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19 May 14:13

#RevoltadoBusao:"Os oficiais recebem ordem pra gente quebrar os estudantes na porrada", diz policial

by Daniel Dantas Lemos
Por Zé Martins
No Facebook
Eu estava me deslocando para casa depois de ver um show de artistas maravilhosos, quando chego em determinado local, próximo de minha casa, encontro a rua interditada, estaciono o carro próximo a um restaurante e sento para capitar os acontecimentos. Era repressão da polícia para com os estudantes que estavam reivindicando contra aumento abusivo das passagens de ônibus. Na mesa ao lado tinha um jovem revoltadíssimo com a situação. Ele é policial e não concordava com o tratamento dos seus colegas para com a população, ouvi alguns trechos de sua revolta que me chamou atenção, leiam:

“... Eu não vou para uma operação dessa de jeito nenhum, os oficias recebem ordem pra gente quebrar os estudantes na porrada... e eles botam na cabeça da gente que os estudantes são baderneiro e afirmam: “pode baixar o cacete que eu assumo lembre-se que isso é uma ordem, entendido?” “Sim senhor!”... eu dou sempre uma desculpa, uma daquelas receitas de bolo, “tõ doente”, enfim faço qualquer coisa mais jamais irei pra rua baixar o cacete no estudante/na população até porque eles (a população) é quem pagam meu salário. Também sou estudante e sei, nós os estudantes estamos certos, não vou de jeito nenhum... queria que vocês vissem a lavagem cerebral que a gente se submete... não sei como os meus colegas não percebem que na verdade deveríamos mesmo era defender o povo e não esses políticos e empresários exploradores do povo...”

Como eu não podia ficar mais tempo ali, sai refletindo o que aquele soldado desabafava numa mesa de restaurante.
19 May 14:12

#RevoltadoBusao: Sem identificação na farda, PM ameaça prender jovem que lhe perguntou o nome

by Daniel Dantas Lemos
Este PM ameaçou prender o jovem, por desacato, porque foi perguntado pelo seu nome.  De maneira irregular - e com o claro objetivo de não ser identificado - o PM estava sem a sua obrigatória identificação na farda.
- Quem é você? Você é um civil! Civil não tem que questionar coisas aos policiais. eu que posso lhe revistar e não o contrário, disse ele.
No mínimo poderia, também, ser enquadrado por abuso de autoridade.
Nós pagamos seu salário, senhor policial.  E o senhor é obrigado a estar identificado quando em serviço.  Não estar identificado nos faz questionar a sua intenção: será que o senhor espera realizar alguma ação ilegal e, por isso, não quer que as pessoas sejam capazes de dizer o seu nome?
Os manifestantes não deixaram que o rapaz fosse preso.
16 May 17:49

Jornalismo paralelo

by Ivson
Allan Patrick

Pior é que com a precarização do trabalho, deve ter muito jornalista em Natal andando de ônibus, mas fechando os olhos pro que vê

As matérias sobre o perigo que são os ônibus no Rio são indícios de que uma antiga tese minha pode ser verdadeira: há jornalistas no Rio que vivem numa realidade paralela. Só sendo assim para apenas agora eles notarem que os coletivos da Cidade Maravilhosa são um desastre ambulante, literalmente. Qualquer carioca que ande um mínimo de ônibus sabe disso – eu, por exemplo, uso esse tipo de transporte apenas 40 minutos por dia (20 para ir e 20 para voltar do trabalho), quando muito, e, só nesse curto período, vejo (e sofro) absurdos praticamente todos os dias.

A confirmação de que alguns coleguinhas vivem num mundo paralelo veio junto com a descoberta do que suspeito ser um dos pórticos transdimensionais pelos quais eles transitam do universo deles para o nosso – ele fica no Talho Capixaba, padaria moderninha localizada no Leblon. Fiz a descoberta lendo a nota de uma coluna na semana passada, na qual é apresentado como prova irrefutável de que a inflação está acelerando o fato de o quilo de pão naquele estabelecimento estar custando R$ 14,00.

Pois bem. Para comparar, na padaria aqui perto – moro no Centro – sete pãezinhos franceses custam R$ 2,00, preço que se mantém há cerca de um ano e meio. Como cada pãozinho pesa, em média, 30 gramas, segue-se que quem compra um quilo deles despende cerca de R$ 9,25 (cada pãozinho custa R$ 0,28), ou seja, 66% menos do que no Talho Capixaba. Só isso já derrubaria a ideia de que o pãozinho do Leblon é vilão da inflação, mas tem um ponto anterior – na boa, quem compra um quilo de pão por dia? Isso dá 33 pãezinhos de 30 gramas (se o pãozinho de sua padaria favorita pesa muito menos do que 30 gramas, bote a boca no mundo). Que família consome 33 pãezinhos diariamente? Só se for no universo paralelo onde vivem esses coleguinhas.

Viver nesse mundo virtual leva aos absurdos acima e também podem fazer parte da explicação do porquê os jornais estão perdendo mais e mais leitores a cada dia – e mesmo os que ainda os leem duvidam do que está neles escrito. Um problema que nenhum departamento de marketing, por mais carregado de talentos e dinheiro que seja, dá jeito.


14 May 15:04

Gisele Brito: Sobre o tuiticídio de José de Abreu

by Luiz Carlos Azenha

LIBERDADE DE EXPRESSÃO

José de Abreu: ‘Estou com medo do Supremo como eu tinha de general no tempo da ditadura’

Ator comete ‘tuiticídio’ após selar acordo com Gilmar Mendes, do STF, que moveu processo devido a críticas postadas na rede social: ‘Eu não sei mais o que eu posso dizer. Fiquei inseguro’

por Gisele Brito, da RBA publicado 13/05/2013 18:48, última modificação 13/05/2013 19:02

‘Essa escolha por mim tem um sentido político’, diz ator sobre processo movido pelo magistrado

São Paulo – Ator, petista e militante político, José de Abreu se tornou um dos mais influentes tuiteiros do Brasil em função de sua defesa contínua de políticos, como José Dirceu e José Genoíno em meio ao julgamento do caso do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal (STF), saiu da rede de microblogs no final da última semana.

A motivação foi o mesmo STF a que criticou durante todo o segundo semestre do ano passado. Seguido por mais de 75 mil pessoas, Zé de Abreu ganhou um problema quando suas declarações contra o ministro do Supremo Gilmar Mendes, em dezembro, renderam uma queixa-crime por injúria e difamação movida pelo magistrado. Na ocasião, o ator escreveu “E o Gilmar Mendes que contratou o Dadá? 19 anos de cadeia pro contratado. E pro contratante? Domínio do fato?”. A mensagem aludia a Idalberto Matias de Araújo, o Dadá, preso pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo e apontado como espião contratado por Carlinhos Cachoeira.

Certo da derrota na disputa judicial, o ator desistiu de usar o processo para discutir a liberdade de expressão no país e fechou um acordo com Mendes em que se compromete a não mais proferir expressões ofensivas contra o ministro e a doar R$ 10 mil ao Hospital São João Batista, em Diamantino (MT), cidade natal de Mendes.

Na entrevista a seguir, Zé de Abreu diz se sentir inseguro para continuar a se manifestar e compara o medo que sente do Supremo com o que sentia de generais no período da ditadura. E afirma que pretende processar sete pessoas que usam o microblog para ofendê-lo. “Já me provaram que eu não posso escrever tudo que quero. Então eu também não quero escutar tudo que eu não quero.”

Leia trechos da entrevista realizada por telefone na tarde de hoje (13).

Você chegou a dizer que não iria se retratar e iria até o fim do processo para discutir liberdade de expressão. Por que resolveu selar um acordo agora?

O Código Penal não é o lugar para discutir liberdade. A partir do momento que ele vira um processo, é o Estado e o Gilmar Mendes, porque é um crime contra a honra, contra mim. Eu, obviamente, seria condenado, o juiz vai dar uma pena. O lugar para discutir isso era o Código Civil. As duas vezes que ele me processou foi por uma palavra, uma coisinha. Um twitter. Não um conjunto. Se eu for pegar todo mundo que me xinga de ladrão, de petralha, mensaleiro, sócio do José Dirceu ou coisas mais pesadas. Se for pegar esse tipo de coisa, tem centenas de milhares. Mas isso não dá para considerar. O que a gente está escolhendo é gente que fala coisas sérias. Mas é difícil, tem sete que tem pelo menos dez mensagens bem pesadas.

Então você pretende processar essas pessoas?

Pois é, acho que sim. Porque aí é a maneira de discutir se pode escrever tudo ou não. Já me provaram que eu não posso escrever tudo que quero. Então também não quero escutar tudo que não quero. Tem que ver até onde isso vai. Porque ser processado pelo Gilmar Mendes, que na semana passada era o homem mais poderoso do Brasil, pelo menos para a mídia… Você vê aquele monte de senadores, de todos os partidos, Pedro Simon (PMDB-RS), Ana Amélia (PP-RS), Randolfe Rodrigues (Psol-AP), a Marina Silva (Rede) foi lá na casa dele pedir (senadores foram ao Supremo para declarar apoio à liminar do ministro que impediu a tramitação do PL 14, de 2013, que restringe o acesso dos novos partidos ao tempo de rádio e TV no horário eleitoral e também aos recursos do fundo partidário). Quer dizer, todo mundo virou o baba-ovo dele e eu vou brigar sozinho?

Você se sentiu abandonado pelas pessoas que defende, por isso saiu do twitter?

Não. Abandonado, não. O Twitter você pode acompanhar mesmo sem estar nele. Não estou lendo com a mesma assiduidade. Entro para saber o que estão falando de mim.

Mas por que você fechou sua conta?

Sou muito compulsivo. Vejo uma injustiça escrita e vou para cima. Não consigo ficar pensando dez vezes antes de apertar o botão. Eu não sei mais o que eu posso dizer. Fiquei inseguro.

Essa judicialização acaba provocando o medo de falar?

Claro. Eu estou com medo do Supremo como eu tinha de general no tempo da ditadura. O mesmo medo. Todo mundo vai lá puxar o saco dele, até o Randolfe e a Marina. Me dá medo, me dá medo. É o mesmo pessoal que fez do mensalão esse espetáculo.

É um tipo de censura?

Não é uma espécie de censura. A coisa é muito sutil. Eu não falei nada do Gilmar Mendes que 500 mil pessoas no Twitter não tenham falado. Essa escolha por mim tem um sentido político. Tem um objetivo político. Eu saí na capa do O Globo duas vezes em solidariedade ao José Dirceu. Eu voltei a fazer política para acabar com esse mito do mensalão, no dia que o Zé Dirceu saiu da Casa Civil. Eu tinha certeza que essa história era uma farsa. Isso não sou só eu que estou falando, eu conversei com bastante gente e realmente tem endereço certo esse processo. Não é aleatório.

Você dá visibilidade ao tema…

Pelo menos uma visibilidade dentro de um núcleo de pessoas onde não havia essa visibilidade. Eu sou seguido por todos os grandes jornalista do Brasil, por pessoas que pensam. Tenho muitos seguidores por causa da novela, mas isso agrava mais a situação. De repente o telespectador de novela que só recebe informação de um lado estava achando que o PT só tem ladrão. Aí vê que seu ídolo, entre parênteses, seu ator favorito, tem uma outra visão sobre a história e fica botando links, frases, atacando e defendendo. Dizendo ‘meus amigos não são ladrões. José Dirceu não é ladrão, Genoino não é ladrão, o PT não inventou a corrupção no Brasil, o MST não é um bando de vagabundos’. Isso vindo de uma pessoa que, querendo ou não, tem um poder: eu tenho o poder da comunicação. E a Globo não se importa. Eu já fui lá perguntar um tempo atrás, voltei agora com essa história da candidatura e nada, nunca. Não há a menor possibilidade da Globo fazer qualquer coisa contra mim por conta da minha posição política.

Muita gente acreditava em uma reação da Rede Globo…

Talvez o Serra tenha ligado na época da campanha, não sei. Mas a Globo não dá a menor bola, não mistura mesmo. Nem pode misturar. A Globo não dá nem meu endereço para o oficial de justiça.

E você vai sair candidato a deputado no ano que vem?

Não. A família ficou muito contra. A gente conversou muito. Além da família ia ter uma diminuição muito grande de salário do que eu ganho na Globo e o que eu ganharia como deputado. É muita diferença. Eu não conseguiria viver. Eu tenho pensão alimentícia, tenho filho de 12 anos. Ajudo familiares. E tem a história do financiamento de campanha. Se fosse financiamento público até podia ser. Mas ter que sair capitando dinheiro para fazer campanha… Eu não aguento fazer isso nem para fazer teatro pela Lei Rouanet. Deus me livre. O PT, óbvio que iria arcar com uma boa parte por meio do diretório nacional, mas mesmo assim.

Leia também:

MPF diz que Oi vazava dados sigilosos de clientes para Uol e Terra

O post Gisele Brito: Sobre o tuiticídio de José de Abreu apareceu primeiro em Viomundo - O que você não vê na mídia.

14 May 14:45

Jogo sujo na política evangélica: As mentiras de Damares Alves

by Daniel Dantas Lemos
Allan Patrick

Quanta sujeira em nome de Deus!


Semanas atrás, a partir de alguns irmãos, recebi, em tons de alerta um vídeo do Youtube gravado em Campo Grande, durante um evento político, com uma senhora identificada como pastora, advogada, mestre em direito e educação, Damares Alves.
Fiz diversos alertas, a partir daí, quanto às iniciativas de construção de uma agenda conservadora - ou um modelo de país conservador para o Brasil.
Mais que isso me espantou a capacidade que muitos de meus irmãos têm de serem crédulos ao não discutirem uma ação política que se repete, eleição após eleição, desde 1989.  Os crentes são capazes de acreditar em tudo que se lhes fale, supostamente, em nome de Deus, ao que parece.
***
Vi há pouco, no Facebook, um texto assinado por Magali Nascimento Cunha, fiel da Igreja Metodista e doutora em Ciências da Comunicação, sendo pesquisadora e professora na UMESP.  Aqui, o Curriculum Lattes dela.  Apesar de se apresentar possuindo dois mestrados, Damares não tem currículo na Plataforma Lattes, o que é muito suspeito.
O texto da professora Magali responde a todas as mentiras e distorções apresentadas por Damares Alves.  É longo, mas o reproduzo a seguir (por meio de uma introdução publicada pela UMESP e um link onde o texto na íntegra pode ser acessado):

Assessora da Frente Parlamentar Evangélica ataca governo federal em palestra e fornece argumentos para reações das igrejas a políticas públicas

Por Magali do Nascimento Cunha

Um vídeo postado no Youtube e amplamente disseminado nas redes sociais e em sites e blogs evangélicos mostra uma palestra de Damares Alves, realizada na Primeira Igreja Batista de Campo Grande (MS), na noite de 13 de abril, com o tema "O Cristão diante de Novos Desafios" (http://www.youtube.com/watch?v=2khxakdlX_Q). Damares Alves é apresentada como pastora da Igreja do Evangelho Quadrangular, com intensa atuação política: é assessora do Senador Magno Malta, assessora jurídica da Frente Parlamentar Evangélica e da Frente Parlamentar da Família e Apoio a Vida e diretora de assuntos Parlamentares recém-criada Associação Nacional de Juristas Evangélicos (ANAJURE). Ela também atua como secretária nacional do Movimento Brasil Sem Aborto.

Damares Alves constrói o seu discurso com base em extratos de materiais veiculados em período recente - cartilhas, produzidas fundamentalmente pelos Ministérios da Saúde e da Educação; livros produzidos para crianças e adolescentes; e outros produtos impressos - para criticar o que classifica como a disseminação de uma apologia ao sexo e às drogas entre crianças e adolescentes, em especial nas escolas, coordenada pelo governo federal. É enfatizada uma crítica ao governo brasileiro nos últimos dez anos como responsável por tal situação que ameaça a família brasileira. A pastora cobra uma ação mais enérgica das igrejas evangélicas contra estas autoridades que estão lá, segundo o seu discurso, "porque nós deixamos".

O clima em torno da palestra se dá também no contexto dos acontecimentos em torno da indicação do Deputado Federal do PSC Pastor Marcos Feliciano para a presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, e toda a controvérsia de sua plataforma relacionada às questões que envolvem a sexualidade humana. Vale registrar que o culto em que Damares Alves participou foi realizado na Primeira Igreja Batista de Campo Grande (MS) onde, um dia antes (12 de abril) foi realizado um evento político: o Encontro Estadual de Lideranças Evangélicas. Segundo a revista Carta Capital, entre os 350 pastores presentes no evento havia 25 parlamentares, como a vereadora Rose Modesto (PSDB), liderança da bancada evangélica local e autora da lei que obriga o poder público a apoiar eventos evangélicos, Herculano Borges (PSC), que aprovou projeto para proibir a instalação de máquinas de preservativos nas escolas, e Alceu Bueno (PSL), opositor do reconhecimento de uma associação de travestis como de utilidade pública. O encontro foi aberto pelo presidente do Fórum Evangélico Nacional de Ação Social e Política (Fenasp) que ali estava para formalizar a criação da Frente Parlamentar Evangélica da cidade, por isso a presença dos pastores da cidade na reunião com o objetivo de: “Alinhar os evangélicos para disseminar valores cristãos por meio de leis políticas públicas” (ver http://midiareligiaopolitica.blogspot.com.br/2013/05/bancadas-de-deus-materia-de-capa-da.html).

São esses valores que Damares Alves declarou defender por meio do conteúdo apresentado. Ao se assistir integralmente a palestra de 1h13m, porém, percebe-se que a seleção de materiais da qual a advogada faz uso, são extratos adaptados artificial e forçosamente a sua pauta de abordagens. Os extratos são apresentados como se fossem a íntegra das cartilhas e livros e a explicação oferecida traz, além de elementos críticos genéricos e imprecisos, inverdades e manipulação explícita de dados para dar veracidade às abordagens. Damares Alves tenta apagar tais generalismos, imprecisões e manipulações com justificativas como "tenho muita coisa para mostrar, tenho que passar rápido"; certamente, ao se apresentar num culto evangélico, dificilmente haveria contraposição, tal o caráter de verdade atribuído à sua palavra.

Uma pesquisa para a produção deste texto em cada exemplo/argumento apresentado de Damares Alves demonstra claramente o que está dito acima. A pesquisa se configurou na busca de informação sobre os materiais citados em cada slide apresentado na palestra, com acesso direto à fonte e/ou em referências sobre ela, e comparação das informações coletadas com os argumentos apresentados na palestra. A reprodução das falas segue com fidelidade a forma da referida palestrante. O resultado é exposto em texto que pode ser acessado em:
https://www.dropbox.com/s/gsfbxouegug4wq6/sobre_palestra_damares_alves_magali_cunha.pdf

O texto pode ser lido a seguir:


Retirado daqui.

Um vídeo postado no Youtube e amplamente disseminado nas redes sociais e em sites e blogs evangélicos mostra uma palestra de Damares Alves, realizada na Primeira Igreja Batista de Campo Grande (MS), na noite de 13 de abril, com o tema "O Cristão diante de Novos Desafios".
Damares Alves é apresentada como pastora da Igreja do Evangelho Quadrangular, com intensa atuação política: é assessora do senador Magno Malta, assessora jurídica da Frente Parlamentar Evangélica e da Frente Parlamentar da Família e Apoio a Vida e diretora de assuntos Parlamentares recém-criada Associação Nacional de Juristas Evangélicos (ANAJURE). Ela também atua como secretária nacional do Movimento Brasil Sem Aborto.
Damares Alves constrói o seu discurso com base em extratos de materiais veiculados em período recente - cartilhas, produzidas fundamentalmente pelos Ministérios da Saúde e da Educação; livros produzidos para crianças e adolescentes; e outros produtos impressos - para criticar o que classifica como a disseminação de uma apologia ao sexo e às drogas entre crianças e adolescentes, em especial nas escolas, coordenada pelo governo federal. É enfatizada uma crítica ao governo brasileiro nos últimos dez anos como responsável por tal situação que ameaça a família brasileira. A pastora cobra uma ação mais enérgica das igrejas evangélicas contra estas autoridades que estão lá, segundo o seu discurso, "porque nós deixamos".

O clima em torno da palestra se dá também no contexto dos acontecimentos em torno daindicação do Deputado Federal do PSC Pastor Marcos Feliciano para a presidência da Comissãode Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, e toda a controvérsia de sua plataforma relacionada às questões que envolvem a sexualidade humana. Vale registrar que o culto em que Damares Alves participou foi realizado na Primeira Igreja Batista de Campo Grande (MS) onde, um dia antes (12 de abril) foi realizado um evento político: o Encontro Estadual de Lideranças Evangélicas. Segundo a revista Carta Capital, entre os 350 pastores presentes no evento havia 25 parlamentares, como a vereadora Rose Modesto (PSDB), liderança da bancada evangélica local e autora da lei que obriga o poder público a apoiar eventos evangélicos, Herculano Borges (PSC), que aprovou projeto para proibir a instalação de máquinas de preservativos nas escolas, e Alceu Bueno (PSL), opositor do reconhecimento de uma associação de travestis como de utilidade pública. O encontro foi aberto pelo presidente do Fórum Evangélico Nacional de Ação Social e Política (Fenasp) que ali estava para formalizar a criação da Frente Parlamentar Evangélica da cidade, por isso a presença dos pastores da cidade na reunião com o objetivo de: “Alinhar os evangélicos para disseminar valores cristãos por meio de leis políticas públicas” (ver http://midiareligiaopolitica.blogspot.com.br/2013/05/bancadas-de-deus-materia-de-capa- da.html).
São esses valores que Damares Alves declarou defender por meio do conteúdo apresentado. Ao se assistir integralmente a palestra de 1h13m, porém, percebe-se que a seleção de materiais da qual a advogada faz uso, são extratos adaptados pauta de abordagens. Os extratos são apresentados como se fossem a íntegra das cartilhas e livros e a explicação oferecida traz, além de elementos críticos genéricos e imprecisos, inverdades e manipulação explícita de dados para dar veracidade às abordagens. Damares Alves tenta apagar tais generalismos, imprecisões e manipulações com justificativas como "tenho muita coisa para mostrar, tenho que passar rápido"; certamente, ao se apresentar num culto evangélico, dificilmente haveria contraposição, tal o caráter de verdade atribuído à sua palavra.

Uma pesquisa para a produção deste texto em cada exemplo/argumento apresentado de Damares Alves demonstra claramente o que está dito acima. A pesquisa se configurou na busca de informação sobre os materiais citados em cada slide apresentado na palestra, com acesso direto à fonte e/ou em referências sobre ela, e comparação das informações coletadas com os argumentos apresentados na palestra. A reprodução das falas segue com fidelidade a forma da referida palestrante. O resultado é exposto a seguir:


Slide 1 - Denúncia sobre ação da Prefeitura de São Paulo, na gestão de Marta Suplicy, em projeto de orientação sexual na educação infantil



A advogada traz como primeiro ponto da palestra um extrato de matéria do Jornal O Estado de São Paulo, de 8 de julho de 2004, e o explica da seguinte forma: "Esta mulher (Marta Suplicy) quando era prefeita da cidade de São Paulo, irmãos, gastou dois milhões de reais com o grupo GTBOS para ensinar sobre ereção e masturbação em bebês nas escolas. (...) Por que há um grupo que começou na Holanda, na Europa e já está influenciando no Brasil, que chegou à conclusão que nós precisamos começar a aprender a masturbar os nossos bebês a partir dos sete meses de idade. (...) E esta prefeita fez isto. Lá na Holanda estão até distribuindo uma cartilha para ensinar aos pais como massagear sexualmente suas crianças. Isto está acontecendo no Brasil".

A matéria citada, de tom contrário à política da prefeitura de São Paulo, noticia, na verdade, o processo de contratação da referida ONG, sem concorrência, para desenvolver projeto a fim ensinar os educadores municipais a lidar com temas como ereção e masturbação infantil, entre crianças de zero a 5 anos" (http://www.estadao.com.br/).

Damares Alves fala para pessoas presentes no culto evangélico que a Prefeitura de São Paulo ensinou professores em creches a masturbarem bebês e coloca como referência matéria de jornal que, de fato, traz outra informação: a produção de materiais "para ensinar educadores municipais a lidar com temas como ereção e masturbação infantil", elemento estudado por Sigmund Freud já nos anos 20 do século passado. O tema repercutiu no jornal O Estado de São Paulo e o editorial de 14 de julho de 2004 critica a iniciativa, no entanto, em perspectiva muito diferente do que foi ressaltado por Damares Alves na palestra, diz o jornal: "porque são inúmeras as boas publicações a respeito do assunto (algumas até obrigatórias para qualquer educador), que poderiam tirar as dúvidas dos profissionais das creches a custo bem menor".


Slide 2 - Denúncia sobre fala de integrante do Ministério da Saúde que estimula a homossexualidade



Para explicar o extrato, Damares Alves afirma: “Pessoas que estão em lugares chave, escrevendo as políticas públicas dessa nação, pessoas que estão decidindo o futuro da nossa nação dizem coisas como essa. São conceitos como esse que está permeando a educação brasileira. E a igreja evangélica está deixando estas coisas acontecer”. A fonte oferecida é genérica, "Lilia Rossi, Ministério da Saúde, Brasil, 2002". A advogada não explica quem é Lilia Rossi - apenas a classifica como "pessoa em lugar chave" - nem indica o contexto no qual tal frase é mencionada: uma publicação? Uma palestra? Uma entrevista?

Em pesquisa no site do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde é possível identificar que Lilia Rossi é técnica do Programa Nacional DST/Aids do Ministério. Uma busca naquele site com o nome "Lilia Rossi (http://www.aids.gov.br/search/node/LIlia%20Rossi) traz lista de várias matérias com relação à atuação da técnica entre assessorias, palestras e homenagens recebidas pelos serviços públicos prestados. Uma busca entre as publicações do Departamento mostra um guia organizado por Lilia Rossi em 2002 - "Guia de Prevenção das DST/Aids e Cidadania para Homossexuais (http://www.aids.gov.br/sites/default/files/guia_prevencao_dst_aids_cidadania_homossexuai s.pdf), no qual não consta a frase citada por Damares Alves.


Uma busca pelo Google com a frase reproduzida no slide leva ao blog de Jael Savelli "Não ao movimento de apologia à pedofilia", com um texto postado em 26 de junho de 2007, intitulado "Luiz Mott: Pedofilia já! Enquanto ainda estou com tudo em cima..." (http://jaelsavelli.blogspot.com.br/2007/06/luiz-mott-pedofilia-j-enquanto-ainda.html). No corpo do texto há uma citação com a mesma frase atribuída a Lilia Rossi e indica a fonte: "Guia de Prevenção das DST/Aids e Cidadania para Homossexuais organizadora: Lilia Rossi Ministério da Saúde Secretaria de Políticas de Saúde. Coordenação Nacional de DST e Aids Setembro 2002". Esta postagem é reproduzida em vários outros blogs de pessoas e grupos evangélicos e católicos. Teria sido desta fonte que Damares Alves trouxe como informação aos participantes do culto na Igreja Batista? No texto de Jael Savelli é indicada a referência do Guia de 2002, que, conforme pesquisa para este texto, não contém a frase atribuída a Lilia Rossi. Damares Alves omitiu a informação errônea da fonte e não mencionou qualquer referência porque, pelo que se desenha, tal afirmação não existe dessa forma. Portanto, coloca em xeque a credibilidade da palestra.


Slide 3 - Denúncia sobre cartilhas para crianças com estímulo ao ato sexual



A cartilha "O Gatão e seus amigos. De homem para homem", mostrada na palestra de Damares Alves é apresentada como material "entregue em escolas públicas no Brasil para crianças a partir de 10 anos". Ela não dá mais informações.

A cartilha foi produzida em 2004 pelo Ministério da Saúde, escrita e ilustrada pelo cartunista Miguel Paiva, com base no personagem criado por ele, "O Gatão de Meia-Idade", e é voltada para homens heterossexuais acima de 30 anos. Matéria do jornal Folha de São Paulo da época informou que o objetivo do Ministério da Saúde "é promover a igualdade de gêneros nas relações afetivas e sexuais, estimular o diálogo entre homem e mulher nas questões relativas à prevenção das DST/Aids, prazer sexual e uso do preservativo, além de tornar o homem responsável pela sua saúde – principalmente a sexual e reprodutiva" (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2511200313.htm).




Damares Alves não explica como uma cartilha produzida para homens acima de 30 anos foi entregue em escolas públicas - quais escolas? Entregues por quem? Com que objetivo? A afirmação é genérica: os presentes na Igreja Batista são informados de que esta cartilha foi "entregue em escolas públicas no Brasil para crianças a partir de 10 anos” e a ilustração é a da capa e páginas internas da cartilha "De homem para homem". Novamente, temos mais um exemplo de manipulação de informação.

Slide 4 - Denúncia de cartilha produzida pelo SUS a fim de ensinar como usar drogas



Damares Alves explica a imagem: “Cartilha que o SUS fez para usar em postos de saúde e escolas, para ensinar sobre drogas e doenças sexualmente transmíssivel. É uma cartilha grande que o professor colocava em cima da mesa – a metodologia era sentar as crianças no chão, a partir de 10 anos, mostrar a gravura e ler o que está atrás. Na hora de falar sobre drogas a tia dizia o seguinte: 'ao usar o crack passe protetor labial nos seus lábios para os lábios não ressecar'. O ministro da saúde mandava falar e o ministro da educação mandava falar. Se você usar cocaína não use canudo de papel porque tem muita bactéria, use canudo de plástico”.

Uma busca ampla nos sites dos Ministérios da Saúde e da Educação não identificou qualquer cartilha com tal conteúdo. Foram verificadas várias outras, todas de caráter educativo e preventivo quanto à dependência química:


http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/politica_de_ad.pdf

http://portal.saude.gov.br/portal/saude/visualizar_texto.cfm?idtxt=33696&janela=1

http://dab.saude.gov.br/portaldab/pse.php

http://www.brasil.gov.br/enfrentandoocrack/publicacoes/material-informativo/serie-por- dentro-do-assunto/drogas-cartilha-para-pais-de-adolescentes 

http://educadores.senad.gov.br/index_arquivos/Livro_texto_Cursode_Prevencao_completo.pdf


Damares Alves mostra apenas uma ilustração da cartilha que menciona, mas, de novo, não oferece as referências. A cartilha que ela mostra não tem título ou data de publicação;também não mostra a capa, apenas uma página.

O discurso incisivo da advogada que continua a partir da imagem acaba preenchendo este silêncio e possíveis identificações de manipulação. Quando os que são taxados de homofóbicos que estão sendo chamados de radicais e fundamentalistas e que estão sendo perseguidos foram perguntar para o Ministro da Saúde, 'mas Ministro, você fazem uma cartilha como ensinar... [frase incompleta]' sabe qual foi a resposta dos especialistas? Dos que estão mandando na nação, porque nós deixamos e a igreja evangélica se acomodou, eles disseram o seguinte: 'mas as crianças já estão usando; temos que ensinar a usar de uma forma melhor para que não contraiam outro tipo de doença'. Estamos solicitando que os funcionários que fizeram seja processados como associação ao crime organizado porque droga é crime".


Uma postagem recente no "Blog da Saúde" diz: "Cartilha não foi produzida pelo Ministério da Saúde". (http://www.blog.saude.gov.br/esclarecems-cartilha-nao-foi-produzida-pelo- ministerio-da-saude/):


Slide 4 - Denúncia contra cartilha distribuída pela Prefeitura de Porto Velho que estimularia prática de ato sexual pelas meninas



Em relação às imagens acima, Damares Alves explica: "Uma cartilha da Prefeitura de Porto Velho, nós fomos lá junto com a Igreja Católica também para retirar esta cartilha de circulação, e olha o nome da cartilha: 'Menina esperta vive melhor'. Nós estamos ensinando na igreja que as nossas meninas são princesas, mas a escola está dizendo que este aqui é o ideal de ser menina. Este é o ideal de ser menina no Brasil com o dinheiro público, vinha com espelho para a menina olhar a vagina”. Com este discurso a palestrante leva os ouvintes a relacionarem "esperteza" com "perversão".

A cartilha produzida pela Prefeitura de Porto Velho, em 2009 (sob a liderança do Prefeito Roberto Eduardo Sobrinho, PT), tem versão também para meninos ("Menino Esperto Vive Melhor") [ http://portalamazonia.globo.com/new-structure/view/scripts/noticias/noticia.php?id=88416 ]. É fato que a distribuição gerou polêmica na cidade com reação de pais e religiosos (Damares Alves menciona essas reações) e o Ministério Público, Seção Rondônia, decidiu pela suspensão da distribuição em 2010. Portanto, há três anos:


http://pfdc.pgr.mpf.gov.br/informacao-e-comunicacao/eventos/direitos-sexuais-e- reprodutivos/audiencia-publica-avaliacao-programas-federais-respeito-diversidade-sexual-nas- escolas/atuacao-do-mpf/portaria-de-instauracao-de-icp-no-52-2009 

http://www.prro.mpf.gov.br/conteudo.php?acao=diversosLerPublicacao&id=239

Pareceres solicitados pelo Ministério Público a especialistas em educação, com questões sobre a adequação e validade de tais cartilhas estão à disposição no site do Ministério Público e são pareceres favoráveis, indicando que são materiais adequados à idade-alvo e com linguagem e abordagem adequadas.

http://pfdc.pgr.mpf.gov.br/informacao-e-comunicacao/eventos/direitos-sexuais-e-reprodutivos/audiencia-publica-avaliacao-programas-federais-respeito-diversidade-sexual-nas-escolas/pareceres/parecer-prof-paula-regina-costa-ribeiro

http://pfdc.pgr.mpf.gov.br/informacao-e-comunicacao/eventos/direitos-sexuais-e-reprodutivos/audiencia-publica-avaliacao-programas-federais-respeito-diversidade-sexual-nas-escolas/pareceres/parecer-prof-fernando-seffner


Slide 5 - Denúncia sobre o "Caderno das coisas importantes" que conteria estímulo à prática de ato sexual por crianças de 10 anos


Sobre a imagem acima Damares Alves explica que é uma cartilha produzida para crianças de 5a e afirma: A primeira coisa que a tia tem que dizer quando entrega pra criança é que é confidencial, não pode mostrar pro pai e pra mãe. Pode haver segredo entre eu e uma filha de 10 anos?” E conclui: "Olha quem fez esta cartilha!" - mostrando os créditos dos Ministérios da Saúde e Educação.

A pesquisa para este texto revela que "O Caderno das Coisas importantes" não é destinado a crianças de 10 anos, mas a adolescentes, entre 13 e 19 anos. Criada pelo Programa Saúde e Prevenção nas Escolas - Atitude para Curtir a Vida, com o apoio da Unicef/Unesco, em 2006, a cartilha aborda temas variados próprios da relação adolescência-corpo desde efeitos colaterais do aumento de peso (espinha e preguiça) até o afloramento da sexualidade e os cuidados com ele, passando pelo risco de doenças como a Aids.

O discurso de Damares Alves induz os ouvintes a uma compreensão equivocada da estratégia de comunicação com os adolescentes em torno do "confidencial", já que o material é apresentado como um caderno em que se pode fazer nele anotações referentes às questões próprias, íntimas, como um diário, que tem a tradição de ser confidencial. As anotações funcionam como um exercício relacionado às orientações fornecidas no material. O conteúdo pode ser baixado em :
http://www.unicef.org/brazil/pt/O_Caderno_das_Coisas_Importantes.pdf

Os pareceres ao Ministério Público, mencionados acima, também versam positivamente sobre "O Caderno das Coisas Importantes", já que foi incluído na lista de materiais sobre os quais o MP recebeu queixa de grupos religiosos.

Slide 6 - Denúncia contra a "máquina de camisinhas"



Damares Alves explica o slide que mostra a "Máquina de camisinha", dizendo que está disponível em Santa Catarina e outros estados e que "logo logo vai estar disponível em todas as escolas do Brasil”. A advogada alerta: "um menino a partir de 12 anos poderá pegar duas camisinhas por semana porque os especialistas fizeram uma pesquisa não sei onde – acho que foram em Harvard estudar – que a criança brasileira com 12 anos tem duas relações sexuais por semana”.

O projeto lançado em 2010 pelo Ministério da Saúde tem relação com uma pesquisa da Unicef e tem como público-alvo adolescentes de 13 a 19 anos ( http://www.aids.gov.br/noticia/governo-vai-instalar-40-maquinas-de-camisinhas-em-escolas-pb-esta-no-programa ). Santa Catarina, Paraíba e Distrito Federal foram as localidades-piloto. O projeto gerou polêmica nas mídias noticiosas e sofre críticas de diferentes grupos ( http://oglobo.globo.com/educacao/instalacao-de-maquinas-de-camisinhas-nas-escolas-de-ensino-medio-gera-polemica-2956123 ; http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/maquina+de+camisinhas+chega+as+escolas+publicas+em+2011/n1237797640645.html ).


Slide 7 - Denúncia de apologia ao sexo com animais nas escolas

Damares Alves explica o slide acima como imagem pornográfica utilizada em uma prova de português aplicada a crianças da cidade de Curitiba: "A criança tinha que ver a gravura e fazer uma redação (...) Apologia ao sexo com animais. Vocês acham que um professor tem que mostrar isto pra criança e mandar a criança escrever uma redação e que há sexo com animais e que é normal sexo com animais". A afirmação buscou criar indignação no público levando-o a pensar que as crianças deveriam contemplar a imagem, e produzir reflexão específica sobre ela.

O fato ocorreu em novembro de 2010. De fato a imagem foi utilizada na aplicação de uma prova para 16 mil crianças de 1a série mas não de português/redação, com enfatizou Damares Alves, mas sim de geografia e provocou a abertura de um processo administrativo para apurar responsabilidades. Segundo a Secretaria de Educação do município, a intenção da imagem era ilustrar uma questão de geografia, com uma fazenda norte-americana com o fazendeiro alimentando aves (imagem abaixo). A ilustração, assinada por Collins, foi encontrada na internet sob o título de "Fazendeiro Solitário". A Secretaria de Educação de Curitiba informou que as provas foram recolhidas e pediu desculpas pelo erro. O responsável pela inserção da imagem não foi identificado, mas mas a chefe do Departamento de Ensino Fundamental, professora Nara Salamunes, foi exonerada depois do caso.

(http://www.odiario.com/parana/noticia/366698/prova-com-imagem-pornografica-e-aplicada-a-16-mil-criancas.html).



A palestrante enfatiza a partir daí: "Ou a gente abre os olhos com o que está acontecendo com esta pátria ou a gente está entregando os pontos. As coisas estão ficando feias. (...) Este é o único mecanismo que eu tenho – é chocar. (...) Estão detonando com as nossas crianças. Estão detonando com esta nação”.

Esta informação fica desconectada das demais. É um caso muito específico e já esclarecido, com punição. A estratégia de incluí-la entre as outras reforça a dimensão manipuladora do discurso.


Slide 8 - Denúncia sobre livro destinado a crianças que estimula a homossexualidade



Sobre este livro exposto no slide, Damares Alves não dá muitas explicações, apenas menciona:

"Este livro quando eu escaneei, ele estava em inglês mas já está em português. Para crianças de 2 e 3 anos. Um conto de fada, o príncipe e o príncipe.(...) Um príncipe encontra outro príncipe e vive feliz para sempre. Crianças de 2 e 3 anos".

A pesquisa para este texto apurou que este livro foi publicado na Europa e nos Estados Unidos em 2002 e é um conto de fadas que trata da relação homossexual de um príncipe encantado com o objetivo de ensinar as crianças a lidarem com as formas de homoafetividade hoje explicitadas nas sociedades. O público-alvo, segundo a editora, são crianças de 5 a 8 anos e não crianças de 2 e 3 anos, como disse Damares Alves (http://www.randomhousekids.com/books/detail/197862-king-and-king#.UYw4fbWyDKs).

Não existe versão em português, como afirma a palestrante - é apenas encontrado em livrarias que vendem livros importados (http://www.livrariacultura.com.br/Produto/LIVRO/KING- KING/2115243). Um artigo acadêmico sobre o livro pode ser lido em http://www.uninove.br/PDFs/publicacoes/dialogia/dialogia_v5/dialogv5_4l31.pdf

Slide 9 - Denúncia contra livro adotado em escolas brasileiras e que incentiva a homossexualidade



Damares Alves apresenta a capa do livro "Menino ama menino" como uma “leitura obrigatória na 5a e 6a série”. Não acrescenta mais informações.

Pesquisas no Portal MEC (www.portal.mec.gov.br) ou no Portal do Professor, do MEC ( http://portaldoprofessor.mec.gov.br/buscaGeral.html?busca=menino+ama+menino&x=8&y= 8 ) não indicam qualquer referência a este livro ou a leitura obrigatória dele em qualquer das séries do Ensino Fundamental. Artigo acadêmico sobre a coleção da autora Marilene Godinho, que busca lidar com preconceitos os mais diversos pode ser encontrado em http://pos-graduacao.uepb.edu.br/ppgli/download/publicacaoonline/Literaturas/9.pdf


Slide 10 - Denúncia sobre leitura obrigatória do MEC que incentiva homossexualidade



Damares Alves mostra a capa do livro "Menino brinca de boneca?" e diz: "Esta é a orientação do MEC, esta leitura obrigatória". Sem mais explicações, a palestrante emenda a seguinte “Fomos procurados por uma professora que não tem mais a quem procurar, então foi à Câmara, aos deputados evangélicos, os fundamentalistas como estão chamando, porque ela está com um problema na escola com um menino de três anos que está chupando o pipi de um coleguinha. Aí ela foi procurar orientação na direção e na coordenação e sabe o que que a Direção da escola disse? Você não pode fazer nada porque isto é demonstração homoafetiva. Se você fizer alguma coisa você é homofóbica. Eu sou educadora, eu sou mãe, para um menino de três anos chupar um pipi de um coleguinha ou alguém chupou dele ou ele já viu. Isso é abuso mas olhe o que os nossos orientadores educacionais estão fazendo com nossas crianças no Brasil. Estão detonando”.

O livro é publicado pela Editora Moderna desde 1990, com diversas reimpressões, ganhador de prêmios como Monteiro Lobato (1991), da Academia Brasileira de Letras; Altamente Recomendável (1991), da Fundação Nacional do Livro Infantojuvenil; e Qualidade Brasil (1991), Prêmio de Instituição internacional; International Exporter’s Service. Ao se verificar o conteúdo do livro vê-se que não trata de homossexualidade mas de educação para as relações de gênero e para a superação dos estereótipos criados socialmente para o desempenho de papéis masculinos e femininos. É um texto sobre o que é ser homem e o que é ser mulher que estimula a superação de preconceitos entre os dois gêneros.

O livro é sugerido no Portal do Professor do MEC para aulas relacionadas à sexualidade e o cuidado com o corpo. O conteúdo da sugestão pode ser verificado em: http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=27066

A indicação forçosa de que o livro trata e incentiva a homossexualidade revela o tipo de abordagem ilícita da palestra.



Slide 11 - Crítica a livro que estimula bissexualidade



Ao mostrar a imagem Damares Alves introduz "O próximo livro fala sobre bissexualidade, que é normal. (...) Quem mais está sendo influenciado com estas políticas públicas são as meninas. Abre o olho, mãe! Sabe essa coisa de deixar a menina ir dormir na casa da coleguinha e você se liberar um pouco? Abre o olho, mãe, as meninas estão se tocando e isto é coisa séria porque isso é abuso".

Não é possível pesquisar sobre o livro indicado pela palestrante porque ela mostra duas páginas internas e não cita qualquer referência sobre a obra. A palestrante quer deixar implícita a responsabilidade do governo federal com todo e qualquer material relacionado à orientação sexual. Qualquer análise mais atenta e crítica revela o caráter ideológico da palestra.

Slide 12 - Denúncia contra um livro que ensina crianças como é uma relação sexual



Damares Alves apresenta a imagem acima como "Um livro terrível para crianças de dois e três anos. Para ensinar como é uma relação sexual". Não há explicações adicionais mas fica na sequência da apresentação como mais um livro do MEC. O livro foi publicado como obra paradidática em 2007 pela editora Companhia das Letras e é dirigido a pré-adolescentes de 9 a 14 anos, diferentemente da faixa apresentada pela palestrante (http://clippingdeeducacao.blogspot.com.br/2013_02_06_archive.html). A obra, na verdade, não consta nas listas do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) (http://portal.mec.gov.br/index.php?Itemid=668id=12391option=com_contentview=article ) e nem do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD)


Slide 13 - Denúncia sobre livro que ensina a "transar"





Este é mais um livro mostrado por Damares Alves e não identificado, com páginas internas sendo apresentadas sem referência à obra. Ela diz sobre a imagem: "Olha lá, irmãos, os livro ensina como transar. A matéria é como transar. E olha a linguagem, irmãos". Fica na sequência da apresentação como mais um livro didático do MEC, o que não pode ser comprovado.


Slide 14 - Denúncia sobre livro que ensina sobre ato sexual




Damares Alves introduz a imagem acima: "Eles estão falando para as crianças de nossas escola que existe o Kamasutra. (...) Mas se eu quiser falar deste livro milenar (mostra a Bíblia) nas escolas eu não posso, sabe porque? Porque o estado é laico. Escola não é lugar de falar de religião, mas é lugar de falar de Kamasutra. O que estão fazendo com nossas crianças".  Mais um livro sem identificação / referência de título, autoria, data. Apenas a menção de que "eles" estão falando destes assuntos para as crianças.

Slide 15 - Denúncia de apologia à pedofilia em capa de disco infantil




Damares Alves mostra a imagem acima e questiona: "A Xuxa precisa deste tipo de imagem na capa para vender um disco? É apologia à pedofilia". E conclui sem muita discussão: "O que está acontecendo com esta nação, meus irmãos? Vocês pensam que está tudo bem com esta nação?"


Slide 16 - Crítica à Secretaria Nacional de Direitos Humanos




Acerca da imagem acima, Damares Alves chama a atenção: "Olha lá: Secretaria Nacional dos Direitos Humanos. Se tiver dúvida agora procure a SNDH. Entenderam agora o que está acontecendo com o pastor Marcos Feliciano? Por que não querem um pastor na Comissão de Direitos Humanos?"

Não há identificação do conteúdo do material e nem de sua procedência. É fato que ele indica a referência da SNDH para quem precisa de ajuda. Todavia, ajuda sobre o que? A palestrante não explica. A construção do discurso leva, sem base concreta, os ouvintes a crerem que é a secretaria quem está na base de tudo o que foi apresentado anteriormente.

Slide 17 - Crítica a comercial que incentiva a compreensão de que a homossexualidade é elemento genético



Sobre a imagem acima, Damares Alves afirma: "Este comercial passou na Europa e está chegando no Brasil. Na hora que o bebê nasce recebe a pulserinha com o símbolo de homossexual. Vou dizer a vocês: não há uma prova científica de que existe o gene gay. A homossexualidade é aprendida a partir do nascimento".

Uma exaustiva pesquisa no site Terra Notícias não permitiu a localização da matéria referenciada. A palestrante não explica quando o comercial foi veiculado na Europa, por quem foi produzido, em que local e em que contexto.


Slide 18 e vários outros - A questão do aborto




Depois de denunciar a quantidade de casos de aborto praticados no Brasil com os números a seguir, mais uma vez sem referências, Damares Alves afirma: "Eles querem aprovar o aborto no Brasil".

A palestrante prossegue: "Por que os três últimos ministros da saúde disseram que querem aprovar o aborto no Brasil? Porque eles dizem que milhares de mulheres morrem por causa do aborto. Cadê os milhões de túmulos? Quantas mulheres vocês enterraram porque morreram por causa do aborto? Quantas mulheres os pastores aqui enterraram, fizeram o culto fúnebre ou foram dar benção porque morreu por causa do aborto? Mentira! Não existe milhões de mulheres morrendo por causa do aborto. Eles manipulam dados. Eles manipulam estatísticas, manipulam informações. Para impor na sociedade brasileira uma cultura de morte. As feministas dizem por aí que temos que aprovar o aborto porque é uma questão de saúde publica. E mentira. Não existe tanta morte de mulher no Brasil por causa do aborto, não. (...) Olha os argumentos mais absurdos que se usa".

Damares Alves mostra o slide a seguir, de novo, sem indicação de fonte e referências, e afirma: "A nossa ministra foi fazer um curso de como fazer aborto".


A partir daí a palestra segue com uma sequência de denúncias contra o governo federal, todas, mais uma vez, sem referências ou fontes, sobre o aborto, sobre a legalização da prostituição, sobre atos públicos obscenos, mas os exemplos nada têm de relação com os temas de políticas públicas anteriormente destacados - são atos de indivíduos veiculados na internet, ou grupos de teatro, de humor. Neste trecho a palestra se torna confusa. A palestrante também faz críticas sobre a discussão do novo Código Penal no que diz respeito à redução da idade para a prática do sexo. Segundo Damares Alves, o objetivo destas discussões é liberar meninas mais jovens para atuar nas casas de prostituição antes de eventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas.

O último bloco da palestra de Damares Alves toma um rumo bastante distinto e trata da questão do infanticídio entre povos indígenas, tema que, diz ela, tem lhe ocupado nos últimos tempos. Nesse momento a palestrante chora e desenvolve um discurso bastante emotivo, com vistas à sensibilização da audiência para esta causa, que nada se relaciona às discussões anteriores em torno da sexualidade. A questão indígena fica descolada no discurso e a ênfase no infanticídio não é relacionada à realidade mais ampla das populações indígenas como como saúde, terra, dignidade, ação dos grileiros, ação dos grandes fazendeiros que borrifam agrotóxico nas aldeias, ineficiência do Estado.


Conclusões


O discurso tem um nítido tom de violência simbólica com a audiência. Como se sabe, as pessoas das igrejas, em geral, cultivam uma piedade de pureza e de sinceridade emocional, nem sempre analisando criticamente os discursos religiosos, especialmente de autoridades.

Damares Alves faz uso dessa mentalidade comum na palestra aqui analisada. É utilizada uma técnica de alarde em termos de números (a idade das crianças informada é sempre bem abaixo da faixa etária-alvo dos materiais produzidos), de imagens (extratos descolados dos contextos), referências a países distantes, em geral fora das possibilidades de informação dos ouvintes, alteração emocional da palestrante (a postura é nervosa, o ritmo e o volume da voz são desequilibrados). A não indicação de referências e a falta de contextualização - informações facilmente localizáveis, como a pesquisa para este texto mostrou - é intencional na criação do terror e da não racionalização das questões.  NE: Técnica comum nas pregações de base neopentecostal! Como se mente e manipula nos púlpitos desta nação!

É uma nítida manipulação de textos e informações para se adequarem, ilicitamente, ao seu discurso, somada ao fornecimento de dados inexistentes ou inverídicos e às histórias sem referências, que podem perfeitamente ser ficção, com o intuito, pelo visto alcançado, de criar incômodo entre a audiência religiosa, na clássica estratégia de reforçar imaginários quanto aos inimigos.

Portanto, o sucesso do vídeo da palestra entre grupos cristãos e dos inúmeros comentários de indignação quanto aos conteúdos expostos e de apoio à "coragem" da palestrante, podem ser explicados pela linguagem agressiva utilizada e o apelo emocional no discurso que ao mesmo tempo em que torna inquestionáveis os argumentos (a palestra é apresentada durante um culto evangélico, colocando-lhe num ambiente de sacralidade e verdade) dá um caráter de credibilidade à palavra de alguém que se apresenta não só como política, mas como mãe, educadora e cristã.

A ênfase ao governo federal a partir de 2002 e ao "eles" (em momentos diretamente identificados entre ministros, ministras, o presidente Lula) explicita mais do que uma campanha religiosa, uma campanha política contra o governo do PT e as políticas por ele estabelecidas, atribuindo-lhe responsabilidade por uma depravação da nação. Na forma como o discurso está construído, parece que toda esta "depravação" foi instaurada desde 2002. Isto confirma o aspecto ideológico da palestra, pois promove um apagamento da memória do estabelecimento de políticas de orientação e cuidado com direitos sexuais nos governos anteriores, como o de Fernando Henrique Cardoso, por exemplo. Basta consultar os "Parâmetros curriculares nacionais", do MEC, de 1998, que elegeram a orientação sexual como um tema transversal (http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/introducao.pdf) e as "Diretrizes para o trabalho com crianças e adolescentes - Sexualidade, prevenção das DST/AIDS e uso indevido de drogas", do Ministério da Saúde, 1998 (http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cd07_16.pdf)

Fica nítido que a Frente Parlamentar Evangélica está sendo "bem" assessorada a estabelecer um confronto político sem precedentes no País. Damares Alves deixa isto bem claro.

Isto já foi indicado por mim em outro artigo: "a polarização estimulada pelas mídias entre opage15image4208
deputado Feliciano e ativistas homossexuais apagou a discussão de origem quanto à indicação do seu nome em torno das afirmações racistas e de seu total distanciamento da defesa dos direitos humanos. Torna-se nítida uma articulação política e ideológica conservadora em diferentes espaços sociais - do Congresso Nacional às mídias - que reflete um espírito presente na sociedade brasileira, de reação a avanços sociopolíticos, que dizem respeito não só a direitos civis homossexuais e das mulheres, como também aos direitos de crianças e adolescentes, às ações afirmativas (cotas, por exemplo) e da Comissão da Verdade, e de políticas de inclusão social e cidadania. Nesta articulação a religião passa a ser instrumentalizada, uma porta-voz. 

Nesse sentido é possível afirmar que os grupos políticos e midiáticos conservadores no
Brasil descobriram os evangélicos e o seu poder de voz, de voto, de consumo e de reprodução ideológica. A ascensão de Celso Russomano nas eleições municipais de São Paulo, em 2012, já havia sido exemplar: um católico num partido evangélico, apoiado por grupos evangélicos os mais distintos. A eleição da presidência da CDH é paradigmática no campo nacional e ainda deve render muitos dividendos a Feliciano, ao PSC, à Bancada Evangélica e a seus aliados. O projeto político que se desenha, d de fato, pouco ou nada tem a ver com a defesa da família... os segmentos da sociedade civil, incluindo setores evangélicos não identificados com o projeto aqui descrito, que defendem um Estado laico e e socialmente justo, têm grandes tarefas pela frente. 
12 May 20:50

Brava gente

by Luis Fausto

De Elio Gaspari, em artigo publicado hoje na Folha de S.Paulo e no O Globo:

ibui-se ao professor San Tiago Dantas (1911-1964) uma frase segundo a qual “a Índia tem uma grande elite e um povo de bosta, o Brasil tem um grande povo e uma elite de bosta”. Nas últimas semanas divulgaram-se duas estatísticas que ilustram o qualificativo que ele deu ao seu povo.

A primeira, revelada pelo repórter Demétrio Weber: Em uma década, o programa Bolsa Família beneficiou 50 milhões de brasileiros que vivem em 13,8 milhões de domicílios com renda inferior a R$ 140 mensais por pessoa. Nesse período, 1,69 milhão de famílias dispensaram espontaneamente o benefício de pelo menos R$ 31 mensais. Isso aconteceu porque passaram a ganhar mais, porque diminuiu o número da familiares, ou sabe-se lá por qual motivo. O fato é que de cada 100 famílias amparadas, 12 foram à prefeitura e informaram que não precisavam mais do dinheiro.

A ideia segundo a qual pobre quer moleza deriva de uma má opinião que se tem dele. É a demofobia. Quando o andar de cima vai ao BNDES pegar dinheiro a juros camaradas, estimula o progresso. Quando o de baixo vai ao varejão comprar forno de micro-ondas a juros de mercado, estimula a inadimplência.

Há fraudes no Bolsa Família? Sem dúvida, mas 12% de devoluções voluntárias de cheques da Viúva é um índice capaz de lustrar qualquer sociedade. Isso numa terra onde estima-se que a sonegação de impostos chegue a R$ 261 bilhões, ou 9% do PIB. O Bolsa Família custa R$ 21 bilhões, ou 0,49% do produto interno.

A segunda estatística foi revelada pela repórter Érica Fraga: um estudo dos pesquisadores Fábio Waltenberg e Márcia de Carvalho, da Universidade Federal Fluminense, mostrou que num universo de 168 mil alunos que concluíram treze cursos em 2008, as notas dos jovens beneficiados pela política de cotas ficaram, na média, 10% abaixo daquelas obtidas pelos não cotistas. Ou seja, o não cotista terminou o curso com 6 e o outro, com 5,4. Atire a primeira pedra quem acha que seu filho fracassou porque foi aprovado com uma nota 10% inferior à da média da turma. Olhando-se para o desempenho de 2008 de todos os alunos de quatro cursos de engenharia de grandes universidades públicas, encontra-se uma variação de 8% entre a primeira e a quarta.

Para uma política demonizada como um fator de diluição do mérito no ensino universitário, esse resultado comprova seu êxito. Sobretudo porque dava-se de barato que muitos cotistas sequer conseguiriam se diplomar. Pior: abandonariam os cursos. Outra pesquisa apurou que a evasão dos cotistas é inferior à dos não cotistas. Segundo o MEC, nos números do desempenho de 2011, não existe diferença estatística na evasão e a distância do desempenho caiu para 3%. Nesse caso, um jovem diplomou-se com 6 e o outro, com 5,7, mas deixa pra lá.

As cotas estimulariam o ódio racial. Dez anos depois, ele continua onde sempre esteve. Assim como a abolição da escravatura levaria os negros ao ócio e ao vício, o Bolsa Família levaria os pobres à vadiagem e à dependência. Não aconteceu nem uma coisa nem outra.

Admita-se que a frase atribuída a San Tiago Dantas seja apócrifa. Em 1985, Tancredo Neves morreu sem fazer seu memorável discurso de posse. Vale lembrá-lo: “Nosso progresso político deveu-se mais à força reivindicadora dos homens do povo do que à consciência das elites. Elas, quase sempre, foram empurradas”.

12 May 20:35

Otavalo: melhor que o artesanato são as montanhas no caminho

by Cyntia Campos
As otavaleñas fazem questão
de usar seus trajes tradicionais...
Cerca de 100 quilômetros ao Norte de Quito, Otavalo é uma das atrações mais conhecidas do Equador, graças a sua feira, realizada todos os sábados. É nesse imenso mercado, que se esparrama pela cidade, que gente de todas as partes da região de Imbabura vem vender sua produção de artesanato, tecidos, tapetes, animais vivos e a colheita da época.
Como meu voo saía de Quito no sábado de manhãzinha, não deu para ver o mercado de Otavalo a mil por hora. Decidi ir até lá assim mesmo, no feriado do Dia do Trabalhador. Contratei um táxi indicado pelo hotel e pé na estrada — que, aliás, é uma atração a parte: entre Quito e Tabacundo, são mais de 60 quilômetros de curvas estonteantes entre as montanhas, fora o vertiginoso sobe e desce, entre cumes e vales. É o tipo de estrada (um trecho da Rodovia Panamericana) que faz a gente ficar feliz por ter decidido não alugar um carro e confiar na perícia de quem conhece o serpenteio da rota.
.. e posam para as fotos com orgulho de sua elegância

Fora do burburinho do dia de feira, o mercado de Otavalo não é muito diferente dos muitos mercados andinos armados para deleite dos turistas: o artesanato é muito parecido, inclusive nos desenhos dos tecidos de lã, aos que vemos no Peru e na Bolívia. Interessante, mesmo, é conversar com s pessoas, principalmente as mulheres, muito mais comunicativas que os homens, sobre a vida do lugar.

Vestidas a caráter, com o traje tradicional — saia negra enrolada na cintura sobre uma saia branca, arrematada por uma faixa colorida, e blusa bordada, de mangas bufantes, geralmente sob um xale que tanto protege do frio quanto pode ser amarrado como um embornal, onde são carregadas as compras ou as crianças de colo — a maioria apenas vende a produção de fabriquetas locais ou de artesãos de vilas distantes.

Orquestra de cerâmica no Mercado de Otavalo. Ao fundo, o músico de rua atacava a Garota de Ipanema no trombone
Cheguei cedo ao mercado e era praticamente a única turista a circular por lá, um pouco antes das 10 da manhã. Mesmo assim, o assédio dos vendedores é discreto. Pechinchar é de lei: em geral, o preço inicial pedido está inflacionado em 50% ou até mais. Mas é preciso garimpar um bocado para encontrar peças que encantem a quem já enlouqueceu no Mercado de Písac, no Vale do Urubamba, no Peru.

O mercado de Otavalo antes da muvuca das excursões

Uma paradinha na estrada para um chocolate de hoja, biscochos calientes e e um queijinho local bom demais 
O bom de estar de táxi é poder dar uma parada nas vendinhas à beira da estrada para complementar o café da manhã com uma xícara  de chocolate de hoja (o nome vem da lâmina de chocolate colocada no leite quente para derreter), acompanhado de biscochos calientes, biscoitinhos simplíssimos, feitos de farinha de trigo, salgadinhos, e servidos direto do forno. Para arrematar, queso de hoja, o delicioso queijinho local, feito em camadinhas muito finas, como uma folha de papel, e enrolado como um rocambole. Hummmm....

Companheiros de estrada
Esse sinal cheio de curvas aí no cantinho direito da foto não é enfeite, não. Entre Quito e Tabacundo, a estrada é para quem tem nervos de aço

Uma das visões mais bacanas da estrada é o Imbabura, vulcão extinto com 4.600 metros de altura e que dá nome à província onde estão Otavalo e Cotacachi, uma cidadezinha a 20 quilômetros, que também visitei. Assim como os povos Quéchua e Aimara consideram os nevados eternos como seus antepassados (os Apus), os Otavalos reverenciam o Imbabura como uma deidade, o Tayta (“pai” em quíchua, que é uma derivação do quéchua trazido pelos Incas) e fazem oferendas à montanha.

Aos pés do Imbabura, o Lago San Pablo, ou Imbacocha (em quíchua) é outra das belas visões para quem vai de Quito a Otavalo. Segundo a lenda, o lago era a esposa de Imbabura. Com um pouco de sorte, se as nuvens permitirem, também é possível contemplar o vulcão Cayambe, extinto, uma das montanhas mais altas do país. 

O Lago San Pablo, 10 Km antes de Otavalo

No mirante para o Lago San Pablo, dá para tirar fotos em trajes típicos de Otavalo

imagem: Googlemaps
Como viajei a Otavalo e Cotacachi

Por indicação do pessoal do hotel, contratei o taxista Iván Guamani (fone 0997757440). Ele cobra US$ 120 pelo passeio, que dura cerca de 8 horas. Embora as distâncias sejam curtas (100 km de Quito a Otavalo e mais 20 km até Cotacachi), calcule pelo menos duas horas para chegar ao Mercado de Otavalo, pois as curvas da estrada não permitem grandes correrias. Aliás, esse cálculo só vale se o trânsito de Quito ajudar.

Don Iván é um senhorzinho bem gracinha, discreto e educado. Meio caladão, não espere que ele discorra sobre a história e a cultura do lugar. Seu negócio é transportar os turistas, o que ele desempenha com gentileza e muito cuidado ao volante. É super pontual (contratei-o para me levar ao aeroporto, às quatro da madruga, também) e  uma boa dica para quem for a Quito e precisar de um taxista de confiança.

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12 May 20:30

A homofobia está no cerne do código de ética das emissoras de rádio e tevê brasileiras

by Daniel Dantas Lemos

A disciplina de Ética e Legislação em Jornalismo, que estou ministrando neste semestre na UFC, tem revelado umas surpresas.
A última diz respeito ao código de ética, em vigor ainda, da ABERT (Associação Brasileira de Empresas de Radiodifusão e Televisão).  A ABERT congrega mais de 200 empresas de rádio e tevê.  Apresenta entre os parceiros o famigerado Instituto Millenium.
Em 1993, em Brasília, a entidade aprovou seu código de ética.  Parece-me que excessivamente conservador e preconceituoso inclusive para o cenário do início dos anos 1990 - e inconcebível para o mundo de hoje.
Prevê o código de ética da ABERT em seu artigo 15, que “os filmes e programas livres para exibição em qualquer horário não explorarão o homossexualismo”.  Além disso, tratando a homossexualidade como “desvio do comportamento humano”, o código veta a temática para programas voltados a crianças e pré-adolescentes.
O artigo estabelece, também, que nos programas exibidos a partir das 20 h podem versar sobre qualquer tema ou problema individual ou social, “desde que os temas sensíveis ou adultos não sejam tratados de forma crua ou explícita nem apresentem favorável ou apologeticamente, qualquer forma de desvio sexual humano, o uso de drogas, a prostituição ou qualquer forma de criminalidade ou comportamento anti-social”.  Mais uma vez, a ABERT deixa claro que homossexualidade, “desvio sexual humano”, não pode ser apresentada de forma favorável ou apologética.
Aí você pode achar que estou interpretando erroneamente a referência a homossexualidade como “desvio sexual humano” na concepção da ABERT.  Mas o texto do código de ética não deixa dúvidas quando se refere aos programas que poderão ser exibidos a partir das 21h.  Eles poderão versar “sobre temas adultos ou sensíveis observadas as restrições ao uso da linguagem dos itens interiores e as restrições quanto à apologia do homossexualismo, da prostituição e do comportamento criminoso ou anti-social.”
A homofobia faz parte, oficialmente, dos padrões éticos das principais emissoras de rádio e tevê do país.
Não à toa, me parece, a presidenta Dilma Rousseff, há dois anos, se posicionou contra o que chamou de “propaganda de opção sexual”.  Parece que ela adotou e aplicou a ética da ABERT.
Do mesmo modo, não deveria nos surpreender a atitude do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), que no mesmo dia em que publicou decreto regulamentando a homofobia como crime, revogou o decreto.
A homofobia, no cerne da ética dos principais veículos de rádio e tevê do país, não poderia ser enfrentada impunemente pelos governos - seja um distrital, seja o federal.

09 May 18:00

Por mais estacionamentos para ciclistas

by João Lacerda




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São mais de 1,5 milhão de ciclistas diariamente nas ruas da região Metropolitana do Rio de Janeiro. Um número expressivo e que só faz aumentar. Dentre os problemas que enfrentam, 40% apontam que estacionar a bicicleta é uma dificuldade.

A futura Designer Bruna Montuori em seu projeto de conclusão de curso buscou problematizar essa realidade almejando caminhos para incentivar ainda mais a circulação em bicicleta no Rio de Janeiro.

Faltam bicicletários seguros e práticos e isso é, dentre outros, um fator que faz com que menos pessoas optem pela bicicleta em seus deslocamentos, sejam os pendulares (casa-trabalho/estudo-casa) ou uma simples ida à padaria.

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Bruna fez um recorte na área da Gardênia Azul, onde impera a cultura do “não cuidado”, bicicletários improvisados que atendem a mais de 400 ciclistas todos os dias (cerca de 40% mulheres) que pedalam por necessidade. Já que é onde o transporte público é mais precário que a bicicleta desempenha seu papel social mais importante.

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O estudo faz ainda uma comparação entre os investimentos na infraestrutura na área nobre da zona Sul e o pouco zelo e a total falta de opções que o ciclista da zona Oeste do Rio tem acesso.

Afinal, o ciclista quer mais que ciclovia ele quer mais pistas e onde estacionar. E quer estacionar com segurança, praticidade, em um local resistente, durável e que reconheça seu valor.

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Confira a íntegra do projeto de conclusão de curso:

09 May 15:52

ESTATUTO DO NASCITURO PODE CALAR TODAS AS DISCUSSÕES SOBRE ABORTO

by lola aronovich
A bíblia combina melhor com o projeto

Estamos falando muito menos da legalização do aborto do que deveríamos. Há uma ameaça no ar. Uma ameaça pesada que atende pelo nome de Estatuto do Nascituro, e que pouca gente conhece. O projeto de lei foi proposto em 2005, e arquivado dois anos depois. Mas há um projeto semelhante, o PL 478/2007, prestes a ser votado. A ideia é a mesma: considerar um embrião uma pessoa já nascida, digna de todos os direitos jurídicos. E criminalizar ainda mais a mulher que aborta. 
Se aprovado, o Estatuto determinará que a vida do embrião é mais importante que a de uma mulher. Isso quer dizer que, se uma mulher estiver grávida e com câncer, os médicos não poderão tentar curá-la do câncer, porque a quimioterapia afetaria o embrião. Não é ficção, é realidade. Aliás, aconteceu faz pouco tempo em Goiânia: um juiz negou o direito ao aborto de uma jovem com câncer. O pedido só foi aceito em segunda instância. Com o Estatuto do Nascituro, essa mulher não teria a menor chance de abortar. Morreria de câncer.  
Se aprovado, toda e qualquer mulher que sofrer um aborto espontâneo (o que acontece naturalmente em 25% das gestações) será investigada pela polícia, que terá que verificar se ela perdeu o feto acidentalmente, ou se é uma criminosa que merece ir pra cadeia. Queremos mesmo ser como El Salvador, que proíbe a interrupção da gravidez em todos os casos e que condenou uma mulher a 40 anos de prisão por ter tido um aborto espontâneo? Só pra constar: isso pode acontecer com você, mulher, com a sua mãe, sua irmã, sua filha. Imagina que bacana a mulher estar sofrendo porque perdeu o bebê, e ainda ser ameaçada de cadeia por causa disso.
Se aprovado, uma mulher que engravidar de um estupro não poderá abortar. O Brasil já tem uma das leis mais retrógradas do mundo em relação ao aborto -- unicamente por sermos a maior nação católica do planeta e por não vivermos num Estado laico. Por enquanto, o aborto só é permitido em casos de estupro, de risco de vida pra gestante, e no caso de fetos anencéfalos (o que só foi aprovado ano passado). Com o Estatuto, nem isso. Além do mais, o mesmo projeto institui a bolsa-estupro. 
Se aprovado, mais mulheres morrerão vítimas de abortos clandestinos. 
Ah, e tem uns bonus tracks também. Se o Estatuto for aprovado, será o fim da fertilização in vitro e das pesquisas com células-tronco embrionárias (que o Supremo Tribunal Federal autorizou desde 2008). Ou seja, um retrocesso total. Que beleza, hein?
Se você não quer que o Brasil retroceda nos direitos humanos e fique ainda mais nas mãos de fundamentalistas cristãos, assine e divulgue esta petição contra o Estatuto do Nascituro. O assunto é sério mesmo.
Publico abaixo um texto que a Suelen me enviou sobre uma discussão que teve recentemente sobre a descriminalização do aborto. E que mostra que nem nas discussões sobre aborto o Estatuto do Nascituro dá as caras. Mas, se for aprovado, será a proibição do aborto em todos os casos. O fim das discussões.

Pra começar a contar a história, preciso explicar algumas coisas. Sou “casada”, apesar de ter 20 anos. Eu e meu namorado decidimos morar juntos há um ano e meio, ele é poucos meses mais velho que eu. Aliás, essa é uma história que daria outro post, já que eu frequentemente sofro preconceito por ser “casada” com esta idade. Tanto eu quanto meu companheiro somos feministas, lutamos juntos. Nós também somos veganos e ateus. 
A maior parte da minha família é composta por católicos fervorosos. Creio que, por enquanto, eu seja a única ateia da linhagem. Uma das minhas primas é extremamente religiosa mas nos damos muito bem, nos respeitamos. O problema mesmo é o marido dela, que é o estereótipo do cristão ultraconservador, do estilo que posta coisas no Facebook como: “Mulher, não coloque na vitrine o que não está à venda. Se dê ao respeito”. 
Quando o Conselho Nacional de Medicina se manifestou a favor do aborto até a 12ª semana de gestação, eu declarei meu apoio à decisão na minha página do Facebook, assim como todas as outrxs lutadoras. Antes disso eu sempre publiquei coisas favoráveis ao aborto. Qual não foi minha surpresa quando este cara, que expliquei acima, católico fervoroso, fez um post na página dele todo dedicado a mim, só que não diretamente. 
Quanta hipocrisia é alguém que se diz defensora dos animais se dizer a favor do assassinato de uma criança humana”. Com esse tipo de frase, ele formou um texto enorme. Ao ler, eu fiquei naquela dúvida cruel: respondo ou não? Geralmente tenho essa dúvida ao entrar em discussões pelo Facebook, até porque este é o perfil de conservador que nunca vai mudar.
Mas depois de refletir, eu não me aguentei, e acabei por responder ao post. A minha resposta foi a primeira de todas as outras centenas que vieram abaixo me massacrando. E é aí que eu queria chegar. Eu falei a respeito da hipocrisia que é achar que as mulheres deixam de abortar simplesmente por isto ser proibido em lei, e ressaltei o número de mulheres pobres que morrem tentando realizar o processo em casa. Também falei das mulheres ricas, que realizam o aborto em clínicas seguras. 
Tentei, inutilmente, falar que lutar pela descriminalização do aborto não é o mesmo que sair distribuindo panfletos incentivando as mulheres a abortarem. Por fim, contei sobre o medo que eu tenho de andar sozinhas nas ruas e ser estuprada, esse medo cruel e diário. E após o estupro? A criança gerada? Deve ser um fardo para a mulher? Encerrei mais ou menos assim minha resposta. E ah, disse que um homem não deveria falar sobre esses assuntos sem entender o lado da mulher.
A minha maior tristeza, acho que não posso usar a palavra decepção, foi ler o depoimento de diversas mulheres, cristãs, que condenam veementemente o aborto. Que me disseram que “elas eram mulheres e então poderiam falar no lugar dele”, que aborto é assassinato e dane-se a mulher e suas escolhas. Conseguiram me dizer que se estupradas, achariam forças para gerar o filho, já que a criança não merecia ser morta apenas pela situação que a gerou. Eu fiquei muito, muito triste com essas respostas. E fiquei me perguntando quando que nossas brasileiras aprenderão sobre seus direitos.
Eu sei que todas aquelas mulheres que me condenaram, na verdade, vêm de uma criação machista, e que desde bebês elas aprenderam que as escolhas das mulheres devem vir em segundo plano, tudo baseado no nosso belo sistema patriarcal. Isso até me permite compreendê-las, mas não aceitá-las. Até quando tantas mulheres deixarão de lado o seu direito de escolha acima de tudo, sobre seu corpo, seus atos, seus relacionamentos? Até quando colocarão uma crença à frente do nosso poder de decisão sobre nosso próprio útero? 
Não sei, mas a pergunta me entristece. Espero -- e muito -– que as respostas venham com as próximas gerações, que, vamos lutar, para que sejam menos machistas.
08 May 18:45

Empresa de água mineral desrespeita lei de trânsito em Candelária

by primo
Allan Patrick

Renato Dantas é uma espécie de termômetro pra mim. Quando até ele - um cara absolutamente "normal" - percebe que os pedestres estão sendo desrespeitados, é porque a situação está muito, mas muito feia!

É um absurdo o que se vê todos os dias em Candelária. A cena acontece no cruzamento da Avenida Prudente de Moraes com Rua Bento Gonçalves. Na esquina funciona loja de uma empresa de água mineral que diariamente, pelo menos duas vezes por dia, caminhões de grande porte realizam descarregamento de mercadorias, desrespeitando a Lei que proíbe estacionamento em calçadas impedindo a circulação dos pedestres. O fato agravante registra o carro estacionado próximo a avenida como retrata a foto. Como há um sinal no local, os pedestres sofrem com o descaso praticado pelos motoristas dos caminhões.

Alguns moradores revoltados com a situação que perdura há meses pedem solução dos poderes constituídos. Pelo menos, que seja criado  horário especifico para descarregamento de mercadorias.

Fonte: Tribuna da Noticia

07 May 21:08

Vitória brasileira

by Francisco Seixas da Costa
É uma boa notícia para a expressão internacional dos países de língua portuguesa a eleição do diplomata brasileiro Roberto Azevedo para o cargo de diretor-geral da Organização Mundial de Comércio (OMC), há pouco anunciada. Mas esta eleição é, em primeiro lugar, uma grande vitória para a diplomacia brasileira e fico muito satisfeito que ele tenha sido titulada pelo seu ministro das Relações Exteriores, António Patriota, um bom amigo pessoal.

O Brasil tem-se revelado, de há muito, um participante ativo e relevante do processo negocial multilateral na área do comércio internacional. Dispondo de uma diplomacia muito capaz e interventiva, que sabe bem o que quer e como o obter, através de uma hábil política de interlocução e de alianças, o Brasil tem vindo a ganhar um estatuto que lhe permite consagrar institucionalmente, de forma progressiva, a sua influência e o seu poder. O modo como soube colocar-se na fase derradeira do "ciclo de Doha" da OMC, não podendo ser considerado culpado pelo seu fracasso e tendo-se mesmo revelado um parceiro construtivo na construção de modelos de compromisso final que não chegaram a vingar, poderá justificar muito do prestígio de que este resultado também é fruto.

Faço notar que este novo cargo internacional vem a somar-se ao que, desde 2012, foi obtido pelo Brasil na Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, com a eleição para seu diretor-geral de José Graziano da Silva, também já sob o consulado diplomático de António Patriota.

Volto a repetir uma ideia que há muito alimento: nenhuma das áreas potenciais de afirmação estratégica do Brasil (como, aliás, de todos os restantes países de expressão portuguesa) é contraditória com interesses portugueses. Pelo contrário, o reforço do papel do Brasil à escala global é positivo para o conjunto dos países de língua portuguesa. E esperamos que, por algum efeito de arrastamento, o possa ser também para a CPLP, enquanto entidade coletiva.
07 May 10:37

Prefeitura reclama, mas não faz a sua parte

by Comissão de Comunicação

Por Marcelo de Manduca
O texto que vocês lerão abaixo não foi feito exclusivamente para Acari, mas com a perda de recursos pela simples falta da elaboração de projetos, como foi no caso do INCENTIVO À AUTONOMIA ECONÔMICA E AO EMPREENDEDORISMO DAS MULHERES, onde a GESTÃO VERDE E ROSA não se deu ao trabalho nem de apresentar um projeto. Isso reflete a situação à ausência de planejamento qualificado com participação social, que foi tão combatido no período de campanha mas que continua igual as práticas até então criticadas. Em apenas um edital foram R$ 300 mil deixados para lá. 

A reflexão sobre o texto é importante, e, ao final, você terá condições de expor sua opinião sobre a continuidade da gestão nos atuais moldes ou sobre a necessidade de aprimorar e investir no planejamento público. Boa leitura!

Prefeituras do RN reclamam mas não fazem a sua parte


Por Daniel MenezesSociólogo. Twitter: @DanielMenezesCP Email: danielgmenezes@hotmail.com


Fui procurado por um secretário de uma prefeitura do RN, que estava com uma dificuldade relevante: elaborar o Plano PluriAnual e deflagrar o processo de planejamento dos projetos, atividades e ações do seu município. Me mostrei disponível e reuni alguns técnicos, colegas da UFRN. Demonstrando pouquíssimo conhecimento sobre o que significa o PPA, o membro do primeiro escalão, no final, achou melhor deixar a fundamental ferramenta de acompanhamento estratégico da sua cidade para toda a gestão, nas mãos de alguns estagiários de contabilidade. O exemplo pode parecer singelo, mas diz um pouco sobre como as prefeituras do RN atuam quando o assunto é elaborar uma boa administração e gerar meios de racionalização de seus processos, iniciativas imprescindíveis para captar os tão sonhados recursos federais.


A choradeira quase que generalizada tende a ocultar um cenário de fundo, que é mais preocupante do que a suposta ausência de apoio por parte de “Brasília”. Os prefeitos querem dinheiro, mas simplesmente não sabem dizer para quê. As prefeituras agem como se estivessem pedindo dinheiro para uma mãe relapsa, mas bem generosa. Daí que não definem, clara-mente, o(s) projeto(s), ou seja, objetivo, justificativa, quem vai ser beneficiado, fases de aplicação da verba, meios de controle, metodologia, orçamento condizente com as fases, cronograma, revisão, atividades de responsividade e por aí vai.

Foi o que aconteceu no exemplo citado acima. A peça estratégica do poder municipal – o PPA – ficou nas mãos de alguns estagiários. Não quero subestimar os estudantes, mas o PPA é o principal instrumento orientador do município. Nele, o executivo irá dispor todos os projetos, atividades e ações que ele espera implementar nos próximos 04 anos (para além das práticas rotineiras da máquina). Relegar o PPA a um décimo plano, produzindo-o apenas para atender a uma exigência de legislação, significa que o prefeito eleito não tem agenda política, não elaborou, minimamente, diretrizes, objetivos e metas para a sua administração, ou se confeccionou ideias, não está nem aí para elas (fora os meios de tornar a peça mais democrática, através de audiências públicas e conselhos gestores).

Bem, caro leitor, você sendo o agente político-administrativo, entregaria altas somas de dinheiro nessa perspectiva, praticamente sem rumo e sem fundo?! Pois é o que os prefeitos estão pedindo hoje.

Fonte: Carta Potiguar
06 May 17:53

Qué es lo que se puede y se debe hacer en Bangladesh

by Iñigo Sáenz de Ugarte

140.000 niños de menos de cinco años murieron en Bangladesh en 2010.  En España, unos 2.000. No hay que hacer juegos con los números para apreciar la diferencia. La vida en Bangladesh es una experiencia terrible. La clase de condena que fomenta la falta de esperanzas y convierte a los ciudadanos en esclavos, en el pasado de un imperio, hoy de un régimen autoritario.

Pues bien, no es cierto esto último. Frente la idea habitual en Occidente de un pueblo del Tercer Mundo resignado y controlado por la religión (hay a veces grados de verdad en esto último), Bangladesh sí cuenta con una tradición de lucha sindical prácticamente desde la fundación del país en 1971, y que en realidad se remonta a muchas décadas atrás.

Lo cuenta el historiador indio Vijay Prashad, que explica cómo la apuesta del país por la industria textil –una elección obvia dada la falta de recursos naturales– se vio acompañada desde el principio por la represión de los derechos sindicales. Eso no incluía sólo la prohibición de los sindicatos, sino incluso la eliminación de algunos de sus líderes o la respuesta violenta por las fuerzas  de seguridad de las protestas en la calle contra los despidos o en favor de mejores condiciones de trabajo.

El título del artículo de Prashad deja clara su posición: “Bangladeshi workers need more than boycotts”. Frente a la típica posición occidental de ignorar a un país y reaccionar con un impulso de furia al conocer una desgracia ocurrida allí, el historiador propone una opción con más garantía de éxito: apoyar a aquellos que están arriesgando su vida.

El dinero está detrás de todo ese sistema de producción (vaya sorpresa, como si eso fuera una aberración excéntrica). El dinero que el Gobierno consigue vía impuestos y puestos de trabajo creados. El dinero que las grandes marcas se ahorran al producir sus prendas en Asia. Y, por último (y este es un detalle que curiosamente es más difícil de encontrar en muchos enfurecidos artículos de denuncia por los centenares de muertos de la fábrica), el dinero que el consumidor europeo y norteamericano se ahorra al comprar esa ropa.

Cabría en este punto pensar que un cambio de costumbres de los habitantes de países ricos serviría para algo. No esperemos que eso suceda. Es más fácil indignarse que ser capaz de pagar unos euros de más por ropa que se ha confeccionado en condiciones dignas.

La palabra clave es presión. Un boicot no serviría de mucho, dice Prashad. Se trata de ayudar a los trabajadores para que puedan organizar sus sindicatos frente a los obstáculos que interponen el Gobierno y las empresas de Bangladesh. Y presionar a los gobiernos occidentales para que dejen de tratar a sus grandes empresas con guante de seda y se decidan a imponer condiciones de trabajo más dignas.

La realidad es que es más factible convencer a los Gobiernos que a los consumidores. No es imposible. Al poco de conocerse la tragedia, dos altos cargos de la UE, Katherine Ashton y Karel de Gucht, dijeron que estaban estudiando cómo obligar al Gobierno asiático en función de las responsabilidades que asume gracias al acuerdo que le permite exportar a la UE sin aranceles ni cuotas.

Fueron sólo unas frases de un comunicado. Fuentes de la UE dijeron al FT que era poco probable que se llegara tan lejos como para quitarle a Bangladesh estos privilegios. Era sólo una amenaza. Sí se hizo con Birmania por tratarse de una dictadura, y en otros casos en el resto del mundo la UE ha aprobado sanciones y medidas punitivas tras violaciones de derechos humanos o guerras. Por razones políticas, los países occidentales son de gatillo fácil al castigar a sus rivales.

Pero resulta que en la concepción de los derechos humanos de los gobiernos europeos no caben los derechos económicos. Trabajar en condiciones espantosas aparentemente no vulnera los derechos humanos. Tampoco que un Gobierno acepte poner en peligro la vida de los trabajadores negándose a aplicar sus propias leyes en materia de seguridad. Detener a un opositor político conocido te pone en el punto de mira de la UE. Si es un activista sindical de un país asiático, una respuesta firme sería… ¿cómo suelen llamarlo? Contraproducente.

La presión es perfectamente posible y justificable. La meta no es irrealizable. La ONG Workers Rights Consortium tiene un plan con un coste de 600.000 dólares para cada una de las 5.000 empresas textiles de Bangladesh y que alcancen así los niveles de seguridad habituales en Occidente. Si los 3.000 millones totales se repartieran a lo largo de cinco años, supondría un coste extra de 10 centavos sobre cada prenda que sale de esas fábricas. Al final de la cadena, el sobrecoste podría llegar a 25 centavos.

A corto plazo, hay otras medidas posibles de efecto más inmediato. Las empresas extranjeras pueden firmar un acuerdo de prevención de incendios (hecho posible no por la presión de consumidores occidentales, sino por las organizaciones sindicales de Bangladesh con la ayuda sindicatos extranjeros) controlado por inspectores independientes y que sea de obligado cumplimiento para las marcas extranjeras.

Dos compañías han aceptado firmarlo, pero dos de las más grandes (la norteamericana Wal-Mart y la española Inditex) se han negado, según WRC.

Es posible que una de las razones sea que el texto incluye la exigencia de que se pueda exigir el cumplimiento de esas condiciones en los tribunales de cada país, no sólo en Bangladesh.

Ya va siendo hora de que cambien de actitud. A todos los efectos, estas empresas operan en un mercado laboral global y sus productos estñan destinados a un cliente también global. Sus responsabilidades también son globales. A menos que quieran que se les compare con la Compañía Británica de las Indias Orientales y que se diga de ellas que sus beneficios proceden de la explotación más cruel de otras zonas del mundo, deben asumir que las condiciones de trabajo de sus operarios forman parte también de los costes de su modelo de negocio, y no sólo de sus beneficios.

La alternativa no es el cierre de esas fábricas, lo que equivaldría casi a una condena a muerte a miles de trabajadores, sino hacer que sean diferentes. La alternativa no debe ser trasladar el problema a otro país.

La presión puede surtir efecto, y de hecho el Gobierno de Bangladesh ha dado señales de que está dispuesto a aplicar reformas. Tiene mucho que perder porque otros países, como Camboya y Birmania, también quieren ser el próximo Bangladesh.

¿Qué ocurrirá en esos países si nos limitamos a poner a Bangladesh en una lista negra para acallar nuestra conciencia? La pregunta es incorrecta. Hay que preguntarse qué está ocurriendo.

En Camboya, en una fábrica con 2.900 trabajadores llamada E Garment, que opera para firmas occidentales, se están violando los derechos sindicales, según una investigación de WRC. Siete miembros de un sindicato independiente fueron despedidos después de ser atacados por miembros de un sindicato rival favorecido por la empresa. La denuncia fue enviada a los clientes extranjeros de E Garment. Algunos, entre ellos Inditex, ni siquiera se dignaron a contestar. H&M se limitó a responder con la versión falsa de la empresa, en la que las víctimas resultaban ser los agresores.

Es un cambio de modelo de producción lo que se necesita, no un cambio de país.

06 May 17:50

O PODER DA AMEAÇA DE ESTUPRO

by lola aronovich


Moça: “Não é justo que eu tenha que estar aterrorizada quando vou correr depois das seis da tarde ou quando estou no ônibus ou quando saio pra comprar leite”.
Moço: “Então não saia sozinha à noite. Isso é senso comum”.
Moça: “Isso é cultura de estupro. Quando você me diz que é minha responsabilidade não ser machucada, você tira de uma pessoa a responsabilidade de não estuprar”.
Moço: “Por que sequer estamos falando nisso? Eu não sou um estuprador” (Kate or Die!)
Moça: "Porque é exaustivo tentar acreditar num futuro em que não sou tratada como uma louca por acreditar em igualdade. Porque feministas ainda são consideradas 'histéricas', 'lésbicas', e 'precisando de uma boa transa'. Porque meninas têm poucos modelos decentes na cultura pop e crescem para odiar seus próprios corpos".

“Mulheres e homens não recebem uma educação igualitária porque fora da sala de aula as mulheres não são consideradas seres humanos soberanos, e sim presas. A capacidade de pensar independentemente, de se arriscar intelectualmente, de nos impormos mentalmente, é inseparável da nossa forma física de ser no mundo, dos nossos sentimentos de integridade pessoal. 
"Se é perigoso que eu volte pra casa sozinha à noite depois de passar a tarde na biblioteca porque sou mulher e posso ser estuprada nesta volta, quão segura de mim, quão exuberante eu posso me sentir enquanto me sento e trabalho na biblioteca? Quanto da minha energia de trabalho é perdida pela informação subliminar que, como mulher, eu testo meu direito de existir toda vez que saio sozinha?"
Adrienne Rich, do capítulo “On Talking Women Students Seriously,” de On Lies, Secrets and Silence: Selected Prose 1966-1978.

Quando o estupro é aceitável?
Durante uma pesquisa com alunos do ensino médio, Jacqueline Goodchilds perguntou: "É correto um homem fisicamente forçar uma mulher a fazer sexo se..." (note que ela não usou a palavra estupro, e sim um sinônimo).
Condições:
... se ele gastou muito dinheiro com ela? (39% dos alunos responderam que sim, e 12% das alunas).
... se ele está tão excitado que acha que não consegue parar? (36% / 21%)
... se ela já transou com outros caras? (39% / 18%)
... se ela está drogada ou bêbada? (39% / 18%)
... se ela deixou que ele tocasse nela acima da cintura? (39% / 28%)
... se ela estava com vontade e aí mudou de ideia? (54% / 31%)
... se ela has led him on ("deu corda", induziu, enrolou)? (54% / 26%)
... se ela o excita sexualmente? (51% / 42%)
... se eles têm saído por bastante tempo? (43% / 32%)

Este estudo é de 1978, com 432 adolescentes de Los Angeles. Será que a situação mudou muito nesses últimos 35 anos?

Uma das fotos mais famosas do século 20, vendida durante décadas como a imagem de um lindo casal romântico comemorando o fim da Segunda Guerra, é na verdade uma história de abuso.
Diz o texto: "'Aquele homem era muito forte. Eu não o estava beijando. Ele estava me beijando'. Assim escreveu Greta Zimmer Friedman, recordando o dia em 1945 em que um marinheiro bêbado chamado George Mendonsa a atacou sexualmente em Times Square [NY]. Incidentes como esse acontecem o tempo todo, embora obviamente não muitos entrem na nossa consciência cultural como fotos icônicas (e amplamente interpretadas de forma errada)".

E aí, você ainda acredita que cultura de estupro é uma invenção de feministas neuróticas? E o estupro em si, é invenção de quem?
06 May 11:12

Paulo Pimenta: Retrocesso nos direitos civis e na luta pela igualdade

by Conceição Lemes

Padre Beto é uma prova do retrocesso: foi excomungado depois de declarações condizentes com o avanço da sociedade e das liberdades individuais

do deputado Paulo Pimenta, encaminhado por e-mail pela assessoria de imprensa

Três notícias relacionadas à orientação sexual ocuparam, nessa semana, as pautas da mídia – ao menos de sua parcela mais progressista. Aparentemente desconexas, não fosse o fato de tratarem de direitos civis e livre orientação sexual, as notícias estão intimamente ligadas por outros fatores: a banalização da violência contra homossexuais e os falhos argumentos contra a efetivação de seus direitos.

Um padre excomungado por expor suas posições que relativizam interpretações de dogmas da igreja em temas como orientação sexual, fidelidade e conservadorismo. Dois jovens agredidos no bairro Cidade Baixa, em Porto Alegre, por serem homossexuais. Um deputado brasileiro que, como presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, coloca em discussão um projeto que institucionaliza a “cura gay” e criminaliza a “heterofobia”, num evidente deboche à violência física e moral sofrida pelos homossexuais diariamente em todo o Brasil.

Os personagens dessas histórias têm nomes, mas são apenas símbolos, representantes de situações que já se tornam corriqueiras na nossa sociedade. As posturas dos agentes opressores de cada uma dessas histórias vão a um mesmo sentido: naturalização da violência, reafirmação de preconceitos, retrocesso nos direitos civis e na luta pela igualdade.

O padre Roberto Francisco Daniel, subordinado à diocese de Bauru, foi excomungado depois de reiteradas declarações condizentes com o avanço da sociedade e das liberdades individuais, mas que acabaram entrando em choque com o retrógrado – e por vezes contraditório – comportamento da Igreja. As suas missas, que conseguiam vencer o atual declínio do número de fiéis da Igreja Católica e atraiam adeptos jovens e recém convertidos ao catolicismo, não ocorrerão mais na igreja de Santo Antônio.

Sob o argumento de ter contrariado os dogmas milenares da instituição, padre Beto ficou sem entender por que uma instituição que tem entre seus dirigentes cardeais acusados de acobertar e cometer pedofilia, crime gravíssimo, não pode estar aberta à discussão de temas que batem à porta, e que iriam ao encontro do pregado amor ao próximo.

Em Brasília, mesmo sem o respaldo dos grupos que a Comissão de Direitos Humanos e Minorias se propõe a defender, o seu presidente, pastor Marco Feliciano, segue agindo. Na véspera do feriado do Dia do Trabalhador, o deputado colocou na pauta da próxima reunião da CDHM a votação de três projetos, dois deles alinhados às bandeiras retrógradas que tomaram conta daquela comissão, e o terceiro incluído em pauta para que seja derrubado em manobra dos deputados da bancada evangélica.

O projeto da “cura gay”, que permite o tratamento da homossexualidade ao tratá-la como desordem psíquica, pretende, simultaneamente, derrubar resolução do Conselho Federal de Psicologia e contrariar orientação da Organização Mundial da Saúde.

Essa medida é a efetivação do retrocesso, já que especialistas do mundo inteiro (com exceção das teocracias, evidentemente) repudiam que se considere a homossexualidade como patologia. O segundo projeto da pauta tem tom de piada: a criminalização da “heterofobia”. Pelo visto, na terra dos conservadores religiosos estão ocorrendo casos de preconceito contra pessoas que se relacionam com pessoas do sexo oposto.

O projeto é de total desrespeito com familiares e vítimas de casos de homofobia e legitima a atuação de grupos formados para incitar a violência e o ódio, como os neonazistas. A impressão que a medida transmite é que, se o Parlamento manifesta preocupação com a “heterofobia”, não há impedimentos para a ação violenta desses verdadeiros esquadrões da morte.

Já o projeto de autoria do senador Paulo Paim e substitutivo da deputada Érika Kokay que tipifica os crimes resultantes de discriminação e preconceito de raça, cor, etnia, origem, religião, orientação sexual e condição de pessoa idosa ou com deficiência física, crimes que de fato ocorrem e preocupam nossa sociedade, foi incluído na pauta com um único objetivo: ser arquivado pelo conservadorismo que tomou conta da Comissão de Direitos Humanos.

Exemplo da urgência de leis que criminalizem a homofobia foi visto na madrugada de sábado, quando Porto Alegre foi acometida por mais um caso de agressão a homossexuais. Dois jovens foram agredidos por um grupo de neonazistas por estarem abraçados. Além de chutes e socos, o casal foi ameaçado com uma faca. As ocorrências, cada vez mais frequentes, encontram respaldo nos discursos de ódio que teimam em estampar as páginas dos jornais brasileiros e encontram eco no Parlamento.

Atitudes como a excomunhão do padre Beto e a apresentação de projetos no Parlamento que ignoram especialistas e debocham da sociedade brasileira são grandes estímulos para aqueles que querem continuar a viver no obscurantismo, ou pior, praticar a violência contra pessoas que só desejam ter seus direitos garantidos.

Na semana em que se comemora o Dia do Trabalhador, as notícias demonstram que será necessário ter persistência, coragem e trabalho para que conquistemos os avanços que historicamente defendemos e pelos quais foi eleito um governo democrático, ético, popular e socialista.

 Paulo Pimenta é deputado federal pelo PT-RS

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06 May 11:06

Para a CIA, Brizola era o perigo

by Rodrigo Vianna

por Rodrigo Vianna

“Não resta dúvida que toda a pressão e carga era sobre o Brizola. Ele era o perigo“, diz Jair Krischke, do Movimento de Justiça e Direitos Humanos – um dos maiores especialistas em documentação sobre a ditadura militar brasileira.

A frase de Jair está em reportagem do jornal ‘Zero Hora”, que traz importantes documentos da CIA e mostra que o ex-governador Leonel Brizola era considerado o grande inimigo da ditadura brasileira.

Claro que o diário gaúcho, de uma das famílias conservadora, “compra” a versão da CIA, especialmente nesse trecho:

“Brizola comandava operações, treinava guerrilheiros e recebia auxílio financeiro de Cuba e de ultranacionalistas brasileiros com objetivo de derrubar a ditadura. A versão sobre as atividades do trabalhista e o papel de Cuba no apoio de grupos extremistas na América Latina estão descritos em um calhamaço de papeis da CIA”.

Para o “Zero Hora”, “grupos extremistas” eram os que lutavam contra as ditaduras. Extremistas não eram os militares que deram o golpe, nem os civis que financiaram a ditadura e as torturas. Ok. E Brizola vira um “ultranacionalista”  – na típica tentativa de desqualificar todos aqueles que lutaram ou lutam pela soberania, sem tirar os sapatos para os Estados Unidos. Ok, de novo.

Mas, tirando essas escorregadas, o material do “Zero Hora” é precioso.  Brizola era respeitado pelo inimigo. E isso não é pouco quando se sabe qual era esse inimigo.

A memória desse brasileiro deve ser sempre reverenciada. Resistiu ao golpe em 61 (Campanha da Legalidade), e teria resistido em 64 se Jango ficasse no Brasil. Voltou após a Anistia para comandar uma corrente nacionalista e socialista. os militares lhe roubaram a sigla PTB. Brizola fez o PDT. Enfrentou, com coragem, 3 questões ainda nao resolvidas no Brasil: racismo, oligopólio midiático e Educação.

Teve a coragem de questionar o poderio da Globo, porque logo compreendeu que aquilo era incompatível com a Democracia. Com Darcy Ribeiro, colocou a Educação no centro de sua administração no Rio. E fez do PDT o primeiro partido a ter uma secretaria ligada ao Movimento Negro.

Na hora “H”, Brizola nunca fugiu da luta. Perdeu a vaga no segundo turno para Lula em 89, por meio ponto. No dia seguinte estava onde? No palanque de Lula. Sabia que há momentos em que a luta política não permite titubeios. É preciso tomar partido e lutar, ainda que a vitória seja incerta. Lutou. Ganhou algumas vezes, perdeu outras. Jamais mudou de lado, nem titubeou na defesa dos interesses nacionais.

Um grande brasileiro era Brizola. Já sabíamos. Se faltava alguma prova, aí está: era ele o grande inimgo da CIA, dos EUA e da ditadura brasileira.

Confira mais detalhes na reportagem do “Zero Hora”.

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por Guilherme Mazui e Klécio Santos

Nos primeiros anos do regime militar (1964-1985), os focos de insurgência armada haviam sido sufocados e a maioria dos líderes políticos de esquerda estava presa ou vivia no exílio. Nesse clima de aparente legalidade, a população se inclinava a apoiar os militares, instigada pelo discurso oficial de combate à ameaça subversiva. Um nome, contudo, era temido nos bastidores do poder: Leonel de Moura Brizola.

Enquanto respirava a brisa do Rio da Prata, no Uruguai, Brizola comandava operações, treinava guerrilheiros e recebia auxílio financeiro de Cuba e de ultranacionalistas brasileiros com objetivo de derrubar a ditadura. A versão sobre as atividades do trabalhista e o papel de Cuba no apoio de grupos extremistas na América Latina estão descritos em um calhamaço de papeis da CIA — a agência de inteligência americana — enviados ao governo brasileiro, ao qual ZH teve acesso.

Intitulado Intelligence Handbook, o dossiê da agência se detém em descrever em dezenas de páginas a ação dos grupos contrários ao regime, com foco sobre o Movimento Nacional Revolucionário (MNR) de Brizola, considerado como o mais “ativo” grupo de oposição ao regime. A documentação é datada de fevereiro de 1968.

A teia de relações de Brizola é descrita em minúcias, bem como os homens que formavam o seu establishment: Paulo Shilling — um dos fundadores do Movimento dos Agricultores Sem Terra (Master), uma organização precursora do MST —, o ex-deputado Neiva Moreira e o coronel do Exército Dagoberto Rodrigues, ex-diretor do Departamento de Correios e Telégrafos no governo João Goulart. Os tentáculos de Brizola se estenderiam pela Europa, onde seu contato era o ex-deputado Max da Costa Santos, que se encontrava exilado em Paris. Era ele quem viajava para Cuba através de uma conexão por Praga em busca de suporte para ações guerrilheiras. Para a CIA, a indicação mais clara do envolvimento de Cuba é seu apoio ao grupo de exilados de Leonel Brizola. “Os couriers (mensageiros) cubanos contataram e financiaram insurgentes brasileiros no Uruguai e financiaram sua viagem a Cuba para treinamento em campos de guerrilha”, aponta o relatório.
Tancredo, Simon e Brizola em Nova York: ex-governador prepara seu retorno

Um estilo centralizador

Ainda segundo os documentos, Brizola arranjou um grau de proteção para ele próprio e sua organização no Uruguai desenvolvendo relações próximas com vários políticos e oficiais, bem como com grupos revolucionários daquele país, entre eles o Movimento Revolucionário Oriental e a Frente de Esquerda de Libertação (Fidel), ambos ligados ao regime cubano. Àquela altura, Brizola já sofria com escassez de homens dispostos a “encarar os perigos e dificuldades encontradas pelas guerrilhas” e os relatos apontam o recrutamento de possíveis combatentes até no Paraguai. Embora fosse financiado pelos revolucionários de Sierra Maestra e que membros do MNR eram constantemente treinados na ilha, Brizola se recusava a aceitar cubanos como integrantes do seu grupo, segundo a CIA, “provavelmente temendo perder o controle de sua organização”.

— Não resta dúvida que toda a pressão e carga era sobre o Brizola. Ele era o perigo — atesta Jair Krischke, do Movimento de Justiça e Direitos Humanos, que considera fundamental que toda documentação venha à tona, mesmo que sob a ótica americana dos fatos.

Para a CIA, a “insistência” de Brizola em ser o único comandante de qualquer operação o teria colocado em desacordo com outros grupos brasileiros e contribuído para o seu “fracasso” em obter apoio unânime até entre os exilados no Uruguai. Centralizador, o gaúcho em 1968 estaria cedendo espaço para outras agremiações guerrilheiras, como a Resistência Armada Nacionalista (RAN), sob a liderança do ex-almirante Cândido de Assis Aragão e que reunia antigos oficiais do Exército e da FAB. O grupo contaria, conforme os dados da CIA, com uma rede de escape e uma base guerrilheira de apoio na Bolívia, onde foram encontrados contatos e nomes e endereços em Porto Alegre.

Até mesmo o suporte de Cuba Brizola estaria perdendo, em detrimento de outras lideranças como Carlos Marighella. Diante do suposto isolamento, o ex-governador estaria buscando outras fontes de financiamento através do governo da Argélia, onde Miguel Arraes estava exilado. A atuação de Arraes é tida pela CIA como mais voltada para esfera política, sem ação “proeminente nos círculos revolucionários”. Já Brizola era mais temido, principalmente por, dois anos antes, ter posicionado um grupo paramilitar na serra do Caparaó, divisa entre Espírito Santo e Minas Gerais, naquela que é tida como a primeira guerrilha da ditadura. “O grupo foi recrutado, organizado, treinado, financiado e dirigido por Leonel Brizola”, enfatiza o relatório da CIA.

— Caparaó era a menina dos olhos do Brizola, mas foi um grande fracasso. Era um grupo muito bem preparado militarmente, mas que acabou se isolando da população e ficou sem condições psicológicas de resistir — relata o jornalista Flávio Tavares, que questiona a maioria dos informes da CIA já que eram baseados em dados do regime que nem sempre traduziam a verdade.

03 May 14:15

Força, English Teachers!

by noreply@blogger.com (Danielle)
So two EFL proficiency studies have recently been updated. These studies are performed by English companies. The companies test the English levels and abilities of non-native speakers in many different countries.  Though each study has some flaws, their results are pretty consistent and they're the only data available, so they can at least give us a general idea.

On one test, Brazil scored 5th worst out of 54 countries.
On another test, Brazil scored 7th worst out of 80 countries.

That means Brazilians have some of the least fluent English in the world, despite the fact that Brazil has the highest number of English schools per capita out of every country studied.

Shocking?

It's not because Brazilians are stupid by any means -- it's because almost all teachers are non-native with no experience with native English. It's because most English schools are strictly for-profit endeavors focused more on turnover and selling overpriced teaching materials than on, you know, actually teaching English. It's because most teachers rely on outdated teaching methods that have been proven to be unsuccessful (Audiolingual method, anyone?). It's because relatively few Brazilians have regular contact with native English speakers and fluent, natural English. (Movies and Rhianna songs don't count.) It's because quality textbooks are insanely overpriced and therefore inaccessible to most learners.

In my opinion, education is weak in the country in general, so as I've written before, even we trained teachers face challenges trying to use things like deduction and critical thinking skills to teach a foreign language. Other linguistics studies have proven 2 things: 1. that people who have more abilities (i.e., a bigger vocabulary and higher reading levels) in their first language have an easier time learning a second language; and 2. language abilities and mathematical abilities go hand in hand -- kids who receive a good education in math have an easier time learning a second language, and vice versa. (That link I just posted above reaffirms what I wrote in that post that I linked to -- it's because both math and language learning rely on deduction!)

Anyway, these results are frustrating, but that's just because they remind me about the frustrating aspects of my job. We English teachers here in Brazil certainly have our work cut out for us! Let's hope these statistics improve sooner than later.
03 May 11:59

No Dia do Trabalhador, Zero Hora apresenta tese por aumento do desemprego

by Alexandre Haubrich
Parece inacreditável, mas no Dia do Trabalhador o jornal Zero Hora pediu mais desemprego. A única matéria sobre a data apresentou uma tese de economistas que defendem a redução do emprego como solução para a inflação. A reportagem, com chamada … Continuar lendo →
03 May 11:54

Lobão babão e cada vez mais gagá, com inveja de Marco Feliciano, resolveu defecar pela boca

by mariafro

Latuff revisitou uma charge que ele produziu especialmente para o Ato contra a Ditabranda da Folha e gastou seu talento e tempo para falar de um ser desprezível que só quer criar polêmica na rede pra sair da sua total insignificância. Lobão, babão.

Do Carlos Latuff: Cantor Lobão, que já disse que ditadura no Brasil só “arrancou umas unhazinhas”, lança livro chamando Racionais MC’s de “Braço armado do PT” e Mano Brown de “idiota útil”.

02 May 17:21

Será Que Outra Emissora Teria Coragem de Fazer?

by Marco Aurélio Mello
A denúncia envolve grandes produtores rurais num crime de assassinato (com tiros na cabeça) e políticos tucanos. Vocês acham que o PIG daria a devida cobertura ao tema? Tenho minhas dúvidas. O fato é que a Chacina de Unaí, como ficou conhecida, vai fazer 10 anos e até hoje os responsáveis não foram punidos.

A Presidência da República, sob Lula, promoveu uma investigação relâmpago sobre o caso e descobriu toda a trama. No entanto, o caso segue se arrastando na Justiça. Ah, essa Justiça... Os acusados: Antério e Norberto Mânica, os maiores produtores de feijão do país. Antério foi duas vezes prefeito de Unaí, pelo PSDB.

À Justiça Eleitoral, o empresário declarou um patrimônio de 19 milhões de reais. O Domingo Espetacular do próximo fim de semana conta esta história inteira e eu recomendo. Mais um trabalho do jovem e talentoso repórter especial da TV Record, Gustavo Costa. Foi com ele que dividi três projetos no ano que se passou: Doutor Marcelo, Diário do Inferno, Vidas Sem Lar e Perseguidos.

Gustavo foi a Unaí e entrevistou todos os envolvidos. Pôs a vida em risco por uma reportagem, fato raro nesses dias. O Azenha traz em seu blog, hoje, trechos exclusivos das entrevistas que ele fez. Pegue o atalho aqui.

Será que outra emissora teria coragem de fazer?
02 May 13:49

Tucano acusado de mandar matar 4 na chacina de Unaí se diz vítima

by Luiz Carlos Azenha

Antério Mânica, condecorado na Assembleia Legislativa de Minas Gerais

por Gustavo Costa, especial para o Viomundo

A Chacina de Unaí vai completar quase uma década sem julgamento.

No dia 28 de janeiro de 2004, uma denúncia anônima de trabalho degradante no campo (forjada) levou três auditores fiscais do Ministério do Traballho e o motorista deles para uma emboscada. Todos foram executados com tiros na cabeça, a menos de 160 quiilômetros de Brasília.

Os assassinatos repercutiram dentro e fora do país.

Por pressão direta da Presidência da República, uma investigação relâmpago descobriu os envolvidos nas execuções. Uma trama que envolve hierarquia e poder.

Segundo o Ministério Público Federal, os irmãos Antério e Norberto Mânica, os maiores produtores de feijão do país, seriam os mandantes.

Hugo Pimenta e José Aberto de Castro, o Zezinho, empresários de sucesso na produção de grãos, os intermediários.

Francisco Helder Pinheiro, conhecido como Chico Pinheiro, o homem que contratou os pistoleiros.

Erinaldo Silva e Rogério Alan Rocha, os matadores.

Willian de Miranda, motorista dos bandidos.

E Humberto dos Santos, o responsável por tentar apagar os rastros da quadrilha.

Antério Mânica, segundo o Ministério Público Federal um dos mandantes da chacina, se elegeu duas vezes prefeito de Unaí concorrendo pelo PSDB.

Sua declaração de bens na Justiça Eleitoral, em 2008, chegou perto dos 19 milhões de reais.

A primeira eleição aconteceu no ano do crime, mesmo sendo ele um dos suspeitos de mandar matar os servidores públicos.

Antério passou dois curtos períodos na cadeia.

As propriedades dele, com cerca de cinco mil hectares, produzem mais de 200 mil sacas de 60 quilos de feijão por safra.

Os Mânicas são descendentes de italianos. Chegaram ao Brasil no final de década de 40.

Hoje, Antério diz que praticamente não conversa com o irmão, Norberto, que mudou-se para o interior de Mato Grosso.

Neste domingo você pode ver no Domingo Espetacular, da TV Record, às 20h30, uma reportagem especial com detalhes inéditos de um atentado contra o estado brasileiro: Chacina de Unaí, o Dossiê.

A seguir, uma entrevista exclusiva com Antério Mânica, feita em Unaí:

Gustavo Costa: Quando aconteceu a Chacina de Unaí, o senhor ficou preso quanto tempo?

Antério: Fui preso faltando 18 dias, aliás, às 18 horas, fui preso porque depois da meia noite não poderia mais ser preso porque faltavam 15 dias [para a eleição], e eu era candidato. E a Polícia Federal e a Civil, que investigou, até hoje não encontrou sequer indícios de minha participação no crime. Um juiz, que está afastado e sendo investigado neste momento, por ofício me mandou prender. E cinco dias após a minha prisão, o Ministério Público Federal ofereceu uma denúncia. Então, fui preso seis horas antes do limite que não poderia ser preso por ser candidato. E faltando três dias para a minha diplomação, sem fato novo, este mesmo juiz me mandou prender. E as duas vezes eu fui solto por unanimidade, por habeas corpus no tribunal federal, em Brasília, por unanimidade dos desembargadores. Eu fiquei preso 17,18 dias na primeira prisão e dois dias na segunda prisão.

Gustavo Costa: Segundo a investigação, o senhor e o seu irmão são os mandantes do crime. O senhor mandou matar os auditores fiscais do Ministério do Trabalho e o motorista?

Antério: Absolutamente. Eu falo por mim, não tenho nada a ver com este crime. Tanto é que a Policia Federal e Civil, com delegado escolhido a dedo, não encontraram até hoje sequer indícios de participação minha.

Gustavo Costa: Qual a relação do senhor com o empresário Hugo Pimenta, acusado de ser um dos intermediários da chacina?

Antério: Praticamente nenhuma. Ele era comprador de feijão, mas eu praticamente não comercializava com ele. Não era meu inimigo, mas não tinha relação próxima com ele.

Gustavo Costa: O senhor conhecia o Nelson [José da Silva], um dos fiscais assassinados?

Antério: Conhecia, praticamente nunca conversamos. A imprensa divulgou que tem ameaças minhas pra ele. Na verdade, o que tem no processo é uma ameaça, segundo o processo, que um irmão meu, Norberto Mânica, teria feito, num escritório, com um perfurador de saco de feijão para amostragem de feijão. Comigo mesmo, nunca tivemos uma troca de palavra sequer. Essa é a verdade. Não foi o que a imprensa divulgou. E muitas vezes o próprio Ministério Público tem divulgado inverdades, como por exemplo, o último relato no site a respeito desta decisão do STJ.

No site do Ministério Público de Minas Gerais diz que fui preso em 2007. É mentira. No site, nesta mesma reportagem, fala que eu entrei com recurso para procrastinar o julgamento. Faltaram com a verdade, literalmente. Eu não sei porque eles fazem isso. Desde o início do processo eu entrei com três recursos no Tribunal — a não ser os habeas corpus — os três pedindo julgamento imediato, e por três vezes o Ministéro Publico Federal entrou com recurso e conseguiu adiar meu julgamento e o meu será depois que os de todos os outros acusados. Então, o Ministério Público falta literalmente com a verdade, mente, para ser mais enfático. Só nesta última matéria, duas mentiras: que eu entrei com um recurso para procrastinar meu julgamento, quando foram eles. Eles falam ao contrário. E contaram lá que fui preso em 2007. Outra inverdade, fui preso antes de assumir, em 2005. E depois disso nunca mais fui preso, fui chamado, intimado, nunca mais.

 Gustavo Costa: O auditor fiscal Nelson fiscalizou sua propriedade?

Antério: A minha ele fiscalizou, fiscalizou a fazenda de todos os produtores aqui de Unaí, produtores de médio porte pra cima, ele fiscalizou a região.

Gustavo Costa: O senhor foi autuado por trabalho degradante?

Antério: Não, jamais fui autuado por trabalho degradante ou por trabalho escravo.

Até digo mais: aqui em Unaí tem dois ou três casos de pequenos produtores e carvoeiros que foram autuados por trabalho degradante. Nós temos o ex-prefeito, que me antecedeu, que foi autuado numa fazenda dele, no Pará. Então, Unaí não tem disso. E digo mais, não só a minha fazenda, o padrão dos produtores rurais e empresariais de Unaí é um dos melhores do país. E as autuações são das mais normais possíveis. As multas milionárias divulgadas por todos os meios de comunicação, eu não sei onde acharam isso. Mentira em cima de mentira, multas milionárias que nunca existiram.

Gustavo Costa: Se o senhor foi autuado, lembra do valor que pagou?

Antério: 5 mil, 20 mil, 3 mil. É assim: a autuação, se você pagar na hora, paga com 50% do valor, se entrar na Justiça, tem que depositar 100% do valor e passar 20 anos brigando. Então, o pessoal que nos assessora diz que é interessante pagar o valorzinho em vez de brigar anos e anos na Justiça.

Gustavo Costa: O senhor teve contato com o Chico Pinheiro ou com o Zezinho? [Chico, agenciador dos matadores; José Alberto de Castro, o Zezinho, intermediário]

Antério: Esse Zezinho eu devia conhecer porque a mãe dele chegou a morar do lado da minha mãe aqui na cidade, mas não tinha relacionamento nenhum. E os outros conheci na penitenciária Nelson Hungria, quando fui preso eles estavam lá. Nunca tinha visto essas pessoas e nunca tive contato com eles.

Gustavo Costa: Antes do crime, o senhor ligou para a Delegacia do Ministério do Trabalho, em Paracatu, para oferecer uma coroa de flores ao fiscal Nelson?

Antério: Isso é piada, para não dizer mais. Na verdade, no dia que aconteceu a tragédia eu dei depoimento para Polícia Federal, fui intimado e eles confirmaram isso tudo. O gerente [Juca] da cooperativa — que eu fui fundador, presidente por dois mandatos, associado número 001 — me ligou [dizendo] que um outro produtor passou no local [do crime] e viu e ligou pra ele. E ele me ligou da cooperativa. Tá tudo no processo, as ligações. Me ligou perguntando, e eu disse “não sei”.

Aí, eu liguei depois do crime, meia hora, uma, duas, sei lá, eu liguei [para o Ministério do Trabalho] porque a delegada, dr. Dália, a gente criou um condomínio rural, a gente tinha e criou uma proximidade, liguei que a conversa era que teve um problema com fiscais. Liguei do meu telefone, da minha casa, não era ainda este apartamento, liguei, é o Antério Mânica, houve o acidente, confirma? A Dália não estava, aí a moça disse não estou sabendo de nada. Liguei pro Juca na cooperativa dizendo “o pessoal não sabe de nada”.

Ele [Juca] me ligou depois de uns 15,20 minutos, olha, confirmou [a morte dos fiscais], ligaram de lá. Aí voltei a ligar, olha, confirmou. Na maior boa fé do mundo, da minha casa, do meu telefone. Aí começa a história que eu queria confirmar se tinha morrido todo mundo? Ora, se o pessoal [os assassinos] tava aí, tinha que ter ido atrás deles e não ligar lá.

Gustavo Costa: Antes, o sr. ligou?

Antério: Não, nem… Fazia seis meses ou um ano que eu não ligava para o Ministério do Trabalho, não existe ligação. Não sei quem criou esta fantasia.

Gustavo Costa: E um pouco depois?

Antério: Isso. Está esclarecido tudo. Me ligaram da cooperativa. Fazia muito tempo que eu não falava com Hugo, Zezinho, com Ministério do Trabalho. Ouvi falar da historia da coroa, isso é fantasia, é loucura.

Gustavo Costa: Como o senhor ficou sabendo das mortes?

Antério: O gerente da Coagril [Cooperativa Agrícola de Unaí], Juca, me ligou. Liguei lá [no Ministério do Trabalho] para saber se era verdade.

Gustavo Costa: O que o senhor tem a dizer sobre a demora para o julgamento?

Antério: Tá aí gravando, não sei qual a intenção do Ministério Público em faltar com a verdade. Eu assino embaixo de tudo o que estou dizendo. Eu quero ser julgado. Entrei com três pedidos de julgamento imediato na Justiça. Quero que isso acabe. Porque o que está no processo, não é o que o Ministério Público divulga, e muito menos o que a grande imprensa tem feito a respeito do meu nome.

E a luta do Ministério Público pra me levar a Belo Horizonte é porque não querem que eu seja julgado pelos meus pares, por pessoas que me conhecem há 35 anos, eles querem criar um monstro lá em BH do Antério Mânica, com mentiras em cima de mentiras. Não existem multas milionárias, não existe recurso para procrastinar, não existe coroa de flores, isso é fantasia, alucinação. Eles criaram do Antério Mânica um monstro. Fui eleito e reeleito, e tenho respeito, a não ser meia dúzia de adversários por problemas de política, assim mesmo não tenho inimigo, posso ter adversário.

Gustavo Costa: O senhor tem preferência do local do julgamente, Belo Horizonte ou Unaí?

Antério: É lógico que eu tenho, as pessoas aqui sabem quem é Antério Mânica de verdade. Lá eles não tem nada do Antério, só poucas pessoas me conhecem. Mas eu quero ser julgado, mesmo que seja em BH, não tenho nada a ver com essa história.

O Ministério Público mente deliberadamente sobre a minha pessoa e acredito que é influência do sindicato dos auditores fiscais. Eles contam a versão deles, que é mentirosa, falo do meu, nesta questão. A verdade é que não fui indiciado pela Polícia Civil e Federal até hoje.

Gustavo Costa: O senhor foi condecorado pela Assembléia Legislativa de Minas Gerais?

Antério: Fui condecorado. Eu não tenho nada a ver com crime, sou inocente, uma pessoa trabalhadora, tive 8 anos de prefeito. E recebi a homenagem por coisas que você mesmo pode conferir na cidade, tenho a aprovação de muita gente.

Ele [deputado estadual Durval Ângelo, do PT, que convocou Antério para depor], como um presidente da Comissão de Direitos Humanos, vem me condenar sem me julgar. Olha, sou ser humano também. Ele, desinformado, com informações nada a ver, mentirosas, chegou a ser duro demais, grotesco comigo. Eu sou um ser humano. Ele tinha que me respeitar mais, mas pelo menos foi o único que me deu a oportunidade de falar ao vivo. A imprensa edita, corta, fala do jeito que quer, não passa. Eu não tenho pago imprensa pra falar a verdade. Mas não sei se o sindicato dos auditores fiscais não paga, não sei o seu interesse de vir aqui, se tem alguém bancando, não sei.

Essa é a grande verdade: sou inocente, não tenho nada a ver com este crime. Não fui indiciado e olha, não encontraram sequer indícios, que dirá culpa.

[Gustavo Costa quer investigar a ameaça aos awa guajá, indígenas que correm risco de extinção, por parte de madeireiros. Patrocine o documentário, clicando aqui]

O senhor será candidato a deputado?

Antério: Olha, como eu te disse. Fui candidato a deputado federal em 98, candidato a prefeito em 2000, 2004, 2008. Será que eu tenho que abrir mão de uma coisa que faço desde jovem? Isso me satisfaz, eu gosto disso.

Gustavo Costa: Os acusados de intermediários ou de execução em algum momento mencionaram o seu nome ou do seu irmão?

Antério: Não sei. Não tenho conhecimento, mas se alguém usou, usou faltando com a verdade.

Gustavo Costa: Qual a sua opinião sobre o crime?

Antério: Um crime bruto. A versão que eu ouvi na Justiça Federal, quando estava preso, estavam todos juntos na sala, alegaram que [os assassinos] estavam numa fazenda para ver e roubar de noite. Na volta viram uma caminhonete e resolveram roubar. Na hora alguém se assustou e deram um tiro e mataram todos. Pra falar a verdade, não procurei me aprofundar. Não tenho nada a ver com isso.

Gustavo Costa: O senhor acredita em crime de mando?

Antério: Não foi o que eles contaram lá, mas pode ser também. A Polícia Federal, que não me indiciou, indiciou o resto. Eu sei que comigo a policia foi justa, não tem indícios.

Gustavo Costa: E o Marea? [Segundo a polícia, o Marea é um dos carros apreendidos com os envolvidos na chacina. O veículo seria da mulher dele, Bernadette Mânica]

Antério: Tinha um Marea, ficou de 5 a 6 anos. Agora de ser meu ou da minha esposa, é o argumento que eles usaram. Que alguém teria visto um Marea na noite anterior ao crime, é o que está no processo, e que eu liguei na Delegacia do Trabalho para saber se tinham morrido. Se tinha Marea ou não tinha, eu não sei. Mas não era o da minha esposa e não era eu. A gente se incomoda com o fato do Ministério Público fazer este tipo de coisa.

Se eu tivesse 1% de tudo o que a gente fala que tenho, era muito mais rico. Não dá pra se dizer pobre, não, temos capital razoável, muita luta, muito trabalho, sem dar prejuízo pra ninguém. Tem um irmão meu aí, o Norberto [o outro acusado de ser mandante] que está sendo acusado, deu problema na cidade, vendeu a fazenda agora, separou da família, entortou a vida.

Gustavo Costa: Está em Mato Grosso agora?

Antério: É [em Paranatinga].

Gustavo Costa: Como ficou a relação do senhor com o seu irmão Norberto depois dos assassinatos?

Antério: Praticamente a gente não conversa. Eu não briguei com ele, ele se distanciou da família. Ficou dois anos sem visitar a minha mãe. Faz cinco que a minha mãe morreu. Ele veio no enterro. Mas não temos relacionamento.

Gustavo Costa: O Hugo [acusado de ser intermediário no crime] diz que o seu irmão deve pra ele quase um milhão de reais. O senhor também acredita na inocência do seu irmão?

Antério: Não sei. Na verdade, ele, o Hugo e o Zezinho, pelo que tá no processo, eles se falavam de minuto em minuto, tinham proximidade. Eu não acredito que tenha um envolvido sem os outros estarem. Porque eu vi no dia do depoimento, lá em BH, tava meu irmão, o Hugo, o Zezinho e todos aqueles que estavam presos. Inclusive o que faleceu, o Chico.

Gustavo Costa: O Hugo enriqueceu?

Antério: Dizem que enriqueceu. Eu vi o Hugo quando veio aqui. Nunca tinha nem visto na rua. O Hugo saiu do hangar e mostrou dois aviões. Mas eu não sei qual é o patrimônio [dele].

Gustavo Costa: O que mudou na sua vida depois do episódio da chacina?

Antério: Vocês não sabem, dei hoje um depoimento. Isso é um inferno na vida da gente. Se vê todo dia uma bobagem na imprensa, uma mentira. E fala na imprensa… E eu provo. Eu quero ser julgado pra acabar com esse inferno. Sabe o que é colocar a cabeça no travesseiro e pensar: se for condenado é morrer na cadeia, quatro crimes bárbaros como estes.

Gustavo Costa:O senhor nunca ameaçou o Nelson, fiscal do Ministério do Trabalho?

Antério: Não ameacei o Nelson. Norberto e Antério, vão misturando…

Gente, a nossa familia é humildade total. Pelo patrimônio que nós temos, olha como vivemos, a casa. Saímos do nada. Não foram nossos pais que fizeram patrimônio, fomos nós.

*****

No domingo, as provas que o MPF tem sobre o envolvimento de Antério Mânica na chacina.

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02 May 09:23

Que tal atores e atrizes no lugar de reis e rainhas?

by Diario do Centro do Mundo

Uma coisa é certa: isso tornaria as monarquias menos caras para os contribuintes.   No dia 30 de abril, a rainha Beatriz da Holanda abdicou em favor do seu filho . Uma vez que a monarquia não tem poder político e custa muito dinheiro, o autor Arnon Grunberg propõe que a família real seja substituída

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01 May 22:22

Mais padre Beto e menos padre Marcelo

by Diario do Centro do Mundo

Um representa o mundo novo e complexo; o outro é um bobo alegre. O texto abaixo, de autoria de Matheus Pichonelli, foi publicado originalmente no site da Carta Capital. Entre os dias 23 e 28 de julho, o Rio de Janeiro sediará a Jornada Mundial da Juventude. Será a primeira viagem internacional do argentino Jorge Mario

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01 May 17:30

Líderes da oposição promovem reunião no STF

by Luiz Carlos Azenha
Allan Patrick

Esse é o tipo de foto que me mantém convicto de não simpatizar com o PSOL.

Foto José Cruz/ABr

Senadores da oposição apoiam liminar de Gilmar Mendes em encontro com o ministro

Débora Zampier – Agência Brasil

30.04.2013 – 19h08 | Atualizado em 30.04.2013 – 19h34

Brasília – Senadores da oposição se reuniram hoje (30) com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes para apoiar suspensão do projeto que inibe a criação de novos partidos. Mendes deu a liminar na semana passada ao analisar mandado de segurança do senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF).

O encontro ocorre um dia depois de Mendes receber em sua casa os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) e da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). A reunião de hoje foi no gabinete do ministro no STF, e os parlamentares falaram com jornalistas antes de deixar o Tribunal.

Segundo Pedro Taques (PDT-MT), os parlamentares não agradeceram o ministro “porque não se agradece decisões judiciais”, mas informaram que vários parlamentares concordaram com a decisão. Para Taques, o Supremo está “colocando o Congresso Nacional nos eixos”, pois o processo parlamentar precisa respeitar o direito das minorias.

“Esse arremedo de processo legislativo, esse pseudoprocesso legislativo é uma farsa porque não se deu oportunidade para os parlamentares exercerem seu direito público subjetivo de debater um tema como esse, um tema casuístico”, disse Taques.

Já o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) declarou que a ação do STF é necessária porque o projeto representa um “constrangimento”, inclusive para os parlamentares da maioria.

Álvaro Dias (PSDB-PR) acredita que o Legislativo e o Judiciário não estão em crise. “Preferimos que os impasses do Legislativo sejam resolvidos no âmbito do Parlamento, mas neste caso havia urgência”.

O senador também disse que as tentativas do Congresso de limitar os poderes do Supremo são “uma espécie de revide daqueles que estão magoados com decisões recentes, o julgamento do mensalão por exemplo”.

Autor do mandado de segurança, Rollemberg declarou que o ministro Gilmar Mendes vai pedir informações ao Senado e encaminhar o assunto para manifestação da Procuradoria-Geral da República antes de levar o assunto ao plenário, o que deve ocorrer em maio.

Também participaram da reunião os senadores Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), Pedro Simon (PMDB-RS), Aloysio Nunes (PSDB-SP), Ricardo Ferraço (PMDB-ES), Ruben Figueiró (PSDB-MS) e a senadora Ana Amélia (PP-RS).

Edição: Aécio Amado

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01 May 13:29

El escaso interés de EEUU por una guerra en Siria

by Iñigo Sáenz de Ugarte
Allan Patrick

Taí uma qualidade de Obama que não tem sido reconhecida: não alimenta as incontáveis demandas por novas guerras que a máquina da indústria armamentista alimenta dentro do seu governo e na mídia.

En la rueda de prensa de hoy, Obama se ha referido al uso de armas químicas en la guerra siria en términos que dejan claro lo poco que le interesa ahora mismo una intervención militar en el conflicto. Al menos oficialmente, EEUU ni siquiera sabe quién ha usado esas armas.

No es extraño. Dos sondeos revelan lo lejos que figura Siria de las prioridades de la opinión pública. Un 62% no cree que sea responsabilidad de EEUU intervenir en esa guerra. Lo mismo cuenta otro sondeo, pero en este caso hay otra pregunta de la que se pueden sacar conclusiones diferentes. Un 45% estaría a favor de una intervención militar si confirmara el uso de armas químicas por el Gobierno de Damasco (el 31% se mostraría en contra).

Compromisos de entrar en combate cuando se basan en futuribles tienen un valor relativo. Pero es un aumento significativo sobre los números de las encuestas a finales de 2012. El interés sigue siendo escaso, pero todo puede cambiar si los gobernantes sirios perdieran la cabeza. Razón de más para que no lo hagan, si aún quedan entre ellos gente que sabe lo que le conviene.

Además, un 70% de los norteamericanos apoya el uso de ‘drones’ en las guerras. A partir de ahora, veremos más encuestas en las que el belicismo coge forma de enviar drones o aviones. La guerra limpia, le llamarán. Limpia para los que disparan.

23.30

Pocas horas después de la rueda de prensa, se ha producido un giro inesperado con la noticia en The Washington Post de que Obama está dispuesto a enviar armas a los rebeldes sirios. ¿Ahora mismo? No, “dentro de unas semanas” o justo antes de que se reúna con Putin en junio. Si quisiéramos sospechar, podríamos pensar que se trata de presionar a Rusia para que cambie de actitud.

No hay información mucho más concreta en el artículo. Nada sobre qué tipo de armas, ni el tipo de grupos que recibirían esta ayuda. Otros periodistas han recibido un mensaje diferente de la Casa Blanca: “No hay respuestas fáciles”, le han dicho a David Corn. Como si no lo supiéramos.

30 Apr 14:07

A bomba relógio estourou e Carlos Eduardo vai aumentar a tarifa dos ônibus

by primo
Allan Patrick

Rapaz, até o homofóbico e machista do Renato Dantas já entendeu que não há solução para o transporte em Natal que passe pelo uso do automóvel.

É certo que teremos aumento no preço da tarifa do sistema de transporte público de passageiros(ônibus), como também é certa uma briga entre o prefeito Carlos Eduardo e empresários..

Para o prefeito sair bem no filme, esperar que os empresários peçam um reajuste maior do reajuste que será realmente concedido..

Assim o prefeito aparecerá para a sociedade como um grande defensor dos usuários de transporte e capaz de enfrentar os empresários ganhando a simpatia e apoio da sociedade.

Enquanto estivermos discutindo transporte público dessa maneira, Natal continuará com um transporte precário, avenidas entupidas de carros e sem estacionamentos..

Natal precisa de uma discussão mais profunda, uma verdadeira revolução no sistema de transporte, com corredores exclusivos, ônibus confortáveis climatizados e estacionamentos públicos integrados com terminais de passageiros onde o usuário deixe seu carro e daí em diante utilizar o que no passado foi chamado de “ligeirinho”.

O reajuste salarial dos trabalhadores do sistema de transporte público deverá implicar diretamente na tarifa de ônibus. Caso a proposta apresentada de reajuste salarial e de vale-alimentação em 7,5% seja aceita, o preço da passagem poderá saltar dos atuais R$ 2,20 para até R$ 2,60. O impacto é calculado pelo   coordenador jurídico do Seturn, Augusto Maranhão Vale.

Desde o ano passado, o setor persegue um aumento. “Para se manter há três soluções: o reajuste tarifário, uma política de subsídios para as empresas ou fechar mais empresas”, pontua Vale. O sistema de transporte está sem reajuste na passagem há 27 meses. Entre as formas de subsídio, o Seturn já apresentou proposta para a redução do ICMS do óleo diesel, junto ao governo do Estado, e redução do ISS.

Pode ser que o prefeito Carlos Eduardo tente colocar a conta para governadora Rosalba pagar..

30 Apr 12:08

As crianças torturadas em nome de Jesus

by Diario do Centro do Mundo

Pastores pentecostais promovem violentos exorcismos em pequenos africanos para ganhar dinheiro.   Uma tragédia — uma a mais, melhor — está ocorrendo na África em nome de Jesus: a exploração religiosa de inocentes por falsos profetas de igrejas pentecostais. O texto abaixo é de Clóvis Pacheco Filho, ou “Prof” para quem acompanha o Diário —

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30 Apr 12:03

Obra da Roberto Freire custará R$ 44 milhões por quilômetro

by Daniel Dantas Lemos
Por Marcos Dionísio Medeiros Caldas
Presidente do Conselho Estadual de Direitos Humanos

Sai amanhã o Edital daquela obra que foi liberada pela Semurb às vésperas do Natal de 2012 quando a cidade discutia quem era o prefeito. 
A obra nos custará mais de 221,7 Milhões de PILAS. Sim, 44 Milhões de PILAS por quilômetro para resolver problemas da Av. Roberto Freire que poderiam ser resolvidos com intervenções mais baratas e simples. 
Gastar é o que importa. 
Foi assim mesmo com o Machadão que deitaram abaixo e vão querer fazer o mesmo na Roberto Freire. 
O Comitê Popular da Copa e a a Associação Potiguar dos Atingidos pelas Obras da Copa (APAC), que já conseguiram evitar as desapropriações contra pessoas do povo de Natal, vão à luta para impedir esse crime lesa-humanidade, por endividar o nosso estado mais ainda e por atingir a nossa última reserva de mata atlântica no Parque das Dunas. 
Haverá arenga das boas contra mais essa sandice que agride ao povo de Natal,  patrocinada pelo Governo do Rio Grande do Norte.
30 Apr 12:01

Reveja a série da ESPN sobre a Copa em Natal: Areia Movediça, a Copa sob as dunas

by Daniel Dantas Lemos