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11 Dec 22:50

Senzalas & campos de concentração

by Alex Castro

O Brasil se considera uma nação boa e pacífica. Mas é só porque esqueceu ter sido a maior economia escravocrata de todos os tempos.

Muitas vezes, o sono tranquilo não é consciência limpa: é falta de memória.

“O melhor bife batido da cidade está na Lanchonete Doi-Codi!”

Senzalas eram lugares de morte, tortura, exploração. Por que associar seu restaurante a ISSO?

Senzalas eram lugares de morte, tortura, exploração. Por que associar seu restaurante a ISSO?

No coração do centro histórico de Paraty, cidade colonial construída com o sangue e o suor de muitos escravos, em pleno mês da consciência negra, acabou de ser inaugurado um novo restaurante:

Senzala Churrascaria Rodízio.

Não deveria me chocar mas ainda me choco. Afinal, o que não falta, em todo Brasil, são estabelecimentos chamados Senzala.

Na Alemanha, pelo menos, não existe nenhum Restaurante Auschwitz.

Eles teriam vergonha.

As maravilhas do tráfico humano

Nesse cela, eram colocados para morrer de fome os escravos problemáticos. Elmina, uma maravilha da arquitetura colonial portuguesa!

Nesse cela, eram colocados para morrer de fome os escravos problemáticos. Elmina, uma maravilha da arquitetura colonial portuguesa!

Em 2009, Portugal promoveu um concurso para escolher as “7 Maravilhas de origem portuguesa do mundo“.

Dentre os vinte e sete indicados, muitos eram locais fortemente identificados com a escravidão, com a compra e com a venda, com a morte e com a tortura, com o desterro e com o desenraizamento de milhões de pessoas. Pessoas como eu e como você. Pessoas cujo sofrimento não deveria ser esquecido:

Por exemplo, o forte Elmina foi construído em 1482 para fazer ali o comércio de escravos, hoje abriga um museu onde os visitantes são convidados a visitar as celas onde os Africanos ficavam confinados antes de serem enviados para as Américas. No sítio da votação, encontra-se uma longa descrição do forte e nem sequer uma linha, uma palavra mencionando o tráfico de africanos escravizados. …

É como se Auschwitz participasse em uma eleição das sete maravilhas alemãs no mundo.

(Leia mais ou confira a lista dos vencedores.)

A feliz união das raças da maior democracia racial do mundo!!

Todos são iguais... mas um tem maior expectativa de vida que os outros. Adivinha qual?

Todos são iguais… mas um tem maior expectativa de vida que os outros. Adivinha qual?

Ninguém realmente deveria ficar surpreso. No mundo lusófono, o apagamento da memória da escravidão sempre foi a regra.

A grande maioria dos brasileiros aprende na escola que nosso lindo país foi construído por brancos, negros e índios, todos felizes, de mãos dadas e cantando kumbayá. Como se a colonização do Brasil tivesse sidoe um comercial da Benetton.

Para manter a mentira primordial no cerne do nosso mito de origem, a escravidão nunca é mostrada em seu verdadeiro horror:

Sim, alguns de nossos avós escravizaram nossos outros avós, mas, no fim das contas, eram todos bons amigos, os escravos eram muito bem tratados e, olha só, pelo menos nunca tivemos as leis racistas dos EUA! No Brasil, país bondoso e generoso, até a escravidão era a melhor do mundo!

(Aliás, não faz sentido falar em “escravidão melhor” mas, somente nos Estados Unidos, a população escrava tinha crescimento vegetativo, ou seja, aumentava e se reproduzia. No resto da Américas, a mortalidade era tão alta que, mesmo com os nascimentos, era preciso sempre importar novos escravos. O Brasil foi o maior importador de escravos de todos os tempos porque aqui, nessa terra tão bondosa e tão pacífica, era onde eles mais rapidamente morriam. Esse artigo clássico de Herbert S. Klein explora essas contradições.)

Somos tão legais hoje que nem parece que éramos tão escrotos ano retrasado!

Sim, vamos parar de falar de racismo! Afinal, essa tática tem dado tão certo no último século... (pra nós, brancos, claro!)

Sim, vamos parar de falar de racismo! Afinal, essa tática tem dado tão certo no último século… (pra nós, brancos, claro!)

Um trecho do Hino à Proclamação da República, escrito em 1890:

Nós nem cremos que escravos outrora

Tenha havido em tão nobre País…

Hoje o rubro lampejo da aurora

Acha irmãos, não tiranos hostis.

Somos todos iguais! Ao futuro

Saberemos, unidos, levar

Nosso augusto estandarte que, puro,

Brilha, ovante, da Pátria no altar!

Somente um ano e meio depois de abolida, a escravidão já começava a ser sistematicamente lavada da memória nacional.

Escravidão e Holocausto, ensinados lado a lado

Por Emory Douglas. Mais aqui: http://www.babylonfalling.com/Emory/Emory_Slideshow.html

“Eu, Barack Obama, o 44º presidente eleito dos Estados Unidos, peço desculpas pela escravidão.”

Para muitos brasileiros, o bicho-papão racial são os Estados Unidos. Não podemos implementar cotas, pois senão “nos tornaríamos um Estados Unidos”; “temos muitos defeitos mas pelo menos não somos os Estados Unidos”, etc etc.

Pois eu morei lá e morei aqui, e estudei a fundo a história da escravidão nos dois países. Somos ambos profundamente racistas, mas o Brasil é pior por um motivo:

A cultura do deixa-disso. Por pensarmos que o não-falar sobre o racismo e a escravidão vai resolver por si só o problema.

Enquanto isso, o presidente norte-americano, em visita a Gana, um dos principais portos exportadores de escravos, afirmou que a escravidão, como o Holocausto, é daquelas coisas que não pode ser esquecida.

Para Obama, a visita aos calabouços de escravos remeteu à sua viagem ao campo de concentração Buchenwald: ambos nos fazem lembrar da capacidade humana para cometer o Mal.

E completou afirmando:

A escravidão e o Holocausto deveriam ser ensinados nas escolas de modo a conectar a crueldade passada aos eventos atuais.

Homens que não entendem porque tanto alarde pelo câncer de útero

Get over it!

“Nunca esqueça! Nunca esqueça! Sai dessa, pô!”

Desconfie sempre de quem fala “sai dessa” quando o “essa” é algo que ele nunca experimentou.

Afinal, do ponto de vista de quem está bem acomodado e seco no convés do barco, não há motivo pra se debater tanto lá embaixo no mar só porque tem água entrando nos seus pulmões… SAI DESSA!

“Por que esses cadeirantes preguiçosos não deixam de se fazer de vítima e sobem as escadas como todo mundo, hein?”

A meritocracia do Brasil, em uma charge.

A meritocracia do Brasil, em uma charge.

Pior ainda são aquelas pessoas (muitas negras) que são contra as cotas (e similares) argumentando que “nunca precisaram delas”.

E eu faço uma cara pensativa e respondo:

Concordo, claro, como não? E tem mais, também sou contra esse negócio de diálise em hospitais públicos e rampas para cadeirantes nos prédios.

Oras, se passei a vida inteira sem precisar de nenhuma dessas coisas, é porque não são tão importantes assim, certo?

Afinal, dado que eu sou o centro do universo e a medida de todas as coisas, as pessoas só deveriam receber o que eu recebi e as únicas necessidades válidas são as que eu também tenho!

(Sobre isso, leia meu texto O assunto não é você.)

Somos os melhores em esquecer nossos crimes

Durante sete anos, morei em Nova Orleans, principal porto escravista norte-americano. Assim como o Rio de Janeiro, uma bela cidade, sexy e musical, turística e carismática, construída nas costas de escravos desesperados e agonizantes.

Um dia, enquanto passeava com meu cachorro pelo bairro universitário, uma soccer mom enfiava cuidadosamente seus quatro filhinhos, todos brancos e roliços, em seu jipão utilitário de luxo, também branco e roliço. Era uma senhora baixinha e gorducha, bochechas rosadas e orelhas de abano, carregando mochilas e merendeiras, parecendo dotada daquela infinita paciência que só uma mãe de quatro meninos pode ter. E, em seu para-choque traseiro, discretamente, estava o adesivo:

The South Will Rise Again (“O Sul se Erguerá Novamente”)

Como não se sentir ameaçado? Não conheço o contexto dessas palavras. Por tudo que sei, é um inocente desejo de revitalizar a economia local. Mas, ainda assim, nenhuma racionalização poderia apagar o meu calafrio ao ler aquela frase; nenhuma explicação lógica faria aquele adesivo soar menos sinistro. De certo modo, era como se o ressurgimento do Sul fosse indistinguível e indissociável do reescravizamento de toda uma raça.

E pensei: o Brasil foi tão ou mais escravista do que o Sul dos Estados Unidos, e resistiu por muito mais tempo até libertar seus escravos. Ainda mais doloroso pra mim, dos nove únicos deputados que tiveram a cara-de-pau e a temeridade de votar contra a Lei Áurea em pleno maio de 1888, já na véspera do século XX e na contra-mão de todos os ventos filosóficos do XIX, oito eram do Rio de Janeiro. Legítimos representantes eleitos do meu estado.

Entretanto, não ficamos nem o Rio e nem o Brasil maculados por essa nódoa. Um adesivo “O Brasil Crescerá” despertaria calafrios? Claro que não. Nem o Paraguai tem medo do Brasil. E concluí, aliviado: ainda bem que pelo menos o bom nome do meu país e do meu estado não estão ligados à escravidão.

Um segundo depois, bateu o estranhamento: mas… por que não?

A falta de calafrios não corresponde à falta de crimes. O Sul dos EUA teve, no Norte, um vizinho incômodo que manteve viva a memória de seus crimes. Já em nosso caso, simplesmente varremos nossos crimes para debaixo do tapete.

Não somos mais virtuosos: somos melhores em esconder o corpo.

(Ao contrário do que muita gente pensa, a Abolição não foi um “presente da monarquia”, mas uma lei disputada voto a voto no Parlamento, somente sancionada pelo Poder Executivo, naquele momento representado pela Princesa Isabel. Mais detalhes nesse meu rascunho de uma História da Abolição.)

“Shoah”, um documentário impossível

"Shoah", o fim da viagem.

“Shoah”, o fim da viagem.

Shoah é uma palavra íidiche que significa “calamidade”. Para muitas pessoas, é um termo preferível à Holocausto – que, afinal, significa “oferenda aos deuses”.

“Shoah” também dá título a uma das grandes obras de arte, de qualquer arte, do século vinte, realizado pelo boy-toy de Simone Bouvoir, Claude Lanzmann.

São nove horas de filme, sem nenhuma imagem de arquivo: são somente depoimentos, e depoimentos, e depoimentos. Lanzmann entrevista três tipos de pessoa: sobreviventes, algozes (oficiais de campos de concentração) e testemunhas (poloneses que moravam perto dos campos).

Com os sobreviventes, Lanzmann é implacável. Ele praticamente os obriga a falar:

“Não foi uma crueldade fazê-las reviver, através da fala, tudo o que sofreram, no caso dos judeus. Era absolutamente necessário. Não acho que tenha sido sádico, mas fraternal. Durante as entrevistas, eu toco suas mãos, seus ombros, seus braços. Uma forma de dizer ‘eu estou com você’. Não faço interrogatórios para que alguém se diga culpado. Eles sofrem. Mas eu também sofro. Eu não os torturei. Eles se sentiram liberados. Eu não estava falando com uma pessoa qualquer, mas com um grupo muito especial de sobreviventes – e não há mais do que um punhado deles no mundo”.

Abaixo, talvez a cena mais emocionante no filme. O barbeiro não consegue falar, mas Lanzmann pressiona (em inglês):

Link YouTube | “Shoah”, e a impossibilidade de lembrar

“Shoah” é um filme de insuportáveis silêncios: das nove horas de filme, cinco horas e meia são de puro silêncio. Diz Lanzmann:

“Não é uma reconstituição, não é uma ficção, não é um documentário. O filme é uma ressurreição, uma reencarnação, tem uma arquitetura, uma construção em torno de uma obsessão pessoal. Eu fazia sempre as mesmas perguntas, geralmente referentes à primeira vez. E não tinha nenhuma intenção de acusar, denunciar, culpar. Nada disso, isso não me interessava.

Houve uma decisão consciente de fazer um filme sobre o presente, e não sobre o passado:

“O pior dos crimes, ao mesmo tempo de ordem moral e artística, quando se quer consagrar uma obra ao Holocausto, é considerá-lo como passado. Meu filme é uma anti-lenda, um contra-mito, vale dizer, uma investigação sobre o presente do Holocausto ou, ao menos, sobre um passado cujas cicatrizes estão ainda tão fresca e vivamente inscritas nos lugares e nas consciências que ele se dá a ver numa alucinante intemporalidade. … Os homens e as mulheres que falam diante da câmera dão sempre a impressão de não estarem contando lembranças, mas de as viverem mesmo, com força e clareza, no presente. … Enquanto fazia o filme, a distância entre o presente e o passado foi totalmente abolida. Em Treblinka só havia pedras, filmei as pedras como um louco, por todos os lados. Quando o espectador vê as pedras de Treblinka, ele vê os judeus sendo mortos. Da mesma maneira que quando o trem chega a Treblinka o espectador vê a tabuleta com o nome do campo exatamente como os judeus que iam para morte deviam ver. É um ato de cinema muito violento. Por isso o filme é fundamentalmente uma invenção, não uma lembrança. … O filme é sobretudo uma ressurreição, as pessoas entrevistadas revivem aquele tempo de tal maneira que, quando falam, até alternam os tempos dos verbos – presente e passado. … No filme, quando as pessoas falam, confundem presente e passado. Na mesma fala, dizem: eu estava lá e pouco depois: eu estou lá.”

Mais do que tudo, é um filme sobre a impossibilidade de recordar, de conceber, de articular o Mal:

Comecei precisamente com a impossibilidade de recontar essa história. Situei essa impossibilidade bem no início do meu trabalho. Quando comecei o filme, tive que lidar, por um lado, com o desaparecimento dos vestígios: não havia coisa alguma, absolutamente nada, e eu tinha que fazer um filme a partir desse nada. E por outro lado tive que lidar com a impossibilidade, até mesmo dos próprios sobreviventes, de contar essa história; a impossibilidade de falar, a dificuldade que pode ser vista ao longo do filme de trazer luz e a impossibilidade de nomear: seu caráter inominável.

Para celebrar os 30 anos de sua estréia, “Shoah” está sendo lançado em DVD pelo Instituto Moreira Salles. Recomendo nos mais enfáticos termos.

Mas não assista sozinho. É muito duro.

(Sobre “Shoah”, leia também: A dificuldade de falar de “Shoah” e It’s a beautiful thing.)

O Holocausto foi terrível mas não foi único

Estudo raça e racismo há muitos anos. Um dos meus livros preferidos sobre o tema é The Racial Contract, de Charles W. Mills.

Segundo Mills, o racismo seria um sistema político e uma estrutura de poder baseados em um Contrato Social (na verdade, um Contrato Racial) no qual os membros da raça dominante formariam um acordo tácito de, ao mesmo tempo em que garantem para si a maior parte das riquezas/oportunidades/etc da sociedade, também consentem em não ver o próprio sistema, criando assim a “alucinação consensual” de um mundo sem raças, meritocrático e igualitário, que passa a mediar sua interpretação da realidade.

Raça, para eles, sera invisível porque o mundo seria estruturado em função deles; eles seriam a norma em oposição a qual seriam medidas as pessoas de outras raças (“esses outros tem raça, não eu!”). Assim como o peixe não vê a água, os membros da raça dominante não veriam o racismo.

Mills também embarca em uma comparação perigosa, mas praticamente inevitável, entre o racismo e o Holocausto.

Visto de fora pelos não-europeus, que sabem na pele que a civilização européia se baseia em praticar barbarismo fora da Eueropa, o Holocausto não representaria “uma anomalia transcendental no desenvolvimento do Ocidente”, mas, pelo contrário, sua unicidade estaria apenas no aplicação do Contrato Racial contra europeus.

Ao colocar o Holocausto no contínuo cultural de outras políticas exterminatórias colonialistas européias, Mills não deseja negar o seu horror, mas somente sua singularidade histórica.

Tudo o que o nazismo tinha de operacional já vinha sendo aplicado, legitimado, tolerado, negado e esquecido pelos europeus há muitos séculos: a maior transgressão de Hitler seria aplicar contra europeus métodos que antes eram aplicados exclusivamente contra árabes, negros e índios.

A própria percepção do Holocausto, de um horror tão fora de escala e colocado num plano moral muito diferente de todos os outros massacres de não-europeus por toda a história, seria evidência da força ideológica do Contrato Racial.

Além disso, ao narrar o racismo como uma invenção aberrante de figuras como Gobineau e Goebbels, o Holocausto presta à intelligentsia européia do pós-guerra um importante serviço: sanitizou seu passado racial.


Link YouTube | “Nação do Medo”, legendado, completo, um filmaço de ficção científica.

Por fim, Mills cita o romance de ficção científica “A Nação do Medo” (Fatherland), que mostra um futuro alternativo onde os nazistas ganharam a guerra e nunca existiu a memória do Holocausto.

Na verdade, aponta Mills, nós JÁ vivemos nesse mundo não-alternativo: a única diferença é que os vencedores foram outros, mas eles também apagaram a memória dos massacres que cometeram, esvaziando sua importância e subtraindo seu ultraje.

Daí o esquecimento dos horrores da escravidão.

(O livro de Mills é realmente brilhante: leia minha resenha completa.)

O Epcot da escravidão nos Estados Unidos

Em Williamsburg, escravo é perseguido.

Em Williamsburg, escravo é perseguido.

Mas se devemos lembrar sempre a escravidão… como?

Nos Estados Unidos, a cidade de Williamsburg oferece uma janela ao passado. Em troca do passe diário de US$36, o visitante passa o dia em uma “autêntica” vila colonial, onde tudo é como antigamente (menos os banheiros!), todos estão vestidos à caráter, em roupas de época, falando em vocabulário antigo, essas coisas. É um dos destinos turísticos e educacionais mais famosos do país.

Entretanto, sempre foi criticado por apresentar uma versão muito fácil, sanitizada e maniqueísta da história. Mais do que tudo, cadê os escravos? Afinal, na época da colônia, os Estados Unidos tinham escravidão e metade da população de Williamburg era negra.

Hoje em dia, o parque faz um esforço consciente (e polêmico, claro) para retratar a escravidão: além de incluir mais atores negros, criou-se também um “passeio” chamado Enslaving Virginia (“Escravizando a Virgínia”) especificamente sobre os horrores da escravidão.

Deve ser horrível mesmo: vários atores negros já se recusaram a interpretar os escravos (por considerar muito humilhante), as crianças choram tanto que foram criadas sessões explicativas posteriores para enfatizar que era tudo faz-de-conta e já aconteceu de visitantes interromperem o passeio para “salvar os escravos”.

Melhor assim. Preferível ser repelido por um simulacro do horror que nos gerou do que fingir que ele nunca existiu.

Encenação da escravidão à brasileira

O guia do engenho, vestido de escravo, se oferece para ser chicoteado pelos turistas.

O guia do engenho, vestido de escravo, se oferece para ser chicoteado pelos turistas.

E no Brasil?

Vassouras, no estado do Rio de Janeiro, já foi uma das cidades mais ricas do país, no centro da região que produzia a mais importante riqueza nacional: café. Hoje, é uma cidadezinha de vinte mil habitantes, que vive dos turistas que atrai com seus palacetes e fazendas coloniais – algumas com polêmicas encenações históricas.

Na fazenda São João da Prosperidade, há cinco gerações com a mesma família, a proprietária recebe os turistas vestida de sinhá e suas empregadas, de escravas:

Da janela, aponta a senzala: “Tenho 300 escravos” orgulha-se, voz impostada e dedo em riste. De repente, entra correndo pela varanda uma negrinha com remendos de algodão e cabelos presos em tranças. A menina, de apenas seis anos, se agarra à barra da saia da sinhá, põe o dedo polegar na boca e fixa os olhos nos visitantes. Basta um gesto da sinhazinha para que a pequena escrava abaixe a cabeça e saia da sala. “Não vê que estou com visitas?” – esbraveja a senhora. A menina vai brincar no alambique. Pouco depois, uma mucama adentra o salão, sob ordens de servir café aos convidados. (fonte)

Em uma fazenda próxima, Cachoeira Grande, que eu visitei agora em novembro, são só os empregados que estão vestidos à caráter: os proprietários se vestem e falam como se estivessem no século vinte.

Mais para o norte, na Zona da Mata de Pernambuco, o engenho Uruaé também encena a escravidão:

Vestido como “escravo da casa”, o jovem guia mostra o “quarto da sinhazinha” e explica a genealogia da família proprietária do engenho através dos retratos na parede. Na senzala, que chegou a ter 300 escravos de uma vez, ele coloca uma peça de ferro no pescoço e anuncia, sorridente: “Quem era moreno como eu era aqui”. O mais constrangedor vem depois, do lado de fora: o guia se amarra no tronco e pede que um voluntário simule açoitá-lo. Foi difícil arranjar alguém disposto a interpretar o papel. (fonte)

O engenho Uruaé também está na mesma família há sete gerações. Durante a visita, a proprietária afirma:

“A gente tem mais é que se orgulhar dos nossos que vieram antes. Nós ainda não fizemos nada.”

Fui só eu que achei esse “ainda” um pouco sinistro? O que essa senhora ainda está planejando fazer, meu Deus? Re-escravizar todo mundo?

Mas isso é implicância minha. A raiz filosófica do problema é outra:

Como retratar os horrores do passado?

Qual é a medida certa do horror?

As encenações históricas da escravidão nas fazendas coloniais parecem não agradar ninguém.

Por um lado, argumenta-se que elas não são horríveis o suficiente. Que encenam somente os aspectos mais, digamos, reprodutíveis da escravidão, aqueles por definição mais doces e inofensivos. Que perpetuam a ideia de que a escravidão era somente uma forma de trabalho entre tantas outras.

Afinal, se a escravidão é algo que uma doméstica contemporânea pode reproduzir, se a escravidão se resumia a se vestir de branco e trazer café pra uma mulher que você chama de “sinhá”, bem, então não era tão ruim assim, né? (Ou talvez ser empregada doméstica é que é horrível demais, mas não entremos nisso.)

Por outro lado, argumenta-se que são horríveis demais. Que mesmo doces e meigas, ainda mais quando encenadas pelos descendentes das vítimas, são sempre humilhantes:

Outros, no entanto, não sabem como reagir diante da interação realista dos ‘escravos’, que circulam vestidos em pobre algodão e, não raro, se curvam para obedecer às ordens da sinhazinha. “Será que esta criança tem idéia do que está fazendo? Ela ainda não tem idade para entender e pode ficar com a idéia de que deve se comportar como escrava, de que isso é normal” – indigna-se uma visitante paulistana, depois de recusar um copo d’água servido pela ‘mucama’.

Já o historiador Milton Teixeira, que trabalha como guia de turismo nas fazendas do café, defende a prática:

Não é degradante representar um escravo. Se o turista se sente incomodado, muito bem. O passado de escravidão tem de incomodar bastante, e não deve ser esquecido. … Ora, representações são feitas em toda parte do mundo. Na Europa, tem famílias pré-históricas; nos Estados Unidos, há simulação das batalhas da Guerra de Secessão, e, aqui no Brasil, é natural que haja uma encenação com escravos. Muito pior seria querer mostrar que não houve escravidão. (fonte)

Não deixa de ser simbólico que muitas dessas fazendas ainda estejam nas mãos das mesmas famílias. Ontem, lucraram nos ombros de seus escravos plantando cana ou café. Hoje, a mesma família continua lucrando nos ombos dos descendentes dos escravos, agora reduzidos a guias de turismo que reproduzem para turistas curiosos o horror da vida de seus avós.

Como escreveu o historiador e jornalista Fabiano Maisonnave, para a Folha:

De forma explícita ou não, as visitas aos engenhos transformam esses verdadeiros campos de concentração numa bufonaria, diluindo um dos piores crimes da humanidade, principal responsável pela imenso fosso social brasileiro, em um exemplo acabado do “racismo cordial”. A escravidão é exaltada, a casa-grande, absolvida, e a cana-de-açúcar, revalorizada como “energia renovável”, se torna bênção econômica do passado e do presente.

Mas como reproduzir de forma correta e didática o verdadeiro horror da escravidão? Como mostrar os corpos jovens mas enfraquecidos e fragilizados pelo criminoso excesso de trabalho? Como mostrar as marcas da tortura? Como mostrar as frequentes mutilações causadas pelo machete durante o corte da cana ou pelas engrenagens dos engenhos durante a moagem? Como mostrar as feridas emocionais de famílias desfeitas e de vidas sem esperança? Como mostrar os escravos revoltosos que davam e tiravam vidas para não voltarem ao cativeiro?

Será possível mesmo começar a quantificar esse horror? Quem dirá reproduzi-lo?

Existem encenações históricas em Auchwitz? O que o mundo pensaria de ver sorridentes atores descendentes de arianos brincando de depositar chorosos descendentes de judeus dentro dos fornos? Mas é só mentirinha, gente! É educacional!

Holocausto reencenado na Polônia. Grande idéia. Só que não.

Holocausto reencenado na Polônia. Grande idéia. Só que não.

(Na verdade, como o instinto humano da burrice é inesgotável, já houve tentativas de encenar o holocausto, como essa aqui na Polônia. Muitas vezes, dá merda e acaba em processo, como dessa vez no Texas.)

Escravidão: essa pica é nossa!

A escravidão africana nas Américas foi talvez a maior tragédia da Era Moderna.

Estima-se que cerca de 11 milhões de pessoas tenham sido transportadas à força da África para a América.

(Outras estimativas mais agressivas calculam que cerca de 40 a 75 milhões de vidas africanas tenham sido perdidas por causa do tráfico, entre mortos em guerras para obter escravos, em emboscadas para capturar escravos, ou em marchas forçadas para os portos exportadores de escravos no litoral.)

Dentre as muitas nações responsáveis por esse lucrativo e criminoso tráfico, os maiores culpados são os portugueses.

(Principais transportadores de escravos para as Américas: Portugal, 4,6 milhões; Reino Unido, 2,6 milhões; Espanha, 1,6 milhão.)

Dentre as muitas nações que receberam esses escravos e que construíram sua riqueza nas costas deles, o maior culpado é o Brasil.

(Principais destinos de escravos nas Américas: Brasil, 4 milhões; América Hispânica, 2,5 milhões; Índias Ocidentais Britânicas, 2 milhões.)

Reparem no tamanho da seta que nos cabe.

Reparem no tamanho da seta que nos cabe.

Dentre os muitos portos brasileiros que receberam essa massa humana desgraçada, o principal foi o Rio de Janeiro. (Dos nove deputados que votaram contra a Lei Áurea, vamos lembrar, oito eram da província do Rio.)

Além disso, quem inventou esse lucrativo e terrível modelo de negócios foram os próprios portugueses – não por acaso, os primeiros homens brancos a explorar sistematicamente a África. Em 1441, Antão Gonçalves teve a dúbia honra de se tornar o primeiro europeu a comprar e trazer para casa escravos africanos.

Depois disso, a história se desenrolou rapidamente, comprovando o tino comercial dos portugueses: já em 1452, arrancaram do Papa uma bula autorizando-os formalmente à escravizar os infiéis; em meados de 1470, estavam comerciando escravos no golfo do Benim e no delta do rio Níger; e, finalmente, em 1482, construíram a Fortaleza de São Jorge da Mina, em Gana, que em 2009 seria indicada candidata a “maravilha de origem portuguesa do mundo”.

(Por si só, a escravidão é mais antiga que andar pra frente. Todos os povos de todos os continentes de todas as épocas já tiveram algum tipo de escravidão, mas quase sempre cerimonial e economicamente insignificante. A escravidão africana nas Américas é um novo tipo de fenômeno humano porque, pela primeira vez, temos nações economicamente dependentes de milhões de escravos que compõem muitas vezes a maior parte de suas populações.)

Por fim, muitos e muitos séculos depois, no outro extremo dessa triste história, a última nação das Américas a abolir essa escravidão africana inventada pelos portugueses, a nação que mais teimosamente se agarrou aos seus escravos até o último minuto possível, foi justamente a nação gerada do ventre português: o Brasil. Nós.

De um modo bem real e doloroso, é difícil evitar a conclusão que esse enorme crime contra a humanidade é, em grande parte, uma responsabilidade lusófona e, dentro disso, brasileira. (E, mais especificamente ainda, e não que os outros estados sejam inocentes, carioca e fluminense.)

Passei seis meses na Alemanha durante a década de noventa. Mesmo cinquenta anos depois da Segunda Guerra, mesmo entre meus amigos adolescentes cujos pais nem eram nascidos durante a guerra, basta uma menção a nazismo, Holocausto ou Auschwitz para fazê-los abaixar a cabeça em silêncio, envergonhados, culpados, tristes.

Nós, brasileiros, se tivéssemos vergonha na cara, se tivéssemos um pouco mais de memória, faríamos a mesma coisa ao ouvir menções a senzala, navio-negreiro, escravidão.

Essa pica é nossa.

Cais do Valongo, o elevador de serviço do século XIX

Desembarque de escravos no Cais do Valongo, pintado por Rugendas em 1835.

Desembarque de escravos no Cais do Valongo, pintado por Rugendas em 1835.

No Rio de Janeiro, o principal porto de desembarque de escravos foi o Cais do Valongo. Estima-se que, entre 1758 e 1843, tenham chegado por ele quase um milhão de pessoas. (897.748, segundo o The Transatlantic Slave Trade Database.)

Provando que não foi de repente que nos tornamos o povo que faz subir pelo elevador de serviço a doméstica que faz o nosso serviço sujo, em 1770 o desembarque de escravos é proibido no porto principal da cidade (onde hoje fica a Praça XV e o Paço Imperial) e transferido exclusivamente para o distante Valongo.

Afinal, quando se está chegando de um grand tour pela Europa, a última coisa que se quer ver é um escravo nu agonizando no cais perto de você! Pelo amor de Deus!

Por fim, em 1843, cada vez mais envergonhado com a escravidão que lhe pagava as contas, o Império desativa e aterra o Cais do Valongo, construindo por cima dele o elegante Cais da Imperatriz.

E fim de história. Assim esqueceu-se o Valongo. Afinal, nós nem cremos que escravos outrora tenha havido em tão nobre país!

Uma escavação arqueológica em pleno centro do Rio de Janeiro.

Uma escavação arqueológica em pleno centro do Rio de Janeiro.

Fast-forward para o presente. Em meio a um frenesi de obras para preparar o Rio de Janeiro para a Copa e para os Jogos Olímpicos, a prefeitura acabou de descobrir e desencavar o Cais do Valongo em pleno centro da cidade.

Agora reformado e reembalado para turistas (“são nossas ruínas romanas!“, disse o empolgado prefeito), o Cais do Valongo foi inserido no recém-criado Circuito Histórico e Arqueológico da Celebração da Herança Africana, ao lado de outras atrações como a Pedra do Sal, o Cemitério dos Pretos Novos (onde eram enterradas as vítimas da travessia atlântica) e os Jardins Suspensos do Valongo, esses últimos uma das coisas mais lindas e surpreendentes que já vi nessa cidade. (Veja o mapinha abaixo.)

O recém-criado Circuito Histórico e Arqueológico da Celebração da Herança Africana, no Rio de Janeiro.

O recém-criado Circuito Histórico e Arqueológico da Celebração da Herança Africana, no Rio de Janeiro.

Mas que não seja só um espaço para turista tirar fotos.

O que falta ao Brasil e ao Rio de Janeiro, e o que esse circuito histórico pode começar a timidamente fornecer, é uma verdadeira compreensão dos horrores que engendramos, um pálido retrato do terror que aconteceu (e ainda acontece) debaixo dos nossos olhos, nesse nosso chão, na nossa senzala, no nosso quartinho de empregadas.

O texto que você está lendo só existe porque calhei de visitar o Cais do Valongo no dia seguinte de assistir “Shoah”.

O Cais do Valongo, hoje, aberto à visitação pública.

O Cais do Valongo, hoje, aberto à visitação pública.

É possível quantificar o horror?

O Holocausto perpetrado pelos alemães matou cerca de seis milhões de judeus, um terço de todos os judeus no mundo. Além de incontáveis milhões de outras pessoas.

Não é minha intenção negar nem suavizar esse horror.

Mas não foi nem de longe o único horror perpetrado por europeus em sua longa história de horrores.

É impossível visitar lugares de tortura e morte como Auschwitz, Treblinka, Sobibor sem uma atitude de respeito e reflexão, sem pensar na memória das centenas de milhares de pessoas que sofreram ali.

Mas por que nós, brasileiros, não temos a mesma atitude ao visitar uma senzala, o Pelourinho (onde os escravos eram castigados publicamente) ou o Cais do Valongo?

Auschwitz matou 1,1 milhão de pessoas, Treblinka, 900 mil, Sobibor, 200 mil.

Enquanto isso, o Brasil recebeu 4 milhões de escravos, sendo que um milhão só pelo Cais do Valongo, logo ali, no centro do Rio.

Quem consegue compreender a enormidade desses números? Quem consegue quantificar tamanho sofrimento?

O passado é presente

Por isso, ali de pé diante do Cais do Valongo, um dia depois de assistir “Shoah”, eu tentei esquecer os números e somente imaginar como teria sido a experiência individual, una, indivisível, de pisar em terra firme ali, naquelas pedras, naquele chão.

Imagino que fui arrancado de minha família e de tudo que conheci; que atravessei o oceano cercado de pessoas agonizantes em um navio infecto; que não pude trazer uma roupa, um livro, nenhum objeto pessoal; que não sabia se jamais veria minha terra; que estava condenado a um castigo literalmente e potencialmente infinito, pois a escravidão não seria apenas minha, mas sim herdada por todos os meus descendentes até o fim dos tempos.

Imagino que o Rio de Janeiro, para mim, escravo recém-chegado, era um lugar desconhecido e cheio de horrores. Era o porto onde meus companheiros mais fracos vinham morrer. Era o chão onde começava a escravidão do meu corpo. Era minha primeira experiência nesse novo mundo onde seria cativo e explorado.

Imagino então que hoje o Rio de Janeiro continua sendo um lugar de horror para os meus descendentes, que são ao mesmo tempo a maior parte das vítimas de assassinato e também a maior parte da população carcerária, e ainda têm que ouvir que racismo não existe no Brasil.

Tudo isso aconteceu ontem, e continua acontecendo hoje. O passado, como uma pedra jogada no lago, cria ondas concêntricas na água e repercute no presente. O passado é o presente.

As cotas raciais são necessárias hoje não para corrigir as injustiças históricas do passado, mas para corrigir as injustiças cotidianas de hoje. As cotas raciais são necessárias porque hoje a Polícia Militar não invade do mesmo jeito a cobertura do descendente do escravista e o barraco do descendente do escravo.

O que fica claro é que não dá pra pensar nesses fenômenos como se pertencessem a universos tão diferentes assim. Não faz sentido chorar assistindo A Lista de Schindler e depois ir espairecer tomando o milkshake do Senzala.

A escravidão deixa marcas. Na pele. Na história. Em nós.

A escravidão deixa marcas. Na pele. Na história. Em nós.

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10 Dec 12:36

12/7/12 PHD comic: 'Amazing'

Piled Higher & Deeper by Jorge Cham www.phdcomics.com
title: "Amazing" - originally published 12/7/2012

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09 Dec 16:43

O impostor e o tolo

by Carlos Hotta

Me diga se isto já não te aconteceu: você vai ao trabalho, a um congresso, ou uma reunião, e se vê cercado de pessoas brilhantes, com feitos extraordinários. Todos confiantes e bem sucedidos e… você. Nestas horas é que você começa a se perguntar: “Como é que você acabou sendo colocado no mesmo patamar dos demais? Quem cometeu um erro ao te selecionar? Quando vão descobrir que você não pertence a esse grupo e é, na verdade, um impostor?”

Esta sensação, que aflige muitas pessoas, se chama Síndrome do Impostor. Ela é muito comum na academia – e outros ambientes altamente competitivos – porque algumas pessoas têm dificuldades em reconhecer a própria competência quando ela é clara para os demais. Estas pessoas sempre acham que suas conquistas foram por causa de sorte, que estas conquistas nem são tão impressionantes assim, que ouras pessoas a ajudaram, que os avaliadores foram bonzinhos demais, e outras racionalizações. O importante é saber que este é um sentimento comum e, muito provavelmente, falso. Somente a consciência de que esta síndrome existe e entendê-la já é um passo para aliviar a ansiedade que ela gera, por isso muitos serviços de aconselhamento de estudantes têm textos espcializados na Síndrome do Impostor. Outra maneira de se lidar com esta Síndrome é conversar sobre estes sentimentos com outras pessoas.

Obviamente a competente cabeça que se sente um impostor vai se perguntar, diante deste texto: “Mas, e se no meu caso for verdade? Tudo bem que esta é uma sensação falsa que atinge muitas pessoas, mas tenho certeza que eu tenho é lucidez!”

Diante deste pensamento, apresento o efeito de Dunning-Kruger. Este efeito aparece em pessoas tão incompetentes que são incapazes de reconhecer a própria incompetência. No artigo no qual este efeito foi descrito, os pesquisadores testram 45 estudantes com um teste lógico que possuía 20 perguntas. O que eles observaram é os 25% piores alunos alunos acreditavam que haviam acertado 14 perguntas quando eles haviama certado uma média de… 9.6 perguntas. Eles acreditavam que estavam entre os 35% melhores alunos do teste! Curiosamnete, os melhores alunos geralmente achavam que tinham ido piores do que realmente foram.

A conclusão lógica da Síndrome do Impostor e do efeito de Dunning-Kruger é que muitas das pessoas que se acham realmente capazes em um grupo são, na verdade, as mais incapazes e vice-versa. Obviamente que isso nem sempre é verdade mas eu recomendo que, sempre que você se vê se sentindo a bolacha mais crocante do pacote – ou a mais sem graça – talvez seja hora de avaliar que nosso cérebro pode estar se enganando e que você é um falso impostor… ou um tolo.

09 Dec 13:55

07. December, 2012

08 Dec 19:09

Hit it Gandalf!

Submitted by: jonjona
Posted at: 2012-12-07 20:15:01
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08 Dec 19:09

Stop Global Warming

Submitted by: toorjo
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08 Dec 19:07

Toy Story 4

Submitted by: rohtyv
Posted at: 2012-12-07 14:02:30
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08 Dec 19:07

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Submitted by: michael1989
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08 Dec 19:02

Add a remote control.

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08 Dec 17:15

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Viva Intensamente # 89

VIVAINTENSAMENTE-Lassie
08 Dec 00:01

Friday December 7, 2012

by admin

07 Dec 23:59

Don Vicenzo

by ricardo coimbra
tira minha que saiu na Revista da Cultura
Clique na imagem para aumentar
07 Dec 23:00

Tirinhas do Niemeyer

by Carlos Ruas

Em homenagem ao Niemeyer, coloco aqui todas as tiras que e tinha feito dele até então.

 

07 Dec 23:00

978 – Niemeyer 8

by Carlos Ruas

07 Dec 23:00

979 – Semi-Deuses

by Carlos Ruas

07 Dec 00:00

O GATO DE BOTAS EXTRATERRESTRE (1990)

by Felipe M. Guerra
Albener Pessoa

Acho que nao tenho coragem de assistir este filme nao ... Eh trash demais ate para mim. Talvez uma selecao de "piores momentos" :-)


Quem viveu a Era de Ouro das videolocadoras brasileiras deve lembrar bem do nome Wilson Rodrigues. Através da sua empresa, a WR-Filmes Ltda., este mineiro de Belo Horizonte radicado em São Paulo distribuiu um montão de tralhas hoje dificílimas de encontrar mesmo lá fora, como a ficção científica pós-apocalíptica "1999 - O Sobrevivente do Fim do Mundo", de Michael Shackleton, o drama de guerra "Mergulhando Para o Inferno", de Shûe Matsubayashi, e o anime "Terror em Love City", de Kôichi Mashimo.

Mas Wilson Rodrigues também dirigiu e produziu seus próprios filmes. Começou com pornochanchadas ("A Dama do Sexo", "Meu Primeiro Amante"), mudou para o sexo explícito quando o pornô estava dando dinheiro ("Masculino... Até Certo Ponto", em 1986), e tentou limpar o currículo especializando-se em produções voltadas ao público infantil. "É a primeira vez que se tem a chance de produzir um vídeo especialmente dedicado ao público infantil, que tem poucos títulos brasileiros à sua disposição", declarou Wilson em reportagem da época.


O resultado da iniciativa foram duas produções baratas baseadas em contos de fadas, produzidas originalmente para o mercado de vídeo, mas também exibidas em alguns cinemas: "No Mundo da Carochinha Volume 1 - Chapeuzinho Vermelho" e "No Mundo da Carochinha Volume 2 - Joãozinho e Maria", ambas de 1986. José Mojica Marins, o Zé do Caixão, trabalhou na supervisão de "Chapeuzinho Vermelho", e Rubens Francisco Lucchetti, roteirista de vários filmes de Mojica e de Ivan Cardoso, ficou responsável pelas adaptações (acima, os pôsteres das duas produções).

Surpreendentemente, os dois filmes deram um bom retorno financeiro, e Wilson resolveu investir a grana que lucrou com eles numa produção melhorzinha, em sociedade com Rodri J. Rodriguez. Só que sonhou um pouquinho alto demais, achou que era Steven Spielberg e torrou todo o dinheiro num filme brasileiro com pretensões hollywoodianas (só pretensões). Em resumo, foi assim que nasceu O GATO DE BOTAS EXTRATERRESTRE, terceira obra da série "No Mundo da Carochinha", mas lançada diretamente em VHS sem esta alcunha, como se fosse uma produção independente.


Rubens Lucchetti novamente ficou a cargo da adaptação, dessa vez da fábula "O Gato de Botas" (Le Chat Botté, no original), do francês Charles Perrault (1628–1703). Esta história popular foi publicada originalmente no volume conhecido como "Histórias da Mamãe Gansa" (Les Contes de ma Mère l'Oye), em 1697. Anos depois, no século 19, os Irmãos Grimm escreveriam sua própria versão de "O Gato de Botas", mas sem nenhuma mudança marcante na trama já conhecida.

Na versão original dos contos de fadas, "O Gato de Botas" narra a história dos três filhos do finado proprietário de um moinho. O mais velho herda o moinho, o irmão do meio herda os cavalos, e o mais jovem fica com o inofensivo gatinho que pertencia ao pai. Só que não é um felino normal: o "Gato de Botas" do título anda em duas patas, fala e se comporta como gente (sem que ninguém estranhe o fato), e, entristecido com a pobreza do seu novo dono, arma um complicado esquema para que ele se case com a bela princesa do reino.


Pelos próximos dias, o Gato de Botas caça coelhos e gansos e os entrega ao rei como se fossem presentes do "Marquês de Carabás", de quem seria súdito. Repete isso tantas vezes que o rei e a rainha ficam encantados com a generosidade do nobre que sequer existe. Aí o gato malandro coloca seu dono no golpe durante um passeio de carruagem do rei, fazendo o rapaz identificar-se como o tão comentado marquês e fingindo que foi assaltado.

E a mentira vai ficando cada vez mais complexa: para que o rei acredite que seu humilde dono é mesmo um nobre, o Gato de Botas sai em disparada pelo reino inventando mentiras, convencendo fazendeiros a dizerem ao rei que suas terras pertencem ao fictício "Marquês de Carabás", e até matando um malvado Ogro que vive na região para apoderar-se do seu castelo, que passa a ser o castelo do marquês de mentirinha. No final, o rapaz pobretão que se fingia de nobre ganha a mão da princesa em casamento e vira príncipe de verdade, enquanto o mentiroso Gato de Botas diverte-se com sua nova vida entre a realeza.


Para a adaptação brasileira, Wilson Rodrigues contratou um elenco repleto de nomes famosos e/ou conhecidos, quase todos oriundos do elenco da Rede Globo na época. O fazendeiro e falso Marquês de Carabás, por exemplo, é interpretado por um jovem Maurício Mattar, então astro das novelas da Globo graças ao João Ligeiro de "Roque Santeiro".

Sua princesa é a ninfetinha Flávia Monteiro, que alguns anos antes, em 1987, tinha provocado polêmica por interpretar uma espécie de Lolita em "A Menina do Lado", protagonizando cenas ousadas com Reginaldo Farias. Na época do filme, ela integrava o elenco da novela das oito "Vale Tudo".


Já o papel do Gato de Botas, que já havia sido interpretado pelo oscarizado Christopher Walken numa adaptação mequetrefe da Cannon Films (e depois seria dublado por Antonio Banderas na série "Shrek"), ficou com Heitor Gaiotti, figurinha carimbada dos filmes de ação baratos de Tony Vieira (como "Tortura Cruel" e "O Último Cão de Guerra").

Ironicamente, Gaiotti era conhecido pelo apelido de "Gato", e talvez por isso tenha sido convidado a interpretar o personagem. (Alguns podem achar engraçado e "politicamente incorreto" um ator de pornochanchada interpretando um clássico personagem infantil, mas é bom não esquecer que o eterno Papaco Fernando Benini hoje está no elenco da novela "Carrossel"!)


O GATO DE BOTAS EXTRATERRESTRE começa com a então garota-propaganda do Leite de Aveia Davene, Tônia Carrero, no papel de uma simpática vovó contando uma história para a netinha dormir. Ela pega o livro do "Gato de Botas", e então começa a encenação da história, seguindo fielmente o original de Perrault (embora os créditos iniciais informem que o roteiro de Lucchetti baseou-se na versão dos Irmãos Grimm).

Além dos nomes já citados, Felipe Levy (célebre figurante do programa Os Trapalhões e ator em tralhas como "A Rota do Brilho") interpreta o rei, e a atriz gaúcha Carmem Silva a sua rainha. Tony Tornado aparece como um dos guardas do palácio, Joffre Soares é o feiticeiro malvado Mago Mau (substituindo o Ogro da história original), e há pequenas participações de Zezé Motta e José Mojica Marins como vítimas do feiticeiro malvado. Mojica aparece vestido como Zé do Caixão, mas identifica-se como "Príncipe Renini", um jovem enfeitiçado para ficar com a aparência do Zé do Caixão, na única tirada divertida da adaptação.


O produtor Wilson (que faz uma ponta lendo o testamento dos três irmãos no início do filme) não poupou esforços para dar o ar de "superprodução hollywoodiana" que tanto sonhava ao seu filme. Além de filmar parte das cenas em Monte Verde (MG) e na cidade gaúcha de Gramado - onde também foram aproveitadas as miniaturas de castelos do parque temático Mini Mundo para as externas do reino do conto de fadas -, Wilson encomendou a máscara do Gato de Botas ao Burman Studio, em Hollywood.

Você não leu errado: "o" Burman Studio, aquele mesmo responsável pelos licantropos de "A Marca da Pantera" e "O Garoto do Futuro", pelo Sloth de "Os Goonies", e indicado ao Oscar de Melhor Maquiagem pelas assombrações da comédia "Os Fantasmas Contra-Atacam" (1988). A máscara do gato realmente é bem expressiva, e deve ter comido a maior parte do orçamento, mas sozinha não salva o filme. (Para não ser injusto, a caracterização de Joffre Soares como feiticeiro malvado também é muito boa.)


E se a produção segue fielmente o original de Perrault/Irmãos Grimm (descontando, é claro, a introdução com a vovó e sua netinha, e o bruxo no lugar do ogro), por que diabos o título é O GATO DE BOTAS EXTRATERRESTRE?

Aí é que está o problema: para tentar dar uma ar mais "moderno" à fábula, já que as crianças do final dos anos 80 foram educadas mais por Spielberg e George Lucas do que pelos velhos contos de fadas, Lucchetti resolveu dar uma origem alienígena ao Gato de Botas, o que talvez explique o fato de o gato andar, falar e comportar-se como ser humano - embora no filme, como na fábula original, ninguém nunca estranhe esse comportamento.


O problema é que o produtor Wilson deve ter ficado sem dinheiro na hora de filmar as cenas que explicam essa origem alienígena. Portanto, não espere por cenas com o Gato de Botas em seu planeta cheio de outros Gatos de Botas inteligentes e malandros, recebendo a missão de ir à Terra ajudar o pobre fazendeiro. O máximo de "extraterrestre", para justificar o título absurdo do filme, são takes totalmente gratuitos de uma nave espacial em formato fálico no espaço (sua construção é creditada a "Alex Miller"), enxertados sem muito critério no meio da narrativa.

E a conclusão também traz um toque mínimo de ficção científica, quando revela-se que o tal "Gato de Botas Extraterrestre" na verdade é um robô! O personagem fica paralisado enquanto caminha pelo campo, como se as pilhas tivessem acabado, e foi isso mesmo que aconteceu! Então a tal nave em formato fálico aproxima-se da órbita da Terra, um alienígena vestido de preto estilo Darth Vader sai dela e troca as baterias do Gato de Botas, que volta a andar todo serelepe. The end!


Em resumo, a natureza "extraterrestre" do Gato de Botas não acrescenta absolutamente nada de novo à fábula, e a trilha sonora roubada de "Blade Runner - O Caçador de Andróides", repetida ad nauseam ao longo do filme, também falha em dar qualquer tom de ficção científica ao produto final. Lá pelas tantas, também entram trechos da 9ª Sinfonia de Beethoven, talvez porque os realizadores tenham ficado com vergonha da repetição da música de "Blade Runner".

Misteriosamente, os créditos iniciais indicam Jorge Mello como autor da trilha sonora do filme, mas não consegui perceber nenhuma música original além das chupadas de "Blade Runner" e de Beethoven. De qualquer jeito, faz-se a menção.


Se os toques de ficção científica não acrescentam nada de novo, Lucchetti tampouco parece interessado em mexer no texto original, adaptado praticamente na íntegra. Não há espaço para que os poucos personagens novos, como o príncipe enfeitiçado para ter a cara do Zé do Caixão, ou mesmo o bruxo malvado, possam fazer algo para justificar suas existências.

O guarda do rei interpretado por Tony Tornado em certos momentos parece suspeitar da idoneidade do Gato de Botas, mas nem a este personagem é dado qualquer espaço para crescer e mostrar serviço. Por isso, na maior parte de O GATO DE BOTAS EXTRATERRESTRE só vemos Heitor Gaiotti correndo para cá e para lá com suas mentiras e Maurício Mattar andando de carruagem com Flávia Monteiro e Carmen Silva, ele com cara de bunda, elas com cara de paisagem - quem sabe pensando "Por que diabos fui me meter nessa furada?".


Particularmente, acho bem triste o fato do roteiro de Lucchetti preferir manter a ambientação do conto original num "reino de conto de fadas", com os poucos e dispensáveis toques de ficção científica, ao invés de "abrasileirar" a trama, fazendo, quem sabe, uma adaptação contemporânea do Gato de Botas aqui no Brasil, e não num reino mágico de conto de fadas.

Afinal, se a fábula de Perrault pode ser interpretada como um elogio à esperteza, por outro lado também incentiva e glorifica a mentira: o que o Gato de Botas faz não deixa de ser o popular "conto do vigário", enrolando o rei e a rainha para que entreguem a mão da sua filha a um fazendeiro pobretão que se finge de nobre.


Portanto, sendo o Gato de Botas um personagem tão "171", parece ter nascido para estrelar uma adaptação feita no Brasil, o notório país dos malandros que querem levar vantagem às custas dos outros. Numa adaptação contemporânea da fábula, o felino poderia ter se transformado num personagem estilo Zé Carioca, e sem princesas e castelos.

Mas Wilson Rodrigues e Rubens Lucchetti preferiram uma adaptação mais tradicional, e os ridículos elementos de ficção científica parecem ter sido inseridos no fim das filmagens. Ao mesmo é a essa conclusão que se chega na pesquisa por reportagens antigas sobre a produção, que ainda era chamada apenas de "O Gato de Botas". Não duvido que a sub-trama com a origem extraterrestre do personagem tenha sido acrescentada depois para tornar o filme mais atrativo à molecada, o que também justificaria as poucas cenas com esse tema.


No conjunto, O GATO DE BOTAS EXTRATERRESTRE é um desastre. Não há história para mais do que um curta-metragem de meia hora, e curiosamente os episódios anteriores de "No Mundo da Carochinha" ficavam nessa metragem, entre 40 e 50 minutos. Mas este aqui preferiram transformar em longa, com intermináveis 85 minutos! Não há a menor noção de ritmo e nem um mínimo de edição (cada take dura uma eternidade).

Como não havia história para contar (a própria fábula em que se inspira é bem curtinha), a solução foi enrolar com inúmeras e intermináveis cenas de cavaleiros galopando, com loooooooooongas cenas dos personagens caminhando de ponto A para ponto B, ou ainda a festa de casamento da princesa com o "Marquês de Carabás" no final, filmada como se fosse um autêntico vídeo de festa de casamento da vida real - ou seja, com cenas longas e arrastadas de pessoas comendo, dançando e se divertindo.


O excesso de astros e estrelas, efeitos hollywoodianos e pompa de O GATO DE BOTAS EXTRATERRESTRE cobrou seu preço, e o diretor/produtor Wilson Rodrigues teria ido à bancarrota. Pelo menos foi o que explicou o roteirista Lucchetti em entrevista de 2000: "Wilson investiu todo o seu dinheiro numa superprodução, que, apesar de não ficar devendo nada às fitas hollywoodianas, levou a WR-Filmes à falência".

O filme sequer chegou aos cinemas, como os dois volumes anteriores da série "No Mundo da Carochinha", saindo direto em vídeo. E se a data oficial da produção é 1990, aparenta ter sido filmado pelo menos dois anos antes (provavelmente ficou emperrado pelos problemas financeiros e de distribuição).


O curioso é que os créditos iniciais do filme estão em inglês (o título inclusive ficou "The Extra-Terrestrial Cat in Boots"!!!), porque a ideia de Wilson e cia. era lançá-lo nos cinemas disputando espaço e público de igual para igual com os blockbusters de Hollywood. "Nosso Gato de Botas vai enfrentar Spielberg", dizia a manchete "só um pouquinho" exagerada de um jornal da época da produção.

Só que o inglês do cara que fez os títulos não era tão bom assim, e deixou passar algumas pérolas. O montador Walter Wanny, por exemplo, virou o responsável pela "ediction" (!!!), palavra que nem existe na língua inglesa (o correto seria "montage", ou "film editing by"); o co-produtor Rodri J. Rodriguez virou "The Rodri Group" (!!!); e os agradecimentos nos créditos finais são identificados pela cartola "Thankfulness" (!!!).


Wilson Rodrigues ainda insistiu e tentou fazer um quarto "No Mundo da Carochinha" em 1994, novamente com roteiro de Rubens Lucchetti, e dessa vez com apresentação de Mojica. Algumas cenas chegaram a ser filmadas, mas a produção foi cancelada pelas dificuldades financeiras do produtor, e porque o próprio cinema brasileiro vivia tempos muito difíceis pré-Retomada.

Ignorado na época de seu lançamento, O GATO DE BOTAS EXTRATERRESTRE logo ganhou uma sobrevida entre os admiradores de filmes trash. Afinal, não é todo dia que você Maurício Mattar como príncipe assessorado por Heitor Gaiotti com uma máscara de gato, e Tony Tornado e Zé do Caixão fazendo parte do mesmo elenco!


E eu não consegui descobrir se o filme chegou a ser lançado no exterior, mas, por mais inacreditável que isso soe, existem reproduções do pôster original do filme para vender em sites como Amazon e Moviegoods! Não consigo imaginar quem em sã consciência seria maluco o suficiente para adornar seu quarto ou sala de estar com um pôster de O GATO DE BOTAS EXTRATERRESTRE...

Mas, a julgar pela quantidade de gente talentosa/famosa que se envolveu nessa canoa furada, e à quantidade de linhas que o demente aqui escreveu sobre o filme, o que mais tem nesse mundão é gente maluca...

PS: Um dos assistentes de direção foi Custódio Gomes, que já havia lidado com "extraterrestres" antes, mas num filme com teor bem menos infantil: o pornô "Aguenta Tesão - O ETesão"!

Trailer de O GATO DE BOTAS EXTRATERRESTRE


*******************************************************
O Gato de Botas Extraterrestre (1990, Brasil)
Direção: Wilson Rodrigues
Elenco: Maurício Mattar, Heitor Gaiotti, Flávia Monteiro,
Felipe Levy, Carmen Silva, Tony Tornado, Joffre Soares,
José Mojica Marins e Zezé Motta.
06 Dec 23:43

Quem diria, os campeiros e cheaters de Aim Hack tinham razão

by Carlos Cardoso

Uma das mais complexas especialidades em guerra é a do sniper. São admirados e temidos, mesmo pelos próprios amigos. O sniper não luta de forma “justa”, ele é um caçador de homens, você deixa de ser um combatente inimigo e vira a presa.

Não que seja simples. Há toneladas de informações a processar para um tiro certeiro, um sniper leva em conta umidade do ar, temperatura ambiente e até a rotação da Terra. Ele chega a treinar para disparar entre batidas do coração, para não tremer o gatilho. Com isso vários viraram lendas, como o grande (guerra não faz ninguém grande) famoso Carlos Hathcock, com 93 mortes confirmadas no Vietnã, ou Vasily Zaytsev, que na Grande Guerra Patriótica matou 242 nazistas.

Treinar um sniper custa uma fortuna e leva anos, mas agora a tecnologia veio ajudar quem não tem os dois elementos sobrando. A ajuda vem na forma da maior trapaça e canalhice dos jogos FPS: O Hack de Mira.

O TrackingPoint Intelligent Digital Tracking Scope faz exatamente o mesmo que os Aim Bots e similares faziam quando FPS era bagunça, só que no caso fazem na vida real: Você marca na mira telescópica o alvo e pressiona o gatilho. A mira leva em conta um monte de fatores ambientais e mesmo que você mova a arma, ela só disparará quando o alvo estiver em posição, veja:

Nos fóruns de armas estão reclamando que essa “trapaça” não substitui o sniper treinado, e que ninguém seria capaz de repetir o tiro de 2 mil metros que Carlos Hathcock acertou em 1967 usando uma metralhadora .50 modificada OU o absurdo recorde de 2815 metros de um sniper australiano em 2012 no Afeganistão.

Estão corretos, mas o sistema é suficiente para um atirador não-treinado acertar alvos do tamanho de um CD a 900m de distância. A precisão de uma carabina M4, a arma-padrão dos soldados americanos, é de 500 metros.

O sistema de tracking point começará a ser vendido em Janeiro de 2013. Estimam o preço entre US$15 mil e US$20 mil. Caro, com certeza, mas muito mais barato do que um sniper treinado.

Melhor: estará à venda para civis. É uma compra excelente se você quer estar preparado para exterminar absolutamente totalmente positivamente qualquer zumbi num raio de 1Km de sua fortaleza pós-apocalíptica.

Fonte: UR



06 Dec 23:39

50% da receita de aplicações mobile vão para VINTE E CINCO desenvolvedores

by Carlos Cardoso

sonhomorrrreu

Concentração de renda é bobagem.

Uma das bandeiras vendidas com as App Stores da vida é que qualquer um pode criar um próximo Instagram e ficar rico, mas na realidade a situação é a mesma de ter Word em casa e por isso virar o próximo George R.R. Martin, ou a próxima JK Rowling, se você tiver um mínimo de apego a seus personagens.

É possível? Sim, mas a ferramenta é praticamente irrelevante. Ter acesso a ela fará pouco ou nada de diferença. As App Stores hoje são um ambiente incrivelmente darwinista, grandes estúdios entraram pesado, e você baterá de frente com EA, Disney, Rovio, Gameloft e outros. O independente tem que ser genialmente genial de uma forma digna de poucos gênios para se destacar.

Do contrário, o cenário é o mesmo de sempre:

Primeiros 20 dias de novembro, US$60 milhões em apps e compras in-app, no Google Play e App Store. US$30 milhões foram pra 25 estúdios. Sendo que existem mais de 160 mil desenvolvedores iOS registrados, e mais uns 100 mil no Android.

Pior: Das 300 Apps mais vendidas na App Store, 146 foram jogos, que demandam engines caros, muita arte de qualidade e bem mais expertise do que uma agenda de endereços. Provavelmente você não conseguirá programar um Angry Birds sozinho. Quer dizer, a física é simples, trocentos anos atrás usei como exemplo em um livro justamente por isso. Complicado é o que tem em volta.

É uma visão pessimista, apocalíptica? Não, por favor, não entendam mal, só que não é também um El Dorado, não existe mais isso de se construir eles virão. Para fazer sucesso desenvolvendo Apps hoje é preciso muito mais dedicação, talento e grana do que alguns anos atrás. Está mais difícil, não impossível.



06 Dec 23:38

O Final Feliz da Cosplayer edificante

by Carlos Cardoso

Anna Moleva (Анной Ormeli, pros íntimos) é uma cosplayer russa pra lá de edificante, com fantasias excelentes, mas sua obra-prima é a versão da Elizabeth, de Bioshock. (página da beldade no feice)

Apesar de ser um hobby que demanda trabalho, dedicação e criatividade, por algum motivo há um certo despeito entre alguns grupos de nerds, em relação a cosplayers. Em parte é inveja, quando algum sujeito chega com aquelas armaduras ultra-elaboradas, mas também rola uma certa misoginia, disfarçada com o discurso pontuado por “poser”, “attention whore” e outros termos usados por nerds nojentos que não entendem como uma mulher daquelas pode não dar atenção a nerds nojentos como eles.

Não que isso impeça a moscovita (sempre quis escrever moscovita) de mandar muito bem:

russaedificante

O resultado é que Anna impressionou até o pessoal da Irrational Games. A ponto de fazerem um convite, prontamente aceito. Ela passou a ser o rosto oficial de Elizabeth, o Bioshock Infinite foi inclusive adiado para que o o material promocional, caixas e até o modelo da personagem fossem alterados para ficar mais parecidos com Anna.

Isso mesmo: A Cosplay agora é a personagem. O ciclo está completo.

O mais divertido é que quem fizer cosplay de Elizabeth estará fazendo cosplay de cosplay.

cosplayedificante2

Isso é uma evolução muito bem-vinda. Nos primórdios da Internet fã-clubes e cosplayers eram vistos como pirataria por boa parte da indústria. Parece (e é) um absurdo mas mordiam as mãos que os alimentavam.

Uma vez a Paramount resolveu que TODOS os sites de fãs de Star Trek eram violação de copyright, então enviaram ordens extra-judiciais para milhares deles exigindo que removessem todas as imagens e textos não-autorizados. Depois iriam lançar um kit com material pré-aprovado para construção de sites de fãs. CLARO isso, gerou um feedback horrendamente negativo e desistiram da idéia, mas essa era a visão dos adevogados.

Ao abraçar a comunidade cosplay e fãs em geral as empresas estão investindo em uma relação que vai muito além da comercial, e acaba valendo mais do que dinheiro.

Fonte: IHC



06 Dec 23:36

Leitor SD USB WIFI. Agora sim!

by Carlos Cardoso

leitordomal

Talvez o grande problema de tablets e smartphones seja a conectividade física. Nos Androids menos, nos iOSs da vida, mais. Mas mesmo no maravilhoso mundo livre do robozinho ainda sofre-se com cabos proprietários, adaptadores e conectores.

Uma alternativa são os dispositivos de armazenamento externo com acesso WIFI, mas aqui são caros e limitados. Da última vez que vi queriam mais de R$150,00 por um com 16GB de memória, sem capacidade de expansão.

Esse REX-WIFISD1 da Ratocsystems resolve o problema. Vem com um leitor de cartões SD/SDHX e SDXC, uma porta USB para pendrives e (quem sabe) HDs externos e pode ser conectado via USB ou via WIFI. A bateria de 3000mAh (acertei, Laguna?) garante uma boa autonomia, e principalmente, nenhum cabo.

O brinquedo será lançado em Janeiro, então há poucas informações além do preço, 7980 Yens ou R$206,00.

Fonte: AN



05 Dec 23:44

Photo



05 Dec 23:44

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05 Dec 23:41

975 – Como eu nasci?

by Carlos Ruas

05 Dec 23:41

976 – Filhos do carnaval

by Carlos Ruas

05 Dec 23:41

977 – Explicações de abdução

by Carlos Ruas

04 Dec 22:22

He just doesn't give up!

Submitted by: ximena9211
Posted at: 2012-12-04 07:01:08
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04 Dec 13:07

Robots

by DOGHOUSE DIARIES

Robots

Well gang, the wait is over. We finally, FINALLY have a store up and running, so check it out. We’ve got shirts, mugs, buttons, whole giraffes, whale blubber, and real floating skateboards from Back to the Future … Okay fine, we don’t actually have whale blubber. Anyway, we hope you find something you like, and thanks for all the emails asking us when we’d have stuff available. It helped us get our act together.

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04 Dec 13:07

Choose Your Superpower

by DOGHOUSE DIARIES

Choose Your Superpower

In case you missed it, last week we announce our new store!  Hopefully this is just the start.  We’re going to try to add lots of other good stuff regularly!  Thanks for all the support and encouragement! Also, feel free to continue letting us know if there’s anything in particular you’d like to see added in the shop.

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02 Dec 23:03

Cat-terpillars!

Submitted by: ollybird
Posted at: 2012-12-02 05:57:39
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