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26 Jul 21:29

Cientistas anunciam a comida do futuro: leite de barata

by Carlos Cardoso

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Em Física se você tiver os dados corretos de um tiro de canhão consegue prever com razoável precisão onde ele vai cair. Conseguimos prever eclipses com total precisão, não existe “eclipse inesperado”. A NASA tem uma página listando todos os eclipses do Sol até 0 ano 3000, e não foram além por pura falta de vontade.

Já Biologia é uma Ciência onde não há Leis, no máximo Recomendações. Toda vez que você tenta formular uma regra absoluta surge um ornitorrinco. São peixes que andam, cobras que voam (ok, caem com estilo) e gatos casco-de-tartaruga que são sempre fêmeas a não ser 1 em 3 mil, quando nasce um macho com a mutação.

Um exemplo dessa natureza desregrada da Evolução é a Diploptera punctata, uma espécie de barata que contraria tudo que conhecemos sobre esse inseto nojento. É conhecimento comum que barata bota ovo, abandona aquela bolsa rígida depois de um tempo e some, certo?

Nem todas. A punctata é um caso extremo. Essa maldita faz algo que baratas não deveriam fazer: ela incuba os filhotes, de forma vivípara. As larvas não chegam nem a desenvolver ovos completos, mas não pára aí. Os cientistas descobriram que ela além de manter os filhotes no útero os alimenta com… leite.

Ela secreta uma espécie de “leite” para alimentar as larvas. Grama por grama é 3 vezes mais nutritivo que leite de búfala. Esse leite se cristaliza em um complexo arranjo de proteínas, que foi identificado e sequenciado por uma equipe internacional de cientistas. Os resultados da pesquisa foram publicados no artigo Structure of a heterogeneous, glycosylated, lipid-bound, in vivo-grown protein crystal at atomic resolution from the viviparous cockroach Diploptera punctata,

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Óbvio que ninguém vai sair por aí ordenhando baratas, é muito difícil construir banquinhos e baldes tão pequenos, mas com o sequenciamento da proteína em teoria ela pode ser sintetizada. Seria um excelente suplemento alimentar, ou até ração de emergência para as proverbiais criancinhas famintas africanas, ou os filhos do socialismo venezuelano e da Melhor Coréia.

Essa síntese provavelmente seria feita com bactérias geneticamente modificadas, mas um enorme esforço de marketing seria necessário pra que as pessoas topassem experimentar o tal Leite de Barata. Difícil mas não impossível, afinal todo mundo adora mel e uma abelha não é mais que uma mosca que investiu em figurino e propaganda.

Fonte: Science Alert.

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24 Jul 23:59

Tony Stark estava certo: ouro e titânio é uma combinação porreta

by Carlos Cardoso

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Às vezes a vida imita a arte. Foi o caso do Homem de Ferro. No filme, Tony Stark justifica sua armadura meio carnavalesca dizendo que usa uma liga de titânio e ouro, muito mais forte que o normal.

O bom-senso diz que não funciona, afinal ouro é um dos metais mais maleáveis, como adicionar uma coisa mole a uma coisa dura torna a coisa mais dura? Não faz sentido a não ser que você leve pra maldade.

Só que o Universo como um todo e a Química em particular está pouco se lixando pro que faz sentido pra gente. Foi o que descobriu a professora Emilia Morosan, da Universidade Rice, em Houston.

Ela estava testando compostos para uso em próteses. Para isso eles precisam ser pulverizados. Isso é feito com um almofariz e um pilão:

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Problema: quando a professora Emília viu, em vez de pulverizar a amostra o almofariz e o pilão estavam desgastados. E eles eram recobertos por uma camada de diamante industrial.

Examinando a amostra ela descobriu um composto chamado β-Ti3Au. Uma estrutura cristalina de titânio reforçada com ouro, quatro vezes mais resistente que titânio convencional. O material ainda tem coeficiente de fricção reduzido e é biocompatível. Ou seja, ela praticamente criou a base pra Armadura Extremis.

Ou pra prótese de bacia da sua avó, o que vier primeiro.

Aqui o paper.

Fonte: Geeks Are Sexy.

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24 Jul 23:57

Empresa quer vender hoverboards para forças armadas dos EUA

by Carlos Cardoso

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Em um dos filmes do Aranha o planador do Duende Verde era mostrado como um protótipo de veículo militar. Meio de transporte oficial do vilão, o planador é um clássico desde o tempo em que ainda era um cabo de vassoura voador (sério).

Assim como jetpacks era algo que demandava energia demais, era instável demais e por isso fora um ou outro protótipo limitado, permanecia no campo da Ficção Científica. Até estes caras aqui aparecerem:


Flyboard® Air Test 1

Como assim, Bial, décadas de gigantes da indústria pesquisando e nada, e assim magicamente aparece um pessoal com essa tecnologia? Certamente é fake!

A internet, que é BEM desconfiada, até demais ficou com 3 pés atrás, muita gente começou a apontar falhas “óbvias” no vídeo. Só que não era fake. O desenvolvimento foi todo em segrego, custou uma fortuna e levou anos, felizmente a empresa tinha ambos. Eles são os criadores do Flyboard original, este brinquedo aqui:

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Essa Flyboard é muito, muito legal, mas é um equipamento passivo (ui!) usando um jetski para prover a pressão hidráulica para os jatos. O que fizeram foi começar com essa tecnologia e desenvolver um conjunto de 4 turbinas, com uma mochila contendo combustível, controles e encheram o bicho de giroscópios. Nasceu a Air Flyboard.

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Em vez de bater boca na internet a Zapata Industries chamou o pessoal do Livro Guinness, e organizou a quebra do recorde mundial para vôo em hoverboards. Resultado? Franky Zapata, criador da Flyboard e CEO da empresa vestiu a mochila, subiu na trapizonga, e se preparou para quebrar o recorde anterior de 275,9 metros.

A região de Sausset-les-Pins, na costa francesa acabou testemunhando um vôo sem escalas, controlado de nada menos 2.252 metros.


Farthest flight by hoverboard – Guinness World Records

O equipamento é capaz de atingir 10 mil pés de altitude e velocidade de 150 km/h. Isso pode ser bem atraente para muita gente, incluindo a comunidade de Defesa. Por isso a Implant Sciences está de olho e quer adquirir a Zapata Industries. Depois de anos fabricando detectores de bombas e outros equipamentos, eles querem entrar na área de veículos, criando um mercado para a Flyboard e seus derivados.

Sugerem idéias como macas-drone para evacuar feridos, transportes para munições em zonas de combate e, claro, o uso por operações especiais, mas esse último certamente não será para combate direto, como nesta cena abominável do Highlander 2 que só coloco pois odeio todos vocês:


Bulletproof Media | Highlander 2 – Renegade Version Fight Scene

Usado em combate a curta distância a Flyboard transforma o combatente em um lindo alvo, carregando litros e litros de combustível nas costas. Por outro lado ele pode ser usado para transporte rápido entre regiões de combate, ou até em uma incursão via salto de paraquedas de grande altitude. Dá pra imaginar uma fortaleza inimiga em uma ilha, e uma tropa usando Flyboards para passar por cima de todas as defesas contra mergulhadores e barcos, como redes e minas.

Uma coisa é certa: o Michael Bay vai tomar conhecimento da Flyboard e usar em uma cena épica como fez com as Wingsuits no Transformers 3, e provavelmente fará também com gente de verdade. O que tornou a cena melhor ainda:


Richard Parker — Transformers: Dark of the Moon Clip (13/19) NEST Skydive Scene

Fonte: The Verge.

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11 Jul 19:00

Tempo de Cri$e

by FW
11 Jul 18:48

Parabéns, Nikola Tesla!

by Emanuel Laguna
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The Prestige (crédito: The Chronicle)

Eletricidade para o povo. Parece ter sido esse o lema do inventor sérvio-croata-americano que hoje, 10 de julho, completa 160 anos.

Entre as invenções mais importantes de Nikola Tesla estão o motor de indução, o transformador e o alternador. Tais dispositivos do século XIX moldaram a infraestrutura elétrica do século XX.

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Doodle do Google hoje em vários países, infelizmente não no Brasil (crédito: Google)

Esses componentes elétricos polifásicos foram aperfeiçoados pelo Tesla: ao usar campos magnéticos girantes em vez de peças mecânicas para conduzir os motores, por exemplo, boa parte do atrito e vibração foi removida, conseguindo grande eficiência em escala industrial. Foram o motor de indução, o transformador e o alternador que basicamente venceram a chamada Guerra das Correntes ao final do século XIX. Eles e as lâmpadas fluorescentes verdes, outro invento de Nikola Tesla.

Sabe as velas de ignição presentes nos motores à combustão? São a aplicação, o uso mais comum das bobinas de Tesla.

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Nikola Tesla sentado calmamente entre suas bobinas com milhões de volts, no laboratório em Colorado Springs (crédito: Wikipédia)

Segundo rumores, Nikola Tesla seria indicado a um Prêmio Nobel de Física em 1915, mas recusar-se-ia a dividi-lo com Thomas Edison. Um dos motivos? Este foi seu ex-patrão e prometera uma gratificação de cinqüenta mil dólares (corrigido pela inflação, hoje seria mais de US$ 1 milhão) caso Tesla aperfeiçoasse os motores de corrente contínua de Edison. Isso em 1884.

Tesla conseguiu melhorar os motores mas Edison não cumpriu a promessa, dizendo que “Tesla não havia entendido o humor norte-americano”. Depois desse episódio, e de perceber que a corrente contínua não tinha tanto futuro na infraestrutura elétrica mundial quanto a corrente alternada, Nikola Tesla deixou a empresa de Edison, embriã da atual General Electric.

Ao deixar a empresa de Edison fundou a própria em abril de 1887, a Tesla Electric Company, com seus sócios Alfred S. Brown e Charles F. Peck. Sob tal empresa, Tesla inventou e patenteou um motor de indução encomendado pela Westinghouse Electric Company.

E foi graças à amizade de Nikola com George Westinghouse que Tesla começou a ganhar a fama de “cientista maluco” por suas excentricidades. Uma delas foi a de abrir mão dos royalties por cada um dos motores vendidos com tecnologia desenvolvida em conjunto com a Westinghouse.

As invenções de Tesla ajudaram Westinghouse a vencer a Guerra das Correntes em 1893 quando venceram a licitação contra a General Electric de Edison para implantar uma usina hidrelétrica nas Cataratas do Niágara. À partir dali, foi estabelecido que a corrente alternada é o padrão de alimentação das residências e indústrias de todo o mundo, sendo a maior parte delas alimentadas com o padrão mundial trifásico de 380/220 V a 50 Hz (utilizado na Europa, Ásia continental, Oceania, África e América Latina excetuando-se Brasil e México).

Durante sua infância, Tesla era fã dos livros de Mark Twain e ambos se tornaram amigos quando Tesla tinha sua empresa. Provavelmente Nikola Tesla lia Tom Sawyer enquanto fazia os experimentos em seu laboratório mais famoso, o de Shoreham (NY), com a inacabada Torre de Wardenclyffe, também chamada de Torre de Tesla.

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Torre de Wardenclyffe (crédito: LEGO Ideas)

A Torre de Tesla serviria para transmissão de mensagens sem fios até a Inglaterra, mas não se tornou operacional. Custeada pelo J. P. Morgan, a torre acabou por ser demolida em 1917. O laboratório em si acabou virando sede de outros negócios desde a execução da massa falida da Tesla Electric Company e teve até uma recente campanha para que Elon Musk ajudasse na reforma do prédio, transformando-o num Museu Nikola Tesla em Wardenclyffe.

Falando no CEO da Tesla Motors…

Provavelmente Nikola Tesla teria gostado da homenagem.

Uma pena que o inventor sérvio-croata-americano acabou por falecer no meio da Segunda Guerra Mundial, pobre e sozinho. Após sua morte, o governo norte-americano confiscou-lhe todos os bens. Inclusive os supostos planos de um especulado “Raio da Morte”. Boa parte dos bens de Tesla foram devolvidos ao sobrinho Sava Kosanović e fazem parte do Museu Nikola Tesla em Belgrado, Sérvia.

Fontes: The Oatmeal e Tesla Universe.

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11 Jul 01:24

Criamos um e-mail para nossa filha de 1 ano

by Rodrigo Cambiaghi

Tempo atrás meu amigo de infância que tem uma memória implacável me lembrou como foi o dia que a gente se conheceu, aos sete anos de idade. Eu havia esquecido completamente dessa cena, mas à medida que ele foi relembrando nos mínimos detalhes o que nós e nossos pais conversamos, o que estávamos fazendo e quais foram as nossas reações, eu comecei a recriar a cena inteira na memória.

Lembrei que era um fim de tarde de um dia um pouco nublado, do som dos cachorros da casa dele latindo, do cheiro da maresia do Guarujá e da terra batida do asfalto. Lembrei que estava um pouco emburrado porque meu pai não deixou eu levar o videogame para a viagem e que sentia saudades da minha mãe.

A cada detalhe que ele contava, mais nítida e viva ficava a cena em minha memória. Foi como uma mini viagem no tempo para a nossa infância por alguns segundos e foi legal demais.

Quando a Clara nasceu, me vi registrando cada pedacinho e momento juntos na esperança de que a gente conseguisse, mais pra frente, saborear essas lembranças do mesmo jeito que fiz com meu amigo.

Foi aí que minha esposa, Nathalia, teve a ideia de criar um e-mail para a Clara. Desde o nascimento ela já vinha anotando num bloco de notas no celular todas as gracinhas, novidades e coisinhas da rotina que aconteciam com a nossa filha. Mas quando percebeu que provavelmente isso iria se perder em algum momento e que haveria grandes chances da nossa filha nunca chegar a saber disso, soubemos que queríamos algo mais concreto, definitivo.

Um blog poderia ser muito expositivo para falarmos dos nossos sentimentos e intimidades com ela, então a ideia genial da Nat foi criar uma simples conta de e-mail. Assim, poderíamos compartilhar aos pouquinhos desde levianidades como vídeos, fotos e besteiras como “hoje nasceu seu primeiro dente” e “hoje você falou papai” até textões nos quais abrimos o nosso coração para ela.

Se já é legal rever um álbum antigo com 24 fotos, imagina ter um baú virtual gigantesco de memórias da sua infância na caixa de entrada do seu e-mail? Espero que ela goste, e eu vou certamente pirar –e passar um pouco de vergonha também – quando reler o que escrevi daqui a 10, 20 ou 30 anos.

Só torço para que o Gmail ainda exista até lá.

Sei que pra muita gente pode não ser tão fácil soltar os dedos sobre um teclado pra falar sobre sentimento. A gente tem mil travas, mas escrever sobre elas pra quem a gente mais ama pode ser um exercício de paternidade bem sensível, que deixa a gente bem mais livre pra dizer aos nossos filhos que eles são amados.

Pra inspirar quem tá a fim de começar um projeto desses mas não sabe muito como, deixo aqui o meu primeiro e-mail à Clara.

"Oi filha,

Demorei para te escrever desde que sua mãe criou esse email.

Mas eu sou meio assim, um pouco mais fechado e com dificuldade de falar sobre meus sentimentos.

Não sei com que idade você estará quando ler esse primeiro email, então, se você não entender alguma coisa, me chame para lermos juntos e eu te explicar.

Semana passada escrevi um texto falando sobre como foi ser pai, dos primeiros dias que a sua mãe ficou grávida até o seu aniversário de um ano. Mais de 25 mil pessoas leram e gostaram bastante, para você ter uma ideia, 25 mil pessoas da para encher metade de um estádio de futebol. É bastante gente!

Hoje fomos passear pelo bairro de manhã, apesar do sol, está muito frio em São Paulo, você foi dentro de uma bolsa de carregar nenêm, encaixada na minha barriga, ficamos bem quentinhos juntos e você dormiu depois de 5 minutos. Enquanto passeávamos, sua mãe ficou em casa arrumando as malas para ir para Santo André na casa da sua vó Fátima, sua bisavó Maria não estava muito bem de saúde e sua mãe queria ir visita-la no hospital.

Pode ser que quando você estiver lendo esse email sua bisavó Maria não esteja mais viva, mas saiba que vocês se conheceram e brincaram juntas já! Temos até foto para provar.

Almoçamos na casa da sua avó Tsunae

Hoje você tem 1 ano e 15 dias e pesa mais ou menos 10kg.

Você está quase andando, consegue andar super bem de mãos dadas mas tem medo de andar sozinha por conta de alguns tombos que tomou.

Você já fala mamãe, mamá, papai, painho, vovó, vovô, miau, nham nham (para dizer que está com fome), não (você diz "nari nari nari" e balança os dedinhos) e mais algumas coisinhas.

Você entende quase tudo que falamos e consegue identificar animais e objetos.

Você come de tudo, frutas, carnes, legumes, cereais, mas suas comidas favoritas são melancia e ovo. E modéstia à parte, o pai sabe fazer um ovo mexido delicioso.

Aqui abaixo é o texto que o pai escreveu, espero que você goste! Eu fiquei tao feliz com o resultado desse texto que estou pensando em escrever a cada 15 dias sobre minha experiência de ser pai. Será que vai dar certo? Espero poder ajudar mais homens a entender sobre a paternidade.

Um beijo do seu pai que te ama"

11 Jul 01:16

Como um cego viu o avião: A história de um piloto da Força Aérea Brasileira

by Rodrigo Perdoná

Durante o evento de Portões Abertos da Base Aérea de Natal, em 2013, eu estava ao lado do avião de caça A-1, do Esquadrão Adelphi, onde atuo. Naquele dia eu estava apresentando-o para o público.

Milhares de pessoas se confundiam na multidão do pátio ensolarado. Faziam filas para chegar perto da aeronave que estava protegida por cones, correntes e outros militares ao redor, além de seguranças da área operacional.

Minha função, como piloto escalado para aquele evento, era explicar ao público sobre o avião, um a um, família a família. À medida que a fila andava, as pessoas subiam no avião para tirar a foto clássica, vestidas de piloto e dentro da cockpit daquele "trator" voador, o Caça A-1M, também conhecido como AMX, da Força Aérea Brasileira.

Em ação

Algumas horas se passaram e centenas de pessoas já haviam visitado a aeronave, quando chegou a vez de um senhor com deficiência visual que estava acompanhado por um homem jovem, provavelmente seu parente.

"Boa tarde! Não posso enxergar. Você poderia descrever o avião para mim?", perguntou o senhor. Fiquei um tempo sem reação, pensando como explicaria, já que fui pego de surpresa e nunca me ocorrera uma situação parecida antes. Então, como num momento de inspiração, levantei a corrente que servia de bloqueio e pedi para que o senhor se abaixasse e colocasse uma das mãos no meu ombro esquerdo.

Seu acompanhante ficou do lado de fora aguardando. Aí peguei a outra mão dele e, guiada pela minha, começamos a tocar e analisar cada detalhe do caça, começando pelo nariz, passando pela asa esquerda, profundores, escapamento, trem de pouso, asa direita e finalizando novamente no nariz.

Cada nuança foi explicada. Cada curva detalhada. As pessoas na fila, que antes estavam impacientes, agora olhavam com admiração e paciência a emoção que transbordava no rosto daquele homem.

Ao final, ele disse: "Agora, depois de 62 anos, consegui ver um avião!"

E pediu para que eu descrevesse como era um voo e qual a melhor sensação de voar. Então respondi:

"Quando o dia está nublado, daqueles com chuva e escuro, quando a única sensação que se tem é que nada há além daquelas nuvens, então, como que ignorando as atribulações, guarnecemos a aeronave, acionamos o motor e decolamos!

Entramos nessas nuvens cinzentas logo após sair do chão, onde geralmente o ar é turbilhonado e faz o avião sacudir bastante. Em meio à tempestade, nada mais se deseja além do que solo firme. Mesmo que lá embaixo estejamos sob forte chuva, de repente, depois de enfrentar o desafio nada agradável de atravessar as nuvens, o céu fica azul e limpo e aquelas nuvens todas, que antes deixavam o dia nublado, agora formam um imenso e belo tapete branco que cobre a terra.

E, onde se tinha escuridão, agora se tem a sensação de alívio em saber que, independente de como estamos aqui embaixo, o céu sempre estará azul lá em cima!"

Neste momento, ele tirou os óculos e me abraçou. E as pessoas ao redor, comovidas, bateram palmas, como forma de sinalizar para aquele senhor que estavam ali, com ele.

Nunca me esquecerei daquele dia. Daquele senhor. E daquela frase: "Agora consegui ver um avião!"

Obs.: A FAB, Força Aérea Brasileira, está no Facebook e também no Instagram.

11 Jul 01:10

Como seria ser o Cristiano Ronaldo? É o que o novo comercial da Nike te faz imaginar

by Bruno Pinho

Você abre os olhos e está em outro lugar. Quarto amplo e com muita luz, deitado em uma cama king size que te faz precisar rolar diversas vezes para conseguir sair dela, começa a caminhar atordoado sobre o macio e felpudo tapete sem fazer ideia de como parou ali até encontrar um espelho e blau!, descobre que está no corpo de Cristiano Ronaldo.

Fato improvável? Sem dúvidas, mas é o mote do novo comercial da Nike com o craque português, chamado de“A troca”. A companhia apresenta um roteiro onde Ronaldo, durante uma partida, colide com o jovem gandula Lee e, como o nome do curta e o abre desse texto anuncia, troca de vida com ele.

O resultado é o comercial mais longo da história da Nike, que ainda assim não perde o ritmo em nenhum momento. Seis minutos que certamente serão um respiro no seu dia, e segue a tradição da marca de produzir comerciais fodas:

Link YouTube | A trilha do comercial é a música “Turn Up”, do The Heavy

O curta tem como diretor de fotografia Matthew Libatique - conhecido por seu trabalho em Cisney Negro, Homem de FerroeStraight Outta Compton - e é repleto de craques, contando com participação de jogadores do nível de Mascherano, Quaresma e Soares.

O Jader Pires, o editor máquina de hits da casa, no distante ano da copa do mundo de 2014, já fazia a brincadeira de que existe um momento clássico do ano em que a Adidas se desespera vendo a criação da maior rival.

Podemos dizer, nesse agitado ano de dois mil e dezesseis, que esse momento chegou. 

10 Jul 15:25

Conheça o SCR

by Equipe Embarcados

O SCR (Silicon Controlled Rectifier) faz parte da família dos tiristores, que são dispositivos semicondutores de 4 camadas usados em diversas aplicações na indústria.   É semelhante ao diodo, conduz em apenas um sentido, porém de forma controlada. É formado por quatro camadas, PNPN e possui 3 terminais: (A) anodo, K(catodo) e G (gate).   […]

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10 Jul 14:41

Trying to catch the race condition

by sharhalakis

by @uaiHebert

01 Jul 01:29

Oh shit. Inteligência Artificial vence piloto de caça humano em todos os combates

by Carlos Cardoso

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A gente imagina (corretamente) que avião é mais complicado do que carro, afinal tem que se mover em um espaço tridimensional e não pode parar para consultar o Guia Rex no porta-luvas ou pedir informação no posto. Só que ao contrário do que diz o nosso bom-senso, que não vale de nada, é bem mais simples voar do que dirigir.

Tanto é que o primeiro piloto automático, capaz de controlar um avião em determinado rumo e altitude foi lançado em 1912. HOJE não temos carros automáticos funcionando de verdade fora alguns testes como aquele kinder ovo do Google.

O que é assustador é perceber que a facilidade de ensinar um computador a pilotar um avião não se resume a manter o bicho estabilizado, seguir a rota até o destino e se o aeroporto for certificado, realizar toda a manobra de pouso. Nem assusta a instrução de um piloto de F-18 ao decolar de um porta-aviões ser “tira as mãos dos controles o computador cuida de tudo”.

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Não veja este filme.

O que assusta é que Nicholas Ernest, junto com outros pesquisadores desenvolveram um sistema de inteligência artificial baseado em Lógica Difusa que não só pilota (em simulador) uma aeronave de combate, como tem resultados extremamente bons.

Em um paper chamado Genetic Fuzzy based Artificial Intelligence for Unmanned Combat Aerial Vehicle Control in Simulated Air Combat Missions eles detalham o funcionamento do ALPHA, seu software de IA.

O software usa algoritmos genéticos para aprender, e quando um evolui, o aprimoramento é passado para todos os outros sistemas do grupo. Eles conseguem trabalhar em conjunto, determinar periculosidade do inimigo, organizar estratégias de ataque, defesa, evasão e dissimulação.

Em um dos testes o software lançou um míssil contra o inimigo mesmo sabendo que ele tinha grande possibilidade de desviar do tiro. Só que ao mesmo tempo cercaram as rotas de fuga e quando o inimigo desviou para elas, foram abatidos.

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Os testes foram contra outros drones simulados controlados por computador, mas depois colocaram o inimigo na mão do Coronel (reformado) Gene “Geno” Lee. Ele primeiro comandou as formações para tentar vencer o ALPHA.

Finalmente ele assumiu o cockpit do simulador, e derrotou facilmente a primeira versão do ALPHA. Quando foi tentar enfrentar a segunda versão ele não só foi incapaz de derrubar um inimigo sequer, como foi abatido em todas as ocasiões.

Diz o Coronel Lee que o ALPHA é a Inteligência Artificial mais agressiva, responsiva e dinâmica que ele já viu. Faz sentido: ao contrário dos sacos de carne, o ALPHA não está limitado pelas forças G, pode fazer manobras muito mais bruscas e não é distraído por medo, compaixão, dúvida ou foto da família no painel.

HOJE ALPHA tem tempo de resposta na casa de microssegundos, mas lembre-se que não está otimizado: é só um experimento rodando em computadores comuns. Mesmo, eles usaram um PC de US$ 500,00.

Nós brincamos disso de apocalipse robótico, mas esta é a primeira vez que criamos algo que potencialmente pode nos superar no campo de batalha. Assusta ter surgido tão cedo.

O ALPHA é resultado da pesquisa de doutorado do Nicholas Ernest, que consumiu 3 anos e uma verba de US$ 200 mil, que parece muito mas tem que bancar laboratório despesas e café pra uma equipe de 6 pessoas. Convenhamos dinheiro muito mais bem-empregado, aqui a gente banca pesquisas sobre a fauna sorvedora de jirombas.

Fonte: Universidade de Cincinnati.

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27 Jun 01:59

Quando se usa roupa verde a internet não perdoa nem a Rainha da Inglaterra

by Não Salvo

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No ultimo sábado dia 11/6 a Rainha Elizabeth II da Inglaterra festejou seus 90 anos, porém quando decidiram oq ela ia vestir pra comemorar essa data tão especial, não pensaram que uma pessoa tão idosa usando verde limão poderia ser afetada por algo do nosso século, como a população q habita os submundos da internet…

Clique aqui e leia mais…

4

Rainha homenageia o mestre didico imperador

Dá pra assistir os 7 filmes assim
1
Quando vc percebe que é tarde demais pra segurar a onda de memes
7
Ela achou que ia ser manjado sair vestida de Queens
2
Patrocínio direto pra competir com o Burger King

Ela foi festejar assim mas só depois da meia noite
3
Fora do Péricles a camisa do Tupac nem parece uma pessoa viva
5
A Rainha gosta de lembrar das suas manhãs de sábado vendo os bananas de pijama

E o tempo pro proximo fim de semana é
6
Ela também se preocupa com a igualdade de gênero
8
Quanto brilho, quanta luz
9
Woooow… so much clothes…
10
Alface, queijo, molho especial, Cebola, Picles Num pão com gergelim
11
Aposto que o Batman não tá preparado pra uma charada desse nível

A internet não perdoa a terceira idade
A internet não perdoa a realeza
A internet não perdoa nada.

Para ver todos os posts completos acesse o Não Salvo.

27 Jun 01:21

ChromaCid com Kléber Bambam

by Não Salvo

Chegou mais um quadro novo lá no canal onde eu trago um amigo pra atuar diante de um fundo verde, o Chromacid é praticamente um presente pra internet, então bora ver a gravação e o resultado!

Depois dessa sublime atuação do nosso convidado Kléber Bam Bam, é hora de ver a arte final que a galerinha do youtube enviou pra nossa caixa postal!!

AuHAUhaUhAUHa O pessoal tem doença mental, não é possível! O resultado ficou muito melhor do que eu esperava!!!1

E não deixa de se inscrever aí pra ficar atualizado quando sair vídeo novo no canal! 

 

Para ver todos os posts completos acesse o Não Salvo.

19 Jun 21:17

What A Developer Thinks About Vulkan After Using It In A Game Engine

One of the developers behind a new open-source 3D game engine written in C++ and using Vulkan and DirectX 12 as rendering back-ends has shared his thoughts on this new Khronos graphics API after diving into it for this project...
19 Jun 20:33

Adult

(1) That shopping cart is full of AirHeads, and (2) I died at 41 from what the AirHeads company spokesperson called 'probably natural causes.'
19 Jun 19:59

UE exige que todos os artigos científicos se tornem de acesso aberto até 2020

by Ronaldo Gogoni

paywall

Recentemente discutimos aqui sobre a briga da Elsevier com o Sci-Hub, o repositório público que agrega e disponibiliza artigos científicos normalmente protegidos por paywall para quem quiser ler, sem a necessidade de carteirada ou de abrir a carteira. A questão principal é: a quem pertence o conhecimento, o pesquisador, à população ou ao periódico que cobra pelo acesso?

A União Europeia entendeu que ele deve ser colocado ao alcance de todos, sem exceção, e por conta disso bateu o martelo e determinou que TODAS as publicações científicas produzidas no bloco, sem exceções sejam colocadas em acesso aberto até 2020.

Como funciona hoje? O pesquisador se mata de trabalhar e estudar para produzir sua pesquisa, e trabalho realizado, é preciso publicá-lo. Entram aí os periódicos de grande nome como a Nature e a Science Magazine, que se não cobram diretamente do pesquisador submetem o artigo a critérios de avaliação malucos, que consideram inclusive o valor de buzz que a pesquisa poderá gerar, o que intensifica a procura, gera mais pageviews e consequentemente mais dinheiro para o periódico.

Caso seja aprovado o trabalho do cientista é indexado e publicado, só que fica protegido atrás de um paywall que cobra pelo acesso (algo que também não é muito simplificado para leigos em alguns casos). A Elsevier, o maior repositório do mundo é ainda mais inescrupulosa, pois cobra quantias do pesquisador que podem chegar a até US$ 1.000,00 para este ter seu trabalho indexado. Ou seja, ela lucra duas vezes.

Ah sim, desnecessário dizer que os periódicos não retornam um tostão ao pesquisador.

Aí você pergunta: por que o pesquisador se sujeita a isso? Por causa do Fator de Impacto: publicar numa Nature ou numa Science causa muito mais impacto na comunidade científica que na PLOS One, que embora libere o acesso também já publicou muito lixo, já que funciona no esquema “pagou, publicou”. Assim temos o bizarro cenário em que o conhecimento é eletivo, só ao alcance de quem pode pagar. Alternativas como o Sci-Hub, que tentam democratizar o acesso são muito bem-vindas mas este é um território nebuloso, já que estamos falando de uma prática ilegal.

E é por causa disso tudo que a União Europeia resolveu por um basta nessa farra. No último dia 27 o Conselho de Competitividade da UE determinou que todos os artigos acadêmicos produzidos por instituições públicas ou privadas do bloco econômico deverão ser disponibilizados em caráter de Acesso Aberto até o ano de 2020. A decisão ainda não tem força de lei mas isso é questão de tempo, 28 países assinaram a resolução (cuidado, PDF) e não tem volta, é aceitar de cabeça baixa ou sofrer as consequências.

Obviamente que os defensores do formato de paywall não estão nada contentes, e para a surpresa de ninguém a Elsevier está liderando o bloco dos reclamões, seguido de perto pelo conglomerado Springer-Nature (responsável pela Nature, obviamente). Ambos defendem o formato de seus negócios mas sinceramente, terão de aceitar resignados que vão perder rios de dinheiro na Europa.

Claro que é um pequeno passo para vermos o cenário ideal de conhecimento livre em todo o globo, mas é um começo. Eu defendo que o conhecimento científico deve sim ser colocado ao alcance de todos e não concordo com a cobrança dos periódicos, que gozam de renome para comercializar bens de coisa pública, que não pertencem a ninguém.

Fonte: Science.


Leia mais:

Ouça também:

  • o SciCast 104 sobre Acesso Aberto, paywall e todo o inferno que pesquisadores passam para indexar seus artigos.

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11 Jun 19:09

As Mulheres Nucleares

by Carlos Cardoso

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Esse monstro pesa 4 toneladas e tem quase 4 metros de comprimento. É uma bomba termonuclear B53, com potência de 9 megatons. Ficar do lado dela é bem seguro, pois se detonar acidentalmente a explosão de energia é tão rápida que você sequer conseguirá perceber um clarão: será vaporizado antes do sinal emitido por seus nervos chegar ao cérebro.

Ela, assim como todas as outras armas nucleares dos EUA foi construída no mesmo lugar: uma fábrica chamada PanTex, de propriedade do Departamento de Defesa. São 65 km² em Amarillo, Texas. Inicialmente uma fábrica de bombas convencionais, depois da 2ª Guerra Mundial ela foi desativada, vendida mas em 1951 o Exército requisitou a área e a produção nuclear foi toda concentrada ali.

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Estrategicamente é perigoso colocar todos os ovos em uma só cesta, mas ao mesmo tempo é muito mais fácil controlar a segurança em uma fábrica só, comparado a várias. Como se os russos chegassem no Texas os EUA já estariam encrencados, faz sentido concentrar a produção lá.

Durante a Guerra Fria a produção foi intensa, hoje a PanTex produz bem menos ogivas mas trabalha bastante desmontando as bombas antigas, quando se tornam obsoletas, passam do prazo de validade ou são descartadas por algum acordo de desarmamento.

No auge da produção a PanTex passou pelo mesmo fenômeno que mudou fundamentalmente a sociedade americana durante a 2ª Guerra: simplesmente não podia abrir mão de contratar mulheres e outras minorias, desde que qualificadas, claro.

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Com a necessidade de milhares de armas nucleares, que não são tão simples de produzir quanto uma transmissão de Fusca, trabalhadores especializados, caros e raros acabaram exigindo e conseguindo benefícios fora do comum.

Em 1967 eles tinham tratamento igual para minorias raciais, uma política para conter e punir assédio sexual, todos os cargos estavam abertos para mulheres e os salários eram iguais entre os gêneros. Havia até licença-paternidade.

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O começo não foi fácil, as engenheiras e técnicas acabavam varrendo chão, mas aos poucos os supervisores perceberam que as mulheres tinham mãos menores, o que facilitava o acesso a partes apertadas nas bombas, e eram por natureza meticulosas.

Isso significava mais produção, menos erros de montagem e uma maior probabilidade de que se fosse necessário conseguiriam estragar o dia de um monte de russos.

Hoje a PanTex tem cientistas, engenheiras, técnicas e gerentes, todas trabalhando para construir e desmontar armas terríveis mas necessárias, nem que seja para manter os alienígenas na linha.

Não que as mulheres que queimaram sutiãs em Berkeley* aprovem mas o trabalho das Mulheres Nucleares da PanTex ajudou a desbravar o mercado de trabalho para as profissionais de hoje, o que é motivo de orgulho e boas memórias das moças que viravam noites nos Anos 80 produzindo a W80, a ogiva-nuclear multi-uso mais popular do arsenal americano:

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80s Ladies

*na verdade isso é uma lenda.

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09 Jun 03:06

Microsoft demonstra Pre-Touch, e é lindo!

by Carlos Cardoso

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Apple e Microsoft estão desenvolvendo interfaces 3D faz tempo, a Microsoft desde 2014, mas elas estão seguindo direções literalmente opostas. O 3D Touch da Apple se baseia em pressão, o da Microsoft em posicionamento acima da tela. Ambas as soluções são bem úteis, mas a da Microsoft apresenta resultados especialmente bonitos.

Chamada de Pre-Touch, a tecnologia da Microsoft identifica o dedo do usuário antes que ele encoste na tela, e age de acordo. Isso gera toda uma nova flexibilidade de resposta, e é tão sensível que detecta se você está segurando o celular, e com que força. Veja que beleza a demonstração da Microsoft Research:


Microsoft Research — Pre-Touch Sensing for Mobile Interaction

Com a morte do Atom os planos da Microsoft para um Surface Phone serão repensados, mas é bom saber que o pessoal da MS Research continua firme e forte.

Fonte: The Verge.

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09 Jun 01:21

Saiu o trailer d’A Piada Mortal, e sim, vão barbarizar.

by Carlos Cardoso

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28 anos depois A Piada Mortal ainda é, junto com Watchmen e Cavaleiro das Trevas a Santíssima Trindade da graphic novels, mostrando que os comic books podem ser arte de primeira qualidade, sem um pingo de graça. Considerada uma das obras-primas de Alan Moore, a história foi uma das primeiras encarnações do Coringa onde o personagem foi mostrado como verdadeiramente insano, uma força do puro caos.

Claro, as gerações atuais são frágeis e delicadas demais para aceitar vilões realmente malvados, e gente que se diz fã de quadrinhos pede abertamente que a história seja banida. E há quem concorde. Uma biblioteca no Nebraska baniu mesmo a graphic, alegando que ela promove estupro e violência contra mulheres. Você sabe, coisas que o vilão psicopata faz.

As pessoas normais, com mais maturidade emocional que uma batata assada entendem que Barbara Gordon é barbarizada para afetar seu pai, em uma complexa espiral de insanidade, onde o Coringa tenta provar que a única coisa que separa ele de uma pessoa normal é um dia ruim.

Agora A Piada Mortal vai virar animação, no sempre excelente selo da Warner Animation. Não vou recomendar nenhum dos longas animados da DC/Warner, são todos excelentes. A Piada Mortal tem tudo para entrar nessa lista, com as vozes de Mark Hamill, o Coringa definitivo, e Kevin Conroy, O Batman.

Feito com intenção de receber classificação etária R, vão pegar pesado. Quem tinha medo de que a Warner cederia ao terrorismo dos SJWs e removeria as partes “ofensivas” pode relaxar. Está tudo lá. Ao menos é o que sugere o primeiro trailer do filme que será lançado em julho:


JoBlo Movie Trailers — BATMAN: THE KILLING JOKE Official Trailer (2016) Kevin Conroy, Mark Hamill Superhero Movie HD

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24 Apr 18:07

Minerais de Conflito — toda boa ação tem sempre uma punição

by Carlos Cardoso

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Nos Anos 80 a Etiópia passou por uma crise terrível de fome, o que desencadeou o USA for Africa, uma ação filantrópica sem precedentes, todo mundo comprou o disco com We Are The World, e — o que é raro nesses casos — muita gente foi salva com aviões chegando em tempo recorde com suprimentos de emergência.

Com o mundo descobrindo que a África existe outros projetos ganharam tração e de lá para cá navios aportam em nações mais pobres carregados de doações, e essa é a pior coisa que podiam fazer. 

Ao doar toneladas de mantimentos a primeira coisa que você faz é dizimar a economia local. Mesmo que a maior parte não vá parar em mercearias controladas por warlords, você mata o pequeno produtor. O sujeito que tem meia vaca, um quintal grande e planta tomates com os 17 filhos não tem como competir com o tomate de graça que chega da Europa.

Você não faz absolutamente nada para romper o ciclo de miséria, piora a situação de quem já está na merda e ainda sai todo feliz de consciência tranquila pois fez a sua parte, ó Grande Salvador Branco.

Isso agora está se repetindo graças a outro tema preferido dos hipsters engajados: os Minerais de Conflito. Sempre procurando formas de ajudar os pobres selvagens, o pessoal que acredita que a Foxconn emprega crianças mas não larga de seus iPhones descobriu que pode expiar sua culpa burguesa branca no continente negro, pois a malvada Apple usa metais com tântalo e tungstênio que em sua grande maioria vêm da República do Congo.

Eles acham que se uma mina não é operada por anões que vão trabalhar cantarolando, há algo errado e surgiu toda uma história de trabalhadores explorados, gangues armadas escravizando pobres operários, estupros generalizados, terrorismo, etc. A resposta da comunidade internacional, pressionada pelos hipsters, foi boicotar os metais do Congo e estabelecer um selo de “produto justo”, com minerais comprados de empresas “corretas”.

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Isso ferrou profundamente com a população local, claro. Todas as campanhas foram feitas sem consultar os envolvidos, o povo do Congo foi pego de surpresa, mesmo os militantes locais que trabalham contra exploração de mineiros foram surpreendidos com ações unilaterais de gente que nunca botou os pés no país.

Isso já aconteceu antes. Liberais americanos escandalizados com as terríveis condições de trabalho em países como Malásia forçaram o fechamento de um monte de fábricas, o que por sua vez forçou milhares de jovens e meninas a procurar a prostituição como única fonte de renda remanescente, mas hey, nada de criança trabalhando, isso é bom, né?

As premissas aqui estão todas erradas. Os estupros frequentes não são motivados ou relacionados com minerais de conflito, e os grupos rebeldes não têm nesses minerais sua fonte principal de financiamento. Mais ainda: os Grandes Salvadores Brancos não entendem o conceito de pequeno minerador, como é bem demonstrado no documentário We Will Win Peace.

Quando Apple, Samsung e outras empresas começaram a exigir certificados de “mineral livre de conflito” simplesmente jogaram para escanteio o sujeito que trabalha com o filho num buraco de uma montanha e tira seu sustento da quantia ínfima de metais que consegue extrair por dia. Esse cara, analfabeto, que mal consegue colocar comida em casa não tem pessoa jurídica, não tem advogados, contadores, auditores, ele nem faz idéia de quem seja a Apple, não tem a menor chance de conseguir um certificado de “mineral livre de conflito”.

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O resultado? Esse cara, que era empreendedor individual não consegue mais vender o fruto de seu trabalho. Ele acaba tendo que ganhar menos e trabalhar mais, como empregado em uma empresa “certificada”. E não, tenho quase certeza que a CLT do Congo não é tão boa quanto a daqui.

O pequeno minerador está sendo dizimado, as terras estão sendo transformadas em latifúndios e a economia local, que era tocada por esses pequenos mineradores está indo pro buraco, pois eles têm bem menos dinheiro para gastar no mercado da esquina. O dono do empório não vende mais pilhas, picaretas e bucha de lampião, pois o dono da mineradora compra na capital, no atacado.

Ben Radley, autor do documentário chama essas campanhas de “Pr0n Humanitário”, com discursos pouco informados, unilaterais e que passam uma visão simplista. Ben diz que “mineiros congoleses estão sendo usados para aliviar a consciência de consumidores ocidentais”.

Em efeitos práticos benéficos a legislação americana que forçou as mudanças no Congo não ajudou em nada. Uma etiqueta atestando “mineral livre de conflito” pode ser comprada no mercado negro por US$ 20,00; é vendida por oficiais que ganham US$ 60,00 por mês. A maior parte das minas faz tempo não está na mão de grupos armados, a exploração dos mineiros é responsabilidade de donos civis.

Estima-se que entre 5 e 12 milhões de pessoas tenham sido direta e negativamente afetadas pelos atos contra “minerais de conflito”, enquanto os rebeldes que lucravam com as poucas minas que controlavam apenas mudaram seu foco para tabaco ou outros produtos não-controlados.

Mas hey, a Nicole Ritchie e outras celebridades agora podem usar com consciência tranquila seus iPhones dourados cravejados de Swaroski que custam mais do que um mineiro congolês, legalizado ou não ganhará em 10 anos. Fizeram sua parte!

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Fontes: Quartz e Foreign Policy.

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21 Apr 16:59

Amar é...


Ah, o amor!

21 Apr 16:55

Gata No Cio



aHsuaHsuAHsuAHsu dando um "jeitinho"

20 Apr 13:20

No-way handshake

No-way handshake
20 Apr 03:43

Plane Pr0n, cortesia Saab

by Carlos Cardoso

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Quando o Brasil escolheu o Gripen NG como vencedor da licitação para novo caça da FAB muita gente estranhou, afinal era uma plataforma não-testada e de um fabricante sueco, imagine os manuais. Mesmo assim olhando friamente foi uma ótima escolha, fugimos das exigências dos EUA com o F-18 e da precariedade russa com os Sukhoi.

O Gripen NG tem hardware excelente e a eletrônica embarcada é de primeira também. E muita coisa será produzida aqui.

Acima de tudo o Gripen é lindo. A Saab é especialista em soluções aerodinâmicas… únicas. O Draken é um exemplo que acho muito, muito bonito e diferente:

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O vídeo de hoje é uma bela demonstração tecnológica, filmada nos EUA pela equipe da BlueSky. Foi um teste para descobrir se conseguiam usar uma câmera giro-estabilizada em um caça, sendo que elas são certificadas apenas para helicópteros, voando bem abaixo de 300 nós.

Na brincadeira eles usaram:

1 — um Saab JAS-39 Gripen como avião a ser filmado.

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2 — um Saab 105 como avião-observador, levando a câmera, o operador e um piloto, de preferência.

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3 — um sistema giroestabilizado da Gyro Stabilized Systems.

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4 — uma Tekpix, ou na falta, uma Red Epic Dragon com resolução de 6K e preço de tabela de US$ 50 mil.

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5 — uma lente teleobjetiva Canon, 30~300 mm de US$ 40 mil.

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Qual o resultado disso tudo junto? Digamos assim… liguem pro Kenny Loggins pois vamos entrar na… DANGER ZONE!


High Velocity Aerial Filming from Peter Degerfeldt Blue Sky Aerial on Vimeo

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12 Apr 01:50

Porque todo pai deveria fazer uma miniaventura com seu filho pequeno

by Stefen Chow

Em algum momento no fim do ano passado descobri uma janela aberta na minha agenda de trabalho. Minha filha tinha pouco mais de dois anos de idade e percebi que estava mais esperta em sua observação do mundo. Sempre aspirei passar minha experiência e conhecimento para ela, e a melhor forma, na minha opinião, não seria falando, mas lhe mostrando o mundo.

Então reparei esse bloco de oito dias disponíveis logo adiante, e imediatamente comprei passagens de avião para o dia seguinte, uma véspera de natal.

Não levamos a mamãe conosco porque ela precisava trabalhar, e isso se tornou uma ótima desculpa para uma miniaventura de pai e filha.

Nós no vôo. Ela sempre prefere o assento da janela.

As regras eram simples.

  • Eu queria que a sensação fosse de um evento casual, não muito planejado e bem pé-no-chão. Só reservei quartos com um dia de antecedência, de forma a manter o itinerário espontâneo e fluído.

  • Eu queria ficar longe de cidades grandes, já que queria passar tempo a sós com minha filha, e não só fazer uma rota turística.

  • Fiz o compromisso de manter a mente aberta, e também de permitir que a pequenina tivesse voz sobre como a viagem se daria.

Em resumo, acho que foi uma das melhores viagens que já fiz na vida, e sem dúvida uma memória com minha filha que guardarei para sempre.

Acabamos andando de bicicleta na costa leste de Taiwan, passamos um tempo com filhotes de vários animais numa fazenda, navegamos em barcos de pescador, corremos atrás de trens, subimos colinas e nos abrigamos de uma tempestade – e juntos vivemos mais risadas do que birras.

Jantar especial de natal. Hua Lien, Taiwan.

Isso foi o que aprendi:

  • Crianças pequenas têm modos sofisticados de comunicação. Elas são muito mais espertas, empáticas e entendedoras do ambiente do que pensei inicialmente. Descobri que era muito mais fácil me comunicar com ela usando linguagem e raciocínios adultos. Estávamos juntos em uma terra estranha, e isso nos deixou os dois fora de nossas zonas de conforto. Tão logo percebíamos ser um time de iguais, precisando um do outro para apoio moral e decisão, prontamente qualquer situação melhorava.

Little Chow descobriu porque os artistas de rua fazem sua arte, e cada vez que os via, precisava contribuir com algo.
  • A maior parte dos medos é infundada. Quando mencionei essa viagem para amigos e família pela primeira vez, as perguntas (e presunções) mais comuns foram, “como é que ela vai tirar a soneca da tarde?”, “A criança precisa de sua mãe!”, “Isso não é uma rotina normal para ela. Ela pode fazer algo assim quando for bem mais velha!”. Acho que são pontos válidos, mas também é o caso que cada vez mais nos protegemos de tudo, com garfos e bordas de mesa até o chão especialmente desenhados para segurança de crianças, e vendidos bem caro via campanhas de marketing que se aproveitam do medo dos pais. Compreendo que os pais, inclusive eu, queiramos sempre a maior segurança possível, mas o problema é que precisamos confiar um pouco que as coisas darão certo para ter experiências interessantes na vida. Precisamos aceitar certo risco, sem dúvida com supervisão de adultos. E com sensibilidade de adultos.

A pequena Chow tenta subir escadas enquanto equilibra um pirulito.
  • É melhor para o mundo que ele esteja centrado nos pais, e não nas crianças. Na Ásia, onde vivo, há uma tendência de dar a seu filho tudo que você pode. Isso é esperado, e também é algo enraizado no confucionismo. Porém em Pequim, onde vivo, vejo muitos pais fazendo sacrifícios por seus filhos enquanto as crianças acabam mimadas muito cedo. Não tolero ver crianças de 3 ou 5 anos dando tapas em seus pais e avós em público, e certamente não quero que minha própria filha se porte desse modo. Ao fazê-la vivenciar diversos ambientes e conhecer as várias facetas de Taiwan, ela rapidamente aprendeu a se adaptar ao nosso mundo.

Ela adora melancia tanto quanto seu pai.
  • É uma experiência incrível para o pai. Realmente. Eu não passei pela experiência de passar nove meses e meio com ela em minha barriga, e sempre me senti meio como um líder de torcida ao lado da mãe – sempre me pareceu que fiquei de fora da experiência toda. Naturalmente, minha filha é mais próxima à mãe, e o pai é sempre uma segunda opção, ou terceira. Nesta viagem dedicada a passar tempo com minha pequena com poucas distrações, finalmente tive a oportunidade de me ver totalmente no papel de pai, em igualdade com a mãe. Sim, eu tenho que trocar as fraldas, dar o leite, botar para dormir, mas tudo isso é bem fácil. O melhor de tudo é que consegui ser um pai para ela e lhe dar todo suporte necessário.

Sim, tem horas em que ela fica um pouco sapeca, o que é perfeitamente normal e bem dentro do esperado. Nessas horas, sempre me lembro que essa é uma viagem da qual nunca esquecerei.

Sim, a experiência faz você reconhecer bem mais o valor da mãe ou de seu cônjuge. Ainda não sei bem como elas fazem, mas agora tenho muito mais reconhecimento pelo que as mães realizam. Esposas e mamães, se vocês desejam que seus parceiros compreendam como é ser uma de vocês, convençam-nos a fazer uma viagem com os pequenos, sem vocês. Repentinamente ficamos cientes de cada pequena coisa. Os dois sinais que vem logo antes dela fazer birra. Quando um sim fraquinho quer dizer na verdade um não. E esses são os tipos de coisas que os homens (ok, talvez seja só eu) não captam numa criança pequena, bem como o que já disse, que suas personalidades já são extremamente sofisticadas mesmo nessa tenra idade.

Ela realmente adora o mar. Mostrei a ela onde estávamos no mapa e percebi que se olhávamos para a frente diretamente, era possível ver a costa oeste dos Estados Unidos.
  • Estabelece uma amizade duradoura. Antes da viagem sempre tive um relacionamento saudável com ela, mas a viagem realmente nos fez apreciar mais um ao outro. Desde que viajamos juntos, me parece que conseguimos nos conectar através de memórias e experiências compartilhadas, e isso realmente nos aproximou. A mamãe concorda, então parece ser uma boa coisa.

***

Nota da tradução: O artigo foi originalmente publicado em inglês no Medium do autor.

06 Apr 20:13

Infraestrutura dos EUA tem a mesma segurança do planeta Druidia

by Carlos Cardoso

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Por incrível que pareça a mídia de entretenimento entende melhor o que são verdadeiros hackers do que o jornalismo. É um ponto de vista pessoal, admito, mas não consigo engolir quando os noticiários tratam gente como Snowden e Mitchnick como mega hackers nível Neo. 

EU SEI, engenharia social é uma forma válida de invadir sistemas, o resultado final é o mesmo, etc, mas — de novo — para mim isso é teatro, não hacking. Snowden, menos ainda. Ele nunca invadiu nada, ele era o garoto que consertava computador, ele era SUPORTE na NSA, ele tinha as senhas de admin. Ele violou a confiança dos patrões e roubou a empresa, sem usar nenhuma habilidade especial.

Acima dessa gente há uma categoria de “hackers” que também não merece o título, pois se valem da estupidez alheia, mais ainda do que Mitchnick. Em 2013 um grupo de iranianos invadiu uma represa nos EUA usando essa técnica, que consiste em… procurar sistemas mal-configurados. Não no sentido de 0-days ou situações de privilege escalation, Bombas Lógicas, ou mesmo digitar OVERRIDE diante de um ACCESS DENIED.

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O que essa gente busca — e encontra — são sistemas com senhas padrão. Roteadores Cisco por exemplo vinham com user cisco senha cisco. Access Points Wi-Fi costumam vir com user admin senha vazia e muita, muita gente deixa isso assim.

Uns dias atrás saiu a manchete “Hacker ataca milhares de impressoras na Internet das Coisas”. O sujeito teria invadido campus universitários e enviado arquivos de propaganda nazista para milhares de impressoras. Só que não foi invasão, como ele descreve aqui, só rodou um script procurando IPs com a porta 9100 aberta, o que significa geralmente uma impressora conectada. Ele enviou um arquivo Postscript com o tal panfleto, the end.

O cara nunca teria conseguido isso se os admins configurassem corretamente suas redes e seus equipamentos, mas não fazem isso. Eu conheci um gerente que se recusava a instalar fixpacks no Windows porque “podiam causar instabilidade” e como estavam por trás do firewall do DataCentre, não corriam risco. CLARO que um computador de outro cliente no hosting foi contaminado, e os servidores desse gerente foram pra vala. Aí um corno tive que virar noite reinstalando tudo.

“Ah mas essa informação é arcana pouca gente tem” sim, pouca gente que acessa www.defaultpassword.com.

Estima-se que em 2016 a quantidade de dispositivos da Internet das Coisas e sistemas de controle conectados atinjam a casa de 6,4 bilhões. Lâmpada com Wi-Fi? Conta. Impressora? Conta. Outro dia fui instalar a impressora da minha mãe, ela tem a máquina desde o ano passado. Descobri que era uma impressora Wi-Fi, ela não fazia idéia. Por um ano a impressora ficou com a configuração default aberta pro mundo.

Para piorar sabem quem ajuda esse tipo de invasão? O Google. Existe toda uma subcultura “hacker” de troca de URLs de busca do Google. Não é nada complexo. Quer um exemplo? Bota no Google:

inurl:etc -intext:etc ext:passwd

Essa simples linha vai te trazer arquivos contendo SENHAS. As pessoas deixam arquivos de senhas em diretórios mapeados por servidores web.

Quer brincar de hacker mais ainda? Como achar webcams abertas na web:

intext:"powered by webcamXP 5"

Fotos? Fotos dos outros que provavelmente não querem compartilhar?

intitle:"Index of" "DCIM"

Isso, repito, são páginas abertas na web, sem arquivo robots.txt nem nenhuma proteção, pesquisadas pelo crawler do Google e indexadas. Existem centenas, talvez milhares desses “Google Dorks” como chamam essas strings de busca, muitas bem mais sinistras, envolvendo equipamentos hospitalares e babás eletrônicas, além de algumas para contornar login em portais.

Todas, TODAS podem ser inutilizadas se os administradores e os usuários fizeram seu trabalho, mas não adianta: as pessoas acham incômodo ter mais de uma senha e reclamam horrores de autenticação em dois passos. O banco tem que saber magicamente que você é você, sem um mínimo de incômodo, sem mandar SMS, exigir token, nada.

Assim é fácil. Pros hackers.

Por enquanto não houve nenhum grande ataque organizado, mas no dia que uma Melhor Coréia de vida resolver atacar, boa parte da infraestrutura não só dos EUA mas da maioria dos países vai cair, pois pra cada firewall bem configurado há um diretor — caso real eu presenciei — que exige que o laptop dele acesse qualquer site diretamente (sim, Pr0n) e a rede sofria infecções diárias mas o chefe mandou tá mandado.

Estou soando como profeta do apocalipse? Lamento informar mas a senha do presidente Skroob, “12345” foi a 5ª senha mais usada em 2015. A primeira mais usada foi “123456” e a segunda mais usada, “password”. As pessoas fazem tudo para não se proteger.

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Fonte: NBC News.

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26 Mar 00:21

Obrigado, Ciência: agora nem em vídeo ao vivo dá para confiar

by Carlos Cardoso

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No excelente episódio de Star Trek: TNG “Unification” depois que o Embaixador Spock se recusa a colaborar com os Romulanos eles usam um holograma para gerar uma imagem convincente de Spock avisando que as naves entrando no espaço Vulcano são uma delegação diplomática romulana (em verdade são uma frota de invasão).

A idéia de simular aparência e voz de uma pessoa era totalmente ficção científica e até no episódio, no Século XXIV soava como algo fora do normal. Só que a realidade é muito mais imaginativa que os roteiristas e mesmo os fãs de ficção científica, e fomos todos devidamente atropelados por ela.

Um grupo de Stanford, da Universidade de Erlangen-Nuremberg e do Instituto Max Plank de informática criou uma técnica descrita no paper “Face2Face: Real-time Face Capture and Reenactment of RGB Videos” que ultrapassa a 1ª Lei de Clarke. Essa tecnologia não é suficientemente avançada pra ser confundida com magia. Essa tecnologia é pura macumbaria da grossa, daquela que traz a pessoa amada de volta em 3 minutos.

Eles simplesmente desenvolveram um algoritmo que usa uma fonte de vídeo 2D, uma câmera por exemplo, lê as expressões faciais e transfere essas expressões para outro sinal de vídeo, também 2D e também em tempo real.


Matthias Niessner — Face2Face: Real-time Face Capture and Reenactment of RGB Videos (CVPR 2016 Oral)

O potencial de uso disso é assustador. Ainda mais que hoje aceitamos vídeo de qualidade ruim como algo válido, vide todos os OVNIs filmados com batatas.

Em Cantando na Chuva, de 1952 a personagem de Jean Hagen é uma estrela de cinema mudo arrogante nojenta de voz horrorosa que força a doce Debbie Reynolds a dublá-la, e o plano quase dá certo. Com a tecnologia desse algoritmo isso seria possível mesmo em programas de TV ao vivo.


RandomMovieClips — Singin’ In The Rain — Final Scene

Fonte: Stanford.

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16 Mar 18:38

Evapolar: O primeiro ar condicionado portátil de mesa do mundo

by Rodrigostoledo

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Durante o verão trabalhar em Home Office sem ar condicionado, dependendo somente do ventilador pode ser uma verdadeira tortura, mas para ajudar a resolver este problema eu encontrei uma campanha de crowdfunding que tem como objetivo trazer ao mercado o Evapolar, o primeiro ar condicionado portátil de mesa do mundo, com apenas 1,6 kg e 16cm.

Essa caixinha branca e quadrada tem um reservatório de água com capacidade para 710 ml e precisa ser alimentado a cada 6 ou 8 horas e conta com um consumo de energia de no máximo 10W e o poder de resfriamento é de 500W com temperatura mínima de 17 ºC. Segundo o excelente site Movebla, nanofibras de basalto atuam no processo de evaporação da água que é resfriada pelo equipamento ligado à tomada, sendo que quando a água do reservatório acaba, o produto funciona como um ventilador convencional. Assim, não há o uso de gás freon, habitual no ar condicionado normal e tóxico ao meio-ambiente.

A startup russa já arrecadou US$ 382 mil, mais de 200% do necessário e está preparando o produto para lançá-lo no mercado. Mas você já pode adquirir o seu por US$ 179 até o final da campanha de financiamento. O preço do produto oficial para mercado é de US$ 250. Mais informações sobre o Evapolar podem ser encontradas na página da campanha. Não sei se o produto pode ser entregue no Brasil e tenho preocupações com seu preço final por aqui, mas eu queria muito poder ter um destes na minha mesa de trabalho em casa! 😉

Veja mais detalhes do produto neste vídeo:

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16 Mar 03:40

A pigeon pollution patrol is flying around London wearing tiny backpacks

by Ashley Carman

Ten pigeons with tiny backpacks are flying over London for the next two days monitoring the city’s pollution levels. Pigeon Patrol, as they’re called by the companies behind the project, are live tweeting the pollution data at their account @PigeonAir. Meet the squad.

People can follow along and tweet at them for updates on local pollution data.

Continue reading…

12 Mar 19:13

One poster contains the history of space exploration

by James Vincent

It used to be that you'd buy an atlas of the world to hang on your wall, but now you're better off with a map of space exploration. This poster from Pop Chart Lab follows the rough path of every "orbiter, lander, rover, flyby, and impactor to ever slip the surly bonds of Earth’s orbit." Although it should be noted that it contains only successful missions. In space, there's no such thing as second place.

We've seen charts like this before, most notably National Geographic's fantastic Fifty Years of Exploration graphic (click here for a full size image produced by 5W Infographics). Pop Chart Lab's take is a little more cartoonish and uncluttered, and also contains a neat spotters' guide to probes and rovers, if you ever happen to find...

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