada que comprometa mais o presidente do Senado,...

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25 May 11:53

AntiCast 236 – O Impeachment e o Governo Temer

by contato@anticast.com.br
Olá, antidesigners e brainstormers! Neste episódio, Ivan Mizanzuk, Zamiliano, João Carvalho e Marcos Marinho continuam a conversa sobre o Impeachment da onde pararam no 231: teve Dilma assinando coisa pra cacete, teve Eduardo Cunha afastado, teve Waldir Maranhão, depois não teve mais, daí teve Collor falando no Senado, daí Satã, quero dizer, Temer assumiu, daí teve ministro homem pra cacete pra menos ministérios, e daí tem gente achando que o Brasil vai acabar, tem gente achando que já acabou, tem gente achando que ainda vai piorar, e enquanto isso, a gente tenta se divertir um pouco. E É CLARO QUE, MENOS DE 24 HORAS DEPOIS DA GENTE TER GRAVADO, SEU ROMERO JUCÁ DECIDIU APRONTAR COM A GENTE E DEIXAR O PROGRAMA DESATUALIZADO. ENTÃO DESCULPA AÍ, MAS É O QUE TEM PRA HOJE. >> 0h06min42seg Pauta Principal PATREON do AntiCast – Contribua! http://patreon.com/anticastdesign Seja o próximo Podcast do AntiCast! https://goo.gl/1pKHyJ Links Ivan no Salvo Melhor Juízo sobre Refugiados http://salvomelhorjuizo.com/post/144802060053/smj-15-pessoas-e-fronteiras-se-o-mundo-está Ivan no Jogabilidade http://jogabilida.de/2016/04/dash-63/ Cursos e afins Pré-Venda do novo livro do Beccari “Articulações simbólicas: Uma nova filosofia do design” http://www.2ab.com.br/pd-321d80-articulacoes-simbolicas-uma-nova-filosofia-do-design.html Curso de Introdução à História do Ocultismo Ocidental Moderno, do Ivan https://www.eventbrite.com.br/e/introducao-a-historia-do-ocultismo-ocidental-moderno-tickets-25554438012 Cursos de Aquarela do Beccari http://prof.marcosbeccari.com/pigmento Workshop de Aquarela de Figura Humana em Brasília, dias 20 e 21 de Agosto http://www.pardeideias.com.br/#!aquarela-de-figura-humana/cfge Podcasts do AntiCast Visual+Mente http://soundcloud.com/visualmente Não Obstante http://www.naoobstante.com Projeto Humanos http://projetohumanos.com.br É Pau É Pedra http://soundcloud.com/paupedra/ Três Páginas http://www.trespaginas.com.br
24 May 19:14

POR QUE O JUCÁ SE TORNOU O SUPERMINISTRO? - I

by Egydio Schwade
Vou iniciar com uma história bem pessoal.

Em 1985, fim da Ditadura Militar, a convite de um amigo, Ezequias Heringer – Xará – participei, junto com a família, de um grupo de Estudos e Trabalho-GET da FUNAI. O GET objetivou uma nova política indigenista oficial para o povo Waimiri-Atroari, após o genocídio sofrido durante a ditadura. A primeira decisão do GET foi iniciar uma experiência de alfabetização daquele povo na sua língua materna. A execução dessa iniciativa coube a nossa família. Adotamos o método Paulo Freire, onde, desde o início os índios tiveram o domínio do processo. A experiência inédita foi elogiada e recomenda pelos especialistas da FUNAI. Mesmo assim, em dezembro de 1987, foi interrompida pelo presidente do órgão, Romero Jucá. Em campanha caluniosa que se seguiu, Jucá acusava-nos de estrangeiros(eu gaúcho e minha esposa catarinense), a serviço de mineradoras da Ásia. (Vejam O Estado de São Paulo 08-15 de agosto de 1987, Campanha contra o CIMI). A campanha do Estadão foi financiada pela Paranapanema, dona da Mineração Taboca que explora a maior mina de minérios estratégicos em atividade no mundo, localizada na Reserva dos Índios Waimiri-Atroari. O controle acionário da Mineradora Taboca, em verdade, era exercido por duas firmas japonesas: o Industrial Bank of Japan e a Marubini, acobertadas por “laranjas” brasileiros, entre os quais os irmãos Silvio e José Carlos Tini, este íntimo de Daniel Dantas e Nagi Nahas..

Ainda como Presidente da FUNAI, Jucá assinou no dia 18 de maio de 1987 a Portaria DNPM/O1/87, que visava autorizar a exploração mineral em áreas indígenas, mas foi derrubada pelo Congresso Nacional. Tanto para a Presidência da FUNAI, como para Governador do Estado de Roraima, Jucá foi nomeado por José Sarney, ex-presidente da ARENA, partido dos ditadores. Depois foi eleito senador por Roraima. É óbvio, com toda esta “amizade mineradora multinacional”, e não apenas da Ásia! Ontem, como Presidente da Funai, Governador e Senador, e hoje, como super-Ministro, seu interesse não foi e não será o Brasil. Jucá continuará o principal articulador da entrega das reservas minerais da Amazônia para as empresas, cujo único interesse é saqueá-las e exportá-las como comodities.

Convém ainda observar que existe uma política oculta no Brasil com relação aos minérios estratégicos. 98% de alguns deles, como nióbio e creolita, se localizam em território brasileiro. E são hoje, por motivo de traidores da pátria, como Jucá, objeto de mero saque.

Por tudo isso, a todos e a todas que forem às ruas pelo fim deste Governo golpista todo o meu apoio. PRESENTE!

Casa da Cultura do Urubuí, 19 de maio de 2016,                                                                                                                                         Egydio Schwade0qua 
24 May 18:27

Mais do Jucagate: Dilma recusou acordão para melar Lava Jato e se proteger, e a Lula

by Fernando Brito

O repórter Rubem  Valente revelou há pouco outros trechos da gravação do diálogo entre Romero Jucá e o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, e o conteúdo é devastador. Discute-se, abertamente, um “acordão” que estaria...

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24 May 16:37

GUEST POST: STALKING, UM CRIME PERIGOSO

by lola aronovich
A modelo e apresentadora de TV Ana Hickmann foi vítima de um stalker, que invadiu seu quarto de hotel em BH e foi morto pelo cunhado de Ana, não sem antes atirar na cunhada da apresentadora. 
Várias mulheres no Twitter lembraram que stalking é muito comum e não ocorre só com celebridades. No meio de uma conversa, a advogada Regina me mandou seu TCC sobre stalking. Pedi para que ela escrevesse um guest post, e ei-lo:
Me chamo Regina Claudia Bortman Salvador, sou mãe, esposa, filha e como muitas, sou batalhadora. O meu primeiro canudo conquistado foi em Psicologia. Agora recém-formada, conquistei o segundo, em Direito. 
O tema stalking (perseguição) partiu da experiência pessoal. Fui vítima desta perseguição insidiosa. "Meu" Stalker ficou impune, assim como muitos por aí estão devido à fragilidade do nosso sistema. 
Apesar da dor emocional que fui submetida, resolvi que não me daria por vencida. Com a experiência adquirida, resolvi aliar Psicologia e Direito, ciências que se casam perfeitamente. 
No processo de pesquisa quase nada encontrava sobre o stalking aqui no Brasil, um tema ainda mítico, mas para a minha surpresa e alegria encontrei uma voz que gritava sobre os perigos deste fenômeno que já é tão conhecido em outros países, mas que aqui popularizou-se com os acessos à internet e as redes sociais.
Lola Aronovich publicou no seu blog alguns alertas, denúncias e matérias, inclusive sobre um stalker que estava na mídia por conta de um reality show
O termo nasceu como star stalking nos Estados Unidos da América, na década de 80, fruto da perseguição obsessiva às celebridades hollywoodianas por parte dos fãs e de jornalistas conhecidos como paparazzi. [Nota da Lola: Recomendo um ótimo filme do Scorsese, O Rei da Comédia]. 
Stalking é uma perseguição que invade a privacidade da vítima, tendo reflexos negativos à sua integridade psicológica e emocional. A conduta é direcionada a uma pessoa específica e que se caracteriza pela invasão da esfera de intimidade e privacidade, pela incerteza da segurança e por assolar completamente a vida de alguém.
A persistência e motivação são critérios base para tornar o comportamento em conduta de stalking, que pode desenvolver padrões de criminalidade anunciada.
O comportamento de um stalker pode parecer inofensivo ao primeiro olhar, sendo confundido com gentileza, admiração ou até mesmo paixão efêmera.
Qualquer indivíduo pode figurar como o sujeito ativo ou o sujeito passivo na perseguição insidiosa, independente de sexo ou idade, basta para o sujeito ativo ter a motivação e o sujeito passivo sentir-se vulnerável. Mas as vítimas preferenciais de stalking costumam ser mulheres. Os dados dos EUA confirmam que uma em cada seis mulheres e um em cada 19 homens já foi stalkeado em algum momento de sua vida. 
A conscientização do stalking como problema social despertou no final do século XX. Os americanos nos anos 90 apropriaram o termo para determinar um padrão de perseguição e de condutas que precedem crimes violentos, por vezes fatais, onde as vítimas deixam de ser apenas celebridades, transpondo para outros contextos e relações da população geral.
Com o advento da internet, com o fruto da evolução das relações sociais, da variedade e da quantidade de dados pessoais divulgados nas redes, a conduta adentrou para o campo virtual e o termo se expandiu, criando o cyberstalking, isto é, o stalking alcançado pela rede mundial de computadores, perpetrado através de meios informáticos com qualquer pessoa que desperte o interesse do agressor.
As vítimas desta violência virtual não são mais apenas as celebridades. Todos que usam as redes sociais, como Facebook, Twitter, Instagram, Snapchat ou WhatsApp podem ser molestados por recados injuriosos e passíveis de perseguição, visto que há pessoas que utilizam os aplicativos de geolocalização FourSquare e o Swarm, onde publicam sua localização com exatidão e tempo real, desta forma fornecendo ao stalker dados preciosos para que ele obtenha êxito em sua caçada.
Ainda não há em vigor no Brasil uma lei específica que proíba a prática do stalking. Os juízes buscam na Constituição Federal e no Código Civil o amparo devido à vítima, a solução para o caso e as consequências ao algoz. Desta forma sentenciam realizando adaptações com as leis existentes, porém não ultrapassando a contravenção penal. Sendo assim, a conduta de perseguição insidiosa não é criminalizada, o que provavelmente vem a se tornar um problema social devido a indisposição que a vítima sofre.
Atualmente no Brasil, quando a vítima é alvo de perseguição e toma a iniciativa de denunciar o responsável pela angústia, a situação segue de acordo com o artigo 69 da Lei Federal n.º 9.099/95, para iniciar o trâmite jurídico com o registro de um Termo Circunstanciado de Ocorrência.
A esperança para quem sofre de um assédio constante e persecutório em todas as esferas sociais reside no anteprojeto do novo Código Penal, criado pelo Requerimento nº 756, de 2011, de autoria Senador Pedro Taques, aditado pelo de nº 1.034, de 2011, com aprovação pelos senadores da República em 10 de agosto de 2011, como proposta para a real solução brasileira anti-stalking. 
O texto do anteprojeto foi entregue em solenidade no Senado Federal no dia 27 de junho de 2012. Para que o texto fosse preparado foi necessário reunir um grupo seleto de juristas, que discutiram e elaboraram o anteprojeto para reforma do Código Penal.
Neste grupo está incluído o renomado jurista Luiz Flávio Gomes, que sempre foi exímio defensor da criminalização do stalking, que juntamente com Damásio de Jesus, foram os pioneiros na seara jurídica a trazer o tema e proporcionar as discussões sobre a criminalização e como a perseguição insidiosa afeta a vítima, proporcionando aos acadêmicos de Direito o contato com esta modalidade desde o ano de 2006.
A Comissão de Reforma também oferece um nome juris a cada um dos tipos penais propostos. A necessidade de uma descrição típica é fundamental diante aos novos tipos penais propostos, em especial o stalking, conhecido através do termo jurídico de “perseguição insidiosa ou obsessiva”. O crime de stalking estará previsto no Capítulo V, Crimes Contra a Liberdade Pessoal. 
A Comissão de Reforma vislumbrou a criminalização do stalking não apenas para atender uma recomendação da ONU, mas também por identificar na sociedade contemporânea o anseio em obter uma resposta incisiva aos comportamentos que não eram considerados criminosos e acima de tudo, por considerar uma afronta à liberdade pessoal. 
Com isso, o Brasil busca equiparar-se aos demais países que já possuem a lei anti-stalking, editando normas civis e penais. Na proposta do anteprojeto do novo Código Penal, o novo artigo 147 assim está redigido:
“Perseguição obsessiva ou insidiosa 
Art. 147. Perseguir alguém, de forma reiterada ou continuada, ameaçando-lhe a integridade física ou psicológica, restringindo-lhe a capacidade de locomoção ou, de qualquer forma, invadindo ou perturbando sua esfera de liberdade ou privacidade:
Pena – prisão, de dois a seis anos.
Parágrafo único. Somente se procede mediante representação.”
Em minha pesquisa encontrei a divisão tipológica dos stalkers feita com base nos inúmeros casos atendidos por policiais estadunidenses durante décadas e com o apoio do National Center for Victims of Crime através do Stalking Resource Center, que criaram uma tipologia que inclui as seguintes categorias:
a) Obsessivos simples: o tipo mais comum, onde o sujeito ativo é do sexo masculino e o sujeito passivo é uma ex-esposa, ex-amante, ou antigo patrão/patroa. Por vezes a conduta persecutória deriva da ideia que o stalker tem de que a vítima o terá maltratado. 
b) Obsessivos amorosos: o stalker para o sujeito passivo é um estranho ou um conhecido casual, que inicia uma empreitada de assédio até fazer com que a vítima tome consciência da sua existência. 
c) Erotomaníacos: o sujeito ativo acredita que a vítima está romanticamente envolvida com ele e crê que eles deveriam estar juntos. É um tipo de stalker que pode colocar em risco as pessoas próximas da vítima. 
d) Síndrome de falsa vitimização: é alguém que conscientemente desempenha o papel de vítima através de idealização, criando um enredo complexo onde alega ser a vítima da perseguição obsessiva, transformando a verdadeira vítima em algoz.
Recentemente fomos todos surpreendidxs com o que aconteceu com a apresentadora Ana Hickmann. Um caso clássico de stalking!
Através do material que eu tive acesso, o agressor era um erotomaníaco, pois através de suas postagens no Twitter e Instagram ficou claro que o rapaz acreditava que ele e Ana mantinham um romance. 
Talvez a partir de agora, com o acontecido com Ana Hickmann, o Legislativo perceba a necessidade de leis incisivas que protejam as vítimas contra os avanços, até mesmo já na prevenção.
Eu não tenho disponibilizado o meu TCC pela web mas fico imensamente grata em compartilhar por e-mail (escrevam para reginabortman@gmail.com). Acredito que meu trabalho ultrapassa o conteúdo educativo, pois serve de alerta.
Diálogo gravado no quarto de hotel de Ana Hickmann entre Rodrigo e o cunhado de Ana
Descrição da mãe de Rodrigo sobre ele: parece um mascu (morava com os pais, não trabalhava, machista, anti-sociável, obcecado por academia
Mascus lamentam que Rodrigo não fez mais (clique para ampliar)
23 May 13:26

Jucá sugere que ministros do STF pregavam golpe contra Dilma para abafar Lava Jato

by Luiz Carlos Azenha

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Em diálogos gravados, Jucá fala em pacto para deter avanço da Lava Jato

RUBENS VALENTE
, na Folha, em 23.05.2016

Em conversas ocorridas em março passado, o ministro do Planejamento, senador licenciado Romero Jucá (PMDB-RR), sugeriu ao ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado que uma “mudança” no governo federal resultaria em um pacto para “estancar a sangria” representada pela Operação Lava Jato, que investiga ambos.

Gravados de forma oculta, os diálogos entre Machado e Jucá ocorreram semanas antes da votação na Câmara que desencadeou o impeachment da presidente Dilma Rousseff. As conversas somam 1h15min e estão em poder da PGR (Procuradoria-Geral da República).

O advogado do ministro do Planejamento, Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, afirmou que seu cliente “jamais pensaria em fazer qualquer interferência” na Lava Jato e que as conversas não contêm ilegalidades.

Machado passou a procurar líderes do PMDB porque temia que as apurações contra ele fossem enviadas de Brasília, onde tramitam no STF (Supremo Tribunal Federal), para a vara do juiz Sergio Moro, em Curitiba (PR).

Em um dos trechos, Machado disse a Jucá: “O Janot está a fim de pegar vocês. E acha que eu sou o caminho. […] Ele acha que eu sou o caixa de vocês”.

Na visão de Machado, o envio do seu caso para Curitiba seria uma estratégia para que ele fizesse uma delação e incriminasse líderes do PMDB.

Machado fez uma ameaça velada e pediu que fosse montada uma “estrutura” para protegê-lo: “Aí fodeu. Aí fodeu para todo mundo. Como montar uma estrutura para evitar que eu ‘desça’? Se eu ‘descer’…”.

Mais adiante, ele voltou a dizer: “Então eu estou preocupado com o quê? Comigo e com vocês. A gente tem que encontrar uma saída”.

Machado disse que novas delações na Lava Jato não deixariam “pedra sobre pedra”. Jucá concordou que o caso de Machado “não pode ficar na mão desse [Moro]”.

O atual ministro afirmou que seria necessária uma resposta política para evitar que o caso caísse nas mãos de Moro. “Se é político, como é a política? Tem que resolver essa porra. Tem que mudar o governo para estancar essa sangria”, diz Jucá, um dos articuladores do impeachment de Dilma. Machado respondeu que era necessária “uma coisa política e rápida”.

“Eu acho que a gente precisa articular uma ação política”, concordou Jucá, que orientou Machado a se reunir com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) e com o ex-presidente José Sarney (PMDB-AP).
Machado quis saber se não poderia ser feita reunião conjunta. “Não pode”, disse Jucá, acrescentando que a ideia poderia ser mal interpretada.

O atual ministro concordou que o envio do processo para o juiz Moro não seria uma boa opção. “Não é um desastre porque não tem nada a ver. Mas é um desgaste, porque você, pô, vai ficar exposto de uma forma sem necessidade.”

E chamou Moro de “uma ‘Torre de Londres'”, em referência ao castelo da Inglaterra em que ocorreram torturas e execuções entre os séculos 15 e 16. Segundo ele, os suspeitos eram enviados para lá “para o cara confessar”.

Jucá acrescentou que um eventual governo Michel Temer deveria construir um pacto nacional “com o Supremo, com tudo”. Machado disse: “aí parava tudo”. “É. Delimitava onde está, pronto”, respondeu Jucá, a respeito das investigações.

O senador relatou ainda que havia mantido conversas com “ministros do Supremo”, os quais não nominou. Na versão de Jucá ao aliado, eles teriam relacionado a saída de Dilma ao fim das pressões da imprensa e de outros setores pela continuidade das investigações da Lava Jato.

Jucá afirmou que tem “poucos caras ali [no STF]” ao quais não tem acesso e um deles seria o ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no tribunal, a quem classificou de “um cara fechado”.
Machado presidiu a Transpetro, subsidiária da Petrobras, por mais de dez anos (2003-2014), e foi indicado “pelo PMDB nacional”, como admitiu em depoimento à Polícia Federal. No STF, é alvo de inquérito ao lado de Renan Calheiros.

Dois delatores relacionaram Machado a um esquema de pagamentos que teria Renan “remotamente, como destinatário” dos valores, segundo a PF. Um dos colaboradores, Paulo Roberto Costa disse que recebeu R$ 500 mil das mãos de Machado.

Jucá é alvo de um inquérito no STF derivado da Lava Jato por suposto recebimento de propina. O dono da UTC, Ricardo Pessoa, afirmou em delação que o peemedebista o procurou para ajudar na campanha de seu filho, candidato a vice-governador de Roraima, e que por isso doou R$ 1,5 milhão.

O valor foi considerado contrapartida à obtenção da obra de Angra 3. Jucá diz que os repasses foram legais.

LEIA TRECHOS DOS DIÁLOGOS

Data das conversas não foi especificada

SÉRGIO MACHADO – Mas viu, Romero, então eu acho a situação gravíssima.
ROMERO JUCÁ – Eu ontem fui muito claro. […] Eu só acho o seguinte: com Dilma não dá, com a situação que está. Não adianta esse projeto de mandar o Lula para cá ser ministro, para tocar um gabinete, isso termina por jogar no chão a expectativa da economia. Porque se o Lula entrar, ele vai falar para a CUT, para o MST, é só quem ouve ele mais, quem dá algum crédito, o resto ninguém dá mais credito a ele para porra nenhuma. Concorda comigo? O Lula vai reunir ali com os setores empresariais?
MACHADO – Agora, ele acordou a militância do PT.
JUCÁ – Sim.
MACHADO – Aquele pessoal que resistiu acordou e vai dar merda.
JUCÁ – Eu acho que…
MACHADO – Tem que ter um impeachment.
JUCÁ – Tem que ter impeachment. Não tem saída.
MACHADO – E quem segurar, segura.
JUCÁ – Foi boa a conversa mas vamos ter outras pela frente.
MACHADO – Acontece o seguinte, objetivamente falando, com o negócio que o Supremo fez [autorizou prisões logo após decisões de segunda instância], vai todo mundo delatar.
JUCÁ – Exatamente, e vai sobrar muito. O Marcelo e a Odebrecht vão fazer.
MACHADO – Odebrecht vai fazer.
JUCÁ – Seletiva, mas vai fazer.
MACHADO – Queiroz [Galvão] não sei se vai fazer ou não. A Camargo [Corrêa] vai fazer ou não. Eu estou muito preocupado porque eu acho que… O Janot [procurador-geral da República] está a fim de pegar vocês. E acha que eu sou o caminho.
[…]
JUCÁ – Você tem que ver com seu advogado como é que a gente pode ajudar. […] Tem que ser política, advogado não encontra [inaudível]. Se é político, como é a política? Tem que resolver essa porra… Tem que mudar o governo pra poder estancar essa sangria.
[…]
MACHADO – Rapaz, a solução mais fácil era botar o Michel [Temer].
JUCÁ – Só o Renan [Calheiros] que está contra essa porra. ‘Porque não gosta do Michel, porque o Michel é Eduardo Cunha’. Gente, esquece o Eduardo Cunha, o Eduardo Cunha está morto, porra.
MACHADO – É um acordo, botar o Michel, num grande acordo nacional.
JUCÁ – Com o Supremo, com tudo.
MACHADO – Com tudo, aí parava tudo.
JUCÁ – É. Delimitava onde está, pronto.
[…]
MACHADO – O Renan [Calheiros] é totalmente ‘voador’. Ele ainda não compreendeu que a saída dele é o Michel e o Eduardo. Na hora que cassar o Eduardo, que ele tem ódio, o próximo alvo, principal, é ele. Então quanto mais vida, sobrevida, tiver o Eduardo, melhor pra ele. Ele não compreendeu isso não.
JUCÁ – Tem que ser um boi de piranha, pegar um cara, e a gente passar e resolver, chegar do outro lado da margem.

***

MACHADO – A situação é grave. Porque, Romero, eles querem pegar todos os políticos. É que aquele documento que foi dado…
JUCÁ – Acabar com a classe política para ressurgir, construir uma nova casta, pura, que não tem a ver com…
MACHADO – Isso, e pegar todo mundo. E o PSDB, não sei se caiu a ficha já.
JUCÁ – Caiu. Todos eles. Aloysio [Nunes, senador], [o hoje ministro José] Serra, Aécio [Neves, senador].
MACHADO – Caiu a ficha. Tasso [Jereissati] também caiu?
JUCÁ – Também. Todo mundo na bandeja para ser comido.
[…]
MACHADO – O primeiro a ser comido vai ser o Aécio.
JUCÁ – Todos, porra. E vão pegando e vão…
MACHADO – [Sussurrando] O que que a gente fez junto, Romero, naquela eleição, para eleger os deputados, para ele ser presidente da Câmara? [Mudando de assunto] Amigo, eu preciso da sua inteligência.
JUCÁ – Não, veja, eu estou a disposição, você sabe disso. Veja a hora que você quer falar.
MACHADO – Porque se a gente não tiver saída… Porque não tem muito tempo.
JUCÁ – Não, o tempo é emergencial.
MACHADO – É emergencial, então preciso ter uma conversa emergencial com vocês.
JUCÁ – Vá atrás. Eu acho que a gente não pode juntar todo mundo para conversar, viu? […] Eu acho que você deve procurar o [ex-senador do PMDB José] Sarney, deve falar com o Renan, depois que você falar com os dois, colhe as coisas todas, e aí vamos falar nós dois do que você achou e o que eles ponderaram pra gente conversar.
MACHADO – Acha que não pode ter reunião a três?
JUCÁ – Não pode. Isso de ficar juntando para combinar coisa que não tem nada a ver. Os caras já enxergam outra coisa que não é… Depois a gente conversa os três sem você.
MACHADO – Eu acho o seguinte: se não houver uma solução a curto prazo, o nosso risco é grande.

***

MACHADO – É aquilo que você diz, o Aécio não ganha porra nenhuma…
JUCÁ – Não, esquece. Nenhum político desse tradicional ganha eleição, não.
MACHADO – O Aécio, rapaz… O Aécio não tem condição, a gente sabe disso. Quem que não sabe? Quem não conhece o esquema do Aécio? Eu, que participei de campanha do PSDB…
JUCÁ – É, a gente viveu tudo.

***

JUCÁ – [Em voz baixa] Conversei ontem com alguns ministros do Supremo. Os caras dizem ‘ó, só tem condições de [inaudível] sem ela [Dilma]. Enquanto ela estiver ali, a imprensa, os caras querem tirar ela, essa porra não vai parar nunca’. Entendeu? Então… Estou conversando com os generais, comandantes militares. Está tudo tranquilo, os caras dizem que vão garantir. Estão monitorando o MST, não sei o quê, para não perturbar.
MACHADO – Eu acho o seguinte, a saída [para Dilma] é ou licença ou renúncia. A licença é mais suave. O Michel forma um governo de união nacional, faz um grande acordo, protege o Lula, protege todo mundo. Esse país volta à calma, ninguém aguenta mais. Essa cagada desses procuradores de São Paulo ajudou muito [referência possível ao pedido de prisão de Lula pelo Ministério Público de SP e à condução coercitiva ele para depor no caso da Lava Jato].
JUCÁ – Os caras fizeram para poder inviabilizar ele de ir para um ministério. Agora vira obstrução da Justiça, não está deixando o cara, entendeu? Foi um ato violento…
MACHADO -…E burro […] Tem que ter uma paz, um…
JUCÁ – Eu acho que tem que ter um pacto.
[…]
MACHADO – Um caminho é buscar alguém que tem ligação com o Teori [Zavascki, relator da Lava Jato], mas parece que não tem ninguém.
JUCÁ – Não tem. É um cara fechado, foi ela [Dilma] que botou, um cara… Burocrata da… Ex-ministro do STJ [Superior Tribunal de Justiça].

Leia também:

Professores da Unicamp contra governo ilegítimo

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23 May 13:22

Temer está tecnicamente morto depois das inconfidências de Jucá. Por Paulo Nogueira

by Paulo Nogueira
Temer e Jucá com Delfim: rindo do quê?

Temer e Jucá com Delfim: rindo do quê?

O governo Temer, que já vinha se arrastando, está agora tecnicamente morto.

Não há salvação possível depois que veio a público, pela Folha, uma conversa entre o ministro Romero Jucá e um investigado na Lava Jato.

A conversa, numa linha, confirma o que já se sabia sobre o golpe: uma mulher honesta foi derrubada por homens corruptos.

A diferença, agora, é que isto foi claramente exposto por Jucá, um dos articuladores do impeachment e espécie de primeiro ministro de Temer.

O objetivo jamais foi combater a corrupção. Foi, sim, preservar corruptos como o próprio Jucá e tantos outros.

Não sobra ninguém da conversa. Temer, por exemplo, foi definido como “homem do Cunha”. (Abaixo, uma ilustração do grupo Jornalistas Livres que resume o escândalo.)

image

Em sua superior mediocridade, Temer passou uma vida inteira como como um figurante. Só foi notado pelos brasileiros quando apareceu com uma mulher que poderia ser sua neta. Agora, ele se consagra como o “homem do Cunha”.

Jucá cita também o Supremo como parte da trama. Afirma que esteve com vários ministros do STF para discutir o golpe.

Não os cita. Mas você pode deduzir facilmente que juízes militantes como Gilmar Mendes e Dias Toffoli falaram com Jucá.

Gilmar jamais fez questão de esconder sua militância. Numa cena infame, apareceu às vésperas do impeachment numa fotografia ao lado de Serra, e sequer ficou vermelho. Para ele, ficou natural ser um político desvairado com toga.

Nunca mais você verá uma sessão do STF da mesma forma, isto é certo. Aqueles senhores (e senhoras) circunspectos e com capas ridículas parecerão um bando de golpistas.

Rosa Weber há dias intimou Dilma a dizer por que ela anda chamando o golpe de golpe. Dilma pode entregar a Rosa uma cópia da conversa de Jucá.

Aécio também é citado na conversa: “Todo mundo conhece o esquema do PSDB.” Menos a mídia, talvez, que jamais tratou decentemente do assunto.

Isso permite ainda hoje a velhos demagogos como FHC, Serra e Aécio posarem de homens acima de qualquer suspeita e falarem de corrupção como se fosse alguma coisa da qual estivessem imaculadamente distantes.

A mídia também está lá na conversa gravada. Os barões da imprensa, está registrado, tinham todo o interesse em tirar Dilma.

Nenhuma novidade, mais uma vez. Colocar um presidente amigo, como Temer, daria às grandes empresas jornalísticas livre acesso ao dinheiro público, por meio de publicidade oficial, empréstimos do BNDES e outras mamatas que fizeram a fortuna bilionária dos Marinhos, dos Civitas e dos Frias.

A Folha, que participou ativamente da trama que derrubou Dilma, parece ter dado um golpe de mestre com esta história.

Enquanto a Globo descaradamente passou a praticar um jornalismo chapa branca, a Folha tenta mostrar que não tem rabo preso com ninguém, como disse seu marketing durante muitos anos.

É uma espécie de retorno aos últimos tempos da ditadura, quando a Folha pregava as diretas já e a Globo continuava a defender os militares.

Como a Globo vai-se sair dessa – se é que vai – é uma incógnita.

Quem, definitivamente, não tem como se livrar das consequências das inconfidências de Jucá é Temer, o Breve.

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23 May 11:15

Pacto com o Supremo para “estancar sangria” da Lava Jato. Jucá revela o acordo do golpe

by Fernando Brito

As gravações do diálogo entre o homem forte de Michel Temer, o ministro do Planejamento Romero Jucá, e o ex-ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, são muito mais graves que a feita com o ex-senador...

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20 May 19:04

O país que os coxas queriam “de volta” é o de Temer e seus corruptos. Por Kiko Nogueira

by Kiko Nogueira

temer e ministros

 

Sonia Braga fez uma simplificação interessante da Era do Interino. Em Cannes, junto com a equipe do filme “Aquarius”, Sonia participou do protesto contra o golpe no tapete vermelho do festival de cinema.

Numa entrevista, ela falou de seu personagem, uma moradora de um prédio antigo no Recife que resiste ao assédio de uma construtora.

“Não há nada de errado com as pessoas pobres”, disse. “O problema do Brasil são as pessoas ricas”. Um Datafolha do mês passado sobre a eleição presidencial de 2018 serve para ilustrar essa questão.

Em todos os cenários, Jair Bolsonaro oscila entre 6 e 8% das intenções de voto, atrás de Marina, Lula e um genérico do PSDB (Aécio, Serra ou Alckmin).

O detalhe, já notado por Fernando de Barros e Silva na Piauí: JB é o predileto entre os que têm renda familiar mensal superior a 10 salários mínimos, correspondentes a 5% da população. Num dos cenários, ele abocanha 23% das preferências.

No nosso programa com a TVT, o filósofo Vladimir Safatle comentou esse retrato fascista: “O que salva esse país são os mais pobres. Se dependesse dos ricos, já teríamos nos transformado em algo da ordem das aberrações”.

Já viramos, na verdade, essa aberração (ou sempre fomos?). Depois de sete ministros envolvidos na Lava Jato, Cunha comandando tudo, um líder do governo envolvido em tentativa de homicídio, um presidente interino dando guarida a essa escumalha — fica mais evidente do que nunca que os protestos coxas nunca foram contra a corrupção.

pais de volta

 

O silêncio diante do descalabro ético é uma admissão de que os “manifestantes” trabalharam para que outro grupo, muito bem representado na foto de Michel no Planalto, assumisse para roubar com anuência e aprovação tácita deles.

São cúmplices e tão ladrões quanto o time de Michel. Basta ver a ficha do líder do MBL, Renan Santos, que deve 5 milhões de reais à Justiça e reponde a mais de sessenta processos.

As panelas desse pessoal não baterão, eles não convocarão manifestações, eles não sairão do sofá contra os corruptos porque são corruptos deles. Vale, no máximo, um muxoxo. Um “puts, que chato”.

O ódio foi personificado em Dilma e, especialmente, em Lula, o “nordestino bêbado”, acusado de fomentar a guerra de classes entre ricos e pobres numa inversão que encontrou ressonância entre animais que fantasiaram um mendigo de “petista” para rir dele na Paulista.

O que eles queriam, como se lia num dos cartazes mais populares nas ruas, era o país deles de volta. Conseguiram. A recuperação da economia, que na fantasia reaça viria no momento em que Dilma pisasse fora do Planalto, não aconteceu.

O dólar sobe, a Bolsa continua no mesmo lugar. E agora? E agora nada. O culpado era o garçom do Palácio do Planalto, Jorge Catalão, um “infiltrado” do petismo. Ele já foi sumariamente demitido. Agora a coisa vai dar certo.

 

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19 May 19:03

Boulos: Fúria do sequestrador de votos atingiu até o garçom

by Luiz Carlos Azenha

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Ô meu querido, liguei para prestar minha solidariedade, você sempre foi um funcionário exemplar, que alegrava muito o palácio. É uma pena que um governo provisório aja como um governo definitivo para demitir funcionários como você. Lula, em ligação ao garçom José Catalão

Como retroceder 30 anos em 7 dias

19/05/2016 02h00

Na Folha

Deus deve estar perplexo. Ele, que criou o universo em sete dias, jamais imaginou que um simples mortal pudesse em tão pouco tempo destruir um país.

A primeira semana de Michel Temer como presidente interino – e ilegítimo – do Brasil colocou em xeque as conquistas sociais de quase 30 anos, desde a Constituição de 88.

Bem que Roberto Brant avisou.

O ex-ministro de Fernando Henrique e autor do programa econômico de Temer disse numa entrevista, ainda em 18 de abril: “A proposta não foi feita para enfrentar o voto popular. Com um programa desses não se vai para uma eleição. (…) Vai ser preciso agir muito rápido. E sem mandato da sociedade. Vai ter de ser meio na marra”.

Houve quem não acreditasse que estavam falando sério. Aí está.

Em poucos dias apresentaram a ponte para um Brasil arcaico, elitista e autoritário. Diante da falência da Nova República, ofereceram o retorno à República Velha, pré-varguista.

A Constituição e a limitada rede de proteção social do Estado brasileiro passaram a ser apresentadas como um entrave pelo time que usurpou o Palácio do Planalto.

O ministro interino da Saúde foi logo dizendo que é preciso reduzir o SUS e aumentar a rede de planos privados.

Disse ainda que não é papel do Estado fiscalizar os planos e seus abusos (de quem seria então, da Unimed?).

Ele, vale dizer, financiado em sua campanha por operadoras desses mesmos planos.

Terminou o raciocínio propondo a Grécia – onde 40% da população não tem acesso ao sistema público de saúde – como modelo a ser seguido.

Na Educação não ficaram atrás. Nomearam como ministro um cidadão que foi contra as cotas, o ProUni e a destinação de recursos do pré-sal para a área.

Em sua primeira declaração foi além e defendeu a cobrança de mensalidades em cursos nas universidades públicas.

No caso da moradia, a intenção já converteu-se em gesto e fez do Minha Casa Minha Vida a primeira vítima da tese cretina de que “a Constituição não cabe no PIB”.

Logo ele, programa que seria “mantido e ampliado”. O ministro interino das Cidades mandou suspender a contratação de 11 mil casas populares. Isso em apenas sete dias.

Mas não limitaram-se às medidas econômicas. A regressão soprou seus ventos contra conquistas civilizatórias que nada tem a ver com o orçamento.

Pela primeira vez deste o general Geisel não há mulheres no comando de ministérios. Até com Figueiredo. Até com Sarney.

A foto de Michel Temer com seu ministério lembra os governos mais aristocráticos da Primeira República.

Poderia ser o retrato da equipe de Prudente de Moraes ou de Campos Sales.

Extinguiu o Ministério da Cultura. Assim como o do Desenvolvimento Agrário.

Subordinou as secretarias nacionais de Direitos Humanos, Mulheres e Igualdade Racial ao Ministério da Justiça, sob o comando do brucutu Alexandre de Moraes.

Atacou a autonomia ao EBC, apontando para o desmonte da comunicação pública no país.

Nem o garçom do Planalto escapou da fúria hidrofóbica. José Catalão, que servia no Palácio há oito anos, foi demitido sob a “acusação” de ser petista.

A política é de terra arrasada. Tinha razão Roberto Brant ao dizer que medidas como essas não foram feitas para enfrentar o voto popular.

O programa de Temer jamais seria vitorioso nas urnas. Exatamente por isso precisou de um golpe como atalho.

Não é a Constituição que não cabe no PIB. É vosso projeto que não cabe na democracia.

E quando essa equação não fecha, quando a institucionalidade entra em conflito flagrante com os anseios populares, as ruas tomam a frente.

Já começou, com os artistas, os sem-teto e as mulheres. Vai aumentar.

Sequestram-nos os votos, mas não a voz. Nem a capacidade de lutar.

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19 May 11:45

Líder do governo Temer é homem família: ele, a mãe, a esposa e a irmã tiveram direitos políticos suspensos por fazerem a feira com dinheiro público. Literalmente

by Luiz Carlos Azenha

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Com Bolsonaro e Feliciano discursando como líder do PSC na Câmara; a ex-deputada Lila Moura em Miami; com o patrono Cunha: tudo em família

Sr. Presidente, quero agradecer a toda a nossa bancada e dizer que nenhum povo é realmente grande, senão pela liberdade que tem ou conquista. Neste momento histórico, nós somos o povo brasileiro, nós somos a Pátria. Pelo Brasil, pelo meu amado Estado de Sergipe, de um grande homem, mestre da Filosofia e do Direito, Tobias Barreto; em nome da família e dos meus filhos, Yandra e Yago, eu voto sim, Sr. Presidente, pelo impeachment. André Luís Dantas Ferreira, vulgo André Moura, na votação do impeachment na Câmara em 17 de abril

A sociedade não é ainda, como queria Jesus, a organização do amor, nem a organização do trabalho, mas a da hipocrisia. Tobias Barreto

Da Redação, com Garganta Profunda

Documentos oficiais demonstram que o recém-indicado líder do governo Temer, André Luís Dantas Ferreira, eleito como André Moura, é acusado de ter exercido o papel de coronel no município de Pirambu, em Sergipe, que governou em dois mandatos consecutivos (1997-2004).

Apesar de ser ficha suja, André manteve o mandato e agora ascende à posição de articulador oficial do Planalto na Câmara.

Ele votou pelo impeachment de Dilma Rousseff falando em reconquistar a liberdade, mas responde na Justiça por tentativa de homicídio de um ex-aliado político.

A denúncia contra André Moura foi feita pelo ex-prefeito de Pirambu, Juarez Batista dos Santos. Ele registrou queixa na polícia e depôs ao Ministério Público Federal em Sergipe.

Pirambu, de cerca de 9 mil habitantes, fica na costa sergipana.

Juarez sucedeu André Moura na Prefeitura em 2005 e disse que se viu forçado a ceder o poder informalmente ao antecessor e ao cunhado dele, Elio Martins, o Elinho.

A descrição é do próprio Supremo Tribunal Federal, onde tramitam ações contra Moura:

Nessa posição, ele [André Moura] teria indicado a maior parte dos secretários municipais e mantido carros e celulares da Prefeitura à sua disposição, além de fazer compras em mercados pagas pelo erário, indicar vários funcionários fantasmas, entre eles sua esposa (Lara Adriana, também denunciada) e receber repasses mensais da Prefeitura entre R$ 30 mil e R$ 50 mil, conforme a acusação. Nas eleições de 2006, Moura foi candidato a deputado estadual e, durante a campanha, segundo relato de Juarez dos Santos, as exigências ilícitas se agravaram, quando Moura teria encomendado repasse de R$ 1 milhão entre abril e setembro. Sem conseguir atender às demandas, o prefeito passou a receber ameaças que culminaram com troca de tiros que feriram o vigilante de sua casa, disparados por quatro homens encapuzados.

O inquérito 3905, que trata da tentativa de homicídio a que André Moura responde, ainda não resultou em denúncia.

Os inquéritos 3204, 3221 e 3516, originários do Ministério Público de Sergipe, serão julgados em conjunto.

O 3204 trata de licitações forjadas pelo grupo.

O 3221 é sobre o desvio, por parte do prefeito de Pirambu, de telefones celulares com as contas pagas pelo município para uso de André Moura, sua mãe e irmã.

O 3516 é relativo ao desvio de servidores e da frota municipal para uso pela família de André Moura.

No STF, a defesa alegou que o atual líder do governo Temer na Câmara e o prefeito Juarez eram aliados e que as denúncias foram resultado de “vingança política”, depois do rompimento entre eles.

Ao depor ao MPF em Sergipe, Juarez alegou que só denunciou suas próprias ações criminosas por ter recebido ameaças de morte.

O caso também foi apurado ou acompanhado de perto pelo MPE de Sergipe, pela Procuradoria Regional Eleitoral, pela Procuradoria Geral de Justiça do Estado e pela Procuradoria da República em Sergipe.

Fornecedores da Prefeitura de Pirambu depuseram, comprovando as denúncias. As notas fiscais eram emitidas com informações falsas. José Milton Nunes, do Supermercado MM Nunes, informou: “Que os refrigerantes, cervejas e vinhos eram comprados pela Prefeitura ao depoente, e entravam na sua Nota Fiscal como Cestas Básicas”.

Outro fornecedor, Ricardo Fortes Lemos, afirmou “que vinha uma Ordem da Prefeitura determinando qual o tipo de Produto que sairia na nota, ainda que tivesse sido fornecido cerveja, whisky e red bull”.

De acordo com trecho de documento do MP, “importa ressaltar que, segundo o apurado, as compras irregulares, custeadas pelo Erário municipal [de Pirambu], abasteciam as residências do Prefeito Juarez Batista, do ex-gestor André Moura e de sua esposa Lara Moura, de seu cunhado Elinho e de sua irmã Patrícia Moura, sendo compostas por produtos que configuravam típicas feiras de mercadinho”.

O valor total desviado foi de cerca de R$ 100 mil, em dinheiro da época. Pode parecer pouco, mas em 2015 o governo federal transferiu ao município, como apoio à alimentação escolar na Educação Básica, o valor de R$ 141.664,00.

Por conta do escândalo, o município sofreu intervenção estadual.

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Pirambu: Dependência dos royalties do petróleo e das verbas federais

OLIGARQUIA LOCAL

André Moura começou sua carreira política aos 18 anos de idade trabalhando com a então primeira dama de Sergipe, Maria do Carmo Alves, casada com o governador João Alves Filho.

No mesmo ano o pai de André, Reinaldo, elegeu-se deputado estadual. André passou a trabalhar como chefe de gabinete. No ano seguinte, 1993, tornou-se chefe de gabinete da presidência da Assembleia Legislativa de Sergipe.

A família considerou lançá-lo candidato a vereador em Aracaju, em 1996, mas decidiu-se pela disputa da prefeitura de Pirambu.

Encerrado o primeiro mandato, segundo observadores locais André decidiu buscar a reeleição de olho nos royalties pagos ao município relativos ao petróleo descoberto na costa sergipana.

Não há dados públicos para o período em que ele governou o município, mas em 2007 a União repassou a Pirambu R$ 4,4 milhões em royalties e R$ 2,9 milhões em Fundo de Participação dos Municípios, que geralmente é a maior fonte do orçamento das pequenas cidades.

Em vez de André Moura, foi a mãe Lila que se elegeu deputada estadual.

A família organizou sua sub-oligarquia em torno das prefeituras de Pirambu e da vizinha Japaratuba, de onde a mulher de André Moura, Lara, já foi prefeita.

Também tirou proveito do poder derivado de cargos públicos obtidos através de João Alves Filho.

Reinaldo, o patriarca da família, exerceu seis mandatos de deputado estadual e foi conselheiro do Tribunal de Contas de Sergipe de 2001 a 2013.

André, por sua vez, logo que deixou a prefeitura de Pirambu foi secretário de Estado de Serviços Públicos Metropolitano no governo João Alves.

Foi com este “cacife” — e mais o dinheiro que é acusado de desviar de Pirambu — que André Moura conquistou o primeiro mandato de deputado estadual, em 2006.

REVERTENDO UMA CONDENAÇÃO

André Moura é ficha suja. Ele foi condenado por improbidade administrativa e teve os direitos políticos suspensos em novembro de 2013. A decisão foi do juiz Rinaldo Salvino do Nascimento, da comarca de Japaratuba, em Sergipe. A condenação também alcançou a mãe, a esposa e a irmã do deputado, Patrícia, além do cunhado Elio Martins, o Elinho.

As provas demontraram que André gastava por conta da prefeitura de Pirambu quando já não era prefeito da cidade. Fazia compras no supermercado Julio Prado Vasconcelos, em Aracaju, nas lojas MM Nunes e Glícia, em Pirambu, além de bancar refeições, tira-gostos e bebidas alcoólicas nas empresas La Natita Restaurante Ltda, Restaurante Tubarão da Praia, Churrascaria do Pampa e Marize dos Santos.

Tudo com dinheiro público.

Apesar de não terem ligação formal com a prefeitura de Pirambu, a mãe e a irmã de André foram condenadas porque “autorizavam” despesas em nome do município.

É espantoso que uma família poderosa tenha se valido do dinheiro de uma prefeitura para bancar a cerveja e o peixe frito no bar da esquina.

O Tribunal de Justiça de Sergipe manteve a decisão de primeira instância no último dia 2 de maio. Só reduziu a suspensão dos direitos políticos do ex-prefeito Juarez, o denunciante, de oito para cinco anos.

Segundo nota do tribunal, “foi mantida também aos apelantes, a proibição de contratar com o Poder Público, incluindo-se na proibição o exercício de cargo público de natureza comissionada, nas três esferas de governo (Federal, Estadual e Municipal), bem como nas suas autarquias e empresas públicas, ficando ainda proibidos de receber da Administração Pública, benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, tudo, pelo prazo de 10 (dez) anos”.

O deputado André Moura respondeu a jornalistas que cabe recurso ao pleno do TJ e, por isso, ele não está com os direitos políticos formalmente suspensos.

Com o mesmo argumento, o cunhado Elio Martins, o Elinho, hoje governa Pirambu, tendo a irmã de André Moura, Patricia, como primeira dama. No ano passado, o município recebeu R$ 27,5 milhões em verbas federais, sendo quase R$ 16 milhões em royalties.

Aposentado do Tribunal de Contas, o patriarca da família recentemente filiou-se ao PSC.

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Pastor Everaldo, presidente do PSC, batiza Bolsonaro no rio Jordão; alunos de Medicina de Campos, no Rio, festejam seu herói nas redes sociais. É tudo a turma do Cunha

PADRINHO PODEROSO

Feito Paulo Maluf, André Moura disputou sua reeleição em 2014 sub judice. O TRE, invocando a Lei da Ficha Limpa, barrou o registro da candidatura. A confirmação dos 70 mil votos do líder do PSC na Câmara só aconteceu em dezembro, depois que o STJ suspendeu liminarmente a condenação por improbidade em Sergipe.

O TSE confirmou o mandato de André Moura com base na decisão do STJ.

A essa altura, André Moura já tinha um padrinho poderoso nos bastidores da política. Só em 2010, segundo documentos da contabilidade paralela da Odebrecht, o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha foi intermediário de R$ 3 milhões em doações da empreiteira ao diretório nacional do PSC, o partido do qual André Moura se tornou líder na Câmara.

Nas eleições de 2014, 40% dos cerca de 700 mil reais que André Moura gastou oficialmente em sua campanha vieram dos diretórios estadual e nacional do PSC.

O partido tem apenas nove deputados federais, mas um poder desproporcional dentro da coalizão “organizada” por Eduardo Cunha na Câmara.

Parte disso se deve ao fato de ter como deputados Jair Bolsonaro e o pastor Marco Feliciano, que independem da legenda.

Bolsonaro elogiou Eduardo Cunha publicamente durante a votação da abertura de processo de impeachment contra Dilma Rousseff.

Batizado pelo pastor Everaldo, presidente do PSC, no rio Jordão, Bolsonaro pode vir a ser o “veículo” para reforçar o poder de Cunha nas barganhas da política nacional durante a campanha de 2018.

André Moura é parte importante deste quebra-cabeças: vai trabalhar por Temer mas, acima de tudo, deve lealdade a Cunha.

EM NOME DA FAMÍLIA

O deputado que se “libertou” de Dilma Rousseff no dia da votação do impeachment é fiel à família.

Num inquérito que corre em segredo de Justiça no STF, André Moura é investigado como um dos nove deputados ou ex-deputados que integram a tropa de choque de Eduardo Cunha no Parlamento.

Segundo a PGR, o grupo usou as prerrogativas parlamentares para adiantar os negócios de Cunha.

Com a apresentação de requerimentos na Câmara contra desafetos, por exemplo.

Os parlamentares, dentre eles André Moura, também são acusados de atuar para dificultar as investigações sobre o patrono.

Em 27 de maio de 2015, os empresários Milton, Salim, Rubens, Carlos Eduardo e Pedro Henrique Schahin foram depor na CPI da Petrobras. São executivos do Grupo Schahin.

Em retrospectiva, aquela CPI é vista como um “veículo” utilizado por Eduardo Cunha para obter informações e constranger testemunhas.

A arapongagem foi feita oficialmente pela empresa Kroll, contratada pela CPI com dinheiro público.

O constrangimento de testemunhas ficou por conta de deputados como André Moura, segundo afirmou a Procuradoria Geral da República em denúncia.

No dia do depoimento dos Schahin, por exemplo, os empresários se negaram a falar protegidos por um habeas corpus.

Mesmo assim, André Moura decidiu usar o tempo das perguntas. Conseguiu autorização do presidente da CPI e passou a praticar o que a PGR interpretou como tentativa de humilhação:

O senhor sabe que o fato de vir aqui e permanecer em silêncio, além de um desrespeito a esta CPI, à Câmara Federal e ao povo brasileiro, é uma prova inconteste de que as digitais de Vossa Senhoria, de sua família, estão em todo esse esquema de corrupção da Lava-Jato? 

O senhor a nada respondeu aqui nesta CPI, um senhor que tem família. O senhor não acha que isso tudo prejudica a sua família, podendo a sua família terminar em uma situação extremamente desconfortável, por conta do que vocês operaram — está claro que vocês operaram, não resta dúvida de que vocês operaram —, que mais cedo ou mais tarde isso tudo vai ser descoberto e que V.Sa. e sua família vão pagar por isso?

V.Sa. não tem receio de que o fato de não vir aqui colaborar, isso tudo piora a sua situação? Na idade que o senhor tem, o senhor se presta a esse papel ridículo de vir aqui faltar com o respeito a esta CPI, a este Parlamento? V.Sa. não tem vergonha? Não tem vergonha?

Tantos anos, V.Sa. não teve vergonha, nem V.Sa. nem a sua família, de participar desse esquema de corrupção, em que suas digitais estão lá presentes, e V.Sa. não tem vergonha de vir aqui desrespeitar esta Casa e o povo brasileiro, não? 

Lá [na cadeia] o senhor não vai ter com quem conversar. Lá você vai ficar real e verdadeiramente em silêncio, para aprender a respeitar o povo brasileiro, para aprender a não participar do esquema da corrupção de que V.Sa. e sua família participam e, acima de tudo, para aprender a respeitar este Parlamento. Lá, V.Sa., na cadeia, que é o lugar de V.Sa., realmente vai ficar em silêncio.

A PGR sustenta que André Moura constrangeu os integrantes da Schahin porque eles se diziam vítimas de perseguição de Cunha.

Por conta da Lava Jato e da recessão econômica, o grupo Schahin está em recuperação judicial desde o ano passado.

Captura de Tela 2016-05-19 às 02.48.51André Moura fez parte do grupo cujo trabalho na Câmara rendeu a Cunha ao menos dois automóveis de luxo bancados por Funaro, sustenta a PGR, que vazou documentos para a revista Época

DEFENDENDO O PATRONO EM DISPUTA COMERCIAL

A origem da disputa entre Cunha e os Shahin foi o rompimento da barragem da Pequena Central Hidrelétrica de Apertadinho, no Pará.

A empresa Cebel, Belém Centrais Elétricas, havia contratado a Schahin Engenharia para fazer a obra. Mas o desastre provocou uma guerra comercial entre as duas empresas.

A Cebel é controlada pelo “empresário dos dólares” Lúcio Bolonha Funaro, parceiro de Cunha. Ele teria convocado o amigo a infernizar os adversários.

Segundo a PGR, isso se deu através de requerimentos e convocações: “Os requerimentos se iniciaram em 21 de fevereiro de 2008 – apenas dois meses após o rompimento – e continuaram até a CPI da Petrobrás de 2015. Sem contar esta última CPI da Petrobrás, foram formuladas 32 proposições em face do Grupo Schahin. Somados a esses, foram elaborados outros 6 requerimentos em desfavor do grupo Schahin perante a CPI da Petrobrás instaurada em 2015, por pessoas também ligadas a Eduardo Cunha”.

As ameaças veladas — do homem que hoje é líder do governo Temer na Câmara — aos integrantes da família Schahin, acredita a PGR, fizeram parte do pacote achaque/intimidação.

O pagamento de Funaro a Cunha pelos serviços prestados na Câmara, segundo a PGR, se deu com a compra e entrega de dois automóveis: um Hyundai Tucson preto, ano 2009, e um Land Rover Freelander prata, ano 2008, avaliados em R$ 180 mil.

Funaro usou as empresas Cingular e Roysterum como intermediárias das compras. Os automóveis de luxo foram colocados em nome da C3 Produções Artísticas e Jornalísticas, empresa na qual Cunha é sócio de sua esposa, Cláudia Cruz.

André Moura, que agiu com perícia na aprovação da redução da maioridade penal na Câmara, recebe agora de Cunha outra tarefa: mobilizar em nome de Temer a base parlamentar que vai… libertar o Brasil da corrupção?

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18 May 17:42

Denúncia de fraude inexistente mostra que ministro de Temer mal conhece o SUS

by Conceição Lemes

Cartão SUS-001
O sistema foi implantado pelo governo Dilma e qualquer brasileiro pode abrir o seu de forma rápida, desburocratizada, pelo celular. É só baixar o aplicativo Cartão SUS digital

por Conceição Lemes

Na entrevista à Folha de S. Paulo, publicada nessa terça-feira, 17 de maio, o ministro da Saúde do governo golpista, o deputado federal licenciado Ricardo Barros (PP-PR), foi questionado sobre a implantação do cartão SUS em todo o país.

Resposta de Barros:

O cartão SUS existe, mas há 300 milhões de cartões. Ele está replicado para muita gente, mas tem gente com mais de um cartão, com cartão fraudado.

O médico Giliate Coelho Neto, ex-diretor do Departamento de Informática do SUS (DataSUS), rebate a suspeita: “O ministro está desinformado. O cidadão pode ter mais de um número de cartão, isso não é fraude”.

Os vários cartões ainda são consequência do modelo antigo de geração de números.

Cada unidade de saúde, sem se comunicar com a base de dados do Ministério da Saúde, ia criando os seus cartões.

Porém, desde 2014, esse é um problema superado. Com a introdução de uma nova tecnologia, todos os números foram agregados em um só. “Hoje, para se criar novos números, é preciso estar conectado com a base nacional”, explica. “Daí não haver mais a possibilidade de vários cartões.”

TODO BRASILEIRO PODE TER O CARTÃO SUS

Para quem ainda não conhece, esse cartão é a identificação única do cidadão no SUS. É disponibilizado até para quem não tem ou não sabe o seu CPF. Por exemplo, recém-nascidos, moradores de rua, estrangeiros, entre outras pessoas.

O cartão SUS:

1) Facilita o acesso do cidadão quando procura o sistema público de saúde.

2) Permite ao atendente localizar o cadastro do paciente com mais facilidade, agilizando o atendimento.

3) Possibilita ao cidadão acompanhar o seu histórico de internações e exames no SUS.

4) Armazena informações sobre a saúde do paciente. Por exemplo, alergias, medicamentos em uso, resultados de exames e avaliações médicas.  Esses dados podem auxiliar os profissionais de saúde durante o atendimento, principalmente nos casos de urgência.

Segundo Giliate Neto, o Cartão SUS já está implantado pelo governo federal e qualquer brasileiro pode abrir o seu de forma rápida e desburocratizada pelo celular. É só baixar o aplicativo Cartão SUS digital – está disponível para Android e IPhone — e fazer o seu cadastro.

Mais de 20 sistemas nacionais de informação do Ministério da Saúde já estão conectados com o Cartão SUS, entre os quais, Farmácia Popular e e-SUS, que é o prontuário eletrônico.

– E se a pessoa tiver vários cartões, não há risco mesmo de fraude? – alguns leitores talvez insistam.

“Não importa se o cidadão tem um ou vinte números, pois o sistema atual do Cartão SUS agrega, em tempo real, todas essas informações e as vincula a um único número master”, atenta Giliate Neto. Master é o número principal, primário, que agrega todos os outros.

“Portanto, nessa questão não há risco de fraude”, reforça o ex-diretor do DataSUS.

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18 May 13:57

O mistério do WC numa casa de Paris (e livros, claro)

by Marco Neves
Capítulo 10. Livros na bagagem. 1. A casa dos primos da França Tinha uns 16 anos. Foi uma viagem diferente, porque não fomos para um hotel: fomos para casa duns primos afastados que estavam em Portugal nessas semanas. Estranhamente, não os conheço pessoalmente (até hoje). Ou seja, vivi numa casa de pessoas que para mim são […]
18 May 01:40

4 mitos sobre maconha na Holanda (que você provavelmente acredita)

by Daniel Duclos
Centro de informação sobre cannabis em Amsterdam

(Foto: Derek Blackadder CC BY-SA)

Ok, maconha na Holanda não é um assunto que eu abordo muito. Apesar de eu ter morado em cima de um Coffeeshop em Amsterdam por alguns anos, não sou usuário, e acredito que a Amsterdam e a Holanda tem muito, mas muito mais a mostrar do que o cansado clichê do baseado-liberado-em-Amsterdam.

Por outro lado, eu faço o Ducs para ajudar as pessoas a conhecerem melhor Amsterdam e a Holanda, e eu vejo muita desinformação sobre o assunto. E eu gosto de detonar mitos. Então vamos lá descobrir o que é ou não baseado na realidade.

(Desculpa, não resisti. Prometo que vai ser o único trocadilho infame do artigo).

4. Mito: A Holanda é o país mais liberal do mundo com relação à drogas

regulamentacao_cannabis_amsterdam

Mas não é nem o país mais tolerante da Europa, que dirá do mundo! Dentro da Europa existem outros países mais tolerantes, bem mais.

A República Checa, ou Chéquia, como quer ser chamada agora, por exemplo. As leis da Chéquia são muito mais liberais do que as da Holanda, com limites de posse de maconha para uso pessoal liberados bem acima dos holandeses, tipo três vezes mais, além de permitir posse de drogas que na Holanda não são permitidas em nenhuma quantidade.

Isso porque a Holanda distingue entre drogas leves e pesadas, o que não acontece na Chéquia.

Essa distinção também não acontece em Portugal, que descriminalizou a posse e uso pessoais de qualquer droga, tornado a política de drogas do país beeeem mais liberal do que a da Holanda .

Aliás, a maconha nem sequer é descriminalizada oficialmente na Holanda. É, provavelmente você ouviu outra história, né?

3. Mito: A maconha é totalmente liberada/legalizada na Holanda

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(Foto: Amodiovalerio Verde CC BY-NC-ND)

Então. Não é. Primeiro que uso da maconha é tolerada na Holanda, mas não legalizada. Calma que se fosse simples não era Holanda. Mas eu explico certinho.

Na Holanda, a posse e produção para uso pessoal são contravenções, passíveis de multa. E sim, isso quer dizer que os famosos coffeeshops da Holanda são tecnicamente ilegais.

Acontece que a Holanda aplica uma política de tolerância (gedoogbeleid) para o que eles chamam de drogas leves, na qual se inclui a maconha. O que essa tolerância quer dizer na prática é que se a pessoa é pega com uma pequena quantidade (até 5 gramas), ou criando poucas plantinhas (até 5), a polícia arquiva o processo.

Mas essa tolerância toda desaparece em alguns casos: por exemplo, se a pessoa está sob a influência de qualquer droga, maconha inclusa, e se mete a dirigir um veículo motorizado. Ou pior, se dirigindo, se envolve num acidente. Aí, amigo, os holandeses deixam de ser tão camaradas e a lei tá lá pra amparar a ação da polícia, saca?

Mesma coisa se você quiser sair do país portando seu baseado. Aí não tem tolerância. Tentar cruzar a fronteira com substância ilegal, maconha inclusa, não tem essa de uso pessoal, eu era turista e não sabia, aí é cana.

Tá sacando a diferença de ser tolerada e de ser legalizada (ou até mesmo descriminalizada)? Tudo depende.

E os coffeeshops operam nessa mesma base. Eles são tolerados... até começarem a causar problema. Tudo fica bem se eles se comportam, não perturbam os vizinhos, controlam a entrada de menores (menos de 18 anos? No way!), não servem bebidas alcoólicas... tem que ser tudo certinho ou a tolerância desaparece rapidinho.

Será que os holandeses estão querendo inclusive parar de tolerar a maconha? Será que eles se arrependeram da sua política de gedoogbeleid, tolerância?

Não é bem o caso...

2. Mito: A Holanda se arrependeu da política de tolerância da maconha

Se arrependeu coisa nenhuma, tanto é que ela continua em pleno vigor. O que aconteceu foi o seguinte...

A Holanda entrou an União Européia. Espaço Schengen, fronteiras abertas, e os países europeus passaram de vizinhos desconfiados a room mates, e portanto, capazes de dar palpite na vida um do outro.

E a Holanda tem vizinhos bem rabugentos, como a Bélgica e Alemanha, que não ficaram contentes com seus cidadões jovens pegando o trem pra ir queimar fumo no vizinho cool. E passaram a pressionar a Holanda a parar com essa história.

Ao mesmo tempo, algumas cidades da fronteira, como Rosendaal e Maastricht, começaram a receber um certo fluxo de visitantes querendo queimar um... e um fluxo que nem sempre era ordeiro e educado, afinal, eles nem moram lá mesmo, e sentiam que fugindo da repressão do próprio país podiam descomprimir sem consequências, saca?

Começaram a incomodar.

Juntou isso com o fato de que algumas pessoas se incomodam com a simples ideia da galera queimando fumo, e rolou uma pressão de fora e um tanto de dentro pra restringir a tal política de tolerância apenas a residentes da Holanda.

Então esse mito tem dois furos: o primeiro é que o arrependimento não foi geral com a política de tolerância. Nunca esteve em questão abolir a tolerância - apenas a restringi-la a residentes, devido principalmente à pressão dos países vizinhos.

O segundo furo é que nem isso foi totalmente implementado.

1. Mito: Os coffeeshops e a venda de maconha em Amsterdam vão ser restritos a moradores

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(Foto: Cannabis Culture CC BY)

Não vai e não foi. Tentaram, sim, como eu expliquei acima, chegaram a passar a lei, mas rolou uma polêmica generalizada no país. Começou que Amsterdam nunca aceitou essa lei (ela e outras cidades também).

Depois de muito bate boca, quer dizer, polidas discussões nas esferas políticas, a lei foi revertida e ficou decidido que cada cidade pode decidir como quer fazer, se quer restringir ou não o uso pessoal de maconha a residentes.

Amsterdam, obviamente, não quis. Nada mudou e tudo ficou como está.

Algumas cidades fronteiriças de fato passaram a restringir o acesso de não residentes, por causa daquilo que expliquei, galera do país vizinho vindo pra fumar e indo embora no mesmo dia e fazendo uma baderna. O problema nunca foi muito o turista regular de Amsterdam, saca?

Legalização de drogas: uma discussão complexa

Olha, eu sei que esse assunto é quente, não por causa da Holanda, mas porque todo mundo quer usar a Holanda como exemplo pra embasar os argumentos pró e contra legalização de drogas no Brasil. Quem é a favor busca dizer como que deu certo na Holanda, quem é contra diz como que a Holanda virou uma bagunça danada e se arrependeu de tudo.

E isso gera muita distorção em como os fatos são retratados. Nesse artigo eu tentei não assumir nenhuma postura contra ou a favor da descriminalização da maconha (e outras drogas) no Brasil, apenas esclarecer alguns fatos sobre a Holanda. Qualquer comparação com o Brasil é por sua conta.

Além disso, é importante esclarecer que as políticas sobre drogas da Holanda (e de Portugal também!) não se restringem a criminalizar/descriminalizar/tolerar o uso. Há todo um sistema de apoio, de tratamento e reabilitação do viciado em drogas. O problema não é tratado apenas na esfera criminal, mas na esfera da saúde pública. A discussão é mais complexa e foge do escopo desse artigo.

O que eu posso dizer, morando aqui há anos sem ser usuário de droga alguma (além da ocasional cerveja) é que a sociedade holandesa, embora longe de ser perfeita, não decaiu no caos e na desordem e, apesar da fama, não é uma Disney das drogas. Amsterdam é uma cidade excelente para crianças e estou bem contente em criar minha família aqui.

O resto é cortina de fumaça.

(Ops, escapou, hehe).

Fontes

  • https://en.wikipedia.org/wiki/Drug_liberalization
  • https://en.wikipedia.org/wiki/Drug_policy_of_the_Netherlands
  • http://amsterdam.org/nl/coffeeshops.php
  • http://www.amsterdam.info/coffeeshops/

O artigo 4 mitos sobre maconha na Holanda (que você provavelmente acredita) foi retirado de Ducs Amsterdam.

17 May 14:12

Deputado twitteiro: Walter Alves gastou com dinheiro público R$ R$ 120 mil em um ano para alimentar seu twitter, facebook e instragam

by renato

O ‘menino de Garibaldi’, como diz o velho Bacurau da Cabeça Branca, quando se refere ao deputado federal Walter Alves, é um exímio proferidor de pronunciamentos defendendo a qualidade dos gastos públicos. Segundo o deputado Alves ‘o governo gasta mal’.

Ele adora pregar o ‘enxugamento da máquina estatal’ e aumentar o custeio nas áreas de segurança, saúde e educação. Mas na prática do deputado Waltinho não é bem como ele prega, imagine que o filho do senador Garibaldi Alves gastou, com recursos públicos proveniente da verba indenizatória da atividade parlamentar, uma dinheirama no valor de R$ 120.300,00, de abril de 2015 a abril de 2016, para alimentar seu perfil do twitter, facebook e instragan.

Em tempo de crise, o deputado entende que é importante gastar twittando, atividade que qualquer mortal faz sem gastar nada.

Segundo dados do  Portal de Transparência da Câmara dos Deputados , o deputado pagou com dinheiro público as empresas ART ETC COMUNICAÇÃO de Brasília e  FOCOS MARKETING EM GESTÃO EMPRESARIAL LTDA de Natal/RN por serviços prestados de “assessoria e comunicação nas redes sociais” do deputado Walter Alves no Fecebook Walter Alves; twitter @walteralvesrn e instragam walteralvesrn.

Confira algumas notas ficais atestando o pagamento com dinheiro público:

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17 May 14:08

medos

by alexcastro

algumas pessoas têm medo de enlouquecer, de ficar de fora, de ser excluídas.

eu olho em volto, vejo um mundo absolutamente canalha e desigual, e tenho medo de me pegar subitamente bem-ajustado, dentro do sistema, incluído.

meu maior medo é ser cúmplice.

17 May 11:43

Um trote engenhoso de Haddad revelou ainda mais o caráter do “historiador” Villa e da Pan. Por Kiko Nogueira

by Kiko Nogueira
Cauby deixa como legado o maior vozeirão da MPB

Cauby deixa como legado o maior vozeirão da MPB

 

O historiador Marco Antonio Villa caiu numa pegadinha épica em seu programa na Jovem Pan, a rádio mais jabazeira e direitista do Brasil.

Villa, como se sabe, tem uma razão de vida: destruir o PT. É o Godzilla do partido. Desmoralizado na academia, sobrevive dos pixulecos na TV Cultura, na Pan e onde mais precisarem de um papagaio mono obsessivo.

Não é de hoje que ele escolheu Fernando Haddad como sua presa favorita. Fala dele diariamente, sempre com os mesmos argumentos, para a mesma torcida indigente.

Uma amiga psicanalista jura que é furor sexual reprimido pelo prefeito de São Paulo. Eu acredito que seja mais simples: sandice, oportunismo e falta total de talento para falar de qualquer outro assunto.

Um dos truques de Villa é ler e comentar a agenda do alcaide. Sensacional. Venhamos e convenhamos: vai além da conta para o interesse de qualquer um. A não ser para um sujeito claramente desequilibrado.

Se a Jovem Pan se prestasse a algo próximo de jornalismo, uma alma na direção já teria feito uma advertência carinhosa ao professor de que aquilo começa a entrar no terreno da saúde mental — inclusive de quem ouve.

Mas o Villa se deu especialmente mal na manhã de segunda, 16. Esfregando as mãozinhas, olhinhos brilhantes, ele acessou o site da prefeitura e ficou passado com o que viu.

“Esse prefeito está destruindo a cidade de São Paulo”, diz. “Hoje, por exemplo, eu como faço todo santo dia fui abrir a agenda. A partir de 8h30, tem despachos internos e o resto tá branco”.

Prossegue enlouquecido: “Branco! Branco! Branco!”, grita. “Não há nada, nada, nada, nada!”

“A gente brinca com tudo. Até com as tragédias. Ele é uma tragédia. É inexplicável. Fernando Haddad é uma desonra para São Paulo”, berra.

Pressentindo o cheiro do mico, deu uma bronca na maldita sub raça: “Prefeito, o pessoal precisa ficar mais esperto. O stalinismo morreu. O Stalin morreu em 1953, não sei se o senhor sabe.”

Finaliza apoplético como o Color dos tempos do famoso supositório: “Pago meu impostos e exijo que o senhor cumpra a lei!”

O próprio Haddad, em sua página no Facebook, explicou. Foi um trote: “Resolvemos substituir, por algumas horas, a minha agenda pela de outro político, apenas para vê-lo comentar, uma vez na vida, o dia-a-dia de quem ele lambe as botas”.

O nome não foi revelado. Há uma lista de políticos de quem o comentarista lambe as botas. Provavelmente se trata de Geraldo Alckmin, de quem Villa é serviçal assumido.

De Michel Temer não é. A do interino diz o seguinte: “Atualmente não existem compromissos agendados.” (Como assim??? BRANCO, BRANCO, BRANCO!!”)

Já a do Villa — não que alguém se importe — tem, em todos os dias do ano, fotos de Haddad saindo do supermercado e, numa garatuja infantil, produzida com canetinha de várias cores, as palavras “kill, kill, kill”.

 

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16 May 14:09

A entrevista de Temer ao Fantástico revelou um governante inepto e obtuso. Por Paulo Nogueira

by Paulo Nogueira
Sem noção: Temer no Fantástico

Sem noção: Temer no Fantástico

A entrevista de Michel Temer à repórter Sonia Bridi, no Fantástico, só não decepcionou porque não se deveria esperar mesmo nada dela.

O objetivo claramente foi promover Temer, mas eis uma tarefa impossível. Temer não tem nenhum carisma. É um anão político.

Não sei o quanto Sonia deve ser criticada, uma vez que Mariana Godoy afirmou que todas as entrevistas deste gênero são previamente elaboradas por Ali Kamel, diretor de telejornalismo da Globo e autor do livro Não Somos Racistas.

Houve cenas involuntariamente engraçadas na entrevista. A mais dela foi quando foi perguntado a Temer as razões da ausência de mulher em seu ministério de “notáveis”.

Apareceram então imagens de uma reunião da equipe de Temer em que havia uma multidão de homens.

Em seu português de advogado de filme da década de 1940, Temer iniciou sua resposta dizendo discordar de que não haja mulheres.

Citou uma chefe de gabinete como se fosse prova do reconhecimento à importância das mulheres. Acrescentou que representantes femininas deverão aparecer em secretarias surgidas da supressão de ministérios.

Não serão ministras, portanto. Mas secretárias. É um rebaixamento evidente. (A primeira tentativa de recrutar uma secretária foi frustrada com a recusa de Marília Gabriela.)

Eduardo Cunha, o homem a quem Temer deve o cargo, apareceu na conversa. Temer mostrou, perdão pelo trocadilho, temer Cunha.

Disse que para ele é “absolutamente indiferente” se Eduardo Cunha for definitivamente afastado da Câmara dos Deputados ou não.

Ora, ora, ora.

Um governo supostamente nascido do combate à corrupção – pausa para gargalhada – não se importa com o destino do símbolo supremo da corrupção, o psicopata Eduardo Cunha.

A mensagem não poderia ser pior. Fica escancarado o caráter hipócrita, indecente da nova administração. Isso já se percebera quando foi anunciada a equipe ministerial, com sete nomes investigados na Lava Jato.

Um deles é Romero Jucá, que aparece não apenas na Lava Jato como na Operação Zelotes. Nesta, ele é investigado pelo STF por suspeita de, como senador, vender medidas provisórias de interesse da indústria automobilística.

Depois de fazer um elogio desmedido do talento de Jucá, Temer disse que ser investigado não significa nada. Numa nova administração, é o oposto. Significa tudo. Ou deveria ser. Mas não para Temer.

Fica exposta aí sua incompetência, sua miopia, sua estupidez. Todo novo governo deve produzir um choque positivo para elevar as esperanças da sociedade.

Temer fez o contrário: deu aos brasileiros um choque negativo.

No plano das palavras abstratas, ele falou em cortes de despesas que sugerem uma gestão neoliberal. Mas um momento: os brasileiros não votaram, um ano e meio atrás, nisso – um receituário neoliberal.

Ele terminou afirmando que quer pacificar o país. Como, se ele é o retrato acabado da desunião, um vice que não hesitou em se juntar a uma conspiração assim que enxergou a chance de ter direito a seus quinze minutos de fama (ou de Fantástico)?

Sinal disso, a entrevista foi recebida com apitaços, panelaços e vomitaços em várias partes do Brasil.

Há uma única maneira de Temer contribuir para a pacificação nacional: desaparecendo de um cargo para o qual não recebeu um único voto e ao qual chegou por uma trama suja e sinistra.

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16 May 11:29

Cônsul dos EUA para o qual Temer fez “análises” trabalhou no Pentágono; na diplomacia, focou em cultivar futuros líderes “por uma economia mais aberta”

by Luiz Carlos Azenha

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Da Redação

Em 2006, o cônsul dos Estados Unidos em São Paulo, Christopher McMullen, teve o privilégio de ouvir do então presidente do PMDB, Michel Temer, pelo menos duas análises de conjuntura, em 11 de janeiro e 19 de junho.

Não se sabe se isso cobre toda a extensão do contato entre o então deputado federal e o diplomata dos Estados Unidos.

Era início de ano eleitoral, o presidente Lula concorreria à reeleição e Temer mantinha distância do Planalto.

O diplomata dos Estados Unidos colocou tudo no papel e despachou telegramas para seus superiores no Departamento de Estado, liderado então por Condoleezza Rice. Era o segundo mandato de George W. Bush.

As relações entre Bush e Lula eram cordiais na aparência, embora o presidente brasileiro liderasse a formação de um bloco sul-americano muito distante dos objetivos econômicos dos EUA para a região, que eram os da implantação da ALCA, a Área de Livre Comércio das Américas.

Temer informou ao cônsul que “alguns líderes do PT roubaram as finanças públicas” — o que deixa claro que ele não tinha constrangimento ao denunciar o partido parceiro do PMDB no governo diante de uma autoridade estrangeira.

Uma cópia dos telegramas escritos por McMullen foi enviada ao Comando Militar Sul dos Estados Unidos em Miami e outra foi parar no Conselho de Segurança Nacional. São destinos tradicionais de telegramas diplomáticos, onde a informação é coletada, analisada e serve de base para futuras decisões.

Num dos telegramas, McMullen definiu o PMDB então como uma “coalizão de oportunistas”.

As conversas entre diplomatas e autoridades locais são comuns. Porém, McMullen obteve uma fonte de primeira qualidade: o presidente do maior partido do Brasil, em coalizão formal com o ocupante do Palácio do Planalto. Era um momento em que os Estados Unidos se preocupavam com uma possível guinada à esquerda de Lula no segundo mandato.

Uma análise da carreira do diplomata demonstra que ele teve um treinamento sofisticado.

Formou-se no National War College, o colégio de guerra dos Estados Unidos, que agora integra a National Defense University.

Foi analista sênior do Pentágono, antes de tentar a carreira diplomática.

Tornou-se doutor em História na Universidade de Georgetown, em Washington.

McMullen chegou a São Paulo para chefiar o consulado geral antes da eleição presidencial de 2006 e foi embora no ano seguinte.

Tornou-se então subsecretário de Estado para assuntos do Hemisfério Ocidental, tendo no portfólio assuntos andinos, do Brasil e do Cone Sul.

O diplomata envolveu-se diretamente em questões internas da Venezuela.

Em 21 de julho de 2009, já no primeiro mandato de Barack Obama, McMullen encontrou-se em Washington com o prefeito de Caracas Antonio Ledezma e com os governadores Pablo Pérez e Cesar Pérez Vivas, dos estados de Zulia e Táchira. Todos eram opositores de Hugo Chávez. A Venezuela detém as maiores reservas de petróleo do mundo.

Em 2010, o diplomata Christopher McMullen finalmente chegou ao topo da carreira: foi indicado embaixador em Angola, onde serviu até 2013.

Angola é outro grande produtor mundial de petróleo e um dos países prioritários na política externa dos Estados Unidos, considerando a forte presença local de interesses da China.

Washington tem a estratégia de longo prazo de reduzir sua dependência do Oriente Médio e de obter fontes de petróleo mais próximas de casa, daí a importância de Angola, Nigéria, Venezuela e agora do Brasil.

McMullen aposentou-se em 13 de junho de 2013 e tornou-se… professor do Colégio Nacional de Guerra dos Estados Unidos.

Numa entrevista de setembro daquele ano, definiu o que o moveu na carreira: “Minha estratégia diplomática pública foi focada na próxima geração de líderes, como identificá-los e cultivá-los, tentar trabalhar com eles por uma sociedade mais democrática e por uma economia mais aberta”.

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WikiLeaks definiu Temer como informante da inteligência e dos serviços militares dos EUA mas não disse se foi apenas naqueles dois episódios; entre os destinos do telegrama estavam o Comando Militar Sul, baseado em Miami, e o Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos

Wikileaks revela reunião de Temer com funcionários dos EUA

Ao publicar estes documentos, o WikiLeaks identificou Temer em sua conta do Twitter como um “informante de inteligência” dos Estados Unidos

AFP – Agence France-Presse, no Diario de Pernambuco

O novo presidente interino Michel Temer se reuniu ao menos duas vezes em 2006 com funcionários da embaixada dos Estados Unidos no Brasil para comentar a situação política e as possíveis alianças eleitorais, revelou nesta sexta-feira o site WikiLeaks.

Temer, na época deputado e presidente do PMDB, considerava que a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva havia criado uma “enorme esperança” na população, mas ao mesmo tempo pensava que seu desempenho na presidência havia sido decepcionante, razão pela qual avaliava a possibilidade de que seu próprio partido político lançasse um candidato.

Também cogitava fazer uma aliança eleitoral com o PT caso uma candidatura própria não fosse viável.

As declarações de Temer estão reunidas em um arquivo “sensível”, mas não classificado, do Departamento de Estado dos Estados Unidos, com data de 11 de janeiro de 2006.

Ao publicar estes documentos, o WikiLeaks identificou Temer em sua conta do Twitter como um “informante de inteligência” dos Estados Unidos.

Segundo os arquivos, Temer criticava Lula por sua “visão estreita” e pela “ênfase excessiva nos programas sociais que não promovem o crescimento e o desenvolvimento econômico”.

Em sua conversa, Temer afirma, inclusive, que “alguns líderes do PT roubaram as finanças públicas, não para seu benefício pessoal, mas para ampliar o poder do partido”.

Outro documento diplomático publicado também pelo WikiLeaks e com data de 21 de junho de 2006 identifica o cônsul-geral como o interlocutor de Temer nestas reuniões.

O documento, assinado pelo (então cônsul Christopher) McMullen, também contém duros comentários do diplomata sobre o partido de Temer.

“O verdadeiro problema com o PMDB é que não tem uma ideologia ou uma estrutura política que lhe permita elaborar e implementar uma agenda política nacional coerente”, escreve McMullen, ao definir este partido como “uma coalizão de caciques regionais oportunistas”.

Temer, de 75 anos e até então vice-presidente de Dilma Rousseff, assumiu na quinta-feira interinamente a presidência do Brasil, depois que o Senado aprovou a abertura de um julgamento de impeachment da presidente por maquiar as contas públicas.

O Brasil está abalado pelas revelações de um escândalo de corrupção descoberto há dois anos na Petrobras, que tem na mira dezenas de políticos do PT, do PMDB, do Partido Progressista e poderosos empresários.

Dilma não é alvo de nenhuma investigação ou acusação por corrupção e sustenta que seu afastamento do poder constitui um golpe, além de ter classificado Temer de traidor.

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16 May 11:28

NOTAS IMPORTANTES DE UM DOMINGO

by lola aronovich
Por onde começar?
O final da semana foi difícil, com o presidente golpista Temer começando seu "mandato" na sexta-feira 13. No mesmo dia o Humaniza Redes sumiu. O site para denúncias continua (até quando?), mas desconfio que não exista mais uma equipe, pois a página no Facebook e o perfil no Twitter desapareceram. Eu gostava do HR, criado há um ano para tentar conter o ódio na internet. Fiz dezenas de denúncias ao site, denúncias de sites que planejam estuprar e matar mulheres, negros e gays, de pedofilia, de promoção do ódio. Acho que só uma vez vi um resultado realmente rápido. Era uma página ultra-racista no FB, criada por mascus neonazistas só pra "causar", pra "gerar lulz". Antes que a página viralizasse, ela foi tirada do ar. 
O HR me colocou em contato com um programa de protetores de defensores de direitos humanos, que tem me auxiliado bastante desde janeiro. Um advogado sempre me acompanha quando preciso depor em alguma delegacia, e eles conseguiram levar o meu caso para a Delegacia da Mulher, já que no Ceará não temos uma delegacia de crimes cibernéticos. E, se ficasse numa delegacia comum, todas as inúmeras ameaças contra mim não seriam investigadas nunca. Nada garanta que sejam, mas... Pois bem, o programa de protetores (que ajuda vários ativistas, como indígenas, ameaçados por latifundiários) também está pra acabar. 
Mascus e demais reaças estão comemorando o início deste governo como se tivessem ganhado na loteria. Pra eles, o "fim do PT" representa "liberou geral". Se antes não acontecia absolutamente nada com aqueles que difamam, ameaçam e cometem crimes na internet, agora então... 
As ameaças (que recebo há cinco anos) e os insultos (desde sempre) aumentaram consideravelmente nesses últimos três dias. Pra piorar, esta semana vou ter de pagar quase mil reais de custas processuais.
Ameaça recebida ontem
(clique para ampliar)
Tem um mascu asqueroso, que já esteve preso por crimes de ódio cibernéticos e ano passado fez mais de 25 vídeos me difamando, que -- acreditem se quiser -- está ME processando. Ele pede 40 mil reais de indenização. Minhas queridas advogadas, além de responderem, entraram com reconvenção (ou seja, eu o processo). Mas ele tem gratuidade, por não ter renda comprovada, eu não.
Ameaça do Marcelo, na sexta 
Ameaça no Twitter, ontem
Marcelo já disse no chan que ele e outros mascus vão me processar apenas para me dar dor de cabeça e para que eu tenha que gastar dinheiro, mesmo que eles não tenham chance de ganhar. E, mesmo que eu entre com reconvenção e ganhe, eles não vão pagar.
Já são criminosos mesmo, um processo a mais, outro a menos, pra eles não faz diferença. 
Bom, gostaria de pedir a contribuição de vocês para essas despesas. Eu tenho um link (no canto superior direito) pra doações no PayPal faz um ano, mas, infelizmente, não dá quase nada. Em um ano, foram R$ 1.050. São sempre as mesmas pessoas que doam (super obrigada, Diana, Mariana, Silvia, Luiza, Camila e Patrick!), e apenas essas seis. Se mais gente entre tantas seguidorxs contribuísse com um pouquinho, nem que fossem 5 ou 10 reais, já ajudaria muito. Ou pode doar diretamente numa das minhas duas contas (em nome de Dolores): Banco do Brasil, agência 3653-6, conta 32853-7, ou Santander, agência 3508, conta 010772760
Não tenho nenhuma vergonha em pedir. Sei que, se a pessoa que tem o blog não pede, poucos colaboram. Vejo blogueiros que vivem disso pedindo toda hora. E sei que, quando eu tinha meu livro pra vender, se eu não anunciasse, eu não vendia. Como vocês sabem, meu blog não tem anúncios (até porque o blogger não permite -- eu tentei uma vez, e o Google negou! Disse que havia "conteúdo adulto". Lógico, né? Qualquer blog feminista fala de aborto, estupro, sexo, etc. Enquanto isso, tá cheio de blog de ódio misógino com anúncios!). 
Se eu fosse milionária, como apregoam meus inimiguinhos, eu nem pediria. Mas como nunca recebi um centavo de dinheiro do governo nem das fundações internacionais que patrocinam todas as feministas, tenho que pedir. Ah, vocês não precisam ter conta no PayPal pra contribuir. Pode só usar o cartão de crédito. Obrigada a quem me lê há tanto tempo e pode ajudar!
Opa, olha a doença! Agora que eu vi: o Marcelo mandou, e outro mascu, um tal de Cangaceiro, acatou. Fez um vídeo dizendo que sou seu filho! 
Mudando de assunto: outra coisa que deixou muitxs de nós arrasadas foi uma mensagem que a psicóloga homofóbica Marisa Lobo deixou na sua página. 
Ela se encontrou com o sinistro da Saúde no aeroporto, manifestou sua preocupação com a "ideologia de gênero" que, como sabemos, transforma tantos meninos em meninas com um toque de mágica, e ele a tranquilizou: disse que agora isso acabou, que o MEC agora pertencia ao DEM, e como são todos conservadores, vai ficar tudo bem. 
Como disse um leitor, sai a ideologia de gênero (que nunca entrou), entra a ideologia de Gênesis.
Agressão gratuita de reaça qualquer
Gente, é sério. Depois de treze anos de um governo que, se não foi de esquerda como queríamos que fosse, ao menos tem no estatuto do seu partido a defesa de minorias, agora vem as trevas. Reaças estão se sentindo super à vontade para iniciar uma caça às bruxas. Já vi vários exigindo que eu seja exonerada da universidade. Não tenho medo desses boçais. Mas realmente tenho medo do rumo que o país tomou. Eu quero mesmo morar aqui, num Brasil que vai vivenciar retrocesso após retrocesso? 
Algumas coisas ainda me fazem rir, como a capa da revista Piauí desde mês, que traz um Temer no melhor estilo "o rei está nu". Pelo jeito, desenhar ou pintar reaças nus está na moda. Começou com a artista Ilma Gore, que pintou um Trump nu com um pênis bem pequeno. O melhor foi o título que ela deu ao quadro: "Make America Great Again" (Faça a América Grande Novamente), slogan da campanha do candidato republicano. 
Creio que inspirado neste quadro, Vitor deu sua valiosa contribuição, retratando o "nosso" Trump.
A semana que começa amanhã será puxada. Tenho várias palestras. Na terça, dia 17 de maio, às 16:30, estarei na mesa "Eu (também) sou aquilo que escrevo: Literaturas, corpos e afetos", marcada para esta data para celebrar o Dia Internacional de Combate à Lesbofobia, Homofobia e Transfobia.
O seminário (que na realidade começa às 8 da manhã, com atividades imperdíveis durante todo o dia) se chama Conversas empoderadas e despudoradas sobre gênero, sexualidade e subjetividades, e está sendo organizado pelo NUSS (Núcleo de Pesquisas sobre Sexualidade, Gênero e Subjetividade), do Departamento de Ciências Sociais. O seminário será no Auditório Rachel de Queiroz, no CH II, UFC, em Fortaleza. Inscrições grátis, valendo certificado, aqui.

Daí vou praticamente da palestra para o aeroporto, porque no dia seguinte (quarta, 18/5), já às 9 da manhã, participarei da mesa "As ruas e as redes: midiativismo, ciberativismo, mobilizações e protestos sociais", na XIV Semana de Antropologia da UFRN. A XIV Semana já começa amanhã, com uma excelente programação. Será no Auditório B do CCHLA, na UFRN, Natal.
Sexta eu vou pra Belo Horizonte! No sábado, dia 21/5, às 14h, vou fazer parte de uma Roda de Conversa no V Encontro Nacional de Blogueiros e Ativistas Sociais. A organização de um grande evento desses leva meses (eu fui convidada já em janeiro), e suponho que ninguém acharia que estaríamos numa situação lamentável dessas, pós-golpe, agora em maio. Será um espaço de resistência. O mote é #MenosÓdioMaisDemocracia.
Espero ver algumas e alguns de vocês aqui em Fortaleza, em Natal, e em BH!

Ah, pra terminar: hoje é aniversário da minha mãe! Feliz cumpleaños, mama!
16 May 11:19

Golpe fracassado. Único líder mundial que ligou para Temer era fake, um radialista argentino fingindo ser Macri

by Antônio Mello



Só a mídia golpista brasileira ainda resiste e segue firme em apoio ao golpe de Estado no Brasil.

Os mais importantes jornais do mundo ocidental - The New York Times, Guardian, Le Monde, El País - criticam abertamente não apenas o golpe como a cobertura da mídia brasileira.

Um dos principais jornais do México, La Jornada, deu capa para a humilhante situação de que hoje somos um país que tem à frente, graças ao golpe, um presidente que agiu como informante da CIA.

Uruguai, Cuba, Venezuela, Nicarágua, Bolívia, Equador e El Salvador não reconhecem o governo Temer.

Nenhum líder de um grande país deu ao menos uma ligada para Temer felicitando-o, o que é uma praxe diplomática.

A única ligação que Temer recebeu foi do radialista argentino Jorge Garcia, da rádio El Mundo, de Buenos Aires, que passou um trote em Temer fingindo ser o presidente da Argentina Maurício Macri.

Começou pagando mico e segue envergonhando o Brasil. Ouça a grande estreia internacional de Temer.





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Madame Flaubert, de Antonio Mello

12 May 19:35

RESUMO DO GOLPE

by lola aronovich
Agora de manhã o Senado aprovou a abertura de impeachment da presidenta Dilma por 55 votos a 22. 
Um dos que nunca aceitaram o
resultado das urnas em 2014
Confesso que não tive estômago para acompanhar nem um minuto da sessão que durou vinte horas. Aquele espetáculo deprimente de 17 de abril dos deputados dedicando o voto a deus e à família já foi demais pra mim. 
O resultado da votação no Senado foi previsível, assim como foi o preconceito disfarçado de piada de Danilo Gentili
Enquanto a única mulher negra na casa discursava (a senadora Regina Sousa, do PT do Piauí), o reaça disfarçado de humorista tuitou, ao responder a um seguidor que não entendia o que a senadora dizia: "Senadora? Achei que fosse a tia do café".
Diante da "polêmica" (esses caras não fazem polêmica, cometem crimes de ódio), Gentili alegou que apenas "zuei a senadora pq ela sequer conseguia se expressar direito -- parecia perdida alí (sic)".
Realmente, para um racista misógino como Gentili, uma negra nem deveria estar ali, pois "parece perdida" num mar de homens brancos e ricos. Lembra a jornalista que falou que "essas médicas cubanas têm uma cara de empregada doméstica. Será que são médicas mesmo?" Para a elite, médicos e senadores têm cara e perfis bem definidos. O ódio que essa elite nutre pelo PT é porque, na última década, muitas pessoas negras e pobres tiveram a oportunidade de traçar novos caminhos.

O lugar reservado a negros e mulheres neste "novo governo" já começa a ficar evidente com a notícia que, se confirmada a divulgação dos ministros, não haverá uma mulher sequer entre eles. Será a primeira vez em 37 anos, desde a ditadura Geisel, que um governo não tem mulheres no ministério. Essa total falta de representatividade combina com o padrão "bela, recatada e do lar". 
Já no Canadá, quando o primeiro-ministro foi eleito (taí uma primeira diferença com Temer, já que o PMDB nunca conseguiu chegar a um governo pelo voto), perguntaram pra ele por que decidiu distribuir igualmente seus ministérios entre mulheres e homens. Ele respondeu: "Porque é 2015". Pois é, o pontapé inicial da "Ponte para o Futuro" é um retrocesso de quase quatro décadas! Mas óbvio que tá cheio de reaças dizendo que é melhor mesmo não colocar mulheres em posição de poder, porque quando "se colocou" uma (uma!), deu no que deu...

Também previsível foi que o primeiro país a reconhecer oficialmente a legitimidade do governo golpista foi... a Argentina. Isso é previsível porque o golpe no Brasil não vem sozinho -- faz parte de um projeto para devolver a América Latina à direita, para que os interesses imperialistas possam se concretizar sem nenhuma interferência. Foi por isso que os reaças celebraram tanto a vitória de Macri na Argentina, e agora, mais ainda, adotaram Temer como seu fantoche favorito.

A próxima ação golpista, podem apostar, será cassar os direitos políticos de Lula, para que ele não possa se candidatar nas próximas eleições (que, se depender dos reaças, só serão em 2018). 
Dilma, em seu último discurso, mostrou força. Disse, entre outras coisas: "Nós mulheres temos algo em comum: somos dignas". E foi saudada com gritos de "No meu país, eu boto fé porque ele é governado por mulher" e "Dilma guerreira da pátria brasileira". 
Acabo de receber um email da professora de História Valéria Fernandes. Nele, ela diz, e faço minhas as suas palavras: "Mulheres fora do ministério. Mulheres fora do programa Ponte para o Futuro, salvo em uma citação para falar de diminuição dos direitos trabalhistas. O PT errou muito em relação aos direitos das mulheres PORÉM agora só há espaço para as 'belas, recatadas e do lar'. Bem-vindos aos século XIX, aquele em que a Constituição não negava o direito de voto para as mulheres, mas nenhuma conseguia tirar o título. Silêncio e invisibilização são violência, também."

Sem dúvida. O que vem por aí é muito, muito pior do que qualquer um dos (inúmeros) erros que o PT cometeu nos últimos treze anos. Estou bastante pessimista. Não vejo como, nem com toda a luta, tenhamos como reverter o impeachment definitivo. Não acho que o PT acabou ou vai acabar, mas certamente encolherá, e não vejo outros partidos de esquerda tomando seu lugar. Espero estar errada, mas creio que sairão das urnas prefeitos e vereadores ainda mais conservadores agora em outubro, e um Congresso ainda mais reaça em 2018. 
Ou não. De repente a população acorda a tempo, percebe que o governo Temer não melhorou em nada a sua vida (muito pelo contrário), que a corrupção não acabou (muito pelo contrário), que a economia continua afundando, que os direitos trabalhistas podem virar pó, e reelege a esquerda. E, com sorte, quem sabe tenhamos um partido de esquerda que de fato faça um governo de esquerda, sem leiloar conquistas em nome de uma "governabilidade" que nunca existiu. 
No momento, sabe o que me traz mais esperança? Jovens ocupando escolas no Ceará (mais de 24 escolas ocupadas agora!), em São Paulo, em Brasília e no Rio. Espero que no futuro essxs estudantes entrem pra política e façam a diferença.
Até lá, temos que aguentar nas redes sociais reacinhas não só celebrando a inauguração de um governo golpista como também gritando "Chola mais" pra qualquer um que luta pela democracia. É incrível a quantidade de babacas que acham que eu, por exemplo, preciso encontrar um novo emprego. Se eu perder meu emprego como professora de uma universidade pública, será porque o novo governo fechará o "meu" curso (Letras, o curso com maior número de alunos da UFC) ou a "minha" universidade. E fechar uma universidade ou curso não parece ser um bom motivo pra comemoração. 
Senadores comemoram impeachment
Além do mais, eu estou numa posição privilegiada. Nós professorxs de universidades sabemos bem o que é o sucateamento do ensino público, vimos isso de perto nos anos 1990. Vamos sobreviver. A perda será imensamente maior para quem está na base da pirâmide. Para quem sonhava em mudar seu destino ao ingressar numa universidade. 
A única coisa que se pode esperar do governo Temer, além de inúmeros retrocessos, é que seja breve. Mas será breve o suficiente? Tão breve que não terá tempo de entregar o país para os investidores estrangeiros? 
12 May 13:54

Policiais fazem meditação para aumentar o autocontrole

by Redação

Policiais meditando

Há semanas atrás policiais de Peel, região de Ontário, no Canadá, realizaram um curso de meditação mindfulness e filosofia Budista. Algo até então inusitado nesse ramo.

O evento aconteceu no Centro de Meditação Budista West End e foi liderado pelo monge Bhante Saranapala.

“Eles foram muito agradáveis e gostaram, eles acham que isto deve fazer parte de sua prática diária”, disse Saranapala ao noticiário The Huffington Post Canadá. O monge ministra palestras similares a jovens profissionais, professores e estudantes no Canadá e nos Estados Unidos.

Policiais meditando

Saranapala disse que um do oficiais lhe pediu para que organizasse o evento: “Eu penso que em geral as pessoas têm impressões negativas sobre os policiais e vendo alguns deles tentando fazer meditação, estando na linha de frente de um Templo Budista, elas acreditam que isso é algo muito positivo”, concluiu o monge.

Policiais meditando

Em Oregon, estado dos EUA, a meditação e o yoga já são práticas comuns entre os policiais como uma forma de reduzir o estresse e promover a compaixão. Em Gujarate, na Índia, a rotina dos policiais inclui o yoga para ajudar a mudar a maneira de responder a incidentes.

Veja mais no Huffington Post…

11 May 17:35

Greenwald: a democracia brasileira sofrerá um duro revés com a posse de um inelegível e corrupto neoliberal

by Diario do Centro do Mundo
o Vice Presidente da Republica,Michel Temer recebe o vice primeiro Ministro da China,Wang Yang.

Ele

POR GLENN GREENWALD, no site The Intercept.

 

Em 2002, o Partido dos Trabalhadores (PT), de centro-esquerda, chegou à presidência depois da expressiva vitória de Lula da Silva sobre o candidato de centro-direita do PSDB (ao longo do ano de 2002, os “mercados” ficaram indignadoscom a mera possibilidade de vitória do PT). O PT permaneceu no poder quando Lula, em 2006, foi reeleito com outra expressiva vitória contra um candidato diferente, também do PSDB. Os inimigos do PT pensaram que teriam sua chance de acabar com o partido em 2010, quando Lula não podia mais disputar as eleições por limites legais, mas suas esperanças foram esmagadas quando a sucessora escolhida por Lula, a anteriormente desconhecida Dilma Roussef, ganhou com uma vantagem de 12 pontos, do mesmo candidato do PSDB que foi derrotado por Lula em 2002. Em 2014, os inimigos do PT investiram enormes quantias de dinheiro e recursos para derrotá-la, acreditando que ela estaria vulnerável e que finalmente teriam encontrado um candidato bem-aventurado no PSDB, mas perderam novamente, dessa vez numa eleição apertada, quando Dilma foi reeleita com 54 milhões de votos.

Em resumo, o PT ganhou quatro eleições nacionais consecutivas – a última há apenas 18 meses. Seus oponentes tentaram vigorosamente derrotá-lo nas urnas e fracassaram, em grande parte por conta do apoio que o PT tem entre os pobres e os trabalhadores no Brasil.

Então, se você é um plutocrata dono dos maiores e mais influentes meios de comunicação, o que você faz? Você ignora a democracia por completo – afinal, ela segue empoderando candidatos e políticas que o desagradam – explorando seus meios para incitar distúrbios e depois implantar um candidato que jamais seria eleito por conta própria, mas que seguirá fielmente sua agenda política e ideologia.

Isso é exatamente o que o Brasil fará hoje. O Senado brasileiro votará à tarde a admissibilidade do processo de Impeachment iniciado na Câmara, que resultará no afastamento automático da Presidente Dilma até o fim do julgamento.

Seu sucessor será o Vice-Presidente Michel Temer, do PMDB. Ele está submerso em corrupção: foi acusado por delatores de envolvimento em um esquema ilegal de compra de etanol, acaba de ser considerado culpado, e multado, por irregularidades nos gastos de campanha, e enfrenta a possibilidade de ficar inelegível por 8 anos. Ele é profundamente impopular: apenas 2% dos brasileiros o apoiariam como presidente, e quase 60% querem seu impeachment. Mas ele servirá fielmente aos interesses dos ricos do Brasil: ele está planejando indicar executivos do Goldman Sachs e do FMI para controlar a economia e instalar uma equipe neoliberal sem nenhuma representatividade (composta em parte pelo mesmo partido – PSDB – que perdeu quatro eleições seguidas para o PT).

Nada disso é uma defesa do PT. Este partido – como o próprio Lula reconheceu em entrevista concedida a mim – está cheio de casos de corrupção. Dilma falhou como presidente em aspectos cruciais, e é extremamente impopular. Por muitas vezes se alinharam e serviram às elites do país em detrimento dos mais pobres, que são sua base de apoio. O país está sofrendo com a economia e em muitos outros aspectos.

Mas a solução para isso é vencê-los nas urnas, não simplesmente removê-los e colocar em seu lugar alguém mais conveniente aos interesses dos ricos. Apesar dos danos que o PT está causando ao país, os plutocratas e seus jornalistas-propagandistas e a corja de bandidos em Brasília que arquitetam essa farsa são muito mais nocivos. Eles estão literalmente destruindo a democracia do quinto maior país do mundo.

Mesmo a The Economist – que é hostil aos mais moderados partidos de esquerda, odeia o PT e quer a renúncia de Dilma – denunciou o impeachment como um “pretexto para a deposição de uma presidente impopular” e apenas duas semanas atrás alertou que “o que é alarmante é que aqueles que estão trabalhando pela remoção dela são, em muitos aspectos, piores”. Antes de se tornar um agente ativo de sua própria ascensão, o próprio Temer disse, no ano passado, que “o impeachment é impensável, geraria uma crise institucional. Não tem base jurídica em nem política.”

A maior fraude é o fato de que as elites da mídia estão justificando tudo isso em nome da “corrupção” e da “democracia.” Como alguém com um mínimo de razão pode acreditar que se trata de “corrupção” quando estão prestes a instalar na presidência alguém muito mais implicado em problemas de corrupção que a pessoa que está sendo removida, e quando as facções que estão ascendendo ao poder são indescritivelmente corruptas? E se estivessem realmente preocupados com a “democracia”, por que também não impedem Temer e convocam novas eleições, deixando os eleitores decidirem quem deve substituir Dilma? A resposta é óbvia: novas eleições provavelmente resultariam em uma vitória de Lula ou outros candidatos que não os agradam, por isso seu maior temor é deixar que a população brasileira decida quem vai governa-la. Essa é a própria definição de destruição da democracia.

Para além da óbvia importância global deste assunto, a razão pela qual eu dediquei tanto tempo e energia escrevendo sobre estes eventos é porque tem sido espantoso – e irritante – assistir ao desenrolar dos acontecimentos, particularmente a forma pela qual os meios dominantes de comunicação, dominados por um pequeno grupo de famílias muito ricas, sufocam qualquer pluralidade de opinião. Ao invés disso, como disseram os Repórteres Sem Fronteiras neste mês: “De maneira pouco velada, os principais meios de comunicação do país incitaram o público a auxiliar na derrubada da Presidente Dilma Rousseff. Os jornalistas que trabalham para estes grupos estão claramente sob influência dos interesses privados e partidários, e esses conflitos permanentes de interesses estão em óbvio detrimento da qualidade de suas reportagens.”

Como alguém que vive no Brasil há 11 anos, tem sido inspirador e revigorante assistir a um país de 200 milhões de pessoas se livrar dos grilhões de 21 anos de uma ditadura militar de direita (apoiada pelos EUA e pelo Reino Unido) e amadurecer para se tornar uma jovem e vibrante democracia, e prosperar sob ela. Constatar como isso pode ser rápida e facilmente revertido – eliminando todos os valores da democracia mantendo apenas seu nome – é ao mesmo tempo triste e assustador. É também uma lição para todos que, em países do mundo todo, ingenuamente presumem que as coisas continuarão como estão e que a estabilidade e o progresso estão garantidos.

Na semana passada, eu falei no Democracy Now por cerca de 10 minutos sobre o porquê eu acho que esses eventos no Brasil são tão significantes:

 

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11 May 11:16

Cadê o Lula? O Tio Ivo ajuda a explicar

by Fernando Brito

Eu era guri, numa vila no Lins de Vasconcellos, no subúrbio, e como toda a garotada daquela época jogava bola na rua de paralelepípedos, sem que as pedras ou o meio-fio fossem empecilho para...

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11 May 11:14

Pedalar é uma forma de teletransporte

by João Lacerda

skate-bicicleta-ipanema

Qualquer pesquisa básica na internet irá dar muitos resultados sobre os benefícios para a saúde do uso da regular da bicicleta. Já quem se dispuser a organizar um desafio intermodal, rapidamente comprovará o óbvio: pedalar é o meio de transporte mais rápido nas cidades.

Um novo estudo no entanto prova o que antes parecia conversa de ciclista. Pedalar leva você de um lado a outro INSTANTANEAMENTE, ou seja sem gastar NENHUM tempo.

Os dados da pesquisa vieram da análise dos hábitos de deslocamento de 50.000 pessoas na Holanda. A maioria delas, naturalmente, pedalava com alguma regularidade ao longo da semana.

A conclusão foi que para cada 75 minutos gastos no selim da bicicleta (11 minutos por dia em média), há um acréscimo de 6 meses na expectativa de vida. Até aí, sem novidades, várias pesquisas já indicam resultados similares.

Sempre a mesma história, tenha hábitos de alimentação saudáveis e coloque seu corpo para se exercitar. Boa comida e um coração batendo forte no peito são garantias de uma vida longa.

É importante, no entanto, analisar os números com atenção. Onze minutos por dia são 3.906 minutos por ano. Ao final de 70 anos, serão 273.385 minutos o que é uma outra forma de representar seis meses.

É exatamente o tempo que sua expectativa de vida irá aumentar se você pedalar 11 minutos por dia.

Ou seja…

Cada minuto que você gasta pedalando aumenta sua expectativa de vida em um minuto.

E não é só isso, a bicicleta irá também aumentar seus níveis de endorfina (o hormônio da felicidade). Basta lembrar aquela primeira pedalada até o trabalho (ou a escola) e a poderosa sensação que veio depois de chegar.

Assim, na próxima vez que for decidir qual a melhor forma de ir até onde precisa, esqueça os cálculos de tempo do Google Maps. Montar na bicicleta e sair pedalando é basicamente tempo livre. Cada minuto sobre pedais, flutuando sobre ruas, avenidas e ciclovias irá voltar para você. Todo o tempo investido será revertido, sem qualquer perda.

Na ponta do lápis, a bicicleta é basicamente um meio de teletransporte. Um teletransporte que deixa você mais feliz e ainda economiza dinheiro.

Vida longa e próspera.

Foto: Urban Velo

Foto: Urban Velo

Esse texto é uma tradução adaptada de: Bicycles are instantaneous teleportation devices, says science | PeopleForBikes

 

11 May 11:12

O golpe, a resistência e o risco de isolamento da esquerda

by Rodrigo Vianna

por Rodrigo Vianna

Está claro que o governo golpista de Michel Temer começa frágil. Primeiro, porque os personagens que o cercam têm imagem péssima e capivaras gigantes na Justiça. E, em segundo lugar, porque o vice golpista colocará em ação um plano ultra-liberal, na linha do adotado por Macri na Argentina; só que fará isso sem ter recebido o aval das urnas.

Esse plano provocará desarranjo social, instabilidade, fragilizará os trabalhadores e os mais pobres. Já sabemos disso. Mas o povo que assiste a tudo, desconfiado, ainda não se deu conta.

Ouço algumas pessoas, ligadas aos movimentos sociais e a partidos de esquerda, dizendo que esse quadro favorece uma reação imediata nas ruas – para deslegitimar Temer. Minha impressão é de que, bem ao contrário, Temer conta com essas ações (fechamento de ruas e estradas, ocupações de prédios públicos e propriedades privadas) para construir a legitimidade de que necessita.

O que quero dizer? Que a narrativa buscada pelo governo Temer será a de que “baderneiros” ligados ao PT buscam obstaculizar a nova “unidade nacional”. As ações de rua da esquerda, quanto mais virulentas forem, mais fornecerão a Temer o álibi de que necessita: “temos um inimigo, uma quadrilha que foi desalojada do poder e que se recusa a aceitar a derrota”. Essa será a narrativa. A Globo e suas sócias minoritárias no oligopólio midiático saberão construir essa narrativa. Já começaram, aliás.

No Judiciário e no aparato de Estado, veremos ações de repressão, intimidação, perseguição. Caminhamos para uma semi-democracia. Ou uma quase-ditadura – no estilo colombiano: as instituições funcionam, mas a esquerda e os movimentos populares organizados são expurgados.

Reparem que o secretário de Segurança de São Paulo, Alexandre de Morais, cotado para ser Ministro da Justiça do governo golpista, dá a senha: chamou de “ações guerrilheiras” os protestos desse dia 11 de maio.

Outros exemplos: a Policia Federal deteve um grupo de mulheres pró-Dilma que se dirigia a Brasília porque elas se manifestaram dentro do avião na viagem; e grupos fascistas invadiram escolas ocupadas no Rio para expurgar a esquerda que ousa protestar contra o descalabro da educação fluminense.

Isso é o que nos espera nos próximos meses. Um “choque de ordem”, baseado em abusos de autoridade e fascismo social.

Risco de isolamento

Pensei muito se deveria escrever este texto, porque poderia parecer uma nota de desânimo no momento em que é preciso resistir. Mas sinto-me na obrigação de dizer o que vejo: nos próximos meses, a esquerda e os democratas em geral ficarão minoritários. O maior risco que corremos é o de isolamento social.

A mesma máquina midiática que criou a narrativa (vitoriosa, pelo que vemos) de que uma organização criminosa tomou de assalto o país passará, a partir de agora, a operar em outro diapasão: a “quadrilha” de desordeiros não quer deixar o Brasil seguir seu curso.

Percebam que o 17 de abril (com a infame votação do “em nome da minha família”, “em nome de deus”) foi o dia em que se mostrou – sem véu –  a ideologia hoje vitoriosa no Brasil. A ideologia da ordem. E essa narrativa foi meticulosamente construída…

Em março de 2015, no estouro da boiada da direita, vocês se lembram qual era a frase pronta repetida pelos repórteres da Globo ao cobrir as manifestações: “milhares de famílias, em ordem, protestam contra o governo do PT e contra a corrupção.”

Famílias em ordem x corrupção petista. Esse é o resumo da ópera.

O próprio lulismo, como já ressaltado por André Singer, opera dentro da ordem. Amplos setores que votaram em Lula e Dilma são conservadores. Queriam (e querem) melhorias dentro da ordem, até porque a liderança da classe trabalhadora lhes ofereceu esse programa.

Reparem que são relativamente pequenos os grupos que saíram às ruas nos últimos dias (em atos que considero heróicos e necessários) para denunciar o golpe Temer/Cunha/Globo/PSDB. Não há muita gente disposta a enfrentar o golpe na rua em ações “radicais”. Por enquanto, esse é o quadro.

Há setores na esquerda que apostam nessa estratégia: atos fortes, ainda que pequenos, para logo atrair as massas à resistência. Temo que esse tipo de ação esteja em completo desajuste com tudo que significou o lulismo nos últimos 15 anos. E temo que esse tipo de ação possa aprofundar o isolamento social da esquerda e dos movimentos sociais.

Será que a massa trabalhadora compreende essa sintaxe dos pneus queimados e das estradas fechadas?

Estou longe de ter a resposta definitiva.

O que percebo é que MST, CUT e demais centrais sindicais, ao lado de PT e PCdoB, são tudo que Temer e seus operadores da lei e da ordem querem ver nas ruas nos próximos meses. Será fácil carimbar essas manifestações como “desordens”, lançando esse povo no gueto dos “desesperados” e desalojados do poder.

O que não quer dizer, evidentemente, que devam se ausentar das ruas…

O melhor caminho para enfrentar o governo golpista, imagino eu, é apostar em ações descentralizadas, criativas, comandadas por jovens e mulheres. Ações que obriguem Temer e as PMs nos estados a botar seus dentes de fora. Ações pautadas em temas concretos, e que mostrem o que significará na vida prática de cada um esse golpe à democracia.

Teremos que fazer isso e ao mesmo tempo ter energia e muita solidariedade para enfrentar a onda de perseguições, difamações e violência que se abaterá sobre todo o campo popular e democrático.

Serão dias difíceis, como sabemos.

E talvez a maior de todas dificuldades seja: como defender o legado da (centro)esquerda que tivemos até aqui (o lulismo, com suas conquistas e sua sintaxe baseada nos acordos institucionais), ao mesmo tempo em que construímos uma nova esquerda – menos institucional, mais voltada às ruas, às redes e aos movimentos horizontais que pipocam Brasil afora?

Faremos isso tudo em meio a uma grave crise da democracia, com o discurso religioso e policialesco a dominar o cenário.

Qual papel de Dilma? E o de Lula?

Certamente são importantes, assim como o da Frente Brasil Popular e dos partidos e sindicatos. Mas isso tudo Temer e a Globo já botaram na conta. Vão partir pra cima dessa turma já conhecida.

O curinga na manga será a construção de novos movimentos sociais. Populares e de esquerda, mas não necessariamente “petistas”. É daí que poder vir a novidade mais consistente. Contra ela, toda a força e a virulência de Temer e das PM pode se transformar em fraqueza.

Esse é o cenário que vejo.

O Brasil entra num novo ciclo. Temer parece hoje ter pouca força pra se consolidar. Se errarmos muito, ele pode construir sua legitimidade a partir de nossos erros. Mas se o surpreendermos, toda força midiática e judicial não será capaz de evitar a construção (em 6 meses, 2 anos ou 10 anos) de um novo ciclo de esquerda no Brasil.

Haverá resistência! Agora e sempre. De muitas formas.

P.S.: Os golpistas que nos atacam nas ruas e nas redes dizem que estamos desesperados porque “perdemos a boquinha”. Deixem que pensem assim. Não sabem que a maioria dos que lutam do lado de cá está acostumada a travar longas batalhas, com persistência e confiança num futuro mais justo para o Brasil e o Mundo.  Esse não é o primeiro governo golpista que vamos enfrentar e derrotar.

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09 May 18:40

Flávio Dino: Anulação de Maranhão é centenas de vezes mais consistente que o pedido de impeachment

by Conceição Lemes

Agência Brasil - ABr - Empresa Brasil de Comunicação - EBC

Governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB). Foto: ABr

9 de maio de 2016 – 13h21

Flávio: Anulação de Waldir é mais consistente que o impeachment

do Vermelho

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB) comentou por meio das redes sociais a decisão do deputado Waldir Maranhão de anular a votação do impeachment na Câmara dos Deputados. Segundo ele, juridicamente, a decisão tem mais fundamento do que os argumentos apresentados para tentar justificar o golpe.

“Natural que o deputado Waldir Maranhão, sendo do meu Estado, peça minha opinião sobre temas relevantes. Como eu peço a ele também. Juridicamente, a decisão do deputado Waldir Maranhão é centenas de vezes mais consistente do que o pedido do tal ‘impeachment'”, disse o governador.

“Questão substantiva e mais importante no debate: há justa causa e respeito ao devido processo legal no tal “impeachment”? Claro que não”, enfatizou Flávio Dino, reforçando que o processo que a oposição chama de “impeachment” só serviu para “paralisar o país, fragilizar a imagem do Brasil no mundo e dividir a Nação”.

 Veja também:

Vídeo emocionante: Momento em que Dilma recebe a notícia de anulação da sessão do impeachment

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09 May 17:31

O medo da redundância na língua

by Marco Neves
As redundâncias são essenciais a qualquer língua: são uma forma de proteger a informação que queremos transmitir mesmo quando não temos condições óptimas de som (é uma explicação rápida, mas voltarei ao assunto). Mas, claro, não interessa explicar isto, porque muitas pessoas puseram na cabeça que as redundâncias são más, ponto final. Tanto é assim que […]
09 May 14:00

A suprema ironia do caso Cunha. Por Paulo Nogueira

by Paulo Nogueira
Rindo do quê?

Rindo do quê?

A suprema ironia do caso Cunha é que ele foi, paradoxalmente, vítima da própria esperteza.

Há uma velha sentença que se aplica ao caso. “A esperteza quando é demais come o dono.”

Eduardo Cunha, com seu conhecimento minucioso dos regimentos da Câmara e sua obscena falta de caráter e de escrúpulos, acelerou ao máximo o processo de impeachment. Ao mesmo tempo, retardou brutalmente as ações do Comitê de Ética que decide sobre sua cassação.

Tudo isso sob as barbas plácidas dos eminentes magistrados do STF.

O que Cunha não viu é que ele estava trabalhando não apenas contra Dilma – mas contra ele próprio.

Tão logo o sim passasse pela Câmara, ele seria inútil como uma “terceira perna”, como gostava de dizer o jornalista Renato Pompeu.

Não apenas inútil, a rigor. Ele seria um embaraço para um governo que estava vindo depois de uma campanha supostamente destinada a acabar com a corrupção.

Foi exatamente o que aconteceu.

O ministro Teori, que tinha uma papelada com os crimes de Cunha desde dezembro, só tirou o traseiro da poltrona confortável do STF depois de feito todo o serviço sujo, consagrado na dantesca sessão em que bufões corruptos disseram sim num clima de quadrilha.

Eduardo Cunha colheu simultaneamente naquele circo grotesco a maior vitória de sua vida de delinquências e a derrota fatal e definitiva, com o sorriso cínico que endereçou pela tevê por infindáveis horas a todos os brasileiros num domingo fúnebre.

Não fosse tão confiante em sua esperteza desmedida, teria percebido que o sim dos deputados infames era também a senha para sua queda.

 

Algumas pessoas acham que ele ainda tem uma força: a boca. Ele poderia chantagear muita gente, segundo essa ótica, com a ameaça de contar crimes que testemunhou.

Mas é uma falsa força.

Pelo seguinte: é vital que exista gente disposta a ouvir e a publicar o que Cunha queira dizer sobre o que viu.

A mídia é central aí. Só que a voracidade de jornais e revistas para amplificar qualquer denúncia relativa ao PT jamais se reproduzirá com dossiês e coisas do gênero que incriminem seus cúmplices no golpe.

Numa redação, para deixar isso claro, um repórter que chegue com um furo contra o PT é recebido com fanfarra. Seu material é publicado com destaque com ou sem evidências.

O mesmo repórter, se obtiver algo extraordinário que prove (mais uma) corrupção de Aécio, topará com uma ordem de se calar. Se insistir, vai ser demitido.

A mídia não vai querer ouvir o que Cunha tenha por acaso a dizer de mal sobre personagens de relevo na nova ordem. Até porque o que as companhias jornalísticas desejam mesmo é o dinheiro público que essa nova ordem lhes garantirá em publicidade, financiamentos em bancos oficiais, perdões em dívidas e por aí vai.

Mesmo que Cunha implore por falar, não haverá ouvidos para ele.

Ele está liquidado, portanto.

Não fosse tão esperto, teria empurrado com seus métodos o processo na Câmara até quem sabe encontrar uma saída segura para ele mesmo.

Não viu isso. Agora, é um morto andando.

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