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30 Jun 09:10

Presidente do União Brasil, Antonio Rueda, é advogado contratado por magnata da mineração

by Alice Maciel

O presidente do União Brasil, Antonio Rueda, defende na Justiça a empresa de um magnata da mineração em uma disputa por área rica em minério de ferro no distrito de Camargos, em Mariana (MG). A Cedro Participações, controlada por Lucas Kallas, passou a ser representada pelo escritório de Rueda em fevereiro deste ano.

O processo que o escritório Rueda & Rueda atua se arrasta há cerca de cinco anos e trata de um terreno explorado pela companhia desde 2022, embora a posse da área ainda não tenha sido reconhecida legalmente. A empresa do dirigente do partido tem sede no Recife e tem como sócia a irmã do político, a advogada Maria Emília de Rueda, tesoureira nacional do União Brasil.

Rueda e Kallas transitam no mesmo círculo político-empresarial em Brasília e ambos frequentam eventos do grupo de lobby Esfera Brasil – do qual Kallas é membro desde fevereiro de 2024. A organização reúne empresários e autoridades públicas influentes.

Por que isso importa?

  • A transparência sobre a aproximação e negócios entre lideranças políticas e empresas privadas é uma das formas de um sistema democrático buscar garantir que o bem estar coletivo se sobressaia em relação aos interesses individuais.

O União Brasil ocupa três ministérios no governo federal: Turismo (Celso Sabino), Comunicações (Frederico de Siqueira Filho) e Integração e Desenvolvimento Regional (Waldez Góes). A federação que o partido formou com o PP, oficializada em abril, tem a maior bancada na Câmara dos Deputados e, juntas, as siglas têm seis governadores e 1,3 mil prefeitos. A aliança começou a ser costurada em 2022 com o deputado federal Arthur Lira (PP/AL), com quem Rueda negociou gado, como já mostrou a Agência Pública.

Procurado, Antonio Rueda destacou, por meio de nota, que a atuação de seu escritório de advocacia “é guiada exclusivamente por critérios legais e técnicos, com absoluto respeito à ética profissional e total independência em relação a atividades político-partidárias eventualmente exercidas por qualquer de seus integrantes”.

Segundo ele, o Rueda & Rueda atua “há anos” em direito minerário e ambiental e “a contratação por parte da Cedro Participações ocorreu em um contexto jurídico e técnico anterior ao ano de 2018, quando nenhum de seus sócios exercia cargo de direção partidária”. Conforme informações da Receita Federal, a holding, no entanto, foi fundada por Kallas em junho de 2018.

Placa da Cedro Mineração em Mariana (MG), com detalhes da licença de lavra. A empresa está ligada ao caso em que o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, atua como advogado do magnata da mineração.
Rueda & Rueda, do presidente do União Brasil, Antônio Rueda, afirma que relação com o Grupo Cedro é anterior a 2018, mas assumiu caso de disputa de terra em Minas Gerais apenas em fevereiro de 2025

A Pública questionou o motivo de o Rueda & Rueda só ter entrado no caso envolvendo a disputa de terras em Mariana em fevereiro de 2025, se, segundo o dirigente, há relação jurídica e técnica com o Grupo Cedro há mais de sete anos. Em levantamento realizado nos tribunais de Minas Gerais – onde estão a companhia e suas minas – a reportagem não localizou outra ação em que a empresa é representada pelo escritório. Não houve resposta sobre os fatos até o momento, nem ficou esclarecido o período em que o contrato entre ambas foi firmado.

A Cedro reforçou à Pública que “a contratação do escritório Rueda & Rueda, deu-se com base em critérios técnicos e trata-se de uma atuação em esfera estritamente privada, sem qualquer motivação de natureza política”.

Integrante do Conselhão que assessorou o governo Lula sobre desenvolvimento econômico, Lucas Kallas vive momento de rápida expansão dos negócios, com projetos estruturantes milionários em Minas e no Rio

Lucas Kallas e uma costura fina que envolve negócios e política

Kallas tem ampliado suas conexões políticas desde que passou a integrar o Conselho de Desenvolvimento Econômico Sustentável da Presidência da República, por indicação do ministro de Minas e Energia, o também mineiro Alexandre Silveira (PSD/MG). O “Conselhão” foi criado em 2023 para assessorar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) “na formulação de políticas e diretrizes destinadas ao desenvolvimento econômico social”.

A rápida expansão dos negócios do fundador da Cedro tem chamado atenção. Em outubro de 2024, ele conseguiu autorização da Agência Nacional dos Transportes (ANTT) para construir o primeiro ramal ferroviário privado do país — 26 km na Região Metropolitana de Belo Horizonte – e, em fevereiro de 2025, assinou o contrato de concessão de um terminal portuário no Porto de Itaguaí (RJ). Com isso, passará a controlar infraestrutura logística que pode escoar minério por dois meios.

O empresário também ganhou holofotes na imprensa ao virar alvo de investigação da Polícia Federal (PF) por suspeita de envolvimento em um esquema de extração ilegal de minério de ferro na Serra do Curral, em Belo Horizonte, que teria contado com a colaboração de servidores da Agência Nacional de Mineração (ANM).

Funcionários de carreira, Leandro Cesar Ferreira de Carvalho, que era gerente regional do órgão em Minas Gerais, e o então superintendente substituto de segurança de barragens de mineração, Claudinei Oliveira Cruz, foram exonerados após a operação da PF em abril, sob a suspeita de “peculato, corrupção e/ou advocacia administrativa”.

A assessoria de imprensa da Cedro Participações informou à Pública que Lucas Kallas “nunca teve qualquer relação com os servidores da ANM citados”. “Lucas foi indevidamente incluído nessa nova investigação relacionada a fatos ocorridos principalmente nos anos de 2023 a 2025, quando já estava afastado há 8 anos do quadro de investidores, mas confia que tudo será oportunamente esclarecido nas vias adequadas”, acrescenta.

Área de exploração da Cedro Mineração em Mariana (MG), com máquinas e veículos no canteiro de obras. O presidente do União Brasil, Antonio Rueda, é advogado de um dos empresários do setor.
Área do Tesoureiro Macacos, em Mariana, segue em disputa litigiosa mas já está sob exploração da empresa Cedro, que obteve outorga da ANM, após deliberação de funcionários da agência exonerados após uma investigação da Polícia Federal

Área sem propriedade esclarecida já está em exploração

A área conhecida como Tesoureiro Macacos, ocupada hoje pela Cedro em Mariana, é alvo de uma ação de usucapião desde 2010, movida por Genielzio Messias Pereira, que diz ser dono do terreno desde janeiro de 2000, por meio de contrato de compromisso de compra e venda. A disputa envolve também Marco Antonio Amorin, que alega ter adquirido a área em 2015, também por meio de contrato de compra e venda. Até o momento, não há sentença que reconheça a posse ou a propriedade do imóvel rural.

O Código da Mineração (Decreto n.º 9.406/2018) estabelece que, na ausência de acordo com o proprietário do solo, os trabalhos de pesquisa ou lavra só podem ser iniciados mediante depósito prévio de indenização em juízo. A legislação permite a exploração em área de domínio privado, mas condiciona a atividade ao pagamento de renda pela ocupação e à reparação de eventuais danos ao proprietário ou posseiro.

A ANM informou à Pública, por meio de nota, que não é de sua competência buscar soluções de conflitos existentes entre minerador e superficiário, ou de questões relativas ao contrato firmado para uso e ocupação do solo. Segundo o órgão, conflitos de natureza privada são discutidos no âmbito do poder judiciário.

À frente de cargos de gestão na própria ANM, em Minas Gerais, Leandro Carvalho e Claudinei Cruz atuaram diretamente no processo que resultou na outorga concedida à Cedro Participações, em setembro de 2021, para exploração da área sob disputa em Mariana. A agência destacou que, de acordo o artigo 73 do Código da Mineração, “as informações trazidas aos autos de processo minerário são de inteira responsabilidade da titular e do profissional legalmente habilitado que constar como responsável técnico”.

Um ano depois da outorga, o empresário Marco Antonio Amorin — que reivindica a posse do terreno ocupado pela Cedro — informou à ANM que a área é alvo de litígio possessório e contestou a informação prestada pela Cedro, de que seria a proprietária do imóvel. Novas reclamações foram encaminhadas à agência em setembro de 2023 e abril de 2025 e só tiveram retorno em maio deste ano, com a resposta de que a nova gerente regional, Luciana Cabral Danese, “encaminhou os autos para análise da Divisão de Fiscalização de Lavra daquela unidade”.

Funcionários da ANM foram exonerados após investigação da Polícia Federal e agência atribui apenas a eles a responsabilidade a respeito de informações prestadas em autos de processos minerários em que eles estiveram envolvidos

Sobre a impugnação apresentada por Amorin, a ANM informou que após a leitura do último documento, não aprovou o pedido de servidão requerido pela Cedro Mineração juntamente com requerimento de alteração de plano de aproveitamento econômico. “Os requerimentos foram analisados com publicação de exigências. Em 6 de maio de 2025, o processo foi despachado para análise do cumprimento das exigências publicadas, mas devido à grande demanda do setor, o processo está aguardando análise”, acrescentou.

O empresário também questiona o licenciamento ambiental concedido à Cedro pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais (Semad). Segundo sua denúncia, parte da área oferecida como compensação ambiental, além de estar em litígio, se sobrepõe ao direito minerário de sua empresa, a Rio Abaeté.

Em resposta a Amorin, a pasta reconheceu que a titularidade do terreno “não está claramente definida”, mas sustentou que isso “não interfere” no processo de licenciamento, pois a Cedro apresentou documentação e informações sobre as ações judiciais em andamento. “Não cabe ao órgão ambiental manifestar-se acerca da natureza da posse”, argumentou o órgão em janeiro de 2024. A reportagem procurou a Semad, mas não obteve resposta até o momento.

A Cedro Participações informou que suas operações seguem “licenças e exigências ambientais e minerárias”, que “não há qualquer irregularidade ou impedimento legal quanto à realização de compensações ambientais sobre áreas com sobreposição a direitos minerários de terceiros” e que “áreas de compensação ambiental podem ser relocadas mediante autorização”.

16 Dec 16:14

AI’s emissions are about to skyrocket even further

by James O'Donnell

It’s no secret that the current AI boom is using up immense amounts of energy. Now we have a better idea of how much. 

A new paper, from teams at the Harvard T.H. Chan School of Public Health and UCLA Fielding School of Public Health, examined 2,132 data centers operating in the United States (78% of all facilities in the country). These facilities—essentially buildings filled to the brim with rows of servers—are where AI models get trained, and they also get “pinged” every time we send a request through models like ChatGPT. They require huge amounts of energy both to power the servers and to keep them cool. 

Since 2018, carbon emissions from data centers in the US have tripled. For the 12 months ending August 2024, data centers were responsible for 105 million metric tons of CO2, accounting for 2.18% of national emissions (for comparison, domestic commercial airlines are responsible for about 131 million metric tons). About 4.59% of all the energy used in the US goes toward data centers, a figure that’s doubled since 2018.

It’s difficult to put a number on how much AI in particular, which has been booming since ChatGPT launched in November 2022, is responsible for this surge. That’s because data centers process lots of different types of data—in addition to training or pinging AI models, they do everything from hosting websites to storing your photos in the cloud. However, the researchers say, AI’s share is certainly growing rapidly as nearly every segment of the economy attempts to adopt the technology.

“It’s a pretty big surge,” says Eric Gimon, a senior fellow at the think tank Energy Innovation, who was not involved in the research. “There’s a lot of breathless analysis about how quickly this exponential growth could go. But it’s still early days for the business in terms of figuring out efficiencies, or different kinds of chips.”

Notably, the sources for all this power are particularly “dirty.” Since so many data centers are located in coal-producing regions, like Virginia, the “carbon intensity” of the energy they use is 48% higher than the national average. The paper, which was published on arXiv and has not yet been peer-reviewed, found that 95% of data centers in the US are built in places with sources of electricity that are dirtier than the national average. 

There are causes other than simply being located in coal country, says Falco Bargagli-Stoffi, an author of the paper and Assistant Professor at UCLA Fielding School of Public Health. “Dirtier energy is available throughout the entire day,” he says, and plenty of data centers require that to maintain peak operation 24-7. “Renewable energy, like wind or solar, might not be as available.” Political or tax incentives, and local pushback, can also affect where data centers get built.  

One key shift in AI right now means that the field’s emissions are soon likely to skyrocket. AI models are rapidly moving from fairly simple text generators like ChatGPT toward highly complex image, video, and music generators. Until now, many of these “multimodal” models have been stuck in the research phase, but that’s changing. 

OpenAI released its video generation model Sora to the public on December 9, and its website has been so flooded with traffic from people eager to test it out that it is still not functioning properly. Competing models, like Veo from Google and Movie Gen from Meta, have still not been released publicly, but if those companies follow OpenAI’s lead as they have in the past, they might be soon. Music generation models from Suno and Udio are growing (despite lawsuits), and Nvidia released its own audio generator last month. Google is working on its Astra project, which will be a video-AI companion that can converse with you about your surroundings in real time. 

“As we scale up to images and video, the data sizes increase exponentially,” says Gianluca Guidi, a PhD student in artificial intelligence at University of Pisa and IMT Lucca and visiting researcher at Harvard, who is the paper’s lead author. Combine that with wider adoption, he says, and emissions will soon jump. 

One of the goals of the researchers was to build a more reliable way to get snapshots of just how much energy data centers are using. That’s been a more complicated task than you might expect, given that the data is dispersed across a number of sources and agencies. They’ve now built a portal that shows data center emissions across the country. The long-term goal of the data pipeline is to inform future regulatory efforts to curb emissions from data centers, which are predicted to grow enormously in the coming years. 

“There’s going to be increased pressure, between the environmental and sustainability-conscious community and Big Tech,” says Francesca Dominici, director of the Harvard Data Science Initiative, Harvard Professor and another coauthor. “But my prediction is that there is not going to be regulation. Not in the next four years.”

16 Jun 18:12

06/16/13 PHD comic: 'More Wisdom from my 3 Year Old'

Piled Higher & Deeper by Jorge Cham
www.phdcomics.com
Click on the title below to read the comic
title: "More Wisdom from my 3 Year Old" - originally published 6/16/2013

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28 Mar 22:26

Vídeo traz a versão dos vizinhos do Itaquerão

by admin

A equipe da Grão Filmes, produtora audiovisual vizinha da Pública na Casa de Cultura Digital, inspirou-se nas histórias da Comunidade da Paz publicadas no Copa Pública e foi a Itaquera, na zona Leste de São Paulo, ouvir os moradores sobre as transformações que os atingem, provocadas pelas obras da Copa – é ali que está o estádio programado para receber a abertura do megaevento.

A ideia do video produzido a partir de horas de conversas com os moradores – e que você pode assistir ao final dessa matéria – é ampliar o debate público em torno das decisões que afetam os habitantes de São Paulo, como a questão habitacional.

Alice Riff, uma das sócias da Grão, explica: ”Estamos acompanhando a preparação do país para receber a Copa e vendo que, ao invés de usar esse evento para obras que tenham como objetivo amenizar as desigualdades sociais e territoriais, quem tem se favorecido são apenas as construtoras. A Copa tem passado por cima das comunidades, de pequenos comércios, do Museu do Índio na semana passada no Rio, e tudo às custas de dinheiro público.”

Sobre o que mais marcou a equipe durante a visita, Alice diz:
“Para todos os moradores que conversamos, a Copa assim tão próxima não é a solução dos problemas, mas agora eles tem um certo poder para negociar. Viver sem segurança, sem água, sem luz e sem saneamento básico é a realidade destas famílias há anos, e esses problemas sempre foram ignorados. Mas como agora eles representam um obstáculo para a Copa, para o Parque Linear Rio Verde e para o Polo Institucional de Itaquera, de alguma maneira, a situação terá que ser resolvida. E há articulação política por parte da comunidade para conseguir o melhor para eles. Propor um plano urbanístico alternativo ao oficial (c0m0 eles fizeram) mostra a clareza dos moradores em relação aos seus direitos.”

O blog Copa Pública é uma experiência de jornalismo cidadão que mostra como a população brasileira tem sido afetada pelos preparativos para a Copa de 2014 – e como está se organizando para não ficar de fora.

18 Mar 16:21

Coincidence?

by Miss Lyd
Via