
Dedicated to Molly! Happy 21st birthday, Molly!!
You may remember Molly from my cartoon for her 16th birthday.

Dedicated to Molly! Happy 21st birthday, Molly!!
You may remember Molly from my cartoon for her 16th birthday.
Com o advento dos iPods e dos tocadores de MP3 para carros, uma coletânea de músicas pra pegar estrada se tornou irrelevante – a não ser que você vá pegar 40 minutos de estrada, o que, convenhamos, não é nada. Paulistanos passam mais tempo dentro do carro para ir à padaria e na banca de jornal. E você sabe que eu estou falando a verdade, porque eu comecei o parágrafo usando a frase “com o advento…” – que todos sabemos, é reservada aos grandes veículos de comunicação e profissionais da mídia. Seriedade, galera.
Meu ponto é: não importa se você vai ficar cinco horas parado no trânsito da Rio-Lagos ou se vai atravessar a Transamazônica de bike. Você vai precisar de alguns discos para tornar essa jornada mais agradável, transformando horas de paisagens repetidas em um inédito road movie particular e exclusivo. Essas são minhas sugestões.
Five Leaves Left
Nick Drake
Desde que eu comecei a me abster de atividades aéreas e abraçar mais o espírito das estradas, esse também acabou se tornando involuntariamente o meu disco de dormir. Obviamente, não tem nada a ver com o disco ser chato, apesar de, sim, ser lento, baixo, acústico, devagarzinho e low-key, em geral. Mas é mais coisa que isso, é o estado em que o disco me deixa. Sem dúvida que é um disco triste, tem altas letras de suicida, mas também tem no geral um tom meio confortável de despedida, fim de noite, coisas acabando, fases acabando. E não é tão bad vibe quanto pode parecer superficialmente, hoje em dia acho até que o subtexto da parada é meio de resolução e até um pouco de esperança. E é um disco cheio de paisagens, letra com imagens claras de amanhecer, anoitecer. Funciona. Por isso eu durmo no ônibus enquanto “gonna see the river man”, ou quando “the night is cold, some get by but some get old just to show life’s not made of gold. When the night is cold.” Recomendo que todos tenham esse disco no iPod praquelas viagens de ônibus madrugada adentro. Recomendo um pouco menos se você estiver dirigindo.
Three hours from sundown…
The Band
The Band
Pra mim não existe mais pegar estrada sem ter um disco da The Band no iPod, mesmo que eu acabe não ouvindo. Esse é o mais claramente pronto pra ser curtido do banco do carona, janela aberta, braço pra fora, cinza de cigarro voando pra tudo que é lado… Ideal para ser começado a 10 minutos do pôr do sol, pra “The Night They Drove Old Dixie Down” inaugurar a noite, “Jemima Surrender” deixar todo mundo acordado, e “King Harvest” te imbuir da liberdade do campo e de revolta contra a opressão industrialista das cidades. Tem guitarras com twang caipira, pianinhos chorosos e falsetes fantasmagóricos pontuando a solidão da estrada vazia na madrugada, blues acelerados que te mantém na expectativa de pegar a saída errada da Dutra e ir parar na Louisiana.
The night they drove old Dixie down and the people were singing, they went…
Night Beat
Sam Cooke
Apesar do nome, “Night Beat” funciona bem ainda no meio pro final da tarde. O soul rockeiro de Sam Cooke desliza sobre a perigosa linha que pode tornar uma tarde ensolarada mais clara, mas pode fazer de uma madrugada chuvosa desesperadora. Os primeiros versos do disco explicam bem a dicotomia: “I’m lost and looking for my baby” às 16h20 significa pegar a estrada sem rumo, procurando um novo amor, escrever novas histórias… “I’m lost and looking for my baby” às 4h20 significa que você está ficando um pouco louco e psicopata de solidão, e resolveu pegar o carro no meio da madrugada pra stalkear a janela da sua ex-namorada. Mesmo verso, sentimentos diferentes. Sam Cooke é gênio, mesmo não sendo ele o compositor da grande maioria das canções do disco, é o cara que dá sentido definitivo àquelas palavras. Apesar de ser de 1963, “Night Beat” ainda tem aquela vibe cinquentista do Sam Cooke que faz todos os romances parecerem com o baile do colégio dos pais do Marty McFly no primeiro “De Volta para o Futuro”. E pra completar, o disco ainda tem um moleque de 16 anos destruindo no órgão. O nome dele? Billy Preston.
I’m lost and I’m looking for my baby, lord knows my baby ain’t around
Band on the Run
Paul McCartney & Wings
Os primeiros acordes de “Band on the Run” definem a minha ideia de um começo de viagem tranquilo, e o próprio andamento da música tem cara de carro saindo do lugar, primeira marcha, segunda marcha, vem a ponte e o carro começa a acelerar de verdade, “if I ever get out of here”. E aí quando o refrão explode, é bom você já ter cruzado as ruas necessárias pra sair do seu bairro e alcançar o começo da estrada. Você tem exatos dois minutos. Sobrevivendo a esses primeiros dois minutos e chegando na estrada, sua jornada tem garantidos 40 minutos de good vibes, acelerando em “Jet”, relaxando pra ver a paisagem em “Bluebird”, batendo cabeça em “Mrs. Vanderbilt”, descansando de novo com “Let Me Roll It”… Um disco pra te manter atento e aquecer o coração sem tomar toda a sua atenção, dando espaço pras cores na janela e pro vento no rosto.
I can’t tell you how I feel, my heart is like a wheel
Blood on the Tracks
Bob Dylan
O disco óbvio de estrada do Dylan seria o “Highway 61 Revisited” – a estrada tá no título, afinal. Até o “Bringing It All Back Home” poderia disputar esse título, com seus blues de guitarra elétrica, tem até uma música chamada “On the Road again”! Mas o “Blood on the Tracks” é pra mim o disco definitivo de estrada do Bob Dylan – além de um dos meus favoritos, em geral. É um dos discos mais confessionais do Dylan, pura dor de corno pela mulher perdida, e por isso mesmo, um disco cheio de idas e vindas, cidades e estradas. “You’re Gonna Make Me Lonesome When You Go” ajuda a dilacerar qualquer coração partido pós-despedida, evite se forem essas as condições de sua viagem. “If you see her, say hello” também tem espírito de viagem, e praticamente te incumbe de dar um alô pra mina do Dylan se vocês se esbarrarem eventualmente.
If you see her, say hello. She might be in Tangiers…
The Coast Is Never Clear
Beulah
Esse é um dos discos que acabou se tornando disco de viagem por acaso, apesar da vibe ser bem clara. Baixei ele na época que saiu, quando eu ainda morava em Nova Iguaçu e fazia faculdade de cinema no Rio. Tinha gravado num CD-R, e depois passado pra uma fitinha cassete, que eu carregava no walkman no ônibus pra faculdade todo dia de manhã. Ser indie é (era) isso aí! Mas voltando ao disco, é uma onda claramente verão, apesar das letras exacerbadamente irônicas e ligeiramente perturbadas. O resto são guitarrinhas inofensivas cobertas com corinhos e metais ensolarados, um trompetinho malandro permeando quase todo o disco. “Popular Mechanics for Lovers” e “Hey Brother” vão fazer você pegar a primeira saída em direção à praia.
I heard he wrote you a song. But so what? Some guy wrote sixty-nine…
Clube da Esquina
Milton Nascimento e Lô Borges
Pra começar, o disco tem uma música chamada “Paisagem da janela”. Tudo bem que é a janela lateral do quarto de dormir, mas quem garante que esse quarto de dormir não é um vagão-quarto num trem azul de doido? Pelo menos é assim que eu imagino sempre que chega nesse momento do disco na estrada. O importante mesmo é se sentir um cavaleiro marginal desbravando as estradas e banhando-se em ribeirões, vivendo mistérios sem querer descanso nem dominical. Ainda tem “Um Girassol da Cor do seu Cabelo”, que a última vez que eu vi tocar num carro cheio, todo mundo imediatamente começou a olhar pela janela com cara de reflexão. Minas Gerais tem espaço e estrada pra caralho, afinal.
Mensageiro natural de coisas naturais
E mais 3 Menções Honrosas…
- Celeste Carballo – Me Vuelvo Cada Dia Mas Loca
- Simon & Garfunkel – Bookends
- Hyldon – Na Rua, na Chuva, na Fazenda…




Recently The Gordon Parks Foundation discovered over 70 unpublished photographs by Parks at the bottom of an old storage box wrapped in paper and marked as “Segregation Series.” These never before series of images not only give us a glimpse into the everyday life of African Americans during the 50′s but are also in full color, something that is uncommon for photographs from that era.
Rafa Spoladore ΨOi.