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29 Jul 23:37

Here’s the Red-Band Trailer for Seth Rogen and Joseph Gordon-Levitt’s Christmas Eve Comedy, ‘The Night Before’

by Jason Bailey
Anthony Mackie, Joseph Gordon-Levitt, and Seth Rogen in "The Night Before"

Movie comedians seem to have a real soft spot for Christmas movies—not because of any particular holiday spirit, it seems, but because if you end up with a perennial, it’s the gift that keeps on giving, year after year. Will Ferrell had Elf, Chevy Chase had Christmas Vacation, Bill Murray had Scrooged, and Vince Vaughn had both Fred Claus and Four Christmases. Frankly, it’s a little surprising it took Seth Rogen this long to get in on the act, but this year he’s starring in the Christmas Eve comedy The Night Before—and thankfully, it looks more Scrooged than Fred Claus.

Even better, The Night Before reteams Rogen with his 50/50 co-star Joseph Gordon-Levitt and that film’s director Jonathan Levine. But where 50/50 was somewhat atypical for the star—playing a supporting role in a cancer story that, while funny, had unsurprisingly dramatic beats—this a full-on Rogen bad-boy comedy, with a script by his frequent collaborator Evan Goldberg, director Levine, and producers-turned-screenwriters Kyle Hunter and Ariel Shaffir.

With a supporting cast that includes Anthony Mackie, Mindy Kaling, Lizzy Caplan, 22 Jump Street scene-stealer Jillian Bell, and (according to IMDb) cameos for Miley Cyrus and Kanye West (whose songs appear in the trailer), The Night Before could be just the R-rated zonked-out high-as-fuck Christmas movie we never knew we wanted. Here’s the first, red-band trailer:

The Night Before hits theaters November 25th.

12 Mar 02:21

Se você gostou do seriado, também vai gostar do livro

by admin

1) Downton Abbey

  • Você vai gostar de: As sombras de Longbourn, de Jo Baker.
  • Sinopse: No ar desde 2010, Downton Abbey é um drama sobre uma família aristocrata, os Crawley, e seus criados.  Ambientada a partir do ano 1912 em uma cidade inglesa fictícia, a série passa por vários momentos históricos da época, como o naufrágio do Titanic e a I Guerra Mundial.Em As sombras de Longbourn, Jo Baker retrata a vida dos criados da família Bennet, do clássico de Jane Austen, Orgulho e preconceito. Sob o comando da governanta e cozinheira sra. Hill, trabalham Sarah e Polly, duas jovens trazidas de um orfanato quando ainda eram crianças para trabalhar na casa. O mordomo idoso, sr. Hill, serve à mesa e divide a administração da casa com a sra. Hill. Os quatro formam um pequeno exército de empregados que labuta dezoito horas por dia para que a família Bennet goze do máximo conforto possível.

2) Bones

  • Você vai gostar de: Série Scarpetta, de Patricia Cornwell.
  • Sinopse: Confirmada para sua décima temporada, Bones é protagonizada pela Dra. Temperance “Bones” Brennan. A série gira em torno das investigações de assassinato feitas pelo FBI, com foco nas análises de restos mortais das vítimas, principalmente de seus ossos.Com a série Scarpetta, Patricia Cornwell foi uma das precursoras das histórias policiais centradas nas investigações forenses. Sua protagonista, a Dra. Kay Scarpetta, é uma médica-legista que se utiliza dos últimos recursos da ciência para desvendar crimes, tendo 19 livros sobre ela publicados.

3) Arrested Development

  • Você vai gostar de: Cadê você, Bernadette?, de Maria Semple.
  • Sinopse: Com quatro temporadas, a sitcom Arrested Development conta a história da família Bluth, que teve seu patriarca, George, preso sob suspeita de fazer negócios no Iraque. Um de seus filhos, Michael, tenta recuperar os negócios da família e mantê-la unida enquanto seu pai vive tentando fugir do FBI.Maria Sample tem grande experiência com roteiros de humor e trabalhou em Arrested Development, e o que aproxima Cadê você, Bernadette? da série é o tom cômico da história sobre uma família problemática. Bernadette Fox é uma mulher notável que se torna mais maníaca a cada dia; para as demais mães da Galer Street, escola liberal frequentada pela elite de Seattle, ela só causa desgosto; os especialistas em design ainda a consideram uma gênia da arquitetura sustentável, e Bee, sua filha de quinze anos, acha que tem a melhor mãe do mundo. Mas Bernadette desaparece do mapa quando Bee reivindica uma prometida viagem de família à Antártida. Para encontrar sua mãe, Bee compila e-mails, documentos oficiais e correspondências secretas, buscando entender quem é essa mulher que ela acreditava conhecer tão bem e o motivo de seu desaparecimento.

4) Justified

  • Você vai gostar de: Raylan, de Elmore Leonard.
  • Sinopse: Justified é baseada em um personagem de Elmore Leonard, o policial Raylan Givens. Na série, ele volta à sua cidade natal depois de ser transferido de Miami por causa do seu comportamento. Trabalhando na pequena delegacia local, ele não hesita em sacar sua arma quando necessário, no melhor estilo Velho Oeste.Em Raylan, o policial persegue os irmãos Crowe, que estão migrando do tráfico de drogas para o tráfico de órgãos humanos. Com seu jeitão lacônico, chapéu de aba e dezenas de casos se empilhando sobre a mesa, Raylan é o único obstáculo entre eles e o mercado internacional de cadáveres. O problema é que, antes de dominar a situação, Raylan se vê numa banheira de gelo, com uma elegante enfermeira prestes a roubar seus rins.

5) Skins

  • Você vai gostar de: Série Garota <3 Garoto, de Ali Cronin.
  • Sinopse: Uma das séries teens mais famosas, Skins acompanha um grupo de adolescentes de Bristol, na Inglaterra, nos seus dois últimos anos na escola, enquanto lidam com problemas relacionados a religião, sexualidade, drogas e transtornos alimentares.Na série Garota <3 Garoto, Ali Cronin também explora o universo adolescente dos relacionamentos. Seus livros contam como diferentes garotas lidam com seus problemas e inseguranças que envolvem o amor, o futuro, a escola e, principalmente, os garotos.

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10 Mar 23:58

A crise das prateleiras

by admin

Por Juan Pablo Villalobos

Esta semana me deparei com um dos pesadelos dos viciados em livros: as prateleiras estavam de novo cheias. Voltei do México carregando uns 20 exemplares, somados aos brasileiros que tinham chegado por correio nos últimos meses e ao contrabando de livros de Mario Levrero trazidos por uma amiga uruguaia. O resultado era que havia livros espalhados por toda a casa em lugares inusitados. Um livro de contos de Kurt Vonnegut estava na gaveta das cuecas. O segundo volume das obras completas de Efrén Hernández, embaixo da cama. O romance da Socorro Acioli na cristaleira. Isso sem falar do caos em meu estúdio, onde não tenho prateleiras: só pilhas de livros nas duas mesas. Quando encontrei La historia de mis dientes, o novo romance da Valeria Luiselli, no cesto da roupa suja, achei que era momento de agir.

Fui até as prateleiras e comecei a cogitar quais livros tirar dali para deixar espaço para os novos. Os coitados escolhidos iriam, por enquanto, para umas caixas no quarto das tralhas. Porque o fato era que eu não ia comprar mais prateleiras neste momento (não perguntem por quê). Aí pensei na urgência de ter um critério para valorar os livros que merecem ficar com a gente pelo resto da vida.

Em 2003, quando saí do México para morar em Barcelona, tinha por volta de mil livros. Tive que tomar uma decisão. Decidi vender todos. Bom, não todos. Fiquei só com os autores mexicanos. Não foi por chauvinismo, foi por uma vaga ideia de que esses livros poderiam ser úteis no futuro (eu ia a Barcelona para fazer um doutorado em teoria literária). Os livros mexicanos seguiram em caixas para a casa de meus pais. Fiz uma lista do resto e repassei para os amigos e professores da faculdade de letras, que compraram a maioria. O que sobrou, vendi por quilo num sebo. Juro. Naquela época eu defendia de maneira radical a vida nômade (eu chamava de “vida portátil”). Quando saí do sebo sem o peso dos livros que eu tinha entesourado desde os 15 anos, me senti orgulhoso. Valente. Forte. Macho. Agora eu sei que só fui idiota. Ficaram lá os clássicos gregos e latinos, o século de ouro espanhol, todo o boom latino-americano, uma bela seleção de narradores americanos (especialmente a trindade Faulkner, Hemingway, Fitzgerald), os romancistas mais importantes em espanhol dos anos 90 e chega, não quero lembrar mais. Isto fez com que minha posterior biblioteca, que comecei a construir assim que desci do avião em Barcelona, tivesse buracos inacreditáveis, que aliás tem até hoje (não tenho um livro de Borges nela, nem de Cortázar). Anos depois, o método se revelou errado, não só pelo sofrimento da perda: quando revisei as caixas que deixei em casa de meus pais, encontrei bastante lixo.

Em 2011, quando mudei de Barcelona para o Brasil, fiz exatamente o contrário: trouxe todos os livros. Foi também uma idiotice, só sei agora, mas tudo bem, aquela perda ainda magoava. Não, desculpa. Nenhuma perda justifica fazer atravessar o Atlântico El koala asesino de Keneth Cook, por exemplo (o livro até que é legal, mas vem cá, não vou tocar de novo).

Então a pergunta é: quais são os requisitos que um livro deve cumprir para não ir parar no quarto das tralhas, o que é, na verdade, a antessala do sebo ou da doação, inclusive a do lixo? Ou, colocando de uma maneira dramática: quais são os livros que a gente tem que guardar para evitar o sofrimento futuro e quais são, falando a verdade, um simples estorvo?

Para facilitar a tarefa, eu criei um método científico, que chamei do “sistema jotapê para crise da prateleira”. É extremamente simples de calcular, só tem que seguir as seguintes instruções:

1. Se você já leu, qualifique o livro de 1 a 5
2. Se você ainda não leu: +5
3. Se você ainda não leu e tem o livro há mais de 3 anos: -10
4. Se você começou a ler e pensou em deixar mais pra frente: -5
5. Se você começou a ler e largou: -10
6. Se você releu o livro uma vez: +1
7. Se você releu o livro mais de uma vez: +5
8. Se é um livro de bolso: -1
9. Se está dedicado: +1
10. Se você conhece o autor pessoalmente e gosta dele: -1 (é para compensar a qualificação do livro, com certeza você não foi objetivo)
11. Se você conhece o autor pessoalmente e não gosta dele: +1 (mesma razão)
12. Se é um clássico: +1
13. Se é um raro: +1
14. Se não é nem clássico nem raro: -1
15. Se ganhou de presente: -1
16. Se depois de ler você comprou outro exemplar para dar de presente: +1
17. Se ganhou da sogra: -5
18. Se ganhou de um ex-namorado ou ex-namorada que você gostava muito: +5
19. Se você está namorando e o item 18 tem dedicatória do ex: -5
20. Se ganhou de um ex-namorado ou ex-namorada que você odeia: o que você está fazendo com essa porra de livro?
21. Se comprou durante uma viagem, num lugar lindo de morrer, com uma companhia maravilhosa: -5 (o livro não é tão bom assim)
22. Se está numa língua que na verdade você não entende bem: -5 (seja honesto)
23. Se você emprestou, não devolveram e comprou de novo: +5
24. Se você emprestou de novo, não devolveram de novo e comprou de novo de novo: você é idiota mesmo?
25. Se o autor é um amigo muito querido: -5
26. Se o autor é um amigo muito querido que visita sua casa com frequência: +20

Agora é só procurar o resultado:

Mais de 15: o livro fica na prateleira.
10-14: o livro vai para o quarto das tralhas até crise de espaço no quarto das tralhas.
5-9: o livro vai para o sebo.
0-5: o livro vai para doação.
Menos de zero: o livro vai para o lixo.

O sistema não se aplica para críticos literários e professores de literatura.

* * * * *

Juan Pablo Villalobos nasceu em Guadalajara, México, e atualmente mora no Brasil. Festa no covil, seu romance de estreia, foi publicado em quinze países. Em setembro a Companhia das Letras publicou seu segundo romance, Se vivêssemos em um lugar normal. Ele colabora para o blog com uma coluna mensal. http://www.juanpablovillalobos.com/

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25 Feb 14:45

Duas barrinhas transformam qualquer gif animado em 3D

by Wagner Brenner

Nada de óculos, nem cameras duplicadas, nem imagens sobrepostas.

O 3D mais simples e fácil do mundo se faz com 2 barrinhas brancas.

Na verdade é uma ilusão de ótica, que deixa a ação da cena tridimensional.

Basta colocar duas barrinhas brancas e deixar algum objeto/parte passar por cima delas.

COMO FUNCIONA?

As duas barrinhas criam a ilusão de um foreground, dando a impressão que a cena está no background.

Quando alguma coisa passa por cima dessas barrinhas, seu cérebro acha que ela veio para frente. Genial!

Funciona com qualquer gif, mas a ilusão fica melhor ou pior dependendo da cena escolhida.

Se a gente aguentasse essas duas barrinhas na tela do cinema, não precisaríamos usar aqueles óculos.

Brave_small4
Doctorwho_small
Gun_small

Iceage_small2

Pes3ntb

Gravity

Nightmare

Holmes

Goldeneye

Cat

Onedirection

Frozen

Hawkeye

America

Rapunzel

Nemo

Sherlock

Nesse tumblr tem um monte de exemplos.
[via]

    


14 Feb 17:09

A Is for Alligator, B Is for Baboon in This Adorable Animal Alphabet

by Tyler Coates

There’s something beautifully childlike in Marcus Reed‘s collection of alphabetical animal portraits (spotted via Fubiz) in which each beast takes the shape of the first letter in its name. Perhaps it’s the flashcard sensibility that suggests to me that these are practical learning tools rather than cute illustrations of animals (although they are pretty adorable). In any case, check out Reed’s lovely collection after the jump.

Image credit: Marcus Reed

Image credit: Marcus Reed


08 Feb 20:27

Nada a mais nada a menos

by Ingrid Coelho

Existe hierarquia nas palavras. Não são todas que nascem Lua, que nascem Vida pra causar impacto sozinhas. Essas aí são, por sinal, duas das mais metidas em todo dicionário. São como eu chamo palavras-luxo, porque definem o assunto e botam todas as outras pra se ferrar. Ganham mais prestígio, trabalham menos, e basta que apareçam enquanto as outras se desdobram para não fazer o time todo virar clichê. Nem queiram saber o tamanho do ego do Amor por conta disso.

Há palavras recorrentes trabalhando para o Amor, meu benzinho. Há palavras que são repetidas até que o Perdão as aceite. Há palavras que marcam a História, como um pequeno passo para o homem, um grande salto para a Humanidade. E há ainda palavras que trazem a Memória. O que é preciso entender é que uma palavra sempre busca. Elas só querem ser usadas. Uma palavra nunca se negará. Para tudo que tiver que ser dito, ela estará lá.

Nem tudo tem que ser poesia. Todas as palavras sabem da beleza de estar em uma lista de compras, ou ainda fazer parte da primeira carta de alguém. Bilhete trocado em aula tem a sua formosura. Cartão de Natal também. As palavras são generosas e querem mais é estar em toda folha, do guardanapo engordurado ou e-mail apressado, até o convite de casamento ou refrão de sertanejo. Há, porém, uma posição especialmente ingrata no meio disso tudo. Posição que palavra-luxo nenhuma vai estar. Ser qualquer outra palavra é assumir esse risco.

Falo de um lugar que não é lugar algum. Um dizer que não diz nada e está, ao mesmo tempo, em toda parte, inclusive neste parágrafo. O limbo textual: são as expressões de enrolar. O encher linguiça. Isso sim é foda pra qualquer palavra. É uma posição incômoda. Uma constante ameaça. São o descuido, a rotina, a falta de criatividade para atingir as 20 linhas da redação. Os segundos para completar o discurso. Uma tristeza. O trabalho sujo que algumas palavras têm que preencher.

Nada mais nada menos não significa nada mais nada menos que nada. Dizer “pelo sim pelo não” é dar uma volta e parar no mesmo lugar. A coluna de hoje é uma homenagem para todas as expressões enrolonas. É a minha tentativa de dar a elas a segurança de não serem cortadas por um editor, pelo menos desta vez. É a minha declaração de amor a essas amiguinhas que sempre serviram de apoio para os nossos textos capengas, ocupando a posição mais ofuscada deles.

A ideia foi essa: coloquei cada uma das minhas favoritas em um post-it. Em seguida, colei em algum objeto que pudesse trazer algum significado mais brilhoso, no caso, trocadilhos mesmo. Aí vai. Palavras. Nada a mais nada a menos.

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08 Feb 16:42

Juliana Gomes

by Mirna

Juliana Gomes é livreira e aprendiz nas artes digitais, espero mostrar nesse espaço como anda o mercado editorial no mundo através de links de estudiosos e adoradores disso que chamamos de Livro. Os links literários e sobre livros digitais são meu vício, algo que está além do meu controle, resultado do trabalho no mercado editorial como livreira e depois no comercial e digital de editoras. Agora vamos conhecer um pouco do que leio diariamente e como de alguma forma esses blogs e notícias são o ponto de partida para muitas ideias.

07 Feb 01:05

Fantasminha Camarada

by Lu Thomé

Quando eu pronuncio a palavra “ghostwriter” é comum ver a mesma reação nas pessoas. Claro que algumas não entendem (“gô o quê?”). Mas a grande maioria assume um olhar distante. Eu sei para onde a mente delas vai: ambientes luxuosos, taças de champanhe, reuniões à beira da piscina ou ao pé da montanha, gargalhadas com a cabeça reclinada e a chave do Porsche no bolso.

A mente delas viaja para lugares como os de O escritor fantasma, de Roman Polanski. Ewan McGregor mexendo em arquivos, desvendando mistérios, voando em jatinhos particulares, bebendo champanhe e fumando charutos cubanos. Tudo muito longe da realidade de um ghostwriter (pelo menos a minha realidade como escritora fantasma). Eu, do lado de cá, dispenso o “glamour”, embora sinta falta de um Cohiba de vez em quando. Em todo o caso, a minha atividade rende boas histórias de making of. E, graças a Deus, está passando longe do que acontece com a personagem desse filme… aquelas folhas todas voando no meio da rua… credo.

Pergunta a minha vizinha do apartamento da frente, que sempre teve curiosidade de saber com o que eu trabalhava dentro de casa: Mas, afinal, o que faz um ghostwriter? Fácil: escrevo livros para outras pessoas. Óbvio: meu nome não é divulgado na capa do livro. E faz parte: não fico chateada com isso. É o meu trabalho, e cada vez mais jornalistas e profissionais da palavra têm investido na área. Não é meu oficio exclusivo. Faço assessoria de imprensa para o mercado editorial, cuido de algumas demandas de comunicação da Não Editora, brinco com o Lucas, fico atenta para ele não saltar do sofá direto no chão, e escrevo livros.

Pergunta o Lucas intrigado, por sempre ver a mamãe por perto: Mas quando é que você escreve? Atualmente, das 23h às 3h, depois que pequeno dorme, e o horário que consigo concentração máxima.

Mas fantasmas não escrevem somente livros. Fazem artigos e discursos para políticos e empresários. E outras atividades ilícitas (como monografias, por exemplo – feio, muito feio). Para saber mais: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ghost-writer. No Canadá, a atuação do ghostwriter é reconhecida e apoiada por entidades. No Brasil, ainda é cada fantasminha por si. No entanto, por aqui temos um livro bem elogiado que fala sobre o lado maldito da profissão: Budapeste, de Chico Buarque.

Eu não planejei ser ghostwriter. Recebi um convite e um projeto foi puxando o outro. Já escrevi quatro livros. Mas só falo deles para amigos muito íntimos. Esta é uma atividade que não permite a divulgação do portfólio. Conquistar novos clientes depende muito da indicação de clientes anteriores. Além disso, tenho algumas regras: não escrevo livros de ficção. Só livros de não ficção (biografias, autobiografias, autoajuda, técnicos) e onde o “autor” saiba o que deseja “escrever” e como quer “escrever”. Muitas pessoas não têm tempo para escrever um livro, ou não sabem como começar ou terminar. Mas têm uma ideia bem formada do conteúdo e precisam de alguém que coloque a mão na massa.

Pergunta o meu pai, preocupado com tudo isso: Dá dinheiro? Claro. Condição essencial é ser bem remunerado, e saber planejar bem o cronograma para evitar trabalhar meses adicionais no livro. Saber quanto cobrar por um trabalho de ghostwriter é uma equação com diversas variantes. O preço está vinculado ao volume de texto e à pesquisa, além do tempo que levará para ser executado. O prazo necessário para cada trabalho depende muito, pois pode durar três meses, seis meses, um ano.

Pergunta meu marido Elio, querendo descobrir os atalhos: E existe algum macete ou artimanha para se dar bem com isso? Não sei se é segredo ou artimanha, mas eu tento, na medida do possível, emular a voz do “autor” e manter distância da minha própria voz. Fica mais difícil e mais desafiador, quase um trabalho literário. Aliás, a minha pós-graduação em jornalismo literário me ajuda nas entrevistas e na redação final. Além disso, outros ingredientes necessários são disciplina (para manter o ritmo de produção), organização (para transitar pelos diversos materiais ao compor o texto final) e paciência (para saber que um livro de 150 ou 300 páginas não será feito de um dia para o outro ou na semana antes do deadline chegar).

O “glamour” fica longe das minhas madrugadas produtivas regadas a café com leite. E eu acabo bem próxima das pessoas que me contratam. Meu primeiro cliente achou que eu trabalharia como conselheira dele para todo o sempre. Ele vivia uma situação profissional particular na época e acabou me pedindo muitos conselhos. Minha segunda cliente me ligava chorando, dizendo que estava deprimida e que eu a entenderia. No fim das contas, fantasma é um pouco psicólogo também. Todo o bom ghostwriter é, antes de tudo, um bom ouvinte. E quem não gosta de ter alguém que ouça as histórias que temos para contar? Mesmo que seja alguém que, oficialmente, não existe.

 

Na Página 28 de Budapeste, de Chico Buarque:

 

“O alemão não tinha cabelos, nem sombra de barba, nem sobrancelhas, era perfeitamente glabro. Sem ser velho, tinha a pele do rosto ressequida, provável sequela do sol do Rio, sete verões com a pele a se soltar da pele a se soltar da pele até chegar a essa, uma pele com um quê de papel, uma casca provisória que foi ficando. Aprumava-se na cadeira assim que eu acionava o gravador, e falava um português exótico porém fluente, interrompido apenas para eu trocar a fita, ou quando o Álvaro entrava no quartinho. Entrava sem bater o Álvaro, sem motivo algum, saía, voltava com um contrato para o alemão rubricar, saía, deixava a porta aberta. Já não havia alemão, e ele continuava a entrar a qualquer hora, falava qualquer coisa e espichava o olho para o meu computador, me forçando a cobrir a tela com as mãos, para proteger os meus rascunhos. Só à tardinha, quando ele e seus rapazes deixavam a agência, eu sentia confiança para tocar o trabalho.”

07 Feb 01:05

Quanto dura o seu Janeiro?

by Ingrid Coelho

1.
Foi em janeiro quando o primeiro dono de restaurante do mundo teve a ideia de colocar uma primeira placa de aviso ao lado de uma porta de saída. Tímido porém ousado, estava tomado por esperança, renovação e vontade de gratidão na forma mais singela possível, essas coisas que arrebatam a gente na virada de ano. Teria sido publicitário se essa história começasse em março. Político se fosse em junho. Mas era janeiro, e o que restou foram variações das frases:

Valeu ai pela bufunfa, que era tiozão demais. Queremos te ver de novo, que era passivo demais. Espero que tenha gostado, que era romântico demais. Quem gostou faz barulho, que é melhor deixar pra lá. Até que “Obrigado, volte sempre”. Estava ali uma frase com afeto e um tanto de liberdade.

Um funcionário de posto de gasolina pendurou a placa e fez um desenho com canetinha amarela – mais tarde universal – pensando em preservar a melhor aparência dos clientes no vídeo: “sorria, você está sendo filmado”. E nenhuma perna mais ficou presa ou foi machucada no metrô, porque a partir dali os passantes veriam os riscos entre o trem e a plataforma demarcados por uma faixa amarela nas estações, presente cuidadoso de alguém que se importou. As lembranças de janeiro estão em todo lugar.

Janeiro é escolher alface no rodízio. Aviso de recebimento de mensagem é maio. Banjo, avião, abraço, romance, suco de abacaxi com hortelã, Rolling Stones, queijo gouda e labradores são genuinamente Janeiro. Vocês ainda não sabem, mas a máquina do tempo também foi inventada aí.


2.

Já dizia Drummond (ou ao menos disseram que ele disse), “quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias (…) industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão”.

Que coisa bonita é ter uma nova chance. Pensar que “esse ano vai” e que as coisas podem ser diferentes.  Mas quanto tempo durou a sua fé, o seu axé, o seu Janeiro? O meu não deve ter passado de três semanas. Isso até a primeira refeição compulsiva com base em gordura e doce, a troca de farpas, a cervejinha na terça quando prometi deixar só pro fim de semana ou as mesmas noias de sempre. E ai eu volto a pensar no cara que criou o calendário. Quem foi que disse que esse modelo seria uma  boa ideia? Um artigo do New Yorker me deu um palpite:

“Primeiro de Janeiro – Ha! Isso é tão divertido de escrever. Estou empolgado.
Dois de Janeiro – Faz tanto sentido. 1000 dias por ano, divididos em 25 meses, 40  por mês. Por que ninguém pensou nisso antes?
Três de Janeiro – Recebendo um monte de elogios sobre o calendário. Um cara chegou pra mim e disse que ia organizar a vida inteira baseado nele!
Trinta de Janeiro – Pessoas realmente odeiam Janeiro e querem que ele acabe. Eu tentei explicar que é só um rótulo e que não faria nenhuma diferença, mas ninguém entendeu. Então eu contei a todos que seria o último dia de janeiro e que, daqui pra frente, todos os meses teriam 30 dias ao invés de 40.”

Será que não convém falar com o Senhor-dos-Calendários, para que ele faça uma nova adaptação aos nossos dias? Vale chegar lá e dar um toque: “ei cara, talvez seja o caso da gente mudar as coisas. A gente não tem paciência pra viver 365 com a mesma vontade. Nem um mês deu certo. Faça algo.”

Talvez o melhor mesmo fosse viver com um relógio sem bateria ou um calendário sem dias, apenas com fotos de corpos gostosos para admiração. Mas não vamos admitir que a nossa invenção de tempo foi uma cilada. Muito menos nos conformar que somos nós que temos que mudar, que seria a solução mais prática. Nós somos humanos, for God’s sake, tudo é que tem que mudar. O tempo não existia sem nossa mente doentia. Vamos com isso até o fim.

Vale lembrar que o calendário já teve 10 meses, ganhou mais por conta dos imperadores Julio César (Julho) e César Augusto (Agosto), mas nenhum deles está aqui pra reclamar ou arcar com isso agora.

 

3. 

Eis a minha ideia de tempo:  cada hora será um dia, cada dia será uma semana, cada semana será um mês. E cuide deles muito bem. Reveja o tempo gasto com dor de mágoa e falta de objetivo, porque uma abridinha na geladeira e já passaram 2 horas. Agora, um ano tem 4 meses e um restinho de semanas, que serão revertidos em feriados. Há de se comemorar toda virada de ano. E só se fica velho ao completar 12 anos. Todos os anos terão o nome de um animal, com exceção do ano do seu aniversário, que você vai poder chamar como quiser.

Aproveitamos os chineses e o dia 30 de janeiro, hoje mesmo, para já colocar essa regra em prática, com o Ano Novo Chinês. O ano do cavalo. O ano do galope.

07 Feb 01:05

Ela (Her, 2013)

by Anica
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Her-Movie-PosterTá. Acho que vale começar a dizer que apesar do histórico, não sou particularmente fã do Spike Jonze, muito menos do Joaquin Phoenix. Digo isso porque não são nomes que despertem minha curiosidade sobre um filme, nem é um daqueles casos em que você já gosta antes mesmo de assistir. Mas aí saiu trailer, e depois começaram a aparecer os comentários e, principalmente, as citações de algumas falas do filme, então de todos os “oscarizáveis”, Her acabou entrando no topo da lista dos que eu tinha vontade de ver. E não decepcionou.

Veja bem, eu tenho um fraco por histórias que buscam trabalhar um tema trivial (aqui, como nos relacionamos com o outro) de forma pouco convencional. Na história Theodore (Phoenix) é um homem que ganha a vida escrevendo cartas por outras pessoas que não são tão boas com as palavras quanto ele. Um dia ele fica sabendo sobre um novo sistema operacional criado para se adaptar ao dono e decide instalá-lo. Poucas perguntas depois, eis que surge Samantha (voz de Scarlett Johansson), que aparentemente não vai só se “adaptando” ao Theodore, mas evoluindo: ela tem senso de humor próprio e, o principal, sentimentos. O resultado disso é bizarro, mas óbvio para o enredo: os dois se apaixonam.

(Aviso: o post será uma série de aloprações minhas sobre variados momentos do filme, então assim, se você ainda não viu, pode ter spoilers, etc.)

O interessante é que apesar da premissa parecer absurda, é possível se identificar rapidamente com Theodore. Vamos por partes, a começar pelo rompimento com a esposa Catherine (interpretada por Rooney Mara). O que é colocado aqui não é só o usual, da vida compartilhada que então deixa de existir de um momento para outro, criando aquela sensação de que cada pedaço da rotina sem a outra pessoa seja doloroso. É também o medo de ter se entregado tanto, vivido tanto e amado tanto que aquela história nunca mais se repetirá, ou pior ainda, se repetirá mas sempre como um retrato pálido do que aconteceu na primeira vez. “Sometimes I think I have felt everything I’m ever gonna feel. And from here on out, I’m not gonna feel anything new. Just lesser versions of what I’ve already felt.“, diz Theodore para Samantha, depois que um encontro às escuras dá errado.

Este encontro aliás, é uma ótima dica para entender o que virá acontecer entre Theodore e Samantha. A garota no bar obviamente quer sexo tanto quanto Theodore, mas diz que não quer que ele seja alguém que vá sumir no dia seguinte, ela está cansada da falta de compromisso. O modo como os olhos dela parecem implorar por um “sim, eu prometo o compromisso” são tão intimidadores que Theodore, que saiu justamente em busca de uma nova chance, entra em pânico e não consegue nem ao menos enganar a garota. Não, ele não se vê pronto para isso. Mas ao mesmo tempo, paralelamente é justamente o que está acontecendo entre ele e Samantha.

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As conversas à noite, o colocar tudo para fora sem medo de ser julgado, a entrega, novamente. Ele inicialmente nem percebe, porque afinal de contas ela é um sistema operacional e ele um homem. Mas para qualquer um que já engatou um relacionamento virtual, sabe bem como funciona: aquela ansiedade para ficar logo online e poder conversar com a pessoa, o ter que se contentar apenas com a voz da pessoa ao telefone no caso de kilômetros de distância separando os dois. E também a facilidade de encantar quando ainda não há o compromisso, porque com esse normalmente chegam as cobranças para que a noção que temos de relacionamento seja correspondida. É exatamente isso: não o amor, mas a ideia que temos dele, de como devemos ser amados.

É engraçado, mas quando Theodore parecia embaraçado ao contar para os amigos que estava namorando um sistema operacional, de certo modo eu lembrava do meu jeito quando falava que tinha conhecido um namorado na internet. “Ah, bem, sei que não é convencional, mas rolou, estamos aí”. Ok, hoje em dia isso é bem comum, mas eu ainda lembro de alguns olhares de “Essa guria é maluca” quando contava onde tinha conhecido meu namorado. Mas no final das contas é como diz a personagem Amy: I think anybody who falls in love is a freak. It’s a crazy thing to do. It’s kind of like a form of socially acceptable insanity.

Mas aí é que está: quando você pensa que o roteiro te levará para uma história de que vale tudo quando você ama, arco-íris e unicórnios, Jonze puxa o tapete com o diálogo entre Theodore e Catherine. Para mim, é o centro da história. Ele conta que Samantha é um sistema operacional, ela fica mais do que chocada, mas magoada. Porque vê ali o que já tinha percebido antes, que Theodore é incapaz de ter um relacionamento real. A entrega, o amor por Samantha só foi possível porque ela tecnicamente não existia. Se existisse (tal como a garota do bar), nada jamais teria acontecido, não importa o quão doce e engraçada Samantha fosse. Ou pior, aconteceria mas tal como foi com Catherine, viria com prazo de validade. Porque em algum momento ela mudaria, buscaria coisas diferentes das que buscava quando se conheceram e deixaria de ser a Samantha daquele primeiro momento, por quem ele se apaixonou. Não é que você não ame mais aquela pessoa, é só que amava mais quem ela era no passado.

Podemos transformar tudo isso em uma história sobre nossa relação bizarra com a tecnologia? Claro que sim. De como é totalmente comum um cara sair andando por aí falando sozinho, filmando e fotografando tudo para começar. Aquele frio na barriga que você já deve ter sentido quando ao tentar iniciar o computador e viu uma mensagem de erro qualquer. Enfim, somos bastante dependentes mesmo. Mas eu penso em Her mais sobre como estamos pouco preparados para lidar com a dor de ver alguém que amávamos simplesmente partir. De nos encontrarmos em um momento em que não conseguimos compreender como é que nossa história com alguém vira só passado. De ouvir de alguém que antes era parte da nossa vida algo como:

“It’s like I’m reading a book… and it’s a book I deeply love. But I’m reading it slowly now. So the words are really far apart and the spaces between the words are almost infinite. I can still feel you… and the words of our story… but it’s in this endless space between the words that I’m finding myself now. It’s a place that’s not of the physical world. It’s where everything else is that I didn’t even know existed. I love you so much. But this is where I am now. And this who I am now. And I need you to let me go. As much as I want to, I can’t live your book any more.”

Her é até por causa disso bastante melancólico. Tem seus momentos engraçados, é óbvio (o sexo com a SexyKitten, por exemplo, é hilário), mas da mesma forma que a cidade de Theodore parece quase que constantemente tomada por uma neblina, o filme todo parece estar sempre sob o peso de corações partidos, expectativas não alcançadas e despedidas.

Considerações finais aleatórias:

  • Uma pena que Scarlett Johansson não tenha sido muito reconhecida por seu trabalho como Samantha. É impressionante como você consegue captar a personalidade da personagem e mesmo os sentimentos, sem em nenhum segundo ver seu rosto (o que não deixa de ser irônico se pensar que é uma atriz que é lembrada principalmente por ser bonita). Parte do encanto de quem vê o filme só é possível por causa do trabalho dela, que consegue ser apaixonante  só pelo que diz e como diz.
  • Das músicas originais dos filmes deste ano eu só pensava em Let it Go de Frozen, mas The Moon Song é linda, linda demais. Não sei se pela cena, ou já pelo estágio em que a história se encontrava, mas foi de arrancar lágrimas mesmo.
  • Amy Adams continua uma linda, mesmo quando tentam deixá-la como uma “guria comum”.
  • Uma das cenas mais bonitas é quando Catherine está assinando os papéis do divórcio, e ao som da caneta no papel imagens dos dois quando ainda estavam juntos começam a aparecer.
  • Filme bom, mas pior pôster, deusolivre.

05 Feb 12:23

Antes que o mundo acabe, um agradecimento: Obrigado, Amaury Jr

by Morri de Sunga Branca
Não se sabe o motivo deste vídeo, provavelmente é um viral de alguma marca, que seja!

Mas só por mostrar seu Amaury Jr travestido de Hebe Camargo e cantando rap, já ganhou nosso amor!



Piada pronta!
05 Feb 12:18

#leiamulheres2014

by Tuca

Para o bem e para o mal, a internet sempre nos surpreende. Uma hora você descobre que Philip Seymour Hoffman morreu. Na seguinte, fica sabendo de um desafio internacional cuja proposta é que leiamos mais mulheres: #readwomen2014 – vi a hashtag traduzida no título de um Tumblr.

Joanna Walsh se pergunta se o projeto (criado por ela quando viu a boa recepção de seus cartões de feliz ano novo/marcadores de página, em que desenhou algumas de suas autoras favoritas) mudará nossos hábitos de leitura. No meio do texto, há um link para dados sobre a representatividade das mulheres em veículos literários. Também há outro, em que Lionel Shriver – autora de Precisamos falar sobre o Kevin – discorre sobre como queriam dar uma capa de mulherzinha a um livro sórdido escrito por ela. Li tudo e ainda aproveitei para conferir uma lista com 50 dicas de leitura para o ano.

Reading-Women
“Ah, Tuca, legal você entrar nessa de ler mais literatura feminina.”

Legal, né? O único problema é que não é disso que estou falando. O trecho abaixo é de uma conversa de Rogério Pereira com Elvira Vigna, no Paiol Literário1, com o qual concordo.

 

Não acho que haja nada nem parecido com literatura feminina, isso é uma grosseria. Você teria que dizer que é uma literatura feminina de classe média ou baixa; de uma mulher negra ou branca; rural ou urbana; velha ou moça — e aí você vai afunilando até chegar nessa ou naquela escritora, e uma não vai ter nada a ver com a outra a não ser o fato de serem mulheres. Eu sou uma mulher, não acho que minha literatura seja feminina nesse sentido. É uma literatura feita por mim, uma das minhas características é ser mulher. Ressaltar esse fato é um alijamento e uma exclusão, e a única coisa que eu posso dizer para concluir é a lembrança dos narradores masculinos que abundam na literatura universal desde que ela existe no mundo.

 

Em outras palavras: é difícil entender um cidadão que diz não gostar de literatura feminina. Porque a literatura escrita por mulheres não poderia ser mais diversa.

 

* * *

 

Antes de continuar, algumas considerações:

* Não gosto do imperativo #leiamulheres2014, meio publicitário demais pro meu gosto (beba coca-cola! compre batom! experimenta! experimenta! leia!). Implicância besta, eu sei, mas sempre gostei mais de literatura não obrigatória, não enfiada goela abaixo.

* Nada a ver julgar o coleguinha do lado só porque ele não vai mudar a lista de leituras do ano por conta da hashtag – justo aquele que disse: “Pô, eu consigo ler uns quatro por ano e decidi que 2014 é Guerra e paz na cabeça. Deste ano não passa! Mas tô achando que só vou conseguir ler ele…”. É tão bom quando cada um cuida da própria vida, né?

* E, por favor, nada de desconto só “porque o livro é de uma mulher”. Se você pegou um livro ruim, fale isso na cara dura, que aqui nessa casa ninguém quer a sua boa educação (e condescendência). Se é bom, mas nada além disso, seja sincero. Você estará discorrendo sobre AQUELE livro escrito por UMA mulher, não analisando a literatura feminina como um todo – depois de um livro, você sequer consegue dar conta da obra da autora em questão.

Grato.

 

* * *

 

Uma das dúvidas de Joanna Walsh é se o projeto criado por ela resultará em mudanças dos nossos hábitos de leitura. Pudera: esquecemos facilmente o que vemos na internet. O projeto é para o ano inteiro e ainda estamos em fevereiro. Como será, sei lá, em abril?

Partindo do pressuposto de que falar em termos abstratos é complicado, parto de minha experiência como leitor. Em 2012, inventei um desafio chamado “Autoras de Literatura Contemporânea Brasileira”, com regras bem específicas2. Pedi, inclusive, algumas sugestões de leitura. Escrevi sobre Carol Bensimon, Carola Saavedra e Adriana Falcão ainda naquele ano e – por mais que não tenha escrito mais nada sobre o assunto desde então – as leituras se acumularam e mais algumas escritoras já poderiam ter textos específicos sobre suas obras: Luisa Geisler, Vanessa Barbara, Elvira Vigna, Beatriz Bracher e, mais recentemente, Veronica Stigger.

Acabei de fazer os cálculos: no final de 2012, mesmo buscando ativamente ler mais mulheres, apenas 16,4% dos livros lidos continham mulheres – incluindo obras em parceria, antologias com diversos autores e os infantis de que gosto tanto. Sim, um número pífio. Mas, ainda assim, foi o dobro do que tinha lido no anterior (7,8%) – o que é ainda pior, pois li menos títulos em 2011. A surpresa se dá com os números de 2013: além de ter lido mais livros que no ano anterior, a porcentagem da presença feminina aumentou para 40,2%.

Então, a partir da minha experiência, eu poderia responder que: sim, um projeto desses é bem capaz de conseguir mudar os hábitos de leitura de alguém. De alguém curioso, não muito apegado à sua zona de conforto, em especial. É só não deixar a bola cair durante o ano.

A pergunta final é: o que eu posso fazer em prol desse projeto? Como divulgador – não somos todos? – posso ajudar a manter viva a hashtag. Viu a resenha de um livro que está entre os seus favoritos ou só quer dizer, em 140 caracteres, que gostou muito da última leitura? Coloca um #leiamulheres2014 (ou um #readwomen2014) junto. Como crítico, posso dar sequência aos textos do desafio citado acima – podem me cobrar, inclusive.

Como leitor, a tarefa é mais fácil: é só continuar na busca por novos livros e escritoras3. Às vezes, errando feio. Às vezes, descobrindo mais um para a estante de favoritos.

Igual a tudo na vida.

 

* * *

 

Três escritoras que nunca li (mas de 2014 não passa!):

* Zadie Smith;

* Nicole Krauss;

* Marie Ndiaye.

  1. Você pode ler o resto aqui. Destaque para as seções “Reacionário”, “Mito falido” e “Acesso restrito”, que complementam o trecho que transcrevi aqui, originalmente intitulado “Exclusão”.
  2. Aliás, foi um baita esforço não repetir aqui tanto o que já tinha escrito no post inaugural do desafio, quanto o que escrevi na resenha do livro Como ser mulher, de Caitlin Moran.
  3. Aliás, este ano já li três: az mulerez, de Natércia Pontes (livrinho que provavelmente agradará aos que se empolgaram com Copacabana Dreams); Azul é a cor mais quente, de Julia Maroh (ainda não vi o filme, mas a hq vale MUITO a pena); e Opsanie Swiata, de Veronica Stigger (foi o meu primeiro presente de aniversário não engordativo do ano; creio que agradará os fãs de Os anões e as pessoas que gostam do Valêncio Xavier, em especial d’o mez da grippe).
27 Jan 13:53

One Year Later

by Felippe Cordeiro

Era meia-noite e um minuto na Rua Rodésia e caiu um toró. Na Mercearia São Pedro, o antro dos escritores paulistanos e radicados na capital paulista. Era meia-noite e um e ninguém conseguiu uma só mesa para sentar-se após uma quinta-feira de trabalho. A única recompensa era lembrar, no alto do consumo etílico, que a sexta-feira era, além de sexta, um feriado na cidade. Aniversário da cidade.

O Posfácio surgiu naquela meia-noite e um com uma compilação das melhores leituras feitas por diversos escritores, jornalistas e convidados. Fora do mundo virtual, todos ficaram acuados debaixo de árvores, mas permaneceram para dar boas-vindas ao site que ninguém sabia bem do que se tratava. Era filho bastardo, era híbrido, quimera, mutante. Era aposta e ainda é.

Nesses 365 dias, entre o lançamento do Posfácio e seu primeiro aniversário, a equipe mudou, diminuiu, aumentou. Semanas inteiras sobre literatura, outras apenas sobre cinema, uns e outros dias sobre música, entrevistas esporádicas, mas sempre com uma dedicação ímpar. Foi parar em jornal e crônica. Chegou a ser citado em palestra. Transformou a cidade de Paraty na sua segunda casa. E nesses 365 dias choveu: críticas edificantes e degradantes, poucas desestimulantes e também – por que não? – elogios.

Nesse 25 de Janeiro de 2014, não é para o Posfácio que eu dou parabéns, mas a quem faz parte do seu sistema nervoso; aqueles que são seus órgãos internos. Para a equipe que é o coração de tanta dedicação, o cérebro para a criatividade, os pulmões para o fôlego, o estômago para as críticas. Sem esquecer dos amigos entusiastas, conselheiros ou baderneiros e os colaboradores com ideias frescas.

1 ano de Posfácio não é para desejar mais anos de Posfácio, tampouco mais ou menos sucesso.

1 ano de Posfácio é história. Se parar vai ter feito diferença. Se continuar, a diferença será ainda maior.

E se no primeiro dia do site compartilhamos as listas de melhores leituras, no aniversário de 1 ano compartilhamos o que consideramos ser nossos melhores artigos aos nossos melhores amigos. Vocês.

Boa retrospectiva.

 

Felippe Cordeiro

Coisas que perdemos

Entrevista com John Jeremiah Sullivan

Sou escritor, um rascunho

 

Taize Odelli

Literatura do jovem suicida

Uma vida no fim do mundo

Tipos de perturbação

 

Lucas_Deschain

Resenha de História do cerco de Lisboa

A mentira ou como meu priminho me fez entender o que é verossimilhança

Resenha de Submundo

 

Tuca

Entrevista com Bernardo Carvalho

Gratidão

Como você tempera sua salada?

 

Gigio

De Banville a Woolf 

Origens do altruísmo

Um mundo de baiacus lá fora

 

Simone

2001: Uma Odisseia no Espaço

As Cavernas de Aço

 

Isadora Sinay

Lanterna Mágica 

Um Toque de Pecado

Tatuagem 

 

Tay

A Geração da Utopia

Flip 2013 – O poeta protesta com festa

Todo Aquele Jazz

 

Ingrid Coelho

Para voar basta errar o chão

Todos os animais do mundo

Troco fidelidade por poesia

 

Maria Shirts

Vida longa aos contos curtos

Nu, de botas

Na cola de Jack, o Estripador

 

Bruno Mattos

A conferência de Sérgio Sant’Anna em Porto Alegre

Correspondências sobre Sérgio Sant’Anna

Entrevista com Mia Couto

 

Camila Kehl

Uma outra perspectiva

A morte do pai

O verão sem homens 

 

Gabriel Tonelo

Prazer, Ross McEweel

Alan Berliner

Crítica: Indie Game

 

Guilherme Magalhães

José, por Pilar

Anatomia dos Mártires

Marvel Comics: A história secreta 

 

Luciana Thomé

Um livro que puxa outro livro que puxa outro livro

O caminho das pedras ou as pedras no caminho

A poção mágica

 

Maira Giosa

Crítica: Amantes Passageiros

Crítica: Homem de Aço

Crítica: Elena

 

Márwio Câmara

Entrevista com Luiz Biajoni

Entrevista com Ricardo Lísias

Entrevista José Castello

 

Daniel F.

Óculos de Ouro

Ascensão e Queda do Rei Mas Não do Reino

As quatro vidas do cachorro louco

 

Vinícius Volcof

Os livros e o filme: “Flores Raras”

Camille Claudel, um mistério em plena luz

Flip 2014 – Eduardo Coutinho

 

André Araújo

A órbita da obra de Michel Laub

 

Marina Araújo

Entrevista com Lydia Davis

PEN – Eduardo Galeano e as histórias silenciosas

PEN – As vozes da literatura internacional

 

Carol Tavares

Para quem um dia foi tiete

Cícero voltou!

A MTV Fica

24 Jan 16:49

Bonecas Russas

by Bô Brega
Ilustração: Bô Brega

Ilustração: Bô Brega

23 Jan 13:29

Álbuns animados

by almirdefreitas

Você certamente conhece estas capas de discos, mas possivelmente não deste modo. Qual? Clique nas imagens e veja como elas ficaram na era dos GIFs animados. Todos feitos por Mr. Dormouse, que tem um Tumblr inteirinho com a brincadeira, o Animated Albums.

Traquinagem em torno das capas de discos é o que não falta. Para ver outros exemplos, publicados neste blog, clique aqui, aqui e aqui.

(Publicado em 9/11/2011)

22 Jan 19:25

O senhor Henri e a enciclopédia, de Gonçalo M. Tavares

by Taize Odelli

o-senhor-henriEm algum lugar existe um bairro habitado pelos grandes nomes da literatura. O Sr. Cortázar vive no mesmo prédio que o Sr. Gógol, o Sr. Melville e o Sr. Henri. Na construção ao lado, encontramos o Sr. Kraus e o Sr. Voltaire. Mais acima, o Sr. Brecht, e um pouco mais além, o Sr. Rimbaud, o Sr. Balzac e o Sr. Carroll. Ainda há muitos senhores – e a Srª Woolf – morando neste lugar criado por Gonçalo M. Tavares, uma região fictícia para aqueles que se dedicam a fazer ficção. O bairro é uma série de livros do escritor português que fala de cada um desses moradores, dezenas de obras inspiradas em autores consagrados, que há pouco descobri ao ir em uma palestra sobre o autor (minha especialidade em eventos literários: frequentar palestras sobre escritores que ainda nem li). Saí de lá querendo ler qualquer coisa dele, e dias depois já tinha em casa duas de suas obras: Aprender a rezar na era da técnica O senhor Henri e a enciclopédia. É sobre Henri que este texto vai falar.

O senhor Henri e a enciclopédia é o segundo livro da série O bairro, inspirado no poeta belga Henri Michaux. Do primeiro capítulo ao 36º, o senhor Henri não larga o seu copo de absinto, e quanto mais bebe, mais falador fica. Durante toda a narrativa Henri monologa sobre os verbetes que lê em sua enciclopédia todos os dias, demonstrando seu conhecimento sobre o mundo para os colegas de balcão do ilustre estabelecimento que frequenta – o bar. O absinto é como um combustível que o senhor Henri pede a cada três ou quatro frases, mais um copo, por favor.

Leia a resenha completa no Posfácio

Send to Kindle
22 Jan 15:40

Novos escritores e suas narrativas breves

by Tuca

Ano passado, ao ler o artigo “E então, quando vem o romance?”, de Marcelo Moutinho, praticamente abortei, pela metade, um texto que escrevia – aliás, o texto a seguir. Falar também sobre narrativas breves1 pareceu-me desnecessário, de tanto que gostei da análise de Moutinho (altamente recomendável).

Nela, o jornalista pensa o lugar do conto no Brasil e no mundo, a partir do assunto literário mais comentado daqueles dias: o Nobel de literatura concedido à contista Alice Munro, o primeiro dado a um prosador que não escreveu romance algum.

No texto, há uma citação que me interessa – uma declaração que utilizei como premissa para as leituras que fazia:

“Considero um equívoco começar a carreira com livros de contos, ou poesia, ou crônica. Esses gêneros não têm público e os livreiros começam a associar o nome do autor a fracasso de vendas”, afirmou Luciana Villas-Boas há três anos, quando ainda editora da Record, em entrevista à “Revista da Cultura”.

A fala de Luciana expressa um ponto de vista mercadológico e, nisso, provavelmente ela tem razão2. A edição inglesa da Granta, publicada no outono de 2012, está me encarando na biblioteca e não me deixa negar: o mundo quer saber do the best of young brazilian novelists3, não dos “melhores jovens escritores brasileiros”, tal como na edição nacional da mesma revista.

Mas não vim falar de mercado, de economia, de vendas – assim como, ao escrever sobre poesia, não tive intenção alguma de tripudiar, lembram? Eu vim falar de literatura. Como já disse em certa ocasião4:

É bom deixar tudo muito bem dividido na cabeça. As fofocas literárias do sábado são legais, mas não são literatura. Flip é legal, mas não é literatura. Conhecer (alguns) autores é legal, mas não é literatura. Resenhar livros é legal, mas não é literatura. Publicar é legal, mas não é literatura. Ver os amigos no seu lançamento é legal, mas não é literatura. Literatura é o elemento de presença mais constante na minha vida. (…) Literatura é o que eu levo a sério.5

A declaração de Villas-Boas, de alguma forma, aumentou minha vontade de unir, em minhas leituras, dois interesses: novos escritores (não necessariamente um critério etário: “novos” pode ser lido como “estreantes”) e contos. Não é fácil: autores novos não costumam ganhar vitrines, indicações entusiásticas dos livreiros ou resenhas de página dupla em revistas semanais. Contos, por sua vez, apresentam particularidades estranhas ao leitor acostumado a romances: “acabam rápido demais!” (nesse sentido, seriam menos recompensadores) e “são mais suscetíveis ao abandono!” (é mais fácil largar um contista após um texto ruim, do que um romancista após um capítulo enchendo linguiça6), duas justificativas recorrentes.

Meu problema é o seguinte: eu tenho uma queda por obras completas e pelo contemporâneo – nesse sentido, nada melhor do que descobrir como escrevia determinado escritor quando da sua estreia na literatura, ainda procurando seu estilo, sua voz7. Outro problema: ainda que eu seja um leitor de contos relativamente preguiçoso8, tenho tido boas experiências com o gênero. Sim, li muito Clarice Lispector e Caio Fernando Abreu na adolescência, mas foram experiências mais recentes que retomaram meu gosto pela coisa. Se em 2013, Leminski levantou a bola da poesia, Lydia Davis fez o mesmo pelos contos, com seu Tipos de perturbação. Antes disso, também já tinha me empolgado com as seleções de contos da Não Editora – Ficção de Polpa (1, 2, 3, Crime! e Aventura!) e 24 letras por segundo.

Pois bem. Os livros de que falarei a seguir são todos de narrativas breves, escritos por autores estreantes9 no campo da ficção10, lançados por alguma editora – edições de autor são chatas de serem encontradas, uma dificuldade desnecessária ao projeto. Todos são de brasileiros11 não presentes na Granta 912. Pensei em organizá-los por ordem de preferência, mas não levei a ideia adiante.

Vamos à lista.

flavio torres

Capa-Monstros-fora-do-armário-ESTUDIOMonstros fora do armário

“O melhor livro brasileiro de 2012, lido no ano de seu lançamento”, segundo o blog o leitor comum – o meu blog, que anda meio parado, tadinho. Falar de Não Editora implica falar de design gráfico – meio como nos acostumamos a tratar os livros da Cosac Naify – e, nesse sentido, a estreia literária de Flávio Torres não poderia estar em melhores mãos: Guilherme Smee e Samir Machado de Machado (se este texto fosse uma receita, eu diria para você “reservar” esses nomes). A capa do Samir é assustadora, com destaque para a cabeça cortada da mãe, estilo Peanuts – corte que retira da imagem qualquer possibilidade apaziguadora. Já o projeto gráfico de Guilherme Smee deixa a leitura mais confortável, ao limitar a “mancha” do texto no centro da página13 – acredite, com os contos de Torres, você vai agradecer por esse pequeno “conforto”.

Os onze contos do livro são divididos em três partes: “Concepção”, “Gestação” (9 meses, 9 contos) e “Legado”. As páginas escurecem no decorrer da leitura (as do último conto são pretas, e as letras da cor original do papel pólen), como se dissessem: quanto mais perto de sair do útero, maior o terror14. Porque, afinal, os monstros do Flávio não são fantásticos, aqueles que se escondem debaixo da cama ou no guarda-roupas: a infância é dura pra caramba e a realidade é assustadora o suficiente.

Em vez de falar de ecos na linguagem, o que faria com que me estendesse demais15, finalizo dizendo que, se os contos continuam embrulhando o seu estômago, ainda que muitos meses desde a primeira leitura, deve haver algo de importante ali. E eu só precisei dar uma olhadinha em “Concepção” e “Legado” para me lembrar de toda essa sensação.

(Para saber mais sobre o livro, indico a resenha de Taize Odelli.)

Silente - Renato Tardivo

Silente 16

A 7Letras, uma das editoras mais acolhedoras para novos autores, fez 20 anos recentemente e foi tema de reportagem especial do Globo. Foi por ela que Renato Tardivo publicou seu Silente. Os contos do livro perpassam uma variedade de sensações e temas: cheiros, sonhos, relações familiares (estranho como homens e mulheres se relacionam com seus filhos, né?) e morte – essa danada, sempre à espreita. É visível que há toda uma preocupação do autor com que mergulhemos na confusão do inconsciente de seus personagens – e o choque deste com o nosso é capaz de produzir leituras interessantes.

Confesso que senti minha falta de bagagem durante a leitura, o que não é um problema do livro – que continua sendo bom, pois não é hermético – nem meu 17. É um caso parecido ao da hq Você é minha mãe, de Alison Bechdel, em que o leitor conhecedor da obra de Donald Winnicott se sente mais à vontade com os conceitos citados: muitas das nuances de Silente serão melhor aproveitadas por um leitor que entende de psicologia. Para este tipo de leitor, Silente certamente seria uma leitura imperdível.

(Para saber mais sobre o livro, indico a resenha de Gustavo Melo Czekster – que, aliás, me indicou o Silente e só não aparece neste post com seu O homem despedaçado porque já o resenhei no meu blog pessoal.)

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Vemos as coisas como somos

Chegou a hora de usar um dos nomes reservados acima: Guilherme Smee. Estava de férias quando o autor me contatou no Facebook perguntando se queria dar uma olhadinha no seu primeiro livro solo – eu já lera algumas coisas dele na coleção Ficção de Polpa, inclusive uma hq. Topei. O livro chegou quando eu estava em Porto de Galinhas: não tive outra escolha senão levá-lo para a piscina.

O título, parte de uma citação de Anaïs Nin18, é bem apropriado. Nos 17 contos, Smee nos leva para conhecer a vida dos outros19, através do olhar de personagens os mais diferentes, em cenários e situações as mais diversas – da antiga Grécia a um provador de roupas numa loja de departamentos. “Criatividade” foi a palavra em que mais pensei durante a leitura – como se o autor dissesse a todo instante “gente, olha o que eu consigo inventar”20.

Gostei de identificar três movimentos nos textos, algo que não perceberia se não tivesse feito uma leitura linear: há contos simples e individuais; há outros que, por apresentarem um caráter cíclico (o final casa com o início), podem levar a uma releitura sisífica, semi-autista, em um ciclo sem fim; e, finalmente, há aqueles cuja experiência de leitura interfere no conto seguinte – como se o conto não coubesse em si e transbordasse, respingando no próximo. Um exemplo disto se vê nos dois primeiros do livro, “Egotrip” e “Eu quero ser você”: parece haver um espelho entre eles, como já dá para notar a partir dos títulos. E, desde que li A página assombrada por fantasmas, tenho gostado bastante duns espelhamentos entre contos.

Esse frescor de quem ainda não se leva muito a sério21 era exatamente do que eu estava precisando quando li a obra: me diverti, me emocionei22. Para finalizar, eu apresentaria argumentos de como o livro não é apenas entretenimento etc., mas creio que isso seja uma tolice sem tamanho, como se houvesse problema em um livro almejar ser apenas entretenimento. Dá preguiça de gastar o meu latim nesse tipo de discussão.

Finalizo, então, dizendo que gostei bastante do último conto, mesmo que o título soe meio brega: “Sorria, embora seu coração esteja doendo”.

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Copacabana Dreams

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Sei que já falei brevemente do livro de Natércia Pontes (escritora que, eu jurava, devia ser heterônimo de Tércia Montenegro, que devia gostar muito de variar o nome que usa nas obras), mas a questão é a seguinte: eu me recuso a fazer uma lista enorme dessas e não ter nenhuma representante feminina. Simples. Eu já mereço um beliscão por só apresentar uma, imagina se não a citasse? Tem a Luisa Geisler e a Carol Bensimon, mas ambas são grantescas. Tem a Assionara Souza (cujo Amanhã. Com Sorvete! já resenhei), mas infelizmente não li Cecília não é um cachimbo, sua estreia literária. Tem a Luci Collin, mas só li poucos contos de um de seus últimos livros.

Achei que não escreveria sobre nenhuma autora aqui até perceber que a estreia de Natércia Pontes, Az mulerez – livro cuja impressão e tour de lançamento foram financiados com a venda de um Gol –, era uma edição de autor. Copacabana Dreams foi o primeiro livro solo dela a sair por uma editora – e a moça sai logo pela Cosac Naify, pense numa metida. Não tenho intenção de me repetir, você pode ler um texto mais completo sobre o livro em “Brevíssimas impressões sobre aquela canção que você adorou”. E, para ler uma resenha bonita e com sustança, pode visitar o blog da Camila Kehl.

Camera 360

carnavalia

Carnavália

Tem quem descubra novos autores no suplemento literário e quem os conheça no meio da votação do muso da literatura contemporânea brasileira. Foi este o caso de Gabriel Pardal: assim, entrei em contato com seu Canibal Vegetariano, na internet, e corri atrás do Carnavália – “Reflexões poéticas a respeito da sociedade de consumo”, dizia a sinopse disponibilizada pelo sebo virtual. Eu poderia tê-lo citado no ensaio sobre minhas leituras de poesia em 2013: ainda que a maior parte dos textos não seja em verso, há livros inteiros do Arnaldo Antunes, indubitavelmente poéticos, escritos totalmente em prosa23. Foi uma escolha que fiz em razão do espírito mais narrativo de alguns textos, contos – mas admito que não seria a única análise possível.

Abro na página 15, que começa “Segundo boletins oficiais, agora é proibido cantarolar sambas de amor (…)”. Quero resenhar brevemente o livro, mas já estou na 18: “Quem poderá nos salvar?”. Sem sentir direito, já estou em “Corte de cabelo grátis só no hospício” (p. 29), em “Falar de coisa gostosa é falar de ________.” (p. 45), em “eu e minha namorada” (p. 54, que se espelha de um jeito muito legal na página seguinte), num conto reality-show (p. 76), em “Neil Armstrong disse ter visto a mais bela noite da sua vida. Quando voltou de viagem sua mulher o levou para o supermercado, em seguida jantaram no Mcdonalds.” (p. 90) – texto que dialoga bem com o do Yuri (“El laberinto de la soledad”), escrito por Eucanaã Ferraz. Quando vejo, reli tudinho, em vez de extrair a essência do livro e repassá-la para você. Desculpa.

Eu me sinto um hippie velho por ser tão avesso ao consumismo. Se não um hippie velho, pelo menos uma Cayce Pollard, protagonista de Reconhecimento de padrões, de William Gibson, que sente fortes enjoos com logomarcas. Tento não fazer disso um discurso, não jogar na cara de ninguém – afinal, às vezes sou eu que acabo cedendo a esse tipo de impulso, principalmente no meio de livrarias. Mas é legal ver uma obra bem realizada e pensada que aponte que não estou só nessa. Como o filme 1,99 – um supermercado que vende palavras. Como a hq Vitória Valentina, de Elvira Vigna. Como o romance Cloud Atlas, de David Mitchell. Como esses contos e poemas de Carnavália, de Gabriel Pardal.

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Ensaio sobre o entendimento humano

capa_CONTO_Ensaio sobre o entendimento humano.inddA segunda edição do prêmio Paraná de Literatura definiu como vencedor da categoria de contos de Caetano W. Galindo. Sim, o cara massa que traduziu Ulysses, Infinite Jest e A trama do casamento, o mesmo que sempre tem umas reflexões interessantes sobre tradução e sobre a vida no Blog da Companhia, aquele cujo nome faz duvidar da teoria de que tradutor é para desaparecer no texto: tenho certeza de que não sou o único que comprou um livro só porque foi traduzido por ele24. O título, Ensaio sobre o entendimento humano, é o mesmo de obras de Locke e Hume.

Gostei bastante de “Livre-arbítrio” – o tema do suicídio me interessa – e da série “Investigações filosóficas” – em especial da parte 2. Os temas que encadeiam os contos – entendimento humano, empatia etc. – me atraem. O meu problema é com a linguagem. Digo, adoro o sotaque curitibano do autor e já me emocionei muitas vezes com a persona e o estilo adotados em suas colunas na internet. Mas ver o mesmo estilinho e linguajar (a concisão!) adaptados para vários personagens, cenários e situações foi algo meio constrangedor. Eu até leria um livro de ensaios assim. Contos, não.

Deu vontade de reler Hotel mundo, de Ali Smith e traduzido por ele, só para esquecer disso.

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Festa na usina nuclear

Uma ou outra pessoa, ao verem no Twitter que eu leria Festa na usina nuclear, de Rafael Sperling, me alertaram: é bom, mas não é bem a sua pira.

Eu gostei de como o autor escolheu alguns contos para fazer séries deles, “Um homem chamado Homem” e “Amores efêmeros”. Gostei muito da frase autorreferente “É por isso que não compro livros de autores novos desconhecidos, nada faz sentido.”, do conto “Manoel, se hoje fosse amanhã”25. Gostei mesmo foi da preocupação em mostrar como as coisas não são evidentes: contos como “Manual de comportamento” e “Maneiras de se quebrar um ovo” questionam o que seria óbvio demais. Este, creio, é o principal trunfo do livro.

Mas, como me alertaram, o livro “não é bem a minha pira” – não sei exatamente a razão de terem falado isso, mas a questão é que as pessoas acertaram. É como saber apreciar a qualidade de um bom quadro, mas não se relacionar com ele. Pouco depois, li As coisas, de Arnaldo Antunes, que se detém sobre um dos temas de Festa na usina nuclear – há algo óbvio demais? – e aí, sim, encontrei uma obra que era mais a minha cara.

(Para saber mais sobre o livro, recomendo as resenhas de Taize OdelliFelippe Cordeiro.)

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Duas novelas

Falei muito de contos e deixei pouco espaço para outras narrativas breves, como a novela. Ela pode ser confundida com um conto muito longo ou um romance muito curto. Só não vale confundir com telenovela.

Às vezes, a ficha catalográfica determina que estamos lendo um romance, mas o número de páginas nos permite chamar o livro de novela – e não há problema algum nisso. É o caso de Gado novo, de Guille Thomazi – mais um caso em que a 7Letras revela novos e bons autores. Em cada um dos cinco capítulos da obra, temos acesso a um ponto de vista diferente acerca da morte brutal de uma menina no meio de um campo. O que causa certo desconforto: há um descompasso entre o desenrolar da história, a linearidade temporal, e o que é do conhecimento dos personagens. Um desconforto bom, creio. As frases secas (às vezes, cairia bem um “molhinho”, como disse Elvira Vigna no Paiol Literário) não revelam mais que o necessário. Um bom domínio da técnica é o que demonstra o jovem autor, nascido em 1986.

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Na orelha de O professor de botânica, de Samir Machado de Machado26, o resenhista questiona se está diante de um conto longo. Da dúvida, podemos chamar de novela, sem problema. Eu me interessei pelo livro justamente pela razão exposta num dos primeiros parágrafos: como gosto de obras completas e todo mundo me falava “Tuca, não sei não, acho que você vai gostar de Quatro soldados”, resolvi que leria antes seu primeiro livro solo27.

Na novela, acompanhamos o maçante professor de botânica Eduardo Rotgeller (o sobrenome parece pedir um apelido desagradável) em uma expedição por uma reserva ecológica, junto com um de seus rivais na academia e dos bolsistas estagiários de ambos. Próximo a se aposentar e sem nenhum indicativo de que ficará para a posteridade, ele se agarra a qualquer resquício de esperança de dar nome a uma espécie de orquídea ainda não descoberta. É como dizem: a esperança é a última que morre. Antes dela, morrem personagens de livros.

Evito spoilers: o suspense acompanha o leitor até as páginas finais. Só sei que a novela criou uma baita expectativa para o romance lançado em 2013.

* * *

Para arrematar tudo, uma citação da Vanessa Barbara – sua resposta para a pergunta “Qual dúvida ou certeza guia o seu trabalho?”, feita pelo Jornal Rascunho:

A certeza de que depois deste texto eu posso escrever outro, depois deste livro um outro, e nada é tão importante para ser levado miseravelmente a sério, como se fosse uma questão de status e posteridade.

“Isso é só o começo”, como canta Lenine em uma canção. Os escritores tanto podem decidir por uma mudança abrupta de temas e estilos, como podem investir em seus pontos fortes, naquilo que foi bem recebido por público e crítica. Boa parte dos autores citados, estão aprontando coisas novas: Natércia Pontes está preparando mais um livro de contos; Renato Tardivo acertou com a Ateliê Editorial para lançar este ano um de mini e microcontos; Rafael Sperling pretende publicar mais um livro de contos pela Oito e Meio, ainda este ano; está previsto para o primeiro semestre de 2014 a primeira novela de Guilherme Smee, Loja de conveniências, a substituir Joia Rara no horário das seis ser lançada pela Não Editora; Gabriel Pardal, enquanto participa das gravações do filme Tropykaos, busca uma editora para as pinturas, poemas e pensamentos de Canibal Vegetariano e prepara uma coletânea de textos de não ficção, que incluirá artigos escritos para o Ornitorrinco.

Alguns deles já publicaram novas obras em 2013. Rodrigo Rosp, citado numa das notas de rodapé, lançou o divertido e woodyallenesco Fingidores pela Não Editora. E, para demonstrar o quanto se pode esperar de um autor que estreia na literatura com narrativas breves, Samir Machado de Machado publicou o romance Quatro soldados. E Quatro soldados foi “apenas” um dos melhores livros lançados em 2013 – se não acredita em mim, só pesquisar em diversas listas literárias da blogosfera. Não “um dos melhores livros brasileiros lançados em 2013” nem “um dos melhores livros brasileiros lançados por novos autores que estrearam na literatura com narrativas breves publicados em 2013”: você leu certo, ele foi um dos livros do ano.

Se o que o interessa é literatura – não mercado literário, vendas e as fofocas do sábado – e você gosta mesmo é de escrever narrativas breves, o meu conselho: vai lá. Tanto autor bom começou assim: nada impede que você seja mais um.

  1. Novelas (aquela categoria que ninguém sabe definir direito, intermediária entre contos e romances) e contos são bons exemplos.
  2. Moutinho segue: “A declaração apenas explicita, sem eufemismos, o juízo que parece majoritário entre os editores. A desvalorização do conto nada teria a ver com qualidade, assumindo viés meramente mercadológico. ‘É a economia, estúpido’, diria James Carville.”
  3. “Os melhores jovens romancistas brasileiros, em tradução livre.
  4. Foi na coluna “If you like it then you should put a rainbow on it.
  5. Acho que vou tatuar isso… na minha carteirinha da biblioteca!
  6. Tomemos o exemplo de As esganadas, de Jô Soares. O livro é bem esquemático (não sei se seus livros vão piorando gradativamente ou se é minha idade acumulando que os torna menos interessantes) e seu humor não me convenceu muito (eu ficava pensando: “aqui era pra rir, mas não rolou… aqui também, mas nem a pau, Juvenal”), mas você segue lendo, porque (1) o livro é ágil, (2) a leitura não é complicada, (3) você tem que devolver logo pro Gui e, (4) se já leu metade, não custa nada ir até o final. Desse jeito, chega-se ao penúltimo capítulo, DIVERTIDÍSSIMO, em que o livro vale a pena!
  7. Imagina o que seria da Granta, por exemplo, sem os livros de contos que foram as primeiras publicações de seus autores? Michel Laub, muito antes de começar a “trilogia sobre os efeitos individuais de catástrofes históricas iniciada com Diário da queda”, começou sua trajetória com Não depois do que aconteceu – um bom livro. Daniel Galera, muito antes do premiado Barba ensopada de sangue, deu seus primeiros passos com Dentes guardados – outro bom livro. Luisa Geisler não ganhou apenas o prêmio SESC de Literatura com Quiçá, seu romance; no anterior, ela tinha ganhado o mesmo prêmio, na categoria “Contos”, com Contos de mentira – mais um bom livro. Carol Bensimon estreou na literatura com Pó de parede, um livro melhor que seu primeiro romance, Sinuca embaixo d’água. O primeiro livro de Antônio Xerxenesky – Entre, livro constrangedoramente ruim – daria razão a Luciana Villas-Boas, se o autor não tivesse, logo depois, divertido o público com Areia nos dentes e dado mais uma chance aos contos no ótimo A página assombrada por fantasmas. Sim, ótimo: chamo para um duelo quem discordar. Há alguma moral na história? Deve haver. Está na ponta de língua, pera.
  8. Meu TOC me impedia de abandonar um livro antes do fim (mesmo que, conto após conto, não houvesse prenúncio de melhora) e me pedia para lê-los na ordem sugerida pelas páginas. Daí, a preguiça. Até que um amigo (chamemo-lo K.: ele é fã da Alice Munro e confessou que, se escrevesse, gostaria de fazê-lo como ela) me deu duas dicas preciosas: ninguém precisa ler todos os contos de um livro (ele disse isso num dos dias em que quase me emprestou Felicidade demais, como incentivo; não peguei emprestado, mas admirei o desprendimento); e, sendo assim, você poder ler o quiser, na ordem em que bem entender. Simples. O TOC persiste, mas admito que estou menos quadrado em minhas leituras: adoro começar pelos contos mais curtos!
  9. Estreia solo: não vale participação em antologia etc..
  10. O que me levou a eliminar da lista, por exemplo, o razoável O laçador de cães, de Luiz Andrioli – ele já tinha publicado um livro infanto-juvenil. No geral, concordo com a crítica publicada no Rascunho, apenas ressaltando que eu gostei pra valer do último conto do livro. Pelo mesmo motivo, não falo de As certezas e as palavras, de Carlos Henrique Schroeder, que só recentemente descobri não ter sido a estreia do autor – O publicitário do diabo, novela que foi sua primeira publicação, preenchia os requisitos, mas não a li, infelizmente. Já Rodrigo Rosp não aparece por aqui pois já resenhei seus dois primeiros livros no meu blog e não gosto de ficar me repetindo – a não ser no caso de obsessões pessoais, tais como Noites de alface, Garota exemplar, Cloud Atlas, Quatro soldados, Cadê você, Bernadette? etc.
  11. Até porque se um livro de contos é bom (e vendável) o suficiente para ser lançado num mercado romancêntrico como o brasileiro, mesmo sendo de um autor estreante, ele já vai muito bem obrigado.
  12. Estes também já estão muito bem obrigado.
  13. Mais sobre detalhes sobre o design do livro, você pode ver no blog Sobrecapas.
  14. Uma das minhas regras é: se é superinterpretação, vai pra nota de rodapé. O projeto gráfico que limita o texto a um retângulo central nas páginas lembra o de Bonsai, aquele que todo mundo adorou. Se no livro de Zambra forma-se um bonsai literário na página, no livro de Torres, creio, o projeto dialoga com o conteúdo do livro de duas formas: criou-se uma porta de armário na página (aquela que os pais abrem para mostrar pras crianças que não tem nada lá – só que, dessa vez, há algo lá); além disso, o retângulo forma uma espécie de útero para os contos – algo falsamente acolhedor, como se descobre ao ler cada um deles.
  15. Só peço que reparem, entre outras coisas, em como os dois contos “da ponta” se iniciam, em contraste com os contos do miolo, da seção “Gestação”.
  16. Descobri depois que o livro não foi a estreia do autor – eu podia jurar que era. Já tinha escrito os dois parágrafos e finalizado o texto. Desculpa, mas sou contra jogar trabalho fora: mantive, portanto.
  17. Rapaz, um livro tem que ser MUITO bom (1) para eu querer ler outras coisas a fim de entendê-lo melhor e (2) para eu ficar de mimimi por não ter uma enciclopédia na cabeça e pelos livros que li em detrimento dos que não li. Isso é coisa pra adolescente ou pra garoto prodígio – eles que fiquem com sentimento de culpa.
  18. “Não vemos as coisas como são: vemos as coisas como somos”.
  19. Se não viu esse filme, A vida dos outros, veja!
  20. A comparação mais exata – e pouco acadêmica – à qual cheguei foi: a quarta temporada de The O.C., a última do seriado. No final da terceira, o criador da série resolveu matar uma das protagonistas – Marissa, a alcóolatra chata. Infelizmente, a moça tinha fãs e audiência caiu drasticamente. Sabendo que não haveria uma quinta temporada desse jeito, Josh Schwartz esbanjou criatividade em todos os episódios que ainda teria: teve personagem em coma vivendo uma realidade paralela, teve personagem fraquinha que virou musa nerd, teve luta (e luto) livre e teve pornô com palhaços. Resultado: pouco depois emplacou duas novas séries, Chuck e Gossip Girl. Uma história de sucesso.
  21. Sabe a galerinha do Juízo Final da Literatura? Eles se levam bem a sério, né? Bom pra eles!
  22. E tive de me jogar da boia e cair na piscina uma hora ou outra para não passar vexame.
  23. Além disso, o projeto gráfico separa os textos com algumas manchas de tinta, semelhantemente ao que se faria em 2013 no Toda poesia do Leminski. Se eu tivesse falado do livro enquanto escrevia sobre poesia, dava pra comparar como as manchinhas do Leminski pareciam culminar no verso “eu assino”, manuscrito, ao contrário das do livro do Pardal, que culminam nessa imagem.
  24. Full disclosure: ele também foi meu professor no mestrado (as aulas dele eram as que mais me animavam no primeiro semestre) e eu gosto bastante dele.
  25. Depois de ler o livro, vi que a frase estava na orelha do livro, assinada por André Sant’anna. É por isso que não leio orelhas antes de ler os livros, às vezes elas entregam o que há de melhor na leitura.
  26. E você achou que não usaria o segundo nome que eu falei para reservar, né?
  27. Full disclosure: não foi apenas isso. Eu simplesmente precisava comprar um livro cuja capa simplesmente não exibe logo de editora, nome de autor e sequer o título. Precisava. Aliás, a capa é do próprio autor e é capaz de que as pessoas que curtiram as ilustrações antigas de Quatro soldados também gostem das d’O professor de botânica.
20 Jan 19:18

10 Fantastic Feline-Friendly Interior Designs

by Alison Nastasi

It’s a known fact that cats prefer to perch in high places and can become frustrated when they don’t feel challenged by the typical toy. Yet designers and architects often ignore our animal family members when it comes to creating spaces where people and pets live. What’s a house panther to do? We searched high and low for feline-friendly interior solutions that offer pets a permanent place of their own. These catwalks, staircases, and bridges allow kitty to stretch the imagination and get a paw up on indoor living.

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German company Goldtatze creates elaborate cat walkways, bridges, and other vertical-happy spaces, all made from natural materials. The company started when designer Stefan Hoffman wanted to outfit his feline friend Mowgli with extra climbing space in their apartment.


11 Jan 00:00

Fala que eu te vejo

by Isabela Benassi
Ilustração Isabela Benassi

Ilustração Isabela Benassi

10 Jan 11:13

Ficção e Pescaria (e um pouco de Discovery Channel)

by Ingrid Coelho

Ficção e pescaria foram as primeiras coisas que aprendi com meu pai. As duas ao mesmo tempo, no mesmo dia. Ficção não é o que eu fazia até então pra me livrar das culpas. Um “não fui eu” ou “ele que começou” e ainda “não vi nada”. É acreditar que uma ideia é mais real do que aquilo que está ali sua frente. É fazer seus primos acreditarem que a boneca da Xuxa é amaldiçoada e todos, inclusive você, ficarem acordados com medo durante a noite. Pescaria não é o agrupamento de peixes coloridos e mecânicos no lago de plástico, com olhos vesgos feitos de papel, que abrem e fecham as bocas metalizadas, buscando um imã ligado a uma vara preso por um barbante. É descobrir o que se faz entre lançar a vara e fisgar um tucunaré.

Mentira (e canalhice) é pegar um desses usando rede, subestimando o bicho. É tratar o peixe como se fosse apenas mais um peixe. Ficção é isca artificial. Algo que simula tão bem uma presa nadando que faz o pacu mais esperto do lago largar tudo que está fazendo só para ser o primeiro a abocanhar a sua trama. Na pescaria, existe uma isca certa pra cada resultado e não se fisga tubarão com minhoca. Na ficção, não se fisga desiludidos amorosos com Xico Sá.

Pescaria é saber montar uma vara. Aliás, saber seus tipos e utilidades. Cada estação do ano pede um tipo de boia, colocada precisamente em um ponto da linha para que a isca fique funda o suficiente na água. Colocar a isca pode ser nojento e traumático, especialmente se envolver pequenos animais ainda vivos. Lançar a vara pode travar a coluna, ser desastroso ou humilhante, principalmente se a sua filha de 4 anos estiver assistindo. Depois é preciso jogar guloseimas atrativas para os peixes se alimentarem do seu lado do lago. Vale lembrar que  tudo isso dura questão de minutos para vai saber quantas horas de espera. Às vezes o peixe não aparece, assim como faltam pessoas no teatro, cinema ou comprando seu romance. Pescaria e ficção não têm resultados garantidos, mesmo com guloseimas atrativas no lago ou lançamento.

Ficção não é diversão, mas se faz por ela. Vai falar pra um escritor que virou a noite insone pensando no diálogo da página 36, que o editor falou que estava forçado, que escrever só diversão. Ficção dói. Faz chorar. Mas não vai falar também pra um cineasta que acabou de lançar seu filme que é perda de tempo, que não vale a pena, que é difícil. Ficção é tudo que importa. Passar os seus delírios mentais pras pessoas é uma das coisas mais belas que existem. Na pescaria, dói perder o peixe que você estava brigando por duas horas. A vara quebra. A boia não afunda. O peixe é filho da puta. Mas estamos dispostos a passar por isso. E vamos. E vai ser divertido.

Tem pesque e pague, tem pague e pesque, pesca esportiva e o escambal. Tem best seller, autopublicação, lei de incentivo e promessa de bar. A ficção rola solta depois de uns goles. Tem quem reclame da maré, tem quem reclame do mercado.

Talvez essas imagens ajudem a explicar:

pescaria

Pescaria

ficção

Ficção

Two sockeye dinner Œåäâåäèöà ïîéìàëà 2 íåðêè

Ficção + Pescaria

Algo a se lembrar:  Discovery Channel é ficção. Animais transportados, reservas reservadas. Essas coisas. Big Brother é meio pescaria, meio ficção. Já história de pescador é a mais pura forma de ficção. Eu, por exemplo, vacilei na minha primeira pescaria, nessa que eu aprendi sobre as duas coisas. Enquanto tomava um gole de Fanta e apoiava a vara com meu pé, um pacu de mais de dez quilos puxou a vara pra dentro d’água. Conseguíamos ver a ponta da vara circulando o lago. Ágil, não dava pra acreditar que um peixe poderia nadar naquela velocidade. Ele estava puto da vida. Dava pra ver na forma como ele balançava a vara. Um funcionário do pesqueiro tentou puxá-la e caiu na água. Meu pai foi em seguida, já travado da coluna. Até hoje o peixe nada com a vara, indomável. Mas essa é só a história que eu e meu pai contamos. Você pode colocar nós dois em salas separadas e interrogar, que não vai encontrar detalhe nenhum pra furar o nosso pacto.

 

09 Jan 17:18

Crítica: Ninfomaníaca, de Lars von Trier

by Rodrigo Pinder

NINFOMANÍACA – PARTE 1

Difícil falar sobre o que é claramente uma obra incompleta. Dividir um filme em duas partes não é um procedimento inédito, mas algo como, digamos, Kill Bill: Vol. 1 tem uma longa sequência climática, seguida de um epílogo e um gancho para a segunda parte. Ninfomaníaca – Parte 1 não acaba: o filme simplesmente para. Apesar de isso acontecer imediatamente após uma fala bastante significativa, fechando um capítulo que até serve como uma espécie de clímax (aviso: eu não vou fazer piada com esse termo), é frustrantemente claro que acabamos de ver apenas a primeira metade de um filme muito longo. Assim sendo, boa parte das conclusões a seguir podem ser radicalmente reconfiguradas daqui a sabe-se lá quanto tempo a Parte 2 estreará.

Lars Von Trier é um fanfarrão. É impossível separar suas obras de sua persona pública, e ele sabe disso. É comum encontrar pessoas que acreditam que o diretor é uma espécie de fraude, e que seus filmes são em geral provocações vazias. Lars não parece fazer a mínima questão de combater essa percepção, pelo contrário, ele cada vez mais tem abraçado essa imagem. Quando o diretor anunciou que faria um filme “pornográfico” com atores famosos, até veículos que não dão a mínima para filmes “de arte” noticiaram o fato. A verdade é simples e transparente: polêmica chama atenção; controvérsia é marketing gratuito. Isso é especialmente verdadeiro quando a coisa envolve sexo, fenômeno que pode ser observado, por exemplo, na recepção de Azul é a cor mais quente.

Tudo isso foi explorado de forma brilhante na comercialização de Ninfomaníaca, através de teasers descontextualizados que faziam o filme parecer especialmente sórdido e uma série de posters hilários que parecem ter sido criados com o principal objetivo de provocar quem já estava propenso a ser provocado. Quem consegue enxergar um pouco abaixo da superfície e tem o conhecimento da posição do filme como última parte da “Trilogia da Depressão” (que inclui Anticristo e Melancolia), no entanto, já sabia o que fica claro logo no começo dessa primeira parte: Ninfomaníaca não é um filme pornográfico sobre ninfomania, do mesmo jeito que Anticristo não é um filme de terror sobre o anticristo e Melancolia não é um filme de ficção científica sobre o fim do mundo.

A narrativa segue duas linhas paralelas: Seligman (Stellan Skarsgård) encontra Joe (Charlotte Gainsboroug) desmaiada em um beco, após ter sido aparentemente espancada. Ele a leva para sua casa, onde ela começa a contar a história de sua ninfomania desde o começo, a fim de explicar como chegou até aquele ponto. Essas histórias são apresentados na forma de flashbacks (onde Joe é interpretada pela estreante Stacy Martin), em capítulos fechados com títulos em cartelas. Joe fala sobre a descoberta de sua sexualidade na infância, descreve sua relação com seu pai, narra uma pragmática perda de virgindidade com Jerôme (Shia Labeouf), um amante que ela parece fadada a reencontrar entre os diversos que tem durante sua vida, etc. Até aí, pode parecer que não há nada de muito revolucionário no filme.

A sinopse acima não chega perto de transmitir o jeito inspirado com que a história é contada, no entanto. O que faz da narrativa especial é o fato de Seligman constantemente interromper Joe, traçando paralelos entre as maneiras com que ela se relaciona com seus parceiros e os mais variados assuntos, como uma descrição bastante detalhada de técnicas de pescaria e o uso da sequência de Fibonacci em Bach, de forma que as relações entre os gêneros exploradas no filme ganham contornos filosóficos e analíticos. Ao mesmo tempo, Joe usa esses assuntos (e os objetos que vê na casa de Selig) para moldar sua narrativa, o que cria uma dinâmica complexa entre os dois personagens e abre espaço para que Von Trier utilize inúmeros artifícios formais para criar uma experiência sensorial rica e diversificada.

Praticamente toda digressão, por menor ou mais banal que seja, é acompanhada de alguma imagem. De uma forma ou de outra, estamos constantemente vendo o que é mencionado, como num documentário especialmente didático, o que cria um processo curiosamente poético e irônico. Isso não se limita a metáforas visuais – o filme também se utiliza da superimposição na tela de caracteres e símbolos em momentos importantes. Quando, por exemplo, Joe estaciona um carro com uma manobra perfeita numa vaga onde Jerôme não conseguia fazê-lo (emasculando-o no processo), os ângulos da baliza são sobrepostos ao plano em plongée absoluto. Como nos outros filmes da Trilogia da Depressão, há muito de Bergman e Tarkovski em Ninfomaníaca (a cartela do primeiro capítulo é um plano praticamente idêntico ao começo de Solaris), mas a constante inventividade visual lembra diretores como Alain Resnais e Peter Greenaway, especialmente no uso rítmico de split-screen no (fantástico) “último” capítulo.

Esses recursos, entre outras coisas, tornam o filme surpreendentemente engraçado. Na primeira metade, o humor negro chega em seu ápice no capítulo “Mrs. H,” que começa com Joe descrevendo a logística de manter dezenas de amantes (ela inventa um sistema onde utiliza um dado para decidir as respostas que dará ao telefone) e termina com Uma Thurman roubando a cena como a esposa abandonada quintessencial. Isso não impede que Lars dê uma guinada de tom radical logo em seguida, quando Joe encontra um livro de Poe na casa de Selig. A voz de Stellan Skarsgård lendo o trecho inicial de A queda da Casa de Usher serve como um augúrio fúnebre de um capítulo em preto-e-branco bastante depressivo que lida com a morte do pai de Joe (Christian Slater, relevante pela primeira vez desde o século passado).

Como em Anticristo, psicologia é uma grande parte da coisa toda. A sequência no tempo presente, que emoldura a história, pode (e deve) ser vista como uma longa sessão de terapia onde Charlotte Gainsboroug é a paciente. Ao contrário do que acontece em Anticristo, no entanto, o processo não é apresentado como algo nocivo. Seligman é quase o completo oposto do personagem de Willem Dafoe nesse sentido: ao invés de exercícios de eficiência duvidosa que fazem a paciente se embrenhar na própria dor, ele em geral ouve, colaborando de forma lúdica e ocasionalmente esclarecedora. Claro que esse é um dos elementos que pode dar uma guinada na segunda parte, mas, por enquanto, é quase como se o Lars tivesse finalmente encontrado um psicólogo que o entendesse e quisesse falar sobre isso.

De certa forma, os dois personagens parecem representar Lars Von Trier. Apesar de Joe estar contando a história, a forma como ela é contada só seria possível através da colaboração de ambos. É provável até que exista uma espécie de relação animus/anima rolando aí, mas esse é um caminho pelo qual eu não vou tentar me aventurar (leitores jungianos, considerem-se convidados a deixar comentários quando o filme estrear). Seja como for, Lars deixa claro que não está acima de rir de si mesmo: Joe se descreve como uma má pessoa que faz os outros sofrerem para seus próprios fins e Seligman é definido como um homem “feminino.” Há até uma referência hilária à recente polêmica com Hitler que a mídia ajudou todo mundo a entender errado: quando Joe ri do nome de Seligman, este diz que é um nome judeu, e conta que vem de uma família anti-zionista (que não é o mesmo que anti-semita, ele explica).

Há também uma possível camada metalinguística na relação entre os dois. Sob este ângulo, Joe seria o autor (antes de começar a história, ela adverte que esta será “longa e moral”) e Seligman, a plateia, interpretando as coisas a partir de suas próprias experiências e conhecimentos enquanto opina sobre o comportamento duvidoso dos personagens, censurando ou justificando conforme considera adequado. Em certo ponto ele inclusive interrompe a história para reclamar de uma suposta falta de verossimilhança, o que, além de inserir uma perspectiva de espectador, sugere a possibilidade de estarmos lidando com um narrador não-confiável. Resta esperar pela Parte 2 para saber se isso será explorado mais a fundo.

E aqui voltamos para o problema inicial.  Tudo é “possível” ou “provável” e talvez eu já tenha me alongado demais com pouca informação, enxergando as coisas de forma diferente da que elas realmente são, como o peixe que acredita que uma isca artificial é na verdade um inseto se debatendo na água. Por enquanto, ficamos com a confirmação do que já era esperado: Ninfomaníaca obviamente não é um filme pornográfico. Apesar de ter seus trechos explícitos, o sexo não é mostrado de forma sensual em nenhum momento, sendo usado na história para explorar temas familiares à obra recente de Lars Von Trier. Se alguma coisa ficou clara nessa primeira parte é o fato de Joe ter sérios problemas emocionais, utilizando-se do sexo como uma ferramenta para lidar com um grande vazio interno. Quando ela diz “preencha todos os meus buracos, por favor” ela não está falando (apenas) em termos físicos.

Avaliação: **** de *****

07 Jan 11:09

APOSTAS PARA 2014 - NACIONAIS E ESTRANGEIROS

by casmurros@yahoo.com.br
O ano pode ser novo, mas a tradição é antiga. A melhor maneira de começar o ano é falando da previsão de lançamentos das editoras nacionais e estrangeiras (por que não?). Afinal, ano bom é ano com muita novidade. Aposto que você acabou de voltar da praia e procurou o termo "lançamentos de ficção 2014" no Google.

Ano novo dificuldade velha. Todo mundo sabe que nossas editoras não costumam divulgar o cronograma de lançamentos do ano com muita antecedência. Por isso, estou listando abaixo um apanhado de livros que consegui apurar aqui e acolá. Tem o nome da editora e do autor - em alguns casos consta o título em português ou o título original já que a tradução deve estar em andamento. Não estou mencionando os autores que devem pintar na FLIP e sempre agitam lançamentos.

Vale lembrar que são previsões e as editoras podem alterar os cronogramas - assim como pode pintar uma nova onda, tipo "romances com vampiros, zumbis e anjos", "pornô leve para mulheres" etc. e lançamentos jorrem aos montes. Tudo pode acontecer.

Entre os lançamentos nacionais destaco a tradução de Infinite Jest, de David Foster Wallace que ficou nas mãos de Caetano Galindo e deve finalmente chegar às livrarias em bom português brasileiro (vamos falar muito do Foster Wallace). Na gringa, além de Lydia Davis e W.G. Sebald, fico com Hilda Hilst que deve tomar os anglófonos de assalto e arrebatar corações gelados.

Se alguém descobrir ou souber de algum outro lançamento e quiser contribuir, por favor, mande um sinal de fumaça. Prometo ficar de olho e atualizar a lista a medida que receber as informações.



-> COMPANHIA DAS LETRAS
Infinite Jest, de David Foster Wallace
A Hologram For The King, de Dave Eggers
Como se o mundo fosse um bom lugar, de Marçal Aquino
O lugar mais sombrio, de Milton Hatoum
Os mil outonos de Jacob de Zoet, de David Mitchell
Cloud Atlas, de David Mitchell
NW, de Zadie Smith
Middlesex, de Jeffrey Eugenides
Finn's Hotel, de James Joyce
Em busca do tempo perdido, de Marcel Proust (com tradução de Mario Sergio Conti)
Telegraph Avenue, de Michael Chabon
Esta valsa é minha, de Zelda Fitzgerald
Há garotos zigue-zague, de David Grossman
Um outro amor, de Karl Ove Knausgård
Tenth of December, de George Saunders
City on Fire, de Garth Risk Hallberg
Dias perfeitos, de Raphael Montes
Novos romances de Simone Campos e Chico Buarque (ainda sem título)
Lionel Asbo, de Martin Amis
Prosa, de Elizabeth Bishop
Milagre em Joaseiro, de Ralph Della Cava
Bom dia, camaradas, de Ondjaki
Entre amigos, de Amós Oz
Semíramis, de Ana Miranda
O caminho de ida, de Ricardo Piglia
O Brasil é bom, de André Sant’Anna
A tristeza do samurai, de Víctor del Árbol
A casa cai, de Marcelo Backes

-> GLOBO LIVROS (selo Biblioteca Azul)
Selected stories, de Alice Munro
Fugitiva, de Alice Munro
The View of Castle Rock, de Alice Munro
The Luminaries, de Eleanor Catton
The Lowland, de Jhumpa Lahiri
Tetralogio Rabbit, de John Updike (reedição)
Harvest, de Jim Crace (também haverá reedição de Being Dead e Quarentine)
We Need New Names, de NoViolet Bulawayo
Someone, de Alice McDermott
A redoma de vidro, de Sylvia Plath

-> INTRÍNSECA
A verdade sobre o caso Harry Quebert, de Joel Dicker

-> COSAC NAIFY
Mary Poppins, de P. L. Travers
O doente, de André Vianna 
Uns contos, de Ettore Bottini
Você vai voltar para mim e outros contos, de Bernardo Kucinski
K., de Bernardo Kucinski (reedição)
Formas de voltar para casa, de Alejandro Zambra
A desumanização, de Valter Hugo Mãe
Um, dois e já, de Inés Bortagaray
O fundo do céu, de Rodrigo Fresán
Primavera da pontuação, de Vitor Ramil

-> RECORD
L'Extraordinaire Voyage du Fakir qui Etait Resté Coincé dans une Armoire Ikea, de Romain Puértolas (em português deve chamar A extraordinária viagem do faquir que ficou preso dentro de um armário Ikea)
O professor, de Cristovão Tezza

-> ROCCO
O regresso, de Lúcia Bettencourt
Fogo-fátuo (título provisório), de Patrícia Melo
Os hungareses, de Suzana Montoro (reedição)
As mil mortes de César, de Max Mallmann
Chamado selvagem, de Jack London
F para Wells, de Antônio Xerxenesky

-> BERTRAND BRASIL
The Good Lord Bird, de James McBride
Reedição em novo projeto gráfico das obras de Ernest Hemingway: Adeus às armas, Por quem os sinos dobram, O sol também se levanta e Jardim do Éden.

-> ALFAGUARA
Emilio Fraia (seu primeiro romance solo ainda sem título)
Luzes de emergência se acenderão automaticamente, de Luisa Geisler (título provisório)
À noite andamos em círculos, de Daniel Alarcón
O senhor das moscas, de William Golding
A casa redonda, de Louise Erdrich
O descolorido Tsukuru Tazaki e seus anos de peregrinação, de Haruki Murakami
O bom soldado Svejk, de Jaroslav Hasek
Quarenta dias, de Maria Valéria

O país dos cegos e outras histórias, de H.G. Wells

-> EDITORA 34
Carmen, de Prosper Mérimée
A educação sentimental, de Gustave Flaubert

-> AMARYLIS
O bebê de Rosemary, de Ira Levin
Contos escolhidos, de Ivan Bunin

-> ILUMINURAS
Contos de amor de loucura e de morte, de Horacio Quiroga
Os desterrados, de Horacio Quiroga

-> LEYA
O tímido e as mulheres, de Pepetela

-> L&PM
Before I Burn, de Gaute Heivoll
Livros póstumos de Jack Kerouac: O mar é meu irmão, Pic e Some of the Dharma

-> RESERVA LITERÁRIA (coleção da Edusp e da Com-Arte)
Iluminados, de Ranulfo Prata
O feiticeiro, de Xavier Marques

-> BATEIA
Apenas o vento, de Vinicius Jatobá

-> ARTE & LETRA
O beijo de Schiller, de Cezar Tridapalli

-> PATUÁ
Nossa Teresa, de Micheliny Verunschk

-> HEDRA
A casa do fim mundo, de William Hope Hodgson
Caixa com a obra de Antonio Vieira
Diários de Adão e Eva e outras sátiras bíblicas, de Mark Twain
A raposa sombria ― uma lenda islandesa, de Sjón

-> NÃO EDITORA
Loja de conveniências, de Guilherme Smee

-> DUBLINENSE
Tarantata, de Cintia Lacroix

GRINGOS



Little Failure, de Gary Shteyngart
Orfeo, de Richard Powers
Leaving the Sea, de Ben Marcus
A Place in the Country, de W.G. Sebald (ensaios/ficção)
Bark, de Lorrie Moore
Kinder Than Solitude, de Yiyun Li
Every Day Is a Thief, de Teju Cole
The Brunists’ Day of Wrath, de Robert Coover
All Our Names, de Dinaw Mengestu
Falling Out of Time, de David Grossman
Sleep Donation, de Karen Russell
Can’t and Won’t, de Lydia Davis
Frog Music, de Emma Donoghue
The Snow Queen, de Michael Cunningham
Another Great Day at Sea: Life Aboard the USS George H.W. Bush, de Geoff Dyer
The Vacationers, de Emma Straub
To Rise Again at a Decent Hour, de Joshua Ferris
The Rise and Fall of Great Powers, de Tom Rachman
Last Stories and Other Stories, de William T. Vollmann
Colorless Tsukuru Tazaki and His Years of Pilgrimage, de Haruki Murakami
With My Dog Eyes, de Hilda Hilst (tradução de Com os meus olhos de cão)

*Imagem: reprodução.

06 Jan 10:33

The Universe in a Glass of Wine: Richard Feynman on How Everything Connects, Animated

by Maria Popova

The Great Explainer reminds us that our divisions of life are artificial and arbitrary.

In 1961, Caltech took a leap of faith and invited Richard Feynmanchampion of scientific culture, graphic novel hero, crusader for integrity, holder of the key to science — to teach the introductory course in physics. At the time, Feynman was a theoretical physicist with no particular interest in students — but he soon proved to be nothing short of an enchanter of the classroom. Feynman earned himself the moniker “the Great Explainer” and his lectures went on to become a cultural classic, blending brilliant yet accessible explanations of science with poignant meditations on life’s most profound questions. They were eventually collected in The Feynman Lectures on Physics (public library) — the same indispensable intellectual treat that gave us Feynman on the one sentence to be passed on to the next generation.

Among the most beautiful is the third lecture in the series, titled “The Relation of Physics to Other Sciences,” in which Feynman, eloquent and enthralling as ever, illustrates the connectedness of everything to everything else — or what poet Diane Ackerman memorably called “the plain everythingness of everything, in cahoots with the everythingness of everything else.”

In this lovely short film for PBS, Joe Hanson of It’s Okay to be Smart — whom I have previously called a Feynman of the Tumblr era — brings Feynman’s timeless wisdom to life in a mesmerizing montage. Transcript below.

A poet once said, “The whole universe is in a glass of wine.” We will probably never know in what sense he said that, for poets do not write to be understood. But it is true that if we look in glass of wine closely enough we see the entire universe. There are the things of physics: the twisting liquid which evaporates depending on the wind and weather, the reflections in the glass, and our imagination adds the atoms. The glass is a distillation of the earth’s rocks, and in its composition we see the secrets of the universe’s age, and the evolution of the stars. What strange array of chemicals are in the wine? How did they come to be? There are the ferments, the enzymes, the substrates, and the products. There in wine is found the great generalization: all life is fermentation. Nobody can discover the chemistry of wine without discovering the cause of much disease. How vivid is the claret, pressing its existence into the consciousness that watches it! If our small minds, for some convenience, divide this glass of wine, this universe, into parts — physics, biology, geology, astronomy, psychology, and so on — remember that nature does not know it! So let us put it all back together, not forgetting ultimately what it is for. Let us give one more final pleasure: drink it and forget it all!

The Feynman Lectures on Physics offers an abundance of more such illuminating insight and immutable truth on the interplay between science and everyday life. Complement it with Feynman on good, evil, and the Zen of science, his case for the universal responsibility of scientists, and his little-known drawings.

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03 Jan 12:04

Angela Bismarchi Só Para Baixinhos

by Thiago Pasqualotto
Você estava com saudades da Angela Bismarchi? Eu também não! Mas ela voltou!

Depois do hit "Alô galera de cowboy", Angel aposta agora no público infantil cantando funk pirigueti para as novinhas.


"Quando eu passo o povo STOP! Só pra ver meu REBUUULADO"


03 Jan 12:01

Watch the Trailer for Elijah Wood’s New Movie ‘Grand Piano’

by Kevin Pires

Elijah Wood’s new film Grand Piano has a strange, over-the-top concept: Wood’s character is a world-renowned concert pianist returning to the stage after a five-year hiatus. He’s also a known choke-artist prompting unbelievably high drama levels when he discovers that there’s a sniper trained on him and that if he plays a single wrong note, he’ll be killed. The straightforward conceit for the movie might just work. Check out the trailer for Grand Piano below, via Indiewire.