Shared posts

05 Aug 18:43

Michael Levine: “CIA deu proteção aos grandes traficantes de drogas”

by Luiz Carlos Azenha

Arma mortal

por Heloisa Villela, de Nova York, especial para o Viomundo

A CIA deu proteção aos grandes traficantes de drogas do mundo.

A imprensa norte-americana, prostituída por acesso ao poder, promove a guerra contra as drogas — que gasta bilhões de dólares sem resultados.

A solução para o problema do tráfico é dar poder às comunidades afetadas pelo comércio e consumo das drogas.

Estas são algumas conclusões de Michael Levine depois de 25 anos de experiência como agente secreto da Agência de Combate às Drogas (DEA) dos Estados Unidos. Norte-americano do Bronx, ele escreveu três livros nos quais conta, em detalhes, todas as operações que poderiam destruir grandes cartéis, mas que foram sabotadas pela CIA, a Central de Inteligência.

Quando não aguentava mais a frustração, Michael Levine escreveu uma longa carta sobre a participação da CIA no chamado “golpe da coca”, na Bolívia, em 1980, que colocou o general Luis García Meza no poder. Michael enviou a carta a dois jornalistas da revista Newsweek. Um deles, Larry Rohter — que mais tarde se tornaria correspondente do New York Times no Brasil e ficou famoso por publicar reportagem difamando o ex-presidente Lula, sugerindo ser um bêbado.

A carta, registrada, foi entregue. Ele guarda até hoje o recibo. Michael passou duas semanas ao lado do telefone, esperando que os jornalistas o procurassem em busca de mais informações. Nada. Na terceira semana, finalmente, o telefone tocou. Era o Departamento de Segurança Interna da DEA, avisando que ele estava sendo investigado.

Daí em diante, Michael se calou, completou os anos de trabalho que faltavam cumprindo tarefas burocráticas e preparando os livros que desnudam a hipocrisia da retórica moralista do governo norte-americano em torno do combate às drogas.

Nos anos em que trabalhou como agente da DEA, Michael Levine gravou conversas, registrou eventos e garante que não escreveu nada de memória. “Não precisei inventar nenhum diálogo”. Nesta entrevista ao Viomundo, ele relembra alguns dos casos que acompanhou de perto. Elogia Mao Tse-Tung e se diz entusiasmado com o nascimento de uma nova imprensa, na internet.

Viomundo – Depois de 25 anos de trabalho na DEA, por que decidiu escrever livros sobre a organização e sobre o trabalho da CIA?

Levine — Quando alguém está jantando às suas custas, você tem que ao menos tomar o café da manhã dele. Ou seja, quando alguém te fere, te prejudica você tem de ferí-lo a qualquer custo. Eu tinha que revidar contra a CIA e contra os burocratas dos EUA para os quais a guerra contra as drogas era apenas uma ferramenta, um instrumento. Eu estava basicamente furioso.

Viomundo — Eles atrapalharam sua vida pessoal um bocado, sem falar o que estavam causando ao país…

Levine — Eles mentem para o mundo. Agentes e policiais com os quais trabalhei deram a vida acreditando no que esses burocratas e políticos nos disseram — e era uma mentira. A guerra contra as drogas nunca foi travada honestamente. Sempre foi um instrumento para outras coisas. Por isso o Evo Morales usou uma cópia do “The Big White Lie”, levantou o livro há coisa de um ano e disse: “É por isso que estou expulsando a DEA do meu país”.

Evo Morales com a tradução do livro de Michael Levine

Viomundo — O que aconteceu com você depois que publicou o livro? Sofreu retaliações?

Levine — Fui ameaçado. Eu escrevi dois livros, “Deep Cover” e “The Big White Lie”, sobre casos de infiltração, quando você vai para outros países, assume outra identidade e corre riscos reais. Pode acreditar, eu tinha medo o tempo todo. Mas gravei tudo. Todos os diálogos que você vai encontrar nos dois livros vêm de gravações. Não tive que inventar. Eu estava equipado o tempo todo. O “Deep Cover” foi publicado primeiro e se tornou um best-seller na lista do New York Times. Eu fui a um importante programa de TV em NY, o Donahue Show, e quando estava no bastidor, na chamada Sala Verde, esperando para ir ao ar, recebi um telefonema do quartel general da DEA.

Não sabia nem como eles tinham descoberto que eu ia aparecer no programa porque tudo foi mantido em segredo até o último minuto. Mas eles sabem… E um dos chefões me disse: “Enquanto estou conversando com você Mike, dez advogados estão debruçados sobre o seu livro, analisando página por página, para ver se podemos indiciar você por algum crime”. Eu disse: se você está tentando me assustar, já conseguiu. Muito mais do que imagina. Mas agora não vou voltar atrás. Foi então que ele disse as palavras “lembre-se do sanduíche de pasta de amendoim com geleia”.

Ele estava falando do Sante Bario, um agente que trabalhou comigo. Ele estava no México quando eu era o encarregado da Argentina, sediado em Buenos Aires. De uma hora para outra, Sante Bario foi preso pelo departamento de assuntos internos da DEA for tráfico de drogas com base no depoimento de um informante. Ele ficou preso em uma pequena cadeia do México, na fronteira dos EUA. Ele estava preso há duas ou três semanas dizendo que tinha sido vítima de uma armadilha, que a acusação era uma mentira, quando deram a ele um sanduíche de pasta de amendoim com geleia. Ele comeu e caiu no chão com convulsões. Entrou em coma. O primeiro exame de sangue indicou a presença de estricnina. Ele morreu um mês depois.

A autópsia concluiu que ele morreu porque engasgou com o sanduíche. Isso é fato. Você encontra essa reportagem na revista Time com o título “O estranho caso de Sante Bario”. Sante Bario se tornou uma ameaça para todos os agentes do DEA. Se você sair da linha pode terminar com um sanduíche de pasta de amendoim com geleia. E ali estava eu, logo após publicar o livro “Deep Cover”, com um dos chefões do DEA me lembrando do sanduíche. Então a longa resposta à sua pergunta é: sim, eles me ameaçaram…

Viomundo — Ao mesmo tempo em que foi ameaçado, você teve apoio de pessoas com as quais trabalhou na DEA?

Levine — Algum apoio… Gradualmente, com o tempo, vários vieram me dizer que eu tinha razão, que estava certo. Recebi e-mails deles, esse tipo de coisa. Pouco depois de escrever “Deep Cover”, meu filho era policial em NY e foi morto em uma troca de tiros na rua.

A direção da DEA em NY disse a todos os agentes que não fossem ao enterro do meu filho. Para você ver como estavam furiosos comigo. Mas alguns desobedeceram a ordem e foram ao enterro. Mas sempre tive apoio. Mais tarde, botei isso no You Tube. O chefão da DEA olhou bem para a câmera do programa 60 Minutos, o mesmo programa no qual eu apareci, e disse: “Não existe outra forma de dizer isso. A CIA funciona como um bando de traficantes”.

Não tem prova melhor do que essa. Mas foram necessários vários anos para ele vir a público dizer o que eu já havia dito nos meus dois livros. Acho que você pode dizer que os cabeças da DEA eventualmente concordaram com tudo que eu disse em meus dois livros.

Garcia Meza, “produto” da CIA na Bolívia

Viomundo — Você disse que a guerra contra as drogas era na verdade uma ferramenta para outros objetivos nas mãos dos políticos. Que objetivos?

Levine — Eu volto no tempo até a Guerra do Vietnã. Sou velho assim…

Fui para o Sudeste Asiático com outra identidade e consegui atingir, ou seduzir, o maior traficante de heroína da região. Isso foi no começo dos anos 70 e eles me convidaram para o Golden Triangle, área onde eles tinham uma fábrica. Provavelmente a maior fábrica de produção de heroína do mundo.

Antes da visita, o serviço de inteligência veio me dizer que eu não ia. Anos depois eu fiquei sabendo o motivo. Essas pessoas no sudeste asiático eram nossos aliados no Vietnã e a única maneira de dar apoio a eles era vendendo heroína para o resto do mundo. A CIA tinha que protegê-los para que pudessem ser nossos aliados no Vietnã. É uma escolha política. O contribuinte americano não queria mais pagar por aquela guerra.

Muitos anos depois, quando eu estava em Buenos Aires, me infiltrei na organização do Roberto Suarez [na Bolívia] e cheguei a um ponto em que poderia, literalmente, acabar com a organização. A máfia de Santa Cruz. Eles eram responsáveis pela maior parte da cocaína do mundo. Novamente, como escrevi no livro “Big White Lie” e vou continuar a escrever sobre isso.

A CIA veio e ajudou Klaus Barbie [o nazista que recrutou mercenários na Bolívia para ajudar a colocar no poder o general Luis Garcia Mesa, quando a esquerda venceu as eleições com Siles Zuazo] e os direitistas a derrubarem o governo da Bolívia que ajudou a DEA nessa operação. Então, basicamente, a CIA traiu o povo da Bolívia e não a DEA, como o Evo Morales disse. A CIA decidiu ajudar os traficantes de cocaína porque não eram de esquerda, não eram comunistas. Eles não queriam o risco de ver a Bolívia se tornar esquerdista.

Então, pegaram os traficantes e deram a eles o controle – foi o infame golpe da coca, a primeira vez na história que traficantes de droga tomaram conta de um país. E nessa época eles tinham um programa chamado Operação Condor. Fiz muitos trabalhos no Brasil também nessa época e a Operação Condor era um acordo entre os países do Cone Sul. Minha investigação bateu bem nessa operação. Eles estavam matando as pessoas que eu estava investigando por causa da alegação de que tinham tendências esquerdistas. Era um jogo muito, muito sujo.

Aí você chega a uma operação que eu descrevi no “Deep Cover”. Eu fazia parte de uma equipe infiltrada na operação chamada Trisecta, em três países. Eu fechei um negócio com uma organização chamada La Corporacion, da Bolívia, que no fim dos anos 80 controlava toda a cocaína. Arrumei o envio de 15 toneladas de cocaína através do México. Fiz um negócio, gravado em vídeo, com o exército mexicano, para proteger a droga e deixá-la entrar nos EUA.

Esse acordo está em vídeo, no You Tube, você pode ver. Foi feito com a aprovação do presidente do México que ía ser empossado, Carlos Salinas de Gortari. Gravado em vídeo! Imagine isso. Estamos falando do envio de 15 toneladas de cocaína! Em uma casa luxuosa, de frente para o Pacífico. Temos mapas espalhados sobre a mesa. Estou conversando com o Coronel Jaime Carranza, neto do homem que escreveu a Constituição mexicana, e ele aponta para o mapa, mostra o local onde vamos pousar o avião com a primeira tonelada de cocaína e diz: é aqui que estamos treinando os Contras para a CIA. Esse vídeo foi enviado, naquela mesma noite, para o secretário da Justiça dos Estados Unidos, em Washington e ele, imediatamente, revelou nossa identidade porque telefonou para o ministro da Justiça do México para contar toda a nossa operação. Botei tudo isso no livro.

Viomundo — O milagre é você ainda estar vivo para contar essa história…

Levine — Muitas vezes eu acordo e apenas toco na minha mulher, que amo muito, e digo: Deus, que milagre ainda estar aqui! Quase tenho vontade de chorar. Simplesmente contrariei todas as probabilidades muitas vezes. Mas estou aqui, falando com você.

Viomundo — Você também escreveu sobre a conexão entre a CIA e a epidemia de crack nos EUA.

Levine — Mais uma vez… está tudo no You Tube. Eu era um agente infiltrado e estava trabalhando com a Sonia Atala. Eu era bem jovem, e me puseram com a mulher que o Pablo Escobar chamou de Rainha da Coroa de Neve. A rainha da cocaína.

Mas me puseram com ela porque ela se tornou informante da DEA. E eu tinha que me passar por amante dela. Estávamos viajando juntos e ela começou a me contar sobre algo que havia Bolívia. Uma cocaína que se podia fumar e que era violentamente viciante. Isso foi em 1983. Meu primeiro pensamento foi: isso vai direto pros EUA. E com certeza, um ano depois era o crack nos EUA.

Mas a história que não foi contada é que quem protegeu essa organização, esse envio da droga, e impediu que essa organização fosse desmantelada foi a CIA. Novamente. Esse era o papel deles. Não estavam nem aí se era crack, heroína, cocaína, o que fosse. É o imposto Junky [um dos nomes que se dá a viciados em drogas nos Estados Unidos]. O Congresso não vai pagar pela operação, então a CIA os ajuda a vender drogas para os EUA e para o mundo. Dá apoio à operação. É uma escolha muito simples. Eu fiquei furioso. Perdi um dos meus filhos. Ele foi assassinado por um viciado em crack em uma troca de tiros quando ele tentou impedir um assalto. E aqui temos uma agencia do governo americano, financiada pelos impostos que eu estou pagando, e todo mundo está pagando, e eles estão dando apoio a traficantes de drogas responsáveis pela morte de milhares, se não de milhões de pessoas.

Viomundo – Como explica o que está acontecendo agora no México com essa guerra contra as drogas que já matou mais de 50 mil pessoas? Guerra que está se espalhando para toda a América Central?

Levine — Enquanto os norte-americanos continuarem comprando drogas, enquanto houver um mercado gigantesco para as drogas, o dinheiro continua chegando ao México e é esse dinheiro que provoca essa guerra. A equação é muito simples. Eu escrevi um livro chamado “Fight back” que o Presidente Clinton recomendou que fosse lido por quem trabalha com comunidades com problemas de drogas. Recomendou e deixou em cima da mesa. Não fez nada.

Ele fala como comunidades e bairros podem se livrar das drogas sem esperar pelo governo federal, pela polícia, sem usar balas e armas. É questão de atacar o mercado. Esqueça isso de ir atrás dos traficantes. Isso não funciona. Acho que foi o prefeito de Medellín, na Colômbia, disse, há uns 20 anos, se você matar cada líder de cartel, existem outros cem na fila esperando para pegar o lugar de cada um deles.

Ainda estamos gastando milhões para ir atrás da estrela individual do momento. E hoje em dia eles têm esses nomes: Dr. Morte, Evil. A imprensa tem essa competição para ver quem consegue revelar o pior barão das drogas. É um jogo de tolos. Não é assim que se ganha o jogo. Você pega uma comunidade que quer se livrar das drogas. Eles vão atrás dos usuários da comunidade. Não precisa nem de prendê-los. Basta seguí-los com câmeras. Colocar alguém na esquina com um alto-falante. Isso funciona. São técnicas que funcionam. E o resultado é que os traficantes perdem o mercado.

Viomundo — Então você acredita que é possível acabar com o problema da droga?

Levine — Sim! Leia o “Fight back”. Funcionou para a China, funcionou para o Japão em uma determinada época. A China usou um método semelhante. Quando Mao Tse-Tung tomou o país, havia 70 milhões de viciados em heroína e ópio. Em três anos não havia mais nenhum. As pessoas dizem que ele executou todo mundo. Isso não é verdade. Houve 27 execuções nesse período. Se você comparar isso com os 60 mil mortos no México…

O que realmente funciona é transferir responsabilidade para a comunidade. A comunidade é que é responsável por seus viciados e cria reabilitação e tratamento obrigatórios. É muito humano! Salva a vida dos usuários e salva a comunidade. No livro “Fight Back” eu detalho o que poderiam fazer se quisessem.

Escritórios da DEA no mundo 

Viomundo – Você está trabalhando, escrevendo mais um livro?

Levine — Eu e minha mulher estamos trabalhando em um próximo livro. Já temos o primeiro rascunho pronto. Mas quero escrever um livro sobre o Roberto Suarez. Ele talvez tenha sido o maior e menos conhecido traficante de drogas da história. Era da Bolívia.

Viomundo — Você também mencionou o papel da mídia. Contou o que aconteceu quando mandou a carta para Rother e Strasser da Newsweek. Esse Rother é o Larry Rother que depois se tornou correspondente do New York Times no Brasil e chamou o presidente Lula de bêbado?

Levine — Esse mesmo. A única coisa que posso dizer com certeza é que ele recebeu a carta porque mandei certificada. Recebi o comprovante de volta. A carta foi entregue na revista. Ele pode dizer que não leu. Mas recebeu. Foi a história da Bolívia. Mandei a carta de Buenos Aires, onde era attaché. Mandei em papel timbrado da embaixada. Me arrisquei um bocado ao fazer isso. O resto é história…

Viomundo — Em sua opinião, o que acontece com a imprensa norte-americana, eles só checam as informações com representantes do governo? São obedientes?

Levine — Sabe, já participei de vários programas sobre isso. Eles são, basicamente, putas. Se vendem por acesso. Se prostituem por acesso. Querem acesso ao porta-voz da CIA e para conseguir isso não podem escrever nada mais crítico sobre a CIA.

Caso contrário, o acesso é negado. Quer acesso à DEA? Quer saber o que estão fazendo? Quer escrever sua materinha incrementada sobre tráfico de drogas? Melhor não escrever nada muito crítico. Eu escrevi um artigo sobre a mídia. Ganhou todo tipo de prêmio. Meu artigo se chama “Mainstream media, the drug war shills”. Ele faz parte do livro “Into the Buzzsaw”, de Kristina Borjesson. O livro foi muito elogiado pelas pessoas que estudam a mídia. Acho que mostra muito bem como a mídia continua vendendo uma guerra contra as drogas que mata milhões de pessoas, é totalmente sem propósito e não resolve nada.

Viomundo — Como o Plano Colômbia que investiu milhões de dólares no país e no fim, a produção de cocaína dobrou…

Levine — O Plano Colômbia, a Operação Snow Cap… Meu Deus! O Plano Colômbia foi um desdobramento da Operação Snow Cap.

Ação contra as drogas tem objetivos políticos, diz autor

Viomundo — O que foi a Snow Cap?

Levine — Eram as operações paramilitares na Bolívia e no Peru. Militares e agentes do DEA indo atrás dos traficantes na Bolívia e no Peru. O Plano Colômbia foi apenas um desdobramento. Eu conheci basicamente as pessoas mais graduadas do tráfico de cocaína do mundo nos anos 80. Eles achavam que eu era um mafioso meio siciliano, meio portorriquenho, e estavam me vendendo 50 toneladas de cocaína. Eu disse a eles que tinha muito medo de ir para a Bolívia por causa da Operação Snow Cap.

Com todas as tropas, com os militares ali, como vou fazer um negócio desses na Bolívia com todos os militares norte-americanos lá? Meu interlocutor riu! Riu e disse: eles não fazem nada. Andam pra cima e pra baixo. Sabemos o que vão fazer antes deles fazerem. Te garanto que você estará perfeitamente seguro Luis. Esse era meu nome. Ele me chamava de Luis. Repeti essa conversa para os responsáveis pela operação Snow Cap no QG da DEA e eles disseram o seguinte: “Nós sabemos que não funciona, mas já vendemos ao longo do Potomac” [rio Potomac, nas margens do qual fica o poder em Washington], o que significa dizer que a ideia já foi vendida para o Congresso, então é o futuro da DEA que está na corda bamba. Esquece a guerra contra as drogas. O Plano Colômbia é a mesma coisa. É política.

[Quer outras reportagens como esta? Ajude o Viomundo a produzir conteúdo próprio clicando aqui. Torne-se um assinante!]

Viomundo — Eles vendem os planos, pegam o dinheiro e precisam fazer de conta que estão fazendo algo…

Levine — Exato. É sempre a mesma coisa. Tem que mostrar estatísticas para provar que os bilhões que você está gastando estão sendo bem gastos.

Viomundo — Você acredita que todos os presidentes que passaram pela Casa Branca nas últimas décadas sabem de tudo isso?

Levine — Eles sabem exatamente. Sabem que o que eu estou te dizendo é fato. Eles também sabem que se virarem e disserem isso ao público durante uma campanha presidencial serão derrubados da Casa Branca. Por que? A grande mídia — os cachorrinhos da grande burocracia formada pela CIA, DEA, etc. – vai perseguir este político.

Viomundo — Como explica então que seus livros tenham sido tão bem recebidos e que você tenha sido convidado para tantos programas de televisão?

Levine — Porque na mídia existem grandes indivíduos que se destacam. Mas a percentagem de jornalistas de verdade é cada vez menor, desde Woodward e Bernstein [os jornalistas do Washington Post que revelaram o escândalo Watergate]. Não se pode comparar a mídia de hoje com a daquela época. Mas você pode dizer que o motivo pelo qual ainda estou fazendo isso tudo é porque continuo procurando pelos Woodwards e Bernsteins.

Viomundo — Você  consegue conversar melhor com os jornalistas que migraram para a internet?

Levine — A internet está crescendo rapidamente e faz com que eu me sinta realmente muito bem porque está se tornando um grande desafio para essa “mídia de tribunal” que se proclama jornalismo. Basicamente, são estenógrafos. É maravilhoso, para mim, ver esse crescimento da internet.

Viomundo — Você acha que o seu trabalho, seus livros e artigos, tiveram algum impacto, produziram alguma mudança?

Levine — Acho que talvez faça alguma diferença. Provavelmente depois que eu tiver morrido. Eu não sei. A gente nunca sabe. E por isso é que continua fazendo. Alguém como eu… eu cresci tendo que lutar por tudo que conquistei. Sou inclinado a isso, a brigar, não importa a consequência. E morrer brigando. É o que pretendo fazer.

Viomundo — Então nos conte um pouco dessa infância…

Levine — Cresci no South Bronx (em Nova York), em um bairro péssimo. Meu irmão se viciou em heroína aos 15 anos. Nosso pai nos abandonou quando nós éramos muito, muito pequenos. Praticamente, cresci nas ruas do Bronx. Me alistei no exército para acertar a minha vida. E realmente funcionou. Me tornei lutador de boxe, peso pesado, fiz artes marciais, o que foi outra influência importante, que ajudou a manter o equilíbrio na minha vida.

Aos 19 anos, no exército, eu me meti em uma briga com outro militar por causa de um chapéu de 3 dólares. Ele explodiu, sacou a arma, encostou na minha barriga e puxou o gatilho. A arma falhou. Talvez tenha sido a melhor coisa que já me aconteceu porque aprendi a sabedoria de um antigo ditado árabe que diz que qualquer momento é o momento certo para morrer.

Levei isso comigo para sempre. Agora, não perco mais tempo. Vivo cada momento até o limite, curto e saboreio. Logo depois disso decidi usufruir de tudo que a vida poderia me oferecer antes que eu morresse o que poderia acontecer a qualquer momento. E não havia melhor maneira para um menino pobre do Bronx viver toda essa adrenalina e excitação do que como um agente secreto infiltrado. Foi o que me propus a fazer e fiz. De resto…

Leia também:

Eleonora Menicucci: Respeito às mulheres que sofrem violência sexual

O post Michael Levine: “CIA deu proteção aos grandes traficantes de drogas” apareceu primeiro em Viomundo - O que você não vê na mídia.

05 Aug 01:23

Exposição de obras de Andy Singer no Metrô de São Paulo

by Willian Cruz
Image: divulgação
Abordando a mobilidade urbana e o uso da bicicleta, obras do cartunista Andy Singer continuam no Metrô de São Paulo até 31 de agosto.
04 Aug 22:29

Presidente del PT de Brasil: " apoyamos el derecho del pueblo saharaui a un estado propio"

by noreply@blogger.com (ADMIN)

El Presidente del gobernante Partido de los Trabajadores del Brasil PT Luiz Falcao, llamó al "respeto al autodeterminación e independencia del pueblo saharaui y al apoyo de su estado propio", en el XIX Congreso del Foro de Sao Paulo.
El acto al que asistieron más de mil delegados, invitados y observadores de América latina y el mundo fue presidido por Luiz Ignacio Lula Da Silva, ex presidente del Brasil, el vicepresidente del Salvador y candidato a las presidenciales de Febrero próximo, la Presidente de la Asamblea Nacional del Ecuador, Los Presidentes del PT Y PCdb del Brasil, el Presidente del PRD de México, los Secretarios Generales de los sindicatos Brasileños CUT y CTB, el Embajador de Palestina, de Vietnam; las representantes del Mas y del movimiento socialista de Bolivia, así como de la representante del PC de Cuba y la Secretaria General de la Unión nacional de Mujeres Saharauis Fatma Mehdi, miembro del Secretario Nacional del Frente Polisario.
Los trabajos políticos del XIX Congreso del Foro de Sao Paulo discutirán la aprobación en Pleno del Documento Político y Plan de Acción presentados a los delegados.
El Pleno fue precedido por un emotivo acto de homenaje al legado latinoamericano del difunto Presidente de Venezuela Hugo Chavez Frias Chavez.

Publicado por UNIÓN NACIONAL de MUJERES SAHARAUIS
04 Aug 01:04

Quem sumiu com Amarildo fomos nós

by José Nabuco Filho
O desaparecimento do pedreiro da Rocinha é resultado de uma sociedade violenta e desigual. O sumiço de Amarildo de Souza, servente de pedreiro, levado por policiais de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha, é o retrato de uma sociedade desigual que tolera a violência policial que recai contra as classes sociais mais baixas.
02 Aug 13:06

Estupro no casamento? Isso não existe! É você que é fresca e não...



Estupro no casamento? Isso não existe! É você que é fresca e não quer cumprir a sua obrigação como fêmea!

01 Aug 22:18

Brito: Promotor não chamou a Globo a depor, mas acusou filho de Lula

by Conceição Lemes

Embora a acusação do promotor Rodrigo Poerson contra Fábio Luiz tenha se baseado em notícias da mídia, ele mandou a PF apurar. Já no caso da Globo, não tomou nenhuma medida para investigar

por  Fernando Brito, no Tijolaço

Fui atrás da dica preciosa de uma amiga ainda mais preciosa e bingo!

Um dos designados pelo Ministério Público Federal para atuar no caso do sumiço dado ao processo de sonegação fiscal da Globo é o mesmo que acusou o filho do ex-presidente Lula, Fábio, no caso do contrato da empresa que este mantinha, a Gamecorp, e a Telemar.

Naquela ocasião, Rodrigo Poerson – este é o nome do cavalheiro – achou que o contrato, cujo valor era de R$ 4,9 milhões – 125 vezes menor que o valor da autuação da Globo – era um ”desproporcional aporte de recursos financeiros (que) estaria sendo direcionado à empresa Gamecorp, única e exclusivamente em razão de contar com a participação acionária de Fábio Luiz da Silva, filho do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva”.

Mas, no caso do desaparecimento de um processo de sonegação – não simples suposições e notas de imprensa, como daquela vez, mas documentado e analisado, já, por vários auditores da Receita – o Dr. Poerson não achou necessário nem chamar a Polícia Federal, como fez no caso do filho de Lula, nem chamar a Globo a depor.

A emissora diz até, em sua nota oficial, que só ficou sabendo que a funcionária Cristina Maris Meirick Ribeiro agora, seis anos depois!

Será possível que alguém acredite que um Procurador da República possa ter critérios diferentes quando se trata da Globo e quando se trata do filho de um então Presidente da República?

Será que alguém aprovou uma PEC 37 só para a Globo?

O Dr. Poerson permitiu que os documentos de seu pedido de investigação contra Fábio Lula vazassem para toda a imprensa e não ficou “consternado” como o MP se diz em relação ao caso Globo?

O Dr. Roberto Gurgel, chefe do Dr. Poerson, poderia dar alguma explicação para isso antes de sair da Procuradoria Geral da República?

Leia também:

Brito: Promotor não chamou a Globo a depor, mas acusou filho de Lula 

Lucio Sturm e Leandro Calixto: Monstro e Gordo agem nas barbas da polícia

MPF investigou condenada por furtar processo da Globopar, mas nem tanto

O post Brito: Promotor não chamou a Globo a depor, mas acusou filho de Lula apareceu primeiro em Viomundo - O que você não vê na mídia.

01 Aug 15:24

O tabu da violência sexual nas universidades brasileiras

by noreply@blogger.com (Marília Moschkovich)
Estudantes, da UnB, branquinhos, limpinhos e cheirosos,
achando o estupro superbacana.
Sabem, eu estou de saco cheio da arrogância generalizada quando o assunto é a violência sexual brutal que rola nas universidades brasileiras. Estou de saco cheio de ver a universidade e os corpos docente e discente tratados como imaculados, santos, intocáveis. Saco. Cheio.

Quando falamos em "violência sexual" ou "estupro" em universidades brasileiras, a primeira reivindicação que se faz é "mais segurança nos campi". Reivindicam a iluminação e usam essa bandeira para justificar o controle de entrada em espaços que são, na verdade, públicos; a entrada da polícia militar ou o policiamento extensivo. 

Como se o grande problema da violência sexual nas universidades não fossem os próprios estudantes  e docentes universitários. Como se a grande maioria dos estupros ocorridos acontecesse em lugares ermos, escuros, abandonados, e não em animadas e populosas festas (dentro e fora dos campi), trotes, etc. Como se os estudantes universitários, brancos e embranquecidos*, limpinhos e cheirosos, não cometessem violência sexual. Como se o corpo docente não praticasse violência sexual.

"Violência sexual" é coisa de pobre, de preto, de mendigo, de traficante, de ladrão, de quem não teve acesso à educação formal. Gente que não entra na universidade e que deve mesmo ser barrada para não entrar. Será?

Isso nos leva a pensar o que, então, as pessoas consideram "estupro" ou "violência sexual". Num contexto em que estudantes da UnB acham que "estupro" é uma coisa "bacana", essa reflexão se faz necessária. A nota do Movimento Honestinas explica bem o caso. Pois bem. Entendam de uma vez, companheirxs: "Violência sexual" não é só um ataque de um homem preto e pobre, num lugar ermo, a mão armada.

"Violência sexual" é também aquela forçada de barra no meio de uma pista de dança. É quando passam a mão na sua bunda ou te agarram por trás enquanto você assiste uma banda tocando. É quando você não pode deitar pra descansar, bêbada, durante uma festa, por medo de que alguém te agarre. É quando você precisa trancar a porta do próprio quarto pra dormir, na sua república, se estiver tendo uma festa. É quando você não pode ir sozinha a uma festa. É quando você não pode ir sozinha ao banheiro de uma festa. É quando você tem que insistentemente dizer "não" a um professor que convida pra jantar. É quando você tem que evitar falar sozinha com um professor homem. É quando você não pode ficar sozinha no laboratório. É quando você não está afim, diz que não está afim, e ele dá aquela forçada de barra pra transar. É quando ele não quer colocar camisinha e não te deixa recusar a trepada. É quando se acham no direito de interferir em um beijo entre você e sua namorada. É quando pressionam pra você beijar qualquer pessoa que você não queira. É quando desconhecidos condicionam sua vida social na universidade à simulação de sexo oral. É quando você não pode ficar em paz sozinha, na aula ou pelo campus. É quando assobiam ou passam cantadas, dentro e fora da sala de aula, do laboratório, ou durante festas. É quando um professor insiste em fazer graça com seu corpo, ou dar indiretas privadas ou públicas sobre a roupa que você usa. É quando você não consegue mais se divertir em festas porque não te deixam em paz e insistem que o seu "não" quer dizer "sim". É quando te beijam contra sua vontade.

Preciso mesmo continuar a lista?

O fato é que a questão é urgente. Precisamos ensinar homens e mulheres a reconhecerem a violência sexual. Coibirem essas práticas. Desaprovarem. Criticarem. Seres chatas e chatos de galochas. A violência sexual não pode ser tolerável em nível algum. É importante pararmos de fingir que não vemos, ouvimos, sofremos e vivemos violência sexual em nossas universidades.

Numa busca rápida no Google acadêmico, não encontrei sequer UM artigo com dados sobre violência sexual sofrida nas universidades brasileiras. Nenhunzinho. Isso nos mostra que, além de não reconhecermos essas práticas como violência sexual, considerando que "está tudo bem, já passou", institucionalmente as universidades também estão pouco se lixando para o assunto. Academicamente, não há quem tenha produzido este tipo de pesquisa/levantamento também. Sem a informação, é difícil ou impossível traçar estratégias na luta contra essas práticas no espaço universitário.

Em meu ask (http://ask.fm/MariliaMoscou) estarei recolhendo relatos de violência sexual em universidades, festas universitárias (mesmo que em república), laboratórios, campi, trotes, etc. para construir um novo post, e começar a articular uma campanha nesse sentido. Você pode escrever anonimamente, se desejar. Caso ache mais fácil, pode postar seu relato anônimo aqui (é só digitar e clicar em "Perguntar" para enviar):


Se você participa de um coletivo de mulheres ou coletivo feminista, me escreva (marilia@mulheralternativa.net) para articularmos uma parceria caso interesse. As histórias de violência sexual dentro das universidades não podem ficar escondidas. Contem-nas. Contemo-nas. Vamos pressionar para que esta se torne uma preocupação institucional, acadêmica/científica, e pessoal entre docentes, funcionários e estudantes. 
01 Aug 12:11

Augusto César: No Brasil, filho de sem terra estudar Medicina é uma afronta

by Luiz Carlos Azenha

“Pobre estudar medicina é afronta para a elite”, diz médico formado em Cuba

31 de julho de 2013

Por José Coutinho Júnior


Da Página do MST

A elitização do ensino de medicina no Brasil é um obstáculo para jovens de baixa renda entrarem nas universidades e se formarem. Já os problemas nas provas de revalidação do diploma dificultam o exercício da profissão em território nacional pelos brasileiros que conseguiram se formar no exterior.

“Quem estuda medicina no nosso país são os filhos das elites, em sua maioria. É uma afronta para a elite um negro, um pobre, um trabalhador rual, filho de Sem Terra estudar medicina na faculdade, principalmente pelo status conferidos por essa profissão”, afirma Augusto César, médico brasileiro formado em Cuba e militante do MST.

Estudo do Ministério da Educação (MEC) aponta que 88% dos matriculados em universidades públicas de medicina estudaram em escolas particulares no ensino fundamental e médio. Os programas do governo de acesso à universidade, como o Programa Universidade para Todos (ProUni), ampliaram o acesso, mas ainda não conseguiram universalizar e democratizar a educação.

“A maioria das pessoas que entram na universidade pública para cursar medicina tem dinheiro para fazer um bom cursinho ou estudou o tempo todo numa escola particular. Claro que há exceções, mas o ensino de medicina do nosso país é altamente elitizado”, acredita Augusto.

“A maior parte das pessoas que tem acesso às escolas de medicina são de classe média e classe média-alta. Um pobre numa universidade particular não consegue se sustentar pelo alto preço das mensalidades. Sem contar que hoje temos mais universidades privadas do que públicas na área da saúde, dificultando ainda mais o acesso”, diz a médica formada em Cuba Andreia Campigotto, que também é militante do MST.

Revalidação

A necessidade dos médicos brasileiros formados no exterior e estrangeiros passarem por uma prova para verificar se estão capacitados a exercer a profissão é um tema frequentemente pautado pela comunidade médica brasileira.

Independentemente do curso, todos os estudantes brasileiros que realizam um curso fora do país precisam passar por uma revalidação do diploma. No entanto, há falhas nesse processo no caso da medicina.

Um dos principais problemas é que não existe um padrão para o conteúdo dessas provas. Cada universidade federal pode abrir sua prova de reconhecimento de títulos no exterior. Com isso, o conteúdo não é uniforme.

Além disso, o custo dessas avaliações é alto. A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) cobra uma taxa de inscrição de R$1.172,20. Outras universidades pelo país têm preços similares.

Preconceito

“As provas são injustas, porque têm um nível de médicos especialistas, e não de ‘generalistas’, que é o que somos após nos graduar. Isso causa uma desaprovação considerável dos estudantes que vem de fora”, acredita Andréia.

“O que a categoria médica não divulga é que 50% dos estudantes da USP reprovaram na prova feita pelo Conselho de Medicina de São Paulo. Foi uma prova para médico generalista, muito mais fácil que a de revalidação”, revela.

Para Andréia, há um “grande preconceito” por parte dos profissionais brasileiros em relação aos médicos formados em outros países, o que cria um entrave para a revalidação dos diplomas.

“Seria justo se os profissionais que se formam no Brasil fizessem as mesmas provas que nós, para ver se realmente se comprova uma suposta má formação de nossa parte, bem como discursa a categoria médica brasileira”, observa.

Os dois médicos defendem a realização de uma avaliação dos conhecimentos dos profissionais graduados no exterior, mas destacam que as provas atuais não cumprem esse papel, porque não são aplicados testes adequados para auferir o conhecimento.

“As provas teóricas e práticas atuais não levam em conta as complexidades. Seria muito melhor colocar esse médico para trabalhar sob um tutor e, a partir daí, se instaurar uma avaliação rigorosa e permanente. Mas isso não tem sido pensado”, pontua Augusto.

Formação

A concepção de medicina ensinada nas universidades impede também que os estudantes vejam a luta pela saúde além do tratamento de doenças.

“Nas universidades de medicina, só se vê doença. Não se fala em saúde. Como você pode lutar pela saúde se só vê doenças? Também é saúde lutar pelo direito à cidade e por um sistema público de saúde de qualidade”, destaca Augusto.

De acordo com o militante, a concepção de saúde deve ultrapassar uma formação técnica. “O médico deve exercer a medicina a favor da construção de um país mais saudável, sem esperar que as pessoas ou uma comunidade adoeça para depois intervir sobre ela, pois é o modo de vida que vivemos que gera as doenças do país”, defende.

Andreia quer se tornar professora de medicina para colaborar para a mudança da forma de ensinar das universidades. Ela se classificou na primeira fase do concurso para lecionar na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

Segundo ela, o campo da educação deve ser ocupado por aqueles que querem democratizar a educação. “Precisamos formar profissionais com um novo perfil, realmente voltados para atender o povo, para se fixar nos locais de difícil acesso, não só nos grandes centros como hoje. É um campo interessante de atuação”.

* Essa matéria faz parte de uma série de reportagens com dois médicos que analisam as diferenças entre os cursos e a concepção de medicina em Cuba e no Brasil. No próximo texto, que será divulgado na sexta-feira na Página do MST, Andreia e Augusto opinam sobre a vinda dos médicos estrangeiros para o Brasil e analisam os problemas no sistema de saúde brasileiro, como a falta de estrutura nos hospitais.

Leia também:

Na primeira reportagem da série, o enfrentamento da “ditadura do dinheiro”

Fábio Diamante: Médicos vão ao trabalho, batem o ponto e somem

 

O post Augusto César: No Brasil, filho de sem terra estudar Medicina é uma afronta apareceu primeiro em Viomundo - O que você não vê na mídia.

01 Aug 00:51

A comovente situação de milhares de “barnabés”

by Carlos Santos

Um servidor do Estado, originário de Mossoró, que trabalha em Natal, teve sua remuneração reduzida em 75%.

Fazer o quê?

Ouvi-o atentamente.

Chorou.

Comovente.

Relatou-me, antes do seu fone com sistema pré-pago se calar, que não sabe o que fazer diante dessa “monstruosidade”.

Gratificações etc., que completavam e faziam a maior parte do seu ganho, foram retiradas como forma de economizar e reduzir gastos do Estado.

O mesmo Estado que gasta mais com propaganda e diárias do que com a Saúde desde seu início.

Como disse, comovente a situação desse amigo e de milhares de “barnabés”.

31 Jul 13:22

La venganza contra Bradley Manning

by Iñigo Sáenz de Ugarte

Para analizar la condena a Bradley Manning, conviene echar la vista atrás (2007) y ver cómo acabó la investigación judicial en relación a los dos mandos militares más directamente responsables de lo ocurrido en la prisión de Abú Ghraib. Me refiero al coronel Thomas Pappas y al teniente coronel Steve Jordan, jefes de la unidad de inteligencia militar asignada a la prisión, que además tenían en la práctica el mando operativo de casi todos los policías militares destinados en el edificio.

Pappas recibió inmunidad a cambio de su poco incriminadora declaración, además de una amonestación y una multa por valor de la mitad de su salario durante dos meses. La inmunidad era a cambio de su testimonio en el juicio de su subordinado. Jordan fue absuelto, entre otras cosas por el poco interés de la fiscalía en condenarlo, y sólo recibió una amonestación.

Los policías militares que se fotografiaron con los presos torturados no tuvieron tanta suerte.

No pensemos que la falta de pruebas y la habilidad para cargar todas las culpas sobre los de abajo son los factores que explican que Pappas y Jordan salieran con bien. Ejemplos de la impunidad sobre lo ocurrido en Irak y Afganistán hay muchos.

En 2005 un grupo de marines asesinó en Haditha, a 24 civiles iraquíes, hombres, mujeres y niños en venganza por una emboscada anterior en la que había muerto uno de los suyos. Entre las víctimas había ocho niños y un anciano de 76 años que estaba en una silla de ruedas.

Al final, sólo se llevó a juicio a un militar, el sargento Frank Wuterich. En la vista, otro sargento declaró cómo Wuterich había disparado casi a quemarropa a los ocupantes de un coche: “El sargento Wuterich se me acercó y me dijo que si alguien preguntaba, (dijera que) los iraquíes estaban huyendo del coche y que el Ejército iraquí les había disparado”.

La fiscalía retiró la acusación de homicidio. Wuterich sólo fue condenado a una pena por un delito menor, que le supuso la pérdida de rango y una multa.

La justicia militar en su más nítida expresión a la hora de juzgar crímenes de guerra.

Con Bradley Manning, no ha habido misericordia, como tampoco la hubo en su reclusión, porque la información aportada por él ponía en peligro la necesidad imperiosa del mando militar de encubrir esos crímenes en las guerras. La condena puede suponerle una pena de hasta 130 años de prisión, si se suman todas las acusaciones ya convalidadas por el tribunal.

A pesar de esa cifra, no será una condena a cadena perpetua porque ha sido absuelto del delito de colaboración con el enemigo. Eso es lo que se han apresurado a destacar muchos medios de comunicación, digamos que en defensa propia. Si Manning hubiera sido castigado por eso, ¿qué habría que hacer con los periodistas norteamericanos que publicaron las revelaciones hechas posibles por la información facilitada por el acusado? Ser periodista no es un eximente en el caso de este delito.

Un dirigente de Al Qaeda podría aprender muchísimo sobre el funcionamiento de los militares de EEUU leyendo el New York Times en su tableta. La conexión 3G le costaría más que la suscripción. Condenar a Manning por ese delito era un desafío al sentido común, incluso para un tribunal militar.

La sentencia es un aviso nítido para todos aquellos militares norteamericanos destinados a futuras guerras. De una manera u otra, los Pappas, Jordan y Wuterich se libran por horrendos que sean sus crímenes. Por el contrario, los Manning recibirán el castigo más duro en forma de una condena a 20 o 30 años de prisión.

La guerra es realmente una licencia para matar. No se puede permitir que nadie vulnere ese contrato.

Está claro que Edward Snowden hizo muy bien en salir huyendo de EEUU, aunque hay gente que piensa, sin asomo de ironía, que debería inmolarse si no encuentra un país inmaculado en el respeto a los derechos humanos que le pueda dar refugio.

26 Jul 12:03

Médico que duvida de estrangeiros tem filhos “importados” de Cuba

by Conceição Lemes

Paulo de Argollo Mendes está no poder há 15 anos. Recentemente reeleito para mais um mandato como presidente do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul, o triênio 2013-2015

por Conceição Lemes, a partir da dica do leitor Marcus Vinícius Simioni

Quem passa pelo Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) nem precisa perguntar qual a posição da entidade sobre a “importação” de médicos estrangeiros.

O banner cobrindo praticamente toda a frente do edifício-sede sede, em Porto Alegre, fala por si só.

Com 15 mil associados —  apenas estão fora da base Santa Maria, Rio Grande, Novo Hamburgo e Caxias –, seu presidente é o médico Paulo de Argollo Mendes. Há 15 anos no poder, ele reeleito para mais um mandato, o triênio 2013-2015.

Acordo ‘demagógico’ e ‘ideológico’’, classificou Argollo em 7 de maio, dia seguinte à revelação do ministro das Relações Exteriores, Antônio Patriota, de que o governo brasileiro negociava um pacto para trazer 6 mil médicos cubanos.

Em entrevista ao Viomundo, Argollo reforça: “Nós somos frontalmente contrários à vinda médicos estrangeiros, é enganação, pura demagogia. Se um médico estrangeiro cometer eventual barbaridade, quem vai pagar? É uma insegurança absoluta para o próprio paciente”.

Ele acrescenta: “O governo quer trazer médicos pela porta dos fundos, dispensando o Revalida [ Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos, criado e feito pelo governo federal]. Eu fico achando que eles são incompetentes, pois se não fossem, o governo não evitava o Revalida. São médicos de segunda classe para tratar pacientes de segunda, porque é assim que o governo enxerga os pacientes do SUS”.

Felizmente, em tempos de internet, as máscaras caem muito rápido.

O presidente do Simers tem dois filhos médicos.  De 1997 a 2004, cursaram medicina no  Instituto Superior de Ciências Médicas de Camagüey, em Cuba.

Naquela época,  papai  Argollo derretia-se em elogios a Cuba e à medicina cubana.

 

Documentos como o acima, obtidos pela Renovação Médica, possibilitaram a inscrição no Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers), de dezenas de médicos cubanos, sem prova de revalidação.

Em 2005, os filhos de Argollo formados  em Cuba, em ações separadas, entraram na Justiça contra a Universidade Federal do Rio Grande do Sul,  porque  a UFRGS se recusou a validar automaticamente o diploma de médico de ambos.

Pleitos:  registro automático do diploma independentemente do processo de revalidação e  indenização de R$ 20 mil a título de danos morais sofridos. Na época, não existia ainda o Revalida. Cada universidade federal fazia a sua própria validação.

– Não é contrassenso o senhor execrar a “importação” de médicos, já que seus filhos estudaram em Cuba, entraram na Justiça para não fazer a revalidação do diploma no Brasil e ainda cobraram da Universidade Federal do Rio Grande do Sul R$ 20 mil por danos morais? – esta repórter questionou-lhe.

“Não”, diz candidamente Argollo. “Primeiro, porque eles validaram o diploma se eu não me engano em Fortaleza; foi a primeira universidade federal que abriu inscrição. Segundo, quando foram para Cuba, havia um acordo bilateral entre Brasil e Cuba para revalidação automática de diplomas. Enquanto eles estavam lá, o governo Fernando Henrique  revogou esse convênio.  Então, eles tinham o direito adquirido.”

Realmente, Brasil e Cuba eram signatários de um acordo, cujos Estados-Parte assumiram o compromisso de registro automático dos diplomas emitidos pelas instituições de ensino superior. No Brasil, a decisão foi promulgada pelo decreto presidencial nº 80.419, de 27 de setembro de 1977.

Porém, em 15 de janeiro de 1998, o Brasil comunicou à Unesco o término do pacto, que foi extinto exatamente um ano depois. Em 30 de março de 1999, o então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) revogou o decreto nº 80.419/77.

Reiteradas decisões da Justiça Federal negaram os pleitos dos irmãos Argollo; a um deles  o juiz determinou ainda o pagamento das custas e honorários advocatícios da outra parte. Alguns trechos delas:

A colação de grau do autor ocorreu em 2004 (fl. 31), ou seja, em momento posterior à revogação do Decreto Presidencial nº 80.419/77, de modo que inexiste direito adquirido ao registro do diploma independentemente de processo de revalidação.

…como, no caso, o demandante não possuía, ao tempo da edição do Decreto nº 3.007/99, o diploma expedido pela universidade estrangeira, não há como pretender valer-se das disposições da convenção internacional para eximir-se do cumprimento dos requisitos exigidos pela legislação pátria.

Resolução nº 1, de 28 de Janeiro de 2002, a realização de avaliação é necessária para verificar o real preparo do estrangeiro. Nesse sentido, deve o autor prestar a referida avaliação para obter a revalidação de seu diploma.

Conclusão: os filhos de Argollo são médicos ” importados” de Cuba e tentaram entrar pela porta dos fundos, já que não queriam validar o diploma no Brasil.

Será que, em função disso, a priori, os filhos mereceriam ser tachados de incompetentes e médicos de segunda classe, como o pai-sindicalista tenta carimbar hoje os “estrangeiros”?

Argollo, relembramos, acusou ainda o anunciado acordo Brasil-Cuba de ser “ideológico”.

Então, será que quando os filhos estudaram no Instituto Superior de Ciências Médicas de Camagüey, ele não sabia que o regime político de Cuba é o comunismo? Ou será que foi enganado pela propaganda vermelha?

O post Médico que duvida de estrangeiros tem filhos “importados” de Cuba apareceu primeiro em Viomundo - O que você não vê na mídia.

21 Jul 19:07

'The powder room"

by Francisco Seixas da Costa
Uma cena do filme sobre Margareth Thatcher, na qual, depois de um jantar, as senhoras presentes são convidadas delicadamente a saírem, deixando os cavalheiros sozinhos, a fumar um charuto e a beber alguns álcoois fortes, trouxe-me ontem à memória uma cena passada, há umas décadas, numa embaixada portuguesa num país nórdico.

Tinha sido um jantar em "smoking" e vestido longo, com o qual o novo embaixador quisera ter um gesto elegante de cortesia para com algumas das personalidades locais que o haviam acolhido nesses primeiros meses, desde a sua chegada. 

Tudo correra a preceito e o ambiente, no final do jantar, era distendido e alegre. A primeira ronda de cafés fora servida. Forte da sua experiência em países anglo-saxónicos, o diplomata iniciou o ritual:

- Minhas senhoras, convido-as a passarem ao "living". "And the powder room is over there", - disse, apontando para a porta e na direção da casa de banho das visitas, que o embaixador cuidara em ter bem equipada, com escovas, perfumes e tudo quanto presumia necessário para as senhoras "retocarem" a sua aparência, depois da função gastronómica, enquanto aguardariam que os cavalheiros se lhes juntassem.

Mas estava-se num país nórdico. A maioria das senhoras não tinha a menor intenção de deixar os companheiros numa tertúlia masculina. Algumas, contudo, ainda anuíram por gentileza ao convite e fizeram menção de se levantar, mas outras permaneceram no seu lugar e reagiram de uma forma que desarmou o anfitrião:

- "Powder room"? Nem pensar! Eu vou ficar aqui! E, se o senhor embaixador não se importa, vou beber um cognac!

Uma outra disse mesmo que, pensando bem, lhe estava a apetecer um charuto e um "scotch". Outra, ainda, que vivera uns anos entre nós, pediu um Porto.

Toda a sala sorriu. E quem se havia levantado voltou a sentar-se. O embaixador tomou consciência, nesse instante, que tinha entrado num mundo diferente. E também noutro tempo, no modo como os homens e mulheres se comportam socialmente, de forma mais igualitária. Aquele seria o último jantar em que, por ali, as senhoras seria convidadas, no fim de um jantar, a passar pelo "powder room"...
20 Jul 11:55

Das empresas que funcionária da Receita envolveu em suas fraudes, só Globopar escapou de testemunhar na Justiça

by Luiz Carlos Azenha

Cristina vive com a mãe num quarteirão nobre do bairro de Copacabana, no Rio de Janeiro, com vista para o mar

por TC*

Dos quinze processos a que Cristina Maris Meinick Ribeiro responde ou respondeu na Justiça Federal do Rio de Janeiro, os donos, sócios ou funcionários de empresas que ela teria beneficiado — ou que foram citadas nos processos — acabaram incluídos como réus ou testemunhas em todos, com uma única exceção: a Globopar, empresa controladora das Organizações Globo, nem foi chamada para testemunhar na ação em que foi citada pelo significativo valor de R$ 600 milhões.

Agora, sete anos depois da autuação da Receita, com o vazamento da existência do processo a Procuradoria da República no Distrito Federal (PR-DF) abriu apuração criminal preliminar para investigar suspeitas de sonegação.

Cristina Ribeiro era agente administrativa da Receita Federal. Em 23 de janeiro de 2013, o juiz Fabrício Antonio Soares condenou-a a 4 anos e 11 meses no processo no qual ela foi acusada de, através de fraude eletrônica no sistema da Receita, ajudar as empresas Mundial S/A Produtos de Consumo, Forjas Brasileiras S/A e P&P Porciúncula, além de dar sumiço num processo relativo à Globopar.

Como notou o juiz, o processo da Globopar envolvia uma cobrança superior a 600 milhões de reais – 183 milhões de imposto devido, 157 milhões de juros e 274 milhões de multa. Foi resultado do Processo Administrativo Fiscal de número 18471.000858/2006-97, sob responsabilidade do auditor Alberto Sodré Zile. Como ele constatou crime contra a ordem tributária, pelo menos em tese, abriu a Representação Fiscal para Fins Penais sob o número 18471.001126/2006-14.

Fisicamente, os dois estavam anexados.

A existência da cobrança foi primeiro revelada pelo blogueiro Miguel do Rosário, n’O Cafezinho. Posteriormente, Miguel atuou em parceria com tuiteiros e blogueiros, especialmente com O Tijolaço, de Fernando Brito. Especulou-se sobre o sumiço do processo, até a revelação de que Cristina tinha sido condenada pela retirada da papelada relativa à Globo de uma repartição da Receita no Rio.

Rodrigo Vianna, do Escrevinhador, testou a hipótese de que o sumiço teria relação com um acordo entre Globo e o governo Lula, fechado entre o primeiro e o segundo turnos das eleições de 2006.

Fernando Brito, d’O Tijolaço, apresentou uma cronologia importante, reproduzida parcialmente abaixo:

1– A Globo é autuada em 16 de outubro de 2006 por sonegação de impostos devidos pela compra dos direitos de transmissão da Copa de 2002. Total da autuação: R$ 615 milhões.

2 — No dia 7 de novembro, José Américo Buentes, advogado da Globo, passa recibo de que recebeu cópia da autuação.

3 – No dia 29 deste mesmo mês, a Globo apresentou uma alentada defesa, de 53 páginas, pedindo a nulidade da autuação.

4 — No dia 21/12/06, a defesa da Globo foi rejeitada pelos auditores.

5 — No dia 29/12/2006, o processo é remetido da Delegacia de Julgamento I, onde havia sido examinado, para o setor de Sistematização da Informação, de onde são expedidas as notificações. Uma sexta-feira, anote.

6 — Sábado, 30; Domingo, 31; Segunda, 1° de janeiro, feriado. Dia 2, primeiro dia útil depois da remessa do processo ao setor, a servidora Cristina Maris Meirick Ribeiro, que estava de férias, vai à repartição, pega o processo, enfia numa sacola e o leva embora.

A Globo nega qualquer relação com o sumiço do processo. Em nota, disse que só ficou sabendo da condenação de Cristina pelo “extravio” em 9 de julho deste ano. Acrescentou: “ A Globo Comunicação e Participações não é parte no processo, não conhece a funcionária e não sabe qual foi sua motivação”.

A empresa havia informado, em nota anterior, que não tem qualquer dívida com a Receita relativa ao fato que motivou a acusação de sonegação, a compra dos direitos de TV da Copa do Mundo de 2002. Para a Receita, a Globo usou indevidamente uma empresa de nome Empire no refúgio fiscal das ilhas Virgens britânicas. Investiu nela e, um ano depois, se desfez da empresa. Com o capital, pagou pelos direitos de TV sem recolher os impostos devidos ao Fisco, aplicáveis na compra dos direitos de eventos internacionais.

“A pessoa jurídica realizou operações simuladas, ocultando as circunstâncias materiais do fato gerador de imposto de renda na fonte”, escreveu um funcionário da Receita no processo.

“Todos os procedimentos de aquisição de direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2002 pela TV Globo deram-se de acordo com as legislações aplicáveis, segundo nosso entendimento. Houve entendimento diferente por parte do Fisco. Este entendimento é passível de discussão, como permite a lei, mas a empresa acabou optando pelo pagamento”, disse a Globo em nota.

No processo que levou à condenação de Cristina Ribeiro, a Globopar não foi ouvida nem como testemunha. O mesmo não valeu para outras empresas em tese beneficiadas por Cristina.

Como revelou o Viomundo, o dono e dois funcionários da empresa Forjas Brasileiras — incluída na mesma ação em que a Globopar é citada — foram condenados.

Localizamos outros 14 processos que envolvem o nome de Cristina na Justiça Federal do Rio de Janeiro.

A maioria é por fraude em créditos de compensação tributária. Também há um processo no qual Cristina é acusada de emitir novos CPFs para pessoas com nome sujo na praça. No caso das empresas, há desde multinacionais até loja de material de construção.

Em todos os casos, funcionários, diretores e até presidentes das companhias são réus no processo, exceto no caso da Globopar.

Por sinal, é o único em que foi registrado o furto do processo, já que a maioria das ações é por inserção de dados falsos no sistema da Receita Federal. O da Globopar é o processo com o maior valor registrado.

Cristina nega tudo e argumenta que a senha dela teria sido usada por outra pessoa.

Todos os processos estão acessíveis no site da Justiça Federal do Rio de Janeiro.

São os seguintes:

1 – 0006497-41.2012.4.02.5101

07ª Vara Federal do Rio de Janeiro

AÇÃO CIVIL PÚBLICA/IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA

Histórico: Cristina é acusada de adulterar o sistema e trocar o CPF de 12 pessoas que estavam com problemas no Serasa e ficaram com o crédito reabilitado. Entre as pessoas, há uma recepcionista terceirizada que trabalhava com ela na Receita.

2 – 0011843-12.2008.4.02.5101    

20ª Vara Federal do Rio de Janeiro

AÇÃO CIVIL PÚBLICA/IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA

Histórico: Desdobramento do processo acima. Também são réus dois homens que trocaram o número do CPF e abriram empresas fraudulentas com o CPF novo.

3 – 0013029-31.2012.4.02.5101     

02ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro

AÇÃO PENAL

Empresa beneficiada: Cor e Sabor Distribuidora de Alimentos

Histórico: Cristina é acusada de criar créditos tributários fictícios para a empresa, que usou para compensação fiscal. É uma empresa que fornece quentinhas para o Governo do Rio.

4 – 0027491-90.2012.4.02.5101     

08ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro

AÇÃO PENAL

Empresa beneficiada: TORRE DE PARIS MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO

Histórico: Cristina é acusada de criar créditos tributários fictícios para a empresa, que usou para compensação fiscal. Entre os réus está um advogado tributarista.

5 – 0802017-60.2007.4.02.5101   

01ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro

AÇÃO PENAL/PECULATO

Não há maiores informações sobre este processo

6 – 0803728-66.2008.4.02.5101     

02ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro

AÇÃO PENAL

Empresa beneficiada: Megadata Computações Ltda

Histórico: Cristina é acusada de criar créditos tributários fictícios para a empresa, que usou para compensação fiscal. Cristina alterou os dados de uma mulher deficiente física que pediu isenção de IPI para um pedido de habilitação de crédito e usou para criar os créditos para a empresa. A Megadata é uma empresa do grupo Ibope e realiza todo o processamento do seguro obrigatório (DPVAT) do país. Um dos réus é Homero Frederico Icaza Figner, presidente da Megadata. Ele é sócio de Carlos Augusto Montenegro.

7 – 0803937-35.2008.4.02.5101     

04ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro

AÇÃO PENAL

Empresa beneficiada: Banas Calçados e Componentes Ltda

Histórico: Cristina é acusada de criar créditos tributários fictícios para a empresa, que usou para compensação fiscal. A Banas é da cidade de Canindé, no Ceará.

8 – 0806856-31.2007.4.02.5101     

03ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro

AÇÃO PENAL

Empresas beneficiadas: Mundial S/A Produtos de Consumo, Forjas Brasileiras S/A, P&P Porciúncula e Globopar.

Histórico: Caso da Globo já revelado anteriormente.

9 – 0809204-22.2007.4.02.5101  

08ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro

AÇÃO PENAL

Empresa Beneficiada: Prevcor Ipanema S/A

Histórico: Cristina é acusada de criar créditos tributários fictícios para a empresa, que usou para compensação fiscal. A Prevcor é uma rede de clínicas de cardiologia no Rio de Janeiro. Eles usaram títulos da Eletrobras que estavam prescritos e com a ajuda de Cristina conseguiram habilitar o crédito de mais de R$ 600 mil.

10 – 0814243-63.2008.4.02.5101     

07ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro

AÇÃO PENAL/ESTELIONATO

Histórico: Não há dados disponíveis com detalhes da ação. O réu é o advogado tributarista Walmir Antonio Barroso, que possui um grande escritório no Rio de Janeiro.

11- 0814324-46.2007.4.02.5101   

04ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro

AÇÃO PENAL

Empresa beneficiada: Vicari Indústria e Comércio de Madeira

Histórico: Cristina é acusada de criar processo falso de habilitação de crédito tributário reconhecido por decisão judicial para compensação tributária. Este tipo de procedimento exige que a empresa apresente os documentos à Receita para o andamento do processo. No entanto, a empresa foi habilitada a compensar mais de R$ 4 milhões sem entregar nenhum papel. A Vicari é uma empresa de São Paulo que fabrica embalagens e pallets de madeira.

12 – 0814710-76.2007.4.02.5101     

01ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro

AÇÃO PENAL

Empresa beneficiada: Bem Nutritiva Comércio de Alimentos Ltda

Histórico: Cristina é acusada de criar créditos tributários fictícios para a empresa, que usou para compensação fiscal. A Bem Nutritiva é uma empresa de merenda que fornece para a rede pública de ensino do Rio de Janeiro. Um dos réus era sócio do Canecão.

13 – 00814711-61.2007.4.02.5101     

05ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro

AÇÃO PENAL

Empresa beneficiada: KRONES DO BRASIL LTDA

Histórico: Cristina é acusada de criar processo falso de habilitação de crédito tributário reconhecido por decisão judicial para compensação tributária. Ocorre que foi habilitado o crédito de uma empresa do Rio Grande do Sul para uma empresa de São Paulo em uma agência da Receita do Rio de Janeiro. Além disso, os créditos tributários de mais de R$ 8 milhões foram cedidos por uma pequena fábrica de sapatos de Sapiranga (RS), a Musa Calçados, para uma multinacional alemã, gigante no setor de embalagens para bebidas, a Krone. A legislação não autoriza este tipo de cessão. O presidente da empresa alemã, da empresa de calçados e Cristina são réus no processo.

14- 0814756-65.2007.4.02.5101     

07ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro

AÇÃO PENAL

Empresa beneficiada: AGRÍCOLA FERRARI LTDA

Histórico: Cristina é acusada de criar processo falso de habilitação de crédito tributário reconhecido por decisão judicial para compensação tributária. A Agrícola Ferrari é uma empresa de Passo Fundo (RS) produtora de milho de pipoca, entre outros produtos. Nesta ação, o Ministério Público federal informa que eles identificaram mais de 70 empresas que se beneficiaram do esquema fraudulento.

15 – 0817045-34.2008.4.02.5101     

02ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro

AÇÃO PENAL

Empresa beneficiada: Profarma Distribuidora de Produtos Farmacêuticos

Histórico: Cristina é acusada de criar processo falso de habilitação de crédito tributário reconhecido por decisão judicial para compensação tributária. A Profarma teria adquirido créditos tributários da empresa Artur Lange S/A, uma pequena indústria de cosméticos que fica em Turucu (RS). O dono da empresa, Manoel Birmarcker, presidente do Sindicato do Comércio Atacadista de Drogas e Medicamentos, foi absolvido. A Justiça entendeu que a culpa era dos consultores que ele contratou  – e de Cristina.

PS do Viomundo: *TC é experiente repórter investigativo que por enquanto prefere não se identificar.

Leia também:

Funcionária da Receita foi condenada por sumir com processo da Globopar

Rodrigo Vianna: Processo da Globo pode ter “bomba atômica”

Leia os documentos revelados pelo Cafezinho e o livro Afundação Roberto Marinho

Parceiros da Globo preocupados com o ato do dia 11 em São Paulo

O post Das empresas que funcionária da Receita envolveu em suas fraudes, só Globopar escapou de testemunhar na Justiça apareceu primeiro em Viomundo - O que você não vê na mídia.

20 Jul 00:27

Imagens do momento da prisão do manifestante @Rafucko mostram que PM forjou prova contra ele. Por isso delegada o liberou

by Antônio Mello
@Rafucko parece ser uma pessoa famosa, mas, até ontem, não sabia quem era, quando publiquei esta postagem aqui, em que @Rafucko conta que foi preso, que a PM forjou provas contra ele e que postaria mais tarde imagens de sua prisão para provar o que dizia.

Segundo narrou, quando preso, um PM pediu uma camisa vermelha/rosa que ele levava na mão, para ser usada como defesa ao gás lacrimogêneo. O PM teria ido até a "viatura" com a camisa e, em seguida, voltado com ela cheia de pedras portuguesas dentro, dizendo que ele as portava.

No vídeo postado hoje por @Rafucko fica claro que não havia nada na camiseta, muito menos uma boa quantidade de pedras. Repare nas imagens, que por várias vezes a camiseta passa voando diante da lente da câmera, deixando claro que jamais poderia estar cheia de pedras.

Por isso, a delegada o liberou, logo que ele lhe entregou a câmera com as imagens na delegacia. Infelizmente, a delegada não tomou a providência cabível, dar ordem de prisão aos PMs que levaram @Rafucko até ela, por forjarem provas.

Confira no vídeo:



Curiosa atitude da PM: forja provas para prender um manifestante, enquanto faz vista grossa para as depredações e os roubos praticados durante o protesto. Como isso não pode ser por vontade própria dos soldados, é certo que houve ordem superior.

Que ordem era essa e quem a deu? O comandante da tropa, o comandante da PM, o Secretário de Segurança ou o governador?

Qual o objetivo de deixar saqueadores impunes?

18 Jul 12:11

Remédios não dopam

by Letícia F.

Nunca mais escrevi sobre depressão, terapia, remédios. Estou bem, relativamente produtiva, com algumas recaidinhas de vez em quando, mas nada grave.

Sei, porém, que é um assunto que interessa grande parte das pessoas que aparecem por aqui.

Uma das coisas que mais me irritam quando se fala sobre remédio para transtornos é que existe um estigma de que eles vão te dopar. Que você vai se tornar alguém que você não é.

Repetir essa bobagem faz com que muita gente não dê continuidade aos remédios. Eu já caí nessa conversa. Perdi as contas das vezes em que abandonei tudo porque estava melhor, e “não precisava disso”. Me ferrei. Tive duas recaídas fortíssimas, uma das quais vocês acompanharam aqui no blog.

Como diz minha amiga Mariana Perroni, médica, ninguém questiona um diabético por usar insulina. Por que se questiona o depressivo (ou o bipolar, ou o ansioso) por tomar remédio?

Além de ser necessário superar tal preconceito, é indispensável ter um bom psiquiatra. Depois eu posso até dar umas dicas de como reconhecer um, mas hoje quer falar de algo que aconteceu ontem.

Marquei uma consulta meio de emergência com a minha médica. Eu sempre tive dificuldade para dormir, mas nos últimos dias estava impossível. Sexta-feira a minha melhor amiga faleceu. É este o motivo pelo qual eu sumi das redes sociais, parei de escrever nos blogs, etc. Estou absolutamente devastada e vazia. Um dia, em breve, escreverei sobre isso tudo, mas ainda não consigo.

Pois bem. Contei para a minha médica (que também é minha terapeuta) o que havia acontecido. Ela foi solidária, analisou a situação toda (fazendo perguntas e anotações), falou para eu sair com os amigos e me deu um abraço longo no fim da sessão.

No entanto, não me deu um remédio para me dopar. Mudou a medicação para dormir, como um teste, e pediu para eu voltar lá em breve.

Mas não me dopou.

Evidente que há situações em que é necessário passar calmante para quem está numa situação difícil. Mas isso não deve durar indefinidamente. Tem gente que toma ou receita rivotril como se fosse balinha tic tac. O rivotril é baratíssimo, e por isso mesmo muitos médicos e pacientes insistem no uso da medicação. Há uma cidade no interior de Minas Gerais em que o consumo do rivotril é muito alto; os médicos do sistema público o receitam indiscriminadamente.

Afinal, é mais fácil e mais barato mimetizar a felicidade do que fazer (ou oferecer, no caso dos planos de saúde e do sistema público) terapia.

Porque terapia leva tempo, em geral anos. E dói. Machuca, mesmo. Você precisa enfrentar seus demônios, quebrar paradigmas, enxergar verdades. Você vai melhorando, e a velocidade com que isso ocorre é muito diferente para cada um. Depende também do tipo de tratamento escolhido.

Mas as dores têm que ser sentidas. Elas não podem é ser maiores do que o normal, quando você está doente e seu corpo faz elas parecerem mais graves, como numa crise depressiva.

Eu, que estou em luto, preferia dormir e dormir e dormir e só acordar quando toda essa dor tivesse passado. No entanto, quando eu acordasse, ela estaria aqui – minha amiga não estaria ao meu lado e a saudade continuaria me dilacerando.

Por isso, minha médica não me passou qualquer calmante. Ajustou a medicação para dormir, para que eu possa ter noites tranquilas e, durante o dia, consiga trabalhar e produzir. O cansaço físico precisa ser eliminado, mas a emoção não deve ser escondida.

Um psiquiatra ruim me passaria um rivotril. Eu compraria por cinco reais, mais barato que uma coca cola de dois litros na loja de conveniência. A minha, em quem confio plenamente, disse “o luto tem que ser vivido”.

Ainda que seja meio bizarro usar as palavras “luto” e “vivido” na mesma frase, é exatamente isso que eu preciso. Chorar, me descabelar, falar sobre ela, lembrar do jeito que ela falava “Lapinhaaaaaaaa” ao me chamar. Ir processando as coisas, no meu tempo. Sentindo.

Remédios não são para dopar ninguém, exceto em situações especiais. Livrem-se desse preconceito. Desconfiem de médicos que apenas receitam medicamentos, sem indicar qualquer terapia ou mudança no estilo de vida. Cuidem-se.

Compartilhar

18 Jul 12:00

Obamacare Is the Right’s Worst Nightmare

by By PAUL KRUGMAN
Allan Patrick

Reforma na saúde de Obama vai, a partir do ano que vem, cortar pela metade a mensalidade dos planos de saúde.

Because it's going to work.
18 Jul 11:58

Paulo Candido sobre coxinhas de jaleco e seus cartazes sem noção: “Deve ser mesmo uma felicidade quase incontrolável, ser tão ignorante e tão insensível…”

by mariafro

Postei a foto abaixo no Facebook e aí entre muitos comentários indignados, selecionei o do Paulo Candido que  sintetiza toda a ojeriza que tenho de gente tão desrespeitosa como esses coxinhas corporativistas de jaleco branco.

Estou fazendo uma coleção dos cartazes mais preconceituosos, ignorantes e que retratam tão bem este corporativismo de gente que se orgulha de dizer que gastou muito em sua formação, mas foi incapaz de lustrar o espírito. Quem tiver por favor me envie links pela caixa de comentários.

Por Paulo Cândido

Olha como ele está feliz segurando sua faixa, faixa na qual ele iguala uma das parcelas mais mimadas da elite brasileira, quase sempre branca, quase sempre masculina, aos negros arrancados da África, amontoados em um porão de navio e desterrados no Brasil para o trabalho incessante, o estupro , a tortura e a morte.

Deve ser mesmo uma felicidade quase incontrolável, ser tão ignorante e tão insensível…


RS: Cerca de 400 médicos marcham pelas ruas de Porto Alegre em protesto contra o programa “Mais Médicos”.
Presidente Dilma Rousseff e prefeito da cidade, José Fortunati, viram alvos dos manifestantes: http://bit.ly/12TEAU6
(Foto: Daniel Boucinha / Futura Press)

17 Jul 10:02

O casamento de Dona Baratinha, duas mercedes, 22 multas, e a democracia que não chegou ao ponto de ônibus

by mariafro

Manifestação em casamento expõe sociedade fraturada

Por: Luciano Martins Costa Comentário para o programa radiofônico do Observatório, na edição 754

15/07/2013

Talvez tenha sido um dos menores, em número de participantes, na série de protestos que acontecem em cidades brasileiras desde junho, no rastro da campanha pela redução das tarifas de ônibus. Não mais do que sessenta pessoas se postaram diante da igreja do Carmo, no centro do Rio, para se manifestar durante a cerimônia de casamento de dois herdeiros de empresas de transporte público. No entanto, talvez tenha sido também o evento mais representativo da realidade perversa em que degenerou a democracia brasileira.

Como ocorre normalmente entre cariocas, tudo começou com brincadeiras e ironias, como a manifestante fantasiada de noiva, que distribuía baratas de plástico aos passantes. A noiva de verdade era a neta do empresário Jacob Barata, conhecido como o “rei dos ônibus” no Rio.

O relato dos jornais nesta segunda-feira (15), principalmente do Globo, é rico em detalhes [Aqui, o relato da colunista social Hildegard Angel]. A noiva, seu pai e o avô chegaram à igreja em duas Mercedes, que, segundo o jornal carioca, acumulam nada menos do que 22 multas desde 2010. A recepção aos cerca de mil convidados, realizada no hotel Copacabana Palace, teria custado R$ 2 milhões. A festa, que varou a noite, tinha um cantor famoso no palco, que era adornado por uma bandeira do Brasil.

Para qualquer observador, esse é o cenário que explica e justifica a onda de protestos que tem sua origem no problema da mobilidade urbana: de um lado, os usuários de ônibus; de outro, aqueles que acumulam fortunas indecentes com os serviços de má qualidade subsidiados por dinheiro público – e que não cumprem os mais básicos deveres da cidadania, como pagar multas de trânsito. A presença solene de uma bandeira nacional no palco de uma festa particular é a melhor representação de uma elite econômica privilegiada, cujos atos ofendem o senso comum das ruas, e que se sente proprietária do País.

A frase atribuída ao pensador britânico Samuel Johnson não teria melhor colocação: “o patriotismo é o último refúgio de um canalha”. Tanto na Inglaterra de 1775, quando Johnson se referia ao uso de falsos argumentos nacionalistas como justificativa para práticas contrárias ao interesse público, como no Brasil de 2013, a apropriação do patrimônio social é considerada por essa elite como direito sagrado.

As passeatas de protesto querem dizer o contrário.

Aviõezinhos de dinheiro

A imprensa cumpre seu papel ao relatar pontualmente os incidentes que se seguiram à cerimônia religiosa, mas não avança na descrição do pano de fundo desse confronto entre duas realidades: a dos controladores do transporte público e a dos usuários de ônibus.

O Globoapresenta, associada ao noticiário sobre o casamento e os protestos, uma reportagem que revela o poder econômico dos donos do transporte urbano no Rio, cuja contabilidade se caracteriza pela falta de transparência. Mas nada, no histórico recente dos jornais, indica que qualquer um deles terá apetite para avançar no esclarecimento do jogo de interesses que liga os empresários de ônibus e as autoridades que deveriam fiscalizar o funcionamento dessas empresas.

Um levantamento de como funciona o complexo sistema dos transportes urbanos explicaria a revolta dos jovens que saem às ruas pedindo o fim das tarifas. Pode-se também afirmar que a perversidade desse sistema justificaria até mesmo alguns atos de violência que simbolizam a revolta contra o cerceamento do direito de ir e vir, produzido pelo alto preço das passagens e pela precariedade dos serviços oferecidos à população.

As manifestações de junho puseram a nu uma realidade que vinha sendo ignorada ou omitida pela imprensa: a de que a maioria da população é refém de meia dúzia de empresários de um setor fundamental para o funcionamento das cidades, cujo poder é assegurado pela legislação que lhes permite financiar campanhas políticas.

A consciência desse poder perverso é que pode explicar a agressividade com que alguns convidados à festa da família Barata reagiram à presença de manifestantes na calçada em frente ao Copacabana Palace, na noite de sábado, 13.

Segundo contam os jornais, um dos convivas – apontado como parente da noiva – atirou do alto do edifício um cinzeiro de vidro, que feriu a cabeça de um jovem manifestante. Outros convidados lançaram sobre a multidão aviõezinhos feitos com notas de R$ 20.

Não poderia haver cena mais representativa da desigualdade que emperra o desenvolvimento da democracia no Brasil. Não faltam motivos para a imprensa e as instituições da República decidirem de uma vez por todas de que lado dessa sociedade fraturada pretendem se colocar.

***

Leia também

A democracia precisa chegar ao ponto de ônibus

15 Jul 11:55

Uma ideia mesmo perigosa

by noreply@blogger.com (João Rodrigues)

Nasci em Dundee, Escócia, em 1967 (…) A minha mãe morreu quando eu era muito novo e fiquei ao cuidado da minha avó. Cresci na pobreza (relativa) e por várias vezes fui para a escola com buracos nos sapatos. A minha educação foi, no sentido original da palavra, bastante austera. O rendimento familiar consistia num cheque do Estado, mais concretamente numa pensão de velhice, para além das ajudas ocasionais do meu pai trabalhador manual (…) Sou um filho do Estado-Providência e tenho orgulho neste facto. 

Actualmente, sou professor numa universidade da Ivy League norte-americana [Professor de Economia Política Internacional na Universidade de Brown, uma das universidades de elite dos EUA]. Sou um dos exemplos mais extremos de mobilidade intrageracional. O que fez de mim o homem que sou hoje é aquilo que é agora responsabilizado por ter gerado a crise: o Estado, mais especificamente o Estado-Providência descontrolado, ineficiente e paternalista. Este argumento não passa o teste da intuição. Devido ao Estado-Providência britânico, por muito frágil que fosse por comparação com os seus primos europeus mais generosos, nunca passei fome. A pensão da minha avó e as refeições gratuitas na escola garantiram-no. Tive sempre um tecto, graças à habitação social. As escolas que frequentei eram gratuitas e, na realidade, funcionaram, como escadas de mobilidade para aqueles a quem lotaria genética da vida deu, ao acaso, as capacidades para as subir. 

Por isso, o que me preocupa a um nível profundamente pessoal é que se a austeridade é vista como a única alternativa, então tal não é apenas injusto para a actual geração de trabalhadores que tem de salvar banqueiros, como o meu próximo “eu” pode não vir a existir. A mobilidade social que as sociedades britânica e norte-americana tomaram por adquirida, entre os anos 50 e 80, e que fizeram com que eu e outros como eu fossem possíveis, foi efectivamente interrompida (…) Cortar no Estado-Providência em nome do crescimento e da oportunidade é uma fraude ofensiva. O propósito deste livro é relembrar estes factos e garantir que o futuro não pertence apenas a uma minoria de privilegiados. Francamente, o mundo precisa que mais filhos do Estado-Providência se tornem professores. Isto faz com que o resto se mantenha honesto. [referências omitidas, minha  tradução do original em inglês]

Mark Blyth, Austerity – The History of a Dangerous Idea, Oxford, Oxford University Press, 2013, p. ix.

Uma das melhores justificações para escrever um livro e uma das melhores defesas do Estado-Providência que eu já li. Quem quiser um resumo dos argumentos de um livro que é indispensável traduzir num país destroçado por uma ideia perigosa, pode ler o artigo na Foreign Affairs e/ou ver este vídeo legendado. É sabido que a desigualdade socioeconómica e a mobilidade social emperrada andam juntas e que um Estado-Providência robusto é um dos melhores mecanismos inventados para igualizar em dimensões essenciais e para fazer com que nascimento não seja destino. Em Portugal podem contar-se histórias semelhantes, mas em número relativamente insuficiente. E Portugal é um dos países europeus onde, devido às políticas de austeridade apoiadas activamente por elites medíocres e subservientes, histórias deste tipo poderão ser ainda mais raras no futuro.
14 Jul 01:39

GLOBO E ALI KAMEL CONTRATAM OITO ADVOGADOS PARA ARRANCAR DINHEIRO DE BLOGUEIRO SUJO

by Cloaca News
Ao folhear o alentado libelo do processo movido pelo Diretor Geral de Jornalismo e Esporte da Rede Globo, Ali Kamel, contra o titular deste Cloaca News, causou espécie a verdadeira legião de causídicos mobilizada pelo demandante para tentar asfixiar o pobre diabo que escreve estas mal-traçadas.
Nada menos que oito (!!!) advogados foram constituídos pelo dirigente da corporação mafiomidiática com o propósito de subtrair da conta bancária do Cloaquinha aqui uma quantia que ultrapassa os 30 dinheiros (nem mesmo para defender a funcionária da Receita Federal que, à sorrelfa, fez desaparecer um processo de R$615 milhões o conglomerado convocou tantos rábulas: apenas quatro deles foram escalados para livrar Cristina Maris Meinick Ribeiro do xadrez). 
Para quem não sabe, a tropa de choque jurídica de Kamel é a mesma que atua nas causas judiciais da TV Globo Ltda.

13 Jul 00:28

o que sua empregada diria de você?

by alexcastro

charles clements, médico e missionário quaker norte-americano, visitou el salvador no começo da década de 80, durante a guerra civil. foi o pequeno trecho abaixo que inspirou a novela cães, do meu atual romance em andamento, cria da casa.

ao fazer sua pregação anti-violência aos guerrilheiros comunistas, eis o que clements ouviu de um deles:

vocês gringos estão sempre muito preocupados com a violência dos machetes e das metralhadoras. mas tem outras violências. trabalhei muitos anos em uma hacienda, cuidando dos cachorros do dueño. eu dava carne e leite pros bichos, comida que não podia dar para minha própria família. quando os cachorros ficavam doentes, eu levava pro veterinário. quando meus filhos ficavam doentes e morriam, o dueño me dava toda sua compaixão mas nenhum remédio.

you gringos are always worried about violence done with machine guns and machetes. but there is another kind of violence that you should be aware of, too. i used to work on a hacienda. my job was to take care of the dueño’s dogs. i gave them meat and bowls of milk, food that i couldn’t give my own family. when the dogs were sick, i took them to the veterinarian. when my children were sick, the dueño gave me his sympathy, but no medicine as they died.

11 Jul 13:36

Heloisa Villela: E você achou que era teoria de conspiração…

by Luiz Carlos Azenha

por Heloisa Villela, de Nova York

A variedade de programas de espionagem e a real dimensão dessa indústria, nos Estados Unidos, escapam ao poder de análise dos melhores especialistas. PRISM é o programa secreto de monitoramento de chamadas telefônicas e trânsito na internet denunciado pelo ex-funcionário terceirizado da Agência Nacional de Segurança (NSA), Edward Snowden. BLARNEY foi o projeto no qual Mark Kein, ex-funcionário da empresa de telefonia ATT tropeçou e também trouxe a público. Já o ECHELON preocupa a Europa há mais de uma década. Também administrado pela NSA, ele se encarrega de interceptar as conversas de indivíduos e representantes de empresas há anos. Funciona sob segredo absoluto.

Em 1999 o Parlamento Europeu encomendou um estudo e em julho de 2001 publicou todo o levantamento e as conclusões em um documento de 194 páginas.

Primeiro, confirmou que o ECHELON não era uma teoria de conspiração. Deixou claro, também, o relatório, que o programa não tem apenas interesses militares ou de segurança: “a prioridade é interceptar comunicações particulares e comerciais e não militares”.

Gestado durante a guerra fria, para espionar a União Soviética e os países do Leste Europeu, o ECHELON é uma acordo para coleta e análise de informações fechado, em 1948, por cinco países: Estados Unidos, Grã-Bretanha, Canadá, Austrália e Nova Zelândia. Por que a inclusão destes aliados na arapongagem? Para cobrir toda a área do globo terrestre. O ECHELON usa satélites espiões e estações terrestres de captação para interceptar “qualquer mensagem enviada por telefone, fax, internet ou e-mail, por qualquer indivíduo, e inspecionar seu conteúdo”, segundo o relatório do Parlamento Europeu.

Com o passar dos anos, o propósito inicial ficou para trás. No lugar de escutar as conversas dos ex-inimigos comunistas, o programa se dedicou mais e mais à espionagem industrial.

O estudo cita o caso da concorrência para a compra de um sistema de satélite para monitorar a Amazônia. Em 94, o Brasil se decidiu por uma empresa francesa, a Thomson-Alcatel.

Na época o então Presidente Bill Clinton reclamou. Disse que a empresa havia dado propina para conseguir o negócio e conseguiu reverter a situação.

O contrato acabou nas mãos da americana Raytheon, a mesma que fornece equipamentos para Sugar Grove, na Virgínia Ocidental,  a principal estação do programa ECHELON nos Estados Unidos. É o aparato de segurança cada vez mais a serviço dos interesses econômicos do país, uma simbiose que só se aprofunda.

O Parlamento Europeu ouviu testemunhas, como o ex-funcionário da NSA, Wayne Madsen. Ele confirmou a existência do ECHELON e disse acreditar que a prioridade do programa passou a ser levantar informações relevantes para a economia dos Estados Unidos, para favorecer as empresas do país. Ele também afirmou que a NSA tinha um arquivo com mais de 1.000 páginas sobre a Princesa Diana, porque ela fazia campanha contra as minas terrestres, o que contrariava os interesses dos Estados Unidos.

Fred Stock também deu depoimento. Ele trabalhou para o Serviço Secreto Canadense de onde disse ter sido expulso, em 1993, porque criticou a ênfase do trabalho na chamada inteligência econômica e no fato de muitos alvos da espionagem serem civis. Ele disse que na época eram interceptadas muitas informações a respeito de trocas comerciais, inclusive das negociações do Tratado de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA), além das compras chinesas de grãos e a venda de armas da França.

Mas como um programa só não dá conta de tanta sede de informação, vamos a outros.

Mark Klein foi funcionário da ATT por mais de 20 anos. Depois do onze de setembro de 2001, reparou uma movimentação estranha na sede da empresa em São Francisco. Uma sala secreta à  qual apenas um funcionário tinha acesso. Notou a visita surpreendente de um representante da Agência Nacional de Segurança. Tudo muito estranho…

Ele acabou descobrindo do que se tratava: com a conivência da ATT, a NSA instalou um “spliter” na fibra ótica da empresa em São Francisco para reproduzir toda a informação transportada por ela para uma segunda fibra, que desemboca nos computadores da NSA instalados na tal sala secreta.

Traduzindo em português claro, o governo duplicou a fibra para copiar o fluxo de informação e jogar tudo em computadores para armazenar e analisar. O que a fibra carrega? Toda a movimentação dos usuários da ATT na internet, na região de São Francisco. Mais adiante, Klein descobriu que o mesmo já acontecia em sedes da empresa em outras cidades do país.

Klein ficou calado alguns anos. Mas, eventualmente, e com muito esforço, trouxe o programa chamado BLARNEY à tona. Não foi fácil porque políticos e jornalistas queriam distância do assunto.

[Participe da campanha de assinaturas do Viomundo clicando aqui]

Nos bastidores, o governo Bush pressionava os diretores dos meios de comunicação e Klein quase foi parar na cadeia. O processo contra ele terminou em 2009 e ele não foi preso porque nunca divulgou documentos secretos. Apenas relatou o que viu pessoalmente. À PBS, rede pública de televisão, ele explicou porque se recusou a ser mero espectador dos acontecimentos.

“Eu me lembro da última vez em que isso aconteceu… Eu participei das passeatas contra a guerra (do Vietnã) quando elas eram ativas nos anos 60, e me lembro das violações e transgressões que o governo cometeu em nome de uma guerra que depois ficou provado que era errada, e muitos inocentes morreram. Estou vendo isso tudo acontecer novamente. Quando a NSA foi flagrada, nos anos 70, fazendo espionagem doméstica, foi um grande escândalo e por isso o Congresso passou a FISA (Ato de Monitoramento de Inteligência Internacional), lei que supostamente cuida disso”.

O FISA foi consequência dos desmandos do governo Richard Nixon, que usou o serviço de inteligência do país para espionar grupos políticos e ativistas de direitos civis, como o reverendo Martin Luther King, violando a emenda 14 da Constituição dos Estados Unidos. O FISA dá ao Congresso e ao Judiciário o poder de supervisionar as atividades de espionagem de líderes mundiais e de cidadãos norte-americanos. Por isso, o aparato de segurança é obrigado a informar os comitês de inteligência do Congresso, em sessões privadas, a respeito dos programas em andamento.

O avanço e a sofisticação da tecnologia, a promoção da paranoia pós-onze de setembro e o crescimento desenfreado do complexo serviço de espionagem desembocaram nos programas denunciados por Klein e Snowden. A revista Wired revelou que a NSA está construindo um grande centro de processamento de dados em Bluffdale, estado de Utah, para armazenar as informações coletadas pelo programa secreto BLARNEY.

Outro que não conseguiu se calar? William Binney. Ex-agente da NSA, onde trabalhou durante quatro décadas, ele pediu demissão em 2001 quando testemunhou, de perto, o que estava acontecendo. A desculpa de que era preciso usar todo e qualquer meio para combater o terrorismo justificou, segundo Binney, a construção de um sistema massivo para monitorar e gravar as comunicações via telefone e internet, dos cidadãos norte-americanos e de pessoas em todo o mundo. Ele diz que o serviço de inteligência justifica esse desrespeito às leis argumentando, junto ao governo e ao Congresso, que esta espionagem ampla é a única maneira viável de enfrentar e desbaratar grupos terroristas.

Em entrevista ao programa DemocracyNow, em 2012, ele foi bem claro. “É um argumento falso. Existe uma maneira simples de fazer isso, protegendo a privacidade das pessoas. Se você sabe de um terrorista e ele liga para alguém nos Estados Unidos, aí você tem um alvo e colhe informações e também investiga a pessoa nos Estados Unidos e as pessoas com quem ela se comunica”. A proposta dele é de uma investigação com um mínimo de inteligência e não uma coleta generalizada de dados.

O presidente Barack Obama defendeu o programa PRISM, denunciado por Edward Snowden, com a justificativa de sempre: é preciso abrir mão de parte da privacidade em nome da segurança. Garantiu que o governo não está ouvindo as conversas de ninguém. Pode ser. Mas está gravando e guardando. Pode ouvir a qualquer momento, por qualquer motivo.

Leia também:

Entidades médicas: Medidas de Dilma na saúde representam alto risco

Luciano Martins Costa: Médicos, solidariedade de classe e consciência social

Paulo Moreira Leite: O extremismo dos doutores

O post Heloisa Villela: E você achou que era teoria de conspiração… apareceu primeiro em Viomundo - O que você não vê na mídia.

11 Jul 11:38

“Eu agredi minha mulher publicamente e ainda quero que ela me defenda!”

by Letícia F.

Nigella Lawson é das minhas chefs favoritas. Na verdade, eu acho que só fiz uma receita dela, um cupcake de nutella. Mas eu adoro o jeito dela falar de comida. Super me identifico com o jeito guloso que Nigella come.

Recentemente ela esteve no Brasil e foi muito simpática nos eventos e também no Twitter ao falar da viagem. Infelizmente, Nigella voltou a ser notícia por aqui em junho (e pelo mundo) ao ser agredida fisicamente pelo marido Charles Saatchi num restaurante. O casal estava junto há dez anos.

Estava, porque a última novidade do caso é que Saatchi pediu o divórcio.

Com tantos casos de agressões a mulheres, por que falar de um episódio envolvendo gente branca, rica e que mora do outro lado do mundo? Porque as razões que fazem o Saatchi esganar a Nigella são as mesmas que atingem toda a humanidade: a violência como arma do patriarcado, e a noção de que se tem direito sobre o corpo da mulher.

É importante discutir a agressão a Nigella porque ela diz muito sobre nossa sociedade. Normalmente a violência doméstica é percebida como restrita às classes mais pobres, como eu mencionei no texto sobre a Luana Piovani na Carta Capital. E há desembargadores – pelo menos três – que acreditam que uma mulher rica não sofre violência de gênero. Esta visão elitista é muito preconceituosa, e faz com que mulheres com melhores condições financeiras se escondam e não denunciem as agressões sofridas.

Os desdobramentos da agressão à Nigella são muito tristes. Segundo a imprensa, a briga no restaurante teria acontecido porque Saatchi queria que o filho do primeiro casamento de Nigella se mudasse da casa deles. Que tipo de homem se coloca entre uma mãe e um filho? Bom, vários.

No último domingo, Saatchi comunicou que estava se separando da chef. Detalhe: sem avisá-la.

“Isso parte nossos corações, já que nosso amor foi muito profundo, mas no último ano nós nos desentendemos e nos afastamos. Sinto que claramente desapontei Nigella no último ano, e estou desapontado porque ela foi aconselhada a não fazer qualquer comentário para explicar que eu sou contra qualquer violência contra mulheres, e nunca a agredi fisicamente.”

MAS.É.UM.CARA.DE.PAU.

nigella-lawson-choked

 

Como mencionou no próprio comunicado à imprensa, Saatchi ficou irritado porque Nigella não o defendeu publicamente. Esta é nova: o cara bate na esposa e quer que ela coloque panos quentes na situação.

Ele está mais preocupado com a própria reputação do que com o fato de que ele agrediu uma mulher – a mulher que ele escolheu para estar ao lado dele. Fico sempre absurdada quando vejo agressores dizendo que a mídia está sendo injusta com eles. Nem precisamos ir tão longe; até nos círculos familiares esse tipo de conversa acontece. Eles ficam tão chateados!

Costumo dizer no Twitter e repito aqui: não quer ser visto como agressor de mulheres? É bem simples – basta não agredir.

UPDATE em 10/07/2013, às 17h24

Saatchi teve a cara de pau (de novo) de dizer que a Nigella também o esganou em algumas ocasiões. Mas é demais, viu?

The row photographed at Scott’s restaurant could equally have been Nigella grasping my neck to hold my attention – as indeed she has done in the past

Leia mais aqui 

Compartilhar

11 Jul 11:31

O que o Brasil pode aprender com os alemães sobre como lidar com sonegação e corrupção

by justicafiscal
O sigilo fiscal foi quebrado para que a sociedade soubesse quem é de fato o presidente do Bayern.   Até quando o sigilo fiscal é aceitável em casos de sonegação? Vejamos um caso notável ocorrido recentemente na Alemanha porque pode ser útil para encontrar a melhor maneira de lidar com o escândalo da Globo. O […]
10 Jul 22:31

LIMITAR-SE É SAIR PERDENDO

by lola aronovich
Dustin Hoffman, um dos maiores atores de sua geração, e sua epifania

Vocês que são jovens conhecem Tootsie (veja o trailer, sem legendas)? É uma comédia muito divertida de 1982 em que o Dustin Hoffman faz um ator com má reputação por ser reclamão. Ninguém mais quer trabalhar com ele. Até que, ajudando uma amiga e atriz (a impagável Teri Garr) a ensaiar pra uma vaga numa novela, ele se traveste de mulher e consegue o emprego. Mas faz da personagem dele na novela uma administradora feminista, o que não estava previsto no roteiro, cheio de personagens femininas bobonas. 
Dorothy Michaels (o nome da atriz que Dustin incorpora) se transforma numa sensação em todo o país. É tudo muito engraçado também porque, ao mesmo tempo que o personagem homem de Dustin se apaixona pela sua co-estrela na novela, Jessica Lange, o pai de Jessica se apaixona por Dorothy.
Tootsie foi um enorme sucesso na época. Foi indicado a dez Oscars e rendeu uma estatueta de coadjuvante pra Jessica Lange. E a bela música-tema "It Might Be You" embalou os anos 80. 
Aliás, o início da década de 80, pré-backlash (reação conservadora aos movimentos sociais), teve vários filmes feministas, como Vitor e Vitória, Como Eliminar seu Chefe, Silkwood, e Yentl, entre outros. Tootsie sem dúvida é feminista, não só porque mostra um homem que vira uma pessoa melhor ao ter que viver como mulher, mas por trazer várias discussões sobre gênero.  O nome "Tootsie", inclusive, é algo como "docinho", uma alusão a como homens poderosos tratam mulheres que eles julgam tão pouco importantes que nem se dignam a decorar o nome.
Recomendo fortemente que você veja (ou reveja) Tootsie. E se tudo isso não te convenceu, a comédia ainda tem um jovem Bill Murray como colega de apartamento do Dustin.
Mas não era sobre isso que eu queria falar. 
É que ontem uma leitora indicou um vídeo (pode também ser visto no YouTube) de não sei quando em que o Dustin Hoffman fala de Tootsie
A entrevista não tem legendas (opa, alguém já pôs legendas!), então deixe-me te situar. Primeiro Dustin fala de como quis fazer o filme pra responder à pergunta "Se vc tivesse nascido mulher, como vc seria diferente?". 
Durante os dois anos em que o projeto caminhava, Dustin foi até o estúdio pedir testes de maquiagem, pra que ele descobrisse se realmente passaria por mulher -- se não passasse, não faria o filme (a maior parte dos críticos não acha que Dustin é bem sucedido: ele sempre parece o Dustin Hoffman tentando se passar por mulher). Mas ele jura que andou pelas ruas de Nova York vestido de Dorothy Michaels e ninguém suspeitou que fosse um homem em drag.
Só que, segundo ele, depois dessa primeira conquista, ele queria ser mais atraente como mulher. E os maquiadores disseram sinto muito, só vai até aí, você não vai ficar mais bonita que isso. Ele conta que nesse momento teve uma epifania, começou a chorar, foi pra casa e contou pra esposa que tinha que fazer o filme. Por quê? 
Diz ele: "Eu acho que sou uma mulher interessante quando me olho na tela, mas eu sei que se eu encontrasse comigo numa festa, eu nunca falaria com ela, porque ela não se enquadra fisicamente nos padrões que somos levados a pensar que as mulheres devem ter para que nós a convidemos para sair. Há muitas mulheres interessantes que não tive a experiência de conhecer nessa vida porque sofri lavagem cerebral. Isso nunca foi uma comédia pra mim". 
Bonito, né? Penso que ele se comove por vários motivos: por vaidade, já que não conseguiu virar uma mulher bonita, por sentir empatia pelo que passam as mulheres fora do padrão de beleza (ou seja, 90% da população feminina?), e por ter sido condicionado a só achar atraentes mulheres fisicamente atraentes, e assim ter perdido oportunidades de conhecer um monte de mulheres interessantes. 
Imagino que isso vale pra mulher que também deixa de querer conhecer uma mulher por ela não ser bonita. Outro dia um rapaz contou que fizeram uma pesquisa num campus de uma universidade pública no Estado de SP. Lá os apartamentos para estudantes são separados. Perguntaram pros rapazes qual o tipo de colega com o qual eles não gostariam de dividir o quarto, e a resposta mais ampla foi: com um gay (homofobia não existe, imagina). E as meninas, o que elas responderam? Que não queriam dividir o quarto com uma gorda. Acredite se quiser. Isso, claro, não é só preconceito como também discriminação. 
Isso de mulheres héteros deixarem de querer conhecer um carinha só por ele não ser bonito pode acontecer? Pode, mas é bem diferente. Primeiro que mulheres ainda são avaliadas quase que exclusivamente pela sua aparência física (o importante, mesmo que ela seja a presidenta, é que seja linda e jovem sempre), enquanto homens tornam-se ou não atraentes por muitos outros motivos -- e não estou pensando no velho clichê machista de "ter carro", e sim em qualidades como ser divertido, ser competente, ser inteligente etc. 
Depois que o padrão de beleza pra homens ainda está longe de ser bem delimitado. Só os caras muito, muito atrasados intelectualmente (oi, mascus!) acham que mulher gosta apenas de homem musculoso (eu particularmente conheço muito mais meninas que acham o corpo do Schwarzegger feio que bonito).
O outro motivo é que a maior parte das meninas acredita em amizade entre homens e mulheres, enquanto os meninos... Bom, foram eles que inventaram o termo friendzone
O que quero dizer é que mulheres costumam considerar outros tipos de relacionamento, não só o sexual. Não quero generalizar; tenho certeza que muitos homens também permitem se envolver com mulheres para relacionamentos não-sexuais, e acho que quando Dustin Hoffman fala em perder oportunidades de conhecer mulheres interessantes, ele não está falando só em termos sexuais. 
O fato é que limitar opções é sair perdendo. E vivemos num mundo que, desde o começo, pela insistência mercadológica de estabelecer padrões, nos ensina a limitar. Então eis meus vinte centavos: eu sugiro sempre o que deve parecer óbvio para qualquer pessoa minimamente sensata -- treine seu olhar pra uma beleza mais abrangente. E perceba que a atração visual não é a única forma de atração, pois temos outros sentidos além da visão (por exemplo, Lisa, a segunda -- e atual, desde 1980 -- mulher de Dustin, tem uma empresa de beleza que lida com fragrâncias). 
Abrir a cabeça é sempre uma boa pedida. E é melhor ter sua epifania quando jovem que aos 40, caso do Dustin.

Em vez de procurar a pessoa bonita na foto, por que não achar todas bonitas?
10 Jul 22:17

Ruth Ciarlini é “apresentada” à máquina de ponto

by Carlos Santos

Está espalhado por Natal, como vírus, um cartaz-adesivo (veja nesta pastagem) que atinge em cheio a governadora Rosalba Ciarlini (DEM).

Cartaz ironiza situação de irmã de Rosalba: privilégio

De autoria do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde do RN (SINDSAÚDE), o cartaz tem foto de uma máquina de ponto eletrônico, exigência do Governo do Estado no segmento da Saúde, que mistura sarcasmo e crítica.

“Muito prazer, Ruth Ciarlini” – diz o título. O texto suplementar abaixo da foto da máquina lembra denúncia que pipocou em maio deste ano, com destaque neste Blog (Aqui), sobre a ex-deputada estadual, ex-vice-prefeita e irmã de Rosalba, Ruth Ciarlini.

Plantões

“A irmã da governadora recebeu por 16 plantões em um mês, sem aparecer no Hospital Tarcísio Maia, em Mossoró. O diretor é seu cunhado” – lembra o cartaz.

“Nós batemos o ponto. Apuração independente, já” – complementa o Sindsaúde.

O Governo do Estado, pressionado por mais esse escândalo, anunciou sindicância para apurar a denúncia.

O RN aguarda seu resultado. Sindicância foi anunciada há quase dois meses AQUI.

Vale ser lembrado, que a ex-deputada também apareceu com remuneração na Assembleia Legislativa, onde também não é vista.

10 Jul 21:44

Therapy

by Doug

Therapy

Here’s more therapy.

10 Jul 17:11

Senado não tem interesse em mudar situação de suplentes

by Daniel Dantas Lemos
O Senado rejeitou projeto que reduziria número de suplentes.
A notícia, conforme publicada no UOL, está aqui.
Claro que os senadores não tinham interesse em um projeto assim.
Além da negociação política, os suplentes fazem parte da negociação financeira das campanhas.
A Operação Sinal Fechado, no RN, mostrou o suplente João Faustino (PSDB) arrecadando recursos para a campanha do senador José Agripino (DEM).
Além disso, normalmente há um acordo para que o suplente assuma o mandato em algum período nos oito anos que ele dura.  Você deve se lembrar que no fim da legislatura anterior, Ximbica assumiu o mandato de Agripino e o próprio Faustino, que era suplente de Garibaldi, assumiu o mandato do agora ministro.
Por isso, sem a devida atenção e pressão popular, não mudaram essa legislação.
10 Jul 14:46

O que o Brasil pode aprender com os alemães sobre como lidar com sonegação e corrupção

by Diario do Centro do Mundo
O caso exemplar do presidente do Bayern de Munique. Até quando o sigilo fiscal é aceitável em casos de sonegação? Vejamos um caso notável ocorrido recentemente na Alemanha porque pode ser útil para encontrar a melhor maneira de lidar com o escândalo da Globo. O presidente do Bayern de Munique, Oli  Hoeness, foi pilhado pelo
10 Jul 12:27

City Walks – Manhattan Parks Quintet

by gehl architects
Allan Patrick

Pedestres do mundo, uni-vos!

Helle Søholt took part in the Urban Parks Summit at NYU last summer (2012). Now a public television series called ‘City Walks’ has been produced using some of the footage and interviews from the Summit. City Walk is a unique six-part series that reveals the way walking is transforming cities across America, and in the process, re-connecting us to our bodies, our civic values and public space. Manhattan Parks Quintet includes an interview with Helle and many other exceptional speakers, as well as a visual tour of Manhattan’s favorite neighborhood parks, organized by Urban Parks Conference: Washington Square Park, Union Square Park, Madison Square Park, Bryant Park and Times Square. Lear more here!