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28 Feb 15:42

O escandalismo

by Rui Tavares

“A democracia precisa de inteligência, e a inteligência necessita de condições de inteligibilidade. A escalada de agressão não nos acorda. Pelo contrário, deixa-nos anestesiados. Depois de já não sentirmos os socos, o que mais se seguirá?”

Vi a semana passada uma coisa que me chocou. Era um mero anúncio de campanha política, realizado para uma eleição primária num partido ecologista andaluz, em que o candidato aparecia como que amarrado a uma cadeira, de tronco nu e com uma luz apontada à cara, imitando um interrogatório policial ou uma cena de sequestro. De cada vez que o candidato dizia uma verdade sobre a situação na Andaluzia, levava um soco.

Reparem: em teoria, eu não teria grande desacordo com as palavras que eram ditas, com o tipo de eleições a que se destinava o anúncio, e poderia até admitir que houve imaginação na realização dele. O que me perturbou foi outra coisa: será que estamos já tão anestesiados pelo excesso de estímulos, pelo abuso do efeito de choque, que a tendência para a degradação da mensagem política é inevitável? O autor do vídeo teve, evidentemente, milhares de visualizações na internet e partilhas nas redes sociais, e desse ponto de vista  ideia foi um sucesso. Mesmo uma menção numa crónica como esta constitui, é claro, um prolongamento a contra-gosto da longevidade do dito vídeo. O problema é o que isso nos diz sobre as possibilidades da democracia neste ambiente.

O problema nos socos, fictícios, que levava o protagonista do filme, está nos socos reais que leva a nossa inteligência quando a política começa a ser feita desta maneira. Ora a democracia precisa de inteligência, e a inteligência necessita de condições de inteligibilidade. A escalada de agressão não nos acorda. Pelo contrário, deixa-nos anestesiados. Depois de já não sentirmos os socos, o que mais se seguirá?

Em tempos de crise, não há como não nos escandalizarmos. Há, por todo o lado, verdadeiros motivos para tal. A diferença relevante está entre o escândalo verdadeiro que sentimos por ser humanos, e a manutenção e prolongamento artificial de um estado de excitação permanente a que eu chamaria o escandalismo. Às vezes ele serve os nossos propósitos, ou os dos nossos adversários, mas acaba desservindo a todos.

O escandalismo é resultado de uma leitura errónea da democratização da imagem e da palavra e da globalização da internet. Hoje as pessoas têm acesso a mais informação, a mais pontos de vista e a mais possibilidades de verificação de factos do que nunca. Ignorando essa verdade, o escandalismo prefere gritar aos sentidos do que falar às inteligências. O escandalismo acredita que as pessoas só podem ser captadas pelos instintos mais básicos. Isso não é verdade — mas a crença basta para tornar o próprio discurso mais básico. A única mensagem que fica é: olhem para mim!

Numa crónica de há muitos anos chamei a este período uma “crise de complexidade”, e disse que ela poderia levar dois tipos de resposta: a simplicidade inteligente (a democracia, o civismo, a paz, a cooperação) ou a simplicidade estúpida (a demagogia, a agressividade, o racismo, o conflito). Este tipo de sinais levam-me por vezes a temer que a janela para a simplicidade inteligente se possa, um dia, fechar.

(Crónica publicada no jornal Público em 09 de Setembro de 2013)

29 Nov 16:05

http://abrupto.blogspot.com/2013/10/o-desprezo-pelos-manifestantes-da-cgtp.html

by JPP
O DESPREZO PELOS MANIFESTANTES DA CGTP 

Uma coisa que mostra como quem está do lado do poder não percebe (ou melhor não quer perceber), o que está a acontecer em Portugal, é o modo como exibem um racismo social com os manifestantes da CGTP, tão patente nos comentários à saga da ponte. Pode não ser deliberado, mas sai-lhes do fundo, naturalmente. Os filhos dos comentadores e opinadores podem ir às manifestações dos “indignados”, que são aceitáveis, engraçadas e chiques, e que tem muita cultura e imaginação, mas nenhum irá às da CGTP. Eles “são sempre o mesmo”, ou “mais do mesmo”, eles são “pouco criativos” que insistem em fazer manifestações “que não adiantam nada”. Eles são “os feios, os porcos e os maus”. 

http://ephemerajpp.files.wordpress.com/2013/10/dsc_4706.jpg Os manifestantes da CGTP não são da classe social certa, não ambicionam ir tomar chá com Ricardo Salgado, ou ir comer aos restaurantes da moda, não são frequentáveis e, ainda pior, não se deixam frequentar. Têm, muitos deles, uma vida inteira de trabalho e de muitas dificuldades. Tem um curso, uma pós-graduação e um doutoramento em dificuldades. São velhos, um anátema nos nossos dias. Tiveram ou tem profissões sobre as quais os jornalistas da capital não sabem nada, foram corticeiros, mineiros, soldadores, torneiros, mecânicos, condutores de máquinas, pedreiros, ensacadores, motoristas, afinadores, estivadores, marinheiros, operários têxteis, ourives, estofadores, cortadores de carnes, empregados de mesa, auxiliares educativos, empregadas de limpeza, etc., etc. Foram e são cozinheiros e cozinheiras em cantinas, e não chefs. E foram ou são, professores, funcionários públicos, enfermeiros, contabilistas. 

 Este desprezo social é chocante quando é feito por quem tem acesso ao espaço público e que trata os portugueses que se manifestam, - e, seja por que critério, são muitos, pelo menos muitos mais, muitíssimos mais dos que estariam dispostos a vir para rua pelo governo, – como uma “massa de manobra” do PCP, que merece uma espécie de enjoo distanciado, umas ironias de mau gosto e um gueto intelectual. Façam vocês o que fizerem, “não contam”. Vocês são umas centenas de milhares, vocês são “activistas” e por isso se vêem muito (quem não se vê nada são os do “outro lado”), mas “não contam” para nada. Existirem ou desaparecerem é a mesma coisa, nenhum dos “de cima” se pode ou deve preocupar convosco. Votam em partidos anacrónicos, têm hábitos plebeus, vão fazer campismo de férias, fazem excursões organizadas pelas autarquias, jogam a sueca, as mulheres passam-se pelo Tony Carreira e todos acham que tem direitos. Vejam lá, imaginem lá o abuso, acham que tem direitos… Eles são os maus portugueses, os que estão de fora do “arco governativo”, os que não percebem o "estado de emergência financeira", aqueles cujos "interesses" bloqueiam o nosso radioso empreendedorismo.

 Tudo isso é verdade, e tudo isso é mentira. Estes portugueses fora de moda e fora das modas, pelo menos tem o enorme mérito de sentirem um agudo sentimento de injustiça, eles que sabem mais da vida real, concreta, vivida do que todos os seus críticos juntos. Não é a eles que se pode dar lições de trabalho, nem de esbanjamento, nem de perseverança, nem de sacrifício. Pode-se discordar deles, mas merecem respeito. Pelo que foram, pelo que são e porque não se ficam.
14 Nov 10:19

El templo de los otakus/frikis – Kanda Myojin

by Kirai
Pedro.A

Templo no Japão dedicado à malta da anime/manga.

A cinco minutos caminando desde Akihabara, el barrio de la tecnología y el frikismo de Tokio, se encuentra el templo sintoísta Kanda Myōjin (Google Maps). A simple vista parece un templo de lo más normal pero si entramos…

Kanda

Kanda

En la zona donde venden omamori お守り (Protectores) me encuentro con este omamori especialmente creado para los trabajadores de la industria de información y tecnología. Uno de sus poderes es proteger tu ordenador ante cualquier ataque de virus. Normalmente los omamori que venden en cualquier templo sintoísta son para proteger ante la enfermedad, evitar accidentes de tráfico o traer buena suerte en los estudios. El omamori para aparatos electrónicos es único de Kanda Myōjin.

Kanda
Omamori de Kanda Myōjin especial para aparatos electrónicos con un diseño que se asemeja al de un chip.

En la zona de ema (絵馬) también se nota la influencia del barrio vecino de Akihabara. Normalmente en las tabletas de madera ema escribes un deseo y la dejas colgada en el templo. Aquí me encontré con que casi todas las ema tenían un dibujo de algún personaje de anime, manga o videojuego junto al deseo ¡Algunos de los dibujos son superdetallados!

Kanda

Kanda

Kanda

Kanda

Kanda

Kanda

Kanda

Kanda

Kanda

Kanda

Kanda

Kanda

Kanda

Kanda

Kanda

Kanda

Kanda

Kanda

Kanda

Kanda

Kanda

Hablé más sobre este templo en un programa de la NHK World que podéis ver aquí (tres minutos de video en inglés).

14 Nov 09:56

Eat This Book

by Michael Lieberman

sandwich book

Polish graphic designer and photographer Pawel Piotrowski satisfies our book hunger with his Sandwich Book, a delectable selection of yummy designs carved and colored to perfection!

sandwich book1

 

sandwich book2

 

sandwich book3

 

sandwich book4

In case you haven’t got your fill here’s the full spread:

sandwich book5

Piotrowski Design.

14 Nov 09:53

Dar aulas... ou recebê-las?

by Malomil
 
 
 
 
 



Universidade de Brown
Fotografias de Onésimo Teotónio de Almeida






O meu seminário “On the Dawn of Modernity” é para mim uma fonte de prazer, mesmo ao fim de tantos anos. Os cento e cinquenta minutos passam num ápice.

Nestas últimas semanas, uma hora é destinada a apresentações dos alunos, sobre temas por eles escolhidos, relacionados com o assunto central do curso e abrindo para outros não cobertos pelas leituras mas que eles investigam de acordo com sugestões minhas e consoante os interesses de cada um.

Dá gosto ver aquele desfile de calouros meia-hora diante dos colegas usando de equipamento electrónico e exibindo uma presença plena de à-vontade, revelando saber falar em público, expondo ideias de modo estruturado e com clareza e vivacidade. As escolhas vão desde o contributo árabe para a ciência, Roger Bacon e a experiência, Leonardo da Vinci cientista, até, por exemplo, à questão do não desenvolvimento das ciências na antiga China.

Desta vez, as duas apresentações menos conseguidas foram de dois alunos chineses, educados na China e portanto nada habituados a intervir nas aulas, e muito menos a dar uma lição diante dos colegas. Num caso específico, o Yichao parou a meio e assim ficou, imóvel, em silêncio, a olhar fixamente para o computador. Deixei-o por um bocado a ver como se desembaraçava, até que, às tantas, ele se voltou para mim: Professor, não estou convenientemente preparado. Posso fazer a minha apresentação para a semana?

Ora eu sabia que ele estava extremamente bem preparado. O Yichao tinha lido quatro livros - dois além dos que eu sugerira - e trocara e-mails comigo sobre eles. Por isso respondi-lhe: Não, Yichao. Se eu lhe der mais uma semana, você vai por-se a ler mais livros e vai dispersar-se ainda mais num mar de dados. O que você precisa é de calma e descontração.E comecei a fazer-lhe perguntas directas, a que ele foi respondendo magnificamente, revelando estar altamente informado e ter ideias muitíssimo claras.

Horas depois, chegou-me um e-mail dele a agradecer a lição de pedagogia.

Bom, mas o curso tem-me proporcionado o habitual prazer de presenciar o entusiasmo da rapaziada com, por exemplo, o Canto V d’ Os Lusíadas (em inglês, claro, pois nenhum dos alunos fala português). O mesmo na semana passada com um estudo do historiador holandês R. Hooykaas sobre os roteiros de D. João de Castro (em vez dos próprios roteiros, como eu teria preferido, pois privilegio a leitura de fontes primárias, mas nenhum está traduzido em inglês). Hoje, quando abri o debate sobre o relato de Antonio Pigafetta da viagem de Fernão de Magalhães, todos queriam falar ao mesmo tempo. O entusiasmo deles era deveras contagioso. Tinham, como sempre, lido tudo e os comentários saltavam-lhes incontidos. Para o Oliver, a leitura foi pelo menos tão gostosa como a de As Viagens de Gulliver. O Michael acrescentou: É um autêntico clássico! E o Sean pegou na deixa: Sim, um clássico. É a Odisseia, mas com a diferença de que o herói morre.

É por estas e por outras que não me quero reformar.
 
 
 
Onésimo Teotónio de Almeida
 
 

 

 

 




11 Nov 13:49

Interiores gitanos.

by Malomil


























O Pedro é amigo enorme e antiquíssimo, que mora no outro lado do mundo. De lá, mandou-me estas imagens do fotógrafo italiano Carlo Gianferro. Interiores ciganos. Não é intenção do fotógrafo, nem desta mostra do seu trabalho aqui no Malomil, ridicularizar o povo cigano e a sua evidente atracção pela exuberância. Pelo contrário, com isto combate-se a xenofobia, fotografando pessoas orgulhosas do sucesso que alcançaram na vida – e desejosas de o exibir perante todos de forma feérica. Kitsch? Sem dúvida. Mas muita cor e muita alegria, sobretudo. O mundo é um lugar bem-disposto.   
 
António Araújo
 

 







07 Nov 10:09

Para Vós, Contribuintes.

by Malomil
 
 
 
 
 
O imposto é o contributo de cada um

Defraudar o Estado é Desrespeitar um Príncipio Moral
(Dai a César o que é de César)

Tem menos prepcupações e sobressaltos

FAÇA CADA UM PERIÒDICAMENTE UM EXAME À SUA CONSCIÊNCIA CÍVICA


PRIMEIRA TENTATIVA DE INDUSTRIALIZAÇÃO DO PAÍS



Para lhes evitar despesas inúteis e severas sanções.

Inteiramente GRATUITAS

Respeitando O ANONIMATO dos que a ele recorrem

e sempre sem quaisquer formalidades ou impressos

... atenuar a visão unilateral dos Serviços Fiscais

Para tornar conhecidas possíveis
faltas de funcionários menos zelosos.

A SUGESTÃO: Pode ser escrita em qualquer papel.

afixada num «placard» quando seja anónima


Utilizando-o, Permitireis Aperfeiçoá-lo!

 
 
 

 
 
 

07 Nov 09:52

O Funcionário de Finanças.

by Malomil







O ANTIGO BUROCRATA
... homem inútil que se comprazia em multiplicar formalidades...

 
O FUNCIONÁRIO DE 1940
 
... não tem horas de serviço, porque são todas...
... tem o espírito de justiça e o amor do povo.
 


 
O FUNCIONÁRIO DE 1964
... respeita a verdade; não tem de ser severo nos modos porque é firme nos princípios...
... está ao serviço do bem comum.

 
 
 
 
 
 
04 Nov 10:37

4,000 Years of Human History

by bspcn
04 Nov 10:35

how i feel when women talk to me about colors..

by bspcn

03 Oct 12:16

O outro Sousa Tavares.

by Malomil


 


 







Há canalhas invejosos que dizem que o sucesso de Miguel Sousa Tavares se deve apenas ao apelido que ostenta, que a sua carreira foi feita à conta de ser filho do Tareco e da Sophia. Outros, com ciumenta maldade, não compreendem que alguém de bom senso tenha publicado o inenarrável Show Me Rio, de Rita Sousa Tavares, onde esta moça, filha de Miguel, alinhava meia-dúzia de linhas com tiradas originalíssimas, tais como: «a minha pátria é a língua portuguesa». Dizem mal, caluniam. Tudo inveja, o pior dos pecados.

Ora aqui temos outro Sousa Tavares. Este, coitado, enfrentou um destino diferente: não medra, não progride, não sucede no sucesso. Em suma, não sai da cepa torta. Nuno de Sousa Tavares. Digno de figurar na rubrica Perguntais, e muito bem: quem é este marreco?, que já dedicámos a outro cromo parecido, o Chagas Freitas. Este marreco Nuno, atenção, é um escritor. Escritor no sentido em que escreve letras que formam palavras, e palavras que, quando colocadas umas a seguir às outras, formam frases. Frases que formam parágrafos e por aí adiante. Mas, mais do que isso, Nuno de Sousa Tavares é um ficcionista. Com desarmante candura, afirma que começou a escrever porque alguém lhe disse que «tinha algum jeito para criar enredos». Com algum jeito ou sem ele, o certo é que já conta e canta com mais de meia-dúzia de romances, todos completamente escritos.   


Nuno de Sousa Tavares faz tudo o que mandam as regras do sucesso. Criou até um siteoficial: http://www.nunotavares.com/. E o que tem ele lá no site oficial? «O site de Nuno de Sousa Tavares é o sitio do escritor onde os visitantes podem desfrutar de histórias completas e originais». Belo. Indo ao site do bicho podereis desfrutar, portanto, de histórias originais e, além disso, de histórias completas, o que, convenhamos, é muito prático. Então, porque não desenvolve públicos, não conquista audiências? As capas dos livros são apelativas, estimulantes. Os títulos, muito promissores, desde o ascético O Que o Dinheiro Não Compra até ao lamuriento latino Nunca Neva no Meu Aniversário, passando pelo manual de engate Deixa Que o Amor Seja a Tua Energia ou o pouco cómodo Dançando no Violino. Acham foleiros os títulos? Olá, Madrugada Suja não é propriamente uma beleza... Aliás, em matéria de títulos, Miguel Sousa Tavares não é bem literatura, é mais assim um compêndio de Ciências Geográfico-Naturais do 7º ano unificado. Na bibliografia de MST há um deserto (No Teu Deserto, 2010) e, consequentemente, um oásis (Um Nómada no Oásis, 1994). Há linhas imaginárias (Equador, 2003) e pontos cardeais (Sul. Viagens, 2004). Em matéria fluvial, dois rios e respectivos afluentes: O Segredo do Rio, de 2004, e o Rio das Flores, desaguado em 2007. Nesta cosmogonia de banalidades, deparamos também com um planeta (O Planeta Branco, 2005) e com um continente inteiro, tingido a negro (Ukuhamba. Manhã de África, 2010). E quanto a foleirismo? Não Te Deixarei Morrer, David Crockett… estamos conversados. Pois é, se tivesse sido este Nuno a publicar Não Te Deixarei Morrer, David Crockett, estava tudo no gozo, e até blogues idiotas como Malomil iam meter-se com o desgraçado do rapaz. Mas, como é o Miguelito Andresen, que fala para o mundo com aquele ar altivamente enfastiado de quem acabou de fazer uma colonoscopia, aí tudo se perdoa, tudo se desculpa. Tudo se explica e justifica. Injustiças... A vida é madrasta, Nuno, muito madrasta. Mas tu não ligues: força aí, homem, força nisso. Continua a dar na escrita. Grande abraço.
 
 
António Araújo
  
 
03 Oct 12:06

Os Impossíveis duma Solteirona, de Luísa-Maria Linares.

by Malomil
 
 
 
 
 

 
 
 
Escolha o seu título favorito entre:

O Meu Inimigo e Eu

Salomé, a Magnífica

Um Marido a Preço Fixo

Adoro-te… mas nem sempre!

Casamento por Incidente

Os Impossíveis duma Solteirona

E Partiu… sem Destino!

Esta Semana Chamo-me Cleópatra

Escola para Novos Ricos

Sílvia não Crê no Amor

Napoleão Chega no «Clipper»

Em Poder do Barba Azul


25 Sep 09:03

António Ramos Rosa (1924 - 2013)

by João Lopes
É uma das figuras centrais na história da poesia portuguesa do último meio século: António Ramos Rosa faleceu no dia 23 de Setembro, no Hospital Egas Moniz, em Lisboa, vitimado por uma pneumonia — contava 88 anos.
Desde O Grito Claro (1958), publicou uma obra vastíssima que inclui títulos como Ocupação do Espaço (1963), A Construção do Corpo (1969), Boca Incompleta (1977), O Incêndio dos Aspectos (1980) ou Volante Verde (1986) — a coabitação cúmplice de palavra e silêncio, a par de uma delicada e dedicada atenção à sensualidade dos corpos, são linhas de força que poderão ajudar a definir uma obra que se distingue pela precisão clínica das estruturas formais.

A Festa do Silêncio

Escuto na palavra a festa do silêncio.
Tudo está no seu sítio. As aparências apagaram-se.
As coisas vacilam tão próximas de si mesmas.
Concentram-se, dilatam-se as ondas silenciosas.
É o vazio ou o cimo? É um pomar de espuma.

Uma criança brinca nas dunas, o tempo acaricia,
o ar prolonga. A brancura é o caminho.
Surpresa e não surpresa: a simples respiração.
Relações, variações, nada mais. Nada se cria.
Vamos e vimos. Algo inunda, incendeia, recomeça.

Nada é inacessível no silêncio ou no poema.
É aqui a abóbada transparente, o vento principia.
No centro do dia há uma fonte de água clara.
Se digo árvore a árvore em mim respira.
Vivo na delícia nua da inocência aberta.

in Volante Verde

Natural de Faro, no começo de Setembro, tinha doado à autarquia da cidade o espólio relativo ao percurso académico e literário. Entre as muitas distinções que recebeu, incluem-se o Prémio P.E.N. Clube Português de Poesia (1980), o Prémio Pessoa (1988) e o Prémio Jean Malrieu, para o melhor livro de poesia traduzido em França (1992)

>>> Obituário no Diário de Notícias.
>>> Blog de António Ramos Rosa.
23 Sep 09:33

Waiting.

by Malomil
 
 
 














Há uns dias, o jornal «i», que com boa frequência tem reportagens giraças, dava notícia do projecto do fotógrafo norte-americano Ted Spagna, levado a cabo por de 1975 até 1988. Depois, em 1989, morreu o fotógrafo, mas por cá deixou um livro, chamado Sleep, mostrando casais, adultos sós e crianças na placidez do sono. Um dos princípios-base do Malomil é demonstrar que o Ocidente há muito se despediu da originalidade: não há nada que se faça que não tenha sido feito antes, ou refeito depois. Daí a obsessão maníaca, quase tara, com recriações e pastiches. Tudo isto para dizer que há uma fotógrafa russa, a Jana Romanova, que às tantas deu por si rodeada de amigas grávidas. O que para qualquer um seria um tormento social, para Romanova foi um pretexto artístico. Vai daí, fotografou vários leitos de grávidas, por volta das 5 ou 6 da madrugada, concluindo uma série de imagens a que chamou Waiting. Todas as futuras mães tinham entre 20 e 30 anos, ou seja, pertenciam à última geração dos tempos soviéticos, ponto que Romanova diz ser relevante. Esta é, de facto, a geração que acabou em 1989, ano da morte de Ted Spagna. Os que vão nascer verão o mundo com outros olhos, não necessariamente mais esperançosos. Waiting está patente, ao que parece, nos Encontros da Imagem, no Mosteiro de Tibães. Outra coisa estranha da cultura ocidental é eu saber o que se passa em Braga através de uma notícia da Slate, mas enfim.
 
 
António Araújo 
 







11 Sep 10:34

http://abrupto.blogspot.com/2013/08/early-morning-blogs-2351-i-am-patient.html

by JPP
EARLY MORNING BLOGS  


2351

"I am patient with stupidity but not with those who are proud of it. "

(Edith Sitwell)
22 Aug 17:01

Snapping Tina's Wedding: Paparazzi Turn to Drones

Pedro.A

Para quem ainda não estava convencido de os drones serem instrumentos do Demo ;)

When Tina Turner got married at her estate in Switzerland over the weekend, she wanted to keep paparazzi away. But photographers used drones and other aircraft to get the exclusives they needed. The battle for pictures is increasingly moving into the airspace.
22 Aug 08:20

Preferred Chat System

If you call my regular number, it just goes to my pager.
20 Aug 08:48

Photo

Pedro.A

Say what?



14 Aug 12:56

Future Comics: Boulet’s The Long Journey

by Beat Staff

boulet the long journey

by Serhend Sirkecioglu

Boulet is awesome, nuff said. The French cartoonist is very popular in his home country, and his amazing 24 hour comic published here by AdHouse as Noirness has begun to get him a well deserved US following.

If you’re not reading his stuff already, here’s a comic of all kinds of awe to begin with. The Long Journey is a scroll comic that’s a pixelated style of a cynical and dream-like self reflection through the mind of Boulet as he goes deeper and deeper into an atmospheric world of absurdities and wonder. Dinosaur eating Nazis, technically herbivorous demons, and a make out session with a mermaid just flow seamlessly into one another as Boulet effortlessly shifts from falling amongst the sky and clouds, diving into the abyssal plain and wandering amongst a pastoral field of orange cabbages. You can’t help but want to listen to some music as you read this (which I’m gonna try out as I read it again) comic—the pacing suggests a rhythmic quality and it’s no surprise coming from such a great cartoonist.

I attribute the success of this comic to Boulet knowing what actually works in terms of “future” webcomics and doing it well. The three element of webcomics that work are scrolling, gifs, and to a lesser extent rollovers. The reason is that these are the simplest and most accessible forms of interactions people comprehend on the internet (just look at Tumblr and Vine’s success). I cringe when I see motion comics and fully animated panels because the time and energy (not to mention money) put into them exceeds and contradicts the off-the-cuff and “good enough” nature of cartooning. We spend enough time drawing, writing, and lettering; programming and animation is pushing our limits and too many hands on a comic.

My rant aside, there’s no excuse not to read The Long Journey; just sit back, scroll, and enjoy.

31 Jul 09:44

In the Frame: Support

by Tom Humberstone

Click to zoom into a larger image

26 Jul 08:32

14 segundos de um comboio a descarrilar

by João Lopes
Nas páginas do New York Times pode encontrar-se o video da câmara de vigilância que registou o terrível acidente de Santiago de Compostela. Faz-se click e acedemos aos 14 segundos de imagens em movimento [ver no final deste post].
O mesmo video está, evidentemente, disponível em sites de órgãos de informação de todo o mundo. São raros os que dão a ver as imagens com esta secura do NYT. Na maior parte dos casos, antes das imagens surgem anúncios (nalguns casos com cerca de 30 segundos de duração). Em sites de diversos países, antes daqueles 14 segundos, encontrei publicidade a:

* uma ligação à Net
* uma companhia aérea
* uma instituição de crédito
* uma pasta de dentes
* um desodorizante

Não se trata de sugerir que alguns jornais ou canais de televisão são "mais", outros "menos", sensíveis à tragédia em Espanha. O que importa reter não tem a ver directamente com esta notícia, mas com o enquadramento de muitas notícias. A saber: o poder normativo das percepções correntes pela publicidade triunfa para além dos conteúdos informativos. No limite, já não temos espaços informativos que inserem publicidade, mas sim mensagens publicitárias que, de vez em quando, se suspendem para deixar passar as notícias.
Sou dos que pensam que a publicidade é um fascinante domínio criativo (e, se provas são necessárias, alguns posts deste blog, ao longo dos anos, atestam-no sem equívoco). O certo é que isso não me impede de pensar também que, não poucas vezes, os jornalistas se demitiram de avaliar o modo como a publicidade pode tomar o poder sobre as configurações das mensagens que produzem e publicam — não lidar com tal problemática é, implicitamente, desvalorizar o valor primordial da prática jornalística.

19 Jul 11:10

We've All Been There

We've All Been There

Comic by: Unknown (via Muzzling)

Tagged: computers , internet , skynet , funny
19 Jul 11:10

There Are Messages Hidden Everywhere

17 Jul 13:04

Bruce Lee a promover... whisky

by João Lopes
É verdade: 40 anos passados sobre o seu falecimento, Bruce Lee ressuscitou para promover... o whisky Johnny Walker. Depois do anúncio dos chocolates Galaxy com Audrey Hepburn, o episódio acrescenta mais um capítulo (deprimente!) à história corrente da manipulação digital das imagens e, no limite, do próprio conceito de memória.


É verdade que o making off do anúncio está recheado de estimulantes curiosidades. E não tenhamos dúvidas que, com os herdeiros do herói cinematográfico das artes marciais, foram acautelados todos os problemas legais e morais que a produção podia envolver. Mas o que importa questionar não são nem as fascinantes potencialidades das mais modernas tecnologias, nem as circunstâncias jurídicas que envolveram esta ou aquela campanha...
O que está em jogo é esse continuado efeito de desgaste material e simbólico: a partir deste tratamento do passado como algo que apenas existe através das suas "reconversões" mais ou menos espectaculares, o que desaparece são os próprios padrões (imagens, neste caso) a partir dos quais se torna possível construir alguma memória. Assim, já não há memória, nem sequer redescoberta — apenas um fluxo de mensagens em que Bruce Lee a patrocinar whisky ou uma lagartixa transformada em astronauta a caminho de Júpiter... tudo é possível. Sendo o possível apenas o gesto imberbe de quem já não se dá tempo (nem dá aos outros) para, realmente, contemplar uma imagem.
Enfim, esperemos que a controvérsia não se dissipe, nem sequer digitalmente. Até porque, como alguns fãs não têm deixado de recordar (eles, ao menos, têm memória), Bruce Lee não bebia álcool... Cheers!
12 Jul 00:09

Back in Time: Russian Agency Seeks Typewriters for Secret Documents

Pedro.A

Muito fixe, gosto do espírito da coisa.

With the NSA spying scandal still making headlines, a Russian paper reports that agencies in that country have turned to typewriters to help keep their documents secret.
09 Jul 17:30

Do More, Faster: The Consequences of Accelerated Modern Life

Faster! Faster! Even Faster! The phenomenon of acceleration is a defining characteristic of modern life. A new book analyzes how it fuels a constant need for new experiences and a counterintuitive shortage of time.
05 Jul 16:11

Newswire: Lou Reed really, really likes the new Kanye West record

by Marah Eakin
Pedro.A

Se até o Lou Reed diz bem, quem são vocês para dizer mal? :)

Freshly stocked with a brand-new (to him) liver, Lou Reed has found something new by which to be intoxicated. The former Velvet Underground frontman has written a lengthy and exceedingly glowing review of Kanye West’s Yeezus for The Talkhouse. In the almost 2000-word piece, Reed describes West as not just merely talented but almost otherworldly, saying, “No one’s near what he’s doing,” and that West’s work isn’t “even on the same planet.” He goes on to say that West is “seriously smart” and that Yeezus is both “majestic and inspiring.” Reed also admits that, not only did he get literal goosebumps from listening to the record “over and over,” the “melody the strings play at the end of ‘Guilt Trip’” was so “un-fucking believable” that it actually made him cry.

The whole review provides a pretty interesting look at Reed’s current musical savvy, in ...

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05 Jul 16:08

Great Job, Internet!: Daft Punk getting their own action figures

by Kayla Reed
Pedro.A

Quero.

If Daft Punk’s comeback hasn’t been big enough, the duo will soon have their own action figures. The figures, sold separately, will hit North America on December 27. The tiny Thomas and Guy each stand 6-inches tall and were crafted under the duo’s own scrutinous eyes. They're modeled after Daft Punk’s Random Access Memories look, sporting tiny leather jackets with tiny helmets (which is way cooler than those Tron dolls that came out a couple of years ago) and seven sets of interchangeable hands. These are recommended for ages 15+; sorry kid Daft Punk fans. More photos and info are available here.

via Consequence of Sound

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04 Jul 12:26

Buzludzha.

by Malomil
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         Fiquei intrigado com estas imagens logo a primeira vez que as vi. A semelhança com a nave espacial dos Encontros Imediatos de Spielberg poderá parecer demasiado óbvia, mas foi ela que de imediato me acorreu ao espírito. Depois, lembrei-me da sala de congressos do Partido Comunista da China, por causa de outra semelhança – também ela, demasiado óbvia – entre a estrela vermelha na cúpula e esta foice e o martelo debruados com as palavras «Proletários de Todos os Países do Mundo, Uni-vos!». Quer aqui, quer na China, os símbolos dominam, a partir do tecto, um vasto espaço colectivo, edificado para grandiosos manifestações de aparato. Quando investiguei o que se tratava, lembrei-me dos Spomenik jugoslavos, de que já falei aqui no Malomil. Neste caso, porém, a marca do brutalismo arquitectónico é mais visível e acentuada.

         Estamos perante a Casa do Partido Comunista da Bulgária, um ovni colocado perto do Monte Buzludzha. Situa-se a 1441 metros acima do nível do mar, num dos mais inóspitos lugares das montanhas dos Balcãs. Basta dizer que «Buzludzha» (ou «Buzluca») significa literalmente «gelado» ou «glaciar». Porquê ali? Porque foi ali, ou nas imediações, que se travou uma das mais sangrentas batalhas entre russos e turcos, quando 2.500 russos e 5.000 voluntários búlgaros derrotaram um exército de 38.000 otomanos. Desde então, a Bulgária, um território que estivera sob dominação otomana durante cerca de cinco séculos, encontrou uma nova fidelidade, com contornos de subserviência. Instaurado o comunismo da grande Rússia,  a história das relações entre búlgaros e soviéticos é conhecida. E agora, num tempo em que tanto se fala de soberania, será interessante recordar que, na Bulgária, as aulas começavam pela manhã com os alunos a entoarem o hino… russo. Convém também recordar um dado importante: fora ali, no Monte Buzludzha que, após a Bulgária ter declarado a independência em 1891, que os socialistas revolucionários começaram a reunir-se em encontros secretos. A escolha deste lugar prende-se, portanto, com a vitória sobre os otomanos e com os alvores do comunismo búlgaro. Por isso lá está, em lugar de destaque, a figura de Dimitar Blagoev (1856-1924), a quem se atribui a paternidade intelectual do comunismo na Bulgária, o mesmo acontecendo a Georgi Dimitrov (1882-1949), que dirigiu o país entre 1946 e 1949.

Ao fim de vários anos de abandono, o monumento colossal começa a dar sinais de ruína. Há quem pense restaurá-lo, para atrair turistas ocidentais que gostem de viagens-aventura pelas memórias do comunismo. No entanto, os custos estimados dos trabalhos de reparação são de tal forma elevados que, muito provavelmente, um dia a Casa do Partido Comunista virá abaixo. Os ladrões começaram por levar bocados do telhado, com isso expondo o edifício às intempéries e ao tempo agreste que caracteriza aquela região do centro da Bulgária. Os custos de demolição também são incomportáveis. Ou seja: a Bulgária pós-comunista não tem meios, materiais e imateriais, de lidar com o seu passado recente. Não consegue restaurar como não consegue demolir a Casa do Partido. A ausência é, sobretudo, de vontade – de vontade política. E é isso que torna esta ruína tão intensamente simbólica e expressiva. Se quisessem mesmo recuperar o edifício, restaurando os ornatos do materialismo-dialéctico, certamente haveria dinheiro para o fazer. De igual modo, se a intenção fosse a destruição completa do singular monólito, também não faltaria engenho nem engenhos para o fazer – basta pensar nos Budas arrasados pelos talibãs. Dinheiro não faltaria, caso a opção fosse clara. Como, aliás, não faltou verba para edificar este monstro de betão, inaugurado em 1981, graças a donativos «espontâneos» de altos funcionários do Partido e a muito trabalho «voluntário» (é melhor manter as aspas em «espontâneos» e em «voluntário»). A torre tem 107 metros e, na fachada, encontram-se inscritas palavras da Internacional. Num site dedicado a este monumento, um daqueles inquéritos online, perfeitamente idiotas, sobre quem deveria participar no restauro: o Governo? O Partido Socialista da Bulgária? O povo búlgaro? Organizações não-governamentais? Ninguém avança.

         Enquanto isso não ocorre, alguém escreveu na entrada: FORGET YOUR PAST. Isto em 1991. Em 2012, alguém escreveu no interior: DON’T FORGET YOUR PAST. É esta ambivalência entre esquecimento e recordação que, no fundo, explica o actual estado do monumento. Semidestruído, mas ainda vivo.
 
 
António Araújo


 
 
 
 
 
 








 
 
 
 






 
 


 
 
 
 
 
 
 
 
 
04 Jul 10:50

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