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| O padre Beto, excomungado por defender gays, durante entrevista coletiva em Bauru |
Comunicado ao povo de Deus da Diocese de Bauru
É de conhecimento público os pronunciamentos e atitudes do Reverendo Pe. Roberto Francisco Daniel que, em nome da “liberdade de expressão” traiu o compromisso de fidelidade à Igreja a qual ele jurou servir no dia de sua ordenação sacerdotal. Estes atos provocaram forte escândalo e feriram a comunhão eclesial. Sua atitude é incompatível com as obrigações do estado sacerdotal que ele deveria amar, pois foi ele quem solicitou da Igreja a Graça da Ordenação. O Bispo Diocesano com a paciência e caridade de pastor, vem tentando há muito tempo diálogo para superar e resolver de modo fraterno e cristão esta situação. Esgotadas todas as iniciativas e tendo em vista o bem do Povo de Deus, o Bispo Diocesano convocou um padre canonista perito em Direito Penal Canônico, nomeando-o como juiz instrutor para tratar essa questão e aplicar a “Lei da Igreja”, visto que o Pe. Roberto Francisco Daniel recusa qualquer diálogo e colaboração. Mesmo assim, o juiz tentou uma última vez um diálogo com o referido padre que reagiu agressivamente, na Cúria Diocesana, na qual ele recusou qualquer diálogo. Esta tentativa ocorreu na presença de 05 (cinco) membros do Conselho dos Presbíteros.
O referido padre feriu a Igreja com suas declarações consideradas graves contra os dogmas da Fé Católica, contra a moral e pela deliberada recusa de obediência ao seu pastor (obediência esta que prometera no dia de sua ordenação sacerdotal), incorrendo, portanto, no gravíssimo delito de heresia e cisma cuja pena prescrita no cânone 1364, parágrafo primeiro do Código de Direito Canônico é a excomunhão anexa a estes delitos. Nesta grave pena o referido sacerdote incorreu de livre vontade como consequência de seus atos.
A Igreja de Bauru se demonstrou Mãe Paciente quando, por diversas vezes, o chamou fraternalmente ao diálogo para a superação dessa situação por ele criada. Nenhum católico e muito menos um sacerdote pode-se valer do “direito de liberdade de expressão” para atacar a Fé, na qual foi batizado.
Uma das obrigações do Bispo Diocesano é defender a Fé, a Doutrina e a Disciplina da Igreja e, por isso, comunicamos que o padre Roberto Francisco Daniel não pode mais celebrar nenhum ato de culto divino (sacramentos e sacramentais, nem mais receber a Santíssima Eucaristia), pois está excomungado. A partir dessa decisão, o juiz instrutor iniciará os procedimentos para a demissão do estado clerical para enviar a Roma o procedimento penal para sua “demissão de estado clerical”.
Com esta declaração, a Diocese de Bauru entende colocar “um ponto final” nessa dolorosa história.
Rezemos para que o nosso Padroeiro Divino Espírito Santo, “que nos conduz”, ilumine o Pe. Roberto Francisco Daniel para que tenha a coragem da humildade em reconhecer que não é o dono da verdade e se reconcilie com a Igreja, que é “Mãe e Mestra”.
Bauru, 29 de abril de 2013.
Por especial mandado do Bispo Diocesano, assino os representantes do Conselho Presbiteral Diocesano.
Allan Patrick"É no trote que se testa quem aceita submissão"
“É no trote que se testa quem aceita submissão, que depois, no segundo ano, para pertencer ao grupo, você precisa dar trote. Então tem muitos alunos que passam por todos os trotes no primeiro ano e depois não conseguem dar o trote no segundo ano e são marginalizados pelos trotistas.”
Ela foi chamada para ir a uma festa na república. Chegando lá, por volta das 20h30min, estava o garoto que a convidou, um amigo dele que não é da faculdade e uma garota da faculdade e moradora do prédio. A segunda garota teve que ir embora e ficaram apenas os três no apartamento. Alguns instantes depois, momento em que a vítima olhava a rua pela janela do apartamento, ambos chegaram por trás e começaram a passar as mãos pelo seu corpo, tentando, inclusive beijá-la. Repreendendo as atitudes de ambos, a vítima começou a chorar e saiu de perto, pedindo inclusive a chave apara ir embora, ato negado pelos caras. ![]() |
| De alunos da Universidade Federal de Pelotas, abril 2013. |
Uma leitora aqui do blog, muito antes desses escândalos referentes a São Carlos, contou o estupro que sofreu numa festa em 2008, quando era estudante da USP de lá. Depois ela revelou que o estuprador era do mesmo GAP. Allan Patrick"Aproximadamente 2,5 mil pessoas de diferentes ministérios e secretarias foram demitidas ou viraram alvo de perseguição"
“Golpe Constitucional’ me parece um contrasenso. Golpe é golpe.
Paraguai depois do golpe: funcionários públicos relatam demissões massivas
Por: Daniella Cambaúva e Murilo Machado, de Assunção para o Opera Mundi
28/04/2013 – 08h00
Aproximadamente 2,5 mil pessoas de diferentes ministérios e secretarias foram demitidas ou viraram alvo de perseguição
Um depósito com apenas uma janela e uma porta foi, durante seis meses, o local de trabalho da paraguaia Mirian Rodríguez, ex-funcionária da SAS (Secretaria de Ação Social). Licenciada em trabalho social, ela fazia parte daquela secretaria havia quatro anos – sem receber “nenhuma advertência”, ressalta. Junto com outros colegas, ela foi transferida de lá depois de 22 de junho de 2012, quando um golpe constitucional destituiu o então presidente Fernando Lugo.
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Mirian trabalhava há quatro anos em secretaria antes de ser demitida: “funcionários públicos estão mendigando trabalho que era deles”
No “freezer”, como apelidaram o lugar, só havia mesas e cadeiras e era preciso levar de casa parte do material de trabalho, como computadores, por exemplo. Conforme afirmou Mirian a Opera Mundi, para lá foram enviadas as pessoas que tinham alguma capacidade de liderança entre os colegas ou qualquer relação com um dos sindicatos que representam a SAS. “Ficamos sem condições de trabalho, sem ventilação, sem nada. Somos técnicos, temos formação. Os funcionários públicos estão mendigando um trabalho que era deles”, disse.Perto da porta, foi criada uma nova função: um fiscal anotava cada vez que alguém saía e com quem conversava. “Ele ficava com um caderno em uma mesa e anotava: ‘Mirian vai ao banheiro, Mirian vai a tal parte, fulano vem lhe visitar’. Só o fato de cumprimentar alguém… Não podia nem olhar, tinha que mostrar indiferença”, contou.Mirian foi demitida em janeiro de 2013 e hoje se sente aliviada por já ter outro trabalho. “Alguns foram notificados de forma trágica. Ninguém avisou antes. Chegaram para trabalhar e o nome não estava mais lá. Não foi uma violação de direitos trabalhistas, mas de direitos humanos”, opinou.
Aquele período em que estiveram no depósito foi, avalia ela, “uma forma de fazer com que os outros tivessem medo: porque você é mãe solteira, porque você tem filhos para criar”. O medo de que Mirian fala é justificável quando se tem em mente quantas pessoas foram despedidas.
Estima-se que, desde 25 de junho – primeiro dia útil depois do golpe – 2. 500 pessoas de diferentes ministérios e secretarias do Paraguai tenham sido demitidas ou vítimas de perseguição por estarem filiadas a sindicatos. Ou ainda por acreditar que a mudança de governo foi um golpe de Estado, e não um julgamento político.
Na lista de quem perdeu o emprego estão pessoas com estabilidade sindical e funcionários públicos de carreira que teriam direito, de acordo com a legislação, à estabilidade, além de mulheres grávidas ou em período de lactação. A fim de denunciar dispensas que contrariam as regras estipuladas pela legislação trabalhista do Paraguai, um grupo reunido na “Frente de Trabalhadores do Estado Contra o Golpe” elaborou um dossiê de mais de 150 páginas, apresentado à OIT (Organização Internacional do Trabalho) e à CIDH (Corte Interamericana de Direitos Humanos) da OEA.
“Começaram com cargos de confiança, mas depois foram os técnicos. Vi gente ser tirada do prédio do governo por policiais, como se fossem criminosos, sem chance de tirar seus pertences”, relatou a jornalista Maria Paz Valenzuela, uma das pessoas que trabalharam na elaboração do relatório, ao qual Opera Mundi teve acesso.
O Paraguai possui registrados 258.052 funcionários públicos, segundo um informe da Secretaria da Função Pública de abril de 2013. Ao todo, foram afetados trabalhadores de 15 órgãos, além da Itaipu Binacional, da estatal Administração Nacional de Eletricidade (ANDE), da Companhia Paraguaia de Comunicações Sociedade Anônima (COPACO) e da hidrelétrica Yacyreta, binacional construída em conjunto com a Argentina.
| Veja na tabela abaixo parte das demissões: | |
| Órgão/empresa | Número total de demissões |
| TV Pública Paraguay | 21 |
| Secretaria de Ação Social | 10 |
| Programa Tekoporâ | 350 |
| Itaipu Binacional | 400 |
| Senave (Serviço Nacional de Qualidade e Saúde Vegetal e de Sementes) | 120 |
| Secretaria Nacional de Cultura | 9 (mais 5 renúncias) |
| Indert (Instituto Nacional de Desenvolvimento Rural e da Terra) | 70 |
| Ministério da Saúde Pública e Bem-estar Social | 500 |
| SEN (Secretaria de Emergência Nacional) | 30 |
| (VMJ) Vice Ministério da Juventude | 62 |
| MOPC (Ministério de Obras Públicas e Comunicação) | 10 |
| Assessoria de Participação Cidadã | 3 |
| MEC (Ministério de Educação e Cultura) | 64 |
| TOTAL | 1654 |
Uma das secretarias mais afetadas foi a SAS, onde trabalhava Mirian, não tanto pelo número demissões, mas pela quantidade de pessoas que foram colocadas como “operadores políticos” do Partido Liberal, do atual presidente Federico Franco, segundo afirmou Genaro Palacios, Secretário Geral do Sitrasas (Sindicato de Trabalhadores da SAS).Ao todo, foram desligados 359 funcionários. Mas, nos últimos quatro meses de 2012, foram contratadas 915 pessoas. A maioria delas, segundo Palacios, é de operadores do partido de Franco. Soma-se a isso o fato de o titular da SAS, Víctor Rivarola, que é primo de Franco e filiado tanto ao Partido Colorado como ao Liberal, ter autorizado em janeiro a contratação de 243 pessoas. “É uma massa usada exclusivamente para fins políticos. Foram contratados sem critério técnico para as funções que desempenham”, criticou.
Opera Mundi
Entre os demitidos da SAS, um era funcionário público com quatro anos de carreira. Aqueles que trabalhavam por contrato alegam que seus direitos não foram respeitados. Segundo relata o dossiê, “dois altos funcionários foram tirados pela polícia de seus escritórios, sem tempo para retirar seus pertences”.
[Novos contratados são "uma massa usada exclusivamente para fins políticos", critica Palacios]
Também foram despedidos sem justificativa 350 trabalhadores do Tekoporâ (em guarani, “viver bem”), mantido pela SAS. Trata-se de um programa de transferência de renda direcionado a famílias em situação de extrema pobreza, com valores que variam entre 200 mil e 400 mil guaranis mensais (100 a 200 reais). Na lista, há grávidas, mulheres em período de amamentação e pessoas com estabilidade sindical. Em sua maioria, exerciam a função de facilitadores comunitários, cuja tarefa é auxiliar os beneficiários, e atuavam em diferentes departamentos do Paraguai.
Motivações
Para Pedro Giménez, Secretário Geral Adjunto do Sitrasas, há uma intencionalidade em perseguir sindicalistas com a finalidade de, aos poucos, fazer as organizações sindicais desaparecerem. “O que esse governo fez foi isolar nossa organização. E o que fizemos foi sobreviver através de uma resistência de praticamente 60 dias nas ruas, sozinhos. Havia solidariedade de muitas organizações sociais e populares, mas não encontramos muito as centrais sindicais tradicionais”, disse.
Entre as entidades afetadas pelas demissões, está a TV Pública Paraguay, a única emissora estatal do país, que havia sido criada em maio de 2011. A primeira intervenção aconteceu em 22 de junho, data do julgamento político de Lugo. O porta-voz de Franco, Cristrian Vazquez, apresentando-se como representante do novo presidente, foi à sede da TV e tentou alterar a grade de programação. Nos dias seguintes, a energia elétrica foi cortada no prédio.
Em 4 de agosto, segundo o relatório, 21 pessoas foram demitidas e proibidas de entrar no edifício da TV. A emissora tinha quatro delegados sindicais ligados ao Sindicato de Periodistas de Paraguay (SPP, Sindicado dos Jornalistas do Paraguai). Deles, três foram despedidos, sendo que um, Diego Verón De Astrada, tinha foro sindical por ser o delegado titular.
A Constituição do Paraguai, no entanto, estabelece que os trabalhadores com estabilidade sindical não podem ser suspensos, despedidos ou transferidos sem justa causa, previamente avaliada por um juiz. “As desvinculações foram claramente seletivas em uma demonstração de perseguição política, ideológica e sindical”, consta no relatório.
O diretor à época do golpe, Marcelo Martinessi, renunciou no mesmo dia em que Lugo deixou o governo. Até o momento, a TV Pública já teve três pessoas nesse cargo desde que Franco assumiu. Os dois primeiros renunciaram. Quem entrou em seguida foi o advogado e economista Cristian Turrini, uma pessoa de orientação política “conservadora”, segundo ele mesmo se define em seu perfil no Facebook.
Ele é formado pela Universidade de Harvard e era diretor-executivo da empresa norte-americana de telefonia móvel Calypso Wireless até 2011, quando foi demitido por transmitir falsas informações a acionistas, de acordo com um documento emitido pela própria empresa, publicado pelo site de notícias E’a. Turrini saiu do cargo em dezembro.
Em Itaipú, as denúncias de perseguição ideológicas surgiram a partir de comentários feitos pelo atual diretor pelo lado paraguaio, Franklin Boccia, que assumiu o cargo em 25 de junho. Boccia afirmou diversas vezes publicamente que os demitidos “infelizmente” são de esquerda. O Código do Trabalho, criado em 1993, determina, porém, que “não poderão ser estabelecidas discriminações relacionadas ao trabalhador por motivo de raça, cor, sexo, religião, opinião política ou condição social”.
De acordo com o documento, não só as demissões foram problemáticas, mas também as “perseguições” a sindicalistas e simpatizantes de Lugo. No Ministério da Fazenda e na Secretaria da Infância e da Adolescência, por exemplo, ninguém foi demitido, mas a Frente denunciou ameaças. Há outros casos de demissão na ANDE, na COPACO e na hidrelétrica Yacyreta, que estão em fase de registro.
“Temos direito de pensar diferente e de nos expressar. Todos os que estavam a favor, ficaram. Eles diziam que um é esquerdista, que o outro corresponde a tal setor. Eles nos tipificaram e nos satanizaram”, contestou Mirian.
A “Frente de Trabalhadores do Estado Contra o Golpe” está formada pelo Sindicato de Trabalhadores da Secretaria de Ação Social (SITRASAS), Sindicato Autêntico de Trabalhadores da Secretaria de Emergência Nacional (SINATRASEN), Sindicato de Senavitat, Sindicato de Funcionários e Educadores Populares da Secretaria Nacional da Infância e Adolescência (SIFEPOSNNA).
O dossiê foi apresentado para as comissões de direitos humanos da Câmara dos Deputado e do Senado do Paraguai, e também à OIT, em agosto, e à CIDH da OEA em dezembro. Os processos estão em andamento. “Chegamos às eleições sem ter uma resposta das denúncias que fizemos”, lamentou Maria Paz.
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O pai de Ivan morreu primeiro num jornal dos Frias
Rodrigo Vianna, do Escrevinhador, entrevistou Ivan Seixas, cujo pai foi declarado morto em “tiroteio” na manchete da Folha da Tarde antes mesmo de morrer sob tortura, durante a ditadura militar:
Escrevinhador — O ministro Aloisio Mercadante (que é do PT), enviou uma carta à Folha de S. Paulo declarando-se “perplexo” com a noticia de que Otavio Frias de Oliveira (o “seu” Frias, já falecido, pai dos atuais controladores do jornal) visitava frequentemente o centro de torturas do DOPS, além de ser amigo pessoal do delegado torturador Sergio Paranhos Fleury. O que achou da carta de Mercadante? Há motivo para se sentir “perplexo”?
Ivan Seixas — Perplexos ficamos nós com essa carta. O proprietário do Grupo Folha tinha uma relação tão íntima com o sistema repressivo da ditadura que até cedeu um de seus jornais para o DOI/CODI fazer propaganda de seus assassinatos; chegou a emprestar os carros de distribuição desse mesmo jornal (Folha da Tarde) para os torturadores montarem emboscadas contra os militantes da resistência.
O ministro não deve ler muito as publicações do próprio Grupo Folha, pois o livro da série “Folha Explica”, da jornalista Ana Estela de Souza Pinto, conta tudo isso sem rodeios:
– Na página 51 está escrito que “na Folha da Tarde o endurecimento do regime pós-AI-5 trouxe mudanças radicais. Sem ter conseguido transformar a simpatia dos estudantes em aumento de vendas, o jornal amargou baixa circulação até ser entregue, em 1969, à chefia de Antônio Aggio Jr, jornalista que tinha ligações com órgãos de segurança e adotou uma linha editorial de apoio ao regime militar (…) Na redação, militantes de esquerda foram substituidos por jornalistas ligados à polícia, alguns com cargo de delegado ou patente de major ou capitão da PM“
– Na página 52, informa-se que que “A Folha de São Paulo se mantinha distante da linha policial da Folha da Tarde, mas não enfrentou a ditadura. Desde 1968, praticava a autocensura e acatava instruções repassadas diariamente pela repressão. (…)“
– Na página 56, a jornalista afirma que “do lado da Folha, a direção não nega a possiblidade de a ocorrido, mas sem o conhecimento da empresa. Em 2006, em depoimento para a biografia do empresário, o diretor de redação, Otávio Frias Filho, militante no movimento estudantil no final dos anos 1970, disse considerar possível que veículos da empresa tenham sido usados por policiais e que, ao questionar o pai sobre o episódio, ele sempre negou ter sido consultado sobre emprétimos deles. Frias Filho também não acredita em envolvimento do sócio de seu pai, Carlos Caldeira, que tinha afinidade com integrantes do regime militar e era amigo do Coronel Erasmo Dias. Caldeira não era o único com conexões militares. Nas redações da empresa havia policiais civis e militares, tanto infiltrados como declarados – alguns até trabalhavam armados. “
O ministro da Educação não lê? Militante da resistência, como se diz, desconhece tudo isso?
[Ouça aqui como foi a morte do pai de Ivan]
Escrevinhador — O ex-agente da repressão Claudio Guerra disse, em depoimento à Comissão da Verdade da Cãmara de Vereadores de São Paulo, que “seu” Frias colaborava com dinheiro para a “irmandade” dos torturadores, além de ser amigo pessoal de Fleury. As afirmações de Guerra merecem crédito? São compatíveis com as informações que você já conhecia?
Ivan Seixas — A ser verdadeira a informação dada por agentes repressores ouvidos, de que a segurança pessoal do senhor Otávio de Oliveira Frias era feita pelo delegado Roberto Quass, do DEOPS/SP, chefiado pelo torturador Sérgio Fleury, podemos concluir que a ligação entre eles não era mera retórica. Como ninguém daria recibo de contribuição para o caixa da tortura, não é possível atestar a veracidade dessa informação do ex-delegado Cláudio Guerra. No entanto, até agora ninguém o desmentiu nem suas informações foram desmentidas pelos fatos.
Escrevinhador — Qual o testemunho pessoal que você, ex-preso político que teve o pai morto sob tortura, pode dar sobre a Folha e a parceria do jornal com a ditadura?
Ivan Seixas — O jornal Folha da Tarde estampou manchete comemorando a morte de meu pai quando ele ainda estava vivo. Todos os outros jornais publicaram apenas a nota oficial que o II Exército os obrigou publicar. Por outro lado, vi carros da Folha estacionados diante da sede do DOI-CODI em duas ocasiões. Como alí não havia bancas de jornal nem era estacionamento, conclui que eram os carros usados em esquemas para a montagem de emboscadas pra captura de militantes, que seriam depois torturados.
Escrevinhador — A ALN chegou a explodir carros de entrega da Folha, nos anos 70? Por que isso ocorreu? A esquerda armada sabia, naquela época, da ação do jornal em apoio aos torturadores?
Ivan Seixas — Sim. A resistência sabia que havia esse esquema de cessão de carros da Folha para a montagem de emboscadas. Por causa disso, a ALN queimou carros da Folha para avisar que já sabia disso e que não iria tolerar a continuação dessa prática.
Escrevinhador — Há um brilhante documentário, chamado “Cidadão Boilesen”, que narra a história do empresário, diretor da Ultragaz, que financiava e participava das sessões de torturas (Boilesen acabou morto, em represália, pelos guerrilheiros de esquerda). Quais as semelhanças entre Boilesen e Frias? Não falta um documentário “Cidadão Frias”?
Ivan Seixas — Nesse documentário o empresário José Papa Júnior afirma sem nenhuma cerimônia ou constrangimento que “todos nós empresários dávamos dinheiro para a OBAN e para o DOI-CODI”.
Creio que seria bem interessante a realização de um documentário “Cidadão Frias”. No Chile foi feito um documentário sobre o dono do jornal El Mercúrio, que tinha essa mesma relação com a ditadura Pinochet. O nome do filme chileno é “Diário de Miguel”.
Escrevinhador — O ministro petista afirma em sua carta: “tive a oportunidade de testemunhar o papel desempenhado pelo jornal, sob comando de seu Frias, na luta pelas liberdades democráticas (…) Frias merece meu reconhecimento”. O que poderia explicar que o minstro Mercadante tenha escrito essa carta? O ministro faz alguma cálculo político? Está desinformado? Ou tomou uma atitude pura e simplesmente bajuladora?
Ivan Seixas — Talvez seja uma mistura de um pouco de cada um desses ingredientes. Mas a bajulação aos donos da mídia, colaboradores e beneficiários da ditadura, é uma constante em nosso país. Do mesmo modo que a estreita relação com as grandes empreiteiras. Durante a ditadura, essas empresas se lambuzaram com as verbas para a construção de obras faraônicas ao mesmo tempo que davam dinheiro para as torturas. Hoje elas recebem verbas para obras grandiosas ao mesmo tempo que contribuem com TODOS os partidos.
Não por acaso, há anos que os familiares de desaparecidos insistem para que os currículos escolares oficiais incluam o ensino sobre a ditadura militar e nunca conseguiram sensibilizar os ministros da educação para isso. Acho que achamos agora a resposta para esse mistério.
Sobre El Mercurio, do Chile, que recebeu dinheiro da CIA para fazer campanha contra Salvador Allende:
Leia também:
Eduardo Guimarães: Na Folha, Mercadante afronta vítimas da ditadura
Rose Nogueira: A ficha (verdadeira) da Folha
Ex-delegado: Folha financiava repressão; Frias visitava o DOPS
Alípio Freire e Beatriz Kushnir: A Folha e a ditadura
Beatriz Kushnir: Quem eram os cães de guarda?
Ivan Seixas: “Otavião” tinha medo de ser fuzilado
Beatriz Kushnir: Como a mídia colaborou com os militares
Ivan Seixas: O jornal que “matava” nas manchetes”
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Las imágenes de los informativos de televisión presentan el derrumbe del edificio de Bangladesh en el que ya se han encontrado 336 cadáveres casi como si fuera una catástrofe natural. Son las mismas imágenes habituales en los terremotos. Edificios convertidos en bloques amontonados de hormigón de los que los equipos de emergencia sacan a los supervivientes, y también los cuerpos sin vida.
Una tragedia del Tercer Mundo.
Los clientes de las empresas radicadas en ese edificio son más cercanas a nosotros. La imagen de arriba es un documento encontrado por un reportero del Financial Times entre los escombros de Rana Plaza. Aparece el nombre de El Corte Inglés y una serie de pedidos diarios de chaquetas. El edificio de ocho plantas albergaba empresas textiles que trabajan, como contratistas o subcontratistas, para varias marcas occidentales, Primark, The Children’s Shop y Mango entre otras.
Continúa en eldiario.es
Como os deslizamentos em encostas de morros nos períodos de chuva intensa nos sul e sudeste do País, a atual seca no nordeste é criminosa.
Folhas e telas cotidianas batem cabeça sobre a seca naquela região. Sim, a de sempre, tratada por Gonzaga e Assaré em poesias e canções lindas como tristes.
Preocupam-se em discutir recordes. A pior em 30, 40 ou 50 anos. Percebi várias versões. Deve ser importante saber precisar.
Em que baseiam suas apostas? Índices pluviométricos históricos, períodos mais ou menos longos de duração, pesquisa junto aos mesmos Severinos, como na poética de João Cabral de Melo Neto (1920-1999)?
Qual a referência, senhores? Não acham que tanto faz? Não terá similar importância do arrastar de morros, barracos e pessoas para baixo da terra no final do ano?
Ora, meu senhores, 30, 40 ou 50, o quê? Órgãos que foram criados para combater a seca, programas e projetos prometidos em épocas de eleições e depois abandonados ou tocados a passos de tartarugas?
Sabem o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS)? Pronto! Foi criado em 1909. Ainda existe. Sede em Fortaleza (CE).
Lembram-se da SUDENE, Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste? 1959. Andou morrendo e renascendo ao sabor dos desejos políticos. Fica num grande edifício, no Recife (PE). Desenvolvimento sem água? Sei lá.
CODEVASF, Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba, firme, lá em Petrolina (PE) e Juazeiro (BA). Além das constantes refregas com seus funcionários, manda na água do Velho Chico e recebe exacerbadas críticas de seus usuários. Agora mesmo se exime de dar explicações sobre o projeto Itaparica (PE/BA) de irrigação a reassentados.
Repasso: nada de 30, 40 ou 50 sei lá o quê, mas quase milhão de rebanho morto ou abatido precocemente; 70% de queda na produção de leite; pra mais de milhão de hectares de plantações já prejudicadas.
O governo anuncia bilhões de reais de ajuda emergencial para tentar desanuviar semblantes preocupados.
Ah, emergencial. Nunca antes neste país houvera seca no Nordeste.
Em Juazeiro (BA), converso com a técnica agrícola, Bruna Letícia, que me alerta para o Projeto do Salitre, realizado em terras de boa fertilidade da região que passou décadas vendo seus rios se transformar de permanentes em temporários.
Pois bem, o projeto saiu da promessa, para hoje se esvair em equívocos.
A cessão dos lotes é feita através de entrevistas para saber a capacidade financeira e técnica do pretendente, o que traz para os lotes pessoas de fora que desconhecem as vocações regionais, arrendam as terras para os nativos e ficam com 20% da renda bruta proporcionada pela produção.
Ela pergunta: por que não apoiar e treinar os que já estão lá, nasceram no pedaço e continuam pobres sofrendo com a seca?
Não seria esta uma boa reforma agrária com pouco investimento em adutoras e canais de irrigação contraposta à faraônica Transposição, que lá muitos acreditam não será terminada?
O escritor e humorista Millôr Fernandes, dizia que “pensar livre é só pensar” (1923-2012).
No Brasil, liberdade é não pensar. O país do serão: serão construídos, serão providenciados, serão liberados … Serão?
Clique aqui para assistir o vídeo inserido.
O filósofo americano John Rawls investigou a justiça social. E criou uma teoria simplesmente brilhante O que é uma sociedade justa? O filósofo americano John Rawls (1921-2002) se debruçou sobre esta pergunta. Em 1971, Rawls publicou um livro aclamado: “A Teoria da Justiça”. A idéia central de Rawls era a seguinte: uma sociedade justa é
O post O melhor teste para descobrir se uma sociedade é justa apareceu primeiro em Diário do Centro do Mundo.
Depois de 45 anos desaparecido, um dos documentos mais importantes produzidos pelo Estado brasileiro no último século, o chamado Relatório Figueiredo, que apurou matanças de tribos inteiras, torturas e toda sorte de crueldades praticadas contra indígenas no país – principalmente por latifundiários e funcionários do extinto Serviço de Proteção ao Índio (SPI) –, ressurge quase intacto. Supostamente eliminado em um incêndio no Ministério da Agricultura, ele foi encontrado recentemente no Museu do Índio, no Rio, com mais de 7 mil páginas preservadas e contendo 29 dos 30 tomos originais.
Em uma das inúmeras passagens brutais do texto, a que o Estado de Minas teve acesso e publica na data em que se comemora o Dia do Índio, um instrumento de tortura apontado como o mais comum nos postos do SPI à época, chamado “tronco”, é descrito da seguinte maneira: “Consistia na trituração dos tornozelos das vítimas, colocadas entre duas estacas enterradas juntas em um ângulo agudo. As extremidades, ligadas por roldanas, eram aproximadas lenta e continuamente”.
Entre denúncias de caçadas humanas promovidas com metralhadoras e dinamites atiradas de aviões, inoculações propositais de varíola em povoados isolados e doações de açúcar misturado a estricnina, o texto redigido pelo então procurador Jader de Figueiredo Correia ressuscita incontáveis fantasmas e pode se tornar agora um trunfo para a Comissão da Verdade, que apura violações de direitos humanos cometidas entre 1946 e 1988.
A investigação, feita em 1967, em plena ditadura, a pedido do então ministro do Interior, Albuquerque Lima, tendo como base comissões parlamentares de inquérito de 1962 e 1963 e denúncias posteriores de deputados, foi o resultado de uma expedição que percorreu mais de 16 mil quilômetros, entrevistou dezenas de agentes do SPI e visitou mais de 130 postos indígenas. Jader de Figueiredo e sua equipe constataram diversos crimes, propuseram a investigação de muitos mais que lhes foram relatados pelos índios, se chocaram com a crueldade e bestialidade de agentes públicos. Ao final, no entanto, o Brasil foi privado da possibilidade de fazer justiça nos anos seguintes. Albuquerque Lima chegou a recomendar a demissão de 33 pessoas do SPI e a suspensão de 17, mas, posteriormente, muitas delas foram inocentadas pela Justiça.
Os únicos registros do relatório disponíveis até hoje eram os presentes em reportagens publicadas na época de sua conclusão, quando houve uma entrevista coletiva no Ministério do Interior, em março de 1968, para detalhar o que havia sido constatado por Jader e sua equipe. A entrevista teve repercussão internacional, merecendo publicação inclusive em jornais como o New York Times. No entanto, tempos depois da entrevista, o que ocorreu não foi a continuação das investigações, mas a exoneração de funcionários que haviam participado do trabalho. Quem não foi demitido foi trocado de função, numa tentativa de esconder o acontecido. Em 13 de dezembro do mesmo ano o governo militar baixou o Ato Institucional nº 5, restringindo liberdades civis e tornando o regime autoritário mais rígido.
O vice-presidente do grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo e coordenador do Projeto Armazém Memória, Marcelo Zelic, foi quem descobriu o conteúdo do documento até então guardado entre 50 caixas de papelada no Rio de Janeiro. Ele afirma que o Relatório Figueiredo já havia se tornado motivo de preocupação para setores que possivelmente estão envolvidos nas denúncias da época antes de ser achado. “Já tem gente que está tentando desqualificar o relatório, acho que por um forte medo de ele aparecer, as pessoas estão criticando o documento sem ter lido”, acusa.
Suplícios
O contexto desenvolvimentista da época e o ímpeto por um Brasil moderno encontravam entraves nas aldeias. O documento relata que índios eram tratados como animais e sem a menor compaixão. “É espantoso que existe na estrutura administrativa do país repartição que haja descido a tão baixos padrões de decência. E que haja funcionários públicos cuja bestialidade tenha atingido tais requintes de perversidade. Venderam-se crianças indefesas para servir aos instintos de indivíduos desumanos. Torturas contra crianças e adultos em monstruosos e lentos suplícios”, lamentava Figueiredo.
Em outro trecho contundente, o relatório cita chacinas no Maranhão, em que “fazendeiros liquidaram toda uma nação”. Uma CPI chegou a ser instaurada em 1968, mas o país jamais julgou os algozes que ceifaram tribos inteiras e culturas milenares. [Fonte]
Ouvimos hoje de um governante a indicação de que irão ser dadas ordens muito claras à Caixa Geral de Depósitos no sentido de reforçar as linhas de crédito às pequenas e médias empresas, como forma de favorecer a exportação e fornecer meios financeiros para estimular a economia. E a engrossar a voz para que o resto da banca reduza os seus "spreads". QUI, 18 DE ABRIL DE 2013 18:03
Jornalista é agredido ao tentar receber pagamento de um frila
do Sindicato dos Jornalistas de SP
A direção do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) repudia a agressão física sofrida pelo jornalista Thiago Moraes de Souza Fernandes, no início de abril, realizada por um funcionário empresa de telemarketing do Grupo Unite, que presta serviços terceirizados ao jornal Valor Econômico. Thiago, que foi repórter nos jornais A Tarde (da Bahia) e Folha de S.Paulo, relata que conseguiu o trabalho na empresa através de um anúncio do Facebook.
Ele solicitava com urgência jornalistas e estudantes de jornalismo para o serviço de atualização de algumas informações sobre as empresas que fazem parte do anuário Valor 1000.
Segundo o relato do jornalista, durante duas semanas, o trabalho seria ligar para as empresas para confirmar endereços, telefone e o nome e contatos de executivos de sete áreas. No entanto, por um problema técnico, o frila foi encerrado em seis dias e, ao se dirigir à empresa para receber o referente ao período, foi agredido violentamente por um funcionário da Unite de nome Leandro.
O SJSP repudia qualquer atitude de agressão contra profissionais de imprensa, está solidário com o jornalista e deverá solicitar ao jornal Valor Econômico que reveja contrato com empresa que apela para a violência contra os trabalhadores.
A direção da entidade está à disposição de Thiago para as providências cabíveis.
Leia o relato do jornalista sobre o episódio:
Meu nome é Thiago Moraes de Souza Fernandes e sou jornalista formado em 2004 pela Universidade Federal da Bahia e moro em São Paulo há quase dois anos. Já trabalhei para os jornais A Tarde e Folha de S.Paulo e para a revista Consumidor Moderno, entre outros.
Na segunda quinzena do mês de março, prestei um trabalho free lancer para a empresa de telemarketing Grupo Unite, que havia sido contratada pelo jornal Valor Econômico para fazer a atualização de algumas informações sobre as empresas que fazem parte do anuário Valor 1000.
Cheguei lá a partir de um anúncio publicado no Facebook que solicitava com urgência jornalistas e estudantes de jornalismo para o serviço. Durante duas semanas, o trabalho seria ligar para as empresas para confirmar coisas como o endereço, telefone e o nome e contatos de executivos de sete áreas. O acertado seria o pagamento de 900 reais pelo período e mais 130 de ajuda de custo, 1030 reais no total. Tirando sábados e domingos, seriam 10 dias de trabalho, 103 por dia de trabalho.
O acordado comigo seria trabalhar das 14h20 às 20h40 nesse período, com dois intervalos, um de 10 minutos e outro de 30 minutos. Eu precisava registrar os intervalos no sistema de controle interno de colaboradores, da mesma forma que os funcionários contratados.
Mas acabei ficando somente pouco mais de uma semana nessa função de “Boa tarde, meu nome é Thiago Fernandes e falo em nome do jornal Valor Econômico. Estamos atualizando alguns dados sobre as maiores empresas do país e preciso confirmar algumas informações sobre a empresa”.
No sexto dia de trabalho (dia 18/03), houve algum problema como o banco de dados central do cadastro e, por volta das 19h30, o supervisor Gabriel informou que não seria resolvido mais no dia e portanto, não teríamos mais como atualizar as informações. Diante disso, disse a ele que estava indo embora, o que ele não permitiu, dizendo que eu deveria aguardar o horário de saída mesmo sem ter nada para fazer, sob risco de ter essa hora descontada do pagamento final. Disse a ele que tudo bem, poderia descontar a hora e fui embora.
Ao chegar na empresa no dia seguinte, não me deixaram passar da recepção. O segurança me abordou e disse que o Gabriel viria falar comigo. Ele chegou com mais uma pessoa que eu já tinha visto, mas que nunca havia sido apresentado. Fui dispensado por ter “saído sem autorização” no dia anterior. Era uma terça e me informaram para voltar na quinta para receber o valor proporcional aos dias trabalhados.
Na quinta-feira (28/03), fui encaminhado para falar com o sr. Leandro, que faria o pagamento. Ele disse que iria me pagar R$ 326,03, menos da metade dos R$ 721 que eu deveria receber pelo sete dias de trabalho (incluindo o dia da dispensa). Já prevendo que isso fosse acontecer, gravei toda a conversa que tive com o sr. Leandro nessa ocasião. Me recusei a receber e ele me informou que iria conversar com outras pessoas para ver a possibilidade de retificar o valor a ser pago e entraria em contato comigo na segunda-feira.
Sem nenhum contato na segunda, resolvi retornar à empresa na terça-feira (02/04). Chegando lá, fui recebido pela sra. Francine Silveira e encaminhado para novamente conversar com o sr. Leandro. Desta vez, ele me ofereceu R$ 390. Recebi o dinheiro, mas deixei claro que não sairia dali enquanto não recebesse o pagamento total pelo meu trabalho. Ele e a sra. Francine me informaram que não haveria ninguém responsável para resolver esse assunto. Segundo eles, a sra. Natália, que seria diretora da empresa, seria a única pessoa que poderia resolver a questão. Eles se recusaram a telefonar para que eu pudesse conversar diretamente com ela.
A sala em que eu estava conversando com sr. Leandro é ligada por um corredor, sem portas, à recepção onde se encontrava a sra. Francine. Saí de lá e fiquei na recepção dizendo que não sairia dali enquanto não recebesse todo o dinheiro que eles me deviam. Informei ainda aos dois que eu havia gravado e continuava gravando toda nossa conversa.
Nesse meio tempo, ainda na recepção da empresa, saíram de uma outra sala lateral três mulheres a quem eu me dirigi. Duas delas me falaram estar fazendo entrevista para trabalhar na Unite. Mesmo assim, disse a elas: “Cuidado. Eu acabei de ter um problema. Eles não me pagaram o que devem”. A terceira pessoa, que já era funcionária da empresa, tentou me impedir de falar com as demais. Enquanto eu tentava falar com ela, o sr. Leandro me atacou pelas costas. Me deu um murro no lado direito do rosto, me empurrou pelas costas. Ele me bateu no braço esquerdo e nas costas. Rasgou minha camisa. Na fuga, me bati numa mesa em que estava o bebedouro, que caiu e espalhou água pela recepção.
Eu e as mulheres com que eu estava conversando corremos para dentro da sala de onde elas haviam saído. Foi quando um senhor de terno, que imaginei ser segurança do lugar, me pediu para deixar a empresa e se ofereceu para me acompanhar. Depois de me recompor na medida do possível, com a camisa rasgada e intimidado por toda aquela situação, fui com ele até a porta de entrada do prédio. No caminho, conversamos e ele me disse que não era segurança. Estava lá também para fazer uma entrevista de trabalho para a empresa.
Chegando lá, percebi que estava sem meus óculos e disse que iria voltar para pegar. Chegando novamente na recepção, pedi ao sr. Leandro meus óculos e ele me devolveu. Estavam quebrados. Depois disso, fiz menção de pegar o celular no bolso. Minha intenção era confirmar se a gravação continuava. Enquanto estava de cabeça baixa, o sr. Leandro me atacou novamente. O celular caiu no chão e pensei na hora que minha prioridade era pegá-lo antes que o agressor o fizesse. Ele me bateu novamente nas costas e o senhor que me acompanhou anteriormente interviu, segurando o sr. Leandro enquanto eu novamente me recompunha depois da nova agressão. Nessa hora, percebi que, além dos óculos e da camisa, ele ainda havia quebrado meus fones de ouvido.
Tenho as gravações dos dois dias em que eu encontrei o sr. Leandro na sede da empresa. Prestei muita atenção que lá havia ainda câmeras de segurança cujo registro espero que não tenha sido apagado pela empresa. Saí de lá direto para a delegacia. Registrei o Boletim de Ocorrência contra o Sr. Leandro e fui encaminhado para fazer o exame de corpo de delito. Espero que ele e a empresa Unite paguem pelo absurdo crime que cometeram ao agredir um profissional que estava lá apenas para receber o pagamento justo e combinado pelo trabalho contratado.
Leia também:
Janio de Freitas: O que a Xuxa tem a ver com o Fux?
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Foi aberta uma pré-venda de ingressos da Copa do Mundo para quem é cliente Visa. A menos que exista um link mágico que apareça quando se aperte um código secreto, como em alguns jogos de videogame, o ingresso mais barato sai por quase R$ 1.200,00 (US$ 590). O pacote inclui acesso a uma área “para hospitalidade” dentro do “perímetro de segurança do estádio” com um pub com mesas e telas de TV, lanches e bebibas antes e depois das partidas, estacionamento e recepcionistas multilíngues.
O que me lembra a pessoa que vai a um motel por conta da cachoeira dentro do quarto, da decoração de castelo francês, da roda gigante, do toboágua, da piscina com quatro níveis, do eunuco que segura um abanador de penas, dos dois tipos de luz negra, da cama que vibra em 18 diferentes programações. E, chegando lá, esquece do principal.
E se eu for um daqueles antiquados torcedores que possui o tal cartão e quer ir ao estádio só para ver futebol? Como faço?
Sei que isso é um pacote VIP. Que os ingressos comuns, quando forem vendidos, serão bem mais baratos – há a expectativa de que eles saiam por um preço semelhante ao da Copa da África do Sul, ou seja, entre R$ 40,00 e R$ 1820,00 (a Copa das Confederações, no Brasil, está entre R$ 57,00 a R$ 418,00 – sendo R$ 28,50 a meia entrada mais barata). E que haverá uma cota especial para acesso de estudantes, aposentados, beneficiários do Bolsa Família e indígenas – no que pese muitos indígenas preferirem suas terras de volta do que morar em tendas de plástico em beiras de estrada com um ingresso na mão no melhor estilo Pão e Circo.
Por isso torço para que, quando a venda de entradas abrir para a xepa, eles sejam realmente acessíveis. Porque é nosso dinheiro que foi colocado naqueles estádios. Dinheiro de gente rica, mas também de gente pobre. Caso contrario, será mais um caso de coisa pública financiando a diversão da elite.
Se o brasileiro não fosse tão “cordial”, no sentido sociológico da palavra, qualquer ingresso de evento que contasse com dinheiro público e fosse vendido a preços estratosféricos geraria piquete na porta. Ninguém entra e ponto.
O Brasil tem uma frota de 70 milhões de bicicletas. Mas onde estão elas? Jura Passos foi atrás da resposta e revela o segredo aos leitores. Passos conversou com o fotógrafo paulistano Felipe Baenninger, idealizador do projeto Transite cujo objetivo é conhecer e mostrar ao Brasil quem circula em suas bicicletas, e por quê. O texto publicado originalmente no site Diário do Centro do Mundo segue abaixo:
Felipe Baenninger é um fotógrafo paulistano de 25 anos que se desloca pela cidade de bicicleta durante o dia e passa as noites surfando nos sofás de amigos.
O Brasil é um país que tem uma frota de 70 milhões de bicicletas, segundo a Associação Nacional dos Transportes Públicos.
Transite é o projeto de Felipe para conhecer e mostrar ao Brasil quem circula em suas bicicletas, e por quê.
Para realizar o Transite, Felipe vai continuar montado no selim da sua bicicleta – feita sob medida pelo framebuilder Igor Miyamura – mas os sofás serão trocados por outros, além da barraca, redes e, eventualmente, camas.
A idéia de percorrer o Brasil de bicicleta em busca dos caminhos dos ciclistas brasileiros, por incrível que pareça, nasceu nos rios enterrados de São Paulo. Felipe acompanhou durante algum tempo o projeto Rios e Ruas, que documenta os rios escondidos da cidade.
E então ele decidiu embarcar não numa canoa, mas na sua bicicleta. Como um personagem de Guimarães Rosa, a vida para ele é uma pedalada até a Terceira Margem do Rio.
O objetivo do Transite é contribuir para o debate sobre mobilidade no Brasil, que vai muito além das grandes cidades. “A travessia vai mostrar onde estão e para que servem as bicicletas. Essa curiosidade é o motivo do projeto, não há documentos desse porte”, diz Felipe.
Felipe conhece muito bem os problemas da mobilidade por bicicleta em São Paulo. Começou a pedalar numa velha magrela caiçara enferrujada em Caraguatatuba, no litoral do estado.
Morava no Jardim d’Abril, um bairro da periferia oeste da cidade ligado ao centro pelo eixo Raposo Tavares-Rebouças. Trabalhava no Paraíso, mas tinha receio de atravessar a Paulista. Aprendeu um caminho alternativo via Ibirapuera e continuou pedalando 17 quilômetros diários em cada sentido.
O desafio dele agora não são mais 17, mas 17 mil quilômetros em aproximadamente 400 dias. Mas, e o medo da Paulista, passou? “Não tenho medo, não posso ter medo como em São Paulo. Nós vivemos a indústria de um medo que foi incutido em nós. O projeto é sonhador por isso”, diz ele.
Felipe acredita na existência da indústria do medo: “Medo gera lucro, seja promovendo insegurança ou vendendo água potável engarrafada”. Vende automóveis blindados, alarmes e seguros, mas não bicicletas, consideradas “inseguras”.
O roteiro do Transite inclui cidades como Cáceres, no Mato Grosso, onde há mais bicicletas do que habitantes. Ou Rio Branco, no Acre, onde há mais ciclovias por habitante. Do Pará ao Rio Grande do Sul, e do Acre a Sergipe, o roteiro do Transite foi concebido para exibir os ciclistas dos grotões do Brasil, e não apenas das capitais. Para viabilizar o projeto, Felipe optou pela arrecadação de patrocínio colaborativo em rede – ou crowdfunding.
Os doadores que contribuírem para a realização projeto no site Catarse têm direito a algumas recompensas conforme o valor da doação, inclusive a reserva do fotolivro Transite, que vai mostrar a cara dos ciclistas do Brasil.
O Diário apóia o Transite porque apóia a bicicleta no Brasil.
Vamos pedalar juntos?
Infelizmente, ainda não tive tempo de lê-la (antes preciso ler Jogos Vorazes; não consigo ver nada além de teoria), mas minha mãe devorou os livros e adorou.
O interessante é que os debates provocados pela obra também chegaram às universidades. Em junho foi publicado pela Universidade Vanderbilt Men Who Hate Women and Women Who Kick Their Asses, Stieg Larsson's Millennium Trilogy in Feminist Perspective, uma coletânea de artigos acadêmicos sobre a obra de Larsson numa perspectiva feminista.
[Nota da Lolinha: como se pode perceber, tudo é objeto de estudo na academia. Por isso, é ridícula a gritaria em torno de um belo projeto de mestrado, aprovado pela UFF, que irá discutir a contribuição (ou não) de Valesca Popozuda pro feminismo. Só leigo não entende que tudo pode e deve ser estudado, ou que teses sobre o que se chamava de "baixa cultura" -- distinção que já foi destruída pelo pós-modernismo há décadas, então os leigos estão um tanto atrasados -- vem sendo escritas por universidades no mundo inteiro. Tem que ser muito ignorante pra bradar "Só no Brasil!" Mas suponho que as pessoas que criticam esse tipo de tese são as mesmas que acham que só deveria existir faculdade de engenharia, medicina e direito. O resto é inútil! Fim da minha intervenção. Desculpaí, Patrick!]
Por outro lado, a Professora Roberta Villalón destaca em seu artigo, "Accounts of Violence against Women", que a descrição realista feita por Larsson dos atos de violência vem sendo utilizada pela Rape, Abuse and Incest National Network (RAINN) como uma plataforma para educar o grande público sobre a face real da violência contra a mulher. Villalón destaca ainda, ao tratar da verossimilhança da narrativa de Larsson, o paralelo de sua descrição dos atos de violência contra a mulher com os relatos das vítimas da tortura praticada pela ditadura militar argentina.Foto Roberto Stuckert Filho, via blog do Planalto
Folha deixa escapar que todos os mortos eram chavistas
Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania, 20/04/13
Ao longo da sexta-feira (19), setores da mídia brasileira alinhados aos EUA evitaram noticiar o maciço comparecimento de chefes de Estado e de representes de dezenas de países à posse do novo presidente constitucional da Venezuela, Nicolás Maduro. Só à noite, nos telejornais, que um evento desse porte ganhou alguns segundos de cobertura.
O comparecimento de nada menos do que dezessete chefes de Estado – entre eles, a presidente Dilma Rousseff e quase todos os presidentes sul-americanos – assustou a direita, que não esperava apoio tão decidido à democracia venezuelana.
Nos jornais de sábado (20), o tom sobre a posse de maduro veio literalmente furibundo. Entre vários editoriais e “reportagens” sobre a Venezuela, a forma de seus autores de se vingarem do que não puderam alterar foi mentir desbragadamente.
Talvez o melhor exemplo de mitomania tenha sido o da Folha de São Paulo, jornal que integra um grupo empresarial que se consolidou ao longo do século XX servindo a uma ditadura feroz que encheu de dinheiro público os bolsos do fundador do veículo enquanto ele a ajudava a assassinar os que resistiam ao regime.
Em editorial intitulado “Contraordem chavista”, o jornal dá vazão a uma sucessão de mentiras e distorções sobre a Venezuela que só não é inacreditável para quem sabe que a Folha tem a mitomania encravada em seu DNA.
Já no primeiro parágrafo, além de uma mentira que pode ser desmontada até pela internet visitando o site de algum grande jornal ou tevê do país que se opõem ao governo, a Folha reafirma seu desprezo pela democracia ao relativizar eleições como respaldo único e inalienável a governos.
Diz a Folha que a “realização periódica de votações plebiscitárias” são usadas para “emprestar ao caudilho um verniz democrático”. Veja, leitor, que o jornal não chama de eleições, mas de “votações”. Para esse veículo, eleições livres e referendadas por incontáveis observadores internacionais não bastam para legitimar um governo.
Provavelmente o jornal da família golpista acha que um governo só é legítimo se a mídia e os ricos o apoiarem…
Mas foi no segundo parágrafo que o jornal se traiu sem apelação. Confira:
“A morte de Hugo Chávez e a eleição contestada de seu sucessor evidenciam a corrosão desses três pilares. O recurso à força bruta, ao peso dos militares e ao silenciamento explícito da oposição, que antes parecia desnecessário, agora se insinua de modo um tanto preocupante”
Antes de prosseguir, confira aqui, leitor, o que a Folha chama de “silenciamento explícito da oposição”. Trata-se da página de opinião do jornal El Universal, um dos mais ferrenhos opositores do regime venezuelano.
Se não bastar, visite o site do canal de televisão oposicionista e golpista Globovisión e veja como a oposição é “silenciada” na Venezuela – o nome do canal golpista venezuelano é apenas coincidência com o nome do canal golpista brasileiro.
Mas o que choca mesmo é o editorial da Folha acusar o regime venezuelano de se valer de “recurso à força bruta” justo quando se sabe que violência foi exatamente a arma usada pelos seguidores de Henrique Capriles, que assassinaram oito chavistas durante a última segunda-feira (15) durante um “panelaço pacífico” convocado pelo derrotado na eleição de domingo.
Todas as televisões comerciais, grandes jornais e grandes portais de internet parecem ter feito um pacto ao tratar do massacre que se abateu sobre nove estados da Venezuela a partir da madrugada de segunda-feira, quando seguidores de Capriles mataram, roubaram, depredaram e incendiaram.
Durante a semana, quando a mídia brasileira falou nos oito mortos, sempre tratou de despersonalizá-los, tentando vender a ideia de que gente dos dois lados havia tombado por conta da violência.
Todavia, em “reportagem” da última quinta-feira (18), a Folha “escorregou” e deixou passar informação que torna incompreensível que se diga que a oposição venezuelana é “silenciada” e que o regime usa “força bruta”.
Abaixo, trecho da reportagem “Chavistas cerceiam deputados da oposição”.
“A Justiça e o Ministério Público, alinhados ao chavismo, responsabilizaram publicamente Capriles por oito mortes de seguidores chavistas que, segundo o governo, foram provocadas por partidários da oposição após a convocação do governador a protestos contra o resultado eleitoral. As circunstâncias das mortes são questionadas por opositores”
Antes de prosseguir, mais uma vez este blog informa, logo abaixo, os nomes e as circunstâncias das mortes dessas oito pessoas.
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José Luís Ponce Ordoñez – 45 anos, carpinteiro, militante do PSUV, morto com tiro na cabeça
Rosiris del Valle Reyes Rangel – 44 anos, militante do PSUV, morta com tiro nas costas
Ender José Bastardo – 21 anos, militante do PSUV, morto com quatro tiros
Henry Rangel La Rosa – 32 anos, militante do PSUV, morto a tiros por encapuzados na porta de casa
Johan Antonio Hernández Acosta – Menor de idade, militante do PSUV, morto por caminhão que arremeteu contra multidão que comemorava a vitória de Maduro.
Luis Eduardo García Polanco – 25 anos, militante do PSUV, morto com um tiro no rosto enquanto comemorava a vitória de Maduro em frente à sede do Conselho Nacional Eleitoral no Estado Zulia.
Rey David Sánchez – Menor de idade, militante do PSUV, morto por caminhão que arremeteu contra multidão que comemorava a vitória de Maduro.
Cliver Enrique Guzmán – Ministério Público da Venezuela só divulgou que era militante do PSUV e que foi assassinado em uma manifestação.
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Fico tentando entender como se pode questionar as circunstâncias dessas mortes. Com militantes de oposição depredando e queimando tudo que tivesse o logotipo do governo em todo o país, o que há para questionar? A maioria foi assassinada a tiros. Duas das oito vítimas foram atropeladas por um caminhão que investiu contra uma manifestação chavista.
Mas o que não se entende mesmo é que o jornal acuse o governo de usar” força bruta” e de censurar. Quantos oposicionistas foram sequer feridos? Não há um só nome nem de ferido, nem de morto entre os que cometeram os atos de violência logo após o resultado da eleição de domingo.
Alguns dirão que é ingenuidade escrever um texto para pedir reflexão sobre o que faz um grupo de comunicação cuja mitomania vem de mais de meio século de atuação, tendo usado do estupro da verdade para bajular e se locupletar sob os favores de uma ditadura, mas escrevo para as pessoas de bom senso e de caráter, não para a Folha e sua militância.
O importante aqui, portanto, é o reconhecimento por esse jornal de um fato que seus congêneres político-ideológicos e ele mesmo tentaram esconder: oito seres humanos foram mortos por meios violentos na noite que se seguiu à vitória de Nicolás Maduro e todos eram seus apoiadores.
Leia também:
Professor diz que O Globo mente sobre Venezuela
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O RN é dominado há 50 anos por duas famílias: Alves e Maia. Eles são donos de jornais, emissoras de televisão, rádio, agências de publicidade, empresas de distribuição de querosene, gráficas. Mandam na polícia e até na Justiça!
Esta foto é emblemática do poder das duas oligarquias. Foi feita durante audiência da bancada potiguar com a presidente da Petrobras, Graça Foster.
Para o amigo navegante ter ideia, todos aí são Alves ou Maia ou agregado de um ou de outro. A exceção é a deputada Fátima Bezerra que representa de fato os que não são nem Alves nem Maia.
Era uma sexta-feira, tal como ontem. Eu saíra de Brasília de manhã, em direção a Salvador. Tive um almoço de trabalho com um grupo de empresários portugueses com quem, a meio da tarde, fui recebido, a meu pedido, pelo governador da Bahia, Jacques Wagner. Tratava-se de desbloquear uma questão pendente há vários meses, por um misto de má vontade de alguém e de atavismo burocrático de outros. Wagner era um homem prático, quis resolver o problema que eu lhe colocara e convocou toda a gente relevante para uma reunião. Uma hora depois, percebi que o assunto já estava encaminhado favoravelmente, Pedi então escusa ao governador, dado que a minha presença passava a não ser essencial, e, porque se aproximava a hora do avião de regresso a Brasília, deixei o João Sabido Costa, cônsul-geral, a representar-me, junto dos já radiantes empresários.
A Falsa Liberdade da Administração CiarliniVocês lembram que em Dezembro de 2011, o Governo do RN editou um decreto que proibia a realização de atos no âmbito do Centro Administrativo? A OAB e militantes sociais, usando as redes sociais, conseguiram pressionar e a Governadora Rosalba Ciarlini revogou o decreto, chamado, coerentemente, de AI-5 de Rosalba. Após a revogação, a própria governadora explicou que, apesar da revogação, não discordava do seu conteúdo.
Pois bem, no terceiro ano de seu governo, qualquer protesto que adquira certa presença de rua é tratado como caso de polícia. Foi assim no Fora Micarla; no ato do Fórum em Defesa da Saúde onde uma grávida advogada foi agredida; na Revolta do Busão e até o Baiacú entrou na vara, figurativa e literalmente, acabando o pacífico Carnaval da Redinha. Sem falar nos processos contra o Presidente do Conselho de Medicina, Dr. Jeancarlo Cavalcante no episódio do Fio de Aço.
Em Caicó, agricultores e pecuaristas, organizaram um singelo ato contra a indiferença dos órgãos estatais quanto a terrível situação provocada por mais uma seca. Um carro de som, indignação, “informações desencontradas” sobre umas sacas de milho e umas carcaças de animais, foram o bastante para Cição, ser conduzido algemado e num camburão até à Delegacia, onde posteriormente foi liberado.
O PM que conduziu Cição, afirmou que ele não havia sido preso. Então foi uma prisão para averiguação? E isso existe ainda na vigência da Carta Magna da Primavera de 1988?
Como podemos observar, o direito a manifestação é livre no RN, desde que não incomode aos coronéis do poder. O Estado continua a ser bem forte frente aos fracos e, pusilânime frente aos fortes, como nos dizia Octavio Paz.
Atos semelhantes foram realizados na Paraíba sem maiores consequências ou conflitos. Mas a estupidez de quem é caudatário do arbítrio e da violência, é que com a repressão negada, deu divulgação ao ato e o transformou num emblema de como a seca é tratada por nossas autoridades que continuam reféns daquela que, nos anos sessenta, foi chamada por Antônio Callado, da Indústria da Seca no seu magistral “Os Industriais da Seca e os Galileus de Pernambuco”.
Passadas quatro décadas do lançamento da citada obra, a Indústria nunca esteve tão forte como continua a manipular o destino de milhões de nordestinos, reservando-se para si, inclusive, também o papel de salvador da pátria.
O grito de Cição e de seus companheiros de manifestação e o ato que o movimentos sociais estão organizando tenderão a ganhar corações e mentes país afora, pois já é chegada a hora do Brasil usar a tecnologia de que já dispõe para salvar o Nordeste da inclemente seca.
O Governo do RN que também condena nosso homem do campo a perder metade dos seus animais e não permite que se ouça seu grito, não conseguirá calar os potiguares. A terra de Poti saberá despertar dos pesadelos administrativos e descortinar dias melhores para compartilhar suas riquezas.
Está na hora do governo começar a governar e também descobrir que numa Democracia o exercício do poder há que ser dentro da legalidade e do equilíbrio. Ao invés de colocar a polícia no encalço dos movimentos sociais, bem poderia assuntar se não há um tiquinho de descompasso entre o maravilhoso mundo mostrado pela propaganda governamental do Governo do RN e a vida dura de seus concidadãos.
A imagem da vaca bebendo urina do bezerro que mamava, a humilhação tentada contra Cição e as fotos de presos algemados a barras de ferro mostram a falência múltipla das políticas públicas no RN. E olhem que nem falei das mortes matadas e nem das mortes morridas nos hospitais. Tampouco falei de execuções e também das mortes de Policiais.
RIO GRANDE DE MORTE, sem sorte e sem NORTE.
O AI-5 de Rosalba vive sua plena eficácia e já é hora do potiguar fazer como Cição e começar jogar suas carcaças nas ruas…
¹Presidente do Conselho Estadual de Direitos Humanos e Cidadania do Rio Grande do Norte
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Não há nada demais no texto, a não ser o seu autor fazer de modo muito didático um exercício de autorreconhecimento e de observação do mundo ao seu redor e experimentar sentir empatia. Pensando bem, quem tem toda esta disponibilidade? Aí está a grandeza do texto.
Por Maurilo Andreas em seu Facebook
Eu cresci homofóbico e eu cresci fazendo bullying. Naquela época era normal e pareceria até estranho não agir dessa forma.
A questão da homossexualidade era vista por mim e por quase todos os meus amigos como algo estranho. Ser chamado de “veado” competia com ser chamado de “filho da puta”. As piadas com os gays estavam na televisão, vinham de nossos pais e colegas e, pra dizer a verdade, quase não conhecíamos homossexuais. Claro que havia, por exemplo, o cabelereiro gay, mas que tratávamos como uma excentricidade.
O tempo foi passando e eu comecei a conviver com homossexuais, primeiramente através da minha mãe, que tinha muito contato com gays. Aos poucos, muito lentamente, fui percebendo que essas não eram pessoas afetadas, sem profundidade, apenas personagens exóticos que circulavam enquanto nós vivíamos.
Comecei a notar que pagavam contas, batiam ponto, se decepcionavam, eram amigos, discordavam, concordavam, enfim, faziam tudo como eu.
A estranheza ia diminuindo, mas pra mim eles estavam bem como pessoas que eu encontrava de vez em quando. Eles lá e eu cá.
Só um bom tempo depois, quando comecei a ter amigos homossexuais e a realmente conviver com eles, é que percebi que a orientação sexual era como a cor do cabelo: não era credencial para mais nada a não ser a orientação sexual em si.
Existem gays e heteros chatos, negros e brancos engraçados, gordos e magros cruéis, altos e baixos com um coração de ouro. O que importa é a pessoa e não quem ela ama ou deixa de amar, com quem ela transa ou deixa de transar.
Ir contra esse direito da busca pela felicidade é ir contra o ser humano. É abrir espaço para que amanhã os perseguidos sejam os evangélicos ou os turcos ou os homens de cabelos cacheados.
Eu considero essa visão política e religiosa dos direitos dos homossexuais tão estúpida quanto era há alguns anos questionar, com base na religião e na política, o direito dos negros à liberdade e à igualdade. Mas ela existe e precisa ser combatida.
Eu, que durante muito tempo achei que não tinha problema criticar, menosprezar ou humilhar alguém por ser gay, estou aprendendo o quanto isso é idiota. Eu que achava que minhas piadas não feriam e que se ferissem, foda-se, penso um pouco mais antes de falar.
Ainda sou homofóbico em medidas que não percebo, racista em medidas que não percebo, machista em medidas que não percebo e faço bullying em medidas que não percebo. Se você procurar nas coisas que disse e fiz, certamente vai achar idiotices que me deixariam com vergonha e me colocariam ao lado de quem eu hoje sou contra.
Mas pelo menos agora tento ser consciente e pensar no outro ser humano que é tão sensível, falível, forte, estúpido e genial quanto eu e que simplesmente prefere fazer amor com alguém do mesmo sexo.
É que eu acho que a homofobia acaba primeiro na gente. E sei que ainda estou longe, mas não sigo mais de olhos fechados.
Allan Patrick"entre 2007 y 2009, las tasas de mortalidad por suicidio y homicidio en hombres crecieron respectivamente en un 22,7% y un 27,6%"
Claro que puede haber algo peor que negar el salario mínimo a los trabajadores agrícolas: dispararles a quemarropa cuando piden sus sueldos atrasados de seis meses, y detenerles si sólo han quedado heridos de levedad o han sido testigos del intento de homicidio (aunque argumenta la policía que el arresto se debe a que ahora han descubierto que carecen de permiso de residencia). Ha sucedido en Grecia, cuando uno de los supervisores de la compañía ha disparado contra los trabajadores, hiriendo a 28. La respuesta de la red ha sido inmediata y se ha iniciado una campaña para no comprar las fresas producidas de la explotación Manolada, teñidas de sangre. Pero, aunque extrema, esta violencia no es un hecho aislado. La sobreexplotación a los trabajadores, inmigrantes o no, se agudiza con la excusa de la crisis y se suma al maltrato o incluso la tortura: en la misma zona del Peloponeso, un bracero egipcio fue golpeado y arrastrado cientos de metros atado a un coche. La culpa: ir a la huelga y reclamar que se les paguen los salarios de hambre que se les adeudan mientras malviven en condiciones de trabajo propias de la esclavitud: jornadas de trabajo agotadoras, sin derechos, sin nigún tipo de seguro.
Ante la presión de sindicatos, organizaciones de izquierda y antiracistas, la policía ya ha detenido al propietario de la empresa que se declara “ajeno a los hechos”. Sin embargo, es famoso en toda la región por la crueldad con que trata a sus trabajadores. Este mismo empresario ya había advertido a los huelguistas que es inútil seguir exigiendo el pago de los salarios atrasados y que es mejor que se busquen otro trabajo. Y eso sucede, impunemente, en la cuna de la civilizada Europa donde la desnutrición, especialmente entre los niños, se propaga como si el país acabara de salir de una guerra terrible (contra la ciudadanía).
Ya han dejado de ser noticia los desmayos de los niños en las escuelas de Grecia: nos estamos acostumbrando a la agonía del hambre. Cada vez más familias tienen dificultades para sobrevivir en el día a día. Se estima que el 10% de los niños de primaria y secundaria pasaron hambre en Grecia el año pasado, y el país se encuentra ahora en el nivel de algunos países africanos. Las escuelas ya no dan almuerzo, y son cada vez más los alumnos que no pueden traerlo de casa ni comprarlo. Alexandra Perri, maestra de Acharnae, afirma que 60 de sus 280 estudiantes sufren desnutrición. Y lo confirma UNICEF para el 2012 en un informe sobre familias griegas con hijos: más del 26% tienen una dieta insuficiente. El fenómeno es muy evidente entre las familias inmigrantes, pero se extende rápidamente a las familias griegas de zonas urbanas.
“Las consecuencias del plan de austeridad con el que se pretende combatir la crisis son mucho peor de lo que imaginábamos”, concluyen un equipo de investigadores de la Universidad Aristóteles de Salónica y de la Universidad de Nuevo México. Se han centrado en las condiciones económicas y sociales, el uso de la sanidad y el estado de la salud de la población. De su investigación se desprende que los principales indicadores de salud pública se desplomaron con la introducción de las políticas de austeridad que redujeron de forma drástica los servicios públicos, con las peores consecuencias. Concretamente, entre 2007 y 2009, las tasas de mortalidad por suicidio y homicidio en hombres crecieron respectivamente en un 22,7% y un 27,6%. Y a pesar del efecto adverso de las políticas de “austeridad” se siguen imponiendo más recortes de Grecia: la financiación del Ministerio de Salud se redujo en un 23,7% entre 2009 y 2011, y sin embargo son cada vez más las personas enfermas que no pueden recurrir a la sanidad privada. Dicen los investigadores: “Esperábamos que las políticas de austeridad afectaran negativamente los servicios sanitarios y la salud de las personas, pero los resultados han sido mucho peor de lo que imaginábamos”.
Sólo faltaba ahora que, al socaire del fascismo de Amanecer Dorado, las alimañas de la sociedad se creyeran con derecho a tirotear a quienes exigen sus salarios. Ha llegado la barbarie a la cuna de Europa.
Visto en Contropiano. Y sobre el tema, ver también Dempeus.
Detesto fazer o que chamo de “metapost”, com um texto que se refere ao próprio blog. Mesmo para um cara arrogante e vaidoso, soa meio pedante, sabe? Contudo, quando isso pode ser usado para uma boa causa, acho que vale a pena chafurdar um pouco no quintal de casa.
A graça deste blog – se é que tem alguma – está em ele possuir duas partes complementares. Primeiro, os posts em si, sejam eles análises, notícias ou reportagens. Considero esse lado so boring, darling – como diria o patético Gerald Thomas. E há outro, esse mais vivo, dinâmico e divertido, formado pelo debate a partir dos pontos levantados pelo post por leitores que se levam a sério demais e outros que sabem rir de si mesmos. Em outras palavras, os comentaristas são a alma deste blog.
Por isso, amo vocês (nhom…) Mas, infelizmente, não tenho como responder aos leitores. No que pese a fundamental ajuda do UOL com o sistema de aprovação dos comentários, crio essa criança sozinho. Então, a menos que o dia passe a ter 36 horas, não tem jeito mesmo. Desculpe.
Nos últimos tempos, é fato, tenho recebido cada vez mais comentários revoltados contra a minha pessoa por conta de textos que remaram contra o senso comum e bateram de frente em alguns preconceitos entronizados ou questionaram saídas fáceis e zonas de conforto. Por isso, resolvi analisar um deles, que chegou neste sábado (13) e, portanto, está fresquinho.
Dividi em partes:
“vc não tem vergonha de ser quem vc é? vc é um cancer”
Para ser honesto, tenho. Sou péssimo goleiro, canto mal para diabo, um chefe chato pacas, as plantas aqui em casa não duram nada e não consigo voltar ao meu peso de dez anos atrás – nem com reza brava. Sem contar que sou um saudoso torcedor do time da rua Turiassu. Particularmente, não gosto de paralelos com essa doença – não é legal brincar com isso. Mas se você quis dizer que vou lentamente crescendo e deixando raízes, agradeço o elogio. Contudo, se me permite, sugiro outra metáfora: Quero ser a mosca que pousou na sua sopa.
“Pessoas como vc deveriam ser vítimas do que vcs pregam. Muito cômodo falar suas baboseiras que o pessoal que tem preguiça de pensar concorda (quase sem opção).”
A-do-ra-ri-a ser vítima do que defendo! Imagine que bom seria viver em uma sociedade que garantisse a efetividade dos direitos humanos? Lembrando que isso inclui o direito de ir à igreja e professar uma fé envolvendo quaisquer deuses, de se organizar em um partido ou uma associação, de votar e ser votado, de não ser molestado por ter uma cor de pele ou orientação sexual diferentes, de poder ir livremente de casa para o trabalho sem o risco de ser abordado e preso sem justificativa, de ter igual direito, sendo homem ou mulher, de ter uma opinião diferente e não ser incomodado por isso (desde que essa opinião não machuque os demais), de ser dona do seu próprio corpo, de ter um emprego decente, de não ser torturado gratuitamente, de ter acesso a um julgamento justo e não ser condenado sumariamente, de ter garantida uma infância e uma juventude dignas, de não levar uma mão boba de um diretor de teatro sob a justificativa de que queria causar um desconforto na sociedade…
É fácil escrever o que o senso comum deglute com facilidade e que está guardado em nossos instintos mais animais. Difícil mesmo é redigir algo com a certeza absoluta de que apenas uma minoria vai ler o texto até o final, embutindo uma provocação que gere uma reflexão ao final. Em um assunto polêmico, boa parte das pessoas passa o olho de forma transversal, capta algumas palavras como “direitos humanos”/ “traficantes”/ “Estado” / “maioridade penal” / “aborto” / “evangélico” / “casamento gay” / “Palmeiras, oito vezes campeão brasileiro!” e sem nenhuma intenção de expor idéias ou debater, pinça um capítulo de sua Cartilha Pessoal de Asneiras e posta como comentário. É a vitória da limitada experiência individual sobre a necessidade coletiva, da emoção do momento sobre a racionalização necessária para que não nos devoremos a cada instante.
“Incentive a reflexão, se vc for homem.”
Essa eu juro que não entendi. Mulheres não refletem também?
“E pare de se esconder atrás desse “formador de opinião” tão fajuto quanto a nossa realidade. Se fosse jornalista, passaria informação. Não alienaria quem já é alienado por natureza. Pense na responsabilidade de passar informação para quase 50k pessoas.”
Acho que você não conhece muito bem o ofício do jornalista… O que é “passar informação”? O que é alienar?
Vamos lá: primeiro, não existe observador independente e imparcial. Você vai influenciar uma realidade e ser influenciado por ela. E vai tomar partido, consciente ou inconscientemente. Se for honesto, deixará isso claro ao leitor. Sei que há colegas de profissão que discordam, que dizem que é necessário buscar uma pretensa imparcialidade. É necessário ouvir todos os lados para entender o assunto, mas a sua tradução já sofrerá influência de quem você é e onde você está – socialmente, profissionalmente, politicamente, culturalmente. Zerar essa influência só seria possível se nos despíssemos de toda a humanidade. Há quem tente ferozmente e ache bonito.
Tomar partido se reflete na escolha da pauta que você vai fazer, sob a ótica de quem. Concordo com Robert Fisk, o lendário correspondente para o Oriente Médio do jornal inglês Independent, que diz que em situações de confronto, de limite, deve-se tomar opção pelos mais fracos. Ou, mais especificamente, dos empobrecidos e marginalizados, no que se refere à realidade política, econômica, social, cultural e ambiental. Tomar partido não significa distorcer os fatos, pelo contrário, é trazer o que historicamente é jogado para baixo do tapete, agindo conscientemente no sentido de contrabalançar, junto à opinião pública, o peso dos lados envolvidos na questão. Distorcer é má fé, preguiça ou incompetência – coisa que muito jornalista que se diz imparcial faz aos montes, aplaudido por quem manda. Aqui ou lá fora.
Tem muito jornalista à venda. Mas sabe o que assusta muitos leitores (principalmente os comentaristas de blog na internet)? É que existam aqueles que não estão. Neste mundo que cisma em ser pós-moderno é difícil explicar que ainda há alguns nortes que valem a pena ser seguidos. Não grandes discursos de Verdade, pois isso não existe (mais). Mas noções éticas básicas que, construídas e compartilhadas, melhoram a nossa existência. Como já disse aqui antes, para quem acredita que a vida não é um grande “cada um por si e Deus por todos”, isso é extremamente desesperador.
Enfim, meu bom rapaz, toda a informação é grávida. E informação, ela mesma, é canal de alienação, sim.
“Eu vou te infernizar. Será minha contribuição.”
Eu acho ótimo! Pegue uma senha e vá em frente. Eu acho o inferno um lugar mais interessante que o céu. É quentinho ![]()
No dia 4 de abril de 2013, agentes da Polícia Federal e do Batalhão de choque da PM chegaram ao Horto Florestal do Rio de Janeiro, a mando de uma juíza federal da 23ª Vara Federal, Maria Amélia Almeida Senos de Carvalho, que sentenciou uma liminar a favor da reintegração de posse para o Instituto de Pesquisa Jardim Botânico do Rio de Janeiro (IPJBRJ) de uma casa que estaria em “área de risco” e “dentro do parque”.
Essa injustiça aconteceu a despeito de a Superintendência de Patrimônio da União (SPU) —legítima gestora das terras da União em conflito fundiário nesse caso— ter determinado na Advocacia Geral da União (AGU) a suspensão de todas as ações de reintegração de posse referentes à essa querela, justamente por entender que cabe a ela, SPU, legislar sobre a posse de terras que são propriedade da União e que as mesmas podem e devem, desde a constituição de 1988, assumir a responsabilidade social do Estado em benefício de trabalhadores residentes há mais de cinco anos no lugar.
No Horto, as famílias de moradores são posseiras históricas, visto que residem há décadas e, em alguns casos, há séculos na região. Igualmente posseiro histórico dessas terras é o Jardim Botânico, apesar do equívoco reafirmado constantemente pelo discurso hegemônico de atribuir a propriedade das terras do Estado a essa instituição. Portanto, a primeira construção que esse artigo busca desmobilizar é de que a comunidade do Horto estaria “dentro do Jardim Botânico”. Isso não é verdade e essa falácia precisa ser desconstruída, a partir do conhecimento histórico sobre a região do Horto e divulgada
O Horto Florestal do Rio de Janeiro existe oficialmente no mapa da cidade desde 1875. Antes, contudo, a região já era ocupada por senhores e trabalhadores escravos de um Engenho de açúcar fundado em 1578 por Mem de Sá, chamado Engenho D´El Rey —e que mudou de nome e de sede em 1695, passando a se chamar Engenho Nossa Senhora da Conceição da Lagoa. Já no século XVIII o Horto sediava uma Fazenda de café cuja casa Grande era pioneira no Brasil em seu estilo arquitetônico: O Solar da Imperatriz.
O Parque Jardim Botânico foi fundado por D. João VI em 1811 e trouxe a terceira onda populacional da região, composta por trabalhadores escravos daquela grande obra, a terceira oficialmente fundada no local pela Coroa.
O Horto sempre foi palco da história oficial de nossa cidade. Igualmente, foi lugar do quilombismo histórico nas matas da Freguesia da Gávea, tendo abrigado, perto de 1888, um importante reduto de quilombolas [2] : o mocambo das Margaridas (SILVA, 2003, p. 74) [3] , rota de fuga para os Quilombos da Sacopã (na atual Fonte da Saudade) e das Camélias (no atual Alto Leblon). Os moradores guardam essa memória e são resilientes em sua resistência histórica.
No dia quatro de abril houve cinco horas de negociações pacíficas, embora as forças federais e militares estivesses presentes nas trincheiras do conflito. Encontravam-se também alguns parlamentares e seus representantes bem como quadros da SPU, da OAB e da Comissão parlamentar de Direitos Humanos, os quais intermediavam as negociações de paz entre moradores, lideranças comunitárias e agentes federais encarregados da ordem de despejo.
Graças à adesão dos intermediários e à atuação da presidente da AMAHOR e do advogado que apoia esta associação de moradores foi possível a construção de um acordo em que os moradores se mudaram temporariamente para dois imóveis da União enquanto aguardam a autorização para retornarem ao Horto, seu lugar de origem e de identidade, quando da implementação da Regularização Fundiária proposta pela SPU, a legítima gestora das terras em conflito.
A SPU contratou uma pesquisa de mapeamento e diagnóstico da UFRJ que, em dezembro de 2010 concluiu sua análise e a encaminhou para avaliação das partes envolvidas na querela. A comunidade aprovou a proposta, ainda que nela houvesse algumas orientações de remanejamento de casas em que estivessem em locais de risco (risco aqui entendido como socioambiental, ou seja, para o meio ambiente e sobretudo para o próprio morador devido a condições adversas de moradia). O IPJBRJ a recusou alegando que precisava de espaço para expandir o seu arboreto, patrimônio público natural, e para o avanço das pesquisas botânicas. Causas nobres de fato, mas não mais importantes do que a vida humana e o direito humano fundamental à moradia de famílias tradicionalmente enraizadas no território.
A proposta de Regularização Fundiária apresentada pela SPU foi conduzida com ética administrativa, competência acadêmica e conhecimento técnico suficientemente notórios e com a legitimidade política da instituição gestora das terras da União e responsabilidade social. O estudo ainda levou em consideração um levantamento realizado pelo ITERJ, em 2005 e se baseou nos critérios do direito à moradia e das obrigações sociais do Estado e suas propriedades, ambos referenciais importantes da constituição brasileira de 1988 e marcos teóricos do processo de democratização das instituições nacionais. Portanto, afirmar que a SPU teria conduzido com improbidade administrativa o processo acima exposto é um outro construto falacioso que esse texto busca desmentir.
Voltando à primeira desconstrução a que nos propusemos, é importante que se rememorem dados. Até os anos 1950 havia uma fronteira espessa e pantanosa entre o parque e a comunidade. No final dessa década, uma tempestade arrancou o bambuzal que fazia a divisa natural .
Nessa época, após o temporal, o Jardim Botânico permitiu que os trabalhadores do parque e moradores do Horto construíssem casas mais perto do trabalho e muitos residentes da região do entorno do Solar da Imperatriz e do chamado Hortão se mudaram para a localidade adjacente, batizada de Caxinguelê. Para atender esses moradores do Horto, foi erguida a Escola Municipal Julia Kubitschek, fundada pelo presidente Juscelino Kubitschek e que era um dos marcos da fronteira. Do outro lado, no sopé da colina por onde passa o Aqueduto histórico do Horto (construído por escravos no século XVIII para o abastecimento de água na região da Lagoa Rodrigo de Freitas [4] ) havia um portão que delimitava os dois espaços, hoje conflitantes.
Mas foi somente nos anos 1990 que o Jardim Botânico se tornou Instituto de pesquisa e começou a expandir o seu arboreto, justamente em direção à comunidade. Se hoje algumas casas do Caxinguelê estão “dentro do parque” como se afirma no discurso hegemônico, elas assim estão porque foi o IPJBRJ que avançou e as incorporou dentro dos novos limites de seus portões. Portanto, é imperativo desmentir que os moradores do Horto são invasores...
Nessa mesma década, o IPJBRJ obteve a posse do Solar da Imperatriz para nele fundar a Escola Nacional de Botânica. Dali em diante foi fácil argumentar que a região situada entre o monumento e o arboreto era toda território do Instituto. Mas não é assim porque nessa linha reta que o IPJBRJ quer traçar (e vem traçando com abertura de estradas no Horto, à beira do rio) há centenas de casas, famílias e memórias que não podem ser suprimidas pela necessidade da pesquisa botânica e da expansão do que quer que seja. Não sem antes se considerar as vidas e os direitos humanos instalados ali, historicamente.
Por conhecer essa história a fundo, é meu dever, como historiadora, repassá-la adiante. A missão de transmiti-la é do Museu do Horto, projeto social de memória que eu construí com os moradores do Horto para reafirmar a sua identidade histórica no lugar desse conflito. A razão de interpretar é do leitor e a capacidade de aceitar ou não as verdades e as injustiças é da consciência de cada cidadão.
Vale a pena assistir o vídeo em que Emília Maria de Souza, liderança comunitária do Horto, fala as verdades à imprensa no dia da reintegração de posse sobre os acontecimentos da manhã do dia 4 de abril. E elogia o 23 Batalhão da PMERJ.
A seguir há uma galeria de fotos tiradas por Pedro Marins Maciel e Ana Paula Amorim. Muitas das informações aqui apresentadas foram coletadas com o trabalho de memória oral. Trechos de depoimentos dos moradores foram selecionados e apresentados no documentário Horto Lugar de memórias
Rio: ruas de Ipanema e Leblon (Zona Sul) em março de 2013
Natal: ruas de Ponta Negra e Capim Macio (Zona Sul) em março de 2013
Olhem para este gráfico com a evolução da taxa de desemprego na Islândia e em Chipre. Esta diferença será cada vez mais abissal. Qual é então a coisa qual é ela que talvez contribua decisivamente para que estas duas ilhas tenham trajectórias tão distintas? Duas pistas: não são as crises de sectores financeiros hipertrofiados, resultado da aplicação de políticas neoliberais, e também não são sempre úteis controlos de capitais, no contexto de reestruturações dos sistemas bancários depois da crise. Mais uma pista: demasiados economistas nacionais ainda acham que essa coisa não serve para nada.