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O Brasil se considera uma nação boa e pacífica. Mas é só porque esqueceu ter sido a maior economia escravocrata de todos os tempos.
Muitas vezes, o sono tranquilo não é consciência limpa: é falta de memória.
“O melhor bife batido da cidade está na Lanchonete Doi-Codi!”
Senzalas eram lugares de morte, tortura, exploração. Por que associar seu restaurante a ISSO?
No coração do centro histórico de Paraty, cidade colonial construída com o sangue e o suor de muitos escravos, em pleno mês da consciência negra, acabou de ser inaugurado um novo restaurante:
Na Alemanha, pelo menos, não existe nenhum Restaurante Auschwitz.
Eles teriam vergonha.
As maravilhas do tráfico humano
Nesse cela, eram colocados para morrer de fome os escravos problemáticos. Elmina, uma maravilha da arquitetura colonial portuguesa!
Em 2009, Portugal promoveu um concurso para escolher as “7 Maravilhas de origem portuguesa do mundo“.
Dentre os vinte e sete indicados, muitos eram locais fortemente identificados com a escravidão, com a compra e com a venda, com a morte e com a tortura, com o desterro e com o desenraizamento de milhões de pessoas. Pessoas como eu e como você. Pessoas cujo sofrimento não deveria ser esquecido:
Por exemplo, o forte Elmina foi construído em 1482 para fazer ali o comércio de escravos, hoje abriga um museu onde os visitantes são convidados a visitar as celas onde os Africanos ficavam confinados antes de serem enviados para as Américas. No sítio da votação, encontra-se uma longa descrição do forte e nem sequer uma linha, uma palavra mencionando o tráfico de africanos escravizados. …
É como se Auschwitz participasse em uma eleição das sete maravilhas alemãs no mundo.
A feliz união das raças da maior democracia racial do mundo!!
Todos são iguais… mas um tem maior expectativa de vida que os outros. Adivinha qual?
Ninguém realmente deveria ficar surpreso. No mundo lusófono, o apagamento da memória da escravidão sempre foi a regra.
A grande maioria dos brasileiros aprende na escola que nosso lindo país foi construído por brancos, negros e índios, todos felizes, de mãos dadas e cantando kumbayá. Como se a colonização do Brasil tivesse sidoe um comercial da Benetton.
Para manter a mentira primordial no cerne do nosso mito de origem, a escravidão nunca é mostrada em seu verdadeiro horror:
Sim, alguns de nossos avós escravizaram nossos outros avós, mas, no fim das contas, eram todos bons amigos, os escravos eram muito bem tratados e, olha só, pelo menos nunca tivemos as leis racistas dos EUA! No Brasil, país bondoso e generoso, até a escravidão era a melhor do mundo!
(Aliás, não faz sentido falar em “escravidão melhor” mas, somente nos Estados Unidos, a população escrava tinha crescimento vegetativo, ou seja, aumentava e se reproduzia. No resto da Américas, a mortalidade era tão alta que, mesmo com os nascimentos, era preciso sempre importar novos escravos. O Brasil foi o maior importador de escravos de todos os tempos porque aqui, nessa terra tão bondosa e tão pacífica, era onde eles mais rapidamente morriam. Esse artigo clássico de Herbert S. Klein explora essas contradições.)
Somos tão legais hoje que nem parece que éramos tão escrotos ano retrasado!
Sim, vamos parar de falar de racismo! Afinal, essa tática tem dado tão certo no último século… (pra nós, brancos, claro!)
Somente um ano e meio depois de abolida, a escravidão já começava a ser sistematicamente lavada da memória nacional.
Escravidão e Holocausto, ensinados lado a lado
“Eu, Barack Obama, o 44º presidente eleito dos Estados Unidos, peço desculpas pela escravidão.”
Para muitos brasileiros, o bicho-papão racial são os Estados Unidos. Não podemos implementar cotas, pois senão “nos tornaríamos um Estados Unidos”; “temos muitos defeitos mas pelo menos não somos os Estados Unidos”, etc etc.
Pois eu morei lá e morei aqui, e estudei a fundo a história da escravidão nos dois países. Somos ambos profundamente racistas, mas o Brasil é pior por um motivo:
A cultura do deixa-disso. Por pensarmos que o não-falar sobre o racismo e a escravidão vai resolver por si só o problema.
Enquanto isso, o presidente norte-americano, em visita a Gana, um dos principais portos exportadores de escravos, afirmou que a escravidão, como o Holocausto, é daquelas coisas que não pode ser esquecida.
Homens que não entendem porque tanto alarde pelo câncer de útero
“Nunca esqueça! Nunca esqueça! Sai dessa, pô!”
Desconfie sempre de quem fala “sai dessa” quando o “essa” é algo que ele nunca experimentou.
Afinal, do ponto de vista de quem está bem acomodado e seco no convés do barco, não há motivo pra se debater tanto lá embaixo no mar só porque tem água entrando nos seus pulmões… SAI DESSA!
“Por que esses cadeirantes preguiçosos não deixam de se fazer de vítima e sobem as escadas como todo mundo, hein?”
A meritocracia do Brasil, em uma charge.
Pior ainda são aquelas pessoas (muitas negras) que são contra as cotas (e similares) argumentando que “nunca precisaram delas”.
E eu faço uma cara pensativa e respondo:
Concordo, claro, como não? E tem mais, também sou contra esse negócio de diálise em hospitais públicos e rampas para cadeirantes nos prédios.
Oras, se passei a vida inteira sem precisar de nenhuma dessas coisas, é porque não são tão importantes assim, certo?
Afinal, dado que eu sou o centro do universo e a medida de todas as coisas, as pessoas só deveriam receber o que eu recebi e as únicas necessidades válidas são as que eu também tenho!
Durante sete anos, morei em Nova Orleans, principal porto escravista norte-americano. Assim como o Rio de Janeiro, uma bela cidade, sexy e musical, turística e carismática, construída nas costas de escravos desesperados e agonizantes.
Um dia, enquanto passeava com meu cachorro pelo bairro universitário, uma soccer mom enfiava cuidadosamente seus quatro filhinhos, todos brancos e roliços, em seu jipão utilitário de luxo, também branco e roliço. Era uma senhora baixinha e gorducha, bochechas rosadas e orelhas de abano, carregando mochilas e merendeiras, parecendo dotada daquela infinita paciência que só uma mãe de quatro meninos pode ter. E, em seu para-choque traseiro, discretamente, estava o adesivo:
The South Will Rise Again (“O Sul se Erguerá Novamente”)
Como não se sentir ameaçado? Não conheço o contexto dessas palavras. Por tudo que sei, é um inocente desejo de revitalizar a economia local. Mas, ainda assim, nenhuma racionalização poderia apagar o meu calafrio ao ler aquela frase; nenhuma explicação lógica faria aquele adesivo soar menos sinistro. De certo modo, era como se o ressurgimento do Sul fosse indistinguível e indissociável do reescravizamento de toda uma raça.
E pensei: o Brasil foi tão ou mais escravista do que o Sul dos Estados Unidos, e resistiu por muito mais tempo até libertar seus escravos. Ainda mais doloroso pra mim, dos nove únicos deputados que tiveram a cara-de-pau e a temeridade de votar contra a Lei Áurea em pleno maio de 1888, já na véspera do século XX e na contra-mão de todos os ventos filosóficos do XIX, oito eram do Rio de Janeiro. Legítimos representantes eleitos do meu estado.
Entretanto, não ficamos nem o Rio e nem o Brasil maculados por essa nódoa. Um adesivo “O Brasil Crescerá” despertaria calafrios? Claro que não. Nem o Paraguai tem medo do Brasil. E concluí, aliviado: ainda bem que pelo menos o bom nome do meu país e do meu estado não estão ligados à escravidão.
Um segundo depois, bateu o estranhamento: mas… por que não?
A falta de calafrios não corresponde à falta de crimes. O Sul dos EUA teve, no Norte, um vizinho incômodo que manteve viva a memória de seus crimes. Já em nosso caso, simplesmente varremos nossos crimes para debaixo do tapete.
Não somos mais virtuosos: somos melhores em esconder o corpo.
(Ao contrário do que muita gente pensa, a Abolição não foi um “presente da monarquia”, mas uma lei disputada voto a voto no Parlamento, somente sancionada pelo Poder Executivo, naquele momento representado pela Princesa Isabel. Mais detalhes nesse meu rascunho de uma História da Abolição.)
“Shoah”, um documentário impossível
“Shoah”, o fim da viagem.
Shoah é uma palavra íidiche que significa “calamidade”. Para muitas pessoas, é um termo preferível à Holocausto – que, afinal, significa “oferenda aos deuses”.
“Shoah” também dá título a uma das grandes obras de arte, de qualquer arte, do século vinte, realizado pelo boy-toy de Simone Bouvoir, Claude Lanzmann.
São nove horas de filme, sem nenhuma imagem de arquivo: são somente depoimentos, e depoimentos, e depoimentos. Lanzmann entrevista três tipos de pessoa: sobreviventes, algozes (oficiais de campos de concentração) e testemunhas (poloneses que moravam perto dos campos).
Com os sobreviventes, Lanzmann é implacável. Ele praticamente os obriga a falar:
“Não foi uma crueldade fazê-las reviver, através da fala, tudo o que sofreram, no caso dos judeus. Era absolutamente necessário. Não acho que tenha sido sádico, mas fraternal. Durante as entrevistas, eu toco suas mãos, seus ombros, seus braços. Uma forma de dizer ‘eu estou com você’. Não faço interrogatórios para que alguém se diga culpado. Eles sofrem. Mas eu também sofro. Eu não os torturei. Eles se sentiram liberados. Eu não estava falando com uma pessoa qualquer, mas com um grupo muito especial de sobreviventes – e não há mais do que um punhado deles no mundo”.
Abaixo, talvez a cena mais emocionante no filme. O barbeiro não consegue falar, mas Lanzmann pressiona (em inglês):
Link YouTube | “Shoah”, e a impossibilidade de lembrar
“Shoah” é um filme de insuportáveis silêncios: das nove horas de filme, cinco horas e meia são de puro silêncio. Diz Lanzmann:
“Não é uma reconstituição, não é uma ficção, não é um documentário. O filme é uma ressurreição, uma reencarnação, tem uma arquitetura, uma construção em torno de uma obsessão pessoal. Eu fazia sempre as mesmas perguntas, geralmente referentes à primeira vez. E não tinha nenhuma intenção de acusar, denunciar, culpar. Nada disso, isso não me interessava.
Houve uma decisão consciente de fazer um filme sobre o presente, e não sobre o passado:
“O pior dos crimes, ao mesmo tempo de ordem moral e artística, quando se quer consagrar uma obra ao Holocausto, é considerá-lo como passado. Meu filme é uma anti-lenda, um contra-mito, vale dizer, uma investigação sobre o presente do Holocausto ou, ao menos, sobre um passado cujas cicatrizes estão ainda tão fresca e vivamente inscritas nos lugares e nas consciências que ele se dá a ver numa alucinante intemporalidade. … Os homens e as mulheres que falam diante da câmera dão sempre a impressão de não estarem contando lembranças, mas de as viverem mesmo, com força e clareza, no presente. … Enquanto fazia o filme, a distância entre o presente e o passado foi totalmente abolida. Em Treblinka só havia pedras, filmei as pedras como um louco, por todos os lados. Quando o espectador vê as pedras de Treblinka, ele vê os judeus sendo mortos. Da mesma maneira que quando o trem chega a Treblinka o espectador vê a tabuleta com o nome do campo exatamente como os judeus que iam para morte deviam ver. É um ato de cinema muito violento. Por isso o filme é fundamentalmente uma invenção, não uma lembrança. … O filme é sobretudo uma ressurreição, as pessoas entrevistadas revivem aquele tempo de tal maneira que, quando falam, até alternam os tempos dos verbos – presente e passado. … No filme, quando as pessoas falam, confundem presente e passado. Na mesma fala, dizem: eu estava lá e pouco depois: eu estou lá.”
Mais do que tudo, é um filme sobre a impossibilidade de recordar, de conceber, de articular o Mal:
Comecei precisamente com a impossibilidade de recontar essa história. Situei essa impossibilidade bem no início do meu trabalho. Quando comecei o filme, tive que lidar, por um lado, com o desaparecimento dos vestígios: não havia coisa alguma, absolutamente nada, e eu tinha que fazer um filme a partir desse nada. E por outro lado tive que lidar com a impossibilidade, até mesmo dos próprios sobreviventes, de contar essa história; a impossibilidade de falar, a dificuldade que pode ser vista ao longo do filme de trazer luz e a impossibilidade de nomear: seu caráter inominável.
Para celebrar os 30 anos de sua estréia, “Shoah” está sendo lançado em DVD pelo Instituto Moreira Salles. Recomendo nos mais enfáticos termos.
Segundo Mills, o racismo seria um sistema político e uma estrutura de poder baseados em um Contrato Social (na verdade, um Contrato Racial) no qual os membros da raça dominante formariam um acordo tácito de, ao mesmo tempo em que garantem para si a maior parte das riquezas/oportunidades/etc da sociedade, também consentem em não ver o próprio sistema, criando assim a “alucinação consensual” de um mundo sem raças, meritocrático e igualitário, que passa a mediar sua interpretação da realidade.
Raça, para eles, sera invisível porque o mundo seria estruturado em função deles; eles seriam a norma em oposição a qual seriam medidas as pessoas de outras raças (“esses outros tem raça, não eu!”). Assim como o peixe não vê a água, os membros da raça dominante não veriam o racismo.
Mills também embarca em uma comparação perigosa, mas praticamente inevitável, entre o racismo e o Holocausto.
Visto de fora pelos não-europeus, que sabem na pele que a civilização européia se baseia em praticar barbarismo fora da Eueropa, o Holocausto não representaria “uma anomalia transcendental no desenvolvimento do Ocidente”, mas, pelo contrário, sua unicidade estaria apenas no aplicação do Contrato Racial contra europeus.
Ao colocar o Holocausto no contínuo cultural de outras políticas exterminatórias colonialistas européias, Mills não deseja negar o seu horror, mas somente sua singularidade histórica.
Tudo o que o nazismo tinha de operacional já vinha sendo aplicado, legitimado, tolerado, negado e esquecido pelos europeus há muitos séculos: a maior transgressão de Hitler seria aplicar contra europeus métodos que antes eram aplicados exclusivamente contra árabes, negros e índios.
A própria percepção do Holocausto, de um horror tão fora de escala e colocado num plano moral muito diferente de todos os outros massacres de não-europeus por toda a história, seria evidência da força ideológica do Contrato Racial.
Além disso, ao narrar o racismo como uma invenção aberrante de figuras como Gobineau e Goebbels, o Holocausto presta à intelligentsia européia do pós-guerra um importante serviço: sanitizou seu passado racial.
Link YouTube | “Nação do Medo”, legendado, completo, um filmaço de ficção científica.
Por fim, Mills cita o romance de ficção científica “A Nação do Medo” (Fatherland), que mostra um futuro alternativo onde os nazistas ganharam a guerra e nunca existiu a memória do Holocausto.
Na verdade, aponta Mills, nós JÁ vivemos nesse mundo não-alternativo: a única diferença é que os vencedores foram outros, mas eles também apagaram a memória dos massacres que cometeram, esvaziando sua importância e subtraindo seu ultraje.
Nos Estados Unidos, a cidade de Williamsburg oferece uma janela ao passado. Em troca do passe diário de US$36, o visitante passa o dia em uma “autêntica” vila colonial, onde tudo é como antigamente (menos os banheiros!), todos estão vestidos à caráter, em roupas de época, falando em vocabulário antigo, essas coisas. É um dos destinos turísticos e educacionais mais famosos do país.
Entretanto, sempre foi criticado por apresentar uma versão muito fácil, sanitizada e maniqueísta da história. Mais do que tudo, cadê os escravos? Afinal, na época da colônia, os Estados Unidos tinham escravidão e metade da população de Williamburg era negra.
Hoje em dia, o parque faz um esforço consciente (e polêmico, claro) para retratar a escravidão: além de incluir mais atores negros, criou-se também um “passeio” chamado Enslaving Virginia (“Escravizando a Virgínia”) especificamente sobre os horrores da escravidão.
Deve ser horrível mesmo: vários atores negros já se recusaram a interpretar os escravos (por considerar muito humilhante), as crianças choram tanto que foram criadas sessões explicativas posteriores para enfatizar que era tudo faz-de-conta e já aconteceu de visitantes interromperem o passeio para “salvar os escravos”.
Melhor assim. Preferível ser repelido por um simulacro do horror que nos gerou do que fingir que ele nunca existiu.
Encenação da escravidão à brasileira
O guia do engenho, vestido de escravo, se oferece para ser chicoteado pelos turistas.
E no Brasil?
Vassouras, no estado do Rio de Janeiro, já foi uma das cidades mais ricas do país, no centro da região que produzia a mais importante riqueza nacional: café. Hoje, é uma cidadezinha de vinte mil habitantes, que vive dos turistas que atrai com seus palacetes e fazendas coloniais – algumas com polêmicas encenações históricas.
Na fazenda São João da Prosperidade, há cinco gerações com a mesma família, a proprietária recebe os turistas vestida de sinhá e suas empregadas, de escravas:
Da janela, aponta a senzala: “Tenho 300 escravos” orgulha-se, voz impostada e dedo em riste. De repente, entra correndo pela varanda uma negrinha com remendos de algodão e cabelos presos em tranças. A menina, de apenas seis anos, se agarra à barra da saia da sinhá, põe o dedo polegar na boca e fixa os olhos nos visitantes. Basta um gesto da sinhazinha para que a pequena escrava abaixe a cabeça e saia da sala. “Não vê que estou com visitas?” – esbraveja a senhora. A menina vai brincar no alambique. Pouco depois, uma mucama adentra o salão, sob ordens de servir café aos convidados. (fonte)
Em uma fazenda próxima, Cachoeira Grande, que eu visitei agora em novembro, são só os empregados que estão vestidos à caráter: os proprietários se vestem e falam como se estivessem no século vinte.
Mais para o norte, na Zona da Mata de Pernambuco, o engenho Uruaé também encena a escravidão:
Vestido como “escravo da casa”, o jovem guia mostra o “quarto da sinhazinha” e explica a genealogia da família proprietária do engenho através dos retratos na parede. Na senzala, que chegou a ter 300 escravos de uma vez, ele coloca uma peça de ferro no pescoço e anuncia, sorridente: “Quem era moreno como eu era aqui”. O mais constrangedor vem depois, do lado de fora: o guia se amarra no tronco e pede que um voluntário simule açoitá-lo. Foi difícil arranjar alguém disposto a interpretar o papel. (fonte)
O engenho Uruaé também está na mesma família há sete gerações. Durante a visita, a proprietária afirma:
“A gente tem mais é que se orgulhar dos nossos que vieram antes. Nós ainda não fizemos nada.”
Fui só eu que achei esse “ainda” um pouco sinistro? O que essa senhora ainda está planejando fazer, meu Deus? Re-escravizar todo mundo?
Mas isso é implicância minha. A raiz filosófica do problema é outra:
Como retratar os horrores do passado?
Qual é a medida certa do horror?
As encenações históricas da escravidão nas fazendas coloniais parecem não agradar ninguém.
Por um lado, argumenta-se que elas não são horríveis o suficiente. Que encenam somente os aspectos mais, digamos, reprodutíveis da escravidão, aqueles por definição mais doces e inofensivos. Que perpetuam a ideia de que a escravidão era somente uma forma de trabalho entre tantas outras.
Afinal, se a escravidão é algo que uma doméstica contemporânea pode reproduzir, se a escravidão se resumia a se vestir de branco e trazer café pra uma mulher que você chama de “sinhá”, bem, então não era tão ruim assim, né? (Ou talvez ser empregada doméstica é que é horrível demais, mas não entremos nisso.)
Por outro lado, argumenta-se que são horríveis demais. Que mesmo doces e meigas, ainda mais quando encenadas pelos descendentes das vítimas, são sempre humilhantes:
Outros, no entanto, não sabem como reagir diante da interação realista dos ‘escravos’, que circulam vestidos em pobre algodão e, não raro, se curvam para obedecer às ordens da sinhazinha. “Será que esta criança tem idéia do que está fazendo? Ela ainda não tem idade para entender e pode ficar com a idéia de que deve se comportar como escrava, de que isso é normal” – indigna-se uma visitante paulistana, depois de recusar um copo d’água servido pela ‘mucama’.
Já o historiador Milton Teixeira, que trabalha como guia de turismo nas fazendas do café, defende a prática:
Não é degradante representar um escravo. Se o turista se sente incomodado, muito bem. O passado de escravidão tem de incomodar bastante, e não deve ser esquecido. … Ora, representações são feitas em toda parte do mundo. Na Europa, tem famílias pré-históricas; nos Estados Unidos, há simulação das batalhas da Guerra de Secessão, e, aqui no Brasil, é natural que haja uma encenação com escravos. Muito pior seria querer mostrar que não houve escravidão. (fonte)
Não deixa de ser simbólico que muitas dessas fazendas ainda estejam nas mãos das mesmas famílias. Ontem, lucraram nos ombros de seus escravos plantando cana ou café. Hoje, a mesma família continua lucrando nos ombos dos descendentes dos escravos, agora reduzidos a guias de turismo que reproduzem para turistas curiosos o horror da vida de seus avós.
Como escreveu o historiador e jornalista Fabiano Maisonnave, para a Folha:
De forma explícita ou não, as visitas aos engenhos transformam esses verdadeiros campos de concentração numa bufonaria, diluindo um dos piores crimes da humanidade, principal responsável pela imenso fosso social brasileiro, em um exemplo acabado do “racismo cordial”. A escravidão é exaltada, a casa-grande, absolvida, e a cana-de-açúcar, revalorizada como “energia renovável”, se torna bênção econômica do passado e do presente.
Mas como reproduzir de forma correta e didática o verdadeiro horror da escravidão? Como mostrar os corpos jovens mas enfraquecidos e fragilizados pelo criminoso excesso de trabalho? Como mostrar as marcas da tortura? Como mostrar as frequentes mutilações causadas pelo machete durante o corte da cana ou pelas engrenagens dos engenhos durante a moagem? Como mostrar as feridas emocionais de famílias desfeitas e de vidas sem esperança? Como mostrar os escravos revoltosos que davam e tiravam vidas para não voltarem ao cativeiro?
Será possível mesmo começar a quantificar esse horror? Quem dirá reproduzi-lo?
Existem encenações históricas em Auchwitz? O que o mundo pensaria de ver sorridentes atores descendentes de arianos brincando de depositar chorosos descendentes de judeus dentro dos fornos? Mas é só mentirinha, gente! É educacional!
Holocausto reencenado na Polônia. Grande idéia. Só que não.
(Na verdade, como o instinto humano da burrice é inesgotável, já houve tentativas de encenar o holocausto, como essa aqui na Polônia. Muitas vezes, dá merda e acaba em processo, como dessa vez no Texas.)
Escravidão: essa pica é nossa!
A escravidão africana nas Américas foi talvez a maior tragédia da Era Moderna.
Estima-se que cerca de 11 milhões de pessoas tenham sido transportadas à força da África para a América.
(Outras estimativas mais agressivas calculam que cerca de 40 a 75 milhões de vidas africanas tenham sido perdidas por causa do tráfico, entre mortos em guerras para obter escravos, em emboscadas para capturar escravos, ou em marchas forçadas para os portos exportadores de escravos no litoral.)
Dentre as muitas nações responsáveis por esse lucrativo e criminoso tráfico, os maiores culpados são os portugueses.
Dentre os muitos portos brasileiros que receberam essa massa humana desgraçada, o principal foi o Rio de Janeiro. (Dos nove deputados que votaram contra a Lei Áurea, vamos lembrar, oito eram da província do Rio.)
Além disso, quem inventou esse lucrativo e terrível modelo de negócios foram os próprios portugueses – não por acaso, os primeiros homens brancos a explorar sistematicamente a África. Em 1441, Antão Gonçalves teve a dúbia honra de se tornar o primeiro europeu a comprar e trazer para casa escravos africanos.
Depois disso, a história se desenrolou rapidamente, comprovando o tino comercial dos portugueses: já em 1452, arrancaram do Papa uma bula autorizando-os formalmente à escravizar os infiéis; em meados de 1470, estavam comerciando escravos no golfo do Benim e no delta do rio Níger; e, finalmente, em 1482, construíram a Fortaleza de São Jorge da Mina, em Gana, que em 2009 seria indicada candidata a “maravilha de origem portuguesa do mundo”.
(Por si só, a escravidão é mais antiga que andar pra frente. Todos os povos de todos os continentes de todas as épocas já tiveram algum tipo de escravidão, mas quase sempre cerimonial e economicamente insignificante. A escravidão africana nas Américas é um novo tipo de fenômeno humano porque, pela primeira vez, temos nações economicamente dependentes de milhões de escravos que compõem muitas vezes a maior parte de suas populações.)
Por fim, muitos e muitos séculos depois, no outro extremo dessa triste história, a última nação das Américas a abolir essa escravidão africana inventada pelos portugueses, a nação que mais teimosamente se agarrou aos seus escravos até o último minuto possível, foi justamente a nação gerada do ventre português: o Brasil. Nós.
De um modo bem real e doloroso, é difícil evitar a conclusão que esse enorme crime contra a humanidade é, em grande parte, uma responsabilidade lusófona e, dentro disso, brasileira. (E, mais especificamente ainda, e não que os outros estados sejam inocentes, carioca e fluminense.)
Passei seis meses na Alemanha durante a década de noventa. Mesmo cinquenta anos depois da Segunda Guerra, mesmo entre meus amigos adolescentes cujos pais nem eram nascidos durante a guerra, basta uma menção a nazismo, Holocausto ou Auschwitz para fazê-los abaixar a cabeça em silêncio, envergonhados, culpados, tristes.
Nós, brasileiros, se tivéssemos vergonha na cara, se tivéssemos um pouco mais de memória, faríamos a mesma coisa ao ouvir menções a senzala, navio-negreiro, escravidão.
Essa pica é nossa.
Cais do Valongo, o elevador de serviço do século XIX
Desembarque de escravos no Cais do Valongo, pintado por Rugendas em 1835.
No Rio de Janeiro, o principal porto de desembarque de escravos foi o Cais do Valongo. Estima-se que, entre 1758 e 1843, tenham chegado por ele quase um milhão de pessoas. (897.748, segundo o The Transatlantic Slave Trade Database.)
Provando que não foi de repente que nos tornamos o povo que faz subir pelo elevador de serviço a doméstica que faz o nosso serviço sujo, em 1770 o desembarque de escravos é proibido no porto principal da cidade (onde hoje fica a Praça XV e o Paço Imperial) e transferido exclusivamente para o distante Valongo.
Afinal, quando se está chegando de um grand tour pela Europa, a última coisa que se quer ver é um escravo nu agonizando no cais perto de você! Pelo amor de Deus!
Por fim, em 1843, cada vez mais envergonhado com a escravidão que lhe pagava as contas, o Império desativa e aterra o Cais do Valongo, construindo por cima dele o elegante Cais da Imperatriz.
E fim de história. Assim esqueceu-se o Valongo. Afinal, nós nem cremos que escravos outrora tenha havido em tão nobre país!
Uma escavação arqueológica em pleno centro do Rio de Janeiro.
Fast-forward para o presente. Em meio a um frenesi de obras para preparar o Rio de Janeiro para a Copa e para os Jogos Olímpicos, a prefeitura acabou de descobrir e desencavar o Cais do Valongo em pleno centro da cidade.
Agora reformado e reembalado para turistas (“são nossas ruínas romanas!“, disse o empolgado prefeito), o Cais do Valongo foi inserido no recém-criadoCircuito Histórico e Arqueológico da Celebração da Herança Africana, ao lado de outras atrações como a Pedra do Sal, o Cemitério dos Pretos Novos (onde eram enterradas as vítimas da travessia atlântica) e os Jardins Suspensos do Valongo, esses últimos uma das coisas mais lindas e surpreendentes que já vi nessa cidade. (Veja o mapinha abaixo.)
O recém-criado Circuito Histórico e Arqueológico da Celebração da Herança Africana, no Rio de Janeiro.
Mas que não seja só um espaço para turista tirar fotos.
O que falta ao Brasil e ao Rio de Janeiro, e o que esse circuito histórico pode começar a timidamente fornecer, é uma verdadeira compreensão dos horrores que engendramos, um pálido retrato do terror que aconteceu (e ainda acontece) debaixo dos nossos olhos, nesse nosso chão, na nossa senzala, no nosso quartinho de empregadas.
O texto que você está lendo só existe porque calhei de visitar o Cais do Valongo no dia seguinte de assistir “Shoah”.
O Cais do Valongo, hoje, aberto à visitação pública.
É possível quantificar o horror?
O Holocausto perpetrado pelos alemães matou cerca de seis milhões de judeus, um terço de todos os judeus no mundo. Além de incontáveis milhões de outras pessoas.
Não é minha intenção negar nem suavizar esse horror.
Mas não foi nem de longe o único horror perpetrado por europeus em sua longa história de horrores.
É impossível visitar lugares de tortura e morte como Auschwitz, Treblinka, Sobibor sem uma atitude de respeito e reflexão, sem pensar na memória das centenas de milhares de pessoas que sofreram ali.
Mas por que nós, brasileiros, não temos a mesma atitude ao visitar uma senzala, o Pelourinho (onde os escravos eram castigados publicamente) ou o Cais do Valongo?
Auschwitz matou 1,1 milhão de pessoas, Treblinka, 900 mil, Sobibor, 200 mil.
Enquanto isso, o Brasil recebeu 4 milhões de escravos, sendo que um milhão só pelo Cais do Valongo, logo ali, no centro do Rio.
Quem consegue compreender a enormidade desses números? Quem consegue quantificar tamanho sofrimento?
O passado é presente
Por isso, ali de pé diante do Cais do Valongo, um dia depois de assistir “Shoah”, eu tentei esquecer os números e somente imaginar como teria sido a experiência individual, una, indivisível, de pisar em terra firme ali, naquelas pedras, naquele chão.
Imagino que fui arrancado de minha família e de tudo que conheci; que atravessei o oceano cercado de pessoas agonizantes em um navio infecto; que não pude trazer uma roupa, um livro, nenhum objeto pessoal; que não sabia se jamais veria minha terra; que estava condenado a um castigo literalmente e potencialmente infinito, pois a escravidão não seria apenas minha, mas sim herdada por todos os meus descendentes até o fim dos tempos.
Imagino que o Rio de Janeiro, para mim, escravo recém-chegado, era um lugar desconhecido e cheio de horrores. Era o porto onde meus companheiros mais fracos vinham morrer. Era o chão onde começava a escravidão do meu corpo. Era minha primeira experiência nesse novo mundo onde seria cativo e explorado.
Imagino então que hoje o Rio de Janeiro continua sendo um lugar de horror para os meus descendentes, que são ao mesmo tempo a maior parte das vítimas de assassinato e também a maior parte da população carcerária, e ainda têm que ouvir que racismo não existe no Brasil.
Tudo isso aconteceu ontem, e continua acontecendo hoje. O passado, como uma pedra jogada no lago, cria ondas concêntricas na água e repercute no presente. O passado é o presente.
As cotas raciais são necessárias hoje não para corrigir as injustiças históricas do passado, mas para corrigir as injustiças cotidianas de hoje. As cotas raciais são necessárias porque hoje a Polícia Militar não invade do mesmo jeito a cobertura do descendente do escravista e o barraco do descendente do escravo.
O que fica claro é que não dá pra pensar nesses fenômenos como se pertencessem a universos tão diferentes assim. Não faz sentido chorar assistindo A Lista de Schindler e depois ir espairecer tomando o milkshake do Senzala.
A escravidão deixa marcas. Na pele. Na história. Em nós.
Hey art geeks! Shawn Coss, who has done most of our recent shirt designs has a facebook page where he posts his (occasionally terrifying) art. Check it out!
We’ve all become pretty attached to our cellular devices: it’s a GPS, a camera, a game console, a social media portal… and half a million other things, all in our pocket! From concerts to meals to our pets, we process and experience the world through our phone. But as we see in so many mobile phone ads, the representations of these moments (whether its instagrams, foursquare check ins or Facebook shares) seem to be taking over and replacing the experience itself. In this brave new world is the mobile phone a tool, or a filter through which we experience a new reality?
Foursquare is all about helping you make the most of where you are. One of the things we’ve learned is that people use the app to do this in two ways – deciding where to go, and deciding what to do when they get there. With today’s update on Android, we’re making both experiences better.
If you’re looking for a place to go, you’ll notice that Foursquare now shows you the most important stuff up front, like the rating, the address, and things like hours, the menu, and a phone number. And there are big, swipeable photos at the top to help you get a sense of what it’s like. It’s the all the information you need to help you make your decision.
If you’re already checked in at a place, we want to help you have the best experience possible. So, we show things like who else is there, popular tips (to make sure you order right), and an easy way for you to leave a tip or rate the place.
I know this isn’t super geeky, but since the weekend is here, and I’m totally cooking a batch of those today, (along with some Poutine, for the main course) I thought you guys probably wouldn’t mind too much about me sharing this picture with you.
If you want to try your hand at baking some of these amazing giant Oreo-stuffed chocolate chip cookies, bakeralla.com has more details about how to create what has to be the most delicious-looking cookies I’ve ever seen. Om nom nom nom.
Méier. Suas ruas, suas belezas naturais, suas atrações culturais, seu transporte sua gente. Se não fosse por tudo citado anteriormente, o Méier seria um bairro tão perfeito quanto Realengo, que é para mim, um exemplo a ser seguido pelos demais bairros do Rio de Janeiro.… Continuar lendo
Riding a bicycle at night is a bit dangerous, but electronics blogger Jenna DeBoisblanc shows off how to build a system that includes turn signals, a strobe light, speedometer, and brake lights to keep you safe. More »
Acreditamos que, apesar de todas as evoluções do site desde que iniciamos na nossa primeira fase, ainda estamos longe de tudo que podemos fazer para melhorar o compartilhamento e expansão da experiência dos gamers. Seguindo neste caminho, trazemos mais novidades para a rede, e também trazemos um guia do que está por vir para este ano. Aqueles que nos acompanham desde maio/junho estão vendo um ritmo contínuo de evoluções da rede. Durante todo esse período, tem sido um prazer muito grande trabalhar no que queremos que seja o canal definitivo para que a personalidade gamer de todos nós possa se expressar. Fazemos cada novo recurso, cada tela, com o maior carinho do mundo, e temos recebido um número imenso de feedbacks positivos e estímulos da comunidade. Isso nos deixa muito animados para continuar melhorando – e podem contar que iremos.
Sem mais delongas, vamos às novidades:
Upgrade na Timeline
Nossa querida timeline passou por uma leve repaginada. Subimos os botões de interação de “Vida” e “Compartilhar” para o topo da história, agora em forma de ícones. Quando você tiver interagido com a história, o ícone relativo ficará colorido. Também simplificamos a leitura do total de feedbacks que a ela recebeu: simplesmente exibimos um número, também no topo da história, com o total de vidas, comentários e compartilhamentos que ela teve. Ao clicá-lo, exibiremos quem fez cada ação.
A outra novidade é uma das mais pedidas desde que apresentamos a timeline: agora é possível dar vidas para comentários.
Esperamos que gostem tanto quanto gostamos.
Nova interface da timeline
Badges
Você já teve, em um determinado momento, a postagem mais popular da história da Alvanista? Jogou quase todos os jogos da franquia Final Fantasy? Finalizou centenas de jogos?
Decidimos presentear os jogadores que realizaram grandes feitos com medalhas, com graduações diferentes, de acordo com a dificuldade de tal feito. Pretendemos, e iremos, aumentar gradativamente a quantidade de medalhas disponíveis. Também estamos tornando público o seu “XP”, que é um resumo de todas as suas contribuições para a rede. Conforme você vai contribuindo, você vai ganhando XP e seu nível vai aumentando. Mas acho que não precisamos explicar esse conceito para vocês, né? :]
Os jogadores com maior nível serão sempre listados com prioridade perante os outros.
Nova página de Avaliações
Achávamos que a nossa página de avaliações dos usuários estava um pouco “morta”. Na tentativa de a deixar mais atrativa e funcional, estamos agora ordenando as avaliações primeiro pelas críticas, e também estamos apresentando as capas dos jogos avaliados. Além disso, exibimos uma frase relativa à nota para tentar resumir o sentimento do usuário com aquele jogo. Confira abaixo como ficou:
Nova tela de Avaliações
Futuro
Para as próximas atualizações, pretendemos fazer o seguinte:
Aumentar a variação de medalhas disponíveis
Cadastro de Screenshots pelos usuários
Melhorar o compartilhamento das histórias no Facebook/Twitter.
Aplicativo mobile (iOS/Android) para Check-in.
Além disso, sempre traremos algumas melhorias e correções das funcionalidades já existentes. Também devemos trazer algumas novidades não citadas acima.
This one is for all you programmers out there. If you’ve spent at least a little amount of time writing code in your life, I’m sure you’ll agree that this comic represents reality quite well.
Hoje é o Dia Nacional do Doador Voluntário de Sangue. Essa é uma ideia que sempre apoiei e que acho que todos nós deveríamos ajudar.
Seja um doador de sangue.
E não se preocupe se você não tem tempo para doar, porque ao doar você ganha meio período de folga no trabalho…
Programador: Oi, eu vim doar sangue…
Atendente: Desculpe, mas não estamos recebendo sangue de programadores aqui… Agora tem um banco de sangue específico…
Programador: Ué, mas por quê?
Atendente: Não ficou sabendo do acidente que teve quando injetaram o sangue de um programador em uma pessoa normal?
Notícia no jornal: Homem morre após receber café na veia
Programador: PLOFT!
–
Camiseta: Doe sangue! Algo de bom você tem para doar
(I am waiting on my mom to get out of her doctor’s appointment. I overhear a conversation between a 17-year-old patient and the doctor.)
Patient: “WHAT DO YOU MEAN I MIGHT BE PREGNANT?!”
Doctor: “Well, ma’am, you said you haven’t been having your period, and you have been having sex with your boyfriend, so it is highly possible.”
Patient: “But I’m a lesbian! I can’t get pregnant!”
Doctor: “Oh? I apologize. I thought you said you had a boyfriend. Well then, we should try other tests. And I apologize to you and your girlfriend.”
Patient: “Ew, what? I do have a boyfriend! Why would I date a girl?”
Doctor: “Then you aren’t a lesbian. And you are probably pregnant.”
Patient: “I am a lesbian! My mom told my boyfriend and I that she wished I was a lesbian so I wouldn’t get pregnant. My boyfriend and I decided that I was a lesbian, so mom wouldn’t have to worry.”
Doctor: “Miss, that is not how it works, and not what she meant.”
Patient: “Screw you! I know my mom better then you do. You just lost a patient since you don’t even know lesbians can’t get pregnant!” *storms out*
If you have access to a dead computer power supply you can use the case, power switch, wiring, and power port along with a 5v lead acid battery and a landscaping lamp bulb to create a rechargeable lantern. More »
Dinheiro não traz felicidade, é verdade, mas às vezes a diferença entre ter ou não ter algumas dificuldades na vida é de apenas alguns trocados. E às vezes também é verdade, ao menos em partes, aquela máxima que alguns gurus financeiros desmentem para nos confortar: é preciso ter dinheiro para ganhar dinheiro.
Mas como proceder quando há dificuldades e não há dinheiro que se possa usar para fazer mais dinheiro e superar as dificuldades? Geralmente, o único caminho é um empréstimo.
Aí o pobre trabalhador que não tem amigos ou família com grana para emprestar vai lá tirar dinheiro do banco e depois se fode a 6% de juros. Porque é o único jeito, afinal.
O vídeo acima é do site Kiva.org, e dá um bom exemplo do que eu queria explicar.
Pedro é um fazendeiro na Bolívia. Ele tem duas vacas que o ajudam a arar a terra, mas então uma dessas vacas morre. Com isso, ele começa a ter muita dificuldade em manter a produção, o que naturalmente faz com que ganhe menos dinheiro.
Exatamente quando ele precisa de mais dinheiro, passa a ganhar menos — graças ao próprio problema que ele precisa de mais dinheiro para resolver. Não há saída sem um empréstimo.
Só que o empréstimo com uma grande instituição financeira também não é uma boa opção. Ele vai voltar a ganhar o que ganhava antes, mas agora terá um empréstimo pra pagar.
Isso quando o empréstimo sequer está acessível, o que não é o caso de famílias de renda muito baixa.
Querendo resolver esse tipo de problema, surgiram instituições de microcrédito. Empréstimos pequenos, a juros bem menores e com métodos alternativos de cobrança. Só que essas iniciativas também têm seu próprio problema: de onde eles vão tirar dinheiro suficiente para emprestar a todos que precisam?
É aqui que você pode entrar
Esses dias conheci o já citado Kiva.org. É uma daquelas ideias geniais que me dão orgulho de fazer parte da raça humana.
Tão simples que não preciso de muito mais do que um parágrafo para explicar: as pessoas, coletivamente, que têm alguma grana sobrando (mesmo que pouca) e alguma vontade de ajudar podem emprestar quantias pequenas através do site. Juntas, essas quantias pequenas somam os montantes necessários para resolver os problemas de pessoas como o Pedro fictício da Bolívia, e também como a Liana da Armênia, o Ali do Líbano e centenas de outras.
Por ser um empréstimo sem participação de grandes instituições que visam lucro, os juros para quem pede o dinheiro são infinitamente menores. Esse fato, somado ao fato de que as pessoas que pedem empréstimo através do Kiva geralmente o fazem realmente com o intuito de resolver algum problema e melhorar sua renda, faz com a inadimplência seja quase inexistente.
Assim, os emprestadores recebem seu dinheiro de volta — e geralmente fazem outro empréstimo, em vez de resgatá-lo de volta, já que ajudar alguém em necessidade é uma das melhores sensações que existem.
Lembra daquela vez que você precisava muito de R$ 2000? Imagina que dezenas de pessoas fizeram uma vaquinha, cada uma dando 25 ou 50 Reais, para levantar o dinheiro para você. Não teria sido incrível? O Kiva faz isso pelas pessoas. Eu acho incrível.
"Is it possible to build a jetpack using downward firing machine guns?”
—Rob B
I was sort of surprised to find that the answer was yes! But to really do it right, you’ll want to talk to the Russians.
The principle here is pretty simple. If you fire a bullet forward, the recoil pushes you back. So if you fire downward, the recoil should push you up.
The first question we have to answer is “can a gun even lift its own weight?” If a machine gun weighs ten pounds but only produces eight pounds of recoil when firing, it won’t be able to lift itself off the ground, let alone lift itself plus a person.
In the engineering world, the ratio between a craft’s thrust and the weight is called, appropriately, thrust-to-weight ratio. If it’s less than 1, the vehicle can’t lift off. The Saturn V had a takeoff thrust-to-weight ratio of about 1.5.
Despite growing up in the South, I'm not really a firearms expert, so to help answer this question, I got in touch with an acquaintence in Texas. (Judging by the amount of ammunition they had lying around their house ready to measure and weigh for me, Texas has apparently become some kind of Mad Max-esque post-apocalyptic war zone.)
As it turns out, the AK-47 has a thrust-to-weight ratio of around two. This means if you stood it on end and somehow taped down the trigger (Note: Please, PLEASE do not try this at home) it would rise into the air while firing.
This isn’t true of all machine guns. The M60, for example, probably can’t produce enough recoil to lift itself off the ground.
The amount of thrust created by a rocket (or firing machine gun) depends on (1) how much mass it’s throwing out behind it, and (2) how fast it’s throwing it. Thrust is the product of these two amounts:
\[\text{Thrust}=\text{Mass ejection rate}\times\text{Speed of ejection}\]
If an AK-47 fires ten 8g bullets per second at 715 meters per second, its thrust is:
\[10\tfrac{\text{bullets}}{\text{second}}\times8\tfrac{\text{grams}}{\text{bullet}}\times715\tfrac{\text{meters}}{\text{second}}=57.2\text{ N}\approx13\text{ pounds of force}\]
Since the AK-47 weighs only 10.5 pounds when loaded, it will be able to take off and accelerate upward.
In practice, the actual thrust turns out to be up to around 30% higher. The reason for this is that the gun isn’t just spitting out bullets—it’s also spitting out hot gas and explosive debris. The amount of extra force this adds varies by gun and cartridge.
The overall efficiency also depends on whether you eject the shell casings out of the vehicle or carry them with you. I asked my Texan acquaintences if they could weigh some shell casings for my calculations, but for a while they couldn't find a scale anywhere in the house. I helpfully suggested that given the size of their arsenal, really they just need to find someone else who owned a scale. (Ideally someone with less ammo.)
So what does all this mean for our jetpack?
Well, the AK-47 can take off, but it clearly doesn’t have the thrust to spare to lift anything weighing much more than a squirrel.
We can try multiple guns. If you fire two guns at the ground, it creates twice the thrust. If each gun can lift five pounds more than their own weight, two can lift ten.
At this point, it’s clear where we’re headed:
If we add enough rifles, the weight of the passenger becomes irrelevant. it’s spread over so many of them that they don’t notice. As the number of rifles increases, since it’s effectively many individual rifles flying in parallel, the craft’s thrust-to-weight ratio approaches that of a single, unburdened rifle:
But there’s a problem: Ammunition.
An AK-47 magazine holds 30 rounds. At ten per second, we’ll get a measly three seconds of acceleration. We can improve this with a larger magazine—but only up to a point.
It turns out there’s no advantage to carrying more than about 250 rounds of ammunition. The reason for this is a fundamental and central problem in rocket science: Fuel makes you heavier.
Each bullet weighs 8 grams, and the cartridge (the “whole bullet”) weighs over 16 grams. If we add more than about 250 rounds, the AK-47 is too heavy to take off.
This suggests our optimal craft comprises a large number of AK-47s (a minimum of 25 but ideally at least 300) carrying 250 rounds of ammunition each. The largest versions of this craft could accelerate upward to vertical speeds approaching 100 meters per second, climbing over half a kilometer into the air. (If you want to work through the math on that in more detail, there’s a good primer here.)
So we’ve answered Rob’s question. With enough machine guns, you could fly.
But our 500xAK-47 rig is clearly not a practical jetpack. Can we do better?
My Texas friends suggested a series of machine guns, and I ran the numbers on each one. Some did pretty well; the MG-42, a heavier machine gun, had a marginally higher thrust-to-weight ratio than the AK-47.
Then we went bigger.
The GAU-8 Avenger fires up to sixty one-pound bullets a second. It produces almost five tons of recoil force, which is crazy considering that it’s mounted in a type of plane (the A-10 “Warthog”) whose two engines produce only four tons of thrust each. If you put two of them in one aircraft, and fired both guns forward while opening up the throttle, the guns would win and you’d accelerate backward.
To put it another way: If I mounted a GAU-8 on my car, put the car in neutral, and started firing backward from a standstill, I would be breaking the interstate speed limit in less than three seconds.
As good as this gun would be as a rocket pack engine, the Russians built one that would work even better. The Gryazev-Shipunov GSh-6-30 weighs half as much as the GAU-8 and has an even higher fire rate. Its thrust-to-weight ratio approaches 40, which means if you pointed one at the ground and fired, not only would it take off in a rapidly expanding spray of deadly metal fragments, but you would experience 40 gees of acceleration.
This is way too much. In fact, even when it was firmly mounted in an aircraft, the acceleration was a problem:
[T]he recoil … still had a tendency to inflict damage on the aircraft. The rate of fire was reduced to 4,000 rounds a minute but it didn't help much. Landing lights almost always broke after firing … Firing more than about 30 rounds in a burst was asking for trouble from overheating …
But if you somehow braced the human rider, made the craft strong enough to survive the acceleration, wrapped it in an aerodynamic shell, and made sure it was adequately cooled ...
Imagine se descobrissem que a masturbação é a causa de várias mortes inexplicáveis tornando do dia pra noite o ato de se dar prazer em um crime contra a humanidade.
É isso que propõe esse curta de humor francês, confira.
(The customer at the front of the queue is talking loudly on their phone, and ignores me when I ask what they want. I decide to ask the person behind them for their order.)
Customer #1: “Excuse me! I’m at the front. You serve me before him!”
Me: I’m very sorry, sir. You were on your phone. What can I get you?”
Customer #1: “Jesus! Stop interrupting me, can’t you see I’m talking to someone?” *continues conversation*
Customer #2:*quietly, to me* “Follow my lead.” *then, very clearly, at normal speaking volume* “Clap once if you can hear me.”
(Claps.)
Customer #2: “Clap twice if you can hear me.”
(Claps twice, with me and the person behind him joining in.)
Customer #2: “Clap three times if you can hear me.”
(Three claps, more of the queue and the people sat at a nearby table have joined in – most of the other people in the shop have stopped talking to see what the clapping is about.)
Customer #2: “Clap four times if you can hear me.”
(Most of the people in the shop clap along with him, with the person on the phone struggling to hear what’s being said by their friend.)
Customer #2: “Clap five times if you can hear me.”
(Everyone claps, and Customer #1 hangs up, looking angry.)
Customer #1: “How dare you interr—”
Customer #2: “Clap six times if you can hear me.”
(Everyone, except the now fuming phone guy, claps.)
Customer #2: “Oh, good. You seem to have finished your call. Why don’t you place your order now?”
(Customer #1 stutters for a few seconds, then storms out, mashing at his phone.)
Customer #2: “Oh, well. That was fun.”
(He got his drink for free, and now we always use that to shut up customers on their phones!)
Que tal carregar seu celular ou iPod com as suas pedaladas? A ideia está num projeto que prevê a criação de 30 bicicletas para aluguel em Nova York com dispositivo para o usuário carregar a bateria de seus gadgets. Os criadores...
(At the gas station where I work, all electronic payment methods are currently offline. To combat this, we have numerous 8×11 signs that say “DEBIT AND CREDIT DOWN! CASH ONLY PLEASE!” A customer comes in to pay for gas and pulls out his credit card.)
Me: “Sorry, that card isn’t going to work. Our debit and credit systems are down.”
Customer: “Well why aren’t there any signs telling me this?”
Me: “There are three signs on every gas pump, including the one you were on. There are four on the door you opened to get in here. There are two on the counter that you currently have your hands on, and there are four more on the glass window I’m currently talking to you through.”
(The customer goes silent, realizing that he’s just missed seeing 13 signs. This happens five more times in the next 20 minutes with other customers, so I’m forced to resort to going on the intercom with every gas customer after that. Before allowing them to get fuel, I ask if they are paying with cash, with an alarming number of people all saying ‘No’, with one notable exception.)
Me:*over the intercom* “Pump number 4, are you paying with cash?”
Customer: “Yes, I can read the signs all over the pumps.” *laughs*
Me: “Ha ha, nice! Apparently most people can’t. ”
Customer: “Oh, I know. I’ve worked with the public before. I get scared sharing the road with these people!”
Quem se regojiza com a criatividade humana explícita na rede já pode apertar os cintos que está entrando no ar mais uma coleção bombástica de gambiarras insofismáveis para o seu bel-prazer: