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09 May 13:58

QUEM NÃO QUER UMA INTERNET LIVRE?

by lola aronovich
Ontem à noite fui ao belo Dragão do Mar ver o documentário Freenet (veja o trailer aqui) e, após a exibição, participar de um debate com o diretor do filme, Pedro Eckman. Foi ótimo.
O documentário é excelente e você pode organizar uma sessão onde você trabalha ou estuda, basta preencher este formulário. Ele fala de diversos temas, desde o acesso à internet à liberdade de expressão, entrevistando um monte de especialistas e descrevendo a situação nos EUA, China, Quênia, Índia, Uruguai, e aqui no Brasil, claro. 
Na África, continente gigantesco que reúne um bilhão de pessoas em 54 países, apenas 16% da população tem acesso à internet. No Brasil é metade da população, o que ainda exclui uma enormidade de gente (cem milhões de brasileiros!). 
O filme mostra dois bairros vizinhos em São Paulo, Morumbi, um bairro nobre, caro, e Paraisópolis, uma comunidade. Do lado de lá todo mundo tem internet, mas do outro, o acesso é precário e caro. 
Freenet fala bastante também de Caramuri, uma cidadezinha a nove horas de Manaus. 
Lá finalmente chegou energia elétrica, mas sinal de internet, quando tem, é só em torno da pequena igreja local. As operadoras internacionais não têm a menor intenção de investir nessa comunidade. Felizmente, empresas minúsculas, nacionais, decidem instalar uma torre de 84 metros que atingirá três cidades ribeirinhas. E, agora com acesso à internet, a comunidade de Caramuri pode fazer campanhas para exigir estrada asfaltada e escola. 
Freenet vai até Detroit, cidade que conheço bem, pois vivi um ano lá, entre 2007 e 2008, durante meu doutorado-sanduíche. Lá acontece um verdadeiro monopólio da operadora Comcast. No país mais capitalista do planeta, na terra das oportunidades e do livre mercado, da nação que crê que o mercado se regulamenta sozinho, há monopólio de internet. Não sei quantas horas perdi ligando pro atendimento da Comcast pra reclamar que minha internet não funcionava. E não havia opção: era a Comcast ou a Comcast. 
Isso foi oito anos atrás, mas desconfio que a situação tenha piorado. Eu lembro quando surgiu a internet na minha vida, há quase duas décadas. Desde aquela época eu ouvia que em breve a internet seria rápida e barata, praticamente de graça. O que aconteceu com essas promessas? Hoje estamos à beira de um grande retrocesso com a ameaça do limite à internet. 
Freenet usa como exemplo de democratização da internet o Uruguai. A experiência do Uruguai é fascinante (e nem tudo isso está no filme; muito foi contado por Eckman durante o debate). No nosso país vizinho, nos anos 1990, como aqui e na Argentina, tudo foi privatizado. Mas houve um plebiscito com a população, que optou pela reestatização dos serviços básicos. 
Por isso, a internet é vista como dever do Estado. As operadoras privadas podem explorar a banda móvel, mas a internet fixa é responsabilidade do governo. Desta forma, o governo colocou internet grátis nas escolas públicas e praças, e deu computadores portáteis para os alunos. 
E lógico que internet deve ser vista como um serviço tão básico quanto água, luz e saneamento. É essencial em nossas vidas. "Se todos os direitos são universais, a internet, que é um instrumento para o exercício de muitos direitos, também deve ser de acesso universal", diz um especialista. O documentário dá vários exemplos: para se inscrever no Enem, segundo maior concurso do mundo, tem que ser online; para alunos verem notas; para conseguir uma moradia ou um emprego, são exigidos contatos online. 
Glenn Greenwald, o jornalista americano mais atuante durante todo o processo de impeachment, diz com muita sabedoria: "Existe uma grande promessa da internet de ser uma ferramenta sem precedentes para a liberalização, democratização e liberdade, e que ainda pode ser assim, se a internet for livre. Mas também existe a possibilidade da internet se tornar a pior e mais extrema forma de repressão e controle já vista na história da humanidade se nos tornarmos uma sociedade vigiada. Esta é a encruzilhada em que estamos". 
No final, o documentário tem a engenhosa ideia de tentar filmar conversas privadas de amigos num bar e registrar o que gente na rua faz nos seus smartphones. Invasão de privacidade? Sem dúvida, mas é exatamente isso que as corporações fazem com as informações que trocamos na internet. E a maior parte das pessoas ou não sabe, ou não se importa.
Como diz uma outra especialista, "A privacidade, como a liberdade, como a vida, é um direito, não uma mercadoria. E ninguém pode negociar com os direitos humanos". Como sabemos, a democracia não serve à população em geral, e sim às empresas. Portanto, não podemos dar a essas empresas o controle sobre a nossa liberdade.
Por essas e outras reflexões sobre uma ferramenta que usamos diariamente e que é tão fundamental, sugiro que você veja o documentário.
Em tempo: hoje, às 14:30, haverá uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Ceará, solicitada pelo deputado Renato Roseno (PSOL), com a presença de Eckman, representando o Intervozes, e de Flávia Lefevre, integrante da Proteste. 
06 May 16:54

A Globo tenta tirar, inutilmente, Cunha de seu álbum de família. Por Kiko Nogueira

by Kiko Nogueira
No Globo

No Globo

 

A Globo está lidando com Eduardo Cunha como se nunca o tivesse conhecido biblicamente. É o mesmo tratamento dispensado a ex-sócios caídos em desgraça, como Ricardo Teixeira, da CBF, poupado pela emissora até a situação ficar insustentável.

No começo de 2015, sua eleição para a presidência da Câmara foi festejada. “Aborto e regulação da mídia, só pode cima do meu cadáver”, declarou ele, deixando claro que estava ali pelos amigos.

A situação ganha ares de retoque de fotos do stalinismo em que personagens somem. Numa matéria pós julgamento do Supremo, chamada “Os Passos de Cunha”, assim é descrita a maneira como ele conheceu a mulher:

A dedicação de Cunha a Collor rendeu-lhe a presidência da Telerj, antiga companhia telefônica do Estado do Rio. Foi na época que conheceu a atual mulher Cláudia Cruz. Comandou a Telerj até 1993, quando foi exonerado após o impeachment de Fernando Collor.

 

Pronto.

Cunha começou a carreira na bandidagem no Rio de Janeiro. Não virou o que é em Brasília por causa do PT. Nunca mereceu um minuto da atenção que a emissora dispensa aos meliantes petistas.

E, embora não seja mencionado, Cláudia, que pode ser presa também, foi funcionária. Não adianta tentar apagar dos arquivos, como fizeram também com Mirian Dutra, a ex-amante de FHC que foi escondida na Espanha como correspondente.

Cláudia foi empregada da Globo entre 1989 e 2001. Apresentou Bom Dia Rio, Jornal Hoje, RJTV, Globo Ciência, Globo Comunidade, Jornal da Globo e Fantástico.

Em 10 de abril de 2000, deu a notícia da demissão de seu marido da presidência da Companhia Estadual de Habitação, Cehab, por causa de denúncias de fraudes em contratos. Meses depois, seria demitida.

Segundo matéria da Folha, em 1992 o então presidente da extinta Telerj assinou um aditivo de 92 milhões de dólares a um contrato de 1989 com a NEC Brasil — fornecedora de equipamentos para telefonia controlada, na ocasião, por Roberto Marinho.

Não houve licitação. O aditivo serviria para ampliar o número de terminais para 40 mil celulares (em 1993, um segundo aditivo foi assinado por 30 milhões de dólares por mais 40 mil terminais — 62 milhões a menos do que pagou Cunha).

Em julho de 2015, uma colunista da Época relatou o envolvimento dele num caso de violência doméstica. Se ela está contando a verdade, por que ninguém da revista foi atrás de um boletim de ocorrência?

Diz a jornalista que, quando dirigia o jornal O Dia, em 1996, ele teria ido parar numa delegacia da Barra da Tijuca com a ex-mulher Cristina Dytz depois de uma briga. “Cunha”, segundo o texto, “fez de tudo para impedir a publicação. Telefonou primeiro para um editor, depois telefonou para o dono do jornal.

A reportagem saiu. Cunha travou com o jornalista um diálogo pesado ao telefone. E o levou à Justiça. Perdeu, porque nada havia ali que configurasse difamação ou injúria. Apenas fatos.”

Enquanto Cunha não foi apanhado com a boca na botija, Cláudia voou à vontade. Ele dançou na Cehab, ela dançou também. Durante ao menos duas décadas, a Globo não moveu um dedo de seu arsenal jornalístico para mostrar quem era EC.

Cunha deu o golpe, terminou o serviço e agora pode ser dispensado. No dia 24 de abril, um editorial do Globo explicou a situação: “Será saudável para o país se, passado o impeachment, o STF der sequência aos inquéritos existentes na Corte sobre o presidente da Câmara e demais políticos”.

Isso é pornografia explícita, o resto é perfumaria.

 

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06 May 11:44

Jeferson Miola: Provas contra Cunha já existiam em 15 de dezembro de 2015

by Luiz Carlos Azenha

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Afastamento tardio do Cunha evidencia o banditismo do impeachment

por Jeferson Miola

Ganha uma viagem à lua com direito a um passeio sideral quem descobrir algum motivo que não existia em 15 de dezembro de 2015 e que passou a existir neste 5 de maio de 2016 para o juiz do STF Teori Zavascki finalmente determinar o afastamento de Eduardo Cunha da Presidência da Câmara dos Deputados.

Em 15 de dezembro de 2015, o Ministério Público pediu ao STF o afastamento de Cunha, cuja extensa ficha criminal já era de conhecimento público.

Apesar de ser réu na justiça, Cunha não só manteve o mandato parlamentar como foi preservado na Presidência da Câmara dos Deputados para acelerar o golpe de Estado.

A decisão do Teori chegou, portanto, com 125 dias de um atraso que parece ser intencional, deliberado.

Neste intervalo de tempo, devido a esta complacência inaceitável, o mandato legítimo conferido à Presidente Dilma por 54.501.118 votos foi alvejado por um golpe de Estado perpetrado por uma “assembléia geral de bandidos comandada por um bandido chamado Eduardo Cunha”, como relatou a imprensa internacional.

No artigo “o STF na engrenagem golpista”, dissemos que a cumplicidade ativa – ou a cumplicidade por acovardamento – do STF com o golpe prova que a justiça não só tarda, mas também falha. No caso do impeachment sem crime de responsabilidade, o resultado da falha da justiça não é apenas a injustiça, mas é um golpe contra a Constituição e contra o Estado Democrático de Direito.

O STF é parte da engrenagem golpista. Alguns juízes que integram a Suprema Corte atuam partidária e ativamente em favor da dinâmica golpista. Outros juízes, ainda que não atuem abertamente pelo golpe, porém com seus silêncios, imobilismos e solenidades, também favorecem a perpetração do golpe.

A decisão do juiz Teori, que em dezembro de 2015 seria saudada e festejada como a afirmação da ordem jurídica e da moralidade pública, infelizmente é recebida neste 5 de maio de 2016 com um misto de decepção, nojo e descrença nas instituições.

Cunha deveria ter sido afastado, cassado e condenado à prisão há muito tempo. Contudo, deixaram-no livre para destruir o bem mais valioso de uma democracia, que é o mandato popular de Presidente da República.

O afastamento dele, ocorrido somente hoje, e sem evidências diferentes daquelas que já existiam previamente, é mais uma prova de que a aprovação do processo de impeachment da Presidente Dilma não passou de um ato de banditismo comandado por um bandido.

O mundo inteiro sabe que está em andamento um golpe de Estado no Brasil; que o impeachment é um atentado contra a Constituição e o Estado Democrático de Direito.

É por isso que os golpistas tentam, desesperadamente, mascarar uma fachada limpa do pós-golpe. Afastar Cunha é uma tentativa inútil de higienizar um pouco o chiqueiro do regime golpista.

Com a iminência de completarem a farsa do impeachment no Senado, os golpistas têm pressa em se livrar do fardo chamado Eduardo Cunha para diminuir o constrangimento do principal sócio dele na empreitada golpista, o conspirador Michel Temer.

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05 May 21:24

Na Trilha da Democracia com Paulo Moreira Leite

by comunicacaoptrn

Debater a midiatização da justiça brasileira e a sua relação com a atual conjuntura política no país. É com este objetivo que a 4ª Edição do Na Trilha da Democracia recebe o jornalista e escritor Paulo Moreira Leite.

O evento, marcado para o próximo dia 9 de maio, às 19h, no Auditório da Escola de Música da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Campus Central, integra o ciclo de palestras que o ADURN-Sindicato, o SINDIPETRO-RN e a Frente Brasil Popular têm promovido ao longo deste ano, em parceria com outros sindicatos e movimentos sociais.

Neste encontro, o jornalista lançará seu livro “A outra história Lava-Jato”.

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04 May 18:14

São Paulo pilot projects – behind the scenes

by Gehl Architects

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In 2014, the Municipality of São Paulo implemented two pilot projects in the downtown core. The goal was to transform some of the pedestrianized areas of the city center through quick and low-cost urban interventions, and to test how these transformations affected city life. Testing and monitoring short term helped the City understand and prioritize how to think about long-term development and transformations in São Paulo’s  downtown.

 

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By Guest bloggers Eduardo Pompeo and Jihana Nassif.

 

Understanding city life at eye-level

It took the City of São Paulo 18 months to implement the first two Centro Aberto pilot projects, located on Largo São Francisco and Largo Paissandu. The process included workshops, public life surveys, conceptual development, engagement and design refinement.

In partnership with Gehl Architects, we conducted several field surveys in order to get a deeper understanding of how life unfolded in the city center. Following Gehl’s Public Space, Public Life methodology, this included counting how many people walked through the areas, how many crossed the streets outside of the designated crossings, observation of what people did when spending time in the public space. Based on this experience, we realized that surveying public life at eye-level is a powerful tool to overcome preconceived understandings of urban contexts and dynamics. Through the findings from the survey, the city can make informed decisions to activate and transform the public realm.

During the three-month pilot project period, we collected further data and statements from citizens that gave us a clearer understanding of the pilot project’s impacts and successes. In addition to the positive outcome measured in increased levels of activity, we were very impressed with the quick shift in people’s perception of the squares. Before implementation, many saw them as problematic places and some were quite skeptical towards the pilot projects’ capacity to change the squares for the better. It was common to hear statements such as “we don’t have a culture of using public spaces, those chairs will be stolen in the first week…” or “there are no children living in the downtown area, no one will use the playground”. However, inquiries made by NGO Cidade Ativa showed that as activities unfolded and engagement increased, users’ opinions rose up to 94% approval for the pilot projects. When it comes to local shop owners, after two months of implementation 16% noticed an increase on sales and 93% of them perceived the spaces as “good” or “very good”, compared to 13% before.

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High-quality design matters

Using good materials and choosing furniture thoughtfully was key to creating a strong identity for Centro Aberto. The choice of beach chairs suggests that a central square can also be a place to linger and rest, somehow evoking the enjoyment of holidays. This kind of popular reference helps people to feel invited to take a seat and stay longer. In Brazil, São Paulo is humorously considered a “no-beach, workaholic” city. In this sense, we found it significant that pilots became known in São Paulo as the “City Center’s Beaches”.

The durability of equipments, such as wooden decks, benches and playgrounds was also a concern. We wanted to make sure that we could keep them after the test period if they were successful, which actually happened. In this regard, it proved to be the right decision to invest in good-quality design and durable materials.

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Fostering integrated action in different city agencies

In many big cities, initiatives such as pilot projects are carried out by traffic departments, which means that planning, approvals and execution are undertaken mostly by the same city agency, making the process easier to coordinate. This was not the case in São Paulo at SP-Urbanismo – a public company linked to the Urban Development Secretariat – as it has the competence to plan, but not to intervene directly in the public space. With this in mind, we had to identify the right partners within the City Government and get them onboard. For this, we established a core team for the pilot project implementation with the traffic department (CET) and the local sub-prefecture (Subprefeitura da Sé), in addition to the project’s sponsor. This group had weekly meetings for nearly three months leading up to implementation.

The coordination between many city agencies turned out to be a powerful asset for the project. By joining forces with other departments (there were more than 10 throughout the process), it was possible to establish synergy among many ongoing city initiatives for public space – such as lighting improvements, free internet access, bike sharing system, cultural events – leading to deeper and more comprehensive outcomes. Respecting each agency’s responsibilities and sharing experiences of each field was the best way to make pilots happen as planned.

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Managing the pilot projects on-site and engaging the public

During the test period, each pilot project had a local plaza manager who was responsible for looking after the space, taking care of movable furniture, answering users’ questions, supporting cultural events, etc. They were also responsible for addressing suggestions and demands posed by users and communicating them to the appropriate city agency. This proved to be a game-changer in increasing the City’s capacity of managing public space. Moreover, it bridged the gap between citizens and governance.

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As a complement to the daily use of the plazas, there were also activities especially programmed for it. We had two main strategies in order to reach the greater diversity of user groups as possible:

First identifying and supporting each plaza’s local assets and pre-existing activities – as an example: Hip-hop culture has always been around Largo do Paissandu – and for the new project to address this presence, we built a circular wooden stage in the square, so that the usual break-dance battles could happen outdoors. Secondly, we focused on activities that stimulate the use of public spaces during the night and weekends, when the city center is usually empty. For instance, a weekly open-air cinema hosted in Largo de São Francisco drew big crowds – a good way of extending the day and making the downtown feel safer in the evening.

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We noticed that people engaged in activities in different ways and on different levels. Cultural activities such as concerts or movies were experienced as relaxing and contemplative, the play equipment and the “Ping-Point” tables promoted interaction between different people, often strangers. We also had great success with karaoke sessions, which initially were only a warm-up activity for movie nights. It turned out to be even more popular than the open-air cinema, as people had a more active role.

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We also prioritized to include street performers, such as buskers, circus artists and urban collectives. Due to its strong urban character, these activities helped fostering a fertile environment for different kinds of expression. As they do not necessarily require a lot of equipment, it happen to be attractive and encouraging for other people – and resulted in spontaneous actions and groups demanding to bring their own performances to the squares. Based on this we decided to place an open agenda in both plazas, so people could register their activities in a date and time of their choice. In 30 days, both schedules were full and had events planned until the end of the test period. We perceive this as a great achievement for the project, as it also implied that user planned and generated activities could continue happening after the test period.

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Next steps (Upscaling the Process)

The positive results which were achieved (measured, tested and refined) have proved important for decision-makers to further support and push such initiatives within City Hall and in the City of São Paulo.

We are currently beginning the implementation of three additional pilot projects in the downtown area, following the same process. Based on the experience from the first two pilot projects, these squares will have a dedicated management plan, which will also become a permanent fixture in Largo São Francisco and Largo Paissandu. In addition, City Government is conducting studies for the renovation of downtown São Paulo’s pedestrianized area and we hope findings from Centro Aberto’s pilot projects will lead to more consistent and effective long-term investment and transformation strategies, pushing change towards a more people-friendly São Paulo.

Guest bloggers Eduardo Pompeo and Jihana Nassif are advisors of the Superintendence of Landscape Design at São Paulo Urbanismo.

 

04 May 18:00

As diferenças entre a Lava Jato e a Mani Pulite, segundo um especialista italiano. Por Jura Passos

by Jura Passos
Alberto Vanucci

Alberto Vannucci, docente da Universidade de Pisa

São muitas as semelhanças entre a operação Mãos Limpas (Mani Pulite, em italiano) contra a corrupção na Itália e a Lava Jato no Brasil.

As diferenças, também.

A primeira diferença está logo no princípio. A Mãos Limpas começou a partir da denúncia espontânea do dono de uma simples empresa de limpeza que delatou a um procurador de Justiça o achaque que sofria para obter os contratos de serviço com um asilo de velhinhos em Milão.

Um asilo, não uma megaempreiteira. Faxina, e não obras de engenharia. Um pequeno empresário livre, não um peso pesado. Uma denúncia voluntária, não uma delação premiada.

O procurador e o chefe de polícia local fotocopiaram e assinaram uma a cada dez notas que seriam entregues ao diretor do asilo Mario Chiesa, testa de ferro do Partido Socialista Italiano do então primeiro-ministro Bettino Craxi, apoiado pelo magnata das comunicações Silvio Berlusconi. Chiesa foi preso em flagrante, com o equivalente a 3,5 mil euros no bolso, em 17 de fevereiro de 1992. O resto ele conseguiu despejar na privada.

Dois anos depois, a Mãos Limpas havia condenado 1,2 mil corruptos de todos os níveis e partidos. Os partidos políticos tradicionais italianos desapareceram.

No Brasil, só o PT foi atingido, embora as acusações ao PMDB e ao PSDB tenham sido numerosas.

Berlusconi fundou um partido novo só pra ele, elegeu muitos deputados no parlamento sob o lema do combate à corrupção, tornou-se primeiro ministro e passou a combater a Justiça, ao invés da corrupção.

Chegamos ao terreno das semelhanças.

Daniella della Porta e Alberto Vannucci são os autores de Corrupt exchanges: actors, resources, and mechanisms of political corruption, obra citada 12 vezes ao longo das cinco páginas de Considerações Sobre a Operação Mani Pulite (Mãos Limpas), artigo do juiz federal Sérgio Moro publicado em 2004 pela revista do Centro de Estudos Judiciários, da Justiça Federal.

Nesse artigo famoso, Moro antecipou em dez anos o que faria na operação Lava a Jato, tornada Lava Jato após a queda do avião que vitimou Eduardo Campos, cujo dono não apareceu até hoje. O novo apelido popular foi incorporado até pelos homens de toga, que não se importaram com a confusão entre uma limpeza a jato e um jato sujo.

O DCM submeteu as citações de Moro à apreciação de Alberto Vannucci, professor de Ciência Política da Universidade de Pisa, pesquisador da corrupção política na Itália e colunista do jornal italiano Il Fatto Quotidiano. O autor aprovou a escolha dos pontos ressaltados pelo juiz brasileiro. “Se fosse meu aluno, seria bem avaliado”, comentou.

Até mesmo a conclusão do artigo do juiz endossa os conceitos de Porta e Vannucci:

“De fato, escândalos políticos não colocam em questão apenas a legitimidade da classe política; eles também têm um impacto na legitimidade dos encarregados de investigá-los: a magistratura. Em alguns casos, de fato, a descoberta de ilegalidade disseminada provoca críticas ao sistema judiciário no sentido de que este estaria sendo inadequado para combater a corrupção”.

Para o professor, no entanto, as críticas ao ativismo político do poder judiciário se resolvem por meio das garantias constitucionais do Estado de Direito. “A Justiça italiana é muito garantista. As decisões dos juízes estão sujeitas a uma série de controles que os protegem de qualquer acusação de partidarismo”, afirmou.

“Tenho dúvidas de que se possa dizer o mesmo sobre a Lava Jato. Não me parece que os juízes tenham sido protegidos das suspeitas de politização. Ao contrário, as suspeitas são tão fortes que foram logo usadas para deslegitimar a operação, coisa que nos primeiros dois anos da Mãos Limpas seria impensável”.

Se aprovou o aluno Moro, o professor não aprova a Lava Jato.

O DCM pediu, ainda, que Vannucci comentasse as principais diferenças entre as Justiças brasileira e italiana, avaliasse a transferência de procedimentos judiciais da Itália para o Brasil e, finalmente, considerasse a possibilidade da Lava Jato brasileira ter o mesmo fim da Mãos Limpas italiana: não acabar com a corrupção e ser acabada por ela.

Vannucci discorreu sobre as causas políticas, institucionais, culturais e intrínsecas da corrupção, que a Justiça não pode resolver:

“A Justiça pode atacar a ponta do iceberg, mas não eliminar as causas profundas, ocultas abaixo da superfície”, disse.

Para comprovar o que diz, ele vai direto ao exemplo de Silvio Berlusconi, que apoiou decididamente a Mani Pulite até a destruição dos partidos tradicionais italianos, para depois ser eleito primeiro-ministro e, finalmente, acabar com o combate à corrupção.

No final, Vannucci ainda acrescenta um dos motivos que podem agravar a corrupção no Brasil: a escravização dos povos nativos e africanos durante cinco séculos.

“A corrupção transforma os cidadãos em escravos inconscientemente, porque eles perdem o controle sobre o poder público, que se torna irresponsável”.

 

DCM: Assim que tomou o poder, Berlusconi acabou com a Mãos Limpas e dificultou o combate à corrupção. Pode acontecer o mesmo no Brasil?

Esse risco todos os demais promotores e juízes podem evitar com a abertura de outros inquéritos, embora até a suprema corte [brasileira] esteja com medo.

Essa é outra diferença fundamental. Pelo menos nos dois primeiros anos da Mãos Limpas o apoio popular à operação era unânime e todos apoiavam os juízes, enquanto a Lava Jato cria cisões e a unanimidade se reduz à imprensa, dominada por poucas famílias.

Na Itália, o sistema dos partidos desabou completamente sob os golpes da operação, os partidos da situação desapareceram e poucos da oposição sobreviveram, por conta das transformações radicais, enquanto o sistema político-partidário brasileiro resistiu à operação, o PT apoia os seus membros denunciados, a oposição se aproveita disso, portanto há muitas diferenças também significativas [a declaração foi feita na véspera da aprovação do impeachment pela Câmara dos Deputados].

Do ponto de vista das consequências ‘políticas’, a operação foi um fracasso, não produziu a troca da classe dirigente, ao contrário, produziu uma condição negativa pela qual retornaram corruptos menores já conhecidos, ou testas de ferro dos maiores.

Segundo alguns indicadores, isso até elevou o nível de corrupção.

Quanto às consequências judiciais de longo prazo, a operação também falhou.

No início, produziu uma crise dos partidos tradicionais, uma troca drástica da classe política, além de colocar o problema da corrupção no centro do debate público.

Ela, porém, sempre retorna, demonstrando que o problema permanece.

É difícil projetar o êxito italiano sobre a situação brasileira, que é diferente. Sem dúvida, há algumas coisas em comum.

A primeira é que quando a corrupção chega a esse ponto ninguém fica imune. Mas, se as causas permanecem – e os inquéritos não podem remover as causas – não há uma evolução da classe dirigente.

Ao contrário, produz uma troca como a que ocorreu na Itália, com uma classe política talvez ainda mais ávida do que a anterior. Esse é um risco, porque os processos políticos produzem uma espécie de aprendizado.

Os administradores e políticos corruptos aprendem a se proteger das investigações.

Aqui na Itália, foram introduzidos mecanismos mais sutis, mais sofisticados, que de fato dificultaram o combate á corrupção e aumentaram a impunidade e a rentabilidade da corrupção.

Esse é o aspecto perverso da Mãos Limpas. Foi assim que Berlusconi, um sujeito amplamente envolvido em corrupção, dominou a cena política italiana pelos vinte anos seguintes.

Outro ponto comum é que os processos anticorrupção atingem os políticos e partidos mas deslegitimam o sistema político.

Por isso, ‘cavalgar o tigre’, ou seja, aproveitar os inquéritos que atingem apenas os próprios adversários, é uma estrategia que acaba por deslegitimar toda a classe política.

Exatamente porque, como demonstrou a Mãos Limpas, quando há uma corrupção sistêmica, ninguém pode escapar.

No final das contas o público tem essa percepção. Utilizar inquéritos contra a corrupção como instrumento de luta política é uma estratégia extremamente perigosa.

Os processos contra a corrupção promovem uma evolução dos métodos corruptores que os tornam cada vez mais impermeáveis às investigações.

Os conflitos de interesses com os quais Berlusconi construiu a sua carreira política – no mundo editorial, das finanças e das comunicações -, permitiram-lhe enriquecer enormemente sem sequer sujar as mãos.

Esse conflito de interesses é uma forma de corrupção mascarada, mais avançada e sofisticada, da qual Berlusconi é um símbolo. Na Itália, isso é chamado de corrupção 2.0.

Quais são as causas de corrupção? Bom aqui precisaríamos de mais duas horas de conversa…

Os processos judiciais nunca poderão resolver os problemas de corrupção. É impossível resolvê-los porque, quando acontecem, só se consegue atingir a ponta do iceberg, os crimes já cometidos, mas existem causas profundas que alimentam esses circuitos criminais da corrupção sistêmica.

Essas causas profundas não podem ser atacadas pela Justiça. Os inquéritos podem reprimir, ou seja, golpear alguns dos envolvidos com a corrupção.

Mas é claro que, se não se atacam as causas, se não se previne a corrupção. Amanhã ou depois, os sucessores dos corruptos punidos terão os mesmos incentivos e o sistema se reproduzirá, não só para os políticos, mas para os empresários e todos os demais.

Quais são essas causas?

Cada país tem as suas próprias, mas algumas são comuns. A lista é interminável, mas é preciso saber, no caso brasileiro, qual dessas causas são as mais importantes.

Posso dizer quais são esses fatores no caso italiano. Há os de caráter institucional: uma burocracia extremamente opressiva, complexa, difícil de interpretar, com uma série de regras que atrasam os serviços públicos, com mecanismos de recrutamento que não recompensam o mérito e não o adotam como meio de avaliação na administração pública.

Ao invés disso, premiam outras características, como a filiação partidária e maçônica e o parentesco. Pouca meritocracia e pouca transparência, portanto.

Estamos tentando introduzir um pouco de controle público sobre a administração pública, mas esse é um processo árduo.

A administração pública ainda é opaca, difícil de avaliada pelos resultados que obtém. Sempre consideramos os procedimentos e atos formais, mas é difícil verificar o que é produzido pela burocracia.

Isso é um fator que atrapalha controle público.

Os mecanismos de seleção da classe política dão preferência a competências e talentos ligados à inserção nos circuitos de corrupção. São, portanto, uma forma inversa de recrutamento e seleção da classe política, da classe partidária.

Existe uma forte dependência econômica das decisões políticas, que são decisões frequentemente arbitrárias e orientadas por interesses privados, prontos para influenciar com seu poder de compra as escolhas destinadas ao interesse geral.

Ao invés disso, porém, são orientadas a esses interesses particulares. Um tipo de verdadeiro escambo que, às vezes, se converte em corrupção explícita.

Há ainda um cultura excessivamente formal, pouco orientada a resultados e muito preocupada com os aspectos formais das normas, como o abuso de poder com fins privados, que são as regras a esconder. E também há uma debilidade da cultura cívica.

A Itália foi descrita como uma empresa em que domina o “familismo oral”, ou seja, a coisa pública não nos interessa porque preferimos cuidar dos interesses particulares, da própria família, do próprio clã, do próprio partido… Nepotismo, clientelismo e todas essas patologias que se entrelaçam entre si.

Esse é um outro fator, é uma causa importante de corrupção muito difícil de remover porque é preciso investir em educação, informação, cultura e no reforço da participação democrática. Essa é uma estratégia muito difícil de pactuar e, provavelmente, somente teria efeitos a longo prazo.

Acrescento ainda a essas causas um fator ligado à própria corrupção: os países que possuem uma história importante de corrupção e que – como a Itália – herdaram do passado uma experiência prévia difusa desse tipo de prática ilegal, amadureceram uma série de expectativas e crenças de que a corrupção é algo natural. Todo mundo é assim e sempre foi assim.

É como se a corrupção criasse as próprias regras de funcionamento, que todos envolvidos com ela conhecem e são levados naturalmente a reproduzi-las e respeitá-las.

Por isso, a corrupção passada sempre se reproduz de alguma forma, e tende a reiniciar a corrupção futura. Esse mecanismo endógeno da corrupção facilita o seu desenvolvimento ao longo do tempo e, ao mesmo tempo, dificulta a ação de combate e prevenção.

É necessário extirpar essa raízes, uma operação que é naturalmente difícil, porque exigiria uma intervenção no nível institucional, mas também modificar o tecido cultural e contrariar essa expectativa de que a corrupção seja o modo normal de comportamento social.

DCM: O Brasil possui todos esses fatores de risco e mais um: o mais longo período de escravização humana da História, que perdura até hoje.

Estou plenamente de acordo. A corrupção política ou administrativa é um mecanismo oculto que transforma os cidadãos em escravos inconscientemente, porque eles não têm mais nenhum controle sobre o poder público, que por isso se torna irresponsável!

A tensão da escravidão que, infelizmente, houve no Brasil, cria uma predisposição que, para ser combatida, exige uma consciência dos próprios direitos, os direitos da cidadania, e uma ação para exercer esses direitos que a corrupção tende a negar, porque alimenta a desigualdade. Esse é um dos seus aspectos mais dramáticos.

Até o papa Bergoglio disse que a corrupção ‘deixa os ricos cada vez mais ricos, e os pobres cada vez mais pobres’.

Portanto, não empobrece todo mundo. Empobrece quem já é mais pobre. E rouba até os direitos de quem tem mais necessidade.

Essa é a lógica da corrupção.

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03 May 21:13

O “ministério de notáveis” de Temer deu num bispo da Universal para a Ciência e Tecnologia. Por Kiko Nogueira

by Kiko Nogueira
Temer e Pereira, da Universal

Temer e Pereira, da Universal

 

Durou — o quê — um mês e meio a fantasia de que Michel Temer montaria um “ministério de notáveis”.

Segundo o Estadão, seguido de outros órgãos oficiais da república do impeachment, seria uma equipe enxuta, encabeçada por pessoas de “notório saber” e “amparada por uma base parlamentar superior a 70% do Congresso Nacional.”

Não será enxuta e muito menos notável. O balcão de negócios aberto há meses pelo alto comando do golpe tem acertos a fazer porque não existe almoço grátis.

Na manhã de terça, dia 3, o presidente nacional do PRB, Marcos Pereira, aceitou o convite para assumir o Ministério da Ciência e Tecnologia em caso de impedimento.

Pereira é bispo licenciado da Igreja Universal, dona do partido. No Facebook, escreveu o velho blablablá de que estava disposto a fazer um “sacrifício pessoal” para “as reformas necessárias”.

“Tentamos por diversas vezes sentar à mesa com Dilma para discutir o Brasil, mas não fomos ouvidos, assim como outros aliados. Isso é público”, diz ele, como numa espécie de justificativa.

Sob Dilma, o PRB ocupou as pastas da Pesca e do Esporte. Foi a bancada que mais cresceu nesta legislatura, com 22 parlamentares na Câmara e um no Senado (Marcelo Crivella).

Há dias, Temer já havia gravado um vídeo ridículo com o pastor picareta Marco Feliciano, em que pede para os fieis rezarem por ele mesmo (“se me permite”). Pereira está no Pacote Crente.

Aos 44 anos, ele é advogado e técnico em contabilidade, o que é uma vantagem competitiva no meio evangélico. Virou pastor da Universal em 1992 e, em 1999, bispo. No Grupo Record, foi vice-presidente de relações institucionais, entre outras funções.

Numa entrevista para Fernando Rodrigues, explicou que diabo significa sua licença do bispado. “Na Igreja Universal, todos os pastores ou bispos que deixam de oficiar as funções religiosas em tempo integral, eles se licenciam.” O sujeito “não tem mais aquela responsabilidade de gestão de um templo ou de uma região”, mas “permanece nos quadros com atividades extras”.

O provável futuro ministro da Ciência e Tecnologia é autor de um texto ignóbil sobre os “kits gays” que circulou amplamente em 2012, na campanha em que Celso Russomanno, do PRB, enfrentou Fernando Haddad.

Ele foi publicado no site de Edir Macedo e apagado depois de uma resposta de Odilo Scherer, cardeal de São Paulo. Pereira ajudou a organizar um exército de “obreiros visitadores” para entregar essa ladainha.

Reproduzo alguns trechos:

“Estamos vivendo a política da catequização da Igreja de Roma e, por isso, certamente, estamos vivendo os últimos dias. Dias que minha querida avó jamais imaginou viver. Um tempo em que, por anos a fio, os ‘poderosos de púrpura’ de Roma têm controlado a educação em nosso País.

Dias de absurdos e depravações. Dias em que filhos e netos chegam à escola e recebem “kits” distribuídos pelo próprios professores lhes ensinando como serem gays ou como optarem por serem gays. É este o programa “educacional” que o Ministério da Educação planeja adotar nas escolas públicas do nosso Brasil, sem sequer perguntar aos pais se eles concordam ou apoiam a iniciativa.

Simplesmente nos impõem a ditadura das minorias. Isso mesmo: a ditadura das minorias!

Estamos vivendo dias em que as minorias impõem à sociedade seus “valores e caprichos”. Não há outra explicação. Obrigar os menores brasileiros a estudarem um suposto material didático que incentiva a prática da homossexualidade e entenderem isso como algo normal, é, sem dúvida, a imposição da ditadura das minorias. Pior que fazem isso com a ilógica tese da política de conscientização contra a homofobia ou contra a discriminação das preferências sexuais.

Imagine seu filho ou sua filha chegando da escola e dizendo, com toda a inocência de uma criança, que decidiu ser homossexual após assistir a um vídeo na escola? Qual seria a sua reação? Você aceitaria essa situação com tranquilidade e de forma normal?

Provavelmente não! Certamente que não!

(…)

As autoridades já impuseram a nós, brasileiros, o ensino religioso nas escolas públicas. A Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, por exemplo, acabou de votar a criação de 600 cargos para professores de ensino religioso. As contratações custarão aos cofres públicos mais de R$ 15 milhões, dinheiro dos impostos que você, eu e toda a sociedade pagamos rotineiramente.

Agora, tentam nos impor os famigerados “kits gays”.

Até quando o Vaticano terá o controle das ações do governo, seja federal, estadual ou municipal?

Até quando o Brasil do século 21 continuará se curvando às “batinas púrpuras” de Roma?

Precisamos salvar o Brasil e torná-lo um país verdadeiramente laico, completamente livre da influência da religião.”

 

Deus é pai.

 

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03 May 18:25

Os talibãs tupiniquinis. Por Bob Fernandes

by Fernando Brito

Não é preciso uma palavra a mais no  comentário de ontem de Bob Fernandes, na TV Gazeta: “Sessão no senado. Anastasia é o relator do impeachment. Colegas se dirigem a ele. Relatam “pedaladas fiscais” de...

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03 May 11:40

Flávio Aguiar: Hitler também deu um golpe inteiramente “legal”, votado pelo Parlamento

by Conceição Lemes

escracho Temer

Semelhanças e diferenças entre o golpe de hoje no Brasil e o golpe nazista em 1933

Hitler deu um golpe inteiramente ‘legal’, através de uma votação no Parlamento, com o apoio da classe média alta. Se olharmos os métodos, como se parecem!

Flávio Aguiar, em Carta Maior

“Nem sempre o que é, parece. Mas o que parece, seguramente é”. Ditado brasileiro.

Muito se tem escrito, contra e a favor, sobre semelhanças e diferenças entre o golpe nazista de 1933 e o que hoje está em curso no Brasil.

Bom, vamos começar por alguns personagens principais. Ninguém de bom senso vai comparar o tacanho e tragicômico Michel Temer com o trágico e sinistro Adolf Hitler. Nem um nem outro merecem tanto. Aquele, “do lar”, este, bem, também era “do lar”, abstêmio, vegetariano, fiel pelo que se sabe, mas, de qualquer modo e por exemplo, os penteados eram completamente diferentes. Além disto, Hitler ficou no poder durante doze anos, de 33 a 45, digamos. Temer não ficará tanto. No Inferno de Dante Hitler estaria na boca de Lúcifer, mascado com os grandes traidores da história. Onde estará Temer? Provavelmente na porta do Inferno. Nem lá ele será admitido. Na porta, sem direito nem a meia-entrada, estão os que carecem até mesmo de um forte caráter pecador. Para alegria dos pós-modernos, estão no não-lugar universal e eterno.

Também ninguém vai comparar o grotesco Cunha ao também grotesco Göring, que foi quem presidiu a sessão do Reichstag que começou o golpe de estado nazista em 23 de março de 1933. Se estivessem num romance de Dostoyevski, ambos seriam qualificados como psicopatas. Mas não esteve um, nem está o outro. Vamos aguardar para ver como a história qualificará o mais recente deles. Boa coisa não será.

Agora, se olharmos os métodos, como se parecem!

Em primeiro lugar, Hitler deu aquilo que a revista alemã qualificou, em relação ao Brasil, um “kalter Putsch”, um “golpe frio”, ou “branco”, na nossa tradição. Foi um golpe inteiramente “legal”, através de uma votação no Bundestag, o Parlamento, depois confirmado pelo Bundesrat, que equivaleria ao nosso Senado (como deve acontecer), assinado pelo presidente von Hindenburg, e largamente deixado correr ou apoiado pelo Judiciário.

O golpe ganhou o nome histórico de “Ermächtigungsgesetz”, que poderia ser traduzido por “Lei de Empoderamento”. Era muito breve, como o nosso Ato 5: tinha um preâmbulo de algumas linhas e cinco artigos. Em essência, dizia que o Gabinete Executivo – presidido por Hitler – tinha poderes para decretar leis sem aprová-las no Parlamento, e que estas leis estariam acima da Constituição, que não poderia ser invocada para contestá-las. Dizia que a exceção se referia ao Bundestag e ao Bundesrat, coisa que, evidentemente, foi desrespeitada depois.

Ou seja, como hoje no Brasil, rasgava-se a Constituição “legalmente”, e abria-se o período de exceção, diante de uma pequena burguesia (hoje diríamos alta classe média) gessificada pelo medo da ascensão dos “debaixo”. Mas tanto lá como hoje, nesta classe média isto não era unânime, diga-se de passagem. Por isto a repressão que se seguiu foi generalizada. E hoje, não será?

Mas houve também o processo de votação. Como o nosso presidente da Câmara, Göring se dedicou a criar regras próprias para a votação. Depois do incêndio do Reichstag, no final de fevereiro de 1933, Hitler desejou que na nova votação que haveria no começo de março ele tivesse assegurada uma maioria absoluta no Bundestag. Isto não aconteceu. O Partido Nacional-Socialista precisava ainda do apoio de partidos de coalizão (basicamente o Partido do Centro, católico – parecido com os evangélicos de hoje – e o Partido Nacional do Povo Alemão, coligado com os nazistas). Por isto os nazis decidiram adotar o caminho da Lei do Empoderamento, para prescindirem deste apoio futuramente. E os outros morderam a isca.

Mas houve mais. A Constituição alemã previa que para uma votação destas, que a modificava, era necessária a presença de dois terços dos deputados, ou seja, 432 dos 584 membros. Para vencer esta dificuldade, Göring inventou uma nova conta. Como os comunistas tinham sido acusados pelo recente incêndio do prédio do Reichstag (o Parlmento se reunia num teatro, a Casa da Ópera Kroll), os deputados do KDP (Kommunist Deutsche Partei) tinham sido presos, banidos, ou estavam foragidos. Assim, Göring simplesmente descontou os 81 que eles eram da soma geral, e o quorum ficou reduzido a 378. Boa matemática, não?

Além disto, Göring abriu as portas do Parlamento aos Nazisturmabtellung, os SA, Camisas-Pardas (que depois seriam sacrificados para ratificar o poder dos SS). Hoje, no Brasil, não há SA, mas há as tratativas entre a presidência da Câmara e a Rede Globo, fazendo a votação no domingo, com esta mudando horários de jogos… enfim, cada momento tem a SA que pode e merece.

O processo de votação foi uma farsa. Estaremos falando de 1933 ou de 2016? Tanto faz. Aquele não foi transmitido pela TV, porque TV não havia, pelo menos na escala de hoje. O de hoje foi, para vergonha dos deputados perante o mundo inteiro. Vários deputados do SPD tinham sido presos, ou já haviam fugido para o exterior. Mas o inventivo Göring criou uma nova cláusula, ad hoc: deputados que não comparecessem, mas que não tivessem apresentado uma justificativa por escrito, deviam ser contados como presentes, para para garantir o quorum. (Lembram da alegação de um um deputado pró-impeachment que os deputados ausentes teriam de apresentar atestado médico?).

Bom, na sessão, apenas o líder do que restava do SPD, Otto Wels, que terminaria morrendo exilado na França antes da ocupação, falou contra a nova Lei. Os outros discursos foram acachapantemente ridículos (alguma coincidência será mera semelhança?). Bom, ninguém invocou a mãezinha ou o vizinho, mas saíram coisas como a Pátria e a Ordem. Resultado: 444 a favor da nova lei, 94 contra, todos estes do SPD.

Um detalhe muito interessante: Hitler negociara com Ludwig Kaas, o líder católico, que respeitaria o direito da Igreja e os funcionários católicos nos cargos de Estado, além das escolas. No dia seguinte ao da votação, que foi logo aprovada no Bundesrat e assinada por Hindenburg, Ludwig Kaas foi despachado para o Vaticano para explicar a nova situação ao então Cardeal Pacelli, futuro Papa Pio XII, de triste memória (alguma semelhança com a viagem do ex-companheiro Mateus, hoje senador Aloysio Nunes Ferreira, despachado aos States logo depois da votação na Câmara?). Ele cumpriu a missão religiosamente, como o Mateus. Porém, Hitler lhe prometera (a Kaas) uma carta com as garantias. Ela nunca foi entregue.

Satisfeitas e satisfeitos? É, mas tem mais…

Porque ainda resta o triste papel do Judiciário. Em primeiro lugar, juízes alemães legalizaram a perseguição aos comunistas porque eram “traidores” incendiários do Reichstag. Depois, fizeram vista grossa para as demais perseguições que vieram. Quando não apoiaram. Deve-se lembrar que quem inaugurou a queima de livros em 10 de maio de 1933, na hoje Bebelplatz, foi o diretor da Faculdade de Direito, ao lado, trazendo uma braçada de livros “degenerados” da sua biblioteca.

Hitler acusou um comunista holandês, Marinus Van der Lubbe, e mais quatro outros militantes búlgaros pelo incêndio, que ocorreu em fevereiro de 1933, alguns dias antes da eleição de março. Eles foram levados a julgamento no segundo semestre de 1933. Lubbe foi réu confesso – sabe-se lá como sua confissão foi obtida, mas pode-se julgar pela declaração em juízo de um dos outros acusados, Georgi Dimitrov, de que passara sete meses acorrentado em sua cela, dia e noite. Bem, a gente pode pensar numa justificativa: naquela época não havia delação premiada… Era pancadaria mesmo. Os outros quatro foram absolvidos por falta de provas, mas Lubbe foi condenado à morte e executado no começo de 1934.

Farsa? Sim, mas o pior vem depois.

Em 1967 um juiz da Alemanha Ocidental, na reabertura do processo promovida pelo irmão do condenado, Jan, “comutou” a pena de van der Lubbe de condenação à morte para 8 anos de prisão (!), quando o réu já estava, bem, digamos, no outro mundo. Em 1980, novo julgamento anulou a decisão de 1933 e de 1967. Mas em 1983 nova decisão anulou a de 1980, a pedido do… Ministério Público (!). O caso só foi resolvido definitivamente em 06 de dezembro de 2007 (!), 71 anos depois da decisão original, quando o equivalente ao nosso Promotor Geral da República proclamou “o perdão” de van der Lubbe, com base em uma lei de 1998 que declarara todas os julgamentos da época do nazismo juridicamente nulos.

Até hoje as alegações de que o incêndio foi provocado pelos próprios nazistas para começar sua série interminável de desmandos nunca foi oficialmente investigada. É um bom exemplo para quem acha que o caso das omissões e vagarosidade do Judiciário brasileiro é algo único na história.

Depois deste exercício de história comparada, que as leitoras e os leitores tirem suas próprias conclusões.

Veja também:

Mídia Ninja: O escracho na casa de Marta; “este golpe é machista”, dizem eleitoras 

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02 May 21:33

Por que todo mundo ataca Eduardo Cunha e não as empresas que doaram milhões a ele?

by Cynara Menezes
santander

(Este é um retrato de Eduardo Cunha)

Estamos todos de mal com algum político atualmente, ou com vários. A direita (e parte da esquerda) ataca Lula e Dilma. A esquerda (e parte da direita) ataca os tucanos e Michel Temer. A maior parte de nós, creio, atacamos Eduardo Cunha, e queremos ele fora da presidência da Câmara –embora tenha gente por aí se aproveitando do poder de Cunha para executar o golpe em Dilma, enquanto aparentemente o ataca.

Mas por que miramos apenas Cunha e não as empresas que deram dinheiro, muito dinheiro, para que ele estivesse lá? Sem elas, quem seria Cunha? Não espere que a mídia hegemônica vá fazer isso por você, ser crítico com os doadores de Eduardo Cunha. A velha mídia é sabuja do poder econômico, jamais vai atacar essas empresas porque elas significam dinheiro. Não à toa, a chamada “grande” imprensa é a favor que o financiamento eleitoral continue a ser privado e que tudo continue como está, favorecendo que, em sua maioria, apenas homens, brancos e ricos possam entrar para o Congresso Nacional.

Pense bem: para que uma empresa vai doar a um político se não está pensando em receber alguma coisa em troca? Por bondade e simpatia é que não é. Muitos especialistas atribuem às doações privadas a origem de toda a corrupção. Obviamente uma construtora que dá dinheiro a determinado candidato vai querer ter prioridade na hora de fazer as grandes obras de seu governo, não é lógico? E assim começa um círculo vicioso.

Empresa não tem nada que doar dinheiro a político. O STF (Supremo Tribunal Federal) e a Câmara vetaram, no ano passado, o financiamento empresarial de campanha. Os de sempre foram contra: Gilmar Mendes, no STF, e os tucanos, peemedebistas e o DEM, no Congresso. Coincidência: os mesmos que estão à frente do impeachment de Dilma Rousseff. Não estranhem se Dilma cair e, por “mágica”, o financiamento empresarial voltar.

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, recebeu 6,4 milhões de reais para fazer sua campanha a deputado federal, uma das mais caras do Brasil, de acordo com o que declarou ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Mas quem foram as empresas que doaram a ele? Veja abaixo a lista com as maiores doadoras de Cunha. Boicote, critique, ataque, cobre de todas elas um posicionamento: uma empresa que banca um político suspeito de corrupção não se torna, ela também, suspeita de corrupção?

Não falam tanto em privatização? Pois bem, nada de estatizar, vamos privatizar o prejuízo de ter Eduardo Cunha à frente da Câmara e o que isso significará para o futuro do país. Está tudo na conta dessas empresas privadas. Vamos ver se vale a pena arcar com os custos à imagem de uma empresa ao dar dinheiro a políticos ou se elas tomam vergonha na cara e se dedicam a seus negócios em vez de fazer lobby.

rimaindustrial

Rima Industrial: 1 milhão de reais

corumbaense

MCR: 700 mil reais

ambev

Por meio da subsidiária CRBS: 500 mil reais

cocacola

Por meio de duas subsidiárias (Recofarma do Amazonas e Rio de Janeiro Refrescos): 550 mil reais

bradesco

Bradesco Previdência e Bradesco Saúde: 500 mil reais

santander

Banco Santander: 300 mil reais

safra

Banco Safra: 50 mil reais

pactual

Banco BTG Pactual: 500 mil reais

telemont

Telemont Engenharia: 900 mil reais

lidertaxi

Líder Táxi Aéreo: 700 mil reais

iguatemi

Rede de shoppings Iguatemi: 500 mil reais

 

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02 May 17:12

WhatsApp bloqueado e Cunha livre

by Fernando Brito

Duvido que chegue até amanhã a ordem dada pelo juiz de Lagarto (SE), o Dr. Marcel Montalvão para suspender o funcionamento da rede do WhattsApp em todo o Brasil. Logo estarão correndo desembargadores, ministros, advogados...

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02 May 17:05

VAMOS DESPRINCESAR NOSSAS MENINAS

by lola aronovich
Vi esta notícia esses dias e achei o máximo: tem um curso de "desprincesamento" rolando numa cidade do Chile, Iquiaque. As atividades incluem debates, cantorias e aulas de defesa pessoal. 
O coordenador do curso explica o que deseja para as alunas de 9 a 15 anos: "Buscamos dar a elas ferramentas para que cresçam como meninas livres de preconceitos, empoderadas e com a convicção de que são capazes de mudar o mundo, e que não precisam de um homem do lado para isso". 
Talvez não seja tão diferente de iniciativas como a Girls Rock Camp que, através da música, tenta fazer com que as meninas conheçam o poder que tem dentro delas. 
Essas atividades são diametralmente opostas a aberrações como a "escola de princesas" em Uberlândia, para que meninas de 8 a 12 anos aprendam noções de como as princesas das famílias reais se comportam, com ênfase na aparência (maquiagem, vestidos, cabelos, tiaras), "meiguice", e etiqueta na mesa de jantar. 
Ou seja: um prato cheio para ensinar meninas a aspirarem ser "belas, recatadas e do lar" quando crescerem.  
Ah, mas alguém pode dizer, deixa as meninas! Se elas querem se cobrir de rosa, usar tiara e salto alto e fantasiar que viverão num castelo medieval, que mal tem? Bom, tem uns probleminhas sim. E o importante é analisar como um pensamento tão retrógrado domina a mente de tantas garotinhas.
Já faz uns anos, li um livro delicioso, Cinderella Ate My Daughter (algo como "Cinderela Devorou Minha Filha"), da jornalista americana Peggy Orenstein. Ela narra sua perplexidade ao constatar que, quando sua filha Daisy fez 3 anos, a menina estava tão encantada com a história de Branca de Neve que, numa festa infantil, deitou-se no chão com os olhos fechados esperando que algum menino a beijasse para que ela pudesse despertar do seu sono induzido por uma maçã envenenada. 
Isso teria sido mais romântico se eu
estivesse acordada e vc pensasse que
eu estava viva
Peggy não gostou do que viu, pois não considera Branca de Neve um bom modelo -- sua única virtude, além de estar dentro do padrão de beleza, é ser maníaca por limpeza. Peggy nunca tinha contado essa fábula para sua filha, mas é claro que Daisy a conhecia. Ela conhecia também todas as outras histórias de princesa. E Peggy estava preocupada.
Esqueça princesa, me chame
de presidenta
Nas palavras dela (minha tradução capenga): "O que quero para a minha filha parece simples: que ela cresça saudável, feliz e confiante, com uma noção clara do seu potencial e a oportunidade de realizá-lo. No entanto, ela vive num mundo que diz pra ela, independente d'ela ter três ou trinta e três anos, que a maneira mais certeira de chegar lá é aparentar ser a Cinderela". 
Em seu livro, Peggy explica direitinho que o conceito de "Princesa da Disney" na realidade só começou no ano 2000. Foi nessa época que um ex-executivo da Nike percebeu que as meninas dos EUA usavam aos montes fantasias de princesas Disney, mas elas eram costuradas em casa. Não havia fantasias prontas. Como o capitalismo não estava lucrando em cima desse filão?
Foi uma aposta arriscada: até então, a Disney nunca havia vendido seus produtos sem estarem atrelados ao lançamento de algum filme, e executivos mais antigos consideravam heresia juntar personagens de histórias diferentes. É por isso, diz Peggy, que quando as princesas da Disney aparecem num mesmo item (por exemplo, numa lancheira, capa de caderno ou lençol), elas não fazem contato visual. Cada uma olha prum lado, não pras outras. 
As princesas Disney que mais vendem são Cinderela, Bela Adormecida, Ariel e Belle. Branca de Neve e Jasmine ficam um pouco atrás; Mulan, Pocahontas e Tiana (a primeira princesa Disney negra), muuuuuito atrás (mas uma menina negra fantasiar ser princesa é bem diferente de uma menina branca. Pra quem sempre foi encarregada de executar serviços pesados, caso das negras, imaginar uma vida de luxo e descanso tem outro significado. E tem toda a questão das princesas africanas).
Não sei a popularidade das princesas mais recentes e prafrentex, como Merida e Anna e Elsa, mas posso imaginar que são muito rentáveis (e vale lembrar toda a celeuma causada quando surgiram as bonecas Merida, com cabelos infinitamente menos "rebeldes" que no filme).  
Até 2010, existiam cerca de 26 mil produtos licenciados com as personagens das princesas mais tradicionais (só nos EUA, e só estamos falando de princesas Disney!). Um ano depois do licenciamento, ou seja, em 2001, as vendas já haviam catapultado para 300 milhões de dólares. Em 2009, elas já haviam alcançado a marca dos US$ 4 bilhões. É a maior franquia do planeta para meninas de dois a seis anos. 
O executivo responsável por gerar essa montanha de dinheiro tentou tranquilizar Peggy sobre a influência nefasta, digamos, que se identificar com princesas que esperam ser salvas por um príncipe encantado pode ter sobre meninas tão novas. "Elas superam essa fase", assegurou ele. "Vejo meninas expandindo sua imaginação ao se visualizarem como princesas, e depois elas passam essa fase e acabam se tornando advogadas, médicas, mães, ou princesas, dependendo do caso". 
Peggy conta que pesquisou bastante para escrever o livro, e de fato não encontrou nenhum estudo provando que brincar de princesa arruína a autoestima das meninas ou as demove de outras aspirações. Porém, existem inúmeros estudos de que quanto mais mídia mainstream as meninas consomem, mais importância elas colocam em ser bonitas e sexy. 
E existem mais estudos mostrando que meninas adolescentes e inclusive alunas universitárias que têm ideias convencionais sobre feminilidade são menos ambiciosas e mais sujeitas a ficarem deprimidas. Essas jovens dizem gostar menos de sexo e insistem menos para que seus parceiros usem camisinha. 
Se eu tivesse uma filha, ficaria bem desapontada se ela quisesse brincar de princesa ou respondesse à pergunta "O que você quer ser quando crescer?" com as palavras "top model" ou "miss universo". Mas sei que a influência que uma mãe exerce sobre suas crianças é limitada. É bem provável que a mídia tenha muito mais força em moldar sua menina do que os pais. 
E a influência da mídia em geral é maciça, nós sabemos. Peggy fala sobre como todo mundo imediatamente chamava sua filha de "princesa", da dentista à garçonete hipster. Elas não faziam por mal, claro. Era um elogio. Mas que tipo de mensagem passamos ao querer que nossas meninas sejam princesas? Não chamamos os meninos de "príncipes". 
Não tenho o menor apreço pela monarquia, que rima com hierarquia. Reis e rainhas eu só saúdo no meu tabuleiro de xadrez. E príncipes e princesas são menos que monarcas, são reis e rainha wannabe. Princesas são decorativas, cumprem protocolos de delicadeza, não têm poder real. Não vou pedir desculpas por lutar para que meninas sejam muito mais do que isso. 
01 May 22:34

A mãe da nossa língua está escondida no sótão?

by Marco Neves
Então não é que o português tem um parente escondido no sótão? Nada mais, nada menos do que o tal galego, uma língua bem mais próxima do que muitos portugueses gostam de admitir. Que relação tem essa língua com a nossa? Há quem diga que é irmã, outros dizem que é mãe. Ou pai, o que vai dar ao […]
29 Apr 16:59

Dilma prorroga permanência de estrangeiros no Mais Médicos

by Redação
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29/04/2016

Presidenta assinou Medida Provisória durante evento que divulgou balanço do programa

Da Redação

A presidenta Dilma Rousseff assinou Medida Provisória que prorroga por três anos a permanência de estrangeiros ligados ao Mais Médicos. O ato ocorreu durante a divulgação de dados referentes ao impacto do programa realizada em Brasília (DF), na manhã desta sexta-feira (29).

Rousseff afirmou que a medida, que chamou informalmente de “Mais Médicos 2.0”, foi tomada pelo fato de 71% dos atuais participantes do programa deveriam ser substituídos até o fim de 2016, caso não houvesse a prorrogação.

“Agimos preventivamente para que a saúde de nosso povo continue a ser atendida”, afirmou a presidenta, dizendo também que a ação iguala as condições entre brasileiros e estrangeiros. “Tantos êxitos, em menos de três anos, apontam para a importância de sua prorrogação”.

Neste sentido, o Mais Médicos vem “se transformando em política de Estado, como desdobramento do Sistema Único de Saúde”, ressaltou a presidenta.

Origem

O ministro interino José Agenor da Silva relembrou o surgimento do programa, que considerou um “ato de coragem”. Silva, ao dizer que o Mais Médicos “tem o reconhecimento de toda a população brasileira”, enfrentou a “indisposição” das entidades de classe. Para ele, a ação do governo federal, na prática, se tornou mais que um programa, se consolidando como “política de longo prazo” e “atividade perene”.

Dados

Hêider Aurélio Pinto, secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, apresentou o balanço do programa. Ele retomou o cenário do atendimento médico em 2013, ano em que o Mais Médicos foi implementado.

Segundo Pinto, o número de médicos por habitante – bem como o de vagas em cursos de medicina – estava abaixo da média de países vizinhos, como Argentina e Uruguai. Além disso, a distribuição dos profissionais se concentrava nas capitais e nas regiões Sul e Sudeste.

Nos quase três anos de funcionamento do programa, a atuação dos profissionais ligados ao Mais Médicos abrangeu a cobertura de 63 milhões de pessoas. Ao se considerar também os residentes, o total chega a 65 milhões.

Destes usuários, 87% consideraram os profissionais vinculados ao programa como “mais cuidadosos” que os não participantes. Em geral, 95% dos pacientes avaliam o atendimento como extremamente positivo. “[O Mais Médicos] expandiu a cobertura mais do que nos sete anos anteriores”, afirmou Pinto.

Especialidades

O governo federal aproveitou a atividade desta sexta-feira para lançar uma nova ferramenta, o Cadastro Nacional de Especialidades. A plataforma agrega dados de entidades como a Associação Médica Brasileira e o Conselho Federal de Medicina, e permitirão que os cidadãos consultem a formação dos profissionais que atuam no Brasil.

O cadastro faz parte dos esforços do ministério de orientar a formação e distribuição de especialidades de acordo com as necessidades regionais. Neste sentido, o Mais Médicos também incluiu a interiorização das vagas de medicina.

Conjugada com o Fies e o ProUni, segundo Pinto, “se diversificam as cores e os sotaques dos alunos de medicina no Brasil”.

Pinto ainda disse que o Mais Médico faz parte das lutas em torno do processo de redemocratização do Brasil e do histórico das lutas por saúde no país. “Em alguns momentos lutar por saúde implicava lutar por democracia. Em 2016, vivemos novamente esse momento”, finalizou.

Impeachment

O momento político brasileiro também foi abordado por Dilma. A presidenta destacou a questão da abertura de créditos suplementares.

“Tenho clareza que a acusação é ridícula. O que nós fizemos foi garantir programas sociais, o Plano Safra, investimentos. Há de fato um processo em curso. O nome deste processo é golpe. Se trata de uma eleição indireta, daqueles que não tiveram voto, travestido de impeachment”, criticou Roussef.

“Minha luta não é apenas para preservar meu mandato. Minha luta, como mostrado aqui, é para preservar conquistas históricas do povo brasileiro. Tenho certeza que a democracia será sempre o lado certo da História”, finalizou.

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29 Apr 14:13

IFRN Cidade Alta realiza abertura de nova unidade em prédio histórico das Rocas

by Louzianne Neves

O IFRN Cidade Alta promoveu na última segunda-feira (25) aula inaugural para recepcionar os alunos. O evento marcou a abertura da Unidade Rocas do campus que de início vai receber mais de 100 novos estudantes inscritos para os cursos técnicos integrados em Multimídia e Lazer e o curso de graduação em tecnologia em Gestão Desportiva e de Lazer. Ao todo a unidade vai atender a mais de 300 alunos regulares.

A conclusão da obra e inauguração estão previstos para o mês de agosto de 2016. Nessa primeira etapa foi entregue, parte do Museu do Trem de Natal, 11 salas de aula, refeitório para 120 alunos e setor médico. Até o fim do ano serão concluídos o auditório com capacidade para 150 pessoas e os laboratórios de áudio, vídeo e design gráfico. Ao todo foram investidos cerca de R$ 5 milhões na obra de restauração da antiga Rotunda e na compra de novos equipamentos.

Esse é o segundo prédio histórico restaurado pelo IFRN.  O primeiro, centenário prédio localizado na avenida Rio Branco, foi reinaugurado há seis anos. A nova unidade está funcionando onde era a antiga Rotunda, no bairro das Rocas, onde funcionavam as oficinas de recuperação de locomotivas e vagões da Refesa - Rede Ferroviária Federal S.A e vai abrigar o Museu do Trem de Natal.

“É um orgulho ter a oportunidade de entregar a cidade do Natal este prédio que estava abandonado e em ruinas. O Instituto cumpre o compromisso de restaurar e instalar no bairro das Rocas uma instituição de ensino de qualidade, valorizando uma comunidade abandonada pelas ações de políticas públicas”, declarou o professor Lerson Maia, diretor do campus Cidade Alta durante o processo de restauração da nova unidade.

 

Lerson explica o que a chegada do IFRN a comunidade, irá proporcionar “espaços para as expressões artísticas, culturais e de lazer da comunidade. As diversas atividades, projetos de extensão e pesquisas desenvolvidos pela instituição renderão grandes parcerias”. Ele acrescentou que a tendência é que sejam abertos novos cursos dando proveito a vasta estrutura de qualificação profissional que o instituto dispõe nas duas unidades históricas.

29 Apr 11:34

Discurso no Senado em 28.04.2016 - Audiência pública da SUG 15/14 que regula a interrupção voluntária da gravidez pelo SUS

by Melania Amorim
Notas do meu discurso na audiência pública da CDH - Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa em 28.04.2016 para discutir a interrupção voluntária da gravidez no SUS




ABORTO COMO PROBLEMA DE SAÚDE PÚBLICA E EVIDÊNCIAS EM FAVOR DA LEGALIZAÇÃO E DO AMPLO ACESSO AO ABORTO LEGAL NO SERVIÇO PÚBLICO DE SAÚDE


Cumprimento todas as pessoas presentes, meu bom dia!


Como médica ginecologista-obstetra e epidemiologista, professora e pesquisadora, sendo minhas principais linhas de pesquisa a mortalidade materna e a Medicina Baseada em Evidências, irei centrar a minha fala no problema fundamental do aborto como questão de saúde pública e no forte corpo de evidências científicas demonstrando que a medida mais simples para reduzir drasticamente as mortes maternas e a morbidade materna relacionada com aborto é legalizar o aborto e tornar amplamente acessível dentro do sistema de saúde a interrupção da gravidez mediante a decisão da mulher, como reforça o Professor Aníbal Faúndes, o maior cientista brasileiro vivo na área de Ginecologia e Obstetrícia, em seu artigo no International Journal of Obstetricians and Gynecologists, publicado em outubro de 2015.


Professor Aníbal Faúndes


Adianto, outrossim, que não se trata de polarizar o debate “em favor do aborto” ou “contra o aborto” porque dificilmente há de se encontrar alguém favorável ao aborto, uma decisão íntima, dolorosa e difícil até mesmo para a mulher que a ela recorre. Essa decisão, pessoal e intransferível, acaba por mobilizar as diversas esferas da sociedade ensejando discussões filosóficas, religiosas, políticas, em que todo o conjunto de crenças e convicções de alguns quer prevalecer contra o dos outros. A questão que aqui se coloca é demonstrar que a criminalização apenas aumenta a mortalidade e a morbidade materna SEM reduzir a incidência de abortos provocados e que a descriminalização rapidamente reduz a mortalidade relacionada com aborto, não aumenta e tende mesmo a reduzir o número total de abortos provocados.


Em todo o mundo o aborto continua representando um sério óbice para as vidas e o bem-estar das mulheres, respondendo por cerca de 15% das mortes maternas. A quase totalidade dessas mortes ocorre nos países com leis restritivas onde o aborto é ilegal e poderiam ser evitadas se as mulheres tivessem acesso ao aborto seguro e legal, como têm demonstrado as experiências de reforma das leis de aborto em vários países, incluindo Guiana, Nepal, África do Sul e mais recentemente o Uruguai. Embora seja evidente que a prevenção primária de gravidez indesejada seja o uso consistente de contracepção efetiva, nenhum método contraceptivo é 100% efetivo, há restrições para o uso de métodos muito efetivos em vários países e por determinados grupos que dificultam até mesmo o acesso à contracepção e cerca de 50% das gestações não planejadas ocorrem em mulheres que estão usando algum método contraceptivo! Isso resulta em cerca de 33,5 milhões de gestações acidentais por ano, segundo a OMS.


O aborto é a quinta principal causa de mortes maternas no Brasil. As estimativas da OMS para o Brasil em 2015 apontam para 1.300 mortes maternas, das quais 10% podem ser atribuídas a complicações de aborto. O aborto inseguro é o principal responsável por essa mortalidade, sendo que “aborto inseguro” não é sinônimo de “aborto ilegal”, como aponta estudo recentemente publicado por um comitê de experts no International Journal of Obstetricians and Gynaecologists. O acesso a medicamentos e a clínicas clandestinas caras porém que funcionam dentro das normas técnicas adequadas torna o aborto ilegal seguro para as mulheres que têm acesso a informação e condição socioeconômica para bancar suas opções. Enquanto isso, há um nítido recorte de cor e classe social, porque as que morrem são as pobres, em geral negras ou pardas, que recorrem a soluções perigosas para provocar o aborto.


As mortes maternas por aborto ocorrem caracteristicamente em mulheres jovens, de baixa renda, pouca escolaridade, estudantes ou trabalhadoras domésticas, residentes em áreas periféricas das cidades, e são mais frequentes em negras, que têm um risco três vezes maior de morrer por essa causa em relação às mulheres brancas. Uma face do problema que ainda persiste por ser mais bem estudada diz respeito às mortes maternas por suicídio, decorrentes de gestações indesejadas, com ou sem tentativa de interrupção. Em uma situação de desespero, a descoberta da gravidez gera um drama humano de proporções imensas, que podem acarretar tentativa ou concretização do suicídio. Estudos qualitativos apontam para frases desesperadas “mesmo que custe a minha vida, estou decidida a não prosseguir esta gravidez”.


Por outro lado, as mortes maternas, conquanto trágicas, representam apenas a ponta do iceberg, porque para cada morte materna os estudos apontam que há pelo menos 30 casos de complicações graves ameaçadoras da vida, os chamados casos de “near miss”, de mulheres que apresentam hemorragia, infecção grave, choque séptico, perfuração de vísceras, traumatismos genitais, e que podem sobreviver com sequelas que irão acompanhá-las por toda a vida, incluindo dor pélvica crônica e infertilidade.


A criminalização, ou a legislação coibitiva, falha em evitar abortos em todo o mundo, em diversos países e também no Brasil. De acordo com o nosso atual Código Penal, que inclui aborto entre os crimes contra a vida, só há duas condições excludentes de ilicitude, em que não se pune o aborto praticado por médico em caso de estupro e quando não há outra forma de salvar a vida da gestante. Interrupções da gravidez em caso de anencefalia não são consideradas abortos porque desde a ADPF 54 de 2012 se entende que não há vida nesses casos e, portanto, não se trata de aborto e sim de antecipação do parto. Em todas as demais circunstâncias aborto é considerado crime em nosso país. Essa proibição não é efetiva porque há evidências de que não funciona, e não apenas no Brasil, mas em todo o mundo, e traz sérios danos, potenciais ou concretos, à saúde e à vida das mulheres.


Segundo um estudo publicado em 2010, a Pesquisa Nacional de Aborto (PNA), 15% das brasileiras alfabetizadas e habitando centros urbanos já fizeram pelo menos um aborto na vida. Ao chegar aos 40 anos, uma a cada cinco mulheres aos 40 anos já terá abortado. Hoje existem 37 milhões de mulheres nessa faixa etária, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Dessa forma, estima-se que 7,4 milhões de brasileiras podem ter feito pelo menos um aborto. Não estão incluídas nesse cálculo mulheres de outras faixas etárias. Por mais cuidadosas que sejam as pesquisas, muito mais provavelmente elas subestimam do que superestimam a magnitude do problema, porque é difícil proteger a participante da pesquisa, e ela pode não se sentir à vontade para relatar se fez ou não aborto. Na PNA, sendo uma amostra domiciliar com a técnica de urna, pudemos obter dados mais confiáveis que os estudos hospitalares, e esses dados são impactantes.


O número total de abortos terá sido maior porque é possível abortar mais de uma vez, e o risco de recorrência do aborto provocado é maior na ilegalidade. Diversos estudos comprovam que a legalização com os programas de atenção pós-aborto, acolhendo e orientando as mulheres que abortaram e orientação contraceptiva permite reduzir a chance de um novo aborto provocado.


A PNA aponta ainda que mulheres de todas as religiões e os níveis de escolaridade abortam, embora abortos tenham sido mais frequentes em mulheres de menor escolaridade, possivelmente por suas condições socioeconômicas. A faixa etária mais frequente em que foram realizados os abortos foi entre 18-29 anos, no ápice da vida reprodutiva. Muitas dessas mulheres já eram casadas e tinham filhos.


Atualmente, estima-se um número em torno de 800.000 abortos provocados por ano, podendo chegar a um milhão, com base na inferência e fator de correção aplicados aos dados de internações por complicações de aborto de que dispomos em registros hospitalares. Na pesquisa domiciliar da PNA, com técnica de urna, encontrou-se que 50% das brasileiras que referiram ter provocado aborto necessitaram de hospitalização, indicando não apenas os riscos para a saúde mas também o ônus que já existe para o serviço de saúde, o que seria apenas a ponta do iceberg em termos de estimativa mas que é um indicador real do problema de saúde pública. Na prática o SUS atende já na atualidade às complicações, aos casos graves de near miss e morte materna por aborto. Mulheres que abortam em condições seguras não chegam às estatísticas hospitalares, vale ressaltar.


POR QUE A FIGO, A OMS E TANTAS ORGANIZAÇÕES MÉDICAS DEFENDEM A DESCRIMINALIZAÇÃO DO ABORTO?


Em recente artigo o Professor Faúndes, que coordena o grupo de trabalho da Federação Internacional de Ginecologistas e Obstetras (FIGO) para prevenção do aborto inseguro, elenca as razões por que a FIGO defende a descriminalização do aborto:

   1) A primeira razão para defender amplo acesso ao aborto seguro é que a maioria das mulheres que enfrentam gravidezes não desejadas abortam, independente da lei local. Quando o acesso ao aborto é restrito, mulheres não terão opção legal mas podem arriscar suas vidas e saúde recorrendo a provedores não capacitados clandestinos sob condições não higiênicas. Abortos inseguros causam sofrimento e morte, como demonstrado em diversos estudos em todo o mundo.


Aborto inseguro é uma das principais causas de morte materna nos países onde o aborto é restrito. A razão de mortalidade materna por aborto na Europa era de 1 por 100.000 NV em 2008, tendo caído de 5 por 100.000 NV em 1990. No extremo oposto, a RMM por aborto na África era de 80 por 100.000 NV em 2008. Na Ásia, na América Latina e no Caribe essa RMM foi de respectivamente 20 e 10 por 100.000 NV em 2008. A cada ano, cerca de cinco milhões de mulheres em todo o mundo são admitidas em hospitais por complicações de aborto inseguro e uma revisão sistemática dos estudos entre 1990-2010 demonstrou uma mediana da razão de complicações graves por aborto de 596 por 100.000 NV.


Os dados também demonstram uma grande desigualdade no risco de morte como resultado de aborto inseguro. Abortos inseguros são mais frequentes na América Latina que na África, mas na África o risco de morte por aborto inseguro é 15 vezes maior, isso porque praticamente não ocorrem mortes relacionadas com aborto em hospitais privados atendendo mulheres economicamente privilegiadas. Inclusive na América Latina, mortes por aborto ocorrem em hospitais público onde as mulheres pobres recebem cuidados; em algumas regiões essas mortes ocorrem em suas próprias casas ou em clínicas clandestinas inseguras. As mulheres mais pobres dos países mais pobres são as maiores vítimas da criminalização e da falta de acesso ao aborto seguro. Mesmo dentro dos países pobres há desigualdes gritantes e as mulheres mais pobres e com menor escolaridade têm menor chance de procurar um médico e ter abortos seguros e maior risco de ter complicações por aborto. 



As mortes, como já comentamos, são apenas o ápice de um iceberg de base muito larga que inclui um grande número de complicações agudas e crônicas com importantes implicações sociais (como infertilidade e dor pélvica crônica). Todas essas consequências poderiam ser prevenidas se cada mulher tivesse acesso ao aborto seguro quando precisasse.

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  2) A segunda razão para defender amplo acesso ao aborto seguro é que o principal fator impeditivo de acesso é a criminalização, e a criminalização apenas aumenta mortalidade e morbidade sem reduzir a incidência de abortos induzidos. Os efeitos da criminalização do aborto na mortalidade relacionada com aborto foram dramaticamente demonstrados em países que modificaram suas leis, como a Romênia quando criminalizou o aborto em 1965. A mortalidade por aborto rapidamente subiu de 15 por 100.000 NV para 140 por 100.000 NV em poucos anos, declinando rapidamente quando as restrições ao aborto foram removidas. Também houve impacto significativo na mortalidade materna global.


Por outro lado, enquanto a criminalização é eficiente em aumentar a mortalidade materna, não logra obter os resultados esperados pelos legisladores e pelos grupos que se declaram pró-vida ou “contra o aborto”, que seria prevenir a interrupção voluntária da gravidez pelas mulheres.  As taxas mais baixas de abortos provocados no mundo são observadas exatamente nos países com ampla tradição de leis permissivas E ACESSO FÁCIL ao aborto seguro, como na Europa ocidental: Holanda, Bélgica, Alemanha e Suíça, com taxas de aborto entre 7-9 por 1.000 mulheres entre 15-44 anos (2008). Países onde há restrição ao aborto têm taxas 3-4 vezes maior, como 29 no Paquistão, 27 nas Filipinase 46 no Quênia.


   3) A descriminalização rapidamente reduz a mortalidade relacionada ao aborto e, portanto, a mortalidade materna. Na Romênia depois da queda de Ceausescu, aborto foi novamente legalizado e o acesso ao aborto seguro se tornou fácil, tendo a mortalidade materna declinado de 170 por 100.000 NV em 1989 para 75 por 100.000 NV em 1991. Isso também ocorreu na África do Sul e até em Portugal, que já tinha mortalidade materna por aborto baixa.
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  4) Descriminalização NÃO aumenta a taxa de abortos como geralmente se assume. Em alguns países pode se observar inicialmente aumento do número de abortos registrados pela maior notificação. Estudos usando outras metodologias demonstram redução do número de abortos, como na Turquia e, na maioria dos países, em médio e longo prazo, mesmo considerando os registros dos procedimentos,  a tendência é que o número de abortos se estabilize e caia, como na França, Itália e Portugal.




Redução dos abortos provocados na Turquia

Embora não haja uma relação causa-efeito direta entre legalização e melhora do acesso ao aborto seguro e declínio dos abortos provocados, parte desse efeito resulta dos programas de atenção pós-aborto. Nos países onde aborto é criminalizado não há qualquer interesse dos provedores de aborto de prevenir a recorrência do aborto provocado, uma vez que muitos têm interesse meramente comercial. Quando o aborto é legal e acessível dentro do sistema de saúde, há motivação para prevenir a repetição e aumenta o aconselhamento e o fornecimento de contracepção pós-aborto, levando à redução da repetição do aborto. A repetição do aborto representa cerca de 40% ou mais dos abortos provocados, de forma que isso explica parcialmente o efeito da legalização sobre a redução do número de abortos, prevenindo novas gestações indesejadas. A maioria das mulheres que recebem orientações e métodos contraceptivos depois de um aborto irá optar por usar métodos contraceptivos, como demonstram os estudos sobre os programas de atenção pós-aborto.


Outra explicação (nota minha) é que com o acolhimento pelo sistema de saúde um amplo leque de possibilidades se abre para a mulher que deseja terminar a gravidez, e a experiência no Uruguai tem nos demonstrado que, uma vez acolhidas pelo sistema de saúde, parte delas desiste de abortar. Elas, que eram invisíveis porque tinham que permanecer invisíveis, dada a criminalização da prática, começam a chegar aos serviços de saúde, e do seu acolhimento podem resultar diversos efeitos benéficos.


PORÉM O MAIS IMPORTANTE É DESTACAR QUE AO CONTRÁRIO DO QUE SE PROPALA NÃO HÁ EVIDÊNCIA PARA APOIAR O CONCEITO EQUIVOCADO DE QUE A LEGALIZAÇÃO IRÁ PROMOVER UMA AVALANCHE DE ABORTOS E AUMENTAR O NÚMERO DE ABORTOS PROVOCADOS. DESDE QUE SE ALIE LEGALIZAÇÃO COM AMPLO ACESSO AOS MODERNOS E MAIS EFETIVOS MÉTODOS CONTRACEPTIVOS, A TENDÊNCIA É REDUZIR O NÚMERO DE ABORTOS.


As mulheres irão sempre preferir evitar engravidar do que provocar abortos, como demonstra a experiência da Europa oriental, onde aborto era legal mas não havia acesso aos modernos métodos contraceptivos, e uma dramática redução das taxas de aborto ocorreu com a melhora do acesso aos métodos seguros e efetivos. Aliar legalização e acesso ao aborto seguro com educação, incluindo educação sexual e amplo acesso aos métodos contraceptivos é a melhor estratégia para reduzir o número de abortos.


CONCLUSÃO

Nós, como a FIGO, a OMS e diversas outras organizações internacionais, e por favor sem delírios conspiracionistas de que estaríamos promovendo redução da natalidade ou representando interesses escusos de multinacionais, pois são essas organizações conspícuas de forte credibilidade sem conflitos quaisquer de interesse, defendemos o fim da criminalização e a oferta de aborto seguro e legal dentro do sistema único de saúde. Não se trata, mais uma vez, de ser contra ou a favor, mas de reconhecer quais as medidas efetivas para reduzir a mortalidade, as complicações maternas E o número de abortos. O número de abortos provocados irá cair através de educação, melhora das condições socioeconômicas e acesso à contracepção efetiva, mas também através do acolhimento às mulheres que querem abortar. A experiência do Uruguai demonstrou que esse acolhimento permitiu que mais mulheres desistissem de abortar, uma vez ingressas no serviço de saúde, além de toda a atenção que irão receber nos programas de APA para evitar recorrência. Criminalizar o aborto só gera sofrimento e morte, NÃO EVITA ABORTOS, particularmente nos países mais pobres e nos setores mais marginalizados da sociedade. Tornar amplamente disponível a interrupção da gravidez dentro do sistema de saúde é não somente evitar sofrimento e morte, mas também, paradoxalmente que possa parecer, medida efetiva para ajudar a reduzir o número de abortos provocados. Para todos vocês, todos NÓS que somos contra abortos, que queremos evitar essa situação de grande sofrimento para cada mulher, possamos refletir, é mais que urgente a necessidade de legalizar e inserir o acolhimento e a atenção ao aborto legal dentro do SUS.



Obrigada pela atenção!

Melania
Assista todo o debate aqui: 





27 Apr 21:07

Arrochar os pobres. A única coisa em que Temer é sincero

by Fernando Brito

Meu colega Fernando Molica mostra-se espantado, no Facebook, com a quantidade de pessoas que se assustam com a notícia de que Temer vai reduzir o reajuste do salário mínimo e desvincular dele – para baixo,...

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22 Apr 18:21

Doadora de leite será indenizada pelo humorista Danilo Gentili

by Redação
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22/04/2016

A autora da ação relatou que, após sofrer humilhações e constrangimentos, o volume de leite produzido reduziu drasticamente, prejudicando os bebês que precisavam

Do Portal EBC

Michele Maximino, conhecida por ser a maior doadora de leite materno do Brasil, conseguiu, na Justiça, a indenização de R$ 200 mil por danos morais por ter sido alvo de piadas dos humoristas Danilo Gentili e Marcelo Mansfield, da TV Bandeirantes. A decisão do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), julgada no dia 13, considerou que os comentários geraram “grave lesão” à imagem da autora da ação, utilizada “de forma humilhante e degradante, causando consequência devastadora” para ela e sua família.

Em 3 de outubro de 2013, o apresentador do programa “Agora é Tarde” e seu convidado fizeram chacotas degradantes em relação à enfermeira. Segundo a ação judicial, “utilizando-se de imagens não autorizadas da autora, que é recordista em doação de leite humano, realizaram comparações indecentes com o ator pornográfico Kid Bengala fazendo uma esdrúxula similitude com os espermas do mencionado ator, bem como afirmaram que os seios da autora seriam propícios a masturbação explicando que possível seria a realização de sexo na forma ‘espanhola’.”

No programa exibido pela Bandeirantes, logo nos primeiros minutos, o apresentador Danilo Gentili fala sobre a existência de uma pernambucana doadora de leite materno que já doara mais de 300 litros de leite. Neste momento, o apresentador Marcelo, com um copo de leite na mão, faz uma expressão de nojo. O apresentador Danilo prossegue falando que, “em termos de doação de leite, ela está quase alcançando o Kid Bengala”. Marcelo pergunta, então: “Qual o tamanho das tetas?”, divulgando, em seguida, a imagem da autora com trajes adequados para a captação do leite, mostrando um decote com seios em parte à mostra.

Marcelo prossegue dizendo: “Gente, isso não é uma espanhola é uma América Latina inteira”. O apresentador segue explicando que espanhola “é quando você se masturba entre os orifícios dos seios”. Danilo interrompe o colega para dizer que, no programa dele, há um termo de cavalheiros para ser utilizado neste caso e revela que espanhola é “bater masturbação”, mostrando novamente a foto da autora da ação.

Michele Maxinimo participava de campanhas de doação de leite materno e chegou a ser responsável por 92% da arrecadação de leite humano em unidades hospitalares, doando ainda ao município de Quipapá, onde residia, e Caruaru, cidades do interior pernambucano.

Depois do programa, afirmou no julgamento, ela e o marido deixaram os empregos e tiveram que se mudar do município, para fugir das ofensas e comentários maldosos dos moradores. Ela contou que o volume de leite produzido reduziu drasticamente, prejudicando os bebês que precisavam. A autora da ação relatou ainda que sofreu humilhações, constrangimentos e passou por situações vexatórias.

Ainda cabe recurso da decisão.

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20 Apr 21:48

Na agência Câmara, jornalismo à altura de Eduardo Cunha faz lembrar Stalin

by Luiz Carlos Azenha

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NEOSTALINISMO NA AGÊNCIA CÂMARA

por Leandro Fortes, no Facebook

No dia seguinte à pantagruélica votação da admissibilidade do impeachment da presidenta Dilma Rousseff, na Câmara dos Deputados, uma reportagem feita pela Agência Câmara, em 7 de outubro de 2014, começou a circular freneticamente pelas redes sociais.

Assinada pela repórter Lara Hage, a matéria tinha o seguinte título:

“Apenas 36 deputados se elegeram com seus próprios votos”

Era, portanto, o argumento lógico e matemático a explicar o circo de horrores onde se revezaram aquelas caricaturas políticas que, entre surtos de fanatismo religioso e espasmos de cretinice, fizeram do Brasil uma triste piada internacional.

A abertura da matéria, disseminada por milhares de perfis, sites e blogs internet afora, era assim:

“Apenas 36 dos 513 deputados federais que vão compor a Câmara na próxima legislatura (2015-2018) alcançaram o quociente eleitoral com seus próprios votos. Desses, 11 são parentes de políticos tradicionais em seus estados. Os outros 477 eleitos foram “puxados” por votos dados à legenda ou a outros candidatos de seu partido ou coligação. O número é o mesmo de 2010, quando também houve apenas 36 deputados eleitos com votação própria”.

Não demorou muito para a turma do presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), perceber o estrago extra provocado pela matéria na já combalida imagem da votação do impeachment – rapidamente traduzida como “golpe” pela imprensa estrangeira.

Na terça-feira, 19 de abril, portanto, dois dias depois da votação, a direção da Agência Câmara aventurou-se no inimaginável: adulterou o título e o texto da matéria para tentar estancar a disseminação da informação original nas redes sociais.

Como na fase mais aguda do regime de Josef Stálin, a Agência Câmara decidiu dar sumiço em uma informação depois de ela ter se tornado inconveniente, da mesma maneira que o antigo líder soviético fazia com dissidentes em fotos oficiais.

O nome da autora da matéria, aliás, também foi apagado do texto.

Assim, o título “Apenas 36 deputados se elegeram com seus próprios votos” transformou-se na seguinte pérola:

“Eleição para a Câmara dos Deputados segue o modelo proporcional previsto na Constituição”.

Mas o ridículo não para por aí.

A informação sobre os 36 deputados eleitos desapareceu completamente do texto que, para a incredulidade geral, foi editado como se o responsável pelo arranjo ainda estivesse em 2014!

A abertura da matéria, depois de editada, virou essa maravilha da subliteratura parlamentar:

“Os deputados federais que vão compor a Câmara na legislatura de 2015 a 2019 foram eleitos pelo sistema proporcional previsto na Constituição brasileira. Nas eleições proporcionais, primeiramente verifica-se quais foram as coligações partidárias que receberam mais votos: o total de cadeiras na Câmara — 513 — é, então, dividido proporcionalmente entre essas coligações. As vagas de cada coligação são distribuídas para os candidatos mais bem votados dentro de cada uma delas. E todos os 513 deputados eleitos têm a mesma legitimidade em seus mandatos”.

Um primor de texto. Jornalismo em estado puro!

Incrivelmente, foi mantida a data da matéria – 7 de outubro de 2014 – para que o texto original jamais pudesse ser acessado outra vez pelos arquivos da Agência Câmara. Esse tipo de artimanha na internet, no entanto, exige um nível de profissionalismo que, certamente, o adulterador sob o comando de Cunha não tem.

Isso porque o texto foi alterado, mas a URL (no caso, o endereço de hospedagem na internet) não tem como ser mexido. Assim, adivinhem onde aparece o título que os sábios da Agência Câmara tentaram esconder?

Aqui, ó: http://www2.camara.leg.br/…/475535-APENAS-36-DEPUTADOS-SE-E…

Mas, calma, não acabou ainda.

Além de adulterar o texto da matéria, a turma de Cunha também suprimiu da publicação original um quadro pelo qual era possível ao leitor localizar os nomes dos 36 deputados eleitos.

O link, no entanto, pode ser recuperado aqui: http://www2.camara.leg.br/…/imgNoticiaUpload1412701605642.j…

A justificativa da direção da Agência Câmara para a adulteração da reportagem, um ano e meio depois de o texto ter sido publicado no site oficial da Câmara dos Deputados, é o retrato definitivo da desonestidade intelectual aplicada ao jornalismo.

Segundo o desconhecido editor da obra-prima, a matéria foi atualizada “para garantir uma explicação correta do funcionamento do sistema de eleição proporcional no Brasil”.

Isso porque “ao contrário do que dizia o texto anterior, não foi apenas um determinado número de deputados que se elegeu com os seus próprios votos. Todos os deputados são eleitos com os seus próprios votos dentro das regras do sistema proporcional. Portanto, todos os deputados têm a mesma legitimidade nos seus mandatos”.

Esqueçam o cinismo.

Concentrem-se na curiosidade de a direção da Agência Câmara só ter se dado conta da sagrada legitimidade de todos os deputados com 18 meses de atraso – e justamente depois daquela tertúlia verde e amarela que pode, vejam vocês, resultar na anistia de Eduardo Cunha, esse probo parlamentar acusado de manter contas na Suíça para receber propinas parceladas.

A propósito, o editor-chefe da Agência Câmara, acreditem, é um jornalista e se chama João Pitella Junior.

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20 Apr 19:58

Impeachment amaldiçoado? Em menos de 24 horas, um preso e um condenado na conta do 'sim' contra Dilma

by Antônio Mello



Embora a maioria dos deputados que votaram no domingo pelo impeachment da presidenta Dilma tenha invocado o nome de Deus, talvez pelo histórico pecador de grande parte deles parece que algo de ruim está acontecendo aos defensores do "sim".

Na manhã de segunda, bem cedinho, a Polícia Federal prendeu o marido da deputada Raquel Muniz, o prefeito de Montes Claros Ruy Adriano Borges Muniz, a quem ela dedicara seu voto eufórico ("sim, sim, sim, sim!"), além de Deus. O prefeito é acusado de "crimes de falsidade ideológica majorada, dispensa indevida de licitação pública, estelionato majorado, prevaricação e peculato".

Na mesma segunda-feira, antes de completar 24 horas do término da votação, o TSE condenou o relator do processo, deputado Jovair Arantes (PTB-GO.

Relator do processo de impeachment da Câmara, o deputado Jovair Arantes (PTB-GO) foi condenado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Goiás a pagar multa de R$ 25 mil por utilizar um servidor comissionado da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em sua campanha eleitoral, em 2014. [Fonte]

Que coisa.

Yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay ...


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Madame Flaubert, de Antonio Mello

20 Apr 19:57

O estupro e o estupro de Jair Messias

by Tiago de Thuin
A fala do deputado Jair Messias Bolsonaro chocou um pouco uma ou outra pessoa Brasil afora. Entendendo por uma ou outra pessoa praticamente todo mundo, incluídos até alguns de seus admiradores, e por "um pouco," muito. Mas - correndo o risco de ser desde já classificado como histérico, talvez, diria o diretor da Época, "doce," vou dizer aqui que ela é pior ainda do que parece. E idem a reação dos congressistas a ela, por tabela.

Vamos lá. A declaração:

“Perderam em 64, perderam agora em 2016. Pela família, pela inocência das crianças em sala de aula, que o PT nunca teve, contra o comunismo, pela nossa liberdade, contra o Foro de São Paulo, pela memória do Coronel Brilhante Ustra, o pavor de Dilma Rousseff, pelo exército de Caxias, pelas Forças Armadas, pelo Brasil acima de tudo e por Deus acima de tudo, o meu voto é sim”

Sim, ele elogia o golpe de 64. Sim, ele faz referência à esparrela da "escola ideológica comunista" (e nem foi o único, naquele circo domingueiro). Sim, ele fala do "foro de São Paulo," um bicho-papão de teorias de conspiração de anticomunistas histéricos. Sim, ele, enfim, elogia Brilhante Ustra, o torturador que enfiava ratos na boceta (não cabe eufemismo aqui. RATO NA BOCETA.) de adolescentes. Mas tem um detalhe que faz ser tudo muito pior: ao falar que está votando contra Dilma Rousseff, por Brilhante Ustra, o pavor de Dilma Rousseff, Bolsonaro faz a mesma operação que na abertura de sua declaração: ele equivale a ação anterior à atual.

Ora, se na primeira declaração ele está, com isso, dizendo que o que se passa hoje é um golpe, na segunda está dizendo que é uma tortura, um estupro. Ele está dizendo "estou aqui, junto com meus companheiros, simbolicamente, estuprando Dilma Rousseff de novo." Talvez não se deva dar grande importância ao aplauso entusiástico; era um ambiente de torcida de futebol, em que todo voto pelo Sim seria aplaudido, ainda que fosse lançado "em homenagem a Baalzebub, Senhor das Moscas, e a todas as Hostes do Qlippoth." Talvez fosse o caso de perguntar aos que aplaudiram se realmente curtiram a ideia de que o que estavam fazendo era um estupro ou só se empolgaram.

Que Bolsonaro, que já foi terrorista literal, se torne um estuprador simbólico não é muito de se admirar. Mas vem, junto com a reportagem da Veja que apresenta "nossa Grace Kelly," reforçar um quadro de violência simbólica contra a mulher, em que o machismo da sociedade é instrumentalizado para colaborar nos ataques à figura da presidenta - e, com isso, é de novo reforçado. Isso não é pouca coisa, e que vá até o elogio de um estuprador é preocupante. Inclusive é preocupante porque, ao contrário do que é imaginado e vendido, estuprador não é, na maioria dos casos, um louco saindo das sombras para atacar uma transeunte, mas alguém do próprio círculo, "ensinando uma lição." Boa parte nem considera o que faz estupro. Não é, como aquele outro egresso da ditadura, Paulo Maluf, pensava, questão de "desejo sexual," mas um jeito de pôr uma mulher no seu lugar. Vamos estuprar essa histérica até que ela se torne uma mulher recatada e do lar. (E nem é coincidência que, num Congresso esmagadoramente masculino, a proporção de "Sim" entre as poucas mulheres tenha sido menor, e mais ainda se descontadas as da bancada evangélica.)

Essa narrativa, machista e francamente misógina, não é, creio, fruto de convicção ideológica por parte de políticos (excetuados alguns) nem da mídia (quando do "doces histéricas," Escosteguy alegou que "não o tinham entendido direito," não encampou a misoginia). A mesma Veja que publicou a brincadeira da "nossa Grace Kelly" volta e meia fala de libertação sexual; outras revistas da Abril falam disso quase o tempo todo. É uma narrativa instrumentalizada contra a presidenta Dilma, porque vale tudo contra ela (o que não deixa de fechar o círculo; mulheres podem se libertar, mas talvez não ao ponto de ser presidenta). Só que não é tão fácil pôr de volta os monstros que tiramos da caixa. Bolsonaro tem, hoje, mais de um quinto dos votos da classe média e alta. Se isso não assusta um oposicionista (de Brasília ou do Jardim Botânico), deveria.

Aqui vai uma escarrada virtual, então, à memória do coronel Ustra, e de todos os outros torturadores que elegiam as mulheres como seu alvo preferencial, para puni-las não apenas pelo comunismo como pela insolência de saírem do lar.



20 Apr 14:18

PESSOAS QUE NÃO SÃO RECONHECIDAS

by lola aronovich
Uma amiga me contou essa história que aconteceu com ela não faz muito tempo, em uma cidade do Vale do Itajaí, em Santa Catarina.
Ela, que pediu pra não ser identificada, trabalha na área da cultura e foi chamada para prestar consultoria para alguns empresários. Chegou um pouco antes da hora no prédio combinado, e uma funcionária da limpeza veio falar com ela. Trocaram algumas ideias.
Vieram os empresários, que nunca tinham visto minha amiga antes. 
Interromperam a conversa das duas e, simpáticos, falaram pra funcionária da limpeza como eles estavam felizes com a presença dela lá para auxiliá-los, que eles já tinham ouvido falar muito no seu trabalho, e como em breve eles a levariam para almoçar em um excelente restaurante. A funcionária -- que até vestia uniforme -- ficou sem jeito ao ser confundida. 
Minha amiga também, mas finalmente ela disse aos homens que era ela a pessoa que eles tinham chamado. Eles ficaram meio sem graça, mas rapidamente mudaram de assunto. 
Só que sabe aquele papo de levá-la pra um ótimo restaurante? Não levaram. Nem tocaram mais no assunto.
Detalhe: a funcionária de limpeza (uniformizada, vale lembrar) era branca. Minha amiga é negra. 
Mas não existe racismo no Brasil, racismo é coisa de quem fala em raça, o maior racismo é dos negros, etc etc. 
20 Apr 11:19

Joaquim Barbosa ficou chocado com a falta de modos no golpe, mas não com o machismo e sexismo

by Luiz Carlos Azenha

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Tem um certo tratamento, que é uma tentativa de desvalorizar, de diminuir, de colocar como sendo a mulher uma pessoa que não tem força para resistir à pressão, a mulher como um ser frágil. Isso é um absurdo e eu me rebelo contra isso. Dilma Rousseff, Palácio do Planalto, encontro com mulheres na rampa

O show de horrores e misoginia de domingo ainda teve outros capítulos. Dentre os deputados que não puderam comparecer a votação está Clarissa Garotinho, grávida de 35 semanas e que saiu de maca da última seção. A cada vez em que era citada recebia vaias. Uma mulher com 35 semanas de gestação não pode e não deve pegar avião por um motivo bem simples: a segurança do bebê que ela está quase parindo. Os homens não foram vaiados ou hostilizados. E isso em um plenário em que a maior parte dos votos foram justificados com o “pela minha família”. Carol Patrocinio, no HuffPost Brasil

por Luiz Carlos Azenha

Joaquim Barbosa está chocado. Faltaram modos ao golpe jurídico-midiático do último domingo. Barbosa expressou sua opinião em uma série de tuites. Ele, para decepção de muitos fãs, é contra o impeachment.

A ironia é que, com sua destemperada atuação de juiz-promotor durante o caso do mensalão, o ex-ministro assentou as bases do histrionismo judicial caçador de bruxas que hoje impede qualquer brasileiro de vestir vermelho nas ruas.

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Se Barbosa era um show no tribunal, o herdeiro espiritual dele, o juiz Sérgio Moro, elevou o espetáculo a um novo patamar: a cenografia inclui homens fortemente armados e a constante vigilância dos helicópteros da Globo, que promove e vive do show desinformador.

Aos olhos gringos, estamos em profunda decadência: eles, que sempre nos associaram à brilhante Carmen Miranda, ficaram bem menos impressionados com o espetáculo do Paulinho da Força, que com uma das mãos coçava as partes no plenário, domingo, enquanto empunhava com a outra o cartaz sexista e misógino Tchau Querida.

Há uma clara associação entre a cena e uma estatística.

A média mundial de mulheres nos parlamentos federais é de 22%, chegando a 41% nos países nórdicos, passando pelos 27% das Américas, 25% da Europa, 18% dos estados árabes e chegando aos 11,5% do Brasil.

Entendeu, Barbosa? Dilma é você, de saias.

Nós também lamentamos que o Brasil tenha se tornado motivo de deboche com a vitória do Golpe dos Ladrões.

Menos pelas piadas da mídia internacional, já que muitas são derivadas do desejo não expresso de nos condenar como indignos de qualquer protagonismo internacional.

O que nos envergonha de verdade é o imenso fosso na percepção de um mesmo fato pelos correspondentes internacionais e pelos jornalistas brasileiros. Muitos destes condenam a forma do golpe, mas não o golpe; uma derrubada de Dilma com a mesma falta de argumentos, mas preservando a dignidade do rito, seria aceitável.

Aqui se observa a grande contradição entre os defensores do golpe com modos e a necessidade dos grandes roteiristas, cenógrafos e marqueteiros da patacoada: os donos da mídia.

Como sabemos, não foi por acaso que Eduardo Cunha marcou o show para um domingo, dia em que milhões estão em casa.

O espetáculo, embora grotesco para os olhos de fora, não foi resultado do acaso.

Toda aquela encenação era necessária para esconder a falta de argumentos diante dos milhões de brasileiros cuja vida política se dá através das emissoras de TV. Os cartazes, os cânticos, a gritaria, os bonecos — era tudo para não tratar o problema de forma racional, com ponderação de pós e contras, pensando no melhor rumo a seguir.

Não, o resultado estava pre-determinado e o show tinha o objetivo de mascarar que ele nasceu de um gol com a mão.

Nada neste golpe, aliás, tem sido por acaso. A tela dividida nas TVs, com o voto seguido de vibração popular, foi o grande momento confirmador — por isso era preciso tirar o som das vozes discordantes, introduzir repórteres quando elas se manifestavam, esconder as multidões que não interessavam.

O objetivo era construir o consenso entre a classe média e a grande maioria silenciosa, para a qual o repórter famoso, o palhaço e o deputado são todos celebridades, apenas com capacidades distintas na hora de dar cambalhota.

Em vez do debate politizador, uma contagem literalmente regressiva.

Se vivemos num simulacro, que pelo menos seja divertido:

A lista da Economist, compartilhada em inglês 19 mil vezes mundo afora:

Pelo aniversário de minha neta
Pelos fundamentos da Cristandade
Por Bruno e Felipe
Pelos maçons do Brasil
Para os produtores rurais, porque se eles não plantarem não haverá almoço nem jantar
Contra a proposta de mudança de sexo de crianças em idade escolar
Para acabar com as vantagens de ser desempregado ou vagabundo
Pela Congregação Quadrangular
Pelos velhos e as crianças
Pelo fim da dependência do Bolsa Família
Para minha mãe Lucimar
Pela Renovação Carismática
Pelos médicos brasileiros
Para acabar com a CUT e seus líderes
Pelo amor ao País
Pelo fim do escândalo da Petrobras e daqueles que lucraram com ele
Pela República de Curitiba
Em memória do meu pai
Por Campo Grande, a morena mais adorada do Brasil
Pelo controle das armas
Porque comunismo é o que ameaça este País
Para o povo pioneiro e sem medo de Rondônia
Pela BR 429
Por todos os corretores de seguros
Para minha filha que vai nascer, Manoela
Para minha mãe de 93 anos de idade que está em casa
Em homenagem ao fundador de minha cidade
Pela paz em Jerusalém
Para o melhor estado, Tocantins
Pela minha mãe, que está lutando pela sua vida
Pelo setor que gera riqueza, o agronegócio
Para o meu filho Breno e a amada Polícia Militar de São Paulo
Pelos militares que assumiram o poder em 1964
Para que a gente não se torne vermelho como a Venezuela e a Coreia do Norte
Para o meu pai de 78 anos que me ensinou a palavra de Deus
Para Sandra, Erica, Vitor, Jorge e meu neto que vai nascer
Para o meu estado de São Paulo, governado nos últimos 20 anos pelos políticos honestos de meu partido (risos generalizados)
Para minha mulher e filha, meu melhor eleitorado
Um tributo às minhas verdadeiras riquezas, minhas filhas
Por um fim aos coroneis
Para os soldados das Forças Armadas que agora são aposentados sem salário
Em lembrança a meu pai Roberto Jefferson
Para Carlos Alberto Ustra, o terror da Dilma
Para os sem teto que dormem na rua, nascem na rua, morrem na rua
Para que o governo defenda outra vez a nação de Isael
Pela ciência e tecnologia
Pela minha mulher Mariana e minha pequena filha Mariana
Contra a ditadura bolivariana
Pelos caminhoneiros
Por homens livres e honestos
Pela honra do povo de Minas Gerais
Pela Cançao Nova e pelos brasileiros dependentes de drogas
Pela minha tia Eurides, que cuidou de mim quando eu era pequena
Para você, mãe
Pelas tradições libertárias de Minas Gerais
Esquedi de citar meu filho, para voce, Paulo Henrique, beijo
Pelo hospital do câncer
Em tributo às vitimas da BR 251
Pela honra da bandeira de Minas Gerais
Sou líder da maioria, não sou líder da minoria

Se serve de consolo ao Joaquim Barbosa, fique tranquilo: os britânicos da Economist passaram batido pelo Partido da Mulher Brasileira, cujo único parlamentar é homem.

Leia também:

Em Washington, Aloysio achou que estava sendo adulado

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18 Apr 22:39

Golpe “apoiado por Deus” e torturador vira piada em todo o mundo; golpistas despacham Aloysio Nunes para prestar contas aos EUA

by Luiz Carlos Azenha

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“A maior parte dos deputados evocou Deus e a família na hora de dar o seu voto. Jair Bolsonaro até mesmo defendeu, com palavras ardentes, um dos piores torturadores da ditadura militar” Der Speigel, a maior revista alemã

“Pela minha filha que vai nascer e por minha sobrinha Helena”, trecho do voto de um deputado destacado pelo diário espanhol El Pais, com o título “Deus derruba a presidenta do Brasil”

Na era da internet, atuações como a do deputado Wladimir Costa, do Solidariedade do Pará, não escapam à mídia internacional e confirmam que o Parlamento brasileiro é um circo onde existe um palhaço de verdade e outros 400 picaretas; no vídeo, ele acusa o ex-presidente Lula e a presidente Dilma de incentivar a prostituição infantil. Este baixo nível é incomum nos parlamentos de países que se pretendem civilizados

Da Redação

A degradante atuação do Congresso brasileiro ao aplicar um golpe em nome da República dos Corruptos, liderada por Eduardo Cunha, teve grande repercussão internacional.

Segundo The Intercept, o site mantido pelo jornalista Glen Greenwald a partir do Rio de Janeiro, a oposição despachou para os Estados Unidos o senador Aloysio Nunes, que se encontrará com integrantes do poderoso Comitê das Relações Exteriores do Senado, com o subsecretário de Estado Thomas Shannon e com um grupo de lobistas ligados à ex-secretária de Estado Madeleine Albright, diplomata influente desde o governo Reagan e que representa dinheiro grosso nos Estados Unidos.

Greenwald não lembra o fato de que a ex-embaixadora dos Estados Unidos no Paraguai, que assistiu ao golpe suave contra Fernando Lugo lá, foi transferida em seguida para o Brasil.

Trata-se de uma viagem, a de Aolysio, no mínimo curiosa, já que Dilma Rousseff continua no poder no Planalto e o Brasil mantém relações diplomáticas normalizadas com os Estados Unidos, enquanto o senador tucano está prestes a se engajar na batalha do impeachment no Senado, em um papel central.

A ex-presa política Amelinha Teles denuncia a barbárie cometida pelo capitão Ustra, homenageado na sessão em que se deu o golpe contra Dilma Rousseff; pedimos a algum leitor que tenha tempo e capacidade que coloque legendas em inglês. Foi um pedido de estrangeiros que querem entender melhor o papel de Ustra/Bolsonaro na política brasileira

Tradução parcial do texto do Intercept:

Muitos na esquerda brasileira acreditam que os EUA estão planejando ativamente a instabilidade atual no país com o propósito de se livrar de um partido de esquerda que se apoiou fortemente no comércio com a China, e colocar no lugar dele um governo mais favorável aos EUA que nunca poderia ganhar uma eleição por conta própria.

Embora não tenha surgido nenhuma evidência que comprove essa teoria, uma viagem aos EUA, pouco divulgada, de um dos principais líderes da oposição brasileira deve provavelmente alimentar essas preocupações. Hoje — o dia seguinte à votação do impeachment — o Sen. Aloysio Nunes do PSDB estará em Washington para participar de três dias de reuniões com várias autoridades norteamericanas, além de lobistas e pessoas influentes próximas a Clinton e outras lideranças políticas.

O Senador Nunes vai se reunir com o presidente e um membro do Comitê de Relações Internacionais do Senado, Bob Corker (republicano, do estado do Tennessee) e Ben Cardin (democrata, do estado de Maryland), e com o Subsecretário de Estado e ex-Embaixador no Brasil, Thomas Shannon, além de comparecer a um almoço promovido pela empresa lobista de Washington, Albright Stonebridge Group, comandada pela ex-Secretária de Estado de Clinton, Madeleine Albright e pelo ex-Secretário de Comércio de Bush e ex-diretor-executivo da empresa Kellogg, Carlos Gutierrez.

A Embaixada Brasileira em Washington e o gabinete do Sen. Nunes disseram ao The Intercept que não tinham maiores informações a respeito do almoço de terça-feira. Por email, o Albright Stonebridge Group afirmou que o evento não tem importância midiática, que é voltado “à comunidade política e de negócios de Washington”, e que não revelariam uma lista de presentes ou assuntos discutidos.

Nunes é uma figura da oposição extremamente importante — e reveladora — para viajar aos EUA para esses encontros de alto escalão. Ele concorreu à vice-presidência em 2014 na chapa do PSDB que perdeu para Dilma e agora passa a ser, claramente, uma das figuras-chave de oposição que lideram a luta do impeachment contra Dilma no Senado.

Como presidente da Comissão de Relações e Defesa Nacional do Senado, Nunes defendeu repetidas vezes que o Brasil se aproxime de uma aliança com os EUA e o Reino Unido. E — quase não é necessário dizer — Nunes foi fortemente apontado em denúncias de corrupção; em setembro, um juiz ordenou uma investigação criminal após um informante, um executivo de uma empresa de construção, declarar a investigadores ter oferecido R$ 500.000 para financiar sua campanha — R$ 300.000 enviados legalmente e mais R$ 200.000 em propinas ilícitas de caixa dois — para ganhar contratos com a Petrobras. E essa não é a primeira acusação do tipo contra ele.

A viagem de Nunes a Washington foi divulgada como ordem do próprio Temer, que está agindo como se já governasse o Brasil. Temer está furioso com o que ele considera uma mudança radical e altamente desfavorável na narrativa internacional, que tem retratado o impeachment como uma tentativa ilegal e anti-democrática da oposição, liderada por ele, para ganhar o poder de forma ilegítima.

O pretenso presidente enviou Nunes para Washington, segundo a Folha, para lançar uma “contraofensiva de relações públicas” e combater o aumento do sentimento anti-impeachment ao redor do mundo, o qual Temer afirma estar “desmoraliz[ando] as instituições brasileiras”. Demonstrando preocupação sobre a crescente percepção da tentativa da oposição brasileira de remover Dilma, Nunes disse, em Washington, “vamos explicar que o Brasil não é uma república de bananas”. Um representante de Temer afirmou que essa percepção “contamina a imagem do Brasil no exterior”.

“É uma viagem de relações públicas”, afirma Maurício Santoro, professor de ciências políticas da UFRJ, em entrevista ao The Intercept. “O desafio mais importante que Aloysio enfrenta não é o governo americano, mas a opinião pública dos EUA. É aí que a oposição está perdendo a batalha”.

Não há dúvida de que a opinião internacional se voltou contra o movimento dos partidos de oposição favoráveis ao impeachment no Brasil. Onde, apenas um mês atrás, os veículos de comunicação da mídia internacional descreviam os protestos contra o governo nas ruas de forma gloriosa, os mesmos veículos agora destacam diariamente o fato de que os motivos legais para o impeachment são, no melhor dos casos, duvidosos, e que os líderes do impeachment estão bem mais envolvidos com a corrupção do que Dilma.

Temer, em particular, estava abertamente preocupado e furioso com a denúncia do impeachment pela Organização de Estados Americanos, apoiada pelo Estados Unidos, cujo secretário-geral, Luis Almagro, disse que estava “preocupado com [a] credibilidade de alguns daqueles que julgarão e decidirão o processo” contra Dilma. “Não há nenhum fundamento para avançar em um processo de impeachment [contra Dilma], definitivamente não”.

O chefe da União das Nações Sul-Americanas, Ernesto Samper, da mesma forma, disse que o impeachment é “um motivo de séria preocupação para a segurança jurídica do Brasil e da região”.

A viagem para Washington dessa figura principal da oposição, envolvida em corrupção, um dia após a Câmara ter votado pelo impeachment de Dilma, levantará, no mínimo, dúvidas sobre a postura dos Estados Unidos em relação à remoção da presidente. Certamente, irá alimentar preocupações na esquerda brasileira sobre o papel dos Estados Unidos na instabilidade em seu país. E isso revela muito sobre as dinâmicas não debatidas que comandam o impeachment, incluindo o desejo de aproximar o Brasil dos EUA e torná-lo mais flexível diante dos interesses das empresas internacionais e de medidas de austeridade, em detrimento da agenda política que eleitores brasileiros abraçaram durante quatro eleições seguidas.

ATUALIZAÇÃO: Antes desta publicação, o gabinete do Sen. Nunes informou ao The Intercept que não tinha mais informações sobre a viagem dele à Washington, além do que estava escrito no comunicado de imprensa, que data de 15 de abril. Subsequente à publicação, o gabinete do Senador nos indicou informação publicada no Painel do Leitor (Folha de S. Paulo, 17.04.2016) onde Nunes afirma — ao contrário da reportagem do jornal — que a ligação do vice-presidente Temer não foi o motivo para sua viagem a Washington.

Traduzido por: Beatriz Felix, Patricia Machado e Erick Dau

Leia também:

O estranho silêncio dos Estados Unidos sobre a crise no Brasil

O post Golpe “apoiado por Deus” e torturador vira piada em todo o mundo; golpistas despacham Aloysio Nunes para prestar contas aos EUA apareceu primeiro em Viomundo - O que você não vê na mídia.

08 Apr 17:07

O irmão de Bolsonaro,”fantasma” de R$ 17 mil na Alesp, é o “mito” do moralismo. Veja

by Fernando Brito

Quando você encontrar um moralista fanático na política, meu amigo e minha amiga, tenha a certeza, aí estará um hipócrita e um cínico. O SBT apresentou ontem (veja abaixo) matéria dos repórteres Fábio Diamante...

O post O irmão de Bolsonaro,”fantasma” de R$ 17 mil na Alesp, é o “mito” do moralismo. Veja apareceu primeiro em TIJOLAÇO | “A política, sem polêmica, é a arma das elites.”.

07 Apr 17:53

Doutor Carrocrata

by João Lacerda

Ou porque parei de falar de carros e passei a amar mais a bicicleta.

Trocar idéias sobre bicicletas, trânsito, espaço urbano e cidades em geral pode ser um grande desafio na esfera doméstica. Eventualmente em um jantar de família irão surgir perguntas sobre “indústria da multa, radares, ciclovias…” Eis que então surge o desafio.

Impactos do automóvel na organização das cidades

Antes de mais nada é preciso entender o papel da popularização do transporte individual motorizado na organização urbana. O viés histórico rende muitas horas de conversa e naturalmente teses de mestrado e doutorado.

Foi exatamente para simplificar a discussão e exemplificar as transformações em prol das pessoas em Amsterdã que a canadense radicada na Holanda, Cornelia Dinca, mergulhou em fotografias antigas da cidade paraíso para as bicicletas. Daí nasceu a tese para seu mestrado em planejamento urbano. A idéia foi explorar a conexão, muitas vezes esquecida, entre transporte e planejamento urbano.

Automóvel, luxo, privilégio ou necessidade?

Invarialmente, apontar os malefícios do uso desenfreado do automóvel nas cidades gera reações adversas. A tese de que a mobilidade individual motorizada é um privilégio soa agressivo para quem por ventura nasceu e cresceu vendo no carro particular um símbolo de status, ascenção social e principalmente de conveniência. Mas do que seu valor simbólico, as carruagens com motor carregam aspectos práticos das pessoas que sentem como imutável suas escolhas de mobilidade.

Exatamente pelos riscos de confronto, o caminho mais confortável para repensar a mobilidade em conversas no ambiente doméstico é deixar de lado a história e a sociologia do planejamento urbano e trazer à tona os aspectos práticos. Ao olhar para qualquer grande cidade brasileira, Amsterdã pode parecer utopia, mas como provam as fotos desse post, a cidade holandesa já foi muito parecida com a distopia urbana em que milhões de brasileiros vivem hoje.

Os custos sociais da mobilidade individual

Tema ainda mais espinhoso é o dos custos sociais do uso do carro particular, uma conta que passa por cima e extrapola IPVA, IPI e qualquer outra fonte de arrecadação. O governo dinamarquês, através da sua “Embaixada da Bicicleta”, calcula periodicamente o quanto custa para todas as pessoas as decisões de mobilidade de cada uma delas.

Para se chegar ao total os métodos são complexos, a lógica é simples. Cada quilômetro pedalado, economiza dinheiro de todos pelos benefícios individuais e coletivos que gera. Por outro lado, cada quilômetro percorrido em automóvel gera prejuízos sociais imensos, que passa pelos congestionamentos, poluição do ar, mortes no trânsito etc.

Qual o modelo de cidade que queremos?

amsterdam

Certamente não somos dinamarqueses, muito menos holandeses e como define a mestranda Cornelia: “Não se trata de tornar todas as cidades iguais à Amsterdã. Trata-se de tornar cada cidade uma versão melhorada delas mesmas”.

Então, da próxima vez que surgir o assunto mobilidade urbana no jantar de família ou no almoço de Páscoa, tenha na memória as origens e os processos de desenvolvimento urbano, mas leve a conversa para o lado da esperança, trazendo as mudanças possíveis na sua cidade para que ela venha a ser melhor a cada dia.

Saiba mais:

07 Apr 13:30

Moralidade e econômia: Associação dos Servidores do MP pedirá ao STF fim do auxílio-moradia

by renato

aldo_mpA Associação Nacional dos Servidores do Ministério Público decidiu por entrar com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal para pedir o fim do auxílio-moradia para todos os membros do Ministério Público. A definição ocorreu no encontro nacional das associações dos servidores, realizado em Fortaleza. O Rio Grande do Norte foi representado pelo presidente do Sindicato dos Servidores do MP-RN, Aldo Clemente.

“O fim do auxílio-moradia é mais uma postura adotada pela entidade representativa dos servidores; uma ação em defesa da moralidade e da transparência”, destacou Aldo. Ele ressaltou, inclusive, que uma Consultoria de Orçamentos e Fiscalização Financeira da Câmara dos Deputados emitiu nota técnica afirmando ser a MP 711/16, na qual Dilma Rousseff (PT) busca assegurar mais de R$ 409 milhões para pagamento de auxílio-moradia a magistrados e procuradores, inconstitucional.

O post Moralidade e econômia: Associação dos Servidores do MP pedirá ao STF fim do auxílio-moradia apareceu primeiro em BLOG DO PRIMO.

06 Apr 14:28

“Moro tem de agir dentro da lei. O vínculo da morte de Celso Daniel com crimes da Lava Jato não é verdadeiro”, diz delegado do caso. Por Zambarda

by Pedro Zambarda de Araujo
O delegado Marcos Carneiro Lima, do caso Celso Daniel

O delegado Marcos Carneiro Lima, do caso Celso Daniel

 

O delegado Marcos Carneiro Lima, de 59 anos, mineiro de Barra Longa estabelecido em São Paulo, esteve no centro do caso do assassinato do ex-prefeito de Santo André Celso Daniel.

Foi o investigador do Departamento de Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa, DHPP, responsável pelo caso. Daniel foi encontrado numa estrada de terra em Juquitiba. Os irmãos João Francisco e Bruno Daniel afirmam que conversaram com políticos do PT e sustentam a tese de crime político.

O homicídio foi cometido por oito pessoas da quadrilha de Ivan Rodrigues da Silva, o “Monstro”. No carro em que ocorreu o sequestro estava como motorista Sérgio Gomes da Silva, conhecido como Sombra, que também trabalhou arrecadando verba para o ex-prefeito.

Os assassinos presos na época tinham proximidade com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e facções rivais. Marcos Carneiro Lima é especialista em sequestros. Foi delegado por 26 anos e trabalhou com homicídios e antissequestro. Também passou pela Corregedoria da Polícia Civil, foi diretor do DEMACRO — responsável pelas 38 cidades da Grande São Paulo — e delegado geral no biênio 2011/2012. Atualmente está aposentado.

Marcos admite que a vitória do ex-presidente Lula em 2002 alimentou uma tese de crime feito a mando de outros políticos do PT contra Daniel, como Gilberto de Carvalho e José Dirceu.

“Eu não gosto do Lula e nem tenho simpatia pelo seu partido, mas é nítido que as pessoas tentaram se aproveitar politicamente daquele episódio”. E ele diz que a história mentirosa volta de dois em dois anos, “sempre no período eleitoral”.

Ele lembra que, em 2016, quando teremos eleições para prefeito de São Paulo, a revista Veja estampou que Celso Daniel é o “cadáver na Lava Jato”. “A única relação que pode existir com as investigações do juiz Sergio Moro tem a ver com a corrupção na máfia dos transportes em Santo André. O crime contra o ex-prefeito foi comum”, declara.

O DCM falou com Marcos Carneiro Lima.

A disputa política projetou o caso Celso Daniel para além dos fatos?

Acredito que sim e lamento. Uma coisa é a disputa partidária, a outra é querer transformar uma mentira grave em verdade. Integrantes do PT praticaram diversos crimes e estão pagando por isso na Justiça. Agora, querer condenar alguém injustamente por algo que não aconteceu, o crime de mando, é uma injustiça.

Os irmãos de Celso Daniel falam em crime político ligado ao Gilberto de Carvalho e José Dirceu. Por quê?

Eles podem ter as opiniões que quiserem, porque eles não são policiais e nem fazem parte do sistema judiciário. Há questões familiares e pessoais que são de foro íntimo, e não alteram em nada as investigações. Agora, era um fato notório que os irmãos tinham relações estremecidas. Por isso eles empurraram essa tese para a frente.

Questões políticas da região do ABC também pesaram muito neste contexto, incluindo a acusações de corrupção. Dá pra acreditar mesmo que José Dirceu iria pessoalmente ordenar uma morte desta forma? Uma coisa são as investigações sobre propinas em Santo André. Outra história é a questão da morte do Celso Daniel.

O senhor diz publicamente que o crime foi executado a mando de Monstro e não por ordem do motorista Sombra. Se foi um crime comum, aconteceu apenas pelo Mitsubishi importado em que Celso Daniel estava antes de morrer? 

A quadrilha do Monstro começou praticando roubos e sequestros relâmpagos. Eles não tinham nenhuma sofisticação e escolhiam as vítimas, no início das ações criminosas, pelo padrão dos veículos. O foco deles era os carros importados. Depois, passaram para o crime de extorsão mediante sequestro, mantendo as vítimas em cativeiro, enquanto negociavam o resgate.

Celso Daniel foi escolhido por causa de seu carro, depois da frustrada perseguição a uma Dakota na mesma noite de 18 de janeiro. Antes do Celso, uma das vítimas foi a esposa de um diretor do Itaú, que fazia trabalho voluntário perto da favela Pantanal, na divisa entre Americanópolis e Diadema. Esta vítima morava na City Pinheiros, perto da Praça Panamericana, um bairro de alto poder aquisitivo. Outra vítima, um empresário, também era morador da mesma região. Estes dois casos ocorreram no ano de 2000.

Já sabíamos que a quadrilha era da favela e estávamos tentando identificá-los. Fizemos uma operação no daquele ano, mas não conseguimos prender nenhum sequestrador.

Se o crime não foi político, é possível que o PCC seja o responsável? Apesar do Dionísio de Aquino Severo, um dos culpados, ser integrante da rival CRDB (Comando Revolucionário Democrático Brasileiro).

Não há como afirmar a ligação do Monstro com o PCC, mas ela é possível na época. A questão da briga entre o PCC e o CRDB era específica no âmbito do sistema carcerário. A ação criminosa partiu da ideia da quadrilha e não há prova de uma orientação do PCC para uma ação criminosa isolada.

Conforme li em reportagens, nenhum dos envolvidos no crime confirma a versão de crime político, defendida pelo Ministério Público depois de 2003. Confere? Por que você acha eles negam a relação?

Sim, todos eles negaram. Os presos foram categóricos em afirmar que foi um crime comum, mesmo os promotores prometendo aliviar as penas. Houve, inclusive, uma acareação gigante entre os presos e demais autoridades, inclusive políticos como o senador Antônio Carlos Magalhães e o senador Romeu Tuma. Mesmo assim, eles mantiveram o mesmo posicionamento.

Eles negaram, no meu entendimento, por perceberem que seriam usados para fins espúrios, e não se sujeitaram. Sabiam que existia um interesse político na época de fazer associações mentirosas naquele caso.

A eleição de Lula em 2003 e a ascensão de José Dirceu alimentaram a mídia na época?

Alimentaram as teorias falsas sobre o crime. No início das investigações, que foram feitas de forma isenta pela Polícia Civil de São Paulo e pela Polícia Federal, a vitória do Lula não parecia certa. Com a vitória do PT, algum “iluminado” criou esta teoria do crime de mando, de crime político.

Tudo isso foi feito para colar na imagem do “partido de bandidos capazes de tudo, inclusive de matar”. O jogo político pelo poder é sujo e isso fica claro nessa mentira.

Isso tudo aconteceu no começo de 2002. O ex-presidente não sabia ainda quem seria sua equipe para governar. Celso Daniel poderia ter sido futuro ministro da Fazenda. Fica fácil fazer essas ilações.

A imprensa não conversou com a polícia na época e provocou confusão sobre a compreensão do caso?

Na época da apuração do crime, a ação da imprensa foi normal e apontou aspectos positivos da investigação da polícia, feito por jornalistas respeitáveis e conhecedores da questão de segurança pública. Depois, parte da mídia só dava espaço às teorias conspiratórias e surrealistas, vinculando a imagem de que o PT estaria por trás da morte de Celso Daniel.

Depois da eleição de Lula, o Ministério Público do Estado de São Paulo optou por esta tese. Eu não entendo o real motivo, mas evidentemente atingiu o partido A em favor do partido B.

Dionísio de Aquino Severo, um dos organizadores do sequestro do Celso Daniel, disse que tinha muitas informações sobre o “crime político”. Você disse que ele afirmou isso para ganhar tempo do PCC. O partido criminoso queria eliminá-lo?

Sim, eles queriam. Eu prendi o Dionísio em duas oportunidades. Sempre foi um bandido articulado, a ponto de ter um programa de rádio na Baixada Santista. Ele estava fundando uma facção para se contrapor ao PCC, o CRDB, e por isso estava jurado de morte e desesperado para fugir do presídio, de onde foi resgatado de helicóptero.

Numa das prisões, o Dionísio chegou a dizer para mim que iria parar com sequestros. Disse que ia para o Paraná para ir atrás de doleiros. Sabe o caso do Alberto Youssef? Desde aquela época os doleiros já eram famosos naquele estado.

O PCC não teria nada a ganhar com a morte de Celso Daniel. Qualquer crime tem uma motivação, por mais banal que seja, porque a ação cometida deverá satisfazer um objetivo prévio. Isso acontece até mesmo no caso dos psicopatas.

O perito do caso foi morto num suicídio. Uma testemunha e um envolvido no crime morreram por conta do PCC. Um investigador foi morto por bandidos que se passavam pela Polícia Federal. Não há relação entre os crimes? Ou foi apenas coincidência?

O médico legista cometeu suicídio, confirmado pela investigação e pelos exames necroscópicos efetuados pelos seus próprios colegas. Vamos lembrar que o caso Celso Daniel envolveu diversas pessoas, em diferentes níveis, e estas pessoas tinham diversas outras relações, numa escala de progressão aritmética.

O garçom que trabalhava no restaurante em que jantaram Celso e o Sombra, depois de um tempo foi vítima de tentativa de roubo da sua motocicleta. Ele tentou fugir, mas a pessoa que estava na garupa da moto dos ladrões deu um chute na moto que, desgovernada, bateu em um poste, causando sua morte.

A testemunha que presenciou esta cena era um ex-monitor da antiga FEBEM, demitido e jurado de morte por um dos internos. Tempos depois, foi morto por um deles. Qual a ligação deste monitor com Celso Daniel ou o Sombra? Nenhuma.

Conectar todas essas histórias é pura teoria conspiratória, do mesmo padrão de quem acredita no homicídio do Getúlio Vargas. A imprensa relacionou as mortes com viés de possibilidade, mas sem qualquer amparo na racionalidade.

O investigador do DENARC neste enredo surrealista foi dominado e amarrado por ladrões que se passaram por policiais federais. Depois que os ladrões saíram do apartamento, o investigador se libertou das amarras nos pulsos, pegou sua arma que estava

escondida e foi atrás dos criminosos e um terceiro que o atingiu covardemente.

Parece romance policial?

E digo mais. Quero que um especialista me mostre na literatura policial um caso no qual a vítima de um crime de silenciar uma testemunha saia correndo atrás dos algozes… Isso tudo é risível. Outro caso, que a imprensa quis relacionar com o Celso Daniel foi o de um agente funerário que teria descoberto o corpo.

Primeiro, ele não descobriu o corpo, apenas escutou na frequência do seu rádio o caso do surgimento de um cadáver. Chegando ao local, ele teria reconhecido o que poderia ser o prefeito sequestrado. Somente isso.

Ele foi morto depois por disputa comercial, por um matador contratado por outro dono de funerária na Grande São Paulo. Ambos presos e condenados.

Qual a vinculação com a morte de Celso Daniel? Esta simples pergunta a grande imprensa não leva em conta. O Dionísio e o parceiro dele foram mortos em razão de brigas entre criminosos, conforme as investigações que foram realizadas.

Qual é a sua opinião sobre a projeção da versão do Ministério Público neste caso?

O MP é um órgão importantíssimo em qualquer democracia que viva sob o império da Lei. Contudo, é formado por humanos que erram e erram feio. Fazem isso por má-fé ou incompetência, e às vezes pelos dois fatores. Eles optaram pela tese de crime de mando, ou seja, contrataram pessoas para matarem Celso Daniel. A Polícia Civil, que eu fiz parte, apurou que foi sequestro seguido de morte, uma tese menos mirabolante ou contrária aos fatos.

O que você acha da atuação do juiz Sergio Moro? Ele têm razão em ver ligações do caso Celso Daniel com a corrupção da Petrobras? 

​​​​​​A atuação do juiz Sérgio Moro é complexa. O fato de ele decidir rapidamente ao condenar corruptos é algo positivo, mas ele tem de agir dentro da lei, pois ela é para todos e para ele também. Serve para os medalhões de outros partidos, também.

O vínculo da morte de Celso Daniel com outros crimes e desmandos não é verdadeiro. Os crimes de corrupção em Santo André, com a participação do Sombra, estão sendo investigados, inclusive com condenações na Justiça, e são outra história.

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05 Apr 20:14

PT de Natal realiza plenária e recebe 203 novos filiados

by PT Natal
O PT de Natal realizou um ato de filiação coletiva, no final da tarde de sábado (2), no plenarinho da Assembleia Legislativa, com a participação da militância e das principais lideranças da legenda no RN. No total, 203 pessoas ingressaram oficialmente na agremiação. O deputado estadual Fernando Mineiro saudou os novos petistas, afirmou que a… More PT de Natal realiza plenária e recebe 203 novos filiados
05 Apr 11:20

A reação de Cunha é a prova da efetividade da defesa de Cardozo. Por Kiko Nogueira

by Kiko Nogueira

Ele

 

A defesa de Dilma por Cardozo na comissão do impeachment levou a uma pergunta óbvia: o que ele estava fazendo no Ministério da Justiça?

Cardozo falou durante cerca de duas horas sem ligar para provocações, enfático, teatral na medida correta— enfim, como um bom advogado.

Criticou as ilegalidades e “vícios” do impeachment, deu o peso necessário à palavra golpe sem abusar dela e criou bons achados: o pedido tem “um pecado original do qual jamais se libertará”.

“Houve desvio de poder, há ilegalidade no processo, ele foi instaurado como vingança, não tem base. É uma figura clássica, nunca posso usar uma competência para retaliar alguém”, disse.

“É um desvio de poder notório, e que continua quando se manda a delação do senador Delcídio do Amaral. Todo um conjunto de situações que caracteriza vício.”

Cardozo destacou que, por 15 anos, os tribunais de contas admitiram a prática de edições de decretos. “Portanto, se essa Casa admitir o impeachment haverá processos de impeachment em todo o país, de governadores e prefeitos. Todos praticam porque as cortes de contas aceitam isso.”

Mesmo que as pedaladas sejam consideradas crimes, algo do qual ele discorda, elas ocorreram no mandato encerrado em 2014 e, portanto, a presidente não pode ser penalizada.

“Fere o princípio da previsibilidade jurídica, fere a segurança das instituições, criam-se teses para justificar fatos a partir de uma concepção política. Não pode o país viver com tal situação de imprevisibilidade na gestão governamental. Ao defender a presidenta, defendo todos os governadores e todos os prefeitos”, argumentou, citando Alckmin.

Apontou o dedo: “A decisão [de Eduardo Cunha] não visou, na abertura do processo de impeachment, o cumprimento da Constituição. Ele usou da sua competência para fazer vingança e retaliação”.

A efetividade do discurso foi comprovada por Cunha, que deu uma coletiva visivelmente contrariado, o que não é de seu feitio, muito pelo contrário. Para um psicopata como ele, portador do que um professor definiu como Transtorno de Personalidade Dissocial, saiu do script.

Geralmente com um sorriso de lagarto, blasé, desta vez EC acusou o golpe. “O ministro José Eduardo Cardozo, obviamente, está faltando com a verdade e exercendo de forma indigna essa defesa dele”, afirmou.

Lembrou ter aceitado o pedido de impeachment no dia 2 de dezembro e que a primeira votação no Conselho de Ética ocorreu no 15.

“Então, ele falta com a verdade em todos os sentidos. Eu não vou ficar aqui batendo boca com ele, que busca polarizar comigo para tentar evitar a discussão”, declarou. “Essa não é a primeira vez que ele faz isso, tentando desviar o foco”.

O foco é ele mesmo, Eduardo Cunha, que comanda uma farsa política e jurídica montado na condição de réu do STF e de líder de uma quadrilha.

O elo mais forte e, paradoxalmente, mais fraco da corrente do golpe, o sujeito que, com seus apaniguados do PMDB, provocou o desabafo do ministro Barroso, do STF: “Meu Deus, essa é a nossa alternativa de poder”.

Arrancado de sua sociopatia, Cunha viveu menos um dia como o Predador de Schwarzenegger: “Se ele sangra, pode morrer”.

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