Shared posts

26 Nov 01:31

“Ele não fica sem mim”

by Cinthia Dalpino

Outro dia falei para uma amiga deixar o bebê dela na minha casa para ir trabalhar. Ela o leva ao trabalho todos os dias, e tem percebido que, como ele está crescendo, tá mais difícil mantê-lo ‘quieto’ enquanto exerce suas funções. Sua resposta foi pragmática:

“Ele não fica sem mim”

Pensei em retrucar, mas me vi naquela fala, seis anos antes.
Tudo que eu fosse fazer incluía a Eva. Desde recém nascida. Foi comigo ao trabalho até fazer um ano, me acompanhava nas viagens de trabalho, e, toda vez que surgia uma oportunidade de deixá-la com alguém, eu dizia a frase ‘Ela não fica sem mim’.

Não foi só com ela que repeti o mantra. Quando Aurora nasceu, foi um bom tempo sem contato com outros humanos sem a interferência da mãe leoa.
E, assim, quando eu menos esperava, estava exausta. Como me achava super poderosa, a dona dos peitos mágicos, o abraço quentinho, o melhor lugar do mundo para acolhê-las, elas certamente assumiram esse papel – de dependência – que me mantinha refém da minha própria armadilha.

O “Elas não ficam sem mim”, aos poucos começou a se tornar um peso. Era difícil ser a única pessoa capaz de ser responsável pelos filhos além do pai.

Só que, mais cedo ou mais tarde a gente aprende, na marra, que precisa contar com pessoas. Que é saudável para a criança ter outras interações e ficar sob o cuidado de terceiros, e começa a relaxar. Curiosamente, quando a gente começa a relaxar, bingo – a criança parece assumir outra postura – ela fica com outras pessoas, como se a mãe nem existisse.

Não sei se por carência, medo de não ser indispensável ou por que raios fazemos isso com a gente e com os filhos, só sei que essa mãe foi mais esperta do que eu.
Enquanto eu refletia sobre toda essa trajetória, entendendo seu argumento principal, pois já tinha estado na pele dela, ela concluiu: “Mas podemos tentar”.

O resultado não podia ter sido melhor. Ele não só ficou, como dormiu, comeu e brincou, sem nem chamar pela mamãe.
Na verdade eles ficam muito bem sem nós.

Somo nós é que não ficamos´tão bem assim sem eles.

05 Nov 18:00

Crianças Insuportáveis

by Casa Curumim
Por Maíra Scombatti Outro dia, refletindo junto com uma outra mãe durante um atendimento, propus aprofundarmos o que ela estava sentindo quando me disse: “Eu não estou suportando o meu filho! Eu não sei mais o que fazer!”. No exercício da escuta empática, senti com ela o desespero que às vezes aparece na jornada da [...]
13 Sep 23:42

Livre de tudo que sei e escravo do que ignoro

by Kalu Brum

Antes de começar a ler este post pense nessa frase de Spinoza: “Sou livre de tudo que sei e escravo de tudo que ignoro.”  Vira e mexe aparece um novo blog com esse tema: para ser a mãe perfeita precisa parir em casa na banheira de peixinho, ter doula, amamentar até o filho ir para...

Read More

The post Livre de tudo que sei e escravo do que ignoro appeared first on Olhar Mamifero.

09 Sep 13:10

Educação na Irlanda, Transition Year.

by noreply@blogger.com (Karine Keogh)

transition year ireland


Eu vou te contar uma coisa: A vida tá ficando mais fácil.
Agora com as meninas um pouco maiores e mais independentes a vida anda mais no ritmo que eu nasci para viver, me sentia bem limitada com elas ainda little.

Há quem diga que um dia vou sentir saudade da época em que eles eram pequenos, mas gente, Breno vai fazer 16 anos, tô nesse ramo a tempo suficiente pra te dizer que apesar de sentir uma nostalgia, muito vez em quando, nada mais prazeroso para uma aquariana incurável do que saber que as pessoas com quem divido e dedico a minha vida conseguem depender cada vez menos de mim.

Não me leve a mal, só respeito a ordem natural da vida e é incrível ve-los se transformando em seres humanos bacanas.

E aqui na Irlanda, com um sistema muito diferente do Brasil, a escola tem um papel fundamental.

Esse ano Breno entra no chamado Transition Year, eu poderia chamar de ano sabático no meio do ensino médio, mas se ele ler esse post (ele costuma checar meu blog periodicamente pra ver se estou falando dele), ele diria que é uma descrição não muito justa, já que eles continuam com muitas obrigações, mas sem atividades curriculares.
Transition Year, é o ano em que os jovens entre 15 e 16 anos tem a oportunidade de vivenciar o mundo, além dos muros escolares.
Eles tem que prestar serviços a comunidade e fazer estágio em 3 empresas (escolhidas por eles), além fazer muitas excursões de cunho educativo a Museus e importantes locais da cidade e da Irlanda.
Algumas matérias, como formação de banda, debate, Política, culinária e drama também ficam disponíveis.

Em algumas escolas, como a do Breno, o Transition Year - ou ano de transição- é obrigatório, em outras escolas, é opcional.

Eu não tenho pressa que ele termine o Ensino Fundamental, afinal, são poucos os jovens que aos 17/18 sabem o que querem fazer para o resto da vida, e optaria por ele cursar esse ano mesmo que não fosse mandatório, mas nem todos os pais pensam assim, acho que esse é um ano que, se a Kid é acadêmica não vai fazer mal, mas que caso a kid precise de mais foco e guidance preocupa a alguns pais.

Sendo Brasileira, das humanas e sempre na dúvida entre fazer miçangas, Publicidade, Direito ou viver de amor, eu acho que adoraria ter tido esse ano extra para pensar melhor no futuro, então estou bem contente com essa oportunidade que o ensino Irlandês dispõe para kids, que como Breno, ainda não estão muito certas do que cursar, ou que não tem pressa.
Afinal, eles tem uma vida inteira pela frente e eu só vejo vantagem nesses 365 para ajudar a decidir o que se quer.

Breno está animadíssimo com todas as possibilidades e portas que vem se abrindo e eu tô aqui, assistindo a tudo de camarote e vendo ele se tornar esse cara gente boa.

Dizem por aí que é preciso uma tribo inteira para se educar uma criança, e é mesmo verdade.


newpark transition year


05 Sep 23:11

Última semana da exposição "Uma canoa chamada lembrança"

by thereza.marinho

A Biblioteca Central da Ufes (BC) recebe, até 9 de setembro, a exposição itinerante “Uma canoa chamada Lembrança”. A mostra é resultado do trabalho realizado pelo projeto “Clic@r Itapina”, que promoveu uma oficina de educação patrimonial junto aos moradores do distrito, em Colatina. A exposição está aberta para visitação gratuita no primeiro andar da BC , no campus de Goiabeiras.

A oficina foi uma iniciativa do Grupo de Pesquisa Archivum, coordenado do pelo professor do Departamento de Arquivologia André Malverdes, do arquivista Anderson Barbosa e da historiadora Diovani Favoreto. O objetivo dos pesquisadores foi resgatar a memória local por meio da utilização de registros fotográfi cos pessoais e de famílias antigas do distrito.

“Uma canoa chamada Lembrança” é uma homenagem aos cidadãos de Itapina e sua relação com o Rio Doce, e recebeu esse nome graças à foto de um momento de dois moradores: a moça Adélia sentada na canoa Lembrança, com o menino Jaime ao fundo.

O projeto contou com recursos do Fundo de Cultura do Estado do Espírito Santo (Funcultura) e apoio do Arquivo Público do Estado do Espírito Santo, da Secretaria Municipal de Cultura de Colatina, do Departamento de Arquivologia da Ufes, da Associação dos Arquivistas do Estado do Espírito Santo, dos grupos de pesquisa “Acervos Fotográficos” e “Cine Memória”, e do Empório Capixaba Projetos Culturais.

Texto: Patrícia Garcia
Foto: Matheus Andreatta (bolsista de projeto de Comunicação)
Edição: Thereza Marinho

 

Categoria: 
Destaque
08 Aug 00:06

Leite materno é composto de apoio e informação

by Kalu Brum

Por: Macella Tutty Carta aberta para meu filho de (quase) seis meses. Filho, daqui a alguns dias você completará 6 meses. E, contra minhas próprias expectativas, completaremos 6 meses de amamentação exclusiva. E filho, isso é motivo de orgulho pra mim. Não por inflar meu ego, como algumas pessoas pensam, mas por ter vencido todas...

Read More

The post Leite materno é composto de apoio e informação appeared first on Olhar Mamifero.

02 Aug 14:17

A história de um bebê…

by Adriana Miller

Esse é um post que eu debati por muito tempo se deveria ou não escrever.

É um assunto sério, pessoal, íntimo e muito delicado – mas ao mesmo tempo, é o tipo de situação em que eu acredito que quanto mais falarmos sobre o problema, menos mistificado ele será, e consequentemente menos traumático (e até mesmo vergonhoso pra muitas mulheres) ele poderá ser.

Uns dias atrás uma amiga muito querida me ligou chorando querendo apoio e um bom ombro para desabafar, e uma frase que ela me disse, reforçou a vontade de falar publicamente sobre isso: “Se acontece com todo mundo, porque ninguém fala sobre isso?!”

Há muitos anos atras da Luciana Misura contou a historia dela, e recentemente a Flavia Mariano também tem falado abertamente sobre os problemas dela. E todas essas mulheres, além de corajosas de colocar a cara a tapa e se expor dessa maneira, também ajudam centenas de outras mulheres e casais a tentarem entender por que isso acontece, e ter esperança de que eles também terão um final feliz.

MisCourage-810x1089

Pois bem, acho que já não é novidade pra ninguém que estou gravida de nosso segundo bebê. Só que na verdade, esse será nosso 4′ bebe.

Pois é, nos últimos 18 meses eu perdi duas outras gestações por motivos que só o destino explica.

miscarriage-campaign-tommys-800x417

Em ambos os casos foram abortos espontâneos, que foram retidos pelo meu corpo, ou oque os médicos aqui chamam de “Silent miscarriage”, ou “aborto espontâneo silencioso”.

O que acontece? Bem, o bebê pára de se desenvolver, por algum motivo qualquer, e morre, mas o corpo da mulher permanece “gravido”, com a placenta viva, produzindo hormônios e sintomas.

Por um lado, evita-se o drama, e o maior medo de qualquer mulher gravida: não teve dor, nem sangramento, nem nada. Não teve cena de novela das 7. É um caso raro, mas que segundo meu Obstetra é relativamente comum, e pode até levar a complicações seríssimas, como infecção, e em casos extremos, até a morte materna (quando não existia ultrasom e a mulher passava meses achando que estava gravida, porem com um feto morto dentro do útero).

Da primeira vez, foi o maior choque de todos, obviamente.

A Isabella estava com um pouco menos de 1 ano e meio, tínhamos acabado de voltar de viagem ao Japão e começamos a conversar sobre “tentar” de novo – se tudo desse certo, o timing seria ideal, e o bebe nasceria perto do aniversario de 2 anos da Isabella, como eu sempre sonhei.

Mas nem deu tempo de parar pra pensar demais, e pimba, descobri que estava gravida. Assim no susto, de primeira.

Felicidade, comemoração. Aquela coisa toda.

Fizemos os primeiros exames e ultras, no mesmo hospital e obstetra com quem tive a Bella, e que está me acompanhando agora também, e estava tudo ótimo, perfeito e saudável.

Mas foi uma gravidez sofrida. Eu passei MUITO mal, muito mesmo, durante todo primeiro trimestre, e senti coisas que com a Isabella simplesmente passaram despercebidas. O cansaço, os enjoos, aquela vontade desesperadora de desistir da vida! On steroids!

Mas né? Estava gravida, estava feliz, e os planos familiares iam de vento em popa!

Com quase 12 semanas de gravidez (aos 47 do segundo tempo do primeiro trimestre! A fase mais esperada pelas gravidas!) em uma consulta de rotina, descobrimos que o bebe não tinha batimentos cardíacos. Fui levada para a ala de Medicina Fetal do hospital, fizeram uma ultra detalhada, e descobrimos que o bebe tinham parado de se desenvolver e falecido com umas 8 semanas.

Então meu medico recomendou uma curetagem logo para o dia seguinte – não fazia sentido esperar mais tempo algum, pois se em 3 semanas meu organismo não tinha dado sinais de expelir o embrião, e a placenta estava “viva” então era melhor fazer uma cirurgia e não correr riscos.

Nem precisa falar que foi a pior noite da minha vida né?

Repassei cada dia, cada hora e minuto das semanas anteriores… Sera que eu fiz alguma coisa errada? Foi aquela taça de vinho? Será porque eu comi um sei la oque? Não devia ter tomado aquele remédio ou passado aquele creme! Como sempre, os tabus que cercam os abortos espontâneos colocando coisas na nossa cabeça e culpando a mulher…

Enfim. O principal problema de aborto espontâneo são justamente essas dúvidas, esse instinto da mulher achar que fez alguma coisa errada. Que a culpa é dela.

Mas não, não é.

Meu obstetra recomendou fazermos um novo exame disponível (essa é uma área da medicina que tem se desenvolvido bastante!) em que poderíamos analisar o material genético do embrião – isso nos daria algumas respostas que poderiam evitar futuras perdas, ajudar a prevenir-las, ou curar algum problema mais sério. O exame nos diria se o bebe tinha algum problema genético, que é a principal causa de abortos espontâneos, um acontecimento totalmente aleatório e que não tem prevenção. Estima-se que cerca de 25% dos óvulos fecundados podem ter algum defeito genético incompatível com a vida. Ou então o exame nos diria se o feto apresentava alguma toxidade (por exemplo, caso eu tenha tomado algum remédio, ou contato com algum produto químico toxico que tenha afetado o embrião), ou se o bebe era perfeitamente saudável e normal – e então investigaríamos algum potencial problema físico em mim ou no Aaron.

Os resultados voltaram da melhor maneira possível: o bebe teve um problema genético, raro e aleatório. Nada que poderia ter sido curado, nem prevenido, e que provavelmente nunca mais se repetiria. Uma chance em milhares, segundo a relatório final.

A curetagem foi um sucesso e a recuperação ótima, e poderíamos seguir com a vida normalmente. Inclusive tentar engravidar novamente quando quisermos.

miscarriage-things-never-to-say-today-160113-tease_75b74abace2e9387af3a1fe0819c1dda.today-inline-large

A pressa para engravidar não era necessariamente nossa prioridade, mas também não nos preocupamos em prevenir nada, e então logo no mês seguinte, eu descobri que estava grávida novamente.

Aê! Felicidade, alivio, comemorações.

Maaaaas…. Pra mim, o pior efeito de ter passado por um aborto espontâneo foi a sequela psicológica que isso deixou em mim. Aquele medo constante de que “alguma coisa vai dar errado”.

Com 7 semanas fizemos uma ultra e o embrião estava saudável, coração batendo forte, porem medindo um pouquinho menor do que deveria estar…

Estávamos com viagem marcada para ir pra França com o pai do Aaron, e então marcamos outra ultra para uns dias depois de nossa volta a Londres.Com 7 semanas fizemos uma ultra e o embrião estava saudável, coração batendo forte, porem medindo um pouquinho menor do que deveria estar…

A viagem foi um arrasto.

Ate hoje quando vejo fotos daquela viagem eu consigo ver nos meus olhos o quanto estava triste e com medo. Acho que dentro de mim eu já sabia que já tinha perdido mais um bebê

Um dia, entrei sozinha numa capela escondidinha dentro do Mont Saint Michel e entreguei pra Deus – faça oque for melhor pra mim e minha família!

Voltamo pra Londres e não deu outra. Mais um aborto silencioso… Fizemos novamente o exame genético e descobrimos que mais uma vez o bebe tinha um problema raro e aleatório que era incompatível com a vida. As chances de acontecer de novo são 1 em 10.000, segundo o relatório – mas comigo, aconteceu 2 vezes seguidas.

todays-programme-12052516_1209481012401907_6114664711766539160_o

Mas naquela mesma noite, voltando pra casa ainda com os olhos inchados, meu telefone tocou e era um headhunter com uma ótima proposta de emprego e mudança de carreira.

Foi um sinal.
Tentamos, tentamos. Dois bebes perdidos em 3 meses.
Não era pra ser, e esse foi o sinal que Deus me mandou.

Prossegui com o processo seletivo (consegui! É meu emprego atual!) e engavetei sem pestanejar o plano de engravidar e ter ter filhos em idade bem próxima.

Além disso, queria dar tempo ao tempo, queria me recuperar fisicamente e ter tempo de processar tudo que aconteceu.

Umas semanas depois fomos para Nova Iorque, depois recebi a proposta do novo emprego, e a vida seguiu em frente!

Um ano depois de tudo que aconteceu, começamos a pensar nisso de novo.

Eu fiquei relutante – não só pelo medo de passar por aquilo tudo de novo, mas principalmente por medo de engravidar tao rápido de novo! Heheh

Estava adorando o novo emprego, começando um projeto super legal e sem saber o que fazer…

Mas né? A única certeza que eu tinha, era que engravidar não era mais certeza de que eu teria um bebê 9 meses depois…

Então resolvemos tentar.

E nada. E nada. E nada.

Eu sei que pode parecer drama, e sei que muita gente passa anos e mais anos tentando engravidar e fazendo tratamentos sem sucesso.

Pra gente, foram 5 meses. Falando assim não parece tanto tempo (e não foi), mas para um casal que tinha tentado engravidar 3 vezes na vida, e conseguiu de primeira em todas elas, cada mês frustrado, era um choque.

E ai começaram os outros medos: será que aconteceu alguma coisa? Será que nunca mais poderemos ter filhos?

O fim do ano foi atribulado de trabalho e viagens profissionais, e logo depois fomos passar o fim de ano no Brasil e Peru – mas já estava com consultas e exames marcados para assim que chegarmos em casa em janeiro pra ver se tinha alguma coisa errada!

Pois bem. Chegamos em Londres numa terça feira, minha sogra chegou la em casa na quinta feira, e no sábado era a festa de aniversario de 3 anos da Bella.

Acordei naquele sábado me sentindo inchada, sabendo que ia ficar menstruada a qualquer minuto. Mas a ansiedade falou mais alto e resolvi fazer um teste de gravidez antes da festa!

Tcharam!!!! POSITIVO!!!

Bem, de la pra cá, vocês já estão acompanhando nos diários e relatos de gravidez, assim como fiz com a gravidez da Isabella!

Foi destino? Foi porque “tinha que ser assim”? Talvez.
Foi triste, e foi traumático, mas principalmente me fez agradecer e apreciar ainda mais minha network, de amigos, familiares, médicos… mas principalmente minhas amigas que já passaram por isso, que me contaram abertamente de suas tragédias pessoais sem drama nem demagogia – sem julgamentos nem culpas.
Acontecem com todo mundo, e ponto final. E precisamos falar sobre isso sem medo!

Mas por fim, queria deixar um outro recadinho, e uma outra contribuição à sociedade.

IMG_1373
Vamos acabar com essa mania e costume horrível de meter o bedelho da vida alheia com perguntas e palpites indelicados e mal educados sobre “E ai? Vão ter filhos?”

Indelicado, inconveniente, mal educado, e muitas vezes simplesmente cruel.

Vale a leitura de um post ótimo que o Daniel Duclos escreveu uns anos atrás, e que traduz exatamente como eu eu me sinto (e a educação que recebi em casa!) sobre isso: Não é da sua conta!

Casais tem incontáveis motivos que os levam a não ter filhos – naquele momento, ou nunca. Por sua situação atual (ainda não é hora), por opção pessoal (não querem filhos e pronto), por infertilidade, ou por desgraças pessoais, questão profissionais, financeiras, etc, etc…

“Ah, mas é só curiosidade! Não tem mal nenhum”

Tem sim!

Se você não perguntaria socialmente quanto alguém ganha, quanto pesa ou quantas vezes por semana faz sexo, então porque acham normal perguntar uma coisa intima dessas??

Mas né? Tem gente que acha que não tem problema nenhum ficar fazendo comentários e contando piadinha machista/sexista/homofóbica/racista e o escambau, e não se dão conta mesmo do nível de inconveniência e falta de educação.
Ah, mas eu não me incomodaria se me perguntassem, então não vejo problema nenhum“.
Não interessa. De repetente você também não se incomoda de ver seu amigo sendo mal educado com um funcionário, ou o tio mala fazendo piadinha machista no almoço da família – mas isso não faz com que essas atitudes sejam corretas.

E o pior:

“Nossa, ta barrigudinha – vem bebê por ai?”. Não, mas obrigada por ressaltar o quanto eu engordei.

“Ta com cara de mamãe heim!?” – Pois é, obrigada por me dizer o quanto você acha que eu estou com cara de cansada, acabada e gorda (aliais, onde já se viu as pessoas acharem que “cara de mãe” é elogio??! Só mesmo quem nunca teve filhos, né?!?)

“E ai? Tao ficando velhos heim? Não vão ter filhos?” Ou a variável “Seu filho/a esta ficando muito velho, os irmãos não vão crescer amigos”, “O fulaninho ta querendo irmaozinho, heim!!”.

“Ah, não quer ter filhos? Você ainda vai se arrepender” – essa perola é geralmente reservada para mulheres, poque né?! Como ousa uma mulher não querer ter filhos? Não querer se “completar” nessa vida?! Ah, vah….!

Eu pessoalmente passei por varias situações super indelicadas, geralmente vindas de pessoas que sequer me conhecem (via blog ou mídias sociais), apontando que estava barrigudinha depois de ter passado por uma cirurgia para retirar um bebe morto (!). Ou a(s) pessoa(s) que comentaram que eu estava com “carinha redonda de mamãe” (argh! #DedoNaGarganta) quando na verdade já sabia que o feto estava com algum problema de desenvolvimento.

Ou principalmente quando não era nada disso, e apenas estava trabalhando mais que o normal, comendo mal e a cima do peso.

Fora os vários “e ai? Não vão mais ter filhos?” ao longo dos meses, quando estávamos tentando, mas sem saber se aconteceria de novo, ou se tínhamos algum problema. E mais recentemente, quando sim, já estava gravida, mas ainda na fase de incertezas, onde diariamente alguém apontava que eu estava “peituda”, ou com “cara redonda” ou “você engordou heim? Quem te acompanha repara mesmo!!”

Será que as pessoas não se dão conta do quão indelicadas e inconvenientes e mal educadas são?

Quando eu (ou qualquer outra mulher que você acha que tem o direito de perguntar sobre sua vida intima) realmente estiver gravida e pronta para contar pro mundo, todo mundo vai saber!

Ficar perguntando, incomodando e dando seu pitaco não ajudam em nada! Se ela ainda não falou nada e não te contou, é porque ela tem os motivos dela. Tem mulheres que saem contando pro mundo (e o Facebook todo) que estão grávidas assim que fazem xixi no palitinho. Ok, opção delas. Outras podem estar com crise no relacionamento, tendo problemas no trabalho, incertezas sobre a saúde do bebê, ou simplesmente não querem te contar agora! Respeite essa decisão tão pessoal de uma mulher/casal e não fique perguntando!
(até porque, pensa só: se ela esta guardando segredo da gravidez por enquanto, seja lá por qual motivo for, o que te leva a achar que só porque você foi indelicado ela vai te contar?! Assim, só pra você?! Do tipo: “ah, então tá bom… já que você me ofendeu e foi intrusivo, então deixa eu te contar um segredo aqui….“. Por favor né?!?!?)

 

Ah! E outra: o pessoal que fica dando pitaco no sexo do bebê!

Se um casal por acaso optar por não descobrir o sexo do bebê é porque eles não querem saber, querem uma surpresa na hora do parto, e não porque querem seus palpites, ok?

Se eles quisessem saber e ter certeza de terão menina ou menino, é simples: é só ir no médico, fazer um exame e pronto. Mistério resolvido.

Mas não. Muitos casais optam justamente pelo fator surpresa, o mistério e gostinho de suspense. E NÃO optaram por sua sabedoria em relação ao formato da barriga ou do nariz da mãe (ler acima sobre falta de educação em apontar atributos físicos da mulher em relação à gravidez!), sua intuição ou achismo.

Uma amiga (vizinha/conhecida/alguém da internet) resolveu não descobrir o sexo? Basta comentar “Nossa, que legal, já estou morrendo de curiosidade.” (ou algo do tipo). Juro que não dói guardar seu palpite pra você mesmo, e ainda vai evitar uma situação desconfortável e constrangedora com a grávida em questão.

E tenho dito!

#desabafei

P.S. Algumas das imagens desse post são da campanha da Ong Britânica “Tommys” que desenvolve pesquisas sobre aborto e oferece apoio a mulheres e casais que passaram por isso. Se você esta passando por isso e precisa de ajuda, o site deles é uma boa dica.

A campanha enumerava as muitas frases que as mulheres e casais que sofreram abortos ouvem, e que por mais que sejam “com boas intenções”, não ajudam em nada nem tapam o buraco deixado pela partida inesperada de seus bebês…

Adriana Miller
Siga me!

Adriana Miller

Sobre a Autora at Dri EveryWhere
Adriana Miller, Carioca. Profissional de Recursos Humanos Internacional, casada e mãe da Isabella.
Atualmente morando em Londres na Inglaterra, mas sempre dando umas voltinhas por ai.
Viajante incansável e apaixonada por fotografia e historia.
Adriana Miller
Siga me!

The post A história de um bebê… appeared first on Dri Everywhere.

29 Jul 15:00

Jacando ao Estilo Irlandês

by noreply@blogger.com (Karine Keogh)


Você pode tirar da maioria dos Irlandeses, qualquer coisa, menos seu chá, sua cerveja e sua batata, mas irlandês que é irlandês, não vive só disso não, é preciso muito mais carboidratos para faze-los felizes.

já que hoje é sexta-feira, dia internacional do pé na jaca, que tal experimentar umas esquisitices irlandesas?

Eu particularmente não gosto de nenhuma, com exceção do white Irish pudding (que pra mim tem gosto de kibe), mas tenho amigas brasileiras que já se adaptaram completamente a essa "vida na Irlanda" e o cardápio já conta com Tayto e sanduiche de banana.

O engraçado dessas diferenças culturais é que os irlandeses acham esquisito alguns dos nossos hábitos, como por exemplo, pizza com ketchup e bolo no café da manhã , mas são essas pequeninices que fazem o dia de uma expatriada, mais interessante.


Então vamos ao Top 8, comidas irlandesas esquisitas:

1- Aqui ao invés de se colocar ketchup, eles comem pizza acompanhado de maionese de alho.

2- Banana é recheio de sanduíche e alguns colocam pasta de amendoim para acompanhar. (e os caras de pau ainda acham esquisito nossa pizza de banana delícia...)

3- Batata frita com vinagre já falei muitas vezes, mas não dá pra falar de esquisitice sem falar disso.

4- Sanduiche de geléia AND manteiga, junto e misturado. Me da dor de barriga só de pensar.

5- Sanduiche de Crisps, porque o amor deles pela sabor queijo e cebola é tão grande, que eles tem que meter no pão.

6- Feijão doce no café da manhã. Sem mais....hahahah

7- Leite no chá.

8- Aqui abacate é usado na salada e no sanduíche, já até tentei, mas não consigo, abacate pra mim é mais pra doce do que pra salgado, imagine só se colocaria azeite nele, tadinho...

9- Chocolate com recheio de batata sabor queijo e cebola, tudo bem que acho que não fez lá muito sucesso, mas rolou...e muitos irlandeses aprovaram.


E aí, tem coragem de provar?
Mas já vou avisando que se te der dor de barriga, a culpa não é minha, viu?!







 Fonte das imagens: Google images
23 Jul 17:49

puerpério

by luíza diener
puerpério, esse momento estranho da nossa vida. tão arrebatador, tão cheio de amor, de plenitude, de.. caos. de repente chegou um bebê novo não apenas na sua casa, mas na sua vida. tudo vai mudar. vai mudar muito. não apenas suas noites de sono, mas seus horários, sua rotina, suas saídas (que saídas?), seu relacionamento com as pessoas, com seu marido, seus hormônios, sua maneira de encarar as coisas. não digo que vai mudar pra pior, apenas que vai mudar. o puerpério acontece naqueles meses após o nascimento do bebê em que parece que te mandaram pra um país muito distante, com passagem só de ida. de repente você está lá, […]
22 Jul 12:06

Os bebês e o mundo...

by noreply@blogger.com (Cristine Nogueira Nunes)


Esse bebê não está fantasiado de astronauta, como pode parecer à primeira vista. Na verdade, esta é uma notícia "tranquilizadora", publicada em jornal britânico, alguns anos antes da Segunda Guerra Mundial.

Trata-se de um capacete anti-gás venenoso para proteger as crianças pequenas, cabendo a seus cuidadores a tarefa de bombear o ar por intermédio de um fole (veja detalhe na imagem).

O livro Wartime childhood, de Mike Brown (Shire Library), conta que o gás venenoso foi uma arma muito utilizada durante a Primeira Guerra. Procurando defender-se das terríveis consequências dessa estratégia do inimigo, em 1936 foi desenvolvido o artefato, chamado de Baby-bag.

O autor relata as medidas tomadas pelo governo britânico na preparação da sociedade para o enfrentamento da guerra que se aproximava, com foco nos esforços direcionados às crianças, inserindo em sua rotina simulações de evacuação, construindo abrigos, criando atividades lúdicas (o tanto quanto possível) para ambientar os pequenos com a realidade que lhes bateria à porta.

E no cantinho de uma das páginas do livro, em formato muito reduzido, eu deparei com a seguinte imagem:




Mal dá pra entender ... procurei na internet e encontrei mais essa. A enfermeira em primeiro plano carrega todo o aparato (com o bebê em seu interior) por uma alça. E então compreendemos o motivo de chamar-se Baby-bag.





Fiquei pensando em quantas vidas hão de ter sido salvas por esse produto, pensando na equipe de profissionais que o desenvolveu (que imenso desafio criar algo para a defesa de crianças tão pequenas!), pensando também no misto de dificuldade e alívio das famílias em lidar com tal situação e de ter um recurso pensado com antecedência e amplamente disseminado para enfrentar período tão crítico...

Por quê esse assunto no Mamadeira Nunca Mais?

Pra dizer que os produtos podem sim ser pensados pra nos proteger, e não para nos fazer consumir e nisso nos enganar quanto à sua segurança.

E que o Design -essa atividade que tanto prezo- tem na realidade atual um panorama extenso pedindo por projetos inovadores, pois como diz Paola Antonelli, curadora de Design do MOMA,

"o desafio que sempre se apresenta à profissão é o de contribuir para tornar as mudanças viáveis, compreensíveis e acessíveis às pessoas, provendo proteção e segurança, sem sacrificar a necessidade de inovação e invenção".



01 Jul 13:45

Manobra de Kristeller: como esse procedimento pode prejudicar a mãe e o bebê

by Juliana Oliveira

Priscilla_Kristeller

Falar sobre a manobra de Kristeller significa falar sobre a cultura atual do nascimento, na qual a mulher é submetida a práticas obstétricas durante o trabalho de parto e parto para agilizar o nascimento do bebê a despeito da fisiologia do processo e do bem-estar materno e fetal.

Antes de mais nada, vamos entender o que é a manobra de Kristeller: a mulher em trabalho de parto chega ao período expulsivo, onde ela sente vontade involuntária e incontrolável de fazer força para que o bebê saia de dentro dela. Esse período pode ser mais rápido ou mais lento de acordo com uma série de fatores. A mulher é então colocada naquela cama nada confortável, de barriga para cima, com as pernas elevadas, parecendo um franguinho assado. Com o intuito de encurtar o expulsivo, o profissional faz a manobra de kristeller, onde a barriga da mulher é empurrada para baixo. Algumas pessoas empurram com as mãos, outras com os braços e até cotovelos e, pasmem, até com o joelho!

Tal manobra foi criada pelo ginecologista alemão Samuel Kristeller lá em 1867 (há apenas 149 anos!!!) após ele ter publicado um estudo falando sobre o que hoje chamam de toco-braçal, ou seja, a assistência manual de empurrar o bebê, com a intenção de massagear o fundo do útero para estimular as contrações e concomitantemente empurrar o bebê para o canal de parto. Na época em que criou essa manobra, trabalhava como médico voluntário para os pobres ajudando o povo judeu e durante toda a vida contribuiu muito na publicação de jornais médicos.

Os tratados de Obstetrícia, como por exemplo, o famoso Rezende, trazem a ideia criada por Kristeller como sendo um procedimento “inofensivo”, no entanto as evidências dizem o contrário e por isso, a Organização Mundial da Saúde, o Ministério da Saúde e a própria Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia não recomendam essa manobra, uma vez que não consiste em boa-prática de saúde.

Os evidencias científicas apontam que, apesar do uso da manobra de kristeller ter como intenção encurtar o período de desprendimento do bebê, nem esse objetivo ela consegue atender. Como se não bastasse o próprio desconforto em si, de ter algum estranho apertando a barriga no momento da dor da contração, existem ainda esses seguintes fatores negativos:

Para a mulher:

  • Aumento das taxas de lacerações severas, incluindo o esfíncter anal;
  • Aumento das taxas de episiotomia (uma vez que ambas as técnicas são combinadas para acelerar o parto);
  • Aumento da dor perineal após o parto;
  • Dispareunia (dor durante a relação sexual);
  • Rotura uterina;
  • Descolamento de placenta;
  • Hemorragias;
  • Falta de ar e desmaios;
  • Embolia amniótica.

Para o bebê:

  • Cefalohematoma;
  • Fraturas do crânio;
  • Fraturas de clavícula;
  • Diminuição da oxigenação cerebral;
  • Ferimento da coluna vertebral.

Para diminuir o tempo de expulsão do bebê é inútil aplicar a manobra de kristeller, a melhor opção é dar liberdade de posição para a mãe, na qual a pelve se amplie e a força da gravidade contribua. Hospitais e profissionais que se recusam em permitir tal liberdade com intuito de praticar pressão no fundo do útero por rotina estão deliberadamente cometendo violência obstétrica.

O parto deve ser um momento de amor, realização, de alegria, satisfação e prazer! Qualquer prática que venha contra esses ideais deve ser interrompida. Sentir a dor das contrações é suficiente para parir, não é necessário sentir a dor da violência que pode deixar não apenas marcas físicas, mas também emocionais, por uma vida inteira!

Informe-se, descubra seus direitos, apodere-se deles e se empodere enquanto mulher digna de parir da maneira mais tranquila possível, resgatando a cultura natural do parto.

Imagem retirada de: www.elpartoesnuestro.es 

Assinatura_PriscillaTives

The post Manobra de Kristeller: como esse procedimento pode prejudicar a mãe e o bebê first appeared on Mãe Saudável | Parto Normal, Parto Humanizado, Gravidez e Maternidade.

24 Jun 12:03

Inspiração – Loft em Sidney

by Judy Souto

Você já pensou em morar numa antiga oficina desativada? Eu já e tô com uma ponta (bem grande) de inveja desse loft! Que eu sou alucinado por esse estilo de cafofo vocês já sabem, né? Por aqui, dei algumas dicas de como fazer de um galpão comercial uma moradia pra lá de descolada. Navegando pelos mares internéticos, hoje me deparei com esse loft sensa, em Sidney, na Austrália. E claro, fiquei ansioso pra mostrar pra vocês.

loft1

A graça do lugar já começa pela fachada descascada. O mais legal é que a placa oficina foi mantida. Quem passa do outro lado da rua, nem sonha que dentro desse caixote antigo mora uma casa toda garbosa.

loft2

Tá cansado de se apertar em apartamentos? Em loft, espaço não é problema! Geralmente, nesse tipo de casa não há muitas divisórias, como esse. Mas a mistura de texturas é essencial pra garantir o toque modernoso à construção, geralmente velhinha.

loft4

Cimento queimado, tijolinho à vista, madeira rústica e tubulações metálicas aparentes são materiais perfeitos para criar um elo com o passado industrial/comercial do galpão e ainda dão uma pegada estilosa e aconchegante para todos os ambientes da casa.

loft8

Pra quem gosta de receber a galera em casa para festas de arromba o loft também é a melhor escolha. O pé-direito alto facilita a circulação de ar  pela casa e deixa a luz entrar. A falta de paredes entre os cômodos garante espaço de sobra pra afastar os móveis e transformar a sala em uma enorme pista de dança.

loft6

Privacidade é boa e todo mundo gosta. Nesse loft, o quarto tem um canto pra chamar de seu. Para fazer uma divisória do cômodo pro resto da casa, foi feito um enorme guarda-roupas de madeira. Reparou que são ripas? Ah! E do o outro lado dele fica o armário da cozinha. Mais prático e funcional impossível, meu povo!

loft9

loft3

E nada de banheiro caretão! A sacada é manter a pegada industrial e abusar dos acabamentos mais rústicos como o cimento queimado. O janelão traz luminosidade e ainda garante uma paisagem foda pra quem tá querendo pensar na vida durante o banho.

loft10

loft13

Já tá sonhando com um loft pra chamar de seu? Bem-vindo ao clube, companheiro! Bora pros classificados procurar um galpão com um preço camarada. Enquanto você não acha sua futura e espaçosa residência, dá uma passada na HC Store. Lá tem um monte de objetos super descolados pra já  ir deixando seu atual e glorioso cafofo com uma pegada industrial.

posta1

Pendente Industrial e o Pendente Homens da Casa deixam qualquer canto com pegada industrial.

posta2

Quer coisa com mais cara de fábrica do que tambores e cartazes? Os Tambores Pequenos Caveira têm tampa pra guardar o que você quiser e o Pôster Problema leva o estilo lambe lambe pra dentro de casa.

mais dois

Letreiros luminosos como as luminárias Seta e Pepsi Retrô também fazem referência a New York  e seus galpões.

O estilo industrial é moderno e muito atual, dando liberdade pra gente tanto fazer na casa inteira ou só em algum canto. Tem algo com essa pegada aí na sua casa? Manda pra cá! 😉

Fonte

O post Inspiração – Loft em Sidney apareceu primeiro em Homens da Casa.

31 May 19:55

Nascer em casa, renascer como mulher

by Kalu Brum

Por Kalu Brum, Doula e Fotógrafa   Quando conheci a Lu tive aquela sensação interessante de reencontro. No apartamento dela, sentindo aquela alma leve e profunda eu disse: você não tem vontade de um parto domiciliar? Lu era como um bambu: daqueles que por se saberem flexíveis podem alcançar os ceús.   Linda, uma mulher...

Read More

The post Nascer em casa, renascer como mulher appeared first on Olhar Mamifero.

31 May 19:49

Pai de segunda viagem

by Allan Zaarour

Dois corações, duas mentes. 

Um (de muitos) dos superpoderes adquiridos com a segunda paternidade é distinguir o que cada filho precisa em um mesmo momento, ainda que isso não se traduza em ação imediata. É um radar que escaneia em 360°, o tempo todo.

Depois do primeiro filho, a atenção agora está mais aguda. A audição, mais afiada para detectar o menor sinal de perigo - e o maior deles, o silêncio! A visão panorâmica consegue captar os movimentos de ambos os rebentos, mesmo que cada um esteja no limite do campo visual. O tato está mais viciado em afagar os cabelinhos com frequência. A mamadeira, a papinha e o prato de "arroz, feijão e carninha" são testados com o mesmo paladar à prova de sabores ácidos, azedos, amargos, ardidos ou tóxicos. 

A cena: seus dois filhos brincam no chão, sem tatame, a sala está cheia de brinquedos, muitos dos quais vão para a boca do menorzinho, o piso está revestido de saliva - enquanto o maior o atazana com pequenos empurrões, apertos e outras formas sutis de desestabilizar a concorrência.

Você: A. Sai correndo e acaba com a farra toda, guarda os brinquedos e coloca todo mundo em posições seguras;

B. Dá um grito lá de longe "Pára, deixa ele quieto, tô avisando!" ou;

C. Nem liga e continua fazendo café de cueca enquanto sua mulher consegue finalmente fazer xixi e escovar os dentes duas horas depois de acordar?

Bom, pais de segunda viagem vão ficar em variações da opção B, mas tenho certeza que no terceiro filho, é da C pra baixo!

Não é que agora você "não liga" mais para o que acontece com o bebê, ou algo que decorre de interação de ambos - é que você confia mais na natureza. Sabe aquelas cenas dos filhotinhos de leão brincando de brigar uns com os outros? Mesma coisa. E olha, se todas as bactérias viessem do chão de casa, a família nunca sairia do hospital.

Os dodois que vêm da creche/escolinha derrubam todo mundo, mas as idas ao pronto-socorro ficam bem mais esparsas. Você sabe agora que febre não mata, que gripe passa, que pra tosse tem xarope, que pra dor tem remédio rosa e docinho - e que dormir é coisa do passado, estando todo mundo mal ou bem.

Não é desleixo, é experiência.

Mas enquanto a calibragem da balança faz pesar menos de um lado, torna outro quase insuportável. Quase. Eles sofrem, sofre-se em dobro. Compaixão vem do latim "com-passio" - sofro junto, e não podia ser uma descrição melhor do que é sentir com sua filha ou filho a punhalada que o mundo dá em um lugar que você nem sabia que existia neles ou em você. Um órgão novo, cheio de nervuras, que só não te faz morrer de dor porque é preciso sobrar um pouquinho de energia para resolver o problema, suportar a dor e remover a barreira, caminhar na tempestade quando as pernas já nem andar querem mais.

E agora não tem volta. A gente é um monte de gente. A gente anda em bando. Somos uma equipe, um time! E a nossa gangue não tem vergonha de chegar em lugar nenhum!

Antes, quando o primeiro filho fazia birra em algum lugar, a gente queria enterrar a cabeça no chão de vergonha. Mas esses pais-avestruzes já saem de cena no segundo ato. Adentram os pais-caras-de-pau! Que se dane quem está olhando, tem duas crianças aqui precisando ser acalmadas e não importa se isso envolve um malabarismo da sua parte, enquanto exibe o cofrinho, se vai precisar pegar um no colo e enfiar outro embaixo da mesa ou pedir no restaurante que o garçom traga o outro canudinho, ou um monte deles, porque... "eu quero".

Por mais que se queira não deixar que eles queiram tudo, ou tenham tudo o que querem, o querer deles é lei. E você tenta, inutilmente, ser um rebelde às vontades vulcânicas de dois súbitos pequenos ditadores - irresistivelmente amados.

Na segunda viagem, os pudores caem na medida em que sobe a quantidade de porcarias largadas em todo e qualquer lugar dentro do carro. Mas a gente viaja mesmo assim, por entre pipocas murchas e amendoins aniversariantes, com "aquela música" tocando repetidamente no som, porque o ouvinte mais sedutor desse mundo fez mais uma vez o pedido - o seu filho.

O outro, enquanto ainda não pode expressar com palavras seus desejos automotivos, não hesita em gritar, chorar ou balbuciar feliz o nível de prazer que o passeio lhe traz. Os dois vão dormir por fim, de qualquer forma, e aquelas cadeirinhas grudentas, uma virada de cara para o assento, outra para o lado oposto, não sustentam mais tantos sonhos móveis - você agora é o abraço que leva o filho mais pesado até em casa, até a cama.

Na hora da bronca, às vezes tem um chorando e o outro rindo. E isso parte o coração - no bom sentido. Tem um lado seu querendo ficar carrancudo, mas outro aliviando a barra para todo mundo. "Deixa disso, cara. Passa rápido esse tempo em que eles são crianças, deixa para lá". Exercer a disciplina, sim, mas com certeza entender que o que estou ensinando a eles está muito mais no universo emocional, via um tipo de comunicação intagível, absorvida ao se sentir pelo sexto sentido. Isso só se aprende conforme eles crescem.

Quando se tem mais de um filho, você ganha um objeto de pesquisa (o segundo) e o controle (o primeiro), e fica evidente: eles não aprendem com palavras (decoram, sim, mas não aprendem), nem pelo exemplo (ele até vai imitar, mas porque é mais seguro fazer certas coisas igual a você) - é a atitude, o tom e o estado de espírito que você carrega perto deles que determina o que eles levam com eles, para o resto da vida. Nossa memória afetiva grita, define rumos, decisões, enquanto as memórias analítica e factual, enquanto contribuem para a navegação prática, soam mais como sussurros.

Por mais analítico que eu tente ser ao pensar no que a paternidade em dose dupla significa para mim, no fim, tudo se esfacela em risos e lágrimas. Ser pai é uma grande massa de emoções, disforme, instável - mas tão presente em todos os momentos quanto a própria consciência. Está sempre tão perto quanto o fato de se estar vivo. E eu não sei mais o que é ser um sem os dois. Por isso resolvemos e bancamos sermos quatro, felizes em nosso cansaço, esperançosos em nosso desespero, realizados em nossa eterna incompletude.

Nada disso faria sentido se a ideia de ser pai mais de uma vez não tivesse um único fundamento: amar mais. Qualquer coisa diferente disso não parece ter razão de ser.

Um medo que minha companheira tinha quando pensávamos em realizar a segunda maior proeza de nossas vidas era de não sentir o mesmo que sentimos da primeira vez.

Mas a verdade é que não precisava ter medo! Não é o mesmo porque eles não são iguais. Mas é a mesma fonte de amor interminável de onde vem o sentimento. É amor 1 e amor 2.

29 May 12:13

A cultura do estupro e a violência obstétrica

by Kalu Brum

1 em 4 mulheres são estupradas por dia no Brasil. 1 em 4 sofrem violência obstétrica. Ontem, depois que fiquei sabendo da barbarie em que 33 homens estupraram uma menina de 16 anos, meu coração se acinzentou. Um crime que levanta uma questão importante: a banalização do corpo da mulher. Uma cultura que está disponível...

Read More

The post A cultura do estupro e a violência obstétrica appeared first on Olhar Mamifero.

22 May 17:02

Uma consideração sobre a indústria de cuidados aos bebês

by noreply@blogger.com (Cristine Nogueira Nunes)
Encubadoras, França - 1897 . www.neonatology.org


Reproduzo no post de hoje o artigo que apresentei no Encontro Nacional sobre o Bebê, ocorrido na PUC-Rio, em out/nov de 2015.



A cada momento surgem mais produtos que prometem tornar prática e segura a tarefa de cuidar de bebês. Alimentação, higiene, estimulação pedagógica e mobilidade são alguns dos setores do universo infantil para os quais a indústria dedica esforços de projeto, produção, marketing e distribuição, contando muitas vezes com a parceria do Design e alcançando resultados admiráveis de penetração e venda. O presente trabalho se propõe a avaliar criticamente alguns desses produtos, de modo a agregar argumentos para a reflexão sobre hábitos culturais instalados nas práticas cotidianas de cuidado infantil, a partir da análise de seus impactos sobre a sociedade e o meio ambiente.


There is a constant offer of products that promise to make the task of caring for babies safer and more practical. Food, hygiene, educational stimulation and mobility are some of the sectors of the infant universe for which the industry dedicates design, production, marketing and distribution efforts, relying often in a partnership with Design and achieving admirable results of penetration and sales. This paper aims to critically assess some of these products in order to add arguments to elaborate on installed cultural habits in daily practices of child care, based on the analysis of their impacts on society and the environment.


Palavras chave: cultura industrial – produtos infantis – desdesign

Key words: industrial culture – children’s products – un-design




Para introduzir esse artigo, relato o encontro que tive em 2012 com o Dr. Héctor Martinez, pediatra colombiano, membro da equipe[1] que concebeu o Método Mãe-Canguru, mundialmente reconhecido e adotado por salvar a vida de muitos bebês prematuros.

No Instituto Materno Infantil (Bogotá - final da década de 1970), os bebês prematuros e de baixo peso eram colocados em incubadoras, onde recebiam sondas, respiradouros e alimentação com fórmulas lácteas. Poucos sobreviviam. A equipe de pediatras observou que as mães ficavam apartadas dos cuidados aos bebês, apenas podendo vê-los através do vidro da unidade neonatal da instituição. 
Desejosos por alterar aquele quadro, esses médicos decidiram coletar o leite das mães para oferecê-lo às crianças. A ingestão de leite humano, como se esperava, melhorou a capacidade vital dos pacientes e os índices de alta hospitalar subiram. Mais adiante, esses médicos se inquietaram com o fato de que, sob essa nova conduta, as mães ainda permaneciam distantes de seus filhos durante o tratamento. Então, contrariando o protocolo de segurança em vigor em hospitais, a equipe ousou convidar as mulheres a entrarem na UTI para amamentar seus filhos, o que melhorou ainda mais a perspectiva de vida dos pequenos. Por fim, e mais adiante ainda, os pediatras perceberam que, com um eficiente controle ambulatorial, para muitos daqueles bebês a incubadora poderia tornar-se dispensável. Bastava que suas mães os mantivessem permanentemente junto ao seu corpo, levando sua vida normal: o contato pele a pele era mais eficiente para aquecê-los, a batida do coração da mãe ritmava a dos pequenos, o acesso livre à amamentação os alimentava, e o amor da mãe ou do familiar que assim o acolhesse surtiria excelentes efeitos para o seu desenvolvimento.

O método consistiu da retirada de tudo aquilo que se interpunha entre a mãe e o bebê, de tudo aquilo que havia se “naturalizado” como cuidado. Como observa o Dr. Luís Alberto Mussa Tavares:

O colo materno ameaçava todo um marketing construído em torno da infalibilidade das incubadoras modernas e sedimentado, entre outras práticas, pelas famosas exposições públicas de prematuros vivos, eventos que ganharam popularidade na Europa e nos EUA no início do século XX. O programa colombiano Mãe Canguru resistiu, enfrentando todo tipo de ataques e suspeitas (...). Nascia assim, para o mundo, uma nova esperança de cuidado e envolvimento. Pela primeira vez o amor tornava-se uma palavra de uso clínico. A dopamina ganhava um ilustre concorrente. A incubadora, um desafiante à altura (Tavares, 2010: 212-213).

Sob a inspiração desta narrativa, esse artigo convida à consideração de alguns produtos industriais hoje absorvidos nas práticas familiares de cuidados aos bebês. Uma análise crítica desses produtos, desde seus aspectos formais, funcionais e de uso (posto de observação do Design), poderá trazer elementos úteis para a reflexão sobre continuidade e descontinuidade na família, objeto de estudo da Psicologia.


A mamadeira é um utensílio corriqueiro do universo de produtos voltados para o bebê. Sua imagem funciona mesmo como um ícone da primeira infância. Uma grande diversidade de modelos de mamadeira encontra-se disponível no mercado, e toda essa atualidade também se expressa nas fórmulas lácteas. As bonecas vêm acompanhadas por mamadeiras. Conforta-nos a ideia de que, aos poucos, o bebê irá manusear de maneira autônoma sua mamadeira. E como aprendemos a confiar nos fabricantes desses produtos, inseridos que estamos na cultura industrial, acreditamos naquilo que as empresas nos dizem em suas propagandas e sites. A vida é muito agitada, precisamos de soluções práticas e de informação sucinta e direta.


Desafortunadamente, uma pesquisa rápida é capaz de desmentir o parágrafo anterior. Não se questiona aqui o fato de que uma maneira alternativa de alimentar bebês se faz eventualmente necessária e nem se pretende ditar modelos de comportamento a mães e familiares. Apenas demonstrar que um olhar crítico para esse utensílio insuspeito pode desmantelar sua consagração e nos fazer ver a que nível estamos absorvidos pelo hábito de confiar nos produtos.


A primeira mamadeira industrial surgiu na Inglaterra, nos anos de 1880[2]. Um vasilhame de vidro, tampado por uma rolha atravessada por um fino cano de metal, permitia que as crianças se alimentassem com independência, desde que sentadas. Naquela fase, de cada dez bebês que a utilizaram, apenas dois ultrapassaram os dois anos de vida. O problema mais flagrante era que esse cano, de tão fino, se revelava impossível de limpar.



Em 1939, a Dra. Cicely Williams apresentou artigo em evento científico sob o título “Leite e homicídios”, no qual responsabilizava o uso de leites artificiais em mamadeiras pelas altas taxas de mortalidade infantil. Vários outros estudos se seguiram até que, no início dos anos de 1970, a organização caritativa britânica War on Want (cuja tarefa era arrecadar donativos para as populações mais pobres do mundo) decidiu investigar o caso, enviando o jornalista Mike Muller para as localidades agraciadas pela organização. Em 1974 foi publicado o relatório “The baby killer”, que denunciava as estratégias das indústrias de leites artificiais e mamadeiras nos países do então chamado “Terceiro Mundo”, causadoras do desmame precoce, adoecimento e morte de crianças.



Em 1979, sob o impacto deste relatório, operou-se uma mudança de paradigma: o consenso científico internacional passou a reconhecer a superioridade do leite materno. Hoje, capitaneados pela Organização Mundial da Saúde, 168 países são signatários do Código Internacional de Comercialização de Substitutos do Leite Materno (1981), e estão comprometidos a apoiar, proteger e promover a amamentação, contra as incursões da indústria. A IBFAN[3] é a rede internacional de monitoramento do código, e a WABA[4], fundada em 1991, é a organização “guarda-chuva” que abriga as diversas iniciativas em prol do aleitamento, além de estabelecer as diretrizes para a comemoração anual da Semana Mundial do Aleitamento Materno.


O fato é que, independentemente do poder econômico ou do nível de escolaridade das famílias, a chegada de um bebê muda rotinas e pressupõe imprevistos. Para garantir que as bactérias do leite não se proliferem, as mamadeiras exigiriam sempre limpeza perfeita, além de água pura para hidratar o leite em pó. A mamadeira, porém, é composta de várias partes, conectadas por roscas que constituem o ambiente ideal para a proliferação dessas bactérias. Além disso, por mais que os fabricantes sofistiquem a sua forma, procurando aparentá-la ao seio materno, a mamadeira exige que o bebê deixe de projetar a língua para fora da boca (movimento inicial do processo de sucção, reflexo neurológico instintivo) e a eleve até o céu da boca, de modo a conter periodicamente a vazão de alimento para poder respirar. Tal alteração terá grandes chances de atrapalhar o desenvolvimento natural de sua arcada dentária (provocando a mordida aberta, que futuramente dependerá de aparelhos ortodônticos para a sua correção), gerando reflexos no sistema respiratório (respiração bucal, conduzindo o ar frio e impuro aos pulmões)[5].


Sob a influência da cultura industrial, nos distanciamos cada vez mais do conhecimento acerca dos sistemas naturais que ensejaram os produtos que consumimos. Produzido na hora, o leite humano é reconhecido como o “melhor alimento do mundo” tal a complexidade de sua composição e riqueza em anticorpos. Absorvido com facilidade pelo organismo em formação do bebê (a proteína do leite de vaca é estranha ao organismo humano, exigindo muito mais esforço para a digestão), o leite e o seio maternos dispensam embalagens, rótulos, transporte, medição, esterilização, descarte e já contém toda a água necessária à hidratação do bebê pelos seis primeiros meses de vida, desde que oferecidos em livre-demanda.


A atuação dos profissionais de saúde comprometidos com a transmissão desses conhecimentos depara com a força da cultura industrial instalada e reforçada pelo poder da indústria. Surge daí uma polarização entre a defesa da prática da amamentação e a adesão à continuidade de um padrão de consumo herdado de gerações anteriores. Os dados da OMS/Unicef, embora disponíveis, são suplantados pelo discurso promocional de marcas produtoras da alimentação artificial[6].



As chupetas provocam impacto fisiológico análogo ao das mamadeiras. Faz parte da experiência comum a todos aquela cena em que, ao oferecermos pela primeira vez o produto aos bebês, eles o rejeitam. Isso acontece porque o movimento natural de sucção, como já dito, projeta a língua para fora da boca.  Caso o bebê “pegue” a chupeta, aprendendo a retê-la por intermédio de novos movimentos de língua, isto acarretará um fenômeno denominado “confusão de bicos”, causa de desmame precoce de bebês.



Como a mamadeira, a chupeta também é símbolo de infância, acessório de bonecas, e constitui um recurso consagrado para acalmar crianças. Disponível em muitos modelos, o produto recentemente foi alvo de alarme público devido à sua customização com cristais e paetês, uma vez que as peças podem se soltar e provocar “grave sufocamento e engasgo, que inclusive pode levar a óbito”[7]. Independentemente dos riscos causados pelos enfeites, o uso da chupeta também conduz à formação futura de clientes para aparelhos ortodônticos.







Derivativos formais das chupetas, os alimentadoressurgiram recentemente no mercado de cuidados industriais infantis. Destinam-se a facilitar o processo de introdução de novos alimentos na dieta das crianças. São como chupetas grandes, nas quais podem ser introduzidos pedaços de frutas etc. Abocanhando o grande bico de silicone, as crianças têm acesso ao seu conteúdo já macerado, liberado pelos orifícios. O contato com o gosto original dos alimentos, sua consistência e aparência é assim substituído pelo sorver de uma “papa”, antecedido pela textura da matéria plástica.




Voltando a atenção para os produtos de higiene infantil, chegamos à fralda descartável. Até que ela surgisse como solução para conter os excrementos dos bebês[8], a fralda de pano era o recurso empregado pelas famílias. Uma existência tão recente dos modelos descartáveis (no Brasil desde os anos de 1980), contraposta aos milênios que os antecederam, forneceu tal nível de conforto e praticidade às pessoas que a ideia de abrir mão de seu uso já se tornou inaceitável para muitos.


Numa conta aproximada, um bebê utiliza cerca de seis fraldas por dia nos seus dois primeiros meses de vida, ou seja, 360 unidades. Até que complete um ano, imaginaremos que utilizará quatro por dia (as fraldas cada vez mais suportam a umidade acumulada): esse total será de 1080. Até que complete dois anos, será possível reduzir ainda mais esse uso, digamos para duas unidades diárias: 730 unidades. E a praticidade oferecida pelo produto possivelmente conduzirá ao seu uso eventual por mais um ano, considerando passeios e outras situações especiais: 130 fraldas. O total dessa conta ´é de 2.300 fraldas, por bebê[9].


Além do volume de lixo, real, os branqueadores empregados na confecção dessas fraldas são nocivos à saúde. Eles acabam por atingir os lençóis freáticos ao serem depositados em aterros sanitários; o plástico e demais materiais que compõem o produto podem também causar alergias e assaduras nas crianças.




O berço portátil finaliza essa lista de produtos voltados ao cuidado infantil. De grande utilidade em viagens, leve e desmontável, tem sido incluído em muitas listas de enxoval.



No primeiro semestre de 2015, porém, o berço “Nanna”, da Burigotto (modelo certificado pelo Inmetro), ocasionou a morte de um bebê de seis meses por asfixia, em Minas Gerais. A criança, ao se mexer, posicionou a cabeça no vão entre o colchão e as laterais e extremidades do berço. O material que forra a estrutura, sem trama, não permitiu a passagem de ar. A empresa fez então uma chamada de recall para 252 mil berços e o produto foi retirado do mercado[10]. Meses antes, por pouco outro bebê não precipitou tal medida, sobrevivendo após momentos em que se manteve desacordado[11]. Seus pais se queixaram à indústria, mas apenas a morte de uma criança fez com que a medida de recall fosse tomada.




Confiamos nos produtos industriais. Mas não deveríamos fazê-lo tão cegamente.


Acreditamos naquilo que a publicidade nos diz. Deixamo-nos seduzir pela proposta dos produtos, que tanto corresponde às demandas de nosso dia a dia. Mas, ao contrário do que imaginamos, o produto industrial pode ter defeitos de produção e mesmo de projeto.


As certificações de qualidade e segurança têm o intuito de proteger o consumidor, mas elas não são infalíveis, pois seria impraticável testar todos os produtos fabricados, um a um. O que acontece na prática é a verificação de alguns exemplares dos lotes. Há também uma realidade de mercado que inviabiliza a proibição de alguns produtos, garantindo sua comercialização desde que o fabricante alerte sobre seus riscos na embalagem ou em bulas (que nem sempre são merecedoras da atenção de quem os utiliza). E as marcas, as mais confiáveis, volta e meia nos surpreendem com recalls de produtos que vão de automóveis a brinquedos[12].


Nesse cenário, apresenta-se também como função do Design dirigir um olhar crítico à produção industrial, reavaliando produtos que se consagraram pelo uso, mas que podem causar mal aos seus usuários para, com isso, alertar o público sobre a necessidade de também ele avaliar criticamente suas escolhas.


O universo produtivo da indústria de cuidados aos bebês constitui um caso eloquente da necessidade do Desdesign. Termo cunhado por Victor Papanek nos anos de 1970, Desdesign é a ação de desconstruir soluções projetuais instaladas na cultura, com vistas a checar sua eficiência e adequação a partir da observação de seu uso, equalizando-as ao estágio alcançado pelo saber científico.


A mamadeira pode ser considerada um objeto-símbolo desse descompasso, afeita ao Desdesign por preservar-se em franca ascendência como item de consumo, apesar dos graves problemas e impactos que pode provocar. Segundo Constanza Vallenas, especialista da OMS, “se o índice de aleitamento materno nos seis primeiros meses de vida chegasse a 90%, seria possível evitar cerca de 13% dos dez milhões de mortes anuais de crianças menores de 5 anos”, ou 1,3 milhões de vidas[13].


A Metodologia Mãe-Canguru é exemplar na comprovação de que os aparatos que se interpõem às relações humanas podem ser dispensáveis. A mamadeira não é insubstituível no caso de necessidade de um utensilio alternativo para a alimentação de bebês: o copo ou a colher respeitam a fisiologia da criança e são utensílios muito mais fáceis de higienizar. Chupetas não precisam ser apresentadas aos bebês, e nada melhor do que o contato direto com os novos alimentos ao invés da mediação dos alimentadores. Fraldas de pano em modelos inteligentes, inspirados nas inovações tecnológicas dos modelos descartáveis, estão disponíveis em todo o mundo. Uma caminha no chão ou um cercado de travesseiros podem resolver os pernoites do bebê fora de casa.


O pediatra Carlos González sinaliza que a cultura industrial, com toda a sua intensidade, não gerou mutações no organismo humano: “Até mesmo quando são benéficas, as mudanças culturais podem entrar em choque com características físicas ou de comportamento que são fruto da herança genética, e que não podem mudar da noite para o dia” (González, 2015: 39). Nossa natureza vem sendo formatada pela cultura a acatar -muitas vezes como “próteses”- tantos utensílios mediadores para o cuidado com as crianças. Que o sortimento desses produtos não nos distancie daquilo que somos capacitados a oferecer aos bebês: a proximidade, o alimento que lhes fará bem, uma vida menos instrumentalizada e mais saudável.



Referências bibliográficas

González, Carlos. Bésame mucho. São Paulo: Editora Timo, 2015.

Nunes, Cristine Nogueira. Amamentação e o desdesign da mamadeira. Rio de Janeiro e São Paulo: Editora PUC e Editora Reflexão, 2013.

Papanek, Víctor. Diseñar para el mundo real. Madrid: H.Blume Ediciones, 1977.

Tavares, Luís Alberto M. A mãe canguru e o cuidado com o recém-nascido pré-termo: amor, calor e leite materno. In Amamentação – bases científicas. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2010 – p.211 -220.




[1] Idealizado pelo Dr. Edgar Rey Sanabria e desenvolvido por Dr. Héctor Martinez Gómez, agraciados em 1991 com o “Prêmio Sasakawa para la Salud”, pela OMS.

[2]https://nourishingdeath.wordpress.com/2013/08/15/murder-bottles/

[3] International Babyfood Action Network

[4] World Alliance for Breastfeeding Action

[5] Os modelos de mamadeira “BPA Free” são confeccionados em plásticos que não liberam o polímero, mas conservam todos os demais problemas listados.

[6] A NBCAL (Norma Brasileira para Comercialização de Alimentos para Lactentes e Crianças de Primeira Infância, Bicos, Chupetas e protetores de Mamilo) estabelece a obrigatoriedade de avisos de advertência nas embalagens e propagandas desses produtos, mas eles são superados pelo projeto visual das peças ou dispõem de fração de tempo mínima em filmes promocionais.

[7] http://oglobo.globo.com/economia/defesa-do-consumidor/inmetro-proibe-chupetas-mamadeiras-customizadas-17781362?utm_source=Facebook&utm_medium=Social&utm_campaign=O%20Globo

[8] https://fraldadepano.wordpress.com/2008/01/03/a-historia-da-fralda-descartavel/

[9] Vale sinalizar que as meninas terão cerca de 40 anos de vida fértil, consumindo aproximadamente 10 absorventes higiênicos descartáveis por mês, o que totalizará 4.800 unidades, por menina.

[10]http://g1.globo.com/economia/noticia/2015/06/burigotto-faz-recall-de-252-mil-bercos-apos-alerta-de-risco-de-asfixia.html

[11] Vídeo em http://entretenimento.r7.com/programa-da-tarde/videos/patrulha-mostra-as-falhas-de-berco-em-que-bebe-morreu-asfixiada-05062015

[12] A indústria automotiva é campeã mundial de chamadas de recall, e a Mattel já foi responsabilizada, em 2007, pela presença de imãs na boneca Polly Pocket (que em par se encontravam no organismo de crianças provocando perfuração intestinal) e presença de chumbo em tintas de acabamento de vários produtos. http://g1.globo.com/Noticias/Economia_Negocios/0,,MUL87766-9356,00-MATTEL+FAZ+RECALL+DE+MIL+BRINQUEDOS+NO+BRASIL.html

13 May 17:38

Parir sorrindo

by Kalu Brum

    Preciso alertar para você que chegou neste post: Marina pariu exatamente assim. Não teve gritos. Ela tirou o bebê, Noah, da água, sorrindo. Claro que existe edição mas esta foi fiel ao que aconteceu. Um parto sem dor. Poucos partos são desta forma. De mais de 300 devo ter visto no máximo 5...

Read More

The post Parir sorrindo appeared first on Olhar Mamifero.

12 May 00:21

Sessão solene e aula magna de Sebastião Salgado serão transmitidas ao vivo

by thereza.marinho

A sessão solene dos Conselhos Superiores para outorga do título de Doutor Honoris Causa  ao fotógrafo, documentarista, ambientalista e economista Sebastião Salgado será transmitida ao vivo nesta quinta-feira, dia 12, a partir das 19 horas, por meio de webconferência. O link para acesso é https://mconf.rnp.br/webconf/webconf-ufes . A transmissão será feita pela equipe da Secretaria de Ensino a Distância da Ufes.

Por meio o link também será possível acompanhar, a partir das 20 horas, a aula magna que Sebastião Salgado proferirá sobre o tema "Uma trajetória de vida", na qual falará sobre a importância de sua formação acadêmica para a construção dos valores éticos e sociais que o guiaram em toda sua vida. Ele apresentará ainda parte de um trabalho inédito que vem desenvolvendo na Amazônia, com previsão para conclusão em 2020.  

A sessão solene, presidida pelo reitor Reinaldo Centoducatte, será realizada no Teatro Universitário. A entrega do título é um reconhecimento a sua relevante contribuição às artes, à cultura, à ciência, à ecologia e a sua vigorosa produção fotojornalística.

O título de Doutor Honoris Causa é a mais importante homenagem prestada pela Universidade. Sebastião Salgado é um dos fotógrafos mais premiados do mundo, sendo considerado o melhor fotojornalista documental, reconhecido como autor de uma obra que é referência internacional na fotografia contemporânea.

A mais recente honraria recebida por Sebastião Salgado foi no último mês de abril, quando foi eleito como imortal da Acadêmia Francesa de Belas Artes.

Biografia

Sebastião Ribeiro Salgado Junior nasceu em Aimorés, na divisa do Espírito Santo com Minas Gerais. Em Vitória, ele morou e estudou desde a adolescência, ingressando no curso de Economia da Ufes em 1964, onde se formou em 1967. Em seguida, juntamente com a esposa, a capixaba Lélia Deluiz Wanick, transferiu-se para a capital paulista onde cursou mestrado em Economia na Universidade São Paulo (USP). Perseguido no regime militar por sua atuação na resistência democrática, o casal deixou o país em 1969 com destino à França, onde ele se especializou em Economia, com doutoramento na Universidade de Paris.

O casal tem dois filhos: Juliano e Rodrigo. Na Europa, deu início a sua saga na arte fotográfica e no fotojornalismo, tendo trabalhado nas principais agências de notícia. Na década de 1990, Salgado idealizou a criação do Instituto Terra, para promover reflorestamento e recuperação ambiental na região do Vale do Rio Doce. A fazenda onde está instalado o instituto, em Aimorés, se tornou uma reserva do patrimônio natural e importante laboratório de pesquisa e formação ambiental, sendo referência mundial.
 

Texto: Luiz Vital e Thereza Marinho
Edição: Thereza Marinho

Categoria: 
Manchete
06 May 19:14

Por que assistir ao documentário "O começo da vida"?

by Isabella Ianelli

Já faz tempo, mas eu não esqueço. Eu, que sou professora de educação infantil, tinha um aluno com alguma dificuldade de se relacionar, de conversar, até de se comunicar. Numa reunião, sugeri para o pai que ele brincasse mais com o filho. Todos os dias, um pouco: um jogo, uma música, um toque, um colo, uma conversa, o que fosse. Entre assustado e um pouco indignado, o pai me disse: "Mas eu brinco com ele todos os dias! Eu sempre compro aquelas revistinhas que têm joguinhos. E ele sempre rabisca tudo!".

A criança sobre a qual a gente falava tinha três anos de idade. Mal tinha completado mil dias de existência na Terra e precisava de tanta coisa mais simples e acessíveis do que um jogo da velha num gibi… Esta é só uma das respostas para a pergunta do título deste texto: a gente precisa assistir ao filme O começo da vida, principalmente, porque a gente não sabe nada do que acontece quando a vida começa.

Link Youtube - Trailer

Não estou desmerecendo este pai. Estou falando que a gente não sabe nada. E, quando digo "a gente", digo isso dos pais, sim, coitados, que aprendem isso na marra. Falo das escolas, que têm tantos números em mente antes de olhar para as pessoas; das professoras, perdidas entre expectativas e realidades; dos pesquisadores, isolados em seus centros universitários; dos neurocientistas, que tantas vezes olham para a vida como se ela fosse restrita a conjuntos de neurônios, células, átomos…

Voltando àquela história ali do começo, aquele pai não era uma pessoa desamparada, analfabeta, com sérias disfunções, com inúmeros problemas ou que não sabia viver em sociedade. Estou falando de um perfil de pai que trabalha muitas horas por dia, que é estudado, que ganha um salário provavelmente bom para colocar seu filho numa escola cara, que chega em casa antes das sete para dar o jantar, que passa na banca de jornal e compra um gibi para ver o filho acertar. Digo tudo isso para explicar que falo de um pai que representa uma parcela da nossa sociedade que tem acesso à informação. Um pai e uma sociedade que não sabem nada.

O filme vai buscar realidades muito distintas para encontrar o mesmo problema.

O maior ganho que a gente tem com uma empresa como a Maria Farinha Filmes produzindo filmes lindos (Criança, a alma do negócio, Muito além do peso, Território do Brincar, Tarja Branca) é que a gente agora pode falar com boa parte das pessoas sobre coisas que não eram ditas antes. Temos exemplos, perguntas, respostas e um meio para as pessoas saírem do cinema com um mar de questões sobre a infância.

Numa sociedade que preza tanto pelo sucesso, olhar para as crianças é um fracasso. Nada mais fracassado do que trocar fraldas, olhar brincadeiras, atentar para a resolução de brigas estapafúrdias, evitar acidentes, zelar por joaninhas, cuidar de bebês e, simplesmente, amar. Na sociedade do sucesso, quem fica em casa, fracassa. Quem precisa lidar com o erro, oferecer seu amor, ensinar a olhar, a perder e a tentar de novo é tido como um perdedor. Uma perdedora, para ser assim mais exata, já que estas funções todas estão historicamente muito bem colocadas nas costas das mulheres.

"O planeta não precisa de mais pessoas bem sucedidas. O planeta precisa desesperadamente de mais pacificadores, curadores, restauradores, contadores de histórias e amantes de todos os tipos."

Em tempos que nos dizemos tão racionais, que alívio ver na tela uma vida pulsante, olhar de perto este crescimento incontrolável desafiando quaisquer regras matemáticas, lógicas e exatas inventadas e ainda nem imaginadas. Que prazer olhar para alguns detalhes cotidianos dos primeiros mil dias destas crianças.

Para quem não gosta de enrolação, este é um filme muito bom: cheio de dados sérios pra entender o que realmente importa. Uma boa amostra de outras culturas e realidades, com muita gente diferente dizendo a mesma coisa. Para quem adora um filme fofo, que deleite tantos exemplos reais! Uma obra-prima muito bem executada pela diretora Estela Renner, sempre muito cuidadosa e precisa (não perca os filmes anteriores dela).

Uma criança descobrindo o mundo é uma das coisas mais belas que existem.

Por que assistir ao filme?

Se você é mãe, vai ver seu papel representado daquele jeito todo que já sabe: necessário, visceral, cheio de contradições. Vai ver ali na tela seus dramas, medos e todas as pressões que te consomem. Se você é pai, vai olhar a construção do amor que nasce junto com seu bebê: que bom saber que você tem um lugar precioso. Se você é pai e mãe, se na sua família só tem pais (ou só tem mães) você vai adorar ver um monte de especialistas comentando que o amor nasce dentro da gente, que o vínculo diário é a maior importância desta história toda e que o cultivo deste amor basta.

Se você é professor, educador, se você lida com crianças diariamente, se é com eles que você passa grande parte dos seus dias: você vai lembrar que seu trabalho diário vai além do que pregam os currículos das escolas, o referencial nacional, seus chefes diretos, as novas modas na área da educação e aquelas coisas todas tão ultrapassadas. Você vai lembrar que a essência do seu trabalho é a relação construída com seus alunos, com seus tutorados, sobrinhos, afilhados, com aqueles com quem você redescobre o tempo e para quem você generosamente oferece sua presença (que privilégio!).

Se você representa uma instituição, se você coordena uma escola, é diretor, supervisor, orientador: espero que este filme amplie sua visão, te mostre como aqueles que te cercam são, sempre, muito mais do que números. Quero, muito, que seus olhos esqueçam um pouco as planilhas, desejo que você veja as potencialidades que uma vida bem cuidada têm a oferecer não só para você. Para a humanidade.

Se você não tem filhos, não tem sobrinhos, não é professor, não dirige uma escola: este filme é exatamente seu. Porque conta nas linhas e nas entrelinhas que o começo da vida precisa ser aceito na sociedade para a gente começar a aliviar mães, pais, cuidadores, instituições e crianças. A gente precisa começar a olhar para os filhos dos outros para melhorar o nosso futuro e começar a aceitar as crianças, seus dias longos e todo estes cuidados necessários dentro dos nossos padrões malucos de sociedade.

Isso tudo é tão bonito. Por que não aproveitar mais?

Estreia hoje

Hoje, dia 5 de maio, O começo da vida estreia em 24 salas de cinema no Brasil. E de hoje até o dia 8 de maio, a entrada para ver o filme é gratuita. Imperdível. Se você não tem acesso a uma sala de cinema aí perto, você pode baixar o filme na plataforma VideoCamp e ainda oferecer uma exibição seguida de debate abrindo as portas da sua casa. Dá uma olhada. A gente recomenda.

06 May 17:48

Cuidado ou controle?

by Caroline Pizzini

Eu tenho estudado muito sobre cuidado.
E quando falo sobre isso com as pessoas, estudadas ou não, muitas delas me dão um feedback que eu não queria ter.
Associam cuidado com o outro a ter controle sobre ele e todas as circunstâncias que o possam fazer mal, associam esse cuidado à culpa inerente do ser humano ao ver algo sair do seu controle.

Mas vejam bem, cuidar não é controlar, nem de longe.
Cuidar é como alguns psicanalistas descreveram, como algo inato, que todos nós possuimos, o sentimento do cuidar, de nos sentirmos responsáveis pelo outro, de nos solidarizarmos pelo outro, o ajudar e principalmente o facilitar.

Facilitar sim, por que não?!
Facilitar aquela pessoa a seguir a própria vida com os próprios passos, dados com as próprias pernas.
O facilitador está ali para ser o abraço num momento difícil, a mão que ajuda a levantar, o incentivo quando já não acha mais solução nem acredita que algo possa melhorar.

Aqui escrevo com um no colo e a outra brincando com suas bonecas (veja só, está amamentando ali no sofá! rs). E muitas vezes, eu mesma me perco nesse des-controle que tenho sobre eles. Cada um de meus filhos é um indivíduo único, com suas peculiaridades. E cada um exige de mim um cuidado especifico, porque obviamente eles têm suas especificidades.
E posso fazer aqui uma mea culpa de que muitas vezes, e muitas vezes, eu tento controlá-los, mas voluntariosos que são, raramente eles me deixam ser a protagonista da vida deles. Na maioria das vezes eles assumem as rédeas das situações e são responsáveis por si mesmos. E no fim das contas, apenas facilito-os a encontrarem seus caminhos para o que é preciso.

Mamãe foi assim comigo praticamente minha vida toda. Uma facilitadora. Me mostrava uma vez como funcionava e na segunda era um “vai lá que agora você vai fazer sozinha”. E sou MUITO grata a ela por isso, por ter criado em mim essa consciência auto-suficiente. É claro que em alguns momentos ela quis (algumas conseguiu) tomar controle sobre algo, mas vamos combinar uma coisa? Ela é mãe, e sabemos que mães gostam de ser controladoras.

Tá confuso o que eu tô falando?!
Eu sou confusa mesmo, minha terapeuta bem o sabe.

Domingo é Dia das Mães, e eu queria dizer pra toda mãe que me lê isso, sabe?!
Não confunda cuidado com controle, não transforme seus filhos em marionetes.
Transforme-os em seres pensantes, indivíduos com suas personalidades, quereres e saberes.
Facilite suas descobertas, seu desenvolvimento.
Seja apoio, abraço, colo, carinho.
Eles sempre estarão com você, mas eles não são você.
Feliz Dia das Mães.

wired

Ilustração: Agócz Írisz

 

“Para cuidar é preciso exposição ao outro. Aceitação do outro como ele é, mas também oferta de acolhimento ao que nele pede passagem. Aceitar o outro como ele é, mas também oferecer acolhimento ao ‘tornar-se o que se é’.”
Ricardo Burg Cecim e Analice de Lima Palombini

26 Apr 00:44

A visão masculina da gestação e parto

by Juliana Oliveira

Juliana_PapelHomemParto

Quando comecei a escrever sobre este tema pensei, pensei e pensei… Escrevi dois textos gigantes e não era o que eu queria dizer. Até que resolvi perguntar pro meu marido como ele descreveria essa importância da participação dele no parto da nossa menina. E como meu objetivo é escrever este texto de forma que, principalmente vocês pais, sintam-se confortáveis, nada melhor do que pedir licença à vocês e deixar que meu marido fale por mim desta vez:

Um parto natural domiciliar é a coisa mais anti-natural das coisas naturais que podem ocorrer na vida de um homem.

Escrevo este texto sentado na cama, com a minha filha Maria Alice deitada ao meu lado, com o dedo indicador na boca e me olhando com se soubesse sobre o que estou escrevendo. Não sabe, mas nem por isso ela é menos inspiradora. E olhando pra essa menina de cinco meses eu agora entendo o porquê de todo o medo que me inundou quando esse projeto começou. Ela é linda, exatamente como a mãe, e eu não me perdoaria se não pudesse dar a elas todo o suporte que estivesse ao meu alcance.

A ideia do parto domiciliar não nasceu na minha cabeça. Foi uma ideia que rondava os pensamentos da minha esposa Juliana e que eu, por puro desespero de se tornar realidade, não alimentava e nem mesmo discutia. Aí meu primeiro erro capital: Deixei de lado o assunto pra ver se esfriava. Não esfriou.

Aqui eu preciso fazer um parêntesis: Apesar de ter participado e vivido o parto natural domiciliar, eu não sou um ativista. Não queimo sutiãs nem cuecas. Acredito no bom senso, na boa vontade dos médicos, na necessidade dos hospitais e de que na sociedade que vivemos, adoramos as máquinas de lavar, os micro-ondas, o facebook, os bolos prontos, mas queremos parir como no tempo das nossas avós, e no primeiro sinal de febre corremos com nossos pequenos pro PS e mandamos bala no antibiótico. Minha opinião particular, se isso tem algum valor, é que todos somos livres pra escolher viver como desejamos, isso inclui o respeito no momento do parto, seja ele dentro do hospital, na sua residência, dentro da banheira ou no jardim, debaixo da bananeira. E foi exatamente isso que aconteceu conosco aqui em casa.

Olhando para trás, tenho certeza de que não fui o melhor companheiro para minhas meninas nessa viagem, mas era o que elas tinham pro momento. E aqui eu queria deixar meu primeiro conselho: Você vai servir, não porque é o melhor, mas porque é o que tem pra hoje. Então não se compare com os caras que dançam com as mulheres, que tocam cítara, que fazem massagens xantônicas nos pontos neurais, que conversam horas e horas com a barriga das companheiras e com seus respectivos bebês. Tudo isso pode ser importante, mas fundamental mesmo é você estar lá. Segurar na mão dela e, do seu jeito, mostrar pra ela que você comprou a ideia e que tudo vai dar certo (mesmo que você esteja se borrando de medo por dentro).

Normalmente o homem tem um pensamento cartesiano, vivemos e morremos cumprindo ordens e organizando as coisas, resolvendo problemas e encontrando soluções, sempre com um alvo, um objetivo, uma meta. No momento do parto é a mesma coisa. Nosso objetivo é o nascimento do bebê com saúde, segurança e saber que nossa companheira está bem, aí vem um pedido que eu faço para as mulheres que estão lendo estas linhas: Nessa hora nos ajudem e sejam claras, tipo: “Eu me sentiria muito melhor, se você fizesse ISSO pra mim”. Nem que ISSO, seja pegar um pedaço da lua e trazer pra hora da janta. Conversem sobre qual papel você espera que seu companheiro desempenhe no momento do parto. Algumas mulheres querem que o homem esteja o tempo todo ao lado delas segurando sua mão, outras preferem que ele faça uma massagem, outras ainda que ele cuide do outro filho, se for o caso. O importante é que vocês saibam exatamente o que fazer e como agir, porque na hora, acreditem em mim, não vai dar pra combinar.

Outra coisa: não importa o tamanho do seu bebê, o quanto vocês se prepararam pra essa hora ou quanto exercício você fez. Vai doer, e vai doer um monte. E na hora da contração essa dor é esperada e necessária, e por mais que pareça um contrassenso, essa dor para a mulher é extremamente recompensadora. Talvez não no momento da expulsão, mas quando você pegar o bebê no colo tudo vai passar. Não me peça pra explicar isso. Eu também não entendo. Só sei que é assim.

O homem, em algum momento do parto pode se sentir impotente e talvez até inútil. É assim mesmo. Vai ter você, uma enfermeira, uma auxiliar, uma doula, sua mulher e seu bebê (em alguns casos tem até fotógrafo). É muita gente junta pra garantir um parto seguro. Por isso eu digo: A gestação é um processo que dura nove meses e culmina com o nascimento. Você tem todo este tempo pra ser importante. Vá as consultas o máximo possível, acompanhe, pergunte, se informe, esteja presente e se na hora do parto você se sentir um pouco inseguro eu tenho uma notícia pra você: é normal. (mulheres, deem uma ajuda pro coitado do seu marido e levantem a moral dele entre uma contração e outra).

Por último. Estejam preparados para o inesperado. Fazemos planos, sonhamos, imaginamos e trabalhamos para evitar surpresas, mas elas ocorrem o tempo todo. Se algum detalhe não saiu como vocês imaginaram, não se preocupem.

Um parto natural domiciliar é a coisa mais anti-natural das coisas naturais que podem ocorrer na vida de um homem, mas quando você vê o corpo da sua esposa trabalhando sozinho pra colocar aquele bebê no mundo e o estereótipo do quarto impecavelmente arrumado com velas, música, frutas e incenso onde tudo acontece em câmera lenta e com uma luz difusa se desfaz e você vê sua esposa sorrindo em meio a lágrimas e suor a ponto de desmaiar, e segura seu bebê sujo de sangue e vernix no colo ao lado do seu filho de quatro anos de pijamas e cabelos desgrenhados que chora junto com você, percebe que deveria ser assim mesmo. É a maneira que a natureza encontrou de nos juntar. É brutal, é intenso, é forte e é por isso que se chama parto natural.

O mais importante no final, depois de toda essa jornada é você poder olhar para o seu bebê deitado ao seu lado, com o indicador na boca te olhando como se soubesse o que você está escrevendo (E eu acho que sabe.)

Por: Leandro Silva, pai do Luís Gabriel de 4 anos e da Maria Alice de 5 meses

Assinatura_JulianaSilva

15 Apr 22:11

A nova casa da Lari 6 – Como fazer cama tatame

by Lari Andrade





Oi gente linda!!

Post de número 6 da série: se quem tem amigos tem tudo… Quem tem amigos que curtem HOMENS DA CASA tem o que então? O universo? O cosmooooss?

O Maurício e o Giovanni (pai e filho que sempre acompanham a gente nessas loucuras, e acompanham o Blog a um tempão, antes mesmo de sermos colunistas), nos ajudaram em todo o processo, enquanto o Mau foi ajudando a montar toda a estrutura, o Gi foi fotografando todo o passo a passo pra gente! 😀

Então minha gente, lembra da história da nossa cama que não subia pela escada caracol? Então… O jeito foi fazer uma que acomodasse dois colchões de solteiro, ou de viúvos, que foi o caso! (pra quem não sabe, os colchões de viúvo são maiores que o de solteiro, e menores que os de casal.)

Gostamos super de paletes, e era essa nossa primeira opção, mas decidimos por fazer uma no estilo tatame com uma madeira que estamos utilizando de mooooonte por aqui, que é o compensado naval.

Fizemos um plano de corte e inclusive tem presente pra vocês aqui, e estamos disponibilizando o projeto para quem quiser fazer também. É só ir em qualquer madeireira e pedir o corte das chapas com as medidas.

A montagem ficou por conta dos meninos! 😀

Nova Casa da Lari 6_1 Nova Casa da Lari 6_2 Nova Casa da Lari 6_3 Nova Casa da Lari 6_4 Nova Casa da Lari 6_5 Nova Casa da Lari 6_6 Nova Casa da Lari 6_7Nova Casa da Lari 6_8

Não tem segredo nenhum. Olha só o resultado:

Nova Casa da Lari 6_12 Nova Casa da Lari 6_14 Nova Casa da Lari 6_13

Geralmente essas madeireiras vendem a chapa inteira, então vai sobrar com certeza vários retalhos pra vc fazer prateleiras, decorar, e tudo mais!

Aqui parte dela virou um apoio de quadros! Olha só 😉

Nova Casa da Lari 6_9 Nova Casa da Lari 6_10 Nova Casa da Lari 6_11

E é isso! Nossa gratidão especial a esses amigos que nos ajudaram e ajudam tanto no nosso dia a dia, não só nesses DIY´s, mas na generosidade e risadas de sempre! Mau, Fá, Gi e Giu ♥

Beijo do casal! Lari e Bru. Conhece nosso Insta? Ainda não, segue lá 😉   @loft_sou_nos




O post A nova casa da Lari 6 – Como fazer cama tatame apareceu primeiro em Homens da Casa.

13 Apr 17:25

"Calma e paciência que o nenê nasce fácil"

by Cláudia Rodrigues


Foto e texto: Cláudia Rodrigues
Keretxu Miri, índia guarani de 77 anos de idade, que habita uma aldeia no Espírito Santo, fala de sua experiência como parteira

No universo civilizado, principalmente no ocidente, o parto virou um mito, tanto para as gestantes quanto para a classe médica. As mulheres estão desaprendendo a parir, a amamentar e cuidar dos filhos e os médicos estão cada vez mais preocupados em ganhar tempo e menos habilidosos para auxiliar um trabalho que é muito mais da parturiente do que deles. Atrás de toda a parafernália técnica da ciência e da medicina, está algo que podemos chamar de burrice emocional. Sabemos pilotar um computador, dirigir carros; podemos comprar berços que balançam sozinhos, chupetas coloridas que distraem os bebês, mas por que afinal temos tanta dificuldade em colocar filhos no mundo? Será que não podemos mesmo unir o saber tecnológico à sabedoria primitiva?

O depoimento de uma índia, que faz partos desde que se conhece por gente, resgata o labirinto em que nos perdemos: o do excesso de pressa e preocupação.

 

  "O sangue não pode subir e a cabeça ficar quente. A mulher precisa ficar calma e esperar a hora que ela vem"

 

    Keretxu Miri não esquece a primeira vez que tomou conhecimento de como as crianças vêm ao mundo. Foi por volta de 1930, em algum lugar entre o Rio Grande do Sul e o Espírito Santo. Os índios Guarani fizeram, a pé, o trajeto entre os dois estados, em busca da terra prometida. Levaram muitos anos para chegar a Santa Cruz, no Espírito Santo, o local que hoje habitam. Durante o percurso não foram poucos os partos. "Lembro bem quando meu pai avisou que teríamos que parar porque minha mãe ia ganhar nenê", conta Keretxu.

    Era noite alta, mas quem já estava dormindo acordou para ajudar. O pai de Keretxu fez um 'rancho de palha de pindó' - palmeira doce - em volta de uma árvore para proteger mãe e filho do frio. "Todos os índios foram cuidar da floresta para não deixar nada de ruim acontecer com a minha mãe e o nenê, que nasceu antes do sol raiar". A tribo ficou acampada três dias e depois seguiu em frente com a mãe de Keretxu carregando, à moda indígena, a pequena Euá.

    Naqueles anos 30, a tribo andava por caminhos, estradas, mas também no meio da mata, perto das cachoeiras, procurando a terra prometida. Sempre havia algum português, italiano, alemão ou japonês  que já era dono das terras.  No meio do caminho chegaram a achar que a terra prometida era em Santos, São Paulo, onde viveram seis anos.  "Era bonito lá em Santos, mas os brancos queriam briga de novo, como no Rio Grande, e então seguimos caminho", revela Keretxu Miri, que não entende, depois de 77 anos de vida, porque os brancos brigam tanto para tirar o ouro da terra. Ela fala que Inhanderu - Deus - é justo com todos. "Inhanderu ajudou o homem branco e ajudou o índio, e fez a Terra para que todos  os viventes pudessem viver aqui, mas Inhanderu não gosta de briga; briga faz mal, faz adoecer, então índio vai embora, mas vai em paz, mesmo nas mãos de Juruá - os brancos".

        Um galo cantou, uma criança chorou e Keretxu Miri ficou silenciosa por longos minutos, antes de voltarmos ao nosso assunto; os partos. O galo pulou de cima da mesa, a criança ganhou o colo da mãe  e um raio de sol atingiu os olhos de Keretxu Miri. Ela me olhou e disse:  "A moça quer saber de parto, mas parto não tem segredo, não posso mentir, mas também o que é sagrado é sagrado", disse com simplicidade.

        Ela conta que sagrado é o getapaãurá, a tesoura de madeira que corta o cordão umbilical e também as ervas (chás calmantes e levemente anestésicos) que acalmam a mulher para o parto. Nada disso pode ser filmado ou fotografado, mas Keretxu conta alguns dos 'segredos'. Detalhe: ela sempre faz questão de, entre uma e outra informação, pontuar que só se aprende vendo, observando e pensando antes de fazer. "O pensamento é muito importante e olhar com os olhos. Não dá para contar, é simples, é bom, não é problema receber o nenê", revela com sinceridade, os olhos brilhando, a expressão sorridente e calma. Receber o nenê, como diz a velha parteira, é uma das maiores dificuldades no mundo civilizado, tanto em função do tempo, quanto por deficiência de escola, já que nossos médicos não estudam psicologia e entendem pouco de uma das coisas que parteiras como Keretxu mais entendem: o universo emocional, que é inexoravelmente primitivo. Índias ou brancas, amarelas ou negras; na hora do parto a mulher vira uma leoa, um bicho que dá conta de "se livrar da dor" expelindo o bebê. Caso contrário, é cirurgia na certa.

        SEGREDOS -  Apesar de afirmar convicta que o parto não tem segredo, Keretxu explica que o 'nervoso' da mãe e até do pai pode atrasar o momento final do parto, a hora da expulsão. "Quando a mãe fica nervosa, o sangue sobe para a cabeça e o nenê não vem". Mal sabe ela que esta afirmação contém mais ciência do que ela imagina. O Dr. Elsworth Baker, americano que trabalha com gestantes ocidentais há mais de vinte anos, revela no livro O Labirinto Humano, que "quando a parturiente enrijece o queixo, recolhe os ombros, segura os punhos e a respiração, isso a faz apertar o soalho pélvico, o fluxo sangüíneo fica preso na metade superior do corpo e isso dificulta a descida do bebê". Segundo o médico, a tensão e a ansiedade excessiva na mulher, que não se sente capaz de parir, podem elevar a níveis alarmantes os batimentos cardíacos do feto, o que acabará exigindo uma intervenção cirúrgica, a menos que mãe seja acalmada em suas preocupações e estimulada a se entregar para a situação que se apresenta, relaxando e recebendo as informações enviadas pelo seu próprio corpo.

      Keretxu Miri, que não sabe contar com precisão quantos partos fez na vida, afirma pacientemente que existem poucas providências a ser tomadas quando inicia o trabalho de parto. "Quando a mulher percebe que está chegando a hora, só precisa falar com Nhanderu e continuar normal, trabalhar um pouco e esperar com paciência que o nenê vem".  Keretxu fala também que se o pai ajuda em casa nesse dia, preparando a comida, limpando e arrumando, isso ajuda a mulher a ficar calma, mas se o pai está nervoso é mau sinal. "Quando o pai e a mãe estão em briga o espírito da criança quer fugir e ela pode enfraquecer e morrer dentro da barriga ou depois de nascida", revela com uma sabedoria que pode assustar os brancos mais desavisados.

        A velha índia, anciã da tribo Tekoa Porã, fala com simplicidade, sem qualquer traço de orgulho, que nunca teve problemas com os partos que fez. "Sei de ouvir falar. Minha mãe contava que o principal do parto era acalmar a mãe para o nenê poder sair. Ela já tinha visto mãe morrer e criança também por causa do nervoso" conta, sem tentar esconder a resignação diante da vida e depois acrescenta: "Meus olhos nunca viram nenhuma mãe e nenhuma criança morrer de parto". Eu pergunto se é sorte, ela responde que não, que é Nhanderu que a ensina a acalmar as mulheres que precisam.

       Depois explica que algumas índias têm medo e por isso vão ganhar seus bebês nos hospitais. "Acho que cada um faz a sua escolha, se a pessoa tem um medo que eu não consigo acalmar, não vou usar a força, deixo na vontade dela", conta, sublinhando que nenhuma das mães e das crianças que atendeu precisou ir para o hospital. "Existem mulheres que querem fazer coisa errada na hora do parto e isso pode atrapalhar para o nenê sair", afirma, explicando que as coisas erradas para o dia do parto são comer, falar demais, não sentir e não pensar. "Quando a mulher fica assim, ela não fala com Nhanderu, fica sem paz no coração e a cabeça esquenta" pontua. O Dr. Hélio Bergo, obstetra e homeopata, especialista em partos naturais, aconselha suas pacientes a ficarem com elas mesmas. "Durante o trabalho de parto é importante que a mulher preste atenção aos ritmos do corpo ao invés de fugir assustada para uma solução externa", afirma, endossando a sabedoria primitiva da parteira.

        O DIA 'D' - No dia de um parto, Keretxu Miri fica com Nhanderu. "Eu rezo, peço para Nhanderu proteger aquela mãe e aquela criança e Nhanderu me ajuda", relata tranqüila. Pergunto se ela conhece manobras para partos complicados e ela diz que não há nada complicado, que é só observar. "Se a mulher está muito nervosa a gente faz um chá. O bom é o caaminí ou então o capíía - chás com propriedades calmantes - e é importante que ela não coma nada de açúcar e nada de sal. O chá do mato amarguinho e mais nada, recomenda. Para acalmar é preciso também conversar, aconselhar e é isso também que Keretxu Miri faz. “Eu vou lá e falo com calma, que é assim mesmo, que não dá para fugir e então a pessoa se acalma e o nenê vem", conta, sem o menor estrelismo.

       Ela explica que, para facilitar o trabalho de parto, é bom ficar sentada ou agachada segurando alguma coisa bem firme no chão e que não adianta ficar fugindo, não querendo passar por aquilo. "Mas tem mulheres que preferem deitar na cama para ganhar os bebês. Não tem problema, a pessoa é que escolhe como se sente melhor" pondera, desmistificando a idéia de que toda a índia dá à luz agachada.

       Depois que o bebê consegue girar e sair, é hora de amarrar o cordão com uma linha feita de algodão, fabricada na aldeia e depois é a vez de cortá-lo, com o getapaãurá, uma tesoura de madeira, também feita pela tribo. "Tudo tem que estar bem limpinho", ressalta.

        Os primeiros meses, principalmente os três primeiros depois que a criança nasce, segundo Keretxu Miri, devem ser de muito cuidado e a mulher não deve comer carne de galinha, de boi e nem de peixe. "Só mais a canjiquinha cozida, bem leve e com bastante caldo até o umbiguinho cair, depois pode voltar a comer, mas sem exagero nos primeiros meses", aconselha para evitar cólicas ao bebê, mais uma vez evidenciando que o segredo das índias para conviver bem com a gravidez, com o parto e a criação dos filhos é calma, muita calma.

        Aí está. Palavra de índia que já pariu muitos filhos e já ajudou a nascer outros tantos. Em tempos de pressa, providências e precauções, urge a necessidade da palavra de uma especialista, de uma doutora do pensamento que sente, do sentimento que pensa.

 
Unindo saberes

 
Não somos índias, não passamos boa parte do dia acocoradas na beira do rio lavando roupas, não plantamos mais e nossa vida é mesmo apressada e cheia de estresse. Estamos então condenadas a colocar nossos filhos no mundo somente através de intervenções cirúrgicas?

É claro que não. As japonesas modernas, as chinesas e as européias do norte também trabalham o dia inteiro, vivem sob estresse e mesmo assim conseguem parir a maioria dos filhotes sem maiores neuras. O que elas têm que nós brasileiras, campeãs mundiais de cesarianas, não temos?

Várias coisas. Em primeiro lugar, apoio da sociedade médica. No Brasil a exceção à regra é o parto normal e não a cirurgia, mas é sempre bom lembrar que o velho ditado que afirma que quando um não quer dois não fazem, é muito válido.

     A mulher que deseja parto normal, na atual conjuntura social e cultural do país, necessita procurar um profissional que tenha feito mais partos naturais do que cirúrgicos. Não é exatamente como encontrar agulha no palheiro, mas é quase e neste caso não convém usar panos quentes. A maioria das clínicas privadas do país tem um índice muito alto de cirurgias e portanto é preciso checar esse detalhe. Tomadas essas duas providências - escolha do médico e de uma clínica ou hospital humanista- é hora de dar um mergulho profundo no corpo e aí temos chances iguais ou até maiores do que as índias e outros povos primitivos.

      Não podemos plantar grama e muito menos lavar roupa na beira do rio todos os dias, mas contamos com profissionais especializados que podem ajudar a gestante na preparação para o parto. Técnicas e vivências corporais como tai chi chuan, ioga, natação, bioenergética, biodinâmica e muitas outras estão à disposição das futuras mamães que, apesar de civilizadas, desejam aprender como chegar ao ponto final de um corpo de gestante: o desencadeamento do parto.

       Só para garantir, vale lembrar dos conselhos da velha índia: sentir, pensar, não comer, falar pouco e esperar com calma, muita calma para a cabeça não esquentar e o "nervoso" não atrapalhar.


12 Apr 19:28

Medo de brócolis?

by Marisa
Foto por Simon Wheatley, Flickr, Licença Creative Commons

Foto por Simon Wheatley, Flickr, Licença Creative Commons

“Meu filho comia de tudo quando era bebê. De repente, parou de aceitar várias coisas.”

Já perdi a conta de quantas vezes li algo parecido com o trecho acima em grupos de maternidade na internet. Tem gente que diz que é fase, tem gente que diz que é diminuição de apetite, tem gente que diz que é dente nascendo. Mas isso não explica tudo. Afinal, muitas das crianças que passam a rejeitar os legumes e as verduras continuam aceitando, de braços abertos, biscoitos, leite achocolatado, bolos, pães, frituras, etc. E que “fase” é essa que muitas vezes dura anos ou até décadas?

Para mim, a rejeição repentina acontece, pelo menos em parte, porque os pequenos têm medo de experimentar alimentos novos. Entre 1 e 2 anos, muitas crianças desenvolvem o que os especialistas chamam de neofobia alimentar, isto é, medo de experimentar algo novo.

O que é exatamente a neofobia alimentar? O tal medo de experimentar alimentos novos é resquício de uma tática de sobrevivência de nossos antepassados que aparece na mesma época em que o bebê dá os primeiros passos. Mas o que aprender a andar tem a ver com resistência na hora da refeição?

Bebês andantes são, em princípio, capazes de começar a sair em busca dos próprios alimentos (forragear), mas ainda não têm experiência para saber o que é comestível ou não. Para reduzir as chances de se envenenarem, passam a rejeitar alimentos desconhecidos. Em outras palavras, a neofobia alimentar seria um mecanismo evolutivo de proteção da nossa espécie, para diminuir o risco de bebês ingerirem algo tóxico.

“Mas, se a criança comia tudo antes, os alimentos que passou a rejeitar não são novos ou desconhecidos!”, você deve estar se perguntando.

São, sim, eu insisto. Se, quando bebê, a criança comeu papinha ou comida amassada por muito tempo, dada de colher por um cuidador, essa criança não “conheceu” de verdade o que estava comendo. Experimentar o sabor daquilo que lhe é servido por meio de colheradas não é suficiente para muitas crianças. Outros sentidos precisam ser acionados ao longo da introdução alimentar. Para, de fato, “conhecer” o alimento, a criança precisa explorá-lo com as próprias mãos, cheirá-lo e observá-lo em pedaços grandes, isto é, a criança precisa “brincar” com a comida.

Comparem as duas fotos acima. Qual bebê está tendo uma experiência sensorial mais completa? Foto à esquerda por Neal Patel, Flickr, Licença Creative Commons e foto à direita por Sami Keinänen, Flickr, Licença Creative Commons

Comparem as duas fotos acima. Qual bebê está tendo uma experiência sensorial mais completa? Foto à esquerda por Neal Patel, Flickr, Licença Creative Commons e foto à direita por Sami Keinänen, Flickr, Licença Creative Commons

Em outras palavras, comer brócolis na papinha ou misturado com arroz e feijão numa colherada dada pelo cuidador não é o mesmo que comer brócolis por livre e espontânea vontade após explorar um florete da verdura com a mão.

Para complicar um pouco mais as coisas para o lado dos pais e cuidadores, entre 1 e 2 anos de idade, chega, também, a fase da descoberta da autonomia. Os pequenos percebem que têm autonomia sobre o próprio corpo e passam a, adivinhem, dizer ‘não’ para muita coisa na hora da refeição. Não é a toa que muitos passam a recusar a troca de fraldas e de roupa, entre várias outras coisas …

Se seu bebê ainda não completou 1 ano, libere a bagunça na hora da refeição antes que seja tarde demais! Sim, vai dar trabalho limpar a sujeira, mas reverter um quadro de seletividade alimentar quando ele(a) estiver maior dá MUITO mais trabalho!

Não estou falando de deixar o bebê segurar um biscoito maizena ou um pedaço de pão (que, por sinal, nem deveriam existir na vida de um bebê). Estou falando de deixar o bebê comer arroz, feijão, abóbora, espinafre, etc, isto é, comida mesmo, com as mãos.

Se seu bebê já começou a recusar muita coisa que antes aceitava, não se desespere. Dê um descanso à colher e veja se o bebê se alimenta melhor com as próprias mãos. Caso a situação não melhore, procure a ajuda de um(a) profissional especializado(a).

Para concluir, alguns esclarecimentos:

1. Não adianta somente deixar o bebê se alimentar com as próprias mãos e achar que vai dar tudo certo. O que você oferece ao bebê importa e MUITO. Devemos evitar, com MUITO empenho, açúcar, alimentos ultraprocessados com excesso de sal e gordura e carboidratos refinados para focar nos legumes, verduras e frutas. Não oferecer oportunidades suficientes para a criança conhecer de fato os alimentos e acostumá-la ao sabor de alimentos doces, carboidratos refinados, etc (isto é, alimentos que ativam os circuitos cerebrais do prazer) é a receita perfeita para a recusa de verduras e legumes depois de 1 ano.

2. Há variações individuais! Tem bebê que é alimentado por colheradas 100% do tempo e continua comendo bem. Isso pode acontecer, mas o mais comum é a criança ficar seletiva depois de uns meses.

3. Para uma introdução alimentar bem sucedida, o bebê não precisa comer com as mãos 100% do tempo. Ou seja, se você não se sente confortável em adotar o método BLW em tempo integral, não é o fim do mundo. Mas o bebê precisa ter, paralelamente às colheiradas, MUITAS oportunidades para participar ativamente da refeição e explorar os alimentos por conta própria. Quanto mais isso acontecer, maiores as chances de minimizar a fase de seletividade alimentar. E, quanto mais cedo o bebê começar a fazer a refeição inteira por conta própria, com autonomia, melhor.

Para mais dicas de como proceder na introdução alimentar, não deixe de ler a cartinha de um bebê de 6 meses com dicas de como os pais devem conduzir o processo.

AVISO/DISCLAIMER
Eu não tenho formação profissional em nutrição infantil ou nenhuma outra área clínica relacionada a distúrbios alimentares. Mas sou fascinada pelo assunto e leio muita coisa escrita por profissionais da área. O que eu publico aqui é fruto de um interesse pessoal e não deve, de maneira alguma, ser lido como recomendação médica.

05 Apr 16:06

Bebês Grandes nascem de parto normal?

by Juliana Oliveira

Priscilla_BebeGrande

SIM!!!!!

Bom… quando eu era criança minha mãe me apelidou de “miss perguntinha” justamente pelo fato de eu nunca me contentar com uma resposta monossilábica. Então, vamos tentar explicar, pelo menos um pouquinho do “porque sim”.

O tamanho do bebê não deve ser indicativo de cesariana, senão Deus seria o maior abortista do universo! Onde já se viu? desenvolver dentro do útero da mulher, um bebê que cresce tanto, ao ponto de não conseguir nascer conforme a natureza preconiza!!! Seria estupidez, antinatural e irracional.

O fato é que, nós seres humanos, fomos projetados de maneira extremamente meticulosa e inteligente. Por tanto, salvo exceções patológicas, as mulheres e bebês tem plenas condições de passar por um trabalho de parto e parto. Vou citar alguns exemplos de adaptações que ocorrem naturalmente no corpo tanto da gestante quanto do bebê para o processo de nascimento:

  • O útero, ao final da gestação, aumentou em cerca de 700 a 1000 vezes a capacidade volumétrica para possibilitar acomodação de bebê, placenta e líquido amniótico. Ou seja, consegue comportar, inclusive, um bebê grande!
  • Além do colo uterino, a bacia, ou seja, os osso da pelve, também dilatam! Existe um hormônio chamado relaxina que é responsável por amolecer as articulações da pelve, alargando o canal ósseo para o bebê passar;
  • Durante o desenvolvimento fetal, todos os osso do bebê continuam a endurecer progressivamente, mas os do crânio ficam mais flexíveis e macios, além de manter uma zona membranosa entre os ossos (as moleiras) o que possibilita que se aproximem e se sobreponham, modelando a cabeça do bebê de acordo com a necessidade imposta pela estrutura óssea da pelve materna;
  • A vagina é um espaço virtualmente inexistente, uma vez que ela existe quando tem algo para preenche-la. Porque as paredes musculares da vagina se colabam e ficam fechadas, mas elas têm a capacidade de se expandir, de acordo com a forma e tamanho do que a preenche, no caso do trabalho de parto, de um bebê. Depois do nascimento, volta a se colabar.

 

Mas aí a gente escuta o ultrassonografista ou o pré-natalista dizendo: “Ah… mas seu bebê é muito grande, é perigoso tentar o parto normal! É melhor interromper a gravidez antes que passe dos 4 quilos!” Ou, escuta a tia da vizinha: “Nossa, minha filha, como sua barriga tá graaande! Pra quando que tá marcada a cesárea? Bebê grande assim não passa não! Eu lembro da fulana que morreu no parto por causa disso!” Não sei onde e nem como o povo consegue ver o tamanho do bebê com tamanha precisão pra “agourar” a gravidez e o parto alheio!

O fato é que, o ultrassonografista tem que ser “muito bom” pra conseguir acertar exatamente o tamanho do bebê, uma vez que o exame de ultra som é muito subjetivo, pois transforma a onda sonora em imagem que, por sua vez, vai ser tabelada e então mostrar um resultado de peso ESTIMADO do bebê.

Então, esse negócio de caracterizar o tamanho do bebê pela USG, pelo tamanho da barriga, tamanho da cabeça ou por bola de cristal, não serve pra muita coisa senão aumentar a crença de que mulher não pode parir e que a cesárea é sempre a melhor opção. De um modo geral, os bebês vão crescer e se desenvolver a partir das informações genéticas da mãe e do pai. Então, geralmente a lógica funciona da seguinte forma: Se for mulherão, nasce bebezão; se for uma pequena e delicada mulher, nascerá um bebê proporcional.

Obviamente que bebês grandes podem trazer o AUMENTO (não significa que bebês menores sejam isentos) de alguns riscos, tais como:

  1. Desproporção feto-pélvica: quando a cabeça do bebe entra na pelve de maneira não favorável e não consegue descer. Mas esse diagnóstico só é possível de ser feito mediante o franco trabalho de parto e quando após umas 4 horas não apresentar nenhuma alteração de dilatação ou descida, mesmo com analgesia. Nesses casos, a cesárea é muito bem-vinda!
  2. Distócia de ombros: quando o ombro fica preso na pelve materna, após a saída da cabeça. Existem manobras que são eficazes para o desprendimento do ombro, mas é necessária equipe com experiência para minimizar danos tanto no bebê quanto na mãe.

Mas, o importante para o parto normal não é o tamanho do bebê, disso a sábia natureza cuida através das adaptações que ela faz na hora do trabalho de parto para favorecer o nascimento. O importante para o parto normal é a mulher estar empoderada, estudar, se fortalecer física e emocionalmente, ter fé de que é capaz de parir, que tem um corpo apto pra isso e um bebê desenhado para o corpo dela. Todo esse processo natural, tem a assinatura de um Designer extremamente Inteligente, por isso, a chance de sucesso de um parto normal de bebê grande é realmente possível.

Assinatura_PriscillaTives

01 Apr 19:14

O Amor nos Tempos do Zika: discurso de abertura

by Melania Amorim
Discurso proferido na abertura do evento "O Amor nos Tempos do Zika", em Campina Grande - PB, dia 30 de março de 2016




“O Amor nos Tempos do Zika”


Melania Amorim


Exma. Presidente do IPESQ Adriana Melo; Exmo. Sr. Prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues; autoridades aqui presentes ou representadas; MULHERES de Campina Grande e todas as pessoas deste auditório: boa noite.


Hoje é noite de festa, de celebração, o IPESQ completa seu sétimo aniversário na data aniversária do nosso Patrono, o saudoso Professor Joaquim Amorim Neto, meu Pai muito amado. Minha Mãe, que me antecedeu, já falou de sua figura impoluta, de suas virtudes de escol, do muito que fez como médico e professor nesta cidade. Eu agora vou falar, mesmo em clima de festa, ainda que espoque o champanhe, que queimem os fogos, que soem os sinos, que se batam as palmas e se cantem as músicas mais belas, eu vou falar da doença, da tristeza, da epidemia que, todavia, caracterizam o compromisso essencial do IPESQ, seu engajamento com a saúde da população, em especial a saúde da mulher e da infância. Não poderíamos jamais nos omitir, neste momento, nem deixar de nos posicionar diante da terrível epidemia que grassa o país.


A propósito dessa epidemia, lembro de versos que eu mesma recriei a partir de uma citação de Paulo Freire e que me são muito caros, porque são uma espécie de divisores de águas em minha vida. Se é certo que sempre quis fazer Medicina, por influência, exemplo e inspiração de meu Pai, por outro lado a vocação atávica de minha família, de ambos os lados, para a área de Humanas, sempre me fascinou. Em particular o que chamo de “opção preferencial pelos pobres”, caracterizando a atuação dos “comunistas” da família, em especial meu tio-avô José Amorim, que participou da Aliança Nacional Libertadora em 1935, meu tio Agnelo Amorim, do PCB de Campina Grande e minha tia Salete Agra, educadora popular, discípula de Paulo Freire, que fez sua dissertação de mestrado educando adultos em um presídio em João Pessoa, o que me encantou profundamente naqueles idos dos anos 70.


Pois bem, era eu aluna do Ensino Médio e estava, no terceiro ano, já confortável por ter passado por experiência no vestibular para Medicina, entregue a atividades artísticas e culturais, influência de outra tia, Eneida Agra Maracajá, também envolvida com o trabalho com os oprimidos, com os presidiários, e realmente me surgiu uma dúvida profunda, por sugestão de meu professor de Literatura, Ariosvaldo, que me instava a cursar Letras, qual seria a melhor profissão para ajudar a salvar o mundo. Quem me conhece sabe que “salvar o mundo” sempre foi minha preocupação maior e meu compromisso histórico.


Ocorre que eu estava lendo “Pedagogia do Oprimido” de Paulo Freire, tentando transformar o modelo educacional (a “educação bancária”) que eu recebia, quando me deparei com a já referida citação e entendi, a partir da Pedagogia do Oprimido, como era necessário o meu futuro trabalho como médica não alienada para mudar o mundo. Sendo poeta e louca como soem ser os descendentes Agra e Amorim, achei mais fácil decorá-la depois de a recriar como poema, que eu volto a recitar a propósito da epidemia atual de infecção por Zika, 33 anos depois:


"Não há vida sem morte

Como não há morte sem vida

Mas há uma morte em vida

E a morte em vida é a vida proibida de ser vida.

Quantas pessoas são sombras de gente

Homens, mulheres, crianças

Desesperançadas e submetidas

A permanente guerra invisível

Em que o pouco de vida que lhes resta

Vai sendo devorado pela tuberculose

Pela esquistossomose

Pela diarreia infantil

Por mil enfermidades da miséria

Muitas das quais

A alienação chama de doenças tropicais."


Estava tomada a decisão. Eu iria fazer Medicina. Espero que Paulo Freire me perdoe a recriação e vamos convir que as doenças da miséria continuam e só mudam de nome. Hoje algumas delas respondem por Zika, dengue e chikungunya.


Em anos e anos de Medicina, engajada no trabalho comunitário, sempre identificada com as causas populares, busquei a residência médica na Casa de Fernando Figueira, meu segundo lar, meu berço científico, o IMIP, em Pernambuco, e pude constatar, na prática, estar seguindo ipsis literis as palavras imemoriais de seu fundador, o Professor Fernando Figueira, homem que admiro profundamente e a quem aqui presto homenagem:


"Em minha vida, a Medicina tem sido sempre inquietação na luta contra as desigualdades sociais. Ao lado do saber, infelizmente limitado, procuramos cultivar a esperança e com ela, o sonho; a esperança, a grande impulsionadora na busca de melhores caminhos para a nossa estrutura social tão injusta e o sonho, numa linguagem lírica, arquitetura dos nossos ideais." (Fernando Figueira)


Não podemos desvincular a Medicina e o enfrentamento dessa atual epidemia de Zika, dengue e chikungunya de uma profunda análise sociopolítica das desigualdades do nosso País. O estado brasileiro é sem dúvida o maior responsável pelo descalabro a que chegamos, em que para completar as mulheres vêm sendo culpadas pela epidemia e vítimas do pânico e do terror, esquecendo-se décadas e décadas de iniquidade social, de pobreza, de abastecimento irregular de água, de falta de saneamento básico, de coleta adequada de resíduos, com a insistência em se recorrer a armas químicas e estratégias centradas no mosquito adulto que, todos sabemos, são falhas. Declarações alarmistas de que teríamos “perdido a batalha contra o mosquito” têm sido veiculadas pela mídia, escamoteando o verdadeiro problema.


A situação em Pernambuco bem mostra onde se encontra o nó da questão: 77% das mães de bebês com microcefalia (que hoje sabemos é apenas a ponta do iceberg, tão somente a face mais visível do problema, tendo 944 casos sido confirmados até o dia 29 de março de 2016) vivem abaixo da linha da pobreza! A quase totalidade dos bebês (97%) nascem em hospitais do SUS!


Culpabilizar a vítima, interferir nas escolhas reprodutivas, torcer para que as mulheres contraiam Zika e outras declarações insensatas como tem feito o atual Ministro da Saúde Marcelo Castro; insistir que a culpa é do mosquito e transformar os cidadãos em um exército de soldados contra o Aedes aegypti é mais uma vez destituir a responsabilidade do Estado, que passa a se posicionar como vítima, e além de declarações derrotistas ainda insiste em soluções reducionistas, apenas no nível biológico, para um problema que tem profundas raízes sociopolíticas e ambientais.


O IPESQ vem se engajar na luta contra a epidemia à luz do que conhecemos hoje como Medicina Translacional, para o desenvolvimento de soluções sustentáveis que devem ser necessariamente transdisciplinares, englobando um amálgama dos diversos saberes e ciências, incluindo as ciências políticas, jurídicas e sociais. Há uma complexa interação entre as medidas políticas e ambientais que afetam a susceptibilidade a doenças e a sustentabilidade das estratégias clínicas e de saúde pública para prevenção e tratamento que deve ser considerada, e fugir disso é resvalar para a alienação. Não sejamos alienados! Como já dizia Bertold Brecht, “o pior analfabeto é o analfabeto politico. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos”. Engajemo-nos todas as pessoas na verdadeira luta pela transformação social.


Não se trata do conhecimento estéril, da ciência intramuros, nós rompemos as fronteiras dos laboratórios, saímos dos ambulatórios e hospitais e caminhamos AO LADO da população, onde nos compete, juntos, por um mundo melhor. Não concebemos a ciência apolítica, mas defendemos a ciência engajada a serviço da humanidade, e no caso a ciência a serviço das mulheres, as mais afetadas por essa chocante epidemia que tanto tem nos perturbado. Porque essa epidemia não pode hoje ser estudada sem esse recorte de gênero, de classe social, de cor, uma vez que suas piores repercussões têm ocorrido em mulheres pobres, pardas e negras. São essas que vivem “a vida proibida de ser vida”, e que veem seus sonhos de maternidade e vida transfigurados em pesadelos, sofrimento e dor.


E por que falar de Amor? Há alguns meses, tão surreal me pareceu essa situação, em uma discussão nas redes sociais, com o pano de fundo político em uma das piores crises de nossa História, teorias da conspiração delirantes eclodindo a cada instante, cenas de pânico e terror, que me ocorreu um paralelo com o imortal romance de Gabriel Garcia Marquez, “O Amor nos Tempos do Cólera”. Eu não tenho tempo de escrever “O Amor nos Tempos do Zika”, infelizmente, mas não posso deixar de pensar no Brasil como Macondo em grande escala, em que estamos vivenciando na prática o que se convencionou chamar de “realismo fantástico”, e não posso deixar de vos falar do Amor, do Amor como movimento de mudança, como força motriz da transformação da sociedade.


Já dizia o Apóstolo Paulo em sua primeira Epístola aos Coríntios, capítulo 13, versículos 1-2:


“Ainda que eu falasse a língua dos homens e dos anjos, e não tivesse Amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que eu tivesse o dom da Profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a Ciência, e ainda que tivesse toda a Fé, a ponto tal de mover as montanhas, e não tivesse Amor, eu nada seria.”


Todavia, esse Amor não é passivo, não é resignado, não é conformado, não é ALIENADO; é um tão grande Amor pela Humanidade, esse mesmo entranhado Amor que levou tantos mártires a perder a Vida por sua Fé, que é um Amor revolucionário, o Amor que resulta em encampar as causas dos excluídos, dos oprimidos, seguindo o exemplo de tantos líderes iluminados que o mundo nos trouxe: Jesus Cristo, Gandhi, Martin Luther King. Amor pela e para a LIBERDADE!


Nós, profissionais de saúde, não podemos nos furtar dessa responsabilidade de transformar o mundo e de buscar soluções para a coletividade. Precisamos nos desvencilhar dos excessos do paradigma tecnocrático e migrar para o paradigma humanista, rumo ao paradigma holístico, em um processo que jamais irá se desvincular do Amor libertador, do Amor revolucionário.

Há anos tenho citado, a propósito de meu/nosso trabalho de Humanização da assistência ao parto, as belíssimas palavras de um dos precursores da Humanização, Frédérick Léboyer, que afirmou em versos livres:


“Sim, é preciso tão pouco!

Nada de orçamentos caros, recursos eletrônicos, orgulhos de tecnologia, brinquedos de crianças crescidas, tão furiosamente na moda.

Nada disso. Apenas paciência e modéstia. Silêncio. Uma atenção leve, mas sem falhas. Um pouco de inteligência, de preocupação com o outro. Esquecimento de si mesmo.

Ah! Já ia deixando passar...

É preciso muito amor. Sem amor, vocês não passarão de bem intencionados...”


Que sejamos todos mais do que bem intencionados e que este evento possa inspirar mentes e corações a seguir conosco a luta contra a epidemia de Zika, contra as arboviroses, pela transformação social.


Tenho certeza, como afirmou Barack Obama, que SIM, NÓS PODEMOS!


Finalmente, como hoje é dia DELE, do nosso Patrono eu quero finalizar recitando os imemoriais versos de Waldemar Berardinelli que representam minha singela homenagem e seu mais belo epitáfio. A você, Papai, minha SAUDADE:


SAUDADE

(Waldemar Berardinelli)


A Terra, Mãe das árvores e das flores,

Receberá o Teu corpo.

Mas o Teu cérebro não será cinza, será Luz.

Teu coração não será pó, será árvore que agasalha.

Tu, que viveste repartindo Bondade e Saber,

Infinitamente repartindo viverás nas folhas,

Nas flores, no vento, nas saudades.


NÃO MORRE QUEM NOS OUTROS VIVE

NÃO MORRE QUEM, NOS VIVOS, VIVE!



Na CERTEZA de que através do IPESQ o Espírito e a Memória do indômito Professor Joaquim Amorim Neto viverão para sempre conosco, agradeço a atenção e convoco todo o auditório a se juntar a nós nessa Luta que está apenas começando. Muito obrigada!


Melania Amorim


Clique aqui para acessar a apresentação em PowerPoint que acompanhou o discurso.
22 Mar 21:46

O Mais COMPLETO GUIA sobre PARTO DOMICILIAR

by Alaya
Tirando dúvidas sobre o tal PARTO EM CASA


Recebi alguns pedidos de esclarecimentos sobre Parto Domiciliar, e resolvi reunir todas as dúvidas em uma série de vídeos divididos em 7 partes.
Não tenho a pretensão de esgotar o assunto, mas tentei focar nos principais questionamentos sobre o assunto, a fim de desmistificar esse "tipo" de parto.
Além de assistir aos vídeos, sugiro que se você está interessada em ter um parto em casa, veja vídeos de partos domiciliares (você encontra alguns na sessão "vídeos" aqui do blog), mas tenha em mente que os vídeos são edições, e muitas vezes romantizam a situação. Além dos vídeos mini documentários e filmes como "O Renascimento do Parto" colaboram para os esclarecimentos
Para algumas mulheres o parto domiciliar vai parecer a melhor opção, e tendo acesso a uma equipe que atenda na região, pode ser uma ótima escolha. Porém nem toda mulher se sente confortável com parir em sua casa e muitas vão, com todo o direito, preferir os hospitais.
Nada "garante" um parto, mas em casa ou no hospital, tendo acesso a equipes humanizadas aumentamos nossas chances de ter uma experiência respeitosa. No final o parto é com a mulher, mas até o momento do nascimento trilhamos uma senda de escolhas.

Ao Final do post colocarei alguns links de referência para bons textos que colaboram pro esclarecimento de tudo isso. Colocarei uma espécie de "índice" ao que é falado em cada um dos vídeos, assim você pode ir direto para a sua dúvida se preferir.
Gostaria de deixar claro que não sou médica, nem enfermeira, nem obstetriz. Estou apenas comentando com base no que li e vivenciei, mas estou aberta a correções.



  • Parte 1 - O que é o parto domiciliar? Introdução
 É Moda? É um retrocesso? Parto em casa é sinônimo de parto sem assistência?
Histórico.. e antigamente? As mulheres morriam de parto?
Não é simplesmente ter o bebê em casa












  • Parte 2 - Quem são os profissionais capacitados pra atender um parto domiciliar?
    Que mulheres são elegíveis para esse tipo de parto? Quais condições necessárias?
    As polêmicas em torno do parto domiciliar... ele é mais arriscado? e aquela mulher que "morreu de parto em casa"? O que responder?
    Os casos individuais e a cultura do "ouvi falar".





  • Parte 3 - A pirâmide de evidência científica
    O que dizem os estudos mais relevantes ao redor do mundo?
    Números, dados, fatos, pesquisas. Nesse vídeo eu apenas enumero e comento os principais estudos 











  • Parte 4 -  Quem está presente no parto domiciliar?
    Enfermeiras obstetras, Médicas obstetras, Obstetrizes, Doulas, pediatra, parentes?
    O que as principais entidades da área de saúde dizem a respeito do parto domiciliar? OMS, ACOG, etc.








  • Parte 5 - O parto que começou em casa tem que terminar em casa?
    Como a equipe avalia se tá tudo bem com o parto?
    Muitas vezes o parto hospitalar em sistema de plantão é mais inseguro do que o parto domiciliar com equipe.
    Hospital serve para emergências.
    É preciso esterelizar a casa? E as bactérias?
    Que materiais a equipe leva para o atendimento domiciliar?
    Os custos do parto domiciliar.





  • Parte 6 - E se acontecer alguma coisa?
    Que riscos corremos, como solucionar. Não existe risco 0
    O Parto domiciliar é uma escolha consciente
    10% dos partos domiciliares planejados terminam no hospital
    E o tempo de chegar até o hospital?
    A importância de ter um backup e um plano B e C, e ter um hospital de referência








  • Parte 7 Final - Algumas dúvidas frequêntes.
    Como é depois que o bebê nasce.
    Crianças (irmãos mais velhos) no parto.
    E as vacinas? E para registrar o bebê?
    Por que ter um parto em casa? Algumas mulheres sentem-se mais a vontade.
    Parto em casa é ter liberdade.


    E VOCÊ? Por que quis ter um parto domiciliar??? (comente se quiser!) 
20 Mar 11:10

As meninas que fomos, mulheres assim seremos

by Cláudia Rodrigues
Cláudia Rodrigues 

Esses dias uma amiga contou que sua pequena de 5 anos quer fazer aula de futebol, mas na escola o futebol é só para meninos e o balé só para meninas.
As escolas estão precisando rever essas questões e fazer grupos mistos. Quando são pequenas e pequenos, meninos e meninas não têm um diferencial de força física e só mais tarde, na adolescência, essas regras de separação de gênero fazem sentido e o sentido é só esse, da força física, que excetuando-se casos, é maior em meninos a partir da adolescência.
Essa discriminação de gênero em tão tenra idade é a base de comportamentos esterotipados que podem deixar sinais por toda uma vida, porque de 0 a 6 anos se forma a personalidade básica do ser humano.

Assim que é preciso conversar nas escolas, questionar e até exigir igualdade, mas o mais importante é praticar em casa. Uma menina que traz de casa sua valorização vai revalidá-la na escola, vai estranhar os comportamentos sexistas, vai pontuar. E ok, pode ser que seja a diferentona e saia catando minhocas no acapamento sem medo de sujar as mãos, pode ser que lidere o grupo e se safe na trilha sem ui ui ui de Cindi Cindi Cinderela porque se sente forte e capaz, não porque é "macha".

Um dos nossos problemas em relação à fabricação, ainda em massa, de meninas amedrontadas que correm para os braços dos meninos em vez de subirem na árvore na hora do "olha a cobra", é a repetição de frases que sempre ouvimos e que acabam reforçando a cultura misógina e a culpa da mulher em relação à liberdade e às capacidades do seu corpo.

Muitas de nós já ouvimos ou repetimos a famosa frase: "fecha essas pernas, menina! Nunca se ouve alguém dizer isso para meninos de quatro anos, mas meninas de dois anos já ouvem.

Pensem se não faz diferença para uma irmã ver que seu irmão pode abrir as pernas quando quer e do jeito que bem entende e ela não.

"Venha ajudar mamãe, deixe seu irmão ajudar o pai"
"Em menina não fica bem"
"Uma menina deve se comportar"
"Meninas devem ser boazinhas"
"Meninas devem ser delicadas"
"Meninas devem ser princesas"



Essas e outras frases não visam proteger as meninas do mal, mas as ensinam a lidar mal com algo eventualmente mau. Não repeti-las, de nenhum modo vai fazer com que suas meninas sejam mal-educadas, grosseiras, mal-comportadas, malvadas, indelicadas ou masculinizadas. Essas frases dão às mulheres desde pequenas uma ideia errônea sobre direitos, igualdade e liberdade sobre seus próprios corpos. Em resumo, formatam as cabeças das pequenas, que depois repetem isso, muito vezes para além da adolescência.

O desenvolvimento corporal das crianças entre 0 e 12 anos é muito semelhante e as meninas perdem muito quando a elas não é permitido ou não é incentivado que andem a cavalo, de bicicleta, assoviem, subam em árvores, mexam com ferramentas, experimentem todo e qualquer esporte, enfim desenvolvam habilidades corporais e manuais diversificadas e não somente as "restritas" às mulheres.
Quanto às restritas para mulheres, não é necessário evitar, é de fácil acesso, está à disposição para ambos os sexos, afinal bonecas e panelas é um bem que pode ser necessário a todos e todas, mais cedo ou mais tarde.



Viemos de uma longa linhagem de mulheres oprimidas. Grandes escultoras, musicistas, artistas, escritoras, esportistas que foram boicotadas em seus desejos mais profundos. Algumas morreram em manicômios, outras de tristeza, depressão e muitas por suicídio.

Os tempos mudaram, pero no mucho. Ainda hoje temos poucas mulheres na engenharia, poucas maestras, pouquíssimas e a razão é uma só: herança cultural do sexismo e da misoginia.

Não se trata de projetar que uma filha seja engenheira ou maestra, o importante é a criança desenvolver habilidades para estar apta mais tarde a atender seus desejos internos. Se não damos ferramentas de desenvolvimento, se só investimos em habilidades "ditas femininas", estamos reproduzindo essa cultura milenar do "lugar da mulher".



Dizem que até a maneira como olhamos e seguramos um filho homem ou uma filha mulher e os comentários que fizemos desde recém-nascidos já contém graus de sexismo. Ouvi isso faz anos e reparei que é assim mesmo, só não dá para saber o grau de influência, mas por via das dúvidas talvez seja bom olhar para sua bebê e dizer: "que forte, que destemida, olha que safa ela é!"

Dói, especialmente para quem já reproduziu meninas manhosas e frágeis, pensar sobre isso, mas não é menos importante começar a agir pela liberdade das meninas e apoiá-las em seus enfrentamentos.

Meninas podem ser corajosas, fortes, destemidas, livres, inteligentes e seguras sem que sua identidade de gênero mude, é preciso vencer além do preconceito, o medo. Mas meninas ensinadas a serem covardes, frágeis, amedrontadas, bobas, inseguras, identificadas ou não com seu gênero, podem ser menos felizes.



Atrás de toda mulher que não consegue pontuar e fazer valer seus pontos para namorado ou marido sobre meras tarefas domésticas e cuidado com as filhas e filhos, existe um rol de sentimentos de inadequação, fragilidades, medos e inseguranças que foram plantados nela desde cedo. Ou pior, pode ser que elas só tenham sentido segurança básica exclusivamente nas tarefas culturalmente aceitas e então se vingarão (de si mesmas, mais do que deles) impedindo que marido e filhos homens as façam porque "eles não sabem fazer direito".

Não precisamos mais nos vitimar, não precisamos criar meninas para serem vítimas do machismo. Elas só saberão escolher bons companheiros ou companheiras para suas vidas se tiverem um olho clínico para isso.
Se vai sobrar homens machistas reproduzindo machismo, ok, eles não serão escolhidos, não por nossas filhas.










13 Mar 11:48

relato de parto – o nascimento de guadalupe

by luíza diener
era meia noite e quarenta e seis do dia primeiro de março. virada da lua minguante, exatamente nove luas após a concepção daquele bebê que até então eu gerava dentro de mim. acordei com uma dor forte. elas já vinham e iam há algum tempo, mas achei que fossem consequência do dia puxado que eu tivera – primeira reunião da escola nova do benjoca. ou talvez fossem os tais pródromos, que ainda demorariam mais alguns dias até que o grande dia chegasse. eu comecei a sentir as tais dores às 18h24 do dia 29 de fevereiro. 18h44 outra. 19h04 mais outra. de 20 em 20 minutos elas vieram. depois a […]
12 Mar 00:41

Hérnia Umbilical: será que a antiga moedinha funciona?

by Juliana Oliveira

Barbara_Hernia

Quantos de vocês já viram um bebê que nasceu com aquele umbigão pra fora? Esse foi o meu caso. Minha bebê nasceu com uma hérnia umbilical e cada dia que passava, a hérnia ficava maior. No primeiro mês de vida, a pediatra disse que a hérnia se fecharia por conta própria.

Screen Shot 2016-02-14 at 09.44.46No segundo mês, a hérnia continuava crescendo e eu estava ficando bem preocupada. Minha mãe e outras pessoas me falavam daquele método antigo de enfaixar o umbigo do bebê; então perguntei para dois pediatras o que eles achavam sobre esse método. Os dois pediatras me disseram que isso não funcionava mas que eu não precisava me preocupar por que o umbigo provavelmente fecharia sozinho.
Com três meses de idade, passei minha bebê na consulta de rotina e a pediatra viu que e a hérnia não estava fechando, pelo contrário, estava ainda maior, então ela me disse que minha filha teria que operar no futuro porque provavelmente o umbigo não fecharia.

Aquilo me assustou muito e resolvi fazer algo. Eu não poderia aceitar o fato de que minha filha teria que operar a hérnia. Então fui a farmácia, comprei uma faixa, e comecei a usar a moedinha (esterilizada e envolta por uma fita micropore )em cima do umbigo e a faixa ao redor do abdômen dela segurando a moeda no lugar. Mas tive um problema, não tive coragem de apertar a faixa como deveria porque os médicos me disseram que ao apertar o abdômen do bebê, a respiração ficaria comprometida e isso seria muito perigoso.

20151109_112043Então eu colocava a moedinha e a faixa mas não apertava muito, só que depois de algumas horas minha filha já estava com a moedinha e a faixa caída e não estava adiantando nada. Até que resolvi , como muitas mães , ir para a internet tentar achar uma solução para o umbigo da minha filha.

Encontrei o vídeo de uma mãe que passou pelo mesmo problema que o meu. Médicos diziam que a faixa não adiantaria e ela também tinha medo de apertar a barriguinha, então ela teve uma ideia e eu a adaptei da melhor maneira possível.

Aqui vai a dica:

  1. Esterilize uma moeda;
  2. Envolva a moeda em um esparadrapo ou micropore;
  3. Envolva a moeda em um chumaço de algodão e coloque em cima do umbigo do bebê;
  4. Pegue 2 curativos adesivos (mais conhecido como Band-Aids) e cole a moeda bem apertadinha em formato de X em cima do umbigo e deixe o dia inteiro. Na hora do banho, retire a moeda, troque o algodão e o curativo adesivo.   Evite colocar o curativo adesivo sempre no mesmo lugar para evitar que a pele fique irritada.

Gente foi um milagre! Em poucos dias ja vi uma enorme diferença e em quase três semanas o umbigo estava perfeito.

Então se alguém estiver passando por esse problema, não se conforme com a cirurgia. Evite esse sofrimento para o seu filho.

O antigo método da moedinha funciona sim!!

 

Assinatura_BarbaraVirginia