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02 Mar 02:45

O Facebook e Olavo de Carvalho: rede social será refém de milícias criminosas?

by giinternet
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Pena que ele não se aßeßorou melhor neßa área.

Olavo de Carvalho: alvo das falanges fascistoides do ódio

Olavo de Carvalho: alvo das falanges fascistoides do ódio

Nem o Vladimir Putin nem as hostes do ódio me deixam quieto, no Carnaval, entre o silêncio da montanha e o marulho. Entro no meu e-mail e lá está uma mensagem de Olavo de Carvalho, que me foi enviada, e a outros amigos seus, ontem, dia 28 de fevereiro. Reproduzo. Volto em seguida.

Prezado Reinaldo,

Tão logo o deputado Marco Feliciano denunciou na Câmara a campanha de assassinato de reputação que eu vinha sofrendo (vídeo aqui), a militância do crime, decerto mobilizada por alguma Excelência em pânico, mudou de tática e passou a tentar bloquear a minha conta no Facebook para que, diante do assalto multitudinário à minha pessoa e à minha honra, não me restasse nem mesmo este miserável e último recurso de defesa que é espernear na internet.

O ardil consiste simplesmente em entrar na minha conta desde um IP qualquer que não seja o meu, acionando automaticamente o Facebook para que bloqueie a conta e inicie um procedimento de verificação.

Tentaram isso ontem usando um IP registrado numa cidade da Índia.

Como eu consegui restaurar a conta, aperfeiçoaram o sistema. Fornecem ao Facebook, não sei como, um número de telefone falso ou imaginário (hoje foi +33 7 87 16 56 82), de modo que o código para restauração da conta é enviado a esse número e não chega jamais a mim. Assim, torna-se impossível reativar o acesso à minha página.

A coisa é de uma sordidez que desafia a imaginação. Se quer saber, nem mesmo me surpreende que apelem a esse recurso, ou talvez, mais tarde, a outros mais abjetos ainda. A mentalidade dessa gente faria os porcos vomitarem, se lhes fosse servida no cocho.

Ainda não sei bem o que fazer diante desse descalabro, mas creio que solicitar um inquérito à Polícia Federal não seria má ideia. Tentarei fazer isso.

Se você puder divulgar o episódio pela sua coluna, ficarei grato. Estou pedindo o mesmo a outros articulistas.

Obrigado desde já e um abraço do

Olavo

Retorno
Posso divulgar, é claro!, e peço que vocês multipliquem a denúncia. Escrevi outro dia na Folha que esperar que um esquerdista seja ao menos factualmente honesto é malhar em ferro frio — ou ele seria outra coisa. Não se deve, pois, esperar que seja moralmente honesto.

A questão agora é saber se o Facebook vai se tornar refém dessas milícias.

02 Mar 00:58

Ukraine Is Hopeless … but Not Serious

by David P. Goldman

There isn’t going to be a war over Ukraine. There isn’t even going to be a crisis over Ukraine. We will perform our ritual war-dance and excoriate the Evil Emperor, and the result would be the same if we had sung “100 Bottles of Beer on the Wall” on a road trip to Kalamazoo. Worry about something really scary, like Iran.

Ukraine isn’t a country: it’s a Frankenstein monster composed of pieces of dead empires, stitched together by Stalin. It has never had a government in the Western sense of the term after the collapse of the Soviet Union gave it independence, just the equivalent of the family offices for one predatory oligarch after another–including the “Gas Princess,” Yulia Tymoshenko. It has a per capital income of $3,300 per year, about the same as Egypt and Syria, and less than a tenth of the European average. The whole market capitalization of its stock exchange is worth less than the Disney Company. It’s a basket case that claims to need $35 billion to survive the next two years. Money talks and bullshit walks. Who wants to ask the American taxpayer for $35 billion for Ukraine, one of the most corrupt economies on earth? How about $5 billion? Secretary of State Kerry is talking about $1 billion in loan guarantees, and the Europeans are talking a similar amount. That’s not diplomacy. It’s a clown show.

Ukraine’s revolution is odd, even by recent standards. The deposed premier Viktor Yanukovych won the 2010 presidential election against Yulia Tymoshenko, after Tymoshenko’s “Orange Revolution” regime made a ghastly mess of everything. Yanukovich made matters worse. Clearly a lot of Ukrainians got together at Maidan square, ranging from democratic idealists to rent-a-mob demonstrators paid by Ukrainian oligarchs to the sort of hoodlums who think the other side should have won the Second World War. What sort of regime do we have now? As CNN reported Feb. 27, there is

Arseniy Yatseniuk, 39, named as Prime Minister and a practiced politician who has been the chief opposition voice at Maidan Square. While closely associated with former Prime Minister Yulia Tymoshenko — who was freed from prison in the wake of last week’s protests — he can at least do business with the West and talk tough with hard-nosed IMF suits. A realist, on Wednesday he warned that the new government will need to invoke some very unpopular decisions, given the dire state of the economy. “We are a team of people with a suicide wish — welcome to hell,” he said.

Ukraine’s economy is close to Egypt’s in per capital GDP, and its governance is similar: desperately poor people can’t make it through the day without government subsidies, especially for energy. The oligarchs have looted the country so that it has to borrow money from foreigners to maintain the subsidies, leaving Ukraine with $137 billion in foreign debt, and a need to borrow an additional $20 billion a year. Putin offered just under $20 billion in cash and subsidies, and Yanukovych accepted his offer. The alternative was maybe $15 billion from the IMF provided that Ukraine cut subsidies first. Yanukovych, who is neither a Ukrainian patriot nor a Russian stooge, but a man on the make, decided he couldn’t sell the austerity package. That’s why he went with Russia. For the demonstrators at Maidan square, staying in the Russian orbit meant more of the same misery. Some of them decided they would rather die than live that way, which is perfectly understandable. But what precisely to they expect to get from the Europeans, let alone the U.S.? Finding $35 billion of taxpayers’ money has a vanishingly small probability.

Putin bungled things badly: he thought a bailout would solve the problem. That blew up in his face. The West bungled things badly: it has a $35 billion bill on its desk and no intention of paying it. John McCain went to Maidan in December and said the American people were with the Ukrainian demonstrators. He meant in spirit, not in their capacity as taxpayers. The Ukrainian opposition didn’t bungle so much as take a collective bungee jump without a cord. Just what do they propose to do now?

28 Feb 23:19

Barroso e o terrorista. E a confissão de ignorância sobre direito penal

by giinternet

“O Novo Direito Constitucional Brasileiro”, o livro de Roberto Barroso, havia me deixado de cabelo em pé, como escrevi. Lá ele discorre sobre o caso Cesare Battisti. Publiquei então um post a respeito, que merece ser revisitado.

O ministro é adepto de um tal “neoconstitucionalismo”. Já conversei com alguns especialistas. Ninguém consegue explicar direito que estrovenga é essa. Uma definição possível para ela seria “Novo Arbítrio das Luzes”, que poderia ser assim caracterizado: um grupo de supostos iluminados, considerando-se dotado de uma razão superior, acha que pode ignorar as leis democraticamente pactuadas para fazer justiça. Assim, em vez de valer o que está escrito nos códigos, vale o que faz “avançar a luta”. Mas qual? De quem? Ora, de quem outorga a si mesmo o poder para ignorar a lei. Entenderam?

Já expus algumas coisas que o doutor andou pensando sobre temas que patrocinou na Corte, como a liberação do aborto de anencéfalos e a união civil entre homossexuais. Mas não vou repisar argumentos. Quero aqui tratar de outro assunto, sobre o qual ele discorre em seu livro: a sua saga para manter no Brasil o terrorista italiano Cesare Battisti. Transcreverei trechos, alguns realmente surpreendentes, um tanto estupefacientes até. A partir da página 510, ele recorre ao estilo da crônica ligeira para contar “O que ninguém ficou sabendo”. A partir de agora, tudo o que aparecer em vermelho é extraído do livro. Meus comentários seguem em preto. Barroso tenta demonstrar, vejam vocês, que teve de enfrentar o preconceito da imprensa… Vamos lá.

Nem tudo o que aconteceu, de bom e de ruim, eu posso contar ainda. Mas a condução do caso foi uma experiência de vida. A começar pelas visitas periódicas à Papuda. Por não ser um advogado criminal, idas a penitenciárias e delegacias nunca fizeram parte da minha rotina. Mas certamente faz parte de uma vida completa no Direito. E ali se tem a confirmação de que é possível conservar a dignidade, mesmo nas condições mais indignas. De parte isso, a convivência com a adorável escritora francesa Fred Vargas, sua irmã Jo e com um conjunto de pessoas idealistas e despojadas que apoiavam a causa trouxe-me particular proveito ao espírito. Entre essas pessoas, merece destaque a figura singular do Senador Eduardo Suplicy, um homem de bem e de espírito elevado, que vive em uma dimensão ligeiramente diferente das demais pessoas. O jornalista Mário Sergio Conti, na época diretor-geral da Revista Piauí, foi um interlocutor de primeira linha em diversos momentos importantes e, por mais de uma vez, prestou a mim e ao Cesare valiosa ajuda na relação com a imprensa. Na Papuda, o Delegado da Polícia Civil do Distrito Federal Márcio Marquez de Freitas e os agentes policiais Adelmo Rodrigues da Conceição Junior, Hélio Augusto de Oliveira Rezende, Ismar Santos Resende e Roberto Carlos Chagas Rodrigues, com extrema civilidade, tomaram nossa vida melhor e mais fácil.

Também foi uma experiência dura, mas um grande aprendizado, trabalhar em um caso com a totalidade da imprensa contra. Não era fácil contar a história real nem divulgar notícias favoráveis. Por exemplo: quando o Procurador-Geral da República, Dr. Antônio Fernando de Souza, após a concessão do refúgio, deu um parecer favorável, pedindo a extinção do processo de extradição, nenhum veículo fez do fato uma notícia importante. Como era. Diante da falta de espaço na parte noticiosa dos jornais e revistas, escrevi inúmeros artigos para a página de opinião de diversos jornais, como a Folha de S.Paulo, O Globo, Correio Brasiliense, Blog do Noblat, Consultor Jurídico e Migalhas. Merval Pereira, de O Globo, a despeito de sua posição pessoal contrária à causa, abriu espaço na coluna para a apresentação dos argumentos de defesa. Com um importante jornalista, de um influente veículo, mantive o seguinte diálogo: “Cesare Battisti jamais foi acusado ou condenado por terrorismo. Sua qualificação como terrorista é errada e se insere na propaganda depreciativa da Itália”. Respondeu-me ele: “Mas essa posição faz parte da linha editorial do nosso veículo”. Um tanto perplexo, procurei argumentar: “Essa não é uma questão de linha editorial. É um fato. E fatos devem ser noticiados de maneira correta”. De longa data acho isso: as pessoas têm direito a sua própria opinião, mas não aos próprios fatos. A esse propósito, e por justiça, registro que Felipe Recondo, do Estado de S.Paulo, fez a cobertura que separou, da maneira mais própria, o que era opinião do que era a divulgação de fatos. E Rodrigo Haidar, do Consultor Jurídico, é quem faz uma das melhores coberturas do Supremo Tribunal Federal da imprensa brasileira. Em anexo a esse texto, publico uma matéria dele sobre o caso. Narro três episódios a seguir.

Comento
1: Começo pela concordância. Também acho que Eduardo Suplicy transita numa dimensão diferente da de outras pessoas… O que me diferencia de muita gente é considerar que o que parece sincera ingenuidade é método.

2: Notem que doutor Barroso tem ideias muito precisas sobre a imprensa. Sim, claro, ele defende a “liberdade de opinião”, desde que os fatos registrados estejam corretos. Cabe a pergunta: no caso de alguém achar que os fatos estão “errados”, deve-se fazer o quê? Os que defendem o Conselho Federal de Jornalismo e o controle social da mídia dizem querer impedir a “distorção dos fatos”. Quem é o juiz, doutor? Qual é o tribunal?

3: Notem que, segundo Barroso, a “totalidade da imprensa” estava contra. É mesmo? Não obstante, ele conta com a colaboração de um jornalista, Mário Sérgio Conti — que era diretor da revista Piauí (???) —, que, nas suas palavras, prestou “valiosa ajuda na relação com a imprensa” a ele próprio e ao terrorista Battisti.

4: A imprensa estava tão hostil que o doutor confessa — fruto, suponho, da “valiosa ajuda” — ter publicado “inúmeros artigos” na Folha, Correio Braziliense, Consultor Jurídico, Blog do Noblat e Migalhas. Merval, importante colunista do Globo, abriu espaço para os argumentos de defesa. Há os agradecimentos a Felipe Recondo, do Estadão (é muito justo que o advogado de Battisti o faça, noto desde logo)… Que diabo, então, de imprensa “hostil” é essa? Até quem, como Merval, era sensatamente contra o refúgio ao terrorista lhe concedeu espaço.

5: Parabenizo a eficiência de Barroso e de Conti. De fato, a partir de certo momento, a imprensa parou de chamar o terrorista de “terrorista”. No dia 27 de junho de 2011, observei neste blog:
“Vocês se lembram quantas vezes reclamei aqui do fato de a imprensa brasileira, com raras exceções, chamar Cesare Battisti de “ativista”. Até brinquei: “Vai ver os passivistas são aqueles que ele matou…”. Os mais finórios iam ainda mais longe: Battisti seria um “ex-ativista”. O delinqüente raramente é chamado por aquilo que é: um terrorista”.

6: Vejam que coisa… O futuro ministro do Supremo faz crônica ligeira, quase amorosa, de um fato que levou a Corte ao ridículo, que a pôs de joelhos. O STF considerou refúgio ilegal, mas atribuiu ao presidente a formalidade de expulsar Battisti. Era a quadratura do círculo. Lula decidiu que ele ficaria. Logo, ficava, então, contra a lei. Assim, o que o Supremo decidiu naquele dia, para aplauso do doutor, é que, sob certas circunstâncias, existe uma pessoa acima da lei no país: o presidente.

7: E cumpre desfazer aqui um truque um pouco vulgar de jurista considerado tão brilhante. A Itália só não condenou Battisti por terrorismo por razões processuais: porque queria evitar justamente a alegação canalha de que seus crimes eram atos políticos.

8: Não sei que jornalista disse aquela porcaria ao doutor: “Ah, eu sei que ele não é terrorista, mas o meu jornal…”. Isso é, vênia máxima, uma fantasia meio boboca. Eu poderia escrever algo assim: “Outro dia, conversei com um constitucionalista, e ele me disse que sabia que seus argumentos eram intelectualmente fraudulentos, mas que, no mundo do direito, as coisas são assim mesmo. O importante é ganhar…”. Qual é a diferença entre o interlocutor de Barroso e o meu? Com essa suposta “revelação”, o futuro ministro do Supremo joga uma sombra de suspeição sobre a imprensa e alimenta a voracidade dos pterodáctilos que defendem a censura. Mas as coisas ainda vão piorar bastante.

Um vídeo
Na sua egologolatria como advogado — vamos ver como será no tribunal —, doutor Barroso falou pra chuchu. E acho que acabou dando “bom dia!” a cavalo. Abaixo, há um vídeo que está na Internet com uma entrevista sua ao site Migalhas sobre o caso Battisti. Mais uma vez, ele reclama do jornalismo. Mas o faz de maneira bem particular.

Diz que esteve junto com a imprensa em vários casos nos quais atuou: aborto de anencéfalos, união civil de homossexuais, células-tronco… E confessa: “Ter a imprensa a favor é uma delícia”. Mas repete a crítica feita no livro: no caso Battisti, ela estaria contra. E AÍ O DOUTOR ACUSA, POR VIA OBLÍQUA, A IMPRENSA DE MANIPULAÇÃO. Curioso o seu pensamento: quando a imprensa, então, está com ele, ela não manipula ninguém e “é uma delícia”; quando não está, aí ela é perversa. Aliás, a fala do advogado deveria levar muitos jornalistas a refletir sobre a sua função: fazer a “delícia” de promotores de causas ou ser independente. O vídeo segue abaixo. O trecho mais estupidamente perturbador se dá entre 4min05s e 4min44s.

Voltei

Reproduzo a enormidade que disse o doutor:
“A política [na década de 70] pautava os processos políticos judiciais na Itália. As pessoas dizem: ‘Não, mas a Itália era uma democracia. Eu respeito e é admirável que a Itália não tenha sucumbido a golpes, mas a democracia italiana foi muito mais truculenta do que a ditadura brasileira. Morreu mais gente. Prisões preventivas de até oito anos… O sujeito ficava cinco anos preso sem ser denunciado, sem nenhuma culpa formada. Depois de algum tempo, aquilo passou a ser um leilão de distribuição de culpas” (…).

Trata-se de uma soma estonteante de disparates. De fato, são oficialmente 426 (estão tentando rever) as mortes atribuídas ao regime miliar, e as esquerdas mataram, no Brasil, ao menos 120 pessoas. Na Itália, entre o fim dos anos 1960 e dos anos 1980, morreram mais de 2 mil pessoas. Mas atenção! Foram vítimas de terroristas de extrema esquerda (a larga maioria) e de extrema direita. O estado italiano, ao contrário do que sugere o doutor, estava combatendo o terrorismo, não se aliando a ele. A afirmação é irresponsável no que concerne à história. Pode ter havido um caso ou outro de desrespeito à lei, mas não era a regra. Pergunto: em qual lugar o doutor gostaria de ter sido advogado nos anos 1970 (não tinha idade para isso): sob o regime legal italiano ou sob o AI-5 brasileiro?

Está na Suprema Corte brasileira um homem que, entre a ditadura do AI-5 e a democracia italiana da década de 70, escolheria o AI-5… Battisti vale tudo isso?

O vídeo acima traz outros absurdos. Ao discorrer sobre o caso, fica evidente que doutor Barroso trata menos dos aspectos legais que concernem ao Brasil e dá maior relevo ao que seriam os erros e incongruências do processo ocorrido na Itália. Vale dizer: defende, então, que o governo brasileiro se comporte como Corte Revisora da Justiça de outro país, com o qual mantém um tratado de extradição que nem denunciado foi. Mas isso, reitero, é o de menos perto do que diz sobre a democracia italiana. É um escândalo.

Não custa lembrar que o último atentado das Brigadas não tem assim tanto tempo: em março de 2002, o que restou do grupo assassinou o economista Marco Biagi. Em 2007, 19 pessoas foram presas com fuzis, acusadas de pertencer ao grupo. Em 2012, um ataque a um empresário levantou suspeitas de que os facinorosos pudessem estar se reorganizando. A Itália conseguiu esmagar o terror sem praticar terrorismo de estado, à diferença do que sugere o futuro ministro do Supremo. Vamos voltar ao livro.

Para que serve isso?
Há um caso um tantinho constrangedor. O nome do subcapítulo 7.3 é “O que se faz com um alvará de soltura?
Era meia-noite do dia 8 de maio de 2011. Após sair do Plenário do STF e ter falado com a imprensa sobre a decisão favorável, saboreava alguns minutos de paz e felicidade, tendo ao meu lado o Eduardo Mendonça e a Renata Saraiva, advogados do escritório de Brasília, que trabalharam comigo passo a passo no caso. Vindo não sei exatamente de onde, o jornalista Felipe Seligman, da Folha de S.Paulo, me entregou uma via do alvará de soltura, que havia obtido na Presidência do Tribunal.

Emocionado e perplexo, perguntei na roda que se formara: “Alguém sabe o que fazer com isso?”. A pergunta não era retórica. Rodrigo Haidar conta esse episódio em um saboroso artigo que publico como anexo desse texto. Depois de apurar como funcionava a burocracia de tirar alguém da penitenciária, rumei em direção à Papuda, para dar a notícia ao Cesare, pessoalmente. Luiz Eduardo Greenhalgh estava lá na porta, com o filho, me aguardando. Dei-lhe um abraço e combinamos que ele sairia com Cesare da penitenciária. A partir dali, ele voltaria a cuidar sozinho dos interesses de Cesare.

Entrei no presídio e aguardei pelo Cesare na sala da direção, onde eu costumava recebê-lo. Vinha feliz, emocionado. Mostrei a ele a cópia da ordem de soltura, demos um longo abraço e fiz a ele duas recomendações finais. A primeira: sem entrevistas, em um primeiro momento. Melhor se recompor, rever os amigos, as filhas, sair da tensão. Mais adiante, se quisesse, aí sim falaria com a imprensa, com calma, após algumas semanas. “Não se deixe tratar como uma celebridade eventual. Você é um homem sofrido e com história”. A segunda: não comentar nada sobre o STF, as diferentes fases do processo e o sofrimento que viveu. “Olhar para frente, sem ressentimentos”. Não comentar, seja para elogiar ou criticar. Cesare cumpriu a palavra. Aliás, cumpriu-a todas as vezes em que se comprometeu comigo. Estive brevemente com ele no lançamento do seu livro “Ao pé do muro”. A dedicatória dele dizia: “Para Luís Roberto Barroso, sem quem esse dia não teria chegado”.

Encerro
No vídeo que vai acima, o doutor diz não se apaixonar por processos, só por sua mulher. Excelente! Parece que o caso Battisti também derreteu seu coração. Sei reconhecer de primeira, desde moleque, a confissão de ignorância com que o falso humilde se põe acima dos mortais. Lembro lá do ginásio ainda. Um escamosinho tinha dinheiro para comprar lanche da cantina. Volta e meia ele me perguntava se meu pão com ovo frito era bom… “Nunca comi pão com ovo…”, dizia com falsa melancolia. Um dia dei um muqueta (não está no dicionário, mas o contexto explica) no nariz dele — e apanhei também, é claro. Melhor lutar com palavras.

O doutor, acostumado com as iguarias do direito constitucional, não sabia para que servia o alvará de soltura, nunca tinha visto um… Espero que tenha estudado depois disso. Afinal, o STF, salvo engano, além de ser um Tribunal Constitucional, também é uma Suprema Corte que lida, frequentemente, com o pão com ovo do direito penal. Ademais, cabe a ele processar e julgar originariamente uma penca de autoridades, inclusive os próprios ministros do Supremo. Não achei nem engraçada, nem humana, nem descolada a confissão de ignorância. Cumpre lembrar, aliás, que a “470” é uma ação penal e atende pelo nome de “mensalão”.

À época, fui acusado de fazer carga contra o então futuro ministro. Não! Só estava cumprindo a minha obrigação. Se um futuro ministro do Supremo tinha um livro, decidi ler o que escreveu. E contar para os leitores o que li. Ler ainda é um bom modo de a gente se instruir.

28 Feb 23:17

O “assinei, mas não fui eu” de Barroso e uma resposta em francês sem entender a pergunta…

by giinternet

Eu realmente não me cansava de ler o livro “O Novo Direito Constitucional Brasileiro – Contribuições para a construção teórica e prática da jurisdição constitucional no Brasil”, de Luís Roberto Barroso, o ministro da tese exótica para inocentar mensaleiros. Ele gosta de recorrer à crônica ligeira, num estilo, assim, confessional e amigão ilustrado. Uma outra passagem sobre o caso Cesare Battisti me preocupou. A razão é simples: nunca saberemos quando, ao conversar com o doutor, poderemos dizer: “Mas o senhor escreveu tal coisa…”. Haverá sempre o risco de ele dizer: “Pô, foi mal… Não fui eu!”. A que estou me referindo?

O Brasil tem um tratado de extradição com a Itália. E tratados de extradição, a menos que sejam denunciados — isto é, rompidos —, têm de ser cumpridos. Ou tratados não são, certo? Logo, Lula estava obrigado, também pelo tratado (mas não só por ele), a entregar Battisti à Justiça italiana. E, SIM, BARROSO HAVIA ASSINADO UM ARTIGO, EM 2000, AFIRMANDO QUE PRESIDENTES ESTÃO OBRIGADOS A CUMPRIR TRATADOS. Logo, o teórico Barroso discordava do advogado Barroso. Como resolver? Ele, então, conta em seu livro, às páginas 511 e 512 (em vermelho), a seguinte barbaridade:

7.1 Coautoria de artigo doutrinário é um perigo
No início dos anos 2000, Carmen Tiburcio — minha sócia e Professora-Adjunto de Direito Internacional Privado da UERJ, como já registrei — e eu escrevemos um artigo sobre extradição no direito brasileiro. Dividimos o texto em diferentes tópicos e cada um escreveu um conjunto deles. A certa altura, em passagem escrita por ela, Carmen afirma que, quando há tratado de extradição celebrado com o Estado requerente, não há discricionariedade do Presidente da República para entrega ou não do extraditando, mas sim vinculação ao tratado. Pessoalmente, não acho isso. Ao menos não dessa forma abrangente. Mas o texto estava coassinado por mim e, na época em que foi escrito, esse ponto não me chamara a atenção Pois bem: no primeiro julgamento do caso, esta acabou sendo uma das discussões centrais. Quando o Ministro Gilmar Mendes, a quem cabia desempatar, suspendeu a sessão e adiou o julgamento por uma semana — certamente para preparar com calma o seu voto — eu não tinha dúvida de que sua assessoria iria achar o meu texto, escrito em conjunto com Carmen. E usá-lo contra mim, naturalmente. Foi um susto. Era preciso tomar uma medida preventiva. Às pressas, escrevi um artigo de jornal, no qual noticiei a existência do artigo conjunto e expus minha verdadeira opinião. O tratado vincula o Presidente no plano internacional, mas não muda as suas competências constitucionais. A não observância do tratado pode até mesmo trazer alguma consequência na esfera internacional, mas não altera os poderes constitucionais do Presidente. Que poderá entregar ou não o extraditando, como melhor lhe aprouver. Pronto o artigo, foi uma dificuldade publicá-lo em cima da hora, já que era preciso que ele saísse antes do julgamento. Contei, para isso, com a ajuda providencial do Irineu Tamanini, que na época era o (excelente) assessor de imprensa do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil. Saiu no Correio Brasiliense. No julgamento, o Ministro Gilmar de fato fez menção ao artigo doutrinário que eu coassinara, mas tal circunstância já havia sido atenuada pelo artigo do Correio.

Comento
Ai, ai…

Ora se tem a impressão de que assinou um artigo sem ler, ora se se tem a impressão de que leu, mas não achou relevante. O fato é que seu nome estava no texto, e, como ele patrocinava uma causa em que dizia o contrário, cumpria inventar, então, uma… desculpa! Deixem-me ver se entendi direito: Barroso permitiu que algo que não pensava ficasse no ar durante 12 anos! Aí, então, teve de correr para, ele confessa, dar uma resposta preventiva a Gilmar Mendes.

Em outra passagem, ficou claro que o doutor não vê a imprensa, assim, com muitos bons olhos. Dá para entender a razão, dada a frequência com que esta lhe prestou favores. Ele precisava publicar um artigo. Então o assessor de imprensa da OAB foi mobilizado, e se encontrou um jornal: o Correio Braziliense.

Especialista em despiste
Noto que Barroso se orgulha um pouco de sua, vamos dizer, arte do despiste. Num outro trecho, ele conta como deu uma entrevista em francês, mesmo sem dominar o idioma, e como enganou alguém que contraditara a sua fala com um texto já programado. Interessante o seu estilo. A gente nota que ele se orgulha a valer de seus ardis inteligentes. Leiam (em vermelho):

7.2 Como era doce o meu francês
Em um certo momento, a escritora Fred Vargas me perguntou se eu poderia participar, por telefone, do Brasil, de um programa de rádio francês. A opinião pública francesa tinha certo peso na questão, sobretudo pelo boato, recorrente – que nós não confirmávamos nem desmentíamos – de que a primeira-dama Carla Bruni apoiava a permanência de Cesare Battisti no Brasil. Meu francês é suficiente para ler textos, fazer palestras preparadas previamente e pedir comida em restaurante. Não para um debate ao vivo; e menos ainda em uma rádio, via telefone. Propus, então, o seguinte: a jornalista me mandaria as perguntas com antecedência, e aí eu responderia no ar. Mas ela não poderia mudar o que seria perguntado. Veio a concordância e pus-me a me preparar para a entrevista. Rascunhei as respostas, o texto foi revisto por um antigo estagiário (Lucas Hermeto) e treinei o improviso com minha professora de francês de longa data (Sylvie Souvestre). No dia fatídico, havia um grupo de debatedores no estúdio – todos contra! – e eu, falando por telefone. Após a terceira ou quarta resposta, um debatedor enfezado lá do estúdio entrou no ar e disse: “Esse sujeito fala francês muito bem, eu não concordo com nada do que ele está falando e não vou ouvir calado”. E soltou o verbo, dizendo um punhado de coisas ruins, a maior parte das quais eu não entendi. Quando a palavra voltou para mim, disse pausadamente (já tinha me preparado para a hipótese!): “A vida não é feita de certezas absolutas e a verdade não tem dono. Eu respeito o ponto de vista do jornalista que acaba de se me manifestar, mas ele não corresponde ao meu modo de ver a questão. Permitam-me, assim, concluir o que dizia … “. E voltei para o meu texto ensaiado, rezando para aquilo acabar logo.

Encerro
A vaidade de Barroso é pantagruélica, esfomeada mesmo! Embora seu francês não dê para o debate (pequena confissão de humildade, bem pequena), o outro lá deixou claro: ele “fala bem!”. Ponto! Não entendeu o que disse o interlocutor, mas sentiu que a favor não era. Esperto, já tinha a resposta-padrão preparada, que pode ser usada em qualquer debate, diga-se: “Respeito o seu ponto de vista, mas…”. E se retoma a fala de onde se parou.

Hábil, inteligente, perspicaz, precavido, safo… Importa pouco que ele tenha patrocinado uma causa contra uma tese que ele próprio assinara; importa pouco que tenha, digamos, vencido um debate sem entender o que dizia o outro lado… Nesse mundo, o sentido das palavras não parece ter, assim, tanta importância.

O doutor poderia parafrasear uma frase já histórica de Lobão  e mandar imprimir uma camiseta: “Assinei, mas não fui eu”.

28 Feb 23:10

Whole Foods: America's Temple of Pseudoscience

by Soulskill
__roo writes "Many Americans get riled up about creationists and climate change deniers, but lap up the quasi-religious snake oil at Whole Foods. It's all pseudoscience — so why are some kinds of pseudoscience more equal than others? That's the question the author of this article tackles: 'From the probiotics aisle to the vaguely ridiculous Organic Integrity outreach effort ... Whole Foods has all the ingredients necessary to give Richard Dawkins nightmares. ... The homeopathy section has plenty of Latin words and mathematical terms, but many of its remedies are so diluted that, statistically speaking, they may not contain a single molecule of the substance they purport to deliver.' He points out his local Whole Foods' clientele shop at a place where a significant portion of the product being sold is based on simple pseudoscience. So, why do many of us perceive Whole Foods and the Creation Museum so differently?"

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28 Feb 18:38

Lewandowski e Dias Toffoli são zagueiros do petismo no STF; Barroso entrou para ser artilheiro

by giinternet

Huuummm… Parece que tem gente com peninha das críticas que fiz a Roberto Barroso, o queridinho das milícias politicamente corretas — esses bandos de fascistoides que saem pelas redes sociais gritando “Cortem-lhe a cabeça!” tão logo desconfiam que os jornalistas A ou B não concordam com suas teses. Se você não tiver a mesma paixão que eles têm pela dilaceração de fetos, por exemplo, logo o chamam de “fascista”. Se você não declarar que é preciso combater a “heteronormatividade”, então você é homofóbico. E vai por aí. Não dou pelota para o coro de “Rainhas de Copa”. Podem berrar sua histeria por aí.

Critiquei duramente Barroso em vários posts e também na minha coluna na Folha de hoje. E tenho mais alguns posts reservados a ele.

Aí um deles tira nervosamente as patinhas dianteiras do chão para me impressionar: “Você é jurista? Vai dar aula a um professor? O que você sabe sobre direito alternativo?”. Não sou jurista, não dou aula a ninguém, nem sei o bastante etc. O ponto é outro. O direito é importante demais para ser matéria que só interesse a advogados ou ministros do Supremo.

De resto, não é preciso ser grande especialista para perceber certas bobagens. Se meu médico recomendar que eu dê três pulinhos para curar, sei lá, hiperacidez, terei a certeza de que ele está maluco. Não obedecerei a orientação, mesmo sem ter cursado medicina, e vou procurar outro doutor. Ocorre que eu posso trocar de médico se quiser, mas não de ministro do Supremo. É evidente que, se pudesse escolher, Barroso não estaria lá.

Que é que há? Preciso ter estudado direito para saber que, na fase dos embargos infringentes, ou os que condenaram reveem a sua posição ou não reveem? É preciso ter estudado direito para saber que não se reforma dosimetria nessa fase? É preciso ter estudado direito para saber que aquelas contas sobre percentagens de agravamento de uma pena na comparação com outra são malabarismo e truque?

O ministro não sabia que estava fazendo uma batatada? Como idiota não é — ao contrário: é muito esperto —, acredito que soubesse. E digo isso até em seu benefício porque a alternativa é ainda pior. Ocorre que ele precisava daquele voto exótico para dizer o que pensa sobre o julgamento do mensalão e tentar desqualificar os seus pares.

No fim das contas, fez um repto em favor da impunidade, ainda que, nas considerações iniciais, tenha decidido posar de paladino da moral. E ele está só no começo. Com Barroso, começa a fase de petização mais profunda do tribunal, agora com ambições realmente teóricas. Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli são apenas operadores gratos. São apenas os zagueiros, que ficam à espera do atacante adversário para dar carrinho, agarrar a camisa, aplicar um pescoção, chutar a bola pro mato; Teori Zavascki é um gandula que serve a qualquer time, sem paixão. Com Barroso, o petismo ambiciona a altitude de um saber jurídico. Ele entrou para ser atacante.

28 Feb 12:15

Introducing: Debian for OpenRISC

by jake
Christian Svensson has announced a version of Debian for the OpenRISC open-source processor. "Some people know that I've been working on porting Glibc and doing some toolchain work. My evil master plan was to make a Debian port, and today I'm a happy hacker indeed! Below is a link to a screencast of me installing Debian for OpenRISC, installing python2.7 via apt-get (which you shouldn't do in or1ksim, it takes ages! (but it works!)) and running a small Python script. http://asciinema.org/a/7362" (Thanks to Paul Wise.)
28 Feb 12:15

STF livra mensaleiros do crime de quadrilha

by giinternet

Laryssa Borges e Gabriel Castro, na VEJA.com:
O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quinta-feira livrar oito réus da condenação por formação de quadrilha. Por 6 votos a 5, a corte aceitou os embargos infringentes e derrubou as condenações por esse crime. Com isso, José Dirceu e Delúbio Soares escaparam do cumprimento de pena em regime fechado. José Genoino, que já estava livre do regime fechado, também teve a pena diminuída.Na prática, o tribunal revisou o que havia decidido na etapa inicial do julgamento. Nessa guinada, foram decisivos os votos dos ministros novatos, que não estavam presentes na primeira fase do processo: Teori Zavascki e Luís Roberto Barroso, que substituíram César Peluzo e Carlos Ayres Britto. O efeito prático da sentença foi este: a pena de José Dirceu cai de 10 anos e 10 meses de prisão para 7 anos e 11 meses. A de Genoino, de 6 anos e 11 meses para 4 anos e 8 meses. A de Delúbio, de 8 anos e 11 meses para 6 anos e 8 meses.

O publicitário Marcos Valério, Ramon Hollerbach e Cristiano Paz e os ex-banqueiros e Kátia Rabello e José Roberto Salgado também foram beneficiados pela decisão do tribunal. Mas, como haviam recebido penas mais elevadas, continuam em regime fechado de prisão. O STF fez jornada dupla nesta quinta-feira para concluir o julgamento iniciado em 2 de agosto de 2012: a sessão, que normalmente se inicia às 14h, começou pouco depois das 10h e se estenderá pela tarde após uma pausa para almoço.

Votos
Na sessão desta quinta, cinco ministros votaram, quatro deles a favor dos réus. Na abertura da sessão desta quinta, o ministro Teori Zavascki deu mais um voto pela aceitação dos embargos infringentes para o crime de formação de quadrilha. ”É difícil afirmar, por exemplo, que José Dirceu, ministro-chefe da Casa Civil, ou José Genoino, dirigente partidário, tivessem se unido a outros agentes com o objetivo e o interesse comum de praticar crimes contra o sistema financeiro nacional ou de lavagem de dinheiro”, disse Zavascki.

 O voto que deu maioria a favor dos mensaleiros foi o de Rosa Weber. Ela argumentou que não há provas suficientes de que os réus associaram-se com a finalidade específica de cometer crimes: “Há diferença marcante entre pessoas que se associam para cometer crimes e pessoas que se associam com outra finalidade, mas que no âmbito dessa associação cometem crimes”, afirmou a ministra. No primeiro caso, complementou, trata-se de formação de quadrilha. No segundo caso, são crimes praticados em concurso de agentes. Já com a maioria formada, o ministro Gilmar Mendes apresentou um voto enfático em defesa da condenação por formação de quadrilha: “Houve a formatação de uma engrenagem ilícita que atendeu a todos e a cada um”.

O ministro Marco Aurélio Mello também apresentou um voto contrário aos embargos: ele também destacou a guinada dada pela corte em relação à fase inicial do julgamento, quando Peluzo e Ayres Britto ainda compunham a corte: “Cabe indagar: julgamos segundo o critério de plantão? O pronunciamento anterior se mostrou um pronunciamento à margem dos elementos coligidos a cargo do Ministério Público ao processo? A resposta, e devemos honrar os dois colegas que já não integram o colegiado, é desenganadamente negativa”.

O decano Celso de Mello acompanhou: “Os membros dessa quadrilha agiram com dolo de planejamento, divisão de trabalho e organicidade. Uma sofisticada organização criminosa, como a ela se referiu o procurador-geral da República”. Em um voto memorável, Celso de Mello respondeu aos constantes ataques dos mensaleiros condenados, que tratam o julgamento como uma farsa. “É nessa sucessão organizada de golpes criminosos que reside a maior farsa da história política brasileira. E isso, para vergonha de todos nós e grave ofensa ao sentimento de decência dos cidadãos honestos desta república democrática. É por tudo isso que se impõe repelir aqui e agora, com o máximo vigor, essa inaceitável ofensa que tão levianamente foi assacada contra a dignidade institucional e a alta respeitabilidade do Supremo Tribunal Federal”, disse o ministro.

O presidente do STF e relator do processo do mensalão, Joaquim Barbosa, deu o quinto voto contra os embargos. Ele criticou explicitamente o papel exercido pelos dois ministros novatos, escolhidos pela presidente Dilma Rousseff quando o julgamento já havia sido iniciado: “Sinto-me autorizado a alertar a nação brasileira de que esse é apenas o primeiro passo. Essa maioria de circunstância tem todo o tempo a seu favor para continuar na sua sanha reformadora”, disse ele, que afirmou ainda que o STF vive uma tarde “triste”.

Lavagem
Durante a tarde, a corte inicia o julgamento dos embargos infringentes para o crime de lavagem de dinheiro – o que, entre outros réus, pode beneficiar o ex-deputado João Paulo Cunha (PT). A conclusão desse julgamento, entretanto, pode ser adiada: o ministro Luís Roberto Barroso alegou ter um compromisso e não estará no plenário. Sem ele, é possível que a votação termine empatada em 5 a 5. Ao site de VEJA, o magistrado afirmou não acreditar na conclusão do julgamento nesta quinta-feira. Assim, os trabalhos seriam retomados após o Carnaval.

28 Feb 12:14

Justiça do DF suspende direito de Delúbio ao trabalho na CUT

by giinternet

Por Rodrigo Rangel e Gabriel Castro, na VEJA.com:
A Vara de Execuções Penais (VEP) do Distrito Federal determinou nesta quinta-feira a suspensão cautelar dos benefícios externos concedidos ao ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares. A decisão foi tomada após a revelação de privilégios concedidos ao petista no Centro de Progressão Penitenciária (CPP) de Brasília, sob administração do governo de Agnelo Queiroz (PT). Isso significa que, ao menos até 18 de março, quando participará de uma audiência de advertência realizada pela VEP, Delúbio ficará impedido de exercer sua função na Central Única dos Trabalhadores e permanecerá no Centro de Internação e Reeducação (CIR) em tempo integral – perdendo, assim, o direito de deixar o presídio para passar o carnaval com a família.

O juiz Bruno Ribeiro, que assina o despacho, também determinou que o governo informe, em até 48 horas, se tem condições de manter os mensaleiros sob sua custódia com tratamento isonômico e se já abriu alguma sindicância para investigar os casos de tratamento privilegiado. Além disso, a Vara de Execuções Penais pede a lista completa de todas as pessoas que estiveram na Papuda para visitar os presos do mensalão – sejam ou não autoridades. A intenção é averiguar as circunstâncias em que os mensaleiros receberam familiares e amigos fora dos dias e horários de visita.

A VEP ainda reafirma, na decisão, que o atendimento a pedidos do Ministério Público e do Judiciário não dependem de autorização do Executivo. E pede cópia dos relatórios de fiscalização a respeito do serviço externo prestado pelos mensaleiros que receberam o benefício do trabalho externo.

Como VEJA mostrou, as mordomias de Delúbio – como o direito a um cardápio diferenciado e a visitas fora do horário – foram mantidas mesmo após determinações anteriores da própria VEP. Quando a carteira do petista desapareceu dentro do presídio, os agentes impediram os presos de deixarem a cela até que o objeto fosse encontrado. Os privilégios derrubaram um diretor e um vice-diretor do CPP nos últimos dias.

28 Feb 12:14

Num ato de jequice calculada, governo do Brasil responde a uma crítica do “Financial Times”

by giinternet

Que preguiça!

Desde quando, mundo afora, um chefe de governo bate boca com um órgão de comunicação porque este emitiu uma opinião desfavorável? Aconteceu mais uma vez com Dilma. O jornal “Financial Times” publicou nesta quarta um editorial em que afirmou que Guido Mantega deveria ser substituído por um ministro da Fazenda pró-mercado. Segundo o texto, diante do Brasil, os investidores antes diziam: “Vamos lá”. Agora, “deixem pra lá”. Pois é… Imaginem o presidente Obama mobilizando seus assessores para responder a editoriais críticos aos EUA…

Dilma subiu nas tamancas mais uma vez. Thomas Traumann, secretário de Comunicação, enviou uma resposta ao jornal cheia de ironia, um atributo das almas superiores. “Talvez [o critério utilizado seja] um crescimento econômico de 2,3% em 2013, ou uma taxa de desemprego de 5,4% no ano passado, ou talvez reservas internacionais de US$ 376 bilhões e taxas de inflação abaixo de 6%”. Com isso, convidava os britânicos a comparar a sua própria taxa de crescimento (1,8%) e de desemprego (7,1%) com as do Brasil. Com a devida vênia, é pra enganar trouxa. Se for para falar a sério, então é preciso começar a comparação pelo PIB per capita. Mais: um empregado considerado “classe média” no Brasil certamente preferiria ser um desempregado na Grã-Bretanha…

Mas a questão relevante é outra. Não foi o governo britânico que se referiu ao Brasil, mas um jornal. Será que a Casa Branca enviará uma carta à VEJA ou à Folha ironizando o Brasil se esses dois veículos criticarem em editorial decisões daquele governo? Trata-se de uma jequice calculada. Esse tipo de coisa açula um certo nacionalismo bocó.

Não é a primeira vez que o Planalto faz isso. Em dezembro de 2012, a revista The Economist, também britânica, alertava que o Brasil estava se tornando menos atraente e que Mantega já não era mais capaz de enfrentar os desafios da economia. Criticou ainda o excesso de ingerência do estado: “Um bom exemplo é o aparente desejo de Dilma de reduzir o retorno sobre o investimento na ‘base do porrete’, não só para bancos, mas também para as empresas de energia elétrica e fornecedores de infraestrutura”, escreveu a Economist, numa referência à insistência do Palácio do Planalto em querer convencer empresários a investir ao mesmo tempo em que lhes negava um retorno adequado para participar dos investimentos.

Bem, tanto a revista estava certa que o governo mudou as regras das concessões — embora tarde. Dilma ficou brava e chegou até a evocar a soberania nacional. Não é a primeira vez, diga-se, que o Financial Times aponta o acabrunhamento do Brasil. Em fevereiro do ano passado, diante do baixo crescimento de 2012, o jornal já chama o ministro da Fazenda de “Guido Vidente”.

28 Feb 12:13

Delúbio, que está preso, é chefe do governador Agnelo, que está solto

by giinternet

A Vara de Execuções Penais do Distrito Federal proibiu, por enquanto, Delúbio Soares de deixar o presídio da Papuda para trabalhar. É uma medida justíssima. Antes de mais nada, necessária. Trata-se de impor um mínimo de decência e razoabilidade nessa relação. A coisa passou de todos os limites. No caso do ex-tesoureiro do mensalão e peça-chave do escândalo, a prisão estava servindo par debochar da Justiça.

A igualdade perante a lei é um dos pilares de uma sociedade democrática. Há, sim, todo um debate ligado à lógica da reparação social que defende que se tratem desigualmente os desiguais, o que já estava na retórica de um Rui Barbosa e orienta, por exemplo, a política de cotas nas universidades — que não são do meu agrado, deixo claro! Ocorre que tratar desigualmente os desiguais compreende a garantia de direitos especiais aos mais vulneráveis. Seria esse o caso de Delúbio Soares e dos mensaleiros petistas?

O regime semiaberto é um regime fechado com algumas regalias. O preso tem a possibilidade de deixar o presídio para trabalhar, mas essa é uma concessão que faz a Justiça, e tudo depende do comportamento do apenado. Delúbio recebe visitas fora do horário estipulado, tem acesso a refeições especiais, como feijoada; nega-se a cortar a barba — regra que vale para os demais detentos —; tem à sua disposição um motorista da CUT, que entra no pátio interno para pegá-lo e levá-lo ao trabalho. Um nababo! A sua desenvoltura na cadeia já causou a queda de dois diretores do Centro de Progressão Penitenciária.

Agora, a Vara de Execuções Penais do Distrito Federal cobra que o governo Agnelo Queiroz, do PT, mesmo partido de Delúbio, diga em 48 horas se tem condições de manter o mensaleiro preso em condições compatíveis com a de um apenado. Se a resposta for negativa, ele pode até ser transferido para um presídio federal. Isso não deve acontecer. O governo do DF certamente vai prometer se emendar — e não cumprirá a promessa. A razão é simples: na hierarquia petista, Delúbio, que está preso, é o chefe do governador Agnelo, que está solto.

Um dos temas mais estudados pelas ciências sociais no Brasil é o chamado “patrimonialismo”, que consiste na submissão da coisa pública a interesses privados em razão da posição social e econômica de determinados grupos. Muito se falava, por exemplo, e não faz tanto tempo assim, no tal coronelismo nordestino, lembram-se? Os petistas inauguraram um novo patrimonialismo, um novo coronelismo. As leis que não são do seu interesse não valem para eles, que exercem com desassombro privilégios que, obviamente, não estão em lei nenhuma.

Noto que a Vara de Execuções Penais fez muito mal em permitir que Delúbio trabalhasse justamente na CUT, onde ele é chefe. Quando a banqueira Kátia Rabello passar para o regime semiaberto, permitirão que ela trabalhe no Banco Rural, que pertence à sua família? Duvido! Ora, a CUT é o banco de Delúbio; pertence à sua “famiglia”.

28 Feb 12:12

Narrative Collapse?

by Peter J. Leithart

Narrativity is collapsing, Douglas Rushkoff excitedly reports in his 2012 book Present Shock. We no longer tell traditional stories because we no longer live within ancient Aristotelian narratives with their beginnings, middles, and ends.

Technology killed narrative, leaving us in an eternal now. We don’t have to watch entire TV shows anymore or tolerate thirty-second commercials. We click away in the middle of things and never return. Without the time and patience to wait for a plot to unfold, we live in a picaresque novel: one damn thing after another in a world that “just is.” We’ve been thrown into a game to puzzle out rules we don’t understand. We’re all baffled stowaways on the Lost island.

It’s OK, though. We can be weaned from our desire to organize time. We don’t need narrative. In fact, Rushkoff soothes, we’re better off without it. Narrative is nefarious. What Rushkoff dislikes about narratives are not the beginnings and middles so much as the ends. As he told Ken Myers in a recent Mars Hill Audio Journal interview, eliminating ends will enhance human freedom. As soon as we think we’re in a story, someone will say he knows where it’s going. Storytellers believe their fantasy ending justifies any means they can imagine, and the corpses pile up. Armed with our remote control, we won’t let them fool us anymore. Set free from narrative, we are free indeed.

Technology does affect our sense of time and the plottedness of the world, but the way Rushkoff makes this point is unpersuasive. For a writer who makes his living tracking trends, Rushkoff is out of date. Novelists began their experiments with plotting long before Ulysses (can you say Tristram Shandy?). Filmmakers experiment too, but still today there are dozens of Avengers for every Being John Malkovich.

Rushkoff is similarly old-fashioned when he turns to television. We use remotes, but cutting edge they ain’t. What is cutting edge is technology that allows some people (no one I know) to become binge viewers who watch an entire series on Netflix or Hulu in a big lump of commercial-free wasted time. They don’t have to flip channels, because they don’t get interrupted, and what they waste their time on are complex, sophisticated narratives that arc across a half-dozen seasons. We still have our cop and detective shows that miraculously and comfortingly resolve mysteries within their allotted forty minutes. Sitcoms are more knowing about their tropes these days, but they still repeat them, resolving their slight conflicts in half the time. When we get entertainment on demand, many of us demand stories of a pretty traditional sort.

Rushkoff’s characterization of “Aristotelian” narrative is another false note. His worry that endings inhibit freedom applies to Marxism, Nazism, and the myth of democratic capitalism’s relentless conquest of the planet. But he’s not talking only about these metanarratives. He thinks Western literature is a compendium of confining conclusions.

What tidy, tyrannical narratives does he have in mind? The Iliad, whose final lines about Hector’s funeral games are haunted by the realization that Greeks and Trojans will soon return to fighting? Even the neater Odyssey implies a “to be continued,” Odysseus’s future quest to pacify Poseidon. The Aeneid concludes on a classic “now you know the rest of the story” note, with the founding of the Roman imperium sine fine, empire without end.

The Bible begins at the beginning and ends at the end, but, like the Aeneid’s, its end is paradoxically endless. In John’s last vision in Revelation, nations are still bustling into the city and the Spirit and the Bride are pleading, “Come, Lord Jesus.” The Bible concludes with heaven and earth poised for an end that is not yet come.

You can’t get much more decisive than the end of Othello—three principal characters dead on a bed and Iago bundled off for torture—but the commentary on the play demonstrates that Othello is anything but tidy. Lear’s ending is more poetically just than its absurdist interpreters admit, but it leaves a loose end or two. Jane Austen wraps her books with a wedding bow, but Austen’s readers keep writing sequels to tell what happened after the wedding.

Aristotle might not like it, but it’s hard to think of a single great Western narrative that doesn’t strain past its end. When the credits roll, we don’t sit in stupefied silence, satisfied that all questions are answered. We want to know what the end means, or to know what goes on after the end. We keep talking and telling, questioning and musing and explaining. That’s what makes great narratives great: Their endings provoke continuation. If that’s narrative collapse, narrative began to collapse nearly as soon as it was invented. And Rushkoff is outdated once again, not by decades but by millennia.

Peter J. Leithart is president of Trinity House. He is the author most recently of Gratitude: An Intellectual History. His previous articles can be found here.

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28 Feb 12:12

My Mother’s Abortion

by Bob Vincent

Early in my ministry as a pastor, my mother told me she’d had an abortion. It was for medical reasons, but it had haunted her down the corridors of her mind. She knew better than most people what was involved back then because she had taught obstetrical nursing at Vanderbilt University. 

My brother was born in 1939, and in between him and me, she had conceived a little girl whom she and my father named “Nancy.” Their family physician and fellow Presbyterian, Dr. Bill Evans, advised her to let him take little Nancy before she was born—that’s how they knew that the baby was a little girl.

I have no idea whether this abortion was medically necessary back then or not; it was during World War II. I only know how this abortion affected my mother the rest of her life. She never got over it. Dr. Evans had killed her baby, and she had consented. She talked about it with me before Daddy died, and she talked about it as an elderly woman. I have her blessing to talk about it with you. 

She is not the only woman who has talked to me about abortion. She won’t be the last. I have always tried to be pastoral, meaning I listen and I always speak the gospel: “God loves you. The Lord Jesus died for your sins. Turn from your guilt and cast yourself on God’s mercy in Christ.”

There is no easy way to get rid of guilt. You can’t shove it down and pretend it’s not there. You can’t reason it away. Like midnight reflux of the soul, it comes up when you least expect it, when you are least prepared to deal with it. While you’re lying in bed, half-awake–half-asleep, there it is, wafting out of your subconscious mind and dancing before you, only to disappear again before you can wrap your rational mind around it. Sometimes it comes in your dreams. Sometimes when you are attempting to pray. There it is as a waking vision, blotting out the sun, bringing on the cheerless and withering cold when the sunshine of cheerfulness should be beaming down on you. 

Many people have found relief. Some have not. 

The key is in frank acknowledgement of what we know to be true at the deepest level of our mind. Until we face what we have done and confess it to God, we are locked out, shut away from being able to enjoy the presence of God. Instead of Word and Sacrament being a means to communion with Christ, they serve regularly to remind us of what we are missing. 

So I say: I am not a politician. I am a pastor, a doctor of the soul, and I want to help you find relief. I want to lead you back to a good place, maybe to a place you have never known before, where you can feel the warmth of the Lord’s embrace and know that all is well between you and him. That baby was not a piece of you, say, the way that the tip of your finger that got chopped off in an accident was part of you. You know that deep down inside. Please bear with me. I am your friend, and I am here to help you, not hurt you.

My mother didn’t need all her scientific knowledge to feel what she felt and be haunted by it for decades. What she felt when she knew she was pregnant was the presence of another human being. And when Dr. Bill aborted her baby, she felt her absence—a quiet but profound emptiness. And it never left. 

People’s babies don’t cease to exist when they die, whether in miscarriage or through the hand of an abortionist. They continue to exist. The life from Eden continues on even after the mortal frame returns to the earth from which we were taken. 

That’s why mothers sometimes dream about their babies. That’s why the emptiness of the womb never ceases to be felt—there is no flesh and blood baby latching on to her mother’s breast, sucking warmth and love and nourishment in that profoundly bonding experience. 

What do you do? Face what you fear to be true and admit it to God, but admit it while being held in his kind embrace and unconditional, effectual love. 

“I asked someone to kill my baby. My baby is dead.” 

Admit it. Face it. Feel it. Now believe the Gospel: “Come to me,” said the Lord Jesus, “All you who are weighed down with a burden that you cannot bear, and too exhausted to handle it any more. I will give you relief. I will give you refreshing rest” (cf. Matthew 11:28-30). 

Believe it. It’s the truth. Then ask the Lord himself to tell your baby what you would say if you could—what you will one day tell your baby when you are reunited. 

Ask him to tell your baby that you love her. Ask him to tell her that you have always been haunted by it but that you were so confused and felt so hopeless. Ask him to ask her to forgive you and to tell her that you accept full responsibility for doing what you did. 

Then believe the Gospel, and ask God to fill you with his presence, the precious Holy Spirit. Look yourself in the mirror, and confess: “If we confess our sins, he is faithful and just to forgive us our sins and to cleanse us from all unrighteousness” (1 John 1:9).

Bob Vincent is the pastor of Grace Presbyterian Church in Alexandria, Louisiana.

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28 Feb 12:10

Independência do Supremo – No próximo mandato presidencial, podem ser nomeados até 5 novos ministros do STF

by giinternet

O ministro Joaquim Barbosa, presidente do Supremo, deu a entender que a independência da Corte está sob ameaça. A afirmação procede? Infelizmente, sim. Embora o resultado geral do julgamento do mensalão seja positivo — afinal, ninguém diria, há dois anos, que alguns pesos-pesados da política iriam para a cadeia por roubar dinheiro público —, é evidente que há sinais preocupantes. Por quê?

Já hoje, há apenas três ministros que não foram indicados por governos petistas: Celso de Mello, nomeado por José Sarney em 1989; Marco Aurélio Mello, nomeado por Fernando Collor em 1990, e Gilmar Mendes, nomeado por FHC em 2002. Os outros oito, ou foram escolhidos por Lula — Ricardo Lewandowski, Dias Toffoli, Cármen Lúcia e Joaquim Barbosa — ou por Dilma: Luiz Fux, Rosa Weber, Teori Zavascki e Roberto Barroso. Só para o leitor ter em mente: em 11 anos no poder, o PT já nomeou 12 ministros, considerando-se os que não estão mais na corte: Menezes Direito, que morreu, Eros Grau, Cézar Peluso e Ayres Britto, que se aposentaram.

Os petistas sempre demonstram grande insatisfação nos bastidores com a independência de alguns dos ministros que nomeou, especialmente em razão do processo do mensalão. Há dois, em particular, que consideram traidores: Joaquim Barbosa e Luiz Fux. João Paulo Cunha, um dos mensaleiros presos, chegou a cobrar que Barbosa fosse grato a Lula por ter nomeado um negro para a Corte, o que é uma barbaridade. Os exemplos virtuosos na petelândia, claro!, são Lewandowski e Dias Toffoli. Agora, há mais dois queridos.

O comportamento de Teori Zavascki e Roberto Barroso no julgamento dos embargos infringentes, que livraram a cara dos mensaleiros do crime de quadrilha, deixa claro que os petistas não querem mais saber de independência. Querem agora ministros que votem segundo os interesses do partido. E por que há motivos reais de preocupação?

Cresce nos bastidores do Supremo a especulação de que Joaquim Barbosa ou deixa a corte em abril, prazo máximo para poder se candidatar, ou em novembro, quando Ricardo Lewandowski, seu desafeto, assume, por dois anos, a presidência rotativa do tribunal. Celso de Mello tem de se aposentar em novembro do ano que vem, mas já manifestou a intenção de antecipar a sua saída para este ano. Assim, é possível que Dilma Rousseff, ainda que não seja reeleita, indique mais dois ministros. Caso se reeleja, aí vai ser uma festa. Em julho de 2016, chegará a vez de Marco Aurélio sair. Nesse caso, Gilmar Mendes será o único ministro não nomeado por um petista. Em 2018, vão se aposentar, pela ordem, Ricardo Lewandowski, Teori Zavascki e Rosa Weber.

Alguma esperança de o Supremo manter a sua independência? Se nem Barbosa nem Celso renunciarem neste ano, no próximo mandato presidencial, serão nomeados cinco ministros: em 2015, o substituto de Celso; em 2016, o de Marco Aurélio, e, em 2018, os de Lewandowski, Teori Zavascki e Rosa Weber. Com toda a serenidade, observo que uma eventual vitória da oposição pode ser vital também para o Poder Judiciário manter a sua independência em relação ao Poder Executivo. A corte suprema de um país não pode ser a seção de um partido ou uma extensão de um grupo ideológico, a exemplo do que acontece hoje em protoditaduras como a Venezuela, a Bolívia, o Equador ou a Nicarágua.

Texto publicado originalmente às 2h36
28 Feb 12:09

“Fora do armário” — minha coluna desta sexta na Folha

by giinternet

Leiam trecho de minha coluna desta sexta na Folha.
*
Como num conto de Machado de Assis, “O Cônego ou Metafísica do Estilo” (leiam), substantivo e adjetivo – que Machado batiza de “Sílvio” e “Sílvia”– já haviam se enlaçado na minha cachola e deveriam estar agora na tela e no papel. Classificavam Gilberto Carvalho de agente sabotador do governo Dilma a serviço de Lula. Sílvio e Sílvia sabem que a presidente detesta Carvalho, no que é correspondida. Terão de esperar. Algo mais urgente se alevantou: Luís Roberto Barroso, a esfinge sem segredos do STF.

Não me lembro de nada tão grotesco no tribunal. O ministro decidiu ser o Catão da política, exacerbando a retórica moralista para cobrar uma reforma que barateie as campanhas eleitorais, lamentar a inércia dos políticos, afirmar que o idealismo se converteu em argentarismo, fustigar o “abominável espetáculo de hipocrisia” em que “todos apontam o dedo contra todos, mas mantêm “seus cadáveres no armário”… Pego carona na metáfora. Barroso saiu do armário e disse o que pensa sobre o mensalão: apenas “recursos não contabilizados” de campanha, como disse Delúbio Soares. Apesar do complexo de Schopenhauer, ele é só um Delúbio com toga, glacê e fricotes retóricos.
(…)
Para ler a íntegra, clique aqui

27 Feb 23:59

Apesar de tudo, avançamos. Cumpre agora que a nossa memória mantenha vivos os atos vergonhosos

by giinternet

Vamos lá. Até para ser justo com os ministros que cumpriram a sua função e que honraram o peso da toga, cumpre que a gente saúde o resultado final do julgamento do mensalão. Afinal de contas, “eles” estão lá, presos, ainda que em condições especiais, demonstrando que o Brasil, antes, não era uma República perfeita por causa do velho patrimonialismo. E, agora não o é, por causa do novo. De todo modo, corruptos passivos, corruptos ativos, lavadores de dinheiro, entre outros, saíram dessa história com a ficha suja. É um avanço. Mas cabe notar que alguns deles continuam a exercer, de forma desassombrada, o seu poder.

Estranho país este o de Luís Barroso e Teori Zavascki, em que Marcola, chefe de quadrilha, não derruba diretores de presídio, mas José Dirceu e Delúbio Soares, que agora não são mais quadrilheiros, sim. É o mesmo país de Rosa Weber, de Cármen Lúcia, de Ricardo Lewandowski. Tenham paciência!

Há coisas realmente intrigantes em tudo isso. Os interessados revejam o caso de Natan Dondon, julgado em 2010. Ele foi acusado de, em associação com um grupo, desviar R$ 8,4 milhões da Assembleia Legislativa de Rondônia. A relatora do caso foi Cármen Lúcia. O revisor foi Dias Toffoli. O homem foi condenado a uma pena de 2 anos 3 meses por formação de quadrilha — a pena máxima é de três. Lewandowski concordou. O trio, agora, votou para inocentar os “não quadrilheiros” do mensalão. Entendi: um crime cometido lá em Rondônia, de “apenas” R$ 8,4 milhões, é cometido por quadrilheiros. Já o mensalão, que desviou R$ 76 milhões só do Banco do Brasil, ah, esse não! Houve só concurso de agentes. A única diferença é que Natan Donadon roubou menos. Atenção! O processo de Donadon foi desmembrado. Os que não tinham foro especial por prerrogativa de função foram julgados em Rondônia e pegaram uma pena menor do que a dele. Ele, então, recorreu pedindo a equiparação. Os ministros acharam a solicitação descabida.

Os senhores bandidos, especialmente os do colarinho branco, em particular os companheiros do colarinho vermelho, façam o favor de, doravante, deixar consignado em ata o crime de quadrilha. É preciso que se reúnam para definir o objeto da associação: “Nós, nesta assembleia, decidimos que estamos nos unindo com o propósito de delinquir…”.

Como deixaram claro em seu voto Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa, esse resultado foi planejado, foi desenhado com antecedência. Apostou-se tudo na procrastinação e na mudança de composição do tribunal. E mais coisa vem por aí. Joaquim Barbosa tem dado sinais de que pode não permanecer no tribunal sob a presidência de Ricardo Lewandowski, cujo biênio tem início em novembro. Há quem assegure que, se ele não sair em abril — prazo máximo para se candidatar a algum cargo, se quiser —, sai antes de novembro. Celso de Mello pode ficar até novembro do ano que vem, quando faz 70 anos, caso não antecipe a aposentadoria. E Marco Aurélio chega aos 70 em julho de 2016. O resultado das urnas pode trazer junto a corte bolivariana.

Parabéns aos ministros, os que estão na Corte e os que já a deixaram, que honraram a toga. Tomara que a história se encarregue dos outros. Não é fatal que esta lhes seja justa. Em boa medida, vai depender da nossa capacidade de não esquecer.

27 Feb 23:58

Juíza é pressionada para condenar Leopoldo López! - Parte II

by G. Salgueiro



Por razões que desconheço completamente, o Blogger está se recusando a publicar o vídeo sobre a denúncia feita por uma amiga de infância da juíza que condenou Leopoldo López, de que a mesma ditou a sentença sob pressão. Faço essa segunda edição porque este vídeo é IMPORTANTÍSSIMO mas só se torna mais compreensível se for vista a primeira parte da edição de ontem do Notalatina.

Depois da enésima tentativa fracassada desde ontem e agora novamente (aparece na página de edição do blog, mas quando publico, ele some), entendi que a única maneira de divulgar este vídeo é indicando o link: https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=c_FpgHV6Qcc 

Peço desculpas por essa falha involuntária. 

Comentário: G. Salgueiro
27 Feb 23:57

Estados Unidos do atraso sul-americano

by giinternet

Excelente o artigo de José Serra, ex-governador de São Paulo, publicado nesta quarta no Estadão. Seguem trechos.
*
Quando o governo Dilma endossou uma nota detestável que o Mercosul emitiu sobre a crise política na Venezuela, que exerce sua presidência rotativa, o atraso político chegava, finalmente, à altura do obstáculo que o bloco econômico tem representado para o Brasil. Explicarei o que quero dizer.

Ao lado das diferenças, durante seus mandatos presidenciais, o coronel Hugo Chávez e Lula tiveram ao menos três coisas em comum. Em primeiro lugar, desfrutaram a mais espetacular fase de bonança externa de que se tem memória, traduzida em juros internacionais no chão e preços de exportações primárias nas nuvens – petróleo, de um lado, produtos agrominerais, do outro. Em segundo lugar, enfraqueceram suas economias, desindustrializando-as e tornando-as muito mais dependentes do exterior em matéria de consumo e bens de investimentos – justo eles, que se diziam de esquerda e, com diferença de graus, anti-imperialistas… Em terceiro lugar, deixaram heranças econômicas amargas para seus sucessores, que se revelaram, infelizmente, plenamente despreparados para governar de verdade, isto é, entender a situação, antecipar-se aos acontecimentos, formular e implantar estratégias de recuperação, saber comunicar-se e amenizar as expectativas pessimistas sobre o futuro de suas economias e de seus países.
(…)
O colapso da política externa brasileira é apenas um detalhe da perda de rumo de um partido e de um projeto de governo que fracassaram. Sua agenda evaporou-se e, agora, os petistas estão à cata de outra qualquer que lhes permita montar, para usar o termo da moda, uma narrativa eficaz para a campanha eleitoral. Com a agravante de que aquela cascata da suposta “herança maldita recebida do neoliberalismo” já não cola. Não é mais possível demonizar as privatizações, agora que o PT se ajoelha no seu altar, orando pelo advento da grande panaceia para tudo.

O governo atual conseguiu a façanha de combinar a estagflação com expectativas péssimas sobre o futuro da economia, piores até do que os principais indicadores justificariam. O grande pesadelo dos agentes econômicos hoje não são o baixo crescimento, os juros siderais (de novo, os maiores do mundo) ou o déficit externo, o terceiro mais alto do planeta em volume e o segundo como porcentagem do PIB. O que os assusta de verdade é a possibilidade de que esse governo se prolongue por mais quatro anos. Haja aflição!

Para ler a íntegra do artigo, clique aqui

27 Feb 23:56

Brasil deverá cair para a 9ª posição entre as maiores economias

by giinternet

Por Talita Fernandes, na VEJA.com:
Ao fim deste ano, o Brasil pode ficar ainda mais longe do posto de sexta economia mundial, ostentado por apenas alguns meses ao longo de 2012. Estimativas da Economist Intelligence Unit (EIU), consultoria ligada à revista britânica The Economist, mostram que o país pode passar da sétima para a nona posição, ficando atrás de outros dois membros dos Brics: Índia e Rússia.

O levantamento feito pela EIU mostra que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil pode encolher de 2,2 trilhões de dólares em 2013 para 2,1 trilhões de dólares em 2014. Entre os principais fatores que provocam a queda estão o baixo crescimento estimado para este ano, de apenas 1,7%, e uma forte desvalorização do real. Para chegar a esses números, foi usado um câmbio médio de 2,44 reais, o mesmo parâmetro usado pelo governo no Orçamento de 2014.

“Depois de ter ocupado brevemente a sexta posição, graças ao boom e a uma taxa de câmbio sobrevalorizada, o Brasil perdeu o seu brilho e isso reflete na queda para a nona colocação, atrás de Índia e Rússia”, afirma Robert Wood, analista da EIU. Contudo, ele pondera que o país ainda seguirá em posição de destaque e deve continuar na mira de investidores. “Apesar da perspectiva de baixo crescimento, o Brasil ainda está entre as dez maiores economias e deve atrair considerável Investimento Estrangeiro Direto (IED), de cerca de 60 bilhões de dólares, este ano.”

Efeito do câmbio
Considerando as nove maiores economias do mundo (veja gráfico), apenas Brasil e Japão tiveram um crescimento tímido do PIB em 2013, provocado pela baixa taxa de alta da economia e pela desvalorização de suas moedas. Enquanto o real teve uma desvalorização de 12,86% – entre janeiro de 2013 e fevereiro de 2014 -, o iene perdeu 15,78% frente ao dólar em igual período. Além disso, os dois países têm a mesma perspectiva de crescimento para 2014, de 1,7%, segundo a EIU, perdendo apenas para a Alemanha e para a França em ritmo de crescimento, cujas economias devem expandir 1,4% e 0,8% neste ano. Já os países que vão passar à frente do Brasil devem vivenciar crescimento de 6% (Índia) e 2,8% (Rússia) este ano.

Apesar de o Japão e o Brasil terem mostrado redução considerável do PIB nominal devido à conversão das moedas locais para o dólar, eles não são os únicos a sofrer com a variação cambial. Outras moedas emergentes, como o rublo (Rússia) e a rupia (Índia) também foram afetados pela diminuição dos estímulos do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) e sofreram desvalorização de 15,14% e 11,55% frente ao dólar, entre janeiro de 2013 e fevereiro de 2014.

Período de ajuste
Contudo, não dá para culpar apenas o cenário externo – desculpa usada com frequência pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega – pela perda de duas posições entre as dez maiores economias do globo. Para o diretor de pesquisas para a América Latina da Nomura Securities, Tony Volpon, os países emergentes vivem um momento de ajuste. Ele explica que tais economias, entre elas o Brasil, se beneficiaram no passado do forte crescimento da China e da ampla oferta de crédito no mercado global. “Todos esses países que estavam dependendo dessas duas fontes vão ter de procurar outras formas de crescimento. Por isso, todas essas economias estão passando por um processo de ajuste”, comenta.

Para ele, esses países precisam agora tomar decisões políticas para retomar taxas maiores de crescimento. Volpon lembra, inclusive, que 2014 é ano de eleições para três dos Brics: Brasil e África do Sul vão eleger novos presidentes e a Índia também vai às urnas para escolher um novo primeiro-ministro.

No Brasil, o analista diz que é necessário fazer mudanças na área fiscal para se conseguir atingir uma taxa de crescimento sustentável acima do patamar de 2%. “A pergunta que tem de ser feita é se queremos ser uma economia de 2% ou 2,5% ou se vamos fazer mudanças para ser um país de 4%. É uma escolha que o país tem que fazer”, diz. Ele acredita que o Brasil vai passar por pelo menos dois anos de ajuste, dado que, por ser ano eleitoral, nem todas as mudanças necessárias serão feitas em 2014. “Vai ter alguma mudança no Brasil porque a situação se impõe. O problema é que o governo faz não porque acredita, mas porque o mercado exige. Com isso, o risco é que as mudanças ocorram muito devagar. E, pior: elas podem parar de acontecer quando a pressão do mercado acabar”, comenta Volpon.

Para o analista, uma das principais mudanças que têm de ser feitas é na quantidade de impostos e na forma em que eles são cobrados, além de uma adequação do tamanho do Estado na economia.

27 Feb 23:56

UK Government Proposes Rules To Allow 'Three-Parent Embryos'

by Unknown Lamer
L

Frightening!

sciencehabit writes "The U.K. government today issued proposed regulations that would allow researchers to try a new and controversial in vitro fertilization (IVF) procedure in patients. The technique could allow women who are carriers of mitochondrial disease to have healthy, genetically related children. But it also transfers DNA from one egg or embryo into another, a form of genetic alteration that could be passed on to future generations. Altering the genes of human egg cells or embryos in IVF procedures is now forbidden in the United Kingdom."

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27 Feb 11:24

Juíza é pressionada para condenar Leopoldo López! Parte II

by G. Salgueiro
Por razões que desconheço completamente, o Blogger está se recusando a publicar o vídeo sobre a denúncia feita por uma amiga da juíza que condenou Leopoldo López, sentenciou sob pressão. Faço essa segunda edição porque este vídeo é IMPORTANTÍSSIMO mas só se torna mais compreensível se for vista a primeira parte da edição de hoje do Notalatina.





Peço desculpas por essa falha involuntária. 

Comentário: G. Salgueiro
27 Feb 11:24

Rolls Royce Developing Drone Cargo Ships

by samzenpus
kc123 writes in with news that Rolls Royce is designing unmanned cargo ships."Rolls-Royce's Blue Ocean development team has set up a virtual-reality prototype at its office in Alesund, Norway, that simulates 360-degree views from a vessel's bridge. Eventually, the London-based manufacturer of engines and turbines says, captains on dry land will use similar control centers to command hundreds of crewless ships. Drone ships would be safer, cheaper and less polluting for the $375 billion shipping industry that carries 90 percent of world trade, Rolls-Royce says."

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27 Feb 11:23

Oh, Bury Me Not

by Russell E. Saltzman

Though I was never one for cemeteries and am not in the habit of visiting the graves of family or friends, I will consent to tour the graves of those long gone, whose tombstones are abraded and lichen-covered. There is a forlorn, lonesome quality to these graves so neglected through time. If the deceased in these places were promised perpetual care, clearly the care has fallen somewhat short of perpetuity.

Once on a wintry November day we toured Concord cemetery and paused—only briefly, for it was uncomfortably cold—before the stones marking the graves of Alcott, Hawthorne, and Thoreau. It was a tourist’s experience, merely taking note of the historically departed. There was no grief to confront, nor any sense of sadness.

Deep in late November’s grip the grounds looked like an unkempt stage for a dark production of Our Town , something intentionally designed to evoke the desolations of death. I remember trees dead in winter bearing gnarled and twisted limbs as we walked through the cemetery.

But that is my impression also of cemeteries for the more recently departed, even when snuggled up in the glowing warmth of spring. I do not like cemeteries.

This comes to mind because recently I visited the graves of my parents for the first time since their deaths. The cemetery was empty of anyone living, except for me and a noisy flock of grazing Canada geese.

It was not deliberate, my graveside visit. I had business nearby and afterward, on the spur, decided to see if their markers were inscribed properly as my parents had wanted. The living do have obligations to the dead, yet beyond that specific duty I see little reason ever to return to their graves, either to pay homage or to assuage grief.

Among the deceased I knew, I know where hardly any of them are buried. I don’t know where my best high school friend lies, except somewhere in southern Missouri, and I’m the one who conducted his funeral. He asked me to do it for him some little while before he died and, best friend though he was through the years, it surely was the meanest thing he ever did to me. I have but vague recollections of where my grandparents are buried.

That will not be the case with my gravesite. There are a series of daydreams I indulge about my own death; one entails the vision of periodic visitors standing about my grave. I know them all: my children, my widow, all regularly gathering to speak of me in tones of loving remembrance, reverently hushed, but mostly wishing I was still around to haul the trash to the street on Thursdays. Or something. And because I am a forgiving sort, the assembly includes even the parishioner I once regarded, fondly, as the Wicked Witch of the West.

We bury the remains of our past, our loves and friends, our family, and the regrets. But it seems, at least to me, that we honor them best largely in ways other than graveside visitations. I have lived long enough now to know the weight of the dead who press on my mind. I think of them, say prayers for them sometimes, but I do not seek their graves, as neither mourner nor tourist. And I don’t know why anyone would do so with mine, but fantasies by definition are sometimes fantastical.

So I have decided I don’t care to be buried. Of course I won’t be around to care about it one way or the other, but if I do get any say, cremation is fine. It’s just as well, I think, to place my “cremains” in a tasteful urn centered atop the mantle, nestled among all the other knickknacks that never get dusted. That’s as good as being buried in an $8,000 plot no one will ever visit. A small tag on the urn with my name would do nicely, and perhaps a sentiment: “The Trash Goes Out Thursdays.”

As she lay dying, St. Augustine’s mother said it for me: “You may lay my body anywhere; never mind about that. All I ask is that you remember me at the altar of the Lord.” 

Russell E. Saltzman is a dean in the North American Lutheran Church, assistant pastor of St. Matthew’s Church in Riverside, Missouri, and an online homilist for the University of Mary Christian Leadership Center. His latest book, Speaking of the Dead, is being published this year by ALPB Books. His previous articles can be found here. 

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27 Feb 11:23

Among the Snake Handlers

by Peter Lawler

Years ago, I went twice to the snake-handling Church of the Lord Jesus Christ in Kingston, Georgia—about twenty miles from where I live. It wasn’t my unbounded personal curiosity that led me to that church the first time. I went with a group of Christian sociologists who were meeting at Berry College, where I teach. I had given them their keynote address, and so it seemed rude not to see their party through to its conclusion.

The first thing that impressed me about the snake-handling church was the complete absence of the written word. There were no words—including Bibles—anywhere inside. Can men and women who believe in every word of the Bible really put so little emphasis on reading it? They can, because they’re so familiar, in their own minds and hearts, with all the key words of it.

Anyone could preach, and many did. The service (if that’s the right name) went on for over four hours, until all the preaching was done. The preachers were mainly mature men who had had tough lives—often truck drivers, sometimes time in prison, and so forth. Their preaching was wonderfully emotional and full of Biblical references and hopeful confidence. There was a very old woman called “the prophetess” with spectacularly long grey hair who preached with the best of them.

The service was so long that just about everyone took a break from time to time, went out to the parking lot with the pick-ups, had something to eat and (non-alcoholic) to drink.

There wasn’t exactly any speaking in tongues, but there were times when everyone said his or her personal prayer simultaneously (and very loudly). More Holiness than Pentecostal in the precise sense? I’m no expert.

There was frenetic rockabilly music that had, among other things, the effect of stunning the snakes while rousing the believers almost into a trance.

There were some words on safe snake handling. We were told it’s only for the experienced and only those genuinely called should do it. That was an important warning, because there were a significant number of sociologists present, and nobody would benefit if one of them went rogue.

Snaking handling isn’t meant to be safe for those who do it. There were men there who had been bitten repeatedly—one thirty-one times. The danger of dying is greatest the first time, because you quickly build up immunity. Those called also drank poison without any ill effects; I’m not sure how that works.

Snake-handling is nothing if not a real test in trusting every word of the Bible. So you don’t get medical treatment if you’re bitten.

The snakes were large and beautiful rattlers brought in from West Virginia. They don’t eat in captivity, and so the supply has to be regularly replenished.

There were almost no kids. Young people aren’t going into snake handling these days, I guess.

In addition to the importance of faith for salvation, the part of Christianity most on display is the equality of all creatures under God, the indifference to worldly distinctions or status. That’s the same part we see, of course, in Robert Duvall’s Holiness movie The Apostle. I agree with Gabriel Rossman that the insistence on equality in the most important respect is especially stubborn and lived, at least at church. Jesus is capable of turning all of our lives around, and there’s no person so lost or low that he or she can’t be reached by “Holy Ghost power.”

The Apostle, from one view, is high church by comparison. The preacher carries a Bible, and the hymns are mainstream Protestant. But the The Apostle is more “inclusive”—the congregation there is both black and white, fat and fatter, and even more obviously deprived. To be fair, there are virtually no black people in the poor Appalachian region inhabited by the snake handlers. And they are sometimes the poorest of the poor—and always the marginalized.

There’s all kinds of negative stuff I could say about the inadequacy—and aching vulnerability—of the belief of the snake handler. But why bother? None of my readers are going to be tempted in their direction.

America, some complain, is the land of heretics, and so it is. We have more Christian heresies on display than any other country, and some of them are found almost only in America. Heresies aren’t all bad, because they put in neon letters a feature about who we are that we might otherwise neglect or forget.

When I teach constitutional law, I treat snake-handling as a gray area when it comes to religious liberty under our Constitution. The limit to that liberty is the rights of others, beginning with the right to self-preservation. The faith of the snake handler encourages behavior which is needlessly personally destructive and so a crazy violation of the law of nature according to our founding philosopher John Locke. A church with roused up men handling snakes could hardly be called a safe space. But handling is, after all, voluntarily chosen and (at least almost always) hurts no one but the handler himself. So some states are permissive—and others repressive—when it comes to snaking handling as a religious practice.

I’m not sure what we can learn about snaking handling that can illuminate our present controversies over religious liberty. Well, maybe that’s the point. Our historical answer has been to be reluctant to apply high principle to tough cases, but to err on the side of accommodating the practice of good people whose lives are completed by faith. The Yoder decision that exempted the Amish from valid secular policy concerning compulsory education neglected principle on behalf of prudence. What’s the harm? And, of course, there’s plenty of good in giving the Amish the space they need to live their faith as they understand it. The Amish are in many ways our models of responsible, self-reliant American life.

The snake handlers could never win a similar victory in our courts. They’re much less fashionable. Who’s less fashionable, in fact? But can’t we say that the snake-handling churches do more good than harm for particular persons? Lives really are transformed in the direction of responsible citizenship by genuine faith. It’s easier, in some ways, to side with the snake handlers than the Amish. After all, they seem to require nothing of their believers in or outside of church but faith, and they do nothing that affects the rights of those who don’t share their belief. For me, our great history of religious accommodation means erring on the side of our singular diversity of churches as organized bodies of thought and action. So my state of Georgia is correct in letting the church be, without making a big deal out of it.

In thinking about the snake handlers, we have to remember that, for our sophisticates today, they aren’t any stranger or more deluded than those poor women wasting their lives as Little Sisters of the Poor. Maybe in the most important respect, our country’s dominant tendency is to be less accepting of real diversity than ever.

Peter Augustine Lawler is Dana Professor of Government at Berry College in GeorgiaHis previous articles can be found here.

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27 Feb 11:21

Casos de tortura são relatados em meio a repressão na Venezuela

by giinternet

Por Diego Braga Norte, de Caracas, na VEJA.com:
“A tortura é a pior forma de violência do Estado. Os jovens venezuelanos torturados mostram que a máscara de democracia do regime caiu”. Com estas palavras, a deputada opositoraMaría Corina Machado denuncia os casos de tortura relatados na Venezuela desde o início da onda de protestos contra o governo, há mais de duas semanas. A ONG Foro Penal Venezuelano tem documentados dezoito casos. “Todas estas pessoas tiveram seu direito de defesa violado. Não foi permitido que entrassem em contato com seus advogados e foram forçados a assinar um documento reconhecendo que, sim, foram atendidos por advogados”, afirmou o diretor da organização, Alfredo Romero.

Um dos relatos mais abomináveis é o de um estudante de 21 anos que disse ter sido agredido e violado por um cano de fuzil por integrantes da Guarda Nacional Bolivariana, em Valência, no estado de Carabobo, na noite do dia 13. “Ele chegou em sua casa com muitos hematomas e escoriações após deixar a prisão”, disse a deputada, que conversou com a mãe do jovem.

“Bateram muito em mim, nas costelas, na cabeça. Caí no chão e me chutaram”, contou o jovem em entrevista à imprensa local. “Quando chegamos ao Comando da Guarda Nacional em Tocuyito [cidade vizinha de Valência] passamos por um cão e ordenaram para ele me morder” – prossegue o relato. “Abaixaram minha calça e colocaram o cano de um fuzil em meu ânus”.

Em outro caso, publicado pelo jornal espanhol El País, um jovem de 23 anos foi detido por agentes do Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin) no dia 12, quando três pessoas morreram nos protestos. A família ficou sem notícias do jovem detido durante 30 horas. Neste período, segundo relato da mãe, que não quis se identificar com medo de represálias, ele foi espancado de forma selvagem, recebeu descargas elétricas no pescoço e foi alvo de pauladas. “Isso sem contar a tortura psicológica. Diziam a ele que estavam violentando a mim e à irmã dele”.

Os casos compilados pela ONG incluem um vasto repertório de crueldades: sacos na cabeça, choques elétricos, espancamentos com bastões de madeira. O Foro Penal, que presta assistência jurídica para manifestantes presos e torturados, afirmou ter levado os casos ao Ministério Público venezuelano e garantiu que seguirá acompanhando os processos. A Fiscal Geral da República, Luisa Ortega Díaz, que comanda o Ministério Público venezuelano, afirmou que “não é verdade que houve violação de acordo com o reconhecimento forense. Todos os testes provaram que esta afirmação não é verdadeira” (…) “O médico determinou um diagnóstico de contusões leves”.

As fotos do jovem que violentado, porém, mostram muito mais que contusões leves. “Ele está com marcas de violência da cabeça aos pés e me disse que assim que puder, vai retornar às ruas para protestar. Os valores humanos não são negociáveis, a vida humana não pode ser assim agredida pelo Estado”, ressalta María Corina.

A agência de notícias estatal afirmou, nesta quarta-feira, que cinco funcionários da Sebin foram detidos por suspeita de envolvimento com a morte de duas pessoas no dia 12 de fevereiro, em Caracas. Uma das vítimas foi o estudante de 24 anos Bassil Alejandro Dacosta, atingido por um tiro na cabeça. A outra foi Juan Montoya, membro de uma milícia paramilitar que também fazia parte do corpo policial de Caracas. Ele estava à paisana e foi atingido por dois tiros, um na cabeça e outro no peito.

O presidente Nicolás Maduro afirmou, dias depois da morte dos dois, que integrantes da polícia política havia desobedecido uma ordem de permanecer nos quartéis e atuado por conta própria nos protestos. A tentativa de isolar o caso se choca com a realidade do endurecimento da repressão aos estudantes e à oposição com o uso de milícias para atacar os estudantes. Os homens armados que atiram nos jovens e se deslocam em motos não agem sem o aval da cúpula chavista.

Papa Francisco
Nesta quarta, o papa Francisco pediu “perdão recíproco e diálogo sincero” na Venezuela. Dizendo-se “particularmente preocupado” com a situação no país, o pontífice fez um chamado aos políticos para quem tomem a iniciativa de acalmar a nação. “Eu espero sinceramente que a violência e a hostilidade terminem tão logo quanto possível e que o povo venezuelano, a começar com as instituições e políticos responsáveis, atue para forjar a reconciliação nacional por meio do perdão mútuo e diálogo sincero”. As discussões têm de ser baseadas na “verdade e justiça”, acrescentou Francisco, e ser capazes de enfrentar “questões concretas para o bem comum”.

Na capital, Caracas, houve novas manifestações nesta quarta. Mulheres partidárias da oposição saíram às ruas vestidas de branco para uma passeata silenciosa até a base da Guarda Nacional. Elas levavam fotos de vítimas dos protestos. “Vocês podem desobedecer a ordens ilegais. Vocês podem refutar um superior se ele os forçar a cometer um crime… não manchem a honra de sua família”, disseram, em uma carta aberta aos soldados. Também em Caracas, agricultores seguiram numa marcha até o palácio presidencial para expressar apoio a Maduro. Vestidos de vermelho, a cor do governista PSUV, eles ocuparam o centro da cidade sob o slogan “semeando paz e colhendo vida”.

27 Feb 11:21

Grupo armado toma as sedes do Parlamento e do governo da Crimeia e hasteia bandeira russa

by giinternet

Na Folha Online:
Um grupo armado tomou nesta quinta-feira as sedes do Parlamento e do governo da região autônoma da Crimeia, no sul da Ucrânia, informou a rede de televisão local ICTV. ”Fui informado que os edifícios foram tomados por homens armados uniformizados e sem distintivos. Por enquanto, não apresentaram reivindicações”, declarou Refat Chubarov, deputado da Rada Suprema (Parlamento) da Ucrânia. O legislador, dirigente da minoria tártara da Crimeia, fez um pedido aos moradores de Simferopol, a capital da república autônoma, para que não se aproximem dos edifícios, que foram cercados por forças policiais. Segundo imagens, o grupo que tomou o controle do edifício do Parlamento hasteou uma bandeira da Rússia no local.
(…)
A península da Crimeia, banhada pelo Mar Negro, conta com 2 milhões de habitantes, dos quais quase 60% são russos, 25% ucranianos e 12% tártaros.
(…)
Na terça (25), o deputado russo Leonid Slutsky visitou a região e disse que presidente russo Vladimir Putin protegeria os interesses da maioria russa. Ontem, o Kremlin anunciou um exercício militar em bases da região oeste e central russas, próximas à fronteira da Ucrânia. O ministro da Defesa russo, Sergei Shoiguas, afirmou que Moscou “acompanha com cuidado” o que acontece com a Crimeia. Horas depois, a Chancelaria emitiu uma nota dizendo que “os extremistas ucranianos estão impondo sua vontade” e ameaçaram a Igreja Ortodoxa Russa. Moscou também enviou um representante para vigiar o cumprimento dos direitos humanos no país vizinho. A interferência russa foi criticada pelos ex-mandatários ucranianos Leonid Kravchuk, Leonid Kuchma e Viktor Yushchenko. Para eles, Moscou faz “uma intervenção direta” na Crimeia, o que poderia levar a um conflito étnico. O temor é que ocorra na Crimeia uma invasão similar à feita na Geórgia, em 2008, para proteger Províncias de maioria russa.
(…)

27 Feb 02:14

Bolsonaro é derrotado para Comissão de Direitos Humanos da Câmara, mas vence. Ou: Os parceiros Bolsonaro, Feliciano e Jean Wyllys

by giinternet
Assis do Couto: novo presidente da comissão já está sob patrulha

Assis do Couto:  presidente da comissão já está sob patrulha

Bolsonaro: quase presidente; resultado já é vitoria

Jair Bolsonaro: quase presidente; resultado já é uma vitória

Tenho uma paciência infinita pra debater mesmo o que me parece óbvio, por mais irritante que seja ver as patrulhas de sempre a… patrulhar — e, o que é mais espantoso, com resultados às vezes contraproducentes até para as suas próprias teses. Vamos lá. O deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) foi derrotado por Assis do Couto (PT-PR) na disputa pela presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorais da Câmara. O parlamentar do Rio contava com o apoio de Marco Feliciano (PSC-SP), o ex-presidente. Foi uma derrota com sabor de vitória: 10 votos a 8. Dadas a atuação de Bolsonaro, sua retórica exacerbada, seu ânimo para a provocação, foi um desempenho e tanto. Intuo que nem ele esperasse resultado tão expressivo. Há duas semanas, militantes do sindicalismo gay circulam pelos corredores da Câmara provocando o parlamentar do PP, com gritaria, beijaço, essas coisas. Ele não se faz de rogado. Nesta quarta, respondia ao deboche com deboche: “Quando eu for eleito, a primeira coisa que vou fazer é convocar um seminário para vocês aprenderem a ser homens! Vão ser os mais machos do país! Isso aí é falta de surra!”. E o outro lado fazia o de sempre: “Fascista, homofóbico, reaça…”. À sua maneira, é bom que fique claro, eles se entendem e são protagonistas de uma mesma narrativa.

Nas próximas eleições, o deputado gay Jean Wyllys (PSOL-RJ) certamente terá muito mais do que os ridículos 13 mil votos com que chegou à Câmara — eleito, na verdade, por Chico Alencar. Em 2014, corre o risco de superar o outro. Gente como Bolsonaro e Feliciano fortalece Wyllys por motivos óbvios. E o contrário também é verdade: quem tem esse parlamentar do PSOL como principal adversário nem precisa fazer campanha. Assim, os três — dois no Rio e um em São Paulo — certamente estarão entre os campeões de voto de 2014. Segredo de cada lado: um grita “fascista!”; o outro responde (ou o contrário): “Bicha!”. E todos eles se entendem atraindo eleitores. Que fique claro: não estou discutindo os méritos da convicção de cada qual. Podem até ser sinceros no que dizem de bom e de ruim.

De volta ao leito. Por que a derrota de Bolsonaro é uma vitória? Em primeiro lugar, como está claro, porque a votação foi muito expressiva. Em segundo lugar, porque a derrota da chamada “pauta das minorias” se deu intramuros, na votação feita no próprio PT para decidir quem seria o candidato do partido: o moderado (em matéria de costumes) Assis do Couto venceu o mais esquerdista Nilmário Miranda (MG) por 35 votos a 22. Se o adversário de Bolsonaro tivesse sido Nilmário, o resultado poderia ter sido outro.

A patrulha já começou
Muito bem! A patrulha das ditas “minorias” contra o petista vencedor já começou. Ele integra no Congresso a “Frente Mista em Defesa da Vida Contra o Aborto”, o que faria dele, mesmo sendo petista, uma reacionário, incompatível para o cargo. Couto ainda tenta se justificar perante esses tribunais, afirmando que integrar uma frente não quer dizer concordar com todas as propostas; que uma coisa são suas convicções — é católico —, outra, suas obrigações como parlamentar e coisa e tal. Nada disso convence as milícias do abortismo.

Por que chamo “milícias”? Porque é um absurdo que se parta do princípio de que o membro de uma Comissão de Direitos Humanos e Minorias tenha de ser, necessariamente, favorável ao aborto. Desconheço qualquer país do mundo ou legislação que considerem a interrupção da gravidez um dos direitos do homem. Essa perversão moral só frutifica por aqui e só encontra guarida na imprensa brasileira. Mundo afora, mesmo nos países em que o aborto é legal, a questão se insere nos temas de direito da família, dos direitos reprodutivos da mulher, dos direitos individuais etc. Não concordo, evidentemente, com nenhuma dessas classificações para o caso, mas me parece bastante mais honesto do que chamar a morte do feto de “direito humano”. Aí alguém grita: “É um direito humano da mulher, Reinaldo Azevedo!”. Sei. E se o pai, por exemplo, for contra? Em que categoria se encaixa a sua restrição?

O problema dessas patrulhas — sindicalismo gay, abortistas etc. — é que, ao contrário do que dizem, repudiam o debate democrático e o confronto de ideias. Ou as pessoas aderem à sua pauta ou são irrevogavelmente reacionárias e têm de ser banidas do espaço público. Como esquecer que tentaram arrancar Feliciano da comissão na marra, ao arrepio de qualquer lei, como se ele não tivesse o direito de estar lá? E ele, é claro!, tinha.

A natureza da militância, sei bem, é não descansar nunca. Noto que essa gente nem mesmo se ocupou, vá lá, de comemorar a vitória contra Bolsonaro. Já saiu empurrando o novo presidente da comissão contra a parede. Essa pressão fascistoide está gerando efeito contrário ao pretendido. Por muito pouco, o novo presidente da comissão não é Bolsonaro.

Texto publicado originalmente às 22h31 desta quarta
27 Feb 00:34

Copom eleva Selic a 10,75% — mesmo patamar de quando Dilma assumiu

by giinternet

Na VEJA.com:
O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) aumentou em 0,25 ponto porcentual, para 10,75% ao ano, a taxa básica de juros (Selic) nesta quarta-feira, em decisão unânime, sem viés – ou seja, a decisão é válida até o próximo encontro, em abril de 2014. Trata-se da oitava elevação consecutiva do juro básico da economia desde o início do ano passado. A trajetória de alta teve início em abril do ano passado quando a autoridade monetária subiu a Selic de 7,25% (mínima histórica) para 7,5%. É a maior taxa de juros desde janeiro de 2012 — e também é exatamente a mesma cifra de quando a presidente Dilma Rousseff assumiu o comando do país, em 2011. Segundo dados do BC, desde o ano de 2004 não havia uma trajetória tão longa de alta dos juros.

Votaram por essa decisão o presidente do BC, Alexandre Tombini, e os diretores Aldo Luiz Mendes, Altamir Lopes, Anthero de Moraes Meirelles, Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo, Luiz Awazu Pereira da Silva, Luiz Edson Feltrim e Sidnei Corrêa Marques. Assim como no encontro do Comitê em janeiro, o comunicado divulgado junto com a nova taxa não deu qualquer sinalização sobre as razões que nortearam a decisão.

A manutenção do ritmo de aperto monetário foi motivada pelo cenário inflacionário e pelo câmbio. Ainda que em trajetória de desaceleração, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumula alta de 5,59% em 12 meses terminados em janeiro, bem acima do centro da meta, que é de 4,5% ao ano. Já o IPCA-15, prévia do índice oficial, avançou 0,70% em fevereiro, acima do esperado. A desvalorização do real ante o dólar também é um componente importante da pressão nos preços, sobretudo devido ao aumento das importações verificado ao longo de todo o ano passado e início de 2014.

Para este ano, o BC ainda terá de considerar um impacto extra que poderá jogar contra o controle da inflação: a energia. Ainda que o impacto do religamento das térmicas não chegue aos bolsos dos consumidores em 2014, o risco de racionamento ainda é real. O governo aguardará até o mês de abril para decidir se haverá ou não um plano emergencial para sanar o problema de estiagem que afeta os reservatórios do Centro-Sul do país. O ministro Edison Lobão, que antes desconsiderava qualquer possibilidade de aumento da conta de luz, aventou o tema no início de fevereiro. Segundo o ministro, se os consumidores quiserem mais segurança energética, terão de pagar mais.

Outra variável no radar da autoridade monetária é a Petrobras. Diante das dificuldades de caixa enfrentadas pela empresa e do aumento de 36% de seu endividamento no ano passado, um novo reajuste nos primeiros meses do ano é previsto. Em 2013, foram três elevações nos preços fixados pelas refinarias.

O BC, contudo, tem dado sinais contundentes de que não está disposto a abandonar o jogo. O presidente Alexandre Tombini tem, inclusive, liderado uma ofensiva para convencer o mercado de que o Brasil está fazendo o possível para domar a alta dos preços. Tombini defendeu a política monetária do BC em eventos internacionais, como o Fórum Econômico Mundial, em Davos, e o encontro dos países do G20, na Austrália. Além disso, reuniu-se com jornalistas do Financial Times no início do ano para tentar desarmar o jornal britânico após as inúmeras críticas feitas em suas páginas à condução da economia brasileira. O movimento, até agora, rendeu frutos. Em editorial publicado nesta quarta, o FT afirma que mudou de opinião sobre a condução da política monetária brasileira.

Tombini também deu entrevistas à imprensa nacional detalhando de forma mais clara — algo pouco usual desde que se tornou chefe do BC — a atuação do órgão para frear o tombo do real. Em 12 meses, a moeda americana se valorizou 18,8% ante o dólar.

Efeito bumerangue
A elevação da Selic nesta quarta-feira era esperada, mas não deixa de ser emblemática. Ao retornar ao mesmo patamar de janeiro de 2011, quando Dilma entrou na presidência e nomeou Tombini para o BC, os juros são exemplo claro de como deu errado a truculência da presidente em tentar mudar à força o tripé econômico do país. Depois de ordenar a queda dos juros entre agosto de 2011 e novembro de 2012, sem que os fundamentos econômicos (e a inflação) oferecessem condições reais de queda, o governo foi criticado e o BC enfrentou um duro momento de perda de credibilidade. A volta ao mesmo patamar de três anos atrás mostra que, nem sempre, as vontades palacianas se sobrepõem às do mercado.

O corte orçamentário anunciado na semana passada é outra demonstração de que decisões de cunho contracionista (que apertam a economia em vez de estimulá-la) são necessárias, ainda que, bem lá no fundo, o governo determine tais ajustes (de 44 bilhões de reais) muito a contragosto — sobretudo em ano eleitoral, quando as torneiras costumam ser escancaradas.

Tanto a alta dos juros quanto os cortes mostram que o Palácio do Planalto está determinado a recuperar os três anos perdidos em que tolerou uma inflação mais alta para permitir que a economia crescesse com mais vigor. Diante do pibinho de 2012 (crescimento de 0,9%) e dos 2% esperados para a manhã desta quinta-feira, não é exagerado dizer que o sacrifício da inflação em nome do PIB foi em vão.

27 Feb 00:13

Coriolanus Alone

by Kate Havard

Coriolanus didn’t die for Rome’s sins. But there’s a moment early on in Josie Rourke’s production of Coriolanus that might make you wonder if she thinks he did. In it, the Romans take their bloodied hero (played by Tom Hiddleston), crown him with a thorny garland, and hoist him up above them. He looks rather Christ-like, sitting up there, even if the Christ imagery doesn’t make much sense.

This is a weird choice. Coriolanus has a reputation for being one of Shakespeare’s less lovable plays, probably because its anti-democratic spirit is jarring to modern audiences. It tells the story of the powerful but proud Coriolanus, a Roman, who is so strong he can conquer an entire city by himself. After winning a war, he attempts to run for the office of consul, but refuses to pander to the Roman people. They reject and banish him. Coriolanus swears revenge. He joins with an enemy army (led by his nemesis Aufidius) and marches to destroy Rome. A last minute intervention makes him hesitate, and Aufidius’s men slaughter Coriolanus in an ambush.

Suffice it to say: Coriolanus probably ranks rock bottom on a list of “Shakespeare’s Most Christ-like Heroes.” He hates most people. He has no real allegiance to anything other than himself, quickly turning on the Romans. He is willing to burn his city to the ground, with his mother, wife, and child inside it. He is not any kind of savior at all.

Rourke’s occasional use of Christ imagery for Coriolanus is just one of many ways she softens his image throughout the production. At the battle of Coriles, Coriolanus addresses a group of soldiers who failed to follow him into battle, leaving him to fight within the city alone. On his second attempt to get them to fight, Coriolanus urges the men: “Me alone/Make you a sword of me.” These lines are usually a rallying cry. But Hiddleston goes soft where you expect him to roar. He lets the question hang: What am I to you?

Here, Hiddleston’s Coriolanus suffers a moment of clarity. He realizes what he is to his soldiers (and to the city of Rome): an instrument, only loved so far as he is useful. This Coriolanus wants to be loved, not used.

That makes him very different from Shakespeare’s Coriolanus, who does not long for the approval of the common people “whose breath I hate/As reek o’ the rotten fens, whose loves I prize/As the dead carcasses of unburied men.” Coriolanus is angry when dishonored, because he knows he deserves honor. By making him sad instead of angry, Rourke refuses to take the ferocious Roman at his word.

In other productions (like the Ralph Fiennes movie from 2011) Coriolanus exalts at being Rome’s sword, and in doing so, displays a different kind of self-knowledge from Hiddleston’s Coriolanus. He knows he is better suited to be a weapon than to be a consul: “I had rather be a servant in my way,” he says, “than sway with [the people] in theirs.”

An astute, aware, uncompromising Coriolanus is far scarier than a man who is hurt at the people because they don’t appreciate him enough. His detachment and his strength make it impossible for him to be a friend or even a citizen. At one point, he asks his commander to pardon an enemy citizen who had shown him kindness and spared his life. The general is willing, but Coriolanus cannot remember the man’s name and so cannot save him. This moment emphasizes his detachment—if it bothers him, he quickly forgets about it.

After the battle, Coriolanus returns home. His family and friends push him into running for office. To be approved, he has to go into the marketplace among the common people, and show off his battle scars, which he doesn’t want to do. It would debase him, he says. So he goes to the market, and talks about his scars, but will not show them. This refusal costs him the consulship and sets the rest of the play on a course toward tragedy.

Not showing his scars is important. It’s the most important decision Coriolanus makes in the play. Yet Rourke, in her quest to humanize him, does something Coriolanus would hate: She gives Hiddleston a shower scene, where the audience gets to see everything the Romans don’t. The scars are very painful looking and as the water hits him he howls in pain. We pity him. But by giving us a glimpse into Coriolanus’ private world, Rourke injects into the play what Shakespeare deliberately leaves out.

Coriolanus may have little loyalty to Rome, but he is the perfect Roman, and in this play, that means he is utterly self-denying. A thoughtful audience will be as impressed by Coriolanus’ martial virtues as they are aware that those virtues come with a cost. When Coriolanus is portrayed limping around in pain or embracing his family or weeping, his decision to march on Rome becomes inexplicable. Rourke won’t let him be the creature Shakespeare made: beautiful and terrible and heartless. She insists that he must have a heart. For if Coriolanus is so great—and he is—mustn’t he also be good, as we commonly understand it?

Not in ancient Rome: What makes Coriolanus the greatest man in Rome makes him the greatest threat to Rome. His strength makes attachment to the city unnecessary. Rourke tries to humanize Coriolanus, but in doing so she makes him an easily manipulated strongman without any of the greatness.

These flaws haven’t stopped Rourke’s Coriolanus from becoming wildly successful: Most people who will view it will see it in “encore” screenings shown around the world, because the stage version sold out. This popularity is partly because of Tom Hiddleston’s ardent and quivering fan base. But the aspects that Rourke injects into the play make it oddly suited to the current political moment.

Shakespeare makes the Roman mob especially ugly: They are fickle, changeable, and cowardly. And the elected officials who warn the people off of Coriolanus, threatening that they will be abandoned by him if he becomes counsel, are a bunch of weasels.

Weary as we are of government-by-catastrophe—debt ceilings, fiscal cliffs, and impending shutdowns—Coriolanus’ Rome seems frightfully modern; his exasperation, believable. Congress has an approval rating of 13 percent.

It’s commonly thought that the people that you actually want in elected office will never run because they wouldn’t or couldn’t dirty their hands in the nasty world of politics. By making Coriolanus so feeling and so sympathetic—as Rourke does—it becomes a story of the tragedy of democracy.

But Coriolanus’ hate of the unwashed many means he longs for the clean effectiveness of tyranny. Coriolanus doesn’t disdain politics because he is too sensitive and noble to lie or to pander. He fails politics because he thinks men are for killing, not for ruling. They do not deserve to be persuaded. The people recognize that he despises them, and so they reject him.

Coriolanus’ death is tragic, but it is not unjust. This is not the story of a good man brought down by a base people unable to comprehend his virtue. The very qualities that make him great make his destruction necessary. Coriolanus values nothing above his personal honor—not his family and not his city. This virtue, which makes him a perfect Roman, ends up making him a mortal threat to Rome.

Rourke gives Coriolanus a death scene where she emphasizes how devastated he is by the betrayals of others. Cast out of the city, Coriolanus had teamed up with Aufidius in order to attack Rome. When Coriolanus decides not to attack Rome, Aufidius and his men ambush him and kill him. Normally, Coriolanus goes down fighting—but not this time. Instead of fighting to the end, Coriolanus gives in and puts up little resistance as they hang him up by his ankles, slit his throat, and bathe in his blood. He bleeds out like a butchered animal.

It is shocking—and sad—and fitting for this production. Such a passive death befits Rourke’s suffering soldier. But Coriolanus should die fighting. By focusing on Coriolanus’ pain, Rourke turns him into a sacrificial figure. But the truth about Coriolanus is that his isolation comes not from self-sacrifice but from his willingness to sacrifice others. He didn’t die for Rome’s sins—but Rome almost burned for his.

Kate Havard is a journalist in New York City and a Tikvah fellow. You can see if there’s an encore screening of Coriolanus in your area here. Image from Donmarwarehouse.com

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26 Feb 23:49

A canelada jurídica vergonhosa de Barroso, líder do “novo constitucionalismo” que pode ser apenas o velho baguncismo

by giinternet

Roberto Barroso se considera um partidário do “novo constitucionalismo”. Já li um livro seu a respeito. Entendi que “novo constitucionalismo” é tudo aquilo que agride a Constituição, mas que conta com o apoio de grupos organizados ditos “progressistas”.

Nesta quarta, ele decidiu inovar: por incrível que pareça, em vez de simplesmente dar provimento aos embargos e inocentar os réus do crime de quadrilha, resolveu fazer o que chamou de “preliminar de mérito” e declarar prescrita a pena de quadrilha.

Ora, só se pode declarar prescrita uma pena que foi referendada pelo tribunal. Se foi, então a posição de Barroso não era pela absolvição. E o que se votava ali, na prática, era condenação, conforma a antiga maioria, ou absolvição, conforme a minoria.

Coube à ministra Cármen Lúcia lembrar que não existe preliminar de mérito nessa fase do julgamento. Isso não é “novo constitucionalismo”. É só a velha embromação ou ignorância de causa. Ou Barroso não conhece as regras ou estava tentando se livrar da pecha de inocentador de mensaleiro.

Desmoralizado pela argumentação — ainda que doce — de Cármen, de Marco Aurélio e do próprio Barbosa, viu-se obrigado a reformar o seu voto e dar, então, provimento aos embargos, inocentando todo mundo.

Reitero: o sr. Roberto Barroso tentou, numa votação que daria ou não provimento aos embargos infringentes, reformar a dosimetria da pena de quadrilha para declarar a sua prescrição. 

Texto publicado originalmente às 18h37 desta quarta